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• IB^IOTECA

N5 4

í- £f^3)lA


- Jornal Autogestionario -

Registrado sob nS 1.315 no Cartório de

Títulos e Documentos de Santa Maria da

Vitória - Bahia.

Ano VI - NS 48 - Março/19a4

Conselho de Direção: Admardo Serafim de

Oliveira, Cláudio Thomás Bornstein,

Décio Paulo Spaniol, Emiliano José,

Harnoldo Teixeira, Hélio Leite, José JP

Sousa Lisboa, Jehová de Carvalho, Jairo

Rodrigues da Silva, José Luiz Gomes,

Joaquim Lisboa Neto, Martinho Neto Leite

Paulo Cezar Cerqueira Lisboa, Vanderlei

Marques Ferreira.

Diretor Responsável: Joaquim Lisboa Neto

Diretor Administrativo: Hélio Neri Leite

Assinaturas: Nice e Neguinha

Redação: Praça da Bandeira, 72-A

Santa Maria da Vitória-Bahia-Brasil

CEP: 47,640

'EM TODA A LUTA POR UM IDEAL SE TROPEÇA

COM ADVERSÁRIOS E SE CRIAM INIMIZADES;

0 HQMEM FIRME N%0 OS OUVE E NEM SE

DETÊM A CONTA-LOS. SEGUE A SUA ROTA,

IRREDUTÍVEL EM SUA FÉ, IMPERTURBÁVEL EM

SUA AÇÃO, PORQUE QUEM MARCHA EM DIREÇÃO

DE UMA LUZ N^D PODE VER 0 QUE OCORRE NA

SOMBRA".

JOSÉ INGENIEROS

Q COVEIRQ

Havia numa certa cidade do interior

da Bahia, um homem que se dedicava ex-

clusivamente a abrir sepulturas, tendo

esse serviço como única profissão,

quase que diariamente isso acontecia,

e ele alegremente sorria, assoviava e

cantavaf como se nada de anormal tives

se acontecendo, os diag, meses e anos

se passaram, ate que enfim, um dia,

inesrjoradamente, a/morte lhe bateu a

porta, levando sda única filha de epe-

nas 12 anos do/idade, chegando assim,

a MBZ da tristeza invadir o coração do

covairo, qúe abrindo a sepultura da

própria -filha, reinava profundo silên-

cio, copiosas e sentidas lágrimas caí-

am de seus olhos sobre a tumba da ido-

latrada filhai

Antes, porém,essa trabalho era feito

sorrictante, quando abria a sepultura

do SF.U semelhante, sem pensar nem de

longe no dia de amanhã, daí em diante,

nunca mais o coveiro abriu sepulturas

cantando, assoviando e sorrindo,

Sta. Ma, da Vitória (BA), 10 de março

de 1984.

ADENÜR MARIANO

LEIA ■ ASSINE ■ /POIE = DIVULGUE: "0 POSS^Ifi^"! não aceite imitaçSes]

pag. 2 0 POSSEIRO - Março/84

^

CORRENTINA REALIZOU COM DENÚNCIA Ia.

MOSTRA CULTURAL

(continuação da pâg. )

show musical e poético. Posteriormente,

informaram aos organizadores que o sar-

gento Getúlio, usando do seu autorita-

rismo e da sua incompetência, quis aca-

bar com a manifestação, telefonando

para o delegado Mendonça, que contornou

a situação. Mas o povo disse e repetiu

na praça: "A luta continua. 0 povo unidd'

jamais será vencido." E Guarabyra Neto

confirmou no Manifesto Cultural do Rio

das Éguas: "A arte é uma denúncia perma


"v, 1

FoLsincocâô D'OPQSSCIPQ

COVPRDES RracaM TRQlÇOEIRnMENTE OJORmL

"D POSSEIRO"

Depois de tantas tentativas, infrutíferas, diga-se de passagem, de eliminar o nos-

so jornal, os inimigos do povo voltam a atacar, agors com uma nova tática.

Lançaram uma edição falsa de "0 POSShIRO", caracterizada como "EXEMPLAR DO MILI-

TANTE", que está sendo enviada de Salvador, através da agencia dos correios da Av,

Estados Unidos, naquela capital.

A edição forjada faz acusações graves e falsas contra várias entidades e pessoas

que, de uma maneira ou de outra, exercem um trabalho voltado para a dignidade hu-

mana e para a defesa dos direitos dos oprimidos. Os traidores acusam, além do nos-

so jornal, as seguintes entidades: BIBLIOTECA CAMÇESINA, CA3A DA CULTURA "ANTÔNIO

| LISBOA DE MORAIS", ESCRITÚRIO L0G^_ DA CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação

I Regional, ligada à SEPL/^TEC - Secretaria de Planejamento Técnico, órgão governa-

' mental, portanto), IGREJA CATÓLICA, COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT - de Santa Ma

ria da Vitória, COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA 00 RIO CORFENTE - COOARC -, SINDICATO

DOS TRABALHADORES RURAIS DE S/^TA MARIA DA VITÓRIA E CORIBE, ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

•E INDUSTRIAL DE S/^NTA MARIA DA VITÚRIA - fClSM, Além das entidades, foram ataca-

dos também alguns advogados, jornalistas, deputados estaduais e federais e até o

Secretário da Educação do Espírito Santo, Admardo Serafim de Oliveira, foi covar-

demente acusado pelos vis caluniadores.

: Por que essas pessoas que falsificaram^ "0 POSSEIRO", que representam nada mais na-

da menos que o lixo da historia, não tem a coragem de nos atacarem abertamente?

Por que usam o norpe do nosso combativo jornal para tentar fazer com que nosso tra-

caç

11 Os imbecis, covardes, traidores, caluniadores e falsários não contam sequer com a

i simpatia do povo santamariense, pois todos que tomaram conhecimento do jornal fal-

sificado são unânimes em afirmar que esse ato não passa de uma sujeira tramada com

o objetivo de fazer retroceder um trabalho que é justo, honesto e que, para deses-

pero dos opressores, conquista cada vez mais a simpatia de todas as camadas da po-

pulação.

Ninguém contesta que "0 POSSEIRO" se tornou um jornal respeitado e prestigiado jun

to aos santamarienses. E isso não se conquista facilmente. Estamos sempre exigindo

de nos mesmas muita seriedade e honestidade na veiculação de notícias e nas opini-

ioes que emitimos. A CASA DA CULTURA "ANTÔNIO LISBOA DE MORAIS" é g única entidade

;|que tem feito o nome de Santa^Maria da Vitoria ficar conhecido ate a nível interna

ijcional através de suas promoções culturais e artísticas. Grande exemplo disto é-a -

, semana de ARTE E CULTURA que realizamos anualmente e que todo o povo prestigia, in

ijclualva a própria Prefeitura Municipal, que colabora financeiramente, SÓ os calunx

i;adores e difamadores insistem em ignorar e destruir nosso trabalho. Mas, nuncal

' ;;,Ju 5Ça conseguirão impedir que uma causa justa como a nossa seja eliminadal Quanto

ia BIBLIOTECA CAMPESINA, que eles acusam ae ser "a maior centro difusor de maconha

Kda região como também um aparelho do Partido Comunista Brasileiro na cidade", íDS

1 idiotas sabem perfeitamente bem que a"maconha" e o "comunismo" que a CAMPESINA

I iistribui são os livros que praticamente todos os estudantes de todos os colégios

; jantamarienses usam para executarem seus trabalhos escolares,

^ara finalizar, levamos ao^conhecimento do povo santamariense que já estamos empe-

i, ihados na tomada de providencias visando a descoberta e punição dos culpados. Para

ficanto, ja registramos queixa-crime na Delegacia de Polícia Local para que as auto-

f.jridades competentes encarem o problema com seriedade, resolvendo-o o quanto antes.

f]

LEIA = ASSINE - DIVULGUE = "0 POSSEIRO" (não aceite falsificações)

0 POSSEIRO = Março/84 pag. 3


s A M

■ ?! ■■■■

3)E ^^ í*—: ,

a.

As ruas ds Santa Mari « C* ■ ^ ti sn as veja

pelo nome. ;s3 :nta'

- qui nem os olhos dn Maria -

Mesmo que no passar d03 temo os

tenham ficado manchas inepagaveis

no chão o sengue tinto, das lágrimas

cristalinas üi Sandra Maria.,

Dobram-ss os sinos r.a Colina de Vitória

Beatas choram o batsm os lábios em rezas

Em pavorosas par&fsmaliaá passa

gritando o carroceiro:■ -

- Mataram Dr . K3RBAÍ Mataram um pedaço

de mimj - - ■ í

MS ruas de Santa Maria tem a mesma luz

afável

que têm os olhos do Sandra Maria.

Se as vejo pelas lembranças, são tão

crianças aquelas ruas, . ■

Tão cheias do saudades o amores, , ,

Dobram-se os sinos na Colina ds Vitqria

e a cidode em peso desfila pela Teixeira

de Frsitasu- . .

Foi lá que tcmbou 3 herói dos posseiros,,

E passa um ciclista assustado gritando

passai lavradores chorando

Beatas de rosários nas mãos, passam

todos gritando, gritando:

- Mataram Dr. EUGÊNIO LYRAj Mataram

um pouco de nós.

Choram mulheres grávida.:, . . posseiros

perseguidos, . . choram meninos,

meninas. . ,

Enquanto os homens pasmo3 fitam o corpo

no chão.

! t

rõn oas

.—i í

a a l Idl

r ^^ r

Chorarei tua lágrima

Suando meu pranto rolar,

Quererei teu sorriso

Quando rrr nha face brilhar.

Suplicarei teu carinho

Quando a carícia rogar.

Sentirei teu beijo

Quando minha boca beijar.

Pedirei teus braços

Quando meu corpo chamar,

Quererei tua incerteza

De quem do nós ama mais,

a mais visível certeza.

Assim, nao ba lOIS

Que um ame como louco

,( Quando o amor implora

de cada um um uouco.

Mas alei

,".■'■

As ruas de .Santa Maria me lembram o

f Que derramam o sangue

Santa Clara,

; Que corre nas veias

porque tudo era tão bom nas suas noites

Dos pálidos pobres

de alegria

E dos polidos nobres, , ,

Lá nunca se ouviu uma ameaça, somente

juras de amor.

Será que a Lei se vende?

As ruas de Santa Maria me lembram Sandra

Maria e o carnaval

,0u não há justiça?

,..■,.

As ruas de Santa Maria estão manchadas /-

de saudades / por onde passo vejo noraes/'f

ouço vozes do passado ferindo o presen- ;| autor: Gilvando Bastos Fraga

te / e o peito dessa gente a vagar pelçjSjj

ruas de .Santa Maria» /Nequelas ruas nos 1

nos amamos tanto,/ tanto, / que nem dou

por conta / de quantas vezes beijei

Sandra Maria, ■ •

(Flamarion A.A3Coste~ DF,setembro/BS)

pág. 4

..i

Ante

- dl a

ã de vir

;üJ ; agora

coração desistir.

d. ss^rn, quero teu amor-

Antas ds o meu regredir.

autoj Hnil NOVAES Neto

E stou grilado', , „

I PQV- causa destes grileiros,

1 Estou chateado;

1 Entre ostes trilhoiros

| DG te rras ai hei as „

0 POSSEIRO = Março/84


i ■

FalAmxiHjao d'Ò POSSEi

Norfí DC: REPúDIO

.■As entidades abaixo-assinadas, que vim

desenvolvendo junto ao povo da nossa

região atividades que visam melhorar

as condições de vida da nossa população,

estão sendo vítimas de uma calúnia.

Recentemente, começou a circular uma

falsa edição do jornal "0 POSSEIRO",

que se identifica como: "NÚMERO ESPECI-

AL - ANO I - EXEMPLAR 00 MILITANTE",

querendo difamar estas entidades, por-

que elas lutam pelos interesses e pela

dignidade do próprio povo.

Os que estão intencionados em manter

essa atual situação de miséria são os

que agora se empenham, de maneira crimi-

nosa, em difamar, caluniar e calar aque-

les que gritam com o povo.

Sabemos que essa não é a primeira vez

que isso ocorre no Brasil. Outros jor-

nais já sofreram agressões semelhantes

como, por exemplo, a falsificação do

jornal "0 SAO PAULO", da Arquidiocese de

São Paulo e o atentado a bomba contra o

jornal "0 ESTADO DE SÃO PAULO", além do

atentado ao "JORN/t DA B/HTA", ocorrido

recentemente,

Para evitar que isso possa continuar

ocorrendo impunemente, estamos denuncian

do mais essa agressão aos direitos demo-

cráticos e à liberdade de imprensa para

toda a população, para que também ela

possa juntar-se a nós na exigência que

os culpados sejam punidos.

Porém, isso não vai nos fazer parar. As

entidades continuarão a trabalhar pelos

objetivos a que se propõem, sem temer

as falsas acusações daqueles que lutam

contra as aspirações do povo por uma so-

ciedade onde a justiça social prevaleça.

Santa Maria da Vitória-Ba., 17-03-84.

JORNAL 0 POSSEIRO

BIBLIOTECA C/W1PESINA

CASA DA CULTURA "/W0NI0 LISBOA DE MORAES

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT - SANTA

MARIA DA VITÓRIA

, ,.:,.> ._ ■

.0 POSSEIRO = Março/84

IGREJA CATÓLICA

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE

SANTA UPPIA DA VITÚREA - AC1SAM

COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA DO RIO

CORRENTE - COOARC

SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS

DE SANTA MARIA DA VITORIA E CDRIBE.

EX|MPLAR_DE_JORNAL_DE

SANTA MARIA ERA FALSO

•«^

Varias entidades de Santa Maria da Vi-

tória, a 989 quilômetros de Salvador,

divulgaram nota de repúdio a um núme-

ro apócrifo do jornal "0 Posseiro",

editado no município há mais de três

anos. A pretensão de autodenominadp

"Número Especial - Exemplar do Mili-

tante", segundo as entidades, é difa-

ma-las "porque elas lutam pelos inte-

resses e pela dignidade do povo",

A nota e assinada pelo jornal "0 Pos-

seiro", "Biblioteca Campesina", Casa

da Cultura "Antônio Lisboa de Morais"

Comissão Pastoral da Terra de Santa

Maria da Vitória, Igreja Católica, As

sociaçao Comercial^e Industrial de

Santa Maria da Vitoria, Cooperativa A

grícola do Rio Corrente e Sindicato ~

dos Trabalhadores Rurais de Santa Ma-

ria da Vitória e Coribe,

As entidades asseguram que "os que es-

tão intencionadgs em manter essa atual

situação de miséria são os que agora

se empenham, de maneirq criminosa, em

difamar, caluniar e calar aqueles que

gritam ao ladg do povo", e lembram

que essa não e a primeira vez que issc

ocorre^no Brasil, ao se reportarem a

agressões semelhantes sofridas pelo

jornal "0 São Paulo", da Arquidiocese

de São Paulo, que também foi falsifi-

cado, e "0 Estado de S. Paulo", que

sofreu um atentado a bomba,

(• - •}

0 número apócrifo de "0 Posseiro" qua

lifica toda a atividade comunitária e

cultural existente em Santa Maria da

Vitoria, desenvolvida por aquelas enti

dades,^como "comunista", citando Inclu

sive vários nomes, entre eles os de va

rios religiosos, do município e da ca-

pital. 0 jornal falsificado tenta ca-

racterizar a igreja B aquelas entida-

des como incentivadoras dos conflitos

de terra na região.

-(transcrito do Jornal da Bahia-20/3

pag, 5


POESIA

11,11.'-»...

u

Você me chama de maluco(a) doidao

Pergunto, por que será?

Será que sou o culpado?

Só é eu que não encaro a vida, pra

lutar e viver em liberdade?

Sou eu que corro dos homens, porque

vejo na maioria grande cniueldade.

Só e eu que não tenho dinheiro, emprego

e educação?

Vejo crianças morrendo nos bairros

humildes e sem assistência.

Sou. eu o culpado?

Quem pode ser o culpado?

São os lavradores que com a sua força

fazem a lavoura com cuidado,

o defensor da fome, um homem

mais maltratado?

É o operário que trabalha todo dia,

cada dia mais apertado, aumentando

o número de filhos e o salário cada

vez mais arrochado?

Quem somos nós?

Quem pode ser o culpado?

Será que são aqueles homens que dizem

defender o País com armas, bombas e

fuzis? Serão eles os culpados das

misérias do País?

Serão aqueles bonzinhos em época

de eleições?

Quem sou eu?

Quem somos nós?

Sou eu o País, o estado, a democracia,

a ditadura ou o regime militar?

Se somos jovens temos que lutar, pois

"Lutar • Vencer",

Cada dedo que perderes na luta,

ganharás em defesa milhares de "mãos",

(Santa Maria da Vitória-Bahia}

ODETE RODRIGUES DE SOUSA

aso eros temcü

Para quem vive o seu tempo

~ * i c

Nao ha vaga para o poema ^-s

Porque o poema emerge dos abismos.

m . ■*'"..*."" Ti i iBa*>

Me desculpem. Acabou o poema.

Acabou o poema. 0 poema acabou só.

Querem que lhes diga por que o poema

acabou?

Vejam vocês, . .

Em 31 de março de 1964,

Aconteceu um fato sinistro aqui,

Vocês todos se lembram.

Despencou do poder um governo civil.

Eleito pelo povo,

E subiu em seu lugar um grupo de

Generais.

Traidores de minha pátria,

Não vêem vocês que não acabou o poema?

Que o poema não se acaba?

Que o poema a o povo?

Generais infiéis, não vêem vocês

Que o poema se esconde em cavernas

Nos tempos ásperos, difíceis?

E que na primavera sai pelas ruas,

pelos campos com è bandeira da

LIBERDADE?

Não. Não acabou o poema,

0 Poema é feito de sangue. , ,

Se preciso for, 0 Poema não se acaba,

Nem se trai.

Une, Cresce sob as baionetas.

E de repente, quando menos se espera,

Arrebata

Estabelece

Transforma

E permanece, . .

autor: AGENOR_CAMPOS

Salvador, Bahia,

11 ' i « «M"«>l r^g*

iag. 6 0 POSSEIRO = Março/B4

O


W

Qjjjnj&fí]

ORQENTIMP PERUZÓU COM DEHüMOQ

43 MõSTP& CuLTUPPfíL

Dias is e 2 de março foi realizada a Ia,

MOSTRA CULTURAL DO POVO GORRENTINENSE,

dentro tio programe dovfslowimento Cultu-

ral do Rio das Éguas,

No. primeiro dia, foi realizada uma pa-

lestra, com a presença de diversas auto

ridades, e, no segundo, um show musical

dos artistas da terra, B o lançamento

do livro "69 POESIAS DOS LENGÚIS E DA

CARNE"j de Helverton Baiano [filho de

Gorrentina) e Gilson Cavalcanti. 0 Movi-

mento também serviu como um protesto

contra o fechamento do Ranchão nos dias

de carnaval e em favor das eleições di-

iSÍ£S> .dá» para a presidência da repú-

blica, 0 objetivo principal foi o de

criar nos correntinenses a consciência

para todos os seus problemas e as formas

de como resolvê-los com a participação

e a união de todos.

D objetivo do Movimento, conforme o Ma-

nifesto Cultural do Rio das Éguas, ela-

borado pelos correntinenses Guilherme

Alves, Welson Moreira, Marcelo Cláudio

Rocha e Helverton Valnir (Baiano), "é

resgatar as nossas raízes culturais e

incentivar o aparecimento de novos valo-

res que até aqui têm se mantido no anon^L

mato, devido a falta de apoio, oportunida

de e estímulo", Ele alertou também para

o fato que sem esse resgate "cada vez

mais estaremos sujeitos às culturas es-

tranhas que enfraquecem a criação natu-

ral de nosso povo. E tudo isso provoca

a dependência das coisas de fora, a aco-

modação das pessoas da terra e influi

para uma total aceitação do que lhes é

itrposto, Além do mais, resulta em inevi-

táveis subserviência, manipulação e do-

minação de nossa gente."

. MOVIMENTO

No primeiro dia, participaram da mesa

dos de bate dores Pedro Guerra (ex-prefei

to], que apontou para o sentido cívico

do movimento; Padre André, que ressaltou

um pouco da história que viveu em. . ,

0 POSSEIRO = Março/84

Por: HELVERTON-VALNIR

Gorrentina; o secretário do prefeito

Marco Falcão,: Fernando, que além de ter

observado a importância do movimento,

tentou rr pondsr algumas indagações

quanto a atual administração; o presi-

dente do Sindicato dos Trabalhadores Ru

rais de Gorrentina, Wilson Martins Fur

tado, que abordou o tema da exploração

dos trabalhadores pelas empresas reflo-

restadoras que atuam na região do Ge-

rais correntinense; e o ex-prefeito Jor;

quim José da Silva, que também enfcti- j

zcu a realização de tal movimento e res

pondeu algumas perguntas de sua admini^

tração- §enda a mais cogitada a constru

çao do forura em plena Praça da Matriz/'

quando a cidade epresentava, como de-

monstrou depois, capacidade de expansão

para outras áreas.

A fala mais aplaudida, de Wilson Furta-

do, presidente do Sindicato dos Traba-

lhadores Rurais, serviu do ponto de in-

formação para c esclarecimento das cons

tantes denúncias em jornais de todo o

país da escravidão branca a que são sub

metidos OR trabalhadores que são contra

tados pelas reflorestadoras do Gerais,

Wilson levantou também a preocupação

com a possível poluição do Rio Gorrenti

na pelas reflorestadoras, a perseguição

que é feita ao posseiro, pela intensa

influência dos grileiros, "parindo áre-

as enormes, sem que sejam legalizadas",

a falta de escolas para a população ru-

ral, porque os professores não se dis-

põem, a ir para os povoados, em vista do

mísero salário, e ainda a matança do ga

do, provocada pela Rio Pontal Reflores-

tsdora. Também o ISSQN de milhões que a

prefeitura deixa de receber das empre-

sas de reflorestamento.

/pesar de ter sido convidado duas vezes

por carta e duas vezes pessoalmente pe-

los organizadores, o prefeito Marco Fal

cão não compareceu, alegando uma reuni-

ão com um deputado da região. Para os^

organizadores, no entanto, essa reunião

seria muito melhor aproveitada se reali

zada com a participação das mais dé lOÜ

pessoas presentes ao acontecimento, No

dia 2, foi a vez da manifestação cultu-

ral na praça da Matçiz, com um ato pelas

eleições diretaç, ja, o lançamento do

livro "Dos Lençóis e da Carne", e o, , ,

- continua na pagina 2 -

pag.


HlSToRíA REGIOMPIL

Cúmê SuKtBW ê CiMoe m fituJSíStfS M

Vale ressaltar aqui o grande trabalho

prestado pelo bandeirante missionário

Francisco de Mendonça Mar. Procedente

de Portugal, chegou a Bahia nos últi-

mos anos do século XVII. Dedicou-se a

vida religiosa com a função de Prior,-

sendo posteriormente encarregado pelo

Provedor-Mor da Casa Nova, que se edi

ficava próxima ao Palácio dos Governa

dores, dos trabalhos desta. Tendo os

seus trabalhos desagradado ao dito

Provedor, Mendonça-Mar então foi arbi

trariamente preso por ordem do dito

Provedor. Este ato foi considerado um

absurdo não só pelo próprio preso, co

mo também por parte de seus amigos,

especialmente porque ainda não tinham

sido pagos os seus serviços. Feita

uma representação em sua defesa ao

Rei de Portugal, este por despacho de

12 de março de 1695, manda que fosse

ouvido pelo Vice—Rei.

Depois de ter sofrido tais humilha-

ções, Mendonça-Mar, vestindo-se com o

hábito de São Pedro, embrenhou-se pe-

los sertões, tomando a direção do Rio

São Francisco. Nesta ocasião passou a

adotar o nome de Dom Francisco da So-

ledade, Depois de alguns meses de pe-

regrinação chega aos barrancos do São

Francisco e aí descobre uma grande

gruta, à qual deu o nome de "Gruta do

Bom Jesus" e mais tarde "Bom Jesus da

Lapa", passando a fazer dali sua mora

da e casa de oração,

Pas saram-se alguns anos sem que nin-

guém soubesse do seu destino, até que

começaram a surgir notícias suas na

Bahia, oriundas das margens baianas

do Rio São Francisco. Essas notxcias

eram trazidas pelos boiadeiros. Porém

as notícias não identificava perfeita-

mente. Tais notícias era de que nos

sertões do São Francisco havia"uma

gruta milagrosa", onde uma religioso

pag, 8 0 Posseiro - Marçoj8Q._

congregava seus fiéis, tratava dos en-

fermos e asilava todos aqueles que o

procuravam, os quais eram procedentes

dos mais diversos pontos daqueles ser-

tões, E ali chegavam movidos pela fé,

pela esperança de receberem uma graça.

Não havia também falta dos interessei-

ros e curiosos,

A gruta tornou-se muito famosa e por

isso passou a ser chamada de "Gruta do

Bom Jesus da Lapa", Ali era um ponto

de convergência de muitos viajantes e

sertanistas que, partindo de Salvador,

demandavam o Rio São Francisco a procu

ra de suas ricas minas.

Por requerimento de ).7l7, Mendonça-Mar

pedia a "El-Rei nosso Senhor" a conce^

são de passaes, declarando especialmen

te: isto e, a mesma porção de terra

que Vossa Majestade foi servido mandar

dar aos gigários missionários dos ser-

tões, ficando a dita Igreja da Lapa no

meio da mesma terra, correndo esta pe-

la margem do Rio São Francisco para qu^

assim possa o suplicante remediar as

necessidades dos passageiros e romei-

ros e mais pobres enfermos que de con-

tínuo assistem nela e também para que

possa admitir a sua companhia alguns

sacerdotes que se oferecem para ajudar

nas viagens daqueles sertões,"

- Texto extraído do livro "His-

tória do Rio São Francisco" -

Primeiro Volume, Por Rev,D,

Vaílton L, de Carvalho, S.T.D,

LEIA = ASSINE

APOIE = DIVULGUE:

"0 P 0 S S E I R 0"


seravidao Continua

Nos deram o sentimento de /fião existir

senão a imagem de outro, de querer

ser apenas um apêndice do homem, deste

homem que é modelo e juiz, senhor-

ideal, dono e patrão. Temos almas rou-

badas, recusa de nos mesmos para nos

fundirmos num outro ser humano HOMEM,

fusão impossível que, frustrada, gera .

ódio, revolta e fuga. Empregada do

marido, babá dos filhos, sem salário'v

e sem autonomia econômica, ae mulhe-

res buscam traçps..de uma identidade '

..ruas si'gn"òs" ; éxteriores ligados aos

atributos femininos: boa dona-de-casa,

decoradora do lar, boa cozinheira e tc^

A casa se torna assim um lugar de in-

vestimento psico-afetivo cada vez mai

ores, 0 acesso aos bens materiais

funciona como compensação à pobreza

das relações humanas.

Valorizar a casa passa a ser uma ati-

vidade de valorização de si mesma,

através de normas socialmente defini-

das.

Por que.tarefas exclusivamente .femini-

nas? Definidas socialmente por quem,

quando a própria categoria protesta?

Buscamos recuperar uma identidade que

caiu no esquecimento de uma cultura

que nos excluiu por DECRETO de insignificância.

Separadas de poder pelos

estereótipos, não são as mulheres que

. . . que interessa diretadecidem

sobre o. 3-.. .,~. _,- . . .

mente, as suas. vxdas, Nao decidem,sobre

o seu acâsso-a-aaüaaçáa, aâ'salarxà

igual poir 1 trabalhe^ IÇW-í^ (çlas tambciru

\?no 5 roça)^ a possib;Ll;}.dadc de car- ,

reiTas iguaxs;'ao ccrrítrolc .aa^oatolidadó','

aO-^rjíreito de ^dispor do seu próprio

corpo. Em suma, tocíos

esses assuntos que condicionam direta

mente o destino de cada mulher são

decididos pelos homens através .de

DECRETOS, , .

A responsabilidade pela criação dos

filhos continua sendo, fundamentalmen-

te, das mulheres. Aquela que não assu-

me a inteira responsabilidade dos fi-

lhos sai da NORMALIDADE.

Por que não dividir as responsabilida

des com os respectivos companheiros?

As mulheres dão seus melhores anos de

sua juventude não só para criar os fi

lhos como também para ajudar com seu

trabalho doméstico (não remunerado)

o desenvolvimento da carreira de um

homem e que se encontram, na idade

madura, sem trabalho e sexualmente

desvalorizadas pela idade. Essa situa

ção e vivida num tal desamparo que

algumas mulheres preferem arrastar

consigo;Um casamento fracassado, uma

situação que as humilha, preferem o

desgaste quotidiano à-situação de

"desemprego conjugai",

Não há, portanto, que esperar dos

homens a iniciativa de transformação

d,e uma situação social da qual, cons-

ciente ou inconscientemente, eles se

beneficiam,

Mulheres, vamos.ã lutai

ROSÂNGELA VILMA MATOS ;

Dados bibliográficos [Obras de Paulo

Freire)" r

-«-—jn—— cc-

ü GRILEIRO

Em homenagem aqueles que fizeram "0 Po_s

seiro" falsificado, dedicamos a letra

da .música de Raphael de Carvalho:

Oi, grileiro vem ..

Pedra vai .

De cima desse morro ninguém sai (bis)

Construí meu barraco de madeira

Em cima desse morro prá morar

Vem o cão de^um grileiro de rasteira

Querer meu barraco derrubar.

Oi, grileiro vem

Pedra vai

De cima desse morro ninguém sai (bis)

Ao grileiro nós vamos resistir

Todo povo daqui vai descer

E-uma ordem geral vai partir

Que é botar o grileiro prá correr'.

0 POSSEIRO = Março/84 pag, 9


Qs ReMitíúíCfiçõks po ViREfíCOB PbEUNO, òõ PMÈB

O vereador Adelino Fernandes

dos Santos(PMDB) apresentou à Ca

mara de Vereadores desta cidade'

a seguinte solicitação de provi-

dencias urgentes.+

1. Oascalhamento do Ramal Santa"

Iferia da Vitória via Tiririca,íPe

nipapo, Nova Franca, Mocambo^Pon

te Velha, Malhada, até Inhaúmas,

perfazendo um total de 96 kms.

2* Inhadmas - crlAção de um Posto

medico, com visita de uma vez por

semana. Aproximadamente 3.500_ha

bitantes ,

3, Povoado de Caniveta - A. Cons

truçao de poço artesiano; ff. Gru

po escolar. População 1.000 habi

tantes aproximadamente.

4. Oascalhamento do ramal via Cur

raís, Gaíundó até Brejlnho dos

Gerais, perfazendo um total de

30 kms.

A. Construção Grupo Escolar"

II6S Currais de Cima.

5. Oascalhamento do Ramal via Á-

gua Quente, com 30 kms.

€>. Cascalhamento do Ramal via A-

çudina, com 35 kms.

1. Posto Médico com visita de uma

vez por semana.

8. Bairro de Sao Feíix, popula-

ção 5.500 habitantes.

A. Eletrificação das ruas de-

São Félias, extensão 75^.

B. Calçamento das ruas de Sao

Pélix, com extensão de 95^.

C. Calçamento das ruas de Saap

ta Maria da Vitória, com exten -

são de 25^.

pag, 10 0 Posseiro - ÍVlarçQ/^4

B. Tratamento da água de São ,Fe-

lix.

E. Vigilância para as ruas desta

cidade.

P. Verba para a manutenção do Co

légio da CNEC, Centro Educacional

Cenecista de Sao Pélix.

a) Adelino Fernandes dos

Santos.

fiftTE PoPüLfíR.

Vale a pena conhecer a Gale-

ria de Arte da Casa da Cultura '

"ANTÔNIO LISBOA DE MORAIS".

Ali, nossos artistas - escul

tores e artesoes - expõem seus \

trabalhos para que'apreciados pe

los visitantes.

Na Galeria de Arte podem ser

encontradas inúmeras obras de ar

te, dentre as quais: carrancas ,

quadros, tecidos de algodão fa-'

brieados pelos nossos camponeses

etc.

Cabe, agora, ao povo santama

riense- prestigiar os nossos artis

tas populares, comprando e divul-

gando seus trabalhos, contribuin

do, dessa maneira, para que a Ar

te e Cultura Popular de Santa Ma

ria e cidades circunvizinhas crês

çam e se valorizem cada vez mais.

0 endereço da Galeria de Ar-

te da Casa da Cultura "Antônio '

Lisboa de Morais" £» Praça da Ban

deira, 72-A- Santa Maria da Vitó

ria - Bahia.

LEIA NA BIBLIOTECA CAMPESINA:

- Geração Abandonada / L.F, Emediato;

- A Guerra do Fim do Mundo / M.V.LLosa

- Conversando Sobre Sexo / M. Suplicy;

- Feliz Ano Velho / Marcelo Paiva.


-rir

i RssocififíU) COMERCIAL e IHúU$TPI/Ií ét Sflwr/) M.VíTn/?io-ClSflM

i Daqui até o final do 12 semestre, os visitantes que chegarem a- Santa,Maria terão a

opúrtunidaçte çie participarem das festas que tradicionalmente são promovidas com

grande receptividade por parte do publico santamariense.; Nossa cidade : èstá, além

; disso, muito bem servida em termos de meios de comunicação: temos telex, t e lefone

(DDl), televisão, etc. • ■ ' r^

\ Em maio, teremos a Festa do Dia das Mães, sempre bastante animada. E no mês de

junho, nas festas juninas, vale ai pena ver e curtir a Praça do- Jacaré repleta de

I barracas vendendo quentão, batidas, etc, Além disso, há uma semana inteira de for-

rós animadíssimos, com conjuntos, grupos folclóricos e outras atrações.

Durante esse período, as pessoas que chegarem a Santa Maria terão -à,sua.disposição

inúmeros estabelecimentos comerciais, tais como bares, boutiques, etc, os quais :

, relacionamos abaixo; '' ' ■.' ; ■ ,, ■; . ', .,, ',

j Advocacia ,,,. \

!

Escritório Lisboa

, EsGritórib. Santa Maria

Forro e iluminação

Gessol ■ ;.' \

I

Gasolina, diesel e derivados de petróle

:

Artigos para presentes, malas e confecções Auto Posto Lisboa

Casa Coelho

! 0 Paulistão -. '%, -

: A Preferida . , ..__,

I Boutiques

' Kicharm

: Magna Modas

lPingo de Gente (infantil)

-( Brinquedos- e artigos para presentes

1 Surilândia ' ■ '■ ^ ' ■

i ■■--.■;■ -■-....

i Contabilidade

Escritório Leite ' ■'.'' '

Beneficiadora de Cereais ^

Gafe Delza

Construtor

Pedro Antônio de Souza-

Confecções em Geral

Vanderlei Marques Ferreira (ambulante) .

Gerealista em atacado

Oliveira & Bonfim

Pingüim

Discos, fitas e artigos para presentes

Musivsst .. ;■

Wkttsom

Fábrica de baterias

1 Delcar

Farmácia

Líder

'Gráficas '

Guedes ..

Tipografia Mestre ^inza

Hotel .• ''[.,_

Carranca (três : estrelas)

Lanches e bebidas

Drink's Mabalú

Material para construção e madeira

Madecor .. ...

Material para construção, motores e

máquinas agrícolas ;

Casa Globo

Cidade Riso ' v - :: '

Móveis e eletrodomésticos

••Gasa-União - ^ , _,. ■

Produtos veterinários

Casa do Agricultor ,;

••■

Panificadora e lanchonete .

Moderna

Supermercados

Coelho

Fama

Lima Faraj

Pingüim

Pires ' ' ' • • ';

Tecidos, confecções e armarinhos

Casa Fé em Deus

Casa Norma ..,. ,"

0 POSSEIRO « Março/84 pag. 11


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