Colonização - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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Colonização - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro


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F

^üHíS

tÇTTM

pubücoçõt doGEA

Colonização

A violência no campo

IIBil

Romaria da Terra

^A volta aos tempos

/* das cavernas.

MARÇO/ABRIL de 84

Política Agrícola

Agrotdxicos

FETAG

Um freio na luta

SEMI

fcfelMl

BANQUETE SEM FUTUR01

1


PRESIDENTE DO SINDICATO

DE ■

Orm^j^uf^

DOS TRABALHADORES RURAIS DE BELA VISTA

.Abapco.publicántós a carta què recebenps do STR de Bela Vista, denunciando e re-

pudiando as ameaças de morte que tem recefeido seu presidente, valoroso companheiro /

Nelson de Assis Teles. Publicamos a carta, como um exemplo do que é o sindicalismo /

combativo, que nao se afugenta diante de ameaças, na esperança que possa ser um docu

mento de reflexão para os sindicalistas aqui do sul. Ao mesmo tempo, hipotecamos toí

ao se S u p^idtnte a ^ ^ trabalhadores rurais de ^1* Vista, ao seu sindicato e

_ '0 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bela Vista,

Goiás, vem denunciar a todos os trabalhadores brasileiros

da cidade e do campo as ameaças de morte que pesam sobre

seu presidente, o companheiro NELSON DE ASSIS TELES, mem-

bro da direção nacional da Central Onica dos Trabalhado -

res-O/T.

Coerente com a defesa dos Direitos dos Trabalhado-

res, o conpanheiro NELSON DE ASSIS TELES em nome do Sindi

cato, assuniu a tarefa costumeira de convocar a pedido dê

dois associados do Sindicato, o gerente da Fazenda Quilom

bo, Sr. José Gabriel para resolver una disputa trabalhis-

ta. Os dois associados fizeram una empreitada na fazenda

citada ao preço total de Cr$ 60.000,00, combinando o paga

mento em duas parcelas: Cr$ 20.000,00 na entrada e os res

tantes Cr$ 40.000,00 no final do serviço.

Os trabalhadores receberama entrada de Cr$ 20.000,00

e quando terminaram o serviço não foram pagos os Cr$ ...

40.000,00 restantes. Procuraram o Sindicato. Como de cos-

tume, a direção do sindicato enviou ofício ao gerente con

vidando-o para esclarecer a questão. O Sr. José Gabriel

compareceu ao Sindicato na data indicada. Mas estava visi

velmente orientado para não aceitar acordos. Assumiu uma

posição agressiva desacatando o presidente do Sindicato e

os trabalhadores presentes à reunião. Agindo com firmeza,

o conçjanheiro Nelson exigiu que o Sr. José Gabriel respei

tasse a entidade e os trabalhadores e buscasse una atitu-

de de entrar em acordo para a solução do problema.

Um dos trabalhadores envolvidos na questão inter-

viu na discussão e disse que o vereador Faraídes Bonifa -

eio Guimarães, do FMDB, político ligado ao proprietário da

Fazenda Quilombo, ja estava de posse do dinheiro para o

pagamento da empreitada. Diante disso, o Sr. José Gabriel

se dispôs a buscar o dinheiro e efetuar imediatamente o pa

gamento, tendo recebido das mãos dos lavradores o recibo

correspondente.

No último dia 12, o mesmo Sr. José Gabriel, diante

de testemunhas, inclusive o companheiro Vicente Donizete

de Oliveira, membro da Diretoria do Sindicato, afirmou nu

ma conversa com o Sr. Faraídes Guimarães que tinha "quê

dar un sumiço nesse presidente do Sindicato, e depois vou

para a casa dos meus irmãos que moram em S. Paulo. Depois

eu volto". Ao que o vereador Faraídes respondeu: "Não pre

cisa nem sair. Basta ficar uns dois (2) dias fora. Depois

você volta que nos assunimos. Agora nós é que mandamos aqui.

Nao e mais como no tenpo do PDS que ele (o presidente do

sindicato) deitava e rolava".

0 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bela Vista

nao aceita pressões e vai continuar a realizar sua tarefa

de defender o Direito dos Trabalhadores. E responsabiliza

os indivíduos citados, Sr. Faraídes Guimarães e José Ga-

briel por qualquer violência que vier a acontecer ao pre-

•sidente do Sindicato. Advertimos que essa violência não

vai ficar impune.VJ

mar ' d0 '" e ac °" tece ' ã "- cta miiiiiiiiiiiiiiii -

"Prezados Companheiros:

posseixos^Ssf SiT **** ^ P* 3 ^ ^ **nal * Bonito oo^rovando a situação dos

Grande. TS^^Í JSS^mSeín'^ "^ Joã0 Lln0 Itodri ^ s e nora em Canço

Sebastião ^i^TTéc^S^^iJ^ 3 ^ 0 ? P 08861108 «» volver. Seu nom^é

cs nala^ é o^^L 0 ^^-^^^^ ^ SffSSrF* ^^ *

Uma onda de violência está para eclodir

na Fazenda Baia Negra, antigo lote Marabá,

a 70 Km da cidade de Bonito (MS) onde mais*

de 100 posseiros vivem constantemente amea

çados por invasores e mandatos judiciais."

0 antigo lota Marabá constitui um total

da mais de 4 mil hectares, que no decorrer

dos anos, nas constantes remarcações da ter

ra ficou reduzido em mil e oitocentos ha,"

onde os colonos estão vivendo constantemen

te momentos de incerteza e ameaças.

_£^_J0RNflL DE BONiTO

100 Colonos da Fazen

'BAÍA MEGRA" SÂ0 AMEAÇADOS E DEFENDEM UM ACÜDE

O PROBLEMA É O AÇUDE

4, reportagem do Jornal de Bonito ficou

sabendo que está para eclodir naquela locali-

dade, Fazenda Baía Negra, uma onda de vio-

lências de conseqüências imprevisíveis. Mais

de uma centena de colonos que lá vivem la-

vrando o chão para defenderem o pão de ca-

da dia, dispõe de um único açude de água po-

tável para o consumo de todos. Ultimamente

lá apareceu um tal de "João Vermelho" tam-

bém "dono" das terraa e anunciou qu© vai aol

tar uma manada de gado e, evidentemente, re-

sultará na poluição do açude, o que os colo-

nos não concordam de maneira alguma.

TERRAS DEVOLUTAS

Segundo as questões que tramitam na Jus-

tiça por causa da fazenda "Baía Negra", o

mais certo é que as terras são devolutas e exis

tem vários donos.

Desta maneira os colonos que lá trabalham

há mais de seis anos vão proibir que "Jo&o

Vermelho" coloque gado na área sem que uma

cerca de arame farpado seja estendida em

torno do aludido açude.

Falando para a reportagem do Jornal de

Bonito, os colonos disseram que desejam so-

mente a paz e a garantia das autoridades, pois

os verdadeiros grileiros os ameaçam constan

temente,


■A OPINIÃO DO GEA-

400 mil pessoas em São Paulo !

300 m-M pessoas em Belo Horizonte !

1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro !

300 mil pessoas em Goiânia !

200 mil pessoas em Porto Alegre !

£ mais Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba...E todo o Brasil em coro que está e

xigindo ELEIÇÕES LIVRES E DIRETAS, JAT -

E o maior movimento de massas visto na historia do Brasil!

Mesmo assim o grupo palaciano, embora meio dividido,prossegue nesta empreitada de

novamente se colocar contra os interesses da imensa maioria da população.

0 dia 25 se avizinha. Para a aprovação da Emenda Dante de Oliveira i necessário '

que 77 deputados mais 23 senadores^do PDS acompanhem a oposição. Senão nada feito.

A Campanha pelas Diretas, até agora, ja foi muito valiosa porque milhões de pes -

soas experimentaram novamente o gosto de poder se manifestar, dizendo claramente que

chega de regime militar. Mas concretamente, se a Emenda Dante de Oliveira não for apro-

vada e se não fizermos mais nada, podemos ter absoluta certeza que iremos engolir um An

dreazza, um Maluf ou mesmo um Aureliano Chaves (democrata de última hora) por mais 4, 5

ou 6 anos.

0 caso i : 0 QUE IREMOS FAZER CASO 0 CONGRESSO NAO APROVE A EMENDA DANTE DE 0LIVE

IRA ?

Vamos nos resignar aos destinos do Colégio Eleitoral ?

Vamos aceitar novamente Delfin, Galvêas, Andreazza, Maluf e outros tantos que nes

tes 20 anos adeixaram o pais e a classe trabalhadora nesta situação desesperadora?

Nao! Isso seria colocar um manto nestes 3 meses de intensa mobilização que tantas

esperanças fizeram brotar nos trabalhadores brasileiros. Seria a volta ã escuridão que

amargamos nestes últimos 20 anos.

0 que podemos fazer então?

Quando iniciou aCampanha pelas Diretas, muita gente tinha dúvidas da adesão da

sociedade. Mas os milhões foram as ruas e os Partidos de oposição.tiveram um papel mui

to importante neste chamamento ao povo. ~

Está provado e comprovado que este regime está podre e moribundo. Por outro lado,

os Partidos, respaldados na massa que sem dúvidas já julgou e decidiu, podem aceitar a

farsa do Colégio Eleitoral(e alguns "oposicionistas" ja admitem isso) ou novamente cha

mar o povo e partir para formas que não sejam só de pressão, mas que demonstrem nã

pratica, QUE NAO QUEREMOS E QUE NAO VAMOS ACEITAR UM PRESIDENTE QUE SAIA DESTE COLÉGIO.

QUE FORMAS SERIAM ESTAS?

Os trabalhadores têm uma força que é incalculável. Somos nós que fizemos este pa

is andar. Somos nos que produzimos, nos campos e nas cidades, toda a riqueza deste pais

que inclusive e exportada para pagar uma divida que não foi nós que fizemos

POR QUE NAO PODEMOS PARAR ESTE PAlS?

POR QUE TEMOS QUE RESPEITAR UMA MEIA DÜZIA QUE E A ELITE DOMINANTE E QUE NAO RES

PEITA A MAIORIA DA POPULAÇÃO? -

No dia 25, estaremos de orelha em pé, todo mundo acompanhando pelo rádio ou pela

televisão e vamos marcar quem esta contra nós. Mas se a emenda não passar,não vamos nos

mixar, porque como tem sido repetido nos comícios: «W.

"A GREVE GERAL DERRUBA GENERAL!" ^%*

TERR AGEM TE ^J^k "^/^^

uma publicação do GEA- *pssf fyffir/ 0 * 4c^iSs,

^^'«fcStf

caixa postal 10.507-90.000 porto aleare.rs ^V^_ 6 ^ 0 rs

s _

NOME:

ASSINATURA DO TERRAGENTE

RUA: NO CAIXA POSTAL;

LOCALIDADE:

CIDADE:

CEP -- ESTADO:

®


ITAIPU

A primeira turbina de Itai

pu entrará em funcionamento ge

rando 700 mil quilowates, sen

do gue destes apenas 300 miT

serão absorvidos pelo Paraguai.

Os outros 400 mil Kwterão que

ser absorvidos pelo Brasil quô

já conta com excesso de capa-

cidade.

Some-se a istoo fatoda usi

na nuclear Angra I estar com

600 Kw totalmente desnecessá-

rios.

Dessa forma, sÓ com Angra I

e a primeira turbina de Itai-

pu em funcionamento, teremos

1 milhão de Kw sobrando. Ima-

ginem o que acontecerá quando

estiver funcionando todas as

18 turbinas de Itaipu, geran-

do 12,6 milhões de quilowats.

E eles ainda querem cons-

truir 25 barragens no rio Uru

guai.

DIVIDA EXTERNA - BRASILEIRO

B0NZINH0

0 Balanço de Pagamento do

Brasil, em 83^ apontou que fo

ram pagaos, so de juros da dí

vida externa, a espantosa quaji

tia de 14 bilhões de dólares.

Para se ter idéia,isto sig

nifica nada menos do valor gas

to para construir Itaipu.

Se daria para construir ou

tra Itaipu, quantos hospitai?,

escolas e outras obras sociais

não daria para serem construí

das?

Outro dado importante, di-

vulgado pela Revista Exame, e

que nestes dez últimos anos",

somente de juros o Brasil pa-

gou a "bagatela" de 54 bilhões

de dólares, ou seja, aproxima

damente a metade da nossa dt-

vida externa atual.

Começou com 650 milhões de

dólares, em 74, foi para 2 bi

Ihões, em 77, 6 bilhões, em STJ

e 11,4 bilhõesJem82.

Assim não ha quem agüente,

tem que cortar subsidio e re-

duzir salários e encher o boi

so dos gringos de dinheiro. '

V

-^fe" pinga-f ogo

PELEGUISMO E PICARETAGEM

Tavares é um pequeno muni-

cípio localizado entre a La-

goa dos Patoseomar. Foi eman

cigado politicamente em 83^

após o desmembramento de Mos-

tardas.

90% do seu território S o-

cupado pelo minifúndio, que pro

duz a 2? maior safra de cebo"

Ia do estado.

Os colonos da cebola são a

maior "classe" do município ,

que vive em função desta cul-

tura.

Devido também a localiza-

ção geográfica e dificuldade

de estradas i uma colônia mui

to pobre. Os produtores todos

os anos são vitimados cruel-

mente pela exploração dos in-

termediários que agem impunes

na região, impondo e manipu-

lando preços.

A ação dos agiotas § faci-

litada ainda mais pela existên

cia de um fraco Sindicato dê

Trabalhadores Rurais, que as-

sim i justamente por estar nas

mãos de um antigo pelego.

0 sindicato não serve pra

mais nada alem de arrancar den

te e atendimento médico (e as

sim mesmo com um serviço mui-

to precário).

0 maior serviço que já fez

foi facilitar a campanha elej^

tora! de seu presidente pra ve

reador do PDS (antes eleito em

Mostardas e por último em Ta-

vares).

Pois, este Senhore tão preo

cupado com a classe que diz re

presentar, que há muito nao ^

lhe sobra mais tempo para tra

balhar na roça. Por isso, ten

ta ganhar a vida por outro?

meios.

No dia 7 de março passado,

a ZERO HORA noticiou um escan

dalo em que ele está envolvi"

do.

0_prefeito de Tavares, que

também é do PDS, está proces-

sando ele e outros vereadores

por estarem vendendo terrenos

clandestinos na cidade.

Como vereador, nada origi-

nal. Como "sindicalista rural"

deveria ser premiado comotro

féu PICARETA URBANO.

■®-

ETA GOVERNO "BEM-INTENCIONADO"

Das negociações do governo

brasileiro com o FMI todo mun

do ja sabe. 0 que a maioria

das pessoas talvez desconheça

é que o "bem intencionado" go

verno brasileiro já está nego

ciando a QUINTA carta de inten

ções com o FMI.

As quatro cartas anterior-

mente estabelecidas pelos"téic

nicos do FMI", emconjunto com

o governo, foram simplesmente

jogadas no lixo, pois o gover

no brasileiro não teve condi-

ções políticas de cumprir ne-

nhuma delas.

Se a situação de desempre-

go e miséria ja é dramática a

gora, imaginem como será quan

do o "nosso"(??!) "bem inten^

cionado" governo cumpriroque

promete aos banqueiros estran

geiros.

30 MILHÕES DE CRIANÇAS DESNU-

TRIDAS

8.6% das crianças brasllelraa Já na»

cem desnutridas; 88% com peso Insufi-

ciente; em algumas regtóes do Ceará,

de mil crianças que nascem a metade

morre antes de fazer um ano; de 15 mi-

lhões e 500 mil crianças que morreram

no mundo, em 81, 18 milhões eram de

países subdesenvolvidos.

A existência de 80 milhões de crian-

ças brasileiras desnutridas, em decor-

rência da situação sócio econômica do

Pais, deverá levar á formação de sub*

grupos de indivíduos "de condiçfto infe-

rior": mais baixos, com menos peso e

com déficit intelectual, oferecendo pos-

sibilidade de ser mais facilmente mani-

pulados, "com poucas chances de fazer

qualquer coisa, muito menos relvlndl-

Estas informações sãodaSo

ciedade Brasileira de Pedia-

tria que está fazendo uma pe£

quisa em todo o Brasil. Segun

do eles "nossas crianças es-

tão morrendo é de fome porque

as condições sócio-economicas

são inadequadas para 70% dos

brasileiros". Quando as criaji

ças conseguem ultrapassara in

fãncia, esta legião de desnu-

tridos vai se transformar em

adultoscom QI (Quociente de

Inteligência) mais baixo, até

18% inferior aos Tndices nor-

mais e com prejuízo no cresci^

mento e desenvolvimento físi-

co.

Se não forem tomadas sérias

atitudes para alterar este qu£

dro dramático, nosso futuro es

tá seriamente comprometido.


OPOSIÇÃO VITORIOSA

EM EREXIM

No último dia 21 de março, recebemos

no GEA a visita dos presidentes dos STRs

de Erva! Grande e Erexim. este último re-

cem-eleito.

As eleições para o STR de Erexim ocor

reram no dia 9 de março e a ogosição con-

seguiu "derrubar" mais um notório pelego

que ha 12 anos "mandava" no sindicato.

Esta importante vitória tem um grande

significado para o sindicalismo combativo,

afinal i mais uma chapa oposicionista que

assume a diretoria de um sindicato; soman

do-se assim um elo a mais nesta corrente

autentica que, aos poucos, vai varrendo o

peleguismo das bandas do Rio Grande.

0 novo presidente, Paulo Roberto Fari

na, nos contou, no dia de sua visita,que,

apesar de todas as manobras feitas pela aji

tiga diretoria, a oposição somou 1.387 vo

tos contra 923 da situação. Este resulta"

SINDICALISMO^

do significa uma expressiva diferença de

464 votos a favor da oposição, que toma

posse no dia 19 de maio. Além de Paulo Ro

berto Farina (presidente), a diretoria tem

como secretário Firmino LuTs Cavaletieco

mo tesoureiro Osmar João Bragagnholo. TT

eles e aos demais componentes da nova di-

retoria desejamos um mandato de muita lu-

ta e vitorias, voltado para os interesses

da classe roceira.

FETAG

UM FREIO NA LUTA

Dia 22 de março foi realizada, na se-

de da FETAG, uma Assembléia Estadual dos

sindicatos dos trabalhadores rurais. Os as

suntos em pauta foram: Prestação de Con~

tas; Previdência-Projeto do Prev-Rural;Lu

ta dos sem terras; e Eleições Diretas.

Os temas são importantes. Mas como de

hábito esta Assembléia não tirou qualquer

proposta objetiva para encaminhar as quês

toes em gauta.

Também pudera^ Da atual direção da...

FETAG nunca deu prã esperar nada. Desde que

assumiu, sempre se caracterizou por duas

coisas: primeiro, pela grande capacidade

em embananar e manobrar as decisões nas reu

nioes, manifestações e Assembléias, impe"

dindo com isto uma ação mais objetiva da

classe. E, segundo, pela total incapacida

de e falta de vontade de fazer o que é dê

terminado e decidido. Muito antes pelo co?í

trário. 0 que faz é espalhar confusão en~

tre os sindicatos. Com isto atrapalha mui

to mais que ajuda.

Isto explica os resultados desta As-

sembléia.

Prestação de Contas: a única coisa po

sitiva da l-UAG, em 1983, foi o balanço?

Sobraram mais de 100 milhões quemuitobem

poderiam ter sido empregados no reforço

das lutas dos trabalhadores rurais.

Previdência: na questão da previdên -

cia analisou-se quais os itens do projeto

discutido e encaminhado pelos trabalhado-

res rurais do pais que poderiam ser nego-

®

ciados com o Ministro Passarinho. Isto é,

que itens poderiam ser deixados de lado.

Enquanto isto, a realidade dramática do

atendimento aos colonos não mereceu qual-

quer atenção. Não foi fixada uma posição'

quanto ao flagrante descumprimento da atu

ai legislação da Previdência Rural, em es

pecial da Portaria nÇ 2576, que garante o

atendimento gratuito aos segurados e que

continua em vigor.

E de ser perguntar ao Sr. EzTdio Pi-

nheiro e companhia: de que adianta lutar

por uma nova legislação, se nem a atual

conseguimos fazer cumprir?

0 certo é que e muito mais fácil dis-

cutir sobre um projeto do que enfrentar a

realidade e adotar medidas para mudá-lo.

Luta dos sem terra: a FETAG escolheu

COIMU priondade_para 1984 a questão dos

SEM TERRA. E prã começar bem, ja tomou duas

medidas. Adiou a conclusão do levantamen-

to dos sem terra do estado para dezembro

de 1984 e desmarcou uma manifestação dos

SEM TERRA programada para 25 de julho em

alguma áreade conflito do estado.

A Direção da FETAG não teve coragem de

assumir publicamente o motivo porque esta

va voltando atrás quanto a manifestação.' 7 '

Mas, seus diretores comentavam fora da As^

sembleia que tinham medo de serem desmora

lizados por juntarem menos gente que a Rü

MARIA DA TERRA. Vejam só que baita motivo.

Eleições diretas: quanto em todo o pj*

is se sucedem manifestações pelas diretas.


=SINDICALISMO

a FETAG teve coragem de apresentar uma no

ta de apoio da entidade às Eleições Dire~

tas, mas não especificou para quando. E e

bom lembrar gue Figueiredo, Maluf, Andréa

za etc. também são a favor das diretas.So

que para 1990.

Felizmente alguns sindicalistas perce

beram a manobra e exigiram gue o apoio fos

se pelas diretas já, o que foi aprovado." r

É claro queda parte da FETAG, esta luta

vai ficar s5 na nota de apoio. 0 que, con

venhamos, e muito pouco.

A JOGADA

DA FETA6

Falamos do atraso que é a FETAG para

as lutas dos trabalhadores rurais. Edapa

ra comprovar isto. Senão vejamos: em 19827

a prioridade era o leite. Após muita luta,

toda a mobilização foi colocada por água

abaixo pela vergonhosa decisão da comissão

do leite em desmarcar o boicote que havia

sido decidido por 10.000 colonos em Assem

b2éia no Araújo Viana-Porto Alegre. Vejam

sõ. Foi desrespeitada a decisão de 10.000

colonos e por quem? Por uma comissão de 9

sindicatos coordenados pela FETAG,dps quais

so três votaram a favor dos produtores.

Em 1983, a prioridade foi a previdên-

cia. Muito se lutou, mas a FETAG este sem

pre ausente. E o resultado foi que, ape~

sar das lutas, em 1983 o problema da Pre-

Fome, miséria, desemprego e desespero.

Esta é a dramática e cruel realidade dos

trabalhadores. Esta é a conseqüência de

anos de ditadura militar, totalmente submis-

sa aos interesses dos capitalistas nacionais e

internacionais (FMI) e dos latifundiários que

exploram e reprimem violentamente os

trabalhadores da cidade e do campo. Esta é a

pior crise da história brasileira.

O Governo se isola cada vez mais. Hoje,

um grande clamor empolga milhões de

brasileiros: eleições diretas em todos os níveis

já! Trau-se de uma clara manifestação de

repúdio ao regime militar e a tudo o que ele

representa. Trata-se de um anseio da vontade

soberana do povo brasileiro para dar um

basta definitivo à farsa do Colégio Eleitoral,

espúrio e ilegítimo, instrumento de perpetua-

ção do regime. Assim, a CUT repudia

veementemente o Colégio Eleitoral, ou

qualquer outro que venha a ser constituído e

se une à luta por eleições diretas em todos o»

níveis, integrando-se nos comitês formados

hoje, em todo o território nacional.

Mas, que eleições interessam aos trabalha-

dores? O povo, em outras ocasiões, já elegeu

, Manifesto da

-Central Única dos Trabalhadores

ao povo brasileiro

diretamente todos os seus governantes,

inclusive o Presidente da República, e nem

por isso a sua situação melhorou.

Interessam aos trabalhadores eleições

diretas com ampla liberdade: sem LSN (Lei

de Segurança Nacional), sem 'J anti-greve,

sem intervenção nos sindicatos (sem proibi-

ção aos diretores cassados de concorrerem às

eleições), sem repressão, com ampla liberda-

de de manifestação, organização c propagan-

da, inclusive nos meios de comunicação d«

massa. Enfim, eleições diretas sem o regime

militar.

Interessa aos trabalhadores a luta pelas

eleições diretas, se ela for travada juntamente

com a luta pela conquista dos seus principais

objetivos:

• Pelo fim da política econômica

do Governo

• Por liberdade e autonomia sindical

• Pelo salário-desemprego

• Pela estabilidade no emprego

• Pela Reforma Agrária sob o contrai*

dos trabalhadores

• Pelo fim do Regime Militar.

(D

vidência terminou pior que começou. Por

quê? Porque só alguns sindicatos assumi -

ram a luta e estes isolados não têm força

suficiente para arrancar do governo mais

dinheiro para a saúde. Precisava a FETAG

pegar junto.

E agora, 1984 é o ano dos "SEM TERRA".

A FETAG começa desmarcando a manifestação

e adiando o levantamento. Que os SEM TER-

RA fiquem alertas. Se depender da FETAG na

da vão conseguir este ano. -

Na verdade, cabe aos sindicalistas com

bati vos, estes que realmente estão dispo?

tos a defenderem os interesses dos que re

presentam, tomarem a iniciativa para mu~

dar esta situação. Para isto, é mais que

urgente que encontrem uma forma de se ar-

ticularem, de trabalharem em conjunto pa-

ra vencer o manobrismo e falta de inicia-

tiva da FETAG em assumir as lutas.

Por que a jogada da FETAG e muito pe-

rigosa para o movimento sindical combati-

vo. As bases que estão sendo mobilizadas'

ha vários anos, ainda não conseguiram sen

tir o gosto de uma vitória concreta. E des

se jeito não ha espirito de luta que re~

sista. Daqui há pouco os colonos vão ter

ate razão em não mais confiarem nas suas

direções e nos seus sindicatos. E isto sÓ

interessa para um tipo de sindicalismo que

de tao conhecido nem precisa ser chamado

pelo seu nome.

A luta por eleições diretas, com este

caráter, representa um importante passo para

o avanço dos trabalhadores no processo de

transformação profunda da sociedade

brasileira. A CUT entende que outras formas

de luta precisam ser utilizadas pelos

trabalhadores, além das manifestações

maciças realizadas em todo o país, uma vez

aue, mesmo com a conquista das eleições

diretas, a situação dos trabalhadores não

estará automaticamente resolvida. Os

interesses dos trabalhadores serão garantidos

quando eles avançarem nas suas formas de

organização e serem capazes de usar um de

seus principais instrumentos de luta no

momento — a GREVE GERAL.

Ness* sentido, a CUT foz uma conclama-

çio a todos os setores identificados com o

sentimento de oposição ao regime, a

f>articiparem, através de comitês pró-diretaa

i organizados ou que venham a se organizar,

no processo de discussão'da Greve Geral,

teodo o mês de abril como data-referènda

para a deflagração de uma arma poderosa

usada historicamente pelos trabalhadores, na

conquista dos seus direitos.


POLíTICA AGRíCOLA

Plante, mas o João nada garante !w

i ^E7^

A SAFRA 83/84 ESTA SAINDO DAS LAVOURAS.

0 QUE ESTA ACONTECENDO E 0 QUE AINDA VAI ACONTE

CER COM OS PREÇOS? 0 QUE TEM A VER UMA CARROÇA~DE

MILHO COM O FMI? OU, EM OUTRAS PALAVRAS, QUEM ES

TA METENDO A MAO NA NOSSA COLHEITA? *

Todo o santo ano a história se repete:

do inTcio da safra ate o momento que o pro

dutor segura em casa a colheita, os pr.e-

ços dos produtos agrícolas se mantêm lá era

baixo. ~

^Depois que estiver estocado, na mão das

indústrias e comerciantes, vão lá pra co-

roa da lua.

Os serviçais do regime explicam o fa-

to através da lei da oferta e da procurai

Sabemos que na verdade trata-áedà eòs

tumeira manipulação de mercado, feita em

interesse próprio pelos comerciantese agro

industrias. E com o consentimento do go-

verno.

Este governo que declarou prioridade'

a agricultura, para cumprir ã risca as or

dens do FMI, elevou as taxas de juros do?

financiamentos agrícolas a nTveis nunca aji

tes registrados no país.

Etem mais, agora na próxima safra não

haverá mais nada de subsidio (a correção

monetária será igual ã taxa da inflação).

rar

FMI

for

Da mesma forma, para "hon

os compromissos com o

vai exportar tudo o que

possível e ate o imposs7vel

(veja matéria sobre Expor

tação de Milho)

E sabido que o governo'

não dispõe de estoques regula

dores dos produtos da alimentação

básica. Dentro das desa

tinadas medidas imediatas7~Ta

Iam em liberar a exportação ^

de todos os produtos agrico

Ias. Para depois importar, se

for preciso, como aconteceu '

com o milho no ano passado,

Alim^disso, a Política de

preços mínimos na verdade

garante o lucro dos industria

is e comerciantes.

Com esta polTtca, não dá

outra: a maior praga da lavou

ra nao e a lagarta, e o prcT

prio governo.

A respeito de preços-nrfnii

mos, estamos observando mais

uma falta de iniciativa da FE

TA6: A FEARR0Z (Federação das

Cooperativas dos Arrozeiros)'

está pressionando o governo

para que o preço mínimo do ar

roz seja corrigido mensalmen"

te ate^agora em abril ( pela

lei, só foicorrigido monetariamente

até fevereiro).

Relatório Reservado

18 de março 84

MILHO

Pergunta-se: porque a FETA6 não faz o

mesmo em relação ao milho ?

Tem colono apertado entregando o saco

do milho a Cr$ 6.800,00. Ea FETAG esta fa

zendo o quê ?!...

Balanço financeiro 83

—(fonte: Jornal do Comércio)

*** Lucro Líquido: 15 bilhões, 392 mi-

lhões e 57 cruzeiros ***

Isto representa um lucro de 626% su

perior ao lucro do ano anterior (a in-

flação foi de 230%).

É o equivalente a 1.100.000

Ihão e cem mil) sacos de soja,

14.000,00, cada.


^POLÍTICA AGRÍCOLA.

ELETRIFICAÇÃO RURAL

Fraude

* ▼ ^ em Três Passos

, No último dia 22.03.84 foi denunciada

mais uma fraude em nosso estado. Desta vez

TOI no município de Três Passos, onde uma

verba de 600 milhões de cruzeiros destina

dos a eletrificação rural simplesmente"de

sapareceu". -

A denúncia das irregularidades foi fei

ta por um deputado oposicionista, depois

que o STR de Três Passos, através do seu

presidente - Ivo Franke, apresentou docu-

mentos que as comprovam.

Os 600 milhões de cruzeiros eqüivalem

as contribuições feitas pelos agriculto -

res da região, que. de 1976 ati 1980, pa-

garam pela instalação de uma rede de ele-

trificação rural que até hoje não foram im

plantadas. Com esta soma seriam beneficia

das 240 famílias que agora jã nem sabem sê

as obras irão realmente ser efetuadas.

„ A Companhia responsável pela realiza-

ção das obras (Elektron-Engenharia Elétri

ca Comércio e Representações) diz,através

de seu presidente, que não recebeu o mate

rlalj enquanto que um funcionário da mes-

ma empresa acusou o recebimento da maior

parte deste. Por outro lado, a Elektron de

monstra, através de notas fiscais, que en

tregou o material ã prefeitura de Três Pas

SOS. -

Outro fato curioso é que no ano passa

ao o prefeito de Três Passos - Renato Jo-

sé Oppermann - chamou os lideres do STR e

pediu para que estes "acalmassem" os agri

cultores prejudicados, prometendo que a?

obras iniciariam em outubro de 1983 e se-

riam terminadas em abril deste ano. Como

as obras nao foram sequer iniciadas, os a

gncultores cansados de esperar, resolve"

ram entrar com uma ação na justiça para

acionar os responsáveis porv esta fraude.

Na verdade, as irregularidades deste

caso ainda nao foram completamente escla-

recidas, pois há alguns indícios de que no

tas fiscais foram tiradas com valores com

pletamente astronômicos. Este é o caso dã

nota fiscal de n9 961 de 04.11.82. onde o

valor atinge 700 mil cruzeiros e. segundo

cálculos feitos em 08.09.83, os produtos

constantes naquela nota teriam um valor de

aproximadamente 350 mil cruzeiros.

0 que esperamos é que esta triste si-

tuação nao acabe prejudicando exatamente

aquelas pessoas que. agindo de boa-fé.cum

priram com a sua parte no contrato, ou sê

ja, os agricultores. ""

Fatos como este é que reforçam a im-

portância de sindicatos combativos, que

sirvam para defender os interesses da cias

se rural, fiscalizando obras como esta.

(D

A triste realidade

da fumícultura

A cada colheita que passa a situa-

ção dos^fumicultores torna-se mais in-

sustentável. 0 crédito está cada vez mais

difícil ao mesmo tempo em que os preços

da ultima safra nem sequer acompanharam

a inflação.

Quando a última safra de fumo esta-

va para ser colhida, os produtores fica

ram sabendo que as indústrias "não pode

riam pagar preços que acompanhassem J

inflação", segundo os donos das compa-

nhias de fumo. Na hora de serem fixados

os preços, os agricultores receberam um

"aumento" de 180% para algumas varieda-

des e de 185% para outras. Isto signifi

cava que, em media, os preços ficariam" 1 "

30% abaixo da inflação.

Como se não bastasse a má remunera-

ção, o crédito está cada vez mais escas

so e mais caro. Se antes os fumiculto -

res tomavam empréstimos com taxas de 60%

da correção monetária, hoje estes mes-

mos agricultores estão pagando 100% da

correção monetária mais 3% de juros so-

bre^o valor dos empréstimos por ei es con

traídos. ""

A situação está chegando a um nível

em que o agricultor que pretende plan-

tar fumo deve solicitar crédito, somen-

te se for necessário e procurar financi

ar apenas os insumos indispensáveis a"

produção (fertilizantes, se necessária,

a lenha). Mas sempre alertando para que

o produtor evite de tomar empréstimos que

mais tarde ele não possa vir a resgatar.

Fora isto, é importante que os agricul-

tores tenham em seus sindicatos e na...

AFUBRA, diretores combativos, que lutem

por preços realmente justos para que os

produtos que são vendidos garantam uma

condição de vida boa aos produtores.

Em suma, não adianta somente produ-

zir fumo procurando gastar o mínimo em

insumos e_não tomando financiamentos na

rede bancária se os agricultores não es^

tiverem efetivamente organizados para ga

rantir bons preços pelos seus produtos?


—^ POLÍTICA AGRÍCOLA'

,_ Diversificar. começando pelo governo _

ESTA ABSOLUTAMENTE PROVADO AO PEQUENO PRODUTOR RURAL QUE A MONOCULTURA NAO LHE

SERVE. DELA SO TIRAM PROVEITO OS 6RANJEIR0S E FAZENDEIROS.

MUITAS COOPERATIVAS E POLÍTICOS, PRINCIPALMENTE OS DE OPOSIÇÃO, JA SE DERAM CON

TA DESTE FATO.

POR ISSO, DE UNS TEMPOS PARA CA, MUITA GENTE VEM PREGANDO A DIVERSIFICAÇÃO DE

CULTURAS COMO REMÉDIO CAPAZ DE DEVOLVER O FÔLEGO A PEQUENA PROPRIEDADE. E DE FATO,TEM

COOPERATIVAS INVESTINDO EM EQUIPAMENTOS PARA RECEBER TAMBÉM OUTROS PRODUTOS DE SEUS

ASSOCIADOS.

L

-Ditadura e monocultura

Mas, se ê fácil de enxergar, i difTcil

de executar.

Por que?

Porque e resultado de uma política eco

nômica autoritária que:

19) Atribui ã agricultura a função de

sustentar a industrialização [comprar tra

tores, adubos químicos, aqrotoxicos, etcj

e produzir para exportar.(Quantas vezes o

governo já importou leite, feijão, milho,

etc.?),

29) Usa todos os mecanismosde polTtj

ca agrícola (o principal e o crédito ru^

ral) condicionando o produtora plantar so

o que o governo quer.

39) Amarra as cooperativas agrícolas a

todo este esquemão e através da legisla-

ção cooperativista, dificulta a democra-

cia na tomada das decisões,^fortalecendo 1

a cooperativa como mais um órgão executor

da política agrícola.

49) Torna a pequena propriedade desca^

pitaiizada e por isso dependente dos ban-

cos. 59) Explora os trabalhadores urbanos

através do salário miserãve>, impedindo com

isso que haja um mercado consumidor dos

produtos da colônia.

Sem se alongar muito, vê-se que a má-

quina que nos oprime é bem pensada. Afi-

nal, ela tem de produzir lucros,muitos lu

cros para os grandes capitalistas.

-Democracia e diversificação- 1

Diversificar a produção agropecuária'

exige:

19) Uma política econômica preocupada

com a aiimentaçãoe saúde dos brasileiros,

onde a agricultura seja encarada como fa-

tor de segurança nacional, capaz de,em pn

mei^o lugar, alimentar o povo.

«S**?: ^

29) Colocar,, os

instrumentos de po

litica agrícola a

serviço da constru

çãode uma agricuT

türa nacional.

39) Acabar com a

criminosa rede de

atravessadores que

explora o produtor

e o consumidor.

49) Democratiza

ção das cooperatT

vas agrícolas. ""*

59) Uma política de salários que faça

justiça social e econômica, criando e man

tendo um mercado consumidor interno {na~

cional).

Sem dúvida, diversificar a produção £

xige muita luta da colônia e dos trabalha

dores da cidade, para juntos enterrarem a

monocultura e o "monogoverno" que a criou.

ò ò ò IVIAR PIE ILAIVIA NO BNCC A

0 Banco Nacional de Cre_dito Cooperai^

vo sempre foi uma instituição discreta,com

poucos recursos e sem muita força para creis

cer. Quando Amaury Stãbile nomeou para sua

presidência o amigo e ex-colega do Citibank,

T. Shibuya, começaram os problemas.

As duas personagens centrais de todo

o escândalo são Shibuya e Byron Coelho -

(D

demitidos dia 19 de dezembro -, gue leva-

ram para o BNCC quase 200 funcionários com

uma característica comum: quase todos ha-

viam passado pelo Citibank ou Banco Lar Bra

sileiro - e não tinham nenhuma experiên-

cia em cooperativismo.

Para levar o banco a crescer, começa-

ram a facilitar a liberação de recursos.'


«POLÍTICA AGRÍCOLA'

Cooperativas e empresas particulares fo-

ram beneficiadas com uma expressiva soma

de milhões dejiolares, a titulo de adian-

tamentos de cambio por exportações frias.

Não se sabe ate hoje quanto foi desviado,

mas somente a Central de Cooperativas de

Produtores Rurais do Rio Grande do Sul '

(CENTRALSUL) recebeu US$ 100 milhões.A Co

operativa Vale do Taquari (Copave), mai?

US$ 15 milhões. Depois das maxi-desvalori

zações, nenhuma teve condições de pagar e

engrossou-se a lista de inadimplentes.

capemí e centralsul

Mas isto não é tudo. 0 BNCC está in-

teiramente ligado ã CAPEMI: Shibuyadeuum

aval, sem garantias, ã Capemi, para que

contratasse junto ao Banco Nacional de Pa

ris um empréstimo US$ 27,2 milhões. A Ca-

pemi nao pagou, nem os juros. 0 BNCC foi

citado e pagou todas as parcelas dos juros

desde o segundo semestre de 1982 e o prin

cipal em quatro prestações mensais, a par

tir de 30 de setembro de 83. Por ter dado

o aval, Toshio foi afastado do BNCC e con

tratado pelo Banco Vaibras, do grupo Sharp.

Em seu lugar ficou Byron. Antes de saírem,

Toshio e Byron ainda encontraram tempo pa

ra a liberação de_Cr$ 10 bilhõesã CENTRAI

SUL, para, em caráter inédito, financiar a

"antecipação de créditos representados pe

los prejuízos acumulados a ratear com nojs

sas filiadas". Foram apresentados como ga

rantia imóveis que jã tinham quatro hipo-

tecas e não valiam Cr$ 200 milhões, embo-

ratenham sido liberados mais de Cr$ 25 bi

lhoes, a operação é considerada até pelo

Banco Central como "criminosa". Operações

como essas foram muito comuns em sua adnn

nistração.

f unciondrio fantasma

e desvios

Mas as denúncias mais gravese que aca

baram por levar Stábile, primeiro, a demT

tir mais dois diretores e a seguir, derni"

tir-se, foram:

1) Através de convênio com a Confede-

ração Brasileira de Eletrificação Rural ,

presidida por S.Dreyer - por coincidência-

presidente da cooperativa gaúcha Coopave,

envolvida nos desvios dos adiantamentos de

cambio frios -, eram gastos mensalmente '

de Cr$ 30 a Cr$ 40 bilhões, para o paga-

mento de funcionários "fantasmas". Entre

eles as mulheres de oito superintendentes

(para complemento de seu salário), outros

funcionários e até o secretário-geral do

Ministério,

0 Convênio com a Conbracer servia ain

da para o pagamento de funcionários ou co]i

siderados funcionários do Jornal da Feira

e Codecon, dirigidos pela filha do minis-

tro de forma inteiramente irregular.

2) A pedido da sra. do ministro,foram

gastos cerca de Cr$ 10 milhões para a cons

trução de uma casa na comunidade Nova Be-

tãnia; destinada ao atendimento de meno-

res carentes. Os recursos saíram do convê

nio com a Combracer, que tinha como execu

tor H. Penaforte, amigo de Stábile e que,

com muita dificuldade, a atual administra

çao do BNCC conseguiu demitir no fim do ano.

Os recursos foram_J ibera dos a fundo perdi^

do, de formatambém irregular, pois a fun

ção do BNCC é financiar cooperativas.

3) Um genro de Stábile, presidente do

Grupo Executivo de Eletrificação Rural do

Ministério da Agricultura, também era fun

cionário "fantasma" do BNCC, com salário

de cerca de Cr$ 600 mil. Foi demitido no

final de janeiro.

4) Uma empresa paulista começou a ageji

ciar empréstimos de cooperativas junto ao

banco, recebendo comissões, que estão do-

cumentadas. Foram liberados vultosos re-

cursos a cooperativa Cooperformoso, do Dij;

trito Federal, todos desviados para o mer

cado financeiro. Foi descontada uma duplT

••fr sa*

KgS?*^*

O

cata fria da Usina Santa Terezinha, de Per

nambuco, contra a Cooperativa Central do

Amazonas, quando o açúcar "vendido" nunca

chegou ao destino.

5) Um Fiat comprado pelo banco estava

em uso particular pela mulher do secretá-

rio-geral do Ministério.

stdbile é acionista

da sharp

De outra parte, o escândalo também tem

estado muito relacionado com o grupo Sharp.

Foram desviados quase Cr$ 3 bilhões de re-

cursos da União, captados como Impostos de

Renda na Fonte, para depósito no Banco Vai

brás, quando poderiam ter ficado no BNCC

por quase um mês, a custo zero. Existem do

cumentos demonstrando que um alto funciona"

rio recebeu uma comissão de Cr$ 180 milhões,

por ter favorecido o Vaibrás. Stábile tem

10% do capital da Sharp Financeira, sua mu

lher outros 5% e o próprio ministro foi dj

retor.

Em 8 de março de 1980, o deputado Hé-

lio Duque (PMDB-PR) denunciou da tribuna da


Câmara, que Stabile já havia procurado fa-

vorecer a Sharp na compra de um milhão de

hectares de terra que a Cotriguaçu-Central

de Cooperativas do Oeste do Paraná- possu-

ía em Aripuana, no norte de Mato Grosso. A

Quem é Nestor Jost?

0 NOVO MINISTRO DA AGRICULTURA

É gaúcho de Candelária. Já foi deputa

do estadual e federal. Foi candidato ao se

nado flaglorosamante derrotado pela oposT

ção em 74.

Como prêmio da sua derrota para o se-

nado, recebeu a presidência do Banco do

Brasil.

Esta boquinha de ministro, ele estava

aguardando desde 1979, e enquanto isto foi

Secretário-Executivo do Projeto Carajás (ex

tração mineral) no Pará.

Ê homem de confiança de Delfim e mui-

to ligado a fazendeiros e industriais ru-

rais. Inclusive é o presidente da ABIFUM3

- Associação Brasileira das Indústrias do

Fumo - entidade que representa os interes

ses multinacionais que atuam na área do fu

mo, como a Souza Cruz, Philips Morris,etc.

Nestor Jost também é presidente do Con

selho de Administração da GRANÕLBO S/A de

Porto Alegre (trabalha cem soja), indús-

tria que só nos primeiros 9 meses do ano

passado faturou mais de 6 bilhões de cru-

zeiros.

POLíTICA AGRíCOLA^

Sharp, 22 horas depois, desistia do nego-

cio e nunca se soube exatamente quais se-

riam as vantagens com que o ministro procu

rava beneficiar a empresa.(ESP-02.03.84) '

O seu Nestor é acusado de estar envol

vido no escândalo da CENTRALSÜL, protegen

do o seu Hermann Strobel, vice-presidente

da CENTRALSÜL na gestão de Ari Dalmolin '

que assumiu a presidência quando este re-

nunciou, e que também estaria envolvido

com irregularidades.

Afora isto, outra acusação diz respei

to ao fato de dois ex-funcionários,envolvi

dos nos escândalos, ao saírem da CENTRALSIJLT

tiveram logo guarida na empresa de Jost,a

Granóleo. E outra é que um advogado, que

também foi advogado da CENTPALSUL, hoje é

seu assessor no Ministério da Agricultura.

Para ccnpletar a "fichinha"-, nosso Mi

nistro da Agricultura ainda tem umas face

tas "à Ia Newton Cruz", há poucos dias quan

do interpelado por um repórter sobre o seu

envolvimento con todas estas pessoas im-

plicadas nos escândalos da CENTRALSÜL, ir

ritou-se e, desatinadamente, chamou o re^

porter do jornal Estado de São Paulo de mo

leque, bobalhão e idiota. ~

Resultado: o repórter não se assustou

e está processando o rinheirão.

1984 - ANO DE MUITA LAGARTAE DE MUITA MOR

TE. PARECE QUE VAMOS BATER A TRISTE MARCA DE ...

1983: 192 CASOS DE INTOXICAÇÃO REGISTRADOS E, EN

TRE ELES, 7 MORTES. JA INICIAMOS "BEM", COM VÁ-

RIOS CASOS DE INTOXICAÇÃO E ALGUMAS MORTES. SO NO

PLANALTO MÉDIO OCORRE 1 CASO DE INTOXICAÇÃO POR

DIA.

Nesse ritmo nós vamos alcançar Santa

Catarina ligeirinho (em 1983: 1500 casos

registrados de intoxicação por agrotoxi -

cos!).

Mas, não vamos cair na conversa de que

e o surto da lagarta que vem causando to-

do esse groblema, Ele e bem anterior. Nos,

agora, so estamos vendo parte dos resulta

(Si)

dos desastrosos de uma polTtica agrTcola

adotada a partir de 1964. PolTtica agrTco

Tá essa que visava a exportação em grandS"

escala, não importando o preço. Em cima

desse modelo de exportaçãoj baseado na mo

nocultura, foram criados vários incenti"

vos ao consumo em larga^escala de insumos

e, entre eles, os agrotõxicos (isenção do

ICM, juros baixos...). Esse incentivo ao

consumo visava um grande aumento na produ

tividade, o que não ocorreu.

^Bom, o que aconteceu depois disso tu-

do e que tivemos um grande estoque de agro

tóxicos no mercado (produzidos por multi"

nacionais e muitas vezes não usados nos

países de origem). E bom ressaltar que a

necessidade de consumo de agrotõxicos foi

calculada sobre uma visão otimista (no tem

po do "milagre econômico" - meados de ,.7

1970) de que a agricultura continuaria crês

cendo em torno de 7% ao ano, o que também

não ocorreu. E_a7, o que fazer com esse ex

cesso de agrotõxicos no mercado? Empurrar


POLÍTICA AGRÍCOLA^

para cima do agricultor de qualquer jeito,

t o que vem ocorrendo no estado, em que

exemplos de vendas ilegaisJl sem a apresen

tação do receituãrio agronômico, não fal-

tam. Aliado ao excesso no mercado ainda te

mos o desconhecimento por parte do agri-

cultor de como lidar com os agrotÕxicos,

o que vem causando bastante vítimas. Além

destas vTtimas, ainda temos as graves con

seqüências sobre o meio ambiente. Rios sem

vida, lagos contaminados, morte de animais,

solos contaminados e alimentos com alto

grau de toxidez.

Quem não se lembra do caso da Eletro-

morte, digo Eletronorte, com seu agente Ia

ranja? Pois em Erexim foi denunciada, por

OHmpio Zanin - membro da AGAPAN de Ere-

xim -, acomercialização de Tordon-101. '

que contém elementos do agente laranja(vi

de TERRAGENTE n9 26).

Ainda bem que tem gente que denuncia.

Depois do que ocorreu na Io

calidade de São Mateus, agora

foi a vez de São Borja.

A barragem de Sainburá - 38

ha - está morta. Envenenada'

possivelmente por Endrin e En

dossufan. O local que antes ser

via jara abastecimento de ã-

gua [jara o gado, irrigação pa

ra as lavouras, pesca e lazer

provavelmente cairá em desuso

por 30 anos.

Esse é o tempo que a natu-

reza precisa para absorver os

efeitos do Endrin e do Endos-

sufan - organoclorados.

Realizou-se, nos dias 15 e 16 de março, em IjuT, no

CTC da COTRIJUl, o Encontro Regional de Tecnologias Alter

nativas. Foi organizado pela FIDENE e teve coordenação na

cional a cargo da FASE-Federação de Órgãos para Assistên"

cia Social e Educacional.

Este encontro foi uma das resoluções tomadas duran-

te o Encontro de Tecnologias Alternativas, realizadoem de

zembro do ano passado em Campinas. São Paulo.

Participaram do encontro 17 instituições e 47 pes-

soas, 11 das quais agricultores. No primeiro dia foram tro

cadas experiências de trabalho entre as entidades e a ..7

COTRIJUl fez um relato sobre a aplicação de tecnologias aí

ternativas. ~

Pela manhã do dia 16 se fez uma visita aos experimen

tos levados pela COTRIJUl. A tarde, ocoreu a partemais im

portante do encontro.Foi discutido o que seria "tecnolo"

gia alternativa". Se i um conjunto de técnicas visando uma

maior produtividade em harmonia com a natureza ou se não

são borja:

BARRAGEM MORTA

mas infelizmente, tem pessoas que "dão pa-

ra trás", t o caso de Orgenio Rott, atual

vice-presidente da FETAG, que disse q^ue a

lei dos agrotóxicos não deveria sertaoH

gorosa. A ntvel de curiosidade é bom sa-

ber a multa que leva quem aplica veneno

proibido: a exorbitância de Cr$ 1,00!!

Com esse panorama desolador são erra

das, pelos órgãos oficiais, medidas ate-

nuantes do problema. Estas medidas visam

uma melhor fiscalização na comercializa-

ção e o ensino do manejo dos agrotóxicos.

Mas isso não basta. 0 que e necessá-

rio é que seja reorientada toda nossa agn

cultura. Precisamos de muitas pesquisaT

em formas alternativas de produção. Al-

ternativas que venham a tornar o agricul^

tor independente dos interesses capita-

listas, t lógico que não ha interesse nú

so, o que só conseguiremos com muita lu-

ta por parte dos interessados, os agri-

cultores.

MM-TOXiCCS..

®

Tudo isso por causa da ga-

nância da empresa Herbitécni-

ca, que ccmercializou o produ

to, e por causa da irresponsa

bilidade dos irmãos Secoo,que

utilizaram o produto.

Não bastando os animais que

morreram intoxicados, há ain-

da o perigo de contaminação '

do rio Uruguai e, conseqüente

mente, do ponto de captação da

água que abastece o município

de São Borja.

Fica a pergunta: AgrotÕxi-

cos para matar o quê ou QUEM?

se limita a questão técnica e aorange os problemas socia-

is. Para quem serviria a agricultura alternativa? Conti-

nuaria enchendo osbolsos dos grandes capitalistas ou vi

saria uma independência do pequeno agricultor? Questiona"

Ha a estrutura fundiária? Mais outras questões foram le-

vantadas e as pessoas chegaram ã conclusão de que tecnolo

gia alternativa só ganha importância quando se alia ã lu~

ta de. trabalhadores.

Foram levantados problemas e necessidades, sendo uma

multo importante o intercâmbio de material entre as enti-

dades que atuam nesta área. Isto ficou por encargo da ...

FIDENE (centralizará as informações).

Foi formada uma coordenação regional a partir das

representações estaduais. Ficou composta por representan-

te» da FIDENE/UNIJUI-RS, Instituto São João Batista Via-

nel-SC e ASSESSOAR-PR. Além destas três instituições,a co

ordenação contara com três entidades de agricultores.

o O O o

Vários setores da sociedade têm se mobilizado, promo-

vendo encontros para discutir forma» de alterar o sistema

de produção agrícola, diminuindo, ou mesmo, eliminando a

dependência do agricultor ao uso de agrotóxicos, de adu-

bos, corretivos e outro» insumo».

IMi destes encontros aconteceu no mês "de dezembro(83 ,

em Concordia-SC - 1 Encontro de Agricultura Alternativa-.

Foram debatidas as questões que envolvem os agrotóxicos e

demais insumos utilizados Intensamente na agricultura atu

ai, que visa basicamente o lucro capitalista.


POLÍTICA AGRÍCOLA'

Corretas são as resoluções tiradas no Encontro, expressas na "Declaração de Cancordia",

no sentido de alterar a forma de produção agrícola, atualmente subordinada a Interesses dos gran

des.

Entretanto, o problema básico que envolve a alteração dos rumos e da forma da produção

agrícola no Brasil não foi sequer mencionado - a questão da terra. Segundo a ABRA (Associação

Brasileira de Reforma Agrária) do Paraná, em nota recentemente lançada,"esqueceram" que enquan

to não se modificar a atual estrutura fundiária do Brasil, pouco se fará para resolver a misé-

ria do campo e a pobreza dos pequenos agricultores".

Ainda segundo a ABRA-PR, não foi colocada a realidade do trabalho eas dificuldades que

enfrenta o produtor rural quanto ã falta de terra, problemas de comercialização, preço de produ

tos agrícolas, estradas, escolas, saúde, etc.

Também lembra que para este encontro os reais interessados não estiveram presentes: os

sindicatos de trabalhadores rurais, lideranças dos Sem-Terra e "bÕias-frias".

Por isso, a ABRA-PR espera que no II Encontro de Agricultura Alternativa, realizado em

02-06.04.83, em Petrõpolis-RJ, as coisas tenham se modificado. Um encontro de tão grande impor-

tância não pode deixar de se manifestar pela Reforma Agrária, permitindo assim a esperança da

Agricultura Alternativa para 12 milhões de agricultores sem-terra e 6 milhões de "boias-frias "

existentes no Brasil.

So quem lida, dia após dia, com suas

vacas leiteiras sabe como a coisa dá tra-

balho. E também o exato valor do leite ali

produzido.

Mas, na verdade, e bem longe dali (lã

no SEAP-Secretaria Especial de Abasteci -

mento e Preços, em Brasília) que os pre-

ços sao calculados. E quase sempre sem a-

tender as necessidades de quem produze de

quem consome,

E para confirmar este fato, coragem.'

Basta olhar a nova tabela de preços:

Preço ao Produtor:

Leite consumo Cr$ 236,00

Leite indústria Cr$ 223,00

Preço ao Consumidor:

RS Cr$ 340,00

0 leite tipo consumo tinha, em janei-

ro, um custo calculado de Cr$ 308,00, mas

a SEAP tabelou-o em Cr$ 236, deixando um

prejuízo de Cr$ 72,00 por litro ao produ-

tor.

E a gente sabe queesta situação já vem

de mais tempo. Por exemplo, de fevereiro

de 83 a março de 84 o total de aumentos dos

preços pagos ao produtor foi de 168%, en-

quanto que o custo de produção no mesmo

período teve um aumento acumulado que che

gou a 252%.

E o consumidor? E para quem ainda con

segue comprar leite (o RS consumiu somen-

te 29 milhões de litros em 83) o problema

também é bastante grave.

Em 83, o leite tipo C subiu de Cr$...

79,00, em janeiro, para Cr$ 250,00, em de

zembro. Isto representa 216% de aumento

acumulado, superior ã própria inflação que

ao final de 83 chegou a 213%.

Que situação, hein! 0 produtor ganha

pouco e o consumidor paga muito.

Olha, essa vida é mais sofrida do que

surra com a tala do mango.

E claro que tem gente lucrando, basta

ver o desempenho das grandes indústrias de

laticínios e rações.

Produtor e consumidor

• f « am • a conta

Os laticínios transformam boa parte

deste leite que lhecusta tao barato em de

rivados (leite em po, nata, manteiga,quei

jo, iogurte, leite longa vida, etc) que

irá vender a preços altíssimos. Por exem-

plo, um pote de iogurte de 210 g custa ho

je, em média Cr$ 385,00.

E para confirmar as informações é só

olhar o desempenho de duas grandes indús-

trias aqui do RS:

em Cr$ milhões

Empresa Receita

Liquida

Lucro

Patrimônio

Liquido

Lacesa

Mayer

7.187,7

5.573,1

1.525,4

481,1

79,8

154,7

Na produção leiteira as indústrias de

ração também conseguem bons preços, aumen

tando mais ainda o seu lucro final. Veja-

mos o balanço de duas indústrias do setor

durante 83:

em Cr$ milhões

Empresa Receita

Lucro

Patrimônio

Liquida Liquido

Socil

Cargill

14.445,6

3.102,9

1.636,7

1.480,8

138,2

333,1

Enquanto isto, os mais de 70.000 pe-

quenos produtores de leite do estado vão

deixando de produzir.

Para a entressagra, deveriam ser libe

rados Cr$ 75 bilhões ainda no fim do anõ

passado para que as empresas e cooperati-

vas formassem seus estoques. No entanto,

foi liberado apenas 19,5 bilhões, o que

força a importação de leite em pó para ga

rantir os estoques. Este ano serão impor-

tados 40 mil toneladas de leiteem pó.alem

de 20 mil toneladas de doação dos Estados

Unidos, que também contribuem para o de-

sestTmulo da produção nacional e para nos

manter na dependência.

Continuar assim ninguém agüenta mais,

e ficar só ordenhando as vacas não adian-

ta, pois tem muito gato gordo para lamber

o prato.


ECONOMIA

PRODUTOR E CONSUMIDOR

Nos últimos anos a política de preços

do governo aos produtos agrícolas vem cau

sando um crescente empobrecimento dos agrT

cultores. Ao mesmo tempo, nas cidades, oi

trabalhadores pagam cada vez mais caro pe

Ia sua alimentação.

A descapitalização dos agricultores i

decorrente da baixa remuneração paga_ por

seus produtos, dificuldades de obtenção de

créditos e outras restrições que o gover-

no vem jmplantando para conseguir cumprir

as exigências feitas pelo FMI, com respe2

to ã economia brasileira.

Como reflexo desta polTtica vemos, a

cada dia que passa, um maior número de pro

dutores descapitalizados, que abandonam a

agricultura e engrossam os cinturões de mj

seria dos grandes centros urbanos.

Esta criminosa polTtica de preços go-

de ser comprovada através de comparações

feitas entre o que o produtor recebe por

seus produtos e o que ele gasta para pro-

duzi-los. Senão vejamos: se emsetembrode

1979 um agricultor precisava produzir ...

158,2 toneladas de trigo para comprar uma

colheitadeira automotriz, hoje ele preci-

sa produzir 219,67 toneladas para comprar

a mesma colheitadeira. Há ainda outros exem

pios do empobrecimento dos agricultores:" 1 "

em setembro de 1979 um produtor de arroz

precisaria produzir 794,72 sacas de arroz

para comprar um trator CBT (54,5HP), hoje

este mesmo produtor teria que produzir...

1073,75 sacas para comprar o mesmo trator.

Em relação ã produção de frangos,ovos

e produtos deste gênero ocorre a mesma de

fasagem entre custos e receita. Dados mo?

tram que enquanto 1 kg de ração para fran

go de corte subiu 2465,71% entre set./TU

e set./83, um kg de frango vivo subiu ape

nas 1564,24% no mesmo período. Mais ainda:

de set./79 a set.83 a ração para poedeiras

subiu 2444,84%, no mesmo período uma dú-

zia de ovos subiu apenas 1905,18%.

Estes dados não deixam dúvidas quanto

ãs dificuldades cada vez maiores que os

agricultores enfrentam. No quadroa seguir

procuramos comparar os aumentos entre al-

guns produtos que o agricultor vende e ou

tros produtos da indústria que são consu"

midos pelos produtores.

Dois lados

do mesmo

exploração

@

Aumento dos Preços - Set./79 a Set./83

PRODUTOS QUE 0 AGRICULTOR

VENDE AUMENTO COMPRA AUMENTO

Arroz

Trigo

Leite

Frango

Ovos

1887%

1825,36%

1909,9%

1564,24%

1905,18%

Adubos

-Colheitad.

Trator

Rac/frang.

Rac/poed.

2405,18%

2573,28%

2584.93%

2465,71%

2444,84%

Média 1818,33% Média 2492.78%

Os produtos agrícolas acima relaciona

das tiveram um aumento médio de 1818,33%T

Enquanto isto, no mesmo período de tempo

alguns dos produtos industrializados (ra-

ções, maquinaria) que o agricultor compra,

tiveram um aumento médio de 2494,78%. Is-

to significa, para estes nossos dados,que

os produtos agrícolas citados na tabela a

cima subiram 676,45% a menos do que os prõ

dutos industrializados.

Mas, enquanto os agricultores rece-

bem cada vez menos pelos seus produtos, ha

cidade os trabalhadores pagam cada vez mais

para poderem comprar o que já foi denomi-

nado de ração essencial. Sõ para termos

uma idéia: em 1983, a inflação foi de 213%

aproximadamente. Neste mesmo período o sa

lario dos trabalhadores subiu apenas ..7

142,54%. Por outro lado, se em fevereiro'

de 1983 um trabalhador precisava trabalhar

128 horas e 7 minutos para comprar sua ra

ção essencial, em fevereiro de 1984 ele ja

precisa trabalhar 179 horas e 17 minutos.

Isto significa que, um trabalhador urbano

precisa trabalhar hoje 51 horas e 10 minu

tos a mais para compnar a mesma ração es-

sencial que ele comprava há um ano atrás.

Pelo que vemos, produtor e consumidor,

apesar de terem realidades diferentes, fa

zem parte de um mesmo grupo: o grupo dos

explorados por esta terrível polTtica re-

cessiva do governo.

Na verdade, o atual modelo econômico

explora produtores, explora consumidores'

e impõe a uns e outros uma recessão bru-

tal. Tudo isto para que possamos cumprir

compromissos assumidos pelos "nossos"(?I)

governantes junto aos banqueiros interna-

cionais.


^ LUTA PELA TERRA'

O colono

na boca da onça

COMO CONSEQÜÊNCIAS DA POLÍTICA DO GOVERNO PARA A AGRICULTURA,A CON

CENTRAÇAO DA TERRA E DA RENDA CONTINUA EXPULSANDO DA COLÔNIA UM GRANDE NÍJ

MERO DE AGRICULTORES QUE VAO SE MARGINALIZAR NAS CIDADES OU ENGROSSAR O

NUMERO DE COLONOS SEM TERRA.NO RS, DE 1970 a 1980, 1 MILHAOE400 MIL PES

SOAS DEIXARAM O CAMPO GAÜCHO. SÕ NOS ÜLTIMOS DEZ ANOS, A METADE DA POPU-

LAÇÃO BRASILEIRA NO CAMPO, OS 50% MAIS POBRES, BAIXARAM SUA PARTICIPAÇÃO

NA RENDA DO SETOR, CAINDO DE 24,4% PARA 14,9%. ENQUANTO ISSO, OS 1% MAIS

RICOS TRIPLICARAM SEUS RENDIMENTOS, PASSANDO DE 10,5% PARA 29,5%,

AGORA, NO ENTANTO, A CRISE ECONÔMICA GERA O DESEMPREGO E AS CIDADES

ESTÃO EXPULSANDO OS MIGRANTES DE VOLTA PARA O INTERIOR, QUAL É A SAlDA '

QUE RESTA?

^dJ^Üídia&Peape

Para o governo, interessado em manter

a sociedade oono está - desigual e injus-

ta - a saída é levar esta_população, que

aqui representa uma pressão social pela

terra, para a Amazônia. A colonização trans-

fere para longe, junto cctn os colonos, os

problemas que eles poderiam causar por aqui

se resolvessem ficar e lutar por terra pa

ra trabalhar.

Por outro lado, a colonização é um ne

gócio que interessa muita gente grande.Os

latifundiários do estado podem dormir tran

quilos. As colonizadoras lucram bastante,

pois recebem vantagens, incentivos e mui-

tas vezes, a própria terra. Existem hoje

no Brasil mais de 30 projetos de coloniza

ção nas mãos de empresas particulares,ocu

pando uma área de mais de 3 milhões de hec

tares de terra. Os grandes proprietários' 1 '

de terra da Amazônia também lucram: os oo

lonos derrubam a mata, preparam a terra e

depois são expulsos, indo realizar este

mesmo trabalho mais adiante. Os grandes to

mam conta da terra e do trabalho realiza-

do usando para isso de muita violência,co

mo nos mostram as notícias sobre as mor-

tes , perseguições e prisões injustas de pe

quenos agricultores na Amaàônia (vide ma-

téria neste TERRAGENTE sobre a violência

no campo).

Os colonos expulsos procuram outras

terras mais adiante, de onde vão ser ex-

pulsos de novo, numa contínua luta. Assim,

muitos acabam virando mão-de-obra barata

DOS latifúndios ou nos grandes projetos

do governo e das empresas capitalistas,oo

mo Carajás, Tucuruí, Alcoa, Babaçu,Pró-al

cool, Jari, etc, onde são superexplorados.

®

Exenplo desta "saída" para "resolver "

os problemas da terra, se vê no Alto Uru-

guai do_Rio Grande do Sul, principalmente

na região de Santa Rosa e municípios vizi

nhos, onde as colonizadoras estão em graíT

de movimento tentando convencer os colo-

nos das "vantagens" da colonização.

Vila Rica, Tucumã, Eldorado, Codemat,

são algumas das colonizadoras que estão a

gindo por lá, com total apoio do govemü

e do PDS. Foi o que vimos no encontro rea

lizado no ano passado em Campinas das Mis

Ho desenho acima a

propaganda da Tucumã

soes, onde o Secretário da Agricultura João

Jardim, os deputados do PDS Irineu Colla-

to e Antônio Carlos Borges, os prefeitos

e vioe-prefeitos de Campinas e de Cândido

Godói, o INCRA, a COTRIRDSA e as coloniza

doras Tucumã e Vila Rica se esmeraram em

elogios à colonização e em convencer os co

lonos de que a solução está no norte. So

se for a solução para o governo e para o

PDS, pois para os agricultores certamente

não é.

Agora, a tática das colonizadoras é

procurar os líderes sindicais da região ,

tentando cotiprometê-los com seus negócios,

onde certamente estes também lucrariam ai

guma coisa. E o pior de tudo é que alguns

parece que estão caindo na conversa. Será

que acreditam que esta é a saída para os

agricultores sem terra e com pouca terra

da região? O próprio governo, no entanto,

provou que existe outra saída, só que ela

está "engavetada".

I


^A LUTA PELA TERRA

Há um estudo, publicado em 1978, fei-

to pelo governo do estado em convênio com

o Ministério da Agricultura e o BNDE, que

busca soluções para os problemas da terra

aqui no Rio Grande do Sul.

Este estudo, chamado "Programa de In-

vestimentos Integrados para o Setor Agro-

pecuário doRio Grandedo Sul", conclui que:

"uma estratégia de desenvolvimento pára o

setor agrícola, visando a melhoria de vi-

da das maiorias rurais, não pode prescin-

dir da reformulação da estrutura fundiá-

ria".

0 estudo chegou a conclusões como:

• Existem terras subutilizadas no Rio

Grande do Sul, passíveis de utilização in

tensiva que permitam um uso mais adequado

Estudo do próprio governo confirmo-

Aqui tem terra para todos iEilGMUÊMUl

das suas potencialidades;

• E possível o assentamento, no pró-

prio Rio Grande do Sul, de todas as famí-

lias de sem terra e carentes de terras,des

de que sejam utilizados os solos do esta-

do de acordo com suas potencialidades;

I Para isso, propòe-se a intervenção

governamental, tanto por desapropriação pa

ra parcelamento das grandes propriedades

como por concessão de crédito fundiário;

• Quanto ãs possibilidades de assen-

tar os colonos sem terra e com pouca ter-

ra aqui no próprio estado, o estudo demons

tra que aproximadamente 130 mil famílias

poderiam ser deslocadas das regiões de mi

nifundio para as regiões latifundiárias

dentro do RS, e teria terra para todos.

Este estudo está "engavetado", bem como o Estatuto da Terra, pois não atende au

interesse de quem hoje está no poder. Mas depois que o próprio governo admite que a-

qui tem terra para todos, não tem como sustentar as propostas de colonização. Al^ni

disso, os sem-terras estão se organizando e os sindicatos autênticos já não admitem

que a única saída seja largar o colono na boca da onça. E assim, na prática, a luta

pela Reforma Agrária vai crescendo cada vez mais.

UUVÉNCIO MAZAROLLO, ENF1M.EM LIBERDADEB

Ao oatpletar 18 meses de prisão, o jornalista Juvêncio Mazarollo, último

preso político do país, iniciou uma greve de fctne. "Liberdade ou rrorte é a mi-

nha esoolha. Se eu morrer, não será suicídio e sim homicídio cuja responsabili

dade todos saberão de quem é", dizia ele.

Com isso, cresceu a mobilização por sua libertação e contra a Lei de Se-

gurança Nacional (LSN), agora reformada, que o condenou a 4 anos de prisão.

Na sexta-feira, dia 3 de abril, Juvêncio Mazarollo, terminou sua greve de

fome: foi absolvido por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão

do Tribunal, embora tardia, é mais uma vitória da luta por direitos humanos e

políticos que cresce em todo o país. A LSN, no entanto, continua existindo e

nossa luta contra ela tem que continuar.

Que fundo de terra nos interessa?

Sentindo que a mobilização dos Sem-Ter

ra no Rio Grande do Sul cresce em força e

organização e tentando "ajeitar" um palia

tivo para esta situação, o governador es-

tá encaminhando à Assembléia Legisltativa

um projeto de lei instituindo o FUNDEPRO-

Fundo para o Desenvolvimento de Pequenos

Produtores Rurais. No entender do governa

dor, tal fundo seria destinado a promover

o assentamento e reassentamento de peque-

nos produtores sem terras, deslocando-os'

para terras devolutas do estado, imóveis

públicos subutilizados, etc.

Ao mesmo tempo, o deputado JaurideOli

veira (PMDB) encaminhou plano sememlhante,

como veto ao do governador: este parece es

tar um pouco mais próximo da realidade, T

pois prevê assistência técnica, limita a

área, estimula a diversificação, define

formas e prazos de pagamento, etc.

Nenhum dos projetos serve aos agricul

tores, pois não modificam (nem tentam fa-

zer isto) a estrutura fundiária do estado,

ccmo do resto do nosso país. A implementa

ção de um fundo de terras só tem sentido

na medida que objetiva uma reforma agrá-

ria, destinando terra, assistência técni-

ca, recursos, a quem verdadeiramente nela

trabalha.

O Fundo de Terras, se destinado a de-

mocratizar a posse da terra no nosso esta

do, deveria ser antecedido de anplo deba-

te nas bases dos sindicatos, cooperativas,

cotrunidades rurais etc. Um Fundo que vise

deslocar sem-terras para reg lões marginais

e duvidosas não está interessando aos que

conhecem bem os interesses do governo.


■«■ 'A LUTA PELA TERRA-

A CPTftiz um bolonco de 83

Aumenta a violência no campo

Em 1983, mais de 100 trabalhadores ru

rais, entre os quais iTderes sindicals.fõ

ram assassinados, ou tiveram mortes vio~

lentas em desastres de trabalho, motiva-

dos pelo desprezo dos patrões e das empre

sas com a segurança dos trabalhadores. -

Segundo relatório preparado pela Equi

pe Nacional da CPT-Comissão Pastoral da Ter

ra, ocorreram em 83, em todo o pais, 315

conflitos por terra, envolvendo 38.507 fa

milias ou 217.171 pessoas. ~

A CPT relacionou 92 casos de grilagem,

35 expulsões de áreas, 19 prisões ilegais

e 10 ameaças de morte.

E o pior: 72 trabalhadores foram assas

sinados por problemas de terra ou traba"

Ihistas, mais^l garimpeiros foram massa-

crados e 57 boias-frias foram mortos em

acidentes rodoviários.

Para pasmar todo mundo e tornar evi-

dente a conivência das "autoridades" e da

"Justiça", basta lembrar que nenhum dei-

tes crimes foram apurados e os responsá-

veis punidos.

Vejamos no quadro abaixo, os nomes,l^j

gares e datas certas destas violências:

ASSASSINATOS

NO ANO DE

1983 POR

ESTADO

ESTADO TOTAL

SC 1

PR 8

SP 35

MG 4

MS 3,

MT 2'

OO 6

BA 16

PB 3

MA 3

PA 26

CE 1

RN 1

PE 2

AC 1

[TOTAL DO ANO I

l. "6

o

DATA NOME

JANEIRO

05 5 bolas-frias

17 9 boias frlaa

28 Isidoro Pereira dos Santos

FEVEREIRO

02 Cassianc Dlonlslo Lopes

06 Leopoldlno Inácio da Abdla

23 Arlstldes Teixeira dos Santos

25 Rufino Coalho Neto

25 Manoel Alves Ferreira

MARÇO

02 Ananias Oliveira da Silva

07 José Cândido dos Santos

07 Jorge da Conceição

08 Manoel Ricardo da Silva

06 M Anoel Ricardo Silva Júnior

10 2 bolas-frias

10 Tarcísio Satli de Medeiros

10 Otaciollo

14 Napoieâo A. de Lima

ABRIL

17 Josó Soares de Lima

25 Lourenço Cardoso da Silva

29 2 bolas-frias

José Oleiro

Boaventura

Antônio Montemazzo

Manoel Cantldlo

JUNHO

28 José Pereira

JULHO

06 24 bolas-frias

10 Alcides Maxacall

12 Aparecida Pereira da Silva

19 JoAo Oliveira dos Santos

21 João de Paula

27 Dalmlr Henrique Nascimento

OS MÂRTÍRES DA TERRA

MUNICÍPIO

Cambará

Adamantina

Irecé

Una

Bela Vista

Brejo

Tamburll

PA 150

Barreiros

UNA

SimOes Filho

Bodoquana

Bodoquena

Ibateral

Itaberai

Bom Jesus da Lapa

Araguaina

Araguaina

Ital

Una

Itapebl

Anita Garibaldi

Canavleiras

Xinguara (Pacu)

Assis

Teotilo Otonl

Riacho de Santana

Canasvielras

Marmelalro

EST

PR

SP

BA

BA

GO

MA

GO

PA

BA

BA

BA

M8

MS

PR

GO

GO

BA

GO

GO

SP

BA

BA

8C

BA

PA

SP

MG

BA

BA

PR

DATA NOME

AGOSTO

04 Clemente Francisco de

12 Margarida Alves

16 «Bragança»

15 «Ceará»

15 Vilmar Costa Marinho

18 Geraldo Alves

28 Domingos

15

24

10

25

José Calixto

Arilndo

Custódio Fidelis de Lana

João José da Lima

Raimundo Nonato Lopes

Josias Paulino

SETEMBRO

Gabriel de Oliveira

Amaro Vicente da Silva

Onliton Oliveira

Carlos Alberto Evangelistt

OUTUBRO

Francisco José da Silva

José Pereira de Souza

um cortador de cana

.NOVEMBRO

Tony Vicente

Marcai de Souza

Aliton Pereira Xavlar

josé Otacilio Cavalcanti

DEZEMBRO

02 Jesus Matlas

4 coletores de castanha

14 coletores de castanha

João Honôrio Gomes Silva

2 índios Guaranis

1 índio Caiona

19 José do Carmo

Denúncia: em três meses, o assassinato de 16 trabalhadores rurais

. @ ___

MUNICÍPIO

Eldorado

Alagoa Grande

Concraina

Concraina

Pacu

Senador Pompeu

Paou

São Bento do Norte

Ouro Verde

Jauru

Bacana!

Passo do Lumlar

Iblmirim

Vitória da Conquista

Catuama

Canavleiras

Canavieiru

União dos Palmares

Sta Maria da Vitória

Alagoinhaa

Antônio Joio

Porto A do Norte

Porto A. do Norte

Xapuri

Marabá

Marabá/Vlzeu

Cone do Araguaia

Atui

EST

MS

PB

PA

PA

PA

CE

PA

RN

MG

MT

MA

MA

PE

BA

PE

BA

BA

PB

BA

PB

BA

MT

MG

MG

AC

PA

PA

PA

PA

I


^A LUTA PELA TERRA

Os mortos de 84

A CONTAG-Confederaçao Nacional dos Tra

balhadores na Agricultura divulgou, duran

te o lançamento da Campanha Nacional pela

Reforma Agraria, em Brasília, um documen-

to denunciando que so "nos primeiros 3 me

ses de 84, já foram assassinados no meio

rural 16 trabalhadores rurais e lideres

sindicais.

Em outras palavras, isto quer dizer,

que em media, a cada 5 dias e meio, caiu

um trabalhador na luta pela terra. Um da-

do assustador que s5 nao preocupa as nos-

sas autoridades que ficam criando órgãos'

para supostamente resolver os problemas

(INCRA, Ministério de Assuntos Fundiários,

GETAT, GEBAN, etc), mas acabam virando ca

bidê de empregos, aliados dos latifundiá-

rios e grileiros nesta escalada de concen

tração de terra e de aumento da violência

no meio rural.

AÇÚCAR COM

GOSTO DE SANGUE

Os 50 mortos da

Eram 80 homens, mulheres e crianças /

que voltavam do trabalho agora no começo

do mês de abril^ dos quais 50 morreram /

quando o caminhão em que viajavam tombou,

dentro de uma barragem no municTpio de I-

tuiutaba em Minas Gerais.

Os acidentes com bõias-frias, sempre

com muitas mortes, tem sido constantemen-

te notificadas pela imprensa sem que isto

mude qualquer coisa nas péssimas condi,-

çoes de trabalho a uqe são submetidos es-

tes trabalhadores.

São pessoas expulsas da terra, que

Em todo Brasil sao largamente conhecidas '

as violências contra os trabalhadores canavie

iros por parte dos senhores de engenho no nor

deste. Para protestar contra estas violências

foi que 7 mil camponeses se reuniram no dia

18 de março e fizeram uma longa passeata pe

Ias ruas de Carpina, cidade do interior dê

Pernanbuco.

Os canavieiros estão denunciando, com o a-

poio da FETAPE (Federação dos Trabalhadores '

Rurais de Pernanbuco), a ação dos senhores de

engenho que estão formando milTcias particula

res de jagunços afim de dominar pela força os

trabalhadores.

Outra providência dos canavieiros foi de

encaminhar ã OIT - Organização Internacional'

do Trabalho - órgão da ONU - Organização das

Nações Unidas - um documento com o tTtulo

"Açúcar com Gosto de Sangue", expondo todas*'

estas violências que sofrem os canavieiros

que ao longo desses anos já deu cabo ã vida'

de muitos.

Eo_que mais provoca indignação aos canavie

iros ê que o preço do açúcar que ê exportado" 1-

graças a tantas violências, vale a pena 1/3 '

do custo de produção. 0 resto - os outros 2/3

e subsidiado pelo governo. SubsTdio esses que

estão sendo utilizados, na prática, para ali-

mentar esta maquina violenta e assassina.

fazenda Esperança JBÊÊSÊÊÊB

moram nas periferias das cidades e que em

épocas de plantio e colheita são levados,

em caminhões para as fazendas, como gado,

sem asjiiTnimas condições de segurança.

Além disso, os bóias-frias normalmen-

te nao tem direitos trabalhistas e fazem

jornadas de trabalho de 12 a 15 horas por

dia, fora o tempo de transporte.

Os 50 mortos neste acidente em Minas

Gerais voltavam da colheita de algodão nu

ma fazenda chamada "Boa Esperança". Boã

Esperança^ decerto para os patrões, não

para os bóia-frias.


A luta dos sem terra

em São Paulo

Acampados do Pontal:

em condições precárias desde novembro

O desemprego

A cerca nos

A frase acima sintetiza bem o espiri-

to da VII Romaria da Terra realizada em 6

de março. A vila Santo Operário, em Cano-

as, local escolhido para a Romaria,é o es

pelho fiel desta triste realidade. Esta vT

Ia surgiu no final de 1981, da invasão de

uma fazenda da família Matias Velho, onde

há anos atrás era plantado arroz, Delãpa^

ra cá já tem umas 5,000 famílias morando

nela, o que dá mais de 20,000 pessoas. Es

tes números são todos imprecisos porque_ a

cada dia chegam mais familias. De onde vêm?

Placas colocadas nas casas por onde pas-

sou a procissão se encarregavam de respoji

der: "Somos de Livramento", "Viemos de En

cruzilhada do Sul", "Natural de SãoGabrieT

e por ai afora, diziam elas,

Quer dizer, são tudo gente do interi-

or, que expulsos de suas terras, invadi-

ram a granja para terem um chão para morar,

Mas, se a terra eles tomaram, o trabalho

está mais difícil. Segundo a Associação de

A LUTA PELA TERRA=

As 450 famílias de agricultores acam-

pados há mais de 3 meses na beira da es-

trada em São Paulo, no Pontal do Parariapa

nema, enfim conseguiram a terra.

No Pontal, um total de 271.686 hecta-

res de terra, localizados em três municí-

pios - Presidente Epitácio, Marabá Paulis

ta e a maior parte, em Teodoro Sampaio - e

disputado pelo Estado e grandes fazendei-

ros desde a década de 50.

O problema da terra se agravou nos úl

timos anos com a chegada de centenas do mi

grantes e cem o aumento dos sem terras na

região.

Além das 450 famílias acanrçpadas, esta

vam na mesma situação mais 250 famílias T

na Fazenda Santa Rita (de 2,4 mil hecta-

res, de propriedade do ex-prefeito local)

e outros 100 em Ribeirão Bonito e Cachoei.

ra do Estreito, onde viviam desde 1977.

Agora, depois de se organizarem na lu

ta por terra, conseguiram do estado a de-

sapropriação de 10 mil hectares de terra,

onde será desenvolvido um projeto agríco-

la para produção de arroz, -ei^ão, mandio

ca e milho.

nos traz a fome

rouba a terra

Moradores, mais de 30% dos moradores da v^

Ia em condições de trabalhar não têm em-

prego. E dos que têm, muitos são operári-

os da construção civil que hoje tem traba

lho e amanhã já estão na rua.

Por isto, a Romaria transformou-se nu

ma verdadeira manifestação daqueles mais

pobres e mais explorados pelo sistema vi-

gente, A Reforma Agrária, a falta de tra-

balho, o massacre dos índios, as ameaças

de despejo contra os moradores das áreas

de invasão,a discriminação do negro e prin-

cipalmente as Eleições Diretas foram os te

mas mais discutidos na manifestação pelos

mais de 45,000 presentes.

Por outro lado, o simples fato da rea^

lização da Romaria dentro de uma vila ja

tem uma grande importância. Os colonos vi^

ram de perto como vivem os operários. Os

operários e colonos se apoiaram mutuamen-

te nas suas lutas. E isto aumenta sua união

e os torna mais fortes.


Em 1964.

^ os militares

deram um golpe no Brasil

í Entre 64 e 65 cassaram o mandato de6go

vernadores, 20 prefeitos, 10 vereadores,

62 deputados estaduais, 69 deputados fe

derais e suspenderam por 10 anos os di-

reitos polTticos de outras 219 pessoas.

I Entre 66/67, 238 pessoas tiveram seus

mandatos cassados e mais 67 seus direi-

tos polTticos suspensos.

Em 1968, o Ato Institucional n95 cassou

mais 434 e puniu 1.547 pessoas.

i Entre 64 e 76, "desapareceram" nada me-

nos que 88 presos polTticos, mais 67 guer

nlheiros do Araguaia, junto com outros

1/3 oposiconistas que foram assassina -

dos. Sem contar os que foram exilados.

De 64 para cã o governo interviu em:

- 70% dos sindicatos com mais de 5.000

membros;

- 19% dos sindicatos com menosde 5.000

membros.

Nestes 20 anos

os militares

enterraram o país

Em 1961, para um trabalhador comprar ra

çao alimentar mTnima num mês, precisava

trabalhar 71 horas, hoje precisa traba-

lhar 170 horas.

AH, JA' SOCARAM

OOTRO JGiTO DC

^)tAR O MOMêM

AO CAí^PO^

\

• Existe hoje no paTs 12 milhões de traba

lhadores rurais sem terras.

• Há 25 milhões de menores carentes ou aban

donados.

• Dos 4,5 milhões de crianças que nascem

por ano, 450 mil morrem antes de comple

tar 1 ano de idade.

• Fizeram uma dTvida externa demais de 100

bilhões de dólares.

Eles comeram a carne

e não querem

entregar o osso

Logo depois que os militares assumi-

ram, em 1965 houve eleições para governa-

dores em 11 estados. A ditadura perdeu nos

principais e por isso suprimiu as eleições

diretas para presidente da República.

Em 1966, para não perder nos_ estados

restantes, o regime suprimiu também as elei

çoes para governador e para prefeito das

capitais.

De lã para cã, fizeram uma"chacrinha"

e quando um saTa de cena, puxava o outro

para continuar a "obra".

Os golpes são o oxigênio

da ditadura

Até 1974, a oposição, representada pe

Io antigo MDB,era insignificante. Nas eleT

ções de 74,, a coisa mudou. Saindo do "mi-

lagre econômico", a população descontente

deu vitória ao MDB em 16 dos 22 estados.

Assustado, novamente o governo golpe-

ou.Jnstituiu a "Lei Falcão" e probiu aos

polTticos o acesso aos meios de comunica-

ção, principalmente ao radio e ã televi-

são.

Em 1977, um novo golpe: como em 78 de

veriam ser renovados os mandatos de 44 sê

nadores, o Gal. Geisel impôs 22 senadores

sem eleição alguma (biônicos), foi o "paço

te de abril".

Prã nao perder o costume, a menos de

cinco meses das eleições de 82 o governo

aprontou outra, determinou que o Colégio

Eleitoral seria formado por deputados fe-

derais e senadores e por 6 representantes

de cada Assembléia Legislativa, a serem

indicados pelo partido de maior bancada

em cada Assembléia. Isso, independente do

n9 de leitores de cada estado.

Com isso, o governo conseguiu diminu-

ir o peso dos estados mais populosos, tra

dicionalmente de oposição, pois por exem-

plo o Acre vai ter direito aos mesmos 6 re

presentantes que o estado de São Paulo.

Colégio Eleítorah

a minoria vira maioria

Fruto de toda esta alquimia é que o

PDS que teve_5 milhões de votos a menos

que a oposição em 82, alcançando somente'

36,68% dos votos tem no Colégio Eleitoral

uma representação de 52,47% dos delegados

com 32 votos a mais que a oposição.

Dá prã entender ?

0 Colégio Eleitoral, é formado por

359 representantes do PDS, 275 do PMDB,30

do PDT, 14 do PTB e 8 do PT, assim distri

buidos:

PARTIÜCT DELEGADOS UtHUlAÜOS SENADORES TOTAL

ESTADUAIS FEDERAIS

PDS 78 235 46 359

PMDB 57 200 21 275

PDT 6 23 1 30

PTB - 13 1 14

PT - 8 - 8


Este i o"legitimo" Colégio Eleitoral'

que os Machezans da vida ficam defendenüo

por aT.

Na verdade este "Colégio" e um "legi-

timo" absurdo pois 686 "delegados" tomam'

a si a tarefa que é de 60 milhões de eleji

tores em todo Brasil.

O último suspiro

Na base da repressão e do golpe este

regime militar se encastelou no poder du-

rante 20 anos.

Hoje existe no Brasil perto de 40 mi-

lhões de pessoas em idade eleitoral que ja

mais votaram para presidente. Quem nascell

de 1943em diante, ou seja, quem_fez ateJU

anos em 84 não sabe ainda o queé eleições

diretas para presidente.

0 golpe de 64 não conseguiu resolver

nenhum dos problemas do paTs, pelo contra

rio, os militares foram incompetentes em

todos os sentidos: a miséria aumentou e

corrupção nunca se viu tanto como agora.

0 povo cansou, e mais de 90% da popu-

lação exige ELEIÇÕES DIRETAS JA, para pre

sidente. E i importante de se notar que iji

clusive largos setores da burguesia, que

inicialmente apoiaram o golpe, hoje tam-

bém querem eleições.

Em resumo: ESTE REGIME FOI UM FRACAS-

SO TOTAL E ABSOLUTO.

A campanha pelas Eleições Diretas já

e o maior movimento de massas ocorrido no

Brasil. Nunca uma idéia levou tantas pes-

soas ãs ruas. Desde Santa Rosa e Cruz Al-

ta, no interior do Rio Grande, até Carua-

ru, no interior do Ceará, ja são vários nn

IhÕes gue fizeram o seu protesto contra es

te Colégio Eleitoral espúrio e ilegítimo.

Mas a teimosia dos que dominam é gran

de e até na hora da morte eles resistem." 1 '

Têm medo que o povo venha cobrar esta cn

minosa conta de 20 anos de arbítrio, des-

mando, corrupção e miséria.

Que

governo|

queremos?

@

Diante da possibilidade concreta de ja

agora a 25 de abril, o povo brasileiro re

conquistar o direitode votar para presi~

dente, com a aprovação da Emenda Dante de

Oliveira, de imediato se coloca a questão

de que tipo de governo queremos e precisa

mos.

Nos serve um governo do tipo que mui-

tos governadores de oposição estão fazen-

do?

Vamos dar uma nova vestimenta para uma

coisa antiga?

Quem romperá os acordos com o FMIe da

rã aumentos gerais nos salários?

Quem promoverá uma ampla Reforma Agra

ria que permita o acesso a terra a milhoe?

de agricultores sem terra em todo o Bra-

sil?

Será que os latifundiários que exis-

tem^ãs pencas" dentro de partidos de opo-

sição aceitariam uma Reforma Agrária des-

te tipo?

E os industriais que apoiaramo Franco

Montoro, concordariam em diminuir seus IJJ

cros para aumentar os salários? E do fim

da lei de greve, o que diriam?

E quando os^sindicatos forem desatre-

lados do Ministério do Trabalho e o gover

no nao puder mais intervir e destituir dT

retorias como fazagora, será que os em-

presários que estão nos partidos de oposi

ção vao achar isto democrático e natural7

E os comerciantes, concordarão em con

gelar os preços dos gêneros alimentícios

de 1?s necessidades?

E será que um partido comprometido com

todos estes setores, mesmo sendo dejDposj^

ção, realizará estas reformas que sao fun

damentais para os trabalhadores do campo" 1 "

e da cidade?

Por tudo isto, é importante e necessã

rio que todos nos que realmente queremos

transformar este sistema, comecemos a re-

fletir seriamente sobre estas questões pa

ra depois destas grandes mobilizações nãõ

se incorra no grave erro de simplesmente'

trocar "as moscas".


terragente

publicação do QQQ

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