*Fevereiro:2021 Referência Biomais 43 OPS

jotacomunicacao

Pelo mundo: Companhia norte-americana transforma lixo em combustível limpo

9 772359 458023 0 0 0 4 3

VOCÊ ESTÁ

PREPARADO?

O MERCADO PEDE

INOVAÇÃO E EVOLUÇÃO

STARTUP VERDE

BIOMASSA A PARTIR

DE EUCALIPTO

FUTURO SUSTENTÁVEL

USINA SOLAR EM ANTIGO ATERRO


SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Novos desafios

08 | CARTAS

10 | NOTAS

14 | ENTREVISTA

16 | PRINCIPAL

22 | SUSTENTABILIDADE

Estímulo renovável

26 | PELO MUNDO

O valor do lixo

32 | CASE

Bioenergia

sustentável

38 | ECONOMIA

42 | ARTIGO

48 | AGENDA

50 | OPINIÃO

2021, o ano

da retomada

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


EDITORIAL

A capa da primeira edição do ano

destaca as ferramentas da DRV

NOVOS

DESAFIOS

M

esmo lutando contra a pandemia da Covid-19, 2021 começa com crescimento acelerado da

energia renovável – que, claro, deve continuar nos próximos 12 meses, impulsionado por

diversos pontos de tensão originários em 2020; a China, por exemplo, se comprometeu a

atingir a neutralidade em carbono até 2060, dando boas perspectivas para a energia solar e

eólica, principalmente. E é esse olhar positivo que tentaremos trazer em nossas páginas neste novo ano:

a Pirâmide Solar da Caximba, projeto que vai instalar painéis solares sobre a área do aterro desativado em

Curitiba (PR), para o funcionamento de uma Unidade Geradora Fotovoltaica, está cada vez mais próxima

de se tornar realidade. Além disso, falamos sobre a iniciativa da InEnTec, que pretende desafogar os aterros

sanitários e fazer do mundo um lugar mais sustentável. Por fim, trazemos a história de um programa

no Paraná que dará apoio à geração distribuída de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Uma

ótima leitura e um feliz 2021!

EXPEDIENTE

ANO VIII - EDIÇÃO 43 - FEVEREIRO 2021

Diretor Comercial

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independente, dirigida aos produtores e consumidores de

energias limpas e alternativas, produtores de resíduos para

geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa,

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entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se

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proibídas sem autorização escrita dos titulares dos

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CARTAS

BONS EXEMPLOS

Ótima iniciativa do governo do Reino Unido em incluir projetos de energia eólica e solar

onshore. Que sejam replicadas em 2021!

João Godoi Jr – Curitiba (PR)

Foto: divulgação

BATE-PAPO

Excelente entrevista sobre o BIC (Bio-based Industries Consortium). Iniciativa, que tem o objetivo de contribuir para conter

o aquecimento global com geração de inovações e empregos na região, precisa ser incentivada e reproduzida!

Francisco Querlini – São Paulo (SP)

TECNOLOGIA

É uma de minhas editorias preferidas! Trazer as inovações que surgem diariamente ao redor do globo para que elas

possam inspirar iniciativas semelhantes por todo o país!

Ana Freire – Vitória (ES)

SUSTENTABILIDADE

Ótimo exemplo da EnerDinBo, que garante a destinação correta de dejetos suínos e

possibilita a distribuição de energia para os suinocultores cooperados à empresa. O Paraná

sempre na vanguarda da inovação em sustentabilidade.

Heloisa Bedclink – Rio de Janeiro (RJ)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

informação

biomassa

energia

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NOTAS

MAIS ENERGIA

A empresa espanhola Powertis S.A. vai construir

três usinas fotovoltaicas, com capacidade instalada de

90 MW (Megawatts) de energia, no município de Pedranópolis,

no interior de São Paulo. O empreendimento

tem financiamento de R$ 191 milhões do BNDES

(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e

Social) e a obra deve gerar cerca de 1,4 mil empregos.

O complexo fotovoltaico, com entrada de operação

prevista para dezembro deste ano, vai produzir energia

renovável para abastecer 125 mil residências. Além de

contribuir para a preservação do meio ambiente, por

meio da redução das emissões de gases poluentes na

atmosfera, a energia fotovoltaica auxilia na economia

de energia elétrica para o consumidor. De acordo com

a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar

Fotovoltaica), desde 2012 o Brasil registra mais de 7

GW (Gigawatts) de energia solar operacionais, contabilizando

mais de 1,1 milhão de t (tonelada) de gás

carbônico evitadas.

Foto: divulgação

REDUÇÃO NA TARIFA

A Câmara dos Deputados concluiu, na segunda quinzena

de dezembro, a votação da MP (Medida Provisória) que destina

recursos à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para redução

da tarifa de energia elétrica aos consumidores até 31 de

dezembro de 2025. Editada em setembro de 2020 pelo Governo

Federal, a MP 998/2020 regulamenta o setor elétrico, com a

alteração em diversos dispositivos legais. A matéria segue agora

para análise do Senado. A CDE é um fundo do setor elétrico que

custeia políticas públicas e programas de subsídio, como o Luz

para Todos e o desconto na tarifa para irrigação. A MP também

atribuiu ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) a

competência para autorizar a outorga para exploração da usina

termelétrica nuclear Angra 3 e a celebração de contrato para a

comercialização dessa energia. O prazo da outorga será de 50

anos, podendo ser prorrogado por até mais 20 anos. Pelo texto

do relator, o deputado federal Léo Moraes (Pode-RO), concessionárias

e permissionárias do serviço público de distribuição

de energia elétrica podem aplicar recursos de pesquisa e desenvolvimento

em tecnologias para armazenamento de energias

solar, eólica e de biomassa.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

CONSULTA PÚBLICA

No início de janeiro, o MMA (Ministério do Meio Ambiente) abriu consulta

pública a respeito da destinação final ambientalmente adequada das embalagens

de vidro. O objetivo de uma proposta de decreto da pasta é instituir a logística reversa

desse tipo de embalagem, o que está previsto pela PNRS (Política Nacional

de Resíduos Sólidos), promulgada há mais de 10 anos. As contribuições podem

ser feitas no site oficial do órgão. A proposta prevê o estímulo à inserção produtiva

e remuneração das cooperativas e associações de catadores de materiais

reutilizáveis e recicláveis, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores e

comerciantes de produtos comercializados em embalagens de vidro. Desta forma,

o MMA pretende reduzir a poluição, manter materiais em uso e regenerar sistemas

naturais, além de gerar empregos e renda por meio do fomento à reciclagem.

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br


DESTINAÇÃO INADEQUADA

De 25,3 milhões de t (toneladas) anuais em 2010 para 29,4 milhões de

t por ano em 2019. Esse foi o crescimento registrado no Brasil em relação à

quantidade de resíduos sólidos urbanos destinados inadequadamente no

país na última década. O aumento foi de 16%. Foi o que indicou o Panorama

de Resíduos Sólidos no Brasil 2020, lançado pela ABRELPE (Associação Brasileira

das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) no último mês

de dezembro. Segundo a entidade, a destinação inadequada dos resíduos

para lixões ou aterros controlados, em vez de aterros sanitários, prejudica

diretamente a saúde de 77,65 milhões de brasileiros atualmente. “A lentidão

observada nos últimos 10 anos, aliada à projeção dos indicadores futuros,

evidencia a extrema urgência para se viabilizar as ações necessárias para o

encerramento definitivo dessas práticas medievais de destinação de resíduos”,

disse o diretor-presidente da associação, Carlos Silva Filho.

ENERGIA SOLAR

O Governo do Paraná vai instalar painéis

fotovoltaicos em 246 edificações públicas do

estado, para que os prédios possam produzir

sua própria energia elétrica. Trata-se de um

projeto pioneiro no Brasil e o segundo maior

do mundo em termos de abrangência, fruto

de uma parceria entre a COPEL (Companhia

Paranaense de Energia), o Paranacidade - órgão

da Secretaria de Estado do Desenvolvimento

Urbano e Obras Públicas -, a Fomento Paraná

e a GBC Brasil (Green Building Council Brasil).

“Criar soluções para o bom aproveitamento da

água e da energia é uma necessidade. Estamos

enfrentando a maior crise hídrica dos últimos

100 anos no estado, e sabemos qual será o

impacto da falta de água na oferta de energia

em um futuro próximo”, afirmou o governador

paranaense, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD).

O Governo do Estado está investindo R$ 45,7

milhões na iniciativa, que contempla as cidades

de Balsa Nova, Fazenda Rio Grande e São José

dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba,

além de Cascavel e Foz do Iguaçu, no Oeste,

e Maringá e Paranavaí, no Noroeste.

Foto: divulgação

INVESTIMENTOS

Ao longo de 2020, a COPEL (Companhia Paranaense de Energia) investiu

R$ 511 milhões no segmento de geração e transmissão de energia. Esses

recursos foram aplicados em obras de novas usinas, linhas de transmissão e

subestações de energia, bem como, em ampliações, reforços e modernização

de instalações já existentes. Uma fatia considerável desses investimentos,

aproximadamente R$ 130 milhões, foi destinada às obras de implantação

da linha de transmissão que vai conectar as subestações Curitiba Leste (PR)

e Blumenau (SC), reforçando o sistema elétrico da região sul do Brasil. “Tivemos

um ano marcado por conquistas importantes. Mesmo em meio à pandemia,

conseguimos dar

continuidade aos projetos.

Tomamos todos os cuidados

necessários e mantivemos

os cronogramas

de execução dessas obras

que são essenciais para o

país”, afirmou o diretor de

Geração e Transmissão da

companhia, Moacir Carlos

Bertol.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

11


NOTAS

TERMOELÉTRICA

O Porto do Açu, no norte fluminense,

recebeu no fim de dezembro, do governo do

Estado do Rio de Janeiro, licença para operar

a primeira termoelétrica operada pela GNA

(Gás Natural Açu), que tem como acionistas as

empresas Prumo Logística, a petroleira BP e a

alemã Siemens. A usina, prevista para operar

comercialmente no primeiro semestre de

2021, tem capacidade instalada de 1.338 MW

(Megawatts), o suficiente para suprir mais de

6 milhões de residências. A unidade é parte

do maior parque termelétrico da América

Latina. O projeto inclui a implantação de

duas usinas térmicas movidas a gás natural

(GNA I e GNA II) que, em conjunto, alcançarão

3 GW (Gigawatts) de capacidade instalada.

Juntas, as duas térmicas vão gerar energia

suficiente para atender cerca de 14 milhões

de residências. O projeto compreende ainda

um terminal de regaseificação de GNL (Gás

Natural Liquefeito). O investimento total é de

cerca de R$ 10 bilhões.

Foto: divulgação

MAIS EMPREGOS

Mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros em 2021 em razão da fonte

solar fotovoltaica. Essa é a projeção da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia

Solar), que afirma que os novos postos de trabalho devem se espalhar por

todo o país. A entidade também projeta que o setor solar fotovoltaico nacional

será responsável por um aumento líquido na arrecadação dos Governos Federal,

Estaduais e Municipais de mais de R$ 6,7 bilhões neste ano. A maior parcela dos

novos empregos deverá vir do segmento de geração distribuída. Dos R$ 22,6

bilhões de investimentos previstos para 2021, a geração distribuída corresponderá

por cerca de R$ 17,2 bilhões. Para a geração distribuída solar fotovoltaica, a

associação projeta um crescimento de 90% frente ao total já instalado até 2020,

passando de 4,4 GW (Gigawatts) para 8,3 GW. No segmento de usinas solares de

grande porte, por sua vez, prevê-se um crescimento 37%, partindo dos atuais

3,1 GW para 4,2 GW.

TURBO-

GERADORES

A WEG, multinacional

brasileira, assinou contrato

com a OXE Energia com o

objetivo de fornecer quatro

conjuntos de turbo-geradores

para usinas termelétricas

movidas a biomassa

localizadas no estado de

Roraima, no norte do país. O

contrato tem faturamento total de R$ 39 milhões e prevê também a instalação

de quatro turbinas de reação, condensação, com duas tomadas

sem controle, em conjunto com quatro geradores síncronos trifásico e

quadros elétricos de proteção e controle. A fabricante não só vai fornecer

os equipamentos como será responsável pelos serviços de logística,

montagem e comissionamento. As usinas devem entrar em operação até

junho. As termelétricas têm capacidade instalada individual de 11,5 MW

e vão utilizar cavaco de madeira reflorestada como biomassa.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Foto: divulgação

META BATIDA E

ULTRAPASSADA

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)

concluiu 2020 com uma marca memorável

em relação à oferta de geração de energia

elétrica no Brasil. A fiscalização da agência liberou

no ano 4.932 MW para entrada em operação

comercial – uma potência suficiente para

atender 6,1 milhões de brasileiros, mais do que

a população unida das cidades de Brasília (DF)

e Salvador (BA), terceira e quarta maiores em

número de habitantes no país (com 3 milhões

e 2,8 milhões de pessoas, segundo o IBGE

(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foram inauguradas usinas em 20 Estados. Com

esse resultado, a ANEEL superou em mais de

800 MW a meta inicial para o ano, de 4.112,43

MW. Apesar do cenário de pandemia da

Covid-19, a ANEEL tem mantido normalmente

o acompanhamento da expansão da oferta

de energia elétrica no país. Entre as inovações

utilizadas pela fiscalização do órgão está, por

exemplo, o uso de tecnologias que permitem

o acompanhamento de obras por imagens de

satélite.

Foto: divulgação

LIDERANÇA

O Estado da Bahia, no nordeste brasileiro, é líder em geração distribuída de

energia eólica no país. A fonte gerou em torno de 12.590 GWh (Gigawatt-hora)

entre os meses de janeiro e setembro de 2020, de acordo com o ONS (Operador

Nacional do Sistema). 17 novos parques foram ativados no Estado em 2020. “A

Bahia receberá novas linhas de transmissão de energia elétrica. Uma delas, do

Grupo Neoenergia, terá mil quilômetros de extensão. As linhas de transmissão

vão passar por 27 municípios, a exemplo de Morro do Chapéu, Poções e Medeiros

Neto. Teremos também investimentos de R$ 13 bilhões na construção dos

novos parques eólicos, que devem gerar 56 mil empregos diretos e indiretos.

Já as novas usinas de energia solar estimam investir mais de R$ 8 bilhões e criar

27,5 mil postos de trabalho diretos. Ambos até 2025”, destacou à imprensa o

vice-governador João Leão, secretário de Desenvolvimento Econômico.

LEIS MAIS DURAS

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC),

sancionou lei que permite ao Estado aplicar penalidades administrativas

a pessoas físicas ou jurídicas que roubarem, furtarem ou receptarem

combustíveis ou dutos. O texto foi publicado na edição do dia 13 de janeiro

de 2021 do DOE (Diário Oficial do Estado). Além disso, a nova lei prevê que

o combustível apreendido no Estado deve ser utilizado no abastecimento

de viaturas policiais e pelo Corpo de Bombeiros. Enquanto perdurar a

pandemia do novo coronavírus, entretanto, o combustível será destinado

de forma prioritária a ambulâncias e geradores instalados em hospitais

públicos. “A mobilização de órgãos de governo, sociedade civil e empresas

do setor na busca por

soluções integradas

é fundamental para

conter a escalada e o

financiamento do crime

organizado e reduzir os

riscos de acidentes de

grandes proporções”,

declarou o IBP (Instituto

Brasileiro do Petróleo).

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

13


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

REGINA

ESPINOSA

MODOLO

Formação: Graduação em Agronomia pela

UFES (Universidade Federal do Espírito

Santo); Mestrado em Gestão Ambiental,

Materiais e Valorização de Resíduos

pela Universidade de Aveiro (Portugal);

Doutorado em Ciências e Engenharia

Ambiental pela Universidade de Aveiro

(Portugal)

Cargo: Professora da Escola Politécnica

da UNISINOS e coordenadora do curso

de Engenharia Agronômica da mesma

instituição

VANTAGENS DO USO

DA BIOMASSA

P

rofessora da UNISINOS (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) também fala sobre o

papel das universidades no desenvolvimento da ciência no país. Enquanto subproduto

da cultura de cana-de-açúcar, as vantagens do uso da biomassa enquanto fonte

de energia são inúmeras, devido ao seu poder calorífico significativo. A avaliação é de

Regina Espinosa Modolo, pesquisadora da UNISINOS. Nesta entrevista, a professora também

fala sobre o papel das universidades no desenvolvimento de pesquisas relacionadas à questão

energética no Brasil, bem como sobre os empecilhos para o desenvolvimento da ciência no

país atualmente.

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais

renováveis do mundo industrializado - 43% da produção

de energia no país é proveniente de fontes limpas.

Mesmo assim, ainda há espaço para crescimento nesse

sentido?

Com certeza ainda há espaço para crescimento da produção

de energia originada de fontes limpas, em especial

energias eólica e solar.

O país também é um dos maiores produtores mundiais

de cana-de-açúcar, o que significa que temos um

enorme potencial de produção de biomassa oriunda do

bagaço da cana. Quais são as vantagens desse tipo de

fonte de energia?

Costumo utilizar a seguinte frase “geração de biomassa

para valorização energética” quando nos referimos a

culturas como a de cana-de-açúcar, vez que a biomassa

consiste em resíduos agrícolas ou florestais. Ao mencionarmos

o bagaço de cana, estamos falando de um resíduo

sólido industrial. Nesse caso específico, ele é praticamente

considerado um subproduto com elevado valor agregado.

Levando em consideração as características desse subproduto,

as vantagens de seu uso como fonte energética são

inúmeras, pois ele apresenta poder calorífico significativo

para o fim que se pretende e é gerado em larga escala, o

que garante escoamento e manutenção das operações

que envolvem o processo, entre outros pontos.

Levando em

consideração as

características da

biomassa, as vantagens

de seu uso como fonte

energética são inúmeras

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

15


PRINCIPAL

DÉCADA DE

EXCELÊNCIA

ESPECIALISTA EM CORTES

INDUSTRIAIS, EMPRESA

PARANAENSE COMPLETA 10

ANOS DE ATUAÇÃO

FOTOS BIOMAIS E DIVULGAÇÃO

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

17


PRINCIPAL

E

m meio às incertezas de se empreender no Brasil,

a DRV Ferramentas é um verdadeiro case de

sucesso: localizada em Curitiba (PR), a empresa

completa em 2021 dez anos de muito trabalho

e reconhecimento.

Destaque no mercado de cortes industriais com

seus produtos de qualidade, a DRV é aliada do setor

madeireiro, priorizando a excelência de sua matéria-

-prima e a qualificação do seu corpo técnico de colaboradores,

os dois grandes pilares do crescimento da

empresa na última década.

O diretor comercial da DRV Ferramentas, Diego Ricardo

Vieira, conta que a companhia surgiu em 2011

após o empresário detectar uma carência de produtos

que trouxessem resultados expressivos e melhoria

efetiva no processo de fabricação dos clientes. “A DRV

nasceu a partir de uma análise do mercado e do conhecimento

da necessidade de se ter uma empresa completa

voltada à comercialização de ferramentas industriais

de alta performance, para toda a cadeia produtiva

da madeira”, afirma.

Ele sabe que o mercado da madeira e suas bifurcações,

como o setor de madeira serrada, fábrica de móveis

e biomassa, têm grande potencial de exploração

no Brasil. De acordo com um recente levantamento da

IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), o país dispõe das

florestas plantadas mais produtivas do mundo, estimadas

em 7,8 milhões de hectares, que abastecem os

mercados de celulose, papel e siderurgia, além da produção

de biomassa florestal.

Em comparação com a nórdica Finlândia, por

exemplo, cujo PIB (Produto Interno Bruto) é determinantemente

dependente da indústria florestal e o ciclo

de rotação é de 70 anos, o Brasil é 10 vezes mais eficiente

(com apenas sete anos entre os períodos), o que

faz do país latino-americano uma potência energética.

Mas mesmo com todas as oportunidades verificadas

no Brasil, a DRV Ferramentas enfrentou adversidades

em seus primeiros anos. Todas, contudo, foram

vencidas pelo poder de realização de sua diretoria e

pelo comprometimento de seus funcionários.

“Entre os principais desafios, posso citar o fato de

18

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"A DRV surgiu a partir

da análise do mercado

e o conhecimento da

necessidade em ter uma

empresa completa voltada

a comercialização de

ferramentas industriais de

alta performance”

Diego Ricardo Vieira,

diretor comercial da DRV Ferramentas

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19


PRINCIPAL

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Na DRV, as expectativas

são altas. Segundo o

diretor comercial, a

empresa deverá ampliar

seus investimentos para

que o atendimento

da companhia seja

expandido para toda a

região do Mercosul

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

21


SUSTENTABILIDADE

ESTÍMULO

RENOVÁVEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

PROGRAMA NO PARANÁ DARÁ APOIO

À GERAÇÃO DISTRIBUÍDA DE ENERGIA

ELÉTRICA A PARTIR DE FONTES RENOVÁVEIS

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

23


SUSTENTABILIDADE

O

governador do Paraná, Carlos Massa

Ratinho Junior (PSD), sancionou em

dezembro a lei que garante a continuidade

do programa Tarifa Rural Noturna

e institui o Paraná Energia Rural Renovável, que dará

apoio à geração distribuída de energia elétrica a partir

de fontes renováveis e de biogás e biometano em

unidades produtivas rurais. A ideia é que aos poucos

os consumidores possam migrar de um para o outro.

“Estamos garantindo o subsídio e ao mesmo

tempo buscando formas de estimular os agricultores

paranaenses a gerar energia renovável. A partir desse

novo programa, vamos trabalhar linhas de crédito e

incentivos tributários para que o Paraná seja ainda

mais inovador nessa área”, afirmou o governador.

“Temos a agricultura mais sustentável do mundo. E

queremos evoluir ainda mais nos próximos anos”.

A nova lei garante por mais dois anos (até 2022)

As fontes de energias

renováveis são aquelas

que usam recursos que são

naturalmente reabastecidos,

livres de emissão de carbono

e capazes de se regenerar por

meios naturais

a continuidade do Tarifa Rural Noturna. O programa

prevê desconto de 60% na conta da energia elétrica

consumida entre 21h30 e 6h e beneficia cerca de 11

mil produtores rurais. A partir de 2021, o Governo do

Estado e a Assembleia Legislativa dividirão os custos

do auxílio - R$ 20 milhões por ano de cada Poder.

O texto limita o desconto especial de 60% sobre a

tarifa e o adicional de bandeira tarifária ao consumo

de até 6.000 kWh (Quilowatts) por mês por unidades

consumidoras vinculadas ao mesmo CPF (Cadastro de

Pessoas Físicas) ou CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa

Jurídica). O excedente não será beneficiado com o

desconto.

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

25


PELO MUNDO

O VALOR DO

LIXO

FOTOS DIVULGAÇÃO

EMPRESA TRANSFORMA

LIXO EM PRODUTOS

QUÍMICOS VALIOSOS E

COMBUSTÍVEIS LIMPOS

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

27


PELO MUNDO

D

esafogar os aterros sanitários e fazer do

mundo um lugar mais sustentável. Esse é o

objetivo da InEnTec, empresa norte-americana

que está empenhada em transformar

qualquer tipo de lixo, inclusive radioativo e outros

resíduos perigosos, em produtos químicos valiosos

e combustíveis limpos. Para tanto, a companhia

lança mão de um processo chamado gaseificação de

plasma.

“Cerca de 130 milhões de t (toneladas) de resíduos

anuais vão para aterros sanitários nos EUA (Estados

Unidos da América), e isso produz pelo menos 130

milhões de toneladas de emissões de CO2 (Dióxido de

Carbono) equivalente”, explica Daniel R. Cohn, pesquisador

do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

e cofundador da InEnTec. Ele também observa que a

maioria dessas emissões ocorre na forma de metano,

substância que é muito pior para o clima do que o

próprio CO2.

O processo utilizado pela InEnTec é mais caro do

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A InEnTec está se

expandindo com projetos

que incluem reciclagem

de plásticos e produção

distribuída de hidrogênio

combustível de baixo custo

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

29


PELO MUNDO

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Cerca de 130 milhões de

toneladas de resíduos

anuais vão para aterros

sanitários nos EUA

(Estados Unidos da

América)

A história da DRV Serras e Facas

Industriais completa 10 anos de muito

sucesso. Uma data marcante, que

expressa a experiência e qualidade dos

profissionais que transformaram um

sonho em realidade. O mercado de facas

e serras se transformou após o

nascimento da DRV. Aguardem muitas

novidades durante esse ano de 2021.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

31


CASE

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BIOENERGIA

SUSTENTÁVEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

STARTUP CRIADA EM HARVARD FOCA NA

PRODUÇÃO DE BIOMASSA A PARTIR DO

EUCALIPTO BRASILEIRO

Q

uando as pessoas pensam em energia

renovável, painéis solares ou turbinas eólicas

geralmente são as primeiras imagens

que vêm à mente. Ocorre que aproximadamente

metade da energia renovável global é

oriunda de bioenergia sustentável, de acordo com o

think tank de política energética REN21.

Mais de 60% dessa bioenergia sustentável é

produzida pela queima de pellets de madeira, mas seu

potencial como fonte de energia renovável permanece

limitado. Pellets gerados a partir de vastas florestas

tropicais de eucalipto são proibidos em muitos países

porque sua queima gera emissões perigosas.

Entra em cena a BiomassTrust, startup fundada

pelo pós-doutorando da Universidade Harvard, nos

EUA (Estados Unidos da América), Javier Farago Escobar

que patenteou um processo que remove cloro de

pellets de madeira de eucalipto brasileiro, permitindo

que sejam usados como combustível em centenas de

países onde antes eram barrados.

“O Brasil tem potencial para produzir uma biomassa

mais sustentável do que qualquer país do mundo”,

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33


CASE

garante Escobar. “Mas atualmente muitos dos resíduos

de madeira brasileiros e em outros países tropicais,

por não conseguirem vender esse tipo de biomassa,

acabam sendo queimados em fogueiras ou simplesmente

abandonados.”

O cloro da madeira só causa danos à saúde quando

é queimado, explica Escobar. Devido ao aumento

da velocidade com que as nuvens de chuva se formam

nos trópicos úmidos, mais cloro é depositado na

madeira do que em uma floresta de clima temperado.

A queima dessa madeira tropical produz dioxina, uma

substância química letal que também pode corroer

máquinas em caldeiras ou usinas de energia.

Escobar passou anos estudando esse problema,

primeiro como aluno de graduação na USP (Universidade

de São Paulo) e depois como pós-doutorando

em Ciências Ambientais e Engenharia na Escola de

Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard.

As pessoas tendem a pensar

na madeira como um tipo

primitivo de energia. Mas acho

que às vezes subestimamos

a sabedoria da natureza e os

fundamentos da ciência

Javier Farago Escobar, pesquisador

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A abertura da biomassa

tropical para os mercados de

exportação pode contribuir

para reduzir a dependência

mundial dos combustíveis

fósseis

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

37


ECONOMIA

SOCIEDADE

SOLAR

FOTOS DIVULGAÇÃO

CURITIBA DEVE TER USINA SOLAR EM

ANTIGO ATERRO SANITÁRIO

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A

Pirâmide Solar da Caximba, projeto que

vai instalar painéis solares sobre a área do

aterro desativado em Curitiba (PR), para o

funcionamento de uma Unidade Geradora

Fotovoltaica, está cada vez mais próxima de se tornar

realidade. Os projetos executivos desta e de outras

quatro usinas nos mesmos moldes foram entregues

ao prefeito da capital paranaense, Rafael Greca (DEM)

no fim de dezembro pelo programa C40 CFF (Cities

Finance Facility).

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

39


ECONOMIA

Além da entrega dos projetos, o prefeito sancionou

lei que autoriza o município a formar uma

Sociedade de Propósito Específico com a COPEL

(Companhia Paranaense de Energia). Juntos, poderão

fazer a implantação, manutenção e operacionalização

da Pirâmide Solar e de uma Unidade Geradora de Biomassa,

também no aterro sanitário que foi desativado

em 2010. A lei que sela a possibilidade de constituir

a sociedade foi aprovada pela Câmara Municipal de

Curitiba.

“A energia solar está entrando forte em Curitiba.

Nós, do Paraná, gostamos da energia da água, gostamos

da energia do sol, gostamos da energia limpa. A

população quer viver num mundo onde a gente não

seja refém do desequilíbrio climático”, comemorou

Greca.

A energia gerada na Unidade Fotovoltaica da

Caximba vai compensar parte da energia consumida

nos prédios municipais, o que caracteriza a operação

como de geração distribuída. Com isso, a prefeitura

poderá gastar menos com energia elétrica nas unidades

do município.

Totalmente sem custos para a Prefeitura de

Curitiba, os complexos projetos entregues tiveram

a consultoria especializada e integral do C40, a rede

mundial de cidades que debate os desafios decorrentes

das mudanças climáticas e busca soluções urbanas

inteligentes para eles.

O PRIMEIRO DA AMÉRICA LATINA

Além da unidade do aterro, no extremo sul da

cidade, as usinas fotovoltaicas serão instaladas na

rodoviária e nos terminais de ônibus Pinheirinho,

Boqueirão e Santa Cândida. Esse conjunto de painéis

solares em diferentes locais integra o programa Curitiba

Mais Energia, selecionado em 2018 pelo C40 CFF

como um dos nove projetos do mundo que receberiam

investimentos.

A Usina de Biomassa

vai utilizar como

combustível o resíduo

vegetal da manutenção

da arborização viária e da

coleta de resíduo vegetal

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

41


ARTIGO

APROVEITAMENTO

ENERGÉTICO DOS

RESÍDUOS DE CASCAS DE

COCO VERDE

PARA PRODUÇÃO

DE BRIQUETES

FOTOS DIVULGAÇÃO

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BRÍGIDA MIOLA

Centro de Ciências Tecnológicas,

Universidade de Fortaleza

KÊNIO MONTELES UCHÔA

Centro de Ciências Tecnológicas, Universidade

de Fortaleza

MARIA MYRIAN MELO FROTA

Centro de Ciências Tecnológicas,

Universidade de Fortaleza

ANDRÉ GADELHA DE OLIVEIRA

Centro de Ciências Tecnológicas, Universidade

de Fortaleza

FRANCISCO DE ASSIS LEANDRO FILHO

Instituto Federal de Educação do Ceará

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

43


ARTIGO

RESUMO

A

casca de coco verde é considerada um resíduo

de complexa degradação, podendo ser também

foco de proliferação de doenças. Com

base nessa premissa e com a necessidade de se

estudarem novas fontes renováveis de energia, a utilização

de resíduos de casca de coco verde como fonte energética

apresenta aspectos benéficos, desde que seja viável

econômica e tecnicamente. Assim, este artigo visa avaliar

o potencial energético da casca do coco verde por meio

da produção de briquetes. Foram realizadas análises das

características físico-químicas dos briquetes e da biomassa

in natura. Como resultados, foram encontrados poder

calorífico de 13,6 MJ/kg para biomassa in natura; já para

os briquetes, com aglutinantes água e amido, os valores

foram de 15,6 e 11,7 MJ/kg, respectivamente. O poder calorífico

da biomassa in natura não resultou valores inferiores

quando comparados com a literatura de referência, porém

sua umidade e teor de cinzas se apresentaram bastante

elevados. Para os briquetes produzidos, esses valores se

reduzem e o poder calorífico é considerado alto e eficiente

para fins de geração de calor. Dessa forma, verifica-se o

potencial de utilização dos resíduos da casca como alternativa

energética, além das vantagens socioeconômicas e

ambientais.

Palavras-chave: briquetes; biomassa; casca de coco

verde; potencial energético.

Hoje em dia, esse resíduo já é usado para algumas finalidades,

como a produção de fibras vegetais, de substrato

orgânico, de mantas para uso em aplicações arquitetônicas

e de engenharia etc. Muitas empresas usam a casca de

coco verde como cobertura morta de solo nos coqueirais.

A casca do coco é composta de fibras muito rígidas, difíceis

de decompor, por isso para a sua reutilização é preciso

usar técnicas e equipamentos específicos. No estado do

Ceará, pesquisadores da EMBRAPA Agroindústria Tropical

desenvolveram um conjunto de equipamentos composto

de um triturador, prensa e um classificador, conectados

de forma contínua, para beneficiamento da casca de coco

verde e obtenção de fibra e pó.

Segundo Grapiúna (2012), 65% do coco corresponde

à noz e seu conteúdo (albúmen sólido e água), enquanto

os 35% restantes correspondem à parte fibrosa (casca). As

fibras são compostas de hemicelulose, lignina e celulose.

Esta última forma longas cadeias de alto grau de polimerização,

que apresentam grande resistência mecânica.

Assim, para seu aproveitamento, as opções incluem

produção de objetos artesanais, confecção de lembranças,

utilização da fibra em filtros naturais, produção de energia

INTRODUÇÃO

Atualmente, com o padrão de consumo da população,

os produtos tendem a ser descartados antes do fim de

seu ciclo de vida, sendo destinados aos lixões e aterros.

Uma vez que a falta de reaproveitamento desses resíduos

afeta a vida útil dos aterros, os estudos para reutilização

de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) estão cada vez mais

frequentes, buscando soluções inteligentes para um futuro

sustentável.

Os pesquisadores da EMBRAPA (Empresa Brasileira de

Pesquisa Agropecuária) acreditam que sejam descartados

no Brasil cerca de sete milhões de toneladas de cascas de

coco por ano. A casca do coco verde é considerada um resíduo

de complexa degradação, podendo ser também foco

de proliferação de doenças, causar mau cheiro, degradar

a paisagem e colocar em risco o meio ambiente. Com isso,

as cascas do coco verde, enquanto matérias-primas não

utilizadas, apresentam custos e impactos para a sociedade

e o meio ambiente, ao passo que o seu aproveitamento

agrega valor ao resíduo e pode trazer benefícios para o

meio como um todo.

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

45


ARTIGO

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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AGENDA

MARÇO 2021

AFRICA ENERGY

Data: 2 a 3

Local: Cidade do Cabo (África do Sul)

Informações: www.africaenergyindaba.com

DESTAQUE

MAIO 2021

E-WORLD

Data: 4 a 6

Local: Essen (Alemanha)

Informações: www.e-world-essen.com/en

JUNHO 2021

ECONERGY

Data: 08 a 10

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://feiraecoenergy.com.br/

JULHO 2021

FIEE SMART FUTURE

Data: 20 a 23

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html

AGOSTO 2021

INTERSOLAR SOUTH AMERICA

Data: 24 a 26

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio

FENASUCRO & AGROCANA

Data: 17 a 20 de Agosto de 2021

Local: Sertãozinho (SP)

Informações:

www.fenasucro.com.br/pt-br.html

A Fenasucro & Agrocana é a principal feira de

bioenergia e do setor sucroenergético da América

Latina. O evento acontece anualmente no principal

polo de produção bioenergética do Brasil; país com

maior potencial de produção mundial. Atualmente,

reúne profissionais dos principais pilares da matriz

energética, de usinas bioenergéticas e dos setores

de transporte e logística, papel e celulose e de

alimentos e bebidas para realização de negócios,

networking e atualização profissional.

Imagem: divulgação

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OPINIÃO

Foto: divulgação

2021, O ANO

DA RETOMADA

O

ano de 2020, que terminou, foi um dos mais

desafiadores que o mundo enfrentou na

história recente, em função da crise sanitária e

econômica gerada pela Covid-19. Entramos em

2021 com esperanças de uma retomada gradual, mas consistente,

da economia, que permita ao Brasil voltar a crescer e

se desenvolver.

O setor produtivo ainda sofre com os efeitos negativos

ocasionados pela pandemia, mas a economia já dá sinais de

recuperação. Neste momento, precisamos renovar a confiança

e trabalhar firmemente para que a crise seja superada o

mais rapidamente possível.

Lamentamos enormemente que o coronavírus continue

ceifando preciosas vidas aqui e lá fora, provocando dor nas

famílias. Graças ao esforço de cientistas e governos em todo

o mundo, porém, a vacinação está começando em alguns

países e deve se disseminar rapidamente.

Isso nos dá a certeza de esse ano que será bem melhor

do que 2020, tanto do ponto de vista da saúde de todos nós

quanto da indispensável recuperação da atividade econômica.

Ao longo dos meses, indústria, serviços, agropecuária e

turismo vão se reaquecer, trazendo, aos poucos, a bonança

de volta aos lares.

Ainda que em um ritmo aquém do desejável, a economia

vai entrar em 2021 em um cenário positivo, o que nos

proporciona uma base mínima para continuar avançando.

Para isso, é preciso que o país persevere no caminho das

medidas econômicas, em especial das reformas estruturais,

imprescindíveis para a melhora do ambiente de negócios.

Temos que preparar o terreno, removendo crônicos obstáculos

à expansão em um ritmo vigoroso, para conseguir

uma retomada sustentável da economia, sobretudo com a

redução do desemprego, flagelo que pesa sobre quase 14

milhões de brasileiros. Nunca é demais reiterar que a reforma

tributária é fundamental para acabar com o emaranhado

de leis, decretos, portarias, instruções normativas e outras

Por Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)

Foto: divulgação/AgênciaBrasil

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