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1 Gênero no Texto Visual: a (re)produção de ... - Fazendo Gênero

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Após a fase

Após a fase de estudos teóricos em agosto 2005, passou-se à fase da pesquisa de campo, em que foram agendadas entrevistas com 16 artistas e designers atuantes em Curitiba. O objetivo foi coletar informações sobre como os profissionais que produzem cultura visual percebem o gênero. Os designers entrevistados foram: Dulce Fernandes, Juliana Lima, Kando Fukushima, Maristela Mitsuko Ono, Nelson L. Smythe Jr., Ronaldo de Oliveira Corrêa, Thiago Toniolo. Os artistas entrevistados foram: Dulce Osinski, Eliane Prolik, Fábio Noronha, Geraldo Leão, Luiz Rodolfo Annes, Rossana Guilmarães, Tânia Bittencourt Bloomfield, e a fotógrafa Mila Jung. Cada entrevista durava cerca de 1h e a pergunta inicial era sobre o significado/definição/ importância do gênero e como esta questão se reflete no próprio trabalho de criação dos entrevistados. A partir daí se desenrolava uma conversa aberta entre entrevistado, professora e alunos. O conteúdo das entrevistas foi editado em um vídeo de 1:39’41” (Vídeo Desfocado) cuja montagem consistiu em alinhar o encadeamento de fragmentos de falas consideradas pertinentes à pesquisa, o que resultou em um discurso produzido pelo grupo a partir dos relatos coletados. Obviamente existe um olhar específico que escolhe certas falas e com isso ocorre a construção de um novo discurso, que possibilita novas conexões entre as falas fragmentadas. De modo geral, percebeu-se que os entrevistados dialogavam entre eles sem saber, e a justaposição de falas que, ora se complementam, ora se contradizem, servem para tornar visível uma diversidade de posicionamentos sobre as questões de gênero. Inicialmente, parte dos designers e artistas entrevistados afirmou não ter um pensamento prévio, elaborado ou sistematizado sobre o assunto, mas, na maioria das vezes, foi possível identificar preocupações ou problemáticas relacionadas ao gênero nos trabalhos. Temas como corpo, identidade, poder, hierarquia, o olhar (do voyeur), espaço, materialidade, hibridismo, sexualidade, construção simbólica dos artefatos e a responsabilidade no seu uso, foram discutidos de maneira controversa. No decorrer das entrevistas, foram percebidos diferentes posicionamentos, desde visões estereotipadas às críticas. Além de gênero, foi possível observar as várias formas que a reflexão de um conceito ou uma preocupação temática pode materializar, ora de forma explícita e ilustrativa, ora sutil e implícita. Este entendimento da importância do processo de formalização dos conceitos foi momento chave nas discussões do projeto servindo como preparação para a pesquisa plástica de cada um dos participantes. Uma vez despertos para a teoria de gênero, o confronto com as propostas de cada profissional ampliou a reflexão crítica e a percepção da diversidade, e de uma maneira muito inovadora. 1.3. Produção e exposição: a formalização plástica da reflexão genereficada Durante a fase das entrevistas, alguns alunos e alunas iniciaram sua pesquisa plástica: uns inicialmente preocupados com o material, outros com um tema. Algumas alunas de artes 4

aproveitaram trabalhos desenvolvidos no curso de Desenho como ponto de partida, alunos de Design escolheram objetos já estudados anteriormente para fazer agora uma leitura do mesmo sob a perspectiva de gênero, visando outros resultados. Durante esta fase, as reuniões foram mais específicas, voltadas para a discussão em grupo dos trabalhos de cada um, o que possibilitou a reflexão coletiva, o levantamento de críticas, questionamentos e orientações para cada processo. Encerrada a fase de entrevistas, os trabalhos ou idéias de trabalhos foram colocados à apreciação de profissionais de ambas as áreas, sendo as observações de grande contribuição para a conclusão dos mesmos. Neste momento, questões estudadas e discutidas ao longo do projeto, como a representação das estruturas sociais nas imagens a partir de um repertório de artefatos; a percepção do espaco, o habitus; o olhar do voyeur; hierarquia e imposição de gesto; corpo e identidade performática etc; fervilhavam nas cabeças dos alunos e alunas, cuja responsabilidade era formalizar uma proposta como resultado do projeto. As propostas foram várias. Numa passagem virtual pela sala da exposição Desfocado, no MUSA/UFPR, a proposta dos alunos do Design foi a seguinte. Maicon Bernard Puppi escolheu como objeto a calça jeans, vestimenta adotada pela sociedade de massa. A princípio, a calça era unissex. Hoje ela é carregada de valores estereotípicos, forçando uma dicotomia entre os gêneros. Nos dois primeiros cartazes, no espaço deixado pelo zíper aberto de cada calça jeans, Maicon fez a colagem de símbolos associados aos gêneros. O terceiro cartaz buscou superar a dicotomia. A forma ideal de apresentação do trabalho seria em outdoor’s espalhados pela cidade. Já Suellen Christine Caviquiolo trabalhou o frasco de perfume, analisando sua função usual, que, além de guardar a essência buscou identificar, a partir de suas características visuais, o tipo de produto que contém – a fragrância – com um tipo de conceito: life-style. Esta identidade é sugerida através de cores, formas, texturas e outros textos verbais e não verbais. Antigamente o frasco era um “contenedor do cheiro”, só depois da industrialização houve a separação visual e conceitual do significado. Além do resgate da idéia original do contenedor de cheiros, o frasco não traria uma fragrância pré-determinada. Suellen elaborou uma interface de se perfumar que apela para as sensações, buscando na forma orgânica e no material madeira um intercâmbio entre os sentidos e entre as pessoas. Pessoas passam o perfume com este roll-on em pessoas. Assim, em sua criação, há um contato sensorial, carinhoso ou sensual que pode ser pensado tanto na matriz heterossexual, como também homossexual, entre outros. Anna Lucia S. A. Vörös examinou a direção do olhar a partir do objeto óculos e sua história. Ela detectou formas estereotipadas na armação e buscou elaborar um objeto que superasse esta dominação. Thomaz Aquino Gonçalves trabalhou a partir de uma identidade visual (lambe-lambe) a efemeridade da intervenção urbana, que de maneira sutil se apresenta repetitivamente nas ruas de Curitiba. A imagem de uma mão desfocada que pode construir ou desconstruir, evoca várias leituras. 5

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