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REPORTAGEM Cena do

REPORTAGEM Cena do casamento de Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg), na novela Babilônia (2015). Foto: Divulgação A INVISI BILIDADE das lésbicas na terceira idade Envelhecer pode ser uma ideia ruim para muitas pessoas mas chegar a melhor idade sendo homossexual é ainda mais complicado, já que precisam encaram o preconceito pela idade e pela sexualidade. 12 | DEZ 2017 | N. 1 | LILLA

Ao chegar à terceira idade, o idoso passa por dificuldades, sofre preconceitos e é abandonado por uma sociedade que aprecia a juventude. Ser lésbica nessa sociedade é ser invisível e excluída. Muitas vezes elas acabam voltando para o armário para conseguir mais aceitação. Nos últimos anos, estudos e obras têm abordado cada vez mais a mulher lésbica como tema. Entretanto, são raros os que falam do envelhecimento da mulher e seu papel na sociedade. Em 2015, a telenovela Babilônia, da Rede Globo, mostrou o casal lésbico Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg) se beijando no primeiro capítulo. A rejeição do público foi grande e membros de igrejas evangélicas promoveram um boicote ao folhetim, que teve a participação das duas diminuída e as cenas de carinho cortadas ao longo das cenas. O que chocou além do beijo gay foi a ideia de que o idoso não pode ter uma sexualidade, principalmente mulheres e sem participação de homens. Outras obras já tiveram personagens homossexuais e a polêmica sempre existiu, já que a influência do modelo patriarcal e conservador ainda é forte culturalmente no Brasil. Mas a aversão ao casal de senhoras parece desproporcional se lembrarmos o casal Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre), da novela Amor e Revolução do SBT, elas eram mais jovens. Ou ainda, as cenas de beijo e sexo entre Beatriz (Bruna Marquezine) e Julia (Leticia Colin) na série global Nada Será como Antes, que além de jovens faziam parte de um triângulo amoroso com um homem, a repercussão foi bem diferente, o episódio era aguardado e “bombou” na web, segundo alguns portais de notícias. A mulher lésbica ainda é muito erotizada, tanto que ao pesquisar sobre elas muitos conteúdos são de caráter sexual. Mas quando essas lésbicas envelhecem é como se não tivessem mais utilidade. Se hoje em dia as lésbicas conseguem se assumir e viver desta forma parte da responsabildade é de lutas que vem de décadas atrás, com o movimento feminista no Brasil que trouxe consciência e representatividade para questões lésbicas. Antigamente, os homossexuais sentiam-se unicos, não era comum conhecer outros gays, tanto que muitos chegam a maturidade sem entender a própria sexualidade. “Os gays aparecem mais, eles foram habituados a desde criança correrem atrás do que eles querem, brigar pelo que eles querem. E claro, eles usam isso no exercicio da sua homossexualidade. Isso se reflete mesmo hoje as lésbicas são muito mais embutidas, quietas, dentro de casa do que os gays”, fala a editora de livros Laura Bacellar para o programa É a vovózinha! da TV Brasil em 2012. A mulher lésbica ainda é muito erotizada, tanto que ao pesquisar sobre elas muitos conteúdos são de caráter sexual. Apesar da ideia comum de que ser lésbica na velhice pode ser algo solitário, tudo depende de como a pessoa leva a vida e suas escolhas ao longo dela. Para Bacellar, não ter a sexualidade clara na melhor idade e estar no armário pode ser duroe causar sofrimento. Mas estar aberta a isso é importante e apesar de conflituoso, ter a sexualidade clara, mesmo depois de mais velho é libertador. “Faça terapia. Vai lá, converse ‘isso está me incomodando’ ou ‘ eu quero sair do armário e não tenho coragem’. Peça ajuda, fale!” aconselha a advogada Hanna Korich, parceira de Bacelalr. LILLA | N. 1 | DEZ 2017 | 13