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cabos da barca, da qual

cabos da barca, da qual emanavam suaves e inebriantes ondas de perfume (...). 39 Para Plutarco, a sedução foi o grande triunfo político da rainha, em outras palavras, o biógrafo via em Cleópatra uma mulher verdadeiramente promiscua e sem sentimentos, que usou de seu corpo para subjugar dois grandes líderes políticos de sua época. 40 Apesar desses fatos, o pensamento plutarquiano carrega em seu relato a ambiguidade de suas fontes; o biografo utilizou-se de inúmeros depoimentos de partidários de Otávio, inclusive o de seu avô, mas também utilizou o relato de alguns adeptos de Cleópatra como o do médico desta, que era “(...) chamado Olímpio, ao qual ela manifestou e contou toda a verdade, afim que a ajudasse à partir desta vida, como o mesmo Olímpio deixou escrito, o qual escreveu e publicou uma historia destas coisas”. 41 Ao usar o relato do médico da rainha, para escrever sobre a história de seus últimos dias e de sua morte, Plutarco começa a mostrar mais simpatia para com Cleópatra, que, pela primeira vez, passa a mostrar sentimentos. Esta constatação é observável na passagem plutarquiana, onde, Antônio, após ter se desferido um golpe de espada, mandou que o levassem até Cleópatra, que estava presa em seu Mausoléu. Ao chegar ao local, o general foi suspendido, até uma espécie de janela, por Cleópatra e suas servas – Iras e Charmian: Os que estavam presentes a esse espetáculo dizem que jamais se presenciou coisa mais piedosa, pois levantavam aquele homem, que banhado de sangue, nas vascas da morte, que estendia a mão para Cleópatra, (...), consegui-o faze-lo chegar até junto dela, (...), enxugou-lhe 39 Plutarco, Vida de Antônio, XXXI. 40 BALTHAZAR, Gregory da Silva. Cleópatra a Sedução do Oriente: O Corpo como meio Feminino de Exercer Política. Revista de História Comparada (PPGHC-UFRJ), v. 6, p. 88-109, 2009. 41 Plutarco, Vida de Antônio, CV. 24

o sangue, que lhe banhava o rosto, chamando-o seu senhor, seu marido e seu imperador, esquecendo sua miséria e sua própria infelicidade (...). 42 Essa ambiguidade da Cleópatra plutarquiana, talvez tenha sido o que conquistou a simpatia, para com a rainha, do público contemporâneo, inclusive dos criadores de egiptomanias. Porém, o incrível poder de sedução da rainha, que foi capaz de subjugar dois dos maiores nomes da história latina, não serviu em nada no caso de Otávio César. O encontro entre estes eternos inimigos, que serviu de inspiração para Louis Gauffier (1762- 1801), simboliza a derrota do Oriente frente ao Ocidente, do feminino contra o masculino, da barbárie versus a civilidade. O quadro foi “encomendado pelo conde d’Angviller, em 1787, e terminado por Gauffier em 1788”. 43 Ilustração 3: Augusto e Cleópatra, Louis Gauffier, Óleo sobre Tela, 1788. Edimburgo, Galeria Nacional da Escócia. 42 Plutarco, Vida de Antônio, C. 43 HUMBERT, Op. Cit., p. 570 25

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