Revista Analytica 109

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Revista Analytica Edição 109

Revista

Ano 18 - Edição 109 - Out/Nov 2020

EDITORIAL

Muito prazer caro leitor,

Meu nome é Luciene Almeida, sou a nova editora da revista e com grande satisfação passo a fazer parte

da equipe editorial da Revista Analytica.

Nosso querido João Gabriel de Almeida a partir de agora inicia uma nova etapa em sua vida profissional e

a ele agradecemos por todo empenho enquanto esteve conosco e lhe desejamos muito sucesso.

Na edição 109 da revista, você encontrará artigos científicos abordando os bacteriófagos na indústria dos

alimentos e a avaliação do monitoramento do cromo nas águas superficiais do reservatório Billings.

Temos acompanhado diariamente os desdobramentos desta crise sem precedentes e após esses longos

oito meses os dados ainda indicam um cenário crítico no país e no mundo. Diante disso, permaneceremos

focados mantendo nosso compromisso com todos vocês leitores, ansiosos para anunciar que a nossa

vacina chegou.

Desejo a todos uma ótima leitura!

Luciene Almeida

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Daniela Faria | 11 98357-9843 | assinatura@revistaanalytica.com.br

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contato, teremos prazer em atendê-lo.

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Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

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Conselho Editorial: Sylvain Kernbaum | revista@revistaanalytica.com.br

Jornalista Responsável: Luciene Almeida | editoria@revistaanalytica.com.br

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Impressão: Gráfica Mundo | Periodicidade: Bimestral


Revista

Ano 18 - Edição 109 - Out/Nov 2020

ÍNDICE

01

06

Editorial

Publique na Analytica

Artigo 1

08

APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ®

PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO

DO CROMO NAS ÁGUAS SUPERFICIAIS DO

RESERVATÓRIO BILLINGS

Autores: Gustavo Pereira Siqueira, Renata Bazante Rodrigues.

2

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Artigo 2

18

BACTERIÓFAGOS NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS

OS VÍRUS COMO AUXILIARES NO BIOCONTROLE

DE BACTÉRIAS PATOGÊNICAS E DETERIORANTES

Autora: Leidiane A. Acordi Menezes

23

28

31

34

37

40

41

Análise de Minerais

Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

Espectrometria de Massa

Microbiologia

Metrologia

Logística Laboratorial

Em Foco


Revista

Ano 18 - Edição 109 - Out/Nov 2020

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante pág. Anunciante pág.

Ansell

2ª Capa

BCQ

4ª Capa

Bio Scie 39

CMS 7

Greiner 51

Kasvi 9

Laborclin 19

Las do Brasil 49

Nova Analitica 3

Prime Cargo

3ª Capa

Veolia 26-27

4

Revista Analytica | Out/Nov 2020

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Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular

da Escola de Química da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular

da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA) do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª

de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki,

Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de Medeiros, Profª. Depto.

de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública

do INCQS da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

Colaboraram nesta Edição:

Eduardo Pimenta Almeida de Melo, Luciano Nascimento, Anastasiia Melnyk, Oliveira ML, Pereira AS, Rodrigues KM, França RF, Assis IB, Arena Técnica,

Oscar Vega Bustillos, Américo Tristão, Claudio Kiyoshi Hirai.


Agenda

agenda

Em função da pandemia do Covid-19, e acompanhando os

desdobramentos da crise, decretos e posicionamentos dos

governos, os eventos presenciais agendados para o período

Outubro e Novembro estão cancelados.

Comprometidos em não propagar informações equivocadas,

não haverá seção Agenda na Revista Analytica Ed 109 e

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Agradecemos a compreensão de todos,

Equipe Analytica.

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Revista Analytica | Out/Nov 2020

5


Revista

Ano 18 - Edição 109 - Out/Nov 2020

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vista a revista também possuir um perfil comercial – além do técnico cientifico -, a decisão sobre a publicação dos artigos pesa nesse sentido. Além

disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados – levando em conta uma

média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores disponibilizarem seu material

em outras publicações.

6

Revista Analytica | Out/Nov 2020

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Os trabalhos deverão ser enviados ao endereço:

A/C: Luciene Almeida – Redação

Av. Nove de Julho, 3.229 - Cj. 1110 - 01407-000 - São Paulo-SP

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Para outras informações acesse: www.revistaanalytica.com.br/publique/


Artigo 1

Autores:

Gustavo Pereira Siqueira1, Renata Bazante Rodrigues2.

1 - Acadêmico do 8º semestre do curso de Biomedicina da Universidade Paulista – Campus: Alphaville, SP - Brasil;

2 - Professora Doutora titular da Universidade Paulista – UNIP e Pesquisadora Colaboradora do Instituto de Pesquisas Energéticas

e Nucleares (IPEN), SP-Brasil.

Imagem Ilustrativa

APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ®

PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS

ÁGUAS SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

8

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Resumo

Objetivo: Analisar de forma temporal a conformidade

laboratorial dos dados do monitoramento da qualidade

das águas superficiais do Reservatório Billings e aplicar

a ferramenta PAMQUÁ® nos resultados analisados. Métodos:

Foi feito o levantamento de dados disponibilizado

mediante forma de relatórios em domínio público no

âmbito de Monitoramento Anual da Qualidade das Águas

do Estado de São Paulo nos pontos BILL 02100, 02900,

02030 e 02500, posteriormente aplicou-se a ferramenta

PAMQUÁ® nos dados referentes ao período de 2013 –

2018, a fermenta tem variáveis qualitativas e quantitativas.

Resultados: Verificou-se conformidade laboratorial

nos resultados divulgados pela CETESB, bem como resultados

positivos na análise final da ferramenta PAMQUÁ®.

Conclusão: Observou-se que todos os pontos estavam em

conformidade e se enquadraram na pontuação mínima,

caracterizando que os níveis de cromo nas águas superficiais

do reservatório estejam dentro do parâmetro definido

pela Resolução 357/05 do CONAMA, o que corrobora

com os resultados presentes nos relatórios da CETESB.

Palavras-chave: Águas superficiais, cromo, PAMQUÁ®,

Reservatório Billings.

Abstract

Objective: To temporarily analyze the laboratory compliance

of the monitoring data of the surface water

quality of the Billings Reservoir and apply the PAM-

QUÁ® tool to the analyzed results. Methods: The survey

of data made available in the form of a report

in the public domain within the scope of the Annual

Monitoring of Water Quality of the State of São Paulo

was made in points BILL 02100, 02900, 02030 and

02500, later the tool was applied PAMQUÁ® in the

data for the period 2013 - 2018, a fermenter was

has qualitative and quantitative variables. Results:

Laboratory compliance was verified in the results published

by CETESB, as well as positive results in the

final analysis of the PAMQUÁ® tool. Conclusion: It was

observed that all points were in compliance and fit

the minimum score, characterizing that the levels of

chromium in the surface waters of the reservoir are

within the parameter defined by Resolution 357/05 of

CONAMA, which corroborates with the results present

in the reports of CETESB.

Keywords: Surface water, chrome, PAMQUÁ®, Billings

Reservoir.


Artigo 1

Introdução

A água é um recurso de suma importância

e de valor inestimável, e

um patrimônio natural estratégico

para o desenvolvimento econômico,

é um recurso imprescindível

para a manutenção dos ciclos

biológicos, geológicos e químicos

que mantêm os ecossistemas em

equilíbrio. Para a sociedade em

particular, está diretamente envolvida

aos serviços fundamentais,

como abastecimento público

e industrial, sanitarismo, irrigação

agrícola, produção de energia elétrica,

entre outros. 1,2

A água ocupa, cerca de 75% da

superfície da Terra, aproximadamente

97,3% é composto de água

salgada presente nos oceanos e

mares, sendo que apenas 2,7%

corresponde a água doce, situada

em rios, lagos, pântanos, geleiras,

águas subterrâneas e na atmosfera.

Atualmente estima-se que

apenas 0,01% da água presente

na Terra esteja disponível para o

consumo humano. A crescente

escassez de água potável no mundo,

devido a poluição dos recursos

hídricos, é um dos problemas ambientais

do século XXI. 3,4

saneamento e efluentes industriais

que, em sua maioria contêm substâncias

tóxicas e não recebem o

devido tratamento, são alguns dos

fatores que causam a escassez de

água potável para o abastecimento

público.5 O histórico crescimento

desordenado da metrópole paulistana

(processos de industrialização

e urbanização) refletiram

diretamente na qualidade de seus

mananciais, com destaque para

a represa Billings. O Reservatório

Billings foi inundado em 1925,

com a construção da Barragem de

Pedreira, no curso do Rio Grande. O

projeto foi executado pela empresa

Light, com o objetivo de aproveitar

as águas da Bacia do Alto Tietê para

a geração de energia elétrica na

Usina Hidrelétrica (UHE) de Henry

Borden, localizada em Cubatão,

aproveitando-se do desnível da

Serra do Mar. 2,4

A Billings é extremamente importante

para a RMSP com um

volume aproximado de 1,2 bilhões

de metros cúbicos de água,

situada à sudeste da RMSP, abastece

aproximadamente 1,2 milhões

de pessoas. Estima-se que

a represa teria a capacidade de

fornecer água para cerca de 4,5

milhões de pessoas, entretanto,

devido à poluição das águas de

alguns mananciais do reservatório,

o abastecimento público não

pode atingir essa estimativa. 3,6

O Reservatório Billings pertence

a sexta Unidade de Gerenciamento

de Recursos Hídricos (UGRHI

– Alto Tietê), sendo dividido em

oito unidades, denominadas braços,

os quais correspondem às

sub-regiões da Bacia Hidrográfica:

Alvarenga, Bororé, Cocaia, Capivari,

Rio Grande, Rio Pequeno, Pedra

Branca e Taquacetuba. Contudo,

10

Revista Analytica | Out/Nov 2020

A poluição de corpos hídricos em

decorrência do despejo de efluentes

domésticos em excesso causada

pela carência de infraestrutura de

Imagem Ilustrativa


Imagem Ilustrativa

apenas três braços são utilizados

para o abastecimento, sendo o Rio

Pequeno, Rio Grande e o Taquacetuba

(reversão da água do braço

para o Reservatório Guarapiranga).

Estando sob responsabilidade

da Companhia Ambiental do Estado

de São Paulo (CETESB) a coleta,

a análise e o monitoramento da

qualidade das águas superficiais e

do sedimento em todos os pontos

do reservatório. 4,7

Dentre os compostos frequentemente

estudados nas águas

do Reservatório Billings estão

os metais, visto que muitos são

tóxicos aos seres humanos desencadeando

efeitos prejudiciais

no desenvolvimento cerebral

e cânceres. O cromo (Cr) é um

metal tóxico, acinzentado muito

resistente à corrosão, encontrado

naturalmente em plantas, solo,

água, poeira, rochas, animais e

névoas vulcânica. 8,9,10

As concentrações no solo normalmente

são baixas (2-60 mg/

kg), seu teor em ambientes não

contaminados pela ação do homem

é de aproximadamente 1

µg/L na água e 0,1 µg/m3 no ar.

Apresenta-se em seis estados de

oxidação distintos, sendo apenas

os estados trivalente e hexavalente

os mais comuns de serem

encontrados, Cr +3 e Cr +6 , respectivamente.

Os estados bivalente

e tetravalente são os de menores

relevância, e o íon Cr +1 é raro de

ser encontrado. 9,10

O Cr +3 pode ser encontrado naturalmente

em alguns minerais

como cromita e goethita, é estável,

pouco móvel em solos e águas, em

concentrações baixas é considerado

como nutriente traço essencial

tanto para os seres humanos como

animais, sendo importante no

metabolismo do colesterol, ácidos

graxos e da glicose (por aumentar

a fluidez da membrana e facilitar a

ligação da insulina em seus receptores,

sendo um fator de tolerância

à glicose - FTG). 11,12

Estima-se que seja necessária a

ingestão entre 50 e 200mg/dia

de cromo trivalente, entretanto,

não há uma necessidade diária

recomendada definida, contudo,

alguns estudos demonstraram

uma ingestão adequada de 25 e

35 mg/dia para mulheres e homens

adultos, respectivamente.

Diversos estudos apontam o picolinato

de cromo (CrPic3) como

o suplemento de escolha. 11

Autores:

Gustavo Pereira Siqueira1, Renata Bazante Rodrigues2.

Na sua forma hexavalente, o

cromo em solo é móvel, solúvel,

e pode atingir as águas superficiais

e/ou subterrâneas com facilidade,

sendo fortemente oxidante,

carcinogênico e, cerca de

10 a 100 vezes mais tóxico que

a forma trivalente. Ao entrar nas

células o composto age oxidando

as bases de RNA e DNA, sendo

nocivo para os seres humanos e

animais em qualquer que seja a

concentração. 10,12

Os efeitos tóxicos em pessoas

expostas ocupacionalmente à

concentrações elevadas do metal,

em especial na forma hexavalente

por ser corrosiva, incluem

dermatites alérgicas de contato,

ulcerações crônicas na pele, perfurações

no septo nasal, irritação

do trato respiratório, bem como

alguns possíveis efeitos cardiovasculares,

gastrointestinais, hematológicos,

hepáticos e renais,

além do risco elevado de câncer

de pulmão. 9,10

Em virtude ao impacto que as

ações antropogênicas causam no

meio ambiente e consequentemente

na saúde das pessoas, no

Brasil a legislação ambiental é

constituída de um conjunto de

normas e diretrizes, que visam

instruir a ação humana em prol

do meio ambiente. No processo

Revista Analytica | Out/Nov 2020

11


Artigo 1

de gerenciamento de recursos hídricos

geralmente são envolvidos

elementos como, capacidade suporte

do corpo de água, padrões

de qualidade, emissão de poluentes,

disponibilidade tecnológica e

aspectos sociais. 9,13

Em 1981 foi criado pela Lei Federal

nº 6.938/81 o Conselho Nacional

do Meio Ambiente (CONA-

MA), com os objetivos de efetivar

uma política nacional ambiental

e regular o uso dos recurso naturais.

As legislações que estabelecem

os limites aceitáveis para

os metais em água, bem como

as condições e padrões de lançamentos

de efluentes, são estabelecidos

pelas Resoluções nº

357/05 e 430/11 ambas do CO-

NAMA, respectivamente. A portaria

nº 2914/11 do Ministério da

Saúde (MS), dispõe sobre os procedimentos

de controle e de vigilância

da qualidade da água para

o consumo humano e seu padrão

de potabilidade. 2,4,8,11,14

A Resolução 430/11 (dispõe

sobre as condições e padrões

de lançamento de efluentes,

complementa e altera a Resolução

nº 357, de março de 2005),

estabelece que o VMP de lançamento

de Cr seja de acordo com

seu estado de oxidação, para o

cromo trivalente (Cr +3 ) o valor

é de 1,0mg/L, enquanto que

para o cromo hexavalente (Cr +6 )

esse valor se torna de apenas

0,1mg/L, destacando que a diferenciação

entre as formas do

cromo é importante. 16

OBJETIVO

O objetivo principal foi analisar

de forma temporal os dados

do monitoramento da qualidade

das águas superficiais

do Reservatório Billings ((BILL

02100, 02900, 02030 e 02500)

no período de 2013 – 2018,

para verificar se há conformidade

laboratorial nos resultados

divulgados anualmente pela

CETESB. O objetivo específico

abrange na aplicação da ferramenta

PAMQUÁ® nos dados

disponibilizados pela CETESB.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi feito um levantamento dos

dados de 2013 - 2018 das águas

superficiais dos pontos BILL

02100, 02900, 02030 e 02500,

localizados na sexta UGRHI -

Alto Tietê. Todos os pontos são

analisados pela CETESB, que

disponibiliza os resultados sob

o controle público desde o ano

de 2000, mediante forma de relatórios

no âmbito de Monitoramento

Anual da Qualidade das

Águas do Estado de São Paulo,

estando esses dados disponíveis

no site .

12

Revista Analytica | Out/Nov 2020

A Resolução 357/05 (dispõe sobre

a classificação dos corpos de

água e diretrizes ambientais para

o seu enquadramento e fornece

outras providências), define o Valor

Máximo Permitido (VMP) de

0,05 mg/L de Cr total nas águas

doces enquadradas na classe 2 da

resolução. 15

Tabela 1: . Pontos de Amostragem - represa Billings (São Paulo - Brasil)


Tabela 2: Faixas de valores para os três fatores de decisão.

Autores:

Gustavo Pereira Siqueira1, Renata Bazante Rodrigues2.

* Os valores foram adaptados dos relatórios anuais da CETESB, onde o Valor Máximo Permitido (VMP) para cromo total para águas de classe 2 é de 0,050 mg/L,

onde as análises são realizadas mensalmente, bimestralmente ou quadrimestralmente.

A partir do levantamento dos dados

analisados aplicou-se a ferramenta

PAMQUÁ®, que foi desenvolvida por

meio do programa Excel versão 2013,

e que teve como variáveis as análises

qualitativas e quantitativas.

Programa Auxiliar de Monitoramento

da Qualidade de Águas

- PAMQUÁ®

Para a elaboração da ferramenta foram

definidos três fatores principais

importantes para o delineamento de

um possível problema de contaminação

ambiental, sendo estes: Fator A, B

e C e níveis de 1 a 10, que resultaram

no PRODUTO FINAL.4

Fator [A] – Corresponde ao

histórico de não conformidade:

Indica o percentual dos resultados da

análise que mostraram valores acima

do valor máximo permitido. Tendo

como função dar peso ao histórico.

Fator [B] – Corresponde ao

último resultado publicado no

relatório de domínio de público:

Indica uma tendência podendo estar

em ascensão ou queda da qualidade

da água monitorada. Tem como funcionalidade

atribuir ao resultado peso

momentâneo.

Fator [C] – Indica a frequência

de testes: Quanto maior a frequência,

maior o grau de monitoramento e, portanto,

será maior o nível de informação

disponível para a tomada de decisão.

Tendo como finalidade fornecer um

peso para o nível de segurança.

Para determinar o fator [B] foi utilizado

a seguinte equação (E1):

B= 0,000675 * en (E1)

O principal objetivo de utilizar a

função exponencial (ou o número de

Euler ou constante de Euler – en) é

a de representar situações em que a

taxa de variação é consideravelmente

grande, incorporando de forma mais

abrangente uma circunstância real

em que possivelmente pode acontecer

uma contaminação. Desse modo,

foi possível obter valor de cromo total

de 0,001 (valor mínimo) até 14,868

(valor máximo), sendo este último

valor, 300 vezes maior do que o limite

estabelecido para este composto.4

O valor da constante (0,000675) foi

definido de forma empírica para que o

nível (n) seja igual a 5, ou seja, quando

o resultado da análise ficar com o valor

entre 0,19 e 0,05 mg/l, conceitualmente

qualquer valor acima do nível

5 representará que o resultado está

acima do limite estabelecido.4

Portanto, a pontuação final será calculada

utilizando os níveis (n), para os

fatores A, B e C.4

Pontuação = A2, B2 e C (E2)

Os fatores A e B (histórico de não

conformidade e últimos resultados,

respectivamente), receberam

peso elevado ao quadrado visto que

ambos são fatores quantitativos e

representam informações sobre a

real situação da qualidade da água

em relação ao fator C (frequência de

Revista Analytica | Out/Nov 2020

13


Artigo 1

Autores:

Gustavo Pereira Siqueira1, Renata Bazante Rodrigues2.

Tabela 3: Níveis de alertas e pontuações.

Imagem Ilustrativa

monitoramento), que é considerado

fator qualitativo. Portanto, o histórico

de não conformidade (valor dado em

porcentagem) e o último resultado

(dado pelo valor em mg/l) são denominados

como fatoriais.4

A faixa do nível de alerta foi estabelecida

através da equação (E3), sendo

que para n=0, a faixa de pontuação

é 0 e para n=5, a faixa de pontuação

é igual a 100.000, obtida por meio

da base exponencial. A constante de

ajuste foi definida de forma empírica,

visando responder estas premissas.4

Com o objetivo de exemplificar

como a ferramenta de decisão funciona,

segue abaixo um exemplo.

Exemplo:

- Dados sobre o histórico de não conformidade:

80% (A=8);

- Último resultado: 0,1mg/L (B=6)

- Frequência dos testes: Bimestral (C=6)

Cálculo: A2 * B2 * C = 82 * 62 * 6 = 13. 824

Resultado = Nível de Alerta = 4 (Perigo)

Tabela 4. Descrição dos níveis de alertas, seus riscos e

recomendações

Tabela 4. Descrição dos níveis de alertas, seus riscos e

recomendações

Tabela 4: Descrição dos níveis de alertas, seus riscos e recomendações.

Nível de

alerta

Nível de

alerta

Mínimo

Mínimo

Limítrofe

Limítrofe

Atenção

Atenção

Perigo

Perigo

Máximo

Máximo

Risco

Risco

Nenhum risco para a

saúde humana.

Nenhum risco para a

saúde humana.

Potencial risco à saúde

humana.

Potencial risco à saúde

humana.

Risco iminente à saúde

humana.

Risco iminente à saúde

humana.

Fora do controle

Fora do controle

Fonte: Renata – Yamaguishi, 2013.

Recomendação

Recomendação

Não há recomendações para serem

implementadas.

Não há recomendações para serem

Monitoramento implementadas.

adicional é requerido para

confirmação dos resultados.

Monitoramento adicional é requerido para

confirmação dos resultados.

Requer atenção e esforços mínimos para

remediação da contaminação.

Requer atenção e esforços mínimos para

remediação da contaminação.

Requer maiores esforços para remediação da

contaminação.

Requer maiores esforços para remediação da

contaminação.

Alto risco à saúde humana. Requer intervenção

imediata e um plano emergencial é altamente

Alto risco à saúde

recomendado.

humana. Requer intervenção

imediata e um plano emergencial é altamente

recomendado.

Fonte: Renata – Yamaguishi, 2013.

Tabela 5: Média dos resultados da análise temporal em amostras de águas superficiais: pontos de monitoramento

no Reservatório Billings, 2013 – 2018

14

Revista Analytica | Out/Nov 2020

RESULTADOS

Verificou-se que houveram três resultados

acima do VMP estabelecido

pela Resolução 357/05 do CONAMA,

sendo dois resultados no ponto BILL

Figura 1. Resultado da análise para os pontos

BILL 02030, 02100 e 02900.

Figura 2. Resultado da análise para o ponto BILL 02500


Imagem Ilustrativa

02500 (0,2mg/L e 0,21mg/L) e um

no ponto BILL 02100 (0,07mg/L) todos

registrados em 2017. Ainda que

houveram três resultados acima do

estabelecido pelo CONAMA, verificou-se

que há conformidade laboratorial

nos resultados divulgados pela

CETESB.

Quanto ao PAMQUÁ®

Em relação aos resultados finais obtidos

pela ferramenta PAMQUÁ®, observou-

se que os pontos BILL 02030,

02100 e 02900 atingiram a pontuação

80 (Figura 1), enquanto que o ponto

BILL 02500 atingiu com a pontuação

de 320 (Figura 2), ou seja, todos os

pontos se enquadraram na pontuação

mínima, caracterizando nenhum risco

para a saúde humana e que os níveis

de cromo para as águas superficiais

do Reservatório Billings estejam dentro

do VMP definido CONAMA, o que

corrobora com os resultados presentes

nos relatórios divulgados pela CETESB.

DISCUSSÃO

Existem 6 pontos de monitoramento

no Reservatório Billings, no entanto,

no presente estudo foram analisados

os resultados de quatro pontos (BILL

02030, 02100, 02500 e 02900). Segundo

os dados da CETESB17-22, o

ponto BILL 02030 representa a condição

da qualidade da água na entrada

do reservatório. O ponto BILL 02100

fica aproximadamente 7 km da barragem

de Pedreira, e reflete a diluição

da água bombeada pelo Rio Pinheiros

para a Billings. Os pontos BITQ 00100

e BILL 02900 indicam a qualidade

da água nas saídas do reservatório

na reversão do braço Taquacetuba

para o Reservatório Guarapiranga e

o Summit Control, respectivamente.

De acordo com os pontos investigados,

aplica-se a Resolução 357/05 do

Conama, como norma avaliativa do

metal cromo.

As principais fontes de poluição da

Billings encontram-se em seu trecho

inicial, devido ao bombeamento do

Rio Pinheiros e na ocupação antrópica

das bacias de drenagem do Ribeirão

Cocaia e Ribeirão Bororé. O processo

de autodepuração dessas cargas tem

influência do afunilamento existente

na altura da Rodovia Imigrantes

– ponto BILL 02500. O ponto BIRP

00500, está localizado no braço do

Rio Pequeno, e passou a ser monitorado

mensalmente a partir de abril

de 2015, em decorrência do início

da captação da água para o abastecimento

público, indicando a qualidade

da água na saída do Reservatório

Billings para o Reservatório do Rio

Grande (RGDE 02900).

Para determinar a qualidade da água

superficial de cada ponto analisado a

CETESB utiliza de alguns parâmetros

entre eles há o Índice de Qualidade das

Águas (IQA), para o cálculo do índice

é estabelecido um pontuação na qualidade

(q) que varia de 0 – 100 para

cada um dos nove fatores (Coliformes

fecais, pH, Demanda Bioquímica de

Oxigênio – DBO, Nitrogênio Total,

Fosforo Total, Temperatura, Turbidez,

Resíduo Total, Oxigênio Dissolvido)

que compõe o índice. A qualidade (q)

é elevada a ponderação (w) correspondente

à importância da variável.

O IQA é calculado por meio da multiplicação

de cada componente (qw),

indicando o principalmente o impacto

do lançamento de esgoto domésticos

no corpo d’água.

O valor do IQA em 2013, variou de

regular (no trecho do reservatório,

próximo a Pedreira) a ótima (no trecho

final, em Summit Control). O

ano de 2013 foi mais seco do que os

anteriores, não sendo constatado em

nenhum dia de amostragem bombeamento

das águas do Rio Pinheiros

para o Reservatório Billings. O IQA do

Reservatório Billings apresentou uma

leve piora em 2014, devido a uma

vazão da água considerada inferior,

causando o decaimento no volume

do reservatório, e consequentemente

implicando numa maior concentração

dos poluentes.

O IQA de 2015 se manteve em relação

ao ano anterior, pois a vazão da água

permaneceu baixa. Assim como os

anos anteriores, nos primeiros meses

Revista Analytica | Out/Nov 2020

15


Artigo 1

Imagem Ilustrativa

16

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Autores:

Gustavo Pereira Siqueira1, Renata Bazante Rodrigues2.

e junho de 2016 a vazão da água foi

inferior, ocasionando no decaimento

da qualidade da água no trecho inicial

da represa (Pedreira) implicando numa

maior concentração dos poluentes. No

resultado de 2017 observou-se uma

melhora no trecho inicial da represa

em comparação ao ano anterior, sendo

que nos demais pontos, a qualidade

da água se manteve-se na categoria

boa e ótima, indicando que o processo

de autodepuração se estendeu desde

a entrada do reservatório até o trecho

final, em Summit Control, contudo, em

2018 houve uma piora no trecho inicial

da represa passando para a categoria

Regular.

Ainda que os resultados observados

na análise das águas superficiais

sejam otimistas, a qualidade do sedimento

do reservatório é opostamente

a esses resultados. De acordo com Hoterllani

et al23 a poluição por metais

continua ainda sendo um problema

para o ecossistema do reservatório,

mesmo que os níveis dos metais na

água apresentam concentrações abaixo

dos critérios estabelecido pelo CO-

NAMA (357/05). O que faz com que

a represa necessite da implementação

de uma política ambiental eficiente

para que haja a redução da concentração

de metais.

De acordo com Barrozo et al8, Silva24

e CETESB17-22 os locais mais

impactados pelas atividades antrópicas

são os pontos BILL 02030 (localizado

na Barragem da Pedreira) e o

BILL 02100 (localizado no Braço do

Bororé), em decorrência ao bombeamento

das águas do Rio Pinheiros

para o reservatório e a ocupação antrópica

das bacias de drenagem do

Ribeirão Cocaia e Bororé.

Com a utilização do PAMQUÁ®, pode-se

avaliar que houve uma constância

na maioria dos resultados

analisados, visto que as condições da

qualidade da água sofrem com processos

naturais ou antropogênicos.

Calculando a pontuação para cada

ano e cada ponto de amostragem, verificou-se

que a qualidade das águas

superficiais do Reservatório Billings

se manteve dentro do parâmetro estabelecido

pelo CONAMA em todos os

pontos avaliados.

CONCLUSÃO

De acordo com os dados analisados

no respectivo trabalho, pode-se

concluir que os resultados avaliados

possuem conformidade laboratorial,

quanto aos resultados finais da ferramenta

PAMQUÁ®, observou-se que

todos os pontos se enquadraram na

pontuação mínima, caracterizando

nenhum risco para a saúde humana,

bem como que os níveis de cromo

nas águas superficiais do Reservatório

Billings estejam dentro do parâmetro

definido pela Resolução 357/05

- CONAMA, o que corrobora com os

resultados presentes nos relatórios

divulgados pela CETESB, entretanto,

de acordo alguns estudos a qualidade

do sedimento no Reservatório Billings

é preocupante, devido a presença de

metais considerados tóxicos.

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Resolução nº 357, de 17 de Março de 2005 – CONAMA. Dispõe

sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais

para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições

e padrões de lançamentos de efluentes, e dá outras providências

– Alterada e complementada pela Resolução 430/11 do

Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. [Acesso 09 de

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16. Brasil. Resolução nº 430,

de 13 de Maio de 2011 – CONAMA. Dispõe sobre as condições

e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a

Resolução nº 357, de março de 2005, do Conselho Nacional do

Meio Ambiente – CONAMA. [Acesso 09 de out 2019]. Disponível

em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=646.

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Ambiental. Relatório de qualidade das águas interiores

do estado de São Paulo – 2013. São Paulo; 2014. [Acesso 14 de

mar 2020]. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/aguas-interiores/publicacoes-e-

relatorios/. 18. CETESB – Companhia de

Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório de qualidade

das águas interiores do estado de São Paulo – 2014. São Paulo;

2015. [Acesso 14 de abr 2020]. Disponível em: https://cetesb.sp.

gov.br/aguas-interiores/publicacoes-e- relatorios/. 19. CETESB

– Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório

de qualidade das águas interiores do estado de São Paulo

– 2015. São Paulo; 2016. [Acesso 14 de abr 2020]. Disponível

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20. CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento

Ambiental. Relatório de qualidade das águas interiores

do estado de São Paulo – 2016. São Paulo; 2017. [Acesso 14 de

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relatorios/. 21. CETESB – Companhia de

Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório de qualidade

das águas interiores do estado de São Paulo – 2017. São Paulo;

2018. [Acesso 14 de abr 2020]. Disponível em: https://cetesb.sp.

gov.br/aguas-interiores/publicacoes-e- relatorios/. 22. CETESB

– Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Relatório

de qualidade das águas interiores do estado de São Paulo

– 2018. São Paulo; 2019. [Acesso 14 de abr 2020]. Disponível

em: https://cetesb.sp.gov.br/aguas-interiores/publicacoes-erelatorios/.

23. Hoterllani M; et al. Assessment of Metal Concentration

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Southeastern Brazil. São Paulo; 2013. [Acesso 14 de abr 2020].

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-

50532013000100009&script=sci_arttext.24. Silva L. Avaliação

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[dissertação de Mestrado]. São Paulo; 2017. [Acesso 14

de abr 2020]. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/85/85131/tde-06092017-093701/pt-br.php.

Complemento Normativo - Artigo 1

Referente ao artigo 1

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS

ÁGUAS SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

DIN EN 1233

Water quality - Determination of chromium - Atomic absorption spectrometric methods

Norma publicada em: 08/1996. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: DIN

País de procedência/Região: Alemanha.

https://www.beuth.de/en/standard/din-en-1233/2831736

ABNT NBR 13740

Água - Determinação de cromo total - Método colorimétrico da s-difenil carbazida

Norma publicada em: 12/1996. / Status: Vigente.

Classificação 1: Resíduos líquidos.Lodo.Determinação de substâncias químicas na água.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=4314

DIN 38405-24

German standard methods for the examination of water, waste water and sludge; anions

(group D); hotometric determination of chromium(VI) using 1,5-diphenylcarbonohydrazide

(D 24)

Norma publicada em: 05/1987. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: DIN

País de procedência/Região: Alemanha.

https://www.beuth.de/en/standard/din-38405-24/1344827

DIN 50451-2

Testing of materials for semiconductor technology - Determination of trace elements in liquids

- Part 2: Calcium Ca), cobalt (Co), chromium (Cr), copper (Cu), Iron (Fe), nickel (Ni) and

zinc (Zn) in hydrofluoric acid with plasma-induced emission spectroscopy

Norma publicada em: 05/1987. / Status: Vigente.

Classificação 1: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: DIN

País de procedência/Região: Alemanha.

https://www.beuth.de/en/standard/din-50451-2/61666316

ISO 14592-1

Water quality - Evaluation of the aerobic biodegradability of organic compounds at low

concentrations -Part 1: Shake-flask batch test with surface water or surface water/sediment

suspensions

Norma publicada em: 01/2002. / Status: Vigente.

Classificação 1: Exame das propriedades biológicas da água.

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/24870.html

ISO 5667-23

Water quality - Sampling - Part 23: Guidance on passive sampling in surface waters

Norma publicada em: 01/2011. / Status: Vigente.

Classificação 1:Exame de água em geral

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/50679.html

ISO 22000

Food safety management systems — Requirements for any organization in the food chain

Norma publicada em: 01/2018. / Status: Vigente.

Classificação 1: Processos na indústria de alimentos

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: APLICAÇÃO DA FERRAMENTA PAMQUÁ® PARA AVALIAÇÃO DO MONITORAMENTO DO CROMO NAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS DO RESERVATÓRIO BILLINGS

Entidade: ISO.

País de procedência/Região: Suiça.

https://www.iso.org/standard/65464.html

Revista Analytica | Out/Nov 2020

17


Artigo 2

Imagem Ilustrativa

Autora:

Leidiane A. Acordi Menezes

leidiane.acordi@neoprospecta.com

Neoprospecta Microbiome Technologies

BACTERIÓFAGOS NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS

OS VÍRUS COMO AUXILIARES NO BIOCONTROLE DE BACTÉRIAS

PATOGÊNICAS E DETERIORANTES

18

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Resumo

Bacteriófagos ou fagos, são vírus que infectam bactérias,

com grande potencial para serem utilizados como agentes

antimicrobianos. São capazes de invadir, inativar e destruir

células de bactérias relevantes em alimentos, como as dos

gêneros Salmonella e Listeria. A partir desta premissa, a aplicação

de bacteriófagos para controlar bactérias patogênicas e

deteriorantes tem revolucionado a microbiologia de alimentos.

A eficiência antimicrobiana dos fagos já foi comprovada

em derivados lácteos e cárneos, alimentos prontos para

consumo, vegetais, cereais, entre outros, além de ambientes

e superfícies. No entanto, seu uso desperta preocupações do

público consumidor e das próprias industrias. Para transpor

estes desafios, o uso de bacteriófagos em produtos destinados

ao consumo humano deve obrigatoriamente envolver pesquisas

científicas e estudos clínicos. As tecnologias baseadas

em PCR e sequenciamento genético de nova geração (NGS)

são ferramentas aliadas para investigar as propriedades antimicrobianas

dos fagos e garantir a segurança do consumidor.

Até o momento, sua utilização tem sido considerada segura.

Inclusive, já existem fagos aprovados como aditivos alimentares

por órgãos reguladores como o FDA (Food and Drug Administration),

o que amplia ainda mais as potencialidades de uso

como ferramenta biotecnológica para garantir a segurança

microbiológica de alimentos.

Palavras-chave: Vírus; fagos; biofilme; antimicrobiano;

segurança dos alimentos, salmonela.

Abstract

Bacteriophages or phages, are viruses that infect bacteria,

with great potential to be used as antimicrobial

agents. They are able to invade, inactivate and destroy

cells of relevant bacteria in foods, such as those of the

genera Salmonella and Listeria. Based on this premise,

the application of bacteriophages to control pathogenic

and deteriorating bacteria has revolutionized food

microbiology. The antimicrobial efficiency of phages

has already been proven in dairy and meat products,

ready-to-eat foods, vegetables, cereals, among others,

in addition to environments and surfaces. However, its

use raises concerns of the consumer public and the industries.

To overcome these challenges, the use of bacteriophages

in products intended for human consumption

must involve scientific research and clinical studies.

Technologies based on PCR and new generation genetic

sequencing (NGS) are allied tools to investigate the

antimicrobial properties of phages and to ensure consumer

safety. So far, its use has been considered safe.

There are even phages approved as food additives by

regulatory agencies such as the FDA (Food and Drug

Administration), which further expands the potential

for use as a biotechnological tool to ensure the microbiological

safety of food.

Keywords: Virus; phages; biofilm; antimicrobial; food

safety; salmonella.


Artigo 2

20

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Primeiramente...

O que são bacteriófagos?

O termo bacteriófagos ou simplesmente

fagos, se refere a determinados

tipos de vírus, capazes de

invadir células bacterianas, paralisar

ou desviar seu metabolismo

e ainda, no caso de fagos líticos,

provocar a lise (ou ruptura) da

estrutura celular da bactéria, resultando

na sua “morte” ou inativação.

Esse é, basicamente, o princípio

da atividade antimicrobiana

dos fagos. Pode soar estranho, mas

fagos estão naturalmente presentes

em nosso ecossistema. É possível

recuperá-los de ambientes,

água, alimentos, efluentes, trato

gastrointestinal de humanos e

outros animais, etc. Portanto, são

considerados agentes antimicrobianos

de ocorrência natural.

O que já sabemos sobre fagos

e sua ação sobre bactérias

indesejadas?

O potencial dos bacteriófagos

para controle de patógenos e deteriorantes

em alimentos tem sido

comprovado em pesquisas científicas.

Diversos estudos já identificaram

fagos capazes de reduzir

expressivamente, em produtos

alimentícios e no ambiente de

produção, populações de bactérias

patogênicas de grande relevância,

como Salmonella Typhimurium,

Campylobacter jejuni, Staphylococcus

aureus, Escherichia coli,

Vibrio parahaemolyticus, Pseudomonas

aeruginosas e Listeria monocytogenes.

O uso eficiente de

bacteriófagos também tem sido

apontado como uma alternativa

para o controle de bactérias resistentes

a antibióticos (ADNAN et

al., 2020; COOPER, 2016; GARCÍA

et al., 2010; HUANG et al., 2018;

JAMAL et al., 2018; LIU et al.,

2020; MAHONY et al., 2011; SCH-

MELCHER; LOESSNER, 2016).

Nessas pesquisas, de maneira

simplificada e, em linhas gerais,

uma amostra é contaminada

propositalmente com a bactéria

patogênica de interesse e, em

seguida, inoculada com o fago

específico. Posteriormente, a

enumeração da bactéria alvo possibilita

que a efetividade do fago

em reduzir a população bacteriana

seja avaliada. Nos estudos que

fazem uso de técnicas mais modernas,

o sequenciamento genético

é utilizado como ferramenta

para detecção da bactéria alvo

e, consequentemente, para avaliação

de desempenho do fago

como agente antimicrobiano.

De que forma a indústria

pode aplicar bacteriófagos

no controle de bactérias

patogênicas?

No setor de produção de alimentos,

as possibilidades de uso

de fagos são muitas. Eles podem

ser carreados por embalagens e

liberados gradativamente na superfície

do alimento ou adicionados

diretamente ao produto

- antes ou após o processamento.

Os vírus podem ser disponibilizados

em soluções, soluções

spray, livres, imobilizados em

materiais porosos ou encapsulados,

sozinhos ou combinados

(coquetéis). Além dos fagos

propriamente ditos, algumas de

suas enzimas (endolisinas diversas

ou peptidoglican-hidrolases,

como a LysH5, a DW2 ou a Ctp1L

(GARCÍA et al., 2010; SCHMEL-

CHER; LOESSNER, 2016) podem

ser aplicadas isoladamente no

controle bacteriano.


Com tantas variações, é possível

tratar uma extensa lista de

alimentos pela aplicação de fagos

ou suas enzimas. Leite UHT,

queijos, tofu, alface e outros vegetais,

salsichas, carnes e derivados

cárneos, pescado e frutos do

mar, grãos e cereais e alimentos

prontos para o consumo são alguns

exemplos. Existe ainda a

possibilidade muito interessante

de os fagos serem aspergidos em

ambientes e superfícies da indústria,

atuando como agentes de

sanitização, inclusive sobre biofilmes

bacterianos. Alguns fagos

secretam enzimas capazes de degradar

o material polissacarídico

que se forma ao redor as células

num biofilme, enquanto suas enzimas

líticas são capazes de destruir

as bactérias protegidas por

essa matriz.

Certo, podemos utilizar vírus

para controlar bactérias indesejadas.

Mas...isso é seguro?

Se, por um lado, a aplicação de

bacteriófagos é uma ferramenta

biotecnológica com um grande

potencial a ser explorado, seu

uso levanta preocupações do

público consumidor e da indústria

de alimentos.

Do ponto de vista tecnológico,

ter na planta de uma indústria um

fago que invada células bacterianas

utilizadas para produção de

determinados alimentos, poderia

ser motivo de preocupação. Para

a indústria de derivados lácteos e

cárneos fermentados, por exemplo,

ter um exército de fagos a eliminar

Lactobacillus, Streptococcus e outros

gêneros de bactérias empregados

na fermentação de iogurtes,

queijos e salames representaria

uma ameaça à produção. De fato,

alguns fagos podem invadir células

de bactérias importantes para

o processamento de alimentos e

causar um grande problema. Então...como

a indústria se certifica

de que esses fagos não causariam

danos às suas culturas fermentadoras?

Essa questão é contornada

pela utilização de fagos específicos,

capazes de invadir somente as

células da bactéria alvo, no caso,

uma determinada espécie patogênica

ou deteriorante, como as salmonelas,

por exemplo. Assim, as

culturas fermentadoras estariam a

salvo. Isso ocorre porque o mecanismo

de invasão dos fagos à uma

célula bacteriana depende de um

sistema que funciona de maneira

similar ao sistema “chave-fechadura”.

Só invade uma determinada

célula, o vírus quem possuir mecanismos

de adesão e invasão adequados

àquela bactéria, de forma

que um fago não consegue invadir

todos os tipos de bactérias. Em

geral, bacteriófagos de aplicação

em alimentos são altamente específicos.

Assim, selecionando-se

o fago correto, o ataque só ocorre

às bactérias patogênicas e deteriorantes

de interesse.

No entanto, esta não é a questão

mais polêmica em relação ao uso

de bacteriófagos. O ponto mais

importante sobre a inclusão de

vírus em produtos destinados ao

consumo humano, em termos de

segurança e confiabilidade, é justamente

o fato de que eles poderiam

ser, em algumas das formas

de aplicação, ingeridos juntamente

com o alimento, o que pode

causar estranheza por parte do

consumidor. No entanto, o consumo

de fagos pode ser seguro até

o momento. Como a sua especificidade

garante que possam atacar

somente bactérias específicas, a

infecção de células humanas é improvável,

já que os bacteriófagos

não conseguem invadi-las. Além

disso, estudos clínicos demons-

Revista Analytica | Out/Nov 2020

21


Artigo 2

traram não haver efeitos adversos

decorridos após a administração

oral de bacteriófagos, a princípio.

Recentemente, O FDA (do inglês,

Food and Drug Administration,

agência reguladora ligada ao departamento

de saúde do governo

norte-americano) aprovou a adição

direta de bacteriófagos como

aditivos alimentares seguros (JA-

MAL et al., 2018).

Obviamente, todo fago destinado

ao consumo humano precisa

ser cuidadosamente submetido a

diversos estudos. A biologia molecular

é uma ferramenta de monitoramento

que faz parte das medidas

adotadas para eliminar riscos

e manter os fagos com atividade

antimicrobiana satisfatória. Técnicas

como PCR e Next Generation

Sequencing (NGS), que possibilitam

o sequenciamento parcial ou

completo do genoma de bactérias

e fagos são excelentes aliados na

seleção e aplicação de bacteriófagos

para biocontrole de bactérias

patogênicas e deteriorantes.

Em suma, a utilização de bacteriófagos

em alimentos tem

se demostrado segura e eficaz,

representando uma alternativa

promissora para as abordagens

tradicionais que visam garantir

a segurança microbiológica de

alimentos.

Referências

ADNAN, Muhammad et al. Isolation and characterization

of bacteriophage to control multidrug-resistant

Pseudomonas aeruginosa planktonic cells and biofilm.

Biologicals: journal of the International Association of

Biological Standardization, v. 63, p. 89–96, jan. 2020.

Disponível em: .

Acesso em 27 set. 2020.COOPER,

Ian R. A review of current methods using bacteriophages

in live animals, food and animal products intended

for human consumption. Journal of microbiological

methods, v. 130, p. 38–47, nov. 2016. Disponível em:

.

Acesso em 27 set. 2020.GARCÍA, Pilar et al. Food biopreservation:

promising strategies using bacteriocins,

bacteriophages and endolysins. Trends in Food Science

& Technology, v. 21, p. 373-382, 2010. Disponível

em: .

Acesso em 27 set. 2020.HUANG, Chenxi et al. Isolation,

characterization, and application of a novel specific

Salmonella bacteriophage in different food matrices.

Food research international, v. 111, p.631–641, set.

2018. Disponível em: . Acesso em 27 set. 2020.JA-

MAL, Muhsin et al. Bacteriophages: an overview of the

control strategies against multiple bacterial infections

in different fields. Journal of basic microbiology, v. 59,

n. 2, p. 123–133, out. 2018. Disponível em: . Acesso em

27 set. 2020.LIU, Aiping et al. Characterization of the

narrow-spectrum bacteriophage LSE7621 towards

Salmonella Enteritidis and its biocontrol potential on

lettuce and tofu. LWT, v. 118, p. 108791, jan. 2020.

Disponível em: .

Acesso em 27 set.

2020. Acesso em 27 set. 2020.MAHONY, Jennifer et al.

Bacteriophages as biocontrol agents of food pathogens.

Current opinion in biotechnology, v. 22, n. 2, p. 157–

163, abr. 2011. Disponível em: .

Acesso em 27 set. 2020.SCHMELCHER, Mathias; LOES-

SNER, Martin J. Bacteriophage endolysins: applications

for food safety. Current opinion in biotechnology, v. 37,

p. 76–87, fev. 2016. Disponível em: . Acesso em 27

set. 2020.

Complemento Normativo - Artigo 2

Referente ao artigo 2

Disponibilizado por Analytica em parceria com Arena Técnica

Bacteriófagos na indústria de alimentos. Os vírus como auxiliares no

biocontrole de bactérias patogênicas e deteriorantes

22

Revista Analytica | Out/Nov 2020

ABNT ISO/TS 22002-1

Programa de pré-requisitos na segurança de alimentos Parte 1

: Processamento industrial de alimentos

Norma publicada em: 05/2012. / Status: Vigente.

Classificação 1: Processos da indústria alimentícia

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Bacteriófagos na indústria de alimentos os vírus como auxiliares no

biocontrole de bactérias patogênicas e deteriorantes

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=259363

ABNT ISO/TS 22003

Sistemas de gestão da segurança de alimentos - Requisitos

para organismos que fornecem auditoria e certificação de

sistemas de gestão da segurança de alimentos

Norma publicada em: 05/2016. / Status: Vigente.

Classificação 1: Processos da indústria alimentícia

Classificação 2: Norma recomendada.

Artigo: Bacteriófagos na indústria de alimentos os vírus como auxiliares no

biocontrole de bactérias patogênicas e deteriorantes

Entidade: ABNT

País de procedência/Região: Brasil.

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=355890


Análise de Minerais

ANÁLISE DE MINERAIS: SABER FAZER

OU SABER PENSAR?

Por Eduardo Pimenta de Almeida Melo

As demandas impostas por

um mundo VUCA (acrônimo,

em inglês, de volátil, incerto,

complexo e ambíguo) e pela

reestruturação dos modelos

produtivos exigem que novos

princípios educativos e novas

propostas pedagógicas formem

profissionais aptos a conviver

neste novo mundo do trabalho.

Este mundo mais competitivo e

exigente, construído sobre novas

modalidades de emprego e

novas configurações de trabalho,

demandam profissionais

com conhecimentos necessários

à sua formação e à busca

da multidisciplinaridade, com

atitudes maduras, postura profissional

diferenciada e capacidade

de se reinventar.

“Segundo Kuenzer (2003),

com o rápido avanço da Ciência

e sua incorporação ao setor

produtivo (reestruturação

produtiva), o mundo mudou e

mudou o conceito de competência,

sobre o que é ser competente

no mundo do trabalho.

Se antes a competência visava

tão somente à produtividade

advinda da repetição acertada

de procedimentos, o paradigma

taylorista/fordista (Antunes

visão crítica, capacidade de tomar

decisões e, principalmente,

que aprendam a aprender inseridos

na realidade histórico-

-social, política e econômica do

país, evidenciam a necessidade

de uma educação de qualidade,

não só na graduação, mas desde

o ensino fundamental e médio.”

2001), hoje passa pelo pensar,

pelo ler a realidade, compreender

os processos, identificar

Quando iniciei minha carreira

nas análises laboratoriais, em

problemas e gerar soluções, especial, as análises químicas

exigindo a articulação entre o

fazer e o conhecer. É esta compreensão

que vai permitir que o

profissional seja competente e

seja flexível em uma realidade

na qual o próprio conhecimento

torna-se ultrapassado com velocidade

muito rápida.

de metais, minerais e rochas

eram feitas por via úmida com

abertura de amostra em ácidos,

titulações, calcinação, gravimetria

e muitos outros procedimentos

qualitativos de laboratório,

como: papeis indicadores

de pH, testes de chama, ustulação,

entre tantas outras.

As características consideradas

hoje fundamentais em quaisquer

setores de atividade, sejam eles

acadêmico ou industrial, como:

Estas atividades eram lentas,

complexas e demandavam profissionais

arduamente treinados

1 - Cunha J.C., Guimarães O. M., Araújo M. P., Vasconcellos E.M.G., Martins J. M., Reis-Neto J. M., Martins F. M., 2008. Ensino de técnicas de análises de minerais com ênfase na

interpretação 1 - Cunha de J.C., dados: Guimarães teoria O. e prática M., Araújo na formação M. P., Vasconcellos do geólogo E.M.G., Terræ Martins Didática, J. 4(1):14-27 M., Reis-Neto

J. M., Martins F. M., 2008. Ensino de técnicas de análises de minerais com ênfase na

interpretação de dados: teoria e prática na formação do geólogo Terræ Didática, 4(1):14-27

Revista Analytica | Out/Nov 2020

23


Análise de Minerais

e experientes, extremamente

metria de emissão atômica por

Muitos profissionais, sejam

astutos e capazes de trabalhar

plasma acoplado indutivamen-

eles gestores ou profissionais

de forma rotineira e continua

te (ICP – OES ou ICP – MS) que

técnicos de laboratório, enten-

por várias e várias horas. Afinal,

podem fornecer análises quí-

dem que saber usar um equipa-

não é à toa que laboratório pro-

micas precisas quantitativas de

mento moderno e através dele

vém do latim medieval “labo-

vários elementos químicos de

adquirir dados e transformá-los

ratorium", local para trabalhar,

uma amostra ou de vários pon-

em gráficos e tabelas é a parte

que por sua vez vem do latim

tos selecionados das amostra.

essencial da função específica

antigo “laboratus”,

particípio

deste profissional (saber fazer).

do verbo “laborare”, trabalhar.

Dado isso, o uso das técnicas

No entanto, ao tentarem inter-

Ou seja, era um local de tra-

analíticas para análise de mi-

pretar tais resultados, gráficos

balho e que os resultados eram

nerais e rochas vai além do do-

e tabelas, correlacionando-os

alcançados com muito, muito e

mínio da técnica, do saber ma-

com os dados dos processos ao

muito trabalho.

nipular as amostras e o próprio

qual estão interligados chegam

equipamento. A interpretação

à conclusão que a interpretação

Com o desenvolvimento e

dos dados para, a partir deles,

destes é, em suma, muito mais

a popularização das técnicas

conectar resultados analíticos a

complexo do que o uso do equi-

analíticas instrumentais e dos

decisões é uma experiência que

pamento em si (saber pensar).

sistemas informatizados, o tra-

pode e deve ser disponibilizada

balho para aquisição de dados

a todos e proporcionada pelo

Partindo deste ponto de vista,

foi enormemente reduzido, no

profissional ao seu cliente usu-

creio que a ênfase no uso das

entanto, a complexidade teórica

ário. Articular este saber teóri-

técnicas analíticas é de profun-

da interpretação cresceu de for-

co quando se estuda as proprie-

da relevância para as atividades

ma notável. Atualmente, técni-

dades dos elementos químicos

laboratoriais, em especial, para

cas como tais como difração de

e como eles se apresentam nos

que se possa atingir a evolução

raios X (DRX), análise elemen-

minerais e rochas fornecem

técnica dos métodos analíticos.

tar por fluorescência de raios X

significado ao aprendizado e

No entanto, o mais importante

24

Revista Analytica | Out/Nov 2020

(FRX), microscopia eletrônica

de varredura (MEV) e espectro-

evitamos a cisão entre teoria e

prática.

deve ser na interpretação das

informações advindas dos equi-

2- Cunha J.C., Guimarães O. M., Araújo M. P., Vasconcellos E.M.G., Martins J. M., Reis-Neto J. M., Martins F. M., 2008. Ensino de técnicas de análises de minerais com ênfase na

interpretação de dados: teoria e prática na formação do geólogo Terræ Didática, 4(1):14-27


Análise de Minerais

pamentos e não no seu uso, que

vem se tornando cada vez mais

fácil com o continuado avanço

da automação e dos softwares

de operação.

Olhar para os resultados obtidos,

interpretá-los e, se necessário,

realizar uma pesquisa

bibliográfica, correlacionando

aos problemas estudados, é

fundamental para que o profissional

possa transformar dados

em informações e posteriormente,

informações em soluções

para os problemas.

Para atingir o este sucesso,

três pilares devem ser

interligados:

“Nossas instituições acadêmicas

necessitam abandonar

sua concepção conteudista para

promover a aproximação cada

vez real, atual e prática entre os

jovens e o conhecimento científico;

tornando-se uma mola

mestra para aliar saberes de

caráter geral e os profissionalizantes

propriamente ditos.”

Nossos profissionais devem

ir além do que lhes é confortável,

aprofundando seus conhecimentos

além da química,

transcendendo a Geologia, Exploração

Mineralógica, Rochas

e Minérios, Operações Unitárias,

entre tantos outros. Entender

e ser capaz de conectar

resultados e processos; além

de analisá-los estatisticamente

garantindo mais do que sua

repetibilidade e reprodutibilidade

deve ser um mantra a

ser seguido diariamente pelos

profissionais de laboratório e

qualidade.

Os gestores de laboratórios

de análises de minerais devem

estimular os profissionais nesta

busca, construindo oportunidades

e compartilhando

conhecimentos para que estes

se tornem cada vez mais multidisciplinares

e entreguem

informações relevantes para

a soluções dos problemas. O

“mindset” deve mudar; é hora

de transformar os antigos laboratórios

rápidos e precisos em

centros de informações que são

capazes de conectar e contribuir

de forma significativa com

os negócios e suas estratégias.

Este é o futuro! E ele já chegou!

Então mãos a obra e vamos

tornar a análise de minerais

algo muito mais do que a

emissão de resultados precisos

e confiáveis.

Eduardo Pimenta de Almeida Melo

Engenheiro Químico, Gerente de Laboratórios da CSN Mineração, MBA em Gestão Empresarial, Pós–Graduado em Gestão de Laboratórios

e Especializado em Data Science. Coordenador da Comissão de Estudos para Amostragem e Preparação de Amostras em Minério de Ferro

para a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/eduardo-melo-16b22722

E-mail: eduardo.melo@csn.com.br

Revista Analytica | Out/Nov 2020

25


Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

INOVAÇÕES E FRONTEIRAS

EM ESPECTROMETRIA ATÔMICA

Por Rodolfo Lorençatto, Ingrid Ferreira Costa

A determinação de elementos em

diferentes tipos de amostras é uma

realidade de muitos laboratórios

(pesquisa e desenvolvimento (P&D);

controle de qualidade; físico-químico;

entre outros) no país e no mundo.

Conhecer a concentração de elementos

tem importância em todos os setores,

por exemplo, a área ambiental

que precisa monitorar a concentração

de chumbo (Pb) em água para consumo

humano, já que não pode ser

maior que 0,010 mgL-1. Uma outra

exemplificação seria na área agronômica

em análises de solos, onde

pode indicar a necessidade de sua

correção química com o propósito de

aumentar a produtividade de lavouras.

Enquanto no setor geoquímico,

os estudos geocronológicos são realizados

com base na abundância

relativa de determinados elementos

em rochas; e na indústria química, é

necessário monitorar a presença de

certos elementos em matéria-prima

que causam desativação de catalisadores

usados em processos de beneficiamento.

As técnicas mais utilizadas para

determinação elementar são a espectrometria

de absorção atômica

(AA), espectrometria de emissão

atômica com plasma indutivamente

acoplado (ICP OES, do inglês

inductively coupled plasma atomic

emission spectrometry) e espectrometria

de massas com plasma indutivamente

acoplado (ICP-MS, do

inglês inductively coupled plasma

mass spectrometry). Diversos fabricantes

disponibilizam instrumentos

de AA, ICP OES e ICP-MS com diferenciais

tecnológicos que facilitam

a rotina de usuários, tornando-se as

análises cada vez mais produtivas

sem abrir mão da robustez. As principais

características comparativas

destas três técnicas são mostradas

na Tabela 1 a seguir.

Constantemente, novas demandas

de aplicações de Espectrometria

Atômica surgem, sejam elas por soluções

economicamente rentáveis

ou por necessidades cada vez mais

específicas envolvendo a determinação

elementar. Neste sentido, a

técnica de espectrometria atômica

com plasma induzido por microondas

(MIP OES) e espectrometria de

massas em tandem com plasma

indutivamente acoplado (ICP-MS/

MS) despontam como ferramentas

inovadoras e criam um novo cenário

para determinações elementares.

A técnica de MIP OES consiste na

criação de um plasma induzido

por um campo eletromagnético

promovido por microondas, onde

o gás nitrogênio pode ser usado

como gás do plasma, e os elementos

são excitados neste ambiente,

com posterior, emissão de radiação

eletromagnética, detectada por um

sistema óptico. Como o ar atmosférico

é constituído aproximadamente

por 78% de N2, o instrumento

de MIP OES pode ser alimentado

diretamente com um sistema de

geração de N2, guarnecido por um

compressor de ar. A comparação

desta técnica com ICP OES, onde argônio

é usado como gás do plasma,

Tabela 1: Características gerais das técnicas de AA, ICP OES e ICP-MS.

28

Revista Analytica | Out/Nov 2020


Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

é inevitável – ambas são técnicas

de emissão atômica, porém um

plasma de N2 possui menor temperatura

e energia do que o plasma

de Ar, o que leva, de forma simplificada,

à uma menor sensibilidade.

Por outro lado, quando o MIP OES

é comparado com AA-Chama, as

vantagens são várias: não é necessário

usar lâmpadas de catodo

ôco, o acetileno é deixado de lado

e a operação do sistema torna-se

mais automatizada (com controle

automático de fluxo de nebulização,

por exemplo), evitando erros

operacionais e ajustes inadequados

na utilização no dia-a-dia. Adicionalmente,

o MIP OES permite a

determinação de alguns elementos

que apresentam muita dificuldade

por AA-Chama, como boro, fósforo

e até enxofre. A independência de

uso recorrente de cilindros de gás

permite, inclusive, que este sistema

seja usado em locais distantes

de grandes centros urbanos, onde a

logística de entrega de gases pode

apresentar empecilho para operações

ininterruptas, como uma mina

de extração de ouro, por exemplo.

As principais aplicações no Brasil

para MIP OES estão concentradas

no mercado agronômico. É possível

determinar macro e micronutrientes

em solos para correção

química utilizando extratores como

Mehlich, KCl, DTPA, dentre outros.

Além disso, o controle de qualidade

de fertilizantes, tanto para os

elementos essenciais como fósforo

e potássio quanto contaminantes

inorgânicos como arsênio e mercúrio

é uma atual rotina em diferentes

laboratórios de prestação de serviços.

Não obstante, o uso de MIP

OES em Universidades e centros de

pesquisa é pungente e traz inúmeras

publicações inovadoras a cada

ano, tanto para o segmento fundamental

de Espectroscopia quanto

para aplicações antes limitadas por

AA-Chama.

Ao olharmos para as fronteiras

que a Espectrometria Atômica oferece,

enxergamos as diversas possibilidades

de aplicações que um

ICP-MS/MS pode oferecer. De forma

simplificada, um espectrômetro

de massas em tandem com plasma

indutivamente acoplado permite

a quantificação de elementos em

níveis de concentração muito baixos

– da ordem de nanogramas

por litro de solução (ppt). E por que

usaríamos um ICP com dois filtros

de massas ao invés de apenas um?

Inúmeras são as respostas para esta

pergunta!

Um ICP-MS convencional apresenta

um amplo portfólio de aplicações

que podem ser executadas

– contempla as mesmas de um

AA-Chama e Forno, MIP OES e ICP

OES, desde a quantificação de elementos

em matrizes simples como

água potável, e vai além com vários

usos avançados, como por exemplo,

a especiação química, onde

instrumentos de cromatografia são

acoplados ao sistema para separação

e quantificação de moléculas

contendo heteroátomos em sua estrutura;

e a determinação de tamanho

de partícula usando a técnica

de spICP-MS (single nanoparticle).

Algumas aplicações, no entanto,

apresentam dificuldades que vão

além da capacidade de um simples

ICP-MS, devido a ocorrência de interferências

difíceis de serem endereçadas

por celas de reação quando

não há uma seleção prévia dos íons

que entram nela. Um ICP-MS/MS

permite que apenas os íons de interesse

entrem na cela, tornando a

reação seletiva ao analito ou interferente,

conferindo altíssima seletividade

para a análise final.

Os estudos das áreas de metabolômica

e proteômica vem ganhando

destaque, principalmente, porque

existe a necessidade de conhecer

quimicamente os compostos produzidos

pelos organismos, a fim

de desenvolver produtos que não

prejudiquem a saúde dos consumidores.

No geral, o conhecimento

multidisciplinar por trás da biologia

molecular contribui com vários

setores, por exemplo, é de suma

importância conhecer quais são e

como são produzidas as substâncias

químicas do ciclo metabólico,

principalmente, para a produção de

alimentos indicados para pessoas

que possuem uma dieta restriti-

Revista Analytica | Out/Nov 2020

29


Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação

va. Assim como também, avaliar a

possibilidade de desenvolver medicamentos

em que as substâncias

químicas são oriundas de microrganismos

e plantas medicinais, e

por isso, podem ser menos nocivas

à saúde humana. E por último, o

setor de cosméticos tem buscado

se aprofundar nos conhecimentos

sobre o microbioma da pele, e

também, das interações das substâncias

químicas presentes na pele

com os constituintes de formulações

cosméticas, principalmente,

para desenvolver produtos que não

causem reações alérgicas e atenda

as outras necessidades do mercado.

Para a maioria desses estudos,

utilizam-se a técnica de LC-MS

para fazer a caracterização e quantificação

das substâncias químicas,

entretanto, a metodologia de capL-

C-ICP-MS/MS (do inglês, capillary

liquid chromatography ICP-MS/

MS) está sendo uma alternativa

para realizar análises de peptídeos e

fosfopeptídeos, sendo que as moléculas

são separadas pela técnica de

LC capilar e determinadas usando

ICP-MS/MS com cela de reação com

O2. É possível quantificar peptídeos

e fosfopeptídeos em concentrações

na faixa de µg L-1 com confiabilidade

com a vantagem que diminui as

etapas envolvidas no procedimento

final de preparo de amostras, embora

ainda exista a necessidade dos

processos extrativos e de purificação

(dependendo da sua matriz).

Outro desafio analítico onde o

ICP-MS/MS apresenta grande destaque

é a determinação de metais

nobres que compõem o grupo da

platina (Ru, Rh, Pd, Os, Ir e Pt).

Como a aplicação destes metais é

importante para diferentes áreas

como médica, materiais avançados,

ligas e catalisadores para a indústria

farmacêutica, sua mineração

é muito interessante do ponto de

vista comercial. Em virtude das baixas

concentrações encontradas em

minérios, vários procedimentos de

análise considerando correções matemáticas,

remoção de matriz e uso

de sistemas avançados de ICP-MS

com alta resolução (HR-ICP-MS,

do inglês high resolution ICP-MS)

já foram propostos. No entanto, algumas

interferências estão além da

resolução de HR-ICP-MS comerciais,

onde um ICP-MS/MS tem grande

potencial. Usando gás amônia na

cela de reação, as interferências que

ocorrem sobre os metais do grupo

da platina são drasticamente reduzidas

ou até eliminadas, permitindo

a quantificação de Ru, Rh, Pd, Os, Ir

e Pt em concentrações abaixo de 1

µg L-1 na presença expressiva de 10

ppm de diferentes interferentes.

Por fim, seja em atividades de rotina

ou em pesquisas avançadas, as

inovações tecnológicas em Espectrometria

Atômica abrem espaço

para a determinação elementar cada

vez mais rápida, precisa e completa.

Vivemos hoje um cenário de ampla

expansão de fronteiras analíticas,

seja com o uso de sistemas mais rentáveis

ou com aqueles que permitem

enxergar quantidades cada vez menores

de analitos, cujos resultados

complementam dados de outras

técnicas e permite uma visão holística

do desafio analítico.

Referência

© Agilent Technologies, Inc. 2020.

Handbook of ICP-QQQ Applications

using the Agilent 8800 and 8900. Published

In The Usa: De.0690046296,

2020. 329 p. 5991-2802EN.

Rodolfo Lorençatto

Ingrid Ferreira Costa

30

Revista Analytica | Out/Nov 2020

rodolfo.lorencatto@agilent.com

Possui graduação em Química com Atribuições Tecnológicas

pela UFRJ, cursando Mestrado Profissional na Universidade

de São Paulo e Gestão de Marketing com Ênfase em Mídias

Digitais na Fundação Getúlio Vargas. Atua no segmento de

Espectrometria Atômica há 10 anos, com experiência como

analista químico, especialista de suporte e atualmente é

cientista de aplicações em espectrometria atômica na Agilent

Technologies Brasil Ltda.

cif.ingrid@gmail.com

Mestranda em Ciências Farmacêuticas (UNIFESP) atuando na

linha de pesquisa de Desenvolvimento e Inovação Farmacêutica

focado no estudo metabolômico de microrganismos e

plantas medicinais. Bacharel em Química com Atribuições

Tecnológicas (UNIFESP e FASB). CEO da Biochemie Consultoria,

Empreendedora Científica, Especialista em P&D, sobretudo, em

executar investigações analíticas e know-how em desenvolver

novas metodologias analíticas. Fundadora dos eventos online:

WebConai, Concifarma e CongeQuali.


Por Oscar Vega Bustillos*

Espectrometria de Massa

ESPECTROMETRIA DE MASSAS COM

PLASMA ACOPLADO INDUTIVAMENTE ICP-MS

Em 1835 o filosofo francês

Auguste Comte declarou que a

humanidade jamais conseguiria

analisar a composição química

do material que é constituído o

Sol e outras estrelas, uma vez

que os seres humanos nunca

poderiam atingir estes lugares.

Ele estava errado, já que

por meio da técnica analítica da

espectroscopia atómica (Atomic

Spectroscopy AS) desenvolvida

por Joseph von Fraunhofer a

composição química do Sol e

outros astros distantes da Terra

foi analisada. Fraunhofer inventou

o espectroscópio ótico

e a rede de difração, mas graças

aos estudos posteriores de

Robert Bunsen e Gustav Kirchhoff

a maioria dos elementos

químicos foram caracterizados

obtendo tabelas com as linhas

espectrais de absorção e emissão

via AS. A espectroscopia é

uma técnica analítica utilizada

para descobrir a constituição

química dos materiais a partir

da luz que eles emitem ou absorvem

(Figura 1). Entre estas

técnicas incluem a espectroscopia

de absorção atômica (AAS)

e a espectroscopia de emissão

atómica por plasma acoplado

indutivamente (ICP-OES).

A AAS usa a absorção da luz

pelos átomos para medir suas

concentrações. Inicialmente,

a amostra é vaporizada em

um forno a chama ou grafite.

A concentração elementar de

uma amostra pode ser determinada

à medida que os átomos

fazem a transição para um nível

de energia superior por meio da

absorção de luz. O instrumento

é calibrado usando soluções

padrão para os elementos a serem

quantificados. No entanto,

o AAS está sujeito a certos efeitos

de matriz que podem exigir

o uso de modificadores químicos.

O uso do forno de grafite

reduz os efeitos da matriz devido

à sua alta temperatura, mas

não totalmente.

A ICP-OES é outra técnica usada

para determinar elementos

químicos em uma amostra. O

ICP excita os átomos e os íons

de uma amostra para produzir

luz de comprimentos de ondas

característicos de cada um dos

elementos da amostra. Embora a

alta temperatura do plasma elimine

os efeitos da matriz, existem

interferências causadas pela

sobreposição dos comprimentos

de ondas espectrais de certos

elementos, o que torna difícil

distinção desses elementos em

uma amostra.

Para contornar os problemas

analíticos inerentes das técnicas

da AS, vários pesquisadores

exploraram uma nova técnica

que eliminassem estas dificuldades.

Os pesquisadores R.S.

Houk, V.A. Fassel, G.D. Fiesch e

H.J. Svec da Universidade americana

de Iowa (ISU, Ames, USA)

e A. Gray da Universidade do

Reino Unido, Surrey, exploraram

a viabilidade da Espectrometria

de massas com plasma acoplado

indutivamente (ICP-MS) para a

determinação de concentrações

elementares e razões de abundância

isotópica em solução.

Vários problemas técnicos

foram encontrados por esses

pioneiros durante suas pesquisas.

O primeiro problema era a

abertura de vácuo do fluxo de

gás quente. Eles usaram um pequeno

orifício de amostragem

com um diâmetro de 50 μm, que

frequentemente ficava obstruído

por sais. O segundo problema

era o arqueamento elétrico entre

o plasma e o orifício de amostragem.

Isso gerou muitos íons

Revista Analytica | Out/Nov 2020

31


Espectrometria de Massa

32

Revista Analytica | Out/Nov 2020

duplamente carregados e outros

íons interferentes no espectro de

massas. Estes problemas foram

contornados utilizando um orifício

maior de amostragem, dez

vezes maior que o original para

evitar um possível entupimento.

Desenvolveram uma interface

entre o ICP e o MS por meio de

um sistema de bombeamento de

vácuo criogênico que extraia os

íons do plasma através do orifício

para o espectrômetro de

massa com alta fidelidade. Além

disso, modificações adicionais

foram necessárias para fazer o

sistema funcionar, tais como o

aterramento elétrico da fonte de

plasma em relação ao espectrômetro

de massa e a remoção de

interferências de radiofrequência

da fonte de plasma.

O primeiro instrumento comercial

foi lançado em 1983

pela Perkin Elmer/Sciex quando

apresentou o modelo ELAN 250.

A partir deste analisador obteve-se

uma melhoria significativa

nos limites de detecção e velocidade

para análise elementar

comparada com os analisadores

AS. O ICP-MS pode analisar

90% dos elementos na tabela

periódica em concentrações que

variavam de 0,5 a 10 partes por

bilhão (ppb).

O ICP-MS está constituído dos seguintes

componentes (Figura 2):

Sistema de introdução de

amostra: Consiste na bomba

peristáltica, nebulizador e câmara

de pulverização que introduz

a amostra para o analisador.

Tocha ICP: Gera o plasma que

serve como fonte de íons do ICP-

-MS, convertendo os átomos do

analito em íons.

Interface: Liga a fonte de íons ICP

em pressão atmosférica ao espectrômetro

de massa em alto vácuo.

Sistema de vácuo: Fornece

alto vácuo para óptica de íons,

quadrupolo e detector.

Lentes: Focaliza o feixe de íons para

transmissão para o quadrupolo.

Quadrupolo: Atua como filtro

de massas para discriminar os

íons por sua razão m/z.

Detector: Conta os íons individuais

que foram discriminados

pelo quadrupolo.

Processamento de dados:

Controla os parâmetros do instrumento,

além de processar

os dados gerados pelo detector

para obtenção dos espectros de

massas.

A maioria das amostras analisadas

por ICPMS são líquidas. No

entanto, amostras sólidas podem

ser analisadas por meio de Lasers.

Amostras gasosas podem

ser analisadas introduzindo-as

diretamente no instrumento.

O ICP-MS detecta e quantifica os

isótopos específicos de um elemento.

A determinação da razão

isotópica é utilizada em uma variedade

de aplicações científicas.

Por exemplo, na geologia, pode-

-se obter a datação de rochas, na

área nuclear, o enriquecimento do

combustível nuclear e na biologia

é possível determinar a fonte de

um contaminante ou um traçador

biológico em estudos.

O instrumento ICP-MS mede a

maioria dos elementos da tabela

periódica. Os elementos apresentados

em cores na Figura 3 podem

ser analisados pelo ICP-MS

com limites de detecção abaixo

de partes por trilhões (ppt). Os

elementos em cores brancas, o

ICP-MS não pode detectar por

razões inerentes a seu funcionamento.

Por exemplo, argônio

é utilizado como gás de arrastre

na tocha do plasma. Certamente

o ICP-MS é o estado da arte na

análise de elementos químicos de

uma determinada amostra, mas

ainda tem que ser pesquisada e

explorada uma nova técnica que

consiga analisar os elementos em

cor branca da tabela periódica da

Figura 3. Mais um desafio para a

química analítica.


Espectrometria de Massa

A preparação de amostra para

ICP-MS é muito semelhante ao

usado em AAS e ICP-OES, e em

muitos casos é idêntico. Os padrões

são analisados para gerar

uma curva de calibração e os sinais

de amostras desconhecidas

são comparados com a curva de

calibração curva para determinar

a concentração de cada metal na

amostra. O software processa os

dados e gera os resultados quantitativos

dos analitos em estudo,

podendo até calcular a razão de

isótopos por meio da técnica de

diluição isotópica.

Na análise da composição química

elementar de uma determinada

amostra, o ICP-MS tem

vantagens quando comparadas

com outras técnicas, como AAS e

ICP-OES. O ICP-MS geralmente

tem menos interferências do que

ICP-OES e é muito mais rápido

do que AAS. Além da detecção

do ICP-MS atingir limites muito

mais baixos do que aqueles que

podem ser alcançados por ICP-

-OES e AAS.

Por meio do analisador de quadrupolo,

o ICP-MS é capaz de

medir até 35 elementos em uma

amostra em dois a três minutos.

O espectrômetro de massas e

todos os acessórios do ICP-MS

estão sob o controle de um computador.

Desta forma o sistema

pode literalmente operar por 24

horas interruptas, analisando

mais de 300 amostras por dia.

Em suma, nenhuma outra tecnologia

pode fornecer um nível

de limite tão baixo de detecção

e uma alta produtividade para

análise elementar encontrados

no ICP-MS. Mas a grande vantagem

da técnica de ICP-MS é

obter a abundância isotópica

dos analitos detectados corroborando

com a validação dos

resultados analisados, além

de obter espectros de massas

mais simples e com baixo ruído

comparado com outras técnicas

analíticas. As desvantagens do

ICP-MS são as seguintes: baixa

contagem de íons, baixa eficiência

de transmissão dos íons,

detecção de isômeros, requisita

operadores com alto grau de instrução,

alto custo dos insumos

especialmente consumo de gás

Argônio, depende de sistema de

alto vácuo e principalmente tem

o custo bem mais elevado que o

AAS e o ICP-OES.

Figura 1: Princípio de detecção da espectroscopia sendo uma

técnica analítica utilizada para descobrir a constituição química

dos materiais a partir da luz que eles emitem ou absorvem.

Fonte: http://vegascience.blogspot.com/p/teoria-de-grupos_10.html

Figura 2: Diagrama esquemático do Espectrômetro de massas

com Plasma Acoplado Indutivamente (ICP-MS).

Fonte: http://biochem.pepperdine.edu

Figura 3: Elementos químicos apresentados em cores que podem

ser analisados pelo ICP-MS com limites de detecção abaixo

de partes por trilhões (ppt). Os elementos em branco o ICP-MS

não pode analisar

Fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s42452-019-0825-5

Referências bibliográficas

1) A. Montaser. “Inductively coupled plasma mass spectrometry”.

John Wiley & Sons. 1998.

2) R. Thomas. “Practical guide to ICP-MS. A tutorial for beginners”.

CRC Press. 2008.

3) M.F. Al-Hakkani. “Guideline of inductively coupled plasma

mass spectrometry ICP-MS” in Chemistry: Apply separation

science. Springer. 2019.

Oscar Vega Bustillos

Pesquisador do Centro de Química e Meio Ambiente CQMA do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares IPEN/CNEN-SP

Tel.: 55 11 2810 5656 - E-mail: ovega@ipen.br - Site: www.vegascience.blogspot.com.br

Revista Analytica | Out/Nov 2020

33


Microbiologia

BOAS PRÁTICAS EM LABORATÓRIO DE

MICROBIOLOGIA FARMACÊUTICA

Por Claudio Kiyoshi Hirai

34

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Os laboratórios de microbiologia

farmacêutica têm sob a sua responsabilidade

garantir que os produtos

produzidos apresentem a segurança,

eficácia e pureza para os pacientes e

os seus consumidores e tem a função

de realizar:

Teste de esterilidade; detecção, isolamento,

enumeração e identificação

de micro-organismos (bactérias,

leveduras e bolores), testes de endotoxinas

bacterianas em diferentes

materiais (por exemplo, matérias

primas, água), produtos, superfícies,

vestuário e ambiente, e ensaio utilizando

micro-organismos como parte

do sistema teste.

Essas diretrizes dizem respeito a todos

os laboratórios de microbiologia

envolvidos nas atividades mencionadas

anteriormente, sejam elas independentes,

um departamento ou unidade

de uma instalação de fabricação

de produtos farmacêuticos.

Os testes devem ser realizados

por pessoal qualificado, treinado

e com formação profissional condizente

para o trabalho em laboratório

de microbiologia voltada

para o controle de qualidade microbiológico.

Descrições atualizadas do trabalho

devem ser disponibilizadas para todo

o pessoal envolvido nos testes ou calibrações,

validações e verificações. O

laboratório deve manter registros de

todo o pessoal técnico, descrevendo

as suas qualificações, treinamento e

experiência. Caso o laboratório inclua

opiniões e interpretações dos resultados

dos testes em relatórios, isso deve

ser feito por pessoal autorizado, com

experiência adequada e conhecimentos

relevantes incluindo, por exemplo,

conhecimento dos requisitos regulatórios,

tecnológicos, critérios de aceitação

e aplicação específica.

A gerência do laboratório deve garantir

que todo o pessoal tenha recebido

treinamento adequado para o

desempenho competente de ensaios e

operação de equipamentos. Isto inclui

treinamento em técnicas básicas, por

exemplo, técnica de plaqueamento,

contagem de colônias, técnica asséptica,

preparação de meios de cultura,

diluições em série e técnicas básicas

em identificação, com critério de aceitação

se for o caso. O pessoal somente

pode realizar ensaios se for reconhecidamente

competente para fazê-lo ou

se estiver sob supervisão adequada.

A competência deve ser monitorada

continuamente com previsão de reciclagem

quando necessário. Quando

um método ou técnica não for de

uso constante, pode ser necessário a

verificação do desempenho do pessoal

previamente à realização dos ensaios.

Em alguns casos, pode ser mais

apropriado capacitar o analista para

a realização de uma técnica ou para

o uso de um instrumento específico,

ao invés de capacitá-lo à execução de

um método analítico completo. Em

algumas situações é aceitável relatar a

competência para a realização de uma

técnica geral ou instrumento utilizado

ao invés de métodos específicos.

O laboratório de microbiologia e os

seus equipamentos devem ser instalados

em área separada da área de

produção. A separação é necessária

para se evitar a contaminação dos

produtos ,bem como ser projetado

de maneira a permitir uma circulação

adequada de entrada de material

par análise, realização dos testes,

incubação e leitura dos ensaios e o

descarte adequado dos materiais

contaminados , permitindo a desinfeção

e esterilização minimizando

os riscos de contaminação. O laboratório

de microbiologia e certos

equipamentos que dão suporte (por

exemplo, autoclaves e vidrarias) devem

ser de uso específico.


Microbiologia

Deve haver fornecimento de ar separado

para laboratórios e para áreas

de produção.

Unidades de gerenciamento e tratamento

de ar, incluindo controle

de temperatura e umidade, quando

necessários, devem ser instalados

separadamente para os laboratórios

de microbiologia de microbiologia. O

ar fornecido ao laboratório deve ser

de qualidade adequada e não deve

ser uma fonte de contaminação.

Deve-se considerar a adequação da

planta para a classificação das áreas

e operações a serem desempenhadas

dentro do laboratório de microbiologia.

A classificação deve ser

baseada na criticidade do produto e

operações realizadas na área. Devese

realizar o teste de esterilidade sob

a mesma classe utilizada para operações

estéril/ asséptica de produção.

O monitoramento ambiental microbiológico

deve refletir a instalação

utilizada (sala ou isolador) e incluir a

combinação dos métodos de amostragem

do ar e superfície como:

• Amostragem ativa do ar;

• Exposição de placas;

• Superfície de contato;

• Replicata de placas para detecção e

contagem de micro-organismos (RO-

DAC), swabs ou filmes flexíveis;

• Luvas dos operadores.

O Monitoramento ambiental microbiológico

da área de teste de esterilidade

deve ser realizado durante cada

sessão de trabalho nas condições de

funcionamento (dinâmico). As especificações

frente a contaminação microbiana

devem estar descritas, incluindo

os limites apropriados de alerta e ação.

Os testes farmacopéicos normalizados

são considerados validados.

No entanto, o método específico a

ser utilizado pelo laboratório precisa

ser demonstrado como adequado

ao uso pela recuperação de bactérias,

leveduras e bolores na presença

do produto específico. O laboratório

deve demonstrar que o critério de

desempenho do método normalizado

é atendido, antes de introduzi-lo na

rotina (método de verificação) e que a

especificação do método é adequada

para o produto (a demonstração da

adequação do método inclui o uso de

controles positivos e negativos).

Os métodos de ensaio não baseados

em compêndios ou outras referências

reconhecidas devem ser validados

antes da utilização. A validação deve

incluir, quando apropriado, determinação

da exatidão, precisão, especificidade,

limite de detecção, limite de

quantificação, linearidade e robustez.

Efeitos potencialmente inibitórios a

partir da amostra deve ser levado em

conta quando testar diferentes tipos

de amostras.

Os resultados devem ser avaliados

com métodos estatísticos adequados,

por exemplo, conforme descritos

pela farmacopéia brasileira, ou outros

compêndios aprovados pela Anvisa.

Todos os instrumentos, equipamentos

utilizados nas análises devem ser

calibrados e verificados para assegurar

que atendem as boas práticas

de laboratório. Deve-se manter os

equipamentos qualificados quanto a

características de instalação, performance

e operação.

Os reagentes, meios de cultivo devem

ser adquirido de fornecedores

qualificados e com relação aos meios

de cultivo devem ser testados quanto

a promoção de crescimento de acordo

com as farmacopéia brasileira ou outros

compêndios aprovados.

As cepas de referência utilizadas nos

controles positivos devem estar dentro

do número de gerações aprovados

para uso de acordo com as normas

e mantidas adequadamente. O desempenho

apropriado dos meios de

cultura, diluentes e outras soluções

devem ser verificados, quando relevante

com relação: recuperação ou

a manutenção dos microrganismos-

-alvo. Recuperação de 50-200% que

deve ser demonstrada após a inoculação

de não mais que 100 unidades

formadoras de colônia (UFC); inibição

ou supressão de micro-organismos

Revista Analytica | Out/Nov 2020

35


Microbiologia

não-alvo; propriedades bioquímicas

(diferenciais e diagnósticas), e propriedades

adequadas (por exemplo:

pH, volume e esterilidade).

Para avaliação da recuperação ou

manutenção de micro-organismos

deve ser dada preferência a procedimentos

quantitativos.

Onde laboratórios de ensaio são

responsáveis pela amostragem inicial

para a obtenção dos itens de ensaio,

recomenda-se fortemente que o

procedimento de amostragem seja

coberto por um sistema de garantia

da qualidade e submetido a auditorias

regularmente. Qualquer processo

de desinfecção utilizado para obter a

amostra (ex. desinfecção em alguns

pontos da embalagem da amostra)

não deve comprometer o nível microbiológico

interno da amostra. O

transporte e o armazenamento das

amostras devem ser realizados em

condições que mantenham a integridade

das mesmas (por exemplo:

resfriada ou congelada quando apropriado).

Os ensaios devem ser realizados

o mais rápido possível após a

amostragem.

O laboratório deve ter um sistema

de garantia da qualidade interna ou

controle de qualidade (por exemplo:

monitoramento dos desvios,

uso de amostras fortificadas, testes

replicados e participação em testes

de proficiência, se for o caso) para

garantira consistência dos resultados

do dia a dia e sua conformidade

com os critérios definidos.

Se o resultado da contagem for

negativo, este deve ser relatado

como “não detectado para uma

unidade definida” ou “menor que

o limite de detecção para uma

unidade definida”. O resultado não

deve ser apresentado como “zero

para uma unidade definida”, a não

ser que ele seja uma exigência regulatória.

Os resultados de ensaios

qualitativos devem ser registrados

como “detectado/não detectado

numa quantidade ou volume definido”.

Também podem ser expressos

como “menor que um número

especificado de micro-organismos

para uma unidade definida”, quando

o número de micro-organismo

especificado exceder o limite de

detecção do método e isto tiver

sido acordado com o cliente. Nos

dados brutos “o resultado não deve

ser dado como zero para uma unidade

definida” a não ser que seja

uma exigência regulatória.

Um valor reportado de “0” pode ser

utilizado para entrada de dados e

cálculos ou análise de tendências em

bases de dados eletrônicos.

Referências:

• Boas práticas da OMS para laboratórios

de microbiologia farmacêutica,

janeiro de 2013.

• Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos

do Esquema de Cooperação

em Inspeção Farmacêutica, PIC/S,

RDC 301 DE 21/08/2019.

• Farmacopéia Brasileira 6º edição

15/08/2019.

36

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Claudio Kiyoshi Hirai

Farmacêutico bioquímico, diretor científico da BCQ consultoria e qualidade, membro da American Society of Microbiology e membro

do CTT de microbiologia da Farmacopeia Brasileira.

Telefone: 11 5539 6719 - E-mail: técnica@bcq.com.br


A NOVA CADEIA NACIONAL DE RASTREABILIDADE

DA UNIDADE DE COMPRIMENTO, O METRO

Por Ivan Luiz Marques Silva, Walter Oliveira Junior, Miguel Angelo Catharina Torres.

Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Diretoria de Metrologia Científica e Tecnologia (Dimci), Divisão de Metrologia Óptica (Diopt)

Metrologia

Introdução

Dentro do conjunto de competências

da Divisão de Metrologia Óptica

(Diopt) do Inmetro encontra-se a

responsabilidade de realizar a unidade

da grandeza comprimento, o

metro, em conformidade com o Sistema

Internacional de Unidades (SI),

através da manutenção da cadeia

de rastreabilidade ao padrão primário.

A disseminação da unidade aos

clientes externos, assim como o desenvolvimento

de pesquisas na área

de Metrologia Óptica, são atividades

realizadas pelo Laboratório de Interferometria,

o Laint.

No ano de 1795 (18 Germinal An.

III) foi promulgada a lei relativa

aos pesos e medidas adotando o

sistema métrico na França [1].

Em 1960, com a adoção do SI em

consequência do 11º encontro do

Conferencia Geral de Pesos e Medidas

(CGPM), ocorreu a primeira

grande mudança de paradigma na

definição da unidade metro, que

deixou de ser realizado através de

um artefato material e passou a

ser definido através da medida do

comprimento de onda da transição

5d5 - 2p10 do 86Kr. Em 1983, o

17º encontro do CGPM adotou uma

nova definição do metro como função

da velocidade da luz no vácuo,

fixada em exatos 299 792 458 m/s

[2], vinculando, desta maneira, a

unidade metro (comprimento) a

unidade segundo (tempo). Esta

nova definição permite a determinação

do comprimento de onda

da radiação, no vácuo, através da

medida de sua frequência, sem

perda de exatidão [3]. Simultaneamente

ao 17º encontro do CGPM,

o Comité International des Poids

et Mesures (CIPM) propôs uma lista

de radiações que poderiam ser

utilizadas para a realização pratica

do metro, conhecida como Mise en

Pratique (MeP) [4]. Dentre as radiações

elencadas esta a radiação

do laser de HeNe, estabilizado na

componente a16 da transição hiperfina

R(127) 11-5 da molécula

do 127I2 e radiações especificas

emitidas por lâmpadas espectrais

de 86Kr e 114Cd, utilizadas como

padrões de comprimento em sistemas

interferométricos do Laint.

Desde a década de 1980 as lâmpadas

espectrais vêm sendo gradualmente

substituídas por lasers

estabilizados como padrões de

comprimento nos sistemas interferométricos.

Com o objetivo de dotar

a Divisão de Metrologia Óptica de

ferramentas que permitam acompanhar

a dinâmica de evolução de nosso

parque industrial, iniciou-se no

ano de 2010, com a incorporação do

Pente de Frequências Ópticas (Pente

Laser), o processo de substituição

das lâmpadas espectrais, dos nossos

sistemas interferométricos, por

radiações laser. Este processo culminou

com a adoção de uma nova

cadeia de rastreabilidade, vinculada

à unidade de tempo do SI, conforme

apresentado na figura 1.

O Pente Laser e a nova cadeia

de rastreabilidade

Através dos serviços de calibração

de lasers de HeNe estabilizados em

633 nm, de calibração de blocos

padrão, pares de bloco e planeza,

oferecidos pelo Laint aos seus

clientes, é realizada a disseminação

da unidade metro. Entretanto,

Revista Analytica | Out/Nov 2020

37


Metrologia

38

Revista Analytica | Out/Nov 2020

a utilização de apenas um padrão

óptico primário (laser de HeNe estabilizado

na componente a16 da

transição hiperfina R(127) 11-5

da molécula do 127I2), com uma

única referência de comprimento

de onda, restringia o escopo da calibração

a lasers HeNe estabilizados

em 633nm, embora o Laint possua

interferômetros utilizando lasers

operando em outros comprimentos

de onda. Para contornar essa

dificuldade, em 2010 foi adquirido

um Pente Laser [5,6]. Em 2014, o

serviço de calibração baseado no

Pente passou por auditoria externa,

tendo sido posteriormente validado

[7, 8]. Em 2017 o serviço foi incluído

no KCDB/BIPM, permitindo,

desta maneira, ampliar o escopo

de calibrações, abrangendo todos

os comprimentos de onda associados

aos lasers utilizados nos interferômetros

do Laint. Além disto, a

inclusão do Pente Laser permitiu a

construção de uma nova cadeia de

rastreabilidade vinculada à unidade

de tempo do SI, o segundo. Tal rastreabilidade

é garantida através da

calibração, no Observatório Nacional,

do padrão de quartzo, disciplinado

por GPS, que fornece um sinal

de 10 MHz utilizado pelo Pente no

travamento da frequência de repetição,

da frequência de offset, servindo

também como base de tempo

do contador e do sintetizador de

frequências.

Figura 1 – Cadeia de rastreabilidade da unidade metro, baseada no Pente Laser.

Conclusão

A nova cadeia de rastreabilidade

do metro, baseada na substituição

das lâmpadas espectrais por lasers

estabilizados em frequência e na incorporação

do Pente de Laser foi implementada

com sucesso no Inmetro.

Conforme apresentado neste documento,

o Pente Laser desempenha

um papel fundamental na construção

desta nova cadeia. Este equipamento

tem sido usado para calibrar todos os

lasers de HeNe estabilizados usados

como padrões de comprimento no

Laint, garantindo, desta maneira, a

rastreabilidade dos sistemas de medição.

O Pente Laser permite a realização

do metro com rastreabilidade direta à

unidade de tempo do SI, o segundo,

em conformidade com as novas diretrizes

do BIPM.

Referencias

[1] -Himbert M.1993, “Le mètre láventure

continue”, Bulletin du BNM, n°93.

[2] Hänsch T W 2006 Rev. Mod. Phys.

78 1297-1309

[3] Udem Th, Holzwarth R and Hansh

T W 2002 Nature 416

[4] Quinn T J 2003 Metrologia 40

[5] Ye J, Cundiff S T, “Femtosecond

Optical Frequency Comb: Principle,

Operation, and Applications”, Kluwer

[6] Holzwarth R 2001, “Measuring the

frequency of light using fentosecond

pulse lasers”, Max-Planck-Institut fur

Quantenoptik, MPQ-Report 268

[7] Silva I L M, Couceiro I B, Torres M

A C, Costa P A and Grieneisen H P H

2016 J. Phys. Conf. Ser. 733

[8] Silva I L M, Oliveira A N, Couceiro

I B, Torres M A C 2017 Proc. Conf.

Metrologia.


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Logística Laboratorial

ARMAZENAGEM EM CÂMARA FRIA

40

Revista Analytica | Out/Nov 2020

A câmara fria é uma ferramenta projetada

para otimizar o armazenamento

de produtos por meio de sua refrigeração.

Com a baixa temperatura, ela assegura

a eficiência e qualidade dos processos

de armazenagem de produtos.

É uma área de armazenagem especial

para produtos, materiais ou insumos

que necessitam de uma conservação

maior, seja para preservar a qualidade

e suas características.

Quando comparado ao freezer e congelador,

a câmara fria tem a expressiva

vantagem de permitir o armazenamento

eficiente e na temperatura adequada

de grandes volumes de produtos.

Outra vantagem de se utilizar esse

equipamento é a precisão do controle

de temperatura. Via de regra, as oscilações

de sistemas manuais e a falta

de controle adequado da temperatura

podem prejudicar o armazenamento e

durabilidade dos produtos, o que não

ocorre em uma câmara fria.

Buscando inovação e uma solução integrada,

a Prime Storage, empresa do Grupo

Prime Cargo, possui a armazenagem

refrigerada de produtos para a área da

saúde, com uma câmara fria de 1800 m³,

50 posições paletes e 1100 posições prateleiras

para armazenagem de produtos

refrigerados de 2ºC a 8°C, localizada na

Matriz em Barueri, São Paulo.

Contando com uma antecâmara climatizada,

com sistema de monitoramento

online de temperatura, alarme sonoro e

luminoso de abertura de porta, permitem

um controle mais eficiente da temperatura

24 horas por dia, 7 dias por semana.

Os produtos termolábeis são recepcionados

na antecâmara onde é realizada

a conferência dos produtos e a verificação

de temperatura, posteriormente os

produtos são encaminhados para a área

de armazenagem dentro da câmara fria

a disposição até que seja solicitada a

separação por parte do cliente.

A nossa câmara fria possui uma área

para recebimento, armazenagem, expedição

e não conformidade.

Nossa estrutura está qualificada e os

relatórios de qualificação são disponibilizados

aos nossos clientes. Estamos

prontos para lhe atender!

Em breve nova estrutura de armazenagem

em câmara fria na nossa filial

Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

Entre em contato para saber mais:

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Em Foco

PESQUISA, ANÁLISE E CONTROLE DE QUALIDADE

DA CANNABIS

Com o recente avanço na pesquisa e

análise da Cannabis, combinado com

o aumento da demanda por esse tipo

de produto, os testes laboratoriais tornaram-se

parte integrante e fundamental

da rápida expansão.

Cannabis é um gênero de planta

com muitas espécies diferentes, as

mais conhecidas são: Cannabis Sativa

e Cannabis Indica. Suas flores secretam

uma substância que contém Canabinoides,

Terpenos, Triglicerídeos e

outros compostos.

A Cannabis contém mais de 200

terpenos (moléculas compostas por

várias unidades de isopreno que produzem

aromas distintos), incluindo

A-pineno, Limoneno e Mirceno.

Pesquisadores estão desenvolvendo

uma ampla variedade de cepas por

meio da reprodução seletiva, cada

uma contendo propriedades sensoriais,

psicoativas e medicinais para

atender a cada demanda específica

do mercado.

A Toronto Research Chemicals (TRC)

do Grupo LGC, oferece um extenso

catálogo com milhares de produtos,

contendo uma grande seleção de

padrões de referência, isótopos rotulados,

metabólitos e impurezas para

ajudar na análise, pesquisa e controle

de qualidade da Cannabis.

Além disso, possui laboratórios

analíticos que estão totalmente

equipados para fornecer análises

como: HPLC, HNMR, MS, IR, KF,

TGA e 13CNMR, conforme a regulamentação

da Anvisa na resolução

RDC Nº 166.

A CMS Científica do Brasil é distribuidor

autorizado da TRC e oferece

soluções inteligentes e suporte especializado

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Revista Analytica | Out/Nov 2020

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Em Foco

LAB DE A A Z: NOVO BANHO SECO 02 BLOCOS

42

Revista Analytica | Out/Nov 2020

O banho seco é um equipamento

versátil e muito usado em diversas

especialidades laboratoriais como

análises clínicas, microbiologia,

histologia, biotecnologia, biologia

molecular e genética. Sua principal

função é o aquecimento a seco

de amostras que precisam passar

por um controle rigoroso de temperatura.

A exatidão da temperatura é importante

em processos de incubação,

digestão de enzimas de restrição,

desnaturação de DNA, derretimento

de ágar, conservação de amostras, estudos

de coagulação, hibridização in

situ, análises enzimáticas entre outras

aplicações.

O novo banho seco 02 Blocos

Kasvi tem um design moderno e

é um equipamento fácil de operar

controlado por microprocessador

com tela de LED. Garante

rápido aquecimento com estabilidade

e precisão na temperatura

das amostras. Utiliza blocos¹ de

aquecimento intercambiáveis

para atender as mais variadas

aplicações biológicas. Com capacidade

para microplacas e

tubos de centrifugação. São

moldados em liga de alumínio,

garantindo uma transferência

eficaz de calor.

• Exibição da temperatura em tempo

real e contagem regressiva

• Fácil substituição do bloco, tornando

a limpeza e desinfecção mais fáceis;

• Detecção automática de falhas e

função de alarme;

• Dispositivo de proteção contra excesso

de temperatura embutido.

¹ Blocos vendidos separadamente.

Produtos não passíveis de regulamentação

na ANVISA.

Saiba mais sobre nossos lançamentos,

acesse: www.kasvi.com.br

Kasvi

0800 726 0508

kasvi@kasvi.com.br


Em Foco

MARCA LÍDER NO MERCADO EUROPEU AGORA NO BRASIL.

UMA EXCLUSIVIDADE LABORCLIN.

No início do ano de 2020, o grupo

Solabia adquiriu a Laborclin,

criando sinergias que resultaram

em um portfólio completo de

soluções em microbiologia. A

Laborclin agora incorpora em seu

portfólio a marca Biokar.

Líder absoluto em seu segmento,

é a divisão de microbiologia

do grupo Solabia, dedicada ao

desenvolvimento, produção e

comercialização de meios de

cultura desidratados, suplementos

e kits de detecção para laboratórios

de microbiologia. Com presença

em mais de 50 países, a BIOKAR

adquiriu reputação internacional

pela qualidade de seus produtos

e soluções inovadoras. Sendo um

dos principais produtores globais

em meios de cultura desidratados e

meios pronto para uso.

O grupo tem sua matriz sediada na

região de Paris, quatro unidades

de produção e dois centros de

pesquisa e desenvolvimento em um

raio de menos de 80 quilômetros.

Conta também com duas outras

unidades de produção e um centro

de pesquisa, desenvolvimento

e inovação situados na cidade

de Maringá/PR – Brasil. Com o

respaldo de quase 50 anos de

experiência, a Solabia ocupa uma

posição de liderança no mercado

de Peptona em todo o mundo

possuindo mais de 70% da fatia de

mercado europeu.

Laborclin

Contato: comercial@laborclin.com.br

Tel.: 41 3661 9001

www.laborclin.com.br

Revista Analytica | Out/Nov 2020

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Em Foco

UM PASSO EM DIREÇÃO A UM TESTE NÃO INVASIVO

PARA MONITORAR PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

44

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Os pesquisadores demonstram o

potencial do uso de análise de saliva

para prever surtos em pessoas com

insuficiência cardíaca, o que poderia

ajudá-los a viver mais e melhor.

Pelo menos 26 milhões de pessoas

em todo o mundo vivem atualmente

com insuficiência cardíaca - e espera-se

que esses números aumentem

dramaticamente no futuro.

Quando uma pessoa desenvolve insuficiência

cardíaca pela primeira vez,

seu corpo passa por várias mudanças

fisiológicas para tentar compensar.

Mas, eventualmente, seu corpo não

consegue mais acompanhar e eles co-

meçam a sentir sintomas como falta

de ar e fadiga. Sua condição vai piorar

progressivamente com o tempo - e

cerca de quatro em cada dez pacientes

não sobreviverão por mais de cinco

anos após o diagnóstico.

Uma pessoa que vive com insuficiência

cardíaca pode apresentar insuficiência

cardíaca aguda, que geralmente

requer internação hospitalar.

Se os médicos pudessem prever com

segurança um surto iminente, seria

possível evitar que isso acontecesse -

melhorando a qualidade de vida das

pessoas que vivem com insuficiência

cardíaca e, potencialmente, prolongando

suas vidas.

Um teste não invasivo

Em um novo estudo, publicado na Scientific

Reports, os pesquisadores realizam um

estudo piloto para investigar a viabilidade

de monitorar pacientes com insuficiência

cardíaca por meio de testes de saliva. 1

Os pesquisadores desenvolveram um

novo método para medir simultaneamente

a concentração de dois biomarcadores

potenciais - 8-isoPGF2α e cortisol

- na saliva. Isso envolveu a combinação

de microextração por sorvente empacotado

(MEPS) com cromatografia líquida

de ultra-alto desempenho acoplada a

espectrometria de massa triplo-quadrupolo

de ionização por eletrospray (UHPL-

C-ESI-MS / MS).


Em Foco

Eles demonstraram que esta abordagem

forneceu recuperação satisfatória (95-

110%) e um limite de detecção adequado

(10pg / ml) em amostras de saliva.

Monitorando Pacientes com Insuficiência

Cardíaca

A equipe então realizou um estudo

piloto em amostras de saliva de 44

pacientes com insuficiência cardíaca

que foram hospitalizados devido a

um surto. Eles usaram procedimentos

validados para monitorar um painel

de candidatos a biomarcadores para

insuficiência cardíaca - lactato, ácido

úrico, TNF-α, cortisol, α-amilase e

8-isoPGF2α - coletados em horários

regulares durante sua internação.

Eles mediram a concentração de TN-

F-α com um ensaio imunoenzimático

(ELISA) usando água ultrapura obtida de

um sistema de purificação de água de laboratório

ELGA PURELAB®, minimizando

o risco de introdução de contaminantes

que podem afetar seus resultados.

Seus resultados identificaram que

cerca de 70% dos pacientes apresentaram

pelo menos uma diminuição

de 3 vezes de dois biomarcadores -

8-isoPGF2α e lactato - em sua saliva

no momento da alta hospitalar, o

que está provavelmente relacionado

a uma melhora nos sintomas clínicos

devido ao tratamento. Supondo que

altas concentrações salivares desses

dois produtos químicos se acumulem

progressivamente na saliva ao longo

do tempo, seu monitoramento pode

fornecer um alerta precoce de insuficiência

cardíaca aguda.

Prevenção de chamas

Este estudo identifica 8 – isoPGF2α e

lactato como possíveis biomarcadores

não invasivos para monitoramento da

insuficiência cardíaca - e que a análise

da saliva tem aplicações potenciais na

prática clínica.

Se esses biomarcadores forem validados

em estudos futuros, isso pode

abrir caminho para o desenvolvimento

de novos dispositivos de detecção

que podem ser usados em casa para

ajudar a prevenir surtos em pacientes

com insuficiência cardíaca - melhorando

e possivelmente prolongando

suas vidas.

Por que escolher ELGA LabWater?

ELGA LabWater é um nome confiável

em água pura e ultrapura desde 1937.

Acreditamos em dar a você a escolha

de como usar nossas soluções de purificação

de água, apoiadas por um

serviço e suporte excelentes.

Reference:

1. Ghimenti S., et al. Salivary lactate

and 8–isoprostaglandin F2α as potential

non–invasive biomarkers for

monitoring heart failure: a pilot study.

Sci Rep (2020):10;7441. https://doi.

org/10.1038/s41598-020-64112-2

Sobre a Veolia

O grupo Veolia é a referência mundial

em gestão otimizada dos recursos.

Presente nos cinco continentes

com mais de 171000 colaboradores,

o Grupo concebe e implementa

soluções para a gestão da água, dos

resíduos e da energia, que fomentam

o desenvolvimento sustentável

das cidades e das indústrias. Com

suas três atividades complementares,

Veolia contribui ao desenvolvimento

do acesso aos recursos, à

preservação e renovação dos recursos

disponíveis.

Em 2018, o grupo Veolia trouxe

água potável para 95 milhões

de habitantes e saneamento para

63 milhões, produziu cerca de 56

milhões de megawatt/hora e valorizou

49 milhões de toneladas

de resíduos. Veolia Environnement

(Paris Euronext : VIE) realizou em

2018 um faturamento consolidado

de 25,91 bilhões de euros.

www.veolia.com

Para mais informações:

Tel. +55 11 3888-8782

Rafaela.rodrigues@veolia.com

Revista Analytica | Out/Nov 2020

45


Em Foco

DMA-80 EVO É SÉTIMA GERAÇÃO DE ANALISADORES

DE MERCÚRIO DA MILESTONE

O DMA-80 evo é sétima geração

de analisadores de mercúrio da

Milestone. O espectrofotômetro de

feixe duplo garante determinação

precisa de mercúrio, mesmo no nível

de ppt. Esta maior estabilidade do

sinal melhora a reprodutibilidade e a

confiabilidade da análise, mesmo em

baixas concentrações.

O sistema de determinação de mercúrio

DMA-80 pode analisar qualquer

matriz (sólida, líquida ou gasosa) sem

qualquer pré-tratamento ou adições

químicas em apenas 6 minutos em

total conformidade com o método

EPA 7473. Com milhares de unidades

instaladas pelo mundo, o DMA-80

evo atende perfeitamente uma ampla

gama de aplicações: ambiental,

energia, alimentar, indústria cimentícia,

cosméticos, agricultura, mineração e

petroquímica.

DMA-80 evo Dualcell com feixe

simples

Com configuração mais enxuta, este

modelo da linha DMA-80 evo possui

espectrômetro de feixe simples e

caminho ótico composto por duas

celas. Com limite de detecção de 0,003

ng possui faixa de trabalho entre 0,01

e 1500 ng de Hg. Com precisão típica

de 1% na faixa de 10 ng de Hg.

DMA-80 evo Dualcell com feixe duplo

Com espectrômetro de feixe duplo

e caminho ótico composto de duas

celas o modelo DMA-80 evo Dualcell

com feixe duplo possui limite de

detecção de 0,001 ng possui faixa de

trabalho entre 0,01 e 1500 ng de Hg.

Com precisão típica de 1% na faixa de

5 ng de Hg.

46

Revista Analytica | Out/Nov 2020

DMA-80 evo Tricell com feixe duplo

Modelo de maior sensibilidade

da linha DMA-80 evo, possui

espectrômetro de feixe duplo e

caminho ótico composto de três celas.

Com limite de detecção de 0,0003 ng

possui faixa de trabalho entre 0,003 e

1500 ng de Hg. Com precisão típica de

1% na faixa de 1 ng de Hg.


Em Foco

Em Foco

UMA HISTÓRIA DE VALOR E CONFIANÇA

Os Padrões de Referência desempenham

um papel fundamental para

sociedade garantindo a acessibilidade

e qualidade dos medicamentos

fabricados e entregues a população

mundial.

A USP (United States Pharmacopeia)

trabalha sempre em conformidade com os

requisitos de qualidade exigidos pelos órgãos

oficiais com alto rigor científico. As normas de

qualidade para os produtos farmacêuticos e

alimentícios exigem análises comparativas

constantes, utilizando diversas técnicas como

cromatografia, espectrofotometria, espectrometria

e testes de desempenho. Portanto, a

qualidade e consistência dos Padrões de

Referência são crucias para alcançar resultados

cientificamente válidos.

Comemorando 200 anos desde sua fundação,

a USP faz a diferença ao redor do mundo

construindo parcerias duradoras, sustentáveis

e pautadas na ética para mostrar que a

qualidade de vida das pessoas é um pilar

insubstituível em seu DNA. A LAS do Brasil

tem orgulho em fazer parte dessa rede de

parceiros, sendo o canal autorizado para

distribuição de seus materiais no Brasil.

Reconhecida por trabalhar com produtos e

serviços de alta qualidade, a parceria com a

USP proporcionou a LAS entendimento sobre a

importância e responsabilidade do uso de

Padrões de Referência para garantir o acesso da

população a medicamentos, alimentos e

suplementos de qualidade no Brasil.

Responsável por todas as etapas que envolvem

a distribuição confiável dos Padrões de

Referência da USP em nossos clientes, com

cobertura para todo território nacional,

atendendo os requisitos exigidos pelos órgãos

anuentes para transporte seguro de cada

substância, a LAS vem cumprindo sua missão

em garantir que os laboratórios brasileiros

tenham acesso a confiança, credibilidade e o

respaldo na utilização dos autênticos Padrões

da USP.

1820

1905

Farmacopeia dos Estados Unidos Biológicos

1908

Acessibilidade Mundial

00

Desde a concepção da USP em 1820, milhões

de pessoas no mundo podem confiar nos

medicamentos por causa de seus padrões de

qualidade.

A Lei de Controle de Produtos Biológicos de

1902 (The Biologics Control Act) levou à

primeira monografia de biológicos da USP,

sobre Antitoxina Diftérica, que ajudou a

restaurar a confiança nos medicamentos, após

13 mortes associadas à antitoxina diftérica

contaminada.

A tradução dos padrões documentais da USP os

tornou acessíveis a países de todo o mundo,

permitindo que seus cidadãos confiassem na

qualidade de seus medicamentos.

Revista Analytica | Out/Nov 2020

47


Em Foco

Em Foco

1944

Segunda Guerra Mundial

1969

Reconhecimento Global

1980

Divulgação da USP-NF

USP, FDA, Institutos Nacionais de Saúde (NIH -

National Institutes of Health) e a Diretoria de

Produção para a Guerra (War Production

Board) conseguiram desenvolver rapidamente

padrões para penicilina que permitissem sua

produção em massa - uma prioridade para o

tratamento da sepse.

27 países reconheciam os padrões da USP.

Hoje, 140 países ao redor do mundo

reconhecem os padrões da USP.

USP e NF são publicadas em um só volume em

1980, contendo 2.709 monografias.

1990

1992 2001

Suplementos Alimentares USP e USAID

Revendedora USP

À medida que mais pessoas incluíam

suplementos alimentares como parte de um

estilo de vida saudável, a USP reconheceu a

necessidade de manter a qualidade dos

mesmos e começou a explorar padrões para

combinações de multivitaminas e minerais

como suplementos nutricionais.

A USP e a Agência para o desenvolvimento

internacional (USAID - Agency for International

development) começam uma relação colaborativa

de mais de 25 anos para avaliar programas

de fontes de informação sobre medicamentos

em países em desenvolvimento.

A LAS do Brasil surgiu frente a necessidade

da Indústria Farmacêutica na obtenção facilitada

e confiável de insumos analíticos.

Desde 2001 nossos clientes possuem acesso a

serviços de qualidade no atendimento

comercial, importação e entrega de padrões

USP no Brasil.

2004

2005-08

Distribuidor Oficial USP Índia, USP China, USP Brasil

2020

USP e LAS - Uma parceria de sucesso

Analytica | Out/Nov 2020

48 00

Revista

A LAS é reconhecida pela USP como distribuidora

oficial de seus Padrões de Referência em

todo território brasileiro.

Instalações globais são inauguradas em

Hyderabad, Índia (2006); Shangai, China

(2007) e São Paulo, Brasil (2008).

Comemorando os 200 anos da USP, a LAS do

Brasil completa 16 anos como seu distribuidor

autorizado em todo território nacional, buscando

sempre soluções inovadoras e a excelência no

atendimento de nossos clientes garantindo a

entrega de autênticos Padrões USP.


Em Foco

200

years of building

trust

Em 1820, onze médicos

tomaram medidas para proteger

os pacientes de medicamentos

de baixa qualidade. Eles formaram

a Farmacopeia dos EUA (USP).

Neste ano de 2020 a USP comemora 200 anos de história, assumindo a

liderança global na construção da confiança em Medicamentos e

Suplementos Alimentares, por meio de normas e Padrões de Referência

públicos que ajudam a melhorar a saúde das pessoas em todo o mundo.

Saiba mais sobre essa

trajetória acessando o site

através do QR Code:

+55 62 3085-1900 | comercial@lasdobrasil.com.br

Revista Analytica | Out/Nov 2020

49


Em Foco

O QUE HÁ DE MELHOR DISPONÍVEL NO MERCADO

DE INSUMOS PARA LABORATÓRIOS

externos ou com substâncias tóxicas presentes nos

componentes do tubo. Disponível com duas opções

de fechamento, tampa com rosca interna ou externa,

para as diferentes aplicações do usuário.

TUBOS PARA CADA UM DOS

SEUS PROCESSOS

De pesquisas para o desenvolvimento de

vacinas e outras soluções para a saúde, ao desenvolvimento

de novos produtos para diversos

segmentos da indústria. Não é novidade que laboratórios

biológicos têm que estar preparados

para atender a processos diversos, além de prezar

por altos padrões de qualidade para alcançar

resultados realmente confiáveis.

Por isso, atualmente o mercado oferece uma

variedade de insumos cada vez mais abrangente,

com características desenvolvidas especialmente

para cada aplicação, escala de produtividade,

que garantam qualidade e eficiência nos resultados

e até mesmo o melhor aproveitamento do

espaço físico do laboratório.

Especificamente, quando o assunto é tubos,

essa variedade também é enorme, desde os

formatos, tamanhos e cores, já que se trata de

um material versátil e que auxilia na realização

de diversos processos laboratoriais.

Tubos para PCR

Microtubos de polipropileno que apresentam

paredes mais finas para uma excelente transferência

de calor durante amplificações gênicas.

São utilizados diretamente nos termocicladores

e permitem a maior flexibilidade no número de

amostras trabalhadas.

Uma vez que são destinados ao uso com materiais

genéticos, é essencial que estes tubos sejam

validados quanto a ausência de DNases, RNases

e outros materiais genéticos, pois estes materiais

podem interferir nos resultados obtidos.

A versão em tiras (strip) facilita o manuseio

de várias amostras e tem grande aplicação para

testes de PCR, método considerado como padrão

ouro no diagnóstico de infecção por COVID-19.

Tubos de reação

Muito utilizados para volumes de 0,5 a 2 mL,

são microtubos com ampla resistência química e

térmica, ideais para diversas aplicações em ensaios

laboratoriais como: preparo de amostras,

diluição de compostos, alíquotas de materiais.

Atualmente também são utilizados para o

transporte e armazenamento de amostras de

pacientes com suspeita de COVID-19, devido à

sua segurança e vedação. O uso de tubos produzidos

com materiais com alto grau de esterilidade

e certificações de qualidade conferem maior

segurança aos resultados obtidos no diagnóstico

da doença. Os criotubos com as certificações CE e

IVD (in vitro diagnostic product), que garantem

esse alto grau de esterilidade, grau farmacêutico

e grau médico, podem ser encontrados como

parte do portfólio da Greiner Bio-One e, assim

como os tubos de polipropileno, tubos de PCR e

tubos de reação, são livres de detecção de DNase,

RNase, DNA humano e não são pirogênicos.

Além da variedade e padrões que asseguram

a qualidade dos seus produtos, a empresa de

origem austríaca, presente hoje em mais de

100 países, também conta com uma equipe de

especialistas para dar suporte técnico aos seus

clientes em instituições de serviços e pesquisa

para a saúde de todo o Brasil.

50

Revista Analytica | Out/Nov 2020

Tubos de polipropileno

A alta resistência térmica, química e mecânica

conferida pelo polímero polipropileno torna estes

tubos ideais para aplicações diversas em laboratórios

clínicos e de pesquisa básica. Com capacidade

de armazenamento de 15 ou 50 mL, estes tubos

apresentam base em formato cônico que facilita

o manuseio das amostras e a precipitação de material

durante o procedimento de centrifugação,

por exemplo. Além do formato cônico, alguns

tubos apresentam uma base de sustentação que

permite apoiá-los em superfícies planas durante o

procedimento ou armazenamento.

Atualmente são utilizados também para o

transporte de Swab de amostras nasais orofaríngeas

de pacientes com suspeita de COVID-19.

As versões com tampas acopladas facilitam o

manuseio durante a rotina experimental, enquanto

os microtubos com tampa de rosca são mais

indicados para o armazenamento de amostras e

substâncias com maior vedação e proteção. Para

materiais e amostras fotossensíveis é possível optar

por tubos de reação de cor âmbar.

Criotubos

Fabricados em polipropileno, estes tubos são

próprios para o armazenamento de amostras de

células, tecidos, fluidos corporais e microrganismos

em baixas temperaturas, como em freezers

e na fase gasosa do nitrogênio.

A qualidade do plástico é de extrema importância

para assegurar a proteção do material armazenado,

sem causar contaminações por microrganismos

Confira estes e outros produtos para COVID-19

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Todos livres de detecção de DNase,

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Em Foco

COVID-19: UM GUIA PRÁTICO PARA ESCOLHER A

PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA

COVID-19: UM GUIA PRÁTICO PARA ESCOLHER A PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA

Com base em recomendações gerais

a Ansell desenvolveu este guia prático Esta lista é um guia de consulta rápida

Com

de

base

autoridades

em recomendações

de saúde em

gerais

todo

de

para

autoridades

ajudar os

de

profissionais

saúde em todo

de saúde

Prevenção a escolher e Controle a proteção de respiratória Doenças (ECDC, as instruções na sigla em de inglês), uso do a fabricante AnsellCARES e a

o mundo,

e não

incluindo

inclui todas

a Organização

as opções. Consulte

Mundial

o da mundo, Saúde (OMS) incluindo e Centro a Organização Europeu de

desenvolveu este guia prático para ajudar os profissionais de saúde a escolher a proteção respiratória adequada

Mundial necessária da para Saúde o trabalho (OMS) e realizado do Centro em adequada hospitais, clínicas, necessária asilos para de o idosos trabalho ou na política comunidade. e procedimentos de suas instalações

com relação à proteção respira-

Europeu de Prevenção e Controle de realizado em hospitais, clínicas, asilos

Esta lista é um guia de consulta rápida e não inclui todas as opções. Consulte as instruções de uso do fabricante e a

Doenças (ECDC, na sigla em inglês), de idosos ou na comunidade.

tória específica para o seu ambiente.

política e procedimentos de suas instalações com relação à proteção respiratória específica para o seu ambiente.

MÁSCARAS MÉDICAS

RESPIRADORES FACIAIS FILTRANTES

Bactérias e

vírus

Bactérias e

vírus

Gotículas

Respingos

Gotículas

Respingos

TIPO II

TIPO IIR

PFF1

PFF2

PFF3

Tipos de máscara

Protege o usuário

contra agentes

infecciosos

provenientes do

nariz e da boca

Protege o usuário contra

agentes infecciosos

provenientes do nariz e da

boca e respingos ou líquidos

potencialmente contaminados

Filtra 80%

do material

particulado

transportado

pelo ar

Filtra 94% do material

particulado transportado

pelo ar.

A OMS recomenda a

proteção FPFF2 ou maior

quando se aconselha o

uso de respiradores faciais

filtrantes

Proteção

máxima. Filtra

99% do material

particulado

transportado pelo

ar

Evita a disseminação da COVID-19

pelo usuário √ √ √ √ √

O usuário necessita de alta

proteção filtrante contra

partículas expelidas

Partículas expelidas devem ser

contidas quando se necessita de

resistência ao fluido

√ √ √ √

√ √ √ √

O usuário necessita de proteção

respiratória estanque e vedada √ √ √

O usuário necessita de proteção

respiratória estanque e vedada

ao realizar procedimentos que

geram aerossóis

√ √*

52

Revista Analytica | Out/Nov 2020

LEMBRE-SE:

LEMBRE-SE:

• Certifique-se de sempre cumprir

os de regulamentos respiradores faciais das filtrantes. autoridades de

saúde pública locais relacionados às

orientações sobre a utilização e seleção

de equipamentos de proteção

individual (EPIs) para combater a

pandemia da COVID-19.

• Siga as orientações recomendadas

para conservação da máscara a fim de

preservar os EPIs dos profissionais de

saúde da linha de frente e garantir que

o fornecimento adequado com base no

nível de risco esteja disponível. A ECDC

recomenda que seja utilizada uma

máscara médica em caso de escassez

de respiradores faciais filtrantes.

*A ECDC recomenda que durante procedimentos

de geração de aerossóis se

utilize sempre um respirador PFF3. Relatório

técnico da ECDC: orientação para

o uso e remoção de equipamentos de

proteção individual em ambientes de

saúde para o atendimento de pacientes

com suspeita ou confirmação de CO-

VID-19, fevereiro de 2020.

• Certifique-se de sempre cumprir os regulamentos das autoridades de saúde pública locais relacionados às orientações sobre a utilização e seleção de

equipamentos de proteção individual (EPIs) para combater a pandemia da COVID-19.

• Siga as orientações recomendadas para conservação da máscara a fim de preservar os EPIs dos profissionais de saúde da linha de frente e garantir que

o fornecimento adequado com base no nível de risco esteja disponível. A ECDC recomenda que seja utilizada uma máscara médica em caso de escassez

* A ECDC recomenda que durante procedimentos de geração de aerossóis se utilize sempre um respirador PFF3. Relatório técnico da ECDC: orientação para o uso e remoção de equipamentos de proteção

individual em ambientes de saúde para o atendimento de pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19, fevereiro de 2020


Em Foco

COVID-19: UM GUIA PRÁTICO PARA ESCOLHER A PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA

Recomendações importantes da

OMS sobre o uso de máscaras*

durante a pandemia da COVID-19

1

Usar uma máscara médica é uma das

medidas preventivas que podem limitar a

disseminação de determinadas doenças

respiratórias virais, incluindo a COVID-19

2 3 4

Independente de se utilizar máscaras ou

não, é fundamental obedecer ao máximo

as medidas de higiene das mãos e outras

medidas de controle de proteção contra

infecções para prevenir a transmissão

entre pessoas

Os profissionais de saúde devem usar um

respirador de partículas com um padrão

mínimo PFF2 da União Europeia (UE),

N95 certificado pelo Instituto Nacional de

Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH,

na sigla em inglês) ou equivalente

ao avaliar ou administrar um caso

confirmado de COVID-19

Siga as orientações de descarte que

incluem a troca recomendada, a remoção

de máscaras por trás e o descarte

imediato em recipientes fechados

O uso de máscara é recomendado em ambientes ao ar livre, inclusive no transporte coletivo e ao pegar

carona, ou em outras áreas de exposição densamente povoadas para limitar a disseminação

*Para ver as recomendações da OMS sobre o uso de máscaras no contexto da COVID-19, faça o download do arquivo PDF aqui

Aviso legal: dada a novidade deste coronavírus, as recomendações das referências de origem são provisórias e consultivas por natureza e se baseiam no conhecimento atual da situação.

*Para ver as recomendações da OMS sobre o uso de máscaras no contexto da COVID-19,

www.ansell.com

faça o download do arquivo PDF aqui

Ansell, ® e são marcas registradas da Ansell Limited ou de uma de suas afiliadas. © 2020 Todos os direitos reservados.

Aviso legal: dada a novidade deste coronavírus, as recomendações das referências de origem são provisórias

e consultivas por natureza e se baseiam no conhecimento atual da situação.

www.ansell.com

Ansell, ®e são marcas registradas da Ansell Limited ou de uma de suas afiliadas. © 2020 Todos os direitos reservados.

Revista Analytica | Out/Nov 2020

53


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