Analytica 103

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Revista

Ano 17 - Edição 103 - Out/Nov

EDITORIAL

Chegamos à 103ª edição da Revista Analytica, cuidadosamente preparada trazendo a maior gama de

assuntos referentes ao setor de controle de qualidade industrial. A nossa revista também traz um material

abrangente. Contamos, desta vez, com dois artigos que abordam diferentes temas: o primeiro sobre

a importância das metodologias de controle de qualidade na produção de cosméticos e sobre os riscos

biológicos associados ao uso de cosméticos; e o segundo artigo traz uma análise sobre a concentração

de metais pesados nas águas do Rio Paraopeba e na lama de rejeitos após o rompimento da barragem de

Brumadinho, em Minas Gerais.

Além dos artigos científicos supracitados, temos também a seção Espectrometria de massas apresentando

um texto que discorre sobre os detectores de íons e algumas de suas características. Na seção Análise de

Minerais, falamos sobre a eminência de uma nova revolução tecnológica e suas consequências no cotidiano

laboratorial. Somado a isso, ainda contamos com a seção de Metrologia, que expõe sobre o poder das

medidas e a sua capacidade de afetar, inclusive, relações comerciais do país.

Todo esse conteúdo, associado à uma importante agenda de eventos e as melhores inovações e soluções

do mercado de controle de qualidade industrial, reunindo as maiores empresas do ramo. Agradecemos a

todos que colaboraram com essa edição, e a todos os leitores.

Boa leitura a todos!

JOÃO GABRIEL DE ALMEIDA

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

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Jornalista Responsável: João Gabriel de Almeida | editoria@revistaanalytica.com.br

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Revista

Ano 17 - Edição 103 - Out/Nov

ÍNDICE

Artigo 1

10

Riscos Biológicos

Associados a Cosméticos

01

06

08

Editorial

Publique na Analytica

Agenda

Autores:

Jonathas Xavier Pereira;

Thaís Canuto Pereira.

Artigo 2

20

Avaliação de Metais e Qualidade da Água

em trechos do rio Paraopeba após o

rompimento da barragem do Corrego

do Feijão: Uma visão do fato frente ao

equilíbrio do meio ambiente.

Autores:

Luana Cristina Camargos. Gomes,

Alex Magalhães de Almeida,

Flávio Leonildo de Melo.

2

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Em Foco Científico

37

Avaliação de Eficiência de Sanitizante

de Ar em Salas e Ambientes de

Laboratórios de Microbiologia

de Alimentos

31

34

36

40

Espectrometria de Massa

Análise de Minerais

Metrologia

Em Foco


Revista

Ano 17 - Edição 103 - Out/Nov

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante pág. Anunciante pág.

A3Q 07

Analitica Lab 33

Ansell

2ª Capa

Arena Técnica 09

BCQ 29

Bio Scie 03

BioNutrientes 17

Disotax

4ª Capa

Greiner 45

Las do Brasil 05

Merck 35

Nova Analitica 11

Prime Cargo

3ª Capa

Sensoglass 19

Veolia 47

4

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular da Escola de Química da Escola de

Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA)

do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional

de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de

Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública do INCQS

da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

Colaboraram nesta Edição:

Eduardo Pimenta Almeida de Melo, Luciano Nascimento, Anastasiia Melnyk, Oliveira ML, Pereira AS, Rodrigues KM, França RF, Assis IB, Arena Técnica,

Oscar Vega Bustillos, Américo Tristão, Claudio Kiyoshi Hirai.


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Revista

Ano 17 - Edição 103 - Out/Nov

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Bimestralmente, a revista Analytica publica

editoriais, artigos originais, revisões, casos

educacionais, resumos de teses etc. Os editores

levarão em consideração para publicação toda

e qualquer contribuição que possua correlação

com as análises industriais, instrumentação e o

controle de qualidade.

Todas as contribuições serão revisadas e analisadas

pelos revisores.

Os autores deverão informar todo e qualquer

conflito de interesse existente, em particular

aqueles de natureza financeira relativo

a companhias interessadas ou envolvidas em

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Observação: É importante frisar que a Analytica não informa a previsão sobre quando o artigo será publicado. Isso se deve ao fato que, tendo em

vista a revista também possuir um perfil comercial – além do técnico cientifico -, a decisão sobre a publicação dos artigos pesa nesse sentido. Além

disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados – levando em conta uma

média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores disponibilizarem seu material

em outras publicações.

6

Revista Analytica | Out/Nov 2019

ENVIE SEU TRABALHO

Os trabalhos deverão ser enviados ao endereço:

A/C: João Gabriel de Almeida – redação

Av. Nove de Julho, 3.229 - Cj. 1110 - 01407-000 - São Paulo-SP

Ou por e-mail: editoria@revistaanalytica.com.br

Para outras informações acesse: http://www.revistaanalytica.com.br/publique/


Agenda

agenda

8

Revista Analytica | Out/Nov 2019

XX Simpósio Brasileiro de Química Teórica

Data: 10/11/2019 a 14/11/2019

Local: Centro de Convenções, João Pessoa/PB

Informações: http://www.quimica.ufpb.br/sbqt2019/

7th Brazilian Conference On Natural Products

Data: 10/11/2019 a 13/11/2019

Local: Instituto Militar de Engenharia (IME)

Informações: https://2019.bcnp.com.br/

6º Simpósio de Geotecnia do Nordeste

Data: 13/11/2019 a 14/11/2019

Local: Mar Hotel Conventions, Recife/PE

Informações: https://www.geone.com.br/2019/inicial/

Fórum de Cadeia Fria - ANFARLOG

Data: 19/11/2019

Local: Cinesystem Morumbi Town, São Paulo/SP

Informações: http://www.anfarlog.org.br/course/forum-de-cadeia-fria-3/

8º Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária

Data: 23/11/2019 a 27/11/2019

Local: Expominas, Belo Horizonte/MG

Informações: https://www.simbravisa.com.br/index.php

METROLOGIA 2019

Data: 24/11/2019 a 27/11/2019

Local: Centrosul, Florianópolis/SC

Informações: http://www.metrologia2019.org.br/

XXIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos

Data: 24/11/2019 a 28/11/2019

Local: Bourbon Cataratas Convention, Foz do Iguaçu/PR

Informações: https://eventos.abrh.org.br/xxiiisbrh/

II Congresso Alagoano de Engenharia de Agrimensura

Data: 02/12/2019 a 04/12/2019

Local: Centro de Ciências Agrácias – CECA, Rio Largo/AL

Informações: https://doity.com.br/coneagri

Revista NewsLab | Out/Nov 2019


Artigo 1

Autores:

Jonathas Xavier Pereira;

Thaís Canuto Pereira.

Riscos Biológicos

Associados a Cosméticos

10

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Imagem Ilustrativa

Resumo

O uso de produtos cosméticos está aumentando

em todo o mundo e uma variedade de compostos

químicos utilizados na fabricação desses

produtos cresce ao mesmo tempo. Dessa forma,

também aumentam o risco de intoxicação, processos

alérgicos, exposição química prolongada,

efeitos colaterais e uso indiscriminado. O presente

trabalho tem como objetivo destacar os

riscos biológicos que os cosméticos podem representar

para a saúde humana contra as substâncias

tóxicas utilizadas em sua formulação.

Este trabalho é uma revisão integrativa da literatura

estruturada de acordo com a metodologia

descrita por Whittemore, R. e Knafl, K., 2005. O

presente trabalho relaciona as principais substâncias

químicas tóxicas presentes em produtos

cosméticos às possíveis complicações de saúde

relatadas na literatura científica. Atualmente, as

indústrias cosméticas têm aumentado o uso de

compostos com ação conservante, surfactante,

fragrâncias, corantes, etc. na formulação de

produtos cosméticos. Tais substâncias potencializam

a qualidade, propriedade e prazo de

validade dos cosméticos, mas, por outro lado,

muitas dessas substâncias são tóxicas para o

corpo humano, apresentando riscos à saúde que

variam de uma reação simples de hipersensibilidade

leve a um processo anafilático ou até uma

intoxicação letal. Assim, o uso indiscriminado de

cosméticos pode se apresentar como uma questão

emergente de saúde pública. Diante do exposto,

este trabalho busca incentivar melhorias

na busca de novas metodologias para controle

de qualidade na produção e consumo de produtos

cosméticos em todo o mundo.

Palavras-chave: cosméticos, riscos biológicos, toxicidade,

controle de qualidade, efeitos adversos.

I. Introdução

Historicamente, os cosméticos começaram a

ser usados há 6.000 anos e seu uso se espalhou

pelo mundo. Tais produtos tinham o objetivo

de adornar e perfumar o corpo, de modo

a não alterar a estrutura e a função da pele. No

Egito antigo, os registros apontam para o uso

de cosméticos que contêm pigmentos pretos

(Kohl) com chumbo aplicados na região dos

olhos. O chumbo, por sua vez, quando em

contato com a pele, libera óxido nítrico gasoso

capaz de ativar o sistema imunológico por

vasodilatação e ativação de macrófagos com

características citotóxicas.

Atualmente, cosméticos e produtos para

cuidados com a pele são consumidos em todo

o mundo, com uso frequente, aumentando a

exposição do corpo humano aos vários compostos

químicos que compõem suas fórmulas.

Estipular a incidência de efeitos colaterais causados

por cosméticos é bastante difícil, porque

os usuários com efeitos colaterais fracos geralmente

não procuram atendimento médico.

Os efeitos colaterais derivados do uso de

cosméticos apresentam riscos à saúde, principalmente

devido à exposição a inúmeras

substâncias químicas. Suas consequências podem

variar de uma reação simples de hipersensibilidade

leve a um processo anafilático ou

até uma intoxicação letal.

a) O início das complicações de saúde devido

ao uso de cosméticos.

O uso de cosméticos pigmentados à base de

chumbo usados pelos egípcios é caracterizado

como a evidência mais antiga do uso de cosméticos

e suas complicações. Posteriormente,

apareceram rouges e batons cuja coloração

avermelhada foi atribuída ao sulfeto de mercúrio.

Esse composto, quando ingerido por

mulheres grávidas, causava aborto espontâneo.

Outro composto tóxico capaz de causar danos

ao organismo foi o arsênico usado por gregos

e romanos em soluções depilatórias químicas.

Com o avanço do conhecimento sobre a fisiologia

da pele e seus componentes, as indústrias

farmacêuticas passaram a investir em novos

princípios ativos e veículos para a produção de

cosméticos. Assim, novos testes de controle

de qualidade na fabricação desses cosméticos

também deveriam ser atualizados para garantir

a segurança no uso de tais compostos.

Várias agências reguladoras em todo o mundo

se dedicam ao controle e regulamentação

de atividades comerciais, segurança e controle


Artigo 1

12

Revista Analytica | Out/Nov 2019

de qualidade de cosméticos. Embora existam

regras e controle de qualidade testes a serem

seguidos para a fabricação de um cosmético,

esses mecanismos regulatórios não são totalmente

eficazes, pois os efeitos adversos ainda

persistem na população de consumidores.

b) Os riscos biológicos no uso de cosméticos

e a saúde pública.

Diante do uso de produtos cosméticos e da

maior exposição aos compostos das fórmulas

por um longo tempo e frequência, os efeitos

colaterais desses produtos se tornam mais

frequentes na população em todo o mundo.

Mulheres e homens em todo o mundo usam

grande quantidade de produtos cosméticos

em busca da juventude eterna, ignorando os

prováveis riscos à saúde.

Os ingredientes cosméticos também são

poluentes emergentes. Embora seu monitoramento

ambiental esteja em um estágio muito

inicial, sabe-se que os produtos cosméticos

atingem o meio ambiente de várias maneiras,

muitas vezes através da água, apresentando

riscos biológicos aos ecossistemas e humanos.

Assim, em relação à saúde pública, o termo

“cosmetovigilância” passou a representar um

tipo de estratégia em saúde onde o objetivo

é priorizar a segurança do produto cosmético

para fins comerciais. Essa vigilância é muito

importante para controlar ingredientes

potencialmente perigosos e, portanto, pode

tranquilizar nossa mente quanto aos produtos

colocados no mercado.

As restrições ao uso de alguns ingredientes

cosméticos são estipuladas por várias agências

de vigilância em todo o mundo, permitindo

que qualquer ingrediente que não conste da

lista de restrições, seja permitido. Assim, como

a indústria é bastante criativa e está sempre

buscando melhorar sua produção, constantemente

novos ingredientes são produzidos e

utilizados na confecção de cosméticos por não

constarem na lista de restrições das agências

reguladoras. Esses ingredientes são novos

alérgenos em potencial. Ao contrário dos medicamentos,

não existe um órgão específico

para avaliar a segurança de produtos cosméticos,

nenhuma autorização de comercialização

com requisitos específicos, nenhuma avaliação

da relação risco-benefício e nenhuma garantia

de constância de um lote para outro.

Os riscos à saúde associados ao uso de produtos

cosméticos se tornam atualmente um

problema emergente de saúde pública, onde

cerca de 12% dos usuários na população em

geral experimentaram efeitos indesejáveis

com um ou mais produtos cosméticos nos

últimos nove anos.

II. Metodologia

Este estudo é uma revisão integrativa da

literatura com base no modelo proposto por

Whittemore e Knafl, onde visa relacionar aspectos

clínicos e toxicológicos no uso de produtos

cosméticos. Esta revisão reuniu um total

de 32 estudos publicados entre 1998 e 2015,

derivado do banco de dados PubMed.

Os artigos científicos seguiram os critérios

de inclusão: artigos que contenham os descritores

“cosmetics toxicity”; “cosmetic intoxication”;

“cosmetic risk”; “cosmetic danger”;

“cosmetic side effects”.

Os artigos científicos seguiram os seguintes

critérios de exclusão: foram excluídos os artigos

relacionados à cirurgia estética ou que

não se relacionam a produtos cosméticos. A

seleção de artigos científicos incluiu revisões

e artigos originais com abordagem clínica e

toxicológica. Essa metodologia visa relacionar

as principais substâncias químicas tóxicas

presentes nos produtos cosméticos com as

possíveis complicações de saúde relatadas na

literatura científica. Por meio deste estudo

integrativo, a correlação clínico-toxicológica

se torna um instrumento valioso para esclarecer

e entender os efeitos colaterais do uso de

cosméticos, chamando a atenção para o uso

negligenciado desses produtos e destacando

os riscos à saúde associados.

III. Substâncias com potencial tóxico

na formulação de cosméticos

Diante das inovações tecnológicas na indústria

de cosméticos, muitos produtos químicos

foram adicionados como aditivos químicos

para aumentar seu desempenho, eficácia e

viabilidade. Alguns exemplos desses aditivos

químicos são: Diazolidinil Ureia, Dioxano,

Formaldeído e Paraformaldeído, Imidazolidinil

Ureia, metais pesados, Metilcloroisotiazolinona-metilisotiazolinona

(MCI-MI), Metildibromoglutaronitrila-fenoxietanol

(MDBGN-Quaternal,

PE), Parabenos e outros.

a) Diazolidinil Ureia

É um aditivo usado desde 1982 na fabricação

de produtos para cuidados pessoais, como produtos

infantis, maquiagem para olhos e rosto,

produtos de cuidados com a pele, cabelos e

unhas. A Figura 1 mostra sua fórmula química.

Fig. 1: Fórmula química do Diazolidinil Ureia.

A exposição a esse composto é capaz de causar

dermatite alérgica de contato, além de ser

caracterizada como um agente mutagênico

e carcinogênico, pois é capaz de liberar formaldeído,

um fixador e conservante que será

discutido mais adiante


) Dioxano

O 1,4-dioxano (Figura 2) é um éter com uma

função emulsificante, detergente e solvente

comumente encontrada em produtos como

shampoo, creme dental e enxaguatório bucal.

Fig. 2: Fórmula química do 1,4-dioxano.

Embora este composto não esteja listado

como um componente cosmético, esta

substância é um contaminante na etapa de

etoxilação, criando outros ingredientes como

polietilenoglicol, polietileno e polioxietileno.

Assim, altos níveis desse contaminante podem

ser observados em produtos cosméticos,

sendo essa substância química um potente

carcinógeno, capaz de desencadear câncer de

mama, pele e fígado.

c) Formaldeído e Paraformaldeído

O formaldeído e o paraformaldeído são conservantes

tóxicos, sendo o paraformaldeído um

polímero derivado do formaldeído (Figura 3).

Fig. 3: Fórmula química do Formaldeído e Paraformaldeído.

O formaldeído possui características moleculares

que resultam em um agente de grande

risco potencial para o câncer. Estudos clínicos

mostram que 13% de uma amostra de 957

participantes apresentaram dermatite alérgica

de contato causada por formaldeído, que é a

segunda maior causa de dermatite de contato

provenientes de produtos cosméticos.

Em um estudo realizado por Agner et al.,

1999, 57 pacientes foram avaliados quanto à

sua exposição ao formaldeído. Para essa análise,

os participantes foram convidados a trazer

diariamente os principais cosméticos usados

por eles. No total, 409 produtos foram catalogados

e, dentre eles, 103 tinham formaldeído

em suas composições.

d) Imidazolidinil ureia

A imidazolidinil ureia (Figura 4) é um conservante

usado em produtos cosméticos que

também tem a propriedade de liberar formaldeído

como consequência de sua degradação,

como a Diazolidinil ureia.

Fig. 4: Fórmula química do Imidazolidinil ureia.

Concentrações de 0,01% a 1% de imidazolidinil

ureia às 24 horas em contato com uma

cultura de células do sangue periférico humano

foram consideradas doses moderadamente citotóxicas.

Em concentrações de 0,1% a 0,5%, o

mesmo efeito foi observado em apenas 3 horas.

Os ensaios clínicos apontam para a imidazolidinil

ureia como agente causador de alergias

à dermatite de contato.

e) Metais pesados

Um grupo de substâncias perigosas na fabricação

de cosméticos são os metais pesados tóxicos,

como chumbo (Pb), cádmio (Cd), níquel

(Ni), arsênico (As) e mercúrio (Hg). Alguns

cosméticos podem conter alumínio (Al), classificado

como metal leve. Como não há uma

única regulamentação cosmetológica eficaz

em todo o mundo, alguns cosméticos coloridos,

produtos para cuidados com o rosto e

corpo, cosméticos para cabelos e cosméticos à

base de plantas podem conter em sua formulação

quantidades relativamente altas desses

metais pesados. Esses elementos podem se

acumular na pele e órgãos internos, causando

efeitos tóxicos que podem ser classificados em

tópico (principalmente dermatite de contato)

e sistêmico (dermatite alérgica sistêmica).

Alguns metais servem como substâncias

pigmentares, por exemplo, o cromo (Cr) usado

principalmente para sombras e blushes. Cosméticos

pigmentados de cor avermelhada, por

exemplo, são comumente contaminados com

arsênico (As), chumbo (Pb) e mercúrio (Hg).

O antimônio (Sb) pode causar pneumoconiose,

alterações da função pulmonar, bronquite,

enfisema, dor abdominal, vômitos,

diarréia e úlceras. Este metal é encontrado

principalmente em batons, lápis de olhos e

pó facial. O arsênico (As) pode causar distúrbios

da pele, distúrbios nervosos circulatórios

e periféricos, um risco aumentado de câncer

de pulmão e um possível aumento no risco do

trato gastrointestinal e do câncer do sistema

urinário. Este metal é encontrado principalmente

em pó de maquiagem e creme para

a pele. O cádmio (Cd) pode se acumular nos

rins, com possíveis danos. A exposição crônica

a baixos níveis de cádmio também pode causar

fragilidade óssea e conseqüentes fraturas

ósseas. O cádmio é comumente encontrado

em cremes para o cabelo, batons e creme para

a pele. O cromo (Cr) em seu estado oxidado

pode causar alergias de contato. Sua presença

em cosméticos está principalmente associada

a delineador, lápis de olho, sombra, batom e

pó de maquiagem. O cobalto (Co) e o níquel

Revista Analytica | Out/Nov 2019

13


Artigo 1

Imagem Ilustrativa

Autores:

Jonathas Xavier Pereira;

Thaís Canuto Pereira.

14

Revista Analytica | Out/Nov 2019

(Ni) podem causar alergias, como dermatites

de contato, e esses metais geralmente estão

presentes em cosméticos como sombra para

Fig. 5: Fórmula química do Acetato de Chumbo.

os olhos, pintura no rosto, creme para os cabelos

e batom. O chumbo (Pb), quando ingerido

em grandes quantidades, pode interferir

na síntese de hemoglobina e canais de cálcio,

cujas funções são importantes para a condução

nervosa. O chumbo é encontrado em corantes

para cabelos (como acetato de chumbo,

cuja fórmula química é mostrada na Figura 5)

e batons, delineador, lápis para os olhos, creme

para os cabelos em sua forma inorgânica

e pode ser minimamente absorvido pela pele.

f) Metilcloroisotiazolinona-metilisotiazolinona

(MCI-MI)

Fig. 6: Fórmula química do MCI-MI.

O MCI-MI (Figura 6) é um conservante amplamente

utilizado na fabricação de produtos de

higiene pessoal, que possui um alto grau de citotoxicidade

e é dependente da dose quando testado

in vitro, em células cultivadas. Em produtos

cosméticos, este composto representa um alérgeno

importante e pode causar hipersensibilidade

quando há exposição constante a essa substância.

g) Metildibromoglutaronitrila-fenoxietanol

(MDBGN-PE)

O MDBGN-PE (Figura 7) também é um conservante

usado na fabricação de cosméticos,

como, por exemplo, cremes hidratantes. Este

composto é o conservante com maior potencial

de causar dermatite de contato, apresentando

uma incidência média de 14,5% na população.

Fig. 7: Fórmulas químicas dos Parabenos.

h) Parabenos

Os parabenos são ésteres do ácido p-hidroxibenzóico,

com substituintes alquil variando

de grupos metil a butil ou benzil. Os parabenos

também são um grupo de substâncias

para fins de preservação. Alguns exemplos

desses aditivos químicos são metilparabeno,

etilparabeno, propilparabeno, butilparabeno

e benzilparabeno (Figura 8). Seu uso também

está associado à ação antimicrobiana e

é amplamente utilizado na indústria de cosméticos,

pois apresenta baixo custo para sua

implementação na produção. Metilparabeno e

propilparabeno são os mais comumente usados

e frequentemente presentes nos produtos

cosméticos juntos.

Fig. 8: Fórmulas químicas dos Parabenos.

No passado, o uso de parabenos em maior

concentração desencadeou reações alérgicas

na população. Atualmente, em conjunto com a

alteração das resoluções de segurança de cos-

méticos, produtos de higiene e beleza, o uso de

parabenos se tornou muito baixo, sendo utilizado

em baixas concentrações, o que reflete em

uma redução nos casos positivos relacionados a

reações alérgicas ou dermatite de contato.

i) Ftalato

Os ésteres de ftalato são derivados do ácido

ftálico e frequentemente encontrados

em produtos como plastificantes, solventes

e desnaturantes de álcool. Os compostos de

ftalato podem ser encontrados em um número

diversificado de cosméticos (esmaltes,

loções, produtos para os cabelos, perfumes).

As formas mais comumente encontradas são

dimetilftalato e dietilftalato, e suas fórmulas

químicas são mostradas na Figura 9.

Fig. 9: Fórmulas químicas do Dimetilftalato e Dietilftalato.

A exposição a esses componentes pode desencadear

distúrbios do desenvolvimento e câncer de

mama. Alguns estudos experimentais mostraram

que altos níveis de ftalato podem alterar os níveis

hormonais e causar defeitos congênitos relacionados

aos órgãos genitais em roedores.

j) Quaternium-15

Quaternium-15 (Figura 10) é um alérgeno

de contato comum incluído na linha de base

europeia. A prevalência de sensibilização por

contato é tão baixa quanto 1,2-1,6%, mas

Fig. 10: Fórmula química do Quaternium-15.


pode representar o primeiro evento que leva

à reação anafilática sistêmica através da mudança

da hipersensibilidade do tipo IV para a

hipersensibilidade do tipo I.

k) Timerosal

O timerosal (Figura 11), um derivado mercúrico

do ácido tiosalicílico, é um conservante

usado em vários tipos de produtos de consumo,

incluindo cosméticos, medicamentos oftalmológicos

e otorrinolaringológicos e vacinas.

Fig. 11: Fórmula química do Timerosal.

Devido a um grande número de reações alérgicas

e problemas ambientais, seu uso diminuiu

nas últimas duas décadas. O timerosal é usado

principalmente para a conservação de sombras

para os olhos, removedores de maquiagem,

máscaras e produtos de limpeza sem sabão.

l) Outras substâncias

Embora os conservantes mencionados acima

sejam as substâncias responsáveis pelos efeitos

mais adversos dos cosméticos, outras substâncias

têm potencial alergênico, por exemplo:

• Fragrâncias (Myroxylon Pereirae);

• Contaminação química para obter surfactantes

(Cocamidopropyl betaine) usados na produção

de xampu, sabonete líquido, produtos de limpeza

de pele, gel de banho e desodorantes;

• Oxidantes (parafenilenodiamina) muito comuns

na composição de corantes capilares;

• Monotioglicolato de glicerila, usado em soluções

capilares permanentes (para cabelos

ondulados ou cacheados);

• Resina toluenossulfonamida-formaldeído,

utilizada na fabricação de vernizes;

• Propilgalato, octilgalato e dodecilgalato são

todos antioxidantes usados para evitar a deterioração

dos ácidos graxos insaturados que

podem causar descoloração e odor, presentes

na composição dos cremes e loções cosméticas.

IV. Possíveis complicações de saúde

associadas ao uso de cosméticos

Devido à presença de inúmeros componentes

na formulação de produtos cosméticos, esses

produtos têm o potencial de causar efeitos colaterais

e suas consequências podem variar de uma

reação simples de hipersensibilidade leve a um

processo anafilático ou até uma intoxicação letal.

Existem muitos tipos de reações adversas

causadas por cosméticos. A maioria das reações

adversas é irritante, no entanto, hipersensibilidade

do tipo IV, urticária de contato,

fotosensibilização, distúrbios pigmentares,

danos aos cabelos e unhas, paroníquia, erupções

acneiformes, foliculite e exacerbação

de uma dermatose estabelecida também

podem ocorrer. Espera-se que melhorias na

segurança, tolerância e compatibilidade entre

produtos cosméticos e a pele previnam que os

efeitos colaterais aumentem no futuro devido

aos aditivos contínuos que buscam intensificar

sua atividade biológica e eficácia terapêutica.

As áreas do corpo mais afetadas por reações

adversas atribuídas ao uso de cosméticos são

a cabeça e o pescoço, e a dermatite irritante

é o tipo de complicação mais comum. As

complicações de saúde associadas ao uso de

produtos cosméticos podem ser:

a) Reações alérgicas a cosméticos

As reações alérgicas aos cosméticos constituem

uma parcela pequena, mas significativa,

das complicações associadas ao uso de

cosméticos. A dermatite alérgica de contato

representa uma verdadeira hipersensibilidade

do tipo retardado (tipo IV) que apresenta

dermatite eczematosa e compreende aproximadamente

10% a 20% de todos os casos de

dermatite de contato. O tipo IV é uma reação

de hipersensibilidade mediada por células T,

em que células T sensibilizadas circulantes ou

residentes são ativadas pelo alérgeno agressor

para liberar citocinas pró-inflamatórias. A sensibilização

depende de vários fatores, incluindo

a composição do produto, uma concentração

de componentes alergênicos potenciais,

quantidade de produto aplicado, aplicação no

local, integridade da barreira cutânea, frequência

e duração da aplicação.

Esse cenário clínico pode variar de eritema

leve com escala de coceira mínima até placas

vesiculares, bolhosas e endurecidas que são

intensamente pruriginosas. A sensibilização

inicial é necessária para a expansão subsequente

de uma reação quando a exposição

ocorre novamente.

A urticária de contato alérgica é uma hipersensibilidade

imediata que representa uma

verdadeira reação alérgica. Como o nome indica,

as reações ocorrem em minutos a horas e

podem ser limitadas ao local de exposição na

pele ou, em casos graves, as reações podem

ser generalizadas. A urticária de contato é

uma reação mais rara a cosméticos e produtos

para cuidados com a pele, que pode ser

uma reação imunológica ou não imunológica.

O espectro da apresentação clínica varia de

prurido e queimação a urticária generalizada

e anafilaxia. Em indivíduos altamente alérgicos,

nas exposições de mucosas ou grandes

exposições, os sintomas de hipersensibilidade

imediata podem generalizar e incluir conjuntivite,

tosse, bronco constrição, hipotensão,

anafilaxia e, ocasionalmente, morte.

Revista Analytica | Out/Nov 2019

15


Artigo 1

Imagem Ilustrativa

Autores:

Jonathas Xavier Pereira;

Thaís Canuto Pereira.

16

Revista Analytica | Out/Nov 2019

b) Dermatite de contato irritante

Este é o tipo de complicação mais comumente

encontrado devido ao uso de cosméticos,

especialmente aqueles que contêm metilcloroisotiazolinono-metilisotiazolinona

(MCI-MI)

em sua formulação. Atualmente, existem mais

de 57.000 irritantes descritos em todo o mundo,

variando de irritantes fracos ou marginais a

ácidos e bases fortemente corrosivos. Então, a

maioria dos problemas faciais que surgem com

produtos para cuidados com a pele e cosméticos

são do tipo de dermatite de contato irritante,

manifestando-se como pele eritematosa,

ardente e pruriginosa, que pode desenvolver

microvesiculação e descamação posterior. A

dermatite é caracterizada por dano no estrato

córneo sem reação imunológica.

A dermatite irritante facial, que resulta principalmente

de cosméticos, se apresenta como

pápulas e placas. Outra apresentação comum

é uma “dermatite seborreica” com placas escamosas

rosa nas bochechas e queixo. Menos

comumente, os pacientes podem desenvolver

placas urticariformes ou infiltradas.

c) Dermatite fotoalérgica

Esse tipo de reação alérgica ocorre após o contato

com produtos cosméticos e a subsequente

exposição à luz. Geralmente, essa reação se

apresenta como queimadura solar que pode ser

seguida por hiperpigmentação e descamação.

Essa reação é formada por substâncias químicas

capazes de absorver radiação, principalmente o

ultravioleta A, e não possuir mecanismo imunológico

definido. Suas manifestações clínicas

variam de eritema, edema até vesiculação. A

incidência de dermatite fotoalérgica é baixa

e é causada principalmente pelas fragrâncias

metilcumarina e ambreta de almíscar, agentes

antibacterianos e ésteres do ácido para-aminobenzóico

como agentes de proteção solar.

A fotoalergia é uma reatividade imunológica

alterada, adquirida, incomum, e dependente

de um anticorpo imediato ou de uma reação

imunológica retardada mediada por células.

d) Ardência facial

Há um grupo de pacientes que notam ardências

ou queimaduras alguns minutos após

a aplicação de um cosmético que se intensifica

por 5 a 10 minutos e depois desaparece após

15 minutos. Este efeito ocorre sem o paciente

apresentar dermatite alérgica de contato ou

dermatite irritante de contato com a substância

aplicada. Os testes devem ser feitos na pele

do paciente antes de usar esses componentes.

Geralmente, substâncias como benzeno, fenol,

ácido salicílico, resorcinol e ácido fosfórico são

as principais causas de ardência na face.

e) Vermelhidão

A vermelhidão da pele causada por produtos

cosméticos, principalmente sabonetes, está

associada ao desequilíbrio no pH cutâneo.

O sabão moderno é uma mistura de óleo de

sebo e nozes, ou os ácidos graxos derivados

desses produtos, na proporção de 4:1. Esse

fato permite que o pH desses sabonetes seja

geralmente alcalinizado (pH 9-10), o que

pode gerar vermelhidão na pele, que normalmente

tem um pH de 5,2-5,4. Idealmente,

esses compostos devem ter pH neutro ou levemente

acidificado. Outro motivo pelo qual a

vermelhidão pode ocorrer é o uso de hidratantes

com maior proporção oleosa, permitindo o

aquecimento da pele ao longo do dia.

V. Resultados

Atualmente, a inovação, a pesquisa e o desenvolvimento

de novos produtos cosméticos

aumentaram o uso de compostos com ação

conservante, surfactante, fragrâncias, manchas,

etc. Essas substâncias aumentam a qualidade,

a propriedade e o prazo de validade das

formulações cosméticas, mas, por outro lado,

muitas dessas substâncias pode ser prejudicial

à saúde humana devido à exposição frequente,

prolongada e indiscriminada. Existem várias

agências em todo o mundo para regular o

controle de qualidade, segurança e produção

de produtos cosméticos, responsáveis por

ajustar os padrões e diretrizes para o uso seguro

e saudável de tais produtos pela população,

minimizando os riscos à saúde. No entanto,

não existe um órgão específico que regule o

custo-benefício, a garantia de segurança no

uso de substâncias com potencial tóxico quando

aplicadas a produtos cosméticos.

Este trabalho analisou várias substâncias

com potencial tóxico para o corpo humano,

que podem ser encontradas na formulação de

vários produtos cosméticos em todo o mundo.

Também revisamos as possíveis complicações

de saúde relatadas pela literatura científica associadas

ao uso de cosméticos e atribuídas a

tais substâncias tóxicas. A literatura científica


evela que altas quantidades de conservantes

químicos, perfumes e emulsificantes usados

na fabricação de produtos cosméticos aumentam

os efeitos colaterais e os riscos à saúde por

meio de princípios químicos e físicos.

Quimicamente, os compostos conservantes

geralmente possuem estruturas químicas associadas

a anéis aromáticos que geralmente têm

potencial tóxico e capacidade de se ligar a elementos

metálicos que promovem bioacumulação

no corpo. Embora nem todos os compostos

que apresentam potencial tóxico tenham seu

mecanismo de toxicidade esclarecido na literatura,

evidências clínicas obtidas pelos efeitos

colaterais após o uso dessas substâncias apontam

para o risco à saúde associado ao uso de

cosméticos. O risco à saúde associado ao uso de

cosméticos pode variar de uma reação simples

de hipersensibilidade leve a um processo anafilático

ou até uma intoxicação letal.

O câncer também é uma complicação associada

ao uso de cosméticos em face de evidências

clínicas relatadas na literatura.

Diante da ocorrência de efeitos colaterais, a

iminência de complicações associadas ao uso

de cosméticos contribui para um problema

emergente de saúde pública, conclui-se que o

processo de controle de qualidade na fabricação

de produtos cosméticos não é totalmente

eficaz na prevenção de riscos à saúde associados

com o uso de produtos cosméticos.

atribuídos às substâncias tóxicas comumente encontradas

em suas formulações. Embora as várias

estruturas de regulação e controle de qualidade

de cosméticos em todo o mundo sejam bastante

complexas e abrangentes, elas devem ser mais

rigorosas na inclusão de novas substâncias com

potencial tóxico na formulação de cosméticos

para evitar danos à saúde humana.

Para incentivar melhorias na fabricação, comercialização

e uso de produtos cosméticos

pela população, é necessário aplicar uma cosmovigilância

unificada em todo o mundo. Essa

estratégia de saúde pública é um meio genuíno

de obter informações sobre a segurança de produtos

cosméticos e seus ingredientes, evitando

que os riscos associados ao uso de cosméticos

se tornem um sério problema de saúde pública.

Agradecimentos

Os autores agradecem à professora Márcia

Cury El-Cheikh por incentivar publicações independentes

e por estimular a carreira profissional

de seus alunos. Os autores agradecem ao Dr. Yuri

Cavalcante pela revisão crítica e sugestões para

a conclusão deste artigo de revisão. Os autores

agradecem a Prof. Mariana Pereira Cabanel e o

Prof. Sergio Lisboa Machado pelo apoio e incentivo

intelectual. Os autores agradecem à Universidade

Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Referência:

VI. Conclusão

Os produtos cosméticos podem apresentar

riscos à saúde e efeitos adversos recorrentes são

• PEREIRA, J.X.; PEREIRA, T. C. Cosmetics and its

Health Risks. GLOBAL JOURNAL OF MEDICAL RE-

SEARCH, v. 18, p. 63-70, 2018.

Revista Analytica | Out/Nov 2019

17


Artigo 1

Complemento Normativo - Artigo 1

Referente ao artigo 1

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

ISO 24442

Cosmetics — Sun protection test methods — In vivo determination of sunscreen UVA protection

Norma publicada em: 12/2011. / Status: Vigente.

Classificação 1: Cosméticos. Artigos de higiene pessoal

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/46521.html

ISO 11930

Cosmetics — Microbiology — Evaluation of the antimicrobial protection of a cosmetic product

Norma publicada em: 01/2019. / Status: Vigente.

Classificação 1: Microbiologia de cosméticos

Classificação 2: Norma recomendada

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/75058.html

ISO 16212

Cosmetics — Microbiology — Enumeration of yeast and mould

Norma publicada em: 06/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Microbiologia de cosméticos

Classificação 2: Norma recomendada

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/72241.html

ABNT NBR ISO 16128-1

Diretrizes sobre definições técnicas e critérios para ingredientes e produtos cosméticos naturais

e orgânicos

Norma publicada em: 10/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Cosméticos. Artigos de higiene pessoal.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=406818

ABNT NBR ISO 21149

Cosméticos - Microbiologia - Contagem e detecção de bactérias mesófilas aeróbicas

Norma publicada em: 06/2008. / Status: Vigente.

Classificação 1: Outras normas relacionadas à microbiologia.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=1213

ABNT NBR ISO 22718

Cosméticos - Microbiologia - Detecção de Staphylococcus aureus

Norma publicada em: 06/2008. / Status: Vigente.

Classificação 1: Outras normas relacionadas à microbiologia.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=1156

ABNT NBR 16160

Bisnaga de alumínio para produtos cosméticos — Requisitos e métodos de ensaio

Norma publicada em: 03/2013. / Status: Vigente.

Classificação 1: Cosméticos. Artigos de higiene pessoal.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Riscos Biológicos Associados a Cosméticos

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=196481

18

Revista Analytica | Out/Nov 2019


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Artigo 2

1Centro Universitário de Formiga, Curso de Engenharia Química

2Centro Universitário de Formiga, Pesquisador UNIFOR-MG

3Serviço Autônomo de Água e Esgoto SAAE – Formiga-MG

E-mail: luanacamargos_gomes@hotmail.com

Autores:

Luana Cristina Camargos. Gomes1 ,

Alex Magalhães de Almeida2 ,

Flávio Leonildo de Melo3

Avaliação de Metais e Qualidade da Água

em trechos do rio Paraopeba após o

rompimento da barragem do Corrego

do Feijão: Uma visão do fato frente ao

equilíbrio do meio ambiente.

20

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Imagem Ilustrativa

Resumo

A mineração é uma atividade econômica essencial

e significativa para a economia brasileira,

pois contribui para o desenvolvimento do país e

da sociedade, desde que seja efetuada com responsabilidade

e princípios norteados pela sustentabilidade.

O emprego das barragens de rejeitos

em atividades de mineração é uma das formas de

controle dos resíduos que apresentam resultados

significativos quando executados de maneira

correta. Mas analisando o seu potencial de danos

ambientais e sociais, a construção de barragens

concebe grandes riscos, quando mal dimensionadas.

O presente trabalho analisou a concentração

de metais pesados nas águas do Rio Paraopeba

e na lama de rejeitos, sendo também avaliados

os parâmetros físico-químicos das águas, após

o rompimento da barragem de Brumadinho,

em Minas Gerais. Foram coletadas amostras de

água correspondentes a uma área não afetada

pela lama (P1), área afetada pela lama despejada

(P2), Brumadinho (P3) e Belo Horizonte (P4) e a

lama próxima ao Rio Paraopeba (P5), local este

afetado pelos rejeitos. Posteriormente foram caracterizadas

quanto aos teores de Chumbo (Pb),

Cromo (Cr), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Mercúrio

(Hg) e Níquel (Ni) por espectrofotometria UV-VIS.

As maiores concentrações (em mg L-1) dos metais

nas águas foram observadas nos pontos: Fe

P3 (1,50); Mn P2 (0,30) e P3 (0,30); Hg P1 (4,46)

e P4 (4,81) e Ni P4 (3,31). Para a lama no ponto

P5: Fe (3,290); Mn (260,98) e Pb (0,26), sendo

que as concentrações, nesse ponto, estão respectivamente

10,9 mil, 2,6 mil e 26 vezes maior que

o valor máximo permitido (VMP) pela legislação

brasileira, para Classe II de qualidade das águas.

Para realização das análises físico-químicas,

foram avaliados os seguintes parâmetros: pH,

oxigênio dissolvido, sólidos totais dissolvidos,

condutividade e turbidez. Na análise dos parâmetros

físico-químicos, em todos os pontos, foram

obtidos valores dentro dos limites estabelecidos.

Devem ser intensificadas ações de vigilância para

a qualidade da água e recuperação da área, o que

necessita intervenções do poder público e da sociedade,

para reduzir os teores de contaminantes

tóxicos lançados, visando à recuperação do ecossistema

aquático.

Palavras-chave: Mineração, Barragens, Qualidade

da Água, Metais Pesados, Espectrofotometria

UV-VIS.

Abstract

Mining is an essential and significant economic

activity for the Brazilian economy, as it contributes

to the development of the country and

society, provided it is carried out with responsibility

and principles guided by sustainability.

The use of tailings dams in mining activities is

one of the forms of waste control that present

significant results when properly executed. But

by analyzing its potential for environmental and

social damage, dam construction poses major

risks when mis-sized. The present work analyzed

the concentration of heavy metals in the waters

of the Paraopeba River and in the tailings sludge,

as well as the physicochemical parameters of

the waters after the Brumadinho dam rupture in

Minas Gerais. Water samples were collected corresponding

to an area not affected by the mud

(P1), area affected by the poured mud (P2),

Brumadinho (P3) and Belo Horizonte (P4) and

the mud near the Paraopeba River (P5). by the

tailings. Subsequently, they were characterized

for lead (Pb), chromium (Cr), iron (Fe), manganese

(Mn), mercury (Hg) and nickel (Ni) levels

by UV-VIS spectrophotometry. The highest

concentrations (in mg L-1) of the metals in the

waters were observed in the points: Fe P3 (1,50);

Mn P2 (0,30) and P3 (0,30); Hg P1 (4,46) and

P4 (4,81) and Ni P4 (3,31). For the mud at point

P5: Fe (3,290); Mn (260,98) and Pb (0,26), and

the concentrations at this point are respectively

10,9 thousand, 2,6 thousand and 26 times higher

than the maximum allowed value (MPV)

by Brazilian Water quality class II. To perform the


physicochemical analyzes, the following parameters

were evaluated: pH, dissolved oxygen,

total dissolved solids, conductivity and turbidity.

In the analysis of the physicochemical parameters,

in all points, values were obtained within

the established limits. Surveillance actions for

water quality and restoration of the area should

be intensified, which requires interventions by

the government and society to reduce the levels

of toxic contaminants released, aiming at the

recovery of the aquatic ecosystem.

Keywords: Mining, Dams, Water Quality, Heavy

Metals, UV-VIS Spectrophotometry.

Introdução

Análise da História e importância

econômica

A mineração é uma das atividades econômicas

mais antigas e habituais do Brasil. O

advento de grupos organizados, aventureiros

e membros da corte portuguesa, iniciaram-se

a busca por ouro nos primórdios do século

XVII, em Minas Gerais (SOBREIRA E FONSECA,

2001). Segundo o IBRAM, a produção de minerais,

assim como a procura e descoberta de

jazidas, foram atreladas à história e ao desenvolvimento

do país (IBRAM, 2003).

Em pesquisas noticiadas no ano de 2015, o

IBRAM qualificou Minas Gerais como sendo

o estado minerador mais formidável do país,

a mineração está presente em mais de 400

municípios mineiros, extraindo mais de 180

milhões de toneladas por ano de minério de

ferro. Sendo responsável por aproximadamente

53% da população brasileira de minerais

metálicos e 29% de minérios em geral

(IBRAM, 2015).

A concepção do estado de Minas Gerais

tem sua ascendência na indústria extrativa

mineral. Diversas cidades mineiras apresentaram

sua origem fortemente vinculada

à mineração, estas que posteriormente tornaram-se

influentes no aspecto econômico,

social e político. É considerado o maior pólo

siderúrgico do Brasil, proveniente do minério

de ferro, bauxita, manganês e ouro, extraídos

no Quadrilátero Ferrífero (QF), regiões geológicas

localizadas no centro do estado de

Minas Gerais, que perfaz mais expressivas

em recursos minerais.

O Quadrilátero Ferrífero é uma área geológica

que se totaliza aproximadamente 7000

Km2, estimado como a maior província de

minério do Brasil, estende-se no centro-sudeste

do estado de Minas Gerais (ROESER E

ROESER, 2010). Composto pelos municípios

mineiros: Barão de Cocais, Bela Vista de Minas,

Belo Horizonte, Belo Vale, Betim, Brumadinho,

Caeté, Catas Altas, Congonhas, Conselheiro

Lafaiete, Ibirité, Igarapé, Itabira, Itabirito, Itatiaiuçu,

Itaúna, Jeceaba, João Monlevade, Mário

Campos, Mariana, Mateus Leme, Moeda,

Nova Lima, Ouro Branco, Ouro Preto, Piranga,

Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Rio

Manso, Rio Piracicaba, Sabará, Santa Bárbara,

Santa Luzia, São Brás do Suaçuí, São Gonçalo

do Rio Abaixo, São Joaquim das Bicas, Sarzedo

(DINIZ et al., 2014).

Também se dispõe pelo circuito hidrográfico

concebido pela Bacia do Rio Doce e do Rio São

Francisco. A primeira é composta pela bacia do

Rio Piracicaba, e a segunda, pelas sub-bacias

do Rio das Velhas e do Rio Paraopeba (NUNES

et al.,2012).

Os municípios que compõem o Quadrilátero

Ferrífero são importantes para a economia mineira.

Caracterizados por uma estrutura produtiva

fundamentada, sobretudo na indústria

extrativa e de transformação, revela um bom

indicador em termos de atividades econômicas

quanto de mão-de-obra, como também

no mercado consumidor.

Para compreender a importância do domínio

mineral brasileiro em panorama mundial,

se faz imprescindível apresentar as reservas

minerais nas quais o Brasil possui maior importância.

Segundo o DNPM (2015), o Brasil é

líder mundial nas reservas de Nióbio (98,2%)

e Grafita Natural (50%). Detém a segunda

colocação de Tântalo (33,8%), Terras Raras

(17,4%) e Níquel (14,7%). Os minérios de Barita

(18,5%), Manganês (18,3%), Vermiculita

(10,1%), Estanho (9,2%) e Alumínio (9,2%)

tem o Brasil como possuidor da terceira maior

reserva. O Brasil apresenta a quarta colocação

em reservas com 11,9% do total existente no

mundo em minério de Ferro.

De modo, a produção mineral brasileira se

centraliza no estado de Minas Gerais e em outros

7 estados da federação, além da participação

de outros 19 estados, incluindo o Distrito

Federal, como ressalta a Figura 1.

Figura 1 - Produção extrativa mineral entre os estados brasileiros em 2015

Fonte: Elaboração própria segundo dados do DNPM

Na produção interna brasileira, os 20 minérios

mais produzidos em valor de operação no

país são: Ferro (53,59%), Ouro (9,68%), Cobre

(8,16%), Alumínio (3,86%), Granito (3,38%),

Calcário Dolomítico (2,90%), Areia (1,98%),

Água Mineral (1,88%), Fosfato (1,65%), Níquel

(1,28%), Basalto (1,25%), Gnaisse (1,14%),

Antracito (0,97%), Caulim (0,84%), Manganês

(0,83%), Nióbio (0,69%), Amianto (0,65%),

Sais de Potássio (0,59%), Estanho (0,51%) e

Argila (0,49%), que somados compreendem

96,32% da produção brasileira (DNPM 2015).

Percebe-se grande influência dos municípios

em relação ao Estado Mineiro, em meio a

classificação interna no território brasileiro por

município. A operação mineral brasileira fica

fragmentada entre os municípios brasileiros,

como mostra a Figura 2:

Figura 2 - Municípios brasileiros com maior valor de operação extrativa

mineral em 2015

Fonte: Elaboração própria segundo dados do DNPM

Para Nunes (2010), mineração é uma atividade

econômica essencial, importante para o

desenvolvimento da humanidade, pois propicia

a fabricação de ferramentas e utensílios

fundamentais para a sobrevivência humana.

É significativa para a economia brasileira, pois

contribui para o aumento da infraestrutura local

e benefícios da região, exportação do país,

geração de empregos e rendas, desde que seja

atuada com responsabilidade social, permanecendo

presentes os princípios do desenvolvimento

sustentável.

Revista Analytica | Out/Nov 2019

21


Artigo 2

Imagem Ilustrativa

Autores:

Luana Cristina Camargos. Gomes1 ,

Alex Magalhães de Almeida2 ,

Flávio Leonildo de Melo3

22

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Em contrapartida, a extração mineral é uma

atividade de elevado potencial impactante perante

o meio ambiente, em exclusivo sobre a

qualidade das águas, a biota, sobre o relevo e a

população entorno as áreas de mineração. Por

se abordar de um recurso natural não renovável,

a “sustentabilidade ambiental” deve ser

considerada inadmissível, quanto ao conceito

da atividade exploradora.

O emprego de barragens de rejeitos na mineração

é um dos métodos de disposição de resíduos

mais usados que proporcionam resultados

satisfatórios quando bem executados. Em contrapartida,

essas estruturas de contenção podem

ser rompidas perante o grande volume de

rejeitos gerados, quando mal dimensionadas ou

executadas, tornando-se num agente de danos

ambientais que, além de destruir a infraestrutura

da sociedade próxima ao local e impactar

a fauna e a flora, pode levar a perdas de vidas

humanas (Duarte, 2008).

Compreende-se que as sociedades mais

avançadas necessitam de uma maior utilização

de bens minerais, de modo em que toda

a indústria depende direta ou indiretamente

desde setor. Com isso, a mineração acarreta

um determinado nível de risco, mas em função

da sua necessidade e da perspectiva de

lucro, é benquista por aqueles que aceitam

também seus efeitos. O desmatamento, a poluição,

assoreamento de rios, contaminação do

solo e água por produtos químicos e a produção

de rejeitos, são alguns danos ambientais

causados por esse processo.

Toxicidade dos metais

Os metais estão presentes facilmente no

meio ambiente, mesmo que não exista atuação

antrópica o avanço na concentração pode

advir tanto por processos naturais quanto por

atividades humanas. No Brasil, a mineração

tem contribuído com a liberação de rejeitos

que se compõem como uma das formas fundamentais

de contaminação do solo e da água

por metais pesados. A emissão de contaminantes

se define por constantes variações nas

características físico-químicas da água, como

salinidade, temperatura e pH, alterando a

biodisponibilidade dos mesmos e a toxicidade

dos metais presentes (Witters, 1998).

A atividade humana tem contribuído notavelmente

com o acúmulo destes contaminantes

nos mais diferentes ecossistemas. Conforme

a concentração destes contaminantes no

ambiente, interação com organismo alvo e o

meio, poderão oferecer sérios riscos à biota,

tornando-se um grande poluente (Rand&Petrocelli,

1985). Estes contaminantes tais como

ferro (Fe), manganês (Mn), cromo (Cr) e cobre

(Cu), são elementos essenciais em baixas concentrações

para processos biológicos. Outros

como chumbo (Pb), arsênio (As) e cádmio

(Cd) são avaliados não essenciais à biota, pois

não apresentam nenhuma função biológica

reconhecida (Bianchini, 2016, Pais & Jones Jr.,

1997; Wood et al., 2011).

Por conseguinte, a poluição aquática pode

trazer sérias consequências, tanto econômicas

(redução da produção pesqueira) quanto ecológicas

(diminuição da densidade e diversidade

biológica). Além disso, muitos poluentes são

transferidos e acumulados ao longo das cadeias

alimentares, ameaçando também de forma

indireta a saúde de seus consumidores, que

podem ser tanto organismos aquáticos quanto

seres humanos (Rodríguez-Ariza et al., 1999).

Portanto, a emissão destes contaminantes

químicos está regulamentado, em função do

dano ambiental que os metais podem expor

à biota e ao ambiente aquático. Em diferentes

países, até mesmo no Brasil, os níveis de lançamento

de metais estão fundamentados na

concentração total ou dissolvidos do metal no

ambiente aquático ou no efluente. No Brasil, a

regulamentação é apresentada Resolução 357

de 17/03/2005, alterada pelas Resoluções

410/2009 e 430/2011, do Conselho Nacional

do Meio Ambiente (CONAMA, 2005). Esta legislação

apodera-se sobre a categorização dos

corpos de água e estabelece as diretrizes ambientais

para o seu ajuste, assim como determina

os padrões e condições de lançamento

de efluentes, e oferece diferentes providências.

O desastre de Brumadinho (MG)

As barragens de propriedade da Samarco

Mineração S.A., uma empresa fundada no

ano de 1977, que atualmente é controlada

pela Companhia Vale do Rio Doce S.A. e pela

anglo-australiana BHP Billinton, foram projetadas

e construídas para acomodar os rejeitos

provenientes da extração do minério de ferro

da região (IBAMA, 2015). A cidade de Brumadinho,

a 65 Km de Belo Horizonte, em Minas

Gerais, pertence ao quadrilátero ferrífero, devido

a sua intensidade de recursos minerais,

que em 25 de janeiro de 2019, rompeu sua

barragem de rejeitos, acarretando-se a erosão,

despejando cerca de 12,7 milhões de metros

cúbicos de rejeito de mineração no vale do rio

Paraopeba (IBAMA, 2019).

A nascente do Rio Paraopeba está localizada

ao sul no município de Cristiano Otoni e sua foz

está na represa de Três Marias, 330 Km de Brumadinho,

no município de Felixlândia, ambos

em Minas Gerais. A extensão do rio é de 546,5

Km e sua bacia cobre 13643 km2 e 48 municípios.

Seus principais efluentes são os rios Águas

Claras, Macaúbas, Camapuã, Betim, Manso e o

Ribeirão Serra Azul, sendo os três últimos cursos

de água represados para formação dos três reservatórios

que compõem o Sistema Paraopeba:

Sistema Vargem das Flores, Sistema Rio Manso

e Sistema Serra Azul, respectivamente. Os três


sistemas funcionam de forma integrada para

abastecimento, trata-se de um conjunto de preservação,

captação de água para vários municípios

da bacia incluindo a Região Metropolitana

de Belo Horizonte, tratamento e distribuição de

água (CAVALCANTI, 2019).

Segundo o Ibama (2019), dados preliminares

adquiridos através de imagens de satélite

(Figura 3), no trecho da barragem da mina

Córrego do Feijão até a confluência com o rio

Paraopeba, dois dias depois do rompimento,

indicam que o rompimento de barragem da

mineradora Vale em Brumadinho (MG) causou

a destruição de pelo menos 269,84 hectares.

Análise desempenhada pelo Centro Nacional

de Monitoramento e Informações Ambientais

(Cenima) do Ibama destaca que os rejeitos

de mineração destruíram 133,27 hectares de

vegetação nativa de Mata Atlântica e 70,65

hectares de Áreas de Preservação Permanente

Tabela 1

Tabela 1: Coordenadas geográficas dos pontos de coleta de água

no rio Paraopeba

Tabela 1. Coordenadas geográficas dos pontos de coleta de água no rio Paraopeba.

Ponto S (m) W (m) Elevação (m)

P1 20°10’36” 44°08’57” 749

P2 20°09’16” 44°09’54” 740

P3 20°08’26” 44°12’03” 736

P4 19°58’19” 44°16’38” 716

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Tabela 2

MATERIAL E MÉTODOS

Área de coleta

Foram coletadas amostras de água no Rio

Paraopeba, em quatro pontos distintos, situados

nas proximidades da região de Brumadinho,

em Minas Gerais (Tabela 1).

Figura 4 - Área não afetada

Tabela 2. Coordenadas geográficas do ponto de coleta da lama próximo ao rio Paraopeba.

Ponto S (m) W (m) Elevação (m)

P5 20º9’14,16” 44º9’32,39” 735

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Fonte: Google Earth Pro, 2015

O primeiro ponto (Figura 4 e 5) corresponde a

uma área primeiramente não afetada pela lama.

O segundo ponto (Figura 6 e 7) é referente a uma

área afetada pela lama lançada através do rompimento

da barragem. A amostragem no terceiro

ponto (Figura 8) foi realizada na cidade de Brumadinho.

E a amostragem no quarto ponto (Figura

9 na Rodovia BR 262-Belo Horizonte.

As amostras de água para a determinação

das concentrações dos metais foram coletadas

utilizando-se uma garrafa do tipo “van Dorn”

Figura 5 - Área não afetada

Figura 3 - Imagem de satélite da área atingida pela lama da barragem

em Brumadinho

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Fonte: Elaboração própria segundo dados do DNPM

(APP) ao longo de cursos d’água afetados.

A análise foi realizada no trecho da barragem

da mina Córrego do Feijão até a confluência

com o rio Paraopeba. Após o acidente, o caminho

da lama comprometeu a qualidade

da água em muitos municípios, provocando

a suspensão imediata da captação (Figura 3).

São indiscutíveis os danos causados pela

tragédia, porém, o presente trabalho propõe

averiguar tão somente o dano ambiental. Valendo-se

por meio de pesquisa exploratória,

verificar em especial, a contaminação da água

do rio Paraopeba e da lama de rejeitos por metais

pesados.

Figura 6 - Área de impacto imediato

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Figura 7 - Área de impacto imediato

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Revista Analytica | Out/Nov 2019

23


Artigo 2

Imagem Ilustrativa

Autores:

Luana Cristina Camargos. Gomes1 ,

Alex Magalhães de Almeida2 ,

Flávio Leonildo de Melo3

24

Tabela 1

Revista Analytica | Out/Nov 2019

e armazenadas em recipientes de polietileno

(PET) higienizados com água destilada, posteriormente

sendo identificadas, conservadas

em caixas térmicas, onde foram mantidas

Ponto

resfriadas até

S (m)

o seu uso,

W (m)

no laboratório

Elevação (m)

de

P1 20°10’36” 44°08’57” 749

pesquisa. P2 20°09’16” As amostras 44°09’54” foram coletadas 740 no dia

P3 20°08’26” 44°12’03” 736

28 P4 de maio 19°58’19” de 2019, no 44°16’38” período entre 716 10:00 e

15:00 horas.

Também foram coletadas amostras da lama

de rejeitos lançada após o rompimento da barragem

da mina Córrego do Feijão, próximo ao

Rio Paraopeba (Tabela 2).

Tabela 1. Coordenadas geográficas dos pontos de coleta de água no rio Paraopeba.

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Tabela 2

Tabela 2: Coordenadas geográficas do ponto de coleta da lama próximo

ao rio Paraopeba.

Tabela 2. Coordenadas geográficas do ponto de coleta da lama próximo ao rio Paraopeba.

Ponto S (m) W (m) Elevação (m)

P5 20º9’14,16” 44º9’32,39” 735

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Figura 8 - Brumadinho/MG

Fonte: Google Earth Pro, 2015

Determinação dos metais

As determinações dos metais foram feitas

em triplicada por meio de espectrofotometria

UV-VIS, para todas as amostras. Os metais

verificados foram: cromo (Cr), chumbo (Pb),

ferro (Fe), manganês (Mn), mercúrio (Hg) e

níquel (Ni).

Para a lama, primeiramente submeteu-se

Figura 9 - Rodovia BR 262-BH

Fonte: Google Earth Pro, 2015 Fonte: Google Earth Pro, 2015

a um ataque ácido sob aquecimento. Em seguida,

filtrou-se os extratos e completou-se

o volume até 100 mL com água deionizada,

posteriormente sendo utilizados para a determinação

dos metais.

Para a determinação dos teores de cromo (Cr)

dispôs-se de uma solução homogenia composto

por: 10,0 mL de acetona e 2 gotas de ácido

nítrico. Como reagente complexante, utilizou-se

o difenilcarbazida em etanol. As leituras de

absorvância foram feitas em λmax = 540 nm

(máximo de ABS do complexo). Para obtenção

da curva de calibração, utilizaram-se soluções

de cromo nas concentrações de 0 a 30 mg.L-

1, obtendo-se a equação ABS = 0,044[Cr] +

0,022, sendo o valor de R2 = 0,997.

Para o elemento chumbo (Pb), utilizou-se

como meio reacional um sistema homogêneo

composto por: 2,0 mL de água, 12,0 mL

de etanol e 5,0 mL de clorofórmio. Como

reagente complexante, utilizou-se o 1-(2-piridilazo)-2-naftol

preparado em clorofórmio.

As leituras de absorvância foram feitas em

λmax = 562 nm (máximo de ABS do complexo).

Para obtenção da curva de calibração,

utilizaram-se soluções de chumbo nas concentrações

de 0,1 a 1,0 mg.L-1, obtendo-se a

equação ABS = 1,4316[Pb] + 0,0344, sendo

o valor do R² = 0,996.

Para avaliar o teor de ferro (Fe), utilizou-se como

reagente complexante tiocianato sendo as leituras

realizadas em λmax = 480 nm. Para a obtenção

da curva de calibração utilizou-se soluções de ferro

nas concentrações de 0,0 a 75,0 mg.L-1, caracterizada

pela equação ABS = 0,005[Fe] – 0,005,

sendo o valor do R2 = 0,992.

Na determinação dos teores de mercúrio

(Hg), utilizou-se como meio reacional água-

-etanol-metilisobutilcetona na proporção de

2,0 mL, 5 mL e 2 mL, respectivamente. Foi

empregado como base a reação de complexação

entre o reagente ditizona e o íon metálico

e as leituras de absorvância foram efetuadas

em λmax = 500 nm. A curva de calibração foi

elaborada entre as concentrações de 0 a 20

mg.L-1 de mercúrio, obtendo-se a equação

ABS=0,037[Hg] + 0,354 com R2 = 0,988.

Na determinação dos teores de manganês

(Mn), utilizou-se um sistema ternário homogêneo

de solventes estabelecidos por água-

-etanol-clorofórmio sendo o reagente 8-hidroxiquinolina

utilizado como complexante.

As leituras de absorvância foram realizadas

em λmax = 420 nm. Utilizaram-se soluções

de manganês nas concentrações de 0 a 0,25

mg.L-1 para a obtenção da curva de calibração,

obtendo-se a equação ABS = 0,0061[Mn] +

0,004 com R2 = 0,999.

Para o elemento Níquel, utilizou-se como

reagente complexante dimetilglioxima sendo

as leituras realizadas em λmax = 360

nm. Para a obtenção da curva de calibração

utilizou-se soluções de níquel nas concentrações

de .0 a 5,0. mg.L-1, caracterizada pela

equação ABS = 0,0294[Ni] + 0,0057, sendo

o valor do R2 = 0,998.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados obtidos nas Tabelas 3 e 4, foram

comparados com os valores legais da legislação

vigente, referentes a Classe II de qualidade

segundo Resolução nº 357 do Conselho

Tabela 3

Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, de

17 de Março de 2005 e pela Portaria nº 36 do

Ponto amostragem

VMP

Metal Ministério P1 P2 da Saúde, P3 de 19 P4 de Janeiro CONAMA de Ministério 1990. da Saúde

Tabela 3. Concentrações médias (mg L -1 ) dos metais avaliados nas amostras de água

coletadas no Rio Paraopeba, Minas Gerais.

Cr 0,045 0,035 0,052 0,048 0,05 0,05

Pb 2,65 2,58 2,72 2,48 0,01 0,05

Fe 1, 25 Tabela 3 1,36 1,50 0,99 0,30 0,3

Mn 0,10 0,30 0,30 0,20 0,10 0,1

Hg 4,46 2,65 3,22 4,81 0,0002 0,001

Tabela 3: Concentrações médias (mg L-1) dos metais avaliados nas amos-

Ni 1,07 1,75 1,27 3,31 0,025

Tabela 3. Concentrações médias (mg L -1 ) dos metais avaliados nas amostras de água

VMP tras

coletadas

= Valor de água coletadas no Rio Paraopeba, Minas Gerais.

no

máximo

Rio Paraopeba,

permitido

Minas

pela

Gerais.

Resolução CONAMA 357/05 para classe II de

qualidade de águas e Portaria Ponto 36 de do amostragem Ministério da Saúde.

VMP

Metal P1 P2 P3 P4 CONAMA Ministério da Saúde

Cr 0,045 0,035 0,052 0,048 0,05 0,05

Pb 2,65 2,58 2,72 2,48 0,01 0,05

Fe 1, 25 1,36 1,50 0,99 0,30 0,3

Mn 0,10 0,30 0,30 0,20 0,10 0,1

Hg 4,46 2,65 3,22 4,81 0,0002 0,001

Ni 1,07 1,75 1,27 3,31 0,025

VMP = Valor máximo permitido pela Resolução CONAMA 357/05 para classe II de

qualidade de águas e Portaria 36 do Ministério da Saúde.

VMP = Valor máximo permitido pela Resolução CONAMA 357/05 para

classe II de qualidade de águas e Portaria 36 do Ministério da Saúde.

Tabela 4

Tabela 4: Concentrações médias (mg L-1) dos metais avaliados nas amos-

Tabela 4. Concentrações médias (mg L -1 ) dos metais avaliados nas amostras de lama

coletadas

tras de

próximo

lama

ao

coletadas

Rio Paraopeba,

próximo

Minas

ao Rio

Gerais.

Paraopeba, Minas Gerais.

Ponto de amostragem

VMP

P5 Metal CONAMA Ministério da Saúde

Tabela 4

Cr 0,04 0,05 0,05

Pb 0,26 0,01 0,05

Fe 3.290 0,3 0,3

Tabela Mn 4. Concentrações 260,98 médias (mg L -1 ) dos metais 0,1 avaliados nas amostras 0,1 de lama

coletadas próximo ao Rio Paraopeba, Minas Gerais.

Hg 2,33 0,0002 0,001

Ponto de amostragem

VMP

Ni 0,07 0,025

P5 CONAMA Metal Ministério da Saúde

VMP = Valor Cr máximo permitido 0,04 pela Resolução CONAMA 0,05 357/05 para 0,05 classe II de

qualidade VMP de Pb águas = Valor e Portaria máximo 36 0,26 permitido Ministério pela da Resolução Saúde. 0,01 CONAMA 357/05 0,05 para

Fe 3.290 0,3 0,3

classe II de qualidade de águas e Portaria 36 do Ministério da Saúde.

Mn 260,98 0,1 0,1

Hg 2,33 0,0002 0,001

Ni 0,07 0,025

VMP = Valor máximo permitido pela Resolução CONAMA 357/05 para classe II de

qualidade de águas e Portaria 36 do Ministério da Saúde.

Ferro

A Tabela 3 e 4 evidencia as concentrações

dos metais nas amostras analisadas. Os valores

obtidos de ferro na água apresentaram-se superiores

a 0,3 mg/L, ocorrendo oscilações dos

valores ao longo dos pontos de monitoramento.

A concentração na lama apresentou 10,9 mil

vezes maior que os limites estabelecidos.

Maia (2007), avaliando a qualidade das

águas do rio Doce após o rompimento da Barragem

do Fundão, em Mariana, Minas Gerais,

também observou elevado teor de Fe solúvel

excedendo o valor máximo estabelecido para

a Classe 2.

O ferro concede cor e sabor à água, ocasiona

manchas em roupas e utensílios sanitários,

problemas de desenvolvimento de depósitos

em canalizações, provocando a contaminação

biológica da água na própria rede de distribuição.

Em razão disso, o ferro constitui-se em

padrão de potabilidade, sendo a concentração

limite de 0,3 mg/L instituída pela Resolução

CONAMA 357 e Portaria 36 do Ministério da

Saúde (PIVELLI, 2000).

Manganês

Os valores de manganês obtidos na água nos

pontos P2, P3 e P4 estão em desconformidade

com o limite legal na Resolução CONAMA 357 e

Portaria 36 do Ministério da Saúde, já na lama

apresentou cerca de 2,6 mil vezes maior que o

máximo permitido, correspondente a 0,1 mg/L.

A Fundação SOS Mata Atlântica (SOSMA,

2019) em uma expedição pelo Rio Paraopeba,

em decorrência do impacto provocado pelo

rompimento da barragem, verificaram concentrações

de Mn acima dos limites máximos

permitidos.

Mediante essas oscilações das concentrações,

Dornfeld (2002) questiona que determinados

processos causam a remoção dos metais

da coluna d’água e entre eles pode-se citar

a adsorção em hidróxidos de Ferro e Mangânes.

O autor destaca que estes processos concedem

metais para os sedimentos que é outro

compartimento abiótico de suma importância

no ambiente aquático por ser, geralmente, o

destino final para a maior porção do metal

presente neste sistema.

Anjos (2003) ressalta que Fe e Mn atuam

como elementos suporte influenciando na

concentração dos metais em solução assim

como na sua relação com os processos de

remoção ou disponibilidade. Esses processos

podem ser relacionados ao desempenho dos

metais na área em estudo, principalmente na

estação chuvosa, pois se percebe uma notável

diminuição em alguns pontos e um aumento

dos teores de Fe em quase todos os pontos de

amostragem.

O manganês desenvolve coloração negra na

água, podendo-se apresentar nos estados de

oxidação Mn+2 (forma mais solúvel) e Mn+4

(forma menos solúvel). Seu comportamento é

muito análogo ao do ferro nas águas em seus

aspectos mais diversos, visto que a sua ocorrência

é mais infreqüente (PIVELLI, 2000).

Chumbo

O chumbo é padrão de potabilidade, sendo

fixado o valor máximo permissível de 0,05

mg/L pela Portaria 36 do Ministério da Saúde

e 0,01 mg/L pela Resolução CONAMA 357. A

concentração de chumbo analisada na lama

apresentou 26 vezes maior que o VMP estabelecido

pela Resolução CONAMA 357 e 5,2

vezes maior que a Portaria 36 do Ministério

da Saúde. Isso é preocupante considerando-se

que o chumbo é um elemento bioacumulativo,

o que poderá comprometer o ecossistema

local por um longo período de tempo.

Segundo Cavalcanti (2019), em Brumadinho

a concentração histórica máxima na água para

o chumbo era de 0,021 mg/L. Durante o período

de coleta, após o acidente, este valor não

foi ultrapassado, sendo o máximo atingido de

0,015 mg/L em 22/02 e em 28/02 o valor já

era de 0,011 mg/L.

A existência do chumbo nas águas pode

gerar sérios problemas toxicológicos para os

seres vivos devido à sua característica de persistência

no ambiente. Pode adentrar no organismo

pela respiração ou através do consumo

de água ou alimentos, pois não possui nenhuma

função fisiológica conhecida no organismo.

Não constitui um problema ambiental até

que venha a se dissolver passando a forma iônica.

Em meio ácido é um elemento grave para

o ambiente e para a saúde da população, pois

apresenta efeito cumulativo dentro da cadeia

trófica (BAIRD, 2002; MOREIRA e MOREIRA,

2004).

A toxidade crônica originada pelo chumbo

no organismo humano pode desencadear no

indivíduo saturnismo e neoplasia, doença que

pode levar à morte, além de problemas de

alteração de crescimento, audição, desenvolvimento

cerebral deficiente, infertilidade, elevação

da pressão arterial, convulsões e perda

de memória (BRITO FILHO, 1983; LARINI, 1997

Mercúrio

O padrão de potabilidade fixado pela Portaria

36 do Ministério da Saúde é de 0,001 mg/L

e 0,0002 mg/L pela Resolução CONAMA 357.

Observa-se que nos pontos para a água P1,

P2, P3 e P4 foram encontradas concentrações

acima dos VMP’s estabelecidos, sendo 4,5;

2,7; 3,2 e 4,8 mil vezes respectivamente, referente

a Portaria 36 do Ministério da Saúde. Já

pela Resolução CONAMA 357 os valores foram

ainda mais alarmantes, sendo respectivamente

22,3; 13,3; 16,1 e 24 mil vezes maiores.

Revista Analytica | Out/Nov 2019

25


Artigo 2

Imagem Ilustrativa

Autores:

Luana Cristina Camargos. Gomes1 ,

Alex Magalhães de Almeida2 ,

Flávio Leonildo de Melo3

26

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Laudos oficiais da qualidade da água,

elaborados pelo Instituto Mineiro de Gestão

das Águas (IGAM), Agência Nacional de

Águas (ANA), Serviço Geológico do Brasil

(CPMR) e Copasa apontaram concentrações

elevadas de Hg nos primeiros 20 quilômetros

do rio Paraopeba, a partir da área afetada

(SOSMA, 2019).

Pivelli (2000) ressalta que o elemento mercúrio

é altamente tóxico ao homem, apresenta

efeito cumulativo e provoca lesões cerebrais,

sendo que doses de 3 a 30 gramas são fatais.

Níquel

Concentrações de níquel nas águas apresentaram

em todos os pontos quantidades elevadas,

acima do VMP estabelecido pelo Conama,

sendo 0,025 mg/L o máximo permitido.

Hg, Cr, Pb e Ni, como mencionado por Esteves

(1988), não tem função biológica conhecida

e frequentemente apresentam toxicidade

aos organismos. Em relação aos peixes, as

elevadas concentrações de Ni e Cu podem

precipitar a secreção da mucosa produzida

pelas brânquias dos peixes, obstruindo o espaço

interlamelar e bloqueando o movimento

normal dos filamentos branquiais, o que pode

ter contribuído para a morte da fauna aquática

do rio Doce pós o rompimento da barragem de

rejeitos em Mariana, MG (Freitas et al, 2016).

A Agência Nacional de Águas (ANA, 2019)

mediante boletim, evidenciou que a análise

feita pelas entidades estaduais e federais que

monitoram a qualidade da água no Rio Paraopeba

“aponta o decaimento da concentração”

dos metais pesados no manancial. Ressalta

que comportamento análogo foi verificado no

Rio Doce, por circunstância do rompimento da

barragem de rejeitos do Fundão, em Mariana,

em 5 de novembro de 2015. Deve-se mencionar,

ainda, que a ausência de precipitações

significativas nos primeiros dias após o rompimento

da barragem colaborou para a baixa

velocidade de propagação da frente de sedimentos

e para sua deposição no leito do rio.

Além de chumbo e mercúrio, foram encontrados

elementos como níquel e cádmio nas

águas do Rio Paraopeba, todos acima dos valores

que podem ser tolerados para consumo

humano (ANA, 2019).

Também foram avaliados cinco parâmetros

de qualidade da água (Tabela 5) comparados

na Resolução CONAMA n° 357 de 2005, tendo

consideração que se aborda de um recurso

hídrico de classe 2. Além desses parâmetros,

foram inclusos também Sólidos Totais Dissolvidos

e Condutividade que, embora não

constem na Resolução, são importantes para

a melhor compreensão, pois são considerados

Tabela 5

indicativos indiretos de poluição. Todas as aná-

Dentre as características do ambiente que

podem influenciar o comportamento e os processos

dos metais, Dornfeld (2002) enfatiza

que o pH tem forte influência na disponibilidade

dos metais, sendo que a maioria dos

metais é insolúvel em água com pH neutro ou

básico e, portanto, são adsorvidos rapidamente

pela matéria particulada ou assimilados pelos

organismos. Assim os metais podem fazer

um caminho de adsorção a matéria orgânica

mais rápido e se acumular nos sedimentos.

Esses conjuntos de processos (adsorção/

desorção, precipitação, sedimentação e difusão)

intervém na disponibilidade dos metais,

características geoquímicas que definem a

capacidade de ligação dos metais nos corpos

d’água contribuindo ou não a autodepuração.

Tabela 5. Parâmetros físico-químicos nas amostras de água coletadas no Rio Paraopeba,

Tabela

Minas

5: Parâmetros

Gerais.

físico-químicos nas amostras de água coletadas no Rio Paraopeba, Minas Gerais.

Parâmetros P1 P2 P3 P4 Valor Limite

Sólidos Totais Dissolvidos (STD) 48,27 46,96 46,04 45,60 ≤ 500 mg/L

Condutividade 97,47 95,33 95,13 91,50 ≤ 100 μS/cm

Oxigênio Dissolvido (OD) 7,10 6,10 6,20 6,80 ≥ 5,0 mg/L O2

Potencial Hidrogeniônico (pH)

Turbidez

Fonte: Autores Autores da pesquisa, da 2019. pesquisa, 2019.

7,52

29,83

lises foram realizadas no campo em triplicata,

na condição de temperatura de 25°C.

Potencial Hidrogeniônico (pH)

Segundo Vieira (2015) o pH é um parâmetro

significativo por exercer influência na solubilidade

das substâncias (sais metálicos), na predominância

de determinadas espécies mais ou menos tóxicas

e nos processos de adsorção/sedimentação

dos metais e outras substâncias na água.

Ao comparar o pH da água, verificou-se, por

meio das análises, que os parâmetros estão

próximos à neutralidade e seus valores são

condizentes com os da classe 2, segundo a

Resolução CONAMA 357/2005, uma vez que,

o valor pode oscilar entre 6 e 9.

7,61

39,43

7,68

59,33

7,56

27,10

6,0 a 9,0

≤ 100 uT

Oxigênio Dissolvido (OD)

O oxigênio dissolvido (OD) é o elemento

principal no metabolismo dos microrganismos

aeróbios que habitam as águas naturais. O

oxigênio é indispensável também para outros

seres vivos, sobretudo os peixes, onde a maioria

das espécies não resiste a concentrações de

oxigênio dissolvido na água inferiores a 4,0

mg/L. É, portanto, um parâmetro de extrema

relevância na legislação de classificação das

águas naturais, bem como na composição de

índices de qualidade de águas (PIVELI, 2010).

O valor de OD para todos os pontos está de acordo

com a Resolução CONAMA 357/2005, apresentaram

valores acima, mas não tão expressivos, do

limite estipulado que não pode ser inferior a 5mg/L.


Provavelmente, os valores baixos de OD

podem ser devido ao acúmulo de matéria

orgânica proveniente dos lançamentos a

montante lançados ao curso d’água, que não

foram totalmente neutralizados durante o

procedimento de autodepuração, dentre outros

motivos, a baixa velocidade das águas

entorno dos pontos mencionados dificultou a

autodepuração da matéria orgânica. Esse fato

também foi aferido por Damasceno (2008),

em estudo realizado em Teresina, no Piauí.

Sólidos Totais Dissolvidos (STD)

Quanto aos Sólidos Totais Dissolvidos (STD),

foi possível verificar que o ponto P2 apresentou

o maior valor, 46,96 mg/L, enquanto no

ponto P3 verificou-se o menor valor, 46,04

mg/L. Portanto, todos os pontos possuem

valores condizentes, sendo menor que 500

mg/L.

Sólidos dissolvidos permanecem em solução

mesmo após a filtração e são constituídos por

partículas de diâmetro inferior a 10-3 μm. A

entrada de sólidos na água pode ocorrer de

forma natural (processos erosivos, detritos orgânicos

e organismos) ou antropogênica (lançamento

de esgotos e lixos). Nas águas naturais

os sólidos dissolvidos estão constituídos

basicamente por carbonatos, bicarbonatos,

cloretos, fosfatos, sulfatos, nitratos de cálcio,

potássio e magnésio (GASPAROTTO, 2011).

Turbidez

Em relação à turbidez percebe-se que o ponto

P4 apresentou menor valor, sendo 27,1 uT e

o ponto P3 apresentou o maior valor dentre os

demais, sendo 59,33 uT. De acordo com o CO-

NAMA 357/2005, para se enquadrar na classe

2 a turbidez deve ter o valor limite de unidade

nefelométrica até 100 (uT), portanto percebe-

-se que todos os pontos analisados, para esse

parâmetro, estão abaixo do limite estabelecido

na Resolução.

Conforme Barcellos (2019), a contaminação

do Rio Paraopeba pelos rejeitos da mina pode

ser percebida pelo aumento da turbidez das

águas. A existência de materiais em suspensão

nas águas dos rios afetados originou em

uma mortandade de peixes e impossibilitou a

captação e tratamento da água para consumo

humano. Todavia, o sedimento enriquecido por

metais pesados pode ser remobilizado para os

rios a longas distâncias com as chuvas intensas.

O IGAM (2019) examinando a qualidade das

águas no Rio Doce após três meses do rompimento

da barragem do Fundão, observaram

que os resultados de turbidez demonstram o

impacto do rompimento. Mesmo dois meses

e meio após o acidente, os valores são muito

superiores aos que eram obtidos antes do

rompimento da barragem ao longo dos quatro

trechos avaliados.

Condutividade

Para a condutividade os pontos P1 e P4 apresentaram

respectivamente os maiores e menores

valores, sendo 97,47 μs/cm e 91,50 μs/

cm, estando dentre o limite máximo de 100

μs/cm proposto.

Condutividade elétrica é uma medida da

disposição de uma solução aquosa de conduzir

corrente elétrica devido à presença de íons.

Essa propriedade varia com a concentração

total de substâncias ionizadas dissolvidas na

água, com a temperatura. Devido a isso, para

propósitos comparativos de dados de condutividade

elétrica, deve ser definida uma das

temperaturas de referência (20 ºC ou 25 ºC)

(PINTO, 2007).

Na legislação do Brasil não se encontra um

limite superior deste parâmetro tido como

aceitável. Porém, deve-se notar que oscilações

na condutividade da água, ainda que não

causem dano imediato ao ser humano, podem

indicar tanto o assoreamento acelerado de rios

por destruição da mata ciliar como a contaminação

do meio aquático por efluentes industriais

(LÔNDERO e GARCIA, 2010).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após análise dos resultados pode-se perceber

que muitos metais apresentaram níveis

elevados, acima dos valores máximos permitido

pela Classe 2 de acordo com a Resolução

CONAMA 357/2005 e Portaria 36 do Ministério

da Saúde, sendo que o primeiro ponto (P1)

apresentou também valores acima do limite

estabelecido mesmo antes do acidente. Demonstrando

que mesmo antes do acidente o

Rio Doce já apresentava sinais de degradação

ambiental e que necessitava de cuidado imediato,

pois se trata de um curso d’agua muito

importante para a região.

No entanto, é importante ressaltar que

apesar das análises físico-químicas serem

fundamentais para a caracterização da qualidade

da água, elas não permitem uma

avaliação dos efeitos da poluição sobre os

seres vivos. Além disso, elas são realizadas

de forma pontual e medidas instantaneamente

nos pontos amostrais e, portanto, necessitam

de um grande número de medições

para que se obtenha uma maior perspicácia

nos resultados, o que não foi possível de ser

realizado no presente estudo.

Todavia, com a ocorrência de chuvas, poderão

ser notadas alterações no comportamento

até agora ressaltado. Trata-se, portanto, de um

desastre complexo cujo desenvolvimento no

tempo e no espaço necessita ser monitorado

de forma que se possa avaliar todos os desdobramentos

para a bacia hidrográfica.

É preciso reforçar a ideia de que o problema

não é a existência de metais, mas sua concentração.

Diante disso, devem ser intensificadas

ações de vigilância para a qualidade da água

e recuperação da área, o que necessita intervenções

do poder público e da sociedade, para

reduzir os teores de contaminantes tóxicos

lançados, visando à recuperação do ecossistema

aquático.

Revista Analytica | Out/Nov 2019

27


Artigo 2

28

Revista Analytica | Out/Nov 2019

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fessential Metals. 1st Edition. Academic Press,

New York, USA. 1998.


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Artigo 2

Complemento Normativo - Artigo 2

Referente ao artigo 2

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

Avaliação de Metais e Qualidade da Água em trechos do rio

Paraopeba após o rompimento da barragem do Corrego do Feijão:

Uma visão do fato frente ao equilíbrio do meio ambiente.

ISO 3471

Earth-moving machinery - Roll-over protective structures - Laboratory tests and performance

requirements

Norma publicada em: 08/2008. / Status: Vigente.

Classificação 1: segurança, ergonomia e requisitos gerais.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/38084.html

ISO 19434

Mining — Classification of mine accidents

Norma publicada em: 10/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Minas e pedreiras

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/64897.html

ISO 15176

Guidance on characterization of excavated soil and other materials intended for re-use

Norma publicada em: 06/2019. / Status: Vigente.

Classificação 1: Outros padrões relacionados à qualidade do solo.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/70771.html

ISO 10704

Water quality — Gross alpha and gross beta activity — Test method using thin source deposit

Norma publicada em: 02/2019. / Status: Vigente.

Classificação 1: Exame das propriedades físicas da água. Proteção contra Radiação

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/70597.html

ABNT NBR 13028

Mineração - Elaboração e apresentação de projeto de barragens para disposição de rejeitos,

contenção de sedimentos e reservação de água – Requisitos

Norma publicada em: 11/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Mineração e exploração de pedreiras.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=382573

ABNT NBR 9653

Guia para avaliação dos efeitos provocados pelo uso de explosivos nas minerações em áreas

urbanas

Norma publicada em: 05/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Mineração e exploração de pedreiras.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ABNT.

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=398390

30

Revista Analytica | Out/Nov 2019

ISO 21675

Water quality — Determination of perfluoroalkyl and polyfluoroalkyl substances (PFAS) in

water — Method using solid phase extraction and liquid chromatography-tandem mass

spectrometry (LC-MS/MS)

Norma publicada em: projeto em desenvolvimento

Classificação 1: Exame de água para substâncias químicas

Artigo: AVALIAÇÃO DE METAIS E QUALIDADE DA ÁGUA EM TRECHOS DO RIO PARAOPEBA APÓS O ROMPIMENTO DA

BARRAGEM DO FUNDÃO: UMA VISÃO DO FATO FRENTE AO EQUILÍBRIO DO MEIO AMBIENTE.

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/71338.html


Espectrometria de Massa

O detector de íons na

espectrometria de massas

Por Oscar Vega Bustillos*

Joseph John Thomson desenvolveu o primeiro

espectrômetro de massas no ano de 1897. As

partes do primeiro espectrômetro já foram descritas

na revista ANALYTICA (Edição 96 de Agosto

de 2018) e as mesmas são: “Fonte de íons”,

“Analisador de massas” e “Detector de íons”.

Como detector de íons J.J. Thomson utilizou

uma placa fotográfica para registrar o caminho

ótico dos íons, obtendo geometrias parabólicas

(Figura 1). Por esta configuração, o primeiro

analisador de massas foi denominado “Espectrógrafo

de massas”.

A função do detector de íons no espectrômetro

de massas é transformar as informações do

analisador de massas em imagens que auxiliam

na percepção do analito em estudo. O detector

de íons fornece informações sobre o fluxo de

íons ou abundancia de íons após a sua saída

do analisador de massas. O detector converte

o feixe de íons num sinal elétrico que pode ser

amplificado, digitalizado, armazenado e exibido

pelo sistema de dados ante os olhos ou ouvidos

do ser humano. Sensibilidade, precisão, resolução,

tempo de resposta, estabilidade, faixa

dinâmica e baixo ruído são as características

importantes de todo detector de íons. Os detectores

de íons que podem ser utilizados no espectrômetro

de massas são os seguintes: Placa

fotográfica, Copo de Faraday, Multiplicados de

elétrons, Fotomultiplicadora e Multicanal.

As placas fotográficas foram utilizadas de

1897 até 1940 por J.J. Thomson e seu aluno Aston.

Hoje em dia, não são mais utilizadas, pela

falta de resolução e especialmente pelo elevado

ruído interferente, mas graças a este detector

foi possível descobrir os elétrons e a maioria

dos isótopos, ou seja, tem seu mérito analítico,

apesar da obsolescência. O Copo de Faraday

foi inventado por Michel Faraday em 1831 e foi

testado por Dempster no seu espectrômetro de

massas, mas quem o utilizou efetivamente foi

Alfred Nier. Até 1940, as medidas da massa dos

isótopos eram feitas por meio da distância entre

as linhas registradas sobre chapas fotográficas.

Nier revolucionou essa metodologia ao propor a

utilização de um dispositivo elétrico para eliminar

erros sistemáticos obtidos. O detector Copo

de Faraday ou “Faraday Cup” em inglês é um

copo metálico projetado para capturar partículas

carregadas no vácuo (Figura 2). A corrente

elétrica resultante pode ser medida e usada para

determinar o número de íons atingindo o copo.

Os íons positivos que saem do espectrômetro

de massa entram no copo metálico que está

aterrado. Quando os íons se chocam com as

paredes do copo, os mesmos são neutralizados,

absorvendo um elétron do copo metálico. A

perda de um elétron do copo metálico é medida

por um amperímetro interposto entre o copo e o

terra. Portanto, quanto maior o número de íons

que entram no copo maior a corrente detectada.

Uma das melhores características do Copo

de Faraday é que todos os íons são detectados

com a mesma eficiência, de acordo com suas

massas. Desde então, o “Espectrógrafo de massas”

se converte em “Espectrômetro de massas”,

porque é possível detectar e quantificar as massas

dos íons selecionados pelo analisador com

maior sensibilidade, precisão, resolução e principalmente

baixo ruído interferente, comparado

com as placas fotográficas.

O detector de íons denominado “Multiplicador

de elétrons” foi desenvolvido por Norman Daly

no ano de 1950, sendo o detector de íons mais

utilizado na espectrometria de massas devido

a sua elevada sensibilidade, comparada com o

Copo de Faraday. O Multiplicador de elétrons

tem formato de cone metálico, geralmente

banhado em ouro, por onde os íons entram

na boca do cone (Figura 3). A entrada é fortemente

negativa, relativamente ao fim do cone,

de tal forma que íons positivos são acelerados

em direção à superfície do cone. Na medida

em que atingem o seu interior, os íons ejetam

elétrons da superfície do cone. Estes elétrons

secundários são acelerados em direção ao fim

do cone, se chocando com a superfície do mesmo

repetidamente e causando a liberação de

mais elétrons da superfície. Esta multiplicação

do número de elétrons causa a emissão de uma

cascata de elétrons no fim do cone. A corrente

eletrônica é amplificada para produzir um sinal

proporcional à corrente iônica incidente no detector.

O gradiente do potencial elétrico no cone

é ajustado de tal forma a manter um máximo

de elétrons emitidos no fim do cone para cada

íon que ingressa no detector. No entanto, existe

um limite máximo no cone que pode liberar

elétrons por íon, dependendo do desgaste metálico

da superfície do cone e outros parâmetros

elétricos, necessitando obrigatoriamente ser

calibrado periodicamente para atingir este máximo.

Por esta razão, o detector de íons Multiplicador

de elétrons tem sua vida útil limitada

quando comparada ao detector Copo de Faraday.

O Multiplicador de elétrons é 1000 vezes

mais sensível que o Copo de Faraday.

O detector de íons “Foto multiplicador de elétrons”

tem como base o Efeito Fotoelétrico descrito

por Albert Einstein, que lhe deu o Nobel de

Física. O íon positivo é acelerado e colide sobre

Revista Analytica | Out/Nov 2019

31


Espectrometria de Massa

uma superfície de alumínio, que libera elétrons

secundários, e estes, por sua vez, são aceleradas

para um cintilador, direcionadas para uma fotomultiplicadora

selada (Figura 4). Num processo

chamado emissão secundária, um único elétron

pode, quando bombardeado em material

emissivo secundário, induzir a emissão de vários

elétrons. Se um potencial elétrico é aplicado

entre esta placa de metal, os elétrons emitidos

vão induzir uma emissão secundária com mais

elétrons. Isto pode ser repetido várias vezes, resultando

num chuveiro de elétrons, todos recolhidos

por um ânodo de metal, onde é medida

a corrente elétrica em Amperes. A contagem de

elétrons secundários é usado para medir os feixes

de íons que atingem a foto multiplicadora.

O detector tem um baixo nível de ruído, comparados

com outros detectores de íons.

O detector de íons denominado “Detector

Multicanal” ou “Multi Channel Plate – MCP”

em inglês, foi desenvolvido em 1970 para ser

utilizado nos espectrômetros de Tempo de Voo

ou “Time of Flight - TOF” em inglês. O MCP está

composto de centenas de micro canais contendo

cada canal um multiplicador de elétrons (Figura

5). O mesmo apresenta tempo de resposta

menor que 1 ns e alta sensibilidade, maior que

50 mV. Apenas alguns poucos canais do MCP

são afetados pela detecção de um íon e assim

é possível a detecção de muitos íons ao mesmo

tempo, onde centenas de íons podem ser geradas

em poucos nano segundos.

Os íons com trajetórias estáveis que saíram do

analisador de massas são detectados por algum

detector de íons descrito anteriormente. O detector

de íons transforma a corrente iônica em

corrente elétrica, especificamente, em pulsos

elétricos medidos temporalmente, na ordem

de micro segundos, que geram um gráfico da

variação temporal da intensidade dos íons,

denominado “Espectro de Massas”. Cada sinal

detectado no espectro de massas pode ser relacionado

a uma espécie iônica com determinada

razão massa/carga (m/z).

A desvantagem de todos os detectores de

íons descritos neste trabalho é que só funcionam

em alto vácuo, precisando um sistema de

alto vácuo.

Figura 1: Placa fotográfica utilizada por J.J. Thomson

como detector de íons em 1897. Os íons dos diferentes

analitos são detectados por meio de figuras parabólicas

na placa fotográfica conforme o desenho.

Figura 2: O Copo de Faraday. Íons positivos penetram

e se chocam com as paredes do copo metálico. Um

amperímetro é interposto entre o copo e o aterramento

sendo a corrente eletrônica medida. Esta corrente será

proporcional a corrente iônica que penetra no copo.

Figura 3: Multiplicador de Elétrons. Íons positivos atingem

o interior do cone, próximo da entrada do multiplicador

de elétrons, liberando elétrons que são acelerados na

direção do fim do cone devido a um gradiente negativo no

cone. Os elétrons se chocam repetidamente com a superfície

interna do cone, causando a emissão de mais elétrons.

Figura 4: Detector “Foto multiplicador de elétrons”. Os

íons atingem um dinodo que geram elétrons que logo

após atingir o cintilador da fotomultiplicadora.

Figura 5: Detector de íons do espectrômetro de massas

denominado Detector Multicanal.

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editora, São Paulo. 2003.

32

Revista Analytica | Out/Nov 2019

*Oscar Vega Bustillos

Pesquisador do Centro de Química e Meio Ambiente CQMA do Instituto de Pesquisas Energéticas e

Nucleares IPEN/CNEN-SP


A RDC RDC nº nº 234, de 20 de Junho

Espectrometria 234, de 20 de de Massa Junho

de de 2018 2018 autoriza as as Indústrias

280

Farmacêuticas 280a a terceirizarem as as

análises de de MATÉRIAS-PRIMAS

Terceirize

Terceirize

suas

suas

análises

análises

com

com

o

o

laboratório

laboratório

Reblas

Rebla

de

de

maior

maior

escopo

escopo

de

de

ensaios

ensaios

específicos

específicos

em

em

matérias-primas matérias-primas do do país. país.

Contamos

Contamos

com

com

profissionais

profissionais

qualificados,

qualificados,

estrutura

estrutura

de

de

mais

mais

de

de

1.600m²

1.600m²

de

de

área

área

útil

útil

de

de

laboratórios

laboratórios

e um

e um

parque parque de de mais mais de de 280 280 equipamentos equipamentos para para atuação atuação

em em análises análises Físico-químicas Físico-químicas e e Microbiológicas Microbiológicas com com

área área limpa. limpa.

Análises Análises Físico-químicas Físico-químicas e e Microbiológicas:

Microbiológicas:

- - Efluentes Efluentes e e águas águas tratadas. tratadas.

- - Alimentos. Alimentos.

- - Ambientais. Ambientais.

- - Cosméticos.

- - Correlatos. Correlatos.

- - Medicamentos.

Estudos Estudos de de Equivalência Farmacêutica para para Registros Registros

de de Produtos.

Estudos de de Estabilidade de de Medicamentos de de Uso Uso

Humano e e Veterinário para para Registros Registros de de Produtos. Produtos.

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Capacidade de de Analisar as as monografias por por

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Revista Analytica | Out/Nov 2019

33


Análise de Minerais

O Laboratório do Futuro:

uma revolução cada vez

mais presente

No último artigo aqui na Revista Analytica falamos

um pouco da transformação digital que

tem afetado os laboratórios dos mais diversos

setores, oferecendo mais eficiência e otimizando

os processos. É indiscutível que, a cada dia,

o uso da inteligência artificial está crescendo

associando-se a uma forte onda de inovação,

mecanização e incremento da precisão nos laboratórios

de todo o mundo.

A cada novo artigo científico ou reportagem,

pode-se observar como esta revolução está a

cada dia mais próxima de nós. Arriscar acertar o

que irá acontecer nos próximos anos é um exercício

deveras perigoso! Vários renomados presidentes

de empresas e pesquisadores tentaram

prever o futuro ou condenaram determinadas

tecnologias e acabaram “arranhando” sua credibilidade

ou levando suas empresas à falência.

Apesar do dito, ainda assim, vale provocar a

reflexão: os laboratórios dos dias de hoje são,

com certeza, muito diferentes dos laboratórios

do passado, mas e daqui a cinco ou dez anos,

como eles serão?

A integração da robótica e da automação continuará

revolucionando os métodos analíticos e

os procedimentos operacionais, transformando

tediosos processos manuais (ou com baixo nível

de mecanização) em inteligentes sistemas automatizados

de análises de líquidos, sólidos ou

gases. Os analistas e gestores terão sua análise

crítica e sua gestão operacional cada vez mais

drasticamente influenciada pelo avanço das diversas

tecnologias analíticas e pela colaboração

de sistemas inteligentes que contribuirão, significativamente,

nestes processos.

A computação em nuvem, a aprendizagem

de máquinas (Machine Learning) e Inteligência

Artificial estarão cada vez mais presentes e serão

fatores fundamentais para a transformação dos

laboratórios, tanto tecnologicamente quanto

operacionalmente. Mais especificamente, estas

tecnologias influenciarão a eficiência dos

procedimentos que serão cada vez mais pré-

-programados e personalizáveis. Além disso,

importantes ganhos serão obtidos em repetibilidade

e reprodutibilidade dos métodos a partir

da coleta, armazenamento, análise e compartilhamento

de intensivo dos dados.

E há de se dizer que cada vez mais dados

gerados, mais estes serão compartilhados; e

se temos mais compartilhamento, maior será a

capacidade de análise destes dados e por consequência,

mais revoluções advindas de um nível

de colaboração nunca visto na história da humanidade.

Nada ficará apenas nos laboratórios!

Os segredos deixarão de estar nas máquinas,

nos métodos ou nas pessoas; eles estarão na

34

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Eduardo Pimenta de Almeida Melo

Eduardo Pimenta de Almeida Melo é Engenheiro Químico, Gerente de Laboratórios da CSN Mineração, MBA em Gestão Empresarial, Pós–Graduado

em Gestão de Laboratórios e Especializado em Data Science. Coordenador da Comissão de Estudos para Amostragem e Preparação de

Amostras em Minério de Ferro para a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/eduardo-melo-16b22722 - Telefone: 31 3749 1516 - E-mail: eduardo.melo@csn.com.br


capacidade de conectar problemas e ferramenta,

entregando as melhores soluções, no menor

tempo possível e, integralmente, dentro da necessidade

do cliente.

E ao refletirmos sobre isto, um período de

cinco ou dez anos pode parecer muito distante,

o que na prática não é! Recentemente, a IBM

lançou o que denominou de AgroPad.

“Um pequeno cartão de papel e um aplicativo

móvel. Estes são os componentes necessários

para o AgroPad analisar uma amostra de água

ou de solo em alguns segundos.”

“Em contato com uma pequena amostra,

o cartão reage mostrando diferentes cores de

acordo com a concentração de elementos como

Cloro e Magnésio, além de pH. A análise detalhada

fica por conta do aplicativo, que utiliza

recursos de machine learning e reconhecimento

visual para ler e interpretar as informações.”

Este simples exemplo demonstra de forma

clara tudo o que foi dito acima, tecnologia,

sistemas inteligentes, simplicidade, eficiência e

uma possibilidade de revolucionar como se faz

análises de água e solo nos dias de hoje. E sabe o

que falta para que ele seja disponibilizado para

o mercado de forma sistemática? Colaboração.

A tecnologia IBM associada a produtores rurais

gerando diagnósticos práticos. Em suma, dados

para serem transformados em informações e

por fim, para se tornarem algoritmos ainda

mais capazes de responder de forma assertiva

em todas as situações.

Pode até ser que não tenhamos tudo isto em

cinco ou dez anos, ou quem sabe, tenhamos até

muito mais do que isso. O que é inegável é que

passaremos por estas etapas e temos duas claras

opções: aguardar que o futuro chegue e nos

leve rumo ao desconhecido ou nos prepararmos

de forma rápida e assertiva para que possamos

aproveitar todos os pontos extremamente positivos

que a “era do conhecimento” pode nos

proporcionar. E aí, qual sua opção?

Amostragem de Ar

Por que vários formatos?

Confie na resposta de

quem tem mais de 100

anos de experiência

nesse assunto.

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contate-nos através do e-mail:

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Revista Analytica | Out/Nov 2019

35


Metrologia

O poder das medidas

Debatem-se atualmente no Brasil os resultados

de medições referentes ao desmatamento

da Amazônia, a dados de clima referentes a

aquecimento global, aos impactos de mineração

em águas e no ambiente regional. Os

resultados nessas medições são capazes de

afetar as relações comerciais do país, com forte

impacto particularmente nas exportações

de alimentos.

A coleta de dados, as medições, sua organização

em informações que permitam a tomada

de decisões políticas, são processos baseados

em técnicas rigorosas e todo um acúmulo

de conhecimento científico. Este acúmulo está

nas disciplinas de ciências da natureza e nas

bases matemáticas e estatísticas que regem o

formalismo que garante que essas informações

reflitam da melhor maneira possível a

realidade. Ciência busca conhecer a realidade

e é o que de melhor trouxe a humanidade até

aqui. O que permitiu produzir mais alimentos,

diminuir a mortalidade, aumentar a expectativa

de vida, maior conforto, melhor qualidade

de vida e bem-estar.

O desconhecimento dessas técnicas, procedimentos

e bases científicas relacionadas

às medições, o não domínio dessas noções

fundamentais pela sociedade e sua incompreensão

por aqueles responsáveis pelas tomadas

de decisões políticas pode ter resultados desastrosos

para o Brasil. Não simplesmente para

as relações comerciais, mas principalmente

para a vida das populações. E aqui não pensamos

apenas naquelas comunidades vivendo

diretamente nas regiões afetadas. No dia 19 de

agosto de 2019 noticiou-se que o céu da cidade

de São Paulo ficou negro no meio da tarde

e caiu uma chuva cinza, cheia de particulado

oriundo nas queimadas nas regiões Norte e

Centro-Oeste. As consequências desses fenômenos

também são importantes para o mundo.

Veja-se o alerta em muitos países sobre as

situações levantadas acima.

E então nos vem a pergunta: por que uma

Sociedade Brasileira de Metrologia?

O melhor remédio contra a desinformação e a

propagação de boatos ou de informações ou notícias

falsas, as hoje tão comentadas fake news, é

a apropriação de conhecimento pela maior parte

da população, não apenas por tomadores de

decisão ou formadores de opinião. É necessário

que tenhamos conhecimento dos processos de

medição, dos instrumentos e dos resultados. Isso

garante a confiança nas medições.

A SBM busca, desde sua fundação, ter um

papel importante na disseminação do conhecimento

em metrologia e nas demais

disciplinas ou ferramentas de Tecnologia

Industrial Básica. Além de essenciais para o

desenvolvimento econômico e para a melhoria

de processos e produtos e para a garantia

da competitividade da indústria brasileira, a

apropriação desses conhecimentos é muito

importante para a efetiva construção da cidadania,

para que as pessoas possam, elas mesmas,

construir as condições de compreensão e

julgamento das informações recebidas.

Aumenta nossas preocupações o fato de

que, mesmo naqueles processos formativos

onde essas ferramentas são evidentemente

necessárias, como nas áreas de ciências da

natureza, engenharias e tecnologia, percebe-

-se uma enorme carência de conhecimentos

nessas áreas de TIB. Como constatamos em

estudo discutido no XLV Congresso Brasileiro

de Educação em Engenharia – COBENGE , a

maior parte dos cursos de Engenharia não tem

uma formação adequada em Metrologia.

A disseminação de conhecimentos em metrologia

é, portanto, um grande desafio. E a

SBM se coloca como agente a buscar parcerias

para vencê-lo. Cada passo não dado significa

que mais distante ficamos de nosso objetivo:

desenvolvimento econômico sustentável e socialmente

justo.

Referências

BERNARDES, A. T.; MENDES, A. ; SOUTO, A. L. C. F. ;

GRANJEIRO, J. M. ; ALVES, L. E. S. ; MENDES, M. F. A.

; COSTA-FELIX, R. P. B. ENSINO DE METROLOGIA NOS

CURSOS DE ENGENHARIA. In: Adriana Maria Tonini.

(Org.). DESAFIOS DA EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA:

Formação acadêmica e atuação profissional, Práticas

Pedagógicas e Laboratórios Remotos. 1ed. Brasilia:

Abenge, 2017, v. 1, p. 126-158.

36

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Américo Tristão Bernardes

Presidente da Sociedade Brasileira de Metrologia, Engenheiro Eletricista, Doutor em Física

e Professor da Universidade Federal de Ouro Preto.


Em Foco Científico

Avaliação de Eficiência de Sanitizante

de Ar em Salas e Ambientes de

Laboratórios de Microbiologia

de Alimentos

Artigo baseado em estudo realizado no instituto de tecnologia de alimentos em Campinas pelos seguintes autores:

Thaís M. Paes, Hector A. Palacios, Artur Rocha, Adriana Sottero, Suzana Eri Yotsuyanagi, Beatriz Iamanaka – ISBN-85-7029-135-6

De acordo com OMS, mais de 50% dos

locais fechados tem ar de má qualidade, o

que se deve principalmente a má higienização

dos aparelhos de ar condicionado e

a falta de controle periódico sobre as possíveis

fontes de contaminação (Schirmer

et al.,2011). Em tais espaços confinados,

com escassa renovação do ar, há maior

tendência de acumulação de microrganismos

oriundos de infiltrações ou da má conservação

do sistema de ar condicionado,

principalmente fungos e bactérias (Sodré,

2006).Sabendo-se que grande parte das

bactérias patogénicas são mesófilas, uma

alta contagem total deste tipo de microrganismo

no ar é um indicativo de insalubridade,

pois significa que o ambiente está

apropriado para seu crescimento (Jesus

et al. , 2007). É sabido que ar e ambiente

interagem de forma dinâmica em termos

de contaminação por agentes microbianos,

portanto “quaisquer superfícies nas quais

os microrganismos estejam depositados

podem agir como fontes de contaminação

para o ar, quando ocorrerem condições

apropriadas para a formação de aerossóis”

(Salustiano, 2002).

A sanitização é uma etapa indispensável aos

procedimentos de higienização em ambientes

confinados especialmente sob ar condicionado.

Em harmonia com as tendências de sustentabilidade,

proteção ao meio ambiente e pesquisa

alternativa, os terpenos e seus derivados, que

não apresentam toxicidade e são biodegradá-

Revista Analytica | Out/Nov 2019

37


Em Foco Científico

veis, podem ser uma alternativa para este fim.

O objetivo do trabalho citado é avaliar a

performance do sanitizante à base de terpenos

para redução da contaminação de

bolores em ambientes fechados, bem como

comparar diferentes métodos de quantificação

de bolores utilizando as técnicas de

compactação e sedimentação.

trado foi 283 litros, a altura de coleta fixa a 1,5

m. Após cada coleta, a placa era tampada e

incubada - a 35ºC por 2 dias para o PCA e a

25°C por 5 dias para o DG18. Após a incubação,

prosseguiu-se com a contagem de colônias

nas placas e os resultados puderam ser

reportados em UFC/placa ou UFC/m3.

Para efeito deste artigo focaremos nos

resultados do amostrador MAS-100 ECO

afim de avaliar sua eficiência para esse

monitoramento de air em ambientes

Diagnóstico inicial: as salas 9 e 13 foram

escolhidas para realização dos testes.

Aplicação do sanitizante: para a

aplicação de sanitizante foi utilizado um

lavador de ar de médio porte, com vazão

de 400m3/h, fornecido pelo fabricante do

sanitizante.

A Tabela 1 apresenta os resultados do diagnóstico inicial ( antes da sanitização) da sala 9

(72m3), a qual foi diagnosticada com maior contaminação do ar ambiente:

Diagnóstico inicial: as salas 9 e 13 foram escolhidas para realização dos testes.

A Tabela 1 apresenta os resultados do diagnóstico inicial ( antes da sanitização) da sala 9 (72m 3 ), a

qual foi diagnosticada com maior contaminação do ar ambiente:

Tabela 1- Coleta de ar na Sala 09

Tabela 1- Coleta de ar na Sala 09

PCA

DG18

Método de sedimentação:

Metodologias A B Média A B Média

1-Sedimentação (UFC/placa) 1,0 0,0 0,5 10,0 10,0 10,0

Consistiu na exposição de uma placa de

Petri - contendo os meios de cultura Dicloran

18% Glicerol (DG18) e Ágar Padrão (PCA)

-aberta ao ambiente por 15 minutos.Após

cada coleta, a placa era tampada e incubada

- a 35ºC por 2 dias para o PCA e a 25°C

por 5 dias para o DG18. Após a incubação,

prosseguiu-se com a contagem de colônias

nas placas e os resultados foram reportados

em UFC/placa.

2-Compactação

Diagnóstico b) MAS 100 inicial: Eco (UFC/m as salas 3 ) 1 9 e 13 foram escolhidas para realização dos testes.

169,61 159,0 164,3 2339,2 1939,9 2139,6

A Tabela 1 apresenta os resultados do diagnóstico inicial ( antes da sanitização) da sala 9 (72m 3 ), a

qual foi diagnosticada com maior contaminação do ar ambiente:

A Tabela 2 apresenta os resultados do diagnóstico inicial da sala 13, a qual foi escolhida por ter

Tabela maior dimensão(157,5m 1- Coleta de ar na Sala 3 ), controle 09 de temperatura e menor movimentação de pessoas.

PCA

DG18

Tabela 2- Coleta de ar na Sala 13

Metodologias A B Média A B Média

1-Sedimentação (UFC/placa) 1,0 PCA 0,0 0,5 10,0 DG18 10,0 10,0

2-Compactação

Metodologias A B Média A B Média

A 1-Sedimentação

Tabela b) MAS 2100 apresenta Eco (UFC/m os resultados 3 ) 1,0 do diagnóstico 2,0 1,5 inicial da 4,0 sala 13, a qual 4,0 foi escolhida 1

4,0 por

(UFC/placa)

169,61 159,0 164,3 2339,2 1939,9 2139,6

2-Compactação

b) MAS 100 Eco

102,5 113,0 107,8 470,0 629,0 549,5

A Tabela (UFC/m 2 apresenta 3 ) 1

os resultados do diagnóstico inicial da sala 13, a qual foi escolhida por ter

maior dimensão(157,5m 3 ), controle de temperatura e menor movimentação de pessoas.

ter maior dimensão(157,5m3), controle de temperatura e menor movimentação de pessoas.

Tabela 2- Coleta de ar na Sala 13

Tabela 3 – Média dos resultados obtidos pelos métodos da sedimentação e compactação no monitoramento

Tabela de 8 horas 2- Coleta da sala de ar 9 (em na Sala ágar 13 DG18 e PCA) ( pós sanitização do ambiente).

38

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Método da compactação:

foram utilizados dois equipamentos:

a) MAS 100 Eco (Merck) e b)Amostrador de

Andersen. Para ambos, o volume de ar amos-

PCA (UFC/placa) PCA

DG18 (UFC/placa) DG18

MAS 100

MAS 100

Metodologias Sedimentação A B Sedimentação

Média A B Média

Eco

Eco

1-Sedimentação

1,0 2,0 1,5 4,0 4,0 4,0

(UFC/placa) Hora 1 1,0 291,5 100,5 404,5

2-Compactação Hora 2 2,5 92,0 25,5 371,0

b) MAS 100 Eco

102,5 113,0 107,8 470,0 629,0 549,5

(UFC/m Hora 3 3 ) 1 0,5 96,0 12,0 360,0

Hora 4 0,5 70,5 7,5 335,5

Hora 5 0,0 19,5 4,5 291,0

Tabela 3 – Média dos resultados obtidos pelos métodos da sedimentação e compactação no monitoramento

de 8 horas Hora da sala 6 9 (em ágar 0,0 DG18 e PCA) 7,0 ( pós sanitização 4,0 do ambiente). 288,0

Hora 7 0,0 4,5 4,5 224,0

PCA (UFC/placa)

DG18 (UFC/placa)

Hora 8 0,5 18,5 3,0 248,0

MAS 100

MAS 100

%d 1 Sedimentação

50 93,7

Sedimentação

Eco

97,0 38,7 Eco

Hora 1 1,0 291,5 100,5 404,5

Hora 2 2,5 92,0 25,5 371,0

Hora 3 0,5 96,0 12,0 360,0


169,61 159,0 164,3 2339,2 1939,9 2139,6

Em Foco Científico

A Tabela 2 apresenta os resultados do diagnóstico inicial da sala 13, a qual foi escolhida po

maior dimensão(157,5m 3 ), controle de temperatura e menor movimentação de pessoas.

Tabela 2- Coleta de ar na Sala 13

PCA

DG18

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos do monitoramento

nas salas 9 e 13 indicam que a eficiência da

aplicação do sanitizante à base de terpenos

depende das condições ambientes e que a

adoção desse produto como método de descontaminação

do ar deve ser feita mediante

um estudo microbiológico criterioso para assegurar

que o produto tenha o efeito desejado.

A quantificação da contaminação do ar

ambiente se mostrou mais eficiente com o

método da compactação, apesar do método

da sedimentação ser mais usado.

Metodologias A B Média A B Média

1-Sedimentação

1,0 2,0 1,5 4,0 4,0 4,0

(UFC/placa)

2-Compactação

Tabela 3 Média dos resultados obtidos pelos métodos da sedimentação e compactação no monitoramento

(UFC/m de 3 ) 8 horas da sala 9 (em ágar DG18 e PCA) ( pós sanitização do ambiente).

1

b) MAS 100 Eco

102,5 113,0 107,8 470,0 629,0 549,5

Tabela 3 – Média dos resultados obtidos pelos métodos da sedimentação e compactação no monitor

de 8 horas da sala 9 (em ágar DG18 e PCA) ( pós sanitização do ambiente).

Sedimentação

PCA (UFC/placa)

MAS 100

Eco

Tabela 3

Sedimentação

DG18 (UFC/placa)

MAS 100

Eco

Hora 1 1,0 291,5 100,5 404,5

Hora 2 2,5 92,0 25,5 371,0

Hora 3 0,5 96,0 12,0 360,0

Hora 4 0,5 70,5 7,5 335,5

Hora 5 0,0 19,5 4,5 291,0

Hora 6 0,0 7,0 4,0 288,0

Hora 7 0,0 4,5 4,5 224,0

Hora 8 0,5 18,5 3,0 248,0

%d 1 50 93,7 97,0 38,7

O equipamento MAS 100 Eco apresentou

resultados equivalentes ao amostrador de Andersen,

o que indica que ele é uma alternativa

válida, além de ser mais rápido e facilmente

Tabela 4 Média dos resultados obtidos pelos métodos da sedimentação e compactaçãono

monitoramento de 6 horas da sala 13 (em ágar DG18 e PCA)

manipulável.

Tabela 4 – Média dos resultados obtidos pelos métodos da sedimentação e compactaçãono monit

Tabela 4

de 6 horas da sala 13 (em ágar DG18 e PCA)

A contaminação do ar ambiente, nas dimensões

de salas testadas, se mostrou homogênea.

O desempenho do sanitizante aplicado

com o lavador de ar utilizado no estudo também

se mostrou homogeneo.

Resumo/adaptação: Luis Henrique da Costa

Field Marketing America Latina

Biomonitoring Division

Merck S.A.

biomonitoringbra@merckgroup.com

Sedimentação

PCA (UFC/placa)

MAS 100

Eco

Sedimentaçã

o

DG18 (UFC/placa)

MAS 100

Eco

Hora 1 0,0 12,0 2,0 108,0

Hora 2 1,0 3,5 1,0 140,5

Hora 3 0,5 8,5 1,0 115,0

Hora 4 1,5 9,0 0,0 69,5

Hora 5 0,5 8,0 0,0 66,5

Hora 6 3,0 57,5 0,5 99,0

%d 1 - - - 75,0 8,3

CONCLUSÃO

Revista Analytica | Out/Nov 2019

39

Os resultados obtidos do monitoramento nas salas 9 e 13 indicam que a efi

aplicação do sanitizante à base de terpenos depende das condições ambientes e que

desse produto como método de descontaminação do ar deve ser feita mediante u

microbiológico criterioso para assegurar que o produto tenha o efeito desejado.

A quantificação da contaminação do ar ambiente se mostrou mais eficiente com o

compactação, apesar do método da sedimentação ser mais usado.


Em Foco

LUVAS PARA SALAS LIMPAS: POR QUE O COMPRIMENTO IMPORTA

A popularidade de luvas para sala limpa de

comprimento mais longo é o resultado de uma

maior conscientização e da necessidade de mais

proteção pessoal ou do produto, juntamente

com uma motivação para cortar custos e reduzir

o impacto ambiental. O comprimento tradicional

de uma luva usada em uma sala limpa é de

300 mm/12 polegadas (12”).

No entanto, ao manusear produtos químicos

perigosos, tais como medicamentos

quimioterápicos, o usuário deve ter maior proteção

e tranquilidade de uma luva que tenha

400mm/16” de comprimento, garantindo que o

antebraço inteiro, até o cotovelo, seja coberto e

protegido contra o risco de exposição a produtos

químicos perigosos.

A proteção do produto também é de extrema

importância; a cobertura até o cotovelo com

punho com rebordo para um ajuste mais seguro

no braço possibilita que as luvas de 400 mm/

16” eliminem o risco de contaminação da pele

exposta entre as luvas e o vestuário das salas

limpas. Usar as luvas para salas limpas que

são 33% mais longas do que o padrão do setor,

elimina a necessidade de artigos protetores

adicionais tais como capas para manga ou o uso

da fita de punho e, dessa forma, permite economias

em custos e redução de desperdício, o que

resulta em um impacto positivo no ambiente.

Saiba mais sobre as luvas BioClean

www.ansell.com/br/pt/life-sciences

LABORATÓRIO A3Q - DESTAQUE NO CENÁRIO DE ANÁLISES

40

Revista Analytica | Out/Nov 2019

O Laboratório A3Q atua na realização de

ensaios físico-químicos e microbiológicos nas

áreas de Alimentos, Água e Ambiental buscando

atender o mercado de forma ampla e

com a qualidade de um verdadeiro laboratório

de referência. Recentemente ampliamos nosso

escopo de análises acreditadas no INMETRO

e MAPA nos tornando seguramente um dos

laboratórios com maior número de ensaios

acreditados no Brasil. Além de termos um

moderno parque de equipamentos, inclusive

na área de cromatografia, também contamos

com profissionais de alto nível com Mestrados,

Doutorados e Pós-Doutorados capacitados

para desenvolvimento de novas análises nas

mais específicas técnicas.

Conheça mais sobre nosso trabalho em:

www.a3q.com.br


Em Foco

NOVOS ESPECTROFOTÔMETROS UV-VISÍVEL GENESYS

DA THERMO SCIENTIFIC

com maior rapidez e comodidade comparado

aos instrumentos da geração anterior.

GENESYS 180: O espectrofotômetro UV-

-Vis GENESYS 180 inclui todos os recursos do

espectrofotômetro GENESYS 150. Também

inclui um trocador automatizado de 8 cubetas

para ambientes de maior produtividade e sistema

óptico de duplo feixe para experimentos

avançados com uma referência variável.

A Analitica apresenta a nova linha de espectrofotômetros

GENESYS da Thermo Scientific,

projetados para os laboratórios modernos e a

nova geração de analistas.

Técnicos do controle de qualidade industriais,

instrutores e pesquisadores universitários que

buscam um espectrofotômetro UV-Visível robusto,

automatizado, pronto para uso em rede

Wi-Fi e com custo acessível agora podem escolher

entre uma ampla variedade de opções

com a chegada da nova série de espectrofotômetros

GENESYS da Thermo Scientific. Reconhecidos

mundialmente por sua confiabilidade,

precisão e reprodutibilidade, os novos

GENESYS foram projetados para atender às

expectativas de tecnologias avançadas da era

moderna em um pacote compacto e robusto.

GENESYS 50: espectrofotômetro UV-Vis

que apresenta uma interface ao usuário simplificada,

com ampla tela sensível ao toque

colorida e de alta resolução. A carcaça externa

é muito robusta, projetada para ambientes

que requerem uso repetitivo e pesado, apresentando

superfícies inclinadas para prevenir

infiltrações e respingos. Possui compartimento

de amostras para uma única cubeta, atendendo

a demanda de laboratórios que não

exigem alta produtividade, mas não abrem

mão da qualidade.

GENESYS 150: O espectrofotômetro UV-Vis

que inclui os mesmos recursos do GENESYS

50, acrescentando opção de uso com carrossel

automatizado para leitura de até 8 cubetas e

capacidade de operação com a tampa do compartimento

de amostras aberto, para medições

Biomate 160: O espectrofotômetro UV-Vis

BioMate 160 também inclui todos os benefícios

do espectrofotômetro GENESYS 150 com adição

de métodos pré-programados para ajudar os

pesquisadores da área de Biociências a obter

suas respostas mais rapidamente.

Uma variada linha de acessórios supermodernos,

incluindo trocadores de cubetas automatizados,

suporte termostatizado por Peltier, acessório

sipper para sucção semi-automática das

amostras e sonda de fibra óptica, estão disponíveis

para simplificar a amostragem e atender às

necessidades dos mais exigentes laboratórios.

Interessado em conhecer esses novos

instrumentos?

Contate a Nova Analitica.

www.analiticaweb.com.br/

Revista Analytica | Out/Nov 2019

41


Em Foco

O PODER COLETIVO DA CROMATOGRAFIA.

Resultados reprodutíveis com preparo

e pesquisas clínicas com amostras biológicas

Líder em tecnologia de colunas para croma-

e amostra, colunas e vials.

complexas em alta demanda enquanto cum-

tografia líquida, com produção da sílica de alta

prem legislações rigorosas, o SOLA SPE com-

pureza, polímeros e carbono grafite poroso, fase

Maximizar a produtividade da cromatografia e

bina o suporte e os componentes do meio ativo

ligada e empacotamento de coluna por 40 anos,

atingir resultados reprodutíveis requer otimiza-

em uma cama absorvente uniforme e sólida,

a Thermo Fisher oferece acessórios e colunas

ção de todo o workflow, da amostra ao conhe-

o que fornece um fluxo estável e controlável e

inovadoras para as análises mais desafiadoras,

cimento. Escolhendo as ferramentas corretas do

ainda previne o bloqueio de amostras biológi-

incluindo colunas desenvolvidas especialmente

preparo de amostra (manual ou automatiza-

cas viscosas. Assim, além da alta produtividade,

para as inovadoras aplicações Biofarmacêuticas.

do) à melhor seletividade química das colunas,

melhoram a reprodutibilidade não só cartucho

As colunas de núcleo sólido Accucore permi-

é possível manter a integridade da amostra e al-

a cartucho, como de lote a lote. A versão SOLAμ

tem uma separação rápida e de alta resolução

cançar máxima eficiência do instrumento, além

permite aumentar a concentração da amostra

com back pressure significativamente menor do

de reduzir custos com reanálises.

sem modificar o workflow, além de fornecer a

que as colunas convencionais para UHPLC. As

opção de diminuição do volume total sem adi-

colunas Hypersil GOLD oferecem picos croma-

No preparo de amostras, a Thermo Fisher ofe-

cionar outros passos na metodologia.

tográficos excepcionais para fase reversa, troca

rece os kits SMART Digest e o SMART Digest

iônica, HILIC ou fase normal. Além das colunas

ImmunoAffinity (IA) criados para caracterização

e quantificação de biomarcadores e bio-terapêuticos.

Através da imobilização da enzima

tripsina estável ao calor, os kits melhoram o

workflow com a digestão rápida e eficiente de

proteínas para caracterização e quantificação.

Além do avanço tecnológico, os kits oferecem

simples utilização evitando erros no processo,

melhorando assim a reprodutibilidade dos testes

e automatização.

A Thermo Fisher oferece ainda em sua linha

premium para preparo de amostras os filtros de

seringa Titan3 de alta performance. Disponíveis

em diferentes diâmetros e tipos de membrana, os

filtros apresentam codificação por cor, facilitando

a identificação das membranas corretas e também

do tamanho do poro, abertura luer lock melhorada

e anel integral o que previne vazamentos

e colapso, além disso filtros de 30mm suportam

até 120psi. Atendendo também as análises mais

complexas e exigentes em termos de impureza,

Acclaim baseadas em partículas de sílica porosa

ultra-pura com tecnologia avançada e inovadora

de ligação, o que promove seletividade

complementar, alta eficiência e picos simétricos.

Trazendo tecnologia de ponta e visando a

otimização do tempo e quantidade amostral, a

linha premium Thermo Fisher oferece produtos

para o preparo de amostras de forma rápida,

precisa e econômica para superar seus desafios.

42

Revista Analytica | Out/Nov 2019

Se comparado ao SPE tradicional os produtos

SOLA fornecem maior robustez, alta sensibilidade,

fácil utilização, alta produtividade, além

de eficiência e rápido processamento, devido

a sua tecnologia exclusiva e inovadora frit-less.

Desenvolvidos para as análises bioanalíticas

a Thermo Fisher traz o primeiro vial pré-limpo,

com baixo número de partículas e background,

testado e certificado para 15 características físicas

que podem afetar a performance do vial, disponível

em âmbar ou transparente em vidro Tipo 1,

atendendo a todos os critérios das Farmacopeias

Americana, Europeia e Japonesa.

+55 62 3983-1900

www.bioscie.com.br

comercial@bioscie.com.br


Em Foco

ENSAIOS DE VISCOSIDADE NO CONTROLE DE QUALIDADE

O objetivo principal de um laboratório de

controle de qualidade é monitorar as características

físico-químicas e microbiológicas de

um produto com o intuito de evitar possíveis

desvios e corrigi-los a tempo. Os ensaios são

realizados desde a entrada da matéria-prima

até o produto acabado, monitorando cada etapa

do processo garantindo segurança, eficácia

e qualidade do produto.

A viscosidade é uma das características mais

complexas de se monitorar. A consistência do

produto deve ser compatível com a aplicação

além de ser fator estético determinante quando

se trata de alimentos, cosméticos e fármacos

dermatológicos.

A manutenção da faixa de viscosidade em

cada etapa do processo diminui a necessidade

de interrupção ou reprovação de lotes evitando

custos desnecessários.

Nos departamentos de desenvolvimento analítico

a viscosidade é trabalhada principalmente

na apresentação do produto. Um dermocosmético

por exemplo, dependendo da sua aplicação

necessita de viscosidades diferentes. Um creme

de rápida absorção para melhorar a suavidade

ou elasticidade da pele deve ter uma viscosidade

baixa quando comparado a uma pomada cicatrizante

para queimaduras que necessita criar

uma camada protetora.

Uma viscosidade que não acompanha a

aplicação pode atrapalhar na eficácia e aceitação

do produto pelo mercado. A diferença de

viscosidade entre lotes é um fator preocupante

pois gera perca de credibilidade no produto e

reclamações de SAC afetando negativamente

nas vendas.

Existem diversas formas de monitorar a viscosidade,

sendo a utilização de viscosímetros

os métodos mais precisos. Os viscosímetros

capilares fazem a medição da viscosidade

através do cálculo do tempo que uma esfera

atravessa um capilar de vidro. Para aplicações

que exigem mais precisão os indicados são

os viscosímetros rotacionais, que medem o

torque necessário para que uma palheta dê

uma volta completa em torno do seu eixo na

amostra. A opção mais simples e mais aces-

sível é o viscosímetro de orifício, que mede o

tempo necessário para que uma amostra de

volume conhecido necessita para escoar por

um orifício.

Os viscosímetros rotacionais existem no mercado

a décadas e as novidades estão cada vez

mais sofisticadas fazendo a medição de 1 centiPoise

(Cp) a milhões de Cps. Um bom viscosímetro

é capaz de monitorar, salvar e transferir

os dados para o computador, é conveniente

que ele expresse a leitura através de gráfico

facilitando a compreensão do momento de

estabilização. Conectores rápidos facilitam a

troca dos spindles e a capacidade de configurar

rampas simplifica tarefas repetitivas. A LAS

do Brasil oferece diversas opções com marcas

ofertando até 10 anos de garantia. Entre em

contato conosco e confira a solução ideal para

sua empresa.

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Revista Analytica | Out/Nov 2019

43


Em Foco

PAPILLOCHECK® DA GREINER BIO-ONE CONTRIBUI PARA

A PREVENÇÃO DE CÂNCER NO COLO DO ÚTERO

Genotipagem simultânea e confiável

de 24 subtipos de Papilomavírus

Humano (HPV).

A infecção persistente com o carcinogênico

Papilomavírus Humano (HPV) é encontrada

em praticamente todos os casos de câncer

no colo do útero. De acordo com o Instituto

Nacional do Câncer (INCA), à infecção persistente

por subtipos oncogênicos do vírus HPV

(Papilomavírus Humano), especialmente pelos

subtipos HPV-16 e HPV-18, resultam em

cerca de 70% dos cânceres cervicais. Com a

existência dos subtipos classificados como

baixo risco, a detecção da genotipagem do

HPV identifica os pacientes com maiores

riscos de desenvolver câncer cervical e lesões

precursoras de alto grau.

Essa detecção pode ser realizada com o kit

PapilloCheck®, um teste para diagnóstico baseado

na análise de DNA para identificação e

genotipagem simultânea de 24 subtipos diferentes

de HPV. Destes, 18 são classificados

como de alto risco e 6 como de baixo risco,

sendo esses últimos, os agentes causadores

de verrugas benignas.

O PapilloCheck® permite o diagnóstico

rápido (menos de 5 horas) e, com uma sensibilidade

de 98%, detecta pacientes colonizados

com subtipos de HPV que ainda não

apresentam quadros clínicos ou lesões visíveis.

Possibilita o monitoramento de infecções

agudas, persistentes e múltiplas, além

de controles internos que avaliam a qualidade

da amostra e ajudam a evitar resultados

falsos negativos.

Validado de acordo com as diretrizes internacionais

para testes de HPV na triagem de

câncer de colo do útero, estudos clínicos demonstraram

que o PapilloCheck® é um teste

de genotipagem com potencial alto para o

rendimento de amostras em ambiente clínico.

As amostras dos pacientes podem ser

processadas manualmente, bem como em

plataformas de automação, que permitem

uma alta taxa de transferência com mínimo

manuseio. O CX NIMBUS® e o CX STARlet,

também desenvolvidos pela Greiner Bio-One,

combinam as vantagens da automação

com uma metodologia inteligente, eficiente

e precisa para a triagem e genotipagem simultâneas

do Papilomavírus Humano.

Os produtos atendem a todos os requisitos

das leis e normas exigidos pela ANVISA

(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

para produtos e equipamentos para diagnóstico

in vitro.

Para mais informações,

entre em contato: info@br.gbo.com,

ou acesse: www.gbo.com.br

44

Revista Analytica | Out/Nov 2019


Em Foco

your power for health

PapilloCheck ®

O kit PapilloCheck ® detecta e faz a genotipagem

simultânea de 24 subtipos diferentes do

Papilomavírus Humano (HPV).

Diagnóstico rápido

Monitoramento de infecções agudas,

persistentes e múltiplas

Controles internos que avaliam a qualidade da

amostra e ajudam a evitar resultados

falsos negativos

Com sensibilidade de 98%, é capaz de

detectar subtipos de HPV em amostras de

pacientes que ainda não apresentam quadros

clínicos e lesões visíveis

Revista Analytica | Out/Nov 2019

45

Greiner Bio-One Brasil | Avenida Affonso Pansan, 1967 | CEP 13473-620 | Americana | SP

Tel: +55 (19) 3468-9600 | Fax: +55 (19) 3468-3601 | E-mail: info@br.gbo.com

www.gbo.com/preanalytics


Em Foco

MANUTENÇÃO DA INTEGRIDADE MICROBIANA

NA ÁGUA PURA

Apesar da água muito pura ser um ambiente

extremamente difícil, com um conteúdo mínimo

de nutrientes - após a remoção das impurezas

químicas orgânicas e inorgânicas da

água -, ainda pode ocorrer crescimento bacteriano.

Os vestígios residuais de impurezas ou

detritos de bactérias mortas podem funcionar

como fonte de alimento e biofilmes. As bactérias

em si não são o único problema: elas

também produzem endotoxinas e nucleases.

Várias tecnologias de purificação removem

ou degradam as bactérias e os respectivos

produtos secundários. A resina

de troca aniônica inativa as bactérias e,

assim como a retenção de uma membrana

osmose reversa, ambas podem reduzir o

total viável em mais de 95. As moléculas

com carga, tais como endotoxinas, são efetivamente

atraídas por ânions e resinas de

leito misto durante a maior parte do tempo

de vida útil da resina. Os microfiltros e

ultramicrofiltros, com cortes de 0,2 e 0,05

μm respectivamente, são excelentes para

remover microrganismos, mas menos eficazes

para remover endotoxinas.

A exposição à luz ultravioleta é também

muito eficaz na destruição de microrganismos.

Já a combinação da fotoxidação com 185 nm

de luz UV, seguida de um ultrafiltro, remove

bem as bactérias, bem como endotoxinas e

enzimas, como nucleases.

Para mais informações:

(11) 3888-8800

watertech.marcom.lata@veolia.com

www.veoliawatertech.com/latam

CULT PACK (SACHÊ)

A SOLUÇÃO ECONÔMICA PARA BAIXOS VOLUMES DE CONSUMO.

A pesagem exata e o controle de qualidade,

executado sobre o meio de cultura desidratado,

garantem o melhor desempenho, rapidez

e produtividade, redução do risco de contaminação

e evita o desperdício.

RENDIMENTO

Até 100 placas de 60 x 15mm

Até 50 placas de 90 x 15mm

Até 15 placas de 140 x 15mm

46

Revista Analytica | Out/Nov 2019

FINALIDADE

Independente da opção, em utilizar placas

prontas para o uso ou de preparar suas próprias

placas, nós temos a solução.

Na medida exata para o preparo de 1 litro

de meio de cultura, o Cult Pack (sachê) é uma

alternativa econômica para a utilização de

produtos de alta qualidade em seu laboratório.

CONTATOS:

Informações técnicas:

+55 (41) 3888 - 1300 | 0800 - 6001302

E-mail: sac@newprov.com.br

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+55 (41) 3888 - 1300 | 0800 - 6001302

E-mail: vendas@newprov.com.br


Em Foco

Revista Analytica | Out/Nov 2019

47


Em Foco

O GRUPO PRIME CARGO SEMPRE ATENTO E ACREDITANDO NO

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL REALIZA FREQUENTEMENTE

MASSIVOS INVESTIMENTOS EM SUAS INSTALAÇÕES E FILIAIS.

Contando com estrutura de 7000mts² em

Barueri - SP, e filiais em pontos estratégicos

por todo território nacional, sendo eles totalmente

adequados ao segmento médico-laboratório-hospitalar,

o Grupo Prime Cargo disponibiliza

aos seus clientes um novo conceito

em transporte e armazenagem, que segue em

conformidade com as boas práticas exigidas

pelas diretrizes.

Dispondo de áreas técnicas, laboratórios

para manutenção de equipamentos e espaço

para treinamento de equipes, a PRIME inova

mais uma vez no atendimento e velocidade

nos processos.

O investimento em pessoal é constante com

treinamentos, atualizações de equipamentos e

materiais, isso faz com que além de atender os

prazos, seja feito com qualidade e segurança,

contando com todas as certificações e adequações

necessárias como a ISO9001 (Matriz)

e ANVISA.

O que é a CP 343/2017?

As alterações e novidades abordadas nessa

Consulta Pública vieram para harmonizar

os requerimentos sanitários da Anvisa com

aqueles definidos nas diversas diretrizes internacionais.

Portanto, agora mais do que nunca, os gestores

das empresas embarcadoras, precisam

realizar processo de Qualificação de Fornecedores

de forma a garantir a integridade do

produto farmacêutico de ponta a ponta.

Em fevereiro de 2019, a Agência Nacional

de Vigilância Sanitária, inclusive, promoveu o

Diálogo Setorial, justamente para apresentar

as alterações na CP 343/2017, além de ouvir

as considerações e preocupações dos empresários,

especialistas e técnicos do setor.

Foram enviadas 445 contribuições pelos

participantes, que receberam a versão prévia

da publicação, bem como as alterações do

texto inicial com todas as sugestões e comentários

recebidos.

Com o texto consolidado, a norma reduziu a

quantidade de artigos de 127 para 90.

48

Revista Analytica | Out/Nov 2019

A CP 343/2017 da Agência Nacional de Vigilância

Sanitária se refere às boas práticas de

armazenagem e transporte e tem o intuito de

promover maior controle da cadeia produtiva,

garantindo a qualidade dos medicamentos

em todas as etapas de transporte, distribuição

e armazenamento.

Avenida Piraíba, 296 parte A / Centro

Comercial Jubran –

Barueri – Sp / CEP: 06460-121

0800 591 4110 / (11) 4280 9110

comercial@primecargo.com.br

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