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Revista MB Rural 33

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ARTIGO ESPECIAL: OITO REGRAS DAS FAZENDAS CAMPEÃS. Página 16

EDIÇÃO 33 | ANO 07 | SET/OUT 2017


GRUPO

O Grupo Uniggel aderiu ao Outubro Rosa

Estimulando os colaboradores da empresa e a sociedade em geral especialmente as mulheres a participarem da

prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, o grupo realizou em suas unidades uma manhã de conhecimentos.

Começamos a manhã da sexta-feira, 27 de outubro, realizando várias atividades: Palestra na sede de Palmas com a Dra. Ana Carolina

Rocha - Especialista em Mastologista e Ginecologia; Depoimento da Elizangela Alves 38 anos de idade, que enfrentou recentemente

uma batalha contra o Câncer de Mama; Presença da matriarca do Grupo Uniggel, Dona Maria Inácia, mãe dos Diretores Ronan,

Sérgio e Fausto Garcia. Café da manhã nas sedes de Jataí, Chapadão do Céu/GO e Palmas/TO.

Para a Diretora Betânia Garcia,

“Esta ação é uma preocupação da empresa, que apoia a

causa entre os colaboradores e os clientes. Saúde deve

sempre estar em primeiro lugar”.

““Quando somos diagnosticadas com a doença, nunca

negligenciar, acreditar no tratamento sempre é fundamental,

o câncer tem cura sim, eu estou curada graças a Deus e os

médicos que cuidaram de mim.”

Elizangela Alves

“Parabenizo todas as mulheres da Uniggel Sementes

por aderirem a este movimento de tamanha importância

para a sociedade.”

Dona Maria Inácia, matriarca do Grupo Uniggel Sementes

ESTAMOS TODAS DE ROSA, LACINHOS ROSA, BALÕES ROSAS, E FAZEMOS PARTE DESSA LUTA!

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EDIÇÃO 33 | ANO 07 | SET/OUT 2017

#SomosUNIGGELsementes

SomosOUTUBROROSA


GRUPO

O CENÁRIO DA SOJA NA SAFRA 2017

e os investimentos tecnológicos da Uniggel Sementes

O Grupo Uniggel vem

investindo pesado na certificação de suas

sementes, assegurando e garantindo a

produtividade de seus clientes. A confiança

e a credibilidade são compromissos do

Grupo. No entanto, o cenário Brasileiro

vem enfrentando uma triste realidade; as

sementes piratas e as sementes salvas,

que afetam diretamente os multiplicadores

as obtentoras e principalmente os

produtores, provocam sérios problemas

como a necessidade de ressemeadura e

mau desenvolvimento das plantas, trazendo

grande prejuízos financeiros a todos.

O Diretor Fausto Garcia

alerta: “O mercado de sementes na safra

de 2017, esteve em um dos piores cenários

dos últimos anos. A utilização de sementes

UNIGGEL CONTINUA INVESTINDO EM TECNOLOGIA

NOVO SISTEMA DE RASTREAMENTO DA UNIGGEL SEMENTES

Investindo no monitoramento da produção e

embarque das sementes de soja produzidas

nas UBS’s de forma informatizada, a Uniggel

Sementes desenvolveu e implantou recentemente

o Sistema SIPAR. O Sistema irá

controlar o estoque e expedição das sementes

– da Lagoa da Confusão – TO.

De acordo com o Analista de Sistemas da Uniggel, Wellington

Campos, o projeto piloto tem utilizado o código de barras

bidimensional, conhecido como QRCODE, que além de proporcionar

agilidade, confiança, e transparência nos processos internos

de produção e embarque da semente de soja, possibilita ainda que

seus clientes consultem através do sistema todo o histórico da

semente adquirida na empresa, como: dados do pedido, data do

beneficiamento e laudo completo de boletim do laboratório e

salvas sem respeitar a legislação e a

pirataria aumentaram muito. Um dos

maiores motivos para este acontecimento

é a dificuldade de fiscalização pelos

órgãos responsáveis, o alto custo de

produção aliada a falta de crédito por

parte dos bancos. O agricultor pensando

em cortar custos, acaba optando pela

compra ilegal de sementes no mercado

deixando de lado, a escolha de uma

semente certificada de alta qualidade. Isso

acaba impactando em sua produtividade

na hora da colheita e traz um prejuízo

econômico para todos.

Estima-se que 30% da safra

brasileira 2016/2017 seja proveniente de

sementes piratas. Desde a segunda

quinzena do mês de setembro, a Associação

Brasileira dos Produtores de Sementes

de Soja (Abrass) está empenhada no

combate à pirataria de sementes. Para

acabar com esse mal no setor, a entidade

divulgou a campanha nas redes sociais.

http://abrass.com.br/semente-de-soja/combate-a-pirataria/

Fausto Garcia

data/hora que foi embarcada a semente. Sendo que essa última

informação o cliente é informado através de mensagem de texto –

SMS. A expectativa é que no próximo ano, SAFRA 17/18, o projeto

se estenda para as outras unidades de beneficiamento da empresa

no Chapadão do Céu/GO e Campos Lindos/TO.

Uniggel Sementes um Show de Tecnologia!

Visite nossas unidades e sinta a diferença!

EDIÇÃO 33 | ANO 07 | SET/OUT 2017

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EDITORIAL

Prezados Senhores,

A chuva chegou! E com ela veio a esperança de promover fartura e

alegria para todos nós. Pois traz consigo o início dos plantios da nova

safra, a rebrota das pastagens existentes, a recuperação das matas e

florestas, o renascimento das águas. Com estas bênçãos, também chegou

a “ÉPOCA DE MUDAR DE ATITUDE...”

• De quebrar paradigmas e contradizer o Dr. Fernando Penteado que

escreveu com bastante sabedoria: O Brasil é um país onde as pessoas

acham muito, observam pouco e não medem absolutamente nada.

• De saber seu Lucro em R$/há ano!

• De medir seus resultados!

• De fazer benchmarking, ou seja, visitar quem sabe o lucro da sua

fazenda e está melhor do que você!

• De produzir uma @ de carne a baixo custo!

• De planejar melhores condições para os períodos secos futuros!

• De planejar uma pecuária mais produtiva, utilizando tecnologias

disponíveis com mais profissionalização!

• De parar de se preocupar só com o preço da venda da arroba (@)

• De acabar com os “tabus” e palavras e frases “proibidas”

► Qual foi o seu custo da @ produzida no período seco?

► Qual o custo do seu boi?

Índice

08 | GENÉTICA ANIMAL

10 | GENÉTICA ANIMAL II

13 | GENÉTICA ANIMAL III

16 | GESTÃO RURAL

20 | CONTROLE FITOSSANITÁRIO

22 | SUSTENTABILIDADE

25 | EQUINOCULTURA

Portanto, chegou a época de agir, mãos à obra pecuaristas. Pise no

acelerador da produtividade em busca de melhores resultados.

Aproveito a oportunidade para AGRADECER a dedicação, o

comprometimento, o profissionalismo e a parceria de todos os

AUTORES que engrandecem a Revista MB Rural e proporcionam

uma leitura com elevado conteúdo técnico a todos os leitores, levando

através de seus excelentes artigos o conhecimento, tão necessário para o

crescimento profissional, contribuindo assim de forma espontânea para

melhor capacitação de todo segmento do agronegócio.

Muito obrigado!

Finalizando, VEM AÍ O JÁ TRADICIONAL E ESPERADO

GUIA RURAL 2018, esperado pela sua praticidade, funcionalidade

e principalmente pela grande quantidade e diversidade de empresas

participantes, em um único trabalho de forma ordenada, propiciando

facilidade na gestão administrativa, nas pesquisas, orçamentos e

aquisições de produtos e serviços. Venha, participe você também!

Um forte abraço e boa leitura!

Reinaldo Gil

Eng. Agrônomo/MB Parceiro

30 |SUCESSÃO FAMILIAR

32 | CAPACITAÇÃO

35 | RELACIONAMENTO

38 | AGRONEGÓCIO

41 | SILVICULTURA

44 | SUPLEMENTAÇÃO

46 | FRUTICULTURA

49 | GENÉTICA ANIMAL IV

Uma publicação do Grupo MB Parceiro

Distribuição Gratuita

Editores:

Mauricio Bassani dos Santos

CRMV-TO 126/Z

Reinaldo Gil

CREA 77816/D

reinaldo.gil@uol.com.br

(63) 98466 8919 / 98426 6697 (WhatsApp)

Tiragem: 3.000 exemplares

Contato Comercial Gurupí

Maurício Fenelon

(63) 99984 1439

Projeto gráfico:

Agência Lumia (63) 3602 3441

Bruce Ambrósio e equipe

A Revista MB Rural não possui matéria paga

em seu conteúdo. As ideias contidas nos artigos

assinados não expressam, necessariamente,

a opinião da revista e são de inteira

responsabilidade de seus autores.

Revista MB Rural (Adm/Redação):

Endereço:

204 Sul Av. LO 03, QI 17 Lt 02

Palmas - TO - Cep.: 77.020-464

Fones: (63) 98466-0066 / 3213 1630

mauricio_bassani@yahoo.com

A SERVIÇO DO AGRONEGÓCIO

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Prof. Dr. Jorge Luís Ferreira

UFT - Tocantins

jorgeuft@gmail.com

Fernanda Fioravantet

Acadêmica Med. Vet. UFT

fernanda.fioravante@outlook.com

GENÉTICA ANIMAL

SELECIONAR PARA

QUALIDADE DE CARNE

Muito se ouve: “O Brasil tem o segundo maior rebanho comercial do mundo”, “Nosso país é o maior

exportador de carnes do mundo”, “Preço da arroba bovina cai consideravelmente”, “Operação carne fraca”,

“Corrupção e conspiração na maior empresa de Alimentos do mundo”! Afinal, o agronegócio (pecuária) dá certo

ou não no Brasil?!!!

Difícil entender, não é mesmo?

E ainda ouvimos: “Frigoríficos

não renumeram produtores por

qualidade”, “Fechamento de plantas

frigorificas”, “Carne brasileira é barata

por não ter qualidade”. Somos

campeões apenas em quantitativo,

mas cadê a qualidade? Onde erramos?

Seleção em qualidade de

carne tem sido extensivamente trabalhada

em raças de origem taurina,

não com o zebu que criamos (Nelore).

Realmente, o Nelore, raça que

predomina os sistemas pecuários

brasileiros, não foi selecionado para

esta variável. Já que temos tantos

programas de melhoramento animal

no país, por que não há seleção para

qualidade de carne? Como então,

iremos melhorar qualitativamente

nossa carne? O quê fazer para agregar

valor ao produto (carne)?

Fazendo cruzamentos (F1),

Tricros, substituição total do rebanho

Nelore por animais cruzados

ou raças taurinas (?). Essa última

opção, totalmente fora de cogitação,

principalmente por questões edafo-

-climáticas e sistemas de produção.

E o que fazer? Seleção para maciez

e marmoreio?

No mundo atual, e principalmente

nos países do primeiro

mundo os consumidores estão se

tornando mais esclarecidos e exigentes,

preconizando a cada dia por

carnes macias e saudáveis. Entretanto,

ao ponto de vista do produtor

a questão que predomina é: vale a

pena investir em qualidade de carne?

E, sobretudo, quanto vale? Estas

questões são pertinentes, já que

os frigoríficos, em sua maioria, não

bonificam por animais bem terminados,

mas sim renumeram apenas

por peso.

Além disso, trabalhar com o

marmoreio tem seu custo, e esta é

uma característica que quando preconizada

diminui o ganho de peso

dos animais, ou seja, do ponto de

vista do produtor: seu lucro diminui.

Trabalhar com animais castrados,

também é uma opção, mas quando

colocado o fato de que estes também

ganham menos peso, a ideia

já é desconsiderada. Neste sentido,

seria totalmente inválido dedicar-se

a produção de carnes de qualidade.

Portanto é justificável que, hoje em

dia, os produtores pensem em aumentar

a rentabilidade do sistema

produtivo (Produtividade).

Entendemos que o investimento

deveria ser direcionado para

o aumento da produtividade, particularmente

na redução na idade de

abate, o que é muito positivo para

a qualidade de carne. Outro aspecto

é a precocidade de crescimento e

acabamento dos animais, pois com

o aumento de peso e melhor acabamento

de carcaça, poderá nos aproximar

bastante do que geralmente se

considera como uma carcaça de boa

qualidade, pesada e bem acabada, de

um animal jovem.

O pecuarista deve buscar

EFICIÊNCIA e PRODUTIVIDA-

DE, independentemente de pagamento

diferenciado. Priorizando

seleção para redução na idade de

abate, precocidade de crescimento

e acabamento, levando ao aumento

da produtividade. Assim, será a indústria

que irá direcionar esse produto

para os segmentos de mercado

mais exigentes, e com o tempo

a remuneração pela qualidade virá

pelo aumento da demanda. O foco

tem que ser na qualidade da carcaça,

a qualidade da carne exige um nível

de detalhamento muito maior.

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Danilo Figueiredo

Zootecnista

danilomarfigueiredo@gmail.com

GENÉTICA ANIMAL II

Realizado no dia 6 de outubro de 2017 no Frigorífico Plena unidade de Paraíso do Tocantins, o abate técnico

oficializado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil – ACNB, animais do pecuarista José Eduardo

Guimarães Motta – Nelore JEM. Com trabalho de seleção reconhecida na região Norte do país, propriedades no

centro e sudoeste tocantinense, o criador que objetiva produzir no rebanho puro animais eficientes e produtivos

para atender toda a cadeia da pecuária de corte, ou seja, através da genética dos seus reprodutores produzir bezerros

pesados, fêmeas produtivas para reposição e animais terminais precoces e eficientes.

O Nelore JEM mostra ao

mercado os resultados reais do seu

primeiro abate técnico oficializado,

afim de reconhecer os “deveres de

casa” e promover aos seus parceiros

que a raça Nelore é muito eficiente

no ciclo completo de produção.

A classificação e tipificação das

carcaças foram realizadas por Guilherme

Alves - Gerente de Produto

da ACNB, com intuito de identificar

idade, conformação e acabamento

de todos animais abatidos.

Foram 249 animais, machos Nelore

inteiros, criados e recriados à

pasto, terminados em confinamento,

com as seguintes características:

Dados: ACNB –Abate Técnico Nelore JEM.

Ao final do abate a média de

peso foi de 20,99@ com 57,19% de

rendimento de carcaça. Mas como

é sabido, o importante é quando

se tem retorno financeiro, abaixo

segue as análises de desempenho e

conômicas do lote.

Peso Média Entrada (kg) 389,52

Peso Médio Saída (kg) 550,44

Dias em Confinamento 94

Ganho de Peso Médio Vivo (kg/dia) 1,71

Rendimento de Carcaça (%) 57,19

Consumo de Matéria Seca (% peso vivo/dia) 2,18

Consumo de Matéria Seca (kg/dia) 10,22

Custo Diária (R$/dia) 6,66

Custo @ Produzida (R$) 78,21

@ Produzida em Confinamento 8,01

Preço @ Venda Líquido com Funrural (R$) 131,00

Remuneração por Cabeça (R$) 422,37

O Zootecnista e gerente

geral de pecuária do Grupo Nelore

JEM, Danilo Figueiredo ressalta que,

a produção de carne com qualidade e

rentabilidade passa por um processo

de recria eficiente, determinante no

resultado de peso final ao abate e

retorno financeiro da atividade; o

bezerro deve expressar seu potencial

de desenvolvimento em curto

período de tempo e ser capaz de

entregar sua carcaça bem formada e

apta para produzir elevado volume

de musculatura, viabilizando a

utilização das dietas de alta energia e

devolvendo ao produtor rendimento

do peso e eficiência econômica no

acabamento em confinamento.

Os animais que participaram

do abate técnico receberam

sua dieta subdividida em três etapas

distintas. Os componentes da dieta

foram silagem de milho com capim

mombaça, milho moído e sorgo

moído, farelo de algodão 28%, farelo

de soja, uréia e núcleo mineral. A

primeira etapa que compreendeu a

fase de adaptação teve foco na reidratação

e saúde ruminal do gado

após ter passado por longas horas

de transporte e processamento. Essa

etapa durou dezoito dias, iniciando

uma dieta branda com 60% de

volumoso na base da matéria seca

(%MS), evoluindo lenta e gradativamente

até a relação intermediária,

quando iniciamos a segunda etapa.

A partir desse momento os animais

passaram a receber uma dieta mais

energética e o foco do trabalho em

51 dias foi a regularidade, tanto do

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trato diário quanto dos manejos envolvidos

no confinamento em geral.

O concentrado passou a representar

75% do total de matéria

seca consumida. Finalmente, na terceira

e última etapa, os animais estavam

a 25 dias do abate e passaram

a receber uma dieta de terminação

com aproximadamente 76% de Nutrientes

Digestíveis Totais (NDT),

com relação de 85% de concentrado

no consumo de matéria seca total,

fator que determinou a diminuição

do volume do conteúdo ruminal e

certamente interferiu no rendimento

de carcaça alcançado no abate.

Rafael Mazão, consultor em

melhoramento genético e produção

do Nelore JEM, menciona a importância

da ação do pecuarista em

identificar os resultados ao final da

cadeia de produção. Uma vez que o

plantel puro e comercial tem como

prioridade no objetivo de produção

a evolução para as características de

carcaça, que refletem positivamente

na precocidade (peso e sexual)

quando se seleciona os melhores

animais para área de olho de lombo

(AOL) e acabamento (EG), diretamente

refletindo no final do sistema

com os animais terminais oriundos

dessa genética melhoradora.

Pioneiro no estado, selecionando

os animais melhoradores

para as características de carcaça, o

Nelore JEM realiza anualmente avaliação

por ultrassonografia dos animais

ao sobreano para identificar os

superiores e multiplicá-los, e inibir a

perpetuação dos inferiores.

Com projeto sólido também

na terminação, em 2017 irá abater

próximo a 12 mil animais, e para

os anos seguintes perspectivas de

aumento do volume da produção,

aproveitando toda estrutura agrícola

que está projetada para atender a integração

lavoura pecuária para customizar

todas operações do grupo.

Foto: Mauricio Fenelon

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Seleção

Rafael Mazão

Zootecnista

rafaelmazao@dstak.com

GENÉTICA ANIMAL III

DA PORTEIRA PRA DENTRO

E DA PORTEIRA PRA FORA

Amigo selecionador, em boa parte do país já estamos adentrando ao período de maior importância do ciclo de

produção das propriedades que desenvolvem melhoramento genético, a Estação de Monta!

Sábio daqueles criadores que

definiram as matrizes que se mantém

no rebanho junto à escolha dos

reprodutores que irão ser utilizados

na inseminação artificial e os de repasse,

de acordo com os objetivos

de seleção e produção. Analisando

as deficiências e fortalezas morfológicas

e genéticas com objetivo de

potencializar os ganhos a cada safra,

serão aqueles que ao longo dos anos

vão “construir” um sólido rebanho.

• Mas como identificar as deficiências

do rebanho?

• Como identificar as melhores e

piores matrizes?

• Como identificar os resultados

dos touros utilizados em cada

safra?

• Como identificar os produtos

que se destacaram em cada safra?

E em cada fase da vida produtiva?

De forma geral estas são

perguntas que poucas vezes foram

despertas pelos selecionadores, ou

se foram, raríssimas vezes tiveram

alguma ação concreta para identificar

e selecionar os animais inferiores,

os de média e superiores na produção.

Não existe cronologia correta,

existe coerência! Portanto se

estamos no início da reprodução,

analise e identifique os melhores

reprodutores que irão atingir o objetivo

da sua produção, corrigindo

as deficiências e potencializando as

fortalezas do seu rebanho.

No decorrer da produção,

ou seja: à fase materna, à desmama,

ao ano e ao sobreano, através da avaliação

intrarebanho, conseguiremos

responder todas as dúvidas geradas

quanto a quem é melhor ou pior, e

assim tomar decisões com informações

sólidas, ou seja, para descarte

dos inferiores ou para multiplicação

dos superiores, ao final da safra.

A avaliação intrarebanho

é o “Raio X” do perfil produtivo

de cada safra, onde se pode avaliar

matrizes, reprodutores e produtos

quanto ao desempenho para as características

econômicas que mais

influenciam o ciclo de produção:

peso, precocidade sexual, habilidade

materna e características de carcaça.

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Ainda como ferramenta no

intrarebanho, avaliação para as características

morfológicas, afim de

manter padronização do tipo funcional

conforme objetivo do selecionador.

Então, “o jeito” é IDENTIFICAR,

SEMPRE!!!!

Da Porteira pra Dentro

• Identificar as necessidades (genéticas

e fenotípicas) do rebanho

de acordo com o objetivo

da seleção;

• Estabelecer indicadores para todas

características que envolvem

o foco da seleção;

• Identificação da genética (Touros

de Centrais, Touros de Repasse,

Touros Jovens, Matrizes e

Doadoras) a ser utilizada;

• Identificar as ferramentas para

auxílio da seleção (Intrarebanho,

Programas de Melhoramento,

Genômica, Avaliação de Carcaça,

Provas Zootécnicas);

• Determinação do período da estação

de monta;

• Formação dos grupos de contemporâneos;

• Estabelecer grupos de manejo

bem definidos;

• Estabelecer cronograma de avaliações.

Da Porteira pra Fora

Ao final da estação de monta:

• Descartar matrizes ineficientes

na reprodução (vazias);

• Descartar matrizes ineficientes

para habilidade materna;

• Após análise intrarebanho:

• Descartar os produtos inferiores;

• Descartar as matrizes com resultados

inferiores;

• Não utilizar na próxima safra os

reprodutores com resultados inferiores;

• Descartar os touros de repasse

com resultados inferiores.

• Quanto maior a intensidade de

seleção, maior e mais rápido será

o progresso genético.

• Não esqueça, emoção gera prejuízos,

seleção gera melhores resultados!

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Antonio Chaker

Zootecnista

antonio@inttegra.com

GESTÃO RURAL

OITO REGRAS DAS

FAZENDAS CAMPEÃS

A produção agropecuária é tão complexa a ponto de propriedades rurais próximas umas das outras, com o

mesmo perfil, tamanho, solo e oportunidades possuírem uma situação completamente adversa. De um lado, para

exemplificar mediante uma história real, ao sul do Mato Grosso do Sul, uma fazenda endividada, com bois magros,

ingerência e pastagens degradadas.

De outro, uma promissora,

altiva, detentora de dinheiro em caixa,

com ótimos resultados e com a

“dúvida” de investir dentro ou fora

da propriedade (expansão). Esse paradoxo

promove a reflexão de quais

são as características unificadoras

das fazendas-modelo, promotoras

do sucesso. Depois de um longo

estudo e comparação entre propriedades,

sejam elas de 200 ou 200 mil

hectares - mas que ganham três vezes

mais que a média, foi possível

identificar oito pontos comuns.

Antes disso, é preciso frisar

de que não há caminho curto.

Não há receita de bolo na produção

agropecuária, mas sim, além de

muito trabalho e profissionalismo,

hábitos ou condutas promotoras de

mudanças positivas:

1. Proprietário-líder

Em primeiro lugar e responsável

pelo sucesso de todas as outras

sete características, é necessário um

comando. Esse comando vem do

dono, que precisa ser um líder que

lidera. Liderar é inspirar pessoas,

projetos e ideias. É mostrar o caminho

e orientar como ele deve ser

feito. É assumir a responsabilidade e

ser o condutor do sucesso. É deter o

poder de transformação.

Os conceitos de liderança

são bastante amplos. No entanto, alguns

deles e algumas atitudes variam

de acordo com a atividade. Na pecuária

de corte isso não é diferente

e os donos das fazendas de sucesso

possuem cinco atitudes determinantes,

intrínsecas ao desempenho total.

O primeiro deles é a dominância.

A pessoa veste a camisa e

diz: “a responsabilidade é minha”.

Isso passa longe da arrogância. São

atitudes essenciais de controle, de

competência e de segurança. Um

detentor da qualidade “dominância”

reconhece os acertos e bate no peito

quando os erros acontecem.

Outro ponto interessante é

a visão. A prospecção do negócio,

a análise e reconhecimento do conjunto

de atividades, com o poder de

identificação de quanto um mínimo

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fator altera o resultado transforma

esse líder em alguém capaz de estar

à frente de um empreendimento

vencedor. Ele sabe o que quer e faz

acontecer. Um agente de transformação.

Por outro lado, ele sabe delegar,

empoderar e motivar a equipe,

unindo todos os colaboradores em

prol de um objetivo comum. Finalizando

esse perfil, o dono quer o

bem. Quer mais. O ambiente é vitorioso,

é motivador. Esse é o primeiro

fator para o sucesso.

2. Autonomia da Gerência

O gerente tem um papel

fundamental dentro uma fazenda.

Ele precisa ter autonomia, embora

isso signifique soberania. Além da

força de trabalho, os donos líderes

precisam de gerentes que opinem, se

posicionem e ajudem com a razão.

Logicamente, nem todas as

decisões podem ser tomadas por

ele. Ele não decide “o que”. Ele

decide o “como”. Isso lhe dá voz e

vez. Com uma equipe de trabalho

eficiente, cabe ao líder definir quais

atitudes dentro da fazenda possam

ser tomadas por determinada peça.

Muitas delas, de cunho operacional,

precisam ser delegadas, já que centralizar

tudo no líder trava o manejo,

trava o trabalho.

A autonomia dos funcionários

é essencial para os resultados.

Porém, sempre vem a pergunta:

como posso ter peões confiáveis e

capazes? A resposta é: se vendendo.

Basicamente, essa afirmação

tem a mesma filosofia de grandes

empresas, multinacionais, entre outras,

com fama de pagar melhor,

dar oportunidade, ser um ambiente

mais estável e melhor ao trabalhador.

Além de criar esse ambiente

harmonioso e promissor, de ser

uma fazenda que reconhece o bom

trabalhador, é preciso propagar essa

informação nas redondezas. Assim,

e somente desta forma, possibilita

ao dono escolher um “time dos sonhos”.

Esse time é o que dá resultado.

Esse é o time que vence.

Mas, como saber se o grupo

é adequado, já é o ideal? A primeira

pergunta que deve ser feita a si próprio

é: se determinado funcionário

vier a pedir a conta, isso causaria alívio

ou preocupação? Se a resposta

for alívio, talvez ele não seja a pessoa

certa. A segunda pergunta é se

você fosse contratar alguém para

determinada função, o colaborador

atual seria o ideal para ela?

Com essas perguntas e outras

reflexões é possível ter um diagnóstico,

o qual o produtor já consegue

pelo menos saber a equipe

que tem ou que quer ter. Depois de

mostrar o caminho desejado e com

o time em mãos, é preciso ouvir. Um

peão sem voz, sem direito a opinar,

perde o pertencimento do projeto,

se desvincula. Para ele, tanto faz se

der ou não certo. Ninguém quer alguém

assim por perto.

3. Metas claras

Em todo grupo formado

para ganhar, há diversas metas a

serem batidas. Metas de lucros, metas

de serviços ou metas pessoais

dos colaboradores, que se esforçam

para obter recompensas. Como nas

fazendas não há espaço para destaques

individuais, uma vez que é uma

atividade coletiva, todos trabalham

por um único objetivo, sem competição

entre eles. Esse ambiente motivacional

é fundamental para tornar-

-se uma fazenda campeã.

As metas são simples, como

quantos bois tem que matar, quantos

bezerros precisam nascer e quantas

vacas precisam ser emprenhadas.

Essas tarefas ou metas são divididas

em operacionais, financeiras, reprodutivas,

produtivas e comportamentais.

Esta última está relacionada à

cultura, aos valores importantes definidos

pelo dono. Como por exemplo,

uma simples atitude de cortar a

grama em determinadas áreas.

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4. Cronograma e cumprimento

das atividade

Este item é facilmente resumido

em um verbo, o fazer. Muitos

produtores rurais chamam a fazenda

de “fazendo”, justamente por isso.

Há sempre muitas coisas a serem

feitas e para elas serem campeãs, há

muito mais.

No entanto, as pessoas não

fazem as tarefas porque não querem

fazer? Muitas vezes, os trabalhadores

deixam de agir porque não sabiam

o que e nem como fazer. Por

isso, a implementação de uma rotina,

um cronograma de trabalho, é

importante para deixar claro todas

as atividades.

Um bom gestor sabe tudo

o que precisa ser feito ao longo de

uma semana. Com essa organização,

o controle fica fácil e os funcionários

sempre sabem suas tarefas. O

foco do time é responsabilidade do

dono.

5. Fluxo de caixa previsto x realizado

O fluxo de caixa determina

o aproveitamento das boas oportunidades.

Se há uma previsão de fluxo

de caixa, é possível resolver qualquer

problema, pendência.

Quando existe uma boa gestão

nesse ramo, momentos ruins

não ocorrem. O pecuarista está preparado

para lidar com eventualidades.

Não há surpresa ou a necessidade

de tomar decisões danosas à

administração e saúde financeira da

fazenda. Uma propriedade que não

faz isso, contrai empréstimos caros,

executa maus negócios e obriga o

proprietário a agir com um extintor

na mão, apagando incêndios. A conduta

pouca resolutiva e desorganizada

financeiramente é um dos fatores

comuns nas fazendas quebradas.

O ano de 2017, por exemplo,

está repleto de oportunidades

para crescer. Mas, como fazer isso

sem fluxo de caixa? Acompanhamento,

atualização e cumprimento

do orçamento são hábitos necessários

para ser campeão de lucratividade.

6. Excelência na produção e

colheita de forragem

Qualquer pecuarista sabe

que o bom desempenho dos bovinos

vem com uma produção e colheita

de qualidades das espécies

forrageiras, fundamentais na nutrição

do gado.

O foco hoje é somente dado

à produção, mas ainda é necessário

olhar para a colheita desse pasto.

Com a mesma intensidade que é

feito o planejamento do plantio e

fertilização do pasto, os pecuaristas

devem dedicar-se à transformação

dele em carne.

Uma estratégia de entressafra

bem-feita é sinônimo de tranquilidade

à produção.

7. Sabedoria ao investir e

economia

Evitar investimentos não

produtivos e custos administrativos

desnecessários são missões e obsessões

de qualquer fazenda campeã.

Analisar as vantagens e saber onde

economizar são estratégias fundamentais

para otimizar o desempenho

e os resultados finais.

As fazendas mais lucrativas,

de acordo com índices aferidos pelo

Inttegra (Instituto Terra de Métricas

Agropecuárias), gastam por hectare

R$ 16,41 em insumos do rebanho,

contra R$ 17,18 da média; R$ 7,42

contra R$ 10,23 de média em mão

de obra; R$ 5 contra R$ 7,47 da média

em manutenção e R$ 5,42 contra

R$ 7,18 na média em despesas administrativas,

implementos e outros.

Como elas conseguem fazer

mais com menos? Gastando bem.

Quando são criadas condições para

investir de maneira correta, as opções

são de crescimento são gigantescas.

8. Reflexão e busca por

evolução constante

A insatisfação ou a sede de

continuar crescendo fazem parte da

vida das fazendas campeãs. A energia

de buscar avançar sempre mais

mantém elas no auge. “Se eu ganho

R$ 1000 por hectare, quero chegar a

R$ 1.200. Se eu envio ao abatedouro

um boi com 22 meses a pasto, eu

quero mandar com 20”. Esses pensamentos

de exemplo são comuns

em ambientes vencedores. Com essa

motivação, começa-se a procura pelos

avanços, pelas tecnologias disponíveis

ou em como e o que melhorar

o que já é feito.

Quem não avança, retrocede.

Um gestor moderno sempre está

disposto a evoluir, melhorar.

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Lucinei Borin

Engenheiro Agrônomo

Resp. Técnico Elsner Agronegócios

agroborin@hotmail.com

CONTROLE FITOSSANITÁRIO

ILUMINAÇÃO NOTURNA PARA A

APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS

A definição das estratégias para o controle de pragas e doenças, sejam nas lavouras de grãos ou de capim,

engloba muitos pontos. Podemos destacar alguns aqui, como:

Mão de obra qualificada;

• Equipamentos;

• Vazão adequada;

• Produtos utilizados;

• Doses;

• Tipos de gotas;

• Bicos corretos etc.

• Ambiente:englobando, temperatura

e umidade relativa do ar

No caso do Estado do

Tocantins e outros estados da região

Norte, o fator AMBIENTE, é

crucial para o sucesso ou fracasso de

uma aplicação de defensivos, temos

aqui, temperaturas elevadas e baixa

umidade durante o dia em alguns

momentos durante o período de

cultivo.

Nesse contexto, muitos produtores

têm optado por aplicações

mais ao final da tarde, podendo ir

noite a dentro, conseguindo assim

amenizar o problema da temperatura

ambiente e da umidade do ar.

Muitos produtos como por exemplo,

inseticidas para lagartas, tem

uma maior eficiência utilizando a

aplicação noturna, pois com temperaturas

mais amenas, as lagartas têm

a tendência de se expor mais nas

partes superiores das plantas, além

do que, pode-se conseguir atingir

também as mariposas.

Para a aplicação noturna o que

devemos modificar em relação a

aplicação convencional?

Temos apenas que adaptar

luzes nos lugares corretos, neste

caso específico, na barra de pulverização,

para uma melhor iluminação

lateral das mesmas (Imagem 1). A

instalação de luzes tem basicamente

duas importantes funções:

• Dar maior visibilidade da

barra para o operador, evitando acidentes;

• Dar uma melhor visualização

dos bicos, observando obstruções

e possíveis vazamentos nas

mangueiras.

Visualização dos bicos a noite

É muito comum chegarmos

em uma propriedade onde se está

fazendo aplicação de defensivos

e encontrarmos mais de um bico

obstruído (Imagem 2) ou danificado,

levando em consideração que

durante o dia é “fácil” para o

operador ou o ajudante observar

esses entupimentos e corrigir

o problema. Já para a aplicação

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noturna, fica quase impossível essa

correção do problema sem uma boa

visibilidade dos bicos com as luzes

noturnas.

Falha de aplicação por obstrução de bicos

Abaixo temos um exemplo prático,

simulando a obstrução de bicos.

Perdas com obstrução de bicos:

• Produto X + Y + Z +

operacional a um custo de R$ 150,00

/ha (uma aplicação);

• Pulverizador com 60 bicos

tendo 2 obstruídos;

Cada bico é responsável por

R$ 2,50 /ha do custo da aplicação

x 2 bicos obstruídos = R$ 5,00 /

há, NÃO de economia e SIM de

investimento que deixou de ser

aplicado na área, sem somar o

prejuízo pelo NÃO controle do

alvo que se pretendia atingir, seja ele

praga ou doença.

Imaginando uma propriedade com

1000 hectares de lavoura, onde

10% das aplicações são noturnas,

teremos:

• 100 hectares x R$ 5,00 =

R$ 500,00 de prejuízos em UMA

ÚNICA aplicação.

• Considerando um ano safra

normal, o pulverizador entra no

mínimo 4 vezes por hectare, assim

sendo: R$ 500,00 x 4 = R 2.000,00

de prejuízo. Sem acrescentar aqui

ainda o custo operacional.

Lembrando que temos

prejuízos, tanto com a obstrução

ou entupimento de bicos, quanto

com bicos danificados, aplicando

vazões acima do normal, já neste

caso específico, dependendo do

dano sofrido pelo bico, também será

possível observar com a iluminação

noturna.

Caros amigos produtores,

são essas “pequenas” diferenças

dentre muitas outras, que no final

do processo produtivo, irão mostrar

a eficiência, positiva ou não de sua

empresa ou fazenda.

Estou à disposição para maiores

esclarecimentos.

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Patrícia N. Reis Pegoraro

Engenheira Ambiental

Preserve Engenharia e Consultoria Ambiental

preserve.engeambiental@gmail.com

SUSTENTABILIDADE

QUEIMADAS

A VIDA TRANSFORMADA EM CINZAS!

A queimada é um processo de queima de biomassa (madeira, palha, vegetação viva) que pode ocorrer tanto por

razões naturais, como estiagem, temperatura, umidade relativa do ar comprometida, ausência de chuva, quanto por

ações do próprio homem.

Embora comumente utilizados

com o mesmo significado, existe

diferença entre os termos queimada

e incêndio. Segundo o Decreto nº

2.661 de 8 de julho de 1998, em

seu capítulo V, Art. 20 º “incêndio é

todo o fogo não controlado em área

de floresta ou qualquer outro tipo

de vegetação”. Já a queimada, pode

ser realizada de forma controlada,

sendo esta permitida em práticas

agropastoris e florestais e para fins

de pesquisa científica e tecnológica,

em áreas com limites físicos previamente

definidos e realizado de forma

planejada.

No Brasil, o Instituto Nacional

de Pesquisas Espaciais –

INPE, é o responsável pelo monitoramento

operacional dos focos de

queimadas e de incêndios florestais

detectados por satélites, além do cálculo

e previsão do risco de fogo da

vegetação. De acordo com o Instituto,

o Tocantins está no terceiro lugar

do país (empatado com o estado

do Maranhão), no ranking de focos

identificados em 2017, atrás somente

do estado do Pará (1º lugar) e do

Mato Grosso (2º lugar). Dos 26 estados

brasileiros, destacam-se entre

os 10 primeiros os apresentados no

Gráfico da Figura 01 a seguir.

MATO GROSSO DO SUL

PIAUÍ

MINAS GERAIS

GOIÁS

AMAZONAS

RONDÔNIA

TOCANTINS

MARANHÃO

MATO GROSSO

PARÁ

Ranking de Focos de Queimadas e Incêndios no Brasil

3,10%

3,40%

3,70%

4,40%

5,00%

5,80%

10,80%

10,80%

20,20%

21,80%

0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00%

Ranking dos 10 Estados brasileiros que apresentaram

maior foco de queimadas/incêndios no período de

01/01/2017 até 13/10/2017 (Fonte: INPE);

Dos 139 municípios do Tocantins,

Lagoa da Confusão, Formoso

do Araguaia e Pium são os

campeões de queimadas e incêndios,

respectivamente. Vejamos o Gráfico

Ranking de Focos de Queimadas e Incêndios no Tocantins

ITACAJÁ

PONTE ALTA DO TOCANTINS

MATEIROS

SANTA RITA DO TOCANTINS

RIO SONO

PARANÃ

GOIATINS

PIUM

FORMOSO DO ARAGUAIA

LAGOA DA CONFUSÃO

2,00%

2,00%

2,50%

2,50%

2,80%

2,90%

3,70%

8,60%

8,90%

10,40%

0,00% 2,00% 4,00% 6,00% 8,00% 10,00% 12,00%

da Figura 02 abaixo:

Ranking dos 10 municípios do Tocantins que apresentaram

maior foco de queimadas e incêndios no período de

01/01/2017 até 13/10/2017 (Fonte: INPE);

Ao avaliar os dados da série

histórica do Tocantins que apresenta

o total de focos ativos detectados

por satélites de referência entre os

anos de 1998 e 2017, veremos o

quanto é assustador e alarmante

concluir que 2017 ainda não chegou

ao fim, as chuvas estão cada vez

mais escassas e até o momento já

foram contabilizados 20.666 focos

de queimadas e incêndios florestais.

Em um período de 20 anos,

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2017 fica atrás somente do ano de

2010 com 25.077 focos detectados.

Seguem os dados apresentados na

Figura 03:

Série Histórica do

Estado do Tocantins

Série histórica do total de focos ativos detectados pelo satélite

de referência, no período de 1998 até 13/10/2017

(Fonte: INPE);

Se fizermos uma análise sazonal

(de janeiro à dezembro), entre

os meses de seca no Estado, que

compreende o período de maio a setembro,

este último dispara em relação

aos demais no número de focos

de queimadas e incêndios. Vejamos

melhor estes dados na Figura 04.

Comparativo Sazonal da Queima

no Estado do Tocantins

Comparativo dos dados do ano corrente com os valores

máximos, médios e mínimos, no período de 1998 até

13/10/2017 (Fonte: INPE);

Estamos saindo do período

crítico, entretanto, temos sentido

na pele as consequências desses

números preocupantes. Tem sido

normal acordar pela manhã e ver o

céu cinzento, totalmente dominado

pela fumaça. Com isso, agravam-se

os problemas respiratórios (asma,

bronquite, irritação nos olhos e garganta,

tosse, etc), aumentam os riscos

de acidentes nas estradas pela

falta de visibilidade dos motoristas,

sem contar com a poluição atmosférica,

ocasionada pela emissão de

gases como o NOx (óxido de nitrogênio),

CO (monóxido de carbono),

HC (hidrocarbonetos), material particulado,

além de outras substâncias

altamente tóxicas.

Literaturas citam ainda que

as queimadas empobrecem o solo,

pois aceleram a mineralização da sua

matéria orgânica, liberam nutrientes

como N (nitrogênio) e P (fósforo)

para a solução do solo, deixando o

nitrogênio suscetível a perdas por

percolação e volatilização, eliminam

a cobertura vegetal e facilitam as

perdas de solo e nutrientes por erosão

hídrica e eólica.

Por isso, é fundamental

ressaltar que o emprego do fogo,

se realizado de maneira planejada,

pode evitar ou minimizar uma série

de problemas. Dependendo das

características da área definida para

a queima, como topografia do terreno,

umidade, ventos, temperatura

atmosférica, quantidade e distribuição

dos materiais vegetais, o comportamento

do fogo varia bastante.

Avaliando estes fatores corretamente

e antes da execução da queima,

é possível ter uma margem alta de

segurança e prever o que acontecerá

durante o processo.

Normalmente o correto a

se fazer é simular o comportamento

potencial do fogo e dos seus prováveis

efeitos ao ambiente, como

por exemplo, imaginar a altura das

chamas, a sua velocidade de propagação,

a possibilidade das fagulhas

serem lançadas à grandes distâncias,

etc. Além disso existem seis fatores

essenciais a serem considerados para

planejamento e execução da queima

controlada, são eles:

1. Definição do objetivo da queima;

2. Avaliação Preliminar da área;

3. Realização do Plano de Queima;

4. Autorização para a Queima;

5. Preparação do Terreno;

6. Execução da Queima e Avaliação.

No Tocantins, a obtenção

da Autorização para Queima Controlada,

conhecida por AQC, é obtida

junto ao Instituto Natureza do

Tocantins – Naturatins. O procedimento

é feito mediante abertura de

processo administrativo por responsável

técnico habilitado e credenciado

junto ao órgão. O Naturatins,

seguindo critérios estipulados pela

Resolução COEMA 07/2005, emite

o ato administrativo após análise

da documentação apresentada e somente

nos períodos determinados

no calendário anual de queima.

Para quem ainda insiste em

fazer o uso do fogo sem autorização

prévia do órgão competente, fica o

alerta! Este ato é considerado crime

ambiental e o infrator que provocar

incêndio em área de mata ou

floresta está sujeito à reclusão de 2

(dois) a 4 (quatro) anos e multa. Se

o crime for considerado culposo, a

pena é de detenção de 6 (seis) meses

a 1 (um) ano e multa (Art. 41 da Lei

9605/1998).

De todo modo, é impossível

não se sensibilizar ao ver uma

área verde repleta de vida ser drasticamente

transformada em cinzas,

onde a beleza e o colorido das árvores,

dos animais e do céu, após a

passagem do fogo, viram um triste

e monocromático cenário de morte

e destruição. Resta às pessoas, a

consciência e a responsabilidade

em evitar ações inconsequentes que

piorem ainda mais as estatísticas de

queima e todas as suas consequências

negativas ao próprio homem e

ao nosso meio ambiente.

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Prof. Dr. Márcio Gianordolli

Mestre em Reprodução Animal/UFMG

Doutorado em Zootecnia/UFMG

marciogomes@uft.edu.br

EQUINOCULTURA

MANGALARGA

MARCHADOR

UMA RAÇA GENUINAMENTE BRASILEIRA

A raça Mangalarga Marchador é tipicamente brasileira e surgiu há cerca de 200 anos no Sul de Minas Gerais, através

do cruzamento de cavalos da raça Alter do Chão, em Portugal – com éguas desta região mineira. A base da

formação dos cavalos Alter é a raça espanhola Andaluz.

O Margalarga Marchador

tem como principal a marcha, que é

distinta das outras encontradas nos

demais marchadores do mundo. A

marcha, que é o passo acelerado, se

caracteriza por transportar o cavaleiro

de maneira cômoda, pois não

transmite a ele os impactos ocorridos

com os animais de trote. Marchando,

ele alterna os apoios nos

sentidos diagonal e lateral, sempre

suavizando por um tempo intermediário,

o tríplice apoio, momento em

que três membros tocam o solo ao

mesmo tempo.

O andamento genuíno do

Mangalarga Marchador é acompanhado

de outras importantes características.

Temperamento ativo

e dócil: pode ser montado por pessoas

de qualquer faixa etária e nível

de equitação; resistência: grande capacidade

para percorrer longas distâncias

e enfrentar desafios naturais;

inteligência: seu adestramento é fácil

e rápido em relação a outras raças de

sela; rusticidade: opção de se criar

somente em regime de pasto, diminuindo

seu custo de produção e manutenção,

facilitando seu manejo. A

rusticidade é observada também na

facilidade de adaptação a quaisquer

terrenos e climas como o tropical,

temperado ou frio.

Em 1949 foi criada a Associação

Brasileira de Criadores de Cavalos

Mangalarga Marchador (ABC-

CMM), hoje a maior associação de

equinos da América Latina, com

mais de 250.000 animais registrados.

Durante o período de meados

de 1970 ao final da década de 90, o

Marchador teve uma ascensão astronômica

no segmento da equinocultura,

batendo recordes de animais

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expostos, registrados e de preços em

leilões oficiais.

A conformação não é condição

para se marchar, que é determinada

pelo cérebro, mas pode contribuir

para melhorar a qualidade da

marcha. Dessa forma a ABCCMM

padronizou a raça em animais de

porte médio, ágil, estrutura forte e

bem proporcionada, expressão vigorosa

e sadia, visualmente leve na

aparência, pele fina e lisa, pelos finos,

lisos e sedosos, temperamento

ativo e dócil. Para machos a altura

ideal é 1,52 m (podendo variar de

1,47m a 1,57m), enquanto para fêmeas,

a altura ideal é de 1,46m (admitindo-se

a mínima de 1,4 m a máxima

de 1,54 m).

Os objetivos da raça – também

conseguidos através do adestramento

dos animais – são as exposições,

os concursos de marcha, o

enduro, a lida com o gado e as provas

funcionais. A fácil atuação do

Mangalarga Marchador frente a obstáculos

naturais demonstra sua aptidão

nata para o trabalho e esportes

em geral. No enduro, os animais de

raça têm valorização crescente pela

comodidade da marcha, que garante

conforto ao cavaleiro, e pela resistência

para percorrer longas distâncias.

Paralelamente, com o aumento

do exôdo rural, o uso em passeios

e cavalgadas de lazer ganhou adesão

do maior número de usuários, como

forma de amenizar o estresse da

vida urbana.

Diante de tantos atributos,

a raça Mangalarga Marchador vem

se espalhando pelo Brasil e pelo

mundo, presente em países do continente

europeu e americano, com

destaque a grande importação para

os Estados Unidos, Uruguai e Peru.

Atualmente a ABCCMM está representada

em todo o território nacional

através de 46 Núcleos de Criadores

do Marchador e 10 Clubes de

Criadores de Cavalo.

Na região Norte do país encontramos

Núcleo dos Criadores

do Cavalo Mangalarga Marchador

da Amazônia, com sede em Belém –

PA, que tem favorecido a criação, seleção

e propagação desta raça nesta

região. No estado do Tocantins vários

são os criadores do cavalo Mangalarga

Marchador, tendo criatórios

com animais campeões em exposições,

animais para base de plantel

e lida na fazenda, e usuários para o

lazer. Outra utilização que merece

destaque para a raça, tem sido seu

cruzamento com os asininos da raça

Pêga, produzindo muares marchadores,

proporcionando conforto e

comodidade para o cavaleiro, além

de animais extremamente rústicos

e resistentes, suportando tropeadas

em longas distâncias.

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SUCESSÃO FAMILIAR

Wagner Pires

Engenheiro Agrônomo

wagner@circuitodapecuaria.com.br

www.circuitodapecuaria.com.br

Vende-se

a pecuária brasileira!

Todos nós sabemos que a pecuária é uma atividade de baixo risco e alta liquidez, ou seja, sempre que o

pecuarista precisar fazer um “dinheirinho” ele consegue vender um pouco do seu rebanho e fazer dinheiro. Se

não tiver dinheiro para comprar o sal o gado não morre, pode demorar um pouco pais mas vai, pode até não

emprenhar, mas vai.

Se não investir em herbicida

para limpar definitivamente a fazenda

o pecuarista pode roçar o pasto,

se o pasto estiver ruim o gado se

vira com o que tem, até casca de arvore

ele come. Se não dá para estar

dentro da fazenda todos os dias, ela

vai assim mesmo.

E se o pecuarista já não tem

mais dinheiro para colocar gado na

fazenda, sempre vai aparecer um

outro para lhe arrendar o pasto.

Em geral o pecuarista tem

memória fraca, e só se lembra da

seca quando a água está secando

e da cigarrinha quando o pasto já

amarelo. O problema da pecuária é

como o sábio Dr. Fernando Penteado

diz, “O Brasil é um pais onde

as pessoas acham muito, observam

pouco e não medem absolutamente

nada! ”. Na agricultura isso é muito

diferente, isto em virtude de ela ser

uma atividade de alto risco.

A agricultura a cada dia se

profissionaliza mais e mais, novos

produtos, novas máquinas, tudo se

renova rapidamente e o agricultor

que não se adequa fica para traz.

Acreditem, enquanto a

agricultura norteia a pesquisa para

vencer barreiras até então intransponíveis,

tais como, se produzir

no deserto, como se produzir em

sistemas praticamente automatizados;

a pesquisa para a pecuária fica

buscando gramíneas que tolerem a

baixa fertilidade e o pecuarista não

precise adubar. Consultores ficam

tentando vender a ideia de que se o

pecuarista adotar o sistema Voisin

não precisará melhorar a fertilidade

de suas pastagens e conduzir a pastagem

como uma lavoura.

Quando não se tem controle

dos números e se acha que tudo está

bom, basta uma boa prosa para o

pecuarista entrar bacana acreditando

no conto de fadas.

Como ele não mede nada ou

quase nada ele se acha o melhor de

todos e raramente vai visitar aqueles

que estão muito melhor que ele

e já acordaram para aprender a ser

um pecuarista de verdade. A grande

esperança estava justamente na

sucessão que vinha na sequência, fi-

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lhos assumirem com a cabeça mais

aberto e um espirito mais empreendedor.

Que grande engano!

Mais uma vez nos enganamos

com a pecuária, pois a juventude

hoje não quer saber de nada.

Quer somente o celular, balada, bebida,

carro, sexo e aí vai.

Se ao menos a pecuária rendesse

um bom dinheiro, mas nem

isso. A cada dia estou vendo que a

sucessão está correndo do campo

e quando encara a parada, não está

preparada para assumir o negócio.

Mas o mundo não espera o Brasil

acordar!!!!

O mundo tem fome e nós

temos a terra para se produzir o

alimento. Além disso o que não falta

aqui em nosso pais são políticos

corruptos dispostos a vender tudo

e todos e encher suas malas de

dinheiro.

Como o velho ditado que

diz que “em terra de cego quem tem

um olho é rei”, agora o momento é

de quem tem dinheiro ou é amigo

de político, do BNDES ou tem os

olhos puxados. Estes vão ser rei! O

Brasil está literalmente a venda e os

orientais estão com o dinheiro para

comprar. Eles vão comprar tudo e

todos e vão colocar os pecuaristas

brasileiros para trabalhar pesado

para eles.

Quem se organizou e está se

modernizando, fazendo a sua lição

de casa, vai se manter na atividade,

mas quem ainda dorme em berço

esplendido e se achando o cara, vai

ter que vender e trabalhar para aqueles

que com certeza vão comprar

suas terras já já.

Em toda regra, existe exceção,

se você faz parte dela, ótimo!

Mas será que faz mesmo?

E com toda está mudança

que hora se apresenta, como eu e os

bons consultores encaramos?

Devemos começar a aprender

mandarim rapidinho é claro!

Pense nisso!

Entendeu?

tem que aprender!

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Sarah Pires

Jornalista MTE 935

Sarah.mary.pires@gmail.com

CAPACITAÇÃO

CAPACITAÇÃO

O CAMINHO PARA A PROFISSIONALIZAÇÃO

Mais de 350 pessoas entre técnicos, produtores, pesquisadores e

estudantes participaram do SRB - Simpósio de Reprodução Bovina. Um

dos destaques do evento promovido pela MSD Saúde Animal e Clivar Rep.

Bovina foi a palestra do Prof. Dr. Pietro Baruselli da Universidade de São

Paulo (USP), que tratou de fatores que afetam a mortalidade embrionária e

a perda gestacional em Bovinos, sendo um desses fatores a alta temperatura.

Ela pode interferir na qualidade do ócio e na fertilidade de

vacas.


Sabemos pelos conhecimentos científicos que existe o

efeito do calor na qualidade e na fertilidade mais intenso em

animais taurinos do que em animais zebuínos, o que precisamos

é de condições de ambiência mais favoráveis para que o calor não

interfira na fertilidade, pois o excesso de calor faz com que a vaca

diminua a fertilidade, mas o produtor do estado do Tocantins

sabendo disso tudo opta pela criação de zebuínos e prepara a

fazenda dele para que o calor não interfira tanto. Pietro Baruselli


de investir em sua propriedade, pois

segundo indicadores a partir do

próximo ano a perspectiva para esse

mercado é de crescimento,” garante

o economista. E conclui dizendo

que “a produção dentro da porteira

é que vem sustentando a economia

do país” .

Na palestra com o

pesquisador do Centro de Estudos

Avançados em Economia Aplicada

(CEPEA-Esalq/USP), Thiago de

Carvalho, foi abordado as questões

políticas e econômicas do Brasil e

que interferem de forma direta no

mercado bovino.

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O cenário poderia ser melhor se

não fosse os casos da carne fraca,

do problema da vacina e embargos

americanos, mas principalmente

das delações da JBS. No entanto

mesmo com esse momento de

instabilidade econômica e política

do país o produtor não pode deixar

O produtor rural da região

de Pium do Tocantins (TO), Beto

Guimarães, trabalha com produção

e reprodução bovina há 14 anos no

estado e garante que investir na propriedade

e em conhecimento técnico

é sempre a melhor opção, “trabalho

com a técnica de IATF e com

a monta natural, mas no meu caso

como sou produtor de PO a melhor

opção é a inseminação artificial e

esse evento soma muito para o conhecimento

da gente que trabalho

no campo,” ele também afirma que

mesmo o Brasil passando por um

momento complicado, nunca deixou

de investir na fazenda, “deixei

de fazer investimentos extras, mas

em contrapartida aumentei a produção,”

afirma o produtor.


Benefícios da IATF

A possibilidade de inseminar um grande número de

vacas em um curto espaço de tempo, aumenta o número

de bezerros, acelera o melhoramento genético, reduz o

intervalo entre partos, padroniza os lotes e faz com que

produtor obtenha melhores preços nas vendas, pelo

melhoramento genético, trazendo lucro ao produtor.

Dados do Tocantins

O rebanho de bovinos do Tocantins é de mais de 8

milhões de cabeças, e atualmente o Estado ocupa o 11º

lugar no ranking nacional e 8ª posição em confinamentos.

Potencial do Brasil

Dados revelam que o Brasil é o primeiro exportador de

carne in natura, seguido pela Austrália e Estados Unidos.

O rebanho bovino no Brasil, em 2011, atingiu 180 milhões

de cabeças, sendo que desse total, 41% é representado

por fêmeas acima de 2 anos (aproximadamente 74

milhões). Além disso, é importante destacar que, 80%

são constituído por bovinos de corte com origem,

predominantemente, Bos indicus (ANUALPEC, 2012).

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Wesley Lopes

Gerente Geral Plena Alimentos

wesley.lopes@plenaalimentos.com.br

RELACIONAMENTO

RELACIONAMENTO

PRODUTOR XFRIGORÍFICO

Se cada brasileiro consumir um bife de 100 gramas a mais por semana, seria necessário aumentar a atual produção

de carne bovina do País em cerca de um milhão de toneladas por ano. Trata-se de um volume equivalente ao que

o setor exportou no ano passado e que gerou uma receita de US$ 4,5 bilhões. E com uma diferença: sem ter de

suportar a burocracia dos mais de 160 países-clientes da produção brasileira. Os consumidores para essa carne

estão todos aqui no Brasil, no mercado interno.

Ótimo isso né? Mas nessa

matéria não vamos falar sobre esse

assunto, isso foi mais à tipo de

informação, e com certeza muitos

de vocês já sabem. Nessa matéria

vamos falar um pouco sobre os

Elos da cadeia, Relação Produtor x

Frigorifico.

É normal entre qualquer

ramo do AGRO quem compra

quer comprar por menos, e quem

vende quer vender por mais, mas

isso não significa que não possam

ter um nível de relacionamento de

autoconfiança.

O relacionamento entre os

elos da cadeia produtiva, mais precisamente

a relação produtor/frigorifico.

Ela vem melhorando muito

nos últimos anos, pode melhorar???

Sim, claro. No que se diz respeito

a informações, isso já vem acontecendo,

indústrias hoje conseguem

informar seus parceiros sobre mercados

futuros, negócios que estão

prestes acontecer, sejam bons ou

ruins para o mercado de um modo

geral. Estamos sempre juntos para

discutirmos temas ligados e tentando

sempre mostrar que esse paradigma

tem que ser quebrado, de que

não existe parcerias entre os elos.

Além de todo relacionamento

voltado a estreitar os laços entre

as cadeias, isso proporciona por

exemplo, um atendimento de mercado

específicos, onde produtores

possam conhecer a necessidade do

mercado, ser orientado corretamente

sobre o tipo de animal que precisam

produzir, e estar entregando

aos abates, que consequentemente

chegará as mesas das donas de casa,

e do consumidor final de um modo

geral, conhecendo as dificuldades

que a indústria tem em comercializar

animais que estão compatíveis a

realidade atual.

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Quando falamos em parcerias,

isso quer dizer que ambos os

lados tem que fazer o dever de casa,

não adianta indústria pagar o preço

que produtor deseja, se a indústria

não recebe mercadoria para atender

a demanda do mercado interno ou

externo, qualidade hoje é acima de

tudo o que o consumidor exige.

Os desafios são enormes,

mas a intenção é trabalhar cada

vez mais na melhoria da qualidade

da matéria-prima que chega até

nossas fabricas, na compreensão

e atendimento de necessidades

especificas de diferentes mercados e

por fim, na imagem da indústria. E

sempre para melhor.

Com uma conduta ética

e coerente nossas equipes de

compra de gado estão preparadas a

atender da melhor forma e clareza,

auxiliar como anda comportando

mercado físico do boi e também

mercado futuro. A Plena Alimentos

segue com rigor a parte de

sustentabilidade, focando sempre

em comprar somente animais de

áreas que não sofrem ou sofreram

embargos relacionados ao IBAMA

e ao M.T.E (Trabalho Escravo),

não comercializamos animais

provenientes de áreas indígenas, nem

em áreas de reservas ambientais.

Grandes empresas como

grupo Pão de Açúcar, Carrefour

e Wall Mart, não adquirem

produtos de empresas cujas as

mesmas não seguirem os requisitos

socioambientais. Para isso estamos

sempre aprimorando nossos

conhecimentos para levarmos

até o produtor de forma simples

e coerente o caminho a seguir

relacionados a esses quesitos.

No estado do Tocantins esse

ano fizemos um trabalho inovador,

uma parceria entre produtor x

frigorifico, entramos com os

animais e o produtor com a engorda

no sistema de confinamento, esses

animais ficam por um tempo

mínimo de dias confinados, após o

abate, o produtor recebe o que os

animais ganharam de peso no preço

de mercado atual.

Esse trabalho vem dando

certo, ao longo desse ano de 2017

e esperamos não só continuar com

parceiros que tivemos nessa modalidade,

como também, expandir a

modalidade com novos produtores.

Estamos terminando a construção

de uma desossa na unidade de Paraíso

do Tocantins, que vai gerar mais

de 200 empregos diretos, terá capacidade

de desossar 1.000 bois/dia,

isso é equivalente a 4.000 peças.

A Plena Alimentos adquiriu

recentemente o Confinamento

Grande Lago em Jussara – GO com

capacidade de confinamento de

70.000 cabeças de gado (estático) e

conta com um sistema de floculador,

um dos únicos do país.

A empresa trabalha com

o sistema Boitel de Engorda, que

é acertado valores em diárias x

tempo de confinamento, no sistema

de arroba produzida e também no

sistema de parceria, (ganho de peso)

onde o produtor recebe suas arrobas

de volta no ato dos abates.

A Plena Alimentos por sua

vez, quer cada vez mais aproximarse

do produtor, consolidando

confiança e clareza nos trabalhos

prestados, e agradecendo sempre a

preferência.

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Gerson Almeida é engenheiro por profissão e churrasqueiro

por paixão, proprietário do Clube da Carne em Curitiba/PR e

apresentador do Clube da Carne TV no canal do Youtube

AGRONEGÓCIO

CHURRASCO

BRASILEIRO

Sempre me senti o “churrasqueiro” profissional da família. Desde os 14 anos fazendo churrasco sempre

achava que incrementar o churrasco com 4 ou 5 variedades de cortes tradicionais abusando dos temperos,

acrescentar a costela no bafo, a paleta de cordeiro com ervas junto a picanha, a maminha e as linguiças e frangos

de entrada e ganhar elogios me parecia o ápice do domingo.

Se ao ler este primeiro paragrafo

você se identificou, pode começar

a repensar o seu conceito de

“churrasco”. Quem, nos últimos 2

anos, não se aventurou em colocar

na grelha cortes com nomes “estranhos”

ou até mesmo cortes de carne

do dianteiro do boi que sempre foram

considerados de segunda linha

esta por fora ou não sabe o que esta

perdendo.

Prime Rib, um Shoulder

Steak ou mesmo o desconhecido

Tomahawk Steak (o parrudo filé tirado

da parte dianteira do lombo do

boi, com um grande osso da costela)

vem cada vez mais ganhando espaço

na grelha e na mesa do consumidor

brasileiro e vieram para ficar.

Mas o que tem estes cortes

diferentes dos cortes que sempre

fomos acostumados a consumir? Eu

diria NADA!! Isto mesmo NADA.

Afinal estes cortes sempre estiveram

ali presentes, na anatomia no boi,

porem sempre foram poucos explorados.

E é exatamente aqui que entra

a graça do negocio. Aqui se fecha

o ciclo “Do pasto a mesa”.

Prime Rib : corte retirado entre

a 5 e a 6 costela do boi de sabor

e suculência incomparáveis

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Entranha: Aba da costela bovina muito

tradicional na mesa dos Hermanos

Somos os maiores exportadores

mundiais de carne, temos um

dos melhores climas, as melhores

raças e uma ampla área de pastagens

invejadas por todo o mundo. Nossos

produtores investem em genética

com comercio de raças britânicas

que possuem características como

precocidade e marmoreio, investem

em tecnologia, em pesquisa para

aprimorar cada vez mais a qualidade

de nossa carne e não podemos deixar

que nossos animais da mais alta qualidade

caiam em gondolas como se

fossem um boi comum, por que não

são. Gosto de dizer que o contrafilé

é o pai de todos s cortes, pois é dele

que saem os mais renomados cortes

Shoulder Steak: corte retirado do conhecido File

Sete com textura e sabor comparável a picanha

que invadem churrascarias, bistrôs

e casas gastronômicas do mais alto

padrão no pais. A grande diferença

em um corte chamado “gourmet”

para um corte comum além da qualidade

do animal que deu origem a

carne, é o melhor acabamento, separando

grupos musculares e texturas

que na grelha possuem formas

diferentes de assar, necessitam de

diferentes temperaturas e tempos

diferentes expostos ao fogo.

É impossível dar a mesma

suculência e o mesmo sabor a uma

capa de filé e um miolo do contrafilé

por exemplo, estando os dois

no mesmo corte, afinal são grupo

musculares com diferentes texturas

Tomahawk steak

e posição das fibras. E sem demagogia

nenhuma, os cortes possuem um

valor mais elevado.

Então inove, experimente

e principalmente acostume-se com

os Cortes gourmet, afinal eles vieram

para ficar. E não tenha medo de

errar afinal, só se atinge a perfeição

com muito e muitos quilos ganhos

na balança, opa quiser dizer com

muitos e muitos quilos de carne na

grelha.

E como diria me amigo Bebeto

do restaurante Barba Negra em

Porto Alegre : “ Churrasco sempre

é bom , mesmo quando ele esta

ruim” então mãos a obra e bom Prime

Rib para você.

PLENA ALIMENTOS.

CONFIANÇA E SOLIDEZ

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segue os padrões internacionais de qualidade, além de apresentar tecnologia

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Nelson Barbosa Leite

Eng. Agrônomo

Consultor Especialista em Floresta

nbleite@uol.com.br

SILVICULTURA

O EUCALIPTO NO

TOCANTINS

O Tocantins tem todas as condições para se tornar, de fato, a médio e longo prazo, importante polo industrial à

base de florestas comerciais de eucalipto. As estatísticas atuais do setor mostram a existência de aproximadamente

100.000 ha de florestas de eucaliptos no estado. Nos últimos anos, os plantios foram significativamente diminuídos,

criando uma interrogação a muitos interessados! O que houve no Tocantins? Por quê um estado com tantas vocações

para a silvicultura e logística bastante favorável, de repente, paralisa os plantios? São dúvidas, que remetem

os interessados a muitas reflexões!

A PREMISSA QUE DEVE

GUIAR A SILVICULTURA

O sucesso da silvicultura

comercial sempre vai depender da

premissa básica: florestas produtivas

e segurança de mercado! Trocando

em conversa de produtor - produzir

bem e ter para quem vender! Essa

premissa simplista nunca foi preocupação

aos silvicultores, que sempre

atuaram nas regiões tradicionais,

onde a silvicultura surgiu, se desenvolveu

tecnicamente, e se expandiu

–especialmente, nas regiões sul e

sudeste. E, ainda, favorecida, tanto

pelas informações técnicas disponíveis,

quanto pelo mercado amplamente

comprador. Embora, mesmo

nessas regiões, nos últimos anos, o

mercado esteja dando sinais de saturação.

O fato das expansões anteriores

terem acontecido, em sua

maioria, próximas a consumidores,

fez com que o produtor, quase não

se preocupasse com as questões de

mercado.

Depois de alguns anos, os

plantios iniciais reproduzindo a silvicultura

das regiões tradicionais e

sem respeitar as características da

região, começaram a mostrar inúmeros

problemas técnicos e os abusos

do “negócio de reposição florestal”

despertaram preocupação às entidades

governamentais e agentes

financeiros. Esse contexto exigiu

que medidas administrativas fossem

adotadas, que acabaram com a animação

desenfreada de oportunistas.

Ainda, no final dessa fase,

surgiram empreendimentos silviculturais

de grande porte, com novos

investidores e interesse na formação

de grandes ativos florestais. Essa segunda

onda, representada por empresas

ligadas a possíveis projetos

industriais, foi, no entanto, prejudicada

pela grave crise econômica, que

se abateu no país, gerando muitas

dificuldades na continuidade desses

investimentos. Agravou, ainda mais,

a continuidade desses investidores, a

inexistência, no estado, de políticas

industriais voltadas ao uso de florestas

plantadas! Esse processo sofreu,

parcialmente, solução de continuidade,

mas produziu uma riqueza

imensurável de informações técnicas

para o estado do Tocantins. Com

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certeza, servirão de imprescindível

base de conhecimento para futuros

empreendimentos no estado.

A EXPERIÊNCIA DOS

NOVOS INVESTIDORES

Apesar da descontinuidade

parcial desses grandes empreendimentos,

a silvicultura desenvolvida,

pelos novos investidores e suas

equipes de profissionais, possibilitou

significativos avanços tecnológicos.

Ficou evidente a necessidade

de se desenvolver práticas silviculturais

bem distintas das utilizadas

nas regiões tradicionais de silvicultura

– principalmente, sul e sudeste

do Brasil. Criou-se, quase uma

nova silvicultura! Ficou comprovada

a necessidade de pesquisas e experimentações

com novos materiais

genéticos, sistemas e quantidades de

adubações, espaçamentos mais adequados,

novos procedimentos de

plantio e manutenções, etc. Enfim,

as condições do estado do Tocantins

exigiram um redesenho da tradicional

silvicultura. Desenvolveram-se

excelentes trabalhos técnicos, que

resultaram em valiosas informações

operacionais. Criaram-se as bases

para que a silvicultura pudesse se

desenvolver de maneira mais satisfatória

no estado.

A CONTINUIDADE DA

SILVICULTURA NO TOCANTINS

O crescimento das indústrias

de base florestal do Brasil deve

continuar, diante do grande potencial

do mercado nacional e internacional.

E poucos estados com condições

favoráveis, ainda se mantem

desocupados e com terras a preços

competitivos. Portanto, continuam

as apostas no potencial do Tocantins,

como importante região para

crescimento da silvicultura brasileira.

Há necessidade, no entanto, que

algumas medidas sejam tomadas:

• Avanços significativos foram

alcançados, e há exemplos de

sucesso com os trabalhos desenvolvidos

e em desenvolvimento,

mas para que a silvicultura

se torne política pública e

melhoramentos crescentes, há

necessidade de mais pesquisas

e experimentações florestais. É

imprescindível a participação

governamental nesse desafio;

• A silvicultura no Tocantins exige

conhecimentos técnicos específicos,

face às diversas condições

naturais existentes no estado. Os

empreendimentos bem-sucedidos

mostram a impossibilidade

de se generalizar procedimentos

para as diferentes situações

existentes: solo, clima e déficits

hídricos;

• O Tocantins precisa estabelecer

políticas industriais para uso das

florestas plantadas. Nesse sentido,

a formação de um grande

polo de geração de energia da

madeira – energia verde, é uma

alternativa que deveria merecer

atenção especial no Tocantins.

As condições naturais existentes,

infraestrutura e logística favorecem,

sobremaneira, o uso

das florestas para tal finalidade.

• É importante registrar que as

dificuldades existentes no Tocantins,

também ocorreram em

todas as novas fronteiras, como

Norte de Minas, Mato Grosso

do Sul, Maranhão, Sul da Bahia

e Norte do Espirito Santo. E as

superações para melhorias silviculturais

se deram pelo aprofundamento

do conhecimento

e pela expansão das pesquisas e

experimentações. E o Tocantins

não seria diferente. Difere, no

entanto, pelo fato de que, apesar

das dificuldades, estes conhecimentos,

aparentemente, estão

se dando de forma mais rápida

e efetiva que nas antigas “novas

fronteiras “.

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Bruno Soares Pires de Mello Tristão

Zootecnista / Agroquima

bruno.tristao@agroquima.com.br

SUPLEMENTAÇÃO

A CHUVA CHEGOU!

O QUE FAZER PARA MINIMIZAR OS EFEITOS DO “BROTO” E O GADO NÃO “ESCORRER”?

Nesse período do ano, o rebanho bovino, já bastante sentido pela seca de 4 a 6 meses que acabou de atravessar,

ainda terá que enfrentar mais uma fase de desafio fisiológico e nutricional causado por essa prolongada

estiagem que pode ser bem crítico para os animais, dependendo das condições de manejo das pastagens e da suplementação

dos rebanhos adotada pelos produtores rurais durante esse período na fase de transição para o tempo

das águas, época em que os reflexos dessa mudança são mais sentidos pelos bovinos. Isto porque pastos degradados

não têm disponibilidade adequada de matéria seca.

Além disso, a pouca quantidade

de forragem eventualmente

disponível não apresenta níveis de

proteína, vitaminas e minerais capazes

e suficientes para atender à

demanda nutricional desses animais

devido as sofríveis condições a que

foram submetidos, o que, muito

provavelmente refletirá no desempenho

zootécnico e no estado de

saúde desses bovinos.

A velocidade na qual ocorrerá

a formação do pasto das águas

está diretamente relacionada ao volume

de chuva, temperatura, luminosidade,

fertilidade do solo, espécie

forrageira e estrutura do pasto.

Sendo assim, quanto mais lenta for a

velocidade de crescimento e acúmulo

de forragem para a formação do

“novo” pasto de águas, maior será o

efeito do período de transição sobre

o desempenho dos animais.

Nesse momento de transição

da qualidade das pastagens

ocorrem desequilíbrios e carências

de vários elementos minerais essenciais,

aumentando o estresse nutricional,

com consequências que

incluem perdas de peso, diarreias e

queda de desempenho zootécnico.

Dependendo do volume e

intensidade das chuvas que marcam

o início da transição seca-águas, as

folhas presentes na macega seca

caem, comprometendo muito a

qualidade da massa ali acumulada

(quando pensamos em pasto seco).

Esse aspecto se agrava, caso as chuvas

não firmarem, atrasando a brotação

e formação do pasto de águas.

Nesse caso, o desempenho dos animais

será muito comprometido.

O surgimento dos brotos na

pastagem faz com que os animais

passem a buscar por essas folhas

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jovens, aumentando o tempo de

pastejo. Um ponto importante é

atentar-se para a estrutura do pasto

seco ao final de estação, uma vez que,

a característica da macega ao final da

seca influenciará as características e

formação do pasto de águas. Uma

macega com muito resíduo ao

final da seca, com grande presença

de material morto, composto em

sua maior parte por talos secos,

refletirá em uma estrutura de difícil

formação do bocado pelo animal,

aumentando ainda mais o tempo de

busca por alimento, impactando o

desempenho.

Caso as chuvas demorem a

firmar, e a macega acumulada tiver

perdido as folhas, uma opção é aumentar

a quantidade de suplemento/ração

fornecido para os animais

no cocho. Para essa ação é importante

avaliar a disponibilidade de

cocho, garantindo acesso ao suplemento

por todos animais do lote.

No caso de proteinados, a recomendação

é de 10 a 15 cm lineares por

animal, já para produtos de maior

consumo, precisamos ofertar de 25

a 30 cm lineares por cabeça.

Para produtores que possuem

estrutura de confinamento e/

ou estrutura de piquetes, uma estratégia

interessante é fazer o “sequestro”

de categorias jovens (bezerros e

garrotes) em recria. Basicamente, é

formulada uma dieta mais volumosa

e fornecida aos animais fechados

no confinamento ou piquetes. Essa

dieta simula um pasto de boa qualidade

e ajuda a manter o ganho de

peso dos animais nessa fase crítica

de transição de seca para águas.

Quando a pastagem já estiver estabelecida,

retornamos os animais aos

pastos e seguimos a estratégia definida

para o período das águas, com

um suplemento especifico para essa

fase do ano.

Por outro lado, se as chuvas

firmarem, se possível, devemos

buscar rebaixar ao máximo a macega

acumulada (resíduo do final da

seca), favorecendo a formação do

pasto de águas, visando uma estrutura

rica em folhas. Nesse sentido,

o que pode ser feito é aumentar a

taxa de lotação, permitindo um rebaixamento

da macega de forma

mais homogênea ou abrir mão do

uso de roçadeiras para uniformização

do local. Aliado a esses manejos

para uniformização do dossel forrageiro,

pode-se utilizar estratégias de

adubação, as quais acelerarão o crescimento

da forrageira presente.

Para as matrizes bovinas, o momento

é o de iniciar a suplementação mineral

com produtos que contenham

elevados teores de minerais importantes

para a reprodução.

É necessário redobrar a

atenção com produtos contendo

altos níveis de uréia, precisamos ter

em mente que, não é ela que mata

os animais, mas sim, a água acumulada

e consumida no cocho. Uma

ação muito importante é orientar os

responsáveis pelo manejo do gado

a rodar os pastos (principalmente

os sem animais e que podem estar

com o cocho cheio), verificando o

acúmulo de água e/ou suplementos

velhos nos cochos antes de voltar

com os animais. Geralmente, esse é

um ponto esquecido.

Ainda, é preciso lembrar que

o consumo dos produtos pode cair,

frente ao que estava sendo observado

nas últimas semanas. Os animais

gastam mais tempo buscando broto,

o que pode refletir no aumento do

tempo de pastejo e redução do consumo

do produto no cocho.

Normalmente nas fazendas ainda

encontramos produtos de seca que

precisam ser utilizados, mas ao mesmo

tempo temos que nos preparar

para transição, desta forma, se faz

necessário algumas misturas para

minimizar a transição natural e utilizar

os estoques restantes de produtos

para seca, sendo assim é orientado:

Proteinado de seca, misturado

com proteinado de águas, forma um

ótimo produto de transição; o mesmo

raciocínio pode ser trabalhado

para o ureado misturado ao sal mineral;

outra opção é misturar o proteinado

de seca com milho, fazendo

um suplemento proteico energético

de consumo de 0,2 a 0,5%, dependendo

da diluição a ser feita.

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Evelynne Urzêdo Leão

Eng. Agrônoma UFT

Doutora em Agronomia UNESP/SP

evelynnegpi@gmail.com

FRUTICULTURA

DIAGNOSE & CONTROLE

DE VIROSES NA CULTURA DA MELANCIA

Tema de discussão recorrente entre produtores rurais, a compactação de solo tem se mostrado um grande desafio

para o aumento da produtividade no campo brasileiro. Devido ao aumento de porte do maquinário agrícola (maior

peso), da maior ocorrência de períodos secos e chuvosos alongados, e da prática de técnicas de plantio direto na

agricultura, a compactação de solo tornou-se assunto importante e essencial para o homem do campo.

Neste artigo, será dada ênfase

nos impactos da compactação

de solo na cultura de soja, avaliação

da permeabilidade de água no solo,

e desenvolvimento radicular e foliar.

Neste contexto, devemos ter

noção de que se até 10 anos atrás,

grande parte das áreas cultivadas

tinham o plantio convencional como

técnica principal, hoje, vê-se que o

plantio direto é a técnica dominante.

E isto impactou diretamente a forma

como se dá a compactação de solo.

Inicialmente vamos dividir

as camadas do solo, genericamente,

em superficial (0cm-20cm) e subsuperficial

(20cm abaixo).

No plantio convencional,

marcado pelo uso continuo de grades

e demais implementos aradores,

a camada superficial compactada era

constantemente rompida, transferindo

a compactação para maiores

profundidades (camada subsuperficial),

os chamados “pé-de-grade”.

O manejo para estes casos se dava

através do uso de subsoladores, com

profundidade de trabalho próxima a

40 cm. Após o advento do plantio

direto, em que há intenção do menor

revolvimento do solo, para a

manutenção da matéria orgânica,

a camada compactada passou a ficar

restrita a superfície, na camada

superficial (0 cm – 20 cm). O mercado

de máquinas e implementos,

em parceria com as Universidades,

adaptou-se a esta tendência, criando

os escarificadores, com profundidade

de trabalho de até 30cm.

Em termos práticos, a determinação

do equipamento indi-

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EDIÇÃO 33 | ANO 07 | SET/OUT 2017


cado, e posterior regulagem da profundidade

de trabalho, devem vir de

experimentos a campo, sendo que

pode haver diferença entre as cabeceiras

do talhão (onde há maior trafego

de maquinas) e o centro (Silva

et al., 2004c).

No caso da cultura de soja, o

nível critico de compactação de solo

para impacto na produtividade, é da

ordem de 2mPa a 4mPa, de acordo

com o tipo de solo (Beutler et al.,

2006).

Trazendo a teoria para a

realidade do Tocantins, em visitas

a diversos produtores na safra

2016/2017, nos municípios de Cariri

– TO (Fazenda Renascer), Gurupi

– TO (Fazenda Santo Antônio)

e São Valério da Natividade – TO

(Fazenda São Benedito) nota-se os

efeitos da compactação do solo, visualmente

no desenvolvimento radicular

e foliar, conforme imagem

comparativa abaixo (planta de área

escarificada a esquerda da imagem).

Fica também evidenciado,

em entrevistas com os produtores

de cada propriedade, que o manejo

de solo aplicado ao talhão impacta

diretamente nos níveis e profundidade

de compactação.

Isto é, produtores com costume

de aplicar grade niveladora

para incorporação de sementes para

cobertura, tinham índices próximos

a 4mPa em uma profundidade de

10cm. Em outros casos, talhões que

passaram por calagem, e posterior

incorporação do calcário com grade

aradora intermediaria, apresentavam

índices de até 5mPa a uma profundidade

de 15cm. Em 90% das medições

realizadas, a profundidade de

compactação igual ou superior ao

nível critico se deu até 30 cm.

Outro fator diretamente

ligado a compactação de solo, é

a quantidade de matéria orgânica

na superfície. Estudos indicam

que uma maior quantidade de

matéria orgânica reduz a pressão

exercida por maquinas sobre o solo,

no sentido de que quanto mais

compactável o solo, maior será o

feito da incorporação de matéria

orgânica (Zhang et al., 1997).

Por fim, compreender a interação

da matéria orgânica, umidade

e textura do solo é importante

para definir estratégias de manejo,

visando o desenvolvimento do perfil

de solo e crescimento das plantas.

No caso especifico do TO,

região que se consolida como fronteira

agrícola, com características tão

irregulares de solo, estes conceitos

devem ser amplamente utilizados,

com os agricultores investindo em

inovações tecnológicas e cuidando

de seu bem mais precioso: a terra.

Pulgão - Myzus persicae

Virose - Mosaico comum + Mosaico

amarelo da abobrinha

Virose - Mosaico Comum da melancia

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GENÉTICA ANIMAL IV

Akaushi

Vivian Machado

Pecuarista

akaushibrasil@gmail.com

Em 2012, com o objetivo de agregar renda à propriedade, conhecemos o Projeto da Origine Group de multiplicação

genética da raça Akaushi no Brasil, através de uma parceria que haviam firmado com a norte-americana

HeartBrand Beef.

O Akaushi é de origem

japonesa e também é chamado

de Japonês Brown ou Red em

decorrência de sua cor marrom –

avermelhada. Sua história remonta

ao século II, quando o Japão trouxe

da Ásia os primeiros animais que

viriam a compor seu rebanho

voltado exclusivamente para o

transporte e tração no trabalho com

a terra e na mineração.

Entre 1635 e 1854 as fronteiras

do país ficaram fechadas e a

raça não sofreu nenhuma intromissão

de genes estrangeiros. Já em

1887 foram novamente importados

animais havendo a influência genética

das raças coreana-Hanwoo, britânica-Devon,

e da Suíça-Simental.

Contudo, em 1910 os cruzamentos

cessaram abruptamente porque se

percebeu que a capacidade de trabalho

e a qualidade da carne estavam

sendo atingidas de forma negativa.

Mundialmente o Akaushi é conhecido

por imprimir marmoreio em

sua carne, que é aquela gordura entremeada,

que confere maciez, suculência

e sabor superiores.

Além disso, estudos mostraram

que sua carne possui elevado

percentual de gorduras monoinsaturadas

e ácidos graxos saturados

como o oleico, que reduz os níveis

de LDL (colesterol ruim) no sangue,

além de ômega-3 e ômega-6, e, por

isso, é tão valorizada nos mercados

mundiais.

Em 1994 um pequeno

número de animais foi exportado

para a HeartBrand Beef nos Estados

Unidos de onde veio o sêmen para

a produção dos nossos animais

Akaushi F1 que são resultado de

IATF feito em matrizes da raça

Nelore.

Passados cinco anos convivendo

com a raça na lida diária da

propriedade, podemos dizer que é

um animal dócil, de fácil manejo no

curral, rústico, com baixa incidência

de parasitoses e com excelente adaptação

ao clima quente do cerrado.

Geralmente nascem com

32Kg M e 30Kg F e se desenvolvem

bem mesmo sem creep-feeding até

a desmama que fazemos entre 7 a 8

meses e com peso médio de 220kg

F e 240 kg M.

Já na recria percebemos que

sua exigência alimentar é maior, sua

fase crítica diríamos, tem que haver

boa pastagem e suplementação em

Vacada Nelore com Bezerros Akaushi F1

- Agropecuária 2M-Bernardo Sayão/TO

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cocho porque se não ele se torna um

animal tardio, e não é o que se busca.

Ainda assim ele tem chegado nos

24 meses com 420 Kg F e 510 Kg

M, o que consideramos muito bom

inicialmente.

A maturidade sexual das

fêmeas Akaushi F1 é bem precoce,

ocorrendo antes dos 14 meses de

idade, além disso, alcançaram alta

taxa de fertilidade em torno de 60

% com o ciclo de IATF.

Em abate técnico da Origine

Group acompanhados por profissionais

capacitados e a Universidade

Federal do Tocantins verificou-se

bom rendimento de carcaça entre

56% e 57%, com paridade entre machos

e fêmeas e marmoreio médio,

o que demonstra que a transferência

genética do Akaushi é bem elevada.

Os F1 são em sua maioria

predispostos geneticamente ao marmoreio,

claro que não alcança o de

um animal puro, mas é suficiente

para conferir mais maciez e sabor

à carne, que é palatável, e de gosto

suave e diferenciado, especialmente

a costela que nos surpreendeu bastante,

além de dispensar papel alumínio

ela vai junto com a picanha

pra churrasqueira e demora pouco

mais pra ficar pronta.

Em junho de 2016 chegaram

ao Brasil, vindos dos Estados

Unidos, animais puros de propriedade

da Origine Group, que estão

sob os cuidados da Seleon Biotecnologia,

prestadora de serviços em

coleta e processamento de sêmen e

produção in vitro de embriões. Assim

a multiplicação da genética será

ainda mais viável e eficiente, uma

vez que, será possível fazermos o

repasse com o Touro Akaushi, já

agora em 2018.

Os primeiros animais F2, filhos

de nossas fêmeas Akaushi F1,

acabaram de nascer e a expectativa é

que sejam ainda melhores em qualidade

de carne. Também começamos

a fazer o teste com o tricross Nelore

x Angus x Akaushi, que entendemos

ser um bom cruzamento em razão

das características de cada raça.

Em visita ao Uruguai e à

Colômbia, que também já estão

produzindo o Akaushi e suas cruzas,

percebe-se que ele também se

adapta a climas mais amenos e que é

um animal de extrema versatilidade,

e forte na transmissão de suas características.

Com todos que conversamos

e que fizeram a degustação da

carne, a opinião é unanime quanto à

maciez, sabor e suculência.

Realmente superior e agradável,

uma carne que dá gosto de

comer.

Dessa forma, fomos os primeiros

a firmar parceria com a Origine

Group no Estado de Tocantins

e seguimos acreditando no Akaushi

e em seus cruzamentos, especialmente

com o Nelore. Seguimos em

frente acompanhando o desenvolvimento

e adaptação do F2 e do tricross,

para então ver qual será o caminho

a ser trilhado na propriedade.

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