A Energiewende alemã (África Ocidental)

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A Energiewende alemã


A Energiewende alemã

A reestruturação do sistema energético da Alemanha


02 | A Energiewende alemã

A Energiewende alemã

Sejam bem-vindos!

O seu interesse pela Energiewende, ou transição energética, um dos projectos de futuro mais

importantes da Alemanha, é para nós motivo de grande satisfação.

Decidimos reestruturar todo o sistema energético do país, optando por energias renováveis

e apostando numa utilização cada vez mais eficiente da energia. Além de ser economicamente

vantajoso, a Alemanha presta, desta forma, uma contribuição fundamental para a protecção

do clima.

A Energiewende é a nossa resposta à pergunta: Como poderemos garantir um aprovisionamento

energético seguro, de custo moderado e sustentável? Além disso, é também uma

oportunidade única para a Alemanha enquanto pólo industrial, pois poderá criar novas áreas

de negócio, impulsionar inovações e gerar emprego e crescimento, tornando-nos, simultaneamente,

menos dependentes da importação de petróleo e gás e assegurando a elevada qualidade

de vida no nosso país.

© iStock/SilviaJansenx © Paul Langrock

1971

O Governo da República Federal da Alemanha aprova o seu primeiro programa ambiental.


© dpa/Westend61/Werner Dieter

A Energiewende alemã | 03

Porque organizámos esta exposição? O Governo da República Federal

da Alemanha é frequentemente questionado, no mundo inteiro, sobre

a transição energética. O interesse é tão grande que a palavra Energiewende

já entrou no vocabulário de muitas linguas estrangeiras o que

muito nos alegra.

Ao mesmo tempo, tanto as dimensões que o projecto Energiewende

adquiriu como os inúmeros aspectos com ele relacionados constituem

uma surpresa para muitas pessoas. Isto significa também que

não pode ser realizado de um dia para o outro. A Energiewende é um

projecto intergeracional e complexo que tem de satisfazer as mais

diversas exigências. As medidas necessárias requerem um planeamento

exaustivo de modo a que não comprometam nem a protecção do

clima, nem o nosso bem-estar. Por esta razão, existem também sempre

fases em que o progresso é mais lento. São justamente estes múltiplos

desafios e tarefas que pretendemos tornar visíveis nesta exposição.

A Energiewende está firmemente inserida num contexto internacional.

Buscamos um intercâmbio intenso com os nossos vizinhos

europeus e os nossos parceiros internacionais, visando concretizar

cooperações e soluções transnacionais. Pois necessitamos de soluções

conjuntas para reduzir as emissões globais de CO 2

, limitar o aquecimento

do planeta e criar um abastecimento energético seguro, sustentável

e financeiramente acessível.

Com a Energiewende, a Alemanha leva a sério a responsabilidade

pelo planeta e pelas pessoas. Deixamos aqui o nosso convite para nos

acompanharem e embarcarem nesta empolgante viagem pela nossa

Energiewende.

Esperamos que apreciem a exposição e aproveitem a oportunidade de

troca de ideias.

1972

Na pequena cidade de Penzberg, no Sul da Alemanha, é construído um

dos primeiros bairros residenciais do país abastecidos com energia solar.


04 | A Energiewende alemã

Eficiência energética

Poupar energia e usá-la

de forma mais eficiente

Gerir de forma eficiente a electricidade, o calor e os combustíveis significa economizar

dinheiro, aumentar a segurança do abastecimento e proteger o clima. A Alemanha é obrigada

a importar grande parte das suas fontes de energia. Correspondendo a cerca de 50% nos anos

70 do século passado, as importações cobrem actualmente quase dois terços da procura total

de energia. A eficiência energética é assim, juntamente com o desenvolvimento das energias

renováveis, o pilar fundamental da Energiewende.

Na Alemanha, a consciência da importância de um uso eficiente da energia tem vindo a crescer

ao longo das últimas décadas. Um dos maiores incentivos foi a primeira crise mundial do petróleo,

em 1973, que mostrou aos alemães quão dependentes eles eram de combustíveis fósseis.

Uma das consequências foi que o Governo Federal da época iniciou uma campanha de informação

sobre a poupança de energia e decretou um limite de velocidade nas auto- estradas. Desde

então, foram promulgadas muitas outras leis e implementadas várias medidas de eficiência

energética. Estas medidas compreendem três elementos principais: apoio orientado para fins

específicos, informação e consultoria e metas vinculativas para reduzir o consumo de energia.

© dpa/Jörg Carstensen © dpa/Westend61/Werner Dieter

1973

A guerra do Yom Kippur (Outubro de 1973) provoca uma crise do petróleo a nível mundial.

Com o propósito de poupar energia, a Alemanha decreta quatro domingos sem carros no país inteiro.


A Energiewende alemã | 05

A energia que a Alemanha visa economizar

Metas de redução do consumo de energia primária em comparação

com 2008

2008 A economia cresce, o consumo de energia diminui

Evolução do produto interno bruto e do consumo de energia primária

1.958 14.905

2.355

14.766

2.497

14.217

3.263

13.525

-50 % -6 %

1990

2000

2010

2017

Valor atingido em

2050 2017

Produto interno bruto em mil milhões de euros,

em média +1,4% por ano desde 1990

Consumo de energia primária em petajoules.

Em média -0,3% por ano desde 1990

«O melhor de todos os quilowatts-hora

é aquele que não se gasta.»

Angela Merkel, Chanceler Federal

A estratégia foi bem-sucedida. Desde 1990, a procura de energia

da Alemanha diminuiu, ao passo que o seu produto interno bruto

aumentou consideravelmente. O sector industrial alemão reduziu

o seu consumo de energia em mais de 10%, mas o desempenho da

sua economia duplicou. Graças aos avanços tecnológicos, é possível

utilizar a energia de modo mais eficiente, seja a nível doméstico, seja

a nível empresarial. Os electrodomésticos modernos chegam a ter um

consumo energético 75% menor do que aparelhos comparáveis que

existiam há 15 anos. Além disso, a simples mudança dos hábitos quotidianos

também economiza energia. Por esta razão, existem dezenas

de milhares de consultores energéticos em todo o país que, mediante

análises do consumo de energia, informam inquilinos, proprietários

de imóveis e empresas sobre as possibilidades de reduzir o consumo

e sobre como recorrer a apoios públicos.

Todos os Estados-membros da União Europeia concordaram em reduzir

o seu consumo de energia primária em 20% até 2020 e, no mínimo,

em 27% até 2030. A Alemanha pretende, a longo prazo, reduzir o seu

consumo energético para metade, o que é parte dos compromissos

assumidos no Acordo de Paris sobre o clima.

Aumento substancial da produtividade energética

Riqueza criada com um gigajoule (GJ) de energia

241,29 €

+87%

1 GJ

128,80 €

1 GJ

1990 2017

1975

A Lei relativa à Segurança do Abastecimento Energético prevê maiores reservas de energia e um

limite de velocidade nas estradas da Alemanha.


06 | A Energiewende alemã

Calor

Calor agradável,

renovável e eficiente

O sucesso da Energiewende também depende da diminuição da necessidade de energia para

aquecimento, climatização e aquecimento de água em edifícios, bem como da possibilidade de

o restante da procura ser atendido por energias renováveis. Na Alemanha, a energia usada para

aquecimento constitui mais da metade do consumo energético total, e quase dois terços desta

energia são utilizados pelas 40 milhões de residências para aquecimento e água quente.

Por conseguinte, o Governo Federal pretende reduzir, até 2050, a procura de energia primária

Reduzir a procura energética para aquecimento

Metas de redução da procura energética para aquecimento em edifícios

2.152 petajoules

foram gastos, em 2016, pelas 40 milhões de residências alemãs em aquecimento

e água quente

o que equivale a

-80% -18,3% 14% 12,9%

Valor atingido

em

Valor atingido

em

2050 2016 2020 2017

óleo

Procura energética primária nos edifícios

(em comparação com 2008)

Quota das energias

renováveis na procura energética

para aquecimento

50 mil milhões

de litros de petróleo

seis vezes

a procura energética anual

do sector de aviação da Alemanha

a procura energética do

Uzbequistão

© dpa/Jacobs University Bremen © dpa

1975

O Governo Federal lança uma campanha de informação sobre a poupança de energia.


A Energiewende alemã | 07

de fuelóleo e gás em edifícios em 80%. Para atingir esta meta, a eficiência

energética dos edifícios terá de ser significativamente melhorada

e a percentagem das energias renováveis no aprovisionamento para

aquecimento e climatização terá de aumentar. Até 2020, as energias

renováveis deverão suprir 14% da procura para fins de aquecimento

e climatização. Desta forma, a Alemanha também põe em prática

as metas europeias: a actual Directiva Edifícios da UE prevê que,

a partir de 2021, todas as construções novas na Europa preencham as

condições de “casas passivas”, isto é, edifícios com consumo energético

muito baixo.

A Alemanha reconheceu cedo que existe um grande potencial de

poupança de energia nos edifícios. Já em 1976, o Governo Federal de

então aprovou, em consequência da crise do petróleo, a primeira Lei

de Conservação da Energia, seguida do primeiro Regulamento relativo

ao Isolamento Térmico. Esta regulamentação foi continuamente

desenvolvida e adaptada aos avanços tecnológicos. Desde 2009, em

conformidade com a Lei de Aquecimento e Energias Renováveis, todas

as novas construções habitacionais têm de cobrir uma quota-parte

mínima da sua procura energética com energias renováveis. Isto

é possível, por exemplo, com aquecimentos a gás ou fuelóleo apoiados

por energia térmica solar ou com sistemas de aquecimento que recorram

exclusivamente a energias renováveis, como as bombas de calor

ou os aquecimentos a pellets.

70% de todas as construções habitacionais na Alemanha têm mais

de 35 anos, ou seja, datam da época anterior à aprovação do primeiro

Regulamento relativo ao Isolamento Térmico. Isto significa que muitas

construções estão insuficientemente isoladas e são muitas vezes

aquecidas com caldeiras de aquecimento ultrapassadas e combustíveis

fósseis, como fuelóleo e gás. Uma unidade habitacional alemã

consome, em média, 145 quilowatts-hora por metro quadrado de área

habitada por ano, o que equivale a 14,5 litros de petróleo. Construções

novas altamente eficientes consomem apenas um décimo desta

quantidade. Em construções antigas, o consumo de energia primária

pode ser reduzido em até 80% por meio de uma renovação energética

e da transição para energias renováveis. Isto requer um melhor isolamento

das paredes externas do edifício, a renovação de componentes,

uma modernização do sistema de aquecimento e climatização e uma

melhor tecnologia de controlo. Só em 2015 foram investidos cerca

de 53 mil milhões de euros em renovações energéticas. O Governo

Federal apoia estas renovações com créditos bonificados e subsídios.

A aplicação de medidas de eficiência energética fez com que, em 2016,

cada alemão poupasse, em média, quase 500 euros, ocupando assim

uma posição de destaque a nível mundial.

Uma das principais prioridades consiste na substituição de sistemas

de aquecimento antigos e na transição de combustíveis fósseis para

energias renováveis. Se, em 1975, os alemães ainda aqueciam mais

de metade de todos os apartamentos com fuelóleo, este número hoje

corresponde apenas a cerca de um quarto. Das casas novas concluídas

em 2016, 60% são aquecidas com energias renováveis. Sistemas solares

térmicos, aquecimentos com biomassa e bombas de calor que aproveitam

o calor ambiente já cobrem cerca de 12% da procura energética

destinada ao aquecimento. Para que a transição se efectue com maior

rapidez, o Governo Federal fomenta, desde 2000, a substituição dos

sistemas de aquecimento antigos.

Quanta energia é consumida nos edifícios?

Parcela do consumo energético final na Alemanha

Construções novas consomem apenas um décimo

Consumo anual em aquecimento, expresso em litros de fuelóleo por metro

quadrado de área habitacional, relativo a diferentes tipos de construções

36,0 %

em edifícios

15–20 litros

edifícios antigos não renovados

5–10 litros

edifícios antigos renovados

28,0 %

para

aquecimento

Dados referentes a: 2016

4,7 %

para água

quentei

2,8 %

para

iluminação

0,4 %

para sistemas

de ar

condicionado

7 litros

edifícios novos

1,5 litros

casas passivas

1977

Com a aprovação do Regulamento relativo ao Isolamento Térmico, o Governo Federal

define, pela primeira vez, requisitos para a eficiência energética de edifícios.


08 | A Energiewende alemã

«O princípio do fim da era do

petróleo já começou.»

Dieter Zetsche, Daimler AG

© dpa/Paul Zinken

1979/1980

A guerra entre o Irão e o Iraque provoca

a segunda crise mundial do petróleo.

1984

Na Alemanha, a empresa Enercon desenvolve os

primeiros geradores eólicos modernos em série.


A Energiewende alemã | 09

Mobilidade

Electricidade sobre rodas

Os automóveis são o mais importante produto de exportação da Alemanha.

Com mais de 750.000 trabalhadores, a indústria automóvel é uma

das maiores empregadoras do país. Mas o sector dos transportes é também

um dos maiores consumidores de energia, sendo responsável por um

terço do consumo final de energia. Por esta razão, o Governo Federal está

a intensificar os seus esforços no sentido de reduzir este consumo.

Veículos com células combustíveis são vistos como um importante

complemento aos veículos eléctricos alimentados por baterias. Projectos

relativos a células combustíveis e de hidrogénio serão contemplados,

até 2019, com 1,65 mil milhões de euros de fundos públicos.

Em algumas das grandes cidades alemãs já circulam, no transporte

público urbano, autocarros híbridos movidos a hidrogénio.

Os primeiros resultados positivos estão à vista. Assim, de 1990 a 2017,

os quilómetros percorridos no transporte de mercadorias e de passageiros

praticamente duplicaram, mas, durante o mesmo período, o

consumo de energia subiu apenas cerca de 9%.

Para poupar uma quantidade ainda maior de energia, a Alemanha desenvolve

tecnologias automóveis eficientes e trabalha na electrificação

dos veículos automóveis. Sobretudo veículos de passageiros, veículos

de transporte colectivo, veículos urbanos de carga e motociclos deverão

passar a ser movidos a electricidade. Por este motivo, o Governo

Federal promove o desenvolvimento do mercado e das tecnologias

através de um grande número de programas.

Além de sistemas de propulsão ecológicos, novos conceitos de mobilidade,

como os sistemas de car sharing, de bike sharing e de partilha de

scooters eléctricas estão a ganhar relevância. Se várias pessoas partilham

um veículo, o trânsito diminui e as emissões baixam. Igualmente

úteis são soluções digitais que tornam as ofertas de mobilidade mais

eficientes e que facilitam a troca do carro pela bicicleta. Na Alemanha

estão actualmente registados mais de 2,1 milhões de utilizadores em

150 operadores de car sharing.

Para que a transição energética resulte também no sector dos transportes,

é necessário proceder a alterações em muitas áreas, tanto da

vida quotidiana, como no plano político e no mundo empresarial.

Trata-se de um processo demorado, de modo a garantir que os transportes

se tornam mais sustentáveis sem, ao mesmo tempo, comprometer

a mobilidade das pessoas.

As metas e os avanços da Alemanha no sector dos transportes

Aumento da eficiência energética

Quanta energia é necessária para percorrer 100 quilómetros?

1990

66,1 megajoules

100 km

2013

35,6 megajoules

100 km

Expansão da mobilidade eléctrica

82,8

milhões de pessoas

vivem na Alemanha

63,7

milhões de veículos estão

registados na Alemanha

44.419

veículos eléctricos

Mobilidade eléctrica

2018

+

236.710

veículos híbridos

Alemanha

2018

Expansão da mobilidade eléctrica até

2022

1 milhão

de veículos

1986

Um acidente grave ocorre num reactor da central nuclear de

Chernobyl (Ucrânia). É criado, na Alemanha, o Ministério Federal

do Ambiente, Protecção da Natureza e Segurança Nuclear.

1986

Circula, na Alemanha, o primeiro

veículo solar registado.


10 | A Energiewende alemã

Energias renováveis

Electricidade proveniente

do vento e do sol

O desenvolvimento das energias renováveis constitui, juntamente com a eficiência energética,

o pilar central da Energiewende. O vento, o sol, a energia hídrica, a biomassa e a energia

geotérmica são fontes de energia locais e limpas. Tornam a Alemanha menos dependente de

combustíveis fósseis e prestam uma contribuição essencial para a protecção do clima.

É no sector da electricidade que o uso de energias renováveis está mais desenvolvido. Desde

2014 que as energias renováveis são a fonte mais importante da matriz eléctrica da Alemanha,

fornecendo mais de um terço da energia consumida no país. Há dez anos, forneciam apenas

9%. A base deste sucesso é o fomento direccionado. Teve início em 1991 com a Lei relativa à Alimentação

da Rede de Energia Eléctrica, que impôs, pela primeira vez, uma taxa de remuneração

fixa e uma obrigação de compra de electricidade, com o intuito de abrir o mercado para as

novas tecnologias. Seguiu-se, em 2000, a Lei relativa às Energias Renováveis. Esta possui três

elementos fundamentais: tarifas de remuneração garantidas para diversas tecnologias, alimentação

prioritária da rede eléctrica e distribuição dos custos adicionais resultantes por meio

de um regime de repartição entre todos os consumidores de electricidade.

© aleo solar AG/Flo Hagena

Desde a entrada em vigor da Lei relativa às Energias Renováveis, aumentaram continuamente

os investimentos anuais em novos parques eólicos e sistemas fotovoltaicos, mas também em

instalações alimentadas a lenha e biogás. A elevada procura fez com que surgisse um novo

ramo de actividade, com mais de 338.000 postos de trabalho só na Alemanha. Estimulou tam-

As energias renováveis são a fonte de energia

mais importante da matriz eléctrica

Parcela de energias renováveis no consumo bruto de electricidade

O vento fornece a maior parte da electricidade

gerada a partir de fontes renováveis

Parcela na produção total de energias renováveis em 2017

3,4%

1990

6,2%

2000

17,0%

Energia eólica

16,3 %

2010

33,3%

2017

Energia

fotovoltaica

6,1 %

Energia

hídrica

3,1 %

Biomassa

6,9 %

1987

Na Alemanha é construído o primeiro parque

eólico: 30 turbinas geram electricidade no

Windenergiepark Westküste.

1990

O Governo Federal lança o “Programa 1.000

Telhados” para fomentar a instalação de painéis

fotovoltaicos.

1990

Reunificação da Alemanha Ocidental e Oriental.


© dpa

A Energiewende alemã | 11

As energias renováveis fortalecem a geração de energia e a protecção do clima

Indicadores para 2017

1,7 milhões

de instalações destinadas à geração de electricidade

apoiadas nos termos da Lei relativa às Energias Renováveis

217 terawatts-hora

de electricidade gerada

equivalente à quase totalidade da

electricidade gerada na Indonésia

179 milhões de toneladas

equivalentes de CO 2

evitados

corresponde a mais do dobro das emissões

de gases de efeito estufa do Chile em 2015.

bém a eficiente produção em massa de centrais baseadas em energias

renováveis, o que fez com que os preços dos respectivos equipamentos

baixassem consideravelmente no mundo inteiro. Em 2014, um módulo

fotovoltaico, por exemplo, custava menos 75% do que havia custado

cinco anos antes. Em 2000, um quilowatt-hora de electricidade solar

era remunerado, na Alemanha, com 50 cêntimos de euro – hoje são,

em média, entre quatro e cinco cêntimos. Apesar da moderada quantidade

de luz solar no centro da Europa, a energia solar transformou-se

numa importante fonte de energia eléctrica na Alemanha. Os sistemas

fotovoltaicos produzem actualmente cerca de um quinto da electricidade

gerada a partir de fontes renováveis.

A energia eólica é, no momento, a fonte mais importante para a geração

de electricidade a partir de fontes renováveis. A electricidade fornecida

por parques eólicos onshore só custa, em média, entre 1,9 e 2,5

cêntimos por quilowatt-hora.

Para a Alemanha, o desafio consiste em gerir a expansão das energias

eólica e solar de tal modo que as mesmas permaneçam acessíveis em

termos económicos e contribuam para garantir o abastecimento.

Por esta razão, o Governo Federal reestruturou o apoio concedido às

energias renováveis no sector eléctrico. A expansão concentra-se em

tecnologias de preço acessível, como a eólica e a solar. A definição de

“corredores” como meta para orientar a expansão anual das diferentes

tecnologias facilita o seu planeamento e a sua gestão. Os operadores de

centrais de energias renováveis têm, gradualmente, de passar a vender

a sua electricidade no mercado, em pé de igualdade com os demais

operadores. Assumem, assim, mais responsabilidade pelo sistema de

abastecimento energético. Desde 2017, o valor máximo do apoio concedido

a todas as instalações com um desempenho superior a 750 kW

é calculado mediante leilões para tecnologias específicas. Isso afecta

por volta de 80% da expansão anual. Além do mais, a expansão varia

de acordo com a região. Nas zonas onde existem congestionamentos

na rede eléctrica, as quantidades leiloadas são menores. Estas medidas

garantem que a história de sucesso das energias renováveis no sector

da electricidade tenha continuidade. Com a redução de custos conseguida,

a alteração do sistema de apoio contribui igualmente para que

se possam aproveitar ainda melhor as vantagens económicas oferecidas

pela Energiewende.

1990

O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC)

publica o seu primeiro Relatório de Avaliação sobre o clima global.

1991

A Lei relativa à Alimentação da Rede de Energia Eléctrica obriga todas as

companhias eléctricas alemãs a adquirirem, a remunerarem e a injectarem

na rede pública a energia eléctrica gerada a partir de fontes renováveis.


12 | A Energiewende alemã

Custos

«A Energiewende não será

demasiado cara para a população

alemã

Não, porque um dos objectivos da Energiewende consiste justamente em garantir que a energia

seja economicamente acessível – também no futuro. Ao mesmo tempo, a própria Energiewende

permite criar postos de trabalho e impulsionar a economia. Os seus dois pilares, a expansão

das energias renováveis e a eficiência energética, deverão reduzir a dependência das importações

de energia, aumentar a segurança do abastecimento e possibilitar investimentos rentáveis

na Alemanha. A Energiewende compensa.

Quanto gasta uma família em energia por mês?

Comparação entre as despesas mensais de 2003 e de 2016

Aquecimento

e água quente

66

75

Aquecimento

e água quente

Cozinha

Luz e electricidade

10

22

176


224


24

40

Cozinha

Luz e electricidade

Combustíveis

78

85

Combustíveis

2003

2016

Em comparação: percentagem do total das despesas

de um agregado familiar: 9%

Na década passada, o preço do petróleo bruto aumentou consideravelmente. Um dos efeitos foi

que, em 2016, os consumidores tiveram de desembolsar cerca de 7,5% do total dos seus gastos

privados de consumo para pagar a energia, em comparação com menos de 6% no final do

século passado.

© dpa/Philipp Dimitri © dpa/McPHOTO‘s

1992

A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento aprova, no

Rio de Janeiro, o princípio orientador designado por «desenvolvimento sustentável».


© dpa/Jens Büttner

A Energiewende alemã | 13

Quanto gasta o conjunto das residências alemãs em energia?

Gastos em 2016 em mil milhões de euros

106,4

mil milhões

de euros

35,7

11,4

19,0

40,3

Aquecimento e água quente

Cozinha

Luz e electricidade

Combustíveis

Correspondendo a 3% do Produto Nacional Bruto alemão.

A maior parte das despesas de energia nas residências privadas provém,

na Alemanha, do aquecimento, da água quente, de cozinhar e do combustível

com base em recursos fósseis importados. Depois de os preços

do petróleo terem baixado no final de 2014, reduzindo as despesas do

consumidor alemão, eles têm voltado a aumentar desde 2018, fazendo

com que a evolução dos preços continue imprevisível. Tal deve-se ao

facto de o preço dos recursos fósseis de energia e a sua disponibilidade

continuarem a depender dos interesses dos fornecedores.

É verdade: durante a fase de arranque, o projecto da Energiewende

também implica custos. Milhares de milhões de euros têm de ser

investidos para criar uma nova infra-estrutura no sector da energia

e implementar medidas de eficiência energética. Isto significa que

a expansão das energias renováveis contribuiu para o aumento do

preço médio da electricidade pago pelos consumidores privados alemães

nos últimos anos. Em 2007, pagaram em média 21 cêntimos por

quilowatt-hora – hoje são 29 cêntimos. Com cada quilowatt-hora de

electricidade, os cidadãos participam no financiamento da expansão

das energias renováveis através da repartição de custos prevista pela

Lei relativa às Energias Renováveis. Este encargo corresponde, em

2019, a 6,4 cêntimos. Mas aquilo que, no final de contas, o cidadão paga

depende da conjugação de diferentes factores de preço. Assim, o preço

da energia eléctrica na bolsa tem vindo a diminuir consideravelmente

devido à quantidade crescente de electricidade de fontes renováveis

que é vendida nas bolsas de energia eléctrica. Ambos os elementos

constitutivos do preço, a repartição de custos prevista pela Lei relativa

às Energias Renováveis e o preço da energia eléctrica nas bolsas, têm

vindo a diminuir ao longo dos últimos quatro anos. Assim, durante o

mesmo período, os custos médios da energia eléctrica mantiveram-se

estáveis para o consumidor privado. Com a mudança para um sistema

de leilões, os custos para a produção de energias renováveis baixam e a

conta de electricidade paga pelas famílias fica menos pesada.

Também é importante para os cidadãos que a economia alemã não

seja sobrecarregada. Elevados custos de energia influenciam os preços

dos produtos de consumo e a competitividade das empresas. Por esta

razão, a Alemanha isentou, parcialmente, empresas com um consumo

intensivo de energia dos custos repartidos previstos na Lei relativa às

Energias Renováveis. Simultaneamente, as empresas que usufruem

desta isenção são chamadas a investir mais em eficiência energética.

1994

O primeiro automóvel eléctrico europeu

produzido em série é lançado no mercado.

1995

Realiza-se, em Berlim, a primeira Conferência das Nações

Unidas sobre o Clima Mundial. Começam as negociações

sobre a redução global das emissões de gases de efeito estufa.


14 | A Energiewende alemã

Protecção climática

Reduzir os gases

de efeito estufa

A Energiewende é um elemento central da protecção do clima. A meta comum é limitar, a um

nível sustentável, o impacto da mudança climática sobre o ser humano, a natureza e a economia.

Segundo os cálculos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC),

o aquecimento global não poderá ultrapassar os 2°C em comparação com os níveis pré-industriais.

Por esta razão, já só uma quantidade limitada de gases de efeito estufa poderá ser emitida.

Uma vez que já se encontram na atmosfera 65% desta quantidade, são necessários enormes

esforços globais e nacionais para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa.

A emissão de dióxido de carbono, causada sobretudo pela queima de combustíveis fósseis,

tem o impacto maior sobre a mudança do clima. Na Alemanha e no mundo inteiro, mais de

um terço de todos os gases de efeito estufa são emitidos por centrais eléctricas. Assim sendo,

a transição para recursos neutros em termos climáticos, como as energias renováveis, constitui

o elemento central da protecção climática.

Metas climáticas e progressos alcançados

Redução prevista e atingida de gases de efeito estufa (em comparação com 1990)

Quem emite gases de efeito estufa?

Todos os valores indicados em milhões de toneladas de equivalentes

de CO 2

em 2017

Meta até

2030

-40% -23%

Valor atingido até

2016

Europa

(UE 28)

Meta até

2030

no mínimo

-55% -28%

Valor atingido até

2017

Alemanha

905 milhões de toneladas

...

328

91

171

39

193

72

10

Sector de energia

Residências

Transporte

Negócios, comércio, serviços

Indústria

Agricultura

Outros

© dpa/Luftbild Bertram © dpa/MiS

1996

A Europa decide liberalizar os seus mercados de electricidade e gás, antes

restritos aos territórios nacionais. A Comissão Europeia publica a primeira

estratégia comum para o desenvolvimento das energias renováveis.


© iStock/ querbeet

A Energiewende alemã | 15

Redução das emissões de gases de efeito estufa pela Alemanha

Todos os números indicados em milhões de toneladas de equivalentes de CO 2

1.250

1990

1.121

1995

1.046

2000

994

2005

910

2010

905

2017

Já em 1997, com a assinatura do Protocolo de Quioto, a Alemanha havia

assumido a responsabilidade de reduzir, até 2012, em 21% os seus

gases de efeito estufa, em comparação com os níveis de 1990. Desde

então, verificaram-se uma série de avanços. Em 2017, a redução atingida

já perfazia 28%. Para obter um resultado económico equivalente

a mil milhões de euros, as empresas na Alemanha emitem hoje apenas

metade dos gases de efeito estufa que emitiam em 1990.

Até ao ano de 2030, a Alemanha pretende aumentar significativamente

os seus esforços, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, no

mínimo, em 55%. Até 2050, as emissões deverão baixar mesmo em até

80 a 95% em comparação com os níveis de 1990. As metas nacionais

estão alinhadas com a política europeia e internacional de protecção

do clima. Os chefes de Estado e de Governo da UE decidiram reduzir as

suas emissões de gases de efeito estufa em 20% até 2020 e, no mínimo,

em 40%, até 2030. Em Dezembro de 2015, 195 países do mundo inteiro

aprovaram o Acordo de Paris. Mediante metas de protecção do clima

por eles mesmos definidas, pretendem limitar o aquecimento do

planeta, no decorrer do século, a um nível consideravelmente abaixo

de 2°C.

Um dos instrumentos fundamentais da Europa para combater

a mudança climática é o mercado de licenças de emissão que estipula

um limiar superior para o total de poluentes emitidos por todos os

participantes. Este é vinculativo para todos os grandes emissores de

gases de efeito estufa e abrange uma grande parte das emissões de CO 2

provenientes da indústria e do sector da energia. Para cada tonelada de

gases de efeito estufa, as empresas têm de dispor de licenças de emissão

em igual valor. Se não tiverem uma quantidade suficiente, poderão

comprar licenças adicionais ou investir em tecnologias que protejam

o clima. Assim, evitam-se emissões de CO 2

onde é mais propício. Em

todos os sectores participantes do mercado de licenças de emissão

deverão ser emitidos, até 2030, menos 43% de gases de efeito estufa do

que em 2005.

Para que a Alemanha possa atingir as suas metas nacionais de redução,

o Governo Federal aprovou o “Programa de Acção para a Protecção

do Clima 2020” e o “Plano de Protecção do Clima 2050”. O Programa

de Acção engloba várias medidas para aumentar a eficiência energética

e tornar o transporte, a indústria e a agricultura mais ecológicos.

O Plano de Protecção do Clima contém objectivos de redução de CO 2

de longo prazo para os diversos sectores como, por exemplo, o sector

da energia ou o sector industrial.

1997

É aprovado o Protocolo de Quioto para a redução global de gases de

efeito estufa. Desde então, 191 Estados ratificaram o acordo.


16 | A Energiewende alemã

Energia nuclear

Abandono da energia nuclear

O uso da energia nuclear para gerar electricidade provocou, durante décadas, fortes controvérsias

na Alemanha. Muitos alemães acham difícil avaliar os riscos desta tecnologia e temem as

possíveis consequências de um acidente nuclear, seja para o ser humano, a natureza ou o meio

ambiente. O acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, que também contaminou partes da

Alemanha, confirmou estes temores. Em 2000, o Governo Federal decidiu abandonar integralmente

o uso da energia nuclear para a produção de electricidade, passando para um abastecimento

energético baseado em fontes renováveis. O acordo alcançado com os operadores das

centrais nucleares previa um prazo para o funcionamento das centrais existentes e uma proibição

de construir novas centrais.

© dpa/Uli Deck

No ano de 2010, este plano foi modificado. Às centrais que ainda estavam em funcionamento

foram concedidos prazos mais longos para que servissem de ponte até que a energia nuclear

pudesse ser substituída completamente por energias renováveis. Depois do acidente nuclear no

Japão, em Fukushima, em Março de 2011, o Governo Federal revogou esta decisão.

Devido aos elevados riscos associados, o funcionamento das centrais nucleares envolve enormes

custos para seguros e dispositivos de segurança, pelo que o abandono da energia nuclear

faz sentido também em termos económicos.

Quando serão desligadas as centrais nucleares?

Redução da capacidade das centrais nucleares alemãs prevista até ao final de 2022

Capacidade total

das centrais nucleares

Fukushima

43 %

Nov. 2003

Maio 2005

Ago. 2011

57 %

Maio 2015

Dez. 2017

Dez. 2019

Dez. 2021

Dez. 2022

2000 2005 2010 2015 2020

1998

A Alemanha aprova uma lei para liberalizar o

seu mercado de electricidade e gás.

2000

A Comissão Europeia publica a primeira estratégia comum para energias

renováveis, eficiência energética e protecção do clima na Europa.


A Energiewende alemã | 17

© dpa/Jens Wolf

Onde estão localizadas as centrais

nucleares na Alemanha?

Centrais desactivadas e centrais em funcionamento

Quantidade máxima gerada num ano, em números

Quantidade máxima de electricidade gerada num ano, em terawatts-hora

Unterweser

2011

Lingen

1997

Philippsburg 1

2011

Emsland

2022

Mühlheim-Kärlich

2001

Biblis A + B

2011

Stade

2003

Philippsburg 2

2019

Neckarwestheim 1

2011

Brunsbüttel

2011

Obrigheim

2005

Brokdorf

2021

Krümmel

2011

Grohnde

2021

Würgassen

1994

Grafenrheinfeld

2015

Neckarwestheim 2

2022

Isar 1

2011

Gundremmingen B

2017

Gundremmingen C

2021

Isar 2

2022

Rheinsberg

1990

Greifswald

1990

Ano previsto para

o encerramento

Ano do encerramento

Centrais nucleares

já desactivadas

Centrais nucleares

em funcionamento

171 TWh

todas as centrais nucleares alemãs

2001

217 TWh

todas as energias renováveis

2017

O Bundestag (parlamento alemão) votou por larga maioria abandonar,

o mais rapidamente possível, a utilização de energia nuclear para gerar

electricidade. Várias centrais tiveram de encerrar a sua produção de

electricidade quando a lei entrou em vigor. As restantes irão encerrar

sucessivamente até ao final de 2022. Actualmente ainda há sete centrais

nucleares na Alemanha a produzirem electricidade, fornecendo

cerca de um oitavo da produção eléctrica total alemã.

A necessária gestão dos resíduos radioactivos também demonstra

até que ponto o uso da energia nuclear representa um desafio. Estes

deverão ser armazenados em segurança e longe da biosfera, durante

períodos muito longos, para garantir a protecção da população e do

ambiente. Segundo a opinião dos especialistas, a melhor solução de armazenagem

é uma deposição final em formações geológicas profundas.

A Alemanha não quer exportar os seus resíduos radioactivos. Mas

a procura de um local adequado para uma deposição final tem sido

difícil. A população em lugares potencialmente adequados ou já explorados

mostra-se geralmente oposta a tais medidas.

Por esta razão, a Alemanha optou por uma nova abordagem que inclui todas

as partes da sociedade num processo de busca transparente e cientificamente

fundado. O objectivo é encontrar, até 2031, um lugar para uma

armazenamento definitivo, sobretudo para resíduos altamente radioactivos.

Este local terá de oferecer a maior segurança possível durante um

período de um milhão de anos. A questão do armazenamento definitivo

faz, por isso, aumentar ainda mais os custos da energia nuclear.

Para resíduos de um nível de radioactividade baixo a médio a Alemanha

já dispõe de um depósito definitivo autorizado, o depósito Konrad,

que deverá funcionar a partir de 2022.

2000

A Lei relativa às Energias Renováveis entra em vigor na Alemanha

e transforma-se no motor decisivo para o desenvolvimento das

energias renováveis no país.

2000

O Governo Federal decide abandonar a energia nuclear. As

centrais nucleares são autorizadas a operar durante um período

total de, no máximo, 32 anos.


18 | A Energiewende alemã

© dpa/Jens Büttner

2002

O primeiro regulamento relativo à poupança de energia entra em vigor. Define os

requisitos para a eficiência energética de edifícios novos e edifícios já existentes.


A Energiewende alemã | 19

Economia e geração de valor

«A Energiewende não fará com que muitas

pessoas percam o seu emprego?»

Elevados investimentos em centrais novas

para todos os tipos de energias renováveis

Investimentos anuais em centrais geradoras de energia na Alemanha

em mil milhões de euros

Emprego resultante das energias renováveis

Número postos de trabalho na Alemanha em 2016

160.200

Energia eólica

338.600

postos de trabalho

105.600

45.200

Biomassa

Energia solar

4,6

2000

27,3

2010

15,1

2016

20.300

Energia geotérmica

7.300

Energia hídrica

Não, pelo contrário: A Energiewende também compensa do ponto de

vista económico: reduz a poluição e a emissão de gases de efeito estufa,

promove as inovações, aumenta a criação de valor na Alemanha e evita

custos de importação de energia. A maior parte das receitas provenientes

do desenvolvimento das energias renováveis ou da renovação

dos edifícios permanece no local, uma vez que as tarefas que requerem

trabalho intensivo, como a instalação e a manutenção, são assumidas

por empresas sediadas nas próprias regiões.

O desenvolvimento das energias renováveis e os investimentos na

eficiência energética criam novas profissões e postos de trabalho em

sectores emergentes. As várias medidas para garantir a eficiência

energética na indústria, no comércio e na renovação de prédios geraram

mais de 560.000 novos postos de trabalho. E os investimentos em

energias renováveis fizeram com que o número de empregados neste

sector duplicasse em dez anos.

Estes novos postos de trabalho em parte substituem empregos em sectores

industriais marcados fortemente pelas matérias-primas fósseis –

particularmente na exploração de petróleo, gás e carvão, bem como na

produção de electricidade. Somam-se a estas as mudanças estruturais

genéricas. Assim, por exemplo, a liberalização dos mercados de energia

na Europa aumenta a competitividade, o que requer uma maior eficiência

da parte das empresas. O conjunto de todos estes factores exige

adaptações no mercado de trabalho, o que explica porque o número

de empregados em empresas do sector de energia convencional tem

vindo a diminuir ao longo dos últimos anos.

2003

A Europa aprova um regime vinculativo de comércio

de licenças de emissão para gases de efeito estufa.

2004

O sector das energias renováveis emprega

160.000 pessoas na Alemanha.


20 | A Energiewende alemã

A Energiewende a nível global

«A Energiewende talvez

funcione na Alemanha –

mas o que acontece em países

cuja economia não é tão forte?»

© dpa/epa Business Wire

A Energiewende não é um luxo, mas sim um projecto que fomenta um desenvolvimento

sustentável e lucrativo, promovendo a inovação, o crescimento, a prosperidade e o emprego

em sectores com grande potencial de crescimento. Por isso, não é de admirar que em princípio

todos os países do mundo queiram tornar o seu sistema energético mais sustentável.

Nos últimos anos, o preço das tecnologias renováveis inovadoras, como a energia eólica

e a energia solar, baixou consideravelmente no mundo inteiro. Os investimentos realizados

desde cedo em investigação e desenvolvimento e o fomento das energias renováveis representaram

uma contribuição significativa para o desenvolvimento de mercados em vários países

industrializados, sobretudo na Alemanha.

Quase todos os países querem desenvolver as energias renováveis

Países com instrumentos políticos e metas para desenvolver as energias renováveis

Mais do que um mecanismo de apoio

Tarifa de alimentação/pagamento de prémios

Quotas mínimas para energias renováveis

Leilões

Net metering – são contabilizados o consumo

de electricidade e a injecção por parte

de pequenas centrais fotovoltaicas, muitas

vezes privadas

Incentivos financeiros

Não existe política de apoio ou sem dados

disponíveis

Graças à descida dos custos de investimento e aos já reduzidos custos operacionais, as energias

renováveis actualmente já são competitivas em algumas regiões do mundo sem necessidade de

subsídios. Na América do Norte e do Sul, parques eólicos e grandes centrais de energia solar, por

exemplo, fornecem electricidade a preços mais acessíveis do que centrais novas à base de recursos

fósseis. Países como a China, o Brasil, a África do Sul e a Índia são líderes no desenvolvimen-

2005

O comércio de licenças de emissão

tem início na Europa. Todos os

Estados- membros da UE participam.

2007

A União Europeia aprova um pacote de medidas em

matéria de energia e clima para 2020 com objectivos

vinculativos para o desenvolvimento das energias renováveis,

da protecção do clima e da eficiência energética.

2007

Louis Palmer inicia a sua volta ao mundo

com o «táxi solar», um automóvel que

funciona apenas com energia solar.

A viagem leva 18 meses.


A Energiewende alemã | 21

© dpa

Onde se encontra a maior parte das centrais geradoras de energia renovável

no mundo?

Capacidade de geração de electricidade até 2017

1 | EUA

1 | Reino Unido

Biomassa

2 | China

3 | Índia

Energia eólica

offshore

2 | Alemanha

3 | Dinamarca

1 | EUA

1 | China

Energia

geotérmica

2 | Filipinas

3 | Indonésia

Energia eólica

onshore

2 | EUA

3 | Alemanha

1 | China

1 | China

Energia hídrica

2 | Brasil

3 | EUA

Energia

fotovoltaica

2 | Japão

3 | Alemanha

to de energias renováveis. A sua expansão, porém, por vezes encontra

obstáculos, uma vez que alguns países subsidiam combustíveis fósseis

para manter os preços baixos ao consumidor. Com aproximadamente

325 mil milhões de dólares por ano, estes subsídios representam mais

do que o dobro dos apoios destinados às energias renováveis. Se tais

recursos fossem utilizados em programas para melhorar a eficiência

energética, estes passariam a dispor do triplo do valor actual.

Sendo recursos locais, as energias renováveis reduzem a dependência

da energia importada, bem como dos preços voláteis do mercado dos

recursos fósseis. Podem dar um contributo fundamental para cobrir

a crescente procura de energia em países emergentes e em desenvolvimento,

sem aumentarem as emissões de gases de efeito estufa ou

poluírem o ambiente local.

Em regiões com uma infra-estrutura pouco desenvolvida, onde

a electricidade é cara e produzida por geradores a diesel, as energias

renováveis também constituem a opção mais barata. Centrais solares

e parques eólicos podem ser instalados dentro de um período de tempo

relativamente curto e necessitam de fases de planeamento e construção

menos longas do que centrais a carvão ou centrais nucleares.

Em muitos casos, as energias renováveis garantem que um grande

número de pessoas tenha, pela primeira vez, acesso a energia eléctrica.

Eis mais uma razão por que tantos países criaram programas de apoio

às energias renováveis.

A Alemanha empenha-se, a nível global, em promover uma política

energética sustentável, inovadora e economicamente acessível

e partilha as suas experiências da Energiewende com outros países.

Existe, assim, uma estreita cooperação com os seus vizinhos europeus

e parceiros internacionais. A Alemanha também tem um papel activo

em organismos e organizações multilaterais. Além disso, mantém numerosas

parcerias bilaterais sobre o tema da energia com países como

a Índia, a China, a África do Sul, Marrocos, a Nigéria ou a Argélia.

2008

A Alemanha introduz um certificado energético para edifícios que informa sobre

o consumo de energia e a qualidade energética dos edifícios.

A nova Lei sobre Energias Renováveis e Calor prevê que, em construções novas,

uma determinada parte do aquecimento seja gerada a partir de fontes renováveis.

2009

75 países fundam a Agência Internacional

para as Energias Renováveis (IRENA).


22 | A Energiewende alemã

A rede eléctrica

Uma rede inteligente

© dpa/Stefan Sauer

A Energiewende necessita de uma infra-estrutura moderna e eficiente. Isto requer que sejam

instaladas novas linhas de transmissão para a electricidade e que todo o sistema se torne mais

flexível. Quando as centrais nucleares alemãs forem desactivadas, a geração de electricidade

ficará a cargo, sobretudo, das centrais baseadas em fontes renováveis, localizadas no Norte e no

Leste do país. Esta energia é requerida no Sul da Alemanha, onde será necessário substituir as

centrais nucleares, além de ser uma região em que vivem muitas pessoas e onde estão sediadas

grandes empresas industriais. Novas linhas de transmissão de electricidade, munidas de uma

tecnologia altamente eficiente, deverão, assim, transportar energia dos parques eólicos do

Norte e do Leste da Alemanha directamente para o Sul.

A rede alemã de energia eléctrica

mede 1,8 milhões de quilómetros

Onde está a ser expandida a rede?

Novas linhas de transmissão da rede de muito alta tensão previstas na Alemanha

Projectos ainda não submetidos a aprovação

HAMBURGO

Projectos submetidos a aprovação

BREMEN

Projectos aprovados ou em construção

Projectos realizados

HANÔVER

BERLIM

Ponto de interconexão

Cluster eólico offshore

Conduta de ligação offshore

DORTMUND

LEIPZIG

DÜSSELDORF

DRESDEN

COLÓNIA

FRANKFURT

am Main

Isto equivale

a 45

vezes a circunferência da

Terra na linha do equador

ESTUGARDA

NUREMBERGA

MUNIQUE

O mercado interno europeu da energia é o segundo motor da expansão da rede de transmissão

de energia eléctrica na Alemanha. É necessária uma infra-estrutura sólida no interior dos

países e para lá das suas fronteiras para que a electricidade possa fluir livremente em toda

a Europa, tornando-se mais barata para o consumidor. De dois em dois anos, os operadores

europeus de redes de transmissão apresentam um plano conjunto de desenvolvimento da rede.

Todos os projectos alemães estão incluídos neste plano.

Os operadores de redes na Alemanha fazem as suas próprias avaliações quanto ao tipo de

linhas de transmissão de que o país irá precisar nos próximos 10 a 20 anos. As suas sugestões

são examinadas por uma autoridade estatal, a Agência Federal da Rede Eléctrica, num processo

constituído por várias etapas e que conta com uma intensa participação do público. Mediante

um processo de diálogo, a organização pondera qual a melhor solução para fazer jus às necessidades

das pessoas, do ambiente e do sector económico.

2009

A Lei relativa à Expansão da Rede Eléctrica acelera o processo

de aprovação de novas linhas de muito alta tensão.

2010

O Governo Federal aprova um plano de energia com uma estratégia de

longo prazo para o abastecimento energético da Alemanha até 2050.


A Energiewende alemã | 23

© dpa/euroluftbild.de/Hans Blossey

«A Energiewende é o projecto

'Homem para a lua' da Alemanha.»

Frank-Walter Steinmeier, Presidente Federal

Também a rede de transmissão terá de ser adaptada à Energiewende.

Originalmente foi concebida apenas para distribuir energia eléctrica

aos consumidores, funcionando como uma via de sentido único. Hoje

quase todos os painéis solares e muitas turbinas eólicas alimentam

a rede com a electricidade que produzem. Tudo o que não for utilizado

no local flui na direcção oposta. Além disso, a energia gerada a partir

de fontes renováveis oscila consoante as condições meteorológicas.

Quando o sol brilha, o sistema fotovoltaico produz uma grande quantidade

de electricidade, em tempo nublado esta reduz-se rapidamente.

Para que o desempenho das redes de distribuição permaneça estável

apesar da produção oscilante, será necessário transformá-las em redes

inteligentes. Em tais “smart grids”, todos os actores comunicam entre

si, desde a geração da energia, passando pelo transporte, pelo armazenamento

e pela distribuição até ao consumidor final. Assim, a produção

de electricidade e o seu consumo podem ser coordenados de forma

mais eficaz, efectuando ajustes a curto prazo.

Como funciona uma rede inteligente (smart grid)?

Diagrama simplificado de actores, infra-estrutura e canais de comunicação

Rede de transporte,

rede de distribuição

Controlo e comunicação

Contadores inteligentes

Produção de electricidade

Energias convencionais e energias renováveis

Consumidores

Residências, indústria, comércio

Mercado

Fornecimento, serviços

e comércio de energia

Trânsito

para países vizinhos na UE

Mobilidade

Automóveis, transporte

público urbano

Armazenamento

Baterias,sistemas

de armazenamento

2010

A UE adopta uma directiva sobre o desempenho energético dos edifícios.

A partir de 2021, todas as construções novas deverão ser edifícios com

necessidade quase nula de energia.

2010

A Agência Alemã de Energia publica um estudo sobre a necessária

expansão da rede, considerando que cerca de 40%

da procura total de electricidade na Alemanha será gerada a

partir de fontes renováveis.


24 | A Energiewende alemã

Garantia de fornecimento

«Será que pode haver uma garantia

de fornecimento se tanta energia

depende do vento e do sol?»

© dpa/Moravic Jakub

Também no futuro os alemães poderão contar com um fornecimento estável de electricidade.

O abastecimento energético na Alemanha é dos melhores do mundo. Durante as 8.760 horas do

ano, o fornecimento de electricidade é interrompido, em média, apenas durante 12,8 minutos.

Este valor até melhorou nos últimos anos – apesar da crescente quantidade de energia gerada

com base no vento e no sol.

Cortes de electricidade são algo muito raro acontecer na Alemanha

Duração média dos apagões em minutos, em 2013

10,0 Luxemburgo

11,3 Dinamarca

12,8 Alemanha (2016)

15,0 Suíça

15,3 Alemanha (2013)

23,0 Países Baixos

68,1 França

70,8 Suécia

254,9 Polónia

360,0 Malta

Cortes no fornecimento de energia eléctrica raramente são devidos a oscilações na produção de

electricidade. Em geral, são provocados por factores externos ou por falhas humanas. Foi o que

aconteceu também durante o último grande apagão, ocorrido em diversas partes da Alemanha

a 4 de Novembro de 2006. A causa deste corte de algumas horas foi a desconexão rotineira,

programada, de uma linha de transmissão, o que provocou uma sobrecarga em outras linhas

e levou a uma reacção em cadeia na rede europeia. Depois deste incidente, as medidas de segurança

na Alemanha e nos países europeus vizinhos sofreram ainda várias melhorias.

Para prevenir congestionamentos no abastecimento, a Alemanha, por exemplo, definiu uma

quantidade fixa de energia de reserva a ser garantida por centrais suplementares. Estas são

importantes sobretudo nos meses de Inverno, uma vez que, nesta época do ano, o consumo

de energia é extremamente elevado e os parques eólicos alemães estão no seu período mais

produtivo. Se, porventura, as redes estiverem sobrecarregadas devido à alta quantidade de

electricidade transportada do Norte para o Sul, as centrais de reserva no Sul do país entram em

acção.

2011

Em Fukushima, no Japão, ocorre um grave acidente numa central nuclear.

A Alemanha decide abandonar o uso de energia nuclear para a geração de

electricidade até 2022, mais cedo do que o originalmente previsto. Oito

centrais antigas são desconectadas imediatamente.

2011

A Comissão Europeia publica o «Energy Roadmap 2050», uma

estratégia de longo prazo para a protecção do clima e o abastecimento

energético na Europa.


A Energiewende alemã | 25

© dpa/euroluftbild.de/Hans Blossey

Actualmente, as energias renováveis já asseguram, em certas horas,

mais de 60% do abastecimento de electricidade na Alemanha. Estes

valores irão continuar a aumentar nos próximos anos. As várias fontes

de energias renováveis complementam-se mutuamente. Projectos-

-piloto mostraram que a electricidade produzida nos vários tipos

de centrais pode ser combinada e que, em conjunto, a fiabilidade do

fornecimento é muito mais elevada. Nas horas em que não faz sol nem

sopra o vento, entram em actividade centrais convencionais flexíveis.

Sobretudo centrais a gás, mas também centrais de armazenamento

por bombagem e centrais de bioenergia têm condições de fornecer

energia rapidamente. A médio e longo prazo, tais períodos deficitários

deverão ser superados com a ajuda de acumuladores de energia.

Um papel importante cabe aos próprios consumidores de electricidade.

Estes podem ser estimulados a consumir mais energia quando esta

está à disposição em grande quantidade, por exemplo em períodos de

vento intenso. Consumidores de grande escala, como fábricas e armazéns

frigoríficos, poderão assim contribuir para aliviar significativamente

o sistema.

O grande desafio é a reestruturação do mercado de electricidade.

A Alemanha iniciou um processo de reforma nesta área e começou

a implementar as primeiras medidas. Uma condição importante é a flexibilidade.

Todos os actores no mercado da electricidade terão de reagir

da melhor forma possível às oscilações de energia solar ou eólica. Ao

mesmo tempo, é necessário que haja concorrência entre as diferentes

opções complementares, a fim de manter os custos gerais reduzidos.

Por último, mas não menos importante, a integração dos mercados

regionais de electricidade da Europa, antes separados, e a expansão

transnacional das redes contribui também na Alemanha para uma

maior estabilidade e flexibilidade.

Oscilações na produção de energia a partir de fontes renováveis

Produção de electricidade a partir de todas as fontes de energia e consumo de electricidade na Alemanha no decorrer de 2017

100 GW

Geração e consumo de electricidade

80 GW

60 GW

40 GW

20 GW

0 GW

Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro 18

Centrais convencionais

Energia solar Energia eólica onshore Energia eólica offshore Energia hídrica Biomassa

Consumo de electricidade

2012

Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, realizada

em Doha, a vigência do Protocolo de Quioto é prorrogada até 2020.

2012

A Alemanha adopta a primeira Lei relativa ao Plano de

Consumo Nacional para a necessária expansão da rede de

transmissão de energia eléctrica.


26 | A Energiewende alemã

Armazenamento

Energia em reserva

© dpa/Hannibal Hanschke

Em 2050, 80% da energia deverá provir de fontes renováveis, principalmente de parques eólicos

e centrais fotovoltaicas. Mas se, de repente, não fizer sol nem houver vento na Alemanha, será

necessário um sistema de abastecimento de energia eléctrica capaz de se adaptar com rapidez

e flexibilidade a tais situações. Sistemas de armazenamento de energia poderão ser uma

solução. Em períodos de muito vento e sol, estes sistemas acumulam electricidade que poderá

ser disponibilizada, de acordo com as necessidades existentes, durante períodos de calmaria,

à noite ou quando o céu estiver encoberto.

Armazenamento dentro da própria casa:

as baterias

Combinação de sistema fotovoltaico e bateria para consumo

próprio e injecção na rede

Aproveitar os reservatórios naturais:

centrais de bombagem

Diagrama de um sistema de armazenamento de energia por bombagem

Sistema fotovoltaico

Reservatório superior

Motor/

gerador

Turbina-bomba

1.

2.

Armazenamento

em bateria

Transformador

Reservatório inferior

Autoconsumo:

uso directo

da electricidade solar

ou da electricidade

acumulada em bateria

A electricidade excedentária

é injectada na rede

1.

Armazenar energia

A electricidade (excedentária) move

a turbina, a água é bombeada para

dentro do reservatório superior

2.

Libertar energia armazenada

A água corre para baixo, move a turbina, a turbina

produz electricidade e alimenta a rede

100.000 sistemas de armazenamento em bateria em funcionamento 9,2 GW de capacidade geradora em funcionamento, 4,5 GW em construção

Existem numerosas modalidades de armazenamento de energia. As opções de curto prazo,

como as baterias, os condensadores e os volantes de inércia, podem reter e libertar energia

eléctrica várias vezes ao dia. A sua capacidade, porém, é limitada.

Para armazenar electricidade durante um período mais longo, usam-se principalmente, na

Alemanha, as centrais de armazenamento por bombagem. Estas centrais, que em parte se

encontram no Luxemburgo e na Áustria, dispõem actualmente de uma capacidade de cerca de

nove gigawatts conectados à rede alemã. Ainda que isto confira à Alemanha a maior capacidade

de armazenamento por bombagem da União Europeia, as suas possibilidades de expansão

são limitadas. Existe, por esta razão, uma intensa cooperação com países que dispõem de

grandes capacidades de armazenamento. Estes são, em primeira linha, a Áustria, a Suíça e a

Noruega.

2013

O primeiro automóvel novo com

motor puramente eléctrico passa a

ser produzido em grande escala na

Alemanha.

2013

A primeira central do mundo do

tipo «power-to-gas» em escala

industrial entra em actividade na

Alemanha.

2014

A Alemanha revê a Lei relativa às Energias

Renováveis. Esta contempla, pela primeira vez,

metas de expansão anuais e acelera o processo

de integração no mercado.


A Energiewende alemã | 27

© Paul Langrock

Os reservatórios de ar comprimido são outra alternativa para armazenar

energia a longo prazo. Aqui, a energia excedente é utilizada para

comprimir ar em reservatórios subterrâneos, por exemplo em cavernas

de sal. Em caso de necessidade, o ar comprimido move um gerador

e produz, por sua vez, electricidade.

Ainda mais promissor do que o armazenamento de longo prazo parece

ser a conversão da electricidade em gás (power-to-gas). Neste caso,

a electricidade produzida a partir de fontes renováveis é transformada

via electrólise em hidrogénio ou gás natural sintético. As vantagens:

o hidrogénio e o gás natural podem ser armazenados, utilizados directamente

ou injectados na rede de gás natural. Trata-se de substâncias

fáceis de transportar e que podem ser utilizadas de maneira flexível.

Havendo necessidade, as centrais poderão transformá-las novamente

em electricidade e calor e os consumidores poderão utilizá-las para

cozinhar, aquecer a casa ou abastecer um veículo.

Por esta razão, o Governo Federal incentiva a investigação e o desenvolvimento

para reduzir os custos dos sistemas de armazenamento de

energia. Em 2011 criou a iniciativa “Armazenamento”. Além disso, desde

2013 que o Governo Federal promove pequenas baterias descentralizadas

ligadas a instalações fotovoltaicas. Um novo campo de aplicação

para as baterias é a rápida compensação de pequenas oscilações na rede

eléctrica. Deste modo, também os carros eléctricos, quando não estão a

ser utilizados, podem contribuir para a estabilidade do abastecimento

de energia eléctrica. O lançamento de tais sistemas de baterias no mercado

deverá impulsionar a pesquisa e a inovação e reduzir os custos.

Nos próximos anos, a procura por sistemas de armazenamento de

electricidade deverá crescer especialmente na construção de automóveis

eléctricos. Só a longo prazo, quando a quota-parte das energias

renováveis no abastecimento eléctrico for muito elevada, se prevê que

todas as tecnologias de armazenamento na rede eléctrica comecem a

apresentar custos mais moderados. A curto e médio prazo é preferível

apostar em outras medidas, menos caras, como a expansão da rede

ou o controlo da produção e do consumo para garantir uma maior

eficiência energética.

Conversão de electricidade em gás

Princípio de funcionamento da electrólise e da metanização e potenciais aplicações

Geração excedentária a partir

de energias renováveis

Electrólise

Metanização

H 2 (Hidrogénio)

H 2 (Hidrogénio)

CH 4 (Metano)

H 2 (Hidrogénio)

Rede de gás natural

Depósito de gás

Uso industrial Mobilidade

Geração de electricidade Calefacção

15 projectos-piloto em funcionamento, 6 em construção ou em fase de planeamento

2014

A UE adopta metas relativas à energia e ao clima para o ano

de 2030: redução dos gases de efeito estufa em 40%, quota-

-parte de energias renováveis de, pelo menos, 27% e redução

do consumo de energia em, pelo menos, 27%.

2014

A Alemanha aprova o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética e

começa a implantar o «Programa de Acção para a Protecção do Clima 2020».

Com uma quota-parte de 27,4% no consumo de electricidade, as energias

renováveis passam a ser, pela primeira vez, a fonte de energia mais importante

da Alemanha.


28 | A Energiewende alemã

Os cidadãos e a Energiewende

«E que benefícios traz

a Energiewende para os

cidadãos?»

A Energiewende só será bem-sucedida se puder contar com o apoio da população – e isto

depende em primeira linha do fornecimento de energia a preços acessíveis para o consumidor

privado. Mas os cidadãos também podem beneficiar directamente da reestruturação do fornecimento

de energia. Assim, muitas pessoas procuram aconselhamento sobre as possibilidades

de poupar energia em casa.

Quem trocar um sistema de aquecimento obsoleto por um novo ou renovar a sua casa, poderá

recorrer a créditos bonificados e apoios do Estado. Quem quiser alugar um apartamento novo

receberá automaticamente informações sobre o consumo de energia e os respectivos custos.

E quem quiser comprar uma máquina de lavar roupa, um computador ou um candeeiro poderá

verificar numa etiqueta o grau de eficiência do respectivo produto.

Quantas centrais estão nas mãos de cidadãos?

Parcela da potência instalada para a geração de electricidade a partir de fontes renováveis, por grupos de proprietários

42%

16%

Cidadãos

Fornecedores de energia

(proprietários individuais, membros de sociedades

e cooperativas de energia, detentores de participações sociais)

41%

Investidores

(investidores institucionais e estratégicos)

© dpa/Westend61/Tom Chance © dpa/Bodo Marks

2015

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas

reúne-se em Paris. 195 Estados decidem limitar o aquecimento do

planeta a, no máximo, 2°C.

2016

No dia 4 de Novembro entra em vigor o Acordo de Paris sobre o clima.

A Alemanha reestrutura o sistema de apoio às energias renováveis: a partir de

2017 são realizados leilões para todas as tecnologias.


dpa/Marc Ollivier

A Energiewende alemã | 29

Os cidadãos também estão envolvidos activamente no mercado clássico

da energia. A electricidade e o calor já não são gerados apenas por

pequenos ou grandes produtores de energia, mas sim pelos próprios

cidadãos. São proprietários de painéis solares, investem em parques

eólicos ou operam unidades de biogás. Muitos dos mais de 1,5 milhões

de sistemas fotovoltaicos na Alemanha estão instalados nos telhados

de casas unifamiliares. Os cidadãos investiram em cerca de metade

das turbinas eólicas do país. No caso da bioenergia, praticamente metade

de todos os investimentos foi assumida por agricultores.

Quem não tem a possibilidade de construir ou financiar a tecnologia

requerida pelas energias renováveis por conta própria, poderá

juntar-se a outros. Existem cerca de 850 cooperativas de energia com

mais de 180.000 associados que, em conjunto, investem em projectos

da Energiewende. Estes investimentos já são possíveis com quantias

a partir dos 100 euros.

Além disso, existem múltiplas formas de os cidadãos influenciarem

a configuração concreta da Energiewende. Podem, por exemplo,

exprimir as suas preocupações e opiniões quando a instalação de

um novo parque eólico está planeada na sua região. Têm um papel

particularmente activo no planeamento da construção de linhas de

transmissão para o transporte de grandes quantidades de electricidade

pela Alemanha. Aqui, os cidadãos podem envolver-se durante a fase

de identificação da necessidade de expansão e partilhar os seus pontos

de vista. Também as fases subsequentes, desde o planeamento até

à decisão final acerca do trajecto concreto que as linhas de transmissão

deverão seguir, contam com a participação do público. Adicionalmente,

a Agência Federal de Redes e os operadores das redes fornecem

amplas informações sobre os projectos de redes de transmissão antes

mesmo do início dos procedimentos formais.

Estas actividades são complementadas pela iniciativa «Diálogo Social

Rede de Energia», que conta com gabinetes locais e organiza diálogos

nas regiões onde estão previstos projectos de expansão, com interlocutores

fixos para todos os assuntos relacionados com a ampliação da

rede. Este processo de discussão, fomentado desde cedo, permite que

os projectos energéticos possam ser implantados com maior facilidade

e garante uma aceitação melhor dos mesmos por parte do público.

Como os cidadãos podem beneficiar da Energiewende em casa?

Veja algumas possibilidades de como aumentar a eficiência energética e utilizar as energias renováveis tomando como

exemplo uma casa unifamiliar dos anos 1970

-13% de energia

Isolamento do telhado

60-70% das necessidades energéticas (electricidade)

Sistema fotovoltaico com armazenamento em bateria

-10% de energia

Vidros triplos

-22% de energia

Isolamento da fachada

-80% de energia

Iluminação com LEDs em vez

de lâmpadas convencionais

-5% de energia

Isolamento do tecto da cave

-15% de energia

Modernização do sistema de aquecimento

100% de calor para uso próprio

Bomba de calor para aquecimento e água quente

2018

O Conselho e o Parlamento da União Europeia chegam a um acordo

sobre um regulamento para um sistema de gestão visando o apoio

à ampliação e à utilização de energias renováveis na UE.


30 | A Energiewende alemã

Glossário

Aquecimento com pellets

Pellets de madeira são bolinhas ou bastõezinhos

de aparas de madeira ou serragem submetidas

a prensagem. São queimados em sistemas de

aquecimento especiais. Devido à prensagem,

apresentam alta densidade energética e ocupam,

ainda assim, menos espaço de armazenagem do

que, por exemplo, a lenha. Os sistemas de aquecimento

que trabalham com pellets de madeira são

climaticamente neutros porque durante a combustão

só é libertada a quantidade de dióxido de

carbono que a planta havia absorvido durante

o seu tempo de vida.

Armazenamento em volantes de inércia

Os sistemas de armazenamento em volantes de

inércia podem absorver, por um curto período,

os excedentes de electricidade da rede.

A energia eléctrica, neste caso, é armazenada

mecanicamente. Um motor eléctrico acciona

um volante. A energia eléctrica é transformada

em energia rotativa. Para recuperar a mesma, o

volante move, em caso de necessidade, um motor

eléctrico. De modo semelhante às baterias,

também os volantes prestam-se a uma estrutura

modular. O princípio técnico fundamental é conhecido

desde a Idade Média, ainda que na altura

não estivesse correlacionado com a corrente

eléctrica. Os volantes são utilizados, sobretudo,

para absorver repentinos picos de produção e

devolver rapidamente a energia à rede.

Armazenamento por bombagem

Armazenamento por bombagem ou centrais

de armazenamento por bombagem são uma

tecnologia com provas dadas quando se trata de

armazenar energia. Os excedentes de electricidade

da rede são utilizados para bombear água para

dentro de um reservatório de retenção localizado

a um nível mais elevado. Quando houver uma pro-

cura de electricidade adicional, a água é escoada e

acciona uma turbina que produz electricidade.

Bateria

As baterias são depósitos químicos para cargas

eléctricas. Ao serem conectadas a um circuito

eléctrico, descarregam-se e a electricidade flui.

Baterias recarregáveis também são utilizadas

em conexão com as energias renováveis, em

sistemas fotovoltaicos, por exemplo. Neste

contexto, fala-se de sistemas de armazenamento

em baterias. As baterias só podem acumular

uma quantidade limitada de carga eléctrica,

dependendo da sua capacidade (medida em

amperes-hora – Ah).

Bomba de calor

Bombas de calor extraem energia térmica

do ambiente circundante, por exemplo, das

camadas mais profundas do solo. Este calor

é utilizado para produzir água quente ou aquecer

edifícios. A electricidade necessária para tal

pode ser produzida a partir de fontes renováveis

de energia. O frigorífico funciona segundo

o mesmo princípio: arrefece o seu interior, mas

liberta calor para o exterior.

Car-sharing

No car-sharing, vários utilizadores partilham

o mesmo automóvel. Para este efeito, tornam-

-se, em geral, clientes de uma firma que

é a proprietária dos automóveis. Quando

necessitam de um automóvel, podem alugá-lo.

O car-sharing difere do aluguer tradicional

na medida em que é também possível alugar

uma viatura a curto prazo e por um período

relativamente curto como, por exemplo, por

30 minutos. Muitos municípios criaram espaços

de estacionamento privilegiados para as ofertas

de car-sharing. Também poderão permitir que

veículos de car-sharing circulem nas faixas de

transportes públicos.

Casa passiva

Casas passivas são construções de muito baixo

consumo energético. Na União Europeia, todas

as construções novas erigidas depois de 2021

deverão obedecer a este requisito. Para instituições

públicas, a directiva já valerá a partir de 2019.

Para tais construções na Alemanha, a procura

energética primária não deve ultrapassar, por ano,

40 kWh por metro quadrado.

Célula de combustível

Células de combustível são minúsculas centrais

de energia que transformam energia química

em energia eléctrica produzindo, desta maneira,

electricidade. São utilizadas, por exemplo, para

accionar veículos eléctricos ou em regiões não conectadas

à rede eléctrica. Como matérias-primas,

muitas vezes apenas são necessários hidrogénio

e oxigénio. Esta forma de gerar energia não

provoca gases de efeito estufa, mas apenas vapor

de água. O hidrogénio necessário para gerar electricidade

pode ser produzido a partir de energias

renováveis (veja conversão de electricidade em

gás, power-to-gas). Mas também existem células

de combustível que utilizam outros materiais de

base, como, por exemplo, o metanol.

Central de energia de reserva

Centrais de energia de reserva entram em actividade

se, de repente, surgem congestionamentos

no abastecimento de energia. Uma vez que têm

de ser ligadas e desligadas com grande rapidez, as

mais propícias são as centrais a gás.


A Energiewende alemã | 31

Comércio de licenças de emissão

Emissões de CO 2

têm um valor de mercado na

Europa. O sector da energia e grande parte da

indústria são obrigados a apresentar, por cada

tonelada de gases de efeito estufa que emitem,

licenças de emissão correspondentes. Caso as

licenças de que dispõem não sejam suficientes,

terão de comprá-las em bolsas especializadas. Se

conseguirem reduzir as suas emissões, poderão

vender as licenças que lhes sobram. Uma vez

que o total de licenças disponíveis diminui ano

após ano, as empresas sentem-se estimuladas a

investir em medidas de poupança de energia ou a

utilizarem tecnologias que não têm um impacto

tão negativo sobre o clima.

Condensadores

Os condensadores podem armazenar energia

eléctrica durante um curto período de tempo. Um

condensador é formado por dois componentes,

p.ex. bolas ou chapas de metal. Um componente

tem carga positiva e o outro carga negativa. Se os

dois estiverem conectados, a corrente eléctrica

flui até que as cargas fiquem equilibradas.

Consumo bruto de electricidade

Para calcular o consumo bruto de energia eléctrica

de um país, soma-se a electricidade produzida

no país com as importações de electricidade do

estrangeiro. Deduz-se deste valor a quantidade de

electricidade exportada.

Electricidade produzida no país

+ Electricidade importada

- Electricidade exportada

----------------------------------------------

= Consumo bruto de electricidade

Consumo de energia final

Entende-se por energia final a energia que

realmente chega ao consumidor. Factores

como a perda de potência ou as perdas devidas

ao rendimento das centrais energéticas foram

deduzidos deste indicador. Se, em contrapartida,

surgirem perdas no âmbito do consumidor,

como, por exemplo, as resultantes do

sobreaquecimento de uma fonte de alimentação,

estas são consideradas como consumo de

energia final.

Conversão de electricidade em gás (electrólise,

metanização)

A conversão de electricidade em gás (power-to-

-gas) é uma tecnologia que permite armazenar,

a longo prazo, os excedentes de energia eléctrica.

Num processo subdividido em duas fases,

produz-se gás a partir da electricidade. Este

é armazenado em depósitos de gás e pode ser

distribuído através da rede de gás. O primeiro

passo consiste em utilizar a electricidade para

decompor a água em oxigénio e hidrogénio

através da electrólise. O hidrogénio produzido

pode ser injectado directamente, em quantidades

limitadas, na rede de gás ou então, num segundo

passo (metanização), transformado em

outro gás. Da metanização resultam, a partir do

hidrogénio e adicionando dióxido de carbono,

metano e água. Metano é o componente principal

do gás natural e pode ser injectado sem

problemas na rede de gás.

Cooperativas de energia

As cooperativas, tal como nós as conhecemos

hoje na Alemanha, correspondem a uma ideia

consolidada, oriunda do século XIX. Friedrich

Wilhelm Raiffeisen e Hermann Schulze-Delitzsch

fundaram, simultaneamente, as primeiras

cooperativas alemãs. Várias pessoas com os

mesmos interesses económicos unem-se

e obtêm, assim, uma posição mais forte no

mercado, por exemplo, como sócios de uma

cooperativa de compras. Este tipo específico de

empresa é regulado, na Alemanha, por uma lei

própria. No sector do abastecimento energético

existem cooperativas há muito tempo.

Durante o período inicial da electrificação na

Alemanha, sobretudo as regiões rurais não

conseguiam competir com as grandes cidades.

Eis a razão para a fundação de cooperativas de

energia com o fim de garantir o abastecimento

próprio com electricidade. Algumas cooperativas

de energia ainda existem hoje em dia. Com

a Energiewende, o modelo das cooperativas

assiste a um renascimento. A maior parte dos

sócios são pessoas privadas que financiam, por

exemplo, a construção de sistemas de energia

solar ou de parques eólicos.

Corredor de expansão

Os corredores de expansão permitem que

o desenvolvimento das energias renováveis seja

mais previsível, que a integração na rede de

energia seja mais bem conseguida e que o consumidor

possa fazer face aos custos adicionais.

Para cada tecnologia relativa à energia renovável,

a Lei relativa às Energias Renováveis define

um corredor com meta própria. Se a potência

recém-instalada ultrapassa, num ano, o valor

superior, reduzem-se, no ano seguinte, as taxas

de apoio. Se as construções ficarem aquém do

previsto conforme o corredor, a redução das


32 | A Energiewende alemã

tarifas de apoio será mais baixa ou mesmo

anulada.

Eficiência energética

A eficiência energética indica o valor do

benefício em função da energia utilizada,

ou seja, quanta energia alguém tem de usar

para obter um determinado benefício. Quanto

maior for a eficiência energética, tanto menor

será a quantidade de energia gasta para

obter este benefício. Um edifício com uma

elevada eficiência energética necessita, para

o aquecimento e a climatização, de menos

energia do que uma construção idêntica com

eficiência energética baixa. A produção industrial

e o transporte são outras áreas em que

a eficiência energética se torna cada vez mais

importante. Medidas que garantem a eficiência

energética tornam-se interessantes para as

empresas se elas conseguirem economizar

mais recursos do que gastaram para implementar

tais medidas. Também os consumidores

privados podem contribuir para a poupança

energética utilizando electrodomésticos altamente

eficientes. Em muitos países, os frigoríficos,

os aparelhos de televisão, as máquinas

de lavar roupa etc. apresentam uma etiqueta

energética que permite reconhecer rapidamente

qual o grau de eficiência do aparelho.

Energia primária/consumo de energia

primária

A energia primária é a soma da energia resultante

de fontes energéticas como o carvão,

o petróleo, o sol e o vento. No processo de

conversão em energia final (vide Consumo de

energia final) surgem, dependendo da fonte

de energia original, perdas mais ou menos

elevadas, por exemplo, na produção de electricidade

e no transporte. Por isso, o consumo de

energia primária sempre é mais elevado do que

o consumo de energia final.

Energias renováveis

Fazem parte das energias renováveis a energia

eólica, a energia solar (energia fotovoltaica,

energia solar térmica), a energia geotérmica,

a biomassa, a energia hídrica e a energia dos

oceanos. Na energia hídrica faz-se uma distinção

parcial: as centrais mini-hídricas pertencem,

segundo muitas estatísticas, às energias

renováveis; grandes centrais hidroeléctricas

a partir de uma potência instalada de 50 megawatts

muitas vezes não são incluídas nas

energias renováveis.

Ao contrário das fontes convencionais de energia

como o carvão, o petróleo, o gás e a energia

nuclear, as energias renováveis não consomem

matérias-primas finitas para produzir

electricidade. Uma excepção é a biomassa. Ela

apenas é considerada como neutra em termos

climáticos no caso de não serem processadas

mais matérias-primas do que as que crescem

durante o mesmo período de tempo.

A energia geotérmica repetidas vezes é alvo

de crítica. As intervenções geológicas podem

provocar terramotos ou fazer com que o solo

se eleve tanto que os edifícios construídos no

local já não possam ser habitados.

Equivalente CO 2

O equivalente CO 2

é um valor comparativo

para o impacto de uma composição química

sobre o efeito estufa, considerado geralmente

durante um período de 100 anos. Ao dióxido de

carbono (CO 2

) é atribuído o valor um. Se uma

substância tem um equivalente CO 2

de 25, então

a emissão de um quilograma deste material

é 25 vezes mais nociva do que a emissão de um

quilograma de CO 2

. Importante: o equivalente

CO 2

nada diz sobre o contributo real de um

composto para a mudança do clima.

Fase escura

Fases durante as quais as turbinas eólicas e os

painéis fotovoltaicos não podem fornecer

energia eléctrica chamam-se fases escuras.

O caso extremo surge em noites sem vento, de

céu encoberto e lua nova. Em tais fases, outras

fontes de energia ou a energia armazenada

anteriormente deverão ser utilizadas para

responder à procura de electricidade.

Gases de efeito estufa

Os gases de efeito estufa transformam

a atmosfera de modo tal que os raios solares

reflectidos pela superfície da Terra não são

irradiados de volta para o espaço, mas sim

reflectidos de novo pela atmosfera, voltando

a incidir sobre a superfície terrestre. Contribuem

assim substancialmente para o aquecimento

do planeta, tendo um efeito semelhante

ao de uma estufa. O gás de efeito estufa mais

conhecido é o dióxido de carbono, que resulta

principalmente da combustão de recursos

fósseis como o petróleo, o gás e o carvão. Outros

gases de efeito estufa são, por exemplo,

o metano e os clorofluorocarbonetos (CFCs).

Leilão

Desde 2017, as tarifas de apoio para novos

parques eólicos ou grandes sistemas fotovoltaicos

são calculadas mediante leilões. São

leiloados vários projectos ao mesmo tempo

e os potenciais interessados devem apresentar

uma proposta sobre o valor da tarifa inicial

para os respectivos projectos. Em vez de uma

remuneração fixada por lei, calcula-se, assim,

um preço de mercado justo para a electricidade

produzida com energias renováveis. Para

testar e melhorar o procedimento, já foram

realizadas, em 2015, três rondas de leilões para

grandes projectos fotovoltaicos.


A Energiewende alemã | 33

Mercado interno europeu

Os Estados-membros da União Europeia formam

um mercado interno que garante a livre

circulação, para além das fronteiras nacionais,

de mercadorias, serviços, capital e, com limitações,

também de pessoas. Ao ultrapassarem

a fronteira, as mercadorias e os serviços já não

estão sujeitos a direitos aduaneiros ou a outras

taxas. Também a energia eléctrica, o gás

e o petróleo fluem de país para país. A infra-

-estrutura actualmente existente em termos

de linhas de transmissão de energia eléctrica

e condutas de gás, porém, ainda é insuficiente

para garantir um mercado interno de energia

eficiente. Além disso, também faz falta uma

regulamentação uniforme e transnacional. Nos

próximos anos, ambas as condições deverão

ser satisfeitas a fim de garantir preços de energia

eléctrica mais estáveis na UE e aumentar

a segurança do abastecimento.

Produtividade energética

A produtividade energética indica qual

é o valor gerado a nível económico (parcela do

produto interno bruto) por unidade de energia

consumida. Em relação à economia de um

país, toma-se como base de cálculo a energia

primária.

Protocolo de Quioto

Em 1997, as Partes da Convenção-Quadro

das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima

(UNFCCC) chegaram a acordo, em Quioto, no

Japão, sobre as metas para a redução das emissões

de gases de efeito estufa até 2012. Como

base de comparação serve o ano de 1990.

O acordo foi ratificado por 190 países. Na Conferência

das Nações Unidas sobre as Mudanças

Climáticas em Doha foi definido um segundo

período obrigatório até 2020. O Protocolo de

Quioto é um precursor do Acordo de Paris, de

Dezembro de 2015, no qual até ao momento

196 Partes da UNFCCC acordaram limitar

o aquecimento do planeta a menos de 2°C.

Rede eléctrica – rede de muito alta tensão –

rede de distribuição

A rede eléctrica é a via que transporta a corrente

eléctrica. Na Alemanha e em muitos

outros países, a rede eléctrica apresenta quatro

níveis que trabalham com voltagens diferentes:

muito alta tensão (220 ou 380 kV), alta tensão

(60 a 220 kV), média tensão (6 a 60 kV) e baixa

tensão (230 ou 400 V). A rede de baixa tensão

abastece consumidores privados como as

residências. As redes de muito alta tensão trabalham

aproximadamente com uma tensão mil

vezes maior, transportando grandes quantidades

de corrente eléctrica ao longo de grandes

distâncias. Através da rede de alta tensão, a

corrente eléctrica continua a ser distribuída

até às redes de média e baixa tensão. Redes de

média tensão dão seguimento à distribuição e

abastecem também os grandes consumidores

como a indústria e os hospitais. Os consumidores

privados recebem a sua electricidade das

redes de baixa tensão.

Rede inteligente (smart grid)

Uma rede inteligente é uma rede de abastecimento

inteligente na qual todos os componentes

comunicam entre si, começando pelo

produtor, passando pelas linhas de transmissão

e sistemas de armazenamento de energia, até

chegar ao consumidor. Este processo é garantido

mediante uma transmissão de dados

digital automatizada. A rápida comunicação

ajuda a evitar gargalos e excedentes na geração

da electricidade e a ajustar o fornecimento

de energia às necessidades de todas as partes

envolvidas. Sobretudo a injecção irregular na

rede de electricidade proveniente de fontes renováveis

exige tais soluções. Simultaneamente,

as redes inteligentes permitem controlar

a procura através de modelos flexíveis quanto

ao preço da electricidade.

Renovação de edifícios

Com uma renovação energética são tratados

os pontos vulneráveis de um edifício nos quais

se perde mais energia do que seria necessário,

tendo em vista o estado actual da tecnologia.

Possíveis medidas de melhoria são, por exemplo,

o isolamento térmico das paredes e do

telhado ou a instalação de janelas térmicas.

Outro passo é a modernização do sistema de

aquecimento.

Repartição de custos nos termos da Lei

relativa às Energias Renováveis/regime de

repartição

Ao abrigo da Lei relativa às Energias Renováveis,

o conjunto dos consumidores de energia

eléctrica na Alemanha financia, através de

encargos partilhados e somados ao preço da

electricidade, os custos adicionais que provêm

da geração de electricidade a partir de energias

renováveis. O valor do montante repartido resulta

da diferença entre as taxas de remuneração

pagas às empresas operadoras e as receitas

da comercialização da electricidade na bolsa

de energia. As empresas com procura muito

elevada de energia não são obrigadas a pagar

a quantia total.


34 | A Energiewende alemã

Reservatório de ar comprimido

Num reservatório de ar comprimido, a energia

eléctrica é usada para armazenar ar sob pressão

num sistema subterrâneo de cavernas. Em

caso de necessidade, o ar comprimido pode

ser expelido mediante uma turbina, produzindo,

assim, electricidade. Por enquanto, esta

tecnologia ainda não tem sido utilizada com

muita frequência. É, porém, considerada como

uma das opções para armazenar excedentes de

energia produzidos a partir de fontes renováveis.

Uma formação geológica segura para os

reservatórios são as cavernas de sal, esvaziadas

e hermeticamente fechadas. Na preparação

das mesmas, há que enfrentar alguns desafios

geológicos. Porque se o sistema se mostrar

instável a posteriori, não existem maneiras

de ainda o estabilizar. Também não se deve

perturbar o estado de tensão das formações

rochosas circundantes.

Tarifa de alimentação

A Lei relativa às Energias Renováveis garante

aos operadores de parques eólicos e centrais

de energia solar, durante um determinado

período, uma remuneração mínima da electricidade

por eles produzida. Para o cálculo

da quantia a ser remunerada é determinante

o primeiro ano de funcionamento. A remuneração

reduz-se ano após ano, uma vez que

o progresso tecnológico e a utilização mais ampla

de tecnologias fazem com que os custos de

investimento baixem continuamente. Em vez

das antigas tarifas de alimentação fixas, entrará

em vigor, na Alemanha, nos próximos anos, um

sistema de leilões (vide leilão).

Resíduos radioactivos

Os resíduos radioactivos resultam, por exemplo,

da utilização de energia nuclear para produzir

electricidade. Por meio da fissão nuclear,

materiais radioactivos contidos em barras de

combustível dão origem a novas substâncias.

A partir de certo ponto, estas já não podem ser

utilizadas, mas continuam a ser radioactivas.

Trata-se, no início, de isótopos dos elementos

urânio, plutónio, neptúnio, iodo, césio, estrôncio,

amerício, cobalto e outros. Ao passar pelas

cadeias de desintegração, formam-se, com

o tempo, substâncias radioactivas adicionais.

Estes resíduos têm de ser armazenados de

forma segura e durante um período muito

longo a fim de evitar danos para o ser humano

e a natureza. Resíduos altamente radioactivos

têm de ser armazenados em lugar seguro, no

mínimo durante um milhão de anos. Resíduos

de radioactividade média requerem menos

tempo de armazenamento, resíduos de baixa

radioactividade quase já não requerem medidas

de protecção. Mas também estes têm de ser

armazenados a longo prazo e de forma segura.


A Energiewende alemã | 35

Fontes

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Energieverbrauch in Deutschland im Jahr 2016.

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Walter Steinmeier zur Eröffnung des Berlin

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Forschung für die Energiewende.

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Meldepflichtige Ereignisse seit Inbetriebnahme.

Bundesministerium für Umwelt, Naturschutz,

Bau und Reaktorsicherheit (2015):

Atomenergie – Strahlenschutz.

Bundesministerium für Umwelt, Naturschutz

und nukleare Sicherheit (2018): Klimaschutz

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Energie (2014): Die Energie der Zukunft.

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deutsche Haushalte aus.

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© dpa/Catrinus Van Der Veen

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