Revista Apólice #232

revistaapolice

Ano 23

Número 232

Maio 2018


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3


editorial

Ano 23 - nº 232

Maio 2018

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Somos parceiros,

não o inimigo

Mais de uma vez os atores do mercado de seguros ouviram

esta frase e ela sempre se mostrou verdadeira. Desta vez, as

novas empresas de tecnologia que surgem para aliviar as “dores”

do mercado, as insurtechs, chegam trazendo novidades tanto

para a operação das seguradoras quanto para a distribuição dos

produtos.

Elas estão presentes em vários setores e utilizam as palavras

que fazem parte da transformação digital de qualquer mercado:

blockchain, inteligência artificial, learning machine, chatbot, entre

outras, agora se tornam conhecimento obrigatório principalmente

para os profissionais e empresas que não são nativos digitais.

Com a imensa capacidade do ser humano de se adaptar,

logo o mundo estará totalmente digitalizado. Será que o universo

irá se transformar em algum episódio global de Black Mirror

(série que espelha a utilização de novas tecnologias em nosso

cotidiano)? Talvez não, mas ainda temos muito a aprender sobre

a aplicabilidade e segurança do mundo gerido por robôs.

Mas não devemos ser alarmantes: o mercado vai se transformar

gradualmente, possivelmente em um curto espaço de

tempo. Acredito que aos corretores de seguros caberá um papel

similar ao do jornalista, guardadas as devidas proporções. Qualquer

um pode produzir um texto informativo, mas um texto com

credibilidade, técnica e isenção precisa de um jornalista para ser

feito. Da mesma forma, qualquer um pode vender seguro, mas

um produto adequado às reais necessidades de cada cliente precisa

de um bom intermediário, com conhecimento do mercado

e de suas nuances.

Boa leitura!

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Revista Apólice

Diretora de Redação

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sumário

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14

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|

|

painel

gente

especial insurtech

panorama

Não existe um jeito certo ou errado de

lidar com as inovações, mas a indústria

de seguros se mostra disposta a

aprender com as insurtechs. Em que

patamar estamos?

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19

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empresa

Zim já atende mais de três mil corretores,

abrindo a possibilidade de

contato completamente digital com

os consumidores

corretores

Os profissionais que continuarem

inovando tendem a prosperar cada

vez mais e muito mais rapidamente

serviço

Car10 mira no atendimento de baixo

custo do segurado, seja para pequenos

reparos ou para manutenção

corretiva ou preventiva

seguradoras

É a partir do uso de elementos digitais

que as seguradoras vão conseguir se

adaptar na era digital. Saiba como

as insurtechs podem ajudá-las com

novos processos

30

30

|

especial pme

conjuntura

Pequenas e médias empresas ainda

não recorrem ao seguro como deveriam

para protegerem seu negócio

dos riscos aos quais estão expostas

34

34

38

|

|

produto

Em um esforço de despertar nas PMEs

a necessidade de contratar seguros

adequados, seguradoras apostam

em segmentação, desenhando apólices

sob medida para cada tipo de

atividade

comunicação

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painel

• nresseguro

Corretoras de resseguros

acreditam na melhora da

economia

A Abercor-RE divulgou um estudo sobre o comportamento

e as expectativas das corretoras de resseguro no País.

De acordo com o documento, mais de 70% das corretoras de

resseguro acreditam que a situação da economia brasileira

estará melhor em seis meses, quando comparada à realidade

atual. Já 73% das companhias

acreditam que a proporção

de contratos facultativos de

resseguro irá aumentar em

um prazo relativamente curto

no Brasil. Nesse momento, na

área de resseguro brasileiro, o

negócio com maior possibilidade

de desenvolvimento seria

o segmento de transportes.

• ntecnologia

Contratação via assinatura digital

A Icatu Seguros comercializa seguros de vida individuais

por meio de assinatura digital, que utiliza a criptografia e vincula

o certificado digital

ao documento eletrônico

assinado, dando garantias

de integridade e autenticidade

ao processo.

No Projeto Mobilidade,

a plataforma está

integrada à Casa do Corretor,

portal em que o

especialista apresenta os

produtos da companhia, faz simulações e acompanha o processo

de aceitação e contratação dos planos.

A tecnologia está disponível também por app e pode ser

aplicada a todos os produtos do portfólio de Vida da empresa.

As formas de pagamento são as mesmas neste formato. Ainda

no primeiro semestre, a seguradora trará novas funcionalidades

para a Casa do Corretor, para a contratação de planos de

previdência privada.

7


painel

• negócios

Grupo anuncia expansão

societária

O Grupo A12+ concluiu a primeira fase da expansão no

mercado brasileiro com a entrada de cinco novas corretoras

de seguros. Agora, são 16 corretoras com atuação em dez

estados, junto a uma carteira de mais de 190 mil clientes,

sendo 15 mil empresas.

O canal de distribuição passa a contar com 900 pessoas,

entre sócios, colaboradores, corretores e produtores,

distribuídos em 64 escritórios. “Após três anos de atividade,

realizamos nossa primeira expansão societária e, até o final

de 2018, atingiremos a marca de R$ 0,5 bilhão em emissões

de prêmios de seguros e benefícios”, afirma Luis Fernando

de Paula Henrique, diretor executivo do Grupo, que planeja

ações estruturadas de cross selling para intensificar a

diversificação de mix de produtos e realizar investimentos

para desenvolvimento de plataforma proprietária de TI

ainda este ano.

• nproduto

Seguro de vida reformulado

A Capemisa passou a comercializar o seguro de vida

para pequenas e médias empresas com novidades. O

novo PME amplia as garantias e assistências oferecidas,

trazendo comodidades e serviços que podem ser utilizados

em vida. Além da cobertura para mortes, acidentes

e despesas médicas, que podem ser extensivas à família,

em alguns dos casos, os planos poderão ter garantia para

doenças graves e congênitas, assistência nutricional e

uma rede de descontos em mais de cinco mil estabelecimentos

conveniados em todo o país. Um dos diferenciais

é a assistência para vítimas de crimes, com atendimento

médico e orientação para roubo e furto de documentos.

O novo PME traz também a assistência Flex, com oferta

de serviços de reparos domésticos, como encanador,

chaveiro e eletricista, entre outros.

• nautomóvel

Proteção veicular preocupa o setor

O alto índice de reclamações sobre a proteção veicular acende

o alerta das entidades de defesa do consumidor. “Todas as

operações detectadas no âmbito da Susep, por meio de denúncias,

são reprimidas por nós. Encaminhamos as queixas ao Ministério

Público, à Polícia Federal ou movemos processos sancionadores

administrativos para barrar essa prática”, diz Carlos de Paula,

diretor de Supervisão de Conduta da autarquia. Hoje, há cerca de

400 ações abertas em decorrência desses abusos – 200 processos

levados ao MP e 180 ações administrativas

lideradas pela Susep.

Entretanto, profissionais da

área apostam que a regulamentação

é questão de tempo. “Já são mais

de 1,7 mil associações e mais de

1,3 milhão de itens adquiridos.

Não é tão simples assim tirar essas

entidades do mercado”, alega o

presidente do Sincor-DF, Dorival

Alves de Sousa.

• nproduto 2

Abrangência para o mercado

A Ituran Brasil lançará um novo Ituran com Seguro no

início do segundo semestre. O anúncio foi feito por Roberto

Posternak, diretor Comercial da empresa, ao lado do CEO,

Amit Louzon, durante um almoço com corretores, assessorias

e imprensa especializada. Com a remodelagem, o carro-chefe

da companhia passará a atender a todos os tipos de clientes. “O

produto vai trazer uma abrangência muito mais ampla para o

mercado. Vamos dar para o cliente e para o corretor de seguros

mais possibilidade de contratação ao atender a todos os perfis

de clientes”, declarou Posternak.

De origem israelense, a Ituran soma 1,3 milhão de clientes

no mundo e 700 mil clientes no Brasil, país que corresponde a

60% de toda a operação da empresa.

Roberto Posternak, diretor comercial e Amit Louzon, CEO da Ituran

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• nrural

Sinistros deverão ser

informados ao Mapa

Os critérios e procedimentos para o fornecimento

de informações de sinistros em operações

de seguro rural beneficiadas pelo Programa de

Subvenção foram alterados. Com a nova resolução,

as seguradoras ficam obrigadas a informar ao Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

(Mapa), por meio eletrônico, os números da proposta

e da apólice, o código Mapa, o valor indenizado e o

evento ocorrido, referentes às apólices beneficiadas

pelo Programa com ocorrência de sinistros avisados

e/ou liquidados. Os dados referentes a determinado

ano civil deverão ser informados até o último dia útil

do mês de junho do ano subsequente.

A seguradora que não cumprir a determinação

será punida com infração grave e estará sujeita a

pena prevista no Regulamento de Operacionalização

da Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural,

podendo ser impedida de participar do Programa

por até dois anos.

• ntecnologia 2

Aposta em indicação multinível

A Rodobens Corretora está com um novo sistema para ter

maior capilaridade de mercado e gerar lucros aos colaboradores.

Baseado em indicações de seguros realizadas por consultores independentes,

o modelo de indicação

multinível (IM) deve impulsionar a

geração de leads de venda. Nesse

modo de atuação, o consultor faz

a captação do cliente e encaminha

aos canais de vendas da Rodobens

por meio de um aplicativo móvel.

Todas as negociações e fechamentos

serão realizados pela corretora.

“É um projeto pioneiro, que deve

alavancar muito o nosso negócio”,

afirma o diretor Anderson Silva.

A companhia espera que o número

de produtos transacionados por

ano seja de 79 mil itens em 2018,

416 mil em 2019, e 986 mil itens em 2020. A empresa conta com

300 corretores e acredita que, em três anos, terá cerca de 20 mil

consultores cadastrados em sua base.

9


painel

• negócios 2

Acordo para venda de centros

médicos

A DaVita e a Porto Seguro firmaram um contrato para

a venda de dez unidades dos Centros Médicos Portomed

localizadas nas cidades de São Paulo, Osasco, Guarulhos,

Taboão da Serra e São Bernardo do Campo. “Nosso

objetivo é oferecer um

atendimento ainda mais

especializado aos nossos

segurados, inclusive com

a expansão da rede de

clínicas”, explica Roberto

Santos, presidente da

Porto Seguro.

Os segurados continuarão

a ser atendidos

normalmente sem qualquer

intercorrência na

prestação de serviço. A

transação será submetida

ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e

finalizada somente após a sua aprovação e o cumprimento

de outras condições acordadas.

• nevento 2

Desempenho na última década

O comprometimento da renda e o desemprego afetaram

o mercado segurador. Mesmo assim, o setor se manteve resiliente

na última década. “Enquanto de 2008 a 2010 o PIB

teve variação média de 4,1%, o setor respondeu com variação

média real de 7,1%”, exemplificou Márcio Coriolano,

presidente da CNseg, em almoço promovido pelo CVG-SP.

Entre as carteiras que se destacaram estão Ramos Elementares

e os planos de acumulação, mas foi a saúde suplementar

que mais se beneficiou

no período.

Agora, a boa noticia

é a retomada dos

ramos de pessoas,

visto que há dez anos

apenas cinco companhias

representavam

em todos os ramos

a maioria. “O mercado

mudou muito,

inclusive com uma

participação maior

do setor financeiro

estatal”, disse.

• nevento

Brasil precisa de reformas

profundas

Em encontro do CCS-

-SP, o cientista político Bolívar

Lamounier reconheceu

que “os maus tempos estão

ficando para trás” e previu

dificuldades para recolocar

o país nos eixos. Ele chamou

a atenção para o baixo

crescimento econômico, em torno de 3% do PIB, e afirmou que

uma das pedras no caminho é a eleição em outubro. Lamounier

torce para que haja convergência para o centrismo, permitindo a

construção de um governo mais sólido, e avaliou que ainda não

se pode prever se haverá ou não influencia do ex-presidente Lula

sobre um eventual candidato indicado por seu partido.

Questionado se o Brasil tem jeito, ele foi categórico. “Sim. O

mais importante a resolver é a distribuição de renda. Mas, temos

de participar ou não vamos a lugar algum”.

• nreconhecimento

Prêmio destaca trabalho em prol

do corretor

A Escola Nacional de Seguros recebeu, durante o XXVII

Congresso Pan-americano de Produtores de Seguros, na Costa

Rica, o Prêmio Internacional Copaprose, que reconhece a atuação

de profissionais, empresas e instituições que trabalham

em prol da figura do corretor. Presidente da Escola, Robert

Bittar recebeu a honraria e destacou o esforço da instituição

para atender às necessidades dos profissionais de seguros por

conhecimento e atualização frente às constantes mudanças

no setor. “Nosso papel é contribuir para o desenvolvimento e

aprimoramento da indústria de seguros por meio da formação

e contínua qualificação dos profissionais. Para isso, estamos

sempre acompanhando a evolução do mercado e identificando as

novas demandas. Esse prêmio sinaliza que estamos cumprindo

nossa função com louvor”, comemorou.

Mario Pinto, Paola Casado, Robert Bittar,

Maria Helena Monteiro e Renato Campos

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• nreconhecimento 2

Homenagem na Câmara

Municipal de São Paulo

O presidente da Assistência Médica

Planejada (Ameplan) e CEO da Beta Saúde

– Centro de Diagnóstico, Ali Hussein Ibrahin

Taha, recebeu da Câmara Municipal de São

Paulo a Medalha Anchieta e o Diploma de

Gratidão da Cidade de São Paulo pelos serviços

realizados na área de saúde nos últimos

25 anos. Trata-se da condecoração máxima

que um cidadão paulistano pode receber

por seus feitos em prol da população e da

cidade. As honrarias foram concedidas em

sessão solene com a presença de autoridades,

funcionários da Ameplan e da Beta Saúde, além de familiares

e amigos do homenageado. “Essa homenagem começa em 18

de dezembro de 1950, quando meu pai, um libanês, colocou os

pés onde hoje é um lugar chamado Avenida Nossa Senhora do

Sabará, e foi nesse ambiente que eu nasci e fui criado”, lembrou

Taha.

Com 120 mil beneficiários, mais de 324 mil atendimentos

Ali Hussein Ibrahin Taha, presidente da Ameplan, recebe homenagem

das mãos do vereador Isac Félix, em São Paulo

anuais de pronto socorro, 96 mil atendimentos ambulatoriais

e uma rede credenciada de dois mil prestadores, Taha atribui

o sucesso da operadora aos 1.500 colaboradores diretos entre

médicos, membros da equipe e enfermagem. “Uma única pessoa

não realiza tudo isso. Os diretores do Grupo é que fazem

as coisas acontecerem. Os funcionários fazem a coisa girar. E

a eles agradeço por todo o sucesso que nós temos”, concluiu.

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GENTE

Chapa eleita por

unanimidade

Foi eleita por unanimidade

a única chapa inscrita na eleição

para a Diretoria, Conselho Fiscal e

Delegados Representantes junto

à Confederação Nacional do Comércio

de Bens, Serviços e Turismo

(CNC) e vice-presidências Regionais da Fenacor. Armando

Vergilio segue como presidente e Robert Bittar continua

na vice-presidência da Federação. A nova gestão terá início

no dia 1º de junho e irá até 31 de maio de 2022.

VP de Marketing & Digital

Aura Rebelo assumiu a vice

presidência de Marketing & Digital

da Prudential do Brasil. A executiva

tem mais de 30 anos de experiência

em marketing e já atuou em

empresas como Icatu Seguros,

Telefónica, Coca-Cola e Ibope,

além de ter lecionado na Pontifícia

Universidade Católica do Rio de Janeiro

(PUC-Rio). Com a sua chegada,

a diretoria de Marketing Office, liderada por Marcelo Eboli,

passa a se reportar também à Aura.

Diretor Técnico e

de Operações

Facundo Montenegro é o

novo diretor Técnico e de Operações

da Generali Brasil. Especialista

na área de serviços desenvolvidos

em posições-chave de empresas

líderes, o executivo possui extensa

carreira no setor de finanças e seguros,

tanto para propriedade quanto para pessoas no varejo,

e expertise em mercados massificados e corporativos.

Combos de Benefícios

Fabrízio Chieco Ribeiro chegou à Thinkseg Corporate

para montar combos customizados

com soluções para os RHs das

companhias. Ribeiro atuou na SulAmérica,

Golden Cross, Care Plus e

também em gestão e consultoria,

enquanto foi diretor de Negócios

da startup do Banco Safra e diretor

da Aon, na qual se especializou

em benefícios flexíveis ao residir

no México.

Planejamento Financeiro e

Investimentos

A HDI Seguros anunciou Roberto

Santiago Takatsu como diretor de Planejamento

Financeiro e Investimentos,

cargo recém-criado pela companhia

para reforço estratégico de sua diretoria.

O executivo chega com a missão de

implementar um novo plano de negócios

da empresa, agregar tecnologias e

funcionalidades aos clientes e corretores

da área financeira, além de auxiliar no

direcionamento da empresa frente a requisitos globais.

CFO e gerente de

operações P&C

A BR Insurance contratou Lucas

Neves como CFO. Ele atua há mais de dez

anos na área financeira e possui experiência

no mercado de seguros. Já Marcelo

Galvão fica com a gerência de operações

P&C e será responsável pelo atendimento

ao cliente e operacionalização de todos

os processos relativos aos seguros de Grandes Riscos, Empresarial,

Riscos Diversos e Responsabilidade Civil Geral.

VP para área de Serviços

A Autoglass começou a desenvolver

e estruturar um setor dedicado a novos

produtos e negócios, focados principalmente

em oferecer soluções, além do

automotivo. Diante disso, o diretor Comercial,

Eduardo Borges, passou a atuar

como vice-presidente de Serviços da

companhia, ficando sob sua responsabilidade

toda a área de Serviços do Grupo.

Superintendente Comercial

Egresso do Banco do Brasil, onde fez

carreira por 18 anos, Elder Castro assumiu

como superintendente Comercial

da Brasilcap e pretende trabalhar para

uma maior participação da companhia

no mercado, com taxa básica de juros

reduzida. “Meu objetivo é buscar oferecer

o produto adequado às necessidades dos

clientes e contribuir com o crescimento

da companhia, buscando sempre conciliar

produto, processo e pessoas”.

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Novo CEO

Há mais de 20 anos na indústria

do seguro, Eric Lundgren foi escolhido

para ocupar o cargo de CEO na

Scor Brasil Resseguros. Sua carreira no

setor começou na Allianz, onde, por

15 anos, ocupou diversas posições

em diferentes regiões do mundo. Mais

recentemente, foi vice-presidente de

estratégia e desenvolvimento da Prudential Financial, no Rio

de Janeiro.

Gerente em filial Porto Alegre

Cassio Jardim assumiu o cargo

de gerente da filial de Porto Alegre

da Berkley Brasil e a missão de acelerar

a expansão da companhia no

estado do Rio Grande do Sul. Ao

longo de sua carreira, o profissional

já atuou nas áreas técnica, comercial,

e nos departamentos de sinistros e

emissão.

Gerente para a

filial Belém

A Sompo Seguros conta com

um novo gerente na filial de Belém,

no Pará. Jaime Gil de Souza Neto

passou a comandar a unidade após

a transferência de Marcos Vinicius

Sousa da Silva para a filial Salvador,

na Bahia. A iniciativa faz parte dos planos de expansão da

companhia nos mercados do Norte e Nordeste.

Presidente para Comissão de

Comunicação

A Federação Nacional de Capitalização

(Fenacap) apresentou

Elena Korpusenko como presidente

da Comissão de Comunicação. A

executiva já atuava como VP da comissão

e traz a experiência à frente

da área Comunicação, Marketing e BI

da Brasilcap, onde está desde 2015.

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insurtech | panorama

Elas mudam

a regra

do jogo

A indústria de seguros se mostra

disposta a aprender com as

insurtechs, que chegaram para

redefinir a jornada do segmento. Não

existe um jeito certo ou errado de lidar

com as inovações. A questão é: em

que patamar estamos?

Lívia Sousa

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A

maneira de se fazer negócios

mudou e chegou ao mercado

de seguros através das

insurtechs, assim chamadas

as startups dedicadas ao setor. O investimento

total nessas empresas acumula

mais de US$ 9,2 bilhões desde 2010.

Apenas em 2016, esse valor bateu US$

2,7 bilhões. E, para 2018, a previsão é

que a arrecadação alcance um patamar

próximo dos US$ 3 bilhões. Estudos feitos

por consultorias indicam que há 1.500

insurtechs espalhadas pelo mundo – pouco

mais de 50 delas no Brasil, segundo

um mapeamento da Câmara Brasileira

de Comércio Eletrônico (camara-e.net),

ainda em andamento.

“Estamos fazendo um levantamento

quantitativo e qualitativo, separando

todas elas por categorias e estágio, então

é um pouco mais demorado para termos

todas as informações”, explica Mauro

Gambôa, consultor do Comitê de Insurtechs

da entidade. Com o mapeamento,

que a princípio deverá ser divulgado a

cada dois meses, a camara-e.net busca

entender como operam essas iniciativas,

que tipo de tecnologia utilizam em seus

serviços, que dores resolvem, quantos

colaboradores têm e como atuam no

mercado segurador (provendo serviços

e/ou produtos para o consumidor ou

serviços, produtos e tecnologia para as

seguradoras). Mas, Gambôa adianta.

“Este setor só tende a crescer daqui para

frente. É uma mudança de paradigma no

mercado mundial”.

❙❙Mauro Gambôa, da câmara-e.net

“Estamos em um

momento de tentativa,

de autodescobrimento

do próprio mercado,

de entender como ele

vai interagir com essas

startups”

José Prado, da Conexão Fintech

Tanto deve crescer que por aqui foi

criado um evento para discutir o tema:

o Insurtech Brasil, que em abril deste

ano chegou em sua segunda edição e

reuniu mais de 800 pessoas. Fundador

da Conexão Fintech, responsável por

organizar o encontro, José Prado acredita

que a mudança aconteceria mesmo sem

a chegada dessas startups. “Já vínhamos

de um movimento de venda online e de

comparação de preços. As insurtechs

visam dar força aos corretores e às seguradoras

e o setor tem que tirar proveito

máximo do mundo digital”, afirma ele,

que categoriza o momento atual como

a segunda fase das insurtechs no país.

“Agora, temos soluções que usam novas

tecnologias nessa venda. Soluções que

não trabalham com comparação de preço,

mas com uma jornada, um machine

learning”, explica. Quem está prestes a

ir para a terceira fase já entende que as

insurtechs podem ajudar na economia, na

eficiência operacional e no oferecimento

de uma melhor experiência ao cliente.

“Elas passam a olhar para dentro e a ver

que tem muito a ganhar. Quando falamos

em insurtech, é importante falar não só

em eficiência, mas em melhor experiência

para o usuário. Pode ser um usuário interno

da seguradora ou um usuário final”.

Não existe um modelo certo. Cada

seguradora vai descobrir o jeito que se

encaixa na sua própria cultura de lidar

com essas startups. Faz parte do mundo

da inovação prototipar, acertar e (por que

não?) errar, e elas vão achar a melhor

forma de interagir nesse mundo. “Quando

todos acharem o melhor modelo, vai ser

copiado por outras. Estamos em um momento

de tentativa, de autodescobrimento

do próprio mercado, de entender como

ele vai interagir com essas startups”,

declara Prado.

Despertando para o novo

Se fora do Brasil o mercado de insurtechs

vem alcançando maturidade,

por aqui ainda engatinha – o que não

significa que não seja promissor. “As

insurtechs brasileiras são iniciativas

de empreendedores próprios, não têm

fluxo de dinheiro dos grandes fundos

de investimento globais”, declara o

sócio responsável pela área de Seguros

da everis Americas, Roberto Ciccone.

De acordo com o executivo, 83,8% do

investimento global vão para o Vale do

Silício, nos Estados Unidos; 5%; para a

Ásia; 1,7% para a China; e 1,9% para

a Índia, enquanto na América Latina

os investimentos se concentram apenas

no Chile (0,2%) e na Argentina (0,3%).

“O Brasil recebe dinheiro local. Vemos

❙❙Roberto Ciccone, da everis Americas

15


panorama

empreendedores locais ou as próprias

seguradoras investindo em suas startups

digitais, mas temos um potencial muito

grande para desenvolver e trazer dinheiro

para cá”, assegura.

Enquanto isso, tanto aqui quanto lá

fora, as seguradoras, através de fundos

de capital de risco, laboratórios digitais

e participação em aceleradoras, analisam

e investem em startups disruptivas como

alavanca de inovação. Por outro lado, os

gigantes tecnológicos também estão adquirindo,

investindo e colaborando no espaço

da insurtech a fim de complementar

suas capacidades digitais e informações

disponíveis para o cliente.

“Vemos não só as startups de seguros

como as gigantes de tecnologia [Google,

Apple, Facebook e Amazon] fazendo

coisas que impactam as seguradoras. A

inteligência artificial fazendo diagnóstico

médico, o monitoramento da saúde com

a internet das coisas, ou até mesmo a

casa conectada, são tecnologias que vêm

muitas vezes de fora, invadem o setor e

mudam a maneira de trabalhar. Mudam,

no mínimo, o modelo de negócio e os

produtos”, diz Ciccone, listando como

principais desafios para as seguradoras o

comportamento do cliente e a competição

exigindo novos produtos, novos modelos

de negócios e uma nova maneira de trabalhar.

“Elas [seguradoras] acordaram.

A maioria já tem suas garagens digitais,

iniciativas de inovação. Tem até algumas

insurtechs financiadas por seguradoras.

Mas, o ritmo de inovação ainda é meio de

laboratório. Não é uma coisa cultural na

empresa trabalhar isso como questão de

sobrevivência”, alega, acreditando que as

disrupções ou inovações chegarão cedo

ou tarde por aqui. “A coisa, quando é

muito boa, acaba vindo porque o cliente

quer. Hoje temos a oportunidade de olhar

o que já está acontecendo com sucesso lá

fora e se preparar para isso melhor. É um

erro fecharmos os olhos e acharmos que

não vai acontecer”, aconselha.

Com relação às insurtechs, ele faz

questão de destacar que vão além da

competição. “Existe muita coisa de colaboração,

de ecossistemas diferentes.

Além de trazerem melhores experiências

para os clientes, muitas vezes elas ajudam

a cadeia de valor da própria seguradora

16

❙❙

Italo Flammia, da Oxigênio

ou do ecossistema. Quem se interessa

pelo termo insurtech tem que olhar para

essas startups como potenciais parceiras

ou potenciais pontos de melhoria”.

Fôlego às insurtechs

Algumas seguradoras ajudam a

impulsionar as insurtechs que estão

chegando ao mercado. É o caso da Oxigênio

Aceleradora, da Porto Seguro, que

de janeiro de 2016 até agora já investiu

US$ 50 mil em cada uma das 29 startups

selecionadas. Todas elas passaram por

ciclos de aceleração com duração de sete

meses (quatro no Brasil e três no Vale

do Silício, na Plug and Play, parceira da

aceleradora). “Estamos no quinto ciclo.

Tivemos quase seis mil startups inscritas

para selecionarmos essas 29. Elas se

inscrevem e passam por um processo de

❙❙Felipe Cunha, da TôGarantido

seleção em que basicamente avaliamos

sua sinergia com os produtos e serviços

da Porto”, pontua Italo Flammia, diretor

de Inovação e Digital da Porto Seguro e

diretor da Oxigênio Aceleradora.

Recentemente, a Oxigênio lançou

dois novos programas de aceleração: o

Ignição e o Tração. O primeiro foca em

startups de estágio inicial, que ainda não

faturam, onde são investidos R$ 200 mil

em cada uma. Sua participação direta

pode variar de 6,3% a 10% em função

da próxima rodada de investimento.

“Não definimos mais o percentual de

participação da startup logo no início,

como fazíamos nos programas anteriores.

Agora, ganhamos uma participação

de acordo com o valuation da startup na

próxima rodada de investimento com

um desconto de 40%. E, em cima desse

valor, definimos a participação dessas

startups”, explica Flammia. Já o segundo

foca em startups de nível mais avançado,

com receita de aproximadamente R$ 150

mil ao mês ou R$ 600 mil ao ano. São

startups maiores, sempre com sinergia

aos produtos e serviços da Porto. Nelas,

são investidos de R$ 350 mil a R$ 500

mil, com uma participação também definida

na próxima rodada de investimento

(de 3,5% a 5%) e desconto do valuation

de 20%.

O executivo considera que há poucos

programas de fomento à criação de

startups no Brasil. “O lago tem sempre

os mesmos peixes ou poucos peixes

novos. Não temos uma universidade que

estimula os alunos a criarem startups,

diminuindo a oferta dessas empresas no

início da cadeia”, justifica, citando também

a ausência de investidores. “É um

investimento de alto risco, são poucos os

que investem no início da cadeia de desenvolvimento

das startups. Isso faz com

que haja uma mortalidade muito grande

das startups logo nos seus primeiros anos

de vida. Fala-se em algo em torno de 50%

delas no Brasil morrendo no seu segundo

ano de vida”, revela.

A TôGarantido resistiu à estatística.

Criada em 2015, a startup brasileira acaba

de unir-se à seguradora Chubb com

o objetivo de consolidar uma solução

voltada à inclusão das classes C e D ao

mercado de seguros. Além dos pacotes


que cobrem o cliente em situação de

perda de saúde (necessidade de internação,

doenças graves etc), o produto visa

oferecer acesso a serviços de saúde com

preços acessíveis e populares durante a

vigência da apólice. “Não é um plano de

saúde, mas uma alternativa econômica

para quem não consegue contratar os

planos tradicionais”, lembra o CEO,

Felipe Cunha.

Os seguros são 100% digitais, podendo

ser adquiridos online ou pelo celular

por meio de um sistema de inteligência

artificial e do auxílio de chatbot para

interação. Desafiador? “Super”, garante

ele, que busca quebrar três paradigmas.

“O primeiro é comercializar o seguro,

produto de venda consultiva e mais

complexa. O segundo é vender um seguro

100% online, e o terceiro é vender um

seguro 100% online para as classes C e

D. A inovação das insurtechs não é apenas

colocar online o seguro tradicional.

Ela passa por um desenho profundo de

No caminho certo

4 exemplos de insurtechs bem sucedidas no

mercado internacional

❱❱

Ping An Good Doctor: startup chinesa que atua na área de saúde.

Arrecadou US$ 500 milhões em investimentos e tem um valuation

acima de US$ 3 bilhões;

❱❱

Metromile: seguro pay as you use (pagamento por milha), baseado

na quilometragem percorrida pelo motorista. Se o condutor gastar

menos tempo ao volante, gastará menos dinheiro em seguros;

❱❱

Lemonade: seguro peer to peer, atua basicamente com produtos

de seguro residencial. “Nós tratamos o seu prêmio de seguro como

seu dinheiro”, dizem em seu material de divulgação. 20% do prêmio

é retido pelo aplicativo a título de taxa de administração e também

para a compra de resseguro para a carteira;

❱ ❱ Trov: oferece seguros para eletrônicos (celular, câmera e caixas de

som) por meio de um aplicativo. O usuário pode “ligar” e “desligar” o

seguro de uma das coisas a hora que quiser e rastrear seus pertences por

foto ou nota fiscal, que ficam guardados na nuvem. A insurtech opera

na Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido e deve expandir presença

para outros países;

17


panorama

produto também”, afirma. Para Cunha,

ganhará quem realmente aprender a realizar

a venda automatizada, utilizando as

diversas tecnologias que estão surgindo.

Já a Straton Care Cyber, lançada em

outubro do ano passado, caminha para o

fechamento de sua primeira apólice. Em

parceria com seguradoras, a insurtech

estruturou uma plataforma de comparação

e contratação online de seguro

cibernético, voltada aos empresários.

Funciona da seguinte maneira: quando a

empresa faz o primeiro contato via plataforma

e encaminha o formulário para

as seguradoras iniciarem a cotação, uma

equipe de consultores começa a intermediação,

fazendo toda a consultoria junto

à empresa. “O formulário não envolve

apenas as informações de números da

empresa, mas também das políticas de

proteção de dados dela. Nossa equipe de

consultores interage com a equipe de TI

da empresa para que sejam entendidas

as informações e descritas corretamente

no formulário de cotação, que é analisado

pelas seguradoras”, explica o CEO,

Marcos Baldigen.

Ele lembra que o termo insurtech em

si é muito novo, assim como o produto.

Por isso, a insurtech inicial se depara

com duas dificuldades: fazer com que

os empresários utilizem uma plataforma

online de cotação de um seguro que não

conhecem e escalar as vendas em função

de marketing. “Há pouco marketing ainda

sobre esse produto. A maioria dos empresários

com quem entramos em contato

nem conhecem o produto”.

Regulação

No Brasil, a Superintendência de

Seguros Privados (Susep) estabeleceu

um canal de comunicação com as seguradoras

para saber as demandas delas

em relação aos meios digitais. Para isso,

constituiu, em julho do ano passado, a

Comissão Especial de Inovação e Insurtech,

composta por representantes da

CNseg, FenSeg, FenaPrevi, Fenacap e Fenaber,

além da ANSP, Fenacor, An-Re e

da Escola Nacional de Seguros. No entanto,

ainda não há uma regulação definida

para esse mercado. “É uma inovação até

para o supervisor. Fica difícil antecipar a

regulação de algo desconhecido”, afirma

18

“A princípio, não

vamos regular sem

entender de fato como

as insurtechs estão

operando e o que

exatamente elas estão

trazendo de inovação”

Natalie Hurtado, da Susep

Natalie Hurtado, analista técnica da autarquia.

“A princípio, não vamos regular

sem entender de fato como as insurtechs

estão operando e o que exatamente elas

estão trazendo de inovação, sejam essas

inovações evolutivas, no sentido de melhorar

o que já existe; ou disruptivas, de

fazer algum processo de forma diferente

e inovador realmente”, explica.

A ideia da Susep é partir, junto com a

Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

e com o Ministério da Fazenda, para uma

sandbox regulatória, ambiente controlado

pelas agências reguladoras para teste das

startups. Neste cenário, os reguladores

selecionam quais temas de inovação devem

ser observados – que tenham maior

interesse para as próprias insurtechs ou

considerados mais importantes para o

mercado, como, por exemplo, o uso da

inteligência artificial e do blockchain nas

startups ligadas a seguro e o que essas

inovações trazem do ponto de vista do

mercado, que tipo de processo auxiliam

e seus efeitos no relacionamento da

empresa seguradora que vai vender o

produto com o consumidor de seguros

ou de previdência privada.

O caminho tem sido adotado da mesma

maneira mundo afora. Na Associação

“Não temos uma

universidade que

estimule os alunos a

criarem startups, o que

diminui a oferta dessas

empresas no início da

cadeia”

Italo Flammia, da Oxigênio Aceleradora

Internacional de Supervisores de Seguros

(IAIS, na sigla em inglês), organismo ligado

ao Financial Stability Board – FSB

(Conselho de Estabilidade Financeira, em

português), a Susep participou de uma

força-tarefa em que foram mapeadas 212

jurisdições, abarcando centenas de países

– Brasil, México e Reino Unido integram

a lista, assim como os Estados Unidos,

que para cada estado tem um regulador.

“Não existe ainda um país que já tenha

uma regulação. Temos jurisdições que já

realizaram as sandbox e estão em fase de

análise desses dados ou até em fase de

implementação”, reitera Natalie.

José Prado, porém, afirma que este

não é um caminho unânime. “Existem

defensores e não defensores dessa prática”,

diz ele, que enxerga a sandbox com

bons olhos. “Acho interessante olhar as

inovações para depois ver onde e como

vai regular. Muitas vezes, não se manifestar

é a melhor manifestação. Isso mostra

amadurecimento”, acredita.

E no Brasil? Quais seriam os riscos

que a Susep teria mais interesse

em observar? Natalie comenta que “o

martelo ainda não foi batido sobre esse

tema, mas existem pilares que a administração

da autarquia vem tentando

implementar”. O fomento do mercado

é o primeiro deles, pois o Brasil é um

país com dimensões continentais e tem

uma grande população não segurada ou

subsegurada. O segundo é a melhoria da

própria supervisão baseada em riscos. Já

o terceiro fica com a desburocratização.

“Dentro desses três pilares, diria que os

riscos que hoje têm maior preocupação

para a Susep são aqueles relacionados a

produtos de microsseguro: como desenvolver

os seguros inclusivos, incluindo os

microsseguros, para que a população de

baixa renda também possa usar o seguro

como uma ferramenta de melhoria na

escala social econômica. E, talvez, dentro

do microsseguro, especificar algum tipo

de público-alvo, possivelmente o público-

-alvo de micro e pequenas empresas”,

declara. Além do microsseguro, há uma

vontade do regulador em entender melhor

os seguros paramétricos, voltados ao

risco agrícola, dado que o Brasil também

tem como uma de suas bases econômicas

o agronegócio.


insurtech | empresa

O futuro nas mãos do corretor

Zim já atende mais de três mil corretores, abrindo a possibilidade de

contato completamente digital com os consumidores

Um dos maiores desafios para o

mercado de seguros é conseguir

atender a um novo perfil

de cliente, que está cada mais

vez mais interessado no que acontece na

tela do seu celular do que no antigo telefone.

As plataformas que privilegiam o

aparelho móvel não nasceram por acaso,

mas para atender a demanda daqueles

92% da população que possuem um celular,

segundo dados do IBGE.

Entretanto, o perfil deste novo consumidor

é bastante exigente: ele é imediatista,

mas não abre mão da transparência

e da confiança. Embasado nestas informações

sobre os consumidores, o Zim foi

criado para ser uma ponte para o corretor

transitar rapidamente entre a seguradora

e o cliente, oferecendo desde a cotação

de um produto até o acompanhamento

de toda a sua carteira.

O Zim é uma solução já utilizada por

3,5 mil corretores de seguros. A plataforma

consegue, automaticamente, fazer

toda a gestão da carteira dos corretores

e ainda oferece outras facilidades. O

multicálculo para o seguro de automóveis

ainda será implantado. Mas a solução

conta com a conexão das seguintes seguradoras:

Alianz, Sompo, Tokio, HDI,

Liberty, Azul, Bradesco e Zurich.

Os dados dos clientes dos corretores

de seguros são protegidos. “O cliente

do Zim é o corretor”, esclarece Clarissa

Schmidt, gerente de Negócios do Zim,

acrescentando que “o segurado é cliente

do corretor e é seu ativo mais importante.

Por isso, tratamos de protegê-lo”.

O objetivo da solução é colaborar

para que o corretor tenha capacidade de

fazer mais vendas, incentivar o cross-

-selling e criar novas oportunidades de

negócios. “Garantimos a segurança”,

assegura Clarissa. Por isso, ela destaca

que esta é uma oportunidade para ampliar

os negócios e aumentar a produtividade

por meio de ferramenta de baixo custo.

❙❙

Clarissa Schmidt, Gerente de Negócios do Zim

“Queremos conectar o corretor ao cliente de, eu tenho um teto, mas não é isso o

dele, gerando maior proximidade e mais que queremos. Queremos uma parceria

vendas, principalmente em locais onde a ganha-ganha. Se o corretor vende mais,

presença física é mais complicada”. é melhor para nós. Porém, não se trata

O primeiro produto a ser comercializado

diretamente na plataforma são é integral do corretor, a partir da sua

de uma co-corretagem. A comissão

os seguros de RC Profissional da Argo negociação com as seguradoras. O Zim

Seguros. Logo, o atendimento deve se funciona e recebe como uma plataforma

estender também para os produtos para tecnológica das seguradoras”, ressalta a

bicicletas da seguradora.

executiva.

A expectativa é de que, até o final O interessante é que não existe um

deste ano, a solução alcance 15 mil usuários

corretores. “Hoje, a solução é gratuita solução direcionada ao pequeno e médio

perfil definido para utilizar o Zim. É uma

em virtude de uma parceria com a Fenacor

– Federação Nacional dos Corretores vestir em tecnologia própria. “Queremos

corretor, pois os maiores costumam in-

de Seguros. No caso dos corretores associados

aos Sindicatos da categoria de seu corretores do Brasil, independente de seu

evoluir para o atendimento de todos os

Estado, o custo é zero até janeiro de 2020. porte”, pontua Clarissa. Hoje, a solução

Os não sindicalizados pagam R$ 700 de é muito utilizada por profissionais que

taxa de adesão e mensalidade de R$ 100 comercializam produtos massificados, de

por CNPJ”, explica Clarissa.

auto, vida, residencial. “Queremos evoluir

O lucro dos investidores da tecnologia

deve vir da economia escalável da o saúde, que é muito demandado pelos

para outros ramos de seguros, entre eles

solução. “Quando eu cobro mensalida-

corretores”, conclui Clarissa.

19


20


21


insurtech | corretores

Modernizando

e fortalecendo

o corretor

Mais uma vez, as startups

entram no meio de

campo. Os profissionais

que continuarem

inovando tendem a

prosperar cada vez mais e

muito mais rapidamente

Lívia Sousa

O

mercado de seguros é vital

para a economia e para a

vida das pessoas. Um setor

em que, ao que tudo indica,

o ritmo de crescimento continuará

acelerado e acelerando. A maioria das

seguradoras também deve perdurar,

mas para isso precisarão aproveitar o

movimento de transformação digital e de

inovação para pensar e criar o futuro que

desejam. E assim será com os corretores

de seguros, que não devem esperar pela

inovação. Quem pensa que a tsunami

digital ainda vai chegar, infelizmente,

já perdeu metade da história. Ela não só

já chegou como, daqui para frente, vai

escalar e ser cada vez mais rápida.

“A preocupação com a disrupção

da tecnologia chegou ao mercado segurador”,

afirma Omar Ajame, CEO

da TEx. Sinal de que mais gente está

reconhecendo o impacto da tecnologia

e o ritmo acelerado com que as transformações

ocorrem atualmente no mundo,

mas também um índice de que a maioria

das pessoas que atuam no segmento não

entende que existem muito mais oportunidades

do que ameaças. “Corretoras e

seguradoras devem criar soluções inovadoras

e disruptivas, aproveitando canais

de distribuição atuais e criando novos de

maneira inclusiva”, atenta.

Mais uma vez, as startups entram no

22

meio de campo – agora para ajudar os

corretores a se modernizarem e se fortalecerem.

Em uma de suas ferramentas,

o Teleport, a TEx reúne todas as funcionalidades

que uma corretora de seguros

precisa para funcionar, incluindo sistema

de gestão, CRM, gerenciamento eletrônico

de documentos, financeiro e o multicálculo.

Assim, é possível economizar 90% do

❙❙Omar Ajame, da TEx

tempo no Comercial de uma corretora,

uma das áreas mais importantes para as

empresas, aumentando a eficiência da

equipe e garantindo a precisão dos cálculos.

“Não há erro de cadastros e os demais

processos de negócios da corretora como

emissão, tratamento de recusas e comissão

se tornam muito mais eficientes e seguras,

sem retrabalho ou perda de tempo, já que

o sistema é completo e totalmente integrado”,

garante Ajame.

Por sua vez, o Nimble, plataforma

B2B2C (conceito de vendas pela internet

que inclui toda a cadeia comercial, desde a

indústria até o consumidor final), permite

que corretoras tradicionais se tornem corretoras

online e comecem a vender seguros

online. Ainda que tenham objetivos diferentes,

Teleport e Nimble são plataformas

complementares, totalmente integradas.

Assistente pessoal

Existe uma máxima no mercado

que, quanto mais o corretor vende, mais

ele se afoga em tarefas operacionais. E,


❙❙

Leonardo Rochadel, da O2OBOTS

hoje, percebe-se que cada vez mais esses

profissionais estão sentindo a necessidade

de conversar melhor com os seus clientes.

A O2OBOTS, detentora da ferramenta Segurobot,

desenvolveu uma inteligência artificial

com personalidade de Inside Sales

(vendas internas, na tradução). São robôs

de atendimento treinados para vender.

“Educamos a inteligência artificial

para qualificar leads em grande escala e

entregá-los para os corretores de seguros

para que eles vendam mais. É como se

entregássemos um assistente pessoal para

cada corretor”, explica Leonardo Rochadel,

CEO da empresa. “Fazemos um

esforço muito grande para ‘democratizar’

a tecnologia que está à disposição das

seguradoras, no topo da pirâmide. Estamos

tornando essa solução acessível para

todos os corretores. Entre nossos clientes

estão corretoras que contam com menos

de dez profissionais, até aquelas que têm

mais de 50 colaboradores”.

O executivo ressalta que o objetivo

não é tirar corretores do mercado, mas

colocar à disposição dos canais de distribuição

uma inteligência artificial que

execute todas as tarefas operacionais e

repetitivas que, por vezes, podem prejudicar

os profissionais no momento da

venda. “Estamos alinhados com o que

o setor entende não ser uma postura de

confrontamento. A gente vem com o

posicionamento de dar ferramenta de

trabalho para empoderar esses canais”,

assegura Rochadel, que não vê resistências

por parte dos corretores em aderir

às soluções digitais. “Na verdade, eles

nos olham como um norte, alguém para

ajudá-los e conduzi-los no processo de

como interagir com o novo consumidor

– ou o mesmo consumidor de dez anos

atrás, só que com novos hábitos”, diz.

Open Insurance

No mercado há 12 anos, a Solutions

One lançou, em 2017, o Plethora, uma

insurtech B2B (business to business)

com a proposta de distribuir produtos de

seguros utilizando conceito de Open Insurance,

ou seja, através de APIs Restful

para canais digitais e físicos com produtos

de seguros, assistências e capitalização

que podem ser ofertados por Apps,

e-commerces, Insurtechs b2C, Blogs,

Varejos etc. “Nossos parceiros precisam

apenas integrar com nossa API Restful

para ter acesso aos produtos de seguros

e, também, aos meios de pagamento

ou usar front ends que podem ser telas

responsivas ou apps para vendas e pós-

-vendas. Venda de seguros com chatbots

também é ofertado”, explica Alessandro

Maracajá, CEO and Owner da Solutions

One. Além de corretoras e seguradoras,

a empresa atende os segmentos de varejo

e call centers.

O executivo ressalta que os corretores

de seguros serão ponto de contato entre o

cliente final e as insurtechs. Numa fase de

transição, serão geradores de negócios e,

também, solucionadores de questões de

alta complexidade. No longo prazo, serão

um fator de humanização da relação e

terão um papel importante na fidelização

dos mesmos. “Assim como muitas pessoas

têm preferência de comprar online,

mas buscar fisicamente na loja, ou mesmo

❙❙Alessandro Maracajá, da Solutions One

❙❙

Mauricio Marques, da Moshe

passar na loja para conhecer o produto

antes de comprar online, os mundos físico

e digital também se fundirão em outros

setores, inclusive no setor de seguros”,

pontua. Ele crê que uma humanização do

processo de seguros pode fazer sentido

para muitas pessoas, já que os produtos

são complexos para o grau de educação

financeira da maioria da população em um

país como o Brasil e, portanto, uma parcela

dos clientes pode se sentir mais segura se

ouvir explicações de um especialista em

lugar de uma máquina, e ao vivo.

Um produto, várias

utilizações

A Moshe investe em um sistema

de gerenciamento para corretoras nas

versões Cloud e Local, um produto que

engloba Área do Segurado, Área do

Cliente e Perfil do Segurado. O cliente

tem acesso a essa área onde, através de

um link, pode fazer com que o segurado

responda sobre o seu perfil. Uma vez feito

isso, quando termina o preenchimento,

esses dados são carregados no sistema

para que seja feito um cálculo.

Esta é uma das maneiras de auxiliar

os corretores, que, na opinião do CEO

da empresa, Mauricio Marques, por

vezes usam ferramentas muito simples

para fazer algum tipo de trabalho. “Os

corretores precisam ser mais treinados,

entender um pouco mais. Eles têm vontade,

mas no dia a dia sinto que precisam

se dedicar mais para que isso ocorra. Eles

esperam muitas soluções mágicas, mas

precisamos dessa força de vontade para

que dê certo”, conclui.

23


insurtech | serviço

Atendimento antes do limite

da franquia

Car10 mira no

atendimento de baixo

custo do segurado, seja

para pequenos reparos

ou para manutenção

corretiva ou preventiva

Quantas vezes o segurado tem

um pequeno sinistro, abre

uma ordem de serviço no SAC

da seguradora e, dias depois,

recebe a notícia de que não há cobertura

porque o valor ficou abaixo da franquia?

Neste momento, mais uma vez, a imagem

do setor é prejudicada.

A Car10 nasceu para atender demandas

complementares ao seguro. A APR

(Assistência ao Pequeno Reparo) atende

o segurado quando ele está órfão, ou seja,

aquele ralado que está abaixo da franquia.

“Quando a seguradora não atende o segurado

e não há nenhuma colaboração, a

Car10 ajuda o segurado a encontrar uma

oficina e realizar o conserto. As pessoas

têm muitas dúvidas na hora de escolher

uma oficina e saber se o preço proposto

é justo, se a oficina é de confiança etc”,

explica Fabio Gimenez, sócio cofundador

e diretor Comercial da insurtech.

A empresa oferece uma interface

digital que rapidamente fornece o orçamento,

considerando a região e aplicando

descontos que são negociados previamente

com as oficinas, que podem chegar a

até 25%. O cliente pode pagar em até

10 vezes sem juros e ainda recebe uma

garantia estendida do serviço realizado.

A plataforma já possui 2700 oficinas

cadastradas, que atendem em todo o

território nacional. Para se juntarem aos

credenciados, as reparadoras passam por

uma análise técnica sobre a sua estrutura,

tempo de atuação, porte, se tem estufa ou

cabine de pintura etc. São os atributos mínimos

para atender. “Informamos o perfil

da oficina na interface do cliente, qual é o

24

tipo de empresa e estrutura e controlamos

o grau de satisfação através de pesquisa

de satisfação (NPS). Já tivemos mais de

10 mil atendimentos e menos de 0,03%

de reclamação. Por isso oferecemos a

garantia estendida”, esclarece Gimenez.

A Car10 já possui parcerias com

algumas seguradoras, que vislumbraram

a oportunidade de aumentar seu ponto de

contato com o cliente através do sistema.

“A SulAmérica, por exemplo, já possui

uma interface em seu aplicativo próprio.

O segurado pode pedir o orçamento direto

pelo aplicativo e ainda contar com mais

15% de desconto”. Gimenez acrescenta

que o segurado da SulAmérica dispõe

ainda de um tratamento diferenciado.

Outras seguradoras como a BB Seguros e

a Mapfre também estudam disponibilizar

o serviço para os seus clientes.

Mais serviços

Além da APR, a Car10 também

presta serviços em outras frentes, como

a Manutenção Corretiva, onde integra

uma rede de mais de 600 unidades a

seguradoras e empresas de assistência,

acompanhando todo o atendimento a

panes eletroeletrônicas e mecânicas de

segurados que optam pelo atendimento

na Rede Car10. Outra vertical do negócio

é a Manutenção Preventiva, onde além

de clientes consumidores de lojas como

Wallmart e Magazine Luíza, seguradoras

parceiras contam com uma Agenda

do Carro para disponibilizar aos seus

segurados, funcionalidade que entrega

lembretes via SMS/email/push sobre

manutenções preventivas que o segurado

deveria realizar no curso de sua apólice,

além de terem a disposição uma prateleira

de compra e agendamento desses

serviços. “Temos mais de 400 oficinas

que prestam serviços de alinhamento,

balanceamento, rodízio de pneus etc,

espalhadas por todo o país”.

A quarta vertical é o serviço financeiro

de parcelamento Franquia Fácil,

feito em parceria com as seguradoras para

que as oficinas credenciadas no aplicativo

possam parcelar a franquia para o segurado

em até 10 vezes.

A projeção para 2018 é atender 30

mil clientes. “Estamos em linha com esta

meta, e temos projetos que podem fazer este

número subir ainda mais”, comemora o executivo.

A Car10 já desenvolve com algumas

empresas parceiras uma interface em que

a corretora poderá se cadastrar e gerar um

voucher de desconto para os seus clientes.

Próximos passos

A partir do segundo semestre, com

uso de uma ferramenta de Inteligência

Artificial da Microsoft, uma das sócias do

Car10, será possível fornecer o orçamento

para o cliente em apenas 30 segundos,

funcionalidade com ampla aplicação no

processo de admissão e regulação de

sinistro nas seguradoras.


25


insurtech | seguradoras

A ajuda vem

da tecnologia

É a partir do uso de elementos digitais que

as seguradoras vão conseguir se adaptar

e prosperar na era digital. Saiba como as

insurtechs podem ajudá-las com novos

processos

Lívia Sousa

A

sobrevivência do modelo de

negócio das seguradoras dependerá

do uso de elementos

digitais em suas estratégias de

competição e de relacionamento com o

cliente. Mas, como está o grau de maturidade

digital das principais seguradoras

do Brasil? O estudo “Régua da Transformação

Digital no Setor de Seguros”, feito

pela consultoria Dom Strategy Partners,

classifica essas empresas em sete estágios:

1) Zumbis Digitais: companhias

que em geral são mais tradicionais, que

um dia foram ou ainda são grandes em

termos de operação, mas não aderiram à

transformação digital e, por isso, têm sua

capacidade de resposta comprometida; 2)

Inerciais: empresas semelhantes às Zumbis

Digitais, mas que ainda não perderam

sua capacidade de resposta; 3) Wannabes:

players relevantes, em geral motivados

pelo novo, mas que preferem simular a

fazer – ou porque não têm coragem ou

porque não têm recursos e competências

para tal; 4) Sobreviventes Eternos: empresas

que não propõem a disrupção, mas

são rápidas em reagir; 5) Presas futuras:

players menores, rápidos em responder a

ameaças, mas que no final costumam perder

o jogo, sendo mortos ou adquiridos de

forma subvalorizada pelos Sobreviventes

26

❙❙Daniel Domeneghetti, da Dom

e especialmente pelos Inerciais; 6) Smart

Killers: companhias tradicionais, que se

colocaram em um novo posicionamento

a partir da transformação digital; e 7)

Bichos Diferentes: players inovadores,

que atuam em mercados diferentes, com

lógicas e propostas de valor diferentes, a

partir de modelos de negócios diferentes,

e que ameaçam os demais players e

causam transformações definitivas nos

mercados de atuação.

“Hoje temos mais seguradoras

Inerciais do que Zumbis Digitais. Este

mercado não é ainda um mercado de autotermômetro

de exigência, como acontece

em bancos e em telefonia celular, por

exemplo. Isso dá mais folga e tempo para

essas empresas”, analisa Daniel Domeneghetti,

CEO da Dom Strategy Partners e

responsável pelo levantamento.

Segundo ele, é a partir do uso de

elementos digitais em seu modelo “core”

de negócio que as seguradoras vão conseguir

se adaptar e prosperar na era digital

como forma de sobreviver e continuar

produzindo riqueza para seus acionistas e

clientes ao longo do tempo. “Como sempre,

algumas conseguirão evoluir. Outras

ficarão para trás”, lembra. Mas, primeiro,

é necessário saber como vai se desenvolver

o modelo de insurtech no Brasil.

“Como a arquitetura das insurtechs não

está claramente definida, ainda não dá

para saber como será esse processo em

termos de competição. Mas, provavelmente,

os líderes de mercado montarão

suas unidades digitais. Algumas serão

mais serviços, outras serão mais venda e

outras serão mais suporte. Vai depender

muito da forma como funcionará cada

player”, aposta Domeneghetti.

O que as seguradoras buscam

O auxílio em novos processos é o que

move as seguradoras a se relacionarem


❙❙

Erika Médici, da Axa

com as insurtechs. Elas buscam, principalmente,

flexibilidade para se adequar

às normas de segurança da informação,

visão de negócio e business plans bem

estruturados. “São informações que não

estão acessíveis a nós”, diz Erika Médici,

diretora de marketing e negócios digitais

da Axa. Em todo o mundo, a companhia

se engaja com startups e fomenta o desenvolvimento

do ecossistema de insurtechs

e fintechs. No Brasil, esse trabalho se

dá por meio da iniciativa Filial Digital.

Assim como acontece em uma startup,

a tecnologia é usada para transformar e

dinamizar o relacionamento, permitindo

que a Filial Digital opere como uma célula

de atendimento comercial digitalizada,

mas não por isso automatizada. A ideia é

que além de obter suporte e informações

por esse canal, os corretores possam

desenvolver seu plano de negócios digitais,

etapa que está em desenvolvimento.

Globalmente, há uma forte iniciativa

realizada pela Axa Venture Partners.

No geral, as seguradoras começaram

a enxergar um novo horizonte nos últimos

anos, mas a transformação está em curso.

“Há projetos segmentados que funcionam

muito bem, mas o ideal são modelos de

inovação sistêmicos que ainda estão em

construção”, admite Erika. A chave para

acelerar essa mudança é a cultura organizacional:

abrir as portas para parcerias

com startups e absorver o que elas têm

para agregar. “As lideranças precisam

estar engajadas e liderar a transformação”,

sentencia.

O fato é que essas empresas ainda

precisam de tempo para se preparar internamente

para receber as startups. Com

mais maturidade e com uma cultura interna

mais flexível, lidarão melhor com as

parcerias e extrairão melhores resultados.

Esse aprendizado acontece em todos os

segmentos e envolve uma análise importante:

inovação que gera resultados versus

exposição a riscos, “discussão central para

o mercado segurador”, declara a executiva.

Moeda virtual nas apólices de

seguro

Todos os mercados serão profundamente

impactados pelo blockchain. Porém,

serviços financeiros e seguros serão

aqueles que passarão por grandes rupturas.

“Modelos deverão ser revistos por pressão

da sociedade civil”, destaca Fernando

Wosniak Steler, CEO da Direct.One,

empresa que trabalha com contratos inteligentes

utilizando o blockchain. Ele toma

como exemplo o aplicativo de transportes

Uber, que mesmo relativamente ‘fora da

lei’ teve as regras mudadas pela pressão

da sociedade. “No final, sempre quem está

com a razão são os clientes que querem

comodidade e baixo custo”, afirma.

Nos seguros, de acordo com especialistas,

a principal aplicação do blockchain

será nas coberturas de seguros,

❙❙

Fernando W. Steler, da Direct.One

na automatização da solução de sinistros

e seus pagamentos. As possibilidades

de desintermediação, transferências de

recursos instantâneos, execução automatizada

de contratos e confiança entre os

participantes são realidades nunca antes

experimentadas pelo mercado segurador.

“Estamos ansiosos para ver o que vai

acontecer”, revela Steler.

A companhia começou a estudar o

blockchain em 2015. Depois, os estudos

viraram provas de conceito que levaram

à conclusão de um produto em formato de

API. No início de 2018, a empresa fechou

o primeiro contrato com uma seguradora,

que passou a registrar suas apólices utilizando

Blockchain Ethereum, validando

imutabilidade nas transações. Para as

seguradoras, esse modelo de negócio

pode trazer benefícios que vão desde

a redução de custos até o regulatório.

“A Resolução CNSP 294, emitida no

final de 2013, obrigava a utilização de

certificado ICP-Brasil. Agora, o CNSP

359 retirou o certificado ICP-Brasil,

colocando itens que podemos resolver

27


seguradoras

com uso do blockchain, como integridade

de um documento”, explica Steler,

reiterando que seguradoras, startups de

seguros e corretores se complementam.

“As insurtechs vêm com a inovação. As

seguradoras possuem base e capital.

Os corretores distribuem para a grande

massa. Claro que os menos preparados

devem perder posição, mas no final, o

mercado se ajeita. Vem sendo assim desde

a revolução industrial”.

Regulação de sinistros

A General Claims identificou a

necessidade das reguladoras de ter um

sistema que automatizasse suas tarefas

e lançou a GCLaims, plataforma web

SAS (software as a service) criada com

o objetivo atender às empresas de pequeno,

médio e grande porte. Basicamente,

é vendida uma licença de utilização ao

cliente, que passa a ter acesso à configuração

da operação, à automatização de

processos e ao gerenciamento da operação.

Eles utilizam a plataforma web ou no

celular, e dentro do sistema conseguem

desenhar todo o fluxo operacional com

que hoje já contam manualmente.

“As seguradoras oferecem o seguro.

O segurado aciona o seguro e surge um

sinistro. A seguradora terceiriza o processo

de regulação do sinistro e nós fornecemos

um sistema especificamente para as

reguladoras, que o utilizam para fazer a

regulação de todo o processo de sinistro

e informar a seguradora se a indenização

deve ou não ser paga ao segurado”, explica

o CEO, Kelvin Cleto. A insurtech se

encarrega de implantar a plataforma e de

❙❙Kelvin Cleto, da General Claims

28

auxiliar os clientes a remodelar o fluxo

operacional. “Trouxemos essa automatização

para as pessoas que levavam muito

tempo enviando um e-mail, cadastrando

um sinistro, realizando uma cobrança

de documento ou fazendo a gestão da

cobrança para o segurado. No tempo

operacional, conseguimos alcançar uma

redução de 40%”, esclarece.

A plataforma conta com 60 mil sinistros

cadastrados, mais de 500 mil arquivos

de processos vinculados ao sistema e

é utilizada por 15 reguladoras que operam

no mercado brasileiro. Agora, a startup

de seguros se prepara para desenvolver

duas novas tecnologias: uma de análise

de fraudes em seguros e outra de vistoria

remota. “Estamos expandindo o mercado

para outras áreas”, diz ele, que enxerga

uma postura aberta das seguradoras à

parceria digital, mas receio por parte de

alguns prestadores de serviços. “Eles não

vêem o mesmo que uma empresa grande

vê. Não enxergam o uso da tecnologia

como um ganho. Acham que a tecnologia

é um custo e não um benefício, e isso é um

grande problema. Nossa maior barreira é

mostrar aos clientes e futuros clientes o

ganho que a plataforma vai trazer para

eles”, afirma. Outro entrave, segundo ele,

é a segurança da informação. “Temos

profissionais específicos para cuidar da

nossa segurança e do desenvolvimento

da plataforma, coisas que uma empresa

na área de seguros não tem”.

Automóvel

A Car10 tem uma plataforma digital

com diversas funcionalidades. Uma delas

é a de Assistência a Pequenos Reparos, em

que, com base em fotos, a empresa devolve

o orçamento para reparos com valores

abaixo da franquia do seguro de automóvel

(reparação e pintura, martelinho de ouro

e pintura automotiva). Além disso, aposta

em outros projetos com seguradoras com

o intuito de ajudá-las com novos processos.

O de maior destaque é o uso da inteligência

artificial para determinação de danos do

veículo através de foto.

“Conseguimos saber qual o veículo

afetado, a área afetada, o tamanho e o valor

aproximado dos veículos que estão na

foto. Ou seja, o usuário coloca duas ou três

fotos na interface e automaticamente, em

❙❙

Fabio Gimenez, da Car10

10 ou 20 segundos, a inteligência artificial

responde qual o tipo de dano, a extensão e

o valor aproximado para reparo”, explica o

diretor Comercial, Fabio Gimenez.

Atualmente, o uso desta inteligência

artificial está em fase de teste nos processos

internos da empresa. Mas, duas

seguradoras já estudam aplicá-lo no

processo de abertura de sinistro. “A princípio,

a ferramenta gera uma economia

de processos para a seguradora, tanto nos

sinistros quanto na admissão, o que pode

levar a baratear o custo do seguro para o

cliente final”, afirma. Outras aplicações

também ajudam as seguradoras em seus

processos. Além da inteligência artificial

para abrir um sinistro, a Car10 oferece o

parcelamento da franquia em até 10 vezes

sem juros na rede credenciada. “A rede

de oficinas é basicamente a mesma em

algumas seguradoras, e a facilidade de

pagamento pode ser ofertada ao segurado.

Temos isso hoje sendo testado em algumas

companhias e temos outras já estruturando

o teste”, informa Gimenez.

A chegada das insurtechs traz possibilidades

até então nunca vistas no mercado

brasileiro, como redução de custo, conexão

de toda a cadeia e processo do setor, e a

criação de produtos acessíveis para um

maior número de pessoas. Ainda que as

insurtechs que estão surgindo foquem

nos “peixes grandes”, é importante lembrar

que o mercado segurador é grande e

engloba a regulação, o gerenciamento de

risco, a vistoria e tantos outros processos.

O recado foi dado: a saída é aderir à tecnologia

digital.


29


especial pme | conjuntura

Por que esperar

o vizinho?

Pequenas e médias empresas ainda

não recorrem ao seguro como

deveriam para protegerem seu negócio

dos riscos aos quais estão expostas.

A carteira, embora bilionária, tem

potencial gigantesco levando em conta

a existência de mais de 600 mil grupos

no Brasil que se encaixam nesse perfil,

nos mais variados segmentos

Manuela Almeida

Um incêndio sem causa definida fez a rede sergipana Poliana

Tecidos perder uma de suas unidades há três anos. A proprietária

da pequena rede, Dona Bernadete, “deu sorte” que

tinha seguro para arcar com o prejuízo. O azar foi que no dia

anterior daquele fatídico domingo, 29 de março de 2015, bem aquela

loja havia recebido mercadoria nova. Assim, o valor correspondente

ao estoque da unidade localizada no calçadão da rua São Cristóvão,

Centro de Aracaju, mais que dobrou em relação à importância segurada

contratada pela segurada, de R$ 1,5 milhão. Pelos cálculos dos donos

do negócio, na ocasião, a unidade da Poliana Tecidos atingida pelo

incêndio somava R$ 4,5 milhões em mercadorias. Apesar do trabalho

de 30 homens do Corpo de Bombeiros de Sergipe, que contaram ainda

com o auxílio de sete veículos, a perda foi total. Sobrou também para

as lojas vizinhas, que foram impactadas pelo desabamento de parte dos

telhados da Poliana, a água usada para impedir que o fogo destruísse

todos os produtos. O problema é que, ao serem molhados, alguns não

puderam ser recuperados. Aqui, o seguro também ajudou, uma vez

que os proprietários das lojas vizinhas foram indenizados dentro da

cobertura de Responsabilidade Civil a terceiros, reduzindo, assim, as

perdas causadas.

30


❙❙Antonino Alcântara de Oliveira, corretor

No caso da própria Poliana Tecidos,

a indenização paga pela seguradora

ajudou a reconstruir a unidade atingida,

entretanto, não foi suficiente. Os donos

do negócio tiveram de se descapitalizar

e colocar recursos próprios para fazer

com que a unidade voltasse a ser o que

era antes do incêndio. Mas o prejuízo

da empresa familiar, principal modelo

de sociedade e gestão dos pequenos e

médios negócios no Brasil, poderia ter

sido ainda maior não fosse a atuação do

corretor de seguros Antonino Alcântara

de Oliveira. Ao assumir a conta da rede,

ele iniciou um trabalho, a cada renovação,

de equiparação da importância segurada

nas apólices da empresa em relação aos

riscos existentes. Isso porque a apólice da

segurada, que anteriormente havia sido

contratada junto ao gerente do banco que

a cliente utilizava, contava com no máximo

R$ 300 mil para cada loja – montante

mais parecido com um seguro residencial

de um pequeno apartamento, lembra o

corretor, ao passo que facilmente um

prejuízo por quaisquer motivos como

ocorreu com o incêndio poderia gerar

uma perda milionária.

A unidade atingida pelo incêndio

era a única, até então, que contava com

uma cobertura maior após a orientação

de Oliveira. Sorte novamente de Dona

Bernadete. “Ainda bem que o seguro

contratado não tinha cláusula de rateio

– quando o segurado pode ter de arcar

com uma parte da indenização quando o

valor em risco declarado é menor ao montante

em risco identificado no momento

do sinistro. E ainda que o proprietário

tinha recursos próprios para reconstruir

parte do seu negócio perdido por conta

do incêndio”, lembra Oliveira, que é

proprietário da Alcântara e Madureira

Corretora de Seguros.

De acordo com ele, após três anos,

a causa do incêndio não foi bem esclarecida.

A exemplo do que aconteceu

com outras lojas do Centro Comercial

de Aracaju, suspeita-se de que o fogo

teve início nas antigas instalações elétricas

ou então por conta de alguém que

invadiu a propriedade e acendeu uma

vela. Independente do que ocasionou

o incêndio, a perda foi suficiente para

os proprietários da Poliana reverem as

apólices das demais unidades, adequando

os riscos existentes ao valor contratado

junto ao seguro.

Negócio em risco

A história da pequena rede de lojas

de tecidos extrapola, porém, os cerca de

22 mil quilômetros do território sergipano.

Ressalta a realidade da maioria

das mais de 600 mil pequenas e médias

empresas (PMEs) existentes no Brasil,

conforme dados do Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IBGE), que

não possuem seguro para seus negócios

ou contam com proteções aquém dos

seus riscos. Em geral, boa parte das

pequenas e médias empresas, quando se

preocupam em contratar um seguro para

o seu negócio, assim o fazem, de acordo

com entrevistados por Apólice, somente

quando o vizinho passa por um evento

adverso. A preocupação, na maioria das

vezes, é mais roubo do que algum dano

ao patrimônio que possa paralisar as suas

operações. “Grande parte das pequenas e

médias empresas corre um alto risco de

fechar as portas em função da ocorrência

de um evento adverso, podendo ser um

dano material ao estabelecimento ou uma

responsabilidade civil perante terceiros”,

avalia o diretor de PME da Chubb Brasil,

Alessandro Gomes.

Na prática, apesar disso, o número

de pequenos e médios empresários que

recorre ao seguro como uma ferramenta

de gestão de risco ainda é baixo. Estudo,

que ainda está sendo finalizado pela

“A crise aumentou

o temor das

pequenas e médias

empresas pelos

riscos. O atual quadro

de recuperação

da economia

pode estimular o

crescimento do

consumo de seguros

entre as PMEs”

Alessandro Gomes, da Chubb Brasil

Federação Nacional de Seguros Gerais

(FenSeg), mostra que apenas entre 20%

e, no máximo, 30% desse público contam

com apólices para protegerem seus

negócios, mesmo que nem sempre com

a importância segurada adequada, como

era o caso da pequena rede sergipana

de lojas de tecidos. Ou seja, boa parte

das pequenas empresas que conta com

seguro pode não estar dimensionando

com a necessária realidade numérica,

os riscos aos quais seus negócios estão

expostos todos os dias que abre as portas

para operar. Não há números fechados do

tamanho desse mercado, uma vez que a

Superintendência de Seguros Privados

(Susep) não faz uma divisão por perfil

de empresa. Mas, conforme o diretor de

Property, Riscos de Engenharia e Energy

da Tokio Marine, Sidney Cezarino, é um

segmento estimado em, ao menos R$ 2

31


conjuntura

bilhões em prêmios, o que, se confirmado,

ressalta o potencial gigantesco existente

junto às pequenas e médias empresas no

Brasil. Isso porque o volume de seguros

contratado por esse público é muito pequeno

se comparada à importância que

os grupos de pequeno e médio porte têm

na economia brasileira. Se consideradas

apenas as micro e pequenas empresas,

segundo dados Serviço Brasileiro de

Apoio às Micro e Pequenas Empresas

(Sebrae), o peso no Produto Interno Bruto

(PIB) brasileiro chega a 27%, além de

representarem 98,5% dos empreendimentos

e gerarem 54% das vagas formais

no mercado de trabalho no País. Fatia

similar corresponde à participação dos

médios grupos. “Apesar de ser necessária

uma ótica mais profunda do potencial

do segmento das pequenas e médias

empresas no Brasil, visto que algumas

não são operantes e outras fecharam as

portas, a penetração do seguro nesses

grupos é muito baixa. Se nenhuma nova

empresa surgir na economia brasileira,

ainda assim haverá muito trabalho para

o seguro explorar junto aos pequenos e

médios empresários”, raciocina o diretor

geral de Relações com Investidores da

Porto Seguro, Marcelo Picanço.

Melhores ventos

Pesa para os pequenos e médios

negócios no Brasil, na opinião de especialistas,

o fato de terem maiores desafios

em relação aos grandes grupos, tanto do

ponto de vista financeiro bem como operacional.

Além de o acesso ao crédito ser

❙❙Sidney Cezarino, da Tokio Marine

32

mais difícil e também mais caro, a baixa

diversificação de clientes bem como dos

ramos em que atuam estabelece uma relação

de dependência que não é saudável

para a gestão da empresa se não for muito

bem administrada. Até mesmo porque

qualquer dano ameaça a continuidade do

negócio. A maior sensibilidade das PMEs

ficou evidente durante a crise financeira

e política que devastou a economia brasileira

nos últimos anos. As pequenas

e médias empresas foram um dos segmentos

que mais apanhou. Pesquisas de

birôs de crédito como a Serasa Experian

e a Boa Vista SCPC mostram que os pedidos

de recuperação judicial – quando

a empresa perde a capacidade de pagar

as suas dívidas e recorre a uma medida

para se reestruturar e evitar a falência –,

que passou de mais de 4 mil solicitações

durante a crise, cresceu mais entre os

menores do que entre os grandes grupos.

No entanto, de acordo com Gomes,

da Chubb, a crise contribuiu para aumentar

o temor das pequenas e médias

empresas pelos riscos aos quais estão

expostas. Assim, sua expectativa é de

que o atual quadro de recuperação da

economia possa servir de motor para

o crescimento do consumo de seguros

entre as PMEs. Sustentam o otimismo

do executivo o cenário de retomada econômica

do País. E também por parte dos

pequenos e médios empresários. Apesar

de muitos negócios terem fechando

as portas durante a crise, os sinais de

retomada do País já ensejam uma dose

de confiança a mais nos empresários

do segmento. O Índice de Confiança

dos Pequenos e Médios Negócios (IC-

-PMN) para o segundo trimestre deste

ano atingiu 70,65 pontos, com aumento

de 5,9%, na comparação com o trimestre

anterior. Trata-se da segunda maior alta

da série histórica, iniciada em 2009, do

indicador, que mede a confiança dos

empresários das PME’s para o trimestre,

elaborado pelo Centro de Estudos em

Negócios do Insper com apoio do banco

Santander Brasil. “Há um potencial de

crescimento dentro do setor e em meio à

retomada econômica do Brasil. Se o País

retoma, os investimentos também voltam

e há mais empreendedores que também

são potenciais clientes de seguro. Esse

❙❙Marcelo Picanço, da Porto Seguro

é o pano de fundo”, avalia Cezarino, da

Tokio Marine.

No ano passado, o número de novas

empresas já voltou a crescer no Brasil,

puxado, principalmente, pelos grupos

de menor porte. Segundo levantamento

da Boa Vista SCPC, houve expansão

de 13,6% no ano passado em relação a

2016. Na classificação por forma jurídica,

a variação acumulada no ano mostrou

que as MEIs (microempreendedores

individuais) continuam com papel de

destaque, crescendo 19,1% em 2017, na

comparação com o ano imediatamente

anterior, enquanto que as microempresas

(MEs) apresentaram variação de 6,8%.

Já as demais modalidades de empresas

apresentaram retração de 12,8%, na

mesma base de comparação.

No entanto, embora demonstrem,

em geral, um pouco mais de confiança,

o apetite dos pequenos e médios empresários

para a inclusão de novos gastos em

seus orçamentos, porém, ainda continua

restrito. Na visão do proprietário da GHI

Corretora de Seguros, Luis Fernando

Autilio, as PMES ainda são muito resistentes

à contratação de seguro. “O grande

empresário pensa mais em seu patrimônio

até mesmo porque a maioria possui empreendimento

e maquinário próprio e, no

caso de um incêndio, podem perder tudo e

terem mais dificuldade de se recolocarem.

O pequeno e médio não. Vai para um canto

e para o outro. As empresas menores veem

o seguro mais como um custo do que como

uma proteção ao patrimônio”, compara o

especialista.


33


Nem pessoa física nem grande

empresário. O perfil dos donos

de negócios de pequeno

e médio porte, quando o assunto

é seguro, fica exatamente no meio

do caminho entre esses dois públicos.

Entretanto, boa parte do seu entendimento

vem da experiência como um

consumidor comum do setor. Ou seja,

mais precisamente do seguro de automóvel.

Até mesmo porque a maioria dos

brasileiros não possui sequer apólice para

sua residência. Não é pequena a parcela

da população, inclusive, que confunde

o seguro habitacional, aquele atrelado

ao financiamento do imóvel, com uma

proteção para a sua moradia. No campo

empresarial, não é muito diferente. Boa

parte dos pequenos e médios empresários

muitas vezes não procuram seguro

por puro desconhecimento. Mas o fator

fundamental e que pesa na decisão dos

empresários é, principalmente, o preço.

A maioria deles, além de considerar a

contratação de seguro mais um “custo”

no já apertado orçamento das pequenas

e médias empresas (PMEs) brasileiras,

também imagina que o valor para proespecial

pme | produto

Risco específico

Em um esforço de despertar nos

pequenos e médios empresários

a necessidade de contratarem

seguros adequados aos seus

negócios, seguradoras

apostam em

segmentação,

desenhando

apólices sob

medida para

cada tipo de

atividade

Manuela Almeida

34

teger o seu negócio é muito elevado. E,

novamente, a comparação com o seguro

de automóvel é válida. Isso porque como

uma apólice custa em média de R$ 1,5

mil a R$ 3 mil, muitos pequenos e médios

empresários acreditam que uma proteção

para o seu negócio seja inviável do ponto

de vista de custo. Por isso, a maioria, de

acordo com o corretor de seguros Thiago

Naccarato, para no seguro saúde para

seus funcionários, esquecendo-se dos

riscos ao patrimônio, incêndio, responsabilidade

civil a terceiros e por aí afora.

No entanto, o que os segurados não

sabem é que o prêmio de um seguro

empresarial voltado a um negócio de

pequeno porte, em vários casos, pode

ser bem inferior ao de uma apólice de

automóvel. Ai está o principal desafio do

mercado de seguros brasileiro no que tange

às pequenas e médias empresas. Tanto

seguradoras quanto corretores, conforme

especialistas ouvidos por Apólice, têm

nas mãos um trabalho de conscientiza-

“O potencial do seguro

PME passa por uma

questão cultural e

que, aos poucos, vem

sendo trabalhada no

Brasil, com os próprios

empreendedores

percebendo quais são

riscos mais latentes

e cruciais dos seus

negócios”

Thiago Naccarato, da Naccarato Seguros


Décadas de história

Uma fábrica de produtos alimentícios (grãos, farinhas e rações), no mercado

desde 1957, teve um incêndio, em novembro do ano passado, na área industrial,

com mais de 2.000 m² e a área total construída de 4.412m². O prejuízo chegou a R$ 2

milhões, considerando os danos causados no prédio e nos equipamentos. No mês

seguinte ao evento, o segurado já recebeu a primeira indenização. Em abril deste

ano, graças ao seguro, todo o prédio já havia sido restaurado e todos os equipamentos

sinistrados repostos, o que possibilitou o retorno da operação da fábrica.

❙❙

Eduardo Dal Ri, da SulAmérica

ção a ser feito que, muitas vezes, beira à

insistência junto aos clientes como fez o

corretor de seguros Antonino Alcântara

de Oliveira junto à rede sergipana de lojas

de tecidos (ver página 30). Até mesmo

porque os eventos adversos ameaçam

qualquer atividade comercial independente

do porte do negócio. Diante da

lacuna de desconhecimento dos pequenos

e médios empresários, as seguradoras

começaram a desenhar produtos mais

de nicho, com características que vão ao

encontro do dia a dia de cada ramo empresarial.

Na mira, estão os mais variados

ramos de atuação, tais como farmácias,

clínicas veterinárias, salões de beleza,

hotéis e pousadas, academias, bares

e restaurantes, escritórios de trabalho

compartilhado, os chamados co-working,

dentre tantos outros.

Na prática, segundo o vice-presidente

da Federação Nacional de Seguros Gerais

(FenSeg), e de Auto e Massificados da

SulAmérica, Eduardo Dal Ri, o “seguro

de property careta”, ganhou uma nova roupagem

para que pudesse atrair a atenção

dos pequenos e médios empresários. A

seguradora, conforme o executivo, iniciou

esse trabalho há três anos. Ao estudar o

perfil do pequeno e médio empresário,

percebeu que para sensibilizá-lo para a

contratação do seguro teria de trabalhar

com os principais medos e inseguranças

dessas pessoas.

Na Sompo Seguros, os pequenos

negócios já respondem por mais de 90%

35


produto

36

Risco do aluno

A rede de academias Brasil Company,

com unidades em São Paulo, no

interior e que começa a se expandir

para outros estados, tem seguro

desde a sua primeira unidade. Apesar

dos riscos específicos desta atividade

como, por exemplo, o acidente de

algum aluno em aparelhos, o acionamento

ao seguro foi exatamente ao

contrário. Isso porque o próprio aluno

quebrou um vidro da academia, cujo

prejuízo foi coberto pelo seguro. Um

dos sócios da rede, Rodrigo de Andrade,

cita ainda os serviços e assistências

atrelados ao seguro e que ajudam

a reduzir os gastos das academias

como chaveiro, encanador e limpeza

da caixa d’água.

❙❙

Fabiana Medina, da Sompo

do número de apólices vigentes no ramo

empresarial, considerando grupos com

patrimônio líquido de até R$ 3 milhões.

De acordo com a superintendente técnica

da seguradora, Fabiana Medina, apesar

de esses empresários não terem o hábito

de recorrer ao seguro como uma forma

de protegerem suas empresas, a demanda

vem crescendo como reflexo da maior

atenção do mercado a este público, mas

pode melhorar mais. “Esse mercado

será do tamanho que nós, seguradoras e

corretores, consigamos transmitir para

os clientes proprietários de PMEs, que o

seguro é acessível, é muito importante e

fala direto com o negócio dele. A chave

de expansão desse segmento está aí”,

acrescenta Dal Ri, da SulAmérica.

Alguns segmentos demonstram,

porém, mais apetite que outros. De

acordo com o diretor de massificados

da Liberty Seguros, Mario Cavalcante,

o setor de pet shop, por exemplo, cuja

crise no Brasil não fez tanto estrago em

meio ao forte crescimento deste setor, tem

crescido bastante com a maior procura

de responsabilidade civil para danos nos

animais. “Clínicas e pet shops começam

a ter uma preocupação maior em relação

à contratação de seguro, motivada pelo

aumento das indenizações aos clientes”,

explica o executivo.

A seguradora, conforme ele, iniciou

o trabalho de segmentação junto às PMEs

com cinco ramos e hoje já possui 24

nichos diferentes. Cresceu tanto que a

Liberty já começou, segundo Cavalcante,

a rever quais segmentos realmente emplacaram

e os que não tiveram tanta demanda

para calibrar de forma mais assertiva

o seu público-alvo neste segmento.

Novos riscos

Além dos eventos adversos mais

comuns como incêndio, raio, explosão,

roubo e furto e ainda as ameaças diárias

de cada negócio, o ambiente atual traz

novos riscos para as pequenas e médias

empresas. “Hoje, temos riscos que antigamente

não tínhamos com o avanço

do mundo digital e do uso dos celulares.

Antigamente nem se pensava neles”,

avalia Fabiana, da Sompo.

Tudo junto e

misturado

Uma gráfica de pequeno porte,

localizada em Londrina, no Paraná,

perdeu toda a sua área de produção

após um incêndio que teve início na

madrugada. As avarias nos equipamentos

industriais impossibilitaram a

continuidade da produção das mercadorias

e todas as atividades foram

paralisadas. Em um mês, após o envio

da documentação à seguradora, a

gráfica, que concentra em um único

estabelecimento a produção, administração

e atendimento ao cliente,

foi indenizada e pode retomar suas

atividades.

❙❙

Mario Cavalcante, da Liberty

É nesse contexto que crescem os temores

em relação a ataques cibernéticos

entre as pequenas e médias empresas.

Com estrutura mais frágil do que os grandes

grupos, esses players passaram a ser

verdadeiros alvos dos hackers. Pesquisa

da Federação das Indústrias do Estado

de São Paulo (Fiesp) mostra que mais

de 65% dos ataques registrados no ano

passado, com foco somente financeiro,

miraram exatamente as PMEs. Contribui,

principalmente, a migração dos negócios

para o meio digital, deixando os pequenos

e médios negócios mais expostos.

“Os ataques cibernéticos não ocasionam

apenas perdas associadas a dados e

informações digitais, pois os prejuízos

indiretos podem envolver processos judiciais

movidos por terceiros, interrupção

do negócio, investimentos para solucionar

o problema, danos à imagem e outros

problemas”, alerta o diretor de PME da

Chubb Brasil, Alessandro Gomes.

Outra novidade em termos de riscos

para os pequenos e médios grupos, conforme

o especialista, são os processos

movidos por consumidores que além de

resultarem, muitas vezes, em condenações

das empresas, podem representar

apenas a “ponta do iceberg de um problema

muito maior”. Com o advento das

redes sociais, a ameaça fica por conta da

propaganda negativa que pode ser feita

contra a empresa por clientes insatisfeitos.

De acordo com Gomes, esse risco

não está totalmente claro para muitos

prestadores de serviços. Neste caso, o

seguro também pode minimizar o risco

envolvido.


O seguro para pequenas e médias empresas engloba

grupos de variados tamanhos e também nichos

de atuação. Algumas apólices começam em R$ 700,00

como é o caso de escritórios, clínicas veterinárias e

academias. Cada segmento conta com coberturas sob

medida para o seu dia a dia.

Bares e restaurantes

❱❱

Reembolso a reparações por danos

corporais ou materiais causados a terceiros

de forma involuntária por conta

da situação do imóvel;

❱❱

Fornecimento de comestíveis e bebidas

aos clientes do estabelecimento.

Academias

❱❱

Reparações de danos corporais ou

materiais causados a terceiros;

❱❱

Fornecimento de comidas e bebidas

aos clientes.

Estabelecimentos de ensino

❱❱

Danos materiais ou corporais causados involuntariamente

a terceiros por conta da situação de conservação do estabelecimento,

atividades realizadas, eventos e excursões;

❱❱

Fornecimento de comestíveis e

bebidas;

❱❱

Danos causados aos alunos, funcionários

e professores, em decorrência

de bullying;

❱❱

Cobertura para despesas de tratamentos

psicológicos para o aluno,

funcionário ou professor.

Pousadas e hotéis

❱❱

Cobertura para roubo ou furto qualificado de bens de

hóspedes registrados no estabelecimento;

❱❱

Garantia aos danos provocados aos bens e ao imóvel

segurado decorrentes de roubo ou furto

ou sua tentativa;

❱❱

Reembolso de despesas médicas por

conta de infecção alimentar originada

nas comidas e bebidas consumidas no

local;

❱❱

Reparações por danos materiais ou

corporais causados involuntariamente

a terceiros por conta da conservação do imóvel e atividades

realizadas;

❱❱

Danos provocados pela circulação de veículos de prestadores

de serviço ou translado dos hóspedes em veículos

próprios.

Risco mapeado

Pet Shop

❱❱

Danos acidentais causados a animais

domésticos, especificamente

cães e gatos;

❱❱

Serviços de transporte do animal

pelo estabelecimento;

❱❱

Dano a jaulas e gaiolas;

❱❱

Hospedagem, banho e tosa;

❱❱

Fuga ou roubo do animal que tenha por consequência

seu desaparecimento, acidente ou morte;

❱❱

Despesas funerárias.

Salões de beleza

❱❱

Reparações de danos exclusivamente corporais e involuntários

de acidentes causados pelo uso de navalha,

tesoura, lâmina, máquina ou instrumento para corte

de cabelo ou design de sobrancelhas;

❱❱

Utilização de alicate, espátula, lixa

ou outro material similar para tratamento

e cuidado das unhas;

❱❱

Queimadura na pele devida a alta

temperatura do secador, chapinha ou

prancha modeladora;

❱❱

Queimadura na pele pela alta temperatura

da cera no momento da depilação;

❱❱

Danos por conta de tratamento químico de cabelo;

❱❱

Reembolso de despesas médicas e medicamentos pelo

dano corporal ou lesões resultantes do serviço prestado.

Padarias e confeitarias

❱❱

Reembolso às reparações dos danos

corporais ou materiais involuntariamente

causados a terceiros por

vários motivos;

❱❱

Fornecimento de comestíveis e

bebidas aos clientes do estabelecimento

segurado;

❱❱

Existência e conservação de painéis de propaganda,

letreiros, totens e anúncios.

Farmácias

❱❱

Danos ao estabelecimento acometido

por clientes como quebra de

balcões;

❱❱

Reparações por danos corporais ou

materiais, causados involuntariamente

a terceiros, por profissionais registrados

no conselho regional de farmácia por

erros na leitura de receitas;

❱❱

Cobertura para reposição de vacinas no caso de falta

de luz.

Fonte: Dados de seguradoras e corretores compilados pela Apólice

37


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

“Eu quero é rosetar...”

No carnaval de 1947 – isso mesmo: há 71 anos! – a marchinha

carnavalesca com esse inusitado título fez sucesso... e armou

um banzé! De autoria de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira,

contou com a interpretação inconfundível de Jorge Veiga, acompanhado

pela banda “Soldados Musicais”, de Napoleão Tavares.

Sua gravação, pela Continental, ocorreu em 12 de setembro de

1946, tendo seu lançamento sido efetuado em dezembro daquele

ano, pelo disco 1575-A, matriz 1601.

Assim era seu começo: “Por um carinho seu minha cabrocha/

Eu vou a pé a Irajá (bis)/ Que importa que a mula manque/

eu quero é rosetar”.

Rosetar significa, originariamente, “usar a roseta”, ou seja,

utilizar a rodinha dentada da espora para fazer a montaria andar.

Em sentido paralelo, secundário, entretanto, expressa a ideia de

prática do ato sexual...

Em razão disso, a censura vetou a música, e o disco foi recolhido

das lojas. Ora, a sabedoria popular já disse que “o que é

proibido é mais desejado”! Assim, apesar da proibição da venda

da “bolacha” no mercado musical, o rádio se encarregou de

tornar a marchinha uma das mais cantadas no carnaval de 1947

no Brasil! O sucesso foi tanto, que rendeu até um filme: “Este

mundo é um pandeiro”, da Atlântida (companhia cinematográfica

fundada em 18 de setembro de 1941 por Moacir Fenelon e José

Carlos Burle. Produziu 66 filmes até 1962, quando encerrou suas

atividades. Em sua maioria, eram filmes de deboche, as famosas

“pornochanchadas”, parodiando os sucessos da filmografia internacional,

como: Nem Sansão Nem Dalila; Matar ou Correr e

outros). Nesse pastelão, é Oscarito quem interpreta a música, com

seu jeito cômico e matreiro.

Na conservadora e moralista sociedade da primeira metade do

século XX, a letra maliciosa da marchinha criou alvoroço e caos.

O duplo sentido que ela apresentava ofendia a moral e os bons

costumes então vigentes, e a tornava inaceitável. Principalmente

no seio das famílias tradicionais, nas quais as moçoilas – donzelas

pudicas – ruborizavam as faces diante de um mero gracejo.

Imagine, então, frente a essa despudorada frase!

Entre os muitos atritos que surgiram em decorrência da

composição abusada, um deixou registro trágico na história. O

Globo, de 9 de janeiro de 1947, noticiou: “Ontem, pela quarta vez

desde que foi lançado, o samba “Eu quero é Rosetar”, provocou

um crime. Na Leiteria Aviz, na rua Riachuelo 360, um grupo de

rapazes insistiam em cantar a música imoral, e o gerente da casa,

Othoniel de Carvalho, cansou de pedir para que eles parassem,

em respeito às famílias presentes. Não atendido, ele pegou um

furador de gelo e feriu mortalmente um dos jovens, Waldemar

José Filho.”

Por outro lado, distante do aspecto dramático do caso

acima, não poderia deixar de haver o folclórico, tão comum em

nossa tradição tupiniquim. Ele teria ocorrido em região interiorana

de Minas Gerais, segundo alguns, ou – com mais possibilidade

– do Nordeste, segundo outros. Pouca importância tem

esse detalhe, uma vez que o homem do interior brasileiro, seja

de que região for, tem as mesmas características fundamentais,

com pequenas, quase imperceptíveis diferenças...

Conta-se que, em certo pequeno município, havia um ativo

caminhoneiro que, ao ouvir a música carnavalesca, dela gostou

tanto que mandou escrever no para-choque de seu caminhão

“Eu quero é rosetar”. Saía regularmente de sua cidadezinha

no início da semana e só voltava no sábado. Por onde andava,

levava a debochada frase à vista de todos.

A tradicional família interiorana se indignou com essa

falta de recato e de respeito. Seus representantes mais distintos

foram ao pároco, que, de imediato, acatou o pleito e foi solicitar

ao caminhoneiro que apagasse aquela expressão imoral. Ele se

recusou, dizendo que apenas estava reproduzindo o que todos

ouviam pelo rádio. A queixa da população chegou ao delegado

e, por fim, ao juiz, mediante uma ação popular com pedido

de liminar! Acatado o pleito, o magistrado mandou citá-lo e

intimá-lo – sob as penas da lei – a retirar a frase. Entretanto,

enquanto o oficial de justiça não conseguia proceder à citação,

ele circulava livremente ostentando, como um troféu, a frase

ofensiva...

Quando, por fim, foi citado e intimado, com prazo reduzido

para contestar a ação ou cumprir a determinação da justiça,

informou que na viagem daquela semana, passaria por onde

havia mandado fazer a inscrição e, voltaria com a situação

resolvida, no sábado subsequente.

No dia aprazado, na entrada da cidade, à sua espera estavam

a autoridade policial, o padre, os fieis todos, a imprensa

local (sim, havia um jornal, publicado sempre que isso se

tornava possível e necessário) e a reportagem da emissora de

rádio (daquelas ao estilo da rádio Camanducaia, de Odayr Batista:

“Falando para a cidade e cochichando para o interior”).

É então que desponta, em meio à poeira do estradão, o tão

esperado veículo. O momento é decisivo: ou o caminhoneiro

cumpriu a determinação da justiça ou será preso! Atentos ao

para-choque, em que estava antes escrito “Eu quero é rosetar”,

todos leem “ CONTINUO QUERENDO”!

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* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br


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