Jornal Paraná Março 2019

LuRecco

Tecnologia revoluciona

o agronegócio

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OPINIÃO

Escolha e economia

Tecnologia flex-fuel rapidamente se consolidou no Brasil e está presente

em 46% das motocicletas e 96% dos automóveis novos comercializados

Luciano Rodrigues (*)

Omercado brasileiro de

combustíveis leves

apresenta característica

única no mundo.

Não há outro país com uma

frota de quase 5 milhões de

motocicletas e 30 milhões de

veículos aptos a utilizarem

qualquer combinação entre gasolina

e etanol hidratado. Lançada

em março de 2003, a tecnologia

flex-fuel rapidamente se

consolidou no Brasil e hoje está

presente em 46% das motocicletas

e 96% dos automóveis

novos comercializados domesticamente.

Associa-se a essa singularidade,

o pioneirismo brasileiro no

desenvolvimento e uso do etanol

combustível, com vasta experiência

na produção, além de

logística de distribuição e infraestrutura

que garantem a

oferta do biocombustível nos

postos revendedores em todo

o território nacional.

Essas características oferecem

ao consumidor brasileiro uma

opção privilegiada: a possibilidade

de escolher o combustível

desejado a cada abastecimento,

dependendo do preço relativo

dos produtos e de suas preferências.

Trata-se de uma condição

que não encontra paralelo

em nenhuma outra nação do

globo.

A possibilidade de escolha garante

maior competição e, a

partir de mecanismos de mercado,

reduz o risco de preço

dos combustíveis aos proprietários

de veículos flexíveis. Essa

condição oferece uma proteção

estrutural ao consumidor

diante das variações no valor

da gasolina.

Os preços do etanol e da gasolina

no mercado doméstico são

determinados por inúmeros fatores

inerentes às particularidades

de cada setor. No caso do

etanol, se destacam a estrutura

produtiva pulverizada e competitiva,

o maior tempo de resposta

da oferta, o impacto de

fatores climáticos e biológicos

na produção, a sazonalidade da

oferta durante os períodos de

safra e entressafra, entre outros

aspectos presentes nos mercados

de commodities agrícolas.

A gasolina, por sua vez, apresenta

valor definido a partir de

uma estrutura altamente concentrada,

com influência das

mudanças na taxa de câmbio e

nas condições no mercado internacional

de petróleo, especialmente

após a nova política

de preços praticada domesticamente.

É nesse contexto complexo,

com múltiplos fatores interrelacionados

determinando os preços

dos produtos, que o

consumidor nacional pode

aproveitar as variações nos valores

de bomba para auferir

economia em seus gastos com

combustíveis. Aproveitando-se

dessa dinâmica, o proprietário

de veículo flex pode optar pelo

No acumulado desde 2003, a

economia advinda da presença

do etanol no mercado nacional

alcançou quase R$ 65 bilhões.

biocombustível toda vez que o

preço relativo entre hidratado e

gasolina for inferior ao diferencial

de rendimento dos dois

produtos.

Com efeito, em 2018 a liberdade

de escolha do combustível

propiciou uma economia

próxima de R$ 6,5 bilhões aos

consumidores brasileiros. Essa

estimativa considera o menor

gasto por quilômetro rodado

toda vez que o preço do etanol

hidratado se situa abaixo de

73% do valor praticado para a

gasolina - estudos de campo

indicam que esse percentual

reflete o diferencial médio rendimento

dos combustíveis na

frota nacional operando em

condições reais.

Em 14 das 27 unidades da Federação,

os consumidores locais

usufruíram desses ganhos,

com destaque para os

Estados de São Paulo, Minas

Gerais, Goiás, Mato Grosso e

Paraná, que concentraram 98%

da economia total. Cabe mencionar

que esses estados representam

55% da frota de veículos

leves no País e apresentam

uma política tributária que

reconhece os benefícios sociais,

econômicos e ambientais

dos biocombustíveis.

No acumulado desde 2003, a

economia advinda da presença

do etanol no mercado nacional

alcançou quase R$ 65 bilhões.

Esse montante equivale a 1% do

Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro

que deixou de ser gasto

com a compra de combustível

e foi empregado na aquisição de

outros produtos, com efeito

multiplicador significativo na ativação

da economia nacional.

Esses números evidenciam a

importância da preservação e

consolidação do etanol na matriz

nacional, com economia

expressiva aos consumidores

de combustíveis, além dos já

conhecidos efeitos positivos na

geração de empregos, na interiorização

do desenvolvimento,

na redução dos gastos com

saúde pública, na redução do

déficit na balança comercial

dos derivados e na mitigação

das emissões de gases causadores

do efeito estufa.

(*) Gerente de Economia e Análise

Setorial da União da Indústria

da Cana-de-Açúcar (UNICA).

Coautor: José Guilherme de Oliveira

Belon - analista econômico

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SAFRA

Coopcana inicia a colheita no Paraná

A previsão, entretanto, é que

a maior parte das indústrias

só esteja em operação a

partir de abril

Repetindo o feito do

ano passado, a cooperativa

Coopcana,

de Paraíso do Norte

(PR), foi a primeira a iniciar a

colheita de cana-de-açúcar no

Estado, no último dia 18 de

fevereiro, estratégia que vem

adotando há alguns anos. O

Paraná tem por tradição antecipar

a retomada das operações

antes do período instituído

pelo governo federal como

o de abertura do novo ano

safra, em 1 de abril. Toda a

produção antes disso é computada

ainda como da safra

anterior.

Até o final de dezembro,

quando todas as unidades produtoras

já estavam paralisadas,

por causa da entressafra,

o montante de matéria- prima

esmagada na safra 2018/19

somava 34,711 milhões de toneladas,

contra 36,483 milhões

do ciclo anterior. 2017/

18, quase 5% a menos. Neste

As usinas e destilarias do Centro-Sul

do Brasil, principal polo

canavieiro do país, podem

postergar o início da próxima

safra de cana-de-açúcar na região

devido aos elevados estoques

de etanol, além dos problemas

climáticos que atrapalharam

o desenvolvimento das

plantas. A falta de espaço para

armazenamento limitaria as

operações, segundo especialistas

do setor.

A safra 2019/20 inicia oficialmente

em abril na região, e a

expectativa é de que o setor

período, até o dia 31 de março,

a expectativa da Alcopar é

moer mais 1 milhão de toneladas

de cana, no mínimo.

A previsão, entretanto, é que a

maior parte das indústrias só

esteja em operação a partir de

abril, afirma o presidente da

Alcopar, Miguel Tranin. Além

da Coopcana, só mais seis

unidades pretendem iniciar os

trabalhos em março. Tranin

explica que isso ocorre devido

à falta de cana bisada, que

sobra de um ano para o outro

no campo, e dos problemas

climáticos, como prolongados

períodos de seca no final do

ano passado e início deste,

que afetaram produtividade

dos canaviais nas regiões noroeste

e norte do Estado.

A Alcopar ainda não finalizou

sua estimativa da safra 2019/

20, mas, nos últimos anos, o

volume colhido na safra anterior

tem sido o indicativo da

sucroenergético mantenha o

foco na fabricação de etanol, já

que o biocombustível tem sido

mais bem remunerado que o

açúcar. Por conta desse mix

mais alcooleiro, segundo o Ministério

da Agricultura, as unidades

produtoras do Centro-

Sul detinham cerca de 6 bilhões

de litros estocados até 1º

de fevereiro, 25% a mais em

relação ao ano anterior - 2,4

bilhões de litros de anidro e 3,6

bilhões, de hidratado.

próxima, repetindo os números,

normalmente. O canavial

continua envelhecido e o percentual

de renovação ficou

aquém do considerado ideal.

Se a demanda não for suficiente

para desovar esses estoques

na intensidade necessária,

segundo a consultoria INTL

FC Stone, as usinas terão que

lidar com o problema de tancagem.

“As usinas podem optar

por um mix mais açucareiro no

começo da safra ou por atrasar

o início da colheita", disse o

analista Matheus Costa, citando

ser possível que os estoques

de passagem da safra

2018/19 superem o recorde

observado na virada de 2014/

15, da ordem de 2,4 bilhões de

litros.

Segundo dados da União da

Diante das baixas cotações do

açúcar no mercado internacional

em 2018, as unidades

direcionaram suas atividades

para priorizar a produção de

etanol, que somou 1,558 bilhão

de litros no total de anidro

e hidratado, um acréscimo

de 26,7% no Paraná, em

comparação ao ano anterior,

que fechou em 1,229 bilhão

de litros. Do total, 500,721

milhões de litros foram de etanol

anidro e 1,058 bilhão de litros

de hidratado. Já o montante

de açúcar foi de 2,092

milhões de toneladas, 28% a

menos em igual período,

quando chegou a 2,912 milhões

de toneladas.

Sobra etanol e falta chuva

Indústria de Cana-de-Açúcar

(Unica), a comercialização total

de etanol anidro e hidratado

por usinas do Centro-Sul, nos

mercados interno e externo,

vem girando em torno de 2,5

bilhões de litros ao mês.

A perspectiva é de que os estoques

de etanol sigam elevados.

A consequência disso

são os preços do biocombustível,

que em meados de fevereiro

foi de R$ 1,58 por litro

para o hidratado e de

R$1,6976 para o anidro, quedas

de 13,8% e 12,8% na

Até o dia 31 de

março, a expectativa

da Alcopar é moer

mais 1 milhão de

toneladas de cana

comparação anual, respectivamente,

segundo o Centro de

Estudos Avançados em Economia

Aplicada (Cepea), da

Esalq/USP.

No Estado de São Paulo, a paridade

de cotações entre etanol

e gasolina segue abaixo

dos 70%, mesmo na entressafra,

quando a menor produção

no Centro-Sul leva o preço

do álcool a ultrapassar esse

percentual a partir do qual

a gasolina é considerada mais

atrativa por sua eficiência

energética maior.

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EXPECTATIVA

Mercado global de açúcar começa a virar

Os sinais são de redução do

superávit global, mas um dos

principais aspectos que dificulta

a recuperação de preços é o

estoque volumoso

Após dois anos de preços

baixos, o mercado

global de açúcar

deve começar a virar

a página na avaliação da

Kingsman, unidade da S&P

Global Platts, que projeta que

o mercado enfrentará a primeira

escassez em três anos

na safra que começa em outubro.

A produção será 3,7 milhões

de toneladas inferiores

ao consumo, revertendo o superávit

de quantidade semelhante

desta temporada. Números

semelhantes foram estimados

pela Datagro, um déficit

de 3,05 milhões de toneladas

na safra atual e de 8,94

milhões de toneladas em

2019-2020.

Para a consultoria INTL

FCStone, o balanço deve

também sair da situação de

superávit registrado na safra

global 2017/18 para déficit -

projetado em 700 mil de toneladas

para a temporada

2018/19. "Os estoques globais

devem voltar a se retrair,

abrindo espaço para a valorização

do açúcar", informa

o analista João Paulo Botelho.

O déficit é puxado por uma

forte quebra de safra de beterraba

na Europa, e queda na

produção na Índia e na Tailândia,

em virtude de problemas

climáticos, aliados à redução

na área plantada, no caso da

Tailândia, sem contar a redução

na safra brasileira.

Mas, o déficit projetado para

2018/19 ainda não é suficiente

para reverter o forte aumento

dos estoques na safra

anterior (+9,4 milhões de toneladas).

"Parte do movimento

recente de alta é resultado

também da expectativa de que

os estoques globais de açúcar

se mantenham em queda no

próximo ano", estima a

FCStone.

Segundo os pesquisadores do

Cepea (Centro de Estudos

Avançados em Economia

Aplicada), da Esalq/USP, o

mercado vem trabalhando

com perspectiva de recuperação

pouco acentuada dos

preços internacionais de açúcar

para 2019, mesmo com

os sinais de redução do superávit

global. E avalia que um

dos principais aspectos que

dificulta a recuperação de preços

é justamente o estoque

volumoso.

As expectativas apresentadas

pelo USDA indicam que um

novo patamar de estoques -

superior ao do período anterior,

de 53 milhões de toneladas

métricas, próximo de 30% da

produção total - terá entrada

em 2019. Grande parte é composto

pela Índia, que acumulou

volume suficiente para compensar

a redução nos estoques

da China e da União

Europeia.

Mesmo com os preços relativamente

baixos que prevaleceram

em 2018, a produção global

ainda não deve apresentar

forte retração em 2019, o que

também pode influenciar os

valores, aponta o Cepea. A

FAO apresentou expectativa de

produção recorde de 187,6

milhões de toneladas para a

temporada 2017/18, superior

em 11% à do ano anterior.

O balanço entre produção e

consumo global de açúcar

apresentará um segundo superávit

consecutivo em 2019,

ainda que menos expressivo

que o da temporada anterior.

Em novembro/18, a Organização

Internacional de Açúcar divulgou

expectativa de superávit

de 2,17 milhões de toneladas

de açúcar e produção mundial

de 180,49 milhões de toneladas.

Isso, apesar da menor produção

brasileira de açúcar. Na safra

2018/19, o Centro-Sul do

Brasil, principal região produtora

do país, deve produzir o

menor volume de açúcar desde

2009/10. Além da menor

disponibilidade de cana, há um

maior direcionamento de matéria-prima

para a produção de

etanol.

A expectativa é de que sejam

produzidos 26,9 milhões de

toneladas de açúcar no ciclo

vigente, iniciado em abril, ante

36,1 milhões em 2017/18.

Com relação à produção brasileira

de açúcar, prevalece a

apreensão quanto à idade dos

canaviais na região Centro-Sul,

tendo em vista a baixa taxa de

renovação e o pouco investimento

em manutenção.

Brasil é o fiel da balança

Caso se confirme a perspectiva

de recuperação nos preços

do açúcar, as usinas do

Centro-Sul do Brasil devem

atuar como fiel da balança do

mercado internacional a partir

do início da safra em abril, estima

Paulo Botelho, da

FCStone. Isso por causa da

capacidade de direcionar a

matéria-prima para a produção

de açúcar ou etanol, a depender

da relação de preços

entre os dois, e volume de

produção suficiente para alterar

significativamente a oferta

global do produto.

"É possível que a paridade

entre o açúcar e o etanol no

Brasil acabe limitando o potencial

de alta do adoçante,

uma vez que uma relação

muito favorável a este pode

incentivar o aumento de sua

produção pelas usinas locais,

reduzindo o déficit global da

commodity", relata o analista.

A queda no preço do etanol

pode fazer com que uma parcela

maior da cana brasileira

seja usada para produzir açúcar.

O petróleo mais barato e

os grandes estoques de etanol

encerraram anos de desconto

no preço do açúcar em

relação ao do biocombustível,

diferença que em 2018 chegou

a 30%.

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TECNOLOGIA

A revolução digital no agronegócio

A agricultura levou séculos para

se automatizar, mas o ritmo dessa

mudança vem sendo frenético

nos últimos anos e tende a

acelerar ainda mais

Ainovação tecnológica

tem transformado

todos os setores

da economia e

da sociedade. A agricultura

levou séculos para se automatizar,

mas o ritmo dessa

mudança vem sendo frenético

nos últimos anos, e tende

a acelerar ainda mais. As novas

tecnologias têm um enorme

potencial para mudar totalmente

o agronegócio.

Essa profunda mudança é

algo que pode ser comparado

a outras duas grandes transformações:

a chamada revolução

verde, na década de

1950 (baseada nos modelos

extensivos de produção), e da

biotecnologia, nos anos

1990, com a entrada das sementes

transgênicas nas lavouras.

Agora, na era digital,

as fazendas não mais produzirão

alimentos como antes.

A agricultura incorporou muita

tecnologia nos últimos

anos. Essa tecnologia gerou

dados e permitiu ao produtor

avanços na produtividade.

Esse é, no entanto, apenas o

começo, dizem os especialistas.

A era digital começa a integrar

plantio, manejo e colheita,

com a coleta e processamento

de dados para

previsões e tomada de decisão.

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TECNOLOGIA

Plantio, manejo e colheita

estarão ligados por uma

rede de informações que colocará

o setor no mundo de

sofisticada tecnologia. O que

se vive hoje é a era da agricultura

de informação, e não

mais a de precisão, adotada a

partir dos anos 1990, ligada

ao uso de equipamentos de

A tecnologia já incorporada na

agricultura gerou uma série de

dados, mas o quebra-cabeça é

como utilizá-los. O desafio é

processar esses dados e, com

eles, definir um padrão básico

para melhorar as prescrições

para o setor: melhor semente,

o espaçamento ideal das plantas

e a data de plantio.

Entre as novas tecnologias a

serem adotadas pela agricultura

está a incorporação da robótica

e de sensores.

georreferenciamento (GPS)

que permitem maior precisão

nas ações das propriedades.

A agricultura de informação

tem um conceito mais amplo,

que envolve a coleta de dados

na lavoura ao utilizar uma variedade

de sensores e o processamento

de dados para

previsões, planejamentos e

tomadas de decisão.

Sistemas automáticos de semeadura

e controle de pragas

auxiliam os agricultores a aumentar

seus rendimentos e é

uma alternativa para resolver

os impactos da escassez de

mão de obra, podendo operar

24 horas por dia, 7 dias por

semana, sem adoecerem,

sem férias ou licenças, sem a

necessidade de serem remunerados,

apenas mantidos.

Com essa nova tecnologia é

possível dobrar área de cultivo

de cana sem aumentar frota

de tratores e economizar com

menor uso de agroquímicos.

No caso da cana, é possível

obter uma radiografia por talhão,

apontando a incidência

de pragas, doenças e plantas

daninhas, cuja dosagem e indicação

do produto é calculado

por algoritmo, para que

aplicações sejam feitas com

precisão e com economia de

recursos.

A Inteligência Artificial terá papel de destaque

Pequenos robôs vão dar mais

qualidade à atividade, e sensores

devem trazer novos dados,

que se somarão aos já disponíveis.

Hoje há muitas soluções,

mas em locais separados.

Nos próximos anos, haverá

"uma só casa" para abrigar

essas soluções geradas

pelo grande número de startups.

Sem a agricultura de precisão, ninguém irá ao futuro no agro, garantem os especialistas

Na revolução digital agrícola

em curso, a Inteligência Artificial

(AI) promete ocupar papel

de destaque, com impacto em

toda a cadeia do agronegócio.

A Inteligência Artificial é um

ramo da ciência da computação

que se propõe a elaborar

máquinas e sistemas inteligentes,

ou seja, que sejam capazes

de raciocinar, aprender,

tomar decisões e resolver problemas.

O nível de automação do agronegócio

brasileiro é expressivo.

Hoje, muitas usinas e fazendas

já estão conectadas

por meio de redes instaladas

no campo. Com isso, das operações

mecanizadas até a

quantidade de chuva que cai

em cada talhão, tudo pode ser

monitorado em tempo real. Já

é possível até mesmo rastrear

toda a produção, sem nenhuma

interferência humana. É

cada vez mais comum encontrar

operações agrícolas com

centrais de monitoramento. O

objetivo é gerir a operação em

tempo real, antevendo desvios

e reagindo rapidamente, porém,

ao mesmo um tempo,

quantidades massivas de dados

são geradas.

Na área de máquinas agrícolas,

já existem tratores que funcionam

sem a necessidade de

um operador de carne e osso.

O sistema de autodireção (telemática)

já está disponível nas

máquinas agrícolas atuais,

mas as tecnologias autônomas

levarão esses recursos a um

nível muito superior. Com o

uso de Inteligência Artificial,

esses veículos poderão, sozinhos,

decidir parar o que estiverem

fazendo caso comece a

chover e mudar de rota, indo

para uma área seca. Todo esse

processo poderá ser acompanhado

remotamente pelo

produtor rural ou um funcionário

por meio de um smartphone.

Todo esse mundo de inovação

já está de alguma maneira

presente no agronegócio,

em maior ou menor grau.

Ainda que os avanços dos últimos

anos tenham sido notáveis,

no entanto, a verdade é

que as maiores oportunidades

ainda estão por vir. E uma

coisa é certa: o que todos verão

nos próximos anos é o

aperfeiçoamento dessas tecnologias

a um ritmo extremamente

veloz, e isso vai exigir

dos players da agricultura digital

investimentos elevados

em tecnologia, inovação e

preparação de equipes, além

da capacidade de antecipar

cenários e agilidade para se

adaptar a eles.

Mas nem tudo é um mar de

rosas: investir em equipamentos

autônomos não é barato. A

tendência de toda nova tecnologia,

entretanto, é se tornar

mais acessível ao longo do

tempo, com o surgimento de

tecnologias semelhantes para

lhes fazer concorrência.

Há muito para ser feito na agricultura

de precisão, já que a

tecnologia do passado, conhecida

há 40 anos, é muito mal

usada. Para isso, precisa de

extensão rural, técnicos no

campo educando e motivando.

Sem a agricultura de precisão,

ninguém irá ao futuro no agro,

garantem os especialistas.

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Tecnologia disponível

SENSORES - É possível

monitorar os níveis de umidade,

a luz do sol, a velocidade

do vento e todos os outros

fatores, mas à medida

que os sensores ficam cada

vez menores e melhores, eles

podem coletar mais dados

para que possamos utilizá-los

na tomada de decisão sobre

quando plantar, o que plantar,

que correções fazer, quando

colher, etc.

AI E MACHINE

LEARNING - Não faz

sentido gerar grandes quantidades

de dados que os sensores

dão acesso se não for

possível tirar algum sentido

desses dados. É aí que entram

a Inteligência Artificial

(IA) e o Machine Learning. À

medida que a tecnologia se

torna mais e mais poderosa,

ela permite processar enormes

quantidades de dados

que nenhum ser humano poderia

entender, chegando a

novas conclusões que poderiam

passar batido mesmo

pelo profissional mais experiente.Tomar

decisões baseando-se

em dados não é mais

apenas a melhor prática de

gestão. Em breve, será a única

prática de gestão para uma

empresa que quer atingir o sucesso.

MODELOS E SIMU-

LAÇÕES - Modelos e simulações

dependem de uma

combinação dos dados que

são reunidos através de sensores

e decifrados através de

tecnologias de aprendizado e

de inteligência artificial, que

podem começar a identificar

padrões subjacentes. Com

esses três ativos à nossa disposição,

é possível testar simulações

avançadas em um

ambiente virtual, que dão uma

ideia real do que provavelmente

acontecerá sob uma

grande variedade de condições

diferentes. Isso ajudará

as empresas a escolherem o

melhor curso de ação, estejam

eles decidindo quando

será feita a colheita ou se estão

pensando em investir em

algum novo equipamento.

ROBÔS - À medida que a

robótica se torna cada vez

melhor, robôs se tornarão opções

viáveis em todos os

tipos de uso no mercado agro,

desde a linha de produção de

carne até a plantação e colheita

de grãos, vegetais e frutos.

O preço dos robôs despencou

nos últimos anos, e

tendem a cair ainda mais, o

que significa que equipamentos

serão cada vez mais acessíveis

e novos usos poderão

surgir.

DRONES - O uso de

drones na atividade agropecuária

vem ganhando cada

vez mais espaço. As usinas

de cana-de-açúcar são as

que mais têm demandado a

tecnologia para fazer levantamentos

topográficos precisos

e obter os resultados rapidamente

ajudando no controle

de custos da propriedade.

Os dados são essenciais

para a colheita mecanizada.

As aplicações vão

desde mapeamento das lavouras

até pulverização com

agroquímicos. Equipados

com câmeras de lentes infravermelhas

e sensores dos

mais variados tipos, os drones

monitoram as lavouras,

evidenciando falhas no plantio,

estresse hídrico das

plantas, incidência de pragas

e doenças, déficit de nutrientes

e danos ambientais, aumentando

a produtividade e

poupando recursos. Tradicionalmente,

o produtor rural

aplica defensivos em toda a

fazenda para combater pragas

e plantas daninhas. Com

a tecnologia de monitoramento

com drones, é possível

identificar com precisão a

área atingida. Isso representa

uma economia de até 80%

nos gastos com esse tipo de

agroquímico. Também, drones

equipados com pulverizadores

já são uma realidade.

Um modelo com capacidade

de transporte de 10

Kg de carga líquida, seja inseticida,

fungicida ou outros

agroquímicos, pode fazer

aplicações pontuais. Outra

vantagem é a redução do

tempo gasto para monitorar

as áreas, além de facilitar a

implementação de novas

áreas de cultivo e reformas

de talhões.

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DOIS

PONTOS

A safra 2018/19 da cana não

deixará bons resultados. Os

custos totais subiram, segundo

o PECEGE, em 6,9%,

graças a fertilizantes, diesel

e operações, estando agora

em R$ 127,41 por tonelada

moída. Também houve quebra

de 4% na safra, e como

boa parte dos custos são

fixos (entre 75 a 85%), isto

deteriora as margens. Estima-se

que 70,8% deste custo

total seja na parte agrícola.

Além de menor produção,

os preços não ajudaram.

No caso do açúcar, foi

vendido em média a R$

Recorde

Safra

O Brasil consumiu 19,4 bilhões

de litros de etanol em

2018, um volume recorde

nesta década e 42,1%

maior do que em 2017. Os

números são da Unica e da

Agência Nacional do Petróleo,

Gás Natural e Biocombustíveis.

A expansão se

deve à competitividade do

hidratado diante da gasolina.

Oferta maior de produto,

elevação dos preços

do petróleo e real desvalorizado

cooperaram para esse

aumento. A paridade média

no Brasil atingiu 66%, a

maior competitividade registrada

nessa década. Em

2017, era de 70,7%. O aumento

no consumo de etanol

elevou a participação do

hidratado e do anidro para

46,1% na matriz de combustíveis

utilizados pela

frota de veículos de passeio

e de carga leve, a maior

desde 2009.

967,53 a tonelada quando o

custo total de produção (inclui

depreciação e custo de

capital) é de R$ 1.288,40

por tonelada. No caso do hidratado,

o preço médio em

2018 foi de R$ 1.771 por

metro cúbico, enquanto que

o custo total foi de R$ 2.065

por metro cúbico. Fruto deste

quadro, o último levantamento

da RPA Consultoria

(set/18) indica 93 usinas fechadas

com uma capacidade

de moagem de 99 milhões

de toneladas por safra.

São 21% das 443 unidades

que o Brasil possui.

Debêntures

O governo federal estuda autorizar o setor produtivo de

açúcar, etanol e bioenergia a emitir debêntures - títulos de

dívida negociados no mercado - para capitalizar a área

operacional das usinas. Em 2014, as companhias foram

liberadas a captar recursos com esses papéis para investimentos

em bens de capital, mas as áreas agrícolas e de

manutenção das processadoras de cana, por exemplo, não

foram atendidas. O governo avalia que R$ 16 bilhões possam

ser captados com essa linha de crédito. Os principais

destinos dos recursos seriam a renovação de canaviais

diante da estagnação, há uma década, da produtividade

das lavouras brasileiras e a produção de energia elétrica

cogerada.

Unica

Calor

O ex-deputado federal Evandro

Gussi foi escolhido como

o novo diretor-presidente da

Unica, em substituição a Elizabeth

Farina. Em nota, a entidade

destacou que Gussi

buscará garantir “regras claras

e previsíveis” e trabalhará

pelo RenovaBio, a nova política

nacional de biocombustíveis,

que deverá entrar em

vigor a partir de 2020, e cujo

projeto de lei foi de sua autoria.

O ex-deputado afirmou

que combaterá “práticas anticoncorrenciais

contra o açúcar,

a exemplo da Índia e da

China”. Formado em Direito

pela Faculdade Toledo de Presidente

Prudente (SP), Gussi

é mestre e doutor em Direito

pela Universidade Federal do

Rio Grande do Sul e pela Universidade

de São Paulo, respectivamente.

Em sua atuação

pública, foi membro da

Comissão de Constituição e

Justiça, líder da bancada e

Corregedor Parlamentar, representou

a Frente Parlamentar

do Biodiesel e foi integrante

da Frente Parlamentar

da Agricultura.

O ano passado foi o quarto

mais quente já registrado, segundo

a Nasa e o Copernicus,

serviço de Mudança Climática

da União Europeia. A temperatura

global média de 2018 foi

0,83°C mais alta do que a média

entre 1951 e 1980, de

acordo com cientistas do Instituto

Goddard de Estudos Espaciais.

As temperaturas de

2018 só perdem para as de

2016, 2017 e 2015. Os últimos

cinco anos foram os cinco

mais quentes desde o fim

do século 19. Desde 2001 tivemos

18 entre os 19 anos

mais quentes. , Com chances

de haver El Niño, 2019 provavelmente

também será quente.

BNDES

O Programa de Apoio à Renovação

e Implantação de

Novos Canaviais (Prorenova),

do BNDES está oferecendo

maior limite de financiamento,

que passou de R$

20 milhões para R$ 150 milhões

por operação, aumento

de 650%. Além disso, o

BNDES segue tendo participação

máxima de 80% do

valor financiável do projeto,

sendo que os 20% restantes

devem ser preenchidos com

recursos próprios das usinas.

Os pedidos de financiamento

devem ser enviados

até 14 de junho, com reapresentações

até 28 do mesmo

mês, respeitando o limite orçamentário

estabelecido. O

volume efetivamente repassado

pelo BNDES vem caindo

há alguns anos.

Híbrido

A Toyota vai iniciar a produção

do primeiro carro híbrido

a etanol no último trimestre

do ano. Embora não confirme

oficialmente, o modelo

que receberá a tecnologia,

por enquanto exclusiva para

o Brasil, será o Corolla fabricado

na unidade de Indaiatuba

(SP). A intenção é exportar

a tecnologia para outros

locais no mundo que

usam etanol. O grupo também

aguarda aval da matriz

japonesa para a produção

local de um utilitário-esportivo

(SUV). Para isso, a empresa

precisará de novos

investimentos.

8 Jornal Paraná

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