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Aviacao e Mercado - Revista - 5

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Edição 05<br />

aviacaoemercado.com.br<br />

AEROFESTIVAL<br />

MONTENEGRO<br />

RESGATANDO OS FESTIVAIS AÉREOS<br />

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL<br />

A TECNOLOGIA NO COMANDO DOS NOVOS<br />

HORIZONTES DA AVIAÇÃO<br />

COM A PALAVRA<br />

O PRESIDENTE!<br />

AVIAÇÃO<br />

ANGOLANA, EM<br />

BUSCA DA<br />

EXPANSÃO<br />

E DE BOM<br />

CONTEÚDO<br />

JORNALÍSTICO<br />

PARA OS<br />

APAIXONADOS


Estamos iniciando nossa jornada de afirmação, neste ano de 2017, primeiro ano de 12 meses em nossa<br />

recente jornada, iniciada em agosto de 2016, no qual tivemos apenas 4 edições. Para a A350 e para a<br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> é um ano que promete bons resultados, com momentos de alta adrenalina. Ano em que<br />

queremos conquistar a confiança dos leitores e apaixonados pela aviação ao redor do mundo, em especial<br />

os de língua portuguesa.<br />

Esta edição, que inaugura 2017, apresenta uma ampliada equipe de colaboradores. Bem vindos ao nosso<br />

time: Sandra Assali, Presidente da ABRAPAVAA, que retrata com grande maestria o atual momento da<br />

aviação brasileira no quesito acidentes, fiscalização e seguros aeronáuticos; Manaus, que inicia seu voo na<br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> com o piloto Jone Dirane, que conta, a partir de agora, aos nossos leitores, como é e<br />

como se comporta o mercado aéreo do Amazonas; Leandro Dutra, que traz uma analise dos aeródromos do<br />

interior do Brasil, que deixa muito clara a situação caótica da aviação geral brasileira; Paulo Machado, que<br />

inicia sua jornada com temas que retratam o turismo de aviação, que e iniciou escrevendo para o site da<br />

Aviação & <strong>Mercado</strong>, e agora passa também a fazer parte da equipe de colaboradores da nossa revista; Dr.<br />

Carlos Barbosa, que sempre retrata muito bem o ambiente do Direito Aeronáutico, nesta edição revela a<br />

verdadeira missão dos comissários de bordo; Jardel Leal que nos apresenta, com uma excelente matéria,<br />

a construção de aeronaves experimentais em forma de kits; Elisando Souza, que apresenta o evento do<br />

aeroclube de Montenegro RS e nossa editora Cláudia Terra apresenta duas matérias, uma lembrando o 14<br />

Bis, de Santos Dumont, a aeronave que fez o primeiro voo homologado da história da aviação, partindo,<br />

na segunda matéria, para o futuro da aviação sem piloto com a inteligência artificial e seu impacto tanto<br />

na aeronáutica, quanto na indústria aeroespacial.<br />

Também iniciamos nossa jornada de parcerias internacionais pelo continente africano junto aos países de<br />

língua portuguesa. Nossa decolagem inicia-se por Angola, onde temos, no apaixonado pela aviação,<br />

Ângelo Flavio Panzo, nosso parceiro de negócios e conteúdo no país. A produção de conteúdo sobre a<br />

aviação angolana tem início na entrevista com o piloto Tony (Antônio Mangueira Fernandes). A partir desta<br />

edição a Aviação &<strong>Mercado</strong> passa a ser a primeira revista, em língua portuguesa e em plataforma multimídia,<br />

a ser disponibilizada via internet em Angola e, como no Brasil, com acesso totalmente gratuito. Estamos<br />

lançando também nesta edição um espaço denominado “VENDA SEU VOO”, onde o profissional<br />

desempregado poderá divulgar, gratuitamente, seu currículo e mostrar sua história profissional ao mercado<br />

de trabalho.<br />

Nesta edição:<br />

08<br />

30 AEROFESTIVAL<br />

MONTENEGRO<br />

12<br />

14 BIS- O AVIÃO DO<br />

PRIMEIRO VOO HOMOLOGADO<br />

AVIAÇÃO E INTELIGÊNCIA<br />

ARTIFICIAL<br />

68<br />

34 AVIAÇÃO E INTELIGÊNCIA<br />

68<br />

O QUE REALMENTE FAZEM<br />

ARTIFICIAL<br />

OS COMISSÁRIOS DE VOO<br />

Presidente<br />

Vilso Ceroni<br />

aviacaoemercado.com.br<br />

Editora<br />

Cláudia Terra (MTB 26254)<br />

Web Design/Projeto<br />

Gráfico e Diagramação<br />

Bruno Hilário<br />

Financeiro<br />

Nivea Ceroni<br />

nivea@grupoc.com.br<br />

Colaboradores<br />

Sandra Assali<br />

Jardel Leal<br />

Carlos Barbosa<br />

Elisandro Souza<br />

Paulo Machado<br />

Jone Cavalcante Dirane<br />

Foto destaque da Capa<br />

Elisandro Souza<br />

Comercial e Marketing<br />

55 - 11 3467 6504<br />

vilso@a350.com.br<br />

Representante Comercial<br />

em Manaus -AM<br />

Jone Cavalcante Dirane<br />

55 - 92 99172 8682<br />

diraneaviacao@gmail.com<br />

Quem quiser participar deve enviar o seu currículo para o e-mail redação@aviacaoemercado.com.br, que<br />

nossa equipe irá selecionar um profissional para a próxima edição.<br />

O que posso dizer é que nossa edição está repleta de ótimos textos, vídeos e muitas fotos. Tudo isso em um<br />

único local e totalmente de graça em nossa revista multimídia sempre com rico conteúdo exclusivo, que<br />

pode ser acessado em todas as plataformas, quantas vezes você quiser e a qualquer tempo. Mensalmente<br />

disponibilizamos uma nova edição. Não perca!<br />

Bem vindo à nossa decolagem de 2017! Boa leitura! Leia! Curta as fotos e assista<br />

aos vídeos. Tenha informações exclusivas de forma rápida e interativa.<br />

Vilso Ceroni<br />

Faça o download<br />

agora mesmo do<br />

Calendário 2017 da<br />

Aviação & <strong>Mercado</strong>:<br />

Download<br />

CALENDÁRIO AVIAÇÃO & MERCADO 2017<br />

04 Aviação & <strong>Mercado</strong>


Cmte João D'Angelo's<br />

Aeroclube de Pirassununga<br />

<br />

Foto Getty Images<br />

Há 111 anos, precisamente em 12 de novembro de 1906, na França. O voo de 220 metros do<br />

14-Bis, com o seu inventor e cmte Alberto Santos Dumont, foi homologado pela Federação<br />

Aeronáutica Internacional (FAI) como o primeiro recorde mundial da aviação.<br />

Foi um recorde de distância de voo, sem escala, de um aparelho<br />

mais pesado que o ar.<br />

Voo de 12 de novembro de 1906<br />

O voo do Oiseau de Proie III<br />

na capa do Le Petit Journal<br />

de 25 de novembro de 1906<br />

A FAI também considera o penúltimo voo do 14-Bis do dia 12<br />

como o primeiro recorde de velocidade, com de 41,3 km/h, em<br />

um voo de 220 metros de distância. O 14-Bis, também conhecido<br />

como Oiseau de Proie (francês para “ave de rapina”), foi<br />

construído por Santos Dumont. A Fédération Aéronautique<br />

Internationale (FAI) é um órgão internacional criado em 1905,<br />

que governa e regulariza os esportes aéreos no mundo.<br />

Sala VIP<br />

Sua criação surgiu da necessidade de<br />

estabelecer critérios aceitos internacionalmente<br />

para decidir se um aparelho<br />

mais pesado que o ar podia, de fato,<br />

voar. É ela quem homologa todos os<br />

campeonatos mundiais e recordes de<br />

desportos aéreos e astronáuticos (espaciais).<br />

No Brasil ela é representada pela<br />

CAB (Comissão do Aerodesporto Brasileira),<br />

fundada em 25 de abril de 1997,<br />

no Rio de Janeiro - RJ. A FAI tem como<br />

objetivo principal encorajar o desenvolvimento<br />

do aerodesporto em todo o<br />

planeta. As suas áreas de competência<br />

abrangem múltiplas atividades aéreas<br />

como acrobacias aéreas, os hidroaviões,<br />

aviões, os helicópteros, os balões, os<br />

dirigíveis, os parapentes, as asas deltas,<br />

os planadores, os saltos de paraquedas,<br />

os veículos espaciais, etc.<br />

A revista norte-americana “National<br />

Aeronautics” (nº 12, volume 17, de<br />

1939), órgão oficial da “National Aeronautics<br />

Association” sediada em Washington<br />

(EUA), também registrou o voo<br />

de 220 metros de Santos Dumont, realizado<br />

em 12 de novembro de 1906,<br />

como o primeiro recorde de aviação<br />

do planeta Terra. A revista descreveu<br />

os posteriores recordes de distância<br />

de voo. Santos Dumont ainda realizou<br />

outros pequenos voos com o 14-Bis.<br />

Cinco meses depois, encerrou os<br />

ensaios com o famoso aparelho. Em<br />

abril de 1907, no campo da Escola<br />

Militar, em Saint Cyr, Paris, depois de<br />

um voo de 30 metros, pousou bruscamente,<br />

tocando com a asa esquerda<br />

no solo, danificando definitivamente<br />

a aeronave.<br />

A principal conquista de Santos<br />

Dumont foi ser o primeiro homem no<br />

mundo a voar em uma máquina mais<br />

pesada que o ar utilizando unicamente<br />

os recursos do próprio aparelho.<br />

Ele construiu e pilotou um avião,<br />

cumpriu todos os requisitos básicos<br />

de voo usando apenas os meios de<br />

bordo: táxi, decolagem, voo nivelado<br />

e pouso. Além disso, foi o primeiro<br />

que demonstrou isso publicamente.<br />

08 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 09


Cmte João D'Angelo's<br />

Aeroclube de Pirassununga<br />

Seu voo pioneiro contou com o testemunho de multidão, a filmagem foi realizada por<br />

uma companhia cinematográfica e o reconhecimento e a homologação do órgão<br />

oficial de aviação da época, o L’Aéro-Club de France.Todos os voos de Dumont eram<br />

acompanhados pela imprensa de vários países e pelo público, em Paris. Se na época<br />

existisse internet ele transmitiria muitos vídeos ao vivo com suas aventuras aeronáuticas<br />

de todo os seus inventos.<br />

Voo do 14-Bis em 1906<br />

Além disso, suas patentes sempre<br />

foram liberadas e qualquer pessoa<br />

poderia aventurar-se a reproduzir qual<br />

quer dos seus inventos de sucesso,<br />

como aconteceu com o Demoiselle, o<br />

“pai dos ultraleves”, que foi bastante<br />

reproduzido em vários países. No Brasil,<br />

o IAB (Instituto Arruda Botelho), em<br />

2005, construiu uma réplica do Demoiselle.<br />

Foi o marco inicial das ações do<br />

IAB em prol do resgate histórico de<br />

Santos Dumont, mostrando ao Brasil e<br />

Voo do 14-Bis em 1906<br />

ao mundo os feitos do pioneiro e sua<br />

contribuição para a aviação mundial.<br />

O Projeto Demoiselle foi importante<br />

também para mostrar a qualidade da<br />

formação de mão de obra especializada<br />

na restauração e manutenção de<br />

aeronaves antigas e clássicas pelo<br />

instituto, que neste projeto, trabalhou<br />

em parceria com a Escola de Engenharia<br />

de São Carlos (USP), SESI e SENAI.<br />

O Demoiselle, com apenas 50 kg, foi<br />

uma aeronave excepcional que influenciou<br />

toda a indústria da aviação, em<br />

especialmente a europeia, no começo<br />

do século XX.<br />

A denominação do famoso 14-Bis, veio do<br />

fato de Santos Dumont, inicialmente,<br />

testar o novo aparelho acoplando-o ao<br />

seu balão dirigível nº 14. O Prêmio Archdeacon,<br />

estabelecido em julho de 1906,<br />

estimulou os inventores do mundo para a<br />

realização do primeiro voo autônomo com<br />

mais de 25 metros de um aparelho mais<br />

pesado que o ar. Santos Dumont, que até<br />

então se destacara com os “mais leves que<br />

o ar” (balões de ar quente e balões-dirigíveis),<br />

resolveu competir. Em 18 de<br />

julho, de 1906, concluiu o 14-Bis l, cuja<br />

concepção estava sendo por ele pensada,<br />

em silêncio, há algum tempo.<br />

10 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 11


Cmte João D'Angelo's<br />

Aeroclube de Pirassununga<br />

Em 23 de julho, já fez um teste em público,<br />

em Bois de Boulogne, Paris. Inicialmente,<br />

o novo avião estava preso ao<br />

balão-dirigível nº 14. A função do balão<br />

era reduzir o peso efetivo do aeroplano<br />

e facilitar a decolagem. Mas o dirigível<br />

gerava muito arrasto e não permitia ao<br />

avião desenvolver velocidade. Dentre os<br />

dias 21 a 23 de agosto, Dumont passou<br />

a experimentar o voo com a aeronave<br />

desconectada do dirigível. Após uma<br />

primeira corrida sem decolar, na<br />

segunda tentativa o aeroplano<br />

elevou-se do chão e voou. Entretanto a<br />

sua estabilidade não agradou a Santos-Dumont,<br />

que mesmo assim,<br />

declarou-se satisfeito.<br />

No dia 3 de setembro de 1906 foi instalado<br />

o motor náutico Levasseur “Antoinette”<br />

de 50 cavalos a vapor, em substituição<br />

ao motor de 24, que estava sendo<br />

utilizado. Assim, ele melhorou a potência<br />

do 14-Bis e conseguiu fazer um voo<br />

de 11 metros, em 13 de setembro de<br />

1906, mas, infelizmente o pouso brusco<br />

danificou a estrutura e o motor do avião,<br />

quebrou o trem de pouso (eram rodas<br />

grandes), interrompendo os testes. A<br />

fuselagem do 14-Bis era de seda japonesa,<br />

com armações de bambu e pinho; as<br />

junções da estrutura e as hélices eram<br />

de alumínio e os cabos de comando<br />

eram de aço. O 14-Bis, modelo batizado<br />

na aviação, como canard (pato, em<br />

francês), por apresentar os lemes na<br />

parte dianteira do avião, lembrando um<br />

pato em voo. A configuração “canard”,<br />

não é a melhor para a estabilidade e o<br />

controle de uma aeronave. Diante das<br />

configurações e sucesso da aviação, o<br />

canard parece voar ao contrário. Santos<br />

Dumont, nos seus inventos seguintes,<br />

como no Demoiselle, seu ultimo invento,<br />

não mais usou o canard.<br />

Santos Dumont<br />

Mas, Santos Dumont construiu o 14-Bis<br />

II, fez novas modificações no avião:<br />

envernizou a seda das asas para<br />

aumentar a sustentação, retirou a roda<br />

traseira, por atrapalhar a decolagem e<br />

cortou a estrutura de suporte da hélice.<br />

Em 23 de outubro, de 1906, no campo<br />

de Bagatelle, após várias tentativas,<br />

percorreu 60 metros em sete segundos,<br />

a uma altura de aproximadamente 2<br />

metros, perante mais de mil espectadores.<br />

Esteve presente a Comissão Oficial<br />

do Aeroclube da França, entidade<br />

reconhecida internacionalmente e<br />

autorizada a homologar qualquer<br />

evento significante, tanto no campo<br />

dos dirigíveis, como no dos mais pesados<br />

que o ar, os aviões. Novamente,<br />

porém, o pouso brusco danificou as<br />

rodas do avião. O 14-Bis II ainda não era<br />

totalmente controlável.<br />

Em 23 de outubro de 1906, às 16h45min,<br />

após corrida no solo de 220m, voou à<br />

altura de 6metros com duração de 21 s e<br />

1/5 e velocidade média de 37,4 km/h.<br />

Santos Dumont conquistou, com esse<br />

voo, o Prêmio Archdeacon, oferecido pelo<br />

empresário francês Ernest Archdeacon ao<br />

primeiro aviador que conseguisse voar a<br />

distância de 25 metros, com ângulo<br />

máximo de desnivelamento de 25 %.<br />

Além do Aeroclube da França, a Federação<br />

Aeronáutica Internacional (FAI)<br />

reconheceu a conquista do prêmio, pois o<br />

14-Bis voara muito mais do que o limite<br />

mínimo de 25 metros estabelecido. Todavia,<br />

aquele voo de 60 metros, em<br />

23/10/1906, não teve todas as precisas<br />

medições pela FAI necessárias para a<br />

formal homologação do recorde, as quais<br />

a federação veio a tê-las em outra<br />

experiência, duas semanas após, em 12<br />

de novembro de 1906. Nessa data, agora<br />

com o 14-Bis III, última versão dessa<br />

aeronave icônica. Desta vez, provida dos<br />

ailerons, mais um invento do aviador<br />

pioneiro, para ajudar na direção, Dumont<br />

voo à distância de 220 metros, em 21,5<br />

segundos, estabelecendo o recorde de<br />

distância da época. Esse enorme feito foi<br />

registrado pelo pela FAI e pelo Aeroclube<br />

da França.<br />

Especificações técnicas do 14-Bis III: avião<br />

experimental, monoplace, envergadura de<br />

12m, comprimento 10m, altura 4,8m,<br />

superfície das asas 80m², largura das asas<br />

2,5m, separação entre os dois planos das<br />

asas 1,5m, conjunto estabilizador, profundor,<br />

leme de direção (simplificadamente,<br />

“lemes”) 3m de largura, 2m de comprimento<br />

e 1,5m de altura, hélice de 2 pás 2,5<br />

m de diâmetro, peso vazio 160kg, motor<br />

50hp,velocidade máxima 30,8 km/h.<br />

12 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 13


Cmte João D'Angelo's<br />

Aeroclube de Pirassununga<br />

Em 14 de abril de 1907 o 14-Bis III realizou seu último voo. Após tentativas frustradas de<br />

estabilizar a aeronave, Santos-Dumont perdeu o controle e bateu contra o chão. Ao invés<br />

de reparar o avião, Santos-Dumont preferiu canibalizar as peças do protótipo para outros<br />

projetos. O motor equipou os projetos 15, 16 e 18, as hélices e as rodas também foram<br />

aproveitadas em outros aparelhos, como o Demoiselle, segunda aeronave mais famosa<br />

projetada e construída pelo conquistador dos céus, Santos Dumont.<br />

sobrevoou o público com os dois braços abertos, fora dos comandos e um com<br />

um lenço em cada mão, acenou e soltou-os em voo e com isso foi muito aplaudido.<br />

Alberto Santos Dumont era descendente de imigrantes, como a maior parte do<br />

povo do Brasil, na época. Era neto de franceses, por parte de pai, e bisneto de portugueses,<br />

por parte de mãe, nasceu em Santos Dumont-MG, sua casa de nascimento foi<br />

transformada em um museu, o Museu Gabangu (www.museudecabangu.com.br),<br />

Réplica do 14-Bis<br />

apresentada em Brasília<br />

Foto Fábio Pozzebom<br />

Atualmente existem muitas réplicas do<br />

14-Bis e elas voam, quando construídas<br />

com base nas plantas originais do<br />

inventor. Uma delas, construída pelo<br />

empresário Alan Calassa em 2004,<br />

esteve presente em Brasília-DF para as<br />

comemorações do centenário do<br />

primeiro voo celebrado em 2006, que<br />

está no Museu do Ar da Força Aérea<br />

Portuguesa. Mas, além das réplicas para<br />

voar, há muitas outras feitas especificamente<br />

para exibição em museus de<br />

vários países e para monumentos em<br />

aéreas públicas.<br />

Em 18 de setembro de 1909, com o<br />

Demoiselle nº 22, aos 36 anos de idade,<br />

Santos Dumont realizou o seu último<br />

voo como piloto, segundo vários de<br />

seus biógrafos. Em Saint Cyr, Paris, ele<br />

Santos Dumont<br />

que abriga centenas de documentos,<br />

imagens e objetos pessoais de Dumont e<br />

uma aérea verde arborizada com lagos e<br />

chafariz construído por ele próprio,<br />

quando retornou da França. Dumont<br />

sempre destacou o seu orgulho de ser<br />

brasileiro e sempre dizia serem dos brasileiros<br />

o seu sucesso e suas conquistas<br />

ímpares para a humanidade. O “Pai da<br />

Aviação”, Alberto Santos Dumont, é um<br />

dos maiores orgulhos nacionais de todos<br />

os tempos. Esse pequeno (tinha menos de<br />

1,60 cm de altura) grande homem de<br />

mente e atitudes brilhantes, ajudou a<br />

estarmos aqui, voando e falando de<br />

aviões, unidos por uma paixão, a aviação,<br />

a final “as coisas são mais belas quando<br />

vistas de cima”, Santos Dumont.<br />

14 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 15


Introdução ao<br />

Direito Aeronáutico<br />

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Perfil da AFAC<br />

Instituição sem fins lucrativos<br />

Nome: AFAC - Associação dos Frequentadores<br />

do Aeródromo de Casa Branca-SP<br />

Cmte João D'Angelo's<br />

Aeroclube de Pirassununga<br />

Esquadrinha da Fumaça em Espirito<br />

Santo do Pinhas SP<br />

A vida humana é atualmente, em quase sua totalidade, vivida em sociedade e em associações,<br />

na aviação não poderia ser diferente. As associações e clubes têm grande importância<br />

na aviação geral promovendo encontros, buscando os direitos e o bem comum<br />

de seus associados.<br />

Mas, decidir montar<br />

uma associação não é<br />

um papel dos mais<br />

simples, as dificuldades<br />

para conseguir reunir as<br />

pessoas em prol de um<br />

mesmo objetivo e a<br />

participarem na vida<br />

associativa são<br />

gigantescas. Trabalhar<br />

gratuitamente por um<br />

legado ou sonho não é<br />

fácil e poucos estão<br />

dispostos a assumirem<br />

essa responsabilidade.<br />

Ser líder em uma associação<br />

sem fins lucrativos,<br />

e que não remunera<br />

sua diretoria, é um trabalho glorioso de espírito empreendedor. Isso demanda desprendimento<br />

de momentos pessoais, em prol dos associados. Nesta matéria utilizaremos como<br />

exemplo a AFAC - Associação dos Frequentadores do Aeroporto de Casa Branca, cidade do<br />

rico interior paulista. A associação surgiu do sonho de quatro jovens, que enfrentaram as<br />

dificuldades de reunir pessoas, a falta de recurso e a tomada de decisão de deixar de lado<br />

o associativismo para definir o futuro profissional e de suas vidas. Eles tiveram competência<br />

no tempo certo e retomaram o sonho e a paixão.<br />

Ilson Antônio Sabaini Junior, Ivan Eggers Bacci, João Gabriel Bacci e Rafael Peres Olmedo<br />

Endereço: Avenida Jose Basilone Junior<br />

282, centro Casa Branca SP, CEP<br />

13700-000<br />

Fundação: 18 de junho 2006<br />

Número atual de membros: 352<br />

Site: www.afaccasabranca.com<br />

Objetivo social: Produzir e distribuir<br />

conteúdo sobre o mercado da aviação.<br />

Diretoria atual<br />

Presidente - Ilson Antonio Sabaini Júnior<br />

Vice-presidente- Ivan Eggers Bacci<br />

Primeiro Secretario - Guilherme Henrique<br />

de Paula silva<br />

Tesoureiro - Rafael Peres Olmedo<br />

O<br />

Fundador João Gabriel Bacci<br />

Presidente Ilson Antonio Sabaini Jr<br />

Tesoureiro Rafael Peres Olmedo<br />

Primeiro Secretário Guilherme<br />

Henrique de Paula Silva<br />

Vice Presidente Ivan Eggers Bacci<br />

Em meados do ano de 2006, aos domingos, os quatro jovens: Ilson Antônio Sabaini<br />

Junior, Ivan Eggers Bacci, João Gabriel Bacci e Rafael Peres Olmedo costumavam encontrar-se,<br />

no período da tarde, no aeródromo de Casa Branca, para conversar sobre aviação.<br />

Nesse período o aeródromo contava apenas com operações de aviação agrícola, o que já<br />

era suficiente para manter o sonho vivo de um dia ser aviador.<br />

No dia 18 de junho, de 2006, em um domingo chuvoso, os jovens entraram em um dos<br />

hangares do aeródromo para ficarem protegidos da chuva e baterem papo sobre a<br />

aviação e decidiram criar uma associação para trazer mais gente para o grupo e fazer<br />

daquele local um ambiente para reunir sonhadores e apaixonados pela aviação.<br />

A partir deste dia começaram os trabalhos, em primeiro ato, escolheram o nome da<br />

associação (AFAC - Associação dos Frequentadores do Aeródromo de Casa Branca), em<br />

seguida escolheram o logotipo e, o mais importante, o objetivo da associação.<br />

18 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 19


Como passo importante, para dar visibilidade ao trabalho e atrair as pessoas seria<br />

necessário investir em comunicação. Mas sem dinheiro em caixa, teria que partir para a<br />

forma gratuita ou mais barata possível. Então iniciaram pela internet. Criaram uma<br />

página nos extintos Orkut, para divulgação de notícias da aviação, fotos e eventos aéreos<br />

e no MSN para conversar com o público e promover a associação.<br />

Muitas dificuldades e desafios foram enfrentados,<br />

além da falta de dinheiro. Segundo o presidente da<br />

associação, Ilson Sabaini, “O mais difícil é ser atendido<br />

e respondido, um exemplo: entro em contato com<br />

escolas para tentar fechar alguma parceria que beneficie<br />

a eles e aos associados, mas eles nem te retornam<br />

os e-mails e contato telefônico, simplesmente<br />

ignoram. Ser aceito é muito difícil, pois muitos não<br />

acreditam no trabalho das associações, a grande<br />

maioria acha que isso é coisa de espertalhão querendo<br />

se beneficiar”. Com o crescimento do número de<br />

associados decidiram abrir espaço para que as pessoas<br />

se associarem à AFAC, com pagamento de uma<br />

mensalidade, na qual teriam alguns benéficos oferecidos<br />

pela associação, dentre eles o Jornal da AFAC,<br />

com periodicidade mensal, que aborda quatro temas:<br />

história da aviação desde os primórdios ate dias<br />

atuais; notícias atualizadas do mundo da aviação;<br />

novidades do mundo da aviação, eventos aéreos, etc.;<br />

informações sobre mudanças legais e de regras, dúvidas<br />

e esclarecimentos. Com a mensalidade paga, em<br />

dia, o sócio recebia na sua casa, via correio, o jornal.<br />

Como na época ainda era muito caro<br />

para construir e manter um site<br />

próprio, eles iniciaram a busca por<br />

parceria com sites relacionados à<br />

aviação, onde a AFAC era a<br />

responsável por efetuar a cobertura<br />

de eventos aéreos, montar a matéria<br />

sobre o acontecido e enviar a esses<br />

sites, que por sua vez divulgavam as<br />

matérias e fotos, com o nome da<br />

Associação.<br />

Inatividade da AFAC<br />

Tudo andava muito bem na AFAC, até<br />

os jovens perceberem que tinham<br />

que tomar uma decisão. Havia chegado<br />

à maturidade dos fundadores e<br />

era o momento dos mesmos darem<br />

um rumo a seu futuro e escolherem<br />

suas profissões, seus rumos.<br />

Já com um bom número de associados<br />

imaginavam que seria fácil encontrar alguém para substituí-los, enquanto eles estudassem.<br />

Esse foi o maior golpe no sentimento dos fundadores, ninguém se propôs investir<br />

tempo para continuar o belo trabalho. Não tiveram outra saída e interromperam as<br />

atividades da AFAC no final de 2007 e assim permaneceu até o final de 2015. “Foi ruim,<br />

pois eu achei que os demais fossem dar continuidade, mas infelizmente isso não aconteceu,<br />

então achei melhor dar uma parada até me formar e depois continuar”, Ilson<br />

Sabaini. Como falamos no início desta matéria, para ser líder de uma associação tem que<br />

ter muito espírito de liderança e empreendedorismo. Uma associação tem que ser<br />

administrada como uma empresa tradicional.<br />

Retorno da AFAC<br />

No final do ano, de 2015, Ilson, já formado no curso de pilotos, juntou novamente os<br />

fundadores e decidiram retomar as operações, porém com tecnologias diferentes, pois o<br />

mundo digital havia evoluído muito nos últimos 8 anos. Mas, o foco foi o mesmo,<br />

trabalhar a comunicação através da internet e mídias gratuitas para alcançar o maior<br />

número de pessoas, sem grandes investimentos. Substituíram o antigo jornal de papel<br />

por uma página no Facebook, retomando a produção de conteúdo como notícias, informações,<br />

novidades e história da aviação. Na sequência, criam um canal no Youtube, para<br />

divulgar seus vídeos e trabalhos de coberturas em shows aéreos realizados pelo Brasil.<br />

Criaram um perfil no Fotolog, para também expor as fotos de matéria das coberturas dos<br />

shows aéreos, dos quais a AFAC faz cobertura jornalística.<br />

20 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 21


Criam também seu próprio site, onde publicam conteúdos, como fonia ao vivo de<br />

aeronaves, informações sobre meteorologia, facilidades, aeródromos, matéria de estudos<br />

para o publico, entre outros. A associação tem um grupo no Whatsapp, onde seus sócios<br />

podem trocar ideias, esclarecer duvidas e descontrair, além desse, há um grupo fechado<br />

denominado “sala de bate papo”, onde em datas pré-estabelecidas, a AFAC convida<br />

alguém relacionado à<br />

aviação como INVA(Instrutor<br />

de Voo) ou um<br />

ASV (Agente de Segurança<br />

de Voo) para<br />

bater papo com os<br />

sócios, esclarecer dúvidas<br />

e expandir as<br />

ideias. Os associados<br />

têm direito ao acesso a<br />

todos os conteúdos<br />

como mídias sociais,<br />

grupos e a descontos<br />

em escolas de aviação<br />

parceiras, etc.<br />

Quem quiser se cadastrar<br />

na AFAC, é simples e<br />

gratuito! Basta acessar o site,<br />

lá existem dois canais: o<br />

primeiro é só clicar em cadastro<br />

AFAC e seguir as informações<br />

ou escrever através<br />

da caixa de dialogo a<br />

intenção de se tornar sócio;<br />

Também, podem solicitar esse<br />

cadastro através do email ou<br />

Whatsapp da AFAC.<br />

Podemos concluir, com o<br />

exemplo da AFAC, que a<br />

atividade associativa, com<br />

vocação empreendedora, de<br />

levar um sonho e a paixão em<br />

benefício das demais pessoas,<br />

não sobrevive sem lideres.<br />

Alguns têm que investir<br />

tempo, estratégias inteligentes<br />

e muita dedicação em prol da maioria. Para o<br />

presidente Ilson Sabaini, ser presidente de uma<br />

associação é necessário ter tempo para trabalhar,<br />

nunca estar desatualizado, ter comunicação com<br />

demais parceiros, planejar formas e facilidades<br />

para os associados, enfrentar de forma firme e<br />

determinada a falta de recursos para trabalhar<br />

novas ideias.<br />

Mas, que também é gratificante para quem faz o<br />

trabalho associativo, quando se consegue alcançar<br />

os resultados almejados. “Para mim, ter participado<br />

da fundação da AFAC foi muito gratificante,<br />

pois sou apaixonado pela aviação e pelo aeródromo<br />

de Casa Branca, hoje, sendo presidente, posso<br />

trabalhar para que outros cheguem aonde cheguei.<br />

A minha maior realização é em nome da AFAC,<br />

por poder levar e ensinar para as pessoas o melhor<br />

caminho para que realizem os seus sonhos de se<br />

tornarem aviadores”, Ilson Sabaini, Presidente da<br />

AFAC e Cmte na empresa Passaredo Linhas Aéreas.<br />

22 Aviação & <strong>Mercado</strong>


Todo acidente aéreo é sempre muito impactante, seja para o familiar, seja para o publico<br />

em geral, pois sempre causa comoção, muito stress, etc. Indiscutivelmente, deve ser a<br />

experiência mais extremada de dor e sofrimento que um familiar pode passar ao perder<br />

um ente querido de forma tão trágica e abrupta.<br />

Os familiares atingidos passam a conviver com uma experiência única, algo nunca imaginado<br />

e tampouco saberão lidar com esse momento. Tudo é muito complexo! É como<br />

se a vida parasse! A reação não vem tão cedo, muitas coisas começam a acontecer à sua<br />

volta. Vários integrantes de uma mesma família são atingidos e todos estão cientes de<br />

quê, dias difíceis virão.<br />

Infelizmente temos presenciado um<br />

número crescente de acidentes aéreos<br />

no Brasil. O ano de 2016 foi um ano<br />

marcante principalmente, em vítimas<br />

fatais. Acidentes aconteceram quase que<br />

semanalmente. Foram acidentes na<br />

aviação agrícola, acidentes na aviação<br />

experimental, com aeronaves de táxi<br />

aéreo, helicópteros, acidentes e mais<br />

acidentes.De que forma os familiares das<br />

vítimas fatais desses acidentes aéreos<br />

têm sido assistidos?Vamos tomar como<br />

exemplo o caso do acidente com o time<br />

do Chapecoense, em novembro de 2016.<br />

Não havia um gerenciamento de crise,<br />

por parte da empresa aérea, o que dirá<br />

assistência aos familiares das vítimas. A<br />

ABRAPAVAA (Associação Brasileira de<br />

Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes<br />

Aéreos) seguiu ao encontro dos<br />

familiares, em Chapecó, um dia após o<br />

acidente e por lá permaneceu até o dia<br />

do velório coletivo.<br />

O que se viu foi uma comoção jamais<br />

vista no meio esportivo, com repercussão<br />

mundial, o que acabou gerando<br />

um voluntariado em iniciativas e<br />

tomadas de decisões quê, com certeza,<br />

eram de exclusiva responsabilidade<br />

da empresa LAMIA, foi a responsável<br />

pelo transporte de todos e somente<br />

ela deveria responder, em emergência,<br />

acolhendo os familiares das vítimas,<br />

provendo-os de todas as necessidades<br />

imediatas, prestando atendimento<br />

religioso, psicológico, providenciando<br />

documentos necessários e demais<br />

procedimentos para traslados, cerimônias<br />

religiosas, viagens dos familiares,<br />

etc. Mas, infelizmente, nada foi<br />

visto por iniciativa da empresa LAMIA.<br />

Indiscutivelmente o Clube Chapecoense<br />

é responsável também, por ser<br />

quem contratou a empresa aérea<br />

para o transporte de seu clube,<br />

equipe técnica, imprensa, convidados,<br />

etc. Mas, temos de admitir! O<br />

clube tomou para si toda a responsabilidade,<br />

que deveria ser compartilhada<br />

com a empresa LAMIA. Algo<br />

tinha que ser feito, e foi, da forma e<br />

da maneira que ela entendeu ser a<br />

melhor e isso não se discute!<br />

Estou tomando o exemplo do<br />

acidente do Chapecoense por ser<br />

recente e por ter causado comoção<br />

mundial, mas, acidentes assim são<br />

mais usuais do que se imagina,<br />

atualmente, infelizmente! Ou seja,<br />

há empresas aéreas desprovidas de<br />

assistência aos familiares das vítimas.<br />

Num percentual elevado, com<br />

certeza, 80% das empresas aéreas<br />

no Brasil têm sido extremamente<br />

falhas no gerenciamento de crise e<br />

assistência às famílias. Cada vez<br />

mais seguem transportando vidas<br />

com a única certeza de quê: “nada<br />

vai acontecer”, “já realizamos esse<br />

transporte e seguimos essa rota<br />

inúmeras vezes e nada aconteceu,<br />

então não vai acontecer agora!”.<br />

A dor de quem perde um ente<br />

querido desta forma é algo que só<br />

dimensiona quem vive experiência<br />

semelhante. Isso é difícil demais, é<br />

incompreensível! É difícil de aceitar,<br />

e o pior, é o familiar imaginar quê,<br />

para além do acontecido, estarão<br />

absolutamente sozinhos em sua<br />

luta e dor.<br />

É cada vez maior no Brasil o número<br />

de empresas aéreas no Brasil<br />

voando, transportando vidas sem<br />

seguro. Isso mesmo, sem seguro!<br />

24 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 25


Até o Seguro RETA, seguro obrigatório, semelhante ao DPVAT, hoje, em torno de 66 mil<br />

reais, não tem sido renovado. E a fiscalização? Falha! Sabemos disso! A ABRAPAVAA<br />

convive com inúmeros casos semelhantes. E o Seguro de Responsabilidade Civil? Esse<br />

cada vez mais raro e há acidentes sem essa cobertura.<br />

A ABRAPAVAA nasceu após o acidente com o voo TAM 402, em outubro de 1996, em SP,<br />

com 99 vítimas fatais e hoje, com quase 20 anos de existência, trazemos experiência em<br />

apoio e orientação a familiares de vítimas, em mais de 100 acidentes aéreos por todo o<br />

Brasil, um numero estimado de, no mínimo, mais de 3 mil familiares assistidos. E, a despeito<br />

das características individuais de cada acidente, eles trazem semelhanças quando<br />

falamos o quanto o mesmo atinge um familiar que perde um ente querido, a dor, as<br />

dificuldades e a complexidade que o acidente aéreo envolve.<br />

Sempre digo que a empresa aérea<br />

deve acolher os familiares de<br />

qualquer forma! Essa deve ser sua<br />

prioridade desde o primeiro momento<br />

do acidente. A importância do<br />

acolhimento, da prestação de solidariedade,<br />

dos esforços para amenizar<br />

a dor de cada um, a disponibilidade<br />

em atender às suas demandas,<br />

com certeza, resultará em uma postura<br />

menos reativa daquele familiar,<br />

na necessária e inevitável conversa<br />

futura com a empresa aérea e com a<br />

seguradora, quando de ante de uma<br />

proposta de acordo.<br />

Com o trabalho da ABRAPAVAA,o<br />

Brasil passou a ter a norma da ANAC<br />

para Assistência a Familiares de Vitimas<br />

de Acidentes Aéreos ,<br />

IAC-200-1001. Norma essa que as<br />

companhias aéreas devem seguir<br />

para o caso de um acidente ou incidente<br />

com vitimas, como por exemplo,<br />

o acolhimento, hospedagem em<br />

hotéis, disponibilidade de religiosos,<br />

médicos, psicólogos, providencias<br />

quanto ao deslocamento desses<br />

familiares, etc.<br />

Como mencionado, o Brasil dispõe,<br />

hoje, de 2 seguros em caso de<br />

acidentes aéreos, sendo: o RETA,<br />

como um adiantamento.<br />

É um seguro imediato que exige tão<br />

somente, um atestado de óbito para<br />

ser pago. Ele é obrigatório e será descontado<br />

após o acordo final. Existem<br />

empresas aéreas que acabam não<br />

descontando esse valor, mas, de regra,<br />

descontam; Seguro de Responsabilidade<br />

Civil. Esse é o seguro que irá<br />

pagar as indenizações, os chamados<br />

acordos. Cada caso é analisado individualmente,<br />

ou seja, cada vítima<br />

possui um histórico profissional, familiar,<br />

etc, portanto, valores distintos, de<br />

acordo com cada caso. Essa referência<br />

também passou a ser aplicada, pós-acidente<br />

com TAM 402. Até então, se<br />

aplicava um cálculo único, ou seja, o<br />

valor disponibilizado para os acordos,<br />

dividido entre o número de vítimas,<br />

que geravam valores indenizatórios<br />

iguais a todos, não importando as<br />

características de cada caso, como por<br />

exemplo: idade, salário, vida profissional,<br />

filhos, dependentes, etc.<br />

Aos familiares, sempre destacamos a<br />

complexidade de iniciativas como:<br />

decisões, detalhes e providências<br />

que um acidente aéreo exige.<br />

Sempre recomendamos que, o<br />

ideal é o familiar contar com a<br />

ajuda de um parente próximo,<br />

um amigo ou seu advogado,<br />

para que possa ir cuidando das<br />

tomadas de decisões que<br />

surgem e que são necessárias e<br />

que muitas vezes o familiar ainda<br />

não está em condições psicológicas<br />

para assumir, e isso deve ser<br />

respeitado.<br />

26 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 27


Em entrevista com Philippe Jouvelot, CEO da seguradora AXA no Brasil,<br />

sobre o artigo da Sandra Assali. A reação do executivo foi surpreendente,<br />

ao invés de defender a posição do mercado segurador, o<br />

executivo explicou que concorda totalmente com Sandra Assali.<br />

O presidente afirmou: “Muito tem que ser feito no setor de<br />

seguro aeronáutico e reconhecemos que temos que ter<br />

uma abordagem mais fácil e mais clara, para que assim,<br />

os corretores possam trazer o seguro necessário,<br />

particularmente, a responsabilidade civil”.<br />

Philippe Jouvelot<br />

CEO da seguradora AXA no Brasil<br />

É importante o familiar saber que ele<br />

não deve ter pressa para resolver nada<br />

de que possa se arrepender mais tarde,<br />

como por exemplo, decidir por um<br />

acordo, pois uma vez assinado, não<br />

terá volta. O familiar não pode se sentir<br />

pressionado e, caso exista uma necessidade<br />

financeira, como em muitos casos<br />

quando se perde um provedor, existem<br />

formas e possibilidades para ajudá-los,<br />

como o caso de uma tutela antecipada.<br />

Hoje também há uma recomendação<br />

bem sucedida em acidentes aéreos,<br />

que é a elaboração de uma câmara de<br />

indenização. Isso tem trazido<br />

excelentes resultados, pois conta com a<br />

participação de entes públicos, como<br />

Defensoria Pública, Ministério Público,<br />

empresa aérea, seguradora, familiares e<br />

advogados. Cada caso é atendido<br />

individualmente, o familiar é ouvido<br />

em suas necessidades, a seguradora<br />

apresenta sua proposta e os entes<br />

públicos garantem que os direitos de<br />

cada familiar sejam preservados.<br />

De qualquer forma, o importante mesmo<br />

é que os familiares permaneçam unidos.<br />

A união é benéfica em todos os sentidos.<br />

A dor é a mesma, a experiência vivida é a<br />

mesma, a busca por respostas a mesma,<br />

os objetivos a serem atendidos, de forma<br />

justa, é o mesmo, a necessidade de acolhimento<br />

pela empresa aérea é a mesma.<br />

Muito importante que a empresa aérea,<br />

responsável diretamente por esses familiares,<br />

entenda quê, com acolhimento,<br />

diálogo, respeito e transparência, terá os<br />

familiares dispostos a ouvi-la, quando no<br />

delicado momento de ouvirem a proposta<br />

de acordo. Se a empresa aérea não<br />

seguir isso, estará criando um ambiente<br />

de animosidade que dificultará uma<br />

conversa futura.<br />

Sandra Assali - Presidente da ABRAPAVAA e<br />

autora do livro - O Dia que Mudou Minha<br />

Vida, disponível para venda no<br />

www.abrapavaa.com.br<br />

28 Aviação & <strong>Mercado</strong>


O evento trouxe shows de acrobacia<br />

com o incrível Comandante<br />

André Engelmann e o seu<br />

Su-26ME, que encantou e gerou<br />

espanto em adultos e crianças por<br />

suas manobras nos dois dias de<br />

festa. Ele fez apresentação com<br />

passagens baixas e simulação de<br />

pulverização com a empresa de<br />

Taguató Aviação Agrícola, além<br />

disso, teve aeromodelismo, apresentações<br />

de paramotor, shows<br />

com bandas, exposição de carros e<br />

motos clássicas, voos panorâmicos<br />

de asa fixa e helicópteros.<br />

Mas além de tudo isso, o que mais<br />

notamos foi a incrível organização e o<br />

comprometimento dos organizadores<br />

e da equipe do Aeroclube de Montenegro,<br />

que buscaram resgatar o espírito<br />

verdadeiro da aviação para o público,<br />

que nos dois dias passou do número de<br />

10 mil pessoas presentes.<br />

Tivemos a oportunidade de ver os<br />

sorrisos das crianças ao ver as<br />

aeronaves, a alegria das pessoas que<br />

voltavam de um panorâmico, a satisfação<br />

estampada nos rostos por estarem<br />

imersos em um mundo que muitas<br />

vezes parece tão longe.<br />

Nos dias 10 e 11 de dezembro, 2016, aconteceu o segundo aerofestival realizado pelo<br />

Aeroclube de Montenegro, um dos mais antigos no Rio Grande do Sul, com 76 anos. O<br />

festival aéreo busca retomar o caminho dos antigos festivais de aviação, que há tempos<br />

não se via em céus gaúchos. Dias de sol e calor na cidade de Montenegro, que está<br />

localizada a 40 km de Porto Alegre, onde, mesmo com as temperaturas altas e sol forte,<br />

o evento fez o público marcar presença e fixar os olhos nos céus.<br />

30 Aviação & <strong>Mercado</strong>


Vamos tentar trazer, com imagens, um pouco do que foi este festival, que promete<br />

crescer muito e continuar a busca pela essência do verdadeiro voo. O atual presidente<br />

do Aeroclube de Montenegro, Marco Aurélio Dietrich, comentou durante o evento que,<br />

apesar de todas as dificuldades em organizar os dois dias de festa, tudo saiu dentro do<br />

esperado, pois havia segurança e ambiente muito familiar. “Ficamos felizes que conseguimos<br />

marcar o início de dezembro com um evento que foi abraçado com carinho<br />

pelas pessoas da cidade e região. Esperamos poder continuar com o projeto e fazer<br />

festas ainda maiores”, disse.<br />

Os pilotos escalados para os voos<br />

panorâmicos são frequentadores<br />

do aeroclube, muitos deles instrutores<br />

da escola de pilotos que<br />

funciona no local. A escola<br />

disponibiliza cursos homologados<br />

pela ANAC, sendo eles: Piloto<br />

Privado de Avião (teórico e prático),Piloto<br />

Comercial de Avião<br />

(teórico e prático) , Instrutor de<br />

Voo de Avião (teórico e prático) ,<br />

Piloto Privado de Planador (prático),<br />

Instrutor de Voo de Planador<br />

(prático), Piloto Rebocador de<br />

Planador (teórico e prático) , Piloto<br />

Privado de Helicóptero (prático) e<br />

Instrutor de Voo de Helicóptero<br />

(prático).<br />

32 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> 33


Na ciência da computação, a IA (Inteligência Artificial)<br />

elabora dispositivos que simulam capacidade<br />

humana de raciocinar, perceber, tomar decisões e<br />

resolver problemas, enfim, a capacidade de ser<br />

inteligente. Essa ciência faz parte da vida atual no<br />

planeta com as mais diversas formas de interação e<br />

palicação, partindo dos simples computadores e<br />

droids pessoais, automóveis, até interações interplanetárias<br />

com satélites e veículos espaciais submersíveis.<br />

A aviação é uma das indústrias mais<br />

fortemente regulamentada do mundo. As razões<br />

para isso estão sendo relacionadas principalmente<br />

à segurança. A história da aviação foi construída<br />

em cima de inúmeros incidentes que levaram à<br />

construção de conjuntos de regras rígidas que aju-<br />

Divulgação<br />

daram e continuam ajudando a<br />

indústria a fornecer mais segurança<br />

ao transporte aéreo.<br />

Incidentes de aviação são<br />

poucos e distantes entre si, se<br />

comparados com outros meios<br />

de transporte e estão ficando<br />

mais raros a cada ano, mesmo<br />

assim, eles ainda tendem a<br />

chamarem a atenção nos<br />

noticiários. Alguns graus de<br />

automação de fato contribuiriam<br />

e continuam a contribuir para a<br />

evolução da aviação. Mas até<br />

agora o controle e intervenção<br />

humana sempre estiveram no coração<br />

dos comandos, desde pilotos a controladores<br />

de tráfego aéreo, porém isso<br />

tende a mudar. O consenso é que os<br />

carros sem motoristas já estão nas<br />

ruas. Se um carro pode autodirigir-se<br />

ao redor de outros veículos, pedestres<br />

e outros objetos fixos e móveis, o que<br />

impede os aviões de voarem por si<br />

mesmos? O frete aéreo parece ser o<br />

ponto de entrada óbvia para aviões<br />

sem piloto, assim como caminhões<br />

sem motorista estão prestes a perturbar<br />

a indústria do transporte terrestre.<br />

Pesquisadores da University College<br />

London, da Inglaterra, estão dando um<br />

passo adiante através da aplicação da<br />

verdadeira IA para um piloto automático.<br />

Em vez de apenas programá-lo<br />

para fazer alguns perfis pré-planejados,<br />

a equipe está utilizando aprendizado<br />

de máquina para fazer um<br />

piloto automático mais resistente, que<br />

pode se adaptar às novas condições.<br />

Considerando que um piloto automático<br />

tradicional pode desistir quando<br />

um motor falhar ou diante de<br />

turbulência ficar muito tenso, este<br />

novo design inclina-se em sua<br />

experiência para continuar voando.<br />

Estes cenários apontam para o poder<br />

real da IA na sua forma plenamente<br />

desenvolvida. Ela é preditiva em vez de<br />

reativa. Assim como o seu telefone<br />

avisa quando você deve sair para a<br />

reunião, um aplicativo da aviação<br />

poderá criar o perfil VNAV perfeito de<br />

voo, mostrando como você está<br />

voando ou como está sua taxa de<br />

consumo de combustível e diante<br />

disso, fornecer alertas personalizados<br />

antes de o piloto pedir. Ou também<br />

poderá sugerir uma nova rota em voo,<br />

quando os ventos mudarem.<br />

Aeronave não tripulada da Nasa<br />

No século 21 a tecnologia IA tornou-se<br />

amplamente utilizada como elemento de<br />

sistemas maiores. Ela continua a desenvolver-se<br />

em numerosos campos incluindo a<br />

robótica, que se tornou comum em muitas<br />

indústrias, onde muitas vezes robôs realizam<br />

tarefas que são consideradas perigosas<br />

para os humanos. Os robôs têm se mostrado<br />

eficazes em empregos que são muito repetitivos<br />

e que podem levar a erros ou<br />

acidentes devido a um lapso na concentração<br />

e outros trabalhos que os seres<br />

humanos podem considerar degradantes.<br />

Em 2014 a China, o Japão, os Estados<br />

Unidos, a República da Coreia e a Alemanha<br />

representaram 70% do volume total de<br />

vendas de robôs. Na indústria automobilística,<br />

um setor com particularmente elevado<br />

grau de automação, o Japão teve a maior<br />

densidade de robôs industriais do mundo<br />

cerca de 1.414 robôs por 10.000 funcionários.<br />

A inteligência artificial é implementada<br />

em assistentes automatizados online<br />

que podem ser vistos como avatares em<br />

páginas da web. Pode ajudar as empresas<br />

a reduzirem o seu custo de operação e<br />

de treinamento.<br />

34 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

35


Divulgação<br />

É uma moderna tecnologia subjacente a estes sistemas<br />

de processamento de linguagem natural.<br />

Atualmente as grandes empresas estão investindo<br />

em TI para lidar com cliente no futuro. Em um<br />

desenvolvimento recente, a Google criou uma ferramenta<br />

que analisa a linguagem e converte voz em<br />

texto. A plataforma pode identificar clientes irritados<br />

através de sua linguagem e responde-los apropriadamente.<br />

As empresas têm trabalhado com a IA<br />

em diferentes aspectos de serviço ao cliente e melhorado<br />

a relação desse com empresa.<br />

A inteligência artificial tem sido usada em uma<br />

ampla gama de áreas, incluindo o diagnóstico<br />

médico, mercado financeiro, controle de droids,<br />

gadgets, sensoriamento remoto, pesquisas científicas<br />

e brinquedos. Mas, em muitos casos, o uso da IA,<br />

no entanto, não são percebidos como IA. Milhares<br />

de aplicações da IA já estão profundamente integradas<br />

na infraestrutura em milhares de setores. Dentro<br />

da IA há inteligência programável, que são aplicativos,<br />

softwares programáveis, ou seja, você Diz a<br />

eles o que fazer, e há a inteligência ou computação<br />

cognitiva, que vai além disso, ela transforma os<br />

dados recebidos em conhecimentos, interpreta ,<br />

elas tem capacidade de aprender sozinhas.<br />

Um exemplo disso é o sistema<br />

Watson, quê, simplificando, é<br />

um sistema de perguntas e<br />

respostas construído pela IBM<br />

para o processamento avançado<br />

de linguagem natural,<br />

recuperação de informação,<br />

representação de conhecimento,<br />

raciocínio automatizado<br />

e tecnologias de aprendizado<br />

de máquinas. Ele usa<br />

mais de 100 técnicas diferentes<br />

para analisar a linguagem<br />

natural, identificar<br />

origem, localizar e gerar hipóteses,<br />

localizar e marcar<br />

evidências, formular hipóteses<br />

e gerar respostas de modo<br />

interpretativo.<br />

O uso de inteligência artificial<br />

em simuladores está provando<br />

ser muito útil para a<br />

Divisão de Operações Aéreas<br />

(AOD). Simuladores de avião<br />

estão usando a inteligência<br />

artificial para processar os dados<br />

provenientes de voos simulados.<br />

Além do voo simulado, é realizada<br />

também a simulação de combate<br />

entre aeronaves. Os computadores<br />

são capazes de vir acima, trazendo<br />

com os melhores cenários de sucesso<br />

nessas situações, mostrando-se plenamente<br />

eficientes.<br />

Os computadores com softwares específicos<br />

também podem criar estratégias<br />

baseadas na colocação, tamanho,<br />

velocidade e nas forças contrárias. Aos<br />

pilotos podem ser dada assistência no<br />

ar durante os combates eletrônicos. Os<br />

programas de inteligência artificial<br />

podem classificar as formações e<br />

fornecer ao piloto as melhores manobras<br />

possíveis, além de realizar manobras<br />

que seriam impossíveis para um<br />

ser humano executar. Aeronaves múltiplas<br />

são necessárias para obter boas<br />

aproximações em alguns cálculos<br />

para pilotos de simulador que são<br />

usados para coletar dados.<br />

Esses simuladores de voos também são<br />

usados para formar futuros controladores<br />

de tráfego aéreo.<br />

O sistema utilizado pela AOD, a fim de<br />

medir o desempenho, foi o Diagnóstico<br />

Interativo e Isolamento do Sistema ou<br />

IFDIS. Esse sistema especializado é baseado<br />

em regras para reunir informações<br />

de documentos TF-30 e os pareceres<br />

dos peritos da mecânica que trabalham<br />

na TF-30, que foi concebido para ser<br />

utilizado no desenvolvimento do complexo<br />

TF-30 para o RAAF F-111C. O<br />

desempenho do sistema foi também<br />

usado para substituir os trabalhadores<br />

especializados. A AOD também usa<br />

inteligência artificial em reconhecimento<br />

de voz software. Os controladores de<br />

tráfego aéreo estão dando instruções<br />

aos pilotos artificiais. Os programas que<br />

incorporam o software de voz devem<br />

ser treinados, o que significa que eles<br />

usam redes neurais. O programa utilizado<br />

é o Verbex 7000, um programa muito<br />

atual, que esta sendo aperfeiçoado.<br />

36 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> 37


A Inteligência Artificial, apoiada no Projeto de Aeronaves Inteligentes ou AIDA, é usada<br />

para ajudar os designers no processo de criação de desenhos conceituais de novas<br />

aeronaves. Este programa permite que os designers se concentrem mais em si e menos<br />

sobre o processo de design. A AIDA utiliza sistemas baseados em regras para calcular seus<br />

dados. Este é um diagrama da disposição dos módulos de AIDA. Apesar de simples, o<br />

programa tem se mostrado eficaz.<br />

Em 2003, o Center Dryden Flight Research (Centro de pesquisa de voo) da NASA e muitas<br />

outras empresas, iniciaram testes com software que permite que um avião danificado<br />

possa continuar em voo até uma área de aterrissagem segura. O software compensa<br />

todos os componentes danificados, identificando os componentes não danificados. A<br />

rede neural utilizada no software provou ser eficaz e marcou um triunfo para a inteligência<br />

artificial aérea.<br />

A NASA também usa um sistema de<br />

gestão a bordo de uma aeronave que<br />

deve processar e interpretar dados provenientes<br />

de vários sensores na aeronave. O<br />

sistema tem de ser capaz de determinar a<br />

integridade estrutural da aeronave. O<br />

sistema também precisa implementar<br />

protocolos em caso de qualquer dano<br />

ocorrido no veículo especial.<br />

Mas aqui, em solo, alguns sistemas<br />

também têm modernizado a comunicação<br />

no meio aéreo, como a SMGCS<br />

Divulgação<br />

(Advanced Surface Movimento<br />

de Orientação & Control System).<br />

A Orientação do Movimento de<br />

Superfície Avançada e Sistemas<br />

de Controle é um sistema que<br />

permite o encaminhamento,<br />

orientação e vigilância para o<br />

controle de aeronaves e veículos,<br />

a fim de manter a taxa de movimento<br />

da superfície declarada<br />

em todas as condições meteorológicas,<br />

dentro do plano operacional<br />

de visibilidade do nível do<br />

aeródromo (AVOL), enquanto se<br />

mantém íntegro o nível de segurança.<br />

A SMGCS é um sistema<br />

modular que consiste em diferentes<br />

funcionalidades para<br />

apoiar o movimento seguro,<br />

ordenado e expedito das<br />

aeronaves e veículos em aeródromos<br />

sob todas as circunstâncias<br />

em relação à densidade de<br />

tráfego e à complexidade de<br />

configuração do aeródromo,<br />

tendo em conta a capacidade<br />

exigida em várias condições de<br />

visibilidade. Ela é mais do que<br />

apenas um conjunto de sistemas<br />

que também inclui procedimentos<br />

complementares que, pelo<br />

menor nível de implementação,<br />

visa proporcionar uma melhor<br />

consciência situacional aos controladores.<br />

A SMGCS é um<br />

elemento essencial para as<br />

torres de controles inteligentes<br />

(ITWP), que combina vigilância,<br />

ferramentas de controlador e<br />

redes de segurança para os controladores<br />

do aeródromo. Suas<br />

funções básicas são: vigilância,<br />

controle, planejamento, routing<br />

e orientação.<br />

38 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> 39


A- SMGCS Nível 1 faz uso de uma<br />

melhor vigilância e procedimentos,<br />

cobrindo área de manobra para<br />

veículos terrestres e área de movimento<br />

de aeronaves. Aos controladores<br />

são dadas posição de tráfego e<br />

informações de identidade, que é<br />

um importante passo desde o tradicional<br />

radar de movimento da superfície<br />

de imagem (SMR);<br />

A- SMGCS Nível 2 (vigilância + segurança<br />

nets ) adiciona redes de segurança<br />

que protegem pistas e áreas<br />

designadas e procedimentos associados.<br />

Alertas apropriados são gerados<br />

para os controladores em caso<br />

de conflitos entre todos os veículos<br />

em pista e a incursão de aviões designados<br />

para os locais restritos;<br />

A- SMGCS Nível 3 (detecção de conflitos)<br />

envolve a detecção de todos<br />

os conflitos na área de movimento,<br />

bem como a melhoria da orientação<br />

e planejamento para uso pelos<br />

controladores;<br />

A- SMGCS Nível 4 (resolução de<br />

conflito, planeamento e orientação<br />

automática) fornece resoluções para<br />

todos os conflitos e planejamento<br />

automático e orientação automática<br />

para os pilotos, bem como aos controladores.<br />

Essa versão tem conceito<br />

novo e atualmente esta sendo introduzida<br />

em alguns dos principais<br />

aeroportos de todo o planeta.<br />

A-SMGCS funciona alimentando<br />

todos os tipos de informações de<br />

muitas fontes diferentes para um<br />

sistema que pode unir todos os<br />

dados e ajudar os aviões e controladores<br />

em solo. Esse sistema é implementado<br />

com a IA no controle das<br />

operações auxiliando pilotos e<br />

controladores.<br />

A-SMGCS Display de vigilância utilizado pelo controlador de aeródromo<br />

Até o momento, uma das maiores inovações<br />

da IA, na aviação, centrou-se sobre o controle<br />

do avião ou dos seus sistemas. As coisas<br />

ficam muito mais interessantes quando essa<br />

tecnologia é usada para tarefas de tomada de<br />

decisões reais. Para esse tipo de trabalho, a<br />

aprendizagem de máquina é associada com<br />

Divulgação<br />

as redes de aprendizagem neurais, permitindo<br />

criar poderosos algoritmos, que<br />

tentam "pensar" como um ser humano.<br />

Nesse ponto, estão, na sua maioria, em<br />

fase de teoria, mas existem algumas<br />

possibilidades excitantes, com grandes<br />

possibilidades de realizarem-se.<br />

A Inteligência artificial desenvolveu-se<br />

rapidamente na Guerra Fria, quando os<br />

EUA entraram em conflito com a União<br />

Soviética em uma corrida armamentista.<br />

A inteligência artificial militar estava<br />

anos à frente da aviação civil e muito<br />

provavelmente essa realidade continua.<br />

Aqui no Brasil temos um esquadrão<br />

formado por aeronaves não tripuladas,<br />

o Esquadrão Hórus (1°/12° GAV), unidade<br />

da Força Aérea Brasileira (FAB),<br />

responsável pela operação das<br />

aeronaves não tripuladas (VANT) Hermes<br />

450 e Hermes 900, que atuaram em<br />

Divulgação<br />

diversas operações e exercícios de<br />

interesse do Comando da Aeronáutica<br />

e do Ministério da Defesa. Tem<br />

frota composta por quatro<br />

aeronaves remotamente pilotadas.<br />

A unidade realiza missões como<br />

Controle Aéreo Avançado, Posto de<br />

Comunicações no Ar e Reconhecimento<br />

Aéreo. O Esquadrão Hórus<br />

está sediado na Base Aérea de Santa<br />

Maria (RS) e representa uma nova<br />

era na aviação militar brasileira. Na<br />

mitologia egípcia, Hórus é um deus<br />

com cabeça de falcão, com dois<br />

olhos que representam o sol e a lua.<br />

Com esse poder é o Deus dos Céus,<br />

vencedor na batalha contra o Deus<br />

do Caos e por isso o rei dos vivos.<br />

O 1°/12° GAV é a primeira unidade<br />

aérea do país a operar este tipo de<br />

aeronave. O Esquadrão Hórus conta<br />

com dois modelos de aeronaves,<br />

entre elas o Hermes 450, com<br />

capacidade de voar a mais de cinco<br />

mil metros de altitude e levar uma<br />

carga útil de 150 kg. O equipamento<br />

pode cumprir missões de buscas,<br />

controle aéreo avançado e reconhecimento,<br />

com a vantagem de voar<br />

por longos períodos com revezamento<br />

de tripulação em solo e em<br />

segurança. As aeronaves remotamente<br />

pilotadas trabalham de<br />

forma conjunta com as aeronaves<br />

tradicionais de reconhecimento,<br />

como R-99, R-35 e RA-1. “Cada um<br />

tem o seu próprio nicho. O grande<br />

destaque da ARP é a capacidade de<br />

permanecer no acompanhamento<br />

dos alvos por mais tempo. Com<br />

duas aeronaves, podemos nos<br />

manter 24 horas sobre a área de<br />

interesse”, explica o comandante<br />

do 1°/12° GAV.<br />

40 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

41


O Hermes 450 tem sistemas eletro-óticos<br />

capazes de localizar e acompanhar<br />

alvos tanto durante o dia, quanto à<br />

noite e pode ser utilizado também em<br />

tempos de paz, para realizar buscas. O<br />

Esquadrão Hórus foi criado como resultado<br />

do Grupo de Trabalho Victor, que<br />

durante um ano operou os Hermes 450<br />

experimentalmente para estudar o<br />

emprego das ARP na Força Aérea Brasileira.<br />

Além de Santa Maria, há o planejamento<br />

para que novas unidades<br />

sejam criadas nos próximos anos em<br />

bases da Força Aérea nas regiões Norte<br />

e Centro-Oeste do Brasil.<br />

As características técnicas das<br />

aeronaves não tripuladas são: peso de<br />

decolagem 450 quilos, comprimento 6<br />

metros, envergadura 10 metros, carga<br />

útil 150 quilos, autonomia de até 16hs,<br />

teto operacional 18.000 pés e veloci-<br />

Helicóptero não tripulado AACUS<br />

dade máxima 170 km/h.<br />

Os pilotos que compõem o esquadrão cumprem<br />

missões no solo, sem efetivamente<br />

guarnecer aviões. Isso não quer dizer que<br />

eles não pilotem. O termo Aeronave Remotamente<br />

Pilotada (ARP), criado como uma<br />

categoria de Veículo Aéreo Não-Tripulado,<br />

que destaca exatamente o papel do controle<br />

do piloto em solo. Além da aeronave em si,<br />

uma ARP inclui também sistemas em solo<br />

que permitem o controle, a telemetria e<br />

recepção das imagens. Por esse motivo é<br />

também chamada de Sistema ARP, que<br />

envolve o aparato necessário para manter o<br />

controle da missão. Todo o conjunto<br />

também pode ser transportado a bordo de<br />

aviões, o que permite ao Esquadrão Hórus<br />

deslocar-se fácil e rapidamente para<br />

qualquer região do país.<br />

Um programa de helicóptero autônomo foi<br />

projetado para dar ao fuzileiro naval no solo<br />

a possibilidade de solicitar uma entrega<br />

de alimento por meio aéreo. Ele voa para<br />

o local com a mínima assistência<br />

humana e autonomamente pode pousar<br />

em uma área de aterragem austera e<br />

hostil. Após a entrega, o helicóptero vai<br />

autonomamente retornar à sua origem<br />

ou avançar para outro ponto de entrega.<br />

O programa concentra-se em fazer a<br />

operação do sistema pela Marinha no<br />

campo extremamente intuitivo, sem<br />

necessidade de formação avançada para<br />

operar o sistema. O helicóptero habilitado<br />

para AACUS está equipado com<br />

sensores abordo baseados em LIDAR,<br />

que lhe permite detectar e evitar<br />

obstáculos, avaliar a área de aterragem,<br />

rota e capacidades de planeamento para<br />

executar missões.<br />

Mas, a história da IA não é tão recente<br />

como imaginamos, o seu primeiro uso<br />

Divulgação<br />

foi na vigilância aérea ítalo-turca<br />

entre 1911 e 1912. Foi amplamente<br />

utilizada por ambos os<br />

lados na Primeira Guerra Mundial.<br />

Os alemães fizeram cerca de 4.000<br />

fotografias aéreas por dia. O plano<br />

de espião mais notável foi construído<br />

pelo russo chamado - "Il'ya<br />

Mourometz". Durante a Segunda<br />

Guerra Mundial os Estados Unidos<br />

construíram várias aeronaves<br />

como B-17 Flying Fortress, B-24<br />

Liberator e a P-51 Mustang, que<br />

foram usadas para invasão em<br />

território inimigo, inserção de<br />

agentes de inteligência e ataques<br />

aéreos táticos.<br />

Diante do paradigma de mudança<br />

na aviação, de humano centrado<br />

no controle das máquinas e que<br />

historicamente, fez voos tão<br />

seguros, para o controle da máquina<br />

por outra máquina inteligente,<br />

pode fazer muitos resistirem à<br />

mudança. Mas tanto quanto a IA<br />

possa ferir o orgulho de seres<br />

humanos, as máquinas são melhores<br />

e ficarão ainda melhores do<br />

que nós em muitas tarefas rotineiras<br />

e não tão mundanas. É apenas<br />

uma questão de tempo até que<br />

possamos construir sistemas<br />

autônomos, que possam nos levar<br />

voando do ponto A para o B, como<br />

veículos autônomos já o fazem. No<br />

momento em que nós estivermos<br />

fazendo o voos mais seguros, mais<br />

rápidos e mais eficientes, a<br />

inteligência artificial será melhor<br />

entendida e de modo simples.<br />

Várias empresas estão acreditando<br />

e investindo nessa tecnologia<br />

e levando a aviação a novas<br />

conquistas.<br />

42 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

43


Divulgação<br />

A Garmin demonstrou as características<br />

do Telligence para aeronaves no EAA<br />

AirVenture, em 2016, em Oshkosh,<br />

Wisconsin.<br />

O GTN atualização de software<br />

adiciona outros recursos, incluindo<br />

rádios disponíveis antes da partida<br />

do motor, adicionando uma trilha<br />

vetor de voo, compensação opcional<br />

de planos de todos armazenados<br />

de voo e waypoints e vários<br />

outros recursos inteligentes. Os<br />

operadores europeus têm a possibilidade<br />

de exibir pontos de relatório<br />

visual no mapa em movimento.<br />

O Telligence já esta certificado e<br />

disponível para ser instalado, e<br />

certamente não é o último produto<br />

no comando de voz que iremos ter.<br />

A Garmin é uma empresa de tecnologia<br />

americana, que desenvolve<br />

produtos de consumo baseados na<br />

tecnologia GPS. É uma empresa de<br />

tecnologia pesquisa, detecção,<br />

navegação, orientação, aeronáutica<br />

e produção de sistemas e instrumentos<br />

náuticos. Garmin Corporation,<br />

atualmente sediada em Chicago, foi<br />

formada em Taiwan, em janeiro de 1990,<br />

por dois engenheiros elétricos, Gary<br />

Burrell e Dr. Min Kao. Burrell e Kao tinham<br />

sido empregados pela King Radio Corporation,<br />

com sede no Kansas, fabricante de<br />

rádios e equipamentos de navegação de<br />

aeronaves, que foi adquirida pela Allied<br />

Corp (mais tarde Allied Signal). Em 1985<br />

Burrell havia projetado a primeira combinação<br />

navegação e rádio de comunicações<br />

para aviação geral. A empresa<br />

produz também, gadgets para uso pessoal,<br />

câmeras fotográficas de ação, sistemas<br />

de localização para automóveis,<br />

motos, náuticos e vários outros.<br />

Bilhões de dólares estão sendo gastos<br />

para desenvolver tecnologia robótica<br />

com inteligência que evita obstáculos,<br />

tráfego ou autodiagnostica um problema<br />

mecânico e retorna para a base. Centenas<br />

de ideias interessantes surgem e são<br />

postas em muitos testes drives em<br />

drones, antes de serem instaladas em<br />

uma aeronave. Se a história serve de<br />

guia, a regulamentação move-se muito<br />

mais lenta do que a tecnologia. O que é<br />

possível e o que está certificado não são<br />

as mesmas criações. A FAA é sempre<br />

muito cautelosa na aprovação de novas<br />

tecnologias aeronáuticas.<br />

Como é frequentemente também,<br />

quando se debate a tecnologia, a<br />

discussão rapidamente se torna binária: a<br />

inteligência humana vs inteligência artificial,<br />

inteligência estendida, assim como<br />

qualquer tecnologia é simplesmente<br />

uma ferramenta. Quando usadas adequadamente<br />

pode melhorar a segurança,<br />

utilidade e diversão durante o voo. Isso é<br />

emocionante! É uma realidade de um<br />

futuro que já esta no horizonte. Inteligência<br />

Artificial (IA) é mais um desses termos<br />

Divulgação<br />

Divulgação<br />

que parece ser, na mente de<br />

muitos, como algo distante. Na<br />

verdade ela está a cada dia fazendo<br />

parte da rotina moderna, de modo<br />

natural e tornando-se mais eficiente<br />

a cada atualização e aplicação.<br />

Ela é mais uma das muitas e<br />

fantásticas tecnologias criadas por<br />

humanos, que somam para maior<br />

eficiência e superação das próprias<br />

atividades humanas, em benefício<br />

da própria civilização. Alguns<br />

podem resistir e criticar, como<br />

muitos criticaram a aviação no<br />

passado distante, mas estamos<br />

aqui e voando! Varemos para o<br />

infinito e além, com a tecnologia!<br />

44 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

45


C<br />

Cmte João D'Angelo's<br />

Aeroclube de Pirassununga<br />

<br />

A opção de construir uma aeronave<br />

por meio de kits ainda é o mais adequado<br />

para quem quer ter sua<br />

própria aeronave, embora não tenha<br />

caído no gosto do povo.<br />

Como todos nós terráqueos sabemos,<br />

o custo de voar tem aumentado<br />

consideravelmente ao longo das<br />

últimas décadas, mas muitos ainda<br />

sonham em ter sua aeronave particular.<br />

Comprar um novo avião pronto de<br />

fábrica é muito caro. Aeronaves construídas<br />

em fábricas têm um número<br />

de custo interno associados com elas.<br />

Comprar uma aeronave usada seria<br />

uma boa opção, mas, não deixando<br />

de mencionar o fato de que não<br />

importa o quanto profunda seja a<br />

inspeção de pré-compra, o novo<br />

proprietário será quem arcará com<br />

possíveis problemas no futuro, que<br />

sempre vêm.<br />

Para algumas pessoas construírem e<br />

pilotar sua própria aeronave é uma<br />

experiência incrível. E, em muitos<br />

países, assim como aqui no Brasil é<br />

permitido, por lei, construí-las. E, por<br />

isso, decidir falar um pouco sobre isto<br />

para aqueles que gostariam de construir<br />

sua própria aeronave, independente<br />

do seu gosto, que pode ser um<br />

avião, helicóptero, trike, paramotor,<br />

etc. Os resultados são extremamente<br />

gratificantes, tanto para você, quanto<br />

para sua família.<br />

Você pode também optar por um<br />

projeto a partir de plantas, nesse caso,<br />

deve levar em conta que terá que<br />

fazer tudo a partir do zero, deste os gabaritos,<br />

peças etc. E vai depender do seu tempo e habilidades<br />

manuais e ainda correr um grande risco<br />

de você não voar, então a melhor opção é<br />

adquirir kits.<br />

Popularmente conhecidas com homebuilts, nos<br />

EUA se tornaram uma febre na aviação mundial,<br />

podendo ser encontradas em muitas rampas de<br />

aeroporto no mundo todo. Tudo, levando em<br />

conta os custos, sendo quê, com um investimento<br />

em um kit é bem inferior a ao investimento<br />

para uma aeronave de fábrica, podemos<br />

voar aeronaves com desempenho e preços<br />

que simplesmente não existem no mundo das<br />

Divulgação<br />

certificadas. Vários fatores importantes<br />

fazem a diferença entre um projeto de<br />

aeronave bem sucedido e uma pilha de<br />

peças no canto da oficina.<br />

Escolha sua aeronave com clareza!<br />

Provavelmente, o maior fator que afeta<br />

o sucesso de um projeto acontece antes<br />

da primeira peça ser fabricada. Começar<br />

um projeto de uma aeronave é uma<br />

decisão muito importante e esta<br />

decisão deve ser feita com uma mente<br />

clara, após uma cuidadosa reflexão.<br />

Potenciais construtores escolhem um<br />

avião apenas pela emoção, beleza ou ao<br />

simplesmente vendo vídeos e fotos na<br />

internet, assim alimentando o sonho de<br />

ter algo que é tão legal. Tomar esta<br />

decisão com base nestes fatores é como<br />

puxar o gatilho, ou seja, pedir para que<br />

algo dê errado.<br />

Decidir sobre isso é surpreendentemente<br />

difícil. É preciso um autoexame honesto, e<br />

às vezes doloroso. Todos nós gostaríamos<br />

de voar como os maiores azes da aviação<br />

mundial, mas não é assim a realidade.<br />

Hoje é possível construir uma variedade<br />

de tipos de aeronaves em casa, tanto asas<br />

fixas como rotativa, de alta velocidade ou<br />

baixo stoll, longo alcance ou grande altitude.<br />

O tipo da construção, levando em<br />

conta suas habilidades, que pode ser dos<br />

mais simples, aos mais complexos como o<br />

tubo e tela, chegando ao compósito. Por<br />

isso é uma decisão difícil de tomar e<br />

chegar a uma verdadeira ideia de como<br />

um avião irá atendê-lo, melhorar a sua<br />

vida e ampliar a sua capacidade de fazer o<br />

que você realmente gosta de fazer.<br />

46 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 47


Uma vez que sua realidade esteja definida é<br />

hora de escolher qual aeronave construir e<br />

quando escolhido o modelo é hora de<br />

pesquisar sobre ela. Procure informações em<br />

tudo, revistas, sites, pesquisar a empresa por<br />

trás do projeto do avião, conversar com pessoas<br />

que estão construindo o modelo, não é<br />

difícil conseguir um construtor para falar<br />

sobre seu projeto, dê uma boa investigada<br />

nos relatórios de acidentes. Isso também é<br />

muito importante, pois se optar por um projeto<br />

que nunca saiu da planta, onde peças e<br />

apoio não estão disponíveis é uma experiência<br />

desanimadora e sai muito caro.<br />

O tempo disponível é importante. Muitas<br />

pessoas, aspirantes a construtores, pensam<br />

que um projeto não requer tanta dedicação,<br />

esforço e tempo, mas digo que sim, leva um<br />

bom tempo e tem que ter muita força de<br />

vontade e perseverança. Construir uma<br />

aeronave, do modelo que seja, irá exigir de<br />

você um trabalho constante e consistente de<br />

horas, por um longo período.<br />

O fator tempo é uma razão de muitos projetos<br />

levarem décadas para serem concluídos e<br />

também pode levar o fim do projeto, o que é<br />

comum aqui no Brasil, pois aqui não temos o<br />

espírito aeronáutico homebuilt como os<br />

americanos, por exemplo. É muito fácil acharmos<br />

projetos abandonados nas oficinas por<br />

todo país. O melhor caminho para concluir<br />

uma tarefa dessa magnitude é trabalhar em<br />

uma peça de cada vez, evite pular as etapas<br />

do projeto fazendo as mais fáceis, pois isso irá<br />

atrasá-lo muito mais, porque que depois terá<br />

que voltar para executa-la, procure saborear<br />

cada feito, tirar fotos e compartilhar com<br />

amigos e construtores, com isso virá mais<br />

incentivos para continuar e não desanimar no<br />

meio do caminho. Um construtor terá que<br />

gastar, de forma realista, de 15 a 20 horas por<br />

semana, todas as semanas, para ver até<br />

mesmo um avião relativamente simples de<br />

conclusão em uma quantidade razoável de<br />

tempo. Mesmo para os construtores<br />

mais dedicados, a maioria dos projetos<br />

pode levar de dois a quatro anos, mas no<br />

caso da maioria, poderia facilmente levar<br />

cinco a dez anos até o primeiro voo.<br />

Outro fato importante que você deve<br />

prever antes de iniciar a empreitada é o<br />

espaço disponível e a acessibilidade para<br />

construir sua aeronave, caso não tenha<br />

seu próprio hangar, fato também<br />

comum na aviação experimental, já que<br />

estamos falando de homebuilts<br />

(construídos em casa).<br />

Na maioria dos casos, uma garagem para<br />

dois carros é suficiente ou qualquer outro<br />

lugar, desde que tenha espaço para armazenar<br />

as maiores peças como a fuselagem<br />

e asas.<br />

As maiorias das pessoas imaginam construir<br />

sua aeronave em algum hangar no<br />

aeroporto mais próximo de sua casa, mas<br />

na realidade, hangares são os piores lugares<br />

imagináveis para se construir uma<br />

aeronave de forma amadora. Eles estão<br />

sempre mais quente do que uma sauna<br />

no verão e mais gelado que um freezer<br />

no inverno, pergunte a quem já fez isso!<br />

Pense que o espaço que irá construir sua<br />

aeronave e passar longos períodos e às<br />

vezes fazendo algum esforço físico, deve<br />

ser o mais confortável. Pense também em<br />

investir um pouco em conforto, tais como<br />

controle de temperatura, boa iluminação,<br />

uma bancada na altura certa, piso claro e<br />

de fácil limpeza, tudo isso contribui para<br />

o andar da construção.<br />

Divulgação<br />

48 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 49


Divulgação<br />

Onde irá construir sua aeronave é um<br />

ponto difícil de definir, já quê, caso opte<br />

em fazer na sua garagem, terá que deixar<br />

seu carro para fora, o que não é uma boa<br />

ideia. Já tivemos notícias que construtores<br />

fizeram suas aeronaves nos mais inusitados<br />

cômodos da casa, como salas de estar e<br />

depois tiveram que derrubar as paredes<br />

para retirar o avião, então pense nisso!<br />

Depois de tudo isso analisado e definido,<br />

chegamos ao X da questão. Quanto em<br />

dinheiro há para se investir no projeto,<br />

lembrando que uma aeronave só voa se<br />

você tiver dinheiro para isso. Quanto custa,<br />

de forma realista, construir uma aeronave?<br />

Não existe um número exato para isso, mas<br />

falando de homebuilt, em especial kits<br />

para ultraleves básicos, podemos chutar<br />

algo perto de R$ 50.000 a R$ 65.000, já que<br />

a média de custo de um kit gira em torno<br />

dos R$ 35.000, aqui no Brasil, citando por<br />

exemplo o Starfox V5 Tanden, você soma<br />

pintura, motor a mais algumas coisinhas<br />

que sempre aparecem e o valor chega<br />

bem perto dos R$ 50.000. Aí você pensa,<br />

com este valor já dá pra comprar um usado<br />

voando, mas é como eu disse acima, usado<br />

é usado, não é novo e não se pode comparar.<br />

Mas cada caso é um caso, pode ser<br />

que seu custo seja muito menor, não existe<br />

limites mínimos ou máximos. Pode ser que<br />

você encontre um amigo que desistiu e<br />

venda a custos simbólicos ou você compre<br />

em uma grande promoção de uma fabrica<br />

que esta fechando, o que não é raro aqui<br />

no Brasil. Mas acima de tudo, é importante<br />

ter os recursos para ver o projeto ir<br />

para frente.<br />

Outra boa alternativa é você ir comprando<br />

sua aeronave por partes, na Aviação BR,<br />

representante da Zenit no Brasil, você pode<br />

começar a construir o seu Stol pelo leme<br />

investindo algo em torno de R$ 2.000 e<br />

assim por diante. Já na Aerotec você pode<br />

comprar todo o kit da fuselagem do de<br />

um Fox por algo em torno dos R$ 15.000,<br />

kit este que, em minha opinião, é o<br />

melhor e mais acessível homebuilt do<br />

Brasil, pois, além de ser um avançado, é<br />

fácil de construir, seguro, tem alguns<br />

milhares voando no mundo todo e pode<br />

ser equipado com uma variedade de<br />

motor. Dá para fazer o acabamento dos<br />

sonhos dos brasileiros e dependendo do<br />

motor escolhido, a sua construção final<br />

fica bem abaixo dos valores mencionados<br />

acima e ainda por terem suas asas<br />

dobráveis, podemos guardar em nossa<br />

garagem sem problemas.<br />

O controle de custos começa com a<br />

mesma ideia que a escolha inicial da<br />

aeronave. Novos fabricantes e novas<br />

aeronaves surgem a todo o momento e<br />

eles querem vender e cada um equipa<br />

suas aeronaves com tudo o que um comprador<br />

poderia concebivelmente desejar.<br />

Um construtor amador, se ele fizer sua<br />

lição de casa direitinho, ele sabe exatamente<br />

o que ele precisa. Se a missão não<br />

inclui voo IFR, não há necessidade de<br />

instrumentação IFR. Não vai voar à noite,<br />

pode economizar no conjunto de luzes.<br />

Apenas, siga as normas e exigências da<br />

legislação, veja o que é obrigatório e<br />

deixe o desnecessário para depois.<br />

Outro ponto importante são suas habilidades,<br />

pois são elas que definirão o<br />

sucesso ou fracasso do seu projeto. Há<br />

pessoas que nunca usaram uma furadeira,<br />

rebitaram , soldaram ou pintaram algo<br />

na vida e atingiram sucesso na construção<br />

de sua aeronave, que na cabeça<br />

de muitos é algo muito complexo.<br />

50 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 51


Aeronave Nynja da Aero Bravo<br />

De acordo o site da Abraex (Associação<br />

Brasileira de Aviação Experimental), alguns<br />

veteranos da construção aeronáutica amadora<br />

dizem quê, se você é capaz de abrir<br />

uma lata de conserva com um abridor,<br />

você é capaz de construir um avião. Mas<br />

como eles mesmos dizem, “Não chegamos<br />

a tanto, mas se você é ou já foi um aeromodelista,<br />

já praticou marcenaria, é um<br />

mecânico profissional ou amador capaz de<br />

desmontar e montar um motor de Fusca,<br />

então, com certeza você têm as habilidades<br />

básicas necessárias para construir o<br />

seu avião. E se ainda não desenvolveu<br />

nenhuma destas atividades, mas é uma<br />

pessoa caprichosa e habilidosa, então você<br />

também tem o básico necessário. E se<br />

ainda não fez nada disso, mas tem vontade<br />

e determinação para aprender, certamente<br />

obterá a qualificação necessária”.<br />

Realmente não é tão complexo<br />

como muitos pensam, mas alguns<br />

conhecimentos básicos são primordiais<br />

para tal. Aeronaves experimentais<br />

em si têm dispositivos mecânicos<br />

simples, com controle puramente<br />

mecânicos, sistemas elétricos<br />

básicos, nada disso é difícil de<br />

entender ou construir. Um motor de<br />

avião típico, por exemplo, leva algumas<br />

mangueiras e fios para funcionar.<br />

Pode requerer um pouco de<br />

estudo, mas não há nada, em um<br />

pequeno avião, que não se poça<br />

compreender. Além de, como falei<br />

antes, há uma infinidade de fontes<br />

de pesquisa pela a internet, associações,<br />

revistas e outros<br />

construtores.<br />

Mais um fator importante na cons-<br />

trução de uma aeronave é o apoio.<br />

Você poderá passar horas solitárias e<br />

longe da família e apoio deles é essencial.<br />

Devido o tempo e dinheiro despendidos<br />

em um projeto deste, a falta do apoio da<br />

família, pode ser um fracasso imediato<br />

que poderá levar a um fim trágico para o<br />

construtor, como fim do casamento e<br />

separação da família e nenhum de nós<br />

quer isso, cada coisa no seu lugar. Geralmente<br />

as esposas acham que você gasta<br />

todo seu dinheiro e tempo no seu avião e<br />

você tem que convencer ela do contrario,<br />

e caso não consiga, você terá uma construção<br />

muito conturbada, se não acontecer<br />

algo pior. Relatos de divórcios por<br />

conta disso há muitos em mundo todo.<br />

“Ele me trocou por aquele maldito avião”!<br />

Alguns têm uma estratégia simples!<br />

Antes de começar a construção, propor e<br />

perguntar para esposa tudo o que precisa<br />

ser feito, uma reforma na casa, quintal,<br />

carro, o que ela mais quer. Então, como<br />

a lista será grande, faça o que puder e<br />

terá ela como parceira, na maioria dos<br />

casos funciona. Convide sua família<br />

para participar da montagem, forme<br />

uma equipe onde todos os envolvidos<br />

se sintam felizes com o tempo gasto<br />

para realizar o trabalho. Isso será muito<br />

mais prazeroso na hora de voar!<br />

Com tudo isso acertado, vamos falar<br />

dos kits! A única razão para o crescimento<br />

de aviões homebuilt no<br />

mundo todo, inclusive no Brasil, é o<br />

desenvolvimento de aeronaves em<br />

forma kits.<br />

Os pioneiros homebuilt eram do tipo<br />

built-zero, onde você compraria um<br />

conjunto de peças junto à planta para<br />

o avião de sua escolha e fazia o<br />

trabalho completo para fazer as peças<br />

e ferramentas para fazer os subconjuntos,<br />

que um dia se tornariam um avião.<br />

52 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 53


Aeronave Fox V6 Super<br />

Um trabalho fenomenal e<br />

muitos foram feitos nessa metodologia.<br />

Hoje em dia a grande<br />

maioria das aeronaves amadoras<br />

é construída a partir de kits<br />

pré-fabricados.<br />

Dadas às economias de escala<br />

na fabricação, o fabricante de<br />

kit pode fornecer peças prontas<br />

e de precisão para montagem<br />

ou substituição. Instruções de<br />

montagem, ao invés de apenas<br />

desenhos, podem economizar<br />

incontáveis horas tentando<br />

descobrir como as peças são<br />

montadas. Com o tempo a<br />

construção reduziu significativamente<br />

e aeronaves mais<br />

complexas e de alto desempenho<br />

estão ao alcance de todos.<br />

A construção de kits por particulares,<br />

tanto nos EUA, como<br />

aqui no Brasil vale a regra dos<br />

51%, ou seja, você deve construir<br />

51% da sua aeronave e<br />

pode comprar os outros 49%<br />

prontos ou contratar os serviços<br />

de uma empresa ou profissional.<br />

Mas os kits de montagens<br />

Aeronave Fox V5 Super<br />

ultrarrápidas já velem à regra, pois já vêm parcialmente<br />

prontos, basta você montar, não<br />

precisará fabricar quase nada, como é o caso<br />

dos produtos da Sonex, RV, Zenit, Kit Fox, por<br />

exemplo. Para encurtar um pouco o assunto,<br />

vamos falar sobre os fabricantes de kits<br />

disponíveis aqui no Brasil. A Aerotec ,de Jundiaí,<br />

há mais de 20 anos oferece o Esquilo (Kit<br />

Fox made in Brazil). É uma aeronave biplace<br />

lado a lado muito fácil de montar com um<br />

custo benefício excepcional, pode ser equipado<br />

com o bom e velho motor VW, tubo e tela, asas<br />

dobráveis e baixo custo de aquisição. A empresa<br />

vende o kit fuselagem contendo toda a parte<br />

de aço, tudo em 4130, pronto para iniciar a<br />

montagem, sendo que as demais partes<br />

podem ser compradas a parte e conforme o<br />

decorrer da construção.<br />

A Erres Indústria Aeronáutica<br />

(www.erresaeronautica.com.br), de Caxias do Sul,<br />

oferece dois modelos em forma de kit, o<br />

Alto e o Tucano Réplica, isso mesmo<br />

Tucano. O Tucano R é uma aeronave totalmente<br />

construída em alumínio aeronáutico,<br />

com trem de pouso retrátil eletro-hidráulico,<br />

comandos tubulares, asas trapezoidais,<br />

fuselagem semi monocoque e pode ser<br />

equipada com motores da linha Rotax de<br />

145 hp, mas há relatos de construtores<br />

estarem planejando, após um reforço estrutural,<br />

equipá-la com turboélices de 180 hp.<br />

A Erres oferece também o Alto, um e dois<br />

lugares, asa baixa tipo cantilever, fabricado<br />

em alumínio aeronáutico rebitado e pode<br />

ser equipado com sistema de paraquedas<br />

balístico e atende aos requisitos para a<br />

categoria Aeronaves Leve Esportiva (LSA)<br />

Já a Starfox,(www.starfoxlsa.com.br) que é<br />

uma das maiores fabricantes aeronaves em<br />

kits do Brasil, disponibiliza seis modelos<br />

para o cliente montar em casa e com<br />

valores a partir de 34 mil reais e ainda<br />

parcela em até 10 vezes.<br />

Uma das aeronaves mais queridas dos<br />

homebuilts é com certeza a linha Stol<br />

da Zenit Aircraft, que é representada<br />

aqui no Brasil pela Avibras<br />

(www.aviacaobr.com.br) em Sorocaba-SP,<br />

aqui você tem a opção de montar sua<br />

aeronave comprando por partes, como<br />

o leme, por exemplo. Na Avibras você<br />

pode comprar o kit de quaisquer umas<br />

das sete aeronaves fabricadas pela<br />

Zenit Aicraft, asa baixa ou alta, de dois<br />

ou quatro assentos. Esta aeronave fez<br />

tanto sucesso no Brasil que surgiram<br />

algumas variantes do modelo,<br />

como o Bravo da Aero Bravo<br />

(www.aerobravo.com.br), de BH, e o Alto<br />

Henkel (www.altoparts.com.br), da Alto<br />

Alumínio, onde todos podem ser compradas<br />

em kits. A Aero Bravo, além do<br />

Bravo ou Bravinho, como e carinhosamente<br />

chamado, oferece mais três<br />

modelos em forma de kit, o Skyranger,<br />

o Savannah e o Nynja.<br />

54 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 55


Não podemos deixar de mencionar a<br />

linha RV, a mais montada no mundo.<br />

Aqui muitas empresas especializaram<br />

ou surgiram em prol desta marca,<br />

montavam os kits e vendiam como<br />

aviões ou ultraleves, o que mostra mais<br />

uma vez a falta do espírito construtor<br />

no Brasil, mas isto é outro caso. A linha<br />

RV pode ser encontrada na Fly Ultraleves<br />

(www.flyultraleves.com.br).<br />

Temos aqui também a linha Sonex,<br />

pequenas maquinas que mais parecem<br />

caças de guerra, velozes e extremamente<br />

manobráveis e ainda você pode<br />

pedir o seu kit com uma turbina, já<br />

pensou em construir se próprio<br />

jatinho? (www.sonexbrasil.com.br )<br />

Recomendo a você fazer uma visita no<br />

site da Fly Ultraleves de Goiânia. A Fly é<br />

umas concessionárias multimarcas e lá<br />

você encontra uma grande variedade<br />

de kits. (www.flyultraleves.com.br).<br />

Finalizando! Você precisará contratar<br />

os serviços de um engenheiro<br />

aeronáutico, que é uma exigência do<br />

órgão regulador no Brasil (ANAC), ele<br />

será o responsável pela construção de<br />

sua aeronave e fará toda a parte burocrática<br />

de documentação, alguns já<br />

prestam o serviço completo, como<br />

seguro. Tenha em mente que a quantia<br />

cobrada será equivalente ao arriscado<br />

que julgarem ser seu projeto, ou<br />

seja, se construir uma aeronave mais<br />

comum no mercado, esses custos<br />

podem ficar mais em conta.<br />

Vá pilotar alguma aeronave, de preferência<br />

um modelo similar ao que esta construindo.<br />

É provável que você tenha se<br />

dedicado à construção de seu avião e não<br />

tenha tido tempo de pilotar mais nada.<br />

Isso não é bom! Vá voar, pratique muito!<br />

Pratique situações incomuns e falhas no<br />

motor, alguns pilotos frequentemente se<br />

distraem com algum dispositivo que instalaram<br />

na aeronave e a segunda é porque<br />

você nunca pousará bem um avião sem o<br />

motor. Peça para um piloto experiente<br />

auxiliá-lo a planejar seu primeiro voo no<br />

período de testes.<br />

Aeronave Fox v8 LSA<br />

Não deixe que as dificuldades o<br />

impeçam de construir sua aeronave<br />

dos sonhos, mas entenda que ser o<br />

primeiro a desenhar e construir um<br />

modelo de aeronave é difícil. Todo<br />

passo é um desafio, porque nunca foi<br />

realizado antes. Aeronaves podem ser<br />

letais e requerem treinamento.<br />

Faça tudo certinho e<br />

poderá desfrutar de<br />

algo que só os pássaros<br />

podem fazer: Voar!<br />

56 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 57


A Aviação & <strong>Mercado</strong> por ser uma revista em plataforma 100% digital, com conteúdo<br />

exclusivo e de qualidade, além do acesso gratuito, está conquistando leitores e seguidores<br />

além das fronteiras do Brasil. Vem do continente africano, especificamente de<br />

Angola, o reconhecimento e atenção muito especial para com nossa publicação. Nossa<br />

surpresa foi saber que nesse país não circula nenhuma revista de aviação, seja digital ou<br />

impressa, no idioma português. A Aviação & <strong>Mercado</strong> passa a ser a primeira revista que<br />

inicia um trabalho de produção de conteúdo sobre aviação aos apaixonados angolanos.<br />

O que nos mostra que a paixão pela aviação é suprema em qualquer parte do mundo,<br />

ela é uma paixão que une e soma, diferentemente do futebol ou de outros esportes que<br />

criam rivalidades.<br />

Como está no espírito da Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

distribuir conteúdo de qualidade e<br />

gratuito a todos os leitores, que estejam<br />

conectados pela internet, em qualquer<br />

parte do planeta, a partir desta edição, a<br />

primeira de 2017, traremos conteúdo<br />

sobre o mercado de aviação angolano.<br />

Contribuiremos para que as pessoas interessadas<br />

possam ler e informarem-se de<br />

modo interativo e prazero com nosso<br />

conteúdo. Temos a certeza de que a<br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> unirá os já apaixonados<br />

por aviação, inicialmente nos países irmãos<br />

na língua portuguesa e, além, é claro, de<br />

levarmos este rico universo aeronáutico a<br />

pessoas que ainda não tiveram a oportunidade<br />

de conhecer melhor esse incrível<br />

“mundo” das máquinas voadoras. Vamos<br />

levar a aviação para todos, vamos democratizar<br />

o prazer de voar!<br />

E para iniciarmos nosso “voo” em Angola<br />

entrevistamos Antônio Mangueira<br />

Fernandes, piloto de helicóptero em<br />

operação offshore, em Luanda.<br />

1) Quem é Antônio Mangueira<br />

Fernandes?<br />

Sou um cidadão Angolano, moro em<br />

Luanda, tenho 33 anos, apaixonado pela<br />

aviação, sou piloto de helicóptero em<br />

operação offshore.<br />

2) Para qual empresa você trabalha?<br />

Son Air Angolana.<br />

3) Há quantos anos você se formou e<br />

trabalha como piloto?<br />

Eu iniciei como piloto em 2012.<br />

4) O que fez você escolher a profissão<br />

de piloto?<br />

A paixão! Meu pai foi piloto da Taag, e<br />

não queria que nenhum filho fosse<br />

piloto, mas como minha paixão era<br />

muito grande, acabei afrontando a<br />

vontade dele e aqui estou.<br />

5) Como é a paixão por aviação em<br />

Angola?<br />

Existem muitos apaixonados por<br />

aviação em Angola, mas como não<br />

temos muita comunicação sobre o<br />

assunto, ainda temos muitas barreiras<br />

a romper, precisamos popularizar o<br />

assunto, trazer mais conteúdos. Não<br />

temos revistas distribuídas, são<br />

poucas pessoas lutando para melhorar<br />

a produção de informação.<br />

6) Como está o momento do mercado<br />

de trabalho para piloto em<br />

Angola?<br />

Com a baixa do preço do petróleo,<br />

estamos com bastantes dificuldades.<br />

Nesse momento, a empresa na qual<br />

eu trabalho tem, em seu quadro de<br />

pilotos, apenas profissionais angolanos.<br />

Está mantendo um número<br />

mínimo necessário de pilotos para<br />

atender a demanda de trabalho.<br />

7) Quais os principais modelos de<br />

aeronaves na operação Offshore,<br />

pela SonAir?<br />

A frota é composta por 14 H225<br />

Superpuma e 11 Sikorsky.<br />

58 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 59


8) O acidente com o H225 afetou o<br />

mercado de trabalho para os pilotos<br />

em Angola?<br />

Por conta do acidente, temos muitas<br />

aeronaves, em solo, impedidas de<br />

decolar e isso, somado à crise do<br />

petróleo, têm prejudicado o mercado<br />

de trabalho dos pilotos e também<br />

dos mecânicos de aeronaves. Tudo<br />

isso afetou o mercado como um todo.<br />

9) Quantos pilotos trabalham com<br />

você na Son Air?<br />

Em torno de 120 pilotos nacionais.<br />

10) Como está o mercado de<br />

trabalho para pilotos em Angola?<br />

O mercado de trabalho, há dois anos,<br />

está bem estagnado, não se ampliam<br />

vagas, apenas são repostas as vagas<br />

atuais, que surgirem.<br />

11) Além de seu pai,quais suas<br />

15) O que deveria mudar na<br />

aviação de Angola?<br />

Contar melhor a nossa história na<br />

aviação e abrir mais para o mundo,<br />

trazer conteúdos e referências<br />

novas. Teríamos que ter um museu<br />

em Angola, mas não temos. Os<br />

aviões históricos estão sendo<br />

desmontados e as partes vendireferências<br />

na aviação?<br />

Eu tenho como referencia três pilotos<br />

que serviram como pilotos na<br />

guerra civil angolana, que e hoje<br />

trabalham como instrutores aqui na<br />

empresa, eles são o “sol”, sem eles<br />

eu não estaria aqui agora.<br />

12) Você acredita no futuro da<br />

aviação sem piloto?<br />

Eu não acredito, sempre terá que ter<br />

alguém no comando da máquina,<br />

um exemplo é o piloto automático,<br />

a determinadas alturas e turbulências<br />

ele desliga e aí, quem fará o<br />

trabalho de comando? Em uma<br />

pane, quem tentará levar a<br />

aeronave ao solo e salvar as<br />

pessoas?<br />

13) Como está a questão salarial<br />

em Angola, está em nível mundial,<br />

está inferior ou no mesmo padrão?<br />

Eu estou satisfeito com meu<br />

salário, não tenho nada a reclamar<br />

e não me preocupo com o<br />

quanto os outros ganham,<br />

minha preocupação é pilotar<br />

e viver meu sonho.<br />

14) Qual o custo para se formar<br />

piloto em Angola?<br />

Para formação de piloto, está em<br />

torno de 55 mil dólares e<br />

comissário de bordo está em<br />

torno de $ 1.300.<br />

das, isso está destruindo nossa<br />

história e isso para um apaixonado<br />

é triste e doloroso.<br />

16) Como é o mercado de aviação<br />

civil , em termos de helicóptero,<br />

em Angola?<br />

Ainda é pequeno e muito dependente<br />

do mercado de petróleo. As<br />

pessoas não conhecem adequadamente<br />

os serviços que prestamos,<br />

o mercado tem margem para<br />

crescer e servir melhor a sociedade.<br />

17) Uma mensagem para os<br />

jovens angolanos, que também<br />

sonham com a careira na<br />

aviação?<br />

Não desistam do vosso sonho!<br />

Lutem até o fim! O curso é caro,<br />

mas o sonho tem que ser maior<br />

que o preço, pague em prestações,<br />

mas não desistam.<br />

60 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 61


A Aviação & <strong>Mercado</strong> lança nessa edição uma nova seção denominada<br />

“Venda seu voo!”, onde, gratuitamente, em todas as próximas edições um<br />

profissional será selecionado pela equipe da redação e terá o seu currículo<br />

publicado e venderá seu voo para o mercado de trabalho.<br />

Nessa edição a profissional escolhida é Barbara Cristina do Nascimento<br />

Correia, que escreveu, de forma muito inteligente, o pedido de apoio para<br />

indicação a uma vaga de trabalho na aviação. A mensagem dela nos motivou<br />

a lançar este espaço que já estava pensado, mas ainda não tínhamos<br />

colocado em prática.<br />

Atenção! A Aviação & <strong>Mercado</strong> não se responsabiliza pelas informações dos perfis, a redação apenas faz a seleção e<br />

publicação dos currículos. Boa sorte e sucesso aos candidatos de VENDA SEU VOO!<br />

Ficha técnica<br />

Nome: Barbara Cristina do Nascimento Correia<br />

Nacionalidade: Brasileira<br />

Estado Civil: Solteira<br />

Idade: 35 anos<br />

e-mail: barbaracristina921@gmail.com<br />

Linkedin: Acesse aqui<br />

Formação: Gestão de Recursos Humanos<br />

cursando 6° período, com término em 2017<br />

Cursos complementares: Curso de Comissário de<br />

Voo e Curso de Sommelier<br />

Empresas em que trabalhou: SATA/Varig de 2000<br />

a 2005 e TAM Linhas Aéreas de 2005 a 2015<br />

Cargo pretendido: Auxiliar de Recursos Humanos.<br />

Como segunda opção: Atuar no treinamento de comissários de voo, assistente<br />

de chefias de tripulação ebou safety.<br />

Profissional com quinze anos na área de Aviação Civil.<br />

Experiência em atendimento ao cliente, com expertise em gerenciamento de<br />

crise e técnicas avançadas em negociação. Atuação como instrutora de treinamento<br />

e total disponibilidade de aprender e agregar.<br />

A aviação fez parte da minha vida desde meus dezoitos anos quando iniciei o curso de<br />

Comissária de Bordo. Ao finalizar o curso, não contava com a crise que se encontrava<br />

naquela época na aviação, principalmente para quem almejava ir para o voo e logo em<br />

seguida tivemos o lastimável 11 de Setembro. Diante disso, surgiu a oportunidade de<br />

trabalhar em terra e agarrei com unhas e dentes. Mergulhei de cabeça para adquirir<br />

experiências, até o grande sonho ser realizado. Foram cinco anos de aprendizado e<br />

valeu cada minuto. Finalmente, após essa trajetória fantástica em terra, o dia de voar<br />

chegou. Foi um dos momentos mais importantes da minha carreira profissional. Tudo<br />

que eu queria era estar nas alturas, me aventurando e colocando em prática tudo que<br />

aprendi. Sempre focada em segurança de voo e no atendimento ao cliente. Aproveitei<br />

cada momento deste ‘glamour’ com muita dedicação e responsabilidade.<br />

Encerrei minha carreira como Supervisora da Business Class, onde tive o prazer de<br />

trabalhar com requinte e sofisticação.<br />

Atualmente finalizo o Curso Superior em Gestão de Recursos Humanos, a fim de<br />

aumentar horizontes e possibilidades.<br />

62 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 63


Santa Cruz do Sul - RS<br />

O Brasil é um país marcado por grandes disparidades.<br />

Riqueza e pobreza, trabalho e desemprego,<br />

cultura e violência, entre outros extremos.<br />

Tudo isso, tem, historicamente, forjado a<br />

sociedade brasileira. Em um momento que,<br />

mais uma vez, o país padece em virtude dos<br />

problemas sociais, políticos e econômicos, a<br />

aviação brasileira igualmente sofre para continuar<br />

desenvolvendo com excelência esse<br />

importante setor. Ou seja, as diferenças que<br />

permeiam toda a cultura brasileira também<br />

marcam a realidade do ambiente aeronáutico.<br />

Particularmente, o sucesso e o<br />

fracasso também ilustram os<br />

problemas da aviação de treinamento.<br />

Nesse setor, escolas e<br />

aeroclubes com padrão de qualidade<br />

mundial dividem espaço<br />

com instituições, que algumas<br />

vezes, não conseguem sobreviver<br />

dentro de uma economia de<br />

mercado, especialmente, nesta<br />

problemática década em que nos<br />

encontramos.<br />

Ribeirão Preto - SP<br />

64 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

65


Canela - RS<br />

Buscando registrar estas<br />

diferenças, um projeto cultural<br />

tem sobrevoado o Brasil desde<br />

agosto de 2016. Trata-se da Expedição<br />

Aeroclubes do Brasil, uma<br />

expedição aérea que está viajando<br />

pelo país para evidenciar os<br />

detalhes da aviação brasileira.<br />

Dois circuitos aéreos já foram<br />

realizados. A primeira viagem<br />

aconteceu a bordo de um avião<br />

Aero Boero 180, no interior do<br />

estado de São Paulo, enquanto o<br />

segundo trajeto foi feito um<br />

Embraer Tupi 712, voando pelo<br />

estado do Rio Grande do Sul.<br />

Faz. São Roque - SP<br />

Batatais - SP<br />

Franca - SP<br />

Itápolis - SP<br />

Eldorado do Sul - RS<br />

Nessas duas viagens, mais de<br />

uma dezena de escolas de<br />

aviação foram visitadas. Em<br />

última análise, registrando o<br />

passado e o presente da comunidade<br />

aeronáutica dessas regiões.<br />

Entre tantos aspectos positivos e<br />

negativos que surgiram nestes<br />

circuitos, as diferenças nas estruturas<br />

aeroportuárias encontradas<br />

na viagem são elementos que<br />

merecem destaque.<br />

O Brasil possui um território de<br />

dimensões continentais. Comparativamente,<br />

o país é maior do<br />

que toda a União Europeia. Nesse<br />

contexto, pequenos aeroclubes<br />

existem dentro de grandes<br />

aeródromos controlados, ao<br />

mesmo tempo em que grandes<br />

escolas de aviação, às vezes<br />

contam com suas próprias pistas<br />

para ensinar os futuros pilotos a<br />

voarem. Em diferentes cidades do<br />

sul e sudeste, a expedição teve a<br />

oportunidade de capturar imagens<br />

que registram a pluralidade<br />

de realidades da aviação no interior<br />

do país: percorremos pistas<br />

de saibro, terra e asfalto; aeródromos<br />

controlados e não controlados<br />

dentro e fora das áreas de<br />

controle terminal (TMA), capturando<br />

um retrato das diferenças<br />

de um Brasil, que hoje possui<br />

dificuldades em desenvolver a<br />

importante engrenagem, que é a<br />

aviação de treinamento.<br />

Saiba mais sobre o projeto e<br />

acompanhe os próximos circuitos<br />

da expedição aérea no<br />

www.aeroboero.com<br />

66 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 67


“Tripulação, portas em automático.<br />

Senhoras e senhores, bem-vindos a<br />

bordo. Observem o número do seu<br />

assento no cartão de embarque. Por<br />

medidas de segurança, acomodem as<br />

bagagens de mão nos compartimentos<br />

acima de seus assentos ou abaixo<br />

da poltrona à sua frente [...].”<br />

Divulgação<br />

aparente, é cuidar da segurança dos<br />

passageiros, da própria tripulação e do<br />

voo. É exatamente por isso que os tripulantes<br />

estão ali. E, nesse contexto, o<br />

serviço de bordo é apenas um detalhe.<br />

Comissários de voo (ou de bordo) são os<br />

profissionais responsáveis por garantir<br />

um ambiente de tranquilidade, conforto<br />

e de segurança para os passageiros: na<br />

recepção para o voo, com um sorriso<br />

receptivo; na demonstração precisa dos<br />

procedimentos de segurança;<br />

Para os usuários frequentes do transporte<br />

aéreo, essas frases, dentre<br />

outras, fazem parte do cotidiano e<br />

remetem a uma profissão, outrora,<br />

respeitada, imponente e glamorosa.<br />

Todas elas estão diretamente ligadas<br />

aos comissários de bordo.<br />

Aparentemente, a concepção da<br />

grande maioria dos passageiros sobre<br />

os comissários é equivocada e está<br />

longe da realidade. Há quem diga que<br />

o(a)s “aeromoço(a)s” (expressão popular<br />

para “comissários de bordo”) são<br />

apenas aquelas pessoas que passam<br />

no corredor servindo um lanchinho<br />

ou, quando muito, refeições no meio<br />

do voo. Contudo, aos comissários<br />

cabem muito estudo e treinamento,<br />

principalmente na área de segurança.<br />

Não se espera usar os conhecimentos<br />

nesse sentido, mas, caso seja preciso,<br />

já sabem como agir em qualquer<br />

situação emergencial. A principal<br />

função a bordo, que felizmente não é<br />

Divulgação<br />

na prestação do atendimento e<br />

serviço de bordo; na administração de<br />

eventuais conflitos e comportamentos<br />

inconvenientes antes, durante e,<br />

ou após o voo; no “permaneçam<br />

sentados com os cintos de segurança<br />

afivelados até a parada total da<br />

aeronave”; no “até o próximo voo” de<br />

despedida; ou até mesmo no zelo<br />

pela vida do passageiro em caso de<br />

incidentes ou acidentes.<br />

68 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 69


Divulgação<br />

São agentes de segurança a bordo e por<br />

isso estão preparados para qualquer tipo de<br />

situação crítica ou emergencial.<br />

Mas, pelo lado romântico da profissão, que<br />

oportuniza aos comissários conhecerem<br />

muitas cidades, estados e países diferentes,<br />

fora de uma rotina de escritório e de uma<br />

jornada tradicional de trabalho, muitos<br />

jovens são atraídos às salas dos cursos voltados<br />

à formação destes profissionais, muitas<br />

vezes com uma expectativa limitada. A<br />

rotina do trabalho, porém, é bem agitada e<br />

de alta responsabilidade.<br />

já operavam no país, contratando, inicialmente, apenas homens<br />

para o exercício da função. Um decreto daquela época determinou:<br />

“O aeromoço fará parte integrante da tripulação da aeronave,<br />

devendo seu nome ser inscrito no livro de bordo”.<br />

Voltando aos dias atuais, no campo da regulamentação também<br />

existe uma definição do cargo e das responsabilidades inerentes a<br />

ele. A Lei do Aeronauta vem nos dizer que “o comissário é o auxiliar<br />

do comandante, encarregado do cumprimento das normas relativas<br />

As companhias aéreas geralmente impõem<br />

regras de etiqueta e de conduta pessoal. O<br />

comissário não pode aparentar cansaço e o bom<br />

humor é imprescindível. Afinal, é ele quem assegura<br />

a imagem da qualidade do serviço das empresas<br />

de aviação comercial ou taxis aéreos.<br />

A profissão nasceu nos EUA, em 1930. Ellen<br />

Church, piloto e enfermeira, que não tinha sido<br />

aceita pela Boeing Air Transit (antecessora da<br />

United Airlines) como Piloto, mas sugeriu aos<br />

executivos da empresa que contratassem enfermeiras<br />

para acalmarem os passageiros que<br />

tinham receio de viajar de avião, bem como prestarem<br />

assistência e primeiros-socorros àqueles<br />

que passassem mal durante os voos. Ellen foi<br />

então contratada em 1930 como Chefe das<br />

Comissárias de Voo.<br />

A profissão deu muito certo, conquistou o mundo<br />

e chegou ao Brasil ainda na década de 30.<br />

A legislação tupiniquim registrou a profissão em<br />

1938, quando então, as empresas VARIG e a VASP<br />

Divulgação<br />

à segurança e atendimento<br />

dos passageiros a bordo e da<br />

guarda de bagagens, documentos,<br />

valores e malas<br />

postais que lhe tenham sido<br />

confiados pelo comandante”.<br />

A partir do momento em que<br />

o passageiro entra no avião,<br />

sua segurança e conforto ao<br />

longo de todo o voo são de<br />

responsabilidade do<br />

comissário de bordo. A<br />

responsabilidade principal<br />

sobre a segurança dos passageiros<br />

é do comandante da<br />

aeronave, mas sua preocupação<br />

deve ser canalizada à<br />

pilotagem. Quem efetivamente<br />

atua e interage diretamente<br />

com o cliente são os<br />

comissários. Eles demons-<br />

trarão os procedimentos de<br />

emergência requeridos pela<br />

autoridade aeronáutica e<br />

adotados pela empresa, farão<br />

o devido serviço de bordo e<br />

cuidarão das necessidades<br />

dos passageiros durante toda<br />

a viagem. Após o completo<br />

desembarque, ainda têm de<br />

cumprir procedimentos de<br />

segurança e de organização<br />

da aeronave, com de entrega-la<br />

à próxima tripulação ou<br />

para assumirem um novo voo.<br />

Situações imprevisíveis<br />

podem ocorrer durante um<br />

voo, como nascimento, casamento,<br />

morte, brigas, mal<br />

súbito, atitudes desagradáveis<br />

de passageiros, incidentes ou<br />

acidentes aeronáuticos, etc.<br />

70 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 71


Divulgação<br />

É uma grande arte de lidar<br />

com a rotina e, ao mesmo<br />

tempo, com o inesperado a<br />

cada etapa. Para isso, os<br />

comissários recebem intensos<br />

treinamentos durante o<br />

curso de formação e complementado<br />

de forma<br />

exaustiva e intensiva pelas<br />

empresas aéreas, tudo para<br />

que estejam preparados<br />

para todas as situações<br />

possíveis durante os voos.<br />

O serviço de bordo pode<br />

ser compreendido, resumidamente,<br />

em cinco etapas:<br />

antes da decolagem;<br />

durante o taxiamento;<br />

durante o voo; antes do<br />

pouso e após o pouso.<br />

Cada comissário a bordo possui funções específicas<br />

designadas pela empresa, ou pelo(a)<br />

chefe de equipe, se houver. Estas funções são<br />

executadas antes, durante e após as cinco<br />

fases mencionadas e podem ser: cheques de<br />

emergência, checagem das galleys (local onde<br />

são armazenadas as comidas e bebidas que<br />

serão servidas durante o voo); dianteira e<br />

traseira com checagem dos toaletes dianteiros<br />

e traseiros; recepção, auxílio nos casos<br />

necessários e despedida dos passageiros;<br />

demonstração dos recursos de emergência;<br />

alertas de proibição do uso de aparelhos<br />

eletrônicos e fumo a bordo, dentre outras.<br />

O serviço de bordo prestado pelos comissários<br />

não se resume a um singelo sorriso e no<br />

oferecimento de um suco ou lanche, e que,<br />

além de abranger inúmeras atividades, e que<br />

as incumbências destes profissionais vão<br />

muito além.<br />

Divulgação<br />

Afinal, a segurança e o<br />

conforto do passageiro são<br />

de sua responsabilidade.<br />

Para isso, é necessário que<br />

disponham de um conjunto<br />

de características pessoais,<br />

físicas e psicológicas<br />

para se adequar ao perfil<br />

desejado. Uma boa saúde,<br />

maturidade, responsabilidade,<br />

profissionalismo,<br />

confiança, independência,<br />

capacidade de tomada de<br />

decisões, facilidade de<br />

relacionamento em grupo,<br />

boa relação com o público<br />

e disciplina são algumas<br />

qualidades que fazem<br />

parte da vida de um<br />

comissário de bordo.<br />

72 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 73


Sou Jone Dirane, nasci em<br />

Manaus-AM, sou piloto privado,<br />

formado em Administração<br />

de Empresas, pós-graduação<br />

em Gestão de Manutenção<br />

em Aeronaves e<br />

instrutor em cursos de aviação<br />

civil.<br />

A aviação aqui da região norte<br />

é um assunto muito<br />

abrangente. Em se tratando<br />

do Estado do Amazonas, em<br />

si, temos um grande desafio a<br />

ser vencido pelas distâncias<br />

geográficas que separam a<br />

capital Manaus dos municípios<br />

que precisam dos<br />

serviços aéreos. Aviação é<br />

fundamental e necessária para<br />

a integração dessas cidades.<br />

Jone Dirane<br />

Para se chegar a Manaus só existem duas opções, sendo uma por via aérea, em poucas<br />

horas de avião fretado, a outra é por transporte hidrográfico, com viagens de barco,<br />

concluídas em alguns dias. Além de servir como meio de transporte, os voos regulares,<br />

que são poucos, também fazem a integração na vasta região.<br />

As aeronaves usadas em<br />

Manaus são principalmente<br />

monomotores a pistão, como<br />

os modelos Corisco, Minuano,<br />

Sertanejo com capacidade de<br />

4 a 5 passageiros, além dos<br />

Caravans, com capacidade<br />

para 9 passageiros, sendo que<br />

esse, apesar de ser um monomotor,<br />

é um turbo hélice e os<br />

bimotores a pistão como o<br />

Sêneca, o Baron e os turbo<br />

hélice como o Carajá, Bandeirante,<br />

que além de serem<br />

fretados, também são usados<br />

para realizarem voos<br />

sistemáticos para os municípios<br />

e os ATR, que fazem<br />

linhas regionais saindo de<br />

Manaus para trechos dentro<br />

do Amazonas como Barcelos,<br />

Borba ,Carauari Coari, Tefé,<br />

Eirunepé, Lábrea, Manicoré,<br />

Parintins e São Gabriel da<br />

Cachoeira e para cidades<br />

vizinhas como Pará Altamira,<br />

Belém, Itaituba, Porto Trombetas<br />

e Santarém, isso sem<br />

contar com as linhas regulares<br />

que fazem voos para<br />

todo o Brasil e algumas que<br />

fazem voos internacionais,<br />

levando passageiros e cargas<br />

como por exemplo, os<br />

cargueiros da Boeing 737-<br />

300, 747-800 e os 767-300 e<br />

os Airbus A 320.<br />

Embraer Corisco<br />

Embraer Carajá<br />

74 Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

Foto Felipe Moreira<br />

Aviação & <strong>Mercado</strong> 75


Aqui temos pistas mal conservadas, falta de estrutura dos municípios, isso sem contar<br />

com os aeródromos que foram desativados, deixando isolada uma terra cheia de cultura<br />

e com potencial turístico enorme esquecido por falta de voos.<br />

Muitos falam nos programas do Governo<br />

Federal para a expansão da aviação<br />

regional a nível Brasil como um todo,<br />

porém, estamos esperando que tudo<br />

isso saia do papel, para que possamos<br />

explorar novos trechos dentro do Amazonas,<br />

encurtando assim, as distâncias.<br />

Foto Jone Dirane<br />

Cessna Caravan<br />

Aeronave Baron<br />

A nossa aviação precisa melhorar<br />

e crescer, pois as aeronaves que<br />

operamos, saindo de Manaus, que<br />

são de pequeno e médio porte,<br />

conseguirmos atender só alguns<br />

municípios levando a eles um<br />

pouco de desenvolvimento,<br />

gerando emprego e renda para<br />

esse povo guerreiro e batalhador,<br />

que espera, com um sorriso no<br />

rosto, que a aviação no Amazonas<br />

cresça e traga maior integração<br />

entre todo o estado e região.<br />

Planador Schleicher ASH 30<br />

Jone Dirane – Representante<br />

Comercial Aviação & <strong>Mercado</strong><br />

em Manaus AM<br />

Contato (92) 99172 8682<br />

diraneaviacao@gmail.com<br />

Foto Jone Dirane<br />

76 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 77


Os Lençóis Maranhenses são formados<br />

por uma imensa cadeia de dunas<br />

na região nordeste do estado brasileiro<br />

do Maranhão. A área recebeu este<br />

nome em alusão a um lençol jogado<br />

sobre uma cama, quando visto de<br />

cima por um monomotor ou um<br />

bimotor, por exemplo. A área possui<br />

uma beleza natural diferente de<br />

qualquer outro local do planeta e o<br />

seu ecossistema é complexo, tendo<br />

ainda muito para ser estudado. A<br />

área do Parque Nacional dos Lençóis<br />

Maranhenses tem cerca de 155 mil<br />

hectares, de acordo com o Icmbio<br />

(Instituto Chico Mendes de Conservação<br />

da Biodiversidade) responsável<br />

pelas áreas de conservação do<br />

território brasileiro. A microrregião<br />

dos lençóis é compreendida pelos<br />

municípios de Barreirinhas, Humberto<br />

de Campos, Paulino Neves, Primeira<br />

Cruz, Santo Amaro do Maranhão e<br />

Tutóia. Os principais meios de acesso<br />

ao parque estão em Barreirinhas e<br />

Santo Amaro. Nesta região o turista<br />

pode surpreender-se a cada dia<br />

durante a sua passagem pelo maior<br />

campo de dunas do Brasil, podendo<br />

apreciar m belo pôr do sol, curtir a<br />

algum evento radical, que estiver<br />

acontecendo pelo parque nacional e<br />

até mesmo desfrutar de uma bela<br />

imagem panorâmica das dunas<br />

através de um sobrevoo<br />

pela região.<br />

A história do Parque Nacional dos<br />

Lençóis Maranhenses não está com-<br />

Lençóis<br />

pletamente desvendada. Ainda há muitos<br />

pontos, sobre o parque que devem ser estudados.<br />

Anualmente diversas expedições de<br />

geógrafos do Brasil partem rumo ao interior do<br />

parque buscando novas descobertas geológicas<br />

no local. Como parque, o local funciona desde<br />

1981. As dunas do Parque Nacional dos Lençóis<br />

Maranhenses podem se deslocar por alguns<br />

centímetros por dia, devido à ventania na<br />

região, assim como ocorre em áreas de dunas<br />

de diversos outros lugares do mundo, como na<br />

região do conhecidíssimo deserto do Saara, no<br />

norte do continente africano. Já em áreas onde<br />

há um contraste entre dunas e vegetação, não<br />

há nenhum deslocamento das áreas elevadas<br />

dos campos de areia do parque. A área total do<br />

parque corresponde a área da cidade de São<br />

Paulo. O mais incrível do parque é que as cadeias<br />

de dunas são intercaladas por lagoas que<br />

atingem diversos níveis de avanço das águas ao<br />

longo do ano, o que torna a paisagem ainda<br />

mais bela, ou seja, se o turista resolver peregrinar<br />

pelos campos de dunas e avistar<br />

áreas alagadas e paradisíacas ao longo<br />

das cadeias de areia poderá ficar tranquilo,<br />

pois não se tratará de uma miragem,<br />

como as falsas ilusões dos personagens<br />

de cinema que desbravam os<br />

desertos africanos e da região do<br />

oriente médio. O litoral do estado do<br />

Maranhão é um dos mais belos do Brasil<br />

e conta ainda com, além das sinuosas<br />

cadeias de dunas dos Lençóis, belas<br />

ilhas, penínsulas e manguezais. Outra<br />

curiosidade sobre o parque é que ele<br />

está as três principais regiões de dunas<br />

do Brasil, sendo as outras duas o Parque<br />

Nacional de Jericoacoara, no estado do<br />

Ceará, e também a região do Delta do<br />

Parnaíba, no estado do Piauí. De todos<br />

os fatos sobre os Lençóis Maranhenses,<br />

o mais incrível é sobre a formação das<br />

lagoas, que acontece durante o período<br />

de janeiro a julho de cada ano, o que<br />

traz diversos cardumes do mar para as<br />

áreas alagadas do parque. Essa época do<br />

ano é tida pelos moradores da região<br />

como um inverno, diferente de quase<br />

todo o resto do território nacional,<br />

devido a sua proximidade com a linha<br />

do Equador.<br />

Dentro do espaço do parque encontram-se<br />

duas grandes áreas de vegetação<br />

que são parte da zona primitiva. Algumas<br />

áreas podem comportar lagoas cheias<br />

por todo o ano, dependendo da intensidade<br />

das chuvas a cada ano. A hidrografia<br />

do parque é composta por áreas<br />

aquíferas perenes e lagoas temporárias.<br />

O bioma costeiro marinho do parque<br />

possui vegetação de cerrado. O clima da<br />

região é subúmido seco e a média de<br />

temperatura ao longo do ano é de 26ºC.<br />

O fenômeno de formação do parque<br />

levou milhares de anos e ainda permanece<br />

em permanente estado de mudanças,<br />

que ocorrem lentamente e que<br />

são notadas somente por meio dos comparativos<br />

de muitos e muitos anos.<br />

As principais atrações da região estão<br />

espalhadas pelos municípios que compreendem<br />

o parque. Em Barreirinhas um<br />

dos melhores lugares para se visitar é o<br />

Circuito da Lagoa Azul, a área mais visitada<br />

de toda a unidade de conservação do<br />

parque. Nessa área o turista pode visitar a<br />

Lagoa do Peixe, a única com água perene<br />

ao longo do ano independente do período<br />

de chuvas ou de seca. O Circuito da<br />

Lagoa Bonita é outra área muito visitada<br />

em Barreirinhas, após a caminhada até o<br />

alto de uma imensa duna, os turistas<br />

podem contemplar a vista de boa parte<br />

das dunas do parque e de áreas de vegetação.<br />

Outros belos pontos do parque na<br />

área do município de Barreirinhas são a<br />

lagoa da Esperança, o povoado de Atins,<br />

o Canto dos Lençóis e a Foz do Rio Negro.<br />

78 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 79


Lençóis<br />

Os Lençóis Maranhenses é o único<br />

deserto do planeta composto por<br />

água e areia branca e está “escondido”<br />

no litoral nordestino. É, sem<br />

sombra de dúvidas, um dos lugares<br />

mais exuberantes de todo o mundo.<br />

Já em Santo Amaro do Maranhão, os<br />

locais de visitação para os turistas<br />

são tão belos e paradisíacos quanto<br />

os de Barreirinhas. A Praia da Travosa<br />

é situada na costa de uma área que<br />

abriga uma comunidade pesqueira e<br />

de onde é possível avistar as dunas<br />

ao fundo. A Lagoa das Emendadas é<br />

uma região de diversas dunas e<br />

diversas lagoas entre elas. Nessa<br />

região o turista pode ter uma vista de<br />

boa parte do parque nacional,<br />

podendo, assim, ter noção de suas<br />

dimensões. Outros dois locais<br />

recomendados para visita em Santo<br />

Amaro do Maranhão são Lagoa da<br />

Betânia e Lagoa da Gaivota.<br />

O parque possui ainda a zona primitiva<br />

que é composta por duas grandes áreas<br />

de vegetação: Baixa Grande e Queimada<br />

dos Britos. Esta área é a de maior<br />

proteção ambiental e a visitação pode<br />

ser limitada. O acesso por meio de<br />

veículos automotores não é permitido.<br />

A rede de hospedagem destas duas<br />

cidades é muito satisfatória, sendo<br />

composta por mais de cem hotéis, pousadas<br />

e albergues dos mais variados<br />

níveis de padrão de qualidade. São<br />

diversos os restaurantes para aqueles<br />

que não abrem mão de uma bela e<br />

típica refeição regional. Os restaurantes<br />

de Barreirinhas e Santo Amaro estão<br />

localizados ao longo da extensão dos<br />

dois municípios, desde as áreas urbanas,<br />

como os centros até aqueles localizados<br />

em áreas perfeitas para ter uma saborosa<br />

refeição com vista para as cadeias de<br />

dunas e lagoas do parque nacional.<br />

Alguns eventos esportivos acontecem<br />

pela região dos lençóis, alguns regularmente,<br />

como as competições de surfe nas praias ao<br />

longo da costa de cada cidade do parque e<br />

outros não regulares, como o Rally do Sertão<br />

de Voo Livre, o maior do mundo, que reúne<br />

aos maiores pilotos de vários locais do planeta<br />

no litoral do estado do Pernambuco até os<br />

Lençóis, passando pelos litorais dos estados<br />

da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e<br />

Piauí, até chegar na costa do estado do Maranhão,<br />

onde o rally se encerra no parque<br />

nacional. Estes aventureiros partem rumo às<br />

dunas em parapentes, asa deltas. Outro<br />

grande evento é o Paraquedismo Fest de<br />

Barreirinhas, esse teve sua última edição<br />

realizada no mês de junho de 2016. Quando a<br />

data marcada para viagem para uma das<br />

cidades do parque coincide com algum<br />

destes eventos é possível assistir tudo o que<br />

rola em cada competição. No agendamento<br />

da viagem, vale consultar se haverá algum<br />

tipo de evento ocorrendo na região na hora<br />

de escolher a data para embarque.<br />

Embraer 190<br />

Lagoa Azul em Barreirinhas<br />

80 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 81


O voo panorâmico pelos céus do Parque<br />

Nacional dos Lençóis Maranhenses proporciona<br />

ao turista uma vista de toda a imensidão<br />

do parque com suas dunas formadas pelos<br />

ventos, podendo ainda apreciar a vista dos<br />

manguezais, do estuário, ilhas, penínsulas e<br />

do oceano. Olhando para o outro lado<br />

pode-se ainda apreciar o continente sul americano<br />

no horizonte. O melhor de tudo,<br />

dependendo do horário do voo, é que o passageiro<br />

pode ainda contemplar a beleza do<br />

pôr do sol a partir dos céus do parque.<br />

Uma das opções de voo panorâmico é realizá-lo<br />

pela www.caetesturismo.com.br e tem<br />

duração de 25 a 30 minutos sobre o Parque<br />

Nacional dos Lençóis Maranhenses, que permite<br />

visualizar toda a dimensão e exuberância<br />

que compõe o parque e arredores, com as<br />

suas dunas, lagoas, manguezais, praias e rios.<br />

Sobrevoamos os povoados de Vassouras,<br />

Caburé, Mandacaru e Atins.<br />

Aeroporto<br />

Embraer Minuano<br />

Além de sobrevoar a Lagoa Azul e dos<br />

Peixes, no retorno passamos pelo<br />

centro da cidade. Outra opção é a<br />

www.ecoviagem.uol.com.br<br />

Vale lembrar que há varias empresa<br />

que prestam o serviço de passeios na<br />

região dos Lençóis, assim, o turista<br />

pode optar por aquela que melhor lhe<br />

convêm, para o melhor aproveito<br />

do passeio.<br />

O principal aeroporto do estado do<br />

Maranhão, que pode servir de local de<br />

pouso para os turistas que desejam<br />

visitar os Lençóis é o Aeroporto Internacional<br />

de São Luís (SLZ) – Marechal<br />

Cunha Machado – na capital do estado,<br />

que opera com voos comerciais ligado<br />

a diversos outros aeroportos do país,<br />

como os principais das demais<br />

capitais do Brasil.<br />

A capital do Maranhão fica a 254km de<br />

Barreirinhas, principal área de acesso ao<br />

parque. Do aeroporto até lá, por meio<br />

de um carro, que pode ser alugado,<br />

pode levar em torno de três horas e<br />

meia, mas se o turista optar por ir<br />

voando de monomotor ou bimotor,<br />

pode contratar alguma das agências de<br />

táxi aéreo que operam neste trecho,<br />

assim, a viagem pode levar em torno de<br />

cinquenta minutos e a vantagem desse<br />

meio de transporte não está somente<br />

no curto tempo de viagem até o<br />

parque. Vale a pena também pela vista<br />

panorâmica durante o voo. A vista das<br />

sinuosas dunas dos Lençóis é deslumbrante<br />

e os turistas vão se surpreender<br />

com essa paisagem. Além disso,<br />

operando a partir do Aeroporto de<br />

Barreirinhas (BRB), algumas agências<br />

oferecem passeios com voos panorâmicos<br />

pelos ares do parque nacional, o<br />

que certamente é um dos melhores<br />

passeios oferecidos na cidade.<br />

82 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 83


As companhias aéreas: Azul, Gol e<br />

LATAM oferecem voos para o aeroporto<br />

de São Luís, que por enquanto é o<br />

mais viável para quem deseja visitar o<br />

parque nacional no litoral do estado. A<br />

boa notícia é que em 2016 foram<br />

retomadas as obras do Aeroporto<br />

Municipal de Barreirinhas. O objetivo<br />

do projeto é tornar o aeroporto apto<br />

para operar por meio de voos regulares,<br />

facilitando assim o acesso ao<br />

parque. As companhias que decolam<br />

para São Luís utilizam aeronaves como<br />

Embraer 190 e 195, Boeing 737-700 e<br />

737-800 e, Airbus A319, A320 e A321.<br />

Já para o aeroporto de Barreirinhas,<br />

por enquanto as empresas de táxi<br />

aéreo utilizam principalmente o Embraer<br />

Minuano e o Cessna Skyhawk<br />

172 para operarem no transporte entre<br />

pistas de pouso ou apenas para os<br />

voos panorâmicos. O booking para<br />

reservar suas passagens para o Maranhão<br />

está disponível nos sites de diversas<br />

companhias aéreas e agências de<br />

viagem. Bora voar?!<br />

84 Aviação & <strong>Mercado</strong> Aviação & <strong>Mercado</strong> 85


POUSE NO PORTOBELLO E NAVEGUE PELA PARADISÍACA BAÍA DA ILHA GRANDE<br />

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O Fly Inn do Portobello possui uma pista de pouso exclusiva e terrenos onde você pode parar seu avião<br />

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