UNDERGROUND ROCK REPORT - 1

maxmag

UNDERGROUND ROCK REPORT - 1


2 - UNDERGROUND ROCK REPORT


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stá é a Underground Rock Report,

Eum projeto meu e de Leonardo

Morais, no intuito único de dar vazão a

necessidade que temos de mostrar mais

amplamente o cenário Rock do Brasil e

claro, buscar também incessantemente

material internacional, visando agregar

todas as formas das manifestações culturais

mundiais.

Mas buscamos acima de tudo, levar

ao leitor informações diversas, na mais

ampla visão dessas manifestações, sendo

filmes, livros, shows e principalmente

música. Diante das nossas preferencias,

claro que o cenário da música pesada

será a tônica desta públicação, mas queremos

ampliar os horizontes e levar a

você, leitor, todas as manifestações culturais

possíveis e dentro do aspecto edito-

Apesar de ser uma banda ainda bem

jovem, o trio NERVOSA, especializado

em fazer Thrash Metal bruto e tão

agressivo que nos deixa com os ouvidos

dando sinal de ocupado, galga o sucesso

com unhas e dentes, com vontade de ferro,

e seu primeiro Full Length, “Victim of

Yourself”, lançado no início do ano pela

Die Hard Records no Brasil (no exterior

pela Napalm Records).

Págs. 37, 38, 39, 40 e 41

Surgida na década de 1990, tendo

sempre a frente seu líder incostestável

Charlie Curcio, que além de ser um

dos caras mais atuando no cenário da

música pesada, leva o StomachalCorrosion

mesmo com todos os trancos e mudanças

de formação ao longo dos anos.

Págs. 33, 34 e 35

Editorial

Destaques da edição

HIBRIA

Do Underground para o mundo!

Hibria foi formado no já longínquo

ano de 1996, na capital

O

do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

De lá pra cá foram quatro álbuns,

um DVD e shows pelo mundo

inteiro. Nada melhor que estrear

a revista como uma capa destas!

Aproveitando o bom momento

da banda, especialmente no Brasil,

país que sempre deu menos valor

ao grupo que o merecido, vamos

aproveitar esta matéria para revisar

um pouco da história do Hibria

desde o comecinho.

Págs. 4, 5, 6, 7 e 8

NERVOSA

rial de nossa publicação.

A Underground Rock Report foi

pensada como publicação on-line, novamente

como manifestação artística, e

com visualização total e gratuita de seu

conteúdo, democratizando assim, a cultura

e o direito de escolha de cada um,

uma vez que a revista pode ser acessada

on-line e lida diretamente no site.

Esperamos de verdade, crescer e

tornar válidos os nosso objetivos de levar

ao público um maior esclarecimento e

conhecimento, assim como apresentar ao

público, novidades e notícias sobre estas

manifestações culturais.

Mas isso só o tempo dirá. Por enquanto,

desejamos que todos se divirtam

e apreciam a leitura.

JP Carvalho

STOMACHAL CORROSION

Índice

Rock Report

Hibria

Pág. 4, 5, 6, 7, 8

Releases

Páginas 9, 10, 11, 12 e 13

Livros

Pagina 14 e 15

Nada Pop Chronicles

Página 16

Warsickness

Pág. 17

Rock Report

Oligarquia

Pág. 18, 19 e 20

Unearthly

Página 21

Sopor Aeternus & The

Ensemble of Shadows

Página 22 e 23

Yekun

Pàg, 24 e 25

Rock Report

Skinlepsy

Pàginas 26 e 27

Ocultan

Página 28, 29 e 30

Baranga

Páginas 31 e 32

Profile

Stomachal Corrosion

Páginas 33, 34 e 35

Woslon

Página 36

Rock Report

Nervosa

Páginas 37, 38, 39, 40, 41

UNDERGROUND ROCK REPORT - 3


Do Underground para o mundo!

Por JP Carvalho

Hibria foi formado no já

O longínquo ano de 1996, na

capital do Rio Grande do Sul,

Porto Alegre. De lá pra cá foram

quatro álbuns, um DVD

e shows pelo mundo inteiro.

Nada melhor que estrear a revista

como uma capa destas!

Aproveitando o bom momento

da banda, especialmente

no Brasil, país que sempre deu

menos valor ao grupo que o merecido,

vamos aproveitar esta

matéria para revisar um pouco

da história do Hibria desde o

comecinho.

Como toda banda boa, o

Hibria nasceu no Underground,

provavelmente com muitos sonhos,

pretensões e pouco caixa.

Em 1997 o grupo lançou sua

primeira demo ‘Metal Heart’,

que conseguiu chamar a atenção

especialmente do público

gaúcho e europeu.

Seu segundo trabalho, também

uma demo, tinha o título de

‘Against the Faceless’. O disco

lançado em 1999 rendeu a primeira

turnê europeia de grupo.

Isso mesmo, o Hibria com uma

simples demo foi levado para

uma turnê de 29 shows pelo Velho

Continente.

Antes do primeiro álbum, a

banda ainda lançaria um single

para a clássica ‘Steel Lords on

Wheels’, provavelmente o trabalho

que marcaria o direcionamento

final que a banda iria

procurar: Metal técnico, com

influências de Power Metal,

mas com mais pegada, menos

polido e mais pesado.

E foi exatamente isto que

encontramos em seu primei-

4 - UNDERGROUND ROCK REPORT


o disco ‘Defying The Rules’,

considerado um disco clássico

para dez entre dez fãs de Power

Metal. O álbum foi lançado primeiramente

no Japão, país que

viraria o principal apoiador da

música do quinteto ao longo

dos anos.

Para se ter uma ideia do

reconhecimento que o Hibria

atingiu já no primeiro disco no

país do Sol Nascente, ‘Defying

the Rules’ foi o mais vendido

de sua categoria durante 6 semanas

na cadeia de lojas HMV

e foi votado entre os melhores

do ano pela crítica e leitores da

revista japonesa Burrn!.

O caminho estava traçado,

agora era percorrer. E foi isso

que o grupo fez ao lançar seu

segundo disco ‘The Skull Collectors’

em 2009. Nele a banda

voltava a apresentar seu Metal

melódico e pesado, mas com

elementos extras, que diferenciavam

um pouco do debut.

A primeira faixa do disco

foi hit instantâneo, ‘Tiger Punch’,

é o tipo de música que incendeia

qualquer show. A faixa

é obrigatória nos shows da

banda até hoje.

‘The Skull Collectors’ novamente

foi um sucesso e abriu

as portas para, em maio de

2009, o Hibria iniciar sua turnê

mundial, ‘Collecting Skulls

WTour’ que passou pelo Japão,

Taiwan, Hong Kong, Coréia

do Sul e Canadá.

O sucesso da turnê foi tão

positivo que neste mesmo o

ano, em outubro, a banda foi

convidada a voltar para o Japão

e se apresentar em um dos principais

festivais do país: Loud

Park, onde dividiu o palco com

Megadeth, Slayer, Anthrax, Judas

Priest, entre outros. Além

do Loud Park, a banda abriu o

show do Megadeth na cidade de

Nagoya.

Em 2010 um primeiro esboço

de reconhecimento do

cenário brasileiro. A banda foi

convidada a abrir o show do

Metallica em sua cidade natal.

Dois anos depois de ‘The

Skull Collectors’, em maio de

2011, a banda lançou seu terceiro

álbum, ‘Blind Ride’. Parte

da divulgação do álbum incluiu

uma turnê asiática que passou

por países como Coréia do Sul,

China (primeira banda brasileira

de Metal a tocar neste país)

e Japão.

Foi nesta turnê japonesa

que a banda gravou seu

primeiro DVD. Gravado na

capital do país, ‘Blinded By

Tokyo’ apresenta um show

com níveis de energia elevados

e um público insano. Coisa

poucas vezes vista no comportado

público nipônico.

Mais um lampejo de uma

reação positiva ao Hibria no

Brasil. O quinteto foi convidado

para abrir dois shows do

‘madman’ Ozzy Osbourne nas

capitais Belo Horizonte e Rio

de Janeiro.

Em 2012, apesar de não ter

nenhum álbum novo, a banda

novamente comprova sua força

no Japão e, mais uma vez,

é convidada para o festival

Loud Park.

Agora, creio que aqui podemos

chamar de ‘turning point’

na vida do Hibria em terras

brasileiras: ‘Silent Revenge’.

O quarto álbum do grupo lançado

em 2013 parece que, enfim,

conseguiu quebrar algumas

das barreiras imaginárias que o

povo brasileiro tem com uma de

nossas melhores bandas.

Prova disso foi não só a participação

do grupo no Rock In

Rio, mas toda a reação positiva

em cima de sua apresentação,

tida como uma das principais

do evento, mesmo tocando no

palco secundário. Será que o

Brasil está aprendendo?

Claro que antes do RiR, a

banda voltou para sua segunda

casa (ou seria primeira?):

Japão, onde mais uma vez excursionou

com casas de shows

lotadas, filas para autógrafos

e todo aquele respeito dado e

merecido para uma banda deste

nível.

Para coroar esta bela fase,

em outubro de 2013, o Hibria

foi escolhido para abrir o show

dos pais do Metal, Black Sabbath,

em Porto Alegre, tocando

para 30.000 pessoas.

Mas deixemos eles mesmos

falarem. Confira agora uma pequena

entrevista que fizemos

com os músicos, onde repassamos

toda a carreira deles.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 5


URR: O primeiro álbum do Hibria, ‘Defying The Rules’, foi

lançado em 2004. Conte-nos como foi este período.

Em primeiro lugar, quero agradecer pela oportunidade de entrar

em contato com os leitores do Underground Rock Report. 2004, assim

como todos os anos do HIBRIA, foi um ano de muito trabalho.

Desde 1997, quando lançamos a nossa primeira Demo-Tape Metal

Heart, já estávamos compondo as músicas que fariam parte do nosso

debut. Em 1999, fomos para uma turnê underground na Europa

intitulada Against the Faceless Demo Tour, para divulgar nosso CD

Demo de mesmo nome. Quando voltamos em 2000, nos concentramos

em reformular as músicas dando uma sonoridade mais atual

com as novas influências que tivemos nessa tour. Agregamos elementos

mais Power Metal às composições e finalmente fechamos

as nove músicas para gravar os Defying the Rules. Este álbum está

completando 10 anos de lançamento no Japão este ano e temos muito

orgulho disso. Afinal, foi com ele que entramos no mercado.

URR: Mesmo sendo o primeiro disco, o álbum estourou e é

considerado um clássico do Power Metal mundial hoje em dia.

Como vocês reagiram na época?

Ficamos muito satisfeitos com a excelente repercussão que o

DTR teve, principalmente no Japão. O CD ficou seis semanas nos

mais vendidos da cadeia de lojas on-line HMV no Japão e recebemos

ótimas resenhas. O que não tivemos a oportunidade de fazer é

uma turnê só do DTR (que é algo que pretendemos fazer em 2015),

pois com toda essa repercussão, nos motivamos muito para iniciar

as composições do seu sucessor, The Skull Collectors.

URR: Para o segundo álbum, ‘The Skull Collectors’, acredito

que a pressão tenha sido maior. Do que vocês se lembram

deste período?

Na verdade não rolou uma “pressão”, mas sabíamos da responsabilidade

que o TSC teria com relação às comparações com o seu

sucessor. Na real, até hoje ainda se faz comparações a cada novo

lançamento. O TSC também teve uma grande importância na nossa

carreira porque ele nos deu a oportunidade de fazermos duas turnês

no Japão no mesmo ano. Em 2009, fizemos uma turnê solo em maio

e depois em outubro fomos convidados a participar pela primeira

vez do Loud Park.

URR: No ‘The Skull Collectors’ está, em minha opinião, o

maior hit da banda ‘Tiger Punch’, mas também conta com outras

músicas fortes como ‘Sea Of Revenge’, ‘The Anger Inside’

e a faixa-título. Todas apresentavam uma roupagem mais moderna,

agressiva e “menos Power”.

Nós sempre compomos aquilo que nos dá mais prazer em tocar,

já imaginando o show, inclusive com a participação do público. O

TSC é um álbum Power Metal, porém nele já começamos a inserir

novos elementos do Thrash e Death Metal devido às novas influências

que estávamos escutando na época. Achamos que a “roupagem

mais moderna” veio com o Blind Ride.

URR: Em 2011 foi lançado o álbum ‘Blind Ride’ e apresentou

um Hibria apostando ainda mais no experimentalismo e

menos tradicional. Mesmo assim o grupo continuou seu crescimento

especialmente no Japão. Essa mudança de rumo musical

foi intencional?

Sim, foi intencional. Nós sempre comentamos sobre a “maneira

HIBRIA” de compor, e isso é muito característico em nosso som.

Isso vem se refletindo nos últimos CDs lançados. No Blind Ride

esta forma veio bem forte. Pesamos a mão e deixamos as melodias

de voz mais agressivas e não tão agudas e achamos que o resultado

foi excelente, principalmente nos país que nos apoiou desde o início

da nossa discografia, o Japão. A repercussão do Blind Ride foi tão

grande que gravamos o DVD Blinded by Tokyo, com a casa completamente

lotada.

URR: Foi com ‘Blind Ride’ que a banda conseguiu gravar

seu primeiro DVD, ‘Blinded By Tokyo’, que, como o nome já

entrega, foi gravado no Japão. Como surgiu a proposta?

Já tínhamos duas turnês feitas no Japão sendo que uma delas

foi nossa primeira participação no Loud Park (2009). Com o Blind

Ride, estávamos iniciando nosso relacionamento com nossa gravadora

King Records e eles sabiam do potencial da banda em terras

nipônicas. Então, nosso management na época lançou a ideia de

6 - UNDERGROUND ROCK REPORT


fazermos uma turnê do novo álbum culminando na gravação de um

DVD no último show da Turnê em Tóquio. Eles aceitaram na hora

e então planejamos para que tudo desse certo e acredito que deu

mesmo. Foi um dos melhores shows de nossas carreiras em todos

os sentidos. O DVD foi gravado em apenas um show e acredito que

o resultado final ficou muito bom mesmo.

URR: País distante, sem saber falar fluentemente a língua.

Como foram os minutos que antecederam a entrada no palco no

dia da gravação do DVD?

De muita emoção, adrenalina e, naturalmente, devido à responsabilidade

do show, tensão. Chega a ser engraçado até. No

Japão em grandes casas de shows, como foi o caso da gravação

do DVD (Shinagawa Prince Stellar Ball), no camarim, eles costumam

deixar uma TV com imagens da chegada do público. Lembro

que faltavam uns 30 minutos e a casa completamente vazia,

a ponto do Eduardo desligar a TV, pois até aquele ponto, a casa

estava vazia. Claro, isso é cultura dos japoneses. Eles entram nos

últimos minutos, tipo faltando uns dez minutos para o show iniciar.

Mas na hora que a intro do show começou e ouvimos o urro

do público, nos abraçamos em uma roda como costumamos fazer

em todos os shows, e falamos palavras de incentivo muito fortes.

Entramos com uma super adrenalina e fizemos com certeza um

dos melhores shows de nossas carreiras.

URR: Silent Revenge’ é o quarto álbum do Hibria e podemos

ver uma banda mais equilibrada entre o moderno e o tradicional,

mas especialmente mais pesada, contando inclusive com a participação

do vocalista da lendária banda de Thrash Metal Distraught,

André Meyer. O que vocês podem nos contar deste disco?

No Silent Revenge posso dizer que a banda toda estava “ansiosa”

para colocar nas novas composições toda raiva e peso após

termos visto o premiado filme argentino O segredo dos seus Olhos.

Este filme é um clássico e nele pudemos tirar várias lições de coisas

que acontecem em nossas vidas e às vezes nem percebemos. O

Abel tomou a frente das composições e a cada som que nos enviava,

sentíamos que esse seria o álbum mais pesado da carreira da banda.

Outro fator que contribuiu para essa sonoridade pesada e densa foi

a entrada do Renato Osorio no HIBRIA. Além de excelente guitarrista,

ele assumiu a produção musical do Silent Revenge e ajudou

muito no trabalho de finalização dos sons. Também não poderia

esquecer que a mixagem feita pelo nosso baixista Benhur Lima, ficou

simplesmente perfeita para esse novo “clima” que trabalhamos

no Silent Revenge. Por sinal, Benhur também foi responsável pela

mixagem do DVD Blinded by Tokyo.

URR: O trabalho, lançado no ano passado, também marca

um crescimento exponencial da banda no Brasil, inclusive levando

vocês a tocar no famigerado Rock In Rio. Conte-nos um

pouco de como foi estar no palco do maior festival de Rock do

mundo e como foi o ano de 2013 para vocês.

Tens razão. 2013 foi um ano espetacular para o HIBRIA. Finalmente

conseguimos ser vistos dentro do nosso próprio país. Até

então, o HIBRIA no Brasil era reflexo da excelente repercussão que

temos no Japão. Mas, a banda é daqui e queremos crescer aqui também.

Com o Silent Revenge, fomos eleitos pela votação popular, o

melhor álbum de 2013 em um dos sites mais conceituados do país,

ficamos 4 semanas em primeiro lugar nas vendas on-line na maior

rede de lojas virtuais do Japão, a HMV, e recebemos o convite da

produção do Rock in Rio para fazermos o show que toda banda

sonha em fazer, e a banda finalmente começou a ter a tão esperada

valorização no Brasil. Não podemos reclamar porém queremos

mais. O SR ainda continua refletindo esses aspectos positivos, tanto

é que fomos convidados para participar também de outro grande

festival já em 2014, o Abril Pró Rock em Recife. Com ele tivemos a

oportunidade de pela primeira vez tocar em Recife, e a repercussão

foi excelente.

URR: Dando uma geral na discografia, me parece que todos

os álbuns do Hibria são conceituais, ou tem o mesmo tema

interligando as músicas. Estou errado? O que vocês usam de

influência para as letras?

Nos dois primeiros álbuns, Defying the Rules e The Skull Collectors,

basicamente falando, usamos um conceito que girava em

UNDERGROUND ROCK REPORT - 7


torno da luta entre o bem e o mal, traçando um paralelo com a teoria

que todo o mal que você faz para alguém, acaba voltando para você

novamente. Já os dois últimos, Blind Ride e Silent Reveng, foram

baseados em um livro (O Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago,

Blind Ride), e um filme (O Segredo dos Seus Olhos, Silent Revenge).

Não os consideramos conceituais. São álbuns baseados em

histórias nas quais achamos que os temas tratados e as atmosferas

contadas tanto no livro como no filme, se encaixariam perfeitamente

nas as letras e na sonoridade das músicas.

URR: Voltando ao ‘Defying The Rules’. Este ano ele completa

10 anos desde seu lançamento. Podemos esperar alguma

comemoração?

Sim. O álbum foi lançado em 2004 no Japão e com ele iniciamos

a ótima relação com os fãs de lá. Então estamos regravando o

CD com a atual formação da mesma forma que costumamos tocar

as músicas hoje. Ou seja, o CD virá com outra sonoridade. Mais

maduro, mais pesado e com a experiência e a técnica que a banda

ganhou ao longo destes 10 anos. Ele será lançado só no Japão, mas

queremos fazer tour dele aqui no Brasil também.

URR: O que mais podemos esperar para o futuro do Hibria?

Nós queremos alcançar e cravar a nossa bandeira no mundo

todo. Já conseguimos vários destaques importantes lá fora como

cinco turnês em cinco anos no Japão tocando duas vezes no maior

festival de Heavy Metal de lá, o Loud Park. Fomos a única banda

de Heavy Metal do Brasil a tocar duas vezes na China (Shanghai

em 2011 e Shangsha em 2013), Tocamos em Seul, Taiwan e Hong

Kong. Na América do Norte, fizemos uma turnê costa a costa no

Canadá começando em Victoria - British Columbia e terminando

em Quebec. Estamos crescendo muito nos EUA e na Europa. Um

dos nossos principais objetivos é cravar a nossa bandeira nos lugares

que ainda não tivemos a oportunidade de tocar NO BRASIL, e

retornar aos que já tocamos. Já tocamos no Rio de Janeiro, São Paulo,

Belém, Recife, Natal, Rio Branco, Criciúma, São Luis, Teresina,

Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre, que é nossa cidade

natal, entre outras cidades do país e do interior do RS. Queremos

tocar em várias cidades dentro do nosso país e mostrar aos nossos

fãs que ainda não viram nosso show o potencial das nossas músicas

ao vivo. Sabemos das dificuldades de deslocamento aqui no Brasil,

mas também temos certeza que vocês não se arrependerão após ver

o nosso show. Então peça para o promotor local entrar em contato

pelos e-mails shows@hibria.com ou management@hibria.com

URR: Espaço livre, deixem seu recado para os leitores da

Underground Rock Report!

Agradeço mais uma vez o espaço, e se você ainda não conhece o

nosso som, vá atrás da nossa discografia, curta nossa página no facebook.com/HIBRIAOFFICIAL,

nos siga no twitter.com/HIBRIA(@

HIBRIA), deixe um recado no nosso guestbook em HIBRIA,COM

e espalhe nosso som para os seus amigos. Foi assim que o HIBRIA

sempre cresceu, e continua crescendo cada vez mais: pelo boca a

boca de nossos fãs. Isso que nos dá ainda mais vontade de continuar

traçando esse árduo caminho que é a música. Temos muito prazer e

orgulho de fazer parte de uma banda com quase 20 anos de história.

8 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Behemoth

The Satanist

Nuclear Blast – Importado

Confesso que o Behemoth era o tipo

de banda que nunca me chamou a

atenção até eu ouvir esse excelente novo

álbum deles lançado no começo de 2014,

depois de um intervalo de 5 anos desde o

ultimo lançamento da banda.

Com um tema bem denso, The Satanist

sem duvida coloca o Behemoth no topo

da lista das bandas de Black Metal que

produzem álbuns de extrema qualidade

e perfeição sonora, o baixo por exemplo,

nesse CD está simplesmente incrível.

Suas nove músicas formam um tracklist

eficiente, com elementos que vão

do death ao black sem maiores cerimônias.

Com criatividade e inspiração, o

Behemoth brinda os ouvintes com pequenas

obras-primas como “Blow Your

Trumpets Gabriel”, a sensacional “Messe

Noire” (com um solo de guitarra arrebatador),

“Ora Pro Nobis Lucifer”,

“In the Abscence ov Light” e a exemplar

faixa-título, já valem o CD inteiro.

Por enquanto não há uma versão nacional

desse álbum, disponível apenas

nas versões européia e americana. Na

Europa saiu pela Nuclear Blast e nos

EUA pela Metal Blade. A versão européia

vem no formato digibook e acompanha

um DVD de um show deles em

Ekaterinburg na Russia.(LM)

Negator

Gates to the Pantheon

Prosthetic Records – importado

vocalista e líder do Negator, Nachtgarm

ficou relativamente conheci-

O

do mundialmente por ter substituído

o Emperor Magnus Caligula no Dark

Funeral entre 2010 e 2011, passando

inclusive pelo Brasil para uma única

apresentação. Mas poucos sabem que

Nachtgarm tem sua própria banda na

ativa desde 2003 com 4 álbuns já lançados

e faz parte de um projeto paralelo

chamado King Fear.

Gates to the Pantheon é o quarto álbum

do grupo alemão, traz um Black

Metal cru e ao mesmo tempo com uma

musicalidade excepcional , com letras

inteligentes , bem como um equilíbrio

de estruturas musicais rápidas e lentas ,

brutais e melódicas , o álbum irá satisfazer

tanto os fãs do estilo Black Metal

old school como fãs do moderno Black

Metal. Pra quem viu Nachtgarm a frente

do Dark Funeral tem a nítida impressão

que está escutando um novo álbum do

Dark Funeral totalmente reformulado

ao ouvir esse CD. Destaque desse álbum

fica para as canções Nergal, The

Raging King e The Urge For Battle, que

realmente são os pontos mais altos do

CD, as outras 7 musicas mantém o excelente

bom ritmo.(LM)

Sardonic Impious

Obscuridade Eterna

Corvo Records – Nacional

Sardonic Impious é uma banda bem

O conhecida no circuito underground

paulistano, já tocou ao lado de bandas

como Besatt, Mystifier e Ocultan.

Obscuridade Eterna é o primeiro CD

da banda lançado em tiragem limitada

pela Corvo Records em 2013.

O quinteto de Atibaia surpreende

pela boa produção das musicas para um

CD début, passando bem longe do amadorismo

comum das bandas iniciantes.

São nítidas as influências de bandas

tradicionais de Black Metal nesse CD,

mesmo com as letras cantadas em português

mas devido a velocidade como

elas são executadas, o ouvinte que não

sabe a procedência da banda nem perceberá

que se trata de uma banda brasileira,

é sinal que cada vez mais as produções

nacionais não ficam devendo nada

as bandas gringas.

O CD contém 9 faixas e o destaque

fica para a musica o Mestre das Ciências

Malditas, que apresenta uma incrível

levada de guitarras. É uma banda

que merece toda atenção. (LM)

Khaotic

Tenebrae

Pazuzu Records- Nacional

Sem sombra de duvidas este foi um

dos lançamentos mais criativos e

promissores dentro do metal brasileiro

no ano de 2013.

É a primeira vez que me deparo com

um projeto one woman band, o mais

comum que se ve por ai é justamente o

oposto, one man band , o que na maioria

das vezes são clones do Bathory nas

mais variadas versões. Não é o caso

do Khaotic, que apresenta um Black

Metal que transita entre o old school

tradicional e uma atmosfera viajante

mas cheio de personalidade própria,

principalmente nos vocais que estão

inacreditáveis. Quem está por trás

desse maravilhoso projeto é Lady of

Blood, veterana guitarrista do Ocultan,

que nesse CD faz os vocais e toca todos

os instrumentos sob o pseudônimo

de D Profaner. Mas não tire conclusões

precipitadas, a sonoridade está muito

diferente do que já é conhecido nos álbuns

do Ocultan.

Esse CD é um verdadeiro deleite

para os fãs do universo Black Metal,

com uma arte de capa no melhor estilo

Watain e um encarte bem produzido

com letras, digno de banda gringa

mainstream. Apesar do CD manter uma

mesma pegada, na minha opinião os

pontos mais altos do álbum vão para

Cancer, Mass Submission, Tenebrae

e Words of Blasphemy. Que venha o

próximo álbum já em fase de produção

em 2014.(LM)

Deicide

In the Minds of Evil

Century Media Records - Importado

Deicide já teve seus anos de glória

O com os 3 primeiros álbuns de sua

carreira, que para mim são uma verdadeira

obra prima do Death Metal. Depois

de Serpents of the Light a banda

caiu na mesmice com sucessivos álbuns

cheios de altos e baixos até a saída dos

irmãos Hoffmann após o bem sucedido

Scars of Crucifix.

In the minds of Evil é o décimo primeiro

album de estúdio do Deicide e é

o melhor trabalho deles desde Stench of

Redemption, mas não é nada comparável

aos três primeiros álbuns da década

de 1990, porém é muito melhor do que

o Till Death to us Apart e o to Hell With

God. A impressão que o ouvinte fica é

que eles acertaram a mão com esse álbum

nos excelentes riffs, já os vocais

de Glen Benton continuam na mesma

pegada de sempre.

Desde que Kevin Quirion foi anunciado

como o substituto de Ralph Santolla

, eu me perguntava o que a banda

soaria com o seu desempenho e influência.

A espera valeu a pena pois suas

composições são uma das principais

razões deste álbum soar tão bom. Não

desconsiderando as contribuições dos

outro membros da banda, é claro.

Canções como “Godkill” e “Between

the flesh and the Void” são marcas

registradas do Deicide , com solos ,

riffs assombrosamente épicos e bateria

esmagadora do Steve Asheim, resultam

em maldade pura que esta banda tornou-se

mundialmente conhecida. As letras

de Benton são tão blasfemas como

sempre, mas não é tão vulgar como têm

sido nos últimos álbuns.

Mas quem liga para o que ele está

falando? (LM)

Heldentod

Virradat

Pagan War Records – Importado

cena metálica húngara é desconhecida

aqui no Brasil. Boa parte des-

A

sas bandas do Leste europeu se apegam

a temas sobre segunda guerra mundial

e paganismo,se você curte essa parte do

Black Metal,certamente você achará essa

banda um tanto desconhecida sensacional.

Musicalmente os húngaros do Heldentod

lembram conhecidas bandas

dessa vertente do Black Metal como

Absurd, Graveland , inclusive a capa

desse CD lembra bastante o álbum Dictator

do Ad Hominem.

Os destaques ficam para a faixa titulo,

Virradat que é destruidora como um panzer

division, se bem que A Szoláris Rend

Diadala não fica muito atrás, com uma

velocidade de guitarras incrível. Mors

Triumphalis e Az Acél Igazsága apresentam

um som bem cadenciado e viajante

que cativam o ouvinte.

O álbum Virradat é de 2014 e no

Brasil a banda Heldentod está sendo

distribuída pela Pazuzu Records, vale

muito a pena ter na sua coleção. (LM)

Gasoline Special

RCK ‘N’ RLL

Independente - Nacional

Fundada em 2007, na cidade de Jundiaí,

interior de São Paulo, este Gasoline

Special nos presenteia com um novo

trabalho, e que pesam todas as críticas e

elogios, mas isso aqui é Rock´n Roll!

Um trabalho consistente, dinâmico

e bem acabado, recheado de riffs

marcantes e letras incisivas, irônicas e

melancólicas, e trazendo o que se convencionou

chamar de Rock do Interior, e

como é dito no próprio release da banda:

“Pode-se dizer que o Gasoline Special

representa muito bem o rock do interior.

O rock que nasce espremido, tentando

achar buracos pra respirar. O volume no

talo que faz vibrar o tímpano e o peito. O

volume alto que conquista bons inimigos

e eternos fãs. É aquela mão que aumenta

o som pra não ter que ouvir o barulho

que vem de fora. Gasoline Special não

dá chance pra qualquer pensamento. É

energia. E da boa.”. Alguém dúvida?

Rock direto, sem firulas e esbanjando

energia prá todos os lados, RCK ‘N’

RLL, é o primeiro álbum da banda, apesar

de já ter lançado singles e EPs que

fizeram a alegria da galera, este grita

UNDERGROUND ROCK REPORT - 9


letras em português e esbraveja insultos

pra todos os lado, belíssimas linhas de

guitarra, cozinha arrasa quarteirão e interpretações

vocais bem na linha “traga-

-me uma cerveja e cale a boca”.

Produzido e gravado no Bimini Studio

por Bruno Fornazza, o disco tem

uma dinâmica matadora e coesão e a

capa, mais uma obra primorosa do artista

brasileiro Butcher Billy, que assina

tantas obras icônicas quanto possível,

quer ver? Coloca o nome do cara no

Google e veja só o que acontece.

Gasoline Special - RCK ‘N’ RLL, é

um disco que nos traz alegrias e momentos

de descontração ímpares, que é exatamente

o que o Rock´n Roll deve fazer.

Sem palavras prá esse trabalho! (JPC)

Shadows Legacy

You’re Going Straight To Hell

Independente - Nacional

Que disco é esse??? Impossível, principalmente

para quem vem da safra

do Heavy Metal dos anos 80 ficar

indiferente ao som do Shadows Legacy,

desde o Web EP Rage and Hate a banda

sempre me impressionou justamente

por essa veia oitentista e com a qualidade

com que compõem suas músicas.

Lógico que os méritos desta formação,

são indiscutíveis, mas o trabalho do

vocalista Willie Cardoso é primoroso!

Dono de um timbre potente e de uma voz

carismática, além de compor suas linhas

de voz com um bom gosto invejável!

You’re Going Straight To Hell se define

em uma única palavra: Perfeito!

Tudo aqui beira a perfeição e a banda se

apresenta com uma máquina muito bem

regulada, a produção feita no Estúdio

Anúbis, com o produtor Aldo Carminefoi

foi muito bem cuidada e o tudo ainda

vem embalado numa belíssima capa,

cortesia do artista Leonardo Amorim.

Todas as músicas tem o seu charme

e a sua característica, ficando impossível

até mesmo citar Hate Within, com

participação do icônico e eterno ex-Iron

Maiden Blaze Bayley como destaque,

ainda que a música salte aos olhos.

Sendo assim o destaque fica mesmo

para toda a banda, que nos presenteou

com uma obra de bom gosto e beleza

ímpares e funcional até a última faixa.

Eu disse que ia esperar acordado por

este lançamento, e a espera não foi em

vão. Impossível parar de ouvir! (JPC)

Demolishment

Our Fury is Unleashed

Independente - Nacional

Muita raiva e fúria é o que vamos

encontrar neste primeiro traba-

10 - UNDERGROUND ROCK REPORT

lho da banda carioca Demolishment,

Formada por Thiago Barbosa - Vocais,

Diego Sandiablo - Guitarras, Bruno

Tavares - Guitarras, Elias Oliveira -

Baixo e Diogo Barbosa - Bateria.

Tudo muito bem executado, rifs

matadores, bateria extrema e com

muita variação, e vocais muito bem

encaixados e auxiliados por vocais

rasgados e guturais, uma cortesia da

sessão de cordas.

Abrindo o trabalho temos Challenger,

que não deixa pedra sobre pedra e

já deixa nossos neurônios em propulsão

esperando pelo restante do massacre,

Insurgent vem numa pegada mais

amena, mas não deixa a peteca cair;

Age of Doom, traz de volta a ferocidade

e expõe toda a técnica apurada

da banda; finalizando temos Abscond

(minha preferida por sinal...) com variações

inacreditavelmente insanas, a

música flui com naturalidade calcada

em ótimo andamentos e variações.

Tudo aqui possui qualidade e percebemos

logo que todos os músicos do

Demolishment tem intimidade acima

da média com seus instrumentos, e

isso com certeza conta pontos positivos

a favor da banda, que nos brinda

com brutalidade, solos melodiosos,

baixo e bateria aranca-toco, mas que

unem peso e técnica conferindo ao trabalho

uma dose extra identidade.

Our Fury is Unleashed, tem quatro

faixas com gosto de quero mais. Estamos

ansiosos aguardando um full

lenght. (JPC)

Zombie Cookbook

Outside The Grave

Independente - Nacional

Tente imaginar uma banda onde o

vocal nos remete ao Obituary e ao

mesmo tempo o glorioso Chakal, backing

lembram Anthrax dos bons tempos

e que mistura Death Metal com Thrash

Metal de forma muito homogênea, praticamente

nos obrigando a dar atenção a

banda como um todo. Não dá né?

Mas uma audição descompromissada

deste Outside the Grave do Zombie

Cookbook é exatamente o que você vai

encontrar, se você resolver ir a fundo

no negócio vai encontrar muito mais do

que a descrição acima.

Essa banda de Joinville (SC), além

de ser excelente e mesmo sendo esse o

primeiro full lenght (em 2011 a banda

lançou EP Cine Thrash) essa horda de

zombies cometeram um CD dos mais

empolgantes e musicais do ano de 2012,

onde as nove músicas fluem naturalmente

pelo player e pedem um repeat

constante, difícil parar de ouvir esse

CD. Ponto para a produção que deixou

tudo bem equilibrado e audível, com

uma sujeirinha básica prá dar um molho

e peso mais que especial ao trabalho.

Liricamente o Zombie Cookbook

aposta em temas splatter/gore, e se mostram

muito criativos em seus temas e

letras, divertido acompanhar as letras no

encarte. Encarte que aliás, é um primor

de qualidade e criatividade, porque não

se resume a ter todas as informações sobre

o trabalho, a banda e as letras, tem,

também, uma história em quadrinhos,

muito legal, onde é contada a história da

formação (por zumbis, lógico) da banda.

Este material foi patrocinado pela

Fundação Cultural de Joinville, através

de um Edital de Apoio à Cultura (SI-

MDEC), e sendo assim a Procuradoria

Geral da cidade soltou um parecer onde

diz que o material é impróprio, ofensivo

e inadequado, pelo que estabelece o Estatuto

da Criança e Adolescente, e acredite,

solicitou a adequação do mesmo

de forma a compatibiliza-lo ao direito à

liberdade de expressão e artística, consagrados

em nossa Constituição Federal.

A arte não sofreu alterações, mas o encarte

vem com o aviso de que o material é impróprio

para “crianças, adolescentes, cardíacos

e pessoas facilmente impressionáveis”.

E como disse o Procurador Geral: “Não

se pode proibir a veiculação do material,

sob pena de flagrante censura da liberdade

de expressão artística e cultural. Em nosso

entender, não há incompatibilidade entre os

princípios, devendo existir o cuidado para

harmonizá-los, de modo que possam conviver

e se complementarem para atingir os

ideais preconizados por nossa Lei Maior,

quais sejam: o da liberdade com responsabilidade

e respeito das diferenças”.

Bom, se você nao for uma pessoa “facilmente

impressionável” com certeza vai

se deleitar com este trabalho do Zombie

Cookbook, além de ser musicalmente irrepreensível,

atua na temática com “bom

gosto” e conhecimento de causa. (JPC)

D.I.E. - D.I.E.

Independente - Nacional

mais uma vez, a região em torno

E da cidade de São Paulo parece ser

um celeiro de bons grupos musicais, e

em termos de Metal, parece mesmo um

caldeirão com uma mistura explosiva.

E destilando um Crossover raivoso e

bem metalizado, é a vez dos mascarados

do D.I.E. mostrarem suas forças em

“D.I.E.”, seu EP de estréia.

O quarteto usa de muitas influências

diferentes em seu Crossover denso e bem

personalizado (há toques bem evidentes

de Pantera na sonoridade, e de Hatebreed

em alguns tempos), soando pesado

e intenso em cada uma das músicas do

EP, que não é cansativo em momento algum.

Vocais urrados (que chegam a usar

tons que parecem o Brujeria em alguns

momentos), riffs de guitarra bem fortes

e azedos, baixo e bateria com boa técnica

e peso, sabendo não serem presos a

um único tipo de andamento, dando uma

dinâmica sonora bem interessante ao disco.

É ouvir e cair no mosh!

A gravação ficou bem legal, em

bom nível, sabendo deixar os instrumentos

bem claros aos ouvidos e sem

esconder os arranjos, embora o vocal

esteja um pouquinho mais alto. Mas

nada que estrague o trabalho do quarteto,

de forma alguma.

Em termos de composição, como

dito acima, a banda mostra timbres

bem escolhidos e arranjos bem brutais,

mas ao mesmo tempo, percebe-se que o

grupo ainda está um pouquinho cru, ou

seja, ainda estão se acertando dentro da

própria proposta musical, e isso é bom.

É bom porque mostra que o grupo, em

breve, terá uma sonoridade bem própria

e diferenciada.

O grupo usa máscaras estilo luta-

-livre, logo, podem esperar que a rápida

e intensa “Tit for Tat”, a mais cadenciada

e empolgante “D.I.E.”, a explosiva e

com andamento moderado (embora com

dois bumbos fantásticos) “Predicted” e

e a direta e seca “Run Out of Air” mostrem

que o grupo não tem por ponto forte

a individualidade (embora cada um se

mostre um bom músico), mas que é uma

música que flua intensa como um todo,

suficiente para deixar pescoços doendo.

Uma boa revelação, mas esperamos

grandes coisas deles em breve. (MG)

Sangrena

Blessed Black Spirit

Darzamadicus Records - Nacional

incrível como a escola brasileira de

É Metal é capaz de criar bandas que

sejam verdadeiras mutações, e isso no

bom sentido. Sim, pois aqui, muitos

vão ganhando um bojo de influências

musicais, mas na hora de processar e

transformar isso em música, sempre temos

algumas surpresas interessantes. E

o Sangrena, de Amparo (SP), realmente

mostra em seu primeiro trabalho, “Blessed

Black Spirit”, que tem espírito, garra

e raça para gerar algo diferente.

A banda trabalha nas trincheiras do

Death Metal mais tradicional à lá anos

90, na mesma veia de bandas como

Morbid Angel, Sinister e Immolation,

ou seja, agressividade saindo pelos poros.

Mas mesmo assim, rotular a banda

como Death Metal tradicional puro e

simples não lhes faz justiça, já que algumas

nuances não convencionais estão

ali, presentes sob a massa de vocais urrados

extremos, riffs coesos e pesados,

solos distorcidos e bem doentios (mas

há momentos que certo esmero se faz

presente), baixo e bateria muito bem entrosados

em uma base rítmica pesada e

bem diversificada (as mudanças de andamento

mostram o quanto são eficientes,

inclusive com o baixo mostrando

momentos dedilhados incríveis, como

em “Reign of Illusions”). Juntando isso,

vemos uma música brutal e opressiva,

mas que tende a crescer mais e mais.

Produzido por Fábio Ferreira (guitarrista

do grupo), a sonoridade do disco é

bem opressiva, compacta, bruta, mas com

boa qualidade. É fácil compreender os

instrumentos musicais, perceber que os

timbres não são lá muito complicados ou

rebuscados. Poderia ter um pouco mais de

qualidade, é fato, mas isso não quer dizer

que está ruim. E a arte de Stephanie Dole

ficou muito boa para a capa, casando perfeitamente

com as músicas e letras.

O disco inteiro é muito bom, mostrando

mais uma vez que o processo


de composição foi bem mesurado, com

destaques para a bruta e rápida “When

the Masks Fall” (com certos toques de

Thrash Metal nos riffs, além de vocalizações

muito bem postadas), a agressiva

“Cursed by Revenge” (Death Metal

tradicional brutal, com riffs bem trabalhados,

e bateria precisa. Mas reparem

como algumas melodias aparecem nos

solos), o pesadelo sonoro de “Abyss of

Souls” (a típica faixa mais cadenciada e

abrasiva, com belos dedilhados do baixo,

mostrando que esse zagueiro sabe

marcar gols), a veloz e cavalar “Blessed

Black Spirit” (baixo e bateria mostram

uma força bem dinâmica e agressiva na

base), a mais trabalhada (ainda que bem

brutal) “Reign of Illusions” (muitas mudanças

de andamento, com riffs agressivos

muito bons e bela presença do

baixo mais uma vez. Mas se repararem,

melodias que lembram um pouco o Iron

Maiden surgem nas guitarras), a bem

trabalhada “City of Hanged People”.

Sim, o Sangrena mostra no CD que tem

potencial para ser grande, bem como é uma

banda que a dinâmica é a tônica de seu trabalho.

Logo, esperamos que o próximo nos

traga surpresas bem agradáveis. (MG)

Warfather

Orchestrating the Apocalypse

Greyhaze Records - Importado

Sempre que uma nova banda, com

integrantes conhecidos no meio do

Metal e do Rock, surge, logo uma pergunta

extremamente rotineira é feita:

“será que ela manterá os traços de algum

trabalho feito por seus membros?”

É uma pergunta que coloca qualquer

bom trabalho em xeque, que realmente

pode pôr tudo a perder, já que muitos

se decepcionam por encontrar (ou não)

traços de similaridades. Mas sempre

é um desafio para ouvintes e bandas,

ainda mais quando as mesmas oferecem

algo salutar, como o Warfather nos

concede em sua estréia com o excelente

“Orchestrating the Apocalypse”.

Antes de tudo, temos a presença de

músicos com bandas como Nile, Morbid

Angel, Prostitute Disfigurement, Sinister

e Deströyer 666 em seus currículos,

logo, experiência não é problema. Inclusive,

a banda é tem um toque que foge

de fronteiras, pois Deimos (bateria) é

holandês, Avgvstvs (baixo) é brasileiro,

e Steven Tucker (guitarras e vocais, e

sim, é ele mesmo) é Norte-americano.

E a música do Warfather é uma golfada

brutal, opressiva e técnica de Death Metal,

mostrando um trabalho diferenciado.

Steve Tucker acompanhou o processo

de gravação (que foi feito nos EUA e

Holanda), e ainda mixou o trabalho. A

masterização é de Maor Appelbaum. E a

qualidade sonora de “Orchestrating the

Apocalypse” é bem acima da média, sabendo

ser limpa, bem seca e clara, mantendo

todos os instrumentos audíveis com boa

escolha de timbres, mas o peso é sensível.

Na realidade, é um peso monumental.

A arte de Ken Coleman é algo belo e totalmente

antenado com a realidade sonora/

lírica da banda, em especial com a letra de

“Gods and Machines”. E tudo isso em um

belíssimo Digipack de seis painéis!

A música do quarteto é vibrante e

cheia de energia, pesada e densa, mas ao

mesmo tempo, vemos que “Orchestrating

the Apocalypse” é um disco muito

bem construído e finalizado, com cada

aspecto sonoro esmerado, mas sem obliterar

a espontaneidade do trabalho, com

arranjos muito bem pensados e cuidados

de forma a preencher as canções.

Uma ótima revelação, e é bom ver

esses sujeitos na ativa. E ainda por

cima, nos brindando com um disco tão

bom. (MG)

Julia Crystal

A Journey to Shamballa

Independente - Nacional

interessante dar uma olhada profunda

em alguns estilos musicais um

É

pouco diferentes vez por outra, e não

é de hoje que nos deparamos com similaridades

deles com o Metal, devido

muitas vezes às diferentes influências

que os fãs (que um dia acabam entrando

em bandas, ou mesmo seguindo uma

carreira dentro do universo musical)

aglutinam, e que os músicos ganham ao

estudarem parte mais teórica da coisa

toda. Logo, é um enorme prazer para

o Metal Samsara abrir suas portas mais

uma vez para um gênero irmão e trazer

ao conhecimento de todos o primeiro

álbum de Julia Crystal, o sublime “A

Journey to Shamballa”.

A priori, poderíamos pensar em classificar

o CD como um trabalho mais

voltado à New Age, mas logo elementos

de Rock Progressivo, Pop e outros vão

se aglutinando, e em alguns momentos,

sentimos a um pouco certa similaridade

com trabalhos de cantoras como Liv

Kristine e Anneke Van Giersbergen, mas

não nos enganemos: o trabalho de Julia é

bem mais amplo que nossos sentidos podem

compreender em certos momentos,

e cada ouvida em “A Journey to Shamballa”

é uma nova e deliciosa descoberta

para ouvidos cansados de estilos mais

agressivos. Aliás, ouvidos cansados de

tantas tralhas (musicais ou não) que somos

forçados a ouvir todos os dias.

Na realidade, este é um projeto de

Julia (uma cantora de formação lírica)

em conjunto com Alex Voorhees (produtor

musical e vocalista da banda Imago

Mortis), e cheio de convidados de

peso, como Alex Navar (do Kernunna,

e tocou gaita irlandesa e Tin Whistle),

Pedro Santos (Palácio Moderno), Kevin

Shortall (banda Café Irlanda nos violões),

Paulo Rogério Viana (violão flamenco),

Rodrigo Alves (guitarra, carreira

solo e membro da banda Parallax),

Marcelo Val (do Hardballz), Fábio Machado

e Carlos “Tayo” Pardal (guitarra)

e Tiago Connal (percussão). E como a

produção musical ainda ficou por conta

de Alex, temos uma qualidade sonora

de alto nível, translúcida, clara, que nos

permite aos sentidos acessar sem medo

cada detalhe musical mínimo. Óbvio

que alguns timbres e instrumentos assustarão

os mais incautos e radicais,

mas uma segunda ouvida, e tudo fluirá

sem maiores problemas ou traumas.

O conteúdo artístico de “A Journey

to Shamballa” é muito bem cuidado e

belo, com estética perfeita e uma capa

visualmente belíssima, evocando o

reino da perfeição criado pelos deuses

hindus, onde estão reunidos grandes

mestres de várias áreas do conhecimento

humano, e onde a felicidade, a beleza,

a música, a paz e o amor completos

reinam. E as letras, acreditem: são excelentes,

lidando com temas de uma forma

mais espiritualizada, e a mensagem

é extremamente positiva, independente

se o ouvinte é ateu ou acredita em algo.

Musicalmente, não há espaço para

críticas negativas. A riqueza e diversidade

de “A Journey to Shamballa” é

incrível, e a música flui de forma extremamente

agradável em todas as suas

nuances e expressões, E acreditem: ouvir

o disco uma vez o desperta para um

lindo sentimento de paz interior, que

nada tem a ver com música, com mundo

ou dificuldades, mas apenas de um bem

estar de você com você mesmo.

Um disco de fácil assimilação, e que

abre os sentidos para algo de bom e

grandioso em termos musicais e mentais.

E Julia compartilha, juntamente

com todos os envolvidos, um pouco

de si, de seu espírito. Nada melhor que

deixarmos nossas mentes abertas à uma

compreensão maior e mais profunda do

todo em que vivemos, à uma nova e deliciosa

experiência... (MG)

Yekun

Live at Kaffeklubben

(Official Bootleg)

Independente - Nacional

Sabem aquelas bandas que optam por

fazer uma sonoridade atual, mas rebuscando

muita influência do passado e

que acaba gerando algo novo e diferente?

Pois é, o Yekun é uma banda cuja

classificação musical em gêneros do

Metal não é tarefa lá muito simples

(e o Pai Marcão aqui nem mesmo vai

tentar, pois não acredito em rótulos ou

subdivisões toscas). Muito peso e um

som gorduroso, cheio de psicodelia e

agressividade, mas ao mesmo tempo,

cheio de um feeling precioso e bastante

espontaneidade, especialmente se estivermos

falando do Official Bootleg

do grupo, “Live at Kaffeklubben”, que

acaba de ser disponibilizado para download

gratuito pelo grupo.

Primeiramente, “Live at Kaffeklubben”

é um disco realmente ao vivo, sem

muitos overdubs de estúdio, como era

feito até a primeira metade dos anos

80, ou seja: você está ouvindo o que

foi tocado no show, sem muito embelezamento

feito a posteriori em algum

estúdio de ponta com um engenheiro de

som fabuloso. Nada disso, o clima aqui

é ao vivo até o osso, e se pode ver que o

grupo ao vivo é bem mais feroz e irascível

que em estúdio.

Gravado no Inferno Club em julho

último (ou seja, podem perceber que o

tempo de lá para cá nem permite grandes

mexidas no áudio), a qualidade não é a

melhor do mundo, já que o peso esfumaçado

está presente, o baixo está com uma

sonoridade bem gordurosa e alta, os vocais

estão bem urrados e os riffs e solos

em um nível de volume um pouco baixo.

Mas isso tudo deixa uma coisa exposta:

que o grupo não quis dar uma de “o

grandão” e mexeu. Nada disso, é direto

e reto, ao vivo e sem perdão, mas com

muita energia e tesão, coisa de quem

quer mesmo fazer música. E isso, meus

caros, é para poucos como este quinteto

insano. E não duvido que bares e outros

estabelecimentos da Rua Augusta teriam

problemas sérios com esses caras soltos

por lá em noites de fim de semana...

Seis faixas estão no trabalho, todas

elas muito boas e empolgantes.

“Around”, o hit “Inside My Headache”

e “Psi Ética (Immolated)” são faixas de seu

primeiro trabalho, o Websingle “Inside My

Headache”, em versões bem gordurosas e

pesadas, mas ainda temos as inéditas “Faith

of Serpents”, a ótima “Compasso Ímpar”

e “The Boar’s Nest” (esta última, título do

próximo trabalho do grupo). Todas elas ótimas

canções, mostrando que JP é um ótimo

vocalista ao vivo, sabendo não só cantar,

mas se comunicar bem com o público, ao

passo que as guitarras de André Abreu (apesar

do baixo volume e meio abafada em alguns

momentos) se mostra pesada e firme

nos riffs e solos, o baixo gorduroso e agudo

de Gerson Câmera segura uma base rítmica

forte junto com a bateria precisa de Vlad

(que mostra uma boa e sóbria técnica). E

esses dois últimos se mostram bastante em

“The Boar’s Nest”, lembrando muito algo

como um Black Sabbath dos 70 no auge de

seu experimentalismo.

Então, já que leu minhas palavras até

aqui, baixem logo o disco que é de graça,

enquanto “The Boar’s Nest” não sai.

O link é esse (http://www.metalmedia.

com.br/yekun/downloads/yekun_liveatkaffeklubben.rar),

então, baixem

de uma vez, ouçam em alto volume e

vejam pais e vizinhos pagodeiros reclamando

muito! (MG)

Nervosa

Victim of Yourself

Die Hard Records - Nacional

Bom, seria de se esperar que absolutamente

nada aqui seria diferente!

Afinal a Nervosa além de ser uma das

mais atuantes bandas deste nosso país,

jamais aliviou em nada na sua postura e

na sua música. E está tudo lá, os riffs, a

bateria quebra ossos e os vocais característicos

de Fernanda Lira.

Embalando shows e mais shows por

todo o país, arrancando elogios e críticas

efusivas tanta da mídia especializada

quanto do público, a banda segue seu

caminho e vai conquistando seu lugar

ao sol, e derrubando um a um os problemas

encontrados.

Prika Amaral é uma verdadeira máquina

de riffs e não deixou por menos

neste Victim of Yourself, peso em doses

cavalares, velocidade e em muitos

do cd, climas extremamente bonitos e

muito bem construídos.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 11


Fernanda Lira desenvolve o seu papel

de forma muito competente, vocalizações

muito bem encaixadas e em muitos

momentos inspiradíssimos. Sinto falta

de um pouco mais de volume no baixo,

mas ele está presente e faz aquela parede

sonora por traz dos riffs cortantes.

A bateria, gravada por Amilcar Christófaro,

é uma aula de Thrash Metal do começo

ao fim. Mérito para a batera Pitchu

Ferraz que além de reproduzir tudo que é

tocado por Amilcar no CD, ainda imprimi

sua própria personalidade no andamento

das músicas, como podemos conferir nos

diversos vídeos ao vivo das meninas espalhados

por toda a rede. Mas, ao meu

ver, faltou um pouco de punch e timbres

mais ousados na gravação da bateria, mas

isso é muito mais uma questão de gosto

pessoal do que um problema do CD em si.

Um grandioso lançamento da Napalm

Records da Áustria, de umas das maiores

promessas do nosso país para o mundo, e

digam, os retratores o que quiserem, o mérito

de terem cometido Victim of Yourself

e de serem uma das mais dignas e respeitadas

representantes do Thrash Metal deste

Brasil varonil, ninguém tira delas. (JPC)

Nervochaos

The Art of Vengeance

Cogumelo Records - Nacional

Após o bem conceituado disco “To

The Death” e o DVD triplo “17

Years OF Chaos”, o quarteto paulista referência

nacional do death metal, Nervochaos,

trouxe para 2014 um dos melhores,

se não o melhor, e mais completo disco

dos seus dezessete anos de carreira!

“The Art Of Vengeance”, gravado

no Estúdio HR (RJ) e mixado na Itália

contou com a produção de Alex Azalli e

a própria banda, além da belíssima capa

e encarte ter ficado por conta de Marco

Donida – guitarrista e fundador da banda

Matanza, também guitarrista da banda de

black metal Enterro – é um disco que vai

ficar marcado na história do Nervochaos.

Foi um trabalho muito bem elaborado,

centrado, preciso e maturo, mas

tudo isso sem sair das raízes do primordial

Death Metal padrão de brutalidade,

mostrando que é possível inovar, evoluir

e amadurecer sem largar suas origens.

Tecnicamente tudo foi muito bem

trabalhado, riffs pegados, arranjos mais

sólidos, guturais e viscerais mais precisos,

variando constantemente entre

Guiller e Quinho.”Em 12 faixas de puro

amassa-crânios, não há muito o que ser

dito ou destacado. O disco é homogêneo

do início ao fim”. - Marcos Garcia.

“The Art Of Vengeance”pode ser

considerado o melhor disco de 2014,

sem meia palavras e sem papas da língua

o disco põe o Nervochaos no topo

da cadeia do metal extremo, merecedor

do título: “Mestres do Death Metal”.

Junto ao disco temos também uma

segunda parte: o DVD “Warriors on the

Road II”, uma sequência de “17 Years

of Chaos” onde temos um documentário

que abrange de “To The Death” até

aqui, com depoimentos do início das

carreiras de Guiller, Quinho, Felipe e

Edu até chegarem ao Nervochaos, e um

documentário sobre a gravação do “The

Art of Vengeance” (com depoimentos

do produtor Alex e dos “Nervoguys”),

mostrando o porquê da banda ter dado

uma crescida em termos musicais. (YN)

Siege of Hate

Animalism

Independente - Nacional

Se você fala de qualidade, peso, velocidade

e agressividade, você tem

que lembrar de Siege OF Hate.

Executando com perfeição o mais fodido

Grind/Death/Hardcore, Animalism, disco

mais recente dos caras lançado em 2013 traz

em sua bagagem 14faixas de pura técnica e

brutalidade, colocando o S.O.H como um

ícone do Grindcore nacional.

É normal ter torcicolos frequentes

e um pouco de falta de ar quando se

escuta “Animalism”. É simplesmente

animal! Toda fúria desse disco transcede

e transforma-se em energia, não te

deixando sossegar um minuto se quer.

O power trio com exatos dezesseis anos

de existência e composto por Bruno Gabai,

George Frizzo e Saulo Oliveira, carrega

muito bem a bandeira do Ceará e do Nordeste,

enchendo centenas e mais centenas

de headbangers de orgulho de sermos tão

violentamente bem representados!

Elaborada por G. Frizzo, a capa do

álbum é uma obra prima: “um javali

que nos observa de maneira incômoda,

e que reflete a proposta do álbum, que

foi “inspirado na obra ‘A Revolução

dos Bichos’, de George Orwell, assim

como num paralelo entre esta (sic) obra

de ficção e a atual conjuntura política

(cada vez mais negativa) do Brasil e da

América Latina”. (YN)

Innvein

Timeless

Independente - Importado

Oriundos de Buenos Aires na Argentina,

esse quinteto nos brinda com a

fórmula mágica do Prog Metal, aliados

a muito Heavy Metal em suas composições.

Como Timeless foi produzido pela

própria banda o que emana dos falantes

é uma massa sonora de peso e melódia,

e pelo fato de ser mais pesado que o normal

em se tratando de bandas de Prog,

este CD acaba agradando até mesmo que

não é muito chegado ao estilo.

Os vocais do também guitarrista Ignacio

Rodriguez, seguem pela interpretação

e em alguns momentos soa mais

grave, mas o trabalho vocal é digno de

nota, uma vez que ele se vale de momentos

muito introspectivos e soturnos,

chegando ao ponto de ouvirmos uns guturais

aqui e ali ao longo do trabalho.

Ao longo dos quase 40 minutos de

Timeless percebemos uma banda coesa,

afinada e que dão as sua composições um

toque de elegancia e bom gosto. A banda

composta, por Patricio Rodriguez - guitarra,

Rodrigo Delucchi - teclado, Eduardo

Giola - baixo, Alejandro Pavone bateria,

além do já citado Ignacio Rodriguez, esbanja

técnica e conhecimento de causa,

além de conhecimento na parte técnica,

já que todos os intrumentos são audíveis

e muito bem timbrados, as linhas de baixo

são claros e muito criativas, associadas as

levadas de bateria velozes e quando não,

muito bem aplicadas ao longo das músicas.

O Innvein, com Timeless nos mostra

que é possível sim, fazer um disco de

Prog Metal, capaz de agradar até o mais

radical dos Headbanger, assim como

ainda manter os que são chegados a fritação

dos intrumento. O que torna, pelo

menos, a audição deste trabalho, obrigatória.

Sensacional! (JPC)

Impaled Nazarene

Vigorous and Liberating Death

Osmose Records - Importado

o quarteto mais insano e polêmico do

E Metal finlandês está de volta à carga,

cada vez mais bruto e mal encarado em

seu trabalho musical.

Sim, o Impaled Nazarene, veterano e

um dos pioneiros da (agora) reconhecida

cena Metal da Finlândia, depois de 4 anos

longe dos estúdios, acaba de lançar seu

novo álbum, o destruidor de pescoços

“Vigorous and Liberating Death”, mostrando-se

ainda forte e vigoroso, mesmo

tendo quase 25 anos de luta, muita ironia

e polêmicas em sua bagagem.

Desde “Manifest”, de 2007, a banda

tem sua formação estabilizada. Mas sua

música não apresenta muitas mudanças,

quase como se fossem um tipo de AC/

DC ou Motorhead do Metal extremo da

Finlândia. Mas há uma enorme diferença

entre eles e muitas bandas que trilham

este caminho: o Impaled Nazarene não

é repetitivo ou chega a cansar nossos

ouvidos, muito longe disso. Podemos

dizer que “Vigorous and Liberating

Death” é o melhor disco do grupo desde

“Pro Patria Finlandia”, mas mais bruto

e seco que a fase entre “Rapture” e o

próprio “Pro Patria Finlandia”, que era

um pouco mais melodiosa.

A produção, feita pelo próprio grupo,

garante que a personalidade musical do

quarteto esteja intocada, ao mesmo tempo

em que ficou mais cheia e encorpada que

nos discos anteriores, com um peso cavalar,

mas sem perder o impacto musical, e

menos ainda a limpeza necessária para

que o brilho dos instrumentos se perca.

E se preparem, pois o quarteto não está

para brincadeiras. Esse disco é impactante,

bruto e sempre soando agradável, seja

nos momentos mais ferozes e velozes,

seja quando a banda muda um pouco a

velocidade dos andamentos (embora as

músicas sejam quase todas bem rápidas).

E a simplicidade musical da banda em

certos momentos deixa claro que mil

notas não fazem uma boa canção. Mas

é bom tomar cuidado: ser simples não

significa que o grupo não saiba arranjar

muito bem suas músicas, e despojamento

(uma característica musical do Impaled

Nazarene) não quer dizer que uma boa

técnica está ausente.

As letras de “Vigorous and Liberating

Death” versam bastante sobre a morte em

vários pontos de vista, destilando críticas

azedas e protestando contra a morte da

economia finlandesa (e da própria União

Européia), contra a morte da liberdade de

expressão, entre outras tantas. Temas bem

atuais, mesmo para a realidade brasileira.

Enfim, sejam bem vindos de volta e

continuem pervertendo os bons costumes

e fazendo as pessoas pensarem por si

mesmas. (MG)

Revolted

Revolutionary Order

Imdependente - Nacional

Começaremos dizendo que quem

gosta de arte gráfica, já se encanta

com Revolutionary Order, CD lançado

em março de 2014 pelo proeminente

Revolted. Já que a capa deste trabalho

é, para mim pelo menos, uma das mais

bonitas já lançadas pelo nosso prolífico

cenário Heavy Metal. Com ideais do

vocalista Hedrey e elaborada pelo artista

Thiago Andrade, por si só, já nos

deixa com vontade de colocar o CD no

player e conta pontos positivos ao Revolted.

Nascida em Anápolis (GO), esta banda

prática um Thrash Metal com características

modernas, danto um tempero

interessante a brutalidade que emana de

suas músicas, que são muito bem “cuidadas”

e podem migrar da brutalidade

estrema a passagens melodiosas, principlamente

nos solos, sem perder sua característica

e sua fúria. Coisa de quem

sabe bem o que quer, e que torna este

primeiro lançamento digno de figurar

nas listas de melhores do ano.

E os caras não param, ainda para

2014 podemos contar com surpresas.

“Lançamos Revolutionary Order e estamos

trabalhando na produção do nosso

primeiro vídeo para a faixa Heartbreaking

que será dirigido por Paulo Victor

e editado por Bruno Paraguay, vocalista

da banda Eminence, disse Alex.

Ele ainda nos contou que a aceitação

do trabalho pela mídia especializada e

pelo público tem sido muito gratificante:

“A galera tem sido generosa com a

gente, elogiando bastante o nosso trabalho,

até nos surpreendeu. É muito bom

ler esses reviews positivos, dá um gás

a mais para continuarmos a investir na

banda, sabendo que realmente o disco

está agradando a galera.

Revolutionary Order traz uma banda

musicalmente madura e pronta a conquistar

seu espaço no concorrido cenário

brasileiro, mas podem sim, almejar

alçar voos mais alto, afinal, música de

qualidade e personalidade não faltam a

este grupo. (JPC)

12 - UNDERGROUND ROCK REPORT


A Red Nightmare

A Red Nightmare

Imdependente - Nacional

Uma excepcional revelação vinda

lá de Belém, no Pará. Como dá

gosto de escutar um trabalho tão bem

feito, caprichado tanto na arte musical,

quanto na visual. Pois é, o negócio

vem em digipack, com uma arte

gráfica linda (Gustavo Sazes é o cara)!

O som desses caras é um Death Metal

com toques modernos, executado com

muita maestria. Sim, os arranjos ficaram

fantásticos, variados e brutais. Há

partes velozes, como manda o figurino,

e também aquele ‘groovie’ em outros

momentos, de modo que tudo parece se

complementar e deixar o material irresistível.

Até os solos estão inspirados aqui.

Mas em meio à destruição sonora,

os caras mostram um lado menos

agressivo – no caso, lá pela metade

da ótima “A Red Nightmare PT.III”,

o que mostra quanta bagagem esses

caras têm. Que trabalho lindo!

O ‘debut’ conta ainda com a primeira

demo, também intitulada “A Red

Nightmare”, como bônus, regravada.

A produção do disco também é

impressionante. Nos momentos mais

brutais, a caixa de som corre perigo de

estourar com o peso dos instrumentos.

Vai por mim, uma das maiores surpresas

do ano! Foda, foda, FODA! (CK)

Aneurose

From Hell

Imdependente - Nacional

abe daqueles Thrash Metal com toques

Smodernos, bem produzido e feito por

gente competente? Olha a Aneurose se encaixando

no perfil!

É cadenciado, é pesado, maravilhosamente

‘grooviado’ e, como não poderia

deixar de ser, empolgante. Viu só? Nem só

de alta velocidade vive o estilo!

Escute a chamada “Hunting Knife”,

com uma levada que intima a entrar na

roda e testar sua saúde até seu final. E a

seguinte, “Drink Like a Man”, até começa

meio Heavy, mas desembesta pra algo

mais violento e direto. O refrão é um grude

só! “FIRE!!!”

Um “quê” de Pantera surge em “Square

in Flames”, mais especificamente da música

“A New Level”. Boa também!

E a que fecha o disco, “Spoilled Little

Girl (S.L.G.)”, talvez seja a mais porrada.

Cuidado, pois ela atordoa!

Pelo visto, os caras não gostam de mesmice,

já que cada faixa tem uma cara bem

própria, algo admirável no trabalho, especialmente

constatando que conseguem soar

agressivos em todas elas.

Em meio a tudo isso, o bom vocal de

Wallace Almeida, que até lembra um pouquinho

o de Chuck Billy (Testament) em

alguns momentos.

Quase esqueço, a banda vem de um lugar

especialista em música extrema: Minas

Gerais. Portanto, carrega a bandeira do

mal, e com merecimento!Não deixem de

conhecer esse material, intenso na medida.

Metal até a alma do corpo em decomposição!

(CK)

Angry

Future Chaos

Metal Maximus/Tauil Entretenimento

Nacional

á tinha passado da hora desse ‘debut’ sair!

JO Thrash Metal permanece mortal e dessa

vez, vem acompanhado, em um ou outro

momento, pelo Death Metal. Cinco anos de

atividades comemorados em grande estilo!

A gravação está uma maravilha, expondo

toda a fúria do quarteto, formado por

Alex (guitarra), Diego Armando (baixo/

vocal), Ricardo Luiz (bateria) e Renato

Haboryni (gravou a segunda guitarra).

E o que se percebe é o talento de todos

os músicos – escute, por exemplo, o solo

fantástico da faixa-título (ó o clipe aí embaixo)

ou as boas viradas de bateria -, que

dominam os respectivos instrumentos.

Bom, e o vocal continua com aquela pegada

nervosa que remete a Tom Araya, em

meio às músicas velozes na maior parte do

tempo (com a caixa da bateria marcando a

“cabeça” do tempo em quase todas as composições).

Falando em voz, há participações

especiais de Diego Armando, Alex Rangel

(Attomica), Juliana Reis (Martíria) e Jairo

(Chaos Synopsis) nos backing vocals.

Além da mencionada faixa-título, vale a

pena falar também de “Struck in the Past”,

com arranjos fodas, a seguinte, “Suffocated

by Despair”, lindamente brutal, e a última,

“Last Day”, com mais de sete minutos!

A capa e o encarte são bem caprichados,

mais um ponto positivo para o conjunto

que, como já demonstrado no EP “Only

Lies” (2010), sabe investir na parte visual.

Thrash que carrega o clássico e um

pouco do moderno: se é isso que você

curte, é bom voar atrás desse material, violento

como deve ser. Aliás, agitar ao som

de “Future Chaos” pode comprometer o

pescoço... mas e daí? Vale a pena! (CK)

Protector

Reanimated Homunculus

High Roller Records / Kill Again

Records - Nacional

Banda oitentista (embora tenha dado

um enorme intervalo nas atividades

entre 2003 e 2011) e como tal, investe num

Thrash Metal daquela época com um pouco

de Death. É alemão, então, já se sabe

que é bruto como um tanque de guerra.

Como seria de se esperar, percebe-se

uma ou outra semelhança com os clássicos

daquele país, como Kreator (antigo)

e Sodom, por exemplo, mas a Protector

consegue ser mais violenta.

A voz de Martin Missy tem um timbre

bem do estilo Black Metal, rasgado

e seco, o que dá uma aura mais malévola

para o som da banda e engrandece o

resultado final.

Entre tantas boas composições, vale

destacar “Deranged Nymphomania”,

que é uma pancada na cara que afunda

os dentes no fundo do crânio, assim

como “Lycopolis” e a que fecha o disco,

“Calle Brutal”. Essa última é bem curta,

composta pra aniquilar!

“Road Rage” também é uma maravilha,

com boas levadas velozes, e

há também uma regravação para “The

End”, originalmente registrada na demo

“Resurrected” (2000).

A capa – muito bonita por sinal - remete

a trabalhos Death Metal, estilo que

a banda misturava em maior quantidade

com o Thrash em anos passados. Aliás,

entrando no mérito do encarte, muito

bacana ele contar com o resumo da

história da banda! E a coisa foi além,

pois lá fala por onde andam todos os

ex-integrantes do grupo (e os atuais),

e também há comentários sobre todas

as faixas. Está aí uma coisa muito legal

que as bandas deveriam fazer.

Vale a pena conhecer esse material, deliciosamente

extremo e que saiu em versão

nacional pela Kill Again Records. (CK)

Subcut

Grind Years 2004-2011

A

Vários Selos - Nacional

qui, uma ótima compilação dos

paulistas, uma das mais importantes

e respeitadas bandas do Grindcore

nacional. Afinal, não é fácil encontrar

esse material, que saiu inicialmente

em splits, hoje em dia. Portanto, mais

do que nunca, essa iniciativa, feita por

diversos selos em parceria, sacia a fome

dos fãs do grupo.

Apenas para constar, a compilação

vem de splits com as seguintes bandas:

Pretty Little Flowers (2011), Social

Chaos (2007), Disturbance Project

(2006) e Fuck the Facts (2004).

Como todos já devem saber, e já foi

dito aqui no blog outras vezes, a Subcut

faz um Grind com uma identidade própria,

inconfundível. É nervoso, veloz ao

extremo, sujo e desgraçado.

A alternância de vocais característica

se faz competente como sempre, assim

como os riffs diretos e agressivos. A bateria,

claro, não descansa.

Obviamente que a qualidade da gravação

varia, mas todas, de maneira geral,

estão bem acima da média, de modo

que não há do que reclamar. Isso é que

é legal dos caras: mesmo sendo tão extremos,

eles tomam cuidado com a produção,

de modo que ela esteja tinindo

(para os padrões do estilo).

Poxa, e o que é bom, dura pouco...

essa preciosidade, com 24 barulhos, não

chega a meia hora de duração. Bom,

melhor colocar pra repetir, né?

Sejamos francos: fãs de Grind são

masoquistas! Afinal, adoramos ter nossos

ouvidos massacrados pelo caos sonoro,

e a banda é uma das que realmente

sabe como violentar os canais auditivos.

Pessoal, hora de cair no óbvio: indispensável,

um documento importante da

história do underground nacional. Haja

crânio para ser tão esfolado! Se vira

para tentar conservar o seu. (CK)

Pile of Corpses

For Sex, For Violence,

For Alcohol

S

Independente - Nacional

abe a famosa frase que tem feito

sucesso nas redes sociais, “The

zoeira never ends”? Pois então, tem

tudo a ver com o ‘debut’ da Pile of

Corpses, não no sentido pejorativo,

mas como algo divertido e bem humorado.

Porque o som desses doentes,

meus amigos, é calcado no Thrash/

Death Metal esporrento, pra assustar

qualquer desavisado.

Os caras são figuras e mandam ver

em letras sacanas e de humor negro

que conquistam pela falta de noção (a

introdução já “diz” tudo).

Quanto à sonoridade, a influência

da escola americana é grande, mas

nem por isso eles são cópia de algum

medalhão. A velocidade é constante

em quase todo o disco (parabéns

para o habilidoso baterista Pinguim)

e o peso da guitarra de JP, que destila

bons riffs, é um dos grandes atrativos

de “For Sex, For Violence, For Alcohol”.

Aliás, o talento dos músicos é fato.

Afinal, constroem músicas bem interessantes

mesmo sem trazer inovações

para o estilo que executam.

O que merecia mais cuidado é a

gravação, que ficou meio tosca. Tudo

está audível, mas lembra registros

do começo dos anos noventa, quando

ainda careciam de mais qualidade

no quesito. Aliás, a primeira (e maravilhosa)

demo da POC, “Hail War

(Enhanced)”, datada de 2004 (dez

anos!) tem uma produção melhor do

que a do CD.

Mas podem ficar tranquilos, porque

as composições animais se sobressaem

a qualquer empecilho relacionado

à gravação. Portanto, foi apenas uma

observação construtiva.

A Pile of Corpses continua lançando

trabalhos de alto nível e perfeitos

para aqueles que gostam do contraste

entre a brutalidade e a graça. Delicie-

-se e regurgite, refazendo os processos

continuamente. Vale a pena.

PS: Ainda me lembro do show deles

em Araraquara/SP. O vocalista usando

uma máscara de porco foi hilário. Eles

devem se lembrar de mim, pois fui o

único que comprou a mencionada

demo depois da apresentação. (CK)

UNDERGROUND ROCK REPORT - 13


O Sincronicidio - Sexo, Mortes e

Revelações Trasncendentais

Fábio Shiva

Caligo Editora

Bem, temos o prazer de começar

uma parte que é destinada aos livros,

e nada melhor que estrear com um

exemplar tão bom que vem a acrescentar

à nossa literatura nacional, que é a

obra “O Sincronicídio - Sexo, Mortes

e Revelações Transcendentais”, cujo o

autor é Fábio Shiva.

Sobre Fábio, estamos falando na

mente criativa que ajudou a criar um

dos grandes momentos do Metal nacional,

o CD “Vida, the Play of Change”,

obra aclamada por público e crítica ha

ános. Fábio é quem escreveu todas as

letras do CD, todo o conceito que transita

entre o real, o abstrato e o metafísico

que até hoje arranca aplausos de todos

como uma obra incomparável de nossa

cena. E isso sem comentar que ele é formado

pela Faculdade de Comunicação

da UERJ, e também cursou Psicologia

na UERJ e Ciências Sociais na UFRJ.

E antes de tudo, Fábio ainda é ligado à

produção de cultura e consciência social,

sendo um lutador ativo, além de

ser um exímio conhecedor de literatura.

Não estamos falando de algum intelectual

que vive apenas digitando livros e

se abstendo da realidade.

“O Sincronicídio” é, antes de tudo,

uma obra extremamente inovadora, com

uma estória forte falando sobre assassinatos

em série, mas mostrando o que há

de pior e melhor em cada ser humano,

e tudo isso com uma linguagem que é

bem detalhista, mas ao mesmo tempo,

dinâmica. Assim, o leitor não perde em

momento algum a noção do que está se

passando, e acaba lendo em ritmo quase

sempre ditado pela ação que está escrita,

chegando a ter a clara sensação de estar

incorporando os personagens, sentido

em sua própria mente as sensações e

sentimentos de cada um deles, ou seja,

o próprio leitor dessa de ser um mero espectador,

mas começa a sentir-se em Rio

Santo, como uma testemunha das ações

que acontecem, em sua maioria, focadas

no Inspetor Alberto Teixeira, da Delegacia

de Homicídios de Rio Santo.

O estilo de Fábio, como citado acima,

é muito dinâmico, detalhista e envolvente,

mas não se furta de usar uma

linguagem forte e dura, como em cenas

onde a sensualidade, sexo e violência,

das cenas dos crimes, são abordados. E

não, de forma alguma você não deixará

de perceber que em “O Sincronicídio”,

a vida cotidiana de várias cidades em

nosso país está ali retratada, preto no

branco e com muita elegância e vida. E a

cada capítulo encerrado, temos logo von-

tade de começar o seguinte sem pausa.

E um dos pontos mais inovadores da

obra é que os números de seus capítulos

não segue a ordem numérica convencional,

mas utiliza um amálgama muito

interessante entre os ideogramas do I

Ching que são, por sua vez, associados

à jogadas de Xadrez, logo, cada jogada

e cada oráculo do I Ching projetam algo

na parte que estamos lendo, mas de forma

tão sutil que é preciso ter atenção e

mente aberta para sua compreensão. Mas

preparem-se, pois o livro, apesar de não

ser uma leitura enfadonha em momento

algum, tem um teor de complexidade

agradável para os acostumados à leitura,

mas que aos que iniciam a prática pode

ser um desafio. Mas como todo desafio,

tem um prêmio ótimo que os aguarda.

No mais, “O Sincronicídio” nasceu

para ser grande, e é um obra tão boa que

fará com que o leitor sinta-se em um

misto entre Umberto Eco e Arthur Conan

Doyle, mas com requintes de Edgar

Alan Poe. E várias pessoas ligadas aos

Heavy Metal, como Eliton Tomasi (ex-

-editor-chefe da Rock Hard/Valhalla,

atualmente trabalhando com a Assessoria

de Imprensa Som do Darma),

Janaína Santos (produtora de eventos,

e responsável pela extinta Domination

Management, que cuidou de bandas

como Imago Mortis, Rebaelliun, Krisiun,

entre outros), Alex Voorhees (vocalista

do Imago Mortis), este autor que

vos escreve e outros estão lendo avidamente

o livro.

Deixe-se envolver pela estória de “O

Sincronicídio”, embalado por sua trilha

sonora, e aproveitem momentos de puro

prazer. Boa leitura!

Ah, sim: a trilha sonora é ótima, e

pode ser conferida aqui, que vai do

Rock ao Clássico sem radicalismos, e

“O Sincronicídio” pode ser adquirido

no site da Editora, ou com o próprio

Fábio. (MG)

Links relacionados:

www.caligoeditora.com.br

www.facebook.com/sincronicidio

O Livro Negro do Rock

Antonio Celso Barbieri

Independente

Antonio Celso Barbieri, uma das

grandes figuras do rock brasileiro,

acaba de lançar digitalmente a obra

“O Livro Negro do Rock”. O livro, que

conta com quase 300 folhas, é dedicado

à pesquisa do Rock e do Oculto, na

tentativa de entender o fascínio do Ser

Humano com a religião.

Este trabalho literário conta também

em detalhes a História do Black Metal

mundial e a importância das bandas

brasileiras Sarcófago e Vulcano como

influenciadoras do Black Metal Norueguês.

O livro pode ser lido na sua íntegra

no link:

www.celsobarbieri.co.uk

Putim - A Face Oculta

do Novo Czar

Masha Gessen

Nova Fronteira

utin: A Face Oculta do Novo Czar é

Pa impressionante história de como um

agente obscuro da KGB chegou à presidência

da Rússia e, em um tempo incrivelmente

curto, destruiu anos de progresso

e fez do seu país mais uma vez uma

ameaça ao seu próprio povo e ao mundo.

Escolhido a dedo como o sucessor à

presidência pelos colaboradores mais

próximos de um doente e cada vez mais

impopular Boris Yeltsin, Vladimir Putin

parecia a escolha perfeita para a elite

que desejava moldar os rumos do país

de acordo com seus próprios interesses.

De repente, o menino que ficava nas

sombras, sonhando governar o mundo,

tornou-se uma figura pública, e sua

popularidade disparou. A Rússia e um

Ocidente deslumbrados estavam determinados

a ver nele o líder progressista

de seus sonhos, mesmo testemunhando

Putin assumir o controle da mídia, enviar

rivais políticos e críticos para o exílio

ou para o túmulo, esmagar o frágil

sistema eleitoral do país e concentrar o

poder nas mãos de seus comparsas.

Mais Pesado que o Céu

Cross, Charles R.

Globo

Mais Pesado que o Céu apresenta a

vida singular de Kurt Cobain, o

mítico líder do Nirvana, banda que revolucionou

o estagnado mundo da música

pop no início da década de 1990,

com o lançamento do clássico álbum

Nevermind. Em capítulos que evoluem

em ordem cronológica, Charles Cross

traça a vida de Cobain desde sua infância,

quando ele morava no interior

de um trailer numa cidade perdida do

estado de Washington, até a conquista

da fama, do sucesso e da adoração de

toda uma legião de fãs. Heavier Than

Heaven revela os dramas familiares que

instigaram a criatividade musical de

Cobain, a história da geração que moldou

seu caráter e sensibilidade, detalhes

do vício pela heroína, os planos suicidas

e seu estranho e conturbado caso de

amor com Courtney Love. Analisando

relatos médicos e policiais, e cartas do

próprio músico, Charles Cross também

revela fatos novos sobre a saúde de Cobain,

sua depressão e seus últimos dias.

Neil Young

A Autobiografia

Masha Gessen

Nova Fronteira

Lenda do rock e do folk, criador do

Buffalo Springfield, líder da banda Crazy

Horse, parceiro de Crosby, Nash e

Stills, um dos maiores guitarristas de

todos os tempos e um dos músicos mais

influentes de sua geração. Ao longo do

último meio século, o cantor e compositor

Neil Young construiu uma carreira de

sólido sucesso nos Estados Unidos e no

resto do planeta. O recente lançamento

mundial de Neil Young – A autobiografia,

no entanto, revela uma personalidade

multifacetada – para muito além do que

os fãs de sua música poderiam imaginar.

Colecionador de automóveis e especialista

em modelismo ferroviário (é

dono de uma empresa do ramo), há anos

Young investe e trabalha num projeto

de carro elétrico. Não qualquer carro,

mas o chamado Lincvolt, um gigantesco

Lincoln Continental movido a energia

renovável e limpa (Young sonha em ser

sustentável sem prejuízo para a paixão

americana por carrões). O compositor

também desenvolve, às próprias custas,

a PureTone, alternativa digital à tecnologia

dos MP3, capaz de distribuir música

online e de proporcionar para o consumidor

final um som com qualidade similar

à dos discos de vinil.

Young escreveu de próprio punho uma

narrativa fragmentada, com o vai e vem

aleatório das recordações determinando a

ordem em que as histórias são apresentadas.

É por meio desses flashes do passado,

e por constantes divagações do autor

acerca do presente e do futuro, que o leitor

toma contato com essa impressionante diversidade

de interesses do artista.

Da mesma maneira, episódios marcantes

vêm à tona fora de ordem cronológica,

exclusivamente ao sabor da

inspiração do momento. Os parceiros na

música, as grandes amizades, os amores,

a paixão pela esposa Pegi e pelos filhos

Zeke, Ben e Amber, entre muitos outros

temas, vão surgindo conforme avança o

fluxo da memória do autor. Como um

pungente solo de guitarra de Neil Young,

sua autobiografia parece

14 - UNDERGROUND ROCK REPORT


My Blood Roots

Max Cavalera

Agir Editora

após 4 dias de uma agradável leitura,

podemos enfim dar um parecer a

E

‘My Bloody Roots’, a biografia de Max

Cavalera que acaba de ser lançada.

A primeira coisa que salta os olhos

é o fato de que não há um narrador

escrevendo o livro, baseado em revistas,

livros ou programas de TV, já

que todas as linhas são, na realidade,

escritas pelo próprio Max, e assim, a

leitura deixa de ter aquele caráter rígido

da formalidade profissional para ser

mais fluida e informal, e de certa forma,

mais autêntica com a realidade dos

fatos narrados. Mas ao mesmo tempo,

não tem aquele jeitão de “diário”, ou

seja, apesar de ter sido ordenado cronologicamente,

não existe aquela coisa

de “hoje meu dia foi...” que tornaria a

leitura maçante. E garantimos: a leitura

dessa biografia poderia ser tudo,

menos chata e enfadonha. E isso sem

mencionar o prefácio de Dave Grohl,

que está mais para um depoimento de

um fã, e por este motivo, antenado com

todo o conteúdo do livro, pois são as

palavras de um fã da banda.

Confirmando a veracidade de cada

momento, existem depoimentos de

músicos, familiares e outras pessoas

que estiveram (ou ainda estão) ligadas

à vida de Max, como Gloria (sua

esposa e empresária), Iggor (seu irmão),

Vânia (sua mãe), David Vincent

(que participou de uma faixa do

SOULFLY), Marc Rizzo (guitarrista

do SOULFLY e amigo de longa data),

Michael Whelan (o artista que criou as

capas de ‘Beneath the Remains’, ‘Arise’,

‘Chaos A.D.’ e ‘Roots’), Monte

Conner (da Roadrunner Records), entre

tantos outros.

É interessante ver a história de vida

de Max sob sua ótica, e ver pontos

baixos (como a morte do pai ainda

muito criança, a mudança de SP para

BH, a passagem do enteado Dana,

sua saída do SEPULTURA, e mesmo

a bela narrativa sobre sua luta contra

o alcoolismo e vício em analgésicos)

e altos (a subida ao sucesso, a volta

com o SOULFLY, a reconciliação com

o irmão Iggor e sua completitude ao

compor/gravar/tocar), e é impossível

ao leitor não se envolver, não sentir em

si mesmo as tristezas e alegrias pelas

quais a vida de Max foi permeada. Há

uma sinergia incrível, e Max realmente

cativa o leitor a cada momento.

Obviamente, existem fotos de Max

em várias situações: ainda como criança,

com o SEPULTURA ainda começando

a engatinhar em BH, das turnês

posteriores, a visita aos índios Xavantes

durante as gravações de ‘Roots’,

já com o SOULFLY e com a própria

família, tudo mantendo sempre um

clima muito intimista e confortável ao

leitor, que começa a se sentir membro

da família.

Uma leitura excelente, que merece

ser feita e refeita, e ao final dela, sentimos

que uma comparação que este autor

já fez anteriormente: Max realmente

é o Ozzy Brasileiro, pois já transcendeu

o fato de ser um simples músico, para

entrar no Hall das grandes personalidades

do Metal de todos os tempos, seja

no Brasil, seja no exterior.

E o melhor de tudo: está história

ainda está sendo escrita, pois o leitor

e o próprio Max ainda estão aqui, com

muito a dizer um ao outro... (MG)

UNDERGROUND ROCK REPORT - 15


Cena independente - O buraco é muito mais embaixo

Por Wagner Cyco

Muito se comenta sobre a cena

musical independente no Brasil,

em São Paulo mais especificamente,

e sua fragilidade e até mesmo

suposta existência. Procura-se um

culpado a quem atribuir o fracasso

de público na maioria esmagadora

dos eventos, os prejuízos acumulados

pelos espaços culturais dispostos

a receber os mesmos sem se prostituir,

dedicando seu espaço às bandas

covers ou extorquir seu público com

preços abusivos, e o pequeno alcance

dos esforços de divulgação dos trabalhos

das bandas.

Um ponto de partida interessante

seria perguntar por que eventos com

bandas internacionais e preços exorbitantes

atraem um público grande,

independente do dia da semana, horário

ou local, enquanto as bandas nacionais,

a preços baixos, quando não

eventos gratuitos, tocam para meia

dúzia de pobres diabos? Existe uma

resposta um tanto óbvia: estrutura.

Ou falta dela.

Quando você vai a um show internacional

geralmente se depara com

músicos que se dedicaram ao seu instrumento

por vários anos (lembrando

que muito provavelmente tiveram aulas

de música nas escolas durante sua

juventude e que lhes proporcionou o

contato e identificação com essa forma

de arte ainda bastante jovem), tocando

em equipamentos de excelente qualidade

(aos quais tem acesso a preço

justo ou ao menos acessível em seus

países de origem) e que você provavelmente

já teve a chance de conferir

material gravado e se familiarizar, conhecendo

as canções e cantando junto

as letras. E é essa a sensação que te

faz pagar pra assistir a essa apresentação.

Aí está o primeiro ponto a ser

considerado. Ou seja, o diferencial é

qualidade de equipamento (lembra-se

daquela frase “parece energia, mas é

só distorção”? Cabe perfeitamente

nesse caso) e envolvimento pessoal

com a música, certo?

O músico brasileiro em geral

“descobre” a música mais tarde, no

fim da adolescência, e quando decide

se dedicar a um instrumento precisa

conciliar seu aprendizado com seus

estudos, trabalho e família. Se vencer

essa primeira barreira e se torna

competente esbarra no próximo empecilho,

que é a dificuldade de contar

com um equipamento decente. Se te

revoltou saber a diferença de preço

de um mesmo videogame nos EUA e

aqui, procure saber o abismo entre os

preços de instrumentos musicais de

ponta nesses dois países. Avancemos

para a próxima questão, a falta de empatia

com o público.

Se a cena nacional não rende

lucro, as bandas encontram imensa

dificuldade em gravar e disseminar

seu material. Seus integrantes precisam

ter empregos para poder honrar

seus compromissos do dia-a-dia e

ainda bancar gravações, ensaios, instrumentos,

equipamentos, merchandising,

seus deslocamentos até os

locais dos shows, além das despesas

com alimentação e hospedagem. São

raras as bandas que conseguem superar

todas essas dificuldades e chegar

ao conhecimento do público, se fazer

relevante. O que geralmente acontece

é o seguinte: o público não conhece,

se não conhece não paga pra ver, se

não paga, não existe lucro. Sem lucro

não existe material. Sem material

o público não tem como conhecer o

trabalho. E assim segue...

Porém o buraco é mais embaixo.

Somos vítimas de uma sociedade egoísta,

voltada apenas ao próprio bem-

-estar. Talvez nem isso. Talvez voltada

apenas à própria vaidade. Fomos convencidos

pela mídia de que ser brasileiro

é ser esperto, levar vantagem, dar

um jeitinho. Que fazer a coisa certa é

ser bobo. Fomos convencidos por nossos

governantes que nossa corrupção

ficará impune. Destituídos de qualquer

sentimento de patriotismo ou valorização

do produto nacional, uma vez que

passamos a vida cercados por inimigos

loucos pra se aproveitar do nosso

menor vacilo.

Desconfiamos que o vizinho possa

fazer a mesma coisa que faríamos

no lugar dele. Apodrecemos e nos

acovardamos sob o medo de nosso

próprio comportamento. A cadeia de

lucro que deveria nos trazer evolução

acaba no primeiro que coloca a mão

em qualquer migalha que seja. Não

acredita, não investe. E no dia em que

uma banda se recusa a tocar por achar

a situação injusta, se livra dela, sob

acusações e abre espaço pra outra,

em um estágio menor de evolução,

que na busca por seu espaço aceita

qualquer humilhação para mostrar

sua arte. O nível vai caindo, o público

vai se diluindo, as bandas vão

ficando de lado, seus integrantes vão

desanimando... Já deixaram de lado

suas famílias, seu descanso tantas

e tantas vezes. Equilibra nas pontas

dos dedos trabalho, estudo, ensaios,

viagens e de repente se vêem assim,

desrespeitados. Suas mensagens e

desejos de mudança gritados a plenos

pulmões não encontram ecos em ouvidos

anestesiados pela ganância.

Não que as bandas sejam sempre

vítimas nessa equação. Também

carregam, claro, sua parcela de culpa.

Quase sempre pela postura de

pouco respeito para com público,

com os outros músicos ou para com

a organização dos eventos. Ainda

resquício de nosso abandono aos

valores morais, os constantes atrasos

nas apresentações. Anuncia-se

um evento em determinado horário

que frequentemente começa com

duas ou mais horas de atraso. Daí

então sobem ao palco músicos embriagados,

com seus instrumentos

devidamente desafinados, cabos

defeituosos causando toda a sorte

de ruídos imagináveis, e dão início

ao festival de microfonias e erros

grotescos. Músicos esses que provavelmente

já pediram emprestados

palhetas, baquetas, correias ou

qualquer outra coisa que seja possível

esquecer antes de poder se apresentar

e que, terminado seu show,

pegam suas coisas, viram as costas

e vão embora, sem prestigiar os

companheiros a se apresentar na sequência.

Poucas coisas fizeram tanto

mal ao músico brasileiro quanto

a propaganda mentirosa do sexo,

drogas e rock’n’roll. Como diria o

Boka (RDP) no documentário Guidable,

“tão pensando que é Rolling

Stones?”. E o que dizer então dos

autointitulados formadores de opinião,

que vislumbram um talento

divino para criar suas letras, sendo

que não são capazes de perder(?)

alguns poucos minutos lendo, coisa

imprescindível a qualquer um que

se atreva a escrever?

Nos leva então a mais um ponto

chave dessa análise: o público. É

bastante comum ouvir dos frequentadores

dos eventos independentes

sua pseudosuperioridade, sua diferenciação.

Discursos inflamados,

apontando o dedo em riste para a

massa não pensante e influenciável,

apreciadora dos estilos musicais da

moda e da cultura mainstream. Engraçado

pensar que esses que estão

sendo julgados como inferiores parecem

ter mais consciência de seu

papel na cena musical da qual fazem

parte do que seus juízes, uma

vez que comparecem aos eventos,

compram material de seus artistas

favoritos, pagam para assistir aos

shows e consomem dentro do ambiente,

gerando receita que fortalece

todas as partes dessa estrutura. Já

nossos pequenos donos da verdade

se contentam em ir até a porta dos

shows e implorar para entrar sem

pagar, pois não tem dinheiro suficiente.

O que se perceberá em breve

não ser verdade, assim que ele

começar a consumir no bar. Ou na

porta. Fica a pergunta: pra quem se

está mentindo? Para o organizador

que liberou sua entrada por pena ou

pra você mesmo? Não seria mais

honesto pegar seu dinheiro e ir direto

pro bar, já que não tem nenhum

interesse em ser parte da cena musical

independente além de parasitá-

-la? Quando iremos perceber que

estamos todos ligados, que somos

todos parte de algo maior e que as

coisas só serão vantajosas pra um

quando forem vantajosas para todos?

Despertar essa consciência

é a verdadeira função do ensino.

Formar cidadãos cientes de seus direitos,

deveres e importância social,

capazes de ter uma postura crítica,

de raciocínio lógico. E aqui surge

mais um componente nessa sucessão

de incompetências: o governo.

O governo, que deveria focar na

educação básica de qualidade para

todos, mas prefere mascarar a realidade

de desigualdade investindo

em universidades federais, às quais

só tem acesso alguns poucos afortunados,

que puderam pagar por uma

educação de qualidade durante sua

vida escolar. Justamente aqueles

que teriam condições de pagar por

um ensino superior de qualidade.

Enquanto isso, a maioria, que não

tem essa mesma condição financeira,

é quem se vê obrigado a pagar.

Mas não basta apontar os problemas.

Quais seriam então as formas

para se quebrar esse círculo vicioso?

Mudança de postura de todos

que fazem parte da cena e, porquê

não, da sociedade em geral.

A única maneira seria conscientizar

as pessoas de que elas não são

apenas frequentadoras de uma cena,

mas que elas são a cena. Não são as

bandas, nem as casas de show. As

pessoas fazem a cena. Bandas e bares

são apenas necessidades que essa

cena demanda. A partir dessa mentalidade

é possível visualizar dias melhores.

Com as pessoas dispostas a

fazer parte de algo, a contribuir para

evolução delas mesmas enquanto

cena. Passaríamos a assistir o desenvolvimento

da cultura independente

como nunca antes, pois à partir do

momento em que os espaços começassem

a obter lucro nos eventos,

eles teriam a chance de investir

numa melhor estrutura de palco e

equipamentos, além de conforto ao

público. Poderiam passar a remunerar

as bandas que se apresentam,

dando a estas a chance de também

investir em instrumentos mais adequados,

gravações mais profissionais

e divulgação decente. E assim o

público, sempre a pedra fundamental

da cena, começaria a ter nos shows

das bandas independentes nacionais

a mesma sensação que tem nos

shows internacionais, quando não

maior, uma vez que se sentiria ainda

mais integrado a tudo isso.

Soa utópico, mas a mim parece

apenas o caminho mais lógico.

*Wagner Cyco é guitarrista das

bandas Mollotov Attack e Irmã

Talitha, além de integrante do

coletivo Nada Pop, onde o artigo

foi publicado originalmente.

16 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Banda formada no ano de 2009

na cidade de Itapevi /SP. O

Warsickness é a junção de elementos

distintos dentro de várias vertentes

do metal, auto rotulando-se

como uma banda de Thrash Metal,

segue uma temática abordando alguns

tópicos atuais como a ignorância

humana sobre a religião e

seus conceitos e regras; a humanidade

que se autodestrói fisicamente

e mentalmente; bebedeira. Hipocrisia

sobre moral e ética da sociedade.

Além de outros assuntos que

são expostos através das suas composições

subliminares. No ano de

2010 iniciaram-se as gravações do

seu primeiro registro, o EP “Reign

of Chaos, Pain and Torture”, que

foi lançado no primeiro semestre

de 2013 pela Guillotine Records /

BA.

Atual Formação

Diogo (Vocals); T.J. (Guitars);

Carlos (Guitars); Alan (Bass);

Guilherme (Drums)

Contatos

www.reverbnation.com/warsickness

www.soundcloud.com/warsickness-brazil

www.youtube.com/WARSICKNESSHELL

https://www.facebook.com/warsickness

E-mail : moreschidiogo@hotmail.com

UNDERGROUND ROCK REPORT - 17


When the Hate Dominate

Por JP Carvalho

Oligarquia foi formado em

O 1992 por Panda Reis e Alex

Chivitti, mas desde o início sofrendo

inúmeros problemas com

troca de forma odo.

O primeiro material da banda,

uma Demo Tape, saiu em

1995, intitulada ‘Conviction of

the Death’, e serviu para colocar

o nome da banda no underground

nacional e internacional,

com a participação da banda em

várias coletâneas no Brasil e em

todo o mundo.

Em 1999 foi lançada a segunda

Demo Tape, ‘Really to be

Dead’, que recebeu uma produção

melhor e mais cuidados na

parte gráfica, com a arte, uma

escultura de bronze, feita exclu-

sivamente para esse material,

que chegou a ter distribuídas

duas mil cópias.

Tal feito chamou atenção da

gravadora Destroyer Records,

que assinou contrato com a banda

para o lançamento do debut

‘Nechropolis’, lançado em 2001,

levando a banda para uma extensa

turnê pelo Brasil, além de excelentes

críticas recebidas pelo

público e mídia especializada.

Mais participações em coletâneas

e grandes festivais no

curriculum (como Extreme Metal

Fest, Da Tribo Festival, Poluição

Sonora Festival, Noite

Anti Música e com Incantation

no Sul) a banda assina com a

Mutilation Records e entra para

o estúdio Mr. Som para gravar

o novo álbum ‘Humanavirus’,

lançado em dezembro de 2003 e

gerando nova turnê para a banda,

que se iniciou mesmo antes do

lançamento do álbum, em setembro,

terminando 2 anos depois,

em dezembro de 2005. Nesse

meio tempo foi lançado na Europa,

em janeiro de 2004, o Split

MCD ‘Enslave by Light’, que

não teve distribuição no Brasil,

sendo uma raridade por aqui.

A banda então da início a

uma nova turnê no Brasil, que

segue até o meio do ano de 2006,

quando a banda se prepara para

o lançamento do próximo álbum.

Com novas composições

sendo trabalhadas, mais uma

mudança de formação se deu,

dessa vez com a saída de um

dos fundadores: Alex Chiovitti.

Para seu lugar foi recrutado

Max Hideo (Conexão Pentagrama/Ódio

Macabro), que assumiu

os vocais. Com a formação novamente

estabilizada, a banda

entra no estúdio Top Noise para

a gravação do novo álbum, que

foi produzido pela própria banda

e segue uma linha mais ‘Old

School’. Para esse lançamento a

banda fechou com o selo Poluição

Sonora Records e ‘Distilling

Hatred’ foi lançado oficialmente

em julho de 2011.

Atualmente a banda segue

nas divulgações do novo álbum

fazendo shows em todo o Brasil.

Mas já prometeu um novo CD e

um outro, somente com covers

dos seus ídolos para 2015.

Confira a seguir entrevista

muito ácida com o baterista Panda

Reis.

18 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Panda Reis, sem medir palavras!

Panda Reis pode ser considerado um ícone da música extrema brasileira,

isso não quer dizer que o caminho até ai foi fácil! Além de ser

um dos músicos mais atuantes e “ocupados” da cena nacional, ele tem

muito a dizer e diz, sem medir palavras. Confira!!!

Underground Rock Report: Antes de qualquer coisa, fale sobre

você, suas atividades e em como você se tornou baterista.

Panda Reis: Sou um afrodescendente nascido na capital de São

Paulo, mais precisamente na Vila Campestre, bairro violento e dominado

pelo P.C.C., onde existem duas leis e dois idiomas (Português e o

dialeto da periferia). Filho de mineiros que sofreram demais pra criar

quatro filhos. Sou bacharel em História e atuante no movimento anticapitalista,

escrevo artigos, textos em vários meios alternativos, alguns

deles eu assino, outros uso outro nome, e tenho rascunhados dois

livros que talvez um dia eu lance, talvez nunca os lance, mas serão

concluídos. A política me fascina pela maneira como ela pode maquiar

o que está claro no sistema, e mesmo assim legitima o ilegítimo.

Sobre como comecei a tocar bateria, é uma história relativamente

curta e simples. Quando eu e o Cleyton Ishini resolvemos montar uma

banda (ao contrário do que todos pensam, o Alex Chiovitti chegou

quando a banda já estava formada e já tinha até o nome que tem hoje),

estávamos sentados na calçada em frente a minha casa tomando pinga

com limão. Comecei tocando baixo, mas não demorou muito para

todos perceberem (isso me inclui), que era inviável que eu tocasse

aquele instrumento, era muito ruim! Nessa época, meu irmão, que estava

tocando bateria com a gente, saiu fora e eu, que automaticamente

fui empurrado para a bateria, aceitei prontamente por gostar do som

do instrumento, mas não fui eu que a escolhi.

URR: Em todos esses anos tocando, não só Death Metal, mas os

mais diversos estilos, o que você acredita que, como músico, tenha

afetado a sua forma de ver a vida?

Panda: Foda, não me considero músico, saca? Como eu sempre

digo, acho que a música é um álibi para as minhas letras. Sou

batuqueiro e não um baterista (risos)! Mas é inegável que, depois de

mais de duas décadas, eu tenha assimilado e aprendido muito com a

estrada, com as pessoas, com a hipocrisia de muitos que passaram

pela minha vida e de muitos que ainda tentam permanecer por perto

(nem sei o porquê). Aprendi que cada ser humano é muito parecido,

não fisicamente, mas somos tão doutrinados a sermos lineares, que

nos tornamos uma espécie homogênea na maneira de pensar e levar

a vida, alguns conseguem ser heterogêneos e se libertar do alinhamento

cultural que temos aqui no Ocidente, alinhamento esse que se

subdivide entre primeiro e terceiro mundo, para deixar claro quem

manda nessa hierarquia que chamam de civilização. Tanto faz ser um

playboy bombadinho do Jardins ou um Headbanger do ABC, somos

muito homofóbicos, sexistas demais, ocidentais demais. Claro que

não vou generalizar, mas depois que a tecnologia colocou todos muito

mais “próximos”, as máscaras estão caindo, as redes sociais estão

revelando fascistas, racistas, homofóbicos, xenofóbicos que estavam

escondidos sobre suas jaquetas de couro e patchs de bandas de metal

e punk. Antes achava que o povo do underground era diferenciado de

tudo isso, hoje percebo que nem é bem assim.

E o lance de tocar em várias bandas e projetos de estilos diferentes

me fez entrar em contato com gente diferente e perceber que são todos

iguais ou no mínimo muito parecidos. Os padrões capitalistas estão

em todos os lugares e estilos.

URR: Então podemos dizer que muitos usam de determinado

estilo de vida apenas para maquiar um ódio cultivado? Ou se

valem disso para por pra fora esse sentimento?

Panda: Em alguns casos o ódio cultivado é o que transforma o

estilo de vida de alguns. É complicado canalizar tantos sentimentos e

transformá-los em uma existência frutífera, pois sentimento mais puro

e mais sincero que o ódio não existe. Esse sentimento moldou muito

mais o mundo, transformou a nossa civilização e modificou a história

do ser humano do que as mudanças ocorridas por influência do amor.

Não costumo desacreditar de quem sente ódio, mas nenhum amor humano

me tira o ceticismo, o amor é temporal e mutante, o ódio não.

Alguns conseguem maquiar seu ódio, seu sentimento, vivendo um

estilo de vida em que o ódio esta presente e é visto de uma maneira

mais aceitável (no underground se aceita um disco com o singelo

nome “Destilando o Ódio”, em qualquer outro estilo de vida isso seria

bem criticado) e se acham, podem vomitar e exorcizar seus sentimentos,

a maioria o faz sem notar, sem perceber, mas o fazem.

Acredito que estilos de vida que equalizam esse sentimento e não

o negam, não fingem que ele coexiste dentro de você, são mais bem

sucedidos em suas relações mundanas, pois negar o maior sentimento

humano traz sérios problemas pra mente.

Então podemos dizer que alguns sentem tanto ódio que tendem

a seguir grupos sociais, estilos musicais ou qualquer outro grupo ou

estilo, seja musical, teatral, artes em geral, sem nem mesmo se dar

muita conta disso. Outros procuram grupos extremistas e que levam

a bandeira do ódio aliado a outras ideologias, para expurgar seu ódio

sem ser recriminado ou excluído da sociedade.

Ódio e amor são muito parecidos e extremos, muitos sentem amor

e acham que é ódio, rsrs.

URR Mas você não acha que é muito fácil confundir ideologia

com ódio? Ou melhor, podemos dizer que odiamos alguém, mas só

não concordamos com a forma dele se expressar? Não seria o ódio

a consequência das atitudes irresponsáveis de alguns?

Panda: Claro que sim. Acontece o tempo todo, em grande e pequena

escala, no micro e no macro. O humano comum não consegue nem

diferenciar amor de sexo, carinho sensual de sentimento fraternal, como

não querer que não confundam ódio de diferentes ideologias? Sejam

elas quais forem. A maioria das pessoas tem até um entendimento errôneo

do que é ideologia. A construção de algumas ideologias vira ordem,

vira Estado. E não seria irresponsável julgar algo irresponsável? É

julgamento! Julgado pelas suas ideologias. Tudo merda (burocracias

ideológicas) de Sapiens que tentamos organizar e desorganizar do que é

viver em sociedade, seja ela capitalista ou pseudocomunista.

URR: Como músico de estilo extremo, você concorda que

quanto mais o ser humano erra, mais a gente tem bala na agulha

para desenvolver temas e letras?

Panda: Estando aqui abaixo da linha do Equador, não falta bala

na agulha para quem escreve sobre temas político sociais, por esse

motivo acho estranho ver bandas falando e escrevendo de mitologias

e misticismo, estranho mais ainda quando esses mitos e misticismo

são importados da Escandinávia ou similares. Mas isso é um modo de

pensar particular, pois cada músico deixa suas ideias fluírem, suas imaginações

e idealismo, mesmo que fictícios. Mas é inegável que aqui

no Brasil temos inspirações para letras e música todos os dias, basta

lermos os jornais e vermos o que de novo está acontecendo, e estou

falando do presente, se voltarmos a momentos históricos anteriores,

o leque fica maior.

Porém apesar da infinita fonte de inspiração, corroboro com o Eduardo,

do Facção Central. Preferia estar falando das flores, do amor,

mas enquanto o sistema e o Estado oprimirem e explorarem, o ódio

ainda é minha maior forma de expressão e inspiração.

URR: Como você vê a cena da música pesada nacional?

Panda: A música, como qualquer ação humana, está ligada à situação

política e social do país, e isso vai mais profundamente além,

pois até as mentalidades dominantes no mundo atual, contaminam e

influenciam muito a música em geral, pois em um sistema capitalista

não se pode esperar outra coisa a não ser que todos os tentáculos desse

sistema abracem todas as esferas sociais de um país, sendo assim não

estamos imunes a isso também, alguns mais outros menos. Já falei

muito sobre nossa cena estar prostituta e generalizada de uma maneira

UNDERGROUND ROCK REPORT - 19


esquizofrênica de copiar o mainstreem, cria um pseudo mundinho,

copiando falácias inventadas por uma burguesia mimada que “inventou”

um modelo de revista, de mídia, de toda uma função capitalista

de mercado que nos afasta da real arte e do verdadeiro propósito que

ao menos nós temos (e todas as bandas do underground deveriam ter).

Estereótipos que tentam enquadrar a todos. Mas, porra! Está tudo falido,

tudo quebrado e decadente! As revistas, as gravadoras e a maioria

das bandas novas são todas plástico. Claro que a saída está no meio de

toda essa suruba, tem que saber separar, viu? Porque para uma coisa

essas merdas de redes sociais serviram, desmascarar um monte de fascistas,

homofóbicos, racistas, neonazistas e até as viúvas da ditadura

deram a cara! Estou adorando esse “novo mundo”. Ninguém mais precisa

deles, e mesmo assim a arrogância dos donos do underground insiste

em não querer largar o osso. Sua arte fica quando você apodrece,

então se não há nada útil pra falar e acrescentar, melhor sair fora.

URR: Donos do underground é bem a definição! Porém, você

com a Oligarquia, o Cambones e demais outras bandas em que

toca, fazem shows regularmente, como são feitos esses convites e o

que você leva em consideração ao aceitá-los?

Panda: Acredito que o legal de se ter uma banda seja tocar, viajar,

conhecer pessoas e poder passar suas ideias para mais pessoas que tem

ideias parecidas ou ao menos alguma simpatia com elas, pra mim, tocar

é o propósito final de chatas horas de ensaios, chatas horas de sessões

de gravações, reuniões e convivência humana, que por mais amistosa e

sincera que ela seja pra mim sempre é muito difícil lidar com humanos,

conversar, se relacionar, enfim, estar com outro ser humano, na maioria

das vezes é bem difícil pra mim, mas aguento tudo isso por aquele

momento de estar em cima (ou no chão mesmo) de um palco. Por isso

não temos muita frescura na questão shows, se nos chamarem, e forem

bandas e amigos, aceitamos na hora, nem perguntamos sobre grana e

aparelhagem. Só costumamos pensar nisso depois. Hahahaha!!! Se não

conhecemos a pessoa ou é em outra cidade, somos sinceros e anticapitalistas,

ou seja, nada de cachê (de que adianta lutar pra destruir algo se

você com sua banda reproduzem o mesmo sistema?). Pedimos apenas

que paguem as passagens para chegarmos à cidade e alguma coisa pra

comer, do mesmo jeito que fazíamos há 22 anos.

URR: O fato de ter esse lado antissocial te levou a ser baterista?

Por que é difícil para você se relacionar com pessoas?

Panda: Eu não diria antissocial patologicamente falando, mas sim

antirregras e vícios sociais que se repetem por gerações sem ao menos

se darem conta de que estão repetindo idiotices temporais, sem se

darem conta de que vivem de maneiras sistematicamente direcionadas,

me enoja falar com a maioria das pessoas.

que interessa você acha mesmo que iriam colocar algo que faça seu

filho pensar em uma escola pública? Se nem as matérias tradicionais

são ministradas pra dar autonomia intelectual para o aluno! Modelos

estabelecidos! A escola pública é uma fábrica que produz homens

e mulheres que sirvam fervorosamente ao Estado, e ainda se sintam

orgulhosos e realizados por isso. Sou a favor do fim da educação

tradicional e da implantação da educação libertária.

Não fui pra bateria para ser o isolado e o menos conhecido, não

foi isso, mas pensando assim, talvez subconscientemente tenha sido.

Hahahaha!!!

URR: Planos para o futuro?

Panda: Conseguir terminar essa entrevista sem ter feito novos desafetos

(risos).

URR: Resuma Panda Reis em uma frase.

Panda: “Mais raiva do que medo...”

URR: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo

bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Panda: Agradeço pela entrevista inteligente que me proporcionou!

Queria que a molecada se ligasse que o mundo é uma farsa, uma falácia,

uma alucinação ideológica tão bem construída que nos faz acreditar

que um papel com números tem mais valor que carne e osso. Percebam

que o mundo que vocês vivem pode sim ser mudado ao avesso.

Mas só se vocês, jovens, quiserem e usarem as armas certas, esqueçam

o que esses merdas formadores de opiniões tentam te empurrar goela

abaixo, estude , lute! E, por favor bandas, vamos falar de coisas que

possam fazer a diferença para quem escuta.

Contatos:

www.oligarquiadeath.com.br

www.facebook.com/oligarquiadeath

www.myspace.com/oligarquiadeath

www.metalmedia.com.br/oligarquia

Entrevista concedida ao site Heavy Metal Breakdown

http://hmbreakdown.blogspot.com.br/

URR: Sei que você participa de um projeto que ensina bateria

para crianças carentes, então como você encara a falta de ensino

musical nas escolas públicas?

Panda: Não faço mais parte desse projeto. Os traficantes e líderes

do “Poder Paralelo” se incomodaram, porque eu não estava apenas

falando de notas musicais. Agora estou tentando implantar um projeto

de ministrar aulas de história na periferia, mas já estou encontrando

obstáculos. ONGs estão ligadas ao cordão umbilical do sistema, e o

controle delas (da grande maioria) sempre vai ser da situação.

Ensino musical nas escolas públicas? Não estamos dando conta

nem do trivial, do fundamental! Eles discutem em voltar com o ensino

religioso, percebam que o controle do corpo e pensamento é o

20 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Por JP Carvalho

banda Unearthly foi formada

no final de 1998 por A

M. Mictian e Lord Thoth, tendo

sua primeira demo: “Blessed

Are The Destroyers Of False

Hope...”, contendo duas músicas,

lançada em meados de 2000.

Com esse material, a banda foi

muito bem recebida pela crítica e

público, rendendo vários shows

pelo território nacional.

Em 2001 sai a segunda

demo: “Living Under The Sign

Of Blasphemy”, desta vez com

três músicas e com Leghor Supay

na bateria, assim como o

primeiro material, esse também

foi muito bem aceito pelo público,

tendo resposta imediata

de revistas especializadas,

zines e público em geral, que

consideraram este um excelente

trabalho.

Após vários shows, em

2002, o Unearthly lança o tão

esperando debut full lenght:

“Infernum - Prelude To A New

Reign” via Encore Records,

que foi lançado também nos

EUA e Canadá via Crash Music.

Mais uma vez a crítica é

unânime em relação ao disco:

“...é mais um ótimo lançamento

do Unearthly - avassalador”.

Em outubro de 2003 a banda

entra em estúdio para a gravação

do segundo CD, intitulado

“Black Metal Commando” via

Encore Records, mais agressivo,

rápido e forte. Lançado em

dezembro do mesmo ano, a produção

é impecável e arrebata as

melhores críticas possíveis, sendo

considerado um dos melhores

álbuns do Metal nacional.

Após algumas mudanças de

formação a Unearthly se solidifica

novamente, e desta vez

com força ainda maior, resultante

do entrosamento e empenho

dos novos integrantes com

os remanescentes.

Em 2007, a formação: Eregion

(vocal), M.Mictian (baixo),

Dennie Arawn (guitarra) e

M.Cult (bateria) lança um novo

EP: “Unmcercyful Personalized

Bestiality” via At War Records,

contendo as duas Demos remasterizadas

(digitalmente), mais músicas

ao vivo e 3 músicas inéditas.

Entre outubro e novembro

de 2007, a banda realiza

sua primeira turnê internacional:

“Unmercyful Domination

South American Tour”, sendo

grande sucesso entre o público

sulamericano. Foram 14 shows

pela Bolivia, Peru, Equador e

Colômbia.

Ainda falando sobre shows,

vale lembrar que a banda sempre

se deu muito bem em cima

dos palcos, já dividindo eles

com algumas celebridades do

underground mundial: Sepultura,

Obituary (EUA), Dying Fetus

(EUA), Hate Eternal (EUA),

Krisiun, Malevolent Creation

(EUA), Enthroned (Bélgica),

Behemoth (Polônia), Desaster

(Alemanha), etc.

O ano de 2008 a banda

completou 10 anos e assinou

com o selo Free Mind Records,

que rendeu o relançamento

dos álbuns “Infernum - Prelude

To A New Reign” e “Black

Metal Commando” que foram

remasterizados e receberam

bônus e novas artes mais slipcase,

o lançamento do álbum ao

vivo “Revelations of Holy Lies

Live”, gravado durante a turnê

sulamericana.

No mesmo ano a banda lançou

o novo álbum de estúdio

“Age of Chaos” que foi um

divisor de águas na carreira

da banda, que passou a figuras

entre as maiores do cenário

nacional. Mesclando Black ao

Death Metal e com a retirada

dos teclados, a banda recebeu

elogios da crítica especializada

não só no Brasil como em todo

o mundo. Após o lançamento

do álbum a banda viajou todo

o Brasil em turnê de divulgação

do material.

Em 2011 a banda parte para

a Polônia para o Hertz Studio

(que trabalhou com Vader,

Behemoth, etc) para a gravação

do novo álbum “Flagellum

Dei”, que foi lançado no Brasil

pela Shinigami Records e no

exterior pela russa Metal Of

Crypt. O CD contou com a participação

Steven Tucker, ex vocalista

do Morbid Angel.

“Flagellum Dei” deu ao

UNEARTHLY vários títulos de

melhor banda do ano nos sites

especializados e rendeu mais

uma turnê pelo Brasil e sua primeira

turnê na Europa, em novembro

de 2012.

A banda inicia 2013 anunciando

o lançamento do seu

primeiro DVD, intitulado ‘Baptizing

the East in Blood’, que

trará como atração principal

a apresentação na cidade de

Voronezh, Rússia. O trabalho

vai contar também com vídeos

filmados por fãs, imagens de

backstage, galeria de fotos e

entrevistas. No Brasil o lançamento

será pelo renomado selo

Shinigami Records e na Rússia

pela Metal of Crypt.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 21


Sopor Aeternus & the Ensemble of Shadows

Por Leonardo Moraes

Formada no final dos anos

80 em Frankfurt, Alemanha, o

Sopor Aeternus and The Esemble

of Shadows é uma lenda

dentro do cenário Gótico Darkwave

mundial. Inicialmente

a banda chamava apenas Sopor

Aeternus que significa em

latim “sono eterno” uma clara

alusão a morte. Posteriormente

o nome The Esemble of Shadows

(O Conjunto das Sombras)

foi adicionado em justificativa

aos espíritos que influenciaram

na composição dos álbuns.

Apesar de nunca ter se apresentado

ao vivo, a banda possui

uma vasta discografia contando

com 12 álbuns de estúdio

mais 6 EPS, 3 singles, além

de participações em compilações

e versões reeditadas dos

álbuns.O único integrante fixo

da banda é o vocalista Anna

Varney Cantodea que compõe

todas as músicas. A identidade

verdadeira de Anna Varney é

desconhecida pela opção da escolha

do anonimato e a recusa

de se apresentar ao vivo, o que

causa uma grande curiosidade

sobre esse mito que acabou

sendo criado em torno da banda

e da figura do vocalista. O

que se sabe é que Anna é um

nome comum e Cantodea é um

vernáculo feminino em Latim

para som, canção ou cantora.

Fidelidade eterna

ao underground

Varney é o nome do vampiro que protagoniza

o folhetim Varney the Vampyre, or the Feast

of Blood (1847), atribuído ao autor James

Malcom Rymer. Deste modo seu nome artístico

reflete os temas centrais dos álbuns do

Sopor Aeternus - o conflito da sexualidade do

vocalista e a morte. Nas fotos promocionais

da banda normalmente Anna Varney aparece

como um ser sexualmente indefinido, apesar

de que o vocalista da banda se trata de um homem

na verdade. Musicalmente a banda apresenta

uma sonoridade original e incomum,

Anna é capaz de cantar com vozes masculinas

e femininas. O diferencial está na constante

atmosfera fúnebre, com vozes que variam

de um tom provocativo a lamúrias dentro de

um purismo teatral. A banda ao longo de seus

álbuns vem evoluindo de uma linha eletro-

-gótica para uma música mais instrumental.

A sonoridade do Sopor Aeternus conta com

uma pluralidade de instrumentos, que vai de

efeitos eletrônicos até sinos.

O mais freqüente são diversos

instrumentos de sopro, além

de variados tipos de guitarras

(acústicas ou eletrônicas)

e percussão, o que em alguns

momentos chegam a lembrar o

Dead Can Dance. Mesmo tendo

lançado seu primeiro álbum em

1994, o Sopor Aeternus só conseguiu

sair do anonimato total

em 1995 quando participou de

uma coletânea chamada Jekura

- Deep the Eternal Forest “ com

quatro faixas: duas canções do

“ White Onyx Elephant “, que

era um projeto instrumental paralelo

ao Sopor Aeternus e dois

covers do Black Sabbath, “ A

National Acrobat” e “ Paranoid

“, lançadas com seus nomes invertidos

e acentuados de forma

estranha. Ainda no ano de 1995

foram lançados os álbuns “Todeswunsch”

- Sous le soleil de

Saturne “ e o EP que saiu com

tiragem limitada “ Ehjeh Ascher

Ehjeh “. Iniciou-se assim

a carreira da banda intensificando

a produção de novos álbuns

a partir de 1997 com o EP

Voyager - The Jugglers of Jusa.

Uma pequena pausa em 1998

para em 1999 o Sopor Aeternus

lançar um álbum duplo o Dead

Lovers’ Sarabande volume 1 e

2. Em 2000 foi lançado Songs

from the inverted Womb e

no ano seguinte Es reiten die

Toten so schnell ou The Vampyre

sucking at his own Vein.

A partir daí os intervalos entre

os álbuns passaram a ser

um pouco maiores, em 2004

foi lançado o espetacular La

Chambre D’Echo - Where the

dead Birds sing, com a viajante

musica Imothep que chegou

ao topo das paradas alemãs

como a melhor musica alternativa.

Les Fleurs du Mal - Die

Blumen des Bösen foi lançado

em 2007 e Have you seen this

ghost em 2010,que ganhou

duas novas versões em 2011.

Um fato curioso envolvendo

o penúltimo álbum do Sopor

Aeternus,lançado em 2013,

intitulado Poética, foi que ele

teve uma distribuição limitada

ao site da banda tanto a versão

em CD quanto a versão em LP,

atualmente ambos fora de catálogo

e o álbum está disponível

apenas para download no site

da banda. Isso reforça a idéia

adotada pela banda de não querer

ser tão acessível. O novo

álbum da banda lançado em

Setembro de 2014, Mitternacht

também seguirá os mesmos

passos de Poética.

22 - UNDERGROUND ROCK REPORT


UNDERGROUND ROCK REPORT - 23


“O grupo foi criado para ter liberdade artística”

Por Leonardo Morais

Metal brasileiro é muito prolífero. Vira e mexe aparecem bandas com

O propostas inovadoras, inteligentes e que saem do bem comum muitas

vezes assumido pelo meno da inovação. Um destes grupos que faz música

sem medo, que inova e ao mesmo tempo tem suas raízes fortemente

fincadas no Metal é o YEKUN. O grupo formado por veteranos do estilo

mescla de forma genuína diversos aspectos da música pesada e cria algo

profundamente interessante. Conversamos com o vocalista JP Carvalho,

que simpaticamente nos contou mais sobre umas das principais revelações

do metal nos últimos anos.

URR: O Yekun está lançou seu primeiro trabalho, o EP “Inside My

Headache”, e já apostou em uma produção de alto nível contando com o

renomado Ciero. Como se deu o contato?

JP Carvalho: Ciero é um brother das antigas, desde sempre sabíamos da

capacidade dele, olhamos outros estúdios e produtores, nós sempre usávamos

os trabalhos dele como referência (mais de 200, diga-se) e a qualidade

do que era produzido ali, depois de uns meses entramos em contato, através

do nosso baixista e acertamos a gravação, mostramos o trabalho, algumas

pré-produções que nós mesmos havíamos feito, passamos horas conversando

a respeito do que pensávamos e queríamos pra o som e o resultado está ai.

URR: O grupo aposta em um som calcado no chamado Stoner Metal,

mas conseguiu deixar o som bem particular. Quais são as influências

da banda?

JP Carvalho: Ai a coisa vai longe! Fica até difícil de explicar influências,

já que todo mundo na banda tem um gosto bem diverso e escutamos de

tudo, mas tudo mesmo… Tipo de Boston a Seeds of Iblis, mas em um consenso

geral podemos citar o Thrash Metal dos anos 80/90, bandas de hardcore,

as bandas seminais da década de 70.

URR: Outro ponto peculiar está nas letras, muito pessoais e até mesmo

com toques psicodélicos dos anos 70. Como é o processo de escrita

das letras?

JP Carvalho: Simples, eu e o Vlad monopolizamos tudo (risos)… Falando

sério, Eu e ele começamos a tocar juntos, lá nos anos 80, minha primeira

banda foi com o Vlad e vice-versa, e nós acabamos desenvolvendo um

estilo muito parecido de escrever, sendo sempre muito subjetivo, deixando

que a pessoa que ouve a música e acompanha a letra tire suas próprias conclusões,

claro, tem um tema, tem a ideia exposta, mas deixamos meio no ar

essas coisas… E 90% delas são experiências pessoais, que se aliam aos 10%

restantes de viagem pura e simples, e se transformam numa massa de letras e

verbos pra cada um digerir como quiser…

Claro que também não ficamos atrelados a temas específicos, o Yekun

foi criado pra ter liberdade artística, então podemos falar de vida, morte,

sofrimento, desilusões ou simplesmente contar uma história qualquer com

enredo totalmente fictício, ou agregar uma coisa na outra e transformar isso

num peça única da nossa insanidade.

URR: O que vocês usam com inspiração?

JP Carvalho: Música! Esse povo do Yekun vive 90% do tempo ouvindo

alguma coisa, é impossível acompanhar tudo que o povo dessa banda ouve,

são tantas informações que fica difícil dizer pra você o que cada um está ouvindo

agora… Nas letras geralmente, pegamos situações do dia a dia, coisas

da vida, boas ou ruins, uma história que vem na cabeça de repente andando

na rua, no Yekun tudo é válido, tudo tem possibilidade de se tornar uma peça

artística, e pegamos tudo isso e jogamos num caldeirão que transforma em

uma coisa boa, que é a música que gostamos de fazer.

URR: Mais uma curiosidade do disco é a presença da cantora de

Soul, Kennya. Como foi feito o contato?

JP Carvalho: Cara, ela estudou com o Vlad na Escola Técnica Federal

de São Paulo há muito tempo atrás, ela é uma amiga de muitos anos. A

Kennya é demais, essa mulher tem um astral fenomenal, impossível você ficar

indiferente à presença dela… O próprio Ciero ficou encantado com a presença

e a voz dela, ficamos no estúdio até quase de madrugada e nem vimos

o tempo passar. Usamos muito pouco da voz dela no Inside my Headache,

coisa de 15 a 20 segundos no total, porque era exatamente o que queríamos

naquele momento, mas temos planos pra trabalhar com ela de novo e esse

material já está escrito para o próximo disco.

URR: O que vocês acham desta mescla do Metal com outros estilos?

JP Carvalho: Extremamente louvável, claro, tem que ter um critério, tem

que ser musical, acima de tudo, tem que haver uma conexão entre as misturas

que vão ser feitas, e se você olhar bem, o metal é quase um liquidificador que

você pode por (quase) tudo dentro que de lá vai sair algo novo, renovando o

estilo… Mas tem que ter critério, pra não ficar forçado e nem chato… Essa

conversa é muito interessante e pode render horas e horas de papo.

URR: Sobre apresentações ao vivo. Como a banda está neste quesito?

JP Carvalho: Quando eu e o Vlad pensamos o Yekun a ideia inicial era

nem tocar ao vivo, só estúdio mesmo, porém as coisas tomaram um rumo

diferente com o tempo, vimos que existe uma grande quantidade de pessoas

que gostam do tipo de som que estamos fazendo, sem falar na pressão exercida

pelo povo das cordas (risos)… Tocamos ao vivo em duas oportunidades

e temos mais algumas datas que estamos avaliando.

URR: Como os produtores podem entrar em contato?

JP Carvalho: Através da nossa página no Facebook ou pelo email, também

através do hotsite da Metal Media, lá o cara descobre um jeito de achar a gente.

URR: Quais os planos para a banda nos próximos meses?

JP Carvalho: Estamos compondo a toque de caixa, queremos finalizar

9 ou 10 músicas e partir para a gravação logo, descolamos um novo estúdio

com tecnologia 100% analógica, que é o que queremos para o nosso som,

claro, nada contra o digital, apenas sentimos que o analógica casa melhor

com a nossa proposta

URR: No Yekun, cada músico vem de uma escola musical diferente.

Como é na hora de compor?

JP Carvalho: Simples e direto, compomos fazendo jams no estúdio e as

coisas fluem muito naturalmente, claro, em seguida vem a parte da “perfumaria”

pra colocar todas as coisas no seu devido lugar… Cada um vem de uma

escola, mas quando noAndré, além da experiência em diversas bandas, tocou

com o Vlad num projeto maluco deles, e atualmente agregamos o Bruno

Di Turi na banda, que descobrimos ser um guiatrrista excepcional, educado,

centrado e responsável, casou 100% com a proposta da banda.

URR: Vocês seguem alguma regra?

JP Carvalho: Nadinha… Instinto puro… E digo pra você, se deixar esses

caras tocam por horas sem parar (risos).

24 - UNDERGROUND ROCK REPORT


URR: O som da banda, apesar de taxado como Stoner Metal, é muito

mais complexo que isso. Como vocês descreveriam o som do Yekun?

JP Carvalho: Sei lá, sludge, stoner… Acredito que somos uma banda

que toca Metal, puro e simples, o tipo de som que nos queremos fazer e tem

sido uma surpresa muito agradável ver que as pessoas percebem que não forçamos

nada, tudo é feio na mais absoluta harmonia, visando, claro, sempre

o lado musical.

URR: Complexidade que se dá também na identidade visual da banda

e especialmente nas letras. Quais as inspirações e aspirações da parte

legível do quarteto?

JP Carvalho: Acredito que cada trabalho deve ter uma cara própria,

com identidade visual remetida aos temas daqueles trabalhos, como sou eu

mesmo que faço a produção visual busco sempre enxergar o que determinado

trabalho pede, o que é que se destaca no contexto e procuro trabalhar

em cima disso. Inside my Headache é um trabalho que fala de dor, de solidão,

de pensamentos impuros e acredito que conseguimos passar pra capa

e para as imagens da banda algo assim.

URR: Inside My Headache teve uma recepção muito boa, sendo

muito bem baixado. Vocês acham que as pessoas estão procurando por

bandas “diferentes”?

JP Carvalho: Sim a quantidade de downloads desse trabalho foi uma

surpresa para todos nós e dá muito orgulho, saber que tem tanta gente interessada

no trabalho do Yekun. As pessoas sempre buscam algo diferente do que

estão acostumadas a ouvir no dia a dia, mas olhando mais amplamente acho

que o pessoal se identifica com a musicalidade e a simplicidade do Yekun,

que é exatamente o que ele nasceu pra ser.

URR: E sobre o bootleg ao vivo ‘Live At Kaffeklubben’, que conta

com seis músicas, incluindo músicas inéditas, e também foi disponibilizado

pra download gratuito?

JP Carvalho: Disponibilizamos o áudio do show do Hell Metal Fest I,

onde tocamos com Oligarquia, Trevas, Fatal, Chemical e Zenitê. Na verdade

eram prá ser 7 músicas nesse disco, mas a primeira foi cortada e com problemas

no audio. É exatamente o show da banda, sem nenhum tipo de “beneficio”

tecnologico, o que foi captado é exatamente o que foi tocado. Achei interessante

fazer o Kaffeklubben, até porque somos uma banda que toca muito pouco

ao vivo e tendo um live como segundo lançamento deixa bem o que é a nossa

cara, tipo, Não estamos nem ai prá regras, conceitos e todas essas bobagens que

as pessoas se impoem pela vida adentro. Captamos o audio, fiz a capa, definnimos

detalhes pequenos e ponto final, tá ai prá quem quiser. Sobre o download

gratuito, decidimos trabalhar desta forma com nossa música, democratizando a

arte, claro, em breve será lançado um novo trabalho e apesar dos planos para o

lançamento físico, o áudio e a arte, mais simplificada, também serão disponibilizados

para download grauito. É assim que queremos as coisas.

URR: Quais os novos projetos do Yekun?

JP Carvalho: Compor, compor, compor… Colocar mais um trabalho de

qualidade na praça e ver aonde vai dar. Se a vida permitir, vamos seguindo

em frente sempre.

URR: O que podemos esperar da banda num futuro próximo?

JP Carvalho: Certeza que vamos gravar um trabalho completo, doa a

quem doer, já estamos negociando e vendo todas as possibilidades, e pode

esperar um trabalho de qualidade, até porque nós mesmos não abriremos

mão disso nunca.

URR: Espaço livre, deixem seu recado, informações que esquecemos

de perguntar, comentários e o que mais quiserem falar!

JP Carvalho: Queremos agradecer! Mas agradecer muito e de coração

a todas as pessoas que nos ajudaram e ajudam a tornar o Yekun uma

realidade, aos blogueiros loucos, jornalistas mais loucos ainda e todos que

de uma forma ou de outra fazem o cenário deste país ter uma cara, que

agregam valor e somam em tudo que está ai. E não podemos esquecer da

Débora e do Rodrigo da Metal Media, que se tornaram muito mais que

amigos, se tornaram fámilia e aos outros amigos que estão sempre nos nossos

ensaios, mandando email, ligando, compartilhando no facebook, dando

força pra gente e pra banda, colocando mesmo a gente pra frente. E também

a todas as pessoas que baixaram o Inside my Headache, tudo isso tem sido

muito bom pra nós e tem nos motivado muito a ir em frente. E pode ter

certeza que a gente não vai parar aqui… Hail Yekun!

Contato para shows e merchandise: yekunmusic@gmail.com

Sites Relacionados:

www.facebook.com/yekunmusic

www.myspace.com/yekun

www.metalmedia.com.br/yekun

UNDERGROUND ROCK REPORT - 25


Por JP Carvalho

Depois de alguns anos tocando

juntos, os ex-integrantes da banda

Siegrid Ingrid: Evandro Junior

- Bateria, André Gubber – Guitarra,

Sérgio Hernandes – Guitarra e Luiz

Berenguer – Baixo, uniram-se a

“Scream” - Vocais, para a realização

de um novo projeto, o Skinlepsy.

A ideia de dar continuidade ao trabalho

que era feito anteriormente foi

preservada e as novas composições,

expressavam todo o peso e agressividade

do Thrash e do Metal Extremo,

características evidentes durante

a passagem dos músicos por outras

bandas: Evandro Júnior (Anthares),

Gubber (Skullkrusher, Nervochaos),

Luiz Berenguer (Ópera), Sérgio (Brutal,

Elma) e Scream (Stun).

Em abril de 2003, iniciaram

os ensaios para a gravação do primeiro

CD-Demo, “Reign of Chaos”,

que ocorreu em junho daquele

mesmo ano no estúdio Mr. Som, e

contou com a produção de Heros

Trench (Korzus).

As músicas “Crucial Words”,

“Alienation” e “Crawling as a

Worm”, mostravam de forma clara

a proposta de uma nova banda,

que contava com o entrosamento,

experiência musical e novas ideias,

porém, sem perder o principal direcionamento

musical: tocar METAL

sem seguir apenas uma única vertente,

um único estilo.

Esse trabalho obteve uma ótima

receptividade da mídia especializada,

e de certa forma, gerou grande

expectativa a respeito da gravação

do primeiro álbum da banda.

No entanto, após apenas um

ano, cada músico seguiu o seu caminho

em suas respectivas bandas.

Em 2011, os experientes músicos

André Gubber, Evandro Junior

e Luiz Berenguer retomaram

o Skinlepsy com uma sonoridade

focada no Brutal Thrash Metal.

Como resultado, surge o primeiro

álbum da banda, intitulado

“Condemning the Empty Souls”.

Agressividade, letras insanas,

consistência e brutalidade, definem

esse álbum, que é o resultado de

um árduo processo de composição,

gravação e produção, ocorrido durante

o segundo semestre de 2012.

26 - UNDERGROUND ROCK REPORT


“Dedicando com vontade, determinação

e prazer, sempre se encontra tempo”

Apesar de contar com músicos extremamente gabaritados, vindos de

bandas como Siegrid Ingrid, NervoChaos, Anthares, Desaster, Pentacrostic,

Opera, os membros do Skinlepsy não assumiram uma postura conformista

e lançaram neste ano o petardo ‘Condemning The Empty Souls’,

disco mais brutal da carreira destes guerreiros do underground que nos

brindam com músicas jovens, técnicas e extremamente pesadas.

Sem mais delongas, confira um pouco sobre o presente do Skinlepsy

e o que os futuro aguarda pra esses caras que honram com sobras todo o

legado de sua música.

URR: Este ano foi lançado o debut de vocês, ‘Condemning The Empty

Souls’ pelo selo Shinigami Records. Como vocês avaliam a recepção

do trabalho?

Skinlepsy: Da forma mais positiva possível! Dezenas de resenhas já

chegaram, no Brasil e no mundo, e outras virão, mas o que a gente observa,

são vários elogios para o álbum. Nós tínhamos uma certeza de que o álbum

seria bem recebido porque mesmo sendo bastante críticos com o nosso próprio

trabalho, ficamos muito satisfeitos com o resultado final. É gratificante

e estimulante, mas não significa que é tudo o que podemos oferecer, pelo

contrário, já estamos planejando algo superior para o futuro.

URR: O grupo é formado por músicos de renome do underground

nacional. Vocês acham que isso influenciou de alguma forma a reação

tão positiva?

Skinlepsy: Eu acredito que as pessoas tiveram uma curiosidade maior

em ouvir o álbum devido ao fato de termos essa passagem por outras bandas,

mas ao mesmo tempo, muitos utilizaram de um senso crítico ainda

mais apurado para avaliar o nosso trabalho, o que de alguma forma enaltece

ainda mais essa reação positiva.

URR:Como falado, vocês, além de terem sua vida pessoal e profissional, tocam

em outras lendárias bandas. Como fazer para conciliar todos os projetos?

Skinlepsy: Quando você se dedica a um trabalho com vontade, determinação

e prazer, você sempre encontra tempo para tudo. É uma correria

constante sim, mas dá pra conciliar as coisas, trabalhar para que as datas

de shows não coincidam, os horários de ensaio não interfiram no dia a dia,

mas tem valido a pena.

URR: O primeiro material de vocês, Reign Of Chaos, saiu dez anos

atrás. Qual o motivo para esse hiato?

Skinlepsy: Nós tocávamos juntos há bastante tempo no Siegrid Ingrid,

e quando iniciamos o projeto do Skinlepsy em 2003, recrutamos

um novo vocalista e fomos para o estúdio gravar essa demo. Houve uma

repercussão muito boa, mas algum tempo depois, o Scream (vocal) saiu

da banda para se juntar ao Endrah que partiria para uma tour no Exterior.

Foi então que resolvemos dar um tempo pra descansar e planejar

as coisas, mas eu particularmente estava bem cansado naquela época

e pensei seriamente em parar de tocar. Foi o que eu fiz, mas acabei

voltando a tocar um ano depois ao acaso, com minha antiga banda, o

Anthares, que também estava parado há alguns anos. O André Gubber e

o Luiz Berenguer montaram outros projetos, mas ao longo dos anos nós

mantínhamos contato e nunca descartamos a volta do Skinlepsy. Isso

finalmente aconteceu quando voltamos a ensaiar e a compor em 2011.

A partir daí foram meses de trabalho duro e muita dedicação que resultaram

no lançamento do “Condemning the Empty Souls”. E já estamos

começando a compor para um futuro álbum!

URR: Deixem uma mensagem pra galera que acompanha o trabalho

de vocês!

Skinlepsy: Nós gostaríamos de agradecer imensamente a todos que nos

tem apoiado nessa caminhada, nós sabemos quem vocês são, e estamos

com vocês, afinal se estamos tocando, compondo, fazendo shows, nos dedicando

de corpo e alma ao Skinlepsy, é porque vocês nos dão todo esse

respaldo. Obrigado a todos vocês!

Foto: Henrique Buffa

UNDERGROUND ROCK REPORT - 27


28 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Por Leonardo Moraes

Fundada em 1994 por

Count Imperium, o Ocultan

conta atualmente com 9

álbuns, sendo 8 de estudio e 1

ao vivo ,além de 1 DVD . Não

muito diferente de outras bandas

de Black Metal, o Ocultan

também passou por diversas

formações ao longo da existência

da banda e, atualmente

a banda apresenta uma formação

estável que conta além de

Count Imperium nos vocais,

Lady of Blood nas guitarras,

Malus na bateria e Magnus

Hellcaller no baixo. Gentilmente

Count Imperium e

Lady of Blood abriram as portas

de sua residência em São

Caetano do Sul para receber

a Underground Rock Report

e falamos um pouco da trajetória

da banda e sobre o mais

recente lançamento da banda

o Shadows From Beyond,

confira a entrevista:

URR - Por que Shadows

From Beyond saiu pela Multilation

Records ao invés do

selo Pazuzu?

Count Imperium - A Multilation

já é um selo que a gente

vinha trabalhando há algum

tempo, por isso a escolha. O

nosso ultimo lançamento pela

Pazuzu foi o Regnum Infernalis

e a gente decidiu parar

momentaneamente com as

atividades do selo logo após

o lançamento desse álbum

porque não estávamos conseguindo

conciliar o trabalho

da banda com as atividades do

selo. Em 2013 reativamos o

selo Pazuzu para o lançamento

do Khaotic, projeto paralelo

da Lady of Blood. Somente a

distribuição do Khaotic está

pela Multilation Records.A

tendência é que os próximos

álbuns do Ocultan e Khaotic

sejam feitos dessa forma.

URR- O novo álbum era

pra ter saido ainda no fim

de 2012, e acabou saindo em

Junho de 2013, você poderia

comentar sobre o por que do

atraso?

Count Imperium - Na

verdade o CD só ficou pronto

mesmo em Março de 2013,

porém, ele veio com defeito

nas duas músicas finais e precisou

ser recolhido, até eles

conseguirem achar que o defeito

estava na masterização

da fabrica e até corrigirem,

levou uns três meses.

URR - Soube que Shadows

From Beyond vai ser

lançado em 2014 na versão

em vinil também. Comente

sobre esse processo:

Count Imperium - No ano

passado (2013) a Mafer Records

nos contatou mostrando interesse

em Lançar o álbum Shadows

From Beyond na versão

LP. Não pensamos duas vezes e

fechamos com o selo da Mafer.

Esse lançamento será limitado

em apenas 300 unidades, e está

previsto para o final de fevereiro,

inicio de março.

URR - Sempre achei as

capas do albuns do Ocultan

cheio de referências

a outras bandas de Black

Metal gringas,mas eu achei

em particular que a capa

de Shadows From Beyond

lembra bastante a do novo

álbum do Ragnarok- Malediction.

Houve alguma

influência nesse sentido, ou

é coincidência do estilo do

desenho seguir uma ideia

parecida?

Count Imperium- Não

cheguei a ver esse ultimo álbum

do Ragnarok. Tanto a

capa de Shadows of Beyond

e do álbum anterior, o Atombe,

foram pintadas pelo Rafael

Tavares e acredito que não

tenha sido algo proposital a

semelhança desse álbum do

Ragnarok ou de outras bandas

de Black Metal. Mandamos

uma foto de uma entidade dos

rituais da Quimbanda para ele

ter uma ideia de como seria a

capa que queríamos.

URR- O Ocultan mescla

canções em português e

inglês nos álbuns, porém as

letras em português causam

um impacto sonoro muito

maior no ouvinte, portanto

fazer um álbum só com canções

em português é algo que

está fora de cogitação nos futuros

álbuns da banda?

Count Imperium- A idéia

de ter as letras em inglês é

para atingir o publico internacional

também. Então sempre

manteremos essa linha nos futuros

álbuns de ter as canções

em português e inglês.

URR- Em que dado momento

você decidiu que assumir

os vocais a frente da banda seria

o melhor caminho para manter

a estabilidade na formação?

Count Imperium - Todos

os problemas na formação da

banda foram com as saídas

de vocalistas, então essa decisão

de eu assumir os vocais

definitivamente foi durante a

gravação do álbum Atombe.

Na ocasião o vocalista Legacy

resolveu deixar a banda logo

quando começamos a gravar

os instrumentais do álbum e

aí até acharmos outro vocalista

que se encaixasse do jeito

que queríamos levaria muito

tempo. A sorte que não havia

nenhum vocal dele (Legacy)

gravado para esse álbum e a

maioria das letras foram escritas

por mim então não foi difícil

encaixar os meus vocais,

apesar que tivemos de dar

uma pausa nas gravações durante

umas duas semanas para

reestruturar as coisas.

URR- Ao longo de quase

20 anos de estrada como você

analisa a receptividade da

banda no Brasil e no exterior?

Count Imperium - Eu

acredito que o público brasileiro

tem uma grande tendência

a valorizar mais as bandas

gringas do que as bandas nacionais,

apesar disso, eu acho

que o Ocultan já tem o seu

público estabelecido no Brasil

ao longo desses 20 anos

de estrada, afinal não somos

nenhuma banda iniciante. No

exterior, por exemplo, tivemos

uma boa distribuição do

Profanation, nos Estados Unidos,

Canadá e Europa.

URR- É cada vez mais

raro ver o Ocultan se apresentando

ao vivo atualmente.

Por que isso acontece?

Count Imperium - É difícil

pontuar um motivo só. Mas

sem citar nomes de ninguém,

tem muito produtor picareta

por ai que quer sujeitar a banda

tocar sem nenhum equipamento

decente ou em locais

sem infraestrutura nenhuma,

nem ao menos um banheiro.

Já os produtores sérios só estão

interessados em bandas

gringas que dê algum retorno

financeiro pra eles, jamais

pensam em investir em bandas

pequenas ou de médio porte.

URR- Você teme que o

UNDERGROUND ROCK REPORT - 29


Ocultan passe a ser uma

banda de estúdio em decorrência

da oferta de shows serem

cada vez menores?

Count Imperium - Na

verdade não. Claro, adoramos

tocar ao vivo mas se essa situação

chegar a acontecer, continuaremos

fazer a nossa musica

do mesmo jeito. O Bathory

nunca tocou ao vivo e foi o que

foi. Mas a questão é ter boas

condições de apresentar nosso

trabalho ao vivo. Não somos

o tipo de pessoas que vivemos

da música, tocamos porque

gostamos, não por dinheiro.

Até entendo que existe uma

responsabilidade do Ocultan

com os fãs e até uma cobrança

de nos apresentarmos mais ao

vivo. Eu acredito que o público

mereça uma apresentação

de qualidade e não queremos

ver nossos fãs irem a um show

em que o som fica embolado

o tempo todo ou que ele acha

que o resultado ao vivo está

muito diferente do CD.

URR- Como surgiu a

ideia de recrutar Malus para

o posto de baterista?

Count imperium - A ideia

inicial era de contar com um

baterista apenas para fazer

sessão ao vivo. Após ter feito

vários testes com o Malus,

ele demonstrou interesse em

ser um membro fixo. Foi então

que analisamos com calma

e resolvemos efetivá- lo

como membro fixo. Com a

entrada de um novo baterista

passamos a dividir melhor

nossas funções, cada musico

passou a ser responsável por

um único instrumento. Anteriormente

eu estava exercendo

as funções de baterista e vocalista,

tarefa que não estava

sendo fácil (Risos).Com essa

mudança estou podendo desenvolver

melhor a parte dos

vocais.

URR- Há planos de produção

de algum clipe para

o álbum novo? Ou um outro

DVD da banda mais focado

na fase recente?

Count Imperium - Ainda

não tivemos tempo para

pensarmos nisso, até porque o

lançamento do CD está muito

recente e além disso, essas

coisas tem que ser muito bem

planejadas e dentro de nossas

condições financeiras, pois não

dependemos de nenhuma produtora

para fazer isso pra nós.

URR- Existe alguma

possibilidade do primeiro

álbum do Ocultan (Bellicus

Profanus)ser relançado?

Count Imperium - Eu

acredito que não, apesar de

inúmeros pedidos de fãs e interesses

de outras gravadoras,

como a Multilation Records,

em relança-lo. Esse álbum

foi lançado pela Evil Horde

Records na época e já está

esgotado há anos, o segundo

álbum também. O problema é

que a Evil Horde detém os

direitos sobre esses álbuns e

eles não querem passar para

outras gravadoras relançarem

eles. O por que disso ai, eu

não sei dizer. Espero que eles

mudem de idéia futuramente.

URR- De quem partiu a

ideia da mudança do logo

do Ocultan?

Lady of Blood - Na verdade

a gente já tinha um logo

bem parecido com esse que

foi criado pelo ex-baterista,

Lord Fausto, que era bem assimétrico,

ai eu só dei uma

aprimorada.

URR- Vocês poderiam

falar um pouco sobre os projetos

paralelos dos integrantes

da banda ?

Count Imperium- Eu

cheguei a criar o Warhead

666, mas não gravei nada

oficial, apenas disponibilizei

umas faixas no Myspace, mas

a qualidade sonora era bem

ruim devido a precariedade

de equipamentos na época e

acabei não levando a diante.

Em breve pretendo criar outro

projeto, mas sob outro nome

com uma pegada mais Black

Metal anos 90.

Lady of Blood - Acabei

de lançar o primeiro álbum

do Khaotic, intitulado

Tenebrae.O Khaotic era uma

ideia de muitos anos, mas que

nunca tinha saído do papel. Ai

desde Junho de 2012 que eu

comecei a trabalhar pra valer

em cima desse projeto. Nunca

cogitei em chamar ninguém

para tocar os outros instrumentos

porque era uma idéia

só minha de compor todos os

riffs e as letras. Até mesmo

a idéia de voltar com o selo

Pazuzu Records foi pra lançar

o Khaotic ainda em 2013,

porque esse tipo de projeto,

one woman band, até então

era uma coisa desconhecida

no nosso cenário nacional e

correr atrás de outro selo que

abraçasse essa idéia seria algo

que poderia demorar até um

ano pra rolar e eu não gostaria

de esperar.

30 - UNDERGROUND ROCK REPORT


A conversa aqui é Rock & Roll

Por JP Carvalho

banda paulistana começou no final de maio/2013 a turnê de promoção

de seu 5º e mais recente CD, O 5º Dos Infernos (Voice Mu-

A

sic–2013), com um show de muita energia e interação com o público

e um repertório baseado em músicas do novo CD e de todos os outros

lançados: O Céu é o Hell (2010), Meu Mal (2007), Whiskey do Diabo

(2005) e Baranga (2003).

A Baranga traz na bagagem a experiência de ter tocado duas vezes

com a banda inglesa Motörhead no Brasil (2009 e 2011), com o reconhecimento

especial do guitarrista Phil Campbell que, em 2011, levou

pessoalmente de presente um balde de gelo carregado de cerveja! Fora

do Brasil, se apresentaram no Festival Eje Del Mal, em Santiago, no

Paulão Thomaz,

rocker sem pátria!

Paulão Thomaz, baterista e fundador das bandas Centúrias, Firebox, Cheap Tequila, Baranga e Camboja,

além disso, uma pessoa que há 35 anos vive o cenário da música pesada brasileira e que conquistou

seu espaço com muita pancada nos couros de seu instrumento e com isso, acabou se tornando

referencia em sua arte. Além disso, Paulão é um cara tranquilo e com muito boa vontade nos concedeu

a entrevista a seguir.

Underground Rock Report: Antes de começarmos,

obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio

dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você

e suas atividades.

Paulão Thomaz: Aeee bro valeu! Toco bateria há

35 anos, sempre no Rock, minha primeira banda foi o

centúrias gravamos a coletânea SP Metal “e dois discos,

o EP Última Noite e o Ninja, todos pela Baratos

Afins, depois fui para banda Heavy Metal Firebox,

Chile. Pelo Brasil, tocaram em muitos eventos por todo o país e dividiram

o palco com Matanza, Cólera, Korzus, Garotos Podres, Velhas

Virgens, Made In Brazil e muitas outras grandes bandas brasileiras de

Rock.

Depois de mais de 10mil CD’s vendidos, muitos quilômetros rodados,

ter figurado nas listas de “Melhor Banda”, “Melhor CD” e “Melhor

Show” de várias renomadas revistas e sites de Rock do país e sempre

ter recebido notas altas nas resenhas de todos seus CD’s, a formação é

a mesma desde o primeiro ensaio: Xande – Vocal & Guitarra, Deca –

Guitarra, Soneca – Baixo & Coros, Paulão Thomaz – Bateria

Ao vivo, são incendiários convictos e ocupam cada centímetro dos

palcos onde tocam! Confira a seguir entrevista com o batera Paulão

Thomaz para o blog Heavy Metal Breakdown.

gravamos apenas um disco, isso tudo nos anos 80,

gravei um CD com a banda de Rock´n roll, Cheap

Tequila também com um CD isso já nos anos 90.

Agora estou no Baranga desde 2000, já lançamos

cinco CDs, toco também no Kamboja, e estamos

gravando o CD de estreia, mas temos um EP com

quatro músicas lançado, e gravei também coma

banda Mano Sinistra um projeto de viola Rock do

Ricardo Vignini, importante músico paulista. isso

UNDERGROUND ROCK REPORT - 31


é um resumo da minha carreira.

URR: Quais são suas lembranças do cenário nos anos 80?

Paulão: Muito boas! Muitas bandas autorais e em português acontecendo.

Harppia, Centúrias, Salário Mínimo, Golpe de Estado, Vírus, Platina e muitas

outras. Rock in Rio1. Maravilhoso, tocávamos em teatros, não havia essa coisa

de bar infestado de bandas cover. Lembro que havia um teatro aqui no Paraíso

(bairro tradicional aqui em São Paulo) chamava-se Teatro Mambembe, os shows

eram de terça feira e lotava, vi o Sepultura lá bem no início. Enfim foi muito

bacana ajudar a fazer essa história do Metal brasileiro.

URR: E qual é a sua visão, hoje, do cenário da musica pesada nacional?

Paulão: Como sempre estamos no Underground, o Brasil não é o país do

Rock, mas existe uma cena sim, há bons festivais, produtores que fazem shows

mesmo com muita dificuldade. Mas estamos ai, como fãs e músicos do bom e

velho Rock´n Roll pesado, gravando, tocando música autoral e lançando CDs

acho que isso já é um grande avanço, e vamos em frente, fazemos por amor ao

rock.

URR: Mesmo com a indústria musical em franco declínio, você acha que

o fã de rock ainda é capaz de sustentar o seu cenário consumindo produtos e

merchandize de suas bandas preferidas?

Paulão: Consumir os produtos da banda e comparecer aos shows é a única

saída.

URR: Você foi batera do Firebox, banda que fez certo alarde na época do

lançamento da demo Starting Fire, porém, com o lançamento do primeiro álbum,

Ou of Control, você se desligou da banda, sua intenção era justamente

fazer um trabalho mais voltado ao Rock´n Roll, como no Baranga?

Paulão: O Firebox era uma banda muito boa, mas com a saída do Luiz Mariuitti

(baixo) que foi para o Angra, a banda perdeu a química, houve alguns desentendimentos

com o Michel que era o líder causando a minha saída. Eu estava

desiludido com o Heavy Metal, não gostava do direcionamento músical, aquela

moda do metal melódico me fez sair do estilo, na verdade eu sempre ouvi muito

Rock´n Roll, Slade, Status Quo, Made in Brazil, Patrulha do Espaço e metal

anos 80 que era mais cru e direto, ai resolvi tocar um som que me identificava

mais e estou até hoje tocando o que eu gosto que o Rock direto sem firulas.

URR: E com o Baranga você conseguiu seus objetivos musicais?

Paulão: Em parte sim! Fizemos cinco ótimos discos em português, uma

banda verdadeira. Abrimos para o Motorhead por duas vezes, fomos ao Chile e

muitos shows bons por aqui. Então não posso reclamar. Em outro sentido, fico

um pouco frustrado pela falta de profissionalismo, uma banda como a baranga

devia ter crescido mais, faltou produtor, empresário, porque chega um momento

que a banda para e isso não é bom! Entendeu? Coisas de Brasil.

URR: Porque você resolveu não participar da volta do Centúrias?

Paulão: Acho que tive o meu momento lá, tenho o maior orgulho porque o

Centúrias me deu o que sou hoje, sem querer fizemos história, hoje vou ao show

deles e me emociono. Como aquelas músicas são boas... Mas estou afim de outras

coisas no Rock e estou fazendo, mas amo aqueles caras.

URR: Como vem sendo a aceitação dos shows do Baranga?

Paulão: Mesmo tendo, em alguns momentos, problemas técnicos de som,

os shows da Baranga, tem muita energia e carisma e esse sempre foi o forte da

banda, o lance ao vivo é muito forte, ultimamente o público tem se ausentado

dos shows, devido a vários fatores, grana, bares com bandas cover, muitos shows

gringos, mas estamos ai na luta, espero que seja uma fase.

URR: Bandas cover se tornaram uma reclamação recorrente aqui no

blog e nas midias sociais em geral. Você acha que o brasileiro é culturalmente

influenciado a acreditar que os trabalhos feitos por aqui são de menos

qualidade, ao ponto de valorizarem uma cópia, muitas vezes mal feita, dos

seus ídolos internacionais?

Paulão: Com certeza sim, as pessoas falam mal dos donos de bar, mas não é

culpa deles! É cultural sim e acho que não vai mudar, o gringo é sempre melhor

por incrível que pareça até o cover (risos) Já vi bandas sofríveis tocando com

a casa cheia, como também tem excelentes bandas eu mesmo faço tributo ao

Lynyrd Skynyrd, nada contra, o cover isso sempre existiu, mas trocar totalmente

o apoio a essas bandas em detrimento ao som autoral é demais, por outro lado

não ha bandas, de qualidade, suficiente para cobrir as noites em todos os bares

então o cover é importante. O problema é a total desvalorização do som autoral,

temos ótimas bandas por aqui cantando na nossa língua e estamos precisando

disso. O país esta falindo e o Rock tem sim, seu papel social também, eu e as

bandas que toco se preocupam com isso e não vamos desistir principalmente

o Kamboja, que tem em seus temas algumas músicas que tratam da nossa realidade.

uma forma de acentuar esse lado xenofilista que o brasileiro tem?

Paulão: Sim, com certeza! Essa coisa terçeiro mundista nos afeta muito,

não vamos ser hipócritas e falar em 100% nacionalistas, porque não somos!

Mesmo porque o Rock não é brasileiro e eu mesmo gosto de muita coisa estrangeira.

Mas estamos falando em Rock brasileiro, ai eu acho que tem que ser

em português, o Ratos de Porão faz turnês há muitos anos na Europa cantando

em português, ai você fala no Sepultura. Bom ai é outra história, igual a eles

nunca mais.

URR: Você acha que dificilmente alguma banda daqui vai chegar a um

patamar equivalente ao Sepultura? Eu acredito que com a estrutura e o investimento

certos, isso pode acontecer.

Paulão: Não sei não! Acho muito difícil, o Sepultura estava no lugar certo

na hora certa e principalmente com os caras certos, Max e Igor, eu os vi no Aeroanta

(casa de shows dos anos 80 aqui de São Paulo) e nunca havia visto nada

igual, era muita adrenalina e carisma juntos. Isso acho que acontece em 1000

anos (risos). Temos bandas com certo sucesso, mas mano, o Sepultura influenciou

os gringos, nunca mais vai acontecer isso em termos de Rock.

URR: Entendi o seu pensamento. Como você se vale das redes sociais

para divulgar o seu trabalho?

Paulão: É o Facebook é legal pra divulgar trampo, shows, marketing pessoal,

divulgar os endorses. Mas não me iludo não, neguinho fala que tem 1000

likes no vídeo ou no CD, mas na hora do show vão 50 pessoas (risos), o cara

não tira a bunda da cadeira pra ir ao teu show, entendeu?

URR: Então não existe Rock sem muito trabalho duro?

Paulão: Claro que não! A não ser com muita grana pra comprar jabá, mas

mesmo assim tem que ter música boa e consistente.

URR: Nada mais ligado ao rock que a santíssima trindade: cerveja, mulher

e Rock... Você acha que, uma banda não tem como errar dentro desse

quadro?

Paulão: Acho que já esta desgastado, acho legal ter uma ou outra música

com esse tema, mas não ser o principal , isso tudo já esta desgastado.

URR: Quais são as diferenças líricas do Kamboja e do Baranga?

Paulão: O Baranga sempre foi mais focado na diversão cerveja, mulher,

carros. O Kamboja tem uma ou outra assim, isso é inerente ao Rock, mas temos

também letras com temas mais sociais, como a hipocrisia da sociedade, a mentira

dos políticos e realidade brasileira, acho que estamos precisando protestar

uma pouco, não da pra ficar mais alienado.

URR: Então, a música é um excelente veículo para o protesto?

Paulão: Pode ser sim um veículo de conscientização, mas sem exageros pra

não ficar panfletário e chato. Rock´n Roll é diversão também.

URR: Você sente uma evasão do público nos seus shows?

Paulão: Infelizmente sim, são muitos os fatores que levaram a isso , espero

que melhore, situação financeira, shows gringos, covers, etc.

URR: Planos para o futuro?

Paulão: Continuar gravando, tocando. Enfim, continuar na estrada espalhando

a ideologia Rock´ n Roll.

URR: Resuma Paulão Thomaz em uma frase ou palavra.

Paulão: Rocker sem pátria (risos).

URR: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-

-papo, deixa aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Paulão: Opa! Obrigado a você. Foi uma boa entrevista perguntas inteligentes,

valeu mesmo! Prestigiem as bandas brasileiras, tem muita coisa boa, confiram

algumas; Carro Bomba, Kamboja, Baranga, Cracker Blues, Salário Mínimo,

Centúrias, Dr. Sin, Korzus, Torture Squad, A.V.C., Golpe de Estado, Saco

de Ratos, Makinária Rock e muitas outras. Abraço a todos os leitores, obrigado!

Contato: www.barangarock.com.br

Foto: Fernando Yokota

URR: Porque cantar essencialmente em português?

Paulão: Acho que tudo é o objetivo da banda, no meu modo de ver acho

legal cantar no seu país uma língua em que todos entendam, veja bem no brasil

poucos falam e entendem bem em inglês, certo? Então como passar o recado se

não temos uma segunda língua aqui e agora mais que nunca temos que passar

o recado em português. Qual a música mais conhecida do Dr. Sin? Futebol,

Mulher e Rock´n Roll. A do Korzus? Correria e Catimba! São dois exemplos

muito fortes do que estou dizendo.

URR: E não seria até mesmo por causa das bandas cantarem em inglês,

32 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Por JP Carvalho

Surgida na década de 1990, tendo sempre a frente seu

líder incostestável Charlie Curcio, que além de ser um

dos caras mais atuando no cenário da música pesada, leva

o StomachalCorrosion mesmo com todos os trancos e mudanças

de formação ao longo dos anos. E não são poucos,

são 23 anos levantando a bandeira da música extrema, incontáveis

lançamentos e muito história prá contar.

Em 2014 a banda prepara mais uma volta aos palcos,

com a nova formação prometendo para muito em breve

novos e significativos lançamentos. Confira a seguir um

apanhado geral da história deste ícone do cenário Heavy

Metal do Brasil.

UNDERGROUND ROCK REPORT - 33


Em janeiro de 1991, Charlie Curcio surge a idéia de formar uma

banda, tendo influência bandas como Agathocles, Gangrena Crucial,

Carcass, Rapt, Ocult, Impetigo, Abominog, Napalm Death, Napalm

e etc... Vindo de uma banda HardCore/Punk, a Diarrhea, e de

outra Crossover, a Interitus, era natural a temática social, e devido

às novas tendências do meio Underground na época, as nojeiras do

Splatter também figuravam nas letras da banda.A primeira formação

do StomachalCorrosion não chegou a executar nada, apenas a

esboçar o que seria a música Holy Flesh. Esta formação não durou

muito e assim o StomachalCorrosion inicia um ciclo de mudanças

de formação, mesmo antes de existir direito.

Antes mesmo de se iniciarem os primeiros ensaios os três membros

do StomachalCorrosion são chamados pra completarem a formação

de uma banda que voltara à vida, a Hóstia Podre, a banda

existiu durante alguns meses, realizou dois shows na cidade de

Campina Grande-PB, gravou dois ensaios em fitas Demo Ensaio, e

encerrou definitivamente sua profana existência. Dentre as músicas

tocadas estava Holy Flesh, que seria a primeira do StomachalCorrosion,

se tornando a primeira da Hóstia Podre.

Assim o StomachalCorrosion pôde voltar a trabalhar com mais

dedicação, tendo ficado como um simples projeto na época em que

a HP contava com seus membros de até então. Enquanto projeto o

StomachalCorrosion contou com algumas pessoas em sua formação,

em ensaios esporádicos e sem maiores compromissos. Depois de um

desses ensaios, tiveram uma conversa para acertar a formação definitiva

para a StomachalCorrosion, uma vez que se sentiam entrosados.

E iniciaram os primeiros ensaios realmente, porém, ninguém

na banda tinha instrumento algum e contavam com os das outras

bandas, assim como usavam os locais de ensaios de outras bandas

também. Mesmo com tantas dificuldades, os primeiros sons foram

surgindo, A banda ensaiava com mais freqüência no local de ensaio

da banda Mortífera, de Campina Grande. Mas aproveitavam as oportunidades

no local do Krueger. O término das atividades da Mortífera

coincidiu com uma viagem de da guitarrista Emilia para Recife, o

que acarretou em uma parada momentânea e que muitas coisas foram

acontecendo e moldando a banda para o que seria dali em diante.

Novas mudanças de formação, novas músicas foram sendo incorporados.

Atpe que foram convidados para irem a Caruaru, passar

um final de semana na casa de um velho amigo, Kleber Gomes

(ex- Extreme Death). Com esta visita surgiu a idéia de se fazer uma

apresentação na casa de ensaios das bandas daquela cidade, uma vez

que a banda aproveitou o local e equipamento para passar os sons. E

foi realizada a primeira gig do StomachalCorrosion, contando com o

Kleber Gomes (ex-Extreme Death) no baixo. Esta apresentação não

foi gravada, mas um dos ensaios foi registrado em K7.

Voltando para Campina Grande e com a volta da guitarrista Emilia

que só aconteceu dois meses depois, a banda ganhou mais peso tendo

duas guitarras. Mas uma nova fase de ensaios aconteceu, ou melhor,

foi obrigatória devido ao término das atividades da Agression, ficaram

passando o som com violões e faziam ensaios esporádicos junto a algumas

bandas da cidade. Foi nessa época que tiveram uma proposta da

Rotthenness Records, para o lançamento de um EP 7”. O Stomachal-

Corrosion conseguiu um lugar de ensaio e equipamento para a gravação

deste ensaio com a melhor qualidade possível na época. Mesmo assim

não ficou bom e o compacto não saiu, aproveitaram a gravação para

uma DT Ensaio, que se chamaria One And Corrosive, lançada em 1993,

contendo 12 músicas, incluindo um cover de Introtyl, do Agathocles.

Com o lançamento desta demo, tiveram novamente um convite de

tocar em Caruaru. E em 15 de maio de 1993 a banda se apresenta pela

segunda vez naquela cidade. Tocando por último, e gravando o show

em K7, mesmo com muitos cortes nos inícios das músicas, cortesia do

técnico que comandava o gravador, a gravação acabou não sendo aproveitada.

Voltando a sua terra natal, retoma-se os ensaios em conjunto

com uma nova banda a Mind Grind, e em um galpão onde aconteceria

sua terceira apresentação e a primeira na cidade de Campina Grande.

Novas mudanças de formação ocorreram mas, continuaram ensaiando

no local por mais algum tempo, tendo ainda a nova Mind Grind como

companheira de ensaios e compartilhadora de equipamentos, até que o

ponto foi entregue e a banda passou a ensaiar em um quartinho nos fundos

da casa da guitarrista Emilia. Desta vez só com a Mind Grind, como

banda irmã, Na realidade foi feito um acordo: a StomachalCorrosion

tinha o local e a Mind Grind o equipamento.

A StomachalCorrosion foi convidado para um festival que tinha

planos de ser anual, mas que só se realizou por dois anos, o CG

Corpse Grinder Festival, tocando por último, no dia 2 de abril de

1994, às 3:30 da madrugada.

Logo, começaram a dividir os ensaios e o equipamento com mais

uma banda, a C.U.S.P.E. Porém, pouco tempo após a Mind Grind

acabou, ficando apenas a C.U.S.P.E. e a StomachalCorrosion. Destes

ensaios saiu uma nova demo, a Sremichin Cettesael, gravada em

março de 1994, contendo 10 músicas da banda e um cover de Deceiver

do Napalm Death e Why Work For Death do Dissenssion.

Em agosto de 1994 Charlie e Sergio fizeram uma viagem à São

Paulo para assistirem ao Philips Monsters Of Rock, e neste meio

tempo a banda foi convidada a tocar no Parque do Povo, em Campina

Grande, em um Campeonato de Skate, e mesmo sem os dois

membros, a banda decidiu tocar. Com o retorno dos dois voltaram

aos ensaios normalmente. Com o passar do tempo, foi cogitada mais

uma gravação, desta vez com recursos melhores e juntando todas as

composições que a banda tinha até o momento. Mas poucos dias antes

desta gravação o vocalista deixa a banda, sendo substituído pelo

amigo Hugo (atual Night Candelabrum). Tiveram pouco tempo de

ensaio até a gravação e em outubro de 1994 trancam-se em estúdio

para o registro de World Of My God, com 24 sons, mais uma intro

gravada na noite de sábado com Armênio e Afrânio nos violões e

Charlie na percussão. As músicas da demo em si foram gravadas no

dia posterior, um domingo, tendo o sábado apenas para o aperfeiçoamento

do equipamento e testes de gravações. Na realidade World

Of My god nada mais é do que a junção das músicas das duas outras

demos ensaios, menos os covers.

Mesmo com nova mudança na formação, realizaram um show em

Campina Grande para o lançamento da nova demo, junto à banda campinense

Hedra, no dia 11 de março de 1995, a gravação deste show

foi lançada em um split K7 junto com os belgas do Agathocles, sendo

a primeira participação de uma banda brasileira junto à banda belga.

Pouco depois tocam no 1º Contra-Cultura, Não Anti-Cultura, no

dia 19 de maio de 1995. Nesta apresentação houveram alguns problemas,

o que gerou uma discussão no dia seguinte.

A banda seguia em frente, mas perderam o local de ensaios, forçando-os

a novamente, dividirem o local de ensaio com a C.U.S.P.E.

e tocam pela primeira vez na cidade de Natal junto à Discarga Violenta

em 23 de julho de 1995. Nesta época, Emilia resolve deixar a

banda. Com sua saída, reformularam a banda e tocaram junto ao Iron

Maiden Cover de Campina Grande, no Bar-Bárie.

Esta gig foi filmada em VHS, e parte dela aparece na Grinded

Brain Vídeo Comp., lançada pela Grinded Brain, de Sumaré-SP e na

fita SC/Tapasya, lançada pela Barulheira Rec., do Rio Grande do Sul.

Com esta formação ainda chegaram a tocar com a Trinca Cunhão de

João Pessoa, que rendeu um convite ao StomachalCorrosion para tocar

em João Pessoa no dia 17 de fevereiro de 1996, no II Eternal Torment

Fest., mas como já se notava certa apatia por parte do baterista

Alessandro, a banda decidiu não tocar e por conseqüência do cancelamento,

a perda de uma oportunidade houveram novas mudanças de

formação. Mas seguiram em frente, tocando ao vivo no 1º Embarcanção

Promove, em agosto de 1996 e em Areia-PB, em dezembro do

mesmo ano. A gravação em K7, do show do de agosto de 1996 sairam

as fitas SC/Rot, além das quatro músicas ao vivo que aparecem no CD

GrindAttack, lançado pela Mutilation Rec., de São Paulo. Gravaram

quatro sons no estúdio que seria para um EP7, proposto pela Sem

Nome Rec., de São Paulo, mas como esta foi apenas mais uma proposta

furada, as músicas acabaram saindo mesmo no CD GrindAttack.

E pela primeira vez a banda tinha sua música registrada em um

vinil, era o LP Compilação “Beneficente à Mumia Abul Jamal”.

Porém, com a saída repentina de Eduardo, decidiram encerrar a

banda, depois de algumas tentativas inúteis de recrutar pessoas da

cidade. Então Charlie muda-se para Minas Gerais no final de 1997

e leva consigo a proposta da banda, uma vez que nenhum dos ex-

-membros se prontificou a continua-la em Campina Grande. A banda

ficou sem uma formação mas aparecendo em vários lançamentos

como: CD compilação O Progresso Da Regressão (No Fashion HC

Rec.), além de algumas em K7, CD e CDr e da Fita VHS Grinded

Brain Vídeo.

Em 1998 Charlie é convidado a tocar na banda Disarm, de Santa

Bárbara D’ Oeste- SP. Em um ano exato chegaram a gravar os sons que

estão no LP StomachalCorrosion/Disarm, lançado pela No Fashion

HC Rec., no CD comp. Noise For Deaf II- Rotthenness Rec., o EP 7

Disarm/Sub Cut No Fashion HC Rec., a K7 Disarm Promo Tape e o

CD Comp. Crust X Grind. Além de tocarem em dois shows junto a

bandas como Rot, Woyczech, Cut Your Hair e Intestinal Disease. Em

um dos ensaios da Disarm, Charlie aproveita pra gravar dois sons do

StomachalCorrosion para o CD Compilação “Esperanto Subgrunde.

Mas no final de 1999 Charlie sai da Disarm pra se dedicar à

StomachalCorrosion, e no começo de 2000 uma nova formação se

inicia, Com esta formação chegam a gravar alguns ensaios que aparecem

na fita SC/IMDL, lançada pelos selos PQñ? Rec.e Detruo

Distro em setembro de 2002, a K7 lançada na França SC/Los Suppositos/StormCore/Tekken.

Nesta época um baixista havia sido recrutado mas por motivos

34 - UNDERGROUND ROCK REPORT


particulares não permanece na banda.. Ficando a banda como um

trio e com esta formação gravam sons que estão tanto na K7 SC/

IMDL quanto no CD SC/Jan AGx, lançado pela Nosferatu Rec., de

Bragança Paulista. Aproveitando o convite, entram na Compilação

em CD “Não Nasci pra ser Herói, por isso Não Mereço Méritos”, da

Agah Rec., de Piracicaba.

Logo após a gravação deste material a banda faz dois ensaios e

se dissolve por dificuldades diversas para continuar. E no final de

2002 voltam pra banda, logo no inicio de 2003 entram dois novos

membros, algumas gravações de ensaios foram feitas. No dia 29 de

março de 2003 tocam ao vivo em Carapicuíba-SP.

E, junho de 2003 gravam algumas músicas para o CD Stomachal-

Corrosion/Agathocles a ser lançado pela No Fashion HC Rec. No

mesmo mês novas mudanças, e com a formação resumida tocam em

Carapicuíba em 18 de abril de 2004.

Essa foi uma pequena e horrorosa fase de instabilidade e de baixa

produtividade na formação. Em 6 de dezembro de 2003 tocam na

cidade de Varginha, junto a outras bandas, entre elas o Securitäte, de

Machado-MG. Repetindo a dose no dia seguinte. Com uma formação

provisória. Finalmente em 30 de dezembro de 2003 é lançado o CD

StomachalCorrosion/Jan Agx.

Em 23 de janeiro de 2004 a banda finalmente toca na cidade de

Cambuí, e em 25 do mesmo mês em Pouso Alegre. Ainda sem uma

definição quanto à formação. Houve uma rápida presença de um baixista

convidado, que não permanceceu na banda devido a problemas

pessoais, como trabalho e faculdade. Em meados de abril finalmente

uma definição quanto à formação da banda.

Desta vez Cleyrison volta pro vocal, Charlie continua na guitarra/vocal,

e entram Felipe na guitarra solo e Manoel na bateria. Felipe

não se adequa ao som e permanece na banda por pouco tempo.

A banda passou alguns dias apenas com Cleyrison, Charlie e Manoel,

sendo que o baixista Silas, já estava em vistas de entrar na formação.

Algumas datas já estavam previstas e todas foram cumpridas

sem baixista mesmo.

Com a formação estabilizada, conseguem melhores resultados e

seguem fazendo vários shows. Em janeiro de 2005 entram em estúdio

para a gravação do que seria o debut

CD da banda, depois de 15 anos, “Transtorno

Obsceno Repulsivo”. Enquanto isso outros

registros são lançados, como os splits CD-rs

StomachalCorrosion/Violenta Dizimação. Fecham

com a “Dark Stamp”, de Governador

Valadares, para uma distribuição de um CD-r

Promocional no catálogo da distrubuidora de

camisetas. Em janeiro de 2006, fugiram no

CD Compilação de uma revista do Chile, “Extreme

Noise Mag. Chile”, número 3.

Enquanto o lançamento do debut CD

“Transtorno Obsceno Repulsivo se arrastava, a

banda lança um CDr Promo, tentando manter a

banda em evidência no cenário. Este contava

com cinco faixas do CD que viria e mais cinco

de cada um de seus principais lançamentos.

Uma participação no Festival “Roça’n’Roll,

no dia 27 de maio de 2006, na cidade de Varginha

eleva bastante o nome da banda na região.

Desta participação é tirado um clipe que entra

no DVD do evento, lançado pela Cangaço Produções.

Outro grande evento que a banda participa

é a eliminatória para o festival Wacken

Open Air, também em Varginha.

O CD “Transtorno Obsceno Repulsivo” finalmente

é lançado pelo selo Nosferatu Rec.,

no dia em 20 de junho.

Em agosto de 2007 Silas resolve sair da

banda. Mesmo assim toca nos shows de Cambuí,

Pouso Alegre e Bragança Paulista, no lançamento

oficial do CD.

Uma entrevista com a StomachalCorrosion

sai no número 53 da revista Rock Hard-

-Valhalla. Novos shows são marcados.

Um comentário do CD Transtorno Obsceno

Repulsivo na revista Cover Guitarra. Coisa

rara uma banda nacional de Grind Core aparecer

nessa revista. Charlie Curcio sai na seção

Roadie Profile da revista Roadie Crew. Entrevista

de duas páginas na revista Comando

Rock. Compilação Visão Underground, com

entrevista no fanzine

No dia 6 de junho do 2009, é realizado o último show da banda,

em Varginha, no Roça´n Roll. Essa apresentação fora gravada por

uma equipe profissional, com a inteção de ser lançado um DVD. O

StomachalCorrosion é capa e entrevista no jornal paulista NFL, nº22

de abril de 2009.

Em 14 de setembro de 2009, a banda novamente encerra suas

atividades.

Em março de 2010 é lançado um DVD, intitulado “Malobei”,

com a gravação do último show da banda, realizado no Roça ´n Roll.

Completando o DVD uma apresentação em Bragança Paulista na

noite de 17 de dezembro de 2008 e um slide de fotos.

Ensaiando mais uma volta no começo de 2011 a StomachalCorrosion,

depois quase um ano e meio parada, e na formação contam

com Lucas, nos vocais, Guilherme ‘Coruja’ na bateria e seu fundador

Charlie Curcio na guitarra.

O primeiro show da volta da banda já está previsto para a cidade

de Paraisópolis, sul de Minas Gerais, em abril. Depois as datas

seguem para Pouso Alegre, São José dos Campos, Pouso Alegre,

Varginha, novamente no Roça in Roll 2011 e São Paulo. A banda

também fechou endorse para camisetas oficiais com a Fenix Metal

T-shirts, de Paraisópolis-MG e também um acordo com a Sujo Records

de São Paulo de distribuição das camisetas.

Em abril de 2011, novas mudanças de formação, após a saída do

baixista Eduardo, em seu lugar entra Cauê, ex-Toxoplasmose, banda

de Bragança Paulista, que contá também com Guilherme na bateria e

fez uma apresentação junto ao próprio StomachalCorrosion, em sua

cidade natal.

A atual formação da banda conta com, além de seu fundador

Charlie Curcio, com Neto Almeida, vocais, e Paulo Vieira nas guitarras,

Thomas Alves no baixo e Marcio Barbosa na bateria.

Com esta reformulada geral, a banda já está em processo de composição

para entrar em estúdio em breve gravar dois músicas e em

breve lançar um single, que contará ainda com um clipe de uma

músicas.

Informações:

www.facebook.com/Stomachalcorrosion

UNDERGROUND ROCK REPORT - 35


DestrucTVision

Por JP Carvalho

36 - UNDERGROUND ROCK REPORT

No dia 8 de agosto! O estúdio Espaço Som, recebeu os convidados

para o lançamento de DVD “DestrucTVision” da

banda Woslom.

Desde o lançamento do CD “Evolustruction” a banda vem

galgando muitos degraus em sua carreira e mesmo com a perda

de um de seus fundadores, o baixista Francisco Stanich Jr, o

Woslom desponta como um dos representantes de peso do Heavy

Metal nacional.

Lançado pela Wikimetal Music este DVD conta com vídeos

de todas as músicas do citado CD, desde os clipes oficiais até os

lyric vídeos e claro, vem recheado de bônus, e claro, o novíssimo

vídeo clipe da música Purgatory, um verdadeiro trabalho de arte,

perturbador e consistente como a belíssima música. Tornando

este “DestrucTVision”, um documento histórico de um dos trabalhos

de maior expressão do cenário da música pesada nacional.

A festa de lançamento começou próximo das 21 horas, cerca

de 200 pessoas se aglomeraram no estúdio (o mesmo usado por

bandas como Nervosa, Nervo Chaos em ocasiões diferente), cabe

ressaltar que o som é um caso a parte, a qualidade que emana do

PA´s é tão absurdamente boa, que muitas vezes causa a sensação

de se estar ouvindo o próprio CD da banda.

Podíamos conferir pela exposição da arte da capa e a presença

do artísta Marcio Aranha a evolução da arte do DVD e ainda

os convidados podiam conferir a criação de caricaturas dos convidados

por Doug Dominicali. Com a apresentação de Dewwytto,

seguida da apresentação do DVD e de sorteio de brindes exclusivos

aos convidados. A banda ataca com um pocket show

sensacional, que deixou claro para todos os presentes de o porque

do Woslom ser uma banda que cresce e se destaca dia após dia.

O set list foi especial para o evento e contou com vários covers

e músicas que a banda não tocava há tempos. Silvano Aguilera

é um frontman nato, se comunica e brinca com a platéia, e leva

muito a sério sua dupla função nos palcos. André G. Mellado e o

baterista Fernando Oster são muito seguros e fazem o peso emanar

de seus instrumentos com muita precisão. Mas o destaque

fica por conta do guitarrista Rafael Yak que demonstrou muita

técnica e bom gosto em solos muito bem executados

Recentemente a banda anunciou uma nova turnê europeia, a

terceira, com previsão de cerca de 25 apresentações em solo europeu.

A nós, a certeza de que estamos diante de um dos grandes

nomes do cenário nacional, que com certeza nos representará no

velho mundo com apresentações inesquecíveis. Sobre o DVD.

Imperdível!


Violência Thrasher

com requintes de crueldade

Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Apesar de ser uma banda ainda bem jovem, o trio NERVOSA, especializado em

fazer Thrash Metal bruto e tão agressivo que nos deixa com os ouvidos dando sinal de

ocupado, galga o sucesso com unhas e dentes, com vontade de ferro, e seu primeiro

Full Length, “Victim of Yourself”, lançado no início do ano pela Die Hard Records

no Brasil (no exterior pela Napalm Records).

E é um ótimo momento para ir entrevistar as garotas e saber mais do passado

deles, do sucesso internacional que “Victim of Yourself” vem alcançando, e mesmo

alguns shows pela América do Sul.

URR: Antes de tudo, agradecemos demais pela entrevista. Começando, como

foi que surgiu a idéia de formar o NERVOSA, e de onde veio o nome? E por que

justamente um Power Trio de garotas? Nada contra, por favor...

Prika Amaral: Agradeço primeiramente pelo espaço dado a gente. Bom, eu comecei

a NERVOSA em fevereiro de 2010 quando eu tocava numa banda de death metal,

o Innervoices, essa banda precisava de baterista e foi quando eu conheci a Fernanda

Terra por indicação de um amigo, como sabemos o integrante mais difícil de achar é o

baterista, e ela sendo mulher, vi a oportunidade de começar uma banda só de mulheres,

já que baixista e vocal seria mais fácil. Ficamos um ano e meio em estúdio compondo

e testando integrantes, porém nenhuma se encaixava ao que eu buscava. Já tínhamos

4 músicas prontas, inclusive duas com letras e vocais. Em agosto de 2011, entrei em

contato com a Fernanda Lira para ser baixista, ela topou na hora, pois era o que ela

queria, e quando fomos fazer o primeiro ensaio, ele sugeriu de testar o vocal dela, e

quando ela abriu a boca, eu estranhei porque achei diferente, eu gostei e ela ficou com

o posto de vocalista e baixista. O fato de sermos um trio foi natural, nos adaptamos

tão bem assim, e decidimos ser apenas um trio, e quando me vi sozinha na guitarra

encarei como um desafio interessante, aliás, ainda é um desafio!

O nome veio logo no começo da banda quando gravei bateria e guitarra da música

Time of Death e mostrei para um amigo, quando ele ouviu, ele disse: ”Que som

nervoso hein?!” E na hora me veio a idéia do nome NERVOSA, por ser um nome

feminino e agressivo, uma palavra em português que muitos gringos entendem, pra

mim era perfeito!

Fernanda Lira: Eu sempre toquei em bandas autorais femininas, então sempre foi

algo que eu tinha em mente. Após eu sair da minha última banda, fiquei um tempo

afastada e quando voltei a todo vapor, tinha em mente que queria formar um trio

feminino de thrash, primeiro porque thrash é meu estilo favorito junto com death

dentro do metal, e também porque na época eu tava pirando em muitos trios ao mesmo

tempo: Coroner, ZZ Top, Destruction, dentre muitas outras, o trio sempre teve uma

magia que me atraiu muito e eu queria tentar isso em uma banda e assim comecei a

buscar por garotas pra tocar comigo, o que foi muito difícil, porque na época (e hoje

ainda um pouco) era difícil achar meninas pra tocar vertentes mais extremas do metal

e mais importante, garotas que estivessem dispostas a se devotar e entregar a uma

banda como eu desejava e estava disposta. Então quando eu já estava quase desistindo,

a Prika entrou em contato comigo e me apresentou a esse projeto que ela tinha! Além

de ser super parecido com o que eu também estava buscando, percebi que ela tinha

os mesmos objetivos que eu, então decidimos unir forças. A partir daí sim passamos

a encarar a NERVOSA como algo profissional, como uma banda realmente na ativa,

pois unirmos forças. Por exemplo, mesmo nas músicas que já existiam, eu dei algumas

ideias, inclusive mudando as linhas vocais e adaptando bem ao estilo que a Nervosa

tem hoje, principalmente no que diz respeito a refrões, e etc. Além disso, trouxe comigo

uma série de ideias de divulgação e planejamento além de contatos, o que se uniu com

a vontade de banda, e aí polimos as músicas que já existiam, entramos em estúdio, e

iniciamos um trabalho de divulgação bem forte, além de iniciarmos a rota de shows!

Quando entrei na banda, o nome já existia e eu achei ideal, senão teria com certeza

sugerido uma mudança, mas acho que caiu perfeitamente à proposta da NERVOSA!

UNDERGROUND ROCK REPORT - 37


URR: Parece que o NERVOSA, antes de chegar ao formato de trio, tentou ser

um quarteto. Por que não chegaram a pôr alguém na segunda guitarra? Isso não

chega a prejudicar vocês ao vivo?

PA: A Karen foi a segunda guitarra que não pode fazer muito pela banda por

morar em outra cidade e em outro estado, e devido a distância e motivos pessoais,

não conseguiu se dedicar a banda e optou por sair, em dois anos ela fez apenas dois

ensaios com a gente, como já estávamos habituadas a uma guitarra só, foi bem tranqüilo

e natural, e no momento que ela saiu já estávamos em estúdio gravando nossa

demo, não queríamos perder mais tempo procurando outra integrante e resolvemos

seguir como um trio.

FL: Para mim a opção de trio sempre foi uma opção bem firme. Claro que nunca

forcei isso, afinal a Karen já estava lá quando eu cheguei, mas como a Prika disse,

ela não se dedicou como deveria e como precisávamos pra banda e a saída dela foi

inevitável. Quando chegou a hora de decidir se ficávamos como trio, a escolha foi

meio natural. Primeiro porque tínhamos diversas bandas para nos inspirar, e segundo

e mais importante, ser um trio facilita TUDO. Facilita decisões, facilita o convívio,

principalmente quando estamos falando de mulheres, facilita logística, facilita TUDO!

Além disso, eu e a Prika ambas já tínhamos muita experiência em buscar garotas pra

tocar junto e sabíamos quão difícil tava sendo pra encontrar alguém que pudesse abrir

de mão de muita coisa pra se dedicar ‘a banda como a gente tava fazendo, então para

não arriscar perder o equilíbrio e a harmonia dentro da banda, seria a opção ideal.

URR: Vamos dar uma passada pelo passado: após uns anos de labuta, veio o

Demo CD “2012”, que apresentou a banda ao mundo, ainda com Fernanda Terra

na bateria e já como trio. Mas ao mesmo tempo, esse Demo CD virou seu primeiro

lançamento pela Napalm Records. Isso é certo, ou a própria Napalm partiu na

frente e lançou o Demo em vinil lá fora? E por que justamente “Masked Betrayer”

foi escolhido como vídeo de promoção?

PA: Na verdade, aqui no Brasil o lançamento foi independente, pois já havíamos

mandado prensar a Demo quando fechamos o contrato com a Napalm, e então eles

resolveram lançar o EP em vinil em edição limitada apenas na Europa. A música

“Masked Betrayer” foi escolhida por ser a música mais completa e mais trabalhada

do que as outras.

FL: Todo o processo de lançamento da demo de maneira independente no Brasil

já estava andando, então eles decidiram fazer esse lançamento lá fora em uma versão

diferente para já aproveitar a oportunidade de ir divulgando a banda na gringa, para

não perder tempo! Ou seja, o EP lançado por eles lá seria um aperitivo do disco que

estaria por vir no futuro, então essa versão em vinil foi muito útil para nos divulgar

lá fora antes de lançarmos o disco, além de claro dar mais opções de produtos para a

galera que já acompanha a banda há um tempo. Quanto ao clipe de “Masked Betrayer”,

assim como o mais recente da música “Death”, para divulgar o disco “Victim of Yourself”,

passaram pelo mesmo processo de escolha para ser o single: sempre gostamos

de apresentar ao público primeiramente a música que mais representa e agrupa todas

as principais características da banda: refrões e riffs marcantes, elementos do thrash,

partes mais trabalhadas, etc.

URR: Tá, o assunto é batido, mas eu sou chato mesmo (risos): o que levou a

Fernanda Terra a sair da banda? E como chegaram até Pitchu Ferraz? E digamos

de passagem: ela foi uma aquisição e tanto!

PA: Por divergência de idéias e motivos pessoais a Fernanda Terra deixou a banda,

coincidentemente a Pitchu depois de um tempo tinha acabado de sair do Hellsakura,

e ela caiu como uma luva, pois ela se encaixa perfeitamente na banda, além da estabilidade

que ela nos trouxe, ela renovou nossas energias.

FL: Foi uma opção que partiu da própria Fernanda e devido a tudo que vínhamos

passando em termos de desentendimentos entre ideias e também problemas pessoais

dela, acabamos acatando a decisão dela naturalmente e sem dúvidas foi o melhor que

aconteceu pra ambos os lados na época. Assim que ela saiu já começamos a buscar

por novas opções de baterista, pois a máquina não podia parar, estávamos em num

momento crucial para a banda. Eu listei diversas opções e acabamos conversando e

testando com uma ou outra. Foi então que depois de um tempo me veio a Pitchu em

mente, apesar de não ser muito próxima dele, sempre gostei muito do drumming dela,

porque ela toca da mesma maneira que eu e com a Prika – com muito feeling e pegada!

Ela ficou muito feliz em entrar na banda exatamente por ser o que ela sempre sonhou

em tocar. Além de excelente musicista, com muita experiência, técnica, e força de

vontade, ela é uma pessoa maravilhosa, uma alma pura e isso nos motivou e motiva

muito a continuar firme com a essa formação!

URR: Temos um assunto polêmico e bem delicado: ainda existe certa resistência

a vocês que gera um disse-me-disse enorme nas redes sociais, sempre buscando tirar

o mérito da banda com alegações que ou não fazem sentido, ou então denigrem a

imagem profissional de vocês. Uma é que o NERVOSA não é uma boa banda ao

vivo (falam muito em um show que fizeram e não foram bem). E isso sem falar em

engraçadinhos no Facebook com piadas e memes imbecis como “Campanha: o

NERVOSA fazendo filme pornô” ou algo assim. Mas como o Metal Samsara acredita

no direito de resposta do artista, bem como no sagrado dever de resguardar sua

honra, é a vez de vocês dizerem algo. Fiquem à vontade e falem o que quiserem.

PA: Em primeiro lugar, respeito não significa gostar, respeito é educação. Somos

como qualquer banda, estamos evoluindo, obtendo experiências e correndo atrás do

que pra gente é a nossa vida. Se um dia a gente tocou mal por falta de ensaio, por

som ruim, etc...Isso não significa que seremos pra sempre assim, evoluímos muito,

e quem quiser conferir é só aparecer em um show, o problema é que TODOS esses

que dizem que somos ruins ao vivo, nunca foram num show nosso, eles apenas viram

um vídeo pela internet. Se a banda é tão ruim porque temos um contrato para 4

discos com uma gravadora grande? Porque eles acreditam nas nossas composições e

acreditam no nosso potencial, alguns idiotas gostam de dizer que pagamos pra tocar

ou que pagamos pra Napalm assinar um contrato, e um monte de besteiras. Se alguém

quiser entrar em contato pra conhecer sobre nossas vidas reais, onde moramos e como

38 - UNDERGROUND ROCK REPORT

vivemos, fiquem a vontade, o site e o contato estão lá. A verdade é uma só, e com

o tempo se conquista as coisas e ela aparece. A internet dá voz para os idiotas para

que eles tornem a vida chata deles mais emocionante. Claro, que sabemos que temos

muito a evoluir, e muito que aprender, estamos apenas no começo de nossa carreira.

Eu nunca fiz aula, aprendi tudo sozinha, e agora que tive a oportunidade, comecei

a fazer aula de guitarra com o Antonio do Korzus, está sendo muito importante pra

mim, estou aprendendo muita coisa.

FL: Agradecemos pelo direito de resposta, mas isso é algo que realmente nunca nos

incomodou tanto e a qual continuamos a ignorar. Isso porque críticas fundamentadas

nós não só levamos em conta, como ponderamos e compreendemos. Agora ofensas

gratuitas e sem argumento nenhum só nos faz infelizmente perceber que ainda existem

pessoas que para compensar o próprio fracasso ou inércia na vida pessoal, precisam

denegrir o mérito dos outros. Existem diversas bandas que eu não gosto, e nem por

isso saio na internet (porque é sempre na internet apenas!) fazendo propaganda contra

a banda, sabe porquê? Porque existe respeito! Independente de gostar ou não do som,

a pessoa tem que entender que por trás daquilo existe um trabalho, uma dedicação, e

além disso, a pessoa não pode ser arrogante a ponto de achar que o gosto e a opinião

dela tem que ser unânime, ou seja, não é porque você não gosta de algo, que o universo

também não deve gostar, então a pessoa não só desrespeita a banda que está fazendo

algo pelo metal efetivamente (ao contrário de pregar a desunião e o desrespeito), queira

a pessoa aceite isso ou não, e além disso ela desrespeita o direito de cada um de ter

uma opinião particular, independente do que o resto do mundo ache. Eu acho que se

cada um que fizesse propagandinha contra bandas (infelizmente isso não acontece só

com a gente) fizesse algo de construtivo pra cena de fato, a cena brasileira seria mais

poderosa ainda do que já é. Se usassem então todo esse tempo e fervor dedicado a

denegrir bandas que não gosta pra contestar o governo corrupto ou pra exigir e fazer

algo pra melhorar o pais, o Brasil seria primeiro mundo, pelo menos se dependesse dos

headbangers! Haha... Como eu te disse, já ouvimos coisas do tipo ‘precisam evoluir

em seus instrumentos’, ‘não acho que a presença de palco está boa’, ‘ as músicas

precisam ser mais trabalhadas’, e esse tipo de coisa, mesmo que possa acontecer de

não concordarmos, vamos compreender que a pessoa teve motivos pra tecer aquela

crítica, e muitas delas na verdade foram construtivas, pois nos ajudaram a enxergar

falhas que não estávamos vendo e a melhorá-las, agora você me pedir pra considerar

‘críticas’ como ‘elas são uma bosta ao vivo’ de gente que se baseia em um vídeo de

mais de dois anos atrás, com formação antiga e antes de lançar a Demo, já é demais,

né? As pessoas têm que compreender que não nascemos sendo uma banda perfeita,

aliás, poucas bandas nascem sendo excelentes e estamos em constante evolução.

Portanto, Você pegar um vídeo ou um show da banda de trocentos anos atrás como

base da sua crítica ignorando os anos mais recentes de trabalho da banda e toda a

estrada dela, mesmo que curta, é pedir pra sua ‘crítica’ não ter sentido nenhum! Por


isso convidamos às pessoas que queiram tirar suas dúvidas sobre nossa performance,

pra conferir o show. Convidamos a quem não entende porque nossa banda ‘dá certo’

pra passar uma semana na nossa rotina e ver o quanto a gente se fode pra fazer a banda

rolar e do quanto abrimos mão de muita coisa em prol da banda. Então se depois

disso a pessoa vier com uma crítica tipo ‘mesmo assim não gosto do som’, beleza,

é um direito da pessoa, agora ficar batendo sempre na mesma tecla sem fundamento

nenhum, eu acho perda de tempo. Por isso focamos sempre nossa atenção na maioria

esmagadora das pessoas que nos apoia e mesmo que não goste da banda, nos respeita.

Seria muito injusto não fazer isso!

URR: Bem, hora de falar de “Victim of Yourself”: como o título foi escolhido, e

qual a idéia que tiveram por trás dele? E por falar nisso, as composições já estavam

prontas quando a Pitchu entrou, ou ela já chegou a contribuir nas músicas em

termos de arranjos e compor mesmo? Mesmo porque ela adora usar uns bumbos

duplos extremos de vez em quando, algo meio incomum em termos de Thrash Metal...

PA: Eu tive a idéia do titulo quando uma pessoa tentou de todas as formas nos

prejudicar sem motivo algum, por pura inveja e simplesmente a pessoa só se deu mal

e ficou evidente pra todo mundo quem essa pessoa realmente era, e pra mim só vinha

uma frase “vitima de si mesmo”. Tinha tudo a ver com o que estávamos passando, e

quando sugeri a ideia para a Fe Lira, ela curtiu e já se inspirou para escrever a letra

que é a da faixa título.

A Pitchu, infelizmente entrou depois que tudo já estava pronto, e é exatamente

por isso que não vejo a hora pra começar a compor o próximo disco já com ela. Esse

pedal duplo infernal (no bom sentido) é o que fez a gente mais feliz ainda, sempre

fiz as palhetadas e cavalgadas pensando no pedal duplo acompanhando, e ela faz

isso muito bem!

FL: Na verdade exatamente pelo fato de termos passado por um momento em que

um pessoas estava tentando nos prejudicar, eu já estava escrevendo uma letra sobre

isso e inclusive já tinha o título da música. Quando a Prika sugeriu uma ideia geral

para o título do disco e veio com algumas ideias para esse título, apresentei pra ela o

sentido da música que eu estava compondo e concordamos em usar o título “Victim

of Yourself”. Ele significa muito pra gente e na verdade ele permeia boa parte das

músicas, porque acreditamos que tudo de ruim que acontece, é consequência de uma

atitude que foi tomada, prejudicando não só os outros, mas a própria pessoa, e todas

as nossas músicas têm um pouco disso, por isso acredito que o título foi perfeito! A

Pitchu não participou da composição do disco mas não só se adaptou a elas, como as

executa perfeitamente e ainda inseriu traços de seu estilo de compor nelas, por isso

o show ao vivo tá bem interessante, pois demonstra bem não só o que a banda é no

momento, como também é um aperitivo do que está por vir!

URR Em “Victim of Yourself”, vemos que Marcello Pompeu e Heros Trench

trabalharam na produção. E como foi trabalhar com essas duas feras? E o resultado

final das gravações chegou onde queriam?

PA: Eles são os mestres do metal nacional, então foi uma escola pra gente.

Chegamos com tudo pronto, e o tempero foi deles. Tive uma crise de tendinite muito

séria, engessei o braço e tive que tomar antibiótico, mas eu tinha que gravar devido

aos prazos da gravadora que já estavam estourados devido a troca de bateristas, então

arranquei o gesso e gravei com dor, se pudesse gravaria tudo de novo, pois tive

que simplificar algumas coisas porque com o braço doente era impossível executar

algumas coisas. Espero muito pelo próximo disco, já que agora conto com um pedal

de drive totalmente desenvolvido pra mim pelo Ed’s Mod Shop, isso influencia no

timbre, além da guitarra que está sendo terminada pelo Purkott, que também foi

feita pra mim exatamente como eu queria, estou para fechar uma parceria com um

amplificador nacional também, se conseguir vai ser demais, pois o meu som e o meu

timbre estará completo.

FL: Já tínhamos trabalhado com eles na demo, e quando chegou a hora de decidir

com quem gravaríamos este, optamos pelo Mr. Som primeiro porque já conhecíamos

o trabalho e a maneira de trabalhar deles, e também porque o resultado da demo tinha

sido bem satisfatório! Eu particularmente gostei muito do resultado final apesar de

todos os contratempos que tivemos durante o período de gravação! Acho que conseguimos

equilibrar bem todos os instrumentos, o que é essencial em um trio e que era

minha maior preocupação, já que em uma banda com três pessoa,s os instrumentos

devem estar perfeitamente em harmonia e nenhum deve aparecer mais que o outro!

Além disso, o timbre de baixo,m mesmo não estando com meu equipamento quase

completo como tenho hoje, consegui extrair o melhor do meu instrumento, o timbre

ficou muito bom, firme, presente, pesado e ao mesmo tempo, cristalino. Quanto à

voz, sempre aprendo muito quando o Pompeu me produz, ele é simplesmente um dos

vocalistas de thrash brasileiro mais icônicos que existem e é sempre um aprendizado

poder ter a oportunidade de ver as ideias que ele tem, e ver o quanto ele pode me

ajudar a explorar melhor minha voz!

URR: Em termos de sonoridade, “Victim of Yourself” realmente assusta os mais

incautos. Sim, pois quando muitos esperavam algo um pouco mais “Old School”,

veio um murro nos ouvidos, pois a qualidade está ótima, e a música de vocês está

tão bruta e agressiva que chega a ser um abuso com ouvidos incautos. A agressividade

é bem evidente, e até mesmo dá uns contornos modernos ao trabalho de

vocês. Como chegaram a isso? Chegou a ser algo planejado, ou acabou surgindo

mesmo durante a gravação?

PA: Nós compusemos tudo naturalmente conforme nossas influencias e gostos

UNDERGROUND ROCK REPORT - 39


musicais, pra mim foi a mistura da cavalgada do thrash oitentista com algumas sequencias

de notas do death metal, e é assim que eu componho, misturando o thrash com

o death. A afinação que usamos também nos ajuda no peso, pois ela é bem diferente

e um pouco incomum para o thrash.

FL: A nossa música é um misto perfeito do que gostamos de ouvir. E nossas

influências em comum na banda acabam caindo na predileção pelas bandas e álbuns

mais antigos, mas também valorizando a qualidade de produção atual, então na hora

de compor e também de finalizar o álbum, isso acabou ficando bem evidente.

URR: O primeiro vídeo de promoção foi para “Death”. Como ela foi escolhida? E

como foi trabalhar nesta produção, que ficou ótima? Só não digam que alguém na banda

ou na equipe de filmagens ficou com medo de fazer o vídeo em um cemitério (risos).

PA: Na verdade a tarefa mais difícil desse disco foi escolher o single...hahaha.

Como o lançamento demorou a sair, e não tínhamos repertório para shows, nós já

tocávamos 8 músicas das 12 do CD, então queríamos lançar algo inédito e dentre essas

4 músicas a Death era a mais completa e que mais representava a banda como um

todo. Um ano antes do clip, eu tinha feito uma pesquisa sobre lugares abandonados

e esse cemitério era o meu favorito, e como a música fala de morte, nada melhor que

um cemitério para ser um cenário, ainda mais a capa do disco sendo um cemitério

também, e quando eu falei para as meninas elas piraram e fomos lá gravar.

FL: Somos sempre muito cautelosas ao escolher as músicas de trabalho, exatamente

porque queremos que ela seja impactante e que represente o que há de melhor

no disco. Escolhemos a Death pois ela agrupa bem os melhores e mais característicos

aspectos da banda, que vão desde um refrão marcante, até mescla de arranjos com

batida thrash com blast beats do death metal na bateria.

URR: Outro lado bem legal é a capa de Andrei Bouzikov, que tem aquele lado

bem “Old School”. Como chegaram até ele, e o resultado final chegou rápido, ou

houve aquelas famosas trocas de e-mail até conseguirem algo consensual?

PA: Ele já havia desenhado a capa do nosso EP em vinil, e gostamos muito do

trabalho dele, então ele já era o nome garantido para a capa. Para simbolizar o titulo

do disco eu sugeri uma caveira esfaqueando a outra, mas as duas caveiras seriam a

mesma pessoa, sendo ela vítima de si mesma. O desenho em si nós adoramos logo

de cara sem pedir para alterar nada, só houve alguns ajustes de cores e tons, mas foi

bem rápido sem muita discussão.

FL: O que sempre me agradou no Andrei é que ele tem essa veia old school, mas

além disso tem um traço bem agressivo, mas polido, o que dá uma característica mais

moderna à arte dele, exatamente como nossa música, que mescla essas duas fontes de

inspiração, então, principalmente depois de ele ter trabalhado com a gente na capa do

EP, queríamos novamente que ele ilustrasse o que tínhamos em mente. Além dessa

ideia central das duas caveiras, eu pesquisei bastante outras artes dele pra ver o que

poderia servir de inspiração pro fundo, como foi o caso do cemitério! Passamos tudo

bem detalhadamente pra ele e quando ele devolveu o rascunho, curtimos de cara, se

tivesse usado o rascunho cru somente, eu já teria adorado! haha

URR: Vocês já andam fazendo muitos shows desde que o CD foi lançado, e

alguns até fora do Brasil. Como tem sido a experiência de tocar fora do país? Tem

sido bem recebidas? E chegam a reparar em alguma diferença mais evidente entre

o público de outros países e o do Brasil?

PA: Sim! O público na Colômbia é muito mais unido, é um povo muito educado

e dedicado, tocamos para quase 4 mil pessoas e foi demais! Fomos muito bem recebidas,

tinha alguns que estavam com bandeiras com o logo da Nervosa, e logo mais

eles vão lançar alguns vídeos. Na Bolívia foi bem legal também, eles nos acolheram

muito bem, eles são pessoas bem simples e as coisas para eles são mais precárias,

mas a cena é muito guerreira. Tem sido uma experiência incrivelmente maravilhosa

poder tocar em vários lugares, sendo no Brasil ou fora, o fato de conhecer novas

realidades é fascinante!

FL: Tocar ao vivo já é umas experiências mais maravilhosas que se pode ter!

Quando temos a oportunidade então de conhecer lugares novos e consequentemente

suas culturas e modo de viver, é mais gratificante ainda! Fomos incrivelmente bem

recebidas nos lugares fora do país (assim como somos sempre bem recebidas também

nos shows na nossa terra, é claro) e o apoio que nos deram foi surpreendente. Na

Colômbia, vê-se que eles tem uma cultura enorme de valorizar as bandas e a cena

loca, tanto que nesse evento Bogothrash que tocamos, estava na segunda edição e

tinha 4 mil pessoas, mas na primeira edição, a anterior, o evento foi feito apenas com

bandas locais e haviam incríveis 3 mil pessoas, isso é lindo de se ver e serve muito

de exemplo para nós brasileiros também! Qyanto à Bolívia, eles são representantes

ferrenhos daquela expressão ‘guerreiros do metal’. Os caras lá tiram água de pedra pra

fazer a coisa acontecer e são muito devotados ao metal! Foi muito bacana e estamos

muto ansiosas também pras próximas experiências fora do Brasil que estão por vir!

URR: Bem, “Victim of Yourself” teve lançamento mundial, logo, já sabem como

tem sido a recepção lá pelo exterior? E fora isso, já vimos que duas revistas de fora

fizeram matérias com vocês. Podem nos contar um pouco sobre essas matérias?

Já estão virando divas!

PA: Recebemos poucos feedbacks porque ainda é um pouco cedo, mas nossa pré

venda nos EUA esgotou, uma gravadora no Japão licenciou e lançou nosso disco por

lá, e no Brasil foi o disco mais vendido no primeiro dia de estréia em toda a história da

40 - UNDERGROUND ROCK REPORT


Die Hard que tem anos de estrada, já está saindo a segunda prensagem e não sabemos

mais onde colocar o sorriso. Demos muitas entrevistas para o mundo todo, ainda tem

muitas para sair, tem zine, rádio, revista, etc... A Napalm tem feito um ótimo trabalho

de distribuição e divulgação. Nós divas? Acho que não hein?! Você tem que ver a

gente depois do show.... Tudo acaba... hahahaha

FL: Eu acompanho muito a repercussão nas redes sociais que tem sido incrível.

Além disso, respondemos incontáveis entrevistas que não paravam mais de chegar

de várias partes do mundo. Com todo o feedback que temos tido, posso afirmar que

conseguimos atender às expectativas do público e também da mídia! A Napalm tem

um trabalho de imprensa excelente que nos apoiou muito e nos abriu muitas portas!

Eles foram a ponte entre nós e várias revistas grande de fora que tinham interesse em

nos entrevistar! Estamos muito felizes sim de ter tido a oportunidade de termos tido

entrevistas e matérias nas maiores revistas do gênero no mundo, como a Metal Hammer,

a Rock Hard, a BURRN!, a Revolver, a Guitar World, etc, pois isso demonstrar

que estamos no caminho certo, que é fruto de muita dedicação e trabalho duro! Agora

não me venha com essa de diva, pra chegar lá só falta dinheiro e glamour!!! hahaha

URR: E hora de falar em shows por aqui: a maioria dos shows desde o lançamento

do CD foram em SP, mas já há tratativas para outros estados? E espero

ANSIOSO pelo show de vocês no Rio de Janeiro!!!! Não pude ir na vez anterior

em que vieram aqui...

PA: Estamos fazendo alguns shows pelo país, já tocamos no Paraná, Minas e São

Paulo, Mês que vem vamos para o Sul do país. Ainda estamos fechando os shows

e esperamos tocar em todos os lugares possíveis, por mim eu tocava segunda-feira

até! Bom, o que posso dizer é que em setembro vamos fazer uma turnê pela América

Central e Sul. Logo mais anunciaremos os shows nacionais.

FL: Estamos também planejando algo pelo Norte e Nordeste até o fim do ano,

principalmente passando por lugares que não tivemos a oportunidade de ir ainda.

Então, quando tivermos feito bastante shows por aqui e América Latina, então vai

ser hora de partir pra Europa e quem sabe até América do Norte!

URR: E chegou a hora da despedida... Quero agradecer muito pela oportunidade,

e o espaço é todo de vocês para sua mensagem final aos seus fãs e nossos leitores.

PA: Agradeço muito pelo espaço e pela oportunidade, parabenizo pelo seu trabalho

e te desejo forças para que continuem. Para os leitores uma frase: Respeitem todas as

bandas, mesmo que você não goste. Obrigada a todos!

FL: Valeu demais pela oportunidade, e continue sempre com esse trabalho maravilhoso,

as bandas e as cenas precisam disso! A todos, continuem apoiando o metal

como podem pois cada um de nós é responsável por fazer o legado do metal continuar

vivo por muito e muito tempo!

Contato: www.nervosaofficial.com

Entrevista concedida ao site Metal Samsara

http://metalsamsara.blogspot.com/

UNDERGROUND ROCK REPORT - 41


Arte

Fotografia

Design Gráfico e Digital

42 - UNDERGROUND ROCK REPORT

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