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meninos e meninas de rua, sexu - Fazendo Gênero

meninos e meninas de rua, sexu - Fazendo Gênero

que se utiliza da

que se utiliza da sexualidade para adentrar em um mundo adulto, no qual os sujeitos não são necessariamente tutelados. Para esclarecer meu entendimento sobre construções de gênero,construções estas que perpassam todas as análises, cito Machado, 1998, “de uma forma simples, estamos querendo dizer que o entendimento do que deva ser masculino ou feminino é resultado de uma construção cultural, social e simbólica e não de uma determinação do sexo biológico” iii . Falar sobre as posições possíveis de meninas de rua (no grupo estudado, pessoas entre 5 e 18 anos) dentro do ethos masculino da rua, onde a valentia, a esperteza e a liberdade aparecem como seus valores constitutivos, parece-me imprescindível.Apesar da misoginia visível das ruas, a presença de meninas de rua é inegável. Elas existem, sim, nas ruas, apesar de muitas vezes invisibilizadas (a temática das meninas de rua só entra na academia na década de 80). No caso específico do Gramado, as meninas ocupam posições diferenciadas nas relações entre si e com o resto da galera. A identidade de gênero deve ser vista como categoria ampla, não sendo os indivíduos mecanicamente determinados. Existem diversidades entre pessoas, fissuras, diferenças. Assim como ser menino de rua, ser menina de rua e integrante do Gramado pode significar um enorme número de posições e identidades. Contudo, estas posições devem ser entendidas no contexto de relações de gênero hierárquicas especialmente no espaço da rua, construído como masculino. Leena Alanen[2001], ao fazer uma comparação entre as trajetórias dos estudos feministas e dos estudos da infância, chama a atenção para o fato de que o conceito de infância, como o de gênero, é uma categoria essencialmente de relação, estando, portanto, impregnada de poder: “Num sentido sociológico, ‘crianças’ e ‘adultos’ são nomes dados a duas categorias sociais que estão posicionadas entre si dentro de uma relação de gerações” iv . Ser criança, como ser mulher, é estar já em uma situação socialmente inferiorizada.As opções de identidades possíveis, dentro da Galera, para as meninas, são muito menos numerosas do que para os meninos, assim como as possibilidades identitárias da Galera do Gramado são menores do que as das crianças e adolescentes de classe média, assim como as possibilidades identitárias de negros/as e mulheres são mais limitadas (porque marcados pela diferença e pelo preconceito) do que as de brancos/as e homens.

Interessante perceber que o “espaço da liberdade”, a rua, para a maioria das meninas entrevistadas, não é visto como de total liberdade, mas como lugar de regras menos intoleráveis. .A partir daí, penso que a posição do sujeito na hierarquia de poderes influencia sua percepção simbólica. Estarem submetidas a mais regras e delimitações identitárias faz as meninas de rua do Gramado admitirem mais facilmente a existência de normas reguladoras e tolhedoras da pretensa liberdade, liberdade esta condicionada à esperteza para burlar regras, e à valentia para enfrentar as possíveis sanções. Muito vinculadas à noção de esperteza estão as construções e valores sobre sexualidade entre os/as integrantes da Galera, sexualidade esta crucial para entender como os meninos e meninas da Galera buscam circular entre o ser criança e o ser adulto. Infância e sexualidade são categorias que raramente se misturam: crianças são seres que não praticam nem devem praticar sexo. Talvez isto se deva à impossibilidade de reprodução, ou ao desligamento do sexo à manutenção da família. O fato é que a relação sexual é uma prática de adultos, ou, no mínimo, de adolescentes. Quase todos os integrantes da Galera se referem a sua vida sexual em algum momento de suas falas, tanto meninas quanto meninos. Afirmaram, com certo orgulho, “treparem” sempre, e bem. Interpreto estas afirmações como necessidade de se afirmarem diferentes de outras crianças: são diferentes porque trepam, porque são mais adultos, porque sabem de coisas que outras não sabem. Esta transgressão da norma que separa sexo e infância não é muito patente entre os mais velhos (que têm acima de 13 anos), já que a iniciação sexual de boa parte da população masculina das classes populares é esperada para esta época da vida. Estou, aqui, analisando especialmente os meninos e meninas que têm entre 6 e 13 anos, e afirmam gozarem de vida sexual intensa. Muito mais do que investigar se realmente estes sujeitos fazem sexo, minha proposta é entender como as construções identitárias se fazem em torno da participação em um mundo de sexualidade ativa. Como afirma Salem, 2004, “Ao discorrerem sobre sexo, sexualidade e gênero, os sujeitos oferecem uma apresentação de si mesmos:como se percebem e também como querem (ou acham que devem) ser vistos aos olhos dos 'outros'” v Heilborn [1999] aponta a importância da iniciação sexual masculina nas classes pobres, que normalmente se dá aos 12 ou 13 anos, como demarcadora de um movimento de exteriorização em relação à casa, e que se conjuga com a entrada mais regular no mundo do trabalho. A sexualidade se conjuga a outras esferas sociais para sinalizar a

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