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o lugar social imposto à mulher no romance clara dos anjos

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atitude. Isso não ocorre apenas com Inês. A mãe de Nair, outra vítima de Cassí, se<br />

matou depois de descobrir que a filha estava grávida.<br />

No período em que foi publicada a obra Clara <strong>dos</strong> Anjos, as <strong>mulher</strong>es ainda não<br />

possuíam direito ao voto, quanto me<strong>no</strong>s <strong>à</strong> candidaturas. Aliás, com base na obra e em<br />

outros relatos, as <strong>mulher</strong>es cariocas deste período sequer eram incluídas nas conversas<br />

políticas ou rodas sociais, sendo meramente procriadoras e tidas como “bibelôs”<br />

decorativos em suas casas. Somente uma década depois é que o voto foi permitido <strong>à</strong>s<br />

<strong>mulher</strong>es, mas ainda da forma facultativa.<br />

Através do Decreto Lei de número 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, o<br />

presidente Getúlio Vargas discipli<strong>no</strong>u que era eleitor “o cidadão maior de 21<br />

a<strong>no</strong>s, sem distinção de sexo, alistado na forma do código. É de ressaltar que<br />

as disposições transitórias, <strong>no</strong> artigo 121, dispunham que os homens com<br />

mais de 60 a<strong>no</strong>s e as <strong>mulher</strong>es em qualquer idade podiam isentar-se de<br />

qualquer obrigação ou serviço de natureza eleitoral. Logo, não havia<br />

obrigatoriedade do voto femini<strong>no</strong>”.<br />

(http://www.al.sp.gov.br/web/eleicao/<strong>mulher</strong>_voto.htm)<br />

Somente em 1934, as restrições ao ple<strong>no</strong> exercício do voto femini<strong>no</strong> foram<br />

eliminadas, <strong>no</strong> entanto, o Código Civil não tornava obrigatório o voto femini<strong>no</strong>. Mas<br />

somente o masculi<strong>no</strong>. O voto femini<strong>no</strong>, sem restrições, só passou a ser obrigatório em<br />

1946, e em 1988 passou a ser obrigatório <strong>à</strong>s <strong>mulher</strong>es e aos homens, com mais de 18<br />

a<strong>no</strong>s, e facultativo aos maiores de 16. Mesmo assim, ainda hoje, temos um número<br />

reduzido de <strong>mulher</strong>es <strong>no</strong>s poderes executivo e legislativo, tendo sido eleita a primeira<br />

<strong>mulher</strong> presidenta, <strong>no</strong> país somente em 2010.<br />

Em relação ao trabalho como um <strong>dos</strong> fatores sociais de análise, existem diversos<br />

relatos históricos quanto ao trabalho femini<strong>no</strong> como ajuda ou sustento total das famílias<br />

pobres, neste período. Porém, especificamente em Clara <strong>dos</strong> Anjos, o trabalho femini<strong>no</strong><br />

somente é bem visto se feito na solteirice desde que não fosse para o sustento real da<br />

casa. Enfim, não só a <strong>mulher</strong> assim como o trabalho femini<strong>no</strong>, também, foi<br />

desprestigiado pela sociedade patriarcal na qual se inclui Lima Barreto.<br />

Qual a reinvindicação <strong>social</strong> para a <strong>mulher</strong> que o escritor questiona?<br />

Para demonstrar que é possível um mundo dig<strong>no</strong> para <strong>à</strong>s <strong>mulher</strong>es, o escritor<br />

traz como exemplo: Dona Margarida Weber Pestana, que aliás, não foi educada <strong>no</strong><br />

Brasil, era russa com descendência alemã, viúva do tipógrafo Ezequiel.<br />

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