Views
5 months ago

RLB 59 - Março de 2018

Publicação mensal com abordagens de temas que vão além do turismo e que buscam atender aos anseios de quem está viajando ou pensa em viajar

| Enogastronomia |

| Enogastronomia | Escolha você mesmo o seu vinho! Por Olinaldo Oliveira Ao longo de minha trajetória no mundo do vinho, percebi que cada vez mais o consumidor está procurando acertar na escolha de um bom vinho, afinal não queremos errar ao servir os nossos convidados. Sou sommelier e professor na área de vinhos, venho de uma caminhada há mais de 23 anos na área, ex-professor do curso de extensão do curso de gastronomia da faculdade IESB de Brasília e sempre busquei entender as tendências do mercado. Às vezes, chegamos sem jeito e com certo receio de escolhermos errado um vinho, sem confiar nas indicações de sommelier local, ou até mesmo desconfiado de safra ou uva que não conheça. O que muito me satisfaz é ver o crescimento do mercado e ver que cada vez mais as pessoas de idade e os jovens em busca desse conhecimento. Um vinho acima de tudo faz parte da mesa. Trata- -se de um produto vivo, pois tem o seu nascimento, a sua jovialidade, o seu amadurecimento e a sua velhice, até morrer com o seu devido tempo. É um dos alimentos mais saudáveis que conhecemos, com o benefício de seus antioxidantes e a verdadeira felicidade da socialização em si. Cuidados essenciais Ao chegar numa adega ou loja que comercialize vinhos, já se certifique da climatização local. Todo vinho deve ser mantido em climatização abaixo de 21 graus, pois acima dessa temperatura o vinho acelera o seu processo de envelhecimento natural. Observe a disposição dos vinhos, como eles estão divididos - se por nacionalidade ou por tipos. Quando você partir para os vinhos do Novo Mundo, como os das Américas do Sul, Central e Norte, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, estes normalmente são produzidos com uma única uva e raras as vezes que encontramos os assemblages, que são os de produção com duas ou mais uvas em um único vinho. As uvas terão o seguinte corpo: Tannat (os mais encorpados), Cabernet Sauvignon (encorpada), Syrah ou Shiraz (corpo médio), Carménère (frutada mas tendendo a um aroma vegetal), Merlot (frutada, porem com cor intensa e fácil no paladar), Malbec (frutada e bastante aromática, teor alcoólico um pouco mais alto e com agradável sabor e final de boca) e Pinot Noir (bem clara na taça e bastante frutada, leve e fácil no paladar). Se a sua escolha recair sobre sobre um vinho do Velho Mundo, que entendemos ser os países com origem mais antiga, tais vinhos normalmente serão assemblages e raramente encontramos os varietais (vinhos com elaboração somente com um tipo de uva). Neste caso a escolha será por região produtora, pois a Europa segue um rigorosíssimo sistema de regras que foram criados a partir do ano de 1756 - começando no Douro, em Portugal - e depois foi se estendendo por todos os países da região. Para entender um pouco sobre este sistema, relaciono a seguir algumas regiões: 32 Leitura de Bordo | março 2018 | www.leituradebordo.com.br

| Enogastronomia | Em Portugal, as principais regiões são: Alentejo (castas Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Arinto, Antão Vaz e outras), Douro (Touriga Nacional, Tinta Amarela, Tinta Cão, Touriga Franca, Tinta Roriz, Malvasia Fina, Viosinho, Rabigato e outras), Bairrada (Baga e outras), Dão (Alfrocheiro Negro, Airen, Encruzado e outras). Espanha, principais uvas do país: Brancas, verdejo, Albariño, Xarel-lo e Viura, tintas, Tempranillo, Garnacha, Monastrell, Cariñena, Graciano, Mencia e Mazuelo, produz também muitas uvas estrangeiras. Itália, principais uvas e regiões, Piemonte (Nebiolo, Barbera e Dolceto), Toscana (Sangiovese e as estrangeiras), Veneto (Corvina, Molinara e Rondinella), Sicília ( Nero Davola) e Campanha (Aglianico). França, principais regiões, Bordeaux (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc e outras), Bourgogne (Pinot Noir , Chardonnay, Aligoté e outras), Côtes Du Rhône ( Grenache, Mourvedre, Syrah e outras), Alsace (Gewurztraminer, Riesling, Sylvaner, Pinot Noir e outras), Champagne (Chardonnay, Pinot Meunier e Pinot Noir), Beaujolais (Gamay e outras). Importante De qualquer forma, tente passar para o sommelier local o seu gosto real de vinho, se gosta de um vinho com corpo ou de um vinho mais leve. Uma boa dica, por exemplo, é informar que o vinho ideal para você é um vinho bastante tinto na taça, aromático, e ao beber, ele seja bem aveludado. Assim o sommelier local vai entender que você quer um vinho com equilíbrio entre tanino, acidez e madeira. Não tenha medo e nem vergonha de perguntar. O papel do sommelier é o de ajudá-lo a vivenciar a melhor experiência possível. Boa sorte e Santé! Olinaldo Oliveira Sommelier e professor

RLB 58 - Fevereiro de 2018