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Revista eMOBILIDADE+ #04

A revista eMobilidade + Dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

A revista eMobilidade + Dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

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+<br />

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/<br />

N.º 4<br />

setembro/outubro | 2023<br />

Bimestral | Continente<br />

Diretora: Cátia Mogo<br />

t<br />

OPINIÃO<br />

QUE TRANSPORTES<br />

PÚBLICOS<br />

QUEREMOS?<br />

POR QUE FALTAM<br />

MOTORISTAS<br />

DE PESADOS?<br />

O problema é global, não<br />

é de fácil resolução e terá<br />

que envolver inúmeras<br />

entidades<br />

INTERMODALIDADE<br />

COMBINAR<br />

LINHAS<br />

FÉRREAS E<br />

MARÍTIMAS<br />

METAVERSO<br />

Como a Realidade<br />

Aumentada tem ganho<br />

preponderância<br />

no contexto<br />

da cadeia logística<br />

t<br />

IAA Mobility<br />

Munique foi a capital da mobilidade,<br />

menos virada para o automóvel<br />

como o conhecíamos. A combustão<br />

interna tem morte anunciada e<br />

a China assume-se como o novo<br />

grande jogador da eletrificação.<br />

alterações climáticas<br />

Nunca foi tão urgente a redução<br />

drástica da emissão de gases com<br />

efeito de estufa, que só pode ser<br />

conseguida de forma consistente<br />

através da eliminação do consumo<br />

de combustíveis fósseis.<br />

FORD E-TRUCK<br />

O pesado elétrico da Ford, o<br />

E-Truck, já está em Portugal,<br />

inicia a produção em série no<br />

próximo ano e é uma aposta<br />

para os pequenos circuitos<br />

urbanos.


<strong>Revista</strong> nº4 | setembro/outubro 2023<br />

EDIÇÃO BIMESTRAL<br />

Email: emobilidademais@invesporte.pt<br />

DIRETORA<br />

Cátia Mogo<br />

EDITOR<br />

Eduardo de Carvalho<br />

REDAÇÃO<br />

Ana Filipe<br />

Márcia Dores<br />

Carlos Branco<br />

CARLOS BRANCO<br />

EDITORIAL<br />

Deixou de se dar tanto ênfase ao produto automóvel, que em si<br />

encerra tantas emoções, a começar pela paixão, passando por<br />

uma grande indústria e pelo famigerado PIB, para se explorar,<br />

cada vez mais, o que também ele, em si, e na génese, nos proporciona<br />

- Mobilidade. Vem isto a propósito de se constatar que<br />

esta já substitui aquele no nome de grandes exposições, como a de Munique,<br />

que visitámos. Chegou a hora de se olhar menos para tal produto de desejo, e<br />

de nos determos mais tempo com o fito em bicicletas, motociclos e microcarros,<br />

elétricos, de imaginarmos a liberdade e prazer que nos podem proporcionar,<br />

de como nos saem mais económicos e, por fim, ainda que a causa primeira,<br />

como a sustentabilidade e a transição energética estão a operar milagres<br />

em setores que eram tidos como imutáveis, para quem os lucros cresciam na<br />

mesma medida em que aumentavam as emissões de carbono. Travadas, enfim,<br />

por regulamentos sobre regulamentos que estão a provocar crises de fúria em<br />

muitos Conselhos de Administração.<br />

É seguro que o carro nunca deixará de existir, e que continuará nobre e objeto<br />

de desejo quanto mais firmes forem as novas tecnologias que lhe conferem<br />

locomoção e menores sejam as emissões que todos prejudicam. Só que dantes<br />

não o sabíamos, ou não o queríamos saber. Porém, agora é impensável fazer<br />

ouvidos de mercador.<br />

Nesta edição, Orlando Ferreira esmiuça o processo de contratualização do<br />

Serviço Público de Transporte de Passageiros, o seu estado de “andamento”<br />

e o tipo de serviço e o transporte que pretendemos, nos novos tempos que<br />

se pensam para a mobilidade urbana, e a própria intermobilidade, e no que<br />

esta beneficia a cadeia logística nacional. Seguramente, uma edição cheia de<br />

motivos de interesse. Boas leituras! +<br />

DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO<br />

E MARKETING<br />

Nuno Francisco<br />

PUBLICIDADE<br />

José Afra Rosa<br />

Margarida Nascimento<br />

Rui Garrett<br />

ASSINATURAS<br />

Fernanda Teixeira<br />

COLABORADORES<br />

António Macedo; Filipe Carvalho<br />

e Frederico Gomes<br />

DESIGN GRÁFICO / PAGINAÇÃO<br />

Rogério Grilho<br />

IMAGENS<br />

Pixabay.com | Freepik.com | Canvas<br />

EDITORA INVESPORTE,<br />

EDITORA DE PUBLICAÇÕES<br />

Edição, Redação e Administração<br />

R. António Albino Machado, 35G<br />

1600-259 Lisboa<br />

Telefone: 215914293<br />

Email: eurotransporte@invesporte.pt<br />

Site: www.eurotransporte.pt<br />

PROPRIEDADE<br />

Eduardo de Carvalho<br />

Registo ERC: Nº 127896<br />

ESTATUTO EDITORIAL:<br />

https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/<br />

estatuto-editorial-e-lei-da-transparencia/<br />

www.emobilidademais.pt<br />

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/


REVISTA Nº 4<br />

SETEMBRO/OUTUBRO 2023<br />

24<br />

ECONOMIA<br />

CIRCULAR<br />

10 A INTERMODALIDADE<br />

EM PORTUGAL<br />

Vítor Caldeirinha descreve-nos como a<br />

combinação dos transportes ferroviário<br />

e marítimo podem fazer reduzir os<br />

custos de frete, minimizar os tempos<br />

de trânsito e diminuir a pegada de<br />

carbono associada ao transporte.<br />

18 O SERVIÇO PÚBLICO DE<br />

TRANSPORTE DE PASSAGEIROS<br />

Aqui se realça a importância de se saber<br />

a que serviço público de transportes<br />

temos direito. O Regulamento impôs<br />

a contratualização das operações<br />

de serviço público de transporte de<br />

passageiros de modo a garantir serviços<br />

de transporte mais numerosos, mais<br />

seguros, de melhor qualidade e mais<br />

baratos, escreve Orlando Ferreira.<br />

34 OPORTUNIDADES<br />

DE NEGÓCIO<br />

A transição para a mobilidade<br />

elétrica significa que alguns serviços<br />

tradicionais, como as reparações<br />

de motores e as mudanças de óleo,<br />

se tornarão obsoletos. Que podem<br />

fazer as oficinas e os concessionários?<br />

Christoph Emi, fundador e diretor<br />

executivo da Juice Technology explica.<br />

48 MG4 - ELÉTRICO<br />

É urbano e compacto, mas é bem<br />

capaz de ser visto nos espaços amplos;<br />

por fora tem traços futuristas, no<br />

interior é algo minimalista. Inteligente<br />

e tecnologicamente avançado, tem<br />

um ar jovem e irrequieto. E é elétrico,<br />

cheio de estilo. É o regresso da MG.<br />

24 MOBILIDADE COLABORATIVA<br />

O desenvolvimento económico e<br />

o aumento do turismo contribuem<br />

para um cenário complexo e põem à<br />

prova o ecossistema de mobilidade,<br />

muitas vezes incapaz de responder à<br />

crescente utilização e afluência, resume<br />

Gustavo Magalhães, Senior Innovation<br />

Consultant da Beta-i<br />

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GRATUITA Nº.3<br />

4 e-MOBILIDADE<br />

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Via Rápida<br />

Camiões DAF de nova geração prontos para 100% HVO<br />

Além da introdução de uma série completa de camiões totalmente elétricos e do<br />

desenvolvimento da tecnologia de hidrogénio, a DAF está preparando os seus<br />

motores a combustão para novos tipos de combustível para reduzir ainda mais as<br />

emissões de CO 2<br />

. HVO – Hydrotreated Vegetable Oil – é um biocombustível de última<br />

geração quae permite uma redução nas emissões de CO 2<br />

de até 90% e pode<br />

perfeitamente ser utilizado em todos os camiões DAF de nova geração.<br />

O Óleo Vegetal Hidrotratado (HVO) é feito a partir de resíduos e gorduras da<br />

indústria alimentar. Atualmente, é o combustível mais sustentável do mercado<br />

para camiões a diesel e oferece uma redução de até 90% nas emissões de CO 2<br />

em comparação com o diesel comum. Ao contrário das gerações anteriores de<br />

biocombustíveis, o HVO não tem impacto na produção de alimentos. Além dos benefícios<br />

ambientais, outra vantagem importante é que o HVO pode ser usado em<br />

camiões DAF sem nenhum ajuste nos veículos, mantendo o excelente desempenho<br />

motores, bem como os intervalos de manutenção de até 200 mil quilómetros<br />

para transporte de longa distância.<br />

Kia EV9 100% elétrico já tem preços<br />

para o mercado português<br />

A Astara, representante da Kia em Portugal, acaba de<br />

anunciar os preços do novo SUV 100% elétrico EV9 para<br />

o mercado português. O novo modelo topo de gama da<br />

marca, com três filas de bancos, estará disponível em duas<br />

versões – 1st Edition e GT-LINE – com preços a partir de,<br />

respetivamente €79.052 e €90.956, para o segmento de<br />

clientes particulares. Para o mercado empresarial, os valores<br />

de comercialização iniciam-se em €60.990 e €67.990,<br />

acrescidos de IVA. As duas versões distinguem-se pela<br />

motorização e por alguns elementos de equipamento<br />

adicionais incorporados de série na variante GT-LINE. A<br />

versão 1st Edition está equipada com um motor com 204<br />

cv de potência e 350 Nm de binário máximo, enquanto a<br />

GT-LINE (AWD) possui dois motores, um no eixo da frente<br />

outro no eixo de trás, que juntos perfazem 385 cv e 700<br />

Nm de binário. O novo EV9 é o primeiro SUV topo de<br />

gama da Kia e está disponível com sete lugares, destacando-se<br />

pelo espaço disponível, design disruptivo, robustez,<br />

sofisticação e liderança tecnológica.<br />

Quase metade dos alunos em idade<br />

escolar vão de carro para a escola<br />

Dos 1,4 milhões de crianças em idade pré-escolar e escolar, entre<br />

os 5 e os 19 anos, quase metade vai de carro para a escola,<br />

sendo que apenas 29% daquelas utiliza transportes públicos no<br />

percurso entre a residência e o estabelecimento de ensino. Os<br />

dados são revelados pela Plataforma da Mobilidade Escolar,<br />

constituída pela Transportes, Inovação e Sistemas (TIS), em<br />

parceria com a DNXT, base que tem uma missão bem definida:<br />

garantir que, até 2030, todos os alunos com mais de dez anos<br />

sejam autónomos e possam escolher modos sustentáveis na<br />

sua deslocação casa-escola. Descrevem os promotores da<br />

plataforma que é percetível, “de há uns anos para cá, que a<br />

mobilidade das crianças e jovens está cada vez mais dependente<br />

dos pais (ou outros encarregados de educação) e do carro.<br />

Tal dependência do automóvel cria desafios significativos à<br />

gestão das cidades e vilas, sobretudo num contexto em que é<br />

imperioso promover uma maior sustentabilidade dos transportes<br />

e a sua descarbonização, justifica também aquela plataforma,<br />

para quem a sua missão é “ajudar todas as autarquias a ter a<br />

informação e os instrumentos necessários à implementação de<br />

uma estratégia de mobilidade escolar que promova uma maior<br />

sustentabilidade, de forma autónoma e independente.”<br />

6 e-MOBILIDADE


DPD e Nespresso alargam serviço<br />

de entregas verdes<br />

O compromisso da Nespresso com a sustentabilidade fez a marca reforçar<br />

a sua parceria com a DPD Portugal e apostar no alargamento das entregas<br />

sustentáveis com viaturas elétricas. Além do aumento da aposta nas<br />

entregas verdes, a Nespresso vai ainda ampliar o serviço de entregas dos<br />

seus produtos à rede de entregas Pickup da DPD, que conta hoje com<br />

mais de 1100 lojas e 200 cacifos inteligentes (lockers).<br />

Tendo já conquistado a neutralidade carbónica na atividade comercial, a<br />

Nespresso pretende ser neutra nas emissões que ocorrem na sua cadeia<br />

de abastecimento e no ciclo de vida do produto. A extensão da estratégia<br />

de entregas verdes representa o compromisso da marca com uma operação<br />

cada vez mais sustentável. Paralelamente, o investimento da Nespresso<br />

na reciclagem materializa-se na disponibilização mais de 250 pontos de<br />

reciclagem em Portugal para que os portugueses sejam também inspirados<br />

a criar um movimento mais positivo com as suas cápsulas. As cápsulas<br />

usadas Nespresso podem ainda ser entregues aos colaboradores da DPD<br />

para integrarem o processo de reciclagem, sendo o alumínio inserido na<br />

produção de carros, caixilharia de janelas, bicicletas.<br />

Volkswagen testa condução autónoma<br />

com passageiros em Munique<br />

O desenvolvimento de veículos autónomos para utilização<br />

em serviços de mobilidade e transporte está a fazer grandes<br />

progressos na Volkswagen Veículos Comerciais. No caminho<br />

para a produção em série, o Volkswagen ID. Buzz AD<br />

(Autonomous Driving), de condução autónoma, vai circular<br />

pela primeira vez na estrada durante as próximas semanas,<br />

em Munique, transportando decisores políticos, autoridades<br />

públicas e empresas, bem como representantes dos meios<br />

de comunicação social, para que possam ficar a conhecer as<br />

capacidades de controlo do veículo. O programa de testes<br />

da Volkswagen também foi lançado em paralelo em Austin,<br />

Texas, EUA. O processo de desenvolvimento do veículo AD<br />

visa a sua utilização comercial em centros urbanos na Europa<br />

e na América do Norte, tanto para programas de partilha de<br />

boleias como para serviços de transporte.<br />

Novo recorde de carregamentos na rede Mobi.E em agosto<br />

No mês de agosto, foram registados 406.728 carregamentos na rede Mobi-E, o que representa uma<br />

subida de 73% face ao mês homólogo de 2022. Também ao nível dos consumos de energia, a rede<br />

ultrapassou os recordes anteriores, tendo-se atingido os 6.932.261 kWh, um aumento de 91% em comparação<br />

com o mesmo período homólogo. O contínuo crescimento da rede é um dos principais fatores<br />

que contribui para estes números, uma vez que tem acompanhado o incremento do parque de viaturas<br />

elétricas. No final de agosto integravam a rede Mobi.E um total de 5.043 postos (3.827 públicos), o que<br />

corresponde a 8.204 pontos de carregamento. Outro dado relevante é a potência da rede, atualmente<br />

superior a 211.820 kW, 12% superior ao objetivo proposto no regulamento europeu “Alternative Fuel<br />

Infrastructure” Regulation” (AFIR). No final de agosto, 1.379 postos de carregamento eram rápidos ou<br />

ultrarrápidos, o que representa mais de um terço (37%) do total. Desde 1 de janeiro utilizaram a rede<br />

nacional de carregamento mais de 133 mi condutores, uma subida de 61% face a 2022. Em média, nos<br />

oito primeiros meses do ano, cada utilizador efetuou 20 carregamentos na rede Mobi.E.<br />

IVECO produz baterias e pilha de combustível de marca própria<br />

A IVECO anunciou que irá produzir e comercializar os seus veículos pesados (HD = Heavy Duty)<br />

elétricos a bateria e a pilha de combustível sob a marca IVECO. Esta decisão surge na sequência<br />

da comunicação do Grupo Iveco, em junho passado, da aquisição da totalidade da empresa alemã<br />

resultante da antiga joint venture Nikola Iveco Europe, passando a ser proprietária exclusiva<br />

da mesma. Os veículos IVECO HD BEV (Veículo Elétrico a Bateria) e IVECO HD FCEV (Veículo<br />

Elétrico a Célula Combustível) contam com um eixo elétrico desenvolvido e produzido juntamente<br />

com a FPT Industrial, marca do Iveco Group especializada em grupos propulsores, e dispõem<br />

de baterias fornecidas pela Proterra e tecnologia de células de combustível e componentes-chave<br />

da Bosch. Estes veículos elétricos desenvolvidos de raiz baseiam-se na plataforma do camião<br />

IVECO S-Way, a qual foi especificamente redesenhada de modo a poder suportar ambas as<br />

tecnologias de propulsão (célula de combustível e bateria), graças a uma arquitetura modular.<br />

e-MOBILIDADE 7


Via Rápida<br />

Toyota Hilux elétrica a pilha<br />

de combustível a hidrogénio<br />

A sua estreia é mais uma demonstração do âmbito alargado<br />

da estratégia multi-tecnológica da Toyota para alcançar uma<br />

mobilidade livre de carbono, aplicando diferentes soluções,<br />

desde veículos eletrificados com a tecnologia híbrida,<br />

eletrificados com a tecnologia híbrida plug-in, elétricos a<br />

bateria e elétricos a pilha de combustível – para responder<br />

às diferentes necessidades dos utilizadores, ambientes e<br />

necessidades de mobilidade em todo o mundo. A inovadora<br />

pick-up foi revelada na fábrica de veículos da Toyota Manufacturing<br />

UK em Derby, Inglaterra, onde foi desenvolvida<br />

num projeto conjunto com parceiros de consórcio, apoiado<br />

por financiamento do Governo do Reino Unido. A Hilux é um<br />

ícone global da marca Toyota com uma grande reputação em<br />

termos de fiabilidade e durabilidade excecionais. O projeto<br />

de desenvolvimento procurou que essas qualidades possam<br />

ser mantidas ao adotar uma nova motorização elétrica com<br />

pilha de combustível a hidrogénio e zero emissões.<br />

Crossway LE Elec da IVECO BUS é<br />

o “Autocarro Sustentável do Ano 2024”<br />

Depois de ter vencido os idênticos galardões nos anos de 2018, 2020 e<br />

2023 na categoria ‘Intercidades’, a IVECO BUS continua o seu sucesso<br />

na mesma categoria com o seu novo Crossway Low Entry ELEC, agora<br />

consagrado “Autocarro Sustentável do Ano 2024” durante a realização<br />

do Busworld, em Bruxelas. O júri da iniciativa, composto por jornalistas<br />

representantes de oito países europeus - Alemanha, Eslovénia, Espanha,<br />

Finlândia, França, Itália, Reino Unido e Roménia - prestou especial atenção<br />

aos princípios transversais do desenvolvimento sustentável, incluindo a<br />

capacidade de estabelecer uma imagem positiva do veículo junto do<br />

grande público. São tidos em conta diferentes aspetos, como a segurança,<br />

o conforto, o nível de ruído, a<br />

capacidade de reciclagem dos<br />

componentes e os compromissos<br />

ambientais do construtor.<br />

O júri salientou igualmente<br />

as inúmeras soluções de<br />

desenvolvimento possíveis para<br />

o transporte interurbano. O<br />

Crossway LE Elec está equipado<br />

com um motor elétrico central<br />

de 310 kW. É alimentado por<br />

uma bateria de lítio NMC<br />

montada pela FPT Industrial.<br />

Este conceito de bateria modular de última geração oferece excelentes<br />

padrões em termos de densidade energética e capacidade de carga. Os<br />

packs de 5, 6 ou 7 baterias, distribuídos no tejadilho e no compartimento<br />

traseiro, oferecem respetivamente 346, 416 e 485 kWh para a versão Classe<br />

I e 416 e 485 kWh para a versão Classe II. O veículo oferece um elevado<br />

desempenho com uma autonomia de cerca de 400 km, suficiente para<br />

cumprir integralmente as missões que ultrapassam o coração da cidade,<br />

sem emissões locais.<br />

Irizar mostra autocarro a hidrogénio na Busworld<br />

O Grupo Irizar estará presente na Feira Internacional Busworld, em Ormaiztegi, no País<br />

Basco, com a sua gama multitecnológica de autocarros e uma aposta firme pela mobilidade<br />

sustentável do futuro. O Grupo transportador espanhol Irizar apresentará a sua nova gama<br />

Efficient de veículos sustentáveis e muitas outras novidades tecnológicas, que serão vitais<br />

para o futuro da mobilidade e para a descarbonização. No stand número 602 do Hall 6, de<br />

1710 m2, Irizar e Irizar e-mobility apresentarão quatro veículos Irizar de última geração: uma<br />

unidade Irizar i8; uma unidade Irizar i6S Efficient; uma unidade do veículo elétrico Irizar ie<br />

tram e o novo Irizar i6S Efficient a hidrogénio. Todos os veículos expostos incluem importantes<br />

inovações em relação aos modelos atuais, em matéria de tecnologia, sustentabilidade<br />

e redução de consumos. A feira Busworld é também o cenário escolhido para a apresentação<br />

destacada do veículo a hidrogénio, que terá lugar no dia 7 de outubro, às 11h30 horas.<br />

Esta feira converte-se assim no marco ideal para a Irizar apresentar a sua estratégia de<br />

futuro e o seu roadmap tecnológico, que inclui a gama Efficient de veículos multitecnologia<br />

Irizar. O stand contará também com um espaço dedicado exclusivamente à sustentabilidade<br />

e ao compromisso da empresa por um mundo melhor, e à gama completa de produtos Izir,<br />

a marca de economia circular da Irizar, composta por produtos criados a partir de materiais<br />

excedentários de produção própria.<br />

Mercedes-Benz eActros 600<br />

já foi apresentado<br />

O novo Mercedes-Benz eActros600, o primeiro<br />

camião elétrico da marca para transportes de longo<br />

curso, foi apresentado à imprensa internacional no<br />

dia 10 de outubro, em Hamburgo. Karin Radstrom,<br />

CEO da Mercedes-Benz Trucks fez as honras da<br />

revelação do modelo, afirmando-se orgulhosa com<br />

o trabalho realizado, em prol da sustentabilidade<br />

e para um melhor ambiente. O veículo, que se<br />

caracteriza por um design arrojado e por um novo<br />

padrão aerodinâmico, tem motor elétrico de 600<br />

kW de capacidade e está equipado com três packs<br />

de baterias, cada um com 207 kWh. A autonomia<br />

anunciada é de 500 km com uma única carga, que<br />

a marca diz ser igual ou superior à média diária percorrida<br />

pelos camiões de longo curso em território<br />

europeu numa jornada de trabalho. O início das<br />

vendas começa ainda este ano, mas a produção em<br />

série está anunciada apenas para o final de 2024.<br />

8 e-MOBILIDADE


Já se pode viajar na Metro Transportes do Sul com o MB WAY<br />

O MB WAY juntou-se à Metro Transportes do Sul para facilitar a aquisição do título de transporte,<br />

colocando fim à necessidade de adquirir antecipadamente um título de transporte<br />

físico, dispensando também o custo dos suportes em papel, e passando a usufruir de um<br />

método mais económico de viajar. A Metro Transportes do Sul é um metropolitano de superfície,<br />

elétrico, que circula na cidade de Almada, nas vias urbanas do Monte da Caparica e faz<br />

a ligação com Corroios. Em todas as paragens do Metro Sul do Tejo terá disponível um QR<br />

Code Express correspondente às viagens existentes para que seja possível adquirir o bilhete<br />

apenas com o telemóvel, diretamente na paragem, abrindo a funcionalidade “Pagar com MB<br />

WAY” e apontando para o QR CODE. Pode ser adicionado o NIF e e-mail para fatura. Basta,<br />

depois, autorizar a compra. Para comprovar o pagamento bastará mostrar o ecrã com o registo<br />

de atividade ao aceder ao menu “Atividade” da app MB WAY.<br />

Porto de Leixões com 60 milhões<br />

para melhorar acessibilidades marítimas<br />

O Banco Europeu de Investimento (BEI) assinou um contrato de empréstimo<br />

de 60 milhões de euros com a APDL – Administração dos Portos do<br />

Douro, Leixões e Viana Do Castelo, S.A. para financiar o desenvolvimento<br />

da acessibilidade marítima ao porto de Leixões, através do aprofundamento<br />

da canal de acesso e ampliação do quebra-mar existente. Este<br />

projeto contribuirá para o transporte eficiente de pessoas e mercadorias,<br />

garantirá o acesso a empregos e serviços e permitirá o comércio e o<br />

crescimento económico, de acordo com a Rede Transeuropeia de Transportes<br />

da UE (RTE-T). O custo total do projeto rondará os 190 milhões<br />

de euros, sendo o empréstimo do BEI garantido pelo Estado português.<br />

A cerimónia de assinatura teve lugar no dia 11 de setembro, no Porto de<br />

Leixões, na presença do ministro das Infraestruturas, João Galamba, com<br />

a participação do vice-presidente do BEI, Ricardo Mourinho Félix e do<br />

presidente da APDL, João Pedro Neves, que sublinharam a importância<br />

deste investimento para financiar a modernização e expansão do mais<br />

importante porto do noroeste da Península Ibérica, em termos de carga e<br />

contentores.<br />

One liga a Europa à América do Sul<br />

A Ocean Network Express (ONE) anuncia o início do<br />

novo serviço Latin-East-Coast Europe Express (LUX),<br />

que ligará a Europa e o Mediterrâneo à Costa Leste<br />

da América do Sul, oferecendo aos clientes da ONE,<br />

uma maior cobertura, conetividade e flexibilidade.<br />

O LUX representa o primeiro serviço dedicado da<br />

ONE a ligar a Europa e o Mediterrâneo à Costa Leste<br />

da América do Sul. O serviço foi concebido para<br />

proporcionar um tempo de trânsito competitivo no<br />

sentido norte da Costa Leste da América do Sul para<br />

o Mediterrâneo e a Europa, oferecendo aos clientes<br />

uma alternativa competitiva aos produtos existentes<br />

no mercado, especialmente para carga refrigerada.<br />

É também o único serviço no mercado que faz uma<br />

escala direta de Lisboa para a Costa Leste da América<br />

do Sul, oferecendo aos clientes a oportunidade de<br />

embarcar a partir destes pares de portos únicos.<br />

Descoberta arqueológica atrasa obra do “metrobus” no Porto<br />

A descoberta de vestígios arqueológicos na Avenida Marechal Gomes da Costa, no<br />

Porto, vai atrasar a obra da linha de ‘metrobus’, estimando a Metro do Porto condicionamentos<br />

de trânsito naquela artéria até outubro. Numa carta enviada a 13 de setembro aos<br />

moradores, a empresa Metro do Porto, responsável pela obra, refere que, no âmbito dos<br />

trabalhos que decorrem entre a Avenida Marechal Gomes da Costa e a Praça do Império,<br />

“foram encontrados vestígios arqueológicos - nomeadamente um conjunto de fossas, situadas<br />

precisamente sob o canal ‘metrobus’ - que vão obrigar à realização de sondagens<br />

exploratórias mais profundas”. Estas escavações arqueológicas, obrigatórias por lei, “visam<br />

avaliar o eventual valor histórico deste património e, em termos práticos, impedem o<br />

desenvolvimento da obra de acordo com o planeamento que estava definido”, explica a<br />

empresa, estimando que as sondagens se prolonguem por três semanas.


A INTERM<br />

COMBOIO<br />

E NAVIO<br />

As vantagens da adoção da<br />

intermodalidade com o uso<br />

crescente do comboio e do<br />

navio no transporte internacional<br />

são diversas e podem<br />

trazer impactos positivos<br />

significativos para as<br />

empresas<br />

10 e-MOBILIDADE


ODALIDADE<br />

em Portugal<br />

Caracterizada pelo uso combinado de diferentes modos de transporte,<br />

como comboio e navio, a intermodalidade desempenha um papel<br />

fundamental no transporte internacional, especialmente no contexto<br />

da cadeia logística em Portugal.<br />

VÍTOR CALDEIRINHA<br />

Assessor do Conselho de Administração da<br />

APSS, Professor, Investigador e Consultor<br />

portuário<br />

A<br />

crescente utilização desses<br />

modos de transporte pode trazer<br />

benefícios significativos para os<br />

fabricantes e para a distribuição,<br />

contribuindo para a redução de<br />

custos e o aumento da sustentabilidade nos<br />

escopos 1, 2 e 3 das operações logísticas.<br />

A importância da intermodalidade reside na<br />

capacidade de otimizar a eficiência e a eficácia<br />

dos processos de transporte. Ao combinar o<br />

transporte ferroviário e marítimo, os fabricantes<br />

podem reduzir os custos de frete,<br />

minimizar os tempos de trânsito e diminuir<br />

a pegada de carbono associada ao transporte.<br />

Isso é especialmente relevante para Portugal,<br />

dado o seu perfil geográfico e a necessidade<br />

de conectar-se a mercados internacionais de<br />

forma eficaz.<br />

Para implementar a intermodalidade com<br />

sucesso, os fabricantes e empresas de distribuição<br />

devem considerar algumas medidas e<br />

estratégias, como por exemplo realizar uma<br />

análise detalhada da cadeia logística existente<br />

para identificar oportunidades de integração<br />

de modos de transporte. Isso envolve avaliar<br />

rotas, volumes de carga, custos e tempos de<br />

trânsito. Colaborar com entidades responsáveis<br />

pela infraestrutura ferroviária e portuária<br />

para garantir que as instalações sejam<br />

adequadas para a intermodalidade. Investir<br />

em melhorias e modernização pode facilitar<br />

a transferência eficiente entre modos de<br />

transporte.<br />

Utilizar sistemas de rastreamento e tecnologias<br />

de informação para monitorar e gerir as<br />

cargas ao longo de toda a cadeia logística, o<br />

e-MOBILIDADE 11


que proporciona visibilidade em tempo<br />

real e ajuda a tomar decisões informadas.<br />

Estabelecer parcerias colaborativas com<br />

operadores ferroviários, companhias de<br />

navegação, transportadores rodoviários e<br />

outros intervenientes para garantir uma<br />

integração fluida e eficiente dos diferentes<br />

modos de transporte.<br />

Realizar estudos de viabilidade para identificar<br />

as rotas e os corredores mais eficazes<br />

para a intermodalidade. Isso levará<br />

em consideração fatores como distâncias,<br />

tempos de trânsito, custos operacionais e<br />

regulamentações.<br />

Para estudar e<br />

aprofundar o conhecimento<br />

sobre<br />

intermodalidade, é<br />

recomendado que<br />

profissionais do setor<br />

considerem estudar<br />

os conceitos e as<br />

práticas da logística<br />

intermodal, compreendendo os desafios e<br />

benefícios associados à combinação de diferentes<br />

modos de transporte e explorar as<br />

melhores práticas na gestão da cadeia de<br />

abastecimentos, incluindo estratégias para<br />

otimização de rotas e redução de custos.<br />

Além disso, é importante familiarizarem-<br />

-se com as tecnologias de rastreamento<br />

de carga, sistemas de gestão de transporte<br />

e softwares de planeamento logístico<br />

e compreender as regulamentações<br />

EXPANSÃO INTENACIONAL<br />

A utilização de transporte ferroviário<br />

e marítimo pode facilitar o alcance de<br />

mercados internacionais distantes que<br />

não são acessíveis apenas por estradas<br />

internacionais e nacionais que afetam o<br />

transporte intermodal, incluindo aspetos<br />

alfandegários, regulamentos de segurança<br />

e questões ambientais.<br />

Importa ainda que estudem abordagens<br />

sustentáveis para a logística, considerando<br />

a redução das emissões de gases<br />

de efeito estufa nos escopos 1, 2 e 3 da<br />

cadeia logística.<br />

A associação Intermodal Portugal pode<br />

ajudar estas empresas a compreender e<br />

avaliar os cenários de mudança modal,<br />

apoiando nas seguintes etapas:<br />

Na identificação e<br />

na colaboração entre<br />

profissionais do<br />

setor de portos, logística,<br />

distribuição e<br />

transporte interessados<br />

em promover<br />

a intermodalidade,<br />

no apoio para que as<br />

empresas estabeleçam<br />

metas claras sobre como explorar<br />

oportunidades de intermodalidade, identificar<br />

desafios e desenvolver soluções.<br />

As empresas interessadas podem entrar<br />

em contato com a associação Intermodal<br />

Portugal para expressar interesse em participar<br />

ou colaborar. Isso pode envolver<br />

participação em eventos, work shops ou<br />

grupos de discussão, partilha de experiências,<br />

melhores práticas e conhecimento<br />

entre os membros do setor.<br />

Existe ainda possibilidade de as empresas<br />

participarem em projetos-piloto para<br />

testar a intermodalidade e demonstrar os<br />

seus benefícios tangíveis e eventualmente<br />

considerarem a possibilidade de se tornar<br />

associado da associação Intermodal<br />

Portugal para acesso a recursos, networking<br />

e apoio institucional.<br />

A intermodalidade oferece oportunidades<br />

significativas para fabricantes e<br />

empresas de distribuição em Portugal,<br />

reduzindo custos e melhorando a sustentabilidade<br />

em toda a cadeia logística.<br />

Ao estudarem os princípios da intermodalidade,<br />

colaborarem com parceiros<br />

relevantes e aproveitarem a expertise da<br />

associação Intermodal Portugal, os profissionais<br />

podem impulsionar o desen-<br />

12 e-MOBILIDADE


Ao combinar o transporte ferroviário e marítimo,<br />

os fabricantes podem reduzir os custos de frete,<br />

minimizar os tempos de trânsito e diminuir a<br />

pegada de carbono associada ao transporte<br />

volvimento dessa abordagem inovadora<br />

no transporte internacional.<br />

As vantagens da adoção da intermodalidade<br />

com o uso crescente do comboio<br />

e do navio no transporte internacional<br />

são diversas e podem trazer impactos<br />

positivos significativos para as empresas.<br />

No entanto, essas vantagens estão<br />

frequentemente associadas a algumas<br />

mudanças operacionais e estratégicas que<br />

as empresas precisam de realizar para<br />

aproveitá-las plenamente.<br />

A intermodalidade permite otimizar<br />

rotas e modos de transporte, resultando<br />

em custos de frete mais baixos. O uso<br />

do comboio e do navio pode ser mais<br />

eficiente em termos de consumo de combustível<br />

e infraestrutura em comparação<br />

com o transporte rodoviário exclusivo.<br />

Por outro lado, a combinação de modos<br />

de transporte pode acelerar o tempo de<br />

trânsito, minimizando atrasos associados<br />

ao tráfego rodoviário ou congestionamento.<br />

Isso ajuda as empresas a cumprir<br />

prazos de entrega e melhorar a satisfação<br />

do cliente.<br />

A intermodalidade contribui para a<br />

redução das emissões de carbono, pois<br />

modos como comboio e navio têm<br />

menor pegada de carbono por tonelada/<br />

km em comparação com o transporte<br />

rodoviário. Isso auxilia na melhoria da<br />

imagem das empresas no que diz respeito<br />

à responsabilidade ambiental.<br />

A diversificação dos modos de transporte<br />

permite às empresas ajustar a capacidade<br />

de transporte conforme as flutuações na<br />

procura. Isso é especialmente útil em<br />

épocas de picos sazonais ou mudanças<br />

na demanda do mercado. Por fim, a utilização<br />

de transporte ferroviário e marítimo<br />

pode facilitar o alcance de mercados<br />

internacionais distantes que não são<br />

acessíveis apenas por estradas.<br />

Mas as empresas precisam adotar uma<br />

abordagem mais integrada para o planeamento<br />

logístico, considerando a combinação<br />

de diferentes modos de transporte<br />

desde o início do processo. A implementação<br />

bem-sucedida da intermodalidade<br />

requer o uso de tecnologias avançadas<br />

para rastreamento de carga, gestão de<br />

transporte e análise de dados. Isso exige<br />

investimentos em sistemas e infraestrutura<br />

tecnológica. As empresas precisam<br />

colaborar com operadoras ferroviárias,<br />

companhias de navegação, terminais<br />

portuários e outros stakeholders para<br />

garantir uma operação fluida e integrada.<br />

Em alguns casos, pode ser necessário<br />

ajustar a infraestrutura das instalações<br />

para permitir a transferência eficiente<br />

entre diferentes modos de transporte. A<br />

equipa responsável pela logística deve ser<br />

capacitada para compreender as nuances<br />

da intermodalidade, regulamentações e<br />

melhores práticas associadas e as empresas<br />

devem revisitar contratos e acordos<br />

com fornecedores para garantir que<br />

as condições sejam adequadas à nova<br />

estratégia de transporte e devem realizar<br />

reanálises detalhadas das rotas e fluxos<br />

de carga para identificar as melhores<br />

oportunidades de integração de modos<br />

de transporte.<br />

A intermodalidade exige uma monitorização<br />

constante e uma abordagem<br />

de melhoria contínua para identificar<br />

pontos fracos e oportunidades de aprimoramento.<br />

Ou seja, a intermodalidade oferece vantagens<br />

consideráveis para as empresas<br />

em termos de redução de custos, eficiência<br />

operacional, sustentabilidade e acesso<br />

a mercados. No entanto, para aproveitar<br />

plenamente essas vantagens, as empresas<br />

precisam estudar, colaborar mais e<br />

realizar mudanças em seus processos,<br />

tecnologias e estratégias, adotando uma<br />

abordagem mais integrada e colaborativa<br />

em sua logística.<br />

e-MOBILIDADE 13


Mobilidade feliz<br />

e saudável<br />

Mobilidade integrada<br />

Costumo dizer que ir de carro é uma deslocação, de bicicleta é<br />

um passeio. Sobretudo se a distância não for demasiado longa<br />

e se houver forma de o fazer em segurança. Há quem chame<br />

evolução ao que tem de acontecer nas nossas cidades em termos<br />

de mobilidade, como há quem diga que se trata de regressar a um<br />

tempo mais simples e racional. Como se diz em informática, a um<br />

ponto de restauro. Parece-me que é uma mistura de ambos.<br />

SUAVE OU ACTIVA?<br />

Há a tendência para confundir os<br />

dois conceitos, mas há uma diferença<br />

basilar entre eles: toda a mobilidade<br />

activa é suave, mas o contrário já não<br />

é verdade. Por ‘activa’ entende-se toda<br />

a forma de deslocação que implique<br />

algum exercício físico, mesmo que<br />

suave. Ou seja, caminhar, correr e<br />

andar de bicicleta, mesmo que elétrica,<br />

são formas de mobilidade activa. Já<br />

veículos elétricos como trotinetas ou<br />

motociclos são de mobilidade suave,<br />

mas não activa. E fica a dúvida em<br />

relação a alguns pequenos veículos<br />

elétricos, os de micromobilidade, pois<br />

estes exigem também algum esforço<br />

físico. Mas deixemos essa discussão<br />

para outras conversas.<br />

Todas estas formas são apelidadas de<br />

suaves por terem muito menor impacto<br />

na cidade, tanto em termos de trânsito<br />

como das infraestruturas necessárias<br />

para a sua utilização. Uma scooter,<br />

por exemplo, fornece um meio de<br />

transporte já com alguma rapidez, mas<br />

com pouco peso no congestionamento<br />

e com um impacto ambiental significativamente<br />

menor, tanto na produção<br />

como na circulação, se comparada<br />

com um automóvel. Daí a sua suavidade.<br />

O mesmo acontece com uma<br />

bicicleta elétrica, sendo que essa já<br />

exige uma actividade física moderada<br />

pelo que, além de suave, é um modo<br />

activo. Sem esforço, sem transpiração,<br />

mas com alguma utilização dos nossos<br />

músculos. Torna-se, assim, numa<br />

solução activa mais abrangente, pois<br />

proporciona deslocações para maiores<br />

distâncias, incluindo subidas. E mais<br />

democrática, até, pois permite a utilização<br />

por quem não teria capacidade<br />

física para o fazer somente a pedal ou,<br />

simplesmente, por quem não quer ter<br />

de tomar um duche ou cheirar a suor<br />

após a chegada.<br />

OS BENEFÍCIOS<br />

Comecemos pelos benefícios exclusivos<br />

da mobilidade activa:<br />

» Saúde e bem-estar – Caminhar<br />

ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA<br />

Presidente do Ecomood Portugal, Associação<br />

para a Promoção Solidária da Sustentabilidade<br />

na Mobilidade Humana; Embaixador do Pacto<br />

Climático Europeu<br />

ou andar de bicicleta regularmente<br />

pode reduzir o risco de doenças<br />

crónicas, melhorar o funcionamento<br />

cardiovascular e aumentar o<br />

bem-estar mental. Ao incorporar a<br />

atividade física nas rotinas diárias,<br />

os indivíduos podem alcançar um<br />

estilo de vida mais equilibrado e<br />

ativo;<br />

» Integração Social – caminhar e<br />

circular de bicicleta promove a<br />

interação social e o envolvimento da<br />

comunidade. Ruas projectadas para<br />

pedestres e ciclistas promovem um<br />

sentimento de pertença, de partilha,<br />

14 e-MOBILIDADE


NOVOS HÁBITOS<br />

As nossas cidades foram-se<br />

transformando em função do<br />

automóvel. E agora tem de se investir<br />

em alterá-las novamente para termos<br />

cidades mais seguras para o peão,<br />

para o utilizador de bicicleta, para<br />

uma mobilidade mais suave<br />

incentivam as pessoas a interagir com<br />

o seu meio envolvente. Esta abordagem<br />

inclusiva ao transporte cria um<br />

ambiente urbano mais conectado e<br />

vibrante;<br />

Quanto às vantagens comuns:<br />

» Económicas – mais gente a pé, de<br />

bicicleta ou até de moto implica menos<br />

carros a circular. E a redução do<br />

congestionamento do trânsito resulta<br />

em economia de tempo e aumento<br />

da produtividade, para uns e outros.<br />

Além disso, os investimentos em<br />

infraestrutura ciclável geram empregos,<br />

impulsionam as economias<br />

locais e aumentam as oportunidades<br />

de turismo, pois as cidades tornam-se<br />

mais atraentes tanto para moradores<br />

como para visitantes;<br />

» Sustentabilidade Ambiental – se a<br />

mobilidade activa é ecologicamente<br />

correcta, a suave também diminui<br />

consideravelmente emissões, tanto na<br />

produção dos veículos como depois<br />

na sua utilização. E, além da melhor<br />

qualidade do ar, há também uma redução<br />

da poluição sonora, ajudando<br />

a tornar as cidades mais habitáveis e<br />

sustentáveis para todos;<br />

DESAFIOS E SOLUÇÕES<br />

Esta evolução/restauro implica uma<br />

mudança de mentalidades e de décadas<br />

de hábitos e posturas civilizacionais.<br />

A pedagogia é, portanto, fundamental.<br />

E é aqui que o trabalho nas escolas se<br />

torna essencial. Costumo dizer que é<br />

um 3 em 1: estamos a ajudar mentes<br />

ainda praticamente virgens de maus<br />

hábitos a começarem a agir da melhor<br />

forma logo à partida; estamos a pôr as<br />

crianças e jovens a ajudar-nos a evoluir<br />

as mentalidades e comportamentos<br />

dos seus familiares, o que directamente<br />

sabemos ser muito mais complicado;<br />

e fica ainda a esperança de estarmos<br />

a criar alguns ‘activistazinhos’. Daí a<br />

importância de movimentos e formatos<br />

como o Kidical Mass, o Bicycle Heroes<br />

ou as ‘bicicaravanas’ para a escola.<br />

Espreite-as, vale a pena.<br />

Também ao nível das infraestruturas os<br />

desafios são grandes. As nossas cidades<br />

foram-se transformando em função do<br />

automóvel. E agora tem de se investir<br />

em alterá-las novamente para termos<br />

cidades mais seguras para o peão, para<br />

o utilizador de bicicleta, para uma mobilidade<br />

mais suave. E se, em alguns<br />

casos, a redução da velocidade de circulação<br />

dos veículos rodoviários muito<br />

contribuirá para uma partilha mais<br />

segura do espaço público, noutros implica<br />

obras estruturais para reconquista<br />

de espaço e reformulação de todo o<br />

conceito de circulação urbana.<br />

Portanto, para conseguirmos uma<br />

mobilidade mais activa e mais suave,<br />

mais sustentável ambiental e socialmente,<br />

temos que garantir também a sua<br />

segurança. E assim seremos, nós e as<br />

cidades, mais felizes e saudáveis.<br />

Nota: este texto está escrito no português de<br />

Portugal que decidi adoptar, sem a maior parte<br />

do (des)acordo ortográfico.<br />

e-MOBILIDADE 15


EVENTOS<br />

25º Congresso de Logística da APLOG aborda tema crucial:<br />

“Supply Chain: da Colaboração<br />

à Sustentabilidade”<br />

A cidade de Lisboa foi o epicentro escolhido para a relevante discussão sobre “Supply<br />

Chain: Da Colaboração à Sustentabilidade” que dá mote ao 25º Congresso da APLOG,<br />

do qual a EUROTRANSPORTE é media partner<br />

O<br />

evento que reúne líderes da indústria,<br />

académicos e especialistas na<br />

procura de soluções inovadoras<br />

para os desafios atuais, terá lugar<br />

nos dias 30 e 31 de outubro no<br />

Centro de Congressos de Lisboa (Junqueira).<br />

O congresso lança para a ribalta a ligação crucial<br />

entre eficiência operacional e a responsabilidade<br />

ambiental, que terá na ordem dos dois dias temas<br />

relevantes para o setor: as Perspetivas para a<br />

SupplyChain; o Futuro da Logística no Metaverso;<br />

a Colaboração nos Transportes – da primeira à<br />

última milha; a Importância dos Portos Marítimos<br />

nas Relações Intercontinentais; as Tendências<br />

Globais de Recursos Humanos; a Sustentabilidade<br />

e Economia Circular; a Cibersegurança; as<br />

Carreiras e as Remunerações na Supply Chain;<br />

as Startups como Contribuição para a Inovação,<br />

a Logística Inversa,<br />

no que respeita aos<br />

desafios e boas práticas;<br />

a Colaboração<br />

Produtores/Fabricantes;<br />

a Inteligência<br />

Artificial na Supply<br />

Chain entre muitos<br />

outros temas muito<br />

desafiantes.<br />

O 25º Congresso<br />

de Logística “Supply Chain: Da Colaboração à<br />

Sustentabilidade” promete ser o palco para uma<br />

logística mais eficiente e sustentável, através da<br />

partilha de conhecimento e da colaboração entre<br />

os principais players da indústria, esperando que<br />

a logística do futuro seja não apenas mais eficaz,<br />

mas também mais amiga do meio ambiente.<br />

Para mais informações e inscrições, visite o site<br />

oficial do congresso: https://aplog.pt/, ou aceda ao<br />

QR Code.<br />

MENSAGEM DO PRESIDENTE<br />

“O sucesso das Operações<br />

Logísticas e a eficiência<br />

das Cadeias de Abastecimento<br />

estiveram sempre<br />

ligados à maior ou menor<br />

capacidade de estabelecer<br />

estratégias de colaboração,<br />

com a Academia, Infraestruturas,<br />

Produtores, Retalhistas,<br />

Tecnológicas, Operadores<br />

logísticos e de Transporte e<br />

Fabricantes de Equipamentos<br />

entre outros...<br />

Hoje, face aos desafios que<br />

enfrentamos, da inflação à<br />

digitalização, da descarbonização<br />

à capacitação dos<br />

profissionais, mas acima de<br />

todos o da Sustentabilidade,<br />

esta estratégia só pode ser<br />

desenvolvida e reforçada!<br />

É isso que nos propomos tratar nos dias 30 e 31 de outubro no<br />

Centro de Congressos de Lisboa, através de casos práticos, oradores<br />

especializados e empresas de vanguarda!<br />

A APLOG está apostada em criar um Futuro mais colaborativo e<br />

sustentável!<br />

Conto consigo!”<br />

Raul Magalhães<br />

16 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 17


“Acordar tarde prejudica todos<br />

quando há compromissos<br />

a cumprir e a respeitar”<br />

[A propósito do]SERVIÇO PÚBLICO<br />

DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS<br />

ORLANDO FERREIRA<br />

Professor universitário e ex-administrador da<br />

Rodoviária do Tejo<br />

Se olharmos para o processo de contratualização do Serviço Público de Transporte de<br />

Passageiros (SPTP) em curso em Portugal, desde o primeiro concurso lançado pela<br />

Comunidade Intermunicipal do Algarve em junho de 2019, podemos perceber que se<br />

está a andar a um bom ritmo, apesar de poder ser considerado lento por quem sonhou ser<br />

possível cumprir a vontade do legislador (europeu e nacional).<br />

18 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 19


TRANSPORTE DE PASSAGEIROS<br />

Opinião Orlando Ferreira<br />

O FUTURO É<br />

PARA CUMPRIR<br />

Como afirma Guilherme d’Oliveira<br />

Martins, “acordar tarde prejudica<br />

todos, quando há compromissos a<br />

cumprir e a respeitar”<br />

1. Vamos a ‘meio’ caminho neste<br />

processo, mas não estamos perante um<br />

novo julgamento de Salomão baseado<br />

no reconhecimento que ‘meio filho é<br />

pior do que filho nenhum’. O que já foi<br />

conseguido merece ser elogiado face à<br />

complexidade e multidimensionalidade<br />

dos objetivos envolvidos. No entanto, é<br />

inquestionável o muito trabalho que há<br />

ainda para fazer para que a contratualização<br />

do SPTP se continue a desenvolver<br />

como instrumento de equilibradas<br />

e sustentáveis políticas públicas de<br />

mobilidade.<br />

Por exemplo, reconhecemos não ter<br />

(ainda) sido dada qualquer relevância<br />

às opções de ‘diversificação de procedimentos<br />

que encorajam a inovação,<br />

a inclusão de objetivos relativos à<br />

sustentabilidade e a prioridade à boa<br />

execução dos contratos’. O argumento<br />

que o tempo da curva de aprendizagem<br />

e os elevados custos de contexto (na<br />

celebração e execução dos contratos)<br />

desaconselham que se inicie esta abordagem,<br />

não parece razoável. O futuro é<br />

para cumprir e, como afirma Guilherme<br />

d’Oliveira Martins: “Acordar tarde prejudica<br />

todos, quando há compromissos<br />

a cumprir e a respeitar”.<br />

2.O futuro da mobilidade, o tal que<br />

vai ter que ser cumprido e respeitado,<br />

tem implícita a ideia de mudança, disruptiva<br />

no complexo caso dos transportes<br />

e que nos obriga a ir percebendo,<br />

em cada momento, quais são os drivers<br />

dessa mudança. Entre outros, podemos<br />

destacar a irreversível aleatoriedade do<br />

comportamento da procura; a chegada<br />

da digitalização e da conectividade ao<br />

mundo dos transportes (associada à necessidade<br />

de um match em tempo real<br />

desta aleatoriedade e conectividade); os<br />

efeitos das alterações climáticas (gases<br />

com efeito de estufa e a qualidade do<br />

ar); os desafios das alterações tecnológicas<br />

e os novos modelos de negócio. Não<br />

podemos acordar demasiado tarde!<br />

O mundo muda mas, porque se<br />

mantém na ordem do dia o risco de<br />

uma deficiente utilização dos recursos<br />

públicos, exige-se a cada um de nós a<br />

salvaguarda do bem comum. Comprar<br />

bem, será sempre uma das melhores<br />

formas de prosseguir o bem comum<br />

enquanto interesse público mas, muitas<br />

vezes, continuamos a comprar mal.<br />

Defendemos ainda, com unhas e dentes,<br />

o critério de adjudicação do preço mais<br />

baixo, pressupondo estarmos ainda nos<br />

primórdios dos mercados estabilizados<br />

de há dezenas de anos atrás e, por outro<br />

lado, continuamos a ignorar a diversificação<br />

procedimental desenvolvida para<br />

valorizar a inovação, a flexibilidade e a<br />

negociação.<br />

3.Neste processo de contratualização<br />

do SPTP, há quem defenda que, muito<br />

do que possa ter corrido menos bem se<br />

deveu a um pecado original: o facto de<br />

a maioria das autoridades de transporte<br />

(entidades públicas inicialmente sem<br />

competências nem vocação para estas<br />

andanças) terem sido obrigadas a orga-<br />

20 e-MOBILIDADE


nizar procedimentos abertos de apelo à<br />

concorrência em ambiente de assimetria<br />

de informação.<br />

No entanto, existindo já um instrumento<br />

(Consulta Preliminar ao Mercado)<br />

essencialmente destinado a permitir às<br />

entidades adjudicantes a recolha de informações<br />

‘que pudessem ser utilizadas<br />

no planeamento da contratação’, que se<br />

saiba, nenhuma autoridade de transportes<br />

recorreu a esta figura para esbater<br />

essa assimetria de informação.<br />

Tudo muda. Na anterior legislação,<br />

restringia-se este tipo de consultas,<br />

receando que pudessem conflituar com<br />

uma desejável e sã concorrência. Agora,<br />

promovem-se estas consultas com o objetivo<br />

de não distorcer a concorrência.<br />

Com este instrumento, o legislador fez<br />

saber que queria ‘mais conversa’ entre<br />

Comprar bem, será<br />

sempre uma das<br />

melhores formas de<br />

prosseguir o bem<br />

comum mas, muitas<br />

vezes, continuamos a<br />

comprar mal<br />

as partes envolvidas nos procedimentos<br />

de contratação pública e, se o legislador<br />

exigiu o aprofundamento da componente<br />

relacional da contratação pública,<br />

é isso que deveríamos ser capazes de<br />

fazer.<br />

Por outro lado, esta consulta informal,<br />

poderia ainda ser utilizada para nivelar<br />

a concorrência, ou seja, para neutralizar<br />

as vantagens competitivas inerentes à<br />

qualidade de incumbente. Nada impede,<br />

pelo contrário até se recomenda,<br />

que estas consultas possam também<br />

servir para reduzir a opacidade na<br />

execução dos contratos anteriormente<br />

celebrados.<br />

4.Voltando a olhar para o que está<br />

em cima da mesa neste processo de<br />

contratualização do SPTP, confirmamos<br />

que ‘todas’ as autoridades de transporte,<br />

optaram pelo procedimento de Concurso<br />

Público desvalorizando o interesse em<br />

poder começar por escolher os melhores<br />

candidatos disponíveis no mercado. A exceção<br />

foi a Região Autónoma da Madeira<br />

que, optando pelo procedimento Concurso<br />

Limitado por Prévia Qualificação, não<br />

abdicou de começar este processo pela<br />

escolha dos melhores operadores económicos<br />

existentes no mercado. O futuro<br />

fará que seja esta a opção.<br />

Neste ponto, nunca é demais relembrar<br />

que o procedimento de Concurso<br />

Público nem sempre é a melhor opção<br />

e nem sempre é a opção desejada pelo<br />

legislador. Neste processo de contratualização<br />

em curso, a legislação apenas<br />

obriga a que se recorra a procedimentos<br />

com apelo ao mercado (call for tender)<br />

onde, o Concurso Público não é mais<br />

do que um, entre os seis procedimentos<br />

possíveis.<br />

Em situações de contratos particularmente<br />

complexos (e o serviço publico<br />

de transporte de passageiros evolui<br />

inexoravelmente neste sentido) onde<br />

não seja possível especificar plenamente<br />

o objeto do contrato sem violar o princípio<br />

da concorrência, é desaconselhado<br />

o recurso ao procedimento de concurso<br />

público. Nestes casos, para ‘cumprir a<br />

legislação’, as opções devidas seriam<br />

o Diálogo Concorrencial, a Parceria<br />

para a Inovação ou o Procedimento de<br />

Negociação. Já nas situações em que<br />

fosse possível especificar plenamente<br />

o objeto do contrato a contratar as<br />

melhores opções seriam o Sistema de<br />

Aquisição Dinâmica (para uma série de<br />

contratos) ou o Concurso Limitado por<br />

Prévia Qualificação (para celebrar um só<br />

contrato).<br />

Todos estes cinco procedimentos iniciam-se<br />

por um apelo à concorrência<br />

para escolha dos melhores operadores<br />

económicos disponíveis no mercado<br />

e não para a escolha das melhores<br />

propostas como acontece no Concurso<br />

Público.<br />

É também relevante referir que, o<br />

surgimento destes novos procedimentos<br />

representou uma pedrada no charco da<br />

contratação pública pois, pela primeira<br />

vez, o quadro legal assumiu que, nos<br />

mercados públicos modernos, nem<br />

sempre as entidades adjudicantes se<br />

devem considerar suficientemente esclarecidas<br />

sobre a melhor solução a adotar,<br />

de modo a estar em condições de preparar<br />

um eficaz caderno de encargos. Pela<br />

primeira vez, o legislador considerou<br />

inaceitável a ‘omnisciência’ das entidades<br />

adjudicantes.<br />

No entanto, estes procedimentos, com<br />

utilização já generalizada em alguns países,<br />

mas com raríssimas aplicações em<br />

Portugal (nulas no setor dos transportes)<br />

não podem continuar a ser apenas<br />

uma miragem e uma oportunidade<br />

perdida.<br />

[Um exemplo] No seu artigo 30.º, o<br />

CCP desafia todas as entidades públicas<br />

a utilizarem o procedimento Diálogo<br />

Concorrencial sempre que estiverem<br />

perante contratos particularmente<br />

complexos e relativamente aos quais<br />

seja objetivamente impossível definir:<br />

(i) a solução técnica mais adequada à<br />

satisfação das necessidades da entidade<br />

adjudicante com o contrato a celebrar;<br />

(ii) os meios técnicos aptos a concretizar<br />

a solução já definida pela entidade<br />

adjudicante, ou (iii) a estrutura jurídica<br />

ou financeira inerentes ao contrato a<br />

celebrar.<br />

5.Continuando nesta visita ao que<br />

está em cima da mesa, verificamos<br />

que ‘metade’ dos processos envolvendo<br />

comunidades intermunicipais estão já<br />

finalizados ou praticamente finalizados,<br />

e-MOBILIDADE 21


TRANSPORTE DE PASSAGEIROS<br />

Opinião Orlando Ferreira<br />

As autoridades metropolitanas optaram por um<br />

modelo assente no contrato de prestação de serviços<br />

e as comunidades intermunicipais por um modelo<br />

assente no contrato de concessão<br />

que algumas destas entidades públicas<br />

não iniciaram qualquer procedimento.<br />

Existiram também concursos que ficaram<br />

desertos ou não tiveram propostas<br />

válidas, o que nos confirma que o risco<br />

comercial da maioria dos concursos,<br />

associado a um forte nível de incerteza,<br />

se traduz quase sempre numa significativa<br />

redução da competitividade dos<br />

mesmos.<br />

A incerteza relativamente aos níveis de<br />

procura e de receita que uma operação<br />

pode vir a gerar coloca sempre em causa<br />

a comportabilidade dos previsíveis défices<br />

de exploração. [as condicionantes<br />

demográficas, industriais e sócio- económicas<br />

devem ser da responsabilidade<br />

de quem? Têm mesmo que ser da exclusiva<br />

responsabilidade do operador?]<br />

Por outro lado, como quase todos o previram,<br />

muitos concursos tiveram apenas<br />

um concorrente e os adjudicatários<br />

acabaram por ser os incumbentes ou<br />

aqueles que detinham a maior parcela<br />

de operação no território. É inegável<br />

que um incumbente, pelo simples facto<br />

de o ser, goza de uma vantagem em<br />

comparação com os demais operadores<br />

económicos que se possam vir a<br />

apresentar a disputar novas adjudicações,<br />

mas isso é da própria natureza<br />

das coisas! O legislador, que não gosta<br />

desta incumbência, tem vindo a adotar<br />

mecanismos para eliminar ou, pelo<br />

menos mitigar este tenebroso risco de<br />

desvirtuamento da concorrência, na<br />

medida em que, na sua douta opinião,<br />

as desvantagens da incumbência serão<br />

tanto maiores quanto mais prolongada<br />

for a duração temporal das relações<br />

contratuais.<br />

6. Neste processo de contratualização<br />

do SPTP, as autoridades metropolitanas<br />

(Lisboa e Porto) optaram por um modelo<br />

assente no contrato de prestação<br />

de serviços (gross cost ou custos totais)<br />

e as comunidades intermunicipais por<br />

um modelo assente no contrato de<br />

concessão (net cost ou custos líquidos),<br />

onde os riscos operacionais e comerciais<br />

foram integralmente alocados ao<br />

cocontratante.<br />

Neste modelo (concessão), os operadores<br />

são apenas remunerados pelas<br />

receitas de exploração e pelas compensações<br />

da AT em função das OSP assumidas<br />

contratualmente. Não estando na<br />

agenda a figura dos contratos baseados<br />

no desempenho (performance based<br />

contracts) não se incentivam os bons<br />

desempenhos, não se premeiam os bons<br />

desempenhos, não se reduzem os riscos<br />

de incumprimentos e não se qualificam<br />

os operadores económicos. Estes sistemas<br />

de compensação têm o mérito de<br />

internalizar nos próprios cocontratantes<br />

a exigência de um bom desempenho.<br />

Dois exemplos para reflexão:<br />

Em França, a STIF celebra os seus contratos<br />

de concessão de serviços com os<br />

operadores privados, definindo antecipadamente<br />

a quantidade e ‘qualidade’<br />

dos serviços a prestar e, ainda, as contrapartidas<br />

financeiras decorrentes da<br />

avaliação do desempenho; Em Barcelona,<br />

a Autorita del Transport Metropolitá<br />

apenas celebra contratos de concessão<br />

com os operadores privados quando<br />

considera que os serviços a prestar<br />

têm procura suficiente e relevante que<br />

permita garantir a sustentabilidade<br />

financeira dos contratos. Com baixos<br />

níveis de procura do serviço, não é<br />

permitida a alocação do risco comercial<br />

em exclusivo ao operador. Nestes casos,<br />

celebra-se um contrato de prestação de<br />

22 e-MOBILIDADE


RISCO<br />

COMERCIAL<br />

Com baixos níveis de<br />

procura do serviço, não<br />

é permitida a alocação<br />

do risco comercial<br />

em exclusivo ao<br />

operador<br />

serviços (contratos de gestão interessada).<br />

O equilíbrio contratual é mesmo<br />

uma preocupação da entidade adjudicante.<br />

7. Para terminar esta visita ao processo<br />

de contratualização do SPTP,<br />

não podemos deixar de salientar quão<br />

oportuna e atual se tornou a velhinha<br />

Teoria da Imprevisão. Vai ser obrigatório<br />

revisitá-la e convocá-la ao longo de todo<br />

o período de duração dos contratos de<br />

modo a tornar possível a indispensável<br />

manutenção da estabilidade contratual.<br />

Neste caso dos contratos de concessão,<br />

interessa avaliar, simultaneamente, o<br />

desempenho do cocontratante e a sua<br />

própria situação económica e financeira.<br />

Afinal, as relações duradouras estabelecidas<br />

que o operador económico passa<br />

a prosseguir (uma atribuição que é da<br />

administração) exige e merece essa<br />

preocupação.<br />

“Se alguém tem um débito a juros e<br />

uma tempestade devasta o campo ou<br />

destrói a colheita, ou por falta de água<br />

não cresce o trigo no campo, ele não<br />

deverá nesse ano dar trigo ao credor,<br />

deverá modificar sua tábua de contrato<br />

e não pagar juros por esse ano.” Código<br />

de Hamurabi (há mais de 2.500 anos)<br />

CONCLUSÃO<br />

Como síntese conclusiva realçamos a<br />

importância de se saber a que serviço<br />

público de transportes temos direito.<br />

Para isso, o Regulamento 1370/2007<br />

impôs a contratualização das operações<br />

de serviço publico de transporte de<br />

passageiros (SPTP) de modo a garantir<br />

serviços de transporte mais numerosos,<br />

mais seguros, de melhor qualidade e<br />

mais baratos.<br />

A mobilidade, tendo implícita a ideia<br />

de mudança disruptiva, deverá exigir<br />

a ‘diversificação de procedimentos que<br />

encorajem a inovação, a inclusão de<br />

objetivos relativos à sustentabilidade e<br />

a prioridade dada à boa execução dos<br />

contratos. Assim, nos dois pratos desta<br />

balança devem estar considerados, num<br />

dos lados, procedimentos e leis simples,<br />

acessíveis e pouco numerosas e, no<br />

outro lado, procedimentos que evitem a<br />

tentação do ‘mais simples’. Importa, por<br />

isso, conhecer bem as potencialidades e<br />

limitações de cada procedimento.<br />

e-MOBILIDADE 23


ECONOMIA CIRCULAR<br />

Rota circular para uma<br />

nova indústria automóvel<br />

alimentada pela cloud<br />

A eletrificação da condução não está apenas a mudar a forma como os<br />

veículos são alimentados. Também está a alterar o papel das marcas de<br />

automóveis, a transformar a experiência dos clientes e a colocar o conceito<br />

de economia circular numa via rápida. Aqui se revela como um ecossistema<br />

automóvel sustentável e com custos otimizados se está a formar na cloud.<br />

RICHARD FELTON<br />

Senior Practice Manager da AWS<br />

O<br />

velho ditado dizia que um<br />

veículo novo perdia 10% do<br />

seu valor assim que saía do<br />

stand - e cerca de 40% um<br />

ano depois. É uma afirmação<br />

de longa data cujo significado é muito<br />

claro, pois diz tudo sobre o que costumava<br />

acontecer na transação entre o condutor e<br />

o fabricante de automóveis. Para além das<br />

garantias e dos acordos de assistência, as<br />

responsabilidades do fabricante terminavam<br />

assim que o proprietário do novo<br />

automóvel se sentava ao volante e rodava a<br />

chave. O proprietário tomava posse de um<br />

bem em processo de depreciação, e assumia<br />

todas as responsabilidades inerentes,<br />

incluindo o que fazer com o seu veículo<br />

quando terminasse de o utilizar.<br />

Não é necessário olhar para muito longe<br />

para ver que as experiências futuras de<br />

possuir e conduzir um veículo vão ser<br />

muito diferentes. O valor de um veículo<br />

novo residia outrora em fatores intangíveis<br />

como o prestígio e o estatuto, razão<br />

pela qual era tão fácil que grande parte<br />

desse valor desaparecesse. Atualmente, os<br />

fabricantes têm uma ideia muito mais clara<br />

e tangível de onde reside esse valor: nos<br />

24 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 25


ECONOMIA CIRCULAR<br />

Opinião Richard Felton<br />

O modelo de negócio dos veículos elétricos<br />

tem todo o interesse em saber o que acontece a<br />

um automóvel, não só quando este sai da sala<br />

de exposições com um novo proprietário, mas<br />

também no futuro<br />

materiais e componentes que mais tarde<br />

poderão ser recuperados e reciclados.<br />

MONITORIZAR, SEMPRE<br />

Será do interesse financeiro de um<br />

fabricante de automóveis continuar a<br />

monitorizar o desempenho destes elementos<br />

e atualizá-los quando necessário.<br />

Efetivamente, será da responsabilidade<br />

desse fabricante saber exatamente o que<br />

acontece a um veículo e qual o destino<br />

dos seus componentes mais valiosos. Ao<br />

assumir essa responsabilidade, as marcas<br />

de automóveis poderão construir relações<br />

mais próximas e mais valiosas com os<br />

seus clientes. Poderão também, proporcionar<br />

uma sensação de prestígio mais<br />

tangível que advém da condução de um<br />

veículo comprovadamente sustentável.<br />

O ecossistema que as marcas do setor<br />

automóvel constroem em torno dos seus<br />

veículos não será apenas mais reativo.<br />

Não será apenas mais sustentável. Será<br />

um exemplo inovador, e em escala, de<br />

uma economia circular em ação, que<br />

otimiza a eficiência de custos ao mesmo<br />

tempo que minimiza o impacto ambiental<br />

– algo que será possível graças à<br />

tecnologia da cloud.<br />

O desafio da regulamentação e de<br />

recursos está a modificar os modelos de<br />

negócio do mundo automóvel. O principal<br />

motor desta mudança é a aceleração<br />

da eletrificação da condução, que exigirá<br />

4000 gigawatts-hora de capacidade<br />

de baterias de iões de lítio até 2030, o<br />

suficiente para alimentar cerca de 100<br />

milhões de veículos elétricos (VE) e<br />

que representa dez vezes a capacidade<br />

fabricada em 2021. Isto representa um<br />

desafio regulamentar e de recursos para<br />

as marcas de automóveis. Por um lado, a<br />

futura legislação da UE atribui a responsabilidade<br />

da eliminação das baterias<br />

ao produtor das mesmas, proíbe que as<br />

baterias sejam enviadas para aterros e<br />

impõe um nível mínimo de conteúdo<br />

reciclado para todas as baterias utilizadas<br />

nos veículos elétricos. Ao mesmo tempo,<br />

a escassez mundial de matérias-primas<br />

cruciais, como o lítio, o cobalto, o níquel<br />

e o manganês, torna imperativo para os<br />

fabricantes recuperar e reutilizar o maior<br />

número possível de elementos de uma<br />

bateria de um veículo elétrico. Ao fazê-<br />

-lo, podem gerir os custos de fabrico das<br />

baterias e atenuar os riscos financeiros<br />

decorrentes da incerteza dos preços dos<br />

produtos de base.<br />

RECUPERAR COMPONENTES<br />

Ambos os desafios apontam para a<br />

mesma solução: os fabricantes de<br />

automóveis precisam acompanhar o<br />

que acontece aos veículos que produziram<br />

e às respetivas baterias, de forma<br />

a recuperar as mesmas no momento<br />

certo e manter os seus componentes<br />

em utilização durante o máximo tempo<br />

possível. Os mecanismos para o fazer já<br />

existem, graças a um mercado de veículos<br />

elétricos que está a ser concebido,<br />

desde o início, de acordo com os princípios<br />

da economia circular. O modelo de<br />

DESAFIO<br />

Acompanhar o desempenho de<br />

uma bateria elétrica e saber quando<br />

terminará o seu ciclo de utilização é<br />

um desafio para os fabricantes<br />

26 e-MOBILIDADE


MERCADO<br />

O desafio da regulamentação e<br />

de recursos está a modificar os<br />

modelos de negócio do mundo<br />

automóvel<br />

negócio dos veículos elétricos tem todo<br />

o interesse em saber o que acontece a<br />

um automóvel, não só quando este sai<br />

da sala de exposições com um novo<br />

proprietário, mas também no futuro.<br />

Se os fabricantes de automóveis conseguirem<br />

antecipar quando é que o<br />

desempenho de uma bateria começa a<br />

diminuir e qual o momento ideal para a<br />

recolher, poderão facilitar o processo de<br />

recuperação da mesma, pois basta-lhes<br />

solicitar aos proprietários para trazerem<br />

o veículo para uma atualização, em vez<br />

de terem de os localizar. Caso consigam<br />

identificar a célula específica da bateria<br />

que está a falhar, melhor ainda, porque<br />

assim será possível recuperar as baterias<br />

quando a maioria dos elementos ainda<br />

funciona, e reduzir o volume de trabalhos<br />

de reciclagem, controlar custos e<br />

ficar com mais valor.<br />

A infraestrutura para este tipo de modelo<br />

de reciclagem, liderada pelo fabricante,<br />

já está em vigor. Funciona com base<br />

na capacidade de rastreio das plataformas<br />

ligadas à cloud, transformando<br />

o hardware em ativos digitais que<br />

podem ser monitorizados e analisados a<br />

um nível granular.<br />

PASSAPORTE DIGITAL<br />

Nasce, então, um novo tipo de relação<br />

entre os condutores e as marcas de<br />

automóveis. O percurso circular de uma<br />

bateria de VE ligada à cloud começa<br />

na gigafábrica onde é produzida pela<br />

primeira vez (as gigafábricas devem o<br />

seu nome aos gigawatts de capacidade de<br />

bateria que fornecem). Quando as baterias<br />

saem de uma gigafábrica com ligação<br />

à cloud, fazem-no com um documento<br />

de monitorização que acompanha as<br />

condições e as matérias-primas utilizadas<br />

no seu fabrico – um tipo de passaporte<br />

digital que pode ficar associado à bateria,<br />

que recolhe mais informações sobre a<br />

forma como é carregada e descarregada<br />

através da tecnologia incorporada nos<br />

veículos com ligação à cloud. Soluções<br />

como o AWS IoT TwinMaker conseguem<br />

utilizar estes dados em tempo real para<br />

criar gémeos digitais de cada bateria,<br />

representações virtuais que mostram o<br />

estado da bateria e dos seus componentes,<br />

prevêem quando começará a falhar e<br />

determinam quais as células responsáveis<br />

pela falha. Estes gémeos digitais mostram<br />

os materiais dentro da bateria e o estado<br />

das restantes células, orientando o processo<br />

de recuperação e reciclagem.<br />

É aqui que as exigências dos novos modelos<br />

de negócio automóvel começam a<br />

criar valor para os próprios compradores<br />

dos automóveis. Em vez de se sentirem<br />

frustrados com a deterioração do desempenho<br />

de um veículo e com o aumento<br />

dos custos de manutenção, estes obtêm<br />

uma abordagem proativa por parte do<br />

fabricante do automóvel, concebida para<br />

manter o veículo em funcionamento. O<br />

comprador obtém uma relação contínua<br />

e uma experiência de apoio ao cliente<br />

mais agradável. Para as marcas de automóveis,<br />

trata-se de uma oportunidade de<br />

acrescentar novas formas de serviço e de<br />

se diferenciarem da concorrência. Para<br />

um setor que tradicionalmente depende<br />

dos concessionários em regime de franquia<br />

para cumprir as promessas da sua<br />

marca, isto representa um novo tipo de<br />

caminho a percorrer.


28 e-MOBILIDADE


ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS<br />

Como libertar<br />

o orçamento de estado<br />

da dependência<br />

dos combustíveis fósseis?<br />

Nunca foi tão urgente a redução drástica da emissão de gases com<br />

efeito de estufa, que só pode ser conseguida de forma consistente<br />

através da eliminação, tão rapidamente quanto possível, do<br />

consumo de combustíveis fósseis.<br />

A<br />

crise climática agrava-se continuamente<br />

e os seus efeitos<br />

mais assustadores tornam-se<br />

cada vez mais evidentes. Fenómenos<br />

climáticos extremos<br />

com uma intensidade e frequência sem<br />

precedentes são testemunhados por agricultores<br />

e comunidades piscatórias de todo o<br />

mundo. As secas cada vez mais intensas e<br />

prolongadas, o avanço da desertificação, redução<br />

da disponibilidade hídrica, a redução<br />

da área florestal global acompanhada pela<br />

diminuição acentuada da biodiversidade<br />

aumentam enormemente a pressão sobre a<br />

produção agrícola e podem gerar uma persistente<br />

e crescente escassez alimentar com<br />

o consequente crescimento insuportável da<br />

conflitualidade social, económica e política<br />

global.<br />

Embora os impensáveis e gigantescos incêndios<br />

no Canadá sejam uma das mais espetaculares<br />

manifestações da crise climática,<br />

as cada vez maiores ondas de refugiados<br />

climáticos, o aumento constante de vários<br />

alimentos que compõem a nossa dieta ou a<br />

elevação do número de mortos devidos ao<br />

ACÁCIO PIRES<br />

Policy Officer da ZERO - Associação Sistema<br />

Terrestre Sustentável<br />

crescimento do número e intensidade das<br />

ondas de calor são provavelmente os riscos,<br />

que o consumo de combustíveis fósseis e<br />

o consequente aumento da temperatura<br />

média global, que mais efeitos diretos terão<br />

na vida quotidiana daqueles que vivem nas<br />

cidades.<br />

Nunca foi tão urgente a redução drástica da<br />

e-MOBILIDADE 29


ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS<br />

Opinião Acácio Pires<br />

emissão de gases com efeito de estufa,<br />

que só pode ser conseguida de forma<br />

consistente através da eliminação, tão<br />

rapidamente quanto possível, do consumo<br />

de combustíveis fósseis.<br />

De acordo com o IPCC, a neutralidade<br />

climática deverá ser atingida a nível<br />

global em 2044 para permitir que possamos,<br />

com uma probabilidade razoável,<br />

ficar aquém do aumento de 1,5º da<br />

temperatura média global em relação<br />

aos níveis pré-industriais. Tendo em<br />

conta as responsabilidades históricas e<br />

a maior capacidade de investimento dos<br />

países industrializados, estes deverão<br />

começar a emitir menos gases de efeito<br />

de estufa do que aqueles que podem ser<br />

absorvidos pelos ecossistemas, no máximo,<br />

em 2040, como propõe a Climate<br />

Action Network (CAN), da qual a ZERO<br />

é membro.<br />

Todos os Estados dos países industrializados<br />

e os respetivos responsáveis<br />

políticos, além das obrigações legais<br />

que já contraíram, têm uma responsabilidade<br />

capital em relação ao futuro da<br />

Humanidade no seu conjunto.<br />

Neste momento, o<br />

setor dos transportes<br />

caminha para se tornar<br />

o principal responsável<br />

pela emissão de gases<br />

com efeito de estufa<br />

em quase todos os<br />

países industrializados,<br />

sendo que em Portugal<br />

é já o principal responsável,<br />

representando<br />

28% do total, com<br />

tendência para aumentar. Impõem-se,<br />

por isso, medidas urgentes para inverter<br />

rapidamente esta tendência.<br />

DILEMA ORÇAMENTAL<br />

A ação política no setor dos transportes<br />

depara-se, no entanto, com um dilema<br />

orçamental, já que as receitas fiscais<br />

com origem na venda e utilização de<br />

veículos que consomem combustíveis<br />

fósseis para transportar pessoas e mercadorias<br />

por meios terrestres foram, em<br />

2022, de cerca de 3633.4 milhões de<br />

euros, o que representou uma redução<br />

de cerca de 1000 milhões em relação<br />

a 2019 (o último ano antes da crise<br />

pandémica), mas continua a constituir<br />

5,28% de todas as receitas fiscais.<br />

À medida que as políticas públicas,<br />

ajudadas pela evolução técnica, produzam<br />

consistentes e cada vez maiores<br />

reduções do consumo de combustíveis<br />

fósseis isso traduzir-se-á na perda de<br />

Todos os Estados dos países industrializados e<br />

os respetivos responsáveis políticos, além das<br />

obrigações legais que já contraíram, têm uma<br />

responsabilidade capital em relação ao futuro da<br />

Humanidade no seu conjunto<br />

importantes receitas que financiam<br />

os salários de médicos, professores,<br />

polícias, juízes e todos os valorosos servidores<br />

que prestam serviços públicos<br />

imprescindíveis.<br />

Libertar o setor dos transportes do uso<br />

de combustíveis fósseis tem enormes<br />

benefícios económicos que se consubstanciam<br />

na estabilização dos preços do<br />

transporte de pessoas e bens, mas para<br />

o conseguir é necessário investir num<br />

conjunto de políticas - da promoção do<br />

transporte ferroviário, à eletrificação do<br />

transporte rodoviário, passando pela alteração<br />

do modelo de mobilidade - que<br />

exigem avultados meios financeiros.<br />

Consignar anualmente uma percentagem<br />

crescente das receitas de ISP, ISV e<br />

IUC às políticas que permitam libertar<br />

o setor dos transportes do consumo de<br />

combustíveis fósseis poderia constituir<br />

uma orientação da política orçamental<br />

de longo prazo, que obtendo um consenso<br />

alargado poderá,<br />

inclusive, traduzir-se<br />

numa alteração da Lei<br />

de Enquadramento<br />

Orçamental. A perda de<br />

receita dedicada às normais<br />

funções do Estado<br />

poderia ser compensada<br />

com uma redução<br />

dos benefícios fiscais<br />

(mais de 15 mil milhões<br />

de euros por ano), o<br />

lançamento de novos impostos ou o<br />

simples crescimento das receitas por via<br />

do crescimento económico consoante<br />

as preferências dos diferentes partido<br />

políticos que circunstancialmente obtivessem<br />

maioria parlamentar.<br />

Colocar de lado estas receitas permitiria<br />

que o Estado deixasse de estar<br />

dependente das mesmas para o seu<br />

funcionamento geral, ao mesmo tempo<br />

que libertava meios para o investimento<br />

na descarbonização eficiente e justa do<br />

setor dos transportes. [Continuaremos<br />

a desenvolver este tema em próximas<br />

oportunidades.]<br />

30 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 31


MOBILIDADE COLABORATIVA<br />

A inovação como caminho<br />

para novas soluções<br />

de mobilidade em Lisboa<br />

A cidade de Lisboa, tal como várias outras capitais em<br />

crescimento, tem vindo a enfrentar desafios de mobilidade<br />

urbana, que marcam o dia a dia das suas pessoas e empresas.<br />

O desenvolvimento económico e o aumento do turismo<br />

contribuem para este cenário complexo e põem à prova o<br />

ecossistema de mobilidade, muitas vezes incapaz de responder<br />

à crescente utilização e afluência.<br />

A<br />

isto, aliam-se outros<br />

grandes desafios como<br />

alcançar uma mobilidade<br />

mais sustentável e acessível,<br />

e a aposta na transição<br />

energética e digital para levar Lisboa<br />

na direção de se tornar uma smart-city.<br />

Estes desafios não estão apenas interligados,<br />

como são também a chave para<br />

termos um ecossistema de mobilidade<br />

mais eficiente e equitativo. Por exemplo,<br />

não é possível falarmos em mobilidade<br />

sustentável sem oferecer soluções<br />

verdadeiramente acessíveis e inclusivas.<br />

Para além disso, a digitalização permite<br />

melhorar a qualidade e disponibilidade<br />

dessas opções, bem como a sua<br />

eficiência ao recolher informação para<br />

melhorar a experiência de mobilidade<br />

dos utilizadores.<br />

A inovação tem o poder de transformar<br />

estes problemas aparentemente irresolúveis<br />

em oportunidades de crescimento<br />

e melhoria através do desenvolvimento<br />

de soluções eficazes que respondam às<br />

necessidades de quem vive, trabalha ou<br />

visita a capital. E é neste sentido que<br />

programas de inovação têm impulsionado<br />

a colaboração entre diferentes atores,<br />

incluindo o setor público, empresas priva-<br />

GUSTAVO MAGALHÃES<br />

Senior Innovation Consultant da Beta-i<br />

das, startups e a sociedade civil.<br />

Exemplo disso é o Smart Open Lisboa<br />

(SOL), programa bandeira de inovação<br />

aberta da Câmara Municipal de Lisboa<br />

e gerido pela consultora de inovação<br />

Beta-i. Na passada edição foram desenvolvidos<br />

seis projetos-piloto para acelerar<br />

a transição energética de Lisboa. Entre<br />

eles, uma ferramenta analítica baseada em<br />

Inteligência Artificial e machine learning,<br />

desenvolvida pela startup EVE em parceria<br />

com a Brisa, que ajuda a otimizar as<br />

32 e-MOBILIDADE


otas com veículos elétricos sem prejuízo<br />

da eficiência operacional. Também a<br />

CARRIS, priorizando a sustentabilidade,<br />

pretende utilizar esta tecnologia na análise<br />

do desempenho dos seus veículos elétricos<br />

para otimização da gestão de frota e<br />

do consumo de energia.<br />

Adicionalmente, para se conseguir uma<br />

maior acessibilidade da mobilidade -<br />

um direito fundamental para todos os<br />

cidadãos -, a inovação e a colaboração<br />

entre o setor público e privado têm sido<br />

essenciais. Isto porque, ao envolver os<br />

cidadãos no processo de cocriação, é<br />

possível desenvolver soluções de uma<br />

forma mais aberta e inclusiva.<br />

Neste sentido, a Urban Mobility Innovators<br />

Open Call, uma iniciativa do projeto<br />

VoxPop promovida pela Câmara Municipal<br />

de Lisboa e liderada pela Beta-i, teve<br />

como objetivo financiar o desenvolvimento<br />

de soluções digitais que ajudem a<br />

melhorar a acessibilidade e segurança de<br />

pessoas que têm a sua mobilidade condicionada<br />

na cidade. Acaba de apresentar<br />

18 soluções centradas nas reais necessidades<br />

das pessoas, especialmente das<br />

populações mais vulneráveis, que tiram<br />

partido de tecnologias como inteligência<br />

COLABORAÇÃO<br />

Ao envolver os cidadãos<br />

no processo de co-criação,<br />

é possível desenvolver<br />

soluções de uma forma<br />

mais aberta e inclusiva<br />

artificial, chatbots, mobile apps e outras,<br />

e também da publicação de conjuntos<br />

de dados de acessibilidade para que os<br />

utilizadores possam obter informação<br />

atualizada das condições de acessibilidade<br />

da cidade, selecionar as melhores<br />

rotas e transportes e aceder a serviços<br />

com maior facilidade – com a finalidade<br />

de promover a sua autonomia.<br />

Uma mobilidade sustentável, acessível e<br />

mais digital são elementos fundamentais<br />

para uma abordagem integrada ao ecossistema<br />

de mobilidade. Neste âmbito,<br />

a inovação colaborativa desempenha<br />

um papel fundamental, pois somente<br />

através da colaboração entre diversos<br />

players continuará a ser possível impulsionar<br />

soluções criativas e eficazes que<br />

respondam de forma eficaz às reais necessidades<br />

dos cidadãos e empresas.<br />

e-MOBILIDADE 33


OBJETIVO<br />

A União Europeia tem claro<br />

que 2050 é o ano marcado a<br />

vermelho no calendário para atingir<br />

a descarbonização e a mobilidade<br />

elétrica é uma das principais<br />

alternativas para atingir este<br />

ambicioso objetivo<br />

34 e-MOBILIDADE


Abraçar<br />

A generalização da mobilidade<br />

elétrica vai provocar uma<br />

grande mudança: os motores de<br />

combustão interna, outrora a força<br />

vital da indústria automóvel, serão<br />

gradualmente substituídos por<br />

motores elétricos. Esta transição<br />

para a mobilidade elétrica significa<br />

que alguns serviços tradicionais,<br />

como as reparações de motores e<br />

as mudanças de óleo, se tornarão<br />

obsoletos.<br />

Por Christoph Erni*<br />

OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO PARA OFICINAS E CONCESSIONÁRIOS<br />

a mobilidade elétrica<br />

e-MOBILIDADE 35


OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO<br />

Christoph Erni<br />

À<br />

primeira vista, pode parecer<br />

que a eletrificação dos<br />

veículos pode ter um impacto<br />

negativo no volume<br />

de negócios das oficinas,<br />

devido ao número reduzido de operações<br />

de manutenção exigidas pelos<br />

automóveis elétricos. Mas a verdade é<br />

que, à medida que a tecnologia de condução<br />

evolui, o mesmo acontece com<br />

as competências e os serviços oferecidos<br />

FUTURO<br />

Para potenciar a entrada de<br />

veículos elétricos nas estradas<br />

portuguesas, é necessário<br />

implementar a rede de<br />

carregamento<br />

PROFISSIONAIS COM NOVOS<br />

CONHECIMENTOS<br />

E COMPETÊNCIAS<br />

A especialização do sector pós-venda<br />

terá de ser aumentada para que as<br />

redes comerciais possam enfrentar<br />

novos desafios, como a eletrificação<br />

ou a digitalização. Isto significa, em<br />

primeiro lugar, que a adaptação exige<br />

uma mudança profunda nos requisitos<br />

de qualificação dos profissionais. Os<br />

técnicos terão de conhecer o diagnóstico<br />

dos veículos elétricos, a manutenção<br />

das baterias e os sistemas de alta<br />

tensão. A familiaridade com a eletrónica<br />

avançada e a integração de software<br />

será também crucial. O investimento<br />

na formação e na qualificação da mão<br />

de obra para adquirir estas competências<br />

colocará as empresas na vanguarda<br />

do sector.<br />

Para além das competências técnicas<br />

básicas, é essencial um conhecimento<br />

profundo das infra-estruturas de<br />

carregamento de veículos elétricos.<br />

À medida que mais pessoas adoptam<br />

carros elétricos, a procura de pontos de<br />

carregamento aumentará em conformipor<br />

estas empresas, representando uma<br />

mudança de paradigma para o sector<br />

que irá além da reparação e manutenção<br />

de veículos. Embora esta mudança no<br />

panorama automóvel coloque desafios<br />

aos proprietários de oficinas e concessionários,<br />

também abre novas e excitantes<br />

oportunidades.<br />

MOBILIDADE ELÉTRICA<br />

COMO UM SERVIÇO<br />

Para potenciar a entrada de veículos<br />

elétricos nas estradas portuguesas,<br />

é necessário implementar a rede de<br />

carregamento. Para tal, é fundamental<br />

aproveitar a posição estratégica dos<br />

concessionários e oficinas para dinamizar<br />

esta rede.<br />

Em primeiro lugar, as oficinas e os con-<br />

cessionários podem tornar-se pontos de<br />

carregamento para carros elétricos. Esta<br />

medida, para além de contribuir para a<br />

melhoria da infraestrutura e incentivar a<br />

utilização deste tipo de veículos, é também<br />

um atrativo para os utilizadores,<br />

que verão as suas opções de carregamento<br />

multiplicarem-se.<br />

Para além de disponibilizar estações<br />

de carregamento no local aos clientes,<br />

abre-se uma nova oportunidade de<br />

negócio: a venda de dispositivos de<br />

carregamento práticos e acessíveis, para<br />

que os clientes possam carregar os seus<br />

veículos em qualquer circunstância da<br />

vida quotidiana, por exemplo, através<br />

de uma estação de carregamento portátil.<br />

Estes dispositivos darão confiança<br />

aos clientes e dissiparão quaisquer<br />

preocupações que possam ter relativamente<br />

à falta de energia durante viagens<br />

mais longas.<br />

A isto pode juntar-se a oferta de seguros<br />

e produtos financeiros específicos para<br />

veículos elétricos, ou mesmo a instalação<br />

de sistemas fotovoltaicos, quer para<br />

empresas quer para particulares.<br />

36 e-MOBILIDADE


dade. As oficinas e os concessionários<br />

podem tirar partido deste mercado em<br />

crescimento, oferecendo soluções de<br />

carregamento orientadas para o futuro<br />

que permitam adaptar o processo de<br />

carregamento à vida quotidiana dos<br />

condutores.<br />

UM ECOSSISTEMA HOLÍSTICO<br />

PARA PROMOVER<br />

A MOBILIDADE ELÉTRICA<br />

A União Europeia tem claro que 2050 é<br />

o ano marcado a vermelho no calendário<br />

para atingir a descarbonização e a<br />

mobilidade elétrica é uma das principais<br />

alternativas para atingir este ambicioso<br />

objetivo.<br />

Para promover a compra e a utilização<br />

de veículos elétricos entre os cidadãos,<br />

é essencial criar um ecossistema<br />

holístico e interligado que facilite e<br />

torne mais fácil a vida dos condutores<br />

desde o momento em que tomam a<br />

decisão de comprar um veículo. Isto<br />

vai desde a manutenção e reparação<br />

até às infra-estruturas de carregamento,<br />

incluindo aconselhamento técnico<br />

e regulamentar.<br />

As oficinas e os concessionários podem tirar<br />

partido deste mercado em crescimento, oferecendo<br />

soluções de carregamento orientadas para o futuro<br />

que permitam adaptar o processo de carregamento<br />

à vida quotidiana dos condutores.<br />

Ao combinar conhecimentos técnicos<br />

com uma rede bem estabelecida para<br />

ligar os potenciais clientes às partes envolvidas<br />

no sistema elétrico, as oficinas<br />

e os concessionários podem tornar-se<br />

centros de competência em mobilidade<br />

elétrica para tudo o que está relacionado<br />

com a compra de um automóvel<br />

elétrico. Sim. É uma oportunidade?<br />

Com certeza.<br />

*Fundador e diretor executivo da Juice<br />

Technologies<br />

e-MOBILIDADE 37


Reduzir custos ao longo<br />

da cadeia logística com<br />

REALIDADE<br />

AUMENTADA<br />

A realidade aumentada foi concebida para<br />

sobrepor elementos digitais ao mundo real.<br />

Usa sensores para entender o mundo ao<br />

seu redor, numa combinação de giroscópios<br />

e acelerómetros. São nomes estranhos<br />

de dispositivos que usamos diariamente<br />

embutidos no nosso telefone. Um giroscópio<br />

informa quando um objeto em movimento<br />

muda de direção e um acelerómetro é um<br />

sensor que mede a aceleração do dispositivo ao<br />

deslocar-se. Em conjunto com um localizador<br />

de GPS, estes dispositivos permitem que um<br />

aplicativo de telefone possa descobrir onde<br />

está o seu utilizador, para que direção está<br />

virado e a que velocidade se desloca.<br />

FILIPE CARVALHO<br />

CEO Wide Scope<br />

Se já utilizou um filtro do<br />

Instagram, do Snapchat ou<br />

do TikTok onde sobrepõe na<br />

sua imagem uma qualquer<br />

animação e, ao deslocar o<br />

telefone, a animação acompanha e reage<br />

à imagem, fundindo-se nela, então<br />

já utilizou a tecnologia de Realidade<br />

Aumentada.<br />

Convém não confundir Realidade<br />

Aumentada (RA) com Realidade Virtual<br />

(RV). Ao contrário da RA, a realidade<br />

virtual é uma experiência imersiva que<br />

isola os utilizadores do mundo real,<br />

geralmente com a ajuda de auriculares.<br />

Em vez de incorporar elementos<br />

no mundo real, substitui-o. Coloca<br />

os utilizadores em mundos completamente<br />

novos. A RV combina hardware<br />

como capacetes, óculos, auriculares,<br />

passadeiras, comandos, e software<br />

para criar uma experiência envolvente<br />

que cancela o mundo físico e coloca a<br />

percepção sensorial do utilizador num<br />

mundo virtual (Metaverso).<br />

A realidade aumentada e a realidade<br />

virtual fazem parte de um conceito<br />

conhecido como realidade estendida.<br />

No contexto da cadeia logística, a realidade<br />

aumentada tem ganho preponderância<br />

à realidade virtual porque não<br />

podemos prescindir da inserção dos<br />

utilizadores no mundo real. Ou seja,<br />

38 e-MOBILIDADE


podemos ajudar um operador a encontrar<br />

artigos em estantes, com recurso<br />

a uns óculos de realidade aumentada,<br />

indicando-lhe o caminho a percorrer<br />

pelos corredores do armazém. Mas não<br />

faz sentido recorrer a um capacete de<br />

realidade virtual que não lhe permite<br />

ver por onde anda no armazém, que<br />

o retira do mundo real e o transporta<br />

para um mundo virtual. É no mundo<br />

real que ele precisa realizar o seu<br />

trabalho.<br />

REALIDADE AUMENTADA<br />

DESDE A VENDA<br />

O processo de compra de um artigo por<br />

parte de um consumidor passa por várias<br />

etapas. Desde a escolha do artigo até à<br />

sua encomenda e entrega final, são várias<br />

as operações logísticas envolvidas.<br />

Algumas empresas como a IKEA e a<br />

Walmart disponibilizam aplicações<br />

móveis de realidade aumentada para<br />

ajudar os consumidores a decidir os artigos<br />

a comprar. Por exemplo, é possível<br />

apontar para a sua sala com o telefone<br />

MUNDO REAL<br />

Podemos ajudar um operador a<br />

encontrar artigos em estantes,<br />

com recurso a uns óculos de<br />

realidade aumentada, indicandolhe<br />

o caminho a percorrer pelos<br />

corredores do armazém<br />

e visualizar um sofá novo enquadrado<br />

no espaço e na mobília. O sofá será<br />

colocado na imagem pela aplicação de<br />

realidade aumentada que lhe permite<br />

experimentar cores, modelos e dimensões<br />

diferentes. Tudo para o levar a<br />

decidir e encaminhar convincentemente<br />

para a fase de encomenda.<br />

Esta aplicação da tecnologia não visa<br />

somente vender mais, mas sobretudo<br />

reduzir a logística inversa das devoluções.<br />

Se antes de comprar tiver a<br />

possibilidade de experimentar visualizar<br />

a disposição do sofá no enquadramento<br />

da sala, há uma redução do risco de<br />

querer devolver depois de comprado e<br />

entregue. Portanto há uma poupança<br />

inerente na logística inversa no que<br />

concerne à garantia de “satisfação ou<br />

devolução sem custos” que havia sido<br />

prometida.<br />

Ou seja, apesar deste caso de uso da<br />

tecnologia não estar enquadrado explicitamente<br />

numa operação logística,<br />

indirectamente minimiza as operações e<br />

custos associados com a logística inversa<br />

de devoluções.<br />

PASSANDO PELO ARMAZÉM<br />

Uma encomenda precisa ser preparada<br />

em armazém para ser expedida. A<br />

preparação de encomendas implica um<br />

processo de picking de todas as referencias<br />

a expedir, que se encontram em<br />

estantes algures pelo armazém.<br />

Os operadores de armazém têm<br />

dificuldade em encontrar os locais de<br />

onde recolher os artigos. Há várias tecnologias<br />

adequadas à resolução deste<br />

problema, desde voice picking (sistema<br />

de voz que dá instruções ao ouvido<br />

do operador), até pick to light (utiliza<br />

e-MOBILIDADE 39


TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO<br />

Filipe Carvalho<br />

uma sinalética luminosa na estante<br />

para guiar o operador), entre outras.<br />

Colocando uns óculos de realidade<br />

aumentada, o operador é ajudado pelo<br />

sistema através de imagens sobrepostas<br />

com a realidade percepcionada através<br />

das lentes. Ao olhar para os corredores,<br />

os óculos reconhecem o local e indicam<br />

se o operador deve virar à esquerda<br />

ou direita em cada local, conduzindo-o<br />

até à estante onde irá encontrar o<br />

artigo a recolher.<br />

Este sistema, ao contrário por exemplo<br />

dos sistemas de pick to light, não implica<br />

a instalação de nada no armazém<br />

nem a aquisição de hardware especializado.<br />

Apenas uns óculos adequados.<br />

A utilização desta tecnologia permite<br />

assim a redução dos tempos de preparação<br />

de encomendas. Também minimiza<br />

o risco de erros e de posteriores<br />

devoluções de artigos, pelo que esse<br />

tempo e esforço se traduzem numa<br />

redução de custos ao longo da cadeia<br />

de abastecimento.<br />

A realidade aumentada pode também<br />

ser aplicada na manutenção e reparação<br />

de equipamentos. Os técnicos<br />

podem usar a tecnologia para aceder<br />

a manuais digitais, visualizar informações<br />

sobre peças sobressalentes,<br />

A realidade aumentada pode também ser aplicada na<br />

manutenção e reparação de equipamentos. Os técnicos<br />

podem usar a tecnologia para aceder a manuais digitais,<br />

visualizar informações sobre peças sobressalentes,<br />

identificar problemas e receber orientações passo a<br />

passo para solucionar eventuais falhas.<br />

identificar problemas e receber orientações<br />

passo a passo para solucionar<br />

eventuais falhas. Aumenta assim a<br />

eficiência dos processos de manutenção,<br />

reduz o tempo de inactividade<br />

e consequentemente reduz os custos<br />

associados.<br />

AO LONGO DO TRANSPORTE<br />

Uma vez preparada, a encomenda é<br />

expedida. O motorista carrega a viatura<br />

arrumando os artigos de acordo com a<br />

sua ordem de descarga. No entanto, a<br />

acomodação das encomendas na viatura<br />

pode resultar em perdas de tempo em<br />

dois momentos distintos. Um dos momentos<br />

durante a arrumação da carga, e<br />

o outro na entrega ao cliente.<br />

A realidade aumentada ajuda os motoristas<br />

a encontrar o local dentro da viatura<br />

onde acomodar cada artigo, mais<br />

uma vez através de uns óculos adequados.<br />

O motorista só terá de seguir a<br />

indicação para chegar ao local designado<br />

onde acomodar cada encomenda. O<br />

mesmo processo se aplica quando chega<br />

ao cliente e busca a encomenda por<br />

entre todas as outras.<br />

Ao mesmo tempo, esta tecnologia vai<br />

avisando o motorista de quais os artigos<br />

em que não deve pegar e quais são os<br />

correctos.<br />

O motorista poupa assim tempo a<br />

encontrar os locais dos artigos nos<br />

processos de carga e descarga. Também<br />

é reduzido o risco de erros humanos e<br />

entregas trocadas. Por estes motivos, o<br />

custo geral da expedição é menor.<br />

É importante destacar que a realidade<br />

aumentada está em constante evolução,<br />

com novas aplicações e tecnologias a<br />

serem desenvolvidas. A integração da<br />

realidade aumentada com outras tecnologias,<br />

como Internet-of-Things e Big<br />

Data, pode abrir ainda mais possibilidades,<br />

permitindo a recolha de dados<br />

em tempo real e o refinamento das<br />

operações de transporte e logística.<br />

Em resumo, a realidade aumentada<br />

na indústria de transporte e logística<br />

oferece uma forma inovadora de fornecer<br />

informações contextuais e orientações<br />

aos trabalhadores, melhorando<br />

a eficiência, a precisão e a segurança<br />

das operações, mas também reduzindo<br />

custos. À medida que a tecnologia<br />

continua a avançar, é provável que<br />

vejamos um aumento significativo na<br />

adoção da realidade aumentada e sua<br />

integração com outras soluções tecnológicas<br />

para impulsionar ainda mais a<br />

transformação digital do setor.<br />

40 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 41


Continua a não ser um<br />

carro, ainda é um<br />

Por Carlos Branco<br />

Kang<br />

Muitos lembrar-se-ão do primeiro<br />

Kangoo, lançado há 25 anos, de faróis<br />

acentuadamente arredondados,<br />

com as suas portas laterais deslizantes<br />

e amplas superfícies vidradas.<br />

Destinava-se, já então, a famílias que procuravam um<br />

utilitário simples, com muito espaço de arrumação. A<br />

elas o marketing original lhes vendeu o Kangoo, o tal<br />

que “não é um carro”. Foi um sucesso. Tal crédito foi<br />

extensível à campanha de lançamento do Clio. Outro<br />

sucesso. Mas o Kangoo, que já vai na terceira geração,<br />

continua a ser um MPV, da família dos comerciais<br />

ligeiros, com versão van para os profissionais, já<br />

ganhou uma motorização elétrica em 2021 e no início<br />

de setembro dir-se-ia que conquistou o nome próprio<br />

Grand (assim mesmo, en français), não fosse ser este<br />

um adjetivo.<br />

O que lhe fica bem, pois destina-se às mesmas famílias,<br />

ainda que mais numerosas, pois agora tem sete<br />

lugares (2+3+2) – há fixações ISOFIX nos cinco lugares<br />

traseiros –, mantém os portões deslizantes para<br />

melhor acesso à terceira fila, espaço para as pernas,<br />

arrumação com fartura, ganhou na visibilidade, tal<br />

a disposição dos lugares (com piso de elevação crescente,<br />

tipo cinema), tem motorização elétrica e duas<br />

opções a combustão interna - uma diesel de 95 cv e<br />

outra a gasolina de 130 cv - e adequa-se ao trabalho<br />

de profissionais de transporte.<br />

TRÊS TIPOS DE EQUIPAMENTO<br />

A nova gama inclui três versões: Authentic, com<br />

todos os equipamentos essenciais para empresas ou<br />

clientes que pretendem utilizar o seu veículo para<br />

deslocações pessoais e profissionais; Equilibre, para<br />

42 e-MOBILIDADE


Uma transição justa, construtores mais preocupados com o ambiente e práticas mais sustentáveis na<br />

indústria automóvel. Ora aí está tudo dito, de uma só vez, mesmo que nem todos sigam este lead.<br />

A Renault investiu forte e no caso da nova Scénic E-Tech (integralmente elétrico a bateria), 24% dos<br />

materiais utilizados na sua construção são reciclados. Foi uma das novidades da marca francesa no<br />

Salão da Mobilidade, em Munique, apresentada no dia 4 de setembro. Num segundo caso, um dia<br />

depois, voltou a mostrar-nos que o Kangoo continua a não ser um carro, assim nos foi apresentado<br />

na publicidade original, só que agora é maior e é elétrico.<br />

oo<br />

COM A SCÉNIC E-TECH<br />

E O GRAND KANGOO,<br />

A RENAULT APRESENTOU<br />

NO SALÃO DE MUNIQUE<br />

DUAS IMPORTANTES<br />

NOVIDADES<br />

e-MOBILIDADE 43


MODO DE CONDUÇÃO<br />

O novo Grand Kangoo é alimentado<br />

por um motor de 90 kW, com 245<br />

Nm de binário. Pode mudar o modo<br />

de condução para Eco, que limita a<br />

potência a 56 kW e limita a velocidade<br />

do automóvel a 110 km/h, para<br />

otimizar a autonomia<br />

entidades e negócios locais que pretendem<br />

prestar serviços de transporte de<br />

passageiros com impacto positivo, de<br />

forma confortável e económica e Techno,<br />

para famílias e profissionais que pretendem<br />

padrões de conforto e segurança<br />

sem compromissos, juntamente com um<br />

design distinto e características práticas,<br />

como barras de tejadilho.<br />

Também são três os modos de travagem<br />

regenerativa: Sailing, que proporciona<br />

uma regeneração limitada, que funciona<br />

melhor em autoestradas e vias rápidas;<br />

Drive, o modo de regeneração predefinido,<br />

para uma variedade de situações<br />

(a resposta quando se tira o pé do pedal<br />

do travão é semelhante à de um veículo<br />

a combustão interna) e Brake para uma<br />

regeneração máxima, que funciona me-<br />

44 e-MOBILIDADE


lhor em engarrafamentos e em estradas<br />

de montanha. O sistema de travagem hidráulico<br />

convencional é associado a um<br />

sistema ARBS (Adaptative Regenerative<br />

Brake System) que maximiza a recuperação<br />

de energia.<br />

As encomendas começam<br />

no final deste<br />

ano e as primeiras<br />

entregas estão previstas<br />

para o início de<br />

2024.<br />

MODULARIDADE<br />

Com mais pormenores<br />

estilísticos,<br />

também mais atuais,<br />

ainda é um MPV, mas que deixa para a<br />

versão de série a capacidade de trabalho<br />

com cargas. Mas esta modularidade é<br />

bem enfatizada pela Renault, que reclama<br />

a possibilidade de realizar 1024 configurações<br />

dos bancos traseiros, pois são<br />

independentes, deslizantes, rebatíveis,<br />

retráteis e amovíveis, como tal permitindo<br />

um comprimento de carga de 3,11<br />

As encomendas<br />

começam no final deste<br />

ano e as primeiras<br />

entregas estão previstas<br />

para o início de 2024<br />

m com o banco do passageiro da frente<br />

rebatido. Com os sete lugares colocados<br />

em ordem tem 500 litros de capacidade,<br />

mas uma vez rebatidos seis daqueles ela<br />

é aumentada para 3750 litros.<br />

Equipado com dois tipos de carregadores<br />

– rápido de 22 kW<br />

AC para recarregar<br />

a bateria de 15% a<br />

80%, em 2 horas e<br />

40 minuto e de 22<br />

kW AC - 80 kW<br />

DC (standard), para<br />

adicionar 170 km de<br />

autonomia, em 27<br />

minutos.<br />

A nova bateria de<br />

iões de lítio, de 45 kWh (totalmente<br />

utilizável), do novo Grand Kangoo<br />

E-Tech 100% elétrico, tem 8 módulos<br />

independentes e facilmente reparáveis,<br />

proporcionando até 265 km de autonomia<br />

WLTP – o que a marca diz ser<br />

suficiente para a maioria das deslocações<br />

diárias. A garantia destas é de oito anos<br />

ou 160.000 km e durante aquele período<br />

TER-SE-Á ESGOTADO<br />

O PRAZO DA<br />

COMBUSTÃO NOS VCL<br />

Heinz-Jurgen Low, vice-presidente da<br />

Renault para o setor dos veículos comerciais<br />

ligeiros (VCL), admite que a marca<br />

ainda não fechou a porta à produção<br />

de algum outro comercial ligeiro com<br />

motorização a combustão interna, mas<br />

também advoga que o processo de<br />

descarbonização e eletrificação seguida<br />

pela Renault, e a necessária redução<br />

das emissões, bem assim como as boas<br />

experiências que tem recolhido com este<br />

processo não pressupõem tal caminho,<br />

pelo menos nos próximos três anos. No<br />

segmento dos pesados, esse caminho<br />

passará pela eletrificação com recurso<br />

ao hidrogénio, tido como um percurso<br />

natural.<br />

Numa mesa redonda com jornalistas<br />

portugueses, na qual a <strong>eMOBILIDADE+</strong><br />

tomou parte, aquele quadro da Renault<br />

avaliou também os atuais preços dos<br />

veículos comerciais, estimando que os<br />

aumentos previsíveis dos modelos a<br />

combustão interna “têm a ver com as<br />

maiores exigências das normas europeias<br />

no que concerne às emissões, de<br />

igual forma que as motorizações elétricas<br />

têm tendência para baixar os custos.”<br />

Avaliando que a demora no lançamento<br />

da versão Grand da Kangoo teve a ver<br />

com os constrangimentos provocados<br />

pela pandemia e com a falta de componentes<br />

eletrónicos, Heinz-Jurgen Low<br />

falou também que a futura nova Master<br />

será desenhada de raiz e será preparada<br />

para a adoção do hidrogénio como<br />

fonte motriz, o que deverá acontecer em<br />

2025, como opção ao veículo elétrico,<br />

algo que não está a ser pensado para a<br />

Trafic.<br />

Tendo em conta os desafios futuros da<br />

última milha, e levando em consideração<br />

a falta de parqueamentos nas zonas<br />

centrais das grandes cidades, a Renault<br />

poderá estar a pensar em modelos da<br />

gama intermédia, isto é, entre as versões<br />

curta e longa das van. “Temos algo em<br />

mente, seguindo o que nos dizem os<br />

clientes.É um assunto difícil, mas espero<br />

que em breve possamos revelar o nosso<br />

plano para a última milha”, concluiu o<br />

responsável da Renault para os veículos<br />

comerciais ligeiros.<br />

e-MOBILIDADE 45


EVENTO<br />

Salão de Munique<br />

são substituídas, gratuitamente, se a sua<br />

capacidade for inferior a 70% do seu<br />

‘State of Health’ (estado de funcionamento).<br />

Se parar durante 10 minutos num<br />

ponto de carregamento de 80 kW DC,<br />

pode recuperar 80 km de autonomia.<br />

O novo Grand Kangoo é alimentado por<br />

um motor de 90 kW, com 245 Nm de binário.<br />

Pode mudar o modo de condução<br />

para Eco, que limita a potência a 56 kW<br />

e limita a velocidade do automóvel a 110<br />

km/h, para otimizar a autonomia.<br />

TEST DRIVE EM BORDÉUS<br />

Dias depois da apresentação em Munique,<br />

a Renault proporcionou um<br />

test-drive com o novo Kangoo, em Bordéus,<br />

ocasião para revelar o novo Trafic<br />

E-Tech. Após conversa com o líder de<br />

desenvolvimento de produto, Jean-Louis<br />

Wiedelmann, a <strong>eMOBILIDADE+</strong> levou<br />

em conta as características destacadas<br />

pelo ‘pai’ do Kangoo E-Tech.<br />

Em primeiro lugar, a capacidade de<br />

regeneração de energia, com três modos,<br />

acionáveis no seletor de marcha. Em<br />

desaceleração ou em travagem a capacidade<br />

regenerativa de energia está sempre<br />

ativa, mas menos percetível nas posições<br />

1 e 2, significando que o travão-motor-<br />

-regenerador atua, mas aproveita melhor<br />

a inércia. O mesmo já não sucede na<br />

posição 3, pois ela é canalizada para<br />

regeneração.<br />

O desempenho do motor não nos deixa<br />

de pé atrás. O veículo é despachado e a<br />

condução é amigável e precisa. A cabina<br />

é espaçosa, os portões deslizantes são<br />

generosos e o espaço para a carga não<br />

merece reparos. Destaque para a possibilidade<br />

de acolher uma escada, com dois<br />

suportes dedicados e um repouso frontal<br />

colocado sobre a cabeça do passageiro,<br />

que a dissimula. Para o efeito foi colocado<br />

um resguardo com material de forro e<br />

acabamento igual ao do tejadilho. Sobra<br />

espaço para uma boa habitabilidade.<br />

Rebatidas as costas do terceiro banco<br />

(central) é possível retirar um tabuleiro<br />

para colocar um computador, ou beneficiar<br />

de espaço para realizar uma pequena<br />

refeição.<br />

Ainda que a sua vida já seja longa, a Scénic soube<br />

evoluir. Acima de tudo, com uma motorização<br />

totalmente elétrica, parte do projeto que a Renault<br />

executa para a reformulação do segmento C para as<br />

famílias, tendo em conta que a Scénic foi concebida<br />

para ser o carro principal de uma família, para<br />

longas viagens aos fins-de-semana e nas férias<br />

46 e-MOBILIDADE


SCÉNIC E-TECH<br />

É a Renaulution para as famílias<br />

A<br />

legião de seus utilizadores não o<br />

deve saber, mas Scénic é o acrónimo<br />

de “Safety Concept Embodied<br />

in a New Innovative Car” (conceito<br />

de segurança incorporado num novo<br />

automóvel inovador) e há 27 anos que<br />

se escreve esta história feita pelo primeiro<br />

monovolume compacto da história<br />

automóvel europeia, título herdado da<br />

sua “mãe”, a Espace, nascida em 1984,<br />

maior, mais espaçosa, com apontamentos<br />

ao nível dos carros de topo de gama,<br />

sejam pelo conforto, equipamento e<br />

comportamento em estrada. Chega ao<br />

mercado português no início de 2024.<br />

QUASE TUDO RECICLÁVEL<br />

É o primeiro automóvel<br />

familiar elétrico concebido<br />

de forma mais<br />

sustentável. Montado na fábrica Electri-<br />

City de Douai, abre um novo caminho<br />

para uma mobilidade mais ecológica,<br />

pois até 24% dos materiais do automóvel<br />

são reciclados e 90% da sua massa<br />

- incluindo a bateria - é reciclável, nos<br />

termos da Diretiva 2005/64/CE, em<br />

instalações industriais.<br />

Ainda que a sua vida já seja longa, a<br />

Scénic soube evoluir. Acima de tudo,<br />

com uma motorização totalmente elétrica,<br />

parte do projeto que a Renault executa<br />

para a reformulação do segmento<br />

C para as famílias, tendo em conta que<br />

a Scénic foi concebida para ser o carro<br />

principal de uma família, para longas<br />

viagens aos fins-de-semana e nas férias.<br />

É anunciada uma autonomia de 620 km<br />

(ciclo WLTP), valor que não pode ser<br />

negligenciado. O motor debita até 160<br />

kW (equivalente a 220 cv).<br />

Construído sobre uma plataforma comum<br />

desenvolvida pela aliança Renault-Nissan-Mitsubishi,<br />

a distância entre<br />

eixos é pequena em relação à média do<br />

segmento, mas o seu espaço é recorde.<br />

Tem uma bateria compacta (fornecendo<br />

até 87 kWh), que liberta ainda mais<br />

espaço no interior do automóvel para<br />

aproveitar ao máximo as proporções<br />

ideais. Se há algo que as gerações anteriores<br />

da Scénic sempre teve é o espaço.<br />

ESPAÇO, SEMPRE ESPAÇO<br />

Com este renascimento, ele não foge à<br />

regra, pois o teto plano e a distância entre<br />

eixos de 2,78 metros abrem espaço<br />

para os passageiros (incluindo um raio<br />

de 278 mm para os joelhos na parte<br />

de trás) e para a bagagem (545 litros),<br />

sendo que os bancos são rebatíveis<br />

individualmente. O inovador teto de<br />

vidro opacificante Solarbay (pode ser<br />

acionado por voz) e o apoio de braços<br />

Ingenious completam a gama de comodidades<br />

que aumentam o conforto.<br />

O sistema multimédia OpenR Link<br />

inclui mais de 50 aplicações para que<br />

possa planear uma viagem sem esforço<br />

e a assinatura sonora caraterística tem<br />

mão de profissional – é resultado de um<br />

trabalho de equipa com o compositor<br />

francês Jean-Michel Jarre.<br />

E o novíssimo Scénic E-Tech é o primeiro<br />

modelo elétrico da gama Renault<br />

a integrar o acabamento Esprit Alpine,<br />

que lhe confere um caráter desportivo e<br />

estimulante. A grelha é cativante, plena<br />

de losangos estilizados e as jantes vão<br />

despertar muita atenção, pormenores<br />

como outros crossover já o têm experimentado.<br />

Em alguns plásticos está<br />

mesmo representado o símbolo de economia<br />

circular, sinal de que o material<br />

pode ser reciclado.<br />

e-MOBILIDADE 47


MG4<br />

Cheio de estilo<br />

É urbano e compacto, mas é bem capaz de ser visto nos espaços amplos;<br />

por fora tem traços futuristas, no interior é algo minimalista. Inteligente e<br />

tecnologicamente avançado, tem um ar jovem e irrequieto. E é elétrico, cheio de<br />

estilo. Já se percebeu que é um MG. Ou melhor, o MG4.<br />

A<br />

marca tem pedigree inglês, nascido nas Garagens<br />

Morris, a partir de um traço italiano com que Pininfarina<br />

imortalizou o modelo MGB GT. Ainda que<br />

passado, ele é indelével. Mas há um futuro promissor<br />

a cargo da chinesa SAIC Motor, a empresa-mãe<br />

da MG, que concebeu o MG4 para o que diz ser o caminho para<br />

a democratização do acesso ao mercado dos veículos elétricos a<br />

bateria. Tudo começa nos 32,990€.<br />

A questão da autonomia, depois do preço, não é pormenor quase<br />

insignificante, pois se a distância entre carregamentos se prolonga<br />

por 450 Km há que pensar seriamente no seu concurso. É preciso<br />

levar em conta que uma carga rápida DC de 135 kW permite<br />

que a bateria seja reabastecida até 80% em apenas 35 minutos.<br />

Assim se passa com o MG4.<br />

Prossigamos pela unidade propulsora, que tem dois níveis de<br />

potência (125 kW e 150 kW), em qualquer dos casos com um<br />

binário máximo de 250 Nm. A capacidade da bateria varia entre<br />

51 e 64 kWh - dita como a mais fina do mercado, com apenas<br />

110 mm de espessura -, possibilitando autonomias entre os 350<br />

e os 450 Km, sendo que a velocidade máxima está limitada aos<br />

160 Km/h. A aceleração é interessante, entre 7,7 e os 7,9s dos<br />

0/100 km/h, consoante a potência instalada. Diz a marca que o<br />

consumo de energia variará entre os 160 e os 170 Wh/km. Tudo<br />

dependerá da força exercida no pedal.<br />

Já o carregamento CA trifásico permite uma carga completa durante<br />

a noite (cerca de 6,5 horas a 11 kW). O sistema avançado<br />

de gestão da bateria assegura uma autonomia estável e eficiente<br />

em climas frios, e pré-aquece ativamente a bateria para melhorar<br />

a eficiência da carga.<br />

Paralelamente, e complementando o redesenho do avançado<br />

sistema de refrigeração, o sistema de One-Pack Battery oferece<br />

três grandes vantagens: integração ultra-alta, vida útil ultra-longa<br />

e proteção de segurança sem fugas térmicas.<br />

SPOILER DISTINTIVO<br />

Com mais autonomia, o estilo apurado combina, sem esfor-<br />

Com uma nova plataforma escalável<br />

modular (MSP), desenvolvida pela<br />

SAIC Motor, a tração traseira,<br />

juntamente com a distribuição de peso<br />

50:50, ajuda-o a dominar as curvas<br />

mais apertadas, enquanto que a direção<br />

proporciona maior precisão e uma<br />

condução ágil<br />

48 e-MOBILIDADE


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS<br />

Equipamento Standard Comfort Luxury<br />

Potência (kW) 125 150 150<br />

Binário (Nm) 250 250 250<br />

Bateria (kWh) 51 64 64<br />

ço, um exterior futurista e expressivo com um design interior<br />

minimalista e de fácil utilização. Com um sistema de iluminação<br />

inteligente e um tejadilho aerodinâmico de dois tons, é um<br />

exercício de design que se destaca dos demais. É um chamariz,<br />

com faróis LED distintivos e um spoiler de asa dupla com luzes<br />

de travagem elevadas.<br />

No interior, encontramos o simples mas sofisticado painel de<br />

instrumentos digital flutuante e ecrã táctil do infoentretenimento,<br />

juntamente com um volante desportivo de dois raios.<br />

Com uma nova plataforma escalável modular (MSP), desenvolvida<br />

pela SAIC Motor, a tração traseira, juntamente com a distribuição<br />

de peso 50:50, ajuda-o a dominar as curvas mais apertadas, enquanto<br />

que a direção proporciona maior precisão e uma condução<br />

ágil, em cinco modos: Normal, Eco, Sport, Neve e Personalizado.<br />

O novo MG4 Electric vem de série com a tecnologia inovadora<br />

MG iSMART que integra a comunicação entre o carro, a Internet<br />

e o utilizador. É possível monitorizar o carro com controlo<br />

de voz, mãos livres e encontrar o local onde foi parqueado, ou<br />

Pot. max. carga (kW) 117 135 135<br />

Tempo carga (10-80%) 40’ 35’ 35’<br />

Vel. Max. (km/h) 160 160 160<br />

Aceleração (0-100 km/h) 7,7’’ 7,9’’ 7,9’’<br />

Autonomia (km, WLTP) 350 450 435<br />

Consumo (Wh/km) 170 160 166<br />

Preço (€) 32.990 37.590 39.590<br />

um ponto de carregamento próximo com a MG App. Permite,<br />

inclusivamente, ligar o sistema de climatização para arrefecer ou<br />

aquecer o habitáculo antes de lhe aceder. Com ponto de acesso<br />

Wi-Fi e chave-Bluetooth, dispõe de ecrã táctil de 10,25 polegadas.<br />

Novamente, o MG iSMART a possibilitar mais vantagens,<br />

como encontrar locais de interesse e transmissão de música<br />

online com um toque ou dois, programação do carregamento<br />

da bateria.O sistema de segurança MG Pilot utiliza tecnologias<br />

parcialmente automatizadas de assistência ao condutor. A saber:<br />

Cruise Control Adaptativo (ACC); Controlo Inteligente dos<br />

Faróis (IHC); Sistema de Assistência à Velocidade (SAS); Aviso<br />

de Colisão Frontal (FCW); Aviso de saída da faixa de rodagem<br />

(LDW); Assistência em caso de congestionamento de trânsito<br />

(TJA); Lane Keeping Assisting (LKA); Aviso de mudança de<br />

faixa de rodagem (LCW); Assistência à Manutenção na Faixa de<br />

rodagem por Emergência (ELK); Detector de Ângulos Mortos<br />

(BSM); Alerta de Trânsito à Retaguarda (RCTA); Aviso de Portas<br />

Abertas (DOW); Aviso de Colisão Traseira (RCW). Uma câmara a<br />

360º capta a envolvente do veículo em tempo real, reduzindo os<br />

ângulos mortos e tornando a condução e o estacionamento mais<br />

fáceis e seguros.<br />

e-MOBILIDADE 49


Uma força<br />

chinesa<br />

IAA MOBILITY DE MUNIQUE<br />

REVELOU NOVAS TENDÊNCIAS<br />

na pátria<br />

do automóvel<br />

50 e-MOBILIDADE


O salão automóvel, tal como o conhecíamos, caiu de maduro e morreu. Agora, é<br />

o da mobilidade elétrica, em múltiplas facetas, e onde o automóvel passou a ser<br />

(quase) um figurante. Em Munique, no IAA Mobility, no início de setembro, mais<br />

que entre quatro paredes, ele foi bem vivido nas grandes praças, com público, não<br />

com profissionais. Aí sim, foi feita a apologia ao automóvel. E o futuro começará a<br />

apontar-nos que ser dono de um carro tende a ser uma memória.<br />

e-MOBILIDADE 51


Nononono EVENTO no no no<br />

Nono IAA Mobility no nono nononono<br />

Se vai comprar um carro, pense<br />

bem. Pense se será melhor<br />

desembolsar umas dezenas<br />

de milhar de euros, ou se o<br />

melhor negócio poderá passar<br />

por subscrever o direito a conduzir uma<br />

viatura, naturalmente elétrica, sem ter<br />

que se preocupar muito com o seu futuro,<br />

ou com a sua manutenção. E daqui<br />

a uns tempos ponderar uma mudança,<br />

novamente com recurso à subscrição.<br />

É por isso que numerosas entidades<br />

bancárias apareceram no recinto da<br />

feira de Munique, onde se realizou o<br />

IAA Mobility, anteriormente conhecido<br />

como Salão Automóvel de Frankfurt.<br />

A pandemia mudou tudo. Os salões<br />

morreram. Agora é uma exposição,<br />

mas que já não gravita como outrora<br />

em torno de máquinas de sonho.<br />

Fabricantes de componentes, de<br />

aplicações eletrónicas, de plásticos,<br />

de bicicletas, motos, helicópteros,<br />

veículos de condução autónoma, compraram<br />

parte dos espaços que eram<br />

ocupados pelos grandes construtores<br />

automóveis, que desembolsavam fortunas<br />

para ali estarem presentes com<br />

uma dúzia de modelos e batalhões de<br />

colaboradores.<br />

52 e-MOBILIDADE


TUDO PARA<br />

MOBILIDADE<br />

O IAA Mobility já não gravita<br />

como outrora em torno de<br />

máquinas de sonho. Reúne hoje<br />

fabricantes de componentes, de<br />

aplicações eletrónicas, de plásticos,<br />

de bicicletas, motos, helicópteros,<br />

veículos de condução<br />

autónoma, entre outros<br />

NOVO PARADIGMA<br />

A surpresa foram os chineses, que estão a<br />

desembarcar na Europa, capital do automóvel<br />

e, no caso, na catedral desta indústria,<br />

a uma cadência inusitada, com carros<br />

bem mais baratos que os europeus. O que<br />

aconteceu às grandes marcas europeias<br />

para mudarem de ideias, e muitos a nem<br />

sequer aparecerem, como o grupo Stellantis,<br />

e as tradicionais marcas japonesas?<br />

Porventura, poupanças, pois a transição<br />

energética obriga-os a gastar mais do<br />

que esperavam, por não quererem medir<br />

protagonismo (não a notoriedade) com a<br />

armada chinesa, que não poupa na bolsa.<br />

Mas, principalmente, porque os tempos<br />

são outros, pelo que é preferível gastar<br />

boa parte desse orçamento numa exposição<br />

mais próxima dos potenciais clientes,<br />

nas ruas e praças e nas redes sociais.<br />

Munique entendeu que assim poderia ter<br />

algum sucesso. E teve razão.<br />

e-MOBILIDADE 53


EVENTO<br />

IAA Mobility<br />

Também houve espaço para<br />

pequenas empresas que<br />

promoveram microcarros,<br />

bicicletas e motos elétricas,<br />

além de uma panóplia de<br />

instrumentos eletrónicos de<br />

ajudas à condução e ao conforto<br />

ALEMÃES NA RUA,<br />

BYD HOLLYWOODESCA<br />

As grandes marcas alemãs, também a<br />

Renault, mas também a chinesa BYD,<br />

foram para a rua e fizeram uma festa<br />

com os adeptos dos automóveis. Fizeram<br />

test-drives, ofereceram espectáculos,<br />

entretiveram os passantes e<br />

convidados, encheram-nos de comida<br />

e bebida. E mostraram os carros,<br />

longe dos chineses, que captaram a<br />

atenção da imprensa internacional nos<br />

espaços da feira.<br />

A BYD montou um cenário cinematográfico<br />

para apresentar seis novos<br />

modelos de uma só vez, a série Seal<br />

e a submarca Denza (parceria com a<br />

Mercedes-Benz). Mas também a MG,<br />

a Seres, a Forthing (destaque para o<br />

gigante U-Tour V9), a Nobo, a Yoyo, e<br />

outros de quem nunca tínhamos ouvido<br />

falar, reclamaram olhares.<br />

A BMW jogou em casa e deu destaque<br />

ao i7 Protection, ao iX5 Hidrogénio<br />

e à sua visão do Neue Klasse. A VW<br />

apostou no concept car iD.GTi e a<br />

Mercedes-Benz no E400 e 4Matic. E a<br />

Audi com o E-Tron. E foi quase tudo.<br />

O que é pouco.<br />

A Opel reservou pequeno espaço para<br />

um Experimental. O resto ficou reservado<br />

para pequenas empresas com<br />

divulgaram conceitos de mobilidade com<br />

microcarros, bicicletas e motos elétricas e<br />

uma panóplia de instrumentos eletrónicos<br />

de ajudas à condução e ao conforto.<br />

Em 2024 há outro “salão”, o IAA<br />

Transports, em Hannover, esse dedicado<br />

aos pesados e de mercadorias e de<br />

passageiros, cujo interesse é reservado,<br />

claramente, a profissionais.<br />

PRESENÇA PORTUGUESA: ABIMOTA E AFIA MOSTRAM O QUE VALEM<br />

A indústria automóvel e da mobilidade precisam de componentes<br />

e as empresas portuguesas são fortes nesse particular,<br />

razão pela qual são presença assídua neste tipo de certames.<br />

Segundo Adão Ferreira, secretário geral da Associação de<br />

Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), que organizou<br />

um stand com o apoio da AEP e que serviu de chapéu para<br />

cinco empresas - Maxiplás (injeção de plásticos, Pombal),<br />

Festo (injeção plásticos, Braga) Incompol (metalo-mecânica,<br />

Samora Correia), Tecniforja (metalo-mecânica, Lixa), CS<br />

Plastic (injeção de termoplásticos, Santo Tirso) - “em Portugal<br />

há 350 fabricantes de componentes que fornecem a indústria<br />

automóvel, responsáveis por 63 mil postos de trabalho e 13<br />

mil milhões de euros de faturação [12.000 milhões de exportação,<br />

maioritariamente para Espanha, Alemanha e França].”<br />

Sérgio Gonçalves e Sérgio Ribeiro, representaram a Abimota<br />

(Associação dos Industriais de Duas Rodas). Nada tinham<br />

para vender, mas apenas para mostrar: “O objetivo é promover<br />

Portugal enquanto fornecedor de bicicletas. Fazemos<br />

agora a promoção da agenda mobilizadora, um investimento<br />

superior a 200 milhões de euros para os próximos anos.<br />

Portugal produz mais de 3 milhões de bicicletas por ano, é o<br />

maior fabricante da Europa. Desde 2015 exportávamos cerca<br />

de 150 milhões por ano, mas nos dias de hoje já atingimos<br />

os 900 milhões, tal tem sido o crescimento”, sintetizou Sérgio<br />

Gonçalves, enquanto descrevia a bicicleta exposta no stand,<br />

basicamente um quadro em fibra de carbono, monocoque,<br />

sem colagens e que pesa apenas 600 gramas, sem paralelo.<br />

“O que aqui mostramos é o know-how e a inovação portugueses,<br />

que despertam muita curiosidade. Se tudo correr<br />

bem, iremos ter o primeiro centro de inovação das duas<br />

rodas na Europa, pois podemos fazer parte da linha da frente<br />

nesta indústria. O nosso trabalho é dar essa notoriedade.”<br />

54 e-MOBILIDADE


ELÉTRICO<br />

Micromobilidade<br />

é com o Microlino<br />

“<br />

Isto<br />

não é um carro”, diz o slogan da empresa<br />

suíça Micro Mobility, mas que glosa o que se<br />

dizia do Kangoo da Renault. E não é mesmo, é<br />

um quadriciclo elétrico, inspirado no conceito<br />

carro-bolha da BMW, o Isetta, nascido no<br />

pós-Guerra, em Munique, em 1956. Há dias, no IAA<br />

Mobility, naquela mesma cidade, reencontrámo-lo com<br />

outras roupagens, nome e código. É o Microlino, e já é<br />

2.0, que há muito está a ser desenvolvido pela empresa<br />

suíça e que agora é produzido<br />

pelos italianos da Taz zari, de<br />

Turim, candidato a concorrer<br />

com o AMI, da Citroen, e o<br />

Topolino, da FIAT.<br />

Pois o Microlino, carro de<br />

aptidão urbana, fez as delícias<br />

da assistência, que se sentaram<br />

ao volante e admiraram<br />

O Microlino ocupa um terço<br />

do espaço reclamado por uma<br />

veículo convencional e é dos<br />

poucos que pode estacionar<br />

paralelamente ao passeio<br />

a espartana disposição interior, pois é despido de tudo e<br />

mais alguma coisa a que estamos habituados, agregando<br />

apenas o essencial para poder ser conduzido. Acolhe<br />

dois passageiros e, diz a empresa, pode acomodar três<br />

caixas de cerveja na bagageira...<br />

A série de lançamento – Pioneer – tem duas opções<br />

de baterias - 8 kWh (125 km de autonomia) ou 14.4<br />

kWh (200 km), pode ser carregado numa simples<br />

tomada doméstica em apenas quatro horas. A motorização<br />

é de 12,5 kW (16 cv),<br />

para 89 Nm de binário e um<br />

peso de apenas 500 kg. A velocidade<br />

máxima está limitada<br />

aos 90 km/h e acelera de 0-50<br />

km/h em apenas cinco segundos.<br />

O preço é demasiado<br />

elevado, podendo variar entre<br />

os 12 e os 16 mil euros.


Um problema global<br />

ESTIMATIVA<br />

Estima-se que um terço dos<br />

motoristas estejam em processo de<br />

reforma de atividade nos próximos<br />

três anos em muitos países, pelo<br />

que aquelas vagas assinaladas e<br />

não preenchidas poderão mais<br />

do que duplicar até 2026


Como atrair e manter<br />

os motoristas de camião?<br />

A escassez global de motoristas de camião está a tornar-se um grande<br />

problema que afeta todo o setor de transportes. Segundo um estudo de<br />

2022 da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), mais<br />

de 2,6 milhões de vagas ficaram por preencher no ano anterior. A razão<br />

é simples: se os mais velhos estão a chegar à idade da reforma, o setor<br />

não está a conseguir atrair os jovens. É preciso saber porquê.<br />

Por Carlos Branco<br />

Os seus motoristas são a imagem<br />

de marca da sua empresa,<br />

são a cara do seu negócio,<br />

aqueles que, todos os dias,<br />

são os primeiros que se apresentam<br />

aos seus clientes. Ao fim e ao cabo,<br />

os melhores condutores contribuem para<br />

o desenvolvimento geral do negócio, por<br />

isso é importante que sejam reconhecidos e<br />

que estes saibam com o que podem contar<br />

da sua empresa. A dedução é tirada por<br />

Delphine Maury, analista sénior de mercado<br />

da Volvo Group Truck Technology (GTT).<br />

Apoiando-se em estudos recentes, em pesquisas<br />

internas e inquéritos online, Delphine<br />

descreveu na página oficial da Volvo Trucks<br />

de que forma os empregadores podem atrair<br />

motoristas e, mais importante ainda, como<br />

mantê-los motivados.<br />

De acordo com o relatório da IRU, segun-<br />

e-MOBILIDADE 57


ESTUDO<br />

Escassez de motoristas<br />

do o qual a escassez global crónica de<br />

motoristas profissionais de camiões,<br />

autocarros e táxis está em aceleração,<br />

fazendo com que cerca de 11% das<br />

vagas não tenham sido preenchidas em<br />

2022, estima-se que um terço dos motoristas<br />

estejam em processo de reforma<br />

de atividade nos próximos três anos em<br />

muitos países, pelo que aquelas vagas<br />

assinaladas e não preenchidas poderão<br />

mais do que duplicar até 2026.<br />

Ora, a situação, que à falta de paliativo<br />

eficaz tenderá a ser dramática, não afeta<br />

apenas os operadores de transportes e<br />

os seus serviços, já que as consequências<br />

poderão ser vistas - já o foi, e ainda<br />

não há muito tempo, no Reino Unido<br />

- em todas as cadeias de suprimentos,<br />

afetando empresas e consumidores em<br />

todo o mundo.<br />

MEDIDAS URGENTES<br />

A tal ponto que a IRU (representante<br />

de mais de 3,5 milhões de operadores<br />

de transporte), de braço dado com a<br />

gigante Federação Internacional dos<br />

A escassez de motoristas está a sair do controlo,<br />

e rapidamente. Equilibrar a oferta e a procura de<br />

mão-de-obra a nível mundial através de medidas<br />

simples para facilitar a imigração legal e pôr termo<br />

à exploração de condutores<br />

Trabalhadores em Transportes (ITF),<br />

pois associa perto de 18,5 milhões de<br />

funcionários, lançaram em junho deste<br />

ano um plano para ajudar a resolver a<br />

escassez de motoristas (ver quadro).<br />

Pode ler-se no comunicado conjunto<br />

daquelas entidades, citado pela IRU,<br />

que tal abordagem visa atenuar a escassez<br />

de condutores e os desequilíbrios<br />

do mercado de trabalho dos transportes,<br />

assegurar condições de trabalho e<br />

normas dignas para os condutores que<br />

trabalham fora do seu país de origem e<br />

simplificar e aplicar regras para trabalhadores<br />

e empregadores. “A escassez<br />

de motoristas está a sair do controlo, e<br />

rapidamente. Urge equilibrar a oferta e<br />

a procura de mão-de-obra a nível mundial<br />

através de medidas simples para<br />

facilitar a imigração legal e pôr termo à<br />

exploração de condutores não residentes<br />

é uma forma de resolver o problema,<br />

apoiar o trabalho digno e mantendo os<br />

serviços vitais de transporte rodoviário<br />

em movimento”, disse Umberto de<br />

Pretto, secretário-geral da IRU.<br />

“Os governos, os empregadores de<br />

transporte e os clientes multinacionais<br />

de transporte devem trabalhar em conjunto<br />

com os sindicatos para construir<br />

um trabalho decente para acabar com<br />

a escassez de motoristas. O transporte<br />

PREOCUPAÇÕES<br />

INCENTIVOS<br />

SALÁRIO 3%<br />

OUTROS 2%<br />

AUTONOMIA 5%<br />

SAÚDE 6%<br />

FAMÍLIA/CASA 7%<br />

FAMÍLIA/CASA 8%<br />

EMPREGABILIDADE 49%<br />

EMPREGABILIDADE 7%<br />

SALÁRIO 36%<br />

NOVOS<br />

EMPREGADOR 9%<br />

NOVOS<br />

FORMAÇÃO 15%<br />

TEMPO SOZINHO 9%<br />

EMPREGADOR 17%<br />

VIAGENS 11%<br />

FORMAÇÃO 16%<br />

SALÁRIO 6%<br />

FAMÍLIA/CASA 6%<br />

OUTROS 1%<br />

FAMÍLIA/CASA 9%<br />

EMPREGADOR 47%<br />

TEMPO SOZINHO 6%<br />

VIAGENS 10%<br />

SALÁRIO 42%<br />

EXPERIENTES<br />

EXPERIENTES<br />

EMPREGADOR 16%<br />

CONDIÇÕES DE TRABALHO 38%<br />

AUTONOMIA 19%<br />

Fonte: Volvo (www.volvotruck.com)<br />

Fonte: Volvo (www.volvotruck.com)<br />

58 e-MOBILIDADE


odoviário só será capaz de atrair e reter<br />

condutores se assentar na cooperação<br />

entre todas as partes interessadas e os titulares<br />

de direitos para garantir trabalho<br />

digno, direitos laborais fundamentais e<br />

verdadeiras proteções sociais”, declarou<br />

Stephen Cotton, o seu homólogo da ITF.<br />

O QUE OS MOTIVA<br />

Para um motorista existem diferentes tipos<br />

de razões para permanecer motivado<br />

no seu trabalho. De acordo com uma<br />

pesquisa interna da Volvo (2019) com<br />

base em 151 entrevistas com transportadores<br />

de longa distância de 16 nacionalidades,<br />

as três principais prioridades<br />

dos motoristas são conforto e espaço na<br />

cabine e segurança. O estudo também<br />

indica uma crescente consciencialização<br />

sobre a saúde, principalmente por parte<br />

dos motoristas mais jovens, e um crescente<br />

interesse em linhas de transmissão<br />

ecológicas.<br />

“Conforto, espaço e segurança são as<br />

mesmas prioridades há muitos anos,<br />

então definitivamente há uma continuidade<br />

para estes requisitos básicos.<br />

Também podemos ver uma correlação<br />

entre a duração da jornada e o nível<br />

FEEDBACK<br />

Os motoristas muitas vezes ficam<br />

felizes por dar feedback e contribuir<br />

para um melhor desempenho.<br />

Prestar atenção ao feedback do<br />

motorista é essencial, para sentir<br />

que ele está a ser entendido<br />

de satisfação de determinadas marcas.<br />

Quanto mais tempo você passa no seu<br />

camião, mais importante é o espaço e a<br />

segurança”, analisa Delphine Maury.<br />

As prioridades do motorista podem<br />

variar segundo as suas nacionalidades<br />

e em que países e rotas a sua empresa<br />

se movimenta. A verdade é que nem<br />

todos os motoristas têm a capacidade de<br />

pagar por paragens seguras de camiões,<br />

detetou Delphine.<br />

Mas, o que se entende por CONFORTO<br />

DO MOTORISTA?: De acordo com a<br />

pesquisa, este conforto refere-se, prin-<br />

AS AÇÕES PROPOSTAS<br />

cipalmente, aos arranjos para dormir e<br />

descansar, que são considerados muito<br />

importantes, bem como o conforto do<br />

seu assento enquanto conduz. Quando<br />

questionados sobre o que preferem,<br />

além do conforto básico do banco do<br />

motorista, mais de 58% priorizam<br />

maior espaço para descanso e relaxamento.<br />

E por ESPAÇO DE CABINE?: É tido<br />

como essencial, já que 72% de todos os<br />

motoristas inquiridos consideraram-no<br />

muito importante. Cada centímetro<br />

pode agregar valor e a sensação de<br />

espaço é ainda mais importante para<br />

motoristas de longa distância.<br />

E a SEGURANÇA?: Envolve tanto a<br />

segurança do camião quanto a de quem<br />

o conduz. Neste sentido, as três principais<br />

prioridades de recursos solicitados<br />

são o alerta de roubo de combustível,<br />

alarme para ataques de gás e uma tranca<br />

de segurança interna complementar da<br />

porta da cabine. Para a segurança do<br />

motorista, 62% destes - segundo um<br />

recente estudo online interno da Volvo<br />

(2022) - disseram preferir assistência à<br />

condução, como manutenção de faixa,<br />

assistência de mudança de faixa, travagem<br />

de emergência. A segunda prioridade<br />

de segurança do condutor mais<br />

apreciada diz respeito aos diferentes<br />

Segundo o plano conjunto da IRA e ITF, são três as ações propostas, e terá<br />

necessariamente que envolver outras figuras, seja a ONU, os governos nacionais<br />

e a indústria.<br />

Tendo como destinatários as Nações Unidas e outras organizações internacionais,<br />

propõe-se “o desenvolvimento de um quadro global com orientações<br />

claras para proteger os condutores não residentes, a melhoria das condições dos<br />

condutores e o aumento da coesão social, bem assim como a harmonização das<br />

normas de qualificação e o reconhecimento transfronteiriço.”<br />

Tendo como alcance os governos nacionais, pretendem a IRU e ITF “alterar e<br />

aplicar os procedimentos de imigração laboral para proteger os condutores não<br />

residentes, reduzir a burocracia para permitir uma imigração legal mais fácil para<br />

os condutores atuais e potenciais, reforçar o reconhecimento das qualificações<br />

de países terceiros através de acordos bilaterais, investir e aumentar a aplicação<br />

das leis e regulamentos relativos ao transporte rodoviário, e subsidiar programas<br />

nacionais de formação e integração.”<br />

Destinado aos operadores de transporte rodoviário, pressupõe que se “desenvolvam<br />

programas de integração operacional para que os condutores não<br />

residentes recebam as mesmas condições que a sua mão-de-obra doméstica e<br />

apoiem processos de treino, gestão de competências e certificação.”<br />

e-MOBILIDADE 59


ESTUDO<br />

Escassez de motoristas<br />

tipos de alarmes, como proteção contra<br />

adormecimento e prevenção contra<br />

agressões e roubos (55%).<br />

Uma pesquisa interna de 2021 em<br />

inglês, alemão, francês e sueco conclui<br />

que as operadoras precisam de se concentrar<br />

nos motoristas atuais e novos<br />

para enfrentar o problema da escassez.<br />

Os novos motoristas foram atraídos<br />

para a profissão pelos baixos requisitos<br />

de entrada e, para 36% deles, o salário<br />

é a principal prioridade, seguido pela<br />

formação (16%) e viagens (11%). Para<br />

motoristas experientes, 42% citam o<br />

salário como um dos principais motivadores,<br />

seguido pela autonomia, a<br />

liberdade de estar na estrada (19%) e ter<br />

um empregador de referência (16%).<br />

O QUE OS DESMOTIVA<br />

Há também uma indicação clara do<br />

que desmotiva os motoristas. Para 49<br />

% dos novos condutores, a incerteza de<br />

encontrar um emprego é uma grande<br />

preocupação, apesar de as empresas<br />

de transportes manterem uma elevada<br />

procura das suas (boas) competências.<br />

Consequentemente, há aqui um potencial<br />

para os operadores começarem cedo<br />

com um processo de integração positivo,<br />

a fim de garantir um relacionamento<br />

de longo prazo com seus potenciais<br />

motoristas.<br />

Os novos motoristas estavam preocupados<br />

em encontrar um emprego, mas<br />

também ao serem contratados sentiam<br />

que não estavam bem equipados para<br />

lidar com as exigências da profissão<br />

assim que recém-saídos da formação.<br />

A intensa pressão de um empregador<br />

para entregar rapidamente, combinada<br />

com inseguranças sobre manobrar um<br />

camião no trânsito pesado e medo de<br />

acidentes, fez com que estes considerassem<br />

desistir cedo devido ao stress.<br />

Para os condutores experientes, os<br />

DIFICULDADES<br />

Apesar de os salários dos motoristas<br />

serem até cinco vezes superiores<br />

aos salários mínimos médios, o<br />

relatório aponta dados alarmantes<br />

sobre as dificuldades de acesso à<br />

profissão de motorista, principalmente<br />

para os jovens, e sua atratividade,<br />

especialmente para as mulheres<br />

empregadores e as condições de trabalho<br />

têm uma grande influência no seu<br />

trabalho. Um empregador que trate mal<br />

os motoristas faz com que eles vejam a<br />

profissão de uma forma menos favorável.<br />

As condições de trabalho incluíram<br />

alta pressão, stress e risco de acidentes,<br />

todos vistos como motivos para pedir<br />

demissão ou mudar de emprego.<br />

ENTÃO, COMO OS ATRAIR<br />

E MANTER?<br />

Existem vários aspectos que afetam a<br />

satisfação do motorista: eles dependem<br />

da experiência, bem como onde, como<br />

e por quanto tempo os motoristas trabalham.<br />

De acordo com Delphine Maury,<br />

algumas recomendações gerais podem<br />

ser elaboradas.<br />

1. Comunicação e proatividade. O<br />

diálogo e as interações com os seus<br />

motoristas são o aspecto mais importante.<br />

“Os motoristas muitas vezes ficam<br />

felizes por dar feedback e contribuir<br />

para um melhor desempenho. Prestar<br />

atenção ao feedback do motorista é<br />

essencial, para sentir que ele está a ser<br />

entendido. Principalmente em relação<br />

aos tipos de dificuldades e desafios<br />

que enfrentam durante a jornada de<br />

trabalho.”<br />

2. Escolha e características do camião.<br />

Conselhos e recomendações dos<br />

motoristas em relação aos requisitos de<br />

recursos do camião e às escolhas gerais<br />

de fabrico são cruciais. Preste atenção<br />

no que pode estar faltando e dê sugestões<br />

construtivas sobre quando e por<br />

que as sugestões do motorista podem<br />

ou não ser atendidas.<br />

3. Recompensas e incentivos. Os<br />

incentivos são fundamentais. Quando<br />

se trata de consumo de combustível<br />

ou bateria, por exemplo, a maioria das<br />

operadoras tem metas e ambições definidas.<br />

“Podemos ver uma falta geral de<br />

incentivos e feedback positivo. Os motoristas<br />

são mais criticados quando não<br />

conseguem atingir metas, mas menos<br />

se fala quando continuam a cumprir<br />

suas metas ou quando as superam”, diz<br />

Delphine.<br />

São muitas e ponderosas as razões para<br />

considerar as prioridades dos motoristas.<br />

A primeiro e mais importante é a<br />

própria falta de motoristas e a crescente<br />

escassez. Ignorar as prioridades e os<br />

pontos problemáticos daqueles não significa<br />

apenas pressão sobre os mesmos,<br />

mas também pode significar recusar<br />

clientes em potencial. Pode criar dificuldades<br />

para o planeamento e, em última<br />

análise, levar a perdas de negócio.<br />

De acordo com Delphine Maury, existem<br />

vários outros incentivos que ajudarão<br />

a manter os melhores motoristas.<br />

Reter aqueles que continuam a entregar,<br />

fazer um esforço e ser uma opção confiável<br />

e segura para seus clientes. Certas<br />

viagens são mais exigentes do que outras<br />

e os clientes podem preferir alguns<br />

motoristas em detrimento de outros.<br />

Os novos motoristas estavam preocupados em<br />

encontrar um emprego, mas também ao serem<br />

contratados sentiam que não estavam bem<br />

equipados para lidar com as exigências da<br />

profissão assim que recém-saídos da formação<br />

60 e-MOBILIDADE


A ESCASSEZ DE MÃO-DE-OBRA<br />

ANTRAM preconiza alteração do quadro legal<br />

A resolução do problema da carência de<br />

mão-de-obra, ainda que urgente, não<br />

tem solução à vista. E não afeta, unicamente,<br />

o setor do transporte de mercadorias,<br />

mas também o de passageiros, o<br />

que pressupõe maiores dificuldades na<br />

mobilidade dos cidadãos, pois também<br />

há sérias implicações no serviço público.<br />

Apenas como exemplo, há bastante<br />

tempo que a Carris, empresa municipal<br />

que realiza aquele serviço de passageiros<br />

em Lisboa, mantém anúncios para contratação<br />

de motoristas. Daí que o apelo<br />

continue ativo na sua página institucional<br />

na Internet.<br />

Com implicações em boa parte das<br />

atividades económicas, a movimentação<br />

de mercadorias há muito que preocupa<br />

a Associação Nacional de Transportadores<br />

Públicos Rodoviários de<br />

Mercadorias (ANTRAM). Questionada<br />

pela <strong>eMOBILIDADE+</strong>, a direção deste<br />

organismo associativo diz que tem feito<br />

diligências no sentido de desbloquear o<br />

problema, preconizando a alteração do<br />

quadro legal, nomeadamente no acesso<br />

à profissão, e também por cidadãos não<br />

portugueses.<br />

Em síntese, a direção da ANTRAM<br />

socorre-se do mais recente relatório da<br />

IRU para sublinhar que, “caso não sejam<br />

tomadas medidas para tornar a profissão<br />

de motorista mais acessível e atraente,<br />

a Europa pode vir a carecer de mais de<br />

dois milhões de motoristas até 2026.”<br />

Num depoimento longo, que aqui<br />

transcrevemos, a ANTRAM sublinha<br />

que “apesar de os salários dos motoristas<br />

serem até cinco vezes superiores aos<br />

salários mínimos médios, o relatório<br />

aponta dados alarmantes sobre as dificuldades<br />

de acesso à profissão de motorista,<br />

principalmente para os jovens, e<br />

sua atratividade, especialmente para as<br />

mulheres. Importa, por isso, encontrar<br />

formas de captar novos profissionais<br />

para o setor, alterando o quadro legal de<br />

acesso e procurando diminuir os custos<br />

a ele subjacentes, seja por forma de<br />

incentivos ou outros.”<br />

MERCADO INTERNACIONAL<br />

Na mesma nota dirigida à eMOBILI-<br />

DADE+, a direção da associação de<br />

transportadores salienta que há formas<br />

de contornar a questão:<br />

“Uma forma de financiamento possível<br />

poderia passar por contemplar a possibilidade<br />

das empresas de transportes<br />

rodoviários de mercadorias por conta<br />

de outrem poderem deduzir parte das<br />

despesas suportadas com a obtenção da<br />

carta de condução e do CAM.<br />

Por outro lado, o recurso ao mercado<br />

internacional – nomeadamente através<br />

da celebração de acordos bilaterais com<br />

outros países, facilitando o intercâmbio<br />

de motoristas - não pode ser descurado.<br />

Importantes avanços foram já dados em<br />

2022 com a publicação do DL 46/2022,<br />

de 12 de julho, que veio proceder ao<br />

reconhecimento das cartas de condução<br />

dos cidadãos da CPLP e OCDE, que<br />

assim deixam de ter de fazer exames<br />

teóricos e práticos.<br />

Acresce que, sabemos que está em curso<br />

uma alteração legislativa que permitirá<br />

aos candidatos a motoristas de países<br />

terceiros, obterem o CAM inicial, em<br />

simultâneo com a carta de pesados.”<br />

UMA QUESTÃO DE LINGUAGEM<br />

“Também nesta senda, a ANTRAM tem<br />

vindo a insistir com o IMT de forma<br />

a possibilitar a realização dos exames<br />

de CAM em outras línguas (já identificámos<br />

seis) e que o CAM inicial seja<br />

ministrado online.<br />

A previsão de um regime de equivalência<br />

no âmbito dos CAM, relativamente<br />

a cursos semelhantes, que os motoristas<br />

tirem em países fora da União Europeia,<br />

seria também desejável.<br />

Paralelamente, gostaríamos de equacionar<br />

a criação de uma task force com<br />

o IMT no sentido de ser criada uma<br />

delegação conjunta em determinados<br />

países dos PALOP de forma a serem<br />

estabelecidas condições para que estes<br />

cidadãos, caso pretendam, possam ter<br />

acesso às ferramentas legais (designadamente<br />

a frequência do CAM) para<br />

puderem ingressar na profissão e aceder<br />

ao mercado nacional de trabalho. No<br />

caso da IRU, esta irá procurar coordenar<br />

e garantir a implementação da atratividade<br />

da profissão.”<br />

No que se refere a ações, diz a ANTRAM<br />

que o foco está “em responder à falta de<br />

mão-de-obra jovem no sector através de<br />

várias ações conjuntas, nomeadamente,<br />

a redução do idade mínima no acesso à<br />

profissão, a promoção da atratividade -<br />

incluindo aqui o regime das operações<br />

de cargas e descargas o que permitirá<br />

melhorar as condições de trabalho e o<br />

desenvolvimento de competências dos<br />

motoristas.<br />

Por outro lado está o financiamento,<br />

para que se consigam criar mais parques<br />

seguros na União Europeia, uma medida<br />

essencial para atrair mulheres para<br />

esta profissão.”<br />

Aceda aqui com<br />

o seu smartphone<br />

ao relatório<br />

da IRU: Falta<br />

de Motoristas –<br />

relatório global<br />

2022<br />

e-MOBILIDADE 61


62 e-MOBILIDADE


TRANSIÇÃO ENERGÉTICA<br />

DAF anuncia<br />

nova geração XB<br />

para distribuição<br />

urbana<br />

Os sistemas de transmissão elétricos topo de gama demonstram os<br />

cuidados ambientais da DAF com os camiões XB da nova geração,<br />

uma série completa de veículos de distribuição na classe de 7,5 a<br />

19 toneladas, uma abrangente gama de veículos elétricos a bateria<br />

para apoiar as empresas de transporte na sua transição para zero<br />

emissões, combinando a menor pegada ambiental com eficiência,<br />

segurança e conforto líderes na sua classe.<br />

A<br />

nova série XB da DAF, que<br />

entrará em produção no<br />

quarto trimestre de 2023,<br />

representa uma nova série<br />

de camiões de distribuição<br />

líderes na sua classe, disponibilizando<br />

uma solução personalizada para todas<br />

as aplicações urbanas e regionais. A<br />

gama inclui grupos motopropulsores<br />

elétricos ultramodernos sem emissões.<br />

Para além dos novos padrões de eficiência,<br />

segurança e conforto para o condutor,<br />

a série XB da DAF está preparada<br />

para cidades habitáveis.<br />

Com a sua série completa de camiões<br />

da nova geração XD, XF, XG e XG+ para<br />

distribuição, longo curso e aplicações<br />

profissionais, a DAF estabeleceu novos<br />

padrões de eficiência e emissões, segurança<br />

e conforto para o condutor, nos<br />

últimos 18 meses. A nova geração XB,<br />

incluindo o camião de construção XBC,<br />

completa a extensa e múltipla gama de<br />

produtos premiados da DAF.<br />

DISTRIBUIÇÃO URBANA<br />

A DAF foi o primeiro fabricante europeu<br />

de camiões a disponibilizar uma<br />

gama de camiões elétricos a bateria no<br />

mercado e a expandir ainda mais a sua<br />

liderança ambiental com os modelos XD<br />

e XF Electric da nova geração.<br />

Agora, a DAF aumenta ainda mais a<br />

sua oferta de produtos “zero emissões”<br />

com o novo DAF XB Electric, perfeitamente<br />

adequado para uma distribuição<br />

urbana e regional sustentável. Para além<br />

das versões de 16 e 19 toneladas, está<br />

disponível uma versão de 12 toneladas<br />

com jantes de 17,5” e apenas um<br />

degrau de entrada. As distâncias entre<br />

eixos começam a partir de 4,2 metros.<br />

e-MOBILIDADE 63


PESADOS<br />

Transição energética<br />

O novo camião de<br />

distribuição XB da DAF<br />

está disponível com um<br />

conjunto de sistemas de<br />

assistência avançada ao<br />

condutor para segurança<br />

e conforto do condutor<br />

líderes na sua classe<br />

O motor elétrico do XB Electric proporciona<br />

120 ou 190 kW de potência<br />

nominal, dependendo da especificação,<br />

e um binário nominal de 950 e 1850<br />

Nm, respetivamente (pico de 2600 e<br />

3500 Nm). Para obter o menor impacto<br />

ambiental possível e a mais elevada<br />

durabilidade, a DAF aplica baterias de<br />

alta densidade de LFP (fosfato de ferro<br />

de lítio) isentas de cobalto e magnésio,<br />

com um teor de energia bruto de 141 a<br />

282 kWh. Estas permitem autonomias<br />

do XB Electric superiores a 280 quilómetros<br />

ultrassilenciosos e sem emissões,<br />

mais do que o suficiente para as necessidades<br />

dos operadores de transporte de<br />

distribuição urbana.<br />

CARREGAMENTO RÁPIDO E LENTO<br />

Uma característica especial do novo<br />

DAF XB Electric é o “sistema de carregamento<br />

combinado”. Isto permite<br />

que o camião seja carregado através da<br />

rede elétrica normal e é ideal quando o<br />

camião regressa à localização central no<br />

final do dia. O carregamento rápido das<br />

baterias (650 V CC, 150 kW) de 20% a<br />

80% demora apenas 40 a 70 minutos,<br />

dependendo da especificação.<br />

Para apoiar de forma ideal os clientes<br />

na transição para o transporte rodoviário<br />

sem emissões, a oferta abrangente<br />

da DAF também inclui uma vasta gama<br />

de soluções de carregamento, conselhos<br />

sobre o planeamento de rotas e<br />

carregamento e a disponibilização de<br />

formação dedicada para que os condutores<br />

possam tirar o máximo partido<br />

dos seus veículos.<br />

MOTORES ALTAMENTE EFICIENTES<br />

Para além do inovador grupo motopropulsor<br />

totalmente elétrico a bateria,<br />

o novo DAF XB está disponível com<br />

motores PACCAR PX-5 de 4,5 litros<br />

e 4 cilindros e PACCAR PX-7 de 6,7<br />

litros e 6 cilindros com potências de<br />

124 kW (170 hp) a 227 kW (310<br />

hp). Os motores modernos e potentes<br />

desenvolvem um binário máximo a<br />

baixas velocidades do motor, suportando<br />

desaceleração e uma eficiência<br />

de combustível líder na sua classe.<br />

Os motores PACCAR PX-5 e PX-7 estão<br />

prontos para a aplicação de HVO, reduzindo<br />

as emissões de CO2 em até 90%<br />

(em todo o ciclo de vida).<br />

Caixas de velocidades automáticas<br />

Powerline O DAF XB com motores<br />

PX-5 e PX-7 é disponibilizado em<br />

combinação com uma transmissão<br />

PowerLine de 8 velocidades totalmente<br />

automática, que proporciona uma<br />

distribuição e mudança de velocidades<br />

ideais. A mudança de velocidades com<br />

PowerShift sem qualquer interrupção<br />

do binário permite obter uma mudança<br />

de velocidades suave e uma resposta<br />

rápida do acelerador, resultando num<br />

excelente conforto e manobrabilidade.<br />

Além disso, a transmissão proporciona<br />

uma excelente dirigibilidade a baixa<br />

velocidade graças à função de impulso<br />

ao libertar o pedal do travão.<br />

As transmissões manuais de 6 e 9<br />

velocidades também estão disponíveis<br />

para a série XB da DAF, enquanto as<br />

caixas de velocidades Allison totalmente<br />

automáticas podem ser encomendadas<br />

para aplicações especiais.<br />

COMPATIBILIDADE<br />

COM CARROÇARIAS<br />

A melhor eficiência do veículo da sua<br />

classe também é conseguida através da<br />

vasta gama de distâncias entre eixos (até<br />

6,9 metros) e comprimentos do chassis,<br />

permitindo superestruturas superiores a<br />

9 metros. Isto garante a melhor configuração<br />

do veículo para o trabalho. As taras<br />

baixas resultam em cargas úteis mais<br />

elevadas para um retorno ideal por quilómetro.<br />

Além disso, o chassis da série<br />

XB apresenta um novo padrão de grelha<br />

para uma excelente compatibilidade<br />

64 e-MOBILIDADE


com os construtores de carroçarias. As<br />

novas disposições predefinidas do chassis<br />

incluem depósitos de combustível,<br />

sistemas de escape, baterias e depósitos<br />

de ar reposicionados, especialmente<br />

concebidos para veículos para varrimento<br />

de ruas e camiões basculantes.<br />

MOTORIZAÇÕES<br />

PACCAR PX-5<br />

• 124 kW (170 hp) 700 Nm a 1100/1700 rpm<br />

• 139 kW (190 hp) 750 Nm a 1200/1700 rpm<br />

• 153 kW (210 hp) 800 Nm a 1300/1700 rpm<br />

PACCAR PX-7<br />

• 167 kW (230 hp) 900 Nm a 900/1800 rpm<br />

• 189 kW (260 hp) 1000 Nm a 1000/1700 rpm<br />

• 212 kW (290 hp) 1100 Nm a 1100/1600 rpm<br />

• 227 kW (310 hp) 1200 Nm a 1200/1500 rpm<br />

NOVO PADRÃO DE SEGURANÇA<br />

O novo camião de distribuição XB da<br />

DAF está disponível com um conjunto<br />

de sistemas de assistência avançada ao<br />

condutor para segurança e conforto do<br />

condutor líderes na sua classe.<br />

O sistema AEBS (Advanced Emergency<br />

Braking System) está<br />

equipado com um radar<br />

e uma câmara, alertando<br />

os utentes vulneráveis<br />

da estrada à frente<br />

do veículo (Drive-off<br />

Assist). O Event Data<br />

Recorder regista imagens<br />

e dados quando<br />

o aviso do travão do<br />

ABS é ativado e o DAF<br />

Turn Assist emite um<br />

aviso caso os ciclistas se<br />

encontrem nos ângulos<br />

mortos do veículo. O<br />

DAF Drowsiness Detection<br />

avalia o estado de<br />

alerta do condutor e avisa-o quando é<br />

necessária uma pausa.<br />

Além disso, cada XB está equipado<br />

com Speed Limit Recognition que<br />

informa o condutor sobre os limites<br />

de velocidade reais, enquanto o Lane<br />

Change Assist passivo ajuda a evitar<br />

manobras perigosas, alertando para potenciais<br />

mudanças de faixa indesejadas.<br />

A excelente visão direta é conseguida<br />

através do posicionamento baixo da cabina,<br />

do para-brisas de grandes dimensões<br />

e das janelas laterais e respetivas<br />

linhas de cintura baixas. Como opção,<br />

está disponível uma janela de visão do<br />

lancil para uma vista desobstruída de<br />

outros utentes da estrada do lado do<br />

acompanhante. O design estreito dos<br />

novos espelhos permite a combinação<br />

perfeita de visão direta e indireta.<br />

MAIS CONFORTO<br />

Com o XB, a DAF comprova mais uma<br />

vez a sua excelente reputação no fabrico<br />

de camiões que são também os favoritos<br />

do condutor. As confortáveis Day Cab,<br />

Day Cab alargada e Sleeper Cab têm<br />

degraus de entrada perfeitamente posicionados,<br />

portas de abertura ampla e<br />

uma posição baixa da cabina para uma<br />

acessibilidade excecional. Os bancos<br />

confortáveis contam com o mesmo forro<br />

em tecido suave que o dos camiões<br />

DAF XD, XF, XG e XG+ , com os quais<br />

o novo XB também partilha o elevado<br />

nível de ajuste e acabamento, o novo<br />

volante e o atrativo ecrã digital de 12<br />

polegadas no tablier. Apresenta todas as<br />

informações relacionadas com o veículo<br />

de imediato e é configurável de acordo<br />

com as preferências do condutor.<br />

Além disso, conduzir o novo XB é um<br />

prazer. Graças ao design espaçoso mas<br />

compacto da cabina, à capacidade de<br />

manobra única e ao círculo de viragem<br />

pequeno, a nova distribuição da DAF é<br />

extremamente ágil, o que é muito importante<br />

em zonas urbanas densas.<br />

XBC PARA A CONSTRUÇÃO<br />

Juntamente com a série XB para aplicações<br />

em estrada, a DAF está também a<br />

introduzir a série XBC, que se destaca<br />

face aos cenários mais exigentes, como<br />

por exemplo no segmento da construção.<br />

O XBC conta com um chassis de<br />

19 toneladas, uma elevada distância<br />

ao solo de 255 milímetros, um grande<br />

ângulo de aproximação de 25 graus,<br />

uma placa dianteira do radiador em<br />

aço para proteger o compartimento do<br />

motor e um robusto para-choques de<br />

aço cinzento “lava”.<br />

PRINCIPAIS<br />

CARACTERÍSTICAS<br />

• Novos padrões na distribuição<br />

urbana e regional Existe sempre<br />

uma solução personalizada na<br />

classe de 7,5 a 19 toneladas.<br />

• Menor pegada ambiental Zero<br />

emissões na distribuição urbana.<br />

• Versões de 12, 16 e 19 toneladas<br />

• Autonomias superiores a 280<br />

quilómetros<br />

• Carregamento da bateria de 20 a<br />

80% em apenas 40 a 70 minutos<br />

• Suporte de vendas dedicado,<br />

aconselhamento de planeamento,<br />

formação e carregadores<br />

PACCAR<br />

• Motores PACCAR PX-5 e PX-7<br />

potentes e eficientes 124 kW<br />

(170 hp) a 227 kW (310 hp).<br />

• Binário máximo a baixas velocidades<br />

do motor para desaceleração<br />

e eficiência de combustível<br />

líder na sua classe<br />

• Transmissão PowerLine de 8 velocidades<br />

totalmente automática<br />

• Pronto para HVO Até 90% de<br />

redução de CO2 em todo o ciclo<br />

de vida<br />

• Novo padrão de segurança<br />

Conjunto completo de sistemas<br />

ADAS; Excelente visão direta<br />

• Novo padrão de conforto para<br />

o condutor Day Cab, Day Cab<br />

alargada e Sleeper Cab de alta<br />

qualidade; Excelente acessibilidade;<br />

Novo ecrã digital personalizável;<br />

Manobrabilidade líder na<br />

sua classe<br />

• Novo DAF XBC para aplicações<br />

de construção Distância em relação<br />

ao solo de 255 milímetros;<br />

Excelente ângulo de aproximação<br />

de 15 graus<br />

e-MOBILIDADE 65


FORD E-TRUCK JÁ ESTÁ EM PORTUGAL<br />

DESENVOLVIMENTO<br />

ACELERADO<br />

66 e-MOBILIDADE


Reduzir as emissões de CO 2<br />

, poupar combustível, desenvolver<br />

tecnologias de combustíveis alternativos, atingir 2040 com<br />

os seus veículos descarbonizados, eis os desafios que há pela<br />

frente. As Ford Talks fizeram-lo saber, em Lisboa, no início<br />

de setembro, onde se contava mostrar o protótipo final do<br />

seu primeiro pesado elétrico, o E-Truck, algo que a burocracia<br />

alfandegária travou. Mas já pode ser visto no seu showroom de<br />

Alverca. A produção em série começa em 2024.<br />

Por Carlos Branco<br />

A<br />

revelação da novidade<br />

elétrica da Ford, o E-Truck,<br />

foi feita há um ano, no<br />

IAA dos Transportes, em<br />

Hannover, Alemanha. Era<br />

o que momento que faltava à companhia<br />

norte-americana, que já avançara com<br />

a descarbonização de alguns ligeiros de<br />

passageiros e comerciais. Destes, o mais<br />

recente é a Transit, e segue-se a Custom.<br />

Entre os pesados, o gigante F-Max, vencedor<br />

do galardão Camião Internacional<br />

do Ano em 2019, irá conhecer uma nova<br />

caixa de velocidades com 16 relações, que<br />

substituirá a atual ZF, com 12 marchas.<br />

Tudo o resto são tecnologias que estão<br />

em desenvolvimento pelos turcos da<br />

Otosan, em parcerias, sejam com a LG,<br />

com quem vai construir uma fábrica<br />

de baterias em Ancara, sejam a Einride,<br />

para a condução autónoma, ou a<br />

CMB.Tech, que prepara soluções com<br />

combustíveis alternativos. E é mesmo<br />

no grande empório fabril da Otosan,<br />

e-MOBILIDADE 67


PESADOS<br />

Transição energética<br />

também o maior hub comercial da marca<br />

para a Europa, onde já se produzem<br />

750 mil veículos pos ano (Ecosport,<br />

Puma, Courier, Custom, Transit, F-Max,<br />

e de onde sairá o E-Truck), que se está a<br />

preparar este futuro.<br />

1200 CARROS NA ESTRADA<br />

Bruno Oliveira, CEO da OneShop,<br />

desde 2019 importador e distribuidor<br />

da Ford Trucks para Portugual, organizou<br />

as Ford Talks e convidou alguns<br />

dos quadros líderes da Otosan para dar<br />

a conhecer este universo industrial, com<br />

sete fábricas, na Turquia, e mais recentemente<br />

na Roménia, e que está a crescer<br />

de forma acelerada. A Ford Trucks Portugal<br />

já está no top-3 de vendas de pesados<br />

no país (dados da ACAP) e Bruno<br />

Oliveira fala em novo crescimento: em<br />

faturação e no número de unidades vendidas.<br />

“Atualmente – sendo que apenas<br />

desde 2019 – temos nas nossas estradas<br />

1200 camiões e contamos fechar o ano<br />

com mais 400 unidades comercializadas.<br />

Tem-nos dado muito orgulho, mas<br />

temos trabalhado para isso, em regime<br />

de 24/7, e acabámos de abrir a sétima<br />

concessão no país, em Braga, onde também<br />

vamos aumentar consideravelmente<br />

o armazém de reposição de peças,<br />

para que os nossos clientes não corram<br />

o risco de ter camiões parados.”<br />

E-TRUCK: PARA PEQUENOS CIRCUITOS URBANOS<br />

O E-Truck iniciará produção em série em 2024 e até lá andará em testes. Apesar<br />

de alguns segredos que ainda subsistem, já se sabe que a prioridade da marca<br />

vai para o segmento baixo, de 18 a 26 toneladas e para a distribuição em pequenos<br />

circuitos e urbanos.<br />

Com uma autonomia próxima dos 300 km, as baterias têm 392 kWh de capacidade.<br />

Com carregador rápido ficarão reabastecidas em 75 minutos. Algumas das<br />

características principais de segurança tratam de reconhecer o atravessamento<br />

de peões que não estejam na linha de olhar do condutor, atuando com travagem<br />

de emergência, tal como também compreende um sistema de aviso de ângulos<br />

mortos. Os responsáveis turcos e português reconhecem que as infraestruturas<br />

necessárias para os carregamentos ainda são escassas. E advertem: a Europa<br />

tem que acordar para esta necessidade, que é urgente.<br />

COMPROMETIMENTO AMBIENTAL<br />

Koray Kuvvet, diretor geral da Ford<br />

Trucks para a Europa, esclareceu que<br />

a organização que dirige está comprometida<br />

com o melhor desempenho<br />

ambiental, sejam os objetivos, rígidos,<br />

ou as datas, precisas, para a descarbonização,<br />

e que até 2030 tudo será<br />

feito para a redução do consumo de<br />

combustível e, consequentemente, para<br />

a redução das emissões nocivas. E em<br />

2040, o “zero”. Diz ser o futuro que está<br />

em curso. E como desenvolvimentos<br />

de produto aponta a “Geração F”, que<br />

mais não é senão a visão da marca para<br />

os veículos elétricos, que serão totalmente<br />

ligados, de forma a poderem ser<br />

controlados remotamente, se necessário,<br />

quando o motorista não o consiga fazer.<br />

Os programas “Highway Pilot” (piloto<br />

de auto-estrada, tecnologia de condução<br />

autónoma) e “Reverse Parking” (estacionamento<br />

de marcha-atrás, quando o<br />

motorista sente dificuldade em fazê-lo,<br />

e sem a sua intervenção) são disso<br />

exemplo.<br />

Também o “Ford Trucks Care”, basicamente,<br />

o recurso a software, como<br />

o programa “Connectruck”, que torna<br />

possível a intervenção remota nos<br />

parâmetros do veículo, e que permite<br />

ao gestor de frotas intervir em sete<br />

funções, como visualizar o tacógrafo,<br />

os consumos, ou ativar o modo de<br />

condução eco. Reduzir o consumo é<br />

o denominador comum a todos eles. E<br />

segundo os estudos da Ford, 10% é o<br />

que se poderá conseguir com a conjugação<br />

destas medidas. “A Ford Portugal<br />

tem uma academia de condução, uma<br />

formação para alertar e ajudar o motorista<br />

a conseguir ganhos de combustível.<br />

É didática e proativa”, acrescentou<br />

Bruno Oliveira.<br />

“Platooning” - literalmente, seguir o<br />

camião líder, é o que aí vem. Pressupõe<br />

e redução da resistência ao ar, o que<br />

melhora o consumo. Em comboio,<br />

com velocidades adaptadas ao veículo<br />

da frente. Ao fim e ao cabo, um cruise<br />

control adaptativo e ligado, que melhora<br />

o consumo e reduz as emissões de<br />

CO 2<br />

. Requer, necessariamente, alterações<br />

à lei da estrada.<br />

COMBUSTÍVEIS ALTERNATIVOS<br />

O HBO (biocombustível, pela mistura<br />

de hidrogénio com óleos vegetais) está<br />

em testes pela Ford Trucks, inclusivamente<br />

com a participação da OneShop,<br />

mas também o Dual Fuel (hidrogénio<br />

misturado com gasóleo), que a CMB.<br />

Tech desenvolve para conversão futura<br />

do F.Max, são combustíveis alternativos<br />

que a caminho da descarbonização<br />

total deverão ser utilizados. O futuro<br />

é mesmo a célula de combustível a<br />

hidrogénio. Segundo a Ford Trucks, “estamos<br />

a aprender, e está a chegar a hora<br />

de tomar decisões”. Segundo Burak<br />

Hosgoren, diretor de vendas da Otosan,<br />

a futura norma Euro7 de emissões fará<br />

aumentar os custos dos veículos quatro<br />

a dez vezes mais do que a estimativa<br />

feita pela UE, pelo que até 2030 a Ford<br />

Trucks irá explorar as tecnologias BEV,<br />

da célula de combustível e o hidrogénio<br />

como fonte para motores de combustão<br />

interna.<br />

68 e-MOBILIDADE


O sol também os faz mover<br />

Scania testa<br />

híbrido pesado<br />

em vias públicas


Fonte de energia natural e inesgotável, o sol já fornece eletricidade<br />

às nossas casas, fábricas e escritórios, também a embarcações, mais<br />

ou menos ligeiras, de transporte de passageiros, e eis que chega ao<br />

setor dos transportes rodoviários pesados. O que parecia impensável<br />

deixou de ser uma pesquisa e passou à fase de testes reais. A Scania<br />

está a levar o engenho mais longe.<br />

Um camião híbrido, totalmente<br />

exclusivo da marca<br />

sueca, com um semirreboque<br />

coberto por painel<br />

solar está sendo testado<br />

em vias públicas, como resultado de uma<br />

colaboração de pesquisa iniciada há dois<br />

anos e que envolve a Scania, a Universidade<br />

de Uppsala, Eksjö Maskin & Truck,<br />

Midsummer, Ernsts Express e Dalakraft.<br />

A razão é simples: transição energética -<br />

PAINÉIS DE PESO “PLUMA”<br />

O pesado do projeto de pesquisa serviu<br />

para examinar a energia solar gerada,<br />

e o quanto as emissões de carbono<br />

diminuem por meio dos painéis solares.<br />

Os pesquisadores desenvolveram<br />

painéis fotovoltaicos novos, eficientes<br />

e particularmente leves para camiões.<br />

Estudaram como os camiões poderão<br />

interagir com a rede elétrica e apresentaram<br />

novos modelos para o que<br />

acontecerá se vários camiões semelhanporque<br />

a energia solar diminui significativamente<br />

os custos operacionais e<br />

as emissões locais por causa da energia<br />

autoproduzida pelo camião.<br />

“O propósito da Scania é impulsionar a<br />

mudança para um sistema de transporte<br />

sustentável. Nunca antes os painéis<br />

solares foram usados para gerar energia<br />

para o trem de força de um camião<br />

como fazemos nesta colaboração. Esta<br />

fonte natural [o sol] pode diminuir<br />

significativamente as emissões no setor<br />

dos transportes. E é ótimo estar na<br />

vanguarda no desenvolvimento dos<br />

camiões da próxima geração”, diz Stas<br />

Krupenia, chefe do departamento de<br />

pesquisa da Scania.<br />

e-MOBILIDADE 71


PESADOS<br />

Transição energética<br />

INCENTIVO<br />

O camião movido a energia<br />

solar foi desenvolvido através<br />

de projeto de pesquisa<br />

financiado pela agência<br />

governamental sueca de<br />

inovação Vinnova<br />

tes forem ligados à rede elétrica.<br />

“É um projeto empolgante, onde a<br />

academia e a indústria juntas tentam<br />

diminuir o impacto climático do transporte<br />

pesado. E os resultados são muito<br />

interessantes”, diz Erik Johansson, gestor<br />

do projeto e professor de físico-química<br />

da Universidade de Uppsala.<br />

5000 KM DE AUTONOMIA ANUAL<br />

O conjunto de teste, de 18 metros, é<br />

quase totalmente coberto por painéis<br />

solares, o equivalente a uma casa equipada<br />

com painéis igualmente potentes.<br />

Energia que dá ao camião híbrido uma<br />

autonomia prolongada de até 5000 km<br />

anualmente na Suécia. Evidentemente<br />

que, quando o sol brilha. Em países do<br />

sul da Europa, com mais horas de sol,<br />

o veículo pode dobrar a quantidade de<br />

energia solar captada e, portanto, autonomia<br />

aumentada em comparação com<br />

as circunstâncias climatéricas suecas.<br />

O projeto também inclui pesquisas sobre<br />

novas células solares em tandem leves,<br />

que são baseadas numa combinação de<br />

células de captação solar (da empresa<br />

Midsummer) e novas células solares de<br />

perovskita, bem mais eficientes que as<br />

de silício. Estes permitem uma maior eficiência<br />

na transformação da luz solar em<br />

eletricidade. Tal solução poderia dobrar a<br />

geração de energia solar, em comparação<br />

com a energia atual gerada pelos painéis.<br />

Em países do sul da<br />

Europa, com mais horas<br />

de sol, o veículo pode<br />

dobrar a quantidade de<br />

energia solar captada<br />

“A nossa pesquisa em direção a células<br />

solares eficientes e leves será realmente<br />

importante, especialmente quando se<br />

trata de aplicá-las em camiões futuros”,<br />

comenta Johansson.<br />

“Os nossos painéis solares são excelentes<br />

para aplicações que tornam os<br />

veículos comerciais sustentáveis. Vemos<br />

um grande potencial para diminuir as<br />

emissões dos veículos pesados com a<br />

eletrificação.É que a eletricidade gerada<br />

por painéis solares economizará combustível<br />

e emissões de carbono, pelo<br />

que queremos ser um parceiro com o<br />

qual contar, e isso é possibilitado por<br />

este projeto inovador”, diz Erik Olsson,<br />

diretor de desenvolvimento corporativo<br />

da Midsummer.<br />

Daniel Sandh, CEO da Eksjö Maskin e<br />

da Truck, concorda: “O combustível é<br />

atualmente um custo crescente para as<br />

empresas de transporte, e tudo com o<br />

que pudermos contribuir para reduzir<br />

esse custo beneficiará a sociedade a<br />

longo prazo.”<br />

O conjunto de teste,<br />

de 18 metros, é quase<br />

totalmente coberto<br />

por painéis solares, o<br />

equivalente a uma casa<br />

equipada com painéis<br />

igualmente potentes<br />

VENDER ENERGIA À REDE?<br />

Uma parte do projeto era avaliar o impacto<br />

que terá na rede elétrica e se seria<br />

possível vender o excedente. A possibilidade<br />

de cobrança bidirecional não é<br />

totalmente simples e a legislação ainda<br />

não é clara.<br />

“Pensamos que conseguiríamos comprar<br />

o excedente produzido pelos camiões,<br />

mas infelizmente isso não é possível<br />

no momento. Mas as células solares<br />

tornar-se-ão parte do fornecimento de<br />

energia do camião, e isso é fantástico.<br />

Como empresa de comercialização de<br />

eletricidade, vemos que todas as fontes<br />

de energia renováveis são necessárias<br />

para lidar com a transição energética”,<br />

diz Sverker Ericsson, engenheiro de<br />

comércio elétrico da Dalakraft.<br />

O caminhão está agora em testes nas<br />

72 e-MOBILIDADE


vias públicas e são realizados pela transportadora<br />

Ernsts Express AB. “Toda<br />

a indústria está enfrentando grandes<br />

desafios em geral, e com o combustível<br />

em particular. A eletrificação a partir<br />

de energias renováveis é o futuro. Isso<br />

torna este projeto ainda maior para a<br />

empresa de transporte verde, como a<br />

nossa, fazer parte”, diz Lars Evertsson,<br />

CEO da Ernsts Express.<br />

HÍBRIDO PLUG-IN DE 560CV<br />

O camião movido a energia solar foi<br />

desenvolvido através de projeto de<br />

pesquisa financiado pela agência governamental<br />

sueca de inovação Vinnova,<br />

para desenvolver camiões com baixo<br />

impacto climático graças à energia<br />

solar. O conjunto é um híbrido plug-in<br />

de 560 cavalos, um semirreboque de<br />

18 metros, com uma área de 100 m2<br />

coberta por painéis solares finos, leves e<br />

flexíveis com uma eficiência máxima de<br />

13,2 kWp (quilowatt pico). Estima-se<br />

que eles forneçam 8.000 quilowatts-hora<br />

(kWh) anualmente quando operados<br />

na Suécia. As baterias têm capacidade<br />

total de 300 kWh, sendo que 100 kWh<br />

são instalados no trator e 200 kWh no<br />

semirreboque.<br />

“UMA IDEIA ALGO LOUCA E SELVAGEM”<br />

Para Eric Falkgrim, líder do departamento de pesquisa e inovação tecnológica<br />

da Scania, esta é “uma ideia algo louca e selvagem”, mas queríamos mesmo ver<br />

como funciona e se faz sentido num ambiente como o da Suécia, porque se nos<br />

deslocarmos para o sul da Europa, a Austrália, ou o norte de África, obviamente<br />

que teremos muito mais horas de sol. Mas se funcionar aqui [na Suécia], com<br />

menos sol e onde anoitece mais cedo, então o projeto será mesmo válido para<br />

aplicar em qualquer lado.<br />

Mas há outras condicionantes, tais como a quantidade imensa de novo hardware<br />

e software e a sua sistematização e desenvolvimento, para fazer com que a transferência<br />

de energia seja totalmente segura e isenta de falhas. Falkgrim explica<br />

que o trator está equipado com todos os sistemas convencionais e o sistema<br />

motriz de 100 kWh de capacidade está ligado ao semirreboque com baterias<br />

adicionais, que têm armazenamento de energia de 200 kWh, e funcionam como<br />

um banco de energia para o camião, ligado à caixa do painel solar que carrega<br />

este acumulador de energia. Ora, também isto requer importantes considerações<br />

de segurança. “Teremos sempre que pensar que os painéis estão intalados numa<br />

estrutura móvel, num veículo, sendo que foram desenhados para permanecerem<br />

estacionários, no telhado de uma casa, durante 20 ou 30 anos”, comenta Eric<br />

Falkgrim.<br />

Considerações à parte, este técnico acaba por enfatizar o que parece ainda mais<br />

importante, isto é, o potencial benefício para a indústria energética, razão pela<br />

qual o projeto é apoiado pela companhia sueca de energia Dalakraft: “Vista à<br />

escala, esta solução poderá mudar todo um paradigma no que se refere à produção<br />

e consumo de eletricidade, pois ter milhares de veículos ligados à rede teria<br />

implicações na compra e venda de eletricidade para toda a gente.”


FORMAÇÃO DA MERCEDES-BENZ TRUCKS<br />

Aprender a travar<br />

em Nürburgring<br />

Travagem de emergência controlada, não há quem não a tenha já feito, e particularmente se se<br />

conduzir um veículo pesado e longo e com toneladas de mercadoria embarcada. Mas será que<br />

não houve receio em fazê-la? E terá sido bem feita? A Mercedes-Benz Trucks tem motoristas<br />

profissionais, experientes e especialmente formados para treinar quem ainda tenha dúvidas<br />

como o fazer. E num circuito automóvel exigente como o de Nürburgring.<br />

Schmitt-Peterslahr orienta<br />

35 motoristas num curso de<br />

formação de segurança de condução<br />

em Nürburgring com<br />

instrutores da Mercedes-Benz<br />

TruckTraining e do Centro de Segurança<br />

de Condução. Seis Mercedes-Benz<br />

Actros estão à disposição de formadores<br />

e formandos no local, seja no simples<br />

veículo trator, seja com semireboque. O<br />

treino é teórico e prático e está focado<br />

na Assistência à Travagem de Emergência,<br />

com o sistema Active Brake Assist<br />

5. Para tornar o exercício mais difícil,<br />

são realizadas manobras menos usuais e<br />

condução em superfícies desafiantes.<br />

O palco não poderia ser melhor, pois o<br />

circuito de Nürburgring não só oferece<br />

das mais excitantes corridas, local onde<br />

muitas marcas levam as suas máquinas<br />

ao extremo, como também é o lar de<br />

um centro de segurança de condução<br />

no qual a empresa de transporte<br />

Schmitt-Peterslahr realiza cursos de<br />

formação para os seus motoristas.<br />

Foi ali que 35 condutores aprofundaram<br />

os seus conhecimentos e competências<br />

em situações críticas de travagem e<br />

condução, juntamente com os técnicos<br />

da Mercedes-Benz TruckTrainers e<br />

instrutores do centro de segurança de<br />

condução. Para Patrick Kölbel, gerente<br />

de frota da Schmitt-Peterslahr, “é<br />

74 e-MOBILIDADE


importante que tenhamos uma apresentação<br />

direta do fabricante sobre o que<br />

o nosso camião pode fazer e os formadores<br />

treinadores da Mercedes-Benz<br />

são simplesmente um pouco melhores<br />

nestes assuntos.”<br />

Um destes técnicos, Steffen Martin,<br />

acrescenta: “Estamos satisfeitos em<br />

poder mostrar o que nosso sistema de<br />

travagem de emergência Active Brake<br />

Assist [ABA 5] de quinta geração pode<br />

fazer.” Se o sistema detetar o risco de<br />

um acidente com um veículo que segue<br />

à frente, um obstáculo parado ou uma<br />

pessoa atravessando a estrada, vinda<br />

Mercedes-Benz Trucks – por exemplo,<br />

sobre o controlo preditivo da motorização<br />

com o Predictive Powertrain<br />

Control -, com uma demonstração do<br />

desempenho do assistente de travagem<br />

de emergência ABA 5 em pista e treino<br />

de travagem para os participantes. Comenta<br />

Patrick Kölbel: “Chegar ao limite<br />

é extremamente importante. Muitos<br />

motoristas têm inibição de pisar totalmente<br />

no pedal do travão e fazer uma<br />

travagem de emergência em situações<br />

complicadas.”<br />

Outros exercícios práticos foram realizados<br />

em superfícies escorregadias e<br />

CONTROLO<br />

Estamos satisfeitos em<br />

poder mostrar o que nosso<br />

sistema de travagem de<br />

emergência Active Brake<br />

Assist [ABA 5] de quinta<br />

geração pode fazer<br />

A 5ª GERAÇÃO DO ABA<br />

Apresentado pela primeira vez em<br />

2006, passou a ser possível a um<br />

camião iniciar uma travagem máxima<br />

com imobilização total dentro<br />

dos limites do sistema ABA. Graças<br />

à combinação de um sistema de radar<br />

e câmara, um obstáculo na via,<br />

seja peão ou veículo, é emitido um<br />

primeiro sinal sonoro ao condutor.<br />

Se este não reagir adequadamente,<br />

o sistema, que já vai na 5ª geração,<br />

atuará com uma travagem parcial,<br />

e se a colisão persistir eminente,<br />

o ABA 5 poderá efetuar uma<br />

travagem a fundo se o veículo não<br />

se deslocar a mais de 50 km/h. O<br />

sucesso do dispositivo tem sido notório<br />

e até à data a Mercedes-Benz<br />

já equipou, pelo menos, 75% dos<br />

seus veículos construídos, o que já<br />

representa um milhão de unidades<br />

na estrada.<br />

no sentido oposto, ou a correr naquela<br />

mesma faixa de rodagem, o motorista<br />

é primeiro avisado. Se não reagir<br />

adequadamente, o sistema pode iniciar<br />

a travagem parcial. Se, no entanto,<br />

uma colisão for iminente, o ABA 5 da<br />

Mercedes-Benz Trucks pode realizar<br />

uma manobra de travagem de emergência<br />

automatizada – em pessoas em<br />

movimento isso aconteceria se o veículo<br />

circulasse à velocidade de 50 km/h. “Somente<br />

o nosso ABA 5 pode fazer isso”,<br />

explica Martin.<br />

RECEIO DE PISAR O TRAVÃO<br />

Aqueles participantes treinaram em<br />

cinco estações. A equipa de instrutores<br />

combinou uma apresentação sobre os<br />

sistemas de segurança e assistência da<br />

molhadas, que simulam bem o comportamento<br />

de condução em estradas<br />

escorregadias, ou mesmo sobre a neve.<br />

Muitos motoristas passaram mesmo por<br />

uma experiência de cortar a respiração:<br />

mesmo a uma velocidade de 10 km/h,<br />

alguns (poucos) graus de inclinação<br />

lateral do camião são suficientes para<br />

tornar a manutenção na faixa de rodagem<br />

um grande desafio.<br />

Em outra das estações de treino, o exercício<br />

focou-se em manobras, como por<br />

exemplo, em troço de estrada estreita e<br />

em situações de curva. “Há uma razão<br />

pela qual esse segundo foco ocupou<br />

grande parte do treino, pois 80% dos<br />

danos acontecem em áreas onde a condução<br />

é lenta”, diz Peter Schmitt, diretor<br />

administrativo da Schmitt-Peterslahr.<br />

e-MOBILIDADE 75


MAN LION’S CITY 10 E<br />

Nas Dolomitas com um autocarro elétrico<br />

NOTÁVEL!<br />

Do vale à montanha, entre a Áustria e a Itália, no Tirol do Sul, pelas montanhas Dolomitas,<br />

historicamente, dir-se-ia que o terror dos ciclistas do Giro, mas atualmente um petisco para um<br />

autocarro com tecnologia moderna e 100% elétrico. De dimensões médias e com um raio de viragem<br />

extremamente curto, o MAN Lion’s 10 E fez das curvas e da altitude um passeio, à média de 0,77 kWh<br />

por quilómetro, com uma taxa de recuperação de energia superior a 50%. Notável!<br />

Foi um teste de campo destinado<br />

a jornalistas, à partida difícil<br />

e exigente, do vale à montanha,<br />

ao volante do autocarro<br />

MAN Lion’s City 10 E pelas<br />

Dolomitas, no Tirol do Sul, região alpina<br />

entre as fronteiras da Áustria e Itália, até<br />

uma altitude máxima superior a 2000<br />

metros. Mas a versão curta do veículo que<br />

conquistou o galardão de Bus of the Year<br />

2023 superou-o com distinção.<br />

Com um raio de viragem recorde e<br />

dimensões compactas, o MAN Lion’s City<br />

10 E, totalmente elétrico, demonstrou que<br />

é a solução ideal para percursos exigentes,<br />

como atestam os resultados do teste de<br />

campo realizado em três dias, com uma<br />

distância de 531 km e um acumulado superior<br />

a mais de 10 mil metros de subidas<br />

exigentes. A média de consumo não passou<br />

dos 0,77 kWh por quilómetro, valor<br />

alcançado graças à tecnologia inovadora<br />

e a uma notável taxa de recuperação de<br />

mais de 50%.<br />

“Os nossos clientes estão entusiasmados<br />

com a fiabilidade e o conforto<br />

da família Lion’s City E. Queremos<br />

colocar ainda mais autocarros elétricos<br />

na estrada e, por sua vez, promover a<br />

mobilidade sustentável”, explica Robert<br />

Katzer, diretor de vendas e de produto<br />

da MAN Truck & Bus. “Com o teste<br />

de campo, o nosso autocarro elétrico<br />

mostra mais uma vez que já é possível<br />

viajar sem emissões. E pode fazê-lo em<br />

terrenos topograficamente exigentes,<br />

assim como nas rotas clássicas, muitas<br />

vezes planas, de transporte público”,<br />

reforçou Katzer.<br />

76 e-MOBILIDADE


RAIO DE VIRAGEM DE 17 METROS<br />

Com um comprimento de 10,5 metros,<br />

uma curta distância entre eixos de 4,4<br />

metros e um raio de viragem recorde de<br />

17,2 metros, o “midibus” parece feito<br />

para rodar nas estradas estreitas e sinuosas<br />

das montanhas Dolomitas. Equipado<br />

com cinco packs de baterias no teto,<br />

puxa incansavelmente e sussurra em silêncio,<br />

graças à entrega total e imediata<br />

do binário. Ao descer, muita energia flui<br />

de volta às baterias graças ao sistema<br />

de recuperação. Quando totalmente<br />

carregadas, 400 kWh de energia estão<br />

disponíveis. Com uma autonomia de até<br />

300 quilómetros, entrega uma potência<br />

máxima de 240 kW e um binário<br />

máximo de 2100 Nm. O e-bus pode<br />

acomodar 33 passageiros sentados, os<br />

demais em pé, até ao máximo de 80.<br />

O novo “midibus” é alimentado pelo<br />

mesmo motor central elétrico MAN que<br />

equipa os outros modelos Lion’s City E.<br />

PASSAGENS DIFÍCEIS<br />

Durante o teste de campo, o veículo<br />

aborda inúmeras curvas fechadas no<br />

Vale de Gardena, até ao Passo Gardena,<br />

no Passo Valparola, no pitoresco<br />

Meransen e, após um curto desvio<br />

sobre o Passo Brenner, de volta ao<br />

ponto de partida em Klausen. A manobrabilidade<br />

do MAN Lion’s City 10<br />

E deve-se não só à sua curta distância<br />

entre eixos e pequeno raio de viragem,<br />

mas também ao seu chassis sofisticado<br />

com suspensão independente e ângulo<br />

de direção de 56 graus. “A excelente<br />

configuração do chassis, o comportamento<br />

direto da direção, bem como<br />

a distância encurtada entre os eixos<br />

A recuperação em declive<br />

devolve às baterias<br />

grandes quantidades<br />

de energia. A subida<br />

do Gardena Pass (2.121<br />

metros) é particularmente<br />

sinuosa e, aqui, o<br />

“midibus” mostra todas<br />

as suas habilidades<br />

trazem grandes vantagens nesta rota. O<br />

autocarro é muito manobrável, e as três<br />

toneladas de baterias dificilmente são<br />

perceptíveis em situações de curva”,<br />

explica Heinrich Degenhart, da MAN<br />

ProfiDrive. E quando as coisas ficam<br />

particularmente apertadas e sinuosas,<br />

o pequeno e-bus elétrico é auxiliado<br />

por sistemas de segurança modernos,<br />

como ESP, assistente ativo de alerta de<br />

direção, faróis de LED brilhantes à luz<br />

do dia, ou o sistema opcional de substituição<br />

de espelhos MAN OptiView<br />

baseado em câmaras.<br />

REGENERAÇÃO DE ENERGIA<br />

A recuperação em declive devolve às baterias<br />

grandes quantidades de energia. A<br />

subida do Gardena Pass (2.121 metros)<br />

é particularmente sinuosa e, aqui, o<br />

“midibus” mostra todas as suas habilidades,<br />

assumindo cada gancho de estrada,<br />

por mais apertado que seja, sem<br />

esforço, pode mesmo admitir-se que,<br />

com facilidade. Na descida seguinte de<br />

9 km até Corvara, o autocarro recupera<br />

grandes quantidades de energia, a tal<br />

ponto que a sua bateria é quase recarregada<br />

– com valores de carregamento de<br />

pico de mais de 200 kW.<br />

Após três dias de testes e de um total<br />

de 531 km de condução com inúmeras<br />

curvas – sendo que o ponto mais baixo<br />

situa-se nos 523 metros (Klausen), e<br />

o mais alto nos 2.168 metros (Passo<br />

Valparola) –, quase não há diferença no<br />

consumo de energia nestas subidas e<br />

descidas, se comparadas com uma viagem<br />

clássica de ida e volta de transportes<br />

públicos em terreno plano: no final,<br />

a média foi de 0,77 kWh por quilómetro.<br />

“O nosso MAN Lion’s City 10 E é a<br />

solução perfeita para rotas estreitas e desafiantes,<br />

proporcionando conforto aos<br />

passageiros”, afirma Stephan Rudnitzky,<br />

gestor do MAN Lion’s City 10 E.<br />

EFICIENTE E CONFIÁVEL<br />

O MAN Lion’s City 10 E domina esta<br />

rota exigente, passando por cadeias de<br />

montanhas escarpadas e prados alpinos<br />

verdejantes, de forma confiável. E prova<br />

ser um membro de pleno direito da<br />

família – afinal, o seu irmão mais velho,<br />

o MAN Lion’s City 12 E, completou a<br />

rota de cerca de 2.500 km de Munique<br />

a Limerick, na Irlanda, como se estivesse<br />

sobre trilhos durante o “Electrifying<br />

Europe Tour 2022”, razão pela qual<br />

conquistou o troféu de Bus if the Year<br />

2023.<br />

e-MOBILIDADE 77


IVECO com S-Way<br />

em digressão a biogás<br />

VIAGEM DE DEZ DIAS POR QUATRO PAÍSES<br />

EM PARCERIA COM A SHELL BIOLNG<br />

A associação com a gasolineira pretende<br />

demonstrar a total viabilidade dos camiões<br />

movidos a biogás na descarbonização do<br />

transporte rodoviário de mercadorias.<br />

A<br />

IVECO, marca do Iveco Group , e a Shell vão<br />

iniciar a sua digressão “On the road to net-zero<br />

emissions”, dedicada ao biogás, uma viagem de<br />

longo curso de dez dias pela Europa a bordo de<br />

um camião IVECO S-Way movido a biogás. A<br />

viagem terá início no posto Shell de Mittenwalde, em Berlim,<br />

e fará paragens em cinco pontos de referência do ecossistema<br />

do biogás, numa rota que passará pela Alemanha, Países Baixos<br />

e Itália. O objetivo do IVECO S-Way é completar o percurso<br />

com emissões zero, proporcionando um desempenho<br />

eficiente. Cada etapa proporcionará a oportunidade de juntar<br />

os líderes da indústria e os utilizadores finais envolvidos na<br />

cadeia de valor - desde a produção à distribuição e utilização<br />

- para debater a utilização do bioLNG na descarbonização do<br />

transporte rodoviário.<br />

POTENCIAL PARA A DESCARBONIZAÇÃO<br />

O projeto conjunto irá mostrar como a cooperação estratégica<br />

e a liderança política estão a impulsionar a adoção do bioLNG<br />

no mercado europeu de frotas, com o objetivo de aumentar a<br />

sensibilização para o potencial de descarbonização do bioLNG<br />

no transporte de longo curso. De facto, transportando cerca<br />

de 73,1% de toda a carga movimentada por terra na UE, o<br />

setor dos transportes é atualmente responsável por cerca de<br />

9% do total das emissões de CO2 na UE.<br />

A IVECO é pioneira em motores de combustão interna para<br />

combustíveis alternativos há mais de duas décadas e, nos anos<br />

mais recentes, alargou o âmbito das suas atividades de desenvolvimento<br />

para incluir soluções eletrificadas.<br />

“Acreditamos que uma abordagem multienergias é a melhor<br />

solução para a propulsão do futuro e para enfrentar o desafio<br />

da descarbonização dos transportes”, comentou Giandomenico<br />

Fioretti, diretor de desenvolvimento de negócios de<br />

propulsão alternativa da IVECO. “O nosso objetivo é posicionar<br />

o bioLNG como uma fonte de energia em crescimento no<br />

mercado dos transportes. Juntos, contribuiremos para a transição<br />

do setor para um futuro com zero emissões de carbono”,<br />

afirmou Giandomenico.<br />

VEÍCULOS SILENCIOSOS<br />

Para além das missões de longo curso, o funcionamento silencioso<br />

dos motores dos camiões IVECO movidos a biogás,<br />

em comparação com os motores de combustão interna convencionais,<br />

torna estes veículos adequados para aplicações<br />

urbanas e entregas noturnas, aumentando simultaneamente<br />

o conforto do condutor. A compatibilidade do bioLNG<br />

com a infraestrutura de GNL existente, que conta com<br />

668 postos de abastecimento em toda a UE, torna-o num<br />

combustível pronto a utilizar para camiões movidos a GNL,<br />

sem necessidade de modificações no equipamento ou de<br />

novos investimentos. Dado que o mercado do bioLNG está<br />

em rápido desenvolvimento, a IVECO e a Shell apoiam-se na<br />

sua posição de liderança, na sua presença alargada e no seu<br />

know-how no setor para impulsionar o mercado do bioLNG<br />

para um maior crescimento.<br />

78 e-MOBILIDADE


Reconstrução é vital para uma<br />

economia circular e sustentável<br />

A<br />

ZF Aftermarket diz poupar mais de 32 mil toneladas<br />

de emissões de CO 2<br />

através da reconstrução<br />

de peças, em comparação com a produção de<br />

novos produtos por ano; os processos industriais<br />

garantem o padrão de qualidade do equipamento<br />

original para todos os produtos reconstruídos, eis duas das súmulas-chave<br />

a que a ZF Aftermarket deu ênfase numa teleconferência<br />

com jornalistas especializados nos mercados pós-venda.<br />

O processo da economia circular, a neutralidade carbónica<br />

para uma verdadeira sustentabilidade têm como denominador<br />

comum uma estratégia que aponta para 2040 como o ano de<br />

impacto neutro para o clima no seu processo empresarial da<br />

cadeia de fornecimento. A ZF Aftermarket, com cerca de 165 mil<br />

colaboradores em todo o mundo, realizou<br />

vendas de 43.8 mil milhões de euros no<br />

ano fiscal de 2022 e possui 168 locais de<br />

operação em 32 países.<br />

A recente introdução da norma “Design<br />

para a Sustentabilidade” significa que os<br />

novos produtos são concebidos para serem<br />

reconstruídos. Este processo, que envolve<br />

componentes usados, é uma parte essencial<br />

do seu percurso para se tornar uma empresa<br />

com impacto neutro no clima, pois reduz o<br />

ZF Aftermarket<br />

Emissões, acidentes e tempo de inatividade – a<br />

ZF Aftermarket quer tudo a zeros para promover<br />

a mobilidade futura. Ao estabelecer o objetivo<br />

de se tornar neutra para o clima até 2040, a<br />

reconstrução de produtos para pós-venda é parte<br />

do desígnio da marca, fornecedora de peças de<br />

substituição reconstruídas para automóvel, para<br />

quem a economia circular não é uma palavra vã.<br />

PEÇAS RECONSTRUÍDAS<br />

(QUE DIFERENÇAS?)<br />

• Têm a mesma geometria de uma<br />

peça nova<br />

• Todas as peças individuais estão<br />

limpas<br />

• Os componentes desgastados<br />

ou defeituosos (vedantes, fixadores,<br />

etc.) foram substituídos<br />

• Representam o estado mais recente<br />

da produção e do software<br />

• Foram completamente testadas<br />

consumo de energia, de matérias-primas e de recursos, reduzindo<br />

assim a pegada de CO 2<br />

quando comparado com a produção<br />

de novos produtos.<br />

“Com a reconstrução em série de peças usadas de veículos é<br />

possível poupar até 90% das matérias-primas utilizadas no<br />

fabrico de uma peça nova. E o utilizador pode ter confiança na<br />

qualidade e no desempenho do componente [seguindo diretrizes<br />

do equipamento original e com o mesmo período de garantia]”,<br />

explicou Tomasz Galazka, diretor de estratégia de reconstrução e<br />

desenvolvimento de negócio da ZF.<br />

20 INSTALAÇÕES PARA UMA SEGUNDA VIDA<br />

No total, a ZF oferece mais de 5.500 produtos diferentes (referências)<br />

que são reconstruídos em 20 instalações da ZF em<br />

todo o mundo - desde pinças de travão e sistemas de direção a<br />

transmissões automáticas. Uma vez que as peças usadas estão<br />

sujeitas a determinadas restrições de exportação e impwortação,<br />

é necessária uma capacidade de produção no maior número<br />

possível de regiões. Além disso, isso garante rotas de transporte<br />

mais curtas e, portanto, mais economia de CO 2<br />

.<br />

O objetivo da empresa é que, no futuro, o maior número possível<br />

de produtos da ZF tenha os requisitos técnicos na conceção para<br />

uma segunda vida. As formas como a ZF está a fazer isto incluem<br />

a utilização de materiais mais resistentes<br />

à corrosão e a utilização de tecnologias de<br />

ligação que permitem uma desmontagem<br />

sem danos. Desta forma, as peças de veículos<br />

que ainda não podem ser reconstruídas de<br />

forma económica ou viável também entrarão<br />

no ciclo de materiais.<br />

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO<br />

Segundo Philippe Colpron, diretor da ZF<br />

Aftermarket, clientes e parceiros são encorajados<br />

a juntarem-se à empresa na construção<br />

de um futuro mais verde, “participando na<br />

cadeia de valor da reconstrução, pois para<br />

muitos clientes, a sustentabilidade está a tornar-se<br />

cada vez mais importante no que diz<br />

respeito à reparação de veículos. É por isso que as oficinas devem<br />

oferecer peças reconstruídas e devolver as peças antigas não<br />

danificadas para lhes dar uma segunda vida. Porque a verdadeira<br />

economia circular só será bem sucedida se todos trabalharmos<br />

em conjunto.”<br />

As peças reconstruídas recebem a mesma garantia que uma peça<br />

nova e 100 por cento de todas as unidades reconstruídas são<br />

testadas de acordo com os padrões do equipamento original.<br />

e-MOBILIDADE 79

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