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A mulher através do olhar bilaquiano na

A mulher através do olhar bilaquiano na

amorosamente”, “os

amorosamente”, “os chapéus tufados de rendas e de plumas” e “os sapatinhos lépidos” acabam endeusando e valorizando a beleza externa, enquadrando-a ao cenário urbano das ruas cariocas. Em meio a esses detalhes, as características físicas também são reveladas pelo cronista. Ao admirar os retratos das donzelas espalhados no saguão da Pothográfica Brazileira, ele comenta: Há por aquelas paredes carinhas gordas e ridentes, de queixos redondos, em que se adivinham covinhas aveludadas, sepulturas de beijos, cheias de pó de arroz; faces finas e fidalgas, de olhos dominadores e lábios frios; rostos espertos, cheios de uma frescura de quatorze anos, em que o esplendor fecundo do outono dá uma beleza repousada e firme. Ah! Os retratos também não falam, bem sei! Mas, em dias de chuva, é preciso que os olhos da gente se contentem com o que acham.. i . A mulher da elite carioca de Fantasio é revestida de luxo, bem como é relatado na crônica da oitava edição da revista: E o meio é este: dominar os pais; dominar os maridos; obriga-los à boa compreensão do que vos devem, em amor, em vestidos, em obediência e em jóias; meter-lhes na cabeça a força de persuasão, a idéia de que os homens se fizeram para viver derreados ao peso da canga e as mulheres derreadas ao peso do luxo. Empregai todos os vossos recursos! ii Toda essa imagem da “beleza angelical” citada nas crônicas, aos poucos, se mescla com uma imagem diabólica, em que a figura feminina chega a agredir os olhos de quem a admira como um “bando de demônios trêfegos”, cujo “aroma feminino” entontece e alucina os homens. O cronista, em sua postura masculina, se diz amante das mulheres e complementa: “Ah! quem tivera, senhoras do meu destino, donas do meu passado, do meu presente e do meu futuro! Cem olhos para olhar-vos, cem almas para adorar-vos, cem vidas para servir-vos!” iii Seu olhar é tão centrado na mulher, que ele deixa assuntos importantes ao país para dirigir-se exclusivamente a ela: Quero hoje, senhoras minhas, dedicar toda esta crônica aos vossos interesses, como já ao louvor e à vossa adoração dediquei toda a minha vida – tão pequena (ai de mim) para tão grande amor!... iv Essa adoração não se limita a uma única mulher, mas ela é representada no plural, sejam elas loiras ou morenas, as mulheres são vistas como muitas, comparadas a um “rio da beleza humana”. Outro assunto que enfatiza a mulher na seção “Crônica” é o casamento. Na publicação do vigésimo quinto número da revista, o narrador expõe suas idéias sobre o assunto: Minhas senhoras! vou dizer-vos uma cousa que vos espantará: creio que a única cousa que um homem e uma mulher podem razoavelmente fazer, quando se amam, é casar, sem querer saber do que pensam Michelet e Balsac, - casar como todo o mundo casa, dormindo em um só leito ou em leitos separados, conforme é este ou

aquele costume da terra em que casaram. Filósofos, poetas e romancistas não endireitam o mundo: o mundo é torto, e torto será por toda a eternidade. v Em seqüência, Fantasio aponta o tédio conjugal como a principal causa para as discussões domésticas e o agravante para a união conjugal. Ao findar o texto, o cronista dá crédito ao matrimônio, orientando aos que amam para que se casem: “ Não é verdade, minhas senhoras, que esta é a melhor opinião sobre o casamento?” vi Em outra crônica, na quinta edição da revista, o cronista destaca os três santos mais importantes do mês de junho, entre eles Santo Antonio: “que mete-se entre as onze mil virgens, desde o dia primeiro do mês e, presidindo esse congresso de Puras, começa a deferir os requerimentos que lhe enviam da terra as moças ávidas de casamento”. vii Depois de vários discursos sobre a propagação do casamento, a mulher é destacada no âmbito da infidelidade. Ao noticiar o julgamento de um marido que assassinou a esposa por ela ter cometido um adultério, o cronista afirma que, assim como o júri não poderia condenar o marido, homem traído também não poderia tirar uma vida humana. Para isso, Fantasio justifica: Sem dúvida, o homem que, num momento de cólera, lança mão de um revólver e prostra sem vida a mulher infiel, não está em si: não há pior delírio que o ciúme! Mas... e ela, fraca de inteligência, sem educação moral, sem experiência da vida, sem força de caráter, talvez sem amar o marido, talvez sem nunca o ter amado, - vê um outro homem, ama-o, entrega-se-lhe alucinadamente, e não tem perdão! Oh! não me oporei nunca a que se perdoe uma alucinado de ciúme. Mas, porque não perdoou ele também a alucinada de amor? viii Ainda na mesma crônica ele continua favorável à vítima mencionando que a mulher peca porque tem os seus nervos desequilibrados, a alma leviana, com a sua incompleta compreensão moral: “Que culpa tem ela de que o único homem a quem deveria amar não tenha satisfeito o seu ideal?” ix Ao se lembrar da “honra” do marido, o cronista contesta, contrariando os “deveres do casamento”, as “obrigações sociais” e aos “contratos conjugais” estabelecidos pela sociedade. Segundo ele, “todos os preconceitos do mundo não valem a vida de uma criatura”. x Nesse período, a mulher é vista simplesmente como um “utensílio de casa”, privada de educação e de conhecimento do mundo exterior, tendo como função principal a de amar e de agradar seu marido, exclusivamente. Quando essa figura de esposa é rompida com a realização de um adultério, ela é severamente julgada pelas leis e, sobretudo, por uma sociedade machista. Outra vertente é apontada pelo cronista numa crônica publicada na vigésima quinta edição d`A Cigarra ao comentar o livro de Aluízio Azevedo, que faz referência à sogra. Parodizando versículos bíblicos, o narrador afirma que Deus, ao flagrar a mulher comendo o fruto proibido, deu-

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