Revista Mais Sebrae - Maio 2018

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A revista Mais Sebrae é uma publicação trimestral do Sebrae RS e destaca as principais novidades e informações sobre empreendedorismo e negócios no Rio Grande do Sul e no Brasil.

AGRONEGÓCIO

Vitivinicultura

ganha força na Fronteira Sul

Segmento está em plena expansão a partir de

seu potencial de produtividade e de enoturismo,

características que levam o Sebrae RS a ampliar

a atuação local

Localizada no principal paralelo do plantio de

uva do Hemisfério Sul, na mesma linha de países

consolidados na indústria do vinho, como

Uruguai, Argentina, África do Sul e Austrália, a

vitivinicultura na Fronteira Sul, região que engloba

Campanha, Fronteira Oeste e Sul do Estado,

possui condições edafoclimáticas favoráveis (características

de clima, relevo, temperatura, umidade

do ar, radiação e tipo do solo, por exemplo).

Invernos rigorosos e verões quentes e secos,

alta luminosidade e baixa precipitação no verão,

grande variação no gradiente de temperatura entre

os dias e as noites são características propícias

para produção de uvas para vinhos finos e

espumantes de qualidade. Isso permite exibir sua

marca no mundo dos vinhos: o “Terroir Campanha

Gaúcha”.

Outra vantagem da região é ter grandes extensões de

terra ainda com potencial de abrigar a cultura, e é esse

um dos fatores que estão norteando a atuação do Sebrae

RS, promovendo o estímulo à entrada de novos

produtores na vinicultura e a ampliação de negócios de

quem já entrou na atividade. Como há áreas disponíveis

para plantio, o produtor consegue agregar a atividade à

propriedade sem interromper as culturas já tradicionais,

como grãos e pecuária. “Na Fronteira Sul a expansão

da cultura não é limitante por território, pois ainda tem

áreas disponíveis com aptidão para a produção de uva.

E as características peculiares da região, como relevo

plano ou levemente ondulado, facilitam a mecanização

do processo”, ressalta André Luis Bordignon, que atua

na gerência setorial de agronegócio do Sebrae RS.

A produção de uvas viníferas na região já responde por

cerca de 15% da produção nacional, de acordo com o

Cadastro Vitícola da Embrapa Uva e Vinho, e envolve

mais de 100 famílias em pelo menos 12 municípios,

como Candiota, onde uma das referências é a vinícola

Batalha Vinhas & Vinhos. O empresário e engenheiro

agrônomo Giovâni Peres explica que a indústria tem

capacidade de produção de

mais de 40 mil litros por ano e

está em fase de ampliação. “A

meta é chegar a cerca de 120

mil garrafas por ano. Iniciamos

a produção em 2010 com três

hectares e dois funcionários,

hoje estamos com seis hectares

de vinhedos, seis funcionários

e compramos uvas de produtores

da região para incrementar

a produção do vinho”, conta

Peres, que está conquistando a

Os vinhos e

espumantes

brasileiros

possuem

mais de

2.000 medalhas

internacionais.

expansão de seu negócio em curto espaço de tempo.

O gestor está envolvido com programas do Sebrae RS

ligados ao agronegócio, como o Programa LIDER e o

projeto de incentivo ao enoturismo na região, além do

Programa Juntos para Competir, que é uma ação integrada

entre Farsul, Senar/RS e Sebrae RS.

Apesar de a cultura ter ganhado força como alternativa

de renda, especialmente a partir do final dos anos 1990,

cultivar uvas localmente nas estâncias era um hábito já

no século XIX. Tanto que há registros de atividade de

produção de vinho em 1888, em Bagé, da Cantina Marimon,

uma das primeiras produtoras de vinhos do Estado,

de acordo com Antônio Conte,

agrônomo da Emater. Hoje, os

principais municípios produtores

da Fronteira Sul são Santana

do Livramento, Encruzilhada

do Sul, Bagé, Candiota, Dom

Pedrito e Pinheiro Machado.

Ainda segundo a Emater, a

área total cultivada com uva na

Metade Sul é de aproximadamente

1,7 mil hectares, com produção

de 11 mil toneladas anuais e

potencial de aumento.

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