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representações visuais das mulheres nos ... - Fazendo Gênero

representações visuais das mulheres nos ... - Fazendo Gênero

divina, essencialmente

divina, essencialmente perfeita (Ibid. II, 7). O luxo, trazido de diferentes regiões (Ibid. II, 8, 1-2), estava mais associado às mulheres (Ibid. II, 12, 2), como já apresentava Plínio, o Velho (História Natural XXI, 18, 84), que denunciou a fuga de recursos do Império Romano com a importação deste tipo artigo. Para Tertuliano (Ibid. I, 7, 2), o desejo insaciável de possuir jóias era considerado ostentatório, perdulário, cobiçoso e vão. Por sua vez, para Clemente de Alexandria, as jóias eram ornamentos próprios das meretrizes (Pedagogo II, 10, 121-122 e 127). As mulheres deviam se preocupar somente com o embelezamento interior através do adorno das boas obras, como referido por Paulo (Tim. 2, 9-11). Todas as pedras preciosas, que exercem uma profunda fascinação sobre mulheres levianas, não se comparariam à única pedra santa: o Logós de Deus, chamado de pérola pelas Escrituras, ou seja, Jesus (Ibid. II, 12, 118, 3-5). De maneira similar, posicionou-se Jerônimo, que se correspondia com mulheres aristocratas, exortando-as a adotarem o ascetismo em sua vida familiar. 3 O gênero feminino era considerado naturalmente afeito a atrair o homem ou a buscar o prazer (Ep. 128, 2); seu comportamento era inclinado ao coquetismo e à lascívia (Ep. 130, 8). Para seduzir os homens, as mulheres, além de pintarem os olhos, rosto e cabelo, usavam jóias (Ep. 107). Os textos cristãos, inseridos num contexto polêmico e apologético, tenderam a apresentar a sociedade romana como luxuriosa e depravada moralmente por esta riqueza. No mosaico, a rica vestimenta feminina é claramente exposta e valorizada. A senhora traja um vestido longo e suntuoso, próprio a uma aristocrata casada. A roupa inseria-se na esfera da civilização humana com suas distinções sociais, diferenciando-se da nudez das divindades. Assim, Vênus/Afrodite, imagem da felicidade terrena e sensual, era quase sempre representada nua, oferecendo o seu corpo ao olhar de todos em atitude provocativa. Mas, a senhora do mosaico mostra apenas seus braços nus, insinuando sensualidade, mas, sobretudo, riqueza em virtude do bracelete e das várias pulseiras. Sua vestimenta permite inferir riqueza e autoridade. Ela imitava o imperador 4 no seu faustoso vestuário. Na Antigüidade Tardia, os imperadores deixaram de exibir seu poder incontestável através da exposição do corpo nu e passaram a fazê-lo pelas vestimentas pesadas (BROWN, 1990: 360). A roupa da senhora é um signo visível da riqueza da elite provincial. O cristianismo criticou o vestuário luxuoso. Agostinho, apesar de ciente da distinção entre a roupa do rico e a do pobre, lembrava que a pele era idêntica (Serm. 61, 2). Por sua vez, para Clemente de Alexandria (Pedagogo II, 10, 106, 4), não havia diferença sexual quanto à única missão da roupa: cobrir e proteger o corpo das diferenças de temperatura. Entretanto, reconhecia que se devia adotar um adendo que escondesse a masculinidade dos olhares femininos, salvaguardando as mulheres das tentações. Mas, não manifestou o mesmo receio com os homens, talvez por considerá-los mais resistentes às tentações e/ou por não ser uma característica cultural exigida pela sociedade vigente. Este autor fez uma única concessão à mulher: tecidos mais macios que os dos homens. O traje feminino era criticado principalmente pelo seu luxo (Ibid. II, 10, 107, 3). As roupas coloridas e

chamativas eram para mulheres provocantes, participantes de bacanais e outras mascaradas (Ibid. II, 10, 108, 1). Os gastos com vestuário feriam o pudor feminino e afetavam a economia familiar (Ibid. 10, 111, 1), além de provar que estas mulheres valiam menos que as coisas raras e caras que compravam, pois não reconheciam o que era realmente belo e bom (Ibid. II, 10, 115, 4-5). Jerônimo considerou que certas mulheres eram “escravas do mundo” por portarem pesados vestidos de seda mesmo com o calor e o incômodo (Ep. 66, 13). Quando convertidas ao cristianismo, deviam se vestir com tecidos humildes (Ep. 107) e usar roupas simples somente para proteger seu corpo das intempéries e da nudez, nunca para exibições impudicas (Ep. 127). Aconselhava que as “jóias” de uma mulher deviam ser “o jejum, o rosto pálido e os vestidos descuidados” (Ep. 79). Segundo Marrou (1979: 17-23), houve uma verdadeira “revolução do vestuário” durante a Antigüidade Tardia. No período clássico, utilizava-se uma grande peça de tecido flexível, presa por um colchete ou fíbula e sem mangas. Porém, no decorrer da Antigüidade Tardia, a veste principal por dentro da toga, a túnica, passou a ter costuras continuadas e a ser solidamente fixada ao corpo, constituindo-se muito menos ampla que a antiga roupa. Tais mudanças não se limitaram à ordem plástica, mas ecoaram profundamente na atitude psicológica e até moral. Impôs-se uma outra definição do pudor, acompanhada de uma sublimação do erotismo. No mosaico, a senhora, além das jóias e do vestuário, também se destaca pelo penteado em coque, enfeitado por uma tiara. As outras mulheres do mosaico têm os cabelos presos numa touca, própria para o trabalho, o que Fantar (1994: 107) relaciona automaticamente à condição servil, enquanto o coque evoca sedução e ócio, situação própria da senhora. O cabelo foi considerado negativamente nos discursos cristãos. Tertuliano (O toucador das mulheres II, 1) e Clemente de Alexandria (Pedagogo III, 2, 5, 1-4 e 6, 1-2) colocaram as tinturas, os penteados e os cuidados com a pele no mesmo nível da prostituição, oposta a castidade e pudicícia, próprias da moral cristã. Entretanto, o tingimento capilar não era apenas feminino (Clemente de Alexandria. Pedagogo III, 2). Havia também o frisado e as perucas (Jerônimo. Ep. 38, 3 e Clemente de Alexandria. Pedagogo II, 11). Mesmo quando as pagãs cobriam seus cabelos com véu, sendo este púrpura, atraíam os olhares de todos, o que não era conveniente a uma mulher decente (Clemente de Alexandria. Pedagogo II, 10, 114, 4). Estas deviam: abster-se de toda ostentação; cobrir a cabeça com véu para não mostrar os cabelos; manter o rosto velado, seguindo o prescrito em 1 Cor. 11, 7-10 (Ibid. II, 10, 114, 3); e escovar apenas os cabelos e prendê-los com uma presilha simples. O desprezo da beleza natural era considerado como uma ofensa ao Criador, descuidando-se por inteiro da beleza do coração e afetando a economia doméstica com a compra de cosméticos (Ibid. III, 6, 3-4). Recomendava-se, portanto, que as mulheres se afastassem destes artifícios se quisessem obter a salvação (Ibid. 2, 9, 1). Para Agostinho, o cabelo tornou-se signo do pecado

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