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Edição de Julho e Agosto 2021

Edição de Julho e Agosto 2021 Nºs 277 e 278

Edição de Julho e Agosto 2021
Nºs 277 e 278

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LUSITANO

de

ZURIQUE

[ JULHO-AGOSTO 2021 | Edição Nº. 278-279 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves | Director-adjunto: Manuel Araújo | Publicação mensal gratuita ]

NENO

Morreu aos

59 anos...

antigo guarda-redes do

Benfica e do Vitória SC,

foi vítima de um ataque

cardíaco.

Pág. 14 e 15

© Nelson Garrido/ Público

EDITORIAL

Comunidade

CULTURA

SAÚDE

Férias, vírus, vacinas e incógnitas

Pág.3

Entrga de donativos das Janeiras

Pág. 8

A verdadeira Saloia da Malveira

Pág. 22

Velhice será classificada como

doença pela OMS Pág. 40


LUSITANO

de

ZURIQUE

EQUIPA EDITORIAL

Director: Armindo Alves

Jornalista CC15 A

Director-adjunto: Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Email: lusitano@gmail.com

COLABORADORES

Aragonez Marques, Carlos Matos Gomes, Carmindo

de Carvalho, Costa Guimarães, Cristina F. Alves,

Daniel Bohren, Euclides Cavaco, Costa Guimarães,

Ivo Margarido, Jeremy da Costa, Joana Araújo, Joaquim

Galante, Jorge Macieira, Manuel Araújo, Maria

dos Santos, Maria José Praça, Natascha D´Amore,

Nelson Lima, Pedro Nogueira, Rosa Moreira

EDIÇÃO, COMPOSIÇÃO E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Tel.: (+351) 912 410 333

Email: manuel.araujo@protonmail.ch

PUBLICIDADE

Tel.: 079 222 09 14

Email: pub.lusitano@gmail.com

IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 3000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

AVISO

VIAGENS DA SUÍÇA PARA PORTUGAL

De acordo com as novas regras que norteiam o tráfego

aéreo para Portugal continental, informa-se que se

mantém a obrigatoriedade da apresentação de teste

para todos os passageiros com mais de 24 meses de

idade, que pretendam viajar por via aérea para Portugal.

Embora continue a ser aceite o já conhecido teste PCR

realizado nas 72 horas anteriores ao início da viagem,

é também aceite o teste rápido de antigénio (TRAg),

realizado nas 24 horas anteriores ao embarque, cujo

comprovativo deve indicar, obrigatoriamente, o conjunto

dos dados normalizados acordados pelo Comité

de Segurança da Saúde da União Europeia.

Os passageiros que embarquem com um comprovativo

de realização de teste rápido de antigénio (TRAg)

que não cumpra os requisitos previstos pela entidade

acima referida, deverão realizar novo teste rápido de

antigénio (TRAg) à chegada, antes de entrar em território

continental e a expensas próprias, devendo de

acordo com as novas normas, aguardar o resultado nas

instalações do aeroporto.

Formulário de entrada em território nacional:

Lista dos testes rápidos de antigénico admitidos:

https://ec.europa.eu/health/sites/default/files/preparedness_response/docs/covid-19_rat_common-list_en.pdf

https://portugalcleanandsafe.pt/pt-pt/passenger-locator-card

Formulário de entrada na Suíça:

https://swissplf.admin.ch/home

NOTA IMPORTANTE:

Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião

dos seus autores e não vinculam necessariamente

a direcção desta revista.

Por discordância, esta publicação

não adopta, nem respeita as normas

do novo inútil Acordo Ortográfico.

Apoio

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EDITORIAL

Vacinas “obrigatórias”

Vem aí o “passaporte de vacinação” europeu!

Armindo Alves

DIRECTOR

JORNALISTA CC15 A

Em diversos cantões as férias

de Verão já chegaram, com

isto quero referir que a maioria

dos emigrantes está de

malas feitas e com ansiedade

de poder novamente abraçar

os familiares e usufruir um

pouco do nosso país.

Infelizmente as notícias que nos

vão chegando não são as melhores,

pois a nova variante Delta do

COVID-19 está a invadir o nosso

país.

A Secretária de Estado das Comunidades

Portuguesas, Berta

Nunes vai mais longe e incentivou

os emigrantes que queiram passar

ferias de Verão em Portugal, a

vacinarem-se. Declarou também

que o certificado digital fará toda

a diferença e poderá mesmo ser

usado em restaurantes e outros

locais. Os vacinados poderão viajar

para Portugal sem fazer teste,

nem mesmo quarentena. Isto é

importante, porque fazer testes

tem custos elevados e a quarentena

impediria diversas pessoas de

sair da Suíça.

Tudo isto é muito bonito, mas

qual é o sentido destas decisões?

Pelo que me apercebo, mais tarde,

ou mais cedo, teremos que tomar

a vacina, mesmo contra a nossa

vontade, porque se não o fizermos,

seremos segregados e não

teremos a liberdade e os direitos

consignados na Declaração Universal

dos Direitos Humanos.

Na minha opinião, não faz sentido

uma pessoa saudável ser obrigada

a ser vacinada, pois, as vacinas estão

ainda numa fase experimental

e não estão devidamente testadas,

pois, os efeitos secundários são

muitos e quase desconhecidos. O

pior, é que ainda ninguém, sabe

com certeza, se as vacinas realmente

fazem o efeito anunciado.

Nenhuma vacina é 100% eficaz,

mas temos que a tomar para viver;

viajar, ir ao cinema, trabalhar, ou

mesmo para ir a um restaurante.

Os vacinados, agora têm um certificado

digital, ou uma aplicação

para o telemóvel que os identifica

como estando inoculados. Quem

sabe, se mais tarde sermos obrigados

tatuar um código de barras, ou

mesmo, ter de implantar um chip

em qualquer parte do corpo...

Eu talvez seja um pouco cabeça-

-dura, mas penso que temos de levar

este vírus a sério, mas sem ter

medo dele. Temos que o enfrentar

com respeito e se todos tomarem

as devidas precauções, a normalidade

voltará lentamente e com o

passar do tempo, teremos o bichinho

controlado tal como está o da

Gripe. É um grande desafio para

a humanidade, mas este não é um

caso único e acredito, que sairemos

desta vez também vencedores.

A prova disso, está ao olharmos

um pouco para os últimos

meses, podemos dizer que já estamos

a aprender a viver esta nova

era, esta nova „normalidade”.!

Com, ou sem vacina, protejam-se,

cuidem-se e sejam responsáveis!

Boas férias!

DEPARTAMENTO DE FUTEBOL

Tel.: 079 222 09 14

Email: armindo.alves@garage-

-mutschellen.ch

RANCHO FOLCLÓRICO

Tel.: 079 549 99 10

Email: rancho@cldz.eu

RESTAURANTE (reservas)

Tel.: 044 241 52 15

CURSO DE ALEMÃO

Tel.: 076 332 08 34

PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO

CENTRO LUSITANO

DE ZURIQUE

Risweg, 1

8041 Zurique

Tel.: 044 241 52 15

Email: info@cldz.eu

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MOTORES

Chip Tuning

V ARMINDO ALVES

O que devemos ter em

conta quando fazemos

uma alteração electrónica

nas centralinas!

As perguntas mais fre-

quentes são:

— Na suíça é autorizado fazer alterações

na centralina do Motor?

— O que devemos fazer para circular

legalmente?

A primeira pergunta é fácil e rápida

de responder, as alterações nas centralinas

são autorizadas, se forem feitas

de acordo com a lei.

Já a segunda pergunta é mais complexa.

As alterações na electrónica do

motor devem ser sempre relatadas e

verificadas. Isso significa que a mudança

para o veículo deve ser aprovada

e registada no documento de

matrícula do veículo. O legislador diz

o seguinte sobre isso; "Todas as alterações

na electrónica do motor que

afectam o desempenho, de ruídos ou

emissões (o chamado ajuste de chip)

requerem aprovação."

O escritório Federal estradal (AS-

TRA) comissionou o DTC (Dynamic

Test Center) em Vauffelin para essas

licenças. Quem fizer estas alterações

sem a devida licença ou sem as devidas

autorizações estão sujeitas a processo

judicial (Processo criminal). O

objectivo deste regulamento é que

os veículos estejam em condições de

circulação e que mantenham a devida

segurança, após a alteração da centralina

e que cumpram todos os regulamentos

relativos ao ruído e gases do

escape.

Hoje em dia encontramos por todo

o lado as alterações electrónicas, mas

muito cuidado, porque nem todos os

programadores têm a patente devida

para efectuar esta categoria de alterações.

É muito importante a escolha

do fornecedor de afinação, tem que

ser fiável, de confiança e estar familiarizado

com a legislação aplicável

na Suíça. Têm que ter as aprovações

de tipo (Typengenehmigung) necessárias

para as afinações oferecidas e

oferecer uma garantia sobre o trabalho

realizado.

Quando alguém faz uma alteração na

centralina a garantia do fabricante do

veículo geralmente expira se a electrónica

do motor for modificada por

empresas externas. E com os veículos

modernos, os fabricantes e as autoridades

percebem isso de forma relativamente

rápida.

As empresas de reprogramação sérias

não oferecem apenas o ajuste do

chip, mas também assumem todo o

trabalho necessário para a aprovação.

Esses fornecedores são membros da

Associação de Comércio Automóvel

da Suíça (AGVS) ou da Associação de

Auto Tuning e Design da Suíça / Liechtenstein

(ATVSL).

Antes de alterar o que seja, aconselho

a informar-se primeiro, pois todas as

alterações que não sejam legais trazem

muitas dores de cabeça. As coimas

são elevadas e levam até mesmo

a apreensão do automóvel.

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MEMÓRIA

Aconselhamento e informações

para pais de

jovens entre a escola e a

vida profissional

Estimados pais

— O seu filho ou a sua filha tem dificuldades

em encontrar um posto de

apendizagem ou interrompeu a formação

profissi.onal?

— Sabe como pode apoiar o seu filho ou a

sua filha na escolha de escola e de pronssão?

— Que ofertas existem para jovens que

ainda não te1Jham uma solução para

depois da escolaridade obrigatória?

— Como funciona na Suíça o sistema

escolar e de formação profissional?

— Onse pode obter informações sobre

outras questões?

Tem estas ou outras perguntas?

Então telefone-nos.

De bom grado lhe damos apoio e. pessoalmente

ou

por telefone, as informações que procura.

Os nossos serviços são gratuitos.

Informações em português:

Maria João Ferreira

079 243 01 66

Tel. 044 242 27 27 • ferreira@sesj.ch

www.sesj.ch

Verein S.E.S.J. — Weberstr, 21 (in

Hof) - 8004 Zürich

1984 - 2021

37anos

Centro Lusitano de Zurique

Centro Lusitano de Zurique

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COMUNIDADE

Olha a Sardinha...

ARMINDO ALVES

Junho é um mês importante para

os emigrantes portugueses: começa

o Verão, os dias são maiores,

as noites são mais quentes,

e as tão desejadas férias do Verão

estão a porta.

Junho é também o mês das festas de

Santo António, São João e São Pedro,

o que é sinónimo de arraiais e, claro,

da típica sardinha no pão.

Este ano, ao contrário do que aconteceu

no ano passado, a festa dos Santos

populares do Centro Lusitano de Zurique

realizou-se pela primeira vez nas

novas instalações, no Sábado dia 26 de

Junho 2021.

Uma festa bem recebida pela comunidade

portuguesa e comunidade de

acolhimento. A música popular ouvia-se

pelas estradas de Leimbach ,

preencheu um papel muito importante,

convidando os presentes e vizinhos

para o bailarico e cantorias tradicionais.

Não faltou o assador à porta de

casa, emanando o cheiro das sardinhas

assadas na brasa, com o caldo verde e

o bom vinho tinto a acompanhar.

Às vezes não é preciso muito para

montar o arraial. Quando todos ajudam,

tudo acontece, é necessário também

alegria e boa disposição e este

ano devo dizer que São Pedro foi a

nossa maior ajuda não deixou que a

chuva arruinasse a festa.

Mais uma festa de grande satisfação,

obrigado a todos que participaram e

ajudaram a realizar e a relembrar as

nossas tradições.

Para o ano haverá mais!

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PORTUGUESES

RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

NÃO IMPORTA

ONDE ESTÁ.

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COM A CAIXA

FICA MAIS PERTO.

Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

email: geneve@cgd.pt

A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

https://reisebuerofelix.ch

CRÉDITOS

PESSOAIS

- PEDIR UM NOVO

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TO ACTUAL

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CRÉDITO

CONNOSCO EM QUAL-

QUER SITUAÇÃO.

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COMUNIDADE

Janeiras

ARMINDO ALVES

Devido à Pandemia, não

nos foi possível fazer a última

entrega da recolha

das Janeiras 2020.

Quando nos foi possível, fizemos

questão em entregar o montante estipulado

pessoalmente. Foi em Maio,

que conhecemos o Tomás, um menino

que fará seis anos em Dezembro, o

qual necessita de ajuda para melhorar

o seu dia-a-dia.

Aos dois anos e meio foi-lhe diagnosticada

uma doença muito rara que não

tem cura. Existe apenas terapias para

melhorar a sua autonomia.

O sistema de saúde português ajuda

um pouco, mas não é suficiente para

as necessidades do Tomás. Se os pais

tivessem mais ajudas, seria possível

ele ter mais horas de terapia com outros

métodos, onde a evolução poderia

ser mais rápida.

Como a doença é muito rara, os pais

vão aprendendo no dia-a-dia, a viver

com a doença do filho. Existem

poucas crianças com a síndrome do

Tomás, pois no mundo só existem

150 casos, principalmente nos Estados

Unidos.

A síndrome da duplicação MECP2,

do Tomás, consiste na produção

de células duas vezes mais, do que

numa pessoa normal. Esta doença,

afecta principalmente rapazes.

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Casa do Benfica

reabriu

COMUNIDADES

A V MARIA DOS SANTOS

Dia quarto de Junho de dois

mil e um, a casa do Benfica em

Lenzburg reabriu a sua porta,

para celebrar finalmente as

boas-vindas, aos seus sócios e

clientes habituais.

Este primeiro serão tinha

com proposta gastronómica,

camarão à descrição.

Como portugueses que somos, não

podia faltar a animação musical que

foi da total responsabilidade do músico

Abel Fava.

As mesas estavam estrategicamente

arrumadas com a distância imposta

pelas normas do Covid 19.

A decoração discreta, mas com requinte,

recebia-nos com simplicidade,

característica conhecida desta casa

do Benfica.

Pontualmente às 19h a cozinha começava

a servir um pequeno aperitivo

composto de pasta de atum, azeitonas,

pão com alho e mexilhão que entreteve

os presentes, até chegar o camarão

cozido.

Abel Fava animou e muito bem o serão

com a música portuguesa e o mais

original e bem-sucedido, foi a iniciativa

dos “discos pedidos” que conquistou

o público presente. “Você pede eu

toco”.

Uma excelente filosofia, para agarrar o

público e fazer uma noite inesquecível

deste serão.

Não se podia dançar, mas todos se deixaram

embalar pelas melodias; aquelas

que nos ajudaram a ultrapassar

a juventude com alguma rebeldia e as

mais recentes da música popular.

Houve momentos que até as cadeiras

tinham vontade de bailar.

Confesso que há muito, muito tempo

não via uma comunidade tão unida,

tão participativa, e tão animada.

Não faltaram sorrisos e gestos de

agradecimento à Casa do Benfica,

confirmo estarmos felizes e que precisávamos

deste convívio, para nos sentirmos

vivos.

Acredito, aliás, quero acreditar que as

portas fiquem abertas e que possamos

esquecer o pesadelo de tantos meses

longe das nossas tradições.

Temos uma responsabilidade acrescida;

fazer renascer a nossa cultura.

O desafio começou, temos agora que

o agarrar e desenvolver, com novas

ideias.

O grupo das 100 pessoas que estiveram

presentes neste serão, contribuíram

indiscutivelmente para que a casa

do Benfica, acredite que tem possibilidades

de continuar o trabalho que disponibilizou

quando da sua abertura.

Somos valentes e queremos estar aqui

representando as nossas cores e a nossa

cultura.

Temos tudo para acreditar que esta

pandemia, foi, é, e será um trampolim

para um novo reinício.

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RECANTOS HELVÉTICOS

Muralha

de Baden

A V MARIA DOS SANTOS

A cidade de Baden é sobejamente

conhecida, por ser a

capital das águas termais.

É nesta cidade que encontramos

as águas mais ricas em

minerais de toda a Suíça.

Os seus banhos, para além de contribuírem

para o nosso bem-estar, levam-

-nos até ao mundo dos tempos romanos

e basta fecharmos os olhos, para

que rapidamente sejamos transportados

para sensações de puro relaxamento.

As piscinas são idênticas aos banhos térmicos

que se usavam na idade média.

Prevalece, ainda hoje, a sua estrutura,

mas muito mais romantizada.

É na charmosa cidade de Baden que

encontramos a ruína, do que, há muitos

anos, foi um Castelo.

São apenas vinte e três quilómetros,

desde a cidade de Zurique, para se deslocar

até Baden e entrar na riquíssima

história desta encantadora cidade.

A subida, incluindo a escadaria, é acessível

a todos.

A vista panorâmica do seu pátio central

sobre a cidade velha é, de facto,

deslumbrante.

É muito frequente vermos turistas,

cidadãos suíços e estudantes a merendar

ou apenas com uma boa garrafa de

champanhe, deixando-se levar por um

belo entardecer.

É um lugar sonhador para quem procura

inspiração e, claro, para os mais

apaixonados e criativos, um jardim

onde a mente e a imaginação pode

voar bem alto.

Diz-se que esta muralha, outrora um

castelo, terá sido construído no século

XI e que, em 1415, sofreu uma massiva

destruição, da qual hoje podemos visitar

como uma das mais bonitas ruínas

da Suíça.

A guerra que por ali passou e devastou

quase tudo, foi entre Cristãos e Protestantes.

A conquista e a vitória, acabou por ser

dos católicos.

Para além destas muralhas, pode ainda

visitar os belos jardins, onde os aromas

invulgares se misturam.

Os parques e as suas gigantescas árvores,

proporcionam um descanso onde

recuperar a energia física, psicológica e

mental é possível para todos.

O Yoga, entre outros exercícios físicos,

fazem parte de quem por lá passa.

A Igreja Römisch Katholische (católica

romana), deve ser também uma paragem

obrigatória.

Um passeio com a sua alma gémea,

através do Limmatsteg, num dia de sol

e céu azul, pode ajudar a tomar aquela

decisão importante da sua vida.

Ou pura e simplesmente descobrir o

seu lado mais desportivo, quiçá também

o mais sentimental.

Para quem queira proporcionar às

crianças uma tarde divertida, têm o

museu Teddybear para visitar e deixar-se

embalar pela criança que ainda

existe dentro de si. A Ponte de madeira

é um dos cartões postais desta atraente

cidade.

Muito existe para visitar em Baden, e

o Grande Casino é o lugar ideal para

finalizar a sua noite.

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COMUNIDADE

Boas Férias Comunidade

A V MARIA DOS SANTOS

Estamos a duas semanas das

tão desejadas férias de Verão.

Chega assim um período de

repouso de um ano, que todos

desejamos esquecer, ou preservar

como lição de vida.

Porque sentimos e aprendemos que

tudo pode mudar, num piscar de olhos.

Sabemos que as medidas de desconfinamento

estão cada vez mais perto do

final.

Temos que ser positivos e acreditar

que faremos um passo certeiro para

podermos sair desta “jaula” sem escancarar

a porta.

Mas será que podemos acreditar que

será mesmo assim?

Poderemos abraçar os nossos? Continuaremos

a visitar os nossos idosos

através de um vidro, sem saber se lhe

podemos dar, quiçá o último abraço?

Sem dúvida que nestes últimos dois

anos passamos por todo a categoria de

experiências, seja ao nível físico, emocional

e/ou psicológico.

Tivemos tempo para reflectir, sentir

as ausência e saber que em menos de

nada, a vida se pode transformar, tanto

no bom como no menos bom.

Em Agosto, estaremos de regresso “a

casa” e queremos todos, que este retorno

entre nos eixos e padrões normais.

Que possamos voltar a frequentar as

nossas Associações, regressar aos treinos,

aos ensaios e que a nossa cultura

abrace de novo todos os projectos que

deixamos órfãos, repentinamente.

Temos estruturas para competir com

este vírus que, se teve por um determinado

momento a capacidade de alterar

todos os hábitos, hoje temos em nosso

poder as ferramentas para começar a

abrir a concha onde nos escondemos.

Apelo ao movimento associativo e

seus associados, que colaborem, participem

e façam reaparecer os eventos

com o cuidado necessário, para nos

sentirmos vivos.

Os ensaios poderão recomeçar, para

que em 2022 possamos reaparecer

mais reforçados com novas danças e,

sobretudo, mais fortes na defesa do

nosso património cultural.

Temos de dar continuidade ao trabalho

que foi feito ao longo de tantos

anos. Deixar morrer o que já foi

construído com tanto sacrifício, seria

a pior escolha.

A Diáspora precisa da nossa união e a

união faz a Diáspora.

Temos que, pouco a pouco, perder o

medo e, com muita responsabilidade,

ressurgir, quiçá no final de 2021, ou durante

o tanto desejado 2022.

A partir do dia 1 de Junho, a Suíça

abrandou as medidas de segurança.

É hora da cultura se reorganizar, para

no próximo ano brilharmos em cima

do palco e termos todos os eventos de

volta.

Não podemos, nem devemos, aceitar

o padrão da negação.

Todos sabemos que os grandes eventos

são realizados pelos nossos grupos

folclóricos, que enchem salas, onde o

convívio é do mais genuíno que existe.

Temos uma cultura que se soube afirmar,

seja na representação etnográfica,

seja na diversão.

Deixar morrer tudo, por uma imposta

pausa de um pandemia, seria triste

demais.

Hoje, e como não podia ser de outra

forma, rendo homenagem a todos os

grupos folclóricos e desejo que encontrem

o impulso necessário, para partir

para projectos que nos enchem de alegria

e bom-humor.

Tenho em vista um plano, que gostaria

de expor com os grupos folclóricos

que regressarem aos ensaios, se lhes

for possível.

Terão a minha vénia, desenhada e escrita,

para um dia mais tarde recordarmos

que o nosso grau de sucesso

depende unicamente do esforço que

fazemos para o alcançar.

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CRÓNICA

Em férias, não percamos

as nossas crianças de vista

V ARAGONEZ MARQUES

Recebi em casa, formato papel, a Revista Lusitano

de Zurique, uma atenção de Manuel

Araújo, o homem das paginações e da criatividade

visual. Abusou um pouco com aquela

foto, que não sei onde a foi buscar (julgo que

de Timor), mas, porque não minto (ou por isso

faço), acabei por gostar, até um pouco vaidoso,

pois estou muito mais gordo atualmente.

Mas foi a capa, o que me atirou para as páginas 14 e 15, onde

um soberbo tiro na justiça de Emilio Costa me fez refletir, até

porque aqui, no vosso cantinho, todos nos preocupámos este

mês com NOAH, um menino com dois anos, um bebé de fraldas

que movimentou um país na agonia da sua procura e que,

vá-se lá saber o porquê, apareceu com vida 36 horas depois, a

dez quilómetros feitos a pé desde a sua residência e que irei

contar.

Noah é um nome sul-americano, usado também no País Basco

em Espanha. Tenho uma sobrinha chamada Noa, com dois

anos, o feminino de Noah, o que ainda mais me levou, a acompanhar

esta história que todo o país viveu.

Os pais de Noah são Leandro Fans uruguaio e Rita, o nome da

minha saudosa mãe, cujo funeral não acompanhei por estar em

Foto: DR

12

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Noah e o cão Melina.


CRÓNICA

Timor e a viagem ser de três dias.

Um golpe que também me fez ver

a vida de outra forma.

Leandro e Rita, têm mais uma filha

e durante anos, numa carrinha

movida a óleo de fritar, percorreram

o mundo.

Eram diferentes.

Acreditavam numa vida livre e sustentável,

paravam em quintas de

agricultura biológica onde trabalhavam

até ter conhecimento de

outra.

Com o nascimento de Noah, desistiram

dessa vida e foram para Lisboa.

Ele, como chef de um conhecido

restaurante da capital, ela, promotora

de eventos.

Mas aquele bichinho de se poder

viver de outra forma, sem ser o de

escravos legalizados nesta vida que

todos aceitamos por subsistência,

não os convencia e pretendiam

criar os filhos no sonho de uma

vida em harmonia com a natureza.

Informados por amigos da net do

evento “ Boom Festival” que se

realiza em Idanha-a-Nova, sede

de concelho, onde encontraram

dezenas de pessoas como eles, que

acreditavam no ideal de uma vida

simples, sem luxos, que podia ser

escrita em rituais de subsistência

em vez de uma bolha capitalista

onde imperava a ganância e o estar

vivo em vez de viver.

Abandonaram os seus empregos

em Lisboa e arriscaram Proença-

-a-Nova, onde já estavam muitos

amigos de muitas nacionalidades,

vivendo mãos dados com a natureza.

Era a sua nova casa e eram felizes.

Noah, com o pai trabalhando nesse

terreno que comprou, saía às 5.30 e

ele ficava na cama, saltando com a

irmã para a cama da mãe.

Muitas vezes, Noah se levantava e

ia ter com o pai, acompanhado da

sua cadela Melina.

Mas chegou aquele dia, o menino

saiu com a cadela e o pai não estava,

tinha ido dar uma mãozinha

a um companheiro que o necessitava.

Noah resolveu procurá-lo com a

cadela e começou o susto.

As televisões noticiaram o seu desaparecimento.

Populares e GNR

começaram as buscas e o tempo

passava com a noite chegando.

Todo o País, este vosso cantinho,

se virou para orações, os noticiários

abriam com Noah, as conversas

eram sobre Noah, Portugal era

Noah.

Foram encontrados sapatos do menino,

roupas, pegadas depois de

atravessar um ribeiro. O cão apareceu

assustado a 5 Km da casa, de

Noah nada.

Todos davam o menino como desaparecido,

falávamos de um bebé.

Passou a noite, começou um novo

dia, este já com pouca esperança,

embora ninguém o quisesse admitir.

Foi com muita alegria que o bebé

Noah foi encontrado, no final do

segundo dia, assustado, sem poder

contar o que se tinha passado. Bem

de saúde, levado em aparato para o

Hospital de Castelo Branco.

Como seria possível? “Ao menino e

ao borracho mete Jesus a mão por

baixo”? Ou algo mais se passou?

Agora cabe à Judiciária apurar factos

e a família em lençóis difíceis

depois de tanto sofrimento.

Depois deste assunto, que terminou

bem no que toca à criança, resolvi

pesquisar os desaparecimentos em

Portugal.

Em 2020 houve 1011 desaparecimentos,

quase 3 menores por dia.

Destes números 10% não são encontrados,

como Cláudia da pedrada

no charco de Emílio Costa.

Baralham-nos com pedofilias, pais

que querem adoptar, mas ninguém

fala do tráfico de orgãos.

Pensem e olho nos putos nestas fé-

rias.

Encontro de Noah com os pais depois de descoberto.

© Pedro Sérgio

Noah

Foto: DR

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13


ÓBITO

Às vezes, Deus é tão

invejoso...

Neno, o palhaço

que nos fazia bem!

DR

Deus, guarda-redes do Céu,

deste cá um peru do qual só

te redimes se lhe confiares a

baliza do Céu.

COSTA GUIMARÃES (*)

Deus roubou-o de nós no dia de

Portugal e da abertura do Campeonato

Europeu de Futebol

(que esperou por ele um ano,

para assinalar a sua partida).

Terá ainda escutado a voz vibrante

de Andrea Bocelli, no majestoso

Estádio Olímpico, a cantar

“Nessun dorma” (Que ninguém

durma), porque na “aurora vencerei”?

14

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu

A sua alegria e o permanente sorriso,

o seu enorme sentido ético e o saber

estar bem com a vida, a enorme facilidade

em comunicar e saber fazer

amigos, o seu gosto pelo canto e pelos

temas do Júlio Iglesias, a sua esmerada

educação e a sua permanente elegância

ficam na nossa memória. Era

assim, o Neno, do qual fui Capelão

Militar no Regimento de Artilharia

de Costa (Oeiras), quando ele era cozinheiro

na Bateria da Parede.

Este Regimento era único: tinha várias

companhias (Bateria na artilharia)

dispersas por Alcabideche, Parede,

Oeiras, Paço d’Arcos, Fonte da Telha,

Trafaria, Albarquel e Outão — indo

desde Cascais, foz do Tejo, até ao

estuário do Sado. O Comandante da

Bateria, o Capitão Morais, de Chaves,

era um bom garfo e quando lhe pedia

uns petiscos, o Neno respondia com

qualidade. Depois, vinha o sossego,

abraçado à sua guitarra, deliciando os

camaradas que não estavam de serviço,

com as músicas de Roberto Carlos

e de Júlio Iglésias. Tinha deixado o

Barreirense, onde se formou e assinado

pelo Benfica, o que lhe conferia

algumas regalias no serviço (treinos e

jogos). Por isso, me espantava a sua

estrondosa simplicidade e humildade.

Numa entrevista a O Observador, em

2017, ele definia-se assim: “eu era o palhaço

dentro do balneário” (cf. www.

encurtador.com.br/tzJ01/).

D. Jorge Ortiga, numa bela mensagem

que te escreveu recordou uma “uma

música italiana que diz que a vida é

somente o primeiro tempo. Esta é a

mensagem que ouso deixar. O primeiro

tempo da vida de Neno terminou.

Teve triunfos, metas alcançadas, derrotas,

assobios, talvez alguns cartões

vermelhos, lágrimas, alegrias e tristezas.

Este tempo terminou. Entrou no

segundo tempo da vida. Aí continua a

jogar num ambiente marcado somente

pelo amor de Deus que lhe testemunha

gratidão e recompensa pelas

jogadas maravilhosas de amor fraterno

e pelas defesas fenomenais dos interesses

de todos quantos necessitavam

da sua música, sorrisos e palavras

amáveis que dirigia a idosos, crianças

e a quem dele necessitava. Esta certeza

de que continua a jogar na segunda

parte da sua vida é serenidade para a

sua esposa, filha, neta e demais familiares.

Não se trata de uma ilusão. Ele

continua a participar do jogo da vida

da família e dos amigos. Agora, com a

certeza de que as derrotas passaram,

que não tem adversários a criticar e

que continuará a torcer por todos e,

particularmente, pelas causas de uma

sociedade que tendo adversários não

deve ter inimigos. Cada um, no lugar

da equipa que ocupa, trabalha pelos

bons resultados de uma Humanidade


EFEMÉRIDE

Juramento de Bandeira 1º turno de 1984 em OEIRAS.

Melhores alunos das diversas Baterias, entre eles destaca-se o

Neno Barros (guarda redes do Benfica, do Victória SC e cantor , e

no pouco tempo que esteve no RAC um grande amigo) 1.º a contar

da esquerda.

Com os seus ídolos; Júlio Iglésias e Eusébio

unida e fraterna, na igualdade e inclusão

de todos, sem racismo ou interesses

mesquinhos que deturpam o jogo

da vida”.

Mas ele foi muito mais para mim,

desde que o conheci como cozinheiro

da Segunda Bateria do Regimento

de Artilharia de Costa, na Parede, em

1983 e 1984.

Mais tarde, como jornalista, encontramo-nos

tantas vezes, quando fazia

os relatos dos jogos do Vitória para o

jornal O Comércio do Porto e recordávamos

esses momentos no RAC.

Quando entrava na sala de imprensa,

vinha sempre ao meu encontro,

dar-me um abraço apertadinho. Os

camaradas de profissão ficavam com

algum constrangimento e ele explicava-lhes.

“não leveis a mal, mas o Guimarães

é o meu capelão”.

Sim, o melhor do Adelino Barros (era

o nome do nosso Cabo em Oeiras) é a

sua disponibilidade total que colocava

a sua voz ao serviço de causas solidárias,

sempre que era chamado por

qualquer associação cultural recreativa

ou IPSS de Guimarães. O Neno é

um grande farol.

Deus gostou tanto dele, da sua vida,

do seu testemunho de alegria e dádiva

aos outros que não teve a paciência

que se espera de Deus. Levou-o

mais cedo. Sem dor ou sofrimento.

Já estava com inveja de nós, da nossa

alegria.

Ó Neno, já disse e escrevi hoje a Deus,

na minha página do Facebook: Deus,

hoje, não ficaste bem na fotografia.

Era tão bom ter o Neno connosco e

tu roubaste-o de nós. És um invejoso,

às vezes. Desta vez foste. Recebe um

abraço eterno, como aqueles que me

davas na sala de imprensa do teu Vitória

Sport Clube.

Positivo, alegre, afirmativo, solidário.

Que mais podíamos pedir-te, como

portugueses!?

Sim. A vida do Neno não foi em vão.

Ele não passou a vida a dormir... na

forma. Deixou-nos uma pesada herança:

todos, tu, eu, nós, vós, temos

uma sociedade nova para construir,

nas freguesias, nas empresas, na política,

nos serviços sociais e no desporto,

com destaque para o Futebol.

No tempo da informação vertiginosa

— em que astros brilham durante

um momento e desaparecem — quero

acreditar que a memória do Neno

não passará facilmente, sobretudo

pelas belíssimas jogadas de solidariedade

e atenção aos outros semeadas

em todos os momentos da sua vida.

Grita bem alto para que

aconteça a aurora de um

mundo melhor. Eu sei que

foste meu amigo e eu também

fui teu: amigos para

sempre!

Neno. Até já!

És um grande emblema

DR - imagens do Facebook do Neno Barros

do Nosso Vitória Sport Clube. Não

digo mais nada. Pode parecer que estou

a falar de mim.

Nesta hora, és tu o craque deste encontro.

Foi tão bom, tão bom, tão

bom, ter-te connosco.

Deus também foi invejoso, com a tua

esposa dele e a sua filha emigrada em

Inglaterra: levou-o-para seres Tu, só

Tu, a apreciar este homem, com H

maiúsculo. Pela primeira vez, Te digo:

não devias ter feito isto. Não devias,

mesmo. Vê lá se Te redimes desta asneirola.

Às vezes, também erras. Como eu,

como nós. Desta vez, deste cá um

frango, que nem Te digo. “Foi um

peru” — para usar a linguagem da

bola. Afinal, até parece que não és

omnisciente. Desculpa lá o reparo.

Mas não podia deixar de Te dizer isso

sobre o meu cozinheiro, na bateria

da Parede, no RAC. Não sei se vou

esquecer este “frango” tão cedo. Há

erros e erros e este foi

grave. Deus, só te redimes

se lhe confiares

a baliza do Céu.

(*) Jornalista,

ex-Capelão Militar

e ex-Director do Jornal

Correio do Minho

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu

15


CRÓNICA

Duas lindas e verdadeiras

histórias de supermercados

© horjaraul

© Pexels

COSTA GUIMARÃES (*)

1

Foram

os dois namorados

ou similares ao

supermercado.

Efectuadas as compras desejadas, ele

disse-lhe:

— vamos pagar ali nas caixas automáticas;

Mas ela foi clara no recado:

— aí não, nunca, porque estás a contribuir

para que quatro ou cinco rapazes

e raparigas das caixas deixem de

ter um posto de trabalho, ajuda para

os seus estudos e realizar os seus sonhos.

Eu estava na fila para as caixas, ouvi

e pensei comigo: que bem pensa esta

rapariga de cabelo rapado nos parietais

(das orelhas até meio da cabeça).

Ele escutou, com a sua t-shirt de basquetebol

e ela com um top onde se

viam várias tatuagens estilho “metálico”

em várias partes do corpo, sem

desprimor. Sem desprimor, sim, porque

estas observações “boomers” (de

cotas), normalmente, caem-nos em

casa.

Atrevi-se um pouco e dei os parabéns

os parabéns à tatuada “metálica”.

— muito bem, menina, é assim

que estas empresas aumentam os

seus lucros, à custa da diminuição

de trabalhadores e automação de

procedimentos. E depois os gestores

recebem milhões d eprémios de

gestão.

A miúda respondeu:

— Olhe, amigo, eu sei muito bem

como tudo se faz. Eu trabalhei aqui

na secção de legumes, hortaliças e

fruta. Com a chegada das balanças,

os clientes são convidados a pesar e

a tirar o tiquete com o preço. Como

este processo teve adesão das pessoas,

sempre apressadas, postas

umas semanas depois, fui despedida.

Comigo foram mais quatro camaradas.

Sobraram os que repõem

os frutos, os legumes e as hortaliças

porque ainda não inventaram uma

forma dos clientes o fazerem. Eles

— os crânios da gestão — não precisavam

de nós. Os clientes acabaram

a fazer o nosso trabalho, como

este marmanjo aconselhava!

E ela, agarrou o namorado (ou similiar)

pelo braço elá se foi para a fila das

caixas manuais mais o companheiro

de compras que não quis ripostar e

fazer figura triste na minha frente.

Ele não encaixou a lição mas eu também

mastiguei em seco: afinal, somos

nós que ajudamos a construir um

mundo melhor ou pior, ou péssimo,

com os nossos gestos.

É tempo de perceber que é urgente

parar de disparar tiros nos nossos

próprios pés.

É mais que tempo. Com coragem!

Porque temos de ser nós a pesar a

manga que queremos levar para casa?

Porque temos de ser nós a ver quanto

custam as cebolas que enfiámos num

saco? Porque temos de ser nós a substituir

quem nos pode colocar as bananas

na balança?

Porque somos uns bananas.

2

Uns dias depois, fui

a um supermercado

mais pequeno — também

com caixas de pagamento impessoal.

Estacionei a carroça e sou abordado

de imediato por uma idosa.

16

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— Dê-me um eurinho, se faz favor.

Olhei a senhora de alto abaixo, desde

os seus óculos já embaciados pela

máscara de protecção, a sua simplicidade

no vestir e pensei com os meus

botões: — é mais uma artista!

Uma jovem que vi entrar num jipão

BMW não a quis ouvir e deitou-lhe

um normal ar de desprezo. Afinal, ela

paga impostos para que o estado dê

o mínimo de Rendimento a todos os

portugueses.

Doeu-me. Voltei atrás e quis ouvir a

sua história. Foi um impulso irrefectido.

— Esta senhora podia ser a minha

mãe, a quem pudesse ter acontecido

alguma desgraça.

E perguntei:

— para que quer um eurinho, minha

senhora?! Um eurinho, hoje, não dá

para quase nada?

— Olhe menino, eu recebi a minha

reforminha de pouco mais de 200

eurinhos, levantei o dinheiro e meti

as notas num avental e não sei que

diacho aconteceu: ou as perdi, ou

alguém mas tirou quando vim aqui

ao Líder fazer umas comprinhas.

Sabe. Menino, eu nunca dei para

a Segurança Social, mas esse santo

que foi o Antoino Guterres deu-nos

alguma coisa para não morrermos

de fominha.

A senhora estava desesperada. Acreditei

na sua História. Dei-lhe o que

tinha naquela altura, aquilo que daria

a minha Mãe.

A senhora, ajoelhou-se, beijou-me as

mãos.

Levantei-a e gritei: mãe! Vai comprar

a tua comidinha, mas não os gastes

mal gasto, Arminda.

— Como sabe que me chamo Arminda,

se eu nem lhe disse o meu nome?

Meti-me na minha carrocinha para

regressar a casa. Ela tinha o rosto da

minha Mãe, por isso, lhe chamei Arminda.

Olhei pelo retrovisor e vi a

menina do jipão BMW, após colocar

as compras na mala do bólide, entregar-lhe

uma nota de vinte euros.

Só pode ter estado a escutar a nossa

conversa.

É bom ouvir. Escutar é melhor. Agir é

óptimo. A menina do jipão BMW não

teve de ir para África para ser uma

grande mulher.

Podemos ser grandes, com os que estão

próximos de nós e, às vezes, tão

semelhantes aos nossos... com tatuagens

ou sem elas.

É preciso coragem para levantar-se e

falar, mas também é preciso coragem

para sentar-se e ouvir — disse Winston

Churchill e não é que estou completamente

de acordo?

CRÓNICA

(*) Jornalista, Ex-Capelão Militar e

ex-Director do Jornal Correio do Minho

Ghttps://www.facebook.com/transportes.fernandes

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17


ENTREVISTA

A cultura é a alma de um povo

José Leão nasceu na freguesia de

S. Joaninha, concelho de Santa

Comba Dão, no distrito de Viseu.

Chegou à Suíça em 1989 fixando

residência por um ano no Cantão

de Uri.

Em 1991, chega à turística cidade

de Luzerne, onde permanece até

ao momento presente.

Cozinheiro na milionária empresa

Bucherer, fundada em 1888, é

lá que se dedica à sua maior paixão.

Cozinhar.

Pai de três filhos que educou com

os seus principais valores de humildade

e respeito, sente que a

sua missão foi alcançada.

José Leão é ensaiador do Rancho

folclórico Terras de Portugal

de Lucerne, mentor em dança

latinas e a sua alegria pela vida

fazem dele um homem de mente

positiva.

Os seus Pais, Tanoeiros de profissão,

souberam e muito bem

transmitir-lhe os valores da nossa

cultura folclórica, culinária e o

gosto pelo canto.

O seu prato preferido é a famosa

sopa da pedra, a sua cor é o verde

e o seu clube o Sporting.

Foi campeão de atletismo em Viseu

no ano 1980.

Vamos então conhecer um pouco

mais este homem, que desborda

respeito, simpatia, alegria, entre

outras.

A V MARIA DOS SANTOS

Maria dos Santos: Quem é o José e quais as orientações

do seu dia-a-dia?

— José Leão: Sou um homem pacato, humilde com

grande força e vontade de continuar a lutar por aquilo

que acredito, família e amigos, vivendo intensamente e

com alegria.

M.S.: A dança de salão é pura magia quando vivida

com paixão. Como e quando iniciou este amor

pelo movimento associado à música?

— J.L.: Desde pequeno que via e ouvia os meus pais

e minhas irmãs a cantar e dançar, incentivando-me, do

qual ganhei gosto, intensificando-se ao longo dos anos.

M.S.: O folclore chegou à sua vida por herança,

ou já se integrou nele em terras helvéticas?

— J.L.: O folclore entrou na minha vida quando eu

ainda era gaiato, na minha terra formou-se um pequeno

grupo de dançares do qual fazia parte, tornando-se

mais tarde um rancho folclórico e etnográfico.

18

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu

M.S.: É bem visível o toque especial de danças de

salão no grupo Terras de Portugal Luzerne. Pensa

que os mais tradicionais podem aceitar esta

diferença com bons olhos?

— J.L.: Sim, tenho essa convicção. Foi necessário


ENTREVISTA

adaptar as novas gerações, gerando

mais interesse a quem dança, a quem

toca e a quem canta, dessa forma podermos

chegar com mais facilidade a

todas a faixas etárias. É importante

manter nossas tradições, não deixando

morrer esta arte que é tão nossa.

M.S.: Pensa que todos os grupos

e mesmo a cultura em geral,

está numa fase de desassossego

devido à pandemia que nos surpreendeu?

— J.L.: Sim, com certeza, a pandemia

veio desestabilizar todo o sector

cultural. Certamente será difícil para

muitos grupos erguer-se novamente.

Infelizmente temos assistido ao longo

dos anos a falta de apoio a todo o

sector cultural, mas esquecem-se de

que a cultura é a alma de um povo e

é o que nos identifica perante outras.

M.S.: Considera que esta paragem

de quase dois anos definirá

o movimento associativo e

os respectivos grupos e secções

que existem?

— J.L.: É algo que se irá tentar perceber

após voltarmos à normalidade.

M.S.: Espreita o perigo de alguns

grupos não conseguirem

a motivação necessária, para enfrentarem

o renascer?

— J.L.: Sim, não será nada fácil esse

novo “renascer”. Cerca de 2 anos é

um longo período para qualquer grupo

desestabilizar-se. Algumas pessoas

acabaram por desistir, outras

regressaram a Portugal, outras construíram

famílias e mudaram para outros

estados e outros acabaram por

ficar afectados pela pandemia, psicologicamente

e fisicamente.

M.S.: O Grupo do qual é ensaiador

Rancho Folclórico Terras de

Portugal Lucerne, tem datas e

um plano para finalizar com ensaios

2021?

— J.L.: De momento não temos

nenhum plano estipulado, nem datas

agendadas. Aguardamos por uma

melhora do quadro pandémico para

poder linear novas acções.

M.S.: Que sonho tem que gostaria

de realizar, seja com o grupo

de danças de salão, seja com o R.

F.T.P.L.?

— J.L.: Tendo em consideração o

cenário actual, o meu grande sonho é

que tudo voltasse à normalidade para

podermos pisar de novo os palcos.

Tenho também como sonho, manter

esta tradição nas gerações mais novas

e no crescimento de ambos os grupos,

sendo uma referência.

M.S.: Que mensagem deixa para

a nossa cultura, em especial

a folclórica?

— J.L.: Que não desanimem, vivemos

um período muito complicado,

mas brevemente tudo irá voltar

à normalidade. Folclore é tradição,

família, amizade, alegria, costumes,

é a alma de um povo. Temos que ter

muita força porque só colectivamente

podemos vencer e seguir em frente.

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adaptados em base ás suas capacidades financeiras, com as mais baixas taxas de

juro, para que possa usufruir do seu dinheiro sem percalços.

Trabalhamos com prestigiadas Instituições bancárias na Suiça. Oferecemos aos

nossos clientes todo o aconselhamento necessário e procuramos sempre a melhor

oferta. Tratamos de todo o processo com total profissionalismo e sigilo absoluto.

A concessão de um credito é proibida se levar a um endividamento excessivo (art. 3).

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu

19


AGENDA

Informações MAPS

Queridos leitores.

O Conselho Federal decidiu novas

medidas de desconfinamento e com

isso acontecem mais eventos no setor

cultural e de lazer. No entanto, é importante

que você siga as medidas de

proteção contra o coronavírus. Mantenha

uma distância de pelo menos

1,5 m de pessoas fora de sua casa, lave

as mãos regularmente e, se necessário,

use uma máscara de proteção

em espaços públicos. Você pode encontrar

uma visão geral das medidas

atuais em vários idiomas em www.

stadt-zuerich.ch/coronavirus. Por favor,

informe-se antes de ir para um

evento. Apesar de tudo, a equipe da

MAPS deseja a você muita diversão!

2.7.2021

EXPOSIÇÃO SOBRE

PINTURA DE CAVER-

NAS (ATÉ 11.07.)

Arte e pinturas rupestres são as formas

artísticas mais antigas do mundo.

No "Museum Rietberg" você

pode ver a exposição "Kunst der

Vorzeit" até 11.07. Maravilhe-se com

a arte rupestre de vários desertos,

montanhas ou cavernas. Ter-dom

10:00-17:00. Qua 10:00-20:00. Entrada

livre com N/F-Ausweis ou KulturLegi

(em vez de CHF 18.-).

Museum Rietberg. Gablerstr. 15.

Tram 7 bis "Museum Rietberg".

http://www.rietberg.ch

3.7.2021

CONVERSA SOBRE

FAMÍLIA E CARREI-

RA

Três mulheres falam sobre o equilíbrio

entre família e carreira e compartilham

seus sucessos e desafios.

Veja aqui e participe da discussão.

13:30. Participação gratuita.

Karl der Grosse. Kirchgasse 14.

Tram 4/15 bis "Helmhaus".

http://www.karldergrosse.ch

4.7.2021

APRESENTAÇÃO

DE

TEATRO

O "sogar theater" apresenta o festival

de teatro "The Legend of Amine

& Amanda" em três noites no mês

de julho. A peça é sobre dois donos

de bares que tratam todos os clientes

igualmente. Uma canção autoral

será cantada e haverá "Hörnli und

Ghackets" para todos. 17:00. O escritório

da MAPS sorteia 2×2 entradas

para a apresentação de hoje ou

do dia 07.07. É só ligar para: 044 415

65 89 ou escrever um e-mail para:

maps@aoz.ch.

Sogar theater. Josefstr. 106.

Tram 3/4/13 oder Bus 32 bis "Limmatplatz".

http://www.sogar.ch

6.7.2021

INFORMAÇÕES PARA

OS PAIS

Você tem perguntas sobre o jardim

de infância, escola ou atividades de

lazer para seus filhos? No "Infocafé"

da "Caritas" você receberá informações

sobre a vida escolar cotidiana

e ofertas na vizinhança em diferentes

línguas todas as terças e quintas-feiras

(exceto durante as férias

escolares). Ter 14:30-16:30 no "GZ

Leimbach". Qui 15:30-17:30 no "GZ

Grünau". Participação gratuita.

GZ Leimbach. Leimbachstr. 200.

Bus 70 bis "Sihlweidstrasse".

GZ Grünau. Grünauring 18. Tram 6

oder Bus 78 bis "Grünaustrasse".

http://www.caritas-zuerich.ch

7.7.2021

APRESENTAÇÃO

DE

DANÇA

Desfrute hoje de uma apresentação

um pouco diferente. Na apresentação

"NIEMANDSLAND" não há

palco e não há intérpretes, porque

o público também se torna parte da

peça. No teatro, você pode se mover

livremente entre sons e ruídos.

20:00. O escritório da MAPS sorteia

2×2 entradas para a apresentação de

hoje, de amanhã e do dia 09.07. É só

ligar para: 044 415 65 89 ou escrever

um e-mail: maps@aoz.ch.

Gessnerallee Zürich. Gessnerallee 8.

Tram 3/14 oder Bus 31 bis "Sihlpost".

http://www.gessnerallee.ch

7.7.2021

CONVERSAS

SOBRE

RELACIONAMENTOS

A "IG Binational" organiza um evento

informativo para pessoas em reunião

familiar, seus parentes e casais

binacionais. O tema de hoje são os

diferentes valores e visões culturais

na educação das crianças. Inscriçnoes

em tpzh@ig-binacional.ch.

19:30 Participação gratuita.

Karl der Grosse. Kirchgasse 14.

Tram 4/15 bis "Helmhaus".

http://www.ig-binational.ch

9.7.2021

SALA DE JOGOS PARA

CRIANÇAS

Na sala de jogos do "GZ Seebach" as

crianças podem construir, deslizar,

escalar e brincar. Venha com seus filhos

(0-7 anos) e troque idéias com

outros pais. Ter/qua/qui 14:00-17:00.

Sex 15:00-17:00. Entrada livre, contribuição

espontânea.

GZ Seebach, Saalobergeschoss. Hertensteinstr.

20.

Tram 14 oder Bus 40/75/742/768 bis

"Seebach".

http://www.gz-zh.ch/gz-seebach

10.7.2021

ASSAR E COZINHAR

JUNTOS

No "GZ Wollishofen" você pode assar

e cozinhar junto com outras pessoas.

Você prepara pratos doces, salgados

ou apimentados e pode levar

as receitas para casa. Inscrições com

sandra.hauser@gz-zh.ch ou 079 552

40 96. 10:00-12:00. Com KulturLegi

CHF 5.- (ao invés de CHF 10.-).

GZ Wollishofen. Erligatterweg 53.

Bus 66 bis "Neubühl".

http://www.gz-zh.ch/gz-wollishofen

11.7.2021

FINAL DA EUROCOPA

2021

Assista hoje à final do campeonato

europeu em Zurique. Vários bares

e pubs estão oferecendo "Public

Viewing" em pequena escala. Por

exemplo, você pode assistir ao jogo

no "Frau Gerolds Garten" e deliciar-se

com um hambúrguer ou um

drink. As reservas não são possíveis

e o número de assentos é limitado.

Portanto, venha o mais cedo possível.

21:00. Entrada livre.

20

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu


JUL/AGO

2021

Frau Gerolds Garten. Geroldstr. 23.

Tram 4/8 oder Bus 33/72/83 bis "Schiffbau"

oder S-Bahn bis "Hardbrücke".

http://www.fraugerold.ch

8.7.2021

CONCERTO

Aproveite hoje o concerto da cantora

e compositora Junes. Ele toca uma

mistura de pop melancólico e jazz.

19:00. Entrada livre.

Mehrspur, Bar. Förrlibuckstr. 109.

Tram 4 bis “Toni-Areal” oder Tram 8

bis “Fischerweg”.

http://www.mehrspur.ch

14.7.2021

NOITE DE CHUR-

RASCO

Hoje ao final da tarde vamos aquecer

o grelhador no centro comunitário

"GZ Bachwiesen". Traga as suas salsichas,

a sua carne, peixe ou legumes

e passe o serão com outras pessoas.

Há bebidas na cafetaria. Inscrições:

b.pina@bluewin.ch. 18:00-21:00.

Participação gratuita.

GZ Bachwiesen. Bachwiesenstr. 40.

Bus 67/80 bis "Untermoosstrasse".

http://www.gz-zh.ch/gz-bachwiesen

16.7.2021

16.7.2021

BAR DE VERÃO

Todas as quartas e sextas-feiras à

noite no "GZ Riesbach" realiza-se

o "Summerbar": há música, vários

jogos como pingpong ou petanca e

também óptimas bebidas. 18:00-

23:00. Entrada livre.

GZ Riesbach. Seefeldstr. 109.

Tram 2/4 oder Bus 912/916 bis "Feldeggstrasse".

http://www.gz-zh.ch/gz-riesbach

17.7.2021

CONCERTO

O "Offene Bühne Zürich" é um

ponto de encontro para músicos de

improvisação, um local onde podem

mostrar as suas capacidades e talento

em diversas bandas. Desfrute destes

concertos únicos ou então participe.

Inscrições para músicos: open.

stage.zurich@gmail.com. 19:00. Entrada

livre.

Werkstatt für improvisierte Musik.

Magnusstr. 5.

Tram 8 oder Bus 31 bis "Bäckeranlage".

http://www.wimmusic.ch/programm

20.7.2021

FITNESS GRATUITO

Treine a sua força e resistência nas

instalações desportivas "Zürifit

Brunau" junto do "Freestyle-Park

Allmend". Pode utilizar bancos, degraus

e o seu próprio peso corporal

para os exercícios. Uma placa informativa

com imagens explica-lhe os

exercícios. Entrada livre.

Zürifit Brunau. Moosgutstr. 11.

Tram 5/10/13 oder Bus 89 bis "Saalsporthalle".

http://www.sportamt.ch/zuerifit

21.7.2021

CRIAR UMA CAÇA

AO TESOURO

Precisa de ideias para as férias de

Verão? Com a App "Action Bound"

pode criar a sua própria caça ao tesouro

ou uma visita guiada instrutiva,

que depois poderá partilhar com

os seus amigos ou familiares, passando

uma interessante e divertida tarde

em conjunto. Informações sobre

a criação da sua aventura disponíveis

no site. Gratuito.

http://www.actionbound.com/

22.7.2021

CENTRO DE APREN-

DIZAGEM DA CARI-

TAS

Tem dúvidas sobre o trabalho e a

formação em Zurique? No evento

"Lernen, um zu arbeiten" pode ver

as suas perguntas esclarecidas em

diversas línguas sobre temas como

o sistema de ensino suíço, a entrada

no mundo profissional e possíveis

áreas de trabalho. Mais informações

e inscrição até 13.07. em www.caritas-zuerich.ch/infobildung

ou 044

366 68 90. 14:00-16:00. Participação

gratuita.

Stadt Zürich Laufbahnzentrum.

Konradstr. 58.

Tram 4/6/13 bis "Museum für Gestaltung".

http://www.caritas-zuerich.ch

18.7.2021

PASSEIO EM RÜS-

CHLIKON

O “Park im Grüene” é um encantador

destino de passeio para toda a

família. Enquanto as crianças brincam

no campo relvado ou no parque

infantil, os pais podem dar um agradável

passeio pelo parque ou descontrair

numa das espreguiçadeiras.

Seg-dom 08:00-18:30. Entrada livre.

Mais informações sobre as actividades:

www.parkimgruene.ch.

Park im Grüene. Alsenstrasse 40,

Rüschlikon.

Bus 165 ab “Bürkliplatz” bis “Rüschlikon,

Park im Grüene”.

23.7.2021

VISTA PANORÂMICA

DE ZURIQUE

A catedral Grossmünster é o símbolo

de Zurique e marcou a história da

cidade. Suba os 187 degraus até chegar

à "Karlsturm" e desfrute de uma

fascinante vista sobre Zurique. Horário

de Verão: seg-sáb 10:00-17:30.

Dom 12:30-17:30. Entrada: adultos

CHF 5.-, crianças e jovens dos 6 aos

16 anos CHF 2.-.

Grossmünster. Grossmünsterplatz.

Tram 4/10/14 bis "Helmhaus".

http://www.grossmuenster.ch

31.7.2021

VISITAS GUIADAS

PELA CIDADE

Diariamente a associação "Free

Walk" oferece diversas visitas guiadas

gratuitas por Zurique, interessantes

e divertidos passeios com

muitas e valiosas informações. Visitas

em alemão ou inglês, em muitos

dias também em espanhol. Por

exemplo, a visita ao centro de Zurique

começa todos os sábados e

domingos às 11:00 na Paradeplatz.

Ponto de encontro: frente ao banco

"Credit Suisse". As visitas têm a duração

de 90 minutos. Participação

gratuita, contribuição espontânea.

Credit Suisse. Paradeplatz 8.

Tram 2/7/8/9/10/11/13 bis "Paradeplatz".

http://www.freewalk.ch/zurich/

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RETRATOS CONTADOS...

Diário de uma avó e de um neto

Alice

Vieira

V NELSON MATEUS (*) - (**)

Nélson

Mateus

uerida Avó,

Nos últimos anos muito se tem ouvido,

e escrito, sobre a “Saloia da Malveira”.

Mas hoje apetece-me falar da verdadeira “Saloia da Malveira”,

a que partiu há 25 anos.

Lembro-me perfeitamente de ver a Beatriz Costa a

contar histórias da sua vida na televisão. As gerações

mais novas não fazem ideia de quem foi Beatriz Costa,

mas os mais velhos recordam perfeitamente esta figura

que não deve ser esquecida.

Ficará para sempre conhecida como a “Menina da Franja”,

uma moda à qual aderiu para se estrear no cinema,

(e à qual também as tuas tias te fizeram aderir, mesmo

que então não tivesses voto na matéria )

Beatriz da Conceição (seu nome de batismo) deu os

primeiros passos no mundo artístico no teatro de revista,

quando subiu ao palco do teatro Éden (sim, o hotel

Éden nos Restauradores, antes de ser convertido em

hotel foi um magnifico Cineteatro). Beatriz da Conceição

sonhava conquistar os palcos. Um ano depois o

fundador do Parque Mayer dava-lhe o nome artístico

de Beatriz Costa, e ela estreia-se no Rio de Janeiro, recebendo

os aplausos do público. Aparece pela primeira

vez no cinema em 1927. Tudo isto há quase um século.

A década de 1930 foi para Beatriz Costa a década do

reconhecimento e da consagração. Para além de muitos

outros trabalhos, foi nos filmes “A Canção de Lisboa”

e “A Aldeia da Roupa Branca” que fez os papéis da sua

vida. São muitos os que ainda têm bem presentes na

A verdadeira

memória as eternas costureira Alice e lavadeira Gracinda.

Personagens não muito diferentes da Beatriz nascida em

Mafra, trazida ainda em criança pela mãe para Lisboa, e

que só aprendeu a ler e a escrever aos 13 anos.

A partir daí, a busca pelo conhecimento nunca mais teve

fim. Em 1960 terminou a carreira de representação e começou

a dedicar-se à sua alfabetização e a escrever autobiografias,

com a ajuda de nomes como Almada Negreiros

e Aquilino Ribeiro.

Recordo-me de a ver (na TV) a falar do facto de ter optado

por viver no Hotel Tivoli (onde veio a morrer a 15 de

abril 1996) e do seu desejo de ser

sepultada no cemitério da Malveira.

Em Mafra, para além de um

Auditório Municipal com o seu

nome, existe ainda o Museu da

“Diva Saloia”, onde está exposto

o legado que a atriz Beatriz Costa

doou ao povo da Malveira.

Foi vontade de Beatriz Costa

que muitos dos objetos de que

se fazia rodear no seu quarto, no

Hotel Tivoli, em Lisboa, fossem

doados ao povo da Malveira. Foi

inaugurado pela atriz no dia 10

de agosto de 1993. Este espólio

está hoje na Casa de Cultura

da Malveira. Foi conferida uma

nova dinâmica à presente exposição

ilustrativa, sob o título

Beatriz Costa: a diva saloia.

Quando for levar-te à Ericeira,

podemos parar em Mafra para

irmos espreitar este testemunho

do amor de Beatriz Costa pelas

suas gentes. Uma vez que até foste

sua amiga, irás gostar de ver

alguns objetos pessoais, recordações

de viagens, ofertas de amigos e admiradores de todas

as esferas, com especial destaque para as suas coleções

de bonecas e burrinhos, assim como por uma substancial

parte documental (fotografias, cartas, recortes da imprensa,

entre outros.

Agora fiquei com imensa vontade de ir à Malveira comer

umas trouxas.

Mete na agenda.

Agora que estamos desconfinados ninguém nos agarra.

Mas sempre com muito cuidado, claro!

Bjs

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Saloia da Malveira

CULTURA

V ALICE VIEIRA (*) - (***)

uerido neto

Para mim, saloia da

Malveira só há uma, a

Beatriz Costa e mais nenhuma.

A primeira vez que vi a Beatriz Costa,

eu tinha seis anos e ela entrava numa

revista do Parque Mayer. Eu adorava

vê-la, batia muitas

palmas, saltava na

cadeira a rir—mas

do que eu gostava

mais era quando a

revista acabava, a

cortina caía, e ela

aparecia de lado,

por detrás da

cortina, com um

penteado igual

ao meu, a acenar

com a mão e a dizer

“adeus, meninos,

até amanhã!”

Até porque eu

pensava que aquele

“adeus, meninos”

era para nós,

a miudagem que

assistia ao espectáculo.

Depois ela desapareceu

dos palcos

e eu nunca

mais me lembrei

dela.

Até um dia, princípio

dos anos 70,

em que eu estava nos Armazéns do

Chiado com a minha filha pequenina.

A Catarina nem era muito de birras

mas, naquele dia, embicou que queria

que eu lhe comprasse uma boneca

que estava numa das lojas. Eu disse-

-lhe que não, tentei sairmos daquela

loja, mas ela não arredava pé, berrava,

berrava, que queria a boneca. Eu

já não sabia o que fazer da minha via

quando, de repente, vejo aparecer a

Beatriz Costa, ali a fazer compras.

Chega-se junto de nós e disse:

“Coitadinha da menina! Quer aquela

boneca, quer? Então eu dou-lhe a

boneca!”

Eu ainda disse que não, que ela tinha

de aprender que não podia ter tudo o

que queria, mas ela não desistia:

“Coitadinha da menina! Como te chamas?

Catarina? O´Catarininha, anda

comigo que eu dou-te a boneca!”

E lá foram as duas.

A minha filha ainda hoje tem essa boneca.

E, algum tempo depois, o jornal

mandou-me fazer uma entrevista à

Beatriz Costa. Fui ao Hotel Tivoli, e

lá ficámos na conversa uma data de

tempo, como duas velhas amigas.

E não, não foi ela que optou por viver

no Hotel Tivoli, como dizes. Um

grande amigo dela, uma pessoa muito

conhecida, de que não vou dizer o

nome mas a quem ela sempre chamou,

mesmo durante as nossas conversas,

o “Sr. Almirante” ( e não, não era o

Almirante Américo Tomás! Nem para

isso ele tinha jeito..,)—que lhe pagou

a estadia naquele hotel, com tudo incluído,

como se fosse mesmo a sua

casa, até ao fim da sua vida.

O quarto não era muito grande e por

isso, de vez em quando, uma das sobrinhas

dela ia lá buscar uma data de

coisas--livros, joias, prendas que lhe

ofereciam, para o quarto ficar com

um pouco mais de espaço. Tudo isso

deve estar hoje no Museu.

Às vezes apareciam pessoas lá no hotel

para a verem. Mas o empregado

da recepção sabia muito bem aquelas

com quem ela queria estar, e aquelas

com quem não queria. E às vezes ela

podia ser muito malcriada para aqueles

de quem ela não gostava e que

(*) Os autores escrevem segundo o Acordo Ortográfico

(**) Jornalista - (***) Jornalista e Escritora

www.retratoscontados.pt

interrompiam a sua leitura, ou o seu

descanso.

Eu tinha sempre entrada mas, mesmo

assim, antes de sair do jornal e ir passar

o resto da tarde com ela, ligava-

-lhe primeiro. Sentávamo-nos sempre

ao fundo do bar, donde se podia ver o

salão inteiro.

Fiz-lhe muitas entrevistas, nem sei

quantas. E ela fazia sempre uma coisa

que mais ninguém fazia (e que eu

aprendi com ela): ligava-me para o

jornal a dizer que tinha gostado muito,

e escrevia um cartão ao director a

dizer que aquela tinha sido uma grande

entrevista e que a pessoa que a tinha

feito era uma grande jornalista.

Lia muito (lia todos os meus livros

e dava-me a sua opinião) e escrevia

muito bem. Era muito amiga do Jorge

Amado e da Zélia Gattai (amigos que

herdei dela), e dava-se com grandes

escritores, pintores, etc )

Até que em 1975 decidiu escrever um

livro de memórias :“Sem Papas na

Língua”, a que se seguiram mais quatro

: “Quando os Vascos eram Santanas”

(1977) ,“Mulheres sem Fronteiras”

(1981), “Nos Cornos da Vida”

(1984), e “Eles e Eu “ (1990)

Nunca se esqueceu do dia dos meus

anos, nem do dia dos anos do meu

marido e dos meus filhos. Escrevia-

-nos muitos postais donde quer que

estivesse—e no dia do casamento do

meu filho mandou-lhe uma lindíssima

colcha de crochet.

Pronto, aí tens a história da verdadeira,

da única, da genuína Saloia da

Malveira.

Já sabes quendo serás vacinado?

Bjs

https://bit.ly/3dvDigl

https://bit.ly/3dvi3Li

https://bit.ly/3tyuFXN

info@retratoscontados.pt

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PUBLICIDADE

Missão Católica de Língua Portuguesa – ZH

Katholische Mission der Portugiesischsprechenden

Fellenbergstrasse 291,

Postfach 217

8047 Zürich

Tel.: 044 242 06 40 7 - 044 242 06 45

Email: mclp.zh@gmail.com

Horário de atendimento:

segunda a sexta-feira das 8h às 13h00 e das 13h30 às 17h

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Legalização da canábis em Portugal:

OPINIÃO

Um Parlamento

cristalizado em 2001

LAURA RAMOS

O Parlamento Português debateu a 9

de Junho, em plenário, a legalização do

uso pessoal de canábis, proposta por

dois partidos, Bloco de Esquerda e Iniciativa

Liberal. Num debate aceso, que

durou quase duas horas, foram precisos

apenas alguns minutos para perceber

que o discurso dos grupos parlamentares

pouco ou nada mudou desde a última

vez que se discutiu este tema, em

2018. Aliás, pode mesmo afirmar-se que

a maioria dos deputados cristalizou o

seu discurso em 2001, referindo até à

exaustão o "exemplo da descriminalização"

das drogas e do quanto Portugal

foi "inovador" e "pioneiro" nas políticas

de redução de danos, sem se dar

conta que 20 anos passaram e, afinal,

continua tudo na mesma. Os projectos

de lei baixaram às Comissões e serão

discutidos na especialidade durante

pelo menos 60 dias.

Num país onde os relatórios do SICAD

- Serviço de Intervenção nos Comportamentos

Aditivos e nas Dependências

- revelam que todos os anos a principal

causa de morte por overdose nos jovens

com menos de 24 anos é o álcool, o tom

do debate foi, mais uma vez, paternalista,

baseado em mitos e desinformação.

A canábis continua a ser o esqueleto

dentro do armário, responsável pelas famosas

"psicoses", que os deputados não

se cansam de invocar, apesar de assentes

numa total ausência de evidência e de

informação actualizada à luz da ciência.

Também não se compreende como é

possível continuar a invocar o exemplo

da descriminalização de 2001, quando

sabemos que todos os dias são detidas

pessoas em Portugal por terem duas ou

três plantas em casa. Estas pessoas, que

obviamente cultivam para seu consumo

próprio para não ter de recorrer às redes

criminosas, continuam a ser presas,

acusadas de tráfico de estupefacientes e

constituídas arguidas perante um tribunal

que as obriga a um termo de identidade

e residência, com apresentações

semanais numa esquadra da polícia, e

a pagar multas pesadas. Como se justificam

todos estes custos para o Estado

com operações policiais e processos em

tribunais? Recorde-se que, dos 9353 processos

de contra-ordenação por consumo

de drogas e indivíduos indiciados em

2019, 7711 foram por posse de canábis,

632 por cocaína, 332 por heroína, 89 por

ecstasy e 33 por outras drogas (dados do

relatório do SICAD, 2019, pág. 16). De

salientar que do total de indivíduos indiciados,

90% tinham um "perfil de consumo

não toxicodependente".

Afinal, que descriminalização foi esta?

Talvez tenha sido para "inglês ver" ou

então para se citar à boca cheia em comissões

ou debates parlamentares. Sim,

fomos pioneiros e inovadores em 2001,

quando passámos a tratar as pessoas dependentes

de drogas como "doentes".

Mas em 2021 continuamos a criminalizar

e a humilhar os adultos que optam

por utilizar canábis, quando sabemos

que não há, nem nunca houve, overdoses

associadas a esta planta, e mesmo depois

de a ONU e a OMS terem reconhecido

o seu potencial terapêutico.

Em Portugal, falta um debate sério sobre

este tema, com pessoas que realmente

percebam do que estão a falar. Mais 20

anos poderão passar, que os deputados

do Parlamento Português continuarão

cristalizados em 2001, invocando o incrível

"exemplo internacional em termos

de políticas de drogas", provando apenas

que as aparências iludem e que da teoria

à prática vai uma grande distância.

Canadá:

Mercado legal ultrapassa

mercado

ilícito

LAURA RAMOS

A diferença entre os mercados

legal e ilegal de canábis

no Canadá continua a aumentar,

segundo os dados

mais recentes do Statistics

Canada, tendo o mercado legal

ultrapassado o ilícito no

terceiro trimestre de 2020,

noticiou o Marijuana Business

Daily. No final de 2020,

quase 6,2 milhões de pessoas

com 15 anos ou mais, ou 20

por cento dos canadianos

nessa faixa etária, relataram

ter usado canábis nos últimos

três meses.

Os gastos das famílias com

produtos de canábis para

uso adulto em canais regulamentados

aumentaram

para 918 milhões de dólares

canadianos (622 milhões de

euros) em 2020, mais 138 milhões

de euros do que o valor

estimado gasto com canábis

ilícita no mesmo período. A

despesa com canábis recreativa

legal ultrapassou, assim,

as transações do mercado

negro, tendo beneficiado da

abertura de lojas especializadas

e da venda a retalho dos

produtos relacionados com

canábis em 2020, após a legalização

total.

Leia estes e outros artigos em

WWW.CANNAREPORTER.EU

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POSTAL DO DIA

Uma longa madrugada

LUÍS OSÓRIO

1.

No final do seu último discurso

no congresso do Chega, André

Ventura ameaçou limpar

o país.

Prender dirigentes políticos.

Perseguir quem não for

sério.

Despoluir o país da esquerda.

Ao longo do congresso disse

mais.

“Um bandido é um bandido e

não temos medo de o dizer”

E fez mais.

Ajoelhou-se em palco e fez uma saudação

fascista – dizendo que não é

uma saudação fascista.

E recebeu Salvini com centenas de

pessoas em apoteose – o mesmo Salvini

que irá a julgamento no seu país

por ter recusado ajuda a quase 200

seres humanos sedentos e esfomeados

às portas de Lampeduza – homens,

mulheres e crianças que ficaram

à mercê do mar durante quase

um mês.

2.

E citou Francisco Sá Carneiro

(imagine-se)

E Nossa Senhora de Fátima.

E tornou a falar da prisão perpétua,

da esterilização, dos bandidos a

quem se recusa a pedir desculpa mesmo

depois de saber que, afinal, não

eram bandidos, mesmo depois de ser

condenado pelo tribunal.

E o que ele ameaçou.

E gritou.

E o que ele prometeu.

Limpeza.

Ajuste de contas.

Justiça.

Revolução.

Tudo isso e muito mais quando atingir

o poder.

“Porque no próximo congresso espero

poder dirigir-me aos militantes

fazendo parte de um governo”.

3.

Se tal acontecesse, se um dia ele for

poder, também eu serei perseguido.

Os textos que escreveria deixariam

de ser possíveis.

O movimento seria implacável.

Primeiro uma limitação às liberdades,

depois mais limitações, depois

uma revisão constitucional, depois o

controle das Forças Armadas, umas

escaramuças, uns interrogatórios, a

limpeza.

E ninguém poderá dizer que não sabia.

Ninguém poderá dizer que Ventura

escondeu dos portugueses o que deseja,

ninguém poderá proclamar que

escondeu ao que ia.

Porque ele diz todos os dias ao que vai.

4.

André Ventura está longe de ser

parvo. Não o podemos ou devemos

desvalorizar. Não tanto

por aquilo que diz, mas por

aquilo que naturalmente

é. Se o olharmos vemos

que nada lhe assenta

bem. O fato não parece

à sua medida, a

cara é baça, o sorriso

desafia permanentemente.

Ele não acredita

em nada do que

diz (poderia dizer o

contrário com igual

convicção), mas é o

que os seus votantes esperam

que seja.

Não parece de lugar nenhum.

E se o que veste não lhe assenta,

ou se a sua cara é baça, é por ser um

homem que veio rebentar com o

que existe para construir um mundo

novo sem gananciosos, corruptos,

bem-vestidos ou caras bem-postas.

É este o seu principal trunfo.

5.

André Ventura fala para os desenraizados.

Como todos os ditadores

e populistas antes dele. Fala para os

que acham já não ter nada a perder.

Para os que estão desiludidos com

tudo (a começar com a sua própria

vida). Para os ressentidos para quem

a culpa está sempre nos outros. Para

os que só se sentem vivos se estiverem

a despejar desejos de vingança.

Para os que atiram a primeira pedra.

Para os que acham ser especiais e diferentes

da escumalha que nos trouxe

até aqui. Para os que acreditam

que tudo seria fácil de resolver, como

tantas e tantas vezes tenho ouvido

proclamar.

6.

André Ventura não será nunca poder.

Mas se o for, se os portugueses lhe

oferecerem tal possibilidade, por absurdo

que possa parecer, será uma

longa madrugada, um longo Inverno.

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CRÓNICA

A indústria de falsificações

do Estado Novo

PACHECO PEREIRA (*)

Numa altura em que a direita

radical tenta recuperar o conjunto

da sua história no século

XX, ou seja, os 48 anos

em que governou Portugal

em ditadura, porque precisa

de reforçar a sua legitimidade

limpando-se do seu passado,

para demonizar à vontade

o dos “outros”, vale a pena

olhar para o que foi esse período

negro da nossa vida

colectiva. Ou pensam que foi

a esquerda que governou de

1926 a 1974? Como se diz em

português plebeu, lata para

dizerem isso têm.

Uma das técnicas é dizer que o regime

da ditadura – a que não chamam

assim, como é obvio – foi “indefensável”.

De passagem, como se come um

peão no xadrez, brevemente e sem

consequências na economia do discurso,

para depois não dizerem uma

linha, uma palavra, um “mas”, mesmo

de circunstância, sem mencionar a ditadura,

as prisões e a repressão, a censura,

e os milhares de mortos da guerra

colonial durante a módica quantia

de 48 anos. Terra de leite e MEL, com

um pequeno problema, que é “indefensável

no plano político”, mas nem

sequer se diz porquê, porque estragava

o resto, o que é “defensável”. O que

está implícito é que em muitas outras

matérias é “defensável”. Foi isto que

fez um académico numa intervenção

estritamente política e com muito

pouco de académico, Nuno Palma,

no MEL. No sentido weberiano percebe-se

bem de mais o mecanismo da

empatia com aquilo que é eufemisticamente

classificado apenas como o

Estado Novo. E desafio o Polígrafo

a desmentir-me.O problema do contexto

é iludido e, neste caso, o contexto

é tudo. Não faltam exemplos do

contexto que, esse sim, falta aqui. Só

(Números falsos do Avante!, de O Jovem, da FPLN, e um

comunicado com falsas biografias de candidatos da oposição)

a Censura tinha uma história longa e

exemplar para contar, mas não havia

só Censura, havia falsificações, fake

news, com a publicação pela Legião

Portuguesa e pela PIDE de documentos

falsos, disfarçados de verdadeiros.

Era uma prática muito comum, que

abrangia panfletos com assinaturas

falsas, exemplares falsos de jornais

clandestinos e cartazes com imagens

manipuladas, de que os que aqui reproduzo

são meros exemplos. Desde

Salazar, mentindo publicamente sobre

o assassinato de Delgado, ao legionário

da esquina, a falsidade era o

corrente. A falsidade, a calúnia e a difamação

como instrumento de ataque

aos opositores.

Dos exemplares que reproduzo acima

um é particularmente repulsivo,

a “biografia” de Mário Sottomayor

Cardia. Cardia é acusado de roubar

dinheiro nos vestiários da Cidade

Universitária para ir cear ao restaurante

Mónaco, de onde saía embriagado,

e de ter sido protegido pela

PIDE por ter participado num atentado

à bomba. Tenho a certeza, mas

tenho mesmo a certeza, que haverá

quem leia isto hoje e pense: “Se calhar

era mesmo verdade.” Hoje, em 2021,

porque quando este papel imundo foi

feito quem o lia percebia que a PIDE

ou a Legião estava a fazer o seu trabalho

sujo. Do modo como as coisas

estão, era mais inócuo lê-lo em 1969

do que hoje.A coisa repugna-me em

particular, porque Sottomayor Cardia

foi nesta altura preso e espancado

pela PIDE, provocando-lhe um deslocamento

de retina. Cardia era um

homem tão franzino, como corajoso,

e a violência contra ele é por si só uma

“marca de água” da brutalidade da ditadura

“indefensável”. Aliás, a mesma

propensão dos valentes polícias e pides

para baterem em homens de constituição

frágil provou-a Urbano Tavares

Rodrigues. E, em bom rigor, muitas e

muitas centenas de comunistas, anarquistas,

oposicionistas, ou inocentes

apanhados por engano, como os primeiros

acusados do atentado a Salazar

que, como é óbvio, “confessaram”.

Eu, aos do MEL, do Observador, dos

novos think tanks e da galáxia comunicacional

cada vez mais vasta, percebo-os

bem de mais. Esmagados pela

ditadura férrea do PS, do PCP e do

BE, e pela inoperância da “direita fofinha”,

ou seja, o PSD, o que os irrita é

não poderem assumir uma inocência

que a sombra dos 48 anos de governo

da direita em ditadura lhes tira. Mas

em conclave estão cada vez mais à

vontade para louvar essa direita não

fofinha que nos protegeu do comunismo

durante quase todo o século XX.

Eles pensam que são muito corajosos

combatentes contra o ditador António

Costa, mas são apenas lampeiros.

Grandes palavras tem o português. E

ouçam-se as palmas – aliás, o padrão

das palmas no MEL é idêntico em todos

os oradores, de Ventura a Sérgio

Sousa Pinto –, que são o retrato da audiência

na sala, do que quer e do que

lhe interessa. E esse padrão é muito

mais sinistro do que tudo o resto.

Não se ponham a pau…

(*)Historiador - in Público

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu

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AGRICULTURA

Tem terrenos florestais

abandonados?

Arrendamento forçado de prédios rústicos entrou em vigor a 1 de Julho

A CIENTISTA AGRICOLA (*)

O regime jurídico do arrendamento

forçado de prédios rústicos entrou

em vigor a 1 de Julho de 2021. Diz

o Governo que “em face deste contexto

actual, de planeamento e de

medidas de apoio aos proprietários,

não se justifica (…) a permanência

de propriedades sem gestão ou

sem a sua adaptação ao risco de

incêndio”, sendo fundamental dotar

o Estado de mecanismos que “permitam

substituir-se ao proprietário

em acções de execução substitutiva,

face à inércia daquele, tornando

efectivos os instrumentos que

existem e, se necessário, adoptando

novas medidas que responsabilizem

os proprietários rurais pela gestão

das suas propriedades”.

Segundo o Decreto-Lei n.º

28

Lusitano de Zurique - Julho/Agosto 2021 | www.cldz.eu

52/2021, o arrendamento forçado

e disponibilização de prédios na

bolsa de terras recai sobre prédios

rústicos objecto de operação integrada

de gestão da paisagem. Os

prédios rústicos e os prédios mistos

sem dono conhecido e que não estejam

a ser utilizados para fins agrícolas,

florestais, silvo-pastoris ou de

conservação da natureza, podem ser

disponibilizados na bolsa nacional

de terras.

No diploma, o Executivo realça que

o seu programa “prevê medidas concretas

para promover o aumento da

área florestal gerida, a reconversão

e a densificação da área existente

para espécies mais adaptadas ao território,

tendo em vista a prevenção

de riscos, em especial de incêndios,

a criação de incentivos económicos

para projectos de sumidouro florestal

e outras actividades no domínio

silvícola e agroflorestal que promovam

o sequestro de carbono e, assim,

a promoção da adaptação dos

territórios às alterações climáticas”.

E acrescenta que, durante décadas,

em áreas significativas do território

nacional, sobretudo naquelas em

que predomina a pequena propriedade,

o despovoamento e o desaparecimento

das actividades agrícolas

tradicionais deram origem a um

progressivo alargamento do uso florestal,

muito dele espontâneo e não

gerido, que redundou na existência

de extensas áreas contínuas de povoamentos

florestais em monocultura,

com grande concentração de

combustível em sub-coberto e forte

exposição ao perigo de incêndio.

(*) Agricultura e Mar


ESPECTÁCULO

“Coisas Simples

de Zezé Fernandes”

Disse um dia Charles Chaplin: “A simplicidade não é uma coisa simples”.

Simplesmente notável!

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Rumo a

Sintra e ao

Porto – 02

ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO

Começámos a publicar as memórias

que estão na origem das 23 canções

que vamos apresentar a 24 de Julho

no Centro Cultural Olga Cadaval,

em Sintra, e no dia 31 de Julho na

Casa da Música do Porto.

É a estreia dos concertos PERSONA À

FLOR DA PELE, que inclui no alinhamento

21 canções editadas, um clássico e

um inédito. Vamos à primeira.

02. (VIVO) NA FRONTEIRA

(Letra: António Manuel Ribeiro; Música:

Renato Gomes & António Manuel

Ribeiro)

Há 40 anos, e durante muito tempo, os

singles que eram extraídos como avanços

dos LPs (álbuns de vinil) tinham

amiúde um lado B inédito. Antecipando

a estreia do disco grande, esse lado B era

uma canção ‘secundária’, mas muitas vezes

uma preciosidade para melómanos.

Não foi por acaso que a escolhi para integrar

a colectânea “Eternamente” (1999).

Em 2005, o grupo parisiense de luso-descendentes

Pat Kay & The Gajos editou

uma versão no disco “Montmartre”.

Como tínhamos um recruta na peluda

(Renato Gomes) fui ‘autenticamente

obrigado’ pelo Nuno Rodrigues (produtor)

a safar o solo – e correu muito bem.

Era urgente fazer sair o single guardando

as oito pérolas do “À Flor da Pele”.

Ingressos à venda nos locais e em:

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Férias

CULTURA

Palavras Cruzadas

V PAULO FREIXINHO

Horizontais:

1. Verão. 4. Calor muito forte. 11. Filho de burro e

égua ou de cavalo e burra. 12. Malhadouro. 13. Querido.

15. Pessoa que está a banhos em praia. 17. Terceira

nota musical. 18. Aguardente de cereais. 19.

Fímbria. 20. Tântalo (s. q.). 21. Bário (s. q.). 22. Cetáceo

afim do golfinho. 23. Cento e um em numeração

romana. 24. A parte interior e mais dura do lenho das

árvores. 26. Combinar ou ajustar sob palavra. 30. Autores

(abrev.). 32. Temperatura ou outras condições

atmosféricas de uma região. 33. Agitação das ondas

do mar. 37. Deslocar-se no ar. 38. Idade. 39. Ligação

(fig.). 41. Campeonato profissional norte-americano

de basquetebol. 43. Espuma do mar. 44. Crómio (s.

q.). 45. Preposição que designa posse. 46. Caminhava

para lá. 47. Batráquio. 48. Observava. 50. Fileiras.

51. Grande desordem. 53. Atmosfera. 54. Argolas. 55.

Meter em mala. 60. Prefixo (afastamento). 61. Prazer

que se sente com o que é fresco. 64. Onda dos

rios. 67. Suspiro. 68. Óxido de cálcio. 69. Aumenta

a velocidade. 70. Quando faz calor é tempo dela (mas

cuidado com o sol).

Verticais:

1. Não obstante. 2. Transpirar. 3.

Ínsula. 4. Menciona. 5. Altar. 6.

Sódio (s. q.). 7. Tomba. 8. A unidade.

9. Grande extensão de água

cercada de terra. 10. Protela. 12.

Passar o verão em sítio fresco, veranear.

14. Dez mais um. 16. Sufixo

Internet (Holanda). 17. Oceano.

21. Verão (em mirandês). 22.

Que não é imaginário. 23. Estrato.

24. Pequeno crustáceo decápode.

25. Antigos navios de vela, de

guerra ou mercantes. 27. Computador

Pessoal. 28. Início do crepúsculo

matutino. 29. Atilho. 31.

Estrela que nos dá luz e calor. 34.

Cilindro. 35. Planta trepadeira.

36. Vaga. 40. Tornar volumoso ou

balofo. 42. Lindo. 43. Expressão.

44. Pequena habitação ou moradia

para recreio, no campo ou nas

praias. 46. Que tem a cor da camurça.

49. É inconstante. 51. Enrubescer.

52. Ente. 56. Dar mios.

57. Procedia. 58. Grande caixa

com tampa plana. 59. Alguma.

60. Centésima parte do hectare.

62. Crença. 63. Onda nos estádios.

65. Antes de Cristo (abrev.).

66. A ti.

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NEUROCIÊNCIA

A doença

antes

de a sentirmos

V NELSON S. LIMA (*)

Todos já demos conta que

a economia "mexe" com as

pessoas também no campo da

saúde. Estamos tão dependentes

do trabalho (onde ganhamos

dinheiro) e do consumo

(onde gastamos dinheiro) que

qualquer perturbação no seu

equilíbrio pode causar medos,

desânimo, stress, desgaste e,

como consequência, doenças

que, muitas vezes, podem ser

graves.

Paralelamente também às crises pessoais

de natureza financeira (perda de

emprego, salários e reformas baixas,

descapitalização de empresas e de famílias,

etc.) convivemos também com

uma outra crise, em simultâneo: a da

mudança generalizada e rápida que

está a ocorrer em muitos sectores da

sociedade.

Isto conduz a cada vez mais casos de

"crises de adaptação" (mudança de

estilo de vida, mudança de "status",

mudança de emprego, desemprego,

emigração forçada, etc.). Atrevo-me

a dizer que mais de 80% das doenças

orgânicas têm uma ou mais causas

psicológicas (fixei este número num

congresso médico).

Se a medicina levar a sério que cada

doença tem um doente com uma vida

por detrás de uma queixa física acreditarei

então que o estudo das doenças

(etiologia) e a sua prevenção terão um

maior sucesso.

Lembro-me de ter lido Norman Cousins,

jornalista e activista, esta observação

muito a propósito:

"É o respeito do médico pela alma

humana que determina o valor da sua

ciência".

(*) Professor de Neurociência

- https://bit.ly/3jlGc6P

Pensar e falar sem medo

V NELSON S. LIMA

É tempo de cultivar o

pensamento!

Imagine que você vivia no ano

1600 e tinha percebido que a Terra

não era o centro do Universo.

Sabe o que lhe aconteceria? Por-

-lhe-iam uma máscara de ferro

para não poder falar e, por fim,

seria queimado até à morte. Ora

aconteceu isso mesmo ao italiano

Giordano Bruno. A Igreja

Católica, que se assumia como

detentora de toda a verdade,

condenou-o à morte por heresia.

Agora, imagine que vivia em 1633 e

tivesse dito a mesma coisa. Seria levado

ao Tribunal da Inquisição da Igreja

Católica e condenado a ir para uma

masmorra donde só sairia se assinasse

um documento a negar o que você

havia proferido. Pois foi o que aconteceu

a Galileu.

O problema, meus amigos, é que ainda

hoje vivemos muitas vezes com

medo de exprimirmos as nossas teorias,

os nossos conhecimentos, as

nossas ideologias, as nossas crenças e

até os nossos pensamentos criativos

e ousados.

Ainda vigora muita inquisição um

pouco por toda a sociedade: em muitas

famílias, nas escolas, na administração

pública, na política e até na

ciência.

Quando poderemos ser livres pensadores?

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MEMÓRIA

Morreu o Neno

Fiquei triste!

MARIA JOSÉ PRAÇA

Era sobrinho de uma Colega, Amiga que também

partiu cedo...

Através dela os meus Alunos convidaram-no e o

Neno acedeu e visitou-nos.

Respondeu a perguntas, deu autógrafos, ofereceu

bolas e arbitrou um jogo que engendrou com os

miúdos para lhes explicar as regras...

Os garotos ficaram felizes e hoje, ao ouvirem a

notícia, hão-de sorrir para o Céu!

A Vida é isto,

é o momento

”O problema para mim não existe...

Existe a solução.

Porque a vida é isto, é o momento.

Eu tenho que viver, eu tenho que ser feliz...

Eu vim ao mundo para ser feliz.

Nós todos viemos para ser felizes.”

NENO

O Neno.

Quem Era (aquela que

eu amo) – Neno

ANTONIO MANUEL RIBEIRO ( UHF)

Passaram quatro dias sobre o desaparecimento

físico de um companheiro da arte musical (Luís

Duarte) e eis que outra notícia chega sobre a morte

súbita de um homem que juntou à alegria de jogar

futebol a vontade de subir aos palcos e cantar.

Tudo está (e bem) a ser dito sobre este coração grande

com um sorriso do tamanho do sol nascente. Deixo-vos a

minha pequena estória com o Neno.

A meio da década de ’90, estávamos nós na multinacional

discográfica BMG, recebi uma chamada do Pedro Oliveira

(director de marketing) a pedir-me que escrevesse

uma canção original para o Neno – ia gravar finalmente

um disco.

Sabia do apreço que ele tinha por Júlio Iglésias (que também

foi guarda-redes do Real Madrid) a quem se chegou

a juntar em palco no estádio do Bessa e mais tarde no

estádio da Maia. Pensei no ambiente romântico que se

pretendia e escrevi a canção “Quem Era (aquela que eu

amo)”. Enviei a maqueta para o Ramon Galarza, que fez a

orquestração e produziu o CD do estúdio TCHA TCHA

TCHA.

Um dia, o Neno ligou-me para me agradecer e combinou-

-se uma viagem musical a Cabo Verde, que acabou por

não acontecer. Há meia dúzia de anos voltámos a estar

juntos num espectáculo colectivo de apoio a uma corporação

de bombeiros do Norte, necessitados de todas as

ajudas para suprirem os meios que as chamas reduzem a

cinzas. O abraço e o sorriso eram a revelação humana de

um viajante que honrou a vida. Palmas para o homem que

voou entre os postes e deu voz à canção.

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HUMOR Quem não sabe rir, não sabe viver”

Autoridade

Um policia vai a uma propriedade

e diz ao dono, um velho

agricultor:

– “Preciso inspecionar sua

propriedade. Há uma denúncia

de plantação de canábis.”

O agricultor diz: – “Ok, mas

não vá àquele campo ali.” E

aponta para uma determinada

área.

O Polícia diz indignado: – “O

senhor sabe que tenho o poder

da autoridade comigo?” E

tira do bolso um crachá mostrando

ao agricultor: – “Este

crachá dá-me a autoridade de

ir onde quero…. e entrar em

qualquer propriedade. Não

preciso pedir ou responder a

nenhuma pergunta. Está claro?

Fiz-me entender?”

O agricultor, muito educado

pede desculpa e volta para o

que estava a fazer.

Poucos minutos depois, ouve

uma gritaria e vê o agente de

autoridade a correr apavorado

para salvar e sua própria

vida perseguido pelo Marcelo,

o maior touro da quinta.

A cada passo o touro vai chegando

mais perto do agente,

que parece que será apanhado

antes de conseguir alcançar

um lugar seguro.

O agricultor larga as ferramentas,

corre para a cerca

e grita com toda a força dos

seus pulmões:

O crachá, mostra-lhe o crachá!

Não discuta com

burros

O burro disse ao tigre:

- A erva é azul “.

O tigre respondeu:

- Não, a erva é verde “.

A discussão aqueceu, e os

dois decidiram submetê-lo a

uma arbitragem, e para isso

concorreram perante o leão,

o Rei da Selva.

Já antes de chegar à clareira

da floresta, onde o leão estava

sentado no seu trono, o burro

começou a gritar:

- Sua Alteza, é verdade que a

erva é azul?”.

O leão respondeu:

- Certo, a erva é azul “.

O burro apressou-se e continuou:

- O tigre discorda de mim e

contradiz-me e isso incomoda,

por favor, castigue-o “.

O rei então declarou:

- O tigre será punido com 5

anos de silêncio “.

O burro pulou alegremente e

seguiu seu caminho, contente

e repetindo:

- A erva é azul “...

O tigre aceitou sua punição,

mas antes perguntou ao leão:

- Vossa Majestade, por que

me castigou?, afinal a erva é

verde “.

O leão respondeu:

- Na verdade, a erva é verde “.

O tigre perguntou:

- Então, por que você me

pune?”.

O leão respondeu:

- Isso não tem nada a ver

com a pergunta de se a erva

é azul ou verde. O castigo

acontece porque não é possível

que uma criatura corajosa

e inteligente como você perca

tempo discutindo com um

burro, e ainda por cima, venha-me

incomodar com essa

pergunta “.

A pior perda de tempo é discutir

com o tolo e fã que não

se importa com a verdade ou

realidade, mas apenas com a

vitória de suas crenças e ilusões.

Jamais perca tempo em discussões

que não fazem sentido...

Há pessoas que por muitas

evidências e provas que lhes

apresentamos, não estão na

capacidade de compreender,

e outras estão cegas pelo ego,

ódio e ressentimento, e a única

coisa que desejam, é ter razão,

mesmo que não tenham.

Quando a ignorância grita, a

inteligência cala. A sua paz e

tranquilidade valem mais.

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Baslerstrasse, 117 - 8048

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Julho/Agosto 2021

Feriados e Datas Comemorativas

04 DOM Dia Mundial do Naturismo

05 SEG Dia do Bikini

07 QUA Dia Mundial do Chocolate

09 SEX Dia Mundial pelo Desarmamento

10 SÁB Dia Mundial da Pizza

11 DOM Dia Mundial da População

13 TER Dia Mundial do Rock

14 QUA Dia Mundial da Liberdade de Pensamento

15 QUI Dia Mundial das Competências dos Jovens

16 SEX Dia Mundial da Cobra

17 SÁB Dia Mundial da Justiça Internacional

18 DOM Dia Internacional Nelson Mandela

20 TER Dia do Amigo

22 QUI Dia Mundial do Cérebro

23 SEX Dia do Alfaiate e da Modista

24 SÁB Dia dos Primos

26 SEG Dia Mundial dos Avós

26 SEG Dia do Esperanto

28 QUA Dia Mundial da Conservação da Natureza

28 QUA Dia Mundial da Hepatite

29 QUI Dia Internacional do Tigre

30 SEX Dia Internacional do Amigo

30 SEX Dia do Administrador de Sistemas

31 SÁB Dia Mundial do Vigilante da Natureza

AGOSTO

05 QUI Dia da Ostra

06 SEX Dia Internacional da Cerveja

06 SEX Dia de Hiroshima

08 DOM Dia Mundial do Gato

09 SEG Dia Internacional dos Povos Indígenas

11 QUA Dia de Brincar na Areia

12 QUI Dia Internacional da Juventude

12 QUI Dia do Filho do Meio

13 SEX Dia Mundial do Canhoto

17 TER Dia do Gato Preto

19 QUI Dia Mundial da Fotografia

19 QUI Dia Mundial Humanitário

20 SEX Dia Mundial do Mosquito

21 SÁB Dia Internacional do Animal Abandonado

24 TER Dia Internacional da Música Estranha

24 TER Dia do Artista

25 QUA Dia da Tomatina

26 QUI Dia Internacional da Igualdade Feminina

26 QUI Dia do Cão

29 DOM Dia Internacional Contra Testes Nucleares

30 SEG Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos

Forçados

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POESIA

V EUCLIDES

CAVACO

Assista ao programa em

directo todas as terças e

sextas-feiras em:

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Amor a Portugal

Inspirado na Ceia dos Cardeais

Sublime... É meu amor a Portugal

Perene, firme e sincero

Como outro não há igual.

Amor… Eterno amor de verdade

Que a ausência da minha Pátria

Transforma em tanta saudade.

Amor pátrio... Delicado

Que minha alma inebria

Com tanto sabor a fado

Que canta quando está triste

E chora de alegria.

Amor… Que é transparente

Numa lágrima furtiva

De quem longe a Pátria sente

Ou na linguagem de quem

Sabe o que é estar ausente.

Amor… Que é quase divino

De brumas misteriosas

Que dá essência a quem crê

Dum jardim que se não vê

O perfume de mil rosas.

Neste meu querer

Por te querer tanto Pátria minha

Com doçura

Canto para ti esta poesia

Com palavras de ternura

Que mitigo em nostalgia !…

Pátria é a Língua

Portuguesa

Pátria é mais que a Bandeira

E do que o solo conceito

Pátria transpõe a fronteira

Quando a levamos no peito.

Pátria somos todos nós

P’lo mundo em qualquer local

Quando erguemos nossa voz

Evocando Portugal...

Pátria é sempre que se entoa

Nosso Hino e nos orgulhamos

É como afirmou Pessoa

A Língua que nós falamos.

Pátria é o refulgir

De sã portugalidade

Mas Pátria é também sentir

A dimensão da saudade.

Pátria é o recitar

As estrofes de Camões

Pátria é o exaltar

Dela manifestações.

Pátria é essa mensagem

Nos nossos heróis contida

Que tiveram a coragem

De por Ela dar a vida…

Pátria é sempre emoção

Quando alguém seu nome diz

Pátria é mais que acepção

Do que define um país.

Pátria é quem firme a sente

Vibrar com muita nobreza

Pátria implicitamente

É A LÍNGUA PORTUGUESA !…

V CARMINDO

DE CARVALHO

Pintor da treta

Sou um pintor da treta!

Do papel

Faço tela!

Da caneta

Faço pincel!

Pego em palavras

E pinto quadros

Impregnados

De flores

E cheiros.

Às vezes em farpas

Aguçadas

E setas

Envenenadas

À tela arrancadas

Ora à esquerda

Ora à direita

Lançadas

Cavalgam espinhosos cactos.

E o sangue

Viscoso escorre.

Às esquinas

Cães esfomeados.

Nas curvas

Vampiros

Engelhados

Esperam.

Aliados

Aos cobradores

De impostos

Começam a grande farra.

A pele

A carne

Nada escapa.

Pelas ossadas

Esperam já abutres

Coiotes

Hienas

E outras

Feras.

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CULTURA

Ais-de-chuva dos meus Olhos

Da pedreira dos meus olhos

Largam-se campos de cores

Ventanias de corais

Falésias de ondas com brilho

Sangue a jorros de cristais

Sinfonias rarefeitas

De flores caídas aos ais!

Ais-de-chuva dos meus olhos

Ais-de-vozes de saudades

Ais- de- balanços estrelados

Ais-de-postigos selados

Ais-de-fermentos de frutos

Ais-de-infernos e de céus

Ais-de-pimenta e açafrão

Ais-de-gengibre e mostarda

Ais-de-cantos d'arroz doce e mousse de chocolate

Com uns pingos d'água ardente

Que o meu peito é d'olhar quente

É d'olhos que rasam d'água

Que regam lírios da terra

Mascarando sua mágoa ...

V MARIA

JOSÉ PRAÇA

Sobre a Música

“Se eu não fosse físico, provavelmente

seria músico.

Muitas vezes penso na música.

Vivo meus devaneios na música.

Vejo minha vida em termos de

música.

Não sei dizer se teria feito alguma

trabalho criativo de importância

na música, mas eu sei que

o meu violino extrai a maior alegria

da vida.”

ALBERT EINSTEIN

Só mesmo para os meus

fãs “a sério”. Promoção!

“Pack” de quatro CD´s, só 25 euros *, inclui:

- os cd’s “Sou do Minho” (2006), “20 anos a encantar

Portugal” (2011), “Canções & Ilusões” (2014) e “É

porreiro este país” (2019)

- os mp3 dos cd’s “O vinho da

nação” (1999) e “A dança do

lenço” (2003)

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HORÓSCOPO

Julho e Agosto

w V - JOANA ARAÚJO (*)

Carneiro

Reflita sobre como você tem se comunicado

e se expressado. O momento actual

pede que reavalie seus pontos de vista,

suas fontes de interesse e de estudo e

que se comunique estando mais atento

à sua sensibilidade e voz interior. É também

uma fase importante para o contacto

com os familiares e para um convívio

mais afectuoso.

Touro

Neste mês, o seu planeta regente Vênus,

muda o movimento, passando a actuar no

sector de recursos e potenciais, estimulando

as suas habilidades e a valorização

dos seus talentos. É um momento interessante

para negócios e finanças, onde

você deve agir com inteligência.

Gémeos

Neste mês, o planeta do amor e dos relacionamentos,

Vênus, passa a actuar

em seu signo, o que evidencia o carisma

emocional do signo Gémeos e significa

uma nova etapa de desenvolvimento

afectivo em seus relacionamentos. É o

momento de você se questionar sobre

como está agindo emocionalmente nas

suas relações.

Caranguejo

Este mês representa um limiar ao signo

Caranguejo que estão encerrando uma

etapa de desenvolvimento, indicando

que novas energias e situações começam

a se apresentar. Mas é ainda um período

em que você deve reflectir muito sobre a

sua conduta emocional e sobre os acontecimentos

relacionados aos últimos

meses. É uma fase de importantes ensinamentos.

Leão

Este mês é importante para o signo Leão

cultivarem as suas amizades e o relacionamento

com grupos, se sentindo parte

de uma comunidade e fazendo o que

lhe cabe. É uma etapa importante para

reflectir sobre como você está se comunicando

com as pessoas. É um momento

que evidencia também os projectos relacionados

ao seu futuro desenvolvimento.

Virgem

O ingresso do planeta Vênus no sector de

carreira do signo Virgem representa benefícios

profissionais associados as suas

relações. É um momento em que poderá

contar com apoios vindo de chefias ou

colegas de trabalho. E é uma fase também

importante para o seu desenvolvimento

emocional.

Balança

Neste mês, o seu planeta regente, Vênus,

muda o movimento sendo um período

importante para você ampliar os seus horizontes

emocionais e encarar as relações

e a vida afectiva sobre um aspecto mais

abrangente. É um momento de oportunidade

de contactar com pessoas que estavam

distantes e esses contactos favorecem

a percepção das verdades que regem

o coração do signo Balança.

Escorpião

Este é um momento de importantes

transformações emocionais ao signo Escorpião

e também em questões relacionadas

a negócios. É uma fase oportuna

para repensar o que é valioso para você

e se desapegar de velhos padrões. E para

compreender o que deve ser eliminado e

curado.

Sagitário

O ingresso do planeta Vênus no sector de

relacionamentos do signo Sagitário favorece

as alianças, parcerias e associações,

sendo um momento benéfico para haver

um entendimento maior em seus relacionamentos.

É uma fase que dá oportunidade

de contactar com diferentes tipos

de pessoas, sendo que com cada uma

delas há um aprendizado importante a

desenvolver.

Capricórnio

As relações e contactos de trabalho estão

favorecidos com o novo movimento do

planeta Vênus no sector de trabalho do

signo Capricórnio. É também uma fase

de ajustes e de aprimoramento emocional

nas relações. Questione-se sobre a

saúde dos seus relacionamentos.

Aquário

O novo movimento de Vênus favorece a

vida afectiva do signo Aquário, que vem

passando por importantes reavaliações.

É um momento em que você percebe

uma capacidade maior de colaboração,

de contacto e de entendimento. Os projectos

criativos e recreativos também estão

favorecidos. É hora de agir com mais

leveza.

Peixes

Benefícios no lar, na vida familiar e em

relação a imóveis são uma tendência deste

mês, em que temos o novo movimento

do planeta Vênus no sector privado e

íntimo no signo Peixes. É o momento de

você olhar mais para dentro e repensar

como estão os seus vínculos familiares. É

uma fase também importante para você

se centrar mais.

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“RETROCESSO CIVILIZACIONAL”

ÚLTIMA

Velhice será classificada

como doença pela OMS

A

iniciativa de incluir a velhice

na Classificação Estatística

Internacional de Doenças e Problemas

Relacionados à Saúde (CID),

mantida pela Organização Mundial

de Saúde (OMS), vem provocando

forte reacção de sectores ligados ao

envelhecimento, preocupados com

o risco de se mascarar problemas

de saúde reais para a terceira idade,

aumentar o preconceito contra

idosos e interferir no tratamento e

pesquisa de enfermidades e na colecta

de dados epidemiológicos.

A CID existe desde 1900 e vigora a sua

décima edição, mas a CID 11 já foi elaborada

e está em fase de ajustes. É nela

que entrará o código MG2A, que se refere

à velhice. A nova versão passa a valer

em Janeiro de 2022 e tem o prazo de três

anos para ser implementada.

O epidemiologista Alexandre Kalache, do

Centro Internacional de Longevidade, e

também presidente da Aliança Global de

Centros Internacionais da Longevidade,

usa a sua rede de contactos para barrar a

iniciativa. A Federação Internacional do

Envelhecimento (IFA), a Associação Internacional

de Gerontologia e Geriatria

e a HelpAge International também questionam

a OMS sobre o assunto.

O presidente da Academia Nacional de

Medicina, Rubens Belfort, aponta possíveis

complicações na vida de pessoas com

mais de 60 anos, como o cálculo do valor

de um seguro de vida:

— O novo código é simplista e só atrapalha.

Se vai fazer seguro de vida e tem 66

anos, perguntarão se tem doença, e sim,

terá: velhice. E o paciente que morre poderá

receber o diagnóstico de... “velhice”.

O líder da equipe de classificação de terminologias

e padrões da OMS, Robert

Jakob, diz que a inclusão de velhice não

significa torná-la uma doença e sim uma

condição. Ele classifica a discussão como

um “mal-entendido”:

— O rótulo “velhice” substitui “senilidade”,

usado na CID-10. A decisão resultou

de discussões que apontavam para a conotação

cada vez mais negativa de “senilidade”

nos últimos 30 anos.

Segundo o professor português, Nelson

S. Lima, Investigador, membro da BGS

Sociedade Britânica de Geriatria, acredita

que esta decisão, caso fosse adoptada,

seria um “retrocesso civilizacional”. Afirma

ainda, que esta medida “não tem sustentação

científica, é caricata” e “acabará

por ser retirada”.

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