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Edição digital da revista do Centro Lusitano de Zurique

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LUSITANO

de

ZURIQUE

[ NOVEMBRO 2021 | Edição Nº. 282 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves | Director-adjunto: Manuel Araújo | Publicação mensal gratuita ]

Cörte-Real

TRINTA ANOS

DEDICADOS

À MÚSICA

Pág. 26

© joaquim galante

-

EDITORIAL

Comunidade

História

Economia

A problemática da Pandemia e

os seus efeitos.

Pág.3

1º Oktoberfest no Centro Lusitano

de Zurique. Pág. 5

Guerra colonial portuguesa: a nossa

bazuca destruidora. Pág. 16

Empresas suíças enfrentam

problemas nas cadeias de

abastecimento. Pág. 40


LUSITANO

de

ZURIQUE

EQUIPA EDITORIAL

EDITORIAL

Director: Armindo Alves

Jornalista CC15 A

Director-adjunto: Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Email: lusitano@gmail.com

COLABORADORES

Alice Vieira, Aragonez Marques, Carlos Matos Gomes,

Carmindo de Carvalho, Costa Guimarães, Cristina

F. Alves, Daniel Bohren, Euclides Cavaco, Costa

Guimarães, Ivo Margarido, Jeremy da Costa, Joana

Araújo, Joaquim Galante, Jorge Macieira, Manuel

Araújo, Maria dos Santos, Maria José Praça, Natascha

D´Amore, Nelson Lima, Nelson Mateus, Pedro

Nogueira, Rosa Moreira

EDIÇÃO, COMPOSIÇÃO E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Email: manuel.araujo@protonmail.ch

PUBLICIDADE

Tel.: 079 222 09 14

Email: pub.lusitano@gmail.com

IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 3000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

NOTA IMPORTANTE:

Os artigos assinados reflectem tão-somente

a opinião dos seus autores e não vinculam

necessariamente a direcção desta revista.

Apoio

Por discordância, esta publicação

não adopta, nem respeita as normas

do novo inútil Acordo Ortográfico.

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4 NÃO COMUNIDADE FIQUE EM CASA

ANGST

istgefährlicher

als das Corona

VIRUS

Halten sie sich an die regeln und

HABEN SIE KEINE ANGST,

BLEIBEN SIE NICHT ZU HAUSE

Armindo Alves

DIRECTOR

JORNALISTA CC15 A

Desde os últimos anos, constatamos

que muitos emigrantes

regressam ao nosso país.

Podemos dizer serem três grupos de

pessoas que regressam a Portugal.

O primeiro grupo, são aqueles que

deixaram Portugal na década 80 e regressam

agora para gozarem a merecida

reforma que conseguiram no país

onde trabalharam uma vida. Quase

todos regressam, porque sabem que

essa reforma para viver na Suíça seria

escassa, mas para viver no nosso país,

é ainda suficiente.

Depois temos o grupo dos recém-chegados,

aqueles que não se adaptaram

a viver no país de acolhimento por

várias razões e aproveitam agora o incentivo

do Governo para um novo recomeço

em Portugal.

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Tel.: 079 549 99 10

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Finalmente o terceiro grupo, o dos

filhos de alguns emigrantes nascidos

aqui e pretendem regressar à

terra dos pais. Procuram lá um estilo

de vida diferente e com melhor

qualidade de vida. Dizem.

Perante a possível dissolução da

Assembleia da República e da

convocação de eleições devido

ao “chumbo” e rejeição do Orçamento

do Estado para 2022, a situação

política em Portugal, está

nebulosa. A juntar a esta crise governativa,

há também as crises internas

no PSD e CDS, onde ambos

procuram um líder capaz de impulsionar

os respectivos partidos.

Sobre a provável queda do Governo,

as opiniões dividem-se. Os partidos

à direita dizem que foi o melhor

que podia acontecer. Outros,

principalmente alguns economistas,

acusam a táctica do Bloco de

Esquerda e do PCP, por permitirem

mais uma vez, abrir o caminho a

um possível regresso da direita ao

Poder, tal como fizeram com o Governo

do Eng. Sócrates, que abriu

as portas à inenarrável “Troica”

que deixou em Portugal marcas

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profundas na sociedade portuguesa

até agora.

Após a bem-sucedida luta contra

o Covid, a campanha de vacinação,

um “êxito” e exemplo para o

Mundo, com perto de 90% de pessoas

vacinadas, Portugal já dava

sinais de recuperação económica.

Uma crise do Governo numa altura

destas tão delicadas, politólogos

acreditam, que só veio piorar a

situação já ela bastante frágil e a

solução são eleições legislativas o

“mais rápido possível”.

Com o Orçamento de Estado

chumbado, muitas medidas urgentes

e necessárias ficarão sem

efeito, tal como a descida do IRS,

o aumento das pensões dos reformados

e o aumento dos salários,

entre outras.

Marcelo Rebelo de Sousa apelou

oportunamente para que o Orçamento

de Estado 2022 fosse

viabilizado, mas o seu aconselhamento

foi ignorado.

A “bola”, agora está do lado dele.

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO

CENTRO LUSITANO

DE ZURIQUE

Risweg, 1

8041 Zurique

Tel.: 044 241 52 15

Email: info@cldz.eu

2 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

3

Estamos abertos de Quarta a Domingo



MOTORES

Carregar um carro eléctrico.

Como funciona?

V ARMINDO ALVES (*)

Todo carro eléctrico possui um carregador com o qual pode ser carregado

em tomadas adequadas. A energia corrente Alternativa (CA)

da tomada da parede é convertida pelo carregador em energia corrente

contínua (CC), que a bateria usa. Hoje, quase todos os carros eléctricos

também têm uma opção de carga rápida por corrente contínua

(DCFC, carga rápida por corrente directa).

Nesse sistema, o carregador está localizado na infra-estrutura de carregamento,

e a energia CC vai directamente do cabo da coluna para a

bateria do carro sem usar o carregador embutido.

O carro e a estação de carregamento comunicam-se entre si para que

o carregamento seja ideal. Existem três "plugues" padrão, diferentes

para carregamento rápido por corrente contínua, os sistemas de acesso

e facturação são versáteis, assim como os modelos de preço.

Perguntas frequentes sobre como

carregar um carro eléctrico

Quanto tempo leva para

carregar um carro eléctri-

co?

A duração de uma carga completa

depende de vários factores de influência.

Além da potência de carga

(em kW), são em particular o tamanho

do dispositivo de armazenamento

de energia (bateria), o calor

gerado durante o processo de carga,

ou a temperatura externa.

A regra é para um alcan-

ce de 100 km:

em casa (com 3,7kW) : 6 horas

Lugares de estacionamento em garagens

subterrâneas, estações de

carregamento públicas (com 11 a

22kW): 1-2 horas

Carregamento acelerado em espaços

públicos (estações de carregamento

maiores, 50kW): 30 minutos.

Estações de carregamento rápido

(150kW): 10 minutos

Carregador rápido de alto desempenho

(350kW): alguns minutos.

Quanto custa uma car-

ga?

Na tarifa alta, os custos de electricidade

para uma carga completa vão

de oito a 10 francos e na tarifa baixa

ronda os quatro a cinco francos.

Existem grandes diferenças de preços

na tarifa pública, o que se explica,

nomeadamente, pela velocidade

de tarifação e pela relação contratual

com o respectivo prestador. É

aconselhável saber os custos antes

de cada transacção de cobrança.

Como é calculada a velocidade

do carrega-

mento?

A velocidade de carregamento indica

quantos quilómetros de alcance

podem ser carregados em uma hora.

É dado em km / h. A velocidade de

carga depende de vários factores: a

potência da estação de carga e a potência

que o carro pode absorver. O

menor valor limita a velocidade de

carregamento.

Como carregar um car-

ro eléctrico em casa?

Existem estações de carregamento

domésticas para melhorar a conveniência

de carregamento e também

para garantir a gestão da carga. Eles

também podem ser conectados a

uma tomada adequada (conceito

plug-and-play) ou instalados permanentemente

e verificados por um

electricista. A conexão de energia

em casa fornece entre 3,7 e 11 kW

de corrente alternada ou, em outras

palavras, um aumento na faixa de 15

a 50 quilómetros por hora.

Como descobrir qual

conexão de um carro

eléctrico?

Podem consultar as devidas marcas

e aconselhamento pessoal. Nas

especificações do veículo você encontrará

os custos de operação, bem

como todas as informações necessárias

sobre o carregamento, as conexões

e a capacidade de carga máxima

permitida do veículo.

Qual é o consumo de

energia de um carro

eléctrico?

O consumo de energia também desempenha

um papel importante.

Um veículo económico continua a

conduzir com menos energia. Para

um carro eléctrico com quatro ou

cinco lugares, pode-se esperar uma

média de 20 kWh / 100 km. Isso

corresponde a cerca de 2 litros de

combustível / 100 km.

Quanto CO₂ emite um

carro eléctrico?

Os carros eléctricos não emitem

poluentes quando em operação. O

fornecimento de electricidade produz

26 g de CO₂ por quilómetro. As

emissões de CO2 para a produção

da bateria são, portanto, compensadas

nos primeiros 20.000 a 40.000

quilómetros (dependendo do local

de produção, tamanho da bateria e

qualidade de energia para a sua produção).

O que é uma carga indu-

tiva?

De momento, há novos desenvolvimentos

na direcção de carregamento

indutivo. O carro pode ser

posicionado sobre um circuito de

indução sem um cabo sendo carregado

automaticamente. Como os

carros passam mais de 95% do tempo

em estacionamentos, a infra-estrutura

também estará lá. Também

estão a ser testados os chamados

robôs de carregamento, que um dia

conseguirão carregar carros eléctricos

independentemente em garagens

de estacionamento.

4 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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CO MUNIDADE

No Centro Lusitano de Zurique

JORGE MACIEIRA

No passado dia 9 de Outubro o

Centro Lusitano de Zurique levou a

efeito nas suas instalações a realização

do primeiro festival “Oktoberfest”.

Trata-se de uma iniciativa

inédita, de festejar um dos eventos

que a Suíça há muito Comemora. O

espaço, com uma decoração a rigor

fez juz ao espírito do festival.

Para os mais desatentos a “Oktoberfest”

é um festival de cerveja

com origem em Munique, Alemanha.

Foi criado pelo rei bávaro Luís

I para celebrar o seu casamento

em 1810. A Oktoberfest é também

uma feira de produtos e diversões

celebrada em Munique, no estado

da Baviera, no sul da Alemanha, e

disseminada por vários lugares do

mundo.

Num momento que a pandemia está

mais “estável”, este evento, mesmo

assim, teve uma aderência bastante

significativa que contou com a participação

de mais de cinco dezenas

de participantes.

Muitos dos participantes vestidos a

rigor, com os habituais trajes Dirndl

e Lederhosen que tanto caracterizam

este festival, tiveram uma recompensa

da parte da organização.

6 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

7



Quem quer ser jornalista?

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ZÉZÉ FERNANDES

ZÉZÉ FERNANDES

Meus amigos,

quem quer ser jornalista?

Quem me

quer entrevistar. O

que querem perguntar

que nunca

foi respondido?

A revista “Lusitano

de Zurique”, do

Centro Lusitano

de Zurique, convidou-me

para mais

uma entrevista, e

deu-me carta branca

para escolher o

tema.

Como estou a comemorar

os meus

30 anos de carreira,

decidi convidar

os meus amigos a

fazerem as perguntas.

Aceitam?

Basta enviar a pergunta

pelo messenger,

ou email e de

todas elas vamos

escolher as melhores.

Siga que se faz tarde.

Messenger: https://bit.ly/3nsGgWz

E-mail: zezefernandes@sapo.pt

Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

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10 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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RECANTOS HELVÉTICOS

Breves

SINDICALISMO

A V MARIA DOS SANTOS

Foi num dia de Outono que

visitei a bonita e histórica

cidade de Fribourg.

As recordações foram muitas, umas

bonitas outras plenas de nostalgia sendo

inevitável sentir as emoções no seu

estado mais puro.

Esta cidade tomada pelo charme dos

habitantes e estudantes tem dois idioma

oficiais, Francês e Alemão.

Foi fundada em 1157 pelo Duque Berthold

IV de Zaehringen. No ano 1218

passa o poder para os Kibourg.

O que nela me fascina é a atmosfera

estudantil, para além da arquitectura

e estórias que fazem parte de cada cidade.

Adoro lendas e descobrir a sua

verdadeira história,fascina - me.

Muitos estudantes procuram nela o

doutoramento ou Master, por ser uma

cidade sobejamente conhecida na sua

vertente universitária.

O Rio Sarine em forma de U que atravessa

a cidade, confere-lhe uma visão

mais romântica, durante a primavera,

verão e outono.

Nela podemos também avistar as várias

pontes que fazem parte da historia

da cidade.

O monumento que mais me prende o

olhar é sem duvida a Catedral de São

Nicolás.

A sua construção começou em 1283 e

terminou em 1490, sendo uma homenagem

ao estilo Gótico.

Sempre que nos passeamos pela cidade

a sua Torre emerge a cada esquina.

Tem oitenta metros de altura e para

atingir o topo temos que subir os 365

degraus duma escadaria em caracol.

Merece o esforço, pois a panorâmica

oferece-nos um olhar privilegiado sobre

toda a cidade.

Nesta Catedral está sediada a principal

diocese de Lausane, Genebra e

Fribourg.

Caso a pense visitar, faça-se acompanhar

por alguém conhecedor pois a

sua história é riquíssima.

Marque também presença no Museu

Gutenberg e acompanhe o percurso

da comunicação e industria gráfica

suíça.

A Ponte Poya é outro ponto de muito

interesse. Foi inaugurada há apenas

sete anos ou seja, em 2014.

Tem cento e noventa e seis metros

suspensa. Uma aventura para ser vivida

ente amigos e família.

Não se deve também perder uma visita

à Ponte de Berna, única ponte coberta

edificada toda em madeira que

data do século XIII.

È de uma beleza ímpar e passeando

sobre ela podemos ver a muralha que

protegia a cidade, hoje monumento

admirável.

A Ponte dedicada à familia de Zähringen

foi construída em 1924. Aqui pode-se

procurar um lugar para uma

deliciosa merenda e desfrutar toda a

paisagem envolvente.

Divirta-se indo até à curiosa Rua das

Esposas. Lá pode deixar-se fotografar

com a imagem da Esposa fiel e visite o

cantinho dos maridos modelos.

Foi aqui que eu disse adeus a esta cidade

maravilhosa e cheia de encanto.

Aproveitei para acariciar a água da

fonte Samaritano, desejando que o

nosso mundo melhore deixando um

abraço de solidariedade para com

aqueles que tudo perderam no Vulcão

que teimosamente persiste em angustiar

a tranquila da Ilha Espanhola de

La Palma.

Votações de 28.11.21: Iniciativa

de Cuidados

Na Suíça, o pessoal de enfermagem já

há muito tempo que trabalha em condições

laborais extremadamente difíceis.

A iniciativa popular „Por cuidados

de enfermagem fortes” (Iniciativa

de Cuidados) quer mudar isto e criar

as bases para um sistema de saúde público

em que as necessidades da população

e do pessoal prevalecem sobre

os interesses económicos. Mobilize

os seus amigos, familiares e colegas

para que, se puderem votar na Suíça,

votem no próximo dia 28 de Novembro

por melhores cuidados de saúde

para todos. Digam SIM à iniciativa e

NÃO à contraproposta! Mais informações

em https://www.unia.ch/de/

kampagnen/pflegeinitiative-ja.

Basta de tráfico de seres

humanos para fins de exploração

laboral

Há muito poucas condenações por

tráfico humano, apesar deste ser um

problema conhecido. Por maltratar

os seus trabalhadores em várias obras

de Genebra, Vaud e Valais entre 2014

e 2017, um empresário da construção

foi condenado no ano passado a 6

anos de prisão. Foi considerado culpado,

entre outros delitos, de tráfico

de seres humanos para fins de exploração

laboral. Este caso ilustra de

que falamos quando nos referimos a

tráfico de seres humanos no âmbito

laboral: jornadas de 10 horas, 6 dias

por semana, alojamento insalubre,

um salário à hora de 6,50 francos, etc.

O que podemos fazer se temos uma

suspeita, perguntas ou incertezas relativamente

a casos de tráfico de seres

humanos? O que devemos fazer? O

Unia colabora com outras organizações

e instituições na luta contra este

grave problema e oferece ampla informação

sobre o tema na sua página

web: Traite des êtres humains - Unia,

le syndicat

Seguro básico de saúde: É

possível mudar de caixa

de saúde

Por estes dias chegou ou chegará a

casa das pessoas residentes na Suíça a

carta da caixa do seguro de saúde informando

sobre os prémios para 2022.

Independentemente de os prémios

aumentarem ou não, todas as pessoas

com um seguro de saúde podem, até

finais de Novembro, rescindir o seu

seguro básico actual e escolher outra

forma de seguro. Por isso, este é

o momento de ver com a caixa actual

se há possibilidades de poupar algum

dinheiro (por exemplo, aumentando a

franquia ou escolhendo outro modelo

de seguro). Também pode solicitar

ofertas a outras caixas de saúde, compará-las

e decidir se quer fazer alterações

ao seguro actual ou mudar de

caixa. Informações sobre os prémios

para 2022, o que tem de fazer para

mudar de caixa, solicitar uma redução

dos prémios, etc., em: https://www.

priminfo.admin.ch/de/praemien.

16 dias de actividades

contra a violência contra

mulheres

Também este ano numerosas organizações

de todo o mundo organizam

diferentes acções para exigir o fim da

violência contra as mulheres. Ao longo

de 16 dias, de 25 de Novembro até

10 de Dezembro, realizam-se cursos,

conferências, workshops, manifestações,

etc., para sensibilizar a opinião

pública sobre a situação das mulheres

e apresentar as suas reivindicações.

Informação sobre as actividades previstas

na Suíça em: https://www.16tage.ch/de/16-aktionstage-7.html

Portugal e Espanha: Formação

para trabalhadores

da construção

Ainda se pode inscrever

Como já anunciámos no último

número do Horizonte, também

em 2022 os trabalhadores da

construção podem aproveitar o Inverno

para fazer a formação sobre

técnicas da construção em Portugal

ou Espanha.

Os cursos de 2022 têm lugar de

3 de Janeiro a 25 de Fevereiro de

2022, em Santiago de Compostela,

Porto e Lisboa. Poderão participar

os trabalhadores que trabalharam

no sector da construção na Suíça

pelo menos 6 meses nos 12 meses

anteriores ao início do curso.

A inscrição deve ser feita até 2 de

Novembro através da empresa. Os

formulários de inscrição podem

ser baixados neste link: https://bit.

ly/3Anq8tK.

Mais informações no seu secretariado

Unia ou através de migration@unia.ch.

12 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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POSTAL DO DIA

AGRICULTURA

Como a Ciência desfaz 5 mitos contemporâneos

sobre a produção dos alimentos

CAVACO:

um homem pouco recomendável

LUÍS OSÓRIO (*)

1.— Cavaco Silva voltou a aparecer.

Às vezes, um livro.

Outras vezes, um ajuste de contas.

Contra pessoas, contra a esquerda,

contra a má moeda, contra qualquer

política menos ele próprio – o homem

não se cansa de ajustar contas

com o seu ressentimento.

Conseguem citar-me algum discurso,

alguma frase, alguma linha de algum

discurso que ele fale realmente bem

sobre alguém?

Cavaco apareceu outra vez.

Para diabolizar António Costa.

Para espetar uma faca no pobre Rui

Rio.

Para dar prova de vida.

E sempre que surge – qual D. Sebastião

sem nevoeiro – é como fazer-me

regressar à Feira Popular da minha

infância, a um comboio fantasma de

que tinha pavor por no meu íntimo

achar que poderia ficar preso para

sempre num lugar com gente que me

puxaria para baixo, que me esconderia

da luz, que me assustaria de morte.

2.— Cavaco Silva representa uma

parte da minha vida.

Uma parte da vida do país.

O homem que mais anos esteve no

poder em democracia.

E o homem que ainda hoje, mesmo

tendo em conta esse detalhe, continua

a dizer que não é um político.

O homem que beneficiou de alguns

privilégios conhecidos, mas que continua

a pairar como se lhe devêssemos

alguma coisa, como se lhe tivéssemos

de ir comer à mão.

O homem que tem de si próprio uma

imagem elevada. O mesmo que recusou

o pedido de Salgueiro Maia quando

este, numa carta ao então primeiro-ministro,

lhe pediu uma humilde

pensão. Na verdade, Cavaco nunca

recusou pensão ao herói da liberdade,

para ser verdadeiro nem sequer

lhe respondeu como na altura referiu

a mulher de Salgueiro Maia. A mesma

pensão que deu a dois ex-inspetores

da PIDE poucos meses depois.

O homem que não fez nenhuma declaração

aquando da morte de José

Saramago, nem uma palavra. Uma

vergonha, uma canalhice. Porque Cavaco

era Presidente da República!

3.— Cavaco é uma pessoa pouco recomendável.

E quando regressa, com mais um livro

ou uma entrevista, eu torno a

entrar no comboio fantasma e a ver

uma figura que corporiza o que mais

detesto no ser humano.

Por isso, esta declaração é apenas

mais do mesmo. É coerente e deixa

sempre o sabor azedo de um outro

tempo, o sabor fora de prazo de uma

embalagem que nos recorda que há

coisas que não podemos levar novamente

à boca.

(*) O autor escreve segundo o

Acordo Ortográfico

A CIENTISTA AGRÍCOLA (*)

No Dia Mundial da Alimentação, um

conjunto de entidades ligadas à cadeia

alimentar deixa um repto à sociedade

civil: alimente o seu cérebro

com informação saudável.

Ao assumir este apelo, partilhamos dados

científicos para desfazer alguns mitos sobre

o impacto da produção alimentar no

ambiente. A produção de alimentos, algo

essencial à vida, não pode ser o bode expiatório

da situação ambiental em que se

encontra o planeta, sob pena de causarmos

um problema ainda maior do que o

que temos atualmente. A prosseguirmos

neste caminho, em que parece existir relativamente

à produção de alimentos uma

atitude negacionista, muito semelhante ao

que alguns nichos têm acerca das vacinas

contra a Covid-19, teremos um planeta ambientalmente

doente e repleto de insegurança

alimentar.

É necessária uma educação alimentar e informação

credível para que os consumidores

possam fazer as suas escolhas, de uma

forma livre e consciente.

No sec. XXI, para produzir alimentos também

trabalhamos com ciência. É esse o trabalho

diário do Laboratório Colaborativo

FeedInov, uma associação constituída por

empresas do setor, universidades e entidades

ligadas à investigação, inovação e desenvolvimento.

Para dar um toque de ciência a uma discussão

que é tantas vezes repleta de meras

opiniões, congregámos 5 mitos recorrentes

sobre a produção agropecuária e mais especificamente

sobre a produção de alimentos

de origem animal, tal como informação

científica que os desfaz.

Mito 1: A agricultura animal é responsável

por 20% das emissões de gases com

efeito estufa.

Facto 1: Com base nos dados de 2019 publicados

pelo inventário nacional de emissões,

em Portugal, a agricultura, como um

todo, é responsável por 10,8% do total de

emissões de Gases de Efeitos de Estufa

(GEE). À produção de alimentos de origem

animal, poderemos alocar 7% das emissões

totais de GEE.

-Mito 2: A agricultura animal produz

uma quantidade de GEE equiparáveis à

(*) Rosa Moreira Criadora e Gestora de Conteúdos Agrícolas

soma de todos os meios de transporte: aéreo,

marítimo, automóvel e rodoviário.

Facto 2: Com base nos dados de 2019 publicados

pelo inventário nacional de emissões,

em Portugal, no ano de 2019, o total

de emissão GEE repartiu-se por quatro

grandes categorias: energia – 69,9%; processos

industriais e utilização de produtos

(IPPU) –12,1%; Agricultura – 10,8% e resíduos

– 7,2%. Podemos (e devemos) dividir

o setor energético em diferentes fontes de

emissão, assim: 28% das emissões totais

provêm dos transportes (aéreo, marítimo,

automóvel, rodoviário e caminhos de ferro)

que produzem no total cerca de 22 mil

Kton CO2eq, enquanto agricultura animal

produz 4 mil Kton, 7% do total de emissão

de GEE.

Mito 3: São precisos 4kg de cereais

e outros vegetais para produzir 500 gr de

carne

Facto 3: Os ruminantes, as vacas, por

exemplo, digerem plantas que os humanos

não têm capacidade de digerir – como

a erva, subprodutos da indústria agrícola,

forragens (feno, palha, silagem) entre outros

– reduzindo o que se considera resíduo

e transformando-o em produtos com valor

nutricional para o ser humano: carne, leite

e seus derivados.

Para produzir 1kg de proteína animal são

necessários, em média, 6 kg de proteína

vegetal (de 2 a 10 dependendo das espécies

animais e sistemas de produção), contudo,

cerca de 86% da proteína usada por ruminantes

não é adequada para a alimentação

humana.

Mito 4: A produção animal e a produção

de alimentos para animais ocupam

área que poderia estar a ser utilizada para

produzir alimento para humanos

Facto 4: A ideia de que os animais concorrem

com os Humanos por alimento é

recorrentemente utilizada e, na realidade,

a nível mundial, a produção animal utiliza

cerca de 70% (2,5 biliões de ha) de

área agrícola. No entanto, metade desta

área são pastagens permanentes e áreas

marginais (de montanha, pântano, entre

outros), que não são nem podem ser (por

não têm características para tal) cultivadas

para produção de cereais ou proteaginosas,

e são quase exclusivamente utilizadas

por animais herbívoros (na sua maioria

ruminantes). Os animais que pastam e se

alimentam destas áreas contribuem diretamente

para a produção de alimento de elevado

valor nutricional (carne, leite) a partir

de biomassa não edível. A outra metade da

área agrícola consiste em cerca de 0,7 biliões

de ha de pastagens temporárias que

podem, de facto, ser cultivadas. No entanto,

se tal acontecer, haverá alteração do uso

do solo e perda de serviços de elevado valor

ambiental, como a contribuição para a

manutenção da biodiversidade e das zonas

rurais, que são garantidos enquanto estão

a ser pastoreadas. Uma parte bastante significativa

da área utilizada para alimentar

a produção animal são áreas marginais ou

pastagens que providenciam, além de alimento

aos animais, serviços de ecossistema

que, até ao momento, não são contabilizados.

Mito 5: Uma dieta que contenha produtos

animais é nefasta para a saúde humana

Facto 5: Os estudos que sugerem que uma

dieta vegetariana é “melhor” do que uma

omnívora, têm como referência, na sua

maioria, a comparação com uma má dieta

aoestilo americano (conhecida por Standard

American Diet – SAD) e não consideram

o estilo de vida ou a atividade física.

Na realidade, das poucas vezes que estes

fatores são cruzados, não existe nenhuma

relação entre o consumo saudável de produtos

animais e um risco acrescido para a

saúde.

A destacar, relativamente a este aspeto, o

facto de a alimentação de origem animal

ser a única (além da suplementação direta)

que pode fornecer vitamina B12 aos humanos

e, assim, evitar a anemia por ausência

de ferro, uma vez que outras fontes de ferro

têm fraca absorção.

A este propósito, fará sentido referir que

estudos recentes mostram problemas de

subnutrição em países “desenvolvidos”.

Atualmente na Austrália, cerca de 40% das

raparigas adolescentes entre os 14 e os 18

anos revelam baixos níveis de ingestão de

ferro (Australian Bureau of Statistics, 2021).

Algumas das razões apontadas para esta situação

incluem uma alimentação esporádica

ao longo do dia e dietas restritivas quanto

à inclusão de carne.

Para assinalar o Dia Mundial da Alimentação,

as entidades subscritoras reiteram o

compromisso com os desafios societais, designadamente,

a sustentabilidade, o combate

às alterações climáticas, o bem-estar animal

e o direito a uma alimentação saudável

e disponível para toda a população.

F acientistaagricola - macientistaagricola.pt

14 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

15



CRÓNICA

Por aqui, negoceia-se o Orçamento

de Estado.

O PAN, vai aprovar com a passagem

das entradas nas touradas

a partir dos 16 anos, o PCP

e o Bloco de Esquerda, numa

chantagem inusitada, causam

incerteza e como sempre, a esquerda

não se entende, aliás,

não é novo e a direita, apesar

de moribunda vai ganhando

tempo, para regressar, minando

e aproveitando estas guerras

alheias, mas que na altura

dos votos, vão todos, mesmo

que arregimentados pelos caciques

locais

Fiz parte há alguns anos, para

além de colaborador, da Direção

de Conteúdos da Revista

Noudar, uma aventura transfronteiriça.

Nesse mês, a que

me refiro, o tema era o Touro.

Ó diabo. Uma das minhas

contradições. Resolvi escrever

a verdade, a minha infância,

mesmo sem ser os dezasseis

que valeram um sim por parte

do PAN.

Vou deixar-vos com essa

crónica.

DO NOSSO CANTINHO PARA O VOSSO CANTÃO

AS FERRAS

AS FERRAS

ARAGONEZ MARQUES (*)

Catorze? Quinze? Dezasseis anos?

Foi por essa altura que decorriam

“as ferras” de que vos falo.

Pediu-me a Noudar que escrevesse

algo. Touros, o tema, ou Toiros, talvez

não saibam que se pode dizer de ambas

as maneiras. Touros, mais campestre,

mais rural, mais Alentejo, mais sol de

praça, Toiros, mais cidade, mais finura,

mais português de academia se academia

houvesse, mais lugares à sombra.

Lembro-me, de cima deste meio século

que tenho (hoje tenho mais), de

um barracão, onde se guardavam as alfaias

agrícolas, que nesse dia, o dia da

“ferra”, se transformava em grande salão

de comidas e bebidas. Uma grande

mesa ao meio, muitos cavaletes a sustê-la.

Toalhas grandes, de pano, algumas

bordadas, sobrepostas nas pontas,

esticadas, muitas, cobriam o tampo da

enorme mesa e as patas dos cavaletes.

Sobre elas, uma imensidade de pratos

e iguarias. Nada de garfo e faca nesse

dia, à mão, navalhas abertas e cortantes.

Um exagero de comida que definia,

às vezes por presunção, o lavrador

que não lavrava, o dono da terra, do

barracão, das alfaias, dos cavaletes, das

toalhas, dos pratos, das iguarias e dos

toiros. Toiros. Que quem os cuidava

chamava Touros.

Eram gentes de sol.

Por essa altura, teria o meu pai, que

nos deixou há pouco tempo para sempre

e cujo luto ainda não tive tempo

de fazer, pouco menos do que a idade

que tenho hoje, e era pela sua mão,

pois trabalhava nas veterinárias, que

eu tinha contacto com esse dia, o dia

da “ferra”.

Logo cedo, as vacas e os aprendizes de

touro, eram metidas num redondel e

contratavam-se “os forcados”, um grupo

dos próximos, os de Portalegre, os

de Sousel... que os de Alcochete, Vila

Franca de Xira, Coruche ou Santarém,

estavam destinados às “ferras” Ribatejanas,

para agarrarem o gado, um a um,

que depois de bem sustido e caído no

chão, era alvo dos ferros em brasa que

dormitavam com as pontas alaranjadas

de calor, no escaldante braseiro ateado

pela manhã e que durava enquanto

houvesse vaca ou cria que não fosse

ferrada. Aproveitavam os donos essa

imobilidade do bicho, e se agarrados

uma vez, tudo se faria aproveitando o

momento, não só a “ferra” como a vacinação

e a recolha de amostras de sangue

para análise da brucelose, que nessa

altura, amedrontava os bolsos dos

ganadeiros, e era aqui, que aparecia o

meu pai e entrava eu, catorze, quinze,

dezasseis anos? Não sei bem, mas

que importa o tempo se tudo continua

igual, ou parecido, só que eu, deixei

de ser convidado, e agora, com o meu

pai em viagem infinita e sem retorno,

darei por encerradas presenças físicas,

e manterei apenas as memórias que

partilharei com filhos, netos, amigos e

com você.

Depois da “ferra” ( a vacinação e a

prevenção de doenças) não é mencionada

na especialidade deste dia, apenas

o ferro, a posse, o cheiro a carne

queimada, o mugir agudo das reses...

vinha a festa.

Mas não é critica esta partilha consigo

desta vivência juvenil, e não o é,

porque gostava, direi mais, adorava,

e sabendo que ia acompanhar o meu

pai, bem antes dele acordar, já eu estava

desperto, excitação no corpo, e a

enorme expectativa do dia diferente

que iria nascer para mim.

Levávamos o velho Lange Rover dos

Serviços Pecuários de Portalegre, a

velha Intendência Pecuária de que o

meu pai era funcionário, e o cheiro do

campo misturado com o “pecusanol”

e o “tiabendazol” dentro do jipe, os

saltos do carro pela estrada de terra,

os fatos de macaco brancos e aqueles

amanheceres, ainda ocupam um espaço

privilegiado nos meus sentidos.

Depois do trabalho, seguia-se o almoço,

manchando as toalhas com nódoas

de azeitona, molhos de cabrito,

sopa de cachola, pimenta que apaladava

os queijos frescos (comidos

antes das análises), e um sem fim de

sobremesas desde o arroz doce até às

“mousses” de todas as qualidades, cores

e paladares.

Comia-se de pé. Todos sabíamos porquê,

ou quase todos, pois os noviços

de nada se precaviam. O meu pai,

enquanto metia um panado na boca

segurando com a outra mão o prato,

dizia-me sempre “ não tires os olhos

dos portões”.

Eram portões grandes, capazes de

engolir as ceifeiras debulhadoras, um

em cada ponta do barracão, e então,

quando menos

se esperava, entrava por um deles

uma vaca brava, tão assustada como

nós, correndo a caminho do outro

portão, por onde entrava a luz e sabia

que estava a liberdade. Quanto aos

comensais, largavam pratos e copos,

saltavam por cima das toalhas bordadas,

entornavam jarros de pura cepa,

e as senhoras também, e as crianças

que os pais arrebatavam num impulso

salvador. Depois, quando a vaca saia,

eram os risos, os comentários, o sangue

que se aquecia com os copos que

se enchiam, a festa da “ferra”.

de burro, as mães vigiando, os pais

curtindo a pançada ressonando pelas

sombras, debaixo das azinheiras ou

protegidos pelas paredes exteriores

do sítio da festa.

E às cinco horas, sempre às cinco, havia

um encontro marcado no redondel.

Era o culminar.

As senhoras e as crianças recolhidas

sobre as zorras dos tratores, ou das

carroças de madeira fechadas em círculo.

Os homens, os rapazes, como

um ritual, adrenalina à tona, esperando

a saída do novilho, as correrias à

sua frente, os volteios, as fintas, os

medos, os risos da assistência. Começava

então a aparecer no público, canas

ao alto, rachadas nas pontas, com

notas de escudo entaladas. Os moços,

do grupo convidado, que utilizavam

“as ferras” para treinos das corridas

de verdade, com touros de verdade,

sem nada receberem em troca do que

o enaltecer da sua vaidade, faziam-

-se caros. Deixavam que mais canas

com notas subissem ao alto, e quando

contavam uma maquia interessante,

saltavam para o redondel demonstrando

bravura. Alinhavam-se em fila

indiana, o primeiro chamava o novilho,

pé ante pé, pavoneava-se frente a

frente com o animal. Batia-lhe as palmas,

mais um passo curto, um salto

chamativo, mãos nas ancas, “ei, touro

lindo”, “ei, touro, touro, touro lindo”,

e o novilho arrancava, nobre, olhos

fechados, como fechados ficavam os

braços do forcado galopando na sua

cabeça.. Depois saltavam-lhe em cima

os restantes moços, desmanchando a

fila, e um, o último a largar o touro, o

rabejador, agarrado à cauda do touro e

fletindo um joelho, contrário à perna

esticada, riscava um círculo no chão,

como um compasso marcando a terra.

Recolhiam depois as notas das canas

que se lhes apontavam, era a paga do

seu esforço.

A sua bravura, a coragem que aparentavam,

estava arroupada pela técnica, por

muitas “pegas” repetidas, por muitas

instruções passadas pelos mais velhos e

concentradas no “cabo” do grupo.

Podem na praça, reencontrar-se com

o animal da “ferra”, quatro, cinco anos

depois, e aí sim, todo o trabalho aparece

na montra da praça.

Também esses dias fazem parte da

minha memória.

CRÓNICA

Tinha a sorte da corrida das festas da

minha terra, durar para mim todo o

dia. Enquanto começava para a maior

parte do público às seis da tarde, todos

os anos, religiosamente no dia 23

de Maio, Dia da Cidade de Portalegre,

comemorando o foral que lhe foi

outorgado pelo rei D. João III, para

mim, começava às oito horas da manhã,

visitando os curros com o meu

pai, verificando se os touros estavam

em condições, assistindo ao sorteio

dos animais pelos representantes dos

cavaleiros, à embolação dos touros,

vendo as apostas feitas neste ou naquele

animal.

Toda a manhã se falava da corrida

da tarde, e curiosamente esse não era

para mim o melhor momento. Começava

o crepúsculo da festa, e por

cada hora que passava o final aproximava-se

doentio. Depois da corrida,

onde por decisão da lei portuguesa

não se matam os touros na praça, assistia

com mágoa ao desenrolar dos

bastidores. Já não ia ao jantar dos toureiros,

onde se cantava o fado. O meu

pai levava-me para casa, mas um dia vi.

Vi como sofriam os touros depois

da corrida portuguesa.

São colocados dois barrotes atravessados

num curto corredor, um por cima

e o outro por baixo do pescoço do

touro, tornando-o num animal sem

qualquer defesa. São-lhe depois arrancadas

as farpas, com uma navalha que

lhes retalha a carne e deixa a nu buracos

disformes de carne viva. Depois,

para que não infete (disseram-me),

regam-se os buracos com creolina enquanto

o touro berra e movimenta as

partes traseiras sem sucesso de liberdade.

Várias horas depois, o animal

tem febres altas, e ou morre no matadouro

doente e febril ou dizem, são

levados de novo para os prados onde

se curarão ou não. Não sei. Fui testemunha

do matadouro, nunca acompanhei

a devolução do animal aos campos.

Dizem que sim, que se curam,

dizem até que são novamente vendidos

para serem corridos em praças

pequenas em negócios fraudulentos e

perigosos para os toureiros.

Talvez por isso, recorde “as ferras”, a

alegria que sentia tão cerca do touro,

ou toiro.

Sol e Sombra.

Descansava-se depois por ali, debaixo

dos sobreiros, as crianças andando

16 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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ACTUALIDADE

Orçamento 2022:

idosos, crianças e operários com tanto poucochinho!

COSTA GUIMARÃES (*)

O Parlamento chumbou esta quarta-

-feira, dia 27 de Outubro, na generalidade,

a proposta de Orçamento do

Estado para 2022, com 117 votos contra,

108 a favor e cinco abstenções.

Foi a segunda vez que um Orçamento

de Estado chumbou no parlamento

em 47 anos de democracia, mas

a primeira em que a rejeição dará,

como já antecipou o Presi dente da

República, origem à dissolução da

Assembleia da República.

Ficou tudo suspenso. Alguns comentadores

perguntam: como é que PCP e Bloco

de Esquerda (Jerónimo Sousa e Catarina

Martins) vão explicar a muitos dos seus

apoiantes, provavelmente a maioria (operários

fabris, da indústria têxtil, funcionários

da administração local, etc, etc,),

como derrubaram um governo que concretizou

tantas conquistas e queria em

2022 proceder à maior subida do Salário

Mínimo Nacional?

O Salário Mínimo Nacional estava em 485

euros mensais em 2011 e assim se manteve

inalterado até 2014. Desde 2015 até agora

passou dos 505 para os 705 euros (em

2022), se o Orçamento fosse aprovado.

Era a maior subida de sempre — seis por

cento.

Mais se pode enumerar e argumentar com

base no orçamento, mas deixamos aqui

três propostas de “peso” estrutural e que

mexiam nas algibeiras dos portugueses

em janeiro, muitos, mas muitos milhares

de portugueses teriam o salário mínimo

aumentado, mais 40€ mensais, mas a rejeição

do orçamento deita por terra esse

aumento;

em janeiro, muitos milhares de pensionistas

iam ter mais 10€ por mês na sua reforma.

Não vão ter.

em janeiro íamos ter creches gratuitas, o

que era um alívio na estrutura financeira

de muitas e muitas famílias.

Com a rejeição deste orçamento, a vida

de centenas de milhares de portugueses

fica congelada e mais pobre. Em síntese:

famílias, idosos e trabalhadores ficam “de

mãos a abanar”.

Estranhamente, lembram os comentadores,

repetiu-se o que aconteceu exactamente

há dez anos, em 2011: os ditos

partidos de esquerda — Bloco de Esquerda

e Partido Comunista Português — uniram-se

à direita na “patriótica” missão de

derrubar um governo socialista.

Há 10 anos, chumbaram o PEC IV; agora,

deitaram ao lixo o Orçamento de Estado

para 2022, algo nunca visto no Portugal

Democrático.

Comportam-se, na verdade, como os aliados

estratégicos da direita nos momentos

fundamentais.

António Costa também não fica bem nesta

desgraçada fotografia: cometeu o erro

histórico de confiar em quem manifestamente

não é nem nunca foi confiável!

No meio desta confusão, inquietante é a

possibilidade de tudo ficar na mesma após

as eleições.

Ou seja, os partidos fazem-nos perder

tempo e recursos com nefastas repercussões

a nível internacional e na credibilização

da democracia.

A Assembleia da República prestou um

péssimo serviço aos portugueses, criando

uma escusada crise política que se une à

crise económica e sanitária em vigor.

Resta alguma esperança, no entanto, a

avaliar pelo que escrevia o jornal público

no dia seguinte: Fernando Rocha Andrade,

ex-secretário de Estado dos Assuntos

Fiscais, afirma ao PÚBLICO que “o

aumento do salário mínimo pode entrar

em vigor em Janeiro”. (cf. https://www.

publico.pt /2021/10/28/politica/noticia/

governo-decretar-aumento-salario-minimo-1982774)

O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro

afirmou, em entrevista à TSF,

que o governo vai avançar com o aumento

do salário mínimo para os 705 euros, prometido

para Janeiro de 2022.

“O Governo está em exercício de funções,

na plenitude das funções, e aquilo que

puder fazer fará. Temos dito sempre: ‘palavra

dada, palavra honrada,” disse Tiago

Antunes, acrescentando que o Executivo

pretende aplicar as medidas previstas na

proposta de Orçamento do Estado chumbada

na quarta-feira.

TANTO POUCOCHINHO

O PS apresenta o Orçamento mais à esquerda,

nos últimos 47 anos, — como

escreveu o insuspeito Finantial Times —

mas a esquerda (CDU e BE) uniu-se todos

os partidos da Direita para lançar no cesto

do lixo. Francisco Assis tinha anunciado,

em 2018, que a geringonça era como um

iogurte, com prazo de validade (cf. https://bit.ly/3bmLrBE)

Longe vão os tempos em que o mesmo jornal

inglês se espantava como a “perspetiva

brilhante de Portugal que oferece alguma

esperança à Europa”.

Há dois anos, o diário económico britânico

publicou um editorial onde afirma que

a esperança para a Europa vem de um país

insuspeito: Portugal. Mas deixou alertas

para mudanças necessárias na próxima legislatura,

citando um provérbio português:

“Quem tudo quer, tudo perde” e no final é

o povo que se lixa (os mais vulneráveis, os

que auferem menos pelo seu trabalho). (cf.

https://www.ft.com/content/4d36d9cc-bd-

0f-11e9-b350-db00d509634e).

QUANDO CUSPIMOS VENENO

MORREMOS ENVENENADOS

A memória é fodida — desculpem o palavrão.

No fim, digam se estou a ser mal

educado, ou mentiroso, e não tomei a dose

suficiente de chá em pequenino.

Depois das eleições Europeias de 2014,

depois de um resultado não tão famoso

do PS de António José Seguro, apesar

de este ter vencido, António Costa disse:

quem ganha por poucochinho é capaz de

poucochinho. Esta reacção cínica, foi o arranque

de Costa para pontapear os glúteos

do rapaz de Penamacor. Costa acabou por

nem ganhar em 2015, tendo que se aliar à

esquerda radical para não levar, um pontapé

nas “nádegas”. Depois, nas eleições de

2019, ganhou por poucochinho.

De forma cirúrgica e paulatina, lá mandaram

borda fora os indesejados. Se calhar

eram demasiado independentes...

Foi a segunda vaga, e que vaga! Quando

cuspimos veneno para o ar, morremos envenenados.

“Eu sei que muitas vezes se diz que por um

se ganha e por um se perde. É verdade, no

futebol é assim. Na política não é assim.

É que a diferença faz muita diferença, na

política. É que quem ganha por poucochinho

é capaz de poucochinho. E o que nós

temos de fazer não é poucochinho. O que

nós temos de fazer é uma grande mudança”,

disse (cf. https://bit.ly/3pLgnE9).

Uma semana antes do Dia de Finados, a

“geringonça” exala o último suspiro. António

Costa — outrora o grande agregador

da esquerda, derrubador de putativos “muros

de Belim” — acaba mais isolado que

nunca. Nem PCP, nem Bloco de Esquerda,

nem sequer o PAN aprovam o seu Orçamento

do Estado.

Como diria António José Seguro, tudo isto

é poucochinho. Cá se fazem, cá se pagam.

O QUE SE SEGUE ATÉ JANEIRO?

ACTUALIDADE

Como não se demite, o primeiro-ministro

continua em pleno de funções e de acordo

com o artigo 186.º da Constituição, os governos

ficam limitados “à prática dos atos

estritamente necessários para assegurar

a gestão dos negócios públicos” em duas

circunstâncias: “antes da apreciação do seu

programa pela Assembleia da República,

ou após a sua demissão” -- opção que o primeiro-ministro,

António Costa, afastou.

As eleições nunca serão este ano. Até lá, ou

pelo menos até ao final deste ano de 2021,

o primeiro-ministro continua a governar

com um Orçamento em vigor, ou seja, o

orçamento de 2021 que foi aprovado na

AR em 2020, por duodécimos.

O regime de duodécimos, que entra em

vigor em 2022, limita a execução mensal

ao dividir por 12 o orçamentado para este

ano, até haver um novo orçamento.

Estão no entanto excluídas as “despesas

referentes a prestações sociais devidas a

beneficiários do sistema de Segurança Social

e das despesas com aplicações financeiras”.

Com a prorrogação do OE2021, o Governo

pode “emitir dívida pública fundada, nos

termos previstos na respetiva legislação”

e ainda “conceder empréstimos e realizar

outras operações ativas de crédito, até ao

limite de um duodécimo do montante máximo

autorizado pela lei do Orçamento do

Estado em cada mês em que a mesma vigore

transitoriamente”.

O Presidente da República já tinha dito

que, perante um chumbo do Orçamento,

iria iniciar “logo, logo, logo a seguir o processo”

de dissolução do Parlamento e de

convocação de eleições legislativas antecipadas.

Para dissolver a Assembleia da República

o Presidente da República tem de ouvir os

partidos nela representados e o Conselho

de Estado.

E nessa altura começa a contagem para novas

eleições. E o que diz a Constituição a

este respeito?

Nos termos da Lei Eleitoral para a Assembleia

da República, o Presidente da República

tem de marcar a data de eleições legislativas

“com a antecedência mínima de

60 dias ou, em caso de dissolução, com a

antecedência mínima de 55 dias”.

O artigo 179.º da Constituição estabelece

também que, a partir do momento em que

é decretada a dissolução do parlamento,

“funciona a Comissão Permanente da Assembleia

da República”, que é composta

pelo seu presidente, pelos vice-presidentes

e por deputados indicados por todos os

partidos, de acordo com a respetiva representatividade

parlamentar.

(*) António Costa Guimarães, é

Jornalista, foi Capelão Militar e

Director do jornal Correio do Minh

18 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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CRÓNICA

CRÓNICA

Guerra colonial portuguesa:

a nossa bazuca destruidora!

COSTA GUIMARÃES (*)

Cerca de 14 mil milhões de euros

a fundo perdido vêm da Europa

para Portugal para recuperar da

crise pandémica, nos próximos

sete anos mas a nossa Guerra

Colonial (ou do Ultramar)

custou-nos mais de vinte e

quatro mil milhões de euros.

Que Bazuca de destruição!

Os números constam do novo livro “Os

números da Guerra de África”, publicado

em Agosto deste ano, pelo Tenente-

Coronel Pedro Marquês de Sousa, através

da Guerra e Paz, Editores L.da.

Ao longo de 380 páginas, este mestre

em História pela Faculdade de Letras da

Universidade de Lisboa e doutor pela

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

da Universidade Nova de Lisboa, oferecemos

um portentoso retrato da Guerra

Colonial Portuguesa.

DESPESAS DA GUERRA

A Guerra Colonial chegou a custar seis por

cento do nosso PIB (cf. p. 259). Segundo

os valores da actualidade, “a guerra

de África terá custado ao Estado

Português mais de vinte e quatro

mil milhões de euros”. O que nos faz

ficar espantados com as actuais despesas

militares: 588 milhões de euros (Exército),

519 milhões (Marinha) e 411 milhões (Força

Aérea) em 2018.

Apesar destes valores, não imaginamos

como combatiam os nossos jovens: “A

alimentação consistia em dobrada

liofilizada que, ao ser recuperada

com água, deixava um cheiro

nauseabundo, capaz de tirar o apetite

mesmo ao mais esfomeado, bacalhau,

conservado na maior parte das vezes

em latas de cal, e os vegetais era raro

aparecerem; carne, só de caça, pois a

congelada também não aparecia...”

(Salgueiro Maia, in Capitão de Abril —

História da Guerra do Ultramar e do 25 de

Abril).

Um furriel, no Niassa, em Moçambique,

escreve que “os homens tinham de

comer durante alguns dias apenas

arroz com feijão” (cf. p. 287).

Se olharmos para o número de mortos na

Guerra Colonial Portugal, constatámos

que o Minho deu, desgraçadamente para

muitas mães, namoradas e noivas, irmãos,

primos e amigos um contributo ímpar e

esteve na linha da frente dos sacrifícios de

vidas, entre 1961 e 1974.

Se exceptuarmos o distrito do Porto, o

Minho (incluindo os distritos de Braga e

Viana do Castelo) ocupa um dramático

segundo lugar no pódio do número de

vítimas mortais durante aqueles anos: 760

mortos contra 925 portuenses.

Nestes distritos, Porto e Braga (sem contar

com Viana do Castelo), eram recrutados

65 % dos militares

Se olharmos pela tabela distrital, Braga

surge em segundo lugar com 580 mortos, o

que proporcionalmente, face à densidade

populacional, coloca o distrito em

primeiro lugar. O distrito do Porto regista

925 mortos. Para se averiguar a desgraça

que aconteceu nos distritos do interior do

país, Lisboa regista 553 mortos, menos 47

mancebos mortos que Braga.

É verdade que os locais com “mais

homens em idade militar eram os

distritos de Porto, Lisboa e Braga”

e a região Norte ( a Norte do rio Vouga)

tinha mais de 50% dos homens em idade

de ir à tropa....Porto ocupa o primeiro

lugar (15,3%) seguido de Braga com 8.6%.

Trata-se de um conjunto de dados

que o autor admite como “certamente

discutível” sobre uma guerra que “marcou

e marca profundamente toda uma

geração de cidadãos, em especial

os combatentes” mas sabe-se que é

a primeira “investigação rigorosa”

que nos permite “aspirar a estar mais

próximos da verdade histórica”

— escreve o presidente da Comissão

Portuguesa de História Militar (CPHM),

João Vieira Borges, Major-General.

Com uma escrita simples, “acompanhada

de um conjunto alargado de quadros

e gráficos complementares”, este livro

possui uma “dose muito equilibrada

de razão e de paixão” e é por isso que

a sugerimos como um bom presente

de Natal para combatentes da Guerra

Colonial Portuguesa.

UMA OPERAÇÃO ÚNICA

NA NOSSA HISTÓRIA

“Nunca em Portugal se tinha realizado

um processo de recrutamento e

mobilização militar com a dimensão

daquela que aconteceu durante o

período da Guerra em África (1961-

1974), com grandes implicações sociais

e económicas, desde o aumento da

emigração até ao impacto nas contas

do Estado” — garante o autor.

Sim, durante a guerra da restauração

(1640.1668), nas invasões francesas

(1807.1811) e mesmo na I Guerra Mundial,

nunca Portugal se tinha organizado e

realizado um sistema de recrutamento e

mobilização militar com a dimensão do

período entre 1961-1974.

De facto, acrescenta, durante treze anos,

o Governo português “empenhou

bastantes recursos, mas foi incapaz

de encontrar uma solução política

para o problema colonial”, apesar dos

conselhos estrangeiros, da perda da Índia

(1961) e da atitude dos principais aliados

portugueses, prevaleceu o princípio do

“orgulhosamente sós”.

ALGUNS NÚMEROS

A Guerra Colonial Portuguesa empenhou

nas três frentes (Angola, Moçambique e

Guiné-Bissau) oitocentos mil portugueses,

sendo 70% oriundos de Portugal e os

restantes recrutados nas Colónias.

Na fase final da guerra, tínhamos 163

mil mancebos destacados no Ultramar,

algo que “nunca tinha sucedido na

História de Portugal”, sendo 70 mil

em Angola, mais de 35 mil na Guiné e

quase 57 mil em Moçambique.

Um grande número jovens fugiu da guerra

e emigrou — cerca de 230 mil —, sendo

umas 202 mil faltosos e cerca de vinte

mil refractários, aos quais se juntam mais

nove mil desertores. Basta ver que, em

1933 emigraram 115 mil portugueses, em

1959 saíram de Portugal 400 mil pessoas

e em 1960, a emigração subiu para quase

um milhão e meio de portugueses, a

uma média anual de quase cem mil

portugueses. Sabe-se hoje que, em França,

em 1974, estavam em França — onde já

viviam 600 mil lusitanos — 60 mil jovens

que fugiram da guerra.

Acresce que muitos jovens “casavam

antes do serviço militar”, antes dos 20

anos. Este número de jovens casadoiros

sobe de 2560, em 1960, para os 5340, em

1972. O elevado número de homens em

idade militar que “não sabiam ler” tem

severas implicações na preparação dos

nossos soldados, antes de serem enviados

para os terrenos de guerra.

A guerra colonial causou a morte de

44.600 pessoas e ferimentos graves

em 53 mil baixas entre os combatentes

portugueses (p. 97).

No capítulo dos soldados, registam-se

mais de dez mil mortos e mais de 31 mil

feridos graves.

Na população civil, temos seis mil mortos

e 12 mil feridos graves. Nos movimentos

de Libertação os números apontam para

a morte de 28 mil mortos e menos de dez

mil feridos graves.

A TRASLADAÇÃO DOS MORTOS

A trasladação dos mortos em combate,

é um dos “aspectos mais tristes e

lamentáveis”: a impossibilidade, no

início, e depois a dificuldade para as

famílias receberem o corpo do seu filho

morto na guerra. No início da guerra,

os corpos tinham de ser sepultados

em África, não sendo possível fazer

transladações, mas posteriormente,

com a utilização de urnas em chumbo,

passou a ser possível a transladação para

a Metrópole, se a família do falecido

assegurasse os encargos. Assim, até 1966,

se a família do militar morto pretendesse

transladar o corpo para a Lisboa, “tinha

de pagar essa despesa que variava

entre os dez mil e os quinze mil

escudos”.

Só em 1967, o transporte do corpo deixou

de ser despesa para a família, através do

transporte militar muito demorado. Por

outras vias, o transporte de um cadáver

variava entre os 21 mil e os 52 mil escudos.

Num país pobre, muitas famílias ficaram

sem capacidade financeira para esse gesto

tão significativo.

Um livro que envergonha este Portugal,

mas devemos um obrigado a quem o

escreveu.

COMO TUDO COMEÇOU

Nos anos 50 começam a surgir os

embriões de importantes organizações

políticas. Em 1954 é criada União das

Populações do Norte de Angola (UPNA),

que em 1958 passa a designar-se União das

Populações de Angola (UPA). Em 1962, a

UPA e o Partido Democrático de Angola

(PDA) constituem a Frente Nacional de

Libertação de Angola (FNLA).

O Movimento Popular para a Libertação

de Angola (MPLA) foi fundado em 1956,

ano em que Amílcar Cabral criou o

Partido Africano para a Independência da

Guiné e Cabo Verde (PAIGC, na foto). E

m 1960 surge o Comité de Libertação

de São Tomé e Príncipe (CLSTP) e em

1962 é criada a Frente de Libertação de

Moçambique (FRELIMO), que resulta

da fusão de três movimentos: União

Democrática Nacional de Moçambique

(UDENAMO), União Nacional Africana

de Moçambique Independente (UNAMI)

e Mozambique African National Union

(MANU). A União Nacional para a

Independência Total de Angola (UNITA)

surgiu em 1966.

(*) António Costa Guimarães, é

Jornalista, foi Capelão Militar e

Director do jornal Correio do Minho

20 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

21



AGENDA

CIDADANIA

Informações

MAPS (*)

Caros leitores, mais eventos estão

ocorrendo novamente no setor cultural

e de lazer. No entanto, é importante

que você siga as medidas

de proteção contra o coronavírus.

Mantenha pelo menos 1,5 m de

distância com pessoas fora de sua

casa, lave suas mãos regularmente

e use uma máscara protetora, se

necessário. O certificado Covid é

exigido para eventos em espaços

fechados e para eventos com mais

de 1000 pessoas. Você pode encontrar

uma visão geral das medidas

atuais em vários idiomas em www.

stadt-zuerich.ch/coronavirus. Por

favor, informe-se antes de ir a um

evento. Apesar de tudo, a equipe da

MAPS deseja-lhe muita diversão!

(*) Escreve em português do Brasil

DOMINGO 7.11.

DANÇAS E RISADAS

O „Tanzhaus Zürich” faz as crianças

rirem! Isto acontece no solo de dança

„Ha ha ha” do coreógrafo Eugénie Rebetez

com o dançarino Tarek Halaby.

Para crianças a partir de 6 anos. 10:00-

10:45. O escritório da MAPS está sorteando

2×2 entradas gratuitas. Basta

ligar para 044 415 65 89 ou enviar um

e-mail para maps@aoz.ch.

Tanzhaus Zürich. Wasserwerkstr. 127a.

Tram 4/13/6 oder Bus 32 bis „Limmatplatz”.

https://www.tanzhaus-zuerich.ch/en/

events/ha-ha-ha/25773

DOMINGO7.11.

CONCERTO REAL

No século XVII, o rei francês organizou

enormes festas em seu castelo

com música, danças e fogos de artifício.

Hoje à noite, a orquestra „Ensemble

Le Grand Trianon” toca música

daquela época e os leva de volta àquele

tempo. Certificado Covid exigido.

17:00-18:15. Contribuição espontânea.

Alte Kirche Fluntern. Gloriastr. 98.

Tram 5/6 oder Bus 33 bis „Kirche Fluntern”.

http://www.legrandtrianon.ch/

SEGUNDA-FEIRA 8.11.

AULAS DE TANGO

O „Tango” é uma dança de casal da Argentina.

A escola de dança „El Social”

ensina como dançar tango com dançarinos

profissionais. Venha dançar sozinho

ou como um casal! Não é necessária

experiência prévia. Inscrição em

www.elsocial.ch. 19:15-19:45. Participação

gratuita.

El Social. Viaduktstr. 67.

Tram 4/6/13 bis „Lowenbrau”.

https://www.elsocial.ch/Tango-Argentin

TERÇA-FEIRA 9.11.

NOITE MISTERIOSA

DE CINEMA

O cinema estudantil da ETH „Filmstelle”

está exibindo hoje o filme „12

Angry Men”. O suspeito é um assassino?

12 pessoas têm que decidir. Suspense

garantido! O filme é exibido em

inglês. O programa completo do cinema

„Filmstelle” está disponível online.

20:00. CHF 5.-.

Kino Filmstelle. ETH-Zentrum. Universitätstr.

6.

Tram 6/9/10 bis „ETH/Universitätsspital”.

https://filmstelle.ch/12-angry-men/

QUARTA-FEIRA 10.11.

EVOLUÇÃO DOS

SERES VIVOS

Você sabe qual é a idade do planeta

Terra? 4,54 bilhões de anos! Descubra a

história da vida no „Zoologischen und

Paläontologischen Museum”. Aqui

você pode ver as criaturas assustadoras

que viveram na Suíça há milhões

de anos. Atualmente, você encontrará

uma exposição sobre a evolução dos

animais e das plantas. A especialista

Dra. Elke Schneebeli apresentará um

workshop sobre plantas fósseis hoje

à noite às 18:15. Ter-dom 10:00-17:00.

Entrada livre.

Zoologische und Paläontologische

Museum. Karl-Schmid-Str. 4.

Tram 6/9/10 bis „ETH/Universitätsspital”.

https://www.pim.uzh.ch/institut/veranstaltungen/vortraege.php

QUINTA-FEIRA 11.11.

CURSOS DE COSTURA

Você gostaria de fazer criações têxteis

ou trabalhar com moda? A organização

„Social Fabric” oferece cursos

gratuitos de costura para refugiados.

Profissionais da moda lhe mostram

como usar uma máquina de costura e

como costurar à mão. É necessário ter

conhecimentos da língua alemã, nível

A1. Não é necessária nenhuma habilidade

de costura. Todas as segundas e

quintas-feiras. 09:30-12:00. Participação

gratuita.

Social Fabric. 3. Stock. Eichstr. 29.

Bus 701 bis „Binz”.

https://www.socialfabric.ch/

SÁBADO 13.11.

MERCADO NA

CIDADE ANTIGA

Você tem vontade de descobrir produtos

locais? Hoje é o último dia do „Rosenhof-Markts”.

É também uma oportunidade

de fazer um belo passeio pela

cidade antiga de Zurique. Todos os sábados

até 13.11. 10:00-18:00. Gratuito.

Niederdorf

Tram 4/15 bis „Rathaus”.

Zürich.

https://microsite.guidle.com/hosted/

template_portal/microsite/de/mr_

e8X87y-extended/rosenhof-markt-im-

-niederdorf-zuerich-zuerich_AFyK-

DA6

DOMINGO 14.11.

VISITA GUIADA

SOBRE SISMOS

O que sabemos sobre terramotos?

Como se podem evitar? Especialistas

da ETH fazem hoje uma visita guiada

pelo simulador de sismos, explicando

como estes funcionam. Necessário

fazer inscrição no domingo. Dom

11:00/13:00/15:00. Gratuito.

focusTerra. ETH Zürich. Sonneggstr. 5.

Tram 6/9/10 bis „ETH/Universitätsspital”.

https://focusterra.ethz.ch/ihr-besuch/

oeffentliche-fuehrungen-am-sonntag.

html

TERÇA-FEIRA 16.11.

TEATRO CONTRA

DISCRIMINAÇÃO

SEXUAL

A associação „Reactor Bale” apresenta

hoje uma peça de teatro única, cujo desenrolar

é decidido em conjunto pelo

público e as personagens. A peça aborda

situações de descriminação sexual

e o público dá sugestões aos actores.

A partir dos 13 anos. Necessário fazer

incrição até 10.11. Exigido certificado

Covid. 18:00-19:00. Entrada livre.

Jugendkulturhaus Dynamo. Wasserwerkstr.

21.

Tram 11/14 bis „Beckenhof”.

https://www.stadt-zuerich.ch/prd/de/

index/gleichstellung/veranstaltungen_

weiterbildungen/Forumtheater_Hinschauen.html?calentry=1

QUARTA-FEIRA 17.11.

CAFÉ DAS LÍNGUAS

EM ALEMÃO

À quarta-feira, o „Maxim Theater” organiza

um café das línguas para falar

alemão. Num ambiente simpático, os

participantes debatem diversos temas.

Todos são bem-vindos! À quarta-feira.

17:00-18:00. Gratuito.

Internationalhof. Schaffhauserstr. 463.

Tram 14 oder Bus 768 bis „Felsenrainstrasse”.

https://www.maximtheater.ch/angebot/

sprache/sprachkaffee/

SÁBADO 20.11.

FESTIVAL SOBRE

SUSTENTABILIDADE

„Open Futures” é o festival de Zurique

sobre sustentabilidade. O programa

inclui workshops, exposições, apresentações,

passeios a pé e jantares sobre

temas ligados à sustentabilidade. A

maioria destes eventos é gratuita. Hoje

à noite, participe no „Salon Fütür”, um

jantar em que os participantes debatem

temas relacionados com o futuro. 17:00.

Participação gratuita.

https://openfutures.ch/calendar

SEGUNDA-FEIRA 22.11.

O JARDIM ZOOLÓ-

GICO EM SUA CASA

Gostaria de fazer algo ao ar livre, mas

também ficar no quentinho de sua casa?

O Zoo de Zurique dá-lhe a oportunidade

de ver os animais a partir do seu sofá!

Graças às câmaras, poderá observar o

banho dos elefantes, os tigres a brincar

e muitos outros animais. Gratuito.

https://www.zoo.ch/de/zoobesuch/webcams

TERÇA-FEIRA 23.11.

SALA DE BRIN-

CADEIRAS PARA

CRIANÇAS

As crianças até aos 4 anos divertem-se

no „Quartierzentrum Bäckeranlage”.

Numa sala de brinquedos podem saltar

e brincar em cima de colchões. Os pais

podem tomar café e conversar. 09:30-

12:00. Gratuito.

Quartierzentrum Bäckeranlage. Aktionsraum,

1. Stock. Hohlstr. 67.

Tram 8 und Bus 31 bis „Bäckeranlage”.

https://www.sogar.ch/programm/

saison-20_21/jogging/?utm_medium=display&utm_source=kulturzueri.

ch&utm_campaign=kulturzueri

QUINTA-FEIRA25.11.

NOITE EXCLUSIVA

NO „LANDESMU-

SEUM”

Gostava de ir ao museu, mas não tem

tempo durante o dia? O „Landesmuseum”

está aberto hoje à noite! Na última

quinta-feira de cada mês, o „Landesmuseum”

organiza o evento „Late”. No

museu, há não só visitas guiadas nocturnas,

mas também música, um espectáculo

e um aperitivo. Exigido certificado

Covid. Necessário fazer inscrição online.

19:00-23:00. CHF 10.-.

Landesmuseum. Museumstr. 2.

Tram 4/6/11/13/14 oder Bus 46 bis „Bahnhofquai/HB”.

https://www.landesmuseum.ch/de/veranstaltung/late-21890

SÁBADO 27.11.

ELÉCTRICO

NOSTALGIA

Talvez se questione como eram os eléctricos

há 100 anos? No último fim-de-

-semana do mês (excepto Dezembro)

pode andar no antigo eléctrico conduzido

por um motorista envergando um

uniforme histórico. Basta apanhar o 21,

a linha dos museus, usando qualquer título

de transporte válido na rede ZVV.

Se desejar saber mais sobre os eléctricos

em Zurique, visite o Museu do Eléctrico

(online ou no local)!

https://www.tram-museum.ch/fahrzeuge/museumslinie-21

DOMINGO 28.11.

DOMINGO NA

NATUREZA

É Outono! Tempo de dar um passeio

pela maravilhosa natureza vermelho-

-amarelada. À volta de Zurique encontra

muitos trilhos de caminhada e jogging.

Por exemplo, o percurso de 10 km

„Dorfbachtobelweg”. Pelo caminho, há

uma queda de água e até uma lendária

gruta do dragão.

Start: Erlenbacher Tobel-Weg.

www.zuerich.com/en/visit/sport/erlenbacher-tobel-weg

22 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

23



RETRATOS CONTADOS...

CULTURA

Diário de uma avó e de um neto

Nélson

Mateus

Alice

Vieira

© DR

V NELSON MATEUS (*)

Querida avó,

Depois do sucesso que

foi o lançamento do

nosso “ Diário” em livro, e da inauguração

da tua exposição no Casino

Estoril, está na hora de voltar a

ter tempo para ver notícias.

Realizaram-se recentemente as

Eleições Autárquicas.

É impressão minha, ou não existiu

um único candidato que tenha

falado da Feira Popular? Tema tão

recorrente em eleições anteriores.

Faz 18 (dezoito!!!) anos este mês

que a Feira Popular encerrou.

Acreditas??? Gerações inteiras sem

colecionar memórias das idas à

Feira Popular.

Tenho imensas memórias de infância

relacionadas com a antiga Feira.

As Festas de Natal onde recebíamos

sacos cheios de presentes, o

Circo, os póneis… Durante a adolescência

continuei a frequentar a

Feira,-- e o que nos divertíamos no

Combóio Fantasma, na Montanha

Russa… Depois, exaustos, jantávamos

o belíssimo frango-assado, e

ficávamos na janela do restaurante

a ver passar as famílias (aparentemente)

felizes.

Tudo mudou! Se fosse hoje, (felizmente)

na Feira já não existiria o

Circo com animais, nem as voltas

de póneis…

Mas tu, que tens fotos de infância

tiradas na Casa dos Espelhos, deves

ter imensas memórias da Feira

Popular para partilhar.

Aliás, curiosamente, a primeira

Feira Popular de Lisboa abriu em

1943 (ano do teu nascimento), e localizava-se

onde se encontra hoje a

Fundação Calouste Gulbenkian.

Deixo para ti esse alegre regresso

ao passado.

Caros candidatos à Câmara Municipal

de Lisboa, devolvam-nos a

Feira Popular!

No site sobre a Feira Popular diz:

” Um grande parque de lazer, um

grande parque verde com cerca de

20 hectares. É um projeto muito

ambicioso que se vai desenvolver

ao longo de vários anos, em várias

etapas”

A única etapa que vejo de momento

é: Obra Parada.

Tantas memórias entre avós e netos

que podiam ser registadas neste

espaço.

Como diria a outra “Vergonhaaaaa”

Bjs

V ALICE VIEIRA (*)

Querido neto

Quado começaste a falar

na “antiga Feira Popular”

tive vontade de rir porque, para mim,

a “antiga Feira Popular” era no Parque

de Santa Gertrudes (também

conhecido por Parque de Palhavã,)

onde é hoje o Jardim da Gulbenkian,

mas muito mais acima da Fundação,

já perto da av. Duque d´Ávila. Antes

disso tinha sido o primeiro Jardim

Zoológico de Lisboa—mas eu não

sou desse tempo

E também foi aí que se fizeram as

primeiras emissões experimentais da

RTP.

Mas para tudo o que se queria fazer

na Feira Popular, o espaço começou

a ser pequeno

Então apareceu outra, muito maior,

em Entrecampos-- e enquanto esteve

aberta eu não parava de lá ir. De

resto, quando as aulas acabavam, e

nós passávamos de ano, o prémio era

sempre um jantar na Feira Popular.

Às vezes aborrecia-me um bocado ir

à Feira porque eu só queria era andar

nos carroceis, nos carrinhos de choque

ali a batermos uns nos outros, no

Comboio Fantasma, na Grande Roda

(que às vezes parava para entrar pessoal

e nós ficávamos lá no alto a olhar

cá para baixo ), a Montanha Russa,

essas coisas—e os meus tios , já velhotes,

só queriam estar nos cafés

(adoravam um que se chamava “O

Café das Pretas”, olha se fosse hoje..)

ou irem às rifas—onde saiam sempre

coisas para eles : montanhas de

tachos e panelas, trens de cozinha,

lençóis, etc

Por acaso nunca fui muito de andar

em cima dos cavalos que uns homens

puxavam e nos levavam a dar a volta

toda pela feira.

Depois, vá-se lá saber

porquê—a Feira fechou.

Prometeram feira igual

noutro lugar, e aquele

enorme terreno – agora

é que vemos bem o

tamanho que tinha a

(*) Os autores escrevem segundo o Acordo Ortográfico

(**) Jornalista - (***) Jornalista e Escritora

www.retratoscontados.pt

Feira!— seria para urbanizar logo a

seguir.

https://bit.ly/3dvDigl

https://bit.ly/3dvi3Li

https://bit.ly/3tyuFXN

info@retratoscontados.pt

24 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

25

Até hoje.

Um terreno enorme, vazio, no meio

da cidade—não deve existir em muitos

países…

Entretanto soube-se que a feira iria

ter finalmente novo poiso, lá para

Carnide, ao pé da Casa do Artista.

Mas até hoje…nada.

Espero que estas eleições tragam ao

menos a esperança de se retomarem

os trabalhos.

Bjs



CRÓNICA CRÓNICA

Como vai o nosso país?

GRAÇA AMIGUINHO (*)

Há uns anos, já distantes, houve um

programa de entretenimento na nossa

RTP, com dois grandes cómicos e

afamados artistas da nossa terra, um

deles já desaparecido, que começava

com uma cantilena, em forma de

diálogo, entre os dois protagonistas,

que dizia assim:

- Como vai, senhor Contente?

- Como vai, senhor Feliz?

- Diga à gente, diga à gente, como vai

este País!

Estávamos vivendo um tempo novo.

A Democracia dava os primeiros

passos. Tudo parecia ter mudado e

para muito melhor, tão cansados estávamos

de uma guerra Colonial sem

sentido, vidas perdidas na flor da

idade, um tempo de repressão e sem

liberdade de expressão, vidas vividas

na miséria de baixos salários, terras

deixadas ao abandono por tantos

portugueses que procuravam melhores

dias em solo estrangeiro.

O sorriso, revestido de esperança,

pairava nos rostos de uma maioria,

daí, o diálogo travado entre os dois

artistas. Um “Contente”, o outro

“Feliz”, expressões que podem entrelaçar-se

e ter quase o mesmo significado.

Viver contente e feliz é o sonho de

cada um de nós.

Mas para que assim aconteça, talvez

a primeira condição seja, cada um ter

um trabalho digno, seguro e efectivamente,

bem remunerado. A partir

daí, estarão asseguradas as condições

para constituir família, ter filhos e

educá-los, permitindo-lhes uma escolaridade,

até onde as suas capacidades

os possam conduzir. A par da

segurança económica, é fundamental

que a saúde, o bem mais precioso,

não nos falte ou, no caso de a doença

surgir, termos quem nos socorra,

quem nos cuide e ajude a superar os

problemas.

Vamos então falar do que se passa no

nosso Portugal.

Como estão sendo cuidados os mais

vulneráveis, como se olha para os

mais frágeis e desprotegidos, qual o

papel da sociedade nestes tempos

conturbados que vivemos?

Eu diria que, em virtude do Serviço

Nacional de Saúde que temos, que

foi criado após o 25 de Abril de 1974,

Portugal tem as portas abertas a todos

os cidadãos que precisam de cuidados

de saúde.

Seja pobre, seja rico ou remediado,

seja um sem abrigo, todos são tratados

e respeitados, todos têm os seus

© DR

direitos salvaguardados e são assistidos

por profissionais dedicados e

competentes, que por aqui ficaram,

apesar de terem tido oportunidades

muito vantajosas de emigrar. Muitos

o fizeram, quando o poder instituído

a isso aconselhava. Hoje seriam

aqui, muito úteis, porque quando as

situações são mais exigentes, como

aconteceu nos “picos” da pandemia,

os que dão assistência nos hospitais

chegaram a atingir momentos terríveis

de exaustão.

A pandemia que assolou o mundo,

a todos tem causado dor, tristeza

e grande preocupação. Se há uma

maioria que acata os conselhos dados

superiormente, há sempre quem

seja contestatário, queira trocar as

voltas ao que é mais que evidente,

não se queira sujeitar a respeitar as

regras de conduta que possam ajudar

a minimizar as possibilidades de

transmissão e contágio.

Há até, quem conteste a acção firme

e tão elogiada do Vice-Almirante

Henrique Gouveia e Melo, o grande

líder que esteve, desde fevereiro,

até fim de setembro, dirigindo

a “task force” da vacinação contra

a Covid-19, sendo apelidado como

“o Almirante das vacinas” que levou

Portugal ao primeiro lugar na União

Europeia, na vacinação contra este

vírus. Na imprensa internacional é

considerado “a chave” para que o processo

de vacinação em Portugal tenha

corrido bem. Temos, hoje, 85% da população

vacinada contra essa doença,

que tantas vidas ceifou. Os centros

de vacinação vão permanecer abertos

e nas mãos de uma equipa militar,

mas sem a liderança do vice-almirante

Henrique Gouveia e Melo.

Há, porém, quem ainda rejeite a vacinação

recomendada, achando que

de nada serve, minimizando os seus

dramáticos efeitos e desvalorizando

todo o trabalho científico desenvolvido

num curto espaço de tempo.

Estes, os chamados “negacionistas,”

tomam atitudes impensáveis, num

Estado Democrático, insultando, sem

pudor e sem consequências puníveis,

que se conheçam, a segunda figura

da Nação e o referido Vice-Almirante,

que chegou a ter necessidade de

protecção policial.

Como “adivinhar é proibido” e “o

agência félix

Kalkbreitestr. 40

CH-8003 Zürich

Tel. 044 450 82 22

info@agenciafelix.ch

www.agenciafelix.ch

facebook.com/reiseburofelix

futuro não nos pertence”, mais vale

jogar pelo seguro para não sermos

desagradavelmente surpreendidos, ao

virar de uma esquina.

Em Portugal, a maioria da população

aderiu à vacinação e tem respeitado

as regras de conduta estabelecidas

pela Direção Geral de Saúde e pela

OMS, o que nos permitiu entrar na

terceira fase de “desconfinamento”,

deixando de ser necessário o uso de

máscara nas ruas e em lugares onde o

distanciamento é possível.

Os mais jovens têm dado um sinal de

maturidade, procurando estar vacinados

antes do recomeço das aulas e assim

evitarem, males maiores.

Apesar de vivermos momentos de alguma

insegurança e instabilidade, em

virtude de muita gente sentir sinais de

depressão pelo isolamento em que ficou,

desde que se viu privada do contacto

com os familiares, vamos tentar

viver o melhor que nos for possível,

com cuidado, mas procurando fazer

uma vida saudável.

Nada está garantido, mas a verdade é

bem visível. A diminuição do número

de mortos por infecção com Covid-19,

os internamentos hospitalares em

cuidados intensivos são muito menores

e a sociedade parece ter condições

para regressar ao normal, até mesmo,

com espectáculos, bares, discotecas e

os restaurantes a funcionarem, como

acontecia antes da pandemia. Deixou

de ser exigida a apresentação do

Certificado Digital em hotéis, restaurantes

e aulas de grupo, em ginásios.

Chega ao fim a recomendação de teletrabalho.

Apenas é obrigatório o uso

de máscara em transportes públicos,

incluindo o aéreo, nos lares de idosos,

em salas de espectáculo e em eventos

nas grandes superfícies.

Se todos nos respeitarmos, se cada

um de nós souber até onde pode estender

o lençol da sua liberdade, tudo

se tornará mais fácil e a vida será vivida

em paz.

Desejo que todos possamos viver

“contentes e felizes”!

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CRÓNICA

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Snoop Dogg

investe 13 milhões de euros na empresa

portuguesa AceCann

Luxemburgo

é o primeiro país da Europa

a legalizar o auto-cultivo de

canábis

SAÚDE

Québec:

Consumo de

canábis entre

jovens diminuiu

depois da

legalização

LAURA RAMOS

Snoop Dogg vai investir 15 milhões de dólares

(cerca de 13 milhões de euros) na empresa portuguesa

de canábis medicinal AceCann, que obteve

a pré-licença do Infarmed no ano passado.

A AceCann conseguiu o investimento através

de uma ronda de investimento liderada pela

Casa Verde Capital, uma empresa de capital de

risco co-fundada pelo rapper norte-americano.

A AceCann referiu que este investimento será

utilizado no desenvolvimento de um centro de

produção em Vendas Novas, onde pretende

“cultivar, processar e extrair produtos médicos

a partir de canábis”. A construção das instalações

da AceCann arrancou em Setembro, mas a

empresa foi fundada em 2019 e recebeu a pré-

-licença do Infarmed para cultivo, importação

e exportação de canábis medicinal em Junho de

2020, estando actualmente a aguardar a licença

definitiva. Com as novas instalações a AceCann

conseguirá “gerir de forma precisa a temperatura,

humidade e outras variáveis” para garantir

que cada planta irá ter os cuidados necessários.

Em comunicado, Pedro Gomes, CEO da Ace-

Cann disse que “queremos criar o gold standard

na canábis medicinal – desde o cultivo à

comercialização, sendo donos da propriedade

intelectual em todos os passos da cadeia de

valor. Com o apoio dos nossos investidores,

vamos conseguir acelerar a missão para desenvolver

produtos consistentes e de elevada qualidade

que dão acesso aos pacientes a inovação

com capacidade para transformar a vida”. A

AceCann aposta na produção de canábis em

“métodos de cultivo mais pequenos, escaláveis

e indoor.

LAURA RAMOS

Os adultos do Luxemburgo vão poder

cultivar até quatro plantas de canábis

em casa, de acordo com um anúncio

feito hoje pelo governo, citado

pelo The Guardian. As novas leis fazem

do Luxemburgo o primeiro país

da Europa a legalizar a produção e o

consumo de canábis.

De acordo com a legislação, pessoas

com 18 anos ou mais poderão cultivar

legalmente até quatro plantas de

canábis, por família, para uso pessoal.

O comércio de sementes também

será permitido, sem qualquer

limite na quantidade ou níveis de Tetrahidrocanabinol

(THC), o principal

constituinte psicoactivo. Também

será possível comprar sementes nas

lojas, importá-las ou comprá-las online,

apostando na produção nacional

de sementes para fins comerciais.

A ministra da Justiça, Sam Tamson,

descreveu a mudança na lei sobre a

produção e consumo doméstico como

um primeiro passo para melhorar a

situação no país: “Achámos que tínhamos

de agir, temos um problema com

as drogas, a canábis é a substância mais

usada e grande parte vem do mercado

ilegal”.

“Queremos começar a permitir que

as pessoas cultivem em casa. A ideia

é que um consumidor não esteja em

situação ilegal se consumir canábis e

que não apoiamos a cadeia ilegal da

produção ao transporte e à venda,

onde existe muita miséria associada.

Queremos fazer tudo o que estiver ao

nosso alcance para nos afastar cada

vez mais do mercado negro ilegal ”,

disse a ministra.

Como irá funcionar

Os produtores caseiros poderão cultivar

até quatro plantas, desde que seja

na sua residência habitual, dentro ou

fora de casa, numa varanda, terraço ou

jardim.

O consumo e o transporte de mais de

três gramas será proibido e não se podem

vender produtos de canábis que

não sejam sementes. O consumo e

transporte de quantidade de até 3 gramas

deixa de ser considerado crime,

mas é uma contra-ordenação, com

multas a baixar para 25€ (em vez dos

250 a 2.500€). “Acima de três gramas,

nada muda, será considerado um revendedor”,

disse Tamson. Também

será proibido conduzir sob o efeito de

canábis.

Efeito dominó

Dezenas de países no mundo já legalizaram

a canábis para fins terapêuticos

e muitos estão a considerar seriamente

a legalização do uso adulto.

Vários países na Europa, como Malta,

Itália ou a Suíça, anunciaram já a

vontade de prosseguir num sentido de

liberalização e regulamentação, por

isso trata-se apenas de uma questão

de tempo. O efeito dominó

já começou.

LAURA RAMOS

O consumo de canábis entre os jovens de 15 a 17

anos na província canadiana do Québec diminuiu

cerca de 3% entre 2018 e 2021, revelam dados

do inquérito “Québec Cannabis Survey”, divulgado

recentemente pelo Instituto de Estatística

do Québec. Em todas as outras faixas etárias, a

partir dos 18 anos, o consumo de canábis após a

legalização aumentou nos últimos três anos.

Realizada entre Fevereiro e Junho de 2021, a terceira

edição do “Québec Cannabis Survey (QCS)”

examinou a prevalência e a frequência do uso

de canábis e vários aspectos da pandemia CO-

VID-19 em relação à sua utilização.

A pandemia COVID-19 parece ter causado impacto

em alguns utilizadores. Dos 20% dos quebequenses

que usaram canábis no ano passado,

24% relataram um aumento no consumo por

causa da pandemia, enquanto que 72% relataram

nenhuma mudança na sua utilização. Os utilizadores

de canábis com altos níveis de sofrimento

psicológico eram, no entanto, mais propensos a

relatar aumento do uso de canábis devido à pandemia

de COVID-19.

Leia estes e outros artigos em

WWW.CANNAREPORTER.EU

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Relatório do Credit Suisse

sobre falhas da Greensill atrasa

O tão aguardado relatório do Credit Suisse sobre suas

próprias falhas em relação ao colapso da Greensill Capital

foi adiado enquanto o credor suíço se prepara para uma

série de batalhas legais.

Keystone / Urs Flueeler

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291,

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segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

CLARICE DOMINGUEZ (*)

O banco esperava divulgar os resultados

da investigação – realizada pela

Deloitte e pelo escritório de advocacia

suíço Walder Wyss – em novembro,

em seus resultados do terceiro

trimestre, de acordo com as pessoas

informadas sobre os planos. Mas

esse prazo não será cumprido, já que

o relatório ainda não foi finalizado.

Após uma visita da polícia suíça em

sua sede, o Credit Suisse tem cada

vez mais em jogo. Há duas semanas,

foram apreendidos documentos relacionados

à investigação criminal do

Ministério Público de Zurique acerca

das atividades da Greensill e da forma

como foram administrados e comercializados

os fundos do Credit Suisse

que financiaram os controversos esquemas

de empréstimo da empresa

britânica.

Devido a uma apólice de seguro caducada,

o Credit Suisse foi forçado a

suspender, em março, US$ 10 bilhões

em fundos ligados à Greensill. A situação

levou ao colapso da empresa

de serviços financeiros e desencadeou

investigações regulatórias na Suíça,

no Reino Unido e nos EUA. Embora

o Credit Suisse não seja o alvo direto

da investigação criminal suíça, há

um receio entre alguns funcionários

de alto escalão do banco de que o inquérito

possa ser ampliado, de acordo

com pessoas informadas sobre as discussões.

No início de outubro, foi discutido

um rascunho do relatório sobre a

Greensill numa reunião de conselho

do Credit Suisse. Os executivos estão

avaliando qual impacto o relatório

terá em suas tentativas de negociar o

retorno de bilhões de dólares emprestados

pela Greensill, bem como na

elaboração de reivindicações de seguro

por perdas e na preparação para

processos judiciais de clientes cujo dinheiro

foi retido nos fundos. “Muitos

investidores estão furiosos porque

acham que o Credit Suisse vendeu

indevidamente os fundos”, disse uma

pessoa envolvida no planejamento do

banco. “É mais provável que as questões

legais fiquem na esfera civil e não

na penal”.

Dos US$ 10 bilhões em fundos da

Greensill que haviam sido suspensos,

foram recolhidos US$ 7 bilhões até

agora. O Credit Suisse alertou que

US$ 2,3 bilhões serão difíceis de recuperar.

Na semana passada, também

afirmou que não estava confiante que

recuperaria todos os outros US$ 400

milhões emprestados a uma série de

pequenas empresas. “Estamos lidando

com vários casos de pagamentos

atrasados”, disse o banco numa mensagem

aos investidores. “[Entre esses,

há] casos em que se está discutindo a

possibilidade de reestruturação de dívida,

o que significa que o pagamento

integral talvez não seja mais possível”.

Dada a natureza sensível do caso, o

Credit Suisse publicará apenas detalhes

selecionados acerca da investigação

sobre a Greensill. Isso marca um

contraste em relação ao relatório que

o banco encomendou sobre colapso

do escritório familiar Archegos Capital,

ocorrido em março. O Credit

Suisse publicou esse relatório – feito

pelo escritório de advocacia Paul

Weiss em julho – em sua totalidade.

O documento dizia que a perda de

US$ 5,5 bilhões que o banco sofreu

em suas negociações com a Archegos

foi o resultado de uma “falha fundamental

de gestão e controle” no banco

de investimentos e de uma “atitude

desinteressada em relação ao risco”.

“Se há um padrão, é que tem sido interessante

ver quantas das lições ou

questões da Archegos aparecem novamente

no relatório da Greensill”,

disse uma pessoa informada sobre as

descobertas iniciais. “Há aspectos gerais

na forma como o Credit Suisse é

administrado e gerenciado que precisam

mudar”. O Credit Suisse se recusou

a comentar.

Copyright: The Financial Times 2021

(*) Adaptação: Clarice Dominguez / Swissinfo

Escreve em português do Brasil

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ESPECTÁCULO

ESPECTÁCULO

Cörte-Real

trinta anos

dedicados à

Cörte-Real

música

trinta anos

dedicados

à música

Na celebração dos seus 25

anos de carreira, como músico

profissional integrado

nos UHF, Cörte-Real (o outro

eu do artista) prepara-

-se para lançar o álbum, em

nome próprio, XXV.

António Sérgio Côrte-Real

Ribeiro Alves, filho de

António Manuel Ribeiro,

fundador e eterno líder dos

UHF, é músico, compositor

e produtor. A propósito do

álbum que irá lançar em

Dezembro, estivemos à

conversa e quisemos saber

como foi o seu percurso

musical ao longo dos 25 anos

de carreira integrado nos

UHF e dos cerca de 30

dedicados à música.

JOAQUIM GALANTE (*)

FOCUSMSN: Ser músico sempre

foi a tua prioridade ou houve

alturas em que pensaste enveredar

por outro caminho?

António Côrte-Real: Houve alturas

em que pensei desistir, e digo isto,

mesmo já depois de estar nos UHF,

esta vida não é fácil. A conjugação entre

ser músico e a vida familiar é muito

difícil. Estou separado da mãe do

meu filho, hoje ele tem 16 anos, tem

já alguma independência mas foram

muitas férias e fins-de-semana falhados

sem poder estar com ele. São dois

terços da minha vida a viver assim.

F: Que conselhos os teu pai te

dava durante a tua fase de crescimento,

alertava-te para a dificuldade

em singrar no meio artístico

musical?

ACR: O meu pai e a minha mãe sempre

me apoiaram, aliás mais a minha

mãe, sempre respeitou e apoiou nas

minhas escolhas. O meu pai já me

alertava para as dificuldades de singrar

no meio artístico. Preferia que eu

tivesse tirado um curso, terminei o 12º

ano com uma média simpática. Podia

ter seguido direito, psicologia ou jornalismo

mas o gosto pela música foi

mais forte, estava determinado em seguir

uma carreira musical.

F: Com 16 anos inicias o teu percurso

nos Falso Alarme, que onda

musical te influenciava na época?

ACR: Aos 12 anos cresceu em mim

a vontade de tocar, o meu pai ofereceu-me

a primeira guitarra mas foi aos

14 anos que realmente quis aprender

como se mexia ‘naquilo’. Fui à procura

de uma escola em Almada e vim então

a conhecer o Carlos Falcão, que

é um homem a quem muitos dos guitarristas

e pianistas Almadenses devem

muito e eu em particular. É uma

máquina de ensinar e passar conhecimento.

Ao fim de seis meses disse-me ‘já não

te consigo ensinar mais nada, como

não queres aprender música clássica,

vai para casa e toca oito horas por dia’.

Eu fui. Era até me doerem os dedos.

Praticava escalas depois da hora de

deitar (sem ninguém ouvir) e de manhã

pegava na guitarra e seguia para

escola. Aproveitava os intervalos para

continuar a praticar (risos).

F: Entras nos Falso Alarme….

ACR: Entro nos Falso Alarme com 16

anos, os meus colegas tinham entre 15

e 17, foi a minha primeira experiência

fora da rotina casa-escola-casa. Fui

convidado para assistir a um ensaio e

gostei da banda. Perguntaram-me se

eu estava interessado em a integrar e

obviamente disse que sim.

Os Falso Alarme eram uma banda que

estava, em termos de sonoridade, entre

os UHF e os Xutos & Pontapés,

literalmente. O vocalista era o João

Lima, actual guitarrista dos O’QueStrada.

Hoje olho para trás e vejo que

ESPECTÁCULO

se alguém tivesse pegado na banda na

altura certa teríamos feito carreira. Já

dávamos uns 30 concertos por ano naquela

altura.

F: O teu pai ‘deu’ a guitarra ao

Renato Gomes mas tu optaste

por seres guitarrista, porquê?

ACR: Na época o meu pai procurava

uma sonoridade diferente para a banda,

um som de fora mas cantado em

português. Coloca um anúncio num

jornal e é assim que aparece o Renato

Gomes, o Carlos Peres e o Zé Carvalho

e nasceram os UHF.

O Renato era genial com a guitarra e

como o meu pai queria estar concentrado

na voz e como a guitarra dele

era melhor que a do Renato ele emprestou-lha.

Eu optei pela guitarra por dois motivos,

o primeiro é porque não tenho

jeito para cantar e o segundo porque

na minha juventude os guitarristas

eram estrelas, eram ídolos para muita

gente e isso cativou-me aos 12 anos.

Mas o primeiro instrumento que toquei

foi bateria. Tive aulas com o

grande Luís Espírito Santo, baterista

dos UHF. Uma pessoa que já naquela

altura falava muito comigo, gosto

muito dele e foi muito importante no

meu percurso e crescimento.

F: Que guitarristas te influenciaram

no teu percurso….

ACR: Portugueses foram o Renato

Gomes e o Rui Rodrigues, ambos

dos UHF, embora de estilos diferentes

complementavam-se, o Renato

um virtuoso, o Rui um melódico com

muito bom gosto. Depois aparece o

João Cabeleira nos Xutos, fiquei fascinado

pela estética sonora e a forma

como construía as músicas. A nível internacional

bandas como as The Cult,

Led Zeppelin, U2, mais tarde Jimi

Hendrix, The Doors, Ramones, entre

outros.

F: Passas pelos Finisterra, MKD

e Sirius, e entras em 1996 para os

UHF como segundo guitarrista.

As bandas por onde passaste foi o

currículo necessário para que os

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ESPECTÁCULO

ESPECTÁCULO

UHF te dessem a oportunidade de fazeres parte

do grupo?

ACR: Sim e não. Eu entro para os UHF porque precisavam

de um segundo guitarrista. Tinham acabado de gravar

um disco com o Rui Padinha que tecnicamente é um

guitarrista fabuloso e para os concertos era necessário

outro guitarrista e aí sim as bases que trazia foram muito

importantes.

Um ano depois (1997) o meu pai informa-me que dispensou

os músicos e se eu conhecia outros em Almada com

qualidade para vir tocar nos UHF. Montámos a banda

com uma nova formação: Marco Cesário na bateria que

eu conhecia dos Lesma e tinha passado pelos Braindead,

o Nuno Canoche que hoje toca nos Mundo Cão e que

tinha tocado comigo nos Finisterra e o Jorge Costa no

piano e Saxofone que também tocava comigo nos Finisterra.

Nesta altura passei a primeiro guitarrista, não foi

pelo currículo mas pela ordem natural das coisas.

F: Mas passares de repente a guitarrista principal

traz-te desafios e obstáculos que tiveste que

transpor….

ACR: Exacto, eu tinha de, no espaço de 30 dias, aprender

o repertório da parte solista de todas as músicas dos

UHF. Nesse espaço de tempo não consegui assimilar na

perfeição os solos de algumas músicas, improvisei em

algumas das canções (risos) mas depois as coisas compuseram-se.

Serviu de lição porque no disco que irá sair

e em todos os que gravei desde que entrei para os UHF,

grande parte dos solos são gravados de improviso.

F: Experimentar diferentes sonoridades, saber

qual o estilo musical onde melhor te encaixavas,

ajudou-te a definir os caminhos enquanto músico?

ACR: Olha, eu toquei por breves meses nos Cronic

(2003) com o baixista Fernando Rodrigues, que também

passou pelos UHF. Era uma banda de hip-hop mas eu

chegava e transformava partes ‚daquilo’ em rock. Mas

depois um ‚gajo’ cresce e com o passar dos anos vamos

abrindo horizontes e começo a tocar outras sonoridades.

Convidarem-me agora para tocar outro som, é para mim

uma lufada de ar fresco.

F: Actualmente que bandas te inspiram?

ACR: Os Rolling Stones, Led Zeppelin, Pearl Jam, Ramones,

Cult, Doors, Joe Bonamassa, entre outros. Admito

que sou um velho a ouvir música.

F: Quando criança/adolescente e ouvias as músicas

dos UHF na rádio o que sentias?

ACR: Sentia orgulho, o meu pai tocava na rádio e na

TV os pais dos meus amigos não, mas por outro lado os

meus amigos tinham os pais ao fim-de-semana em casa e

eu não. Na altura sentia alguma carência afectiva e hoje

tento que o meu filho não sinta o mesmo, embora perceba

que são situações que fazem parte da vida e do seu

percurso.

F: Em 1997 tornaste-te membro efectivo dos

UHF, foi o realizar de um sonho, foi a base de

apoio que precisavas para te tornares um músico

de topo?

ACR: Foi sem dúvida, se não fosse os UHF provavelmente

teria seguido um dos cursos de que te falei há

pouco, muito provavelmente teria ido para a faculdade,

tirado um curso e estaria a fazer outra coisa qualquer.

Passaria a vida a pensar que queria ser era músico, vejo

isso acontecer com alguns amigos, que não seguiram a

carreira musical e sentem alguma angústia.

F: Não sentiste uma grande responsabilidade e

alguma pressão para mostrares que estavas no

grupo, não por seres filho do fundador, mas por

mérito próprio?

ACR: Eu tinha 20 anos mas era muito miúdo, tinha vivido

muito pouco, sempre fui muito caseiro e tímido,

depois com a idade fui-me soltando naturalmente. Trabalhava

com muito afinco, como trabalho até hoje, apenas

pensava em fazer as coisas certas e evoluir no seio da

banda.

No início foi complicado, ouvi algumas ‘bocas foleiras’

em alguns concertos (estou a lembrar-me de umas

três ou quatro), não porque estivesse a tocar mal, mas

porque as pessoas que tinham estado antes de mim tinham

deixado marca na banda.

F: Demonstraste que não há insubstituíveis e que a

tua qualidade é tão boa quanto a deles….

ACR: Não sei se posso pôr o assunto nesses termos.

Cabe ao público responder, não a mim. Eu sei que sou fã

deles todos e que foi um prazer aprender os trabalhos de

guitarra que criaram antes de mim. Há malhas que toco

exactamente iguais, noutras dou o meu cunho pessoal, o

que acho ser normal ao fim de tantos anos.

F: A formação dos projectos Revolta e União das

Tribos, este onde tocas com mais regularidade, é

vontade de conheceres outros músicos e experimentares

outras sonoridades?

ACR: A União das Tribos está parada há quase três anos,

tivemos um azar, uma escolha que não correu bem, a banda

existe, se for contratada para dar um espectáculo estamos

prontos. Temos um disco para sair, que não saiu por

causa da pandemia. Quando o oiço já sinto o disco velho

(risos). Hoje faria tudo de outra maneira. É normal, passaram

2 anos e meio, faz parte, mas é uma chatice.

Quanto à sonoridade, a União das Tribos é rock, ao vivo

ainda é mais rock que em disco, era um escape que eu precisava

para tocar com outras pessoas e escoar as minhas

composições que estavam a ficar esquecidas na gaveta. Já

lançámos dois discos de originais, um EP e um disco ao

vivo, e temos mais dois concertos gravados ao vivo que

um dia destes podem até sair em disco e ver a luz do dia.

F: E em relação ao projecto Revolta…..

ACR: A Revolta é diferente, o primeiro motivo foi porque

fui assaltado e agredido em Almada (2005), deixaram-

-me a esvair em sangue, levaram tudo, fiquei sem chaves

para entrar em casa a meio da noite, e eu senti que tinha

sido um atentado contra a minha vida e a minha liberdade.

Eu senti uma revolta dentro de mim e escrevi a canção

‘Ninguém Manda em Ti’.

O segundo motivo foi porque soube que ía ser pai e senti

que tinha que fazer mais qualquer coisa profissionalmente.

Na altura passávamos seis meses em concertos e

outros seis sem nada para fazer, para ocupar esses hiatos

temporais formei a banda, que teve várias formações até

chegarmos ao núcleo que gravou o EP em 2006 e o disco

em 2009.

No álbum ‘Amanhã’ (2017) da União das Tribos contas

com a participação de nomes consagrados da música portuguesa.

F: Como é que vozes tão distintas se encaixaram

tão bem, tendo o álbum atingido o top 10 nacional

de vendas?

ACR: Comecei a compor o disco sozinho numa fase difícil

da minha vida, ficamos sem vocalista, entra o Mauro

Carmo, e continuo a compor com o David Arroz, um

grande amigo meu. Junto com o Mauro, fizemos os arranjos

e as melodias e foi surgindo a ideia de parcerias com

outros músicos. Decidimos então que metade do disco

seria cantado com convidados e a outra metade pelo Mauro.

Comercialmente, o disco foi uma enorme surpresa, com

poucos meios, baixo orçamento, numa produção e distribuição

independentes, conseguimos fazer concertos ao

vivo e vender discos. Depois quisemos dar um passo em

frente, a coisa não correu bem, entretanto estávamos a

tentar voltar à ribalta com um novo disco, dá-se o covid e

as coisas pararam.

Em 2009, juntas-te a Fernando Rodrigues (baixista) e a

Ivan Cristiano (bateria) e formas a banda António Cörte-

-Real Trio e editam o álbum ACR3-Midnight In Lisbon.

Um improviso instrumental que resultou num sucesso de

vendas digitais, atingindo o primeiro lugar no site americano

eMusic, na categoria de blues.

F: Estavas à espera de tamanho alcance ou foi uma

surpresa para ti?

ACR: Total surpresa. Ver a nossa música no topo das tabelas

de vendas digitais da América, com artistas como

Eric Clapton, Joe Bonamassa e B. B. King. Ainda hoje

me arrepio só de pensar nisso (risos), deu-nos exposição,

mas as vendas físicas não tiveram repercussão fora de Portugal.

Ainda chegamos a ser contactados para tocar em

34 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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festivais de Jazz e Blues em Portugal mas a ideia nunca

chegou a avançar.

F: Porque não se voltaram a juntar para dar aso a

vossa criatividade?

ACR: O disco que estou a gravar tinha sido pensado para

ser o segundo álbum do Côrte-Real Trio. Depois pensei

que se o primeiro teve um relativo sucesso e não fizemos

sequer um concerto ao vivo, teria que fazer qualquer coisa

diferente. Acabei por formar um grupo de rock mais

pesado que era uma ideia que tinha em mente fazer já há

muito tempo.

Nasce assim a banda Cörte-Real, numa altura em que

faço 25 anos de carreira, juntamente com o Bruno Celta,

Nico Guedes e o Nuno Correia.

F: Que afinidades tinhas com os músicos que te

acompanham na banda?

ACR: O Bruno é o roadie de guitarras dos UHF e dos

Tara Perdida. Um dia, há uns anos, oiço-o num ensaio de

som dos UHF a cantar e pensei ‚este gajo é bom’. Conversando

com ele percebi que era uma pessoa afável e

educada, com cultura musical e logo ali vi que tínhamos

afinidade.

O Nuno Correia já o conheço há muitos anos, desde que

entrei para os UHF. Ele tocava com os ‘Pedro e os Apóstolos’.

Houve uma altura que nos cruzávamos muito na

promoção dos nossos trabalhos e foi crescendo uma amizade.

O Nico Guedes não o conhecia pessoalmente mas já conhecia

o trabalho dele porque um dia, o Paulinho, baterista

da Pearl Band, mostrou-me um vídeo dos Budda

Power Blues. Gostei da banda e fiquei maluco com o

baterista. Quando arranquei com o projecto decidi que

precisava de um baterista que trouxesse uma influência

‘Zeppeliniana’, telefonei-lhe, nem sequer sei se ele sabia

quem eu era mas em três minutos, ele disse que sim e perguntou

como queria que tocasse, respondi ‚toca à Nico’

e assim foi.

F: E tens apoios para promover o disco e teres desta

vez mais sucesso comercial….

ACR: Em primeira mão quero-te dizer que duas instituições

de apoio à arte nos estão a ajudar e é graças a

elas que conseguimos lançar o single com a qualidade de

som e imagem que ouviste e viste no vídeo. O mesmo vai

acontecer para o próximo single e para a edição do álbum

em cd, digital e vinil.

Recentemente lançaste o single/videoclipe de apresentação

‘Tiro Os Olhos Do Chão’, que faz parte do álbum que

irás divulgar em Fevereiro.

F: ‘Tiro Os Olhos Do Chão’ é uma mensagem para

que as pessoas alarguem os seus horizontes?

ACR: Também, se quiseres é um bocado a continuação

do ‘Ninguém Manda Em Ti’ da Revolta. Escrita de outra

forma, foi o Bruno Celta que escreveu, mas é um bocado

isso as pessoas precisam de olhar à volta, respirar e começar

a fazer o que têm de fazer porque ninguém o vai

fazer por elas.

F: ‘Sempre pronto a partir, Sou o último a rir’ é

uma metáfora associada à mudança de mentalidade

e ambição individual?

ACR: Quer dizer que ainda temos sangue na guelra (risos)

e que daqui a uns anos não sabemos se temos, por

isso ou fazemos agora ou ficaremos pela intenção.

F: Sinto na letra angustia e revolta, tem a ver com a situação

pandémica que atravessamos ou é mais genérico?

É genérico mas tem a ver com a situação que atravessamos.

A parte lírica do disco foi composta durante a pandemia.

Estávamos cada um na sua casa fechados e foi ao

telefone e via zoom que as coisas foram evoluindo.

Eu gravava os riffs de guitarra, mandava ao Bruno para ele

cantar, ele mandava a maqueta, trocávamos impressões e

fazíamos ajustes e depois enviava para o baixista e para

o baterista para trabalharem as suas partes. Cada um de

nós gravou a sua parte nos seus espaços e assim nasceu o

álbum.

F: Que título vais dar ao álbum?

ACR: XXV, para assinalar os meus 25 anos de carreira

como músico profissional.

F: Cörte-Real é um projecto de continuidade?

ACR: Sim, é essa a intenção, juntei estes músicos porque

são pessoas de quem eu gosto, reconheço-lhes méritos,

foram os únicos com quem contactei e aceitaram logo o

convite. Cörte-Real irá continuar enquanto eu sentir força

para fazer música.

Aliás, posso adiantar-te que metade do segundo álbum já

está composto.

F: Que feedback tens tido por parte do público/fãs

em relação ao single ‘Tiro os Olhos do Chão’?

ACR: Como nunca senti em projecto nenhum, sem ser

nos UHF e isso deixa-me muito feliz. Nenhum de nós,

banda e estrutura à volta da banda, pagou um euro sequer

para promover o single nas redes sociais, ainda assim, os

números de visualizações aumentam a cada dia. Os comentários

e as mensagens que recebo das pessoas estão a

ser muito encorajadores e só por isso já valeu a pena.

Vamos ver até onde nos vai levar, ambicionamos um crescimento

passo-a-passo, por agora encher uma sala e no

futuro, quem sabe, vamos ver.

F: Vais divulgar mais alguma música até ao lançamento

do álbum?

ACR: Sim, vai sair durante o mês de Novembro, o single

com o título ‘Perto do Fim’.

F: Perto do fim da pandemia…..

ACR: Fala da pandemia mas não como estás a pensar,

depois vais ver quando sair. (risos)

F: Uma coisa que achei fantástica, além da sonoridade

instrumental, próxima do hard rock, foi o

casamento perfeito com a voz segura e melodiosa

do Bruno Celta, concordas?

ACR: Concordo plenamente com a tua análise.

F: Para quando o lançamento do álbum e se já

tens datas para concertos ao vivo?

ACR: Dia 17 de Dezembro vamos lançar o álbum e no

dia 4 de Fevereiro, vamos estar a apresentar o disco ao

vivo, na Boutique da Cultura, próxima do CC Colombo

em Lisboa, estamos também a negociar uma data para o

Porto, contamos em breve anunciar novas datas.

F: Queres deixar uma palavra aos fãs e ao

público que te segue nesta tua já longa carreira?

ACR: As minhas palavras são de agradecimento pois as

mensagens que nos estão a fazer chegar criam-nos a responsabilidade

de não gorarmos as expectativas no single

que iremos lançar. Obrigam-nos a fazer mais e melhor e

é para eles todo o meu/nosso esforço e dedicação.

(*) FOCUSMSN.PT

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37

18 19



Os novos cantores de

protesto

CARLOS MATOS GOMES (*)

Das boinas, dos

cânticos e dos gritos

de guerra

Tenho idade e experiência de vida

para não ser ingénuo. E também

para reconhecer técnicas velhas de

manipulação, mesmo modernizadas.

A manifestação de grupos de antigos

militares no dia do Exército a

propósito de cânticos, gritos e boinas

é uma evidente ação política de

agitação, agitprop.

O canto coral em marcha de desfile

é uma moda recente nas forças armadas

portuguesas. As tropas especiais

nunca cantaram a marchar nos

desfiles dos dias solenes, nem antes

nem depois do 25 de Abril de 1974,

do 10 de Junho, 25 de Abril, dias das

Forças Armadas, guardas de honra.

A moda dos corais militares começou

no final dos anos 80, nos Festivais

de Bandas Militares organizados

pelo Estado-Maior das Forças

Armadas. Estes festivais realizavam-se

pelo Verão, quase sempre

em estádios de futebol, em várias

cidades do país. Tinham a finalidade

de mostrar as capacidades das novas

Forças Armadas pós coloniais,

fomentar a ligação destas com a sociedade

e angariar voluntários, dado

que, principalmente no Exército,

estavam a processar a passagem do

serviço militar de conscrição para o

voluntário e de contrato.

A moda do cântico coral militar em

cerimónias militares — festivais,

desfiles, guardas de honra — surge,

pois, no âmbito de festivais militares

do tipo anglo-saxónico de Jamboree.

Juntamenta com exibições

de ordem unida autocomandada,

em que os fuzileiros se especializaram,

exibições de técnica de combate

individual entre outros, rappel,

slide, escalada.

Não existe, pois, nenhuma tradição

de marcha guerreira — é uma modernice.

Assim como é o desfile de

tropas em cerimónias com equipamento

de combate, pinturas de camuflagem,

mochilas, até redes para

atiradores especiais. Uma nova tradição

como a das praxes estudantis

nas universidades de Lisboa e do

Porto, com meninos e meninas em

trajes de que nem sabem a origem a

reivindicarem a “tradição académica”

de humilharem os outros.

Estas modas colidem, aliás, com a

tradição das forças armadas, que

sempre utilizaram em parada uniformes

de gala: as escolas militares

utilizam barretinas com plumas e

penachos, ombreiras, talabartes,

francaletes dourados, calçado de

verniz ou brilhante. A talhe de foice,

o presidente do CDS, tratado na

imprensa por Chicão, deve ter-se

esquecido de como se uniformizava

para os desfiles do Colégio Militar,

que frequentou. E, já agora, talvez

fosse bom que dissesse quais as canções

que cantava ao descer a Avenida

da Liberdade.

Mais, a música em cerimónias militares

está regulamentada. Determinados

hinos correspondem a determinadas

patentes, caso da Maria

da Fonte, por exemplo. A cadência

da marcha também está nos regulamentos.

Novas tradições (anglo-

-saxónicas) são as boinas utilizadas

com traje civil, a mão sobre o peito.

São, em termos artísticos, tradições

pós-modernas.

Uma outra lembrança: em combate

os gritos e as letras das canções que

os soldados dirigem aos seus adversários

não são os que constam dos

que os manifestantes entendem ser a

sua tradição, e não obedecem às notas

aprendidas nos conservatórios de

música. E não são próprios para ouvidos

em dias de festa. Os excitados

que reivindicam a tradição coral não

os conhecem…

Nesta assuada do dia 23 de Outubro

os cidadãos em geral assistiram, e os

organizadores quiseram-nos cúmplices,

de um grosseiro aproveitamento

de emoções, de desconhecimento do

passado das instituições por parte de

demagogos e de políticos sem escrúpulos.

Esta assuada não teve por fundo o espirito

de corpo, nem a dignidade das

forças militares. Foi a sua negação e

pretendeu minar os fundamentos do

Estado e das suas grandes instituições.

Estamos perante sapadores do

Estado de Direito e não de cantores

de protesto

Esta manifestação conduziu-me a

um livro publicado recentemente

por um autor francês Laurent Petitmangin,

filho e neto de ferroviários,

engenheiro e hoje em dia diretor

da Air France. Ele desmontou estas

técnicas de manipulação e os seus

perigos no romance traduzido em

espanhol Lo que falta de noche, em

que um pai, vindo das esquerdas se

defronta com o filho que se fez ultradireitista

e se torna violento.

Na entrevista ao jornal El Pais, a

jornalista pergunta-lhe: Tem medo

da extrema-direita? Responde: Tenho.

A extrema direita é como um

ancinho, recolhe tudo o que pode.

Sim, tenho medo da extrema-direita

porque tende a banalizar-se e tem

a habilidade de um polvo de deitar

os tentáculos a tudo o que pode.

Não reclama 100% das suas teses,

contenta-se com que as pessoas ingénuas

ou manipuladas partilhem algumas

reivindicações, como a recusa

da Europa, o medo da imigração,

agora as vacinas. Sabe abrir passagens

como tentáculos e apoiar-se em

movimentos de protesto.

A arruaça contra o canto coral nos

desfiles corresponde a esta estratégia.

Um destes novos cantores de

protesto, entrevistado, afirmou que

tinham o direito de cantar porque

não eram, ao que disse: Arremachos!

É uma revelação do tipo de ideologia

que preside a estes protestos.

Os arremachos não cantam, somos

nós, seremos as próximas vítimas

dos cantores de extrema-direita, se

formos nas suas cantorias.

(*) Carlos Vale Ferraz, pseudónimo

literário de Carlos de Matos

Gomes, nasceu a 24 de Julho de

1946, em Vila Nova da Barquinha.

É historiador, foi oficial do

Exército, tendo cumprido comissões

em Angola, Moçambique e

Guiné.

38 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

39



Que belo país o meu

NEUROCIÊNCIA

CARLOS ESPERANÇA

Quem, como eu, pensava, com algum

humor e maior apreensão, que

o coronavírus fora desenhado para

matar a partir dos 66 anos e 4 meses,

a idade que então vigorava para

as reformas, assistiu atónito à opção

de salvar os mais velhos em detrimento

da segurança social e da produtividade.

Ao ver contrariar a lógica do lucro,

a ilusão do crescimento perpétuo

do PIB, a ideia de que a felicidade

e a riqueza são sinónimas, sinto-me

grato a um Estado que ainda me

quer vivo aos 78 anos.

Até a Europa de que sou orgulhoso

cidadão, a Europa laica e republicana,

a herdeira do Renascimento, do

Iluminismo e da Revolução Francesa,

deu o exemplo de solidariedade

na compra comum de vacinas e no

esforço coletivo de impedir o colapso

das economias mais débeis.

Sabendo que Portugal vacinou ainda

poucos jovens adultos, mas raros

países vacinaram tanto os mais velhos,

sinto redobrado orgulho, não

pelo benefício próprio, pelo exemplo

que constitui.

Um país mais próximo de Marrocos

do que da França, que em 4 décadas

passou de 4 anos de escolaridade

obrigatória para 12, que criou o

SNS, cuja qualidade não teme confronto

com o dos países mais avançados,

que deixou de ser só de emigrantes

para se tornar um país de

acolhimento, que integrou 1 milhão

Prado encantado

de retornados e terminou a guerra

colonial, que já leva em democracia

quase tantos anos como os que

sofreu de ditadura, penso que é um

país onde vale a pena viver, e merece

ser defendido de quem o denigre.

Num país sem censura, sem polícia

política ou presos políticos, sem

tortura, é possível combater quem

nos governa sem medo de que nos

prendam, torturem ou ostracizem.

Podem os nostálgicos e herdeiros

do fascismo sentir comichão e azia,

podem até ser os agentes do regresso,

mas o exemplo do Portugal democrático

há de perdurar, e os anos

de democracia serão sempre o fermento

para novas madrugadas.

Que belo país o meu!

Inteligências fracassadas

V NELSON S. LIMA

Praticamente todos os animais - incluindo o homem - nascem

dotados de uma inteligência magnífica que lhes permite

estarem preparados para enfrentar a vida com êxito (e

quero dizer com isto serem capazes de criar o seu próprio

caminho utilizando os seus recursos e potencialidades).

Infelizmente, existem mil e um perigos a rondar a inteligência.

E não são apenas as doenças ou os acidentes que a

podem ameaçar.

São, sobretudo, os abusos do poder de qualquer tipo de autoridade

(incluindo a paternal), educação, egoísmo, hipocrisia,

mentira, ilusões instaladas, violências psicológicas,

abandonos, indiferenças, castrações e medos.

Geram-se assim inteligências fracassadas. E há tantas por

esse mundo fora, desde a que sacrifica o animal pelo abandono,

a perseguição ou o mau-trato até ao ser humano a

quem, desde o berço, se procura impedir que se libertem

os poderes da uma inteligência triunfante!

EMÍLIO COSTA

Eu sou o Emílio Costa

E trago aqui uma amostra

De como me sinto feliz.

Meu coração de ti gosta

Vila de Prado, terra nossa,

Estas quadras para ti eu fiz.

Trago bloco de notas na mão,

Enquanto por aqui caminho

Nem sei bem em que direcção.

De estar aqui sinto emoção,

Vou avançando devagarinho

Na Vila que é uma tentação.

Mais daqui a um bocadinho,

Com algum jeitinho,

Para ti cantarei um refrão.

Um melro ouço assobiar,

Dando depois às asinhas,

Observar isto é tão bom.

Vejo, também, a voar

Duas lindas rolinhas,

E folhas caindo no chão.

Uma parte gratificante

É teu manto verdejante,

Fruto de rara beleza.

Teu chão vale diamante,

És terra sempre constante

Das maravilhas da natureza.

Passo frente a duas velhas casinhas,

Num terreiro está uma velhinha

Jogando milho no chão.

A correr chegam as galinhas,

Isto foi observação minha,

Enchendo o papo com satisfação.

Agora olha para ela,

Abençoada e linda capela

Da Senhora do Bom Sucesso.

Mas que “coisa” tão bela…

Faço questão de entrar nela

E à Senhora licença eu lhe peço.

Já estou a demorar,

Está na hora de jantar

E o calor continua a apertar.

Minha alma vou refrescar,

No Cávado vou-me molhar

E a linda ponte admirar.

Este é o meu local encantado,

Tendo sido abençoado

Por Deus Nosso Senhor.

Agora vou dormir um bocado,

O sol já está do outro lado,

Volto amanhã, sem favor,

Para te ver respirar teu amor,

Minha linda Vila de Prado.

O abraço

NADA SUBSTITUIRÁ O SER HUMANO

Nunca houve um tempo como este em que mais

precisássemos uns dos outros.

V NELSON S LIMA

Num mundo frenético e complexo, é por vezes difícil mantermo-nos

sem o apoio, a palavra ou a presença de alguém

que nos faculte uma sensação de segurança, uma espécie de

referência honesta, quase um guia da vida que nos ajude a

orientar-nos.

Nas sociedades ancestrais eram os anciãos - os mais idosos

e experientes das tribos- que desempenhavam esse papel e

a quem até os guerreiros pediam conselhos.

Agora somos todos quase órfãos. Os anciãos desapareceram

da nossa sociedade. Metêmo-los em “lares” de idosos

ou deixámo-los sozinhos nas suas aldeias remotas. Ou,

simplesmente, considerámo-los senis porque o que está

na crista da onda é ser-se jovem, como se a sabedoria de

alguém estivesse no corpo.

Andamos muito perto de sermos “zombies”, mais ainda

agora em que o expoente máximo da inteligência é a “artificial”.

Creio que estamos a perder o chão, as referências

que orientaram os mais velhos.

Mas ainda estamos a tempo de travar esse deslize que nos

iria atirar para um monte de inúteis e desesperados cidadãos.

Cultivemos boas amizades sobretudo agora em que

“smartphones” e outros aparelhos “inteligentes” fazem

parte do nosso mundo. Nada há que possa substituir o ser

humano. E ensinemos isso aos mais novos porque o futuro

vai ser mais difícil do que eles imaginam.

40 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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Horizontais:

1. Festa em que se

assam castanhas.

17. Planta liliácea

da China.

18. De menor valor.

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7. Emite a sua opinião.

8. Terceira nota

musical.

Verticais:

1. Sumo de uvas

antes de acabar a

fermentação.

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9. No caso de.

10. Que tem cor de

castanha.

13. Elemento de

formação de palavras

que exprime a

ideia de ombro.

14. Caminho numa

povoação.

2. Armada Portuguesa

(sigla).

3. Elemento de formação

de palavras

que exprime a ideia

de nu.

4. Juntava.

5. Sociedade Anónima.

6. Poema lírico.

9. Mata de castanheiros.

11. Agastamento.

12. Doutor (abreviatura).

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43



ACTUALIDADE

A queda do governo num dia que

ficará para a história

LITERATURA

LUÍS OSÓRIO

1. Apetecia-me dizer três ou quatro coisas

irremediáveis.

Também eu estou indignado com o que

aconteceu hoje – ver a direita em peso,

armada de sorriso pela estrondosa queda

da “geringonça”, ver Ventura a fazer contas

aos lugares do parlamento que poderá

conquistar com o seu partido de ressentidos

e fachos, ver comunistas e bloquistas

a fazerem cair o governo por motivos que

julgo não serem óbvios para os portugueses,

ver tudo isto…

… o que uma pessoa pode pensar?

Depois de seis anos em que tanto do que

me parece importante foi recuperado – a

começar pela dignidade das pessoas depois

dos anos de chumbo da troika, depois

de se ter provado que era possível

combater a austeridade sem cortar nos

direitos das pessoas, depois de avanços

nas políticas laborais, depois do combate

contra o Covid, depois de se ter conseguido

negociar um PRR muito vantajoso

para o país (muito pelo talento negocial

de António Costa).

Depois de tudo isto?

Depois de o PCP e o BE terem provado

que podem ser partidos de ação política

executiva. Depois de termos convencido

a Europa de que um governo verdadeiramente

de esquerda pode colocar as contas

sem défice e, ao mesmo tempo, criarem

uma perceção de confiança no país…

Depois de tudo isto?

Como é possível que os dois parceiros de

governo votem contra o OE e ao lado dos

setores mais reacionários da sociedade

portuguesa?

Porventura o PCP e o BE acham que um

governo do PSD, com o apoio do Chega,

será melhor do que este governo?

Não terá sido ponderado pelo PCP e pelo

BE que, por longos anos, os seus partidos

voltarão a estar acantonados?

Não terão ponderado que dificilmente

poderão voltar a ter influência em qualquer

governação nos próximos largos

anos?

2. E o que dizer destes meses em que

estaremos parados e à espera de eleições?

Meses em que poderemos estar sujeitos a

uma nova vaga de Covid.

Meses em que deveriam arrancar os programas

de investimento com o dinheiro

do PRR.

Meses de recuperação económica e das

famílias.

Meses em que seriam implementadas

mudanças laborais importantes algumas

e substanciais pela influência do PCP e

BE.

Não terão o PCP e o BE ponderado a hipótese

de em janeiro ou fevereiro, o Chega

poder ter mais deputados do que suas

baancadas?

Ou que o governo possa voltar a ser de direita

com Ventura numa qualquer pasta?

O que lhes acontecerá eleitoralmente se

isso vier a acontecer?

3. Não quero fazer aqui um julgamento

de valor sobre a decisão, certamente muito

ponderada, dos comunistas e do Bloco

de Esquerda.

Certamente que foi muito discutido.

Certamente que agora chegará o momento

em que as trincheiras se irão abrir de

metralha contra quem não pensa como

cada exército pensa.

Certamente que existirá muito nervosismo

e pressa de dizer que a culpa é deste

ou daquele.

Certamente que terá sido muito ponderada

a hipótese de perderem votos nas

próximas legislativas – no limite de perderem

muitos votos.

4. Compreendo bem a decisão do PCP.

Não julguem que não compreendo.

Este acordo foi e era bom para o país,

mas teve aspetos negativos para os comunistas.

Entre 2015 e 2021 perderam em

três tabuleiros.

- Nestes seis anos perderam votos nas várias

eleições

- O sindicalismo afeto à CGTP perdeu

fôlego e o país viu surgir sindicatos inorgânicos

que ganharam poder e relevância

(enfermeiros, camionistas, etc)

- Nas últimas duas autárquicas perderam

mais de vinte câmaras, algumas fortemente

emblemáticas.

Admito que muitos comunistas pensem

que já chega.

Que não é possível continuar a morrer

lentamente desta forma.

Que podem perder votos (e talvez muitos

votos) nas próximas eleições, mas que

têm de voltar a ser comunistas e a lutar

pela sua essência.

5. Já compreendo menos (ou nada) o

Bloco de Esquerda.

Não faço a mais pequena ideia das suas

razões.

Só têm a perder.

Será completamente irrelevante votar no

Bloco nas próximas eleições.

Na verdade, para quê votar no Bloco?

Quem vota no PCP pode pensar que o

poder nos sindicatos será reforçado.

Ou que será importante voltar a ver o

PCP combativo no poder local e nas fábricas.

Mas o que poderá esperar quem vota no

Bloco de Esquerda?

Não tem sindicatos.

Não tem poder local.

E deixou de ter a possibilidade de chegar

ao poder direta ou indiretamente.

Será penoso.

Peço desculpa aos meus amigos bloquistas,

mas não compreendo.

6. Os dados estão lançados.

E é a democracia funcionará.

Os dias serão agitados e os portugueses e

portuguesas irão escolher o que desejam.

Não há nada de mais bonito do que isso.

PRESA NUM MANICÓMIO

POR UM “CRIME DE AMOR”

PAULO MARQUES

Corria o ano de 1918 quando um escândalo

protagonizado pela filha e herdeira do

fundador do Diário de Notícias, Maria

Adelaide Coelho da Cunha, veio agitar o

país habitualmente sereno e muitíssimo

conservador em matéria de costumes.

Resumidamente, a história reza assim:

casada (com o administrador do mesmo

jornal, o advogado e escritor Alfredo da

Cunha), senhora de uma educação privilegiada,

com uma fortuna considerável,

Maria Adelaide, com 48 anos de idade,

apaixonou-se pelo seu motorista particular,

de 26. Por amor, decidida a abdicar

de uma vida abastada e mundana e de

um casamento aparentemente considerado

exemplar, um modelo de harmonia

e felicidade, que, no entanto, a tornava

profundamente infeliz, Maria Adelaide

abandonaria a sua residência, o palácio

de São Vicente, à Graça, para ir viver

num primeiro andar alugado, modestíssimo,

em Santa Comba Dão.

O marido traído e ávido de vingança,

com o auxílio das autoridades, iniciou

uma caça policial que acabaria na captura

da mulher e do seu amante. Enquanto

ele, Manuel Cardoso Claro, foi encarcerado

na Cadeia da Relação do Porto onde

permaneceria durante quatro anos sem

culpa formada, ela, a esposa adultera,

seria interditada judicialmente de gerir

os seus bens e internada no Hospital de

Alienados do Conde Ferreira, no Porto.

Observada pelos médicos (três famosos

vultos da psiquiatria portuguesa da altura:

Sobral Cid, Júlio de Matos e o que seria

o futuro Prémio Nobel de Medicina,

Egas Moniz) o diagnóstico foi preciso:

Maria Adelaide sofria de uma forma de

alienação mental. Os clínicos usam termos

muito habituais na época, como «degenerescência

hereditária», «neurastenia»

e «loucura lúcida», para justificar os motivos

que a teriam levado a alterar tão radicalmente

a sua conduta e a apaixonar-se

por um jovem, ignorando a sua condição

social inferior.

Durante todo o tempo de internamento,

Adelaide, não só era vigiada vinte e

quatro horas por dia, como passou a ver

toda a sua correspondência intercetada

e só podia ser visitada por quem estivesse

autorizado pelo marido para o fazer.

Como nunca recebeu qualquer medicação

ou tratamento específico para a

suposta doença mental de que padecia,

permanece a dúvida se se terá tratado de

um (terrível) erro médico cometido pelos

reputados clínicos, se tudo não terá

passado de um benefício em troca de

favores ou pagamento, ou até, talvez, de

um «processo moral» em nome dos bons

costumes e do poder patriarcal masculino.Embora

este não constitua um caso

isolado, já que a História nos fornece outros

exemplos de individualidades, sobretudo

do sexo feminino, que, por porem

em causa as normas sociais e, muito em

particular, a estabilidade familiar, o poder

marital ou paternal, eram diagnosticados

como doentes mentais e privados

dos mais elementares direitos, nomeadamente,

o encarceramento, o internamento

compulsivo, a exclusão social, ele teve

maior repercussão histórica pelo facto

dos dois protagonistas nele envolvidos

fazerem parte não só da alta burguesia

lisboeta, como pertencerem a uma das

mais conhecidas famílias ligadas à imprensa

portuguesa. Acresce ainda o facto

de tanto Maria Adelaide como o marido

terem saltado à praça pública, com grande

exposição mediática, escrevendo artigos

de jornal e livros onde defendiam as

suas posições: «Infelizmente louca!» intitulou-se

o libelo de Alfredo da Cunha e

«Doida não!» a contestação dela.

Deliberadamente não quero aqui desvendar

o desfecho deste drama que apaixonou

a sociedade lisboeta do tempo e

inspirou diversas obras, entre as quais

“Doidos e Amantes” de Agustina Bessa-

-Luís, “Doida Não e Não!” de Manuela

Gonzaga e o filme “Solo de Violino”, realizado

pela franco-portuguesa Monique

Rutler. Deixo à vossa consideração qualquer

uma destas três sugestões...

44 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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PASSATEMPO

HUMOR Quem não sabe rir, não sabe viver”

Breves...

1 - A mentira para dizer

aos pais

– João: tenho uma boa noticia

e outra má…

• Primeiro a boa!!

– Passei a todas as cadeiras na

universidade!!

• Parabéns, filho, qual é a má?

– Era Mentira

1 - Que nome se dá a uma

ferramenta perdida?

Foice

1 - Dizem que todos têm

um lado bonito?

Então tu deves ser um circulo.

1 - Qual é primeira coisa

que tu fazes ao acordar?

Abrires os olhos

1 - Filho pergunta ao pai,

como é ter um filho tão

bonito?

A resposta é, pergunta ao teu

avó filho!

1 - O que acontecerá se o

Pai Natal morrer?

– Ele não estará mais em

trenós.

1 - Sabes quando é que

dois mais dois não dá

quatro?

Quando a conta estiver

errada.

1 - Qual é o cúmulo da

força?

Entortar uma esquina.

1 - Qual é o pior nome

que uma sogra pode ter?

Esperança, pois a esperança é

a ultima a morrer.

1 - Qual é a panela que

está sempre triste?

A panela depressão.

1 - Piada do Doutor para

emagrecer

– Doutor, como é que eu faço

para emagrecer?

– Basta a senhora mover a

cabeça da esquerda para a

direita e da direita para a

esquerda.

– Quantas vezes, doutor?

– Todas as vezes que lhe oferecerem

comida.

1 - Conversa de casados:

– Querido, o que é que preferes?

Uma mulher bonita ou

uma mulher inteligente?

– Nem uma, nem outra. Tu

sabes que eu só gosto de ti.

1 - Piada dos amigos

Dois amigos conversam sobre

as maravilhas do Oriente. Um

deles diz:

– Quando completei 25 anos

de casado, levei a minha mulher

à China.

– Não me digas! E o que pensas

fazer quando completarem

50?

– Volto lá para buscá-la.

1 - Consultorio médico:

Num consultório médico,

uma mãe pergunta ao médico:

– Doutor, o que posso fazer

para que o meu filho não faça

xixi na cama?

– Ponha-o a dormir na casa de

banho.

1 - Como abrir um cofre?

– Explique lá como conseguiu

arrombar o cofre – pergunta o

juiz ao réu.

– Não vale a pena, sr. dr. Juiz.

O senhor nunca seria capaz

de fazer o mesmo – respondeu

o réu.

1 - Piada da escola

Mamã, na escola chamaram-

-me mentiroso!

– Cala-te que nem foste à

escola ainda…

1 - Papagaio Selvagem

– Um dia, estava com tanta

fome que comi o meu papagaio

– contou o explorador ao

amigo.

– E a que é sabia?

– Peru, ganso selvagem,

tordo… Aquele papagaio era

capaz de imitar tudo.

Feriados e Datas Comemorativas

07 DOM Dia Internacional da Preguiça

19 SEX Dia Internacional do Homem

08 SEG Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis 20 SÁB Dia Nacional do Pijama

08 SEG Dia Mundial da Radiologia

20 SÁB Dia Internacional dos Direitos das Crianças

08 SEG Dia Mundial do Órfão

20 SÁB Dia da Industrialização de África

09 TER Dia Int. Contra o Fascismo e o Anti-Semitismo 21 DOM Dia Mundial da Televisão

10 QUA Dia Mun. da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento 21 DOM Dia Mun. em Memória das Vítimas da Estrada

10 QUA Dia Mundial da Bolota

21 DOM Dia Mundial do Olá

11 QUI Dia do Armistício

21 DOM Dia Europeu da Fibrose Quística

11 QUI Dia Mundial do Origami

22 SEG Dia de Dar uma Volta

11 QUI Dia Mundial da Qualidade

23 TER Dia Pelo Fim da Impunidade

12 SEX Dia Mundial da Pneumonia

23 TER Dia do Arando

13 SÁB Dia Mundial da Bondade

23 TER Dia de Fibonacci

14 DOM Dia Mundial da Diabetes

24 QUA Dia Mundial da Ciência

14 DOM Dia Internacional do Trava-Línguas

24 QUA Dia Nacional da Cultura Científica

15 SEG Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa

25 QUI Dia Internacional para a Eliminação da Violência

15 SEG Dia do Escritor Preso

16 TER Dia Internacional da Tolerância

Contra as Mulheres

16 TER Dia Nacional do Mar

25 QUI Dia Nacional do Empresário

17 QUA Dia Mundial do Não Fumador

26 SEX Black Friday

17 QUA Dia Mundial da Criatividade

26 SEX Dia de Não Comprar Nada

17 QUA Dia Internacional dos Estudantes

26 SEX Dia Internacional do Engenheiro de Sistemas

17 QUA Dia dos Sistemas de Informação Geográfica 28 DOM Dia do Planeta Vermelho

18 QUI Dia do Ocultismo

29 SEG Dia Int. de Solidariedade com o Povo Palestiniano

18 QUI Dia Europeu do Antibiótico

29 SEG Cyber Monday

Novembro 2021

18 QUI Dia Mundial da Filosofia

30 TER Dia das Cidades Pela Vida

19 SEX Dia Mundial da Casa de Banho

30 TER Dia da Segurança do Computador

Datas comemorativas

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47



POESIA

V CARMINDO

DE CARVALHO

https://bit.ly/3jAnqL2

V JOÃO

LUÍS DIAS

https://bit.

ly/3CDoarx

A Lua, o Sol e Eu

A Lua está lá fora

Linda de morrer! ...

O Sol prenhe de inveja

Não vai aparecer.

A Lua está lá fora

E põe luz no meu jardim

Mas eu queria

Que o Sol viesse e sorrisse para mim.

É tão longe daqui

Até ao meu Sol

Como do meu Sol

Até aqui.

Mas é tão longe!

VELHO

(Dedico também aos “novos”,

que não o sabem ser)

Foram-se os dias curtos demais

Ficaram as noites longas demais

Foram-se os sonhos grandes demais

Ficaram os sonos pequenos demais

Foram-se as pernas que corriam demais

Ficaram as forças, cada vez de menos

Foi-se a cor dos cabelos

Foram depois os cabelos

Foram-se as lembranças...

Ficou perto demais a solidão

Ficou para trás a juventude

Ficaram outras vontades…

Ficou um amontoado de recortes da vida

Ficou tão longe tanta coisa!...

Ficou o resto que sobrou

Foi-se embora o que queria ainda

Ficou só um pouco do que foi...

Ficou o saber, a ternura

Ficou a lágrima teimosa nos olhos

Ficou o cansaço

Ficaram os dias e as tardes que lembra...

Ficou o mesmo cinzento

Ficou a mesma chuva, o mesmo sol

Mas o frio fica cada vez mais...

Tão longe!

A parte mais feliz de mim

Lembra-me que ainda tenho o meu

pensamento

Que viaja no tempo

Mais rápido que o vento.

E a parte feliz de mim

Aconchega-se

Em silêncio e adormece

Junto a mim.

Novembro 2002

In: Entre Ondas de Ar e Amar

Foto: manuel araújo

V MARIA

JOSÉ PRAÇA

https://bit.

ly/37ADsPH

LISBOA...

Lisboa é chão de rua

É calçada de escravos e de sol

É promontório de corvos e de luas

E de colinas de fado sem lençol

Lisboa é alfacinha e tem olhares

Tem luzes qu’iluminam os lugares

Tem escadinhas, letreiros e azulejos

Calçadas estreitinhas em viés

Casas de pasto, tertúlias e chalés

Lisboa é voz de marcha soletrada

É canto d’aventais e manjericos

Tem arcos d’Aqueduto e tem salpicos

De sardinheiras floridas nos postigos

Lisboa é ventre d’asas, tem gaivotas

Tem pasteis de Belém e tem vielas

Casas de passe, igrejas e ruelas

Caracóis, moelas e iscas com elas

Lisboa é mãe de bairros, tem castelo

Vestem-na toponomias mouras e de coroas

Tem miradouros, ascensores e amoladores

Tem Bica do Sapato e engraxadores

Lisboa tem teclados do rio Tejo

Tem Cacau da Ribeira e tem ginginhas

Tem sardinhas assadas e castanhas

E gatos a espreitar entre rendinhas

Canta ao despique com Bocage no Nicola

Na Brasileira, desassossega os astros

E folheando na Bertrand vai respirando

O Grandela em cinzas, já sem pasto

Tem colinas de fados bem sangrados

Com corações bordados no seu chão

E em pregões de memória põe o xaile

Que salta sem pudor de mão em mão

CULTURA

Tem Martinho d’Arcada com lembranças

Tem livros multicores, alfarrabistas

Tem Praça d’Alegria com coristas

Bombeiros voluntários e fadistas

Tem a Feira da Ladra aos quadradinhos

Com pechisbeques, valores, penhores :

- Chão de bolores

E eléctricos pintados com a cor

Do milho p’rás pombinhas sem favor

Tem armários e gavetas com memórias

Tem asas de dois corvos

E ventos d’arraias

E ao luar d’arroz doce com canela

Canta em fado vadio

Os seus sinais

E desta luz do coração de Olisipo

chovem sílabas em traço alcandorado

Que cantam o Roteiro de Lisboa

Gizado em voz de tela por Fernando Pessoa.

Maria José Praça

(“Pedras do meu andar “ -Nº 126080 da SPA )

48 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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49



O Império romano

Uma das sociedades mais progressistas do Mundo

Brácara

Au-

gusta, é o

nome romano

dado à ac-

tual cidade de

Braga,. Foi construída no lu-

gar de uma povoação antiga

de origem celta. A cidade romana

foi fundada pelo impe-

rador César Augusto cerca de

16 anos ante de Cristo (a.C.),

após a pacificação definitiva

da região. Durante o período

dos Flávios, Bracara Augusta

recebeu o estatuto municipal e

foi elevada a sede do convento,

tendo tido funções admi-

nistrativas sobre uma extensa

região. A partir da reforma

de Diocleciano passou a ser a

capital da província da Galé-

cia. No século V a cidade foi

tomada pelos invasores suevos,

que a escolheram como capital

do seu reino. São conheci-

dos da cidade romana restos

de alguns edifícios. Nas escavações

efectuadas no claus-

tro do Seminário de Santiago

encontrou-se uma grande sala

com resto de colunas, tendo ao

centro uma piscina decorada

com mosaicos, que foi provavelmente

parte de um balneá-

rio. Em escavações realizadas

pela Universidade do Minho

foram descobertas umas quan-

tas termas. Na área da Fonte

do Ídolo, situada na actual Rua

do Raio e fora do antigo perí-

metro da cidade romana, terá

existido um edifício religioso

consagrado ao deus Tongoe-

nabiago.

O reinado de César Augusto iniciou

uma era de relativa paz conhecida

como Pax Romana (“Paz Romana”).

Apesar de contínuas guerras de expansão

nas fronteiras imperiais e uma

guerra civil de um ano devido à sucessão

imperial, o mundo romano esteve

praticamente livre de conflitos em larga

escala por mais de dois séculos. Ele

aumentou o império, anexando Egito,

Dalmácia, Panônia, Nórica e Récia,

expandindo as possessões da África

e Germânia e completou a conquista

da Hispânia. Hispânia era o nome

dado pelos romanos à Península Ibérica

(Portugal, Espanha, Andorra, Gibraltar

e uma pequena parte a sul da

França.

O Imperador romano criou o sistema

de tributação, desenvolveu redes de

estradas, um sistema de correio oficial,

estabeleceu um exército permanente,

a guarda pretoriana, criou serviços

oficiais de policia, bombeiros e

reconstruiu grande parte da cidade de

Roma durante seu reinado. Augusto

morreu em 14 d.C., com 75 anos.

Mas não pensemos que naquele tempo

do império romano a vida das populações

era fácil. Havia fome, miséria,

escravidão e vivia-se sob um regime de

mão de ferro, mas os romanos ofereciam

também benefícios à sociedade

que nenhum outro Império daquela

época oferecia. Podemos até considerar

o Império romano uma das sociedades

mais progressistas do Mundo

daquele tempo.

Vejamos então, superficialmente

alguns exemplos

da vida desse tempo:

Comida grátis — Nos primeiros

anos do Império Romano, a população

de Roma cresceu e empobreceu

rapidamente e era difícil encontrar

trabalho. Para lutar com a situação foi

criada a “lei de grãos” de Gaius Gracchus

de 123 aC, que oferecia grão pela

metade do preço de mercado, uma vez

por mês, tendo o sistema sido revisto

durante os reinados de Júlio e Augusto

César. A partir de então, os grãos eram

totalmente gratuitos para as 200 mil

pessoas mais pobres de Roma. Essa

prática de distribuir grão aos mais pobres

durou mais de seis séculos.

Pensões Militares — Os soldados

após terminar o serviço militar recebiam

uma pensão. Nos primeiros anos

do império, o pagamento era geralmente

em forma de terra. E só em 6

dC, Augustus Caesar descartou o sistema

e substituiu-o por um esquema

de pagamento monetário.

Diversão grátis — Nos dias de hoje

quase todo os eventos festivos são pagos.

No tempo dos romanos o acesso

a shows, fossem lutas de gladiadores,

performances teatrais ou corridas de

carros, era quase sempre livre.

O entretenimento romano era patrocinado

por clientes ricos que estavam

tentando cair nas graças das pessoas.

Na maioria das vezes, esses anfitriões

eram aspirantes a políticos que queriam

colocar as pessoas ao seu lado.

Polícia e bombeiros — Foi em 7

aC, que o imperador Augusto decidiu

reformar o modo como a cidade de

Roma era organizada. Ele dividiu a cidade

em 14 distritos e colocou-os sob

o controle de oficiais, cujo trabalho

era supervisionar seu distrito e garantir

que coisas como crime, desacatos

e incêndios fossem mantidos sob controle.

Depois de um incêndio particularmente

grave em 6 dC, o imperador

Augusto finalmente decidiu criar um

órgão público responsável pela segurança

da cidade – os vigiles que viviam

em quartéis. Eles também eram responsáveis

por policiar a cidade dia e

noite e geralmente manter a ordem,

incluindo rastrear e devolver escravos

fugitivos.

Banhos grátis— Os banhos, bem

como as instalações de entretenimento

público, eram muito populares e de

acesso livre, mas durante o reinado de

Diocleciano, o valor do ingresso era

50 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

51



dois centavos de bronze, e o acesso

era livre apenas em feriados públicos

e religiosos. As casas de banho

eram, na verdade, grandes centros

comunitários. Elas ofereciam diversas

actividades, onde amigos

iam divertir-se, os políticos iam

tentar ganhar apoio, e os carteiristas

roubar os pertences dos banhistas.

Insulae — Em Roma em 315 dC,

havia 44.850 insulae e 1.781 domus

(habitação social). Ambos eram tipos

de residência: um domus era

uma casa individual que continha

uma única unidade familiar,

enquanto uma insula

era um bloco de

habitações comuns

ocupadas

por inquilinos.

Embora

muitas

dessas insulas

tenham

sido construídas

por proprietários

privados,

parece

que pelo menos

algumas foram

financiadas e

construídas pelo

governo romano

para acomodar

o boom populacional

da capital

do império. Essas

insulas eram muito

modernas: o piso inferior

era composto de lojas

ou oficinas, enquanto

os andares de cima eram

residências particulares de

um a quatro quartos.

Água e WCs gratuitos

— A Roma Antiga, de certo

modo era idêntica às cidades

de hoje fornecia casas-de-banho

públicas gratuitas e fontes de água

para sua população. A única diferença

é que uma casa-de-banho romana

certamente não atendia aos

padrões de muitos de nós nos dias

de hoje: a casa-de-banho pública

era um único quarto, com buracos

ao redor das paredes laterais que se

esvaziavam num esgoto. Não havia

privacidade, e qualquer um que

usasse a casa-de-banho tinha que

usar uma esponja colectiva para a

higiene pessoal. A água corrente

alimentada por um dos os nove

aquedutos que alimentaram Roma

com seu abastecimento de água

limpa que forneciam 591 fontes em

toda a cidade.

Cuidados

de saúde

gratuitos —

Na Grécia antiga,

como em muitos lugares

do mundo antigo, a

saúde era considerada uma

questão pessoal que as pessoas tratavam

sozinhas. Se fossem ricos,

poderiam pagar pelo acesso a um

consultor ou a um médico. Para

muitas pessoas, no entanto, o melhor

tratamento médico a que eles

teriam acesso seria remédios caseiros

comuns ou o conhecimento

médico da família. Em Roma, no

entanto, as coisas eram diferentes.

O primeiro hospital público

de Roma foi construído em 293 aC

na Ilha Tiberina, usando fundos do

Senado. Embora os hospitais fossem

incomuns em todo o império,

eles eram sempre gratuitos e construídos

usando fundos do governo.

Muito mais comum, porém, eram

médicos particulares que dirigiam

sua própria clínica, os clinicus.

Muitos desses médicos recebiam

um salário do governo romano.

Para os pacientes mais pobres, o

diagnóstico e a prescrição eram

muito baratos, embora o tratamento

nunca fosse totalmente gratuito.

Collegia — Uma collegia era como

uma corporação moderna, um clube

social, um partido político, ou

uma espécie de sistema de previdência

social, tudo numa só instituição.

Esses grupos de pessoas do

mesmo ofício juntavam-se e reuniam

os seus recursos, colocando

dinheiro numa caixa colectiva, que

funcionaria de maneira semelhante

a um seguro. Se algum dos membros

do grupo adoecesse, morresse

ou perdesse a casa podia ser usado.

Quando a república deu lugar ao

império após a ascensão de Júlio

César, um de seus primeiros actos

foi limitar estritamente a capacidade

das pessoas para formar novas

collegias, que passaram a necessitar

da permissão pessoal do imperador

em vez de apenas o consentimento

de duas outras pessoas. As collegia

desaparecem a partir daí.

Teoria da Doença — Em 36 aC,

o escritor e estudioso romano Marcus

Varro escreveu que os novos

edifícios não deveriam ser construídos

perto de pântanos por causa

do risco representado por criaturas

minúsculas que não podiam

ser vistas pelos olhos, que penetram

no corpo através do nariz e da

boca e que podiam causar doenças

graves. Embora esta ideia estivesse

longe de ser dominante na sociedade

romana, a maioria dos romanos

subscrevia uma teoria natural da

doença, em vez de uma teoria divina.

Eles acreditavam que o mau

cheiro poderia ser a causa da doença.

A declaração de Marcus Varro

era a mais próxima de descobrir

a existência de germes – e as suas

teorias sobre como evitar a doença

eram muito precisas: manter a

forma, descansar quando doente,

beber água limpa, não acampar no

mesmo lugar por muito tempo, evitar

ambientes húmidos e limpar-se

regularmente.

in [Listverse]

Euclides

Cavaco

GUITARRAS AI

QUE SAUDADE

Guitarras ai que saudade

O vosso trinar me inspira

Traz de volta a mocidade

Por quem minha alma suspira.

Guitarras ai que saudade

Escutar-vos é sonhar

Num véu de felicidade

Que fica prà além do mar.

Guitarras ai que saudade

O vosso som despenteia

Devaneio que persuade

Os sinos da minha aldeia.

Guitarras ai que saudade

Sinto no peito conter

Dor que minha alma invade

E submerge o meu ser.

Guitarras de sonho ledo

Que ao fado emprestam vida

Dizem adeus em segredo

Na hora da despedida.

Trinando notas dolentes

Na hora calma e serena

Dão gemidos comoventes

Como que a chorar de pena .

Guitarras a soluçar

Nesta hora mais sentida

Vossa ausência vai deixar

Nossa noite entristecida.

Guitarras ai que saudade

A noite chegou ao fim

Uma tristeza me invade

Guitarras chorai por mim!...

Euclides Cavaco

Escute Aqui:

https://www.euclidescavaco.com/guitarras-ai-que-saudade

52 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

53



HORÓSCOPO

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Novembro

Horário

Seg. a Sexta. — 08h00 às 20h00

Sábado — 08h00 às 19h00

w V - JOANA ARAÚJO (*)

Carneiro

21/03 a 20/04

Balança

23/09 a 22/10

Talvez surjam conflitos com amigos ou colegas de trabalho. A

sua intuição deve atrair ganho inesperado. Valorize a cumplicidade

se já tiver um amor. Pode rolar interesse com pessoa

mais velha ou comprometida.

Touro

21/04 a 20/05

Você vai se destacar na carreira e pode exigir demais dos

colegas, atraindo inimizades: cuidado! Afinidades vão marcar

a vida a dois, mas diminua as cobranças. Pode ir visitar um

amigo que mora longe.

Actividade feita em casa ou com parente deve render um dinheiro

extra. Talvez a sua alma gémea precise da sua ajuda.

Lembre-se: é sempre tempo de adoptar hábitos saudáveis.

Escorpião

23/10 a 22/11

Com poder de comunicação afiado, você vai se destacar

no serviço. Promessa de sucesso na conquista! Não deixe

o passado embaraçar o seu romance. Tente ceder mais em

casa para evitar conflitos.

Produtos portugueses e de todo

o mundo numa só casa!

Gémeos

21/05 a 20/06

O trabalho vai exigir foco. Talvez ganhe dinheiro se seguir o

seu sexto sentido. Sua sensualidade tem tudo para agitar a

vida afectiva. Uma pessoa popular pode despertar seu interesse

caso esteja só.

Caranguejo

21/06 a 22/07

Se actuar em equipa, terá sucesso na profissão. Divida o que

sabe com os seus colegas. Sector afectivo com altos e baixos.

Combata o ciúme! Nas horas livres, desfrute a companhia

de filhos ou crianças da família.

Leão

23/07 a 22/08

Tenha jogo de cintura diante de mudanças e mantenha o foco

para progredir na carreira. Dê mais apoio à pessoa amada e

livre-se de vez de assuntos do passado. A vida espiritual vai

ganhar a sua atenção.

Virgem

23/08 a 22/09

Boa fase a caminho, se trabalha em equipa ou tem clientes. O

dinheiro vai entrar, mas você precisa de se esforçar. Relação

recente deve se firmar. A dois, cobre menos! Não recuse convite

para se divertir.

Sagitário

23/11 a 21/12

Mantenha o foco no trabalho para não cometer erros. Se precisar

de dinheiro, parentes pode ajudar. A relação afectiva

pede diálogo e aconchego para voltar ao eixo. É possível que

amor do passado reapareça.

Capricórnio

22/12 a 20/01

O sector profissional recebe estímulos e você vai se empenhar

para ganhar mais ou subir de cargo. Cuidado com o

ciúme no romance. Espere bons momentos com familiares e

novos amigos.

Aquário

21/01 a 19/02

Aja nos bastidores e não se stress ao defender as suas ideias

no trabalho. Bom momento para lidar com dinheiro. Atenção

para o ciúme no romance. Se gosta de alguém que mora longe,

as coisas podem arrefecer.

Peixes

20/02 a 20/03

Bom momento para reciclar conhecimentos, mas não revele

os seus projectos. Saia da rotina se já tiver um amor. Caso

não tenha, pode rolar caso proibido. Siga a sua intuição para

resolver os seus problemas.

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54 Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

55



ÚLTIMA

Empresas suíças enfrentam problemas

nas cadeias de abastecimento

Perturbações nas cadeias globais de

abastecimento podem piorar, alertam

banqueiros centrais.

Keystone / Neil Hall

SWISSINFO.CH/MGA (*)

Perturbações nas cadeias globais de suprimentos

começam a ser repassadas aos consumidores.

Algumas empresas analisam a

possibilidade de reduzir o número de horas

de trabalho do pessoal, advertindo que

a situação pode ter conseqüências negativas

para a economia.

A Federação das Empreas Suíças (Economiesuisse)

divulgou um estudoLink externo

realizado através do questionamento de

237 empresas. A maioria (80%) respondeu

que o fechamento de portos em muitas

partes do mundo dificultou seus negócios.

Além de cancelar alguns pedidos e, portanto,

perder vendas, cerca da metade das

empresas pesquisadas disse já ter repassado

o aumento dos custos de entrega aos

consumidores. Nos próximos seis meses,

mais empresas afirmaram que tomariam

medidas semelhantes.

“Os representantes da indústria esperam

um aumento de preços de cerca de cinco

por cento dentro dos próximos seis meses”,

publicou a federação. „Mesmo que

parte da pressão de preços possa ser absorvida,

os problemas com cadeias logísticas

estagnadas e componentes em falta serão

cada vez mais sentidos pelos consumidores.”

Os produtos que mais faltam no mercado

atualmente são madeira, aço, alumínio, semicondutores,

plásticos e produtos químicos.

Os problemas da cadeia de suprimento

começaram na Ásia e agora se apresentam

na Europa.

A situação se agrava também devido ao aumento

dos preços da energia, seja gás ou

petróleo. O risco de inflação é concreto,

adverte Economiesuisse.

„É um desenvolvimento perigoso que pode

reduzir significativamente as perspectivas

econômicas para 2021. As indústrias afetadas

não esperam que os problemas de

entrega diminuam a partir de 2022.

(*) Autor escreve em português do Brasil

56

Lusitano de Zurique - Novembro 2021 | www.cldz.eu

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