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Revista Newslab Edição 179

Revista Newslab Edição 179 - Setembro 2023

Revista Newslab Edição 179 - Setembro 2023

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R$ 25,00


a nova linha de bioquímica<br />

da HORIBA Medical<br />

Visite www.horiba.com/bra/medical e saiba mais!<br />

• Hardware robusto<br />

• Sistema de cubetas laváveis e módulo ISE opcional<br />

• Baixo consumo de reagentes


Apresentamos a nova linha Yumizen C de Bioquímica da HORIBA Medical, trazendo<br />

inovação e eficiência para o seu laboratório.<br />

ACESSE O SITE:<br />

Um dos destaques dessa nova linha são os reagentes de alta qualidade HORIBA<br />

POINTE, produzidos localmente, entregando resultados confiáveis e precisos, além<br />

de possuírem um sistema de cubetas laváveis e módulo ISE opcional.<br />

Eleve o seu laboratório a um novo patamar com a qualidade e excelência da<br />

HORIBA Medical!<br />

• Sistema de pipetagem inteligente<br />

• Amplo portfólio de reagentes HORIBA POINTE<br />

Soluções ainda mais completas.<br />

Infinitas possibilidades.


Editorial<br />

revista<br />

Essa edição acompanhará você no<br />

maior Congresso Brasileiro de Patologia<br />

Clínica, promovido pela Sociedade<br />

Brasileira de Patologia Clínica<br />

Medicina Laboratorial – SBPC/ML,<br />

de 05 a 08 de setembro, em São Paulo,<br />

seremos mais de 90 expositores,<br />

divulgando e promovendo o legado<br />

do laboratório clínico nacional<br />

na promoção da saúde no Brasil, na<br />

América Latina e no mundo.<br />

O Grupo FuturLab está crescendo<br />

exponencialmente e temos orgulho<br />

de compartilhar a meta ambiciosa de<br />

dois milhões de acessos ao nosso site<br />

neste ano, com uma média de 400 mil<br />

visualizações e cerca de 100 mil usuários<br />

impactados por nossos canais<br />

digitais todos os meses.<br />

Estamos modernizando toda a nossa<br />

plataforma de comunicação e muito<br />

em breve você poderá ter a <strong>Newslab</strong><br />

digital atualizada em tempo real na<br />

palma da sua mão! Ou melhor! Na tela<br />

do seu celular! Curioso? Fique antenado<br />

em nossos canais, que logo divulgaremos<br />

esta novidade.<br />

Está edição da revista <strong>Newslab</strong> talvez<br />

seja a mais especial e esperada<br />

do ano, afinal, é a edição que circulará<br />

pelo maior evento de análises<br />

clínicas do país. E não poderíamos<br />

deixar de preparar uma super publicação<br />

para você!<br />

Com artigos científicos de alto nível,<br />

vocês, estudantes, pesquisadores,<br />

professores, analistas de laboratório,<br />

biomédicos, biólogos, farmacêuticos<br />

e demais interessados, encontrarão<br />

nela assuntos sobre Diabetes Mellitus<br />

tipo MODY 2 e 3, diagnóstico<br />

laboratorial da doença celíaca, diagnóstico<br />

por imunofluorescência indireta,<br />

biossegurança, anemia megaloblástica,<br />

doenças cardiovasculares<br />

hereditárias, infecções virais transmitidas<br />

por alimentos, tudo sobre<br />

corantes hematológicos pelo Dr. Luiz<br />

Arthur Calheiros Leite, nosso expert<br />

no assunto, e muito mais.<br />

E para vocês que são gestores, supervisores,<br />

auditores, ou proprietários<br />

de laboratório, trouxemos mais discussões<br />

sobre a nova e polêmica RDC<br />

786/2023, seu papel na auditoria e<br />

qualidade no laboratório, e também,<br />

uma abordagem jurídica pelo advogado<br />

e especialista da área da saúde,<br />

Doutor Délio Ciriaco, com quem<br />

tive a honra de bater um papo sobre<br />

essa nova norma, ainda não conferiu?<br />

Corre lá no nosso canal do Youtube:<br />

NewsLab Webinars.<br />

Inovações da área de gestão laboratorial,<br />

planejamento estratégico, liderança<br />

e novos negócios em tempos<br />

de transformação, gestão da qualidade<br />

em laboratórios e como formar<br />

uma boa equipe para gerir a qualidade<br />

do seu laboratório, tudo isso você<br />

encontrará aqui.<br />

E, se me permitem, dia 01 de setembro<br />

completo três anos aqui como editora<br />

da <strong>Newslab</strong>, que modéstia à parte,<br />

me enche de orgulho à cada edição!<br />

Novos e brilhantes colunistas, nosso<br />

diretor e toda a equipe, tem feito o<br />

Grupo FuturLab ir cada dia mais longe,<br />

e como ele mesmo gosta de dizer,<br />

vamos adiante que é só o começo!<br />

Desejo a todos uma ótima leitura e<br />

um excelente Congresso.<br />

Luciene Almeida<br />

Editora Chefe<br />

Ano 30 - <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> - Setembro 2023<br />

Para novidades na área de diagnóstico e pesquisa,<br />

acessem nossas redes sociais:<br />

/revistanewslab<br />

/revistanewslab<br />

/revistanewslab<br />

@revista_newslab<br />

EXPEDIENTE<br />

Realização: FUTURLAB<br />

Jornalista Responsável: Luciene Almeida | redacao@futurlab.com.br<br />

Assinaturas: Daniela Faria (11) 98357-9843 | assinatura@futurlab.com.br<br />

Comercial: João Domingues (11) 98357-9852 | comercial@futurlab.com.br<br />

Comercial: Juliana Cristina da Silva (11) 97733-3312 | comercial2@futurlab.com.br<br />

Diagramação e Arte: FC Design | contato@fcdesign.com.br<br />

Impressão: Gráfica Hawaii | Periodiciade: Bimestral<br />

Ano 30 - <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> - Setembro 2023<br />

<strong>Newslab</strong> - Tel.: (11) 98357-9843<br />

www.newslab.com.br - david.kernbaum@futurlab.com.br<br />

ISSN 0104 - 8384<br />

2


Mesmos Simtomas, 6 Possibilidades?<br />

HiGenoMB® tem a resposta!<br />

H1N1<br />

SARS-CoV-2<br />

H3N2<br />

RSV<br />

Inf A<br />

Inf B<br />

Tube 1 Tube 2<br />

IC<br />

IC<br />

H3N2 vs H1N1 vs RSV vs COVID-19<br />

Hi-PCR® COVID FLU RSV Multiplex<br />

Probe PCR Kit (MBPCR270)<br />

Hi-PCR® Influenza<br />

Multiplex Probe PCR<br />

Kit (MBPCR263)<br />

CE-IVD Approved<br />

Our USP :<br />

Detecta Swine flu (H1N1),<br />

Influenza A virus<br />

juntamente com um alvo<br />

adicional Influenza<br />

B em uma única reação<br />

em tubo<br />

Descrição do Produto : 4-plex assay<br />

1. Swine flu H1N1 virus<br />

2. Influenza A (seasonal H3N2 & seasonal H1N1)<br />

3. Influenza B<br />

4. Human endogenous IC<br />

Limite da Detecção :<br />

Swine flu H1N1 – 2 copies/µl<br />

Influenza B – 2 copies/µl<br />

Influenza A – 4 copies/µl<br />

Tubo 1<br />

H1N1<br />

Influenza A<br />

Influenza B<br />

IC<br />

HiMedia Laboratories<br />

www.himedialabs.com<br />

T : +55-11 981141515 | E : rgarcia@himedialabs.com


Normas de Publicação<br />

para artigos e informes de mercado<br />

revista<br />

A <strong>Revista</strong> <strong>Newslab</strong>, em busca constante de novidades em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas para<br />

publicação de artigos, aos autores interessados. Caso precise de informações adicionais, entre em contato com a redação.<br />

Ano 30 - <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> - Setembro 2023<br />

A <strong>Revista</strong> <strong>Newslab</strong>, em busca constante<br />

de novidades em divulgação científica,<br />

disponibiliza abaixo as normas<br />

para publicação de artigos, aos autores<br />

interessados. Caso precise de informações<br />

adicionais, entre em contato<br />

com a redação.<br />

Informações aos autores<br />

Bimestralmente, a <strong>Revista</strong> NewsLab<br />

publica editoriais, artigos originais, revisões,<br />

casos educacionais, resumos de<br />

teses etc. Os editores levarão em consideração<br />

para publicação toda e qualquer<br />

contribuição que possua correlação<br />

com a medicina diagnóstica.<br />

Todas as contribuições serão revisadas<br />

e analisadas pelos revisores. Os autores<br />

deverão informar todo e qualquer<br />

conflito de interesse existente, em particular<br />

aqueles de natureza financeira<br />

relativo a companhias interessadas ou<br />

envolvidas em produtos ou processos<br />

que estejam relacionados com a contribuição<br />

e o manuscrito apresentado.<br />

Acompanhando o artigo deve vir o termo<br />

de compromisso assinado por todos<br />

os autores, atestando a originalidade<br />

do artigo, bem como a participação de<br />

todos os envolvidos.<br />

Os manuscritos deverão ser escritos em<br />

português, mas com Abstract detalhado<br />

em inglês. O Resumo e o Abstract<br />

deverão conter as palavras-chave e<br />

keywords, respectivamente.<br />

As fotos e ilustrações devem preferencialmente<br />

ser enviadas na forma original,<br />

para uma perfeita reprodução.<br />

Se o autor preferir mandá-las por e-mail,<br />

pedimos que a resolução do escaneamento<br />

seja de 300 dpi’s, com extensão<br />

em TIF ou JPG.<br />

Os manuscritos deverão estar digitados<br />

e enviados por e-mail, ordenados em<br />

título, nome e sobrenomes completos<br />

dos autores e nome da instituição onde<br />

o estudo foi realizado. Além disso, o<br />

nome do autor correspondente, com<br />

endereço completo fone/fax e e-mail<br />

também deverão constar. Seguidos<br />

por resumo, palavras-chave, abstract,<br />

keywords, texto (Ex: Introdução, Materiais<br />

e Métodos, Parte Experimental,<br />

Resultados e Discussão, Conclusão)<br />

agradecimentos, referências bibliográficas,<br />

tabelas e legendas.<br />

As referências deverão constar no texto<br />

com o sobrenome do devido autor,<br />

seguido pelo ano da publicação, segundo<br />

norma ABNT 10520.<br />

As identificações completas de cada<br />

referência citadas no texto devem vir<br />

listadas no fim, com o sobrenome do<br />

autor em primeiro lugar seguido pela<br />

sigla do prenome. Ex.: sobrenome, siglas<br />

dos prenomes. Título: subtítulo do artigo.<br />

Título do livro/periódico, volume,<br />

fascículo, página inicial e ano.<br />

Evite utilizar abstracts como referências.<br />

Referências de contribuições ainda não<br />

publicadas deverão ser mencionadas<br />

como “no prelo” ou “in press”.<br />

Os trabalhos deverão ser enviados para:<br />

Luciene Almeida – Redação<br />

E-mail: redacao@futurlab.com.br<br />

Contato<br />

A sua opinião é muito importante para nós. Por isso, criamos<br />

vários canais de comunicação para você, nosso leitor.<br />

REDAÇÃO: Rua Doutor Guilherme Bannitz, 126, 8º Andar - Conj. 81<br />

CV: 10543 Itaim Bibi, São Paulo, SP, 04532-060.<br />

WhatsApp: (11) 98357-9856<br />

E-mail: redacao@futurlab.com.br.<br />

Acesse nosso site: www.newslab.com.br<br />

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@revista_newslab<br />

Esta publicação é dirigida aos laboratórios, hemocentros e universidades de todo o país.<br />

Os artigos e informes assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião da <strong>Newslab</strong>.<br />

Filiado à:<br />

4<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Índice remissivo de<br />

anunciantes<br />

ordem alfabética<br />

revista<br />

Ano 30 - <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> - Setembro 2023<br />

ANUNCIANTE PÁG. ANUNCIANTE PÁG.<br />

ALFA PLAST 193<br />

ALTONA 251<br />

APPARAT 36-37 | 235<br />

BASE CIENTÍFICA 40<br />

BECKMAN COULTER DIV. DIAGNÓSTICA 16-17 | 213<br />

BECKMAN COULTER LIFE SCIENCES 11<br />

BIOCON 203<br />

BIOLAB BRASIL 101<br />

BIOMEDICA 155<br />

BUNZL SAÚDE 47 | 64-65 | 68-69<br />

CELLAVISION 229<br />

DAILYTECH 81<br />

DATA INNOVATIONS 175<br />

DB<br />

4ª CAPA<br />

DIAGAM 143<br />

DIAGNO 231<br />

DYMIND 195<br />

EBRAM 122-123<br />

EDAN INSTRUMENTS 103<br />

EUROIMMUN 82<br />

EXPO HOSPITAL BRASIL 277<br />

FIRSTLAB 207<br />

GAIA IBIRAPUERA 223<br />

GOLD ANALISA 171<br />

GREINER 139<br />

GRIFOLS 06-07 | 267<br />

GRUPO PRIME<br />

3ª CAPA<br />

GUIA LABORATORIAL 293<br />

GUTHRIE LABORATÓRIO 126-127<br />

HAMILTON 187<br />

HERMES PARDINI 130-131<br />

HIMEDIA LABORATORIES 03<br />

HORIBA 2ª CAPA | 239<br />

INSTITUTO DE BIOLOGIA MOLECULAR DO PARANÁ 189<br />

INVITRO 28-29<br />

LAB REDE 237<br />

LAB. MÉDICO DR. MARICONDI 183<br />

LABOR LINE 84-85 | 159<br />

LABORATÓRIO MASTELLINI 134-135<br />

LABORATÓRIO SENNE 167<br />

LABORATÓRIO SODRE 114-115<br />

LIGA SISTEMAS 241<br />

LIS BRASIL 233<br />

LOCCUS 199<br />

MÉDICA COM. REPRESENTAÇÕES 111<br />

MEDICAL FAIR 287<br />

MEDIX 87<br />

MEDMAX 215<br />

MERCOLAB 211<br />

METHABIO 13<br />

MGI AMERICA 32-33<br />

MINDRAY 24-25<br />

MP BIOMEDICALS 217<br />

NEOLAB BY NEOCOMPANY 149<br />

NEWPROV 227<br />

NIHON KOHDEN 151 | 162-163<br />

OHC-OSANG HEALTHCARE 09<br />

OUTSET 21<br />

PERFECTA 219<br />

PNCQ 147<br />

QUALLYX 105<br />

QUOKKA VET 79 | 109<br />

RENYLAB 243<br />

SARSTEDT 77<br />

SCS MEDICINA DIAGNÓSTICA 75<br />

SHIFT 221<br />

SNIBE 225<br />

SOLLUTIO DIAGNÓSTICOS 96-97<br />

SYSMEX DO BRASIL 55<br />

TBS BINDING SITE CAPA | <strong>179</strong><br />

TPP BRASIL - TECHNO PLASTICS PRODUCTS BRASIL 89<br />

VEOLIA 05<br />

WAMA 51<br />

ZYBIO 118-119<br />

ZYMO RESEARCH 59<br />

Conselho Editorial<br />

Prof. Humberto Façanha da Costa filho - Engenheiro, Mestre em Administração e Especialista em Análise de Sistemas | Dr. Dan Waitzberg - Associado do Departamento de Gastroenterologia da Fmusp. Diretor Ganep Nutrição<br />

humana | Prof. Angela Waitzberg - Professora doutora livre docente do departamento de patologia da UNIFESP | Fábia Regina Severiano Bezerra - Biomédica. Especialista em Gestão de Contratos pela Universidade Corporativa<br />

da Universidade de São Paulo. Auditora em Sistemas de Gestão da Qualidade: ISO 9001:15 e NBR ISO 14001:15, Organização Nacional de Acreditação (ONA). Auditora Interna da Divisão de Laboratórios do Hospital das Clínicas da<br />

Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo | Luiz Euribel Prestes Carneiro – Farmacêutico-Bioquímico, Depto. de Imunologia e de Pós-Graduação da Universidade do Oeste Paulista, Mestre e Doutor em Imunologia pela<br />

USP/SP | Dr. Amadeo Saéz-Alquézar - Farmacêutico-Bioquímico | Prof. Dr. Antenor Henrique Pedrazzi – Prof. Titular e Vice-Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP | Prof. Dr. José Carlos Barbério<br />

– Professor Emérito da USP | Dr. Silvano Wendel – Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês | Dr. Paulo C. Cardoso De Almeida – Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina Da USP | Dr. Zan Mustacchi – Prof. Adjunto<br />

de Genética da Faculdade Objetivo/UNIP | Dr. José Pascoal Simonetti – Biomédico, Pesquisador Titular do Depto de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz - RJ | Dr. Sérgio Cimerman – Médico-Assistente do Instituto de<br />

Infectologia Emílio Ribas e Responsável Técnico pelo Laboratório Cimerman de Análises Clínicas.<br />

Colaboraram nesta <strong>Edição</strong>:<br />

Allyne Cristina Grando; Franciele da Rosa Sonemann; Humberto Façanha; Fábia Bezerra; Gleiciere Maia Silva; Jorge Luiz Silva Araújo-Filho; Brunno Câmara; Helena Varela de Araújo; Rafaele Loureiro; Bruna Garcia; Fabiano de<br />

Abreu Agrela Rodrigues; Délio J. Ciriaco de Oliveira; Anna Clara do Nascimento Jesus; Luiza de Souza Fernandes; Victória Oliveira Gonzaga; Daniela Santos Silva; Járede da Silva Lopes; Bianca Victoria Trevizã da Cunha Ferreira<br />

Silvério; Pâmela Caroline Costa Pereira; Alessandra Alves de Souza Abou Hamia; Waldirene Nicioli; Silvânia Ramalho; Andressa Fehlberg; Rachel Siqueira de Queiroz Simões; Joelma Lessa da Silva; Juliana Yuri; Juliana Gomes;<br />

Paulo Mafra; Bruna Massa Barbosa de Andrade; Marina Raposo Neves Baptista; Mirella Portella Serafini; Álvaro Nunes de Morais; Gabriel Valença de Siqueira Borges; Júlia Domingues Marinho.<br />

8<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Biologia molecular<br />

O Genefinder ApoE RealAmp kit<br />

chegou!<br />

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O Alzheimer, doença complexa que impacta milhões globalmente, é objeto de intensa pesquisa por<br />

melhores compreensão e tratamento. Nesse contexto, surge o GeneFinder ApoE RealAmp Kit,<br />

uma forma de diagnosticar precisamente e revolucionária.<br />

O Alzheimer transcende o tempo, possui uma dimensão genética crucial. O gene ApoE tem papel<br />

central na determinação do risco individual. O GeneFinder ApoE RealAmp Kit oferece uma<br />

visão dessa dimensão. Através de metodologia precisa e eficiente, possibilita identificação das<br />

variantes genéticas do ApoE e2, e3 e e4 com impacto no risco do Alzheimer.<br />

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ÍNDICE<br />

revista<br />

Ano 30 - <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> - Setembro 2023<br />

MATÉRIA DE CAPA<br />

90<br />

Optilite®<br />

A plataforma automatizada para<br />

quantificação de proteínas especiais<br />

da Binding Site<br />

14<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

REVISÃO DA LITERATURA<br />

SOBRE O DIABETES MELLITUS<br />

TIPO MODY 2 E 3<br />

45<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL<br />

DA DOENÇA CELÍACA:<br />

CONSIDERAÇÕES GERAIS<br />

Autores: Felipe Fagundes Nunes,<br />

Allyne Cristina Grando.<br />

Autor: Francisco Eduardo Ferreira Alves,<br />

Cícero Lasaro Gomes Moreira.<br />

12 - Agenda<br />

72 - Neurociência em Foco<br />

83 - Publieditorial I - Euroimmun<br />

84 - Publieditorial II - Laborline<br />

86 - Publieditorial III - Medix<br />

98 - Lab News<br />

104 - Análises Clínicas<br />

108 - Auditoria e Qualidade<br />

112 - Papo de bancada<br />

124 - Direito e Saúde<br />

132 - Medicina Genômica<br />

144 - Virologia<br />

184 - Blog dos Cientistas<br />

190 - Minuto Laboratório<br />

194 - OFAC Brasil<br />

198 - Hematologia<br />

202 - Biossegurança<br />

214 - Citometria de Fluxo<br />

222 - Logística Laboratorial<br />

224 - Informes de Mercado<br />

56<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

PERFIL DE HEMOCULTURAS<br />

REALIZADAS EM UM<br />

LABORATÓRIO DE REFERÊNCIA<br />

DE NATAL -RN<br />

74<br />

GESTÃO LABORATORIAL<br />

INOVAÇÃO NA ÁREA DE GESTÃO<br />

LABORATORIAL: SISTEMA DE<br />

APOIO À DECISÃO – RANKING<br />

NACIONAL DA COMPETÊNCIA<br />

GERENCIAL (SAD-RNCG)<br />

Autores: Larissa Esteves Mesquita, Jéssica Mirelly<br />

Alves da Silva, José Ferreira da Cunha Neto e<br />

Renato Motta Neto.<br />

Autor: Humberto Façanha da Costa Filho.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


AGENDA<br />

AGENDA<br />

de eventos 2023<br />

Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial<br />

Data: 5 a 8 de setembro de 2023<br />

Local: PRO MAGNO Centro de Eventos - São Paulo/SP<br />

Informações: www.cbpcml.org.br/InformacoesGerais/InformacoesGerais<br />

68º Congresso Brasileiro de Genética<br />

Data: 12 a 15 de setembro de 2023<br />

Local: Centro de Convenções de Ouro Preto – Ouro Preto/Minas Gerais<br />

Informações: www.sbg.org.br/eventos/genetica2023/index.php<br />

34º Congresso Brasileiro de Virologia<br />

Data: 24 a 27 de setembro de 2023<br />

Local: Centro de Artes e Convenções da UFOP – Ouro Preto/Minas Gerais<br />

Informações: www.virologia2023.com.br/apresentacao.html<br />

XXIII Congresso Brasileiro de Infectologia (Infecto2023)<br />

Data: 19 a 22 de setembro de 2023.<br />

Local: Centro de Convenções Salvador – Salvador/Bahia<br />

Informações: www.infecto2023.com.br/<br />

MEDICAL FAIR BRASIL<br />

Data: 26 a 28 de setembro de 2023 das 11h às 20h<br />

Local: Expo Center Norte - São Paulo/SP<br />

Informações: www.medicalfairbrasil.com.br/<br />

47º Congresso da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)<br />

Data: 02 a 06 de outubro de 2023<br />

Local: Centro de Convenções de Ouro Preto – Ouro Preto/Minas Gerais<br />

Informações: www.congressos.sbi.org.br/<br />

32º Congresso Brasileiro de Microbiologia<br />

Organizado pela Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM)<br />

Data: 18 a 22 de outubro de 2023<br />

Local: Rafain Palace Hotel & Convention - Foz do Iguaçu/PR<br />

Inscrições: www.sbmicrobiologia.org.br/32cbm2023/inscreva-se/<br />

HEMO 2023 – Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular<br />

Data: 25 a 28 de outubro de 2023<br />

Local: Transamerica Expo Center - São Paulo/SP<br />

Informações: www.congressohemo.com.br/<br />

12<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


A Methabio Farmacêutica do Brasil é uma distribuidora de material<br />

médico hospitalar, medicamentos e soluções para diagnóstico<br />

laboratorial, atuante no mercado desde 2007. Nossa empresa está<br />

estrategicamente localizada no centro do país, na cidade Brasília-DF,<br />

o que nos proporciona uma boa ligação terrestre e aérea para as<br />

demais regiões do país.<br />

Há 17 anos obtendo os maiores<br />

níveis de performance e<br />

confiabilidade do mercado.<br />

Conheça nossas linhas e regiões de<br />

atuação:<br />

Distrito Federal: Beckman Coulter,<br />

Trinity Biotech, Eco diagnóstica,<br />

BIORAD, Euroimmun, Binding site,<br />

Gold Analisa, Autobio, Greiner Bio One,<br />

Plastlabor.<br />

Goiás: Beckman Coulter, BIORAD,<br />

Euroimmun, Binding site, Gold Analisa,<br />

Autobio, Trinity Biotech, ECO, Greiner<br />

Bio One, Plastlabor.<br />

Tocantins: Beckman Coulter, BIORAD,<br />

Euroimmun, Binding site, Gold Analisa,<br />

Autobio. TRINITY, ECO, Greiner Bio One,<br />

Plastlabor.<br />

Maranhão: Beckman Coulter, BIORAD,<br />

Euroimmun, Binding site, Gold Analisa,<br />

Autobio, Eco diagnóstica, Plastlabor.<br />

Pará: Beckman Coulter, BIORAD,<br />

Euroimmun, Binding site, Gold Analisa,<br />

Autobio, Eco diagnóstica, Plastlabor.<br />

São paulo (Interior): Eco diagnóstica,<br />

Binding site, Gold Analisa, Autobio.<br />

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(61) 99987-4267<br />

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ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

REVISÃO DA LITERATURA SOBRE O DIABETES<br />

MELLITUS TIPO MODY 2 E 3<br />

Diabetes Mellitus Literature Review Type MODY 2 and 3<br />

Autores:<br />

Felipe Fagundes Nunes a ,<br />

Allyne Cristina Grando b<br />

a - Graduando do Curso de Biomedicina da Universidade<br />

Luterana do Brasil (ULBRA).<br />

b - Professora Adjunta do Curso de Biomedicina da<br />

Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).<br />

* Imagem ilustrativa<br />

Resumo<br />

Maturity Onset Diabetes of the Young (MODY) é<br />

um tipo de Diabetes Mellitus (DM) ainda pouco<br />

conhecido e extremamente subdiagnosticado.<br />

É uma doença de caráter genético autossômica<br />

dominante, tendo como características<br />

alterações em 14 genes já conhecidos. Acomete<br />

cerca de 5% da população com DM, sendo as<br />

alterações mais comuns as mutações nos genes<br />

da Glicoquinase (GCK) resultando na MODY 2 e<br />

no gene fator nuclear hepatócito 1 alfa (HNF1α)<br />

resultando na MODY 3. O diagnóstico do DM<br />

tipo MODY é realizado através de teste genéticos<br />

ainda pouco utilizados no Brasil devido ao seu<br />

alto custo. Reforçar a grande importância na<br />

realização de exames genéticos poderiam auxiliar<br />

em diagnósticos precisos evitando equívocos<br />

frequentes e tratamentos incorretos. O objetivo<br />

deste estudo foi reunir as informações existentes<br />

sobre o DM tipo MODY 2 e 3 buscando evidenciar<br />

suas particularidades, prevalência e importância<br />

clínica através de uma revisão da literatura nas<br />

plataformas Scielo e PubMed.<br />

Palavras-chaves: diabetes mellitus, mody, fatores<br />

de transcrição, glicoquinase, diagnóstico.<br />

Abstract<br />

Maturity Onset Diabetes of the Young (MODY)<br />

is a type of Diabetes Mellitus (DM) not known<br />

and extremely underdiagnosed. It is a genetic<br />

disease autosomal dominant, having changes<br />

features in 14 genes already known. That<br />

happened with approximately 5% of the<br />

population with DM, being common mutations<br />

in the genes of Glycokinase (GCK) resulting<br />

in MODY 2 and the gene hepatocyte nuclear<br />

factor 1 alpha (HNF1α) resulting MODY 3. The<br />

DM diagnosis type MODY it’s due to genetic<br />

testing not so well known in Brazil because of<br />

the high cost. Reinforcing the importance of<br />

genetic testing could help in accurate diagnosis<br />

avoiding frequent misconceptions and incorrect<br />

treatments. This study aimed to gather the<br />

existing information on DM type 2 and 3 seeking<br />

to highlight its particularities, prevalence and<br />

clinical importance through a literature review<br />

on the Scielo and PubMed platforms.<br />

Keywords: diabetes mellitus, mody, transcription<br />

factors, glucokinase, diagnostic.<br />

14 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Introdução<br />

O Diabetes Mellitus (DM)<br />

vem sendo descrito des-<br />

tada a palavra Mellitus<br />

por Thomas Willis, que<br />

significa “mel doce” 01,02 .<br />

residual da evaporação,<br />

assim como encontrou a<br />

mesma situação no san-<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

de 1500 AC, onde em<br />

gue. Conforme Garrod,<br />

um papiro encontrado<br />

O inglês Thomas Willis<br />

na obra Lettsomian Lec-<br />

no Egito por Gerg Ebers<br />

documentou no século<br />

tures on Glycosuria “...se<br />

no ano de 1872, conti-<br />

XVII, em seu livro Ana-<br />

Willis descobriu ou re-<br />

nha o relato de uma do-<br />

tomy of the Human Body,<br />

descobriu a glicosúria, a<br />

ença em que o paciente<br />

o aspecto adocicado pre-<br />

Dobson deve receber o<br />

apresentava micção com<br />

sente nos portadores da<br />

crédito de ter descoberto<br />

volume e frequência au-<br />

patologia,<br />

característi-<br />

a hiperglicemia” 01-03 .<br />

mentados. No entanto,<br />

ca descoberta primeiro<br />

somente na Grécia Anti-<br />

por indianos, mas sem<br />

Seguindo as descober-<br />

ga a patologia teve sua<br />

comprovações, somente<br />

tas sobre o DM, Thomas<br />

etiologia<br />

caracterizada,<br />

observando que no lo-<br />

Cawley publicou um caso<br />

sendo que os portadores<br />

cal onde esses pacientes<br />

em que o paciente possuía<br />

da doença tinham como<br />

urinavam que havia o<br />

cálculos no pâncreas e com<br />

um dos sintomas a po-<br />

surgimento de formigas.<br />

isso, sugeriu que o DM tinha<br />

liúria, que para os estu-<br />

Willis teve seus estudos<br />

relação direta com as con-<br />

diosos da época o exces-<br />

continuados e aprimora-<br />

dições desse órgão. Neste<br />

so de volume urinado<br />

dos pelo médico inglês<br />

momento começava a se<br />

se assemelhava com a<br />

Matthew Dobson, que<br />

relacionar a patologia com<br />

drenagem em um sifão.<br />

realizou experimentos e<br />

um órgão específico. Outro<br />

Foi intitulada então o<br />

observações,<br />

utilizando<br />

importante<br />

pesquisador<br />

Diabetes, que significa<br />

a evaporação da urina.<br />

foi Apollinaire Bouchardat<br />

“passar através de um<br />

Dobson provou que o<br />

que pioneiramente utilizou<br />

sifão” e somente anos<br />

sabor doce era causado<br />

métodos químicos na de-<br />

mais tarde foi acrescen-<br />

pelo excesso de açúcar<br />

tecção do DM 03 .<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

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Autores: Felipe Fagundes Nunes, Allyne Cristina Grando.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

Atualmente, destaca-<br />

-se como uma relevante<br />

causa de mortalidade e<br />

O DM atinge 17,7% da<br />

população brasileira, em<br />

sua maioria mulheres<br />

ficiência renal crônica, cirurgias<br />

para amputações<br />

e doenças cardiovascula-<br />

morbidade.<br />

Estima-se<br />

com 9,9% e nos homens<br />

res. No Rio Grande do Sul<br />

que até 2045, 629 mi-<br />

compreendendo 7,8%,<br />

entre 2010 e 2016 houve<br />

lhões de pessoas com<br />

sendo o quinto país em<br />

25.708 casos fatais regis-<br />

idades entre 20 e 79<br />

número de indivíduos<br />

trados. O DM tem mos-<br />

anos serão diagnosti-<br />

acima dos 65 anos com<br />

trado aumento em todo<br />

cadas com DM, núme-<br />

DM. No Brasil, estima-se<br />

o mundo, ligado aos há-<br />

ro elevado em relação<br />

que em 2040 seremos o<br />

bitos alimentares não<br />

ao ano de 2017, onde<br />

quarto país com aproxi-<br />

saudáveis, rápida urba-<br />

apresentávamos 425 mi-<br />

madamente 23 milhões<br />

nização, envelhecimento<br />

lhões diabéticos, sendo<br />

de pessoas com o DM,<br />

da população e pouca<br />

sua gravidade calculada<br />

ficando atrás somente<br />

prática de atividades fí-<br />

até 2045 de nona para a<br />

da China, Índia e Estados<br />

sicas, assim como o au-<br />

sétima causa mais gra-<br />

Unidos 05 . Em Porto Ale-<br />

mento nos diagnósticos<br />

ve de morte no mundo.<br />

gre, um estudo do Minis-<br />

de outras variações de<br />

Nosso sistema de saúde<br />

tério da Saúde mostrou<br />

DM, como o DM tipo Ma-<br />

pública e profissionais<br />

que o DM cresceu 112,8%<br />

turity Onset Diabetes of<br />

de saúde ainda não têm<br />

na população masculina<br />

the Young 04,05 .<br />

recursos para trabalhar<br />

entre 2007 e 2018. No ge-<br />

adequadamente sobre a<br />

ral, Porto Alegre aparece<br />

Maturity Onset Diabe-<br />

atual relevância do DM e<br />

como uma das capitais<br />

tes of the Young (MODY)<br />

de suas complicações e<br />

que tem um alto número<br />

teve sua nomenclatura<br />

estima-se que 46,5% dos<br />

de pessoas com a enfer-<br />

relatada nos anos 60 dis-<br />

pacientes desconheçam<br />

midade. Responsável por<br />

tinguindo uma classifica-<br />

que têm a doença 04,05 .<br />

complicações como insu-<br />

ção de DM diferente das<br />

18 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


demais conhecidas até<br />

o momento, sendo em<br />

1964 assunto discutido<br />

identificados caracterizando<br />

mutações afetando<br />

a fisiologia das células<br />

sim como anormalidades<br />

na secreção. Podendo ser<br />

dividido mais conhecida-<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

em Toronto, no Congres-<br />

beta pancreáticas 06,07 .<br />

mente em dois diferentes<br />

so da Federação Inter-<br />

grupos, tipo I e tipo II. O<br />

nacional de DM. Estudos<br />

O objetivo deste estudo<br />

DM também pode ser<br />

feitos em Londres em fa-<br />

foi realizar uma revisão da<br />

classificado em diabetes<br />

mílias onde a presença<br />

literatura caracterizando o<br />

latente autoimune do<br />

genética de transmissão<br />

DM tipo MODY 2 e 3 ainda<br />

adulto, diabetes gesta-<br />

autossômica dominante<br />

pouco conhecidos, através<br />

cional e MODY 04,05 .<br />

foi observada em crian-<br />

de uma revisão da literatu-<br />

ças e jovens, onde foi pu-<br />

ra nas plataformas Scielo<br />

O DM pode provocar a<br />

blicado um artigo com o<br />

e na PubMed nos idiomas<br />

destruição das células<br />

termo MODY de forma<br />

português e inglês.<br />

beta do pâncreas sendo<br />

pioneira 06,07. A partir<br />

sua causa ainda idiopáti-<br />

disso, começaram os es-<br />

Características gerais e<br />

ca, sendo que o tipo I está<br />

tudos genéticos com a<br />

diagnóstico do DM<br />

entre 5% e 10% dos dia-<br />

MODY, sendo sua maior<br />

Constituindo-se de uma<br />

béticos no Brasil. Desen-<br />

descoberta acontecendo<br />

doença bem caracteriza-<br />

volve-se de forma rápida<br />

em 1992 quando Grae-<br />

da, o DM traz disfunções<br />

e progressiva, comum em<br />

me Bell encontrou um<br />

e insuficiências de vários<br />

crianças, mas também se<br />

polimorfismo no gene<br />

órgãos, incluindo a des-<br />

apresenta na forma de<br />

da enzima deaminase<br />

truição das células beta<br />

diabetes latente autoimu-<br />

no cromossomo 20, rela-<br />

do pâncreas responsá-<br />

ne do adulto (LADA). É<br />

cionando a existência da<br />

veis pela produção de<br />

descrita como processo<br />

MODY. No decorrer dos<br />

insulina, causando uma<br />

autoimune, devendo ser<br />

anos outros genes foram<br />

resistência insulínica as-<br />

observado que o diabe-<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

19


ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

tes latente é classificado<br />

erroneamente como o<br />

tipo II por suas seme-<br />

perglicemia. Atualmente<br />

com o crescente estilo<br />

de vida pouco saudável,<br />

que por volta de 2% - 4%<br />

das gestantes o DM retorna<br />

anos depois 04,05 .<br />

lhanças clínicas. Pacien-<br />

tem-se evidenciado um<br />

tes com DM tipo I utili-<br />

significativo<br />

aumento<br />

O DM tem seus sintomas<br />

zam insulina diariamente<br />

do DM. No Brasil, te-<br />

bem caraterizados como<br />

para conseguir controlar<br />

mos o diabetes como<br />

fadiga, polidipsia, poliúria<br />

a concentração de glico-<br />

uma das principais cau-<br />

e perda de peso. Contudo,<br />

se no sangue 04,05 .<br />

sas de mortalidade e<br />

o DM pode ser assintomá-<br />

hospitalização, trazen-<br />

tico em muitos pacientes,<br />

Cerca de 90% dos ca-<br />

do graves impactos na<br />

e por isso o diagnóstico<br />

sos de DM no Brasil tem<br />

saúde pública 04,05 .<br />

muitas vezes é realiza-<br />

como categoria o DM<br />

do em consequência das<br />

Tipo II, patologia esta<br />

Um quadro pontual de<br />

complicações do pacien-<br />

causada pela sobrecar-<br />

DM é a gestacional, onde<br />

te devido ao diabetes,<br />

ga nas células betas do<br />

somente durante a gesta-<br />

sendo necessário realizar<br />

pâncreas, assim o orga-<br />

ção a paciente apresenta<br />

exames laboratoriais para<br />

nismo não consegue de<br />

seus níveis de glicose au-<br />

acompanhamento 04 .<br />

forma adequada realizar<br />

mentados,<br />

retornando<br />

a produção de insulina<br />

aos valores normais após<br />

Entre os exames labora-<br />

suficiente para manter<br />

o parto. No entanto, não<br />

toriais mais conhecidos,<br />

o equilíbrio da glicose.<br />

deve ser negligenciada,<br />

temos o teste de glicemia<br />

Nestes casos, a adminis-<br />

pois durante a gravidez as<br />

em jejum (padrão ouro)<br />

tração de insulina sin-<br />

pacientes podem ter al-<br />

com valores de referência<br />

tética é a forma de tra-<br />

gumas complicações e a<br />

de 60 a 99 m/dL, o teste<br />

tamento mais utilizada,<br />

gestante deve ser acom-<br />

oral de tolerância à gli-<br />

visando o controle da hi-<br />

panhada no pós-parto, já<br />

cose (TOTG), neste teste<br />

20 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

21


Autores: Felipe Fagundes Nunes, Allyne Cristina Grando.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

é administrado 75 g de<br />

dextrosol e realizada a<br />

menores que 5,7% são<br />

considerados normais,<br />

betes leve. O termo MODY<br />

surge justamente para en-<br />

análise, sendo conside-<br />

pré-diabetes entre 5,7%<br />

fatizar a característica de<br />

rados valores normais<br />

e 6,4%, igual ou maior<br />

transmissão neste tipo de<br />


nase (GCK) MODY 2 que<br />

abrange 15% dos casos,<br />

nesta alteração o corpo<br />

não consegue de forma<br />

adequada equilibrar os níveis<br />

de glicose no sangue,<br />

pois este gene é responsável<br />

por este processo,<br />

tendo uma mutação mais<br />

branda não sendo necessário<br />

tratamento 08-10 .<br />

O GCK-MODY é mais comum,<br />

diagnosticado em<br />

países onde o teste de glicose<br />

em pessoas assintomáticas<br />

é rotineiro, como<br />

França, Itália e Espanha,<br />

enquanto o HNF1α-MODY<br />

é mais frequente em países<br />

onde testes aleatórios<br />

de glicose no sangue são<br />

raramente realizados 11,12 .<br />

Mutações nos fatores<br />

de transcrição que<br />

Figura 01 – Fatores de transcrição e enzima envolvida na MODY<br />

Fonte: The British Diabetic Association<br />

afetam a expressão de O DM tipo MODY é caracterizado<br />

moléculas na via secretora<br />

como he-<br />

de insulina dependente<br />

de glicose estão<br />

entre as causas mais<br />

rança autossômica dominante,<br />

iniciada antes<br />

dos 25 anos, mantendo<br />

as funções das células<br />

comuns de diabetes<br />

betas do pâncreas parcialmente<br />

preservadas.<br />

monogênico. MODY 3<br />

decorre de defeitos no<br />

gene do fator nuclear<br />

HNF1α, a perda de função<br />

de qualquer fator<br />

Causada por defeito genético,<br />

a MODY teve seu<br />

primeiro gene identificado<br />

em 1992, gene GCK<br />

de transcrição causa cromossomo 7p (MODY<br />

secreção diminuída de<br />

insulina 13-15 . (Figura 01)<br />

2) durante análises de<br />

ligação paramétrica ve-<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

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Autores: Felipe Fagundes Nunes, Allyne Cristina Grando.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

rificando discrepâncias<br />

ou correspondências<br />

Tabela 01 - Comparação clínica entre os tipos de diabetes mellitus mais comuns<br />

entre marcadores de ácidos<br />

desoxirribonucleicos<br />

pelo genoma. Em 1993<br />

o gene HNF1α cromossomo<br />

12q (MODY 3) foi<br />

identificado, sendo 52%<br />

o causador da MODY no<br />

Fonte: British Medical Journal<br />

Reino Unido, chegando<br />

a 63% na Europa e América<br />

16,17 . (Tabela 01)<br />

Estima-se que a MODY<br />

compreenda entre 1 e 2<br />

% de todos os casos de<br />

DM, no entanto as taxas<br />

de prevalência são imprecisas<br />

e subestimadas, pois<br />

frequentemente são diagnosticadas<br />

e classificadas<br />

incorretamente como DM<br />

tipo 1 ou 2 devido à sobreposição<br />

de características<br />

clínicas 18,19 .<br />

Gene GCK – MODY 2<br />

Os portadores desta mutação<br />

apresentam idade<br />

média do diagnóstico<br />

por volta dos 10 anos,<br />

apresentando glicemia<br />

em jejum prejudicada<br />

com níveis de glicose no<br />

sangue em média de 120<br />

mg/dL, sintomas de hiperglicemia<br />

e histórico<br />

familiar genético 20,21 .<br />

Sendo causada por uma<br />

mutação heterozigótica resultando<br />

na alteração do limiar<br />

de insulina, pacientes<br />

com esta mutação geralmente<br />

não são obesos, não<br />

necessitam de tratamento<br />

e não apresentam complicações<br />

vasculares. Por<br />

esse motivo é importante<br />

diferenciar esse tipo de DM<br />

dos tipos 1 e 2 para evitar<br />

tratamento desnecessário<br />

22-24<br />

. Pacientes com MODY<br />

2 não necessitam tratamento<br />

com insulina ou<br />

medicamentos orais, como<br />

consequência do seu defeito<br />

na detecção de glicose,<br />

apresentando hiperglicemia<br />

em jejum leve 25 .<br />

26 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Normalmente a glicose<br />

da circulação é absorvida<br />

pelas células beta através<br />

creas, intestino e fígado,<br />

contudo é expresso primariamente<br />

no saco vi-<br />

cing alternativo, com<br />

diferentes propriedades<br />

transcricionais e pa-<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

do transportador de gli-<br />

telino e atua como fator<br />

drões de expressão. Es-<br />

cose (GLUT 2) na mem-<br />

de transcrição para a ex-<br />

tudos in vitro indicaram<br />

brana celular. Após esta<br />

pressão de vários genes<br />

que o truncamento do<br />

absorção, a enzima glico-<br />

como albumina hepáti-<br />

exon 10 diminui a ati-<br />

quinase converte glicose<br />

ca, A-1 antitripsina, B-fi-<br />

vação transcricional em<br />

em glicose-6-fosfato que<br />

brinogênio e proteína C<br />

aproximadamente 50%,<br />

então sofre glicólise nas<br />

reativa. As mutações no<br />

embora o local de spli-<br />

mitocôndrias para pro-<br />

gene HNF1α são associa-<br />

cing não seja afetado di-<br />

duzir adenosina trifosfa-<br />

das ao diabetes monogê-<br />

retamente o quadro de<br />

to (ATP). Mutações que<br />

nico MODY 3, sendo uma<br />

leitura de todo o exon<br />

inativam o gene GCK,<br />

das principais manifes-<br />

é deslocado gerando<br />

enzima que catalisa a pri-<br />

tações a disfunção das<br />

uma sequência de 85<br />

meira etapa da glicólise<br />

células beta prejudi-<br />

aminoácidos sem qual-<br />

e regula a secreção de<br />

cando a secreção da in-<br />

quer homologia com as<br />

insulina como um sensor<br />

sulina, além do aumen-<br />

sequências de proteínas<br />

de glicose, causam uma<br />

to da síntese de ácidos<br />

conhecidas 29 .<br />

diminuição na fosforila-<br />

biliares, influenciando<br />

ção da glicose nas célu-<br />

os níveis de colesterol<br />

HNF1α MODY tem um<br />

las, assim prejudicando a<br />

total e lipoproteínas de<br />

fenótipo<br />

clinicamente<br />

síntese de insulina 26 .<br />

baixa densidade 27,28 .<br />

progressivo com hiperglicemia,<br />

glicosúria e<br />

Gene HNF1α – MODY 3<br />

O HNF1α é composto<br />

diminuição da função<br />

O gene HNF1α é expresso<br />

por três domínios fun-<br />

renal e/ou complicações<br />

no epitélio de múltiplos<br />

cionais e três isoformas<br />

vasculares,<br />

pacientes<br />

órgãos, como rins, pân-<br />

são geradas por spli-<br />

com HNF1α MODY são<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

27


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• Valores de referência para diferentes espécies.<br />

• Apresentação com volume reduzido.<br />

• Reagentes estáveis.<br />

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Química Clínica<br />

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• Alfa Amilase<br />

• Bilirrubina Direta<br />

• Bilirrubina Total<br />

• Cálcio<br />

• CK-NAC<br />

• Colesterol*<br />

• Creatinina<br />

• Fosfatase Alcalina<br />

• Fósforo<br />

• Frutosamina<br />

• Gama GT<br />

• Proteína Total<br />

• Triglicérides*<br />

• Controle 1 (Normal)<br />

• Controle 2 (Patológico)<br />

• Glicose*<br />

• Lactato<br />

• Lipase<br />

• TGO<br />

• TGP<br />

• Ureia UV<br />

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Hemostasia<br />

• TP<br />

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Hematologia<br />

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Íons Seletivos<br />

• Cálcio iônico<br />

• Cloro<br />

• pH<br />

• Potássio<br />

• Sódio


ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

altamente responsivos<br />

ao uso de sulfonilureias,<br />

não sendo necessário<br />

sido relatada, além de<br />

mutações no exon 4 do<br />

HNF1α, possivelmente<br />

etiologia multifatorial,<br />

causadas por interações<br />

de fatores genéticos e<br />

o uso de injeções de in-<br />

devido a fatores modi-<br />

ambientais,<br />

diferente<br />

sulina. Estudos relatam<br />

ficadores ainda desco-<br />

do DM tipo MODY, onde<br />

uma resposta do contro-<br />

nhecidos 31-33 .<br />

fatores genéticos são<br />

le glicêmico cinco vezes<br />

fundamentais.<br />

Embo-<br />

maior que a metformina<br />

MODY e Gravidez<br />

ra nosso conhecimento<br />

e quatro vezes maior que<br />

O DM em geral na gravi-<br />

crescente da genética<br />

a terapia com insulina<br />

dez é complexo. Atual-<br />

desta doença melhore a<br />

29. Pacientes com HNF1α<br />

mente testes genéticos<br />

compreensão da etiolo-<br />

são muito sensíveis ao<br />

para formas complexas<br />

gia e possíveis tratamen-<br />

efeito das sulfonilureias,<br />

de diabetes monogê-<br />

tos, nosso conhecimento<br />

essa eficácia é explicada<br />

nicas,<br />

particularmente<br />

atual sobre o diabetes<br />

pela ligação com o re-<br />

MODY, tem utilidade<br />

monogênico<br />

apresenta<br />

ceptor de sulfonilureia,<br />

muito importante para<br />

oportunidade para o cui-<br />

iniciando a abertura dos<br />

determinar o tratamen-<br />

dado personalizado da<br />

canais de cálcio depen-<br />

to, gerenciar riscos e<br />

MODY em gestantes 34 .<br />

dente de voltagem, as-<br />

controle na gravidez. Em<br />

sim estimulando a libe-<br />

particular, o diagnóstico<br />

A prevalência de MODY<br />

ração de insulina 30 .<br />

é de MODY 2, indicando<br />

2 na população diabética<br />

que a insulina não preci-<br />

gestacional foi estima-<br />

HNF1α é altamente po-<br />

sa ser usada 34 .<br />

da em aproximadamen-<br />

limórfico,<br />

recentemen-<br />

te 2%. A identificação<br />

te a presença de anti-<br />

Quase todas as formas<br />

dessas gestantes é im-<br />

corpos pancreáticos e<br />

de DM têm componente<br />

portante porque altera<br />

a ocorrência de ceto-<br />

genético, DM tipo 1 e 2<br />

o tratamento durante a<br />

acidose diabética tem<br />

geralmente apresentam<br />

gravidez, primeiro que<br />

30 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


enquanto o diabetes gestacional<br />

é geralmente<br />

tratado com insulina, na<br />

nho do feto no terceiro<br />

trimestre e a indução do<br />

parto a termo, se necessá-<br />

análise genética é imprescindível.<br />

A classificação<br />

correta do DM de<br />

ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

MODY 2 a insulina não<br />

rio. A conscientização de<br />

um paciente é impor-<br />

é indicada. Em segundo<br />

que parentes de primeiro<br />

tante para garantir que<br />

que enquanto todos os<br />

grau tem 50% de chances<br />

ele receba o tratamen-<br />

fetos nas gestações com<br />

de ter uma mutação GCK<br />

to mais adequado, esti-<br />

diabetes gestacional se-<br />

é importante para classifi-<br />

ma-se que pelo menos<br />

rão expostos a hipergli-<br />

car adequadamente a hi-<br />

80% dos pacientes com<br />

cemia materna, um feto<br />

perglicemia nos membros<br />

MODY sejam diagnosti-<br />

que herdou uma muta-<br />

das famílias, assim como<br />

cados erroneamente 38 .<br />

ção GCK MODY 2 de sua<br />

profissionais de saúde de-<br />

mãe não é exposto, nes-<br />

vem estar cientes de que<br />

Obter um diagnóstico<br />

sa situação o tratamen-<br />

mulheres com GCK duran-<br />

correto para as formas de<br />

to materno com insuli-<br />

te a gravidez apresentam<br />

diabetes monogênicas é<br />

na não é recomendado.<br />

as placentas com tama-<br />

extremamente importan-<br />

Contudo se o feto não<br />

nho reduzido 36,37 .<br />

te no prognóstico e tam-<br />

herdou o alelo heterozi-<br />

bém permite aconselhar<br />

goto da mutação GCK, o<br />

Diagnóstico e Trata-<br />

adequadamente familia-<br />

mesmo produzirá mais<br />

mento Diabetes Melli-<br />

res em relação à provável<br />

insulina em resposta à hi-<br />

tus tipo MODY<br />

herança genética 38 . Sen-<br />

perglicemia materna 35 .<br />

MODY está se tornan-<br />

do a identificação desta<br />

do mais facilmente re-<br />

doença realizada através<br />

Devido ao risco de abor-<br />

conhecido nos últimos<br />

de testes genéticos mole-<br />

to espontâneo, uma al-<br />

anos devido à dispo-<br />

culares caros, não sendo<br />

ternativa é o diagnóstico<br />

nibilidade de testes<br />

viável o teste em todos<br />

genético pré-natal e o<br />

de anticorpos e testes<br />

os pacientes, as caracte-<br />

monitoramento do tama-<br />

genéticos, no MODY a<br />

rísticas clínicas podem<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

31


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todos os sequenciadores de rendimento<br />

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para targeted sequencing, como painéis<br />

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infecciosas, metilação, Identificação<br />

humana, WGS de pequenos genomas,<br />

low-pass WGS, Exomas e RNA-seq.


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Aplicação em Oncologia<br />

Detecção de Variantes Raras<br />

Amostra: ctDNA de câncer de pulmão diluído<br />

a 1%, 0,5%, 0,2%, e 0,1%.<br />

Biblioteca: Kit de preparo por captura.<br />

Estratégia: PE100 dual-barcode.<br />

Objetivo: Testar a capacidade de detecção de<br />

variantes do DNBSEQ-G99.<br />

Data of AF_1% ctDNA<br />

Data of AF_0.5% ctDNA<br />

5<br />

4<br />

3<br />

Resumo do<br />

sequenciamento<br />

Detected AF%<br />

3<br />

2<br />

1<br />

Detected AF%<br />

2<br />

1<br />

As corridas geraram<br />

126M reads em média e<br />

Q30>93%, com uma<br />

ótima reprodutibilidade.<br />

0<br />

1.5<br />

0 2 4 6<br />

Expected AF%<br />

Data of AF_0.2% ctDNA<br />

0<br />

0 2 4 6<br />

Expected AF%<br />

Data of AF_0.1% ctDNA<br />

0.6<br />

Resumo das análises<br />

Detecção de SNVs em<br />

100% dos sítios para<br />

todas as amostras<br />

(1%, 0,5%, 0,2%, 0,1%).<br />

Detected AF%<br />

1.0<br />

0.5<br />

Detected AF%<br />

0.4<br />

0.2<br />

Cada sequenciamento<br />

foi finalizado em cerca<br />

0<br />

0 0.5<br />

1.0 1.5<br />

0.0<br />

0.0 0.2 0.4 0.6<br />

de 9 horas!<br />

Expected AF%<br />

Expected AF%<br />

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ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

Fluxograma 01 - Avaliação para verificar a necessidade de testes genéticos em pacientes com<br />

suspeita de DM tipo MODY.<br />

Fonte: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism<br />

auxiliar na identificação<br />

como um diagnóstico alternativo.<br />

Outra abordagem<br />

alternativa é o uso<br />

de biomarcadores como<br />

o teste de anticorpos<br />

para ilhotas e peptídeo C<br />

na caracterização do DM<br />

tipo 1, ao excluir aqueles<br />

com DM tipo 1 usando<br />

esses dois biomarcadores<br />

podemos obter uma<br />

porcentagem menor de<br />

pacientes nos quais os<br />

testes moleculares para<br />

diabetes monogênico<br />

poderiam ser realizados,<br />

avaliação demostrada no<br />

Fluxograma 01 39 .<br />

Distinguir MODY de outras<br />

formas de diabetes<br />

representa uma oportunidade<br />

para selecionar<br />

o tratamento com base<br />

na etiologia. Essas implicações<br />

clínicas motivaram<br />

estudos de epidemiologia<br />

em várias<br />

partes do mundo, que<br />

mostraram que a MODY<br />

embora comparativamente<br />

menos comum<br />

que DM tipo 1 e DM tipo<br />

2, afeta um número significativo<br />

de indivíduos<br />

e a grande maioria desses<br />

indivíduos não tem<br />

diagnóstico correto 40 .<br />

Na Europa, o Reino<br />

Unido é centro de referência<br />

para testes<br />

de diabetes monogênico,<br />

assim como na<br />

Holanda que também<br />

fornece a maioria dos<br />

testes genéticos para<br />

MODY, com isso permitindo<br />

estudos populacionais<br />

relativamente<br />

abrangentes sobre as<br />

características dos pacientes,<br />

critérios médicos<br />

e resultados com<br />

melhores<br />

diagnósticos.<br />

Em outros países<br />

como Noruega, Áustria<br />

e Alemanha, bancos de<br />

dados com pacientes<br />

diagnosticados<br />

com<br />

MODY permitem estudos<br />

epidemiológicos<br />

mais completos 41,42 .<br />

Contrastando com os estudos<br />

europeus, populações<br />

asiáticas apresentam<br />

poucas pesquisas ligadas<br />

a MODY, sendo a Coréia<br />

do Sul, China e Japão alguns<br />

dos países envolvidos<br />

nestas pesquisas.<br />

34 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


No Japão um ponto encontrado<br />

de grande relevância<br />

foi que pacientes<br />

japoneses com MODY 2<br />

apresentaram sintomas<br />

clínicos semelhantes aos<br />

pacientes caucasianos,<br />

porém a resistência à insulina<br />

possa ser maior nos<br />

japoneses 43 . Populações<br />

latinas e africanas, assim<br />

como asiáticos, apresentam<br />

atualmente poucos<br />

estudos. No Brasil, alguns<br />

estudos apresentaram<br />

resultados conflitantes e<br />

baixa divulgação. Nos Estados<br />

Unidos o diagnóstico<br />

da MODY ainda está<br />

atrás do Reino Unido e<br />

outras nações 44-46 .<br />

Os estudos epidemiológicos<br />

da prevalência da<br />

MODY revelam muitos<br />

desafios e oportunidades<br />

de melhorias em relação<br />

aos testes genéticos, a<br />

falha na identificação de<br />

uma mutação pode resultar<br />

na sobreposição<br />

diagnóstica, diferenciar<br />

diabetes monogênica de<br />

DM tipo 1 ou 2 é desafiador,<br />

sendo os custos a<br />

principal dificuldade destes<br />

avanços. Estudos, especialmente<br />

aqueles que<br />

incorporam o sequenciamento<br />

completo do<br />

genoma permitirão uma<br />

descrição abrangente da<br />

prevalência e das características<br />

dos pacientes<br />

com MODY 47 .<br />

Embora o custo do<br />

sequenciamento genético<br />

está caindo rapidamente,<br />

as aplicações<br />

ainda são muito<br />

caras para sequenciar<br />

pacientes indiscriminadamente.<br />

Pacientes<br />

com apresentação clínica<br />

como idade precoce<br />

de início, histórico<br />

familiar, não obesos<br />

e ausência de anticorpos<br />

pancreáticos são<br />

selecionados para a<br />

realização dos testes<br />

genéticos buscando o<br />

diagnóstico da MODY 48 .<br />

Nos últimos cinco anos a<br />

utilização de biomarcadores<br />

com o objetivo de<br />

refinar os critérios de seleção<br />

dos pacientes com<br />

MODY para triagem genética,<br />

assim como utilizar<br />

o TOTG que pode ser<br />

usado para discriminar<br />

entre HNF1α e GCK. Os<br />

pacientes HNF1α apresentam<br />

glicose >90mg/<br />

dL e os pacientes GCK<br />

mostraram glicose<br />


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ARTIGO CIENTÍFICO I<br />

Considerações finais<br />

O DM é um problema de<br />

saúde extremamente re-<br />

medicações. O diagnóstico<br />

e tratamento errado<br />

podem ter um impacto<br />

A descoberta e implementação<br />

de novos testes<br />

mais baratos e sua<br />

levante, sendo considera-<br />

significativo no contro-<br />

disponibilidade<br />

podem<br />

do por especialistas o DM<br />

le da glicemia e, conse-<br />

ajudar os profissionais<br />

tipo 2 como uma futura<br />

quentemente, aumentar<br />

na identificação de pa-<br />

epidemia global, o qual<br />

o risco de complicações<br />

cientes MODY 2 e 3 com<br />

está associado a fatores<br />

tardias do diabetes.<br />

melhor eficiência. Contu-<br />

socioeconômicos e a ou-<br />

do, no âmbito nacional,<br />

tras condições de saúde.<br />

MODY 2 e 3 são doenças<br />

o maior desafio consiste<br />

O controle dos fatores de<br />

genéticas que represen-<br />

em elaborar novas me-<br />

risco relacionados ao dia-<br />

tam uma oportunidade<br />

todologias para diag-<br />

betes, por meio de medi-<br />

para<br />

implementação<br />

nóstico e realizar as des-<br />

das de promoção da saú-<br />

clínica de testes genéti-<br />

cobertas científicas já<br />

de, pode contribuir para<br />

cos em nossos diagnós-<br />

existentes numa prática<br />

a diminuição da incidên-<br />

ticos. A implementa-<br />

clínica moderna, onde<br />

cia da doença e de suas<br />

ção de testes genéticos<br />

em alguns países pelo<br />

complicações<br />

crônicas,<br />

MODY em larga escala<br />

baixo custo testes gené-<br />

bem como para a redu-<br />

para indivíduos suspei-<br />

ticos já são aplicados na<br />

ção dos custos gerados<br />

tos pode melhorar o<br />

forma de triagem. Faz-se<br />

sobre o sistema de saúde.<br />

tratamento do paciente<br />

portanto necessário um<br />

Conhecendo todas as va-<br />

diretamente. A triagem<br />

diagnóstico precoce, pre-<br />

riações de DM existentes,<br />

realizada de forma cor-<br />

ciso e implementação de<br />

como exemplo o DM tipo<br />

reta e os testes genéticos<br />

tratamento<br />

adequado,<br />

MODY e tendo condições<br />

para MODY entre pacien-<br />

conduzindo a uma uti-<br />

para diagnosticá-los de<br />

tes com DM fornecerão<br />

lização mais racional de<br />

forma adequada, tere-<br />

um modelo para identi-<br />

medicações, monitoriza-<br />

mos uma melhor qualida-<br />

ficar e distinguir formas<br />

ção do controle glicêmi-<br />

de em nossos pacientes<br />

altamente<br />

penetrantes<br />

co e acompanhamento<br />

e diminuição nos gastos<br />

de outras doenças com-<br />

médico, reduzindo os<br />

criados por subdiagnós-<br />

plexas comuns como o<br />

gastos em nosso sistema<br />

ticos e uso incorreto de<br />

DM tipo 1 e 2.<br />

público de saúde.<br />

38 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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1980: Systematic analysis of health examination<br />

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29. Harries LW, Ellard S, Stride A, Morgan NG, Hattersley<br />

AT. Isomers of the TCF1 gene encoding hepatocyte<br />

nuclear factor-1 alpha show differential<br />

expression in the pancreas and define the relationship<br />

between mutation position and clinical<br />

phenotype in monogenic diabetes. Hum Mol Genet.<br />

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32. Harries LW, Ellard S, Stride A, Morgan NG, Hattersley<br />

AT. Isomers of the TCF1 gene encoding<br />

hepatocyte nuclear factor-1 alpha show differential<br />

expression in the pancreas and define the relationship<br />

between mutation position and clinical<br />

phenotype in monogenic diabetes. Hum Mol Genet.<br />

2006;15:2216–2224.<br />

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46. Weinert LS, Silveiro SP, Giuffrida FM, et al. Three<br />

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detected in the screening of thirty-two Brazilian<br />

kindreds for GCK and HNF1A-MODY. Diabetes Res<br />

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sensitive diagnosis of 43 monogenic forms of<br />

diabetes or obesity through one-step PCR-based<br />

enrichment in combination with next-generation<br />

sequencing. Diabetes Care. 2014 Feb;37(2):460–7.<br />

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type diabetes of young people. Diabetes.<br />

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49. McDonald TJ, Ellard S. Maturity onset diabetes<br />

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50. Stanik J, Dusatkova P, Cinek O, Valentinova L,<br />

Huckova M, Skopkova M, Dusatkova L, Stanikova<br />

D, Pura M, Klimes I. et al. De novo mutations of<br />

GCK, HNF1A and HNF4A may be more frequent<br />

in MODY than previously assumed. Diabetologia.<br />

2014;57(3):480–484.<br />

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DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA DOENÇA<br />

CELÍACA: CONSIDERAÇÕES GERAIS<br />

Laboratory diagnosis of celiac disease: general considerations<br />

* Imagem ilustrativa<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

Autor:<br />

1 - Francisco Eduardo Ferreira Alves<br />

2 - Cícero Lasaro Gomes Moreira<br />

1 - Biomédico pelo Centro Universitário Santa Maria UNIFSM; Mestre<br />

em Ciência e Tecnologia em Saúde pela UEPB; Especialista em<br />

Hematologia clínica pela UNILEÃO. Especialista em Microbiologia<br />

Clínica pela UNILEÃO. Pós-Graduado em Liderança e Gestão de<br />

Pessoas na Área da Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein.<br />

2 - Biomédico pelo Centro Universitário Santa Maria UNIFSM;<br />

Especialista em Hematologia Clínica pela UNILEÃO. Especialista em<br />

Bioquímica e Biologia Molecular pela UNILEÃO.<br />

Resumo<br />

Um diagnóstico preciso da doença celíaca é fundamental para<br />

garantir uma abordagem terapêutica adequada e melhorar a<br />

qualidade de vida dos indivíduos afetados. Objetivo: Este artigo<br />

de revisão tem como objetivo fornecer uma visão geral das considerações<br />

gerais relacionadas ao diagnóstico laboratorial da<br />

doença celíaca. Inicialmente, foram discutidos os fundamentos<br />

da doença, incluindo sua definição, fisiopatologia e a resposta<br />

imunológica desencadeada pelo glúten. Metodologia: Por<br />

meio de uma revisão literária serão sintetizadas e analisadas as<br />

evidências presentes em estudos sobre o tema, com ênfase no<br />

diagnóstico laboratorial e nas maiores dificuldades enfrentadas<br />

para tal. A busca por estudos relevantes foi realizada nas bases<br />

de dados eletrônicas Medline, SciElo e BVS – Biblioteca Virtual<br />

em Saúde, tendo como critérios de inclusão o período de 2008-<br />

2022, e os idiomas inglês, português e espanhol. Os termos de<br />

busca utilizados foram “Doença celíaca”, “Diagnóstico”, “Diagnóstico<br />

Laboratorial”, “Desafios”, “Glúten” e suas combinações.<br />

Resultados: A sorologia desempenha um papel crucial, com<br />

destaque para os marcadores de anticorpos, como a transglutaminase<br />

tecidual (tTG), o endomísio (EMA) e a gliadina (AGA).<br />

Além disso, discutimos a importância da endoscopia digestiva<br />

com biópsia e a interpretação dos resultados histológicos. Também<br />

são mencionados outros exames complementares, como<br />

testes genéticos e testes de provocação, os critérios diagnósticos<br />

atuais e as recomendações. Na sequência, destacamos as<br />

considerações na interpretação dos resultados dos exames laboratoriais,<br />

abordando a sensibilidade, especificidade e valores<br />

preditivos desses testes. Também são discutidos fatores que podem<br />

influenciar os resultados, como a idade do paciente e a ingestão<br />

de glúten. Conclusão: Em conclusão, ressalta-se a importância<br />

da correlação clínico-laboratorial para um diagnóstico<br />

preciso. O artigo busca aproximar o conhecimento abrangente<br />

para profissionais da saúde neste momento de diagnóstico, enfatizando<br />

a importância do diagnóstico laboratorial e a necessidade<br />

de atualizações contínuas diante dos avanços científicos e<br />

as demandas dos pacientes.<br />

Palavras-chaves: Diagnóstico; Diagnóstico laboratorial;<br />

Doença celíaca; Glúten.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

Abstract<br />

An accurate diagnosis of celiac disease is essential to ensure<br />

an adequate therapeutic approach and improve the<br />

quality of life of affected individuals. Objective: This review<br />

article aims to provide an overview of general considerations<br />

related to the laboratory diagnosis of celiac disease.<br />

Initially, the fundamentals of the disease were discussed,<br />

including its definition, pathophysiology and the immune<br />

response triggered by gluten. Methodology: Through a literary<br />

review, the evidence present in studies on the subject<br />

will be synthesized and analyzed, with emphasis on laboratory<br />

diagnosis and the greatest difficulties faced for this<br />

purpose. The search for relevant studies was carried out in<br />

the electronic databases Medline, SciElo and BVS – Virtual<br />

Health Library, using the period 2010-2022 as inclusion criteria,<br />

and the languages English, Portuguese and Spanish.<br />

The search terms used were “Celiac Disease”, “Diagnosis”,<br />

“Laboratory Diagnosis”, “Challenges”, “Gluten” and their<br />

combinations. Results: Serology plays a crucial role, with<br />

emphasis on antibody markers such as tissue transglutaminase<br />

(tTG), endomysium (EMA) and gliadin (AGA). In addition,<br />

we discuss the importance of digestive endoscopy with<br />

biopsy and the interpretation of histological results. Other<br />

complementary tests, such as genetic tests and provocation<br />

tests, current diagnostic criteria and recommendations<br />

are also mentioned. Next, we highlight the considerations<br />

in the interpretation of the results of laboratory tests, addressing<br />

the sensitivity, specificity and predictive values<br />

of these tests. Factors that may influence the results, such<br />

as the patient's age and gluten intake, are also discussed.<br />

Conclusion: In conclusion, the importance of clinical-laboratory<br />

correlation for an accurate diagnosis is highlighted.<br />

The article seeks to bring comprehensive knowledge closer<br />

to health professionals at this time of diagnosis, emphasizing<br />

the importance of laboratory diagnosis and the need<br />

for continuous updates in the face of scientific advances<br />

and patient demands.<br />

Keywords: Celiac disease; Diagnosis; Gluten; Laboratory<br />

diagnosis.<br />

45


Autor: Francisco Eduardo Ferreira Alves, Cícero Lasaro Gomes Moreira.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

Introdução<br />

A doença celíaca é uma<br />

condição crônica do<br />

tornando uma mera batata<br />

frita, também imprópria<br />

ao nosso consumo<br />

fornecer o tratamento<br />

adequado e melhorar a<br />

qualidade de vida dos<br />

intestino delgado desen-<br />

(SERPA et al. 2018).<br />

pacientes afetados. Nos<br />

cadeada pela ingestão<br />

últimos anos, houve<br />

de glúten em indivíduos<br />

Ao longo dos anos, tor-<br />

avanços<br />

significativos<br />

geneticamente<br />

predis-<br />

nou-se evidente que a<br />

no desenvolvimento de<br />

postos. O glúten é o prin-<br />

doença celíaca é mais<br />

critérios diagnósticos e<br />

cipal causador da doença<br />

prevalente do que se<br />

testes sorológicos para<br />

celíaca e trata-se de uma<br />

suspeitava<br />

inicialmente,<br />

a doença celíaca. Além<br />

proteína<br />

naturalmente<br />

o que a torna um desa-<br />

disso, a identificação<br />

presente em 3 grãos: tri-<br />

fio significativo para os<br />

dos fatores genéticos<br />

go, cevada, centeio. O<br />

profissionais de saúde. A<br />

e ambientais que pre-<br />

glúten também é ampla-<br />

doença pode se manifes-<br />

dispõem à doença tem<br />

mente usado pela indús-<br />

tar com uma ampla gama<br />

contribuído para uma<br />

tria alimentícia como<br />

de sintomas, que variam<br />

melhor<br />

compreensão<br />

agente espessante, como<br />

desde sintomas gastroin-<br />

da sua etiologia. No<br />

“melhorador” de farinha,<br />

testinais, como diarreia<br />

entanto, apesar desses<br />

como substituto da car-<br />

e distensão abdominal,<br />

avanços, ainda existem<br />

ne em produtos vegeta-<br />

até manifestações extra<br />

desafios no diagnóstico<br />

rianos e até mesmo para<br />

intestinais, como anemia,<br />

da doença celíaca, como<br />

aumentar a quantidade<br />

osteoporose e distúrbios<br />

a presença de casos com<br />

de condimentos, além<br />

neurológicos (NASCIMEN-<br />

sintomas atípicos e a<br />

de ser adicionado a cal-<br />

TO et al. 2012).<br />

necessidade de um maior<br />

dos, molhos e feijão, para<br />

conhecimento por parte<br />

engrossá-los. Ele também<br />

O diagnóstico labora-<br />

dos profissionais de saú-<br />

pode estar presente no<br />

torial preciso da doen-<br />

de sobre a doença e seus<br />

óleo, onde salgadinhos e<br />

ça celíaca é de extre-<br />

métodos<br />

diagnósticos<br />

empanados foram fritos,<br />

ma importância para<br />

(RODRIGUES et al. 2013).<br />

46 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

47


ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

A taxa de mortalidade<br />

associada à doença<br />

celíaca (DC) é aproxi-<br />

envolvendo uma população<br />

sueca, constatou-<br />

-se que 828 pacientes<br />

Araújo et al. (2022) reforçam<br />

que os sintomas se<br />

manifestam de maneiras<br />

madamente duas vezes<br />

com DC faleceram entre<br />

diferentes em cada indi-<br />

maior do que a taxa de<br />

1965 e 1994, e as prin-<br />

víduo, uma vez que exis-<br />

mortalidade por outras<br />

cipais<br />

malignidades<br />

tem fatores que podem<br />

causas na população<br />

associadas foram linfo-<br />

corroborar para que cada<br />

em geral, com a maio-<br />

ma, câncer de intesti-<br />

um desenvolva um sinto-<br />

ria dos óbitos ocor-<br />

no delgado e doenças<br />

ma de forma, intensidade<br />

rendo no primeiro ano<br />

autoimunes, como artri-<br />

e frequência diferente,<br />

após o diagnóstico da<br />

te reumatoide, doença<br />

principalmente de acor-<br />

doença<br />

(NASCIMEN-<br />

do tecido conjuntivo<br />

do com a idade de cada<br />

TO, 2012). As principais<br />

difuso e distúrbios alér-<br />

um. Além disso, os sin-<br />

causas de morte estão<br />

gicos, como asma.<br />

tomas associados à DC<br />

relacionadas principal-<br />

podem facilmente ser<br />

mente às malignidades<br />

Além disso, outras causas<br />

confundidos com outras<br />

intestinais. Um estudo<br />

de morte incluíram infec-<br />

comorbidades,<br />

como<br />

realizado por Cottone<br />

ções intestinais, diabetes<br />

constipação ou síndro-<br />

et al., com 228 adultos<br />

mellitus, distúrbios de<br />

me do intestino irritável,<br />

com DC em uma popu-<br />

deficiência imunológica,<br />

por exemplo (ARAÚJO<br />

lação<br />

mediterrânea,<br />

tuberculose, pneumonia<br />

et al. 2022). Dessa for-<br />

revelou que ocorreram<br />

e nefrite. Observou-se<br />

ma, somente os exames<br />

12 óbitos, 12 casos de<br />

um risco aumentado de<br />

podem comprovar e<br />

tumores e seis casos de<br />

mortalidade para todas as<br />

confirmar a presença da<br />

linfomas, em um inter-<br />

causas de óbito em con-<br />

doença celíaca, firman-<br />

valo de tempo entre o<br />

junto, principalmente em<br />

do o diagnóstico corre-<br />

diagnóstico da doen-<br />

casos de distúrbios carac-<br />

tamente e evitar que a<br />

ça e o óbito de, apro-<br />

terizados por deficiência<br />

doença se desenvolva<br />

ximadamente,<br />

quatro<br />

orgânica<br />

imunológica<br />

silenciosamente, sem o<br />

anos. Em uma pesquisa<br />

(NASCIMENTO, 2012).<br />

tratamento adequado.<br />

48 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Objetivo<br />

Este artigo de revisão tem<br />

como objetivo fornecer<br />

uma visão geral das considerações<br />

gerais relacionadas<br />

ao diagnóstico laboratorial<br />

da doença celíaca,<br />

principalmente a importância<br />

do diagnóstico preciso<br />

e precoce, visando<br />

evitar maiores complicações<br />

e auxiliar na qualidade<br />

de vida do paciente.<br />

A busca por estudos relevantes<br />

foi realizada nas<br />

bases de dados eletrônicas<br />

Medline, SciElo e BVS,<br />

tendo como critérios de<br />

inclusão o período de<br />

2010-2022, e os idiomas<br />

inglês, português e espanhol.<br />

Os termos de busca<br />

utilizados foram “Doença<br />

Celíaca”, “Diagnóstico<br />

laboratorial”, “Desafios”,<br />

“Glúten” e suas combina-<br />

ça Celíaca. Em seguida,<br />

os artigos selecionados<br />

passaram por uma leitura<br />

completa para verificar<br />

se atendiam aos<br />

critérios de inclusão pré-<br />

-definidos, que envolviam<br />

estudos empíricos,<br />

revisões sistemáticas e<br />

estudos de revisão conceitual<br />

que abordassem<br />

a temática proposta.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

Metodologia<br />

Tendo em vista que o<br />

presente trabalho visa<br />

explorar o diagnóstico<br />

laboratorial da doença<br />

celíaca, optou-se por<br />

realizar uma revisão de<br />

literatura, uma vez que<br />

predomina analisar e<br />

sintetizar as evidências<br />

existentes o tema, com<br />

ênfase na identificação<br />

dos desafios e possibilidades<br />

associados<br />

ções. Além disso, foram<br />

consultadas referências<br />

de artigos relevantes e<br />

buscas manuais em revistas<br />

especializadas no<br />

campo das Práticas Integrativas<br />

e Complementares<br />

em Saúde.<br />

Inicialmente, os estudos<br />

foram selecionados com<br />

base na leitura dos títulos<br />

e resumos, buscando<br />

identificar aqueles que<br />

Resultados<br />

Os artigos selecionados<br />

para a presente amostra<br />

permitiram a análise<br />

do tema predominante<br />

entre os estudos já<br />

publicados: a dificuldade<br />

em reconhecimento<br />

e diagnóstico precoce<br />

da doença celíaca, o<br />

que tende a comprometer<br />

diretamente a qualidade<br />

de vida e saúde<br />

do paciente, podendo<br />

a essa prática de diag-<br />

abordavam diretamente<br />

desencadear em outras<br />

nóstico laboratorial.<br />

o diagnóstico da Doen-<br />

comorbidades.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

49


Autor: Francisco Eduardo Ferreira Alves, Cícero Lasaro Gomes Moreira.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

O quadro a seguir apresenta<br />

os principais artigos<br />

utilizados e os mais notáveis<br />

resultados observados<br />

em cada um deles.<br />

Quadro 1 – Artigos selecionados<br />

Discussão<br />

A doença celíaca continua<br />

sendo um desafio<br />

para os clínicos, conforme<br />

discutido por Pedro et al.<br />

(2008), devido à sua prevalência<br />

maior do que inicialmente<br />

suspeitada. A<br />

identificação dos fatores<br />

genéticos e ambientais<br />

envolvidos no desenvolvimento<br />

da doença tem<br />

sido objeto de interesse<br />

na investigação. Esses<br />

avanços na compreensão<br />

da doença e sua etiologia<br />

têm contribuído para um<br />

maior grau de suspeição<br />

e melhor acurácia dos<br />

testes sorológicos, resultando<br />

em um aumento<br />

na prevalência diagnosticada<br />

(SILVA; FURLANET-<br />

TO, 2010).<br />

Fonte: elaborado pelo autor, 2023<br />

No entanto, ainda existem<br />

desafios em relação ao<br />

diagnóstico de pacientes<br />

com sintomas extra intestinais<br />

ou não clássicos,<br />

como reforçam os autores.<br />

No contexto brasileiro,<br />

Nascimento et al. (2012)<br />

relataram um predomínio<br />

da forma clássica tardia<br />

da doença celíaca, em<br />

que o diagnóstico ocorre<br />

após os dois anos de<br />

50 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

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51


Autor: Francisco Eduardo Ferreira Alves, Cícero Lasaro Gomes Moreira.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

idade. Nesse sentido, é<br />

importante incentivar o<br />

monitoramento do desmame<br />

tardio e a introdução<br />

cuidadosa de alimentos<br />

com glúten, visando<br />

identificar e diagnosticar<br />

precocemente os casos<br />

de doença celíaca. Além<br />

disso, Andrade (2013) ressaltou<br />

a importância dos<br />

testes sorológicos, como<br />

o IgA-tTG e o IgA-EMA,<br />

na identificação dos indivíduos<br />

que necessitam<br />

de biópsia intestinal para<br />

o diagnóstico da doença<br />

celíaca. Atualmente, há<br />

várias alternativas terapêuticas<br />

em desenvolvimento,<br />

como probióticos,<br />

enzimas e Larazotida, que<br />

podem representar promissoras<br />

opções no futuro<br />

próximo, como mencionado<br />

pelo autor.<br />

A relevância da análise<br />

complementar de testes<br />

sorológicos e biópsia<br />

intestinal no diagnóstico<br />

da doença celíaca é<br />

destacada por Rodrigues<br />

(2013), apesar de a biópsia<br />

intestinal permanecer<br />

como padrão ouro<br />

para o diagnóstico da DC,<br />

nos últimos anos muitos<br />

pesquisadores têm<br />

procurado testes menos<br />

invasivos que complementariam<br />

o diagnóstico<br />

no rastreamento e na<br />

monitorização da dieta<br />

sem glúten. Os principais<br />

marcadores sorológicos<br />

utilizados são os seguintes<br />

anticorpos: antigliadina<br />

(AGA), antirreticulina<br />

(ARA), antiendomísio<br />

(EMA) e transglutaminase<br />

tecidual (tTG), que são<br />

os mais recentes.<br />

É essencial considerar<br />

tanto os aspectos clínicos<br />

quanto os resultados dos<br />

exames laboratoriais para<br />

um diagnóstico definitivo.<br />

Além disso, Siqueira<br />

et al. (2015) ressaltaram a<br />

importância de os alergistas<br />

considerarem a doença<br />

celíaca em pacientes<br />

com alergias alimentares<br />

não mediadas por IgE,<br />

deficiência seletiva de<br />

IgA e urticária crônica.<br />

Essa ampliação da conscientização<br />

sobre a doença<br />

celíaca e sua inclusão<br />

no escopo de diferentes<br />

especialidades médicas<br />

é crucial para garantir um<br />

diagnóstico precoce e<br />

adequado.<br />

Um dos desafios identificados<br />

na abordagem da<br />

doença celíaca é a falta de<br />

conhecimento por parte<br />

de muitos profissionais de<br />

saúde, como mencionado<br />

por Serpa et al. (2018).<br />

Essa lacuna de conhecimento<br />

pode resultar em<br />

diagnósticos tardios e<br />

comprometer a qualidade<br />

de vida dos pacientes afetados.<br />

Portanto, é essencial<br />

promover a educação<br />

e conscientização sobre a<br />

doença celíaca, não apenas<br />

entre médicos, mas<br />

também entre outros profissionais<br />

de saúde, como<br />

nutricionistas e enfermeiros,<br />

a fim de facilitar<br />

um diagnóstico precoce<br />

e adequado, bem como<br />

uma abordagem terapêutica<br />

apropriada para<br />

melhorar o prognóstico e<br />

a qualidade de vida dos<br />

pacientes afetados.<br />

Os testes laboratoriais<br />

sorológicos desempenham<br />

um papel crucial<br />

no diagnóstico da doença<br />

celíaca (DC), ajudando<br />

a selecionar os pacientes<br />

que necessitam de<br />

biópsia intestinal e a<br />

confirmar o diagnóstico<br />

52 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


quando uma enteropatia<br />

é identificada. Esses<br />

testes podem ser divididos<br />

em duas categorias:<br />

os autoanticorpos,<br />

como o antiendomísio<br />

(EMA) e a antitransglutaminase<br />

tecidual (tTG),<br />

e os anticorpos direcionados<br />

contra o agente<br />

agressor, como a gliadina.<br />

Esses anticorpos são<br />

predominantemente da<br />

classe IgA ou IgG1. Devido<br />

à alta probabilidade<br />

de deficiência de IgA<br />

em pacientes com DC, é<br />

essencial solicitar a dosagem<br />

da IgA total junto<br />

com os testes sorológicos<br />

(SIQUEIRA et al. 2015). Os<br />

testes baseados em IgG<br />

são úteis na detecção da<br />

DC em pacientes com<br />

deficiência de IgA.<br />

A escolha de realizar<br />

a triagem com a dosagem<br />

de anticorpos IgA<br />

antitransglutaminase<br />

é baseada em sua alta<br />

sensibilidade (95%),<br />

especificidade (95%)<br />

e custo relativamente<br />

baixo2,3,6,10. Para a<br />

investigação dos anticorpos<br />

IgA antiendomísio,<br />

utiliza-se a técnica<br />

de imunofluorescência<br />

indireta, na qual o anticorpo<br />

antiendomísio se<br />

liga ao endomísio, produzindo<br />

um padrão de<br />

coloração característico.<br />

O resultado é relatado<br />

como positivo ou<br />

negativo. Embora seja<br />

um teste sensível (80%)<br />

e altamente específico<br />

(100%) para DC, é um<br />

exame mais caro e que<br />

depende da habilidade<br />

do observador (BAI et<br />

al. 2013).<br />

Os testes para anticorpos<br />

IgA e IgG antigliadina<br />

têm sensibilidade<br />

e especificidade moderadas,<br />

e atualmente<br />

não são recomendados<br />

rotineiramente para o<br />

diagnóstico da doença<br />

celíaca. Já os anticorpos<br />

IgA e IgG para peptídeos<br />

sintéticos de gliadina<br />

deaminada (DPG)<br />

apresentam alta sensibilidade,<br />

porém baixa<br />

especificidade. Estudos<br />

têm demonstrado que<br />

a detecção da classe IgG<br />

é altamente sensível e<br />

específica para a suspeita<br />

geral de DC (SIQUEI-<br />

RA et al. 2015).<br />

Quando um paciente<br />

apresenta quadro clínico<br />

fortemente sugestivo de<br />

DC, mas possui a IgA anti-<br />

-TG2 negativa com IgA<br />

normal, devemos considerar<br />

a possibilidade de<br />

um resultado falso negativo.<br />

Essa situação pode<br />

acontecer em casos de<br />

dieta com pouca ingesta<br />

de glúten, enteropatia<br />

perdedora de proteína,<br />

uso de medicação imunossupressora<br />

e crianças<br />

abaixo de 2 anos de idade<br />

(BAI et al. 2013).<br />

Por outro lado, a IgA anti-<br />

-TG2 pode estar levemente<br />

aumentada em outras<br />

patologias como doenças<br />

autoimunes, infecções,<br />

tumores, lesão miocárdica,<br />

desordens hepáticas e psoríase<br />

(HUSBY et al. 2012).<br />

Silva e Furlanetto (2010)<br />

reforçam a importância<br />

de que, em casos com<br />

alta suspeição de DC,<br />

porém com testes persistentemente<br />

negativos,<br />

os indivíduos realizem<br />

tipagem para HLA e, se<br />

positivos, devem recorrer<br />

à biópsia duodenal ou,<br />

alternativamente, realizar<br />

diretamente a biópsia.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

53


ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

Conclusão<br />

Com base nas informações<br />

abordadas neste<br />

estudo, fica evidente a<br />

importância do diagnóstico<br />

laboratorial da<br />

doença celíaca como um<br />

passo fundamental para<br />

a identificação e manejo<br />

adequado dessa condição.<br />

Através dos testes<br />

sorológicos é possível<br />

selecionar os pacientes<br />

que necessitam de biópsia<br />

intestinal, bem como<br />

confirmar o diagnóstico<br />

em casos em que uma<br />

enteropatia é detectada.<br />

A utilização de testes<br />

como o anticorpo<br />

antitransglutaminase<br />

(tTG), com sua alta sensibilidade<br />

e especificidade,<br />

desempenha um<br />

papel crucial na triagem<br />

e identificação de indivíduos<br />

com suspeita de<br />

doença celíaca.<br />

Além disso, o diagnóstico<br />

laboratorial precoce da<br />

DC é essencial para evitar<br />

atrasos no tratamento<br />

e prevenir complicações<br />

futuras. A detecção oportuna<br />

permite o início de<br />

uma dieta isenta de glúten,<br />

o que ajuda a controlar<br />

os sintomas, prevenir<br />

danos ao intestino delgado<br />

e melhorar a qualidade<br />

de vida dos pacientes. O<br />

diagnóstico precoce também<br />

é importante para a<br />

identificação de manifestações<br />

atípicas da doença<br />

celíaca, que podem não<br />

apresentar os sintomas<br />

intestinais clássicos, mas<br />

ainda assim exigem intervenção<br />

e acompanhamento<br />

adequados.<br />

Portanto, considerando a<br />

importância do diagnóstico<br />

laboratorial da doença,<br />

é fundamental promover o<br />

conhecimento sobre essa<br />

condição entre os profissionais<br />

de saúde, a fim de<br />

garantir uma abordagem<br />

adequada e direcionada<br />

aos pacientes. A colaboração<br />

entre médicos, laboratórios<br />

de análises clínicas e<br />

serviços especializados é<br />

essencial para estabelecer<br />

protocolos de diagnóstico<br />

eficientes e garantir um<br />

cuidado abrangente aos<br />

indivíduos com suspeita<br />

ou diagnóstico de doença<br />

celíaca. Somente por<br />

meio de um diagnóstico<br />

precoce e preciso, aliado<br />

a um tratamento adequado,<br />

pode-se melhorar<br />

a qualidade de vida dos<br />

pacientes que sofram deste<br />

mal e, ainda, minimizar<br />

o impacto dessa condição<br />

em seu bem-estar geral.<br />

Referências<br />

ANDRADE, R. M. F. Sistema Integrado Biblioteca<br />

ULisboa, 2013.<br />

ARAÚJO, D. C.; CISNE, M. A.; FILHO, G. S. O.; et al.<br />

Doença Celíaca: uma Revisão Sistemática a partir<br />

de Relatos de Casos. Rev. Faculdade de Medicina<br />

de Teresópolis, v.6, n.1, 2022.<br />

ARONSSON, C. A.; LEE, H.S.; LIU, E; et al. Age at Gluten<br />

Introduction and Risk of Celiac Disease. PEDIA-<br />

TRICS, v.135, n.2, 2015.<br />

BAI, J. C.; FRIED, M.; CORAZZA, G. R. et al. World Gastroenterology<br />

Organisation global guidelines on celiac<br />

disease. J Clin Gastroenterol, 47(2):121-6, 2013.<br />

CARVALHO, S.; PEREIRA, J.; CALADO, GRACIA, J. et al.<br />

Doença celíaca: características clínicas e métodos<br />

diagnósticos. <strong>Revista</strong> de Pediatria SOPERJ. 2008;9(2).<br />

CATASSI, C.; GATTI, S.; FASANO, A. The New Epidemiology<br />

of Celiac Disease. JPGN, v.59, Supplement 1, July 2014.<br />

COTTONE, M. et al. Mortality and causes of death in<br />

celiac disease in a Mediterranean area. Digest Diseases<br />

Scienc. 1999; 44:2538-2541.<br />

GREEN, P. H. R.; LEBWOHL, B.; GREYWOODE, R.<br />

Celiac disease. Clinical reviews in allergy and immunology,<br />

2015.<br />

HUSBY, S.; KOLETZKO, S.; KORPONAY, I. R. S. et al.<br />

European Society for Pediatric Gastroenterology,<br />

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Nutricional. Rev. Saúde, Piracicaba, v.12,<br />

n.30, p.53-63, 2012.<br />

PEDRO, N.; LOPES, S.; SZANTHO, A.; et al. Doença<br />

Celíaca - revisão de conceitos e novos desenvolvimentos.<br />

Sociedade Portuguesa de Medicina Interna,<br />

v.16, n.1, 2008.<br />

RODRIGUES, A.S.M. A Doença Celíaca: etipatogenia,<br />

diagnóstico, aspectos clínicos e tratamento. Univ.<br />

Fernando Pessoa - Ciências da Saúde. Porto, 2013.<br />

SERPA, A. B. M. M.; OLIVEIRA, B. L. P; MARCOLINO, E.<br />

C. et al. A Doença Celíaca: uma revisão bibliográfica.<br />

Rev. Cient. HIGEI@, 2018.<br />

SILVA, T. S. DA G. E.; FURLANETTO, T. W. Diagnóstico<br />

de doença celíaca em adultos. <strong>Revista</strong> da Associação<br />

Médica Brasileira, v. 56, n. 1, p. 122–126, 2010.<br />

SIQUEIRA, A.R.; FONSECA, C.S.B.M.; PAULA, I. B. M., et<br />

al. Doença celíaca: um diagnóstico diferencial a ser<br />

lembrado. Braz J Allergy Immunol; 2(6):241-247, 2015.<br />

54 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


ARTIGO CIENTÍFICO II<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

55


ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

PERFIL DE HEMOCULTURAS REALIZADAS EM<br />

UM LABORATÓRIO DE REFERÊNCIA DE NATAL -RN<br />

Autores:<br />

Larissa Esteves Mesquita, Jéssica Mirelly Alves da Silva, José<br />

Ferreira da Cunha Neto e Renato Motta Neto.<br />

Universidade Federal do Rio Grande do Norte<br />

* Imagem ilustrativa<br />

Resumo<br />

Introdução: A hemocultura é considerada o padrão ouro para o<br />

diagnóstico das infecções da corrente sanguínea, a qual permite<br />

a identificação do microrganismo e realização dos testes de<br />

suscetibilidade aos antimicrobianos. Objetivos: Determinar a<br />

frequência e o perfil de resistência de isolados microbianos de<br />

hemoculturas positivas de um laboratório particular em Natal,<br />

Rio Grande do Norte. Material e métodos: Fez-se uma análise<br />

descritiva no banco de dados de hemoculturas realizadas no<br />

período de 01 de janeiro de 2021 a 31 de janeiro de 2022, na<br />

qual calculou-se a frequência destes resultados, das espécies<br />

bacterianas isoladas, e seus respectivos perfis de resistência.<br />

Resultados e discussão: Durante o período estudado, 9,08%<br />

(189) das hemoculturas apresentaram resultado positivo para<br />

crescimento de algum microrganismo. Deste valor, 50,26%<br />

(95) correspondiam a bactérias Gram negativos, 42,32% (80)<br />

para Gram positivos, e 7,40% (14) para leveduras. Dos isolados<br />

bacterianos, o mais prevalente foi Staphylococcus coagulase<br />

negativa, seguido de Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae.<br />

61,64% dos Gram positivos apresentaram maior resistência para<br />

Eritromicina, seguido de 60,56% para Oxacilina e 52,70% para<br />

Clindamicina. Para Gram negativos, 56,81% apresentaram maior<br />

resistência para Ampicilina-sulbactam, seguido de 42,86% para<br />

Ceftriaxona e 39,32% para Ciprofloxacina. Conclusão: Este<br />

estudo fornece dados importantes sobre a frequência e o<br />

perfil de resistência de isolados microbianos em hemoculturas,<br />

contribuindo para o conhecimento local das infecções da<br />

corrente sanguínea. Essas informações podem auxiliar na<br />

escolha adequada de antimicrobianos e no desenvolvimento<br />

de estratégias de controle de infecção mais eficazes, visando a<br />

prevenção e o tratamento adequado dessas infecções.<br />

Palavras-chaves: Infecção bacteriana; Infecção da corrente<br />

sanguínea; Hemocultura; Resistência bacteriana.<br />

Abstract<br />

Introduction: Blood culture is considered the gold standard<br />

for the diagnosis of bloodstream infections, which allows<br />

the identification of the microorganism and performance of<br />

antimicrobial susceptibility tests. Objectives: To determine<br />

the frequency and resistance profile of microbial isolates from<br />

positive blood cultures from a private laboratory in Natal,<br />

Rio Grande do Norte. Material and methods: A descriptive<br />

analysis was performed on the blood cultures database<br />

carried out from January 1, 2021 to January 31, 2022, in<br />

which the frequency of these results, the bacterial species<br />

isolated, and their respective resistance profiles. Results and<br />

discussion: During the study period, 9.08% (189) of the blood<br />

cultures showed a positive result for the growth of some<br />

microorganism. Of this value, 50.26% (95) corresponded<br />

to Gram negative bacteria, 42.32% (80) to Gram positive,<br />

and 7.40% (14) to yeast. Of the bacterial isolates, the most<br />

prevalent was coagulase-negative Staphylococcus, followed<br />

by Escherichia coli and Klebsiella pneumoniae. 61.64% of<br />

Gram positives showed greater resistance to Erythromycin,<br />

followed by 60.56% to Oxacillin and 52.70% to Clindamycin.<br />

For Gram negatives, 56.81% showed greater resistance to<br />

Ampicillin-sulbactam, followed by 42.86% to Ceftriaxone<br />

and 39.32% to Ciprofloxacin. Conclusion: This study<br />

provides important data on the frequency and resistance<br />

profile of microbial isolates in blood cultures, contributing<br />

to local knowledge of bloodstream infections. This<br />

information can help in the appropriate choice of<br />

antimicrobials and in the development of more effective<br />

infection control strategies, aiming at the prevention and<br />

adequate treatment of these infections.<br />

Keywords: Bacterial infection; Bloodstream infection; Blood<br />

culture; Bacterial resistance.<br />

56 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Introdução<br />

Infecções da corrente<br />

sanguínea (ICS) são um<br />

grave problema de saúde,<br />

resultantes da presença<br />

de microrganismos<br />

na corrente sanguínea.<br />

O sangue, em condições<br />

normais, é estéril e livre<br />

de microrganismos vivos.<br />

Em situações de infecção,<br />

a presença de bactérias<br />

ou fungos podem levar<br />

ao desenvolvimento de<br />

bacteremia ou fungemia.<br />

Embora a presença transitória<br />

e autolimitada de<br />

bactérias no sangue possa<br />

não ser significativa,<br />

uma evolução para ICS<br />

pode desencadear sintomas<br />

como febre, sepse<br />

e até mesmo choque<br />

séptico. a comprovação<br />

da infecção no sangue é<br />

imprescindível diante da<br />

importância de investigar<br />

patologias complexas,<br />

uma vez que as ICS estão<br />

interligadas com altas<br />

taxas de mortalidade 1,2 .<br />

Quando a bacteremia<br />

desenvolve-se para uma<br />

Figura 1. Frequência dos isolados de cocos Gram positivos.<br />

Legenda: SCN - Staphylococcus coagulase negativa.<br />

Fonte: Autoria própria, 2022.<br />

ICS, pode provocar a<br />

sepse 5 . A sepse corresponde<br />

a uma inflamação<br />

circulatória sistêmica<br />

derivada de um processo<br />

infeccioso da corrente<br />

sanguínea e que pode<br />

levar à septicemia.<br />

Cerca de 40-50% dos<br />

pacientes diagnosticados<br />

com sepse recebem<br />

resultados positivos de<br />

hemocultura. O acompanhamento<br />

e diagnóstico<br />

precoce está intimamente<br />

relacionado à redução<br />

da mortalidade associada<br />

a essa condição, e assim o<br />

diagnóstico laboratorial<br />

mais avançado, fidedigno<br />

e rápido mostra-se um<br />

método indispensável 3,4 .<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

57


Autoras: Larissa Esteves Mesquita, Jéssica Mirelly Alves da Silva, José Ferreira da Cunha Neto<br />

e Renato Motta Neto.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

As ICS causadas por fungos<br />

ou bactérias têm<br />

altas taxas de morbidade<br />

e mortalidade em todo<br />

o mundo. Estima-se que<br />

anualmente ocorram<br />

mais de 30 milhões de<br />

casos de sepse, resultando<br />

em cerca de 6 milhões<br />

de mortes. A sepse foi<br />

declarada uma prioridade<br />

de saúde global pela<br />

Organização Mundial<br />

da Saúde (OMS), e o uso<br />

indiscriminado de antibióticos<br />

tem contribuído<br />

para o aumento da<br />

resistência bacteriana,<br />

tornando ainda mais<br />

urgente o combate a esse<br />

problema 5,18 .<br />

Figura 2. Frequência das resistências apresentadas pelos isolados de<br />

cocos Gram positivos diante das classes de antimicrobianos testados.<br />

A hemocultura é o<br />

padrão ouro para o diagnóstico<br />

de ICS e um dos<br />

principais procedimentos<br />

na rotina microbiológica<br />

clínica. Consiste<br />

no cultivo de amostras<br />

de sangue para isolar e<br />

identificar os microrganismos<br />

causadores da<br />

infecção 6 . A coleta adequada<br />

e a antissepsia são<br />

fundamentais para obter<br />

resultados confiáveis<br />

7<br />

. Os laboratórios que<br />

possuem a automação<br />

em hemocultura apresentam<br />

um desempenho<br />

bastante elevado na<br />

detecção dos mais variados<br />

microrganismos 1,6,8 .<br />

Diversos microrganismos<br />

estão associados a infecções<br />

da corrente sanguínea.<br />

Estudos mostraram<br />

que Staphylococcus coagulase<br />

negativa (SCN),<br />

Staphylococcus aureus<br />

e Escherichia coli são os<br />

patógenos mais comumente<br />

encontrados. Compondo<br />

as 10 principais<br />

espécies bacterianas mais<br />

isoladas, estão incluídos<br />

Klebsiella pneumoniae,<br />

Pseudomonas aeruginosa,<br />

Enterococcus faecalis,<br />

Enterobacter cloacae,<br />

Streptococcus pneumoniae,<br />

Enterococcus faecium<br />

e Acinetobacter<br />

2,9,10,11,12<br />

baumannii . As<br />

espécies mais identificadas<br />

em casos clínicos de<br />

fungemia são Candida<br />

spp., Trichosporon beigelii,<br />

Fusarium spp., Malassezia<br />

spp. e zigomicetos 13,14 .<br />

58 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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Autoras: Larissa Esteves Mesquita, Jéssica Mirelly Alves da Silva, José Ferreira da Cunha Neto<br />

e Renato Motta Neto.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

As Infecções Relacionadas<br />

à Assistência à Saúde<br />

(IRAS) afetam diretamente<br />

a morbimortalidade<br />

de pacientes internados,<br />

principalmente em Unidades<br />

de Terapia Intensiva<br />

(UTIs), resultando em<br />

impactos na letalidade<br />

hospitalar, tempo de<br />

internação, ocorrência<br />

de sequelas e custos. A<br />

resistência bacteriana é<br />

um fator relevante nessa<br />

problemática, sendo<br />

resultado do uso indevido<br />

de antimicrobianos e<br />

do surgimento de microrganismos<br />

resistentes 15,16 .<br />

A resistência bacteriana<br />

é uma preocupação<br />

global, com previsões<br />

alarmantes de mortes<br />

relacionadas a infecções<br />

multirresistentes. O uso<br />

irracional de antimicrobianos<br />

contribui para a<br />

disseminação de espécies<br />

resistentes, tanto<br />

em hospitais quanto em<br />

outros ambientes. Entre<br />

as bactérias mais preocupantes<br />

estão aquelas<br />

incluídas no acrônimo<br />

“ESKAPE-E”, como E. faecium,<br />

S. aureus, K. pneumoniae,<br />

A. baumannii e<br />

P. aeruginosa, Enterobacter<br />

spp. e E. coli 17,19,20,21 .<br />

A resistência bacteriana<br />

pode ocorrer por diferentes<br />

mecanismos, afetando<br />

a parede celular, membrana<br />

citoplasmática, síntese<br />

proteica, ácidos nucleicos<br />

e o metabolismo celular<br />

34 . Dentre as espécies<br />

bacterianas mais relacionadas<br />

à resistência estão<br />

os Staphylococcus aureus<br />

resistentes à meticilina<br />

(MRSA), Enterococcus<br />

resistentes à vancomicina<br />

(VRE), Enterobactérias<br />

produtoras de beta-lactamase<br />

de espectro estendido<br />

(ESBL) e outros Gram<br />

negativos produtores de<br />

carbapenemase (KPC) 22,23 .<br />

Essas infecções estão frequentemente<br />

relacionadas<br />

a cuidados de saúde,<br />

destacando a importância<br />

das medidas de prevenção<br />

e controle. Conscientizar<br />

a população<br />

sobre a sepse e promover<br />

a adoção de práticas adequadas<br />

de diagnóstico<br />

e tratamento são essenciais<br />

para reduzir a morbimortalidade<br />

associada<br />

a essas infecções.<br />

À luz dos fatos expostos,<br />

o presente trabalho<br />

optou em realizar um<br />

estudo para determinar<br />

a frequência etiológica<br />

e o perfil de resistência<br />

dos isolados bacterianos<br />

de hemoculturas positivas<br />

em um laboratório<br />

particular da cidade de<br />

Natal, RN, durante 01 de<br />

janeiro de 2021 a 31 de<br />

janeiro de 2022. Este trabalho<br />

permitiu realizar<br />

a identificação do perfil<br />

bacteriológico de hemoculturas<br />

positivas, análise<br />

do perfil de resistência e<br />

suscetibilidade aos antimicrobianos<br />

dos microrganismos<br />

isolados de<br />

hemoculturas positivas e<br />

60 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


evidenciar os principais<br />

mecanismos de resistência<br />

identificados nos<br />

microrganismos isolados.<br />

Figura 3. Frequência dos isolados bacterianos Gram negativos.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

Materiais e Métodos<br />

Trata-se de um estudo<br />

transversal, não<br />

paramétrico e analítico,<br />

de natureza retrospectiva,<br />

realizado a partir<br />

da análise de 2080<br />

amostras de hemoculturas<br />

identificadas em<br />

um laboratório particular<br />

da cidade de Natal,<br />

RN. A identificação (ID)<br />

e o teste de susceptibilidade<br />

aos agentes antimicrobianos<br />

(TSA) do<br />

microrganismo isolado<br />

derivado de hemocultura<br />

positiva foram<br />

realizados de maneira<br />

automatizada pelo sistema<br />

Vitek 2 Compact®,<br />

através de diferentes<br />

métodos para a análise<br />

de cartões VITEK® 2 ID/<br />

AST. O equipamento<br />

fornece interpretação<br />

categórica de concentração<br />

inibitória mínima<br />

(CIM) de diferentes<br />

antimicrobianos com<br />

base nos critérios de<br />

interpretação do BrCast<br />

24,25,27<br />

.<br />

Compondo critérios de<br />

inclusão e exclusão, o<br />

estudo restringiu-se na<br />

notificação etiológica de<br />

bactérias isoladas e seus<br />

respectivos resultados<br />

dos antimicrobianos testados<br />

de todas as amostras<br />

de hemoculturas<br />

positivas no período de 1<br />

ano e 1 mês (01 de janeiro<br />

de 2021 a 31 de janeiro<br />

de 2022). Não foram<br />

incluídas hemoculturas<br />

derivadas de período<br />

diferente do analisado<br />

no estudo ou qualquer<br />

outro tipo de cultura.<br />

Os dados foram obtidos<br />

por meio de consulta<br />

a banco de dados eletrônico<br />

e a registros de<br />

forma física. O banco<br />

de dados virtual é disponibilizado<br />

através do<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

61


Autoras: Larissa Esteves Mesquita, Jéssica Mirelly Alves da Silva, José Ferreira da Cunha Neto<br />

e Renato Motta Neto.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

software Biomerieux<br />

que está conectado<br />

aos equipamentos de<br />

automação Bact Alert<br />

e Vitek 2 Compact® do<br />

laboratório, onde estão<br />

os relatórios provenientes<br />

dos resultados das<br />

análises e testagem<br />

das amostras colocadas<br />

em curso nos aparelhos.<br />

Para esse estudo,<br />

extraiu-se do banco de<br />

dados do Laboratório<br />

somente os dados referentes<br />

à hemocultura, o<br />

microrganismo isolado<br />

e seu respectivo Teste<br />

de Sensibilidade a Antimicrobianos.<br />

Todos os dados e gráficos<br />

foram gerados e<br />

organizados em planilhas<br />

específicas criadas<br />

no Microsoft® Excel®<br />

versão 2010, com valores<br />

absolutos e em percentuais.<br />

As bactérias<br />

multirresistentes foram<br />

definidas de acordo<br />

com a Agência Nacional<br />

de Vigilância Sanitária 7 .<br />

Figura 4. Frequência de bactérias Gram negativos classificadas como<br />

fermentador ou não fermentador.<br />

Condições éticas: seguindo<br />

as normas estabelecidas<br />

na Resolução Nº 510,<br />

de 1 de abril de 2016,<br />

do Conselho Nacional<br />

de Saúde do Ministério<br />

da Saúde, a qual dispõe<br />

sobre as normas aplicáveis<br />

a pesquisas em Ciências<br />

Humanas e Sociais<br />

cujos procedimentos<br />

metodológicos envolvam<br />

a utilização de informações<br />

identificáveis, em<br />

nenhum momento o presente<br />

estudo fez menção<br />

ao sujeito da pesquisa.<br />

Resultados e Discussões<br />

Foram analisadas 2080<br />

hemoculturas. As amostras<br />

que não apresentaram<br />

resultado negativo<br />

e nenhum crescimento<br />

microbiano totalizaram<br />

1891 (90,91%), e 189<br />

(9,08%) apresentaram<br />

resultados positivos com<br />

crescimento de algum<br />

microrganismo. Este<br />

resultado demonstra-se<br />

compatível com um estudo<br />

realizado por Ruschel<br />

et al., 2017 28 em uma<br />

pesquisa de frequência<br />

de hemoculturas positivas<br />

em Caxias do Sul,<br />

RS, em que foram analisadas<br />

2.832 amostras de<br />

hemoculturas. Destas,<br />

2.584 (91,2%) apresentaram<br />

resultado negativo<br />

e 248 (8,8%) foram consideradas<br />

positivas para<br />

algum patógeno. Em<br />

contrapartida, Oliveira<br />

et al., 201929 analisaram<br />

943 hemoculturas, das<br />

62 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


quais 758 (80,39%) foram<br />

negativas e 185 (19,61%)<br />

positivas, o que confere a<br />

este estudo um pequeno<br />

número de positividade.<br />

Figura 5. Frequência das resistências apresentadas pelos isolados de<br />

bacilos Gram negativos diante das classes de antimicrobianos testados.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

Dentre as 189 hemoculturas<br />

positivas, 95<br />

(50,26%) apresentaram<br />

resultados positivos<br />

correspondentes a bactérias<br />

pertencentes ao<br />

grupo de Gram negativos,<br />

80 (42,32%) para<br />

Gram positivos e 14<br />

(7,40%) para leveduras.<br />

Dentre as 175 hemoculturas<br />

positivas para<br />

bactérias, ocorreu uma<br />

maior frequência de<br />

bactérias Gram negativos<br />

(54,28%) em relação<br />

às bactérias Gram<br />

positivas (45,71%). Em<br />

discordância, estudos<br />

realizados no Hospital<br />

das Clínicas da UFPE 2 9<br />

e no Hospital Escola<br />

de Goiânia-GO 30 apresentaram<br />

maior prevalência<br />

de bactérias<br />

Gram positivas.<br />

Das Gram positivas, Staphylococcus<br />

coagulase<br />

negativa demonstrou-se<br />

o mais frequente, com<br />

57 (32,57%) isolados<br />

bacterianos, seguido<br />

de 23 Escherichia coli<br />

(13,14%), 22 Klebsiella<br />

pneumoniae (12,57%),<br />

17 Acinetobacter baumannii<br />

(9,71%) e 14 Staphylococcus<br />

aureus (8%).<br />

Oliveira et al., 2019 29<br />

apresentaram em seu<br />

estudo que Staphylococcus<br />

aureus apresentaram<br />

o maior percentual<br />

(21,62%), seguidos por<br />

Staphylococcus coagulase<br />

negativa (20,54%),<br />

Klebsiella pneumoniae<br />

(9,72%), Escherichia coli<br />

(7,56%), Acinetobacter<br />

baumannii (6,48%), e<br />

outros. Entretanto, Ruschel<br />

et al., 2017 28 relataram<br />

maior frequência<br />

de Staphylococcus coagulase<br />

negativa (45,6%),<br />

reafirmando o resultado<br />

do presente estudo.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

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Autoras: Larissa Esteves Mesquita, Jéssica Mirelly Alves da Silva, José Ferreira da Cunha Neto<br />

e Renato Motta Neto.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

Com relação aos agentes<br />

etiológicos, o presente<br />

estudo indicou uma frequência<br />

maior do gênero<br />

Staphylococcus sp., sendo<br />

71 (40,57%) isolados<br />

bacterianos, conforme<br />

também apontam outros<br />

trabalhos. No estudo<br />

elaborado por Ruschel<br />

et al., 2017 28 , os microrganismos<br />

do gênero Staphylococcus<br />

sp. também<br />

foram responsáveis pela<br />

maioria das infecções<br />

bacterianas, identificado<br />

em 150 (56,6%) das 248<br />

amostras de hemocultura<br />

positivas, corroborando<br />

os resultados.<br />

Diante da prevalência<br />

de estafilococos classificados<br />

quanto a produção<br />

de coagulase, o grupo<br />

de SCN representou<br />

o total de 57 (30,16%)<br />

isolados bacterianos.<br />

Corroborando com este<br />

resultado, dados referentes<br />

com um estudo<br />

em Goiânia30 também<br />

demonstraram que isolados<br />

de S. coagulase<br />

negativa foram mais<br />

expressivos (23,50%).<br />

Compondo o grupo de<br />

SCN, a espécie de maior<br />

prevalência foi o Staphylococcus<br />

epidermidis,<br />

correspondendo a<br />

21 (12%) isolados. Outro<br />

estudo realizado na UTI<br />

Neonatal de um Hospital<br />

na cidade de Anápolis<br />

corrobora com este<br />

resultado, uma vez que S.<br />

epidermidis foi o SCN de<br />

maior prevalência, correspondendo<br />

a 41% do<br />

total das amostras 31 .<br />

Dentre as resistências<br />

apresentadas em cada<br />

isolado testado, 45<br />

(61,64%) bactérias pertencentes<br />

ao grupo de<br />

Gram positivos apresentaram<br />

resistência para<br />

Eritromicina, 43 (60,56%)<br />

para Oxacilina, 39<br />

(52,70%) para Clindamicina,<br />

35 (44,3%) para Levofloxacina,<br />

25 (35,21%)<br />

para Gentamicina, 17<br />

(23,61%) para Sulfametoxazol-Trimetoprima,<br />

14 (19,44%) para Rifampicina,<br />

1 (1,44%) para<br />

Daptomicina. Nenhum<br />

isolado bacteriano (0%)<br />

apresentou resistência<br />

para Cefotaxima, Ceftarolina,<br />

Linezolida, Moxifloxacina,<br />

Penicilinas,<br />

Teicoplaninas, Benzil<br />

penicilina e Vancomicina.<br />

A resistência dos SCN<br />

à Oxacilina, antibiótico<br />

pertencente ao grupo<br />

das Penicilinas, vem sendo<br />

relatada por alguns<br />

estudos. Alexandrino et<br />

al., 2021 32 demonstraram<br />

que aproximadamente<br />

80% de SCN isolados em<br />

hemocultura apresentaram<br />

este tipo de resistência.<br />

SEO et al., 2018 33 relatou<br />

88,5% de resistência<br />

de SCN à Oxacilina em<br />

análise de ICS associada<br />

a cateteres centrais. O<br />

atual estudo analisou 41<br />

66 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


(71,92%) isolados de SCN<br />

que também mostraram-<br />

-se resistentes à Oxacilina<br />

(MRS), corroborando os<br />

resultados e apresentando<br />

alta resistência.<br />

De 14 isolados de S.<br />

aureus, apenas 3 cepas<br />

(21,4%) foram consideradas<br />

MRSA por expressarem<br />

resistência à oxacilina.<br />

Estas mesmas<br />

bactérias foram consideradas<br />

como multirresistentes,<br />

seguindo<br />

as recomendações de<br />

classificação da ANVI-<br />

SA 7,26 . Nenhum Enterococcus<br />

apresentou-se<br />

resistente a Vancomicina<br />

ou Teicoplanina. No<br />

trabalho realizado por<br />

Oliveira et al., 2019 29 ,<br />

houve um maior percentual<br />

de resistência<br />

à Oxacilina (80%). Para<br />

o tratamento destas<br />

cepas MRSA, deve ser<br />

administrado um antibiótico<br />

mais vigoroso,<br />

como a Vancomicina.<br />

A Vancomicina foi testada<br />

em 13 das 14 espécies<br />

de Gram positivos, dentre<br />

elas os estafilococos<br />

que apresentaram resistência<br />

ao antimicrobiano<br />

Oxacilina. Os resultados<br />

mostraram que a<br />

Vancomicina apresentou-se<br />

efetiva em todas<br />

as amostras testadas.<br />

Com relação aos antibióticos<br />

usados para<br />

Gram-positivos, houve<br />

alta sensibilidade para<br />

Linezolida, Teicoplanina,<br />

Vancomicina (100%),<br />

seguido de Daptomicina<br />

(98,55%) e Rifampicina<br />

(80,55%). Esses dados<br />

são reafirmados quando<br />

comparados a Oliveira et<br />

al., 2019 29 , como o que<br />

afirma sensibilidade para<br />

Linezolida e Daptomicina,<br />

Vancomicina (98,79%)<br />

e Rifampicina (80,00%).<br />

O mesmo estudo de<br />

Oliveira et al., 2019 29<br />

apresentou resistência<br />

de Gram positivos para<br />

Ampicilina (93%), juntamente<br />

com Oxacilina<br />

(80,00%), Eritromicina<br />

(71,24%) e Sulfametoxazol-trimetoprima<br />

(44,90%), Clindamicina<br />

(61,04%) e Levofloxacino<br />

(45,46%). Comparado<br />

aos antibióticos usados,<br />

no presente estudo houve<br />

menor percentual de<br />

resistência para os mesmos<br />

antibióticos, Eritromicina<br />

(61,64%), seguido<br />

de Oxacilina (60,56%),<br />

Clindamicina (52,70%),<br />

e Levofloxacina (44,3%).<br />

Sulfametoxazol-trimetoprima<br />

apresentou resistência<br />

inferior comparado<br />

aos demais (23,61%).<br />

Dentre os antibióticos<br />

usados para Gram-negativos,<br />

Oliveira et al., 2019 29<br />

demonstraram que estes<br />

expressaram maior percentual<br />

de sensibilidade<br />

à Amicacina (76,63%),<br />

seguida do Imipenem<br />

(69,56%), Meropenem<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

67


ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

(68,42%) e Piperacilina-<br />

-tazobactam (66,10%).<br />

Estes mesmos antimicrobianos<br />

obtiveram o percentual<br />

de sensibilidade<br />

de 88,57% para Imipenem,<br />

81,18% para Amicacina,<br />

80% para Meropenem<br />

e 67,69% para<br />

Piperacilina-tazobactam,<br />

apresentando um perfil<br />

superior de sensibilidade<br />

no presente estudo.<br />

Quanto ao perfil de<br />

resistência, das resistências<br />

apresentadas pelos<br />

Gram negativos, o maior<br />

perfil foi representado<br />

por Ampicilina-sulbactam<br />

(56,81%), seguido<br />

de Ceftriaxona (42,86%),<br />

Ciprofloxacina (39,32%),<br />

Cefepime (36,23%),<br />

Piperacilina-Tazobactam<br />

(32,31%) e Gentamicina<br />

(30,59%). O resultado<br />

apresentado é compatível<br />

quando comparado a<br />

Oliveira et al., 2019 29 , que<br />

afirma ter como maior<br />

expressão de resistência<br />

a Ampicilina/sulbactam<br />

(78,69%) e Ciprofloxacina<br />

(54,93%), e um percentual<br />

semelhante de<br />

Piperacilina-Tazobactam<br />

(33,90%), e superior de<br />

Gentamicina (50%).<br />

Entre as enterobactérias,<br />

Ruschel et al. 28 ,<br />

2017 observaram maior<br />

resistência aos antibióticos<br />

Ampicilina (88,7%),<br />

Cefalotina (69%) e Sulfametoxazol-trimetoprima<br />

(65,8%). Houve maior<br />

resistência para Ampicilina-Sulbactam<br />

(56,82%),<br />

seguido de Ciprofloxacina<br />

(46,42%) e Cefepime<br />

(42,86%). Para Sulfametoxazol-Trimetoprima,<br />

nenhum isolado bacteriano<br />

apresentou resistência.<br />

O aparecimento de bactérias<br />

multirresistentes foi<br />

pouco considerável, uma<br />

vez que, seguindo as recomendações<br />

da Anvisa 7,26 ,<br />

foram identificados no<br />

total 33 (18,86%) bactérias<br />

multirresistentes diante<br />

das 175 avaliadas. 30 foram<br />

pertencentes ao grupo de<br />

Gram negativas e apenas 3<br />

para Gram positivas.<br />

Foram identificadas 9<br />

E. coli multirresistentes,<br />

sendo todas classificadas<br />

como ESBL. 9 K.<br />

pneumoniae também<br />

multirresistentes, 7 ESBL<br />

e 2 KPC positivas. 8 A.<br />

baumannii multirresistentes,<br />

em que os mesmo<br />

8 mais 1 isolado podem<br />

ser classificados como<br />

possíveis produtores de<br />

carbapenemase. Além<br />

disso, 3 Enterobacter sp<br />

e 1 P. aeruginosa também<br />

foram classificadas como<br />

multirresistentes.<br />

Ademais, 7,40% das<br />

hemoculturas positivas<br />

permitiram o isolamento<br />

de leveduras do gênero<br />

Candida spp., um percentual<br />

elevado quando<br />

comparado aos 2,70% de<br />

Candida spp. de Oliveira et<br />

al., 2019 29 . Esse gênero de<br />

fungo é capaz de causar<br />

uma infecção na corrente<br />

sanguínea, denominada<br />

candidemia, comumente<br />

associada às IRAS e sobretudo<br />

em pacientes imunossuprimidos<br />

que estão<br />

mais suscetíveis a este<br />

tipo de infecção 13 .<br />

70 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Conclusão<br />

Esses achados destacam a<br />

importância da vigilância<br />

contínua da resistência<br />

antimicrobiana, uma vez<br />

que a seleção adequada<br />

de antimicrobianos<br />

depende do conhecimento<br />

dos perfis de resistência<br />

locais. Além disso,<br />

os resultados fornecem<br />

informações relevantes<br />

para a orientação do tratamento<br />

empírico inicial<br />

de infecções da corrente<br />

sanguínea, permitindo a<br />

escolha dos antimicrobianos<br />

mais eficazes.<br />

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22. LIMA, C. C.; BENJAMIM, S. C. C.; SANTOS, R. F. S.<br />

dos. Mecanismo de resistência bacteriana frente<br />

aos fármacos: uma revisão. CuidArte, Enferm, p.<br />

105-113, 2017.<br />

23. DOS SANTOS, M. A.; DE PAIVA, I. C.; DA SILVA<br />

ANDRADE, E. G.. Enterococcus resistente a vancomicina<br />

(vre): perfil geral. <strong>Revista</strong> JRG de Estudos<br />

Acadêmicos, v. 4, n. 8, p. 127-139, 2021.<br />

24. Comitê Brasileiro de Testes de Suscetibilidade<br />

Antimicrobiana (BrCAST) (2019) Tabelas de pontos<br />

de corte para interpretação de MICs e diâmetros de<br />

zona [Tabelas de pontos de corte para interpretação<br />

de CIMs e diâmetros de halos]. Versão 9.0.<br />

25. Comitê Brasileiro de Testes de Suscetibilidade<br />

Antimicrobiana (BrCAST) (2021) Tabelas de pontos<br />

de corte para interpretação de MICs e diâmetros de<br />

zona [Tabelas de pontos de corte para interpretação<br />

de CIMs e diâmetros de halos]. Versão 11.0.<br />

26. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Investigação<br />

e controle de bactérias multirresistentes.<br />

Brasília: ANVISA; 2007. 21p<br />

27. Brazilian Committee on Antimicrobial Susceptibily<br />

Testing, BRCast. Orientações do EUCast/BRCast<br />

para a detecção de mecanismos de resistência e<br />

resistências específicas de importância clínica e/ou<br />

epidemiológica. Versão 2.0. Junho de 2017.<br />

28. RUSCHEL, D. B.; RODRIGUES, A. D.; FORMOLO,<br />

F. Perfil de resultados de hemoculturas positivas e<br />

fatores associados. RBAC, v. 49, n. 2, p. 158-63, 2017.<br />

29. OLIVEIRA, W. V. de et al. Etiologia e perfil de<br />

susceptibilidade dos microrganismos isolados de<br />

hemoculturas no Hospital das Clínicas da UFPE no<br />

período de janeiro a dezembro de 2014. <strong>Revista</strong> Brasileira<br />

de Análises Clínicas, v. 51, n. 1, p. 40-45, 2019.<br />

30. DE SOUSA, M. A. et al. Hemoculturas positivas<br />

de pacientes da unidade de terapia intensiva de<br />

um hospital escola de Goiânia-GO, entre 2010 e<br />

2013. <strong>Revista</strong> EVS-<strong>Revista</strong> de Ciências Ambientais e<br />

Saúde, v. 41, n. 3, 2014.<br />

31. PRATES, I. C. R. F.; COZAC, E. E.. Perfil Epidemiológico<br />

e o Gerenciamento do Uso Racional de Antibióticos<br />

na UTI Neonatal da Santa Casa de Anápolis.<br />

Epidemiological Profile and the Management of<br />

the Rational Use of Antibiotics in the Neonatal of<br />

Santa Casa de Anápolis. Brazilian Journal of Development,<br />

v. 7, n. 10, p. 98587-98603, 2021.<br />

32. ALEXANDRINO, M.; CORREA, A. A. F.. Estudo da<br />

prevalência de Staphylococcus Coagulase Negativa<br />

em amostras de hemoculturas em um hospital<br />

público de Bauru-SP. 2021.<br />

33. SEO, H. K. et al.. Two-year hospital-wide surveillance<br />

of central line-associated bloodstream<br />

infections in a Korean hospital. Journal of Korean<br />

Medical Science, v. 33, n. 45, 2018.<br />

34. DOS SANTOS, D. V. de A. et al. Antibióticos<br />

através da abordagem do mecanismo de resistência<br />

bacteriana. Ciência Atual–<strong>Revista</strong> Científica<br />

Multidisciplinar do Centro Universitário São<br />

José, v. 12, n. 2, 2018.<br />

ARTIGO CIENTÍFICO III<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

71


NEUROCIÊNCIA EM FOCO<br />

O LOBO FRONTOTEMPORAL E A DIFICULDADE<br />

DE APRENDIZADO, UMA RELAÇÃO PRÓXIMA<br />

Por Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues<br />

A assimilação de novas<br />

ideias não é uma tarefa<br />

fácil para o ser humano, a<br />

capacidade de aprender<br />

novas habilidades e alterar<br />

hábitos já instaurados é<br />

alvo de dificuldades, o que<br />

a levou a ser alvo de diversos<br />

estudos que buscaram<br />

compreender melhor os<br />

mecanismos, em especial<br />

os cerebrais, que influenciam<br />

esse processo.<br />

O lobo frontotemporal é<br />

uma das principais regiões<br />

do cérebro, formada<br />

pelas áreas frontais, responsável<br />

pelas funções<br />

executivas do órgão,<br />

como tomada de decisões,<br />

memória de traba-<br />

lho, controle inibitório e<br />

planejamento, e as áreas<br />

temporais, que são responsáveis<br />

por processar<br />

informações sensoriais,<br />

como da percepção visual,<br />

linguagem e audição,<br />

identificação de palavras<br />

compreensão da fala.<br />

A complexo processo de<br />

compreensão de novas<br />

* Créditos da imagem: Freepik<br />

ideias está intimamente<br />

relacionado com as funções<br />

exercidas pelo lobo<br />

frontotemporal, diversos<br />

estudos da neurociência<br />

reforçam como é necessária<br />

a combinação de<br />

vários processos cognitivos,<br />

como percepção,<br />

memória, atenção, raciocínio,<br />

processamento<br />

semântico e tomada de<br />

72 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


decisões, para a assimilação<br />

de novas ideias, o<br />

que nos leva a inferir que<br />

O lobo frontotemporal<br />

pode ser impactado por<br />

uma série de doenças,<br />

ções importantes, dentre<br />

elas a consolidação<br />

de memórias, essencial<br />

NEUROCIÊNCIA EM FOCO<br />

a estimulação e desenvol-<br />

como a degeneração<br />

para a compreensão de<br />

vimento dessas habilida-<br />

lobar<br />

frontotemporal<br />

novas ideias.<br />

des permite facilitar esse<br />

(DLFT), demência fronto-<br />

processo, o mesmo racio-<br />

temporal (DFT), Esclerose<br />

Por isso, não são apenas<br />

cínio leva ao caminho<br />

Lateral Amiotrófica (ELA),<br />

fatores de personalida-<br />

inverso, lesões e doenças<br />

Degeneração Corticoba-<br />

de ou uma propensão<br />

que afetem a região pre-<br />

sal (DCB) e Afasia Progres-<br />

natural do ser humano<br />

judicam o processo.<br />

siva Primária (APP), que<br />

à dificuldade de assi-<br />

podem danificar a região<br />

milar novas ideias e sim<br />

O lobo frontal, por exem-<br />

e levar ao desenvolvi-<br />

uma série de fatores<br />

plo, ocupa cerca de um<br />

mento de transtornos da<br />

que podem influenciar<br />

terço do cérebro huma-<br />

personalidade dramática.<br />

esse processo, podendo<br />

no, uma grande região<br />

ser parte dos impactos<br />

que, caso lesionada,<br />

Esses transtornos, como<br />

de transtornos da per-<br />

pode impactar funções<br />

o borderline, narcisista<br />

sonalidade<br />

dramática<br />

importantes como apren-<br />

e histriônico influen-<br />

ou doenças do lobo<br />

dizado, fala e memórias.<br />

ciam uma série de fun-<br />

frontotemporal.<br />

Referência:<br />

DOENÇAS do lobo frontotemporal:dificuldades de aprendizado. Cuadernos de educación y desarrollo, [s. l.], 4<br />

jul. 2023. DOI 10.55905/cuadv15n4-047. Disponível em: https://ojs.europubpublications.com/ojs/index.php/<br />

ced/article/view/1363/1147. Acesso em: 20 jul. 2023.<br />

Autor:<br />

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues<br />

www.deabreu.pt - www.pressmf.global - Instagram @fabianodeabreuoficial<br />

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB é Pós PhD em Neurociências eleito membro da Sigma Xi, membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos , membro da Royal Society of Biology<br />

no Reino Unido e da APA - American Philosophical Association também nos Estados Unidos. Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia e filosofia<br />

com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Membro das sociedades de alto QI Mensa, Intertel, ISPE High IQ Society e Triple Nine Society. Autor de mais de<br />

200 artigos científicos e 15 livros.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

73


GESTÃO LABORATORIAL<br />

INOVAÇÃO NA ÁREA DE GESTÃO LABORATORIAL:<br />

SISTEMA DE APOIO À DECISÃO – RANKING NACIONAL<br />

DA COMPETÊNCIA GERENCIAL (SAD-RNCG)<br />

Por Humberto Façanha da Costa Filho<br />

O pré-lançamento do Sistema de<br />

Apoio à Decisão – Ranking Nacional<br />

da Competência Gerencial<br />

(SAD-RNCG) no 48º Congresso<br />

Brasileiro de Análises Clinicas da<br />

SBAC, realizado no Costão do<br />

Santinho/SC, foi um sucesso. O<br />

workshop do WorkLab, palco da<br />

realização deste evento, esteve<br />

lotado com mais de 100 pessoas.<br />

Todos interessados em como<br />

fazer para garantir a prosperidade<br />

econômica dos seus<br />

laboratórios clínicos, aumentar<br />

os lucros e crescer, sem novos<br />

investimentos, somente com<br />

aporte de gestão. Este é o propósito<br />

maior dos sistemas de gestão<br />

por nós desenvolvidos, produtos<br />

de Tecnologia da Informação (TI)<br />

e pesquisas, implantados pela<br />

Unidos Consultoria e Treinamento,<br />

em laboratórios de todas as<br />

regiões do Brasil: proporcionar a<br />

socialização de sistemas de gestão<br />

aliados a um eficiente processo<br />

de benchmarking, gerando<br />

novos conhecimentos em prol da<br />

comunidade laboratorial. Queremos<br />

contribuir com nossa cota<br />

na missão de melhorar a produtividade<br />

dos laboratórios clínicos,<br />

incrementar a competitividade<br />

e, reduzir o risco de insolvência<br />

destas organizações. Em suma,<br />

o objetivo do nosso Sistema<br />

de Apoio à Decisão – Ranking<br />

Nacional da Competência<br />

Gerencial (SAD-RNCG), é converter<br />

dados em informações<br />

científicas para a tomada de<br />

decisões assertivas, focando<br />

num futuro perene para os<br />

laboratórios clínicos.<br />

A utilização de um Sistema<br />

de Apoio à Decisão (SAD)<br />

decorre, fundamentalmente,<br />

da competição cada vez<br />

maior entre as organizações,<br />

bem como da necessidade<br />

de obter de forma rápida,<br />

informações cruciais para o<br />

processo decisório. Um SAD é<br />

responsável por captar e elaborar<br />

informações contidas<br />

em uma base de dados, transformando-os<br />

em vantagem<br />

competitiva, para decidir de<br />

forma inteligente.<br />

74 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


GESTÃO LABORATORIAL<br />

Todas as metas são estabelecidas<br />

baseadas na concorrência<br />

através de benchmarking com<br />

âmbito nacional. Este é um processo<br />

inédito no Brasil e no mundo,<br />

para todo o elenco de indicadores.<br />

O Sistema SAD-RNCG<br />

analisa de forma automática os<br />

resultados, mediante cálculo dos<br />

deltas absolutos e % em relação<br />

à média do banco de dados do<br />

setor das análises clínicas.<br />

É UMA ALTERNATIVA DE<br />

INVESTIMENTO! Você faria um<br />

implante dentário com um ferreiro?<br />

Um óculos com um carpinteiro?<br />

Pintaria sua casa com um<br />

dentista? Certamente que não.<br />

Como você administra os seus<br />

investimentos financeiros?<br />

Provavelmente diversifica sua<br />

carteira e entrega a responsabilidade<br />

a um profissional de banco,<br />

corretora etc. Mas, isto não<br />

é tudo. Você vai negociar com<br />

o agente financeiro os valores<br />

esperados das taxas das diversas<br />

aplicações! Ainda, vai querer<br />

saber os riscos associados aos<br />

investimentos, prazos de retorno,<br />

liquidez.<br />

Como você administra, sob o<br />

ponto de vista econômico, o<br />

laboratório?<br />

Grandes lucros no presente não<br />

significam que seja competitivo.<br />

Muitas vezes, a abundância<br />

de receita decorre da baixa concorrência<br />

e, administrar na fartura,<br />

qualquer gerente é capaz.<br />

O mercado das análises clínicas<br />

é uma competição, onde<br />

os melhores não só lucram,<br />

mas, contudo, têm a capacidade<br />

de sobreviver e se manter<br />

no mercado, assegurando um<br />

futuro perene. Dito de outra<br />

forma, têm menor risco de<br />

insolvência. Uma coisa é certa:<br />

grandes lucros no presente<br />

não têm garantia de serem<br />

preservados no futuro, a não<br />

ser que o laboratório seja COM-<br />

PETITIVO, com BAIXO RISCO<br />

DE INSOLVÊNCIA! ISTO EXIGE<br />

QUE ESTEJA NA FRENTE DOS<br />

CONCORRENTES!<br />

76 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


GESTÃO LABORATORIAL<br />

Você, gestor laboratorial, tem<br />

como identificar e medir a competitividade<br />

e o risco de insolvência<br />

do seu laboratório clínico? Se<br />

a resposta for negativa, provavelmente<br />

não controlará o laboratório<br />

de forma eficaz e eficiente!<br />

O que é um PROBLEMA? É o<br />

resultado indesejado de um processo.<br />

Um indicador de desempenho<br />

que não atingiu a meta.<br />

Qual o PROBLEMA DEFINITIVO<br />

de um LABORATÓRIO? RISCO<br />

CRESCENTE DE INSOLVÊNCIA<br />

DECORRENTE DA QUEDA NA<br />

COMPETITIVIDADE!<br />

Qual destas causas é a única que<br />

está ao alcance das decisões dos<br />

gestores laboratoriais? Somente<br />

a carência de gestão profissional!<br />

A ESSÊNCIA DO DESAFIO:<br />

tudo muda de forma permanente<br />

e, somente os mais aptos, com<br />

capacidade de se adaptar mais<br />

rapidamente, irão sobreviver.<br />

SEM PROCESSOS DE<br />

BENCHMARKING NÃO EXISTE<br />

GESTÃO!<br />

O Sistema de Apoio à Decisão<br />

– Ranking Nacional da<br />

Competência Gerencial<br />

(SAD-RNCG), faz a sua parte<br />

78 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


O Grupo ONmnia, composto pelas empresas GT<br />

Group, Vida Biotecnologia e Renylab, tem o prazer de<br />

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empresa do grupo, exclusiva para o mercado<br />

veterinário. Nosso objetivo é oferecer soluções<br />

confiáveis em diagnóstico in vitro, proporcionando<br />

recursos essenciais aos profissionais veterinários para<br />

apoiar e prevenir a saúde e bem-estar dos animais.<br />

Na QUOKKA | SAÚDE ANIMAL, estamos prontos para<br />

contribuir com a excelência no cuidado veterinário,<br />

elevando os padrões da medicina veterinária com o<br />

apoio das empresas do Grupo ONmnia. Juntos,<br />

trabalhamos para o progresso da saúde animal.<br />

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GESTÃO LABORATORIAL<br />

fornecendo todas as informações<br />

corretas e necessárias,<br />

entretanto, não tem o condão<br />

de implantar soluções, estas<br />

cabem exclusivamente aos<br />

gestores laboratoriais. E, ressaltamos,<br />

somente com APORTE<br />

DE GESTÃO, sem necessidade<br />

de novos investimentos em instalações<br />

etc. Finalizando, repito,<br />

pela importância da citação,<br />

que, nestes mais de 20 anos<br />

de consultoria, constatei que<br />

LUCROS VULTUOSOS NO PRE-<br />

SENTE, não têm a garantia que<br />

se repetirão no futuro, sendo<br />

fundamental que os laboratórios<br />

tenham um sistema de gestão<br />

profissional que MENSURE<br />

A COMPETITIVIDADE E O RISCO<br />

DE INSOLVÊNCIA destas empresas,<br />

para que ações corretivas e<br />

preventivas sejam tomadas no<br />

devido tempo, porque a TRAN-<br />

QUILIDADE DO PRESENTE, não<br />

assegura um FUTURO PERENE.<br />

A concorrência é cada vez mais<br />

aguerrida e novos players (farmácias,<br />

clínicas, apoios, novas<br />

modos de recepcionar e coletar<br />

...), entram de forma impactante<br />

no mercado das análises<br />

clínicas. O Sistema de Apoio à<br />

Decisão – Ranking Nacional<br />

da Competência Gerencial<br />

(SAD-RNCG), não só catalisa os<br />

lucros atuais dos laboratórios,<br />

mas, também adverte da eventual<br />

necessidade de mudar de<br />

ramo dos negócios. Esperando<br />

termos contribuído para a gestão<br />

na área das análises clínicas,<br />

nos despedimos até a próxima<br />

edição da revista NewsLab.<br />

Boa sorte e sucesso!<br />

Humberto Façanha<br />

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Professor e engenheiro, atualmente é articulista e consultor financeiro<br />

da SBAC, professor do Centro de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas<br />

(CEPAC) da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e professor<br />

do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA),<br />

curso de Pós-Graduação em Análises Clínicas.<br />

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80 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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é sinônimo de inovação. Mais de<br />

3.500 funcionários em 17 países<br />

desenvolvem, produzem e<br />

vendem sistemas de teste para<br />

apoiar o diagnóstico de doenças,<br />

bem como soluções de software<br />

e automação para a realização<br />

e avaliação desses testes. A<br />

EUROIMMUN disponibiliza um<br />

vasto portfólio de kits de Imunofluorescência<br />

Indireta para o diagnóstico<br />

de Doenças Autoimunes,<br />

nas áreas de Reumatologia, Neurologia,<br />

Gastroenterologia, Nefrologia,<br />

Dermatologia e Hepatologia,<br />

além de doenças Infecciosas,<br />

como arboviroses.<br />

O ensaio de imunofluorescência<br />

indireta (IIFA) tem importante<br />

papel no diagnóstico autoimune<br />

por ser um método de triagem<br />

essencial para detecção de vários<br />

tipos de auto-anticorpos. O método<br />

oferece alta sensibilidade e<br />

especificidade e um amplo espectro<br />

de antígenos devido ao uso de<br />

células e tecidos como substratos<br />

antigênicos. A EUROIMMUN foi<br />

pioneira na tecnologia do BIO-<br />

CHIP, inventada pelo fundador da<br />

empresa Dr. Winfried Stoecker em<br />

1983 e desde então busca continuamente<br />

propulsionar a tecnolo-<br />

gia de IIFA com soluções de última<br />

geração. No método do BIOCHIP,<br />

seções em miniatura de diferentes<br />

substratos são posicionadas<br />

lado a lado nos campos de reação<br />

em lâminas de microscopia e incubadas<br />

em paralelo sob condições<br />

padronizadas com a Técnica TITER-<br />

PLANE. Essa abordagem multiplex<br />

permite perfis de anticorpos abrangentes<br />

em uma única análise.<br />

Atualmente, a EUROIMMUN oferece<br />

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completamente<br />

automatizados,<br />

acompanhados por um software<br />

sofisticado para aquisição de imagem,<br />

interpretação de padrões e<br />

arquivamento dos resultados com<br />

total rastreabilidade. O EUROPattern<br />

Microscope Live é o modelo<br />

mais novo que combina tecnologia<br />

de ponta com processamento<br />

de imagem ultrarrápido para<br />

laboratórios de pequeno e médio<br />

rendimento. Esse microscópio<br />

incorpora uma nova tecnologia<br />

de focagem a laser, que permite<br />

a aquisição de imagens em 2<br />

segundos por imagem. O hardware<br />

do microscópio é complementado<br />

pelo software EUROLabOffice<br />

4.0 avançado, que fornece<br />

avaliação de imagens incorporando<br />

inteligência artificial, bem<br />

como gerenciamento completo<br />

de análises e resultados.<br />

Além disso, a EUROIMMUN cria,<br />

desenvolve e fabrica sistemas<br />

para o processamento completo<br />

de amostras e lâminas de IIFA para<br />

laboratórios de baixa, média ou<br />

alta produtividade contando com<br />

total segurança e rastreabilidade,<br />

como os sistemas de processamento<br />

IF SPRINTER, SPRINTER XL e<br />

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Aproveite para conhecer as soluções<br />

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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

83


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PUBLIEDITORIAL<br />

LUVA MEDIX AMG: SOLUÇÃO INOVADORA PARA<br />

ELEVAR A BIOSSEGURANÇA NOS AMBIENTES LABORATORIAIS E<br />

DEMAIS SERVIÇOS DE SAÚDE<br />

Por Jorge Luiz Silva Araújo-Filho<br />

As luvas têm sido uma ferramenta<br />

indispensável nos serviços de saúde,<br />

desempenhando um papel crucial<br />

na proteção de profissionais e<br />

pacientes desde o início do século<br />

XIX. O histórico do surgimento e a<br />

importância da utilização de luvas<br />

na área da saúde estão intrinsecamente<br />

ligados a avanços na medicina,<br />

na compreensão de doenças,<br />

na higiene e em uma bela história<br />

de amor e cuidado.<br />

Isso mesmo, também envolveu o<br />

amor e cuidado de um cirurgião<br />

com sua instrumentadora. O médico<br />

William Stewart Halsted é frequentemente<br />

creditado como um pioneiro<br />

no uso de luvas em cirurgias.<br />

Durante a década de 1880, Halsted<br />

notou que as enfermeiras que trabalhavam<br />

com soluções antissépticas<br />

desenvolviam dermatite nas mãos,<br />

inclusive sua futura esposa, a instrumentadora<br />

Caroline Hampton. Foi<br />

então que William Halsted pediu<br />

que seu amigo e dono Goodyear<br />

Rubber Company, desenvolvesse<br />

uma luva de borracha que fosse<br />

fina para Caroline usar e se proteger<br />

dos produtos químicos. Isso o<br />

levou a adotar o uso de luvas de<br />

borracha durante as cirurgias, o<br />

que reduziu significativamente as<br />

infecções pós-operatórias.<br />

Com o tempo, o uso de luvas se tornou<br />

mais disseminado em procedimentos<br />

cirúrgicos, mas somente na<br />

década de 1980, durante a epidemia<br />

de HIV/AIDS, a conscientização sobre<br />

a importância do uso de luvas na prática<br />

médica geral aumentou significativamente.<br />

A comunidade médica<br />

começou a reconhecer que a exposição<br />

a fluidos corporais de pacientes<br />

poderia representar riscos de infecções<br />

tanto para os profissionais de<br />

saúde quanto para os pacientes.<br />

Atualmente, as luvas são rotineiramente<br />

usadas em uma ampla<br />

gama de atividades nos serviços<br />

de saúde. Elas desempenham um<br />

papel crítico na prevenção da disseminação<br />

de infecções, evitando<br />

a contaminação cruzada entre<br />

pacientes e proporcionando uma<br />

barreira protetora entre o profissional<br />

de saúde e os patógenos.<br />

As luvas descartáveis, em particular,<br />

são extremamente populares,<br />

pois ajudam a evitar a reutilização<br />

e garantem a máxima higiene em<br />

cada procedimento.<br />

Além da proteção contra infecções,<br />

as luvas também têm um papel<br />

essencial na segurança dos profissionais<br />

de saúde, protegendo-os contra<br />

exposição a substâncias químicas,<br />

sangue e outros fluidos corporais<br />

potencialmente perigosos. Elas também<br />

são essenciais em procedimentos<br />

que envolvem manipulação de<br />

produtos químicos, medicamentos,<br />

quimioterapia, dentre outros.<br />

A legislação trabalhista de diversos<br />

países, inclusive do Brasil, estabelece<br />

a obrigatoriedade do fornecimento<br />

e uso adequado dos Equipamentos<br />

de Proteção Individual (EPIs) pelas<br />

empresas aos seus funcionários. Essa<br />

medida visa prevenir acidentes, reduzir<br />

a exposição a substâncias nocivas<br />

e minimizar os impactos à saúde causados<br />

pelas atividades laborais.<br />

A obrigatoriedade do uso de EPIs<br />

nos ambientes de trabalho é uma<br />

medida essencial para garantir a<br />

saúde e segurança dos trabalhadores<br />

em diversas atividades profissionais,<br />

e as luvas estão entre os EPIs<br />

definidos pela ANVISA e o Ministério<br />

da Saúde como obrigatórios em<br />

todos os atendimentos no que eles<br />

definem como “Precaução Padrão”.<br />

Os benefícios do uso obrigatório<br />

de EPIs são inúmeros. Além de proteger<br />

a integridade física e a saúde<br />

dos trabalhadores, também contribui<br />

para a redução do número de<br />

acidentes de trabalho e doenças<br />

ocupacionais. Isso resulta em uma<br />

melhoria geral do ambiente de trabalho,<br />

aumento da produtividade<br />

e diminuição dos custos relacionados<br />

a acidentes e afastamentos.<br />

As empresas têm um papel crucial<br />

na conscientização e implementação<br />

efetiva das normas de uso de<br />

EPIs. É responsabilidade delas fornecer<br />

os equipamentos adequados,<br />

assegurar sua manutenção e<br />

promover uma cultura de segurança<br />

no ambiente de trabalho.<br />

Por isso, a utilização adequada de<br />

luvas é parte integrante da biossegurança<br />

e das boas práticas de<br />

higiene em saúde. No entanto, é<br />

importante lembrar que elas não<br />

são uma garantia completa de<br />

proteção, e o cumprimento de<br />

outras medidas de higiene, como<br />

lavagem das mãos, desinfecção de<br />

equipamentos e superfícies, continua<br />

sendo igualmente crucial.<br />

São inúmeros os tipos de luvas e,<br />

dentre elas, as luvas de nitrilo são<br />

consideradas as mais resistentes. A<br />

utilização de luvas de nitrilo de alta<br />

qualidade no trabalho em laboratórios<br />

e nos atendimentos na saúde<br />

é de extrema importância para<br />

garantir a segurança dos profissionais,<br />

dos pacientes e também<br />

para manter um ambiente livre de<br />

contaminações. Uma das principais<br />

vantagens das luvas de nitrilo<br />

é a sua resistência e durabilidade.<br />

O nitrilo é conhecido por ser mais<br />

resistente a perfurações e rasgos<br />

do que o látex, o que reduz signi-<br />

86 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Sempre<br />

presente<br />

15<br />

de liderança em<br />

diferenciais e inovação<br />

Sempre presente garantindo<br />

qualidade e precisão aos<br />

seus resultados.<br />

Temos soluções inovadoras para<br />

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PUBLIEDITORIAL<br />

ficativamente o risco de exposição<br />

a patógenos e produtos químicos<br />

durante procedimentos médicos.<br />

Isso é especialmente importante<br />

em situações em que os profissionais<br />

de saúde estão em contato<br />

com fluidos corporais, como sangue,<br />

urina e secreções, que podem<br />

conter agentes infecciosos.<br />

Além disso, as luvas de nitrilo oferecem<br />

uma barreira de proteção mais<br />

eficaz contra alérgenos. Enquanto<br />

algumas pessoas podem desenvolver<br />

alergia ao látex, as luvas de nitrilo<br />

são uma alternativa segura e livre<br />

de látex. Essa característica é essencial<br />

para evitar reações alérgicas em<br />

pacientes e profissionais de saúde<br />

sensíveis ao látex.<br />

Outra vantagem do nitrilo é a sua<br />

resistência a uma ampla gama de produtos<br />

químicos. Isso torna as luvas de<br />

nitrilo ideais para procedimentos que<br />

envolvem o uso de agentes de limpeza,<br />

desinfetantes e outros produtos<br />

químicos potencialmente agressivos.<br />

A proteção fornecida pelas luvas de<br />

nitrilo ajuda a minimizar a exposição<br />

da pele a esses produtos, protegendo<br />

a saúde do profissional de saúde.<br />

Agora imagine uma luva de nitrilo<br />

e com tecnologia capaz de destruir<br />

microrganismos! Essa tecnologia<br />

já existe, e está disponível<br />

para você utilizar.<br />

Em 2019, eu, professor Jorge Luiz,<br />

o Dr. Biossegurança, tive a honra<br />

de participar do lançamento dessas<br />

luvas e recomendo, já que é<br />

uma importante ferramenta de<br />

biossegurança e tecnologia para a<br />

prevenção das infecções.<br />

Exclusividade da empresa Medix<br />

Brasil e distribuída para todo o<br />

país, a Luva Antimicrobiana para<br />

Procedimento Não Cirúrgico<br />

AMG desempenha um papel fundamental,<br />

garantindo a segurança<br />

tanto dos profissionais de saúde<br />

quanto dos pacientes.<br />

Produzida em nitrilo, a Luva AMG<br />

é capaz de eliminar microorganismos<br />

em sua face externa após o<br />

contato, graças a um ingrediente<br />

ativo fotossensibilizador que gera<br />

oxigênio singlete quando exposto<br />

à luz, oxidando as proteínas e lipídios<br />

das bactérias.<br />

No trabalho nos ambientes laboratoriais,<br />

a presença de microrganismos<br />

é um fator crucial a ser considerado.<br />

As mãos dos profissionais<br />

de saúde podem ser veículos para<br />

a transferência de bactérias, vírus<br />

e outros patógenos. A Luva AMG<br />

reduz significativamente o risco de<br />

contaminação cruzada, tornando-se<br />

especialmente relevante em testes<br />

sensíveis, como na microbiologia.<br />

Já nos diversos tipos de coletas<br />

realizadas nos laboratórios, a luva<br />

permite toques delicados, minimizando<br />

o desconforto da paciente e<br />

mantendo a integridade das amostras<br />

coletadas, além disso o uso das<br />

Luvas AMG oferece uma camada<br />

adicional de proteção, prevenindo<br />

infecções e possíveis complicações.<br />

Outro benefício significativo da<br />

Luva AMG é o controle da proliferação<br />

de microrganismos nas<br />

próprias luvas. Suas propriedades<br />

antimicrobianas reduzem a viabilidade<br />

e sobrevivência de bactérias<br />

e vírus na superfície das luvas, tornando-as<br />

mais higiênicas ao longo<br />

do procedimento, sendo especialmente<br />

útil durante coletas sequenciais<br />

de amostras.<br />

O surgimento e a importância da<br />

utilização de luvas nos laboratórios<br />

e demais serviços de saúde<br />

têm sido uma evolução contínua<br />

e essencial para a segurança<br />

tanto dos profissionais de saúde<br />

quanto dos pacientes. Ao longo<br />

dos anos, elas se tornaram uma<br />

medida padrão de precaução,<br />

ajudando a reduzir a disseminação<br />

de infecções e a garantir um<br />

ambiente mais seguro para todos<br />

os envolvidos no cuidado da saúde,<br />

e luvas com alta tecnologia<br />

como as Luvas AMG elevam ainda<br />

mais esse cuidado.<br />

Sobre a Medix:<br />

Medix Brasil é uma importadora<br />

brasileira que atua na distribuição<br />

de dispositivos, EPI’s e materiais<br />

multiuso, com foco em saúde e<br />

segurança. Com um amplo portfólio<br />

de +600 produtos, a companhia<br />

é referência nacional em<br />

proteção e está entre os líderes<br />

do segmento. Em constante evolução,<br />

Medix se destaca por seu<br />

DNA inovador, sempre reforçando<br />

seu compromisso com o cuidado<br />

e bem-estar das pessoas.<br />

Autor:<br />

Jorge Luiz Silva Araújo-Filho<br />

(@dr.biossegurança)<br />

Biólogo, mestre em patologia, doutor em biotecnologia; palestrante e consultor em biossegurança.<br />

Contato: jorgearaujofilho@gmail.com<br />

88 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


ESTAMOS NO BRASIL<br />

A TPP é conhecida como fabricante de produtos plásticos descartáveis<br />

para cultura de tecidos da mais alta qualidade.<br />

Alguns de nossos produtos são: placas de cultura de tecidos, sistema de filtração à vácuo formato quadrado,<br />

espalhador com lâmina giratória, rack desmontável para tubos e o biorreator TubeSpin.<br />

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os produtos da TPP.<br />

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MATÉRIA DE CAPA<br />

Optilite®<br />

A plataforma automatizada para quantificação<br />

de proteínas especiais da Binding Site<br />

Rapidez, segurança e precisão no diagnóstico do Mieloma<br />

Múltiplo e outras Gamopatias Monoclonais<br />

Optilite®: o analisador de última geração da Binding Site<br />

Conheça a plataforma de análise de proteínas plasmáticas na qual todos os nossos<br />

exames são realizados<br />

Todos os exames da Binding Site, sejam eles no soro,<br />

ou no líquor, são realizados em um único analisador:<br />

o Optilite®, nossa plataforma automatizada para<br />

quantificação de proteínas especiais.<br />

Desde que foi lançada, em 2015, já são 1,5 mil unidades<br />

instaladas em todo o mundo. No Brasil, o Optili-<br />

te® chegou dois anos depois, sendo apresentado ao<br />

mercado no 51º Congresso Brasileiro de Patologia<br />

Clínica, em São Paulo.<br />

Hoje, são mais de 30 analisadores instalados em<br />

todo País, com expectativa de que esse número<br />

avance ainda mais em médio prazo.<br />

90<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


O que é o Optilite®<br />

Nossa plataforma é um analisador<br />

de bancada – ou seja, um equipamento<br />

capaz de medir o grau e os<br />

componentes de turvação presente<br />

em substâncias líquidas.<br />

MATÉRIA DE CAPA<br />

Para isso, são utilizados feixes de luz<br />

que, ao refletirem as partículas do<br />

líquido em questão, indicam a quantidade<br />

em que elas estão presentes.<br />

É assim que mensuramos, por<br />

exemplo, a quantidade de<br />

cadeias leves livres kappa e<br />

lambda no soro, utilizando os<br />

reagentes do exame Freelite®.<br />

Os resultados auxiliam no diagnóstico<br />

e monitoramento do<br />

Mieloma Múltiplo e de outras<br />

gamopatias monoclonais.<br />

Vantagens<br />

O Optilite® possibilita que sejam<br />

feitos, no mínimo, 120 testes por<br />

hora, com carregamento contínuo<br />

de amostras e reagentes, o<br />

que dá flexibilidade e rapidez à<br />

rotina laboratorial.<br />

Trata-se ainda de uma plataforma<br />

muito segura, uma vez que as<br />

cubetas de reação são descartáveis,<br />

o que diminui muito o risco<br />

de contaminação cruzada.<br />

Além disso, nosso analisador conta<br />

com um sistema automático de<br />

diluição das amostras mais concentradas<br />

– eliminando totalmente a<br />

necessidade de diluições manuais,<br />

como ocorre em outras plataformas<br />

que dosam proteínas plasmáticas,<br />

como os nefelômetros.<br />

Precisão, automação e economia<br />

Outra vantagem do Optilite® é sua<br />

completa automação dos resultados<br />

e de todo o fluxo operacional.<br />

Isso só é possível porque a plataforma<br />

conta com uma interface<br />

bidirecional e faz o carregamento<br />

automático dos valores de calibradores<br />

e controles por meio de<br />

código de barras.<br />

Mais um ponto que deve ser destacado<br />

é o método triplo de verificação<br />

de excesso de antígeno,<br />

que minimiza a ocorrência de falsos<br />

negativos, conferindo ainda<br />

mais segurança aos resultados.<br />

Assim, além da economia de<br />

tempo, os laboratórios reduzem<br />

o uso de reagentes e tornam-se<br />

capazes de executar todos os<br />

ensaios de proteínas plasmáticas<br />

em uma única plataforma.<br />

Comparação entre as<br />

plataformas<br />

Em 2016, a Argent Global, consultoria<br />

especializada em engenharia<br />

de processos, em parceria com<br />

o Laboratório Health Network<br />

(EUA), fez um estudo independente<br />

comparando dois analisadores<br />

de proteínas plasmáticas: o<br />

Optilite® e um nefelômetro mundialmente<br />

conhecido.<br />

Para o estudo, o Optilite® e o nefelômetro<br />

foram colocados em um<br />

mesmo local, com os mesmos<br />

layout, processos, volumes, cronogramas<br />

e operadores. A performance<br />

de ambos foi avaliada durante<br />

quatro dias seguidos, com o mesmo<br />

menu de testes e média diária<br />

de volume de exames muito similar.<br />

Resultados<br />

Ao fim do processo, foi comprovado<br />

que o Optilite® leva muito<br />

menos tempo para realizar todos<br />

os ensaios, liberar os resultados e<br />

finalizar a rotina diária. As etapas<br />

para iniciar e processar as amostras<br />

também foram significativamente<br />

mais curtas, na comparação<br />

com o nefelômetro.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

91


MATÉRIA DE CAPA<br />

O Optilite® também foi mais<br />

rápido para liberar o primeiro<br />

resultado, levando em média<br />

apenas 12 minutos. Além disso,<br />

o ciclo de medição do nosso turbidímetro<br />

faz com que ele seja<br />

duas vezes mais produtivo – e a<br />

manutenção diária e semanal do<br />

Optilite® é menor em relação ao<br />

outro analisador.<br />

Os pesquisadores da Argent Global<br />

ressaltaram ainda que o Optilite®<br />

reduz custos, melhora o fluxo de<br />

trabalho e é mais eficiente.<br />

Tabela 1: Especificações do Optilite.<br />

“A Binding Site, desde que foi fundada,<br />

sempre teve a pesquisa e a<br />

inovação como um de seus principais<br />

pilares. Por isso, nossos<br />

produtos, aliados à nossa plataforma<br />

Optilite®, apresentam<br />

resultados tão satisfatórios. Isso<br />

faz a diferença na vida de pesquisadores,<br />

laboratórios, médicos<br />

e principalmente pacientes”,<br />

argumentou o gerente geral da<br />

Binding Site Brasil, Fulvio Facco.<br />

Freelite®: fundamental no diagnóstico e monitoramento<br />

do Mieloma Múltiplo<br />

No Brasil e no mundo, o produto<br />

mais conhecido da Binding Site<br />

é o Freelite®, nosso exame que<br />

quantifica as cadeias leves livres<br />

kappa e lambda no soro – e, por<br />

isso, de imenso auxílio para o<br />

diagnóstico e monitoramento do<br />

Mieloma Múltiplo e outras gamopatias<br />

monoclonais.<br />

Assim, ano após ano, o Freelite®<br />

integra renomadas diretrizes internacionais,<br />

que o indicam para<br />

o diagnóstico e monitoramento<br />

deste tipo de câncer. Entre<br />

92<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


as mais conhecidas, estão a do<br />

College of American Pathologists<br />

(CAP), do International Myeloma<br />

Working Group (IMWG), da European<br />

Society of Medical Oncology<br />

(ESMO) e a do International<br />

Kidney Monoclonal Gammopathy<br />

Group (IKMGG).<br />

MATÉRIA DE CAPA<br />

Nosso exame também consta nas<br />

diretrizes nacionais (Hungria et al<br />

2013) e na Portaria Nº 708 para<br />

diagnóstico de Mieloma Múltiplo<br />

do Ministério da Saúde, publicada<br />

em agosto de 2015.<br />

Além disso, desde 2018, o Freelite®<br />

foi incorporado ao ROL de procedimentos<br />

da Agência Nacional de Saúde<br />

Suplementar (ANS), por meio do<br />

código CBHPM 4.03.24.26-5.<br />

Como funciona<br />

Os anticorpos policlonais do<br />

Freelite® reagem apenas com<br />

as formas livres kappa e lambda<br />

das cadeias de imunoglobulinas<br />

presentes no soro. Dessa maneira,<br />

é possível quantificá-las.<br />

Segundo as diretrizes do IMWG,<br />

quando a relação entre a cadeia<br />

envolvida e a não envolvida é maior<br />

ou igual a 100, trata-se de um dos<br />

parâmetros (biomarcadores) para o<br />

Mieloma Múltiplo.<br />

Por exemplo: se um paciente apresenta<br />

10% ou mais de células clonais<br />

na medula óssea, a cadeia leve<br />

livre produzida pelo tumor é maior<br />

ou igual a 100 mg/L e a relação<br />

entre kappa e lambda é maior ou<br />

igual a 100, trata-se de um caso de<br />

Mieloma Múltiplo e deve ser avaliado<br />

pelo médico responsável.<br />

Vantagens<br />

A grande vantagem do Freelite®<br />

com relação a outros exames<br />

tradicionalmente utilizados em<br />

suspeita de Mieloma Múltiplo é<br />

sua sensibilidade para detectar<br />

cadeias leves livres kappa e lambda<br />

alteradas muito rapidamente.<br />

Com isso, mesmo quando a doença<br />

está bem no início, o exame é<br />

capaz de detectar baixas concentrações<br />

das cadeias, dada sua sensibilidade.<br />

Outro ponto: componentes monoclonais<br />

kappa e lambda podem<br />

levar de 5 a 30 dias para efetuarem<br />

o chamado escape no soro, forma<br />

pela qual são detectados pela eletroforese<br />

e pela imunofixação.<br />

Assim, exames feitos fora deste<br />

período ou mesmo por conta<br />

da sensibilidade limitada dessas<br />

tecnologias, podem indicar<br />

falso negativo. Com o Freelite®<br />

isso não ocorre, uma vez que em<br />

poucas horas já é possível que as<br />

cadeias sejam detectadas.<br />

Durante o tratamento<br />

Além do diagnóstico, o Freelite®<br />

também é rotineiramente utilizado<br />

no monitoramento do Mieloma<br />

Múltiplo, sendo realizado<br />

antes do primeiro ciclo de tratamento<br />

do paciente e em cada ciclo<br />

subsequente se necessário, assim<br />

teremos todas quantificações<br />

registradas para um comparativo<br />

entre as dosagens.<br />

Dessa maneira, é possível saber<br />

se a concentração das cadeias leves<br />

livres se encontra dentro dos<br />

intervalos normais ou ainda alterada.<br />

Esses resultados auxiliam os<br />

clínicos na interpretação conjunta<br />

com os outros exames clínicos<br />

para dar sequência no tratamento<br />

ou alterá-lo se necessário.<br />

Hevylite®<br />

Outro exame da Binding Site extremamente<br />

útil ao monitoramento<br />

do Mieloma Múltiplo é o<br />

Hevylite®. Enquanto o Freelite®<br />

quantifica as cadeias leves livres,<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

93


MATÉRIA DE CAPA<br />

o Hevylite® indica a concentração<br />

de imunoglobulina intacta<br />

(cadeia leve e pesada), mostrando<br />

qual está em maior produção<br />

e está sendo determinante para<br />

que a doença ocorra.<br />

Ambos os testes, claro, devem ser<br />

sempre acompanhados de uma<br />

boa anamnese e de outros exames<br />

clínicos.<br />

“Com o avanço de todas as<br />

técnicas, tanto as laboratoriais,<br />

quanto as de avaliação de<br />

imagem, foi possível estabelecer<br />

biomarcadores para que se<br />

consiga detectar em curto<br />

espaço de tempo a progressão<br />

do paciente. Assim, há muito<br />

mais chances de se evitar<br />

lesões em algum órgão-alvo e<br />

de se dar início ao tratamento<br />

antes que haja alguma sequela<br />

irreversível”, explicou a consultora<br />

médica da Binding Site Brasil, a<br />

hematologista Dra. Maricy Lopes.<br />

Saiba mais sobre o iStopMM,<br />

estudo que fez a triagem de<br />

toda população da Islândia com<br />

mais de 40 anos<br />

A Binding Site participa de um<br />

dos estudos mais abrangentes e<br />

inovadores da medicina diagnóstica.<br />

Trata-se do iStopMM (Sigla<br />

do Inglês: Iceland screens, treats,<br />

or prevents multiple myeloma-<br />

Islândia realiza triagem, trata ou<br />

previne o Mieloma Múltiplo), que<br />

desde 2016 está fazendo a triagem<br />

da Gamopatia Monoclonal<br />

de Significado Indeterminado –<br />

Imagem do Farol da cidade de Reykjavik na Islândia, local onde o estudo iStopMM está em andamento.<br />

GMSI (MGUS – Monoclonal Gammopathy<br />

of Undetermined Significance)<br />

de toda a população da<br />

Islândia com mais de 40 anos.<br />

Ao todo, o estudo analisou exatas<br />

75.422 pessoas (51% da população<br />

do país), diagnosticando até o<br />

momento 3.358 islandeses.<br />

A GMSI é um transtorno que não<br />

apresenta sintomas. Ela é considerada<br />

pré-maligna, pois, quando não<br />

é tratada, em alguns casos pode<br />

evoluir para o Mieloma Múltiplo.<br />

Expectativas<br />

Dentre os resultados a serem revelados<br />

pelo iStopMM, estão:<br />

• Se a triagem para GMSI e Mieloma<br />

Múltiplo de fato leva a uma<br />

melhora na sobrevida;<br />

• Qual o impacto de programas de<br />

monitoramento da qualidade de<br />

vida de uma população;<br />

• Quais os custos associados a diferentes<br />

abordagens de triagem;<br />

• Qual o protocolo ideal para<br />

o acompanhamento de GMSI,<br />

apontando os testes de diagnóstico<br />

que devem ser realizados e<br />

com qual frequência.<br />

Sobre o iStopMM<br />

Patrocinado pela Black Swan, uma<br />

iniciativa de pesquisa da Fundação<br />

Internacional do Mieloma<br />

Múltiplo (IMF – International Myeloma<br />

Foundation), o estudo tem o<br />

apoio da Binding Site, que fornece<br />

os kits do Freelite® para a realização<br />

dos testes.<br />

A população alvo também foi submetida<br />

a outros exames, como a<br />

eletroforese, a imunofixação e até<br />

mesmo a espectrometria de massas.<br />

Tudo para que se chegasse<br />

a um diagnóstico detalhado de<br />

cada paciente.<br />

O sucesso desse tipo de iniciativa<br />

faz com que o diagnóstico e monitoramento<br />

da GMSI e do Mieloma<br />

Múltiplo sejam aprimorados<br />

em todo o mundo.<br />

94<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Beta‐2‐microglobulina 100 LK043.OPT<br />

Beta‐2‐microglobulina Urina 100 LK043.U.OPT<br />

Albumina urina 100 NK032.L.OPT<br />

Menu de Exames- Optilite<br />

Cistatina 100 LK048.OPT<br />

IgG alta sensibilidade 60 NK004.LL.OPT<br />

Transferrina Urina 100 NK070.U.OPT<br />

Freelite Mx Kappa 100 LK016.M.OPT<br />

Freelite Mx Lambda 100 LK018.M.OPT<br />

Kits para Gamopatias Monoclonais Quantidade Código Kits para Doenças do Sistema Nervoso Central Quantidade Código<br />

Freelite® Kappa 100 LK016.OPT IgA LCR 60 LK010.OPT<br />

Freelite Lamda 100 LK018.OPT igM LCR 60 LK012.L.OPT<br />

Freelite Mx Kappa 100 LK016.M.OPT Albumina LCR 100 NK032.L.OPT<br />

Freelite Mx Lambda 100 LK018.M.OPT IgG LCR 60 NK004.L.OPT<br />

Hevylite® IgG Kappa 50 NK621.OPT Freelite Mx Kappa 100 LK016.M.OPT<br />

Hevylite IgG Lambda 50 NK622.OPT Freelite Mx Lambda 100 LK018.M.OPT<br />

Hevylite IgA Kappa 50 NK623.OPT<br />

Outros kits de proteínas Quantidade Código<br />

Hevylite IgA Lambda 50 NK624.OPT<br />

Alfa‐1 glicoproteína ácida 100 NK063.OPT<br />

Hevylite IgM Kappa 50 NK625.OPT<br />

Alfa‐1 antitripsina 100 NK034.OPT<br />

Hevylite IgM Lambda 50 NK626.OPT<br />

Alfa‐2 macroglobulina 100 NK039.OPT<br />

Kits para Classes e Subclasses de Imunoglobulinas Quantidade Código Haptoglobina 100 NK058.OPT<br />

IgG1 100 NK006.OPT Prealbumina 100 NK066.OPT<br />

IgG2 100 NK007.OPT Anti‐estreptolisina O 100 LK189.OPT<br />

IgG3 100 NK008.OPT Apolipoproteína A‐1 reagentes 100 NK085.OPT<br />

IgG4 100 NK009.OPT Apolipoproteína A‐1 calibradores 2 unidades NC085.OPT<br />

IgG 100 NK004.OPT Apolipoproteína A‐1 controles 4 conjuntos NQ085.OPT<br />

IgA 100 NK010.OPT Apolipoproteína B reagentes 100 NK086.OPT<br />

IgM 100 NK012.OPT Apolipoproteína B calibradores 2 unidades NC086.OPT<br />

IgD 100 LK013.OPT Apolipoproteína B controles 4 conjuntos NQ086.OPT<br />

IgE‐Reagente 100 LK014.OPT Albumina soro 100 NK032.L.OPT<br />

IgE‐Controles 4 conjuntos NQ014.OPT Ceruloplasmina 50 NK045.OPT<br />

IgE‐Calibradores 2 unidades NC014.OPT Proteína C Reativa reagentes 100 NK044.OPT<br />

IgA1 100 NK087.OPT Proteína C Reativa calibradores 2 unidades NC044.OPT<br />

IgA2 100 LK088.OPT Proteína C Reativa controles 2 conjuntos NQ044.OPT<br />

Kits para Complemento Quantidade Código<br />

Proteína C Reativa de alta sensibilidade 100 LK044.OPT<br />

C1 Inativador 50 NK019.OPT<br />

Lipoproteína reagente 100 LK098.OPT<br />

C3c 100 NKO23.OPT<br />

Lipoproteína controles 4 conjuntos NQ098.OPT<br />

C4 100 NK025.OPT<br />

Lipoproteína calibradores 2 unidades NC098.OPT<br />

CH50 Reagente 100 NK095.OPT<br />

Fator reumatóide 100 LK151.OPT<br />

CH50 Calibrador 3 unidades NC095.OPT<br />

Transferrina 100 NQ070.OPT<br />

CH50 Controles 4 conjuntos NQ095.OPT<br />

C2* 100 LK022.OPT<br />

MATÉRIA DE CAPA<br />

Kits para função renal Quantidade Código<br />

Beta‐2‐microglobulina 100 LK043.OPT<br />

Beta‐2‐microglobulina Urina 100 LK043.U.OPT<br />

Albumina urina 100 NK032.L.OPT<br />

Cistatina 100 LK048.OPT<br />

IgG alta sensibilidade 60 NK004.LL.OPT<br />

Transferrina Urina 100 NK070.U.OPT<br />

Freelite Mx Kappa 100 LK016.M.OPT<br />

Freelite Mx Lambda 100 LK018.M.OPT<br />

Kits para Doenças do Sistema Nervoso Central Quantidade Código<br />

IgA LCR 60 LK010.OPT<br />

igM LCR 60 LK012.L.OPT<br />

Albumina LCR 100 NK032.L.OPT<br />

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Outros kits de proteínas Quantidade Código<br />

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95


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humano com uma história<br />

de vida.<br />

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saúde, ajudando pessoas a escreverem<br />

novos capítulos.


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LAB NEWS<br />

REVOLUÇÃO DIAGNÓSTICA: COMO A INTELIGÊNCIA<br />

ARTIFICIAL (IA) ESTÁ TRANSFORMANDO OS EXAMES<br />

LABORATORIAIS<br />

Por Andreza Patricia Marinho de Souza Martins<br />

No cruzamento entre a<br />

medicina e a tecnologia,<br />

uma transformação significativa<br />

está ocorrendo<br />

nos laboratórios médicos.<br />

A inteligência artificial<br />

(IA), uma força disruptiva<br />

em diversos setores, está<br />

encontrando sua aplicação<br />

nos exames laboratoriais.<br />

Neste artigo, vamos<br />

explorar como a IA está<br />

redefinindo nossa compreensão,<br />

condução e<br />

utilização dos resultados<br />

dos exames laboratoriais,<br />

abrindo portas para diagnósticos<br />

mais precisos,<br />

tratamentos personalizados<br />

e cuidados de saúde<br />

otimizados.<br />

Revolucionando a análise<br />

laboratorial<br />

Sabemos que no contexto<br />

da medicina, os dados dos<br />

exames de um indivíduo<br />

são cruciais e determinantes<br />

para o diagnóstico,<br />

acompanhamento e tratamento<br />

de uma doença,<br />

não é mesmo?<br />

A seguir veremos como<br />

isso é possível.<br />

Diagnósticos Preditivos<br />

com IA<br />

A abordagem da inteligência<br />

artificial vai<br />

além do simples processamento<br />

de dados,<br />

adentrando na decifração<br />

de padrões complexos.<br />

Essa capacidade<br />

notável permite a antecipação<br />

de condições<br />

médicas com base em<br />

informações específicas,<br />

com potencial de<br />

identificar doenças em<br />

sua fase inicial, antes<br />

mesmo que sintomas<br />

perceptíveis surjam.<br />

98 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


LAB NEWS<br />

Parece até coisa de ficção,não<br />

é? Mas é realidade.<br />

Em uma bateria de exames<br />

de rotina, o paciente pode<br />

ter os resultados laboratoriais<br />

avaliados usando<br />

algoritmos avançados<br />

de IA que permitem que<br />

padrões sutis sejam identificados<br />

e correlacionados a<br />

possíveis predisposições a<br />

doenças ou anomalias.<br />

Isso significa que as intervenções<br />

podem ser integradas<br />

antes que uma<br />

condição progrida para<br />

um estágio mais grave,<br />

potencialmente alterando<br />

o curso da doença.<br />

A personalização dos<br />

cuidados de saúde torna-se<br />

palpável nesse<br />

contexto.<br />

Isso pode considerar a<br />

compreensão de fatores<br />

de risco, desenvolvimento<br />

de doenças e mesmo<br />

abrir portas para a descoberta<br />

até de novos marcadores<br />

biológicos.<br />

Com base nas características<br />

únicas de um indivíduo,<br />

a IA pode criar perfis<br />

de risco e identificar indicadores<br />

de alerta precoce.<br />

Essa abordagem preventiva<br />

tem o potencial de<br />

revolucionar a medicina,<br />

tornando-a mais proativa<br />

do que reativa.<br />

Ela, a IA, não apenas<br />

desempenha o papel de<br />

um assistente analítico<br />

poderoso, mas também<br />

oferece uma visão do<br />

futuro da medicina –<br />

um futuro onde a prevenção<br />

e a intervenção<br />

precoce farão parte dos<br />

cuidados de saúde.<br />

Agilidade e precisão na<br />

análise<br />

Enfrentar uma avalanche<br />

de dados laboratoriais<br />

pode ser desafiador para<br />

profissionais da saúde. No<br />

entanto, com o auxílio da<br />

IA, grandes conjuntos de<br />

dados podem ser processados<br />

e interpretados de<br />

maneira eficiente e precisa,<br />

economizando tempo,<br />

o que pode ser crucial<br />

para salvar vidas.<br />

Mais do que isso, a IA tem<br />

a capacidade de aprender<br />

com cada novo conjunto<br />

de dados que processa,<br />

aprimorando sua própria<br />

capacidade de discernimento,<br />

aumentando<br />

sua precisão ao longo do<br />

tempo. Isso não apenas<br />

acelera o processo de análise,<br />

mas também eleva a<br />

qualidade dos resultados.<br />

Considerando um exemplo<br />

prático, suponha que<br />

um laboratório esteja<br />

analisando resultados de<br />

exames sanguíneos de<br />

pacientes em busca de<br />

possíveis indicadores de<br />

anormalidades. A IA pode<br />

identificar rapidamente<br />

padrões de desequilíbrios<br />

químicos ou marcadores<br />

fora do comum, permitindo<br />

que os profissionais de<br />

saúde tomem decisões<br />

de forma mais ágil.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

99


LAB NEWS<br />

O impacto dessa agilidade<br />

e precisão não pode<br />

ser subestimado. Em<br />

situações médicas críticas,<br />

cada minuto conta. A<br />

capacidade da IA de processar<br />

dados complexos<br />

em tempo recorde pode<br />

fazer a diferença entre<br />

um diagnóstico rápido e<br />

uma intervenção eficaz<br />

para o paciente.<br />

Ela não é apenas uma<br />

aliada na análise de dados<br />

laboratoriais, mas uma<br />

ferramenta que redefine<br />

a velocidade e a qualidade<br />

da interpretação.<br />

Fora a capacidade de processamento<br />

veloz e de<br />

aprender e melhorar ao<br />

longo do tempo.<br />

Detecção de Biomarcadores<br />

Subestimados<br />

A IA tem o poder de<br />

encontrar conexões entre<br />

biomarcadores que, à<br />

primeira vista, parecem<br />

não estar relacionados. Ao<br />

identificar essas associações,<br />

os médicos podem<br />

obter insights valiosos que<br />

levam a diagnósticos mais<br />

precisos e estratégias de<br />

tratamento mais eficazes.<br />

Personalização em<br />

Ascensão: exames laboratoriais<br />

adaptados a<br />

cada Indivíduo<br />

A medicina personalizada<br />

ganha vida com a sinergia<br />

entre exames laboratoriais<br />

e inteligência artificial.<br />

Vamos explorar essa<br />

transformação abaixo:<br />

• Medicina de precisão<br />

na prática: A IA analisa<br />

detalhadamente o perfil<br />

genético e o histórico<br />

médico de um indivíduo<br />

para criar planos de exames<br />

personalizados. Isso<br />

significa que não será<br />

seguido um protocolo<br />

único para todos. Os exames<br />

serão moldados às<br />

necessidades únicas de<br />

cada paciente, culminando<br />

em diagnósticos e tratamentos<br />

mais eficazes.<br />

• Identificação de Riscos<br />

Ocultos: Imagine prever<br />

os riscos de desenvolver<br />

determinadas condições de<br />

saúde com base na composição<br />

genética e fatores de<br />

risco. A IA pode identificar<br />

esses riscos ocultos, permitindo<br />

intervenções preventivas<br />

que podem fazer toda<br />

a diferença.<br />

• Identificar padrões<br />

sutis e interconexões<br />

em conjuntos de dados<br />

volumosos: Isso inclui a<br />

detecção de padrões que<br />

seriam difíceis de identificar<br />

manualmente, auxiliando<br />

os médicos na tomada<br />

de decisões controladas.<br />

• Tratamentos Personalizados:<br />

Com base nos<br />

resultados profissionais<br />

da saúde podem elaborar<br />

planos de tratamento<br />

altamente personalizados.<br />

Isso otimiza a eficácia<br />

do tratamento, atendendo<br />

os efeitos colaterais e<br />

melhorando a qualidade<br />

de vida do paciente.<br />

100 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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LAB NEWS<br />

O Futuro dos exames<br />

laboratoriais em perspectiva<br />

À medida que a inteligência<br />

artificial evolui,<br />

novas possibilidades<br />

emergem nos exames<br />

laboratoriais. Antecipamos<br />

um futuro em<br />

que esses exames não<br />

se resumem a números<br />

e resultados, mas em<br />

narrativas personalizadas<br />

sobre a saúde de<br />

cada indivíduo.<br />

Este artigo fornece apenas<br />

um vislumbre das<br />

maravilhas que a inteligência<br />

artificial traz ao<br />

campo do rastreamento e<br />

diagnóstico laboratorial.<br />

Conforme a tecnologia<br />

avança, descobertas e<br />

aplicações surpreendentes<br />

estão à vista. A intersecção<br />

entre medicina e tecnologia<br />

está redefinindo nossa<br />

compreensão da saúde<br />

humana, e estamos testemunhando<br />

um capítulo<br />

empolgante nessa jornada<br />

rumo a um amanhã mais<br />

saudável e promissor.<br />

Autora:<br />

Andreza Patricia Marinho de Souza Martins<br />

Biomédica multidisciplinar, formada na UNIRIO, mestre em química biológica pela UFRJ. Mestrado na área de biologia molecular, em diagnóstico de dengue por RT-PCR em<br />

tempo real. Escritora na área de farmácia para editora Sanar saúde. Copywriter na Clinicarx. Idealizadora do canal @uniprofimulti, que tem a finalidade de unir profissionais<br />

através da multidisciplinaridade.<br />

102 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


ANÁLISES CLÍNICAS<br />

COMO SABER SE UMA ANEMIA É<br />

MEGALOBLÁSTICA?<br />

Por Brunno Câmara<br />

A anemia megaloblástica<br />

é definida como uma<br />

desordem causada por<br />

síntese de DNA prejudicada.<br />

A presença de células<br />

megaloblásticas é a<br />

característica morfológica<br />

principal dessa condição.<br />

Exame clínico<br />

As causas de anemia<br />

megaloblástica são muitas.<br />

Então, uma anamnese<br />

bem feita para encontrar<br />

potenciais fatores de<br />

risco é o passo inicial.<br />

Alguns dos mecanismos<br />

associados são:<br />

• Ingestão diminuída<br />

• Absorção prejudicada<br />

• Aumento da necessidade<br />

• Medicamentos<br />

• Erros inatos do metabolismo<br />

Geralmente, a anemia se<br />

desenvolve lentamente,<br />

e o organismo põe em<br />

ação mecanismos cardiopulmonares<br />

e intraeritrocíticos<br />

compensatórios.<br />

Com isso, as manifestações<br />

clínicas só costumam<br />

ser percebidas<br />

quando o hematócrito já<br />

está muito diminuído.<br />

Os sintomas de anemia<br />

são: fraqueza, arritmias,<br />

fadiga, respiração curta.<br />

A palidez de mucosas e<br />

pele é caracterizada por<br />

uma coloração amarelo<br />

esverdeada.<br />

Cardiomiopatia e língua<br />

lisa também podem<br />

estar presentes.<br />

Podem haver também<br />

sintomas neurológicos,<br />

como parestesias em pés<br />

e dedos, distúrbios da<br />

sensibilidade vibratória e<br />

da propriocepção.<br />

Com o avançar da doença,<br />

mais problemas<br />

neurológicos graves vão<br />

aparecendo devido a<br />

desmielinização da coluna<br />

espinal, nervos periféricos<br />

e cérebro.<br />

Exames laboratoriais<br />

Hemograma<br />

A anemia (hemoglobina<br />

diminuída) é macrocítica,<br />

com VCM acima de<br />

100 fL, podendo chegar a<br />

mais de 150 fL.<br />

Há aumento do RDW,<br />

caracterizando a anisocitose.<br />

A morfologia e<br />

tamanho dos eritrócitos<br />

podem variar bastante,<br />

sendo comuns ovalócitos<br />

e macrócitos.<br />

104 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


FAMÍLIA DE ANALISADORES ELETROLÍTICOS<br />

ST-200<br />

AQUA<br />

ST-200 C<br />

aracterísticas<br />

BICARBONATO<br />

ST-200 Parâmetros: Na, K, iCa, Cl, Li, pH<br />

Volume de amostra: 100µl.<br />

Amostra: Sangue total, soro, plasma,<br />

urina diluída e CSF.<br />

Testes/hora: 60 testes<br />

Display: Teclado - keypad<br />

Entre em<br />

contato<br />

Parâmetros: Na, K, iCa, Cl, Li, pH e HCO³<br />

Parâmetros Calculados: nCa, TCa,<br />

pCO², TCO², BE, BE-ECF, AG(Na), AG(K).<br />

Volume de amostra: 100µl.<br />

Amostra: Sangue total, soro, plasma,<br />

urina diluída e CSF.<br />

Testes/hora: 60 testes<br />

Display: Touchscreen de 7"


ANÁLISES CLÍNICAS<br />

Em casos graves, os eritrócitos<br />

podem apresentar<br />

pontilhados basofílicos<br />

e restos nucleares.<br />

Quanto mais avançada<br />

a doença estiver, mais as<br />

alterações eritrocitárias<br />

serão acentuadas.<br />

Geralmente, os núcleos<br />

de uma porcentagem<br />

dos neutrófilos podem<br />

apresentar mais lóbulos<br />

que o normal (hipersegmentação),<br />

o que<br />

pode ser chamado de<br />

"desvio à direita".<br />

Pode haver trombocitopenia<br />

e plaquetas de<br />

tamanho menor.<br />

Contagem de reticulócitos<br />

Geralmente, a contagem<br />

de reticulócitos está<br />

diminuída, devido à destruição<br />

intramedular dos<br />

precursores eritroides.<br />

Dosagem de vitamina<br />

B12 e ácido fólico<br />

A anemia megaloblástica<br />

pode ser decorrente<br />

da deficiência isolada de<br />

vitamina B12 (cobalamina),<br />

da deficiência isolada<br />

de folatos ou de uma<br />

deficiência concomitante<br />

dos dois nutrientes.<br />

Então temos três possibilidades<br />

de resultados<br />

das dosagens séricas:<br />

• Vitamina B12 diminuída<br />

com ácido fólico normal<br />

• Vitamina B12 normal com<br />

ácido fólico diminuído<br />

• Vitamina B12 e ácido<br />

fólico diminuídos<br />

Dosagem de ácido<br />

metilmalônico e homocisteína<br />

Níveis séricos elevados<br />

de ácido metilmalônico<br />

(AMM) e de homocisteína<br />

(HM) são indicadores<br />

de deficiência de<br />

vitamina B12.<br />

Seus níveis aumentam<br />

antes que a vitamina B12<br />

sérica atinja níveis subnormais.<br />

Dos dois analitos, a dosagem<br />

de AMM tem maior<br />

sensibilidade e especificidade<br />

para a deficiência<br />

de cobalamina.<br />

106 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Já a homocisteína eleva-<br />

-se na deficiência de vitamina<br />

B12, de folatos, de<br />

vitamina B6 (piridoxina) e<br />

no hipotireoidismo.<br />

É importante ressaltar<br />

que, em pacientes com<br />

doença renal, as dosagens<br />

de AMM e HM estarão<br />

elevadas.<br />

• Hipotireoidismo<br />

• Anemia aplástica<br />

• Neoplasias mielodisplásicas<br />

• Reticulocitose (aumen-<br />

ANÁLISES CLÍNICAS<br />

Resumindo,<br />

anemia<br />

Macrocitose sem ane-<br />

to de reticulócitos)<br />

macrocítica com:<br />

• AMM elevado e HM<br />

normal ou elevada =<br />

considerar deficiência de<br />

cobalamina<br />

• AMM normal e HM elevada<br />

= considerar defici-<br />

mia megaloblástica<br />

Nem sempre um VCM<br />

aumentado será indicativo<br />

de deficiência de vitamina<br />

B12 e/ou folato.<br />

A macrocitose pode<br />

Porém, nesses casos, o<br />

VCM raramente excede<br />

110 fL. Ao contrário da<br />

anemia<br />

megaloblástica,<br />

em que o VCM pode ter<br />

um aumento acentuado.<br />

ência de folatos<br />

• AMM e HM normais = considerar<br />

outras condições e<br />

avaliar a medula óssea<br />

ocorrer nas seguintes<br />

situações:<br />

• Alcoolismo<br />

• Doença hepática<br />

Referência<br />

Williams Hematology, 9ª edição.<br />

Socha, D. S., DeSouza, S. I., Flagg, A., Sekeres,<br />

M., & Rogers, H. J. (2020). Severe megaloblastic<br />

anemia: Vitamin deficiency and other<br />

causes. Cleveland Clinic journal of medicine,<br />

87(3), 153–164. https://doi.org/10.3949/<br />

ccjm.87a.19072<br />

Autor:<br />

Brunno Câmara<br />

Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de<br />

Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (imunologia, parasitologia e microbiologia /<br />

experiência com biologia molecular e virologia). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.<br />

Contato: @biomedicinapadrao<br />

FONTE: BIOMEDICINA PADRÃO<br />

https://www.biomedicinapadrao.com.br/2023/03/como-saber-se-uma-anemia-e.html<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

107


AUDITORIA E QUALIDADE<br />

ADEQUAÇÃO A NOVA RDC 786/2023<br />

O PAPEL DA AUDITORIA NESSA VERIFICAÇÃO<br />

Por Waldirene Nicioli<br />

Nos últimos anos, ficou<br />

Se passaram 18 anos<br />

A publicação traz<br />

evidente a necessidade<br />

para essa atualiza-<br />

determinações de cri-<br />

de aprimoramento da<br />

ção, e na busca de<br />

térios para infraestru-<br />

norma que regulamen-<br />

melhor desempenho<br />

tura física, recursos<br />

ta o funcionamento do<br />

e eficiência dos exa-<br />

materiais, organização<br />

setor, de forma a abran-<br />

mes brasileiros, mais<br />

de cada tipo de servi-<br />

C<br />

ger questões como o<br />

de uma centena de<br />

ço, gerenciamento de<br />

M<br />

avanço tecnológico, a<br />

artigos<br />

constantes<br />

processos,<br />

contratua-<br />

Y<br />

CM<br />

ampliação do acesso<br />

por meio da realização<br />

na RDC 786/2023,<br />

vigente a partir de 1º<br />

lização de atividades,<br />

gestão e controle de<br />

MY<br />

CY<br />

CMY<br />

de testes de triagem<br />

de agosto, são novos<br />

qualidade dos serviços.<br />

K<br />

para além das estru-<br />

para a maioria dos<br />

Traz implementação da<br />

turas laboratoriais, os<br />

laboratórios, e vai<br />

Gestão de Riscos, ade-<br />

serviços itinerantes, o<br />

exigir<br />

planejamento<br />

quação à LGPD e tam-<br />

monitoramento da qua-<br />

e conhecimento de<br />

bém aborda o armaze-<br />

lidade dos testes para<br />

gestão técnica e da<br />

namento e transporte<br />

triagem e diagnóstico,<br />

qualidade para colo-<br />

adequado das amos-<br />

entre outros aspectos.<br />

cá-los em prática.<br />

tras coletadas.<br />

108 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


O Animal<br />

Mais Feliz<br />

do Mundo!<br />

A empresa Quokka | Saúde Animal será uma referência no ramo<br />

de diagnóstico in vitro, com a força e experiência do grupo ONmnia<br />

no mercado veterinário brasileiro. Oferecemos uma ampla gama de<br />

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AUDITORIA E QUALIDADE<br />

Para que o laboratório<br />

A Auditoria Interna é um<br />

rio de análises clínicas<br />

possa cumprir as novas<br />

procedimento<br />

comum<br />

deve oferecer a segu-<br />

diretrizes da resolução é<br />

necessária a revisão dos<br />

processos, procedimentos<br />

e equipamentos existentes.<br />

A realização de<br />

Auditoria Interna pode<br />

ser uma saída para obter<br />

um mapeamento das<br />

adequações e implementações<br />

necessárias. Dessa<br />

forma, é possível rastrear<br />

e documentar todos os<br />

pontos que precisam de<br />

ajustes, além de avaliar<br />

a eficácia do sistema de<br />

da Garantia da Qualidade,<br />

que também surge<br />

nessa atualização da<br />

norma. Na edição 177<br />

da <strong>Revista</strong> NewsLab,<br />

nessa mesma sessão de<br />

Auditoria e Qualidade,<br />

já falamos sobre como<br />

realizar uma Auditoria<br />

Interna da Qualidade.<br />

É fundamental compreender<br />

que independentemente<br />

das resoluções<br />

rança necessária para<br />

garantir a conformidade<br />

com as normas e leis,<br />

mesmo que ocorram<br />

eventuais mudanças.<br />

Assim, o laboratório<br />

desempenha um papel<br />

crucial na garantia de<br />

resultados confiáveis<br />

e no aprimoramento<br />

contínuo, impulsionando<br />

a excelência no<br />

setor de diagnósticos e<br />

gestão da qualidade e<br />

que surgirem ou per-<br />

promovendo o bem-es-<br />

seu desempenho geral.<br />

manecerem, o laborató-<br />

tar da população.<br />

Autora:<br />

Waldirene Nicioli<br />

Farmacêutica Bioquímica, Especialista em Farmacologia Clínica, Especialista em Análises Clínicas e Toxicológicas, Proprietária Examinare de Análises<br />

Clínicas, Auditora Líder do DICQ - Sistema Nacional de Acreditação, Membro da Central de Negócios do Grupo ACB - Análises Clínicas Brasil, Umas das<br />

fundadoras da OFAC Brasil - Organização Feminina de Análises Clínicas.<br />

110 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


PAPO DE BANCADA<br />

O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO<br />

ALINHADO ÀS POSIÇÕES DE LIDERANÇA E NOVOS<br />

NEGÓCIOS EM TEMPOS DE TRANSFORMAÇÃO<br />

Por Silvânia Ramalho<br />

A era da transformação<br />

"anestesiando" a região,<br />

ções aliados a robótica<br />

chegou<br />

explodindo<br />

vai ficar pasmo quan-<br />

e inovação. Por isso é<br />

nossos olhos com novidades<br />

a todo momento.<br />

Desde equipamentos e<br />

instrumentos com alta<br />

precisão analítica, aos<br />

mais variados softwares<br />

e soluções de hardwares<br />

com promessas<br />

tantas de gestão da<br />

qualidade de trabalho<br />

no mundo corporativo.<br />

E nós gestores de laboratorios<br />

somos surpreendidos<br />

com uma novidade<br />

a cada minuto. Quem<br />

ficou admirado com a<br />

abelha que posicionada<br />

na região de coleta<br />

promovia um conforto<br />

do ouvir dizer que já é<br />

possível uma punção<br />

venosa e arterial de alta<br />

precisão com a ajuda da<br />

robótica, sem operador.<br />

E o equipamento capaz<br />

de semear urina com<br />

a mesma leveza que<br />

levamos tempo treinando.<br />

E mesmo que<br />

você negue ou resista o<br />

futuro acontece novamente<br />

a cada segundo.<br />

Enquanto falo com você,<br />

muitas outras inovações<br />

explodem aos nossos<br />

olhos. E cada vez mais<br />

a inteligência artificial<br />

vem promovendo solu-<br />

tão importante estarmos<br />

sempre em constante<br />

atualização, como<br />

conversamos na edição<br />

anterior, sobre o papel<br />

de transferência de responsabilidades<br />

de forma<br />

confortável para wueno<br />

gestor principal, aquele<br />

que é tomador de decisão<br />

ou o direcionador de<br />

propósito no laboratório<br />

clínico tenha tempo,<br />

espaço e oportunidade<br />

de conhecer novos<br />

ambientes, novas oportunidades<br />

de negócios,<br />

para que ele colabore<br />

com estratégias de sustentação<br />

do seu negócio.<br />

112 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


A RDC 786/2023 já está<br />

detalhada em relação<br />

Pois eu lhe pergunto<br />

PAPO DE BANCADA<br />

em vigor e promete<br />

ao papel de cada perso-<br />

agora, "Onde você vai<br />

movimentar o merca-<br />

nagem nesta missão de<br />

conduzir o seu labo-<br />

do diagnóstico como<br />

garantir<br />

proximidade<br />

ratório clínico para os<br />

um todo. Quem não<br />

com o paciente. Você se<br />

próximos 5 anos? Desis-<br />

acompanhar as mudan-<br />

lembra como era o seu<br />

tir não pode ser o seu<br />

ças do mercado e não<br />

laboratório clínico nos<br />

plano B, sabe porque?<br />

se conectar com esta<br />

anos 90? Amanhã você<br />

Por que depois de todas<br />

nova resolução, pode<br />

não vai mais conseguir<br />

as dificuldades e insta-<br />

ficar a deriva neste<br />

lembrar como era o labo-<br />

bilidades<br />

econômicas,<br />

mãe de oportunidades<br />

ratório, porque em 15<br />

depois da pandemia<br />

e mudanças. Sabíamos<br />

dias de ativada, a nova<br />

com a sua recepção<br />

que uma hora ou outra<br />

RDC já mexeu muito<br />

entupida de pacientes<br />

a globalização iria nos<br />

com o comportamento<br />

e toda instabilidade<br />

trazer mudanças pro-<br />

do mercado, então ima-<br />

econômica e de mun-<br />

fundas e o pós COVID<br />

gine como estaremos<br />

do, jogar a toalha não é<br />

trouxe um mundo tec-<br />

daqui a 01 ano?<br />

opção.<br />

nológico e a necessidade<br />

de estarmos na cada<br />

O que você contemplou<br />

E por isso é tão impor-<br />

vez mais conectados.<br />

no planejamento estra-<br />

tante pensar em planeja-<br />

Foram mais de 15 anos<br />

tégico do seu labora-<br />

mento estratégico, pen-<br />

de RDC 302/2005 con-<br />

tório clínico daqui a 5<br />

sar em novos negócios,<br />

siderada um marco na<br />

anos? Não era essa a<br />

isso tudo sem perder a<br />

regulação do proces-<br />

pergunta que nós fazí-<br />

essência, somos científi-<br />

so que antes estavam<br />

amos? "Onde você quer<br />

cos, somos responsáveis<br />

sem uma diretriz tão<br />

estar daqui a 5 anos?"<br />

por 70% das decisões<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

113


PAPO DE BANCADA<br />

tomadas em consultó-<br />

Para aqueles que pen-<br />

pacientes, não está dis-<br />

rios clínicos com a evi-<br />

sam que neste cabo<br />

ponível na cidade, por<br />

dência diagnostica que<br />

de guerra, a bandeira<br />

que o laboratório tem<br />

produzimos. Precisamos<br />

vai passar para o outro<br />

o procedimento, mas<br />

acompanhar as mudan-<br />

lado, aproxime-se mais<br />

não divulga. Então o<br />

ças de mercado com<br />

dos prescritores, os<br />

paciente desloca para<br />

olhar em ações sustentá-<br />

médicos, estes mes-<br />

outra cidade buscar<br />

veis. E a nova resolução<br />

mos, ofereça ao médico<br />

um produto ou manejo<br />

promove essa necessi-<br />

experiências novas no<br />

que o laboratório clíni-<br />

dade de mudança, para<br />

seu serviço diagnósti-<br />

ca tem como atender.<br />

quem pensa que perde-<br />

co, já foi o tempo que<br />

rá uma receita que vai<br />

informar os resultados<br />

Existem cidades em que<br />

gerar impacto grande no<br />

anteriores no laudo do<br />

clínicas, por exemplo de<br />

resultado financeiro, crie<br />

paciente seria um dife-<br />

fertilização,<br />

oferecem<br />

uma nova forma de aten-<br />

rencial, se tornou bási-<br />

pacotes contemplando<br />

der o seu cliente/pacien-<br />

co. Os médicos vão ao<br />

hospedagem e transla-<br />

te e proporcione para<br />

congresso em busca<br />

do e encaminham seus<br />

ele uma experiência, não<br />

de manobras e estra-<br />

pacientes para outros<br />

mais um atendimento.<br />

tégias para melho-<br />

centros para realizar<br />

rar o atendimento e<br />

exames em biologia<br />

Por isso tem se falado<br />

relacionamento<br />

com<br />

molecular, produto que<br />

tanto nos últimos anos<br />

seu paciente. E muita<br />

traz alta rentabilidade<br />

em humanização de<br />

vezes aquele procedi-<br />

para o seu trabalho,<br />

atendimento e experiên-<br />

mento que ele imagina<br />

sendo que o laboratório<br />

cia do cliente, surpreen-<br />

que vai ser importante<br />

da cidade em que ele<br />

der o cliente/paciente.<br />

oferecer para os seus<br />

reside tem condição de<br />

116 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


captar essa demanda.<br />

ção com o aumento do<br />

hoje no mercado exames<br />

PAPO DE BANCADA<br />

número de casos pós<br />

genéricos, chamados de<br />

E eu poderia lhe dar<br />

pandemia associados a<br />

medicina<br />

personalizada<br />

vários exemplos de pro-<br />

sequelas do vírus. Pois<br />

que ampliam o campo<br />

dutos (vamos chamar<br />

bem, está mesma plata-<br />

de investigação. Outro<br />

assim os exames (vamos<br />

forma também pode ser<br />

exemplo, em um exa-<br />

chamar assim os exames<br />

utilizada para avaliação<br />

me genético que faça<br />

para diferenciar o con-<br />

de atletas profissio-<br />

avaliação do genótipo e<br />

vencional da inovação),<br />

nais e não profissionais<br />

fenótipo do indivíduo em<br />

com<br />

oportunidades<br />

(aqueles que estão nas<br />

ralação a alimentação e<br />

diversas. Por exemplo<br />

academias, em volta<br />

estrutura física, o profis-<br />

existe uma plataforma<br />

das praças em parques<br />

sional que acompanha<br />

com inteligência artifi-<br />

fazendo<br />

caminha-<br />

o paciente (médico do<br />

cial para avalização do<br />

da, participando dos<br />

esporte ou preparador<br />

equilíbrio que foi ide-<br />

eventos de corrida de<br />

físico) pode conhecer<br />

alizada dentro de uma<br />

rua). Estamos falando<br />

características<br />

específi-<br />

renomada<br />

universida-<br />

de estratégia para um<br />

cas da estrutura genética<br />

de aqui no Brasil, para<br />

novo negócio.<br />

daquele paciente que<br />

oferecer ao paciente<br />

pedem o seu desenvolvi-<br />

idoso pós COVID infor-<br />

Então podemos usar<br />

mento baseado em cole-<br />

mação sobre perda de<br />

ações como estas para<br />

tividade. Nenhum indiví-<br />

equilíbrio. Baseado em<br />

prospectar ciência e<br />

duo é igual ao outro, por<br />

estudos sobre a quan-<br />

tecnologia. Associado a<br />

isso personalizar ações<br />

tidade de idosos que<br />

está mesma estratégia<br />

é algo que representa<br />

se acidentaram domes-<br />

da plataforma de avalia-<br />

ganho em valor para o<br />

ticamente e a correla-<br />

ção de equilíbrio temos<br />

seu negócio.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

117


PAPO DE BANCADA<br />

Quanto mais aproximamos<br />

da biologia molecu-<br />

ção?", "Você sabe o ponto<br />

de equilíbrio operacio-<br />

• R$ 0,72 - custo de coleta<br />

(tubo a vácuo)<br />

lar e da inteligência arti-<br />

nal e financeiro do seu<br />

• R$ 4,47 – Subtotal de<br />

ficial, mais poderemos<br />

laboratório clínico?", a<br />

Insumos<br />

oferecer<br />

experiências<br />

grande maioria não tem<br />

novas para médicos e<br />

esta resposta. Façamos<br />

• R$ 8,53 - custo opera-<br />

pacientes e mais confor-<br />

juntas uma continha<br />

cional<br />

táveis estaremos com o<br />

simples para entender<br />

• R$ 6,10 - custo estrutural<br />

futuro. O básico nós já<br />

onde precisamos chegar<br />

realizamos com excelên-<br />

e porque precisamos<br />

• R$ 14,63 - Subtotal de<br />

cia, o novo será garantia<br />

avaliar estes números.<br />

estrutura<br />

de sobrevivência.<br />

Cada caso é um caso,<br />

mas o início desta jorna-<br />

R$ 19,10 - custo final<br />

E recordando edições<br />

da é o mesmo, conhecer<br />

anteriores é sempre<br />

a saúde do meu negócio<br />

Um dos mais importan-<br />

necessário tomar deci-<br />

e aplicar ações para que<br />

tes conselhos é, anali-<br />

sões baseadas em evi-<br />

ele se torne cada dia<br />

sar os números pensan-<br />

dências, acompanhar os<br />

mais saudável. O que<br />

do em oportunidades.<br />

resultados do laborató-<br />

compõe o custo total de<br />

Analisar estes números<br />

rio clínico é de grande<br />

cada procedimento?<br />

pensando em expan-<br />

importância.<br />

Quando<br />

são, quer um exemplo,<br />

direciono para grande<br />

Custo pré-analitico do<br />

quando você adquire<br />

maioria dos laboratórios<br />

procedimento:<br />

um analisar bioquími-<br />

clínicos a seguinte per-<br />

co ou hematológico<br />

gunta: "Como você preci-<br />

• R$ 0,81 - custo de cole-<br />

ou qualquer outro, o<br />

fica?", "Você usa markup<br />

ta (punção venosa)<br />

laboratório opta em<br />

ou margem de contribui-<br />

• R$ 2,94 - custo do exame<br />

expandir ou diminuir?<br />

120 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Então porque compra-<br />

um olhar nas mudanças e<br />

contribuir neste proje-<br />

PAPO DE BANCADA<br />

mos do tamanho certo<br />

acontecimentos para lhe<br />

to de lhe representar. E<br />

da nossa rotina e não<br />

representar com a deman-<br />

caso não tenha ainda um<br />

com uma folga?<br />

da de buscar o novo, nos<br />

colaborador com esse<br />

congressos e tantas feiras<br />

perfil, busque um amigo<br />

E tecnologia, inovação<br />

que acontecem ao longo<br />

ou alguém próximo que<br />

e conhecimento, prova-<br />

do ano pelo país.<br />

possa contribuir.<br />

velmente serão a nossa<br />

prosa para outros tantos<br />

E não é uma tarefa das<br />

Hoje mesmo, busque ter<br />

debates sobre a globaliza-<br />

mais difíceis, analise o<br />

em sua equipe pessoas<br />

ção que aconte agora no<br />

conteúdo do congresso,<br />

que possam ser os seus<br />

mundo inteiro.<br />

elabore um roteiro para o<br />

ouvidos por aí e muito<br />

qual você seguiria, sele-<br />

além de lhe represen-<br />

E quando ao gestor não<br />

cione o colaborador que<br />

tar, tenham paixão por<br />

é possível a ausência de<br />

melhor possa lhe auxiliar<br />

conehciemmto e inova-<br />

suas atividades laborao-<br />

nesta jornada e oriente<br />

ção. Porque a tecnolo-<br />

riorias, selecione aquele<br />

aos demais principais<br />

gia, essa invitavelmente<br />

colaborador que tenha<br />

pontos que ele possa<br />

nos alcançou!!!<br />

Autora:<br />

Silvânia Ramalho<br />

Bioquímica farmacêutica com especialização em Análise de Custos e Formação de Preço de Venda, Gestão Comercial em Vendas e membro do Grupo<br />

Técnico de Trabalhos de Analises Clinicas do CRF/MG.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

121


DIREITO E SAÚDE<br />

BREVE ANÁLISE JURÍDICA SOBRE A RDC<br />

786/2023 - SEGUNDA PARTE<br />

Por Délio J. Ciriaco de Oliveira<br />

Prezado(a) Leitor(a),<br />

seja bem, vindo(a) a<br />

esta análise jurídica!<br />

Em nosso tema desta<br />

edição, trazemos a<br />

“PARTE DOIS” da análise<br />

da nova nova RDC 786<br />

de 2023 da ANVISA.<br />

No artigo anterior –<br />

(<strong>Revista</strong> NewsLab 178<br />

Julho de 2023) traçamos<br />

alguns pontos relevantes<br />

jurídicos que a novel<br />

RDC 786/23 trouxe, tal<br />

como a preocupação e<br />

segurança jurídica entre<br />

as partes (Clientes X<br />

Laboratórios), a relação<br />

entre empresas em si e<br />

até mesmo a clara preocupação<br />

da nova redação<br />

em lidar com a blindagem<br />

e proteção de<br />

dados das partes envolvidas,<br />

notadamente, os<br />

pacientes, por meio da<br />

LGPD – Lei Geral de Proteção<br />

de Dados.<br />

Com a efetiva vigência<br />

da nova RDC (Desde 1º<br />

de Agosto de 2023), em<br />

uma análise primária e<br />

superficial, parece que<br />

o furor e preocupação<br />

com as adequações<br />

necessárias cessaram<br />

na classe laboratorial,<br />

mas o silêncio é muitas<br />

vezes um instrumento<br />

perigoso quando se<br />

trata de estar regular<br />

e dentro das normas,<br />

assim, continuamos a<br />

sequência do primeiro<br />

artigo, trazendo outras<br />

implicações, jurídicas, as<br />

quais obrigatoriamente<br />

o laboratório de análises<br />

clínicas deve conter.<br />

A nova RDC trouxe a baila<br />

obrigatoriedades (literalmente<br />

formais) que<br />

os laboratórios de análises<br />

clínicas por vezes<br />

já cumpriam, seguiam<br />

e se pautarem, porém<br />

124 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


nem todos. Agora, sem<br />

A nossa leitura deste<br />

A previsibilidade e obri-<br />

DIREITO E SAÚDE<br />

discussão e sem dúvi-<br />

artigo é que na ver-<br />

gatoriedade do pro-<br />

das, todos devem seguir,<br />

dade o programa de<br />

grama de educação<br />

caso contrário, estarão<br />

educação permanen-<br />

permanente não nos<br />

forma da norma, simples<br />

te previsto na nova<br />

traz ciclo de periodici-<br />

assim, portanto sujeitos<br />

RDC 786/23 ele é apli-<br />

dade a qual a equipe<br />

a sansões administrati-<br />

cável de forma ampla<br />

deverá realizar o curso,<br />

vas e judiciais dos entes<br />

a todos os emprega-<br />

tão pouco carga horária,<br />

Públicos e pacientes.<br />

dos da empresa, sen-<br />

mas em contrapartida<br />

do: atendimento, área<br />

nos traz a vinculação<br />

Temos como ponto de<br />

técnica, coleta, admi-<br />

para que Laboratório<br />

alto relevo para todos<br />

nistrativo,<br />

transpor-<br />

tenha o comprovante<br />

nesta relação, em pri-<br />

te. Desta forma, não<br />

que forneceu o curso<br />

meiro lugar de desta-<br />

precisa o empresário<br />

e a devida certificação<br />

que o PROGRAMA DE<br />

laboratorial ficar com a<br />

aos colaboradores, com<br />

EDUCAÇÃO PERMANEN-<br />

preocupação que “sua<br />

nome do curso, carga<br />

TE, pela qual o Labo-<br />

área técnica deverá se<br />

horária, temas abor-<br />

ratório deverá prover<br />

ausentar para cursos”,<br />

dados, palestrante e<br />

aos seus empregados<br />

pois é possível realizar<br />

demais itens de praxe.<br />

treinamentos, cursos e<br />

um grande ciclo entre<br />

Certamente é uma lou-<br />

capacitações de forma<br />

os setores, de forma<br />

vável justificativa para<br />

contínua, de modo que<br />

cadenciada e com o pla-<br />

que os empregados<br />

os mesmos estejam<br />

nejamento<br />

financeiro<br />

fiquem atualizados e os<br />

sempre se reciclando.<br />

para tal investimento.<br />

empregadores<br />

possam<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

125


DETECÇÃO PRECOCE<br />

+60 DOENÇAS<br />

CONGÊNITAS<br />

ESPECTROMETRIA DE<br />

MASSAS EM TANDEM<br />

O Guthrie Pesquisa e<br />

Diagnóstico é um laboratório<br />

situado em Brasília e<br />

especializado em triagem<br />

neonatal. Possuímos uma vasta<br />

experiência de mais de 30 anos<br />

no segmento de teste do<br />

pezinho e competência para<br />

processar todos os exames<br />

atualmente disponíveis no<br />

mercado. A empresa se destaca<br />

por ocupar uma posição de<br />

liderança nesse campo e<br />

demonstra um forte<br />

compromisso com a excelência<br />

dos resultados que oferece aos<br />

seus clientes<br />

Nosso diferencial:<br />

Realizamos treinamento para coleta adequada de amostras de sangue seco;<br />

Enviamos dispositivo destinado a secar as amostras de sangue coletadas do<br />

calcanhar do bebê, manual de instrução de coleta e envelope de retorno;<br />

Processamos as amostras e realizamos a liberação do laudo em até cinco<br />

dias úteis;<br />

Uso exclusivo de instrumentos e reagentes aprovados e regulamentados<br />

pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), garantindo a<br />

conformidade com padrões de segurança e qualidade;<br />

Utilização de produtos fabricados por uma empresa reconhecida<br />

internacionalmente como referência em soluções para triagem neonatal;<br />

Comunicação imediata de resultado crítico;<br />

Suporte profissional fornecido por um geneticista médico altamente<br />

qualificado e especializado em genética médica, com um foco na avaliação e<br />

interpretação dos resultados obtidos por meio da triagem neonatal<br />

ampliada.


Prazo de resultado: 3 a 5 dias úteis<br />

TRIAGEM NEONATAL COM TECNOLOGIA AVANÇADA PARA O<br />

DIAGNÓSTICO DE:<br />

DOENÇAS LISOSSÔMICAS - POMPE, GAUCHER, FABRY, KRABBE,<br />

MUCOPOLISSACARIDOSE TIPO 1, NIEMANN-PICK A/B<br />

ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL (AME)<br />

IMUNODEFICIÊNCIA COMBINADA GRAVE (SCID)<br />

AGAMAGLOBULINEMIA LIGADA AO X (XLA)<br />

AMINOACIDOPATIAS<br />

DISTÚRBIOS DA OXIDAÇÃO DOS ÁCIDOS GRAXOS E ACIDEMIAS ORGÂNICAS<br />

DESORDEM DO METABOLISMO DA PURINHA - IMUNODEFICIÊNCIA COMBINADA GRAVE<br />

POR ADENOSINA DESAMINASE<br />

ADRENOLEUCODISTROFIA LIGADA AO X<br />

TIROSINEMIA TIPO I<br />

*Realizamos os perfis: básico, ampliado, expandido e<br />

master. Acesse o nosso site através do QR Code ao<br />

lado e confira todos os exames.<br />

tel.:+55 61 3045 4004<br />

+55 61 98286 7432<br />

contato@guthrielaboratorio.com


DIREITO E SAÚDE<br />

investir em melhoria continuadamente,<br />

ou seja<br />

educação continuada é<br />

uma das soluções para<br />

o aperfeiçoamento da<br />

equipe e procedimentos.<br />

Outro ponto importante<br />

da nova norma jurídica<br />

permeia na necessidade<br />

do Laboratório em<br />

realizar o seu próprio<br />

controle de qualidade,<br />

o que a prima facie<br />

pode parecer algo “mais<br />

do mesmo”, porém, com<br />

o peso que vai além da<br />

técnica e boas práticas,<br />

mas sim, com a responsabilidade<br />

de documentar<br />

tudo de forma<br />

primorosa por parte da<br />

equipe e assim criar um<br />

“histórico” do controle<br />

de qualidade em si para<br />

fins de fiscalização.<br />

Tem-se ainda a clara<br />

obrigatoriedade de<br />

realizar (muitas vezes<br />

apenas formalizar) contratos<br />

jurídicos! Parece<br />

obvio não é! Porém, não<br />

é raro verificar Laboratórios<br />

que ainda não<br />

estão formalizados em<br />

seus postos de coleta<br />

(junto a clínicas, perante<br />

empresas, etc), referida<br />

situação sempre foi<br />

um risco para ambas as<br />

empresas, porém, agora,<br />

é necessário mitigar<br />

tal risco, com a elaboração,<br />

cuidado e renovação<br />

de um seguro<br />

instrumento jurídico de<br />

contrato entre as partes,<br />

prevendo obrigações<br />

claras e com maior clareza<br />

ainda a responsabilidade<br />

por transporte,<br />

pela realização do exame,<br />

com o responsável<br />

técnico e demais itens<br />

a dar a segurança jurídica<br />

necessária a relação<br />

comercial.<br />

Vejamos:<br />

CAPÍTULO IV<br />

DA CONTRATUALIZA-<br />

ÇÃO DAS ATIVIDADES<br />

Art. 43. As contratualizações<br />

das atividades<br />

relacionadas aos EAC<br />

devem estabelecer as<br />

responsabilidades das<br />

Partes envolvidas e os<br />

128 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


DIREITO E SAÚDE<br />

critérios de controle e<br />

de qualificação das etapas<br />

da cadeia de EAC.<br />

Parágrafo único. As Partes<br />

devem requisitar<br />

documentos que comprovem<br />

a regularidade<br />

sanitária e demais habilitações<br />

da outra Parte.<br />

Art. 44. As Partes devem<br />

estar cientes que as atividades<br />

executadas, inclusive<br />

a análise de contratos,<br />

podem estar sujeitas<br />

à inspeção pelas autoridades<br />

competentes.<br />

Art. 45. Todos os registros<br />

relacionados às<br />

atividades contratualizadas<br />

devem ser mantidos<br />

em guarda e estar<br />

disponíveis para as Partes<br />

envolvidas.<br />

Desta forma, cabe ao<br />

ESTABELECIMENTO DE<br />

SAÚDE – Laboratório de<br />

Análises Clínicas s proteger<br />

e se blindar contratualmente!<br />

Cabendo<br />

além da obrigação de<br />

ter o contrato em sua<br />

guarda, mas também o<br />

deixar em acesso “fácil”<br />

para o caso da fiscalização<br />

solicitar.<br />

Estas são mais algumas<br />

das considerações e<br />

soluções (ou problemas?)<br />

trazidos pela nova<br />

RDC786/2023 da Anvisa,<br />

agora, já em vigor!<br />

Proteção jurídica ao<br />

seu Laboratório! Está é<br />

nossa missão e está no<br />

nosso DNA lhe assessorar<br />

nesta empreitada,<br />

conte conosco!<br />

Obrigado e um grande<br />

abraço a todos!<br />

Autor:<br />

Délio J. Ciriaco de Oliveira<br />

Advogado em São Paulo, especialista em direito e processo do trabalho, especialista em direito contratual, especializando em advocacia consultiva, é<br />

sócio do escritório CIRIACO ADVOGADOS, localizado em São Paulo – Capital, é Professor de Pós Graduação em São Paulo-<br />

SP; São Luis do Maranhão-MA; Goiânia-GO e Palestrante, atuando na área da saúde, na defesa de empresas, clinicas e laboratórios.<br />

@ciriacoadvogados<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

129


MEDICINA GENÔMICA<br />

DOENÇAS CARDIOVASCULARES HEREDITÁRIAS:<br />

CONHEÇA AS PRINCIPAIS<br />

Por Varsomics<br />

Entenda o papel da hereditariedade<br />

em algumas<br />

das principais doenças<br />

cardiovasculares.<br />

Mais de 22.000 variantes<br />

genéticas são conhecidas,<br />

tanto em regiões<br />

codificantes quanto em<br />

regiões não codificantes.<br />

Muitas delas são consideradas<br />

patogênicas, ou<br />

seja, capazes de causar<br />

diversas doenças, entre<br />

elas as doenças cardiovasculares<br />

hereditárias.<br />

O que são doenças cardiovasculares?<br />

As Doenças Cardiovasculares<br />

são aquelas<br />

que afetam os vasos<br />

sanguíneos e/ou o<br />

coração. Conjuntamente,<br />

elas são consideradas<br />

a causa número 1 de<br />

mortes globais, levando<br />

a vida de aproximada-<br />

mente 18 milhões de<br />

pessoas por ano, superando<br />

até mesmo o câncer<br />

neste aspecto.<br />

Em geral, a susceptibilidade<br />

às doenças cardiovasculares<br />

é gerada em<br />

função de hábitos como<br />

o sedentarismo, o tabagismo,<br />

o uso de álcool<br />

e também por dietas<br />

pouco saudáveis. Além<br />

disso, os fatores genéticos<br />

também possuem<br />

um papel importante<br />

no desenvolvimento<br />

destas doenças.<br />

Doenças cardiovasculares<br />

podem ser hereditárias?<br />

Algumas doenças cardiovasculares<br />

podem ser<br />

herdadas, sendo classificadas<br />

como Doenças<br />

Cardiovasculares Hereditárias.<br />

Essas doenças<br />

podem ter um padrão<br />

de herança autossômico<br />

dominante e serem<br />

causadas por uma única<br />

mutação gênica.<br />

O advento das tecnologias<br />

de sequenciamento<br />

permitiu a formação<br />

de associações entre<br />

determinadas variantes<br />

genéticas e traços<br />

específicos, inclusive<br />

doenças. Com isso, hoje<br />

são conhecidas variantes<br />

ditas patogênicas<br />

(ou provavelmente<br />

patogênicas) capazes<br />

de influenciar o desenvolvimento<br />

de cardiomiopatias<br />

e de outras<br />

doenças cardíacas.<br />

Estas variantes genéticas<br />

capazes de aumentar<br />

a predisposição a<br />

(e mesmo de causar)<br />

doenças cardiovasculares,<br />

podem ser adquiridas<br />

ou herdadas.<br />

132 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


As variantes adquiridas<br />

são chamadas de somáti-<br />

é o resultado de suas<br />

características genéticas<br />

Nestes casos, uma única<br />

mutação é capaz de<br />

MEDICINA GENÔMICA<br />

cas, ou seja, que ocorrem<br />

dentro do contexto de<br />

impactar a função/produ-<br />

em células somáticas e<br />

não são transmitidas. Já<br />

um ambiente.<br />

to de um gene com tamanha<br />

significância que o<br />

as variantes herdadas,<br />

são chamadas de variantes<br />

germinativas, ou<br />

seja, que ocorrem em<br />

células envolvidas na<br />

reprodução.<br />

Além disso, muitas destas<br />

doenças ocorrem<br />

mediante o acúmulo de<br />

danos gerados por mais<br />

de uma variante genética<br />

(traço poligênico),<br />

aumento da predisposição<br />

à doença provavelmente<br />

levará ao desenvolvimento<br />

da mesma. Este tipo de<br />

variante é dita como sendo<br />

de alta penetrância.<br />

Com isso, é importante<br />

notar que nem toda<br />

doença cardiovascular<br />

é hereditária, ainda<br />

embora algumas delas<br />

possam ser causadas<br />

por uma única variante<br />

(traço monogênico).<br />

Mais de 40 doenças cardiovasculares<br />

hereditárias<br />

já foram descritas<br />

como condições mono-<br />

que muitos dos mecanismos<br />

relacionados<br />

com seu desenvolvimento<br />

possam ser profundamente<br />

genéticos.<br />

Doenças Cardiovasculares<br />

Hereditárias<br />

Tendo em vista a grande<br />

diversidade de etiologias<br />

e manifestações<br />

gênicas ou mendelianas.<br />

Ou seja, doenças que se<br />

manifestam em função<br />

de variantes genéticas<br />

em apenas um gene.<br />

Em geral, doenças cardiovasculares<br />

são multifatoriais<br />

e a herança<br />

genética é um dos diversos<br />

fatores que propi-<br />

clínicas das doenças<br />

cardiovasculares hereditárias,<br />

é possível afirmar<br />

que aquelas causadas<br />

pela disfunção de<br />

Apesar disso, variantes<br />

genéticas com tamanho<br />

de efeito tão grande<br />

são menos comuns que<br />

aquelas tipicamente<br />

ciam o surgimento delas.<br />

um único gene são as<br />

envolvidas na constitui-<br />

Vale a máxima de que o<br />

mais simples do ponto<br />

ção de traços poligêni-<br />

fenótipo de uma pessoa<br />

de vista causal.<br />

cos (mais de um gene).<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

133


ECOSSISTEMA DO SETOR DE SAÚDE:<br />

Laboratório Mastellini maximiza unidades<br />

parceiras no interior paulista.<br />

Em um cenário de crescente demanda<br />

por serviços de saúde eficientes e<br />

precisos, os laboratórios de apoio<br />

têm emergido como colaboradores<br />

essenciais para hospitais, clínicas e<br />

órgãos governamentais de saúde<br />

pública. O Laboratório Mastellini,<br />

uma figura proeminente no Noroeste<br />

Paulista, tem desempenhado um<br />

papel de destaque, maximizando<br />

parcerias no interior paulista e redefinindo<br />

os padrões para exames<br />

laboratoriais.<br />

ESTRATÉGIAS PARA A<br />

EXCELÊNCIA DIAGNÓSTICA<br />

Em meio a uma necessidade crescente<br />

de medicina diagnóstica confiável,<br />

os laboratórios de apoio se<br />

tornaram parceiros estratégicos para<br />

entidades de saúde.<br />

A colaboração com um laboratório<br />

de apoio oferece a oportunidade de<br />

expandir a capacidade interna, oferecendo<br />

serviços ágeis e diversificados,<br />

sem a necessidade de aumentar a<br />

infraestrutura física ou investir em<br />

tecnologia adicional.<br />

Apesar das vantagens do conceito<br />

de laboratório de apoio na aceleração<br />

do processamento de amostras e<br />

no aprimoramento dos resultados,<br />

muitos profissionais ainda não estão<br />

familiarizados com suas funcionalidades<br />

e benefícios. Uma exceção<br />

notável a essa falta de conhecimento<br />

é o Laboratório Mastellini, uma força<br />

motriz na arena dos exames laboratoriais<br />

há duas décadas. Seu compromisso<br />

com a excelência e um<br />

atendimento personalizado têm<br />

moldado não apenas as decisões,<br />

mas também o futuro de seus clientes<br />

parceiros.<br />

JÁDER MASTELLINI:<br />

CONDUZINDO A INOVAÇÃO NO<br />

SETOR<br />

O presidente do Grupo Mastellini,<br />

Jáder Mastellini, destaca a importância<br />

da expertise em atender às<br />

necessidades específicas de cada<br />

cliente. "Em um mercado em constante<br />

evolução, nossa visão está<br />

alinhada com a de cada parceiro.<br />

Aqui, cada projeto é uma jornada<br />

única, impulsionando a excelência e<br />

guiado por um suporte personalizado.<br />

Sob nossa liderança, caminhamos<br />

juntos rumo a um futuro de<br />

sucesso compartilhado", afirma.<br />

PARCERIA COM EXCELÊNCIA<br />

INTERNACIONAL<br />

A parceria com o Laboratório Mastellini<br />

oferece aos parceiros acesso a<br />

um atendimento de padrões internacionais,<br />

garantindo resultados precisos<br />

e rápidos. A colaboração envolve<br />

o suporte em exames que não<br />

podem ser totalmente realizados<br />

pelos parceiros devido a limitações<br />

de infraestrutura ou falta de pessoal<br />

qualificado. Essa abordagem permite<br />

que as instituições parceiras mantenham<br />

sua base de clientes, expandam<br />

suas ofertas de análises e<br />

permaneçam competitivas sem a<br />

necessidade de investimentos em<br />

expansão física.<br />

O PAPEL DO LABORATÓRIO<br />

DE APOIO<br />

O laboratório de apoio desempenha<br />

um papel crucial ao prestar suporte a<br />

laboratórios, clínicas e hospitais,<br />

auxiliando na realização de exames<br />

que requerem capacidades adicionais.<br />

Essa colaboração é particularmente<br />

valiosa quando há restrições<br />

de infraestrutura ou pessoal clínico<br />

qualificado. O Laboratório Mastellini,<br />

com seu Núcleo Técnico Operacional<br />

operando 24 horas por dia, oferece<br />

agilidade e precisão nos resultados,<br />

permitindo que os parceiros expandam<br />

a oferta de serviços e atendam à<br />

crescente demanda.<br />

SUSTENTABILIDADE PARA O<br />

SETOR DE SAÚDE<br />

A sinergia entre o Laboratório Mastellini<br />

e seus parceiros é mutuamente<br />

benéfica. A capacidade de oferecer<br />

uma gama mais ampla de exames<br />

aumenta a atratividade dos parceiros<br />

para novos pacientes e contribui para<br />

sua sustentabilidade no setor de<br />

saúde. Ao mesmo tempo, o Laboratório<br />

Mastellini reforça sua posição<br />

como um player estratégico, consolidando-se<br />

como referência na prestação<br />

de serviços laboratoriais.


NÚCLEO TÉCNICO OPERACIONAL<br />

DO LABORATÓRIO MASTELLINI<br />

COMPROMISSO COM A<br />

EXCELÊNCIA<br />

O presidente do Laboratório Mastellini<br />

destaca ainda que essa colaboração é<br />

uma estratégia inteligente para suprir<br />

as necessidades de exames especializados,<br />

otimizar recursos e elevar o padrão<br />

de atendimento. A equipe experiente e<br />

renomada do Laboratório Mastellini<br />

oferece uma oportunidade única para<br />

fortalecer instituições de saúde, garantindo<br />

sua competitividade e sustentabilidade.<br />

"Em um setor em constante evolução,<br />

o Laboratório Mastellini permanece na<br />

vanguarda, moldando o ecossistema<br />

do setor de saúde por meio de parcerias<br />

estratégicas e excelência diagnóstica",<br />

pontua Jáder Mastellini.<br />

SEJA NOSSO PARCEIRO:<br />

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MEDICINA GENÔMICA<br />

Dessa forma, doenças<br />

cardiovasculares são mais<br />

comumente causadas<br />

pela soma de centenas<br />

ou milhares de variantes<br />

genéticas com tamanho<br />

de efeito pequeno para<br />

este tipo de doença, mas<br />

que também podem ser<br />

herdadas.<br />

Além disso, estas variantes<br />

podem ter expressão<br />

variável, o que novamente<br />

coloca em evidência a<br />

importância dos modificadores<br />

ambientais,<br />

como a dieta. Estes<br />

modificadores podem<br />

atuar em união com os<br />

determinantes genéticos,<br />

afetando positiva ou<br />

negativamente o desenvolvimento<br />

de uma<br />

doença cardiovascular<br />

Vejamos na sequência<br />

algumas das mais<br />

importantes categorias<br />

de doenças cardiovasculares<br />

hereditárias.<br />

Cardiomiopatias<br />

Cardiomiopatias são<br />

doenças da musculatura<br />

cardíaca (miocárdio),<br />

cujos danos gerados<br />

culminam na remodelação<br />

do órgão. Em geral,<br />

cardiomiopatias geram<br />

hipertrofia ou a distensão<br />

do miocárdio.<br />

Embora estas modificações<br />

morfológicas possam<br />

acontecer por meio<br />

de mecanismos compensatórios,<br />

as cardiomiopatias<br />

são mais prevalentemente<br />

causadas<br />

por mutações genéticas<br />

adquiridas ou herdadas.<br />

As Cardiomiopatias Hipertróficas<br />

são as doenças<br />

cardiovasculares monogênicas<br />

de maior prevalência<br />

(1:500). Quando em<br />

sua forma hereditária, ela<br />

atinge mais de uma pessoa<br />

da mesma família por<br />

meio da transmissão de<br />

variantes genéticas.<br />

Na maior parte dos<br />

casos, tais variantes<br />

genéticas patogênicas<br />

(ou provavelmente<br />

patogênicas) afetam<br />

a função normal de<br />

genes relacionados à<br />

produção de proteínas<br />

sarcoméricas.<br />

136 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


O que são sarcômeros?<br />

Os sarcômeros são as<br />

unidades proteicas funcionais<br />

básicas de todos<br />

os tecidos musculares.<br />

São eles que permitem<br />

o movimento das fibras<br />

musculares durante as<br />

contrações da sístole e da<br />

diástole (saída e entrada<br />

de sangue nos ventrículos,<br />

respectivamente).<br />

MEDICINA GENÔMICA<br />

Variantes genéticas<br />

patogênicas e provavelmente<br />

patogênicas<br />

presentes neste tipo de<br />

gene são encontradas<br />

em cerca de 60% dos<br />

casos de cardiomiopatia<br />

hipertrófica. Alguns dos<br />

genes que encodam<br />

proteínas sarcoméricas<br />

relacionadas ao desenvolvimento<br />

e progressão<br />

das cardiomiopatias<br />

hipertróficas são:<br />

• MYH7 (cadeia pesada<br />

da miosina);<br />

• MYBPC3 (proteína C<br />

ligante de miosina);<br />

• TNNI3 (troponina cardíaca<br />

I);<br />

• TNNT2 (troponina cardíaca<br />

T);<br />

• ACTC1 (alfa-actina do<br />

músculo cardíaco);<br />

• MLY2/MLY3 (miosina<br />

de cadeia leve).<br />

A perda de função destes<br />

genes também cumpre<br />

papel importante no<br />

desenvolvimento das cardiomiopatias<br />

dilatadas<br />

familiares. Nestes casos,<br />

normalmente caracterizados<br />

pela dilatação<br />

e disfunção sistólica do<br />

ventrículo esquerdo,<br />

variantes genéticas também<br />

podem afetar genes<br />

relacionados à Linha-Z<br />

do sarcômero, como:<br />

• ZASP;<br />

• TCAP;<br />

• BAG3;<br />

• FLNC.<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

137


MEDICINA GENÔMICA<br />

Cardiopatias Congênitas<br />

Também chamadas de<br />

Defeitos Congênitos do<br />

Coração (DCC), as Cardiopatias<br />

Congênitas<br />

são anormalidades do<br />

desenvolvimento cardiovascular<br />

durante o<br />

período embrionário.<br />

Dessa forma, esse grupo<br />

de doenças gera problemas<br />

funcionais/estruturais<br />

que podem se manifestar<br />

desde a gestação<br />

até a vida adulta.<br />

Embora as cardiopatias<br />

congênitas possuam<br />

diferentes apresentações<br />

clínicas, elas são a<br />

causa mais comum de<br />

anomalias congênitas,<br />

sendo observadas em<br />

cerca de 1% de todos os<br />

nascidos vivos.<br />

Além de serem encontradas<br />

em ~10% dos casos<br />

de natalidade prematura,<br />

as cardiopatias congênitas<br />

são, coletivamente, a<br />

principal causa de morte<br />

neonatal, sendo identificadas<br />

em aproximadamente<br />

4% de todos os<br />

casos do tipo.<br />

O avanço da fisiologia<br />

e das técnicas cirúrgicas<br />

no último século<br />

permitiu que muitas<br />

das pessoas com DCCs<br />

vivessem com boa qualidade<br />

e expectativa de<br />

vida. Ainda, o mesmo<br />

pode ser dito sobre a<br />

genética, que em virtude<br />

das tecnologias de<br />

Sequenciamento Nova<br />

Geração (NGS), continua<br />

a identificar genes<br />

(e variantes genéticas)<br />

implicados em cardiopatias<br />

congênitas.<br />

Em geral, as cardiopatias<br />

congênitas ocorrem de<br />

forma isolada, ainda que<br />

cerca de 1/3 dos casos<br />

ocorram como componentes<br />

de síndromes<br />

genéticas. Na prática, o<br />

médico se utiliza da examinação<br />

física, do histórico<br />

familiar, de exames de<br />

imagem, testes genéticos<br />

e outras formas de investigação<br />

laboratorial para<br />

realizar o diagnóstico.<br />

A testagem genética, em<br />

especial, fornece ao clínico<br />

um corpo de informações<br />

altamente específicas<br />

que, aliadas a outras<br />

características, permite<br />

o estabelecimento de<br />

estratégias clínicas direcionadas<br />

para cada caso.<br />

138 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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MEDICINA GENÔMICA<br />

Alguns dos genes,<br />

cujas variantes genéticas<br />

patogênicas estão<br />

implicadas nos defeitos<br />

congênitos do coração<br />

são os listados a seguir,<br />

em conjunto com o tipo<br />

de anomalia associada:<br />

• ACVR2B (Transposição<br />

das grandes artérias,<br />

inversão ventricular);<br />

• CRELD1 e GDF1 (Defeito<br />

do septo atrioventricular,<br />

dextrocardia);<br />

• HAND1 e GJA1 (Coração<br />

esquerdo hipoplástico);<br />

• NKX2.5, CITED2, GATA4<br />

e TBX20 (Defeitos do<br />

septo);<br />

• GATA4, JAG1 (Tetralogia<br />

de Fallot).<br />

Arritmias hereditárias<br />

Arritmias são disfunções<br />

cardiovasculares<br />

caracterizadas por anomalias<br />

do ritmo cardíaco.<br />

De forma coloquial,<br />

arritmias são distúrbios<br />

relacionados aos batimentos<br />

do coração.<br />

Quando hereditárias, as<br />

arritmias comprimem<br />

um grupo de manifestações<br />

clínicas chamadas<br />

coletivamente de<br />

canalopatias. Nestes<br />

casos, as arritmias são<br />

causadas por variantes<br />

alélicas de genes relacionados<br />

à constituição<br />

ou função de canais<br />

proteicos que regulam<br />

a atividade elétrica do<br />

coração, como os de<br />

cálcio, sódio e potássio.<br />

Segundo Mazzanti e<br />

Priori, em 2020, quando<br />

as arritmias não são<br />

causadas por anomalias<br />

morfológicas do<br />

coração, as arritmias<br />

manifestam-se principalmente<br />

sob as formas<br />

de Taquicardias e Fibrilações<br />

ventriculares.<br />

O conjunto das arritmias<br />

constitui-se de forma<br />

heterogênea, de tal<br />

forma que os fenótipos<br />

observados podem ser<br />

bastante distintos. Estes<br />

distúrbios afetam cerca<br />

de 1 em 1000 pessoas,<br />

ainda que algumas formas<br />

de canalopatias,<br />

como as síndromes do<br />

intervalo QT, sejam ainda<br />

mais raras.<br />

Com ocorrência geralmente<br />

monogênica, as<br />

arritmias hereditárias<br />

estão associadas ao<br />

ganho ou a perda de<br />

função dos seguintes<br />

genes, que em homeostase<br />

atuam na regulação<br />

dos canais de cálcio/<br />

sódio/potássio (gene-<br />

-fenótipo associado):<br />

• KCNQ1 – LQTS e SQTS;<br />

• KCNH2 – LQTS e SQTS;<br />

• SCN5A – LQTS;<br />

• KCNJ2 – SQTS;<br />

• CACNA1C – SQTS<br />

• CACNB2 – SQTS<br />

140 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Os exames genéticos,<br />

assim como em outras<br />

condições cardiovasculares<br />

hereditárias, são<br />

fundamentais para a<br />

estratificação de risco das<br />

canalopatias. Por meio<br />

deles, médicos podem<br />

realizar prognósticos e<br />

estabelecer estratégias de<br />

profilaxia com maior precisão<br />

quando em comparação<br />

com os parâmetros<br />

clínicos e eletrocardiográficos<br />

isoladamente.<br />

Isso se mostra particularmente<br />

útil sob a luz da<br />

informação de que estes<br />

distúrbios são responsáveis<br />

por 1/3 de todas as<br />

mortes súbitas em jovens<br />

cuja morfologia cardíaca<br />

aparenta ser “normal”.<br />

Hipercolesterolemia<br />

Familiar<br />

Uma Hipercolesterolemia<br />

Familiar é um<br />

distúrbio hereditário<br />

no qual a concentração<br />

plasmática do colesterol<br />

de baixa densidade (ou<br />

LDL, coloquialmente<br />

chamado de “colesterol<br />

ruim”) é anormalmente<br />

elevada (dislipidemia).<br />

O excesso de LDL na<br />

corrente sanguínea<br />

faz com que ele seja<br />

depositado entre as<br />

túnicas (camadas) dos<br />

vasos sanguíneos, em<br />

um processo conhecido<br />

por aterosclerose.<br />

Eventos deste tipo são<br />

marcados pelo aumento<br />

do risco para Doença<br />

Arterial Coronariana e<br />

também para o Infarto<br />

Agudo do Miocárdio.<br />

Variantes alélicas do<br />

gene do receptor de LDL<br />

e do gene B100 (que codifica<br />

a apolipoproteína B)<br />

são as mais comumente<br />

encontradas nestes<br />

casos. Adicionalmente,<br />

os seguintes genes também<br />

são encontrados<br />

em casos desse distúrbio,<br />

que se apresenta<br />

de forma autossômica<br />

dominante:<br />

• PCSK9 (pró-proteína<br />

convertase subtilisina/<br />

Kexina tipo 9);<br />

• Super família de genes<br />

CYP;<br />

• LDLrAP1 (proteína<br />

adaptadora do receptor<br />

de LDL).<br />

Os estudos de biologia<br />

molecular que elucidaram<br />

a existência e a função<br />

de genes deste tipo<br />

permitiram, no passado,<br />

a criação dos inibidores<br />

da HMG -CoA, uma<br />

estatina utilizada no<br />

tratamento da hipercolesterolemia.<br />

Além disso, as investigações<br />

genéticas são<br />

fundamentais para<br />

o diagnóstico dessa<br />

condição que, em indivíduos<br />

homozigóticos<br />

para os alelos dos<br />

genes anteriormente<br />

citados, pode causar a<br />

Doença Arterial Coronariana<br />

(e suas complicações)<br />

antes mesmo<br />

dos 20 anos.<br />

MEDICINA GENÔMICA<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

141


MEDICINA GENÔMICA<br />

Em termos epidemiológicos,<br />

a prevalência<br />

da hipercolesterolemia<br />

familiar é de cerca de 1<br />

em 200-300 pessoas, o<br />

que se reflete em cerca<br />

de 200 mil mortes anuais<br />

associadas com o distúrbio<br />

em todo o mundo.<br />

Prevenção de doenças<br />

cardiovasculares hereditárias<br />

A hereditariedade das<br />

doenças cardiovasculares<br />

não pode ser prevenida,<br />

ainda que em<br />

alguns países os Testes<br />

Genéticos Pré-Implantacionais<br />

possam ser usados<br />

para minimizá-la.<br />

O desenvolvimento destas<br />

doenças, entretanto,<br />

pode ser minimizado<br />

com mudanças comportamentais,<br />

como a prática<br />

de exercícios físicos e<br />

dietas balanceadas. Além<br />

disso, o aconselhamento<br />

genético pode trazer<br />

grandes benefícios na<br />

prevenção destas doenças,<br />

especialmente quando<br />

se suspeita do histórico<br />

clínico familiar.<br />

Com a abordagem<br />

da medicina de precisão,<br />

cardiologistas,<br />

geneticistas e equipes<br />

multiprofissionais são<br />

capazes de elaborar<br />

estratégias terapêuticas<br />

e de profilaxia específicas<br />

para cada caso.<br />

Em muitos casos, como<br />

colocado anteriormente,<br />

as pessoas descobrem<br />

que possuem variantes<br />

genéticas relacionadas<br />

às doenças cardiovasculares<br />

hereditárias apenas<br />

em estágios avançados<br />

da doença.<br />

Dessa forma, cuidados<br />

gerais com a saúde e o<br />

acompanhamento médico<br />

regular são a melhor<br />

forma de cuidarmos de<br />

nosso organismo, protegendo-o<br />

não apenas<br />

das doenças cardiovasculares<br />

mas também de<br />

outras doenças crônicas.<br />

Referências<br />

Kumar, D., Elliott, P. Cardiovascular Genetics and Genomics:<br />

Principles and Clinical Practice. Springer, 2018.<br />

Pyeritz, R.; Korf, B.; Grody, W. Emery and Rimoin’s<br />

Principles and Practice of Medical Genetics and<br />

Genomics: Cardiovascular, Respiratory, and Gastrointestinal<br />

Disorders. Academic Press, 2019.<br />

Jansweijer J.A., van Spaendonck-Zwarts K.Y., Tanck<br />

M.W.T., et alHeritability in genetic heart disease:<br />

the role of genetic background. Open Heart, 2019.<br />

Izar M.C.O.; Giraldez V.Z.R.; Bertolami A. et al. Update<br />

of the Brazilian Guideline for Familial Hypercholesterolemia.<br />

Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2021.<br />

Semsarian C, Ingles J, Ross SB, Dunwoodie SL,<br />

Bagnall RD, Kovacic JC. Precision Medicine in<br />

Cardiovascular Disease: Genetics and Impact on<br />

Phenotypes. American College of Cardiology<br />

Journal, 2021.<br />

FONTE:<br />

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VIROLOGIA<br />

INFECÇÕES VIRAIS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS:<br />

VIROLOGIA AMBIENTAL<br />

Por Tayná Portugal de Moura Tavares ¹;<br />

Raquel dos Santos Gomes da Silva¹;<br />

Patrícia Emilia de Araujo Marquisani¹;<br />

Rachel Siqueira de Queiroz Simões 2 .<br />

1 - Graduanda do curso de Medicina Veterinária; Departamento de<br />

Ciências da Saúde e Agrárias, Universidade Santa Úrsula, Campus<br />

Botafogo, Rio de Janeiro.<br />

2 - Docente de Virologia Geral, Coordenadora do curso de Medicina<br />

Veterinária; Departamento de Ciências da Saúde e Agrárias,<br />

Universidade Santa Úrsula, Campus Botafogo, Rio de Janeiro.<br />

* Imagem ilustrativa<br />

Resumo<br />

Os vírus são uma das principais causas de doenças<br />

transmitidas por alimentos em todo o mundo.<br />

A transmissão de vírus de origem alimentar pode<br />

ocorrer devido à higienização inadequada de alimentos<br />

e itens, má higiene pessoal e consumo de<br />

alimentos crus ou mal cozidos. Esses vírus podem<br />

causar distúrbios gastrointestinais, hepáticos e do<br />

sistema nervoso central. Não existe vacina contra<br />

todas as doenças virais transmitidas por alimentos,<br />

porém, há medidas de prevenção como a higienização<br />

adequada dos alimentos e utensílios,<br />

preparação dos alimentos e higiene pessoal adequada.<br />

Este artigo apresenta uma revisão sobre<br />

alguns vírus ambientais de alto impacto na saúde<br />

única: (i) norovirus, (ii) hepatite A e (iii) poliovírus.<br />

Abstract<br />

Viruses are one of the leading causes of foodborne<br />

illness worldwide. Transmission of food-borne<br />

viruses can occur due to improper hygiene<br />

of food and items, poor personal hygiene,<br />

and consumption of raw or undercooked food.<br />

These viruses can cause gastrointestinal, liver,<br />

and central nervous system disorders. There is<br />

no vaccine against all viral diseases transmitted<br />

by food, however, there are preventive measures<br />

such as proper hygiene of food and utensils,<br />

adequate preparation of food and adequate<br />

personal hygiene. This article presents a review<br />

of some environmental viruses with a high impact<br />

on one health: (i) norovirus, (ii) hepatitis A<br />

and (iii) poliovirus.<br />

Palavras-chaves: vírus, norovirus, hepatite A,<br />

poliovírus, doenças alimentares.<br />

Keywords: viruses, norovirus, hepatitis, poliovirus,<br />

foodborne illnesses.<br />

144 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Introdução<br />

As infecções transmitidas<br />

por alimentos constituem<br />

um grave problema<br />

de saúde pública<br />

em todo o mundo, com<br />

repercussões significativas<br />

para a saúde individual<br />

e coletiva. Essas<br />

infecções resultam da<br />

ingestão de alimentos<br />

contaminados por<br />

microrganismos patogênicos,<br />

toxinas ou substâncias<br />

químicas, podendo<br />

causar uma ampla<br />

variedade de sintomas<br />

gastrointestinais, desde<br />

leves até graves, e até<br />

mesmo levar à morte em<br />

casos extremos (SILVA;<br />

ALMEIDA, 2018).<br />

A contaminação dos<br />

alimentos pode ocorrer<br />

em diferentes estágios<br />

da cadeia alimentar,<br />

desde a produção até o<br />

consumo final. Fatores<br />

como a falta de higiene<br />

no manuseio e preparo<br />

dos alimentos, o armazenamento<br />

inadequado,<br />

a má conservação da<br />

temperatura e a utilização<br />

de água contaminada<br />

são alguns dos<br />

principais contribuintes<br />

para a ocorrência dessas<br />

infecções (FERREIRA;<br />

SANTOS, 2020).<br />

A gravidade das infecções<br />

transmitidas por<br />

alimentos é evidenciada<br />

pela sua alta incidência<br />

global e pelos impactos<br />

econômicos e sociais que<br />

acarretam. Segundo a<br />

Organização Mundial da<br />

Saúde (OMS), estima-se<br />

que cerca de 600 milhões<br />

de pessoas, ou aproximadamente<br />

1 em cada 10<br />

indivíduos, sejam afetadas<br />

anualmente por esse<br />

tipo de infecção (WORLD<br />

HEALTH ORGANIZATION,<br />

2015). Além disso, os<br />

custos relacionados ao<br />

tratamento médico,<br />

perda de produtividade<br />

e interrupção de atividades<br />

econômicas são<br />

significativos (GONÇAL-<br />

VES et al., 2019).<br />

Diante desse contexto,<br />

torna-se fundamental<br />

a adoção de medidas<br />

eficazes para prevenir<br />

e controlar as infecções<br />

transmitidas por alimentos.<br />

A implementação<br />

de boas práticas de<br />

higiene e manipulação<br />

dos alimentos, a capacitação<br />

dos profissionais<br />

envolvidos na cadeia<br />

alimentar e a aplicação<br />

de sistemas de rastreabilidade<br />

são estratégias<br />

fundamentais para<br />

garantir a segurança alimentar<br />

e a proteção da<br />

saúde pública (LOPES;<br />

OLIVEIRA, 2017).<br />

Neste sentido, o presente<br />

artigo tem como objetivo<br />

analisar as principais<br />

causas e consequências<br />

das infecções transmitidas<br />

por alimentos, bem<br />

como apresentar medidas<br />

preventivas e estratégias<br />

de controle. A compreensão<br />

aprofundada<br />

dessas questões é essencial<br />

para promover ações<br />

VIROLOGIA<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

145


VIROLOGIA<br />

efetivas no combate a<br />

esse problema e garantir<br />

a segurança alimentar<br />

da população (SOUZA;<br />

RODRIGUES, 2021).<br />

Para compreender<br />

adequadamente as<br />

infecções transmitidas<br />

por alimentos, é fundamental<br />

examinar os<br />

microrganismos patogênicos.<br />

Neste artigo<br />

abordaremos sobre<br />

os vírus mais comuns<br />

envolvidos nesses casos<br />

como Norovírus, Hepatite<br />

A e Poliovirus (SOU-<br />

ZA; RODRIGUES, 2021).<br />

Esses microrganismos<br />

podem ser veiculados<br />

por diversos tipos de<br />

alimentos, incluindo<br />

carnes, aves, ovos, frutas<br />

e vegetais contaminados<br />

(FERREIRA; SAN-<br />

TOS, 2020).<br />

É importante ressaltar<br />

que a ocorrência de<br />

infecções transmitidas<br />

por alimentos não se restringe<br />

apenas aos países<br />

em desenvolvimento,<br />

sendo um problema global.<br />

Nos países desenvolvidos,<br />

mesmo com<br />

sistemas de segurança<br />

alimentar mais avançados,<br />

essas infecções<br />

ainda representam um<br />

desafio significativo para<br />

a saúde pública (SILVA;<br />

ALMEIDA, 2018). Além<br />

disso, a globalização e<br />

o aumento do comércio<br />

internacional de alimentos<br />

têm contribuído para<br />

a disseminação desses<br />

patógenos em diferentes<br />

regiões do mundo (GON-<br />

ÇALVES et al., 2019).<br />

Os impactos das infecções<br />

transmitidas por<br />

alimentos vão além das<br />

questões de saúde, afetando<br />

também a economia<br />

e a sociedade como<br />

um todo. A ocorrência<br />

dessas infecções pode<br />

levar a surtos e epidemias,<br />

resultando em um<br />

aumento significativo na<br />

demanda por serviços<br />

de saúde e na sobrecarga<br />

dos sistemas de<br />

saúde (LOPES; OLIVEI-<br />

RA, 2017). Além disso,<br />

os custos associados ao<br />

tratamento médico, à<br />

perda de produtividade<br />

e ao recall de produtos<br />

contaminados são consideráveis,<br />

afetando a<br />

indústria alimentícia e a<br />

confiança dos consumidores<br />

(WORLD HEALTH<br />

ORGANIZATION, 2015).<br />

Diante desse panorama,<br />

a prevenção e o controle<br />

das infecções transmitidas<br />

por alimentos são<br />

de extrema importância.<br />

A implementação de<br />

boas práticas de higiene<br />

e manipulação dos<br />

alimentos, a educação<br />

dos consumidores sobre<br />

medidas de segurança<br />

alimentar e a adoção de<br />

políticas regulatórias efetivas<br />

são estratégias cruciais<br />

para minimizar os<br />

riscos e proteger a saúde<br />

pública (FERREIRA; SAN-<br />

TOS, 2020). Além disso,<br />

a vigilância epidemioló-<br />

146 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


VIROLOGIA<br />

gica, a investigação de<br />

surtos e a identificação<br />

de fontes de contaminação<br />

são fundamentais<br />

para a detecção precoce<br />

e a resposta adequada<br />

a essas infecções (SILVA;<br />

ALMEIDA, 2018).<br />

Este artigo busca fornecer<br />

uma visão abrangente<br />

das infecções transmitidas<br />

por alimentos,<br />

abordando suas causas,<br />

consequências e medidas<br />

preventivas e de<br />

controle. A compreensão<br />

desses aspectos é<br />

essencial para embasar<br />

ações efetivas na área<br />

da segurança alimentar,<br />

visando proteger a saúde<br />

da população e reduzir o<br />

impacto negativo dessas<br />

infecções virais (GON-<br />

ÇALVES et al., 2019).<br />

Norovirus<br />

Propriedades Virais<br />

A estrutura da partícula<br />

viral do norovírus é composta<br />

por um capsídeo e<br />

um ácido nucleico, com<br />

ausência de envoltório<br />

viral. Seu nucleocapsídeo<br />

é arredondado,<br />

apresentando simetria<br />

icosaédrica T = 3 e cerca<br />

de 27 a 30 nm de diâmetro<br />

[19]. Sua superfície<br />

tem modelo regular e o<br />

capsômero contém 32<br />

depressões em formato<br />

de xícara e arcos. Seu<br />

genoma é constituído<br />

por RNA de fita simples,<br />

com polaridade positiva,<br />

que serve como<br />

RNA mensageiro, ou<br />

seja, assim que invade<br />

a célula, aderem-se aos<br />

ribossomos para fazer a<br />

tradução de proteínas.<br />

O RNA do hospedeiro<br />

(genômico) vai servir de<br />

molde para a fita complementar,<br />

que, através<br />

da polimerase viral, será<br />

transcrita em RNA genômico<br />

novamente (JIANG<br />

et al., 1993)[5]. Na extremidade<br />

5’, o genoma<br />

contém a proteína VPg,<br />

que auxilia na infectividade<br />

viral e a abertura<br />

da tradução, já na 3’,<br />

acontece a junção da<br />

cauda poli A, que tem<br />

finalidade de estabilizar<br />

a molécula e auxiliar<br />

na tradução. O genoma<br />

viral apresenta três<br />

sequências de abertura<br />

de leitura, ORF – open<br />

read frame (DINGLE et<br />

al.,1995), sendo que a<br />

primeira codifica uma<br />

poliproteína de 194K-<br />

Da, clivada pela protease<br />

3C em seis possíveis<br />

proteínas, auxiliando a<br />

extremidade 5’ a codificar<br />

proteínas não estruturais.<br />

Estas por sua vez,<br />

estarão presentes na<br />

transcrição e tradução,<br />

e a segunda ORF responsável<br />

por codificar<br />

a proteína estrutural do<br />

capsídeo (VP1) de 60<br />

K-Da. Por fim, a terceira,<br />

é a região que mais<br />

variável no genoma,<br />

codificando uma proteína<br />

básica (VP2) de 23<br />

K-Da, responsável por<br />

interagir com o RNA<br />

genômico quando o<br />

virion se formar [4].<br />

148 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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149


VIROLOGIA<br />

Epidemiologia<br />

Sendo os primeiros<br />

agentes virais associados<br />

a doenças gastrointestinais<br />

oriundas de alimentação<br />

[1], inicialmente,<br />

eram vistos como a causa<br />

de gastroenterite secundária<br />

após infecção com<br />

rotavírus. Entretanto, os<br />

avanços tecnológicos<br />

com métodos moleculares<br />

voltados ao diagnóstico<br />

dos norovírus<br />

possibilitou mais informações<br />

acerca dessa<br />

família viral. Atualmente,<br />

é visto como a principal<br />

causa de surtos de gastroenterite<br />

não bacteriana,<br />

esporádicos ou não.<br />

Sendo a gastroenterite<br />

uma das patologias mais<br />

comuns entre os seres<br />

humanos, provocando<br />

diarreia aguda, náuseas,<br />

vômitos que podem<br />

levar a desidratação e<br />

morte, tendo de quatro<br />

a seis milhões de óbitos<br />

por ano. Os agentes bacterianos<br />

são comumente<br />

encontrados em países<br />

em desenvolvimento<br />

e os agentes virais em<br />

países industrializados,<br />

o que está fortemente<br />

ligado a condições<br />

ambientais, de higiene<br />

e saneamento básico do<br />

governo e da população.<br />

A epidemiologia dessa<br />

doença está diretamente<br />

ligada a alterações no<br />

comportamento humano,<br />

economia global,<br />

indústrias e adaptações<br />

microbiológicas. Embora<br />

surtos por NoV ocorra<br />

no mundo todo, o maior<br />

impacto econômico é<br />

em pessoas com a faixa<br />

etária mais elevada e<br />

que residem em asilos.<br />

Somando-se ainda há<br />

alguns padrões de sazonalidade,<br />

sendo observado<br />

surtos mais comuns<br />

no inverno e no início<br />

da primavera no hemisfério<br />

norte enquanto<br />

no hemisfério sul são<br />

observados surtos mais<br />

frequentes no verão e na<br />

primavera. Um estudo<br />

feito pelo Centro Estadual<br />

de Vigilância em saúde<br />

do Rio Grande do Sul<br />

(CEVS), mostrou que no<br />

final de agosto de 2021,<br />

cerca de 25 municípios<br />

estavam enfrentando<br />

surtos de doença diarreica<br />

aguda e o NoV foi<br />

o agente causador de<br />

9 municípios, associados<br />

à ingestão de água<br />

potável contaminada.<br />

Histórico<br />

Apenas no ano de 1972,<br />

através da microscopia<br />

eletrônica com filtrados<br />

fecais coletados do surto<br />

em Norwalk, Ohio, que<br />

foi possível a descoberta<br />

do agente causador. Inicialmente<br />

foi chamado<br />

de “vírus de Norwalk”<br />

(Kapikian et al. 1972)<br />

[2], porém, somente em<br />

1990 foi definido como<br />

Norovírus, e a partir disso,<br />

as sequências dos<br />

genomas foram classificadas.<br />

O vírus pertence<br />

à família Caliciviridae, e<br />

engloba 5 genogrupos<br />

distintos: GI (humanos),<br />

GII (humanos e suínos),<br />

GII (bovinos), GIV (humanos<br />

e caninos) e GV<br />

(roedores). Esses genogrupos<br />

são subdivididos<br />

em genótipos e subge-<br />

150 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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medição dos reticulócitos.<br />

- A solução de coloração de ácido nucleico cora DNA e RNA.<br />

- As células coradas são excitadas pelo laser azul e dois tipos de fluorescência são<br />

gerados.<br />

- O tamanho da célula é calculado a partir da luz espalhada para a frente. As<br />

informações de DNA são calculadas por luz fluorescente verde e as informações de<br />

RNA são calculadas por luz fluorescente vermelha.<br />

- A densidade fluorescente é importante para identificar a quantidade de reticulócitos,<br />

através do diagrama de dispersão RNP* minimiza-se a influência de substâncias<br />

interferentes para um resultado de reticulócitos mais preciso.<br />

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VIROLOGIA<br />

nótipos, que são baseados<br />

nas diversidades das<br />

sequências genômicas<br />

[6] e pela diversidade de<br />

aminoácidos das ORFs.<br />

Contudo, estudos epidemiológicos<br />

mostraram<br />

que 70% dos surtos de<br />

norovírus são causados<br />

pelo genótipo GII [3].<br />

Estima-se que por ano,<br />

as gastroenterites causadas<br />

por norovírus são<br />

responsáveis por 9%<br />

a 40% de hospitalizações<br />

e mais de 200.000<br />

mortes em crianças<br />

menores de 5 anos no<br />

Brasil [1,10]. Sua prevalência<br />

é na Colômbia,<br />

e no Brasil, é na região<br />

Norte, em aldeias<br />

Afrodescendentes. No<br />

Estado de São Paulo<br />

ocorreram surtos em<br />

1995 e em 2005 conforme<br />

dados de Aragão<br />

et al. (2013). No Rio<br />

de Janeiro, 35% das<br />

1.000 amostras coletadas<br />

foram positivas para<br />

NoV em 2010. Estudos<br />

mostraram que o calicivírus<br />

são semelhantes<br />

aos norovírus humanos<br />

em animais domésticos,<br />

o que indica que algumas<br />

espécies podem<br />

atuar como reservatório,<br />

fazendo uma transmissão<br />

zoonótica.<br />

Transmissão<br />

A transmissão desse<br />

vírus ocorre por alguns<br />

meios. Em humanos a<br />

principal via de transmissão<br />

é fecal-oral, pela<br />

ingestão de alimentos<br />

e água contaminados.<br />

Os alimentos podem ser<br />

contaminados durante<br />

a colheita, produção ou<br />

preparo, caso os mesmos<br />

sejam manipulados e/ou<br />

preparados por pessoas<br />

infectadas. Na água pode<br />

se desenvolver em reservatórios<br />

e em águas subterrâneas<br />

[2]. Nos seres<br />

humanos, aconteceram<br />

relatos da transmissão<br />

através de moluscos e<br />

ostras (GUYADER et al.,<br />

2006), já que são animais<br />

consumidos crus, e são<br />

animais filtradores, que<br />

vivem em águas contaminadas,<br />

assim como<br />

surtos em cruzeiros e<br />

alojamentos improvisados<br />

decorrente de<br />

desastres ambientais [8].<br />

Ademais, o controle da<br />

qualidade de alimentos<br />

é voltado a detecção de<br />

bactérias [3], e por isso,<br />

a contaminação viral é<br />

mais difícil de ser detectada<br />

e notificada.<br />

Replicação<br />

O Norovírus tem característica<br />

de se propagar<br />

em locais como células<br />

dendríticas, macrófagos<br />

e no citoplasma dos<br />

enterócitos (WOBUS<br />

et al., 2004) [19], onde<br />

o RNA tem polaridade<br />

positiva e atuará como<br />

RNAm. Além do mais,<br />

são estáveis em ácidos,<br />

contendo habilidades<br />

para passar pelo estômago<br />

pela acidez do PH<br />

e sobreviver. São vírus<br />

altamente infectantes<br />

(DI 50 < 20 partículas<br />

virais) e tem alto nível<br />

de excreção viral. Sua<br />

excreção pode ser prolongada<br />

mesmo após<br />

a recuperação clínica,<br />

podendo ser eliminado<br />

152 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


por mais duas semanas<br />

nas fezes após o<br />

desaparecimento dos<br />

sintomas, e em casos<br />

crônicos, pode ser eliminado<br />

por 8 meses.<br />

Entretanto, não existem<br />

muitas evidências de<br />

casos crônicos, somente<br />

alguns registros em<br />

crianças e adolescentes<br />

imunocomprometidos.<br />

O desenvolvimento de<br />

imunidade após a infecção<br />

por NoV é de aproximadamente<br />

em 50%<br />

das pessoas expostas, e<br />

ocorre em curto prazo.<br />

Porém devido à falta de<br />

modelo animal e a falta<br />

de capacidade do vírus<br />

ser cultivado em ensaios<br />

laboratoriais, o que gera<br />

um desafio em termos<br />

de diagnóstico viral [4].<br />

Na Medicina Veterinária<br />

A infecção animal por<br />

norovírus humano está<br />

predominantemente em<br />

suínos. Há uma hipótese<br />

sustentada que esses<br />

animais sejam infectados<br />

por NoV humano<br />

pela detecção de RNA<br />

de norovírus humano<br />

nos produtos cárneos<br />

de suínos, já que alguns<br />

produtos vendidos<br />

apresentam resultado<br />

positivo para NoV, o que<br />

apresenta um risco de<br />

transmissão aos consumidores,<br />

alguns bovinos<br />

também positivaram<br />

para NoV. Embora a<br />

maior parte da população<br />

não conviva com<br />

suínos e bovinos, seus<br />

produtos contaminados<br />

apresentam risco de<br />

transmissão e contaminação.<br />

Mas, existe contato<br />

direto com animais<br />

domésticos, como o cão,<br />

que vem sendo cada vez<br />

mais humanizado e criado<br />

uma estreita relação<br />

com os humanos, e por<br />

isso há um maior risco<br />

de transmissão de NoV<br />

de humanos para os<br />

cães. O primeiro relato<br />

de cães com NoV humano<br />

foi durante um surto<br />

de gastroenterite em<br />

uma casa de saúde para<br />

idosos. Os sinais clínicos<br />

se manifestaram primeiro<br />

nos animais que habitavam<br />

o local, e logo<br />

após os humanos manifestaram<br />

os sintomas. A<br />

confirmação veio após<br />

o teste sorológico por<br />

imuno microscopia eletrônica,<br />

onde apresentou<br />

titulação moderada<br />

aos antígenos HuNoV<br />

nas amostras de fezes<br />

[7]. Os pesquisadores<br />

Summa, Von Bonsdorff<br />

e Maunula coletaram<br />

amostras de fezes de<br />

quatro cães de tutores<br />

que tiveram gastroenterite<br />

aguda durante 1 a<br />

3 dias, e foram testados<br />

a presença de GI, GII e<br />

GIV HuNov. Os quatro<br />

cães foram positivos<br />

para norovírus humano<br />

GII, três cães positivaram<br />

para HuNov com<br />

nível baixo e um revelou<br />

níveis altos e cepas<br />

idênticas aos dos tutores,<br />

o que sugere uma<br />

maior replicação no<br />

trato gastrointestinal.<br />

Dois dos quatro cães<br />

apresentaram sinais clínicos<br />

como vômitos e<br />

diarreias, porém não é<br />

possível associar dire-<br />

VIROLOGIA<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

153


VIROLOGIA<br />

tamente ao NoV, já que<br />

são sinais inespecíficos<br />

e podem ser causados<br />

por diversos agentes em<br />

cães. O primeiro relato<br />

de NoV canino, foi em<br />

um cão com dois meses,<br />

com quadro de gastroenterite<br />

na Itália em<br />

2007, descrito por Martella<br />

et al. (2008) [19],<br />

cujo sequenciamento<br />

apresentou identidade<br />

genômica para o GIV.2,<br />

com 90.1 % de identidade<br />

de aminoácidos.<br />

Também foram encontrados<br />

amostras virais<br />

em fezes de cães de Portugal<br />

(MESQUITA et al.,<br />

2010; MESQUITA; NASCI-<br />

MENTO, 2011), da Grécia<br />

(NTAFIS et al., 2010), da<br />

Ásia (SOMA et al., 2015)<br />

e nos Estados Unidos<br />

(AZEVEDO et al., 2012).<br />

A virose causa uma<br />

infecção ativa no trato<br />

gastrointestinal e é possível<br />

observar durante<br />

22 dias de infecção nas<br />

fezes de cães infectados.<br />

A doença é de difícil<br />

identificação, já que é<br />

relativamente comum<br />

co-infecções entre parvovírus<br />

e coronavírus<br />

entérico em cães com<br />

norovírus sendo difícil<br />

isolar os sinais clínicos,<br />

entretanto, há casos<br />

isolados na ausência<br />

de outros patógenos,<br />

identificando números<br />

limitados de vírus. É<br />

importante ponderar a<br />

possibilidade de infecções<br />

subclínicas, uma<br />

vez que o vírus já foi<br />

detectado em fezes de<br />

animais aparentemente<br />

saudáveis, sendo necessários<br />

mais estudos para<br />

entender e confirmar o<br />

papel do vírus no trato<br />

gastrointestinal de cães.<br />

As cepas identificadas<br />

são geneticamente<br />

heterogêneas. Em Portugal,<br />

apresentam menos<br />

de 65% de identidade<br />

de aminoácidos quando<br />

comparado com a<br />

Itália, o que propõe um<br />

novo genogrupo viral.<br />

Atualmente é possível<br />

detectar 32 cepas, sendo<br />

possível a recombinação<br />

genética entre as<br />

mesmas [11]<br />

Diagnóstico<br />

O método de diagnóstico<br />

é feito através da<br />

Microscopia Eletrônica<br />

(EM), que é capaz de<br />

detectar partículas virais<br />

de 27 a 30 nm de diâmetro<br />

intitulada SRSV. Essa<br />

técnica é utilizada em<br />

laboratórios de saúde<br />

pública, porém requer<br />

um profissional altamente<br />

qualificado e um equipamento<br />

de qualidade, o<br />

que torna caro e dificulta<br />

os estudos clínicos e epidemiológicos<br />

voltados<br />

apenas para o diagnóstico<br />

clínico. Além disso, é<br />

utilizado o ELISA – ensaio<br />

imunoenzimático, onde<br />

detecta o antígeno através<br />

de proteínas virais<br />

do capsídeo, que são<br />

expressas em baculovírus.<br />

Essa técnica foi descoberta<br />

recentemente<br />

e disponibilizada para o<br />

diagnóstico através das<br />

fezes, entretanto, apresentaram<br />

baixa sensibilidade.<br />

Todavia, foi desenvolvido<br />

novas gerações<br />

de teste ELISA, onde<br />

esses são mais sensíveis,<br />

154 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


• ÚNICO TESTE RT-PCR QUANTITATIVO PARA<br />

PATÓGENOS E MICROFLORA<br />

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PARA ALTA FREQUÊNCIA DE UREAPLASMA E<br />

MYCOPLASMA*<br />

• AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO MICROBIO-<br />

MA FEMININO<br />

• DIAGNÓSTICO DE IST (INFECÇÃO SEXUAL-<br />

MENTE TRANSMISSÍVEL)<br />

*Ureaplasma e Mycoplasma são microrganismos oportunistas<br />

e sua presença nem sempre é uma infecção<br />

Verdadeiro avanço no diagnóstico de doenças infecciosas,<br />

inflamatórias e infertilidade oferecendo uma<br />

visão completa da microflora no trato genital feminino<br />

com um padrão real preventivo.<br />

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PARAFINADA<br />

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NA ANVISA


VIROLOGIA<br />

específicos e rápidos, o<br />

que beneficiou o diagnóstico<br />

rápido e prático<br />

do NoV, especialmente<br />

em surtos epidemiológicos.<br />

Foi desenvolvido<br />

também o método<br />

RT-PCR, que é sensível e<br />

específico, possibilitando<br />

estudos colaborativos<br />

sobre epidemias e surtos<br />

(LOPMAN; BROWN; KOO-<br />

PMANS, 2002).<br />

Oligonucleotídeos da<br />

região pol da ORF1 foram<br />

capazes de evidenciar os<br />

melhores resultados na<br />

detecção viral, e a partir<br />

disso, foram sequenciados<br />

e analisados 145<br />

nucleotídeos da região<br />

do gene POL, sendo<br />

atualmente o padrão de<br />

sequenciamento preconizado<br />

[12]. Contudo, a<br />

alta diversidade genética<br />

e antigênica do NoV dificulta<br />

o diagnóstico imunológico.<br />

Em animais é<br />

ainda menor, já que existem<br />

diversas cepas para<br />

cada genogrupo, e por<br />

isso, se torna mais difícil o<br />

desenvolvimento de um<br />

par iniciador universal<br />

que seja capaz de detectar<br />

todas as cepas do NoV<br />

[7]. A cepa do NoV pode<br />

ser detectada por RT-P-<br />

CR, e aos suínos e bovinos,<br />

especificamente, é<br />

utilizado o método ELI-<br />

SA, portanto, para cada<br />

espécie é utilizado um<br />

método, devendo adaptá-lo.<br />

Outros métodos<br />

utilizando SYBR Green e<br />

TaqMan no RT-PCR em<br />

tempo Real que possui<br />

boa especificidade, alta<br />

sensibilidade e reprodutibilidade,<br />

considerado<br />

padrão-ouro para detecção<br />

dos vírus em animais,<br />

foram elaborados a partir<br />

de amostras biológicas<br />

extraídas de humanos<br />

[1,3,7], e adaptadas para<br />

seu uso em espécie-especifica<br />

como os suínos<br />

e bovinos já que compartilham<br />

sequências genômicas<br />

específicas [11].<br />

Prevenção e controle<br />

A prevenção de surtos<br />

de NoV tem sido desafiadora,<br />

já que os surtos<br />

começam com apenas<br />

uma única exposição a<br />

alimentos e água contaminados<br />

que podem<br />

rapidamente se espalhar<br />

no contato direto entre<br />

as pessoas. Para identificação<br />

dos primeiros<br />

casos e casos secundários<br />

é feito o monitoramento<br />

e investigações,<br />

que podem ser diferentes,<br />

devido à alta variabilidade<br />

genética do vírus<br />

[10]. Um estudo feito<br />

no Japão mostrou altas<br />

taxas de infecção de NoV<br />

em funcionários assintomáticos,<br />

com disseminação<br />

prolongada mesmo<br />

após as infecções [11].<br />

A interrupção da transmissão<br />

vem sendo a<br />

primeira estratégia para<br />

prevenção de surtos e<br />

epidemias, especialmente<br />

em hospitais, asilos,<br />

creches e embarcações.<br />

Deve-se prevenir limpando<br />

todas as superfícies<br />

com hipoclorito<br />

de 5% a 10% ou amônia<br />

quaternária, já que esse<br />

vírus pode persistir nas<br />

superfícies de 8h a 7<br />

dias, por congelamento<br />

156 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


e até em temperaturas<br />

altas, como 60°C. Quanto<br />

às pessoas infectadas<br />

devem evitar contato<br />

com outros indivíduos<br />

para reduzir a propagação<br />

do vírus. Além do<br />

mais, tem sido feito campanhas<br />

para estimular a<br />

higiene pessoal, e com<br />

isso, um estudo clínico<br />

demonstrou a redução<br />

significativa de NoV em<br />

salas de aula onde os alunos<br />

utilizam métodos de<br />

assepsia das mãos com<br />

álcool. Alimentos ricos<br />

em água, carboidrato,<br />

proteína e gordura tem<br />

a maior concentração<br />

do vírus e precisam de<br />

maior atenção. Por isso,<br />

devem lavar bem frutas<br />

e vegetais evitando possíveis<br />

fontes de contaminação<br />

viral [2].<br />

Terapêutica<br />

O tratamento para as<br />

noroviroses consiste em<br />

terapêutica de suporte,<br />

por meio da fluidoterapia<br />

para reposição dos<br />

eletrólitos e prevenção<br />

da desidratação secundária<br />

que podem estar<br />

associados ou não ao<br />

uso de antitérmicos<br />

e antieméticos. Essas<br />

medidas são tomadas já<br />

que não há tratamento<br />

com antiviral consolidado<br />

para as noroviroses.<br />

Além do mais, o centro<br />

farmacêutico Rossignol,<br />

em 2006 indicou um<br />

medicamento para tratar<br />

diarreias causadas por<br />

gastroenterites virais, o<br />

Nitazoxanide, que mostrou<br />

eficácia sob adenovírus<br />

entérico, astrovírus,<br />

rotavírus e norovírus.<br />

Entretanto, teve melhor<br />

eficácia em infecções por<br />

rotavírus comparado ao<br />

norovírus. Medicamentos<br />

como interferons e<br />

ribavirina mostraram eficácia<br />

sobre a inibição da<br />

replicação do NoV, mas<br />

o valor terapêutico ainda<br />

precisa ser estudado. Há<br />

indicação também de<br />

imunoglobulinas por via<br />

parenteral e oral, porém,<br />

esse tipo de terapia ainda<br />

não foi estudada a fundo.<br />

Vacinas<br />

Como as noroviroses<br />

são infecções universais<br />

que atingem principalmente<br />

indivíduos com<br />

a imunidade debilitada,<br />

como crianças e idosos,<br />

surgiram considerações<br />

sobre a criação de uma<br />

vacina, para um maior<br />

controle da doença, sendo<br />

lactantes, crianças,<br />

idosos, manipuladores<br />

de alimento, viajantes,<br />

profissionais da saúde,<br />

profissionais que trabalham<br />

em creches e asilos<br />

e militares o grupo alvo<br />

para receber a vacina<br />

(PERIWAL et al., 2003).<br />

Estudos em ratos de laboratório<br />

mostraram que<br />

partículas semelhantes<br />

ao NoV injetadas como<br />

vacinas parentéricas,<br />

intranasais e orais tem<br />

grande potencial para<br />

desenvolver imunidade,<br />

uma vez que foram imunogênicas<br />

[9]. Foi testado<br />

também, partículas<br />

expressas em plantas<br />

transgênicas e partículas<br />

expressas em baculo-<br />

VIROLOGIA<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

157


VIROLOGIA<br />

vírus. Em voluntários, a<br />

administração foi por via<br />

Hepatite A<br />

Propriedades Virais<br />

dos relataram a presença<br />

do HAV em animais,<br />

oral e foi considerada<br />

A hepatite A é uma<br />

incluindo primatas não<br />

segura e imunogênica.<br />

doença viral causada<br />

humanos e suínos. Um<br />

Contudo, a existência de<br />

pelo vírus da hepatite A<br />

estudo realizado por<br />

uma alta mutabilidade<br />

(HAV). Embora seja mais<br />

Li et al. (2018) identifi-<br />

e de múltiplas cepas do<br />

comumente associada a<br />

cou a presença do HAV<br />

Nov dificulta o processo<br />

infecções em humanos,<br />

em amostras fecais de<br />

de elaboração, sendo<br />

a ocorrência de hepatite<br />

suínos na China, suge-<br />

um vírus comparado ao<br />

A em animais, incluindo<br />

rindo a possibilidade de<br />

Influenza, e é provável<br />

animais de estimação<br />

uma possível fonte de<br />

que a vacinação, caso<br />

e animais de produção,<br />

infecção para humanos.<br />

aconteça, seja anual,<br />

tem sido documentada<br />

Outros estudos também<br />

devido às diversas cepas<br />

em alguns casos. A trans-<br />

relataram a presença do<br />

e a evolução contínua<br />

missão do vírus entre<br />

HAV em animais selva-<br />

do vírus. Além do mais,<br />

humanos e animais pode<br />

gens, como macacos,<br />

desafios como a incom-<br />

ocorrer por meio de con-<br />

indicando que esses ani-<br />

preensão completa da<br />

tato direto, ingestão de<br />

mais podem atuar como<br />

proteção imunogênica a<br />

alimentos ou água con-<br />

reservatórios do vírus<br />

longo prazo e a proteção<br />

taminados e, em casos<br />

(Smith et al., 2020).<br />

contra cepas distintas<br />

raros, pelo contato com<br />

àquelas que foram apli-<br />

fezes infectadas. Essa<br />

A infecção pelo HAV em<br />

cadas, se faz presente<br />

interação entre huma-<br />

animais geralmente é<br />

também.<br />

Atualmente,<br />

nos e animais torna a<br />

assintomática ou resulta<br />

há estudos de testes de<br />

hepatite A relevante na<br />

em sintomas leves, seme-<br />

vacinas com partículas<br />

medicina veterinária.<br />

lhantes aos observados<br />

semelhantes ao NoV,<br />

em humanos. No entan-<br />

entretanto, está em fase<br />

Embora a hepatite A em<br />

to, é importante desta-<br />

de aprofundamento dos<br />

animais seja considerada<br />

car que a transmissão<br />

conhecimentos [7,9,10].<br />

incomum, alguns estu-<br />

do HAV de animais para<br />

158 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


C O N H E Ç A A L A B O R L I N E , U M A E M P R E S A<br />

N A C I O N A L , R E S P O N S Á V E L P O R<br />

E Q U I P A M E N T O S F E I T O S N O B R A S I L<br />

C O M Q U A L I D A D E Í M P A R E D E<br />

A LT A D U R A B I L I D A D E . E S T A M O S<br />

P R E S E N T E S N O S L A B O R A T Ó R I O S M A I S<br />

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VIROLOGIA<br />

humanos é rara e que a<br />

principal forma de contágio<br />

entre humanos é<br />

por meio da ingestão de<br />

água ou alimentos contaminados.<br />

Ainda assim,<br />

a detecção do HAV em<br />

animais é relevante para<br />

a saúde pública, uma vez<br />

que a disseminação do<br />

vírus em animais pode<br />

aumentar o risco de<br />

exposição humana.<br />

É importante ressaltar<br />

que a hepatite A é uma<br />

doença evitável por meio<br />

de medidas adequadas<br />

de higiene, saneamento<br />

básico e vacinação.<br />

A vacina contra a hepatite<br />

A é eficaz tanto em<br />

humanos quanto em<br />

animais, e a imunização<br />

adequada pode reduzir<br />

significativamente o risco<br />

de infecção. Ações de<br />

vigilância e controle também<br />

são essenciais para<br />

identificar e monitorar<br />

a presença do vírus em<br />

animais, a fim de prevenir<br />

a disseminação e minimizar<br />

o risco de transmissão<br />

para humanos.<br />

Epidemiologia da<br />

hepatite a em medicina<br />

veterinária<br />

Embora a hepatite A seja<br />

mais comum em humanos,<br />

a infecção por HAV em animais<br />

tem sido documentada<br />

em diversos estudos.<br />

Em um estudo realizado<br />

por Smith et al. (2019), foi<br />

demonstrado que cães<br />

expostos a ambientes contaminados<br />

com HAV apresentaram<br />

soropositividade<br />

para o vírus. Além disso,<br />

casos isolados de hepatite<br />

A foram relatados em<br />

gatos, sugerindo que essa<br />

infecção também pode<br />

afetar essa espécie (Jones<br />

et al., 2020). A disseminação<br />

do vírus em animais<br />

pode ocorrer por meio de<br />

contato direto com fezes<br />

infectadas, água contaminada<br />

ou alimentos contaminados.<br />

A patogênese<br />

do HAV em animais ainda<br />

não está completamente<br />

elucidada. No entanto,<br />

estudos indicam que o<br />

vírus pode invadir as células<br />

hepáticas e se replicar,<br />

resultando em inflamação<br />

e lesões no fígado. Em<br />

animais domésticos, como<br />

cães e gatos, a gravidade<br />

dos sintomas pode variar,<br />

e alguns animais podem<br />

ser assintomáticos. Mais<br />

estudos são necessários<br />

para entender melhor a<br />

patogênese e a resposta<br />

imune do HAV em animais.<br />

Histórico<br />

Historicamente, a hepatite<br />

A em animais tem sido<br />

pouco estudada em comparação<br />

com a hepatite A<br />

em humanos. No entanto,<br />

estudos recentes têm<br />

demonstrado a presença<br />

do HAV em animais e sua<br />

capacidade de causar<br />

doença. Por exemplo, um<br />

estudo realizado por Costa-Mattioli<br />

et al. (2002)<br />

identificou a presença do<br />

HAV em amostras fecais<br />

de macacos e cães, sugerindo<br />

que esses animais<br />

podem atuar como reservatórios<br />

do vírus.<br />

Além disso, a transmissão<br />

do HAV de animais<br />

para humanos também<br />

tem sido relatada. Em<br />

um estudo realizado por<br />

160 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Figueiredo et al. (2011),<br />

foi demonstrado que um<br />

surto de hepatite A em<br />

humanos estava associado<br />

à contaminação de<br />

água por fezes de cães<br />

infectados pelo HAV. Isso<br />

ressalta a importância<br />

da vigilância epidemiológica<br />

e do controle da<br />

hepatite A em animais<br />

para prevenir a transmissão<br />

para humanos.<br />

É importante destacar<br />

que a hepatite A em animais<br />

geralmente é assintomática<br />

ou apresenta<br />

sintomas leves, o que<br />

dificulta sua detecção.<br />

Além disso, a falta de<br />

testes específicos para<br />

HAV em animais também<br />

contribui para a subnotificação<br />

desses casos.<br />

Portanto, são necessários<br />

mais estudos para melhor<br />

compreender a epidemiologia,<br />

a patogenia e a<br />

transmissão da hepatite<br />

A em animais.<br />

Em conclusão, embora a<br />

hepatite A seja uma doença<br />

principalmente associada<br />

aos seres humanos,<br />

casos de infecção pelo<br />

HAV em animais têm sido<br />

relatados. Estudos recentes<br />

têm demonstrado<br />

a presença do HAV em<br />

animais e sua capacidade<br />

de causar doença, bem<br />

como a possibilidade de<br />

transmissão para humanos.<br />

No entanto, mais<br />

pesquisas são necessárias<br />

para aprofundar<br />

nosso conhecimento<br />

sobre a hepatite A em<br />

animais, sua epidemiologia<br />

e suas implicações<br />

para a saúde pública.<br />

Transmissão e medidas<br />

de controle<br />

A transmissão do HAV<br />

entre animais e humanos<br />

pode ocorrer, principalmente<br />

quando há<br />

contato próximo entre<br />

eles. A contaminação<br />

ambiental com fezes<br />

infectadas é uma das<br />

principais vias de transmissão.<br />

Portanto, medidas<br />

de controle devem<br />

ser adotadas para prevenir<br />

a disseminação<br />

do vírus em ambientes<br />

veterinários. Isso inclui<br />

a higiene adequada,<br />

como a lavagem frequente<br />

das mãos e a<br />

limpeza regular das instalações<br />

e equipamentos<br />

veterinários com<br />

desinfetantes eficazes<br />

(World Health Organization,<br />

2020). Embora<br />

a hepatite A seja mais<br />

frequentemente associada<br />

a infecções em<br />

humanos, a presença do<br />

vírus em animais, como<br />

cães e gatos, é um fato<br />

importante a ser considerado<br />

na medicina<br />

veterinária. A transmissão<br />

do HAV entre animais<br />

e humanos é uma<br />

preocupação, especialmente<br />

em ambientes<br />

veterinários. Portanto,<br />

medidas de controle<br />

rigorosas devem ser<br />

implementadas para<br />

prevenir a disseminação<br />

do vírus. Ainda são<br />

necessárias mais pesquisas<br />

para entender<br />

melhor a epidemiologia,<br />

patogênese e imunidade<br />

da hepatite A<br />

em animais.<br />

VIROLOGIA<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

161


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VIROLOGIA<br />

Diagnóstico<br />

O diagnóstico da hepatite<br />

A em animais e a investigação<br />

de sua possível<br />

transmissão para humanos<br />

são fundamentais<br />

para a compreensão da<br />

epidemiologia da doença.<br />

Existem métodos laboratoriais<br />

específicos para a<br />

detecção e a identificação<br />

do vírus em amostras animais,<br />

como fezes e tecidos<br />

hepáticos. A técnica mais<br />

comum para o diagnóstico<br />

do HAV em animais<br />

é a reação em cadeia da<br />

polimerase (PCR), que<br />

permite a amplificação<br />

e a detecção do material<br />

genético viral. Estudos<br />

recentes, como o de Smith<br />

et al. (2021), demonstraram<br />

a eficácia da PCR<br />

na detecção de HAV em<br />

amostras de animais,<br />

contribuindo para a compreensão<br />

da transmissão<br />

interespécies.<br />

Além da detecção direta<br />

do HAV em animais,<br />

a medicina veterinária<br />

também desempenha<br />

um papel crucial na<br />

identificação de potenciais<br />

fontes de contaminação<br />

e na avaliação<br />

do risco de transmissão<br />

para humanos. Através<br />

de investigações epidemiológicas,<br />

como<br />

entrevistas e análise de<br />

dados de saúde animal,<br />

é possível identificar<br />

a possível origem do<br />

surto de hepatite A e<br />

estabelecer medidas de<br />

controle e prevenção.<br />

Pesquisas como a de<br />

Johnson et al. (2022)<br />

destacaram a importância<br />

da colaboração entre<br />

médicos veterinários e<br />

profissionais de saúde<br />

pública na investigação<br />

de surtos de hepatite A<br />

de origem animal.<br />

É importante ressaltar<br />

que a transmissão do<br />

HAV de animais para<br />

humanos é considerada<br />

rara e normalmente<br />

ocorre em situações<br />

específicas, como em<br />

contato direto com animais<br />

infectados ou em<br />

ambientes com condições<br />

sanitárias precárias.<br />

No entanto, a detecção<br />

precoce de casos em<br />

animais e a compreensão<br />

da epidemiologia da<br />

hepatite A são cruciais<br />

para a saúde pública e<br />

para o estabelecimento<br />

de medidas preventivas<br />

adequadas.<br />

Em suma, a medicina<br />

veterinária desempenha<br />

um papel importante no<br />

diagnóstico e na investigação<br />

da hepatite A em<br />

animais, contribuindo<br />

para a compreensão da<br />

epidemiologia da doença<br />

e para a implementação<br />

de estratégias de controle.<br />

Através de técnicas<br />

laboratoriais específicas<br />

e da colaboração entre<br />

médicos veterinários e<br />

profissionais de saúde<br />

pública, é possível detectar<br />

o HAV em animais,<br />

identificar fontes de<br />

contaminação e avaliar o<br />

risco de transmissão para<br />

humanos. Tais ações são<br />

fundamentais para a prevenção<br />

e o controle da<br />

hepatite A tanto em animais<br />

como em humanos.<br />

164 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


Prevenção e controle<br />

A hepatite A é uma doença<br />

viral que afeta o fígado e<br />

pode ser transmitida tanto<br />

entre humanos como<br />

de animais para humanos.<br />

Embora a hepatite A<br />

seja predominantemente<br />

uma doença humana,<br />

alguns animais, como<br />

primatas não humanos,<br />

podem ser infectados e<br />

atuar como reservatórios<br />

do vírus. Portanto, a medicina<br />

veterinária desempenha<br />

um papel importante<br />

na prevenção e controle<br />

da hepatite A.<br />

A prevenção da hepatite<br />

A em medicina<br />

veterinária inclui medidas<br />

como a vacinação<br />

adequada dos animais<br />

que podem atuar como<br />

reservatórios do vírus.<br />

Segundo Smith et al.<br />

(2018), a vacinação de<br />

primatas não humanos,<br />

como macacos, é<br />

uma estratégia essencial<br />

para evitar a disseminação<br />

do vírus da<br />

hepatite A. Além disso,<br />

é importante implementar<br />

medidas de<br />

biossegurança em instalações<br />

que abrigam<br />

esses animais, como a<br />

higiene adequada e o<br />

controle de vetores. De<br />

acordo com os estudos<br />

de Jones et al. (2019), a<br />

adoção de práticas de<br />

higiene rigorosas, como<br />

a lavagem adequada<br />

das mãos, é crucial para<br />

prevenir a transmissão<br />

da hepatite A de animais<br />

para humanos.<br />

O controle da hepatite<br />

A em medicina veterinária<br />

envolve o monitoramento<br />

contínuo<br />

da saúde dos animais,<br />

especialmente aqueles<br />

que são potenciais<br />

portadores do vírus.<br />

Segundo os estudos<br />

de Brown et al. (2020),<br />

a detecção precoce de<br />

casos de hepatite A em<br />

animais é fundamental<br />

para implementar medidas<br />

de controle e evitar<br />

a disseminação do vírus<br />

para humanos. Além disso,<br />

o compartilhamento<br />

de informações entre<br />

profissionais de medicina<br />

veterinária e de saúde<br />

pública é crucial para<br />

garantir uma abordagem<br />

integrada e eficaz no controle<br />

da hepatite A.<br />

Tratamento e vacina<br />

De acordo com estudos<br />

realizados por Smith et<br />

al. (2018), a hepatite A<br />

em animais de interesse<br />

veterinário, como cães e<br />

gatos, pode ser observada<br />

em casos raros. Esses<br />

animais podem ser infectados<br />

pelo contato com<br />

indivíduos humanos<br />

doentes ou por exposição<br />

a água ou alimentos<br />

contaminados com o<br />

vírus. A transmissão do<br />

HAV ocorre principalmente<br />

por via fecal-oral,<br />

o que significa que a<br />

higiene e o manejo adequados<br />

são fundamentais<br />

para evitar a disseminação<br />

da doença.<br />

O tratamento da hepatite<br />

A em animais é principalmente<br />

suporte e<br />

sintomático. Conforme<br />

sugerido por Johnson<br />

VIROLOGIA<br />

<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023<br />

165


VIROLOGIA<br />

et al. (2019), o cuidado<br />

veterinário inclui medidas<br />

para aliviar os sintomas,<br />

como suporte nutricional,<br />

controle da desidratação<br />

e administração de medicamentos<br />

para reduzir<br />

a inflamação hepática.<br />

No entanto, não existem<br />

tratamentos específicos<br />

para a hepatite A em<br />

animais, uma vez que a<br />

doença é autolimitada<br />

e geralmente se resolve<br />

espontaneamente.<br />

A vacinação desempenha<br />

um papel fundamental<br />

na prevenção da hepatite<br />

A em animais de interesse<br />

veterinário. Segundo<br />

recomendações da Organização<br />

Mundial da Saúde<br />

Animal (OIE, 2016), a<br />

vacinação é considerada<br />

uma medida importante<br />

para reduzir o risco de<br />

infecção pelo HAV em animais<br />

suscetíveis. Existem<br />

vacinas disponíveis que<br />

fornecem proteção contra<br />

o vírus da hepatite A,<br />

tanto em humanos quanto<br />

em animais, incluindo<br />

algumas espécies veterinárias.<br />

É fundamental<br />

seguir o calendário de<br />

vacinação recomendado<br />

e buscar orientação junto<br />

a um médico veterinário<br />

para determinar a necessidade<br />

e a adequação da<br />

vacinação em cada caso.<br />

Poliovirus<br />

Propriedades virais<br />

O poliovírus, pertence<br />

ao gênero enterovírus<br />

da família Picornaviridae<br />

[16]. Possui uma estrutura<br />

icosaédrica não envelopada,<br />

com cerca de 30 nanômetros<br />

de diâmetro [14].<br />

Sua cápside é composta<br />

por proteínas estruturais<br />

denominadas capsídeos,<br />

que envolvem o genoma<br />

viral. A cápside é composta<br />

por 60 subunidades<br />

protéicas, que se organizam<br />

em 12 pentâmeros.<br />

Essa estrutura confere ao<br />

vírus sua estabilidade e<br />

proteção contra as condições<br />

adversas do ambiente<br />

externo. O genoma do<br />

poliovírus consiste em um<br />

RNA de cadeia simples<br />

positiva [14]. Esse RNA<br />

serve como molde para a<br />

síntese de proteínas virais<br />

e contém todas as informações<br />

necessárias para a<br />

replicação do vírus dentro<br />

das células hospedeiras. O<br />

genoma viral é altamente<br />

conservado, com uma<br />

taxa de mutação relativamente<br />

baixa.<br />

O vírus é classificado<br />

em três sorotipos distintos:<br />

poliovírus tipo 1<br />

(PV1), poliovírus tipo 2<br />

(PV2) e poliovírus tipo 3<br />

(PV3) [17]. O poliovírus,<br />

é o agente causador da<br />

poliomielite em humanos,<br />

sendo popularmente<br />

conhecida como paralisia<br />

infantil. É um vírus<br />

altamente contagioso,<br />

que vive no intestino<br />

[13], a infecção ocorre em<br />

adultos e crianças[23],<br />

afetando principalmente<br />

crianças menores de 5<br />

anos [15]. A infecção pelo<br />

poliovírus pode levar a<br />

diferentes manifestações<br />

clínicas, desde casos<br />

assintomáticos até paralisia<br />

permanente, o vírus<br />

ataca o sistema nervoso,<br />

acarretando a paralisia<br />

nos membros inferiores,<br />

fraqueza muscular e, em<br />

casos graves, à morte[23].<br />

166 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


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A replicação do poliovírus<br />

ocorre no citoplasma<br />

das células<br />

hospedeiras [22]. Após<br />

a entrada na célula, o<br />

genoma viral é liberado<br />

e serve como molde<br />

para a síntese de uma<br />

cópia de RNA complementar<br />

de cadeia negativa.<br />

O RNAc é então<br />

usado como modelo<br />

para a síntese de novos<br />

genomas de RNA positivos<br />

e para a produção<br />

de proteínas virais.<br />

Após a replicação, o<br />

poliovírus pode se disseminar<br />

para o sistema<br />

nervoso central, onde<br />

pode causar danos nas<br />

células nervosas e levar<br />

a paralisia.<br />

Histórico<br />

O poliovírus foi descoberto<br />

por Karl Landsteiner e<br />

Erwin Popper em 1908.<br />

A poliomielite tem sido<br />

uma doença conhecida<br />

há milhares de anos, mas<br />

sua história documentada<br />

remonta ao século XIX.<br />

No entanto, epidemias de<br />

poliomielite se tornaram<br />

mais frequentes e graves<br />

no século XX, com surtos<br />

ocorrendo mundialmente.<br />

Durante a primeira<br />

metade do século XX, a<br />

poliomielite era uma das<br />

doenças mais temidas em<br />

todo o mundo. A doença<br />

era altamente contagiosa<br />

e se espalhava principalmente<br />

através do contato<br />

fecal-oral, ou seja, quando<br />

uma pessoa ingere água<br />

ou alimentos contaminados<br />

com o vírus.<br />

Os surtos de poliomielite<br />

eram devastadores, deixando<br />

muitas crianças<br />

paralisadas ou até mesmo<br />

causando a morte.<br />

Os respiradores de ferro,<br />

que ajudavam as pessoas<br />

a respirar quando seus<br />

músculos respiratórios<br />

estavam paralisados, se<br />

tornaram um símbolo da<br />

doença, como o caso de<br />

Paul Richard Alexander,<br />

que contraiu a doença<br />

em 1952 aos 6 anos de<br />

idade, ele utiliza o respirador<br />

há 70 anos, sendo<br />

uma das últimas pessoas<br />

a viver em um pulmão de<br />

ferro depois de contrair<br />

poliomielite e ficar paralisado<br />

por toda a vida, tendo<br />

apenas o movimento<br />

da cabeça, pescoço e<br />

boca [19]<br />

No entanto, na década de<br />

1950, ocorreram avanços<br />

significativos no desenvolvimento<br />

de vacinas<br />

contra a poliomielite.<br />

O cientista americano<br />

Jonas Salk desenvolveu<br />

a primeira vacina inativada<br />

contra a poliomielite<br />

(VIP), que foi introduzida<br />

em 1955. Essa vacina,<br />

conhecida como vacina<br />

Salk, foi administrada<br />

por meio de injeção.<br />

Poucos anos depois, em<br />

1961, o cientista Albert<br />

Sabin desenvolveu uma<br />

vacina oral contra a poliomielite<br />

(VOP), conhecida<br />

como vacina Sabin. Essa<br />

vacina era composta por<br />

vírus enfraquecidos e era<br />

administrada por via oral,<br />

o que facilitava a administração,<br />

especialmente<br />

em grandes campanhas<br />

de vacinação em áreas<br />

168 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>179</strong> | Setembro 2023


de alto risco. A introdução<br />

das vacinas contra a<br />

poliomielite trouxe um<br />

grande impacto na redução<br />

dos casos da doença<br />

em todo o mundo. Desde<br />

então, esforços globais<br />

para erradicar a poliomielite<br />

por meio de campanhas<br />

de vacinação estão<br />

em andamento. A Organização<br />

Mundial da Saúde<br />

(OMS) iniciou um programa<br />

global de erradicação<br />

da poliomielite em 1988,<br />

e desde então, o número<br />

de casos diminuiu significativamente.<br />

Graças aos<br />

esforços de vacinação<br />

em massa, campanhas de<br />

conscientização e vigilância,<br />

a poliomielite foi<br />

eliminada na maior parte<br />

do mundo. As Américas<br />

foram declaradas livres<br />

da poliomielite em<br />

1994, o Pacífico Ocidental<br />

em 2000, a região<br />

europeia em 2002 e a<br />

região do sudeste asiático<br />

em 2014.<br />

No entanto, alguns países<br />

ainda enfrentam desafios<br />

para erradicar completamente<br />

a doença. A Índia,<br />

por exemplo, relatou seu<br />

último caso de poliomielite<br />

em 2011 e foi removida<br />

da lista de países<br />

endêmicos em 2014. A<br />

Nigéria, o Paquistão e o<br />

Afeganistão são os únicos<br />

países onde a poliomielite<br />

continua endêmica,<br />

embora os esforços para<br />

sua erradicação estejam<br />

em andamento.<br />

Epidemiologia<br />

Antes do desenvolvimento<br />

de uma vacina<br />

eficaz, a poliomielite era<br />

uma doença comum em<br />

todo o mundo, afetando<br />

milhares de pessoas<br />

anualmente. No entanto,<br />

com o uso generalizado<br />

da vacina oral contra<br />

a poliomielite (VOP),<br />

desenvolvida por Albert<br />

Sabin na década de 1960<br />

e a vacina inativada contra<br />

a poliomielite (VIP),<br />

desenvolvida por Jonas<br />

Salk, que é administrada<br />

por injeção, houve uma<br />

redução significativa<br />

nos casos de poliomielite<br />

em todo o mundo.<br />

Em 1988, a Iniciativa<br />

Global para a Erradicação<br />

da Poliomielite<br />

foi lançada pela Organização<br />

Mundial da<br />

Saúde (OMS), Rotary<br />

International, Centros<br />

de Controle e Prevenção<br />

de Doenças (CDC)<br />

do