Revista MB Rural Ed 34
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AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA AUMENTO DA PRODUÇÃO PECUÁRIA. Página 36<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
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EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017<br />
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EDITORIAL<br />
Caros Amigos!<br />
Ano novo, vida nova e esperanças renovadas de dias melhores<br />
em um ano repleto de muitas realizações desafiadoras e expressivos<br />
ganhos financeiros e econômicos. Sucesso a todos!<br />
Desafio! Esta é a palavra a ser trabalhada e vencida a<br />
todo momento neste ano que se inicia, pois, olhando para nossa<br />
atividade enxergamos que o mercado do agronegócio está cada vez<br />
mais competitivo, complexo e dinâmico, onde a maior certeza que<br />
temos serão as incertezas que virão, exigindo assim mais atenção<br />
na profissionalização e capacitação da sua equipe de trabalho. Para<br />
minimizar as incertezas não poderemos mais praticar o exercicio a<br />
miopia e muito menos perder o foco da nossa área de atuação para que<br />
possamos, desta forma, reduzir os efeitos negativos do inesperado.<br />
Além das ações já citadas, será necessário vencer o maior<br />
de todos os desafios a mudança interna, mudar o nosso pensamento<br />
erradicando assim as atitudes mais conservadoras e continuístas, saindo<br />
da já surrada zona de conforto e banindo definitivamente o achismo da<br />
gestão do seu negócio.<br />
E com esse espírito e mentalidade renovada passarmos a acreditar<br />
mais e utilizar com maior frequência e sabedoria as Excelências na<br />
Agropecuária disponíveis através de sistemas e ferramentas tecnológicas<br />
amplamente aprovadas na conquista da Agropecuária de Precisão. Isto<br />
chama-se Ganho de Produtividade com Aumento na Lucratividade.<br />
Quero ressaltar novamente o firme propósito dos profissionais<br />
que participam do Grupo <strong>MB</strong> Parceiro, através da <strong>Revista</strong> <strong>MB</strong><br />
<strong>Rural</strong> de levar conhecimento de alto nível e elevado padrão técnico<br />
aos seus leitores acreditando sempre nas boas perspectivas e no<br />
crescimento do Agronegócio. Confirmando a nossa busca continua<br />
pelo desenvolvimento do Agro publicamos em 2017 a grandiosa<br />
quantidade de 86 artigos técnicos um grande feito em um ano recheado<br />
de surpresas e enormes dificuldades. Desafio aceito e cumprido a<br />
favor de você agropecuarista! Com base neste ideal elaboramos junto<br />
com nossos parceiros, a quem quero agradecer a dedicação por mais<br />
um ano de trabalho realizado com muito sucesso, mais uma <strong>Ed</strong>ição<br />
Especial da <strong>Revista</strong> <strong>MB</strong> <strong>Rural</strong> que vem com 12 artigos sobre o tema<br />
Excelências na Agropecuária – Sistemas que contribuem para o<br />
aumento da produtividade. Leiam e ampliem sua coleção de progresso<br />
profissional através do conhecimento.<br />
Finalizando, como já é tradição apresentamos também o Guia<br />
<strong>Rural</strong> 2018, cada vez melhor, cada vez mais completo e útil para o<br />
desenvolvimento do seu trabalho de pesquisas, orçamentos e aquisições<br />
de produtos e serviços.<br />
Um forte abraço e boa leitura!<br />
Reinaldo Gil - Eng. Agrônomo/<strong>MB</strong> Parceiro<br />
Índice<br />
06 | GESTÃO DE PESSOAS<br />
08 | GENÉTICA ANIMAL<br />
10 | LUCRATIVIDADE<br />
12 | FERTILIDADE DO SOLO<br />
15 | COOPERATIVISMO<br />
19 | MANEJO DE PASTAGENS<br />
24 | MANEJO DE PASTAGENS II<br />
28 | SILAGEM<br />
31 |PECUÁRIA LEITEIRA<br />
<strong>34</strong> | SUPLEMENTAÇÃO<br />
36 | ECONOMIA RURAL<br />
40 | ECONOMIA E FINANÇAS<br />
Uma publicação do Grupo <strong>MB</strong> Parceiro<br />
Distribuição Gratuita<br />
<strong>Ed</strong>itores:<br />
Mauricio Bassani dos Santos<br />
CRMV-TO 126/Z<br />
Reinaldo Gil<br />
CREA 77816/D<br />
reinaldo.gil@uol.com.br<br />
(63) 98466 8919 / 98426 6697 (WhatsApp)<br />
Tiragem: 5.000 exemplares<br />
Contato Comercial Gurupí<br />
Maurício Fenelon<br />
(63) 99984 1439<br />
Projeto gráfico:<br />
Agência Lumia (63) 3602 <strong>34</strong>41<br />
Bruce Ambrósio e equipe<br />
A <strong>Revista</strong> <strong>MB</strong> <strong>Rural</strong> não possui matéria paga<br />
em seu conteúdo. As ideias contidas nos artigos<br />
assinados não expressam, necessariamente,<br />
a opinião da revista e são de inteira<br />
responsabilidade de seus autores.<br />
<strong>Revista</strong> <strong>MB</strong> <strong>Rural</strong> (Adm/Redação):<br />
Endereço:<br />
204 Sul Av. LO 03, QI 17 Lt 02<br />
Palmas - TO - Cep.: 77.020-464<br />
Fones: (63) 98466-0066 / 3213 1630<br />
mauricio_bassani@yahoo.com<br />
A SERVIÇO DO AGRONEGÓCIO<br />
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EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017<br />
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Roberta Castelo Branco<br />
Médica Veterinária<br />
roberta.castelo@rehagro.com.br<br />
Emerson Alvarenga<br />
Médico Veterinário<br />
emerson.alvarenga@rehagro.com.br<br />
GESTÃO DE PESSOAS<br />
ALTA PRODUTIVIDADE EM<br />
GADO DE CORTE<br />
Por onde começar?<br />
Na pecuária de corte as questões técnicas, gerenciais e operacionais colocam à prova a eficiência das empresas<br />
rurais. Nesse cenário o desafio é lidar com pessoas. Entender sobre pessoas é o gargalo para o sucesso no negócio,<br />
pois onde há processos, há pessoas. E para que o resultado esperado seja alcançado é preciso que as pessoas<br />
envolvidas na atividade estejam comprometidas.<br />
Você deve estar se perguntando:<br />
“Como faço para lidar melhor<br />
com as pessoas?”, ou ainda:<br />
“Como manter os colaboradores<br />
comprometidos com o trabalho?”.<br />
Para responder essas perguntas é<br />
importante destacar que as propriedades<br />
precisam de “gente boa” na<br />
equipe: pessoas bem treinadas, comprometidas<br />
e alinhadas aos objetivos<br />
da fazenda.<br />
Tudo começa na seleção e<br />
contratação, que é papel do líder.<br />
Ele precisa treinar e capacitar sua<br />
equipe, comunicando bem, dando<br />
retorno sobre as atividades e alinhando<br />
expectativas por meio de<br />
reuniões.<br />
Os líderes nas fazendas de<br />
gado de corte, proprietário, gerente<br />
ou capataz, são peça-chave para a<br />
gestão de pessoas. Cabe a eles definir<br />
qual perfil profissional e comportamental<br />
precisam contratar.<br />
Assim se constrói uma equipe, e o<br />
foco passa a ser o crescimento e desenvolvimento<br />
das pessoas.<br />
Muitas vezes, os gestores estão<br />
preocupados com questões técnicas<br />
e operacionais, o que dificulta<br />
a identificação das necessidades dos<br />
colaboradores. Para desenvolver<br />
percepção o líder precisa estar próximo<br />
às pessoas e comunicar melhor<br />
com elas. Para isso é preciso<br />
ser claro, objetivo e checar o que foi<br />
dito. Quando o gerente disser algo<br />
ao capataz, o gerente deve verificar<br />
o que o capataz entendeu, ao passo<br />
que o capataz deve conferir se o<br />
que ele entendeu é o que o gerente<br />
quer que ele entenda. Checar sempre,<br />
independente de ser falante ou<br />
ouvinte torna a comunicação mais<br />
assertiva, evitando falhas. A clareza<br />
em mostrar os objetivos e caminhos<br />
a ser seguidos mantém a equipe focada<br />
no alcance de resultados.<br />
Outro ponto importante é<br />
dar retorno ao colaborador sobre<br />
comportamentos que ele teve: feedback<br />
positivo e negativo. O líder<br />
precisa dar feedback. Assim é possível<br />
reforçar os comportamentos que<br />
devem ser mantidos, e alertar sobre<br />
o que precisa ser melhorado.<br />
Quando o capataz está no<br />
mangueiro e observa o trabalho do<br />
cerqueiro, percebe que as cercas<br />
da divisa norte foram consertadas<br />
e ficaram excelentes. Um pouco<br />
mais a frente, o capataz observa<br />
pedaços de arame no chão. Nessa<br />
situação o capataz pode dar o feedback<br />
ao cerqueiro reforçando o<br />
trabalho bem feito na cerca, e alertá-lo<br />
sobre ter deixado um material<br />
cortante no pasto. No feedback o<br />
capataz é claro e objetivo, dizendo<br />
o comportamento que o cerqueiro<br />
teve, quando e onde observou esse<br />
comportamento, e o impacto disso:<br />
“Ontem observei que a cerca da divisa<br />
norte estava pronta. Você foi<br />
eficiente em consertar a cerca, isso é<br />
importante para a fazenda, pois garante<br />
que os animais não irão para<br />
o pasto vizinho”. Depois, o retorno<br />
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sobre o comportamento indesejado:<br />
“Seguindo pela divisa norte, observei<br />
pedaços de arames no chão. Os<br />
animais podem comer esses arames<br />
e morrer. Isso não deve mais acontecer,<br />
quero que você recolha os pedaços<br />
de arame que ficaram no chão<br />
do pasto, pense nisso e lembre-se de<br />
recolher todos das próximas vezes”.<br />
Todos queremos feedback.<br />
Independente da função que<br />
desempenhamos, ou do cargo que<br />
ocupamos, queremos retorno sobre<br />
nosso trabalho. A equipe que recebe<br />
feedback de forma clara e contínua<br />
consegue enxergar como está seu<br />
desempenho e em quais aspectos<br />
precisa melhorar.<br />
O feedback é um retorno<br />
pontual, para questões amplas , que<br />
envolvem mais pessoas, o líder pode<br />
realizar reuniões. O objetivo principal<br />
delas é encontrar soluções que<br />
não seriam encontradas individualmente.<br />
Participar das decisões proporciona<br />
aos colaboradores o sentimento<br />
de importância, que pode<br />
aumentar o comprometimento e<br />
empenho nas atividades.<br />
Quando são rotina e realizadas<br />
de forma objetiva e eficaz, as<br />
reuniões contribuem para o aumento<br />
de produtividade na fazenda.<br />
O que as fazendas de gado<br />
de corte de alta produtividade visam<br />
é lideranças em constante desenvolvimento,<br />
que realizam seleção<br />
e contratação de pessoas alinhadas<br />
com os interesses da propriedade.<br />
Viabilizando treinamentos e<br />
capacitações, buscando se comunicar<br />
de forma assertiva e dar retorno<br />
sobre as atividades realizadas. Lideranças<br />
que alinham expectativas<br />
e objetivos por meio de reuniões<br />
favorecem o crescimento e comprometimento<br />
dos colaboradores, o<br />
que pode refletir em resultados de<br />
alta produtividade.<br />
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Rafael Mazão<br />
Zootecnista<br />
rafaelmazao@dstak.com<br />
GENÉTICA ANIMAL<br />
Vale o que pesa?<br />
Não! Vale o que pesa e muito mais!<br />
Nos 15 últimos anos acompanho a produção e o mercado de touros melhoradores de perto, “muita água passou<br />
por de baixo da ponte”, mudanças da percepção do mercado produtor e dos pecuaristas consumidores de reprodutores<br />
e genética de ponta.<br />
Criadores cada dia mais exigentes<br />
quanto às informações dos<br />
touros, seja eles para inseminação<br />
artificial ou para monta natural, ou<br />
seja, “a ponte” estreitou, e como diria<br />
aqui em Minas Gerais: “essa ponte<br />
miúda virou pinguela”.<br />
Naturalmente afunilando e<br />
buscando produtos com mais informações,<br />
e consistentes, o produtor<br />
se sente mais seguro nas suas escolhas<br />
genéticas anuais que constrói o<br />
seu rebanho no decorrer das gerações.<br />
Criadores sempre em busca<br />
de tecnologia para agregar ao processo<br />
seletivo, têm em mãos atualmente<br />
ferramentas que têm feito<br />
grande diferença na produção de<br />
animais eficientes e melhoradores.<br />
Inúmeras ferramentas estão<br />
disponíveis: software de identificação<br />
para seleção intrarebanho,<br />
avaliação genômica, programas de<br />
melhoramento genético, avaliação<br />
de carcaça através de ultrassonografia,<br />
provas de ganho de peso e eficiência<br />
alimentar, que juntas, além de<br />
proporcionar diferencial de seleção,<br />
munem os pecuaristas de informações<br />
para atestar a qualidade dos<br />
animais produzidos.<br />
Em estudos realizados desde<br />
2013 para análise do benchmarking<br />
de nossos clientes produtores de<br />
touros (entre 24 e 36 meses), analisamos<br />
que os 3 principais fatores<br />
que mais influenciam o maior valor<br />
na venda dos reprodutores, ou seja,<br />
o que mais atrai o mercado atual é:<br />
1. Avaliações Genéticas Positivas;<br />
2. Melhores Medidas de Perímetro<br />
Escrotal;<br />
3. Maior Peso.<br />
Com isso, vamos dar uma<br />
“espiadinha” abaixo nos gráficos<br />
que representam as análises realizadas.<br />
Gráfico 1: Fonte: Dstak Assessoria Pecuária, 2017<br />
(Dados internos).<br />
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Gráfico 2 Fonte: Dstak Assessoria Pecuária, 2017<br />
(Dados internos).<br />
Eu não dispenso um belo touro, bom racial e<br />
harmonia aliada às características morfológicas produtivas<br />
devia ser sempre o objetivo né? Com aprumos<br />
corretos e estrutura forte, musculosidade evidente e<br />
convexa, parte sexual íntegra e eficiente, pigmentação<br />
firme, e para completar com boa libido!<br />
Aliás, nem Eu, nem mesmo o mercado. Embora<br />
a morfologia seja uma mensuração subjetiva, todos<br />
os animais avaliados como Elite, foram mais valorizados<br />
dos que os classificados como Superior, Regular<br />
ou Inferior, na escala de tipo produtivo padrão da<br />
Dstak Assessoria Pecuária, onde seguiram com maior<br />
valorização gradativamente em relação as categorias<br />
abaixo na escala. Mais um importante indicador, nos<br />
referenciando que o “olho” é mais uma ferramenta e é<br />
insubstituível na seleção.<br />
As análises dos últimos 5 anos nos indicam as<br />
prioridades do mercado atual, mas temos que ir além.<br />
Quais serão as premissas do mercado daqui 5, 10, 15,<br />
20 anos? Não tenho dúvidas que várias das ferramentas<br />
citadas “logo ali em cima”, serão muito influenciadoras<br />
nas escolhas dos reprodutores, pois influenciam<br />
diretamente na rentabilidade do sistema de produção,<br />
da cria ao abate.<br />
A verdade é curta e grossa, “história para boi<br />
dormir” não tem mais espaço. Produzir touros muitos<br />
produzem, porém poucos têm conseguido “passar na<br />
pinguela e deixar do outro lado” touros eficientes e<br />
melhoradores para o mercado faminto por qualidade.<br />
Gráfico 3 Fonte: Dstak Assessoria Pecuária, 2017<br />
(Dados internos).<br />
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LUCRATIVIDADE<br />
ESCALA DE PRODUÇÃO NA<br />
Adilson de Paula Almeida Aguiar<br />
Zootecnista / Professor / Consultor<br />
FAZU/CONSULPEC MG<br />
adilson@consupec.com.br<br />
PECUÁRIA<br />
COMO ELA ESTÁ IMPACTANDO OS NEGÓCIOS DO PRODUTOR<br />
Uma empresa de pecuária de corte tem suas particularidades próprias do negócio em si. Uma das mais evidentes<br />
é o montante de capital imobilizado em ativos permanentes e de médio prazo como também em custos fixos e<br />
em despesas administrativas. Como que estas particularidades impactam o negócio de produção de carne bovina?<br />
Um consultor, ao visitar<br />
uma propriedade pela primeira vez,<br />
com o objetivo de emitir um diagnóstico<br />
ele inicia seu trabalho com o<br />
inventário dos recursos disponíveis:<br />
climáticos, solos, infraestrutura, rebanho,<br />
recursos humanos, tecnologias<br />
adotadas, recursos financeiros.<br />
Ao terminar o inventario<br />
é possível diagnosticar que: (a) a<br />
maior parte do capital está imobilizada<br />
no ativo, terra (entre 81 e<br />
89,4%). O capital imobilizado em<br />
terra resulta em um custo de oportunidade<br />
do capital investido neste<br />
ativo que pode corresponder a 16%<br />
do custo de produção de uma arroba;<br />
(b) que por menor que seja a<br />
propriedade há muito capital imobilizado<br />
em benfeitorias e edificações,<br />
podendo representar 35% do capital<br />
imobilizado. Todos estes ativos<br />
são classificados como permanentes<br />
e de baixa liquidez; (c) capital em<br />
maquinas, implementos e veículos,<br />
podendo representar R$ 1 milhão e<br />
R$ 114 por hectare de área útil. Por<br />
sua vez estes ativos são classificados<br />
como médios e de media liquidez.<br />
Tanto ativos permanentes e<br />
médios são depreciados (com exceção<br />
do ativo, terra) ao longo de sua<br />
vida útil e uma taxa de remuneração<br />
deste capital deve ser apropriada<br />
para o calculo dos custos fixos, os<br />
quais podem representar entre 12 a<br />
71% do custo da arroba produzida;<br />
(d) em muitas empresas as despesas<br />
administrativas podem ser representativas,<br />
variando de 3 a 24% do custo<br />
da arroba produzida; e) por menor<br />
que seja a propriedade se a mesma<br />
não for operada pelo proprietário<br />
deverá ser operada por alguém contratado<br />
e este contrato irá gerar um<br />
custo com mão de obra permanente,<br />
o qual pode representar 17% dos<br />
custos.<br />
Por outro lado aquele consultor<br />
vai também diagnosticar que<br />
o numero de animais do rebanho é<br />
relativamente pequeno e que os custos<br />
variáveis para custear este rebanho<br />
também são relativamente baixos.<br />
Em fazendas de cria, o capital<br />
imobilizado no rebanho representa<br />
apenas 8,1 a 14,5% do capital imobilizado<br />
na atividade, enquanto que<br />
em fazendas de recria:engorda aqueles<br />
valores variam entre 9,2 a 16,3%.<br />
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Animais e dinheiro para o custeio<br />
são por sua vez ativos circulantes e<br />
de alta liquidez.<br />
Com baixas taxas de lotação<br />
o custeio (mão de obra variável,<br />
reprodução, manejo de pastagens,<br />
suplementação, sanidade, etc.) com<br />
os animais também é relativamente<br />
muito baixo. Em fazendas de cria<br />
o custeio com o rebanho representa<br />
em média 2,75 e 4,8%, enquanto<br />
em fazendas de recria:engorda varia<br />
entre 1,65 e 5,36% do capital imobilizado.<br />
A análise das relações, ativos<br />
circulantes:ativos médios e<br />
permanentes possibilita a avaliação<br />
da “saúde” da empresa em termos<br />
financeiros. Neste sentido o que é<br />
mais frequente, na quase totalidade<br />
dos diagnósticos que eu tenho feito<br />
nos últimos 15 anos é concluir que<br />
a “saúde” das empresas de pecuária<br />
de corte vai mal porque a maior<br />
proporção do capital está imobilizado<br />
em ativos de baixa liquidez e que<br />
não impactam a produção e a produtividade<br />
diretamente.<br />
Então qual parâmetro pode<br />
ser analisado para diagnosticar se a<br />
“saúde econômica” da atividade pecuária<br />
vai bem ou mal? A rentabilidade<br />
ou o retorno sobre o capital<br />
investido no negócio reflete a eficiência<br />
de como a atividade vem sendo<br />
gerida.<br />
O retorno sobre o capital investido<br />
na atividade de cria, incluindo<br />
o ativo, terra, varia em média<br />
entre 1,54 e 2,76%, enquanto que<br />
em fazendas de recria:engorda o retorno<br />
sobre o capital investido varia<br />
entre 1,8 e 6,8%.<br />
A pergunta é, qual, ou quais,<br />
ações deveriam ser tomadas pelo<br />
produtor para aumentar o retorno<br />
do seu negócio na pecuária de corte.<br />
A resposta passa pelo aumento<br />
da escala de produção. Basicamente<br />
são duas as estratégias para se<br />
alcançar tal objetivo: o aumento da<br />
escala pela estratégia do crescimento<br />
horizontal, comprando mais terras<br />
e mais animais, estratégia tradicionalmente<br />
adotada há séculos pelos<br />
pecuaristas brasileiros. Ou pela estratégia<br />
do crescimento vertical, aumentando<br />
a taxa de lotação da terra<br />
já em uso e do desempenho dos<br />
animais do rebanho, aumentando<br />
assim a produtividade da terra. No<br />
“benchmarking” 2013 dos clientes<br />
da empresa Exagro, ficou demonstrada<br />
a alta correlação entre desempenho<br />
por animal e lucro por hectare<br />
(R2 = 0,90) e entre produtividade<br />
por hectare (arrobas/ha) e lucro<br />
por hectare (R2 = 0,986). Por outro<br />
lado no “benchmarking” da safra<br />
2016:2017 de 184 propriedades de<br />
clientes da empresa Inttegra o aumento<br />
no desempenho individual e<br />
da taxa de lotação foram as variáveis<br />
que mais impactaram no aumento<br />
do lucro por hectare por ano. Veja:<br />
para cada R$ 1 de aumento no preço<br />
de venda da arroba o lucro aumentou<br />
em R$ 10,7/ha/ano; para cada<br />
R$ 1 de economia no custo por cabeça<br />
por mês o lucro aumentou em<br />
R$ 25/ha/ano; para cada 0,1 UA/ha<br />
de aumento na taxa de lotação, o lucro<br />
aumentou em R$ 45,3/ha/ano,<br />
por outro lado para cada 0,1 kg/dia<br />
de aumento no ganho médio diário<br />
houve um aumento no lucro de R$<br />
265/ha/ano.<br />
Conclui-se que a adoção de<br />
técnicas e de tecnologias que possibilitam<br />
aumentos no desempenho<br />
por animal (aumentos nas taxas<br />
de fertilidade, de nascimento e de<br />
desmama, do peso à desmama; do<br />
ganho médio diário ...) e da taxa de<br />
lotação das pastagens, concorre para<br />
o aumento da produtividade da terra<br />
de pastagem (kg de bezerros desmamados/ha/ano,<br />
kg de carcaça/<br />
ha/ano ...) e da escala de produção<br />
da propriedade no sentido vertical,<br />
resultando em redução da proporção<br />
do capital imobilizado no ativo,<br />
terra, e aumento da proporção do<br />
capital nos ativos animal e custeio,<br />
ativos estes circulantes e de alta liquidez,<br />
tornando a atividade rentável<br />
e competitiva.<br />
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Mauricio Bassani<br />
Zootecnista/Zoofértil<br />
mauricio_bassani@yahoo.com<br />
FERTILIDADE DO SOLO<br />
PERFIL DO SOLO<br />
TRABALHE E COLHA BEM MAIS<br />
Se gastar demais assusta, produzir pouco é um filme de terror para qualquer produtor rural brasileiro que<br />
tenha foco no lucro. Neste sentido, nossa referência produtiva é visual, pois observamos firmemente o crescimento<br />
vegetativo de nossas culturas – tanto lavouras quanto pastagens. Já o sistema radicular, na maioria dos casos, é<br />
negligenciado a práticas de adubação e corretivos, ou seja, quando falamos das raízes de nossas culturas, na maioria<br />
dos casos, apenas “cumprimos tabela”. Sendo assim, neste artigo vamos discutir alguns pontos essenciais para que<br />
o solo contribua decisivamente com o sucesso da atividade rural. Venha conosco, pois com certeza há muita coisa<br />
para conversarmos.<br />
Em artigos anteriores, já tratamos<br />
das falhas no aproveitamento<br />
dos adubos e as perdas diretas de<br />
capital por não nos atentarmos simplesmente<br />
ao pH do solo. Também<br />
já tratamos da importância da Matéria<br />
orgânica para a sustentabilidade<br />
produtiva. Ainda sim, o tema solos<br />
é bem mais amplo. Deste modo, um<br />
dos aspectos mais importantes que<br />
temos que ressaltar é que a produtividade<br />
está diretamente relacionada<br />
a fertilidade no perfil do solo, ou<br />
seja, a fertilidade no solo no sentido<br />
mais amplo: desde a camada superficial<br />
com a qual trabalhamos mais<br />
intensamente via corretivos e adubos,<br />
bem como nos perfis subsuperficiais,<br />
ou seja, abaixo da camada<br />
arável do solo.<br />
Sendo assim, se realmente<br />
queremos altas produtividades, tanto<br />
na pecuária quanto na agricultura,<br />
temos que investir na construção da<br />
fertilidade no perfil do solo, sob todos<br />
seus aspectos químicos, físicos e<br />
biológicos. Do contrário, estaremos<br />
sempre a mercê de sistemas radiculares<br />
superficiais, que podem não<br />
atender ao potencial produtivo da<br />
planta, bem como ser extremamente<br />
susceptíveis aos riscos climáticos<br />
comuns mesmos nas áreas agrícolas<br />
tradicionais.<br />
Tudo começa com um bom<br />
diagnóstico técnico. Podemos avaliar<br />
os aspectos físicos, tais como adensamentos<br />
e compactações; aspectos<br />
químicos, tais como falta de nutrientes<br />
essenciais para o desenvolvimento<br />
radicular e / ou presença de<br />
elementos tóxicos; bem como os aspectos<br />
biológicos que dizem respeito<br />
à sanidade do solo e a potencial<br />
vida microbiológica. O importante é<br />
que, antes de se tomar uma decisão,<br />
tenhamos um diagnóstico feito com<br />
profissionalismo e experiência.<br />
São inúmeros os trabalhos mostrando<br />
benefícios do aprofundamento<br />
radicular na produtividade. Neste<br />
sentido, nossa recomendação é que<br />
o produtor amplie sua avaliação do<br />
perfil do solo quanto à fertilidade. Se<br />
sempre trabalhou avaliando seu solo<br />
apenas até 20 cm que passe a buscar<br />
realizar o diagnóstico e intervenções<br />
trabalhando a melhoria da fertilidade<br />
até 40 cm. A meta é dobrar o<br />
“tanque de combustível” ofertando<br />
12<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
mais nutrientes e água através de<br />
práticas que possam gerar sistemas<br />
radiculares mais profundos.<br />
Dentre as bases de um bom<br />
diagnóstico também recomendamos<br />
que seja feito um estudo completo<br />
de todas as características químicas e<br />
físicas do solo. Neste sentido, o uso<br />
rotineiro de equipamentos específicos<br />
para verificação do grau de compactação.<br />
Com relação às amostragens<br />
do solo, nossa indicação é que<br />
a mesma seja feita com metodologia<br />
específica inclusive envolvendo<br />
o uso de GPS a fim de possibilitar<br />
comparações futuras. Sendo assim,<br />
todas as avaliações devem ser feitas<br />
com muito planejamento, critério e<br />
calma. Investir tempo, pessoas capacitadas<br />
e capital no correto diagnóstico<br />
é essencial para que possamos<br />
tomar decisões que realmente promovam<br />
o incremento da produtividade<br />
com o menor gasto financeiro<br />
possível.<br />
Após o diagnóstico, todas<br />
intervenções devem observar também<br />
a realidade operacional, financeira<br />
e produtiva do produtor. Com<br />
estas informações, técnico qualificado<br />
poderá montar um bom plano<br />
viável e inteligente que promova a<br />
melhoria e a construção da fertilidade<br />
no perfil do solo a partir das<br />
ferramentas disponíveis. Todo este<br />
trabalho, se bem implementado, traz<br />
benefícios a todo o sistema. Possibilitará<br />
às plantas expressar melhor<br />
seu potencial produtivo, bem como<br />
trará mais rentabilidade ao produtor.<br />
Cabe reforçar também os<br />
benefícios contra riscos climáticos.<br />
A segurança produtiva, via aprofundamento<br />
das raízes e redução do risco<br />
de estresse hídrico, minimiza as<br />
possíveis perdas na produtividade<br />
em função de veranicos.<br />
Dentre as estratégias disponíveis,<br />
o uso de fertilizantes químicos<br />
como calcário, fosfatos, cloreto<br />
de potássio, gesso e outras fontes<br />
de nutrientes (inclusive de micronutrientes)<br />
são muito importantes para<br />
a construção da fertilidade no perfil<br />
do solo, mas devem ser feitas com<br />
qualidade e quantidades compatíveis<br />
com o objetivo desejado.<br />
Ainda sim, é importante ressaltar<br />
que nutrientes sem ambiente<br />
físico e, consequentemente, sem<br />
ambiente biológico não tem muito<br />
sucesso. A absorção de nutrientes<br />
também está ligada a adequada<br />
aeração do solo. Ambientes compactados<br />
além de prejudicarem diretamente<br />
o crescimento das raízes<br />
podem também limitar a absorção<br />
de nutrientes pelas raízes em função<br />
das alterações na densidade do solo.<br />
A inclusão de gramíneas tropicais<br />
com alta produção de massa<br />
também tem sido crescente a cada<br />
dia. Nas fazendas de pecuária tem<br />
ocorrido via ajuste de nível tecnológico<br />
– fornecendo ao sistema os<br />
nutrientes essenciais para que estas<br />
plantas se tornem perenes e tragam<br />
a consequente melhoria do sistema<br />
solo. Na agricultura, graças ao sistema<br />
radicular extremamente agressivo,<br />
as gramíneas tropicais têm sido<br />
muito eficazes para reduzir também<br />
compactação moderada. Além disso,<br />
em ambos os sistemas também<br />
promovem a melhoria da drenagem,<br />
conservação do solo e reciclagem de<br />
nutrientes.<br />
Diante destes fatos, acreditamos<br />
que o uso de gramíneas tropicais<br />
com o aproveitamento e/ou<br />
aporte de fertilizantes deve se tornar<br />
mais comum em todos os sistemas<br />
agropecuários. Fato este que reforça<br />
a tese na qual acreditamos de que a<br />
cada dia mais, a Integração Lavoura<br />
/pecuária será o melhor caminho<br />
para a maioria das propriedades.<br />
Finalmente, para todos nós<br />
os desafios principais são o tempo e<br />
o dinheiro. Sendo assim, recomendamos<br />
que o tema seja aprofundado<br />
individualmente.<br />
Afinal, construir a fertilidade<br />
no perfil do solo não se trata<br />
de uma ação instantânea, mas é<br />
um ponto fundamental dentro das<br />
estratégias voltadas ao incremento<br />
da produtividade. Além disso, pode<br />
colaborar claramente com a necessária<br />
redução de custos, melhorar o<br />
aproveitamento de todos os investimentos<br />
(máquinas, adubos, insumos<br />
e materiais genéticos) e trazer mais<br />
segurança ao processo produtivo.<br />
Sendo assim, lembre-se: “Seu solo<br />
é seu maior patrimônio” e trabalhar<br />
na construção da fertilidade do<br />
perfil do solo é investir em sistemas<br />
mais produtivos e seguros.<br />
Contem conosco!<br />
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14<br />
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COOPERATIVISMO<br />
Renato Greidanus<br />
Diretor Presidente da<br />
Frísia Cooperativa Agroindustrial<br />
COOPERATIVAS<br />
fazem a diferença!<br />
O associativismo, a troca de informações, o compartilhamento das boas ideias e boas práticas, o espírito<br />
colaborativo e empreendedor são determinantes para o avanço do bem estar econômico e social de um povo. Isso<br />
é ainda mais importante no Brasil, país onde as diferenças regionais chamam atenção e onde o intercâmbio de<br />
experiências bem sucedidas pode ajudar a melhoria das condições de vida e progresso de todos.<br />
O sistema cooperativo brasileiro<br />
é um dos mais bem sucedidos<br />
do mundo, e um exemplo a ser<br />
seguido. Importante e consolidado<br />
principalmente no Sul do Brasil, o<br />
modelo cooperativo tem espaço e<br />
oportunidade de ajudar a desenvolver<br />
regiões, principalmente agrícolas,<br />
cuja atividade agrícola profissional<br />
é mais recente e, portanto, com<br />
muito espaço para se desenvolver.<br />
Sua chegada com mais força ao Tocantins,<br />
apoiado numa experiência<br />
muito bem sucedida no Paraná, já<br />
está provocando mudanças e melhorias<br />
na economia agrícola do Estado.<br />
Diferenças<br />
Enquanto uma empresa<br />
convencional é comandada por alguns<br />
sócios, que decidem o destino<br />
do negócio e repartem apenas entre<br />
si os lucros, o sistema cooperativo<br />
faz do produtor associado o dono e<br />
usuário principal do sistema. Numa<br />
cooperativa, ele pode participar das<br />
decisões, compartilhar os avanços<br />
e descobertas tecnológicas, trocar<br />
experiências e as melhores práticas,<br />
além de ter o apoio de uma organização<br />
profissional que dá assistência<br />
técnica, ajuda na gestão e é decisiva<br />
na hora de reduzir custos, de<br />
negociar coletivamente vantagens e<br />
mesmo acesso ao crédito, além de<br />
barganhar por melhores preços. No<br />
sistema cooperativa, as sobras são<br />
divididas com os associados, proporcionalmente<br />
ao trabalho realizado.<br />
Outra característica importante<br />
é que as cooperativas geralmente<br />
têm origem local, ou seja,<br />
atuam diretamente na região onde<br />
surgiram, comprometidas com o desenvolvimento<br />
sustentável, ao bem<br />
estar, educação e desenvolvimento<br />
cultural dos seus membros e de toda<br />
a comunidade. As regiões onde o<br />
cooperativismo é forte são conhecidas<br />
pelo seu alto índice de desenvolvimento<br />
humano, alta produtividade<br />
e elevado grau de desenvolvimento<br />
econômico. É o caso dos Campos<br />
Gerais, no Paraná, onde atuam três<br />
cooperativas criadas por imigrantes<br />
holandeses, e onde a Cooperativa<br />
Agroindustrial Frísia se destaca há<br />
92 anos como referência na produção<br />
leiteira do País, pioneirismo na<br />
aplicação de tecnologias como o<br />
plantio direto e pelos altos índices<br />
de produtividade agrícola e no melhoramento<br />
genético animal. É esse<br />
modo de produção, onde a gestão<br />
e a administração do negócio possuem<br />
um diferencial competitivo,<br />
que desde 2013 está ajudando o Tocantins<br />
a dar um novo salto de produtividade.<br />
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Tocantins<br />
A chegada desse modelo de<br />
cooperativismo ao Tocantins já está<br />
impulsionando a agricultura e a economia<br />
do Estado, desde a aquisição<br />
da Fazenda Santa Maria, em Paraíso<br />
do Tocantins, em 2013 pela Cooperativa<br />
Agroindustrial Frísia.<br />
Com a inauguração em 2016<br />
de um entreposto de recebimento<br />
de grãos, empreendimento com<br />
capacidade para armazenar 28 mil<br />
toneladas, com perspectiva de ampliação<br />
no curto ou médio prazo,<br />
um gargalo importante na região foi<br />
equacionado, o da armazenagem de<br />
grãos, e deu previsibilidade e garantias<br />
ao produtor da região, permitindo<br />
também que ele possa esperar o<br />
melhor momento – e o melhor preço<br />
– para negociar sua safra.<br />
Outro exemplo de como<br />
esse modelo de negócio pode ajudar<br />
o Tocantins é o aporte de novas<br />
tecnologias e a pesquisa e experimentação<br />
genética. A realização do<br />
Dia de Campo do Milho em 2017,<br />
por exemplo, onde os produtores da<br />
região puderam identificar e definir<br />
qual o híbrido ideal para a produção<br />
da segunda safra (safrinha) em 2018.<br />
O evento, que teve a participação<br />
da Fundação ABC, entidade<br />
paranaense referência em pesquisa<br />
agropecuária, apresentou aos produtores,<br />
cooperados ou não, 47 espécies<br />
de híbridos de semente de<br />
milho, para que, após a colheita, os<br />
produtores vejam quais apresentaram<br />
os melhores resultados. O<br />
objetivo é desenvolver variedades<br />
precoces que permitam antecipar o<br />
plantio e evitar o período de chuvas,<br />
o que permitiria uma segunda safra.<br />
O sucesso dessa empreitada é um<br />
dos grandes desafios dos produtores<br />
da região e vai representar um<br />
ganho enorme em produção e renda<br />
para os agricultores.<br />
Como essa, outras soluções<br />
estão sendo estudadas pelo sistema<br />
cooperativo, que une suas forças<br />
para promover o desenvolvimento<br />
e compartilhar seu sucesso com a<br />
comunidade. É essa experiência que<br />
o Tocantins recebe agora e que será<br />
decisiva para o seu futuro como<br />
Estado.<br />
16<br />
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18<br />
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MANEJO DE PASTAGENS<br />
Phyllypi F de Melo<br />
Zootecnista<br />
CriaBem Nutrição Animal<br />
melopf@criabem.com.br<br />
EXCELÊNCIA<br />
AGROPECUÁRIA<br />
COMO MONTAR SISTEMAS DE ALTA PRODUTIVIDADE<br />
A grande dificuldade de definir a rentabilidade da atividade pecuária de corte está ligado ao fato de que as informações<br />
referentes ao sistema produtivo são incompletas, poucos sabem descrever quantas arroba produz por<br />
hectare/ano ou mesmo qual é o custo da arroba produzida na engorda Acelerada a pasto na sua fazenda.<br />
Tudo isso torna-se mais<br />
agravante quanto analisamos a queda<br />
da lucratividade na pecuária nas<br />
últimas décadas, segundo dados da<br />
Agroconsult, o lucro líquido obtido<br />
da atividade nos dias atuais é 7,5 vezes<br />
menor do que os obtidos durante<br />
a década de 70, sendo assim, para<br />
permanecer na atividade o produtor<br />
deveria elevar a produtividade do<br />
seu sistema pecuário. Esse cenário<br />
desafiador tem levado forçadamente<br />
a mudanças de paradigmas da atividade,<br />
em que o pecuarista passa a<br />
gerenciar a propriedade como uma<br />
empresa rural e não mais como uma<br />
atividade familiar ou mesmo reserva<br />
de valor.<br />
Nosso sistema produtivo de<br />
bovinos no Brasil Central tem como<br />
base a produção animal a pasto, uma<br />
vez que nosso clima quente e úmido<br />
favorece a produção das forrageiras<br />
tropicais C4, que por sua vez apresentam<br />
alto potencial de crescimento<br />
e acúmulo de massa. Todavia,<br />
esse sistema apresenta sazonalidade<br />
climática que interfere impondo restrições<br />
em determinados meses do<br />
ano. Via de regra nos períodos de<br />
Primavera/Verão as forragens são<br />
beneficiadas pela incidência de luz<br />
e chuvas, sendo que o seu restabelecimento<br />
a altura ideal de pastejo<br />
ocorre rapidamente, entorno de 10<br />
a 15 dias e os animais apresentam<br />
bom desempenho individual. Em<br />
contrapartida, durante os períodos<br />
de Outono/Inverno, a baixa qualidade<br />
e disponibilidade de forragem,<br />
resultam muitas vezes em manutenção<br />
ou perda de peso destes.<br />
Sendo assim, períodos negativos<br />
na curva de crescimento animal<br />
devem ser evitados, o que impacta<br />
em redução da idade de abate,<br />
diminui o tempo de permanência do<br />
animal na fazenda, aumentando o<br />
giro do capital investido e da taxa de<br />
desfrute. Para isso o correto planejamento<br />
nutricional e de produção de<br />
forragem se faz necessários para o<br />
sucesso na busca por altas produtividades.<br />
MANEJO DE PASTAGENS<br />
Controle de Altura de Pastejo: Uma<br />
das primícias no manejo de pastagem<br />
de gramíneas forrageiras tropicais,<br />
subtropicais e temperadas é o<br />
Controle de Altura de Pastejo, para<br />
nós nutricionistas técnicos de campo,<br />
essa deveria ser a regra máxima<br />
do manejo de pastagem. Assim devemos<br />
entender os três modelos de<br />
pastejo em uso no Brasil Central: o<br />
pastejo contínuo, quando o lote de<br />
bovinos fica estabelecido em um<br />
único pasto, o pastejo alternado,<br />
quando o lote de animais permanece<br />
alternando entre dois pastos diferentes<br />
por determinado tempo em<br />
cada um, e o pastejo rotacionado,<br />
que pode ser chamado assim sempre<br />
que o lote de bovinos for manejado<br />
em mais de três pastos distintos.<br />
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19
O controle de altura de pastejo<br />
é a forma mais dinâmica de garantirmos<br />
forragem em quantidade<br />
e qualidade para que os bovinos<br />
possam colher, digerir e desempenhar<br />
seu máximo potencial. Quando<br />
uma determinada propriedade<br />
tem um manejo de pastagem deficiente<br />
e a entrada e saída dos lotes<br />
de bovinos não respeita as alturas<br />
alvos mínima e máxima (tabela 1),<br />
ocorre que a Interceptação da Luz<br />
Solar (IL%) irá influenciar na produção<br />
das gramíneas forrageiras e as<br />
proporções de folhas, hastes, raízes<br />
e material velho serão prejudicadas<br />
por esse fato. A IL% é tida como o<br />
percentual de luz solar que as folhas<br />
da gramínea conseguem interceptar<br />
sem que os raios solares cheguem ao<br />
solo e/ou base da planta.<br />
Assim temos que, para desenvolvermos<br />
sistemas de alta produtividade<br />
a IL% ideal deverá ser de<br />
90 a 95%, o que está inteiramente<br />
relacionado à altura de pastejo (tabela<br />
1), esse fato proporcionará que<br />
as gramíneas forrageiras desempenhem<br />
seu potencial máximo de<br />
%PB (proteína bruta) e %DIVMO<br />
(digestibilidade).<br />
Para que a IL 95% seja atendida<br />
o manejo de pastagem deve<br />
respeitar as alturas alvos, como<br />
exemplo a altura de pastejo inicial<br />
no Braquiarão de 25 centímetros e<br />
do Andropogon de 50 centímetros.<br />
Nome da planta forrageira<br />
Adubação<br />
Devido a sua representatividade,<br />
a atenção no período das chuvas<br />
deve ser voltada para a adubação,<br />
seu sucesso depende de práticas<br />
agronômicas como amostragem,<br />
analise, interpretação, recomendação<br />
e aplicação dos fertilizantes,<br />
que deve ocorrer preferencialmente<br />
logo após o pastejo a fim de estimular<br />
o perfilhamento e produzir folhas.<br />
Com isso obtém-se a resposta<br />
desejada tanto em quantidade como<br />
em qualidade de forragem, o que é<br />
refletido em melhores ganhos de<br />
peso e taxa de lotação.<br />
De Saída<br />
Científico Comum Entrada Não Adubado Adubado<br />
Andropogon gayanus Andropogon 50 40 25<br />
B. Brizantha, B. decumbens Braquiarão, decumbens 25 20 13<br />
Relacionado a este assunto, alguns<br />
erros são mais frequentes<br />
na adubação, como:<br />
• Distribuição desuniforme<br />
do fertilizante, o que pode provocar<br />
perda de grande parte da forragem<br />
produzida devido a diferenças no<br />
crescimento;<br />
• Adubação de plantas que<br />
apresentam manejo inadequado, o<br />
que reflete negativamente na expansão<br />
de folhas e torna inviável o custo<br />
do fertilizante devido a sua perda<br />
pós aplicação;<br />
• Correção da saturação de<br />
bases, a qual é frequentemente, recomendada<br />
para níveis ao redor de<br />
40 a 60%, onde os mais elevados são<br />
indicados para reforma ou formação<br />
de pastagens. Quando falamos<br />
de intensificação para altos níveis de<br />
produção, a recomendação deve ser<br />
semelhante à agricultura, de 70%;<br />
• Manejo de crescimento e<br />
colheita inadequado da planta, que<br />
interfere na resposta econômica das<br />
adubações. Atenção ao manejo!<br />
Além desses tópicos vale ressaltar<br />
que o momento de se aplicar a tecnologia<br />
é tão importante quanto o<br />
uso da mesma. Diferente do agricultor,<br />
o pecuarista ainda não tem a<br />
disciplina em relação ao momento<br />
de fazer uso de insumos como adubações,<br />
controle de pragas e plantas<br />
invasoras ou do manejo do rebanho<br />
em pastejo.<br />
Nutrição Animal<br />
A margem sobre a venda<br />
conhecida como lucratividade e giro<br />
de estoque são os elementos chaves<br />
para o sucesso econômico de qualquer<br />
atividade. Não seria diferente<br />
nas etapas da pecuária. A fase de<br />
cria abrange todas as categorias e<br />
processos necessários para se produzir<br />
um bezerro desmamado. A<br />
recria é a etapa que vai do desmame<br />
(peso de 6 a 8@) até o início<br />
da terminação (peso de 13 a 14@),<br />
sendo esta última a etapa final, que<br />
leva o animal até o abate. Em cada<br />
fase de produção a nutrição animal<br />
tem papel fundamental nos balanceamentos<br />
das dietas de bovinos a<br />
pasto ou semiconfinados, suprindo<br />
B. brizantha, B. hibrida Xaraés: MG5, Convert 30 25 15<br />
Brachiaria humidicola Humidicola 25 20 13<br />
C. dactylon, nlemfuensis Coastcross, Tifton 68 30 25 15<br />
C. dactylon x C. nlemfuensis Tifton 85 25 20 13<br />
C. plectoastachyus Estrela africana 30 25 15<br />
Panicum maximum Massai 30 25 15<br />
Panicum maximum Mombaça, Tobiatã 90 70 45<br />
Panicum maximum Tanzânia 70 55 35<br />
Pennisetum americanum Milheto 50 40 25<br />
Tabela 1. Alturas alvos de manejo de pastagem de gramíneas forrageiras tropicais e subtropicais em<br />
pastoreios de lotação alternada e rotacionada em pastagens não adubadas e em pastagens adubadas.<br />
Fonte: AGUIAR, 2012b, 2012c, 2012d.<br />
20<br />
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as exigências de minerais, aditivos,<br />
energia e proteína, maximizando os<br />
ganhos zootécnicos e garantindo a<br />
manutenção da saúde ruminal para<br />
que cada raça desempenhe o seu<br />
máximo potencial genético.<br />
Olhando para as fases de<br />
recria e engorda, ao contrário da<br />
fase de cria, o processo produtivo<br />
é outro. O próprio individuo deve<br />
produzir para si. Neste caso, o<br />
GPMD (ganho de peso médio<br />
diário) é o principal indicador<br />
de desempenho individual. Na<br />
engorda, a necessidade de energia<br />
da dieta necessária para que ocorra<br />
a terminação adequada é maior.<br />
Esse fato, invariavelmente, torna<br />
a necessidade de desembolso em<br />
Nutrição Animal maior por arroba<br />
produzida, uma vez que se faz<br />
necessário o uso de suplementos<br />
mineiras proteicos e energéticos<br />
com consumos que variam de 0,3<br />
a 0,7% do PV animal/dia como<br />
forma de acelerar a terminação e<br />
torná-la mais eficiente e de melhor<br />
custo/benefício para o pecuarista.<br />
A recria é o momento de<br />
ganho muscular e desenvolvimento<br />
ósseo, nesta etapa temos a oportunidade<br />
de construção da estrutura<br />
da carcaça e perfil de víscera que<br />
possibilitarão uma terminação mais<br />
econômica, para isso é necessário o<br />
uso de soluções nutricionais como<br />
os da CriaBem, linha Pastomax que<br />
é um suplemento mineral proteico<br />
com consumo de 0,1 a 0,12% do<br />
PV animal/dia, que<br />
combinado a uma<br />
gramínea forrageira<br />
de qualidade torna a<br />
fase de recria o momento<br />
que temos a<br />
melhor relação custo/benefício.<br />
Numa<br />
faixa de desembolso<br />
de R$ 45,00/cabeça<br />
mês, consegue-se<br />
obter um GPMD na<br />
casa de 0,570 kg/dia<br />
o que gera uma arroba<br />
produzida na casa<br />
de R$ 79,00/@/ano.<br />
No cenário de venda da arroba valorizada<br />
a R$ 135,00 gera uma margem<br />
operacional superior a 40%. A<br />
construção dessa margem sustenta<br />
as demais etapas para que, ao final<br />
de todo o processo, possa-se obter<br />
margem final líquida de 18,5% por<br />
boi abatido.<br />
Além da recria construir<br />
margem devido a relação produção/<br />
custo ser a melhor de todas, ela pode<br />
ser uma grande potencializadora da<br />
taxa de desfrute. Esta representa o<br />
total de animais abatidos em relação<br />
ao rebanho. Existe uma relação linear<br />
inversa entre o GPMD, tempo<br />
de permanência e taxa de desfrute<br />
(figura 1), ou seja, quanto maior o<br />
GPMD, menor o tempo de permanencia<br />
e maior a quantidade de animais<br />
abatidos por ano (CHAKER,<br />
2017). A intensificação, definida<br />
no dicionário como “fazer com que<br />
Figura 1. Relação entre GPMD, taxa de desfrute e tempo de permanência.<br />
algo se torne mais intenso, árduo,<br />
excessivo”, muitas vezes, na pecuária,<br />
é lida como “cara” e inviável.<br />
Recentes pesquisas de campo apontam<br />
que o custo adicional para o<br />
aumento de 0,100 kg/dia sobre ganhos<br />
de 0,500 kg/dia é de R$ 5,70/<br />
cabeça/mês. Na maioria dos casos,<br />
o aumento do desembolso mensal<br />
necessário para intensificação do ganho<br />
reduz o desembolso da arroba<br />
produzida em consequência do menor<br />
tempo de permanência e racionalização<br />
dos custos fixos.<br />
Sistemas de pecuária a pasto<br />
que buscam a alta produtividade<br />
ampliam seus resultados econômicos,<br />
o fato é que a atividade pecuária<br />
lucrativa é intimamente relacionada<br />
à eficiência operacional, ou seja, depende<br />
de um bovino superior, de<br />
tecnologia nutricional de ponta e da<br />
espécie forrageira adequada.<br />
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22<br />
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MANEJO DE PASTAGENS II<br />
Wagner Pires<br />
Engenheiro Agrônomo<br />
wagner@circuitodapecuaria.com.br<br />
www.circuitodapecuaria.com.br<br />
Uma pastagem de<br />
Excelência<br />
Ano novo, vida nova, pasto degradado e pecuária de baixo lucro! Opa! Nós não queremos isso e nem podemos<br />
trabalhar desta forma, pois afinal somos Pecuaristas que buscam a excelência. O ano de 2018 promete, pelo menos<br />
no Agronegócio, pois na política, justiça e economia eu não sei, mas nós da pecuária queremos estar com nossas<br />
propriedades preparadas para quando este pais “maravilhoso” sair desta crise. O que fazer? É simples, basta seguir<br />
os conselhos do Consultor Wagner Pires.<br />
Não queira retirar do solo<br />
aquilo que ele não tem<br />
Muitos pecuaristas querem ter em<br />
suas fazendas gramíneas de alta produtividade,<br />
porem para que ela produza<br />
bastante ela necessita de mais<br />
nutrientes que as gramíneas menos<br />
produtivas. Será que o seu solo dispõe<br />
destes nutrientes?<br />
Se você não tem esta resposta,<br />
então colete amostra de solo<br />
dos seus vários pastos e mande fazer<br />
análise para saber.<br />
Estabeleça um plano de<br />
curto, médio e longo prazo<br />
para melhorar a fertilidade<br />
De posse da análise a primeira coisa<br />
que você deve fazer é trocar ideia<br />
com um Engenheiro Agrônomo<br />
para ver o que fazer para corrigir a<br />
acides do seu solo, levar Cálcio para<br />
as camadas mais profundas, melhorar<br />
a Saturação de Base e os níveis<br />
de Fósforo.<br />
Por onde começar?<br />
Comece pelas gramíneas mais exigentes.<br />
Pelos pastos livres de invasoras.<br />
Pelos pastos menores.Pelos pastos<br />
que você pretende trabalhar com<br />
uma taxa de lotação mais elevada.<br />
Qual o primeiro passo?<br />
Se for reformar o pasto aplique a<br />
dosagem total de Calcário que a<br />
Análise de Solo pediu e use o calcário<br />
correto sempre visando uma<br />
relação de Ca/Mg de 3:1.<br />
24<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
Se for recuperar o pasto ou<br />
você usa um subsolador ou um aero<br />
solo para incorporar o calcário ou<br />
você divide a dosagem recomendada<br />
em 2 a 3 anos.<br />
Não se iluda com produtos<br />
milagrosos<br />
Por exemplo produtos que prometem<br />
com uma dosagem bem pequena<br />
corrigir a acides do seu solo.<br />
Enquanto estes produtos milagrosos<br />
estiverem sob investigação dos<br />
pesquisadores eles não merecem o<br />
nosso voto. Opá, que o pecuarista<br />
compre.<br />
E o fósforo?<br />
Estou falando de Fosforo e<br />
não de fosforo que faz fogo! Desde<br />
que a acides já esteja corrigida você<br />
pode começar a trabalhar com um<br />
pouco de fertilizante a base de fosforo,<br />
mas não exagere na dosagem<br />
e na área adubada, pois você pode<br />
produzir muito pasto e não conseguir<br />
colher.<br />
Controle das plantas<br />
daninhas.<br />
Lembre-se de que as plantas<br />
daninhas contam com um sistema<br />
radicular muito mais poderoso que<br />
o das gramíneas forrageiras e além<br />
disso são tolerantes a baixa fertilidade,<br />
portanto a briga é desleal. Antes<br />
de pensar em adubar você deve<br />
controlar as plantas daninhas. Planta<br />
daninha, político corrupto e MST<br />
acabam com quem quer ter uma pecuária<br />
produtiva.<br />
Tenha um olho no gado e o<br />
outro nas pragas<br />
Agora na temporada da chuva<br />
é preciso que o pecuarista tenha<br />
um olho no seu gado e o outro nas<br />
pragas que atacam o pasto. Tem que<br />
imitar o olho daquele cara que foi<br />
preso, como é mesmo o nome dele?<br />
Fique atento as cigarrinhas e não<br />
espere a vaca ir pro brejo para começar<br />
a controlar, lembre-se que os<br />
melhores produtos são sistêmicos e<br />
para que eles transloquem por toda<br />
a planta é necessário que a gramínea<br />
esteja sadia e isso só é possível no<br />
começo. Cuidado com as lagartas,<br />
tem umas que estão dispostas a levar<br />
o lucro do pecuarista na mala.<br />
Divisão ajuda no manejo e na<br />
colheita do pasto<br />
Na hora de dividir o pasto<br />
o pecuarista deve atentar para as<br />
distancias da águada ao fundo do<br />
pasto, se for dividir o pasto em 2 ou<br />
3, é recomendável que as divisões<br />
sejam aproximadamente iguais, para<br />
assim se for alternar ou rotacionar<br />
o lote não tenha problema de manejo.<br />
Uma diferença de até 10% é<br />
aceitável. Para uma boa divisão nada<br />
melhor do que um mapa feito corretamente.<br />
Isso ajuda e barateia o<br />
trabalho. Se o pecuarista achar que<br />
a conta com arame, mão de obra e<br />
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estaca vai ficar meio ardida, pode<br />
trabalhar com cerca elétrica, que<br />
normalmente fica 1/3 do custo da<br />
cerca convencional.<br />
A cima um estudo de divisão<br />
que estou implantando em uma<br />
fazenda no Tocantins, a esquerda<br />
como é hoje e a direita como vai<br />
ficar. Estamos projetando trabalhar<br />
nas águas com uma taxa de lotação<br />
3 vezes maior do que as pastagens<br />
comportam hoje.<br />
Não invente!<br />
Em tempos de crise e de<br />
Lava Jato o pecuarista não deve ficar<br />
escutando os “vendedores professores”<br />
que existem no mercado e sim<br />
escutar quem entende e é preparado<br />
tecnicamente. Estou me referindo a<br />
mistura de capim. Não faça isso, o<br />
bovino é seletivo, ele escolhe o capim<br />
mais gostoso e vai ficar caminhando<br />
para colher o melhor capim<br />
e você sabe que nada melhor que<br />
uma boa caminhada para se perder<br />
peso. Mas você quer justamente<br />
peso do seu rebanho. Portanto não<br />
misture duas ou mais gramíneas no<br />
mesmo pasto.<br />
Crie controles<br />
É muito comum o pecuarista<br />
achar muito e não anotar nada,<br />
isso é um grande erro que deve ser<br />
trabalhado para mudar. O pecuarista<br />
deve anotar as chuvas, as operações<br />
realizadas em cada pasto e os<br />
produtos usados e o custo. Anotar<br />
o dia de entrada e saída do rebanho<br />
de cada piquete. Isso tudo permite<br />
uma análise de custos com o manejo<br />
e os resultados. É muito comum o<br />
pecuarista somente pesar o gado no<br />
momento de vender, sendo que ele<br />
deve ter os ganhos do rebanho nas<br />
águas e na seca para assim tomar<br />
uma atitude e corrigir os resultados<br />
negativos. É fundamental criar um<br />
habito.<br />
Capacitar a equipe<br />
Cada vez mais a mão de obra<br />
que está sobrando para a pecuária<br />
é a pior de todas. Existem muitas<br />
maneiras de se capacitar os funcionários<br />
sem muito custo. Eu mesmo<br />
disponho em meu site de um curso<br />
completo para se ter uma pastagem<br />
sustentável. Porém o pecuarista<br />
acha que investir na equipe é caro e<br />
desnecessário. É comum um pecuarista<br />
comprar um trator que muitas<br />
vezes tem o valor mais elevado que<br />
a sua caminhonete e ele entrega esta<br />
máquina a um funcionário que mal<br />
sabe ler e escrever.<br />
O momento exige a capacitação<br />
da equipe.E para finalizar vou<br />
dar a dica mais importante e talvez a<br />
mais difícil de se implantar.<br />
A reforma íntima.<br />
Este ponto é o mais difícil.<br />
O meu avô foi assim, meu pai era<br />
assim e eu sou tudo de bom que eles<br />
foram! Mas os tempos hoje são muito<br />
diferentes do tempo do seu avô<br />
e do seu pai. Tem pecuarista que se<br />
considera um vencedor, porem ele<br />
desconhece o quanto ele poderia ter<br />
crescido e sido muito melhor.<br />
As coisas hoje mudam muito<br />
mais rápido do que a alguns anos<br />
atrás e no amanhã vão mudar mais<br />
rápido ainda. O modo de vida que o<br />
pecuarista ganhava dinheiro e vivia a<br />
10 ou 20 anos atrás, é totalmente diferente<br />
da forma que ele vive hoje e<br />
seus filhos vão viver amanhã. Hoje é<br />
obrigatório a mudança, mudar para<br />
crescer, mudar para não perder, mudar<br />
para se manter no seu negócio.<br />
Eu desejo a você pecuarista<br />
que você em 2018 trilhe os pontos<br />
que eu destaquei a cima, mas também<br />
comece este ano se renovando<br />
e mudando-se totalmente para se<br />
manter em seu negócio. Crescer e<br />
gerar riquezas, fazer a diferença na<br />
economia do nosso pais.<br />
Não se esqueça de que antes<br />
de ser criador, você deve ser um<br />
agricultor de pasto, pois você não<br />
consegue fazer bezerro ou boi gordo<br />
sem um bom pasto.<br />
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Luis <strong>Ed</strong>uardo Zampar<br />
Médico Veterinário<br />
Consultor Nutrição Animal<br />
confinabrasil@gmail.com<br />
SILAGEM<br />
SILAGEM DE MILHO<br />
O Brasil tem se destacado no Agronegócio como verdadeiro e valioso campo de oportunidades. Temos extensão<br />
territorial, sol e água em abundância, nos credenciando como um verdadeiro porto seguro na oferta de alimentos.<br />
Nas fazendas de leite e corte<br />
contamos com áreas de pastagens e<br />
também de silagens, com o objetivo<br />
principal de fornecer volumosos<br />
para suprir uma boa parte das necessidades<br />
nutricionais dos rebanhos.<br />
As silagens são uma forma<br />
de armazenar alimento por um<br />
longo período, como principal vantagem<br />
a manutenção do valor nutritivo,<br />
desde que o manejo da ensilagem<br />
seja bem realizado.<br />
A silagem de milho é o volumoso<br />
que mais concentra energia,<br />
reina nas Fazendas do Brasil por ser<br />
uma opção altamente viável e lucrativa<br />
se bem conduzida e trabalhada,<br />
podendo ser utilizada para bovinos,<br />
ovinos e equinos. Possui alto potencial<br />
de produção de leite e carne,<br />
sendo altamente palatável e apreciada<br />
pelos animais.<br />
Por tudo isto , a Silagem de<br />
Milho de Alta Qualidade é uma opção<br />
estratégica e valiosa para compor<br />
a dieta dos nossos animais.<br />
1. Ponto de Colheita: o produtor<br />
tem errado muito o ponto<br />
de colheita . É ele que define a<br />
participação de grão na silagem,<br />
sendo responsável pela diminuição<br />
do uso de concentrado nas<br />
dietas e, consequentemente, por<br />
reduzir os custos de produção.<br />
O ponto correto é chamado<br />
tecnicamente de farináceo duro,<br />
quando o grão se apresenta 50%<br />
farináceo e 50% leitoso, olhando<br />
para a planta de milho, o colmo<br />
e as folhas estão verdes e a<br />
palha da espiga está seca.<br />
2. Tamanho de Partícula: o ideal<br />
é entre 5 a 10 mm ou 0,5 a 1,0<br />
cm. Isto facilita ingestão, compactação,<br />
reduz perdas e economiza<br />
alimento. Aqui o capricho<br />
ou a atenção deve ser redobrada<br />
com a regulagem da ensiladeira,<br />
na afiação das facas, na escolha<br />
das engrenagens corretas e da<br />
distância das facas com a contra-faca.<br />
Só aumentar a partícula<br />
para vacas de leite confinadas<br />
(18 a 22 mm).<br />
28<br />
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3. Compactação do Silo: o ideal<br />
é a utilização de silos tipo trincheira,<br />
enchendo no sistema<br />
de rampa, pois as paredes auxiliam<br />
muito na compactação,<br />
o que proporciona até 750 kg/<br />
m³. Os silos tipo superfície podem<br />
proporcionar perdas, principalmente,<br />
pela dificuldade na<br />
compactação. O principal objetivo<br />
da compactação é a retirada<br />
completa do oxigênio, que<br />
é o grande inimigo das silagens,<br />
pois predispõe ao desenvolvimento<br />
de bactérias e fungos indesejáveis.<br />
A compactação deve<br />
ser realizada com trator traçado<br />
e pesado passando muitas vezes<br />
sobre o material picado.<br />
4. Fechamento do Silo: aqui o<br />
mais importante é a retirada do<br />
oxigênio remanescente, pois,<br />
quando cobrimos o silo com a<br />
primeira lona, nós colocamos<br />
oxigênio dentro do silo, que<br />
deve ser retirado. Lacramos o<br />
fundo e as laterais do silo, deixando<br />
a boca aberta. Sobre esta<br />
1ª lona, colocamos uma camada<br />
fina de terra e areia, cobrindo<br />
toda a lona e, com isso, vamos<br />
empurrando todos os gases<br />
indesejáveis para fora do silo.<br />
Após, lacra-se a boca do silo e<br />
colocamos a segunda lona. Sobre<br />
a segunda lona colocamos<br />
uma proteção, que pode ser cordinhas<br />
fixadas sobre a 2ª lona,<br />
que cruzam no sentido da largura<br />
do silo, com uma distância de<br />
60 cm entre elas.<br />
5. Altura de Corte: o ideal é colher<br />
a silagem ao redor de 30 a<br />
40 cm de altura, com o objetivo<br />
de deixar uma parte da matéria<br />
orgânica para o solo, melhorar<br />
a digestibilidade, pois com esta<br />
prática conseguimos reduzir a<br />
concentração de lignina no material<br />
ensilado.<br />
6. Aplicação de Inoculante: o<br />
inoculante é um produto à base<br />
de bactérias saudáveis e enzimas<br />
que aceleram o processo de fermentação,<br />
podendo abrir o silo<br />
7 dias após ser lacrado. Quando<br />
não aplicamos o inoculante, devermos<br />
aguardar 30 dias.<br />
Conclusão:<br />
A silagem de milho tem<br />
como papel fundamental a redução<br />
dos custos de produção, mas para<br />
isso, o foco e o profissionalismo na<br />
sua produção são chave para o sucesso.<br />
E a possibilidade de os produtores<br />
melhorarem o seu negócio,<br />
tornando-o mais eficiente e sustentável.<br />
O Gado agradece!<br />
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Francisco Alexandre Gomes<br />
Analista Técnico SEBRAE - TO<br />
franciscoalex@to.sebrae.com.br<br />
PECUÁRIA LEITEIRA<br />
Inovação que traz resultados:<br />
PEQUENO PRODUTOR DE LEITE<br />
APLICA NOVAS TÉCNICAS DE PRODUÇÃO E GESTÃO E<br />
RESULTADO APARECE NO BOLSO<br />
A bovinocultura de leite e sua cadeia produtiva é uma atividade que desponta na economia tocantinense com<br />
grande potencial para geração de empregos no meio rural e urbano, além de aumentar a renda do produtor e fixar<br />
o homem no campo. O Tocantins em 2016 ocupou a 14ª posição no ranking brasileiro e se apresentou como o 3º<br />
maior produtor de leite da região Norte com uma produção anual de 385 milhões de litros de um total de 528 mil<br />
vacas e produtividade/vaca/ano de 730 litros (E<strong>MB</strong>RAPA, 2017).<br />
Podem-se citar as principais<br />
deficiências existentes e que precisam<br />
ser modificadas: tradicionalismo<br />
na exploração da atividade,<br />
pouco conhecimento de novas tecnologias<br />
sobre a produção de leite,<br />
instalações sanitárias precárias, prática<br />
alimentar rudimentar, problemas<br />
nas áreas de reprodução que<br />
supostamente estão relacionados ao<br />
manejo inadequado, baixa qualidade<br />
do leite, baixa qualidade genética<br />
dos rebanhos, e ainda, falta de conhecimento<br />
sobre gerenciamento da<br />
atividade.<br />
Diante desse quadro o Serviço<br />
Brasileiro de Apoio as Micro<br />
e Pequenas Empresas (SEBRAE)<br />
vem trabalhando e desenvolvendo<br />
um projeto de inovação, difusão e<br />
transferência de tecnologias para<br />
produção intensiva de leite baseado<br />
na capacitação de produtores. O<br />
projeto utiliza conceitos de produção<br />
intensiva de leite a pasto e também<br />
a aplicação de ferramentas de<br />
gestão que busquem a melhoria da<br />
produtividade e da rentabilidade dos<br />
produtores, garantindo competitividade<br />
e qualidade com foco na intensificação<br />
da produção e da sustentabilidade<br />
econômica, ambiental e<br />
social visando à redução dos custos,<br />
aumento da produtividade, a elevação<br />
do nível de renda e a melhoria<br />
da qualidade de vida do produtor.<br />
Nesse projeto participam<br />
diversos produtores e tem se destacado<br />
o Senhor <strong>Ed</strong>is Gualberto<br />
da Silva, proprietário do Sítio Pé da<br />
Serra, onde tem apresentado bons<br />
resultados a partir do trabalho de<br />
consultoria que vem recebendo em<br />
sua propriedade nos últimos anos.<br />
O Sítio é uma pequena propriedade<br />
localizada no município<br />
de Araguaína/TO, precisamente no<br />
povoado Água Amarela a 6 km da<br />
sede do município e desde 2010 o<br />
produtor desenvolve a atividade leiteira<br />
que gera uma renda para o sustento<br />
da família.<br />
No início a propriedade era<br />
caracterizada por um sistema extensivo<br />
com pastagens degradadas, sem<br />
reserva estratégica de volumoso<br />
para o período de seca, sem suplementação,<br />
sem os devidos cuidados<br />
sanitários, sem manejo reprodutivo<br />
adequado, rebanho desestruturado<br />
e produtividade baixa. A produção<br />
inicial era de 50 litros diários de um<br />
total de 9 vacas em lactação que gerava<br />
uma renda bruta mensal de R$<br />
1.380,00 e com muita dificuldade o<br />
produtor lutava para permanecer na<br />
atividade. Foi a partir do ano 2013<br />
que a propriedade “tomou” novos<br />
rumos através da consultoria gerencial<br />
e tecnológica do SEBRAE,<br />
onde foi planejado e executado um<br />
projeto para a fazenda que aplicou<br />
Área implantada de capim Mombaça<br />
Área de cochos de suplementação do rebanho<br />
Vacas suplementadas no cocho com cana de açúcar<br />
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Indicadores<br />
Unidade<br />
Período<br />
Início (2013) Atual (2017)<br />
Área utilizada ha 10 10<br />
Produção média diária l/dia 50 204<br />
Vacas em lactação cab 9 11<br />
Vacas secas cab 7 5<br />
Vacas totais cab 16 16<br />
Produção por vaca em lactação l/dia 5,5 18,5<br />
Renda bruta mensal com venda de leite R$ 1.380,00 5.630,00<br />
Despesas operacionais + investimento R$ 731,00 2.870,00<br />
Fluxo de caixa mensal (saldo) R$ 649,00 2.760,00<br />
Vacas lactação por área VL/há 0,9 1,1<br />
Produtividade da terra l/há/ano 1.825 7.446<br />
Quadro 1: Resumo dos índices econômicos e zootécnicos do Sítio Pé da Serra<br />
conceitos de produção intensiva e<br />
de gestão econômica e zootécnica.<br />
O trabalho de consultoria<br />
foi iniciado com a implantação de<br />
planilhas de controle gerencial e<br />
zootécnico para melhor gestão dos<br />
dados e informações, além disso,<br />
foi realizada a transferência de um<br />
pacote de conhecimentos e tecnologias<br />
que compreenderam um<br />
conjunto escalonado e articulado de<br />
técnicas de produção. As primeiras<br />
medidas implantadas foi a produção<br />
de alimento em quantidade e<br />
qualidade para o rebanho com a implantação<br />
de uma área de 0,5 ha de<br />
capim Mombaça rotacionado para<br />
uso no período das águas (novembro<br />
a maio) e uma área de cana de<br />
açúcar de 1,0 ha para suplementação<br />
volumosa no período de seca (junho<br />
a outubro). Ao mesmo tempo o produtor<br />
foi selecionando o rebanho de<br />
vacas através do descarte de animais<br />
improdutivos e aquisição de outros<br />
de melhor produção. A partir desse<br />
momento o produtor começou a<br />
entender a importância de manejar<br />
as pastagens e com volumoso de<br />
qualidade dividiu as vacas em lotes,<br />
segundo sua produção e período de<br />
lactação para o arraçoamento.<br />
Devido a intensa participação<br />
do produtor na administração<br />
e na consultoria pode-se observar<br />
através do quadro 1 a evolução da<br />
propriedade nesses últimos anos de<br />
trabalho. O quadro mostra uma evolução<br />
na produção de leite saindo de<br />
50 para 204 litros diários o que proporcionou<br />
um aumento significativo<br />
da renda da propriedade de R$<br />
1.380,00 para R$ 5.630,00/mês. Em<br />
relação às despesas houve aumento<br />
considerável do custeio e do investimento<br />
passando de R$ 731,00 para<br />
R$ 2.870,00/mês devido as maiores<br />
despesas operacionais para manter<br />
o negócio, como concentrados,<br />
energia e adubação. O fluxo de caixa<br />
(saldo) apresentou um aumento<br />
significativo passando de R$ 649,00<br />
para R$ 2.760,00/mês. Com o processo<br />
de intensificação das áreas de<br />
produção das pastagens a produtividade<br />
da terra saltou de 1.825 para<br />
7.446 litros por hectare/ano mostrando<br />
que o uso eficiente da terra e<br />
da produção animal é determinante<br />
nos resultados.<br />
As mudanças realizadas<br />
para alcançar os resultados foram<br />
na gestão econômica e zootécnica<br />
da propriedade onde o produtor<br />
passou a anotar dados relativos a<br />
produção individual das vacas do<br />
rebanho, partos, cios e coberturas,<br />
despesas e receitas da atividade com<br />
objetivo de melhor controle e tomada<br />
de decisão do negócio. A partir<br />
de um diagnóstico socioeconômico<br />
foi possível conhecer a realidade de<br />
produção de leite e da família para<br />
elaboração de um planejamento da<br />
propriedade de acordo com as condições<br />
financeiras e de mão obra do<br />
produtor.<br />
O trabalho de consultoria<br />
no Sítio Pé da Serra promoveu uma<br />
mudança na forma de produzir leite,<br />
pois o produtor entendeu que o<br />
controle e a administração eficiente<br />
da propriedade juntamente com a<br />
inserção de novas tecnologias produtivas<br />
é fundamental para “ganhar<br />
dinheiro” com a atividade. O objetivo<br />
da propriedade para 2018 é alcançar<br />
350 litros/dia e para isso o produtor<br />
está ampliando a área de cana<br />
de açúcar de 1,2 para 3 ha que será<br />
utilizada no período de seca e fornecida<br />
ao rebanho sob forma de silagem,<br />
aquisição de oito vacas e uma<br />
ordenhadeira balde ao pé e com o<br />
apoio da esposa e o filho o produtor<br />
sonha alcançar o objetivo final de<br />
produção de 500 litros de leite/dia.<br />
Atualmente o Senhor <strong>Ed</strong>is<br />
Gualberto da Silva é reconhecido<br />
pelo trabalho diferenciado que faz<br />
na região devido a sua simplicidade,<br />
persistência e por ser um típico produtor<br />
de leite da agricultura familiar<br />
que conduz a atividade com sua esposa<br />
e filho.<br />
Avaliação e planejamento de ações da propriedade<br />
32<br />
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Bezerras resultado do trabalho de Inseminação Artificial<br />
Pesagem de bezerras
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Pedro Henrique Rezende de Alcântara,<br />
Zootecnista MSc<br />
Embrapa Pesca e Aquicultura<br />
pedro.alcantara@embrapa.br<br />
SUPLEMENTAÇÃO<br />
A BUSCA PELA<br />
EFICIÊNCIA<br />
NA BOVINOCULTURA DE CORTE<br />
A pecuária de corte brasileira é praticada majoritariamente a pasto, isso não é novidade para ninguém. Porém,<br />
o que nem todos sabem é que nas últimas duas décadas a pecuária brasileira experimentou um aumento de<br />
produtividade superior a 100% (Abiec, 2016). Esse aumento de produtividade permitiu elevar a nossa produção de<br />
carne e ao mesmo tempo reduzir cerca de 20 milhões de ha no mesmo período. Ou seja, aumentar a produtividade<br />
reduz a pressão sobre áreas de mata nativa, é o chamado efeito poupa terra. Diante deste cenário, resta a dúvida:<br />
como aumentar a eficiência e a rentabilidade do meu sistema de produção de gado de corte a pasto?<br />
AUMENTO DA PRODUTIVIDADE<br />
EM SISTEMAS A PASTO<br />
A grosso modo, temos duas<br />
ferramentas muito eficientes para<br />
aumento da produtividade a pasto:<br />
manejo da pastagem (notadamente<br />
adubação e pastejo) e a suplementação<br />
alimentar. Estas tecnologias<br />
isoladamente ou associadas causam<br />
grande impacto na rentabilidade dos<br />
sistemas de produção de carne a pasto,<br />
quando bem aplicadas. Há de se<br />
atentar para o fato de que a adoção<br />
de novas tecnologias, especialmente<br />
aquelas que envolvem custo, deve<br />
ser orientada por um consultor técnico<br />
experiente e competente. Caso<br />
isso não seja respeitado, corre-se o<br />
risco de piorar o resultado econômico<br />
da fazenda.<br />
No Brasil Central, observamos<br />
características muito distintas<br />
entre as estações do ano. Os pastos<br />
apresentam uma variação elevada<br />
quanto à produção e qualidade<br />
da forragem produzida ao longo<br />
do ano. No período chuvoso temos<br />
alta produção de matéria seca<br />
(MS) de boa qualidade nutricional<br />
(se bem manejado). Por sua vez, no<br />
período seco a produção de MS é<br />
praticamente nula e nota-se queda<br />
brusca da qualidade nutricional da<br />
forragem. Mesmo dentro da estação<br />
chuvosa ou seca, observamos variações<br />
nessas características das pastagens<br />
destacando os períodos de<br />
transição seca/águas e águas/seca.<br />
Além disso, a depender do manejo<br />
de pastagem utilizado podemos ter<br />
respostas diversas na produção e valor<br />
nutricional das forrageiras. Uma<br />
vez que a suplementação é utilizada<br />
para suprir as deficiências nutricionais<br />
das pastagens, devemos adaptar<br />
a estratégia de suplementação de<br />
acordo com as características das<br />
pastagens.<br />
<strong>34</strong><br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
O QUE CONSIDERAR NO<br />
PLANEJAMENTO<br />
DA SUPLEMENTAÇÃO?<br />
Passo fundamental para o<br />
sucesso de um programa de suplementação<br />
o planejamento deve ser<br />
feito com antecedência. Na seca, deve-se<br />
planejar a suplementação para<br />
as águas e vice-versa. Isso permite a<br />
compra de insumos (grãos e minerais)<br />
em períodos estratégicos, reduzindo<br />
o custo.<br />
Ainda na fase de planejamento<br />
é necessário conhecer quais<br />
serão as categorias suplementadas e<br />
qual o desempenho desejado considerando<br />
o custo benefício da suplementação.<br />
As exigências nutricionais<br />
para ganho são pouco alteradas<br />
em função da estação do ano. Assim<br />
sendo, a composição da pastagem<br />
será o determinante das características<br />
do suplemento a ser utilizado,<br />
independente se você está nas<br />
águas ou na seca. Como conhecer<br />
essa composição? Realizando análises<br />
bromatológicas periódicas do<br />
pasto. É possível no campo observar<br />
pastos diferidos ou oriundos de<br />
integração lavoura pecuária na seca<br />
com qualidade nutricional superior<br />
a pastos mal manejados nas águas.<br />
Portanto, não é possível determinar<br />
a suplementação baseado apenas na<br />
estação do ano.<br />
QUAL TIPO DE<br />
SUPLEMENTAÇÃO UTILIZAR?<br />
Detmann et al. (2010) analisaram<br />
dados de diversos experimentos<br />
em pastos tradicionais (sem<br />
adubação nitrogenada) nas águas e<br />
observaram um déficit de proteína<br />
na dieta de animais em recria e terminação.<br />
Se considerarmos um animal<br />
em recria com ganho de peso<br />
desejado de 1,0 kg/dia, a relação nutrientes<br />
digestíveis totais/proteína<br />
bruta é de aproximadamente 5,33<br />
(Valadares-Filho, 2016). Observando<br />
dados de composição de pastagens<br />
nas águas (Tabela 1) observamos<br />
déficit proteico. Nessa situação<br />
a suplementação proteica, provavelmente,<br />
trará incrementos de produtividade.<br />
Alimento NDT (%) PB (%) Relação NDT:PB<br />
Andropogon 53,56 7,16 7,48<br />
Mombaça 59,00 10,15 5,81<br />
Massai 41,19 7,49 5,50<br />
Marandu 63,73 9,53 6,69<br />
Colonião 50,80 8,18 6,21<br />
Capim elefante 50,35 7,00 7,19<br />
Tifton 68 55,55 13,40 4,15<br />
Alimento NDT (%) PB (%) Relação NDT:PB<br />
Andropogon 53,56 7,16 7,48<br />
Mombaça 59,00 10,15 5,81<br />
Massai 41,19 7,49 5,50<br />
Marandu 63,73 9,53 6,69<br />
Colonião 50,80 8,18 6,21<br />
Capim elefante 50,35 7,00 7,19<br />
Tifton 68 55,55 13,40 4,15<br />
Fonte: Adaptado de Valadares-Filho et al. (2017).<br />
Se considerarmos um sistema<br />
de produção intensivo a pasto,<br />
no qual são realizadas adubações<br />
periódicas, a qualidade nutricional<br />
da pastagem apresenta alto valor nutricional,<br />
especialmente teor de proteína<br />
bruta (Tabela 2). Nesse caso,<br />
a deficiência passa a ser energética,<br />
portanto, as características do suplemento<br />
devem ser adequadas para<br />
aproveitar o potencial proteico do<br />
capim. De que forma? Trabalhando<br />
com suplementos energéticos. Um<br />
estudo realizado por Dórea e Santos<br />
(2015) demonstrou experimentalmente<br />
esta assertiva, ao comparar<br />
estudos que envolveram 2.591 animais.<br />
Concluiu-se que em forragem<br />
de alta qualidade (PB >= 11,4%),<br />
não há efeito da suplementação proteica.<br />
Pastagem NDT (%) PB (%) Relação NDT:PB<br />
Mombaça 59,00% 13,03% 4,53<br />
Marandu 63,73% 13,65% 4,67<br />
Colonião 50,80% 16,30% 3,12<br />
Capim elefante 50,35% 17,30% 2,91<br />
Tifton 68 55,55% 22,10% 2,51<br />
Pastagem NDT (%) PB (%) Relação<br />
Fonte: Adaptado de Valadares-Filho et al. (2017) e<br />
Santos e Dórea (2013).<br />
Mombaça 59,00% 13,03% 4,5<br />
Marandu 63,73% 13,65% 4,6<br />
TROCANDO EM MIÚDOS<br />
Colonião 50,80% 16,30% 3,1<br />
A suplementação alimentar<br />
de animais a pasto é uma ferramenta<br />
essencial para a intensificação dos<br />
sistemas de produção de carne. Não<br />
se recomenda ao produtor implantar<br />
um programa de suplementação<br />
alimentar sem orientação de um técnico<br />
especializado, isso pode gerar<br />
custos que não sejam superados pelos<br />
ganhos oriundos dessa tecnologia.<br />
Seguindo os critérios adequados<br />
o produtor tem muito a ganhar com<br />
o uso da suplementação a pasto.<br />
Capim elefante 50,35% 17,30% 2,9<br />
Tifton 68 55,55% 22,10% 2,5<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017<br />
35
Danilo Figueiredo<br />
Zootecnista<br />
danilomarfigueiredo@gmail.com<br />
ECONOMIA RURAL<br />
AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA AUMENTO DA<br />
PRODUÇÃO PECUÁRIA<br />
DEVEM ESTAR INTERLIGADAS EM UM ÚNICO PROJETO, SOMENTE ASSIM A<br />
ATIVIDADE PODE SER COMPARADA ÀS MAIS RENTÁVEIS DO CAMPO<br />
Há 40 anos atrás o pecuarista brasileiro tinha como referência de eficiência na produtividade a capacidade de<br />
abertura de novas áreas e a consolidação das fazendas de gado em regiões de expansão. As propriedades eram valorizadas<br />
pelas aguadas naturais, índice pluviométrico e logística, essa última na maioria das vezes viabilizada pelo<br />
próprio produtor ou por um conjunto de produtores interessados em desenvolver uma determinada região, sem<br />
ação efetiva do estado. Paralelo a esse despertar econômico do setor, a pecuária brasileira desenvolveu de maneira<br />
peculiar a sua genética, nutrição, manejo e sanidade, com profissionalismo necessário para nos levar aos dias de<br />
hoje, onde somos reconhecidos como gigantes mundiais na produção de proteína animal.<br />
O tempo correu, as terras<br />
valorizaram de acordo com sua aptidão<br />
e a logística passou a ser uma<br />
necessidade não só dos produtores,<br />
mas também do estado. O Brasil<br />
apresentou novas áreas para exploração<br />
e junto a elas particularidades<br />
climáticas, de solo e relevo que<br />
passaram a redesenhar a pecuária<br />
de acordo com as condições oferecidas<br />
pelo país continental. Contudo,<br />
alguns parâmetros do negócio<br />
pecuário formaram interseções importantes<br />
para análise da viabilidade<br />
econômica da atividade. O pecuarista<br />
desbravador do passado se vê na<br />
obrigação de enxergar sua propriedade<br />
em números. A agricultura ensinou<br />
uma nova forma de avaliação<br />
da produtividade por área efetiva de<br />
produção, e além de plantar tecnologia<br />
no campo, plantou também uma<br />
grande interrogação nos modelos de<br />
produção pecuária de vanguarda.<br />
Quantas arrobas produzo<br />
por hectare de área aberta? Qual o<br />
custo da arroba produzida? Qual<br />
margem de lucro real é deixada pela<br />
atividade? Daí em diante o produtor<br />
passa a entender a “Intensificação<br />
da pecuária” como modelo capaz de<br />
andar junto ao crescimento tecnológico<br />
da lavoura e obter níveis de<br />
retorno compatíveis com o uso máximo<br />
da terra.<br />
Visão Estratégica:<br />
Tempo/Área Efetiva das Pastagens/Sazonalidade<br />
de Produção do<br />
Capim. A permanecia do animal na<br />
fazenda, seja bezerro ou garrote, determina<br />
o nível de investimento necessário<br />
para transformá-lo em boi<br />
gordo e consequentemente a taxa<br />
de retorno do investimento. Essa<br />
categoria animal deve ser encarada<br />
como ativo circulante de capital,<br />
36<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
portanto, o tempo gasto para realização<br />
da venda do animal terminado<br />
será determinante das margens<br />
de lucro vindouras.<br />
Considerando que a recria<br />
deve ter como meta o desenvolvimento<br />
de pelo menos o dobro das<br />
arrobas compradas, ou seja, levar<br />
um bezerro de 6@ comprado com<br />
ágil (valor variável) para no mínimo<br />
12@, o cálculo do custo da arroba<br />
produzida na recria estará estritamente<br />
relacionado ao tempo de permanência<br />
do animal nessa fase.<br />
A variação dos resultados de<br />
campo é enorme e reflete o modelo<br />
adotado pelo criador, mas a recria<br />
feita em ciclo curto (como base de<br />
regra de 8 a 14 meses em sistemas<br />
intensivos ou semi intensivos), entrega<br />
o garrote para a engorda com<br />
seu custo de compra diluído, trazendo<br />
o custo final do animal recriado<br />
de 12 a 14@ para patamares mais<br />
adequados à saúde financeira do sistema.<br />
Vale ressaltar que o sistema de<br />
produção adotado é determinante<br />
para o resultado de ganho de peso,<br />
mas no sistema tradicional que não<br />
está em discussão aqui, experimentamos<br />
permanências de até 2 anos<br />
dos animais na fase de recria, com<br />
ganhos entre 3 e 4 arrobas por ano,<br />
transformando o capital de giro em<br />
praticamente ativo fixo, com pouca<br />
mobilidade e de baixo rendimento.<br />
Após analisamos o fator tempo, os<br />
outros dois fatores nos remetem ao<br />
entendimento global da atividade<br />
pecuária quando necessitamos de<br />
eficiência do uso da terra e do capital<br />
que dispomos, sendo eles a aérea<br />
efetiva de pastagem e a sazonalidade<br />
de produção do capim.<br />
Quando analisamos a área<br />
efetiva das pastagens buscamos entender<br />
a capacidade de produção de<br />
forragem previamente calculada, logicamente<br />
de acordo com nível de<br />
investimento aplicado nessa pastagem,<br />
que aponta o suporte de peso<br />
vivo animal que cabe na área e que<br />
sustente os ganhos de peso esperados.<br />
Concluímos então que a capacidade<br />
suporte de uma propriedade<br />
possui um único limitador, o tamanho<br />
da área; os outros aspectos de<br />
variação, sistema pastoril (capins de<br />
alta produção, tamanho dos pastos,<br />
pastejo alternado, rotacionado e etc)<br />
e lotação em cabeças por hectare<br />
(depende do peso animal inserido<br />
no sistema), são variáveis que conseguimos<br />
interferir e moldar estrategicamente<br />
o sistema para máxima<br />
capacidade de exploração.<br />
Já a sazonalidade de produção<br />
das forragens é um fator não negociável<br />
com a natureza, a não ser que<br />
implementemos um sistema de irrigação,<br />
que tem custo elevado e manejo<br />
complexo, não questionando<br />
aqui a sua viabilidade. Devemos extrair<br />
desse raciocínio que o principal<br />
fator determinante da capacidade<br />
de lotação das nossas propriedades<br />
são os meses onde os animais consomem<br />
o estoque de forragem sem<br />
reposição natural da mesma, ou seja,<br />
o período de seca.<br />
Além do período de estiagem<br />
que normalmente é definido,<br />
esbarramos no momento crítico<br />
da seca que compreende, com variações<br />
específicas de acordo com<br />
a região, o período final da estação<br />
seca, meados de setembro e outubro<br />
e com o início do período chuvoso<br />
em meados a final de novembro.<br />
Nesse período, o peso ideal<br />
de gado nas pastagens deve ser o<br />
menor possível, pois devemos permitir<br />
que as pastagens se reestabeleçam<br />
com vigor e volume, ao mesmo<br />
tempo que não ocorram perdas de<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017<br />
37
produção dos animais. Estabelecemos<br />
então a base de lotação da propriedade,<br />
demonstrado no gráfico.<br />
Todo pensamento do produtor durante<br />
o ano está voltado exatamente<br />
para esse período, quando seu negócio<br />
aparenta fragilidade e alto risco.<br />
Porém, esse modelo induz a perdas<br />
de capim no restante do ano, necessidade<br />
de implantar taxa variável de<br />
lotação e processos de gestão complexos<br />
como compra, venda, aquisição<br />
de alugueis, deslocamentos e<br />
outras ações que resultam em custos<br />
extras.<br />
Modificar esse processo<br />
para manter altas lotações com produção<br />
elevada e convivendo com a<br />
sazonalidade de produção das forragens<br />
é o nosso maior desafio, e estabelece<br />
novos números dentro das<br />
propriedades que buscam alternativas<br />
de aumento da produção.<br />
Sabendo ser impossível retirar<br />
os meses de transição e baixa<br />
produção de forragem do nosso<br />
ano agrícola, nos cabe implementar<br />
alternativas que reduzam ou anulam<br />
as influências negativas dessa fase.<br />
Intensificar a pecuária somente a<br />
pasto pode ser um tiro errado se não<br />
pensarmos na estratégia para esse<br />
período. Portanto, o aproveitamento<br />
intensivo das pastagens deve ter um<br />
direcionamento para o acabamento<br />
também intensivo e rápido, que<br />
consiga absorver toda a produção e<br />
desempenho do período das águas e<br />
transformá-la em receita no decorrer<br />
do mesmo ano. As técnicas de<br />
acabamento, seja em confinamento<br />
ou qualquer outra modalidade, propiciam<br />
o encaixe das engrenagens<br />
trabalhando em velocidade compatível<br />
para o desenvolvimento equilibrado<br />
do projeto pecuário intensificado.<br />
O principal ponto de entendimento<br />
para que o confinamento<br />
seja utilizado como ferramenta de<br />
produção atuante e que interfere em<br />
todas as bases da propriedade, é o<br />
fato de não mais existir animais nos<br />
pastos em fase de acabamento na<br />
fazenda, quando a relação peso dos<br />
animais e área ocupada força para<br />
a diminuição do número de cabeças<br />
alojadas por hectare. Compreendendo<br />
melhor essa matemática,<br />
uma propriedade que mantém mil<br />
cabeças em recria e engorda a pasto,<br />
possui aproximadamente 30% desse<br />
rebanho na fase de acabamento com<br />
peso médio acima de 450 kg, ou<br />
seja, uma unidade animal (UA) alojada<br />
no pasto de engorda, enquanto<br />
na recria, com peso médio de 300 kg<br />
por animal, teremos 1,5 animais alojados<br />
para compor o mesmo peso<br />
do animal em acabamento na mesma<br />
área.<br />
Isso representa aumento<br />
de lotação em cabeças por volta<br />
de 50% sob o rebanho de engorda.<br />
O perfil da fazenda passa a ter<br />
somente animais leves por unidade<br />
de área na recria, nos remetendo a<br />
entender que se não temos animais<br />
pesados nos pastos, e sim em confinamento,<br />
a área de pastagem efetiva<br />
da propriedade passa a alojar mais<br />
animais, que serão preparados para<br />
atingir entre 12 e 14@ no menor<br />
período de tempo possível e serão<br />
encaminhados para terminação em<br />
confinamento, semi confinamento<br />
ou confinamento a pasto. Consideramos<br />
que qualquer uma dessas<br />
técnicas vai minimizar ou excluir<br />
totalmente a necessidade de pastejo<br />
por parte dos animais devido a suplementação<br />
para terminação que<br />
os animais irão receber.<br />
Contextualizando a discussão,<br />
implantamos novas e vigorosas<br />
pastagens utilizando variedades de<br />
capim que estão sendo desenvolvidos<br />
para aumento da produtividade<br />
e suporte animal cada vez maior<br />
das áreas. Promovemos subdivisões<br />
dos pastos e implantamos sistemas<br />
rotacionados para pastejo intensivo<br />
aumentando ainda mais a capacidade<br />
de lotação da fazenda. Tudo isso<br />
a partir de um rebanho construído<br />
com rigor genético e sanitário para<br />
máximo desempenho, dentro de um<br />
sistema que atinge elevados níveis de<br />
lotação no período de maior disponibilidade<br />
de forragem sem se preocupar<br />
com a sazonalidade de produção<br />
do capim, pois após concluída<br />
a recria em ciclo curto e iniciado o<br />
período seco, encaminharemos os<br />
animais para a fase de conclusão do<br />
projeto.<br />
O confinamento do gado<br />
bem recriado corrige as inversões<br />
de desempenho no período crítico<br />
do ano e desloca a receita da propriedade<br />
para os meses de escassez<br />
no fornecimento de gado gordo<br />
proveniente dos pastos. Promove<br />
melhoria das pastagens permitindo<br />
a implantação do manejo de lotação<br />
com taxa variável na fazenda, sem<br />
alterar a quantidade de gado no estoque<br />
e mantendo as rédeas do negócio<br />
nas mãos do proprietário.<br />
38<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017<br />
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Leonora Duarte<br />
Gerente de Processos da empresa IDEAGRI<br />
leonora.duarte@ideagri.com.br<br />
ECONOMIA E FINANÇAS<br />
Gestão Econômica<br />
versus<br />
Gestão Financeira<br />
Visões diferentes do seu negócio<br />
‘Economia’ e ‘Finanças’ são palavras com certa similaridade no significado e, em várias situações da linguagem<br />
comum, podem ser usadas como sinônimos. Todavia, quando relacionadas à gestão empresarial, elas denominam<br />
situações bastante diferentes. No agronegócio, assim como em qualquer área de atuação, o conhecimento<br />
sobre a diferença na terminologia e no uso de ‘econômico’ e ‘financeiro’ é fundamental para o gestor no sentido<br />
de viabilizar análises sobre a saúde do empreendimento.<br />
Regime de Competência X<br />
Regime de Caixa<br />
‘Regime’ é outra palavra<br />
que, no ambiente da gestão empresarial,<br />
não corresponde à sua usual<br />
definição. ‘Regime de Competência’<br />
e ‘Regime de Caixa’ são fundamentais<br />
no gerenciamento econômico-<br />
-financeiro do negócio. Quando nos<br />
referimos à competência, estamos<br />
falando de controles contábeis que<br />
registram as transações no momento<br />
em que elas acontecem. Já no<br />
regime de caixa, as operações são<br />
computadas quando o dinheiro for<br />
movimentado. No tocante à gestão,<br />
para chegarmos ao resultado financeiro,<br />
utilizamos o regime de caixa,<br />
registrando as movimentações na<br />
Demonstração do Fluxo de Caixa<br />
(DFC). O resultado econômico é<br />
obtido por meio do regime de competência,<br />
registrado na Demonstração<br />
de Resultado de Exercício<br />
(DRE). É fundamental destacar que<br />
um regime não é “melhor” do que<br />
o outro. São perspectivas diferentes.<br />
Formas distintas de compreensão<br />
do desempenho do negócio.<br />
Então, o que é a situação econômica<br />
do empreendimento?<br />
É, portanto, a situação contábil,<br />
isto é, o lucro ou o prejuízo<br />
apurado dentro de um regime de<br />
competência. Uma organização com<br />
ótima situação econômica possui<br />
grande quantidade de bens e direitos,<br />
que constituem seu patrimônio.<br />
O gestor precisa avaliar periodicamente<br />
os resultados contábeis da<br />
empresa para entender se o negócio<br />
está dando lucro ou prejuízo e avaliar<br />
a dimensão efetiva do patrimônio,<br />
do ativo e do passivo.<br />
E a situação financeira?<br />
Está relacionada ao caixa<br />
da empresa. Diz respeito aos rendimentos<br />
e às despesas que a organização<br />
apresenta ao longo de um<br />
determinado período, isto é, seu orçamento,<br />
que pode ser positivo ou<br />
negativo. Se a empresa tem recursos<br />
40<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
disponíveis para cobrir suas obrigações<br />
mais urgentes e as contas a<br />
pagar do período, a saúde financeira<br />
está boa. Contudo, se a empresa não<br />
conta com recursos suficientes ou<br />
acessíveis para honrar seus compromissos<br />
naquele momento, a saúde<br />
financeira não vai bem.<br />
Por que a análise de ambas as<br />
situações é importante para a<br />
gestão do negócio?<br />
Porque o negócio pode apresentar<br />
uma ótima situação econômica,<br />
sem ter uma situação financeira<br />
positiva. Como? Contando como<br />
certo, por exemplo, o recurso de<br />
muitas vendas realizadas, mas negociadas<br />
para recebimento parcelado.<br />
Nesse cenário, se os clientes ficarem<br />
inadimplentes (não havendo entrada<br />
de recursos) e, para piorar, havendo<br />
muitas despesas a serem honradas<br />
no momento, a saúde financeira<br />
será bem ruim. Em resumo, a empresa<br />
pode ter direitos a receber que<br />
não se concretizem como planejado<br />
e ter muitas obrigações sem ter dinheiro<br />
suficiente para saldá-las.<br />
• No exemplo acima, várias ações<br />
gerenciais podem ser realizadas<br />
no sentido de mitigar tais riscos,<br />
tais como: medidas contra<br />
a inadimplência, como um<br />
acompanhamento próximo e<br />
ações de incentivo à quitação<br />
de dívidas por parte dos clientes<br />
(como programas de fidelidade,<br />
descontos ou novos parcelamentos);<br />
planejamento das<br />
aquisições por meio do corte de<br />
custos; revisão da prioridade das<br />
aquisições; e negociação da forma<br />
de pagamento e dos prazos<br />
junto a fornecedores.<br />
De outro modo, pode-se encontrar<br />
uma empresa com situação<br />
financeira positiva e situação econômica<br />
ruim, quando, por exemplo, há<br />
dinheiro para pagar as obrigações<br />
do período, mas o ativo da entidade<br />
está em baixa ou existem muitas<br />
dívidas de empréstimos a serem<br />
quitadas no curto ou médio prazos.<br />
A empresa pode ter também um estoque<br />
enorme (ou seja, excesso de<br />
capital imobilizado), contudo ter um<br />
baixo volume de vendas. Ainda nesse<br />
cenário, o negócio pode estar com<br />
um bom fluxo de dinheiro (pagando<br />
e recebendo todas as contas em dia),<br />
mas observando uma rápida depreciação<br />
dos seus ativos e percebendo<br />
uma situação insustentável a médio<br />
prazo. Ou seja, saúde financeira boa,<br />
mas econômica ruim.<br />
• Melhorar as decisões de financiamento,<br />
controlar os ativos<br />
em estoque de forma eficiente<br />
ou criar oportunidades de vendas<br />
(ações de marketing, campanhas,<br />
acionamento de redes de<br />
contatos, etc.) são algumas das<br />
opções para que o gestor atue<br />
nas circunstâncias acima exemplificadas.<br />
Qualquer que seja a situação,<br />
planejamento e gestão qualificada<br />
são essenciais. Para manter as<br />
esferas financeira e econômica da<br />
organização equilibradas, é necessário<br />
contar com processos gerenciais<br />
adequados, seja no que tange às informações<br />
contábeis e no que se refere<br />
ao fluxo monetário.<br />
Que tal visualizar a questão em<br />
um exemplo prático?<br />
A análise das entradas e saídas<br />
de dinheiro é de uso comum no<br />
rotina dos gestores. Isto é, o fluxo<br />
de caixa é uma ferramenta amplamente<br />
aplicada no gerenciamento.<br />
Mas e a parte econômica? Devemos<br />
deixá-la exclusivamente para a análise<br />
após a contabilização dos documentos<br />
(procedimento normalmente<br />
realizado por um contador)? Ou<br />
podemos gerenciar as informações<br />
atuais de forma efetiva e alimentando<br />
ainda o planejamento das ações<br />
futuras?<br />
Organização no registro<br />
dos dados<br />
Um ponto fundamental<br />
para que os resultados sejam confiáveis<br />
é a organização dos dados na<br />
“alimentação” das planilhas ou sistema<br />
informatizado. Quando registramos,<br />
por exemplo, uma nota fiscal<br />
de compra, é importante atentar<br />
para aspectos básicos:<br />
EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017<br />
41
• O item adquirido será aplicado<br />
em que processo? Uma forma<br />
de organizar os processos é por<br />
centro de custos. Esses podem<br />
ser produtivos (isto é, terão<br />
despesas, mas também serão<br />
responsáveis pelo recebimento<br />
de faturamento) ou rateados (ou<br />
seja, processos que não geram<br />
receita, mas são fundamentais<br />
para o funcionamento do<br />
negócio).<br />
• O item adquirido não será aplicado<br />
em nenhum processo e,<br />
por isso, vai para o estoque?<br />
Neste caso, também é importante<br />
atentar para a gestão do<br />
estoque em si, isto é, por meio<br />
do inventário do estoque e do<br />
controle das entradas e saídas<br />
dos itens.<br />
• Além da definição da aplicação<br />
do item em algum processo ou<br />
da sua estocagem, deve-se classificar<br />
o seu tipo. Para tal, recomenda-se<br />
que o gestor adote<br />
um plano de contas gerencial<br />
adequado ao seu ramo de atividade.<br />
Tal classificação irá proporcionar<br />
análises econômicas<br />
essenciais para a apuração dos<br />
custos e facilitará o repasse de<br />
informações para o responsável<br />
pela contabilidade da atividade.<br />
• No registro da compra, os dados<br />
financeiros alimentam o<br />
fluxo de caixa da atividade. Qual<br />
é o fornecedor do item? Qual o<br />
valor total? Como foi definida<br />
a forma de pagamento? Houve<br />
parcelamento ou desconto?<br />
A partir desses dados, o<br />
gestor deve controlar informações<br />
posteriores, tais como a data de<br />
compensação do pagamento,<br />
possíveis multas por pagamento em<br />
atraso ou desconto por pagamento<br />
adiantado, etc.<br />
• A partir das atividades de organização<br />
acima, é possível visualizar<br />
a gestão econômica e a<br />
gestão financeira na prática. Vejamos<br />
um exemplo: aquisição de<br />
concentrado suplementar no valor<br />
de R$ 10.000,00 em janeiro.<br />
• Gestão econômica: o item adquirido<br />
foi integralmente utilizado<br />
no centro de custos ‘Pecuária<br />
Leiteira’. Isto é, o custo de<br />
produção foi impactado em R$<br />
10.000,00 no mês de aplicação<br />
do item (regime de competência).<br />
Para fins de análise da composição<br />
do custo de produção,<br />
o gasto foi classificado como 3.<br />
Despesa / 01. Insumos Pecuária<br />
/ 01. Alimentação Do Rebanho<br />
/ 01. Concentrado Protéico.<br />
• Gestão financeira: a compra<br />
foi dividida em 2 parcelas a partir<br />
do mês subsequente ao mês<br />
de aquisição. Ou seja, o fluxo<br />
de caixa terá duas saídas de R$<br />
5.000,00 nos meses de fevereiro<br />
e março (regime de caixa).<br />
A organização dos registros,<br />
seja para despesas ou para receitas, é<br />
indicada não apenas para o que já foi<br />
realizado, mas também para o planejamento<br />
(projeção) das movimentações<br />
futuras. O uso de um sistema<br />
informatizado pode facilitar bastante<br />
nesta questão ao permitir a réplica<br />
de uma despesa ou receita (automatizando<br />
o lançamento), garantindo a<br />
edição do registro (caso haja alguma<br />
alteração), sem que a informação do<br />
PREVISTO X REALIZADO seja<br />
perdida. Este é o conceito do planejamento<br />
orçamentário, que é uma<br />
ferramenta de grande relevância<br />
para a eficiência do gerenciamento<br />
econômico-financeiro.<br />
Dicas para melhorar o resultado<br />
do seu negócio<br />
Fator tempo<br />
Não esqueça de considerar<br />
o tempo. Quando os clientes realizarão<br />
o pagamento? Quanto tempo<br />
geralmente leva para um cliente<br />
pagar pelos produtos ou serviços?<br />
Quando sua empresa paga suas contas?<br />
Lembre-se de que cada real que<br />
você não possui pode prejudicar<br />
suas operações. Por isso, antecipe-se<br />
e saiba quando os pagamentos serão<br />
efetuados e as vendas recebidas. Tenha<br />
atenção com os prazos médios<br />
de pagamento e de recebimento.<br />
Planeje-se!<br />
Fator risco<br />
Prepare-se para emergências<br />
mantendo em caixa um dinheiro suficiente<br />
para cobrir as despesas por<br />
pelo menos um mês. Infelizmente,<br />
situações inesperadas acontecem e a<br />
gestão de riscos está aí para mitigar<br />
isso. Se necessário, crie contas de<br />
provisões para cada fim específico.<br />
Fator planejamento<br />
Faça um bom planejamento<br />
de orçamento. Planejar e estimar os<br />
ganhos, despesas e investimentos<br />
que a empresa terá em um período<br />
futuro é o primeiro passo para manter<br />
os lados econômico e financeiro<br />
equilibrados. No entanto, é preciso<br />
manter-se dentro do planejado, para<br />
que o futuro não reserve surpresas<br />
negativas.<br />
Resumindo...<br />
Escolher entre a gestão financeira<br />
ou a gestão econômica está<br />
fora de cogitação. Ambas oferecem<br />
uma perspectiva diferente quanto<br />
ao desempenho do seu negócio. Por<br />
isso, as informações devem ser analisadas<br />
tanto pelo Resultado Financeiro<br />
quanto pelo Resultado Econômico.<br />
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EDIÇÃO <strong>34</strong> | ANO 07 | NOV/DEZ 2017
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