Gestão Hospitalar N.º 13 2018 - Edição do 35.º Aniversário

bioalexandre

Edição do 35.º Aniversário

Especial Aniversário

ABRIL MAIO JUNHO 2018

Edição Trimestral

Nº 13

GESTÃO

HOSPITALAR

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA aSSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ADMINISTRADORES HOSPITALARES

GESTÃO HOSPITALAR Nº13 ESPECIAL 35º ANIVERSÁRIO

35º

ANIVERSÁRIO

HOMENAGEM

JOÃO SANTOS CARDOSO


GH SUMÁRIO

ABRIL MAIO JUNHO 2018

GESTÃO

HOSPITALAR

PROPRIEDADE

APAH − Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares

Parque de Saúde de Lisboa Edíficio, 11 - 1.º Andar

Av. do Brasil 53

1749-002 Lisboa

secretariado@apah.pt

www.apah.pt

DIRETOR

Alexandre Lourenço

COORDENADORES

Bárbara Carvalho, Emanuel Magalhães de Barros,

Miguel Lopes

EDIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

Bleed - Sociedade Editorial e Organização

de Eventos, Ltda.

Av. das Forças Armadas 4 – 8B

1600-082 Lisboa

Tel.: 217 957 045

info@bleed.pt

www.bleed.pt

PROJETO GRÁFICO

Sara Henriques

DISTRIBUIÇÃO

Gratuita

PERIODICIDADE

Trimestral

DEPÓSITO LEGAL N.º

16288/97

ISSN N.º

0871–0767

TIRAGEM

2.000 exemplares

IMPRESSÃO

Grafisol, lda

Rua das Maçarocas

Abrunheira Business Center Nº3

2710-056 Sintra

Esta revista foi escrita segundo as novas regras

do Acordo Ortográfico

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Editorial Alexandre Lourenço

35 Anos a Gerir Serviços de Saúde

Reedição, Gestão Hospitalar Nº 1, 1983

Editorial

Homenagem a Santos Cardoso António Correia de Campos

João José dos Santos Cardoso

Homenagem a Santos Cardoso José António Meneses Correia

Santos Cardoso só sabia trabalhar em equipa

Homenagem a Santos Cardoso Pedro Lopes

Capacidade para ouvir para entender

História José Carlos Lopes Martins

"Gestão Hospitalar" qualidade técnica e científica

Reedição, Gestão Hospitalar Nº 1, 1983 J. M. Caldeira da Silva

Administração médica no contexto hospitalar

Reedição, Gestão Hospitalar Nº 3, 1983, José António Meneses Correia

O sistema de gestão do Hospital: contributo para uma visão sistémica

História Artur Morais Vaz

35 anos da "Gestão Hospitalar"

Reedição, Gestão Hospitalar Nº 20, 1990 Rui Janeiro da Costa

Sistema básico de informação hospitalar nos H.U.C.

Reedição, Gestão Hospitalar Nº 27, 2007 Margarida Bentes

A gestão estratégica nos hospitais passo a passo

História Jorge Varanda

Memórias Intelectuais e sentimentais

Reedição, Gestão Hospitalar nº 22/23, 1991 Artur Morais Vaz

Editorial

Reedição, Gestão Hospitalar nº 21, 1990 David H. Gustafson,

William L. Cats-Baril, e Farrokh Alemi

Desenvolvimento e testes dos modelos Bayesiano e Mau para prevenir

e explicar o sucesso da implementação

História Manuel Delgado

35 anos de história

Reedição, Gestão Hospitalar nº 29, 1994 Manuel Delgado

Financiamento da Saúde: equívocos e preconceitos

Reedição, Gestão Hospitalar nº 31, 1995 Vasco Pinto dos Reis

As questões que se põem aos sistemas de saúde

Reedição, Gestão Hospitalar nº 33, 1996/1997 Margarida Bentes,

Maria da Luz Gonçalves, Suzete Trancoada, João Urbano

A utilização dos GDHs como instrumento do financiamento hospitalar

Reedição, Gestão Hospitalar, 2002 José António Meneses Correia

Saber, saber fazer e a reforma da saúde

História Pedro Lopes

A reforma hospitalar

Reedição, Gestão Hospitalar nº 43, 2009 Paulo Salgado

Qualidade e racionalidade económica

Reedição, Gestão Hospitalar nº 46, 2010 Pedro Lopes

Editorial

Reedição Gestão Hospitalar Nº1, 1983 Coriolano Ferreira

Três reflexões sobre os Administradores Hospitalares em Portugal

3


GH editorial

Alexandre Lourenço

Presidente da APAH

35 anos a promover a gestão

de serviços de saúde

Este ano celebram-se os 35 anos da

Revista da Associação Portuguesa de

Administradores Hospitalares: Gestão

Hospitalar (GH). Reconhecendo

a sua relevância, recentemente, digitalizámos

todos os números destes anos de revista,

sendo agora disponibilizados universal e gratuitamente

no nosso site.

Eduardo Sá Ferreira, João Santos Cardoso, Raúl Moreno,

João Urbano, Júlio Reis, José Carlos Lopes Martins

e Jorge Varanda foram os elementos da primeira

direção da APAH que editaram o primeiro número

da GH em 1983. Figuras maiores da Gestão de Serviços

de Saúde foram reconhecidos este ano como

Sócios de Mérito da sua APAH.

Desde a primeira hora, João Santos Cardoso, primeiro

Diretor da GH (1983-1986), generosamente

se disponibilizou a escrever o editorial desta edição

comemorativa. Malogradamente, tal não foi possível

dado o seu falecimento no passado mês de maio.

Esta edição especial da GH é dedicada à sua memória.

António Correia de Campos, José António

Meneses Correia, José Carlos Lopes Martins e Pedro

Lopes partilham as suas recordações sobre este

Homem de Liberdade.

Para esta edição especial, os antigos presidentes da

APAH e diretores da GH, José Carlos Lopes Martins,

Artur Morais Vaz, Jorge Varanda, Manuel Delgado e

Pedro Lopes selecionaram artigos que marcaram o

percurso da gestão de serviços de saúde nestes 35

anos. Assim, contamos com artigos de, entre outros,

Caldeira da Silva, Meneses Correia, Janeiro da Costa,

Margarida Bentes, Cats-Baril, Vasco Reis e João Urba-

no. Nesta linha, adiciono ainda o primeiro artigo da

GH, da autoria de Coriolano Ferreira, “Três reflexões

sobre os Administradores Hospitalares em Portugal”.

Apesar de datados no tempo, muito destes artigos

mantém a pertinência do momento presente.

Dificilmente encontraríamos um instrumento de

acompanhamento das particularidades e evolução

do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como a Gestão

Hospitalar. Neste sentido, é um documento extraordinário

da perseverança e compromisso de várias gerações

de profissionais do SNS.

Desde o primeiro número que, a Direção da APAH

estava “consciente das dificuldades que a manutenção

da sua publicação regular comporta”. É com esta

preocupação que damos início neste número a um

novo projeto editorial que garante a manutenção da

qualidade, a regularidade e a sustentabilidade financeira

da GH para os próximos anos. Exista “colaboração

e empenho de todos os profissionais de saúde,

sobretudo dos administradores hospitalares”.

Desde o primeiro editorial, agora republicado, a GH

é o “órgão de análise, divulgação e debate de toda a

problemática de gestão de serviços de saúde”. Apesar

de privilegiar a abordagem técnica do tema administração,

a GH situa-se na “perspetiva sistémica,

de forma a abranger os aspetos de condicionamento

e interação entre o hospital e os serviços de saúde

envolventes”. Apesar de ser a revista dos administradores

hospitalares portugueses é “um espaço aberto

à colaboração de todos os profissionais nos vários

níveis da organização dos serviços de saúde”.

Este primeiro editorial indica-nos a linha editorial da

GH e o futuro da profissão. Venham mais 35. Ã

Permanecer competitivo depende do valor que aporta

4


GH REEDIÇÃO

GESTÃO

HOSPITALAR

Número 1

Editorial

8.000

Empregos

Directos

1.131 M€

Exportações

1.700 M€

Produção

Farmacêutica

75 M€

Investimento

em I&D

142

Ensaios

Clínicos

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GH homenagem

João José dos

Santos Cardoso

EM 1970 TEVE INÍCIO O I CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

HOSPITALAR (CAH) E SANTOS CARDOSO INSCREVEU- “-SE E FOI GRADUADO COM DISTINÇÃO NO III CAH.


António Correia de Campos

Sócio Honorário da APAH

João Santos Cardoso foi um distinto administrador

hospitalar, um dos primeiros

diplomados na Escola Nacional de Saúde

Pública (ENSP), que se tornou mais conhecido

por ter administrado o Hospital

Pediátrico de Coimbra em equipa com pediatras e

professores ilustres como António Torrado da Silva

e Henrique Carmona da Mota. Presidiu à Associa-

ção Portuguesa de Administradores Hospitalares e

depois do 25 de Abril assumiu obrigações cívicas

na política autárquica, como vereador municipal

em Coimbra, eleito pelo PCP, tendo dirigido com

reconhecida proficiência e rigor os Serviços Municipalizados

de Coimbra. Era um profissional altamente

competente e era um homem bom. Granjeou

o respeito e a admiração de muitos, médicos,

enfermeiros, dirigentes da Saúde, políticos e dos

seus eleitores, mesmo os que discordavam das suas

ideias e posições.

Santos Cardoso estudou direito e letras em Coimbra

sem ter concluído qualquer curso. Na Universidade

conviveu com muita gente sobretudo do

mundo da cultura, tendo sido um dos primeiros

membros do CITAC, o Círculo de Iniciação Teatral

da Academia de Coimbra, organismo de vanguarda

no seu tempo. Tendo abandonado os estudos procurou

trabalho no Hospital de Sobral Cid, uma das

muitas instituições de saúde que o professor Bissaya

Barreto ia criando na sua inesgotável energia, bem

oleada pela amizade que cultivava com o Doutor

Salazar. De Coimbra passou para Lisboa, logo no

início dos anos sessenta, tendo integrado como

primeiro-oficial a recém-criada Direção-Geral dos

Hospitais (DGH) onde trabalhou sob as ordens de

Augusto Mantas.

Quando em 1967 decidiu criar um centro de informática

para os hospitais da Região Centro, então

chamado Centro Mecanográfico Hospitalar

de Coimbra, por sugestão de jovens técnicos que

já trabalhavam na DGH, Augusto Mantas decidiu

convidá-lo para dirigir o centro, onde criou uma

equipa de contabilistas e analistas para auxiliar os

hospitais da Região a desenvolverem os seus sistemas

de informação. Em 1970 teve início o I curso

de administração hospitalar (CAH) e Santos Cardoso

inscreveu-se e foi graduado com distinção no

III CAH. Apesar de não ser licenciado foi admitido

ao abrigo de uma portaria transitória que permitiu

o acesso ao curso a licenciados em áreas não contempladas

no diploma inicial e mesmo a funcionários

da carreira administrativa, enfermeiros e outros

profissionais, desde que tivessem o terceiro ciclo

dos liceus e alguns anos de bom e efetivo serviço.

Foi ao abrigo dessa janela que pessoas como Santos

Cardoso, Mariana Diniz de Sousa, Cândido Pacheco

de Araújo e o escritor Mário Braga se diplomaram,

tendo alcançado lugares de relevo e de reconhecido

mérito, na década seguinte. Santos Cardoso foi

um excelente aluno e a sua anterior experiência na

administração de hospitais e na DGH tornaram-no

um profissional com a qualidade necessária para

ser escolhido para administrar o recém-construído

Hospital Distrital de Portalegre. Quando o Pediátrico

de Coimbra se constituiu, pouco depois do 25

de Abril, Santos Cardoso concorreu a administrador

onde, com a equipa brilhante que ali havia sido reunida,

criou um dos mais notáveis exemplos de qualificado

funcionamento de uma moderna unidade

do SNS, com a maioria dos profissionais em dedicação

exclusiva. }

8 9


GH homenagem


COMPETENTE, SENSATO, JUSTO, INOVADOR,

OS QUE COM ELE TRABALHARAM RECORDAM-NO

COM ADMIRAÇÃO. COMO CIDADÃO MERECE

O NOSSO RESPEITO E APREÇO.


Santos Cardoso em todos os lugares por onde passou

foi reconhecido como um exemplar servidor

público, que aliava trabalho e competência a um

trato de profundo respeito pelos colaboradores,

colegialidade na decisão e racionalidade persuasiva.

Frontal, não escondia as suas opiniões mesmo

negativas sabendo sempre apresentá-las de forma

cooperante e urbana. Preocupava-se com as condições

de trabalho dos seus colaboradores, respeitava

as suas opiniões, criando um bom clima de trabalho

assente na completa imparcialidade e na mais rigorosa

probidade e sobretudo mantinha uma postura

de permanente criatividade e inovação. A sua experiência

levou-o a ser convidado para prestar serviços

de consultoria nacional e internacional. Entre nós,

colaborou com o INA na primeira avaliação comparada

de hospitais (Garcia de Orta e Fernando da

Fonseca, em 1999). Em consultoria internacional

destacou-se na equipa que, na Guiné-Bissau, prestou

apoio ao projeto de modernização do sistema

de saúde com financiamento do Banco Mundial. Escrevia

com acerto e colaborava com assiduidade e

assinalável independência ideológica em órgãos da

imprensa regional. João José dos Santos Cardoso

foi um bom exemplo de administrador hospitalar.

Competente, sensato, justo, inovador, os que com

ele trabalharam recordam-no com admiração. Como

cidadão merece o nosso respeito e apreço. Ã

Homem solidário e empenhado

na coisa pública

Presto a minha homenagem ao Santos Cardoso,

um homem reto, de carácter, solidário e empenhado

na coisa pública. Tive a sorte de o poder

acompanhar em dois projetos diferentes,

mas ambos desafiadores e inovadores:

• O primeiro, o lançamento e a luta pela sobrevivência

da Revista Gestão Hospitalar, em que

pude testemunhar o entusiasmo e também a resiliência

com que procurávamos conteúdos e

fundos para garantir cada edição.

• O segundo, a informatização do processo clínico

do Hospital Pediátrico; estávamos em

1982/83, o Santos Cardoso era o Administrador

do Hospital e eu Administrador do Centro Regional

de Informática. O projeto era pioneiro em

Portugal, os conhecimentos e os recursos eram

escassos mas a ambição e a persistência motivadora

do Santos Cardoso, fizeram com que

se iniciasse um caminho irreversível e determinante

na organização hospitalar portuguesa.

Obrigado Santos Cardoso, valeu a pena.

José Carlos Lopes Martins

10


GH homenagem


SANTOS CARDOSO ACOMPANHAVA A MECANIZAÇÃO

DE TODOS OS SERVIÇOS, NÃO SENDO DIFÍCIL

IMAGINAR O QUANTO ESSA EXPERIÊNCIA

O ENRIQUECEU PROFISSIONALMENTE.


Santos Cardoso

SÓ SABIA TRABALHAR

EM EQUIPA

– rodeado de máquinas que perfuravam, triavam e

classificavam enormes ficheiros de míticos cartões

de 80 colunas, e de uma impressora que funcionava

à “incrível” velocidade de 300 linhas/minuto.

Os construtores não vendiam as máquinas; alugavam

computadores com os respetivos periféricos, e prestavam

serviços, disponibilizando aos seus clientes o

apoio de Analistas de Sistemas altamente qualificados.

Tive ocasião de trabalhar com alguns desses especialistas

que proporcionavam a aprendizagem de

metodologias destinadas a analisar os procedimentos

existentes e a conceber e implementar novos

métodos baseados na utilização do computador. O

Santos Cardoso acompanhava a mecanização de todos

os serviços, não sendo difícil imaginar o quanto

essa experiência o enriqueceu profissionalmente.

A mecanização da Estatística foi feita em poucos

meses. No início do ano seguinte, frequentei o Curso

de Diretor de Hospital na Escola de Saúde Pública

Francesa.

No regresso, antes de partir para Beja, onde iria participar

na montagem do primeiro Hospital Distrital

construído e explorado pelo Estado, ainda estive uns

meses em Coimbra. Dos encontros que tivemos

constatámos um novo interesse comum. A preferência

de ambos, sem esquecer os contributos das }

José António Meneses Correia

Sócio de Mérito da APAH

Neste texto recordarei o trabalho do

Santos Cardoso enquanto profissional

da Saúde e Administrador Hospitalar.

Outros colegas, melhor do que

eu, se encarregarão de evocar diferentes

aspetos da sua personalidade multifacetada.

Conheci-o há, precisamente, cinquenta anos. Em

Fevereiro de 1968 iniciei funções nos HUC, como

Chefe de Serviços de Arquivo e Estatística. As estatísticas

de movimento de doentes eram obtidas,

manualmente, através da classificação e contagem

dos resumos de alta, repetidas tantas vezes quantos

os parâmetros a obter.

Era uma tarefa penosa e sujeita a imprecisões de

vária ordem, que tinha todas as características para

ser mecanizada.

Nos HUC estava instalado o Centro Mecanográfico

Hospitalar de Coimbra, pertencente ao SUCH, na

altura dirigido pelo Santos Cardoso.

O pedido para a mecanização da Estatística foi imediatamente

aceite e até bem-vindo porque, depois

da mecanização dos vencimentos, havia serviços

que ofereciam resistência à mudança e se opunham

à informatização.

O Centro dispunha dum equipamento de 2ª geração

– um IBM 1401H, com 4k de memória central

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12 13

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GH homenagem


NÓS, ADMINISTRADORES HOSPITALARES, ESTAMOS-

-LHE GRATOS PELA MANEIRA COMPETENTE, SÉRIA

E DEVOTADA COM QUE HONROU A PROFISSÃO.

OBRIGADO MEU CARO E INESQUECÍVEL AMIGO.


diversas escolas de organização, pela Teoria Geral

dos Sistemas, movimento derivado da cibernética.

A escolha do tema do seu trabalho final do Curso

de Administração Hospitalar – Cibernética e Administração

Hospitalar- é significativa do interesse que

dedicava a este assunto.

A ideia de sistema é importante, desde logo ao nível

do próprio conceito. Porque fornecendo ao gestor

uma visão holística da organização, ajuda os dirigentes

a reconhecer a estrutura dos problemas e a natureza

dos processos de gestão, a colocá-los no seu

envolvimento real e, eventualmente, a simplificá-los,

com conhecimento de causa. O que é bem diferente

das simplificações de quem desconhece a complexidade

da gestão hospitalar e pensa que tudo se

resolve com o controlo orçamental.

Depois, a conexão deste conceito com a teoria cibernética

permite identificar uma filosofia de comportamento

do sistema cujas palavras-chave são a

evolução, adaptação, aprendizagem, controlo e regulação,

que asseguram a sua pilotagem.

Se a experiência do Centro Mecanográfico lhe deu

a oportunidade de apreender, exaustivamente, os

fluxos dos processos administrativos, a teoria dos

sistemas ajudou-o a reconhecer que não se pode

combater a complexidade dum sistema pela fragmentação

em elementos disjuntos, para cada um

dos quais se editam regras específicas. O produto

final, ao qual se chega por essa via, não é um sistema,

apenas uma coleção de sub-programas, eventualmente

ligados entre si, mas sem capacidade de

regulação mútua, adaptação e otimização.

Acabado o Curso de Administração Hospitalar,

partiu para Portalegre para a montagem do novo

Hospital, uma experiência importante na vida dum

Administrador, onde teve ocasião de aplicar os seus

já vastos conhecimentos.

Regressou a Coimbra para ser Administrador do

Hospital Pediátrico, numa época que o Professor

Carmona da Mota, primeiro Diretor Clínico, considera

uma época de ouro da Pediatria Portuguesa. A

criação do Hospital Pediátrico de Coimbra tornou

possível reunir um conjunto de grandes nomes da

Pediatria Portuguesa a que se associou uma plêiade

de jovens Médicos interessados em trabalhar com

este escol de notáveis, de que destacaria o Professor

Torrado da Silva, regressado da Suíça que, em

Lausanne, ocupava um lugar de grande relevo.

Dificilmente o Pediátrico poderia ter melhor Administrador

e dificilmente o Santos Cardoso poderia

encontrar melhor ambiente de trabalho.

Em 1983, sendo vogal da APAH e diretor da Revista,

convidou-me a escrever um artigo que seria publicado

no nº 3. Não me recordo se me sugeriu o tema

ou o escolhi espontaneamente; “O sistema de gestão

do hospital-contributo para uma visão sistémica.”

No seguimento da sua publicação, proporcionoume

o privilégio de conhecer o Professor Torrado

da Silva, sugerindo-me uma reunião com os dois, no

Hospital Pediátrico, sobre aquele tema.

Tive então a oportunidade de notar quanto era

considerado no Hospital, ele que só sabia trabalhar

em equipa e tinha natural aptidão para as constituir.

E de constatar como Direção Clínica e Administração

estavam alinhadas na prossecução dos objetivos

da instituição, fator fundamental para impedir que

as preocupações técnicas, por um lado, e económico-financeiras,

por outro, constituíssem duas dimensões

antagónicas no Hospital Pediátrico.

No final desse ano, nas V Jornadas de Administração

Hospitalar, Santos Cardoso, Lopes Martins, Janeiro da

Costa e Torrado da Silva apresentaram um trabalho

– “A informação de gestão no hospital” - que continha

uma “Proposta de Sistema de Informação de Gestão

na Área Clínica: dados base por doente tratado.”

Cito os principais pressupostos em que essa proposta

se baseava:

“O hospital deve ser pensado como um sistema

integrado, composto por várias partes interdependentes,

prosseguindo objetivos globais em interação

com o universo exterior constituído por outros hospitais,

serviços de saúde e a comunidade que serve.”

“A eficiência da atividade hospitalar dependerá fundamentalmente

da qualidade da informação clínica.”

“A informação clínica deve constituir a base para

a elaboração do sistema integrado de informação

de gestão, para a coordenação interna, coordenação

externa da atividade dos vários hospitais, destes

com os cuidados de saúde primários, assim como a

avaliação de resultados na comunidade.”

Na sua comunicação os autores deixavam bem expresso

que a informação clínica devia ter um carácter

pluridisciplinar; médico, enfermagem, serviço

social, serviços administrativos, etc.

Hoje o sistema de informação hospitalar é obviamente

muito mais rico do que o era há mais de três décadas.

Mas é falsa a ideia de que um sistema de informação

dum sistema complexo, como é um hospital, possa

resultar duma elaboração puramente tecnocrática,

nascendo já adulto, qual Minerva saindo do cérebro

de Júpiter com escudo, lança e armadura.

O sistema de gestão dos nossos hospitais foi-se

construindo ao longos dos anos com a participação

de muitas pessoas. O Santos Cardoso foi um participante

ativo na sua elaboração e soube, para além

disso, utilizar a informação para escolher as ações e

os meios mais adequados à produção dos resultados

pretendidos.

Como, muito justamente, referiu a Direção da

APAH, “Santos Cardoso foi um insigne devoto da

causa pública e, particularmente, do Serviço Nacional

de Saúde.”

Nós, Administradores Hospitalares, estamos-lhe gratos

pela maneira competente, séria e devotada com

que honrou a profissão.

Obrigado meu caro e inesquecível amigo. Ã

14


GH homenagem

Capacidade

disponibilidade ao aconselhar-me na minha iniciática

prática hospitalar.

Frequentou um dos primeiros Cursos de Administração

Hospitalar, na Escola Nacional de Saúde Pública

e desenvolveu uma longa atividade na administração

hospitalar. Procedeu à abertura do Hospital

de Portalegre, foi administrador do então Hospital

Pediátrico de Celas, do CHC, talvez no mais longo

período da sua atividade, como administrador

hospitalar e foi, ainda, Diretor do Departamento de

Informação para a Gestão (DIG) do CHC.

Desenvolveu outras atividades de relevante mérito

na área da saúde designadamente na Direção Geral

da Saúde, em colaboração com o Professor Coriolano

Ferreira, bem como no Centro Regional de Informática

do Centro, do Serviço de Informática do

Ministério da Saúde.

Mas também noutras áreas, designadamente na área

social, teve um papel de relevo, com a criação da

Associação de Saúde Infantil de Coimbra, constituída

formalmente em Janeiro de 1984, fazendo parte

da sua Direção.

A sua nobreza de carácter e o seu espírito de bemfazer

impeliam-no para outros desígnios e foi assim

que integrou a Comissão Instaladora do Centro de

Desenvolvimento da Criança, no então Hospital Pediátrico

de Celas do CHC.

Mas se a sua atividade na área da saúde foi da maior

relevância não o foi menos o seu envolvimento

político enquanto membro do Partido Comunista

Português, característico de um homem de causas

e de convicções.

O seu espírito participativo, a sua visão de cidadania

e o seu apego à cidade de Coimbra levou-o a par- }

para ouvir

para entender

Pedro Lopes

Presidente da APAH (2008-2013)

No dia 28 de Maio de 2018 faleceu o

nosso colega João Santos Cardoso,

mais conhecido por Santos Cardoso.

Era uma pessoa com uma enorme

capacidade para ouvir e para entender,

apesar da sua grande experiência e conhecimentos

acima daqueles que o rodeavam. Com um

diálogo fácil e afável, mas determinado nos seus conceitos

particularmente de vida e sociedade.

Tive o privilégio de o conhecer no Hospital dos Covões,

do Centro Hospitalar de Coimbra (CHC), na

década de oitenta, era eu um jovem administrador

hospitalar e logo me apercebi do seu trato fácil e

16


GH homenagem


MAS SE O SEU PERCURSO PROFISSIONAL NA ÁREA

DA SAÚDE FOI RELEVANTÍSSIMO, NÃO O FOI MENOS

O SEU EMPENHAMENTO NA CRIAÇÃO

E NA SUSTENTAÇÃO DA NOSSA CARREIRA

18

DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR.


tilhar os destinos do município fazendo três mandatos

neste seu trajeto político. Neste contexto, não

podemos deixar de referir e realçar o mandato de

1989 – 1993, no qual assumiu o pelouro dos mercados

onde se revelou como um dos maiores impulsionadores

da instalação do Mercado Abastecedor

de Coimbra.

Mas se o seu percurso profissional na área da saúde

foi relevantíssimo, não o foi menos o seu empenhamento

na criação e na sustentação da nossa Carreira

de Administração Hospitalar. Desde logo quando

integrou a primeira Direção da Associação Portuguesa

de Administração Hospitalar (APAH) partilhando

com notáveis colegas este primeiro grande

momento da nossa Associação.

A sua capacidade interventiva, a sua experiência e

os seus conhecimentos obrigaram-no a ir mais longe

e foi assim que em 1983 fundou a Revista de Gestão

Hospitalar que dirigiu até 1986. Numa época em

que a comunicação se fazia basicamente de forma

escrita o nosso colega Santos Cardoso teve o arrojo

de avançar com este novo projeto da APAH.

O privilégio que referi no início destas singelas

palavras foi o mesmo que tive no passado dia 24

de Maio, quando num quarto de um Serviço dos

Hospitais da Universidade de Coimbra, do Centro

Hospitalar e Universitário de Coimbra pude com

ele conversar e onde manifestou o apreço pela distinção

que a APAH e o seu Presidente com ele tiveram,

no dia 11 de Março, aquando da realização de

4.ª Conferência VALOR APAH, homenageando-o

pelos seus feitos.

A APAH distinguiu-o, ainda, com a maior elevação

e por aclamação, atribuindo-lhe o título de Sócio

Honorário, a 28 de Maio passado, em reunião da

Assembleia Geral, pelo seu valoroso percurso profissional

e pelos serviços prestados a todos os colegas

administradores hospitalares. Ã

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FOLLOW US ON:


GH HISTÓRIA

"Gestão Hospitalar"

Qualidade técnica

e científica

José Carlos Lopes Martins

Presidente da APAH e Sócio de Mérito

Ao reler todos os números anteriores

da Gestão Hospitalar pude

constatar com muito agrado a importância

da nossa Revista no tratamento

dos temas relevantes em

cada época para a administração hospitalar e na qualidade

técnica e científica de tantos e tantos artigos merecedores

de referências que estou certo serão feitas

por colegas na Edição Especial que está a ser preparada.

Permito-me, pela minha parte escolher dois dos mais

antigos que reli à luz de conceitos atuais:

No número 1 da Gestão Hospitalar, Janeiro a Março

de 1983, o Prof. J. M. Caldeira da Silva no artigo

- Administração Médica no Contexto Hospitalar -

interrogava-se sobre «que tipo de participação e em

que grau devem ter os médicos de um serviço na

sua organização e gestão». O tema era atualíssimo

há 35 anos e ainda hoje é pertinente e atual, desde

logo pela sábia conclusão a que chega: - «o envolvimento

do médico em administração deverá ter como

objetivo obter uma melhor eficácia e eficiência

dos serviços face ao doente».

Mais à frente interroga Caldeira da Silva «Será a gestão

uma inimiga do médico? e responde - «De modo

algum. A gestão médica pode parecer dissonante da

gestão global... a verdade é que praticamente toda e

qualquer decisão clínica interfere na gestão corrente

do Hospital» e concluía de uma forma que ainda hoje

considero ter plena validade: «Os médicos devem

reconhecer a importância e as vantagens das componentes

de gestão e administração global e devem preparar-se

para darem um contributo qualificado dentro

desta perspetiva».

No número 3 da Gestão Hospitalar de 1983, o José

António Meneses Correia tem um artigo que considero

essencial para o entendimento das especificidades

do Hospital. Todos reconhecemos no Meneses Correia

o domínio dos conceitos, o rigor e a profundidade

de pensamento e talvez por isso e pela sua visão larga,

este artigo me parece hoje tão atual como na data

da sua publicação. O Meneses Correia caracteriza,

logo no início, a complexidade do Hospital em duas

ideias força: a variedade e a interdependência; o Hospital,

refere «é mais do que a simples justaposição de

mecanismos técnicos e administrativos isoladamente

reguláveis» e por isso chama, muito apropriadamente

à atenção para a «necessidade de o Hospital ser

pensado como uma totalidade composta por múltiplas

partes interconectadas em interação com o

universo exterior e prosseguindo objetivos globais».

Desenvolve depois com toda a pertinência os conceitos

cibernéticos aplicando-os à realidade Hospital, ao

sistema de governo e aos mecanismos de regulação. É

particularmente clara a fundamentação conceptual da

necessidade de autonomia e o enunciado dos níveis

de responsabilidade. Este artigo ajudou-me, ajudounos

e ajudará a todos os que o lerem a compreender

o Hospital. Ã

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GESTÃO

HOSPITALAR

Número 1

Capa

e artigo

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GH REEDIÇÃO

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GH REEDIÇÃO

Better Health, Brighter Future

Podemos sempre fazer mais para melhorar a vida das pessoas.

Impulsionados pela paixão de realizar este objetivo, a Takeda

proporciona medicamentos inovadores à sociedade desde a sua

fundação em 1781.

Hoje, combatemos diversos problemas de saúde em todo o Mundo,

desde a sua prevenção à cura. Mas a nossa ambição mantém-se:

encontrar novas soluções que façam a diferença e disponibilizar

melhores fármacos que ajudem o maior número de pessoas possível,

o mais rápido que conseguirmos.

Com a ampla experiência, sabedoria e perseverança da nossa equipa,

a Takeda terá sempre o compromisso de melhorar o amanhã.

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GESTÃO

HOSPITALAR

Número 3

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e artigo

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GH HISTÓRIA

ANOS DA

"GESTÃO

HOSPITALAR"

1. Dois artigos relevantes da GH

Em declaração prévia de interesses relativamente à

seleção dos dois artigos, devo assumir a minha muita

amizade e muita saudade pelos dois autores dos

textos que vou referenciar - Rui Janeiro da Costa

e Margarida Bentes. Ambos desaparecidos precocemente,

foram, cada um à sua maneira, personalidades

ímpares e profissionais únicos que marcaram

profunda e positivamente a administração hospitalar

portuguesa. Por isso, a minha seleção dos dois artigos

é, também, uma homenagem que lhes presto.

O Rui Janeiro da Costa, cujo percurso profissional

(formado em Direito, foi Procurador do Ministério

Público antes de integrar a Administração Hospitalar)

não antecipava a área a que veio a dedicar maior

interesse e em que foi precursor em Portugal, é uma

referência nacional incontornável no âmbito dos sistemas

de informação hospitalar. O texto a que me

refiro foi publicado na GH nº 20, de Julho/Setembro

de 1990 e tinha como título “Sistema Básico de

Informação Hospitalar nos HUC”. É um texto pioneiro,

naturalmente datado (o que é mais evidente

nestas matérias tecnológicas) mas que foi um dos

primeiros textos a abordar a importância das tecnologias

e sistemas de informação para a gestão hospitalar,

hoje um dado absolutamente adquirido mas, à

data, uma ideia ainda em processo de disseminação

e desenvolvimento. É interessante, também, porque

a GH nº 22/23, de Janeiro/Junho de 1991, referencia

a atribuição ao Rui Janeiro da Costa do Prémio

Centro Hospitalar de Coimbra/Banco Pinto e Sotto

Mayor de Gestão de Serviços de Saúde pelo seu

projeto “Sistema de Informação de Doentes”.

A Margarida Bentes, desde sempre ligada aos sistemas

de financiamento hospitalar e, juntamente com

João Urbano, entre outros(as), responsável pela introdução

em Portugal dos modelos de pagamento

prospetivo por GDH, um dos mais bem sucedidos

projetos de mudança estrutural no Ministério da

Saúde, alargava o seu leque de interesses a outras

áreas, do que é testemunho o artigo que selecionei,

publicado na GH nº 27 (nova numeração), publicada

em 2007 e intitulado “A Gestão Estratégica nos

Hospitais Passo a Passo”. Neste artigo, Margarida

Bentes aborda de forma pedagógica os modelos

e instrumentos de gestão estratégica de hospitais

e explicita, antecipando em alguns anos a sua vulgarização,

a questão da cadeia de valor e da criação

de valor nas organizações prestadoras de cuidados

de saúde.

2. O Passado da GH

A APAH foi constituída em novembro de 1981,

a primeira Direção eleita em março de 1982 e o

primeiro número da GH publicada em março de

1983. O primeiro Diretor da GH foi o João Santos

Cardoso, com o José Carlos Lopes Martins como

Subdiretor, tendo posteriormente, com a mudança

da Direção da APAH, o José Carlos assumido }

Artur Morais Vaz

Diretor e Coordenador da Gestão Hospitalar

Q

uando o Alexandre Lourenço me telefonou

para me pedir este artigo, na

minha condição de antigo Diretor da

Revista Gestão Hospitalar, confesso

que me assustei com duas coisas: A

primeira, é que fui Diretor da GH já no século passado

(!), entre 1987 e 1991, e a segunda é que essas

funções me foram atribuídas por ser o “que tinha

mais jeito para essas coisas” no âmbito da então

Direção da APAH, sempre me tendo efetivamente

sentido mais como membro de uma equipa do que

como um Diretor da GH.

O caderno de encargos que o Alexandre me apresentou

integrava a seleção de dois artigos marcantes

da GH, um texto sobre o passado da GH e referências

ao futuro da gestão em saúde. É a isso que vou

tentar responder nas próximas linhas.

40


GH HISTÓRIA


O FUTURO DA GESTÃO

DA SAÚDE EM PORTUGAL

PASSA MUITO,

NA MINHA PERSPETIVA,

PELA DEFINIÇÃO DE UM

MODELO ADEQUADO

DE GOVERNAÇÃO

DO SETOR DA SAÚDE,

DO SNS E DAS

INSTITUIÇÕES INDIVIDUAIS

QUE O COMPÕEM.


blicação, de edição, de revisão de provas, de recolha

de patrocínios e publicidade, correspondendo cada

número a um parto longo e sempre com recurso a

ferros (!). Entretanto, com interregnos mais ou menos

longos, com maior ou menor grau de colaboração

dos associados da APAH, a GH logrou atingir os

35 anos de publicação o que é, certamente, motivo

de celebração.

Confesso que não sei qual é, hoje, nestes tempos

de redes sociais e comunicações instantâneas, a real

relevância que a GH pode assumir na vida dos associados

da APAH e dos profissionais de gestão

em saúde. O seu indiscutível valor simbólico pode

não ser argumento suficiente para a sua manutenção

nos moldes atuais, mas isso é uma reflexão que

deixo à Direção da APAH.

7480_220x155_Portugal_PopHealth_v4.pdf 1 7/16/18 12:29 PM

vista, o amadorismo, qualquer que seja o seu fundamento,

faz correr riscos graves, de grande montante

económico e de incalculáveis afrontamentos

humanos.”

Passaram entretanto 35 anos sobre estas palavras,

as quais se mantêm estranhamente atuais, apesar

dos fantásticos desenvolvimentos tecnológicos e organizacionais

que se verificaram desde então.

O futuro da gestão da saúde em Portugal passa muito,

na minha perspetiva, pela definição de um modelo

adequado de governação do setor da saúde, do

SNS e das instituições individuais que o compõem,

num quadro de autonomia responsabilizante, de liderança

efetiva e sujeita a avaliação, de defesa dos

direitos, dos interesses e participação dos cidadãos

e de modelos ajustados de financiamento e acesso

a cuidados de saúde de qualidade.

A necessária profissionalização da gestão dos serviços

de saúde exige um contexto que a isole e proteja

dos apetites partidários ou corporativos, dos

repentes políticos conjunturais, dos interesses paroquiais,

da incompetência, dos conflitos de interesse

e da falta de transparência ou de visão. Apenas um

novo modelo de governação do setor poderá garantir

tal objetivo.

Os desafios futuros, cujos impactos todos sentimos

já, marcarão, de forma ainda mais vincada e,

por vezes, brutal, a vida e a gestão dos serviços de

saúde, seja qual for o setor a que pertençam. O

envelhecimento da população, a inovação tecnológica,

as alterações climáticas, as dinâmicas políticas,

económicas e sociais terão um impacto crescente

sobre os serviços de saúde a que estes só poderão

responder se estiverem dotados de estruturas de

gestão com as competências, a autonomia e a liderança

adequadas à enormidade dos desafios futuros.

Enfrentar novos problemas com soluções habituais

é meio caminho andado para o insucesso. Ã

a Direção da GH, comigo e com o Rui Moutinho

como Coordenadores e, a partir do nº 20, Julho/

Setembro de 1990 calhou-me a mim a Direção da

Revista que mantive até ser substituído pela Armanda

Miranda. Como referi no início, a atribuição das

responsabilidades de Direção da GH correspondia

a uma distribuição de pelouros dentro da Direção

da APAH havendo, todavia e como acontecia com

os restantes pelouros, um intenso e contínuo trabalho

de equipa. As associações deste género, e a

APAH não foi exceção nesses tempos, dependem

em ­muito da carolice ­dos que assumem os seus órgãos

sociais.

Não havendo, então, nem as tecnologias de comunicação

e informação nem os serviços jornalísticos

hoje existentes, a publicação da GH era um processo

moroso e difícil de recolha de material para pu-

3. O Futuro da Gestão em Saúde

O Prof. Coriolano Ferreira, no seu estilo irónico e

arguto, em artigo publicado no nº 1 da GH intitulado

“3 Reflexões sobre os Administradores Hospitalares

em Portugal”, na sua terceira reflexão, sobre

o futuro dos administradores, referia:

“É para mim motivo de muita admiração a estranha

apetência que a administração dos hospitais desperta

nas mais variadas instituições e personalidades.

Desde as misericórdias às faculdades de medicina,

das fundações às câmaras municipais, das instituições

de previdência às associações mutualistas, dos

médicos aos políticos, todos desejam administrar

hospitais e todos se consideram capazes de o fazer.

Acontece, no entanto, que os hospitais são entidades

extremamente complexas, das mais complexas

dos tempos de hoje, pelo que, do meu ponto de

Adote uma gestão efectiva da saúde da população

Desde o aumento dos requisitos regulatórios aos avanços tecnológicos, o sector da

saúde está em crescente mudança e evolução. Estratégias comprovadas podem já não

ser suficientes para uma resposta eficiente aos actuais desafios.

Só estabelecendo uma estratégia abrangente, sustentada numa plataforma agregadora,

robusta e inteligente, é que as organizações serão capazes de se preparar para uma

eficiente gestão da saúde da população. Pergunte-nos como.

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cerner.com

@Cerner


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Número 20

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GH HISTÓRIA

Memórias intelectuais

e sentimentais


CONFESSO QUE LEVEI

A SÉRIO O QUE APRENDI

COM O PROFESSOR

Jorge Varanda

Presidente da APAH (1988-1992)

e Sócio de Mérito

Uma visita inesperada a memórias

escritas, sendo que as memórias

não são apenas de natureza intelectual,

mas também do mundo

sentimental, é uma aventura assinalável.

Tanto mais assinalável quando temos de

fazer uma escolha entre textos escritos, uns mais

distantes de nós, outros mais próximos, quase diria,

em nós incorporados.

Foi o que me aconteceu nesta viagem a quatro números

da revista Gestão Hospitalar editados durante o

tempo em que me coube presidir à Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares em dois

biénios diferentes, o primeiro no final dos anos 80 e

outro no começo dos anos 90.

No final dos anos 80 convergiram dois feixes de

acontecimentos de natureza muito diferente:

• A aplicação de uma nova lei de gestão, o Decreto-lei

19/88, de 21 de Janeiro

• A realização de dois cursos de Aplicação de Métodos

de Engenharia Industrial aos Hospitais (1987

e 1988), pelo Professor William Cats-Baril, da Universidade

de Vermont, com uma parte letiva em

Lisboa, completada com um seminário de duas semanas

em Madison, capital do Wisconsin, EUA, no

University of Wisconsin Hospital and Clinics.

O primeiro feixe de acontecimentos gerou uma

enorme tensão nos administradores hospitalares,

cabendo à APAH interpretar a reação justa de um

grupo que fora idealizado pelo Professor Coriolano

Ferreira para gerir os Hospitais e que se vira ultrapassado

pela aplicação de uma nova lei de gestão

que apeara muitos profissionais capazes e os substituíra

por escolhas de política local, sem garantia de

competência para o cargo.

Quanto ao segundo dos acontecimentos, pode dizer-se

que foi o coroar de um vasto conjunto de

atividades, com apoio americano, que o Professor

Augusto Mantas lançou ao longo dos anos 80, na

qualidade de Diretor do Departamento de Gestão

Financeira do Ministério da Saúde, com a liderança

prática do Dr. João Urbano.

Confesso que levei a sério o que aprendi com o

Professor Cats-Baril e o relacionei com uma realidade

mais vasta da ciência da melhoria e da mudança,

ao descobrir os dois mestres da Melhoria Contínua

da Qualidade que ajudaram a fazer do Japão a extraordinária

potência económica em que se transformaram

depois da 2.ª Guerra Mundial: Deming

e Juran. Tudo isso me permitiu lançar em Portugal

projetos de melhoria, com o espírito de Deming e

as metodologias de Juran. Saudades!

CATS-BARIL E O

RELACIONEI COM UMA

REALIDADE MAIS VASTA

DA CIÊNCIA DA MELHORIA

E DA MUDANÇA.

C

M


Y

CM

MY

CY

CMY

K

Escolhi dois textos para ilustrar esse período de responsabilidade

que tive na Direção da APAH:

• O editorial da Revista n.º 22/23, Janeiro-Junho

de 1991, como afirmação dos valores de do estado

da profissão de administração hospitalar, traduzindo

os problemas, após a tempestade da aplicação do

referido Decreto-lei 19/88, de 21 de janeiro

• O artigo de Gustafson, D., Cats-Baril, W. e Alemi,

F., Desenvolvimento e Testes dos Modelos

Bayesiano e MAU para Prevenir e Explicar o Sucesso

da Mudança (Revista n.º 21, Out-Dez 1991).

Apesar da tecnicidade dos modelos a sua leitura

ajuda-nos a identificar um conjunto de fatores de

sucesso, com relevo para o envolvimento dos interessados

e a ação dos agentes das mesmas (leia-se,

na nossa perspetiva, ‘dos administradores hospitalares’…).

Por aqui me fico, com um mínimo de memórias e

um mínimo de carga emotiva. Ã

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GH REEDIÇÃO

GESTÃO

HOSPITALAR

Número 22

Capa e

editorial

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Número 21

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e artigo

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GH REEDIÇÃO

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GH HISTÓRIA

Manuel Delgado

Presidente da APAH (1992-2008)

e Sócio de Mérito

Em 1983 foi lançado o primeiro número

da revista “Gestão Hospitalar

(GH). Hoje, 35 anos passados e

com cerca de 50 edições publicadas,

a GH continua a ser o veículo privilegiado

de afirmação dos valores da gestão hospitalar

e dos profissionais que abraçaram esta profissão.

Valerá a pena fazer um balanço deste percurso, rico

pela diversidade de temas abordados e pelas opiniões

expressas, pioneiro, muitas vezes, na inovação

quanto a conceitos e no apontar de novos caminhos

para os nossos hospitais, livre e irreverente nos conteúdos,

muitas vezes apaixonados ou incómodos,

mas sempre na defesa desta profissão e contra os

compadrios de ocasião.

Pela GH passaram, em todas as épocas, as principais

figuras que animaram o Setor da Saúde:

Presidentes da República, Ministros, Secretários de

Estado, Deputados de todos os partidos, Reitores

anos

de história

das Universidades, Bastonários das diferentes ordens

profissionais, sindicalistas, personalidades de

méritos reconhecidos, nacionais e estrangeiras, representantes

da Industria e, claro, os mais distintos

Administradores Hospitalares portugueses.

GH começou por ser um precioso acervo de artigos

técnicos, intemporais na maioria dos casos, e

de elevada qualidade. Abordavam-se temas inéditos

entre os profissionais de saúde, retirando-se ricos

ensinamentos para a vida prática de administradores,

médicos, enfermeiros, engenheiros,etc.

A imagem e os contornos editoriais da revista mantiveram-se

inalteráveis durante cerca de uma década.

Destacaremos deste período, a 1ª edição, de Jan/

Março de 1983, com a publicação de artigos “históricos”,

pela qualidade e pela autoridade, de Coriolano

Ferreira (“…o amadorismo (na gestão hospitalar) faz

correr riscos graves…”), Moreno Rodrigues (“…o

Governo interfere onde não deve, minando e desacreditando

a autoridade de quem deve atuar…)

e Caldeira da Silva (“… em face da verdade incontestável

de que os recursos são limitados…é desejável…

que o clínico seja chamado às atividades de

planeamento e às de gestão… sendo indispensável

uma consciencialização… de que cada decisão clínica

tem repercussões sobre os recursos…).

Mas ficaram também na nossa memória, desta primeira

fase da GH, os contributos de Correia de

Campos sobre regionalização, Vasco Reis sobre

áreas intermédias de gestão, Meneses Correia sobre

sistemas de gestão, Santos Cardoso, sobre responsabilidade

profissional, Daniel Serrão sobre ética, Torrado

da Silva sobre saúde infantil, Artur Vaz sobre a

carreira de AH, Augusto Mantas sobre custos hospitalares,

Eduardo Caetano sobre a segurança nos hospitais,

Queiroz e Melo sobre transplantação cardíaca,

entre outros de grande interesse e relevância.

A vida associativa na década de 90 foi marcada pela

iniciativa inédita da APAH que ficou conhecida por

“Feira de Projetos”, realizada em Coimbra, em novembro

de 1990. GH fez bastante eco deste acontecimento,

galvanizando assim o brio e o profissionalismo

dos AH, numa época particularmente adversa,

face às decisões do poder político de então,

sobre a carreira de AH e a Lei de gestão hospitalar.

Realce-se desse período o belíssimo e avisado editorial

da GH nº 21 de out/dez de 1990, que reproduzia

o discurso do então presidente da Direção

na abertura da “Feira de Projetos”, em defesa da

profissão. Uma leitura ainda hoje obrigatória!

Em 1993, e já com uma nova Direção, a Revista foi

objeto de uma mudança editorial: aos artigos técnicos,

passou a adicionar, frequentemente, uma entrevista

de fundo e variadíssimas reportagens sobre acontecimentos

que se iam destacando ao longo do tempo.

O editorial da GH 26/27 de jan/julho de 1993, ilustrava

bem o clima adverso que então os AH viviam.

Muito duro para o poder político, referia-se nesse

texto: “…foi um erro político grave, relegar os AH para

plano subalterno na gestão dos hospitais públicos.”

Foi um período rico no debate sobre políticas de

saúde, com o novo Estatuto do SNS, o abortado

Seguro Alternativo de Saúde, as primeiras PPP e a

criação dos centros de responsabilidade. GH acompanhou

de perto esses processos e fez-se eco, quer

em artigos de opinião, quer nas declarações da Direção,

das diferentes posições assumidas pelos AH.

Noticiamos os acontecimentos à época mais relevantes

e, desde logo, o Ciclo de Encontros que a

APAH então iniciou, tendo como primeiro convidado

o Ministro Arlindo de Carvalho.

No capítulo das entrevistas abrimos, na GH nº

26/27 de jan/julho de 1993, com Coriolano Ferreira,

seguindo-se noutras edições, Paulo Mendo (“… }

76


GH HISTÓRIA


OS AH PROTAGONIZARAM,

NESSA ÉPOCA, UM CONJUNTO

DE INICIATIVAS QUE

MARCARAM A CLASSE

PROFISSIONAL E MUITO

CONTRIBUÍRAM PARA

O SEU RECONHECIMENTO

PÚBLICO.


porque é que a AH não deveria ser uma especialidade?...”),

Caldeira da Silva (então Presidente do

CD da ENSP, que tinha evitado o seu puro e simples

encerramento e negociado a sua passagem, do

Ministério da Saúde para o Ministério da Educação),

Lopes Martins (Sec. de Estado da Saúde), Correia

de Campos (acabado de regressar de um cargo de

Diretor no Banco Mundial em Washington), Maria

de Belém Roseira (então Ministra da Saúde).

Os AH protagonizaram, nessa época, um conjunto

de iniciativas que marcaram a classe profissional e

muito contribuíram para o seu reconhecimento público.

GH relatou esses acontecimentos com textos

e reportagens fotográficas, hoje deliciosas memórias

vivas desses tempos:

• O almoço de homenagem a Augusto Mantas, com

as presenças de Coriolano Ferreira e de Maria dos

Prazeres Beleza (então Secª Geral do Ministério da

Saúde) (GH nº 30, Dez 94/jan 95);

• As viagens de estudo realizadas aos EUA e ao

Reino Unido e Escócia (com o relato impagável da

saudosa Arminda Cepeda sobre esta última na GH

nº 32 de maio de 1996);

• Os estágios promovidos pela APAH/ Fundação

Calouste Gulbenkian na Clinica Mayo, nos EUA, para

diplomados em AH pela ENSP (GH nº 33, Dez

96/Jan 97);

• A criação dos Prémios APAH/Sandoz para o melhor

aluno do Curso de AH , pela primeira vez atribuído

em 15 de novembro de 1996, à nossa colega

Helena Gonçalves (GH nº 33, já citada);

• O arranque do Fórum Gulbenkian de Saúde, em

coorganização com a APAH, em 1997, que passou a

ser uma referência nacional na área da gestão de serviços

de saúde e em que participaram, durante vários

anos, personalidades de referência a nível mundial.

Em 1999, lançámos uma edição especial de GH em

outubro, dedicada às eleições legislativas que se avizinhavam,

comparando as propostas para a Saúde

dos principais partidos e publicando depoimentos

dos principais lideres (António Guterres, Carlos

Carvalhas e Durão Barroso) e comentários de personalidades

de relevo na área da Saúde: Caldeira

da Silva, Daniel Serrão, Maria José Nogueira Pinto,

Paulo Mendo e Pedro Pita Barros.

Foi também nessa edição que fizemos uma ampla

reportagem sobre o Congresso da Associação Europeia

de Gestores Hospitalares, então pela 2ª vez

realizado em Portugal e que contou com a presença

do Presidente da República, Jorge Sampaio, e uma

conferência notável de Maria de Lurdes Pintasilgo

sobre valores societais.

Em 2005, a GH mudou de novo a sua imagem e

passou a ter, durante algum tempo, uma periodicidade

mensal. Foi um grande desafio, só possível com a

disponibilidade de uma equipa redatorial profissional.

Sucedeu-se um conjunto de entrevistas de fundo,

com Correia de Campos, nas vésperas de ser Ministro

(GH nº 2, fev 2005), Pedro Nunes (Bastonário

da Ordem dos Médicos), Pereira Miguel (Alto Comissário

para a Saúde), Francisco Ramos (Secretário

de Estado da Saúde), Vasco Reis (Sub –Diretor da

ENSP e coordenador do Curso de AH).

Foi um período efervescente na política de Saúde,

com uma mudança de Governo e fortes esperanças

para os AH (depois frustradas…). Manuel Delgado,

no nº 1 de janeiro de 2005,era citado na capa com a

frase:”…exigimos respeito do futuro Governo…” e,

em março, na GH nº 3, lançava 10 desafios ao no-

vo Ministro Correia de Campos, que valerá a pena

recordar, pelo atrevimento, pelo desassombro e…

pela atualidade.

Francisco Ramos (então Sec. de Estado), na edição nº

6 de junho de 2005, manifesta em entrevista, a vontade

política de revitalizar a carreira de AH, dando dignidade

funcional e hierárquica aos AH. Vivia-se, de facto,

uma época de esperança para estes profissionais.

GH realizou ao longo dessa década um conjunto

notável de entrevistas a personalidades de relevo

da vida pública nacional e internacional, sendo de

realçar as de Jorge Sampaio (já ex-Presidente da

República e em vias de iniciar funções como Alto

Comissário das NU contra a tuberculose, GH nº

22,2006), Francisco George (nº 26,2007), Pedro Pita

Barros (nº 27,2007),

Maria de Belém Roseira (nº 30,2007), Eduardo Barroso

(nº 31,2007), Sobrinho Simões (nº 32,2007),

Constantino Sakellarides (nº 41, 2009), António Arnaut

(nº 42,2009), Eduardo Sá Ferreira, o primeiro

Presidente da APAH (nº 45,2009) e Ana Jorge, Ministra

da Saúde (nº 46,2010).

Em novembro de 2007, a APAH organizou uma justa

homenagem ao prof Vasco Reis, num jantar a que

GH fez referência destacada (nº 32,3007).

Vasco Reis foi, talvez, o professor que mais perto

esteve dos seus alunos e ex-alunos, quer na Escola,

quer nos saudosos HCL, quer na sua participação

ativa em novos projetos, grupos de trabalho e reuniões

associativas. Nesse jantar, que reuniu familiares

e muitos amigos, e que contou com as presenças de

Constantino Sakellarides, Caldeira da Silva, Nogueira

da Rocha, Maria de Belém e os Bastonários das

Ordens dos médicos e dos enfermeiros, o Ministro

da Saúde, Correia de Campos, agraciou Vasco Reis

com a medalha de ouro do Ministério da Saúde.

Distinção merecida e que a APAH e a GH registaram

com satisfação e orgulho.

Em 2014, e após um longo interregno, GH reaparece

com um novo visual e nova linha editorial.

Marta Temido, nova presidente, escrevia no nº 1

desse ano, sob o título “Mau tempo no Canal”:

“…2014 (foi) um dos mais difíceis na vida de muitos

de nós…”, “…pelo 5º ano consecutivo, o sistema }

78


GH HISTÓRIA


35 ANOS DE UMA RIQUEZA

INFORMATIVA, TÉCNICA

E CIENTÍFICA QUE

PRESTIGIARAM A PROFISSÃO

E OS PROFISSIONAIS,

ALERTARAM CONSCIÊNCIAS

E DESPERTARAM VONTADES.


de saúde português irá sofrer uma redução da despesa

pública…”

Nada de mais lapidar e evidente! Os atuais arautos

da desgraça nada diziam, então, sobre um SNS em

acelerada destruição.

Seguiram-se entrevistas a João Bilhim (presidente da

CRESAP, no nº 2), Correia de Campos (nº 3) e Jorge

Simões (presidente da ERS, nº 4).

No editorial da GH nº 4 de 2014, Pedro Lopes (ex-

-presidente da Direção e então Presidente da Mesa

da AG) escreve um excelente e premonitório artigo

sobre fusões e separações de hospitais. Uma questão

de moda? Ou de eficiência? Ou, ainda de necessidade?

Face ao percurso que tivemos nesta matéria,

provavelmente um pouco de tudo, e a redução de

90 instituições para cerca de 40 na atualidade, não

teve a avaliação e o balanço necessários, em termos

de custos, serviço ao cliente, proximidade, acesso,

qualidade técnica e equidade.

Registe-se, desse tempo, a carta da Direção da

APAH, dirigida à CRESAP, e publicada na GH nº

4, na sequência de um parecer desta em que se

aventava a sugestão de criar uma valência especializada

em gestão hospitalar. A Direção da APAH, e

muito bem, insurgiu-se contra a descarada negação

da realidade e o caráter provocatório com que isso

era sentido pelos AH.

Em 2015, GH entrevista Paulo Macedo, Francisco

Ramos e Alexandre Quintanilha.

Em 2016, Artur Vaz, num excelente artigo de opinião

publicado no nº 8,março, sob o título “Oportunidades

Perdidas” dizia: “…seria suposto que a virtuosa

reforma…dos CSP…tivesse tido um impacto

…nos padrões de utilização das urgências hospitalares,

mas tal parece não se ter verificado.” Infelizmente,

dois anos depois, o que parecia, confirma-se…

Em 2017, Alexandre Lourenço, dá uma excelente

entrevista à GH (nº 9, abril/maio/junho) em que

reforça os valores dos Administradores Hospitalares

e traça um caminho inovador e dinâmico para a

APAH. Caraterísticas que se têm vindo a confirmar

e de que GH tem feito eco: a “Academia APAH”, o

Prémio Margarida Bentes, as “Conferências de Valor”,

o IX Forum do Medicamento e o regresso do

Prémio Coriolano Ferreira, para o melhor aluno do

CEAH da ENSP, são exemplos.

O profissionalismo da gestão hospitalar, a autonomia

dos hospitais, a carreira de administração hospitalar

revisitada, as questões do financiamento, são

temas presentes e destacados nestes últimos números

de GH.

A par de justas homenagens póstumas a Augusto

Mantas, João Urbano, Margarida Bentes e João Santos

Cardoso, este último recentemente desaparecido

e que foi presidente da APAH na década de 80.

É este o retrato dos 35 anos da nossa revista. Em

que houve que fazer opções de entre o muito que se

publicou, e face à variedade dos temas e à intensidade

dos debates.

Percebe-se bem, ao longo da vida de GH, a passagem

de vários governos, com diferentes cores e,

sobretudo, diferentes sensibilidades quanto à profissionalização

da gestão hospitalar.

35 Anos de uma riqueza informativa, técnica e científica

que prestigiaram a profissão e os profissionais,

alertaram consciências e despertaram vontades. Mas

que, sobretudo, colocaram os AH em patamares de

reconhecimento, liderança e respeitabilidade inquestionáveis.

Continuemos, pois, com a GH, a respeitar

esta História, construindo o futuro. Ã

Permanecer competitivo depende do valor que aporta

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GESTÃO

HOSPITALAR

Número 29

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HOSPITALAR

Número 31

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GH REEDIÇÃO

HEALTHCARE INTEGRATED FACILITIES

A TDGI É UMA EMPRESA QUE ATUA NA ÁREA DO FACILITY MANAGEMENT,

ASSUMINDO A GESTÃO GLOBAL, OPERAÇÃO E RESPONSABILIDADES TÉCNICAS

DAS INFRAESTRUTURAS E DOS EQUIPAMENTOS MÉDICOS DE DIVERSAS UNIDADES

HOSPITALARES EM PORTUGAL, PERMITINDO ASSIM QUE O CLIENTE SE FOQUE

EXCLUSIVAMENTE NO SEU CORE BUSINESS.

SETORES DE ATIVIDADE TDGI

FACILITY MANAGEMENT | MANUTENÇÃO E GESTÃO TÉCNICA DE INSTALAÇÕES

GESTÃO DE ESPAÇOS E OBRAS | ANÁLISE E DIAGNÓSTICO | SOLUÇÕES DE ENERGIA | IT & SOFTWARE SOLUTIONS

98

PORTUGAL | ANGOLA | MOÇAMBIQUE | ESPANHA

BRASIL | BÉLGICA | ARGÉLIA | QATAR

FOLLOW US ON:


GESTÃO

HOSPITALAR

Número 33

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GH REEDIÇÃO

Better Health, Brighter Future

Podemos sempre fazer mais para melhorar a vida das pessoas.

Impulsionados pela paixão de realizar este objetivo, a Takeda

proporciona medicamentos inovadores à sociedade desde a sua

fundação em 1781.

Hoje, combatemos diversos problemas de saúde em todo o Mundo,

desde a sua prevenção à cura. Mas a nossa ambição mantém-se:

encontrar novas soluções que façam a diferença e disponibilizar

melhores fármacos que ajudem o maior número de pessoas possível,

o mais rápido que conseguirmos.

Com a ampla experiência, sabedoria e perseverança da nossa equipa,

a Takeda terá sempre o compromisso de melhorar o amanhã.

Gastrenterologia

Oncologia

Sistema Nervoso Central

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Takeda – Farmacêuticos Portugal, Lda.

Avenida da Torre de Belém, nº 19 R/C Esq. 1400-342 Lisboa

Sociedade por quotas. NIF: 502 801 204

Conservatória do Registo Comercial de Cascais n.º 502 801 204

Tel: +351 21 120 1457 | Fax: +351 21 120 1456

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GH REEDIÇÃO

GESTÃO

HOSPITALAR

Setembro 2002

Capa

e artigo

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GH HISTÓRIA

A Reforma Hospitalar

Pedro Lopes

Presidente da APAH (2008-2013)

Corria o ano de 1988 quando numa

atitude de rutura com um enquadramento

jurídico hospitalar eminentemente

público foi criado o novo regime

jurídico dos hospitais, através do

Decreto-Lei n.º 19/88, de 21 de janeiro, caracterizado

por uma visão gestionária fortemente empresarial.

O crescimento exponencial dos custos na saúde e

a consequente cada vez maior dimensão dos hospitais

portugueses justificaram a necessidade de adotar

princípios de gestão e administração empresariais

sugerindo-se, ainda, a criação de centros de responsabilidade

como níveis intermédios de administração.

Estruturas intermédias de gestão que tiveram a sua

tradução legal no Decreto-Lei n.º 374/99, de 18 de

Setembro, referindo que os centros de responsabilidade

integrados deviam constituir verdadeiros órgãos

de gestão intermédia com poder decisório baseados

em orçamentos-programa negociados com

os respetivos órgãos de gestão.

A preocupação com o aprofundamento da empresarialização

dos hospitais deu origem a um novo

diploma legislativo, o Decreto-Lei n.º 188/2003, de

20 de Agosto que pretendeu ajustar o modelo de

organização hospitalar às respetivas necessidades

em saúde, conferindo uma maior capacidade diretiva

aos órgãos máximos e intermédios de gestão

e que ficou conhecido com o nome de “hospitais

com estatuto S.A.”, ou seja, sociedade anónima. Passou

a exigir-se grande capacidade de liderança com

a atribuição de mais autonomia por contrapartida da

exigência de maior responsabilidade e consequente

obtenção de melhores resultados.

Um novo paradigma de financiamento substituiu o

modelo tradicional de financiamento baseado em

orçamentos históricos, por um novo regime de pagamento

pelos atos praticados.

A possibilidade de privatização dos hospitais S.A. e a

necessidade de manter, de forma inequívoca, a sua

natureza pública mantendo, no entanto, a sua vertente

empresarial, deu origem a um novo diploma

legislativo, o Decreto-Lei n.º 233/2005, de 29 de dezembro

que ficou conhecido com o nome de “hospitais

E.P.E.”, ou seja, entidade pública empresarial.

Por outro lado, a necessidade de integrar cuidados

de saúde primários com cuidados de saúde hospitalares

e a consequente uniformização da respetiva

legislação levou à criação de um novo diploma legislativo,

o Decreto-Lei n.º 12/2015, de 26 de janeiro.

Finalmente, com vista a concentrar num único diploma

o regime jurídico das entidades que integram o

SNS (serviço nacional de saúde) e para melhorar a

articulação entre os diferentes níveis de cuidados de

saúde, primários, hospitalares, continuados e paliativos

e ainda para gerar ganhos de eficiência e eficácia

no sistema, foi criado um novo diploma legislativo, o

Decreto-Lei n.º 18/2017, de 10 de fevereiro.

Estas foram, no período mais recente e após 25 de

abril, sem nunca esquecer a Lei n.º 56/79, de 15 de

setembro que criou o SNS, os documentos legislativos

verdadeiramente estruturantes das reformas da

gestão hospitalar. Em resposta às críticas, aos estu-

dos, aos fóruns e a outras realizações que referiam

a dificuldade e mesmo impossibilidade de gerir estas

instituições de saúde num contexto normativo de

pendor essencialmente burocrático-administrativo,

caracterizado pelas regras que definiam a gestão

pública e navegando a nova onda dos recentes conceitos

da nova administração pública, a NPA (new

public administration), surgiram todos estes normativos

fortemente influenciados pelos princípios da

gestão empresarial.

A possibilidade de ter partilhado este projeto arrojado

de mudança e a atual reflexão sobre o mesmo,

atentas as questões ligadas aos orçamentos

inadequados, à manutenção das listas de espera, ao

crescimento dos preços dos produtos, fruto do endividamento

dos hospitais, à falta de avaliação dos

mesmos particularmente dos seus resultados e à recente

manifesta desproporcionalidade de capacidade

decisória dos ministérios acionistas, com preponderância

do Ministério as Finanças, tem originado

grande preocupação e alguma desilusão.

Porque se fala tanto de reformas estruturais sou de

opinião que na saúde criamos excelentes normativos

verdadeiramente estruturantes, só não tivemos

o engenho e a arte de os colocar, na sua totalidade,

no terreno.

Os dois artigos que escolhi para constarem da

presente publicação, da autoria do administrador

hospitalar Paulo Salgado, intitulado “Modesta homenagem

a Margarida Bentes – Qualidade e racionalidade

económica” e da minha própria autoria,

o editorial “Sustentabilidade do SNS”, elaborados

no período em que tive responsabilidades

enquanto Presidente da Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares (APAH)

e constantes das revistas que na altura publicamos,

são bem o exemplo do nosso contributo enquanto

administradores e gestores hospitalares para

esta reforma.

Somos perseverantes e otimistas e porque gostamos

de gerir na saúde e acreditamos nas nossas capacidades

e no compromisso para com o SNS, com

estes e outros ventos asseguraremos o futuro dos

nossos hospitais. Ã

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GH REEDIÇÃO

GESTÃO

HOSPITALAR

Número 43

Capa

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GH REEDIÇÃO

GESTÃO

HOSPITALAR

Número 46

Capa e

editorial

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Número 1

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GESTÃO HOSPITALAR Nº13 ESPECIAL 35º ANIVERSÁRIO

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