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Práticas corporais e esportivas. ST 21 Silvana ... - Fazendo Gênero

Práticas corporais e esportivas. ST 21 Silvana ... - Fazendo Gênero

A representação de que

A representação de que o futebol masculiniza a mulher só pode ser compreendida a partir de uma representação essencialista dos gêneros que não permite visualizar as multiplicidades que cada pólo contém. Representa, ainda, admitir ser o futebol um esporte masculino e que, quando jogado pelas mulheres, deve evitar que ela transponha alguns limites culturalmente construídos e identificados a partir da sua configuração biológica tornando-se portanto, imperiosa a sua feminização. A espetacularização do corpo feminino é aceita e incentivada em determinados locais sociais, em especial, aqueles que valorizam uma representação de feminilidade construída e ancorada na exacerbação, por exemplo, da beleza e da sensualidade. Noutros, como o campo de futebol ou as arenas de lutas, essa espetacularização direciona- para o estranhamento a estes corpos femininos performantes, fundamentalmente, porque às mulheres, cuja aparência corporal é excessivamente transformada pelo exercício físico e pelo treinamento contínuo, são atribuídas características viris que não apenas questionam sua feminilidade mas também colocam em dúvida a autenticidade do seu sexo. Afinal, o homem - seu corpo e seu comportamento - é o modelo a partir do qual o corpo e o comportamento da mulher são julgados, estigmatizando aquelas que ultrapassam os limites que convencionalmente lhe foram impostos. Não raras vezes as jogadoras de futebol são questionadas acerca de sua sexualidade, parecendo ser “natural” essa inspeção. Agregase, portanto, ao discurso da masculinização da mulher a associação entre a aparência corporal e a identidade sexual, ou melhor, a suspeição de que a mulher que habita esse corpo “viril” vivencia seus desejos, seus amores e seus prazeres a partir de um referente que não aquele considerado como “normal”, qual seja o da hetessexualidade. Essa associação toma como sinônimas as identidades de gênero e as identidades sexuais e opera no sentido de fixar essas identidades a partir de uma representação linear entre sexo-gênero e sexualidade. Transgressoras ou não, as mulheres há muito estão presentes no futebol. Vão aos estádios, assistem campeonatos, acompanham o noticiário, treinam, fazem comentários, divulgam notícias, arbitram jogos, são técnicas, compõem equipes dirigentes... enfim, participam do universo futebolístico e isso não há como negar iii . Certamente algumas destas mulheres transgridem ao que convencionalmente se designou como sendo próprio de seu corpo e de seu comportamento, questionam a hegemonia esportiva masculina historicamente construída e culturalmente assimilada e enfrentam os preconceitos e também as estratégias de poder que estão subjacentes a eles. Outras, no caminho inverso, moldam-se aos padrões masculinos de modo a não questionar nem os preconceitos, nem as regras que o regem, expresso em atitudes, piadas, comportamentos, posturas corporais e discursos. No e pelo esporte, reafirmam sua feminilidade e sua identidade, exibem sua beleza e espetacularizam seus corpos.

Feitas essas considerações é preciso lembrar que, apesar da sempre crescente presença feminina na vida esportiva do país, a situação atual das mulheres deve ser avaliada com cautela. E o futebol exemplifica bem esta situação: o número de mulheres brasileiras que hoje pratica o futebol em clubes e área de lazer aumentou se comparado à década anterior bem como são bastante significativas as conquistas da nossa seleção que, desde o final dos anos 90, vem marcando sua história em eventos de grande projeção internacional. iv No entanto, ainda é precária a estruturação da modalidade no país pois são escassos os campeonatos, as contratações das atletas são efêmeras e, praticamente, inexistem políticas privadas e públicas direcionadas para o incentivo às mulheres que desejam fazer sua carreira dentro desse esporte o que me leva à afirmar, que, na “Pátria das Chuteiras”, as mulheres não têm vez. Estão nas zonas de sombra ainda que há muito protagonizem histórias que construíram e estruturaram o futebol desse país. Referências Bibliográficas: AZEVEDO, Fernando de. Da Educação Physica. São Paulo/Rio de Janeiro: Weiszflog Irmãos, 1920. CARDOSO, Maurício. Elas venceram. Revista Veja, nº 1645, 19/04/2000. CONSELHO NACIONAL DE DESPORTOS. Decreto-Lei n.º 3199, de 14 de abril de 1941. DaCOSTA, Lamertine P. Atlas do Esporte no Brasil: Atlas do esporte, educação física, atividades físicas de saúde e lazer no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2005. KNIJNIK, Jorge D. e VASCONCELLOS, Esdras G. Sem impedimento: o coração aberto das mulheres que calçam chuteiras no Brasil In: COZAC, João R. Com a cabeça na ponta da chuteira - ensaios sobre a psicologia do esporte. São Paulo, Annablume/Ceppe, 2003. LOYOLA, Hollanda. Pode a mulher praticar o futebol. Revista Educação Physica, n. 46, p. 40-45, 1940. MOREL, Márcia e SALLES, José Geraldo do C. Futebol feminino. In: DaCOSTA, Lamertine P. Atlas do Esporte no Brasil: Atlas do esporte, educação física, atividades físicas de saúde e lazer no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2005. RODRIGUES, Nelson. A pátria em chuteiras: novas crônicas de futebol. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. v.20, n.2, p. 123-151, 1995. SWAIN, Tânia N. Intertextualidade: perspectivas feministas e foucaultianas. Labrys: estudos feministas, vol 4, jan/jul 2004. Disponível em . Acesso em 02 mai. 2006.

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