PROGRAMA do FESTIVAL 2006 em formato PDF - Companhia de ...

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PROGRAMA do FESTIVAL 2006 em formato PDF - Companhia de ...

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UM GRANDE ESPELHO - 2006

Bem-vindos ao 23º Festival Internacional de Teatro.

Há vinte e três anos que se realiza, ininterruptamente, em Almada esta Festa do Teatro.

Trata-se de uma organização invulgar, conhecida e reconhecida por especialistas, observadores

nacionais e estrangeiros, atentos e conhecedores. Sólida em saber e responsabilidade, a organização do

Festival assenta sobretudo numa enorme competência e amor ao teatro, e numa relação institucional de

grande compreensão e respeito mútuos entre a Câmara Municipal e a Companhia de Teatro de Almada.

Sentimo-nos felizes e orgulhosos pelo caminho feito, por termos sabido, conjuntamente, vencer

dificuldades e com entusiasmo erguer, ano após ano, este grande projecto cultural que ambicionamos

sempre melhor.

À Companhia de Teatro de Almada, principal responsável pela organização do Festival, e em particular

ao seu Director Joaquim Benite e ao Director Adjunto Vítor Gonçalves, as felicitações pelo seu

trabalho, pelo seu engenho e arte, pondo de pé uma festa que, em cada edição, alcança sempre um novo

êxito.

Porque esta festa constitui um grande espelho que nos encanta, reflectindo as diferentes sensibilidades

artísticas, culturais e estéticas que os actores, autores, técnicos e outros profissionais nos

trazem das quatro partidas do Mundo.

Além disso, este ano o Festival de Almada, oferece também ao mundo das artes, ao público fiel de

mais de duas décadas, a todos quantos directa ou indirectamente o vão acompanhar, um novo palco,

moderno e excepcionalmente bem apetrechado – o novo Teatro Municipal.

É o corolário de um trabalho persistente de quase três décadas em que a Cultura, a Educação e a

Arte têm sido pilares fundamentais do projecto autárquico que Almada se orgulha de protagonizar.

De 4 a 18 de Julho vamos apreciar em palco realidades culturais e sociais muito distintas, representadas

por Companhias Portuguesas e outras que chegam até nós vindas de países como Brasil,

Espanha, França, Bélgica, Itália, Colômbia, República Checa, Reino Unido e Senegal.

A todas as Companhias de Teatro e ao público do Festival 2006, desejo uma boa estadia entre

nós. Sejam muito bem-vindos ao Concelho de Almada.

O nosso abraço fraterno.

A PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA

MARIA EMÍLIA NETO DE SOUSA


E...

Beckett, Tchecov, Ostrovski, Ionesco.

Tirso de Molina, Molière, António José

da Silva, Garrett.

Arnold Wesker, Bernard-Marie Koltès, Carlo

Terron, Howard Barker, Jesper Halle.

Albert Boadella, Pippo Delbono.

e

Giorgio Strehler, Bernard Sobel.

Ricardo Pais, Christine Laurent,

Christiane Jatahy, Rogério de Carvalho, Franzisca Aarflot,

Jorge Listopad, João Mota, Emmanuel Demarcy-Mota.

e

Giulia Lazzarini, Luís Miguel Cintra,

Laurent Charpentier, Maria do Céu

Guerra, Ramon Fontseré, Sidi Larbi,

Akram Khan.

e

Piccolo Teatro di Milano, Théâtre

de Gennevilliers, Comédie de Reims, Les Ballets

C. de la B., Els Joglars,

Teatro da Cornucópia.

e

José de Guimarães, Pedro Calapez, António Lagarto,

Ezio Frigerio, Cristina Reis.

e

muitos outros nomes de Autores,

de Actores, de Encenadores, de Coreógrafos,

de Cenógrafos, de Companhias teatrais.

e

muitos outros

quase anónimos

que fazem este Festival

e

uma Cidade, um Município

que oferecem ao teatro português

um equipamento de excepção

como se (já)

fôssemos Europa.

e

tanta coisa

tão estranha, tão rara

que deveria

e

mereceria

e

precisaria

e

este espaço de vida

estes dias de paz

este encontro de gente

para toda a gente

este teatro múltiplo

fugaz.

JOAQUIM BENITE

JUNHO DE 2006

05


HOMENAGEM

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OBSERVATÓRIO DAS ACTIVIDADES CULTURAIS

A homenagem deste ano do Festival não vai para uma personalidade, mas para uma instituição.

No ano em que completa 10 anos de existência o Observatório das Actividades Culturais – um

caso de investigação metódica na área da sociologia da cultura — foi a entidade escolhida para a modesta

distinção que o Festival de Almada concede anualmente.

Com esta escolha o Festival pretende, por um lado, saudar o sério trabalho de pesquisa e análise,

imprescindível para o estudo das Artes do Espectáculo e da sua recepção, desenvolvido pelo

Observatório das Actividades Culturais, mas também chamar a atenção, num País que atribui pouca

importância à investigação, para o papel essencial que o registo, a estatística, a recolha de dados e a sua

interpretação desempenha no desenvolvimento da relação dos produtos culturais com o público.

Os estudos publicados pelo Observatório das Actividades Culturais – designadamente aquele

dedicado aos públicos do Festival de Almada, em 2000 – constituem preciosos elementos para a reflexão

dos artistas, dos produtores e dos gestores culturais no nosso País.

Criado em 1996 como uma associação sem fins lucrativos, pelo Ministério da Cultura, pelo

Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e pelo Instituto Nacional de Estatística, o

Observatório das Actividades Culturais tem como presidente a Professora Doutora Maria de Lourdes

Lima dos Santos e a comissão científica integra os Professores Doutores António Firmino da Costa, José

Machado Pais e José Madureira Pinto. Os vogais do Conselho Directivo são os Drs. António Berbereia

Moniz, António Martinho Novo, José Farrajota Leal, Leonor Pereira, e pelo Observatório das Actividades

Culturais, Rui Telmo Gomes e José Soares Neves.

Nos quase 10 anos de existência do Observatório das Actividades Culturais foram concluídos 31

projectos de investigação, publicados 30 livros e 14 números da revista OBS. O Observatório das

Actividades Culturais tem procurado intensificar as sua relações com organizações internacionais

(intercâmbio com outros observatórios na Europa e América do Sul) e colabora regularmente no

projecto “Cultural policies in Europe: A compendium of basic facts and trends”, que integra mais de

30 países europeus.

Maria de Lourdes Lima dos Santos é licenciada em Letras pela Faculdade de Letras da Universidade

Clássica de Lisboa (Filologia Germânica), tem os cursos de Jornalismo e de Documentalista e possui um

doutoramento em Sociologia da Cultura, pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.

É investigadora–coordenadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. É autora de

várias obras, entre as quais “Para uma Sociologia da Cultura Burguesa em Portugal no séc. XIX”,

“Intelectuais Portugueses na primeira metade de Oitocentos”, “Hábitos de Leitura em Portugal”. É autora

de numerosos artigos e dirigiu um grande número de projectos de investigação no Observatório das

Actividades Culturais, IPAI, Instituto Português de Museus, etc.


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DON, MÉCÈNES ET ADORATEURS (DOM, MECENAS E ADORADORES)

DE ALEXANDRE OSTROVSKI | TEATRO

THÉÂTRE DE GENNEVILLIERS – CENTRE DRAMATIQUE NATIONAL

ENCENAÇÃO DE BERNARD SOBEL, COM A COLABORAÇÃO

DE MICHÈLE RAOUL-DAVIS

FRANÇA

Dom, Mecenas e Adoradores é uma das

últimas peças de Ostrovski (data de 1882) e a

sua acção situa-se no mundo do teatro: a sua

heroína, Néguina, é uma actriz. Em seu torno

gravitam: a outra jovem vedeta do grupo, boa

camarada mas sem as exigências intelectuais,

morais e artísticas de Néguina; o dramaturgo,

forçosamente alcoólico e indigente; o director do

teatro, verdadeiro profissional mas submetido

aos poderosos da terra; o aderecista, um ancião

culto, antigo proprietário do teatro que a sua

paixão arruinou mas por cujos interesses ainda

vela.

Capacidade de empatia

MICHÈLE RAOUL-DAVIS

Da mesma forma que se diz “gostaria de

encenar o Shakespeare todo”, eu gostaria de

encenar todo o Ostrovski. E porque o meu encontro

com o poeta Ostrovski foi essencial na minha

vida, espero que possa também sê-lo para os

espectadores. Ostrovski tem uma capacidade de

empatia com os seres humanos que lhe permite

dar-se conta do seu sofrimento e não da sua

degradação. Neste teatro também há qualquer

coisa de vital, que faz com que eu não tenha a

impressão de estar a tratar apenas com fantasmas

saídos de dentro da cabeça do autor, sem

outra existência senão a literária. Estou a tratar

com um homem que observa os homens no

próprio meio em que ele vive e trabalha — e

trata-se de um mundo brutal — sem os julgar de

forma alguma, qualquer que seja a barbaridade

ou a ignomínia daquilo a que assiste, e qualquer

que seja o seu ponto de vista sobre um mundo

onde tais coisas são possíveis.

Nunca olha os outros de alto. E isto é essencial.

Esta faculdade de empatia com o ser mais

COM A PARTICIPAÇÃO DO JEUNE THÉÂTRE NATIONAL

COM O APOIO DO CONSEIL GÉNÉRAL DES

HAUTS-DE-SEINE

miserável, mais indigente, mais diferente de si,

espanta-me. Quando penso em Ostrovski, penso

também nesse velho poeta chinês do século XIII,

Kuan Han Chi. Ambos têm essa faculdade rara de

saber não julgar tudo e ter sempre um ponto de

vista, de procurar sempre o que é que cada ser

humano, mesmo colocado nas piores condições,

poderá ter de precioso. Talvez certos países, certas

épocas de extrema dureza, de extrema miséria,

permitam a certos autores, certos poetas

tocar no essencial, aquilo que sem eles seria

indefinível. Mesmo que o teatro de Ostrovski nos

mostre actos, situações e comportamentos sórdidos,

miseráveis, crápulas, nunca nos recusamos a

partilhar da humanidade das suas personagens,

sejam elas como forem.

Alexandre Ostrovski

BERNARD SOBEL

Contemporâneo de Dostoievski, Tourgueniev

e Tolstoi, Alexandre Ostrovski, nascido em 1823

em Moscovo, pertence à idade de ouro da literatura

russa. Desde 1847 até à sua morte, em 1886,

deu ao teatro russo um repertório considerável

(mais de sessenta peças).

A sua obra consagra-se principalmente à

pintura do mundo dos comerciantes, uma espécie

de burguesia detentora do capital, atraída pelo

lucro, pelo luxo e por uma alegria grosseira.

Inscreve-se na tradição de um realismo crítico, o

que lhe confere uma verdadeira modernidade.

Entre Gogol e Tchecov, Ostrovski é um autor sem

cujo conhecimento se torna impossível compreender

a história do teatro russo, designadamente

os grandes avanços teóricos e estéticos a

que deu origem no principio do século XX, e que

influenciaram todo o teatro mundial.

Entre as suas peças mais famosas encon-


tram-se A Tormenta (1859), considerada a sua

obra-prima, e A Floresta (1871), que atraiu o

reconhecimento oficial para o seu trabalho. Em

1885 torna-se director dos Teatros Imperiais de

Moscovo e propõe a criação de uma espécie de

Teatro Nacional Popular, acessível a todas as

classes sociais. A morte impede-o de concretizar o

projecto, que só em 1898 dará origem à fundação

do Teatro de Arte de Moscovo.

Bernard Sobel

Bernard Sobel, uma das figuras mais

respeitadas do teatro francês, é o criador e animador

do Teatro de Gennevilliers, uma cidade da

periferia de Paris, onde desenvolveu a sua acção

de director e encenador durante 43 anos.

Foi em 1963, depois de fazer a sua formação

no Berliner Ensemble, de Brecht, que Sobel se

instalou em Gennevilliers. Começou por fundar o

“Ensemble Théâtral de Gennevilliers” (ETG), um

grupo de jovens actores e investigadores que

adoptou um estatuto amador, e cuja intenção era

contribuir para o nascimento de uma forma

teatral diferente das que existiam nessa época. Os

primeiros espectáculos foram apresentados na

sala de Grésillons, um clube de festas populares.

Ao fim de alguns anos o ETG impôs-se como um

laboratório de pesquisas teatrais e as necessidades

económicas obrigaram-no a profissionalizar-se,

mas só em 1983 obtém do Ministro Jack Lang o

estatuto de Centro Dramático Nacional. Em 1986

a sala Grésillons é objecto de grandes obras de

remodelação e transforma-se no Teatro de

Gennevilliers. Em 43 anos Sobel montou mais de

oitenta peças, divulgando em França o reportório

russo e alemão, sempre de acordo com critérios

de excelência. Entre os autores que apresentou

em França contam-se Vichnevski, Koplov,

Volokhov, Erdman, Heiner Müller, Kleist, Schiller,

Lessing, Lenz, Heinrich Mann, Grabbe, e, naturalmente,

Brecht. Mas é também um especialista de

Moliére, de quem encenou várias obras, e o seu

repertório inclui muitos outros autores clássicos e

modernos, como Eurípedes, Marlowe ou Sarah

Kane.

Don, Mecenas e Adoradores, considerada

pelo Figaro “uma sublime celebração do teatro” e

pelo Le Monde “um melodrama magnifico”, é a

última encenação de Sobel em Gennevilliers, uma

vez que deixará o cargo em Dezembro, por ter

atingido o limite de idade.

Em 2002 esteve presente no Festival de

Almada com o espectáculo O Refém, de Paul

Claudel.

Intérpretes Éric Caruso, Éric Castex, Laurent

Charpentier, François Clavier, Isabelle Duperray,

Thomas Durand, Élizabeth Mazev, Vincent Minne,

Jacques Pieiller, Chloé Réjon e Gaetan Vassart

Tradução André Markowicz

Cenografia Jacqueline Bosson

Luz Jean-François Besnard

Figurinos Mina Lee

Maquilhagem Marie-Anne Hum

Assistência de encenação Mirabelle Rousseau

Língua francês (legendado em português)

Duração 2h30

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA

Sala Principal

(ALMADA)

21h30 Quarta 5

21h30 Quinta 6

21h30 Sexta 7

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ZERO DEGREES (ZERO GRAUS)

DE AKRAM KHAN E SIDI LARBI | DANÇA

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O CENTRO CULTURAL DE

BELÉM

LES BALLETS C DE LA B & AKRAM KHAN COMPANY

ENCENAÇÃO DE AKRAM KHAN E SIDI LARBI

REINO-UNIDO E BÉLGICA

Akram Khan e Sidi Larbi conheceram-se

em 2000 e rapidamente descobriram fortes

semelhanças: eram ambos filhos de famílias

islâmicas a viverem na Europa e, muito embora

cada um tenha desenvolvido a sua linguagem de

movimento, esse encontro de culturas foi tema

permanente nos seus trabalhos.

Zero Degrees obrigou estes artistas a uma

viagem em busca do ponto de referência, da

fonte, do “Zero”, do núcleo da vida. Inspirados nas

suas duplas identidades os dois procuram este

ponto central através de opostos como a

vida/morte, claro/escuro, ordem/caos.

Este trabalho acontece na presença de uma

escultura do artista britânico Antony Gormley e

da música do compositor Nitin Sawhney, cujo

som celebra o encontro entre o Ocidente e o

Oriente.

A peça Bearing, da autoria de Antony

Gormley, pertencente à Colecção Berardo,

será exposta nos dias 5 e 6 de Julho no Foyer

do Grande Auditório.

Sidi Larbi e Akram Khan

Sidi Larbi nasceu em 1976 em Antuérpia e

estudou dança na escola de Anne Teresa de

Keersmaeker, integrando a partir de 1995 a companhia

Les Ballets C. de la B., de Alain Platel. A sua

primeira coreografia, Rien de Rien, realizou uma

digressão europeia (tendo sido apresentada no

P.O.N.T.I. - Porto) e obteve o prémio para Melhor

Jovem Coreógrafo dos Nijinski Awards de Monte

Carlo. Sidi Larbi participou no festival de Avignon

em 2002 (com it) e em 2004 (com Tempus Fugit).

Em 2002 apresentou ainda D’avant na

Schaubühne Am Lehniner Platz, de Berlim. A sua

última coreografia, Loin, foi apresentada em 2005

no Ballet du Grand Théâtre de Genebra.

CO-PRODUÇÃO: SADLER’S WELLS LONDON, THÉÂTRE DE

LA VILLE PARIS, DESINGEL ANTWERPEN,

KUNSTENCENTRUM VOORUIT GENT, HEBBEL THEATER

BERLIN, TANZHAUS NRW DÜSSELDORF, SCHOUWBURG

AMSTERDAM, TEATRO COMUNALE DI FERRARA,

TORINODANZA, WEXNER CENTER FOR THE ARTS OHIO,

NATIONAL ARTS CENTRE OTTAWA, LES GRANDES

TRAVERSÉES BORDEAUX

Akram Khan é um coreógrafo/bailarino de

topo da cena inglesa, distinguindo-se pela convergência

que efectua entre a sua formação

europeia contemporânea e o Kathak, um género

clássico indiano. Tendo actuado um pouco por

todo o mundo ainda bastante jovem, participou

no The Jungle Book, dirigido por Pandit Ravi

Shankar, e no Mahabharata, de Peter Brook.

Em 2002 Akram Khan recebeu os prémios

de Melhor Jovem Coreógrafo atribuídos pelo

Dance Critics’ Circle e pela revista Time Out.

Recebeu ainda o prémio de Melhor Coreografia

atribuído pela Fundação Jerwood, e o prémio de

Melhor Coreografia Moderna 2003 pelo Dance

Critics’ Circle. Em 2004 foi-lhe atribuído o

Doutoramento Honorário em Artes, pela

Universidade de De Montfort, pelo seu contributo

para a comunidade artística britânica.

Interpretação Akram Khan e Sidi Larbi

Dramaturgia Guy Cools

Música Nitin Sawhney

Escultura Antony Gormley

Língua inglês (legendado em português)

Duração 1h10

CENTRO CULTURAL DE BELÉM

GRANDE AUDITÓRIO

(LISBOA)

21h00 Quarta 5

21h00 Quinta 6


CONJUGADO

DE CHRISTIANE JATAHY | TEATRO

EM COLABORAÇÃO COM O FESTIVAL DE CÁDIS

CIA VÉRTICE DE TEATRO

ENCENAÇÃO DE CHRISTIANE JATAHY

BRASIL

Apego. Isolamento. Repetição.

Que armadilhas criamos para nós mesmos?

Podemos fugir do embate com os outros?

Conjugado fala da situação limite de solidão

e isolamento a que se pode chegar nos grandes

centros urbanos. O tema é apresentado através de

uma personagem feminina cujo quotidiano sintetiza

as características deste processo de isolamento.

Foram entrevistadas mulheres de distintas

idades e níveis sociais. As declarações foram

gravadas emdeo digital e compõem uma vídeo-

-instalação integrada no espectáculo.

No início o público é voyeur, assistindo,

através de frestas de persianas que cercam o

cenário, às noites de uma mulher… mas, pouco a

pouco, as persianas são abertas e inicia-se um

novo jogo. Um jogo que afectará profundamente

essa mulher…

Conjugado foi apresentado no Festival

RioCenaContemporânea em Novembro de 2003,

obtendo excelentes críticas em vários jornais

(“Ousado e bem produzido, Conjugado expõe o

fazer teatral com carisma e extrema precisão.

Um espectáculo imperdível.”, in Folha de S.

Paulo). Foi indicado para o Prémio Shell de 2004

(melhor actriz e melhor cenário), e para o Prémio

Qualidade Brasil nas categorias de melhor espectáculo,

melhor encenação e melhor actriz. Foi

igualmente considerado um dos dez melhores

espectáculos do ano de 2004 pelo jornal O Globo.

Christiane Jatahy

Christiane Jatahy, para além de encenadora,

é também dramaturga, actriz, professora e tradutora.

Dirigiu espectáculos que obtiveram grande

reconhecimento de crítica e de público, entre os

quais Memorial do Convento, a partir do romance

de José Saramago, Carícias, de Sergi Belbel,

Trilogia da Iniciação, com o Grupo Tal, no Parque

Lage, e adaptações dos textos literários Alice,

Pinóquio e Peter Pan, espectáculos que tiveram

mais de cem mil espectadores e doze prémios.

Escreveu La cruzada de los niños de la calle,

projecto que envolvia seis dramaturgos latino-

-americanos e estreou no Centro Dramático

Nacional de Madrid. Escreveu e dirigiu Monólogos

do Êxodo para a exposição do fotógrafo Sebastião

Salgado.

Intérprete Malu Galli

Cenário Marcelo Lipiani

Luz Afonso Tostes

Música Marcelo Neves

Documentário Márcia Derraik

Língua português

Duração 45 minutos

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA

SALA DE ENSAIOS

(ALMADA)

17h00 Sábado 8

16h00 Domingo 9

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ZONA PORTUÁRIA

DE QUICO CADAVAL | TEATRO

ENCENAÇÃO DE QUICO CADAVAL

ESPANHA

Zona Portuária é um espectáculo no qual,

graças à voz aveludada do narrador e à magia da

palavra, se manifestam na cena dúzias de personagens:

Ismael o negro, o filho de Parga, o

carabineiro, o senhor Meio-Mundo, a senhora

Carme a Carreirana, José o protestante, Carminha a

penteadora, o senhor Arestim, o porteiro do cinema

Elma, Del Rio Rodriguez, o senhor Franco,

Deus o mecânico, o do bar Santa Eugénia, António

o do Nordeste, Ventim o taxista, etc.

Quico Cadaval não interpreta todas estas

personagens prodigiosas, e ainda bem.

Simplesmente, lembra-as.

Ismael, o Negro é uma história que se passa

nos anos 70 na zona portuária de uma pequena

vila piscatória das rias baixas da Galiza. Trata-se

de um exercício de memória que se manifesta

num palco, sem dor nem saudosismo, com o

mesmo sorriso que exibem no circo os contorcionistas.

Mas aqui os únicos músculos que se

contorcem são as lembranças de Quico Cadaval.

O texto será proferido em galego-português

ou português de contrabando, ou em

galego que quer ser português sem deixar de ser

galego. Enfim, uma coisa muito mais simples do

que parece.

QUICO CADAVAL

Quico Cadaval

Quico Cadaval, actor, encenador e dramaturgo

galego, tem participado em diversos festivais

de contadores de histórias tanto na Europa como

na América Latina. Tem integrado igualmente

projectos escolares de narração de histórias na

Galiza e em instituições penitenciárias espanholas

e portuguesas. Como conferencista e contador de

histórias participou em eventos nas universidades

de Trier, Varsóvia, Cracóvia, Salamanca, Berlim,

Paris e Lisboa, bem como no pólo da Fundação

Gulbenkian de Paris.

Para além da sua actividade como actor e

encenador, Quico Cadaval publicou as seguintes

obras de teatro: Um Códice Clandestino, O

Rouxinol da Bretanha, A Caza do snark, Se o

Velho Sinbad Volvesse às Ilhas e O Ano do

Cometa (as duas últimas a partir do romance

homónimo de Álvaro Cunqueiro).

Língua galego | português

Duração 1h10

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Domingo 9


VÁLKA MEZI ROZMARYNEM ´ A MAJORÁNKOU ´

(GUERRAS DE ALECRIM E DE MANJERONA)

DE ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA | TEATRO

COM O APOIO DA EMBAIXADA CHECA EM LISBOA

MESTSKE DIVADLO ZLÍN

ENCENAÇÃO DE JORGE LISTOPAD

REPÚBLICA CHECA

A famosa peça de António José da Silva, o

Judeu, não merece ser conhecida apenas pelo

seu público natural (isto é, o português). Por isso

foi levada, pela primeira vez na íntegra, noutra

língua, para fora do seu território. Foi montada

em checo, com actores, músicos e bonecreiros

checos, para o prazer de milhares de pessoas

desse país, onde se encontra em cena desde

Junho passado. O público do Festival de Almada

assistirá às Guerras de Alecrim e de Manjerona

tal qual como esta peça foi produzida a mais de

3.000 quilómetros de distância.

As diferenças naturais que surgirão do ponto

de vista artístico e cenográfico devem-se exactamente

à possibilidade de transformar a peça de

António José da Silva numa matéria teatral

extraordinária em qualquer parte do Mundo.

JORGE LISTOPAD

António José da Silva

António José da Silva, o Judeu, um dos mais

representativos autores dramáticos portugueses,

viveu na primeira metade do séc. XVIII, sendo-lhe

geralmente atribuídas oito óperas joco-sérias. São

elas: Vida de D. Quixote de la Mancha e do Gordo

Sancho Pança; Esopaida, ou Vida de Esopo; Os

encantos de Medeia; Anfitrião, ou Jupiter, e

Alcmena; Labirinto de Creta; Guerras de Alecrim,

e Mangerona; Variedades de Proteo; Precipício de

Faetonte. São-lhe ainda atribuídas uma Glosa ao

soneto de Camões “Alma minha gentil, que te

partiste”, na morte da infanta D. Francisca, bem

como as Obras do Diabinho da Mão Furada.

Em 1737 foi preso pela Santa Inquisição, juntamente

com a sua mãe e esposa (Leonor de

Carvalho, que era sua prima e também judia). Foi

torturado e descobriu-se que tinha sido circuncisado.

Uma escrava negra testemunhou que o

dramaturgo observava o Sabbat.

António José da Silva, nascido no Rio de

Janeiro em 1705, foi estrangulado e queimado

num Auto-da-Fé em Lisboa em Outubro de 1739.

Língua checo (legendado em português)

Duração 2h30 (com intervalo)

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Terça 11

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NA SOLIDÃO DOS CAMPOS DE ALGODÃO

DE BERNARD-MARIE KOLTÈS | TEATRO

EM CO-APRESENTAÇÃO COM A CULTURGEST

COMPAGNIE DU TOURNESOL

ENCENAÇÃO DE PHILIP BOULAY

FRANÇA

O projecto de voltar a trabalhar A Solidão,

desta vez em versão portuguesa, prende-se com

este percurso em comum com o texto ao longo do

tempo e com os dois actores lusófonos que são

Victor de Oliveira e Diogo Dória. As minhas idas e

vindas a África também contaram. Koltès revela

de forma perturbante algumas realidades

urbanas africanas. De modo que iremos também

explorar as ressonâncias e deflagrações de sentido

da língua koltesiana em Moçambique (representações

em Maputo e na Beira): provavelmente,

algumas palavras do Dealer, sejam elas

ditas em Lisboa ou na antiga colónia portuguesa

– e claro, ou mesmo sobretudo, as respostas do

Cliente – serão ouvidas em toda a sua dimensão

de uma troca (ou de um desejo) Norte / Sul. A

menos que se trate do contrário: uma linha Sul /

Norte que não seja forçosamente a do arame

farpado como em Mellila ou Ceuta.

PHILIP BOULAY

Philip Boulay

Philip Boulay fez em 1995 a sua primeira

encenação, com 27 anos. Montou textos de

Antonio Tabucchi, Molière, Elsa Solal, Mishima,

Marivaux e Musset. Trabalhou em teatros como o

Athénée / Louis Jouvet, Ferme du Buisson, Théâtre

Gérard Philippe, Théâtre de Gennevilliers, Forum /

Banc-Mesnil, e em países como a Finlândia, Chile,

Roménia, Gabão, Camarões, Angola, Congo,

Espanha, Turquia e Alemanha. De Koltès encenou

ainda Tabataba, apresentado primeiro nos subúrbios

de Kinshasa (2003) e depois em Seine Saint-

-Denis (2005), e Roberto Zucco, em 2004, também

em Kinshasa, com uma equipa artística congolesa.

EM CO-PRODUÇÃO COM CULTURGEST, FESTIVAL DE

ALMADA, CENTRO CULTURAL FRANCO-MOÇAMBICANO

(MAPUTO), COM A PARTICIPAÇÃO DO FORUM, SCÈNE

CONVENTIONNÉE DE BLANC-MESNIL E DO SERVIÇO

CULTURAL DA EMBAIXADA DE FRANÇA EM MOÇAMBIQUE

Intérpretes Diogo Dória e Victor de Oliveira

Tradução Nuno Júdice

Cenografia Jean-Christophe Lanquetin

Luzes Stéphane Loirat com a colaboração de Quito

Timbe

Responsável pela produção Jean-Christophe

Boissonnade

Língua português

Duração 1h30

CULTURGEST

GRANDE AUDITÓRIO

LISBOA

21h30 Terça 11

21h30 Quarta 12

21h30 Quinta 13

21h30 Sexta 14

21h30 Sábado 15

17h00 Domingo 16

CRIAÇÃO NO FESTIVAL


ESODO (ÊXODO)

DE PIPPO DELBONO | TEATRO

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O CENTRO CULTURAL DE

BELÉM

COMPAGNIA PIPPO DELBONO

ENCENAÇÃO DE PIPPO DELBONO

ITÁLIA

Com uma linguagem teatral que se aproxima

cada vez mais da vida, com a procura de uma

palavra simples, que mantenha uma forma de

resistência poética e combativa, Pippo Delbono

realizou Esodo, uma abordagem à realidade dos

imigrantes extra-comunitários.

Usando as palavras de Brecht, de Primo

Levi, da Bíblia, de Charlie Chaplin, de Pasolini, de

Nichiren Daishonin, o espectador é convidado a

reflectir sobre a guerra. É-lhe contado o êxodo de

quem foi expulso da sua própria terra, de quem

fugiu de uma ditadura, de quem tem a sua

alma dentro de outro corpo, de quem deixou o

manicómio, de quem não sabe para onde vai, de

quem tem medo da morte.

Magda Poli, do Corriere della Sera, considerou

Esodo um “retrato sarcástico e cruel de uma

sociedade vazia e obtusa, que não vê, nem quer ver,

os que sofrem: uma sociedade que marginaliza

aqueles que não têm esperança”.

Valeria Ottolenghi, da revista italiana

Sipario, considerou o espectáculo de uma

“grande beleza (graças às imagens, à densa

unidade, à loucura, à graça, à comiseração) e de

uma riqueza teatral (entre o cómico e a tragédia,

visões de sonho e de uma crua realidade) verdadeiramente

extraordinária)”.

Franco Quadri, crítico do La Repubblica,

apontou a “corrente súbita de aplausos” que se

seguiu ao final do espectáculo a que assistiu.

Pippo Delbono

Pippo Delbono nasceu em Varazze em 1959

e começou a estudar teatro numa escola tradicional,

que abandonou após conhecer o argentino

Pepe Robledo. Com este, partiu para a Dinamarca,

onde trabalhou sob a direcção de Iben Nagel

Rasmussen. Segue-se um período de viagens no

Oriente, onde toma contacto com o teatro e a

EM CO-PRODUÇÃO COM EMÍLIA ROMAGNA TEATRO

FONDAZIONE

dança locais. De volta à Europa, trabalha com Pina

Baush e apresenta espectáculos em Itália que

também realizam digressões na América do Sul.

O teatro de Delbono consiste num espaço

aberto, para além das convenções teatrais, onde

tudo é revelado em cena, e sobretudo onde são

abolidas as fronteiras entre actores e as pessoas

do nosso dia-a-dia.

Intérpretes Fadel Abeid, Dolly Albertin, Gianluca

Ballarè, Bobò, Enkeleda Cekani, Piero Corso,

Pippo Delbono, Lucia Della Ferrera, Fausto

Ferraiuolo, Gustavo Giacosa, Simone Goggiano,

Elena Guerrini, Mario Intruglio, Nelson Lariccia,

Maura Monzani, Akram Telawe, Giovanni

Ricciardi e Pepe Robledo

Técnicos Sergio Taddei, Fabio Berselli e Angelo

Colonna

Produção Letizia Sacchi

Responsável de digressão Sandra Ghetti

Língua italiano (legendado em português)

Duração 1h25

CENTRO CULTURAL DE BELÉM

GRANDE AUDITÓRIO

(LISBOA)

21h00 Quinta 13

21h00 Sexta 14

15


16

GIORNI FELICI (OS DIAS FELIZES)

DE SAMUEL BECKETT | TEATRO

COM O APOIO DO INSTITUTO ITALIANO DE CULTURA

PICCOLO TEATRO DI MILANO

ENCENAÇÃO DE GIORGIO STREHLER, REPOSTA POR

CARLO BATTISTONI

ITÁLIA

Giorni Felici estreou-se em Maio de 1982

com uma leitura dita “positiva”: um Beckett em

plena luz, quase privado da aura niilista que

muitas vezes caracterizava as interpretações cénicas.

Para Strehler, Beckett era sobretudo um

poeta e, explicava o encenador, “quando, como

em Os Dias Felizes, a poesia grita com uma voz

assim tão alta, o homem não se nega: afirma-se”.

Nascia desta forma um espectáculo que

teria interessado o próprio Beckett, no qual, sem

se acrescentar palavras, mas através dos gestos,

era sublinhada a vontade da protagonista em

viver “até ao fim”.

Franco Cordelli, crítico do Corriere della

Sera, escreveu o seguinte a propósito da interpretação

de Giulia Lazzarini: “Trata-se de uma arte

exorcista de afastar o mal, de o combater a

golpes de florete. O chapéu encarnado, as costas

possantes, os braços robustos, as maravilhosas,

petulantes e faladoras mãos. Ei-la. Giullia

Lazzarini. Assim se perceberá o que é o teatro: um

exercício de memória para combater o tempo,

para não se render nunca”.

Samuel Beckett

Assinala-se este ano o centenário do nascimento

de Samuel Beckett (1906 – 1989: vide

biografia na pág. 36), um dos maiores dramaturgos

do século XX, cuja obra, inscrita na linha do

teatro do absurdo, lança um olhar pessimista e

desencantado (mas pleno de humor) sobre a

condição humana. Peças como À Espera de Godot

e Dias Felizes farão para sempre parte do cânone

da dramaturgia mundial, quer pela sua originalidade,

quer pelo seu simbolismo, quer pela capacidade

de abordar a essência humana, desligada de um

espaço e tempo específicos: as suas personagens, em

cenários inóspitos, limitam-se a esperar que o

tempo passe, agarrando-se a tarefas rotineiras

para continuar a viver, à espera de… nada.

O Festival de Almada assinala este centenário

com a apresentação de três peças de

Samuel Beckett (Os Dias Felizes, À Espera de Godot

e Todos os que Caem), uma peça de marionetas

sobre a temática beckettiana (Nada, ou o Silêncio

de Beckett) e uma exposição fotográfica dedicada

ao dramaturgo irlandês.

Giorgio Strehler

Giorgio Strehler (1921 – 1997) diplomou-se

na Accademia dei Filodrammatici em 1940, passando

a integrar posteriormente algumas companhias

itinerantes como actor. Realiza a sua

primeira encenação em 1943, mas logo de seguida

tem de procurar asilo político na Suíça, para

escapar ao serviço militar. Aí estreia Calígula, de

Camus, em 1945. Em 1947 funda, juntamente

com Paolo Grassi, o Piccolo Teatro di Milano, o

primeiro teatro italiano de gestão pública e de

“teatro para todos”. Renuncia à representação e

chega a encenar dez espectáculos por ano. Quer

dar a conhecer ao público italiano um repertório

que este nunca conhecera, devido à censura

fascista. O enorme sucesso popular de Arlequim

Servidor de Dois Amos, de Goldoni, que se manterá

em cartaz durante mais de quarenta anos,

assegura o renome do Piccolo.

A partir de 1955 Strehler apresenta

grandes encenações, que ficaram para a história

do teatro contemporâneo: O Ginjal, de Tchecov, A

Ópera dos Três Vinténs, de Brecht, em 1955,

Baroufe à Chioggia, de Goldoni, em 1964, e Os

Gigantes da Montanha, de Pirandello, em 1966.

Colabora com grandes cenógrafos como

Luciano Damiani e Ezio Frigerio. Não renuncia à

grande tradição estética da cultura humanista

europeia, levando-a ao seu nível mais elevado,

mesmo quando o acusavam de praticar um

realismo fora de moda.


Em 1972 Strehler afirma o Piccolo como

um “teatro de arte”, e relega para segundo plano

a vocação cívica das suas encenações. O teatro

deixa de estar ao serviço do Mundo, mas passa a

ser o próprio Mundo. O teatro é, para Strehler,

“o modo mais elevado de conhecimento da

História”. Nesta altura monta Shakespeare (Rei

Lear, 1972, A Tempestade, 1978) e óperas no

Scala de Milão e em Paris (Falstaff, de Verdi, As

Bodas de Fígaro, de Mozart, etc.). Em 1978 monta

a Trilogia da Vilegiatura, de Goldoni, na Comédie

Française.

De 1983 a 1990 Jack Lang dá-lhe a oportunidade

de criar e dirigir o Théâtre de l’Europe, o

Ódeon, a “primeira instituição teatral europeia

que um país da Europa ofereceu à Europa”.

Em 1984 encena a Ilusão, de Corneille. Em

1987 cria a sua sexta versão de Arlequim, no

Piccolo Teatro, que realiza uma digressão mundial.

O Piccolo entra na União de Teatros da Europa, e

Strehler obtém uma nova sala para o seu teatro,

mas, devido a um desaguisado com a Câmara da

cidade, e aos atrasos das obras, o Nuovo Piccolo

só será inaugurado após a morte do seu director,

que ocorreu a 25 de Dezembro de 1997.

A sua concepção do teatro influenciaria

vários encenadores da geração seguinte, como

Ariane Mnouchkine, Patrice Chéreau, Lluis

Pasqual, Roger Planchon, Peter Stein, etc.

Giulia Lazzarini

Giulia Lazzarini nasceu em Milão e formou-

-se em Roma no Centro Sperimentale di

Cinematografia. Inicia ainda bastante jovem uma

longa colaboração com o Piccolo Teatro di Milano,

cujo director era Giorgio Strehler, que a dirigiu em

espectáculos que marcaram a história do teatro

italiano, tais como: Arlequim, Servidor de Dois

Amos, de Goldoni (espectáculo que realizou uma

digressão mundial no 40º aniversário do Piccolo, e

que foi apresentado em Almada), O Egoísta, de

Bertolazzi, Platonov, de Tchecov, Galileu e A

Ópera dos Três Vinténs, de Brecht, O Ginjal, de

Tchecov, O Balcão, de Genet, Os Dias Felizes, de

Beckett, A Tempestade, de Shakespeare, Elvira ou

a Paixão Teatral, de Jouvet, Night Mother, de

Norman, Grande e Pequeno, de Botho Strauss, A

Entrevista, de Natália Ginzburg, Estamos

Momentaneamente Ausentes, de Squarzina,

Fausto – Fragmentos parte I e II, de Goethe (no

papel de Margarida, com Strehler no papel de

Fausto), Os Gigantes da Montanha, de Pirandello,

e Morte de um Caixeiro Viajante, de Miller.

A sua interpretação de Winnie, em Os Dias

Felizes, valeu-lhe os títulos de “Maravilhosa”

(Corriere della Sera) e “Magistral” (Il Tempo) na

imprensa italiana.

Intérpretes Giulia Lazzarini e Franco

Sangermano

Tradução Carlo Fruttero

Cenário Ezio Frigerio

Figurinos Luisa Spinatelli

Música Fiorenzo Carpi

Movimentos mímicos Marise Flach

Luzes Gerardo Modica

Língua italiano (legendado em português)

Duração 1h40

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA

SALA PRINCIPAL

(ALMADA)

21h30 Quinta 13

21h30 Sexta 14

17


18

RHINOCÉROS (RINOCERONTE)

DE EUGÈNE IONESCO | TEATRO

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O TEATRO NACIONAL D. MARIA II

LA COMÉDIE DE REIMS C. D. N.

CO-PRODUÇÃO THÉÂTRE DE LA VILLE (PARIS)

ENCENAÇÃO DE EMMANUEL DEMARCY-MOTA

FRANÇA

A história desta peça pode resumir-se de

uma forma muito simples: trata-se de uma

cidade cujos habitantes se metamorfoseiam em

rinocerontes. Todos menos um, o último homem:

Bérenger. Mas a simplicidade aparente desta

fábula mascara uma opacidade diabólica. Ao

raspar o verniz desse mundo tranquilo e civilizado

surge uma humanidade surdamente arruinada

pelo catrastofismo: todos os animais foram

dizimados pela peste, o calor é abrasador, as

paisagens são desérticas, os nómadas não são

recebidos… mesmo os circos foram banidos há

muito. Parece-me claro que Ionesco partia da

propagação e da adesão aos totalitarismos —

tanto o nazismo como o estalinismo — mas via

igualmente o homem como capaz de revelar a

sua monstruosidade noutras circunstâncias,

como afirmou: “Tenho a sensação de me encontrar

junto de pessoas extremamente educadas,

num mundo mais ou menos confortável, e de

repente qualquer coisa se desfaz, se dilacera, e

surge esse carácter monstruoso dos homens. É este,

creio, o ponto de partida do Rinoceronte”.

EMMANUEL DEMARCY-MOTA

Emmanuel Demarcy-Mota

Emmanuel Demarcy-Mota criou a Compagnie

de Théâtre de Millefontaines em 1989, que reunia

um grupo de alunos do liceu Rodin. Estudou filosofia

na Université René Descartes, e em 1994, com 23

anos, montou L’histoire du Soldat, um espectáculo

que permaneceria dois anos em digressão.

Emmanuel Demarcy-Mota é desde Janeiro de

2002 director da Comédie de Reims (Centro

Dramático Nacional), onde criou Le Diable en

partage e L’Inatendu, de Fabrice Melquiot, Six personnages

en quête d’auteur, de Pirandello (apresentado

no 21º Festival de Almada), Ma Vie de chandelle,

e Marcia Hesse, de Fabrice Melquiot.

COM O APOIO DA ASSOCIATION FRANÇAISE D’ACTION

ARTISTIQUE

Interpretação Hugues Quester, Serge Maggiani,

Valérie Dashwood, Charles-Roger Bour, Sandra Faure,

Gaelle Guillou, Stéphane Krahenbuhl, Ana das

Chagas, Olivier Le Borgne, Gérald Maillet, Cyril Anrep,

Pascal Vuillemot, Jauris Casanova e Céline Carrère

Assistente de encenação Christophe Lemaire

Músicos Jefferson Lembeye, Walter N’Guyen e

Arnauld Laurens

Cenografia Yves Collet, com a colaboração de

Michel Bruguière

Luzes Yves Collet, com a colaboração de

Sébastien Marrey

Música Jefferson Lembeye, com Walter N’Guyen

e Arnaud Laurens

Trabalho corporal Marion Lévy, com Anne

Mousselet

Figurinos Corinne Baudelot, assistida por

Annabelle Rambaud

Máscaras Mirjam Fruttiger, com, para a realização,

Mathilde Meignan e Audrey Duflot

Maquilhagem Catherine Nicolas

Acessórios Laurent Marquès-Pastor

Colaborador artístico François Regnault

Conselheiro literário Marie-Amélie Robiliard

Construcção do cenário Espace et compagnie

Operação de luzes Régis Guyonnet

Electricista Soizick Provost

Técnico de palco Pascal Daubie

Assistente de camarim Séverine Gohier

Assistente de adereços Mohamed Rezki

Língua francês (legendado em português)

Duração 2h00

TEATRO NACIONAL D. MARIA II

SALA GARRETT

(LISBOA)

21h30 Quinta 13

21h30 Sexta 14


LA MIRADA DEL AVESTRUZ (O OLHAR DA AVESTRUZ)

DE TINO FERNÁNDEZ | DANÇA

EM COLABORAÇÃO COM O CELCIT

L’EXPLOSE

COREOGRAFIA E ENCENAÇÃO DE TINO FERNÁNDEZ

COLÔMBIA

Nove personagens sem nome, com histórias

próximas e estranhas ao mesmo tempo, falam-

-nos da sua própria marca, da sua exclusão e das

suas contradições, numa peça de dança que

procura reflectir sobre a realidade do país. Uma

metáfora que pretende, num espaço cénico feito

de terra negra, moldar sentimentos, emoções e

vivências pessoais, relacionados com a evasão a

que às vezes recorremos para, como a avestruz,

escapar à realidade.

A metáfora que sustenta este trabalho

propõe diferentes níveis de significação: o

primeiro tem que ver com o olhar que todos parecemos

centrar na nossa vida individual, onde nos

refugiamos em consequência de um mecanismo

de evasão, de sobrevivência.

Mas, o que sucede nesses espaços das vidas

individuais? Aí mesmo é que estão presentes, sob

formas muito subtis e profundas, os traços da

violência.

O espectáculo, apresentado o ano passado

em Almada, foi votado pelo público como

Espectáculo de Honra de 2006.

A companhia L’Explose foi fundada por Tino

Fernández em Paris e posteriormente na

Colômbia, fruto de um intenso trabalho de investigação

em dança contemporânea, e celebrou

recentemente o seu 14º ano de actividade.

O grupo surgiu da necessidade de expressão

própria, encontrando o seu caminho na ênfase do

aspecto emocional, mais do que no movimento. O

resultado é que na realização do seu trabalho, e

através de uma energia rude e violenta, consegue

expressar o seu encontro com a realidade e a

recusa de codificar um imaginário íntimo numa

sociedade de artifícios.

Os seus objectivos essenciais são a promoção

e a divulgação da dança contemporânea.

L’Explose é também um lugar de encontro de

artistas de diferentes disciplinas para a realização

de projectos coreográficos propostos pelo seu

director.

Intérpretes Angela Bello, Wilman Romero, Paola

Escobar, Vladimir Rodríguez, John Henry Gerena,

Leyla Castillo, Marvel Benavides, Natália Orozco e

Tino Fernández

Iluminação Humberto Hernández

Figurinos Eunice García (Canesú)

Fotografia Carlos Lema, Zoad Humar

Imagem Iván Onatra

Produção Zoad Humar

Cenografia Victor Sánchez

deo Charles le Pick

Dramaturgia Juliana Reyes

Duração 1h10

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Sábado 15

ESPECTÁCULO DE HONRA 2006

19


20

EN UN LUGAR DE MANHATTAN (NUM LUGAR DE MANHATTAN)

DE ALBERT BOADELLA | TEATRO

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O TEATRO NACIONAL D. MARIA II

ELS JOGLARS

ENCENAÇÃO DE ALBERT BOADELLA

ESPANHA

En un lugar de Manhattan centra-se no jogo

entre a ficção e a realidade, e desenvolve-se em

dois planos que se vão inter-relacionando.

Por um lado, a montagem de uma obra de

teatro ultra-moderna e vanguardista, da qual

se chegam a ver representadas algumas

sequências. E por outro lado a chegada de um

par de personagens peculiares e estranhas, que

têm pouco que ver com os ensaios e a forma

com que os actores representam com elas para

fugir ao cansaço criativo em que se encontram.

Quando se procuram restos da irradiação

quixotesca na nossa sociedade contemporânea, é

assombroso constatar que não resta um único

vestígio desse passado. Por mais que nos esforcemos

a esquadrinhar as suas ruínas, depressa

chegaremos à conclusão de que em muito poucas

décadas desapareceram as marcas de algo que

em Espanha havia perdurado durante séculos.

Para mais, se actualmente alguém tentar levar a

cabo actividades imitadoras de tal tessitura

moral, ou é automaticamente marginalizado, ou

corre o risco de ser tomado como um doente mental.

Aquela herança estilística e ética, mescla de

ideais góticos e de cavalaria cristã, não só deixou

de ter vigência, como também já não é possível

captar nenhuma analogia com o que nos rodeia.

Ante a impossibilidade de estabelecer paralelismos

contemporâneos, e afastados da ideia

de tentar recriar no palco a obra de arte literária,

abordámos o Quixote reflectindo precisamente

sobre o fracasso grotesco desta quimera.

Brincando com o ridículo de qualquer pretensão

“modernizadora” do mito literário, a obra incide

também na incapacidade actual para reconhecer

as virtudes de um suposto Quixote no actual contexto

em que vivemos.

ALBERT BOADELLA

EM CO-PRODUÇÃO COM COMUNIDAD DE MADRID

Intérpretes Xavier Boada, Xavi Sais, Dolors

Tuneu, Jesus Agelet, Minnie Marx, Francesc Pérez,

Pilar Sáenz, Ramon Fontseré e Pep Vila

Assistentes de encenação Joan Roura e Gerard

Guix

Cenário Anna Alcubierre

Figurinos Dolors Caminal

Iluminação Cesc Barrachina

Som Guillermo Mugular

Direcção técnica e realização cenográfica

Jordi Costa

Produção executiva Josep M. Fontseré

Assessor literário Rafael Ramos

Coreografias Bebeto Cidra e Jordi Basora

Técnico de palco Jesus Díaz-Pavón

Língua castelhano

Duração 2h05

TEATRO NACIONAL D. MARIA II

SALA GARRETT

(LISBOA)

21h30 Domingo 16

21h30 Segunda 17

21h30 Terça 18


SIMBAU (A DANÇA DO FALSO LEÃO)

DE BABACAR DIENG | DANÇA

EM COLABORAÇÃO COM O CELCIT

N´DIENGOZ

COREOGRAFIA DE BABACAR DIENG

SENEGAL

A Dança do Falso Leão, também conhecida

como Simbau, é um espectáculo originário de

Walo, região situada no Norte do Senegal.

Executada por jovens com disfarces e

atavios aterradores, a dança desenrola-se ao

compasso de ritmos, cantos e palavras mágicas,

capazes de domar um verdadeiro leão.

Os jovens que tomam parte no espectáculo,

isto é, falsos leões, são pessoas que pelo menos

uma vez na sua vida conseguiram afugentar leões

que tentaram atacar populações.

Quando um destes jovens se irrita, fica com

o carácter e a coragem de “Gainde”, o leão. Para

os acalmar, os artistas da povoação encarregam-

-se de os entreter com cânticos e palavras mágicas

chamadas “Yat”.

O grupo N´Diengoz foi fundado por Babacar

Dieng na sua cidade natal de Louga (Senegal), em

1989. Esta denominação significa que todos os

seus membros fazem parte da mesma família,

cujo apelido é Dieng. Herdeiros da tradição Griôt,

tanto o avô de Babacar, como o seu pai foram,

respectivamente, Grande Tambor e Primeiro Griot

do Senegal. O grupo começou por realizar festas

na sua localidade e pouco a pouco deu espectáculos

em todas as cidades do país, para mais tarde

actuar em diferentes festivais de música em

França, Suíça e Espanha.

O estilo da sua música sempre consistiu

essencialmente na percussão, dança e canto.

Ainda que tenham variado estilos, os Diengoz

sempre misturaram o estilo afro-oriental, o rap

senegalês e a música tradicional própria da sua

região.

Intérpretes Babacar Dieng (percussão e voz),

Ndiaga Dieng (percussão), Madior Dieng (percussão),

Assane Dieng (percussão), Bekay

Jorbatek (cora), Abou Dieng (baixo), Susane Kante

(dança e coros) e Bontou Gueye (dança e coros)

Duração 1h20

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Terça 18

21


24

NADA OU O SILÊNCIO DE BECKETT

DE JOÃO PAULO SEARA CARDOSO | TEATRO DE MARIONETAS

TEATRO DE MARIONETAS DO PORTO

ENCENAÇÃO DE JOÃO PAULO SEARA CARDOSO

PORTO

Nada ou o Silêncio de Beckett é um espectáculo

construído a partir de impressões de

Samuel Beckett e nasce de uma forte contaminação

dos criadores e actores pelas paisagens e

personagens do mundo beckettiano.

Este espectáculo é como um sonho difuso e

amarelado no qual vagueamos com os Winnies,

Didis, Gogos e toda essa galeria de homens e

mulheres impregnados de um estranho silêncio

vazio, sempre tocando ao de leve na obscuridade

para nos fazer sentir, afinal, poeticamente a possibilidade

de um mundo mais luminoso.

Nada ou o Silêncio de Beckett venceu os

prémios de Melhor Encenador e Melhor

Companhia do festival de marionetas World

Festival de Praga, e colheu as seguintes reacções

junto da imprensa portuguesa: “Um espectáculo

notável: provavelmente um dos melhores

espectáculos dirigidos por João Paulo Seara

Cardoso. Indispensável ver, se possível.” (Carlos

Porto, in Jornal de Letras); “É obrigatório assistir

às transmutações, transfigurações, variações e

desenvolvimentos que João Paulo Seara Cardoso

recriou a partir do universo de Beckett.” (Manuel

João Gomes, in Público); “Um espectáculo notável.”

(Susana Oliveira, in Visão7).

João Paulo Seara Cardoso

João Paulo Seara Cardoso tem formação nos

domínios da animação sócio-cultural, do teatro e

do teatro de marionetas, frequentando os cursos

do Institut National d`Éducation Populaire e do

Institut International de la Marionnette, em

França. Trabalhou com João Coimbra, Marcel

Violette, Jim Henson e Lopez Barrantes. Integrou o

quadro nacional de formadores do Instituto da

Juventude e é professor de Interpretação do curso

de Teatro no Balleteatro — Escola Profissional.

Em 1982 iniciou o estudo e divulgação do

Teatro Dom Roberto, fantoches tradicionais por-

tugueses, que efectuou já cerca de 1500 representações.

É fundador e director artístico do Teatro de

Marionetas do Porto, tendo realizado várias encenações.

Com a companhia ou com espectáculos-

-solo actua frequentemente no estrangeiro, tendo

efectuado representações em festivais e

digressões em Espanha, França, Itália, Bélgica,

Suíça, Irlanda, Inglaterra, Israel, Alemanha, Brasil,

Polónia, Cabo Verde, República Checa e Holanda.

Intérpretes Edgard Fernandes, Sara Henriques e

Sérgio Rolo

Cenografia João Paulo Seara Cardoso

Marionetas e figurinos Júlio Vanzeler

Música Roberto Neulichedl

Desenho de luz António Real

Produção Mário Moutinho

Pintura de marionetas Emília Sousa

Operação de som e luz Rui Pedro Rodrigues

Assistente de produção Paula Anabela Silva

Secretária de produção Sofia Carvalho

Direcção de montagem Igor Gandra

Técnicos de construção Abílio Silva, Filipe

Garcia e Vítor Silva

Confecção de figurinos Branca Elíseo

Colaboração Patrícia Falcão, Isabel Leite da Silva

Fotografia de cena Henrique Delgado

Ilustração Júlio Vanzeler

Língua português

Duração 1h00

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Terça 4


A MATA

DE JESPER HALLE | TEATRO

COM O APOIO DA REAL EMBAIXADA DA NORUEGA EM LISBOA

ARTISTAS UNIDOS

ENCENAÇÃO DE FRANZISCA AARFLOT

LISBOA

A Mata aborda uma jornada comovente

nas memórias reprimidas de um grupo de crianças

que cresceram no mesmo bairro de onde uma

delas desapareceu. Ao mesmo tempo, a estrutura

da peça assemelha-se a um mistério sobre um

crime que mantém os espectadores em suspenso

até ao fim. O possível abuso e assassinato de uma

rapariga pequena só se revela gradualmente. Este

mistério não é totalmente esclarecido. Os

espectadores esperam respostas no final, mas o

caso não é resolvido, nem o assassino travado. A

peça centra-se no bairro, nas crianças que vivem

lado a lado. Como reagem aos vários acontecimentos,

como sentem uma ameaça, sem, no

entanto, a perceberem claramente. E, claro, como

estas crianças conseguem lidar (ultrapassar ou

reprimir) o facto.

Jesper Halle

Jesper Halle nasceu em 1956, em Oslo. Desde

1984 que escreve para teatro, rádio e televisão, já

tendo escrito mais de vinte peças. Escreve sempre

materiais para serem representados – letras para

canções, sketches cómicos, monólogos, teatro

radiofónico, peças para marionetas, séries para

televisão e peças para teatro. Já viu mais de dez

das suas peças serem representadas. Trabalhou

como dramaturgo no Det Åpne Teater por vários

períodos de tempo. As suas principais peças são

Life is a Sandy Beach (1990), Wild Ducks (1996),

The Light of Days (1996) – que recebeu o Ibsen

Award for Best New Norwegian Play em 1997, e

foi nomeada para o Award for Best Nordic Play,

em 1998 -, West of Eden (2000), 24 Unsuccessfull

Norwegians, Little Woods – que recebeu o Prémio

da Fundação Wilhelm Hansen para Melhor Nova

Peça Nórdica e o Hedda Award – e Nora’s

Children. Algumas das suas peças foram representadas

fora da Noruega, na Suécia, e em Nova

Iorque, estando neste momento a ser planeadas

produções na China e na Rússia. A Mata foi apresentado

na Suécia, Estados Unidos da América,

Alemanha, Dinamarca e agora em Portugal.

Intérpretes António Simão, Armando Luís,

Bernardo Chatillon, Cecília Henriques, Flávia

Araújo, Heloise Ro, Jéssica Anne, João Delgado,

Leogizy Mary Gaspar, Nikki, Pablo Malter, Pedro

Carraca, Paulo Pinto, Ricardo Batista, Ricardo

Carolo, Rúdy Fernandes, Sandra Roque, Sara

Moura, Sérgio Conceição e Tinto

Tradução Pedro Porto Fernandes

Cenografia Inger Astri Kobbevik Stephens

Montagem Daniel Fernandes, com o apoio de

Rita Lopes Alves

Figurinos Rita Lopes Alves

Luz Pedro Domingos

Assistência de encenação Andreia Bento, João

Meireles, Ricardo Carolo, Pedro Carraca e

António Simão

Língua português

Duração 2h20 (com intervalo)

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA

SALA EXPERIMENTAL

(ALMADA)

19h00 Quarta 5

19h00 Quinta 6

19h00 Sexta 7

19h00 Sábado 8

17h00 Domingo 9

19h00 Terça 11

21h00 Quarta 12

19h00 Quinta 13

19h00 Sexta 14

17h00 Sábado 15

17h00 Domingo 16

17h00 Terça 18

CRIAÇÃO NO FESTIVAL

CO-PRODUÇÃO COM O DET APNE TEATER E O CHAPITÔ

CENOGRAFIA E FIGURINOS COM O APOIO DE JOAQUIM

RAMALHO E FILIPE FAÍSCA E DOS ALUNOS DE OFÍCIOS

DO SEGUNDO ANO DO CHAPITÔ

25


ENSAIO PARA O GINJAL

DE ANTON TCHECOV | TEATRO

TEATRO DA CORNUCÓPIA

ENCENAÇÃO DE CHRISTINE LAURENT

LISBOA

É como se, com os actores, partíssemos de

uma página em branco ou do silêncio total, do

esquecimento do sono, e depois, devagarinho,

como se nos puséssemos a viver, ali, essa estranha

e longa jornada fictícia, inventada por Tchekov,

que se desenrola, a partir de uma aurora de primavera

fria, através da descida do crepúsculo de

um dia de verão, e de uma noite de baile trepidante,

até a uma tarde gelada de outono.

A aposta deste trabalho, é ritmar a concordância

destes quatro tempos em contraponto

com a meteorologia afectiva e pessoal de cada

uma das personagens. Algumas delas hão-de

verificar, à sua custa, como disse Vladimir

Jankélévitch, que “quem volta atrás no espaço,

não volta atrás no tempo”

CHRISTINE LAURENT

Anton Tchecov

Neto de um servo liberto, Anton Tchecov

(Ucrânia, 1860 - Alemanha, 1904) publicou alguns

contos em revistas enquanto estudava medicina. O

sucesso de uma peça de teatro, Ivanov, em 1887, e

de uma novela, A Estepe (1888), permitiu-lhe

dedicar-se exclusivamente à literatura, apesar da

tuberculose, que o forçava a permanecer longos

períodos no estrangeiro. Devido ao agravamento da

doença, fixou residência em Ialta (1899), onde

escreveu algumas das suas melhores obras (como A

dama do cachorrinho, em 1889, e A noiva, em 1903).

Nos últimos anos da sua vida escreveu as suas

maiores criações para o teatro: Tio Vânia (1897), As

Três Irmãs (1901) e O Ginjal (1904). Ambientadas na

província, as suas peças envolvem personagens da

burguesia e da aristocracia decadente. Os diálogos

tradicionais são substituídos por monólogos paralelos,

onde cada personagem deixa entrever as suas

mágoas, sentimentos mais profundos, e principalmente

a frustração e a impotência perante a vida.

26

Intérpretes Cleia Almeida, Dinarte Branco, Dinis

Gomes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra,

Márcia Breia, Pedro Lacerda, Rita Durão, Rita

Loureiro e Sofia Marques

Tradução Nina Guerra e Filipe Guerra

Adaptação e guião de espectáculo Christine

Laurent

Cenário e figurinos Cristina Reis

Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção

Som Vasco Pimentel

Língua português

Duração 2h30

TEATRO DO BAIRRO ALTO / CORNUCÓPIA

(LISBOA)

21h30 Quarta 5

21h30 Quinta 6

21h30 Sexta 7

21h30 Sábado 8

17h00 Domingo 9

21h30 Terça 11

21h30 Quarta 12

21h30 Quinta 13

21h30 Sexta 14

21h30 Sábado 15

17h00 Domingo 16

21h30 Terça 18


À PROCURA DE JÚLIO CÉSAR

DE CARLOS J. PESSOA | TEATRO

TEATRO DOS ALOÉS E TEATRO DA GARAGEM

ENCENAÇÃO DE CARLOS J. PESSOA

LISBOA

À Procura de Júlio César é uma peça que

apresenta duas partes distintas. Na primeira

parte, as palavras de Shakespeare misturam-se

com o barulho e as luzes da cidade. Na segunda

parte de À Procura de Júlio César, assistimos a

uma demanda. João José, um actor desempregado,

que habita as incertezas existenciais da casa

dos cinquenta, procura Júlio César, ou melhor,

procura um emprego como motorista de Júlio

César.

O problema é encontrá-lo porque, obviamente,

Júlio César já não habita a Roma pré-

-imperial, o Egipto, ou o texto de Shakespeare.

Perdeu-se talvez nas malhas ínvias de uma rede

global ou, o que é o mesmo, em todas as palavras

e imagens que acerca dele fomos ouvindo e

vendo, aqui e ali. O anúncio deste Júlio César, que

quer um motorista, não tem pois uma morada,

porque ele não tem um lugar e será, de algum

modo, a procura errática de João José que definirá

a sua existência e o seu lugar, i. e., o lugar de

ambos. Mais do que encontrar Júlio César e apresentá-lo,

trata-se, de facto, de o procurar.

Perante a floresta imensa dos lugares, das

imagens e das personagens, João José, é claro,

não tem um plano para esta procura e, mais do

que encontrar alguém que o esclareça, é confrontado

pelos suspeitos do costume que lhe

apontam um caminho, feito de surpresas, coincidências

e teatro.

Carlos J. Pessoa

Carlos J. Pessoa nasceu em Lisboa, em 1966.

Tem o curso de Formação de Actores da Escola

Superior de Teatro e Cinema e a licenciatura em

Teatro e Educação pela mesma escola, onde é professor

e Director do Departamento de Teatro.

Co-fundador do Teatro da Garagem, em

1989, escreveu e encenou a quase totalidade das

peças que esta companhia tem apresentado desde

então. Tem publicadas as peças Cidade de Fausto,

Café Magnético, Pentateuco-Manual de

Sobrevivência para o Ano 2000 (ciclo de 5 peças)

e A portageira da Brisa.

Em 1993 recebeu o prémio Texto de Teatro,

do Teatro na Década, do Clube Português de Artes

e Ideias, pela peça Café Magnético; em 2000 foi-

-lhe atribuído o Prémio CyberKyoske99 – Género

Drama, pela peça Desertos - evento didáctico

seguido de um poema grátis.

Intérpretes Ana Palma, Carla Carreiro Mendes,

Diana Costa e Silva, Elsa Valentim, Fernando

Nobre, Jorge Silva, José Peixoto, Leonor Cabral,

Luís Barros, Maria João Vicente, Miguel Mendes,

Tiago Mateus e Vitor d’Andrade

Música Daniel Cervantes

Figurinos Maria João Vicente e Ana Palma

Desenho de luz Miguel Cruz

Direcção de produção Elsa Valentim e Maria

João Vicente

Produção Bruno Coelho e Gislaine Peixoto

Fotografia e vídeo Rodrigo Duarte

Assistente de produção Iría Menut

Operação técnica José Nuno Silva

Estagiária Antonela Silva

Língua português

Duração 1h40

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Quinta 6

27


28

WAITING FOR GODOT (À ESPERA DE GODOT)

DE SAMUEL BECKETT | TEATRO

TEATRO MERIDIONAL – ASSOCIAÇÃO MERIDIONAL DE

CULTURA

ENCENAÇÃO DE MIGUEL SEABRA

LISBOA

“Uma estrada no campo. Uma árvore. Ao

anoitecer.” No que se tornou o cenário mais célebre

do teatro contemporâneo Didi e Gogo

aguardam em dois actos a vinda de um incerto

Godot que Beckett sempre se recusou a identificar

com a divindade, para realçar, talvez, não a finalidade

da espera, mas o que se produz enquanto ela

decorre. Logo na sua estreia, em 1952, foi perceptível

a verdadeira dimensão de um texto que, à

superfície, tem tanto de parábola bíblica como de

farsa clownesca, mas que o tempo se encarregou

de transformar na mais poderosa fábula do nosso

tempo.

Perguntam incessantes e curiosos: “O que

pensam acrescentar no vosso espectáculo, deste

texto multiplamente feito e reinventado, Waiting

for Godot, de Samuel Beckett?”.

Respondemos, parafraseando Beckett: “ O

que quis dizer foi exactamente o que disse!”.

Não queremos acrescentar nada — não nos

toma a preocupação obsessiva da originalidade

da obra. Queremos, como as personagens de

Beckett, ser aqueles que não sabem, aqueles que

não podem. Queremos cumprir o delito indizível e

maior, de termos nascido e de nos repetirmos. E

queremos ser o veículo da palavra simples, brincadores

do Mundo numa dupla simulação: fingir

o que se tem – como os actores, fingir o que não

se tem – como as personagens.

Queremos ser simples, não deixar a palavra

“nutrir-se” de efeitos ou de intenções, não carregar

o espectáculo de um sistema referencial

signíco e dramatúrgico, não ilustrar pleonasticamente

a mensagem ou a sua interdição.

Queremos dar forma e corpo e peso a essas personagens

fantasmáticas e teatrais, que enquanto

esperam se deslocam quietas num jogo

aparentemente elementar da vida humana.

Queremos prosseguir o risco do texto que, tal

como a existência, está cheio de indicadores de

CO-PRODUÇÃO CENTRO CULTURAL DE BELÉM

caminho, de didascálias normativas. Queremos

experimentar a exigência da pausa e do silêncio,

do jogo e da transgressão, da liberdade possível

neste território em que experimentamos também

a contingência.

MIGUEL SEABRA E NATÁLIA LUÍZA

Intérpretes António Fonseca, João Pedro Vaz,

Miguel Seabra, Pedro Gil e Luís Martinho

Tradução Francisco Luís Parreira

Assistência artística Natália Luíza

Cenografia e figurinos Ana Limpinho e Maria

João Castelo

Desenho de luz Miguel Seabra

Assistência de encenação Romeu Costa

Programa Luís Vasco e Natália Luíza

Fotografia de cena Rui Mateus e Patrícia Poção

Realização de figurinos Piedade Antunes

Operação técnica Feliciano Branco

Produção executiva Jorge Sousa

Direcção de produção Mónica Almeida

Língua português

Duração 1h20

PALCO GRANDE

ESCOLA D. ANTÓNIO DA COSTA

(ALMADA)

22h00 Sábado 8


FIORE NUDO (FLOR NUA)

ESPÉCIE DE ÓPERA A PARTIR DE CENAS DE DON GIOVANNI

MÚSICA DE WOLFGANG AMADEUS MOZART

LIBRETO DE LORENZO DA PONTE

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O TEATRO MUNICIPAL DE S.LUIZ

TEATRO NACIONAL DE S. JOÃO

ENCENAÇÃO DE NUNO M CARDOSO

PORTO

Como a morte (se a encararmos com exactidão)

é o verdadeiro objectivo da nossa vida, tenho-me

familiarizado, de há uns anos a esta parte, com essa

verdadeira e excelente amiga do homem, a ponto de

o seu rosto já nada ter de aterrorizador para mim,

parecendo-me, pelo contrário, tranquilizante e

muito consolador. […] De noite, nunca me deito sem

pensar que no dia seguinte (por muito jovem que eu

ainda seja) talvez já cá não esteja e, no entanto,

nenhuma das pessoas que me conhecem e me frequentam

pode dizer que eu ande magoado ou

triste.

WOLFGANG AMADEUS MOZART

(Carta a seu pai, Leopold Mozart, 4 de Abril de 1787.)

Lorenzo da Ponte

Lorenzo da Ponte nasceu em Treviso em 1749

e faleceu em Nova Iorque em 1838. Por volta de

1770 faz-se sacerdote e vive em Veneza. Porém,

leva uma vida libertina, e em 1779 é expulso da

então República. Muda-se para Viena, graças ao

interesse demonstrado por Antonio Salieri na sua

habilidade, já evidente, como libretista. Data destes

anos a sua colaboração com Wolfgang A. Mozart

na criação de três obras-primas: As Bodas de Fígaro

(1786), a partir da comédia de Beaumarchais, Don

Giovanni (1787) e Così Fan Tutte (1790).

Wolfgang Amadeus Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em

Salzburgo, em 1756. Foi uma criança prodígio de

uma família musical burguesa, começando a compor

minuetes para cravo aos cinco anos. Em 1763,

foi levado pelo pai em digressão pela França e

Inglaterra. Entre 1770 e 1773 visitou Itália por três

vezes, onde compôs a ópera Mitridate. A eleição do

conde Hieronymus Colloredo como arcebispo de

Salzburgo mudaria esta situação. A Sociedade de Corte

vienense implicava com a origem burguesa e os

modos de Mozart, e Colloredo não admitia que um

mero serviçal passasse tanto tempo em viagens ao

exterior. Em 1781 Colloredo ordena a Mozart que se

junte a ele e à sua comitiva em Viena. Insatisfeito

por ser colocado entre os criados, pediu a demissão.

A partir daí, passa a viver da renda de concertos, da

publicação das suas obras e de aulas particulares.

Em 1786, compõe a primeira ópera em que contou

com a colaboração de Lorenzo da Ponte: As Bodas

de Fígaro. Segue-se Don Giovanni, considerada por

muitos a sua obra-prima. Mozart ainda escreveria

Così Fan Tutte, com libreto de Da Ponte, em 1789.

Em 1791 compõe as duas últimas óperas (A

Clemência de Tito e A Flauta Mágica). Na Primavera

desse ano recebe a encomenda de um Requiem

(K.626). Contudo morre a 5 de Dezembro de 1791,

deixando a obra inacabada. É enterrado numa vala

comum de Viena.

Intérpretes Ana Barros, Andresa Soares, António

Durães, Carla Simões, Fernando Guimarães, Joana

Manuel, João Merino, José Corvelo, Pedro Pernas,

Rui Massena (Piano), Carlos Piçarra Alves

(Clarinete) e Bruno Martins (Contrabaixo)

Adaptação e direcção musical Rui Massena

Dramaturgia Nuno M Cardoso

Coordenação de projecto João Henriques

Cenografia João Mendes Ribeiro

Figurinos Frederica Nascimento

Desenho de luz Nuno Meira

Desenho de som Francisco Leal

Música electrónica ambiental Miguel Pereira

Língua italiano (legendado em português)

Duração aproximada 1h20

TEATRO S.LUIZ

SALA PRINCIPAL

(LISBOA)

21h00 Sábado 8

21h00 Domingo 9

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TEATRO DE PAPEL | CONVIDADO DE PEDRA

A PARTIR DE O ENGANADOR DE SEVILHA, DE TIRSO DE MOLINA | TEATRO DE MARIONETAS

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O TEATRO MUNICIPAL DE S. LUIZ

TEATRO NACIONAL DE S. JOÃO

TEATRO DE FORMAS ANIMADAS DE VILA DO CONDE

ENCENAÇÃO DE MARCELO LAFONTANA

PORTO

D. João, inveterado sedutor, conquista as

mulheres, faz amor com elas e abandona-as logo

após. Mulheres, sempre mulheres, num apetite

insaciável de enganador-coleccionador. Plebeias e

nobres. Uma destas descobre o logro (D. João faz-

-se passar pelo seu apaixonado primo). O pai

acorre para vingar a honra perdida da filha. D.

João, tão exímio na arte do duelo como na da

conquista, mata o pai da seduzida. Um dia, a

estátua de pedra que encima o sepulcro do

nobre senhor anima-se... É o fantasma, o

revenant, o pai da donzela que vem do outro

mundo, pela vingança, buscar o sedutor e o vai

arrastar para o inferno como anunciam, à

maneira dos coros trágicos, os músicos da companhia:

“E que o devedor não pense / que Deus

castigo não traga; / o prazo sempre se vence / e a

conta sempre se paga”.

Tirso de Molina

Tirso de Molina nasceu em Madrid, em

1579. Foi discípulo de Lope de Vega, que conheceu

como estudante em Alcalá de Henares. Foi ordenado

sacerdote em 1606, em Toledo, onde estudou

Artes e Teologia e começou a escrever.

Em 1612, vendeu um lote de três comédias, e

crê-se que já tinha escrito uma primeira versão de

El vergonzoso en Palacio. Já então tratava temas

religiosos, e as suas sátiras e comédias já lhe

tinham trazido problemas com as autoridades

eclesiásticas.

Em 1625, a Junta de Reformación, criada

pelo Conde-Duque de Olivares, primeiro-ministro

do rei Felipe IV de Espanha, castiga-o com a

reclusão no mosteiro de Cuenca, por escrever

comédias profanas “e de maus incentivos e exemplos”,

e pede o seu desterro e excomunhão em

caso de reincidência.

Mas Tirso de Molina continuou a escrever

e não se tomaram acções contra ele, apesar das

medidas moralizadoras do Conde-Duque. Entre

1632 e 1639 esteve na Catalunha, onde foi

nomeado definidor geral e cronista da sua Ordem;

neste último cargo, cria a Historia general de la

Orden de la Merced.

Morreu em Almazán em 1648. Apesar de

apenas terem chegado aos nossos dias cerca de

sessenta peças dramáticas suas (segundo o seu

próprio testemunho teria escrito trezentas ou

quatrocentas peças), foi um dos dramaturgos

mais prolíficos do Siglo de Oro.

Intérpretes Victor Madureira, Andreia Gomes,

Marcelo Lafontana

Tradução José Coutinhas

Dramaturgia e adaptação José Coutinhas,

Marcelo Lafontana

Cenografia, marionetas e adereços Luís da

Silva

Música original Eduardo Patriarca

Desenho de luz Rui Damas

Língua português

Duração 1h50

TEATRO MUNICIPAL DE S. LUIZ

JARDIM DE INVERNO

(LISBOA)

23h00 Sábado 8

23h00 Domingo 9


ESTA NOITE, ARSÉNICO!

DE CARLO TERRON |TEATRO

COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA

ENCENAÇÃO DE MARIO MATTIA GIORGETTI

ALMADA

Um casal aparentemente feliz, Bice e

Lorenzo, vive num inferno strindbergiano. Ela é

uma mulher frontal, viciada no trabalho, ninfomaníaca,

que dirige uma agência funerária,

enquanto que ele é um intelectual, um rato de

biblioteca introspectivo, sexualmente impotente

devido aos ataques da sua esposa.

Trata-se de duas personagens simbólicas,

vivendo no limite, mas nem por isso completamente

estranhas ao nosso Mundo. Durante os

períodos de ócio, estabelecem o pacto de entrar

num jogo que lhes permita recuperar o erotismo

e a paixão extinta. Durante este duelo, algumas

verdades cruéis vêm ao de cima, assim como

alguns desejos inconfessáveis, fatias violentas de

vida, reprimida e negada, escondida nas profundezas

dos dias que correm.

Carlo Terron

Itália tem em Carlo Terron (Verona, 1910 -

Milão, 1991) o seu Anouilh do pós-guerra, e o

seu comediógrafo mais actual e vital, depois de

Ugo Betti e Eduardo De Filippo, entre os pós-

-pirandellianos.

Da tragédia ao vaudeville, Terron percorreu

todo o itinerário dos géneros teatrais. Deitou

abaixo falsas fortalezas, com a arma de dois

gumes da ironia, alcançando um grande relevo

na evolução do teatro italiano existencialista. A

consciência de um pessimismo subliminar é

constante, e confere espessura dramática, quiçá

alusiva, a muitas das suas piadas. E todas as suas

personagens a este fundo de conformação pessimista

opõem a substância da própria força

dramática, traduzindo-a num diálogo pleno de

ritmo e, muitas vezes, vibrante de divertimento

malicioso.

GIORGIO PULLINI

Mario Mattia Giorgetti

Mario Mattia Giorgetti, encenador, actor, e

director da revista Sipario, diplomou-se em 1961 no

Piccolo Teatro di Milano, onde trabalhou com Giorgio

Strehler. Encenou mais de sessenta peças de, entre

outros, Beckett, Ionesco, Camus, Osborne, Albee,

Arrabal e Molière, tendo dirigido duas produções na

Broadway. Foi director durante quatro anos do Teatro

Olimpico di Vicenza. Entre 1981 e 1984 foi director

artístico do Festival de Taormina, do Festival dos

Confrontos Internacionais do Espectáculo de

Kamarina, do Festival das Ilhas Eólias, e do Milano-

-New York Festival. Dirigiu durante dois anos o Teatro

dell’Arte de Milão, e durante quatro anos o Teatro

Litta, também dessa cidade.

Intépretes Alberto Quaresma e Teresa Gafeira

Tradução José Colaço Barreiros

Cenário Tiziana Gagliardi

Assistência de encenação Sebastiana Fadda

Luz José Carlos Nascimento

Língua português

Duração 1h20

TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA

RUA CONDE FERREIRA

(ALMADA)

21h30 Segunda 10

19h00 Terça 11

19h00 Quarta 12

CRIAÇÃO NO FESTIVAL

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QUANDO DEUS QUIS UM FILHO

DE ARNOLD WESKER | TEATRO

ENSEMBLE – SOCIEDADE DE ACTORES

ENCENAÇÃO DE CARLOS PIMENTA

PORTO

Joshua, professor de semântica, é judeu.

Martha é gentia e anti-semita. Foram casados

mas separaram-se. Connie, a filha deles, tenta

ser comediante, mas como o seu humor é

sofisticado não tem tido muito sucesso.

Regressa a casa em busca de consolo, esperando

compreender o seu desordenado e confuso passado.

Joshua regressa para convencer a ex-mulher a

investir na sua máquina detectora da verdade

através das inflecções da voz . Martha tenta mas

não consegue gostar dele nem respeitá-lo.

Arnold Wesker

Arnold Wesker, nascido em Londres em

1932, é considerado um dos mais importantes

autores do século XX, tendo escrito 42 peças de

teatro, quatro volumes de contos e dois volumes

de ensaios. As suas peças encontram-se traduzidas

em 17 línguas e foram representadas em

diversos países. No ano de 2002 Arnold Wesker

celebrou o seu septuagésimo aniversário e os

quarenta e cinco anos de carreira literária, tendo

sido armado cavaleiro em 2006.

Acerca de Quando Deus Quis um Filho, o

Sunday Times escreveu: “A escrita de Wesker é

fogosa e cheia de energia, conduzindo a sensações

de verdadeiras paixão e piedade”. O The

Guardian referiu-se à peça da seguinte forma: “As

ideias de Wesker são intrigantes. A peça tem uma

vitalidade intelectual genuína, que agarra a

atenção do público e demonstra a inquestionável

energia dramática de Wesker”.

Intérpretes Alexandra Gabriel, Emília Silvestre,

Jorge Pinto

Tradução Constança Carvalho Homem

Cenografia João Mendes Ribeiro

deo Alexandre Azinheira

Desenho de luz José Álvaro Correia

Figurinos Bernardo Monteiro

Língua português

Duração 1h30

FÓRUM ROMEU CORREIA

AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

(ALMADA)

19h00 Terça 11


D. JOÃO

DE MOLIÈRE | TEATRO

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O TEATRO MUNICIPAL DE S. LUIZ

TEATRO NACIONAL DE S. JOÃO

ENCENAÇÃO DE RICARDO PAIS

PORTO

Os cinco actos em prosa do Dom Juan

foram representados pela primeira vez em Paris,

em 15 de Fevereiro de 1665. Quando estava mais

acesa a polémica contra O Tartufo, Molière

escolheu um tema de êxito seguro, provavelmente

para evitar mais escândalos. Realmente, a

anterior versão da personagem criada em

Espanha por Tirso de Molina (El Burlador de

Sevilla) nunca tinha levantado os mínimos

protestos por parte dos “conservadores”, tanto

espanhóis como franceses.

Mas não aconteceu o mesmo a Molière,

talvez porque os “devotos” seus inimigos, sentiam

que ele manifestava pouco do “furor santo” que

devia demonstrar frente a esse herói libertino,

que, pelo contrário, estava nimbado de uma certa

simpatia compreensiva. O facto é que os ataques

e as polémicas suscitadas por O Tartufo se reacenderam

contra Dom Juan. Depois de apenas

quinze representações, a companhia retirou Dom

Juan de cartaz. A obra só voltará às cenas

parisienses em 1847 e, desde aí, o número de

representações mal ultrapassou as 150.

Jean-Baptiste Poquelin

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido

como Molière (baptizado em Paris a 15 de Janeiro

de 1622 - 17 de Fevereiro de 1673), para além de

ter sido actor, encenador e director de uma companhia,

é considerado um dos mestres da comédia

satírica. Teve um papel de absoluta importância na

dramaturgia francesa, até então muito dependente

da temática da mitologia grega. Usou as suas obras

para criticar os costumes da época, criando o lema

castigat ridendo mores. É considerado o fundador,

indirecto, da Comédie-Française. Dele, disse

Boileau: “No saco ridículo onde se envolve Scapin,

não reconheço mais o autor de O Misantropo”.

Como encenador, ficou também conhecido pelo

seu rigor e meticulosidade.

Intérpretes António Durães, Hugo Torres, Joana

Manuel, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo

Silva, Lígia Jorge, Marta Freitas, Paulo Freixinho,

Pedro Almendra e Pedro Pernas, com a participação

especial do clarinetista Carlos Piçarra

Alves (por especial deferência da Orquestra

Nacional do Porto)

Tradução Nuno Júdice

Cenografia João Mendes Ribeiro

Figurinos Bernardo Monteiro

Desenho de som Francisco Leal

Desenho de luz Nuno Meira

Desenho de lutas Miguel Andrade Gomes

Improvisações musicais de Carlos Piçarra

Alves, sobre temas de Vítor Rua, Maurice Ravel e

Rahul Dev Burman

Preparação vocal e elocução João Henriques

Coordenação de movimento David Santos

1º assistente de encenação David Santos

2º assistente de encenação João Castro

A banda sonora do espectáculo inclui temas

tratados a partir dos originais:

Nodir Pare Utthchhe Dhnoa, de Rahul Dev

Burman

Dhanno Ki Aankhon, de Rahul Dev Burman

Interpretação musical Kronos Quartet

Língua português

Duração 1h50

TEATRO MUNICIPAL DE S.LUIZ

SALA PRINCIPAL

(LISBOA)

21h00 Quarta 12

21h00 Quinta 13

21h00 Sexta 14

21h00 Sábado 15

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MÃOS MORTAS

DE HOWARD BARKER | TEATRO

AS BOAS RAPARIGAS

ENCENAÇÃO DE ROGÉRIO DE CARVALHO

PORTO

Um jovem tem conhecimento de que o seu

pai está a morrer. Conduz furiosamente para o ver

ainda vivo mas já não chega a tempo. A amante

do pai mostra-lhe o quarto onde está o corpo e

deixa-o entregue à sua dor. Mais tarde aparece

o seu jovem irmão. Tinha estado presente no

momento da morte mas a sua atitude é

estranhamente ambígua. Parece relutante em se

comprometer com o seu irmão mais velho,

que imediatamente suspeita de que ele tenha

conhecimento de um segredo culpabilizante.

Até que ponto é que o homem morto

planeia os seus encontros? São as acções e pensamentos

dos presentes parte de um esquema

elaborado por ele? E quais são as intenções da

amante perante os filhos?

Howard Barker

As peças de Howard Barker (n. 1946) são

construídas na premissa de que o teatro é uma

necessidade na sociedade, um lugar para a

imaginação e reflexão moral livre das exigências

do realismo ou de qualquer ideologia. Barker

descreve o seu trabalho com a expressão Teatro da

Catástrofe. No trabalho de Barker nenhuma tentativa

é feita para satisfazer qualquer exigência

da clareza ou da simplicidade ilusória de uma só

mensagem; cada representação é como um

desafio público no qual actores e espectadores

são inspirados a encontrar o significado e a

ressonância de um grande número de interpretações.

Especialmente no continente europeu,

Barker é considerado um dos maiores escritores do

teatro moderno. Nos últimos três anos, vinte e

sete dos seus trabalhos foram representados em

seis línguas, em países tão diversos como o

Canadá, Nova Zelândia e Eslovénia.

Intérpretes Maria do Céu Ribeiro, Miguel Eloy e

Wagner Borges

Tradução Pedro Cavaleiro

Assistência de encenação Carla Miranda

Dramaturgia Rogério de Carvalho e Carla

Miranda

Desenho de luz Jorge Ribeiro

Sonoplastia Luís Aly

Figurinos Ana Luena

Maquilhagem Patrícia Lima

Arranjo cenográfico e adereços Cláudia

Armanda

Produção executiva Carla Moreira

Confecção de figurinos Sr. Saldanha e Ana

Maria Fernandes

Arranjo de figurino Maria Fernanda Barros

Montagem e operação de luz Hugo Amaral

Montagem e operação de som Luís Aly

Construção e montagem de cenário Manuel

Pereira

Construção de adereços Teatro de Ferro

Língua português

Duração 1h35

FÓRUM ROMEU CORREIA

AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

(ALMADA)

19h00 Quinta 13


LEITURA ENCENADA DE FREI LUÍS DE SOUSA

DE ALMEIDA GARRETT

EM CO-APRESENTAÇÃO COM O TEATRO

MUNICIPAL DE SÃO LUIZ

TEATRO NACIONAL DE S. JOÃO

DIRECÇÃO CÉNICA DE RICARDO PAIS

PORTO

Em 1999, no contexto do ciclo Exaltação,

Simplificação e Louvor Lírico de Três Grandes

Autores, promovemos uma leitura encenada de

Frei Luís de Sousa em homenagem a Almeida

Garrett, o re-fundador do Teatro Português,

poeta, dramaturgo e homem público.

Essas quatro récitas, no horário da tarde,

praticamente só para alunos do ensino

secundário, confirmaram a minha ideia de que

este texto – que encenei em Lisboa em 1978 e que

José Wallenstein aqui encenou em 2001 – funciona

bem melhor quando o ouvimos ler.

A versão de 1999 foi acompanhada por um

programa informal onde coligimos alguns textos

que continham algumas das mais evidentes

informações sobre Garrett e Frei Luís de Sousa,

bem como a sua relação com o teatro português,

plasmada em alguns documentos fundadores da

sua obstinada e programática batalha por uma

regeneração da arte dramática, assente na criação

de um repertório nacional e, fundamentalmente,

na intransigência da defesa da língua portuguesa.

Na primeira metade do século XIX, Almeida

Garrett sublinhava, em forma de lei, a evidência

de que um Teatro Nacional também se deveria

constituir numa espécie de reserva ecológica da

língua. Inquietações que também partilhamos,

consagradas na Lei Orgânica que nos rege desde

1995, e revistas e ampliadas numa proposta

enviada à tutela, no âmbito da reforma administrativa

em curso, que visa transformar o TNSJ

numa Entidade Pública Empresarial.

RICARDO PAIS

Leitores Hugo Torres Miranda, Jorge Mota, José

Eduardo Silva, Lígia Roque, Marta Santos, Paulo

Freixinho, Pedro Almendra Manuel e Bernardo

Sassetti ao piano

Música Bernardo Sassetti

Dispositivo cénico João Mendes Ribeiro

Figurinos Bernardo Monteiro

Luz Nuno Meira

Som Francisco Leal

Preparação vocal e elocução João Henriques

Língua português

Duração aproximada 1h40

TEATRO MUNICIPAL DE SÃO LUIZ

SALA PRINCIPAL

(LISBOA)

17h30 Sábado 15

17h30 Domingo 16

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TODOS OS QUE CAEM

DE SAMUEL BECKETT | TEATRO

A COMUNA – TEATRO DE PESQUISA

ENCENAÇÃO DE JOÃO MOTA

LISBOA

Em 1956, na sequência do impacto produzido

pelas sucessivas estreias, em diferentes palcos

Mundo fora, de À Espera de Godot, Beckett recebe

um convite da BBC para escrever uma peça para

rádio. Daí resultará All That Fall/Todos os que

Caem (Setembro de 1956, data de escrita), a sua

primeira peça radiofónica e a mais extensa de

todas as que viria ainda a escrever para este meio

de comunicação, que assinala uma estreia dramatúrgica

em língua inglesa; uma vez que tanto a

enjeitada Eleutheria (sua primeira peça não

incluída no seu teatro completo, e conhecendo

apenas edição póstuma em 1995) como En

Attendant Godot e Fin de Partie, os seus três textos

dramáticos inaugurais para palco, possuem

uma versão originária em francês. Todos os que

Caem, a mais irlandesa das suas obras teatrais,

que permite ao autor revisitar ficcionalmente

lugares e personagens da sua infância em

Foxrock, teria ainda a particularidade de ser a

segunda peça de Beckett, depois de Godot, a ter

uma realização pública, uma vez que é transmitida

pela rádio britânica em 13 de Janeiro de 1957.

Samuel Beckett

Samuel Beckett nasceu em 1906 em

Foxrock, perto de Dublin. De família burguesa e

protestante, estudou francês e italiano no Trinity

College de Dublin, foi professor em Paris,

conheceu James Joyce, regressou à Irlanda em

1931, passou por Londres e pela Alemanha, voltou

a Paris quando rebentou a guerra e fez parte da

Resistência. É no pós-guerra que vive o período

mais intenso da sua produção literária, com a

escrita em francês e entre outros textos, da peça

À Espera de Godot, de uma trilogia de romances e

de quatro novelas (entre as quais Primeiro Amor).

Depois começa a traduzir os seus textos para

inglês e volta a escrever também nesta língua.

Constrói uma obra dupla, bilingue, cada vez mais

depurada. Recebe o Nobel em 1969, distribuindo

o dinheiro pelos amigos. Morre em Paris em 1989.

Celebra-se este ano o centenário do seu nascimento.

Intérpretes (ordem de entrada em cena) Maria

do Céu Guerra (cedida por “A Barraca”), Miguel

Sermão, Hugo Franco, Álvaro Correia, João

Tempera, Victor Soares, Ana Lucia Palminha, Sara

Cipriano, Alexandre Lopes e Carlos Paulo

Locução Luis Filipe Costa

Tradução Carlos Machado Acabado

Ambiente sonoro José Pedro Caiado e Hugo

Franco

Desenho de luz João Mota

Figurinos Carlos Paulo

Guarda-roupa Mestra Fátima Ruela

Feitura do fato de Mrs Rooney Cecília Sousa

Cartaz ROTA2

Fotografia Pedro Soares

Gabinete de produção Rosário Silva e Carlos

Bernardo

Operador de luz/som Alfredo Platas

Técnicos Alfredo Platas, Renato Godinho e Mário

Correia

Assistência geral Cremilde Paulo, Madalena

Rocha, Leonor Gama, Eduardina Sousa e

Assunção.

Língua português

Duração 1h20

TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA

RUA CONDE FERREIRA

(ALMADA)

16h00 Domingo 16

19h00 Segunda 17


ACTOS COMPLEMENTARES


ACTOS COMPLEMENTARES

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EXPOSIÇÕES

AFRICÂNIA

JOSÉ DE GUIMARÃES

EM COLABORAÇÃO COM A CASA DA CERCA - CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA

José de Guimarães, um dos mais prestigiados nomes das artes plásticas portuguesas, é o autor do

cartaz deste ano do Festival de Almada. Assinalando o acontecimento, e à semelhança do que tem sido

habitual nas edições anteriores, a Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea organiza, em colaboração

com o Festival de Almada, uma exposição deste artista, que ele intitulou Africânia.

A exposição tem como referencial paradigmático a universalidade mágica que José de Guimarães

apreende como alusão lúdica. Na expressão miscigenada dos seus trabalhos a noção etnográfica de uma

clara ascendência africana intrinca-se com preposições de cariz europeu, em geral, e com a influência

de raízes populares portuguesas em particular. A par com as obras do autor serão também expostas seis

peças de Arte Africana, que no conjunto da exposição recolhem, ecoam e ampliam as ressonâncias

encantatórias que habitualmente se vislumbram nas obras deste autor.

José de Guimarães

José de Guimarães nasceu em Guimarães a 25 de Novembro de 1939. Em 1957 ingressou na

Academia Militar, completando depois a licenciatura em Engenharia na Universidade de Lisboa, em 1965.

Nos últimos anos da década de 50 obtém bases técnicas, através de lições de pintura com Teresa de

Sousa, de desenho com Gil Teixeira Lopes e ainda de gravura na Sociedade Cooperativa de Gravadores

Portugueses. Nos primeiros anos da década de sessenta dá início à criação do seu próprio código

imagético, auxiliado por viagens pelos principais centros estéticos da Europa. Entre 1967 e 1974, permanece

em Angola, em comissão de serviço militar, onde é influenciado pela cultura e etnografias

africanas. Participa em diversas manifestações culturais polémicas e, em 1968, publica o manifesto Arte

Perturbadora. Durante esse período, interessa-se cada vez mais pelas artes plásticas, o que o faz participar

em várias exposições de arte moderna, obtendo o Prémio de Gravura da Universidade de Luanda.

Em 1967 inscreve-se no curso de Arquitectura da ESBAL e em 1968 volta a ganhar o 1º. Prémio de

Gravura no salão de Arte Moderna da Cidade de Luanda. Torna-se um estudioso da etnografia africana,

sintetizando-a com a cultura europeia, o que conduz à criação de um ‘alfabeto’ autónomo, codificado,

para o qual muito contribui o vocabulário misterioso, necessariamente codificado, do homem africano.

José de Guimarães é um dos artistas mais premiados do País e com maior visibilidade internacional. A

sua obra está representada em colecções públicas e museus em todo o Mundo.

CASA DA CERCA - CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA (ALMADA)

De 22 de Junho a 27 de Setembro


EXPOSIÇÕES

PEDRO CALAPEZ: ALGUNS ESTUDOS E DESENHOS

PEDRO CALAPEZ

A exposição que agora se apresenta para a inauguração da galeria de exposições do novo Teatro

Municipal de Almada tem como ponto de partida alguns dos estudos que o pintor Pedro Calapez realizou

no âmbito da concepção da cortina de cena deste novo teatro. Uma selecção desses projectos

digitais materializados em impressões de alta qualidade demonstram as diferentes aproximações que o

artista experimentou até decidir, em colaboração com os arquitectos Manuel Graça Dias e Egas José

Vieira, qual o eleito para ser ampliado. Igualmente se mostram alguns desenhos a pastel de óleo sobre

papel, realizados posteriormente à execução da cortina, e que revelam como esses primeiros estudos se

incluem na produção plástica do pintor. Achou-se igualmente interessante revelar aos visitantes alguns

testes de cor à escala natural, permitindo assim a visualização do desenho da cortina a uma distância

que normalmente não lhes é acessível.

Pedro Calapez

Pedro Calapez nasceu em Lisboa (1953), onde vive e trabalha. Tendo iniciado estudos de engenharia

civil, transferiu-se para a Escola de Belas Artes de Lisboa em 1976, depois de ter frequentado o Curso de

Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas Artes. Enquanto frequentou Belas Artes trabalhou

como fotógrafo profissional até lhe ser possível dedicar-se de um modo intensivo à pintura (a partir de

1985). Entre 1986 e 1998 foi professor no Ar.Co, Lisboa, tendo sido responsável pelos departamentos de

desenho e de pintura. Começou a participar em exposições ainda nos anos 70, tendo realizado a sua

primeira exposição individual em 1982. Desde aí tem exposto individualmente tanto em Portugal

(Fundação Gulbenkian, Museu do Chiado, Galeria Presença, no Porto, etc.) como no estrangeiro (Roma,

Paris, Cáceres, Witten e Valência). Colectivamente, esteve representado nas Bienais de Veneza (1986) e S.

Paulo (1987 e 1991).

Realizou igualmente cenografias para espectáculos, assim como executou diversas obras públicas,

tendo projectado uma praça para a Expo ‘98 e um painel cerâmico para o Metropolitano de Lisboa. Está

representado em diversas colecções públicas e privadas.

Pedro Calapez é também o criador do painel Nove cenas para um teatro (2005), que realizou

expressamente para o foyer do Teatro Municipal de Almada.

Recebeu, entre outros, o prémio União Latina em 1990, o Prémio de Desenho da Fundació Pilar i

Joan Miró, de Mallorca, em 1995 e o Prémio “Ciutat de Palma”, Palma de Mallorca, em 1999. No ano

passado foi o primeiro estrangeiro a receber o Prémio Nacional de Arte Gráfica, em Espanha, e este ano

recebeu o Prémio da Associação Nacional de Críticos de Arte.

GALERIA DO NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA (ALMADA)

De 1 a 31 de Julho e de 1 de Setembro a 15 de Outubro

ACTOS COMPLEMENTARES

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ACTOS COMPLEMENTARES

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EXPOSIÇÕES

ANTÓNIO LAGARTO: OLHARES CENOGRÁFICOS

ANTÓNIO LAGARTO

De António Lagarto, um dos mais conceituados cenógrafos portugueses, o Festival de Almada apresenta

um conjunto de cenografias e figurinos de diferentes espectáculos de teatro, dança, ballet e ópera, realizados

em Portugal e no estrangeiro, ao longo de uma carreira de 27 anos.

Dos seus últimos trabalhos destacam-se Medeia, de Eurípides e A Mais Velha Profissão, (ambos encenados

por Fernanda Lapa), no Teatro Nacional D. Maria II. Este último foi distinguido com o Globo de Ouro 2005,

para Melhor Espectáculo. A propósito do espaço cénico, por si criado, da Castro de António Ferreira, encenação

de Ricardo Pais, no T.N.S. João (2003), Alexandre Alves Costa (arquitecto) afirmou: “...paisagens que já são a

tragédia em si...”.

António Lagarto

Cenógrafo, figurinista e artista plástico. É Licenciado em escultura pela St. Martin’s School of Art, frequentou

a Faculdade de Arquitectura de Lisboa e é Mestre em Environmental Media pelo Royal College of

Art de Londres.

Foi Director Artístico do Teatro Nacional D. Maria II (2004 e 2005) e subdirector, de 1989 a 1993. Foi

director do Festival Internacional de Teatro – FIT (Lisboa), de 1990 a 1995.

Os seus trabalhos têm abrangido as áreas de fotografia, filme, design gráfico, ilustração e arquitectura

de interior. Colaborou com o arquitecto inglês Nigel Coates em diversos projectos, entre 1975 e 1981.

O seu trabalho tem sido apresentado nos Teatros Nacionais (S. Carlos, D. Maria II e S. João), no Ballet

Gulbenkian, no Centro Cultural de Belém, no Sadler’s Wells, no Traverse Theatre (Edimburgo), na Ópera de

Turim, no Teatro Maria Guerrero (Madrid) e no SESC em São Paulo, entre outros.

Para a Ópera de Paris – Palais Garnier e Bastille, criou os cenários de A Viúva Alegre, de Franz Léhar, encenação

de Jorge Lavelli, transmitida pelo canal Arte. Trabalhou para encenações de Ricardo Pais, Jorge Lavelli,

Alain Ollivier, Maria Emília Correia, Nuno Carinhas, Cornélia Géiser, João Grosso, Fernanda Lapa, Carlos

Pimenta, e Cândida Vieira e para coreografias de Robert Cohan, Vasco Wellenkamp, Olga Roriz, Ted Brandson,

Paulo Ribeiro, John Cranko e Georges Garcia.

Recebeu vários prémios, de entre os quais se destacam o Prémio da Associação Portuguesa de Críticos

de Teatro (1987), e os Prémios Garrett 87 e 89. Da sua programação 2005, no T. N. D. Maria II, foram ainda

distinguidos com os outros 2 Globos de Ouro, para Teatro: Luísa Cruz (Melhor Actriz) e João Grosso (Melhor Actor).

Participou em exposições no Museu de Serralves, no CCB, na Galeria Luís Serpa, nas ExperimentaDesign

2005 e 1999, na Alternativa Zero (1977) e galerias em Londres, Nova Iorque, Florença e Milão - Portugal

1990/2004, Arquitectura e Design (na galeria da Triennale).

AGRADECIMENTOS AO TEATRO NACIONAL DE S. JOÃO | MUSEU DE SERRALVES | INSTITUTO DAS

ARTES

SALA POLIVALENTE DA ESCOLA D.ANTÓNIO DA COSTA (ALMADA)

De 4 a 18 de Julho


EXPOSIÇÕES

OBSERVATÓRIO DAS ACTIVIDADES CULTURAIS OAC -

EXPOSIÇÃO DOCUMENTAL

EXPOSIÇÃO COMISSARIADA POR FERNANDO FILIPE

O Observatório das Actividades Culturais, criado em Setembro de 1996, celebra este ano dez

anos de existência. Reconhecendo o importante papel desempenhado por esta instituição no decurso da

última década, e de modo a chamar a atenção para a imprescindibilidade de uma actividade de

pesquisa e estudo sobre os fenómenos artísticos, o Festival de Almada escolheu o OAC como alvo da

habitual homenagem que todos os anos promove a figuras ou entidades de relevo no meio teatral. A

exposição sobre o Observatório inclui informações e documentos que permitirão ao público um maior

conhecimento da acção desenvolvida por esta associação.

O Observatório das Actividades Culturais é uma associação sem fins lucrativos e tem como fundadores

o Ministério da Cultura, o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e o Instituto

Nacional de Estatística. Tem como Presidente a Professora Doutora Maria de Lurdes Lima dos Santos,

investigadora coordenadora do ISC – UL. A comissão integra os Professores Doutores António Firmino

da Costa (ISCTE), José Machado Pais (ICS – UL) e José Madureira Pinto (FEUP).

Os vogais do Conselho Directivo são os Drs. António Berbeira Moniz (MC), António Martinho Novo (ICS –

UL), José Farrajota Leal (INE), Leonor Pereira (NE) e, pelo Observatório, Rui Telmo Gomes e José Soares Neves.

ESCOLA D.ANTÓNIO DA COSTA (ALMADA)

De 4 a 18 de Julho.

ALGUMAS DE ENTRE NÓS

EXPOSIÇÃO ORGANIZADA EM COLABORAÇÃO COM O LE MONDE DIPLOMATIQUE

Algumas de entre nós é o título da exposição e também o nome de um colectivo de mulheres da

Maison des Tilleuls, em Blanc-Mesnil (Seine Saint-Denis).

O colectivo é constituído por um grupo de mulheres de diversas nacionalidades de origem, que

desenvolvem em conjunto uma reflexão sobre o seu lugar na sociedade, enquanto mulheres. Como se

pode hoje viver com uma dupla nacionalidade? Como cruzar os itinerários da vida? Como ser mais fortes

face à injustiça e à discriminação?

A exposição nasceu do desejo de criar colectivamente um verdadeiro diálogo com mulheres do

Afeganistão, da Palestina e do Líbano, com o objectivo de desconstruir as imagens e os estereótipos que

os media nos devolvem, e de encontrar o que nos torna, em qualquer lado em que vivamos, semelhantes.

A pergunta é: “como ser daqui e doutro sítio?”.

A exposição constitui o complemento do debate Ser daqui e doutro lado – Subúrbios em França e

Portugal, organizado este ano no âmbito dos Encontros da Cerca.

FOYER DO TEATRO MUNICIPAL DA RUA CONDE DE FERREIRA (ALMADA)

De 5 a 18 de Julho

ACTOS COMPLEMENTARES

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ACTOS COMPLEMENTARES

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EXPOSIÇÕES

BECKETT: SEM ANOS

EXPOSIÇÃO ORGANIZADA EM COLABORAÇÃO COM A REVISTA DE TEATRO ITALIANA SIPARIO E COM A

FONDAZIONE DI TEATRO ITALIANO - CARLO TERRON

Rinasce Beckett foi o título da exposição organizada pela revista de teatro Sipario, em Itália, a

propósito do centenário de Beckett, e que o Festival de Almada traz a Portugal, com a colaboração da

Fondazione di Teatro Italiano – Carlo Terron.

A obra de Beckett, nascido em Dublin em 1906, é geralmente considerada como uma das mais

importantes do século XX e a sua influência sobre o teatro em todo o Mundo não tem deixado de crescer,

desde a sua morte, em 1989.

Tanto a obra teatral como a romanesca testemunham, em Beckett, a mesma visão essencial, a nudez

da linguagem, ou mais exactamente, da palavra, que descreve com crueza a condição humana. É esta

visão que dá aos seus textos, ao mesmo tempo, a sua verdade universal e um despojamento quase

abstracto. A sua temática é aparentemente sempre a mesma, aparentemente sempre repetitiva: o tempo

humano, a espera, o quotidiano, a solidão, a alienação, a morte, a não comunicação, a vagabundagem,

o fracasso ou — às vezes — a esperança, a recordação, o desejo.

As personagens de Beckett não têm história, nem passado, nem psicologia. São, sobretudo, vozes:

vozes de toda a gente, voz do homem, dos homens, de todos os homens.

FOYER DO NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA (ALMADA)

De 5 a 18 de Julho


EXPOSIÇÕES

IBSEN: EXPOSIÇÃO TEMÁTICA

EXPOSIÇÃO ORGANIZADA EM COLABORAÇÃO COM OS ARTISTAS UNIDOS

E COM O APOIO DA REAL EMBAIXADA DA NORUEGA EM LISBOA

A propósito da estreia da peça A Mata, pelos Artistas Unidos, que assinala a estreia em Portugal do

dramaturgo norueguês contemporâneo Jesper Halle, aquela companhia apresenta, em colaboração com a

Embaixada da Noruega e o Festival de Almada, uma exposição constituída por dez posters alusivos ao

teatro de Ibsen, o grande dramaturgo da Noruega, que foi um dos fundadores do teatro moderno.

Henrik Ibsen

Henrik Ibsen (Skien, 1828 - Oslo, 1916), dramaturgo e poeta norueguês, é o principal representante

da literatura escandinava do século XIX, tendo dedicado toda a sua vida ao teatro como director e autor.

Filho de um comerciante arruinado, aos vinte anos já tinha escrito a sua primeira peça. Em 1851 foi

nomeado director do Teatro Nacional de Bergen e adquiriu uma grande familiaridade com a vida teatral.

A sua obra conheceu bruscos altos e baixos de êxito e fracasso e, no final da sua vida, Ibsen alcançou a

glória e o reconhecimento dos seus contemporâneos.

dois temas constantes no teatro de Ibsen: a vocação individual e o combate sem tréguas de

forças opostas para formar o destino do homem. A sua forte personalidade manifesta-se em dramas

históricos baseados em lendas vikings (O Túmulo do Guerreiro), obras de tema clássico (Imperador e

Galileu), teatro social (Um Inimigo do Povo) e simbólico (Bygmester Solness), dramas psico-ideológicos

(Casa de Bonecas, O Pato Selvagem, Espectros) e temas fantásticos (Peer Gynt).

FOYER DO NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA (ALMADA)

De 5 a 18 de Julho

ACTOS COMPLEMENTARES

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ACTOS COMPLEMENTARES

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COLÓQUIOS E DEBATES

ENCONTROS DA CERCA

SER DAQUI E DOUTRO LADO: SUBÚRBIOS EM FRANÇA

E PORTUGAL

ORGANIZADO EM COLABORAÇÃO COM O LE MONDE DIPLOMATIQUE

Os recentes acontecimentos em Paris, que alastraram, de algum modo, à França no seu conjunto,

vieram colocar na primeira linha da atenção da opinião pública as circunstâncias que envolvem a vida

quotidiana nos aglomerados urbanos das periferias das grandes cidades. O desemprego, a exclusão, uma

cultura de guetto que decorre da não-integração nas sociedades das massas migrantes, o próprio sistema

económico regido exclusivamente por valores de mercado, que vê as pessoas como mercadorias —

todos estes factores contribuem para um mal-estar social que de dia para dia se agudiza. As respostas

baseadas na força não resolvem, naturalmente, o problema, cujas raízes são complexas. Em França, como

em Portugal e em toda a Europa, o modelo de desenvolvimento já não consegue esconder as suas feridas.

O Festival de Almada, ao organizar este colóquio em colaboração com o Le Monde Diplomatique,

quer lembrar que o teatro (e, por maioria de razões, aquele que se faz na periferia) não pode alhear-se

desta realidade.

Participantes

Aniceto Machado, sociólogo

Flora Espanca, do Gabinete de Apoio às Comunidades Imigrantes (Ministério da Administração Interna)

Marina da Silva, jornalista

Representante da Associação Moinho da Juventude

Representante do Colectif des Femmes de Tilleuls

CASA DA CERCA – CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA (ALMADA)

Sábado, dia 8 de Julho, pelas 10h30


COLÓQUIOS E DEBATES

ENCONTROS DA CERCA

OUTRO ISLÃO, OUTRO OCIDENTE

ORGANIZADO EM COLABORAÇÃO COM O INSTITUTO INTERNACIONAL DE TEATRO DO MEDITERRÂNEO

Dentro do discurso que tem alimentado as mesas-redondas organizadas pelo IITM em colaboração

com o Festival de Almada, parece-nos que seria importante interrogarmo-nos sobre os possíveis

caminhos de encontro entre o Ocidente e o Islão, no momento em que muitos pensam que a sua confrontação

bélica é o sinal de uma época que ainda vai durar muito tempo. Talvez o problema esteja no

conflito entre duas interpretações diferenciadas do Ocidente e do Islão. Interpretações em boa medida

opostas e que, não obstante, contam com os respectivos percursos e articulados pensamentos.

Mas talvez, uma vez mais, a batalha esteja a ser travada no campo do pensamento entre duas formas

que se enfrentam no interior de cada uma das partes: a que continua pondo ênfase na incompatibilidade

de duas civilizações, e a que perspectiva de um ponto de vista histórico os seus postulados,

para concluir que uma outra história os tornaria distintos.

Participantes

José Monleón, dramaturgo, ensaísta e professor universitário

David Ladra, ensaísta e professor universitário

António Borges Coelho, historiador

Cláudio Torres, arqueólogo

Representante da Comunidade Islâmica Portuguesa

CASA DA CERCA – CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA (ALMADA)

Sábado, dia 15 de Julho, pelas 10h30

JOSÉ MONLEÓN

DIRECTOR DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE TEATRO DO MEDITERRÂNEO

ACTOS COMPLEMENTARES

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ACTOS COMPLEMENTARES

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COLÓQUIOS E DEBATES

ENCONTRO COM BERNARD SOBEL

Bernard Sobel é a imagem de um criador culto, rigoroso e brilhante. É também um grande animador

e um intelectual que pensa e age com uma energia surpreendente. A sua obra está ligada ao

Théâtre de Genevilliers, um Centro Dramático Nacional da maior importância na história do teatro

francês (vide biografia na página 9).

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA (ALMADA)

Sexta, dia 7 de Julho, pelas 19h00

O MÉTODO DE TRABALHO DE ELS JOGLARS,

O PROCESSO DE CRIAÇÃO

Albert Boadella, escritor, dramaturgo, encenador, cenógrafo, actor e professor, fundou em 1961 a

companhia Els Joglars, que continua a dirigir. Estudou no Institut de Teatre de Barcelona e no Centre

Dramatique de l’Est – Théâtre National de Strasbourg. Muitas das suas encenações causaram enormes

polémicas, com processos judiciais, debates políticos e, inclusive, atentados contra a companhia.

Em 1978, por causa do seu espectáculo La Torna, foi acusado de injúrias ao exército e preso: evadiu-se

de forma espectacular e exilou-se em França. Uma parte do grupo foi também encarcerada, após

ter sido julgada em conselho de guerra.

As obras dos Joglars, satíricas, trágicas e cómicas, decorrem da criação de um estilo pessoal, que

consegue um espectacular índice de audiências. A mistura de investigação e popularidade permitiu a

grande implantação social das suas obras em Espanha, garantindo a total independência da companhia.

Boadella tem sido actor, director e guionista de diversas séries de televisão, actor e realizador de

cinema. É autor de diversos livros, o último dos quais, Franco y yo, foi um best-seller em Espanha.

Os seus espectáculos têm sido apresentados na maioria dos países europeus, Estados-Unidos e

América Latina.

A sua obra teatral foi recentemente reunida em dois volumes publicados pelo Institut d’ediciones.

É professor desde 1969 do Institut de Teatre de Barcelona.

Els Joglars é um caso único e inimitável de teatro na Europa. Boadella, um pensador desconcertante

e um humorista impiedoso, é uma das personalidades mais destacadas do teatro espanhol.

TEATRO NACIONAL D. MARIA II (LISBOA)

Domingo, dia 16 de Julho, pelas 16h00


COLÓQUIOS E DEBATES

BECKETT HOJE

Além dos espectáculos programados e da exposição documental, a comemoração do centenário

do nascimento de Beckett integra também um debate sobre a figura e a obra do dramaturgo irlandês.

No debate participam representantes de todas as criações de textos de Beckett no Festival de Almada.

Participantes

Giulia Lazzarini, protagonista de Os Dias Felizes

Francisco Luís Parreira, dramaturgo e tradutor de À Espera de Godot

Machado Acabado, tradutor de Todos os que Caem

Miguel Seabra, encenador de À Espera de Godot

FÓRUM ROMEU CORREIA | SALA PABLO NERUDA (ALMADA)

Quarta, dia 11 de Julho, pelas 18h30

PORTO. TEATRO. 2006

ORGANIZADO EM CONJUNTO COM O TEATRO MUNICIPAL S. LUIZ

A propósito da apresentação do Teatro Nacional de S. João e de mais três companhias do Porto,

o Festival organiza um debate sobre a situação actual do teatro naquela cidade. Na última década a

actividade teatral no Porto registou um grande desenvolvimento. Padrões de qualidade e de modernidade

aproximaram a segunda cidade do País do espaço europeu e colocaram-na na primeira linha da

criação teatral entre nós.

O êxito do trabalho desenvolvido não significa, naturalmente, a inexistência de problemas — sendo

a escassez de apoios, provavelmente, o mais agudo de todos eles.

Participantes

José Luís Ferreira, director do PONTI

Nuno Cardoso, director do Auditório Nacional Carlos Alberto

Ricardo Pais, director do Teatro Nacional de S. João

Representante da Companhia As Boas Raparigas

Representante da Companhia Ensemble - Sociedade de Actores

TEATRO MUNICIPAL S. LUIZ | JARDIM DE INVERNO (LISBOA)

Sexta, dia 14 de Julho, pelas 16h00

ACTOS COMPLEMENTARES

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ACTOS COMPLEMENTARES

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COLÓQUIOS E DEBATES

CONVERSAS NA ESPLANADA

Como habitualmente, realizam-se na Esplanada da Escola D. António da Costa encontros com personalidades

de teatro ligadas ao Festival de Almada.

O TEATRO URBANO

Com Christiane Jatahy

Sábado, dia 8 de Julho, pelas 19h00

O TEATRO DA NARRATIVA ORAL

Com Quico Cadaval

Domingo, dia 9 de Julho, pelas 23h30

CARLO TERRON E O TEATRO ITALIANO*

Com Mario Mattia Giorgetti

Terça, dia 10 de Julho, pelas 19h00

DANÇA E INTERVENÇÃO SOCIAL

Com Tino Fernández

Sábado, dia 15 de Julho, pelas 23h30

DANÇAS TRADICIONAIS EM ÁFRICA

Com o grupo N´Diengoz

Terça, dia 18 de Julho, pelas 19h00

*NOTA: Este colóquio decorrerá no foyer do Teatro Municipal de Almada (Rua Conde Ferreira) logo

após a estreia de Esta Noite, Arsénico!.


COLÓQUIOS E DEBATES

LANÇAMENTO DO Nº17 DA REVISTA DOS ARTISTAS

UNIDOS: OS TEATROS QUE VÊM DA NORUEGA

Na sequência da sua participação no Festival de Almada os Artistas Unidos lançam o número 17

da sua revista, intitulada Teatros que vêm da Noruega, que inclui seis peças de teatro de cinco autores:

Como um Trovão de Niels Fredrik Dahl, A Mata de Jesper Halle, Peça Alter Nativa e Ifigénia de Finn

Iunker, Homem Sem Rumo de Arne Lygre e Frank de Maria Tryti Vennerøds, que será lida pelo elenco dos

Artistas Unidos, com a presença da autora. A revista contém ainda artigos de análise das peças publicadas,

por Therese Bjørneboe e IdaLou Larsen.

Maria Tryti Vennerøds

Maria Tryti Vennerøds nasceu em 1978 e vive na Noruega. A sua peça Frank ganhou o Primeiro

Prémio de Competição Escandinava, no Centésimo Aniversário da Independência da Noruega. Esta peça

foi representada pela primeira vez em 2005 no Norwegian Theatre. Em 2005 recebeu também o Prémio

Ibsen pela peça Dama I Kuka. A maioria das suas peças foram representadas na Noruega. Em 2000,

estreou-se na encenação com o espectáculo Meir, da sua autoria, actividade que repetiu em 2004 com

O Serviço de Harold Pinter no Rock Club Mono de Oslo.

NOVO TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA (ALMADA)

(SALA EXPERIMENTAL)

Quinta, dia 6 de Julho, pelas 16h30

LEITURA DE BREVES TEXTOS PARA A LIBERDADE

DE JOÃO MEIRELES

João Meireles

João Meireles tem o curso do Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral. Elemento do

Teatro Universitário de Évora onde trabalhou com Luís Varela, Fernando Mora Ramos, Manuel Borralho.

Trabalhou depois com Ávila Costa (Cantina Velha), Adolfo Gutkin (Instituto de Formação, Investigação e

Criação Teatral) Aldona Skiba-Lickel, Marina Albuquerque, Carlo Damasco, José António Pires e Camélia

Michel. Com o Pogo Teatro colabora desde 1995 em Complexo Titanic (encenação de Ruy Otero), Sent,

Mainstream, Play Pause e nos vídeos Handicap, Naif, Road Movie e Zap Splat. No cinema participou

em António, Um Rapaz de Lisboa de Jorge Silva Melo e A Drogaria, de Elsa Bruxelas.

TEATRO MUNICIPAL DE ALMADA | RUA CONDE FERREIRA

(SALA VIRGÍLIO MARTINHO)

Sábado, dia 8 de Julho, pelas 16h30

ACTOS COMPLEMENTARES

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