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Entrevista o crescimento da energia eólica por Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica<br />

EXPERTISE EM<br />

BIOMASSA<br />

CONHECIMENTO AGREGADO NO<br />

DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS<br />

É UM DIFERENCIAL DE EMPRESA<br />

MULTINACIONAL<br />

BIOMASS EXPERTISE<br />

AGGREGATED KNOWLEDGE IN<br />

PROJECT DEVELOPMENT IS A<br />

DIFFERENTIATOR OF A<br />

MULTINATIONAL COMPANY<br />

EUCALIPTO<br />

PESQUISA VISA AUMENTAR OPÇÕES<br />

DE CLONES PARA PRODUÇÃO DE<br />

BIOMASSA NO MATO GROSSO<br />

ECONOMIA<br />

MERCADO LIVRE DE ENERGIA CRESCE<br />

COM ABERTURA PARA NOVA CATEGORIA<br />

DE CONSUMIDORES


SUMÁRIO<br />

08 | EDITORIAL<br />

Mercado promissor<br />

10 | CARTAS<br />

12 | NOTAS<br />

22 | ENTREVISTA<br />

32 | PRINCIPAL<br />

38 | BALANÇO<br />

Energia renovável<br />

42 | BIOMASSA<br />

Biomassa no Mato Grosso<br />

46 | ECONOMIA<br />

50 | ARTIGO<br />

56 | AGENDA<br />

58 | OPINIÃO<br />

O papel vital da energia solar<br />

na ascensão dos veículos<br />

elétricos no Brasil<br />

06 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Solution<br />

for you<br />

Plantas de pellets<br />

completas à medida<br />

A Nazzareno desenvolve projetos<br />

à medida adaptando as soluções<br />

Padrão às específicas necessidades<br />

de cada cliente através do seu<br />

departamento técnico formado por<br />

engenheiros e técnicos peritos.<br />

LÍDER<br />

NO<br />

MERCADO<br />

BRASILEIRO<br />

Costruzioni Nazzareno S.r.l.<br />

Via delle Industrie, 17 (Z.I. Vacil)<br />

31030 Breda di Piave (TV) - ITALY<br />

Tel. +39.0422.600592<br />

info@nazzareno.it<br />

nazzareno.it


EDITORIAL<br />

A capa desta edição destaca a<br />

planta produtora de pellets de<br />

biomassa da ANDRITZ<br />

MERCADO<br />

PROMISSOR<br />

A<br />

primeira edição da Revista REFERÊNCIA BIOMAIS de 2024 traz como destaque principal o trabalho da ANDRITZ, empresa<br />

multinacional, que atua no segmento de biomassa no Brasil desde 2005 e tem visto este mercado crescer. A expertise adquirida<br />

nos projetos desenvolvidos em várias partes do mundo é um dos diferenciais da empresa que atua com projetos<br />

personalizados. A presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias), Elbia Gannoum,<br />

é a entrevistada na edição, onde aponta os avanços e desafios do setor que tem aumentado sua presença no país. A edição ainda traz<br />

reportagens sobre o mercado livre de energia, o desenvolvimento de pesquisa para melhorar o rendimento da biomassa do eucalipto<br />

e, ainda, o crescimento na geração de energia no país por diferentes fontes, entre outros assuntos. Uma ótima leitura a todos!<br />

PROMISING MARKET<br />

T<br />

he first issue of REFERÊNCIA <strong>Biomais</strong> in 2024 highlights the work of ANDRITZ, a multinational company that has been operating in<br />

the biomass segment in Brazil since 2005 and has seen this market grow. The expertise acquired in the projects developed in various<br />

parts of the world is one of the highlights of the Company that works with customized projects. Elbia Gannoum, President of the<br />

Brazilian Association of Wind Energy and New Technologies (Abeeólica), is interviewed in this issue, where she points out the advances<br />

and challenges of the Sector that have increased its presence in the Country. The issue also features reports on the free energy market,<br />

the development of research to improve the yield of eucalyptus biomass, and the growth in energy generation in the country from different<br />

sources, among other subjects. A pleasant read, everyone!<br />

EXPEDIENTE<br />

ANO XI - EDIÇÃO 61 - FEVEREIRO 2024<br />

Diretor Comercial/Commercial Director:<br />

Fábio Alexandre Machado<br />

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)<br />

Diretor Executivo/Executive Director:<br />

Pedro Bartoski Jr<br />

(bartoski@revistabiomais.com.br)<br />

Redação/Writing:<br />

Gisele Rossi<br />

(jornalismo@revistabiomais.com.br)<br />

Dep. de Criação/Graphic Design:<br />

Fabiana Tokarski - Supervisão -<br />

(criacao@revistareferencia.com.br)<br />

Dep. Comercial/Sales Departament:<br />

Gerson Penkal<br />

(comercial@revistabiomais.com.br) Fone: +55 (41) 3333-1023<br />

Tradução / Translation: John Wood Moore<br />

Dep. de Assinaturas/Subscription:<br />

(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038<br />

ASSINATURAS<br />

0800 600 2038<br />

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora<br />

Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil<br />

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023<br />

www.jotaeditora.com.br<br />

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,<br />

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas<br />

e alternativas, produtores de resíduos para geração e cogeração de<br />

energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários, órgãos<br />

governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos,<br />

direta e/ou indiretamente ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS<br />

não se responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,<br />

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais de<br />

responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,<br />

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos<br />

textos, fotos e outras criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são<br />

terminantemente proibídas sem autorização escrita dos titulares dos<br />

direitos autorais, exceto para fins didáticos.<br />

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed<br />

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues<br />

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university<br />

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/<br />

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself<br />

responsible for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed<br />

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,<br />

appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos<br />

and other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden<br />

without written authorization of the holder of the authorial rights, except for<br />

educational purposes.<br />

08 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A ComBer possui uma linha completa<br />

de automatizadores e fornalhas a cavaco<br />

para melhorar ainda mais o rendimento de<br />

seu secador de cereais. A empresa trabalha<br />

com atendimentos personalizados a partir<br />

das necessidades dos clientes.<br />

É uma empresa de Rio Verde-GO, pioneira e<br />

líder nacional em seu segmento, que há mais<br />

de 10 anos fornece soluções em secagem de<br />

grãos para todo o Brasil.<br />

Os automatizadores ComBer CBI e LBI ganham destaque pela sua eficiência.<br />

Confira alguns benefícios:<br />

• Redução da mão de obra e seus passivos;<br />

• Estabilidade da temperatura de secagem<br />

e aumento da produtividade do secador;<br />

• Melhoria na qualidade do grão seco;<br />

• Redução dos gastos com manutenção<br />

de fornalhas.<br />

www.comber.com.br<br />

(64) 3018-2522


CARTAS<br />

PRÊMIO REFERÊNCIA MELHORES DO ANO<br />

Receber esse prêmio foi uma emoção muito grande, pois a Revista REFERÊNCIA BIOMAIS é<br />

consolidada no setor e por ser um prêmio nacional, é o sentimento de dever cumprido, porque<br />

buscamos o reconhecimento por trabalhar seguindo a lei, fazendo o certo.<br />

Por Wesley Giacomelli – Vera (MT)<br />

Foto: Emanoel Caldeira<br />

ENTREVISTA<br />

Excelentes reflexões do professor Thulio Cícero Guimarães Pereira sobre sustentabilidade, transição energética.<br />

Vale a leitura!<br />

Por Maria Patrícia Cordeiro – Irati (PR)<br />

INVESTIMENTO<br />

A usina de hidrogênio verde da UFSC é modelo de inovação, aliada à educação.<br />

Por Paulo André – Ascurra (SC)<br />

PRINCIPAL<br />

Muito bacana a história da Rocha Facas e a relação próxima com seus clientes.<br />

Por Valter Ferreira - Cacoal (RO)<br />

Foto: Emanoel Caldeira<br />

www.revistabiomais.com.br<br />

na<br />

mí<br />

energia<br />

biomassa<br />

dia informação<br />

@revistabiomais<br />

/revistabiomais<br />

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA<br />

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A Benecke é uma tradicional fabricante de<br />

caldeiras, máquinas para o segmento madeireiro<br />

e sistemas de secagem de grãos direto e indireto.<br />

Ao longo dos nossos 70 anos de mercado e<br />

presença em 21 países, com um parque fabril de<br />

18.500 metros quadrados, a Benecke estabeleceu<br />

uma sólida reputação, atendendo diversos<br />

mercados ao redor do mundo com mais de 5.400<br />

equipamentos vendidos.<br />

Com uma engenharia qualificada, aliada ao uso<br />

do software ANSYS e compromisso com a<br />

excelência e qualidade, nos posicionando como<br />

líder indiscutível no mercado.<br />

Projetamos e desenvolvemos toda a automação<br />

dos equipamentos, desta forma conseguimos o<br />

melhor rendimento e uma assistência técnica<br />

remota ágil.<br />

A unidade Caldeira é voltada para qualquer<br />

indústria que necessite de água quente, vapor<br />

saturado, superaquecido ou óleo térmico.<br />

Customizamos a caldeira de acordo com a<br />

necessidade da indústria, oferecendo soluções<br />

sustentáveis e com a garantia de qualidade,<br />

eficiência energética e confiabilidade de um<br />

produto robusto.<br />

Processos verticalizados em todas as áreas<br />

da indústria, garantindo mais qualidade no<br />

produto final entregue ao cliente.<br />

Caldeiras Flamotubulares e<br />

Aquatubulares, com capacidade<br />

produtiva de até 60ton/h e até 45 bar de<br />

pressão.<br />

Projetos customizados de acordo com a sua<br />

necessidade, garantindo qualidade e<br />

principalmente a confiabilidade em quem<br />

carrega 70 anos de experiência no mercado.


NOTAS<br />

Fotos: Desenvolve SP<br />

USINA SOLAR FLUTUANTE<br />

Com financiamento da Desenvolve SP, agência de fomento do governo do Estado de São Paulo, o Grupo AB Areias<br />

ergueu um empreendimento inédito, o de uma usina solar flutuante em um lago de mineração de areia já exaurido na<br />

cidade de Roseira (SP), no Vale do Paraíba. Inaugurada no final de novembro de 2023, a usina já abastece totalmente a<br />

unidade da empresa na cidade.<br />

Para implantar o projeto a empresa contou com o trabalho de empresas especializadas em usinas solares fotovoltaicas<br />

flutuantes. A usina solar ocupa um dos 20 ha (hectares) do lago - equivalente a 10 mil m2 (metros quadrados) dos 200 mil<br />

m2 disponíveis -. Foram instaladas 1.180 placas fotovoltaicas sobre flutuadores no espelho d’água. Elas são sustentadas<br />

em estruturas de alumínio e ficam suspensas com auxílio de boias. Para evitar que elas se desloquem, foram instaladas 20<br />

poitas (espécie de âncoras), cada uma pesando duas toneladas. Só para se ter uma ideia, se o destino dessa energia gerada<br />

fosse para residências, seria suficiente para abastecer 6 mil casas.<br />

O diretor de Negócios e Fomento da agência Desenvolve SP, Gustavo Melo, destacou a inovação do projeto. “Temos<br />

muito orgulho de falar que somos a ferramenta de viabilidade de projetos como esse. Isso é desenvolvimento sustentável,<br />

e são ações como essa que geram emprego, renda e desenvolvimento para o Estado. Queremos ser cada vez mais apoiadores<br />

de projetos que trazem evolução e inovação”, afirmou o diretor.<br />

O projeto capitaneado pela AB Sol Energias Renováveis, uma das empresas da AB Areias, teve investimento total de R$<br />

5,3 milhões, dos quais R$ 4,2 milhões foram financiados pela Desenvolve SP (80% do total). “Tivemos total acolhida da Desenvolve<br />

SP neste processo”, afirma Sandra Maia de Oliveira, diretora de Meio Ambiente e Mineração do Grupo AB Areias.<br />

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br


CPM, o seu parceiro em produtividade,<br />

reduzindo custos com operação!<br />

Vida útil<br />

prolongada<br />

Otimização no controle de processo<br />

Expressiva redução de custos<br />

Otimização no<br />

controle de processo<br />

Rolos Lubrificados a Óleo<br />

Vida útil prolongada<br />

dos rolamentos;<br />

Menor custo com<br />

manutenção;<br />

Maior disponibilidade<br />

de equipamento;<br />

Redução expressiva no<br />

consumo de lubrificante;<br />

Temperatura nos rolos<br />

135 o C<br />

Temperatura média dos rolos<br />

Redução de temperatura<br />

35°C<br />

de redução de<br />

temperatura<br />

135 o C<br />


NOTAS<br />

SERGIPE LIDERA REGULAMENTAÇÃO<br />

DE GÁS NATURAL<br />

O Estado de Sergipe assumiu a liderança do<br />

RELIVRE (Ranking do Mercado Livre de Gás) na<br />

atualização divulgada em dezembro de 2023,<br />

em evento realizado na sede do IBP (Instituto<br />

Brasileiro de Petróleo e Gás). Roberto Ardenghy,<br />

presidente do IBP, lembrou que o lançamento do<br />

RELIVRE, em março de 2023, foi um importante<br />

marco para a abertura do mercado livre de gás<br />

nos Estados com foco no amadurecimento e na<br />

modernização das regulações estaduais, com<br />

aderência aos princípios da nova lei federal do<br />

gás natural. “O RELIVRE nos proporcionou um<br />

canal de diálogo com os Estados para apoiar<br />

o aprimoramento das normas locais sobre gás<br />

natural”, avalia Ardenghy. Até outubro deste ano,<br />

dos 19 Estados com algum tipo de norma sobre<br />

o mercado livre de gás natural, apenas metade<br />

tinha uma pontuação acima de 40% no ranking.<br />

Ao longo de 2023, vários Estados introduziram<br />

novas regulações, estreando no ranking ou<br />

ampliando sua pontuação. Ele acrescenta que a<br />

trajetória do Estado de Sergipe tornou-se uma<br />

referência e visa ampliar a competitividade e<br />

atratividade do gás com benefícios para a economia<br />

do Estado e benefícios para os consumidores.<br />

O RELIVRE, resultado de uma parceria do IBP<br />

com a ABRACE (Associação dos Grandes Consumidores<br />

Industriais de Energia e de Consumidores<br />

Livres) e a ABPIP (Associação Brasileira de<br />

Produtores Independentes de Petróleo e Gás), é<br />

uma ferramenta que permite o acompanhamento<br />

e a análise das normas estaduais referentes<br />

à abertura do mercado livre de gás natural,<br />

destacando as melhores práticas regulatórias em<br />

cada Estado e apontando seus potenciais pontos<br />

de aprimoramento.<br />

Foto: Ascom Agrese/Presidente IBP, Roberto Ardenghy Foto: Ascom Agrese/Evento Atualização do Relivre Foto: Ascom Agrese/Evento Atualização do Relivre<br />

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


SISTEMA DE PRODUÇÃO DE BIOMASSA<br />

BRUNO - EFICIÊNCIA EXCEPCIONAL<br />

Na vanguarda da transformação, a Bruno revoluciona o sistema de produção de biorobustez,<br />

otimizando a produção, desde a recepção de toras, até a entrega de biomassa de<br />

qualidade excepcional.<br />

Em nosso sistema de produção de biomassa, cada etapa é cuidadosamente integrada<br />

,<br />

conversão em biomassa de alta qualidade, cada processo é otimizado para assegurar<br />

Escolha a excelência da Bruno e esteja à frente da revolução na produção de biomassa.<br />

+55 (49) 3541-3100<br />

@brunoindustrial


NOTAS<br />

USINA HÍBRIDA EÓLICA E SOLAR<br />

A ACCIONA Energía concluiu a sua primeira planta de geração renovável híbrida com a construção de uma usina fotovoltaica<br />

de 29,4 MW (Megawatts) no mesmo local de seu parque eólico Escepar (36 MW), entre os municípios de Villalba<br />

del Rey e Tinajas (Cuenca), na Espanha.<br />

Composta por 54.208 módulos fotovoltaicos, a planta solar Escepar gerará 48.170 MWh (Megawatts por hora) de<br />

eletricidade limpa por ano, quantidade equivalente ao consumo de cerca de 13.800 residências. Essa potência se soma<br />

aos 57.500 MWh anuais já produzidos pelo parque eólico homônimo. Em conjunto, as duas instalações que compõem a<br />

hibridização irão gerar eletricidade suficiente para abastecer mais de 30 mil residências, evitando a emissão de mais de 46<br />

mil toneladas de CO2 (gás carbônico) por ano, o equivalente a plantar 2,5 milhões de árvores ou retirar de circulação mais<br />

de 17.750 carros.<br />

A hibridização de Escepar gerou até 130 empregos durante o pico da sua construção. A usina de Escepar é a primeira<br />

hibridização da empresa, uma fórmula na qual duas ou mais tecnologias renováveis utilizam o mesmo ponto de conexão,<br />

otimizando assim o uso da rede. Ao combinar tecnologias capazes de se alternar, como a eólica e a solar, reduz-se a dependência<br />

das condições ambientais e obtém-se uma produção renovável mais constante e estável. Outro destaque é que, ao<br />

compartilhar infraestruturas, evita-se a construção de novas linhas elétricas, subestações, instalações e estradas, reduzindo<br />

o impacto ambiental que dois projetos independentes teriam.<br />

Foto: divulgação Acciona Energia<br />

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Empresa pertencente ao Grupo Gaboardi, especializada na fabricação de<br />

máquinas e equipamentos para produção de biomassa (pellet) e ração<br />

animal desde 1968, atendendo também demandas e necessidades no reparo<br />

e fabricação de peças de reposição do setor.<br />

www.gell.ind.br<br />

BR116-KM 180 | São Cristóvão do Sul - SC<br />

Fone: +55 (49) 3253-1100<br />

Fone: +55 (49) 9 9927-5926<br />

E-mail: comercial.gell@gaboardi.com.br


NOTAS<br />

BRASILEIROS ADOTAM HÁBITOS SUSTENTÁVEIS<br />

Os brasileiros têm adotado ações relacionadas à conservação do meio ambiente no dia a dia, embora ainda haja<br />

espaço para expansão do consumo sustentável. Pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela que<br />

81% adotam hábitos sustentáveis sempre ou na maioria das vezes. Em 2022, eram 74%.<br />

Conforme a pesquisa nos últimos seis meses: 73% evitaram desperdício de água sempre e 17% na maioria das<br />

vezes, somando 90%; 69% evitaram desperdício de energia sempre e 20% na maioria das vezes, somando 89%; 50%<br />

reduziram a produção de lixo sempre e 28% na maioria das vezes, somando 78%; 52% reutilizaram água sempre e<br />

22% na maioria das vezes, somando 74%; 47% separaram lixo para reciclagem sempre e 18% na maioria das vezes,<br />

somando 65%; 45% reutilizaram ou reaproveitaram embalagens de produtos sempre e 25% na maioria das vezes,<br />

somando 60%; 43% reutilizaram o uso de embalagens sempre e 27% na maioria das vezes, somando 70%. Por outro<br />

lado, 62% consideram difícil encontrar produtos sustentáveis em lojas e 45% não verificam se o produto que vão<br />

comprar foi produzido de forma ambientalmente sustentável. Os principais entraves para práticas sustentáveis apontados<br />

foram falta de campanhas de conscientização (19%), hábitos ruins (15%) e desconhecimento (15%).<br />

“Todos temos de fazer a nossa parte: governo, sociedade e setor produtivo juntos, no que cabe a cada um para<br />

viabilizar a descarbonização da economia. Temos de entrar em um ciclo virtuoso para impulsionar o país para uma<br />

economia mais sustentável e alinhada à conservação do planeta e à promoção do bem-estar social”, afirma o presidente<br />

da CNI, Ricardo Alban.<br />

Foto: divulgação<br />

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Projetos<br />

Totalmente<br />

Personalizados<br />

em conformidade com a sua<br />

necessidade, desde o layout até as<br />

características de desempenho da<br />

caldeira e de cada equipamento.


NOTAS<br />

GERAÇÃO DE ENERGIA AUMENTOU NO BRASIL<br />

Impulsionada pela energia eólica e solar, a geração de energia elétrica terminou 2023 com crescimento<br />

de 10.324,2 MW (Megawatts). Os dados foram divulgados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).<br />

Apenas em dezembro passado, foram acrescidos 1,9 mil MW, com a entrada em operação comercial de 51<br />

unidades geradoras em todo o país.<br />

O acréscimo anual superou a meta de 10.302,4 MW estabelecida pela Aneel para o ano passado. Esse<br />

foi o maior incremento na matriz elétrica brasileira desde 2016, quando foram incorporados 9.527,8 MW à<br />

geração de energia. Ao todo, 291 empreendimentos de energia entraram em operação no ano passado em<br />

19 Estados. Os estados com maior acréscimo foram a Bahia (2.614 MW), o Rio Grande do Norte (2.278,5 MW)<br />

e Minas Gerais (2.025,7 MW).<br />

A principal contribuição para o aumento veio da energia eólica. Com 140 unidades inauguradas no ano<br />

passado, a modalidade registrou aumento de 4.919 MW, o equivalente a 47,65% do incremento total. Em<br />

segundo lugar, está a energia solar, cuja geração aumentou 4.070,9 MW com a entrada em operação de 104<br />

centrais fotovoltaicas, 39,51% do acréscimo. Completam a lista 1.214,9 MW gerados por 33 termelétricas, 158<br />

MW de 11 novas pequenas centrais hidrelétricas e 11,4 MW de três novas centrais geradoras hidrelétricas.<br />

Foto: divulgação<br />

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A AFIAÇÃO CHEGOU<br />

EM UM OUTRO NÍVEL!<br />

Nova Afiadora de facas Energy:<br />

alta performance com um<br />

simples toque na tela.<br />

Máquina totalmente automática<br />

com sistema de comando CNC,<br />

SIEMENS TOUCH SCREEN, e<br />

com o novo Sistema de<br />

separação de resíduos, que<br />

garante uma afiação livre de<br />

resíduos ferrosos.<br />

SIEMENS TOUCH SCREEN<br />

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS


ENTREVISTA<br />

Foto: Flavia Valsani<br />

ENERGIA<br />

ENTREVISTA<br />

DO VENTO<br />

ELBIA<br />

GANNOUM<br />

ENERGY FROM THE WIND<br />

Formação: Ciências Econômicas pela UFU (Universidade<br />

Federal de Uberlândia); mestre em Economia pela UFSC<br />

(Universidade Federal de Santa Catarina); doutora em<br />

Engenharia de Produção pela UFSC<br />

Education: Economic Sciences from the Federal University of<br />

Uberlândia (UFU); MSc in Economics from the Federal University of<br />

Santa Catarina (Ufsc); PhD in Production Engineering from Ufsc<br />

Cargo: Presidente-executiva da Abeeólica<br />

Function: Executive President of the Brazilian Association of Wind<br />

Energy and New Technologies<br />

F<br />

ilha caçula de uma família mineira de oito irmãos, Elbia<br />

Gannoum, almejava se tornar professora universitária.<br />

Com formação em Ciências Econômicas, foi no<br />

curso de mestrado que se interessou pela indústria<br />

de energia e começou a pesquisar na área. Desde 2011 é<br />

presidente-executiva da Abeeólica (Associação Brasileira de<br />

Energia Eólica e Novas Tecnologias), onde iniciou quando o<br />

setor tinha apenas 1 GW (gigawatts) de capacidade instalada.<br />

Passados 12 anos, a energia eólica tem mais de 30 GW de<br />

capacidade instalada no Brasil. Em sua trajetória profissional<br />

Elbia foi professora da UFSC (Universidade Federal de Santa<br />

Catarina), integrou a CCEE (Câmara de Comercialização de<br />

Energia Elétrica), foi economista-chefe do MME (Ministério<br />

de Minas e Energia), coordenadora de Política Institucional<br />

do Ministério da Fazenda e assessora na Aneel (Agência<br />

Nacional de Energia Elétrica). Em entrevista para Revista a<br />

REFERÊNCIA BIOMAIS, Elbia Gannoum falou dos avanços e<br />

expectativas do setor.<br />

T<br />

he youngest daughter in a family of eight siblings<br />

from the State of Minas Gerais, Elbia Gannoum aspired<br />

to become a University Professor. With a degree<br />

in Economic Sciences, it was during her studies for<br />

her Master’s degree that she became interested in the energy<br />

industry and began research in the area. Since 2011, she has<br />

been Executive President of the Brazilian Association of Wind<br />

Energy and New Technologies (Abeeólica), where she started<br />

when the Sector had only 1 GW of installed capacity. After 12<br />

years, wind energy has more than 30 GW of installed capacity<br />

in Brazil. In her professional career, Gannoum has been a<br />

Professor at the Federal University of Santa Catarina (Ufsc),<br />

a member of the Electric Energy Trading Chamber (Ccee),<br />

Chief Economist at the Ministry of Mines and Energy (MME),<br />

Coordinator of Institutional Policy at the Ministry of Finance<br />

and advisor at National Electric Energy Agency (Aneel). In an<br />

interview with REFERÊNCIA <strong>Biomais</strong>, Elbia Gannoum talks<br />

about the advances and expectations of the Sector.<br />

22 www.REVISTABIOMAIS.com.br


IMPORTAÇÃO DE MATRIZES,<br />

ANÉIS E CAPAS DE ROLOS PARA<br />

BIOMASSA, FERTILIZANTES E RAÇÃO<br />

Atendemos o mercado gerador<br />

de energia limpa em nível<br />

mundial em busca de eficiência.<br />

Somos especialistas na<br />

comercialização e instalação de<br />

equipamentos e máquinas para<br />

área de Biomassa de Madeira.


ENTREVISTA<br />

Conte de forma resumida sua trajetória até chegar<br />

na presidência da Abeeólica.<br />

Nasci em Ituiutaba (MG). Me formei em economia e<br />

comecei a construir uma carreira acadêmica com o objetivo<br />

de me tornar professora universitária, foi quando decidi<br />

fazer mestrado e depois doutorado. Durante o mestrado,<br />

fiquei muito interessada na indústria de energia e comecei<br />

a pesquisar nessa área. Fui uma das primeiras economistas<br />

a escrever sobre essa indústria, que passava por reformas,<br />

no final da década de 1990. Quando estava começando o<br />

doutorado e já lecionando temporariamente na universidade,<br />

recebi um convite para trabalhar na recém-inaugurada<br />

agência reguladora no Brasil. A partir desse período,<br />

desenvolvi uma carreira na área de energia. Comecei a<br />

trabalhar no governo federal em 2000, o que me proporcionou<br />

uma grande experiência. Hoje, tenho uma carreira<br />

de 24 anos. Desses, 11 anos dos quais trabalhei no governo<br />

e em instituições relacionadas. Com toda essa bagagem,<br />

tornei-me presidente da Abeeólica em 2011, onde estou<br />

há 12 anos. A associação tem sido fundamental para o<br />

desenvolvimento da área, que é muito importante no Brasil.<br />

É a segunda maior fonte de geração de energia, com mais<br />

de mil parques em operação no país. Desde 2020, também<br />

sou vice-presidente do GWEC (Conselho Global de Energia<br />

Eólica). E percebo que essa situação pode ajudar o Brasil a<br />

se posicionar melhor nas questões de mudanças climáticas<br />

e transição energética.<br />

Como surgiu a Abeeólica?<br />

Surgiu para representar uma indústria que estava<br />

começando e precisava se consolidar. Sendo assim, em<br />

2002 é fundada a Abeeólica, uma instituição sem fins<br />

lucrativos que reúne e representa a indústria de energia<br />

eólica no país, incluindo empresas em toda a cadeia de<br />

produção. Nos últimos 10 anos, a entidade tem contribuído<br />

efetivamente para o desenvolvimento e reconhecimento<br />

da energia eólica como uma fonte limpa, renovável, de<br />

baixo impacto ambiental, competitiva e estratégica para a<br />

composição da matriz energética nacional. Nos primeiros<br />

anos, a associação contava com 20 membros, e agora temos<br />

mais de 150 membros. Passamos de 20,5 MW em 2002, para<br />

30 GW de capacidade instalada, posicionando-se como<br />

a segunda fonte na matriz elétrica do país, ficando atrás<br />

apenas da energia hidrelétrica.<br />

Quais os benefícios para os associados?<br />

São muitos os benefícios. Quando se tem uma indústria<br />

da magnitude da energia eólica, ter uma associação<br />

que defenda com ética e transparência os interesses do<br />

Can you briefly tell us about your until you became<br />

Executive President of Abeeólica?<br />

I was born in Ituiutaba (MG). I graduated in economics<br />

and started to build an academic career to become<br />

a University Professor, so I decided to do a Master’s<br />

degree and then a Doctorate. During my studies for my<br />

Master’s degree, I became very interested in the energy<br />

industry and started to research this area. I was one of the<br />

first economists to write about this industry, which was<br />

undergoing reforms in the late 1990s. When I was starting<br />

my Doctorate and already teaching temporarily at the<br />

university, I received an invitation to work at the newly<br />

created regulatory agency in Brazil. From that time on, I<br />

developed a career in the energy field. I started working for<br />

the Federal Government in 2000, which gave me a great<br />

deal of experience. Today, I have a career spanning 24<br />

years. Of those, I spent 11 years in government and related<br />

institutions. With all this baggage, I became President of<br />

Abeeólica in 2011, where I have been for the past 12 years.<br />

The Association has been fundamental for the development<br />

of the area, which is very important in Brazil. Today,<br />

it is the second largest source of energy generation, with<br />

more than a thousand wind farms in operation in the Country.<br />

Since 2020, I have also been Vice Chair of the Global<br />

Wind Energy Council (Gwec). And I realize that this can<br />

help Brazil to better position itself on the issues of climate<br />

change and energy transition.<br />

How did Abeeólica come about?<br />

It emerged to represent an industry that was in its infancy<br />

and needed to consolidate. Thus, in 2002, Abeeólica<br />

was founded, a non-profit institution that brings together<br />

and represents the wind energy industry in the Country,<br />

including companies throughout the production chain.<br />

In the last ten years, the entity has effectively contributed<br />

to the development and recognition of wind energy as a<br />

clean, renewable, low environmental impact, competitive,<br />

and strategic source for the composition of the national<br />

energy matrix. In the early years, the Association had 20<br />

members, and now we have more than 150 members. We<br />

went from 20.5 MW in 2002 to 30 GW of installed capacity,<br />

positioning itself as the second largest source in the Country’s<br />

electricity matrix, behind only hydroelectric power.<br />

What are the benefits for members?<br />

There are many benefits. When you have an industry of<br />

the magnitude of wind energy, having an association that<br />

defends the interests of the development of this industry<br />

with ethics and transparency is fundamental. Even more<br />

24 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Indústria e comércio ltda.<br />

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ENTREVISTA<br />

desenvolvimento dessa indústria é fundamental. Ainda<br />

mais porque essa atuação é pautada pelos conceitos de<br />

transição energética justa, as empresas inseridas na cadeia<br />

de valor da energia eólica entendem a necessidade de<br />

fazer parte. Nossos atuais associados entendem a Abeeólica<br />

como um investimento, uma vez que nossas ações e<br />

resultados em questões estratégicas trazem um retorno<br />

que seria impossível em atuações individuais das empresas.<br />

Além de promover eventos, relações governamentais,<br />

grupos de trabalhos, geração de dados, debates técnicos e<br />

um importante papel consultivo.<br />

Quais as vantagens para a sociedade com a geração<br />

de energia eólica?<br />

O mundo inteiro hoje discute a transição energética.<br />

Que é passar de ser uma sociedade que se utiliza de energia<br />

de origem fóssil e, portanto, poluente, e se tornar uma<br />

sociedade de base de energia renovável. A energia eólica<br />

é parte fundamental para que essa transição ocorra, pois<br />

é, junto com a energia solar, uma das fontes mais competitivas<br />

e com menor impacto socioambiental. Não dá para<br />

fazer a transição energética e mitigar os efeitos do aquecimento<br />

global sem considerar a energia eólica.<br />

Quais fatores que levam o Brasil a ter registrado<br />

crescimento rápido nos últimos 10 anos na geração de<br />

energia eólica?<br />

O grande potencial dos ventos, a criação de programas<br />

de incentivo como o Proinfa (Programa de Incentivo às<br />

Fontes Alternativas de Energia Elétrica), a segurança jurídica<br />

para investimento no país, além de todo esse esforço global<br />

para a transição energética.<br />

Atualmente qual a capacidade instalada de geração<br />

onshore?<br />

Temos 30 GW de capacidade instalada em eólica onshoso<br />

because this action is guided by the concepts of a just<br />

energy transition, companies inserted in the wind energy<br />

value chain understand the need to be part of it. Our<br />

current members understand Abeeólica as an investment<br />

since our actions and results in strategic matters provide<br />

a return that would be impossible for individual company<br />

actions. In addition, benefits include events, government<br />

relations, work groups, data generation, technical debates,<br />

and an important advisory role.<br />

What are the advantages for society with wind<br />

power generation?<br />

The whole world is now discussing the energy transition,<br />

which is to go from being a society that uses the<br />

energy of fossil origin and, therefore, polluting to becoming<br />

a society based on renewable energy. Wind energy<br />

is a fundamental part of this transition, as it is, along with<br />

solar energy, one of the most competitive sources with the<br />

most negligible socio-environmental impact. It is not possible<br />

to make the energy transition and mitigate the effects<br />

of global warming without considering wind energy.<br />

What are the factors that led Brazil to have registered<br />

rapid growth in wind power generation over the<br />

last ten years?<br />

The considerable wind potential, the creation of incentive<br />

programs such as the Incentive Program for Alternative<br />

Sources of Electric Energy (Proinfa), legal certainty for<br />

investment in the Country, and the global effort for the<br />

energy transition.<br />

Currently, what is the installed capacity of onshore<br />

generation?<br />

We have 30 GW of installed onshore wind capacity in<br />

Brazil, representing 14% of the Brazilian electricity matrix.<br />

The Northeast Region concentrates more than 90% of the<br />

Nos últimos 10 anos, a Abeeólica tem contribuído<br />

efetivamente para o desenvolvimento e reconhecimento<br />

da energia eólica como uma fonte limpa, renovável, de<br />

baixo impacto ambiental, competitiva e estratégica para a<br />

composição da matriz energética nacional<br />

26 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA<br />

re no Brasil, representando 14% na matriz elétrica brasileira.<br />

A região nordeste concentra mais de 90% dos parques no<br />

Brasil devido as ótimas condições dos ventos. Para mais<br />

detalhes, o Leitor pode acessar o nosso infovento, no site<br />

da Abeeólica.<br />

Por outro lado, como anda a geração offshore?<br />

A energia eólica offshore ainda não tem parques instalados.<br />

No entanto existe um potencial muito grande de<br />

energia offshore. De acordo com dados da EPE (Empresa de<br />

Pesquisa Energética), são 700 GW de capacidade. Há mais<br />

de 182 GW em projetos em análise pelo IBAMA (Instituto<br />

Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).<br />

Porém, é preciso que haja demanda para produção de<br />

energia e no caso de offshore, isso vai acontecer a partir da<br />

regulamentação de sessão de uso do mar e dos estudos de<br />

viabilidade. Se tudo ocorrer como esperamos, a previsão é<br />

2030. Fazer qualquer projeção diferente disso é um pouco<br />

precipitado.<br />

No ano passado a Câmara dos Deputados aprovou<br />

o marco regulatório para geração de energia eólica<br />

offshore. Qual avaliação da Abeeólica sobre esta proposta?<br />

No que diz respeito a energia offshore, foi um passo<br />

muito importante para o desenvolvimento do setor. Era<br />

algo esperado e os investidores precisavam dessa sinalização<br />

para darem início aos projetos.<br />

Quais os desafios para o crescimento do setor no<br />

Brasil?<br />

Viabilizar a reindustrialização verde (neoindustrialização)<br />

e garantir que os investimentos globais fiquem no<br />

país e para tanto precisamos avançar na regulamentação<br />

das eólicas offshore, hidrogênio renovável e no mercado de<br />

carbono. O caminho está definido, mas é necessário impulsionar<br />

e acelerar o processo.<br />

parks in Brazil due to the excellent wind conditions. For<br />

more details, you can access infovento on our Abeeólica<br />

website.<br />

On the other hand, how is offshore generation<br />

going?<br />

Offshore wind energy does not yet have any wind<br />

farms installed. However, there is a vast potential for offshore<br />

energy. According to data from the Energy Research<br />

Company (EPE), there is a 700 GW capacity. There are more<br />

than 182 GW in projects under analysis by the Brazilian<br />

Institute of Environment and Renewable Natural Resources<br />

(Ibama). However, there needs to be demand for energy<br />

production, and in the case of offshore, this happens from<br />

the regulation for granting the use of the sea and feasibility<br />

studies. If everything goes as we expect, the forecast is<br />

for 2030. To make any projection other than that is a bit<br />

hasty.<br />

Last year, the Chamber of Deputies approved<br />

the regulatory framework for offshore wind power<br />

generation. What is Abeeólica’s assessment of this<br />

proposal?<br />

As far as offshore energy is concerned, it was a critical<br />

step for the development of the Sector. It was something<br />

expected, and investors needed this signal to initiate their<br />

projects.<br />

What are the challenges for the growth of the<br />

Sector in Brazil?<br />

Enable green reindustrialization (neo-industrialization)<br />

and ensure that global investments stay in the<br />

Country. For that, we need to advance in the regulation<br />

of offshore wind, renewable hydrogen, and the carbon<br />

market. The path is defined, but it is necessary to stimulate<br />

and accelerate the process.<br />

A energia eólica é parte fundamental para que a transição<br />

energética ocorra, pois é, junto com a energia solar, uma<br />

das fontes mais competitivas e com menor impacto<br />

socioambiental<br />

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ENTREVISTA<br />

Qual expectativa de crescimento para o setor nos<br />

próximos 10 anos?<br />

Em 2023 houve um esforço do Congresso em aprovar<br />

os marcos legais, agora temos que partir para as regulamentações<br />

e iniciar os processos para investimentos. Os<br />

próximos anos serão fundamentais para a criação de mais<br />

demanda de energia e o crescimento da indústria eólica<br />

deve continuar crescendo na ordem de 4 GW ao ano. Serão<br />

anos virtuosos.<br />

A Abeeólica esteve presente na COP 28. Qual avaliação<br />

sobre o evento em relação a geração de energia<br />

eólica no cenário mundial?<br />

A energia eólica foi muito bem posicionada nas discussões<br />

da COP (Conferência das Nações Unidas para Mudança<br />

do Clima), até pela natureza da fonte, que é renovável. Mas,<br />

para atender a transição energética, é preciso que haja um<br />

crescimento mais acelerado das renováveis como um todo<br />

no mundo de forma que consigamos atingir as metas do clima<br />

e evitar crises climáticas severas. Na minha opinião essa<br />

foi a COP mais importante até agora no sentido de alcançar<br />

esses objetivos, com decisão de criar um fundo de risco<br />

para ajudar países em desenvolvimento e, ainda que de<br />

forma tímida, um começo para resoluções que culminem<br />

na redução do uso de fóssil na matriz energética.<br />

Qual legado que pretende deixar da sua gestão?<br />

Estou muito orgulhosa da minha jornada profissional,<br />

porque realmente passei por vários momentos e situações<br />

importantes no setor elétrico. Mas, de longe, meu maior<br />

orgulho foi ingressar na Abeeólica em 2011, com 1 GW de<br />

capacidade instalada, e a energia eólica quase não tinha<br />

participação na matriz, nem mesmo mencionada no gráfico<br />

da mesma. Agora ela tem mais de 30 GW de capacidade<br />

instalada, sendo a energia eólica a segunda fonte na matriz<br />

do país. Isso, sem dúvida, é a maior conquista da minha<br />

carreira.<br />

What is the expectation of growth for the Sector in<br />

the next ten years?<br />

In 2023, through much effort, Congress approved<br />

the legal frameworks, and now, we must move on to the<br />

regulations and start the investment processes. The next<br />

few years are vital in creating more energy demand, and<br />

the wind energy industry is expected to continue growing<br />

in the order of 4 GW per year. These are virtuous years.<br />

Abeeólica was present at COP 28. What is your<br />

assessment of the event in relation to wind power<br />

generation on the world stage?<br />

Wind energy was very well positioned in the COP 28 -<br />

United Nations Climate Change Conference (Conference<br />

of the Parties) - discussions, not least because of the nature<br />

of the source, which is renewable. But to meet the energy<br />

transition, there needs to be a faster growth of renewables<br />

as a whole in the world so that we can achieve climate<br />

goals and avoid severe climate crises. In my opinion,<br />

this was the most important COP so far in order to reach<br />

these goals, with the decision to create a risk fund to help<br />

developing countries and, albeit timidly, a start towards<br />

resolutions that culminate in the reduction of the use of<br />

fossil fuels in the energy matrix.<br />

What is the legacy that you intend to leave behind<br />

from your administration?<br />

I am very proud of my professional journey because I<br />

have really gone through several important moments and<br />

situations in the Electricity Sector. But, by far, my greatest<br />

pride was joining Abeeólica in 2011, with 1 GW of installed<br />

capacity, and wind energy had almost no participation<br />

in the matrix, not even mentioned in its graph. It now has<br />

more than 30 GW of installed capacity, with wind energy<br />

being the second electric energy source in the Country’s<br />

matrix. This, without a doubt, is the most outstanding<br />

achievement of my career.<br />

Em 2023 houve um esforço do Congresso em aprovar<br />

os marcos legais, agora temos que partir para as<br />

regulamentações e iniciar os processos para investimentos<br />

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br


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PRINCIPAL<br />

PROJETOS DE BIOMASSA<br />

DA ANDRITZ AGREGAM<br />

EXPERTISE DO GRUPO<br />

PROJEÇÃO DE MERCADO INDICA: 2024 É<br />

O MOMENTO PARA PREPARAR<br />

E RECEBER DEMANDA CRESCENTE POR<br />

FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEL<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

32 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A<br />

questão energética vem ganhando a cada<br />

dia mais importância, além de se tornar<br />

uma necessidade para a indústria, é considerada<br />

igualmente estratégica para revisão<br />

de processos, exemplo disso é a crescente demanda da<br />

Europa, Japão e outros países desenvolvidos com prazos<br />

para redução drástica de emissões de GEE (gases<br />

do efeito estufa).<br />

Há vários anos o grupo ANDRITZ vem atuando globalmente<br />

em demandas do setor de pellets. No mercado<br />

brasileiro a produção iniciou em 2005 e a multinacional<br />

já é considerada a empresa mais preparada para<br />

a oferta de soluções completas para pequenas, médias<br />

e grandes plantas, assim como na cadeia de papel e<br />

celulose.<br />

A experiência do grupo se reflete em conhecimento<br />

agregado para originar os projetos para pellet de<br />

madeira, transformando em biomassa o que estava<br />

sendo descartado, ou comercializado com baixo valor<br />

agregado, tornando-se outra fonte de receita para o<br />

negócio.<br />

A ANDRITZ fornece desde o projeto, engenharia<br />

civil, equipamentos e tecnologias necessárias para colocar<br />

o sistema em operação. Referência na aplicação<br />

EPC (Engineering, Procurement and Construction),<br />

dispõe dessa expertise para executar os projetos com<br />

linhas para recepção de matérias-primas, secagem de<br />

biomassa, desde a moagem úmida, moagem fina e a<br />

peletização.<br />

A visão integral desses processos diminui prazos e<br />

garante entregas eficientes reduzindo o desperdício,<br />

sobretudo, nos casos que a biomassa é gerada de cascas<br />

e aparas de madeira.<br />

Para que as inúmeras vantagens do sistema possam<br />

ser aproveitadas por todos os interessados nesse<br />

mercado, a ANDRITZ recebe pedidos para projetos de<br />

diferentes portes. “A empresa atende sistemas para geração<br />

de até 6 ou 7 toneladas de pellets por hora, bem<br />

como está desenvolvendo projetos que geram até 57<br />

toneladas/hora, ou seja, pode executar todos os projetos,<br />

com a mesma eficiência”, ressalta Marinaldo Campos,<br />

Diretor ANDRITZ Feed & BioFuel.<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

33


PRINCIPAL<br />

REFERÊNCIA<br />

O grupo ANDRITZ desenvolveu o sistema para uma<br />

das maiores plantas do mundo, cuja empresa é referência<br />

entre os principais produtores de pellets de biomassa<br />

lenhosa na Carolina do Norte, nos EUA (Estados<br />

Unidos da América).<br />

O projeto inclui o fornecimento de equipamentos<br />

de armazenagem de madeira, engenharia e serviços<br />

de campo para duas usinas.<br />

Para obter altas taxas de produção, um dos destaques<br />

da ANDRITZ foi o picador HHQ30 com sistema<br />

TurnKnife, da ANDRITZ Iggesund Tools, que está no<br />

centro da linha de processamento de madeira. A combinação<br />

do picador e sistema de faca produz a maior<br />

porcentagem de cavacos aceitos e os mais finos do<br />

mercado.<br />

O sistema desenvolvido ainda transforma outros<br />

materiais residuais secos, como a serragem, essa biomassa<br />

pode substituir a geração de energia a carvão,<br />

reduzir as emissões de carbono e fornecer eletricidade<br />

renovável.<br />

CENÁRIO NO BRASIL<br />

A ANDRITZ vem prospectando avanços consideráveis<br />

para a área de pellets nos próximos anos, acompanhando<br />

a tendência mundial e visando a necessidade<br />

34<br />

www.REVISTABIOMAIS.com.br


de investir no setor. O cenário brasileiro é um dos mais<br />

promissores devido à sua grande capacidade de produção<br />

de biomassa. O que é descartado hoje, entra na<br />

linha de visão sustentável e geração de renda. “No Brasil,<br />

diante dos custos e condições propícias para a produção<br />

de biomassa, aliados à crescente demanda no mercado<br />

europeu, japonês e de outros países desenvolvidos por<br />

fontes de energia renovável, surge uma significativa<br />

oportunidade para as empresas estabelecerem canais<br />

de exportação. Esses países estão cada vez mais interessados<br />

em adquirir fontes sustentáveis de energia, o que<br />

torna o cenário favorável para a expansão das exportações<br />

brasileiras nesse setor”, avalia Marinaldo Campos.<br />

“O mercado tem demandado<br />

projetos de biomassa, por<br />

diversas razões. O grupo<br />

ANDRITZ conhece todo o<br />

processamento prévio da<br />

cadeia envolvida nas fábricas<br />

de papel e celulose, o que<br />

simplifica a execução desses<br />

projetos e nos dá ganho<br />

em eficiência para essa<br />

transformação. Além disso,<br />

como especialistas em EPC,<br />

podemos entregar o projeto,<br />

garantindo toda a excelência<br />

da experiência das nossas<br />

equipes atendendo essa<br />

necessidade da indústria de<br />

pellets, vislumbrando esse<br />

espaço"<br />

Luis Bordini, diretor presidente da<br />

ANDRITZ Brasil<br />

O diretor presidente da ANDRITZ Brasil, Luis Bordini,<br />

destaca que a oferta de soluções em pellets coloca<br />

os clientes do grupo ANDRITZ em vantagem, já<br />

que o grupo conhece como ninguém todo o processo<br />

envolvido nessa oportunidade de investimento. “O<br />

mercado tem demandado projetos de biomassa, por<br />

diversas razões. O grupo ANDRITZ conhece todo o processamento<br />

prévio da cadeia envolvida nas fábricas de<br />

papel e celulose, o que simplifica a execução desses<br />

projetos e nos dá ganho em eficiência para essa transformação.<br />

Além disso, como especialistas em EPC, podemos<br />

entregar o projeto, garantindo toda a excelência<br />

da experiência das nossas equipes atendendo essa<br />

necessidade da indústria de pellets, vislumbrando esse<br />

espaço”, resume Bordini.<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


PRINCIPAL<br />

VISÃO DE MERCADO NA ANÁLISE DO<br />

DIRETOR DA ANDRITZ FEED & BIOFUEL,<br />

MARINALDO CAMPOS<br />

QUAL SUA VISÃO DO MERCADO DE PELLETS NO BRASIL?<br />

“Não existe nenhum outro país do mundo que tenha capacidade de produzir<br />

biomassa como o Brasil. Essa biomassa hoje é um desperdício, em algumas<br />

indústrias, como a moveleira, e isso acaba sendo descartado quando ele<br />

poderia se tornar uma fonte de receita, através do pellet de madeira.”<br />

QUAL A PROJEÇÃO PARA ESSE MERCADO?<br />

“Existe uma demanda crescente na Europa por energia renovável, existem<br />

metas da comunidade europeia para diminuir drasticamente a emissão de<br />

carbono. Então, tudo onde há energia renovável é onde vai crescer e onde haverá<br />

investimento no mercado de energia. Com as condições que citei antes,<br />

de custo favorável e condições para produzir biomassa junto com a crescente<br />

demanda da Europa, Japão e outros países desenvolvidos por energia renovável,<br />

existe uma grande oportunidade para as empresas brasileiras abrirem<br />

formas de exportação para esses países, que vão exigir fontes de energia renovável.”<br />

A ANDRITZ JÁ É REFERÊNCIA PARA PROJETOS DE PELLETS<br />

NO BRASIL?<br />

“A ANDRITZ está pronta para atender qualquer demanda e capacidade.<br />

Não tem hoje no mercado de madeira ou de biomassa peletizada nenhuma<br />

empresa como a ANDRITZ para entregar uma solução completa. Desde a engenharia<br />

civil, solução em equipamentos, até a entrega do produto final. Essa<br />

competência é exclusividade da ANDRITZ no Brasil e nos demais países em<br />

que está executando projetos de biomassa. Além disso, podemos escalonar,<br />

temos soluções sob medida de acordo com o tamanho do negócio. Se o cliente<br />

precisa de uma solução mais simples e enxuta, a ANDRITZ tem, se precisa<br />

de uma solução completa: uma fábrica inteira – com toda a engenharia civil,<br />

uma planta turnkey, nós também temos.”<br />

36 www.REVISTABIOMAIS.com.br


SEGURANÇA E EXPERTISE ANDRITZ<br />

Fornecedor líder global de plantas, equipamentos<br />

e serviços para a indústria de papel e celulose, indústrias<br />

metalomecânicas e siderúrgicas e separação sólido/líquido<br />

nos setores municipal e industrial, o Grupo<br />

ANDRITZ opera com mais de 250 unidades de produção,<br />

assim como empresas de serviços e vendas em<br />

todo o mundo.<br />

Todo projeto exige segurança e eficiência, para isso<br />

considera-se a experiência ANDRITZ, a partir de um<br />

extenso portfólio; o uso da mais avançada tecnologia;<br />

profissionais habilitados, e em constante atualização;<br />

premiações da área, além de características únicas que<br />

agregam valor ao mercado, como a necessidade constante<br />

por desafios e inovação.<br />

Com essas premissas iniciais, pode-se mensurar o<br />

enredo que a ANDRITZ dedica a cada novo projeto e<br />

área de atuação.<br />

“A empresa atende sistemas<br />

para geração de até 6 ou<br />

7 toneladas de pellets<br />

por hora, bem como está<br />

desenvolvendo projetos que<br />

geram até 57 toneladas por<br />

hora, ou seja, pode executar<br />

todos os projetos, com a<br />

mesma eficiência<br />

Marinaldo Campos, diretor<br />

ANDRITZ Feed & BioFuel<br />

ENGINEERED SUCCESS<br />

ANDRITZ Brasil Ltda. ⁄ Av. Vicente Machado, 589 ⁄ 80420-010 Curitiba - PR ⁄ Brasil ⁄ andritz.com<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

37


BALANÇO<br />

ENERGIA<br />

RENOVÁVEL<br />

FINANCIAMENTO PARA<br />

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA<br />

AUMENTOU EM 2023<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

38 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O<br />

s financiamentos para projetos em<br />

energia limpa e renovável tiveram um<br />

importante aumento no ano passado.<br />

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento<br />

Econômico e Social) aumentou em 62% os<br />

investimentos em energia limpa durante 2023, em<br />

comparação com o valor investido em 2022, segundo<br />

levantamento divulgado pela instituição. O total<br />

aportado em 2023 foi de R$ 19,6 bilhões no segmento<br />

de energias renováveis.<br />

Ao todo, foram 51 operações aprovadas pelo<br />

BNDES com foco em transição energética e mudança<br />

climática, o que representa um terço dos investimentos<br />

realizados pela instituição financeira no ano passado.<br />

A título de comparação, o banco fechou 2023 com<br />

R$ 37,5 bilhões em projetos de transportes, logística,<br />

mobilidade e saneamento.<br />

Um dos empreendimentos financiado pelo banco<br />

é o Complexo Eólico Babilônia Centro, localizado<br />

na Bahia. O financiamento foi de R$ 3,16 bilhões, o<br />

maior aporte já aprovado pelo BNDES para geração<br />

renovável. A usina terá capacidade instalada de 553,5<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

39


BALANÇO<br />

MW (Megawatts). A estimativa é que o complexo de<br />

energia eólica evite a emissão de 950 mil toneladas de<br />

CO2 (gás carbônico).<br />

RECORDE NA GERAÇÃO<br />

O Brasil fechou 2023 com o recorde anual de<br />

expansão da geração de energia elétrica. Foram adicionados<br />

10,3 GW (Gigawatts) de capacidade instalada<br />

em território nacional, sendo 87% oriundos de usinas<br />

fotovoltaicas e solares. Ao total, 291 empreendimentos<br />

entraram em funcionamento no ano passado.<br />

Na área de transmissão de energia, os dois leilões<br />

realizados em 2023 contrataram a construção de<br />

10.655 km (quilômetros) de linhas. Os investimentos<br />

totalizam R$ 37,4 bilhões e a expectativa é que sejam<br />

gerados 97 mil empregos diretos e indiretos na construção<br />

dessas linhas.<br />

As obras leiloadas em anos anteriores tiveram<br />

andamentos importantes em 2023. A extensão registrada<br />

no ano passado foi de 5,3 mil km de novas linhas<br />

de transmissão. Com esse acréscimo na infraestrutura,<br />

o SIN (Sistema Interligado Nacional) terá condições de<br />

escoar energia limpa e renovável excedente, gerada a<br />

partir das regiões norte e nordeste para o restante do<br />

país.<br />

Na área de transmissão<br />

de energia, os dois leilões<br />

realizados em 2023<br />

contrataram a construção<br />

de 10.655 km de linhas<br />

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br


BIOMASSA<br />

BIOMASSA NO<br />

MATO GROSSO<br />

PROJETO DE PESQUISA ENTRE EMBRAPA<br />

E AREFLORESTA VAI AVALIAR CLONES<br />

DE EUCALIPTO PARA BIOMASSA<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

BIOMASS IN THE STATE<br />

OF MATO GROSSO<br />

A JOINT RESEARCH PROJECT WITH<br />

EMBRAPA AND AREFLORESTA<br />

EVALUATES EUCALYPTUS CLONES<br />

FOR BIOMASS<br />

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O<br />

Conselho Gestor do Desenvolve Floresta do<br />

Estado de Mato Grosso aprovou o financiamento<br />

de um projeto de pesquisa liderado pela<br />

Embrapa Agrossilvipastoril, sediada em Sinop<br />

(MT) e Arefloresta (Associação dos Reflorestadores de Mato<br />

Grosso) para a avaliação de clones de eucalipto.<br />

O projeto testará 60 clones de eucalipto desenvolvidos<br />

pela Embrapa visando atender à crescente demanda<br />

por madeira para energia. O objetivo é o de recomendar<br />

materiais mais adaptados e produtivos para as condições de<br />

clima e solo do Estado. Com isso, espera-se reduzir os riscos<br />

na atividade florestal.<br />

T<br />

he State of Mato Grosso Forest Development Council<br />

Management approved the funding for a research<br />

project led by Embrapa Agrosilvopastoril, based<br />

in Sinop (MT), and with the State of Mato Grosso<br />

Planted Forest Association (Arefloresta) for the evaluation of<br />

eucalyptus clones.<br />

The project plans to test 60 eucalyptus clones developed<br />

by Embrapa to meet the growing demand for wood for energy.<br />

The objective is to recommend better-adapted and more<br />

productive materials for the climate and soil conditions within<br />

the State. With this, it expects to reduce the risks in forestry<br />

activity.<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

43


PELO MUNDO<br />

“Hoje basicamente a silvicultura de eucalipto em Mato<br />

Grosso é pautada em três materiais. O H13, o VM01 e o I144.<br />

Tem um ou outro que vai bem em determinada região, mas<br />

esses três são os que se desenvolvem bem em todas as regiões.<br />

Então é um risco muito alto, caso surja alguma praga<br />

ou doença a qual esses materiais sejam suscetíveis. Então o<br />

foco do trabalho é aumentar o leque de opções de materiais<br />

para minimizar esse risco que existe”, explica o pesquisador<br />

da Embrapa Agrossilvipastoril e líder do projeto, Maurel<br />

Behling.<br />

PESQUISA NO ESTADO<br />

Serão instalados experimentos em cinco regiões de<br />

Mato Grosso, onde os clones serão testados em parcelas<br />

de 100 plantas (10×10). Os testes clonais ampliados (TCA)<br />

serão conduzidos pela Embrapa e por empresas associadas<br />

à Arefloresta. “A ideia é plantar em locais representativos de<br />

onde será cultivado o eucalipto em Mato Grosso. Então são<br />

áreas marginais para a agricultura. Geralmente são áreas de<br />

solo mais arenosos”, explica Behling.<br />

“Today, eucalyptus forestry in Mato Grosso is based on<br />

three materials - the H13, the VM0, and the I144. Others do<br />

well in a certain region, but these three are the ones that<br />

grow well in all regions. So, there is a very high risk that these<br />

other materials may be susceptible to losses if there is a pest<br />

or disease. So, the focus of the work is to increase the range of<br />

material options to minimize risks,” explains Maurel Behling,<br />

Embrapa Agrosilvopastoral Scientist and Project Leader.<br />

IN STATE RESEARCH<br />

The experiments are to be carried out in five regions of<br />

Mato Grosso, and the clones tested in plots with 100 plants<br />

(10×10). The extended clonal tests (TCA) will be conducted by<br />

Embrapa and companies associated with Arefloresta. “The<br />

idea is to plant in representative places where eucalyptus will<br />

be grown in Mato Grosso. These are usually marginal areas for<br />

agriculture and, generally, have sandier soil,” Behling explains.<br />

There will also be a trial for monitoring and preservation<br />

of genetic materials in the Embrapa Agrosilvopastoril experimental<br />

area, where the soil is of medium texture and clayey.<br />

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O foco do trabalho é<br />

aumentar o leque de<br />

opções de materiais para<br />

minimizar o risco que<br />

existe<br />

No campo experimental da Embrapa Agrossilvipastoril,<br />

onde o solo é de textura média e argilosa, também haverá<br />

um ensaio para acompanhamento e preservação dos materiais<br />

genéticos.<br />

Maurel Behling, pesquisador<br />

da Embrapa Agrossilvipastoril e<br />

líder do projeto<br />

MELHOR GENÉTICA<br />

Os 60 clones utilizados são oriundos de trabalhos de<br />

seleção e melhoramento genético realizados pela Embrapa<br />

Florestas em Goiás e Mato Grosso do Sul, sob coordenação<br />

do pesquisador Estefano Paludzyszyn Filho. Anteriormente,<br />

uma outra etapa da pesquisa havia sido realizada em Sinop<br />

(MT), com auxílio da Flora Sinop, para testar a produção de<br />

mudas e o enraizamento dos materiais.<br />

O orçamento aprovado para o novo projeto é de R$ 2,4<br />

milhões, distribuídos ao longo de 6 anos de execução. O<br />

valor é oriundo do Fundo de Desenvolvimento Florestal do<br />

Estado de Mato Grosso, subordinado à Sedec (Secretaria de<br />

Estado de Desenvolvimento Econômico).<br />

BETTER GENETICS<br />

The 60 clones to be used come from the selection and<br />

genetic improvement work carried out by Embrapa Forests in<br />

the States of Goiás and Mato Grosso do Sul, under the coordination<br />

of scientist Estefano Paludzyszyn Filho. Previously,<br />

another stage of the research had been carried out in Sinop<br />

(MT), with the help of Flora Sinop, to test the production of<br />

seedlings and the rooting of the materials.<br />

The approved budget for the new project is R$ 2.4 million,<br />

distributed over six years. The resources come from the State<br />

of Mato Grosso Forest Development Fund, subordinated to the<br />

State Secretary for Economic Development (Sedec).<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

45


ECONOMIA<br />

MERCADO LIVRE<br />

DE ENERGIA<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

46 www.REVISTABIOMAIS.com.br


MAIS DE 3 MIL<br />

CONSUMIDORES<br />

JÁ ENCERRARAM<br />

CONTRATOS COM<br />

DISTRIBUIDORAS DE<br />

ENERGIA ELÉTRICA<br />

PARA ENTRAR NO<br />

NOVO MERCADO<br />

O<br />

ano mal começou e desde o início mais<br />

de 3 mil consumidores já notificaram o<br />

encerramento dos contratos com distribuidoras<br />

de energia elétrica para migrar<br />

para o mercado livre de energia. Janeiro de 2024 foi o<br />

primeiro mês de vigência da abertura desse modelo<br />

para consumidores do grupo A, de média e alta tensão,<br />

que passaram a ter essa opção, já disponível para<br />

as grandes indústrias.<br />

A mudança pode baratear as contas de energia<br />

dessas empresas em torno de 20%. Marcelo Loureiro,<br />

conselheiro da CCEE (Câmara de Comercialização de<br />

Energia Elétrica), que integra geradores, distribuidores,<br />

comercializadores e consumidores de energia elétrica<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

47


ECONOMIA<br />

no país, afirma que o potencial de novos negócios que<br />

podem se beneficiar do mercado livre de energia é<br />

enorme.<br />

"Mais de 12 mil pequenas empresas e médias<br />

empresas já demonstraram interesse de ingressar no<br />

ambiente livre para todos os meses de 2024. Estimamos<br />

que, ao todo, teremos algo entre 20 e 24 mil<br />

empresas aderindo. Para ter noção do que representa<br />

tal volume, atualmente temos 38 mil unidades consumidoras<br />

que já estão no segmento livre. Isso significa<br />

que a quantidade de aderentes possa aumentar esse<br />

número em até 50% só neste ano", disse Marcelo.<br />

COMO ADERIR<br />

De acordo com portaria do MME (Ministério de<br />

Minas e Energia), os consumidores deverão escolher<br />

um comercializador varejista habilitado na CCEE. Mais<br />

de 100 agentes varejistas já estão habilitados.<br />

Ao ingressar no mercado livre de energia, os<br />

consumidores continuam vinculados às distribuidoras,<br />

Mais de 12 mil pequenas<br />

empresas e médias<br />

empresas já demonstraram<br />

interesse de ingressar no<br />

ambiente livre para todos<br />

os meses de 2024<br />

Marcelo Loureiro,<br />

conselheiro da CCEE<br />

48 www.REVISTABIOMAIS.com.br


que é quem dispõe da rede por onde a energia passa.<br />

Mas podem escolher o fornecedor, assim como tempo<br />

de contrato, preço, tipo de energia, optando, por<br />

exemplo, por fontes e energias renováveis.<br />

Dante Beneveni, Ceo da Urca Trading, empresa<br />

do Grupo Urca Energia, uma das empresas comercializadoras<br />

habilitadas para atuar no mercado livre de<br />

energia diz que a redução de custos pode chegar a<br />

três faturas por ano. E cita outros benefícios.<br />

"Poder de escolha, possibilidade de ter mais<br />

opções de fornecedor de energia e não ficar restrito<br />

àquela distribuidora onde está conectado. E produtos,<br />

com a possibilidade de diversificação, seja falando só<br />

em energia, produto com desconto garantido ou com<br />

preço fixo, ele (consumidor) podendo escolher entre<br />

custo e benefícios, com a popularização da energia<br />

do mercado livre, iniciando com o atacarejo e depois<br />

indo para o varejo de fato. Assim como aconteceu lá<br />

fora, a tendência é que esse produto de energia venha<br />

para o mercado com novos produtos", destaca Dante<br />

Beneveni.<br />

MERCADO DE ENERGIA<br />

A nova regra em vigor, portaria normativa número<br />

50, emitida pelo MME, permite a todos os consumidores<br />

conectados em tensão acima de 2,3 kV (kilovolts),<br />

conhecidos como grupo A, escolher seu fornecedor de<br />

eletricidade, aderindo ao chamado mercado livre de<br />

energia. Todos os consumidores com essa classificação<br />

poderão migrar, independentemente do setor e do<br />

volume de demanda contratada.<br />

A medida deve beneficiar indústrias e serviços de<br />

pequeno e médio porte. São supermercados, padarias,<br />

redes de postos de combustíveis e outros negócios<br />

que estejam no grupo A de consumo. Essa informação<br />

pode ser conferida na conta de energia.<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 49


ARTIGO<br />

MANEJO DA<br />

BIOMASSA E<br />

SUSTENTABILIDADE<br />

NUTRICIONAL EM POVOAMENTOS<br />

DE EUCALYPTUS SPP. EM<br />

PEQUENAS PROPRIEDADES RURAIS<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

50 www.REVISTABIOMAIS.com.br


MAURO VALDIR SCHUMACHER<br />

UFSM (Universidade Federal de Santa Maria)<br />

RUDI WITSCHORECK<br />

UFSM (Universidade Federal de Santa Maria)<br />

FRANCINE NEVES CALIL<br />

UFG (Universidade Federal de Goiás)<br />

VICENTE GUILHERME LOPES<br />

Unipampa (Universidade Federal do Pampa)<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

51


ARTIGO<br />

RESUMO<br />

O<br />

estudo foi realizado com o objetivo de<br />

subsidiar práticas de manejo nutricional<br />

de povoamentos de Eucalyptus spp. em<br />

pequenas propriedades rurais no Estado do<br />

Rio Grande do Sul. Foram avaliados povoamentos de 2,<br />

4, 6 e 8 anos de idade, com amostragem de 24 árvores<br />

e determinação da biomassa e nutrientes nos componentes:<br />

folha, galho vivo, galho morto, madeira e casca<br />

do tronco e raiz. Também foi estimada a biomassa e o<br />

conteúdo de nutrientes no sub-bosque e na serapilheira.<br />

A biomassa e o estoque de nutrientes no eucalipto<br />

foram estimados por meio do produto dos valores médios<br />

por componente, classe diamétrica e número de<br />

árvores por hectare, e no sub-bosque e serapilheira, por<br />

extrapolação com base na área das unidades amostrais.<br />

A eficiência de utilização dos nutrientes no eucalipto<br />

foi estimada através do CUB (coeficiente de utilização<br />

biológico). Considerando-se o estoque total de nutrientes<br />

no eucalipto, em média, a partição, por nutriente,<br />

obedeceu a seguinte ordem: Ca (40,0%), N (25,6%), K<br />

(22,6%), Mg (5,9%), S (3,1%), P (2,8%); e por componente:<br />

casca do tronco (27,5%), folha (25,1%), madeira do<br />

tronco (22,5%), galho vivo (14,4%), raiz (9,4%) e galho<br />

morto (1,1%). A serapilheira e o sub-bosque desempenham<br />

importante função na manutenção dos nutrien-<br />

tes no ecossistema florestal, e acumularam em média,<br />

em relação ao estoque total no eucalipto, para N, P,<br />

K, Ca, Mg e S, respectivamente, 47,1%, 34,0%, 33,6%,<br />

32,8%, 35,3% e 36,6%. A colheita florestal realizada em<br />

povoamentos jovens acarreta perda no rendimento<br />

de madeira do tronco e maior exportação relativa de<br />

nutrientes (menor CUB). A colheita total da biomassa<br />

de eucalipto acima do solo, quando comparada com<br />

a colheita apenas da madeira do tronco, aumentou a<br />

exportação de N, P, K, Ca, Mg e S, respectivamente, em<br />

83%, 152%, 193%, 445%, 305% e 49%, ao passo que a<br />

remoção de biomassa aumentou apenas 20%.<br />

INTRODUÇÃO<br />

O eucalipto é a essência mais utilizada em plantios<br />

florestais no Brasil, em 2015, dos 7,8 milhões de ha<br />

(hectares) de área total, 5,6 milhões de ha ou 71,8%<br />

eram ocupados com espécies desse gênero, dos quais,<br />

6% pertenciam ao Rio Grande do Sul (IBÁ - Indústria<br />

Brasileira de Árvores, 2016).<br />

O desenvolvimento rural sustentável implica no<br />

planejamento adequado do processo de produção<br />

agrícola e florestal, identificando e protegendo adequadamente<br />

as áreas de proteção para que se preserve<br />

água, biodiversidade e outros serviços ambientais, de<br />

52 www.REVISTABIOMAIS.com.br


forma a possibilitar o uso racional dos espaços produtivos<br />

da paisagem. No caso de plantações florestais, por<br />

exemplo, o setor evoluiu bastante neste sentido, com a<br />

adoção de práticas sustentáveis de manejo florestal.<br />

Na área do presente estudo, os plantios de eucalipto<br />

apresentam vários aspectos positivos. Economicamente,<br />

as florestas proporcionam biomassa barata<br />

que viabiliza atividades que necessitam dessa fonte de<br />

energia. Ecologicamente, além de amenizar a pressão<br />

sobre os parcos remanescentes de florestas naturais, os<br />

plantios de eucalipto possibilitam a melhor utilização<br />

da área das propriedades, permitindo a reintegração de<br />

áreas marginais, mal drenadas ou de topografia mais<br />

acidentada, nas quais desempenham importante papel<br />

na preservação do solo e dos recursos hídricos.<br />

Economicamente, as<br />

florestas proporcionam<br />

biomassa barata que<br />

viabiliza atividades que<br />

necessitam dessa fonte<br />

de energia<br />

MATERIAL E MÉTODO<br />

O estudo foi realizado em pequenas propriedades<br />

rurais no município de Vera Cruz (RS), em povoamentos<br />

de 2, 4, 6 e 8 anos de idade. Segundo Köppen, a área<br />

compreende o tipo climático Cfa2, que corresponde<br />

A maior capacidade instalada para produção de pellets no país é KAHL<br />

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ARTIGO<br />

ao clima subtropical (Moreno, 1961). A precipitação<br />

pluviométrica da região fica em torno de 1.650 mm<br />

(milímetros) anuais. Os solos pertencem ao Grupo São<br />

Bento, tendo com material de origem arenitos, siltitos e<br />

argilitos da Formação Rosário do Sul - Santa Maria (RS),<br />

originados de deposições sedimentares de natureza<br />

flúvio-lacustre do período Triássico (Vieira, 1984).<br />

tes posições ao longo do fuste: dap, a 50% e a 75% da<br />

altura total da árvore. No laboratório, as amostras foram<br />

secas a 70ºC (graus Celsius), em estufa com circulação<br />

e renovação de ar, até estabilização do peso. Após a<br />

secagem, as amostras foram pesadas novamente para<br />

determinação da massa seca. As amostras foram moídas<br />

em moinho de lâminas do tipo Wiley com peneira de 20<br />

AMOSTRAGEM DE BIOMASSA<br />

Os povoamentos foram selecionados de modo que<br />

representassem as condições de cultivo da espécie<br />

florestal em área de primeiro corte na região do estudo.<br />

O inventário florestal consistiu na distribuição aleatória<br />

de quatro parcelas de 12m x 20m (metros), em cada<br />

um dos povoamentos, foram medidos todos os DAPs<br />

(diâmetros das árvores a altura do peito), com auxílio de<br />

uma fita diamétrica, e 20% da altura total das árvores<br />

mais altas, com hipsômetro de precisão.<br />

ESTIMATIVA DE BIOMASSA E NUTRIENTES<br />

Para determinação do teor de umidade e a concentração<br />

de nutrientes em cada árvore-amostra foi<br />

coletada uma amostra de folha, galho vivo, galho morto<br />

e raiz, e três amostras de casca e madeira, nas seguin-<br />

O aumento da biomassa<br />

relativa em função da<br />

idade contribui para<br />

um maior rendimento<br />

de madeira nos<br />

povoamentos após os 6<br />

anos de idade<br />

54 www.REVISTABIOMAIS.com.br


mesh. As determinações analíticas de N, P, K, Ca, Mg e S,<br />

foram realizadas segundo a metodologia sugerida por<br />

Miyazawa et al. (1999). O nitrogênio foi determinado<br />

pelo método Kjeldhal, no extrato de digestão sulfúrica,<br />

e os demais elementos, no extrato de digestão nítrico-perclórica,<br />

sendo cálcio e magnésio por espectrofotometria<br />

de absorção atômica, fósforo por espectrofotometria<br />

(VIS), potássio por fotometria de chama e<br />

enxofre por turbidimetria.<br />

CONCLUSÕES<br />

Os fundamentos da ciclagem de nutrientes devem<br />

ser aplicados ao manejo da biomassa para manter a<br />

fertilidade do solo e diminuir a necessidade de adubação.<br />

Nesse sentido, o sub-bosque e a serapilheira são<br />

importantes compartimentos para a manutenção dos<br />

nutrientes no sistema. A ciclagem interna de nutrientes<br />

aumenta a eficiência de utilização dos nutrientes<br />

(CUB) ao longo da idade do povoamento, reduzindo a<br />

exportação relativa de nutrientes pela colheita florestal.<br />

O aumento da biomassa relativa em função da idade<br />

contribui para um maior rendimento de madeira nos<br />

povoamentos após os 6 anos de idade.<br />

A restrição da exportação de biomassa somente à<br />

madeira do tronco, mantendo casca do tronco, raiz e<br />

os demais componentes da copa como resíduo sobre<br />

o solo, é a medida mais importante para a redução do<br />

impacto nutricional da colheita florestal. A observância<br />

à idade de colheita florestal e à intensidade de remoção<br />

da biomassa associadas ao manejo correto dos resíduos<br />

pós-colheita, são medidas efetivas à sustentabilidade<br />

nutricional de plantios de eucalipto.<br />

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AGENDA<br />

MARÇO 2024<br />

DESTAQUE<br />

BRASIL OFFSHORE WIND SUMMIT<br />

Data: 26 e 27 de março 2024<br />

Local: Rio de Janeiro (RJ)<br />

Informações:<br />

https://abeeolica.org.br/eventos-abeeolica/<br />

ABRIL 2024<br />

IFAT BRASIL - FEIRA INTERNACIONAL PARA<br />

ÁGUA, ESGOTO, DRENAGEM E SOLUÇÕES<br />

EM RECUPERAÇÃO DE RESÍDUOS<br />

Data: 24 a 26 de abril 2024<br />

Local: São Paulo Expo (SP)<br />

Informações: https://ifatbrasil.com.br/<br />

MAIO 2024<br />

VI FÓRUM SUL BRASILEIRO<br />

DE BIOGÁS E BIOMETANO<br />

Data: 16 a 18 de abril 2024<br />

Local: Chapecó (SC)<br />

Informações:<br />

https://biogasebiometano.com.br/<br />

CIBIO 2024 – CONGRESSO INTERNACIONAL<br />

DE BIOMASSA<br />

Data: 29 e 30<br />

Local: FIEP – Curitiba (PR)<br />

Informações: https://www.congressobiomassa.com/site/<br />

CBENS - CONGRESSO BRASILEIRO DE<br />

ENERGIA SOLAR<br />

Data: 27 a 30<br />

Local: Natal (RN)<br />

Informações:<br />

https://www.abens.org.br/evento.php?evento=3<br />

Esta é a segunda vez que Chapecó<br />

recebe o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e<br />

Biometano. O Centro de Cultura e Eventos<br />

Plínio Arlindo de Nes, será sede da VI edição<br />

do fórum organizado pela Sbera (Sociedade<br />

Brasileira dos Especialistas em Resíduos das<br />

Produções Agropecuária e Agroindustrial). A<br />

programação prevê painéis, além de visitas<br />

técnicas e espaço de negócios. Além dos painéis<br />

principais, o fórum reserva espaço para<br />

eventos paralelos como encontros, reuniões e<br />

workshops.<br />

56 www.REVISTABIOMAIS.com.br


OPINIÃO<br />

Foto: divulgação<br />

O PAPEL VITAL DA ENERGIA<br />

SOLAR NA ASCENSÃO DOS<br />

VEÍCULOS ELÉTRICOS NO<br />

BRASIL<br />

E<br />

m um mundo cada vez mais comprometido com<br />

a diminuição da emissão de GEE (gases de efeito<br />

estufa), a mobilidade elétrica urbana é um tema<br />

central para acelerar essas reduções. A boa notícia<br />

é que o veículo elétrico já é realidade, inclusive no Brasil. E<br />

esse segmento, que vem crescendo a passos largos no país,<br />

traz diversas oportunidades para o mundo da energia solar.<br />

O veículo elétrico está se popularizando à medida que as<br />

baterias, que pode ser considerado o calcanhar de Aquiles<br />

dos modelos por vários motivos, estão cada vez mais eficientes<br />

e com custos em queda acelerada.<br />

Segundo um estudo recente da Goldman Sachs, o custo<br />

de um kWh (quilowatts por hora) de capacidade da bateria<br />

era de US$ 155 em 2022; e, até 2025, deverá sofrer uma redução<br />

de cerca de 36%, atingindo US$ 99 – anteriormente, o<br />

banco estimava uma queda de 33%. A previsão dos analistas<br />

é que os preços das baterias caiam 11% ao ano de 2023 a<br />

2030, quando deverão custar cerca de US$ 70 por kWh.<br />

Além de estarem mais baratas, as baterias estão mais<br />

densas, uma vez que a indústria está conseguindo colocar<br />

mais energia por quilo de bateria. Segundo dados da IEA<br />

(International Energy Agency), a relação está entre 200-250<br />

Kwh por quilo de bateria; em 2030, deverá chegar a 400 Kwh<br />

– isso equivale dizer que os veículos de transporte de longa<br />

distância, como as carretas, já poderão ser 100% elétricos.<br />

Em 2040, ainda conforme a IEA, a capacidade da bateria<br />

deverá alcançar 600 Kwh e então os aviões elétricos também<br />

serão uma realidade – a Embraer já tem seu projeto pronto<br />

esperando que a bateria chegue ao peso necessário.<br />

Enquanto esse futuro não chega, no presente estamos<br />

vendo a transformação da frota automotiva brasileira. Em<br />

2022, 50 mil novos veículos elétricos passaram a rodar pelas<br />

ruas e estradas do país. Neste ano, esse número deve dobrar<br />

e, em 2032, alcançar 350 mil unidades. Os dados são da EPE<br />

(Empresa de Pesquisa Energética).<br />

A cidade de São Paulo (SP) concentra o maior número de<br />

veículos elétricos do país (eles não entram no rodízio veicular<br />

que vigora por lá) em seguida, estão capitais como Brasília<br />

(DF), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Curitiba<br />

(PR). Apesar da concentração em grandes centros, essa onda<br />

não vai demorar a se espalhar pelas cidades do interior.<br />

E toda essa frota vai precisar de infraestrutura de recarga,<br />

devidamente equipada para que o motorista desses veículos<br />

tenha tranquilidade para seguir viagem. Essa infraestrutura<br />

ainda é deficitária no Brasil, ainda mais nas rodovias. Os centros<br />

urbanos contam cada vez mais com pontos de recargas<br />

em shoppings, supermercados e condomínios, além de<br />

postos de combustíveis. E esse é um negócio que gera grandes<br />

oportunidades para a cadeia solar: o carregador veicular<br />

pode ser oferecido junto com o sistema fotovoltaico.<br />

Podemos supor que um motorista que tem hoje um<br />

veículo com uma bateria de 50 kwh, o que dá uma autonomia<br />

de mais ou menos 400 km, vai ter de carregar esse<br />

veículo uma vez por semana na sua própria casa. Nessa<br />

conta, estamos falando de uma residência que vai ter no mínimo<br />

200 kwh mês a mais no consumo e de um cliente que<br />

certamente vai ficar feliz em economizar na sua conta, tendo<br />

ele uma usina de energia solar instalada em casa. Ou seja, a<br />

instalação do sistema fotovoltaico passa a ser uma necessidade.<br />

O carregador veicular pode ser colocado dentro do kit<br />

gerador e com isso terá todas as isenções de imposto que o<br />

kit permite.<br />

C<br />

M<br />

Y<br />

CM<br />

MY<br />

CY<br />

CMY<br />

K<br />

Por Bruno Catta Preta<br />

Diretor de relações institucionais da Genyx e coordenador da Absolar, em Minas Gerais<br />

Foto: divulgação<br />

58 www.REVISTABIOMAIS.com.br


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