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1 Gênero no Texto Visual: a (re)produção de ... - Fazendo Gênero

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(1:39’41), e

(1:39’41), e demonstrou a pertinência da reflexão em ambas as áreas. A etapa final do projeto compreendeu a produção dos trabalhos artísticos e projetos conceituais de design. Esses resultados e o vídeo Desfocado foram apresentados na exposição “Desfocado – artes e design sob a perspectiva de gênero” no Museu de Arte da UFPR (MUSA), mostra aberta ao público no período de 11 de abril a 13 de maio do corrente ano. Os resultados desta pesquisa teórica e empírica na arte e no design foram as próprias produções (texto, vídeo e arte) dos alunos que materializaram a reflexão sobre gênero a partir das discussões e reflexões realizadas em cada fase do projeto e que foram levadas a público. Ainda, foram realizadas atividades paralelas à exposição: o bate-papo com os alunos participantes do projeto, a mesa redonda sobreGênero e cultura visual” com pesquisadores relacionados com o tema e a mostra do Vídeo Desfocado na íntegra, seguido de discussão. Na seqüência, são analisadas estas três fases que deram corpus ao projeto. 1. O corpus do Projeto 1. 1 Embasamento teórico ou novos olhares sobre a produção visual Nesta fase, nas reuniões semanais, foram realizadas leituras de textos escolhidos 2 que contribuíram fortemente para a discussão em grupo. De modo específico, o debate do conceito de gênero proporcionou um olhar para si e um questionamento sobre o ser homem e o ser mulher em sociedade, conceito este repleto de dicotomias que atribuem valores assimetricamente não só entre os sexos, mas implicadas em toda estrutura social, incluindo distinções de classe e raça. Para Pollock (1996, p.296), estas assimetrias da estrutura social podem ser percebidas na cultura visual, uma vez que “images e texts are not mirrors of the world, but things which have been coded by various convention. They are also a means of setting out social process, that is, they are formed as much by the rules of one particular mode of representation as by their ostensible subject.” No decorrer do projeto várias imagens e produtos do design foram observados e analisados com essa preocupação. Foi crucial perceber a ausência das mulheres na história da arte, como Linda Nochlin já apontava em 1971. E, ainda, com Pollock, entender a necessidade de repensar as categorias de análise da história da arte para identificar paradigmas (por exemplo, o paradigma dominante no séc. XIX e XX é a história da arte moderna) com suas práticas sociais específicas. Para discutir estas categorias, Pollock integra o pensamento de K. Marx e R. Williams e define arte como “social practice, as a totality of many relations and the determinations, i.e. pressures and limites”. (p.303). Na análise, em grupo, das obras da segunda metade do séc. XIX e início do XX a percepção dos mitos da modernidade com as figuras predominantes do flaneur e da prostituta (dando continuidade à dicotomia histórica entre artista homem – modelo feminino) no ambiente público determinado (ruas, bares, bordéis). As diferenças, entendidas como “social structure which positions male e female people asymmetrically in relation to language, to social and economic 2

power and to meaning. (...) Sexuality, modernism or modernity are organized by and organization of sexual difference.” (Pollock, 1988, p.124). Este reconhecimento exigiu a discussão da construção e da representação assimétrica da diferença sexual implícitas nos mitos da modernidade. Outra questão abordada foi a análise do lugar representado na pintura moderna e as diferentes dimensões de space: 1. space como localidade (privado – feminino/ público masculino), 2. space como ordem espacial (justaposições de espaço, acesso ou não acesso) e 3. “social space, from which the representation is made and its reciprocal positionalities.” (Id., p.128). A cidade, as cenas da vida moderna, a esfera pública, constituem o topos próprio ao homem, ao qual a mulher possuía acesso restrito. Aqui, importou repensar as assimetrias históricas e os lugares do cotidiano representados na arte e no design incluindo as próprias experiências sociais e as inculcações do cotidiano. As discussões em grupo prosseguiram com o texto de Bourdieu (1995), com a reflexão da dimensão simbólica contida nas práticas de poder. A atribuição de espaço e materialidade cujas diferenças se escrevem e se registram na natureza das coisas foi pensada criticamente. Questões como a aparência do corpo, marcada pela natureza biológica e do vestuário e seus efeitos, a divisão sexual do trabalho, o ato sexual etc., problematizaram a construção social naturalizada (habitus) invertendo socialização do biológico e biologização do social. (p.138-145). A partir daí a reflexão dos conceitos sexo, gênero e sexualidade, para quais as contribuições filosóficas pós-estruturalistas de J. Butler (2003) foram fundamentais. Entendeu-se que o corpo é socialmente formado e o sexo do corpo é uma construção cultural. Para Butler, só a designação do corpo o constrói. (p.24-27). Materialidade e designação não podem ser separadas. O tratamento do corpo e sua percepção são estruturados pelas construções discursivas. Mas o corpo não é só uma construção sócio-cultural e discursiva, e especialmente nas sociedades modernas ocidentais, é também uma construção midiática. Através da mídia o corpo tornou-se a própria imagem e aumentou o seu significado. Assim, o corpo ou partes dos aspectos do “Eu corporal” se tornaram pontos de concentração da apresentação da identidade e alimentam diferentes comportamentos exigidos ao corpo masculino e feminino para a modelação dessas partes. Butler define a identidade não como substância, mas sim como efeito de discursos e uma prática de significações. Identidade como um processo decorrente de auto-encenação. Estes modelos identitários, femininos ou masculinos, concebem-se através do ato performativo de afirmação ou negação. Isto quer dizer que, no processo corrente das diversas construções da identidade, as pessoas afirmam concepções de modelos de sexo. Esta gender performance na sua diversidade e no seu caráter processual foi discutida no grupo e entendida nas propostas de artistas contemporâneos que consideram as linguagens da fotografia, performance e instalação. 1.2 Pesquisa de campo ou recolhendo a diversidade 3

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