L+D 76

editora.lumiere

Edição: março | abril de 2020

PAVILHÃO DO PARQUE NACIONAL DE HOGE VELUWE (OTTERLO)

PONTE LOUNGE (ZHEJIANG) | EDIFÍCIO SANTOS AUGUSTA (SÃO PAULO) | RESTAURANTE OSSO (BELO HORIZONTE)

SEDE DO CTE (SÃO PAULO) | ESPAÇO BALTORO (PORTO ALEGRE) | FOTO LUZ FOTO: STIJN BOLLAERT


Escaneie este

QR CODE e saiba

mais sobre o case.

Novo

ShowRoom

São Paulo

R. Dr. Virgílio de Carvalho

Pinto, 544 – Pinheiros

São Paulo/SP

Agende sua visita

LED Lighting Solutions

Arandelas

para uso

externo

Arandela

Slim

Foto: Rubens Campo / Algeo Cairolli

Perfis

Cantoneira

Iluminando

Grandes

Negócios


Inscrições abertas!

Confira os palestrantes já confirmados:

20 e 21 de agosto de 2020

Tivoli Mofarrej Conference Hotel

São Paulo | Brasil

Semana da Luz 2020

Daan Roosegaarde

Holanda

Liz West

Reino Unido

ledforum.com.br

@ledforum 4

#ledforum20

Mary-Anne Kyriakou

Austrália / Alemanha

Prof. Jan Blieske

Alemanha


SUMÁRIO

1º Trimestre 2020

edição 76

44 48

54

60 66 70 74

10

14

AGENDA 2020

¿QUÉ PASA?

44

48

54

60

66

70

74

PONTE LOUNGE NO VILAREJO SHIMEN

Encontro pulsante sobre o rio

EDIFÍCIO SANTOS AUGUSTA E PERSEU COFFEE SHOP

Luz de pedra

PAVILHÃO DO PARQUE NACIONAL DE HOGE VELUWE

Desenho biofílico e texturas de luz

RESTAURANTE OSSO

Osso colaborativo

SEDE DO CTE

Entranhas expostas

ESPAÇO BALTORO

Conforto visual com elegância

FOTO LUZ FOTO

Stijn Bollaert

6


Fran Parente

CAPA

Iluminação: Beersnielsen

Foto: Stijn Bollaert

Orlando Marques

Débora Torii

Thiago Gaya

NOVOS LOUCOS ANOS 20

PUBLISHER

Thiago Gaya

O ano começou de pernas para o ar! Uma década após as cinzas do vulcão

Eyjafjallajökull fecharem o espaço aéreo europeu durante a realização da

Light+Building 2010, a comunidade mundial da iluminação é surpreendida com

a inacreditável notícia da prorrogação da edição 2020 para setembro, a três

semanas de sua realização. Enquanto o primeiro fenômeno impediu muitos de

saírem de Frankfurt, dessa vez, o COVID-19 não nos permitiu chegar ao maior

acontecimento mundial da luz.

Movimentos de idas, vindas e encontros impactados por decisões da Mãe

Natureza, que demonstram o quão suscetíveis e frágeis somos.

A primeira L+D de 2020 já estava pronta para sua impressão quando se decidiu

por adiar a feira. Coincidentemente, sua capa traz um projeto cuja inspiração

são justamente fenômenos naturais e cuja abordagem considera os princípios

do desenho biofílico. Desenvolvido pelo escritório holandês Beersnielsen, esse

inovador projeto do Pavilhão do Parque Nacional De Hoge Veluwe foi registrado

sob o olhar do fotógrafo Stijn Bollaert, também destaque da seção Foto Luz Foto.

Trazemos ainda o premiado projeto de iluminação do One Lighting

Associates para a Ponte Lounge no Vilarejo Shimen, na China, vencedor de um

IALD Award of Excellence na 36ª edição da premiação.

E, como de costume, a edição prestigia o lighting design brasileiro,

apresentando quatro projetos nacionais: o restaurante de carnes na brasa OssO,

projeto de Gustavo Penna, iluminado pela lighting designer Sônia M. S. Mendes;

o bar e tabacaria Espaço Baltoro, com projeto de iluminação do Eduardo Becker

– Atelier de Iluminação; a iluminação do térreo do edifício corporativo Santos

Augusta, assinada pelo escritório Franco Associados, com arquitetura e interiores

de Isay Weinfeld; e a nova sede do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE)

em São Paulo, cujo projeto foi desenvolvido pelo Castilha Iluminação.

Por fim, aproveitamos este espaço para apresentar nossa colaboradora

Débora Torii como editora da L+D e a designer gráfica Maria Fraga, agora

responsável pela diagramação da revista. Ampliamos também nosso time de

colaborares com a participação de Fabiana Rodriguez e Diogo de Oliveira, que

também estreiam nesta edição. Nossas boas-vindas a todos!

EDITOR-CHEFE

Orlando Marques

EDITORA

Débora Torii

DIAGRAMAÇÃO

Maria Fraga

PROJETO GRÁFICO

Thais Moro

REPORTAGENS DESTA EDIÇÃO

Débora Torii , Diogo de Oliveira, Eduardo Becker,

Fabiana Rodriguez, Gilberto Franco, Orlando Marques.

REVISÃO

Débora Tamayose

CIRCULAÇÃO E MARKETING

Márcio Silva

PUBLICIDADE

Lucimara Ricardi | diretora

PARA ANUNCIAR

comercial@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

PARA ASSINAR

assinaturas@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

ADMINISTRAÇÃO

administracao@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

Sérgio Ordobás

Eduardo Becker, do escritório

parceiro Eduardo Becker

– Atelier de Iluminação,

é nosso coeditor convidado

do ¿Qué Pasa? duplo

desta edição.

PUBLICADA POR

Editora Lumière Ltda.

Rua João Moura, 661 – cj. 77, 05412-001

São Paulo SP, T 11 3062.2622

www.editoralumiere.com.br

8


AGENDA 2020

Um ano começou e, com ele, novas oportunidades de prestigiar

os principais eventos nacionais e internacionais de iluminação.

Confira mais informações a seguir e programe-se para não ficar

de fora!

LIGHTFAIR

LINX

PERFIL DE EMBUTIR COM MOLDURA

LINEALIGHT

PERFIL DE EMBUTIR ‘‘NOFRAME’’

ARTICULARE_R

PERFIL WALLWASHER DE EMBUTIR

ORIENTÁVEL

ORION

PERFIL SANCA ILUMINADA

Las Vegas, EUA

3 a 7 de maio

lightfair.com

GILE – GUANGZHOU

INTERNATIONAL LIGHTING

EXHIBITION

LEDforum: Leandro de Carvalho

CHLED_L

PERFIL DE EMBUTIR COM DIFUSOR

LEITOSO

CHLED_A

PERFIL DE EMBUTIR P/ ALTO FLUXO

CHLED_ASS

PERFIL DE FACHO ASSIMÉTRICO

SIGMA_SE

PERFIL SEMI-EMBUTIDO COM SAÍDA

DE LUZ FRONTAL E LATERAL

Guangzhou, China

9 a 12 de junho

guangzhou-international-lighting exhibition.

hk.messefrankfurt.com

LEDFORUM 20

São Paulo, Brasil

20 e 21 de agosto

ledforum.com.br

Semana da Luz: Rodrigo Peixoto

SEMANA DA LUZ 2020

MICRO2_SOB

PERFIL 37(L) X 52(A)mm DE

SOBREPOR

CHLED_SOBA

PERFIL 28(L) X 32(A)mm

DE SOBREPOR COM ACABAMENTO

SIGMA_SOB

PERFIL DE SOBREPOR COM

SAÍDA DE LUZ FRONTAL E LATERAL

DELTA_A

PERFIL PARA APLICAÇÃO A 45°

São Paulo, Brasil

17 a 21 de agosto

semanadaluz.com.br

MICRO2_PEN

PERFIL 37(L) X 52(A)mm

PENDENTE UP+DOWNLIGHT

SIGMA_PUD

PERFIL 20(L) X 34(A)mm

PENDENTE UP+DOWNLIGHT

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10

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ANOS

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30

DE HISTÓRIAS


AGENDA 2020

DARC ROOM

Londres, Reino Unido

17 a 19 de setembro

darcroom.com

LIGHT+BUILDING 2020

IALD ENLIGHTEN

AMERICAS 2020

Palm Springs, Califórnia, EUA

22 a 24 de outubro

iald.org/Events/IALD-Enlighten/IALD-ENLIGHTEN-

AMERICAS-2020

Frankfurt am Main, Alemanha

Nova data: 27 de setembro a 2 de outubro

light-building.messefrankfurt.com

HKTDC – HONG KONG

INTERNATIONAL LIGHTING FAIR

(EDIÇÃO DE OUTONO)

Hong Kong, China

27 a 30 de outubro

event.hktdc.com/fair/hklightingfairae-en

IALD ENLIGHTEN

EUROPE 2020

Light+Building: Messe Frankfurt Exhibition GmbH / Pietro Sutera

LIGHT SYMPOSIUM WISMAR 2020

Oslo, Noruega

18 a 20 de novembro

iald.org/Events/IALD-Enlighten/IALD-ENLIGHTEN-

EUROPE-2020

Wismar, Alemanha

14 a 16 de outubro

lightsymposium.de/2020

IALD Enlighten Europe: A Bofill/IALD

Imagens Ilustrativas

12


Divulgação

Tomasz Majewski

Santi Caleca

Divulgação

¿QUÉ PASA?

[D]ARC AWARDS 2019

Os vencedores da edição 2019 do [d]arc awards foram

anunciados em uma descontraída festa de Natal, realizada no

dia 5 de dezembro em Londres, Reino Unido. A [d]arc night

contou com a presença de mais de 600 lighting designers,

arquitetos e designers de interiores, que puderam também

apreciar instalações de luz temáticas criadas por designers e

fabricantes – como Michael Grubb Studios, Seam e Firefly Point

of View – especialmente para a ocasião.

As mais de 400 inscrições, originadas de 45 países

diferentes, e os votos de mais de 12 mil lighting designers fizeram

desta uma das maiores edições da premiação. Destacamos os

projetos Biophilic Light (Países Baixos), por Beersnielsen Lighting

Designers, premiado da categoria “Art: Light Art Scheme –

Bespoke”; e o projeto Kaamos Aurinko (Suécia), por ALLES

oder Licht, vencedor da categoria “Art: Light Art Scheme – Low

Budget”, apresentados nesta edição (páginas 54-59 e 26).

Demais destaques incluem o projeto Chineh (Irã) , por

RGE Lighting Design, vencedor na categoria “Structures: Best

Exterior Lighting Scheme – High Budget”; The Musicon Path

(Dinamarca) , por Simon Panduro e Light Bureau (antiga

ÅF Lighting), premiado na categoria “Spaces: Best Landscape

Lighting Scheme – Low Budget”; a luminária Noctambule ,

criada por Konstantin Grcic para a Flos, vencedora na

categoria “Kit: Best Decorative”; e o projeto Aurora Experience

(Finlândia) , por WhiteNight Lighting Spaces, premiado na

categoria “Best Landscape Lighting Scheme – High Budget” e

consagrado o grande vencedor da noite, com o prêmio de Best

of the Best.

Acesse darcawards.com para a lista completa. Parabéns aos

premiados! (D.T.)

14


Fang Fang

A-Light

Shahab Zeiniaslan, Mostafa Shahoseini, Hamid Mozafar

Alissa Wolter

Daniel Ducci Marcelo Kahn Archidesign Ricardo Bassetti

¿QUÉ PASA?

3º LIT AWARDS 2019

Foram anunciados, ao final do ano passado, os vencedores

da 3ª edição dos LIT Design Awards. Oferecida anualmente pelo

Farmani Group, a premiação contou novamente com Thiago

Gaya e Orlando Marques, ambos da L+D, a lighting designer

Mônica Luz Lobo e Isac Roizenblatt, diretor técnico da Abilux,

entre os membros do júri.

Nas categorias voltadas aos profissionais, o escritório chinês

Fang Fang foi eleito “Lighting Designer of the Year”, por seu projeto

para o Museum of International Design of China – com projeto

de arquitetura assinado pelo arquiteto português Álvaro Siza. O

projeto foi premiado também na categoria “Interior Architectural

Illumination”. O prêmio “Lighting Product Design of the Year”

foi concedido à marca californiana A-Light, pelo sistema de luz

rasante WGD9 , que foi assinado pelos designers Francois

Renaud, Dirk Zylstra e Corina Ferezi e promete iluminação

intensa e uniforme, graças a seu refletor de alta eficiência.

Entre os designers emergentes, Shahab Zeiniaslan, Mostafa

Shahoseini e Hamid Mozafar foram os vencedores na categoria

“Emerging Lighting Designer of the Year” pela instalação H2O ,

também premiada na categoria “Light Art Project”. O pendente

interativo moodable , criado por Alissa Wolter, foi escolhido

“Emerging Lighting Product Design of the Year”, além de ser um

dos vencedores na categoria “Interactive Lighting Products”.

Escritórios brasileiros também foram premiados nesta

edição. A equipe da Foco Luz & Desenho foi uma das vencedoras

na categoria “Hotel and Restaurants Lighting”, por seu projeto

para o Four Seasons Hotel , em São Paulo. Entre as menções

honrosas, foram reconhecidos os escritórios Lit Arquitetura

de Iluminação, pelo projeto para o Bar do Cofre SubAstor ;

Allume Arquitetura de Iluminação, pelo projeto para a Casa

Hercílio Luz; e Archidesign, pelo projeto para o Museu da

Cidade do Recife/Forte das Cinco Pontas , todos na categoria

“Heritage Lighting”. Também receberam menções honrosas a

iluminação do showroom da Tecnowatt, assinada por Juliano

Bustamante; Mingrone Iluminação, pelo projeto para o Hospital

Vila Nova Star ; e o Studio FOS Iluminação, pelo projeto para

um apartamento.

Representando os lighting designers latino-americanos, o

escritório chileno Limarí Lighting Design recebeu duas menções

honrosas, uma por seu projeto para o edifício corporativo

CMPC e outra pela exposição Baleias, vozes do mar do Chile. Já o

escritório uruguaio Estudio Hofstadter recebeu menção honrosa

por seu projeto para o centro esportivo Antel Arena.

Por fim, o lighting designer norte-americano Alfred R.

Borden, fundador do The Lighting Practice, foi reconhecido com

o “Lifetime Achievement Award”, pelo conjunto de sua obra. Em

seus mais de 30 anos de carreira, Borden assinou os projetos de

iluminação de edifícios icônicos, como o Empire State Building e

o Madison Square Garden.

Parabéns aos vencedores! (D.T.)

16


Divulgação

¿QUÉ PASA?

IF DESIGN AWARD 2020

Promovido desde 1953 pelo iF International Forum Design, o

prêmio iF Design Award é tido como uma das mais prestigiosas

competições de design do mundo – uma espécie de “Oscar do

design”. Das mais de sete mil inscrições recebidas nesta edição,

1.500 foram premiadas nas sete categorias oferecidas, das quais

75 foram agraciadas com o iF Gold Award, o reconhecimento

máximo da premiação.

Na categoria “Iluminação”, três produtos brasileiros foram

premiados: o sistema PEG , criação do designer Ricardo

Fahl para a Omega Light, totalmente customizável por meio

de acessórios e de comunicação visual, propondo ao sistema

novas funções além da iluminação; o balizador Big Neu 2 ,

desenhado e produzido pela Stella, que integra fonte luminosa

e equipamento auxiliar em um design ultrafino, com apenas 11,5

milímetros de espessura; e a luminária de mesa Memory ,

assinada pelo arquiteto e designer Jader Almeida e produzida

pela Sollos, cujo design combina a madeira a elementos de

bronze e de aço-carbono, de maneira leve e elegante.

Único produto de iluminação agraciado com o iF Gold Award,

a coleção Mito Linear , da alemã Occhio, oferece versatilidade

por meio dos diversos tipos de aplicações disponíveis, além de

permitir a regulagem da temperatura de cor da luz.

Os vencedores serão celebrados na iF Design Award

Night, que acontecerá no mês de maio em Berlin, Alemanha

– onde também será realizada uma exposição com os designs

vencedores, entre os dias 2 e 10 de maio. (D.T.)

18


¿QUÉ PASA?

NOVO ANO, NOVAS DIRETORIAS

Dimensões reduzidas com design minimalista | conforto óptico

| alto fluxo luminoso | alta eficiência energética | cores precisas.

Aryeh Kornfeld Paula Carnelós

O início de 2020 marcou a troca dos membros da diretoria

da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (AsBAI)

e da Presidência da International Association of Lighting

Designers (IALD), para a gestão no biênio 2020-2021.

Após o duplo mandato da gestão anterior, assumirão

a diretoria os arquitetos e lighting designers Eder Ferreira,

como presidente (no centro à direita), e Gerardo Fonseca, como

vice-presidente (à esquerda). Completam o corpo de diretores

Mohana Barros (no centro), como diretora administrativa

financeira; Christina Draeger (à direita), como diretora de

relações sociais; e Marina Makowiecky (no centro à esquerda),

como diretora de relações culturais. O conselho fiscal é formado

por Guinter Parschalk, Mariana Novaes e Paula Carnelós, além

de Gilberto Franco como membro suplente.

Para esse biênio, a nova diretoria buscará fortalecer a

presença da AsBAI em todos os segmentos da iluminação, com

o objetivo de “somar esforços para dividir conquistas”.

Já o novo presidente da IALD será o lighting designer chileno

Douglas Leonard, que contará com o suporte de Steve Brown

(Austrália), Andrea Hartranft (Estados Unidos), Christopher

Knowlton (Reino Unido), Uno Lai (China), Stephen Lees (Estados

Unidos), Mônica Luz Lobo (Brasil), Anna Sbokou (Reino Unido)

e Mariel Fuentes (Espanha), que compõem a diretoria.

Em sua primeira carta aberta como presidente, Douglas

Leonard ressalta o crescimento da profissão nos últimos 50 anos

e os desafios a serem enfrentados nas próximas 5 décadas.

“O escopo do trabalho com lighting design se expandiu

continuamente, e a complexidade desse trabalho aumentou.

Lighting designers têm múltiplas responsabilidades que não

tinham há 50 anos. Assim como em outras áreas profissionais,

há mais trabalho – ainda mais complexo –, o que requer mais

conhecimento técnico e qualificações transversais”, afirma o

novo presidente, que convoca os membros da comunidade a

engajar-se mais na associação em 2020, por meio dos eventos

oferecidos anualmente.

Damos as boas-vindas às novas diretorias!

.Misty

ABRA OS OLHOS PARA NOVAS POSSIBILIDADES

20

www.everlight.com.br | (31) 2566-8963 | Siga-nos:


Celina Germer

Divulgação

Douglas Daniel

¿QUÉ PASA?

MICHAEL ANASTASSIADES EM SÃO PAULO

“A luz – tanto a natural quanto a artificial – é uma forma

de se negociar com a escuridão. Para que seja possível projetar

com a luz, é preciso primeiro entender e apreciar a escuridão.

É preciso abraçar a escuridão.”

Essa é a fala de um apaixonado pela luz. O designer

cipriota radicado em Londres Michael Anastassiades esteve

recentemente no Brasil para a segunda edição de uma turnê

promovida pela Flos, marca com a qual mantém parceria

de longa data. Durante a excursão pela América Latina, o

designer proferiu palestras em universidades de design e exibiu

instalações criadas especificamente para a ocasião, como a que

foi apresentada no showroom da e:light, em São Paulo, com

produção de montagem em parceria com a Onlight.

Durante a visita, Anastassiades concedeu uma entrevista

à L+D, em que falou de seu processo criativo, sua apreciação

pela natureza e a recente realização da exposição Things That

Go Together, no Chipre, acompanhada do lançamento de um

livro de ensaios.

GESTOS

“O que importa é poder dar às pessoas a possibilidade e a

oportunidade de imaginar seus próprios cenários, suas próprias

configurações. Poder reverter a criatividade de volta ao usuário

e dizer: ‘crie algo que fale com você, da forma que quiser’. A

coleção Arrangements, por exemplo, tem um gesto totalmente

diferente do conceito de uma luminária comum. Existem alguns

gestos ali, mas estão abertos à interpretação.”

22

THINGS THAT GO TOGETHER

“Sempre que viajo, coleto objetos. É uma curiosidade e uma

paixão que carrego desde a infância, porque capturam o papel

da natureza como designer. Para mim, é um ponto de apreciação

muito importante. É sobre a ideia da espontaneidade e do acaso,

quando a sorte o leva a vivenciar esse instante de capturar algo

interessante. Ao caminhar e deparar com algo, é a forma como

você o visualiza que gera a curiosidade que o fará apanhá-lo.”

“Cerca de 90% dos objetos da minha coleção são pedras,

a maioria delas quase perfeitamente esférica. É quase um

desejo de uma natureza perfeccionista, de encontrar uma

esfera perfeita, o que é impossível. Mas, ao mesmo tempo, essa

tentativa de perfeição produz todos esses exemplos incríveis de

belezas totalmente diferentes.”

“A exposição foi uma desculpa para o lançamento do livro.

Não é um catálogo, mas sim uma reflexão sobre esses dez anos

de trabalho, por meio de alguns pensamentos refletidos nos

ensaios. Escolhi autores que trouxessem uma perspectiva geral

do que me compõe como pessoa, como ser criativo.”

LUZ ARTIFICIAL E NATUREZA

“Na verdade, o desafio não é a criação de cenários artificiais,

porque a natureza não pode ser realmente replicada. Mas o que

espero, como designer, é poder capturar uma das milhões de

belas maneiras pelas quais a luz pode existir.” (D.T.)

COZ RESTAURANTE

Local: São Paulo

Projeto de arquitetura: Priscila Cox e Natalie Bergamo

Projeto de iluminação: Renata Carmassio

www.lemca.com.br


¿QUÉ PASA?

LUZ E SOMBRA

Na área da iluminação há mais de 20 anos, a arquiteta e

lighting designer Sônia M. S. Mendes decidiu dar mais um

passo, mergulhando agora no universo das artes. O prazer por

desenhar sempre a acompanhou de forma descompromissada,

como um hobby que eventualmente se desdobrou na produção

de estudos tridimensionais. Foi o que motivou Sérgio Rodrigo

Reis, diretor do Museu de Congonhas, Minas Gerais, a convidála

para a realização de uma exposição temporária no museu.

Assim começou a ser concebida Luz e Sombra, a primeira

exposição solo de Sônia, exibida no ano passado.

Para a produção das esculturas, a arquiteta inspirou-se em

elementos de algumas de suas paixões: a dança e a música, a

arquitetura e a luz. “Cada um desses elementos representa

um momento importante na minha vida. E, neste momento,

descubro uma nova paixão: as esculturas”, declara Sônia.

Para a exposição, foram produzidas dez esculturas, em sua

maioria quadradas, feitas de aço com acabamento oxidado e de

fios metálicos dourados, prateados e acobreados. No interior

de cada uma das peças, foram colocados pequenos pontos de

LED de 1 W, com facho de 30º e temperatura de cor 2.700 K.

Ao iniciar os testes com as luzes, Sônia notou que seu

posicionamento influenciava completamente o resultado das

sombras produzidas. Portanto, foi necessário um trabalho

preciso de observação, peça a peça, até definir a composição

final de cada uma das obras.

As esculturas foram distribuídas em uma sala escura do

museu, iluminada exclusivamente pelas luzes suaves emitidas

pelas obras. Dessa forma, as superfícies da arquitetura do espaço

foram transformadas pelas sombras por elas geradas, criando

um ambiente enigmático, que buscava instigar a curiosidade e a

imaginação do público.

Sônia conta que o processo foi um verdadeiro desafio,

mas ele a encantou e surpreendeu a cada etapa: “Foi como

sair da zona de conforto. Muito trabalho, mas recompensado

pelas surpresas do inesperado”. Motivada a despertar o olhar

e o interesse das pessoas pela arte e pela luz, a arquiteta se

entusiasma com a possibilidade de futuras exposições e revela

o desejo de incorporar elementos artísticos também em seu

trabalho como lighting designer. (D.T.)

Jomar Bragança

25


Veronika Mayerböck

¿QUÉ PASA?

O SOL DA ESCURIDÃO POLAR

Essa é a tradução para “Kaamos Aurinko”, nome dado

a uma das suítes do 29º ICEHOTEL, construído anualmente

durante o inverno em Jukkasjärvi, Suécia, em colaboração com

dezenas de designers. A posição geográfica da cidade, acima do

círculo polar Ártico, determina o comportamento peculiar da

luz natural, completamente ausente durante parte do inverno e

presente durante as 24 horas do dia em boa parte do verão. Essa

dualidade foi a inspiração de Veronika Mayerböck, Katharina

Wyss e Frank Dittmann para o projeto da suíte.

Ao entrar nela, o visitante é recebido em uma antessala

que simula a escuridão do inverno por meio da iluminação em

tons de azul, similares aos exibidos pelo crepúsculo das noites

polares. Em seguida, após passar por uma zona de adaptação,

chega-se ao quarto principal, cuja iluminação evoca o famoso

“sol da meia-noite”, como em uma calorosa noite de verão.

A atmosfera luminosa efêmera do espaço resulta de uma

dupla reflexão: a cabeceira de gelo transparente reflete a luz da

luminária RGB linear instalada sob ela, comportando-se como

uma fibra óptica e fazendo brilhar sua borda superior curva,

moldada como um sol nascente sobre o horizonte. Essa luz é

também refletida de maneira difusa pelo teto curvo de neve,

tingindo todo o ambiente.

O visitante pode escolher entre uma programação com

24 horas de duração, que emula o comportamento real das

cores da luz natural durante um dia; ou o ciclo de um minuto, no

qual a tonalidade das luzes muda sequencialmente, de acordo

com as cores do espectro da luz solar.

O projeto luminotécnico da suíte, premiado na categoria “Art:

Low Budget” nos [d]arc awards 2019, é assinado pela lighting

designer Veronika Mayerböck, titular do escritório austríaco Alles

oder Licht. Veronika conta que a forma abobadada da arquitetura

foi determinada com base em cálculos de reflexão e de distribuição

luminosa. Além disso, foram necessários testes prévios para

analisar a refração da luz pelo gelo e também o comportamento

da iluminação colorida quando refletida pela neve. A elevada

capacidade de reflexão do material determinou que as luminárias

tivessem sua intensidade luminosa reduzida ao mínimo possível.

As superfícies totalmente curvas da suíte – moldadas

manualmente pelos designers em apenas duas semanas –

proporcionam uma poética simbiose entre as luzes em tons

quentes da suíte e as frias da antessala. “Kaamos Aurinko

demonstra a gênesis e a conclusão das estações por meio da

mais pura materialidade da luz e da neve, justapondo os dois

períodos mais extremos do Norte”, declaram os designers. (D.T.)

26


Takumi Ota

¿QUÉ PASA?

BRILHO CRESCENTE

O mais recente projeto apresentado pelos designers do

estúdio japonês Takt Project pode ser definido mais como trabalho

em andamento, do que como design acabado. glow ⇄ grow é

uma espécie de escultura luminosa autogenerativa, cuja forma

é influenciada por estímulos externos.

Apresentada durante a Milan Design Week no ano

passado, a obra consistia em uma série de LEDs suspensos

em uma espécie de varal. Sobre cada um deles eram

derramadas gotas de resina líquida transparente, que se

solidificavam em contato com a luz. A forma adquirida pela

resina também era influenciada pela intensidade das luzes,

que oscilava constantemente, de maneira pré-programada.

O brilho dos LEDs aumentava gradativamente à medida que

crescia a superfície de resina que os recobria.

De acordo com os designers, o projeto não almejava imitar

a natureza, mas representar “a integração entre o artificial e o

natural, por meio da incorporação de princípios da natureza em

uma operação artificial”. O resultado é a criação de um novo

contexto que não pode ser definido nem como natural nem

como artificial.

O projeto se desdobrou ainda na série de objetos “glow grow:

pottery”, exibidos durante a edição de 2019 do festival Design

Miami. Modeladas com base no mesmo princípio autogenerativo,

as peças luminosas remetem a vasos de cerâmica. (D.T.)

O catálogo Black Edition Newline trás para o mercado uma

linha de produtos especialmente desenvolvida para iluminar

os projetos mais modernos e exigentes. Com foco no design,

funcionalidade e desempenho, a linha Black Edition oferece

um mix de produtos para que profissionais possam utilizar a

iluminação como ferramenta essencial no seu processo de

desenvolvimento de projetos, de forma versátil e prática, do

projeto à instalação.

Conheça a linha completa e surpreenda-se com

todas as nossas soluções!

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Sistema Track

Disponível em 3

versões: Embutir,

sobrepor ou pendente

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catálogo

28


¿QUÉ PASA?

CAÇADORES DA ARCA PERDIDA

A arquitetura peculiar do museu Goldkammer Frankfurt,

localizado na capital alemã, foi determinante para a ambientação

misteriosa e intrigante na qual são exibidos mais de 500 artefatos

de ouro, datados das mais variadas eras dos últimos 6 mil anos.

Ocupando 480 metros quadrados dos porões de um casarão

tombado, o projeto do escritório berlinense merz merz cria

uma jornada no tempo por meio de uma sequência de túneis

e câmaras, inspirados nas tumbas das pirâmides do Egito.

O escritório alemão Licht Kunst Licht assina o projeto de iluminação,

totalmente integrado aos detalhes da arquitetura, enfatizando

sua composição espacial e destacando os itens expostos.

Para o foyer da entrada, os lighting designers desenvolveram

um pendente especial feito de cobre, com cúpula cilíndrica de

vidro, que remete à iluminação das antigas lanternas a gás.

No interior da cúpula foi adicionada uma malha delicada de fios

de cobre, fazendo transparecer um suave brilho dourado através

do vidro. A descida até os espaços expositivos subterrâneos

assemelha-se a uma viagem até um túnel de mineração.

Os quatro tipos de acabamento predominantes nesses

ambientes – barro, bronze, mármore e pedra –, assim como sua

iluminação de baixa intensidade e alto contraste, contribuem

para a sensação de estar centenas de metros abaixo da terra.

No início do percurso, foram utilizadas arandelas herméticas

conectadas por cabos aparentes, que são complementadas pela

iluminação difusa instalada sobre grelhas metálicas, lembrando

lâmpadas fluorescentes. Em outros espaços, detalhes lineares

de luz difusa ou indireta mimetizam a iluminação natural,

enquanto projetores orientáveis criam destaques discretos.

Em contraste, a sala dedicada aos tesouros de ouro dos

oceanos é totalmente revestida de painéis de vidro, banhados

pelos reflexos gerados por luminárias de vidro soprado em

constante rotação, remetendo ao efeito de refração dos raios de

sol em contato com a superfície da água. Enquanto a iluminação

geral desse ambiente é feita por equipamentos lineares dotados

de filtros azuis, as peças expostas são destacadas por luzes de

tom quente, quase dourado. (D.T.)

Marcus Ebener

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Chao Zhang

¿QUÉ PASA?

FÍSICA DA LUZ

A loja de roupas femininas Geijoeng em Shenzhen, China,

poderia ser o local perfeito para uma aula de Física. O design

de interiores, assinado pelos chineses do Studio 10, explora

a interatividade entre os materiais e a luz, jogando com os

princípios da transmissão, da refração e da reflexão luminosa.

O espaço de 120 metros quadrados parece ampliado pelo

uso dos materiais translúcidos e refletivos empregados nas

divisórias, nos balcões e nos displays de produtos. Logo na

entrada, chamam a atenção o piso e a meia-parede de tijolos

de vidro, em combinação com a parede de vidro semirrefletivo

e o forro espelhado, criando praticamente uma ilusão de óptica.

No interior da loja, as divisórias em “channel glass” (estruturas

de vidro em formato de “U”), as araras de acrílico fosco e

os acabamentos metálicos prateados refletem e refratam os

elementos de tonalidade verde presentes no espaço. A principal

cor da identidade visual da marca também foi a escolhida para

as cortinas de veludo, que garantem a privacidade no interior

dos provadores feitos de acrílico.

Todos esses efeitos são possíveis graças à combinação do

inteligente sistema de iluminação desenvolvido pelo Studio 10.

Linhas de tubos de LED difusos foram dispostas longitudinalmente,

formando um grid com os trilhos instalados no sentido transversal,

com projetores orientáveis para iluminação de destaque.

Com o projeto, os designers buscaram criar um senso de

hierarquia espacial e, ao mesmo tempo, traduzir a essência

minimalista da marca. (D.T.)

34


T O D O P R O J E T O P R E C I S A D E I L U M I N A Ç Ã O.

MAS ALÉM DISSO, A LUZ PODE EXPRESSAR IDENTIDADE!

Jackie Chan

¿QUÉ PASA?

ARTE, CULTURA E FUNÇÃO

Utilize o verdadeiro potencial da tecnologia LED,

aliado à sensibilidade na decoração.

Victoria Dockside é o mais novo distrito cultural de Hong

Kong, em desenvolvimento na área portuária da metrópole

chinesa. Concebido como elemento central desse novo

empreendimento, o centro comercial e cultural K11 Musea

promete aos visitantes uma experiência de compras inovadora,

além de opções de arte, cultura e gastronomia, em uma área de

mais de 90 mil metros quadrados.

Os lighting designers do escritório Speirs + Major assinaram

o projeto de iluminação de todas as áreas públicas do edifício,

tanto as internas quanto as externas, participando de forma

decisiva da concepção criativa desses espaços. O conceito

inovador do projeto luminotécnico baseia-se na ideia de uma

“coleção personalizada” de objetos luminosos, com o objetivo

de unir os diferentes espaços do gigantesco empreendimento

e, ao mesmo tempo, dotá-los de um senso de dinamismo.

A coerente escolha das formas e dos materiais utilizados

nessa coleção levou em conta elementos culturais e foi

determinante para a criação de uma linguagem que permitisse a

leitura desses diferentes objetos como um conjunto. Apesar do

caráter decorativo das peças, feitas de vidro, madeira e metal de

tonalidades quentes, todas foram pensadas de maneira funcional,

para garantir uma iluminação confortável, suave e atraente aos

visitantes. Além de sua função crucial ao conectar os distintos

espaços do empreendimento, a coleção de luminárias busca

relacioná-los à escala humana por meio dos detalhes.

Todos os equipamentos foram cuidadosamente integrados

à arquitetura, de modo a não competir com as vitrines das lojas,

as verdadeiras protagonistas do espaço. (D.T.)

Catálogo Revoluz 2020.

Baixe a versão digital no site.

Ou peça a versão impressa:

(11) 97146-5035 | sac@revoluz.com.br

36

revoluz.com.br


¿QUÉ PASA?

RADIANTE

Satoshi Shigeta

Os designers do estúdio japonês Curiosity enfrentaram com

maestria o desafio de trazer destaque à boutique m-i-d, uma

das grifes presentes na recém-reformada loja de departamentos

Daimaru Shinsaibashi em Osaka, Japão.

Tirando partido da planta em forma de estrela, que permite

o acesso dos consumidores por diversas entradas, os designers

criaram um sistema de forro transiluminado e estruturado por

delicadas vigas de madeira que convergem no centro do espaço,

criando um ponto focal. A iluminação suave e acolhedora emitida

por esse sistema é tingida pelo tom dourado dos elementos de

madeira, proporcionando um toque de sofisticação e um senso

de pertencimento ao ambiente.

A enxuta paleta de cores e de materiais propostos para

os interiores, em tons de cinza, bege e dourado, transforma

as divisórias de pedra – que setorizam as diferentes coleções

de roupas e acessórios – em elementos marcantes no espaço.

Essas superfícies são ressaltadas pela iluminação integrada

às araras e às prateleiras, que exibem os últimos lançamentos

da marca.

Dessa forma, toda a iluminação do espaço é feita de maneira

uniforme e sem luminárias aparentes. “O equilíbrio delicado

entre a arquitetura gráfica e a iluminação suave cria uma

atmosfera perfeita para que o consumidor aprecie o produto”,

declaram os designers. (D.T.)

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¿QUÉ PASA?

LENTES CELESTES

Após dois anos, a icônica loja da Apple na Quinta Avenida

de Nova York, aquela com o cubo de vidro na entrada,

reabriu suas portas recentemente, depois da reforma de seus

interiores. O projeto de arquitetura é assinado pelos arquitetos

do escritório inglês Foster + Partners e apresenta a luz natural

e a iluminação como principais elementos.

No total são 80 claraboias, sendo 62 com fechamento

de vidro leitoso translúcido, distribuídas numa malha regular.

À esquerda e à direita do cubo de vidro, outras 18 claraboias

com fechamento de vidro transparente, chamadas pela Apple

de “sky lenses”, abrem para o lado de fora, na praça da Apple.

As sky lenses possuem acabamento especular para, durante

o dia, espelhar o céu e os edifícios do entorno e, à noite, permitir

espiar os interiores da loja vistos de cima. No lado de dentro,

todas as claraboias possuem um anel luminoso difuso na base

junto ao forro, cuja temperatura de cor da fonte de luz varia de

acordo com a luz natural. (O.M.)

Divulgação

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¿QUÉ PASA?

POSTO DUPLO BP-HUGSAN

Fiquei surpreso ao conhecer, neste ano, o projeto de

iluminação da lighting designer portuguesa Diana Del-Negro

para um posto de gasolina em Portugal, localizado na Estrada

Nacional 1, na região de Leiria – estrada essa que foi, durante

décadas, a principal via de ligação entre as cidades de Lisboa e

do Porto.

Geralmente envolvida em projetos ligados ao patrimônio

histórico, principalmente em Lisboa, Diana conta que o desafio

foi proposto por uma antiga colega do curso de Arquitetura,

Joana Marcelino, autora do projeto de arquitetura de dois postos

de combustível, localizados numa das principais estradas

do país. Sua ideia era de que, à noite, os postos deveriam se

parecer com “caixas de luz”, o que Diana resolveu por meio

da iluminação rasante do acabamento branco da fachada, que

brilha por trás das chapas metálicas perfuradas que a revestem.

A lighting designer conta que, no dia em que se acendeu

pela primeira vez a iluminação dos postos, formou-se uma fila

de carros na Estrada N1, pois todos os motoristas reduziam

a velocidade para observar os edifícios e sua iluminação.

E foi nesse momento que todos perceberam que o projeto de

iluminação era um sucesso.

Seja no patrimônio histórico secular de Lisboa, seja em

um posto de gasolina contemporâneo, o leque de soluções

apresentado nos projetos de Diana Del-Negro me encantou!

(por Eduardo Becker)

Diana Del-Negro

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ENCONTRO PULSANTE SOBRE O RIO

Texto: Gilberto Franco | Fotos: Yang Shi e Ziling Wang

A proposta do escritório DnA Design and Architecture, de

Pequim, para revitalizar a antiga ponte de pedra Shimen, em

Zhejiang, China, foi transformá-la num espaço de encontro

culturalmente significativo para os cidadãos. Cruzando o

rio Songyin em toda a sua extensão, a ponte recebeu uma

interessante estrutura ritmada de madeira, intercalando espaços

cobertos e descobertos sobre um deque também de madeira.

Assim, os moradores das aldeias Shimen e Shimen Xu, de suas

extremidades, podem agora ir, vir e conviver, desfrutando a

histórica ponte num espaço inusitado, com bancos, árvores e

uma convidativa praça ao centro.

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iluminação facial, remetendo à atmosfera de um pujante

mercado. Diferentemente da “linha tracejada” dos dias comuns,

um ritmo de feixes luminosos pulsa sobre a água, convidando ao

convívio e ao usufruto desse peculiar espaço.

A ponte original de concreto, por sua vez, teve seus arcos de

pedra iluminados internamente, por meio de projetores lineares

RGB fixados em suas bases, os quais são programados para

permanecer em temperatura de cor mais elevada, destacando a

construção antiga da nova. Essa iluminação é também integrada

ao sistema de controle do conjunto, permanecendo acesa

apenas nos fins de semana.

“Uma adorável fusão entre o antigo e o novo, entre o comercial

e o residencial”, escreveram os juízes ao premiar esse projeto

com o IALD Award of Excellence, no 36º IALD Design Awards.

Detalhe da ponte quando acesa em modo “mercado”. A delicada

linha vertical dá o ar festivo desejado e complementa bem a

iluminação vertical, trazendo alegria e reconhecimento facial.

Acompanhando a inclinação da viga, uma sanca recebe barras

de LED em 3.000 K, para iluminação indireta.

Projetores RGB fixados na base dos arcos maiores e também sob os pequenos arcos internos são programados para acender

nos fins de semana (em temperatura de cor por volta de 5.000 K) ou em em cores específicas em ocasiões festivas.

Aberta ininterruptamente, essa travessia recebeu um delicado

sistema de iluminação, resultado de uma parceria entre a Escola

de Arquitetura da Universidade de Tsinghua e o escritório One

Lighting Associates de Pequim. O projeto visou atender ao espírito

de integração proposto e à multiplicidade de usos. Assim, em

um dia típico da semana, apenas a iluminação de segurança

é utilizada, em respeito ao delicado ambiente noturno rural.

Esse sistema, composto de linhas de LED ocultas, empresta uma

luz suave, quente e indireta que se difunde por toda a passagem

e paisagem. Transeuntes, pedestres e ciclistas são envolvidos

em um ambiente calmo e tranquilo, perfeito para passear e

conversar enquanto desfrutam as deslumbrantes vistas. De

longe, a ponte é como uma linha tracejada que se duplica no

reflexo das águas do rio.

No fim de semana, a iluminação é comutada para o modo

“mercado”, que pressupõe maior permanência e convívio.

Luminárias lineares embutidas nas estruturas de madeira

são acesas, criando um arranjo linear rítmico, de generosa

PONTE LOUNGE NO VILAREJO SHIMEN

Zhejiang, China

Projeto de iluminação:

One Lighting Associates

Escola de Arquitetura, Universidade de Tsinghua

Xin Zhang, Xiaowei Han, Xiaobo Zhao,

Xuanyu Zhou (lighting designers)

Projeto de arquitetura e interiores:

DnA_Design and Architecture

Xu Tiantian

Projetores em vasos iluminam a vegetação e ajudam a

complementar a iluminação das áreas abertas. Ao fundo,

a iluminação da ponte, tal como aparece nos fins de semana,

com todas as zonas acesas.

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LUZ DE PEDRA

Texto: Orlando Marques (colaborou Gilberto Franco)

Fotos: Carlos Alkmin, Fernando Guerra e Tuca Reinés

Concluído em 2018 na cidade de São Paulo, o edifício

corporativo Santos Augusta situa-se na esquina das ruas que

lhe emprestam o nome, em um terreno nunca ocupado antes.

Cercado de edifícios icônicos, como o Conjunto Nacional (projeto

de David Libeskind) e o antigo edifício Plavinil-Elclor (projeto de

Rino Levi), o Santos Augusta exibe uma arquitetura ao mesmo

tempo sóbria e expressiva, do escritório Isay Weinfeld, que faz

jus à de seus ilustres vizinhos.

Sua forma consiste num conjunto de volumes retangulares

de diferentes dimensões, empilhados uns sobre os outros e

revestidos de pedra. O primeiro volume, de aspecto maciço,

apoia-se sobre os pilotis do térreo, abrigando um teatro. Uma

exuberante vegetação tropical se esgueira entre esses volumes,

derramando-se por suas empenas.

O térreo – uma ampla área envidraçada em pilotis – abriga

a recepção, a bilheteria do teatro e uma ampla e informal área

de estar que se esparrama para além de suas divisórias de

vidro, onde também opera o Perseu Coffee Shop. O acesso ao

teatro no piso superior acima se dá por uma escada; os demais

volumes abrigam as áreas corporativas para locação ou venda.

Entre o auditório e os demais volumes, há um restaurante.

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LUZES E SOMBRAS INTERCALADAS

A composição de volumes e reentrâncias do edifício definiu

o critério de iluminação das fachadas, que acompanhou a

orientação das janelas ora para a alameda Santos, ora para a

rua Augusta. Internamente, a iluminação funcional prevista para

os conjuntos também acompanhou as variações das janelas.

Uma iluminação sutil locada entre os volumes destaca um do

outro, reforçando a geometria do conjunto. Nenhuma luz foi

direcionada ao volume do auditório, que atua como um hiato

entre o térreo e as superfícies iluminadas acima.

A área externa defronte à alameda Santos recebeu iluminação

nos canteiros e sob os bancos. A pedido dos arquitetos, os postes

para iluminação geral foram produzidos em menor altura e

potência reduzida, para não interromper a visão da empena

de pedra. Ao fundo, a iluminação do core dá destaque ao letreiro

branco do edifício. Projetores lineares de diferentes fachos e

intensidades definem e destacam os volumes. Para a fachada,

fachos elípticos; para os tetos, fachos abertos e com potência

reduzida. Um desenho regular de pontos embutidos na pedra

(6,6 W) amplia a percepção para além dos vidros. A escada

externa, que dá acesso ao teatro, foi iluminada por balizadores,

degrau a degrau, tornando-se um elemento luminoso atraente.

O balcão integrado da recepção do edifício e bilheteria do teatro

teve sua frente iluminada por barras de LED escondidas, assim

como sua parede de fundo. Luminárias especiais, fabricadas

em impressora 3D para esta obra, iluminam a parede do core

(2,2 W, facho elíptico assimétrico).

HORIZONTE AMPLIADO

O rigor de uma arquitetura de poucas concessões foi a

régua para o projeto de iluminação, que cuidadosamente não

ultrapassou seus limites expressivos. No térreo, o teto de

pedra determinou o ritmo, a paginação e mesmo o caráter dos

pontos de luz, sempre com o mínimo possível de interferência.

Uma sequência de miniluminárias de facho elíptico ilumina

sutilmente as paredes do core, ao mesmo tempo que define um

anel luminoso em torno dele.

Pequenos grupos de luminárias com diferentes paginações

distribuem-se ao longo dos zigue-zagues diagonais das pedras,

iluminando diferentes zonas – estar, mesas, balcões e recepção.

Também se espraiam além dos limites do vidro, ajudando a

diluir as fronteiras entre interior e exterior.

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O encontro dos pilotis com o teto de pedra é definido

por sancas luminosas; os nichos que abrigam a recepção e a

bilheteria têm suas paredes iluminadas, para que se destaquem

do restante. No bar, a frente iluminada do balcão do café, bem

como luminárias decorativas (escolhidas pelos arquitetos)

atribuem escala ao ambiente e às mesas; finalmente,

a vegetação em torno do edifício – paredes verdes, arbustos e

árvores – recebeu generosa iluminação, para que se ampliasse

a percepção externa.

O esforço dedicado a acompanhar uma arquitetura ao mesmo

tempo sintética e de poucas concessões resultou numa iluminação

quase silenciosa, um repouso para a ruidosa luz da cidade.

No exterior, a iluminação do jardim projeta sombras irreais

sobre a empena de pedra do auditório. Uma sanca curva

em torno do pilar solta-o de seu encontro com o teto, dando

leveza à sua função de apoio.

Durante o dia a iluminação artificial complementa a diurna,

filtrada pelas cortinas. Uma linha regular de pontos ilumina

o balcão do bar; sob o tampo deste, barras de LED auxiliam

na iluminação difusa do ambiente.

EDIFÍCIO SANTOS AUGUSTA E PERSEU COFFEE SHOP

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação:

Franco Associados

Gilberto Franco (arquiteto titular)

Juliana Scialis (arquiteta coordenadora)

Projeto de arquitetura e interiores:

Isay Weinfeld Arquitetura

Isay Weinfeld (arquiteto titular)

Gabriel Bicudo (arquiteto coordenador)

Adriana Aun, Elena Scarabotolo, Lucio Oliver e

Pablo Resende (arquitetos colaboradores)

Projeto de paisagismo:

Rodrigo Oliveira Paisagismo

Rodrigo Oliveira (arquiteto titular)

Certificação LEED GOLD:

Hill International

Daniel Brum e Regina Capote

Cliente:

Real Estate & Urban Development (REUD)

Fornecedor:

Lumini

Sempre nas placas inferiores da pedra, luminárias de LED

6,6 W de facho médio agrupam-se para criar os diferentes

cenários do café.

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DESENHO BIOFÍLICO

E TEXTURAS DE LUZ

Texto: Orlando Marques | Fotos: Stijn Bollaert

Os lighting designers do escritório de iluminação

Beersnielsen conseguiram de novo!

Repleto de desafios, o recém-inaugurado projeto de

iluminação do edifício do Centro de visitantes do Parque Nacional

De Hoge Veluwe, no centro-sudeste da Holanda, apresenta

princípios do desenho biofílico com a criação de texturas

luminosas como principal abordagem e conceito do projeto.

O projeto de arquitetura, colaboração entre os arquitetos

dos escritórios De Zwarte Hond e Monadnock, de Roterdã,

procurou criar um edifício que refletisse uma relação entre

o ambiente construído e o ambiente natural do parque.

O desenho inusitado do edifício, inspirado numa casa de campo,

apresenta uma cobertura com quatro águas, lembrando sheds

de galpões. A elevação frontal é curvada para trás, com uma

série de trapeiras para a entrada de iluminação natural. Nas áreas

internas, os destaques são o teto abobadado de 7,5 metros de

pé-direito, criado também como suporte para apresentação de

conteúdo multimídia; e os fechamentos de vidro para permitir

vistas à floresta Veluwe.

O conceito do projeto de iluminação baseou-se nos

princípios do desenho biofílico (biofilia: bio = vida, filia =

amor, atração), conforme teorias do autor Edward O. Wilson

em seus livros Biophilia (1984) e Bioliphic Design (1995),

este último em conjunto com Stephen Kellert. Os estudos

discutem a “inerente inclinação humana de relacionar-se com

sistemas e processos naturais, especialmente com aspectos

realistas e relacionados à vida do ambiente não humano”.

Segundo os autores, as pessoas preferem viver na presença de

elementos naturais, como a água, as plantas e as árvores, os

animais, a luz do dia, etc.

O conceito foi trazido para o projeto pelo lighting designer

Wim ann de Stegge, do Beersnielsen, por meio de sua tese

de mestrado Biophilic Light Texture: Applying biophilic design

principles to lighting design (Textura da Luz Biofílica: aplicando

os princípios do design biofílico, em tradução livre), trabalho

desenvolvido na Universidade de Tecnologia de Delft, enquanto

trabalhava no escritório.

Desde o início e ao longo de todo o processo, o projeto

de iluminação apresentou uma série de desafios. O maior de

todos foi convencer os arquitetos e o cliente a alterar o uso da

superfície da abóbada – inicialmente projetada para receber um

painel de LED multimídia para contar a história do parque –,

para receber um conteúdo que melhor refletisse o ambiente.

“Achamos a ideia inicial muito Las Vegas e nada apropriada

para um edifício localizado no coração de um parque nacional”,

argumenta Sjoerd van Beers, titular do Beersnielsen.

Os designers propuseram que a abóbada fosse utilizada para

receber efeitos mais sutis, que remetessem ao ambiente natural

– como texturas de luz e de sombra –, inspirados em elementos

encontrados na floresta. Dessa forma, os usuários poderiam ter

experiências sensoriais relacionadas à natureza – como em um

passeio na floresta, com o sol perfurando a copa das árvores

e projetando luz e sombra no caminho –, e não somente as

experiênciais sensoriais referentes ao edifício.

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Os nove pendentes customizados, com diâmetro de 1,50 metro,

foram instalados a 3 metros do piso. Cada um deles foi equipado

com 20 módulos de LED 15 W e 5.700 K, responsáveis por

projetar as texturas no teto abobadado, sendo 14 deles equipados

com lentes de 10º e seis com lentes de 6º. Foram utilizados dois

padrões de textura distintos nas cúpulas, simulando o efeito do

sol através das folhas nas copas de árvores.

Os pendentes contam ainda com quatro módulos diretos

de LED 6 W e 3.000 K, dotados de lentes de 16º, que

desempenham a iluminação funcional, complementados por

projetores com LED 34 W e 3.000 K dimerizáveis, com facho

médio, integrados às trapeiras para luz natural.

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O desafio foi convencer a todos e a si mesmos de que a ideia

das texturas de luz e sombra funcionaria naquele espaço, dada

a abundância de luz natural nos interiores do edifício, em razão

das suas dimensões. Outra dificuldade foi encontrar superfícies

para a distribuição de luminárias para a iluminação “funcional”,

sem interferir na aparência da abóbada.

Para a criação das texturas, foram desenvolvidos oito

protótipos de um pendente para projeção de luz e sombra, por

meio de iluminação indireta através de uma cúpula recortada em

determinado padrão. Três parâmetros foram considerados para

o desenvolvimento do projeto técnico do pendente: intensidade

(brilho) da fonte luminosa, tamanho do módulo de LED e

distâncias entre a fonte e as superfícies da cúpula e da abóbada.

A intensidade da fonte determinou o contraste necessário

entre a luz natural e a artificial, enquanto o tamanho dela

assegurou a definição das sombras. A distância entre fonte

luminosa, cúpula e abóbada determinou o tamanho e a definição

das sombras.

PAVILHÃO DO PARQUE NACIONAL DE HOGE VELUWE

Otterlo, Holanda

Projeto de iluminação:

Beersnielsen

Charl Smit, Juliette Nielsen, Mieke van der Velde, Sjoerd

van Beers, Win aan de Stegge (lighting designers)

Projeto de arquitetura:

De Zwarte hond

Willem Hein Schenk (arquiteto titular)

Monadnock

Job Floris (arquiteto titular)

Projeto de interiores:

Vosinterieur

Bart Vos (designer titular)

Fornecedores:

Deltalight, Fagerhult, Lens BV e TDE lighttech

Durante o processo de projeto, iniciado em 2013, foram produzidos e testados

oito diferentes protótipos, até chegar à versão final do pendente. A quantidade

e o posicionamento dos módulos de LED foram cuidadosamente estudados para

que a sobreposição das múltiplas sombras fosse harmoniosa.

Cada pendente possui uma malha de 5 × 4 módulos de

LED para a iluminação da cúpula (e a projeção das texturas) e

quatro para a iluminação direta, para baixo. Cada um dos 20

módulos é comandado individualmente por protocolo DMX de

controle, acrescentando dinâmica às texturas.

A sequência dos acendimentos dos módulos segue

um algoritmo com base em vídeos de folhas de árvores em

movimento, o que confere causalidade à instalação – outra

premissa do projeto de iluminação e do desenho biofílico.

O conjunto óptico de cada módulo de LED foi determinado

para evitar sobreposições dos fachos na superfície da cúpula e,

com isso, garantir melhor definição das texturas.

A iluminação funcional do ambiente também foi resolvida

com engenhosidade. Pequenos projetores foram fixados nas

superfícies das aberturas das claraboias das trapeiras, de modo

a garantir a integridade visual da cúpula e dos efeitos das

texturas de luz e sombra.

De natureza complexa e resultados imprevisíveis, o projeto

só foi possível por meio da abordagem “mão na massa”, uma

das habilidades natas dos designers do Beersnielsen.

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OSSO COLABORATIVO

Texto: Diogo de Oliveira | Fotos: Jomar Bragança

O projeto de arquitetura do escritório mineiro Gustavo

Penna para o restaurante OssO, casa de carnes na brasa aberta

em 2019 no Serena Mall, em Nova Lima – Região Metropolitana

de Belo Horizonte e cenário da atual expansão imobiliária de

alto padrão na região –, foi concebido de maneira colaborativa.

Segundo a lighting designer responsável Sônia Mendes, a luz foi

projetada totalmente inserida na arquitetura e definida em testes

feitos durante a obra, em conjunto com o cliente, as equipes

técnica e de arquitetura, e os fornecedores de luminárias.

A área da varanda foi iluminada por meio de perfis lineares de

LED 15 W/m e 2.700 K, integrados à estrutura metálica, onde

também é fixado o forro vazado colorido.

Abaixo, a logo do restaurante foi destacada com mangueira

de LED flexível, na mesma temperatura de cor.

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envolta por tecido em tom cru; no meio, foram instalados os

perfis de LEDs deitados, para emissão de luz lateralmente. Nesse

ambiente fica também a adega, que serve de vitrine voltada à

área de circulação do centro comercial e do salão, iluminada por

pequenas luminárias do tipo projetores, para iluminação rasante

das garrafas.

Para destacar o balcão do bar e as mesas altas, foram

utilizadas pequenas luminárias pretas cilíndricas fixadas

sob perfilado da mesma cor, camufladas na laje nervurada

aparente, também escura. Dentro do nicho horizontal do bar,

iluminado com perfis de LED escondidos no perímetro da

caixa, as garrafas são valorizadas em contraste com o fundo

branco. O painel de couro de vaca foi iluminado com perfil

linear de LED em 2.700 K, realçando suavemente o painel ao

fundo do ambiente.

Por fim, a cozinha à vista, através de vidro, pela norma,

demanda iluminância de 500 lux em local de trabalho, com

temperatura de cor geralmente preferida em 4.000 K. Para

integrar essa tonalidade aos ambientes do restaurante, foi

aplicada uma película em tom bronze sobre o vidro, sem alterar

a visibilidade, mas amenizando a cor e a quantidade de luz.

Os resultados dos projetos colaborativos de luz, arquitetura,

interiores e mobiliário no Restaurante OssO podem ser

resumidos na qualidade do ambiente e na criatividade das ideias

e das soluções.

O salão do restaurante foi iluminado com projetores com

LED 8 W e 2.700 K, integrados aos painéis de forro suspensos,

cuja grelha colorida é valorizada por meio de perfis lineares

de LED 15 W e 2.700 K, instalados em seu perímetro.

O painel de couro de vaca foi destacado por meio de

luminárias lineares com LED 10 W e 2.700 K, instaladas

lateralmente em eletrocalha suspensa.

Projetores cilíndricos com LED 8 W 2.700 K, fixados sob

eletrocalhas suspensas, iluminam o balcão e valorizam a textura

da parede ao fundo do bar. Perfis de LED 4,4 W/m e 2.700 K

foram integrados no perímetro ao fundo do nicho de garrafas,

transformado-o em uma caixa de luz.

Os conceitos dos projetos de arquitetura e de luz do

restaurante derivaram da parrilla, produto final do OssO,

presentes na escolha dos materiais, nas cores e no projeto de

interiores: na grelha em tons de fogo amarelo, laranja e vermelho

terra, nos forros e na divisória; no painel de couro de vaca; no

aço das facas e na madeira das superfícies do mobiliário, alguns

desenvolvidos exclusivamente para o projeto.

O restaurante divide-se em quatro ambientes: varanda,

salão, bar e cozinha. No primeiro, a grelha, com desenho

exclusivo do escritório Greco Design, foi instalada no teto e

como parede divisória vazada. No teto, a grelha foi inserida na

estrutura metálica da cobertura, mesma estrutura usada para

fixar perfis de LED 2.700 K. Criou-se, desse modo, um elemento

ao mesmo tempo forro e luminária.

Para o salão foram desenvolvidos painéis pendentes

quadrados e retangulares, com princípio similar ao do forro

luminoso da varanda, com temperatura de cor quente, em

2.700 K. Esses elementos suspensos são como sanduíches que

têm, de um lado, a grelha colorida e, do outro, espuma acústica

RESTAURANTE OSSO

Belo Horizonte, Brasil

Projeto de iluminação:

Arquitetura e Luz

Sônia M. S. Mendes (arquiteta titular)

Camila Ferreira e Lais Rodrigues Rocha

(arquitetas colaboradoras)

Projeto de arquitetura e interiores:

Gustavo Penna Arquiteto e Associados

Gustavo Penna, Laura Penna, Norberto

Bambozzi (arquitetos titulares)

Gabriel de Souza (arquiteto colaborador)

Fornecedor:

Templuz

Construtora:

EPO Engenharia

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ENTRANHAS EXPOSTAS

O projeto para a nova sede do Centro de Tecnologia de

Edificações (CTE) – empresa de consultoria e gerenciamento

do setor da construção civil localizada em São Paulo –

foi desenvolvido tendo como pressupostos seus pilares

fundamentais de atuação: qualidade, tecnologia, inovação e

sustentabilidade. Com base na arquitetura biofílica, o escritório

de arquitetura SuperLimão Studio concebeu o projeto inspirado

nos quatro elementos da natureza – água, terra, ar e fogo – para

compor o aspecto visual dos interiores.

Atendendo à certificação LEED CI, às necessidades de

um espaço pensado para fortalecer as relações corporativas

e à difusão de práticas inovadoras, o projeto de iluminação, de

autoria do escritório Castilha Iluminação, desenvolveu-se desde

o princípio em total integração com as demais disciplinas de

Texto: Fabiana Rodriguez | Fotos: Rafaela Netto

projeto e equipes do CTE. Essa relação de troca de conhecimentos

resultou em um projeto bastante tecnológico, eficiente e

totalmente automatizado, no qual a maior parte das soluções

implantadas se deu por meio da elaboração de equipamentos

especialmente desenhados para o projeto, a fim de que se

adequassem às necessidades de diferentes usos e espaços.

Com forro e instalações aparentes, o conceito de iluminação

assumiu a ideia de “entranhas expostas”, como define Marcos

Castilha, lighting designer titular do escritório Castilha

Iluminação. Pensado como um organismo ativo, todas as

redes e conexões que fazem um edifício funcionar se tornaram

catalisadores visuais do projeto. Dessa forma, uma ideia de

placas de circuitos impressos, por exemplo, deu origem à Chip,

principal luminária do projeto, aplicada nas salas de reuniões.

Na página ao lado, na recepção, instalou-se uma composição

de luminárias em trilho suspenso: spots customizados com

“barndoor”, com LED 8,5 W, 1.050 lm, 3.000 K e protocolo

DALI, e spots com lâmpadas LED tipo PAR 18 W Red/Blue,

para a vegetação.

Acima, as grandes áreas de trabalho são iluminadas de maneira

uniforme por meio de pendentes lineares instalados no sentido

transversal às mesas. Com luz direta (5.000 lm) e indireta

(1.200 lm), potência máxima 60 W, 3.000 K e protocolo

DALI, a solução atende aos níveis exigidos nos postos de

trabalho e iluminam o forro suavemente.

À direita, a sala de multiuso apresenta uma variação

da luminária Chip em menor escala. Com controle

DALI, a luminária tem dois módulos de luz indireta com LED

5 W, 400 lm e 3.000 K, que permite uma iluminação tênue

das instalações aparentes do forro, e um módulo de luz direta

com LED 19 W, 2.600 lm e 3.000 K para iluminação geral.

Ao fundo, um perfil suspenso a 45° com LED 15 W/m,

1.300 lm/m e 2.700 K banha o grafismo da parede.

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Acima, a luminária Chip é o elemento norteador do projeto. Desenvolvida em

parceria com a LIS, apresenta módulos LED de iluminação direta (1.000 lm) e indireta

(700 lm) com 10 W, 3.000 K e protocolo DALI. Foi produzida em quatro composições

variadas para atender aos diferentes tamanhos das salas de reuniões.

Abaixo, na área de descompressão foram especificados pendentes decorativos

para lâmpada LED globo leitosa dimerizável de 4 W, 300 lm e 2.700 K. Luminárias com

lâmpada LED defletora de 5 W, 400 lm e 2.700 K embutidas nas cubetas com forro

acústico completam a iluminação.

Idealizada desde a etapa conceitual e desenvolvida em

parceria com o fornecedor, a luminária emite luz indireta (para

cima) e direta (para baixo) e consegue unir a particularidade de

uma peça customizada à eficiência das de mercado. Com base

nessa peça, replicou-se essa temática por todo o projeto.

Nas duas grandes áreas de trabalho, aplicou-se novamente o

conceito de iluminação direta e indireta, por meio de luminárias

lineares, com emissão indireta, mais tênue – para iluminar

sutilmente o forro e as instalações aparentes –, e emissão

direta altamente eficiente, para atingir os níveis de iluminância

adequados nos postos de trabalho. Diferentemente de uma

distribuição padrão de projetos de iluminação, as luminárias

foram instaladas no sentido transversal às mesas, disposição

que garantiu maior uniformidade luminosa independentemente

das futuras variações de layout desses ambientes.

Outra peça customizada está localizada junto aos monitores

para a transmissão de conteúdo de mídia espalhados pelo

pavimento. Essa luminária, um painel de LED com braço

pantográfico, barndoors (placas metálicas móveis que permitem

direcionar o facho de luz) e acabamento bruto de serralheria

integra-se à atmosfera tecnológica, uma das características do

projeto de arquitetura.

Na área de descompressão, o lighting designer utiliza o forro

como suporte para uma solução simples, composta de soquete

e lâmpada tipo globo. Essas luminárias são fixadas sob placas

acústicas suspensas, restritas às cubetas de concreto da laje

nervurada, valorizando o desenho do forro e da estrutura. A

iluminação do espaço é completada por pendentes decorativos

com a mesma solução simples.

Em geral, a temperatura de cor das fontes luminosas

utilizadas é de 3.000 K, com uma variação interessante para

5.000 K no core do edifício, onde a arquitetura implementou o

elemento água por meio de cores e acabamentos em tons azuis.

Nessa área, Castilha acentua essa particularidade com luz fria.

Com soluções inovadoras, o projeto de iluminação da nova

sede do CTE ficou em 2º lugar na Categoria Especial do Prêmio

Abilux de 2019. Uma demonstração do equilíbrio entre design,

tecnologia e sustentabilidade em um projeto voltado ao futuro e

certamente atrativo para o cliente e seus usuários.

Para a espera, desenvolveu-se uma luminária com barndoor e

haste pantográfica, com painel de LED de 23,5 W, 2.800 lm e

3.000 K e protocolo DALI.

No core do pavimento, os acabamentos em tons azuis, que

remetem à água, foram enfatizados pela iluminação com perfis

LED em temperatura de cor fria 5.000 K, 25 W/m e 2.000 lm/m.

SEDE DO CTE

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação:

Castilha Iluminação

Marcos Castilha (arquiteto titular)

Brenda Lelli (arquiteta colaboradora)

Projeto de arquitetura e interiores:

SuperLimão Studio

Lula Gouveia (arquiteto titular)

Julia Regis Bittencourt (arquiteta colaboradora)

Cliente:

CTE – Centro de Tecnologia de Edificações

Fornecedores:

Dimlux, LIS, Lumicenter, Power Lume, Reeme e Stella

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Assim se resume o conceito do projeto de iluminação para

o Espaço Baltoro: conforto visual com elegância. A segunda

unidade do bar e tabacaria, localizada em Porto Alegre, pretende

ser a melhor do mundo no segmento, o que tornou a tarefa do

lighting designer Eduardo Becker, titular do Eduardo Becker –

Atelier de Iluminação, ainda mais complexa.

Sem interferir profundamente na atmosfera existente na

primeira loja da rede, localizada em Curitiba, Becker imprimiu

ao espaço seu próprio ponto de vista, em um trabalho que ele

classifica em verdadeira direção de fotografia. Por meio do

controle preciso das intensidades luminosas e de ofuscamentos,

o lighting designer criou um ambiente cenográfico, marcado pelos

contrastes, com o objetivo de orientar a percepção dos clientes.

Pensado para atrair frequentadores sem distinção de

gênero – apesar de ser tradicionalmente considerado um

ambiente tipicamente masculino –, o projeto de iluminação

propôs um toque extra de brilho e de intensidade luminosa sobre

os produtos, tendo como inspiração a iluminação de joalherias.

CONFORTO VISUAL COM ELEGÂNCIA

Os nichos e prateleiras foram iluminados com dois perfis

assimétricos instalados na parte superior, com LED 7,2 W/m

e 2.700 K, complementados por um terceiro perfil instalado na

parte inferior, ao fundo de cada nicho.

Luminárias orientáveis embutidas no forro, com LED 10 W, 24º

e 2.700 K, minimizam eventuais sombras nos itens em exibição

e fornecem a iluminação geral dos ambientes com pé-direito

simples. Todos os equipamentos de iluminação são dimerizáveis

e controlados por sistema de automação, o que contribui para o

aspecto cenográfico do espaço.

Texto: Débora Torii | Fotos: Sérgio Ordobás

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Dessa forma, as dezenas de nichos e prateleiras que exibem

os produtos contam com iluminação mais intensa. Becker

explica que esse foi o ponto mais complexo do projeto, em

razão da diversidade de alturas e dimensões do mobiliário, o

que demandou precisão no detalhamento para a integração dos

perfis de LED.

Essencial para o sucesso do projeto, o controle de intensidade

dessas fontes luminosas é realizado por meio de um intricado

projeto de automação que permitiu a criação de diferentes

cenários pré-programados. As eventuais sombras geradas sobre

os produtos foram atenuadas pela iluminação geral da loja,

realizada por projetores orientáveis fixados em nichos no forro.

Um estudo das cores e das reflexões dos acabamentos

propostos pelos interiores levou à definição da temperatura

de cor de 2.700 K para as fontes luminosas. Outro ponto

de atenção foi a distância entre as fontes de luz e os produtos,

de forma a evitar brilhos indesejados, de acordo com as texturas

de suas superfícies.

Segundo o lighting designer, a integração entre as equipes

de iluminação, de arquitetura e de engenharia foi essencial

para o resultado bem-sucedido: “Houve um entendimento de

que o projeto de iluminação precisava ser levado ao extremo.

Fizemos detalhes, moldes, testes e aprovamos, por fim,

um sistema de iluminação que funcionou integralmente”.

Becker define o processo de projeto como um “imenso quebracabeça

de luz, arquitetura e percepção” que justapôs elementos

técnicos e cenográficos para a criação de um ambiente

agradável e elegante.

Nas áreas de pé-direito duplo, foram utilizados projetores

orientáveis com lâmpada LED tipo PAR30, 11 W, 38º e 2.700 K,

instalados em nichos no forro, para iluminação geral e também

para destaque dos objetos nos nichos.

Luminárias de mesa decorativas complementam a ambientação

da loja.

No espaço destinado aos charutos, perfis de LED 7,2 W/m e

2.700 K foram integrados à frente das prateleiras inclinadas,

valorizando os produtos, enquanto projetores orientáveis com

lâmpada LED tipo PAR20, 6 W, 24º e 2.700 K destacam as

folhas de tabaco suspensas sob o forro.

ESPAÇO BALTORO

Porto Alegre, Brasil

Projeto de iluminação:

Eduardo Becker – Atelier de Iluminação

Eduardo Becker (arquiteto titular)

Nicolly Dalenogare (arquiteta colaboradora)

Projeto de arquitetura e interiores:

Obra Prima – Estudio de Arquitectura

Carolina Proto, Fernanda Schuch e

Juliana Bassani (arquitetas titulares)

Cliente:

Espaço Baltoro

Fornecedores:

Bella Iluminação; Brilia; Di Luce; Everlight e Luxion

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FOTO LUZ FOTO

STIJN BOLLAERT

A luz, neste projeto, é de extrema importância: espaço e

iluminação definem um ao outro. Tentei produzir uma imagem

de fácil entendimento, em um ambiente bastante complexo, que

mostrasse o espaço e a iluminação.

Para isso, escolhi um ponto de vista relativamente baixo, para

que as mesas e os elementos sobre elas ficassem escondidos

atrás do banco que aparece em primeiro plano.

O enquadramento ortogonal em relação ao banco conferiu

uma sensação de equilíbrio à imagem.

Para enfatizar o espaço e evitar que um grande banco vazio

dominasse a imagem, decidi fazer o registro com algumas pessoas

sentadas nele. As garotas que aparecem na foto são visitantes que

estavam ali ocasionalmente e não se importaram em aparecer no

registro. Em vez de pedir que se sentassem no banco, não lhes dei

qualquer orientação, deixando-as agir naturalmente.

Não foi aplicado nenhum tipo de pós-produção especial,

nem houve detalhes removidos ou alterados. Apenas

adaptei a temperatura de cor da luz sobre as pessoas, para que

fosse a mesma do restante do espaço e da luz natural, tornando-a

ligeiramente menos amarela. Além disso, foi necessária apenas

uma leve afinação na claridade e no contraste da imagem.

O registro foi feito com uma câmera Canon 5DSR,

em velocidade 1/4s, diafragma f13 e ISO200.

Stijn Bollaert é um fotógrafo baseado na Bélgica, com interesse

especial nos espaços e nos ambientes construídos, resultado

dos anos dedicados ao estudo da arquitetura, antes de voltar-se

à fotografia. Seu trabalho já foi publicado em diversos livros

e em algumas das mais conhecidas revistas de arquitetura.

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