Revista Apólice #228

revistaapolice

Ano 22

Número 228

Dezembro 2017

Omar Ajame, CEO Emir Zanatto, COO Bruno Zangari, CFO

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editorial

Ano 22 - nº 228

Dezembro 2017

Esta revista é uma

publicação independente

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Revista Apólice

2018 será mais difícil?

Ouvi esta frase de executivos de seguradoras e, confesso,

me assustei. Em um cenário de inflação na casa dos 4% em 2017

e com taxas de juros mais baixas, as companhias seguradoras

terão que procurar o resultado operacional a todo custo. Aquelas

que já investiram no saneamento de sua carteira certamente

terão alguma vantagem competitiva. Este é um problema cíclico

do mercado de seguros. Certamente, não haverá espaço para

guerra de preços.

Da mesma forma, os corretores de seguros deverão sair em

busca de novos negócios, seja na forma de comercializar ou nos

produtos comercializados. A transformação digital que é citada

por todos já está incorporada ao mercado. A telemetria deve

adequar os produtos à forma de uso dos consumidores. O perfil

do consumidor também mudou. Ele não quer mais adquirir

alguma coisa que não vai usar. Por isso, os serviços agregados

farão ainda mais sentido nestes novos tempos, sejam eles para a

residência do segurado, para a viagem, para melhorar a atenção

à saúde. Inovação será uma palavra tão incorporada ao vocabulário

quanto prêmio ou sinistro.

E, por aqui, continuaremos seguindo pelo caminho de um

conteúdo de qualidade, para atender às necessidades daqueles

que querem saber o que acontece no mercado de seguros brasileiro,

as tendências e repercussões. Continuaremos investindo

na cobertura de eventos online, em diversas plataformas digitais.

Todo o trabalho desenvolvido pela Revista Apólice rendeu

três importantes reconhecimentos: o Prêmio Especialistas 2017,

promovido pelo Centro de Estudos da Comunicação; o Prêmio

de Jornalismo do Sincor-GO e o Prêmio Nacional de Jornalismo

em Seguros, realizado pela Fenacor. Só temos uma palavra a

dizer: obrigado!

Que venha 2018!

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

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sumário

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painel

gente

capa

Pioneira na otimização do trabalho do corretor com o lançamento

do Teleport, a TEx Tecnologia caminha para ser uma das maiores

empresas tecnológicas voltadas ao mercado de seguros

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| eventos

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cidadania

Prefeitura de São Paulo recebe doação, sem contrapartidas, de

serviço de monitoramento

educação

Soluções são discutidas em diversas esferas, mas o bullying está

longe de ter um fim. Setor reforça amparo às escolas e aos alunos

com seguro de Responsabilidade Civil

escolar

A regulamentação dos transportes escolares é feita pelos municípios,

que também são os responsáveis pela sua fiscalização

previdência

Com as mudanças propostas para a reforma da Previdência Social,

a previdência complementar ganha destaque e mais atenção da

sociedade

eleições

O ano de 2017 marca mudanças importantes no Clube dos Corretores

de Seguros da Costa da Mata Atlântica e no Sindicato dos

Corretores de Seguros da Bahia, de Goiás, de Pernambuco e de

Sergipe

lançamento

Empresa lança serviço de atendimento e acompanhamento de

sinistro nas carteiras de automóvel, vida, RE, RC e fiança locatícia

para facilitar a vida dos corretores de seguros

viagem

Descansar não deve ser motivo para deixar os seguros de lado.

Erros, acertos e experiências podem definir como serão as viagens

das férias

reconhecimento

Entidade entrega medalhas de homenagem para personalidades

do setor de seguros

simpósio

Clube Internacional de Seguro de Transporte promove evento para

debater as mudanças e desafios do setor

| comunicação

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painel

• ndestaque

Marco Antonio Rossi

é homenageado na Fides

A Federação Interamericana de Empresas

de Seguros (Fides) homenageou, na XXXVI

Conferência Hemisférica de Seguros, Marco

Antonio Rossi com o prêmio de segurador

com maior destaque, cuja morte completou

dois anos.

O executivo presidiu a Confederação Nacional

das Seguradoras (CNseg) e a Fides entre

2013 e 2015, além da Bradesco Seguros entre

2010 e 2015. A premiação póstuma foi recebida

pelo atual presidente da CNseg, Marcio

Coriolano, durante a conferência realizada em

El Salvador.

“Rossi sempre será lembrado por suas conquistas importantes para a indústria

de seguros e para o Brasil. Um homem de diálogo, ele foi reconhecido

por seu dinamismo, sua capacidade de liderança e por sua doçura em lidar

com todos ao seu redor”, destacou Coriolano.

• nautomóvel

Aprovada livre escolha

de oficinas

A Câmara dos Deputados aprovou a

proposta que garante aos contratantes de

seguro de veículos o direito de livre escolha

das oficinas mecânicas e reparadoras, sempre

que for necessário acionar o seguro para

cobertura de danos ao veículo segurado ou

de terceiros. O texto segue para o Senado,

após receber sinal verde em última instância

pela Comissão de Constituição e Justiça.

A proposta foi aprovada com emendas.

As centrais de atendimento devem assegurar

o direito de livre escolha da oficina

reparadora e não apenas informar sobre

esse direito. Além disso, os veículos de

terceiros só podem ser levados para reparo

nas concessionárias se ainda estiverem na

garantia.

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painel

• nreconhecimento 1

Apólice leva Prêmio Nacional de

Jornalismo em Seguros

A Revista Apólice obteve a conquista máxima na categoria

Imprensa Especializada do 2º Prêmio de Jornalismo em

Seguros, promovido pela Fenacor. A matéria vencedora foi

“Um empurrãozinho para quem está começando”, da editora

Kelly Lubiato, que fala sobre os avanços disruptivos do setor

e aborda a aposta do mercado segurador nos desenvolvedores

de empresas para criar soluções capazes de revolucionar seus

produtos e serviços.

A cerimônia de premiação aconteceu no dia 29 de novembro

no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

• nreconhecimento 2

Editora da Apólice recebe

Prêmio Especialistas

O Prêmio Especialistas 2017 contemplou os jornalistas

vencedores em 31 segmentos da economia. A iniciativa já

está em sua terceira edição e é promovida pelo Centro de

Estudos da Comunicação (CECOM) e pela revista Negócios

da Comunicação.

Na categoria Seguros, os escolhidos foram Antonio Penteado

Mendonça, colunista do Jornal O Estado de S.Paulo;

Bóris Ber, apresentador do Programa Seguro; e Kelly Lubiato,

editora da Revista Apólice. “O mais importante deste

prêmio é que ele é um reconhecimento dos nossos pares

jornalistas e comunicadores, que escolhem os especialistas

de cada setor em votação livre”, afirmou a jornalista.

Kelly Lubiato recebe o prêmio de Rivaldo Leite, da Porto Seguro

Carlos Alberto Trindade, da SulAmérica, entrega o troféu a Kelly Lubiato

• nreconhecimento 3

Apólice vence o 3º Prêmio Sincor-GO de Jornalismo

Duas matérias da Revista Apólice conquistaram o

3º Prêmio de Jornalismo do Sincor-GO. Assinadas pela

repórter Amanda Cruz, “Ferramentas para crescer”

e “O destino das cargas” foram destaque na categoria

Mídia Especializada.

A primeira reuniu os principais temas abordados na

abertura do 20° Congresso de Corretores de Seguros,

realizado em Goiânia de 12 a 14 de outubro deste ano,

e revela as preocupações e perspectivas de grandes

nomes do setor e da política brasileira. Já “O destino

das cargas” mostra que, para um país que depende majoritariamente

de transporte rodoviário, o número de

roubos nas estradas assusta a população e o mercado

segurador. O Estado de Goiás é um dos afetados pelo

problema por conta da grande movimentação proveniente

da movimentação agropecuária.

Entregam o prêmio, Deivid Pereira, da Som.Us

e Ezequiel Pereira Neto, da PAC Assessoria

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• nseguro pirata

Grupo vai discutir mercado marginal

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) criará um grupo

de trabalho para discutir o mercado marginal. O objetivo é analisar

as atividades exercidas por associações, entidades e cooperativas que

oferecem, de forma irregular, coberturas securitárias e produtos com

características da operação de seguros.

A iniciativa busca colocar em discussão o mercado marginal

como um todo, não apenas a

chamada proteção veicular, para

que sejam adotadas medidas em

prol dos consumidores e do setor

de seguros supervisionado pela

autarquia. “Essas empresas não

cumprem as regras e os critérios

preestabelecidos pelo Conselho

Nacional de Seguros Privados e

a prática ilegal causa prejuízos à

população porque não há proteção

jurídica para o consumidor”,

alerta o superintendente, Joaquim

Mendanha de Ataídes.

• npesquisa

Colisões e atropelamentos

lideram fatalidades no trânsito

Um levantamento feito pelo Movimento Paulista

de Segurança no Trânsito, programa do Governo de

São Paulo que visa reduzir pela metade o número

de óbitos no Estado, mostra que 66% das fatalidades

envolvem colisões entre veículos e atropelamentos.

Em outubro deste ano, o número de mortes cresceu

3,4%. No acumulado do ano, a redução é de 1,7%

ante 2016.

De acordo com o Sistema de Informações

de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo

(Infosiga SP), 98,7% das vítimas desses dois grupos

foram atropeladas ou atingidas por outros veículos

após um choque. No caso dos ciclistas, 73,8% dos

óbitos ocorreram por colisão contra carros, motos,

ônibus ou caminhões. Dentre as motos, as colisões

correspondem a 56% das fatalidades. Já entre os

automóveis, a proporção é 52,8%.

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painel

• ncomemoração

25 anos de atuação no Brasil

Para celebrar os 25 anos de atividades no Brasil, a Mapfre

reuniu, em São Paulo, cerca de 500 colaboradores e as lideranças

da companhia. O presidente Antonio Huertas traçou

um panorama positivo para os negócios em solo brasileiro.

“O Brasil deve recuperar estabilidade política e econômica, e

vamos aproveitar essa oportunidade para crescer na região”,

disse.

Já o CEO Wilson Toneto reforçou a importância dos

funcionários para o sucesso da operação. “Chegamos a esse

‘um quarto de século’, com o reconhecimento que temos e na

posição que estamos, justamente por sempre enfrentarmos as

adversidades com criatividade, respeito e com o jeito Mapfre

que só quem atua ou já atuou conosco pode entender”, afirmou.

A agenda de comemoração contou ainda com encontros

com distribuidores, corretores, empresários e Governo.

• nproduto

Proteção digital para seguros

massificados

A Generali fechou uma parceria com a Affinion para

oferecer aos clientes da operadora TIM a proteção de dados

digitais. A solução também será fornecida aos clientes do

Banco BMG, parceiro da seguradora, nos produtos de seguro

prestamista atrelados a empréstimos consignados, disponibilizados

para aposentados e pensionistas.

O serviço, que leva o nome de Protege Web, é um modo

de proteger os dados dos usuários na internet e conscientizar

os consumidores a manterem-se preservados, minimizando

o risco de fraudes e exposição indevida de suas informações

pessoais.

“Vemos neste serviço

uma forma do segurado

tangibilizar o produto

de seguro. Além disso,

um cliente com dados

protegidos cria uma relação

de fidelidade com

a seguradora”, explica

Conrado Gordon, diretor

de Produtos Massificados

da Generali.

• ncampanha

Seguindo a tradição, Ameplan

Saúde anuncia seu evento!

Cumprindo a

tradição, no mês

de janeiro de cada

ano, a Ameplan

Saúde realiza o seu

evento comercial

para anunciar os

desafios de crescimento

no ano e o

programa de incentivos

(reconhecimento) para os seus representantes comerciais.

Marcelo Belber e Laureci Zeviani

Sempre elogiados pelos participantes, o evento é um

momento de muita descontração e de grande expectativa por

parte dos convidados.

A equipe comercial da Ameplan Saúde está preparando,

com o carinho de sempre, uma proposta bem provocativa (no

bom sentido!) de campanha de vendas, tanto no quesito desafio

quanto no programa de recompensas. Desafio e recompensa

sempre estiveram de mãos dadas em todas as suas campanhas.

“Muito embora os concorrentes tenham limitado ou extinguido

os seus programas de reconhecimento, nós fazemos

questão de continuar reconhecendo e premiando o esforço dos

nossos parceiros comerciais. Pode parecer fácil vender, mas

somente aqueles que já queimaram os seus braços no sol, carregando

uma pasta, é que sabem realmente como é desafiador

converter um proponente em um cliente de plano de saúde.”

comenta Laureci Zeviani, diretor comercial.

“Com certeza achamos muito justo retribuir os resultados

conquistados por nós, com programas que possibilitam ganhos

extras e viagens bem elaboradas, perfeitas na opinião de todos

os participantes. E fazemos o que podemos para que todos os

participantes se sintam acolhidos e reconhecidos durante o ano

todo, principalmente ao final da campanha, aqueles que fizeram

algo mais para o sucesso da Ameplan Saúde”, complementa

Marcelo Belber, gerente comercial.

Desta vez não será diferente, as aprovações e regulamentos

da campanha já estão praticamente prontos, passando pelos

últimos retoques e ajustes, para serem anunciados numa grande

festa a ser realizada no mês de janeiro, em dia, local e horário

a ser anunciado pela equipe comercial.

Para dar musculatura a esta campanha, estarão juntas

com a Ameplan Saúde algumas parceiras comerciais que já

participaram de outras campanhas: Corpore Administradora;

Dentalpar Assistência Odontológica; Divicom Administradora

e duas novas parcerias: Affix e a Hebron, Administradoras de

Benefícios que passam a fazer parte do time.

Bem-vindos a bordo, aqui só tem campeões: #PartiuBahia!

Os convites e detalhes do mega evento serão distribuídos

nas Corretoras e Plataformas participantes da campanha, a

partir do dia 2 de Janeiro de 2018.

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GENTE

Diretor para Auto e

Massificados

Rafael Ramalho é o novo diretor de Precificação e

Subscrição de Riscos de automóvel da SulAmérica. O executivo

chega à seguradora após

passagens por consultorias

estratégicas e empresas dos

ramos de seguros e automóvel.

Na companhia, contribuirá

com sua experiência em desenvolvimento

de modelos e

processos de precificação.

Ramalho reporta-se ao

vice-presidente de Auto e Massificados,

Eduardo Dal Ri.

Marketing e RH

Beatriz Cabral assumiu a

recém-criada diretoria de Marketing

e RH da MDS Brasil. A

empresa é parte do grupo multinacional

que atua na área da corretagem

de seguro e resseguro,

gestão de cativas e consultoria

de risco. Na companhia desde

2014, a executiva atuava como

gerente de Marketing, Comunicação e Desenvolvimento

Organizacional.

A criação da nova diretoria tem como objetivo consolidar

a identidade da companhia no Brasil, reforçando a colaboração

interna e entre as empresas do grupo. Além disso,

fortalecer um posicionamento de mercado mais alinhado à

estratégia global da marca.

Novo Superintendente

Comercial

A Sancor Seguros anuncia mais um reforço importante

para seu time comercial.

A liderança da equipe

será exercida por Rosimario

Pacheco. Profissional

com mais de 23 anos de

experiência em seguradora

multinacional.

Pacheco assume a Superintendência

Nacional

Comercial, que terá o desafio

de expandir a presença da

marca e alcançar as desafiantes

metas propostas para

o próximo exercício.

Mudanças na carteira de Auto

O diretor geral de Automóveis

do Grupo BB e Mapfre, Jabis Alexandre,

vai deixar a companhia. A

decisão foi confirmada pela assessoria

de imprensa da empresa, que

emitiu um comunicado à Revista

Apólice.

“As recentes mudanças na

carteira de automóvel do Grupo

Segurador Banco do Brasil e

Mapfre fazem parte de um plano

de sucessão estruturado de seus

líderes. O executivo ficará à frente da área durante o período de

transição. O seu sucessor, que assumirá a carteira, será divulgado

em breve pelo Grupo.”

Nova VP e novo diretor de TI

A Delphos fecha 2017 com a nomeação

de uma nova vice-presidente:

a diretora comercial e de marketing,

Elisabete Prado, que atua na empresa

desde 1980. O quadro organizacional

também ganhou um novo diretor

de Tecnologia da Informação. Quem

desempenhará a função será Carlos

Trindade, até então superintendente

de TI e Comunicação. Sua função

será liderar a provisão de sistemas

e tecnologias para otimizar a gestão

das organizações clientes, definir estratégias e buscar a criação

de novos formatos de negócios.

Troca na presidência

Após cinco anos à frente da

Swiss Re, Margo Black deixou a

empresa e anunciou aposentadoria.

Em seu lugar fica Mathias Jungen,

nomeado como CEO durante

um evento para clientes, parceiros

e colaboradores da resseguradora.

“Estou muito feliz e honrado com

esse novo desafio. Espero continuar

com o ritmo de sucesso que

a Swiss Re conquistou e mantém

em muitas fronteiras”, comentou

o executivo.

Jungen ingressou na companhia na filial de Zurique, em

2006, como atuário. Agora, terá como missão presidir a empresa

não só no Brasil, mas também no Cone Sul – principalmente

Argentina e Chile.

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capa | TEx

Inovação e

empreendedorismo no DNA

A TEx segue em

expansão e se

prepara para

lançar produtos

voltados também

às seguradoras no

próximo ano

Omar Ajame,

fundador e CEO da TEx

Uma década atrás, o mercado

segurador estava estagnado em

termos de inovação em tecnologia,

sobretudo em soluções

voltadas para corretoras de seguros. A

lacuna precisava ser preenchida por quem

realmente entendesse as necessidades das

corretoras. Quando ainda atuava como

diretor na corretora de seu pai, Omar Ajame,

fundador e CEO da TEx, viu que estava

na hora de desenvolver uma solução

que integrasse corretoras e seguradoras

em uma mesma plataforma, atendendo a

todos os processos de negócios das corretoras

e, ao mesmo tempo, preservando as

características e diferenciais dos produtos

das seguradoras, com todos os cuidados

necessários para que o foco não fosse o

preço, mas sim agilizar o processo de

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encontrar o produto ideal para cada segurado

e de aumentar as vendas. Assim

surgiu o Teleport, o primeiro sistema a

integrar venda e gestão de seguros em

uma única solução totalmente web.

“Lançamos o Teleport no Congresso

dos Corretores de Seguros (Conec)

de 2008, antes de fundarmos a TEx de

fato, o que aconteceu em março de 2009.

Como o Conec acontece a cada dois anos,

tivemos de escolher entre lançá-lo seis

meses antes do que seria o momento ideal

ou um ano e meio depois”, afirma Ajame.

Para o executivo, lançar a ferramenta

antes da companhia foi uma decisão

acertada, apesar de não ter sido nada

simples. Após colocar a TEx no mercado,

era preciso “quebrar” a resistência

dos consumidores. “Fazíamos reuniões

por todo o Brasil, mas como a maioria

dos empreendedores sabe, fechar os

primeiros clientes não é trivial, no início

é preciso provar tudo para todos. Foi um

desafio convencer corretoras e seguradoras

a trabalharem com uma startup, ainda

mais em uma época onde não havia essa

cultura no Brasil”, recorda.

Isso começou a mudar quando a TEx,

ainda no ano de sua fundação, obteve

o selo de Primeira Empresa Inovadora

(Prime), programa de subvenção econômica

da Finep e do Ministério da Ciência,

Tecnologia e Inovação. Os primeiros a

apostar neste modelo foram os grupos

de concessionárias, que aproveitaram o

boom das vendas de automóveis para

também iniciar suas operações em seguros.

Vistas como um filão interessante

pelo mercado segurador, as seguradoras

que não tinham expertise no ramo começaram

a trabalhar com essa possibilidade

e tiveram resultados positivos. “Menos

de dez corretoras no Brasil utilizavam

à época algum tipo de multicálculo,

normalmente próprios, feitos com autorização

das seguradoras. Acreditávamos

que com um modelo inovador e benéfico

para todos havia demanda para ampliarmos

consideravelmente este número”,

diz Ajame.

Pioneirismo

“Ficamos conhecidos por termos

criado o primeiro multicálculo que realmente

funciona em escala. É um reconhecimento

importante, que nos orgulha,

mas a plataforma é muito mais ampla e as

demais funcionalidades são igualmente

importantes para o sucesso dos nossos

clientes”, garante Omar Ajame, que classifica

o Teleport como uma ferramenta de

vendas que permite ao corretor fazer uma

gestão em alto nível e em tempo real de

seus negócios. “O Teleport integra gestão

de clientes e apólices, financeiro, CRM,

gerenciamento eletrônico de documentos

e multicálculo. Em uma mesma operação

o corretor vende, gera o boleto, a proposta

e os dados são cadastrados automaticamente,

o que elimina erros e retrabalho.

Isso gera um grande impacto positivo

pois os demais processos de negócio da

corretora, como o controle de emissões e

de comissões, deixam de ter problemas

decorrentes de erros de cadastro e dados

incompletos. Quando pessoas fazem este

trabalho manual e repetitivo, a taxa de

erro chega a 50%”, explica.

Para o multicálculo, a comunicação

com as companhias é feita via webservice,

sempre a partir de uma autorização

dada por cada seguradora às corretoras

que possuem volume de negócios compatíveis

e apresentam bons resultados. Uma

das principais vantagens da integração

via webservice é que as seguradoras comunicam

à TEx com antecedência sobre

alterações em seus sistemas e produtos,

de forma que as respetivas atualizações

possam ser desenvolvidas e disponibilizadas

no Teleport no mesmo dia que pelas

Seguradoras. Outro grande diferencial é

a transmissão eletrônica diretamente pelo

Teleport, sem a necessidade de finalizar

a contratação pelo site da Seguradora.

Como os dados são precisos e homologados

também pelas seguradoras, a empresa

garante precisão nos cálculos e transmissões

feitas através da ferramenta. Outros

sistemas que utilizam um modelo mais

antigo, comandados por robôs, acessam

diretamente os sites das seguradoras, quase

sempre sem autorização, o que além

de muito mais lento e impreciso, frequentemente

é bloqueado pela seguradoras,

❙❙O Campus TEx foi projetado para incentivar mais colaboração entre as equipes

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TEx

❙❙Sérgio Marinatto, da RBM Corretora

deixando de funcionar de um dia para o

outro e assim prejudicando o trabalho do

corretor. “A empresa que faz esse tipo de

processo não tem como garantir 100% de

precisão. Por conta disso, o corretor não

consegue efetivar o seguro diretamente

na ferramenta, que acaba servindo apenas

para comparar preços e não para vender

ou ter gestão sobre negócios e sobre a

corretora”, pontua o CEO.

Mesmo em relação a outros sistemas

que se comunicam via webservice com

as Seguradoras, o Teleport é o único que

possui todas as funcionalidades: cláusulas,

coberturas e descontos disponibilizadas

pelas Seguradoras.

O Teleport roda nos servidores da

própria TEx, o que garante muito mais

performance, em função da empresa

utilizar apenas equipamentos de última

geração e permite que as corretoras não

tenham mais que se preocupar com a gestão

destes equipamentos, com questões de

segurança cada vez mais importantes e

nem com backups ou com atualizações.

A TEx garante em contrato a confidencialidade

e a inviolabilidade dos

dados, além da não-concorrência com

seus clientes. “Deixamos absolutamente

claro que a propriedade dos dados é exclusiva

das Corretoras. Somos guardiões

dessas informações e especialistas em

manter estes dados seguros e íntegros.

Uma das principais razões do crescimento

expressivo da TEx foi sempre tratar com

grande seriedade este assunto, e por conta

disso termos conquistado uma grande

credibilidade no mercado segurador”,

afirma Bruno Zangari, fundador e CFO

da TEx. A empresa também contratou

empresas especializadas em segurança da

informação para atestarem a qualidade e a

segurança de seus produtos. “Mesmo uma

empresa bem intencionada e competente

pode errar. Por isso, é fundamental utilizar

empresas e ferramentas independentes que

monitoram, alertam em caso de problemas

e atestam a segurança do nosso ambiente

tecnológico”, afirma Zangari.

O Teleport suporta na ferramenta

de gestão todos os ramos e modalidades

de seguros. No caso do multicálculo,

atualmente o cálculo contempla todas

as principais seguradoras de seguro de

automóvel. A empresa afirma que em

breve estarão disponíveis cotações de

seguro empresarial, residencial e vida nas

❙❙Hoje, a TEx conta com mais de 70 colaboradores e está em expansão

Funcionalidades do

Teleport

〉〉

Gestão completa de propostas,

apólices e sinistros em todos os

ramos

〉〉

Importação automática de propostas,

apólices e comissões

〉〉

Acompanhamento em tempo real

com Dashboards e gráficos

〉〉

Integrado às 19 principais Seguradoras

do mercado

〉〉

Cálculos realizados em média em

30 segundos

〉〉

Cálculo simultâneo de franquia

normal e reduzida

〉〉

Garantia contratual de 100% de

precisão

〉〉

Homologado pelas seguradoras

〉〉

Renovações automáticas

〉〉

Financeiro completo, comissões e

repasses

〉〉

CRM: gestão e distribuição de leads,

envio de e-mails, propostas e SMS

〉〉

GED (Gerenciamento Eletrônico de

Documentos)

〉〉

Relatórios personalizáveis

seguradoras que já possuem webservices

para estes produtos.

Resultados

As corretoras que utilizam o Teleport

têm prêmios médios e resultados acima

das médias de mercado. Isso ocorre em

função de uma série de ferramentas e

inovações introduzidas para favorecer

uma venda consultiva, incluindo a própria

agilidade de cálculo, que permite

aos corretores enviarem mais opções aos

segurados. Desde o início, a ferramenta

calcula simultaneamente as franquias

normal e reduzida. “A franquia reduzida

custa pouco a mais, o que acaba servindo

como diferencial das corretoras nas

vendas, pois a maioria dos corretores não

têm nem o hábito e nem tempo disponível

para enviar esta opção, isso leva a comparação

para o campo dos benefícios, em

vez do de preços”, afirma o CEO. “Ao

mesmo tempo, as corretoras não estão

cobrando mais caro dos clientes, mas sim

entregando mais coberturas e um atendimento

muito mais personalizado e ágil,

o que reflete diretamente em seus resul-

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tados”, enfatiza Omar. Uma das grandes

preocupações das seguradoras há 10 anos

era de gerar uma “guerra” de preços, o

que acabaria prejudicando também as

próprias corretoras. “Sempre garantimos

às seguradoras que não era esse o objetivo

do Teleport e que não deixaríamos isso

ocorrer. Foi exatamente o que fizemos e

fazemos até hoje”, recorda.

Nas seguradoras, a solução chega a

representar 80% do volume de produção

via webservice. “Temos orgulho desse

número pois ele não é um número sobre

a TEx, mas sim sobre os nossos clientes,

que além de terem grande volume de

produção fazem a maior parte de suas

transmissões pelo Teleport, indicando

uma grande adoção e satisfação por parte

de suas equipes”, comemora Ajame.

A TEx atende cerca de 500 corretoras,

entre elas corretoras tradicionais, online,

multinacionais, bancos, montadoras

de veículos e grupos de concessionárias.

Uma dessas corretoras é a RBM, do Rio

de Janeiro, que trabalha com o Teleport

desde o início do projeto. “Tínhamos

vários processos que eram divididos entre

as equipes. As equipes precisavam ser

maiores e com o Teleport conseguimos

reduzir, tornar mais eficiente e diminuir

inclusive a probabilidade de erro da

operação. O Teleport nos trouxe mais

Outros produtos

Além do Teleport, a TEx também é

criadora do Nimble, plataforma tecnológica

que permite que as corretoras

vendam seguros online. O produto

foi construído pensando no segurado

da Corretora, pois é ele quem utiliza o

Nimble incorporado ao site da própria

corretora. “É um jeito de transformar

uma corretora tradicional em uma

corretora online rapidamente”, diz

Omar Ajame. Em 2018, o portfólio da

TEx deve ganhar novas soluções com

produtos voltados também para as

seguradoras. “A visão da TEx é atender

desde o corretor pessoa física, até as

maiores seguradoras do Brasil. Se está

no mercado de seguros, está no nosso

foco e já temos ou lançaremos em breve

produtos e soluções competitivas para

todos os clientes”, finaliza Ojame.

❙❙Os projetos inovadores da TEx são desenvolvidos de forma colaborativa com

❙❙clientes e seguradoras

velocidade e facilitou o trabalho da nossa

equipe”, afirma o diretor e sócio, Sérgio

Marinatto. Antes do Teleport, a RBM

utilizava um sistema para cálculo e outro

para gestão. “Com o Teleport passamos

a ter um sistema único integrado, o que

facilitou a própria gestão”, diz Marinatto.

“Hoje, o ranking de produção das

seguradoras integradas à solução é praticamente

o mesmo ranking do mercado.

O segredo do sucesso está em entregar

o que se promete. Não seria diferente

no mercado de seguros. O Teleport cria

valor para todos: segurados, corretoras e

seguradoras. Trabalhamos para equilibrar

interesses e necessidades de corretoras e

seguradoras, garantindo que todos saiam

ganhando. É por isso que também as

seguradoras nos enxergam como parceiros”,

diz Omar Ajame.

Para todos os portes

A versão completa do Teleport está

disponível para corretoras a partir de

20 usuários, antes o mínimo era de 30.

Para as corretoras de menor porte, há

outra versão da ferramenta: o Teleport

Express, que atualmente não conta com

a funcionalidade do multicálculo. “O

Express contempla gestão, financeiro,

CRM e gerenciamento eletrônico de documentos,

além de funcionalidades como

importação automática de propostas e

apólices, possuindo muitas das mesmas

funcionalidades disponíveis no Teleport

para corretoras maiores”, explica Omar

Ajame. “Muitos corretores com menos

de 20 usuários entram em contato conosco

procurando pelo multicálculo,

mas por questões de mercado ainda não

foi possível levá-lo a este importante

segmento”, esclarece o executivo. Ele

acredita que isto está mudando e que cada

vez mais corretores de menor porte vão

ter possibilidade de usar o Teleport com

multicálculo.

A inovação não pode parar

Localizada em um amplo e moderno

escritório na Vila Madalena, em São

Paulo, inspirado nos escritórios do Vale

do Silício, a TEx conta com 70 funcionários.

A empresa está em forte ritmo de

expansão e o planejamento é de chegar

a 100 colaboradores até o final de 2018.

A companhia conta com duas equipes

de tecnologia: uma de sustentação, responsável

por atualizar suas plataformas,

como o Teleport e o Nimble, e outra

focada exclusivamente em inovação e

em novos produtos. “Inovar não é algo

simples, ainda mais de forma contínua.

Exige organização, disciplina e foco. Para

uma empresa de tecnologia, continuar

inovando é absolutamente vital. Apesar

de termos crescido bastante nos últimos

anos, não podemos abandonar a mentalidade

ágil e inovadora das startups, isto

sempre fará parte do nosso DNA”, garante

Omar. “Ter uma equipe apartada de pesquisa

e desenvolvimento é uma maneira

de ter sempre novas startups nascendo

dentro da própria TEx”, complementa

Emir Zanatto, COO da TEx.

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cidadania | Sat Company

Prefeitura de São Paulo recebe

doação, sem contrapartidas,

de serviço de monitoramento

A Sat Company prestará o

serviço de monitoramento de

1.500 veículos pertencentes à

frota da Prefeitura de SP, com

início no mês de dezembro

e vigência até 2020. Os

rastreadores possuem dupla

tecnologia GPS/GPRS e Rádio

Frequência e serão instalados

em regime de comodato

A

gestão de João Doria à frente

da Prefeitura Municipal de

São Paulo é marcada pela parceria

com empresas privadas

e a Sat Company faz parte deste time.

No dia 13 de novembro foi anunciada

a parceria, pela qual serão instalados

os rastreadores. Ficarão disponíveis

para a Prefeitura o monitoramento dos

veículos pertencentes às Secretarias de

Prefeituras Regionais, Saúde, Educação

e Assistência, Desenvolvimento Social e

Guarda Civil Metropolitana, sendo esta

a principal beneficiária, com maior foco

na operação. A ênfase será o combate ao

roubo e furto de veículos na cidade.

O sistema de rastreamento permitirá

identificar eventuais casos de mau uso ou

ainda promover a otimização da frota,

aumentando a eficiência e a transparência

no uso dos veículos públicos através das

ferramentas de crash detection, cerca eletrônica,

distância e percurso percorrido,

direção perigosa, utilização (horas, dia,

região), e localização online.

Além deste projeto inicial, o presidente

da companhia, Marco Puerta, já

cogita a doação de tablets para os carros

da GCM, que serão fixados nas viaturas,

facilitando as consultas necessárias durante

as ocorrências policiais . “O tablet

também poderá ter uma câmera para

filmar a abordagem policial e utilizar a

tecnologia a favor da segurança”.

A Sat Company é uma empresa

❙❙Marco Puerta, presidente da Sat Company, e o prefeito de São Paulo, João Doria

voltada para a recuperação de veículos e Outra medida que já está em tratativas

gestão das frotas das principais seguradoras

do país. A parceria com a Prefeitura é a ampliação do programa City Câmeras,

entre a Sat Company e Guarda Municipal

contribuirá para ampliação da rede de uma plataforma de monitoramento de

comunicação da empresa, uma vez que segurança da cidade, que reúne imagens

os rastreadores instalados em sua base de das ruas através de câmeras disponibilizadas

por empresas ou cidadãos com

clientes atuam como antenas receptoras

e transmissoras, permitindo identificar objetivo de combater o crime, garantindo

e localizar mais rapidamente veículos mais agilidade nas ações de prevenção e

roubados ou furtados.

contribuindo nas investigações. A ideia é

Uma vez utilizados inibidores de instalar câmeras nas regiões com maior

sinais durante as ocorrências, o equipamento

perde o sinal GPS/GPRS e faz um para facilitar ainda mais o trabalho da

incidência de roubo e furto de veículos

chaveamento automático para a tecnologia

RF, que por sua vez emite um sinal de A Prefeitura conta com uma frota de

Guarda Municipal e da empresa.

S.O.S ao veículo da base mais próximo 2.522 veículos próprios e 1.785 locados e

a ele e, consequentemente, à Central de está trabalhando para reduzir o número

Ocorrências da Sat Company.

de automóveis próprios e devolver os

Atualmente, a empresa monitora uma alugados. Até o fim deste ano, vai desmobilizar

cerca de 1.300 veículos, entre

frota de mais de 200 mil veículos rastreados.

Puerta aponta que uma das grandes os devolvidos nos contratos vigentes e a

preocupações é utilizar tecnologia de ponta venda dos carros próprios. A economia

para lidar com mais rapidez e assertividade potencial prevista será de aproximadamente

R$ 100 milhões por ano. Equi-

nos casos de roubo ou furto dos veículos

monitorados. “Ficamos numa briga de gato pamentos que atendem à população não

e rato, porque o outro lado também utiliza serão afetados, como ambulâncias e a

tecnologia de ponta”, brinca.

frota da Guarda Civil.

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especial educação | bullying

Na mira do mercado

segurador

Soluções são

discutidas em

diversas esferas, mas

o bullying está longe

de ter um fim. Setor

reforça amparo às

escolas e aos alunos

com seguro de

Responsabilidade Civil

que traz cobertura

específica contra o ato

Lívia Sousa

Aos 11 anos, Ana Paula Rodrigues

era chamada pelos

garotos da escola de “palito”

e de “juba de leão”. Receber

esses apelidos na pré-adolescência, fase

em que as meninas lutam com os complexos

da própria aparência, não foi nada

fácil. “Tinha vergonha do meu cabelo, do

meu corpo. Achava as outras meninas

bonitas e me sentia estranha. Isso mexeu

com o meu psicológico”, lembra a

instrumentadora cirúrgica, hoje com 30

anos. As agressões verbais só enfraqueceram

quando a então estudante passou

a ignorar as ofensas. “Foram dois anos

até perceber que quanto mais eu batia de

frente, mais eles me provocavam”, afirma.

Casos como este persistem, estão

longe de acabar e precisam ser abordados

e levados a sério. Uma pesquisa recente

do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE) indica que 7,4% dos

24

alunos do país declararam sentimentos

de humilhação e provocação por seus

pares. A sondagem, com base em dados

de 2016, revela ainda que quase um

quinto dos estudantes (19,8%) disse ter

“esculachado”, zombado, intimidado ou

caçoado de seus colegas. Felizmente, Ana

Paula não precisou recorrer a tratamentos

psicológicos para superar o trauma, mas

nem sempre é assim.

7,4% dos alunos do

país declararam

sentimentos de

humilhação e

provocação pelos

colegas, segundo

pesquisa do IBGE

“O bullying pode provocar danos à

saúde física e psicológica de uma pessoa

nas mais variadas formas. Depende muito

de cada indivíduo, da sua estrutura, de

vivências, de predisposição genética e da

maneira e da intensidade das agressões”,

destaca a psicóloga e Personal Coach,

Elaine Mardegan. Fisicamente, os efeitos

podem ser imediatos (lesões) ou em longo

prazo (dores de cabeça, distúrbios do

sono ou somatização). Emocionalmente,

resultam em baixa resistência imunológica

e baixa autoestima, com sintomas

psicossomáticos e transtornos psicológicos

ou psiquiátricos como a depressão e

até mesmo o suicídio.

Mas, o que torna alguém agressor?

Há quem pratique o bullying por desequilíbrio

de poderes, em que umas pessoas

tentam superar as outras. No entanto,

segundo a especialista, muitos “valentões”

enfrentaram dificuldades próprias


❙❙Elaine Mardegan, psicóloga

em algum momento da vida. Abusos

físicos e verbais, episódios violentos em

casa e estilos de vida caóticos estão entre

as experiências perturbadoras. “Como

resultado, eles deslocam sua dor aos

indivíduos mais frágeis”, explica.

No ambiente escolar, o estresse e a

ansiedade causados pelo bullying podem

dificultar a aprendizagem da vítima, fazendo

com que ela sinta dificuldade em

se concentrar e tenha sua capacidade de

foco diminuída. “As marcas são graves

e abrangentes”, pontua Elaine. A família

também é afetada, sofrendo juntamente

com a vítima, e muitas vezes não sabe

como lidar com o problema.

Trabalho em conjunto

O bullying não termina quando um

incidente é relatado. Pode levar tempo

❙❙Benjamin R. da Silva, do Sieeesp

para resolver e exige uma força-tarefa

que envolve os familiares, as escolas e

os demais envolvidos. “Como escola, a

comunidade e o lar afetam o comportamento

da criança, as intervenções devem

atingir os três níveis. Todos precisam

deixar claro que não toleram a prática.

Em ambientes não favoráveis o bullying

é incapaz de prosperar”, sentencia a

psicóloga.

O Sindicato dos Estabelecimentos de

Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp)

conta com cerca de 10 mil associados

entre escolas de educação infantil e de

ensino básico. Na entidade, o tema é

trabalhado há pelo menos 16 anos. A

orientação é que as escolas conversem

com os familiares dos alunos e tenham

um seguro de Responsabilidade Civil não

só para os casos que envolvam bullying,

mas para qualquer outro acidente que

possa ocorrer com o aluno no ambiente

escolar. “Da porta da escola para dentro

a responsabilidade é da instituição de

ensino”, reforça o presidente do sindicato,

Benjamin Ribeiro da Silva.

De fato, a partir do momento em

que os pais colocam seus filhos em

estabelecimento de ensino, eles tornam-

-se hóspedes do local – com o advento

do Código de Defesa do Consumidor,

as escolas passaram a ser consideradas

fornecedores de serviços. A exclusão da

responsabilidade se dará apenas se a instituição

provar cabalmente que o fato era

inevitável. A corresponsabilidade dessas

instituições pelos atos praticados em suas

dependências passou a ser considerada

a partir da mudança do Código Civil.

Agora, dependendo do entendimento do

julgador, atos comprovados de bullying

nas instituições de ensino podem resultar

desde acordos estipulados em ajustamentos

de condutas, passando por multas ou,

em casos extremos, até o encerramento

de suas atividades.

Cobertura específica

O seguro educacional visa dar a

continuidade aos estudos dos alunos em

caso de falecimento ou de perda de emprego

do responsável financeiro, cobrindo

alguns meses da mensalidade escolar, e

também traz a garantia obrigatória de

morte+invalidez permanente total por

Programa de Combate à

Intimidação Sistemática

Sancionada pelo Governo Federal

em setembro de 2016, a Lei nº 13.185

estabelece que escolas e clubes brasileiros

adotem o Programa de Combate

à Intimidação Sistemática, criado para

tentar acabar com a prática do bullying

nesses ambientes por meio de campanhas

educativas. Caso contrário, as instituições

podem ser responsabilizadas

por negligência.

Segundo o projeto, docentes e

equipes pedagógicas devem ser capacitadas

para implementar ações de

prevenção e solução do problema. Pais

e familiares também devem ser orientados

para identificar vítimas e agressores.

É exigida ainda assistência psicológica,

social e jurídica tanto às vítimas quanto

aos agressores.

acidente (IPTA). Entre as coberturas

opcionais estão invalidez funcional permanente

por doença (IFPD), perda de

renda por desemprego involuntário (DI),

incapacidade física total e temporária

(IFTT) ou falência (FA), além de matrícula,

repetência, formatura, pré-vestibular

e assistência recolocação – todos eles

em caso de morte, IPTA ou IFPD, se

contratados.

O produto já é bem difundido pelo

mercado segurador e conhecido pelas

instituições de ensino. Entretanto, não

se pode dizer o mesmo de seu índice

❙❙Paulo Sonagere, da Klima Seguros

25


ullying

A cobertura contra

bullying faz parte do

seguro de RC. Nela, é

garantido que o aluno

receba orientação

de psicólogos e

nutricionistas e que os

custos judiciais de um

eventual processo sejam

pagos pela seguradora

❙❙Eduardo Dal Ri, da SulAmérica

de adesão. “A demanda por consulta do

produto cresceu muito, principalmente

pelo elevado índice de desemprego, mas

a contratação do seguro ainda é baixa, por

ser de forma compulsória e totalmente

pago pelas escolas, que não podem repassar

o custo aos pais”, explica o diretor

comercial da corretora Klima Seguros,

Paulo Sonagere.

Dentro dos seguros oferecidos para

as instituições de ensino, a novidade é que

algumas seguradoras também passaram

a disponibilizar um seguro de Responsabilidade

Civil que conta com cobertura

específica contra bullying. Quando a

escola aciona a seguradora neste caso, o

aluno recebe a orientação de psicólogos e

nutricionistas para ajudá-lo. Dependendo

da seguradora, os tratamentos psicológicos

são estendidos a funcionários ou

professores, assim como pagamento de

custas judiciais de um eventual processo

ao qual o estabelecimento venha a ser réu.

“É uma garantia que cobre o reembolso

de despesas caso a unidade

educacional seja responsabilizada judicialmente

por atos de violência física

e psicológica (intimidação sistemática)

ocorridos em suas dependências, sejam

eles provocados por alunos, professores

ou funcionários”, diz Eduardo Dal Ri,

vice-presidente de Auto e Massificados

da SulAmérica.

O estudante também conta com o

apoio de professores particulares para a

reposição de aulas perdidas ou reforço, se

necessário. “Para utilização dos serviços

de professor particular para reposição de

26

aulas perdidas ou para reforço, é necessário

que o aluno esteja afastado de suas

atividades escolares por mais de cinco

dias úteis, com comprovação médica

por escrito”, explica o diretor geral de

seguros de Vida do Grupo BB e Mapfre,

Enrique de La Torre. Já os serviços de

orientação psicológica e nutricional não

precisam de nenhum requisito, podendo

ser acionados em qualquer momento, sem

limite de utilização durante a vigência do

contrato de seguro.

Como identificar o

bullying

Nem todas as vítimas de bullying

pedem ajuda. Por isso, reconhecer os

sinais de alerta é muito importante.

Dentre eles estão:

〉〉

Lesões inexplicáveis;

〉〉

Vestuário, livros, eletrônicos e/ou

outros objetos pessoais perdidos ou

destruídos com frequência;

〉〉

Dor de cabeça ou dores de estômago,

frequentes;

〉〉

Mudanças nos hábitos alimentares,

como repentinamente perder o

apetite ou compulsão alimentar;

〉〉

Dificuldade em dormir ou ter pesadelos

frequentes;

〉〉

Perda de interesse no trabalho escolar

ou não querer ir para a escola;

〉〉

Perda repentina de amigos ou evitação

de situações sociais;

〉〉

Sentimentos de desamparo ou

diminuição da autoestima;

〉〉

Comportamentos autodestrutivos,

como fugir de casa, prejudicar-se

ou falar sobre suicídio.

❙❙Enrique de La Torre, do Grupo BB e Mapfre

Entretanto, pode haver exclusões

por parte do mercado segurador quando

os eventos envolverem terceiros que não

se enquadrem no ambiente escolar, danos

ou ferimentos em consequência da

situação do imóvel ou mesmo quando a

prática de bullying se dá exclusivamente

em ambiente virtual – por redes sociais,

por exemplo.

Prevenção x combate

Temas sensíveis como o bullying tem

raízes complexas e propostas de soluções

discutidas por diversas entidades. É

fundamental que os agentes atuantes em

ambientes onde crianças e adolescentes

estejam inseridos invistam e promovam

campanhas de prevenção para alertar

os jovens quanto aos males do bullying.

Por outro lado, é importante que as

vítimas tenham apoio de profissionais

para conseguir superar este momento e

seguir a vida.

Neste cenário, surge um entrave:

por ser apresentada como uma arma de

prevenção e não de combate ao problema,

alguns educadores alertam que a cobertura

contra bullying pode não ser vantajosa.

Paulo Sonagere, da Klima Seguros, discorda.

“Realmente o seguro não vai combater

o problema, pois na maioria das vezes o

bullying é praticado de forma silenciosa

e os gestores das escolas podem não

perceber, o que torna muito difícil de ser

combatido”, afirma. “Como todo e qualquer

seguro, o produto é contratado para

evitar ou minimizar possíveis prejuízos

em caso de sinistros.”


especial educação | transporte escolar

A responsabilidade dos

que carregam os bens mais

preciosos dos pais

A regulamentação dos

transportes escolares é

feita pelos municípios,

que também são os

responsáveis pela sua

fiscalização.

Kelly Lubiato

A

maior capital brasileira possuía,

em janeiro de 2017,

2392 condutores habilitados

para realizar o transporte de

estudantes. Até junho deste ano, quase

75 mil crianças utilizavam o serviço, de

forma gratuita.

Na maioria das vezes é exigida uma

documentação de praxe do condutor do

veículo, como atestado médico e de bons

antecedentes criminais e o certificado

de conclusão do curso de orientação e

treinamento para condutores no transporte

escolar. Do veículo, são exigidas

as adequações às legislações federal e

estadual sobre trânsito e segurança veicular,

legislação ambiental e municipal

de transporte escolar, além da aprovação

em vistoria técnica realizada no Departamento

de Trânsito.

Na cidade do Rio de Janeiro, por

exemplo, é exigido do condutor o seguro

de Acidentes Pessoais para Passageiros,

independente do veículo já possuir um

seguro do seu casco. As exigências variam,

por isso os corretores devem estar

atentos às necessidades deste mercado.

O corretor de seguros Thiago Gutemberg

Vieira Teles, sócio-diretor da

Tenda do Seguro, explica que não existe

um produto exclusivo para transporte

escolar. “As opções são fazer um seguro

completo, com cobertura compreensiva e

mais o APP com danos materiais contra

terceiros”. Na cidade carioca, a cobertura

exigida é de R$ 5 mil para Acidentes

Pessoais para Passageiros e R$ 25 mil

para danos materiais.

Teles tem em sua carteira muitas

vans escolares, e seu site já anuncia que

esta é uma de suas especialidades. Ele

trabalhava muito com o seguro APP

para motorista de aplicativos, mas viu o

❙❙Josafá Ferreira Primo, da Salagah

volume de negócios diminuir e o nível

das comissões, baixar. “Pensamos em

agregar novos negócios e vimos que o

APP para transporte de pessoas, com

venda realizada inteiramente online, é

um bom negócio, pois não é um negócio

que nos consome muito tempo”, mostra.

Esta é uma cobertura com baixa

sinistralidade, porque os condutores são

treinados para serem mais cuidadosos.

Josafá Ferreira Primo, sócio da Salagah

Corretora de Seguros, explica que é aconselhável

ainda um seguro facultativo de

responsabilidade civil. “Tal seguro existe

no mercado e garante o reembolso de

indenizações e despesas a serem pagas

pelo segurado (transportador) por danos

materiais e/ou corporais causados a seus

passageiros ou a outras pessoas não transportadas

em acidente de trânsito ocorrido

com veículos discriminados na apólice

e durante transporte coletivo rodoviário

municipal, transporte coletivo rodoviário

intermunicipal, fretamento contínuo e

fretamento eventual ou turístico”.

27


mercado | previdência privada

Alternativas financeiras

para as novas gerações

Com as mudanças

propostas para

a reforma da

Previdência Social,

a previdência

complementar ganha

destaque e mais

atenção da sociedade

Amanda Cruz

28

O

mês de dezembro será crucial

para os brasileiros, pois a

Câmara dos Deputados deve

votar as mudanças da Previdência

Social. Tanto por lá quanto nas

ruas, representantes e população ainda

se dividem sobre o assunto. A Proposta

de Emenda à Constituição (PEC) precisaria

de pelo menos 308 votos – dos 513

deputados para entrar em vigor.

No mercado de seguros não há tanta

divisão. A grande maioria dos players diz

acreditar que a reforma é não só benéfica,

mas também necessária. Com as mudanças,

a expectativa é de que a previdência

privada entre em cena instigando as

pessoas a contratarem um plano que lhes

forneça um pouco mais de segurança no

momento de se aposentar.

No final de 2016 o texto com as mudanças

foi apresentado e, de lá para cá, já

sofreu diversas alterações, com as quais

o mercado de seguros demonstra estar de

pleno acordo, especialmente em um ponto:

o Estado não proverá o suficiente para

que a população se aposente da maneira

que gostaria. “Acreditamos que o grande

benefício de toda essa discussão é relembrar

diariamente a população que não é

possível contar somente com os recursos

da previdência social”, pontua Felipe

Bottino, diretor de Produtos de Previdência

da Icatu Seguros. Visão essa que

é reiterada pelo presidente da Federação

Nacional de Previdência Privada e Vida

(FenaPrevi), Edson Franco. “A discussão

da reforma contribui para a formação de

consciência de que o Estado, sozinho,


O fato é que a previdência privada

cresce e cada vez mais pessoas querem

ao menos saber como funciona esse complemento.

O balanço até setembro não

poderia ter sido mais positivo. Além do

aumento já citado nos aportes, setembro

fechou com mais de 13 milhões de pessoas

com plano de previdência privada

contratados, com os planos individuais

com cerca de 10 milhões de beneficiários

e, os coletivos, com os outros 3 milhões.

A justificativa para os números são as

mudanças no perfil demográfico e socioeconômico

brasileiro, a longevidade e o

envelhecimento da população – questões

que já vêm se tornando velhas conhecidas

- e a inclusão social e aumento da classe

média ao longo da última década.

Todas essas questões promovem um

aculturamento que já tem, e deverá ter

ainda mais, um papel fundamental no

desenvolvimento da sociedade brasileira

e na maneira como ela deverá se sustentar

nas próximas décadas. “Vemos cada vez

mais pessoas interessadas em conhecer os

benefícios do produto, um fluxo maior de

novos participantes, como de funcionários

públicos, que nunca pensaram sobre

o assunto e agora veem a necessidade”,

reflete Bottino.

As seguradoras têm importante

papel nisso, porque mesmo precisando

do reforço só contrata o produto quem o

conhece. Portanto, é hora delas fazerem

um trabalho consistente para que essa

vontade que nasce agora não se perca por

conta de outras prioridades. “Diante desnão

vai conseguir prover toda a necessidade

do indivíduo na aposentadoria. As

pessoas já começaram a entender que

precisam formar sua própria poupança.

E a previdência privada é a modalidade

que melhor acolhe os investimentos de

longo prazo”, acredita.

Bottino acha que a crise dos estados

que deixaram de pagar a aposentadoria de

algumas classes profissionais evidenciou

a necessidade e urgência da previdência

complementar. Além disso, para ele, a entrada

de gestoras independentes e produtos

mais eficientes também aumentaram a

atratividade de produto. Com mínimos de

entrada e taxas de administração muito

competitivas.

Uma pesquisa da Fenaprevi mostra

que a preocupação com o que será dos

futuros idosos chega a todos, ainda que

às vezes, de forma tardia. Entre os entrevistados

desse levantamento, quando

perguntados o que fariam se pudessem

voltar no tempo em relação à questão da

aposentadoria, 38% deles disseram que

teriam começado a economizar mais

cedo e, 25%, que teriam priorizado a

aposentadoria em suas vidas. Enquanto

voltar no tempo ainda não é possível, isso

serve de lição para quem tem um longo

caminho até se aposentar.

Então, a previdência privada está

crescendo muito devido a essa mudança

na previdência social brasileira? Não

ainda, mas mudará.

A Fenaprevi anunciou um aumento

de 28,94% de crescimento nas contribuições

aos planos de previdência em

❙❙Felipe Bottino, da Icatu

❙❙Edson Franco, da FenaPrevi

setembro deste ano quando comparado

ao mesmo período de 2016, mas o fato é

que a carteira já vinha crescendo antes.

Portanto, as mudanças não têm sido consideradas

como fator decisivo para esse

bom desempenho no último ano. “Não

há dúvida de que esse ambiente deixa as

pessoas mais sensíveis ao tema, mas não

há um reflexo imediato em termos de

aumento da carteira de previdência. Esse

impacto geralmente se verifica a médio

e longo prazos, no que diz respeito tanto

a empresas quanto a pessoas, porque a

tomada de decisão tem seu tempo próprio”,

explica Jorge Nasser, diretor-geral

da Bradesco Vida e Previdência. O executivo

diz ainda que isso não é novidade,

pois sempre que se discutiu a reforma da

previdência pública no Brasil houve um

aumento do interesse da sociedade em

torno da opção privada. “É natural que

as pessoas passem a refletir mais sobre a

necessidade de complementar a sua renda

e se planejar financeiramente para um

futuro mais tranquilo”, comenta.

Na visão do corretor Juliano César da

Silva, da Maior Seguros, independentemente

de qualquer mudança, a previdência

já tinha força e o fechamento de 2017

deverá apontar os mesmos índices do ano

passado. “Houve uma procura e interesse

maior [para entender o produto] depois

do anúncio da reforma da previdência

social, mas efetivamente os aportes continuam

no mesmo patamar; as pessoas

ainda não estão trazendo seus ganhos

para a previdência, mas já demonstram

interesse”, nota.

Novos entrantes

❙❙Jorge Nasser, da Bradesco Vida e Prev.

29


previdência privada

se cenário, o nosso desafio é atuar como

agentes de conscientização da população

sobre os riscos de perda de renda e de

vida, e como consequência da importância

de se proteger adequadamente”,

esclarece Franco.

Os riscos imediatos são a grande

preocupação do consumidor de seguros.

A crise econômica que se instaurou no

País, ao mesmo tempo em que desperta

consciência de algumas necessidades,

evidencia outras muito mais urgentes; se

mesmo assim esse consumidor tiver a cultura

do seguro o mais provável, conforme

afirma Nasser, é que essa preocupação

seja voltada para o seguro de automóvel

ou residencial. “O seguro de vida, por

exemplo, tem crescido bastante e apresenta

um enorme potencial de expansão,

mas ainda é um produto que precisa ser

difundido para o público em geral. Nesse

sentido, estamos procurando agregar aos

novos produtos benefícios que tornem

essa proteção cada vez mais tangível e

importante não apenas para o segurado,

mas também para seus beneficiários”,

compara.

Apesar dos percalços, quem já tem o

produto não está fazendo muitos saques,

preferindo manter o dinheiro investido.

“O que houve também foi uma procura

por alguns planos mais acomodados,

menos agressivos. Por receio da crise,

houve transferências para planos mais

moderados e até buscas de alternativas

para correr menos riscos”, explica Silva.

Mediação

Os corretores também têm se apresentado

para engrossar o coro da necessidade

de previdência privada. Para

isso, eles precisam de especialização

tornando-se, além de tudo, um agente da

propagação da educação financeira. “O

corretor pode e deve ajudar os clientes a

fazerem seu planejamento de previdência.

Ele pode ajudar trazendo simulações

que auxiliem o cliente a tomar a decisão

correta por meio de diversos aplicativos

que existem hoje e que mostram desde

uma estimativa da expectativa de vida

das pessoas até quanto ela precisa poupar

para manter o padrão de vida atual na

aposentadoria. Além disso, o corretor

deve estar preparado para apresentar as

30

❙❙Juliano César da Silva, da Maior Seguros

oportunidades de diversificação da carteira,

montando um portfólio adequado

às necessidades dos clientes, seja em

termos de perfil de investimentos, valores

e objetivo”, diz Bottino, da Icatu.

Talvez um dos pontos mais importantes,

apesar de não disponível a todos,

é começar o mais cedo possível a fazer

a previdência. Nesse caso, o corretor

precisa ficar atento aos seus clientes que

estão tendo filhos. As novas gerações

estão cada vez mais longevas e terão que

trabalhar por muito mais tempo para uma

aposentadoria confortável. “Quanto mais

cedo a pessoa aderir a um plano de previdência

privada melhor, pois assim ela

obtém maior prazo de deferimento para

alcançar a meta pretendida, seja ela de

aposentadoria ou de acúmulo de reservas

para os jovens. E quanto maior for o prazo

de contribuição, menor será o valor do

aporte exigido para alcançar essa meta”,

opina o executivo da Bradesco.

A previdência complementar, conforme

ressalta o corretor Juliano Silva,

pode servir para inúmeros fatores porque

ela será revertida como renda mais para

frente. “É também um investimento que

se faz com diversas opções de fundo que

podem trazer outras coberturas, como a

feita para o cônjuge, e algumas de risco,

como morte ou invalidez permanente,

coisas que em uma poupança comum

você não teria”, diz Silva.

A escolha de plano é um fator determinante.

A previdência privada é não só

uma forma de poupança, mas também de

investimento, que pode abarcar diferentes

perfis e expectativas.

O valor da contribuição é outro aspecto

decisivo. É claro que quanto maior

for o aporte, maior vai ser a renda no

futuro. Porém, se a previdência privada

pretende ser uma alternativa acessível a

todos, é importante que o cliente a enxergue

dentro das suas possibilidades, sem

que isso comprometa suas necessidades

imediatas. “É importante estar ciente de

que previdência envolve planejamento

de longo prazo. Não é aconselhável, portanto,

comparar planos de previdência

diretamente com outras opções de investimento

no mercado, pois são conceitos e

objetivos distintos. Vale lembrar que os

instrumentos de poupança e acúmulo de

reservas proporcionados pelos planos de

previdência privada podem ser indicados

não apenas para fins de aposentadoria,

mas também para planejamento educacional

dos filhos e dependentes. Essa modalidade,

que o mercado chama de Planos

para Menores, é uma das que mais têm

crescido nos últimos anos”, diz Nasser.

Possibilidades

Esse turbilhão de acontecimentos

no País reverberaram no mercado e em

como ele se coloca para seus clientes e

potenciais consumidores. Para um produto

se tornar mais abrangente algumas

mudanças precisam ser feitas. Assim

será na previdência privada. A Susep

anunciou em setembro que fará mudanças

nas famílias PGBL e VGBL. Foram

propostas cinco alterações principais,

entre elas a chance de transformação de

parte da provisão de benefícios em renda

nos produtos. Fica ainda autorizada a inserção

da figura do participante/segurado

qualificado, tomando como exemplo o

disposto na Instrução da Comissão de

Valores Mobiliários (CVM) 554/14 para

investidor qualificado. Passa a vigorar

também a possibilidade de os fundos

preverem remuneração com base em performance

ou desempenho, além da taxa

de administração, entre outras questões.

A modificação, também complementa e

dá maior clareza à Resolução 4.444 do

Conselho Monetário Nacional quanto à

figura do proponente (investidor) qualificado,

para o qual poderão ser criados

produtos mais flexíveis, com autorização


para alocação de até 100% dos recursos de

previdência privada em renda variável. As

novas regras consolidam ainda a autorização

para ampliar de 49% para 70% o limite de

alocação de recursos em renda variável para

todos os demais participantes do sistema.

“Trata-se de um avanço que dará maior flexibilidade

para as seguradoras desenvolverem

produtos para os proponentes que buscam

melhor rentabilidade no cenário de juros

baixos”, diz Franco.

Como entidade que trabalha ao lado da

autarquia sugerindo melhorias ao mercado,

a Fenaprevi considera positivas as novas

regras. A federação acredita que as alterações

permitirão que as seguradoras lancem

produtos mais adequados às necessidades

dos consumidores em um mercado que há

15 anos não era atualizado.

Com a autorização para a implementação

dos Planos Programados, tanto para PGBL

como para VGBL, os participantes terão à

sua disposição um leque de opções mais

amplo e flexível para planejar a fase de benefícios.

Com esses planos, os clientes poderão

combinar resgates e recebimento de renda

em um mesmo fundo, de acordo com suas

necessidades. E poderão fazer alterações

nos arranjos disponíveis durante a fase de

recebimento do benefício, de acordo com o

seu momento de vida. “A ideia de que o ciclo

produtivo se encerra de maneira exata com

a aposentadoria está em rápida transformação”,

afirma o presidente da entidade. “Hoje

as pessoas desaceleram o ritmo de trabalho

após a aposentadoria sem, necessariamente,

sair de vez do mercado de trabalho. Com

isso, os clientes precisam de flexibilidade

para decidir como querem receber os benefícios

de sua previdência privada, criando

fluxos combinados de renda e resgate, o

que se torna possível com os novos planos”,

acredita Franco.

As mudanças devem vir no segundo

trimestre de 2018, pois há novas circulares

que precisam ser lançadas antes dos produtos

estarem disponíveis no mercado. Quando as

novas modalidades estiverem disponíveis,

os participantes poderão transferir seus

recursos para os novos planos fazendo a portabilidade

dos recursos. “Acreditamos que as

novas famílias de PGBL e VGBL Programados

terão grande atratividade com forte peso

na composição das carteiras de previdência

complementar no país”, diz Franco.

Os produtos

PGBL e família

Criado há 20 anos, em 1997, atualmente, há 20 sociedades seguradoras e

Entidades Abertas de Previdência Aberta Complementar (EAPCs) comercializando

o produto.

Criação de produtos

〉〉

PGBL Programado – possibilita ao participante o planejamento de resgates

programados em um único plano, sem prejuízo da conversão da provisão

em renda atuarial;

〉〉

Plano com Desempenho Referenciado (PDR) – possibilita ao participante

remuneração da provisão de rentabilidade do Fundo de Investimento Exclusivo

(FIE), com critério de desempenho mínimo atrelado a um percentual

de um índice de renda fixa.

Inovação de produtos

〉〉

Plano de Previdência Vida Planejada: no plano com essa característica, o FIE,

associado ao período de diferimento, deve apresentar percentual decrescente

de exposição a investimentos com maior risco, especialmente em ativos

de renda variável, ao logo do período de diferimento;

〉〉

Plano com Renda Imediata (PRI) com estrutura a termo de taxa de juros

para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura pode

ser elaborada pela própria sociedade seguradora/EAPC. A alteração visa a

criar concorrência no mercado de seguros por meio de portabilidades para

produtos mais atrativos;

〉〉

Planos com garantia de estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do

fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura deve ser elaborada por

instituição independente, com conhecida capacidade técnica.

VGBL e família

Criado em 2001, atualmente, há 20 sociedades seguradoras comercializando

o produto.

Criação de produtos

〉〉

VGBL Programado – possibilita ao segurado o planejamento de resgates

programados em um único plano, sem prejuízo da conversão da provisão

em renda atuarial;

〉〉

Vida com Desempenho Referenciado (VDR) – possibilita ao segurado remuneração

da provisão de rentabilidade do FIE, com critério de desempenho

mínimo atrelado a um percentual de um índice de renda fixa.

Inovação de produtos

〉〉

Vida Planejada: no plano com essa característica, o FIE, associado ao período

de diferimento, deve apresentar percentual decrescente de exposição a

investimentos com maior risco, especialmente em ativos de renda variável,

ao logo do período de diferimento;

〉〉

Vida com Renda Imediata (VRI) com estrutura a termo de taxa de juros

para cálculo do fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura pode

ser elaborada pela própria sociedade seguradora. A alteração visa a criar

concorrência no mercado de seguros por meio de portabilidades para

produtos mais atrativos;

〉〉

Planos com garantia de estrutura a termo de taxa de juros para cálculo do

fator de conversão em renda: nesse caso, a estrutura deve ser elaborada por

instituição independente, com conhecida capacidade técnica.

Fonte: Susep

31


eleições

Entidades apresentam novas diretorias

Sincor-BA

A chapa “Continuar Inovando”,

composta pela atual

diretoria do Sincor-BA, foi

reeleita por unanimidade

pelos associados. Wanderson

Nascimento segue como

presidente da entidade. “Os

propósitos que tínhamos no

primeiro mandato, se todos

não foram conquistados, faltaram

poucos. Isso aumenta

nossa responsabilidade para

que façamos mais do que já

foi feito na primeira gestão, e cumprir o que faltou ser feito

nesse mesmo mandato, que se encerra em dezembro”, diz

Nascimento.

Sincor-GO

Deputado federal e atual

vice-presidente Institucional e

de Relações com o Corretor de

Seguros do Sincor-GO, Lucas

Vergilio foi eleito presidente

da entidade para o quadriênio

2018-2021. A posse ocorrerá

em 1º de janeiro de 2018.

Os associados votaram

na sede administrativa do

sindicato, em Goiânia, e nas

diretorias Territoriais do Sincor-

-GO em Anápolis, Catalão, Itumbiara e Rio Verde.

“Os próximos anos serão de muito trabalho. Meu papel

será o de propiciar novos negócios aos nossos associados

e fazer com que o mercado goiano cresça e se desenvolva”,

afirma Vergilio.

Sincor-PE

A partir de 2018, o Sincor-

-PE passará a ser comandado

por Carlos Alberto Valle. Ele

substituirá Cláudia Cândido

Diniz e deve permanecer no

cargo até o ano de 2021. A nova

diretoria também traz José

Limongi Di Francesco como

vice-presidente, Nilton Luiz Bandeira

Castelo Branco como diretor

secretário, Paulo Cavalcanti

de Lucena Júnior como diretor

financeiro e Hilton Felix Sena

como diretor social. A votação para a nova diretoria ocorreu

na sede do Sincor-PE, em Recife e também nas delegacias de

Caruaru e Petrolina.

Sincor-SE

Os corretores associados

ao Sincor-SE participaram da

eleição da nova diretoria, que

será responsável pelo sindicato

durante o quadriênio

2018/2021. Apenas uma chapa

foi inscrita, a “Sincor de todos”,

encabeçada pelo atual diretor-

-presidente, Érico Melo. “Para

mim, é uma grande satisfação

poder continuar o trabalho

que fizemos ao longo dos

últimos quatro anos. A escolha

dos corretores é sinal de que

estamos no caminho certo e de que temos muito mais a fazer,

para que o mercado de seguros continue crescendo aqui em

Sergipe”, declara Melo.

CCS da Costa da

Mata Atlântica

Nova diretoria do Clube dos Corretores de

Seguros da Costa da Mata Atlântica na festa

de posse dessa nova gestão, que continuará

liderada por Edmundo Paulo Paschoal, realizada

em Santos

32


lançamento | Regula

A nova geração de corretores

quer mais tempo para vender

Empresa lança serviço de atendimento e

acompanhamento de sinistro nas carteiras de

automóvel, vida, RE, RC e fiança locatícia para

facilitar a vida dos corretores de seguros

Após 18 anos como corretor

de seguros, Daniel Bortoletto

identificou uma lacuna

importante no mercado. Ele

percebeu, por sua própria experiência,

que os corretores de seguros demandam

muito tempo e dinheiro para cuidar dos

sinistros de alguns segurados.

A Regula realiza este atendimento

de clientes sinistrados para o corretor de

seguros. A empresa nasceu para ajudar os

corretores de seguros a encontrar o equilíbrio

entre a necessidade de atender bem

seus clientes e a difícil tarefa de ampliar

sua carteira de negócios, gerando disponibilidade

de tempo para prospecções e

novos fechamentos. Ela apresenta uma

solução inovadora de terceirização desta

área, atuando como uma representante

da corretora desde o momento da abertura

do sinistro pelo segurado até a sua

conclusão, com o principal objetivo de

fidelizar e até gerar novos negócios para as

corretoras. Outro efeito desta terceirização

é a contribuição com a gestão de custos

dos corretores, pois eles podem realocar

recursos, direcionando suas energias e

das suas equipes administrativas para

a área comercial. “A Regula nasce para

proporcionar tempo para os corretores

produzirem mais de forma inteligente, com

segurados felizes e colaboradores focados

no objeto da empresa”, explica Bortoletto.

Há pouco mais de um mês no mercado,

ela já possui vários clientes que começaram

a utilizar o serviço para ter mais tempo para

se dedicar às vendas, aproveitando o custo

de oportunidade. O seu planejamento

estratégico está bem

definido e já conta com a meta

de atingir 2% dos corretores

de seguros de São Paulo, nos

próximos dois anos.

Sua inovação está na logística:

o processo e fluxo de atendimento

é simples e rápido, disponibilizando várias

formas do corretor compartilhar os sinistros

da sua carteira via email, site, app,

whatsapp e acompanhar em tempo real

o status dos sinistros dos seus segurados.

A Regula possui oito produtos em sua

prateleira. Eles já foram aperfeiçoados e

alinhados às necessidades dos corretores.

Agora, são vendidos em pacotes por quantidade

de atendimento. O serviço cobre as

carteiras de automóvel, vida, ramos elementares,

responsabilidade civil e fiança.

“Também oferecemos a possibilidade do

cliente contratar o serviço por ocorrência.

Este usuário pode ser corretor ou consumidor”.

A Regula é um representante do

corretor para acompanhar o segurado no

momento do sinistro.

A qualidade do serviço é garantida

pela pesquisa realizada ao final de todos

os atendimentos. “Quando finalizamos,

mandamos um questionário de satisfação

para o cliente, cujo relatório será enviado

para o corretor periodicamente”, reforça

Bortoletto.

Uma das coisas que despertou o

interesse em criar a Regula foi a observação

de que os clientes bem atendidos no

momento do sinistro acabavam gerando

novos negócios e até trazendo o terceiro

(revertendo como segurado para

a corretora).

O Plano de Livre Escolha cobre

apenas um atendimento específico e

tem custo de R$ 89,90. Ele é indicado

para os corretores de seguros que estão

Daniel Bortoletto

iniciando na carreira e ainda possuem

poucos segurados. “Temos o Regula10,

um plano especial para os corretores que

estão iniciando suas carteiras com um custo

de R$79,99 reais por mês, com direito a

10 atendimentos por ano, e no site www.

regula.com.br/planos disponibilizamos

pacotes a partir de 5 atendimentos mês ou

60 no ano, a partir de R$374,99 por mês,

e também personalizamos de acordo com

a real necessidade da corretora”, explica

o executivo. Todos os pacotes podem ser

adquiridos online.

Custo de oportunidade

Toda vez que o corretor de seguros ou

sua equipe para a produção para atender

um sinistro, ele gera o custo de oportunidade.

Seu papel é ser o principal canal comercial

e de distribuição das seguradoras.

Seu foco é “vendas”.

Quando um chamado é aberto pelo

corretor, a Regula entra em contato com

o cliente em até 10 minutos. “Este é um

compromisso da empresa, cujo processo

pode ser acompanhado online pelo corretor”,

acrescenta o executivo.

“A nova geração de corretores de seguros

está preocupada com a sua produtividade,

com o equilíbrio da corretora (produção

x custos). De forma inteligente, ele pode

potencializar sua produção, conquistar o

reconhecimento das seguradoras e garantir

que os clientes que tiverem problema recebam

atendimento eficiente, profissional

e, principalmente, humanizado”, conclui

Bortoletto.

33


férias | viagem

Relaxar, mas

com seguro

Erros, acertos e

experiências podem

definir como serão as

viagens das férias

O

ano de 2017 foi marcado por

reviravoltas políticas e crises

econômicas que pesaram

também no setor de turismo.

Mas a chegada de dezembro anima agora

os agentes de viagem e também aqueles

que esperaram o ano inteiro por um

descanso. Só que descansar não deveria

ser sinônimo de abandonar algumas responsabilidades

cruciais para a segurança,

como o seguro viagem.

Turistas brasileiros, algumas vezes,

34

Amanda Cruz

se esquecem deste produto que pode ser

contratado tanto para viagens nacionais

quanto internacionais. No País, apenas

30% dos viajantes contratam o produto.

❙❙Marcio Magnaboschi, da AXA

Muitos desconhecem a necessidade e até

a obrigatoriedade de ter a proteção, mas o

setor batalha nessa carteira para que isso

mude. “A conscientização vem ganhando

força. Com mais pessoas viajando,

inevitavelmente, sinistros acontecem.

Quando as pessoas se deparam com um

problema em uma situação de maior

vulnerabilidade, fora de sua residência,

elas passam a valorizar mais o seguro.”,

comenta Marcio Magnaboschi, diretor

Comercial de Vida, da AXA.

Há no Brasil a cultura do “não vai

acontecer comigo”, especialmente no que

diz respeito aos momentos de lazer com

os quais as pessoas não gostam de associar

a riscos, mas imprevistos estão por

todas as partes. “Ano a ano há diversas

notícias sobre sinistros. Os que viajam

sem seguro são pessoas inexperientes,

que precisam de explicações mais elabo-


❙❙Rafael Turra, da Vital Card

radas para saberem para que serve e quais

são os riscos. Isso muda com a experiência,

embora nem mesmo os viajantes

experientes contratem sempre o seguro”,

elucida Rafael Turra, diretor Operacional

e de Produtos da Vital Card. De acordo

com levantamento da empresa, realizado

em outubro de 2017, são os viajantes entre

35 e 50 anos que principalmente contratam

a proteção. Os destinos com maior

percentual de segurados são Europa

(40%) e EUA (31,5%), com outros países

somando 24% e as viagens nacionais com

apenas 5% de contratações.

Esses números levam em conta uma

série de fatores, como o da obrigatoriedade

do seguro para viagens à Europa

e o fato de que quanto mais perto a

viagem, menos as pessoas temem os

riscos e menos contratam. “O viajante

que está começando vai optar pelo que

é mais barato, mas é justamente nesse

momento que ele pode ter problemas, se

a cobertura contratada não for suficiente”,

comenta Turra.

De acordo com dados fornecidos

pelo Ministério do Turismo à Revista

Apólice, anualmente cerca de 60 milhões

de pessoas viajam dentro do Brasil e um

dos grandes desafios continua sendo

ampliar o turismo no País, seja trazendo

mais visitantes internacionais para cá,

seja fazendo com que o setor de viagens

e turismo fique mais acessível a um maior

número de brasileiros. “A expectativa da

Pasta é incluir mais 40 milhões de brasileiros

no mercado de viagens domésticas

e ampliar de 6,5 milhões para 12 milhões

o número de estrangeiros, nos próximos

cinco anos. Com essa movimentação de

turistas, a expectativa é gerar cerca de

2 milhões de empregos extras pelo turismo

e injetar quase US$ 13 bilhões na

economia com o turismo internacional”,

informa em nota.

O que cobre?

Aqui no País, as pessoas se sentem

em casa e, de fato, quem tem um seguro

saúde com abrangência nacional, por

exemplo, tem seus motivos para se sentir

mais tranquilo caso necessite de um

atendimento. Mas nem só de atendimento

médico vive o produto. Há outras coberturas

que podem ser contratadas que

evitam muitas despesas. “Alguns planos

de saúde não contemplam uma cobertura

nacional para urgência e emergência”,

alerta Magnaboschi. Ele explica ainda

que o valor do produto na viagem nacional

é menor que 5% do total da viagem.

“O seguro viagem nacional é muito

barato e se uma pessoa for, por exemplo,

para o nordeste, e precisar voltar para

a sua cidade mais cedo, o seguro pode

cobrir”, completa.

Hoje, as agências de viagem já têm

plena consciência da necessidade do

seguro e são bons agentes na hora de

orientar seus clientes. Carolina Beloni,

coordenadora de atendimento da Adventure

Club, afirma que o seguro é sempre

oferecido a todos os seus viajantes.

“Cerca de 70% dos clientes perguntam

se o seguro está incluso, e cerca de 10%

perguntam sobre as coberturas”, calcula.

As apólices normalmente incluem,

além da médica, coberturas como extravio

de bagagem, atraso de voo e cancelamento

de viagem, por exemplo. Mas é

preciso estar atento ao que se compra.

Não é porque algo está disponível no

mercado que é válido para determinada

contratação. “Se a pessoa contrata um

plano básico, olhando apenas para o

preço, ficará sem essas coberturas extras.

Isso gera dúvidas, porque só durante a

viagem é que ela descobre que não tem

esse direito”, diz Turra.

A falta de conhecimento sobre

seguros gera também confusões sobre

diferentes produtos, conforme explica

o executivo da Axa: “Muitas pessoas

acabam confundindo seguro viagem

com planos de saúde. O seguro viagem

é utilizado somente para urgências e

emergências, diferente do plano de saúde,

que suporta consultas de rotina, ambulatoriais,

checkup etc.”.

“No pacote que fechamos com as

operadoras, são elas que incluem o seguro

de acordo com o roteiro. Quando fazemos

por aqui, passamos duas ou três opções de

planos e deixamos que o cliente escolha”,

afirma Carolina. Entre os que contratam,

só 5 a 10% têm algum tipo de dificuldade

com a seguradora para utilizar o produto.

O que mais pode dar errado, ainda,

é o plano ser básico demais para o destino.

Levando-se em consideração um

dos principais destinos dos brasileiros,

os EUA são um bom exemplo de como

uma simples consulta ou uma doença

mais séria podem levar ao fim da viagem.

Os preços salgados, de acordo com

a publicação The New York Times, têm

curativos pequenos custando até US$ 2

mil em hospitais como o Califórnia Pacific

Medical Center, além de uma diária de

internação que custa no país, em média,

US$ 4 mil a diária. “O custo médico lá

fora, mesmo para uma doença não muito

grave, fica facilmente mais do que US$

30 mil”, comenta Turra.

De todas as coberturas, a médica

ainda é a mais acionada – principalmente

por conta de intoxicações alimentares;

em seguida vem o cancelamento de viagens

– que pode ser feito por conta de

doença, morte de parentes do passageiro,

❙❙Carolina Beloni, da Adventure Club

35


viagem

demissão ou cancelamento de férias por

parte do empregador; e o terceiro lugar de

sinistros fica com o extravio de bagagens.

Comprar com antecedência, portanto, é a

chave da contratação, se algo acontecer e

o cliente não puder viajar, com a apólice

garantida ele poderá fazer o cancelamento

sem prejuízos.

A carteira

Como toda carteira de seguros, o

Viagem também passou e deverá passar

por diversas transformações, mas como

elas serão? Magnaboschi tem alguns

palpites sobre o futuro. Para ele, o seguro

viagem deverá ser modular, com cada

consumidor escolhendo valores de coberturas

e quais itens gostaria de adicionar,

além dos obrigatórios estipulados pela

Susep, de acordo com suas necessidades.

Já quando o assunto é legislação, o

executivo acredita que a CNSP 315/2014

cumpriu o papel de regular o mercado

informal da venda dos “vouchers de

viagem”. “Algumas empresas acabavam

expondo os beneficiários a riscos, pois

estes achavam que estavam cobertos em

suas viagens e, no momento de um imprevisto,

percebiam que não era bem assim

ou que o limite de capital era global para

todas as coberturas exibidas no voucher.

A Susep recebia muitas reclamações,

mas não tinha como atuar, pois essas

empresas não estavam regulamentadas

pelo órgão”, explica.

Mesmo com os piratas longe desses

mares, o seguro viagem é tradicionalmente

oferecido como benefício em

outros mercados, como com cartões de

crédito e planos de saúde. “O modelo

de negócio é bem diferente da venda de

vouchers de viagem, onde ainda restam

gargalos. “Pela legislação atual é obrigatória

a emissão de um bilhete de seguro

individual e as bandeiras de cartões de

crédito não têm acesso aos dados pessoais

dos titulares dos cartões. Com isso,

para se adequar à nova legislação, foi

necessário mudar o fluxo operacional

destes benefícios”, destaca Magnaboschi.

A experiência muda tudo

Para quem acha que o seguro é um

exagero e que tudo bem viajar sem contratar

nada, dois casos mostram como o

36

❙❙Renata Sirtoli

seguro pode ser útil.

Renata Sirtoli, de 29 anos, foi à

Alemanha, que faz parte do Acordo de

Schengen, mas sequer se preocupou com

essa questão, pois a agência de intercâmbio

havia estudado o caso para ela, que

viajava como estudante. Mesmo assim,

ela afirma: “tive total ciência do que

estava coberto e dos valores de indenização,

pois eram pontos importantes para

aprovação do visto”.

Já por lá, Renata ficou doente e não

teve dúvidas: recorreu ao hospital e foi

prontamente atendida, sem nenhum

percalço. “Não paguei nada a mais pelo

atendimento e o valor dos remédios foi

❙❙Rafael Perez

reembolsado pela seguradora”, afirma.

Renata é um exemplo de viajante que já

tem a cultura, pois afirma que nunca viajou

sem contratar proteção, que considera

importante. “Tenho medo que aconteça

alguma coisa e a gente nunca sabe como

é o atendimento público em outros países.

Além do mais, sei que o seguro cobre

extravio de malas e outros problemas

durante a viagem”.

O intercâmbio, sonho de muitos

jovens, parece ser uma boa entrada para

o consumidor de seguro viagem, pois

foi nessa situação que Rafael Perez, 23

anos, teve seu contato com o setor, ao

viajar para Buenos Aires, Argentina,

para fazer trabalho voluntário. “Fiz a

contratação, pois eles exigiam o seguro.

Escolhi a companhia que tinha a melhor

cotação, R$ 200 para os 47 dias”, explica.

Com o inverno argentino, Rafael adoeceu

por problemas respiratórios e ao chegar

ao hospital, não pode ser atendido, pois

descobriu que seu nome estava com a

grafia errada na apólice de seguro. Apesar

da recusa, Rafael recorreu à seguradora

e, nesse caso, o atendimento fez a diferença.

“Eles prestaram um atendimento

muito bom e consertaram o erro. Voltei ao

hospital e fui atendido sem problemas. A

assistência prestada e o hospital foram excelentes”,

lembra. Essa experiência serviu

ao estudante para entender duas coisas:

que imprevistos acontecem, sim, e que o

seguro não é tão caro quanto imaginava,

embora ele confesse que o preço é um

fator de muito peso para a contratação.

Em 2018, Rafael está indo a um novo

intercâmbio, dessa vez na Espanha e já

está ciente: para além da exigência, contratar

um seguro é crucial. “Os planos

para a Europa são mais caros, mas li e

pesquisei bastante sobre o assunto. Sei

que vale muito a pena, pois se não fosse

o seguro, não sei como eu estaria lá devido

à doença”, diz. A cultura do seguro

chegou tanto para Renata quanto para

Rafael, o que pode deixar esse nicho de

mercado animado. As viagens, sejam

a trabalho ou de férias, são sonhos e

momentos de realização, especialmente

para uma geração que cresceu e a que

vem chegando e abraçando modos de

vida que priorizam mais experiências

do que bens materiais.


econhecimento | mercado

SindSeg MG/GO/MT/DF entrega

Medalha do Mérito Segurador 2017

durante evento de confraternização

Mauro Batista, Augusto Matos e José Cristóvão

Augusto Matos

Maria Filomena Branquinho (Sincor MG), José Cristóvão Martins

(Sincor MT), Augusto Matos (SindSeg MG/GO/MT/DF), Dorival

Alves de Sousa (Sincor DF) e Henderson Rodrigues (Sincor GO)

Convidados

Diretoria do SindSeg MG/GO/MT/DF

Representantes homenageados

Pista de dança

Homenageados das comissões

José Luis F. Silva, Augusto Matos e Ronaldo Pinho

Reconhecer e destacar as personalidades

do mercado e da

sociedade que contribuem para

o fortalecimento do mercado

de seguros é a proposta da Medalha do

Mérito Segurador, premiação concedida

pelo Sindicato das Empresas de Seguros

Privados, de Resseguros e de Capitalização

dos Estados de Minas Gerais, Goiás,

do Mato Grosso e do Distrito Federal

(SindSeg MG/GO/MT/DF). Em sua sexta

edição, o evento foi realizado na capital

mineira, no dia 24 de novembro, e reuniu

cerca de 300 convidados.

O evento teve como proposta o

“Futuro”, e a importância de pensar e

planejá-lo foi abordada durante toda a

solenidade. O início da cerimônia foi

marcado pela exibição de um vídeo com

depoimentos de participantes da última

edição do Fórum do Amanhã sobre a

importância do mercado de seguros para

a construção de um futuro melhor. Realizado

em novembro, na cidade mineira

de Tiradentes, o evento foi apoiado pelo

SindSeg MG/GO/MT/DF.

Após essa abertura, foram entregues

as medalhas aos agraciados. Neste ano, os

escolhidos foram os presidentes do Sindicato

das Seguradoras e Resseguradoras

do Estado de São Paulo (SindSeg SP),

Mauro César Batista, e do Sindicato dos

Corretores de Seguros de Empresas Corretoras

de Seguros e de Capitalização no

Estado de Mato Grosso (Sincor/MT), José

Cristóvão Martins. O superintendente da

Superintendência de Seguros Privados

(Susep), Joaquim Mendanha de Ataídes,

também receberia a homenagem, mas em

função de uma cirurgia de emergência,

não pode comparecer.

Os representantes regionais e os

membros das comissões do SindSeg MG/

GO/MT/DF também foram homenageados.

Eles foram presenteados com o livro

“Parques e reservas: Patrimônio de Minas

Gerais”, que aborda a riqueza natural e

a diversidade cultural dos parques e seu

entorno.

Ao final da cerimônia, o Presidente

Augusto Frederico Costa Rosa de Matos

agradeceu a presença e reforçou no discurso

a importância da união dos profissionais

para o crescimento do segmento. “O

mercado de seguros é um só. Desde 2013,

o país vive um cenário de incertezas. Por

isso, é fundamental trabalharmos com

determinação, criatividade, empenho e

focados nas oportunidades, construindo

um futuro melhor para todos”, frisou.

37


eventos

CCS-SP recebe VP executivo da Porto Seguro

Vice-presidente executivo da Porto Seguro, Roberto Santos

participou do almoço realizado pelo Clube dos Corretores de

Seguros de São Paulo. Santos, que vai assumir a presidência da seguradora

em 2018, expôs suas ideias sobre o seguro de automóvel

e sobre o seguro na era digital, em que chamou atenção para o

processo de venda com o uso de tecnologias que contemplem a

jornada do cliente. “Precisamos colocar o segurado no centro das

decisões e mudar o modelo de produto para custumer centricity,

que cria novos vínculos com os consumidores”, disse.

No evento, também foram homenageados o associado João

Urdiales Gongora, que completou 60 anos de carreira no setor,

e o ex-mentor Luis López Vázquez, falecido em 1º de outubro.

Corretores de seguros, seguradores e lideranças do setor visitaram

a nova Regional São Paulo Sul do Sincor-SP. Inaugurada na Avenida

Ibirapuera sob o conceito “Casa do Corretor de Seguros”, o espaço

inclui auditório e loja térrea para ampliar a divulgação da categoria e

dar mais acessibilidade ao profissional e aos beneficiários e vítimas de

acidentes de trânsito que buscam o Sindicato para atendimento gratuito

do seguro DPVAT.

“Este é um dia festivo, de uma entrega importante da gestão: uma

regional toda modernizada e neste porte, aberta para todos utilizarmos

seus espaços e serviços”, afirmou o diretor regional São Paulo Sul,

Márcio Silva.

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Aconseg-SP comemora 14 anos

A Aconseg-SP comemorou seus 14 anos de atuação. Presidente da

entidade, Marcos Colantonio lembrou que a assessoria tem como base

oferecer ferramentas importantes aos corretores, como apoio técnico

e atendimento especializado.

Para o próximo ano, o foco de crescimento da Aconseg-SP é o

seguro de vida. A perspectiva de Colantonio é que a entidade feche

2017 com 15% de crescimento.

Outro destaque foi a alta no índice de treinamento de corretores

pelas assessorias. Para 2018, o desejo da entidade é manter este crescimento.

“No próximo aniversário, queremos apresentar produção de

R$ 1,5 bilhão”, declarou.

Sincor-SP inaugura Casa do Corretor - Regional Sul

Susep focada no desenvolvimento do mercado

Nunca o Brasil precisou tanto de líderes. Essa foi a mensagem deixada

pelo titular da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, no almoço em sua

homenagem realizado pelo Clube Vida em Grupo RJ. “Usem a liderança

para ajudar o mercado a ocupar uma posição de destaque cada vez maior

na economia”, recomendou Mendanha. “Não é novidade que sempre

houve certa dificuldade em incluir o seguro na agenda do governo, e hoje

encaramos esse desafio”, conta.

O presidente Carlos Ivo Gonçalves fez a entrega de uma placa comemorativa

ao lado do presidente da CNseg, Marcio Coriolano, do presidente

do Sincor-RJ, Henrique Brandão, e do presidente do Conselho Consultivo

do CVG-RJ, Ênio Miraglia.


Sincor-RS realiza 15º Jantar

dos Cozinheiros

Cerca de 400 convidados participaram do 15º Jantar

dos Cozinheiros, promovido pelo Sincor-RS. Chefiado pelo

corretor Milton Pereira Adriano, o evento contou com a

participação do cantor Cleinton Amorim.

Na mesma ocasião, a entidade realizou sua confraternização

de fim de ano e também entregou um cheque

de R$ 8 mil para Denise Micelli, diretora da Escola de Educação

Infantil Só Bebê, que atende crianças em situação

de vulnerabilidade.

UCS celebra conquistas

A União dos Corretores de Seguros (UCS) reuniu

em seu último encontro de 2017 cerca de 300 pessoas,

entre associados e lideranças do setor. “Este foi um

ano difícil para todos, período de enfrentamentos e

desafios, mas que conseguimos superar e chegar ao

final com crescimento. Por isso é momento de confraternizar”,

declarou Mara Borges Sutto, presidente

da entidade.

CVG-SP realiza primeira confraternização da gestão Kasahaya

A festa de final de ano do Clube Vida em Grupo de São Paulo

recebeu 250 convidados no espaço Trio Pérgola, em São Paulo.

O presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, destacou o trabalho realizado

pelos ex-presidentes que hoje fazem parte do Conselho da entidade.

Ele lembrou também que o CVG-SP completou 36 anos em 2017.

Kasahaya destacou a postura da nova diretoria de investir na comunicação

com o mercado e com seus associados. “Percebemos que

precisávamos de um novo posicionamento para melhor comunicar

nossas ações”, justificou.

O destaque da noite ficou por conta da divulgação da carta de

intenção junto ao Million Dollar Round Table (MDRT), entidade internacional

fundada em 1927 por corretores nos EUA. A parceria entre o

CVG-SP e a entidade deve ser assinada em 2018.

Clube dos Corretores

do ABC Paulista

Associados, convidados e membros de seguradoras marcaram

presença na festa de confraternização do Clube dos Corretores de

Seguros do Grande ABC, realizada no Estância Alto da Serra, em São

Bernardo do Campo (SP). “O Clube está muito agradecido com o

apoio recebido de todos os associados, parceiros e amigos”, declarou

o presidente, Jocimar de Carvalho, que também fez um balanço

dos avanços da entidade ao longo de 2017. “Tivemos um crescimento

significativo com a conquista de novos associados novos e resgate de

alguns que, por algum motivo, haviam se desligado.”

39


Todo ano o seguro de transporte

tem um dia reservado ao

conhecimento e ao debate da

carteira. Seja marítimo ou, e

principalmente, rodoviário, o Brasil ainda

tem muito que avançar quando o assunto

é cuidar das cargas que percorrem o País

ou as que são exportadas. Com todos

esses fatores como parte fundamental

de sua existência, o Clube Internacional

de Seguro de Transporte (CIST) é o idealizador

do Simpósio que, anualmente,

traz os assuntos mais urgentes a serem

discutidos.

Mas nem só os transportes são debatidos

no evento. Tanto que o painel que

abriu os debates em São Paulo teve como

tema a Lei de Contrato de Seguro, que há

tempos tramita na câmara e no senado e

vem sendo aperfeiçoada há pelo menos

13 anos, devendo ser decisiva para sanar

alguns dilemas de mercado. Ernesto

Tzirulnik, advogado e presidente do

Instituto de Direito do Seguro – IDBS,

acredita que a ideia principal do projeto

é diminuir a profusão de normas infralesimpósio

| transportes

O mercado de transportes avança

Clube Internacional de Seguro

de Transporte promove evento

para debater as mudanças e

desafios do setor

Amanda Cruz

40

gais, pois há diversos textos normativos

para regulamentar as matérias de seguro.

“Em 2017 foram 22 circulares da Susep. É

humanamente impossível o mesmo grupo

redigir todas elas e deixar ordenados diferentes

conceitos e linguagens. Se esses

textos não conseguem ser internamente

coerentes, o que pode ajudar a direcionar

a leitura, compreensão e validade dessas

normas? A lei”, defendeu.

Construir uma sociedade livre, justa

e solidária – demonstrando assim o valor

social do seguro -, fomentar a economia

e a sociedade e ajudá-la a se desenvolver

plenamente: essas são diretrizes presentes

na Constituição e que devem ser seguidas

por todas as empresas financeiras. Todas

as normas devem estar submetidas a essas

premissas.

Outro ponto que deverá ser cuidado

pela Lei do Seguro são as recusas feitas

pelas seguradoras e exigências de maior

transparência nas coberturas oferecidas.

União do P&I

O evento era voltado ao mercado

de transportes e por isso mesmo contou

com materiais técnicos sobre o nicho.

Mauro Sammarco, diretor da Brazil

P&I (Proteção e Indenização), explicou

como funciona a iniciativa. O grupo,

sem fins lucrativos, tem como objetivo

dar mais segurança aos transportes marítimos,

buscando maiores coberturas

de resseguros e representação perante

órgãos mundiais de regulação. Ele se

une para que sinistros até determinado

valor possam ser arcados pelos clubes

envolvidos. Quando o valor ultrapassa a

cota estipulada, eles recorrem ao mercado

de resseguros. “O Costa Concórdia foi

feito sob esse modelo. Sem essa divisão

entre os grupos o pagamento não seria

possível”, explicou Sammarco. O clube

de proteção age também para que os

acidentes não sejam judicializados, o que

seria um longo caminho a percorrer até

a indenização.

O P&I cobre riscos do navio para

terceiros, seja tripulantes, trabalhadores,

avarias e, principalmente, cargas. Essa

última abocanha de 30% a 40% dos


valores dos sinistros. “O seguro de carga

tem grande importância pelo volume de

sinistros, mas há também a preocupação

com cargas poluentes”, disse.

Com regras rígidas e estabelecidas,

esses clubes atuam desde o século XIX

e seguem linhas muito parecidas com

qualquer outra companhia de seguro. Os

clubes de P&I não rechaçam o mercado

de seguros, mas se aproximam para ter

coberturas para sinistros grandes com os

quais não podem arcar.

O futuro com drones

Por terra, por água e, por que não,

por ar? Há muito se espera que o drone

vire um modal de transportes e, apesar

de muitos deles já voarem por aí, ainda

existem barreiras que atrasam essa demanda

e uma pergunta crucial que os

setores associados à tecnologia fazem:

estamos preparados?

Daniela Murias, gerente de seguros

aeronáuticos da XL Catlin, ministrou

sua palestra que desmistificou algumas

crenças sobre drones. Embora uma legislação

específica para o assunto só tenha

chegado esse ano, em 2012 a Agência

Nacional de Aviação Civil (ANAC) já

previa o uso de drones para pesquisas.

O texto estabelecido em maio de 2017

apenas deixou o equipamento mais

acessível ao público. Além da Agência,

o Departamento de Controle do Espaço

Aéreo (DECEA) e a Agência Nacional

de Telecomunicações (ANATEL), que

homologa os equipamentos, também

estão envolvidos na regulamentação

dessas aeronaves remotamente pilotadas.

O DECEA estabelece a distância

mínima de 30 metros de edificações e

de terceiros nesses voos, cenário muito

diferente do que é muitas vezes visto

depois da popularização: shows, casamentos

e até mesmo drones invadindo

o espaço da aviação comercial, como

ocorreu recentemente no aeroporto de

Congonhas, em São Paulo.

Em companhias como a americana

Amazon e a alemã DHL já são feitos

testes para utilizar drones na realização

de entregas de produtos, mas tudo ainda

é bastante experimental. A entrega por

esse meio chegará, mas precisa de muito

estudo e gerenciamento de riscos para se

tornar uma prática comum.

O que já está surtindo bons efeitos

no mercado de seguros, por exemplo, é

a utilização da tecnologia para inspecionar

sinistros em locais remotos ou que

passaram por tragédias que dificultam

o acesso de inspetores. Além disso, são

mais rápidos: enquanto a inspeção normal

demoraria, em média, 17 dias em

termos convencionais, com a ferramenta

pode ser feito em apenas dois dias.

O futuro no mercado de transportes

conta com os drones para realizar suas

entregas não só por ar, mas também pelas

águas. Já existem protótipos marítimos à

prova de pirataria, que em breve deverão

navegar grandes cargas.

Violência e transportes

De volta à terra, o roubo de cargas

tem sido alarmante no Brasil. Diversos

estados veem suas cargas deixando de

chegar aos destinos e a preocupação só

cresce. Para discutir o assunto, o CIST

levou Venâncio Alves de Moura, ex-

-coronel do Bope, considerando que o

Rio de Janeiro é o estado com maior

índice de roubos que causam grandes

impactos às seguradoras. O ex-coronel

acredita que falta estrutura do estado

para enfrentar esse problema é o maior

agravante. Segundo ele, até 2013 apenas

quadrilhas especializadas atuavam no

roubo de cargas, mas de lá pra cá o tráfico

de drogas entrou no assunto, levando a

um aumento exponencial. Em relação a

2016, a prática criminosa aumentou 13%

neste ano.

Para o combate, foi criado um grupo

de enfrentamento em outubro deste ano

com diversos representantes do governo,

do setor de cargas e polícias, grupo do

qual Moura faz parte. “Fazemos reuniões

e elas são a medida para frear esses crimes,

especialmente em locais que antes

sequer sofriam com eles”, disse Moura.

O ex-coronel reforçou ainda que a

mudança de ação da Força Nacional de

Segurança Pública (FNSP) deu maior

autonomia funcional à atuação e foi

fundamental, passando a patrulhar locais

mais críticos e, agora, segundo ele, dando

resultados. “O mês de setembro de 2017

já foi melhor que o mesmo período do

ano anterior, desde maio de 2017 se vê

um decréscimo de ocorrências por conta

desse planejamento”, pontuou.

O futuro

Encerrando o evento, a tecnologia foi

o mote do painel do palestrante Roberto

Uhl, gerente de canais digitais da Argo

Seguros. Para ele, a inovação digital é,

principalmente, o que é feito com a tecnologia

para duas situações principais:

resolver problemas e mecanizar trabalhos

repetitivos e utilização do meio online

para aquisição de segurados.

Em transportes, as conexões propiciadas

são o ponto forte dos avanços tecnológicos.

“A Tesla Motors, por exemplo,

lançou o primeiro caminhão elétrico que

tem três coisas que chamam a atenção:

promessa de desempenho superior ao

existente hoje; o título de caminhão mais

seguro que existe; e o fato de não ser um

protótipo, mas uma realidade de futuro

próximo”, elencou. O caminhão já pode

ser reservado e rodará em breve pelas

ruas para quem quiser.

Big Data, internet das coisas, blockchain,

API, plataformas p2p, análise

de riscos por algoritmos e tantas outras

tecnologias que surgem e são inseridas

no setor ainda não são suficientes para

considerar esse um mercado plenamente

tecnológico. “Hoje, a maioria das ações

ainda é feita por boleto”, pontuou Uhl.

O presente disruptivo fica por conta

das insurtechs, que apresentam um conceito

completamente diferente do que é

praticado hoje no mercado e que oferece

possibilidades para quem quer mudar,

mas não sabe como.

Focar na experiência do cliente, ter

um processo ágil, entendimento da geração

millennial, prioridade maior em se

estabelecer do que ter resultados e menos

comprometimento com questões regulatórias.

Essas são características atribuídas

às insurtechs, mas não deveriam ser as

metas de todas as companhias em pleno

2017? Para Uhl, a resposta é sim.

Apesar de focado em transportes, os

temas debatidos durante o 5° Simpósio

Cist servem a todo o mercado como

reflexão do que há de novo e o que deve

ser exigido do setor, e também de como

engajar e envolver a sociedade em novas

experiências de mercado.

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comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

NATAL: A HISTÓRIA

E A ESSÊNCIA

A cada 25 de dezembro, engalanada e festiva, a humanidade

comemora mais um aniversário do nascimento de Jesus, ocorrido

em Belém, no ano um de nossa era — o primeiro anno Domini.

Estaríamos, agora, portanto, comemorando o 2.017º ano do de

seu nascimento.

Entretanto...

Estudos e levantamentos cronológicos e históricos comparados

contestam a época do nascimento de Cristo, que não teria ocorrido

no ano que consideramos o primeiro, mas sim entre quatro a seis

anos antes.

Igualmente, o mês não teria sido dezembro, auge do inverno

na Palestina, marcado por frio tão intenso que, à noite, os pastores

recolhem suas ovelhas aos apriscos — abrigos cobertos e fechados

— para resguardá-las do rigor invernal. Assim sendo, não teria

sido possível estarem os pastores no campo, com seus rebanhos,

quando os anjos anunciaram que na “cidade de Davi nasceu hoje o

Salvador, que é Cristo, o Senhor”, como narra o evangelista Lucas. É

mais provável, isto sim, que o evento tenha ocorrido entre fevereiro

e abril, de temperatura menos hostil.

O dia, por outro lado, não teria qualquer ligação com o citado

dia 25. Essa data teria sido fixada já muito posteriormente, e por

influência do sincretismo religioso, que incorporou hábitos e festividades

pagãos ao incipiente Cristianismo, visando facilitar sua

aceitação por outros credos.

Na verdade, 25 de dezembro era a data consagrada pelo culto

pagão ao deus Sol, e como Cristo prefigurava a aurora de uma nova

era, de uma nova vida, passou a ter essa representação.

A conclusão é que não há registros históricos indiscutíveis a

respeito do ano, do mês e do dia do nascimento de Jesus. E isso,

que pode parecer um despropósito aos olhos dos homens, é, antes,

como que um propósito de Deus, o Grande Criador dos Mundos.

Não quer ele que nos ocupemos ou nos preocupemos com

detalhes históricos ou geográficos, todos de importância menor.

O importante, realmente, o certo e indiscutível, é o fato espiritual:

CRISTO NASCEU! Nasceu e revolucionou o mundo, a História e os

conceitos humanos! Nasceu e trouxe consigo a Redenção, a Religião

(re-ligação entre criatura e Criador) e o Evangelho (Ev-Angelós), a

boa nova entoada pelos anjos naquela noite de Belém, e repetida

hoje em todo o mundo:

“GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS; PAZ NA

TERRA E BOA-VONTADE ENTRE OS HOMENS!”

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* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário,

Advogado e Jornalista. É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”,

e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br


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