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*Fevereiro:2021 Referência Biomais 43 OPS

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Pelo mundo: Companhia norte-americana transforma lixo em combustível limpo<br />

9 772359 458023 0 0 0 4 3<br />

VOCÊ ESTÁ<br />

PREPARADO?<br />

O MERCADO PEDE<br />

INOVAÇÃO E EVOLUÇÃO<br />

STARTUP VERDE<br />

BIOMASSA A PARTIR<br />

DE EUCALIPTO<br />

FUTURO SUSTENTÁVEL<br />

USINA SOLAR EM ANTIGO ATERRO


SUMÁRIO<br />

06 | EDITORIAL<br />

Novos desafios<br />

08 | CARTAS<br />

10 | NOTAS<br />

14 | ENTREVISTA<br />

16 | PRINCIPAL<br />

22 | SUSTENTABILIDADE<br />

Estímulo renovável<br />

26 | PELO MUNDO<br />

O valor do lixo<br />

32 | CASE<br />

Bioenergia<br />

sustentável<br />

38 | ECONOMIA<br />

42 | ARTIGO<br />

48 | AGENDA<br />

50 | OPINIÃO<br />

<strong>2021</strong>, o ano<br />

da retomada<br />

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


EDITORIAL<br />

A capa da primeira edição do ano<br />

destaca as ferramentas da DRV<br />

NOVOS<br />

DESAFIOS<br />

M<br />

esmo lutando contra a pandemia da Covid-19, <strong>2021</strong> começa com crescimento acelerado da<br />

energia renovável – que, claro, deve continuar nos próximos 12 meses, impulsionado por<br />

diversos pontos de tensão originários em 2020; a China, por exemplo, se comprometeu a<br />

atingir a neutralidade em carbono até 2060, dando boas perspectivas para a energia solar e<br />

eólica, principalmente. E é esse olhar positivo que tentaremos trazer em nossas páginas neste novo ano:<br />

a Pirâmide Solar da Caximba, projeto que vai instalar painéis solares sobre a área do aterro desativado em<br />

Curitiba (PR), para o funcionamento de uma Unidade Geradora Fotovoltaica, está cada vez mais próxima<br />

de se tornar realidade. Além disso, falamos sobre a iniciativa da InEnTec, que pretende desafogar os aterros<br />

sanitários e fazer do mundo um lugar mais sustentável. Por fim, trazemos a história de um programa<br />

no Paraná que dará apoio à geração distribuída de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Uma<br />

ótima leitura e um feliz <strong>2021</strong>!<br />

EXPEDIENTE<br />

ANO VIII - EDIÇÃO <strong>43</strong> - FEVEREIRO <strong>2021</strong><br />

Diretor Comercial<br />

Fábio Alexandre Machado<br />

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)<br />

Diretor Executivo<br />

Pedro Bartoski Jr<br />

(bartoski@revistabiomais.com.br)<br />

Redação<br />

Murilo Basso<br />

(jornalismo@revistabiomais.com.br)<br />

Dep. de Criação<br />

Fabiana Tokarski - Supervisão<br />

Crislaine Briatori Ferreira - Gabriel Faria - Mateus Paludo<br />

(criacao@revistareferencia.com.br)<br />

Mídias Sociais<br />

Larissa Araujo<br />

Representante Comercial<br />

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop<br />

Dep. Comercial<br />

Gerson Penkal - Jéssika Ferreira - Tainá Carolina Brandão<br />

(comercial@revistabiomais.com.br)<br />

Fone: +55 (41) 3333-1023<br />

Dep. de Assinaturas<br />

Cristiane Baduy<br />

(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038<br />

ASSINATURAS<br />

0800 600 2038<br />

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora<br />

Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil<br />

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023<br />

www.jotaeditora.com.br<br />

Veículo filiado a:<br />

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e<br />

independente, dirigida aos produtores e consumidores de<br />

energias limpas e alternativas, produtores de resíduos para<br />

geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa,<br />

estudantes universitários, órgãos governamentais, ONG’s,<br />

entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente<br />

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se<br />

responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,<br />

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes<br />

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização,<br />

reprodução, apropriação, armazenamento de banco de dados,<br />

sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras<br />

criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente<br />

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos<br />

direitos autorais, exceto para fins didáticos.<br />

06 www.REVISTABIOMAIS.com.br


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CARTAS<br />

BONS EXEMPLOS<br />

Ótima iniciativa do governo do Reino Unido em incluir projetos de energia eólica e solar<br />

onshore. Que sejam replicadas em <strong>2021</strong>!<br />

João Godoi Jr – Curitiba (PR)<br />

Foto: divulgação<br />

BATE-PAPO<br />

Excelente entrevista sobre o BIC (Bio-based Industries Consortium). Iniciativa, que tem o objetivo de contribuir para conter<br />

o aquecimento global com geração de inovações e empregos na região, precisa ser incentivada e reproduzida!<br />

Francisco Querlini – São Paulo (SP)<br />

TECNOLOGIA<br />

É uma de minhas editorias preferidas! Trazer as inovações que surgem diariamente ao redor do globo para que elas<br />

possam inspirar iniciativas semelhantes por todo o país!<br />

Ana Freire – Vitória (ES)<br />

SUSTENTABILIDADE<br />

Ótimo exemplo da EnerDinBo, que garante a destinação correta de dejetos suínos e<br />

possibilita a distribuição de energia para os suinocultores cooperados à empresa. O Paraná<br />

sempre na vanguarda da inovação em sustentabilidade.<br />

Heloisa Bedclink – Rio de Janeiro (RJ)<br />

Foto: divulgação<br />

REVISTA<br />

na<br />

mídia<br />

informação<br />

biomassa<br />

energia<br />

www.revistabiomais.com.br<br />

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NOTAS<br />

MAIS ENERGIA<br />

A empresa espanhola Powertis S.A. vai construir<br />

três usinas fotovoltaicas, com capacidade instalada de<br />

90 MW (Megawatts) de energia, no município de Pedranópolis,<br />

no interior de São Paulo. O empreendimento<br />

tem financiamento de R$ 191 milhões do BNDES<br />

(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e<br />

Social) e a obra deve gerar cerca de 1,4 mil empregos.<br />

O complexo fotovoltaico, com entrada de operação<br />

prevista para dezembro deste ano, vai produzir energia<br />

renovável para abastecer 125 mil residências. Além de<br />

contribuir para a preservação do meio ambiente, por<br />

meio da redução das emissões de gases poluentes na<br />

atmosfera, a energia fotovoltaica auxilia na economia<br />

de energia elétrica para o consumidor. De acordo com<br />

a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar<br />

Fotovoltaica), desde 2012 o Brasil registra mais de 7<br />

GW (Gigawatts) de energia solar operacionais, contabilizando<br />

mais de 1,1 milhão de t (tonelada) de gás<br />

carbônico evitadas.<br />

Foto: divulgação<br />

REDUÇÃO NA TARIFA<br />

A Câmara dos Deputados concluiu, na segunda quinzena<br />

de dezembro, a votação da MP (Medida Provisória) que destina<br />

recursos à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para redução<br />

da tarifa de energia elétrica aos consumidores até 31 de<br />

dezembro de 2025. Editada em setembro de 2020 pelo Governo<br />

Federal, a MP 998/2020 regulamenta o setor elétrico, com a<br />

alteração em diversos dispositivos legais. A matéria segue agora<br />

para análise do Senado. A CDE é um fundo do setor elétrico que<br />

custeia políticas públicas e programas de subsídio, como o Luz<br />

para Todos e o desconto na tarifa para irrigação. A MP também<br />

atribuiu ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) a<br />

competência para autorizar a outorga para exploração da usina<br />

termelétrica nuclear Angra 3 e a celebração de contrato para a<br />

comercialização dessa energia. O prazo da outorga será de 50<br />

anos, podendo ser prorrogado por até mais 20 anos. Pelo texto<br />

do relator, o deputado federal Léo Moraes (Pode-RO), concessionárias<br />

e permissionárias do serviço público de distribuição<br />

de energia elétrica podem aplicar recursos de pesquisa e desenvolvimento<br />

em tecnologias para armazenamento de energias<br />

solar, eólica e de biomassa.<br />

Foto: divulgação<br />

Foto: divulgação<br />

CONSULTA PÚBLICA<br />

No início de janeiro, o MMA (Ministério do Meio Ambiente) abriu consulta<br />

pública a respeito da destinação final ambientalmente adequada das embalagens<br />

de vidro. O objetivo de uma proposta de decreto da pasta é instituir a logística reversa<br />

desse tipo de embalagem, o que está previsto pela PNRS (Política Nacional<br />

de Resíduos Sólidos), promulgada há mais de 10 anos. As contribuições podem<br />

ser feitas no site oficial do órgão. A proposta prevê o estímulo à inserção produtiva<br />

e remuneração das cooperativas e associações de catadores de materiais<br />

reutilizáveis e recicláveis, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores e<br />

comerciantes de produtos comercializados em embalagens de vidro. Desta forma,<br />

o MMA pretende reduzir a poluição, manter materiais em uso e regenerar sistemas<br />

naturais, além de gerar empregos e renda por meio do fomento à reciclagem.<br />

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br


DESTINAÇÃO INADEQUADA<br />

De 25,3 milhões de t (toneladas) anuais em 2010 para 29,4 milhões de<br />

t por ano em 2019. Esse foi o crescimento registrado no Brasil em relação à<br />

quantidade de resíduos sólidos urbanos destinados inadequadamente no<br />

país na última década. O aumento foi de 16%. Foi o que indicou o Panorama<br />

de Resíduos Sólidos no Brasil 2020, lançado pela ABRELPE (Associação Brasileira<br />

das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) no último mês<br />

de dezembro. Segundo a entidade, a destinação inadequada dos resíduos<br />

para lixões ou aterros controlados, em vez de aterros sanitários, prejudica<br />

diretamente a saúde de 77,65 milhões de brasileiros atualmente. “A lentidão<br />

observada nos últimos 10 anos, aliada à projeção dos indicadores futuros,<br />

evidencia a extrema urgência para se viabilizar as ações necessárias para o<br />

encerramento definitivo dessas práticas medievais de destinação de resíduos”,<br />

disse o diretor-presidente da associação, Carlos Silva Filho.<br />

ENERGIA SOLAR<br />

O Governo do Paraná vai instalar painéis<br />

fotovoltaicos em 246 edificações públicas do<br />

estado, para que os prédios possam produzir<br />

sua própria energia elétrica. Trata-se de um<br />

projeto pioneiro no Brasil e o segundo maior<br />

do mundo em termos de abrangência, fruto<br />

de uma parceria entre a COPEL (Companhia<br />

Paranaense de Energia), o Paranacidade - órgão<br />

da Secretaria de Estado do Desenvolvimento<br />

Urbano e Obras Públicas -, a Fomento Paraná<br />

e a GBC Brasil (Green Building Council Brasil).<br />

“Criar soluções para o bom aproveitamento da<br />

água e da energia é uma necessidade. Estamos<br />

enfrentando a maior crise hídrica dos últimos<br />

100 anos no estado, e sabemos qual será o<br />

impacto da falta de água na oferta de energia<br />

em um futuro próximo”, afirmou o governador<br />

paranaense, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD).<br />

O Governo do Estado está investindo R$ 45,7<br />

milhões na iniciativa, que contempla as cidades<br />

de Balsa Nova, Fazenda Rio Grande e São José<br />

dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba,<br />

além de Cascavel e Foz do Iguaçu, no Oeste,<br />

e Maringá e Paranavaí, no Noroeste.<br />

Foto: divulgação<br />

INVESTIMENTOS<br />

Ao longo de 2020, a COPEL (Companhia Paranaense de Energia) investiu<br />

R$ 511 milhões no segmento de geração e transmissão de energia. Esses<br />

recursos foram aplicados em obras de novas usinas, linhas de transmissão e<br />

subestações de energia, bem como, em ampliações, reforços e modernização<br />

de instalações já existentes. Uma fatia considerável desses investimentos,<br />

aproximadamente R$ 130 milhões, foi destinada às obras de implantação<br />

da linha de transmissão que vai conectar as subestações Curitiba Leste (PR)<br />

e Blumenau (SC), reforçando o sistema elétrico da região sul do Brasil. “Tivemos<br />

um ano marcado por conquistas importantes. Mesmo em meio à pandemia,<br />

conseguimos dar<br />

continuidade aos projetos.<br />

Tomamos todos os cuidados<br />

necessários e mantivemos<br />

os cronogramas<br />

de execução dessas obras<br />

que são essenciais para o<br />

país”, afirmou o diretor de<br />

Geração e Transmissão da<br />

companhia, Moacir Carlos<br />

Bertol.<br />

Foto: divulgação<br />

Foto: divulgação<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

11


NOTAS<br />

TERMOELÉTRICA<br />

O Porto do Açu, no norte fluminense,<br />

recebeu no fim de dezembro, do governo do<br />

Estado do Rio de Janeiro, licença para operar<br />

a primeira termoelétrica operada pela GNA<br />

(Gás Natural Açu), que tem como acionistas as<br />

empresas Prumo Logística, a petroleira BP e a<br />

alemã Siemens. A usina, prevista para operar<br />

comercialmente no primeiro semestre de<br />

<strong>2021</strong>, tem capacidade instalada de 1.338 MW<br />

(Megawatts), o suficiente para suprir mais de<br />

6 milhões de residências. A unidade é parte<br />

do maior parque termelétrico da América<br />

Latina. O projeto inclui a implantação de<br />

duas usinas térmicas movidas a gás natural<br />

(GNA I e GNA II) que, em conjunto, alcançarão<br />

3 GW (Gigawatts) de capacidade instalada.<br />

Juntas, as duas térmicas vão gerar energia<br />

suficiente para atender cerca de 14 milhões<br />

de residências. O projeto compreende ainda<br />

um terminal de regaseificação de GNL (Gás<br />

Natural Liquefeito). O investimento total é de<br />

cerca de R$ 10 bilhões.<br />

Foto: divulgação<br />

MAIS EMPREGOS<br />

Mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros em <strong>2021</strong> em razão da fonte<br />

solar fotovoltaica. Essa é a projeção da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia<br />

Solar), que afirma que os novos postos de trabalho devem se espalhar por<br />

todo o país. A entidade também projeta que o setor solar fotovoltaico nacional<br />

será responsável por um aumento líquido na arrecadação dos Governos Federal,<br />

Estaduais e Municipais de mais de R$ 6,7 bilhões neste ano. A maior parcela dos<br />

novos empregos deverá vir do segmento de geração distribuída. Dos R$ 22,6<br />

bilhões de investimentos previstos para <strong>2021</strong>, a geração distribuída corresponderá<br />

por cerca de R$ 17,2 bilhões. Para a geração distribuída solar fotovoltaica, a<br />

associação projeta um crescimento de 90% frente ao total já instalado até 2020,<br />

passando de 4,4 GW (Gigawatts) para 8,3 GW. No segmento de usinas solares de<br />

grande porte, por sua vez, prevê-se um crescimento 37%, partindo dos atuais<br />

3,1 GW para 4,2 GW.<br />

TURBO-<br />

GERADORES<br />

A WEG, multinacional<br />

brasileira, assinou contrato<br />

com a OXE Energia com o<br />

objetivo de fornecer quatro<br />

conjuntos de turbo-geradores<br />

para usinas termelétricas<br />

movidas a biomassa<br />

localizadas no estado de<br />

Roraima, no norte do país. O<br />

contrato tem faturamento total de R$ 39 milhões e prevê também a instalação<br />

de quatro turbinas de reação, condensação, com duas tomadas<br />

sem controle, em conjunto com quatro geradores síncronos trifásico e<br />

quadros elétricos de proteção e controle. A fabricante não só vai fornecer<br />

os equipamentos como será responsável pelos serviços de logística,<br />

montagem e comissionamento. As usinas devem entrar em operação até<br />

junho. As termelétricas têm capacidade instalada individual de 11,5 MW<br />

e vão utilizar cavaco de madeira reflorestada como biomassa.<br />

Foto: divulgação<br />

Foto: divulgação<br />

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Foto: divulgação<br />

META BATIDA E<br />

ULTRAPASSADA<br />

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)<br />

concluiu 2020 com uma marca memorável<br />

em relação à oferta de geração de energia<br />

elétrica no Brasil. A fiscalização da agência liberou<br />

no ano 4.932 MW para entrada em operação<br />

comercial – uma potência suficiente para<br />

atender 6,1 milhões de brasileiros, mais do que<br />

a população unida das cidades de Brasília (DF)<br />

e Salvador (BA), terceira e quarta maiores em<br />

número de habitantes no país (com 3 milhões<br />

e 2,8 milhões de pessoas, segundo o IBGE<br />

(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).<br />

Foram inauguradas usinas em 20 Estados. Com<br />

esse resultado, a ANEEL superou em mais de<br />

800 MW a meta inicial para o ano, de 4.112,<strong>43</strong><br />

MW. Apesar do cenário de pandemia da<br />

Covid-19, a ANEEL tem mantido normalmente<br />

o acompanhamento da expansão da oferta<br />

de energia elétrica no país. Entre as inovações<br />

utilizadas pela fiscalização do órgão está, por<br />

exemplo, o uso de tecnologias que permitem<br />

o acompanhamento de obras por imagens de<br />

satélite.<br />

Foto: divulgação<br />

LIDERANÇA<br />

O Estado da Bahia, no nordeste brasileiro, é líder em geração distribuída de<br />

energia eólica no país. A fonte gerou em torno de 12.590 GWh (Gigawatt-hora)<br />

entre os meses de janeiro e setembro de 2020, de acordo com o ONS (Operador<br />

Nacional do Sistema). 17 novos parques foram ativados no Estado em 2020. “A<br />

Bahia receberá novas linhas de transmissão de energia elétrica. Uma delas, do<br />

Grupo Neoenergia, terá mil quilômetros de extensão. As linhas de transmissão<br />

vão passar por 27 municípios, a exemplo de Morro do Chapéu, Poções e Medeiros<br />

Neto. Teremos também investimentos de R$ 13 bilhões na construção dos<br />

novos parques eólicos, que devem gerar 56 mil empregos diretos e indiretos.<br />

Já as novas usinas de energia solar estimam investir mais de R$ 8 bilhões e criar<br />

27,5 mil postos de trabalho diretos. Ambos até 2025”, destacou à imprensa o<br />

vice-governador João Leão, secretário de Desenvolvimento Econômico.<br />

LEIS MAIS DURAS<br />

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC),<br />

sancionou lei que permite ao Estado aplicar penalidades administrativas<br />

a pessoas físicas ou jurídicas que roubarem, furtarem ou receptarem<br />

combustíveis ou dutos. O texto foi publicado na edição do dia 13 de janeiro<br />

de <strong>2021</strong> do DOE (Diário Oficial do Estado). Além disso, a nova lei prevê que<br />

o combustível apreendido no Estado deve ser utilizado no abastecimento<br />

de viaturas policiais e pelo Corpo de Bombeiros. Enquanto perdurar a<br />

pandemia do novo coronavírus, entretanto, o combustível será destinado<br />

de forma prioritária a ambulâncias e geradores instalados em hospitais<br />

públicos. “A mobilização de órgãos de governo, sociedade civil e empresas<br />

do setor na busca por<br />

soluções integradas<br />

é fundamental para<br />

conter a escalada e o<br />

financiamento do crime<br />

organizado e reduzir os<br />

riscos de acidentes de<br />

grandes proporções”,<br />

declarou o IBP (Instituto<br />

Brasileiro do Petróleo).<br />

Foto: divulgação<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

13


ENTREVISTA<br />

Foto: divulgação<br />

ENTREVISTA<br />

REGINA<br />

ESPINOSA<br />

MODOLO<br />

Formação: Graduação em Agronomia pela<br />

UFES (Universidade Federal do Espírito<br />

Santo); Mestrado em Gestão Ambiental,<br />

Materiais e Valorização de Resíduos<br />

pela Universidade de Aveiro (Portugal);<br />

Doutorado em Ciências e Engenharia<br />

Ambiental pela Universidade de Aveiro<br />

(Portugal)<br />

Cargo: Professora da Escola Politécnica<br />

da UNISINOS e coordenadora do curso<br />

de Engenharia Agronômica da mesma<br />

instituição<br />

VANTAGENS DO USO<br />

DA BIOMASSA<br />

P<br />

rofessora da UNISINOS (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) também fala sobre o<br />

papel das universidades no desenvolvimento da ciência no país. Enquanto subproduto<br />

da cultura de cana-de-açúcar, as vantagens do uso da biomassa enquanto fonte<br />

de energia são inúmeras, devido ao seu poder calorífico significativo. A avaliação é de<br />

Regina Espinosa Modolo, pesquisadora da UNISINOS. Nesta entrevista, a professora também<br />

fala sobre o papel das universidades no desenvolvimento de pesquisas relacionadas à questão<br />

energética no Brasil, bem como sobre os empecilhos para o desenvolvimento da ciência no<br />

país atualmente.<br />

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais<br />

renováveis do mundo industrializado - <strong>43</strong>% da produção<br />

de energia no país é proveniente de fontes limpas.<br />

Mesmo assim, ainda há espaço para crescimento nesse<br />

sentido?<br />

Com certeza ainda há espaço para crescimento da produção<br />

de energia originada de fontes limpas, em especial<br />

energias eólica e solar.<br />

O país também é um dos maiores produtores mundiais<br />

de cana-de-açúcar, o que significa que temos um<br />

enorme potencial de produção de biomassa oriunda do<br />

bagaço da cana. Quais são as vantagens desse tipo de<br />

fonte de energia?<br />

Costumo utilizar a seguinte frase “geração de biomassa<br />

para valorização energética” quando nos referimos a<br />

culturas como a de cana-de-açúcar, vez que a biomassa<br />

consiste em resíduos agrícolas ou florestais. Ao mencionarmos<br />

o bagaço de cana, estamos falando de um resíduo<br />

sólido industrial. Nesse caso específico, ele é praticamente<br />

considerado um subproduto com elevado valor agregado.<br />

Levando em consideração as características desse subproduto,<br />

as vantagens de seu uso como fonte energética são<br />

inúmeras, pois ele apresenta poder calorífico significativo<br />

para o fim que se pretende e é gerado em larga escala, o<br />

que garante escoamento e manutenção das operações<br />

que envolvem o processo, entre outros pontos.<br />

Levando em<br />

consideração as<br />

características da<br />

biomassa, as vantagens<br />

de seu uso como fonte<br />

energética são inúmeras<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

15


PRINCIPAL<br />

DÉCADA DE<br />

EXCELÊNCIA<br />

ESPECIALISTA EM CORTES<br />

INDUSTRIAIS, EMPRESA<br />

PARANAENSE COMPLETA 10<br />

ANOS DE ATUAÇÃO<br />

FOTOS BIOMAIS E DIVULGAÇÃO<br />

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

17


PRINCIPAL<br />

E<br />

m meio às incertezas de se empreender no Brasil,<br />

a DRV Ferramentas é um verdadeiro case de<br />

sucesso: localizada em Curitiba (PR), a empresa<br />

completa em <strong>2021</strong> dez anos de muito trabalho<br />

e reconhecimento.<br />

Destaque no mercado de cortes industriais com<br />

seus produtos de qualidade, a DRV é aliada do setor<br />

madeireiro, priorizando a excelência de sua matéria-<br />

-prima e a qualificação do seu corpo técnico de colaboradores,<br />

os dois grandes pilares do crescimento da<br />

empresa na última década.<br />

O diretor comercial da DRV Ferramentas, Diego Ricardo<br />

Vieira, conta que a companhia surgiu em 2011<br />

após o empresário detectar uma carência de produtos<br />

que trouxessem resultados expressivos e melhoria<br />

efetiva no processo de fabricação dos clientes. “A DRV<br />

nasceu a partir de uma análise do mercado e do conhecimento<br />

da necessidade de se ter uma empresa completa<br />

voltada à comercialização de ferramentas industriais<br />

de alta performance, para toda a cadeia produtiva<br />

da madeira”, afirma.<br />

Ele sabe que o mercado da madeira e suas bifurcações,<br />

como o setor de madeira serrada, fábrica de móveis<br />

e biomassa, têm grande potencial de exploração<br />

no Brasil. De acordo com um recente levantamento da<br />

IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), o país dispõe das<br />

florestas plantadas mais produtivas do mundo, estimadas<br />

em 7,8 milhões de hectares, que abastecem os<br />

mercados de celulose, papel e siderurgia, além da produção<br />

de biomassa florestal.<br />

Em comparação com a nórdica Finlândia, por<br />

exemplo, cujo PIB (Produto Interno Bruto) é determinantemente<br />

dependente da indústria florestal e o ciclo<br />

de rotação é de 70 anos, o Brasil é 10 vezes mais eficiente<br />

(com apenas sete anos entre os períodos), o que<br />

faz do país latino-americano uma potência energética.<br />

Mas mesmo com todas as oportunidades verificadas<br />

no Brasil, a DRV Ferramentas enfrentou adversidades<br />

em seus primeiros anos. Todas, contudo, foram<br />

vencidas pelo poder de realização de sua diretoria e<br />

pelo comprometimento de seus funcionários.<br />

“Entre os principais desafios, posso citar o fato de<br />

18<br />

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"A DRV surgiu a partir<br />

da análise do mercado<br />

e o conhecimento da<br />

necessidade em ter uma<br />

empresa completa voltada<br />

a comercialização de<br />

ferramentas industriais de<br />

alta performance”<br />

Diego Ricardo Vieira,<br />

diretor comercial da DRV Ferramentas<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19


PRINCIPAL<br />

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Na DRV, as expectativas<br />

são altas. Segundo o<br />

diretor comercial, a<br />

empresa deverá ampliar<br />

seus investimentos para<br />

que o atendimento<br />

da companhia seja<br />

expandido para toda a<br />

região do Mercosul<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

21


SUSTENTABILIDADE<br />

ESTÍMULO<br />

RENOVÁVEL<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

PROGRAMA NO PARANÁ DARÁ APOIO<br />

À GERAÇÃO DISTRIBUÍDA DE ENERGIA<br />

ELÉTRICA A PARTIR DE FONTES RENOVÁVEIS<br />

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

23


SUSTENTABILIDADE<br />

O<br />

governador do Paraná, Carlos Massa<br />

Ratinho Junior (PSD), sancionou em<br />

dezembro a lei que garante a continuidade<br />

do programa Tarifa Rural Noturna<br />

e institui o Paraná Energia Rural Renovável, que dará<br />

apoio à geração distribuída de energia elétrica a partir<br />

de fontes renováveis e de biogás e biometano em<br />

unidades produtivas rurais. A ideia é que aos poucos<br />

os consumidores possam migrar de um para o outro.<br />

“Estamos garantindo o subsídio e ao mesmo<br />

tempo buscando formas de estimular os agricultores<br />

paranaenses a gerar energia renovável. A partir desse<br />

novo programa, vamos trabalhar linhas de crédito e<br />

incentivos tributários para que o Paraná seja ainda<br />

mais inovador nessa área”, afirmou o governador.<br />

“Temos a agricultura mais sustentável do mundo. E<br />

queremos evoluir ainda mais nos próximos anos”.<br />

A nova lei garante por mais dois anos (até 2022)<br />

As fontes de energias<br />

renováveis são aquelas<br />

que usam recursos que são<br />

naturalmente reabastecidos,<br />

livres de emissão de carbono<br />

e capazes de se regenerar por<br />

meios naturais<br />

a continuidade do Tarifa Rural Noturna. O programa<br />

prevê desconto de 60% na conta da energia elétrica<br />

consumida entre 21h30 e 6h e beneficia cerca de 11<br />

mil produtores rurais. A partir de <strong>2021</strong>, o Governo do<br />

Estado e a Assembleia Legislativa dividirão os custos<br />

do auxílio - R$ 20 milhões por ano de cada Poder.<br />

O texto limita o desconto especial de 60% sobre a<br />

tarifa e o adicional de bandeira tarifária ao consumo<br />

de até 6.000 kWh (Quilowatts) por mês por unidades<br />

consumidoras vinculadas ao mesmo CPF (Cadastro de<br />

Pessoas Físicas) ou CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa<br />

Jurídica). O excedente não será beneficiado com o<br />

desconto.<br />

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

25


PELO MUNDO<br />

O VALOR DO<br />

LIXO<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

EMPRESA TRANSFORMA<br />

LIXO EM PRODUTOS<br />

QUÍMICOS VALIOSOS E<br />

COMBUSTÍVEIS LIMPOS<br />

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

27


PELO MUNDO<br />

D<br />

esafogar os aterros sanitários e fazer do<br />

mundo um lugar mais sustentável. Esse é o<br />

objetivo da InEnTec, empresa norte-americana<br />

que está empenhada em transformar<br />

qualquer tipo de lixo, inclusive radioativo e outros<br />

resíduos perigosos, em produtos químicos valiosos<br />

e combustíveis limpos. Para tanto, a companhia<br />

lança mão de um processo chamado gaseificação de<br />

plasma.<br />

“Cerca de 130 milhões de t (toneladas) de resíduos<br />

anuais vão para aterros sanitários nos EUA (Estados<br />

Unidos da América), e isso produz pelo menos 130<br />

milhões de toneladas de emissões de CO2 (Dióxido de<br />

Carbono) equivalente”, explica Daniel R. Cohn, pesquisador<br />

do Instituto de Tecnologia de Massachusetts<br />

e cofundador da InEnTec. Ele também observa que a<br />

maioria dessas emissões ocorre na forma de metano,<br />

substância que é muito pior para o clima do que o<br />

próprio CO2.<br />

O processo utilizado pela InEnTec é mais caro do<br />

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A InEnTec está se<br />

expandindo com projetos<br />

que incluem reciclagem<br />

de plásticos e produção<br />

distribuída de hidrogênio<br />

combustível de baixo custo<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

29


PELO MUNDO<br />

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Cerca de 130 milhões de<br />

toneladas de resíduos<br />

anuais vão para aterros<br />

sanitários nos EUA<br />

(Estados Unidos da<br />

América)<br />

A história da DRV Serras e Facas<br />

Industriais completa 10 anos de muito<br />

sucesso. Uma data marcante, que<br />

expressa a experiência e qualidade dos<br />

profissionais que transformaram um<br />

sonho em realidade. O mercado de facas<br />

e serras se transformou após o<br />

nascimento da DRV. Aguardem muitas<br />

novidades durante esse ano de <strong>2021</strong>.<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

31


CASE<br />

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BIOENERGIA<br />

SUSTENTÁVEL<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

STARTUP CRIADA EM HARVARD FOCA NA<br />

PRODUÇÃO DE BIOMASSA A PARTIR DO<br />

EUCALIPTO BRASILEIRO<br />

Q<br />

uando as pessoas pensam em energia<br />

renovável, painéis solares ou turbinas eólicas<br />

geralmente são as primeiras imagens<br />

que vêm à mente. Ocorre que aproximadamente<br />

metade da energia renovável global é<br />

oriunda de bioenergia sustentável, de acordo com o<br />

think tank de política energética REN21.<br />

Mais de 60% dessa bioenergia sustentável é<br />

produzida pela queima de pellets de madeira, mas seu<br />

potencial como fonte de energia renovável permanece<br />

limitado. Pellets gerados a partir de vastas florestas<br />

tropicais de eucalipto são proibidos em muitos países<br />

porque sua queima gera emissões perigosas.<br />

Entra em cena a BiomassTrust, startup fundada<br />

pelo pós-doutorando da Universidade Harvard, nos<br />

EUA (Estados Unidos da América), Javier Farago Escobar<br />

que patenteou um processo que remove cloro de<br />

pellets de madeira de eucalipto brasileiro, permitindo<br />

que sejam usados como combustível em centenas de<br />

países onde antes eram barrados.<br />

“O Brasil tem potencial para produzir uma biomassa<br />

mais sustentável do que qualquer país do mundo”,<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

33


CASE<br />

garante Escobar. “Mas atualmente muitos dos resíduos<br />

de madeira brasileiros e em outros países tropicais,<br />

por não conseguirem vender esse tipo de biomassa,<br />

acabam sendo queimados em fogueiras ou simplesmente<br />

abandonados.”<br />

O cloro da madeira só causa danos à saúde quando<br />

é queimado, explica Escobar. Devido ao aumento<br />

da velocidade com que as nuvens de chuva se formam<br />

nos trópicos úmidos, mais cloro é depositado na<br />

madeira do que em uma floresta de clima temperado.<br />

A queima dessa madeira tropical produz dioxina, uma<br />

substância química letal que também pode corroer<br />

máquinas em caldeiras ou usinas de energia.<br />

Escobar passou anos estudando esse problema,<br />

primeiro como aluno de graduação na USP (Universidade<br />

de São Paulo) e depois como pós-doutorando<br />

em Ciências Ambientais e Engenharia na Escola de<br />

Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard.<br />

As pessoas tendem a pensar<br />

na madeira como um tipo<br />

primitivo de energia. Mas acho<br />

que às vezes subestimamos<br />

a sabedoria da natureza e os<br />

fundamentos da ciência<br />

Javier Farago Escobar, pesquisador<br />

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A abertura da biomassa<br />

tropical para os mercados de<br />

exportação pode contribuir<br />

para reduzir a dependência<br />

mundial dos combustíveis<br />

fósseis<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

37


ECONOMIA<br />

SOCIEDADE<br />

SOLAR<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

CURITIBA DEVE TER USINA SOLAR EM<br />

ANTIGO ATERRO SANITÁRIO<br />

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A<br />

Pirâmide Solar da Caximba, projeto que<br />

vai instalar painéis solares sobre a área do<br />

aterro desativado em Curitiba (PR), para o<br />

funcionamento de uma Unidade Geradora<br />

Fotovoltaica, está cada vez mais próxima de se tornar<br />

realidade. Os projetos executivos desta e de outras<br />

quatro usinas nos mesmos moldes foram entregues<br />

ao prefeito da capital paranaense, Rafael Greca (DEM)<br />

no fim de dezembro pelo programa C40 CFF (Cities<br />

Finance Facility).<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

39


ECONOMIA<br />

Além da entrega dos projetos, o prefeito sancionou<br />

lei que autoriza o município a formar uma<br />

Sociedade de Propósito Específico com a COPEL<br />

(Companhia Paranaense de Energia). Juntos, poderão<br />

fazer a implantação, manutenção e operacionalização<br />

da Pirâmide Solar e de uma Unidade Geradora de Biomassa,<br />

também no aterro sanitário que foi desativado<br />

em 2010. A lei que sela a possibilidade de constituir<br />

a sociedade foi aprovada pela Câmara Municipal de<br />

Curitiba.<br />

“A energia solar está entrando forte em Curitiba.<br />

Nós, do Paraná, gostamos da energia da água, gostamos<br />

da energia do sol, gostamos da energia limpa. A<br />

população quer viver num mundo onde a gente não<br />

seja refém do desequilíbrio climático”, comemorou<br />

Greca.<br />

A energia gerada na Unidade Fotovoltaica da<br />

Caximba vai compensar parte da energia consumida<br />

nos prédios municipais, o que caracteriza a operação<br />

como de geração distribuída. Com isso, a prefeitura<br />

poderá gastar menos com energia elétrica nas unidades<br />

do município.<br />

Totalmente sem custos para a Prefeitura de<br />

Curitiba, os complexos projetos entregues tiveram<br />

a consultoria especializada e integral do C40, a rede<br />

mundial de cidades que debate os desafios decorrentes<br />

das mudanças climáticas e busca soluções urbanas<br />

inteligentes para eles.<br />

O PRIMEIRO DA AMÉRICA LATINA<br />

Além da unidade do aterro, no extremo sul da<br />

cidade, as usinas fotovoltaicas serão instaladas na<br />

rodoviária e nos terminais de ônibus Pinheirinho,<br />

Boqueirão e Santa Cândida. Esse conjunto de painéis<br />

solares em diferentes locais integra o programa Curitiba<br />

Mais Energia, selecionado em 2018 pelo C40 CFF<br />

como um dos nove projetos do mundo que receberiam<br />

investimentos.<br />

A Usina de Biomassa<br />

vai utilizar como<br />

combustível o resíduo<br />

vegetal da manutenção<br />

da arborização viária e da<br />

coleta de resíduo vegetal<br />

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

41


ARTIGO<br />

APROVEITAMENTO<br />

ENERGÉTICO DOS<br />

RESÍDUOS DE CASCAS DE<br />

COCO VERDE<br />

PARA PRODUÇÃO<br />

DE BRIQUETES<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


BRÍGIDA MIOLA<br />

Centro de Ciências Tecnológicas,<br />

Universidade de Fortaleza<br />

KÊNIO MONTELES UCHÔA<br />

Centro de Ciências Tecnológicas, Universidade<br />

de Fortaleza<br />

MARIA MYRIAN MELO FROTA<br />

Centro de Ciências Tecnológicas,<br />

Universidade de Fortaleza<br />

ANDRÉ GADELHA DE OLIVEIRA<br />

Centro de Ciências Tecnológicas, Universidade<br />

de Fortaleza<br />

FRANCISCO DE ASSIS LEANDRO FILHO<br />

Instituto Federal de Educação do Ceará<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

<strong>43</strong>


ARTIGO<br />

RESUMO<br />

A<br />

casca de coco verde é considerada um resíduo<br />

de complexa degradação, podendo ser também<br />

foco de proliferação de doenças. Com<br />

base nessa premissa e com a necessidade de se<br />

estudarem novas fontes renováveis de energia, a utilização<br />

de resíduos de casca de coco verde como fonte energética<br />

apresenta aspectos benéficos, desde que seja viável<br />

econômica e tecnicamente. Assim, este artigo visa avaliar<br />

o potencial energético da casca do coco verde por meio<br />

da produção de briquetes. Foram realizadas análises das<br />

características físico-químicas dos briquetes e da biomassa<br />

in natura. Como resultados, foram encontrados poder<br />

calorífico de 13,6 MJ/kg para biomassa in natura; já para<br />

os briquetes, com aglutinantes água e amido, os valores<br />

foram de 15,6 e 11,7 MJ/kg, respectivamente. O poder calorífico<br />

da biomassa in natura não resultou valores inferiores<br />

quando comparados com a literatura de referência, porém<br />

sua umidade e teor de cinzas se apresentaram bastante<br />

elevados. Para os briquetes produzidos, esses valores se<br />

reduzem e o poder calorífico é considerado alto e eficiente<br />

para fins de geração de calor. Dessa forma, verifica-se o<br />

potencial de utilização dos resíduos da casca como alternativa<br />

energética, além das vantagens socioeconômicas e<br />

ambientais.<br />

Palavras-chave: briquetes; biomassa; casca de coco<br />

verde; potencial energético.<br />

Hoje em dia, esse resíduo já é usado para algumas finalidades,<br />

como a produção de fibras vegetais, de substrato<br />

orgânico, de mantas para uso em aplicações arquitetônicas<br />

e de engenharia etc. Muitas empresas usam a casca de<br />

coco verde como cobertura morta de solo nos coqueirais.<br />

A casca do coco é composta de fibras muito rígidas, difíceis<br />

de decompor, por isso para a sua reutilização é preciso<br />

usar técnicas e equipamentos específicos. No estado do<br />

Ceará, pesquisadores da EMBRAPA Agroindústria Tropical<br />

desenvolveram um conjunto de equipamentos composto<br />

de um triturador, prensa e um classificador, conectados<br />

de forma contínua, para beneficiamento da casca de coco<br />

verde e obtenção de fibra e pó.<br />

Segundo Grapiúna (2012), 65% do coco corresponde<br />

à noz e seu conteúdo (albúmen sólido e água), enquanto<br />

os 35% restantes correspondem à parte fibrosa (casca). As<br />

fibras são compostas de hemicelulose, lignina e celulose.<br />

Esta última forma longas cadeias de alto grau de polimerização,<br />

que apresentam grande resistência mecânica.<br />

Assim, para seu aproveitamento, as opções incluem<br />

produção de objetos artesanais, confecção de lembranças,<br />

utilização da fibra em filtros naturais, produção de energia<br />

INTRODUÇÃO<br />

Atualmente, com o padrão de consumo da população,<br />

os produtos tendem a ser descartados antes do fim de<br />

seu ciclo de vida, sendo destinados aos lixões e aterros.<br />

Uma vez que a falta de reaproveitamento desses resíduos<br />

afeta a vida útil dos aterros, os estudos para reutilização<br />

de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) estão cada vez mais<br />

frequentes, buscando soluções inteligentes para um futuro<br />

sustentável.<br />

Os pesquisadores da EMBRAPA (Empresa Brasileira de<br />

Pesquisa Agropecuária) acreditam que sejam descartados<br />

no Brasil cerca de sete milhões de toneladas de cascas de<br />

coco por ano. A casca do coco verde é considerada um resíduo<br />

de complexa degradação, podendo ser também foco<br />

de proliferação de doenças, causar mau cheiro, degradar<br />

a paisagem e colocar em risco o meio ambiente. Com isso,<br />

as cascas do coco verde, enquanto matérias-primas não<br />

utilizadas, apresentam custos e impactos para a sociedade<br />

e o meio ambiente, ao passo que o seu aproveitamento<br />

agrega valor ao resíduo e pode trazer benefícios para o<br />

meio como um todo.<br />

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

45


ARTIGO<br />

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

47


AGENDA<br />

MARÇO <strong>2021</strong><br />

AFRICA ENERGY<br />

Data: 2 a 3<br />

Local: Cidade do Cabo (África do Sul)<br />

Informações: www.africaenergyindaba.com<br />

DESTAQUE<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

E-WORLD<br />

Data: 4 a 6<br />

Local: Essen (Alemanha)<br />

Informações: www.e-world-essen.com/en<br />

JUNHO <strong>2021</strong><br />

ECONERGY<br />

Data: 08 a 10<br />

Local: São Paulo (SP)<br />

Informações: https://feiraecoenergy.com.br/<br />

JULHO <strong>2021</strong><br />

FIEE SMART FUTURE<br />

Data: 20 a 23<br />

Local: São Paulo (SP)<br />

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html<br />

AGOSTO <strong>2021</strong><br />

INTERSOLAR SOUTH AMERICA<br />

Data: 24 a 26<br />

Local: São Paulo (SP)<br />

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio<br />

FENASUCRO & AGROCANA<br />

Data: 17 a 20 de Agosto de <strong>2021</strong><br />

Local: Sertãozinho (SP)<br />

Informações:<br />

www.fenasucro.com.br/pt-br.html<br />

A Fenasucro & Agrocana é a principal feira de<br />

bioenergia e do setor sucroenergético da América<br />

Latina. O evento acontece anualmente no principal<br />

polo de produção bioenergética do Brasil; país com<br />

maior potencial de produção mundial. Atualmente,<br />

reúne profissionais dos principais pilares da matriz<br />

energética, de usinas bioenergéticas e dos setores<br />

de transporte e logística, papel e celulose e de<br />

alimentos e bebidas para realização de negócios,<br />

networking e atualização profissional.<br />

Imagem: divulgação<br />

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OPINIÃO<br />

Foto: divulgação<br />

<strong>2021</strong>, O ANO<br />

DA RETOMADA<br />

O<br />

ano de 2020, que terminou, foi um dos mais<br />

desafiadores que o mundo enfrentou na<br />

história recente, em função da crise sanitária e<br />

econômica gerada pela Covid-19. Entramos em<br />

<strong>2021</strong> com esperanças de uma retomada gradual, mas consistente,<br />

da economia, que permita ao Brasil voltar a crescer e<br />

se desenvolver.<br />

O setor produtivo ainda sofre com os efeitos negativos<br />

ocasionados pela pandemia, mas a economia já dá sinais de<br />

recuperação. Neste momento, precisamos renovar a confiança<br />

e trabalhar firmemente para que a crise seja superada o<br />

mais rapidamente possível.<br />

Lamentamos enormemente que o coronavírus continue<br />

ceifando preciosas vidas aqui e lá fora, provocando dor nas<br />

famílias. Graças ao esforço de cientistas e governos em todo<br />

o mundo, porém, a vacinação está começando em alguns<br />

países e deve se disseminar rapidamente.<br />

Isso nos dá a certeza de esse ano que será bem melhor<br />

do que 2020, tanto do ponto de vista da saúde de todos nós<br />

quanto da indispensável recuperação da atividade econômica.<br />

Ao longo dos meses, indústria, serviços, agropecuária e<br />

turismo vão se reaquecer, trazendo, aos poucos, a bonança<br />

de volta aos lares.<br />

Ainda que em um ritmo aquém do desejável, a economia<br />

vai entrar em <strong>2021</strong> em um cenário positivo, o que nos<br />

proporciona uma base mínima para continuar avançando.<br />

Para isso, é preciso que o país persevere no caminho das<br />

medidas econômicas, em especial das reformas estruturais,<br />

imprescindíveis para a melhora do ambiente de negócios.<br />

Temos que preparar o terreno, removendo crônicos obstáculos<br />

à expansão em um ritmo vigoroso, para conseguir<br />

uma retomada sustentável da economia, sobretudo com a<br />

redução do desemprego, flagelo que pesa sobre quase 14<br />

milhões de brasileiros. Nunca é demais reiterar que a reforma<br />

tributária é fundamental para acabar com o emaranhado<br />

de leis, decretos, portarias, instruções normativas e outras<br />

Por Robson Braga de Andrade<br />

Presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)<br />

Foto: divulgação/AgênciaBrasil<br />

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