RUNning #33

sporting2009

Corrida, treino, saúde e nutrição

Novembro 2019 | Bimestral | Cont. Preço: 2,5€ | Directora: Vanessa Pais

Wellness

Vamos falar

sobre doping?

Quem Corre

Por Gosto

Jorge Corrula:

actor e maratonista

Trail

Há um

novo circuito

“milionário”

em Portugal

João Vieira

A resiliência é de prata

Rendimento: Técnica, saúde e nutrição no Congresso da Corrida – Prof. Mário Moniz Pereira

Gonçalo Villaverde


4 editorial

A

nova época desportiva já iniciou, mas

só agora começam a ser apresentadas

as novidades ao nível das principais

competições. Antes de falarmos sobre “o

que aí vem”, é incontornável destacar uma

das últimas conquistas do nosso atletismo não só deste

ano, mas de sempre. Aos 43 anos, João Vieira tornou-

-se no atleta mais velho a alcançar uma medalha num

Campeonato do Mundo, a de prata. A RUNning foi a

Rio Maior ver a medalha e conhecer melhor o “duo

dinâmico” responsável por esta e por muitas outras

conquistas na marcha atlética (pág. 8). Falamos,

claro, de João Vieira, o marchador e treinador de Vera

Santos, sua esposa; e, por sua vez, marchadora e sua

treinadora. Depois de 52 campeonatos de Portugal

conquistados e de 45 internacionalizações, 4 Jogos

Olímpicos, 11 Mundiais, 6 Europeus, 11 Taças do

Mundo, 12 Taças da Europa e 2 Campeonatos

Ibero-Americanos, o recordista nacional dos 10,

20 e 50 km marcha prepara-se para fazer história nos

Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Encarar o doping com informação

Estes mundiais, infelizmente, não ficaram apenas

marcados por recordes e boas prestações. Em

pleno evento, o ex-fundista norte-americano,

de origem cubana, e treinador, responsável pelo

Nike Oregon Project, foi suspenso pela Agência

Norte-Americana de Anti-Dopagem, por quatro

anos (juntamente com o médico Jeffrey Brown),

por incitação de atletas à utilização de substâncias

dopantes. Alberto Salazar foi mesmo impedido

de entrar no estádio nestes campeonatos, visto

que, a pedido da federação norte-americana, a

Internacional Association of Athletics Federations

(IAAF) retirou-lhe a acreditação.

Há “pequenas” provas por grandes causas

com boas surpresas. De volta às boas sensações!

com novidades

competitivas

DR

Como se isto não fosse suficientemente grave e

desconcertante, acrescenta-se que Salazar treinou

atletas como Mo Farah, até 2017, já para não falar

de Siffan Hassan, que, ainda sob a sua orientação

(apesar de já não estar presente no estádio), alcançou

o feito inédito de juntar o título mundial dos 1500

metros ao dos 10 000 metros na mesma edição dos

campeonatos. Está na hora de se falar abertamente

sobre doping e de todos os intervenientes no desporto

assumirem efectivamente a sua responsabilidade,

para que “o desconhecimento” deixe de ser uma

“desculpa” frequentemente utilizada (pág.34).

Trail com novos campeonatos e circuitos

No que às novidades competitivas diz respeito, a

IAAF já fez saber que haverá alterações nos locais

de realização dos vários meetings da Diamond

League e tomou uma decisão em relação à

elegibilidade dos atletas transgénero, pondo um

ponto final no mediático caso de Castor Semenya

(pág. 8). Outra das novidades está relacionada com

o facto de, tendo o trail sido integrado na IAAF,

esta entidade, juntamente com a International

Trail Running Association (ITRA), ter concluído

que já não faz sentido os campeonatos do mundo

de montanha e de trail realizarem-se de forma

separada. Assim, vão passar a realizar-se de dois

em dois anos (o próximo será em 2021), numa

organização conjunta da IAAF, da ITRA e da World

Mountain Running Association, com distâncias que

vão do Km Vertical aos 85 km (pág. 41).

Já a nível nacional, no rescaldo da publicação

dos circuitos de trail, trail ultra e endurance, pela

Associação de Trail Running de Portugal, são

de destacar duas grandes novidades. A primeira

passa pela organização por esta entidade da prova

que definirá os novos campeões nacionais de

trail (pág. 40) – que sucederão a Inês Marques

e a Dário Moitoso (pág. 38) – ao invés de ser

escolhida uma das provas do circuito. A outra é a

criação de uma nova competição – composta por

cinco provas seleccionadas entre as integrantes dos

circuitos e uma final – com prémios monetários que

ultrapassarão, no total, os 20 mil euros.

O próximo ano afigura-se, assim, de mudança e,

esperamos, de evolução, com grandes competições

e novos formatos, ou não fosse 2020 um ano

olímpico!

Encontramo-nos nas corridas!

Fichatécnica

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em www.runningmag.pt


6 crónica

Jornalista

e comentador

de atletismo

Afinal em Doha

praticamente

só falhou a

maratona...e a

falta de público

Muito ao contrário do que se temia, os

Campeonatos Mundiais de Atletismo de Doha,

na capital de um pequeno mas riquíssimo estado

do Golfo Pérsico, foram um sucesso (quase)

completo, e mesmo a questão das condições

meteorológicas, em especial no que respeita à temperatura,

foi resolvida a contento, com mérito e distinção, só falhando

quanto à envolvência mínima condizente nas provas fora do

Estádio Khalifa, as maratonas e as de marcha.

Estas disciplinas foram altamente penalizadas e, além deste

facto, ficou como muito negativo o balanço da afluência de

público ao Estádio central dos campeonatos. Nos sete ou oito

primeiros dias, dos dez pelos quais se estendeu o certame, a

maioria dos lugares estava vazia. O “clique” deu-se apenas

após a vitória do “local” (literalmente, pois foi nascido em

Doha) Mutaz Barshim no salto em altura, ficando os dois dias

finais com público a quase encher o Estádio Khalifa.

Quanto à forma apresentada pelos atletas, numa tardia fase

da temporada, apenas há a louvar a qualidade da competição,

com muitas disciplinas a terem globalmente o melhor

desempenho de sempre. E até um recorde mundial caiu, o

dos 400 metros barreiras femininos, pela segunda vez em

dois meses, pela americana Dalilah Muhammad (52s17’).

Não se conta aqui o “recorde mundial” que a International

Association of Athletics Federations (IAAF) anunciou com

pompa e circunstância para uma estafeta mista de 4x400

metros, que teve a sua estreia no evento e que se espera que

tenha vindo para sair. Ao menos, esta prova mostrou que pode

ser uma farsa grotesca. Na final, a Polónia colocou as suas

duas atletas femininas nos derradeiros metros do percurso,

e no último deles viu-se Justyna Swiety ser literalmente

devorada em pouco metros, quando partiu com um avanço

enorme sobre atletas masculinos de outros países. Mesmo

sendo uma notável atleta, como é suposto para uma campeã

europeia em título, Swiety sofreu uma humilhação pungente,

e os dirigentes polacos, como “recompensa”, ainda a fizeram

alinhar depois nos 400 metros e nos 4x400 metros femininos.

Agora os que, a propósito do caso Semenya, “defendem”

uma participação única em provas sem separação de géneros

poderão ter ficado esclarecidos sobre o que isso significaria.

Claro, isto se para certos animadores da nossa onda social o

verbo esclarecer significar alguma coisa.

Climatização fez o milagre

No cerne do sucesso dos campeonatos fica a climatização

efectivada no Estádio Khalifa. Turbinas de ar condicionado

mantiveram a temperatura do local, de resto pouco aberto,

entre os 24 e 26 graus, o que é óptimo para quase todas as

provas do atletismo – para os 10 000 metros um pouco em

excesso –, e sem gerar um vento substancial.

Isto permitiu a obtenção de vários resultados que desde há

muito não se viam, a juntar a surpresas pela positiva e pela

negativa. Nos 400 metros femininos, a mais vistosa mulher

dos campeonatos, Shaunae Miller-Uibo, das Bahamas, teve

de conceder a vitória a uma “pequenina”, e em tudo diferente

dela, Salwa Eid Naser, nigeriana que corre pelo Bahrain, que

ao fazer 48s14’ terá mostrado pela primeira vez que – talvez...

– o recorde mundial de Marita Koch, com 47s60’ em 1985, não

seja inatingível.

E pela primeira vez, noutro exemplo, o recorde mundial do

lançamento do peso, nunca antes ameaçado – obtido por Randy

Barnes com 23,12 metros em 1990 – sofreu forte “apertão”,

com três atletas a lançarem 22,90 metros, ou um centímetro

mais, reeditando a grande final olímpica de 1972, quando quatro

homens ficaram separados por três centímetros, na primeira final

de não-triunfo americano desde os Jogos de 1936.

Quanto à maratona e às provas de marcha poderá um dia, e em

situação semelhante à de Doha, equacionar-se a sua realização

noutro local que não o central para os campeonatos, ainda que ao

mesmo tempo. Claro que isso não é possível em Jogos Olímpicos,

e muito menos no Japão, para o ano, pois trata-se de um país

apaixonado desde sempre pela maratona e nunca deixaria a sua

prova mais querida ir para outras paragens.

Luciano Reis


7

#33

novembro

dezembro

Gonçalo Villaverde

CRÓNICA

06 Luís Lopes no rescaldo

dos Mundiais

PRO RUNNERS – ÍCONE

08 João Vieira e a prata em Doha

PRO RUNNERS – em competição

12 Profissionais em destaque

BOAS CAUSAS

13 P-Race: sensibilizar para

o cancro da próstata

(+) RENDIMENTO

14 Highlights do Congresso

da Corrida

15 Associação de Atletismo

de Lisboa sopra 90 velas

PARTIDAS

16 Não há fim-de-ano

sem São Silvestre

18 A distinta Maratona do Porto

METAS

19 Lisboa com recordes

QUEM CORRE POR GOSTO

20 Jorge Corrula, o maratonista

TRIATLETAS

22 Triatlo para todos

SHOPPING

24 Natal com descontos

TEST ZONE

25 Guronenergy®:

Dar energia à corrida

RECEITA

32 Quem fizer um bolo destes é rei!

WELLNESS

34 Vamos falar sobre doping?

TRAIL – ÍCONE

38 Os campeões nacionais de trail

Inês Marques e Dário Moitoso

TRAIL – PARTIDAS

40 Novidades dos circuitos

nacionais

41 Campeonatos do mundo

passam a bienais

42 300 km inspiradores

pelo Algarve

TRAIL – METAS

44 Aventura pelo Atlas

marroquino

46 Corvo e Flores unidos no trail

TRAIL – LÁ FORA

48 Açores definitivamente

no mapa mundial

AGENDA

50 Próximas corridas

16

32

48


8 prorunners ícone

João Vieira

Esta medalha não é só minha,

é do atletismo português

Aos 43 anos João Vieira tornou-se no atleta mais velho a conquistar uma medalha

num campeonato do mundo de atletismo. De Doha, no Qatar, o recordista nacional

dos 10, 20 e dos 50 km marcha trouxe a prata, mas também a vontade de continuar

a competir, pelo menos, como disse em entrevista à RUNning, até 2021.

vanessapais

gonçalovillaverde


9

Comecemos pela medalha de prata

conquistada em Doha. O que é que ela

significa?

Fui o atleta mais velho a alcançar uma medalha

em campeonatos do mundo e isso é algo que

me deixa muito orgulhoso. É como se fosse um

prémio de carreira, que reflecte os objectivos

traçados e os sacrifícios que tenho feito com a

minha treinadora e esposa [Vera Santos] e, por

isso, estou muito contente. Por outro lado, esta

medalha não é só minha, é do atletismo português;

da Federação [Portuguesa de Atletismo], que

me apoia; do Comité Olímpico, que sempre me

apoiou ao longo destes anos todos; e é mais um

marco para a marcha atlética portuguesa, que tem

trazido resultados para este país. Torna-se ainda

mais especial porque foi a única que trouxemos

destes campeonatos.

Os 50 km foram mesmo a “marcha do

inferno”?

Foram difíceis, mas fiz uma excelente preparação,

que incluiu períodos de aclimatização na

Universidade de Coimbra, para me ambientar

às temperaturas e à humidade previstas. Depois,

treinámos bastante à noite em Rio Maior, e

também em Doha, para regular o meu organismo

no sentido da competição nocturna.

Isso foi particularmente difícil para quem se

deita às 22h00?

[risos] Não foi fácil. Desde Junho que iniciámos

os treinos nocturnos, por volta das 22h00, mas

depois houve outros que fizemos às 23h00, por

exemplo. Treinávamos numa zona praticamente

sem luz em Rio Maior e tínhamos de levar a nossa

filha a dormir, mas conseguimos.

O que é que foi mais desafiante: as condições

extremas de Doha ou os últimos 17 meses com a

pequena Sofia?

Uma criança significa sempre um desafio

acrescido, com momentos bons e menos bons.

Não tivemos um ano fácil, porque além das

questões inerentes a ser pais, a Vera esteve

internada no hospital em Fevereiro, por altura

dos campeonatos nacionais de clubes [que João

Vieira venceu], e sofremos bastante. Depois, a

nossa filha vai connosco para todo o lado. Fui

competir ao estrangeiro tinha a menina dois meses

e foi connosco. Mas isso acaba por ser positivo,

porque dá alegria ao grupo e quando as coisas não

correm bem acabamos por não estar tão focados

nos aspectos negativos. A Sofia sente-se à vontade

e sorri para toda a gente. Até hoje só não sorriu “à

primeira” para o Marco Fortes [risos].

Voltando aos campeonatos, que estratégia

adoptaram?

No momento da partida tive algumas dúvidas

sobre se iria conseguir ambientar-me àquelas

condições, mas a Vera disse-me que a prova era

igual para todos e, como tal, devia ir para a linha

de partida e seguir o planeamento traçado. Todos

estavam muito preocupados em refrescar-se, mas

a nossa estratégia passou por partir devagar, para

não desgastar muito o corpo e evitar que o mesmo

aquecesse na primeira metade da prova. Sabíamos

que se a temperatura cutânea ultrapassasse 35º C

não era possível expelir o calor produzido, daí

a necessidade de, por um lado, tentar que não

aquecesse demasiado e, por outro lado, refrescá-lo.

Assim, fiz os primeiros 25 km a cinco minutos

por quilómetro, que é o meu ritmo de passeio

em treino, e a partir daí comecei a focar-me em

ganhar tempo volta a volta.

Estar 4h04m59s a marchar com 30º C e uma

humidade de 70% desde praticamente a meia-

-noite exige certamente também uma grande

força mental. Isso também se treina?

Actualmente estou a trabalhar com um novo

psicólogo e uma das coisas que fazemos é criar

boas memórias para que me recorde delas nos

momentos mais difíceis da competição.

Que boas memórias são essas?

Dividimos essa construção de boas memórias

numa da minha vida civil e noutra da desportiva.

No primeiro caso são memórias da minha filha.

No segundo, é a recordação da minha primeira

medalha [de bronze, nos 20 km, nos Campeonatos

da Europa de 2006], que ganhei em Gotemburgo,

e que foi a que mais me marcou.

Que outras boas memórias guarda da

competição?

Tenho muitos momentos felizes, como a

medalha de prata em Barcelona [nos 20 km dos

Campeonatos da Europa de 2010]; o quarto lugar

nos Campeonatos do Mundo de Moscovo [nos

20 km, em 2013], porque fui capitão de equipa e

o melhor atleta português; e agora esta medalha

em Doha.

Quais as memórias a afastar nos momentos

difíceis?

O momento mais difícil foi nos Jogos Olímpicos

de Sidney [em 2000], porque fiquei doente na

véspera da prova e o médico impediu-me de

competir. Foram os meus primeiros Jogos, do

outro lado do mundo, depois de uma preparação

que considero que foi excelente, e não pude

competir. Foi a maior tristeza que tive até hoje

[emociona-se].

A felicidade chega quando se corta a meta

ou no momento no qual se sabe que se vai

conseguir um grande resultado?

Quando sabemos que vamos conseguir. Por

exemplo, em Doha só comecei a pensar nas

medalhas aos 38 km, porque, tal como a Vera,

A primeira

medalha, que

ganhei em

Gotemburgo, foi

a que mais me

marcou

Marcos de

carreira

45 vezes internacional,

incluindo 4 Jogos

Olímpicos, 11 Mundiais,

6 Europeus, 11 Taças

do Mundo, 12 Taças da

Europa e 2 Campeonatos

Ibero-Americanos

52 vezes campeão de

Portugal

Recordista de Portugal

de 10 km (estrada

– 39m06s, em 2010;

e pista – 34m44s,

em 2011), 20 km

(estrada - 1h20m09s, em

Gotemburgo, em 2006;

e pista – 1h22m26s,

em 1999) e 50 km

(estrada - 3h45m17s, em

Pontevedra, em 2012)

Líder anual nacional dos

20 km marcha há 21 anos

consecutivos (1998 a 2018)

Jogos Olímpicos

2004, Atenas:

20 km marcha, 10.º lugar

2008, Pequim:

20 km marcha, 32.º lugar

2012, Londres:

20 km marcha, 11.º lugar

2016, Rio de Janeiro:

50 km marcha, desistiu

Campeonatos do Mundo

2013, Moscovo:

20 km marcha (4.º lugar,

que passou a medalha

de bronze após a

desqualificação do russo

Alexander Ivanov por

doping)

2015, Pequim:

20 km marcha (23.º lugar)

2017, Londres:

50 km marcha (11.º lugar)

2019, Doha:

50 km marcha (2.º lugar)

Campeonatos da Europa

2006, Gotemburgo: 20 km

marcha, medalha de bronze

2010, Barcelona: 20 km

marcha, medalha de prata


10 prorunners ícone

A nossa

estratégia

passou por partir

devagar, para não

desgastar muito

o corpo e evitar

que o mesmo

aquecesse na

primeira metade

da prova

Ninguém quer

campeonatos

nestas condições,

principalmente os

maratonistas e os

marchadores

sabíamos que a qualquer momento o corpo pode

ceder. Na maratona é normalmente a partir dos

30 km, mas nos 50 km é aos 40. Penso que foi o

que aconteceu aos chineses. Quando passei pelo

Quin Wan, que aos 38 km ia com um avanço de

1m40s, ele nem reagiu e acabou por desistir.

Será preciso sofrer tanto para competir num

campeonato do mundo?

Ninguém quer campeonatos nestas condições,

principalmente os maratonistas e os marchadores.

Mas o que causou mesmo instabilidade, além das

diferenças de temperatura que se faziam sentir dos

locais climatizados para a rua, foi a insistência do

francês [Yohann Diniz, recordista do mundo dos

50 km marcha] em cancelar a prova ou mudá-la

para a pista, porque não se tinha preparado para

aquelas condições. Ainda bem que não conseguiu,

mas ficámos todos, por momentos, sem saber o

que ia acontecer.

Para estes mundiais a sua preparação

foi diferente da habitual. Como é que, em

condições “normais”, são as suas rotinas de

treino?

São normalmente em Rio Maior. Levanto-me às

8h00, tomo o pequeno-almoço e entre as 9h30 e as

10h00 saio para treinar marcha, já com os exercícios

que tenho de fazer antes do treino realizados. Entre

o meio-dia e o meio-dia e trinta vou almoçar;

durmo cerca de uma hora; e, à tarde, começo com a

fisioterapia de prevenção/recuperação, para depois

fazer o treino de corrida. No final, vou para casa,

janto, vejo televisão e estou com a minha filha.

Tudo isto sob o olhar atento da Vera. Como é

que tem sido esta vossa “parceria” no desporto

e na vida?

A Vera é a minha treinadora [e o João é o treinador

da Vera] e o meu braço direito. É ela que apara

toda a minha estrutura. Às vezes enervo-me e é

ela que me acalma. Nos treinos é a Vera que me

acompanha, que me dá as dicas e que me puxa as

orelhas. Vivemos juntos há 13 anos e namoramos

há 21 anos. Portanto, somos uma equipa com

resultados, completamo-nos.

Constituem uma equipa que vive

exclusivamente da marcha atlética, o que, nas

palavras de Susana Feitor, a propósito da sua

última conquista, implica “ser atleta de elite,

muito poupado e ter vida longa”. Concorda?

Sim. Na marcha atlética somos um parente

pobre do atletismo. A minha vantagem é ser

atleta de elite e entrar na preparação olímpica. É

isso que nos dá alento para conseguir sobreviver

neste mundo e fazer a preparação que fazemos,

dedicando-nos totalmente a esta área. Isto


11

porque apesar de a Vera ser a minha treinadora,

como não tem grau superior, não recebe apoio

por essas funções. Como atletas temos recebido

todo o apoio do nosso clube, o Sporting Clube de

Portugal, mesmo durante a lesão da Vera e agora

a miocardite, que a impede de voltar aos treinos.

Como é que olha para o futuro da marcha

atlética em Portugal?

Temos esta geração e a seguir a ela não temos

mais nada a não ser bons atletas, com muito

trabalho para fazer e que vão ter de abdicar

de alguma coisa para serem marchadores de

alto rendimento. Também abdiquei de muito

na minha vida para ser o atleta que sou hoje e

estou contente por isso, não me arrependo de

nada. Temos de tomar decisões, saber o que

queremos ser na marcha atlética, traçar um

caminho e segui-lo. Assim, esses atletas com

alguma qualidade vão ter de definir e seguir

esse caminho. Não há que desviar para os lados,

porque isso é que nos afasta dos objectivos.

Se o destino da marcha atlética no nosso

país estivesse nas suas mãos, que decisões

estratégicas tomava?

Criava centros de marcha para os quais fosse

possível levar os jovens não só para treinar a

disciplina, mas também para estudarem, porque

a parte escolar não se pode descurar. Por outro

lado, apostava num calendário competitivo

diferente daquele que temos. Em primeiro

lugar, as associações distritais deveriam incluir

provas de marcha no seu calendário; e, depois,

a nível nacional, teria de ser criada uma base

de provas de Grande Prémio. Se continuarmos

sem ganhar prémios monetários e a ter mais

despesas do que rendimentos, não haverá atletas

interessados em competir a nível nacional nem

treinadores dispostos a apostar na preparação de

marchadores para competição.

Há 30 anos a marchar com consistência

Natural de Portimão, João Paulo Garcia Vieira foi viver, aos dois anos, para aquela que

se tornou conhecida no nosso país como “a capital” da marcha atlética, Rio Maior. É

de lá que têm saído alguns dos melhores marchadores nacionais e é lá que continua a

viver – com a sua esposa e treinadora, a também marchadora Vera Santos, e agora com

a pequena Sofia – o expoente máximo da marcha atlética nacional, que veste a camisola

do Sporting Clube de Portugal há nove anos.

Numa época em que era fácil captar as atenções dos mais jovens para o atletismo,

depressa o pequeno espectador das tardes desportivas do “canal dois” quis passar a

protagonista. “Por volta dos oito anos, quando o Carlos Lopes ganhou a maratona em

Los Angeles eu e o meu irmão [gémeo, o também marchador Sérgio Vieira] começámos a

correr no bairro à volta do pavilhão multiusos e a participar em provas de rua”, conta João

Vieira. Quando se pergunta sobre a sua primeira prova, o recordista nacional recorda-a

com detalhe: “Tinha oito ou nove anos e foi o 1.º Grande Prémio da Rádio Maior, no

Jardim Municipal de Rio Maior. Fiquei em segundo lugar e perdi ao sprint com um atleta

que já pertencia ao Clube de Natação de Rio Maior.” Não passariam dois anos até que

os irmãos Vieira estivessem a representar o mesmo clube e, incentivados pelo treinador

Jorge Miguel, a pensar numa carreira desportiva.

Sem colocar a corrida de lado – chegou a realizar “mínimos” para os Campeonatos

da Europa de Juniores nos 10 000 metros –, foi sempre a marcha que o cativou pela

polivalência e pelos resultados, tornando-se recordista na categoria de Juniores nos 5, 10

e 20 km em estrada e em pista. A sua carreira estava, assim, “em marcha” e seguiram-se

as internacionalizações, com participações em quatro Jogos Olímpicos, outros tantos

Campeonatos da Europa, onze campeonatos do mundo e seis Taças do Mundo de Marcha

Atlética, num total de 45 internacionalizações.

Em 2004 estreou-se nos 50 km marcha com recorde nacional, mas o feito não o afastou,

na altura, dos 20 km, porque era “onde podia competir mais vezes e no estrangeiro”,

refere João Vieira. Tomaria essa decisão aquando dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro,

em 2016, por já não se considerar “tão rápido nos 20 km” e não ficar “satisfeito com uma

posição nos trinta primeiros”. Haveria de desistir, mas insistir, e, depois da prata em Doha,

é hora de alinhar para Tóquio, com os olhos postos na meta dos 50 km.

O caminho será certamente mais divertido, já que João Viera abraçou há 17 meses o

desafio da paternidade, com a pequena Sofia a espalhar alegria nos treinos, nos estágios

e nas competições. Agora são “Os patinhos”, “O Areias”, o “Panda e os Caricas” e a “Xana

Toc Toc” que animam as suas viagens, que passam pelos “outros caminhos” de Portugal.

“Decidimos periodicamente tirar fins-de-semana para a família para conhecermos o

nosso país de uma forma que em competição não é possível. Uma das últimas viagens

que fizemos foi a Setúbal, para provar o choco frito e conhecer a Serra da Arrábida”,

partilha João Vieira.

A medalha conquistada em Doha mudou o

seu destino?

De facto, antes destes mundiais tinha ponderado

terminar a minha carreira desportiva, porque

já vai longa e há momentos da época em que

acuso cansaço extremo. Já o tinha ponderado a

seguir aos Jogos do Rio, em 2016, mas depois

senti que o desgaste físico ainda não era muito

grande e decidi fazer mais um ciclo olímpico

dedicando-me totalmente aos 50 km. No entanto,

estamos a pensar continuar pelo menos até

aos Campeonatos do Mundo de 2021 e voltar

a analisar a situação nessa altura. Portanto, os

Jogos Olímpicos de Tóquio serão possivelmente

os meus últimos e espero conseguir, pela

primeira vez, terminar os 50 km, abdicando,

assim, dos 20 km. Espero alcançar um lugar

honroso nos 50 km para esta recta final da minha

carreira.


12 prorunners em competição

IAAF regula participação

de atletas transgéneros

São vários os casos de atletas que,

por optarem pelo género oposto ao

da sua nascença, vêem proibidas

as suas participações na categoria

eleita. O primeiro grande caso

surgiu no Brasil, com Tifanny Abreu,

o primeiro transsexual brasileiro

a participar na elite do voleibol

feminino daquele país, tendo sido

alvo de severas críticas de jogadoras

e dirigentes.

Mas esta questão é transversal a

todas as modalidades desportivas.

No atletismo, por exemplo, o caso

que mais “frisson” suscitou foi o da

australiana Castor Semenya. A atleta

chegou mesmo a ser afastada de

várias provas internacionais, não lhe

sendo permitido apresentar-se nos

últimos Campeonatos do Mundo de

Atletismo. Para colocar ordem, não

só nesta situação em particular, mas

no assunto em geral, o Conselho da

International Association of Athletics

Federations (IAAF), na sua última

reunião, em Doha, fez aprovar os

novos Regulamentos de Elegibilidade

para Atletas Transgéneros, em vigor

desde 1 de Outubro.

À luz dos novos regulamentos,

“um atleta transgénero não

necessita de ser reconhecido por

lei relativamente a essa questão.

Contudo, esse atleta (masculino

ou feminino) deve fornecer uma

declaração assinada sobre qual é a

sua verdadeira identidade de género

e, no caso da competição feminina,

apresentar um atestado assinado por

um especialista que comprove que

os seus níveis de testosterona foram

inferiores a 5 nmol/L por um período

de pelo menos 12 meses antes de ser

considerado elegível e manter esses

níveis para que possa competir”.

Portugal conquista

7 medalhas em Brisbane

Portugal conquistou 7 medalhas (1

de ouro; 4 de prata e 2 de bronze),

nos INAS Global Games, competição

para atletas com deficiência

intelectual, que decorreram em

Brisbane, na Austrália. A atleta lusa

mais medalhada foi Ana Filipe, com

4 medalhas (1 de ouro, no salto em

altura; 2 de prata, no triplo salto

e nos 100 metros barreiras; e 1 de

bronze, no salto em comprimento),

seguida por Lenine Cunha, com 2

medalhas (1 de prata, no triplo salto;

e 1 de bronze, no heptatlo). Inês

Fernandes fechou a conquista de

medalhas para os portugueses com

a prata alcançada no lançamento do

martelo.

Mundiais de Doha marcados por supremacia dos EUA

Concluídos que estão os Campeonatos do Mundo de Atletismo, que tiveram lugar em Doha,

no Qatar, de 27 de Setembro a 6 de Outubro, há a salientar a confirmação dos EUA como a

superpotência do atletismo mundial. Os norte-americanos arrecadaram 29 medalhas, das quais

14 de ouro, 11 de prata e 4 de bronze. Mas estes mundiais trouxeram-nos, também, dois novos

recordes, nos 4x400 metros mistos, com o registo de 3m12s42′; e nos 400 metros barreiras

femininos, com a norte-americana Dalilah Muhammad, a bater-se com a marca de 52s20′.

No top 3 das medalhas, ficaram logo a seguir aos EUA, a Jamaica, com 12 (3 de ouro, 5 de

prata e 4 de bronze) e o Quénia, com 11 (5 de ouro, 2 de prata e 4 de bronze). Portugal, com a

prata de João Vieira, nos 50 km marcha, classificou-se no 27.º lugar. Esta foi a única medalha

alcançada pelo nosso país, que levou ao Qatar uma selecção de 15 atletas. Pedro Pichardo,

com o quarto lugar no triplo-salto, protagonizou o nosso segundo melhor resultado, enquanto

Patrícia Mamona, na mesma disciplina, alcançou o terceiro melhor resultado nacional, com

o 8.º lugar. Ana Cabecinha foi 9.ª nos 20 km marcha e Mara Ribeiro, 15.ª nos 50 km marcha,

enquanto Salomé Rocha terminou a maratona em 28.º lugar.

Brigid Kosgei fez cair

recorde mundial

Desde 2003 que Paula Radcliffe detinha o recorde

do mundo da maratona que a queniana Brigid

Kosgei fez cair na prova de Chicago, a 14 de

Outubro. A atleta parou o cronómetro às 2h14m04s,

retirando 81 segundos ao anterior registo da

britânica. Além do recorde do mundo na distância-

-rainha, Brigid Kosgei, de 25 anos, que é treinada

pelo ex-maratonista Erick Kimaiyo, retirou mais de

quatro minutos ao seu melhor tempo. A atleta tinha

como melhor marca pessoal 2h18m20s, que foi

alcançada este ano na Maratona de Londres.

Facebook

Getty Images / IAAF

Kipchoge corre maratona

abaixo de duas horas

O atleta Eliud Kipchoge, ao correr uma

maratona abaixo de duas horas, fica para sempre

na história do atletismo como o primeiro homem

a correr uma maratona com este registo. A 12

de Outubro, no âmbito do INEOS Challenge,

o queniano, correu, em Viena, Áustria, os

míticos 42,195 quilómetros “escoltado” por 41

atletas – todos eles com marcas que os colocam

entre os melhores do mundo – e a mais recente

tecnologia, para provar que é humanamente

possível correr uma maratona em menos de

duas horas. O recorde de 1h59m40s não será

oficializado – nem era esse o objectivo deste

desafio –, porque não foi alcançado durante uma

competição acreditada pela IAAF, num percurso

homologado por esta entidade.

Paul Hudson / Wikimedia


BoascAusas

13

P-RACE

O cancro da próstata não tem de ser fatal

Vanessapais

De diagnóstico simples e prognóstico favorável, quando detectado precocemente, não há razão

para que o cancro da próstata mate 1800 portugueses por ano. Foi esta a principal mensagem

transmitida durante a P-Race, a 7 de Setembro, em Lisboa, que contou com a participação dos

embaixadores Ivo Canelas e Jorge Pina.

Aos 67 anos, Manuel Pinho sabia bem o

que estava a fazer naquele quente final

de tarde de Setembro, no Parque

Eduardo VII, em Lisboa. A camisola,

que envergava orgulhosamente, não

deixou indiferentes os mais de 300 participantes

que se juntaram a esta edição pioneira da P-Race.

“Trata-se de uma homenagem sentida ao médico

que me salvou a vida há 15 anos, o Dr. José Dias

[presidente do Instituto Português da Próstata

(IPP) e principal impulsionador do evento].

Correr, já corro há 42 anos, mas é devido a ele que

o continuo a fazer”, disse à RUNning.

Como Manuel, são entre cinco a seis mil os

homens que recebem este duro diagnóstico todos os

anos no nosso país, sendo que em 1800 dos casos

esta patologia é fatal. No entanto, defendeu Joaquim

Domingos, presidente da Associação Portuguesa

dos Doentes da Próstata, entidade que se associou

à organização deste evento e para a qual reverteu o

valor das inscrições, é possível alterar estes números.

“Todos os homens a partir dos 40 anos devem

falar com o seu médico de família e realizar uma

análise sanguínea do PSA, que permite detectar

precocemente o cancro da próstata. É um exame

simples e que pode salvar muitas vidas”, alertou.

A oportunidade de “passar a mensagem” através

do convívio entre os participantes e as entidades

organizadoras, faz com que eventos como a P-Race

ajudem a quebrar tabus que, como referiu Ivo

Canelas, embaixador da corrida, não são mais do

que “ideias retrógradas que custam a vida”. Aos 46

anos, o actor, que corre regularmente desde 2001,

juntou-se a esta causa, tal como o paralímpico Jorge

Pina, também presente no evento, testemunhando

que o cancro da próstata se diagnostica de forma

simples. No final de 10 quilómetros de percurso

pelo sobe e desce do Parque de Monsanto, Ivo

Canelas foi peremptório: “O que me choca é a

morte, não é diagnosticar o cancro da próstata.”

“Com mais impacto mediático do que

participação efectiva”, reflectiu, no final, o

presidente do IPP e principal impulsionador do

evento, José Dias, que contou também com o

apoio da Associação de Atletismo de Lisboa, “a

P-Race é para continuar, mas com alterações”.

O sobe e desce será “aligeirado, para que o

percurso não seja tão exigente como referido

pelos participantes”. Por outro lado, acrescentou,

“iremos apontar para uma data mais afastada do

período de férias, portanto, mais para o final de

Setembro ou mesmo Outubro, e vamos apostar na

sua realização num Domingo de manhã.”

Além do percurso, espera-se que também os

números do cancro da próstata sejam “aligeirados”.

Para tal, nunca é de mais relembrar “a necessidade

de os homens estarem alerta para as doenças da

próstata, para a necessidade absoluta de avaliarem

este seu órgão e de realizaram, pelo menos, a

análise do PSA”, concluiu José Dias.

Manuel pinho

Trata-se de uma

homenagem sentida

ao médico que me

salvou a vida há

15 anos. Correr, já

corro há 42 anos,

mas é devido a ele

que o continuo a

fazer


14 (+)rendimento

Formação, homenagens e

projectos pioneiros

vanessapais

O Congresso da Corrida realiza-se a 14 de Dezembro,

este ano pela primeira vez em Portimão e presta

homenagem ao Prof. Mário Moniz Pereira. Além da

técnica, este momento formativo relaciona a corrida

com questões de saúde, como a asma, falando-se

também de nutrição e inclui ainda a apresentação do

pioneiro “Daily Mile Portugal”.

As inscrições para o Congresso da Corrida – Prof. Mário Moniz Pereira estão abertas e

podem ser realizadas em www.fpatletismo.pt

O

Programa Nacional de Marcha e Corrida

(PNMC), juntamente com a Câmara

Municipal de Portimão, realiza, a 14 de

Dezembro, o Congresso da Corrida -

“Prof. Mário Moniz Pereira”, “em

homenagem ao decano e pioneiro do desporto

nacional”, justifica Pedro Rocha, coordenador do

PNMC. O evento, acrescenta o coordenador, “vem

na sequência do Congresso Internacional da Corrida,

que se realizou até 2018 e que este ano o PNMC

decidiu levar para o Algarve, numa versão nacional,

no âmbito das actividades da Capital Europeia do

Desporto de 2019, que é Portimão”.

Formar técnicos e praticantes de corrida continua

a ser, nas palavras de Pedro Rocha, o principal

objectivo deste Congresso, “já considerado uma

referência nacional a este nível de formação”. Este

ano os temas passam sobre questões de saúde que, à

primeira vista, poderiam ser impeditivas da prática

da corrida, como a asma, mas que merecem ser

vistas de outra forma. Do mesmo modo, também

serão recordados os benefícios da corrida para a

saúde, com destaque para factos que podem não ser

os mais evidentes, tal como não serão também os

fundamentos para a nutrição dos corredores.

Do programa fazem ainda parte recomendações

para a prática da actividade física, da corrida e da

marcha. O treino de força aplicado à corrida será

outro dos temas “em cima da mesa” de um evento

que não deixará de lado o reconhecimento dos

protagonistas do atletismo nacional. “Da formação

ao Pódio Europeu” será o tema apresentado pelos

técnicos Diogo Sousa e Paulo Murta, este último a

ser homenageado, no final do evento, juntamente

com uma das atletas por si treinada, no Clube

Oriental de Pechão, a marchadora Ana Cabecinha.

Apresentar projectos pioneiros

Este momento formativo terá ainda espaço reservado

para a apresentação de projectos pioneiros, ou não

fosse o programa que o organiza – o PNMC – um

deles. O presidente da Federação Portuguesa de

Atletismo (FPA), Jorge Vieira, irá a Portimão para

falar sobre o “Daily Mile Portugal”. O programa,

implementado em 2012 na Escócia e actualmente

com mais de dois milhões de crianças envolvidos,

de 66 países, chegou ao nosso, a 17 de Setembro, no

arranque do ano lectivo, na Escola Básica da Quinta

da Paiã, em Odivelas, e o objectivo, de acordo com

a FPA, é chegar a 140 escolas nacionais no primeiro

ano de implementação.

Porque são ideias simples as que originam grandes

resultados, este programa pioneiro parte da premissa

de que com quinze minutos de corrida por dia – na

versão ideal – ou três vezes por semana – na versão

mínima – praticada por todas as crianças durante o

período lectivo é possível revolucionar o futuro. Além

do impacto na saúde, com benefícios cardiovasculares

e cognitivos – os impulsionadores deste programa

acreditam que a iniciativa ajudará a “produzir” mais e

melhores atletas.


15

Associação de Atletismo de Lisboa completa 90 anos

as vantagens de

ser associado

vanessapais

No mês em que a Associação de

Atletismo de Lisboa assinala nove

décadas ao serviço da modalidade,

o actual presidente, o olímpico Luís

Jesus, lembra os fundamentos da

sua actividade e defende que todos

os praticantes deveriam tornar-se

federados e associados.

Mais do que passar em revista os 90

anos de actividade da Associação de

Atletismo de Lisboa (AAL), na

altura em que se assinala esta

efeméride, o seu presidente, Luís

Jesus, lembra que “a principal preocupação da AAL

é fazer com que os atletas melhorem a sua

performance”. Para isso, na perspectiva do

dirigente, que também é atleta olímpico, é preciso

haver uma massa crítica de associados “disponíveis

para participar, controlar e fiscalizar”.

Herdeiro de uma situação financeira pouco

favorável, Luís Jesus não esconde que “a situação

já está equilibrada”, no entanto, não considera

que tal facto seja motivo de crítica aos seus

antecessores. “A Associação de Atletismo de

Lisboa fez um trabalho extraordinário ao longo

destes 90 anos, conseguindo elevar o nosso

atletismo, através dos atletas, dos treinadores, dos

clubes e dos dirigentes. Esta minha herança menos

positiva deve-se à crise que a anterior direcção

enfrentou, com cortes efectivos no desporo. O

meu papel passa agora por dar o melhor de mim

e facilitar a tarefa aos meus sucessores, para que

consigam dar ainda um melhor contributo a esta

associação”, esclarece o presidente da AAL.

Neste contexto, Luís Jesus afirma que “o

associativismo deve servir para unir as pessoas”,

defendendo que os atletas devem tornar-se

filiados na Federação Portuguesa de Atletismo

e associados na AAL. “Esta é uma forma muito

simples de contribuírem para elevar o atletismo

nacional, através da criação de condições para

a melhoria da performance dos nossos atletas”,

explica o presidente da AAL.

Além disso, para quem pratica a modalidade

regularmente há inúmeras vantagens no estatuto

de federado e associado, a começar pela saúde e

pela segurança. “Todos os praticantes regulares

de atletismo deveriam ter seguro desportivo e

realizar exames médicos”, acredita Luís Jesus. E

acrescenta: “Para os atletas federados e associados

da AAL há valores atractivos no que diz respeito à

subscrição de um seguro desportivo e à realização

de exames médicos. No entanto, se o atleta já tiver,

por exemplo, seguro desportivo, pode utilizar a sua

apólice para se tornar federado e associado.”

Em termos de competição, as vantagens

também são aliciantes, considera o presidente

da AAL: “Automaticamente os associados

têm acesso ao calendário de provas distritais

e regionais, que são mais de 40, de forma

gratuita, sendo-lhes atribuído um dorsal único

de época. Depois, só têm de confirmar a sua

presença, através de uma pré-inscrição, que pode

ser realizada online, nas várias competições.”

Para quem quiser evoluir na modalidade com

acompanhamento, Luís Jesus informa que, “dentro

do seu estatuto de associado, é possível recorrer

aos técnicos da AAL, que preparam, por exemplo,

um plano de treino, além de realizarem avaliações

periódicas, sendo ainda possível participar nas

acções formativas que decorrem ao longo da

época”.

Vantagens de

ser associado

Apoio ao atletismo

Acesso a seguro

desportivo e exames

médicos

Participação gratuita nas

competições da Associação

de Atletismo de Lisboa

Acesso a planeamento

de treino por um técnico

acreditado

Acesso a acções de

formação

Acompanhamento

da época através de

comunicados enviados

pela AAL

Custos (exemplo para o

escalão sénior): Filiação

na Federação Portuguesa

de Atletismo – no máximo

3,50 euros; tornar-se

associado da AAL – 5 euros

(individual); 100 euros no

primeiro ano e 30 euros a

partir do segundo (clubes).


16 Partidas

O final do ano pede “São Silvestres”

Para terminar o ano em grande e entrar em 2020 com o pé direito tem mesmo de alinhar na

partida de uma destas corridas de São Silvestre.

Em Corroios é grátis

A festa das São Silvestre começa na

margem Sul, com Corroios a oferecer

literalmente o primeiro percurso

do calendário anual deste tipo de

provas, a 1 de Dezembro. Participar

em qualquer uma das distâncias –

dos 10 km aos escalões jovens – é

grátis e os primeiros 1000 a cruzar

a linha da meta ainda recebem

uma t-shirt técnica. A organização

está a cargo da Associação A

Natureza Ensina, com o apoio da

Câmara Municipal do Seixal e da

Junta de Freguesia de Corroios, e

este ano a prova faz parte do 32.º

Troféu de Atletismo do Seixal. Mais

informações e inscrições em

www.saosilvestredecorroios.pt.

Para quem quer aplausos

O estatuto de mais antiga de

Portugal continental pertence à São

Silvestre da Amadora, que cumpre,

a 31 de Dezembro, como sempre,

a sua 45.ª edição, e é conhecida

por ter sempre muita assistência

e participação do público. Mais

recente é a Corrida das Crianças,

que vai apenas na terceira edição,

mas mostra a vontade de inovar

dos organizadores Câmara

Municipal da Amadora e Desportivo

Operário do Rangel, que contam

com a organização técnica da

HMS Sports. Este ano a aposta

passa pela introdução de blocos

de partida, de acesso restrito e de

acordo com o desempenho dos

atletas numa prova de 10 km no

último ano. As inscrições estão

abertas e podem ser realizadas em

saosilvestredaamadora.pt.

A mais antiga

Já vai para a 56.ª edição a Corrida de São Silvestre da Cidade de Ponta Delgada, em São

Miguel, nos Açores, e é a que se corre há mais tempo no nosso país. Numa organização

da Associação de Atletismo de São Miguel, a partida está marcada para 14 de Dezembro,

às 18h30, nas emblemáticas Portas da Cidade. A corrida principal inclui um percurso de

6200 metros; os escalões de benjamins, infantis, iniciados e desporto adaptado masculino

e femininos correm 1300 metros. Há ainda uma caminhada de 4 km. As inscrições estão

abertas até ao dia 14 de Dezembro, mas para ter um dorsal personalizado terá de se

inscrever até ao dia 17 de Novembro. Mais informações e pacotes especiais com voo e/ou

alojamento, a partir de 100 euros, em www.aatletismosmiguel.pt.

ver a capital iluminada

As luzes de Natal da capital pontuam todo o

percurso da São Silvestre de Lisboa, que inclui

a emblemática subida, e descida, da Avenida da

Liberdade. São 10 km “ao ritmo da capital”, promete

a organização, a cargo da HMS Sports. A 12.ª edição

do evento apadrinhado pelo actor Jorge Corrula

e pela apresentadora Isabel Silva, que marca uma

nova parceria com a marca desportiva New Balance,

que irá garantir as t-shirts longsleeve a todos os

participantes, inclui, além da prova principal, a Clube

Pelicas São Silvestre da Pequenada, com distâncias

para os escalões mais jovens. A partida está marcada

para as 17h30 do dia 28 de Dezembro e as inscrições

já estão abertas em www.saosilvestredelisboa.com.

HMS (2016)

Associacao de Atletismo de Sao Miguel (2016)

Runporto (2016)

São milhares na Invicta

Ver a Avenida dos Aliados totalmente preenchida

por “luzinhas” e equipamentos reflectores é um

espetáculo único, que mostra que fazer a São Silvestre

Cidade do Porto é já uma tradição nesta altura do ano.

A 26.ª edição parte a 29 de Dezembro, sempre com o

cunho organizativo da Runporto, e além dos entusiastas

do percurso, que se vestem a rigor, espera-se, como já é

hábito, uma grande participação da elite nacional. Mais

informações e inscrições em www.runporto.com.


ecomenda 17

São Silvestre Baía do Seixal

na agenda

São Silvestre

do Sado

14 de Dezembro

Percurso: 10 km

São Silvestre

Trilhos da Marateca

22 de Dezembro

Percursos: 15 km e

caminhada de 8 km

DR

DR

A tradicional corrida de fim de ano regressa,

pelo segundo ano consecutivo, à Baía do

Seixal, a 21 de Dezembro, e há novidades a

assinalar. A primeira é dirigida aos mais novos

e chama-se Corrida Kids, a prova que abre o

evento, às 17h00, e que é dirigida para crianças

até aos 12 anos, com distâncias de acordo com

a faixa etária.

A corrida principal terá os habituais 10 km e o

ponto-alto do percurso é a passagem pela Aldeia

Natal. Há ainda uma caminhada de 5 km. No

total das distâncias há 3000 lugares disponíveis,

portanto, é correr para as inscrições, que são

mais baratas até 16 de Novembro, conhecendo

depois uma nova fase até ao dia 16 de Dezembro.

Saiba mais em werun.pt.

Nos Olivais

corre-se

há 31 anos

A São Silvestre dos Olivais é mais

do que trintona, mas nem por isso é

menos entusiasmante. Este ano, a 29

de Dezembro, além da mítica corrida de

10 km, que começa às 19h00, há uma

mini-corrida para os mais jovens, que

parte às 18h00, com distâncias entre os

300 e os 1200 metros. Para quem não

quer correr, a caminhada é de 4 km.

As inscrições estão abertas e há 2000

lugares disponíveis. Até ao dia 8 de

Dezembro os preços são mais baixos,

mas estão previstas inscrições de última

hora. De acordo com a organização,

só é garantido o kit de atleta para os

inscritos até ao dia 23 de Dezembro.

Mais informações e inscrições em

werun.pt.

DR


18 partidas

Lá Fora

Maratona de Istambul

Istambul, Túrquia

3 de Novembro

marathon-istanbul.com

Maratona do Porto

soma distinções

Nasceu em 1979 e é a única

maratona do mundo que

inclui dois continentes, a

Ásia e a Europa. A corrida

tem início no lado asiático,

sendo que o percurso passa

pela Ponte de Bósforo,

locais históricos como a

Sultan Ahmed Mosque ou

Hagia Sophia e termina

em território europeu, no

Estádio İnönü. A prova

recebeu em 2012 a distinção

Gold Label Road Race pela

International Association

of Athletics Federations

(IAAF). As inscrições para

o próximo ano abriram na

última semana de Outubro.

Maratona de Florença

Florença, Itália

24 de Novembro

firenzemarathon.it

É a segunda maior

maratona italiana e foi

inaugurada há 35 anos.

A partida tem lugar no

Lungarno Pecori Giraldi

e a meta no Piazza Santa

Croce. Os atletas têm a

oportunidade de correr pelo

centro histórico, que possui

arquitectura do século XIII,

incluindo a Ponte Vecchio,

a Piazza della Signoria e a

Basilica di Santa Croce. A

prova conta anualmente

com dois mil voluntários,

que têm como principal

função garantir o controlo e

a segurança da corrida.

Maratona de Valência

Valência, Espanha

1 de dezembro

valenciaciudaddelrunning.com

Valência é conhecida como

a cidade da corrida e prova

disso foram as inscrições

que esgotaram cinco meses

antes do tiro de partida.

Sendo assim, já estão

contabilizados um total de

25 mil atletas. A Maratona

de Valência nasceu no

mesmo dia e no mesmo

ano do que a Maratona

de Londres, a 29 de Março

1981. Possui também desde

2016 a distinção Gold Label

Road Race pela IAAF.

Ana Ritamoura

Paulo jorgemagalhães

A 16.ª edição da EDP Maratona do Porto apresenta-se como uma das etapas

de qualificação para o Campeonato Mundial Abbott World Major Marathons

Wanda Age Group. A prova vai para a estrada no dia 3 de Novembro, com

as distinções “Quality Road Race” cinco estrelas, pela EAA, e Bronze Label

Road Race, pela IAAF.

A

Maratona da Invicta, com a

organização da Runporto desde a

primeira edição, em 2004, tem partida

marcada para 3 de Novembro. Além

da prova-rainha vão realizar-se ainda a

Family Race, de15 km, e a Fun Race, de 6 km,

num evento que conta com inúmeras distinções

internacionais.

Por ordem cronológica, a EDP Maratona do

Porto exibe a distinção “Quality Road Race”

cinco estrelas, desde 2016, atribuída pela

European Association of Athletics (EAA), que

garante que a prova tem um nível elevado de

segurança pessoal e patrimonial. Depois, em

2018, a maratona tornou-se Bronze Label Road

Race pela International Association of Athletics

Federations (IAAF), distinção que a coloca como

uma das melhores provas no circuito mundial

de maratonas, pertencendo assim ao calendário

oficial da IAAF. Este ano “a organização da EDP

Maratona do Porto está a trabalhar para que o

evento receba a medalha de prata”, revela Jorge

Teixeira, director da Runporto.

Além destas distinções, à 16.ª edição, a EDP

Maratona do Porto entrou oficialmente para o

grupo restrito das Wanda Age Group World Major

Marathons (WMM), que consiste no primeiro

sistema global de classificação de maratonas de

grupos etários. Esta qualificação começou em

Berlim, em Setembro, e inclui mais de 50 corridas

em todo o mundo. A da cidade do Porto será então

uma das etapas de qualificação para o Campeonato

Mundial Abbott WMM Wanda Age Group, que

ocorrerá numa das seis mais reconhecidas maratonas

do mundo – Tóquio, Boston, Londres, Berlim,

Chicago e Nova Iorque – em 2021.

O recorde da maratona, no escalão masculino,

foi quebrado no ano passado pelo ugandês Robert

Chemonges, que se impôs nas ruas do Porto,

Matosinhos e Gaia, com o tempo final de 2h09m05s.

Mas este ano Jorge Teixeira espera que seja superado

“mais uma vez o recorde da prova.” São esperadas

“15 000 pessoas nas três vertentes do evento”, adianta

Jorge Teixeira. No ano anterior estiveram presentes

75 nacionalidades na Maratona e 47 na Family Race,

com representantes dos cinco continentes.


metas 19

EDP Maratona de Lisboa

Prova lisboeta marcada por recordes

Cortesia da organização

ana ritamoura

A EDP Maratona de Lisboa ansiava por novos recordes e a 7.ª edição foi ao encontro das

expectativas. A Luso Meia Maratona também se destacou por melhores tempos alcançados.

A

alegria e a euforia sentiam-se na Praça do

Comércio, a 20 de Outubro e impunha-se

a questão: Haverá um novo recorde?

Pouco mais de duas horas depois, às

2h06m00s, Andualem Shiferaw mostrou

que sim. O etíope superou a sua marca pessoal e o

recorde da prova, imposto em 2014, pelo queniano

Samuel Wanjiku que, com um segundo de diferença

(2h06m01s), alcançou a prata, batendo igualmente o

seu melhor tempo no percurso. Stephen Chemlany,

do Quénia, juntou-se ao pódio, em terceiro lugar,

igualmente abaixo do melhor tempo anterior do

percurso, com a marca de 2h06m22s.

Na prova feminina a vitória sorriu à também

etíope Sechadale Dalasa, com o tempo de 2h29m51s,

que sucedeu à compatriota Kuftu Dadiso, vencedora

de 2018. Em segundo terminou a queniana Helen

Jepkurgat, com a marca de 2h29m57s, e a etíope

Gedo Sule Utura classificou-se em terceiro lugar,

com o tempo de 2h32m16s.

A melhor prestação nacional foi alcançada por Rui

Teixeira, do Sporting Clube de Portugal. “Estou muito

feliz por fazer a minha estreia aqui, em Lisboa. Queria

gerir a corrida para ser o melhor português e consegui

correr os 40 km sozinho.” O atleta cortou a meta com

o tempo de 2h25m16s, classificando-se em 11.º lugar.

Já no escalão feminino, a portuguesa com a

melhor qualificação foi Jéssica Pontes, do Sporting

Clube de Braga. “É a primeira vez que participo e

fiquei bastante feliz com a marca que atingi”, revelou

a atleta que conquistou o 8.° lugar da geral feminina,

com o tempo de 2h51m41s. A ela seguiu-se a

portuguesa Rosa Madureira, em 9.º lugar, concluindo

a prova em 2h52m00s.

Na Meia Maratona também se

registaram melhores tempos

Nos 21,097 km, o queniano Titus Eriku atingiu a

meta em 1h00m12s, batendo o recorde estabelecido

pelo marroquino Mustapha El Aziz (1h00m13s),

em 2018. Em segundo lugar terminou o ugandês

Timothy Toroitich, com o tempo de 1h00m53s, e

o seu conterrâneo Thomas Ayeko, em 1h00m56s,

assumiu o terceiro lugar.

Mas o escalão feminino não se ficou atrás com

as atletas quenianas a assumirem o pódio por

completo. Peres Jepchirchir foi a vencedora da

prova, em 1h06m54s, que superou a marca da etíope

Yebgrual Melese Arage (1h07m18s), alcançada

no ano passado. Vivian Kiplagat, com 1h06m55s,

classificou-se em segundo lugar e Dorcas Kimeli

completou o top três, em 1h07m43s.

Nas presenças nacionais destaca-se a prestação de

Hermano Ferreira, que alcançou o 13.º lugar. O atleta

do AR Casaense terminou a prova em 1h05m56s

e contou que já se encontra focado noutros

objectivos. “No dia 1 de Dezembro vou tentar os

mínimos para os Jogos Olímpicos, na Maratona de

Valência”, disse à RUNning. Destaque ainda para as

prestações de Bruno Batista (1h06m30s), em 14.º

lugar, e Andralino Furtado (1h07m56s), em 19.º.

As melhores portuguesas em prova foram Catarina

Ribeiro (1h11m36s), que conquistou a 7.ª posição, e

Susana Francisco (1h16m39s), o 10.º lugar.


20 quemcorreporgosto

Jorge Corrula

you go,

boy!

vanessapais

gonçalovillaverde

Estamos habituados a vê-lo no cinema e no pequeno ecrã, mas os mais atentos já se cruzaram

certamente com Jorge Corrula em provas como a São Silvestre de Lisboa ou a Corrida do Tejo.

Em entrevista à RUNning, o actor, que viu na corrida uma forma de manter a actividade física e

de aprender “a meditar”, mostrou o seu lado de maratonista e de aspirante a trail runner.

Qual é o teu histórico na corrida?

Sempre corri. A primeira vez que participei

numa prova foi no quinto ou no sexto ano,

num corta-mato regional, em Alter do Chão

[onde viveu até ao final do ensino secundário,

apesar de ter nascido em Lisboa], na qual fiquei

em primeiro lugar, e depois nos distritais, em

Portalegre, fiquei em décimo. Mais tarde, a

corrida tornou-se numa forma de manter a

actividade física, embora também pratique outros

desportos, como o futebol.

Porque é que só voltaste a participar numa

prova em 2015?

Sempre fui muito indisciplinado na corrida.

Enquanto corro tenho sempre de ouvir música

ou podcasts, sendo que descobri na corrida a

única forma de conseguir meditar. Por isso, nunca

procurei competições, encarando o convite para a

São Silvestre de Lisboa, em 2015, como mais uma

oportunidade para correr. Mas, de facto, o dorsal

dá um estímulo extra, porque correr com alguém

ao lado faz com que haja sempre tendência para

querer ser mais rápido e levar o corpo ao limite,

que é algo que não tenho motivação para fazer

habitualmente nos treinos, mesmo quando se

treina com alguém “a puxar” por nós.

Este ano voltas à linha de partida da São

Silvestre de Lisboa [a 28 de Dezembro] na

qualidade de padrinho em conjunto com a

apresentadora Isabel Silva. O que te motiva a

regressar?

A São Silvestre de Lisboa é uma prova de


21

que gosto muito, apesar de ser difícil,

principalmente nos últimos quilómetros. É

uma oportunidade única de ver a capital com

as iluminações de Natal e de correr na Avenida

da Liberdade. Além de desfrutar do percurso,

gostava de baixar dos 40 minutos nos dez

quilómetros (o meu recorde é de 42 minutos).

Como é que o “corredor indisciplinado” fez

3h39m na Maratona de Nova Iorque, a 1 de

Novembro de 2016, na estreia na distância?

Sempre segui o atletismo e nomes como Rosa

Mota, Carlos Lopes, mas também Fernando

Mamede e, mais tarde, os irmãos Castro, e a

maratona é, de facto, a grande prova. Hoje já

não consigo acompanhar os Jogos Olímpicos

como fazia, mas ainda gravo pelo menos a

cerimónia de abertura. Por isso, acho que a

vontade de fazer uma maratona vem daí. Na

Corrida do Tejo conheci o Ernesto Ferreira,

do GFD Running, e acabei por lhe falar desta

minha intenção. Ele disponibilizou-se logo

para me apoiar nos treinos e, como homem

sério que é, levou este meu desafio muito

a sério e quando me apercebi já não havia

possibilidade de voltar atrás [risos]. Nunca

tinha feito mais do que dez, onze quilómetros

e em menos de dois meses estava na Maratona

de Nova Iorque.

O que é que recordas desta experiência?

Em primeiro lugar, os treinos. Fazer 42, 195

km não significou correr quatro vezes mais do

que tinha corrido até então, mas, em termos de

esforço físico e mental, corresponde a 20 vezes

mais. O Ernesto foi um treinador fantástico e

conseguiu “puxar” por mim até ao meu limite.

Treinávamos no Jamor e pude conviver com

alguns atletas profissionais como o Rui Silva

ou o Francis Obikwelu, o que me mostrou um

pouco da realidade do que é ser profissional e

da disciplina que é preciso ter. Só faltei a dois

treinos, mas acabei por não fazer mais do que

28 km nos treinos longos, por isso, cheguei à

prova sem saber o que esperar depois disso.

Inscrevi-me na partida abaixo das 4h00,

porque o Ernesto disse-me que se fizesse mais

do que esse tempo estava proibido de dizer

que tinha treinado com ele [risos]. Depois,

no final, acabei por fazer menos e, por isso,

passei grande parte da prova “aos esses” a

ultrapassar pessoas. Ao longo do percurso fui

tão entusiasmado com todo aquele espectáculo

que nem percebi o quão rápido parti. Fiz os

primeiros dez quilómetros a 4m50s! Depois a

partir dos 30/32 quilómetros tive uma quebra,

mas senti-me sempre bem – aliás, nem encaro

a corrida de outra forma que não com boas

sensações – e só ao chegar ao Central Parque é

que percebi que estava muito abaixo do tempo

previsto.

A multidão a assistir ajudou a atenuar a

sensação de esforço físico?

Ajudou e essa foi outra das razões pelas quais

Nova Iorque me pareceu uma boa opção. Em

Lisboa, por exemplo, seria impossível ter aquela

multidão toda ao longo do percurso inteiro.

Mas esta questão recorda-me um episódio

engraçado. Disseram-me que deveria levar o

meu nome na camisola, porque o público vai

aplaudindo e gritando pelos participantes. Como

já estava em Nova Iorque, porque fui lá passar

uma semana de férias com a família – e isso

também tornou esta maratona tão especial – não

sabia como encontrar um sítio para personalizar

o equipamento. Mas consegui e pedi para

estampar a frase: “It’s my first time. Corrula.”

Foi uma má ideia. Deveria ter optado por Jo

ou Jorge, porque foi hilariante ver as caras das

pessoas a quererem dizer “Corrula” e a não sair

nada. Acabavam por dizer: “Go! Go” ou “You

go, boy! [risos].”

Dois dias depois estavas a subir as escadas

“ao contrário”?

Não [risos]! Cheguei muito bem ao final e fiz

uma óptima recuperação. Dois dias depois já

estava a correr novamente no Central Parque. E

foi muito bom constatar que os nova-iorquinos

andavam no dia seguinte orgulhosamente com

a sua medalha e felicitavam-se pelo feito, algo

que em Portugal seria impossível, até porque

não temos essa cultura do elogio.

No entanto, só voltaste aos 42,195 km dois

anos depois e novamente numa major?

É verdade. Depois de Nova Iorque estive quase

seis meses sem correr. Entretanto surgiu a

oportunidade de fazer a Maratona de Londres

no ano passado e voltei a treinar com o Ernesto.

Mas desta vez, como estava num período com

mais trabalho, faltei muitas vezes aos treinos.

Mesmo assim melhorei um minuto em relação

ao meu tempo anterior.

Qual o próximo desafio na corrida?

Gostava de aceitar um desafio no trail. Só

experimentei uma prova de 17 km, a favor da

Make-a-Wish, por Monsanto, e treinei algumas

vezes com a Monsanto Running Team, mas

nunca fiz uma prova como as que já ouvi

falar nos Açores ou na Serra D’Arga. Como

adoro a montanha – ainda agora estive de

férias na Mongólia e optei por ir a correr pelas

montanhas enquanto o grupo seguia a cavalo –

penso que vou gostar muito de me desafiar no

trail.

E a nível profissional?

Estou numa altura de pausa. Nos próximos seis

meses posso dizer que vou continuar a fazer

televisão e, no início do ano, cinema.

Jorge Miguel

Baleiza Corrula

41 anos

Natural de Lisboa

Casado com a actriz

Paula Lobo Antunes (que

não corre habitualmente,

mas já fez a Meia

Maratona de Lisboa)

Têm uma filha com sete

anos e outra a caminho

Popularizou-se no

cinema em 2005 com o

filme O Crime do Padre

Amaro, de Carlos Coelho

da Silva

Participou e

protagonizou inúmeras

telenovelas e séries, a

mais recente das quais

Golpe de Sorte, cujos

últimos episódios estão a

ser transmitidos na SIC

Corre “desde sempre”

A primeira maratona que

fez foi a de Nova Iorque,

em 2016

O seu melhor tempo

na distância-rainha

(3h38m) foi alcançado em

Londres, no ano passado

Em Portugal gosta de

correr a São Silvestre

de Lisboa, prova que

apadrinha este ano

O seu parceiro ideal na

corrida “é o grupo do GFD

Running”. Gosta de “os

fazer rir”

Considera-se “esquisito”

com o equipamento de

corrida, pois acredita que

este “também corre”. Está

sempre atento aos novos

lançamentos e procura

“conhecer as evoluções

dos novos modelos face

aos anteriores”

Gosta mais de correr

ao final do dia ou ao

início da noite, mas as

exigências profissionais

normalmente obrigam-no

a calçar as sapatilhas logo

pela manhã

Diz que com a corrida

aprendeu “a meditar” e

acredita que o próximo

desafio pode passar pelo

trail


22 TRIATLETAS

De corredor a triatleta

Cortesia FTP / Wagner Araújo

IsabelPinto da Costa | Federação de Triatlo de Portugal

Já é corredor habitual, mas gostaria de experimentar o triatlo? Saiba que variar de modalidade

pode trazer benefícios, por estimular outros grupos musculares; além de mais motivação.

Onde treinar?

Pode optar pelo TriTry ou

num ginásio que esteja

a desenvolver a vertente

do triatlo. Informações

em secretaria@federacao-

-triatlo.pt ou federacao-

-triatlo.pt

A

adaptação de um corredor ao triatlo é

semelhante à do ciclista. O mais

surpreendente é que muitos triatletas

fazem actualmente tempos muito

próximos de corredores de elite, tendo

capacidade de correr os 10 km em cerca de 30

minutos; ou seja, mantendo um ritmo de 3m01s por

quilómetro, depois de ter nadado 1500 metros e

pedalado 40 km a um ritmo elevado. O facto de variar

de modalidade pode trazer-lhe benefícios ao estimular

outros grupos musculares e desenvolver outras

habilidades físicas, além de dar mais motivação.

Para começar, aqui ficam algumas regras básicas:

Para um bom rendimento na corrida, treine três

a quatro vezes por semana.

É preferível que opte de início por três vezes por

semana para poder treinar as outras modalidades.

A prática de ciclismo não lhe vai provocar

muitos problemas de adaptação,

desde que domine tecnicamente a bicicleta, pois

intervêm os mesmos grupos musculares do que

na corrida.

Não treine as três modalidades no mesmo dia.

Basta que treine uma modalidade por dia de

modo a assimilar o progresso do treino, com

especial ênfase para a corrida, que é a sua

modalidade de base. No fim-de-semana, com

mais tempo, combine dois desportos, por

exemplo, andar de bicicleta e correr de seguida

(a transição mais dura do triatlo).

São muitas as pessoas que pensam que a corrida

e o ciclismo são completamente incompatíveis,

mas a verdade é que funcionam como um

excelente complemento. Claro que no meio


23

Cortesia FTP

Cortesia FTP / Clarisse Henriques

profissional não é possível dar o máximo nas

duas, mas em lazer conseguimos aproveitar os

benefícios da prática de ambas as modalidades.

A natação é a modalidade que habitualmente

os triatletas se sentem menos à vontade. As

aulas de natação são fundamentais para que

se sinta seguro, incluindo algumas sessões em

águas abertas logo que o tempo o permita.

Como consegue treinar mais intensamente

na corrida, aproveite tanto a bicicleta como a

piscina para recuperar.

Não se esqueça de fazer um segmento de

corrida de 15 a 20 minutos a 70-80% da

frequência cardíaca máxima depois do ciclismo

para não perder a passada atlética.

Quando se sentir preparado para participar

numa prova, inicie sempre pela distância super-

-sprint, a mais curta do triatlo: cerca de 300

metros de natação, 10 km de ciclismo e 2 km de

corrida.

Em 2020 vem aí um Circuito

de Triatlo para todos!

O My Triathlon Experience realiza-se no

próximo ano em quatro cidades do país: Almada,

Santa Maria da Feira, Vila Nova de Famalicão e Lisboa.

No dia 7 de Outubro de 2018, a Federação de Triatlo de Portugal, em conjunto com a

Câmara Municipal de Lisboa, levou a cabo uma prova de triatlo aberta a todos. Este

evento, que incluiu distâncias curtas, contou com muita adesão por parte de praticantes

oriundos de outras modalidades e um excelente apoio por parte de clubes de triatlo e

triatletas mais experientes. Os participantes puderam viver a experiência do triatlo num

ambiente muito tranquilo, fazendo os três segmentos e as duas transições ao seu ritmo,

sempre acompanhados pelos muitos elementos do staff que se encontravam no local.

Em 2019 replicou-se a prova em Santa Maria da Feira, um evento que contou com muita

animação, motivando os triatletas estreantes. Desta forma, o My Triathlon Experience

está marcado para quatro cidades entre Abril e Setembro de 2020.

25 de Abril: Almada

27 de Junho: Santa Maria da feira

20 de Setembro: Vila Nova de Famalicão e Lisboa

Com as distâncias de 250 metros a nadar, 7 km a pedalar e 1,7 km a correr, serão aceites

nesta prova todo o tipo de bicicletas, haverá staff de apoio em todos os segmentos e

muita energia positiva para apoiar os estreantes na modalidade.

Informações em breve em lxtriathlonexperience.pt


24 shopping

Natal com descontos

Asics GT-2000 6

PVP 75€ (antes 99€) decathlon.pt

Disponíveis em decathlon.pt na área “fim de colecção”. O

modelo é de 2018 e apresenta como principais “bandeiras”

o amortecimento, a estabilidade e a aderência. Indicado

para corrida em estrada, este modelo da Asics pesa 300

gramas no tamanho 42,5 e apresenta um drop de 10,5 mm.

Gorro de corrida Kalenji com música

PVP 20€ decathlon.pt

A Kalenji tem o gorro ideal para quem

não dispensa a música durante a

corrida. Com tecnologia Bluetooth,

protege e isola a cabeça enquanto lhe

dá música sem fios.

Suunto 9

PVP 399,99 (antes 599,99€) suunto.com

O último lançamento da Suunto

para trail está 200 euros mais barato

na Fnac, claro que limitando ao

stock existente. Além de ser um

equipamento multidesporto, com

todos os parâmetros de monitorização

exigidos pelos profissionais da

montanha, o Suunto 9 foi construído

para durar, destacando-se pela

autonomia e gestão da bateria.

Luz intermitente sem pilha

PVP 8€ (antes 0000€) decathlon.pt

Esta é uma das novidades que marca

o catálogo de 2019 da Decathlon.

Trata-se de uma lanterna intermitente

para iluminar a corrida, que funciona com

um sistema de dínamo, através do qual

a luz LED acende-se a cada passada, não

precisando de pilhas nem de bateria.

Salomon ELEVATE 2in1 SHORT

PVP 15€ (antes 55€) runners.pt

O modelo saia e calções da Salomon

está leve também no preço, com 73%

de desconto em runners.pt. O tecido é

transpirável e de secagem rápida e a cintura

elástica, destacando-se o design elegante.

Asics Bra Top

PVP 9,99€ (antes 36€) runners.pt

O top desportivo da Asics garante

comodidade e segurança ao

longo da corrida, num tecido de

secagem rápida. Agora com 75%

de desconto.

Kalenji Run Warm PVP 10€ decathlon.pt

Calças térmicas de corrida com bolso para

guardar pequenos pertences. Modelo

masculino, em preto, disponível na área

“fim de colecção”.

Nike Shield Flesh Jaket

PVP 63,60€ (antes 125,99€)

sportsdirect.com

Concebido para ajudar

a proteger do vento e da

chuva, o casaco Nike Shield

apresenta capuz e bolsos

com fecho, que garantem

cobertura adicional em

condições atmosféricas

menos favoráveis. A versão

de senhora está com mais

de 50% de desconto.

Salomon Skin Pro 15L Set

PVP 104,45€ (antes 160€)

runnerinn.com

Mochila de hidratação

com capacidade para 15

litros, leve e versátil, em

material impermeável, que

se adapta perfeitamente

ao movimento da corrida

graças à tecnologia

Sensifit. Inclui reservatório

de 1,5 litros. Disponível

com 34,96% de desconto.


Guronenergy ® :

Antes, durante e depois

do esforço físico intenso

A nova aposta no mercado dos produtos energéticos chama-se Guronenergy ® .

A RUNning testou a fórmula comercializada pela Jaba Recordati, que promete

dar energia à corrida e ajudar na recuperação.

Dinis Cartas

Guronenergy® destina-se a

quem procura energia extra

durante o esforço físico, mas

também uma recuperação

rápida. A sua fórmula com dupla

acção ao mesmo tempo que promove um “boost”

rápido de energia, devido à cafeína, à taurina e às

vitaminas do complexo B; ajuda também a recuperar

do esforço devido à acção da glucoronalactona e da

vitamina C.

Fazendo parte do público-alvo deste novo produto

energético, comecei a tomar Guronenergy® há cerca

de um mês e tenho sentido melhorias a todos os níveis,

tanto nos treinos de corrida (entre 1h a 2h por dia) e

de ginásio, como após as provas. No início do teste

optei por tomar durante uma semana um comprimido

efervescente todos os dias de manhã. Senti que havia

mais disponibilidade física para realizar as tarefas

diárias; notando que o corpo pedia movimento.

Na segunda e terceira semanas a toma foi realizada

meia hora antes dos treinos, o que melhorou ainda

mais a energia sentida e a predisposição para

realizar actividades físicas. Durante esse período, o

desempenho nos treinos melhorou e o cansaço físico

foi atenuado.

37 anos |Bombeiro Profissional|Corre desde 2011 | Treina 6 vezes por semana

Na quarta semana, experimentei o produto após os

treinos e a prova que realizei durante o período de

teste, para perceber se havia variação na sensação de

recuperação por comparação com o período em que a

toma foi realizada apenas antes do treino. Verifiquei

que o cansaço após os treinos não se “apoderava”

tanto do corpo, havendo uma maior predisposição

para o esforço no dia seguinte.

Em prova, utilizei o Guronenergy® meia hora antes

de partir para os 10 km da Corrida do Aeroporto e senti

não só energia extra no início, como durante todo o

percurso. No final tomei novamente um comprimido

efervescente de Guronenergy® e notei que a

recuperação foi bastante mais rápida do que o habitual.

De acordo com a minha experiência, recomendo a

utilização de Guronenergy® tanto antes do esforço

físico (meia hora será o ideal) como após os treinos

ou provas. No caso das provas, vale a pena tomar

antes e depois, se estiver previsto um esforço

intenso, sendo que, em provas longas de trail, levar a

formulação já preparada (portanto, num reservatório

de água) poderá ser útil. Dado o elevado nível de

cafeína, não aconselho a sua

utilização imediatamente após a

nota final

ingestão de café.

Verifiquei que

o cansaço após

os treinos não

se “apoderava”

tanto do corpo,

havendo uma maior

predisposição para

o esforço no dia

seguinte

Conteúdo da responsabilidade

do autor.

GuronEnergy®

– suplemento alimentar.


As cãibras já

não fazem parte

da corrida

O magnésio tem novos aliados. A fórmula FORTÉ MAG foi enriquecida com potássio, cálcio e

vitaminas B6 e C, para uma corrida sem cãibras.

Informação

nutricional

Magnésio marinho –

300 mg de origem natural

Vitamina B6 – 1,4 mg

Cálcio – 300 mg

Vitamina D – 5 µ

Potássio – 100 mg

Bibliografia

1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/

pmc/articles/PMC5622706/

2. https://www.aan.

com/PressRoom/Home/

GetDigitalAsset/8476

3. Larson-Meyer, Enette; Vegetarian

Sports Nutrition; Human Kinetics,

2007

4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/

pmc/articles/PMC3725481

5. https://www.researchgate.net/

publication/314859171_Exercise_

Associated_Muscle_Cramps_-A_

Current_Perspective

Magnésio Marinho 300 mg

Dois comprimidos de acção prolongada

por dia é o que basta para fazer frente a

uma das principais causas de

desistência nas corridas. A fórmula

FORTÉ MAG Cãibras foi pensada para

promover um maior rendimento, eliminando as

carências associadas ao aparecimento de cãibras.

Ao FORTÉ MAG 300, que inclui magnésio

marinho, portanto, de origem natural e de mais fácil

absorção, foram adicionados 1,4 mg de vitamina

B6; 300 mg de cálcio; 5 µ de vitamina D e 100 mg

de potássio. Com FORTÉ MAG Cãibras, a única

preocupação que terá durante a corrida é desfrutar.

+ Vitamina B6 2 mg

O que dizem os estudos?

Magnésio Marinho 300 mg

+ Vitamina B6 1,4 mg + Cálcio 300 mg

+ Vitamina D 5 μg + Potássio 100 mg

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Magnésio Contribuindo para o normal

funcionamento dos ossos e dos músculos,

o magnésio é responsável pela capacidade

funcional dos tecidos tornando-se numa peça-

-chave na recuperação após a prática desportiva.

São inúmeros os estudos que comprovam que

a carência de magnésio pode estar na origem

de cãibras nos atletas. No entanto, a evidência

científica vai mais além, com investigações

recentes a associarem a suplementação com este

mineral à melhoria da performance desportiva 1 .

Vitamina B6 A vitamina B6 desempenha um

papel determinante na conversão das proteínas

consumidas na dieta em aminoácidos que

formam parte das proteínas musculares. De

acordo com as guidelines da Associação

Americana de Neurologia 2 para o tratamento

das cãibras, a vitamina B6 pode ter um papel

importante no alívio da dor, mas também uma

função preventiva.

Cálcio O cálcio desempenha um papel activo

no processo de contracção muscular, incluindo

a do coração, dos músculos esqueléticos e dos

músculos lisos encontrados nos vasos sanguíneos

e nos intestinos, bem como na geração de

impulsos nervosos. Embora o prejuízo da

contracção muscular não seja comummente

associado às cãibras como sintoma de deficiência

de cálcio, os especialistas não descartam

completamente a possibilidade de que estas

possam ser causadas por um desequilíbrio

temporário deste mineral nos músculos durante

o exercício. Há inclusive estudos que associam

a propensão para o aparecimento de cãibras em

pessoas com problemas inatos no metabolismo do

cálcio nos músculos esqueléticos. 3

Vitamina D A vitamina D está associada à

prevenção de factores de stresse e na optimização

da saúde óssea, ambos de grande importância

para o atleta. No entanto, a vitamina D não

desempenha apenas um papel ao nível ósseo,

ajudando também na regulação do metabolismo

electrolítico, na síntese de proteínas, na expressão

génica e na função imunológica. Essas funções

são vitais para todos, especialmente para os atletas

de elite e de recreação. 4

Potássio Juntamente com os outros electrólitos,

o potássio participa na condução dos impulsos

nervosos, no desencadear das contracções

musculares, na regulação do ritmo cardíaco e da

pressão arterial. A perda de potássio através da

transpiração – tal como de magnésio e de cálcio –

em indivíduos com carências deste mineral, está

associada ao aparecimento de cãibras durante ou

após o exercício físico. 5


Magnésio Marinho 300 mg

Magnésio Marinho 300 mg

+ Vitamina B6 2 mg

+ Vitamina B6 1,4 mg + Cálcio 300 mg

+ Vitamina D 5 μg + Potássio 100 mg


DR

Contra

gripes e

constipações!

Posologia preventiva

Uma dose semanal;

Posologia aos primeiros sintomas de gripe/

constipação Uma dose de 8 em 8 horas;

Posologia em estado gripal declarado

dose de 12 em 12 horas.

Uma

Esta época está também muito associada ao

aparecimento de tosse, seja ela de que tipo for.

Stodal é um ótimo aliado no tratamento de todo

o tipo de tosse, seja ela irritativa, produtiva

ou evolutiva. Poderá ser tomado por toda a

família (exceto diabéticos), não tem interações

medicamentosas conhecidas e não causa

sonolência.

(1) Beghi, Gianfranco e Morselli-

-Labate, Antonio, Does homeopathic

medicine have preventive effect on

respiratory tract infections? A real-life

Observational study, Multidisciplinary

Respiratory Medicine (2016)

A

chegada do Inverno significa

diminuição de temperatura, mais

chuva e vento e a luz do dia dá

lugar à noite mais cedo. Apesar de

todas estas alterações, há um grande

grupo de corajosos que não troca os treinos

outdoor por nada, colocando o seu sistema

imunitário à prova ao estarem mais sujeitos

às variações de temperatura.

O reforço do sistema imunitário irá prevenir

as patologias invernais e, caso surjam,

garantir uma rápida recuperação, controlando

os sintomas o mais rapidamente possível.

Oscillococcinum ® é um aliado de peso, que

deverá acompanhar os atletas ao longo de

todo o Inverno! A sua ação imunoestimulante

foi comprovada em estudos que demonstram

o efeito benéfico em patologias como as

infeções no trato respiratório 1 . Trata-se de um

produto excelente a utilizar durante toda a

época de exposição ao clima de Inverno, com

o benefício de poder ser tomado de igual forma

em qualquer idade, sem efeitos de doping,

sem risco de interações medicamentosas ou

contraindicações! Deverá ser tomado de acordo

com a situação em que se encontra.

Posologia indicada:

Crianças – 1 dose de 5ml, 3 a 5 vezes ao dia;

Adultos – 1 dose de 15ml, 3 a 5 vezes ao dia.

Para além dos cuidados com o nosso organismo

devemos também ter atenção e adaptar o

vestuário às alterações de temperaturas. É

muito importante escolher o equipamento

adequado para os dias mais frios. Sugerimos

que nesta época aposte em equipamentos

térmicos e desenhados para praticar desporto em

temperaturas baixas. Escolha roupa com materiais

que selem o calor, que sejam de secagem rápida

(para não ficar molhado da transpiração) ou que

sejam à prova de água, para o caso dos treinos

nos dias de chuva. Não se esqueça de proteger as

extremidades, acrescentando ao seu equipamento,

gorros, lenços e luvas.

Nos dias mais frios aposte em roupa térmica.

Muita da roupa de treino desta época tem tecido

polar ou tecido thermo que, apesar de ser mais

fino do que o polar, não deixa sair a temperatura

do corpo. Proteja-se das alterações de

temperatura, adeque o equipamento, mantenha-se

hidratado e nada o vai parar este inverno.

Boas corridas!


32 receita

Bolo Rei fit

Por Chef Fábio Bernardino, Travel & Flavours

Método de

confecção

1. Numa tigela colocar

as farinhas com a

linhaça moída, o mel,

os ovos, a bebida

vegetal e amassar

até obter uma massa

consistente.

2. Adicionar a

levedura e amassar

novamente até que

a mesma esteja bem

incorporada e a massa

apresente liga.

3. Deixe a massa

repousar 24 horas

devidamente tapada.

4. Abra a massa e

envolva metade dos

frutos secos, das

sementes e dos frutos

vermelhos.

5. Deixe a massa

repousar 15 minutos.

6. Divida a massa em

duas porções para dois

bolos reis médios, ou

deixe somente uma

porção para fazer um

bolo rei maior.

7. Enrole a massa

numa bola perfeita,

posteriormente com

o cotovelo esmague

a massa abrindo um

buraco no seu meio.

8. Coloque o bolo

numa travessa com

papel vegetal, pincele

com ovo e decore com

a restante fruta, frutos

secos e sementes.

9. Deixe levedar cerca

de 2 horas e leve

ao forno a 220 º C

durante 20 minutos.

receita base receita Pré-exercício receita Pós-exercício

Ingredientes Quantidade

Farinha de

espelta

500 g

Linhaça moída 50 g

Farinha de aveia 100 g

Mel

2 c. sopa

Ovos 2

Bebida de

amêndoa

200 ml

Amêndoas

50 g

Azeite

2 c. sopa

Levedura/

/Massa velha

4/50 g

Avelãs

50 g

Passas/Figos/

/Secos/Bagas goji

50 g

Sésamo preto/

/Sésamo branco/

/Sementes de

50 g

girassol

Mirtilos/

/Framboesas/ 100 g

/Bagos de romã

Ingredientes Quantidade

Farinha de

espelta

575 g

Linhaça moída 25 g

Farinha de aveia 50 g

Mel

2 c. sopa

Ovo 1

Bebida de

amêndoa

250 ml

Amêndoas

25 g

Azeite

2 c. sopa

Levedura/

/Massa velha

4/50 g

Avelãs

25 g

Passas/Figos/

/Secos/Bagas goji

25 g

Sésamo preto/

/Sésamo branco/

/Sementes de

25 g

girassol

Mirtilos/

/Framboesas/ 150 g

/Bagos de romã

DR

Ingredientes Quantidade

Farinha de

espelta

480 g

Linhaça moída 70 g

Farinha de aveia 100 g

Mel

1 c. sopa

Ovo 4

Bebida de

amêndoa

100 ml

Amêndoas

60 g

Azeite

2 c. sopa

Levedura/

/Massa velha

4/50 g

Avelãs

60 g

Passas/Figos/

/Secos/Bagas goji

30 g

Sésamo preto/

/Sésamo branco/

/Sementes de

60 g

girassol

Mirtilos/

/Framboesas/ 80 g

/Bagos de romã


publi-reportagem

Correr sem

limitações

Lesões musculares, entorses e

contusões já não são sinónimo de

limitação. A par de uma boa preparação

conte com Fastum Gel na recuperação

para alívio da dor e redução do inchaço

e da inflamação. Boas corridas!

Poucos são os atletas que nunca

experimentaram dor. Seja devida a

trauma ou ao chamado overuse, a

verdade é que todos os atletas já se

depararam com dores musculares e

articulares. A par de uma boa preparação e

recuperação, há outros aliados que podem ajudar a

correr sem limitações – como Fastum Gel – e com

menor incidência de efeitos adversos provocados

pelos anti-inflamatórios não esteroides (AINE) orais.

Por se tratar de um AINE tópico, os efeitos adversos

sistémicos são atenuados, mantendo-se a eficácia,

como mostram os principais estudos nesta área.

A formulação em gel apresenta também

vantagem, já que a absorção do produto tornase

mais fácil, evitando ainda a textura pegajosa

que permanece com outro tipo de formulações.

Revela-se, por isso, igualmente um óptimo aliado

na massagem desportiva e de recuperação.

Fastum Gel é, assim, um forte e rápido aliado

em situações como lesões musculares, entorses

e contusões, promovendo o alívio da dor e a

redução do inchaço e da inflamação. Vença as

dores do dia-a-dia com limitações zero.

A formulação

em gel apresenta

também vantagem,

já que a absorção

do produto torna-

-se mais fácil,

evitando ainda a

textura pegajosa

que permanece

com outro tipo de

formulações

MNSRM. Medicamento Genérico. Fastum 100 mg/g gel. Cada grama de gel contém 100 mg de etofenamato como substância ativa. Indicações terapêuticas: Tratamento local de dores musculares ligeiras a moderadas, contusões, dores póstraumáticas,

dores reumatismais ligeiras a moderadas (osteartrose/ osteoartrite), dores articulares ligeiras a moderadas, tratamento tópico de sinovites, artrites (não infeciosas), bursites, tendinites e inflamação moderada de origem músculo

esquelética nomeadamente pós-traumática ou de origem reumática. Advertências e precauções especiais de utilização: Fastum não deverá ser aplicado nas mucosas ou olhos. Hipersensibilidade pelo risco de reações cruzadas a outros antiinflamatórios.

Risco de fotoalergia de contacto pelo que a exposição solar deve ser evitada na zona de aplicação de Fastum. Possibilidade de absorção cutânea da substância ativa de Fastum, o etofenamato, pelo que não é possível excluir a

ocorrência de efeitos sistémicos. O risco de ocorrência destes efeitos depende, entre outros fatores, da superfície exposta, quantidade aplicada e tempo de exposição. Por esta razão a utilização em doentes com insuficiência renal ou hepática deve

ser feita com precaução. Segurança cutânea dos anti-inflamatórios não esteroides: têm sido muito raramente notificadas reações cutâneas graves, algumas das quais fatais, incluindo dermatite esfoliativa, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise

epidérmica tóxica, associadas à administração de anti-inflamatórios não esteroides. Aparentemente o risco de ocorrência destas reações é maior no início do tratamento, sendo que na maioria dos casos estas reações se manifestam durante o

primeiro mês de tratamento. Fastum deve ser interrompido aos primeiros sinais de rash, lesões mucosas ou outras manifestações de hipersensibilidade. Leia cuidadosamente as informações constantes do acondicionamento secundário e do

folheto informativo. E, em caso de dúvida ou de persistência dos sintomas, consulte o seu médico ou farmacêutico. Para mais informações contactar o titular da AIM: Lubefar – Produtos Farmacêuticos, Lda. Uma empresa do Grupo Menarini.

A. Menarini Portugal Farmacêutica, S.A. (NIPC 501 572 570). Quinta da Fonte - Edifício D. Manuel I - Piso 2-A. Rua dos Malhões, nº1. 2770-071 Paço de Arcos (Portugal). Tel.: +351.21.0935500 | Fax: +351.21.0935501 | E-mail: lubefar@menarini.pt

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de um estilo de vida saudável. A. Menarini Portugal – Farmacêutica, S.A. (NIPC 501 572 570) Quinta

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Inf. nutricional Por saqueta % VRN*

Vitamina C 80 mg 100

Tiamina (Vit. B1) 2,0 mg 181,8

Magnésio 200 mg 53,3

Ferro 7,0 mg 50

Zinco 6,0 mg 60

Creatina 3000 mg -

L-Arginina 2000 mg -

Beta-alanina 400 mg -

* VRN = Valor de referência do

nutriente de vitaminas e sais

minerais (Reg. CE 1169/2011)


34 wellness

Doping!

A arte de

enganar no

desporto

josécosta

O que é o doping? Como se administra? Quem a ele recorre? Como é que os atletas se

podem proteger? Especulações – e casos mediáticos à parte – a RUNning foi procurar

resposta para as questões que assolam o “lado puro” do desporto.


35

Doping. O estrangeirismo entrou

para o léxico português como a sua

prática para o lado obscuro do

desporto. Mas o que define esta

palavra afinal? A resposta é

simples: o doping não é mais do que o uso de

drogas ou de métodos específicos que visam

aumentar o desempenho de um atleta durante

uma competição, de modo a beneficiá-lo

relativamente aos outros atletas. Assim, as

substâncias e medicamentos considerados

“doping” são apresentados periodicamente

numa lista publicada pela World Anti-Doping

Agency (WADA), por responderem

positivamente a três critérios: melhorar o

desempenho competitivo, violar o espírito

desportivo e representar um risco para a saúde

dos atletas.

São vários os casos de que ouvimos falar,

a maior parte só “descoberta” após muita

especulação, acusações, testes, negações,

encobrimento e mentiras. Em muitos deles foi

preciso ser o atleta a vir a público confessar

“a mentira”. Talvez o caso mais mediático

tenha sido o de Lance Armstrong, ex-ciclista

profissional norte-americano que ficou

conhecido por ter vencido o Tour de França

sete vezes consecutivas (algo inédito na

história da prova). Mas a suspeita recai sobre

vários outros atletas de hoje e do antigamente

e não raras vezes sobre treinadores e médicos,

como aconteceu com Alberto Salazar durante

os Campeonatos do Mundo de Atletismo,

em Doha, no Qatar. Este caso é ainda mais

impactante pela sua relação com a marca

desportiva Nike e pelo facto de ter treinado

nomes como Mo Farah ou Sifan Hassan,

colocando-os automaticamente “na berlinda”.

Vânia Silva, professora de Educação Física

e ex-atleta de alta competição do Sporting

Clube de Portugal, na disciplina de lançamento

do martelo, em 2004/2005, levou a cabo

uma investigação no âmbito da sua tese de

doutoramento sobre o tema “Os Atletas de

Elite e a Dopagem”. Para esta docente a

investigação procurou “saber em que medida

a dopagem é uma prática corrente entre os

atletas de elite”, escrevendo que durante o

o seu percurso de atleta de alta competição

tem “‘visto’ atletas que aparentam estar

dopados, embora com todo o seu clamor

ergam a bandeira do seu país em sinal da

vitória”. Sobre as razões mais apontadas para

o consumo deste tipo de drogas, Vânia Silva

escreve que foram “o aumento da performance

e vitória, ainda que em outras tenha sido

referido o dinheiro e o aumento do estatuto

social”.

Mas o doping também existe fora da alta

competição. O mais pacato dos cidadãos,

no seu ginásio, por exemplo, pode consumir

substâncias que o ajudam a definir um corpo

mais atlético. Esta prática é comum, muito

embora não seja fácil de chegar a quem o

vende ou a quem administra estas “drogas”.

Todos – profissionais ou amadores – devem

estar atentos e conhecer com que “teias se

tece” o doping, até porque a par da falsidade

desportiva e da ilegalidade subjacente a esta

prática, há riscos para a saúde, como ficou

demonstrado no recente caso do actor Ângelo

Rodrigues.

É à ADoP que compete o controlo

Quando se fala em controlar os atletas de alta

competição, ou simplesmente de competições

nacionais onde se preveja que se poderão

alcançar participações internacionais, é à

Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP)

que se recorre. Criada pela publicação

da Lei 27/2009 de 19 de Junho, a ADoP

veio substituir o então Conselho Nacional

Antidopagem, enquanto organização nacional

anti-dopagem de Portugal, exercendo as suas

competências no território nacional e, sempre

que solicitada pela WADA ou por federações

Categorias de substâncias proibidas

Estimulantes

Narcóticos

Esteróides anabólicos

Diuréticos

Reduzem a fadiga e aumentam a adrenalina

Diminuem a sensação de dor

Aumentam a força muscular

Usados para controlar o peso e também para ‘mascarar’ o doping

Beta-bloqueantes Diminuem a pressão arterial do atleta. São usados em competições

de tiro e arco e flecha para manter estáveis as mãos do atleta.

Hormonas peptídicas e análogos

Aumentam o volume e a potência dos músculos.

Doping sanguíneo Método proibido de transfusão em que o sangue do atleta é injectado

nele mesmo para aumentar o oxigénio nos tecidos.

Do mesmo modo também há medicamentos proibidos, cuja lista pode ser consultada

em jogolimpo.simposium.pt, além de todas as substâncias, medicamentos e

respectivas dosagens “proibidas” estarem descritas igualmente na Lei n.º 38/2012, de

28 de Agosto. Apesar disso, é possível o uso de substâncias e métodos proibidos por um

praticante desportivo por razões médicas mediante uma solicitação de Autorização

de Utilização Terapêutica, cuja documentação pode ser obtida no site da Autoridade

Antidopagem de Portugal (www.adop.pt).


36 wellness

internacionais, pode fazê-lo no estrangeiro.

Seja por iniciativa própria ou por solicitação

das respectivas federações, cabe aos técnicos

deste organismo efectuar os respectivos

testes e consequentes resultados. No âmbito

do Programa Nacional Antidopagem (PNA),

cabe à estrutura de suporte deste organismo a

definição e a implementação dos Programas de

Informação e Educação, a gestão do Sistema

de Localização de Praticantes Desportivos

e do Sistema de Autorização de Utilização

Terapêutica.

No que diz respeito ao Sistema de

Localização de Praticantes desportivos há

ainda alguns mitos que é preciso esclarecer,

nomeadamente, no caso do atletismo, quando

se fala em suspensão por “falhar o controlo”.

De acordo com a informação disponível no

site da ADoP, este organismo, “cumprindo as

directrizes da WADA, distribuiu as diferentes

modalidades desportivas que integram o PNA,

por quatro grupos de risco (Extremo, Alto,

Médio e Baixo), sendo que o atletismo faz

parte do “Extremo”, de acordo com a equação

aplicada: N.º de Controlos = N.º praticantes

desportivos juniores e seniores x Fator de

ponderação + N.º mínimo de controlos”.

Neste contexto, os profissionais do atletismo

de níveis A e B estão inseridos no chamado

Grupo-Alvo, ou seja, são sujeitos a controlos

anti-doping fora das competições, conforme

o disposto no artigo 7.º da Lei n.º 38/2012,

de 28 de Agosto e, por isso, integrados

no Sistema de Localização do Praticante

Desportivo. Isto obriga-os a preencher e a

entregar trimestralmente à ADoP formulários

com informação localizada sobre a sua

localização. Quando tal não é cumprido, após

três tentativas de controlo, a ADoP aplica

as medidas legais, que podem passar pela

suspensão do atleta em causa.

Por último, é ainda importante referir que,

tal como noutras matérias legisladas, atletas,

treinadores, médicos, dirigentes desportivos,

associações e federações, não podem alegar

desconhecimento. Mesmo assim, a ADoP

tem materiais informativos disponíveis no

seu website, além de promover acções de

esclarecimento e formação, incluindo os

direitos e deveres de todos os intervenientes no

movimento desportivo.


38 trail ícone

Campeões Nacionais de Trail

carlalaureano

Mirocerqueira / Prozis

Dário

Furtado

Moitoso

26 anos

Natural da Horta (Faial)

Clube Independente

de Atletismo Ilha Azul

Cinco anos depois de ter começado a

praticar trail sagrou-se campeão nacional.

Imaginava- -se a conquistar tão cedo este

título?

No início não. No máximo poderia ser só um

sonho.Mas há cerca de um ano e meio comecei a

achar que poderia ser possível.

Uma vez que a prova do Campeonato Nacional

se disputou pouco tempo depois do Orsières-

-Champex-Chamonix (OCC) do Ultra Trail du

Mont-Blanc (UTMB), como é que se preparou?

Foi tentar recuperar o mais rápido possível. Não

sabia ao certo como reagiria o corpo e foi um

autêntico contra-relógio. A principal dificuldade da

prova foi tentar deixar a emoção de lado e manter

a cabeça fria, para não cometer excessos na parte

inicial que comprometessem o final da prova.

Em 2018 terminou em 9.º lugar no OCC e este

ano superou esse resultado, ao ser o 7.º a chegar

à meta. O que representam estas conquistas?

Foi uma sensação única competir contra os

melhores atletas da modalidade. Correr pelos Alpes

é algo realmente bonito e fantástico. O resultado foi

um prémio por todo o trabalho e dedicação!

Em 2019 integrou, pela primeira vez, a Selecção

Nacional de Trail. Que balanço faz dessa

experiência?

Foi um orgulho enorme ter representado Portugal e

o facto de corrermos “em casa” tornou tudo ainda

mais bonito. Encarei esta presença na selecção

nacional com muito respeito, mas com muita

vontade de competir lado-a-lado com os melhores,

sem medo. Sendo a primeira experiência deste tipo

e com um nível competitivo quase sem comparação,

um 35.º lugar foi muito bom. A nível colectivo foi o

igualar da melhor qualificação de sempre de Portugal

num mundial, mas com um nível competitivo muito

mais alto, o que significa que cada vez temos mais e

melhores atletas em Portugal.

Há alguém em particular que o tenha ajudado

a evoluir nesta modalidade?

Um deles é o Mário Leal [director do Azores Trail

Run], sem dúvida! Sem ele não estaria a competir

como estou. Depois tenho também de referir o

Hélio Fumo, que me treina há dois anos, e que foi

fundamental para estes resultados recentes.

Como é que é ser atleta e agricultor no Faial?

Tenho alguma liberdade de horários, o que me

permite conciliar o trabalho, os treinos e as provas

da melhor forma. Tenho condições óptimas para

a prática da modalidade durante todo o ano, seja

pelos trilhos fantásticos que temos nas ilhas, seja

pelo clima ameno, sem variações de temperatura

acentuadas ao longo do ano. O obstáculo maior

da insularidade é o transporte aéreo, que é muito

dispendioso.

Onde é que ainda gostava de competir?

Não gosto de fazer listas, nem de pensar muito

nisso. Mas as provas que mais rápido me vêm à

cabeça são a Zegama-Aizkorri e a Transvulcania.


39

2018/2019

Foi

no Grande Trail Serra d’Arga, disputado em finais de

Setembro, que se ficaram a conhecer os novos campeões

nacionais de trail. Apenas três semanas depois de ombrearem

com a elite internacional no Ultra Trail du Mont-Blanc, Dário

Moitoso e Inês Marques foram os mais fortes nos 37 km da

prova-campeonato.

Depois de se ter sagrado campeã nacional de

trail ultra e skyrace, este ano juntou ao

palmarés o Campeonato Nacional de Trail.

Que significado tem esta conquista?

Esta vitória foi a cereja no topo do bolo para encerrar

a época de trail. Veio reforçar a minha polivalência

em várias distâncias e terrenos, afirmando-me como

uma atleta completa no panorama nacional. Alinhei

à partida mentalizada de que teria de fazer a “minha”

prova e de que não me poderia desgastar demasiado

no início. Não estava totalmente recuperada e senti-

-me condicionada durante todo o percurso, pelo que a

gestão do esforço foi a principal dificuldade sentida.

Este ano ficou em 10.º lugar no Courmayeur

- Champex-Lac - Chamonix (CCC) do UTMB.

Como foi percorrer esses 100 km?

O início foi doloroso, mas à medida que fui

progredindo na prova, fui-me animando. Tinha a

minha família a apoiar-me (um verdadeiro trabalho

de equipa!), recebi palavras calorosas dos voluntários

e as paisagens eram deslumbrantes. Pude desfrutar

de momentos em que corri sozinha, bem como

partilhar a aventura com atletas que me reconheciam

de outras competições. Percorrer os últimos metros

tocando na palma da mão dos que assistiam à minha

chegada e ter a minha família à minha espera foi

indescritível.

Durante quase dois anos e meio foi treinada

pelo Hélio Fumo. Que papel é que ele teve na sua

evolução?

Foi ele que me desafiou a correr pela primeira vez

50 km, no Trail de Vila de Rei, prova que acabei

por vencer, carimbando o passaporte para o meu

primeiro mundial. Aprendi muito com ele e sinto

que evoluí como atleta de uma forma consistente.

No entanto, por diversas razões, particularmente

profissionais, após o Campeonato do Mundo

deste ano resolvi deixar de ter treinador e ficar eu

responsável pelo planeamento dos meus treinos até

ao CCC, tendo em conta a minha experiência de 20

anos de atletismo.

Qual o balanço que faz desta época?

Para esta época estabeleci três objectivos principais:

a maratona de estrada, o Campeonato do Mundo

de Trail e os 100 km do CCC. Corri a maratona em

2h48min, um tempo do qual me orgulho bastante,

tendo em conta que foi a minha estreia na distância

mítica.

No Mundial tive muitos percalços que me

condicionaram bastante e acabei por não me

apresentar no pico da minha forma. Mas dei o meu

melhor e o dia ficará para sempre marcado na minha

memória pelo apoio ímpar dos portugueses que se

deslocaram a Miranda do Corvo para apoiar a nossa

selecção.

O CCC foi uma estreia, pois nunca tinha corrido

uma distância tão longa. Faço um balanço muito

positivo, tanto pelo lugar alcançado numa edição

com um nível competitivo altíssimo, como pelo

tempo que demorei (14h06min).

Onde é que ainda gostava de competir?

O The Coastal Challenge (Costa Rica), a Tarawera

(Nova Zelândia), o Lavaredo Ultra Trail (Dolomitas,

Itália), a Western States (EUA) e, um dia, desafiar-

-me a percorrer as 100 milhas do UTMB!

Inês

Filipa

Costa

Marques

26 anos

Natural de Seixal

Na última época

representou a

Berg Outdoor


40 trail Partidas

Circuitos nacionais 2019/2020

Por onde se vai correr

nos trilhos de Portugal

Amigos da Montanha

carlalaureano

A nova época está aí e a Associação de Trail Running de Portugal já divulgou o calendário de

provas, que traz várias novidades, e uma “liga milionária”.

Começando pelo circuito nacional de

trail, a principal diferença em

relação ao da época passada está no

número de provas, que aumentou de

54 para 64, sendo que 17 delas são

novas no calendário. Com 45 a integrarem a

série de 100 e 19 a série 150, a principal

novidade é o facto de a prova-campeonato ser

esta época uma organização da Associação de

Trail Running de Portugal (ATRP), ao invés de

ser designada entre as já existentes. “Será

realizada em Setembro, em parceria com uma

Câmara Municipal, em local e quilometragem

ainda a definir”, revelou à RUNning o

presidente da ATRP, Rui Pinho.

No circuito de trail ultra são 48 as provas que

compõem o calendário, mais 12 do que na época

passada. Também aqui são 17 as competições

Na época de 2018/2019 foram campeões

Dário Moitoso

(Clube Independente

de Atletismo Ilha Azul)

Inês Marques

(na altura, Berg Outdoor)

Team Trail Bifase

(masculina)

Oralklass - Amigos do

Trail (feminina)

Prova: (37 km)

Grande Trail Serra D’Arga

Ricardo Silva

(EDV - Viana Trail)

Nádia Casteleiro

(Oralklass - Amigos do

Trail)

EDV - Viana Trail

(masculina)

Montanha Clube Trail

Running (feminina)

Prova: (49 km)

Estrela Grande Trail

Bruno Sousa

(Team Trail Bifase)

Sofia Lopes Roquete

(AMCF - Arrábida Trail

Team)

Team Trail Bifase

(masculina)

AMCF - Arrábida Trail

Team (feminina)

Prova: (105 km)

Ultra Trilhos do Marão

que são novidade para a temporada que aí vem,

com o campeonato a ser disputado nos Trilhos

dos Abutres, em Miranda do Corvo, a 1 de

Fevereiro, numa distância de 55 km. No total são

35 as provas de série 100 e 13 as de série 150.

Por último, na endurance são 14 as

competições que compõem o circuito nacional,

mais três do que na época passada, divididas

entre 9 da série 100 e 5 da série 150. Três delas

são novidade no calendário, mas a provacampeonato

será disputada no Ultra Trail de São

Mamede, que já é um “habitué” neste circuito.

Os campeões serão conhecidos a 16 de Maio,

em Portalegre, depois de percorridos os 110 km.

As provas que dão início à nova temporada

disputam-se já em Novembro. No trail ultra será

o Penacova Trail do Centro, em Penacova (10

Novembro; 43 km); enquanto que no trail e na

endurance será o Trail Amigos da Montanha, em

Barcelos (16 de Novembro; 32 km e 101 km,

respectivamente).

Novo circuito à vista

Em exclusivo à RUNning, a ATRP informou que

se prepara para anunciar uma nova competição

com prémios monetários que irão ultrapassar

os 20 mil euros. “Composto por cinco provas –

escolhidas entre as que fazem parte dos circuitos

nacionais – e uma final, este novo circuito tem

em vista a internacionalização e irá premiar

com valores que, no total das competições,

irão ultrapassar os 20 mil euros, os vencedores

absolutos de cada etapa”, revelou Rui Pinho.


41

Uma nova era na competição a nível mundial

Carlalaureano

rutebarbedo

Os Campeonatos do Mundo de Trail de 2019, que decorreram nos Trilhos dos Abutres, em

Miranda do Corvo, foram os últimos a ser disputados naquele que tem sido o formato habitual

da competição. No futuro, a prova internacional será disputada de dois em dois anos, em

simultâneo com o Campeonato do Mundo de Montanha.

A

International Trail Running Association

(ITRA) e a International Association of

Athletics Federations (IAFF) tomaram a

decisão de realizar os Campeonatos do

Mundo de Trail de dois em dois anos,

integrados naquilo que José Carlos Santos, vice-

-presidente da ITRA, descreve como sendo um

“festival outdoor”. Esta decisão foi tomada devido

ao facto de, depois de o trail ter sido integrado na

IAAF, decidiu-se que não fazia sentido ter duas

regras distintas para montanha e para trail. Nesse

sentido, desde o início de 2019 que passou a haver

uma única regra para as duas competições outdoor.

Outra das razões para esta mudança,

nomeadamente a de realizar o mundial de dois em

dois anos, foi a possibilidade de “os atletas de elite

poderem planear as suas épocas de uma forma mais

eficaz, principalmente se o percurso for uma ultra-

-distância, como aconteceu em Espanha, em 2018”,

explica José Carlos Santos. O vice-presidente da

ITRA acrescenta ainda que, desta forma, a “ITRA e

a IAAF têm também mais tempo, do ponto de vista

mediático, para comunicar melhor os eventos e daí

tirar mais visibilidade e benefícios em termos de

patrocínios”.

José Carlos Santos revelou ainda a possibilidade de

se realizar, nos intervalos dos mundiais, campeonatos

continentais, salientando, no entanto, que a

possibilidade de tal acontecer em 2020 “é remota”.

Os próximos Campeonatos do Mundo irão então

ser disputados em 2021, com organização conjunta

da IAAF, da ITRA e da World Mountain Running

Association e serão compostos por quatro provas: na

montanha, uma prova de Km Vertical e uma curta de

10 a 15 km; no trail, uma distância mais curta, entre

35 e 45 km, e outra mais longa, entre 75 e 85 km.

“Claro que isto tem implicações para alguns países

nos quais o campo de recrutamento é mais curto,

como acontece com Portugal. Diria que nos ‘obriga’ a

dividir os nossos melhores atletas pelas distâncias que

lhes são mais favoráveis”, refere José Carlos Santos,

que também é o seleccionador nacional de trail.

Por seu turno, Rui Pinho, presidente da Associação

de Trail Running de Portugal (ATRP), considera

“óptimo que haja mais distâncias, porque permite

também uma maior especialização dos atletas e

Portugal tem dado cartas nas diversas distâncias”.

Outra das vantagens apontadas pelo presidente da

ATRP é a de “não ter de andar na volatilidade de

perceber como será a competição, se é de distância

curta ou longa, e só depois seleccionar. Permite que os

atletas tenham uma melhor preparação, fazendo ciclos

de trabalho com mais qualidade”. Quanto aos critérios

de selecção, Rui Pinho adianta apenas que os atletas

serão seleccionados através dos campeonatos e de

provas de selecção.

Decidido o formato, falta encontrar um local

que possa servir de palco para esta competição. O

vice-presidente da ITRA confessa que esta nova

configuração “dificulta um pouco a tarefa, no sentido

de encontrar um local que permita, em termos de

terreno, acomodar as quatro vertentes, considerando

que será necessário estar num ambiente de média/alta

montanha, o que restringe um pouco as opções”. No

entanto, José Carlos Santos garante que, “embora o

período oficial de manifestação de interesse ainda não

esteja aberto, já estão a ser recebidos muitos pedidos

de informação”

Os próximos

Campeonatos do

Mundo são, em

2021, compostos

por quatro

provas


42 trail partidas

Algarviana Ultra Trail

Os 300 km pelo interior algarvio

estão de volta com novidades

Vanessapais

rodrigomachado

A prova que pretende mostrar o interior do Algarve regressa de 28 de Novembro a 1 de

Dezembro. A terceira edição apresenta novidades no regulamento e vontade de tornar esta

experiência ainda mais especial.

Encontrem-se

nestes 300 km de

superação

Uma prova feita por atletas para atletas

tem obrigatoriamente de “dar ouvidos”

aos seus participantes. Foi isso que a

organização do Algarviana Ultra Trail

(ALUT) – a cargo da Algarve Trail

Running – fez. Assim, os 300 km com 6680 metros

de desnível positivo, que ligam Alcoutim a Sagres,

pela Via Algarviana, podem este ano ser realizados

a solo ou em equipas de apenas quatro elementos,

partindo as quadras 30 minutos depois.

“Pretende-se tornar a prova, e, por conseguinte,

as classificações, mais universais e justas, evitando

também a imposição de ritmos à partida entre os

atletas que irão fazer apenas uma etapa e os que

vão percorrer os 300 km do percurso”, justifica

Germano Magalhães, da organização. Além desta

alteração, a última etapa, que liga Vila do Bispo

a Sagres, poderá agora ser realizada por todos os

elementos da equipa. “Quem participa em provas

de trail, mesmo nas distâncias mais pequenas, sabe

a importância e o significado de cruzar a meta com

aqueles que tornaram possível a superação pessoal,

sejam familiares, amigos, equipa ou apoiantes”,

explica o organizador.

“O ALUT não se explica, sente-se”

Apesar de o ALUT ser um evento competitivo, a

sua missão, lembra Germano Magalhães, “é a de

contribuir para a promoção e desenvolvimento

do interior algarvio, mas também para a coesão

territorial e para o esbater dos efeitos da

sazonalidade na região”. Assim, a par de estarem

pensados momentos culturais e de entretenimento

para toda a família; a exemplo do que se verificou

no ano passado, com a sensibilização para os

efeitos dos incêndios que assolaram toda as zonas

de Silves e Monchique, este ano o ALUT contribui

para a sensibilização para os efeitos da seca

prolongada que se vive em especial no Algarve.

A experiência e a superação de cada atleta podem

ser acompanhadas ao segundo em live.alut.pt e

ao vivo nas bases de vida, que são locais de fácil

acesso e devidamente assinalados nos mapas que

serão fornecidos aos participantes e a todos os que

quiserem acompanhar a prova. Com o tempo-limite

de 72 horas, o evento pede para que se faça uma

“escapadinha”. Por isso, em nome de todos os que

tornam o ALUT possível, Germano Magalhães

deixa o convite: “’Percam-se’ pelo interior do

Algarve. Podem trazer uma bicicleta, ou mesmo a

pé, parem o carro e sintam o Algarve: os cheiros,

os frutos das árvores, a terra, o barro, a energia.

Venham! Apreciem o barulho do silêncio na serra

algarvia! Encontrem-se nestes 300 km de superação

de atletas, de organização e de apoiantes. Porque o

ALUT não se explica, sente-se, sintam!”


44 trail metas

Ultra Trail Atlas Toubkal

O deslumbrante Atlas

DR

ninoraleiras

Sendo o acto de correr, só por si, um desafio, participar no Ultra Trail Atlas Toubkal, mais do que

uma prova, foi uma lição de vida que não esquecerei.

o que

realmente guardo

do UTAT é o sorriso

das crianças; a

beleza de ver

nascer o dia e a

camaradagem

Se correr uma maratona em plena

Cordilheira do Atlas, em Marrocos, com

um desnível positivo de 2600 metros e

com subidas nas quais a inclinação passa

os 30% e que termina acima dos 3000

metros, seria, à partida, uma experiência inesquecível;

o que realmente guardo do Ultra Trail Atlas Toubkal

(UTAT), no qual participei de 3 a 6 de Outubro, é o

sorriso das crianças, que residem em inóspitas aldeias

e que nos saudavam efusivamente quando corríamos

nas suas estradas de terra (se lá forem, levem algo para

lhes ofercer, gomas ou rebuçados, pelo menos; eu só

tinha barras energéticas, que receberam como se fosse

o melhor presente da vida deles); a beleza de ver

nascer o dia em plena prova e a camaradagem entre a

comitiva portuguesa.

Sair da urbana e vibrante Marraquexe para

Oukaïmeden, a principal estância de esqui de

Marrocos, e ali deparar-me com o eremitismo dos

pastores, que aproveitam os últimos dias antes da

chegada da neve para passear os seus rebanhos,

significou mergulhar numa realidade diferente de

qualquer outra onde tinha corrido. O ar puro, a beleza

das montanhas, que vão para além do que a vista

alcança, e uma deliciosa tajine servida pelo simpático

e prestável Aziz, tranquilizaram-me o suficiente para

a primeira subida acima dos 3000 metros no dia que

antecedeu a partida. E que maravilha é sentirmo-nos

esmagados pela imponência daquela paisagem!

O resto desse primeiro dia foi passado com uma

indisfarçável ansiedade, tendo verificado várias

vezes se tinha todo o material obrigatório. É muito

importante, principalmente na prova maior, de

105 km, na qual a maioria dos atletas passa duas

noites em trilhos técnicos com muita inclinação,

transportar tudo o que vem mencionado no site oficial

do UTAT. A montanha consegue ser “traiçoeira”

e se, durante a prova, encontrámos temperaturas

acima dos 20º C, à noite, o frio fazia-se sentir. Já que

menciono o equipamento, o site pt.snow-forecast.

com/resorts/Oukaimeden/6day/mid é considerado o

mais fidedigno na previsão meteorológica para aquela

zona e isso é fundamental na escolha do que devemos

vestir. Por exemplo, em 2018, os atletas depararam-se

com temperaturas de -10º C.

Silêncio, que se vai vibrar

com a natureza em todo o seu esplendor

A partida às 6h00, a 4 de Outubro, apesar de

não ter sido acompanhada por fogo de artifício,


45

brindou os aventureiros dos 105 km com uma

surpreendente animação e foram muitos os

participantes que iniciaram a prova entre animadas

conversas. Mas o silêncio reinou quando os

primeiros raios de luz surgiram! Que espectáculo

maravilhoso que a natureza nos proporcionou.

Nessa altura, já percorria a primeira das

pronunciadas descidas, que nos levou até ao vale

onde o rio Ourika tem a sua nascente e entrámos

em território Berbere. No primeiro abastecimento

sentia-me tão bem que até conversei um pouco

com Brahim Oussalm, o animado proprietário

de um alojamento no Dour (pequena aldeia)

Timichi.

Nesse momento, pareceram-me exagerados

os 2 litros de água que transportava, mas que se

viriam a mostrar adequados para as dificuldades

que iria enfrentar. Ao longo dos 44 km do

percurso apenas consegui comer uma barra

energética e meia dúzia de frutos secos, tendo,

no entanto, ingerido cerca de 10 litros de água. A

altitude é realmente tramada!

A chegada ao majestoso Tizi n’Tacheddirt,

a 3230 metros, obrigou a uma subida com um

desnível positivo de 800 metros, feita num trilho

de pedras. O cansaço começou a notar-se. Ali

convenci-me de que o pior estava ultrapassado

e não podia estar mais errado. A longa descida

técnica, com passagem por estreitos e inclinados

trilhos, foi percorrida com redobrada atenção e

a um ritmo mais lento do que o esperado. “Só”

faltavam 600 metros de desnível positivo.

A subida ao Tizi n’Addi, a 2960 metros,

obrigou-me a várias paragens para recuperar

o fôlego, pois a sua inclinação, em muitos dos

caminhos superior a 30%, só pode ser agradável

para as cabras que pareciam gozar com o nosso

esforço. O libertador grito dado no fim da subida

e saudado por apoiantes da armada francesa,

que a todos brindavam com palavras de ânimo,

animou-me de tal forma que, nos 6 km que

faltavam para a meta, ultrapassei cerca de 10

companheiros de aventura.

Seguro e confortável

Sendo a primeira vez que corri acima dos 3000 metros, num terreno desconhecido e a

uma temperatura mais elevada do que o esperado quando aceitei o desafio, a escolha do

equipamento ocupou-me algum tempo, tendo-me aconselhado com quem já tinha feito a

prova. As opiniões foram quase unânimes: “Calçado com bom amortecimento; roupa com

tecido respirável; boné, óculos de sol e protector solar. Vai o mais leve que conseguires.”

Nos pés levei os confortáveis Salamon Ultra Pro, que, apesar de só os ter testado ligeiramente

no dia anterior à prova, mostraram-se seguros e frescos durante todo o percurso, sendo a sua

“manga” de ajuste interno – Endofit – responsável por se adaptarem perfeitamente ao pé.

Não tenho, pois, senão elogios para dar, até porque terminei a prova sem bolhas e com todas

as unhas dos pés. Foram também da Salomon o boné e a t-shirt (S-lab Sense) escolhidos, que,

embora com muitos quilómetros em cima, continuam impecáveis.

No pulso, o Suunto 9 revelou-se fiável mesmo em alta montanha, indicando sempre

correctamente a localização, o que me permitiu gerir melhor os recursos durante as longas

subidas. Mas, por vezes, pensei que mais valia estar na “ignorância”. Por fim, e por ter tanto

material obrigatório para transportar, optei pelo colete Salomon S-Lab Sense Ultra 5, que se

manteve seguro e ajustado durante todo o percurso, evitando, assim, o desconforto que por

vezes sentimos quando as garrafas de hidratação deixam de ter o mesmo peso ou retiramos

algo das bolsas.

12 km de histórias

No dia seguinte, podia correr os 26 km do Virée

D´Ikkiss e, assim, cumprir o Challenge de L´Atlas,

mas preferi conhecer outras pessoas e optei pelo

Amazigh Trail e os seus “leves” 12 km (nunca pensei

encontrar uma subida tão íngreme como a primeira).

Entre locais, apoiantes de atletas, pessoas vestidas

para um frio polar e outros como se para a praia

fossem, encontrei a sorridente Valèrie, que, ofegante,

encheu o peito de ar para, com todo o orgulho deste

mundo, contar que estava com o marido, que tinha

terminado a prova principal em 16.º lugar (pouco

tempo depois dos primeiros portugueses, Paulo Pires

e José Santos) e que estava a participar naqueles 12

km para que também ele se orgulhasse dela. Foi já a

rir que disse que aquela era a primeira vez na vida que

corria. Que belo exemplo!

Entre animados brindes, prometi, no último jantar,

ao Paulo Pires, à Dora e à estudante filha deles, ao

Santos, ao Almeida, à Madalena, ao Gastão, à Sofia,

à Anabela, ao João, ao Luís e ao “puto” Melo que

aquela não seria a última prova em que estaríamos

juntos! Venha a próxima aventura!

a sua

inclinação,

em muitos

dos caminhos

superior a 30%,

só pode ser

agradável para

as cabras que

pareciam gozar

com o nosso

esforço

DR

DR


46 trail metas

Extreme West Atlantic Adventure

Corvo

à vista!

Pedro Silva

Migueljudas

Foram cerca de três dezenas os participantes na edição inaugural do Extreme West Atlantic

Adventure, uma nova prova por etapas com o carimbo do Azores Trail Run, que teve como

cenário as ilhas das Flores e do Corvo.

A

possibilidade tinha sido deixada no ar

no final do ano passado, aquando da

final da Taça de Portugal de Trail,

disputada na Ilha das Flores. Na

altura, o director do Azores Trail Run,

Mário Leal, que organizou o evento em parceria

com a Associação de Trail Running de Portugal,

confidenciou à RUNning a vontade de também ali

realizar uma prova por etapas, a exemplo do

Triangle Adventure, que acontece anualmente em

Outubro, nas ilhas do Pico, São Jorge e Faial.

“Queríamos trazer um trail no extremo mais

ocidental do arquipélago, a exemplo do que temos

feito noutras ilhas”, confessou o responsável por

provas como a Whalers Great Route Ultra-Trail, no

Faial, ou o Columbus Trail, em Santa Maria. A

promessa foi finalmente cumprida no mês passado,

com a realização do Extreme West Atlantic

Adventure, uma prova composta por três etapas,

distribuídas pelas ilhas das Flores e do Pico.

Foram cerca de 30 os participantes nesta edição

inaugural, que teve início com um Km Vertical,

de quase sete quilómetros de extensão, ligando a

freguesia da Fajã Grande, ao nível do mar, ao ponto

mais alto da ilha, o Morro Alto, a 914 metros de

altitude. A partida, faseada, deu para ir colocando

a conversa em dia, até porque a maioria já se

conhecia há muito – destes e de outros trilhos – e,

mesmo quem veio pela primeira vez, depressa se

sentiu também em casa. São assim os Açores e são

igualmente assim as provas do Azores Trail Run,

especialmente nestas primeiras edições, com um

número mais reduzido de participantes, nas quais o

nível de companheirismo e camaradagem se torna

contagiante.

Mas voltemos à primeira etapa, que tinha como

cenário um trilho conhecido localmente como

as Escadinhas do Céu, uma íngreme sucessão de

degraus, quase de imediato rebatizada de Escadinhas

do Inferno, muito embora a vista, quando se chega


47

São os Açores,

não há muito mais

a dizer

Davide Sousa

Nuno Bettencourt

lá acima seja bem mais parecida com a imagem

idealizada do paraíso. A segunda etapa, marcada para

o dia seguinte, era a que mais expectativa criava,

não só por se realizar na remota ilha do Corvo, mas

também porque o transporte até lá seria feito em

dois barcos semi-rígidos que, quase a voar sobre

o mar, deram um verdadeiro significado à palavra

Adventure, que faz parte do nome do evento. A etapa

do Corvo teve uma extensão de 19 km e ligou a vila

do Corvo ao Caldeirão da ilha, considerado uma das

crateras de vulcão mais bonitas dos Açores, como

todos tiveram oportunidade de comprovar. Aliás,

foram raros os que resistiram a tirar uma fotografia

quando aí chegaram, de olhos arregalados e sorriso

nos lábios, enquadrados pelo verde e azul vivo do

Caldeirão.

Sim, é lugar-comum dizer-se que neste tipo

de provas todos são vencedores, mas há sempre

quem sobressai dos demais e, neste dia, essa

distinção coube à Kika, uma pequena cadela que

acompanhou todo o pelotão desde a vila até ao

interior do Caldeirão. No final, completou o percurso

e fez questão de, também ela, cortar a meta, perante

os aplausos dos muitos corredores que já haviam

terminado. Com algumas horas de sobra até ao

regresso às Flores, houve bastante tempo para

explorar um pouco mais a ilha e houve até quem

aproveitasse para relaxar, com alguns mergulhos à

mistura, na praia da Areia, junto à aerogare, onde o

Sr. Manuel fez questão de dar boleia a um grupo de

atletas, demonstrando assim, na prática, que “a ilha

do Corvo sabe receber”.

Mas para o regresso, novamente de semi-rígido,

estava ainda reservada uma surpresa, que incluía um

passeio pela costa Norte das Flores, para apreciar as

imensas cascatas, algumas com centenas de metros,

que ali se precipitam sobre o mar. A derradeira etapa,

novamente nas Flores, replicava quase na totalidade

a final da Taça de Portugal, embora com uma ou

outra alteração que acabariam por tornar o trajecto

mais desafiante e menos monótono, devido ao menor

número de quilómetros percorridos em asfalto. E se

em Novembro foi a chuva e o vento a dificultar a

vida aos atletas, desta vez foi o calor e a humidade.

De uma forma ou de outra, a beleza selvagem desta

ilha vale bem cada segundo de sacrifício. “Quem

corre por gosto”, já diz o povo,” nunca se cansa” e os

sorrisos e até algumas lágrimas (mas de comoção),

com que todos cortaram a meta, aí estão para o

provar. São os Açores, não há muito mais a dizer.

Davide Sousa

A vez da

Graciosa

A exemplo da época

anterior, a Final da

Taça de Portugal volta

a ser disputada nos

Açores, desta vez na

ilha Graciosa, uma das

poucas do Arquipélago

que ainda não tinha

recebido nenhuma

prova do Azores Trail

Run. O Windmills Trail

será disputado a 23 de

Novembro e, tal como no

ano passado, em paralelo

com a competição oficial,

haverá também uma

prova aberta para atletas

não qualificados para a

final.


48 trail lá fora

Whalers’ Great Route Ultra Trail

No circuito

principal do

Ultra Trail

World Tour

CArlalaureano

mirocerqueira

Em 2018 a Whalers’ Great Route Ultra Trail, prova organizada pelo Azores Trail Run, que se

disputa na ilha do Faial (Açores), integrou o circuito do Ultra-Trail World Tour na categoria

“Discovery Race”. Dois anos depois, a prova passa a fazer parte do calendário principal deste

circuito internacional.

Foram duas as edições do Whalers’ Great

Route Ultra Trail, de 118 km, enquanto

“Discovery Race”, o que, para Mário

Leal, director do Azores Trail Run, foi

uma forma de a prova entrar “na

antecâmara do Ultra Trail World Tour (UTWT)”.

“Sempre foi nossa ambição integrar efectivamente

o circuito, porque pensamos que é uma excelente

promoção internacional não apenas para a nossa

prova, mas para o arquipélago dos Açores

enquanto destino ideal para a prática do trail”,

explica Mário Leal.

Essa ambição torna-se realidade em 2020, com

a prova a fazer parte do calendário principal do

circuito internacional, juntando-se ao Madeira

Island Ultra Trail. Para fazer parte do UTWT é

necessário cumprir vários critérios, como ser “uma

corrida de ultra-endurance (distância mínima

de 100 km); ser uma corrida “popular”, aberta

a todos os atletas, sem distinções em termos de

rankings, género ou nacionalidade; ter pelo menos

20 nacionalidades representadas, entre outros”,

enumera o director do Azores Trail Run. Além

disso, acrescenta, foi também “necessário aderir

à política de saúde do UTWT, através do Quartz

Program. Trata-se de um programa desenvolvido

pela International Trail Running Association

(ITRA) em colaboração com a associação Athletes

for Transparency (que lhe dá suporte legal,

científico e técnico) e com a Ultra Sport Science.

Este programa exige algumas medidas que visam,

essencialmente, zelar pela saúde e integridade

física dos atletas”.

Os organizadores tiveram ainda de “trabalhar

na imagem internacional da prova, com grandes

níveis de exigência em áreas como a produção dos

vídeos promocionais, os sistemas de controlo de

tempos e o acompanhamento dos atletas”, conclui

Mário Leal. Enquanto director da prova, assume

que este é um “reconhecimento da qualidade do


49

OMAN by UTMB

Montanhas Al Hajar, Omã 28 a 30 de Novembro omanbyutmb.com

Cortesia da organização

Para aqueles que procuram uma aventura no Médio Oriente, este trail na

paisagem remota de Omã é uma das hipóteses. A organização do Ultra

Trail du Mont-Blanc (UTMB) realizou pela primeira vez esta prova em 2018

e, nesta que será a 3.ª edição, as inscrições para a distância mais longa, de

170 km, foram as primeiras a esgotar. Os que alinharem nesta aventura vão

fazer os 130 km até Jebel Al Akhdar, antes de percorrerem os trilhos à volta

de Jebel Shams, onde vão subir a uma altitude de 3000 metros. Os atletas

que chegarem à base de vida Col Trail Split dentro do limite de tempo

serão avaliados para decidir a continuidade ou não na prova. Aqueles que

completarem os 130 ou 170 km têm entrada garantida no UTMB de 2020.

Trail Des Balcons d’Azur

evento por parte de uma organização internacional

tão importante como o UTWT”. “É com muito

orgulho e satisfação que vejo que o trabalho que

tem vindo a ser desenvolvido pela minha equipa

levou o nome da nossa prova e dos Açores a este

nível insuperável”, confessa.

Em 2020, a Whalers’ Great Route, que se

disputa entre 8 e 10 de Maio, deixa então de ser

Discovery Race e passa a ser Challenger/UTWT

500. “No próximo ano os eventos UTWT estarão

organizados em quatro categorias e a nossa

(Challenger/UTWT 500) permitirá à prova ter

mais visibilidade nas plataformas de marketing

e media da UTWT. Assim sendo, queremos

montar um evento com a qualidade a que já temos

habituado os nossos atletas, para tirar o máximo

partido destas vantagens”, garante Mário Leal.

Apesar da maior visibilidade, as inscrições

“são limitadas, devido às preocupações de

âmbito ambiental” da organização. “Estamos

focados em preservar os trilhos e garantir uma

experiência pura e única aos atletas, pelo que são

esperados cerca de 250 atletas na prova principal,

prevendo-se que se juntem mais nacionalidades

às 30 representadas na edição de 2019”, esclarece

o organizador. Mais informações e inscrições em

www.azorestrailrun.com

Mandelieu la Napoule, França 11 e 12 de Abril traildazur.com

Situada a 10 minutos de Cannes, no coração do Maciço de Estérel, a vila

de Mandelieu la Napoule volta a ser palco do Trail Des Balcons d’Azur, com

distâncias de 79 (UTBA), 47 (TBA) e 25 km (P’tit TBA), com um desnível

positivo de 3500, 2200 e 1000 metros, respectivamente. Há ainda o “Défi

Des Balcons d’Azur”, que consiste em fazer o P’tit TBA e o UTBA, em dois

dias consecutivos. As inscrições abriram em Outubro e prolongam-se até

28 de Março. De salientar ainda que aqueles que terminarem dentro dos

limites horários estabelecidos obtêm pontos qualificativos para o UTMB.

Ehunmilak

Beasain, Espanha 10 a 12 de Julho ehunmilak.com

Em 2019 a prova espanhola celebrou a sua 10.ª edição, batendo o recorde no

número de participantes, que foram 1195, e de voluntários, que chegaram

aos 1600. A próxima edição ainda está longe, só se realiza em Julho do

próximo ano, mas as inscrições abrem dia 7 de Novembro, no site “Rock the

sport”. Quanto às distâncias são três: a ehunmilak Ultra-Trail®, com 168 km e

11 000 metros de desnível positivo; a g2haundiak Goierri Trail, com 88 km e

6000 metros de desnível positivo; e a Marimurumendi Marathon, com 42,195

km e 2300 metros de desnível positivo. Fique atento e garanta já o seu lugar!

Cortesia da organização


50 agenda

estrada

Dia Corrida Distância (km) Onde Dia Corrida Distância (km) Onde

novembro

1 Corrida do Sporting 10 Lisboa

3

Corrida e Caminhada Solidária de

Agradecimento ao Dador

10/5 Lisboa

3 Maratona do Porto 42,195/15 Porto

9

Corrida Solidária

Marriott Internacional Portugal

10

Penha Longa

Resort, Sintra

9 Fell Star Race 10/5 Vila Nova de Gaia

10 Meia Maratona Internacional da Nazaré 21/10 Nazaré

10 Corrida das Castanhas Generali 10/4 Lisboa

17 Corre Jamor 10 Jamor, Oeiras

17 Europarque Bio Run 10/5

Europarque, Santa

Maria da Feira

17 Corrida D. Dinis - Edição Hollywood 10 Lisboa

17 Corrida da Pantera 10/5

Estádio do Bessa,

Porto

17 Corrida da Água 10/4 Lisboa

17 Trail D'El Rei 22/12 Mafra

24 Meia Maratona Running Wonders Évora 21,097/6 Évora

24 Grande Prémio da Arrábida 12,5 Setúbal

24 Meia Maratona de Famalicão 21,097/5 Famalicão

Dezembro

1 São Silvestre de Corroios 10 Corroios

1 Gerês Extreme Marathon

42/42/21/13/

/estafeta

Gerês, Terras do

Bouro

7 São Silvestre de Aveiro 10 Aveiro

8 Meia Maratona dos Descobrimentos 21,097/10 Lisboa

8 Meia Maratona Running Wonders 21/10/5 Portimão

8 Volta a Paranhos 10 Paranhos, Porto

14 São Silvestre de Coimbra 10 Coimbra

21 São Silvestres de Ovar 10 Ovar

21 São Silvestre de Vila do Conde 10 Vila do Conde

21 São Silvestre Baía do Seixal 10 Seixal

22 São Silvestre Cidade de Braga 10/5 Braga

28 São Silvestre de Lisboa 10 Lisboa

28 São Silvestre de Ponte da Barca 19/4 Ponte da Barca

29 São Silvestre dos Olivais 10 Lisboa

29 São Silvestre Cidade do Porto 10/5 Porto

31 São Silvestre da Amadora 10 Amadora

trail

Dia Corrida Distância (km) Onde Dia Corrida Distância (km) Onde

novembro

2 Cross Trail Viver Almonda 20/10

Ribeira Ruiva,

Torres Novas

2 Azores Challenge Trail 42/24 São Miguel, Açores

3 Trail Torres Vedras 20/12 Torres Vedras

3 Alverca Skyrace 22/15/9 Alverca

3 Ultra Trail Serra de Grândola 50/25/15 Grândola, Setúbal

3 Figueiró Trail 27/17

Figueiró dos

Vinhos, Leiria

3 Trail Senhora do Salto 25/15/10 Recarei, Paredes

3 Trail do Galo 22/14/8 Barcelos

3 Trail Olhar Encantador 28/18/9

Padreiro, Santa

Catarina, Arcos de

Valdevez

9 Canitrail Terras do Lidador 7 Maia

9 Trilhos do Borel 36/25/13 Manteigas

10 Trail Terras do Lidador by Day 20/12 Maia

10 Trail Subida à Serra de São Macário 31/20/10 São Pedro do Sul

10 Trail Rota dos Vidoeiros 18/10 Leiria

10 Penacova Trail do Centro 42/27/17/10 Penacova

10 Vida Trail 45/25/15 Ourém

10 Almada Trail 25/10 Almada

10 Trail Tongobriga 22/15/8 Marco de Canaveses

10 Quadrassal Trail Running 26/15/9 Cedães, Mirandela

10 Trail Boneca D'ouro 24/14 Sebolido, Penafiel

10 Trail Vila de São Torcato 24

São Torcato,

Guimarães

17 Trilhos D. Pedro e Dona Inês 16/10 Lourinhã

17 Trail do Rio Paiva 25/17 Cinfães

17 Trail do Gavião 25/13/8 Gavião

17 Trail Amigos da Montanha

100/69/32/

/22/15/10

Barcelos

17 Trail D'El Rei 22/12 Mafra

17 Ultra Trail Serra D'Ossa 50/28/10 Estremoz

23 Pisão Extreme 33/23/15 São Pedro do Sul

23 Sintra Trail Monte da Lua 10 Sintra

23 Trail do Chícharo da Serra 25/15

23 Grande Trail das Lavadeiras 45/28/15/13

Santa Catarina da

Serra, Leiria

Granja do Ulmeiro,

Alfarelos

24 Trail do Míscaro 30/15/8 Aguiar da Beira

24 Trail Pé do Negro 18/10 Ponte de Lima

24 Trail Quinta das Arcas 23/12 Sobrado, Valongo

24 Trail Este Românico 20/12 Vila do Conde

24 Mamôa River Trail 25/15/10 Milheirós de Poiares

24 Amares Trail 25/15 Amares, Braga

27 Algarviana Ultra Trail 300 Alcoutim-Sagres

dezembro

1 Hard Trail Montejunto Inverno 2019 26/16

1 Trail Encostas do Mondego 25/15/8

Serra de

Montejunto

Vila Verde,

Figueria da Foz

5 Epic Trail Run Azores 110/60/30/15 São Miguel, Açores

7 Trail Noturno de Valongo 21/12/8 Valongo

8 Trail de São Silvestre 28/19/13

Cardielos, Viana

do Castelo

8 Trail Elvas Património Mundial 20/12 Elvas

8 Alcanena Trail - Serras D'Aire de Candeeiros 25,5/14,5 Minde

8 Ultra Trail Serra do Alvão 55/32/15 Vila Real

15 Desafio Picos do Açor 38/18/10 Arganil

22 Alenquer Xmas Trail 14/5 Alenquer

22 Amarante Xmas Trail 28/18/12 Amarante

ORIGINAL Miro Cerqueira


SUPERCROSS

RUN WITH AGILITY

IN TOUGH CONDITIONS

*Corre com agilidade nas condições mais duras

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