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Performance e etnoestética: a montagem como ritual ou como ...

Performance e etnoestética: a montagem como ritual ou como ...

... sob o símbolo, é

... sob o símbolo, é preciso atingir a realidade de que representa e que lhe dá sua significação verdadeira. Os ritos mais bárbaros ou mais extravagantes, os mitos mais estranhos traduzem alguma necessidade humana, algum aspecto da vida,quer individual,quer social.As razões que o fiel dá a si para justifica-las podem ser,e são realmente,no mais das vezes,falsas;as razões verdadeiras existem,não obstante;cabe à ciência descobri-las(DURKHEIM,1996:30). É na primeira vez que uma pessoa transforma seu corpo de acordo com os símbolos corporais das drag-queens – pinturas, adereços, próteses, etc – que ela passa ser reconhecida como uma drag por esse grupo. O fato de um indivíduo procurar uma drag para que esta simplesmente lhe monte uma corporeidade não faz o mesmo ser reconhecido pelas drags como uma delas. É preciso que o neófito aprenda ao menos o básico da montagem. Esse básico consiste em três coisas: construção do rosto, adornação da cabeça e revestimento de membros. Na montagem amapô, a construção do rosto se dá através da ocultação dos traços masculinos da face do intérprete com o uso de bases, corretivos e pós faciais. Logo após essa ocultação novos traços são desenhados e pintados sobre este rosto de forma a dar-lhe fortes aspectos femininos. Nessa fase, os objetos comumente utilizados são batons, “sombras”, delineadores de olhos, rímeis, pincéis, curvadores de cílios, cílios postiços, etc. As drags possuem profundo conhecimento acerca desses materiais. Várias delas, em Fortaleza, são exímias peritas nas novas tendências da cosmética facial. A adornação da cabeça realiza-se por meio do encaixe de perucas. Estas podem ser encaixadas por pretendores, que ficam entre o couro cabeludo e a parte interna da peruca, ou através da colagem. Esta se dá pelo uso de substâncias colantes que são espergidas sobre a cabeça de modo que quando a peruca seja posta fique bem fixada. Uma vez encaixadas as perucas são penteadas de acordo com o gosto de cada usuário. O revestimento dos membros envolve próteses de borracha ou esponja que simulam coxas, nádegas e seios, pelo porte de vestimentas femininas, pelo uso de calçados de saltos elevadíssimos e pela técnica de “trucamento da neca”. Esta técnica se caracteriza pela ocultação do pênis e dos testículos de modo a deixar a genitália masculina com a aparência da feminina. Na linguagem das drags, a palavra “trucar” significa camuflar, esconder ou mesmo enganar já “neca” corresponde a pênis. 2.2. Montagem caricata Na construção do rosto numa montagem caricata a ocultação dos traços masculinos nem sempre é efetuada. Nessa espécie de montagem, o objetivo é criar uma face muito bizarra. Para isso, muitas vezes traços masculinos como barba e queijo largo são ressaltados em vez de camuflados. Os materiais usados, em sua maioria, são os mesmos da montagem amapô com a exceção de algum 4

acessório utilizado ali ou acolá no rosto como dentaduras que “deformam” a boca ou falsas verrugas que são coladas sobre a pele. A adornação da cabeça também se faz com perucas. Porém, estas nem sempre se mostram sozinhas sobre a cabeça. É comum a presença de objetos como chapéus extravagantes, plumas coloridas e outros em meio aos fios. Estes à diferença dos encontrados na maior parte das perucas utilizadas no estilo amapô, as quais apresentam cabelos naturais ou fios de materiais com aspectos semelhantes a cabelos, revelam fios que denotam o mais artificial possível. Em geral, nas montagens caricatas as perucas são de náilon, látex ou canecalon em cores flamenjantes. O revestimento dos membros ocorre do mesmo modo da montagem amapô na maioria dos aspectos. Ele, no entanto, apresenta duas particularidades. Primeira, não contém necessariamente uma preocupação em “trucar a neca”. Segunda, o corpo é montado de forma a mostrar membros desajeitados, extranhos e diformes. 2.3. Montagem andrógena De todas as montagens drags a andrógena parece ser a mais complexa. Ela se fundamenta no que há de mais peculiar e criativo do artista que a efetua. Não há limites estéticos nessa qualidade de montagem. Aqui a androgenia pode ser conseguida através das mais variadas técnicas possíveis. A construção do rosto, a adornação da cabeça e o revestimento dos membros são levados a excentricidades jamais vistas em qualquer outro estilo de montagem. A variedade de materiais utilizados também não possui limites. Há drags que chegam ao requinte de se mostrarem com corpos obtidos com o uso de embalagens de preservativos, carnes e tripas cruas de animais. 3.O tempo em que se aprende “montar” Seja para aprender adornar a cabeça,seja para elaborar uma nova rostidade ou mesmo para dominar as técnicas de revestimentos dos membros o neófito dificilmente necessita somente de uma lição. As drags sabem que iniciar uma futura filha nas “artes” da montagem leva um certo tempo. Este não é calculado mediante horas, minutos e segundos. Não trata-se de um tempo cronológico como que as drags estipulam para iniciar alguém que deseja aprender a “se montar” sem a intenção de torna-se sua filha. Leach (1974) ao repensar o próprio pensamento antropológico ressaltou o fato do tempo adquirir conotação de acordo com cada contexto cultural. No contexto da iniciação na montagem existem duas possibilidades de tempo para viver esse ritual. Como “Cada ritual é um processo pautado em um tempo, cujas unidades são objetos simbólicos e aspectos serializadados da conduta simbólica” (TURNER, 2005:50, tradução minha) vejamos como interrelacionam-se objetos e ações nessas duas possibilidades. 5

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