Viagem da mente

dangmoura

Um aprendizado sobre a felicidade

e outras questões da vida

DANILO MOURA

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Meu agradecimento a meus pais e a todas

as pessoas que passaram pela minha vida,

me ajudando a aumentar o meu nível

de consciência.

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O livro

Esse livro começou a ser escrito, quando eu percebi que era uma pessoa

ansiosa e estava num momento de evolução em que pouco a pouco,

conseguia me tornar uma pessoa menos ansiosa. O foco então do livro

era a ansiedade e como diminuí-la.

Como sou uma pessoa que possui infinitos interesses, não me prendi

a um assunto específico, mas deixei o livro aberto a tudo que vinha a minha

mente durante o ato de escrever. Foi assim que escrevi desde fatos

científicos e não científicos, falando também sobre saúde física e mental.

Como comecei aos poucos e fui me entregando a fluidez do ato de

escrever, o livro acabou se transformando num apanhado de tópicos

sobre felicidade e vários outros assuntos que a meu ver contribuem para

uma vida mais feliz, e assim termos relações muito melhores com as

pessoas que amamos.

Este livro não é só pra você, na verdade eu escrevi esse livro para por

pra fora, todas as minhas angústias e como venho conseguindo acalmá

-las, dia após dia, aumentando o meu nível de consciência. Desculpe a

sinceridade, mas é a mais pura verdade. Esse livro é um presente para

eu mesmo.

Felicidade é uma vibração intensa, um momento em que sentimos

a vida em plenitude dentro de nós e queremos que aquilo se eternize.

Felicidade é a capacidade de ser inundado por uma alegria imensa por

determinado instante ou situação, aliás, segundo Mário Sergio Cortella

felicidade não é um estado contínuo, mas sim uma ocorrência eventual.

A felicidade é sempre episódica e nós sempre a percebemos quando

temos também a carência como contraponto. Caso a felicidade fosse

contínua, nós não a perceberíamos pois não existiria base de comparação.

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Ansiedade

A ansiedade é uma epidemia mundial, uma em cada três pessoas

sofre ou vai sofrer de um quadro ansioso em suas vidas.

Ao contrário do medo, que é uma reação a ameaças concretas, a

ansiedade está mais para um mecanismo de antecipação dos aborrecimentos

futuros. A dificuldade começa, quando deixamos de nos mover

pra frente por conta de uma preocupação e antecipação exagerada dos

problemas ou desafios futuros.

Pode-se dizer que a ansiedade num nível controlado, é algo positivo

que nos põe dispostos para as lutas diárias. O problema é que com as

redes sociais, pressões com o trabalho, busca por resultados, e cobrança

pessoal, ficamos o tempo inteiro em estado de alerta, preocupados antecipando

coisas que muitas vezes nem sabemos explicar. A ansiedade

em muitos casos podem levar a um ataque cardíaco ou evoluir para um

quadro de depressão.

Dizer para uma pessoa ansiosa que ela deve relaxar, se preocupar

menos, e diminuir seu ritmo mental, pode até parecer algo que ajudará,

porém muitas vezes nem a própria pessoa consegue explicar como esse

transtorno mental e físico acontece.

Às vezes podemos achar que estamos ficando loucos, pois como antes

conseguíamos controlar as nossas emoções e pensamentos, num estado

ansioso ou depressivo, ficamos a mercê das nossas emoções.

Desânimo, cansaço físico, taquicardia e falta de ar são alguns dos

sintomas que uma pessoa ansiosa pode sentir. Após anos com esses sintomas

a vida pode começar a desandar e a pessoa antes ansiosa, pode se

tornar depressiva.

No Brasil, 5,8% da população sofre com a depressão e 16% das pessoas

terão depressão ao longo da vida. Ela afeta um total de 11,5 milhões

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de brasileiros. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde

(OMS), o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América

Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando

atrás somente dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos.

A depressão é uma das doenças que mais afasta pessoas do mercado

de trabalho. Em 2016, 75,3 mil trabalhadores brasileiros foram afastados

de suas atividades por causa da depressão, com direito a recebimento de

auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram

37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais

e comportamentais, que incluem não só a depressão, mas também o estresse,

ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia e transtornos mentais

relacionados ao consumo de álcool e cocaína.

O estresse mata

Além de afetar muito a nossa qualidade de vida, pode levar a sintomas

de depressão e ansiedade, cada vez mais sabemos que o estresse

pode sim levar ao comprometimento da saúde física e até a morte.

Até 80% das consultas em prontos socorros com clínicos gerais são

devido a quadros ocasionados pelo estresse, e mais ainda, no Brasil o estresse

é a quarta principal causa de infarto agudo do miocárdio, perdendo

apenas para o colesterol, cigarro e pressão alta. Mas como o estresse

afeta nossa parte física e principalmente cardiovascular?

Os cientistas vêem dois principais mecanismos pelos quais isso

acontece. O estresse faz com que nossa medula óssea, produza mais leucócitos,

que são glóbulos brancos, responsáveis pelo nosso sistema imunológicos

e combate a infecções. Com a produção excessiva de glóbulos

brancos, que são células de defesa, começam a se acumular nas paredes

dos vasos sanguíneos, isso faz com que o fluxo de sangue fique mais

lento e que possa haver a formação de trombos que entopem os vasos

sanguíneos, levando tanto a infarto como a AVC. Essa hiperprodução

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do sistema imunológico que o estresse causa não é boa para o nosso

coração nem para nosso cérebro.

Existe também outro mecanismo. O gene responsável pela formação

do cortisol, principal hormônio responsável pelo estresse, também

aumenta o risco de infarto. Pacientes que possuem esse gene, possuem

risco maior de ter um acidente vascular.

O estresse então é um dos principais fatores de risco para um AVC.

Combatendo o estresse, ocorre uma diminuição do risco de morte em

pessoas saudáveis, além de melhorar a nossa performance.

Um dos melhores tratamentos para o estresse é a prática de meditação,

que diminui a pressão arterial. Segundo estudos, após dois meses

de meditação constante, os pacientes apresentaram significativamente

menos pressão arterial que estes mesmos pacientes antes da prática meditativa.

A realidade não está nem aí para nós

Quando nascemos e somos bebês, possuímos uma expectativa de

sermos amados. O bebê é um pequeno ser humano que nasce com anseio

fortemente enraizado de ser amado e protegido. Assim como sua

inclinação natural pelo seio da mãe, ele também possui uma inclinação

natural a buscar o amor dos pais. Quando isso não é atingido, graves

consequências ocorrem na vida do indivíduo.

Nascemos com a expectativa de sermos o ser mais especial para os

nossos pais, de darmos a eles o preenchimento necessário. Pai e mãe,

precisam dar ao bebê a ilusão temporária de que ele é o centro do universo

e de que tudo está a seu favor e de que não há ser mais importante

no planeta, na psicanálise isso se chama ilusão de onipotência. No início

da vida, o bebê se sente um ser divino, capaz de suprir as necessidades

dos pais.

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Ter recebido amor nessa fase da vida, dá ao adulto mais tarde a convicção

de que ele é capaz e que dará conta das demandas da vida.

Pouco a pouco e de forma inconsciente e instintiva, os pais começam

a mostrar para o bebê que aquilo era uma ilusão e vão apresentando a

ele a necessidade do desligamento gradual entre as partes, e permitindo

que o bebê pouco a pouco se depare com a realidade.

Aos poucos o bebê vai percebendo as coisas como são, e assim vai

passando por um processo de luto da sua ilusão, percebendo a realidade

como ela é.

Na idade adulta é esperado que o bebê já seja capaz de reconhecer

como é a realidade e assim o adulto experimenta o desamparo. Percebemos

que a realidade não está nem ai para os nossos desejos. Quando

algo acontece de ruim, não quer dizer que haja uma conspiração do

universo, mas apenas a realidade funcionando.

Como uma formiga andando normalmente quando é pisoteada por

um pé de um humano qualquer, que nem sabia da sua existência. Não

há nada por trás ou alguma explicação floreada, mas sim que apenas a

realidade está acontecendo como ela é.

A experiência do desamparo que sentimos quando adultos é apenas

a percepção da realidade dura como ela é. Por que seríamos poupados?

Quando não aceitamos um fato, ou ficamos travados buscando respostas

onde não existem, estamos nos comportando como bebês. São

os bebês que acreditam que tudo gira em volta dele e é tudo sobre ele. O

bebê precisa experimentar isso no início de sua vida, porém nós adultos

já passamos desse ponto.

Quando acreditamos que existe algo no universo indo contra as nossas

ambições, estamos nos achando, acreditando que o mundo gira ao

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nosso redor e isso não significa que não sejamos especiais. Apenas não

somos o centro do universo, como várias vezes acreditamos.

A realidade não está nem aí para nós.

Expectativas

As expectativas, são experiências do passado, que misturadas a imaginações

de um futuro ilusório, criam uma alegoria de que algo deveria

ser de determinada forma projetada.

Criar expectativas, quase que invariavelmente cria frustração, pois

se nossa experiência for boa e imaginávamos algo melhor, sofremos. E

caso a experiência seja ruim, o sofrimento é amplificado.

Se imaginarmos a felicidade como um alvo, as expectativas seriam

tentar adivinhar onde o dardo acertaria, mesmo atirando o mesmo a 5

metros de distância.

O polêmico guru e filósofo Osho, defende que aprendemos a viver,

quando deixamos as expectativas de lado, pois só assim, abandonaremos

as frustrações de projeções ilusórias criadas com base no nosso

passado, que somado a nossa ansiedade, característica do mundo atual,

produz doenças mentais sérias. Segundo Osho, a maioria da população

possui doenças mentais, mesmo que não admita.

Abandonar as expectativas não significa que não teremos um alvo na

vida, mas sim que nosso foco será o alvo como um todo, e não somente

o centro dele. Estar aberto a tirar o melhor proveito, seja lá onde o dardo

espetar é que nos levará à apreciação da vida.

É preciso ter em mente de que a felicidade depende mais do nosso

interior, isto é, em como percebemos as nossas experiências e lições que

tiramos dela, do que do fato externo em si.

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O córtex pré-frontal

O córtex pré-frontal fica localizado na parte de trás da nossa testa,

ele é uma dar partes mais importantes do nosso cérebro e em boa parte

o que nos diferencia do resto dos animais.

Ele é responsável pela execução do que planejamos, controla as nossas

emoções, memória e a nossa capacidade de aprender e planejar. O

córtex pré-frontal é estimulado por meio de leitura, aprendizado de um

novo idioma, aprendizado de um instrumento musical ou uma simples

leitura consciente.

Com o nosso rítmo de trabalho, deixamos de estimular o córtex préfrontal,

nos fazendo tomar decisões precipitadas e passamos por um

processo de falta de memória.

O hábito da leitura é o mais simples e que pode ser o divisor de águas

para várias doenças mentais e aumento dos níveis de felicidade.

O modo default do cérebro

Segundo a neurociência, quando o nosso cérebro não está sendo

estimulado, ele entra num modo default. O modo default é a raiz dos

problemas da maioria das pessoas, é nele que trazemos lembranças dolorosas

do passado e estados mentais repetitivos que não nos levam a

lugar algum.

O cérebro não foi projetado para ficar parado, então quando estamos

sem praticar alguma atividade que coloque o cérebro em movimento,

ele começa a divagar.

Deixar o cérebro por muito tempo em modo default, está intimamente

ligado ao aparecimento de crises de ansiedade e depressão, pois

o falatório mental em sua grande maioria, trás sentimentos negativos

e pesados.

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Para retirar o cérebro do modo default, é preciso estimulá-lo por

meio da leitura, aprendizado de um idioma ou instrumento musical

novo ou mesmo jogar jogos que demandem memória e agilidade mental

e meditar.

Quando percebermos que o cérebro está num falatório, pensando

demais em nós mesmos, em nossos sentimentos, em nossas emoções, o

que fizeram conosco, o que nos devem, ou o que fizemos de errado, pare

tudo e vá ler, isso irá retirar seu cérebro do estado default e isso só lhe

trará ganhos para a sua saúde mental e felicidade.

Reclamação

Segundo o dicionário reclamar significa exigir o que lhe pertence,

pedir de maneira veemente, reivindicar algo, suplicar, pedir insistentemente,

clamar por aquilo.

Ao reclamar, estamos cobrando do universo que as coisas tivessem

saído da forma exata que planejávamos.

A reclamação é uma das coisas que mais drena nossa energia e que

além disso nos deixa alinhados na frequência da ingratidão. As pessoas

se acostumaram a reclamar, de modo que a mente age reclamando em

modo padrão. Reclamam se está frio, se está quente e até mesmo quando

não está quente nem frio. Algumas pessoas reclamam se acordam

cedo, se acordam tarde, se trabalhamos muito, se estão sem emprego,

então elas tendem a reclamar sobre absolutamente tudo.

E quando entramos nessa frequência, drenamos o nosso campo

energético, nos fragmentando e drenando a nossa energia vital, atraindo

assim energias negativas e pessoas que também reclamam.

Todos nós queremos ser felizes e ter uma vida abundante, não signi-

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fica uma vida sem desafios, mas sim como lidamos com eles.

Diante de um fato negativo, temos duas opções: a primeira é ficar

reclamando e a segunda é juntar os cacos, se existirem e agradecer as

outras coisas sublimes que não nos damos conta. Por exemplo a saúde,

família, amigos, conquistas e várias outras coisas que experimentamos

sem as vezes perceber conscientemente.

É um desafio, porém quando algo de ruim acontece em nossas vidas,

é importante primeiro pensar o que podemos aprender com isso. Estar

consciente é fazer escolhas sábias durante nossas vidas. É uma escolha

focar no que tem de bom, pois quando focamos no que tem de bom,

sempre tiramos lições valiosas do processo, enquanto reclamando fazemos

apenas um exercício de culpar o universo, algo que não temos,

como se o universo nos devesse algo.

Um exercício é anotar quantas vezes reclamamos durante o seu dia,

seja lá o motivo e ver como esse padrão se repete pelos outros dias. Repare

que a maioria das coisas que reclamamos, são coisas que um dia

pedimos. Se reclamamos do trabalho, um dia pedimos aquele trabalho.

Se reclamamos de um relacionamento, um dia pedimos aquele relacionamento.

É por isso que a reclamação nos coloca na frequência da ingratidão,

pois o universo nos brindou com a vida e agora nos vemos não

gratos por essa dádiva.

Paciência com o processo

A paciência é uma das formas de nos expandirmos e nos tornarmos

pessoas melhores. Principalmente nos dias de hoje, com a tecnologia,

redes sociais e smartphones, nós estamos querendo tudo rápido demais,

na velocidade dessas coisas.

A quantidade de pessoas ansiosas e depressivas no mundo só aumenta,

pois estamos querendo tudo na hora. Perder peso rápido, ficar

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rico rápido, encontrar o amor rápido. Ninguém mais pensa na vida

como uma construção e entender que existe um tempo para esse processo

acontecer, que cada pessoa possui tempos diferentes e que para se

tornar algo sólido e duradouro, precisa de um processo e esse processo

leva tempo.

Para que a nossa jornada de vida seja prazerosa, a gente precisa

aprender a ter paciência. Não só paciência com o tempo, mas paciência

com nós mesmos.

Pense na sua vida como um bebê de um grande amigo, ele está dando

sinais de que está começando a andar, ele já engatinha, ele faz força,

se inclina. Só que ele começa a cair e a errar. Você por acaso falaria pra

esse beber parar se fazer o que estava fazendo? Falaria para ele desistir,

pois está muito ruim? Que aquilo nem está perto de ser como uma pessoa

realmente anda. De esse bebê realmente não tem talento pra isso.

Diria a seus pais para desistirem, pois se não andou em um dia, é por

que não é pra andar mais? Claro que não.

Então por que fazemos isso com nós mesmos? Por que quando estamos

engatinhando em alguma coisa não temos paciência com nós

mesmos e paciência com o processo? Logo nos irritamos, logo jogamos

tudo para o alto e desistimos. Por que não nos encorajamos, como se

estivéssemos encorajando uma criança? Por que não fazemos, como deveríamos

fazer com um bebê? Dar a mão e falar para nós mesmos: calma,

tá tudo bem, no seu tempo você chega lá. Continue tentando. Você

ainda vai cair muito, vai se machucar, ralar o joelho, mas um dia você

vai andar tão bem, que um dia nem se lembrará desse esforço e nem vai

precisar pensar pra andar direito.

Não importa em qual processo estejamos agora, precisamos ter calma.

Ter paciência com esse processo. Confiar nesse tempo. Tudo leva

um tempo para ser plantado, gerado e colhido. Todas as plantas são lindas,

mas não podemos comparar o tempo de maturação de cada uma. A

analogia com os seres humanos é bem-vinda.

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A partir do momento que começarmos a nos valorizar e começarmos

a ter paciência com nós mesmos, como se fosse um bebê aprendendo

a andar, veremos as coisas acontecerem e mudarem.

Hoje o que mais vemos são pessoas desistindo dos 60%, 70%, 80% e

até 99% do processo nos últimos metros de corrida. Às vezes mal sabemos

que se dermos mais um passo, chegaremos lá. Seja lá o que esse lá

signifique para cada pessoa.

Quando sentir que quer tudo pra ontem, faça um plano daquilo que

você quer. Seja até mesmo racional nesse processo. Se queremos abrir

uma empresa, concretamente, não adiantar acharmos que em um ano o

negócio deve estar grande, sabendo que segundo as estatísticas, a maioria

morre antes do primeiro ano de vida.

Se queremos perder peso, não adianta achar que um esforço imenso

na primeira semana, mudará completamente sua vida. A constância é

muito melhor que a pressa de resolver logo.

A necessidade de estar no controle

O controle perante a vida, vai contra o próprio fluxo da maioria das

coisas que vivemos. Nossa necessidade de controle, nos joga para imaginações

de como as coisas deveriam ser e caso não saiam como gostaríamos,

uma sensação de frustração toma conta.

Existem quatro palavras que nos ajudam a sair desse lugar tóxico

de controle: ENTREGO, CONFIO, ACEITO, AGRADEÇO. Repeti-las

como um mantra, nos ajuda a voltar para o presente e nos entrega a sensação

de fluidez tão importante na vida e em nossas relações, com pais,

amigos ou até relações amorosas.

ENTREGAR significa que não estaremos o tempo todo, tentando

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alterar todas as peças do tabuleiro da vida, a fim que as coisas saiam

exatamente no nosso modo.

CONFIAR é saber que da forma que a vida acontecer, seja com experiências

boas ou ruins, teremos a fluidez necessária para passar pelas

situações da forma mais leve possível.

ACEITAR é não tentar alterar ou ficar remoendo a forma como a

vida se apresentou, se ela aconteceu de determinado jeito, é por que

tinha que ser dessa forma.

AGRADECER o jeito em que cada coisa aconteceu, entendendo que

tinha que acontecer daquela forma específica, seja para o nosso amadurecimento

pessoal, ou por que não tínhamos consciência para que fosse

de outra forma.

Pense em como nossas vidas seriam vazias caso tivéssemos controle

sobre tudo, será que você estaria lendo esse livro nesse exato momento?

Será que você teria tido um grande amor que já teve um dia? E aquela

aleatoriedade que te fez tão feliz certa vez?

Controle é igual a poder e quando o poder entra por uma porta, o

amor e a fluidez saem pela outra porta. A incerteza da vida é um fato,

podemos aceitar isso de forma amorosa e lidando com a vida de forma

leve, ou ficarmos constantemente ansiosos, com algo que novamente,

não possuímos controle. Você tem absoluta certeza que estará vivo no

final do dia de hoje?

Repare que na necessidade de controle normalmente está envolvido

pessoas e o caos está, quando não entendemos que não é possível mudar

a cabeça de outras pessoas, de forma que elas sejam nossas marionetes.

Na verdade se a vida fosse assim, ela seria muito previsível, chata e insuportável.

Em se tratando de amor, será que nós amamos quem nós queremos,

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ou será que amamos apenas quem faz eco com as nossas expectativas e

nos afastamos das pessoas que saem diferentes do que imaginávamos?

Colocando de forma clara, nossa necessidade de controle está intimamente

ligada a nossa insegurança. Quando estamos leves, deixamos

as coisas fluírem e fazemos o melhor da forma que eles virem, pois sabemos

que temos os requisitos necessários para mudar o que deve ser

mudado e fazer diferente o que deve ser feito.

Faça uma viagem na sua memória e veja se em algum momento da

sua vida, você já se sentiu fora de controle sobre a sua vida, onde as coisas

estavam um caos. Perceba se esse momento, seja na infância, adolescência,

ou início da vida adulta, não significou um completo descontrole

para a sua vida, onde tinha a impressão de que você estava num carro

desgovernado. Veja se você não trouxe para o momento atual toda essa

insegurança. Lembre-se de que apesar das coisas terem sido da forma

que foram, você está aqui e a vida continuou acontecendo.

No fundo sabemos que quanto mais nos dedicamos a controlar as

coisas, mais elas saem do nosso controle. Quanto mais queremos que

as coisas aconteçam da forma que queremos, mais nossa vida se torna

um caos, pois colocamos pressão nos relacionamentos e na vida em si.

Deixemos ir, deixemos fluir.

“Peço a serenidade

Para aceitar aquilo que não posso mudar,

A coragem para mudar o que me for possível

E a sabedoria para saber discernir entre as duas.

Vivendo um dia de cada vez,

Apreciando um momento de cada vez,

Recebendo as dificuldades como um caminho para a paz...”

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A lei da atração e da visualização

Quando criamos causas e condições daquilo que queremos e fazemos

um esforço nessa direção, algo acontece. O que ocorre na maioria

dos casos, é que todos nós possuímos sonhos, porém não vibramos na

mesma frequência desses sonhos.

Todos nós queremos ter tranquilidade financeira, porém passamos

os dias vibrando escassez, com medo de não ter dinheiro para pagar o

aluguel ou as contas de casa. Dessa forma não conseguimos projetar em

nossa mente, a visualização correta para alcançarmos essa tranquilidade

financeira.

Todos nós queremos um amor para nossas vidas, porém vibramos o

medo de passarmos a vida inteira sem encontrá-lo. A lei da atração diz

que quando possuímos a visualização correta e vibramos na frequência

correta, nossos sonhos se tornam realidade.

Quando vibramos prosperidade, mesmo sem estarmos na condição

financeira ideal que sempre sonhamos, atraímos para nós, abundância

financeira. Da mesma forma, quando vibramos amor, dando amor as

outras pessoas e querendo o bem de todos, atraímos pessoas amorosas,

dispostas e abertas ao amor.

Uma técnica comprovada que uso desde meus 18 anos, que me ajudou

a passar no vestibular e fazer a faculdade dos meus sonhos, comprar

um carro, me tornar piloto de parapente, realizando meu sonho de voar

sozinho e abrir minha empresa, foi colar os meus sonhos num lugar

onde eu tenha que os ver todos os dias, no meu caso, meu guarda-roupa,

para que sempre que eu me arrumasse para ir trabalhar ou fazer qualquer

coisa, eu já abrisse a porta do guarda-roupa e visualizasse os meus

sonhos. Dessa forma, eu começava o dia vibrando meus objetivos.

Veja que todos nós temos sonhos, porém com o passar dos dias e

com a rotina diária, vamos nos esquecendo deles e quando nos damos

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conta, já se passaram meses sem darmos um passo em direção a eles.

Ainda hoje, 12 anos após ter iniciado o meu quadro dos sonhos,

como gosto de chamar, ainda faço exatamente da mesma forma, porém

com os sonhos atualizados.

É claro que para não gerar ansiedade, precisamos equilibrar sonhos

de curto, médio e longo prazo, de forma a podermos riscar, ou retirar

sonhos de curto prazo já alcançados e colocar outros no lugar, dando a

nós mesmos, pequenas sensações de conquista.

A importância dos amigos

Amigo é diferente de colega ou de conhecido, pois leva tempo e muitas

experiências até uma amizade verdadeira se formar. Uma amizade

verdadeira é cultivada, muitas vezes com lágrimas e momentos intensos.

Amizades verdadeiras são aquelas que passamos por vezes meses ou

anos sem ver a pessoa e quando nos vemos, parece que havíamos nos

visto ontem. A força só aumenta com o tempo e a distância. Um amigo

consegue nos ler, mesmo que não digamos especificamente tudo.

Se percebe um amigo verdadeiro quando ele chora quando choramos,

ri quando rimos, comemora nossas vitórias. Uma amizade verdadeira

não diz o que queremos ouvir, mas aquilo que precisamos ouvir,

pois tem horas que estamos errando e não percebemos isso. Quem não

é nosso amigo possui receio da nossa reação, então se cala.

O tempo passa e em determinado momento teremos talvez apenas

os amigos e os momentos que foram vividos juntos, por isso devemos

ser o melhor amigo que uma pessoa possa ter.

Seja lá o que acontecer em nossas vidas, devemos cuidar das nossas

amizades, pois a vida acontece, experiências relevantes aparecem em

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nossas vidas e muitas vezes cada pessoa vai pra um lado, porém quando

a amizade é sincera, ela continua, apesar do tempo e da distância. Poucas

coisas na vida são tão incríveis como ter pessoas que nos conhecem

em nosso íntimo e que podemos contar.

Estoicismo - o que de pior pode acontecer?

O estoicismo é uma escola de filosofia fundada na Grécia, em Atenas,

por Zenão de Cítio no início do século III a.C.

Para os estóicos, a felicidade era encontrada na dominação do homem

ante suas paixões em detrimento da razão. O estoicismo propunha

que os homens vivessem em harmonia com a natureza, o que, para eles,

significava viver em harmonia consigo próprios, com a humanidade e

com o universo.

Para os estóicos, o universo era governado pela razão, ou logos, um

princípio divino que permeava tudo. Portanto, estar em harmonia com

o universo significava viver em harmonia com Deus.

Um dos mais conhecidos pensadores dessa época é Sêneca, conselheiro

do imperador romano Nero.

“A maioria dos homens míngua e flui em miséria entre o medo da

morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda

não sabem como morrer. Por essa razão, torne a vida como um todo

agradável para si mesmo, banindo todas as preocupações com ela. Nenhuma

coisa boa torna seu possuidor feliz, a menos que sua mente esteja

harmonizada com a possibilidade da perda; nada, contudo, se perde

com menos desconforto do que aquilo de que, quando perdido, não se

sente falta. Portanto, encoraje e endureça seu espírito contra os percalços

que afligem até os mais poderosos.”

Uma das ideias de Sêneca é que diante de uma situação difícil, de-

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vemos imaginar qual seria o pior desfecho possível para essa situação.

Visualizar detalhadamente os piores cenários de que temos medo e que

nos impedem de tomar uma atitude, para tomarmos uma atitude e superarmos

o medo.

Se você já sabe qual seria o pior resultado possível, pode começar a

se preparar para ele. O exercício serve para lembrar-nos que, se o pior

acontecer, seremos perfeitamente capazes de lidar com isso. E na verdade,

na maioria das vezes, o pior não acontece.

Segundo Tim Ferriss, palestrante do TED que conta em alguns vídeos

como leva sua vida de forma leve, o estoicismo pode ser encarado

como um sistema operacional que nos faz prosperar em ambientes estressantes,

para tomar decisões melhores.

Para nós o estoicismo nos faz separar o que podemos e o que não podemos

controlar e que devemos focar exclusivamente no que podemos

controlar. Isso diminui a reatividade emocional. Segundo Sêneca, nós

sofremos mais vezes na imaginação do que na realidade.

Nesse sentido uma poderosa técnica criada por Tim aponta que devemos

criar três páginas. Na primeira colocaremos um quadro chamado

“e se?” onde devemos colocar o que queremos fazer, ou algo que

pode acontecer, escrevendo nela, o pior cenário possível caso venha a

acontecer e como nós lidaríamos com isso concretamente caso os piores

cenários possíveis viessem a se tornar realidade.

Numa segunda página intitularíamos “quais seriam os benefícios de

uma tentativa ou de um sucesso parcial?”. Nessa página não focaremos

nos medos, mas sim olharemos para o lado positivo. Se arriscarmos fazer

o que estamos pensando, quais seriam os benefícios disso? Construiríamos

confiança, criaríamos habilidades emocionais e financeiras?

Por fim na terceira página escreveremos “o custo de não fazer nada

a respeito”. Nessa página escreveremos como estará nossas vidas em 6

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meses, 12 meses ou 3 anos, caso escolhamos não fazer absolutamente

nada a respeito do assunto. Nesta página detalharemos como estaremos

emocionalmente, financeiramente e fisicamente.

Segundo Tim pensar esses cenários, nos mostra de forma concreta

o quão prejudicial pode ser a inatividade, pois nestas três páginas, estaremos

definindo os nossos medos, que muitas vezes nos fazem sofrer

na imaginação, e nos retiram do concreto, da ação. Não quer dizer que

todos os medos sumirão, porém grande parte deles, se tornarão mais

fáceis de lidar, pois como já foi dito, a maior parte dos nossos medos

vem da imaginação e quando colocamos no plano real, eles se mostram

as vezes nem tão ameaçadores assim, pois saberemos como agir caso

venham a se realizar.

Um dos mentores de Tim, Jerzy Gregorek e praticante do estoicismo

o escreveu em uma carta: “Escolhas fáceis, vida difícil. Escolhas difíceis,

vida fácil.” Escolhas difíceis, o que mais tememos fazer, perguntar, dizer,

são geralmente as que mais precisamos fazer e os maiores desafios

e problemas que enfrentamos, nunca serão resolvidos com conversas

confortáveis.

Voltando a Sêneca, nós sofremos mais vezes na imaginação do que

na realidade, nesse sentido, definir nossos medos, talvez seja mais importante

do que definirmos simplesmente as nossas metas.

O que de pior pode acontecer caso o seu medo venha a se tornar

realidade?

Solidão e solitude

A solidão nos coloca frente a frente com nós mesmos, nós podemos

fugir de tudo, menos de nós mesmos. A solidão nos ensina o que gostamos

e o que não gostamos. As redes sociais nesse sentido, criam uma

névoa, onde achamos que estamos acompanhados e não estamos. Likes

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não são companheirismo.

É importante também tomar o devido cuidado para não descolarmos

da realidade, já que sozinhos somos donos da nossa razão. O outro

é uma referência, ele nos baliza, nos delimita.

Sozinhos aprendemos os nossos limites e até mesmo entendemos a

hora em que devemos parar de chorar e teremos que começar a agir.

Na dúvida, ninguém melhor que nós mesmos e antes de querermos ser

felizes com outras pessoas, precisamos ser felizes sozinhos.

Precisamos urgentemente descobrir quem somos nós, e nos apaixonarmos

por nós mesmos.

Saber ser feliz sozinho

Quando estamos na companhia de outras pessoas, nós estamos trocando,

se relacionando, então o foco acaba senso no exterior, na comunicação,

no visual nas sensações, o foco acaba ficando numa parte mais

exterior, ao mesmo tempo, estamos executando papéis, que estabelecemos

dentro das relações. Se estamos com nossa mãe, estabelecemos um

papel de filho, com a esposa um papel de cônjuge.

Estamos o tempo todo interpretando papéis e muitas vezes colocando

máscaras, revelando apenas o que nós queremos revelar para cada

pessoa. É muito raro ter relacionamentos tão íntimos e profundos em

que podemos ser completamente verdadeiros, sem jogos e máscaras,

apenas entregue do jeito que somos.

É interessante tentar atingir esse tipo de relação, e é sim possível,

mas uma outra porta para se conectar com a nossa verdade, com quem

realmente somos, é quando estamos sozinhos. É aí que o ego de muitas

pessoas fica angustiado, ansioso, e o ego nada mais é que a identificação

com o externo e com esses papéis que cumprimos, com as máscaras que

usamos.

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Quando estamos sozinhos, querendo ou não, acabamos olhando

mais pra dentro, então o ego se sente ameaçado e com razão, pois quando

olhamos cada vez mais para nós mesmos, nós saímos do ego, despertando

para nossa essência, é por isso que passar alguns momentos a sós

é muito importante para o despertar da nossa busca e nos conectarmos

com a nossa paz interior, assim teremos a oportunidade de transcender

esse ego, de olhar para o sofrimento e ir além dele. Para isso nada

adianta se isolar e ficar com a mente perdida em mil pensamentos e em

dramas da nossa mente, alimentando ainda mais o nosso ego.

Para a alegria interior vim de dentro, de estar bem sozinho, de conseguir

transcender o ego, é preciso estar desperto, no momento presente,

não se deixando levar pela nossa mente. Então seja lá o que estamos

fazendo, caminhar na rua, ir a praia, passear no shopping, ler um livro,

é preciso estar no momento presente, no aqui e agora, com a consciência

totalmente no presente.

Precisamos ser atentos também aos pensamentos, sentimentos e

sensações que podem surgir, talvez um sentimento de estar se sentindo

um pouco perdido, deslocado, um sentimento ruim de solidão, pensamentos

negativos de memórias, comparações, tudo isso pode surgir e é

bem provável que surja se temos essa dificuldade de ficarmos sozinhos.

Quando esses pensamentos surgirem, precisamos observar, pois a ideia

é transcendê-los, voltando a nossa mente pro aqui e agora, pois existe

um mundo da nossa mente, com nossas histórias, dos nossos condicionamentos,

do nosso ego e o mundo real, que são coisas concretas que

realmente estão acontecendo.

Colocar a atenção nos cinco sentidos, ajuda muito a nos tirarmos do

mundo da mente, um mundo que não existe e nos trazer para o mundo

real. Ou seja, o que meus olhos estão vendo no momento atual? Como

está o céu? Como o vento bate em nosso rosto? Qual o real sabor do que

estamos comendo?

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Perceber o que conseguimos captar com os nossos sentidos, nos ajuda

a ultrapassar o ego, ultrapassarmos nossa mente e nos conectarmos

com a nossa essência e verdadeira identidade.

A partir do momento que deixamos de nos identificar com os pensamentos,

numa viagem mental sem fim e conseguimos visualizar que

tudo não passa de uma imaginação mental, nós já estamos nos conectando

com o presente.

Normalmente quando nos perdemos no mundo da nossa mente, e

nos tocamos disso, um tempo enorme fora da realidade já passou e já

estamos imersos num ciclo de negatividade, então quanto antes conseguimos

perceber esses pensamentos, melhor.

Após perceber esses pensamentos que nos tiram do presente, o primeiro

passo é respirar bem fundo, apenas isso, já nos trás para um estado

presente e ajuda a equilibrar as nossas emoções. Outra ferramenta é

sentir como o nosso corpo sente o presente, isto é, como os nossos pés

tocam o chão ou como sentimos a nossa roupa tocar nossa pele, sentir

cada estímulo da vida real, nos ajuda a se conectar ao momento presente,

que na verdade é o que importa e que nos tira do mundo da ilusão.

Aprender a ficar sozinho é aprender a viver o momento presente

como ele é, sem imaginações que nos retiram do real. A função da mente

será nos puxar para as histórias dela, pois é isso que ele faz, cabe a nós

voltarmos novamente nossa atenção para o momento presente.

Quanto mais treinados para trazer a mente para o momento presente,

mais estaremos controlando essas emoções e transcendendo o ego, e

é aí que começa a surgir a paz interior, a felicidade pura e simples de ser

quem somos de verdade.

É uma prática como tudo na vida, que precisa ser treinada e experimentada

até conseguirmos o domínio da habilidade de estarmos no

presente. Estar atento ao momento presente, é uma habilidade como

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qualquer outra, que é uma habilidade que já tínhamos, porém que fomos

perdendo com o tempo. O processo se trata de recuperar essa habilidade

e notar que somos uma ótima companhia para nós mesmos.

A felicidade segundo Osho

O que é a felicidade? A felicidade nada tem a ver com o sucesso,

nada tem a ver com a ambição, nada tem a ver com dinheiro, poder ou

prestígio. A felicidade tem a ver com a sua consciência, e não com o seu

caráter. Depende de você.

O que é felicidade? Depende de você. Do seu estado de consciência

ou de inconsciência, se você está adormecido ou desperto. Há um conceito

antigo famoso de Murphy que diz que existe dois tipos de pessoas,

as que dividem as pessoas em dois tipos e as que absolutamente não divide

a humanidade. Eu pertenço ao primeiro tipo, a humanidade pode

ser dividida em dois tipos, os adormecidos e os despertos. E é claro, um

pequeno grupo entre os dois.

A felicidade está em onde está a sua consciência, se você estiver

adormecido, então o prazer é felicidade. Prazer significa sensação, tentar

alcançar algo por meio do corpo, algo que não é possível de atingir

por meio do corpo, forçando o corpo a alcançar algo que ele não é capaz

de alcançar. De todas as maneiras, as pessoas estão tentando alcançar

a felicidade por meio do corpo. O corpo pode lhe dar apenas prazeres

momentâneos e cada prazer é equilibrado na mesma medida, no mesmo

grau, pelo sofrimento.

Cada prazer é seguido pelo seu oposto, pois o corpo existe no mundo

da dualidade, assim, como o dia é seguido pela noite, a morte é seguida

pela vida, e a vida é seguida pela morte, tratasse de um ciclo vicioso, seu

prazer está seguido pela dor, sua dor será seguida pelo prazer, mas você

nunca ficará a vontade.

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Quando você estiver num estado de prazer, ficará com medo de perdê-lo

e esse medo, o envenenará e quando você estiver perdido na dor, é

claro, estará em sofrimento e fará todo o esforço possível para sair dele.

Apenas para voltar a ele mais tarde. Buda chama isso de roda do nascimento

e da morte. Seguimos nos movendo nessa roda e nos apegamos

a ela. E a roda segue em frente. As vezes aflora o prazer, as vezes o sofrimento,

mas somos esmagados entre essas duas rochas.

A pessoa adormecida, não conhece mais nada além de algumas

sensações do corpo. Comida e sexo. Esse é o seu mundo, ela segue se

movendo entre esses dois. Esses dois terminais do seu corpo, comida

e sexo, se ela reprime o sexo, fica viciada em comida, se ela reprime a

comida, fica viciada em sexo. A energia, segue se movendo como um

pêndulo, no máximo, tudo o que você chama de prazer, é apenas alívio

de um estado tenso. A energia sexual se junta, se acumula e você fica

tenso e pesado, desejando liberá-la, para a pessoa adormecida a sexualidade

nada mais é do que um alívio, ela nada lhe dá exceto um certo

alívio. Havia uma tensão e agora ela não está mais presente, mas ela se

acumulará novamente, a comida lhe dará apenas um sabor na língua,

não é muito para se viver, mas muitas pessoas estão vivendo apenas para

comer, há muito poucas pessoas que comem pra viver.

A história de Colombo era bem conhecida, era uma longa viagem,

por três meses eles só viam água, então um dia, Colombo olhou o horizonte

e viu árvores e se você acha que Colombo ficou feliz ao ver árvores,

você deveria ver o cachorro dele. Esse é o mundo do prazer, o

cachorro pode ser perdoado, mas você não.

Durante o primeiro encontro, o jovem, procurando um jeito de se

divertir, perguntou a jovem se ela queria jogar boliche, então ela lhe respondeu

que não. Então ele lhe sugeriu que eles fossem ao cinema, mas

a resposta também foi negativa, enquanto ele pensava no que mais sugerir,

ofereceu a ela um cigarro, no qual ela recusou, então ele a perguntou,

se gostaria de dançar ou ir beber alguma coisa na danceteria, mas

novamente ela recusou, ao dizer que não estava afim dessas coisas. De-

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sesperado ele pediu para ela ir ao apartamento dele para uma noite de

amor, ela concordou com entusiasmo, beijou apaixonadamente e disse,

veja, você não precisa de nenhuma daquelas outras coisas pra se divertir.

O que chamamos de felicidade, depende da pessoa, para a pessoa

adormecida sensações prazerosas são a felicidade, ela vive de prazer

em prazer, ela está simplesmente correndo de uma sensação a outra,

vivendo de pequenas excitações, sua vida é muito superficial, não tem

profundidade, não tem qualidade, ela vive o mundo da quantidade, e há

pessoas que estão no meio, na orla, um pouco adormecidas e um pouco

despertas, as vezes você tem essa experiência na cama, no começo da

manhã, ainda com sono, mas não pode dizer que está dormindo, pois

pode ouvir os barulhos da casa. Seu companheiro ou companheira preparando

o café da manhã, o som da chaleira ou as crianças se aprontando

pra ir pra escola. Você pode ouvir essas coisas, mas ainda assim não

está acordado. Vagamente, indistintamente esses sons chegam a você,

como se houvesse uma grande distância entre você em tudo o que está

acontecendo a sua volta. Dá a impressão de ainda ser parte de um sonho.

Não é parte de um sonho, mas você está num estado intermediário,

o mesmo acontece quando você começa a meditar, um não meditador

dorme e sonha. Um meditador começa a se afastar do estado adormecido

em direção a um estado desperto, ele está em estado transitório,

então a felicidade tem um significado totalmente diferente. Ela se torna

mais uma qualidade e menos uma quantidade, é mais psicológica e menos

fisiológica, o meditador desfruta mais a música a poesia, desfruta a

criar alguma coisa, desfruta a natureza, e sua beleza, o silêncio. Desfruta

o que nunca desfrutou antes e isso é muito mais duradouro. Mesmo se a

música acabar, algo se prolonga nele, e a felicidade não é um alívio. A diferença

entre o prazer e a qualidade de felicidade, é que essa última não

é um alívio, mas um enriquecimento. Você fica mais perplexo e repleto

e começa a transbordar.

Ao escutar uma boa música, algo se desencadeia em seu ser, uma

harmonia surge em você, você se torna um musical ou ao dançar subitamente,

você se esquece do seu corpo, ele fica leve, deixa de existir a força

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da gravidade sobre você, de repente você está num espaço diferente, o

ego não é mais tão sólido, o dançarino se dissolve e se funde na dança,

isso é bem superior, bem mais profundo do que o prazer que você

obtém na comida e no sexo. Isso tem uma profundidade, mas também

não é o final, o final acontece quando você está completamente desperto,

quando você é um Buda. Quando todo o sono e o sonhar se foram,

quando todo o seu ser estiver repleto de luz, quando não houver escuridão

dentro de você. Toda a escuridão desapareceu e com ela o ego se foi.

Todas as tensões desapareceram, toda a angústia, toda a ansiedade, você

fica num estado de total satisfação e vive no presente, sem mais nenhum

passado e nenhum futuro, você fica completamente no aqui e agora.

Esse momento é tudo, o agora é o único tempo e o aqui é o único

espaço. Então de repente todo o céu repousa sobre você. Esse é o estado

de plenitude, a felicidade verdadeira. Procure o estado de plenitude, ele

é seu direito inato. Não fique perdido na floresta dos prazeres, eleve-se

um pouco mais, alcance a felicidade e depois a plenitude. O prazer é

animal, a felicidade é humana e a plenitude é divina. O prazer o prende,

o acorrenta, ele é uma escravidão a felicidade lhe dá um pouco mais de

corda, um pouco mais de liberdade, mas somente um pouco. A plenitude

é a liberdade absoluta.

Você começa a se elevar, ela lhe dá asas você deixa de ser parte da terra

grosseira e passa a ser parte do céu, você se torna luz, alegria. O prazer

depende dos outros a felicidade não depende tanto dos outros, mas

ainda está separada de você, o estado de plenitude não é dependente e

também não está separado e é o seu próprio ser e sua própria natureza.

O caminho do amor

Quando estamos vivenciando momentos dolorosos, de dúvida, muitas

vezes escolhemos o caminho da raiva, pois com a raiva nos fechamos

e petrificamos sentimentos, criamos até mesmo histórias negativas para

dar base aos nossos sentimentos, de forma a aparentemente tornar o

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processo de superação mais fácil.

O problema é que cultivar um sentimento de raiva, nos consome por

dentro. Nos torna pessoas amargas e que deixam até mesmo de tratar o

amor como algo possível e passamos a tratá-lo como algo ilusório, que

pode ser encontrado apenas nos filmes.

Todo mundo conhece alguém negativo demais, pessimista e reclamão.

Geralmente essas pessoas tiveram desilusões ou traumas na vida

tão fortes, que se envenenaram com a própria dor e se fecharam para o

novo.

Nutrir sentimentos negativos, nos consome, drena a nossa energia

vital, pois geralmente colocamos a culpa sempre no próximo ou em alguma

coisa pelos nossos fracassos e assim, ficamos cada vez mais longe

de resolver as nossas próprias questões.

Escolher o caminho do amor, não significa que seremos idiotas, porém

daremos um outro olhar para as mesmas questões que nos atormentam,

trocando a raiva e medo por exemplo, pela gratidão. Gratidão

pelas experiências, mesmo que duras que a vida nos impõe. Pela oportunidade

de podermos crescer, mesmo na dor.

Não é fácil, mas trocando sentimentos negativos pela gratidão em

poder passar por determinada experiência e adquirir conhecimento,

deixamos de olhar pra fora e olhamos para nós mesmos como eternos

aprendizes e não com a solidez de algo acabado.

Ao passar por uma experiência negativa, devemos agradecer, pois

analisar se uma experiência foi negativa apenas pela dor momentânea

que ela causa, é cometer um erro de avaliação, já que muito frequentemente,

experiências negativas se transformam em positivas com o passar

dos anos.

Tente lembrar das experiências negativas que com o passar dos anos,

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lhe ensinaram lições valiosas que só foram entendidas meses ou anos

depois, mas no auge do sofrimento, a dor era tanta que te deixava incapaz

de visualizar qualquer coisa positiva que pudesse vir a acontecer. Na

verdade quando estamos negativos e fechados, até fatos positivos não

são percebidos, pois estamos contaminados por sentimentos opostos ao

amor.

Antes de tudo, precisamos ser amor, para depois recebermos amor.

Quantas vezes não invertemos isso e queremos que o amor venha primeiro,

em pessoas, em momentos, para depois mudarmos. Para receber

amor, antes precisamos dar amor.

“Você sabe qual é a parada da vida?”

“É dar amor, sem esperar nada em troca.”

Essa frase foi dita por mim, em meu primeiro ritual de ayahuasca.

Pareceu tão incrível e genial para as pessoas que ouviram, que até hoje

elas repetem em suas conversas. É engraçado como falamos certas frases

com propriedade, como se elas fizessem tanto sentido para nós mesmos.

Dar amor quando tudo está perfeito é fácil, dar amor quando parece

que tudo vai contra é difícil.

É por isso que deixamos de abrir negócios, seguir nossos sonhos e

arriscar um pouco mais na vida. Queremos a certeza absoluta antes de

pular em qualquer aventura. A certeza não existe, ela é apenas uma ilusão

criada por nós mesmos para não enlouquecermos em meio ao caos

em que vivemos.

É preciso de muito amor e um pouco de loucura para encarar a vida.

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O medo de sofrer nos faz sofrer por antecedência

Certa vez ouvi uma analogia muito interessante, que dizia que a

mente ansiosa se parece com um vigia de um navio, que é responsável

pelos alertas de perigos que o navio possa se chocar. Porém esse vigia é

muito estressado, medroso e afoito e dessa forma, entra em pânico e soa

o alarme de emergência, colocando toda a tripulação em pânico, quando

avista um casco de tartaruga, baleias ou golfinhos, sem ao menos

refletir a respeito ou pedir uma segunda opinião.

A tristeza é uma emoção útil. Quando perdemos um emprego ou alguma

pessoa importante em nossas vidas se vai, sentir tristeza é normal,

pois é o processamento da perda. A dor é real, o sofrimento que é um a

mais na dor.

Sofrimento é ficar voltando na dor, mesmo sem mais a necessidade

de processar as informações dos acontecimentos. Mesmo depois de já

termos compreendido a situação, ainda ficamos remoendo e remoendo.

Isso não é dor, é sofrimento.

Sempre que voltamos em um pensamento de perda, a dor vem e com

ela vem também o sofrimento, mesmo após anos do que já aconteceu.

Então além da dor, transformamos ainda tudo em sofrimento, enquanto

ficamos remoendo e remoendo o que aconteceu. São os chamados pensamentos

ruminativos.

A dor é importante, ela nos ensina coisas e devemos aprender com

ela. A dor pode ser trabalhada sem que voltemos nela durante um tempo

sem fim. Para não entrarmos num sofrimento por antecipação.

Sofrimento por antecipação é sofrer por algo que ainda não aconteceu

e talvez nunca chegue, porém supomos que virá, então já começamos

a sofrer logo.

A dor nem existe e já estamos colocando o adicional do sofrimento

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em algo que concretamente nem existe ainda. Qual a utilidade nisso?

Quando sofremos por antecedência, estamos limitando a nossa capacidade

de ação, pois quando estamos ansiosos e sofrendo, não conseguimos

pensar direito e assim trocamos os pés pelas mãos.

Achamos que quanto mais tempo pensamos no problema antecipadamente,

mais aparatos teremos para resolvê-lo, porém enquanto pensamos

tanto no problema que ainda nem aconteceu, ele se transforma

em outra coisa completamente diferente. A vida adora fazer isso.

O que de pior pode acontecer? Quais são as piores consequências?

Às vezes levando ao extremo, já temos a noção que todo esse sofrimento

é desnecessário, pois lidaremos concretamente com a questão envolvida.

Olhar para a situação de frente nos retira esse peso do que não dominamos

e caso não pudermos fazer nada a respeito, devemos aprender a

entregar e deixar fluir. Pensar em outra coisa, em algo que nos faça bem

já é um grande feito.

Mente vazia, oficina do fracasso

A nossa mente precisa estar ocupada, pois a ociosidade é a porta de

entrada para comportamentos e pensamentos negativos. Estar com a

mente vazia leva uma pessoa à completa inércia e sem estímulos, o cérebro

não trabalha, não tem ideias e nem motivação para agir. Quando

não se tem bons pensamentos, objetivos e sentimento de utilidade, abrese

espaço para a criação de crenças limitantes, que levam à estagnação e

à falta de objetivos na vida.

Isso não quer dizer que todos os momentos de distração podem nos

levar a uma mente vazia, da mesma maneira não quer dizer que devemos

estar o tempo todo realizando uma atividade mental. Todos nós

precisamos descansar e aliviar a mente, ter momentos de lazer, desde

que não sejam uma constante em sua vida. Uma mente vazia provoca

desmotivação, insatisfação e pode até tornar tal pessoa amarga, depres-

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siva e sem vida.

Sentir-se útil é uma das necessidades básicas de qualquer ser humano.

Por isso, é interessante encontrar formas positivas de se ocupar,

para preencher o vazio com ideias que estimulem a sua evolução, o amadurecimento,

o desenvolvimento e a satisfação.

Tenha projetos paralelos ao seu trabalho, crie coisas novas, coloque

aqueles seus sonhos guardados em prática, mesmo que aos poucos.

Melhor feito do que perfeito

Sempre aguardamos pelo melhor momento para começar a colocar

os nossos projetos de vida em prática, o grande problema é que não

contamos com o fato de que a evolução vai vindo durante o processo.

Quando colocamos todas as nossas fichas em iniciar algo, apenas

quando tudo estiver perfeito, deixamos de dar importância ao processo

e passamos a focar no fim, já que queremos a perfeição, que não existe.

A perfeição pode se transformar em procrastinação, e ela muitas vezes

é acompanhada de uma boa dose de comparação, pois olhamos para

outras pessoas ou projetos e sentimos que não aceitaremos nada menos

que o padrão de qualidade das pessoas que admiramos.

Assim nossos sonhos vão sendo adiados para o mês que vem, para o

ano que vem ou quem sabe nunca, afinal, não temos controle sobre o futuro,

quem disse que a vida é obrigada a esperar que tudo fique perfeito

para nós ou que ainda continuaremos com a saúde e energia necessária?

A frase do tópico, talvez iluda algumas pessoas a acreditar também

que devem fazer tudo de qualquer jeito, pois assim será melhor, isso se

trata de um grande engano. A intensão é que o progresso é melhor que

a perfeição.

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Quando entramos no jogo da comparação, nós já começamos perdendo,

ainda mais num mundo virtual que tantas pessoas incríveis, com

projetos incríveis e bem articulados nos mostram diariamente como

ainda precisamos evoluir. Não importa quanto inteligente ou rico você

for, sempre terá alguém mais inteligente ou rico que você. Porém as suas

experiências são únicas e é com elas que o feito, mesmo que pequeno,

pode ter sua cara e servir de aprendizado para algo maior, ou então te

mostrar que não era aquilo que você queria de verdade, por isso a importância

de começar, até mesmo para saber se era isso mesmo que você

queria.

O princípio de Pareto (também conhecido como regra do 80/20, lei

dos poucos vitais ou princípio de escassez do fator) afirma que, para

muitos eventos, aproximadamente 80% dos efeitos vêm de 20% das causas.

Seguindo a lógica do nosso texto, você precisa de 20% de um esforço

de um grande empresário para chegar a 80% do seu resultado. Ou 20%

do esforço de um campeão mundial de surf, para atingir 80% da sua

habilidade.

Sendo assim, a prática do melhor feito do que perfeito, nos retira da

inércia e pode nos levar a lugares incríveis.

Chorar é importante, chorar demais é um alerta

Para os bebês, o choro é a única forma de demonstrar que estão com

dor ou fome, e é encarado como algo normal nessa fase da vida.

Nossa sociedade supervaloriza a felicidade o tempo inteiro e dá uma

importância além do normal à juventude, ocultando as manifestações

de dor. Somos encorajados inconscientemente e não chorar, a guardar

nossas dores e enterrá-las onde ninguém possa vê-las, nem nós mesmos.

Enterrar nossas dores, nos faz cultivar uma angústia que pode até

nos moldar para o resto de nossas vidas. Podemos acreditar que as pes-

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soas não são tão boas, que nossas conquistas não são tão importantes ou

que os nossos sentimentos não devem ser levamos tão a sério.

O luto é necessário para que possamos colocar as ideias no lugar e

nesse sentido o choro é importantíssimo. Através do choro, o equilíbrio

emocional pode ser restaurado, não só em situações tristes, mas também

com outras emoções fortes. O choro age liberando a tensão que

estava presa.

O ato de chorar deve ser um alerta quando vem sem motivo aparente

e choramos sem saber a real razão e assim atrapalha nos nossos afazeres.

Nesse caso, procurar a ajuda de um especialista é de extrema importância,

investir em nossa saúde emocional é tão importante quanto investir

na saúde física.

Finitude da vida

Nós vivemos sob uma ilusão de imortalidade. Em nosso aniversário,

pessoas chegam até nós e nos dizem, parabéns, mais um ano de vida.

Mas não seria menos um ano de vida? Muito triste não? Claro que não!

Triste é chegar no fim da vida e perceber que investimos nosso precioso

tempo, nossa preciosa energia, com pessoas ou projetos que não

valeram a pena. Triste é se arrepender por não ter tentado, não ter arriscado.

Nas relações por exemplo, as vezes a pessoa está a nossa disposição,

ao nosso alcance e o que fazemos infelizmente é se adaptar e cair na

ilusão que a pessoa ficará para sempre a nossa disposição e ao nosso

alcance. Essa ilusão é perigosa, por que um dia a pessoa vai embora e

isso acontece muitas vezes num estalar de dedos. Todos nós, chegamos

num momento em que somos tratados com descaso ou quando nossa

presença não é valorizada, nós tendemos a ir embora. E é aí que no vazio

chega, sentimento mais comum que existe, que é deixado pelas pessoas

que vão embora. O arrependimento.

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Na raiz do arrependimento, existe um certo tipo de esperança, só

que é o pior tipo de esperança que existe, que é a esperança que vem do

verbo esperar. O arrependido é ou foi esperançoso, esperou a coragem

aparecer, esperou o momento certo, esperou a hora certa, esperou as

coisas mudarem. Esperou invés de agir. E isso remete ao ponto inicial,

de que nós temos uma ilusão de imortalidade.

Por que se nós tivéssemos a percepção de que cada minuto é um

minuto a menos, de que cada instante é um investimento, então provavelmente

veríamos a vida de uma forma diferente e a grande maioria da

mesquinharia tenderia a desaparecer.

Atentos a nossa própria mortalidade, talvez não brigaríamos no trânsito.

Talvez atentos a nossa própria mortalidade, não nos focaríamos em

picuinhas que temos nos relacionamentos com as pessoas que amamos.

Talvez refletiríamos que o tempo é um investimento e que deve ser

feito da melhor forma possível, pelo simples fato de que ele vai acabar.

Conscientes de que um dia morreremos e que esse tempo aqui é um

passeio, então com certeza seríamos mais agradecidos a natureza, por

ter nos dado essa oportunidade de passearmos por esse universo, ainda

que durante poucas décadas, e ainda dotados de uma mente que é uma

das coisas mais complexas que existe na natureza e que nos dá a oportunidade

de sermos melhores a cada dia.

Pensamentos trazem sentimentos

Normalmente quando nos reparamos com pensamentos negativos,

eles nos trazem sentimentos ruins, e a reação instintiva é ficarmos ansiosos

e com mais medo ainda daqueles pensamentos. Ficamos chateados

por te pensado naquilo de novo e tentamos lutar contra nossa própria

mente, para retirar o pensamento da cabeça.

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O grande problema é que quando nos identificamos com nossos

pensamentos ruins, nós vamos ainda mais fundo na areia movediça,

começamos então a colocar cada vez mais camadas de pensamentos e

sentimentos negativos.

Quanto mais damos energia pra qualquer tipo de pensamento ou

sentimento, mais ele cresce e se fortalece. Toda vez que tentamos nos

livrar de certo pensamento e entramos numa luta interna com ele, mais

entregamos a nossa energia para esse pensamento e assim ele vai se fortalecendo.

O nosso cérebro possui cadeias de neurônios e cada vez que alimentamos

um pensamento com novos pensamentos, nós tornamos as conexões

neuronais ainda mais fortes e assim, ainda mais fácil que essas

conexões neuronais fiquem mais fortes e ativem os pensamentos por

qualquer tipo de gatilho.

Pensamento obsessivo são armadilhas, pois aprofundamos ainda

mais as conexões cerebrais, fortalecendo ainda mais os pensamentos

disfuncionais.

Os pensamentos em si são neutros, porém nós atribuímos significados

a esses pensamentos. Pensamentos em sí são passageiros, temporários,

porém nos agarramos a eles dando extrema importância a cada

um, principalmente aos negativos.

Perceba que nossa mente, mente e nós tratamos todos os nossos pensamentos

como verdades absolutas. Nós somos a consciência por trás

dos pensamentos, nós temos o poder. Quando um pensamento negativo

vem, se estivermos com a mente treinada e meditando todos os dias,

conseguiremos até mesmo ser gratos pelos ensinamentos que as nossas

experiências nos trouxeram, a nossa mente interpretará com emoções

boas e não ruminativas e negativas.

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A mudança de significado não acontece da noite para o dia e é aos

poucos, quanto mais pararmos de fortalecer a cadeia de pensamentos

negativos, criando ainda mais conexões neurais e dizendo ao cérebro

para continuar na loucura de criações negativas sem sentido, mais leves

os pensamentos vão ficando.

Se conseguirmos substituir uma decepção passada por um sentimento

de gratidão à vida pela oportunidade do aprendizado, mesmo

que duro, substituímos as conexões neurais negativas por conexões positivas.

Geralmente as conexões neurais negativas ficam fortes pois nos identificamos

com os pensamentos, ou vamos atrás da dor, isto é, cutucando

a dor, com imagens mentais e físicas que só nos afundam ainda mais.

Se queremos que a dor diminua ou se encerre, precisamos permitir

ao cérebro que as conexões neurais sejam diminuídas e pra isso precisamos

tomar as rédeas da nossa vida, escolhendo de fato ser feliz. Para

se libertar de memórias negativas, é preciso não ficar voltando nestas

memórias, assim as conexões neurais perdem força e se tornam mais

fracas.

Pico da crise de ansiedade

A sensibilidade de perceber o início de uma crise de ansiedade é importantíssima

para conseguir tomar atitudes que não provoquem um

aumento dela, ou mesmo uma nutrição do que está trazendo a crise.

Repare em duas coisas em meio a crise ansiosa: 1- a sua respiração

2- os seus pensamentos.

No meio de uma crise de ansiedade ocorre uma desorganização da

nossa respiração, isto é, perdemos o sincronismo e fluidez da respiração.

Com pouco oxigênio, o cérebro entra numa espiral negativa que piora

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ainda mais a respiração, deixando a crise ainda pior. Identificando o início

da crise, temos que focar em dar boas respiradas lentas e profundas,

oxigenando o cérebro e ajudando a diminuir os sintomas do problema.

Numa crise de ansiedade é comum os pensamentos ruminativos e

disfuncionais virem à tona. São aqueles pensamentos repetitivos que

não servem para nada além de nos deixar pra baixo. Esses pensamentos

não apontam caminho algum, vem como uma forma de defesa do cérebro,

mas que parecem não ter fim e gritam cada vez mais alto.

Uma estratégia para silenciar esses pensamentos é focar num ponto

do corpo e sentir com ele, as várias sensações, para que dessa forma os

pensamentos possam se organizar e silenciar.

Numa crise de ansiedade é importante tomar cuidado para não agir

de forma precipitada, acreditando totalmente nos pensamentos e os

deixando dominar a ponto de tomar grandes decisões no meio dessas

crises, como terminar um relacionamento ou pedir demissão. Essas atitudes

de grande impacto, devem ser tomadas com a cabeça fria e sem a

urgência da crise ansiosa.

Por isso, acalmar o cérebro dando a ele boas respiradas lentas e profundas

e trazer a mente para o presente, focando num ponto do corpo

é tão importante.

Nível de consciência

Todo ser humano possui um nível de consciência diferenciado, e é

por isso que vemos tanta diversidade, pois cada ser humano pensa de

uma forma e vê o mundo de uma forma.

Uma pessoa que possui um nível elevado de consciência é capaz de

aceitar o presente da maneira como ele se revela, e uma pessoa de pouca

consciência é aquela que resiste ao presente da maneira como ele se

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revela. Podemos dizer então que existe um gradiente de resistência e

aceitação.

Existem os níveis de consciência negativos, que resistem ao presente,

que podem ser identificados como preguiça, teimosia, arrogância, orgulho,

presunções, ceticismo, ignorância, irritação, indignação, medo,

ansiedade, insegurança, resistência etc.

Para atingirmos um nível de consciência elevado, precisamos diminuir

a presença desses níveis de consciência negativos, que são as resistências

ao momento presente e aumentar a nossa aceitação do momento

presente, que se desdobra através de coragem, neutralidade, disposição,

entendimento puro, aceitação, amor as outras pessoas e seres, bondade,

generosidade etc.

Para que consigamos atingir um nível elevado de consciência, precisamos

deixar de resistir as coisas como eles são e como elas se revelam e

passar a aceitar, as coisas como elas são. Isso não significa ser negligente

ou simplesmente concordar com tudo, mas sim aceitar as coisas como

elas se apresentam e então tomar as atitudes necessárias.

Grande parte do nosso sofrimento, vem da resistência para com o

presente, ou seja, a resistência com algo que não saiu conforme as nossas

expectativas. Precisamos lembrar que na maior parte da vida, as expectativas

não condizem com a realidade e para alcançarmos um nível mais

elevado de consciência, precisamos aceitar esse fato.

A aceitação do momento presente e a elevação do nível de consciência

é relativamente ligado ao nível de felicidade. Quanto menos resistimos,

mais somos felizes.

A lei da impermanência

Nós vivemos a lei da impermanência o tempo todo, ela nos diz que

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tudo nessa vida passa e nada é eterno. Hoje você pode estar casado e

amanhã não estar mais casado, hoje nossos pais podem estar vivos e

amanhã não mais, ou seja, tudo é passageiro. O grande problema é que

nós temos o hábito de nos apegarmos a pessoas, momentos e bens materiais.

Hoje podemos ter bens materiais e amanhã não mais, isso só

comprova que as coisas passam. Hoje estamos vivos e não existe nada

que nos dê a certeza de que amanhã estaremos.

O que gera grande sofrimento é ficarmos apegados, acabamos não

vivendo o momento presente e deixamos assim que ele passe e depois

que ele passa, queremos continuar vivendo os mesmos sentimentos e

sensações de ontem.

O ontem já foi, é passado, esses sentimentos já passaram e não temos

nem a possibilidade de sentirmos exatamente a mesma coisa que sentimos

ontem, já que a cada dia tudo se renova. Podemos sentir coisas

diferentes, maiores ou menores, mas iguais jamais.

Usufruir o momento presente é viver o que deve ser vivido, na hora

em que deve ser vivido, com abundância e discernimento para investirmos

no que deve ser investido e desinvestirmos no que não nos torna

pessoas melhores.

A consciência da impermanência nos empodera com o fato de que

sentimentos ruins passam e que os bons também. Quantas vezes brigamos,

querendo acabar logo com o sofrimento, de forma que aquela sensação

passe o mais rápido possível e assim acabamos não entendendo o

processo.

Muitas vezes substituímos sentimentos e emoções de forma que

aquilo passe o quanto antes, as vezes um sentimento de amor, pode ser

transformado em raiva, conscientemente, apenas por que a raiva nos

deixa mais racionais e assim fica mais fácil lidar com a perda de um

amor.

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Quantas vezes estragamos tudo, pois quando estamos vivendo momentos

incríveis, queremos que esse momento dure pra sempre. Como

um tecido, vamos esgaçando o momento para que ele dure o máximo

de tempo possível, porém agindo assim, em determinado momento, o

tecido acaba se rasgando.

Desapegando e abrindo mão do que já passou e com a atenção total

no presente, conseguimos viver de forma mais leve, livre e a felicidade

se torna cada vez mais próxima, pois a felicidade mora no presente, não

no passado ou futuro. O apego nos aprisiona e nos faz sofrer, pois não

conseguimos deixar ir e consequentemente sofremos muito com coisas

que não irão mais nos trazer sensações positivas.

Repetir momentos e querer trazer o passado para o presente, só nos

torna passageiros da vida, vivendo um sonho acordado. Só o autoconhecimento

nos liberta desse ciclo de sofrimento e por isso a terapia é

tão importante.

Sem julgamento

Cada um de nós já perdeu a energia ou afastou alguém através do

julgamento. Cada vez que julgamos alguém, nós assumimos os problemas

dessa pessoa e em seguida nós precisamos resolver esses problemas

como se eles fossem nossos. Sempre que julgamos alguém, o que na

verdade queremos dizer é que somos melhores e que sabemos mais que

a outra pessoa ou que somos mais inteligentes.

Mal paramos para pensar que o outro é uma pessoa completamente

diferente, com experiências diferentes e que está seguindo o seu caminho,

com suas próprias qualidades e limitações. Quando julgamos,

dizemos a outra pessoa que faríamos muito melhor que ela, naquele

mesmo momento de sua vida.

Assim gastamos a nossa energia vital, saúde, juventude, potencial e

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em última análise a nossa vida, para resolver os problemas que não são

nossos. Problemas que nem teríamos se não julgássemos.

O julgamento inicia um processo de autodestruição, pois tiramos o

foco de nós mesmos e passamos para terceiros, mesmo sem ter as informações

precisas que achamos que temos. Por isso precisamos ficar tão

atentos ao ato de julgar, pois sempre que apontamos o dedo pra alguém,

estamos na verdade olhando para nós mesmos, porém de uma forma

negativa e pesada.

O ego

Deixando Freud de lado, que considera que o ego é parte da personalidade

que media as demandas do id, superego e da realidade. Segundo

ele o ego nos impede de agir em nossos impulsos básicos (criados pelo

id), mas também trabalha para alcançar um equilíbrio com os nossos

padrões morais e idealistas (criados pelo superego).

Pelo ponto de vista espiritual mais abrangente, pensando o ser humano

como corpo, mente e alma, ego é a identificação com seus pensamentos

e sentimentos. Ego então é achar que somos as coisas que passam

pela nossa cabeça, os pensamentos, emoções que sentimos e papéis

que exercemos.

Nos identificar somente com o passado, futuro e com essa imagem

de que temos sobre nós mesmos, e dessa forma perder a conexão com

a nossa essência. É esquecer de que somos uma centelha passando por

essa experiência temporária nesse corpo com essa história e essa personalidade.

É como se um ator ou um atriz fosse interpretar um filme e eles recebessem

todas as descrições do personagem, seus dramas, preocupações,

padrões de pensamento e emoções que se repetem. É como que esses

atores se entregassem tanto a esse drama que se esquecesse de que são

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apenas atores que estão passando temporariamente interpretando esse

papel e esquecesse até mesmo quem realmente são, tamanha a conexão

com seu personagem.

Se identificar com o ego é ficar preso a essa história, não conseguindo

mais se distanciar do papel que estamos interpretando.

Lembre-se, nós não somos os nossos pensamentos e os nossos pensamentos

não nos definem. Não devemos acreditar em todo pensamento

que passa pela nossa cabeça, pois em grande maioria das vezes, é o

nosso ego gritando para ser ouvido. Dar ouvido em demasia ao ego, nos

trás ansiedade e nos tira do eixo da paz interior, pois se identificar com

o ego, é acreditar nas nossas histórias mentais, que na maioria das vezes,

não passam de ilusões.

O ego tem o seu papel em nossas vidas, não devemos acreditar também

de que ele é todo ruim, o grande problema está em acreditar que é

só isso, de que essas histórias mentais são verdadeiras, nutri-las e depositar

todas as nossas esperanças e angústias nisso.

Quando damos extrema importância ao passado, a coisas que nem

existem mais, ou ao futuro, em coisas que nem aconteceram, e talvez

nunca aconteçam ou aconteçam de um modo completamente diferente

do que imaginávamos, estamos deixando o nosso ego crescer e se fortalecer,

e isso causa sofrimento e tira a nossa paz.

Quando nos conectamos com nós mesmos e sabemos quem realmente

somos, conseguimos ter certo nível de domínio sobre o ego, a

ponto de alcançar a paz e silêncio mental que tanto procuramos.

Você já achou que sua mente é seu maior crítico? Este é seu ego gritando.

Para o ego, tudo é uma ameaça, tudo é uma competição e quando

estamos mais conectados com nós mesmos, conseguimos a distância

necessária para enxergar as coisas da vida com menos pressão e ansiedade.

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Quantas vezes numa discussão ou conversa, pegamos os argumentos

das outras pessoas e acreditamos que são ataques diretos a nós mesmos

e não apenas uma expressão de uma opinião?

E quando nos culpamos ou culpamos alguém pelo passado? Tudo

isso é ego. Tudo isso é a identificação com uma história.

Sabendo que passado e futuro são ilusões da nossa mente, pois o

passado já passou, são apenas lembranças e o futuro ainda não chegou,

controlar o ego é um trabalho de estar momento a momento não nos

identificando com o nosso passado ou futuro, não nos perdendo em

nossos pensamentos, estando com a consciência no aqui e agora, respondemos

concretamente ao fluxo da vida no momento presente.

Superego - o nosso carrasco interior

Sigmund Freud foi o descobridor de uma realidade subjetiva que

chamou de superego, que diferente do que muitos acreditam, não se

trata de um anjo interior, mas sim de um acusador interno. A função do

superego não é nos tornar pessoas do bem ou moralmente aceitáveis,

mas sim nos impor limites, o que muitas vezes se traduz em nos maltratar

e acusar.

O superego nos compara com nós mesmos idealizados, um eu fantasioso

onde somos engraçados, felizes, inteligentes e perfeitos o tempo

inteiro. O superego nos compara então, com o nosso eu ideal, e nessa

comparação oriunda da nossa mente, nós sempre saímos perdendo.

O superego é um derivado direto do cuidado que recebemos quando

crianças, dos nossos pais ou cuidadores, sendo então uma forma de

internalização dos nossos pais, porém dos aspectos coercitivos deles.

Na nossa infância, nossos pais buscam ser atenciosos, acolhedores e

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amáveis, porém esses mesmos pais, precisam ser duros, pois caso contrário

ficaremos estagnados. Os pais então de uma forma ou de outra,

precisam nos aplicar punições, nos colocar de castigo e até fazer ameaças.

O respeito nasce de uma idealização que criamos dos nossos pais

e pra isso é necessário um pouco de medo, por mais amáveis que eles

sejam. Quando crescemos, já longe dos pais, passamos a nos sentir ameaçados

por nós mesmos, aquelas lembranças da infância continuam conosco.

Temos então dentro de nós mesmos um acusador implacável que

carregamos da infância e ele é o melhor em fazer isso, pois ninguém nos

conhece melhor que nós mesmos.

O superego muitas vezes nos entrega uma sensação constante de insuficiência,

quando somos dominados pelo superego, fica muito difícil

nos considerarmos alguém capaz, bom e suficiente. Para o superego

nunca está bom, por mais que nos esforcemos.

Um dos objetivos da psicanálise é nos tornar independentes do superego,

diminuindo a pressão desse carrasco interior, nos dando autonomia

para vivermos nossas vidas com mais leveza e fluidez.

Quando a crise de ansiedade bater

Precisamos ter em mente que a ansiedade existe e é algo ruim, ao

menos na proporção que deixamos tomar nos dias atuais, mas é no pico

da crise de ansiedade que podemos cometer ações que nos arrependeremos

no futuro.

O pico da crise de ansiedade é caracterizado pela falta de ar e pensamentos

extremamente acelerados, num ritmo que mal conseguimos

controlar, entramos então num carro em alta velocidade e desgovernado.

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Durante uma crise de ansiedade, é preciso gastar energia cerebral, tirar

o foco dos pensamentos, para que o cérebro possa encontrar o caminho

do descanso. É comum ficarmos paralisados em meio a uma crise

de ansiedade, a angústia e os pensamentos são tão fortes, que ficamos

inertes.

É necessário cortar esse ciclo, correr ou praticar qualquer atividade

física que possa nos deixar cansados e retirar a energia e o foco da nossa

própria mente, nos ajuda a superar o auge da crise. Não podemos esquecer

que existe uma conexão muito forte entre mente e corpo. Exercitando

o corpo, nossa mente ganha e exercitando a mente, nosso corpo

ganha.

Quando a crise de ansiedade bater, se possível, não fique parado,

mude o foco, corra, faça algo diferente, isso será o combustível para o

início de uma melhora.

Fechamento de ciclos

Quanto mais nós vamos vivendo, mais pesada vai ficando a nossa

bagagem, nós vamos acumulando coisas demais e de vez em quando

precisamos aliviar um pouco essa bagagem interior.

Cuidar das mágoas do passado é não permitir um ciclo, onde tudo

está bem e logo após as mágoas vem à tona, nos tirando do eixo, para

logo após ficar bem e assim por diante. Precisamos entender que quanto

maior a dor, maior a mudança, se estivermos abertos a mudar, mas caso

escolhermos apenas a dor, é isso que carregaremos.

Por vezes, mudanças exteriores promovem transformações internas,

como mudar o corte de cabelo, comprar roupas novas, mudar de emprego,

mudar de casa, mas a maior mudança vem do nosso interior, sem

alarde e sem que ninguém além de nós perceba. Por vezes insistimos

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tanto em carregar uma bagagem que de uma hora pra outra, sem motivo

aparente, aquilo nos cansa e simplesmente deixamos pra trás a bagagem

pesada e que não nos acrescenta.

Nós conhecemos ritos de passagem como casamento e aniversário

que simbolizam que a partir daquele momento a vida mudou, porém

nem sempre haverá um rito de passagem para anunciar que dentro de

nós é necessário haver uma mudança.

Ninguém precisa nos contar para sabermos quando precisamos encerrar

um ciclo, nós simplesmente sabemos, é quando a dor já não faz

sentido algum, e se torna dor pela dor, e vamos nos cansando, pois sabemos

que há infinitas possibilidades na vida, para sofrermos pelo simples

ato de se apegar ao sofrimento.

Uma técnica usada para fechar um ciclo, é escrever a mão, cartas

para as pessoas que nos magoaram, descrevendo tudo o que passamos

e sentimos com essa pessoa, é importante escrever todas as mágoas e

desilusões e após isso, queimar as cartas, deixando ir simbolicamente

aqueles sentimentos pesados que nos magoavam.

Ficar no presente com o pensamento ruins do passado, é sempre um

desastre, pois a carga emocional afetará o nosso presente, mesmo que de

forma inconsciente.

Fechar um ciclo é saber também as lições e aprendizados que tiramos

de cada situação ou relacionamento, não deixando que apenas o

lado ruim florescer dentro de nós. É preciso ter gratidão com o processo,

mesmo que ele seja duro, as lições muitas vezes levam tempo.

O ego ferido

O ego é um esquecimento de quem nós realmente somos, e uma

identificação com os nossos pensamentos e emoções, isto é, com a his-

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tórias que criamos e contamos para nós mesmos. Com o tempo, vamos

inconscientemente nos apegando a essa parte superficial de quem nós

somos e vamos cada vez mais nos distanciando da nossa verdadeira essência.

Nos esquecemos da simplicidade e da pureza que é ser. De apenas

ser.

As mágoas do passado, são histórias que vamos colocando umas em

cima das outras e assim vamos nos esquecendo que podemos simplesmente

ser. E é aí que vem a ansiedade, o estresse, o pânico, a depressão,

sintomas que nos mostram que estamos fora do nosso centro.

Por vezes nos esquecemos de simplesmente ser e ficamos travados

em pensamentos ruminativos. Boa parte desses pensamentos, podem

vim de um ego ferido, alguma situação que fez o nosso ego entrar em

estado de alerta e que por não sabermos controlar esses pensamento e

nos mantermos no presente, nos levam a uma sensação de ferimento

interno.

Esse tipo de pensamento ruminativo do ego ferido, nos tira da realidade

e nos prendem a uma dimensão superficial, fazendo com que nos

esqueçamos da espontaneidade que é viver.

A planta do ego ferido caso seja regada, irá gerar sentimentos de raiva,

angústia e por fim tristeza. É importante notar que esses sentimentos

apenas aparecem pois estamos cultivando esse ego, ao invés de nos focarmos

no presente, que é o que de fato existe.

Sempre que sentirmos que nosso ego foi ferido, devemos prestar

atenção em nossa respiração, não deixando que os pensamentos fujam

do nosso controle, pois caso isso aconteça, rapidamente entraremos

num estado reativo e perderemos nossa capacidade momentânea de

afeto e amor.

Não devemos deixar de forma alguma o nosso ego controlar os nossos

pensamentos, pois caso isso ocorra, provavelmente começaremos a

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ser percebidos pelas outras pessoas como alguém triste, que só consegue

olhar para as coisas negativas da vida.

Há pessoas que já tiveram tanto o ego ferido durante suas vidas, seja

por meio de relacionamentos que não foram pra frente, ou foram pra

frente porém tiveram desilusões amorosas, ou cicatrizes gigantescas que

não foram curadas que se tornaram pessoas carrancudas, raivosas e no

final tristes.

Quando damos ouvido demais para o nosso ego, que em grande parte

das vezes está ferido, nos identificamos com as emoções e é isso que

nos tira do momento presente e nos deixa imerso em pensamentos que

não possuem função alguma, na maioria das vezes.

Conseguir não se identificar com o ego, não achando as vezes que

por que algumas coisas aconteceram de determinada forma, elas serão

sempre assim é um bom caminho para se viver bem.

Sem demonizar o ego, ele é uma ferramenta de proteção, porém

quando damos voz demais a ele, nos tornamos sempre em estado de

alerta, não nos abrimos para as coisas maravilhosas e amorosas que podem

acontecer por acaso na vida. Daí a importância vital de se manter

no presente, que na verdade é o que importa.

Meditação

Na busca por silenciar o ego, a melhor forma é o autoconhecimento

e para isso, meditar todos os dias é um dos melhores remédios para

alcançar a paz mental.

Quando temos o hábito de meditar, aprendemos a permanecer no

nomento presente, vendo as coisas como elas são e não acrescentando

combustível às nossas histórias mentais, assim conseguimos silenciar o

ego.

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A meditação ainda é cheia de misticismo e muita gente confunde a

sua prática como um caminho exclusivamente religioso, de uma cultura

que nos é estranha. Esquecendo a questão espiritual, que é de importância

gigantesca, ela reduz o estresse e a ansiedade fortalecendo o sistema

nervoso e imunológico, melhora a memória, a autoestima e aumenta a

capacidade de concentração.

A ansiedade nos consome, deixa o coração acelerado constantemente

e libera substâncias nocivas à nossa saúde, produzindo prejuízos

mentais e também físicos. Nos sentimos cansados, esgotados, muitas

vezes por pensarmos demais e constantemente. São os chamados pensamentos

ruminativos, aqueles que ficamos ruminando em nossas mentes

e não vão embora nem se resolvem.

A meditação desacelera os nossos pensamentos e nos dá consciência

das nossas questões internas. Muitas vezes nos sentimos ansiosos e nem

sabemos nomear os motivos de tamanha inquietude.

Meditar nos propicia um conhecimento sobre nós mesmos e sobre

o que nos cerca, deixando-nos mais assertivos na resolução dos nossos

problemas. Tente pensar em quantas vezes você se sentiu ansioso, com

uma angústia que mal sabe explicar de onde vem.

Quando meditamos, pensamentos vem e vão, são depurados até se

silenciarem, nos permitindo viver o momento presente de forma mais

profunda, prestando atenção em nós mesmos, nossos sentimentos e

sensações.

Em nosso dia a dia, não respiramos corretamente, não entregamos

oxigênio suficiente a nosso cérebro. Lembre-se que a energia do nosso

cérebro vem do oxigênio e da glicose, não adianta comermos bem e

não fornecermos o oxigênio necessário para o nosso cérebro trabalhar

corretamente.

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O ansioso é aquele que está sempre no futuro tentando solucionar

problemas que ainda não existem e que possivelmente nem existirão. A

meditação é uma forma de se colocar no aqui e agora, pois ajuda a tirar

a mente das ocupações do futuro que são geradoras de ansiedade.

Os níveis de desatenção no mundo atual são muito grandes, e os dados

científicos nos indicam que em aproximadamente 47% do tempo

não estamos atentos ao que estamos fazendo no momento. O estado de

mindfulness seria então como um antídoto a viver desatento, no piloto

automático, e reagindo sem consciência às situações. O objetivo da

meditação, portanto, é obter maior reconhecimento dos estados internos,

sensações corporais e impulsos. A partir daí, podemos lidar melhor

com o estresse do dia a dia, além de amenizar a ansiedade, depressão,

dores crônicas e doenças em geral.

Como meditar da forma mais simples possível?

Não deixe para outro momento, comece seu dia bem. No best seller

O Milagre da Manhã o autor Hal Elrod mostra que a nossa atitude na

primeira hora do dia, reflete em todas as outras. Ao acordar, separe 15

minutos em um local silencioso e tranquilo, só não pode ser sua cama,

pois cama dá sono.

Posicione sua coluna ereta de forma confortável, relaxe seus braços e

pernas, se fique da maneira mais confortável possível e comece a prestar

atenção em sua respiração.

Inspire e expire lentamente, sentindo o ar entrar e sair por completo

do seu pulmão. Solte seus ombros que provavelmente estão tensos. Sinta

seus braços, pescoço e pernas leves, solte-os, enquanto inspira e expira

lentamente. Deixe a tensão para mais tarde, no trabalho ou em seus afazeres

e foque apenas no momento atual e nas sensações que você está

sentindo no presente.

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O foco da meditação deve ser na respiração. Você pode se sentir

incomodado, inquieto, com a sua cabeça a mil, porém, continue com

o foco em sua respiração, inspirando e expirando lentamente, extraia

prazer nisso. Inspire apenas energias boas e ao expirar, coloque todas as

energias ruins pra fora. Quando os pensamentos virem, deixe-os passar,

sinta o barulho das suas narinas, seus batimentos cardíacos, o movimento

do seu abdômen.

Observe que vários pensamentos virão à sua mente, e isso é completamente

normal, acontece com todos que meditam. Deixe que os pensamentos

passem como nuvens, não se apegue a eles.

Essa é a sua hora, o seu momento. De forma mais simplificada possível,

permaneça com o foco apenas em sua respiração, entregando oxigênio

ao seu cérebro e respirando lentamente. Após 15 minutos, abra os

olhos devagar e comece o seu dia de forma mais leve.

Não desista, tente com que a meditação ao começar o dia, por pelo

menos menos 15 minutos, se torne um hábito e você faça todos os dias

para que possa começar a colher os benefícios.

Não deixe com que o fato da meditação ainda não seja um hábito

em sua vida, desanime de você fazer o que deve ser feito, que é focar no

agora e suas sensações.

A meditação também é uma poderosa forma de nos conhecermos,

pois em silêncio e com atenção apenas no momento presente, podemos

digerir com mais clareza assuntos que remoemos diariamente sem resolução.

Há vários aplicativos e vídeos no Youtube onde se pode fazer meditação

guiada ou mesmo aprender a meditar sozinho. Tente até virar

rotina, pois poucas coisas dão mais paz e diminuem a ansiedade como

a meditação.

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Meditação não é digging

Digging significa escavar uma crença limitante até chegar à crença

raiz que sustenta uma pilha de crenças acima dela. Por vezes ao pararmos

para meditar, acreditamos que deixar os nossos pensamentos serem

levados a questões cada vez mais profundas, nos dará a iluminação

de resolvermos as nossas questões internas. O problema é que isso, só

dá ainda mais combustível a nossa mente tagarela. Escavar nossos pensamentos,

não nos entrega paz e muitas vezes pode gerar um estresse

ainda maior.

Meditar é silenciar a mente, deixando-a tranquila e fluida, isto é,

quase o oposto do digging. Na meditação buscamos diminuir o ritmo

dos pensamentos e o grande objetivo, mesmo que muito desafiador, é

não pensarmos em nada, sentindo apenas a fluidez da existência.

Sobre parar de falar consigo mesmo sobre si mesmo

Quando ficamos pensando sobre nós mesmos, nos esquecemos do

mundo e não vivemos o presente. A vida passa e nem percebemos.

O ato de falar consigo mesmo sobre si próprio aflora o nosso superego,

que segundo Freud simboliza os julgamentos dos nossos pais

para conosco. Comece a reparar que sempre que conversamos conosco,

temos uma tendência a ser mais críticos do que as outras pessoas são

com nós mesmos.

Claro, o superego nos conhece, sabe dos nossos defeitos e se fazemos

determinado ato com amor puro ou com algum nível de interesse.

Então conversar com nós mesmos, pode trazer a tona sentimentos de

medo e ansiedade, pois nos trarão julgamento sobre nós mesmos, que

são os piores e mais sinceros, pois como já foi dito, nós nos conhecemos

mais que ninguém.

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O exercício de calar a voz interna é um desafio, já que não podemos

sair de perto da nossa mente, como fazemos com conversas indesejadas

com outras pessoas. Treine sua mente para voltar a realidade sempre

que sua mente fugir para pensar sobre você mesmo, ao invés disso, volte

para a realidade. Sinta cada sensação real, viva o real. Você pode até

acreditar nos seus pensamentos, mas boa parte deles não passa da sua

imaginação querendo te proteger e assim acaba te colocando pra baixo,

pois essa proteção, vem com o julgamento.

Existe uma saída, você precisa encontrá-la

Muitas pessoas após anos sendo ansiosas, já se acostumaram ao problema

a ponto de acreditarem totalmente que a ansiedade já é parte da

sua personalidade.

Seja por dezenas de motivos que podem ter causado esse seu quadro

ansioso, saiba que assim como você entrou nele, também existe uma saída

ou ao menos um tratamento que o faça descobrir os gatilhos quando

eles começarem.

Identificando os gatilhos e o início das crises ansiosas, fica muito

mais fácil aplicar soluções, como respirar fundo por alguns minutos.

A cada três horas, inspire e expire fundo três vezes

Lembra que o nosso cérebro precisa de oxigênio para funcionar corretamente?

De três em três horas ou sempre que lembrar, inspire e expire

profundamente de forma lenta, oxigenando o seu cérebro e fazendo-o

funcionar assertivamente.

Sua ansiedade pode ser melhorada significativamente apenas com o

hábito de respirar melhor.

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Lavagem nasal

Quando digo que o cérebro utiliza oxigênio como fonte de energia,

isso que dizer que caso você tenha algum tipo problema respiratório

como rinite, isso pode impactar na sua capacidade respiratória, e entregando

menos oxigênio ao seu cérebro, você pode sem perceber, ter uma

crise de ansiedade.

Torne a lavagem nasal um hábito, assim como escovar os dentes, os

ganhos para a sua vida podem ser gigantescos.

A limpeza diária é a melhor maneira de desentupir o nariz e controlar

o fluxo de ar do nariz. Aprenda como realizar essa limpeza para,

enfim, respirar bem.

1. O preparo

O produto ideal para fazer a lavagem nasal é o soro fisiológico comum,

disponível em qualquer farmácia. Ao comprar um frasco maior,

guarde-o na geladeira para preservar o conteúdo e retire o líquido uns

minutos antes para que ele não fique tão gelado. Se preferir, existem

opções específicas para essa finalidade. Uma pequena porção de sal de

cozinha, misturado com água, também pode ser usado. A recomendação

é aquecer o líquido de forma que ele fique levemente morno e traga

mais conforto a suas narinas.

2. A ação

O melhor cômodo para fazer esse processo é o banheiro. Posicionese

em frente ao espelho. Depois, aponte o nariz na direção do ralo da

pia, com a cabeça levemente inclinada para a frente e a boca aberta.

Com uma seringa sem agulha, pegue de 10 a 20 mililitros de soro fisiológico

e aplique em cada uma das narinas. Nas farmácias, vende-se um

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recipiente específico para a realização da lavagem nasal.

3. O efeito

Ao entrar pelas cavidades, o líquido ajuda a eliminar impurezas,

especialmente o excesso de muco que está acumulado por ali. Isso já

amplia o espaço e permite que o oxigênio e o gás carbônico transitem

melhor.

Em longo prazo, a prática ainda reduz a inflamação e o inchaço.

4. A periodicidade

No final, use um lenço para tirar o excesso de umidade. O indicado

é realizar o procedimento ao menos duas vezes ao dia, ao acordar e antes

de dormir — no inverno e na primavera, mais limpezas podem ser

necessárias.

Antes de fazer sua primeira lavagem nasal, busque no Youtube por

“lavagem nasal”, lá você encontrará vários exemplos de como fazer da

forma correta.

TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é caracterizado,

como o próprio nome indica, pela hiperatividade, desorganização,

agitação, falta de atenção, impulsividade, entre outros. De acordo

com estimativas, ele atinge de 3% a 6% pessoas em todo o mundo.

Segundo levantamentos, o número de pessoas com TDAH que também

são diagnosticadas com depressão chega a 30% dos casos.

Procure um bom psiquiatra ou neurologista e tente descobrir se você

possui esse transtorno. As pessoas hiperativas, ficam constantemente

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com a cabeça a mil, fato que os deixa exaustos, de tanto sobrecarregar a

cabeça com tantos pensamentos. Caso você seja um TDAH e for tratado,

seus problemas podem ser diminuídos ou até solucionados.

O questionário abaixo é denominado ASRS-18 e foi desenvolvido

por pesquisadores em colaboração com a Organização Mundial de Saúde.

ESTE QUESTIONÁRIO É APENAS UM PONTO DE PARTIDA

PARA LEVANTAMENTO DE ALGUNS POSSÍVEIS SINTOMAS PRI-

MÁRIOS DO TDAH.

O DIAGNÓSTICO CORRETO E PRECISO DO TDAH SÓ PODE

SER FEITO ATRAVÉS DE UMA LONGA ANAMNESE (ENTREVIS-

TA) COM UM PROFISSIONAL MÉDICO ESPECIALIZADO (PSI-

QUIATRA, NEUROLOGISTA, NEUROPEDIATRA).

MUITOS DOS SINTOMAS ABAIXO RELACIONADOS PODEM

ESTAR ASSOCIADOS A OUTRAS COMORBIDADES CORRELATAS

AO TDAH E OUTRAS CONDIÇÕES CLÍNICAS E PSICOLÓGICAS.

LEMBRE-SE SEMPRE QUE QUALQUER DIAGNÓSTICO SÓ

PODE SER FORNECIDO POR UM PROFISSIONAL MÉDICO.

Parte A

1. Com que frequência você comete erros por falta de atenção quando

tem de trabalhar num projeto chato ou difícil?

2. Com que frequência você tem dificuldade para manter a atenção

quando está fazendo um trabalho chato ou repetitivo?

3. Com que frequência você tem dificuldade para se concentrar no

que as pessoas dizem, mesmo quando elas estão falando diretamente

com você?

4. Com que frequência você deixa um projeto pela metade depois de

já ter feito as partes mais difíceis?

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5. Com que frequência você tem dificuldade para fazer um trabalho

que exige organização?

6. Quando você precisa fazer algo que exige muita concentração,

com que freqüência você evita ou adia o início?

7. Com que frequência você coloca as coisas fora do lugar ou tem de

dificuldade de encontrar as coisas em casa ou no trabalho?

8. Com que frequência você se distrai com atividades ou barulho a

sua volta?

9. Com que frequência você tem dificuldade para lembrar de compromissos

ou obrigações?

Parte B

1. Com que frequência você fica se mexendo na cadeira ou balançando

as mãos ou os pés quando precisa ficar sentado por muito tempo?

2. Com que frequência você se levanta da cadeira em reuniões ou em

outras situações onde deveria ficar sentado?

3. Com que frequência você se sente inquieto ou agitado?

4. Com que frequência você tem dificuldade para sossegar e relaxar

quando tem tempo livre para você?

5. Com que frequência você se sente ativo demais e necessitando fazer

coisas, como se estivesse “com um motor ligado”?

6. Com que frequência você se pega falando demais em situações

sociais?

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7. Quando você está conversando, com que freqüência você se pega

terminando as frases das pessoas antes delas?

8. Com que frequência você tem dificuldade para esperar nas situações

onde cada um tem a sua vez?

9. Com que frequência você interrompe os outros quando eles estão

ocupados?

Como avaliar:

Se os itens de desatenção da parte A (1 a 9) E/OU os itens de hiperatividade-impulsividade

da parte B (1 a 9) têm várias respostas marcadas

como FREQUENTEMENTE ou MUITO FREQUENTEMENTE existe

chances de ser portador de TDAH (pelo menos 4 em cada uma das partes).

O questionário ASRS-18 é útil para avaliar apenas o primeiro dos

critérios (critério A) para se fazer o diagnóstico.

Caso você queira se informar mais sobre o TDAH, indico fortemente

o livro da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, chamado Mentes Inquietas.

Fazer as pazes com nós mesmos

A felicidade depende de nosso estado mental, não de nossa conta

corrente. Concretamente, “nosso nível de felicidade vai determinar

aquilo ao qual nos apegamos e a força do sucesso ou do fracasso”. Isso é

conhecido como locus de controle, ou “o lugar em que situamos a responsabilidade

pelos fatos” – um termo descoberto e definido pelo psicólogo

Julian Rotter em meados do século 20 e muito pesquisado com

relação ao caráter das pessoas: os pacientes depressivos atribuem seus

fracassos a eles próprios e o sucesso a situações externas à sua pessoa,

enquanto as pessoas positivas tendem a pendurar-se medalhas no peito,

atribuindo os problemas a outros.

59


Podemos e devemos nos olhar com um olhar de amigo, sem julgamentos

e nos dar conselhos e agradecimentos por ter feito determinada

coisa da forma correta. Muitas vezes nos olhamos com olhar de julgamento

e somos mais duros com nós mesmos do que com qualquer pessoa.

Às vezes pensamos sempre no pior cenário possível de coisas que

temos o pleno controle. Como assim? Não estamos confiando mais em

nós mesmos?

Do que é feita uma vida boa? - Harvard

Segundo uma pesquisa a maioria das pessoas sonha em ser rica ou

famosa, essas são as duas maiores ambições de suas vidas. A maioria

das pessoas nos dão a impressão de que são essas as coisas que devemos

correr atrás para se ter uma vida boa.

Quase tudo que sabemos do passado das pessoas, é conseguido perguntando

a elas sobre o que se lembram do seu passado. O problema é

que olhar nesse tipo de perspectiva acaba perdendo dados importantes

pois nos esquecemos boa parte do que passamos na vida e além disso,

nos lembramos de forma diferente dos fatos.

E se pudéssemos estudar as pessoas em tempo real com o passar dos

anos e desde muito jovens, na adolescência até sua velhice para analisar

o que realmente mantém as pessoas felizes e saudáveis?

O Estudo do desenvolvimento adulto de Harvard é o estudo mais

longo sobre o desenvolvimento da vida adulta já feito. Durante 75 anos

foram acompanhadas as vidas de 724 homens, ano após ano perguntando

sobre seus trabalhos, vidas domésticas, saúde e descobrindo ao

longo do caminho o que lhes deixavam felizes, sem saber como suas

vidas seriam.

Estudos como esse são extremamente raros, pois devido a mudanças

de administração da faculdade, pessoas que abandonam o estudo, mor-

60


rem, políticas e interesses, os estudos acabam por não durar mais que 10

anos. Boa parte dos 724 homens originais permaneceram vivos até os

90 anos, e agora a faculdade começou a estudar os filhos desses idosos.

Desde 1938 foram acompanhadas as vidas de dois grupos de homens,

o primeiro grupo começou o estudo quando estavam no segundo

ano da Universidade de Harvard, todos terminaram a faculdade durante

a Segunda Guerra Mundial e a maioria serviu na guerra. O segundo

grupo era de meninos pobres que moravam nos bairros mais pobres de

Boston. Esses meninos foram escolhidos por fazerem parte das famílias

mais problemáticas e desfavorecidas em Boston na década de 30. A

maioria dos meninos vivia em casas que não tinham sequer água.

Ao iniciarem os estudos, todos os adolescentes fizeram exames médicos

e receberam em suas casas os pesquisadores que entrevistaram seus

pais. Então todos esses adolescentes cresceram e seguiram diferentes

caminhos na vida. Um dos adolescentes inclusive se tornou presidente

dos Estados Unidos, outros desenvolveram alcoolismo, outros poucos

esquizofrenia. Alguns subiram na vida, indo da pobreza à riqueza e outros

foram na direção oposta.

A cada dois anos a equipe pesquisadores de Harvard entra em contato

com os indivíduos, fazendo perguntas sobre suas vidas. Muitos perguntam

aos pesquisadores o por que de estarem sendo entrevistados, já

que acreditam que suas vidas são entediantes.

Não apenas perguntas eram feitas, mas os cérebros dos pesquisados

eram escaneados, exames de sangue eram feitos e conversavam até mesmo

com seus filhos e esposas.

Dezenas de milhares de páginas foram geradas sobre essas vidas e

as lições não são sobre dinheiro, fama ou sobre trabalhar cada vez mais

pesado. A mensagem clara que os pesquisadores tiraram desse estudo

de 75 anos é que bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis.

Ponto final.

61


Os pesquisadores aprenderam três lições sobre relacionamentos.

A primeira é que conexões sociais são muito boas para nós e que a

solidão mata. As pessoas que estão mais conectadas socialmente com a

família, amigos e a comunidade, são mais felizes e fisicamente mais saudáveis

do que as pessoas que possuem poucas conexões. E a experiência

de solidão é tóxica. Pessoas que são mais isoladas do que gostariam, descobrem

que são menos felizes e tem sua saúde reduzida precocemente

na meia-idade. O cérebro dessas pessoas se deteriora mais cedo e eles

vivem vidas mais curtas do que aqueles que não são solitários.

A segunda lição é de que não é apenas o número de amigos que você

tem, e não é se estamos ou não num relacionamento sério, mas sim a

qualidade dos relacionamentos mais próximos que importa. Viver em

meio a conflitos é ruim para a nossa saúde e viver em meio a relações

boas e reconfortantes nos protege. Os pesquisadores descobriram que as

pessoas que tinham mais relacionamentos saudáveis aos 50, chegaram

aos 80 consideravelmente melhor de saúde que o restante.

A terceira lição é que relações saudáveis protegem não apenas o nosso

corpo, mas também nosso cérebro. Os pesquisadores perceberam

que as pessoas que tinham relacionamentos de confiança, tinham suas

memórias preservadas por mais tempo.

Esses relacionamentos bons, não tinham que ser tranquilos o tempo

todo. Alguns casais de mais de 80 anos discutiam uns com os outros,

mas no final do dia, sabiam que podiam contar um com o outro.

Como seres humanos, queremos algo fácil que tornaria as nossas vidas

boas e as manteria assim. Porém relacionamentos são complicados

e zelar por amigos e família dá trabalho e é para a vida inteira.

A vida, segundo o estudo, pode ser muito mais feliz, quando trocamos

momentos sem afeto, por momentos afetivos. Como entrar em

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contato com aquela pessoa que não falamos há meses, ou anos. Ou buscar

mais contato com nossos pais e parentes.

Uma vida boa se constrói com boas relações.

Notícias vs felicidade

Existe diferença entre informação e conteúdo. Muitas pessoas acreditam

que vendo jornais ou sites de notícias todos os dias, estarão adquirindo

cada vez mais conteúdo, porém na verdade estarão sendo

bombardeadas com informações, muitas vezes enviesadas e repetidas.

Notícias boas não vendem tão bem como notícias ruins, tragédias

dão muito mais dinheiro do que algo positivo, então você estará enchendo

o seu cérebro com notícias ruins, e acabará com o sentimento de

que tudo está perdido, aumentando ainda mais a ansiedade.

Antes de resolver ver as notícias do dia, se pergunte em que aquilo

poderá te ajudar, ou o que você poderá fazer para mudar as coisas. Não

adianta nada receber passivamente certas informações enquanto não

fará nada a respeito.

O estresse gerado pelos noticiários, diminuem seus hormônios bons

e aumentam a sua ansiedade.

Foque em notícias da sua área, direito, engenharia, medicina, design

etc. Além de te manter informado sobre algo que lhe interessa, lhe manterá

sempre atualizado quanto as novidades da profissão, tornando o ato

de recebe informação, muito mais produtivo.

Sobre se fechar

Em determinados momentos da vida, principalmente diante de

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acontecimentos ruins que nos desanimam, somos tentados a nos fechar

para a vida e situações. Não queremos mais sair de casa, pegar sol, ir

a praia, conhecer novos locais e pessoas. Entramos num estado de fechamento,

queremos apenas que a vida passe, pois a nos invade uma

sensação de repetição, como se não fizesse sentido ter mais esses tipos

de experiências.

Claro que sair compulsivamente apenas por sair, ver pessoas apenas

por ver, também não faz bem e pode causar problemas até maiores

quando é forçado, também não quero retirar a importância dos momentos

de reflexão, onde queremos e precisamos ficar sozinhos, porém

se fechar por meses e anos, como acontece com muitas pessoas, pode

levar a um quadro depressivo, pois quadros depressivos são acompanhados

por diminuição da frequência das conexões neurais e quando

nos fechamos, estamos dando carta branca para a diminuição dessas

conexões.

Quando conhecemos novas pessoas e locais, pegamos sol ou passamos

por situações que demandam algum nível de investimento mental,

estamos dando o combustível para novas conexões dos nossos neurônios

e assim nos mantemos com mais energia para a vida. Essa energia é

importantíssima para passarmos pelos momentos turbulentos.

Gratidão

A palavra gratidão foi sendo banalizada ao longo do tempo, hoje

usamos a palavra, a qualquer coisa que nos traga algo, mesmo que não

estejamos muitas vezes sentindo de verdade a gratidão dentro de nós. É

como um tudo bem que iniciamos nossas conversas no Whatsapp, em

que muitas vezes não queremos saber de verdade como a pessoa está.

A gratidão é ao mesmo tempo uma emoção, um sentimento e também

um comportamento, ou seja, uma forma de agir. No dicionário,

gratidão é o reconhecimento de elementos de valor na vida. Quando

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falamos de gratidão, estamos falando de um investimento de energia no

reconhecimento daquilo que merece valor em nossas vidas.

Quando não agradecemos as coisas que temos hoje, é muito difícil

vibrarmos numa energia que nos traga mais coisas boas. Muitas vezes

queremos tanto que as coisas aconteçam em nossas vidas, que nos esquecemos

da quantidade de coisas boas que já aconteceram e assim,

deixamos de agradecer.

Nos esquecemos de agradecer por coisas simples, como quando sentimos

o sabor de um alimento, podemos respirar de forma normal, ou

mesmo andar sem grandes dificuldades. Parece que apenas se lembramos

dessas coisas, quando nos faltam e agradecer pelas coisas simples,

é importantíssimo.

O exercício da gratidão, diferente da reclamação, acalma a nossa

alma, pois é um exercício de memória, onde olhamos para as nossas

experiências com carinho e paciência com o processo de evolução, sem

a pressão de termos de ser algo acabado.

A felicidade tende a estagnar em um ponto de equilíbrio, a pessoa

que ganha na loteria por exemplo, tende a ficar extremamente feliz, porém

com o passar dos anos ela volta para aquele nível médio de felicidade

que ela tinha antes de ficar milionária. Algo semelhante acontece a

uma pessoa que sofre um terrível acidente, no primeiro momento a pessoa

experimenta uma grande infelicidade mas com o passar dos anos,

ela também tem a tendência de voltar a um nível próximo de felicidade

anterior.

Adaptação hedônica é o conceito de que nós tendemos a manter um

nível médio de felicidade, onde os impactos iniciais nos tiram do eixo

central, porém com o tempo, tendemos voltar à média de felicidade.

Existem estudos que mostram que a felicidade possui um importante

componente genético, porém como na maioria dos casos esse compo-

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nente não pode ser mudado, devemos nos concentrar no componente

comportamental.

Gratidão é o reconhecimento consciente dos implementos inesperados

de valor em nossa experiência, é quando reconhecemos as experiências

positivas que acontecem inesperadamente em nossas vidas. A

gratidão pode ser por um acontecimento específico, algo que ganhamos

ou que nos fez bem por exemplo, ou um sentido mais amplo, de agradecermos

a vida que temos por exemplo, mesmo com seus desafios.

A palavra gratidão deriva da palavra graça, ou presente. Esse presente

só chega até nós caso nós aceitemos, então gratidão é dar e também

saber receber.

Estudos científicos tentam mensurar o poder da gratidão em nossas

vidas. Em um desses estudos os participantes foram encorajados a

escrever coisas positivas que aconteceram ao longo da sua semana e no

final desses sete dias, o nível de felicidade desses participantes aumentou

consideravelmente. O impressionante é que o nível de felicidade dos

participantes continuou elevado durante os próximos seis meses.

Outro estudo feito em pacientes com problemas cardíacos, usando o

mesmo método de anotar as coisas boas acontecidas durante a semana,

percebeu uma melhora importante na saúde na saúde do coração dos

participantes.

O interessante é que podemos usar essa mesma técnica para aumentar

o nosso nível de felicidade, onde durante uma semana, por não mais

que cinco minutos por dia, escreveremos em um caderno as coisas em

que somos gratos, desde nossa saúde, até experiências que nos fazem

pessoas melhores. No final do sétimo dia, faremos a leitura das coisas

em que somos gratos.

Colocar o nosso cérebro em um modo de busca pelas coisas boas,

exemplos e lições que aprendemos, nos trás benefícios incríveis.

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Empatia

Algo que acabamos nos esquecendo e que muitas das vezes é a causa

dos nossos problemas, é a nossa capacidade de nos colocarmos no lugar

do outro.

“Patia” deriva da palavra grega patos, que pode ser traduzida como

emoção. A ideia de empatia é uma tentativa de sentir a emoção que o

outro está sentindo, compreender assim o que está se passando no interior

da outra pessoa, da mesma forma que tentamos compreender o que

está se passando no nosso interior.

Empatia é diferente de simpatia, sim em grego é aquilo que vinha

junto, então simpatia é trabalhar na mesma vibração. Empatia é uma

tentativa não de ficar junto com aquele que está na mesma sintonia,

mas entender aquele que está em outra vibração, e justamente por ser

diferente é que requer um esforço pra tentar entender o que o outro está

sentindo.

A capacidade de criar empatia é fundamental para estreitar nossa

relação com o outro e pra lembrar que o outro por mais diferente que

seja, possui pontos em comum conosco.

Ter empatia não é falsificar estar no lugar do outro, pois estar no

lugar do outro é impossível, mas a tentativa de estar junto ao outro é

importantíssima. Isso nos faz superar algumas barreiras e até lembrar

que o nosso adversário não é nosso inimigo e que podemos conversar e

descobrir até mesmo muitas coisas em comum.

Crenças limitantes

Crenças limitantes são pensamentos cristalizados, que nos fazem

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conduzir nossas vidas respeitando essa configuração que está dentro de

nós.

Podemos ter vivido algo no passado, que pode ser um trauma ou situações

que se repetiram muitas vezes, ou algo passado dos nossos pais

para nós, que vivemos na pele e acreditamos que é dessa forma que a

vida funciona. Na maioria das vezes nem questionamos isso.

Geralmente nossas crenças limitantes não podem ser notadas por

nós, sem o auxílio profissional, pois estão tão enraizadas que consideramos

normais. Algumas pessoas por exemplo possuem crenças limitantes

em relação aos relacionamentos de que todo homem trai, ou que

toda mulher é interesseira e dessa forma vão funcionando nas interações

prevendo esse desfecho, o que as torna pessoas ansiosas e que acabam

levando inconscientemente a aquele fim.

Existe também uma sensação de falsa segurança, quando aquilo que

tememos e que não paramos de pensar acontece, pois se temos uma

crença e aquilo acontece, então há uma confirmação do pensamento.

Assim, no caso da mulher que acredita inconscientemente que todo homem

trai, intuitivamente acaba atraindo para si pessoas que transmitam

uma espécie de insegurança que confirme a certeza da possibilidade de

traição.

As crenças limitantes recebem esse nome pois elas nos limitam a

aquilo que eles dizem. Superar as crenças limitantes, é saber quais são

as crenças e tomar escolhas mais assertivas, apesar das limitações. A

mudança para superar as crenças limitantes, requerem esforço, pois no

início deveremos fazer escolhas que não são naturais para nós.

No amor por exemplo, as vezes nós temos uma configuração tão disfuncional

que precisamos aprender a amar de um jeito saudável que

nos faça felizes de verdade. Há pessoas que só conseguem sentir atração

por pessoas com corpos sarados, então todas as suas escolhas são nesse

sentido. Não que não há pessoas incríveis com corpos sarados, a gran-

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de questão que uma escolha apenas baseada nisso, pode trazer grandes

decepções.

Identificar os desfechos semelhantes e que não foram produtivos, é

um passo para identificarmos as crenças e padrões limitantes e fazermos

as alterações necessárias para termos uma vida mais saudável.

Rever o que realmente nos trás felicidade, colocar limites em relações

que estão caminhando para desfechos já conhecidos, saber o que

queremos para as nossas vidas, quais são os perfis de pessoas que não

queremos e as que nunca deixamos entrar e poderiam nos mostrar algo

diferente, são passos importantes para não nos deixarmos apenas levar

pelas circunstância.

Sobre nossas angústias

Faz parte da natureza humana tentar sumir com as nossas angústias,

seja por meio de drogas ou com outro escape. O que acontece também

é querermos sumir com esse buraco interno ou tapá-lo com a areia de

outras pessoas.

É importante ter em mente que todos nós temos buracos e eles, caso

seja possível só podem ser tapados com a nossa própria areia interna. O

preenchimento é interno.

Importante também é passar pela angústia sem anestesiá-la, seja

com drogas, compras ou mesmo trabalhando excessivamente. Só depois

de superarmos essa angústia é que nos encontramos de verdade

com nós mesmos.

Cuidado com a saúde intestinal

Segundo estudos, uma das principais fontes dos desequilíbrios emo-

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cionais está no desequilíbrio intestinal. A flora bacteriana intestinal é

composta por uma média de 100 trilhões de bactérias e é um sistema

extremamente rico em sinalização para o sistema imunológico. As bactérias

do intestino degradam os nutrientes obtidos a partir dos alimentos

e entregam também ao intestino a regulação do PH.

Um bom equilíbrio do PH intestinal é fundamental para que ocorra

a conversão de uma matéria prima chamada 5-hidroxitriptofano em

serotonina. A serotonina regula não só os movimentos peristálticos do

intestino, como também a estabilidade do humor, comportamento e níveis

de energia.

Uma mal funcionamento do intestino provoca uma profunda redução

dos níveis de serotonina o que causa um desequilíbrio no humor da

pessoa.

Nosso intestino é extremamente complexo e emana aproximadamente

80% da atividade do sistema imunológico, assim quando há um

desequilíbrio neste órgão, pode desencadear problemas em vários outros

órgãos do nosso corpo.

Nós possuímos um mecanismo chamado barreira hematoencefálica,

que impede o cérebro de utilizar a serotonina produzida pelo intestino,

porém estudos comprovam que na falta da serotonina produzida pelo

cérebro, ele se utiliza da serotonina produzina no intestino, que correspondem

a incríveis 85% do total produzido pelo corpo.

Praticar atividade física!

De tudo o que eu falei neste livro, este tópico é um dos mais importantes.

Tem muita gente que é viciada em esporte, não porque quer só ficar

forte ou sarado, é que essas atividades oxigenam o cérebro, deixando as

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respostas neurais mais assertivas, e com o ganho muscular, consegue-se

fazer as atividades diárias com mais disposição e sem sentir dor, além

do fato de que a prática de atividade física libera endorfinas que nos dão

prazer e relaxamento.

Com o esporte, ficamos ofegantes, respiramos fundo, pensamos apenas

naquilo que estamos fazendo e por isso acaba sendo uma forma de

meditação. Além disso, nossos músculos ficam fortes, retirando nossas

dores nas costas, braços e pernas.

Com o cérebro mais oxigenado, dormimos melhor e por dormir melhor

nosso dia é muito melhor.

Exercícios físicos liberam diversos hormônios e endorfinas que ficam

conosco o resto do dia. Exercícios com peso por exemplo, aumentam

a testosterona no homem e com mais testosterona, sua libido aumenta,

se sente menos cansado, sua vida sexual melhora, ganha mais

elogios, o que aumenta sua autoestima. Os benefícios são tantos, que

mal é possível enumerar.

Se é tão bom, por que tanta gente desiste? A resposta é por que não

dão tempo para colherem os frutos do exercício físico. Como todo

mundo geralmente desiste no primeiro mês, que é o mês que sentimos

apenas a dor de sair da inércia, não colhemos os frutos de permanecer

focados. Caso nosso foco de mudança nos leve a continuar praticando

exercício, após 6 meses nos olharemos no espelho de uma forma diferente,

com sorriso no rosto. Os elogios após os 6 meses começam a se

tornar frequentes, a disposição de viver o dia, começa a te fazer nunca

mais querer voltar para o estado anterior de sedentarismo.

Inacreditavelmente, quem malha, por exemplo, pode até se dar ao

luxo de comer doce ou massa sem a sensação de culpa, pois seu corpo

irá metabolizar muito melhor, os carboidratos e proteínas ingeridos.

No início você só irá sentir dor. Apenas comece, você não precisa

71


gostar, mas precisa fazer. O prazer virá depois.

Rotina saudável

Temos uma inclinação a acreditar que rotina é invariavelmente algo

ruim, porém uma rotina bem trabalhada, nos coloca no caminho para

os nossos objetivos, e nos dá paz interior, pois com a repetição diária

de coisas que nos engrandecem, ficamos mais perto dos nossos sonhos

mais profundos.

Horários e atividades estabelecidos ajudam a diminuir o senso de

caos interno e externo.

Quando estamos com uma crises de ansiedade constantes, não seguimos

uma rotina, nossos dias não tem sentido e são apenas levados.

A linguagem corporal

Quanto mais longe do cérebro, menos controle nós temos sobre determinada

parte do corpo. É por isso que nossas mãos dizem tanto sobre

o que estamos sentindo ou querendo e os nossos pés ainda mais.

Um estudo feito em uma universidade realizou dois experimentos,

foram apresentadas duas palestras para um grupo de pessoas, na primeira

os participantes se sentaram em cadeiras que possuíam descansos

para os braços e na segunda palestra os descansos de braços foram

retirados.

No final de cada palestra foi feita uma pesquisa com os participantes

para saber o grau de fixação do conteúdo. Notou-se que os participantes

que se sentaram em cadeiras sem encostos para os braços, tinham maior

propensão a cruzar os braços e ao cruzar os braços, tinham menor retenção

do conteúdo. Da mesma forma os participantes que tinham um

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apoio para o braço, tinham menores chances de cruzá-los, então tinham

maior fixação das informações. Isso nos mostra de forma prática a importância

da linguagem corporal em nossas vidas.

Outro exemplo é que quando não estamos alinhados ou fechados a

algum assunto, temos a tendência de cruzar os braços, o que nos torna

fechados para a informação. Pessoas que conhecem a linguagem corporal

e estão conversando com pessoas que estão de braços fechados,

dão algo para a outra pessoa segurar, fazendo com que seus braços se

descruzem e assim estejam mais abertas a o que tem a ser dito.

Os pés também falam muito, basta reparar que quando estamos conversando

com uma pessoa, ficamos com os pés apontados para ela, e

quando não estamos a vontade com a conversa, tendemos a apontar um

dos pés para longe da pessoa.

Quando estamos conversando com três pessoas por exemplo, cada

pé das três fica apontado para uma pessoa. Olhando a configuração

dos nossos pés, formamos uma figura como um triângulo. Repare que

quando não estamos a vontade com determinada pessoa da conversa,

tendemos a não apontar nosso pé para ela, de forma a quebrar esse triângulo.

O lugar para onde nossos pés apontam, diz muito sobre o que queremos,

basta notar que quando estamos prestando atenção em alguma

informação, mesmo que com os pés cruzados, tendemos a apontá-los na

direção do nosso foco. Por falar nisso na linguagem corporal, os pés são

mais sinceros que as mãos ou braços, já que por estarem mais distantes

do cérebro, há menos controle racional sobre eles.

Começando o dia

Se você arrumar a sua cama de manhã, você terá cumprido a primeira

tarefa do dia, o que vai lhe dar uma pequena sensação de orgulho e

73


vai encorajá-lo a fazer outra tarefa. E no final do dia, essa pequena tarefa

cumprida se transformará em várias tarefas cumpridas.

Arrumar a cama também nos mostra que as pequenas coisas da vida

importam e que se não fizermos as pequenas coisas direito, jamais conseguiremos

fazer as grandes coisas direito.

Se por algum caso tivermos um dia ruim, teremos a certeza que voltaremos

para a nossa casa sabendo que a nossa cama está feita e que

foi feita por nós. Uma cama feita lhe dá a esperança que amanhã será

melhor.

Arrumar a cama ao acordar nos trás uma sensação de organização,

tão importante no caos em que vivemos e que pode permear todo o

nosso dia caso se transforme em um hábito.

Sinais de uma crise de ansiedade

Durante uma crise de ansiedade, nosso corpo entra em um estado

de luta ou fuga, o que acarreta várias reações químicas que modificam o

nosso funcionamento corporal.

Em nosso cérebro, nossa atenção fica voltada ao perigo e as sensações

físicas, então ficamos mais atentos ao que o corpo está sentindo.

Nos pulmões acontece um aumento da frequência respiratória, o que

pode dar uma sensação de sufocamento, como se o ar estivesse faltando,

o que diminui o gás carbônico e aumenta o nível de oxigênio, dando

uma sensação de formigamento e sensação de desmaio.

Nossos músculos recebem mais sangue, o que gera uma tensão muscular,

o que muitas vezes é percebido como tremedeiras.

A nossa pele fica com menos sangue o que a torna mais fria, pálida

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e com um aumento de suor.

Há uma diminuição da nossa saliva, o que a torna mais viscosa. Temos

então uma sensação de boca seca e por vezes sensação de que nossa

garganta está arranhando.

Em nosso coração, há um aumento da frequência cardíaca, o que

aumenta a pressão arterial, o que acarreta uma sensação de palpitação.

Acontece uma diminuição do funcionamento do intestino e estômago,

dando dores e sensação de náusea, vômito e queimação que pode

levar a uma diarréia aguda. A liberação de cortisol pelo corpo, faz a

adrenalina aumentar e com a adrenalina alta, o intestino é um dos primeiros

órgãos a serem afetados.

Todos essas reações do corpo, são uma resposta de luta ou fuga o

que é igual a uma crise de ansiedade isto é, o corpo está reagindo a uma

ameaça para lutar ou fugir para que tenhamos mais energia para lidar

com esta ameaça.

A resposta de luta ou fuga é algo normal e até saudável para o nosso

organismo, pois nos retira de ameaças reais, o grande problema é que

hoje as ameaças, diferentes das ameaças reais, onde um animal nos atacava

por exemplo, se transformou em problemas de trabalho ou de relacionamento,

que ativam essa resposta de luta ou fuga por vezes várias

vezes ao longo do dia, consome a nossa energia nos deixando cansados

e exaustos.

Segundo o Dr. Marco Antonio Abud algumas coisas precisam ficar

guardadas na mente de quem sofre com ansiedade. É importante saber

que essas sensações são ruins, mas não são perigosas num primeiro

momento, isto é, são sensações ruins que não nos trarão letalidade e

quanto mais lutamos com essas sensações, mais elas pioram. Além disso

possuem um tempo de duração limitada, ou seja, não dura pra sempre.

No caso do pânico por exemplo atinge o seu pico em 10 minutos e pode

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durar no máximo 30 minutos.

Monitorar os hormônios

Estudos mostram que o homem de hoje possui metade da testosterona

do homem da década de 40. Isso se deve entre outros fatores ao estilo

de vida atual, onde temos fobia a luz solar, que em contato com nossa

pele estimula a produção da vitamina D, importantíssima para a nossa

regulação hormonal.

Outro fator importante apontado é que estamos cada vez mais sedentários

em relação aos nossos antepassados, aumentando assim nosso

percentual de gordura. É sabido que as enzimas chamadas aromatases,

que ficam em nosso tecido adiposo, convertem testosterona em estrogênio,

baixando os níveis de testosterona.

Estudos ainda apontam que os produtos embalados em plástico liberam

hormônios femininos que a longo prazo desbalanceiam a produção

hormonal do homem. De todos os fatores o que mais contribui para o

desbalanço hormonal é o estresse.

O estresse aumenta muito o cortisol, hormônio que nos deixa em

posição de luta ou fuga. Não podemos demonizar o cortisol, mesmo por

que, sem ele não duraríamos algumas horas vivos, porém com a vida estressante

e ansiosa de hoje, este hormônio é liberado de forma excessiva

pelo organismo, causando um completo desbalanço em nosso corpo.

Se comparar com nós mesmos

Muitas vezes nós construímos padrões tão elevados, estudando pessoas

fora da média e que jamais expõem suas fragilidades que achamos

que nós é que estamos pra trás e que o mundo continua avançando enquanto

nós ficamos pra trás, por maior o esforço que façamos.

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Quando nos comparamos com outras pessoas, estaremos sempre

um passo atrás, pois como já foi dito, nós vemos sempre o palco dos

outros, enquanto vivenciamos apenas o nosso backstage.

A melhor forma de nos compararmos é com nós mesmos, olhando

para os desafios passados que superamos e como saímos mais fortes.

Sentindo gratidão pelos momentos de vitória pessoal e lembrando do

esforço para se chegar ali.

Você não está sozinho

Em meio a um falatório mental que não acaba e não chega a conclusão

alguma, podemos achar que estamos perdendo a sanidade mental,

pois o controle mental que tínhamos em outras fases da vida, pode ter

sido perdido.

Veja, a maioria das pessoas sofrem com ansiedade em maior ou

menor grau. Algumas pessoas são paralisadas pela ansiedade e outras

possuem eventos ansiosos em suas vidas, que podem evoluir ou não,

porém a grande maioria das pessoas, tem problemas em lidar com suas

questões internas.

No meio do caminho de autodescobrimento, que dói, estamos acostumados

a olhar apenas para o nossos bastidores, enquanto vemos apenas

o palco das outras pessoas, achando então que apenas nós temos

problemas.

Pessoas que idealizamos, inclusive psicólogos, também podem sofrer

de ansiedade num grau até mesmo maior que seus pacientes, porém

olhando seu palco, isto é, suas redes sociais, passamos a acreditar que

essa pessoa já possui todas as suas questões resolvidas, o que é uma percepção

completamente distorcida da verdade.

77


Poucas pessoas tem essa oportunidade, porém conhecer a fragilidade

de pessoas que achamos que são completamente bem resolvidas com

suas questões, nos abre portas para enxergar que perfeição não existe e

que tudo não passa de uma projeção.

Pessoas que falam de amor com propriedade, podem ter dificuldade

para amar outra pessoa de forma mais íntima ou ter problemas até

mesmo em se amar. Acredite, caso você esteja passando por momentos

desafiadores, você não está sozinho nessa.

A energia do sol

A partir do momento que o nosso corpo se expõe ao sol, a incidência

de raios ultravioleta, provoca uma quebra e liberação de uma substância

chamada 7-dehidrocolesterol que vai para o fígado se transformar em

25-hidróxi-vitamina D e colecalciferol, já nos rins, o corpo irá produzir

o calcitriol ou a vitamina D, que na verdade não se trata de uma vitamina.

Hoje já sabemos que a vitamina D na verdade é um hormônio esteróide

que controla em nosso corpo, mais de 3500 genes. O hormônio

D é de extrema importância para o nosso sistema imunológico, produção

de antibióticos naturais e metabolismo da glicose, pois controla a

nossa produção de insulina, sem contar o papel imprescindível no desenvolvimento

dos neurônios, principalmente nos primeiros meses de

gravidez.

Mães com deficiência de vitamina D por não se exporem adequadamente

ao sol ou por não suplementarem, geram crianças deficientes

com autismo ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.

A deficiência de vitamina D na gravidez, também está ligado à baixa

estatura, diabetes tipo 1, retardo do desenvolvimento intelectual, doenças

autoimunes e várias outras doenças que podem atingir os filhos

78


dessas gestantes.

Estudos feitos com pessoas que possuem câncer, apontam que em

sua grande maioria, estão com deficiência de vitamina D, assim como

pessoas que sofrem com a depressão.

As pessoas deixam de tomar sol por medo do câncer de pele. A vitamina

D é um fator natural potente que nós podemos disponibilizar

ao nosso organismo. Estima-se que se nós dermos a metade da dose

fisiológica de 10.000 UI, ou seja, somente 5.000 UI, nós teríamos uma

redução de 40-50% do número de novos casos de câncer no mundo.

Existem vários fatores que condicionam a síntese cutânea de vitamina

D, tais como a latitude da zona geográfica, a estação do ano, a hora

do dia, a superfície corporal exposta e duração da exposição, o uso de

protetor solar, a pigmentação da pele, a obesidade e a idade

As profissões em que as pessoas têm mais alta exposição solar, como

pescadores, agricultores, são as pessoas que têm os mais baixos índices

de incidência de melanoma. Então, não é verdade que a exposição solar

aumenta a exposição ao melanoma. É verdade, sim, que ela aumenta a

ocorrência de outros tipos de câncer muito mais benignos que o melanoma,

que raramente levam à mortalidade, porque são visualizados e

extraídos a tempo em sua quase totalidade mas, mesmo nestes tipos de

câncer, se a exposição solar fosse adequada, e não houvesse uma exposição

solar suficiente para deixar a pele avermelhada, não haveria riscos.

A vitamina D, ou hormônio D, ainda é importante no aumento nos

níveis de testosterona nos homens e atua ajudando no emagrecimento

nas mulheres. Estudos mostram ainda que a suplementação de vitamina

D ou exposição correta ao sol, diminui os sintomas depressivos.

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A importância de dormir bem

O sono é essencial para o bom funcionamento do nosso corpo e da

nossa mente, ele afeta a regulação dos nossos níveis hormonais, regula a

nossa frequência respiratória e os nossos pensamentos.

O sono é dividido em cinco estágios, 4 estágios de sono não REM,

isto é, sem o movimento repetido dos olhos e 1 estágio de sono REM,

onde esse movimento acontece.

No primeiro estágio acontece a passagem do estado de vigília para o

sono, onde começa a acontecer a diminuição da nossa atividade mental.

No segundo estágio o sono propriamente dito acontece, com a diminuição

do tônus muscular, o movimento lento dos olhos de um lado

para o outro, a temperatura corporal diminui e a respiração começa a

ficar mais regular e lenta.

No terceiro e quarto estágios, acontece uma maior redução no processo

de excitação do cérebro, a frequência cardíaca e a respiração diminuem,

a respiração continua lenta e os músculos relaxam.

Toda essa passagem do primeiro estágio de sono até o quarto estágio,

acontece num tempo médio de 30 minutos. Após cerca de mais 30

minutos no quarto estágio, passamos rapidamente por todos os esdados

novamente e entramos no quinto estágio, chamado de sono REM.

No quinto estágio é onde acontecem os sonhos vívidos e um intenso

relaxamento muscular perdido durante o dia e a temperatura corporal

diminui.

Durante o sono, passamos por todos os cinco estágios, com ciclos

em média de noventa minutos, indo do um ao quatro, do quatro ao um

e passando levemente pelo REM, tendo sua duração aumentada a cada

ciclo.

80


Os seres humanos passam em média 1/3 de suas vidas dormindo e

o principal motivo é conservar as energias. O corpo humano consome

cerca de 10% a menos de energia quando estamos dormindo, pela queda

dos batimentos cardíacos, respiração etc. Durante o sono acontece também

a restauração do nosso corpo, onde tecidos se regeneram, as células

sintetizam proteína e os hormônios do crescimento são liberados.

Durante o sono, por meio de um processo chamado plasticidade cerebral,

acontece também o rejuvenescimento e reorganização cerebral,

ele repassa e armazena os eventos do dia, ajudando na consolidação das

memórias importantes e descartando os lixos mentais adquiridos durante

o dia.

Acontece também uma limpeza de substância tóxicas, para que o

cérebro consiga funcionar da maneira correta, assim como o resto do

nosso corpo.

Se você está passando por problemas de depressão ou ansiedade, repare

como está o seu sono. Você está dormindo na hora correta? Está

dormindo a quantidade de horas corretas? Está ficando até tarde na internet

ou vendo televisão e quando se toca já é de madrugada?

Temos uma ideia equivocada de que rotinas são sempre ruins, porém

darmos as horas corretas de sono ao nosso corpo, proporciona uma

melhora gigantesca em nossas vidas. Ganhamos disposição, energia e

assertividade para agir.

Caso você esteja com problemas para dormir, mesmo não comendo

demais, bebendo café ou fazendo coisas que deixam o seu cérebro em

alerta antes de dormir, como mexer no celular ou no computador, existe

um suplemento que pode ajudar, que é a melatonina. A melatonina é

um hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano. Também

conhecido como hormônio do sono, uma de suas funções básicas é induzir

a pessoa a dormir.

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Tenha uma rotina para dormir, estipule horários para deitar e acordar.

No início é um desafio, porém com o tempo se transforma em saúde,

disposição e energia de viver. Não adianta em nada alterar o estilo de

vida para viver melhor sem dar a devida atenção ao sono. Deixe o seu

quarto bem escuro, feche todas as entradas de luz durante a noite. Apenas

se atentando ao seu sono, você já irá perceber uma melhora incrível

em sua vida.

Fazer o que deve ser feito

A ansiedade se manifesta muitas vezes, por não estarmos dando passo

algum ou imaginando que não estamos dando passo algum em relação

aos nossos anseios internos. Nesse sentido, retirar as dificuldades

do caminho e simplesmente começar a fazer o que deve ser feito, ajuda

a diminuir a ansiedade.

Muitas vezes, buscamos prazer imediato, porém prazeres imediatos

vêm rápido e vão rápido. Projetos terminados rápido, geralmente são

rasos e superficiais. Precisamos focar em começar nossos projetos, do

nosso jeito, o caminho nos mostrará se é isso que queremos seguir ou se

devemos desistir logo.

Nós focamos demais no resultado, acreditando que é o troféu que

fará toda diferença, porém esquecemos que o troféu simboliza um esforço.

Um troféu ganho, por um esforço mínimo, não tem valor algum.

No final o que fica guardada na memória são os momentos chave, e

muito mais o processo do que o final em si.

Círculo social

Lembre-se que nós somos a média das 5 pessoas com que mais con-

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vivemos, parece frase de autoajuda, porém a energia, trejeitos e características

das outras pessoas, são compartilhadas quando estão próximas.

Se você vive com pessoas negativas e que reclamam demais, isso só

irá piorar seu quadro ansioso e talvez seja a causa dele.

Buscar relacionamentos, não só amorosos, mas que sejam leves e

sinceros, com pessoas positivas e honestas com sigo mesmas trás resultados

incríveis em nosso estado mental. Devemos buscar nas pessoas ao

nosso redor, as características positivas que queremos, assim por osmose,

acabamos internalizando essas características.

Terapia

Terapia ou psicoterapia refere-se ao tratamento de problemas psicológicos,

emocionais e comportamentais. Através de técnicas verbais e

não verbais, o psicólogo ajuda o paciente a refletir sobre suas questões

e a encontrar formas diferentes e criativas de aliviar o seu incômodo

e melhorar seu relacionamento consigo mesmo e com os outros. Geralmente,

o foco da psicoterapia é em mudar pensamentos, emoções e

comportamentos ineficientes e desfuncionais do paciente.

E se você acha que terapia é coisa de rico, saiba que existem terapeutas

que praticam preços sociais, de forma a atender pessoas que não

possuem condições financeiras de sobra a ponto de se tratarem.

O principal é saber, que resolvendo ou entendendo as suas questões

internas, você irá viver uma vida mais plena, o que irá se refletir até mesmo

no seu padrão financeiro, que irá acabar melhorando.

A terapia são encontros regulares que se estabelece com o paciente a

partir de uma busca ou algo que o paciente esteja vivendo, sentindo que

tem algo estranho ou notando que está num looping de pensamentos

ruminativos que não chegam a conclusão alguma e que poderia estar

83


vivendo de uma forma diferente do que ele está.

Você sabia que até mesmo os terapeutas fazem terapia? Eles são serem

humanos e também possuem suas questões a serem resolvidas.

O início de um processo terapêutico é o início de uma busca do próprio

paciente, ele trás essa busca ao terapeuta e ele junto com o paciente,

no seu tempo, vai esmiuçando, esclarecendo e procurando sempre uma

melhor qualidade de vida de modo que suas questões internas sejam

enxergadas.

A terapia não possui o propósito de ser algo arrastado e com tempo

longo demais, porém é importante entender, que quando um paciente

chega ao ponto de perceber que precisa de ajuda de um profissional, ele

já acumulou muito lixo mental durante a vida e não é fácil entender e

superar esses desafios de forma tão rápida em pouquíssimas sessões.

Lembre-se que por se tratar de uma busca pessoal, a verdade não

está com o terapeuta, mas o profissional levanta questões que fazem o

paciente refletir sobre suas próprias emoções e sentimentos. Não é dever

do terapeuta julgar ou aplicar a sua verdade para com o paciente, já que

as questões são pessoais e únicas.

A saúde mental está intimamente ligada a saúde física e a saúde física

está intimamente ligada a saúde mental. Nesse sentido, alinhando as

questões mentais e deixando elas mais claras, isso se reflete na saúde física.

Quem nunca ficou com a cabeça tão cheia de pensamentos ruminativos

que se sentiu exausto fisicamente? Quando estamos com questões

mentais mal resolvidas, adoecemos com mais facilidade e possuímos

dores pelo corpo com razões emocionais.

Ter um hobby

Um hobby é uma atividade feita por vontade própria em busca de

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satisfação e momentos de alegria. Pode ser um esporte, um passeio, uma

arte ou outra atividade que dê prazer a quem a realiza.

Ter um hobby é fundamental para aliviar as tensões e o estresse do

dia a dia de trabalho e ainda ter um momento dedicado exclusivamente

para si mesmo.

Eles podem ser atividades práticas, como cozinhar, tirar fotos, correr

ou praticar algum esporte, ou podem ser intelectuais como ler, escrever

ou assistir a bons filmes.

A preferência vai depender dos gostos pessoais de cada um, só é necessário

ser algo que proporcione entretenimento e distração.

Ter um hobby é ter um escape. Em um mundo no qual os ambientes

de trabalho estão cada vez mais caóticos e os relacionamentos complicados,

repletos de cobranças e ciúmes, ter um momento para relaxar e

esquecer-se dos problemas é mais do que necessário.

Muitas pessoas vivem momentos de estresse e ansiedade justamente

por não possuírem uma atividade fixa que lhes cause prazer. O hobby

não pode ser apenas uma opção.

Redes sociais

As redes sociais nos ajudam a nos conectarmos com quem nós gostamos,

nos deixando mais perto de entes queridos e assim facilitando

o contato com pessoas que muitas vezes estariam distantes. Elas também

nos ajudam no trabalho, a identificar pessoas incríveis que são as

melhores em nossas áreas e mesmo encontrar clientes para as nossas

empreitadas empreendedoras. Não há dúvida que as redes sociais trouxeram

inúmeros benefícios à nossa sociedade.

Parece inocente, mas uma série de likes pode desencadear bem mais

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do que um bom status nas redes sociais. Na verdade, eles servem como

um gatilho para sensações bem reais em nosso corpo, que ajudam a explicar

o motivo de cada vez mais estamos dependentes das tecnologias.

Uma das principais responsáveis por isso é a dopamina, um neurotransmissor

relacionado ao bem-estar e à recompensa. Ela é a substância

do prazer, e todo mundo quer essa sensação no cérebro. A dopamina

é liberada quando você realiza atividades agradáveis ou quando deseja

muito alguma coisa.

Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado da Califórnia

mostrou que o mesmo sistema acionado pela cocaína é observado em

usuários dependentes do Instagram. Não notamos quando a dopamina

é liberada, mas como sentimos prazer, vamos atrás novamente do que

nos trouxe uma sensação boa.

Um grande problema das redes sociais está no alto nível de comparação

a que somos submetidos e que submetemos os outros. Quando

visitamos algum local, muitas vezes deixamos de aproveitar o momento

presente para tirarmos fotos e criarmos a ideia de que somos felizes o

tempo inteiro, o que não passa de uma inverdade. Ninguém é feliz o

tempo todo, na verdade o que se percebe em pessoas que passam muito

tempo nas redes sociais é um nível ainda mais acentuado de infelicidade,

pois estão o tempo todo se comparando.

Sua viagem incrível pode inconscientemente se transformar em menos

prazerosa quando você ver fotos que parecem ser de uma viagem

ainda melhor de outra pessoa próxima.

Encontrar o equilíbrio entre vida real e vida digital é a base para a

felicidade nos tempos de hoje, escolhendo muitas vezes ser econômico

nas postagens a fim de não supervalorizar as coisas que fazemos. Ao

mesmo tempo precisamos ter a consciência de que a vida digital dos

outros não passa de uma ilusão e que a vida é muito mais normal e sem

glamour do que aparenta.

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Algo importante a saber é que perfis com muitos seguidores são de

produtos e não de pessoas, isto é, as próprias pessoas se vendem como

produtos, selecionando a imagem que querem passar para o objetivo

que querem atingir.

A ilusão de que as pessoas são o tempo todo felizes e nossa vida é banal

é tentadora, ficar atento para não funcionar num modo automático,

é o primeiro passo para sair dessa armadilha.

Passado é passado

Precisamos estar cientes que se não temos problemas mentais sérios

de memória, como uma doença neurodegenerativa por exemplo, então

querer esquecer o passado é impossível, ele seguirá nos cutucando

sempre que possível, esfregando certas coisas na nossa cara e até nos

colocando pra baixo em momentos que eram pra ser bons. Mesmo que

o tempo cuide de apagar certas coisas, os resquícios ainda ficarão.

Devemos usar o passado para aprender onde erramos, pois sabendo

dos nossos erros é que conseguimos evoluir, mas lembrando-se sempre

que o nosso passado não nos define.

Jamais devemos cair no erro de achar que as nossas decepções passadas

irão nos definir pelo resto da nossa vida, pois elas não irão, a não ser

que nos entreguemos aos nossos pensamentos disfuncionais.

Um grande sinal de maturidade é aprendermos com os nossos erros

e buscarmos ser uma pessoa melhor, sem ficar remoendo o passado ou

mesmo querendo mudá-lo.

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Estar presente

Parece óbvio falar que devemos viver o momento presente, já que

como podemos estar num lugar, sem verdadeiramente viver o presente?

Nós vivemos um estado de piloto automático, como se fossemos robôs,

simplesmente reagindo aos estímulos externos. Claro que nós somos

seres pensantes, mas não necessariamente somos seres conscientes

do momento presente.

Quantas vezes, ficamos por horas, sem se tocar que estamos num

modo automático, onde nos acostumamos tanto com os afazeres em

nosso dia, que estamos pensando em uma coisa e realizando alguma

outra tarefa num modo sem reflexão ou atenção nas coisas que estão nos

rodeando. Isso acontece muito mais do que podemos imaginar, nossos

pensamentos constantemente vão para longe, nos fazendo perder o que

se passa no agora.

O passado são informações, memórias que nós guardamos, que concretamente

não existem mais, por mais que queiramos traze-lo à tona.

Já o futuro, são possibilidades, que como o passado, não são concretas,

ainda não existem e talvez nunca cheguem a existir, ao menos da forma

que imaginamos.

Se pudéssemos escrever todas as ideias que passam em nossas cabeças

e por vezes nos prendem por minutos ou horas, veremos que são

na verdade ideias repetitivas que na maioria das vezes não nos levam a

lugar algum.

Viver o momento presente melhora o nosso desempenho e aumenta

a nossa consciência. Quando estamos no presente, nós não julgamos,

apenas sentimos, ouvimos e vemos as coisas como elas são, sem camadas

adicionais de interpretação, julgamento ou rótulos, mas vendo as

coisas como elas são.

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Os rótulos são atalhos que usamos para tomar decisões rápidas com

quantidades mínimas de informação, buscando em nossa base de dados

de preconceitos as informações para rotular as pessoas. Os rótulos desumanizam

as pessoas, pois as transformam em conceitos, como tímido,

imprudente, desleixado ou desatento.

Para cada rótulo, atribuímos um conjunto de expectativas, onde já

presumimos como cada pessoa deve se comportar. Viver o presente é se

concentrar nas coisas como elas são e experimentar a vida como ela é.

Com o tempo percebemos que as atividades mais valiosas da vida,

demandam prática e para estarmos no momento presente, é preciso

muita prática e atenção plena. Um truque para se estar presente, é sempre

que estivermos conversando com alguém e a cabeça começar a fugir

do momento, voltarmos nossa atenção para detalhes da pessoa, como

formato do nariz, olhos, sobrancelhas. Seguindo o mesmo principio,

notar o vento, as cores e formas por onde passamos, nos conectam com

o agora e nos permitem viver o presente de forma mais intensa.

Transitoriedade

Tudo está em constante mudança, acreditamos que as coisas são sólidas,

imutáveis, porém nos esquecemos que tudo, inclusive nós, estamos

se alterando dia a dia, mesmo que de forma lenta a ponto de não percebermos.

Já notou que quando passamos muito tempo sem ver uma pessoa

e voltamos a nos ver, ela sempre consegue notar mudanças na gente,

enquanto nós mesmos, às vezes acreditamos que estamos há meses ou

anos sem mudar em nada.

A própria percepção de que a ansiedade existe e que queremos uma

vida sem ela, já é uma mudança interna que muitos passam a vida sem

experimentar. Muitos acreditam que a ansiedade faz parte da gente, po-

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rém não somos ansiosos, mas estamos ansiosos.

Nos momentos bons, por vezes estamos imersos em tantas expectativas

e desconexão com os momentos, que não curtimos o suficiente.

Nos momentos ruins, nós mergulhamos na dor, ouvindo demais o nosso

ego.

Nos dois casos, esquecemos que tanto os momentos felizes, como

os tristes são transitórios. Apesar da dor nos consumir, ela em última

análise nos dará aprendizados pra vida.

Muitos em meio a crises de ansiedade escolhem o caminho da raiva,

porém a raiva nos ensina, ela é movida pelo ego. A raiva nos levará ao

caminho reativo, sempre se comparando.

Nós estamos em transição, basta lembrar como os momentos passados,

felizes e tristes (muito mais os tristes) nos ensinaram coisas importantes.

Ter a percepção da transitoriedade nos faz entender que até quem

nos magoa está em transição e vivendo um processo de evolução. Alguns

evoluem mais rápido, outros demoram mais, porém todos nós estamos

no processo.

Nós não somos, nós estamos. Entender que não somos algo, mas

estamos num processo de constante mudança, nos ajuda a perceber

que nossos erros são transitórios e que quando errarmos, se estivermos

abertos, tiraremos algum aprendizado daquilo, mesmo que na dor, que

é de onde a maioria dos aprendizados vem.

Freud diz: “Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista

do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de

seu valor. Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade

é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma

fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que

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o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria

que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída

pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação

à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A

beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer

de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta

renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso

nos parece menos bela.”

A beleza de tudo que nos cerca, está ligada ao fato de que nada dura

para sempre e sabendo disso, a vida nos dá a possibilidade de aproveitar

melhor o tempo e deixar que as nossas experiências fluam.

As estações do ano, como Freud nos mostrou, se repetem ano após

ano, girando numa roda de morte e renovação.

A beleza existe em todas as estações, apesar das nossas preferências

pessoais, cada estação possui suas belezas. A natureza possui ciclos e

nós também. Somos os únicos animais com consciência da morte, nascemos,

crescemos, nos reproduzimos (formamos família), ficamos velhos

e morremos.

Com o culto a juventude infinita, podemos achar que apenas uma

determinada fase da vida possui sua beleza, e quanto mais envelhecemos,

mais perdemos as esperanças.

Estudos científicos mostram que o ser humano passa por um momento

de muita felicidade no início da vida e ela começa a declinar com

o passar dos anos, atingindo o pico por volta dos 45 anos de idade e aí

acontece algo inesperado, ela começa a aumentar novamente.

Há evidências de que os seres humanos em determinado momento

percebem que a vida é isso mesmo, esse misto de desencontros e situações

mal resolvidas, e está tudo bem!

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Assim como nas estações, há beleza em todas as fases da nossa vida,

e aprender que não existe uma fase melhor que a outra nos mostra que

em todas há vantagens e desvantagens.

Um jovem não possui a sabedoria de um idoso de 70 anos, nem um

idoso possui a energia do jovem. Não estamos conseguindo enxergar a

beleza que existe nas fases da vida e na sua transitoriedade.

A beleza não perde sua beleza, a beleza se transforma.

Lembre-se sempre, as flores de plástico não morrem. Muitos querem

transformar a vida numa flor de plástico, que possui uma beleza artificial

e não podemos dizer se ela possui 10, 20 ou 30 anos de idade. É isso

mesmo que buscamos para nossas vidas? Uma vida fake?

Se todas as coisas não fossem mutáveis, um tédio infinito tomaria

conta do nosso corpo e sem movimento não há beleza. As luzes de natal

só são belas pois acontecem apenas num determinado ponto do ano,

caso fossem eternas, seriam ou bregas, ou desnecessárias.

Quando nos conhecemos, começamos a nos

achar interessantíssimos

O que acontece é que conforme vamos ficando mais velhos, vamos

nos esquecendo dos momentos que fizeram nosso coração bater mais

forte, que sentimos o frio na barriga de nos arriscar para o desconhecido

e inovamos em meio ao caos. É natural que nosso cérebro não se recorde

mais com tantas cores de momentos que aconteceram há 5 ou 10

anos atrás, mas se fizermos uma força, conseguiremos sim nos lembrar

dessas loucuras que dão brilho a tudo.

Guardando as proporções, todos nós temos esses momentos, o problema

é que o tempo é implacável e nossa memória vai se esquecendo e

em meio a rotina, acreditamos de verdade que nossa vida é e sempre foi

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uma repetição, o que não é verdade.

Todos nós possuímos qualidades, algo que fazemos bem e que recebemos

elogios. A grande questão é que parece que pegamos esses elogios

e jogamos no lixo, como se fossem obrigações da vida e amplificamos

nossos erros como se eles devessem ser passados num telão em nossas

cabeças com uma grande exclamação amplificando tudo.

A meditação é tão importante pois conseguimos observar nossa vivência

do presente como um presente e que a vida é isso mesmo, com

coisas boas e ruins. Nós nada mais somos que um ser inserido nela, com

todas as imperfeições e qualidades que nos fazem únicos.

Coincidências não existem

Quantas vezes pensamos em alguém e alguns minutos depois, esbarramos

com essa pessoa na rua, ou então recebemos uma mensagem

dela? Nós não conseguimos assumir, que de alguma forma nós temos

responsabilidade sobre a atração que exercemos sobre a atração dessa

pessoa, então colocamos o título de coincidência.

Quantas vezes vibramos energias ruins reclamando, resmungando e

parece que começamos a atrair coisas e pessoas que estão na mesma frequência?

Ou então mesmo acontecendo coisas positivas, mas estamos

fechados e cegos para ver o que está acontecendo de bom.

Podemos achar que no momento presente nada faça sentido, porém

somente olhando pra trás, percebemos o por que de experiências de 10

anos atrás, apenas hoje parecerem ter sido exatamente o que precisávamos

para o nosso desenvolvimento.

Todos os momentos em que nós atribuímos ao acaso ou a sorte que

acontecem no nosso dia a dia, nada mais são que consequências vibracionais,

isto é, se nossos pensamentos e ações emitem determinada fre-

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quência energética e puxam ou repelem, tudo aquilo que tendemos a

pensar, então toda vibração que damos ao universo, ele nos retorna por

meio de experiências, mesmo que não consigamos visualizar a conexão

de forma imediata e óbvia.

O termo coincidência se dá, quando vemos algo que não conseguimos

explicar de uma forma racional, então preferimos atribuir os acasos

a aleatoriedade.

Aquilo que nós vivemos em termos de experiências, são consequências

ou respostas do universo à vibração que emitimos ao longo do dia,

isso se dá tanto para vibrações positivas ou negativas.

Quando tiramos a aleatoriedade e passamos a acreditar na energia

que emitimos, entendemos que somos cocriadores da nossa realidade,

e nos tornamos muito mais responsáveis pelos nossos pensamentos e

ações, já que agindo de forma amorosa, atrairemos pessoas amorosas,

agindo de forma alegre, atrairemos pessoas alegres e agindo de forma

ansiosa, atrairemos pessoas ansiosas.

Liberdade vs obsessão

Muitas vezes confundimos liberdade com obsessão, achamos que só

por que possuímos liberdade, precisamos fazer a todo momento coisas

que nos deixam alegres, sob o risco se sermos infelizes. A liberdade está

justamente em poder fazer determinada coisa e escolher não fazer, pois

não é o momento ou determinada coisa não lhe agrada.

Quantas vezes nos submetemos a ir a locais que não gostamos e nos

sentimos traindo a nós mesmos, pois forçamos algo que não deveria ser

forçado.

A obsessão acontece quando buscando um prazer imediato e munido

da liberdade para agir, nos pegamos fazendo a mesma coisa repetidas

94


vezes com o intuito de manter o prazer sempre elevado. Isso retira boa

parte do prazer em fazer determinada atividade, pois se torna um ato

compulsório de prazer e nesse sentido, até mesmo a liberdade é perdida.

Saber ficar sozinho

Você acorda pela manhã e se olha no espelho, geralmente com cara

amassada e com uma aparência que não atrairá nem a paixão mais louca

desse mundo. A primeira imagem do seu dia, pode ser você, com uma

aparência desorganizada tendo que vestir todos os seus escudos e pegar

suas armas internas para mais um dia.

A vida é tão complexa que muitas vezes preferimos fugir de nós mesmos

e jamais ficar sozinhos. Hoje com as redes sociais, ficar sozinho, ter

seu momento, é encarado como solidão, já que todos estão na correria

frenética de fazer tudo, estar com todo mundo e ser feliz o tempo inteiro.

Afinal o que vão pensar de uma pessoa que tira tempo pra si mesma

e além disso aproveita a liberdade que é curtir a própria companhia?

Às vezes nos pegamos sempre em companhia de outras pessoas, pois

nossa voz interna é tão alta e por vezes cruel, que queremos abafá-la

com as vozes de outra ou outras pessoas.

Só no silêncio, nos ouvindo, deixando nossos pensamentos irem e

fluírem, sem apego, é que nos descobrimos interessantes. Até nossas dificuldades

se tornam um charme, já que é óbvio que queríamos que elas

fossem logo superadas, mas sabemos que todos temos um tempo, que

difere de pessoa pra pessoa.

Quando começamos nossa jornada de ficar sós, nossas vozes internas

gritam por atenção e cuidados e o grande segredo é que a maioria

desses pensamentos, caso forem negativos, não possuem fundamentos,

é preciso continuar com a cabeça de que preenchimento é interno. Nessa

busca por não estarmos sós, nos esquecemos de nós mesmos, e quan-

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do nos esquecemos de nós mesmos, em algum momento a conta chega.

Curtir a própria companhia, buscar as coisas que ama, mesmo que

seja ficar no conforto do sofá assistindo a um filme ou série pode ser

libertador.

Usar as palavras certas

Usar a palavra difícil, só torna as coisas realmente difíceis ou até

mesmo impossíveis. Quando estamos diante de um obstáculo e dizemos

para nós mesmos que ele é difícil, automaticamente nossa mente

liga o modo de luta ou fuga. Dependendo do seu momento de vida, ele

irá escolher pela reação de fuga (mesmo tendo que resolver o obstáculo

de qualquer forma, como um grande projeto onde você trabalha). Em

milésimos de segundo, seu corpo liberará o hormônio chamado cortisol,

que automaticamente te deixará estressado. É preciso lembrar que

na natureza há milhões de anos atrás, não existiam papelada, ou redes

sociais e o cortisol era utilizado apenas nos momentos de verdadeiras

lutas ou fugas.

Experimente trocar a palavra difícil por desafiador. “Nossa esse projeto

será desafiador”. Ao encarar as coisas complexas como desafiadoras,

o nosso corpo continua em modo neutro e não ativa o cortisol. Encarando

as questões diárias como um desafio, ficamos munidos de uma

sensação de poder e que deveremos utilizar esse poder para a resolução

da questão.

Desejo vs felicidade segundo o budismo

A figura central do budismo não é um Deus, e sim um ser humano,

Sidarta Gautama. De acordo com a tradição budista, Gautama era herdeiro

de um pequeno reino próximo aos Himalaias, em algum momento

por volta de 500 a.C. O jovem príncipe ficou profundamente abalado

96


com o sofrimento que viu à sua volta.

Ele viu que homens e mulheres, crianças e velhos; todos sofriam não

só de calamidades ocasionais como guerras e pragas, mas também de

ansiedade, frustração e descontentamento, que pareciam ser parte inseparável

da condição humana. As pessoas almejavam riquezas e poder,

adquirem conhecimento e posses, geram filhos e filhas e constroem casas

e palácios, mas, não importa o que consistem, nunca estão contentes.

Os que vivem na pobreza sonham com riquezas. Os que têm 1 milhão

querem 2 milhões. Os que tem 2 milhões querem 10. Mesmo os

ricos raramente estão satisfeitos. Eles também são assombrados por preocupações

e angústias incessantes, até que a doença, a idade avançada e

a morte lhes dão um fim amargo. Tudo o que foi acumulado desaparece

como fumaça. A vida é uma corrida desenfreada e sem sentido. Mas

como escapar disso?

Aos 29 anos, Sidarta fugiu de seu palácio no meio da noite, deixando

para trás sua família e posses. Ele viajou por todo o norte da Índia como

um errante, procurando uma forma de se livrar do sofrimento. Visitou

gurus, mas nenhum o libertou totalmente, sempre restava alguma insatisfação.

Resolveu então investigar o sofrimento por conta própria, até que

descobriu um método para a libertação total. Passou seis anos meditando

sobre a essência, as causas e as curas das angústias humana. No fim,

chegou à conclusão de que o sofrimento não é causado por má sorte,

por injustiças sociais ou por caprichos divinos. Na verdade, o sofrimento

é causado pelos padrões de comportamento da nossa própria mente.

O que Sidarta compreendeu é que não importa o que a mente experimente,

ela geralmente reage com desejo, e o desejo sempre envolve

a insatisfação. Quando a mente experimenta algo desagradável, deseja

se livrar da irritação. Quando experimenta algo agradável, deseja que

o prazer permaneça e se intensifique. Desse modo, a mente está sem-

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pre insatisfeita e inquieta. Isso fica muito claro quando experimentamos

coisas desagradáveis, como a dor.

Enquanto a dor persiste, estamos insatisfeitos e fazemos tudo que

está a nosso alcance para evitá-la. Mas mesmo quando experimentamos

coisas agradáveis nunca estamos contentes. Tememos que o prazer desapareça,

ou esperamos que se intensifique. As pessoas sonham durante

anos em encontrar o amor, mas raramente ficam satisfeitas quando o

encontram. Algumas temem que o parceiro as deixe, outras sentem que

se contentaram com pouco e que poderiam ter encontrado alguém melhor.

E todos conhecemos pessoas que conseguem sentir as duas coisas

ao mesmo tempo.

Podemos ter saúde, e coincidências podem nos transformar em milionários,

mas nada disso pode mudar nossos padrões mentais elementares.

Por isso, até mesmo os maiores reis estão condenados a viver em

agonia, fugindo constantemente da tristeza e da angústia, o tempo todo

indo atrás de prazeres maiores.

Sidarta encontrou um meio de escapar desse ciclo vicioso. Se, quando

sentir algo mais agradável ou desagradável, a mente simplesmente

entender as coisas como são, não haverá sofrimento. Se você sentir tristeza

sem desejar que a tristeza desapareça, continuará a sentir tristeza,

mas não sofrerá com isso. Com efeito, pode haver riqueza na tristeza. Se

você vivenciar a alegria sem desejar que a alegria perdure e se intensifique,

continuará a sentir alegria sem perder a paz de espírito.

Mas como fazer com que a mente aceite as coisas como são, sem

desejar? Aceitar a tristeza como tristeza, a alegria como alegria, a dor

como dor? Sidarta desenvolveu um conjunto de técnicas meditativas

que treinam a mente para experimentar a realidade tal como é, sem desejos.

Essas práticas nos ensinam a focar toda a atenção na pergunta

“O que estou sentindo agora?” em vez de “ O que eu preferiria estar

sentindo?”. É difícil alcançar esse estado de espírito, mas não impossível.

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Sidarta baseou essas técnicas de meditação em um conjunto de regras

éticas para ajudar as pessoas a se concentrarem na experiência real

e a evitarem cair em desejos e fantasias. Ele instruiu seus seguidores a

evitarem o assassinato, o sexo promíscuo e o roubo, já que tais atos necessariamente

alimentavam o fogo do desejo (de poder, de prazer sensual,

ou de riqueza). Quando as chamas estão completamente extintas, o

desejo é substituído por um estado de perfeito contentamento e serenidade,

conhecido como nirvana (cujo significado literal é “a extinção do

fogo”). Aqueles que alcançaram o nirvana se libertaram totalmente de

todo sofrimento. Eles vivenciam a realidade com clareza absoluta, livres

de fantasias e ilusões. Embora muito provavelmente ainda encontrem

desprazer e dor, essas experiências não lhes causam sofrimento. Uma

pessoa que não deseja não sofre.

De acordo com a tradição budista, o próprio Sidarta alcançou o nirvana

e se libertou totalmente do sofrimento. Daí em diante, ficou conhecido

como “Buda”, que significa “o iluminado”. Buda passou o resto

da vida explicando suas descobertas para outros, para que todos pudessem

se livrar do sofrimento. Ele condensou seus ensinamentos em

uma única lei: o sofrimento surge do desejo; a única forma de se livrar

totalmente do sofrimento é se livrar totalmente do desejo; e a única forma

de se livrar do desejo é ensinar a mente a experimentar a realidade

tal como é.

Essa lei, conhecida como Dharma ou dharmma (significa “Lei Natural”

, “Realidade” ou “vida” no modo geral. Com respeito ao seu significado

espiritual, pode ser considerado como o “Caminho para a Verdade

Superior”). Os budistas são pessoas que acreditam nessa lei e fazem dela

o sustentáculo de todas as suas atividades.

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Obrigado e nunca se esqueça:

Respire. Fique no presente.

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