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Migrações do passado e do presente: uma ... - Fazendo Gênero

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“nascer”, que o faz

“nascer”, que o faz existir; é o trabalho, quando termina, que o faz morrer, que decreta sua negação ou que o empurra para o não-ser. E de acordo com o citado autor, esse trabalho, que condiciona toda a existência do imigrante, não é qualquer trabalho, não se encontra em qualquer lugar; ele é o trabalho que o “mercado de trabalho para imigrantes” lhe atribui e no lugar em que lhe é atribuído: trabalhos para imigrantes que requerem, pois imigrantes. Assim, se o trabalho é o que proporciona o “nascimento” do imigrante, o que lhe faz existir, a razão que justifica sua estadia, ou pelo contrario, o que determina a sua “morte”, então, como força de trabalho ela é provisória, temporária, em constante trânsito. Dessa forma, as autorizações de residência dos imigrantes estão, geralmente, vinculadas ao trabalho 1 . No entanto, essa condição de força de trabalho é questionada pelos empreendimentos e comércios das imigrantes. Esses estabelecimentos não somente dinamizam a economia, senão que são potenciais empregadores e geradores de emprego. Em muitas iniciativas empresariais das imigrantes, há registros de micro empresas que tem a capacidade de gerar em torno a 40 empregos diretos e alguns quantos indiretos. Assim, essa presença empreendedora, vem debilitando a idéia do imigrante como um ser exclusivamente determinado a servir como mão-de-obra no país de recepção. Quando as imigrantes exercem a função de empregador, além de impulsionar a economia, em um sistema que depende das pequenas empresas para que o Estado de bem-estar social possa ser fortalecido, passam a assumir um papel de protagonistas na cena pública e econômica da sociedade de recepção. Igualmente, outro elemento que essas iniciativas empresarias questionam é a própria condição provisória que constitui ao imigrante e que faz dele um ser social ao que está atribuído “naturalmente” a possibilidade de retorno ao seu grupo nacional. Desse modo, como argumenta Cavalcanti e Boggio (2004), a idéia do retorno estaria no seio do fenômeno migratório e se consolidaria como uma questão que flutua entre as sociedades de emigração e de imigração, transpassando de modo transversal todo o projeto migratório. Esta percepção de provisionalidade é alimentada, na sociedade de imigração pelo tratamento jurídico que os imigrantes recebem e pode ser visto através das autorizações de trabalho e residência, que tem uma validez limitada de tempo, como também na possibilidade de expulsão 1 É importante salientar que há outros tipos de autorizações de residência para pessoas de origem estrangeiro que não, necessariamente, estão vinculadas ao trabalho, como é o caso dos estudantes, diplomáticos, refugiados, entre outros.

imediata para os que não gozam da autorização de residência ou trabalho. Por outro lado, a sociedade de emigração, também impõe essa condição de provisionalidade, ao admitir a sua ausência em troca de conservar essa transitoriedade duradoura da sua emigração. Aqui, as iniciativas comerciais também relativizam essa condição ambígua que é imposta ao imigrante. A idéia de pensar um projeto empresarial está muito mais distante da perspectiva de retorno e mais próxima a possibilidade de permanecer indefinidamente na sociedade da imigração, como nos conta o seguinte relato: “Se eu estivesse pensando em voltar para o meu país de origem, não teria aventurando em abrir uma empresa e montar meu próprio negocio. Foi muito difícil juntar dinheiro durante vários anos, conseguir um crédito, organizar toda a papelada, etc..., Se eu fiz todo esse esforço é porque eu acredito no sistema econômico daqui e não penso em voltar, a não ser uma vez ou outra de férias. Eu quero viver o resto da minha vida aqui e que meus filhos possam estudar e ter oportunidades na vida que eu não tive. Quando uma pessoa abre uma empresa está pensando em ficar porque senão estaria trabalhando para outra pessoa, juntando dinheiro para voltar, mas quando abre uma empresa é porque já faz parte dessa sociedade. (J. 36 anos, trabalho de campo 2005) Por outro lado, a ampla diversidade e os diferenciados tipos de casas comerciais e empreendimentos administrados por imigrantes, impossibilita qualquer tentativa de circunscrever essas atividades dentro de qualquer recorte específico, seja étnico, econômico o nacional. Se trata de produtos e serviços que são consumidos por imigrantes do mesmo grupo nacional, por outros imigrantes, por espanhóis e por estrangeiros em geral. Em suma, as iniciativas comerciais das imigrantes questionam a própria construção do “imigrante” como um sujeito genérico, associado a toda uma serie de problemas sociais. Do mesmo modo que aportam novas imagens ao complexo fenômeno contemporâneo da migração internacional. Por último é importante salientar que uma das dinâmicas contemporâneas que vem contribuindo a romper com esse esquema que coloca os imigrantes como responsáveis de todos os males sociais, está relacionado com o florescimento e a proliferação de inúmeros empreendimentos empresariais dos imigrantes. As iniciativas comerciais desses imigrantes vêm questionando três elementos que marcam, em geral, a condição social do imigrante: força de trabalho, provisionalidade e problema social. De modo geral, os negócios dos migrantes rompem com esse triangulo e cria relações mais horizontais entre os chamados imigrantes e autóctones, questionando a própria construção do imigrante como uma categoria social.

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