13.06.2021 Views

Jornal Paraná Junho 2021

You also want an ePaper? Increase the reach of your titles

YUMPU automatically turns print PDFs into web optimized ePapers that Google loves.

OPINIÃO

Uma transformação radical na

matriz energética global está por vir

Se não se apressar, Brasil perderá chance de tirar milhões da pobreza

Por Décio Oddone (*)

AAIE (Agência Internacional

de Energia) divulgou

um cenário sobre

como chegar a um total

líquido de zero emissões de dióxido

de carbono em 2050, prérequisito

para atingir a meta

estabelecida no Acordo de Paris

de limitar o aquecimento global a

1,5°C acima da temperatura global

média de antes da revolução

industrial.

O relatório define medidas para

transformar a economia global.

Nenhuma nova mina de carvão

seria requerida. A demanda por

petróleo jamais retornaria aos níveis

de 2019 e declinaria para 24

milhões de barris por dia em

2050. O consumo de gás natural

seria 55% menor que em 2020. A

quase totalidade dos carros e caminhões

seria movida por eletricidade

ou célula de combustível.

Não seria preciso explorar novas

jazidas e não haveria necessidade

de novos projetos de óleo e

gás, além dos que já tiveram o

desenvolvimento aprovado. Nem

de novas plantas de liquefação

de gás.

Os combustíveis limpos teriam

um rápido crescimento, mas deixariam

de ser usados em veículos

leves. Seriam empregados

nos transportes pesados, navegação

e aviação.

O crescimento da oferta de biocombustíveis

viria do aproveitamento

de resíduos e materiais

não adequados à produção de

alimentos. Plantas de etanol seriam

adaptadas para capturar

carbono ou usar celulose. A demanda

de eletricidade cresceria

rapidamente, como a geração

por renováveis. A precificação

do carbono seria adotada.

Tudo isso impactaria no preço

do petróleo, que cairia para

cerca de US$ 35 por barril em

2030 e US$ 25 em 2050. Governos

teriam de reduzir ou eliminar

impostos para manter os níveis

de produção. Novos projetos seriam

evitados para não haver reflexos

nos preços. A rápida eletrificação

da frota diminuiria a

demanda por gasolina e diesel.

Com queda de 85% na carga, refinarias

seriam fechadas ou convertidas

para petroquímica ou

produção de biocombustíveis.

Os investimentos em energia

limpa seriam enormes. Além

disso, seria necessário eliminar

emissões e capturar carbono da

atmosfera.

Governos deveriam acelerar o

planejamento do uso de resíduos,

o desenvolvimento de

biocombustíveis líquidos, biogás,

biometano, amônia e hidrocarbonetos

sintéticos que

não emitem CO 2 . Também da

indústria do hidrogênio e da

transformação do setor elétrico,

com o crescimento da

geração hidroelétrica e do uso

de baterias para armazenar a

energia produzida pelas fontes

renováveis e intermitentes.

Plantas de etanol seriam

adaptadas para capturar

carbono ou usar celulose

As dificuldades seriam enormes,

mas surgiriam oportunidades

para crescimento da economia e

criação de empregos. Os países

ricos alcançariam esse objetivo

antes dos em desenvolvimento.

As regiões produtoras de petróleo

e gás enfrentariam desafios.

Os trabalhadores em projetos de

combustíveis fósseis seriam treinados

para desempenhar novas

funções.

Esse cenário surpreendeu o

mundo da energia. E é altamente

improvável. No entanto, como as

posições da AIE são consideradas

na formulação de políticas

energéticas de países e empresas,

tem um simbolismo importante.

As mudanças elencadas nesse

relatório indicam que uma transformação

radical na matriz energética

global está por vir e servem

de mais um alerta. O Brasil

não é o único país com potencial

para produção de petróleo ou

energias renováveis, mas não

consegue aprovar medidas, em

discussão há anos, para aprimorar

o ambiente de negócios.

Nesse novo mundo que se avizinha

as disputas por investimentos

capazes de gerar riqueza,

arrecadação e empregos

serão mais acirradas. Se não se

apressar, o país perderá mais

uma chance de usar os seus recursos

para tirar milhões de pessoas

da pobreza

(*) Décio Oddone, engenheiro,

é diretor-presidente da Enauta

S.A. Publicado originalmente

na Folha de S.Paulo

2

Jornal Paraná


SAFRA 2021/22

Chuvas trazem alívio

Ritmo mais lento de colheita tem como causa o menor

desenvolvimento dos canaviais por conta da estiagem

Oretorno das chuvas

nas últimas semanas

foi bem vindo pelos

canaviais e trouxe alívio

aos produtores de cana-deaçúcar

em toda região produtora

no Paraná. Devido às

suas características, a cultura

tem uma alta capacidade de

resposta e tende a recuperar

parte de seu potencial produtivo

desde que as chuvas continuem,

associadas a temperaturas

mais altas e tempo de

luminosidade maior, afirma o

presidente da Alcopar, Miguel

Tranin.

O que preocupa, ressalta, é

que, a partir de julho, a tendência

no Estado é de clima mais

seco e frio, característico no

período, com o agravante de

os modelos climáticos sinalizam

este ano chuvas abaixo da

normalidade, devido a configuração

do fenômeno climático

La Niña.

Tranin comenta que o início da

safra foi em ritmo bastante

acelerado. Na segunda quinzena

de março e na primeira de

abril, o volume de cana esmagado

superou os números registrados

nos períodos equivalentes

nos últimos anos e o

indicativo é de que seria uma

safra rápida, entretanto, na segunda

quinzena de abril e na

primeira e segunda quinzenas

de maio, a moagem de canade-açúcar

na região produtora

do Paraná foi cerca de 10%

menor, em média, do que nas

duas últimas safras, considerando

o mesmo período.

O ritmo mais lento da moagem

se justifica por conta do menor

desenvolvimento dos canaviais

devido às recorrentes estiagens

nesta safra. As indústrias

diminuíram o ritmo de colheita

para evitar colher cana fora do

seu estágio ideal de desenvolvimento.

Na última quinzena,

além deste fator, a retomada da

chuva deu uma segurada no

ritmo de colheita.

A moagem de cana realizada

pelas unidades produtoras no

Estado, no acumulado da safra

2021/22, foi de 8,857 milhões

de toneladas, uma redução de

1% comparando com as 8,945

milhões de toneladas de cana

esmagadas no mesmo período

do ano safra 2020/21. A produção

de açúcar totalizou

643,6 mil toneladas e a de etanol

314,910 milhões de litros

sendo 124,581 milhões de litros

de anidro e 190,329 milhões

de litros de hidratado.

No contraponto ao baixo rendimento

agrícola, o desenvolvimento

industrial tem sido muito

bom. A quantidade de Açúcares

Totais Recuperáveis

(ATR) por tonelada de cana,

também no acumulado da safra

2021/22 ficou 4,6% acima

do valor observado na safra

2020/21, totalizando 137,13

kg de ATR/t de cana, contra

131,08 kg ATR observados na

safra passada.

Devido aos repetidos períodos

de estiagem que danificaram

os canaviais afetando a cultura

no principal período de crescimento

da cana na região Centro-Sul

do país para a safra

2021/22, o que reduziu o potencial

produtivo, o presidente

da Alcopar disse que a entidade

já pensa em rever a estimativa

de safra de 34,8 milhões

de toneladas de cana

para algo em torno de 30 a 31

milhões de toneladas, cerca de

10% ou mais de quebra da

safra no Paraná, reduzindo a

produção de açúcar e etanol

na mesma proporção.

Jornal Paraná 3


2º DIA DE CAMPO

UDT Cana Paraná trouxe

avanços e inovações

Evento foi totalmente on line, com as empresas parceiras mostrando novos

tratamentos e protocolos de defensivos, fertilizantes e variedades

AUnidade de Difusão

Tecnológica – UDT

Cana Paraná, área

agrícola de pesquisa

e extensão em cana-de-açúcar,

apresentou seu 2º Dia de

Campo, que nesta edição foi

realizado no formato online,

por conta da pandemia provocada

pelo novo coronavírus. A

UDT Cana Paraná, está localizada

na estrada Cristo Rei s/n,

em Paranavaí, no noroeste do

Estado.

A área é uma vitrine regional de

difusão tecnológica de conhecimento

e inovação no manejo

da cultura da cana-de-açúcar,

contendo aproximadamente

12,5 hectares de ensaios instalados.

O objetivo é desenvolver

pesquisas, testar e validar

novas tecnologias, além de

promover a difusão entre os

profissionais das usinas e destilarias

do Paraná. São conduzidos

também ensaios em

parcelas demonstrativas de

empresas parceiras, mostrando

novos tratamentos e protocolos

de defensivos, fertilizantes

e variedades.

O projeto é do ITAM, Instituto

de Tecnologia Agropecuária de

Maringá, ligado a UEM, é desenvolvido

em parceria com

Alcopar e conta com o apoio

de empresas como a Syngenta,

Bayer, UPL, FMC, CTC,

IAC, Froya Chemical Solutions,

Evento foi totalmente online e todos os cuidados de distânciamento foram mantidos durante as gravações

4

Jornal Paraná


LAM Agroscience, Ubyfol,

Ihara, Fertbras, Euroforte,

Follyfertil, Celleron e Sanovita.

A unidade era coordenada pelo

professor doutor Anderson

Gualberto, do departamento de

Agronomia da Universidade

Estadual de Maringá (UEM),

falecido no ano passado por

complicações da Covid-19.

Em 2020, após a instalação de

todos os campos de demonstração

das empresas parceiras

da UDT Cana Paraná, a pandemia

alterou toda a rotina de trabalho,

impossibilitando a realização

do segundo dia de

campo presencial. Por isso,

este ano, a equipe organizadora

do evento optou pela

forma virtual para levar as informações

que estavam disponíveis

nos diversos campos

demonstrativos que foram implantados

em 2020.

possibilidade de controle biológico,

principalmente de nematoide,

e para a reconstrução

da parte biológica dos solos

degradados e com baixo potencial

produtivo.

Todas as tecnologias apresentadas

no 2º dia de Campo da

UDT- Cana Paraná estão disponíveis

em plataforma online

versátil (udt.cana.com.br) que

permite o amplo acesso aos

conteúdos.

O trabalho na UDT Cana Paraná

teve início em setembro

de 2018 e o primeiro dia de

campo na unidade foi em novembro

de 2019.

No evento, por meio da parceria

com empresas comprometidas

com o desenvolvimento

sustentável da cana-de-açúcar,

foi possível conhecer as novidades

que as maiores empresas

do setor de cana-deaçúcar

têm para o manejo da

cultura. Cada um dos parceiros

preparou um conteúdo dinâmico

e repleto de dados

específico para a região, mostrando

os avanços e inovações

aplicados em todas as

etapas de desenvolvimento da

cultura.

Com a participação dos parceiros

CTC e IAC, foram apresentadas

as variedades de

cana-de-açúcar, com destaque

para os materiais indicados

para os ambientes restritos do

arenito. Foram mostrados novos

conceitos na área de nutrição

da cana-de-açúcar, com

emprego de fertilizantes foliares

em diferentes épocas e

com objetivos bastante específicos,

além de avanços no

controle de pragas, doenças e

plantas daninhas, com diferentes

princípios ativos e diferentes

dinâmicas de controle. Foi

dado destaque ainda para a

Jornal Paraná 5


UM ANO

RenovaBio, umas das

políticas ambientais mais

consistentes do Brasil

Programa tem potencial para estimular que a energia elétrica produzida a

partir da biomassa da cana atenda a 100% do consumo residencial no país

ORenovaBio, programa

de estímulo à produção

de biocombustíveis,

completou em

abril um ano de operação e já

desponta como uma das políticas

ambientais mais promissoras

do país, com potencial para

aumentar em cerca de 50% a

produção de álcool combustível

no Brasil e ainda gerar 100% de

toda energia elétrica doméstica

consumida no mercado nacional

a partir da biomassa da cana.

“Desde o Proálcool (Programa

Nacional do Álcool), criado em

1975, não tínhamos um programa

que incentivasse de forma

tão intensa e consistente a

mudança da matriz energética

utilizada na mobilidade no país”,

afirma Luiz Augusto Horta Nogueira,

professor de Sistemas

Energéticos da Universidade Federal

de Itajubá (Unifei) e pesquisador

associado do Núcleo

Interdisciplinar de Planejamento

Energético (NIPE) da Unicamp.

“Mas”, frisa ele, “com um importante

diferencial: o Renova-

Bio não implica em renúncia

fiscal e se sustenta sobre as regras

do mercado.”

Para Nogueira, com o Renova-

Bio, o país pode alcançar, em

até dez anos, a neutralidade de

carbono no setor de produção

de energia, depois de já ter conquistado

a transição energética

na área de mobilidade em função

da adoção em larga escala

do etanol. “Seremos neutros em

carbono também na geração de

energia”, comemora. O professor

chama a atenção para o fato

de que o país tem registrado

crescimento de produção de

energia renovável em diversas

matrizes. “E, com o RenovaBio,

temos incentivo à produção de

biocombustíveis e à geração de

energia elétrica a partir de biomassa”,

acrescenta.

Seu otimismo é compartilhado

por Glaucia Mendes Souza,

professora titular do Departamento

de Bioquímica da Universidade

de São Paulo (USP) e

coordenadora do Programa de

Bioenergia (Bioen) da Fundação

de Amparo à Pesquisa do Estado

de São Paulo (Fapesp).

“Temos projeções que indicam

que, muito em breve, com o estímulo

das políticas do Renovabio

poderemos ter quase a totalidade

do consumo residencial

de energia elétrica baseado em

biomassa da cana”, afirma.

A coordenadora do Bioen explica

que, hoje, a geração de

energia elétrica a partir da biomassa

da cana corresponde a

pouco mais de 25% do total do

consumo residencial no país.

Com o RenovaBio, essa produção

de energia baseada na

queima do bagaço de cana, assim

como a produção de etanol,

gera créditos de descarbonização

para as usinas, que são

comercializados na B3 (bolsa

de valores - antiga Bovespa). “É

um importante estímulo para

que, além do bagaço, também

se queime a palha. Se as usinas

passarem a queimar metade da

palha que hoje é deixada no

campo ou utilizada para outros

fins, a energia elétrica renovável

produzida será suficiente para

atender 100% do consumo residencial

no Brasil”, prevê.

O programa de estímulo à produção

de biocombustíveis RenovaBio

foi criado em 2017 (lei

federal 13.576), mas somente

entrou em operação em abril de

2020, quando começaram a

ser comercializados na B3 (bolsa

de valores) os créditos de

descarbonização - também

chamados de CBios. O Renova-

Bio foi concebido com o objetivo

de contribuir para que o

Brasil atinja suas metas de redução

nas emissões de gases

efeito estufa, previstas no Acordo

de Paris, tratado mundial

discutido por mais de 190 países

durante a 21ª Conferência

das Nações Unidas sobre Mudança

do Clima (COP21), ocorrida

em 2015.

O programa prevê que as usinas

produtoras de biocombustíveis

possam emitir os CBios após

passarem por um processo de

certificação auditável, realizado

por empresas certificadoras independentes

que atuam no mercado.

Tanto as empresas certificadoras

quanto as usinas de

etanol biodiesel e bioquerosene

devem atender a exigências previstas

em lei e nas em regulamentações

da Agência Nacional

de Petróleo (ANP).

Cada CBio corresponde a uma

tonelada de CO 2 (um dos gases

do efeito estufa). Empresas dis-

6

Jornal Paraná


tribuidoras de combustíveis

fósseis têm o compromisso de

comprá-los como forma de mitigar

suas emissões de CO 2 . A

aquisição também é livre para

outras empresas interessadas

em reduzir suas “pegadas de

carbono”.

A contrapartida das usinas de

biocombustíveis foi o compromisso

de emitir CBios equivalentes

a 14 milhões de toneladas

de CO 2 em 2020. Para

2021, a meta é de 24 bilhões de

CBios. Os valores serão crescentes

ano a ano até que o patamar

de 90 milhões de toneladas

seja alcançado em 2030.

Há compromissos tanto por

parte das usinas, no aumento

da produção de biocombustíveis

e na emissão de CBios,

quanto por parte das distribuidoras

de combustíveis fósseis

na compra desses títulos. Com

isso, o sistema gera uma previsibilidade

na oferta anual de

biocombustíveis e deve impactar

positivamente nos preços

dos biocombustíveis para o

consumidor.

Plinio Nastari - presidente e CEO

da Datagro, consultoria especializada

em mercados agrícolas

com clientes em 41 países

e representante da sociedade

civil no Conselho Nacional de

Políticas Energéticas entre 2016

e 2020 -, é outro defensor do

RenovaBio. “É uma legislação

bem elaborada, que respeita as

regras de mercado, gera impostos,

induz o aumento da

produtividade e traz metas negociadas

entre as partes”, avalia.

Essas características tendem

a estimular o aumento da

eficiência e a gerar previsibilidade

ao setor de biocombustíveis,

com métricas de equivalência

de emissões de CO 2 reconhecidas

internacionalmente

e com certificações emitidas

por empresas independentes.

“Tudo foi negociado e discutido

abertamente na Câmara e no

Senado. Estamos falando de

uma lei que premia a competência

e a eficiência individual

de cada usina”, ressalta. Segundo

Nastari, quanto maior for

a produtividade de cana por

hectare e quanto mais eficientemente

a empresa produzir

biocombustível e energia, quanto

melhor tratar os dejetos, mais

ela poderá faturar no mercado

de carbono. “Estamos falando

de um estímulo à meritocracia,

à competência, ao desenvolvimento

de novas tecnologias de

produção agrícola, de biocombustíveis

e de preservação do

meio ambiente”.

Um ponto falta a ser definido: a

tributação sobre os CBios. Nastari

explica que a lei previa 15%

de tributação sobre os CBios,

mas o governo tentou aumentar

a alíquota para 34%, a qual não

foi aprovada no Congresso. Resultado:

o Ministério da Economia

ainda não emitiu a regulamentação

tributária sobre os

CBios. “O mercado aguarda essa

regulamentação e a expectativa

é a de que ela seja publicada

a qualquer instante”, diz.

Para que as metas previstas no

RenovaBio sejam alcançadas, a

produção brasileira de biocombustíveis

terá de crescer de forma

expressiva e consistente

nos próximos dez anos. A produção

atual de biodiesel, hoje

próximo dos 4 bilhões de litros/

ano, deve subir para 13 bilhões

de litros/ano nos próximos dez

anos, em especial com a ampliação

do uso de óleo de palma.

Já a produção de etanol

deve sair dos atuais 30 bilhões

de litros e atingir o patamar de

50 bilhões de litros por ano, um

aumento de cerca de 70%.

O aumento da produção de biocombustíveis,

no entanto, não

implicará necessariamente na

expansão da área de plantio.

“Desde o Proálcool o país vem

ganhando eficiência na produção

de cana e de etanol por

hectare. Com o estímulo do RenovaBio,

devem ser mantidos

os aumentos da produtividade

e da eficiência das usinas”,

avalia Heitor Cantarella, engenheiro

agrônomo e diretor do

Instituto Agronômico de Campinas

(IAC - Unicamp).

Cantarella explica que a lavoura

da cana ocupa cerca de 10%

das terras agrícolas do país. E a

produtividade média por hectare

está em torno de 80 toneladas

de cana. Segundo ele, é possível

ampliar ainda mais a produtividade,

com novas práticas de

manejo do solo, novas espécies

de cana e uso de tecnologia.

“Temos algumas áreas que hoje

chegam a produzir mais de 150

toneladas de cana por hectare”,

explica. A troca de caldeiras que

trabalham em regime de baixa

pressão, para regime de alta

pressão, mais eficientes, é uma

outra frente. “Há, ainda, a possibilidade

de uso da palha, que

representa 1/3 da massa energética

da cana. Hoje a palha da

colheita é utilizada para proteção

do solo. E parte dela pode ser

direcionada para produção de

energia elétrica ou de etanol de

segunda geração, obtido a partir

de celulose, sem impactos

maiores à sustentabilidade”.

Outra frente intensa de pesquisas

que estão correndo no país

visa o desenvolvimento de variedades

de cana tolerantes à

seca. “Em médio prazo teremos

de adaptar a agricultura para os

‘climas futuros’ e tecnologias

estão sendo desenvolvidas tanto

do lado da agricultura de precisão

e inteligência artificial no

campo, quanto do lado da biotecnologia”,

diz Glaucia Souza,

da FAPESP/ BIOEN.

O Biofuture Summit é a principal

conferência de debate e troca

de experiências em políticas públicas

promovida pela Plataforma

para o Biofuturo, uma

coalizão inter-governamental

para promoção da bioeconomia

de baixo carbono. Para sua segunda

edição, o Biofuture Summit

juntou-se à conferência

científica Brazilian Bioenergy

Science and Technology

(BBest), para realizar um evento

conjunto trazendo à luz o que há

de mais avançado em políticas,

financiamento, tecnologias, e

ciência relacionadas à bioenergia

e à bioeconomia em suas

diversas formas. Participam do

evento representantes de governos,

órgãos internacionais,

setor empresarial e pesquisadores

de mais de 30 países. A

Biofuture Summit II/

BBEST2020-21 foi totalmente

online e aconteceu entre os dias

24 e 26 de maio.

A Plataforma para o Biofuturo é

uma iniciativa intergovernamental,

da qual participam várias

partes interessadas. Foi projetada

para agir pelas mudanças

climáticas e apoiar os Objetivos

de Desenvolvimento Sustentável,

com uma coordenação internacional

pela promoção da

bioeconomia sustentável de baixo

carbono. Foi lançada em Marrakesh

nas negociações climáticas

da COP 22, em novembro

de 2016. Desde 1º de fevereiro

de 2019, a Agência Internacional

de Energia (IEA) é o Facilitador

(Secretariado) da iniciativa. A

Plataforma para o Biofuturo tem

vinte países membros: Argentina,

Brasil, Canadá, China, Dinamarca,

Egito, Finlândia, França,

Índia, Indonésia, Itália, Marrocos,

Moçambique, Holanda, Paraguai,

Filipinas, Suécia, Reino Unido,

Estados Unidos e Uruguai.

Como uma iniciativa da qual

participam múltiplas partes interessadas,

várias organizações

internacionais, universidades e

associações do setor privado

também estão envolvidas e engajadas

na condição de parceiros

oficiais.

Jornal Paraná 7


BIOCOMBUSTÍVEL

Brasil pode exportar

tecnologia para o mundo

O Know-how da produção e a utilização do etanol na indústria automobilística também

foram destaques durante webinar realizado pela Fenasucro & Agrocana TRENDS

Aindústria brasileira possui

todas as condições

para ser a principal exportadora

de tecnologia

para produção de biocombustível

em escala mundial. O

cenário foi foco central do webinar

"Como Potencializar o Uso

de Bioenergia em Nível Global

sem Transformar o Etanol em

Commodity?", promovido pela

Fenasucro & Agrocana Trends

no final de maio. Evento contou

com a participação de representantes

dos governos do Brasil e

da Índia, além de dois dos mais

importantes executivos dos elos

de produção (Raízen) e consumo

(Volkswagen) desta indústria

e inscrição de 1.626

participantes.

Pietro Adamo Sampaio Mendes,

diretor de Biocombustíveis do

Ministério de Minas e Energia,

destacou o programa Combustível

do Futuro, criado pelo Governo

Federal em abril deste

ano, propondo medidas para incrementar

o uso de combustíveis

sustentáveis e de baixa

intensidade de carbono. O etanol,

biodiesel e o biometano

aparecem como protagonistas

deste programa que busca integrar

políticas públicas relacionadas

ao setor automotivo e de

combustíveis. Assim, Mendes

comentou sobre a comoditização

do etanol. "Os veículos flex,

híbridos e a célula de combustível,

todos abastecidos com etanol,

devem ter espaço no futuro

da mobilidade e na redução dos

gases do efeito estufa. Outros

países também podem adotar o

etanol para promover a descarbonização

do setor de transportes,

levando à sua comoditização,

sem fechar o mercado

apenas para uma rota tecnológica",

diz.

O diretor do MME ainda reforçou

que o Brasil tem capacidade de

exportar tecnologia para o mundo.

"Somos o único país que

possui a tecnologia que permite

utilizar a proporção de 27,5% de

etanol na gasolina e podemos

levar isso para outros países.

Temos o Renovabio, que conta

com cerca de 80% da indústria

de etanol credenciada, e estratégias

de cooperações bilaterais

com outras nações como a Índia."

O webinar também contou com

a presença do Embaixador da

Índia no Brasil, Suresh Reddy,

que apontou o potencial dos

dois países para suprir a demanda

por etanol em escala

mundial. "A cooperação entre

Brasil e Índia para a promoção

do biocombustível e do etanol é

muito importante. Para se ter

uma ideia, duas empresas indianas

começaram a atuar neste

setor, em áreas que equivalem

ao território de três ou quatro países

europeus. O mercado na

Índia busca por energia limpa

para proteger o meio ambiente

e a saúde das pessoas e ser

cada vez mais sustentável. A

energia renovável é um tópico

presente em nossos debates e

o etanol entra no cenário com

um papel muito relevante",

aponta o Embaixador.

De acordo com Francis Queen,

vice-presidente de Etanol, Açúcar

e Bioenergia da Raízen, o

setor sucroenergético brasileiro

possui condições plenas de

atender à demanda mundial por

etanol.

"Temos expertise de sobra,

400 usinas e mais de 50 mil

fornecedores de bens e serviços.

O setor tem muito a oferecer

para países que querem

não só o etanol combustível,

mas o destinado a outros fins

como, por exemplo, para produzir

plástico verde, o óleo

para aviação SAF entre outros",

afirma Queen.

Para atender a demanda gerada,

o vice-presidente da Raízen ressalta

que será importante uma

combinação de ações visando

as condições necessárias para

consolidar esse posicionamento

de liderança. "Acreditamos que

a tecnologia vai ajudar de forma

significativa. Atualmente, a Raízen

possui tecnologia de etanol

de segunda geração que tem o

potencial de aumentar a produção

em aproximadamente 50%.

Temos também outros tipos de

biomassa que podem ser utilizadas.

Com o cenário que vemos

pela frente, é fundamental

que tenhamos no mercado empresas

de bens e serviços no

Brasil que estejam estruturadas

e possam atender a demanda

que teremos", comenta.

Já o presidente & CEO da

Volkswagen América Latina,

Pablo Di Si, afirma que o etanol

é o biocombustível com maior

potencial de implementação

rápida em comparação com

outras fontes de energia. "O

etanol, se comparado com a

gasolina, gera 86% menos

emissões. A diferença é brutal.

Você planta a cana e quase

[todo o processo de produção

do etanol] é renovável. E a velocidade

para continuar essa

jornada é super-rápida se comparada

com a implantação de

postos para abastecimento de

carros elétricos. Eu colocaria

essa expansão em etanol/biofuel

porque o etanol funciona

bem no Brasil e funcionará

bem com algum componente

misturado em alguns outros

países, embora a base seja

sempre etanol", observa Di Si.

Diante desse cenário, ele comenta

que a tecnologia brasileira

pode ser exportada facilmente

para outros países por

meio do avanço em pesquisas

que permitam essa produção

em escala. "Temos que pensar

no etanol, na célula de combustível.

Ela pode ser transportada

em contêiner e exportada para a

Europa, para a China. Como

isso se dará, eu não sei. O que

sei é que temos muita gente

competente para fazer pesquisas

de como chegar a isso aqui

mesmo no Brasil, e cito aqui algumas

universidades, o Centro

de Tecnologia Canavieira (CTC)

entre outros. Temos muita gente

inteligente para buscar solução

para isso aqui", conclui.

A Fenasucro & Agrocana (Feira

Internacional da Bioenergia) realizará

a sua 28ª edição entre os

dias 9 e 12 de novembro de

2021, no Centro de Eventos Zanini,

em Sertãozinho (SP).

O evento, realizado pelo CEISE

Br e promovido e organizado

pela Reed Exhibitions, é o único

da América Latina a reunir inovações

e conteúdo de alto nível

técnico voltados à toda cadeia

de produção da indústria de

bioenergia, além de profissionais

das indústrias de alimentos

e bebidas, papel e celulose,

transporte e logística e distribuidoras

e comercializadoras de

energia.

8

Jornal Paraná


CAPACITAÇÃO

Soluções de alta tecnologia

contribuem para o combate

aos insetos na cana

Por Luciano Almeida, engenheiro agrônomo, especialista em gestão empresarial

e supervisor de marketing para cana-de-açúcar e florestas da UPL Brasil

OBrasil concentra a

maior produção de

cana-de-açúcar do

mundo, alcançando

anualmente mais de 752 milhões

de toneladas, estimadas

em cerca de R$ 54 bilhões, de

acordo com dados do Instituto

Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE). Para melhorar

ainda mais essa produtividade,

é preciso investir em

tecnologias que ajudem a

combater dois dos insetos

que mais preocupam os produtores:

o Sphenophorus e a

cigarrinha das raízes.

O Sphenophorus levis, que

preocupa os paulistas há 50

anos, tem sido altamente prejudicial

para a cultura: há registros

de perdas com Sphenophorus,

que pode causar

até 70% de perdas em toneladas

de cana por hectare

(TCH). Isso acontece porque

a praga, ao se alimentar da

planta, cria galerias e danifica

os colmos da cana, causando

problemas na brotação de soqueiras

e, ainda mais grave, a

morte da planta. Como se não

bastasse, o inseto tem alta incidência

durante o ano inteiro.

Outra praga comum e importante

causadora de prejuízos

aos canaviais é a cigarrinha

da raiz (Mahanarva fimbriolata).

Com tons avermelhados,

é o grupo de insetos que

mais causa danos à plantação,

produzindo feridas no tecido

da raiz ao se alimentar

quando ninfa e destruindo folhas

e colmos com sua toxina

quanto adultos. Tudo isso

pode chegar até a morte da

cultura da cana e sem controle,

há registros de até 80%

de redução em TCH e redução

de até 30% em açúcar total recuperável

(ATR). Seria como

reduzir a produção nacional

de 752 milhões de toneladas

para 150,4 milhões: um prejuízo

de R$ 43,2 bilhões.

Felizmente, a agricultura brasileira

conta com alta tecnologia

de defensivos para conter

esse problema. Entre eles

estão ingredientes ativos como

imidacloprido, que proporciona

maior residual por ser

menos solúvel, além de promover

o vigor e gerar efeito

antiestresse nas plantas. Produtos

com aplicação de jato

com bico tipo leque dirigido

ao sulco de plantio, sobre os

colmos, cobrindo-os logo

após o tratamento, tendem a

ser mais eficientes.

Outra tecnologia de alta performance

para o combate de

insetos em canaviais é a combinação

de acetamiprido com

bifentrina. Esta mistura causa

o melhor efeito de choque da

classe, paralisando de forma

imediata os danos causados

pelas pragas. Testada e comprovada

cientificamente, com

reconhecimento do mercado,

essa solução oferece ainda

amplo espectro de controle e

efeito residual prolongado, garantindo

o sucesso do combate

aos insetos.

O desenvolvimento da tecnologia

agrícola tem sido importante

aliado dos produtores

rurais no combate a pragas

que causam alta redução na

produtividade, na qualidade

dos cultivos e, principalmente,

na ren- tabilidade das lavouras

e no fornecimento de alimento

e energia à sociedade. Investir

em soluções eficazes, como

as destacadas, é um grande

pas-so para garantir o

sucesso sustentável da cana,

historicamente uma das

mais importantes culturas do

país.

10

Jornal Paraná


BIOMASSA

Cana responde por 19% da

energia consumida no Brasil

A participação do biocombustível no consumo

da frota de veículos leves foi de 43%

Acana-de-açúcar é a

principal fonte de energia

elétrica renovável

do país segundo o Balanço

Energético Nacional (BEN)

2021. A publicação da Empresa

de Pesquisa Energética (EPE)

mostra que a biomassa de cana

representa 19,1% da oferta interna

de energia (OIE) ou 39,5%

de toda a energia renovável utilizada

no Brasil.

Isoladamente, a cana-de-açúcar

já posiciona o país como

referência global em energias

limpas, contribuindo para uma

participação acima da média

mundial, de 13,8% de renováveis

na matriz, e dos países

desenvolvidos membros da

Organização para a Cooperação

e Desenvolvimento Econômico

(OCDE), de 11%. Em

2020, 48,4% da energia consumida

no território nacional

teve como origem fontes renováveis.

"A cana-de-açúcar é uma das

culturas agrícolas mais antigas

do Brasil e permanece altamente

estratégica por sua capacidade

de diversificação e de

aproveitamento de resíduos.

Produzimos açúcar, etanol,

bioeletricidade, biogás e, em

breve, biometano, com um

grande potencial inexplorado,

capaz de garantir que o desenvolvimento

socioeconômico

brasileiro seja apoiado em fontes

energéticas de baixo carbono",

destaca Evandro Gussi,

presidente da União da Indústria

de Cana-de-Açúcar (Unica).

As lavouras de cana-de-açúcar

ocupam apenas 1,2% do território

nacional e são localizadas

a mais de 2 mil quilómetros da

Amazônia.

De acordo com o balanço, o

etanol (hidratado e anidro) encerrou

2020 com queda de

12,3% na demanda, em comparação

com 2019, devido às

medidas de restrição de circulação.

A participação do biocombustível

no consumo da

frota de veículos leves foi de

43%. Quando avaliado o ciclo

de vida completo do combustível,

o etanol proporciona uma

redução de até 90% na emissão

de gases causadores do

efeito estufa em relação à gasolina,

além de praticamente

zerar a emissão de poluentes

altamente nocivos, como o

material particulado fino.

Jornal Paraná 11


DOIS

PONTOS

Biodiesel

A ministra da Agricultura, Tereza

Cristina, afirmou que a adoção

do mandato B13, que prevê

13% de uso de biodiesel na

mistura do diesel deve ser retomado

no próximo leilão da

Agência Nacional do Petróleo,

Gás Natural e Biocombustíveis

(ANP). "É uma medida pontual.

Acredito que com uma safra

boa, podemos retomar o B15

até o fim do ano", disse. O porcentual

obrigatório da mistura

do biodiesel no óleo diesel foi

reduzido de 13% para 10% para

o 79º Leilão de Biodiesel, realizado

para abastecer o mercado

nos meses de maio e junho.

Gasolina

A Copersucar, uma gigante

global que atua em negócios

de açúcar e etanol, acaba de

atingir um feito histórico. No

dia 24 de maio, suas usinas

sócias atingiram a marca inédita

de 5,2 milhões de CBios

(créditos de descarbonização)

escriturados. Essa

A implantação da rede 5G de telefonia

móvel vai transformar a

forma como lidamos como o

campo, vai significar a utilização

de ferramentas remotas como

sensores, robôs automatizados,

máquinas autônomas, a utilização

da Internet das coisas, irá

trazer respostas de forma instantânea,

tornando tudo mais

ágil, automático e altamente eficiente.

São inúmeros os projetos,

pesquisas, startups, que

estão apostando no agronegócio

para aumentar a produtividade

do campo, mas na maioria

De acordo com a Unica, a sustentabilidade

da cadeia é ampliada

pela utilização dos

subprodutos da produção de

etanol para a geração de energia

elétrica de baixo carbono.

Em 2020, a bioeletricidade

CBios

quantidade coloca a cooperativa

na liderança do Renova-

Bio, respondendo a 15,4%

dos créditos de carbono emitidos

no programa desde

2020. A Copersucar evitou o

lançamento de mais de 5,2

milhões de toneladas de carbono

na atmosfera. Seriam

Rede 5G

dos casos o acesso a redes de

sinais que possibilitam esses

projetos limitam o potencial das

Energia

ofertada para a rede pelo setor

sucroenergético cresceu 1%

em relação a 2019, com um

volume de 22.604 GWh. Desse

total, 83% foram ofertados

entre maio e novembro, período

seco. Tratou-se de uma

necessárias 36,4 milhões de

árvores, crescendo por 20

anos, para alcançar um resultado

semelhante. A cooperativa

reúne 20 grupos

econômicos, donos de 33

usinas de cana espalhadas

por São Paulo, Minas Gerais,

Paraná e Goiás.

inovações. Com a rede 5G de

dados móveis, esse limitador

praticamente desaparece.

geração equivalente a ter poupado

15% da água disponível

associada à energia máxima

que pode ser gerada nos reservatórios

das hidrelétricas do

submercado Sudeste/Centro-

Oeste.

Em maio, o preço médio da

gasolina registrou variação

positiva pelo 12º mês seguido.

Depois de uma ligeira

alta de 0,18% em abril, o

valor subiu 1,67% nos postos

de combustíveis do País.

Em média, o litro foi vendido

Entre março de 2003, data de

lançamento da tecnologia flex,

e abril de 2021, o consumo de

etanol (anidro e hidratado) evitou

a emissão de mais de 566

milhões de toneladas de CO 2

na atmosfera, informou a Unica.

O volume é equivalente às

emissões anuais somadas de

Sustentabilidade

Etanol

a R$ 5,832, sendo que no

mês anterior o preço médio

foi de R$ 5,737. Em um ano,

o preço da gasolina subiu

43,06% no Brasil (em maio

de 2020, o valor médio era

de R$ 4,01), dados da Vale-

Card.

Argentina, Venezuela, Chile,

Colômbia e Uruguai. Atualmente,

86% do etanol comercializado

no país está certificado

no RenovaBio, garantindo

a rastreabilidade e a efetividade

da redução de emissões

e a nulidade do desmatamento

direto e indireto.

A cana-de-açúcar responde por

19,1% de toda a oferta primária

de energia no País, levando em

conta etanol e bioeletricidade, e

39,5% de toda a energia renovável,

segundo o Balanço Energético

Nacional 2021, publicado

pela Empresa de Pesquisa Energética.

O etanol gera 90% menos

emissões que a gasolina, e

é reconhecido internacionalmente

por não representar risco

às florestas nativas. As lavouras

de cana destinadas à produção

de etanol ocupam apenas 0,8%

do território nacional e estão localizadas

a mais de 2 mil quilômetros

da Amazônia.

12

Jornal Paraná


Os preços internacionais do

açúcar permanecerão em patamares

elevados neste ano,

apoiados pela recuperação das

cotações do petróleo e por

fundamentos positivos de oferta

e demanda, após terem atingido

os maiores níveis desde

2016/17, disse a agência de

classificação de riscos Fitch

Ratings. A companhia destacou

que, embora seja previsto

um superávit para a safra

Açúcar

Hidrogênio

Índia

2021/22 do adoçante, as estimativas

apontam para um déficit

em 2020/21, enquanto a

nova safra brasileira enfrenta

perdas de rendimento após

uma seca afetar as principais

regiões produtoras. O cenário

mais apertado de oferta em

2020/21, agregado às perspectivas

de demanda, é um

dos pilares para os preços elevados

do açúcar nos mercados

internacionais.

As instalações de produção de

hidrogênio “azul” - aquelas que

utilizam combustíveis fósseis

com captura e armazenamento

de carbono - podem deixar de

ser competitivas do ponto de

vista do custo em pouco tempo.

Embora o hidrogênio “azul”

seja, atualmente, mais barato

que o hidrogênio “verde” produzido

a partir de energia renovável,

a situação deve mudar

até 2030. A estimativa é que o

hidrogênio renovável se tornará

mais barato até 2030 em todos

os países avaliados, até mesmo

naqueles com gás barato (como

os EUA) e em países com

energia renovável de alto custo

(como Japão e Coreia do Sul).

O governo da Índia antecipará de 2025 para 2023 a possibilidade

de empresas de combustível venderem gasolina contendo

20% de etanol (E20). É a segunda vez que a o governo

indiano antecipa as vendas do combustível E20, que originalmente

aconteceria apenas em 2030, com o país buscando

cortar os gastos de importação de petróleo e reduzir a poluição

nas cidades. Isso também irá diminuir o excedente de açúcar

para exportação do país em dois a três anos. O país é o

principal concorrente do açúcar brasileiro no mercado global

da commodity, além de ser o maior consumidor do mundo do

adoçante, com 19 quilos per capita. Também é o segundo

maior exportador, atrás do Brasil.

Mudanças climáticas

Diesel verde

A Associação Brasileira das Indústrias

de Óleos Vegetais

aprovou a decisão da Agência

Nacional de Petróleo de estabelecer

a especificação do diesel

verde e as regras de controle

de qualidade do produto. O

texto aprovado define as regras

de qualidade do diesel verde no

mercado nacional e especificações

técnicas e destaca a impossibilidade

de classificá-lo

como biodiesel. Na avaliação

Das seis variedades do portfólio

Bt aprovadas desde

2017, duas já estão no campo,

plantadas em cerca de

150 usinas do país (CTC20Bt

e CTC9001Bt). Outras duas

variedades estão iniciando seu

plantio nas usinas neste ano

(CTC9003Bt e CTC7515Bt).

da entidade, a decisão segue

critérios científicos e internacionais

e coloca o Brasil em condições

de desenvolver mais

essa rota bioenergética, que

"tem potencial de aumentar a

parcela de renováveis na matriz

de combustíveis nacional e de

reduzir a intensidade de carbono

do diesel comercial em

complemento ao B20, o qual

se prevê adoção gradual até

2028".

No campo

As duas mais recentes -

CTC579Bt, aprovada em dezembro,

e a CTC9005Bt -

estão sendo multiplicadas e

deverão entrar em campo em

breve. Com a aprovação da

9005Bt, o CTC passa a ter um

portfólio de variedades transgênicas

resistentes à broca

Cana GM

Uma nova variedade de

cana geneticamente modificada,

criada pelo Centro de

Tecnologia Canavieira, foi

aprovada para comercialização

pela Comissão Técnica

Nacional de Biossegurança.

A CTC9005Bt é a sexta variedade

GM da empresa

desenvolvida para combater

a broca da cana, a mais importante

praga infestando

os canaviais do país. Desde

a primeira aprovação de sua

primeira variedade resistente

à broca, em 2017, o

CTC contribuiu com 12%

das aprovações de plantas

GM no país. Por serem resistentes

à praga, as variedades

Bt evitam as importantes

perdas de produtividade

causadas pelo inseto,

reduzem custos de

produção e trazem ganhos

em sustentabilidade. Anualmente,

a broca provoca prejuízos

estimados em 5 bilhões

de reais aos canaviais

brasileiros.

que cobre todo o território da

cana no país, adaptado às lavouras

dos variados climas e

solos. As variedades atendem

desde solos férteis e regiões

com maior incidência de chuvas

a ambientes restritivos,

além de lavouras de diferentes

ciclos.

A economia global pode perder

quase um quinto da produção

econômica até 2050 se o mundo

não controlar as mudanças climáticas,

mostrou um estudo divulgado

pela resseguradora

Swiss Re Institute. O relatório indica

que, caso nenhuma ação

mitigadora seja tomada e as

temperaturas subam 3,2ºC

(graus Celsius), a produção poderia

ser 18% menor do que em

um mundo sem mudanças climáticas.

Se as metas do Acordo

de Paris forem cumpridas e a

temperatura subir menos de 2°C,

a perda pode ser limitada a 4%,

concluiu o estudo.

Jornal Paraná 13

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!