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Boletim BioPESB 2014 - Edição 12.pdf

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Boletim Biopesb

Ciência, meio ambiente e cidadania em suas mãos ISSN - 2316-6649 - Ano 4 - Nº 12 - 2014

Série Turismo na Serra do Brigadeiro inicia sua viagem pela

Sede Administrativa do PESB no município de Araponga

O Boletim BioPESB inicia

o ano de 2014 com uma

seção especial sobre o turismo

no Parque Estadual

da Serra do Brigadeiro e

em seu entorno, com o objetivo

de apresentar, divulgar

e incentivar o turismo

ecológico na região. Em

cada edição, o Boletim

BioPESB buscará retratar

locais, cultura e moradores

que fazem do território

Serra do Brigadeiro uma

grande atração para o

lazer, contato com a natureza

e para o aprendizado

ambiental. Nesta

primeira edição, apresentaremos

a sede do Parque,

localizada no município de

Araponga.

Pág 8

Bioinvasão de espécies exóticas no território brasileiro

podem causar prejuízos ambientais e econômicos

Regina Waddington

Elas podem apresentar

uma beleza única e são a

primeiro olhar, inofensivas.

Algumas são tão comuns que

parecem naturais de certas

regiões. O que nem todo

mundo sabe é que espécies

exóticas podem se tornar

espécies invasoras e com

isso gerar problemas para a

saúde, agricultura e meio ambiente.

A invasão biológica

ocorre quando uma espécie

exótica animal ou

vegetal, introduzida em

determinado ambiente,

consegue se adaptar e se

estabelecer, passando a

se propagar e a dominar

espécies nativas, expulsando-as

e gerando perda

de biodiversidade e alterações

nos ciclos ecológicos

naturais.

As espécies invasoras

são apontadas hoje

como sendo a segunda

maior ameaça mundial a

biodiversidade, superada

apenas pela destruição

provocada pelo homem.

De acordo com o secretariado

da Convenção sobre

Diversidade Biológica,

durante a Eco-92, espécies

invasoras contribuiram

para a extinção de 39%

dos animais que desapareceram

por causas conhecidas

desde o século

XVII.

Pág 2

Ciência

Entrevista

Serra do Brigadeiro

Pesquisas na área de engenharia

genética buscam

criar alternativas para o

combate a pragas.

Página 8

Irene Cardoso, professora

do Departamento de

Solos da UFV, discute os

benefícios dos Sistemas

Agroflorestais.

Página 6

Saiba mais sobre a biodiversidade

e a proteção

da fauna de flora

presentes no PESB.

Página 7


MeioAmbiente Ano 4, n°12 - Pág 2

Ações do governo brasileiro tentam evitar prejuízos

ambientais e econômicos com a Bioinvasão

Toda espécie que se estabelece

em um território

diferente de seu meio ambiente

de origem é chamada

de “espécie exótica”. Essas

espécies são translocadas

pelo ser humano por meio

de suas atividades econômicas

e culturais. Quando essas

espécies não se adaptam ao

novo local ou não resistem à

competição com as espécies

nativas, elas podem logo desaparecer.

Entretanto, quando

essas espécies encontram

um ambiente adequado

para se desenvolver, pela

ausência de inimigos naturais,

por exemplo, elas podem

se tornar pragas naturais

e causar danos para as

espécies nativas. Assim, elas

se tornam “espécies exóticas

invasoras”. Por esse motivo,

é muito importante que haja

estratégias de detecção e

controle.

As ações de prevenção

dependem de vários ministérios,

de uma legislação

adequada, de fiscalização

e integração entre

órgãos de vigilância. O

que já está sendo feito

atualmente é controlar a

introdução de novas espécies

no Brasil. O trabalho

tem sido conduzido pelo

IBAMA, que faz uma análise

de risco antes de permitir

que sejam importados animais

ou plantas de outras

regiões do planeta.

- Em 2003, o Ministério

do Meio Ambiente (MMA)

elaborou o “Primeiro Informe

Nacional sobre Espécies

Exóticas Invasoras”, que é o

primeiro diagnóstico nacional

relacionado à distribuição

destas espécies e capacidade

instalada no país para

tratar o problema.

- Em 2005, o MMA e o

IBAMA, em parceria com a

Fiocruz, Embrapa, Universidade

Federal de Viçosa,

Instituto Oceanográfico da

USP (IOUSP), a TNC e o

Instituto Hórus, decidiram realizar

o “I Simpósio Brasileiro

sobre Espécies Exóticas Invasoras”,

em Brasília, para

discutir a questão de bioinvasão

no Brasil.

- Ainda em 2005, foi

elaborada a “Estratégia

Boletim Biopesb

Redação: Alunos do PET- Bioquímica da UFV

(Bárbara Dias, Bruno Paes, Fernanda Araújo, Flávia

Bagno, Joana Marchiori, Lethícia Ribeiro, Luciana

Fernandes, Paulo Alves, Raquel Santos, Thaís Martins,

Valdeir Moreira).

Projeto Gráfico : Thamara Pereira

Diagramação: Ana Paula Lopes

Revisão: Lethícia Ribeiro

www.biopesb.ufv.br

Nacional sobre Espécies

Exóticas Invasoras”, aprovada

pela CONABIO, por

meio da Resolução nº 5, que

inclui elementos de prevenção,

controle, políticas e instrumentos

legais, conscientização

pública, capacitação

técnica, pesquisa e financiamento.

- Em setembro de 2013,

aprovou-se a Resolução

CONABIO no, que dispõe

sobre as Metas Nacionais de

Biodiversidade para 2020.

De acordo com essa resolução:

“Até 2020, a Estratégia

Nacional sobre Espécies

Exóticas Invasoras deverá estar

totalmente implementada,

com participação e comprometimento

dos estados e com

a formulação de uma Política

Nacional, garantindo o

diagnóstico continuado e

atua-lizado das espécies e

a efetividade dos Planos de

Ação de Prevenção, Contenção

e Controle”.

Joana Marchiori

Bárbara Dias

Editor-Chefe: João Paulo Viana Leite

Telefone: (31) 3899-3044

E-mail: biopesbufv@gmail.com

Endereço: Departamento de Bioquímica e Biologia

Molecular - UFV

CEP 36570-000, Viçosa - MG - Brasil

Tiragem: 1.000 exemplares

Apoio: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PIBEX)-UFV

Apoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em

Interações Planta-Praga

Editorial

O Boletim BioPESB inaugura

com esta edição seu

quarto ano como veículo

de comunicação entre pesquisadores

e comunidade,

tendo entre seus principais

objetivos a difusão e a

popularização da ciência,

com matérias de interesse

para todos que vivem

ou visitam o território rural

Serra do Brigadeiro.

Nesta caminhada temos

sempre aprendido com a

sabedoria do povo local.

Reforçamos também nossa

certeza sobre a importância

da preservação desse

maravilhoso fragmento

de Mata Atlântica. Darwin

em sua caminhada

científica dizia “quase

impossível dar uma ideia

adequada” de suas

emoções. Mas usando os

versos de Geraldo Azevedo

podemos traduzir esta

nossa trajetória no PESB:

“Na força dessa beleza

é que eu sinto firmeza e

paz. Por isso nunca desapareça;

nunca me esqueça,

não te esqueço jamais”.

Acreditamos que a

ciência pode ser um forte

aliado a conservação do

ambiente, disponibilizando

conhecimento para a

geração de tecnologias

limpas e sustentáveis, trazendo

benefícios para

a comunidade local e

prestando os valiosos

serviços ambientais. Assim,

renovamos nossos

ideais seguindo a canção:

“quero saciar minha sede

milhões de vezes, milhões

de vezes...”

João Paulo Viana Leite

Editor Chefe


MeioAmbiente Ano 4, n°12 - Pág 3

Espécies exóticas invasoras no Brasil

Coral-sol Mexilhão-dourado Peixe-leão

Um invasor marinho que está ameaçando

a biodiversidade da zona costeira

brasileira. Introduzido no país no final

da década de 80, através de plataformas

de petróleo/gás o coral-sol

afeta hoje, diretamente, seis municípios

fluminenses, sendo que toda a costa

brasileira está ameaçada devido ao

potencial de expansão do coral invasor.

Além de expulsar as espécies nativas -

como o coral-cérebro, uma espécie que

só existe no Brasil-, ele não abriga algas

simbióticas que produzem oxigênio,

reduzindo drasticamente a produção

primária do ambiente.

Esse molusco de água doce é capaz de

se fixar em diversos substratos e possui

grande capacidade adaptativa.

Enquanto espécie invasora, o mexilhão

representa uma ameaça à fauna e à

flora aquáticas, além de bloquear tubulações

de hidrelétricas onerando a

produção de energia. Introduzido no

Brasil no final da década de 90 através

de navios mercantes, o molusco se instalou

em rios e lagoas do Rio Grande

do Sul, subiu pelos rios Paraná e Uruguai

e já foi detectado nos rios do Pantanal,

nos estados do Mato Grosso e

Mato Grosso do Sul.

Dentre os deslumbrantes animais

marinhos, o peixe-leão vermelho chama

muita atenção entre aquaristas de todo

o mundo com suas nadadeiras listradas

e coloridas. Nativos da região Indo-

Pacífica a espécie invadiu o litoral leste

dos Estados Unidos, desceu pela América

Central, chegou à América do Sul e

se aproxima do Brasil. Os peixes-leões

são predadores vorazes. Além de comer

muitos peixes, a espécie se reproduz

facilmente e ainda pode liberar uma

substância tóxica oferecendo um risco

para a saúde pública, já que banhistas

e pescadores podem ser atingidos.

Espécies que invadiram a Mata Atlântica

Lírio-do-brejo Caramujo-africano Tojo

Nativo do sul da Ásia e introduzido no Brasil

como planta ornamental, o lírio-do-brejo

foi rapidamente difundido pelo país,

especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

Sua beleza agrada a muitos e suas flores

brancas e vistosas, são sempre perfumadas.

O lírio-do-brejo, porém expulsa qualquer

planta nativa de seu habitat e por possuir

grande capacidade de resistência,

adapta-se facilmente às margens de rios,

podendo invadir canais e entupir até mesmo

tubulações de hidrelétricas. O lírio-dobrejo

apresenta crescimento muito rápido

e aprecia solos brejosos e ricos em matéria

orgânica. Sua flor é perfumada com cheiro

parecido com espécies de jasmim.

Introduzido no Brasil nos anos 80 como

alternativa ao escargot, o caramujo africano

não deu o retorno esperado. Os criadores,

então, libertaram os animais que mantinham

em cativeiro. O problema se tornou nacional,

pois o caramujo-africano ataca plantações

e restringe a oferta de alimento para

várias espécies animais nativas. Além disso,

sua proliferação descontrolada representa

um sério risco à saúde pública, pois ele é

vetor de doenças graves como a meningite.

Você provavelmente já deve ter visto um, o

caramujo - que na verdade é um caracol -

pois se trata de um molusco terrestre

pulmonado e não de água doce-, possui

uma concha marrom e pode pesar até

quinhentos gramas.

Tojo é o nome dado a plantas de várias

espécies arbustivas de flores amarelas e

cobertas de espinhos pertencentes. São plantas

típicas da flora atlântica localizada na

península Ibérica. Essa espécie vegetal foi

trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses

para ser usada como cerca viva. Sua

disseminação acabou saindo de controle uma

vez que o tojo deixa o solo ácido, inibindo

o crescimento das espécies nativas e inutiliza

a área para agricultura e pastoreio. Por ser

muito denso e seco, ele aumenta o risco de

incêndios. Ironicamente, o fogo estimula a

germinação de suas sementes. Muitos ateiam

fogo no tojo tentando destruí-lo, o que só

agrava o problema.

Flávia Fonseca

Lethícia Ribeiro


Ciência

Ano 4, n°12 - Pág 4

A pesquisa de engenharia genética no desafio de controle de

pragas nas lavouras

Lagarta-do-cartucho, uma das pragas que tem causado grandes perdas em lavouras de

Minas Gerais e da região centro-oeste

O controle de pragas

em atividades agrícolas

no Brasil e em outros países

é feito por meio da

utilização de inseticidas.

Apesar do custo relativamente

baixo e manutenção

esporádica (no caso,

reaplicação de tempos em

tempos), o uso de produtos

químicos tem afetado

negativamente o meio

ambiente e refletido no

bem estar do ser humano

que consome os produtos.

Neste sentido, atualmente

a ciência tem dado

grande atenção para

esta área com o objetivo

de encontrar técnicas ou

substâncias que sejam nocivas

especificamente ao

agente causador da doença

no vegetal e que não

cause danos excessivos ao

meio ambiente e a saúde

humana. Em destaque,

encontra-se a engenharia

genética, que promete ser

uma alternativa aos inseticidas,

aliando custo mais

baixo, manejo tradicional

das culturas e reduzido

impacto ambiental.

Mas o que seria engenharia

genética? Podemos

definir engenharia genética

como a manipulação

de genes dos organismos

fora da célula, com o

objetivo de induzir, em

um vegetal, por exemplo,

a expressão de produtos

gênicos, como proteínas

e enzimas, que melhorem

sua adaptabilidade às

condições de estresse,

como pragas e seca. Mas

a engenharia genética

não se restringe somente

a agricultura: a insulina,

hormônio que controla os

níveis de glicose no sangue,

pode ser produzido por

bactérias modificadas

que expressam o gene do

hormônio, mostrando que

na saúde humana também

há espaço para essa

incrível ciência.

Partindo deste princípio

de modificação do

organismo, é possível que

uma determinada planta

produza substâncias que

tenham controle sobre

insetos que utilizam desse

vegetal como fonte de

alimento. Também denominados

como biopesticidas,

estes compostos possuem

como grande vantagem

menor toxicidade, uma

vez que são produzidos

pela própria planta, e

seletividade, já que só

são produzidos por estímulos

biológicos. Isso

pode atenuar os efeitos

colaterais causados pelos

agroquímicos na fauna e

flora ao redor da cultura.

Somado a esses fatores,

ainda há o fato de que

esses compostos possuem

rápida decomposição no

metabolismo do vegetal.

Bruno Melo

Valdeir Moreira

Thaís Martins

A Engenharia Genética auxilia no desenvolvimento de espécies

vegetais que expressam moléculas capazes de combater doenças.


Ciência Ano 4, n°12 - Pág 5

Pesquisa em engenharia genética realizada no Brasil tem levado

à obtenção de cultivares resistentes ao ataque de lagartas

No Brasil, o cultivo

de plantas modificadas

geneticamente é bastante

restrito. Algumas leguminosas

como feijão, soja

e milho e até mesmo

algodão já são produzidos

atualmente com o auxílio

da engenharia genética.

O milho é um exemplo

bastante interessante:

chamado de milho Bt,

a modificação genética

introduz nas sementes uma

toxina isolada de uma

bactéria, o Bacillus thuringiensis.

Essa toxina ataca

o sistema digestivo das

“lagartas-do-cartucho”,

matando-as. Entretanto,

somente o uso do milho

especial não é suficiente

para manter a praga longe

da cultura. Especialistas

recomendam a construção

de uma área de refúgio

ao redor desses cultivares.

Essa área plantada com

milho não modificado

alojaria as lagartas e

evitaria que elas atacassem

o milho transgênico. Pode

parecer estranho, mas as

lagartas, devido a não

adoção do refúgio, estão

tornando-se resistentes à

toxina inseticida.

Em 2013, Minas Gerais

e Mato Grosso declararam

emergência fitossanitária

devido a grande incidência

de lagartas-do-cartucho

no cultivar de milho

dos estados.

O feijão, alimento que

nunca falta no prato do

brasileiro, também merece

destaque: atualmente,

alguns cultivares desenvolvidos

com modificações

genéticas no feijoeiro

busca evitar que pragas

como a mosca branca,

que transmite um vírus que

impede o desenvolvimento

da planta, se propaguem.

Segundo o pesquisador

da Empresa Brasileira de

Pesquisa Agropecuária

(Embrapa Cenargem),

Francisco de Lima Aragão,

não existem diferenças

nutricionais entre o feijão

modificado geneticamente

e os que estão disponíveis

no mercado, além de não

utilizar-se de agrotóxicos

em excesso na cultura.

Esses são exemplos de

como a ciência pode auxiliar

no combate às pragas de

modo a reduzir impactos

na saúde do consumidor,

no meio ambiente e na

economia, uma vez que

os aspectos financeiros da

produção agrícola são de

extrema importância.

Bruno Melo

Thaís Martins

Como o milho transgênico resiste à lagarta?

toxinas

A espécie bacteriana de solo Bacillus Thuringiensis (Bt) está amplamente espalhada pelos ecossistemas

do planeta. O gênero Bacillus possui uma fase de esporulação – formação de estruturas resistentes

às condições adversas - característica no seu desenvolvimento, na qual também há formação de cristais

de proteínas. Tais cristais vêm sendo utilizados na formulação de sprays bioinseticidas comerciais, que forneceram

níveis adequados e consistentes de controle biológico para diversas espécies de insetos-praga na

agricultura.

Mas de que forma age a toxina para que as lagartas morram? As lagartas possuem nas células de

seus intestinos receptores que se ligam fortemente às proteínas tóxicas do bacilo; esses receptores se ligam

de forma específica às toxinas, modificando-se e causando vazamento de íons e dano osmótico das células,

o que conduz à desintegração do intestino e a posterior morte do inseto. Esse efeito tóxico não age sobre

outros organismos que não tenham tais receptores compatíveis.


Entrevista Ano 4, n°12 - Pág 6

Sistemas agroflorestais: conheça os benefícios dessa prática

Em sua primeira

edição de 2014, o Boletim

BioPESB entrevista

a professora, pesquisadora

e extensionista do

Departamento de Solos

da UFV, Dra. Irene Cardoso.

Em 2011, a professora

foi agraciada com a

Medalha de Ouro “Peter

H. Rolfs” no Mérito Extensão,

conferida anualmente

pela UFV àqueles professores

que se destacam

na extensão universitária.

Nesta entrevista, a profa.

Irene nos conta um pouco

sobre Sistemas Agroflorestais

(SAFs).

O que é Sistema Agroflorestal?

Irene Cardoso: Sistema

Agroflorestal é toda vez

que plantamos árvores

junto com outra cultura.

Vou dar exemplos, árvores

com café, pastos, plantas

medicinais, plantas

frutíferas ou árvores com

hortas, que é a maioria

dos quintais. Um aspecto

importante são os serviços

ambientais oferecidos por

um SAF, como no caso da

espécie frutífera ingá e

café, os pássaros atraídos

para comerem os frutos do

ingá podem comer lagartas

da outra cultura, prestando

um serviço ambiental.

Os SAFs produzem

matéria orgânica que é o

alimento da vida do solo,

em sistemas mais diversificados

é diversificada

também a alimentação do

solo, fo-lhas e galhos que

caem também protegem o

solo, contra o sol e as gotas

da chuva, que podem

desagregar a estrutura do

solo, isso proporciona uma

melhor qualidade do solo,

que gera uma planta de

melhor qualidade, para

a sua alimentação. A sua

saúde depende da saúde

das plantas, que depende

da saúde do solo.

Hoje, quantas comunidades

no entorno do

PESB praticam esse sistema?

I.C.: Existem muitas

comunidades e muitos

agricultores que manejam

as suas lavouras e propriedades

com sistemas

agroflorestais. Eu não

saberia precisar quantas

famílias estão praticando.

Mas cada vez mais, a

partir do trabalho do CTA

junto com a UFV e organizações

dos trabalhadores,

como os sindicatos dos

Traba-lhadores Rurais das

cidades em torno do PESB,

vemos mais agricultores

começando a experimentar

esse sistema. Embora ele

seja muito antigo, por

muito tempo em função do

tipo de agricultura praticada

agricultura no mundo, a

partir da década de 70, a

da monocultura e depende

de agrotóxico e adubo,

muitas pessoas deixaram

de usar SAFs, mas mesmo

assim muitos agricultores

mantiveram em suas propriedades

árvores em suas

culturas e hoje por meio

de projetos que o CTA desenvolve

na região muitos

agricultores começaram

a copiar seus vizinhos. Os

quintais de praticamente

todos moradores em torno

do PESB são sistemas

agroflorestais.

Quais os principais

benefícios

que a prática da

agroecologia pode

proporcionar aos

agricultores e a

aqueles que a utilizam?

I.C.: Um dos

princípios da agroecologia

é a diversidade,

ela é importante porque

proporciona o que Leonardo

Boff chama de, as

bondades da natureza,

que são pássaros que

comem lagartas, abelhas

que polinizam, tem estudos

na UFV mostrando que em

média 5% da produção

de café é dependente

das abelhas, não há polinização

de maracujá

sem polinizadores, e se a

cultura não oferecer condições

para esses bichos

crescerem, as bondades

são perdidas. Na agroecologia

o conhecimento

do agricultor é muito importante

e valorizado, ele

é um conhecimento muito

valioso que foi passado

de geração a geração, e

é colocado em mesmo pé

de igualdade em relação

ao conhecimento cientifico.

O trabalho de todos,

homem, mulher, jovem e

idoso, é valorizado. A mulher

é mãe, assim como a

terra é nossa mãe e ela

sabe da importância do

cuidado com a natureza

e o jovem traz energia e

possibilidade de continuidade.

A agroecologia

também cuida dos solos e

Profa. Irene Maria Cardoso

da água, por que sem eles

não há vida saudável.

No entorno do PESB,

o que os agricultores têm

produzido pelo sistema

Agroflorestal e onde o consumidor

pode adquirir esses

produtos?

I.C.: Banana, ingá,

batata doce, abacate,

mandioca, inhame e uma

infinidade de espécies

estão sendo produzidas

junto com o café ou pastagens.

Alguns produtos são

alimentos para nós, outros

não, porém estão criando

qualidade de ar e da

água, que não são comprados

em mercados. Os

produtos podem ser encontrados

nos mercadinhos

dos agricultores, como

os de Araponga, Espera

Feliz e Divino, no Raízes

da Mata (casa 18 da Vila

Gianetti), onde nas sextas-

-feiras a tarde você pode

conversar sobre como

ter acesso aos produtos.

Outra forma é ir à casa

dos agricultores ou sindicatos

para discutir o acesso

a esses produtos.

Raquel Santos


SerradoBrigadeiro Ano 4, n°12 - Pág 7

Biodiversidade e proteção da flora e fauna presentes no Parque

Estadual da Serra do Brigadeiro

Sérgio Campestrini

Flor da Mandevilla atroviolacea

O PESB possui enorme

riqueza em relação à

fauna e flora, intensificando

a importância de sua

preservação. No Parque

ocorrem inúmeras espécies

endêmicas (existentes

apenas naquela região)

e espécies ameaçadas de

extinção. Segundo o Sistema

Nacional de Unidade

de Conservação (SNUC),

o PESB está classificado

como área de Preservação

Integral. Esta categoria

engloba todas as áreas

destinadas à proteção dos

ecossistemas naturais de

grande relevância ecológica

e beleza cênica, onde

podem ser realizadas

atividades de

recreação,

educação e

interpretação

ambiental, e

desenvolvidas

pesquisas

científicas.

Uma das

justificativas

dos pesquisadores

para a ocorrência

de animais extintos em outras

regiões e ainda presentes

no PESB é a dificuldade

de penetrabilidade

humana e densidade de

suas matas. Uma das espécies

raras e ameaçadas de

extinção presentes no PESB

é o Muriqui - maior primata

das Américas e símbolo

da preservação da biodiversidade,

juntamente com

a onça-pintada. Ainda em

relação à fauna, destacam-se

a suçuarana, a jaguatirica,

o veado mateiro,

o cachorro do mato e o

sapo-boi. Em relação às

aves, diversas espécies podem

ser observadas, como

o papagaio-do-peitoroxo,

tucano-do-peito-amarelo,

o trinca-ferro, entre

ou-tros. Além da fauna, a

flora também é alvo de

estudos e planejamento da

preservação.

Um dos principais fatores

que contribuem para

a diversidade é o clima

úmido, presente durante

boa parte do ano, no qual

as condições são propícias

para um ecossistema rico

em samambaias, líquens,

bromélias, gramíneas, arbustos

e orquídeas, dentre

outras espécies. O relevo

formado por vales e montanhas,

com grande variação

de altitude, também é

outro fator que contribui

para a diversidade biológica

local. Considerado

um paraíso botânico,

o PESB também possui

peroba, ipê, cajarana,

jequitibá, óleo-vermelho

e palmito juçara. Importante

ressaltar que o bioma

Mata Atlântica é hoje

um dos ambientes naturais

mais ameaçados do planeta,

tendo apenas cerca

de 8% de sua área original.

Isto faz com que os

organismos internacionais

a considere como região

“hot spot” (área quente)

com grande diversidade

biológica e com espécies

que apenas vivem neste

ambiente.

O estudo e entendimento

do comportamento de

espécies-chave tornam-se

importantes para elaboração

de estratégias de

conservação, expansão

da área de floresta protegida,

lista florística e

de animais presentes no

Parque. Propostas e programas

educacionais têm

sido elaborados para

maior controle das espécies

que se encontram no

PESB e conscientização dos

impactos ambientais dessa

área.

Fernanda Araújo

Paulo Alves

Grupo PET-Bioquímica faz reunião de planejamento do

Boletim BioPESB 2014 no PESB

Nos dias 7 e 8 de

dezembro de 2013, o

grupo PET–Bioquímica da

UFV realizou uma visita

ao PESB. Com o objetivo

de conhecer mais sobre a

Unidade de Conservação

(UC) e sobre a população

do seu entorno, o grupo

de 13 integrantes contou

com a recepção da

diretoria do Parque, que

apresentou a história, a

cultura local e o contexto

atual da UC. Atividades

culturais como o filme

“Entre Montanhas e Muriquis”

estiveram dentro

da programaç de visitação

ao PESB. A reunião

de planejamento contou

com a participação de

funcionários do Parque, e

foi de enorme importância

para a elaboração

das matérias do BioPESB

que chegarão ao leitor

em 2014. O grupo PET

agradece imensamente a

colaboração de todos os

funcionários do PESB, que

têm sido grande parceiros

e incentivadores do

Boletim.

Luciana Fernandes


Turismo Ano 4, n°12 - Pág 8

Ponto de partida para conhecer a Serra do Brigadeiro: Sede da

Unidade de Conservação Parque Estadual Serra do Brigadeiro

Paulo Roberto Alves

O Parque Estadual da

Serra do Brigadeiro foi

aberto para visitação em

março de 2005, contemplando

a todos com seus

14.984 hectares de dominância

de Mata Atlântica,

vários vales, chapadas e

cursos d’água. Compreendendo

territórios de várias

cidades da Zona da

Mata mineira, o PESB fica

a aproximadamente 290

km de Belo Horizonte. Seu

principal acesso é feito

pela cidade de Araponga

pela Portaria Araponga

– 11km de estrada de

terra depois do município.

Existe também outro acesso

pela Portaria Pedra do

Pato pelo município de

Fervedouro, porém este

caminho é de difícil acesso

em épocas chuvosas.

O PESB não possui área

de camping e a visitação

deve ser feita no período

diurno (de 7 às 17

horas). Segundo o

diretor do PESB,

José Humberto, é

interessante antes

de conhecer os

outros pontos turísticos

do Parque,

como picos, cachoeiras

e trilhas,

desfrutar de tudo

o que a sede pode

oferecer. Lá o visitante

encontra

uma excelente infraestrutura

composta

pelo centro

Casa de visitação na Sede Administrativa do PESB

Cada do hóspede localizada na Sede da fazenda

onde hoje se localiza o parque

para recepção

de visitantes, auditório,

posto da polícia ambiental,

alojamentos para

pesquisadores e residências

de funcionários.

Além disso, o Parque

conta com uma espaçosa

e confortável casa de hóspedes,

antiga construção

colonial que foi reformada

e acomoda cerca de

14 turistas. A casa oferece

uma bela vista da natureza,

uma aconchegante

lareira e um espaço para

confraternização com

área para churrasco.

Com intuito de oferecer

maiores informações

aos turistas, há um centro

de visitantes, onde

também funciona

a sede administrativa.

Tal ambiente

conta com uma

maquete dinâmica

que apresenta todos

os pontos turísticos

do parque

e os conhecimentos

geográficos acerca

das dimensões,

fauna e flora de

cada ponto. Muito

mais do que isso,

a cultura local

Paulo Roberto Alves

também é apresentada

aos visitantes através de

artesanatos, fotos e vídeos

de conscientização ambiental.

Visitar o PESB é muito

mais do que uma simples

viagem. É uma oportunidade

de estar em contato

com a natureza, respirar

novos ares, compartilhar a

simplicidade e os valores

de uma cultura rica.

Para maiores informações

sobre visitação,

entre em contato com

a administração do

Parque pelo telefone:

(32) 3721-7491 ou pelo

e-mail: pebrigadeiro@

meioambiente.mg.gov.br.

Gabriel Rodrigues Galvão

Helaindo Guimarães Júnior

Mariana Medeiros Costa

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