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JANEIRO_2022-DIGITAL

Órgão informativo do Centro Lusitano de Zurique

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Edição Digital

LUSITANO

de

ZURIQUE

[ JANEIRO 2022 | Edição Nº. 284 | ANO XXVIII | Director: Armindo Alves | Director-adjunto: Manuel Araújo | Publicação mensal gratuita ]

NA ESPERANÇA QUE O ANO

2022

SEJA O ANO DA RETOMA E

LIBERTAÇÃO

BomAno 2022

Edição

DIGITAL

editorial

direito

SAÚDE

SAÚDE

COVID-19 - População receberá

terceira dose Pág. 3

Indemnização e compensação

com danos de vacina. Pág. 12

COVID-19 - População receberá

terceira dose Pág. 40

COVID-19 - População receberá

terceira dose Pág. 40


EQUIPA EDITORIAL

Director: Armindo Alves

Jornalista CC15 A

Director-adjunto: Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Email: lusitano@gmail.com

COLABORADORES

Alice Vieira, Aragonez Marques, Carlos Matos Gomes,

Carmindo de Carvalho, Costa Guimarães, Cristina

F. Alves, Daniel Bohren, Euclides Cavaco, Graça

Amiguinho, Ivo Margarido, Joana Araújo, Joaquim

Galante, Jorge Macieira, Manuel Araújo, Maria dos

Santos, Maria José Praça, Nelson Lima, Nelson Mateus,

Pedro Nogueira, Rosa Moreira.

EDIÇÃO, COMPOSIÇÃO E PAGINAÇÃO

Joana Araújo

Jornalista CC 11 A

Email: joanaaraujo@protonmail.ch

PUBLICIDADE

Tel.: 079 222 09 14

Email: pub.lusitano@gmail.com

IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 3000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

NOTA IMPORTANTE:

Os artigos assinados reflectem tão-somente

a opinião dos seus autores e não vinculam

necessariamente a direcção desta revista.

Apoio

LUSITANO

de

ZURIQUE

Por discordância, esta publicação

não adopta, nem respeita as normas

do novo inútil Acordo Ortográfico.

O Lusitano e o CLZ

deseja-vos

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EDITORIAL

Armindo Alves

DIRECTOR

JORNALISTA CC15 A

Entramos no ano novo ainda

com a epidemia do (Corona), a

nova variante Omicron, a dificultar

o nosso dia-a-dia. Como tenho

referido, vamos ter que nos habituar

a esta situação, porque tudo indica

que mais variantes virão no futuro!

Acabamos o ano com dificuldades

nas cadeias de abastecimento, restrições

por todo o lado e com menos

liberdade individual!

Mas na Confederação helvética nem

tudo é negativo, temos grandes desenvolvimentos

económicos, o franco

a valorizar, que por um lado é-nos

favorável, mas, por outro, dificulta a

exportação, a concorrência para bancos

e a indústria farmacêutica. Tudo

indica que a recuperação vai acontecer

em 2022. Há prognósticos que

referem crescimento acima da média,

tendo a recuperação sido travada

com as dificuldades de abastecimento

e das novas medidas sanitárias devido

ao surto da variante Omicron.

O mercado de trabalho está praticamente

recuperado. De momento a

DEPARTAMENTO DE FUTEBOL

Tel.: 079 222 09 14

Email: armindo.alves@garage-

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maioria das empresas está com dificuldade

encontrar mão-de-obra qualificada,

especialmente nos campos

da informática, arquitectura, indústria

química, farmacêutica e engenharia

mecânica. O sector de saúde é o sector

mais afectado, tal como os serviços

sociais, estes acima da média.

Não podemos esquecer a inflação.

Como referi, novas versões nos virão

atormentar, depois a inflação na Zona

Euro e nos EUA está em alta, mas poderá

desaparecer automaticamente

O grande responsável do aumento

económico da Suíça é a indústria farmacêutica,

é o motor da exportação.

De qualquer forma a concorrência

não dorme e a pressão tem aumentado

nos últimos tempos e já há países

a tentar criar empresas farmacêuticas.

Além disso, gigantes suíços como a

Roche e a Novartis enfrentam uma

concorrência crescente de start-ups

(BioNtech, Moderna) e grandes empresas

tecnológicas como Google e a

Amazon, que apostam na inteligência

artificial e no Big Data, tentam

conquistar uma fatia do mercado de

saúde.

Já no que toca ao turismo, ele tem

estado bastante parado e que em

2022 mesmo apesar das incertezas,

irá certamente aumentar. A dinâmica

dependerá em particular da rapidez

da recuperação do turismo internacional,

essencial para o bom funcionamento

da indústria do luxo.

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CENTRO LUSITANO

DE ZURIQUE

Risweg, 1

8041 Zurique

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Email: info@cldz.eu

Editorial

Perspectivas para 2022

Menos conhecido e visível que a relojoaria,

mas muito mais importante

em termos de exportações e empregos

na Suíça (320 mil empregos), é a

indústria de máquinas, equipamentos

e metais, que estão optimistas

para os próximos meses.

As principais preocupações estão na

matéria-prima, pois o fornecimento

está cada vez mais escasso, levando

por essa razão ao aumento dos preços.

A forte valorização do franco suíço

em relação ao euro parece ter sido

absorvida pela indústria, que se aproveitou

da crise para inovar e aumentar

sua competitividade.

A “bolha“ imobiliária é boa para os

bancos de investimento (taxas de juros

mais altas), mas não para os proprietários

de imóveis: o pagamento

das hipotecas poderia tornar-se mais

difícil.

Para finalizar direi que as Finanças

públicas estão sólidas, daí um sinal

de força da economia. Depois da crise

dos últimos dois anos, espera-se

que o orçamento público volte à normalidade

em 2022. As despesas extraordinárias

de 40 biliões de francos

para minorar perdas provocadas pela

pandemia, devem ser amortizadas

em dez anos. E prometem-nos que

não irá custar “um centavo ao contribuinte”.

A título de comparação, a taxa média

de endividamento na zona do euro

já é de quase 100% do PIB. De acordo

com economistas federais, este

aumento não deve representar um

problema para a Suíça, já que a prosperidade

da população também aumentará

“significativamente” durante

este período.

Tenham um óptimo ano 2022!

2 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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Motores

Porque razão não vemos

carros Híbridos a Diesel?

disponível, estas características

nos dois motores

em simultâneo (ou quase)

não é encarada como uma

vantagem pelos técnicos

(sobretudo, e mais uma vez,

tendo em conta a relação

custos/benefícios).

Tecnicamente o motor

eléctrico é o complemento

ideal aos motores a gasolina

– por disponibilizar em

baixos regimes a força que

o motor a gasolina só oferece

nas faixas mais elevadas

– mas não no Diesel, onde

acaba por ser redundante e

(novamente) não justificar o

investimento.

Agora temos apenas uma

marca activa no que diz

respeita ao casamento entre

motores eléctricos e

motores a gasóleo.

O Mercedes E300de, com

um motor diesel de 194cv

e um eléctrico de 122cv,

tendo uma potência combinada

superior a 300cv e

700Nm de binário.

Temos também o caso da

Renault, com o Grand Scenic,

embora não se possa

considerar um verdadeiro

híbrido, visto que o motor

eléctrico serve para auxiliar

o motor a gasóleo, sobretudo

nos arranques e recuperações.

Por esta razão chamamos

a isto o de sistema “mild

hybrid”, pois o pequeno

motor eléctrico nunca assume

controlo como elemento

locomotor, mas sempre

como auxílio do principal.

Este sistema que ajuda em

partes e dão contribuição

de consumos e emissões,

depois os custos não são

tão elevados como num

verdadeiro híbrido diesel.

Como tudo na vida o custo

é o factor principal para a

realização dos projectos e

avanço da tecnologia. Assim

é com os carros híbridos

diesel.

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V ARMINDO ALVES

af 21.11 imprensa proximo international Std 205 x 145.pdf 1 23/11/2021 10:58:20

Os automóveis Híbridos a

diesel são muito raros.

Se juntarmos baixas emissões,

baixos consumos e

maior autonomia na minha

opinião seria uma grande

aposta!

As minhas perguntas são:

Por que razão não vemos híbridos a

gasóleo nas estradas?

Por que razão as marcas insistem

nos carros híbridos a gasolina?

À partida as vantagens são evidentes,

os carros híbridos a diesel são uma

boa aposta. Os híbridos a gasóleo é

uma boa combinação e uma ambição

de muitos condutores.

Como é do nosso conhecimento um

motor eléctrico tem a vantagem de

não libertar gases para a atmosfera,

o que não acontece com um motor a

combustão. O desenvolvimento das

baterias está crescer diariamente e

vão aumentando a capacidade de

acumulação energética para fornecer

energia ao motor eléctrico para

uma maior autonomia.

Neste caso, um motor eléctrico junto

a um motor diesel proporcionaria a

um automóvel a vantagem de poluir

menos. Outra vantagem é que permite

que o carro híbrido tem mais

tempo de funcionamento em modo

eléctrico, por isso, menos consumo

de gasolina ou gasóleo, resultando

em menos emissões poluentes.

Os carros a gasóleo tem uma tecnologia

fora do normal.

Nos últimos tempos temos tido notícias

que os motores a Gasóleo são

mais poluentes que os motores a

gasolina, mas este assunto deixa de

fazer sentido.

Estou ciente que existe uma guerra

anti-diesel iniciada por instituições e

alguns governos, que incluem a proibição

de carros a gasóleo em algumas

grandes cidades europeias, por

sorte, também existem construtores

que ainda não desistiram do diesel.

Não só não desistiram, como afirmam

que os motores a gasóleo ainda

têm muito potencial.

Estes construtores afirmam que existe

tecnologia capaz de ombrear com

os motores a gasolina no que respeita

a emissões poluentes. Além disso,

e não é opinião apenas dos defensores

do diesel.

Mais peso e redundância

Um dos motivos mais importante são

os motivos económicos e depois o

avanço da tecnologia, o peso é outro

motivo apontado por quem defende

que diminuir gases nos automóveis a

diesel não passa pela “hibridização”.

Mais peso implica alterações no comportamento

dinâmico, segurança

e, em alguns casos o conforto. Mais

peso implica também mais gastos

de combustível, consequentemente,

mais emissões poluentes.

Depois temos também engenheiros

com outro ponto de vista técnico, o

motor eléctrico não é o melhor amigo

para o motor a gasóleo.

O Motor a Diesel tem um bom binário

disponível com rotações baixas

muito superiores aos motores a gasolina.

Os motores eléctricos têm como vantagem

no arranque toda a sua força

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Escreveu Joana Amaral Dias (*):

“Balzac dizia que a cerimónia era a hipocrisia da nação

e realmente em Portugal há tanto salamaleque, punho

de renda e manga de alpaca quanto hipocrisia a granel.

Primeiro abandonámos os nossos velhinhos em galpões

fétidos a que sarcasticamente chamamos lares, lares

ilegais, como se um porto de abrigo pudesse ser uma

enxovia fora da lei.

Nunca o Estado português se preocupou com esta

vergonha nacional, deixou os muito idosos a agonizar,

morrendo de desidratação, solidão e medo em

residenciais de vão de escada.

Depois, mesmo quando já se sabia que a covid dizimava

idosos, deixámos que o vírus entrasse à patrão nesses

lares da morte, que chegasse sem resistência e sem pedir

licença, levando tudo que ainda respirasse.

Não satisfeitos, fecharam-se os que sobraram nessas

quatro paredes, sem visitas, sem réstia de humanidade

ou sombra de coração durante meses.

Os que não partiram com o “sarscov” iam-se então de

invisibilidade. Agora, dois anos volvidos (para muitos

foram os últimos, são os derradeiros dias, as horas finais)

exigem-se testes para encontrar os olhos da mãe ou do

pai, a mão do avô ou da avó, sem se oferecerem condições

algumas para a sua realização, sem cuidar de garantir

que é possível, sem querer saber.

Morre-se esquecido, só, largado. Portugal não é para

velhos? Portugal é para robots.”

(*)Joana Amaral Dias é atualmente comentadora

portuguesa de política e assuntos sociais na imprensa

e na televisão. É mestre em Psicologia. Formação na

Universidade de Coimbra e Universidade de Chicago.

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6 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

7



Actualidade

Actualidade

Reforma previdenciária

passa, mas deve ser

contestada em

referendo

swissinfo.ch/fh

O Parlamento aprovou

uma grande reforma do

sistema de aposentadoria

suíço, incluindo um

aumento controverso da

idade da aposentadoria

das mulheres.

Este conteúdo foi publicado em 15. dezembro

2021 - 19:00

A reforma também prevê uma compensação

financeira - escalonada por

nove anos para as mulheres diretamente

afetadas pela mudança - bem como

um aumento do imposto sobre o valor

agregado.

Ambas as câmaras do parlamento na

quarta-feira concordaram em uma série

de acordos, mas os partidos políticos

de esquerda e os sindicatos se comprometeram

a contestar a reforma em

uma votação nacional.

Eles argumentam que as mulheres têm

que suportar o peso da reforma, já que

sua idade oficial de aposentadoria será

fixada em 65 anos, em linha com a dos

homens, um ano a mais do que as regras

atuais.

Estabilizar o financiamento

O objetivo da reforma é estabilizar as finanças

do sistema previdenciário obrigatório,

financiado através de contribuições

dos empregadores, empregados e

do Estado, em meio a uma crescente

população idosa.

Os apoiadores dizem que o sistema

de pensão poderá estar em perigo até

2030, se o financiamento não for colocado

em uma base mais sólida.

Várias tentativas de adaptar o sistema

fracassaram nas urnas nos últimos 30

anos, especialmente em 2017.

A idade oficial da aposentadoria das mulheres será ajustada aos 65 anos de idade,

como a dos homens na Suíça, conforme a reforma aprovada pelo parlamento,

mas com a oposição de sindicatos e partidos de esquerda. Keystone/Gaetan Bally

Escrito na variante brasileira da Língua Portuguesa.

Pelo menos três iniciativas populares

para apoiar o sistema de aposentadoria

estão pendentes.

A última reforma, que deverá entrar em

vigor no mínimo em 2023, é um dos

principais projetos políticos da atual legislatura.

8 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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Recantos helvéticos

Janeiro 2022

Bem-vindos caros leitores e amigos do CLZ.

Bom Ano 2022

A V Maria dos Santos

Quando esta edição lhe chagar às mãos,

já estamos em 2022.

Há um ano chorávamos a perda de uma

grande voz do fado, Carlos do Carmo.

A instabilidade devido à pandemia continuou

o seu curso. Passados já dois

anos e apesar de todas as medidas implementadas

para a combater, continuamos

a viver sob as regras impostas

por esse inimigo impiedoso e invisível

chamado, covid 19. Sinto que a nossa

saúde mental tem sido afectada e que

alguns tentam ainda resistir às várias

medidas de prevenção e segurança.

Recentemente uma senhora em pleno

centro da cidade de Zurique por se

recusar a usar máscara, bofeteou a um

polícia. Será que se pode continuar a

reagir contra algo que é tão evidente?!!

Evidente é encontrar-me sob o olhar dos

mais belos bilhetes-postais de Suíça.

Estou no Lago Negro (Schwarzsee) que

se situa na província de Fribourg.

São necessárias duas horas a partir de

Zurique, para presenciar o que a natureza,

ainda virgem, nos oferece.

Muita neve e frio, mas sabemos que o

Inverno aqui só faz sentido quando este

manto branco nos brinda com algo indescritível.

Pura magia e perfeição nos traços

deixados pela caída da branquinha.

Numa visita ao Lago Negro temos à disposição

uma bonita cascata, longa pista

de esqui que quando o sol se despede,

a mesma recebe os trenós que, com

as suas lanternas frontais, deslizam sob

gritos de alegria e sorrisos largos.

Que bom sentir a alegria destes grupos

que desfrutam da convivência e do que

ela nos aporta.

E assim, por breves momentos, esquecemos

que temos uma Sociedade a pedir

grandes Reformas.

O Palácio do Gelo é também visita obrigatória.

Os jogos de luzes nas construções

dos castelos e figuras em gelo,

criam toda uma atmosfera que nos faz

mergulhar no País das Maravilhas.

No Alp-Schau Kaeserei Riggisalp, podemos

ali degustar os mais variados queijos

feitos artesanalmente e observar a

sua transformação até chegar ao nosso

paladar.

Recantos helvéticos

Se tem tempo, pode ainda visitar as

George De La Jogne, caminhar sem dificuldade

e por breves momentos, seja

um agente secreto à procura do seu

momento Avatar. Voar como uma pena

nesta paisagem é deixar - se ficar d’alma

e coração, num sonho que teima

em terminar.

Se o frio em si se instalou, dê um terapêutico

mergulho na piscina térmica

de Gruyere. Saborei-e as águas térmicas

vindas directamente da montanha.

Nada melhor para renovar energias.

Há dias perfeitos? Claro que sim! Todos

devemos procurá-los para que a nossa

saúde e mental se preserve.

Nestes dois últimos anos aprendemos

que a vida social não é um bem adquirido

como pensávamos.

Temos que avançar e virar página para

se construir um planeta mais saudável.

Precisamos da nossa cultura e de um

regresso à normalidade.

Neste Inverno os casos [de infecções]

aumentam, temo que as autoridades

suíças voltem ao ponto de partida e

obriguem a população a “fechar-se em

copas” até que se aviste de novo luz verde

e como caracóis, possamos sair da

casca.

Os cinco Continentes uniram-se para

combater a Pandemia. Somos nós que

devemos colaborar, aceitar os princípios

de uma nova forma de vida com

vacinas.

Deixo aqui o meu testemunho; cresci

com vacinas: sarampo, varicela, paludismo,

febre-amarela, febre tifóide entre

outras que já nem me lembro... nessa

altura todos confiavam, quiçá pela falta

de informação que na altura existia e,

porque não vivíamos numa sociedade

livre e democrática. Porquê agora não

acreditar e colaborar com a prevenção?

Como me considero filha dos Alpes

Suíços, tomo por prudência a vacina

contra a febre da carraça que aqui chamam-lhe

Zika. Estou viva e saudável,

até prova do contrário...

Votos de um Ano de sucesso em toda a

sua plenitude.

Unidos somos mais fortes. Esta foi é e

será sempre a minha filosofia de vida.

10 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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Entrevista

Entrevista

Tatiana

Cardoso

Estudante de Sociologia e membro da

Direcção do Rancho Folclórico Danças e

Cantares da Nossa Terra de Arbon

Tatiana Pinto Cardoso é uma

jovem promissora da nova geração

que integra a Comunidade

Portuguesa, neste país

helvético.

Nasceu e vive em St. Gallen

Tatiana Pinto Cardoso assume-se

com uma defensora da

Cultura Portuguesa.

Faz parte do Rancho Folclórico

Danças e Cantares da

Nossa Terra de Arbon, dança,

é ensaiadora e faz parte também

da Direcção e tem um

papel motivador em relação a

todo o grupo.

Decidida, ponderada, cuidadosa

em tudo o que faz, a

Tatiana é uma jovem responsável,

respeitadora e procura

dar à sociedade suíça e portuguesa

o melhor de si.

Nos poucos momentos livres

que tem, gosta de dançar, fazer

yoga, viajar, comer boa comida

e estar com os amigos.

Não dispensa um bom prato

gastronómico, sendo o seu

preferido novos sabores de

qualquer canto do mundo.

A sua vida gira um pouco por

toda a Suíça. Estuda Sociologia

e dentro de pouco tempo

irá apresentar a sua Tese de

Mestrado sobre os direitos de

cidadania.

Vamos descobrir um pouco

mais desta mulher sem preconceitos,

lutadora dos seus

ideais e ideias.

A V Maria dos Santos

Maria dos Santos — Como é

crescer fora de Portugal e estar

totalmente integrada nas

duas culturas?

— Tatiana Cardoso — Para mim,

é muito valioso e gratificante,

ter a possibilidade de crescer

entre várias culturas. Além

da cultura portuguesa e suíça,

cresci e convivo com muitas

pessoas de diferentes comunidades,

etnias, culturas e nacionalidades

que é literalmente

um enriquecimento poder

aprender com elas. Faço muitas

vezes a experiência que estando

fora do meu país, a cultura

é ainda mais valorizada e acarinhada

por existir a saudade de

estar longe. Tudo isso levou-me

apreciar cada cultura com a sua

singularidade e integrá-las na

minha vida.

M.S.— Tens uma estima elevada

por tudo o que diz respeito

à cultura portuguesa. Quem te

transmitiu este valor e como

construístes em ti este amor à

Pátria?

— T.C.— A minha avó paterna

veio para a suíça quando nasci,

além disso, sempre estive

rodeada de portugueses, andei

na escola portuguesa e os

meus pais sempre deram valor

a minha aprendizagem sobre

a nossa cultura. Cresci num

meio de muitas culturas diferentes,

onde se partilhava tradições,

comidas típicas e línguas.

Aprendi assim muito cedo

quanto valor a própria cultura

tem para as pessoas e que valioso

é pode-la partilhar para

os outros. Tive uma Professora

da escola portuguesa que nos

levou a duas visitas de estudo a

Portugal. Aí percebi que a nossa

cultura foi influenciada por

muitas outras. Nasceu assim o

meu bichinho por culturas do

Mundo, de conhecer novos países,

etnias e pessoas.

As nossas raízes, é o que nos

define, então ir a procurar os

segredos da cultura dos nossos

antepassados, é ir à procura da

nossa própria história.

M.S.— As tuas raízes folclóricas

vêm de que parte da tua família?

Porque assumistes este

projecto cultural?

— T.C. — O engraçado é que ninguém

da minha família algum

dia fez parte de um Rancho

Folclórico ou algo parecido. Antigamente

dançava Bachata e

Kizomba que são estilos completamente

diferentes e sinceramente

não ligava nada ao

folclore. Os meus pais sempre

foram ligados a Centros e Associações

portuguesas. Então

sempre tive convivência com

portugueses, com a nossa cultura,

e com o nosso país que

visito minimamente duas vezes

ao ano. Há uns anos fui com a

minha turma da escola portuguesa

ao Algarve. Fizemos uma

visita de estudo e a nossa Professora

levou-nos a ver um Rancho

Folclórico da região. Na brincadeira

dissemos que um dia íamos formar um

Rancho na Suíça. Quando ouvi falar que

se ia fundar um Rancho em Arbon tive

curiosidade, então fui ao primeiro ensaio

e desde aí a paixão foi crescendo.

Uma nota à parte, dois amigos meus, o

Christian e o José que estavam presentes

no Algarve quando fomos visitar o

Rancho, hoje fazem parte de Direcção

comigo.

M.S.— O Rancho Folclórico de Arbon

tem apenas cinco anos e a pandemia

não consegui abalar o vosso grupo.

Como se consegue isto?

— T.C. — Para nós como Direcção sempre

foi importante, manter o grupo unido

e não perder o ânimo durante a pandemia.

Por essa razão tentamos sempre

manter o nosso grupo activo com actividades

online, como fazer vídeos ou

pinturas para publicar nas nossas redes

sociais. Além disso, sempre mantivemos

contacto através do nosso grupo

de Whatsapp. Durante os últimos dois

anos, quando a situação melhorava e

o estado assim o permitiu, também fizemos

alguns convívios com diferentes

actividades. O nosso foco como grupo

foi sempre manter-nos unidos e manter

o contacto com a nossa Família Rancheira.

M.S.— Foste uma aluna exemplar e

dedicada no teu percurso académico.

Porque escolheste a Sociologia para

formação profissional?

— T.C. — Sempre soube que queria trabalhar

com pessoas. Estar o dia todo

presa a uma mesa, a um computador

ou estar fechada o dia todo, nunca foi

para mim. Eu costumo dizer que tenho

a síndrome da Madre Teresa de Calcutá,

gosto de entender o ser humano, ajudá-lo

com as suas dificuldades e no seu

percurso da vida. Então Sociologia foi

o curso que achei mais adequado para

entender a pessoa em si, mas também

como a sociedade funciona e influência

o ser humano ou vice-versa.

M.S.— És co-Presidente da INES (Instituto

Nova Suíça), porque abraçastes

este projecto e como pretendes demonstrar,

que de facto é possível termos

uma nova Suíça?

— T.C. — Ao longo do tempo, fui-me

apercebendo haver situações nas quais,

era tratada de outra maneira, por não

ter a nacionalidade suíça e por ser estrangeira.

Mesmo assim eu posso falar

de uma posição privilegiada, porque

há pessoas que sofrem ainda mais de

discriminação devido à nacionalidade,

etnia, religião ou recursos externos. A

suíça é uns pais caracterizado pela imigração,

mas a responsabilidade não

é assumida, porque em pleno século

XXI os estrangeiros continuam a ser

discriminados por várias razões. O Instituto

Nova Suíça, pretende mostrar a

realidade da nossa sociedade e quais

desafios que enfrentar. A nova Suíça é

sinónimo de participação, diversidade e

uma nova autoconfiança onde nos queremos

livrar da ideia do “nós” e “eles”. O

objectivo é concretizar uma Suíça onde

todas as pessoas que cá estão e que

ainda virão, possam participar e viver

sem desvantagens.

M.S.— Está nos teus planos uma carreira

política, neste país helvético?

— T.C. — Neste momento não, além disso,

não tenho nacionalidade Suíça, que

me impede disso. Mas, no fundo nos

projectos em que estou envolvida, entre

outros no Instituto Nova Suíça, faço trabalho

político e tento assim influenciar

a política de uma forma ou da outra.

M.S.— Ao longo destes últimos anos,

tens sido o foco, no jornalismo helvético.

Como lidas com pressão que tens

tido?

— T.C. — Inicialmente, com a minha

inocência jovem não entendia quais

consequências isso me poderia trazer.

Com o passar do tempo, e com os julgamentos

principalmente por não ter

a nacionalidade suíça e mesmo assim

ser politicamente activa e defender os

direitos dos emigrantes, tive algumas

dificuldades. Por algum tempo ausentei-me

de propósito, negava qualquer

convite para entrevistas, eventos, etc.

Hoje em dia, mais madura, lido bem

com os julgamentos e com a pressão de

ser uma mulher nova com biografia de

migração. Luto pelos meus direitos e os

dos outros, com a minha ideologia de

que nós somos todos iguais, luto pelos

mesmos direitos, mas também pelos

mesmos deveres! Tenho tanto direito

de expor a minha opinião como qualquer

outra pessoa, com ou sem história

de migração. Uma estratégia que

fui adquirindo com o tempo, é tentar

entrar em diálogo com as pessoas que

me confrontam e tentar mostrar assim

outras perspectivas.

M.S.— Em pouco tempo terás o teu

mestrado feito. Como projectas a tua

carreira profissional. Pensas ficar por

cá, ou gostarias de abraçar um projecto

internacional?

— T.C. — Por agora planeio ficar por aqui,

porque ainda há muito que fazer. Mas

sim tenho um bichinho dentro de mim,

que me quer levar mais além do que as

fronteiras helvéticas. Se calhar para o

país onde tenho as minhas raízes, quem

sabe...

M.S: Estudar Sociologia é estudar a

sociedade, relações sociais e cultura?

Vais dedicar-te a alguma secção ou

preferes um ramo mais abrangente?

— T.C. — Agora o meu foco está direccionado

a alguns tópicos que já mencionei

anteriormente. São temas diferenciados,

mas que são automaticamente

muito abrangentes. Tudo o que engloba

pessoas, são assuntos muito complexos

e conectados, é difícil traçar uma

linha clara. Além disso, não sou a categoria

de pessoa que se gosta de fixar

só numa coisa ou num tema, gosto de

manter a mente aberta para desafios

novos e poder assim crescer.

M.S.— De que forma poderás aproveitar

os teus estudos, para ajudares

mais a Comunidade portuguesa, nomeadamente

quem tem mais problemas

com a integração?

— T.C. — Já desde muito cedo que exerci

uma função ponte entre as duas culturas,

em tentar ajudar a quem não entende

a língua, os sistemas, a cultura.

Com os estudos que tenho e todos os

projectos em quais estou activa, aprendo

cada dia mais como funcionam as

diferentes pessoas, sistemas e culturas

para poder ajudar. É também por

isso mesmo, que sou muito sensível ao

termo da integração, porque pode ser

interpretado de várias maneiras e ao

longo do tempo, na história suíça teve

e tem aspectos negativos. Tento assim

ajudar de uma maneira que não haja

confrontação nem negação ou até discriminação.

Com diálogo, compreensão

das duas partes, transparência, sinceridade

tento gerir com entendimento

geral sem julgamento ou exigências

unilaterais.

M.S.— Estamos em Janeiro 2022. Que

desejas para este ano?

— T.C. — Desejo a todas as pessoas muita

paz interior e saúde. Espero que este

ano nos traga muitas coisas boas e possamos

ultrapassar esta fase difícil pela

qual estamos a passar. Estou ansiosa

que comecem outra vez as nossas atividades

culturais, das quais sinto muitas

saudades. Desejo uma Nova Suíça, onde

todos sejamos iguais e que os sonhos

de cada um se possam concretizar.

O Centro Lusitano Zurique deseja-te

muito sucesso a todos os níveis.

12 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

13



Direito

Indemnização e

compensação

com danos

de vacina

Música

Daniel Bohren

Advogado

Há um largo consenso

de que é essencial, que

um maior número possível

de habitantes do

país se deixe vacinar

contra a COVID 19 para

manter a pandemia sob

controlo e evitar intervenções

pesadas na liberdade

da população

suíça. O governo federal

aconselha por isso

expressamente, que a

população se deixe vacinar.

Mas quem é responsável

pelo dano, se

devido à vacina houver

graves efeitos secundários?

Primeiro assumem os seguros habituais

o dano, por exemplo, o seguro

de doença para tratamento de danos

com vacinas ou o empregador, ou antes,

o seguro deste para indemnização

diária pela perda de salário durante a

incapacidade de trabalho. Perda de

salário e indemnização diária pela

perda de salário só são a saber pagos

durante um tempo restrito. Se os efeitos

secundários da vacina levarem a

uma perda da capacidade de trabalho

duradoura e geral, então a queda

de salário é pelo menos parcialmente

paga pela reforma de invalidez da Segurança

Social.

Mas o que acontece quando o dano

não for coberto por ninguém ou não

for coberto completamente?

Pelo tratamento médico tem de ser

por exemplo paga uma franquia geral

(Franchise) e também uma franquia

especifico de 10% (Selbstbehalt) de

anualmente até CHF. 700. Os seguros

de invalidez só ficam com pessoas a

seu cargo cujas limitações sejam gerais,

isto é, para todas os trabalhos

imputáveis com o estado de saúde

delas: Quem arca com o dano, quando

alguém é incapaz de trabalho em

determinada actividade, por exemplo

trabalhos corporalmente pesados,

mas não arranja um trabalho

ligeiro? Quem paga então o dano?

As pensões de invalidez não cobrem

para além disso e regra geral a totalidade

da perda de vencimento. E o

que acontece com dor e sofrimento?

Quem paga estes danos imateriais?

É o Estado quem de facto intercede

se o dano não for pago por seguros,

empregadores ou pelos médicos, que

cometeram um erro ao vacinar. O

estado só indemniza aliás com limitações

a perda. A franquia geral e a

franquia especifica para tratamentos

médicos por exemplo, não deverão

encontrar-se cobertas segundo a Repartição

Federal para a Saúde e uma

exigência de compensação para o

dano imaterial só será concedida devido

a prejuízos graves com a saúde

e aí apenas até um montante de no

máximo Fr. 70’000.

Condição prévia para uma indemnização

do Estado por danos de vacinação

é, por um lado, uma recomendação

de vacinação da federação suíça e,

pelo outro, um prejuízo de saúde grave

de uma pessoa vacinada, que levou

a um dano, isto é a uma redução do

património. Os efeitos secundários

normais, por exemplo, vermelhidão,

inchaços e endurecimentos na zona

da picada, dores de cabeça, dores

musculares, febre, etc..., não se encontram

contidos no conceito de «dano

por vacinação», se trouxeram custos,

que não estão cobertos.

Quem quiser fazer valer exigências

financeiras junto do Estado devido a

um dano por vacinação, tem de entregar

dentro de cinco anos a contar

a partir da data de vacinação ou até

completar 21 anos de idade junto da

instituição federal um requerimento

de indemnização.

30 anos

de carreira

Zezé Fernandes comemora 30 anos de carreira com novo CD

O lançamento do novo CD insere-se nas comemorações dos 30

anos de carreira do artista.

Quem pretender ver e escutar todos os 22 vídeos do cd — “Coisas

simples de Zezé Fernandes” —, basta clicar no link:

https://bit.ly/3ewfCIs

Encomende: https://bit.ly/3mAM40n

Aqui poderão comprar os cd’s, pedir orçamentos,

entre outras coisas.

Cliquem aqui: https://bit.ly/3JLCWQO

14 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

15



Música

“XXV”

Álbum de estreia de Cörte Real

Depois dos singles “Tiro Os Olhos do Chão e Perto Do Fim”, é

chegada a hora de conhecermos o álbum de estreia de Cörte

Real, “XXV”, que comemora os 25 anos de carreira.

O disco nos formatos vinil, cd e digital, já se encontra em à

venda desde 17 de Dezembro nas lojas da Fnac.

Escute:

https://spoti.fi/3FzSHry

Encomende:

https://bit.ly/32KLczv

Bom fim

do ano

(este texto é para ti)

Postal do dia

Luís Osório

1.

Eu sei que o Natal ainda não foi.

Mas apeteceu-me escrever como se faltassem poucos

segundos para o novo ano.

Antecipar.

Escrever para ti que estás sozinho.

Ou que estás sozinho parecendo acompanhado aos

olhos dos outros. A mais feroz das solidões, a de estar

acompanhado e sozinho.

A ti, que achas que não serves para nada.

Por te sentires desiludido, deprimido, excluído.

Preso aqui, preso a céu aberto, a mais feroz prisão.

2.

Sim, é para ti.

Aproximam-se as badaladas, a merda das passas que

metemos na boca com desejos. Os desejos que apenas

calham aos outros, que apenas aos outros parecem merecer,

não a ti.

Tu que sentes que o tempo custa a passar (sei bem o que

é), para ti o fim do ano demorará mais a chegar do que

aos outros. Uma hora para ti equivale a três para mim.

Olhas para o relógio e os ponteiros não parecem andar.

Sabes os contornos do teto, as rugosidades de cada uma

das tuas paredes. Só queres que a festa termine de uma

vez por todas, estás farto de Natal, de luzes, compras,

família e dos anos que passam sem que vejas melhorias

no que és e na clareza de um caminho que julgas que

não foi feito para ti.

3.

Este texto é mesmo para ti.

Vê-o como um abraço, como um acenar de alguém que

existe e é real, como tu és. Não o vejas como um exercício

para te auto ajudares ou qualquer coisa do género, não.

Infelizmente não te posso ajudar em nada de concreto,

cabe a ti vestires a tua melhor roupa e entrares no novo

ano como se tudo fosse possível. Porque é tudo possível

e deves celebrar essa possibilidade, mesmo que seja

mínima. E nunca é mínima, por estranho que te pareça.

4.

Fazes isso por mim?

Toma um banho e veste qualquer coisa de especial. Telefona

a quem não telefonas há muito ou deixa mensagem.

Celebra a possibilidade de voltares a ver, de voltares

a estar disponível para te comoveres. Vê as fotografias

antigas dos pais que já não estão (se não estiverem),

chora. E se morares sozinha ou sozinho, como fiz durante

tantos anos, compra uma coisinha que gostes, abre uma

garrafa de vinho, deixa-te ir.

5.

Chama a solidão para perto de ti. Quando a tornares íntima

ela quererá ir embora. Como o ano de 2021. Que está

felizmente a morrer. Ao contrário de ti.

16 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

17



AGENDA

Cidadania

Informações

MAPS (*)

Caros leitores, um certificado

de Covid é exigido para muitos

eventos. É importante que você

continue a seguir as medidas de

proteção contra o coronavírus.

Você pode encontrar uma visão

geral das medidas atuais em vários

idiomas em www.stadt-zuerich.ch/coronavirus.

Por favor,

informe-se antes de participar

de um evento. Apesar de tudo,

a equipe da MAPS deseja a você

um bom momento!

DOMINGO 2.1.

ESPAÇO CONTRA O ESTRESSE

Você se sente estressado? O artista James

Turell criou um espaço contra o

estresse. Ele está localizado no “Zürcher

Kinderkrankenhaus” e ajuda pacientes

e funcionários a relaxar. Hoje a

sala está aberta exclusivamente para

o público. 13:30-14:00 e 14:30-15:00.

Entrada livre.

Kinderspital Zürich. Steinwiesstr. 75.

Tram 3 bis “Hottingerplatz”.

https://bit.ly/3qvl2ZD

SEGUNDA-FEIRA 3.1.

CINEMA EM CASA

(*) Escrito na variante brasileira

da Língua Portuguesa

No site www.playsuisse.ch veja gratuitamente

filmes, documentários e

séries suíças e estrangeiras. Os conteúdos

estão disponíveis em várias

línguas. Gratuito.

https://www.playsuisse.ch/

QUARTA-FEIRA 5.1.

ATIVIDADES NO TEATRO

Você tem muita energia? Venha se divertir

no “Theaterhaus Zürich”. Os jovens

entre 15 e 24 anos encenam peças

de teatro, dançam e improvisam

juntos. Toda quarta-feira. 19:00-21:30.

CHF 2.-.

Schauspielhaus Zürich. Schiffbaustr. 4.

Tram 4/8 oder Bus 31/33/72/83 bis

“Schiffbau”.

https://www.schauspielhaus.ch/de/

kalender/22055/offener-club

SEXTA-FEIRA 7.1.

DIVERSÃO NAS CIÊNCIAS

Vontade de vivenciar alguma experiência

interessante? Descubra

fatos científicos de forma empolgante

no centro de ciências “Technorama”.

Você faz experiências nos

laboratórios. Seg-dom 10:00-17:00.

O escritório da MAPS sorteia 3 entradas

gratuitas para crianças (6 a 15

anos). Basta ligar para: 044 415 65 89

ou enviar seu endereço postal por

e-mail para maps@aoz.ch. CHF 32.-

para adultos. 50% de desconto com

KulturLegi.

Technoramastr. 1. Winterthur.

Bus 1 oder 10 bis “Römertor”.

https://www.technorama.ch/de/

home

SEGUNDA-FEIRA 10.1.

CONCERTO DE FLAUTA

Desfrute hoje de um concerto moderno

com flauta, piano e percussão.

Os músicos tocam a peça “Crippled

Symmetry” e criam uma atmosfera

misteriosa. 19h30. Contribuição espontânea.

Toni-Areal, Konzertsaal 2, Ebene 7,

Pfingstweidstrasse 96.

Tram 4 bis “Toni-Areal” oder Tram

8/17 bis “Fischerweg”.

https://www.zhdk.ch/veranstaltung/45078

QUARTA-FEIRA 12.1.

ESQUI GRÁTIS PARA

CRIANÇAS

As crianças de 9 a 13 anos podem

esquiar ou fazer snowboard gratuitamente

nas quatro quartas-feiras à

tarde em janeiro. O transporte para

a área de esqui, a supervisão pelos

instrutores esportivos, o ingresso

para as pistas, o aluguel de esquis ou

snowboards e um lanche são gratuitos.

Levar: Sanduíche, roupas de esporte

de inverno, capacete e óculos

de esqui. Também em 12.01, 19.01 e

26.01. Informações e inscrições em

www.snow4free.ch ou info@snowforfree.ch.

https://www.snow4free.ch/de/snow-

4free.html

QUARTA-FEIRA 12.1.

PEÇA DE TEATRO

Este mês, o Teatro Sogar apresenta

a peça “Tage wie Hunde”, de Ruth

Schweikert. Três mulheres falam

sobre seu câncer de mama. O que

vai acontecer com elas? Como elas

percebem seus corpos? O que as espera?

Esta peça filosófica e humorística

nos questiona sobre a doença e

a vida. 19:00. O escritório da MAPS

sorteia 1×2 entradas gratuitas para

os espetáculos de 12.01 e 13.01. Basta

ligar para 044 415 65 89 ou enviar

um e-mail para maps@aoz.ch.

Sogar theater. Josefstr. 106.

Tram 4/6/13 und Bus 32 bis “Limmatplatz”.

https://www.sogar.ch/programm/21_22/tage-wie-hunde/

QUINTA-FEIRA 13.1.

EXPOSIÇÃO DE ARTE

SOB LUZ (ATÉ 27.02)

Descubra a artista

Frida Khalo na inusitada

exposição

do “Maag Lichthalle”.

O museu

projeta as

imagens de suas

pinturas em

uma sala grande

e escura. A

exposição conta

sua história.

Deixe-se levar

pelo mundo colorido

desta artista única. Ter/

qua/dom 10:00-18:00. Qui 10:00-

19:00. Sex-sáb 10:00-20:00. O escritório

da MAPS sorteia 2×2 entradas

gratuitas. Basta ligar para 044 415 65

89 ou enviar um e-mail para maps@

aoz.ch.

Lichthalle MAAG. Zahnradstr. 22.

Tram 8 oder Bus 31/33/72 bis “Zürich

Hardbrücke”.

https://lichthallemaag.ch/

SÁBADO 15.1.

PASSEIO PELA ÁREA TROPI-

CAL DO JARDIM BOTÂNICO

Quando lá fora o tempo está frio e

chuvoso, vale a pena visitar as estufas

tropicais no “Botanischen Garten”.

Plantas coloridas, flores e aromas

exóticos fazem-nos esquecer o

Inverno. 09:30-16:45. Entrada livre.

Botanischer

Garten.

Zollikerstrasse 107.

Bus 33/77 bis “Botanischer Garten”.

http://www.bg.uzh.ch

DOMINGO 16.1.

ARTE EM PAPEL

“Haus Konstruktiv” mostra arte em

papel de diversos artistas conhecidos.

Por exemplo, os direitos dos animais

e desenhos. Hoje às 11:45 há uma visita

guiada ao museu. Ter-dom 11:00-

17:00. Qua 11:00-20:00. CHF 5.- com

KulturLegi.

Museum Haus Konstruktiv. Selnaustr. 25.

S4/S10 bis “Bahnhof Selnau” oder

Tram 2/9 bis “Sihlstrasse”.

https://bit.ly/3mGDMEi

SEGUNDA-FEIRA 17.1.

VÍDEOGAMES GRATUITOS

Jogue vídeogames em seu telefone

ce- lular ou computador. Em

www.miniclip.com você

encontrará uma variedade

de jogos online.

A diversão para crianças

e adultos é garantida!

Gratuito.

https://www.miniclip.

com/games/

TERÇA-FEIRA18.1.

LIVROS EM 12 LÍN-

GUAS

A “Pestalozzi Bibliothek Hardau”

tem uma vasta oferta de

livros, CDs e DVDs para crianças e

adultos em diversas línguas. Ter-sex

14:00-19:00, sáb 10:00-16:00. 40% de

desconto com KulturLegi.

PBZ Hardau. Norastr. 20.

Tram 2/3 oder Bus 33/72 bis “Albisriederplatz”.

https://pbz.ch/

QUARTA-FEIRA19.1.

FILMES À HORA DE ALMOÇO

Hoje ao meio-dia pode ver uma seleção

de curtas metragens no “Kino

Toni”. Especialistas e realizadores

apresentam debates sobre o filme e

discriminação. 12:00-13:00. Entrada

livre.

Toni-Areal. Kino Toni. 3. Stock. Pfingstweidstr.

96.

Tram 4 bis “Toni-Areal” oder Tram

6/8/17 bis “Fischerweg”.

https://www.zhdk.ch/veranstaltung/46090

QUINTA-FEIRA 20.1.

IDEIAS DE JOGOS INFANTIS

Nesta página de internet descubra

cerca de 50 ideias de jogos de interior.

Para crianças dos 3 aos 14 anos. Transforme

o quarto das crianças num percurso

de obstáculos ou partam juntos

numa caça ao tesouro. Gratuito.

http://www.familie.de/kleinkind/kinderspiele/indoorspiele/

SEXTA-FEIRA 21.1.

LOCAL DE ESCRITÓRIO GRA-

TUITO

No “Büro Züri” na Bahnhofstrasse encontra

locais de trabalho gratuitos

com tomadas e ligação à internet. Traga

o seu computador portátil ou documentos

e aproveite o sossego para

trabalhar de forma concentrada. Para

fazer um curto intervalo, tem café, chá

e água mineral gratuitos. Para reservar

um espaço, tem de se registar: www.

buero-zueri.ch. Seg-sex 09:00-19:00,

sáb 09:00-17:00. Gratuito.

Büro Züri. Bahnhofstrasse 9.

Tram 8/9/11 bis “Börsenstrasse”.

https://buero-zueri.ch/

SÁBADO 22.1.

ANDAR DE TRENÓ EM “ÜETLI-

BERG”

No Inverno, o “Üetliberg” não oferece

apenas caminhos para passear. Num

percurso de 330 metros de comprimento,

durante o dia, mas também à

noite, pode deslizar montanha abaixo

no seu trenó (só com neve). Traga o

seu trenó. Informações sobre o percurso

de trenó: Tel. 044 412 14 71. Custo:

despesa do bilhete de comboio até

à paragem “Üetliberg”.

http://www.utokulm.ch/de/uetliberg/

schlitteln

DOMINGO23.1.

GRAVAÇÃO

Com a sua família, pode ouvir gravações

interessantes, divertidas ou informativas.

No site www.srf.chf vários

locutores e músicos dão vida e voz às

histórias. Gratuito.

www.srf.ch/audio/hoerspiel

SEGUNDA-FEIRA 24.1.

PROCURAM-SE

PARTICIPAN-

TES PARA O PROGRAMA TAN-

DEM AOZ!

Vive como refugiado em Zurique e deseja

estabelecer contactos? Ou já vive

há muito tempo em Zurique e gostaria

de fazer trabalho voluntário para

ajudar refugiados? O programa Tandem

AOZ junta refugiados e voluntários,

que se encontram semanalmente

durante 6 meses, pelo menos. Em

conjunto, sobem ao Üetliberg, preparam

um bom húmus ou estudam

para o próximo exame de alemão. Inscrição

e mais informações em www.

aoz-freiwillige.ch ou 044 415 67 35 e

freiwillige@aoz.ch.

AOZ-Freiwilligenbüro. Flüelastr. 32.

Bus 83/89 bis “Albisrank”.

https://www.stadt-zuerich.ch/aoz/de/

index/integration/fachstelle-freiwilligenarbeit.html

SÁBADO 29.1.

FITNESS EM CASA

Gosta de praticar desporto, mas lá

fora está demasiado frio? Mexa-se na

sua sala de estar! A aplicação “Nike

Training Club” propõe exercícios para

motricidade, resistência e força, que

pode facilmente fazer em sua casa.

Descarregue a aplicação em “Google

Play Store” e comece o seu treino. Informações

em 13 línguas. Gratuito.

DOMINGO 30.1.

ARTE MODERNA

Para um domingo criativo, visite a

“Kunsthaus”, onde pode apreciar arte

moderna suíça e estrangeira. Actualmente

decorre uma exposição de escultura.

O artista americano Walter De

Maria encheu uma sala com 2000 tijolos.

A exposição simboliza o tempo e

a paz. Entre as 11:00 e as 12:00 há uma

visita guiada a esta exposição de escultura.

Ter/sex-dom 10:00-18:00. Qua/

qui 10:00-20:00. Gratuito com Kultur-

Legi (em vez de CHF 23.-).

Kunsthaus Zürich. Rämistr. 45.

Tram 3/5/9 oder Bus 31 bis “Kunsthaus”.

https://www.kunsthaus.ch/besuch-

-planen/agenda/the-2000-sculpture-18/

18 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

19



CRÓNICA - do nosso cantinho para o vosso Cantão

CRÓNICA

Campo Maior em Festa!

ARAGONEZ MARQUES

Este dia em que escrevo, 15 de Dezembro de

2021, ficará para sempre na história cultural

do nosso cantinho, especialmente na Vila de

Campo Maior. Durante toda a semana esteve

reunido em Paris o 16º Comité da UNES-

CO onde a candidatura das Festas do Povo

(a festa das flores de papel) que, quando o

povo decide, transforma toda a localidade

num enorme jardim de ruas engalanadas, fi-

gurava com uma Candidatura a Património

Cultural e Imaterial da Humanidade.

Hoje, dia 15, a Candidatura foi classificada

ao início da tarde.

Não é só o Fado, o Cante Alentejano, a Loiça

de Bisalhães, os Chocalhos de Alcáçovas, os

Bonecos em barro de Estremoz e os Caretos

de Podence, agora temos também as Festas

do Povo de Campo Maior.

Pela primeira vez a crónica que tinha escri-

to para este número desta revista, foi para a

gaveta esperando nova oportunidade.

Esta é a notícia, não poderia passar sobre

ela e, neste primeiro número de Janeiro de

2022, ela aqui está para o vosso Cantão.

Com orgulho desde que se soube, o povo

saiu à rua e foi-se juntando espontaneamen-

te com as suas pandeiretas e com o cantar

das suas “saias” no Jardim Municipal. O re-

conhecimento pela UNESCO destas suas

festas deixou cheios de vaidade os Campo-

maiorenses.

No próximo número apresentarei uma en-

trevista com o Exmº. Senhor Presidente da

Câmara Municipal de Campo Maior. Ele nos

contará mais sobre estas festas que se per-

dem no tempo e a sensação que teve quando

viu as mesmas classificadas como Patrimó-

nio Cultural e Imaterial da Humanidade pela

Organização das Nações Unidas para a Edu-

cação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). De

imediato o contactei para agendar a entre-

vista a que, obviamente, pelo carinho que

tem à sua terra e a todos os imigrantes dela

ou fora dela, acedeu.

Portugal ficou mais rico em divulgação e o

povo, cujas mãos bordam com as suas mãos,

filigrana em papel, sentiu premiada a magia

de um trabalho secular.

Parabéns por este 2022 histórico que nos

apareceu, com trabalho à porta. Começa-

mos o ano de forma surpreendente.

O novo ano chegou como prenda de Natal 16

dias antes.

No próximo número ficaremos a saber mais,

a história das festas, o processo de candida-

tura, quando se realizarão as próximas e o

entranhado destas flores de papel, coração

das suas gentes, pela voz do nosso Presiden-

te da Câmara.

Onde vou agora? ... É simples, vou juntar-me

ao povo que já faz soar os cantares e a festa

pela Vila.

Obviamente, levo a pandeireta!

As últimas Festas do Povo (das flores) foram

em 2015, quando o Povo Quis, as próximas

são para já, porque mais do que nunca o

Povo Quer.

Que a pandemia o não impeça... Poderão ser

só em 2023.

Bom ano para todos.

Iremos encontrar-nos em breve nestas ruas

floridas desta localidade em festa, que mui-

tos de vós conheceis, mas que hoje foram

dadas a conhecer em todo o mundo.

Também os “Tais” de Timor-Leste, tecidos artesanalmente

em pequenos teares improvisados,

receberam esta semana a mesma dis-

tinção, ou parecida infelizmente: Património

Cultural da Humanidade em Necessidade de

salvaguarda urgente.

Conhecedor deste povo Timorense que tudo

vence, apesar das dificuldades, a começar

pela sua Independência da Indonésia, sei

que os “Tais” não desaparecerão.

Estou duplamente feliz.

20 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

21



Retratos contados...

Cultura

Diário de uma avó e de um neto

Nélson

Mateus

Alice

Vieira

ANO

NOVO

VIDA

NOVA?!

V NELSON MATEUS (*)

Querida avó,

Cá estamos nós a viver as últimas horas de 2021.

Mais um ano atípico. Muitos estavam convencidos que

todos os problemas relacionados com a Covid-19 ficavam

no ano anterior.

Mas, infelizmente, veio a comprovar-se o contrário! Começámos

o ano com praticamente 3 meses de confinamento.

Uma canseira, mete máscara, tira máscara …

perdi a conta a quantas zaragatoas me enfiaram pelas

narinas acima até agora. Felizmente, sempre com resultados

negativos. Todos estamos desesperados por virar a

página deste assunto. Mas não me parece que esses dias

estejam para breve. As pessoas da tua idade já vão na 3ª

dose da vacina. As da minha idade prevê-se para breve

mais uma dose. Daqui a um ano, quando estivermos a

fazer o balanço de 2022, veremos o ponto da situação

em relação a tudo isto.

Mas, apesar de tudo isto, não posso dizer que 2021 não

tenha sido um ano memorável.

Foi durante o Confinamento que fizemos o nosso livro

”Diário de uma avó de um neto confinados em casa”, que

chegou aos pontos de venda nos finais de Agosto. Se

muitos vão na 3º dose da vacina, o livro tem tido um sucesso

tão grande, que, em poucos meses, vai a caminho

da 3ª edição.

A exposição Retratos Contados de Alice Vieira, da qual

tenho o privilégio de ser Curador, inaugurou na Ericeira,

passou por Lisboa, pela ForEver Art Gallery, esteve no

Casino Estoril, e, para terminar o ano da melhor maneira

está patente em Torres Novas, mais uma das tuas terras.

A exposição Retratos Contados de Ruy de Carvalho inaugurou

com estrondo na casa do Artista, também passou

pela ForEver Art Gallery, e termina o ano em Leiria.

Organizei a festa de Aniversário dos 85 anos de Anita

Guerreiro.

Como tal, não me posso queixar! Só agradecer à vida e

a todos os que me ajudaram a tornar sonhos em realidades.

Como dizes tantas vezes” Saúde e Paz” o resto a gente faz.

Espero que em breve possamos viver os loucos anos 20

deste século.

Bom ano querida avó.

Bjs

V ALICE VIEIRA (*)

Querido neto

E cá estamos no fim deste ano. Ainda um ano terrível—

mas esperemos que o próximo seja, ao menos, ligeiramente

melhor. Como se costuma dizer, a esperança é a

última a morrer.

Apesar de tudo, tu ainda recordas coisas boas que também

aconteceram—o nosso livro, o êxito que tem tido, as

tertúlias para que temos sido convidados, as exposições

na Ericeira, Estoril, Torres Novas.

Claro, tudo isso é verdade, e não podemos esquecê-lo.

Mas, para mim, foi também um ano em que perdi muitos

amigos.

Quase todos os dias morria um. Foi terrível. A última foi

a Leonor Xavier. Deves lembrar-te dela: foste comigo a

um daqueles encontros que ela organizava na Capela do

Rato, onde, em cada semana, juntava um crente e um não

crente para conversarmos. Para além de ser uma pessoa

de uma fé inabalável, era também muito divertida. Às vezes

estávamos ao telefone até de madrugada. “Achas que

alguém é capaz de estar como nós, na converseta, até

altas horas?” Ríamos muito—e continuávamos. E organizava

tertúlias em casa dela—aí nunca foste…-- com gente

de todos os partidos, e aí todos nos dávamos muito bem.

Vai fazer-me muita falta.

E agora está a acontecer-me uma coisa terrível. Às vezes

vejo qualquer coisa na rua, ou na televisão, e pego no telemóvel

para falar disso a um amigo que eu sei que sabe

do que estou a falar. Começo a ligar—e depois desligo: já

morreu. E vou ligar para outro: também já morreu. Acabo

por guardar o telemóvel. E acredita que há assuntos que

eu agora já não posso partilhar com ninguém. Por exemplo:

eu tinha um amigo que todas as noites me ligava a

contar uma anedota, para eu passar a outro amigo nosso—e

o último acabava sempre por contar ao primeiro, e

ríamos muito. Era uma palermice, claro, mas gostávamos

de fazer aquilo. Já morreram todos.

Mas vamos pensar em coisas positivas: provavelmente,

em 2022, vão haver muitas mais edições do nosso “Diário”

e novas temporadas. Afinal, assuntos nunca nos faltam!

Bom ano!

(*) Os autores escrevem segundo o Acordo Ortográfico

(**) Jornalista - (***) Jornalista e Escritora

https://bit.ly/3dvDigl

https://bit.ly/3dvi3Li

https://bit.ly/3tyuFXN

www.retratoscontados.pt

info@retratoscontados.pt

22 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

23



Crónica

Crónica

Portugal: um grande país.

Sim, é verdade, não conhece?

COSTA GUIMARÃES (*)

Eu conheço um país —

Portugal — muito mais

equilibrado do que a média

e maior do que parece.

O mundo seria melhor

se fosse um pouco mais

parecido com Portugal. A

sério

Sei de um país que ensina o mundo

a saber olhar para dentro e para fora

como só ele sabe. Este país não vive

centrado em si próprio como fazem

os franceses e os norte americanos.

Este país não ignora importantes

questões internas, como ocorre com

tantos países colonizados. É Portugal.

Sei de um país que, em 30 anos, passou

de uma das piores taxas de mortalidade

infantil (80 por mil) para a

quarta mais baixa a nível mundial (3

por mil.) É Portugal.

Sei de um país que em oito anos

construiu o segundo mais importante

registo europeu de dadores de medula

óssea, indispensável no combate à

leucemia. É Portugal.

Sei de um país que é líder mundial no

transplante de fígado e está em segundo

lugar no transplante de rins. É

Portugal.

Sei de um país que é líder mundial na

aplicação de implantes imediatos e

próteses dentárias fixas para pessoas

sem qualquer dente. É Portugal.

Sei de um país que desenvolveu um

software para eliminação do papel

enquanto suporte do registo clínico

nos hospitais (Alert). É Portugal.

Sei de um país que possui uma das

maiores empresas ibéricas na informatização

de farmácias (Glint). É Portugal.

Sei de um país onde uma empresa

inventou o primeiro antiepilético de

raiz portuguesa (Bial). É Portugal.

Sei de um país em que o mundo devia

aprender a cozinhar. É Portugal.

Os franceses aprendiam que aqueles

pratos com porções minúsculas não

alegram ninguém. Os alemães descobriam

outros acompanhamentos

além da batata. Os ingleses aprendiam

tudo do zero.

Bacalhau e pastel de nata? Não. Estamos

a falar de mais. Arroz de pato,

arroz de polvo, alheira, peixe fresco

grelhado, amêijoas, secretos de porco

preto, grelos salteados, arroz de

tomate, baba de camelo, arroz doce,

bolo de bolacha, ovos moles.

Sei de um país que é líder mundial

no sector da energia renovável e o

quarto maior produtor de energia eólica

do mundo, que está a construir o

maior plano de barragens (dez) a nível

europeu. É Portugal.

Sei de um país em que o idioma carrega

afecto nas palavras corriqueiras.

Quem não gosta de ser chamada

de miúda? Quem não gosta de ver

os meninos a brincar e ouvir os pais

chamá-los carinhosamente de putos.

Quem não gosta do uso constante

de diminutivos. Quem não gosta das

palavras de forma doce? Só em Portugal.

Sei de um país que inventou e desenvolveu

o primeiro sistema mundial de

pagamentos pré-pagos para telemóveis

(PT). É Portugal.

Sei de um país em que o mundo devia

aprender a relacionar-se com a

terra como os portugueses. Conhecer

a época das cerejas, das castanhas e

da vindima. Saber que o porco é alentejano,

que o vinho é do douro. É Portugal.

Sei de um país que é líder mundial

em software de identificação (NDrive)

que tem uma empresa que corrige e

detecta as falhas do sistema informático

da Nasa (Critical). É Portugal.

Sei de um país em que o mundo devia

saber ligar a terra à família e à história

como os portugueses. A história da

quinta do avô, as origens transmontanas

da família, as receitas típicas da

aldeia onde nasceu a avó. É Portugal.

Sei de um país que tem a melhor

incubadora de empresas do mundo

(Instituto Pedro Nunes da Universidade

de Coimbra). É Portugal.

Sei de um país com o qual o mundo

devia aprender a ter modéstia — embora

os portugueses devessem ter

mais orgulho do que costumam ter.

Sei de um país que usa suas melhores

características para aproximar as

pessoas. A arrogância que impera em

tantos países europeus, passa bem

longe. É Portugal.

Sei de um país que calça cem milhões

de pessoas em todo o mundo e que

produz o segundo calçado mais caro

a nível global, a seguir ao calçado italiano.

É Portugal.

Sei de um país que fabrica lençóis

inovadores, com diferentes cheiros e

propriedades anti-germes, onde dormem,

por exemplo, 30 milhões de

americanos. É Portugal.

Sei de um país que o mundo não devia

deixar o passado escoar-se rapidamente

por entre os dedos. E se alguns

dizem que vive do passado, eu tenho

certeza de que é isso o que os faz ter

raízes tão fundas e fortes. É Portugal.

Sei de um país que é o «state of art»

nos moldes de plástico e líder mundial

de tecnologia de transformadores

de energia (Efacec) e revolucionou o

conceito do papel higiénico (Renova).

É Portugal.

Sei de um país que tem um dos melhores

sistemas de Multibanco a nível

mundial e que desenvolveu um sistema

inovador de pagar nas portagens

das auto-estradas (Via Verde), aplicado

em vários países europeus. É Portugal.

Sei de um país que revolucionou o

sector da distribuição, ganha prémios

pela construção de centros comerciais

noutros países (Sonae Sierra) e lidera

destacado o sector do «hard-discount»

na Polónia (Jerónimo Martins).

É Portugal.

Sei de um país que fabrica os fatos

de banho que pulverizaram recordes

nos Jogos Olímpicos de Pequim, vestiu

dez das selecções hípicas que estiveram

nesses Jogos, que é o maior

produtor mundial de caiaques para

desporto, o Nelo, em Vila do Conde. É

óbvio. Portugal.

Sei de um país que tem uma das melhores

selecções de futebol do mundo,

o melhor treinador do planeta

(José Mourinho) e um dos melhores

jogadores (Cristiano Ronaldo). Obviamente,

é Portugal.

Sei de um país que tem um Prémio

Nobel da Literatura (José Saramago),

uma das mais notáveis intérpretes de

Mozart (Maria João Pires). É Portugal.

Sei de um país onde nasceram vários

pintores e escultores reconhecidos internacionalmente

(Paula Rego, Júlio

Pomar, Maria Helena Vieira da Silva,

João Cutileiro). Claramente, é Portugal.

Sei de um país que tem um sol maravilhoso,

uma luz deslumbrante, praias

fabulosas, óptima gastronomia. É Portugal.

Tenha orgulho em ser português.

(cf. https://bit.ly/3eGBEYZ )

Sei de um país que. Embora não tenha

certas características nas quais o

mundo inteiro deveria inspirar-se, mas

o mundo devia aprender. É Portugal.

Sei de um país que ensina o mundo a

equilibrar a rigidez e o afceto que os

portugueses sabem fazer. Que adianta

o rigor japonês que acaba em suicídio,

a frieza nórdica que desagua na ausência

de vínculos. Portugal sabe dosar

rigidez e afecto, acidez e doçura,

a medida correcta de cada elemento,

de forma inconsciente.

(*) António Costa Guimarães,

é Jornalista, foi Capelão

Militar e Director do jornal

Correio do Minho

24 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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Crónica

Crónica

Detenção

do Rendeiro

é um estrondo, ah, ah!

© LUIS MIGUEL FONSECA/LUSA

COSTA GUIMARÃES *

Marcelo, Costa, Cotrim, entre outros,

esvaíram-se a clamar por vitória estrondosa

da Polícia Judiciária e da

Justiça Portuguesa que conseguiu

descobrir João Rendeiro, após três

meses de fuga.

Não se utiliza outra palavra — sucesso

— nos últimos dias, pelos mais altos

representantes desta Nação.

Lamentavelmente esquecem tantos

fracassos e ignoram que uma andorinha

não faz a Primavera.

Lembram-se do sucesso com o padre

Frederico? Sucesso sim, para ele,

porque ele fugiu. Um caso que fez

história em Portugal. O primeiro julgamento

de um padre católico durou

três meses e a sentença do Tribunal

de Júri, de 10 de Março de 1993, condenou--o

a um cúmulo jurídico de 13

anos de prisão pelo crime de homicídio

do jovem Luís Miguel (15 anos) e

pelo ilícito de homossexualidade com

um menor, bem como uma pena de

expulsão de Portugal

O tribunal condenou Frederico a um

valor de oito mil euros de indemnização

cível que devia ser paga aos pais

de Luís Miguel, mas nunca foi cumprida.

“A Igreja deveria ter assumido esse

pagamento. disse ao DN Marques de

Freitas, procurador da República que

liderou a acusação pelo Ministério Público

(cf. https://bit.ly/32E2i2b ).

Embora com recursos atrás de recursos,

e mesmo com incursões do SIS

Madeira em investigações paralelas,

Frederico Cunha começou por cumprir

pena na prisão Vale dos Judeus,

mas, aos 47 anos, aproveita uma saída

precária de cinco dias e, a 10 de Abril

de 1998, foge num carro alugado para

Madrid e apanha um avião para o Rio

de Janeiro (Brasil).

Não se sabe com que passaporte, já

que o dele estava apreendido. Esse

é ainda um dos muitos mistérios da

fuga nunca esclarecidos.

Lembram-se do sucesso do desaparecimento

do Rui Pedro? A mãe de Rui

Pedro, desaparecido há 23 anos, em

Lousada, afirmou, em Braga, não ter

perdido “a esperança de o encontrar”,

afirmando ainda “ser uma mulher de

fé”.

Uma “proposta” não aceite pela PJ e

que está entre os vários pontos a que

a família recorreu sempre que criticou

a investigação. Ao longo dos anos

foram muitas as declarações sobre o

que consideravam ser a ineficácia das

autoridades.

Um dos exemplo é o da pouca importância

dada ao testemunho de uma

prostituta, Alcina Dias, a pessoa a que

Afonso Dias terá “levado” Rui Pedro.

Esta identificou o arguido na sessão

em tribunal. Ao mesmo tempo, um

inspector admitiu em julgamento ter

mentido sobre alguns dados do processo,

o que levantou ainda mais dúvidas

sobre a forma como a investigação

se desenvolveu.

Depois do impacto da absolvição no

Tribunal de Lousada, os pais acabaram

por ver feito “um ato de justiça”,

como disse o seu advogado Ricardo

Sá Fernandes, com a decisão do Supremo.

(cf. https://bit.ly/3qAfvRD).

E outros sucessos? Poucos.

A começar pelo espectáculo nas salas

de interrogatórios

Em Fevereiro de 2017, Joana Marques

Vidal (ex-Produradora) revelou que a

violação do segredo de justiça motivou

111 inquéritos em três anos que

resultaram em “cinco acusações”. A

violação dos processos que estão em

segredo de justiça continua a ser a

pedra de toque de quem passa pelos

Tribunais. É pouco? Bastava.

Durante o mandato da ex-Procuradora-Geral

da República, verificou-se

pela primeira vez a transmissão por televisões

dos vídeos de interrogatórios

de arguidos. Primeiro, em 2015, quando

o antigo ministro Miguel Macedo

viu divulgados na comunicação social

imagens e sons dos seus interrogatórios.

Resultado. Foi absolvido.

A Operação Marquês foi lançada em

Novembro de 2014, com o antigo primeiro-ministro

José Sócrates sob suspeita.

Sete anos e nada.

Ricardo Salgado está a ser investigado

pelo Ministério Público. Há mais de

quatro anos que existem suspeitas na

justiça sobre Salgado. Só suspeitas.

A alegada prática de crimes de corrupção,

branqueamento e falsificação de

documento, que envolveu um ex-vice-

-presidente de Angola, Manuel Vicente,

e abalou as relações entre Angola

e Portugal chegou a julgamento. O

Ministério Público admitiu que os arguidos

não irão para a cadeia, ao pedir

penas suspensas.

O roubo de armas de Tancos há quatro

anos continua a ser uma das principais

pedras no sapato da Justiça vencedora

em guerrilha entre as Judiciárias Militar

e da república. Sabem qual foi o

resultado? Mesmo com todas as pressões

do sempre presente Marcelo?

O caso está dividido entre o assalto

aos paióis de Tancos na madrugada de

28 de Junho de 2017 por um grupo de

homens liderado pelo ex-fuzileiro João

Paulino que roubou armas, explosivos

e munições do Exército; mas também

incide na investigação aos militares da

GNR e da PJM que levaram a cabo uma

acção ilegal para recuperar o material

de guerra à revelia do Ministério Público

e da PJ civil, que detém o inquérito

do caso. Segundo o MP, o então ministro

da Defesa tinha conhecimento da

operação clandestina.

Uma grande parte do arsenal de guerra

foi depositado num baldio da Chamusca,

quatro meses depois do furto,

numa encenação montada entre João

Paulino e militares da GNR de Loulé e

da PJ militar. Mas ainda estão em parte

incerta alguns explosivos que haviam

sido roubados. Ou não.

Apesar de uma vitória há muito aguardada

(sete anos), a condenação em primeira

instância do principal responsável

no caso BPN, Oliveira Costa, a uma

pena de 14 anos de prisão, nem tudo

correu bem num dos processos mais

escrutinados da justiça portuguesa.

Alguns dos arguidos mais notórios,

como Dias Loureiro viram a PGR retroceder

nos seus casos, que acabaram

por ser arquivados, após quase uma

década de assassinato público (ou político?):

poucos são os casos que vingaram

em tribunal, (BCP, BPP, BANIF...)

Portugal, em versão pornográfica da

Justiça: suspeitas sobre favores a políticos,

banqueiros, dirigentes do futebol.

Um desembargador, presença assídua

nas TVs como principal suspeito.

Além de Rui Rangel, são arguidos no

processo uma desembargadora Fátima

Galante, um presidente do Benfica,

Luís Filipe Vieira e João Rodrigues, um

antigo presidente da Federação Portuguesa

de Futebol. 13 arguidos. Condenados?

(cf. https://bit.ly/32UywpS

Se a Televisão mostrar, é sucesso... testemunhado

pelo Marcelo, pelo Costa e

pelo Cotrim.., entre outros. Para os portugueses

é ridículo. No mínimo.

(*) António Costa Guimarães,

é Jornalista, foi Capelão

Militar e Director do jornal

Correio do Minho

26 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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CRÓNICA - Abraços de Palavras

CRÓNICA

“Cantar as Janeiras”, - tradição do Centro Lusitano de Zurique

ELEIÇÕES EM PORTUGAL

EM TEMPO DE “JANEIRAS”

GRAÇA AMIGUINHO

Neste primeiro mês de 2022, passados

quarenta e sete anos de vida democrática,

Portugal volta às urnas no dia

30, para escolher os seus Deputados à

Assembleia da República e se apurar

quem governará o País, nos próximos

quatro anos.

Sobre as escolhas a fazer, penso que

todos os portugueses têm tido tempo

suficiente, para, conscientemente,

saberem o que mais nos convém, escolha

essa, que implica muita responsabilidade.

Os mais velhos não poderão, jamais,

esquecer os anos negros de uma Ditadura,

que nos colocou na cauda da

Europa, obrigando milhares de portugueses

a procurar trabalho nas mais

diversas partes do Mundo. Sofrendo

pelo não conhecimento de línguas estrangeiras,

muitos, quase analfabetos,

se aventuraram por esse mundo fora,

em busca de um futuro melhor, que a

sua terra lhes negava.

Infelizmente, mesmo vivendo em

Democracia, os portugueses mais inconformados,

continuam a atravessar

fronteiras e depositam em mãos estrangeiras,

a força do seu trabalho, o

saber adquirido em Portugal, porque

as condições económicas e sociais, no

nosso País, estagnaram e ainda não

são iguais às de outros países da CEE.

Neste frio mês de inverno, vamos recordar

uma Tradição muito antiga,

mas que os tempos não conseguem

apagar.

“As Janeiras”!

De Norte a Sul de Portugal, nas ilhas

dos Açores, Madeira e praticamente

em toda a Europa Ocidental, ainda

hoje são vivenciadas e cantadas com

entusiasmo, pelo povo, na quadra natalícia,

até ao Dia de Reis e, em muitas

terras, continuam até ao fim do mês

de janeiro.

Cantam-se músicas pelas ruas, em

grupo, anunciando o nascimento de

Jesus, desejando um feliz ano novo a

toda a gente, e pedindo uma recompensa

que pode ser em bolos, vinho,

carnes ou dinheiro.

“As janeiras” são, por vezes, confundidas

com os “Cantares dos Reis”.

Eram cantadas, antigamente, pelos

mais pobres, que iam bater às portas

dos senhores ricos das suas aldeias e

vilas. Por assim ser, Zeca Afonso, chamou

à sua “janeirada”, “NATAL DOS

SIMPLES”.

Começarei, então, por vos recordar

este belo poema do nosso Zeca Afonso,

“Natal dos Simples”, editado a

partir do LP “Cantares de Andarilho”,

lançado em 1968, em plena Ditadura,

que tão popular se tornou, aprendido

e cantado por crianças e adultos, até

aos dias de hoje.

NATAL DOS SIMPLES

Ref

Ref

Vamos cantar as janeiras/ Vamos

cantar as janeiras,

Por esses quintais adentro, vamos/

Às raparigas solteiras!

Por esses quintais adentro, vamos/

Às raparigas solteiras

Pam-pa-ra-ra pi-ri Pam-pa-ra-ra,

pi-ri

Pam, pam, pam, pam.

Vamos cantar orvalhadas/ Vamos

cantar orvalhadas

Por esses quintais adentro, vamos/

Às raparigas casadas.

Vira o vento e muda a sorte/ Vira o

vento e muda a sorte

Por aqueles olivais perdidos/ Foi-se

embora o vento norte.

Ref

Muita neve cai na serra/ Muita neve

cai na serra

Só lembra dos caminhos velhos/

Quem tem saudade da terra

Quem tem a candeia acesa/ Quem

tem a candeia acesa

Rabanadas, pão e vinho novo/ Matam

a fome à pobreza

Ref

Já nos cansa esta lonjura/ Já nos

cansa esta lonjura

Só se lembra dos caminhos velhos/

Quem anda à noite à ventura

Ref 3v

Nos tempos que vivemos, “as Janeiras”

são geralmente cantadas por

Ranchos Folclóricos ou Grupos Corais,

muitas vezes, em colaboração com os

Municípios, fazendo concertos em lugares

públicos, tais como coretos de

jardins ou Casas da Cultura.

Os instrumentos musicais mais usados

para acompanhar os cantadores e

cantadeiras, são: a viola clássica, o reco-reco,

os ferrinhos, a flauta, o bombo,

a pandeireta, o adufe e o acordeão.

No Alto Alentejo usam a ronca.

Por vezes, são apenas as vozes que entoam

as bonitas canções.

De norte a sul de Portugal, esta tradição

vai tendo cada vez mais entusiastas

a darem-lhe continuidade.

Uma particularidade desta tradição é

o facto de os cânticos serem entoados

durante a noite.

Talvez seja interessante sabermos as

origens das “Janeiras”.

Como facilmente depreendemos, vão

buscar o seu nome a Janeiro, cuja origem

reside em “Janus”, o deus das

portas do céu ou o deus dos princípios

e das entradas.

O deus “Janus” é representado por

duas faces, viradas para sentidos

opostos, representando o que passou

e o que está para vir, simbolizando a

ideia de passagem de um ano para

outro.

“Janus” era um deus romano.

Entretanto, as nossas “Janeiras” foram

“cristianizadas”, com canções ao Menino

Jesus.

As “Janeiras” chegaram a ser proibidas

na cidade de Lisboa e arredores,

por serem consideradas de origem

pagã. Porém, no campo, nunca foram

esquecidas e o povo tinha prazer de

manter a tradição, contrariando a inibição

que a capital sofria.

Como já referi, ainda hoje são cantadas

em quase toda a Europa Ocidental

e até na América.

- Na Grécia cantam as “Kalandas”, no

dia 24 de dezembro.

- No Reino Unido e nos Estados Unidos,

cantam-se os “Christmas Carols,”

no dia 26 de dezembro.

- Na Espanha cantam-se “Os Villancicos”,

no dia 6 de janeiro, acompanhados

com pandeiretas e castanholas.

- Em Portuga, Açores e Madeira, soam

durante todo o mês de janeiro.

No Algarve, a população dá às “Janeiras”

o nome de “Charolas”, acompanhando

o cante com castanholas.

No Alto e Baixo Alentejo, com a elevação

do “Cante Alentejano” a Património

Imaterial da Humanidade,

“as Janeiras” rejuvenesceram, sendo

cantadas, com todo o seu encanto,

pelo povo.

É nas Beiras e no Norte de Portugal

que “as Janeiras” assumem o seu carácter

mais popular.

Em terras frias e tão chuvosas, no inverno,

“as Janeiras”

tornaram-se incrivelmente boémias

e divertidas, sendo cantadas por gente,

que nada a inibe de dar música às

suas terras.

Assim, em Braga, é famosa a “Edição

de Cantares de Reis e Janeiras”, havendo

festivais até fins de janeiro.

Terminarei com a divulgação de um

Cantar dos Reis, muito antigo, que

ouvi, há mais de meio século, na Vila

de Barbacena, no concelho de Elvas,

onde trabalhei e que penso ser único,

no nosso Portugal. Ouvi-o altas horas

da noite. Naquele silêncio profundo,

fui acordada por vozes divinais, entoando,

à sua maneira, tão peculiar,

uma linda melodia. Hoje, continua

sendo cantado, por homens que foram

meus alunos e que querem manter

a Tradição.

“CANTO DOS RÊIS”

Quais sã´ n´os três cavalhêros

Que fazem sombra no mára?

-Sã´n´os três de o Oriente

Que a Jàsus veem buscára.

Não préguntam por poisada,

Nem aonde o irão achára.

Foram – n´o achar em Roma

Revestido no altára

Com três mil almas de roda

Todas para commungára.

Missa – nova quer dizéra,

Missa – nova quer cantára.

São João ajuda à missa,

São Pedro muda o missála.

Desejo-vos um Feliz Ano de 2022!

28 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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Saúde

Última Hora:

Europa restabelece limite de 0,3%

de THC para o cânhamo industrial

Saúde

Eça de Queirós:

“Pois venha o Hachisch!”

Laura Ramos

A nova Política Agrícola Comum (PAC),

hoje adoptada no Parlamento Europeu,

subiu o nível máximo de THC

do cânhamo industrial para 0,3%.

A notícia foi avançada esta manhã

pela EIHA – European Industrial Hemp

Association e Daniel Kruse, presidente

da EIHA, congratulou-se com mais um

pequeno passo no sector do cânhamo

a nível europeu, mas alertou que “0,

3% ainda é um limite baixo”.

O Cannareporter está a contactar a

Cannacasa, Associação Portuguesa

do Cânhamo Industrial, a ACCIP – Associação

dos Comerciantes do Cânhamo

Industrial de Portugal e a DGAV

– Direcção Geral de Alimentação e Veterinária,

para perceber o que representa

esta mudança para o sector do

cânhamo nacional.

A EIHA já tinha anunciado, em Outubro

de 2020, que o Parlamento Europeu

tinha votado a favor do restabelecimento

do nível de THC autorizado

de 0,2% para 0,3%. Um ano depois, e

após longas discussões que pretendiam

chegar a compromissos entre as

três instituições da UE, a proposta final

da Política Agrícola Comum (PAC)

foi adoptada hoje pelo Conselho, após

a votação final no Parlamento Europeu

a 24 de Novembro.

Esta mudança implica um aumento

potencial do número de variedades

de cânhamo aceites no Catálogo da

UE, mas este nível só se aplica se os

agricultores quiserem receber pagamentos

directos, o que significa que

na Europa é possível plantar cânhamo

com nível de THC acima de 0,3%,

desde que seja autorizado por regulamentos

nacionais, como já acontece,

por exemplo, na Itália (0, 6%) e na República

Checa (1%).

A nova PAC, que entrará em vigor a 1

de Janeiro de 2023, reconhece a possibilidade

de os agricultores receberem

pagamentos directos por variedades

de cânhamo registadas no Catálogo

da UE que tenham um nível máximo

de THC de 0,3%.

Daniel Kruse, pioneiro da indústria do

cânhamo e presidente da EIHA congratulou-se

com a notícia. “Este é um

grande dia para o sector do cânhamo

e mais um passo em direcção a um futuro

mais verde para a Europa. No entanto,

se comparado com outros países

do mundo, 0, 3% ainda é um limite

baixo; por exemplo, a Suíça, no coração

da Europa, tem um limite mais alto e

outros países da UE já trabalham com

limites mais altos também...

Estudos científicos e muitos anos de

experiência comprovam que limites

mais altos representam absolutamente

risco nenhum para a segurança

dos consumidores. A UE estabelece

as bases para um sector industrial do

cânhamo em crescimento, verde e

sustentável em toda a nossa União e

tem a chance de alcançar novamente

igualdade de condições na concorrência

global quando se trata do

sector do cânhamo industrial.” Kruse

acrescentou ainda que “luto por este

momento há mais de uma década. Os

meus agradecimentos especiais vão

para nossa incrível equipa em Bruxelas,

que tornou isso possível”,

Também Lorenza Romanese, directora

Administrativa da EIHA, disse estar

“orgulhosa” com o que foi alcançado

hoje. “Trabalhámos muito para garantir

que o cânhamo tivesse o reconhecimento

que merece na Política Agrícola

Comum. Eu diria que este pequeno

passo reflecte que os legisladores da

UE estão mais perto de reconhecer

plenamente a existência de um sector

europeu legítimo do cânhamo. Porém,

como já disse outras vezes, precisamos

continuar a trabalhar juntos,

pois ainda existem outras áreas onde

o cânhamo merece uma melhor regulamentação,

mas estamos no caminho

certo”, concluiu.

João Carvalho

No final de Outubro de 1869, Eça de

Queirós, então com 23 anos, partiu

com um amigo, o Conde de Redondo,

para uma viagem ao Egipto e à Palestina.

Quanto ao Egipto, o futuro romancista

registou as suas impressões em

notas (postumamente coligidas num

volume intitulado O Egipto: Notas de

Viagem), cuja leitura torna claro que

os dois jovens portugueses estavam

apostados em aproveitar a ocasião

para experimentar o haxixe, o qual no

século XIX consubstanciava muito do

fascínio exercido pelo exótico Oriente

— e, em Portugal, poucos estariam tão

a par como Eça das loas que em França

cantavam aos “paraísos artificiais”

os seus ídolos Gautier, Baudelaire e

de Nerval, notórios membros do “Club

des Haschischins”.

Assim, em O Egipto, ao relatar uma visita

aos bazares do Cairo, na companhia

de Redondo e um guia local, Eça

de Queirós escreve sem rodeios:

Fomos apenas uma vez ao bazar das

drogas: procurávamos hachisch.

— Há hachisch em bolo…

— Pois venham os bolos!

— Há hachisch em geleia…

— Então, venha a geleia!

Jonas Ali encolheu os ombros — e o

olhar que nos lançou era cheio dum

infinito desdém…

Em O Egipto, Eça não volta a referir

o haxixe; mas relata como, durante a

sua estadia no Cairo participou com

Redondo em duas sessões de fumo de

narguilé, cujo efeito, explica, é mergulhar

o consumidor “naquele estado a

que os árabes chamam ‘kiéf. “[O] cérebro

vazio de ideias e cheio de sonhos,

abismámo-nos longo tempo naquele

doce enlevo, no kief — no divino, mole,

voluptuoso, inerte, pacífico kief!”, escreve

Eça, que refere ainda “visões em

que nos julgávamos Califas, comendo

manjares admiráveis entre danças de

escravas”.

Embora Eça de Queirós não explicite

qual a substância que fumou no narguilé,

tratava-se obviamente de kif, as

inflores-cências secas da cannabis.

Sendo o menos potente dos preparados

psicoacti-vos de cannabis,

o kif não fora proibido no Egipto junto

com o haxixe, razão por que Eça pôde

iniciar–se tranquilamente nos estados

alterados de cons ciência em lugares

públicos do Cairo.

Na Primavera de [1870], estávamos

uma tarde — o Antero de Quental e eu

— na casa que então habitávamos a S.

Pedro de Alcântara quando entrou o

Eça de Queiroz, chegado havia pouco,

do Oriente, mas que ainda não víramos”.

E, continua Batalha Reis, ao pôr

os amigos a par da viagem, Eça “(a)nalisou,

minuciosamente, as sensações

que lhe dera, no Cairo, o uso do haschisch,

e as visões fantásticas que nos

preparava — porque ele e o Conde de

Redondo haviam-nos trazido haschisch

misturado a geleia, a bolos, e a pastilhas

que se fumavam em cachimbos

especiais”.

Em resumo: não só Eça de Queirós

e o Conde de Redondo satisfizeram

no Cairo o desejo de experimentar o

haxixe, como se entusiasmaram com

os resultados a ponto de assumirem a

responsabilidade moral e material de

“iluminar” com cannabis o círculo intelectual

que frequentavam — o qual,

saliente-se, passaria à história como a

geração de ouro das letras portuguesas.

Com a revelação da faceta haschaschin

de Eça de Queirós, a bola fica

seguramente no campo dos que consideram

que a apetência por estados

alterados de consciência como os

proporcionados pela canábis merece

o cárcere ou, mais civilizadamente, a

intervenção de uma Comissão de Dissuasão

da Toxicodependência.

— Hachisch? — disse-nos Jonas Ali [o

guia] — mas é proibido!*

— Mas deve-o haver… sobretudo sendo

proibido!

— Em primeiro lugar — respondeu Certas dúvidas quanto ao seguimento

desta história são esclarecidas pelo

ele gravemente – há três qualidades

de hachisch: há hachisch em pastilhas…

Eça de Queirós, na introdução que es-

Este texto foi originalmente publicado na edição

escritor Jaime Batalha Reis, amigo de

portuguesa do livro “O Rei vai nú”, de Jack Herer, e

— Pois venham as pastilhas!

creveu em 1903 à obra deste Prosas reproduzido no #3 da Cannadouro Magazine.

Leia estes e outros artigos em

Bárbaras:

WWW.CANNAREPORTER.EU

30 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

31



Saúde

Laura Ramos

Já não é novidade que o novo governo da Alemanha

se prepara para legalizar o uso adulto de canábis, mas

a operadora de transportes públicos de Berlim, a BVG

(Berliner Verkehrsbetriebe) foi mais longe e lançou um

bilhete comestível com óleo de sementes de cânhamo

que, segundo a empresa, “pode ajudar a minimizar o

stress durante as viagens no Natal e aliviar o infame

mau humor dos berlinenses”. Os bilhetes custam 8,80

euros e são válidos por 24 horas.

A BVG garante que os bilhetes não contêm substâncias

proibidas, são feitos de papel comestível regado com

óleo de sementes cânhamo e têm “supostamente, um

efeito relaxante”

O bilhete comestível de cânhamo da BVG numa estação

de metro de Berlim. Foto: Bild

Alemanha:

Transportes Públicos

testam aceitação da

canábis com bilhetes

comestíveis de

cânhamo

O óleo de cânhamo usado para “regar” os bilhetes não

contém canabidiol (CBD) e muito menos tetrahidrocanabinol

(THC), servindo apenas como uma forma de

testar a aceitação dos alemães em geral e dos berlinenses

em particular à regulamentação do uso adulto da

canábis.

Os bilhetes, que vão estar disponíveis durante uma semana,

custam 8,80 euros e são válidos por 24 horas. A

empresa de transportes públicos BVG já é conhecida

pelas suas campanhas promocionais atrevidas e esta

explora as notícias sobre a nova coligação do governo

alemão se preparar para regulamentar a canábis para

uso adulto..

“É claro que tudo isto deve ser visto como um piscar

de olhos”, disse o porta-voz da BVG, Jannes Schwentu,

acrescentando que a ideia do bilhete foi sensibilizar as

pessoas para, durante o período stressante do Natal,

apanharem o autocarro ou o metro.

“Nós deixamos muito claro que qualquer pessoa que

quiser usar o bilhete como uma passagem real, por favor,

apenas mordisque ou coma depois da sua viagem,

porque se tiver uma dentada, deixará de ser válida”, salientou

Schwentu.

LIMPAR A TRALHA MENTAL

Ivo Margarido

Absorvemos energia nas trocas

com os outros, mas também

temos de estar atentos ao que

nós próprios criamos na nossa

cabeça. É essencial que desalojemos

da nossa mente os

pensamentos negativos.

Se queremos decorar uma

casa para que fique muito bonita

e ela está cheia de móveis

velhos, não conseguimos fazer

nada: temos de tirar primeiro

todo o lixo e só depois colocar

os móveis novos. Com a nossa

mente é a mesma coisa. Se

quisermos que ela fique “bonita”,

temos de dar ordem de

despejo aos pensamentos críticos,

negativos e destrutivos.

Ou seja, devemos observar o que vem

de dentro de nós: os nossos padrões de

pensamento e comportamento e as nossas

resistências. Sempre que detectamos

Saúde

um pensamento negativo devemos reformular

de imediato esse pensamento, optando

por repetir a versão positiva várias

vezes.

32 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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POSTAL DO DIA

Durão Barroso não se

recomenda

A pedofilia na Igreja

Católica

Luís Osório

1.

Durão Barroso tem um problema de credibilidade.

Por mais que possa ser bem-intencionado é muito difícil

acreditar que isso seja verdade.

Poucas pessoas corporizam de uma forma tão clara os poderes

subterrâneos, os interesses dos mais poderosos, a influência

dos que manobram escudados pela invisibilidade.

2.

Luís Osório

Por isso, a escolha de Durão Barroso para presidir à Aliança 1.

chegar a conclusões e veremos o que Estruturada em relações de poder.

acontecerá.

Global para as Vacinas (GAVI) é suspeita.

Muito se tem escrito (felizmente) sobre

Uma estrutura misógina.

Com tantas pessoas em excelentes condições para serem

a pedofilia na Igreja Católica.

Vimos também a Companhia de Jesus Forçada pelo celibato a atrofiar o dese-

consideradas qual a razão que levou a administração do

tomar a dianteira e criar as condições

Mas apesar de muito se escrever continua

a surpreender a dimensão de pa-

Pode ter sido pelo seu currículo.

jo e a carne.

GAVI a escolher o presidente da Goldman Sachs?

para que a verdade possa ver a luz, parabéns

aos jesuítas.

5.

dres que abusaram de crianças – não

Durão Barroso foi presidente da Comissão Europeia.

são dezenas, na verdade não são sequer

centenas de sacerdotes.

E não sou sequer contra o celibato dos

Durão Barroso transformou-se há longos anos num lobista.

O Papa Francisco, tão atacado pelos

O celibato não é um dogma.

3.

Mas é difícil acreditar.

Nos Estados Unidos – impressionante o

padres que o desejem exercer livre-

Um homem de influência que passou a estar confortável

conservadores da Igreja Católica (porque

será?) tem sido incansável na prorosos

e os seus interesses.

Em França – onde o relatório recentecura

de respostas por mais dolorosas Mas é inconcebível que o celibato seja

Ele é um dos homens fortes do Clube de Bilderberg.

mente tornado público aponta para que possam ser.

obrigatório a todos os padres – não o

Ele foi o presidente da Comissão que juntou nas Lajes chefes

330 mil crianças abusadas e dois mil

escrevo por achar que os casos de pe-

que aconteceu em Boston.

mente.

nos lugares onde apenas cabem os verdadeiramente pode-

Mas é impressionante o rasto de sofri-

de Estado que mentiram ao mundo para que fosse admissível

uma invasão ao Iraque.

Na América Latina – pungente o pedi-

pessoas que se viram amputadas na

padres abusadores!

dofilia deixariam de existir, mas o peso

mento deixado por tantos milhares de

da pedofilia na Igreja obriga necessariamente

a repensar um modelo que

Ele foi a pessoa que passou a liderar o maior banco de investimento

do mundo, um polvo com tentáculos nos cinco

Na Polónia – onde membros do clero lentadas e humilhadas por padres que

do de perdão do Papa Francisco. sua vida por terem sido violadas, vio-

“obriga” homens a serem santos quando

ainda rastejam no pó do deserto.

continentes e capaz de influenciar o modo como o dinheiro

respondem por um terço dos crimes se aproveitaram da sua condição para

circula e os que são ou não escolhidos.

de pedofilia em todo o país nos últimos

cinco anos.

Por muito que possamos confiar nos

abusar perversamente de crianças. Como é inconcebível que a Igreja não

se abra hierarquicamente às mulheres.

3.

Com elas, com o seu contributo em lu-

Durão Barroso está por sua conta, como sempre esteve.

E agora em Espanha – nas últimas muitos homens bons da igreja, gente

gares de supervisão, certamente que o

Partidos ou organizações são instrumentais.

horas foram reveladas suspeitas fundadas

em relação a 250 padres espa-

pela convicção de uma ideia de trans-

e influência.

lhados por 31 ordens religiosas. Uma cendência, é horrível pensar que todos

que se sacrificou pelo bem comum e

problema seria fortemente atenuado.

Existem como estratégia para conseguir para si mais poder

6.

É certamente um homem inteligente, hábil e preparado.

investigação do El País que o Papa está estes casos tiveram, em múltiplos ca-

Mas ouvi-lo a pedir satisfações aos governos pela maneira

a seguir passo a passo. Segundo a investigação

as crianças abusadas nos quia da Igreja Católica.

O “Mal” contaminou a igreja Católica.

– logo ele – ou a dar um raspanete a Portugal pela forma

últimos anos (com testemunhos dire-

Cardeais

O Diabo passeia-se pelos claustros e

como o governo não está a ser competente na administratos)

vão em 1237, mas podem ascender Bispos

sos provados, o beneplácito da hierar-

Não há que ter medo das palavras.

como não são solidários com os países do terceiro mundo

envenenou a relação de confiança de

ção da terceira dose, causa-me um profundo incómodo.

a três ou quatro vezes mais.

muitos milhões em relação à Igreja – o

O próprio Vaticano durante décadas.

que Francisco já afirmou.

4.

2.

O homem que abandonou o país deixando a “batata quente”

para Jorge Sampaio representa interesses invisíveis e

Acredito em Deus.

4.

Parece-me que o futuro da Igreja Católica

se decidirá em função da resposta

Em Portugal, depois de declarações lamentáveis

de dois ou três bispos que

que for dada.

nada do que diz merece ser ouvido.

desvalorizaram a mera hipótese de Da mesma maneira que acredito con-

E isso é que é dramático.

E dependerá muito do Papa que suceder

a Francisco.

existirem pedófilos entre os sacerdotes victamente que o combate do ser hu-

Porque alguém que ocupa aquele lugar chave tem de ser

portugueses, a Conferência Episcopal mano é sempre entre uma ideia de

respeitado, ouvido e seguido nas suas recomendações.

(e muito bem) aceitou que o assunto Bem e um instinto para o Mal.

Aí perceberemos quem ganha a bata-

Pela sua credibilidade.

lha – se a luz, se a escuridão.

tem de ser investigado a fundo e nomeou

o pedopsiquiatra Pedro Strecht mana.

Temo por más notícias.

Por ser um referencial ético e moral.

A Igreja Católica é uma instituição hu-

Pela sua independência.

para presidir a uma comissão indepen-

Tudo o que Durão Barroso não é.

Feita por homens.

dente.

Pensada por homens.

Fotografia de Ana O.

A comissão terá agora um ano para

34 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

35



Crónica

PERCEBA-SE A PERVERSIDADE DA

AFIRMAÇÃO DESTE ARCEBISPO

Ivo Margarido

Segundo os meus estudos sobre a matéria,

passo a explicar: vivemos em ciclos, desde

logo o ciclo do dia e da noite, das 4 estações

e passo muitos outros de curto prazo.

Porém existem ciclos que pela natureza

da sua longevidade não nos apercebemos

deles. O ciclo maior tem uma duração de

25.920 anos. Por sua vez, este ciclo divide-

-se em 12 sub-ciclos de 2.160 anos. Numa

forma de comparação com os ciclos terrenos,

poderíamos dizer que o ciclo de 25.920

anos seria o equivalente ao ano e os 12 sub-

-ciclos de 2.160 anos cada, aos meses ... o

princípio de mudancas que é gerado pelos

respetivos ciclos é idêntico.

A cada mudança desses 12 ciclos menores

de 2.160 anos, ocorre uma inversão de polaridades

que produzem grandes mudanças em

tudo o que existe. Vou tentar explicar simplificando;

21.12.2012 foi a data que marcou a

mudança de ciclo, isto é, passámos da Era de

Peixes para a Era de Aquário. Esta transição

dura 20 anos, terminando assim em 2032,

ano em que se inicia uma “nova era dourada”.

Até lá, viveremos tempos de profundas

mudanças e purga do “Velho Mundo”, que já

não tem espaço no novo.

Explicando a inversão de polaridades: a Era

de Peixes foi uma Era de polaridade negativa

e a Era de Aquário é uma era de polaridade

positiva. O que significa isto na prática? Significa

que o domínio durante o respetivo ciclo

passa a ser da energia com a polaridade

oposta já que, em termos de magnetismo,

os opostos atraem-se. Alguns exemplos: a

energia masculina é de polaridade positiva

e a energia feminina é de polaridade negativa

(nada a ver com os conceitos de bom ou

mau). Ao Sol (dia / luz) é atribuída a polaridade

positiva e à Lua (noite / trevas) é atribuída

a polaridade negativa. Aplicando o mesmo

princípio, concluímos que na nossa civilização

Europeia onde predomina o conceito

de “Deus” nos ciclos de polaridade negativa

(portanto de trevas da consciência), o do-

mínio é da energia masculina, uma

energia destruidora e de divisão. Basta

observarmos o estado do mundo

na sua fase atual para verificar esta

“lei” universal: na religião Católica (ou

outras) existem mulheres no “comando”?

Quais eram os direitos das mulheres

até há muito pouco tempo?

E na política, quando começaram a

aparecer as primeiras mulheres? E na

gestão de empresas?

O “papel” da mulher, era ou não de

submissão? Poderíamos fazer esta

observação a muitos outros níveis.

Conclui-se portanto que somos regidos

por ciclos naturais que influenciam

o rumo dos acontecimentos,

porém a humanidade há muito que

se desconectou do Universo, perdendo

esta noção das coisas, da existência

e do seu propósito ...

Fica assim fácil de compreender que

a energia feminina (de polaridade

negativa) vai dominar este novo ciclo

de 2.160 anos (ciclo de luz / Lucifer),

cuja polaridade está em oposição à

polaridade deste novo ciclo de polaridade

positiva (Era de Aquário). Relembro

que em termos de magnetismo,

os opostos atraem-se; observe-se

o que acontece com um íman ...

Em forma de conclusão, este novo

ciclo vai ser de expansão, de união

mundial (tendência para abolir fronteiras),

grandes avanços para a união

da humanidade em todo o mundo

(já observamos os fluxos migratórios)

o que numa fase inicial se traduz por

grande desconforto e tensões que

serão dissolvidas com o tempo ... estas

grandes diferenças que existem

no mundo serão sanadas ... será um

ciclo de paz dominado pela energia

feminina. É nos ciclos regidos pela

energia feminina que se produzem

os maiores feitos da humanidade.

Assim, assistiremos à queda de sistemas

sócio-economicos que já não se

insiram nesta nova lógica universal,

toda a mentira será exposta porque

a “luz” domina, ..., por outras palavras

é a transparência que vai prevalecer

e tentar fugir a estas influências será

esforço vão ... Também as religiões

vão sofrer grandes mudanças com

tendência para desaparecer. Todos

seguiremos um “mesmo padrão”

para o bem da humanidade, já que a

história nos mostra a monstruosidade

das guerras “santas” provocadas

pela religião.

LUCIFER significa “portador da luz” e

não confundir com conceitos humanos

do “diabo” e afins porque nada

tem a ver com o assunto. Porém, o

bem e o mal são as duas faces de

uma mesma “moeda”, sendo um dos

principais desafios da humanidade

encontrar o equilíbrio!

Poderia ainda salientar que as mudanças

climáticas resultam muito

mais destas variações dos ciclos do

que propriamente da atividade humana

(mas o velho mundo bem que

tirou partido desta, realidade) ... o

Polo Norte magnético (diferente do

polo norte geográfico) tem vindo a

deslocar-se, eu próprio verifico este

acontecimento através das coordenadas

da aviação, cujas atualizações

recebo mensalmente. Isto altera a

inclinação do planeta em relação

ao seu eixo ... última nota sobre as

mudanças climáticas : comparando

com os ciclos das estações terrenas,

as “estações universais “ duram 6.480

anos, sendo a soma de 3 ciclos de

2.160 anos (cada) o equivalente, nesta

escala, a 3 meses terrenos. Por isso,

esperar que o clima se mantenha estático

ao longo do tempo, é pura fantasia

...

A purga está a acontecer e quem não

estiver alinhado com este novo ciclo,

será “transferido” para uma outra dimensão

... Boa ascenção

Nota: cuidado com a desinformação

que circula acerca da “Nova Ordem

Mundial” pois os principais interessados

em que se mantenha a “atual

ordem das coisas” tudo fazem para

confundir a malta ... e o Vaticano é

dos principais interessados na manutenção

deste caos pois não reconhece

a energia feminina e a luz que

lhe é característica!! Mas também é

verdade que um grande número de

pessoas, por “descuido”, defende os,

seus carrascos ...

Portanto, na afirmação do arcebispo

“Aqueles que resistem à Nova Ordem

Mundial terão a ajuda e proteção

de DEUS”, entenda-se do VATICANO,

cujo braço político é a Opus Dei que

tanto defende o atual e nefasto sistema

monetário capitalista e competitivo,

tão destruidor do planeta e da

humanidade (o maior banco mundial

e o mais criminoso é o do Vaticano)

mas ... que em 1913 começou a ser

implodido mas esta é uma outra e

longa história!

Em Portugal, o atual “Big Boss” da

Opus Dei é Aníbal Cavaco Silva ... tirem

as vossas conclusões!

Escreve segundo o

Acordo Ortogtáfico

36 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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CULTURA

CRUZADAS

V PAULO FREIXINHO

Ano 2022

Morreu Desmond Tutu

prémio Nobel da Paz

João Mendes

Desmond Tutu foi aquilo que, é minha convicção,

deveriam ser todos os homens e mulheres de

Deus, independentemente da religião que professam.

Num mundo onde tantos clérigos respaldam

regimes ditatoriais, o então bispo anglicano

arriscou a vida para combater o racismo institucional

do Apartheid, tendo posteriormente sido

peça-chave na pacificação e mediação entre as

diferentes facções, no início da era democrática

na África do Sul. Com Mandela, mudou o curso

da história naquele país. Para sempre.

Incansável na defesa dos direitos humanos,

Desmond Tutu bateu-se pelos direitos da comunidade

LGBT e pela resolução do conflito israelo-palestiniano,

foi crítico da invasão do Iraque e

dos abusos cometidos em Guantanamo, juntou a

sua voz ao combate contra as alterações climáticas,

e, entre muitas outras e importantes lutas

que poderiam ser referidas, teve a coragem de

afrontar o regime chinês, ao contrário de certos

democratas de fachada, quando apelou aos líderes

mundiais para boicotar a cerimónia de abertura

dos Jogos Olímpicos de Pequim, após a repressão

violenta das manifestações pacíficas no

Tibete, em 2008. Sempre do lado certo da luta.

Nem todos os prémios Nobel da Paz são bem

atribuídos. Alguns chegam mesmo a ser uma

verdadeira farsa. Mas poucos foram tão merecidos

como aquele que o Comité lhe entregou em

1984, ano em que nasci. O planeta e a humanidade

têm para com este homem uma dívida impossível

de ser paga. Descansará, seguramente,

em paz. Obrigado, arcebispo

Horizontais:

1. Reis que foram a

Belém visitar Jesus

recém-nascido.

5. Senão.

8. Diz-se das plantas

que têm folhas

iguais.

10. Observar.

12. Recitei.

13. Centímetro

(abrev.).

14. Dia festivo da

Igreja Católica, consagrado

à comemoração

da adoração

dos Reis Magos a

Jesus e da Sua aparição

aos gentios.

17. Elemento de formação

de palavras

que exprime a ideia

de nariz.

18. Voz imitativa

do sino, do choque

de moedas, etc.

(onom.).

20. Pancada com

corda.

22. A ti.

23. Mulo.

24. Antiga forma de

por (arcaico).

25. Estrela de

primeira grandeza

O que vai encontrar aqui

Este site é dedicado a quem gosta de

cruzar palavras e aqui vai encontrar

muitos passatempos, dicas e ajudas

para que se torne num(a) cruzadista

experiente.

Boas Festas!

da constelação do

Escorpião.

28. Elogio.

29. Alberga.

Verticais:

1. Mexer.

2. Forma larvar, pisciforme,

dos batráquios.

3. Eles.

4. Planta do pé.

5. Terceira nota musical.

6. Antigo governador

de castelo, de fortaleza

ou de província.

7. Ruído.

9. Levedado.

11. Diz-se dos nomes

de animais que,

com uma só forma,

designam ambos os

sexos.

15. Configuração.

16. Influxo divino na

alma das pessoas,

segundo os ascetas.

19. Mãe de Jesus.

21. Existe por muito

tempo.

22. Um certo.

26. Tântalo (s. q.).

27. Artigo antigo.

Bom

Ano

Palavras Cruzadas Online

Neste portal tem inúmeros passatempos

em português, que se

ocupam de vários temas e com diferentes

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38 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

39



Opinião

Crónica

O

Sicofanta

do Chega

Carlos Matos Gomes

Sicofanta. A palavra é de origem

grega e significava o delator dos

ladrões de figos. Com o tempo

passou a designar lambe botas,

lambe-cus, denunciantes, e em

geral uma pessoa que tenta obter

vantagem lisonjeando pessoas

influentes ou comportando-se

de forma servil.

Dante, na Divina Comédia, colocou

os sicofantas no nono

círculo do Inferno, ainda abaixo

dos assassinos e dos tiranos.

Colocou-os mergulhados em

excrementos, dizendo deles: “A

punição é que aqueles que estavam

cheios de porcaria na vida

estão literalmente imersos nela

na vida após a morte.”

Uma autora de ciência política

americana, a propósito da

“gente” que rodeava Trump, escreveu

também sobre os sicofantas:

“ Os sycophants ajudam

a simplificar a questão da corrupção,

que é uma epidemia

assassina. Dizem aos senhores

a quem servem que é o que os

outros fazem, são o veículo para

ações escuras e saques maciços.

Percorrem os corredores do poder

sem evidências de formação

profissional para o papel que

desempenham, nem têm histórico

conhecido fora do “jobber

político”, nem um perfil pessoal

apresentável. Por outras palavras,

servem apenas como cães

de ataque.”

E, mais adiante: “ São demolidores

da sociedade porque

tornam a comunicação impossível,

pois mentem permanentemente

e minam a confiança.

Impõem uma dupla transação

entre o facilitador e eles, de que

os cidadãos adormecidos, ou ingénuos

são vítimas. Fomentam

uma cultura em que qualquer

troca leal de informação se torna

impossível, porque nunca sabemos

quando o sicofanta nos

está a dizer a verdade que ele

quer em que nós acreditemos,

ou se está a pretender provocar

uma desconfiança por um qualquer

meio enviesado.”

A descrição sobre o Sicofanta

vem a propósito de uma criatura

cuja corrupção foi apresentada

como uma curiosidade. Uma

criatura que terá sido militante

do Partido Socialista, chefe de

um sindicato de funcionários

dos impostos, que se introduziu

no Bloco de Esquerda, chegando

a candidato a deputado

e apoiante da candidatura presidencial

de Marisa Matias, que

surge agora mergulhado no

Chega. Olhem que sacaninha

engraçado! Comprem-lhe um

relógio, ou uns óculos escuros.

Mas não estamos em presença

de um videirinho, de um pequeno

traficante de quinquilharias.

Ou não estamos só perante

um escarro humano. Estamos

perante um tipo de cultura, de

aceitação de ausência de valores

e de princípios que destruirá

o compromisso social em que

a nossa civilização se fundou.

Estamos na civilização dos sicofantas

que Dante colocava na

vida após a morte nas fossas de

excrementos, porque em vida

foram como este exemplar moderno,

parte deles.

Um sicofanta que no PS e no BE

defendeu o serviço nacional de

saúde, a escola pública, a previdência

social, os direitos dos

trabalhadores e que hoje procura

tratar da vidinha e receber os

votos dos que defendem o negócio

privado da saúde, o negócio

do ensino privado contra fim

da escola pública e os seguros

privados contra as reformas e a

segurança socia, os patrões em

vez de quem trabalha por conta.

Dante colocou estes sicofantas

numa fossa de merda. Aqui há

quem o queira a seu lado, a deputar!

Fica a foto do sicofanta, sem direito

a nome de pessoa.

Cavaco Silva

– um homem coerente no ódio e

na militância

Carlos Esperança

Conheci boas pessoas salazaristas. Pensavam

mal, mas tinham bom coração. Julgavam que o

frio assassino de Santa Comba desconhecia os

assassínios da Pide, os massacres, as torturas, os

presídios, a violência policial e a miséria do povo.

Puderam, assim, ser salazaristas.

Não é o caso de Cavaco Silva, homem a quem a

democracia deu o que negou a pessoas inteligentes,

honestas e generosas. Nunca um homem tão

inculto e limitado chegou tão longe e durante

tanto tempo.

Rude nas maneiras, medroso e intriguista, foi arrogante

e pérfido para os adversários, a quem considera

inimigos. O folhetim da posse do Governo

de António Costa, depois de ter tentado contrariar

a AR e prejudicado o país com o medo que

incutiu e a denúncia às instituições estrangeiras,

do perigo do governo apoiado pelo PCP e BE, só

encontrou paralelo nas palavras boçais aos membros

do Governo que lhe desejaram Boas-Festas

de Natal, “uma boa tradição que se deve manter,

mesmo com este governo” (A. Costa).

Sobre as prevaricações ortográficas, o ódio a Saramago

e à democracia, os negócios do BPN, a

invenção das escutas do PM, as múltiplas reformas

que recebe, o seu carácter e o ódio que o

consome, paira um manto de silêncio.

Basta-lhe ver um cravo vermelho ou ouvir a data

do 25 de Abril para não conter o ódio à democracia.

Ignora que o 5 de Outubro, o 1 de Dezembro e

o 25 de Abril são datas da identidade do povo que

somos, e só o 28 de maio satisfaz a sua incultura

democrática.

O mundo é feito de mudança, mas o empedernido

salazarista não muda. Não conseguiu fazer do

PSD um partido fascista, nem ele nem o cúmplice

Passos Coelho, mas quer que o fascismo seja o

bálsamo da perfídia que acalenta.

«Cavaco diz que acordo com o Chega era melhor

solução».

(Frase proferida na formação do Governo dos

Açores)

Notícias sem sorriso e

um par de botas

Antonio Manuel Ribeiro (*)

Tem sido uma overdose de Covid-19/variantes há

demasiado tempo e nem a visita dos dirigentes do clube

de futebol brasileiro Flamengo à cata do JJ do meu clube

consegue destronar a verborreia científica e especializada

que nos consome os miolos.

Não sou um negacionista, como já por aqui escrevi, mas

estou atento ao marinar e ao fácies dos apresentadores

perante os médicos e matemáticos convidados para

verberar o óbvio:

A Covid não tem patinhas para se mexer mas sabe por

natureza vencer a oposição vacinal desenhando um novo

contexto infeccioso.

O contágio Covid existe, a infecção está aí, como a gripe,

a pneumonia e outros problemas respiratórios no tempo

invernoso que vamos vivendo. Falamos do primeiro,

escamoteando os segundos – valia a pena, apenas

para esclarecer, para acalmar, para retirar o medo do

Paulo Marques

Sabemos, pelos testemunhos

dos sobreviventes

dos campos de concentração

nazi, por exemplo, pelas

experiências do escritor

italiano Primo Levi (1919 –

1987) e do espanhol Jorge

Semprún (1923 – 2011), que

os prisioneiros se juntavam

na zona das latrinas, um

sítio pestilento, mas onde

estavam mais resguardados

do frio e da opressão

dos guardas, para recitarem

uns aos outros poemas,

passagens de livros

ou histórias que sabiam de

cor. Faziam-no, não porque

acreditassem que com

essa atitude se salvavam,

mas para diminuir a objetificação

de que eram alvo,

o facto de estarem reduzidos

a peças para abate,

para se sentirem parte da

Humanidade.

desconhecido que se instala perante tanto diagnóstico,

que as notícias abrandassem a chamada aos especialistas,

que vamos identificando pelo vestuário, os óculos, o corte

do cabelo e o remexer labial surdo.

Calou-se há muito a ordem que a sabedoria científica ditava:

“temos de alcançar a imunidade de grupo’. Lembram-se?

A vacinação tem falhado o objectivo e o slogan foi

substituído pela necessidade de reforço da dose vacinal

perante novas variantes. O mesmo acontece anualmente

com a gripe e ninguém se incomoda porque todos

transportamos o vírus da gripe.

Pedia-se outra informação, esperava-se o reforço do SNS,

sem esquecer os tão louvados profissionais que servem

para heróis nas horas amargas. Mas o SNS continua a ser

uma virgem mal tratada, amada e abandonada como

qualquer virgem incauta.

Felizmente, ontem, li que o SNS já contratualizou com os

privados 400 camas. É isso que se espera, e que as outras

urgências urgentes (o pleonasmo é sentido) não sejam

abandonadas à porta dos hospitais.

Tenham calma, desliguem, mas cuidem de se proteger

protegendo os outros porque ela anda aí.

Feliz Natal.

Fotografia: Doutor Carlos M. Trindade (obviamente de folga

na passada sexta-feira na FNAC de Almada) – talvez ainda

me vá bater por causa desta crónica…

(*) Fundador e vocalista do mais antigo grupo de Reock

português, UHF

A LITERATURA NÃO SALVA, MAS AJUDA, E MUITO...

40 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

41



Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291,

Postfach 217

8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 - 044 242 06 45

Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

Humor - Quem não sabe rir, não sabe viver” Passatempo

PIADAS SECAS

— Qual o nome do peixe

que caiu do vigésimo andar?

Aaaaaaaaah, Tum!

— Como é que uma abelha

morre electrocutada?

Numa flor rosa choque

— Onde é que os micróbios

fazem surf? Num micro-ondas

— Estavam duas formigas

à conversa: - Olá! Como te

chamas? - Fo. - Fo, quê? - Fo

miga. E tu? - Ota. - Ota, quê?

- Ota fomiga.

— Conheces a piada do iogurte?

– Não. – É natural…

— Iam dois amendoins na

rua. Um contou uma anedota,

o outro descascou-se

a rir.

— O que diz uma pulga a

outra pulga? Vamos a pé ou

esperamos pelo cão?

Feriados e Datas Comemorativas

— Por que é que na Argentina

as vacas andarem sempre

de cabeça no ar? Por

causa dos Buenos Aires.

— O que é que faz uma hortaliça

surda? Finge couve

— Um homem sentou-se

em cima de um cão. Qual é

o nome do filme? Sento em

um dálmata

— O que pato disse à pata?

- “Vem Quá.”

— Quem é o mais velho: o

Sol ou a Lua? A Lua, porque

já pode sair à noite.

— Estavam dois piolhos na

careca de um senhor, e diz

um para o outro: Vamos

embora que este piso é escorregadio!

— Qual a comida que liga e

desliga? O strogON-OFF

— Qual é o cereal favorito

do vampiro? A-veia

— Por que é que o Napoleão

era sempre chamado

para as festas? Porque ele

era Bom Na Party

— Qual foi a primeira vez

que os americanos comeram

carne? Quando chegou

o Cristóvão Com-lombo

— Andava um gato a vaguear

pela cidade a miar:

- Miau, miau! De repente

aproxima-se outro gato que

faz: au, au! Então o primeiro

gato pergunta: - Por que

ladras se és um gato? E o

outro responde: - Estou a

aprender novos idiomas.

— O que diz uma impressora

para a outra? Essa folha é

tua ou é impressão minha?

— Qual é o contrário de skate?

Molhei-te.

— Um peixe diz ao outro: O

que faz o teu pai? E o outro

responde: NADA. E o teu? -

NADA também.

— Qual o animal que anda

com uma pata? Ora, o pato.

— Perguntaram ao Luís –

“Quanto vale um amigo?”

Ele respondeu – “Não vale

nada. Nunca consegui vender

nenhum!”

— O que diz o livro de Matemática

para o de História?

“Não venhas com histórias,

que já estou cheio de problemas”

— Por que os robôs nunca

sentem medo? Porque têm

nervos de aço.

— Como se chama a neta

do Super Mário? Marioneta.

— Era uma vez um homem

tão alto, mas tão alto, que

comeu um iogurte, e quando

chegou ao estômago, já

estava fora do prazo.

— O que é que uma árvore

disse para a outra? Deixaram-nos

aqui plantadas!

Baptista Soares

(Endireita)

MASSAGISTA TERAPEUTA DE RELAXAMENTO

MUSCULAR DESPORTIVO

MASSEUR UND KÖRPERTHERAPEUT

KLASSISCHE SPORT UND RELAX MASSAGEN

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42 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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POESIA

CULTURA

V MARIA

JOSÉ PRAÇA

https://bit.

ly/37ADsPH

BOM 2022!

Quatro cantos de um mundo que é redondo

E que vai viajando pelos anos

N’esta Era de Cristo que crescente,

Vai andando pelo tempo e vai voando

E em dois mil a chegar a 22

Rebentados em quase novo ano

Vamos crer na força d’outro incenso

Que vista de alegria todo o pranto

Que em cânticos de fé toquem os sinos

Voando em sermões dos campanários

E que façam rebentar constelações

No ventre do sopé das nossas grades.

Bom 2022 !

V JOÃO

LUÍS DIAS

https://bit.ly/

3CDoarx

VIVAM!

Vivam os letrados, os menos formados e os analfabetos.

Mas estes estão ainda a tempo de aprender, se

quiserem e os ensinarem.

Vivam os heterossexuais, os homossexuais e vivam

também os que não são “carne nem peixe”.

Vivam as mulheres e os homens, as crianças e os idosos.

E, já agora, vivam também os “filhos da mãe”. Mas

estes que vivam menos.

Vivam os dentistas, os trapezistas, os músicos, os agricultores.

Mas estes que se deixem de procurar mulher

para casar em programas de televisão, que se sujeitam

a levar para casa uns tamancos, convencidos que ganharam

uns sapatos novos de estilo requintado.

Vivam os gratos, os gatos, os cavalos de puro sangue

e os outros também. Mas os ingratos que vivam longe,

pois nem os animais os querem por perto.

Vivam as vendedoras de flores, os condutores de tratores,

os gigantes e os anões, mas vivam muito pouquinho

os aldrabões.

Vivam os criadores, os sonhadores, os pintores e os

comedores. Mas estes que vivam afastados, para deixarem

os outros comerem também.

Vivam os palhaços, os poetas, os honestos e os trapaceiros.

Mas estes que vão viver “p’ro caralho”. Sim, para

esse lugar, bem lá no alto do mastro do navio, para levarem

com o vento nas trombas.

Viva eu, que também mereço e viva o meu vizinho, que

é boa pessoa.

Vivam todos, mas uns mais perto de nós do que outros.

44 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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POESIA

POESIA

V EUCLIDES

CAVACO

https://www.

facebook.com/

euclides.cavaco

PASSAGEM DE ANO

2021/2022

Este adeus ao ano findo

Que nos deixou má lembrança

Faça com que o ano vindo

Nos traga boa esperança.

É altura de mudança

E traçar-mos novo plano

Com fé e com confiança

Esperar-mos melhor ano.

Festejar a tradição

Este ano talvez mais sós

Respeitando a restrição

Para bem de todos nós.

Demonstrar os sentimentos

Duma forma salutar

Esquecendo os maus momentos

Do ano que vai findar.

Desejar boa entrada

Para o ano sucessor

E celebrar a chegada

Dum Novo Ano melhor.

Que o dois mil e vinte dois

Extremine as pandemias

Brilhando com melhores Sois

A iluminar nossos dias

V CARMINDO

DE CARVALHO

https://bit.ly/3jAnqL2

MAIS UM ANO

Mais um ano

Mais um ano que acabou

E outro que chegou.

Com festejos

Tenta-se esquecer as agruras

As maleitas e desgraças.

Agora, já embrulhados

No novo ano mas ainda com

olhos

Cansados e remelados

Esperamos por coisas boas

E saborosas.

Muitos nascerão

E outros morrerão.

No próximo ano

É mais que certo

Que muitos já cá não estarão.

Então pensa se valerá a pena

A correria.

Lá para baixo nada levas

Nem sequer uma bucha

E uma cervejita para o caminho!

Enquanto andas cá por cima

Come, bebe, sossega

Essa cabeça

Dá folga à mão

E acalma esse teu coração.

1 de janeiro de 2022

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HOROSCOPO

Leão

Troque experiências com colegas e aproveite

as oportunidades. Nas horas livres,

procure recarregar as baterias. Na conquista,

vai se dar bem e até caprichar no

visual. Vida a dois cheia de carinho e calor!

Virgem

A sua ambição vai dar cartas, garantindo

progresso na carreira. Paixão com boas

energias, mas é preciso ter jogo de cintura

e evitar a rotina. No romance, espere aventuras

e até reencontro com ex-amor.

Balança

Se estiver sem emprego, parente poderá

lhe dar dicas. Boa fase para estudar e renovar

o visual.

Escorpião

A sua dedicação ao trabalho será notada

e é provável que consiga um dinheiro

extra. Óptimo momento para fazer uma

fezinha. Siga a sua intuição. Programa

empolgante pode aproximar você da

pessoa amada.

Sagitário

Actuar em equipa será positivo no serviço,

mas não deixe de tomar iniciativas.

Apoio e confiança serão fundamentais

para a saúde do seu romance. Atenção

para um ex-amor, que pode se reaproximar.

Capricórnio

Com foco, pode assumir novas responsabilidades

no seu trabalho. Astral favorável

para acertar pendência em casa.

Vida afectiva feliz. Se estiver só, talvez

uma ex-paixão mexa com os seus desejos.

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Seg. a Sexta. — 08h00 às 20h00

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o mundo numa só casa!

Aquário

Seu sexto sentido ajuda-o a facturar. Espere

boas notícias se lida com clientes.

Amigos vão lhe dar uma força no romance.

O apego com o par estará mais forte,

por isso, controle as explosões de possessividade.

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Carneiro

Bom momento para fechar negócio

ou planear viagem. Melhor ignorar as

fofocas. No romance, o seu bom humor

deixa o astral mais leve. Vai querer

proteger quem ama, mas tome

cuidado com o ciúme.

Gémeos

Foque nas suas metas e coloque os

seus planos em prática sem tirar os

pés do chão. Pode se envolver em

caso secreto se estiver só. Na união,

valerá a pena reforçar a confiança e

pegar leve no seu desejo de posse.

Se você se dedicar à carreira, o seu empenho

será reconhecido. Boa hora para

conquistar amigos e resolver questão

familiar. Fazer cobranças no amor pode

esfriar: cuidado! Tudo azul na sua união.

Grande área

de talho

Touro

Caranguejo

Produtos de todo

o mundo

Sua intuição será sua aliada no trabalho:

use-a para tomar decisões

e captar as intenções das pessoas.

Hora de organizar as contas. Romance

protegido. No romance, espere

um clima de mistério e emoção.

Você vai correr atrás dos seus sonhos

profissionais. Viagem pode

exigir dose extra de atenção. Saia da

rotina para aquecer a paixão. Colega

vai incentivar a conquistar e sua vontade

será se comprometer para valer.

Lanche e take away

(em preparação)

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48 Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu Lusitano de Zurique - Janeiro 2022 | www.cldz.eu

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Actualidade

Novo ano, novas leis na Suíça em 2022

Pessoas do mesmo sexo poderão casar a partir de julho. Copyright 2021 Keystone-sda. All Rights Reserved

O novo ano começa com algumas novidades: leis para diminuir a burocracia,

mudança de nome e gênero e até diminuir os presos abusivos na Suíça.

O que muda em 2022 para o cidadão e cidadã?

Thomas Stephens /Swissinfo (*)

Mudança de gênero

A partir de 1º de janeiro de 2022,

as pessoas que identificarem como

trans ou que expressarem uma variante

de desenvolvimento de gênero

poderão mudar seu gênero e primeiro

nome no registro civil "rápida

e desburocraticamente".

A declaração ao cartório do registro

civil pode ser feita por qualquer

pessoa que esteja "convencida interiormente"

de que não pertence ao

gênero registrado no registro civil,

disse o governo em outubro. Isto

custará 75 francos (85 dólares). Se a

pessoa em questão ainda não tiver

16 anos ou estiver sob tutela geral,

ou se a autoridade de proteção de

adultos tiver ordenado que assim

seja, seu representante legal deve

dar seu consentimento.

Entretanto, o governo apontou que

ainda haveria apenas duas opções

no registro civil: feminino e masculino.

A possível introdução de uma terceira categoria de

gênero ou a completa renúncia ao registro de gênero estão

em discussão.

Casamento entre pessoas do mesmo

sexo

Em setembro, quase dois terços dos eleitores aprovaram

nas urnas o projeto de lei de casamento e direitos de adoção

para casais do mesmo sexo.

Embora esses casais tenham que esperar até 1º de julho

para se casar ou converter sua união civil em casamento,

eles podem apresentar a documentação para que a

bola burocrática comece a rolar antes disso. A partir de 1º

de julho, novas parcerias civis não serão mais possíveis na

Suíça, mas as parcerias civis existentes podem continuar.

Entretanto, uma disposição da nova lei, relativa à propriedade

conjugal conjunta, entrará em vigor em 1º de janeiro.

Ela diz respeito aos casais do mesmo sexo que se casaram

no exterior (cujo casamento é atualmente reconhecido na

Suíça como uma parceria civil).

Preços justos

Boas notícias para os consumidores. A partir de 1º de janeiro,

lojas e serviços on-line estrangeiros não poderão

discriminar os clientes na Suíça.

Em 2017, os defensores recolheram assinaturas suficientes

para uma votação nacional sobre a Iniciativa de Preço Justo.

O Parlamento apresentou uma contraproposta, que os

defensores aceitaram, e que agora entra em vigor.

O núcleo da contraproposta é uma proibição de geo-bloqueio,

utilizada pelos varejistas para impedir que compradores

on-line comprem produtos ou serviços mais baratos

em sites no exterior. Como resultado do redirecionamento

para websites suíços, ou porque os fornecedores estrangeiros

se recusam a entregar na Suíça, empresas e indivíduos

são forçados a comprar produtos de varejistas ou fabricantes

na Suíça, onde os preços são muitas vezes muito

mais altos, ou através de importadores exclusivos.

"Seja em viagens, apartamentos de férias, hotéis, aluguel

de carros ou ingressos para eventos, concertos, parques

de diversão, etc., os clientes da Suíça podem agora reservar

no exterior diretamente sob as mesmas condições que

um local", diz o site de proteção ao consumidor Konsumentenschutz.ch.

"Até agora, muitas vezes eles tinham

que pagar mais pelo mesmo serviço".

Livre-circulação

Também boas notícias para os croatas. A partir de 1º de

janeiro, eles terão os mesmos direitos de viver e trabalhar

na Suíça que todos os outros cidadãos da UE (embora o

governo possa limitar temporariamente seus números).

A Croácia aderiu à União Européia em 2013, mas a Suíça,

signatária do Acordo de Livre Circulação de Pessoas, tinha

até agora optado por não abrir totalmente suas fronteiras

aos seus cidadãos.

Tornozeleiras eletrônicas

Qualquer pessoa afetada por violência doméstica, ameaças

ou perseguição pode agora solicitar que o agressor

seja obrigado a usar uma braçadeira eletrônica ou um dispositivo

de tornozelo.

Assim, sempre será possível dizer o paradeiro do agressor,

que também terá que cobrir os custos. Esta vigilância eletrônica,

que pode ser ordenada por um período máximo

de seis meses, faz parte de uma lei mais ampla sobre a

proteção dos sobreviventes da violência. Os cantões individuais

são responsáveis pela aplicação da medida quando

o considerarem apropriado.

Em 2020, a polícia registrou mais de 46.000 crimes violentos

na Suíça, incluindo mais de 20.000 delitos domésticos.

Cerca de 27.000 crianças e adolescentes são afetados pela

violência doméstica a cada ano.

Multas no exterior dedutíveis

Muiltas impostas no exterior a bancos ou empresas suíças

serão condicionalmente dedutíveis a partir de 1º de

janeiro.

A Lei federal sobre o Tratamento Tributário das Sanções

Financeiras pretende evitar que as empresas sejam utilizadas

como bodes expiatórios para retaliação política entre

governos. Embora as multas impostas na Suíça não sejam

dedutíveis, as impostas no exterior serão - desde que

as sanções sejam contrárias à política pública suíça ou a

empresa possa provar que foram feitos todos os esforços

para agir de acordo com a lei.

A Suíça é um dos poucos países que permite que tais multas

sejam dedutíveis de impostos. Para críticos a medida

apenas irá recompensar o mau comportamento das empresas.

Adaptação: Alexander Thoele

(*) Escrito na variante brasileira da

Língua portuguesa.

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Calendário 2022

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