Jornal Paraná Agosto 2019

LuRecco

Fenasucro

será de

20 a 23

de agosto

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OPINIÃO

Moderno é conquistar resultados

Não é o que utiliza as últimas tecnologias,

mas o que se utiliza de tecnologias

apropriadas ao ambiente de produção

Cássio Manin Paggiaro (*)

Moderno em qualquer

atividade produtiva,

é conseguir resultados

que propiciem a

continuidade da atividade. Nesse

contexto, o questionamento passa

a ser o que deve ser feito para

se conseguirem resultados na

área agrícola do sistema sucroenergético

e ser viável. Moderno

não é aquele que utiliza as últimas

tecnologias, mas o que se

utiliza de tecnologias apropriadas

ao seu ambiente de produção. A

área agrícola do setor tem gerado

dados que, transformados em

informação, viram conhecimento.

O sistema de produção passou

por transformações de manejo,

com eliminação da queima

da cana e mecanização do plantio

e da colheita.

A área agrícola convive com uma

situação difícil, por ter produtividades,

na média, inferiores ao

conseguido há 30 anos, diferente

das culturas de grãos onde estas

cresceram. Mas, nosso intuito é

elencar soluções para a retomada

do crescimento da produtividade.

Quando citamos tecnologias

apropriadas, devemos incluir

os fatores humanos. A formação

de mão de obra especializada

e a promoção de desenvolvimento

profissional por meio de

parcerias com instituições públicas

e privadas, possibilitam a implantação

de tecnologias avançadas

e resultados promissores.

A cana ocupa 9 milhões de hectares

no Brasil, em diferentes regiões

de solo e clima e replicar

situações de manejo de uma região

para outra pode ser um erro.

O conhecimento do clima, solo,

balanço hídrico, disponibilidade

de recursos materiais e humanos

capacitados para as operações

são precursores de um planejamento

agrícola, fundamental para

o manejo integrado dos processos

operacionais.

A definição da época do plantio

em função do clima e ambiente

de produção regional é um fator

de sucesso, o manejo de colheita

é muito influenciado pelo ambiente

de produção e clima local.

Uma das situações cuja solução

devemos considerar como “moderna”

é a do pisoteio sobre as

linhas de cana pelas máquinas

agrícolas. Deveria ser inconcebível

essa situação de agressão ao

maior bem da empresa, a cana.

A sistematização do solo e o seu

preparo para plantio são fundamentais

para a qualidade da sulcação

e do paralelismo. Há muita

tecnologia que pode ser adotada

para o preparo do solo-convencional,

reduzido, canteirizado,

mais ou menos profundo. A escolha

de um ou mix deles deve

vir do conhecimento integrado. A

conservação e a sistematização

do solo não podem ser generalizadas;

sulcar reto e sem terraços

não é manejo recomendável para

todas regiões.

Temos tecnologias desenvolvidas na

“prateleira” que devem ser utilizadas

O espaçamento para plantio pode

diminuir o pisoteio e o ganho

de produtividade. O uso ou não

da irrigação pode influenciar na

escolha do espaçamento entre

linhas. A definição é relacionada

com custo em função da possibilidade

de colheita mecânica de

uma ou duas linhas consecutivas

de cana. O plantio com mapeamento

das linhas de cana possibilitará

que todas as operações

subsequentes de colheita e tratos

culturais possam ser realizadas

com equipamentos com GPS,

direcionando o tráfego, evitando

o pisoteio.Também moderno

deve ser o uso de insumos. O

principal da cana são as cultivares.

A escolha da correta é fator

de sucesso. Anualmente, recebemos

novas variedades por

meio das principais instituições

que as desenvolvem, que conseguem

liberações em menor tempo,

porém com menos informações,

necessitando maior cuidado

na escolha da cultivar.

A meiosi devolveu a possibilidade

de utilizar mudas sadias,

principalmente por meio de mudas

pré-brotadas, interrompendo

um ciclo de que qualquer cana

planta é um viveiro. Na parte nutricional,

contamos com fertilizantes

com mais tecnologia

agregada, oferecendo um complexo

de nutrientes, beneficiando

sua distribuição homogênea. O

parcelamento das doses de nitrogênio

e potássio no plantio

vem propiciando ganhos de produtividade.

A relação de nutrientes

na formulação de soqueira

está mais ajustada para cada

ambiente de produção, podendo

considerar ganhos com restos

da cultura advindos da colheita.

O uso de ácidos húmicos e fúlvicos,

em cana planta e soca, são

sinérgicos à nutrição adotada.

Uma cana bem plantada e nutrida

terá maior resistência aos

ataques de pragas e doenças. O

monitoramento da lavoura identificando

eventos de controle

contribuem para diminuir o problema.

A cana começa a evoluir

para a manutenção das folhas

com máximo de sanidade, mesmo

que sejam manchas secundárias,

aproveitando toda capacidade

fotossintética da planta

para crescimento e acúmulo de

energia, por meio de aplicações

de produtos preventivamente.

No manejo de colheita, muito se

fala da “Matriz de 3° Eixo”, que

busca conseguir maior idade

cronológica aos canaviais a serem

colhidos e maior produtividade

pelo maior tempo de crescimento.

Esse manejo deve ser

ponderado com outros fatores,

como características varietais do

plantel, maturação e sensibilidade

ao florescimento, liberação de

área durante a safra para aplicar

vinhaça e preparo de solo, meiosi,

rotação de cultura, uma vez

que a mesma área será colhida,

a cada ano, mais tarde. A aplicação

da vinhaça é um processo

com potencial para produção e

redução de custo, podendo fornecer

100% do potássio, matéria

orgânica e umidade.Temos tecnologias

desenvolvidas na “prateleira”

que podem e devem ser

utilizadas. Muito se fala em agricultura

de precisão, monitoramento

remoto da cana e da frota

como essenciais e até criou-se o

paradigma de quem não tem essa

tecnologia, não é moderno.

Todas ferramentas são importantes,

porém não devem preceder,

na falta de recursos, o famoso

“arroz com feijão” feito com

critério e presença técnica no

campo, visualizando as situações

e corrigindo desvios. Moderno,

hoje e sempre, em

qualquer atividade produtiva é

conseguir resultados que propiciem

a continuidade da atividade.

(*)Superintendente da Usina

Atena. Publicado na Revista

Opiniões.

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BIOENERGIA

Safra de cana é menor no Paraná

Afetadas por problemas climáticos, lavouras devem produzir

34,135 milhões de toneladas, 900 mil a menos que a estimativa anterior

Períodos de prolongada

estiagem no ano passado,

no Paraná, prejudicaram

sensivelmente

o desenvolvimento das

lavouras de cana-de-açúcar e

os reflexos estão sendo sentidos

agora, na colheita da safra

2019/20, que começou em

abril e vai até dezembro.

Ao emitir no início de julho

seu informativo quinzenal de

acompanhamento da safra, a

Associação dos Produtores de

Bioenergia do Estado do Paraná

(Alcopar) divulgou a nova

estimativa de produção, de

34,135 milhões de toneladas,

exatamente 900 mil a menos

em relação às 34,935 milhões

de toneladas mencionadas no

boletim anterior.

Comparando com a produção

do ano passado, que foi de

36,762 milhões de toneladas,

a queda é de 2,627 milhões de

toneladas. É como se uma

área correspondente a 38,6 mil

campos de futebol, cultivados

com canaviais, simplesmente

deixasse de existir.

De acordo com a entidade, que

congrega 20 unidades processadoras

no Estado, 15,988

milhões de toneladas da matéria-prima

já estariam colhidas

até meados de julho, o que

corresponde a 38% do total

previsto para o ano 2019/20.

O presidente da entidade, Miguel

Rubens Tranin, explica

que foram dois longos períodos

de déficit hídrico em 2018

e, não bastasse, somaram-se

a isso altas temperaturas no

final do ano e início de 2019. O

novo ciclo começou sem que

os canaviais apresentassem o

crescimento esperado, havendo

também queda de produtividade.

São 550 mil

hectares plantados no Estado,

com média de 68 toneladas

por hectare.

Diante da menor oferta de

matéria-prima, as usinas

adotaram a estratégia de reduzir

a produção de etanol,

de 1,572 bilhão de litros na

safra anterior, para 1,409 bilhão

na atual temporada,

priorizando o açúcar, para o

cumprimento de contratos de

exportação. O volume de

açúcar deve totalizar 2,193

milhões de toneladas, pouco

acima das 2,094 milhões de

toneladas registradas do período

2018/19.

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SETOR

Mário Gondo é

homenageado pela Alcopar

Economista, trabalhou no setor por 37 anos e atuou no Consecana-PR desde a

sua formação, tendo ajudado na elaboração da planilha de custos base do conselho

Oeconomista Mário

Toshikatu Gondo,

62 anos, foi homenageado

pela Alcopar,

no último dia 24 de julho,

durante a reunião mensal do

Consecana-PR (Conselho

dos Produtores de Cana-de-

Açúcar, Açúcar e Álcool do

Estado do Paraná), na sede

da associação, em Maringá.

Além de receber uma placa

de agradecimento pelos quase

20 anos de serviços prestados

ao conselho, participou

de almoço comemorativo.

Depois de trabalhar por 37

anos no setor sucroenergético

e ter participado do Consecana-PR

desde a sua formação,

em 2000, Gondo se

aposentou recentemente, em

maio deste ano.

O presidente da Alcopar, Miguel

Tranin,destacou a participação

do homenageado

nas reuniões mensais do

conselho no período e sua

colaboração desde o início,

quando ajudou na elaboração

da planilha de custos que

serve de base para a geração

do preço referência da tonelada

de cana-de-açúcar, usado

na livre negociação das

partes - produtores de canade-açúcar

e indústrias sucroenergéticas

paranaense. É o

trabalho do Consecana que

permitiu organizar a comercialização

do setor, quando o

Governo Federal extinguiu o

IAA (Instituto do Álcool e do

Açúcar) após a safra

1998/99, e regula o mercado

atualmente.

“Neste primeiro momento,

meus planos são descansar e

aproveitar para viajar um

pouco. Futuramente, com a

melhora da economia do

País, quem sabe aceite novos

desafios ou monte uma consultoria”,

afirmou Gondo.

Para ele, o período em que

participou do Conselho foi de

muito enriquecimento pessoal,

de troca de informações

com um grupo seleto de

grandes conhecedores do

setor sucroenergético e uma

forma de sempre se manter

atualizado. “Foi uma experiência

muito boa que somou

muito como profissional e

pessoa”.

Natural de Lins, São Paulo, é

formado em Economia, em

1978, pela Universidade Markenzie,

de São Paulo, estado

onde trabalhou alguns anos

em uma transportadora. Em

1982 voltou para o município

de São Pedro do Ivaí (PR),

para onde a família havia se

mudado na década de 1960 e

onde o pai era produtor rural.

Foi neste ano que iniciou sua

trajetória no setor sucroenergético

sendo contratado pela

Usina Vale do Ivaí como contador.

Quando saiu da usina, em

1995, exercia o cargo de diretor

Administrativo. Em março

do mesmo ano iniciou seu

trabalho como supervisor de

Planejamento e Orçamento

no Grupo Santa Terezinha,

mudando-se para Maringá.

Em 2008 foi promovido a diretor

Administrativo do grupo,

função que exerceu até maio

de 2019, quando se aposentou.

Acima, Miguel Tranin com Mário,

e abaixo com a esposa Tereza

Formado em Economia, fez

também especialização em

Tecnologia da Qualidade, pela

Tecpar (Instituto de Tecnologia

do Paraná) de Curitiba,

em 1995, e em Gestão Empresarial,

pela Fundação Getúlio

Vargas, em 1998.

Cursou ainda mais duas especializações:

em Agronegócio,

pela Esalq de Piracicaba,

em 2004, e de Finanças, pela

Getúlio Vargas, em 2006.

Também atuou como vicepresidente

da Acema (Associação

Cultural e Esportiva de

Maringá) de 1999 a 2006; e

do Parque do Japão, de 2006

a 2014.

Mário Gondo é casado com

Tereza e tem dois filhos, Ricardo

e Sílvia.

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USINA

Santa Terezinha realiza encontro com parceiros

Evento ocorrido entre 2 a 4 de julho

reuniu mais de 1.100 pessoas

Aprimeira edição da reunião

com Parceiros

Agrícolas, promovida

pela Usina Santa Terezinha,

contou com a presença

de mais de 1.100 parceiros dos

clusters UST Norte (Iguatemi,

Paranacity e Terra Rica), UST

Centro (Rondon, Cidade Gaúcha

e São Tomé) e UST Sul (Tapejara,

Moreira Sales, Umuarama,

Ivaté e Usina Rio Paraná).

O evento conduzido pelo diretor

de operações agroindustriais,

Julimar de Souza, demonstrou

de forma ética e transparente o

posicionamento e os objetivos

da empresa, apresentando o novo

modelo de gestão organizacional

e as técnicas e práticas

agrícolas que impulsionarão o

grupo a um novo patamar de

produtividade e performance

operacional. “A amplitude do encontro

reforçou o compromisso

e a confiança mútua da usina e

parceiros agrícolas, permitindo

vivenciar 55 anos de uma história

que sempre estará em constante

evolução”, aponta comunicado

da empresa.

As avaliações dos presentes sobre

a reunião foram as mais positivas

possíveis. “Sou parceira

da usina há 10 anos. As conversas

e negociações sempre foram

transparentes, assim como

esta reunião”, afirmou Luciana

Lollato. Para Claudio Lima, a

reunião mostrou que o negócio

está andando, e para Clóvis Lima,

que tudo está mudando para

melhor e que as terras estão

sendo bem cuidadas.

“Nós somos parceiros, então é

importante termos um conhecimento

geral sobre as transformações

que estão ocorrendo na

empresa”, disse Antonio Carlos

Paes. Na avaliação de Coralia

Mendes, a iniciativa de reunir os

parceiros ajudou a esclarecer as

dúvidas. Elisabete Gerent foi

além e comentou que a reunião

abriu os horizontes e que a reestruturação

da empresa ficou

clara para todos. “Foram apresentados

para nós planejamentos

que têm tudo para dar certo”,

comentou Dirce Venâncio

Lopes.

Para Eduardo Magrinelli, a reunião

foi boa por aproximar os

arrendatários e a empresa. “As

mudanças foram bem destacadas.

Nosso vínculo com a usina

será fortalecido”, avaliou Vagner

José Borges. Destacando a importância

das informações trazidas,

Graziela Lollato disse que

“estamos aqui efetivamente como

parceiros”. “Eu e meu marido

somos parceiros da usina

há 20 anos, saímos sentindo

bastante segurança”, acrescentou

Marta Valleoto. Sergius Bertozzi

resumiu o encontro: “a

forma de contato entre a usina

e os parceiros mudou. Tudo colaborou

para aumentar a confiança”.

Para Miguel Ciriaco, o

grupo está acompanhando o

avanço da tecnologia e “isso é

muito bom para nós”. “É importante

sabermos o que está

acontecendo, como estão as

mudanças no plantio e no manejo

do solo”, finalizou Flávia

Regina Lavagnolli.

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FEIRA

RenovaBio impulsiona a posição

estratégica dos biocombustíveis

O programa tem como proposta estimular os investimentos e a participação do setor

na matriz energética e é um dos temas debatidos na 27ª Fenasucro & Agrocana

ORenovaBio, Política

Nacional de Biocombustíveis

do governo

federal criada para

garantir o papel estratégico

dos biocombustíveis e a segurança

energética, deve impulsionar

os investimentos e a

participação do setor na matriz

energética brasileira por

meio de produtos como bioquerosene,

biogás, etanol,

biodiesel e cogeração de energia

elétrica.

Governo e os representantes

do setor esperam incentivar a

expansão dos biocombustíveis,

criar um cenário de previsibilidade

e regularidade do

abastecimento, além de regras

mais claras que permitam

novos investimentos por meio

de um ambiente mais seguro.

O diretor do Departamento de

Biocombustíveis do Ministério

de Minas Energia, Miguel Ivan

Lacerda de Oliveira, ressalta

que o RenovaBio representa

um novo paradigma em relação

a eficiência energética a

partir da biomassa. “Já estamos

vendo fusões, melhorias

e novas oportunidades para o

Brasil, que na produção de

energia por meio da biomassa

é o mais eficiente no mundo.

Nos próximos 10 anos, por

exemplo, vamos ver a produção

de etanol dobrar e esse

movimento vai favorecer todo

setor na matriz energética”,

afirma Oliveira.

Os resultados da iniciativa surgem

por meio de novos negócios

como, por exemplo, a

joint venture, BP Bunge Bioenergia,

operação da Bunge e

da Petroleira BP, anunciada no

último dia 22 de julho e que vai

operar com um total de onze

usinas nas regiões sudeste,

norte e centro-oeste do Brasil.

O grupo vai operar com uma

capacidade de moagem de 32

milhões de toneladas métricas

por ano visando a produção

de açúcar, etanol e cogeração

de eletricidade por meio da

biomassa, que será comercializada

para a rede elétrica brasileira.

De acordo com Reginaldo Medeiros,

presidente-executivo

da Abraceel (Associação Brasileira

dos Comercializadores

de Energia), atualmente as

usinas não podem produzir

mais por razões econômicas,

no entanto a expectativa é que

até agosto tudo seja definido.

“A perspectiva é boa e caminha

para o reconhecimento

da capacidade dos geradores

de energia”, diz Medeiros.

O presidente executivo da

Cogen (Associação da Indústria

de Cogeração de Energia),

Newton Duarte, afirma que o

RenovaBio comprova a relevância

de se fomentar projetos

de cogeração por meio da biomassa.

"O Programa é, talvez,

o maior de biocombustíveis já

concebido. Sua implementação

proporcionará imenso potencial

de cogeração adicional

Evento espera receber

39 mil visitantes e

movimentar R$ 4

milhões em negócios

em função de aproximadamente

200 milhões de toneladas

adicionais de cana que

serão esmagadas com os incentivos

ao uso de biocombustíveis",

conta Duarte.

Setor se reúne em agosto

Todas as discussões que envolvem

o setor sucroenergético

e de bioenergia serão tratadas

durante a 27ª Fenasucro &

Agrocana, que acontecerá de

20 a 23 de agosto, em Sertãozinho

(SP). Realizado pelo

CEISE Br (Centro Nacional das

Indústrias do Setor Sucroenergético

e Biocombustíveis) e organizado

pela Reed Exhibitions

Alcantara Machado, o evento

reunirá empresários do Brasil e

do exterior em busca de projetos

e soluções focados nas

oportunidades e perspectivas

de negócios envolvendo a matriz

energética sustentável.

Dentre os destaques deste ano

estão a produção de energia a

partir da biomassa e a produção

do etanol à base de milho.

Além da indústria de biodiesel e

energia renovável, a feira também

apresentará as principais

soluções e inovações para os

setores de Alimentos e Bebidas,

Papel e Celulose e Transporte

e Logística. Estão confirmadas

as rodadas de negócios

nacionais e internacionais

que visam incentivar e impulsionar

a geração de negócios

dentro do evento. Em 2018,

mais de 700 reuniões – tanto

envolvendo compradores estrangeiros

como nacionais -

foram realizadas com este foco.

Participam representantes das

usinas do Brasil e de outros 43

países, além de mais de 1.000

marcas expositoras com apresentação

de cerca de 3 mil produtos.

A expectativa é receber

aproximadamente 39 mil visitantes

compradores no evento,

que devem movimentar por

volta de R$ 4 bilhões em negócios

fechados ao longo do ano.

A Feira Internacional de Bioenergia

também apresentará

uma grade de eventos de conteúdo

com mais de 350 horas,

tendo o RenovaBio um dos

principais assuntos a serem

abordados junto aos especialistas.

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Jornal Paraná


DOIS

PONTOS

Brasil, Austrália e Guatemala

apresentaram a Organização

Mundial do Comércio (OMC),

pedido de estabelecimento de

painel no âmbito do contencioso

iniciado em fevereiro

deste ano a respeito do regime

de apoio ao setor açucareiro

da Índia. Nos últimos

anos, a Índia tem intensificado

sua política de apoio ao

setor açucareiro. Desde a

safra de 2010/11, o governo

indiano praticamente dobrou

OMC

o preço mínimo a ser pago

pela cana. Apenas entre as

safras de 2017/18 e 2018/

19, o volume de açúcar a ser

exportado pelas usinas indianas,

definido pelo governo,

passou de 2 milhões para 5

milhões de toneladas. No entendimento

do Brasil, essas

medidas têm contribuído fortemente

para a depreciação

do preço internacional do

açúcar, em prejuízo dos exportadores

brasileiros.

Hidrogênio

O hidrogênio é apontado como

combustível do futuro há cinco

décadas. Finalmente, esse potencial

está prestes a se converter

em realidade. Governos,

fabricantes de veículos e até

gigantes de petróleo e gás formam

uma coalizão crescente

que tenta emplacar um papel

mais relevante para o combustível,

em um momento em

que o mundo todo tenta reduzir

as emissões de poluentes, garantir

oferta confiável de eletricidade

para uma população

em expansão e abastecer processos

industriais complexos.

As conclusões são de um relatório

da Agência Internacional

de Energia.

Debêntures

A aprovação da portaria no Ministério de Minas e Energia

permitindo que empresas do setor do biocombustível captem

recursos com emissão de debêntures de infraestrutura

já criou uma fila de interessados nos bancos de

investimento e escritórios de advogados. A permissão é

relevante para esse setor, que basicamente se financia no

mercado de capitais via Certificado de Recebível do Agronegócio

(CRA). A debênture de infraestrutura pode alcançar

um prazo mais longo do que os CRAs, que têm sido

emitidos com vencimento em torno de cinco anos, além

de assegurar um custo de captação mais atraente pelo impacto

da isenção do imposto de renda para o investidor. A

expectativa do mercado é que as primeiras operações comecem

a sair em cerca de dois meses.

EMBRAPII

“Carro

voador”

Grandes grupos de aviação,

montadoras e startups estão

na corrida para colocar no

mercado “carros voadores”

com a ambição de tirar as

pessoas dos engarrafamentos

das grandes cidades a

preços inferiores aos das viagens

de helicópteros. Estão

em desenvolvimento pelo

menos 140 projetos de veículos

elétricos de decolagem e

pouso vertical envolvendo

empresas da Europa, dos Estados

Unidos, da Ásia e até do

Brasil. Há promessas de que

os primeiros voos comerciais

ocorrerão nos próximos

cinco anos. Similar a helicóptero,

mas movido à bateria

elétrica e autônomo, veículo

pode mudar mobilidade urbana.

Previsão é que regulação

saia até 2025.

Biocombustíveis

Os biocombustíveis têm potencial

de reduzir em 70% as

emissões globais de CO 2 até

2050. O dado é do estudo

Global Energy Transformation,

realizado pela Agência Internacional

de Energia Renovável.

Os biocombustíveis desempenharão

papel fundamental

na descarbonização

do setor de transportes. No

curto prazo, o foco maior está

no setor de transportes rodoviário

com a participação do

etanol e do biodiesel como

substitutos da gasolina e do

diesel. No longo prazo, deverá

aumentar o escopo de atuação

dos biocombustíveis com

o aumento do uso do biometano

e dos chamados biocombustíveis

avançados, como

o bioquerosene de aviação

e o diesel renovável.

Após ter desenvolvido variedades

de cana resistentes à

broca, cujo açúcar foi aprovado

por organismos internacionais

como o FDA, dos

EUA, o CTC (Centro de Tecnologia

Canavieira) mira

agora duas novas gerações

A Embrapa Agroenergia, unidade

que integra a rede EM-

BRAPII (Empresa Brasileira

de Pesquisa e Inovação Industrial),

assinou um contrato

para desenvolver variedades

de cana-de-açúcar resistentes

ao bicudo-da-cana

(Sphenophorus levis) com a

startup Pangeia Biotech. Para

chegar a este produto, totalmente

inédito no mercado,

foram selecionados quatros

genes, três deles comumente

CTC

usados na cultura de milho

no Brasil, que agora serão

adaptados para a cana. Os

pesquisadores já iniciaram

os procedimentos em laboratório

e os resultados foram

promissores.

da planta. Iniciou a segunda

geração, que terá de 8 a 10

variedades de cana não só

resistentes à broca, mas

também tolerantes a herbicidas.

E já projeta a terceira

geração, ainda em fase preliminar,

que tem como objetivo

combater o besouro

Sphenophorus levis, conhecido

como bicudo, que

causa danos na cana em

desenvolvimento, reduz a

vida útil dos canaviais e gera

R$ 4 bilhões de prejuízo por

safra.

Jornal Paraná 7


TECNOLOGIA

Biodiesel brasileiro

dará salto de qualidade

Com adição de antioxidantes, o valor da estabilidade do produto

puro passará de 8h para 12h, e para 20h nas misturas com o diesel

Obiodiesel produzido

no Brasil, que já conta

com uma das especificações

mais rigorosas

do mundo, está prestes

a dar mais um salto de

qualidade. Durante reunião no

Ministério de Minas e Energia

(MME), o Instituto Nacional de

Tecnologia (INT), integrante do

Ministério da Ciência, Tecnologia,

Inovações e Comunicações

(MCTIC), apresentou os

resultados dos testes que vão

subsidiar a alteração do valor

mínimo de estabilidade oxidativa

do biodiesel puro e em

misturas com o diesel fóssil.

O aumento do valor da estabilidade

de 8h para 12h do biodiesel

puro para que em

misturas com o diesel alcance

no mínimo 20h com adição de

antioxidantes foi uma demanda

do setor automotivo para viabilizar

o avanço da adição obrigatória

de biodiesel para 11%

ainda este ano, com evolução

de 1% ao ano até chegar a

15% em 2023, conforme cronograma

do Conselho Nacional

de Política Energética.

A proposta foi bem aceita pelos

produtores de biodiesel representados

pela Ubrabio

(União Brasileira do Biodiesel e

Bioquerosene). Durante a reunião,

o presidente Ubrabio,

Juan Diego Ferrés, saudou a

Anfavea e o Sindipeças por

sua postura "inequivocamente

positiva para o setor, que foi

pragmática, vai trazer avanços

para o biodiesel no Brasil e

ganhos econômicos e de saúde

à sociedade". Para Ferrés,

os resultados do INT foram

bastante conclusivos e darão

Não depende só da indústria de biodiesel garantir a qualidade no final da entrega do combustível ao consumidor

conforto para o avanço de

mistura previsto em lei.

Agora, o próximo passo para

que o B11 (11% de biodiesel)

possa entrar em vigor o mais

breve possível será a consulta

e audiência pública da Agência

Nacional de Petróleo, Gás Natural

e Biocombustíveis sobre

a proposta de alteração da especificação

que trata da estabilidade.

Já o secretário de

Petróleo, Gás e Biocombustíveis

do MME, Márcio Félix,

afirmou que a reunião resultou

em avanços para a implantação

do B11.

O laboratório de corrosão do

Instituto Nacional de Tecnologia,

integrante do Ministério da

Ciência, Tecnologia, Inovações

e Comunicações, é um laboratório

acreditado pelo Inmetro

para realizar ensaios de estabilidade

para biodiesel, diesel ou

misturas diesel e biodiesel.

Desde que foi fundado em

1921, realiza pesquisas e testes

demandados pelo setor

produtivo ou pelo setor de serviços,

além de receber apoio

de agências governamentais

como Finep e CNPq.

Segundo o pesquisador do INT,

Eduardo Cavalcantti, as associações

de produtores de biodiesel

procuraram o órgão

para uma avaliação se, com os

antioxidantes disponíveis no

mercado e nas dosagens recomendadas

por esses fabricantes,

seria possível obter um

biodiesel com índice de estabilidade

oxidativa superior a 12

horas, como é comumente

adotado na Europa. Isso porque

o setor de autopeças e de

veículos (Sindipeças e Anfavea)

apontaram que nem todo

biodiesel que chegava às bases

para serem formuladas às

misturas B10 estavam dentro

das especificações comumente

empregadas na Europa e

que o biodiesel precisaria ser

aditivado com antioxidante de

forma que, uma vez adicionado

ao diesel, garantisse que

em bases remotas do Brasil a

mistura tivesse condições ideais

para consumo.

Cavalcantti disse que com base

numa metodologia já desenvolvida

pelo INT, foi possível

demonstrar que ao adicionar os

antioxidantes, o biodiesel puro

alcança a estabilidade de 12h e

também atinge índices acima

de 20 horas quando em adição

ao diesel. Outra conclusão importante

é que não depende só

da indústria de biodiesel garantir

a qualidade no final da entrega

do combustível (diesel +

biodiesel) ao consumidor. Existem

inúmeras recomendações

de adoção de boas práticas de

armazenamento, transporte ou

de manutenção que estão além

da competência da indústria de

biodiesel.

Para o pesquisador, o aumento

da estabilidade vai garantir

maior segurança para o consumidor,

principalmente num país

continental como o Brasil, fazendo

com que o combustível

possa chegar aos postos de diferentes

regiões com qualidade

assegurada. Por outro lado, o

custo adicional é de centavos

por litro, o que acaba sendo irrisório

na conta final. “É um investimento

que vale a pena, já

que teremos a segurança de

entregar um combustível renovável

que além de todos os benefícios

socioeconômicos e

ambientais, conta com a garantia

de estabilidade para os

casos mais extremos ou mais

distantes no país”, finaliza Cavalcantti.

8

Jornal Paraná

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