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Revista

Ano 19 - Edição 110 - Dez/Jan 2021

EDITORIAL

Prezado leitor,

Espero que suas forças e esperanças estejam renovadas para este novo ano.

Nesta edição da revista Analytica, temos um excelente artigo sobre o estudo da fase amorfa na liga Co 67 Nb 25 B 18 ,

um sobre resíduos das indústrias de transformação e outro sobre o compósito SIGeRe.

Contamos ainda com o excelente conteúdo dos nossos colunistas abordando temas sobre biotecnologia,

metrologia, espectrometria de massa e muito mais.

Apesar de um ano de desafios, a revista Analytica cresceu exponencialmente no ano de 2020, chegando à marca

de duzentos mil acessos e 150 mil novos leitores. A vocês, nosso agradecimento.

Confiantes nos resultados sobre a vacinação no mundo, seguimos preparando o que há de melhor para mantê-los

informados através da multiplataforma de comunicação integrada e digital que a nossa revista está se tornando.

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Com votos de um excelente ano novo, desejo a todos uma ótima leitura!

Luciene Almeida

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Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

EXPEDIENTE

Realização: Newslab Editora

Conselho Editorial: Sylvain Kernbaum | revista@revistaanalytica.com.br

Jornalista Responsável: Luciene Almeida | editoria@revistaanalytica.com.br

Publicidade e Redação: Daniela Faria | 11 98357-9843 | assinatura@revistaanalytica.com.br

Coordenação de Arte: FC DESIGN - contato@fcdesign.com.br

Impressão: Gráfica Hawaii | Periodicidade: Bimestral


Revista

Ano 19 - Edição 110 - Dez/Jan 2021

ÍNDICE

01

06

Editorial

Publique na Analytica

Artigo 1

08

ESTUDO DA FASE AMORFA

NA LIGA Co67Nb25B18

Autor: Luciano Nascimento

2

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Artigo 2

16

COMPÓSITO SIGeRe

Autores: Adrian Ricardo da Silva, Pamela Freitas Ferreira,

Wagner Belão Silva, Marcos Roberto Ruiz, Paulo Roberto da

Silva Ribeiro, Daniele de Lacassa Leite.

22

24

27

32

34

35

38

Resíduos Indústriais

Espectrometria de Massa

Biotecnologia

Microbiologia

Logística Laboratorial

Metrologia

Em Foco


LANÇAMENTO

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Principais características:

• Sistema Peltier de aquecimento

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Revista

Ano 19 - Edição 110 - Dez/Jan 2021

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante pág. Anunciante pág.

Arena Técnica 31

BCQ

4ªCapa

Bio Scie

2ªCapa

Greiner 41

Kasvi 03

Las do Brasil 45

Nova Analitica 07

Prime Cargo

3ªCapa

Veolia 14-15

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4

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular

da Escola de Química da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular

da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA) do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª

de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki,

Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de Medeiros, Profª. Depto.

de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública

do INCQS da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

Colaboraram nesta Edição:

Luciana e Sá Alves, Marcos Roberto Ruiz, Oscar Vega Bustillos, Bruna Mascaro e Claudio Kiyoshi Hirai.


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desdobramentos da crise, decretos e posicionamentos dos

governos, os eventos presenciais agendados para o período

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Revista Analytica | Dez/Jan 2021

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Ano 19 - Edição 110 - Dez/Jan 2021

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disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados – levando em conta uma

média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores disponibilizarem seu material

em outras publicações.

6

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

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Os trabalhos deverão ser enviados ao endereço:

A/C: Luciene Almeida – Redação

Av. Nove de Julho, 3.229 - Cj. 1110 - 01407-000 - São Paulo-SP

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Para outras informações acesse: www.revistaanalytica.com.br/publique/


Artigo 1

Autores:

Luciano Nascimento - E-mail:luciano.uepb@gmail.com

Imagem Ilustrativa

ESTUDO DA FASE AMORFA

NA LIGA Co67Nb25B18

Resumo

Este trabalho tem por objetivo a elaboração do composto

amorfo Co 67 Nb 25 B 18 a partir dos pós elementares

através da moagem de alta energia. A moagem

da liga amorfa Co67Nb25B18 foi realizada para tempos

de moagem de 1, 5, 10 e 15 h. Em 15 horas obteve-se

a fase amorfa desejável. A evolução microestrutural

foi acompanhada através das técnicas de por

Difração de Raios X (DRX), Microscopia Eletrônica de

Varredura e Espectroscopia por Dispersão de Energia

(MEV/EDS). Resultados experimentais mostram que

a evolução da fase amorfa foi rápida em uma velocidade

de 300 RPM.

Palavras-chave: Moagem de Alta Energia; Liga Amorfa

C o66 N b22 B 12 ; Fase Amorfa.

Abstract

The purpose of this work is to elaborate the amorphous

compound Co 67 Nb 25 B 18 from elementary powders

through high energy grinding. The grinding of

the amorphous Co 67 Nb 25 B 18 alloy was carried out for

grinding times of 1, 5, 10 and 15 h. In 15 hours, the

desired amorphous phase was obtained. The microstructural

evolution was followed by the techniques

of X-Ray Diffraction (XRD), Scanning Electron Microscopy

and Energy Dispersion Spectroscopy (SEM /

EDS). Experimental results show that the evolution

of the amorphous phase was rapid at a speed of 300

RPM.

Keywords: High Energy Milling; Amorphous

C o67 N b25 B 18 ; Amorphous Phase.

8

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Introdução

Desde a primeira liga amorfa sintetizada

no sistema Au75Si25 por solidificação

rápida, uma grande variedade

de ligas metálicas amorfas tem sido

desenvolvida durante as quatro dé-

cadas subsequentes [1]. A estrutura

amorfa confere propriedades excepcionais

tais como alta dureza, baixo

coeficiente de atrito, alta corrosão e

resistência mecânica ao desgaste e

ótimas propriedades são conhecidas

várias propriedades físicas, químicas,

mecânicas, térmicas, elétricas, magnéticas

(baixa perda magnética, reversão

rápida de fluxo, alta resistividade

elétrica e baixa perda acústica)

e biológicas (biomateriais) [2-3].


Imagem Ilustrativa

Ligas amorfas é uma combinação

de estruturas desordenadas e ligação

metálica interatômica em um

estado termodinâmico metaestável

[4]. As ligas do amorfas podem

ser obtidas através do processo de

Moagem de Alta Energia (MAE) é

uma síntese mecano-química em

queas misturas de pós de diferentes

metais ou ligas são moídas

conjuntamente para obtenção

de uma liga homogênea,

através da transferência de massa

[5]. Por vibração ou rotação as

esferas chocam-se com as paredes

do vaso resultando em uma prensagem

do pó a cada impacto, e

deste modo o pó é repetidamente

levado a solda, fratura

e ressolda num intenso processo

cíclico de transferência de energia

que possibilita a nanoestruturação

dos materiais moídos. Durante a

moagem de alta energia, alta deformação

é introduzida nas partículas.

Isso é manifestado pela

presença de vários defeitos cristalinos,

tais como discordâncias,

vazios, falha de empilhamento

e aumento no número de contornos

de grão [6]. A presença desses

defeitos, além do refinamento da

microestrutura que diminui as

distâncias de difusãoe do aumento

da temperatura durante

a moagem, aumentam a difusividade

dos elementos solutos na

matriz, resultando na produção

de pós com alta sinterabilidade

emrelação à moagem convencional

[7]. Muitas ligas amorfas

complexas, com propriedades

específicas podem ser obtidas

por adição de outros elementos a

este sistema, como o Nb e vários

compostos químicos pode ser cristalizado

a partir da fase amorfa a

temperaturas específicas [8].

Ligas amorfas baseadas em Co, Fe,

Nb, B e sistema amorfo do tipo Co-

-Nb-B é facilmente fabricado usando

técnicas de reação do estado sólido

e possuem boas propriedades

magnéticas, estabilidade térmica

e uma elevada magnetização de

saturação, de alta permeabilidade,

baixa coercitividade e perda,

que encontram suas aplicações no

sistema antirroubo segurança, eletrônica

de potência, dispositivos de

telecomunicações e magnetismo

automotivos [9]. As ligas amorfas

à base de Fe-Si-B e Co-Nb-B apresentam

excelentes propriedades

magnéticas macias [10].

Similarmente algumas ligas baseadas

em ligas amorfas e ligas

amorfas de grande volume

(BMGs) como Co-Nb-B consistem

em ligação covalente formado por

elemento metalóide (B) e um elemento

de metal de transição com

alto módulo de elasticidade (Co).

Além disso, uma vez que Nb e B

têm entalpia negativa de mistura

com o elemento constituinte na

maioria o Co [11]. Neste trabalho,

estudou-se a caracterização desta

liga amorfa do tipo Co67Nb25B18

através do processo de moagem

alta energia. O estudo de caracterização

foi DRX - Difração de Raios

X ,Microscopia eletrônica de varredura

(MEV) e espectroscopia de

energia dispersiva (EDS).

Materiais e Métodos

Os pós dos elementos Cobalto,

Nióbio e Boro, conforme a sua

granulometria (peneira de 100

mechas), tendo uma pureza de

99,99% cada um dos elementos,

Os pós de Cobalto e Boro foram

obtidos comercialmente da Aldrich

Chemical Company. O pó

de Nióbio foi doado pela CBMM -

Companhia Brasileira de Metalurgia

e Mineração. De acordo com o

fabricante o nióbio com diâmetro

médio de 100 μm foi obtido por

hidretação, seguida de moagem e

posterior desidretação. Os pós elementares,

foram pesados nas proporções

adequadas à composição

(Co67Nb25B18) e homogeneizados

mecanicamente e os componentes

foram pesados em uma balança

de precisão, Micronal B4000 com

resolução de 10-2g obtendo-se as

composições nominais.

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

9


Artigo 1

Os pós elementares foram pesados

na proporção, na relação bola/pó

determinada foi de 20:1, indicando

assim o peso total da amostra, 25g,

como também o peso das esferas

de aço cromo, com três tamanhos

diferentes (6 esferas de 20mm, 4

esferas de 15mm e 6 esferas de 10

mm), perfazendo um total de 225g

de esferas, utilizando um moinho

do tipo planetário. As coletas foram

feitas em intervalos de 1, 5, 10

e 15 horas de processamento.Este

material foi colocado em uma jarra

de aço de alta dureza, a qual foi

selada para obtenção de vácuo de

5∙10-2 mbar, prevenindo possível

contaminação dos pós. A jarra com

os a mistura dos pós-elementares

foi então colocada em um moinho

planetário, moinho planetário Modelo:

NQM2L Mill Pulverizer onde

foi moído inicialmente por 5h, com

rotação de 300 RPM.

após a amostra ter sido revestido

com fina camada de ouro depositada

em vácuo, a fim de melhorar

o contraste da imagem.

Resultados e Discussão

Difração de raios X

A Figura 1 apresenta os padrões de difração

de raios-x (DRX) dos pós moídos

em função do tempo de moagem. A

verificação de um halo de difração bastante

definido indica a presença prioritária

de fase amorfa em 45º [12].

Depois de 1 hora de moagem, observou-se

que todos os picos do

Cobalto puro diminuíram drasticamente

de intensidade em contraste

com a mistura inicial, e depois de 5

h de moagem, a maioria dos picos

do Co puro já tinham desaparecido

e as intensidades dos picos do Nb

diminuíram drasticamente de intensidade.

Os dois últimos padrões

de difração de raios-x mostrados

nos difratogramas correspondem às

ligas dos pós de Co67Nb25B18 depois

de 10-15 h de tratamento por

moagem de alta energia. Os pós

eram amorfos para a faixa de tempo

entre 10 e 15 h quer para condições

de moagem com 2 e 3 tamanhos de

esferas e velocidade 300 RPM. Entretanto,

para a amostra moída com

a velocidade de 300 RPM (nível de

alta energia), o surgimento da fase

amorfa e o acréscimo das fases ricas

em Co e Nb foram abruptos e estabilizando

em 15 horas de moagem

e com o surgimento de fase amorfa

desejável, indicando que o estado

sólido já estaria completo naquele

instante. Um processo de reação do

estado sólido adicional permite que

o Boro se difunde no Co-Nb, formando

Co-Nb-B amorfo.

10

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Para a identificação das fases

da liga a amorfa Co67Nb25B18, foi

usado um difratômetro Shimadzu

XRD 6000, utilizando radiação de

CuKα (λ = 1,54056 Å). As medidas

foram tomadas para uma ampla

gama de ângulos de difração

(2θ) que variam de 0° a 180° com

passo angular de 0,05º e com

tempo de contagem por ponto

igual a 4 s. A análise em MEV/

EDS foi realizada com um SHIMA-

DZU SUPERSCAN SSX-550 com

uma tensão de aceleração de 0,5

a 30kV com uma etapa de 10V,

Figura 1. Padrões de DRX do pó de Co67Nb25B18 por moagem

de alta energia nos tempos (1, 5, 10 e 15 h).


Imagem Ilustrativa

Microscopia eletrônica de varredura

e EDS

A Figura 2 respectivamente mostra

o pó da liga amorfa Co67Nb25B18, o

resultado da Micrografia eletrônica

da amostra obtida por Microscopia

Eletrônica de Varredura com uma

morfologia com pequenos cristais

irregulares bem facetados e

tamanhos de partículas bastante

homogêneos.

Figura 2. Micrografia eletrônica obtida por MEV da

liga amorfa Co 67Nb 25B 18 pequenos cristais irregulares

bem facetados.

Os tamanhos das partículas lamelares

ricas em óxidos obtidas

através dos pós estão abaixo de

20μm. A influência do B, na dinâmica

do crescimento da fase

amorfa e acréscimo das fases ricas

em nióbio e cobalto tem uma

influência direta no refino da microestrutura

[13]. O surgimento

de frações da fase amorfa logo

nos estágios iniciais da moagem

de alta energia está ligado com a

complexação do B com das fases

ricas de Cobalto e Nióbio em solução

intermetálica, é visto nitidamente

quando moído em 300

RPM em 15 horas no micrógrafos

de MEV em pequenos cristais irregulares

bem facetados.

A Figura 4 apresenta, espectro de

EDS da liga amorfa Co 67 Nb 25 B 18 ,

concentrações de Cobalto, Nióbio

e Boro com a presença pequena

quantidades de Oxigênio que

possibilita a formação de óxidos

em sua superfície e presença de

B acoplado para surgimentos de

composto de boratos.

O Boro pode se combinar tanto

com elementos metálicos quanto

não metálicos, para formando

compostos covalentes, já que em

nenhum caso dá origem a estados

iônicos, cátions (íons de carga

positiva) ou ânions (íons de

carga negativa). Devido ao fato,

Figura 4. Espectro de EDS da liga amorfa Co 67Nb 25B 18.

que as ligas amorfas se complexam

com atrizes vítreas a base de

óxido de boro vem sendo investigadas

para potenciais aplicações.

Uma grande diversidade de unidades

estruturais compõe a rede

vítrea formada por vidros a base

de boro, favorecendo a aceitação

de ampla quantidade de dopantes

terras raras ou metais de

transição para obtenção de ligas

amorfas.

O oxigênio se complexa se complexa

com Co, Nb e B que possibilita

a reação peritética de estado

sólido com fase amorfas ricas em

óxido metálicos e intermetálico

[14].

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

11


Artigo 1

Conclusão

• No difratogramas de DRX, é possível

a verificação de um halo de

difração bastante definido indica

a presença prioritária de fase

amorfa em 45ºda liga amorfa

Co66Nb22B12;

• Análise do MEV mostra a morfologia

formação de finas camadas de

partículas lamelares em formato de

placas e irregulares alta porosidade

devido ao processo de amorfização

da liga na fase amorfa;

• A influência do B, na dinâmica do

crescimento da fase amorfa e acréscimo

das fases ricas em nióbio e cobalto

tem uma influência direta no

refino da microestrutura com velocidade

de 300RPM, revelando a fase

amorfa com partículas lamelares de

tamanho de 20μm;

• No EDS mostra maiores concentrações

de Co e Nb, se complexando

com O e com B; sendo o B o agente

amorfizador.

Agradecimentos

O autor agradece a Central Analítica

de Química-UFPE e a CBMM.

Referências

[1]. KLEMENT, W.; WILLENS, R.; DUWEZ, P. Non-

-crystalline Structure in Solidified Gold–Silicon

Alloys. Nature 187. p.869–870, 1960.

[2]. WANG, W. H.; DONG, C.; SHEK, C. H. Bulk

metallic glasses. Materials Science and Engineering

R: Reports 44 (2-3). p. 45–90, 2004.

[3]. WU, Y.; LIN, P.; XIE, G.; HU, J.; CAO, M. Formation

of amorphous and nanocrystalline phases

in high velocity oxy-fuel thermally sprayed

a Fe-Cr-Si-B-Mn alloy. Materials Science and

Engineering A, 430 (1-2). p. 34–39, 2006.

[4]. BALLA, V. K, BANDYOPADHYAY, A. Laser

processing of Fe-based bulk amorphous alloy.

Surface and Coatings Technology 205(7).p.

2661–2667, 2010.

[5]. SURYANARAYANA, C. Mechanical alloying

and milling. Progress in Materials Science 46,

p. 01–184, 2001.

[6]. TORRES, C. S., SCHAEFFER, L. Efeito da moagem

de alta energia na morfologia e compressibilidade

do compósito WC-Ni. Revista Matéria15

(1). p. 087–094, 2010.

[7]. HWANG, S.J. The effect of microstructure

and dispersions on the mechanical properties

of NiAl produced by mechanical alloying.

Journal of Metastable and Nanocrystalline Materials

7.p. 01–06, 2000.

[8]. DUN, C.; LIU, H.; SHEN, B. Enhancement of

plasticity in Co–Nb–B ternary bulk metallic

glasses with ultrahigh strength. Journal of Non-

-Crystalline Solids 358. pp. 3060–3064, 2012.

[9]. DUN,D.; LIU,H.; HOUA,L.; XUE,L.; DOU,L.;

YANG,W.; ZHAO,Y.;SHEN,B. Ductile Co–Nb–B

bulk metallic glass with ultrahigh strength.

Journal of Non-Crystalline Solids 386. pp.121–

123,2014.

[10]. AZZAZA, S.; ALLEG, S.; SUÑOL, J. J.

Phase Transformation in the ball milled Fe-

31Co31Nb8B30 Powders. Advances in Materials

Physics and Chemistry 3. p. 90–100, 2013.

[11]. CORB, B. W.; O'HANDLEY, R. C. Magnetic

properties and short-range order in Co-Nb-B

alloys. Physical Review B 31 (11).p.7213–

7218, 1985.

[12]. ZHANG, P.; YAN, H. YAO, C.; LI, Z.; YU, Z.;

XU. P. Synthesis of Fe-Ni-B-Si-Nb amorphous

and crystalline composite coatings by laser

cladding and remelting. Surface and Coatings

Technology 206 (6).p.1229–1236, 2011.

[13]. PEKER, A.; JOHNSON, W. L. A highly

processable metallic glass: Zr41.2Ti13.8Cu12.

5Ni10.0Be22.5. Applied Physics Letters 63.p.

2342–2344, 1993.

[14]. INOUE, A. Stabilization of Metallic Supercooled

Liquid and Bulk Amorphous Alloys. Acta

Materialia 48(1). p.279–306, 2000.

12

Revista Analytica | Dez/Jan 2021


Complemento Normativo - Artigo 1

Referente ao artigo 1

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

Estudo da Fase Amorfa Na Liga Co 67 Nb 25 B 18

ABNT NBR 15891-3

Implantes para cirurgia – Resinas Absorvíveis Parte 3: Requisitos para

resinas virgens amorfas de poli(lactato) e poli(lactate-coglicolato)

Norma publicada em: 10/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Implantes cirúrgicos, próteses e orteses

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=458039

DIN 8593-4

Manufacturing processes joining - Part 4: Joining by processing of amorphous

materials; Classification, subdivision, terms and definitions

Norma publicada em: 09/2003. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: DIN

País de procedência/Região: Alemanha.

JIS C 2534

Fe-based amorphous strip deliverd in the semi-processed state

Norma publicada em: 03/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: JIS

País de procedência/Região: Japão.

https://webdesk.jsa.or.jp/books/W11M0090/index/?bunsyo_id=JIS+-

C+2534%3A2017

DIN EN 1330-11

Non-destructive testing - Terminology - Part 11: Terms used in X-ray diffraction

from polycristalline and amorphous materials

Norma publicada em: 09/2007. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: DIN

País de procedência/Região: Alemanha.

https://www.beuth.de/en/standard/din-en-1330-11/94561823

JIS H 7004

Glossary of terms used in amorphous metals

Norma publicada em: 10/1990. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: JIS

País de procedência/Região: Japão.

https://webdesk.jsa.or.jp/books/W11M0090/index/?bunsyo_id=-

JIS+H+7004%3A1990

IEC 60404-8-11

Magnetic materials - Part 8-11: Specifications for individual materials -

Fe-based amorphous strip delivered in the semi-processed state

Norma publicada em: 03/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: IEC

País de procedência/Região: Suiça.

https://webstore.iec.ch/publication/27015

IEC 60404-16

Magnetic materials - Part 16: Methods of measurement of the magnetic

properties of Fe-based amorphous strip by means of a single sheet tester

Norma publicada em: 03/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: IEC

País de procedência/Região: Suiça.

https://webstore.iec.ch/publication/29011

ASTM E2186

Standard Guide for Determining DNA Single-Strand Damage in Eukaryotic

Cells Using the Comet Assay

Norma publicada em: 01/2002. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: ESTUDO DA FASE AMORFA NA LIGA Co 67 Nb 25 B 18

Entidade: ASTM

País de procedência/Região: EUA.

https://www.astm.org/Standards/E2186.htm

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

13


Artigo 2

Autores:

Adrian Ricardo da Silva¹, Pamela Freitas Ferreira¹, Wagner Belão Silva¹,

Marcos Roberto Ruiz¹*, Paulo Roberto da Silva Ribeiro¹,

Daniele de Lacassa Leite¹.

1Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI “Santo Paschoal Crepaldi” Presidente

Prudente-SP. E-mail para correspondência: *marcos.ruiz@sp.senai.br

Imagem Ilustrativa

COMPÓSITO SIGeRe

16

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Resumo

O gesso de ampla aplicação na construção civil, juntamente

com as cinzas obtidas na queima do bagaço

da cana-de-açúcar e uma resina fenólica modificada

complementam a formulação desse novo compósito,

que foi denominado SIGERE. Sendo possível oferecer

um destino mais conveniente para esse resíduo

(cinzas), já que ele possui em sua composição altas

quantidades de dióxido de silício. A resina foi escolhida

com o propósito de impermeabilizar o material

e proporcionar aglutinação. O compósito foi

desenvolvido através da homogeneização da base

de gesso com adição de concentrações pré-definidas

de cinzas, tendo como granulometria de 200 mesh

e pequenos volumes de resina, variando entre 1 e

2mL aproximadamente. Através deste método seria

possível proporcionar ao gesso uma melhoria em

suas características e propriedades já que as cinzas

podem ocasionar o efeito filler e atividade pozolânica

no mesmo, além de proporcionar um melhor e efetivo

destino para esse resíduo industrial. Estes efeitos

dependem diretamente da qualidade das cinzas do

bagaço da cana de açúcar, variando de acordo com

a temperatura e tempo de queima e a granulometria

das cinzas. Em relação ao efeito físico (filler), se relaciona

ao tamanho das partículas, onde os menores

preenchem os vãos entre partículas maiores, reduzindo

a porosidade do produto. O efeito pozolânico

(químico) acontece quando há reação dos minerais

adicionados em meio aquoso com hidróxido de cálcio

(Ca(OH)2), originando compostos com alto potencial

aglomerante e estáveis como os aluminatos e silicatos

de cálcio hidratado (C-S-H). Todavia, tal efeito

depende que a sílica ea alumina não apresentem alto

grau de cristalinidade. Visando produzir um material

inovador foram realizados diversos ensaios, com intuito

de estabelecer uma formulação eficaz que possa

oferecer uma maior resistência e eventualmente

substituindo o gesso puro em suas aplicações, como

por exemplo, em decorações. Durante a execução do

projeto, foram produzidas peças do compósito com

diferentes porcentagens de cinzas, e cada formulação

foi testado o grau de resistência e a dureza. Através

dos resultados foi possível identificar a quantidade

máxima de cinzas adicionada no compósito mantendo

o mesmo com uma qualidade satisfatória.


Introdução:

A transformação do gesso pode

ção química de desidratação deste

Os materiais de construção sofrem

transformações constantemente,

onde estas suprem os padrões

de beleza modernos, todavia,

ser exemplificado através do esquema

representado abaixo:

Figura 1: Diagrama de blocos do processo de

mineração e produção do gesso.

mineral, como se segue abaixo:[1]

Equação de desidratação da gipsita:

CaSO4.2H2O + Calor CaSO4.1/2H2O + 1/2 H2O

se focalizando em uma busca, por

um material que possa ser cada vez

Sua retirada da natureza não afeta

mais adaptável as aplicabilidades

a superfície e não gera descarte de

contemporâneas, proporcionando

assim a estes uma maior durabilidade

com o tempo.

resíduos tóxicos, pelo contrário, as

fabricas de derivados da gipsita são

instalações limpas, liberando so-

Mantendo a mesma perspectiva,

o gesso vem ganhando um espaço

mente vapor de água para atmosfera.

Podendo se produzir de modo

cada vez maior na construção civil,

alternativo pela reciclagem do ges-

esse aumento no consumo é justificado

pelas boas características,

aplicações, propriedades e custo.

O gesso é produzido à partir da

mineração e calcinação da rocha

sedimentar gipsita, mineral no

qual se forma por meio de processos

naturais da evaporação do mar,

fato que justifica sua grande abun-

É composto principalmente por

sulfato de cálcio hidratado, onde

é comercializado na forma pulverulento

(pó), possuindo coloração

branca, onde sua aplicação se

efetiva por meio de sua hidratação

em um processo exotérmico, atri-

so químico ou fosfogesso originado

pela dessulfurizarão de chaminés

de queima de carvão com cal hidratada.

Todavia tais processos não são

relevantes no Brasil. [4]

Propriedades como endurecimento

rápido, baixa espessura

dância na superfície. É um mineral

compacto com baixa dureza, onde

é insolúvel em água e solúvel em

ácido clorídrico (HCl).

buindo assim um produto rijo e

não hidráulico. [4]

Este material possui como fórmu-

correspondente a do cimento,

pega e estabilidade volumétrica

junto há um reduzido poder retração

é o que garante um desempe-

Os estados de Pernambuco, Ceará

e Piauí são os principais polos gesseiros

no Brasil.

la química (CaSO4.½H2O), onde o

processo de calcinação da gipsita

pode ser descrito por meio da equa-

nho satisfatório, quando o gesso

é aplicado como aglomerante em

revestimentos. [1] [4]

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

17


Artigo 2

18

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Sem contar que os revestimentos

e paredes em gesso por apresentarem

propriedades de absorção e

liberação de umidade conferem ao

ambiente um equilíbrio higroscópico,

atuando também como um

inibidor de propagação de chamas,

liberando moléculas de água quando

em contato com o fogo. [1] [4]

Mesmo este aglomerante sendo

uma ótima escolha, seu uso fica

restrito a ambientes onde não haja

contato direto e constante com

água, devido a sua solubilidade e

derivados sendo de 1,8g/L, fato

que pode ocasionar diminuição da

resistência dos pré-moldados de

gesso, devido ao grau de umidade

absorvido. Alto poder oxidante

quando em contato com materiais

ferrosos e poder expansivos das

moléculas de etringita formadas

pela associação do gesso com o

cimento em fase de hidratação, são

outros problemas que o gesso pode

estar sofrendo. [1] [4]

Seguindo esta linha de pesquisa e sos ensaios com proporções distintas

do resíduo, para posteriormente

oportunidade de negócio, foi definida

a importância de melhorar suas realizar testes de resistência no

propriedades com adição de um resíduo

industrial, sendo escolhida a sar qual proporção apresentou me-

durômetro, para ser possível anali-

cinza gerada na queima do bagaço lhor eficiência na mistura.

da cana de açúcar. O novo compósito

foi produzido adicionando em sua Metodologia:

composição às cinzas do bagaço da O desenvolvimento do compósito

cana de açúcar, para proporcionar ao necessitou da realização de ensaios

mesmo uma resistência maior a choques,

através de dois efeitos, sendo e das cinzas do bagaço da cana-de-

com proporções distintas de gesso

eles o efeito filler e atividade pozolânica,

podendo variar suas caracterís-

de dureza no durômetro, com fina-

-açúcar, para poder realizar testes

ticas de acordo com a qualidade das lidade de constatar se houve alguma

mudança na resistência do ges-

cinzas utilizadas.

so. Sendo necessária previamente

Para a comprovação real da eficiência

da adição da sílica presente possíveis causas de futuros proble-

a realização de levantamentos de

nas cinzas, foram realizados divermas,

como se segue na Figura 2.

Figura 2: Diagrama de Ishikawa produção do compósito SIGERE.


Ao todo foram realizados seis tes-

Tabela 1: Porcentagens de cinzas do bagaço de cana-de-açúcar utilizadas na produção do compósito.

tes, com intuito de estipular um

limite de adição das cinzas, chegando

a uma proporção máxima de

20%, já que os outros dois ensaios

elaborados (25% e 30%) não proporcionaram

a peça de gesso uma

mistura efetiva e homogênea, fato

que ocasionou seu rompimento

muito fácil. Em todos os testes,

foi adicionado na mistura resina

fenólica, em quantidades proporcionais,

onde teve a função de unir

as moléculas e impermeabilizar

o material, tendo um papel desta

forma, de aglutinação. As matérias-

-primas empregadas foram o gesso,

Cinzas do bagaço da cana-de-açúcar

(SiO 2 ), água e resina fenólica

modificada. Foram realizados seis

ensaios com diferentes formulações

segue na Tabela 1.

Resultados:

Com a execução das preparações

gesso, tendo um tom cada vez mais

próximo do acinzentado. Após adequar

as peças, elas foram submetidas

individualmente a uma sequência

de cinco medidas no equipamento

duromêtro da marca Mitutoyo, para

serem posteriormente analisados

os resultados e consequentemente

estipular uma média, para que de

fato seja possível verificar alguma

mudança real na peça.

Quando comparados os dados

dos ensaios é notável que a peça

mostrou-se mais resistente, sendo

possível concluir, que poderá suportar

as ações do tempo mais do

que a peça somente com o gesso

comum, já que as peças feitas com

o compósito também se mostra-

peça, podendo desta forma, confirmar

que seja possível utilizá-lo em

áreas externas.

Através dos ensaios físico-mecânicos,

foi possível concluir que o

compósito pode suportar uma carga

superior a materiais constituídos

apenas com gesso, a sílica presente

na cinza, confere uma carga mecânica

muito interessante, e que pode

ser explorada em pesquisas futuras.

As concentrações de 5% e 20%,

apresentaram os melhores resultados

nos ensaios mecânicos de

dureza, a Tabela 2 apresenta as

medidas de dureza paras essas

duas concentrações.

das peças de gesso com proporções

distintas, foi notável uma gradual

modificação na tonalidade da cor do

ram resistentes a água, fato que se

deve ao uso da resina fenólica, que

possivelmente impermeabilizou a

A Figura 1 apresenta a pesagem dos

materiais para a síntese do compósito,

a Figura 2 a preparação do com-

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

19


Artigo 2

pósito e a Figura 3 o equipamento

de medida da dureza do material e a

Figura 4, o compósito produzido em

formas de placas de gesso 3D.

Conclusão:

Os testes realizados descrevem o

total potencial do compósito SiGe-

Re, é possível constatar que as cinzas

da queima do bagaço da cana

de açúcar foram responsáveis por

mudanças significativas na peça de

gesso, devido a presença do dióxido

de silício. O silício possui uma

propriedade de carga de reforço

mecânico no compósito, tornando

as placas de gesso mais resistentes

e consequentemente direciona de

forma ecologicamente correta este

resíduo, que o Brasil gera por volta

de 1.200.000 toneladas por ano.

Tabela 2: Testes realizados no durômetro:

Figura 1: Compósito produzido com 5% de

cinzas da queima do bagaço de cana-de-açúcar.

Figura 3: Equipamento Durômetro Mitutoyo.

Figura 2: Preparação do compósito SiGeRe

Figura 4: Placa do SiGeRe produzida em forma de gesso 3D.

20

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Referencias:

[1] C. A. M. Baltar, F. F. Bastos, A. B. Luz, Gipsita,

Comun. Tec., Ed. Rochas & Minerais Industriais:

Usos e Especificações, Rio de Janeiro, RJ (2005)

449-470.

[2] ACCORSI, C. L. Comparativo do desempenho

de revestimento argamassado e revestimento

com pasta de gesso. Revista Online Ipog Especialize.

2015. 17 p.

[3] BESSA, S.A.L. Utilização da cinza do bagaço da

cana-de-açúcar como agregado miúdo em concretos

para artefatos de infraestrutura urbana.2011.

Tese (Doutorado em Engenharia Urbana) Universidade

Federal de São Carlos, São Carlos, 2011.

[4] ARAÚJO, S. M. S. O pólo gesseiro do Araripe:

unidades geo-ambientais e impactos da mineração.

Tese (Doutorado). Universidade Estadual de

Campinas. São Paulo, 2004, 259 p.

[5] http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/Rev-

Tecnol/article/view/8728.

[6] https://www.ecivilnet.com/dicionario/o-que-e-

-pozolana.html


Complemento Normativo - Artigo 2

Referente ao artigo 2

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

COMPÓSITO SiGeRe

BS 6100-9

Building and civil engineering. Vocabulary. Work

with concrete and plaster

Norma publicada em: 08/2007. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: BSI

País de procedência/Região: Reino Unido.

https://shop.bsigroup.com/ProductDetail?pid=000000000030171887

ABNT NBR 15217

Perfilados de aço para sistemas construtivos em

chapas de gesso para drywall - Requisitos e métodos

de ensaio

Norma publicada em: 02/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

ABNT NBR 16497

Placa mineralizada de gesso para forro removível

modular — Requisitos

Norma publicada em: 10/2016. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

ABNT NBR 16519

Placa mineralizada de gesso para forro removível

modular suspenso - Métodos de ensaio

Norma publicada em: 10/2016. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

ABNT NBR 16574

Gesso-cola — União de elementos pré-fabricados

de gesso — Método de ensaio

Norma publicada em: 01/2017. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

ABNT NBR 16832

Sistemas construtivos em chapas de gesso para

drywall — Lãs de PET para isolamento térmico e

acústico — Requisitos e métodos de ensaio

Norma publicada em: 08/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

ABNT NBR 16689

Gesso modificado - Métodos de ensaio

Norma publicada em: 11/2019. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: COMPÓSITO SiGeRe

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

21


Resíduos Indústriais

RESÍDUOS DAS INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO

Por: Prof. Dr. Marcos Roberto Ruiz

22

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

O desenvolvimento da população

mundial, somado ao aumento

do poder aquisitivo da sociedade

nos últimos anos tem contribuído

para um consumo muito elevado

dos produtos industrializados,

gerando um volume muito grande

de resíduos. Uma parte destes

resíduos pode ser reciclada,

todavia, é de conhecimento que

o percentual de aproveitamento

ainda é muito baixo. Observa-

-se uma grande quantidade de

resíduos industriais que não são

reciclados, sendo direcionados

para aterros industriais causando

prejuízos econômicos e impactos

ambientais. O reaproveitamento

de resíduos não-recicláveis vem

crescendo muito nos últimos

anos, muitas pesquisas tratam

esse assunto que é de grande interesse

da sociedade.

Um fato que não corrobora para

a implantação de um sistema otimizado

de direcionamento dos

resíduos é a logística de remoção

e transporte, no que tange os

custos envolvidos e os interesses

econômicos. Uma solução muito

viável seria a instalação das

indústrias que utilizariam esses

resíduos, nas vizinhanças das geradoras

de resíduos.

Nos anos de 2010 a 2014 desenvolvi

minha tese de doutorado

utilizando resíduo sólido de couro

para produzir um novo compósito.

A fabricação do couro que ocorre

através da transformação das

peles de animais em material

imputrescível, implica em uma

série de etapas denominadas de

processos (mudanças ocorridas

mediante reações químicas) e

operações (etapas mecânicas)[i].

Dados estatísticos de uma produção

de 3000 couros por dia estão

apresentados na Figura 1, números

revelam uma quantidade

imensa de resíduo sólido gerado

nas operações mecânicas.

Para esta produção é gerado

4,73 toneladas de resíduos sólidos,

considerando a densidade

do couro wet blue que é aproximadamente

0,25 g/cm3, obtemos

um volume igual a 18,93 m3

de resíduos sólidos, por dia, que

até hoje é direcionado para aterros

industriais regulamentados

e apropriados para receber esse

tipo de resíduo.

Este resíduo segundo a ABNT/

NBR-10.004 é classificado como

Figura 1: Quantidades de resíduos sólidos gerados em uma

planta de Curtimento de Couro.

classe I perigoso, possui pH ácido

e presença de cromo trivalente

(Cr+3) em média 3,5%, e de

acordo com condições como exposição

à acidez excessiva, temperatura

e agentes químicos oxidantes

pode resultar na produção

de cromo hexavalente (Cr+6)

que possui elevado potencial de

contaminação cutânea e também

pode promover alterações celulares

causando diversos tipos de

cânceres[ii]. Entretanto, nos aterros

regulamentados esse risco é

inexistente.

A solução proposta foi utilizar

este resíduo juntamente

com a borracha natural e negro

de carbono para produzir um

compósito denominado BN/NF/

Couro, com aplicação em pisos


Resíduos Indústriais

e revestimento antiestático (Patente

INPI BR102015001534 8).

O material foi desenvolvido e caracterizado

em variados ensaios

físico-químicos, principalmente

de lixiviação e solubilização

para garantir que o metal cromo

ficaria inerte no compósito.

O potencial de condutividade

apresentado pelo compósito é

equivalente a materiais semicondutores,

com importante

aplicação na dissipação de carga

estática [iii].

A Tabela 1 e a Figura 2 apresenta

os resultados de lixiviação e propriedade

elétrica do compósito.

Tabela 1: Concentração de metais no lixiviado das amostras

BN/NF/Couro 60 phr.

Figura 2: Corrente elétrica versus curvas tensão obtida a 273

K e normalizada pelo fator geométrico para os compósitos

BN/NF/Couro.

Referencias

[i] ABQTIC. Fazendo das Tripas Couro. Estância Velha: ABQTIC, 1996.

[ii] MIRANDA FILHO, A. L.; MOTA, A. K. M.; CRUZ, C. C.; MATIAS,

C. A. R; FERREIRA, A. P. Cromo hexavalente em peixes oriundos da

Baía de Sepetiba no Rio de Janeiro, Brasil: uma avaliação de risco à

saúde humana. Ambi-Agua, Taubaté, v. 6, n. 3, p. 200-209, 2011.

[iii] Ruiz, M. R., Budemberg, E. R., da Cunha, G. P., Bellucci, F. S., da

Cunha, H. N. and Job, A. E. (2015), An innovative material based on

natural rubber and leather tannery waste to be applied as antistatic

flooring. J. Appl. Polym. Sci., 132, 41297, doi: 10.1002/app.41297.

Como exemplo do citado anteriormente,

a implantação da

indústria de produção do revestimento

antiestático próximo a

regiões de alta concentração de

curtumes contribuirá para redução

do passivo ambiental, e implementará

o setor econômico,

destinando este resíduo sem ônus

e com perspectiva de valorização,

fechando o círculo da cadeia produtiva

do couro.

Fonte: Amazon.com

Fonte: https://auin.unesp.br/tecnologias/68/composito-antiestatico-produzido-com-resíduo-industrial-de-couro-para-aplicação-como-piso-e-revestimento/eng

Prof. Dr. Marcos Roberto Ruiz

Químico, Mestre em Química Analítica e Doutor em Ciência e Tecnologia dos Materiais, docente do Curso Técnico em Química do SENAI-

SP, com atuação no desenvolvimento de Projetos Inovadores.

E-mail: marcos.ruiz@sp.senai.br

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

23


Espectrometria de Massa

O ESPECTRO DE MASSAS NA ESPECTROMETRIA DE MASSAS

Por Oscar Vega Bustillos*

24

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

O espectro de massas é a representação

gráfica de uma análise química

processada por um espectrômetro de

massas. O espectro depende da forma

como foi ionizado o analito dentro

da “Fonte de íons”, se foi via ionização

por impacto de elétrons EI, ionização

química CI, eletro nebulização ESI,

MALDI, ICP entre outros. Também depende

do “Analisador” utilizado, se foi

quadrupolo, eletromagnético ou TOF e

finalmente depende também do “Detector

de íons”, se foi copo de Faraday,

multiplicador de íons, fotomultiplicadora

ou multicanal. Certamente a escolha

destas opções está relacionada à

análise química que o analista deseja.

Geralmente é escolhida tendo como

base a análise química orgânica, inorgânica

ou isotópica.

O primeiro espectro de massas

de varredura foi desenhado por J.J.

Thomson. Ele estava insatisfeito com

seu método fotográfico de registro

das parábolas. O problema era que

as espécies iônicas leves penetraram

profundamente no filme fotográfico,

causando uma quantidade desproporcional

de escurecimento e os íons

mais pesados causavam um efeito

contrário, tornando as estimativas

quantitativas das intensidades do

feixe de íons, impraticáveis. Ele resolveu

esse problema construindo

uma fenda no tubo onde o filme fotográfico

normalmente ficava. Atrás

dessa fenda instalou um copo de

Faraday que coletava a carga iônica.

A intensidade da carga foi estimada

observando o tempo que um eletroscópio

carregado, levava para descarregar.

Mudando lentamente o campo

magnético, os feixes de íons podiam

ser posicionados, um de cada vez, na

fenda e suas intensidades registradas.

A partir destes resultados, ele plotou

a intensidade dos íons em relação à

massa relativa. Desta forma Thomson

inventou o primeiro espectrômetro

de massa de varredura do mundo.

Ele decidiu registrar os espectros de

massas de alguns compostos químicos.

Assim, analisou o CO ligeiramente

impuro. Este espectro de massas é

mostrado na Figura 1a. Observe o pico

abundante da molécula de CO, junto

com os picos menores de m/z 12 (carbono)

e m/z 16 (oxigênio), uma combinação

surpreendentemente igual

com a versão do gráfico de barras da

NIST (Figura 1b). Thomson escreveu

uma monografia em 1913 sobre este

tema: “Rays of positive electricity and

their application to chemical analyses”.

Neste trabalho ele demonstrou uma

grande variedade de compostos químicos

que podem ser analisados pela

espectrometria de massas e encorajou

seus colegas da química a adotar a

técnica como uma ferramenta analítica.

Tornando a espectrometria de

massas uma ferramenta indispensável

na química analítica.

O espectro de massas é representado

num gráfico cartesiano bidimensional,

onde a intensidade do

sinal iônico é denotada pela ordenada

(eixo-y) e a razão m/z do íon

fica localizada na abcissa (eixo-x).

A posição de um pico, com uma

determinada razão m/z no gráfico,

representa a criação de um íon a

partir do analito dentro da fonte de

íons. A intensidade desse pico representa

a abundancia deste determinado

íon neste local. Na Figura 2

é ilustrado o espectro de massas da

molécula Tetrapentacontano C 54 H 110

de três formas diferentes, uma via

perfil do espectro real demonstrada

na forma de curvas gaussianas,

a segunda via representada pelo

gráfico de barras e a terceira na

forma tabelada representando cada

m/z com sua respectiva intensidade

iônica relativa. O pico do íon

molecular M+•, isto é a molécula

do analito ionizada sem fragmentação

é geralmente acompanhada

por vários picos de m/z inferiores

causados pela fragmentação do

íon molecular (Figura 3). Para algumas

moléculas, como o CO, o

pico em m/z mais alto representa

a molécula ionizada intacta (Figura

1b). Para analitos com ligações

químicas muito fracas, o efeito é, ao

contrário, com alta fragmentação

e o pico do íon molécula pequeno

ou até sumido (Figura 3). Conse-


Espectrometria de Massa

quentemente, os respectivos picos

no espectro de massa podem ser

referidos como picos do íon fragmentado.

Este efeito tem suas vantagens,

pois facilita a reconstrução

da estrutura molecular do analito

(Figura 4a). O pico mais intenso de

um espectro de massa é chamado

de pico base. Na maioria das representações

de dados espectrais de

massa, a intensidade do pico base

é normalizada para 100% de intensidade

relativa. Isso ajuda muito a

tornar os espectros de massa mais

facilmente comparáveis (Figura 3).

Uma analogia para entender isso

é imaginar o espectro de massas da

Figura 3 com uma bandeja cheia de

taças de vinho. Se esta bandeja cair

no chão (ionização EI), quebrando a

maioria de taças de vinho, a maior

parte dos cacos de vidro pertence à

boca das taças, por ser uma ligação

de vidro muito débil, fácil de quebrar,

ao contrario haverá um número

significativo da base das taças por

possuírem um vidro mais coeso, difícil

de quebrar. Algumas taças estarão

intactas, mas serão muito poucas

as que não quebraram, estas representam

o íon molécula.

de um próton ao analito para formar

uma molécula protonada, [M+H]

+. Outros adjuntos moleculares podem

ser formados dependendo do

método da ionização, por exemplo,

[M+Na] + e [M+K] + em ESI, enquanto

[M+C 2 H 5 ] + e [M+NH4] +

ocorrem em CI, dependendo do gás

reagente. Na ionização negativa, os

íons gerados incluem aqueles formados

pela aquisição de um elétron,

[M]-, a perda de um próton, [M-

H]-, ou a adição de um halogênio

ou outro íon negativo, por exemplo,

[M+Cl] - e [M+CH 3 COO] -. Como

exemplo é apresentado na Figura 4

o espectro de massas do alcaloide

Reserpina C 33 H 40 N 2O9 obtida por impacto

de elétrons EI e por ionização

química CI utilizando metano como

gás reagente. Observa-se alto grau

de fragmentação do íon molécula

m/z 608 no espectro por EI já que

envolve elevadas energias de ionização

(70eV) e baixa fragmentação

no espectro de CI, chamada por isso

de “soft ionization” envolvendo energias

em torno de 5eV. O íon molécula

protonado [M+1] é representado

pela razão m/z 609 na ionização CI.

A vantagem desta ionização é ser

muito mais seletiva que a EI onde a

fragmentação é plena. Um exemplo

deste tipo de ionização é o estudo

Figura 1: Espectros de massas do CO: a) Primeiro espectro de massas de varredura obtido por J.J. Thomson do gás CO

(impuro). b) Espectro de massas do CO (puro) registrado pela NIST.

Figura 2: Três representações possíveis do espectro de massas do Tetrapentacontano C54H110. a) Perfil do espectro real,

representado por curvas gaussianas. b) Representação do gráfico de barras. c) Na forma tabelada representando cada m/z

com sua respectiva intensidade iônica relativa.

Várias formas iônicas podem ser

observadas num espectro de massas.

Se o analito é ionizado via EI, o mesmo

permanece intacto após a ionização

e no modo positivo, é observado

o íon, [M] +. Se o analito é ionizado

via CI, o íon será formado pela adição

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

25


Espectrometria de Massa

dos compostos orgânicos voláteis

(COVs) realizados pelo espectrômetro

de massas denominado Proton

Transfer Reaction Mass Spectrometry,

PTR-MS que utiliza como gás

reagente água formando o íon hidrônio

H3O+.

Há um grande impacto no padrão

de isótopos num espectro de

massas, especialmente quando um

analito inclui certos heteroátomos.

Entre os elementos comumente encontrados

exibindo padrões de isótopos

distintos estão, o cloro, onde a

proporção isotópica 35 Cl e 37 Cl é 3:1, e

do bromo, onde a proporção de 79 Br

a 81 Br é 1:1. Há uma separação de 2

Da entre os isótopos para ambos os

elementos. Outro importante uso

dos perfis de isótopos num espectro

de massas é utilizado quando C, H,

N e O são analisados. Estabelecendo

o número de átomos de carbono

em uma molécula. A abundância

natural de 13 C é 1,1% maior que 12 C;

ou seja, há 1,1% de chance de que

qualquer carbono em uma molécula

será um 13 C, portanto, o número de

átomos de carbono pode ser determinado

a partir de a intensidade do

íon M+1. Por exemplo, uma intensidade

de 22% para 13 C indica que há

20 átomos de carbono nessa espécie.

Figura 3: Espectro de massas do metil éster ácido octadecanoico C19H38O2 m/z 298 analisado via impacto de

elétrons EI. Observa-se alta fragmentação do íon molécula. Apresenta o pico base (100%) para cálculo das intensidades

relativas do espectro. Comparação com a quebra de taças de vinho.

Figura 4: Espectros de massas da Reserpina C33H40N2O9 obtida por: a) impacto de elétrons EI, e b) por ionização

química CI. O íon da molécula reserpina protonada [M+1] é representada pela razão m/z 609 na ionização CI.

26

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Oscar Vega Bustillos

Pesquisador do Centro de Química e Meio Ambiente CQMA do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares IPEN/CNEN-SP

Tel.: 55 11 2810 5656 - E-mail: ovega@ipen.br - Site: www.vegascience.blogspot.com.br


Biotecnologia

A GENÔMICA DO FUTURO: SEU DNA NO SEU BOLSO!

Por Bruna Mascaro

Após a conclusão do Projeto Genoma

Humano, as tecnologias de

sequenciamento de DNA tornaram-

-se cada vez mais disponíveis, assim

como o conhecimento do nosso

código genético, que tem aumentado

progressivamente e trazido à

tona inúmeras possibilidades a cerca

de genômica.

A natureza humana é pautada na

curiosidade e no conhecimento, e a necessidade

de nos conhecer levou mais

de 26 milhões de pessoas ao redor do

mundo a realizarem os testes genéticos

disponíveis hoje no mercado. A estimativa

é que esse número alcance 100

milhões de pessoas em 2021.

Esses números são surpreendentes

e mostram o quanto o interesse das

pessoas tem se voltado para o conhecimento

do seu código genético, para

a genômica das predisposições e heranças

que ele carrega. A necessidade

de compreender a nossa existência,

nosso passado e nosso futuro é provavelmente

o principal motivo pelo qual

a genealogia se tornou o segundo

maior resultado de buscas em sites,

ficando atrás apenas de pornografia

(acredite se quiser!).

Hoje, a genômica é uma indústria

de bilhões de dólares que gera sites

lucrativos, programas de televisão,

dezenas de livros e – com o advento

dos kits de teste genético de venda

livre – uma indústria de testes de ancestralidade

de DNA.

Mas como esses testes funcionam?

Ao comprar um desses testes para

sequenciamento do seu DNA, você recebe

em casa um kit para coleta, que

orientam os consumidores a cuspir

em um tubo ou esfregar suas bochechas

com cotonetes, e enviar a amostra

de volta para que seus genomas

sejam analisados.

A partir do material coletado, o DNA

é extraído e são analisados ao redor

de, no mínimo, 600.000 polimorfismos.

Cada região do mundo tem uma

assinatura genômica diferente, e essas

diferenças surgiram ao longo das eras

pré-históricas, quando as populações

humanas foram separadas. Com essa

análise, é possível então buscar a origem

filogenética de cada indivíduo.

Muitas pessoas querem também

usar esses serviços para comprar o

seu DNA com outras pessoas, já que

se duas pessoas apresentarem grandes

trechos de DNA idêntico, significa

que são parentes próximos. Ainda,

seu DNA pode dizer algo sobre certas

características como o formato do seu

nariz, da sua orelha, a percepção de

sabores, ou mesmo a predisposição

de risco para algumas doenças.

A genômica do futuro já está

disponível para todos

As condições técnicas, o tempo e o

custo do sequenciamento de genomas

foram reduzidos por um fator

de 1 milhão em menos de 10 anos.

Então, quando o preço de um genoma

alcançar o de um teste sanguíneo,

e a análise de dados acontecer em

camadas (e a precificação acontecer

de acordo com o nível de informação

analisada), nós conseguiremos mensurar

quantas áreas da nossa vida são

impactadas pela genética.

Para os consumidores dos testes disponíveis

atualmente, é possível dizer

que ele gera entretenimento, como

por exemplo: pistas em relação a ancestralidade,

a chance de descobrir

segredos familiares (como parentes

desconhecidos), entre outros. No en-

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

27


Biotecnologia

28

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

tanto, as consequências em relação à

privacidade vão além, e conforme os

bancos de dados crescem, tem sido

possível traçar a relação entre praticamente

todos os americanos, incluindo

aqueles que nunca compraram um

teste!

O que esperar dos resultados?

A princípio, prepare-se para um

mundo de informações novas… São

mais de 3 bilhões de pares de bases

sequenciados, e uma possibilidade

infinita de resultados. Isso pode ser

fascinante e assustador ao mesmo

tempo, já que nem sempre sabemos o

que fazer com tanta informação.

Hoje, as principais empresas que

oferecem esse tipo de teste descrevem

basicamente a genômica da ancestralidade.

Poucas empresas oferecem

informações sobre a saúde dos consumidores.

Em 2018, o FDA (US Food

and Drug Administration) autorizou a

testagem de dois genes relacionados

ao câncer de mama, e recentemente,

falou sobre a possibilidade de reportar

aos consumidores sobre o risco de

câncer de próstata.

Além dos resultados que rastreiam

a ancestralidade, é possível compreender

melhor as suas aptidões para

exercícios físicos, fatores de risco para

doenças como câncer, trombose, doenças

cardíacas, bem como informações

importantes sobre farmacogenômica,

que lida com a variabilidade

das respostas às drogas baseadas no

código genético.

No entanto, apesar de parecer relativamente

simples de interpretar, o resultado

de um exame genético pode trazer algumas

inseguranças e incertezas, e um

dos maiores debates hoje é o que de fato

fazer com toda essa informação? Como e

quando procurar auxílio médico?

Além disso, hoje sabemos que muitas

variantes de significado clínico

desconhecido podem, em algum momento,

passar a serem consideradas

patogênicas. Isso pode ter um impacto

muito importante para o resultado

daquele teste, e saber quando e como

reinterpretar esses resultados é, também,

extremamente importante.

Muitas pessoas não tem o conhecimento

prévio necessário para compreender

os possíveis impactos de um

teste de sequenciamento de DNA, nem

quais são as possíveis respostas e incertezas

que um teste como esse pode

trazer. Pensando na genômica do futuro,

cada vez mais pessoas terão acesso

a esse tipo de teste e, portanto, é necessária

a contínua criação de diretrizes

para orientar os consumidores.

A ética por trás da privacidade

Quando o consumidor adquire um

kit de sequenciamento do genoma,

é necessário pagar com o cartão de

crédito e digitar um endereço. Além

disso, é necessário digitar um e-mail

para realizar um cadastro que permitirá

acesso aos resultados posteriormente.

Você já parou para pensar

que todas essas informações ficam, de

alguma forma, atreladas ao resultado

ao resultado seu sequenciamento de

DNA, e que se tornarão um arquivo de

dados repleto de As, Ts, Cs e Gs.

Todas essas peças do grande quebra-cabeças

que é o nosso DNA ficam

disponíveis para serem acessados,

lidos, relidos, e interpretados novamente,

quantas vezes o consumidor

desejar. No entanto, essas informações

também ficam à disposição da

empresa, e isso pode preocupar muitas

pessoas. A informação genômica é

extremamente valiosa hoje em dia, e

muito disputada principalmente pela

indústria farmacêutica.


Biotecnologia

Outra questão importante é a

possibilidade de estereotipar e estigmatizar

as pessoas baseando-se

no seu código genético. Sabemos

que alguns indivíduos de algumas

populações são mais predispostos

a serem afetados por determinadas

doenças do que outras populações,

e então, o conhecimento

da genômica de alguns indivíduos

pode levar à criação de estereótipos

genéticos. Essa estigmatização

baseada no conhecimento genético

pode ser extremamente séria e até

considerada criminal, e a partir do

momento em que temos acesso à

tantas informações sobre o nosso

genoma, é extremamente difícil de

controlar o que será feito com esses

dados, como eles serão utilizados e

devidamente protegidos.

O quanto a genômica está segura?

As empresas que realizam esse

tipo de serviço têm investido em

protocolos para anonimizar os dados

genéticos de cada indivíduo.

O primeiro passo seria justamente

limpar toda essa informação gerada

no cadastro para aquisição do

teste, e então, a sua amostra já

seria processada de maneira não

identificada.

No entanto, temos uma questão

interessante a considerar: O genoma

por si só é um identificador único.

Nos últimos anos, pesquisadores

tem demonstrado que é incrivelmente

possível identificar indivíduos

baseando-se apenas no seu DNA,

utilizando bancos de dados públicos

como os que a polícia utiliza, e

assim, temos uma informação ainda

mais exclusiva do que seu próprio

nome: o seu código genético!

De fato, uma possível maneira de

prevenir hackers de DNA de roubar

informações genômicas de um repositório

é criptografar esses dados.

Mas aí surgiria outro problema: a

análise de uma sequência de DNA

depende basicamente da comparação

com o DNA de outras pessoas,

e por enquanto, não criptografar é a

única forma de compreender o que

as letras significam.

O futuro da genômica

O filme Gattaca, lançado em 1997

próximo à conclusão do sequenciamento

do genoma humano, mostrou

uma visão interessante e preocupante:

Um mundo dividido pelo DNA. No

filme, poder e prestígio estavam associados

aos indivíduos “válidos”, com o

genoma ideal, enquanto os indivíduos

“inválidos” seriam uma classe inferior.

Rapidamente, esse filme levantou

questões importantes sobre o que estava

por vir a partir do conhecimento

do nosso código genético. Desde então,

nossa habilidade de sequenciar e

interpretar o código genético avançou

de maneira extremamente rápida, na

mesma velocidade em que discussões

sobre as consequências desses avanços

tem sido trazidas à tona.

O grande receio que move os maiores

mitos sobre a genômica é que ela

é uma ciência determinística. No entanto,

apesar da informação contida

no nosso DNA ser inalterável (pelo

menos por enquanto), hoje sabemos

que fatores ambientais são extrema-

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

29


Biotecnologia

mente capazes de modular a maneira

como o nosso DNA, e consequentemente

nossos genes, serão expressos.

A ciência tem mostrado cada vez mais

que apesar do que possa estar contido

no nosso código genético, nossos

hábitos, estilo de vida, e exposições a

diversos fatores podem determinar a

saúde e a longevidade, mais do que a

própria genética em si.

Acredita-se que em um futuro não

tão distante, o sequenciamento do

DNA se tornará tão comum em um

consultório médico quanto medir

sua pressão arterial. Chegaremos

em uma consulta com o nosso genoma

no bolso, literalmente, e até

lá, precisamos conseguir lidar cada

vez melhor com as questões éticas

e interpretativas que a genômica do

futuro nos impõe.

Referências:

• Robertson, J.A. The $1000 genome: ethical and legal issues

in whole genome sequencing of individuals. Am. J. Bioethics, 3,

W35–W42. 2003

• Morris W. Foster, Richard R. Sharp, Ethical issues in medical-sequencing

research: implications of genotype–phenotype

studies for individuals and populations, Human Molecular

Genetics, Volume 15, Issue suppl_1, 15 April . Pages

R45–R49. 2006

• Debora Kotz. FDA authorizes, with special controls, direct-to-consumer

test that reports three mutations in the BRCA

breast cancer genes. FDA NEWS RELEASE. March 06. 2018

• Jackson, C., Gardy, J.L., Shadiloo, H.C. et al. Trust and the

ethical challenges in the use of whole genome sequencing for

tuberculosis surveillance: a qualitative study of stakeholder

perspectives. BMC Med Ethics 20, 43. 2019.

Complemento Normativo - Artigo - Biotecnologia

Referente ao artigo

Biotecnologia

Disponibilizado por Analytica

em parceria com Arena Técnica

A genômica do futuro: Seu

DNA no seu bolso!

ISO/TS 22692

Genomics informatics— Quality control metrics for DNA sequencing

Norma publicada em: 10/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Aplicações de TI em tecnologia de saúde

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: A genômica do futuro: Seu DNA no seu bolso

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/73693.html

ISO 18385

Minimizing the risk of human DNA contamination in products

used to collect, store and analyze biological

material for forensic purposes — Requirements

Norma publicada em: 02/2016. / Status: Vigente.

Classificação 1: Ciência forense

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: A genômica do futuro: Seu DNA no seu bolso

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/62341.html

ISO/TS 22692

Genomics informatics - Quality control metrics for DNA sequencing

Norma publicada em: 10/2020. / Status: Vigente.

Classificação 1: Aplicações de TI em tecnologia de saúde

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: A genômica do futuro: Seu DNA no seu bolso

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/73693.html

ISO 20186-3

Molecular in vitro diagnostic examinations - Specifications for

pre-examination processes for venous whole

blood - Part 3: Isolated circulating cell free DNA from plasma

Norma publicada em: 09/2019. / Status: Vigente.

Classificação 1:Sistemas de teste de diagnóstico in vitro

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: A genômica do futuro: Seu DNA no seu bolso

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/69800.html

30

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Bruna Mascaro

Bióloga especialista em sequenciamento de nova geração (NGS) aplicado à prática clínica, com Mestrado e Doutorado pela

Universidade Federal de São Paulo.

Fonte: VARSTATION


Microbiologia

RALSTONIA PICKETTII

Por Claudio Kiyoshi Hirai

No mês de dezembro de 2020 foi

publicado um anúncio em jornais

do Brasil solicitando o recall de 10

lotes de um medicamento de uso

intravenoso com a justificativa de

que os lotes podem ter sofrido contaminação

pela bactéria Ralstonia

pickettii.

A Ralstonia pickettii é um bacilo

Gram negativo, de tamanho diminuto

( 0,5 ate 3,0 µm) não móvel

isolado comumente em solo, água

de rios e lagos. Anteriormente era

classificado como pertencente ao

gênero Pseudomonas depois como

Burkolderia pickettii, sendo que

o gênero Ralstonia foi criado em

1995 e recebeu o nome da microbiologista

americana Ericka Ralston.

Ela identificou 20 cepas de

Pseudomonas e deu a elas o nome

de Pseudomonas pickettii.

Inicialmente continha somente a

Ralstonia pickettii . Posteriormente

várias outras espécies foram adicionadas

ao gênero, incluindo a

Ralstonia pucula (anteriormente

conhecida como grupo CDC IVc-2),

a Ralstonia gilardii e mais recentemente

a Ralstonia mannitolytica

(anteriormente classificada como

Pseudomonas thomasii ).

Em 2004, após uma extensa revisão

taxonômica espécies na linhagem R.

paucula e R. gilardii foram transferidas

para o novo gênero Wautersia

porém após a realização de perfis de

rRNA revelaram que os novos organismos

Wautersia eram sinônimos

do gênero existente Cupriavidus. As

espécies de Ralstonia e Cupriavidus

são bacilos ambientais Gram negativos

e não fermentadores, catalase

positivos e aeróbicos.

Atualmente estão descritas 18

espécies neste gênero geralmente

isoladas da água e solo, apresentam

baixa virulência, porém nos últimos

anos têm se tornado um patógeno

oportunista emergente. Dentre estas,

a R. pickettii é a espécie mais

prevalente associada a vários casos

de infecção em pacientes com sistema

imunológico comprometido

e, as espécies de R. mannitolilytica

e R. insidiosa também foram descritas

como causas de bacteremias.

As infecções por Ralstonia têm

sido relatadas com maior frequencia

em pacientes com doença renal

crônica em tratamento hemodialítico

e pacientes com fibrose cística.

Foram descritos diversos sintomas,

desde assintomático, bacteremia,

sepse, endocardite a alguns casos

que evoluíram ao óbito.

32

Revista Analytica | Dez/Jan 2021


Microbiologia

A temperatura ideal de crescimento

é de 30 a 37º C mas também

pode crescer a 41º C . A espécie não

cresce a 5 ºC. A maioria da cepas

crescem bem em Agar Soja Caseína

(TSA) e Agar Nutriente. As colônias

são de bege, circulares e brilhantes

no Agar Soja Caseína. O crescimento

pode ser lento e exigir mais de 72

horas de incubação para visualizar

as colônias.

A identicação por ESPECTROME-

TRIA DE MASSA MALDI-TOF e a

identificação genotípica por PCR

foram meios úteis de identificação.

Esta classe de microrganismo é

oligotrófica, tem a capacidade de

sobreviver em áreas com baixa

concentração de nutrientes e pode

suportar altas concentrações de

metais como o cobre.

Devido ao tamanho tem a capacidade

de passar por filtros de 0,45 e

0,20 micras utilizados para a filtração

estéril de produtos farmacêuticos.

Vários surtos foram relatados em

hospitais a maioria devido a contaminação

dos sistemas de água,

devido a capacidade do microrganismo

formar biofilme utilização

de medicamentos contaminados

e contaminação da água utilizada

nos serviços de hemodiálise.

Destacamos então a necessidade

dos cuidados na observação das

Boas Práticas nas indústrias, hospitais

e em todos os setores onde

este microrganismo pode vir a aparecer

como um contaminante extremamente

perigoso.

Testes bioquímicos extensivos são

necessários para a identificação e

muitas vezes a identificação incorreta

é comum. O erro também pode

ocorrer visto que a R. pickettii, R.

mannitolilytica e R. insidiosa são

capazes de crescer nos meios seletivos

destinados ao isso lamento da

Burkholderia cepacia.

Referências Bbliográficas :

1. Bennet’s Principles and Practices of Infectious

Diseases,2015 8 ED.

2. Avaliação microbiológica da água utilizada

nos serviços de hemodiálise na cidade do Rio

de Janeiro nos anos 2016 a 2018 . https: //

doi.org/10.22239/2317-269x.01252

3. Ralstonia spp; emerging global opportunistic

pathgens. Ryan MP, Adley, CC, Eur. J.

Clin MIcrobiol. Infect. Dis. 2014;33; 291-304.

Claudio Kiyoshi Hirai

é farmacêutico bioquímico, diretor científico da BCQ consultoria e qualidade, membro da American Society of Microbiology e membro

do CTT de microbiologia da Farmacopeia Brasileira.

E-mail: técnica@bcq.com.br

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

33


Logística Laboratorial

ARMAZENAGEM EM CÂMARA FRIA

34

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

A câmara fria é uma ferramenta projetada para

otimizar o armazenamento de produtos por

meio de sua refrigeração. Com a baixa temperatura,

ela assegura a eficiência e qualidade

dos processos de armazenagem de produtos.

É uma área de armazenagem especial para

produtos, materiais ou insumos que necessitam

de uma conservação maior, seja para

preservar a qualidade e suas características.

Quando comparado ao freezer e congelador,

a câmara fria tem a expressiva vantagem

de permitir o armazenamento eficiente

e na temperatura adequada de grandes

volumes de produtos.

Outra vantagem de se utilizar esse equipamento

é a precisão do controle de temperatura.

Via de regra, as oscilações de sistemas

manuais e a falta de controle adequado da

temperatura podem prejudicar o armazenamento

e durabilidade dos produtos, o

que não ocorre em uma câmara fria.

Buscando inovação e uma solução integrada,

a Prime Storage, empresa do Grupo

Prime Cargo, possui a armazenagem refrigerada

de produtos para a área da saúde,

com uma câmara fria de 1800 m³, 50 posições

paletes e 1100 posições prateleiras

para armazenagem de produtos refrigerados

de 2ºC a 8°C, localizada na Matriz em

Barueri, São Paulo.

Contando com uma antecâmara climatizada,

com sistema de monitoramento

online de temperatura, alarme sonoro e

luminoso de abertura de porta, permitem

um controle mais eficiente da temperatura

24 horas por dia, 7 dias por semana.

Os produtos termolábeis são recepcionados

na antecâmara onde é realizada a

conferência dos produtos e a verificação

de temperatura, posteriormente os produtos

são encaminhados para a área de

armazenagem dentro da câmara fria a

disposição até que seja solicitada a separação

por parte do cliente.

A nossa câmara fria possui uma área para

recebimento, armazenagem, expedição e

não conformidade.

Nossa estrutura está qualificada e os relatórios

de qualificação são disponibilizados

aos nossos clientes. Estamos prontos para

lhe atender!

Em breve nova estrutura de armazenagem

em câmara fria na nossa filial Duque de

Caxias, Rio de Janeiro.

Entre em contato para saber mais:

E-mail: comercial@primecargo.com.br

Tel.: 0800 591 4110

Tel.: 11 4280-9110 | 11 97335-4472

Acesse: www.grupoprimecargo.com.br


TECNOLOGIA INDUSTRIAL BÁSICA E OS OBJETIVOS

DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Metrologia

Por Luciana e Sá Alves.

Introdução

A Tecnologia Industrial Básica

(TIB) compreende as funções de

metrologia, normalização, regulamentação

técnica e avaliação da

conformidade. A essas funções básicas

agregam-se, ainda, a informação

tecnológica, as tecnologias

de gestão e a propriedade intelectual,

denominadas serviços de infraestrutura

tecnológica [1]. Definida

como um conjunto de funções

tecnológicas de uso indiferenciado

pelos diversos setores da economia,

a TIB pode ser classificada, de

acordo com Gallina [2], em duas

dimensões interdependentes: TIB

como um conjunto essencial de

atividades reguladoras para a superação

de barreiras técnicas ao

comércio local e internacional; e

TIB como suporte e indutora das

atividades de aprendizagem tecnológica

nas empresas. Na Ale-

manha, a TIB é denominada por

MNPQ – Messen, Normen, Prüfen,

Qualität (Medidas, Normas, Ensaios

e Qualidade), nos Estados

Unidos ela se chama Infrastructural

Technologies (Tecnologias

de Infraestrutura) [2] e em países

de língua inglesa o termo MSTQ

- Metrology, Standardization, Testing

and Quality (Metrologia, Padronização,

Testagem e Qualidade)

é de amplo uso [3].

O objetivo do artigo é apresentar

o potencial de integração entre as

funções de TIB e o atendimento a

alguns dos Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável, a partir das discussões

presentes nos documentos

“O papel da Metrologia no Contexto

dos Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável” [4] e “Reiniciando a

Infraestrutura da Qualidade para

um Futuro Sustentável” [5]

Os Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável (ODS - Agenda 2030

da ONU) são um plano de ação

para erradicar a pobreza, proteger

o planeta e garantir que as pessoas

alcancem a paz e a prosperidade.

A Agenda 2030 é uma agenda

universal com 17 objetivos e 169

metas, estabelecidos em consenso

por todos os países membros

da ONU e que tem o propósito de

nortear as ações por 15 anos a partir

do ano de 2015, quando foram

discutidos na Cúpula das Nações

Unidas sobre o desenvolvimento

sustentável que aconteceu no mês

de setembro na sede da ONU em

Nova York. Os temas dos 17 Objetivos

para Transformar o Mundo

são: (1) pobreza, (2) fome, (3)

saúde, (4) educação, (5) gênero,

(6) água, (7) energia, (8) trabalho,

(9) inovação, (10) desigualdade

nos países, (11) cidades, (12) con-

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

35


Metrologia

sumo, (13) mudanças climáticas,

(14) ecossitemas marinhos, (15)

ecossistemas terrestres, (16) paz e

justiça e (17) parceria global [6].

Conforme o documento assinado

pelo Brasil, “nunca antes os líderes

mundiais comprometeram-se

a uma ação comum e um esforço

por meio de uma agenda política

tão ampla e universal.” [7]

Publicação - “O papel da Metrologia

no Contexto dos Objetivos

de Desenvolvimento

Sustentável”

O documento foi publicado em

conjunto pela UNIDO, pelo BIPM e

pela OIML [4]. A UNIDO é a Organização

das Nações Unidas para o

Desenvolvimento Industrial, uma

agência especializada da ONU que

promove o desenvolvimento industrial,

a redução da pobreza, a

globalização inclusiva e a sustentabilidade

ambiental [8]. A OIML

é a Organização Internacional de

Metrologia Legal, cuja misssão é

permitir que as economias implementem

infraestruturas legais

eficazes de metrologia que sejam

mutuamente compatíveis e internacionalmente

reconhecidas, para

todas as áreas pelas quais os governos

assumem responsabilidade,

como as que facilitam o comércio,

estabelecem confiança mútua

e harmonizam o nível mundial de

proteção ao consumidor [9]. O

BIPM é o Bureau Internacional de

Pesos e Medidas, uma organização

localizada em Sèvres na França e

criada pela Convenção do Metro

para a atuação conjunta dos Estados

Membros em questões relacionadas

à metrologia e aos padrões

de medição. Os Estados membros

do BIPM são todos aqueles 17 que

assinaram a Convenção do Metro,

entre os quais o Brasil, e os que

aderiram à convenção posteriormente.

A convenção do Metro foi

assinada em Paris em 20 de maio

de 1875 e foi o acordo internacional

sobre unidades de medida que

instituiu o Sistema Internacional

de Unidades - o SI. [10]

O documento traz a reflexão sobre

a relação da TIB com os ODS

1,3,7,9,13 [4].

Publicação - “Reiniciando a

Infraestrutura da Qualidade

para um Futuro Sustentável”

O propósito da publicação é ser um

apelo à ação de repensar e adaptar

a infraestrutura de qualidade para

alcançar os Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável (ODS) e para

responder aos impactos da Quarta

Revolução Industrial. O documento

trata dos ODS 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9,

12, 13, 14, 15 e foi publicado pela

Unido em janeiro de 2020. [5]

A Infraestrutura da Qualidade é o

sistema constituído por organizações,

políticas públicas, estrutura

legal e regulamentar e procedimentos

práticos para apoiar e melhorar

a qualidade, a segurança e

36

Revista Analytica | Dez/Jan 2021


Metrologia

o impacto ambiental de bens, serviços

e processos. A Infraestrutura

da Qualidade é necessária para

a efetiva operação de mercados

nacionais e possibilita reconhecimentos

internacionais que permitem

o acesso a mercados estrangeiros.

É um elemento crítico para

promover e sustentar o desenvolvimento

econômico acompanhado

de bem-estar ambiental e social.

A Infraestrutura da Qualidade de

cada país desenvolve atividades

relacionadas à metrologia, padronização,

acreditação, avaliação de

conformidade e vigilância de mercado

[5]. Estas instituições podem

ser encontradas no site do Bureau

Internacional de Pesos e Medidas

(BIPM). No Brasil, seis instituições

compõem a Infraestrutura da Qua-

de Normas Técnicas (ABNT), Associação

Brasileira de Controle da

Qualidade (ABCQ) [11]

Conclusão

A leitura dos dois documentos

permitiu identificar as contribuições

de todas as funções de TIB

para o atendimento a 12 Objetivos

de Desenvolvimento Sustentável.

Integrar as práticas relativas às

funções de Tecnologia Industrial

Básica e o atendimento aos Objetivos

de Desenvolvimento Sustentável

potencializam, mutuamente,

os impactos positivos de cada um

dos campos para o fortalecimento

do setor produtivo.

Bibliografia

[2] GALLINA, R. A Contribuição da Tecnologia Industrial

Básica (TIB) no Processo de Formação e Acumulação das

Capacidades Tecnológicas das Empresas do Setor Metal-

Mecânico. Tese de Doutorado. Escola Politécnica da Universidade

de São Paulo. Departamento de Engenharia

de Produção. São Paulo, 2009. Disponível em:

[3] OLIVEIRA, M. C. de, SOUZA, C. G de Formação em

Tecnologia Industrial Básica–TIB: uma Experiência com

Alunos de Graduação em Engenharia. IX Simpósio de

Excelência em Gestão e Tecnologia – Anais eletrônicos:

2014. Disponível em

[4] UNIDO. BIPM. OIML. The Role of Metrology in the

Context of the 2030 Susteinable Development Goals.

.Disponível em:

[5] UNIDO. Rebooting Quality Infrastructure for a Sustainable

Future. Disponível em

[6] PLATAFORMA AGENDA 2030. Disponível em

[7] TRANSFORMANDO NOSSO MUNDO: A AGENDA 2030

PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Disponível em


[8] UNIDO. Disponível em:< https://www.unido.org/>

lidade – Instituto Nacional de Metorlogia,

Qualidade e Tecnologia

(Inmetro), Laboratório Nacional

[1] SOUZA, R. D. F. Tecnologia Industrial Básica como

fator de competitividade. Revista Parcerias Estratégicas,

n. 8, maio 2000. Disponível em:

[9] OIM. Organização Internacional de Metrologia Legal.

Disponível em

[10] BIPM. Bureau Internacionali de Pesos e Medidas.

Disponível em

de Metrologia das Radiações Ionizantes

(LNMRI/IRD), Observatório

Nacional/Serviço Nacional da Hora

(ON/DSHO), Associação Brasileira

Luciana e Sá Alves

Analista executivo em Metrologia e Qualidade (Inmetro), Bióloga e professora de Ciências e Biologia.

Mestre em Educação (Puc-Rio) e doutora em Biotecnologia (Inmetro/UFRJ)

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

37


Em Foco

MELHORANDO OS TESTES DE CABELO PARA ABUSO DE DROGAS

Os laboratórios forenses poderiam se beneficiar de

um novo método analítico simples e robusto para

a triagem de rotina de amostras de cabelo para a

presença de drogas ilícitas.

Estabelecer a exposição de uma pessoa às drogas

é um aspecto crucial dos testes forenses. Tradicionalmente,

a "triagem toxicológica" geralmente é

realizada em amostras de sangue ou urina. Mas,

nos últimos anos, o teste do cabelo se tornou uma

técnica bem estabelecida. Além de serem fáceis

de coletar, as amostras de cabelo também podem

fornecer informações sobre a exposição histórica

de uma pessoa que pode se estender por vários

meses antes.

38

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

Além disso, nas últimas décadas, avanços notáveis

na espectrometria de massa levaram a técnica a se

estabelecer como o padrão ouro em análise forense

de cabelo. No entanto, a tecnologia ainda não foi

largamente adotada para a ampla triagem preliminar

de amostras, que ainda é bastante baseada em

ensaios baseados em anticorpos.

Uma nova abordagem instrumental

Em um novo estudo, publicado no Journal of

Chromatography B, os cientistas testam uma nova

abordagem de espectrometria de massa que foi

desenvolvida recentemente para a análise de rotina

de drogas de abuso aplicadas à triagem toxicológica

de cabelo.

Os pesquisadores realizaram o novo procedimento

instrumental baseado em UHPLC-Ion Trap-MS e

envolvendo um pré-tratamento simples de amostras

de cabelo em ácido durante a noite, seguido

por injeção direta após a neutralização. Em paralelo,

eles analisaram todas as amostras comparando

comas técnicas de espectrometria de massa de

rotina que já estavam estabelecidas em seu laboratório.

Eles descobriram que o novo método tinha

limites de detecção variando entre 0,01 e 0,09 ng /

mg de matriz capilar para um painel de 16 drogas

de abuso (exceto para MDA, morfina, 6-MAM e

norketamina).

Bom desempenho analítico

Os pesquisadores primeiro testaram 40 amostras

de cabelo coletadas de voluntários sem histórico

de abuso de drogas, não detectando falsos positivos.

Eles então avaliaram 968 amostras reais de

cabelo de casos forenses, descobrindo que o novo

método correspondia bem aos resultados obtidos

no procedimento de rotina em termos de amostras

positivas e negativas.

Finalmente, os pesquisadores analisaram 12

amostras de teste de proficiência, descobrindo que

o novo método não se limitava apenas à triagem

de drogas comuns de abuso, mas também podia

testar com sucesso novas substâncias psicoativas,

incluindo fentanil e catinonas. A equipe usou um

sistema de purificação de água de laboratório ELGA

PURELAB® para obter a água ultrapura usada em

seus experimentos, minimizando o risco de adição

de contaminantes que pudessem afetar seus

resultados.

Uma técnica simples e robusta

Este estudo demonstra a utilidade de uma nova

abordagem de espectrometria de massa para triagem

toxicológica qualitativa aplicada à análise de

cabelo em um contexto de rotina. Os resultados

mostram que é possível obter informações sensíveis

e confiáveis por meio do procedimento, o que

foi confirmado por meio de um comparativo ao

método de teste validado.

A precisão desta ferramenta analítica foi verificada

posteriormente através da análise de amostras de

teste que continham não apenas narcóticos tradicionais,

mas também algumas das chamadas

novas substâncias psicoativas. O sistema também

provou ser muito robusto, não mostrando necessidade

de qualquer reparo, mesmo após 5.000

injeções de amostra. O novo procedimento pode

fornecer aos laboratórios forenses uma alternativa

simples e robusta de alto rendimento aos testes

baseados em anticorpos para a ampla triagem toxicológica

preliminar de amostras de cabelo.

Por que escolher o ELGA LabWater?

Na ELGA LabWater, nossos engenheiros, químicos

e cientistas especializados estão na vanguarda da

inovação tecnológica. Eles continuam a introduzir

recursos revolucionários para o mercado de água

de laboratório.

Para mais informações:

Tel. +55 11 3888-8782

Rafaela.rodrigues@veolia.com


Em Foco

LAB DE A A Z: LANÇAMENTO TERMOCICLADOR COM GRADIENTE

Com o intuito de contribuir e estimular a

ciclos de temperaturas varáveis: a velocidade das

• Botão de ajuste da altura da tampa para diferentes

pesquisa e biotecnologia oferecendo soluções

rampas de subida e descida de temperatura, a

tubos de PCR ou microplaca

inovadoras em produtos e equipamentos

precisão e estabilidade da temperatura estipulada

• Gradiente de temperatura

laboratoriais que possibilitem avanços e

no programa e o overshoot reduzido ao final das

• Programação em software interno de fácil

desenvolvimento nos principais setores

rampas de temperatura.

utilização (interface user-friendly)

econômicos e de saúde como: laboratórios,

• Temperatura de aquecimento 4º – 99ºC

centros de controle de qualidade, centros de

Um dos principais diferenciais é a capacidade

pesquisas, indústrias e universidades a Kasvi

de amplificar até 96 amostras contidas em

¹Blocos vendidos separadamente.

lança ao mercado o Termociclador com

tubos ou microplacas. O Termociclador com

Registro na ANVISA sob nº 80884880032.

Gradiente. Equipamento de alta performance

Gradiente Kasvi usa blocos intercambiáveis¹

e indispensável para realização de amplificação

compatível com placas de 96 poços ou tubos, com

de material genético como a qPCR e RT-PCR.

opções de programas para diversas necessidades

A qPCR pelo termociclador garante a precisão de três

fatores primordiais para o sucesso do diagnóstico,

uma vez que sua principal funcionalidade é realizar

de amplificação de genes.

• Sistema Peltier de aquecimento

• Controle preciso de temperatura

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Revista Analytica | Dez/Jan 2021

39


Em Foco

PRODUÇÃO BRASILEIRA COM TECNOLOGIA ALEMÃ

EFICIENTE. SEGURA. COMPLETA. A PLACA DE PETRI DA GREINER BIO-ONE É A ESCOLHA CERTA PARA O SEU NEGÓCIO

Contribuindo para a ciência dar um passo à

frente, a Greiner Bio-One desenvolveu, produziu

e apresentou ao mercado, em 1963, a primeira

placa de Petri de plástico, tornando-a referência

de mercado e uma das principais fornecedoras da

área, com produção superior a 120 milhões de

unidades por ano na Europa. Nada mais justo do

que trazer, diretamente dos pioneiros, a tecnologia

e know-how consagrados mundialmente,

para suprir o mercado brasileiro com a melhor

placa de Petri. Agora, a unidade da Greiner Bio-

-One de Americana produz placas de Petri de

90x15mm, e possui estoque local que pode chegar

rapidamente as bancadas de todo país.

40

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

De uso indispensável em laboratórios microbiológicos

para o crescimento de microrganismos

como bactérias e fungos, as placas de

Petri estão disponíveis em diversos formatos

e tamanhos, para cada tipo de necessidade.

Com excelente transparência ótica para análises

microscópicas, bem como resistência ao

calor (podem ser usadas com ágar quente), são

produzidas em poliestireno de alta qualidade

e são as mais leves do mercado, contribuindo

para práticas sustentáveis na redução de resíduos

descartados. Além disso, possuem pequena

borda na tampa permitindo uma quantidade

limitada de troca de ar – que é requisito essencial

para o crescimento aeróbico de bactérias e

fungos, são fáceis de empilhar e compatíveis

com os principais equipamentos automatizados

disponíveis no mercado.

A esterilização é feita por radiação ionizante

(E-Beam), por ser um processo livre de resíduos

e ecológico, além de não causar impactos na

qualidade do ar ou da água. Outra vantagem

dessa metodologia de esterilização é o menor

tempo de exposição, evitando rompimentos e

efeitos de envelhecimento a longo prazo, fator

que pode ocorrer com polipropileno quando

submetido à radiação prolongada. Dessa forma,

as placas de Petri da Greiner oferecem alto grau

de segurança e eficiência para pesquisas médicas

e farmacêuticas, principalmente em relação

as placas esterilizadas por outras metodologias

(ex: óxido de etileno (ETO), altamente tóxico e

agressivo ao ambiente externo).

Origem e evolução das Placas de Petri

Antigamente, todas as culturas eram realizadas

por meio de tubos de vidro com declives. A

placa de Petri foi inventada e aprimorada na década

de 1880 pelo físico militar Julius Richard

Petri e, por isso, recebe este nome. Ele percebeu

a vantagem de culturas em crescimento em

placas abertas, ao invés de tubos, para aumentar

a área de estrias para a obtenção de colônias

isoladas. Nesta época, a tecnologia que dispunham

em laboratórios de microbiologia era jarros

e garrafas. Aplicava-se os meios de cultura

numa base de ágar em uma placa aberta de vidro,

que era coberta com uma campânula, também

de vidro. Como a campânula era removida

toda vez que precisasse visualizar as culturas, a

exposição ao ar era contínua, o que resultou na

contaminação de vários de seus experimentos.

A frustração de Petri permitiu que ele buscasse

uma nova forma para alcançar resultados mais

exatos em suas pesquisas.

Em 1887, Julius Petri teve a ideia de colocar

uma tampa um pouco maior na parte superior

da placa que continha os meios de cultura. Mais

simples, este método provou também ser mais

confiável que a campânula, resultando assim, o

formato conhecido da placa de Petri. Petri publicou

mais de 150 artigos sobre bacteriologia

e higiene, e sua invenção o eternizou. Devido

às necessidades da época, as placas de Petri só

existiam na versão de vidro que possuía algumas

limitações como: manutenção de limpeza

cada vez que fossem utilizadas para um novo

propósito para não contaminar os estudos posteriores,

cuidados especiais para evitar quebra,

rachaduras, e a questão da variação não controlada

da troca de ar.

As grandes conquistas da ciência, como

crescimento de células com circuitos eletrônicos

integrado, clonagem de órgãos, melhor

entendimento do comportamento dos vírus e

muitas outras, são pesquisas que foram iniciadas

utilizando a placa de Petri. Embora outros

métodos de estudo de microrganismos em

laboratório estão surgindo, a necessidade de

ter uma capacidade básica confiável de cultura

rápida de microrganismos num ambiente

estéril sempre existirá.

Para saber mais, acesse:

www.gbo.com

ou entre em contato: info@br.gbo.com


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PRODUÇÃO BRASILEIRA

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Visando boas práticas de sustentabilidade, a Greiner Bio-One

produz a Placa de Petri mais leve do mercado nacional.

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Em Foco

SÉRIE ICAP PRO - ESPECTRÔMETROS DE EMISSÃO POR PLASMA

42

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

A linha de espectrômetros de emissão por

plasma da Thermo Scientific combina avançada

performance com alta produtividade e

facilidade no uso para gerar dados altamente

confiáveis. A série iCAP Pro é composta pelos

mais compactos espectrômetros de emissão

óptica com plasma de argônio do mercado. Esta

série de instrumentos é equipada com fonte de

rádio-frequêcia (27,12 MHz) de estado sólido

com alta potência e alta estabilidade, ideal

para amostras complexas. Com exclusivo detector

CID e software QTegra, permite análises

qualitativas, semi-quantitativas e quantitativas

de maneira simples e fácil ao usuário. Grandes

avanços foram feitos em relação ao tempo de

análise, sendo que esse parâmetro teve uma

redução muito grande.

Disponível em 4 modelos para atendimento

às diferentes aplicações e necessidades

do mercado:

iCAP Pro e iCAP Pro X

Obtenha análises elementares de traços com robustez

e simplicidade para o seu laboratório com

os sistemas Thermo Scientific iCAP PRO e Thermo

Scientific iCAP PRO X. Esses sistemas oferecem

software Qtegra, fácil de usar, e tecnologia de detecção

de múltiplos elementos muito superior à da

técnica de Absorção Atômica. Estes instrumentos

são ideais para laboratórios com baixos requisitos

de produtividade de amostras. Para facilitar o

uso, várias configurações otimizadas são definidas

como padrão, tornando-as ideais para usuários iniciantes

na técnica ou para aqueles que precisam de

uma solução simples para análise multielementar.

iCAP Pro XP

Analise amostras elementares de traços de matrizes

complexas com detecção sensível de vários

elementos e atenda aos requisitos de dados com o

desempenho ideal do ICP-OES da Thermo Scientific

iCAP PRO XP. Robusto em todas as frentes, esse

sistema necessita de pouco espaço de bancada e

manutenção do usuário. O instrumento alcança

um nível avançado de desempenho com o modo

de análise iFR, que mede toda a faixa de comprimento

de onda em uma medição, ou o modo de

análise eUV, que mede a região UV do espectro

com uma sensibilidade surpreendente.

iCAP Pro XPS

Analise amostras elementares no menor tempo

possível com o ICP-OES da Thermo Scientific iCAP

PRO XPS. A óptica de alta taxa de transferência

de luz combinada com o detector do dispositivo

de injeção de carga, o CID821, garante os menores

tempos de análise possíveis. Ao usar o modo

de análise iFR, o espectro completo é capturado

em uma única medição, reduzindo ainda mais os

tempos de análise. Para as aplicações mais exigentes,

que necessitam da mais alta sensibilidade na

região UV do espectro para determinar elementos

como mercúrio, antimônio e chumbo, o modo de

análise eUV aprimora a sensibilidade, garantindo

que os regulamentos para elementos tóxicos sejam

facilmente atendidos.


Em Foco

Em Foco

UMA HISTÓRIA DE VALOR E CONFIANÇA

Os Padrões de Referência desempenham

um papel fundamental para

sociedade garantindo a acessibilidade

e qualidade dos medicamentos

fabricados e entregues a população

mundial.

A USP (United States Pharmacopeia)

trabalha sempre em conformidade com os

requisitos de qualidade exigidos pelos órgãos

oficiais com alto rigor científico. As normas de

qualidade para os produtos farmacêuticos e

alimentícios exigem análises comparativas

constantes, utilizando diversas técnicas como

cromatografia, espectrofotometria, espectrometria

e testes de desempenho. Portanto, a

qualidade e consistência dos Padrões de

Referência são crucias para alcançar resultados

cientificamente válidos.

Comemorando 200 anos desde sua fundação,

a USP faz a diferença ao redor do mundo

construindo parcerias duradoras, sustentáveis

e pautadas na ética para mostrar que a

qualidade de vida das pessoas é um pilar

insubstituível em seu DNA. A LAS do Brasil

tem orgulho em fazer parte dessa rede de

parceiros, sendo o canal autorizado para

distribuição de seus materiais no Brasil.

Reconhecida por trabalhar com produtos e

serviços de alta qualidade, a parceria com a

USP proporcionou a LAS entendimento sobre a

importância e responsabilidade do uso de

Padrões de Referência para garantir o acesso da

população a medicamentos, alimentos e

suplementos de qualidade no Brasil.

Responsável por todas as etapas que envolvem

a distribuição confiável dos Padrões de

Referência da USP em nossos clientes, com

cobertura para todo território nacional,

atendendo os requisitos exigidos pelos órgãos

anuentes para transporte seguro de cada

substância, a LAS vem cumprindo sua missão

em garantir que os laboratórios brasileiros

tenham acesso a confiança, credibilidade e o

respaldo na utilização dos autênticos Padrões

da USP.

1820

1905

Farmacopeia dos Estados Unidos Biológicos

1908

Acessibilidade Mundial

00

Desde a concepção da USP em 1820, milhões

de pessoas no mundo podem confiar nos

medicamentos por causa de seus padrões de

qualidade.

A Lei de Controle de Produtos Biológicos de

1902 (The Biologics Control Act) levou à

primeira monografia de biológicos da USP,

sobre Antitoxina Diftérica, que ajudou a

restaurar a confiança nos medicamentos, após

13 mortes associadas à antitoxina diftérica

contaminada.

A tradução dos padrões documentais da USP os

tornou acessíveis a países de todo o mundo,

permitindo que seus cidadãos confiassem na

qualidade de seus medicamentos.

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

43


Em Foco

Em Foco

1944

Segunda Guerra Mundial

1969

Reconhecimento Global

1980

Divulgação da USP-NF

USP, FDA, Institutos Nacionais de Saúde (NIH -

National Institutes of Health) e a Diretoria de

Produção para a Guerra (War Production

Board) conseguiram desenvolver rapidamente

padrões para penicilina que permitissem sua

produção em massa - uma prioridade para o

tratamento da sepse.

27 países reconheciam os padrões da USP.

Hoje, 140 países ao redor do mundo

reconhecem os padrões da USP.

USP e NF são publicadas em um só volume em

1980, contendo 2.709 monografias.

1990

1992 2001

Suplementos Alimentares USP e USAID

Revendedora USP

À medida que mais pessoas incluíam

suplementos alimentares como parte de um

estilo de vida saudável, a USP reconheceu a

necessidade de manter a qualidade dos

mesmos e começou a explorar padrões para

combinações de multivitaminas e minerais

como suplementos nutricionais.

A USP e a Agência para o desenvolvimento

internacional (USAID - Agency for International

development) começam uma relação colaborativa

de mais de 25 anos para avaliar programas

de fontes de informação sobre medicamentos

em países em desenvolvimento.

A LAS do Brasil surgiu frente a necessidade

da Indústria Farmacêutica na obtenção facilitada

e confiável de insumos analíticos.

Desde 2001 nossos clientes possuem acesso a

serviços de qualidade no atendimento

comercial, importação e entrega de padrões

USP no Brasil.

2004

2005-08

Distribuidor Oficial USP Índia, USP China, USP Brasil

2020

USP e LAS - Uma parceria de sucesso

Analytica | Dez/Jan 2021

44 00 Revista

A LAS é reconhecida pela USP como distribuidora

oficial de seus Padrões de Referência em

todo território brasileiro.

Instalações globais são inauguradas em

Hyderabad, Índia (2006); Shangai, China

(2007) e São Paulo, Brasil (2008).

Comemorando os 200 anos da USP, a LAS do

Brasil completa 16 anos como seu distribuidor

autorizado em todo território nacional, buscando

sempre soluções inovadoras e a excelência no

atendimento de nossos clientes garantindo a

entrega de autênticos Padrões USP.


Em Foco

200

years of building

trust

Em 1820, onze médicos

tomaram medidas para proteger

os pacientes de medicamentos

de baixa qualidade. Eles formaram

a Farmacopeia dos EUA (USP).

Neste ano de 2020 a USP comemora 200 anos de história, assumindo a

liderança global na construção da confiança em Medicamentos e

Suplementos Alimentares, por meio de normas e Padrões de Referência

públicos que ajudam a melhorar a saúde das pessoas em todo o mundo.

Saiba mais sobre essa

trajetória acessando o site

através do QR Code:

+55 62 3085-1900 | comercial@lasdobrasil.com.br

Revista Analytica | Dez/Jan 2021

45


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