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Gênero e sexualidade nas práticas escolares ST ... - Fazendo Gênero

Gênero e sexualidade nas práticas escolares ST ... - Fazendo Gênero

das

das meninas escolheu realizar as atividades juntamente com os meninos, enquanto que alguns meninos davam preferência a grupos masculinos, alegando que as meninas mandavam muito. Também as perguntas que buscavam saber quem melhor realizava as atividades, tanto em sala de aula, quanto na aula de Educação Física, suscitaram respostas polarizadas de meninos e meninas. Em sala de aula, as meninas foram consideradas melhores que os meninos. Já na aula de Educação Física, as crianças reconheciam a supremacia dos meninos, quando se referiam ao futebol como atividade principal. No jogo de queimado, as meninas os superavam. Romero (1990; 1995; 2005) e Altman (2002) justificam o melhor desempenho motor de alguns meninos em relação às meninas, em certas práticas esportivas, pelo entendimento de que os corpos masculinos e femininos recebem uma construção cultural diferenciada, pois os meninos desde cedo recebem estimulação favorecendo o desenvolvimento de suas habilidades motoras amplas, ao contrário das meninas, que desenvolvem a motricidade fina. Pensamos, portanto, que as oportunidades de se exercitarem não são as mesmas para meninos e meninas, em relação às atividades apontadas pelas crianças de ambos os sexos. Azevedo (2003) destaca que os garotos são valorizados pelas atividades físicas, esportes, e por desafiarem as regras existentes, estando um pouco distanciados do sucesso escolar, enquanto que a popularidade das meninas está ligada, além da aparência física, à sociabilidade, mas também ao sucesso escolar. No espaço da Educação Física, as atividades prediletas de meninos e meninas estavam representadas maciçamente pelo futebol e queimado, respectivamente valorados pelos alunos e pelas alunas. Todas as meninas preferiram o queimado, e algumas justificaram o gostar deste jogo pelo hábito de jogá-lo. Este fato expõe a segregação pelo gênero, apresentando a dicotomia masculino-feminino. As preferências pelos jogos ditos “de menino” e “de menina” mostravam condutas reforçadas pelas expectativas do contexto cultural, que, ao estimular a sua realização, propiciavam um bom desempenho pela freqüência e investimento com que as crianças se aplicavam ao realizá-los. Em relação às questões: “Você conhece atividades e jogos que só os meninos praticam? Quais? Por quê?” e “Você conhece atividades e jogos que só as meninas praticam? Quais? Por quê?”, as crianças trouxeram suas experiências e observações inseridas no contexto em que viviam. A brincadeira de boneca foi lembrada pela quase totalidade dos meninos e pela unanimidade das meninas. As argumentações sobre a justificativa de ser uma brincadeira eminentemente feminina apareceram eivadas de preconceitos tanto da parte das meninas quanto dos meninos. O jogo de bola de gude foi apontado pela maioria das crianças de ambos os sexos como sendo praticado só por meninos. Um dos meninos justifica o jogo de bola de gude como masculino pela falta de habilidade feminina no seu manuseio.

Pensamos, em concordância com Bourdieu (1995), que é através do habitus e das práticas que se repetem indefinidamente que acontece a perpetuação do passado, de forma estereotipada. Nesse sentido, referimo-nos também à atividade de soltar pipa, apontada como praticada só por meninos, mas relatada por dois meninos e três meninas como realizada por ambos os sexos, em decorrência da experiência vivenciada pelas crianças no contexto sociocultural, junto às famílias. Considerações finais A partir dos resultados obtidos, pudemos elaborar nossas conclusões. O primeiro objetivo específico tratou de mapear os jogos e as atividades em geral que eram valorados pelos meninos e meninas, na perspectiva das relações de gênero. Os dados obtidos permitiram concluir que as atividades e jogos preferidos pelas crianças se referiam aos seus universos sócio-culturais, às práticas aceitas pela sociedade como femininas ou masculinas. Quanto às preferências dos jogos nas aulas de Educação Física, percebemos a manutenção da escolha do queimado como um costume, um hábito, cuja repetição aprimorava o desempenho. Porém algumas meninas aceitavam e abriam novas perspectivas, para além da unanimidade do queimado, também fazendo um movimento de aproximação dos “jogos de meninos”, como bola de gude, basquete, pião e pipa, mas ainda de maneira muito incipiente. Vimos os estereótipos de gênero reforçados quando as crianças apontaram atividades e jogos praticados só por meninos, só por meninas, ou por ambos. Romper a barreira que separa a realização de atividades ditas masculinas ou femininas ainda permanece uma empreitada a ser conquistada. O segundo objetivo específico buscou articular os estudos teóricos sobre a relação de gênero, construída socialmente, e a prática no espaço escolar. Os resultados alcançados pela pesquisa ressaltaram a nossa necessidade de permear todo o processo de investigação pela articulação dos estudos teóricos de gênero com a prática dessas relações no contexto escolar. Dessa situação, inferimos que, se não se criam oportunidades de novas experiências, físicas e intelectuais, ocorrerá a manutenção da separação nas escolhas de atividades tipificadas pelos meninos e meninas. No que concerne ao terceiro objetivo específico, este tratou de observar e identificar a articulação das relações de gênero e possíveis manifestações de poder. Gênero e poder pontificaram nos dois espaços observados, de maneiras diferentes, nas relações entre os meninos e as meninas. Pudemos identificar as manifestações de poder articuladas às relações de gênero. Segundo Foucault (1996) essas manifestações são múltiplas e circulam através dos discursos. As meninas dominavam o espaço interno da sala de aula, com valorização da organização, aplicação e envolvimento com as tarefas executadas. Já no espaço da Educação Física, a dominação era masculina, expressada pelas condutas e comportamentos motores, bem como pelos discursos, em confronto com a explícita resistência

Gênero e sexualidade nas práticas escolares. ST ... - Fazendo Gênero
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