Os usos das tecnologias na comunicação organizacional interna
Os usos das tecnologias na comunicação organizacional interna
Os usos das tecnologias na comunicação organizacional interna
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
<strong>Os</strong> <strong>usos</strong> <strong>das</strong> <strong>tecnologias</strong> <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong><br />
organizacio<strong>na</strong>l inter<strong>na</strong><br />
1<br />
Camila Caroline Barths ∗<br />
Resumo: As transformações tecnológicas nos últimos anos modificaram a<br />
<strong>comunicação</strong> e isso obrigou as empresas a também modificarem a <strong>comunicação</strong><br />
com o público interno. Através de uma abordagem sobre os <strong>usos</strong> <strong>das</strong> <strong>tecnologias</strong> <strong>na</strong><br />
<strong>comunicação</strong> organizacio<strong>na</strong>l, este artigo desenvolverá uma discussão sobre o uso<br />
da intranet e sua configuração <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> que envolve os funcionários<br />
de organizações e gira em torno dos relacio<strong>na</strong>mentos, informação e <strong>comunicação</strong>. É<br />
enfatizada a <strong>comunicação</strong> como um todo, <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> e as ferramentas<br />
utiliza<strong>das</strong> para se comunicar com esse público estratégico. O embasamento teórico<br />
será feito através de pesquisa bibliográfica <strong>na</strong> área da <strong>comunicação</strong>, informática e<br />
administração.<br />
Palavras-Chave: Comunicação organizacio<strong>na</strong>l. Comunicação inter<strong>na</strong>.<br />
Tecnologia <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong>.<br />
Para iniciar essa discussão em torno <strong>das</strong> <strong>tecnologias</strong> <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong><br />
organizacio<strong>na</strong>l inter<strong>na</strong>, contextualiza-se a <strong>comunicação</strong> de forma mais ampla.<br />
Conforme Andrade (1993, p. 103) “[...] a <strong>comunicação</strong> tem por fi<strong>na</strong>lidade fazer<br />
participar muitos de uma só coisa”, ou seja, é a ligação entre pessoas a respeito de<br />
uma informação. A <strong>comunicação</strong> se dá em todos os aspectos da vida social,<br />
profissio<strong>na</strong>l e pessoal, e o mesmo autor relata que a <strong>comunicação</strong> parte da <strong>na</strong>tureza<br />
do homem, e seu resultado é o diálogo. Sendo assim, ela não é uma técnica e sim<br />
um acontecimento <strong>na</strong>tural necessário para os relacio<strong>na</strong>mentos interpessoais.<br />
De acordo com Diaz (1986, p. 19) “A <strong>comunicação</strong> confunde-se, assim, com a<br />
própria vida”, pois as pessoas se comunicam a todo momento e a informação é<br />
essencial para essa <strong>comunicação</strong>. Porém, Andrade (1993, p. 103) salienta que:<br />
∗ Alu<strong>na</strong> em Ciências da Comunicação – Habilitação Relações Públicas pela Universidade do Vale do<br />
Rio dos Sinos – UNISINOS.
<strong>comunicação</strong> não é simplesmente informação, pois ela é muito mais<br />
ampla, abrangendo todos os contatos formais ou informais que nos<br />
transmitem qualquer espécie de experiência exterior, revigorando ou<br />
alterando nosso comportamento.<br />
Entende-se que é através da interação com o meio externo que os indivíduos<br />
se comunicam e se comportam. Para Andrade (1993, p. 106), essa interação <strong>na</strong><br />
<strong>comunicação</strong> possui três elementos básicos: “o comunicador, mensagem e o<br />
recebedor”. As funções desses elementos são fazer com que a mensagem chegue<br />
ao seu destino, ou seja, o emissor enviará uma informação que será decodificada<br />
pelo ca<strong>na</strong>l e chegará ao receptor. Porém, Andrade (1993) argumenta que o<br />
comunicador precisa saber o que quer transmitir e fazê-lo de forma íntegra, pois<br />
qualquer falha poderá distorcer a mensagem.<br />
Além de a <strong>comunicação</strong> fazer parte da vida pessoal, ela também está <strong>na</strong> vida<br />
profissio<strong>na</strong>l. A <strong>comunicação</strong> <strong>na</strong>s organizações <strong>na</strong> era da informação é um dos<br />
processos mais importantes. Através dela é que as pessoas interagem, e para Díaz<br />
(1986) é uma necessidade fundamental <strong>das</strong> pessoas. O sistema comunicacio<strong>na</strong>l<br />
para Kunsch (2003) é fundamental para o procedimento administrativo interno e para<br />
o relacio<strong>na</strong>mento <strong>das</strong> organizações com o ambiente exterior. Para Torquato (2002) a<br />
<strong>comunicação</strong> organizacio<strong>na</strong>l é caracterizada como <strong>comunicação</strong> cultural,<br />
<strong>comunicação</strong> administrativa, <strong>comunicação</strong> social e sistemas de informação. Através<br />
destas considerações, percebe-se que a <strong>comunicação</strong> não é ape<strong>na</strong>s mais um<br />
elemento <strong>na</strong>s organizações, mas sim um processo que passa por to<strong>das</strong> as áreas e<br />
pessoas dentro da instituição.<br />
A <strong>comunicação</strong> cultural para Torquato (2002, p.34) “comporta os climas<br />
internos” que para ele são os costumes, idéias e valores. A <strong>comunicação</strong><br />
administrativa para o autor são os papéis como memorandos, ofícios, circulares,<br />
cartas, etc. Já a <strong>comunicação</strong> social “envolve as áreas de jor<strong>na</strong>lismo, relações<br />
públicas, publicidade, editoração e marketing” Torquato, (2002, p. 34). E a última<br />
forma de <strong>comunicação</strong> dentro de uma organização para o autor são os sistemas de<br />
informação, como os banco de dados que possuem informações varia<strong>das</strong>.<br />
Constata-se que se a <strong>comunicação</strong> é um processo é dividida por mais de um<br />
modelo. Ela abrange mais de um tipo de pessoas, ou mais especificamente por<br />
vários públicos, que para Andrade (1989) são grupos organizados de pessoas com<br />
2
um objetivo em comum. Esses públicos são classificados pelo autor como interno,<br />
externo e misto.<br />
Conforme Andrade (1989, p. 41) o público pode ser “amplo ou restrito,<br />
efêmero ou duradouro tendo em vista a grandeza, a complexidade, a importância e o<br />
interesse <strong>das</strong> questões levanta<strong>das</strong> para a discussão pública”. O público externo para<br />
Cesca é (1995) gerado por pessoas que não atuam dentro da organização, mas<br />
podem ter algum tipo de relações de com ela, como a comunidade <strong>na</strong> qual esta<br />
inserida, escolas, clientes, imprensa, governo, concorrentes. Já o público misto é<br />
para a autora constituído daqueles que não atuam dentro da organização, mas tem<br />
ligações com ela, como os acionistas, revendedores, fornecedores, distribuidores, ou<br />
seja, o público misto, é composto por aqueles que tanto podem estar dentro da<br />
empresa quanto fora, pois mantêm relações próximas, sem serem funcionários.<br />
De acordo com Andrade (1989), o público interno é constituído dos<br />
funcionários de forma geral e de seus familiares. Para Torquato (2002, p. 59) “o<br />
público interno é o grupo que está mais próximo à empresa. O seu comportamento<br />
no ambiente desempenha um papel decisivo em sua vida”.<br />
Dentro dos públicos já definidos, cada organização tem os seus públicos<br />
estratégicos, que são aqueles que possuem maior relevância <strong>na</strong>s ações da<br />
empresa. Segundo Kunsch (2003, p. 330), os públicos estratégicos <strong>das</strong><br />
organizações são os “empregados, fornecedores, acionistas, consumidores, poderes<br />
públicos, as empresas competidoras, as mídias, os grupos ambientalistas,<br />
investidores, clientes, entre outros”, pois têm interesses em comum e essencial para<br />
a organização. É através dos meios de <strong>comunicação</strong> que as organizações<br />
conseguem atingir esse público, que de acordo com Kunsch (2003), também podem<br />
ser chamados de stakeholders.<br />
Entre os públicos estratégicos, o público interno se destaca para essa<br />
discussão sobre a <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> <strong>na</strong>s organizações e os meios tecnológicos<br />
que facilitam esse processo. De acordo com Kunsch (2003, p. 154), para que o<br />
relacio<strong>na</strong>mento entre a organização e o público interno ocorra é necessário um<br />
planejamento de <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong>:<br />
[...] seria um setor planejado, com objetivos bem definidos, para<br />
viabilizar toda a interação possível entre a organização e seus<br />
3
empregados, usando ferramentas da <strong>comunicação</strong> institucio<strong>na</strong>l e até<br />
da <strong>comunicação</strong> mercadológica.<br />
Sendo assim a <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> atinge todos os níveis da organização,<br />
estimulando um diálogo permanente e a troca de informações.<br />
A informação é essencial para que a <strong>comunicação</strong> aconteça e para Brum<br />
(2003, p. 38), a informação “é o produto da <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> e deve ser tratada<br />
como a melhor estratégia de aproximação empresa/funcionário”. Assim, é através da<br />
informação que a organização envolve os funcionários em um ambiente positivo<br />
fazendo com que produzam mais e melhor, trazendo benefícios para as duas partes.<br />
Por sua vez Carvalho (2001, p. 137) relata que “o acesso à tecnologia e à<br />
informação é hoje considerado importante fator de vantagem competitiva para as<br />
empresas, por possibilitar a agilidade necessária às toma<strong>das</strong> de decisões por parte<br />
dos dirigentes <strong>das</strong> organizações”. Então a <strong>comunicação</strong> pode valer-se de dois<br />
elementos combi<strong>na</strong>dos, informação e tecnologia, para fazer a <strong>comunicação</strong> circular<br />
inter<strong>na</strong>mente <strong>na</strong>s organizações.<br />
A <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> para Torquato (2002, p. 54) é “a primeira <strong>das</strong> duas<br />
colu<strong>na</strong>s da <strong>comunicação</strong> social” e tem como missão “contribuir para o<br />
desenvolvimento e a manutenção de um clima positivo” Torquato (2002, p. 54).<br />
As ferramentas de <strong>comunicação</strong> que são utiliza<strong>das</strong> <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong><br />
são inúmeras e Kunsch (2003, p. 159) destaca que:<br />
Uma <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> participativa, por meio de todo o<br />
instrumental disponível (murais, caixas de sugestões, boletins,<br />
termi<strong>na</strong>is de computador, intranet, rádio, teatro etc.), envolverá o<br />
empregado nos assuntos da organização e nos fatos que estão<br />
ocorrendo no Brasil e no mundo.<br />
Desta forma, entende-se que há ferramentas de <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> dos<br />
mais variados tipos, e isso significa que cada organização medirá quais são os<br />
ca<strong>na</strong>is mais efetivos no seu ambiente interno. Isso vai depender do tamanho da<br />
empresa ou da periodicidade <strong>na</strong> veiculação desses ca<strong>na</strong>is e como foi feito o<br />
planejamento de <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong>. De acordo com Torquato (2002, p. 59) “a<br />
4
publicação inter<strong>na</strong> é o único veículo de <strong>comunicação</strong> que traz mensagens cujas<br />
fontes podem ser os próprios funcionários”, ou seja, pode haver um departamento,<br />
uma função, um projeto, ou até mesmo o aniversário de um funcionário como base<br />
para as informações que serão comunica<strong>das</strong> em um instrumento interno.<br />
Deste modo, as <strong>tecnologias</strong> podem auxiliar estes instrumentos a se<br />
comunicar de forma mais ágil e Kunsch (2003) destaca que as <strong>tecnologias</strong> trazem<br />
para a <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> opções de ferramentas que “combi<strong>na</strong>m a informática<br />
com a informação” ou seja os “meios telemáticos”. <strong>Os</strong> exemplos dos meios<br />
telemáticos mencio<strong>na</strong>dos pela autora são a intranet, e-mail, computador, telões,<br />
telefones celulares, entre outros, pois possibilitam a interação com as pessoas.<br />
Segundo Pinho (2003) a tecnologia traz para a <strong>comunicação</strong>, divertimento,<br />
prestação de serviços, negócios, além de agilidade e tempo.<br />
O aspecto tecnológico é fundamental nos relacio<strong>na</strong>mentos organizacio<strong>na</strong>is,<br />
conforme Kunsch (2003, p. 158) são as “inovações tecnológicas que revolucio<strong>na</strong>ram<br />
as comunicações, permitindo maior acesso à informação e o uso dos seus<br />
benefícios”. Sendo assim, para que a <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> alcance seus objetivos,<br />
deve estar relacio<strong>na</strong>da à “políticas, estratégias, qualidade, conteúdo e linguagem,<br />
pessoal responsável e uso <strong>das</strong> novas mídias com adequação <strong>das</strong> inovações<br />
tecnológicas” Kunsch (2003, p. 160).<br />
Percebe-se que a tecnologia revolucionou a <strong>comunicação</strong>, mas além de seus<br />
benefícios, é preciso adaptar as informações existentes à sua linguagem e objetivos,<br />
além de estimular o público interno a interagir como essa ferramenta.<br />
Intranet<br />
Diante da era da informação, muitas áreas da <strong>comunicação</strong> estão sendo<br />
domi<strong>na</strong><strong>das</strong> pela tecnologia e para Nassar (in Kunsch, 1997, p.126) “a tecnologia tem<br />
um dos principais papéis <strong>na</strong> transformação <strong>das</strong> atividades e no negócio da<br />
<strong>comunicação</strong> social”. Segundo Miranda e Simeão (2005, p. 26) “a velocidade com<br />
que novas informações são gera<strong>das</strong> cria a necessidade ao homem de permanente<br />
atualização”. Ou seja, é necessário que as organizações estejam inseri<strong>das</strong> <strong>na</strong><br />
5
sociedade da informação e transmitam as mensagens ao público interno, afim de<br />
que toda a organização tenha a mesma informação.<br />
Conforme Miranda e Simeão (2005, p. 26) “grande ênfase é dada à<br />
<strong>comunicação</strong>, um volume maior de informação é transmitido a distâncias cada vez<br />
maiores em tempos progressivamente menores”. Para Fortes (2003, p. 242) “as<br />
pessoas que compõem a sociedade da informação se relacio<strong>na</strong>m por meios<br />
eletrônicos, essencialmente proporcio<strong>na</strong><strong>das</strong> pela Internet”. Sendo assim, a Internet<br />
pode auxiliar as organizações para que a <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> seja cada vez mais<br />
ágil, e é a partir desses meios que a <strong>comunicação</strong> se modifica <strong>na</strong>s organizações.<br />
Portanto, entende-se que o instrumento tecnológico que domi<strong>na</strong> a informação<br />
é a Internet. Mattos (1995) relata que a Internet surgiu em 1969, mas que somente<br />
em 1988 que o Brasil teve acesso à Rede Mundial de Computadores. No ano de<br />
1995 a Internet começou a ser comercializada para pessoas físicas e jurídicas no<br />
Brasil. Antes disso, era utilizada somente para pesquisas em Universidades e<br />
acessada em fase experimental. Assim, em 12 anos a tecnologia transformou o<br />
modo como o mundo se comunica e a mesma autora ainda salienta que as<br />
organizações hoje possuem a possibilidade de dispor para os usuários da rede uma<br />
série de serviços, como propaganda institucio<strong>na</strong>l, produtos, histórico, telefone,<br />
endereço, e-mail, jor<strong>na</strong>l empresarial, notícias da empresa, comunicados, boletins,<br />
ações de responsabilidade social e até a versão eletrônica do mural.<br />
Diante dessas afirmações entende-se que a Internet é uma rede de acesso<br />
mundial, que aproxima a organização de seus públicos, não importando a distância<br />
que eles estejam. Para Fortes (2003) a <strong>comunicação</strong> virtual é parecida com a<br />
<strong>comunicação</strong> dirigida, pois é escolhida pelo indivíduo que usará as informações e<br />
que eventualmente ou freqüentemente, busca as informações <strong>na</strong> Internet conforme<br />
seu desejo.<br />
A Internet não é gratuita. Sobre seus custos, Pinho (2003, p. 30) relata que<br />
“publicar uma informação <strong>na</strong> World Wide Web ou enviar uma mensagem de correio<br />
eletrônico gera despesas irrisórias mesmo compara<strong>das</strong> às tarifas telefônicas de<br />
longa distância”. Já Fortes (2003, p. 245) acrescenta que “os custos envolvidos<br />
correspondem à aquisição de equipamentos e cobram-se taxas mensais de<br />
manutenção, semelhante à assi<strong>na</strong>tura de um periódico ou uma televisão de si<strong>na</strong>l<br />
fechado”. Assim é possível afirmar que para uma organização, a Internet é um<br />
6
investimento, pois através da rede, terá um retorno de seus investimentos com a<br />
agilidade e produtividade.<br />
Da Internet derivam outras redes, como a intranet, que é uma <strong>das</strong><br />
ferramentas tecnológicas da <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> definida por Pinho (2003, p. 19)<br />
como “a rede <strong>das</strong> redes, o conjunto de cente<strong>na</strong>s de redes de computadores<br />
conectados em diversos países dos seis continentes” Fronckowiak (1998, p. 10)<br />
salienta que a intranet “é bastante semelhante à Internet, mas muito menor – em vez<br />
de megaevento aberto a todos, a intranet parece uma peque<strong>na</strong> festa privada, em<br />
que é preciso apresentar o convite <strong>na</strong> entrada”<br />
Deste modo seu o conteúdo será específico para a organização para a qual<br />
foi criado e de acordo com Pinho (2003, p. 24):<br />
Uma intranet é usada ape<strong>na</strong>s no ambiente privativo <strong>das</strong> empresas.<br />
Em vez de circular publicamente no mundo, como <strong>na</strong> Internet, as<br />
informações que transitam em uma rede intranet só são acessíveis à<br />
organização a que pertence e ao seu pessoal interno.<br />
Sendo assim, esta ferramenta merece atenção <strong>das</strong> organizações para as<br />
possibilidades que ela oferece para a <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong>. Conforme Sherwin &<br />
Ávila (apud Pinho, 2003, p. 24) a intranet estabelece vantagens que estão <strong>na</strong> “maior<br />
segurança, maior largura da banda, melhoria <strong>das</strong> comunicações inter<strong>na</strong>, atualidade<br />
<strong>das</strong> informações, redução dos custos de distribuição e maior participação”.<br />
Fronckowiack (1998, p. 11), por sua vez, destaca que “as intranets são bem mais<br />
rápi<strong>das</strong> do que a Internet” pois conforme o mesmo autor é possível fazer tudo o que<br />
se faz <strong>na</strong> Internet, mas que são demora<strong>das</strong> ou impróprias para serem<br />
desempenha<strong>das</strong> <strong>na</strong> World Wibe Web. Diante dessas considerações, nota-se que<br />
existem muitas as vantagens de se utilizar a intranet e que a tendência é que cada<br />
vez mais ela seja utilizada no relacio<strong>na</strong>mento entre as organizações e seu público<br />
interno.<br />
Nassar (1997, p. 135) confirma que a intranet “cada vez mais se firma como<br />
mídia. Suas características mais importantes para a atividade e o negócio da<br />
<strong>comunicação</strong> social são a facilidade operacio<strong>na</strong>l, o baixo custo de operação e a<br />
interatividade”.<br />
7
Assim, Fronckowiak (1998) afirma que a função da intranet é ajudar a<br />
organização a se comunicar mais rápido e eficientemente. Conforme Pinho (2003),<br />
um dos benefícios da intranet é o correio eletrônico, ou e-mail, que permite a troca<br />
de mensagens através do computador conectado a intranet. Para Fronckowiak<br />
(1998) o correio eletrônico ou e-mail apresenta a forma mais simples e ligeira de<br />
trocar mensagens e documentos <strong>na</strong> empresa. Fortes (2003, p. 252) complementa<br />
que “o que importa, em síntese, é a utilidade, a conveniência e o benefício da<br />
informação oferecida aos públicos”. Portanto, se a intranet reunir esses elementos,<br />
sua função será exercida dentro dos objetivos que se estabelece para essa<br />
ferramenta.<br />
A forma de trabalhar também se modifica com a tecnologia, “empresas de<br />
diversos ramos começam a permitir que seus empregados trabalhem em casa,<br />
conectados ao escritório por meio de computadores equipados com um modem”<br />
Pinho (2003, p. 36). Percebe-se que é um modo moderno de trabalhar e de pensar a<br />
<strong>comunicação</strong>, já que a velocidade <strong>das</strong> informações são as mesmas que se<br />
estivessem em um mesmo espaço físico. De acordo com Pinho (2003) os<br />
funcionários, fornecedores, clientes, acionistas e distribuidores, que trabalham fora<br />
do ambiente físico da organização, ficam ligados à extranet, que é definida pelo<br />
mesmo autor como uma rede privativa para acesso os sócios e parceiros da<br />
organização.<br />
Para Fronckowiak (1998, p. 247) “a criação de uma extranet está relacio<strong>na</strong>da<br />
com a possibilidade de tor<strong>na</strong>r os negócios mais fáceis e baratos”, o que parece ser<br />
uma vantagem para as organizações, mas uma limitação é a integração e<br />
relacio<strong>na</strong>mento com outros funcionários da empresa, apesar de poderem se<br />
relacio<strong>na</strong>r on-line.<br />
Conforme Pinho (2003, p. 31) “a interatividade da rede mundial é muito<br />
valiosa para quem quer dirigir mensagens específicas para os públicos de<br />
importância da empresa”. Portanto, além da facilidade de <strong>comunicação</strong>, as<br />
organizações contam com um importante aliado para atingir seu público específico.<br />
Como já existia um fluxo de informações dentro <strong>das</strong> organizações antes da<br />
chegada <strong>das</strong> <strong>tecnologias</strong>, os funcionários precisam se adaptar aos novos processos<br />
de <strong>comunicação</strong>. Conforme Miranda e Simeão (2005, p. 27)<br />
8
o processo cada vez mais veloz e intenso da tecnologia traz<br />
inúmeros benefícios e facilidades às pessoas no seu cotidiano e no<br />
seu trabalho, proporcio<strong>na</strong>ndo melhoria de qualidade e produtividade<br />
em suas atividades.<br />
Porém segundo Mattos (1995), o procedimento para a mudança origi<strong>na</strong><br />
incertezas e receios <strong>na</strong>s pessoas que estão envolvi<strong>das</strong> no processo. Toda roti<strong>na</strong> de<br />
<strong>comunicação</strong> é transformada com a tecnologia, e segundo Mattos (1995, p. 79):<br />
Implementar alta tecnologia em uma empresa ou sociedade significa<br />
transformar o sistema social ou empresarial. Implica modificações no<br />
sistema de <strong>comunicação</strong> (de massa e dirigida), nos hábitos, horários<br />
de trabalho, relacio<strong>na</strong>mento interpessoal, cultura empresarial,<br />
filosofia corporativa, conceitos gerenciais, planejamento estratégico e<br />
estrutura organizacio<strong>na</strong>l.<br />
Deste modo, há uma preocupação com a aceitação do novo processo que<br />
pode gerar crises e conflitos se a informação não for bem gerenciada. Além de<br />
oferecer os recursos tecnológicos, Mattos (1995) destaca que to<strong>das</strong> as pessoas que<br />
compõem o quadro funcio<strong>na</strong>l da organização devem estar envolvidos por inteiro com<br />
os resultados que desejam alcançar.<br />
Para Alves (1997) a cultura <strong>das</strong> empresas, geralmente as maiores, limita o<br />
espaço para as transformações. Por outro lado, o mesmo autor relata que a cultura<br />
da empresa é indispensável e deve ser respeitado, porém pode comprometer a<br />
continuidade de seu desenvolvimento, caso seja contrário às mudanças que<br />
ocorrem em benefício da organização.<br />
Durante a mudança <strong>na</strong> organização, Mattos (1995, p. 86) afirma que:<br />
além de um correto e eficaz plano de <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong>, é<br />
necessário que se planeje esta <strong>comunicação</strong> como uma via de dupla<br />
mão, onde emissor e receptor intercalem seus papéis, onde<br />
conceitos são enviados e dúvi<strong>das</strong> são ouvi<strong>das</strong>, bem aceitas e<br />
esclareci<strong>das</strong>. Esse fluxo de informações deve fluir em to<strong>das</strong> a<br />
direções.<br />
9
Diante dessas afirmações, a mudança <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong> pode ser um fator<br />
positivo, mas também pode ser rejeitado se as pessoas que farão uso não forem<br />
bem instruí<strong>das</strong> e informa<strong>das</strong> sobre o novo instrumento que trabalharão todos os<br />
dias. Dessa forma, entende-se que se os funcionários não conhecerem os objetivos<br />
da intranet, não ficarão receptivos a qualquer informação que ela transmita.<br />
Mattos (1995, p. 86) acrescenta que “além de se habituar com o meio<br />
eletrônico, é necessário que o uso se torne corriqueiro e que toda a organização<br />
interaja normalmente com este novo ambiente”. Assim, a <strong>comunicação</strong> se dará em<br />
um ambiente propício e a organização obterá a eficiência desejada desse processo<br />
comunicacio<strong>na</strong>l.<br />
Considerações Fi<strong>na</strong>is<br />
As <strong>tecnologias</strong> se tor<strong>na</strong>ram essenciais tanto <strong>na</strong> sociedade quanto <strong>na</strong>s<br />
organizações, portanto é essencial também que a <strong>comunicação</strong> se adapte ao meios<br />
tecnológicos para se comunicar com os públicos de interesse. A informação é parte<br />
fundamental do processo comunicacio<strong>na</strong>l, tanto externo quanto interno.<br />
<strong>Os</strong> instrumentos de <strong>comunicação</strong> inter<strong>na</strong> que se origi<strong>na</strong>m da tecnologia, como<br />
a intranet, trazem novas perspectivas para a <strong>comunicação</strong> com os funcionários, já<br />
que facilitam a troca de informações no cenário organizacio<strong>na</strong>l. De maneira geral<br />
possuem mais benefícios do que pontos negativos. Se a organização souber utilizar<br />
esses instrumentos, pode aumentar a produtividade, motivação e agilidade <strong>na</strong><br />
instituição. Assim, as instituições podem valer-se da intranet para comunicar além do<br />
público interno, os fornecedores, acionistas, clientes, entre outros públicos<br />
estratégicos.<br />
É necessário que as organizações saibam como gerenciar as informações<br />
tanto <strong>na</strong> intranet já implantada quanto durante a sua implantação, pois uma<br />
informação com mais de um significado pode gerar os resultados contrários e surtir<br />
crises ou conflitos.<br />
De modo geral, a tecnologia chegou para facilitar as relações <strong>na</strong>s<br />
organizações e se for bem gerenciada, gera resultados positivos e satisfatórios para<br />
a empresa e seus públicos de interesse.<br />
10
Referências Bibliográficas<br />
ALVES, Sérgio. Revigorando a cultura da empresa. São Paulo: Makron Books,<br />
1997.<br />
ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Psicossociologia <strong>das</strong> relações<br />
públicas. 2ª edição. São Paulo: Loyola, 1989.<br />
ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Para entender Relações Públicas. 4ª<br />
edição. São Paulo: Loyola, 1993.<br />
BRUM, A<strong>na</strong>lisa de Medeiros. Respirando Endomarketing. 2ª edição. Porto Alegre:<br />
LP&M, 2003.<br />
CARVALHO, Helenice. In: LEVACOV, Marilia. Tendências <strong>na</strong> <strong>comunicação</strong>:<br />
cursos de <strong>comunicação</strong> da pucrs, ufrgs, ulbra, UNISINOS. Porto Alegre: L&PM,<br />
1998-2001.<br />
CESCA, Cleusa Gertrudes Gimenes. Comunicação dirigida <strong>na</strong> empresa: teoria e<br />
prática. São Paulo, Summus, 1995.<br />
DÍAZ BORDENAVE, Juan E. O que é <strong>comunicação</strong>. 10ª edição. São Paulo:<br />
Brasiliense, 1986.<br />
FORTES, Wladyr Gutierrez. Relações Públicas: processo, funções, tecnologia e<br />
estratégias. São Paulo: Summus, 2003.<br />
FRONCKOWIAK, John W. Intranet para leigos. São Paulo: Berkeley, 1998.<br />
NASSAR, Paulo. In: KUNSCH, Margarida Maria Krohling (Org). Obtendo resultados<br />
com relações públicas. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 1997.<br />
KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Planejamento de Relações Públicas <strong>na</strong><br />
<strong>comunicação</strong> integrada. São Paulo: Summus, 2003.<br />
MATTOS, Silvia. A Revolução dos instrumentos de <strong>comunicação</strong> com os<br />
públicos: Como atingir com eficácia os públicos da empresa em tempo de Internet e<br />
super-rodovia da informação. Porto Alegre: Comunicação Integrada, 1995.<br />
MIRANDA, Antônio e SIMEÃO, Elmira (Orgs.). Informação e Tecnologia:<br />
conceitos e recortes. Brasília: Universidade de Brasília, 2005.<br />
PINHO, José Benedito. Relações Públicas <strong>na</strong> Internet: técnicas e estratégias para<br />
informar e influenciar públicos de interesse. São Paulo: Summus, 2003.<br />
TORQUATO, Gaudêncio. Tratado de Comunicação organizacio<strong>na</strong>l e política. São<br />
Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.<br />
11