Revista Apólice #239

revistaapolice

Ano 23 - nº 239

Dezembro 2018


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editorial

Ano 23 - nº 239

Dezembro 2018

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Muitas boas

perspectivas

para 2019

Bola pra frente. 2019 já bate à nossa porta cheio de novidades.

Segundo os economistas, ele deve vir respaldado

por novos investimentos e pela volta do crescimento do PIB,

cujas projeções de expansão indicam alta de 2,53% no próximo

ano. Este número seria bem melhor que o 1,3 projetado

para 2018.

Esta esperança de crescimento vem da lua-de-mel do

mercado com o novo Governo e das perspectivas de reformas,

como a da Previdência, que pode ser fatiada para

facilitar as negociações. A proposta de reforma da previdência

social sempre gera boas expectativas para o mercado de

seguros.

Também traz otimismo ao setor o fato da indústria de

automóveis ter voltado a crescer. Até o mês de outubro, o

setor havia alcançado 15,3% de aumento. Em um tempo em

que se discute no mundo os novos caminhos para os carros

autônomos, por aqui as novidades ainda estão centradas

em políticas de ampliação da frota em circulação. Entretanto,

cabe ao mercado buscar soluções inclusivas, para trazer

ao setor os veículos mais antigos que nunca conheceram a

cobertura do seguro.

A tecnologia também deve trazer um novo impacto para

o nosso mercado. O surgimento de novas empresas e o investimento

das tradicionais deve tornar os produtos cada vez

mais customizados e adequados ao risco de cada cidadão. As

startups não param de aparecer e as novidades brevemente

começarão a dar frutos. A gente vai conferir com vocês.

Boa leitura!

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Revista Apólice

Diretora de Redação

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capa

Status Consultoria quer ser a maior corretora de seguros de acidentes pessoais

do Brasil. Negócio nasceu a partir da atuação da empresa com crédito

consignado

previdência

Segmento guarda boas perspectivas para 2019, com a sinalização do Governo

da votação da Reforma da Previdência e a retomada do crescimento

econômico

economia

Não basta a confiança do mercado financeiro para o setor voltar a crescer.

A retomada dos investimentos estatais e privados é que deve impulsionar a

volta do aumento de dois dígitos

artigo

Estudo divulgado pela MetLife mostra as tendências de benefícios para

empregados. Estes continuam sendo uma forte ferramenta para retenção

de talentos nas instituições

transporte

6º Simpósio organizado pelo Clube Internacional de Seguros de Transporte

– CIST – mostrou que a recuperação do setor já começou, mesmo que

lentamente

longevidade

Para envelhecer bem é preciso poupar dinheiro, investir em conhecimento

e em qualidade de vida, sempre tendo em vista um propósito para a vida

confraternização

SindSeg MG/GO/MT/DF reúne lideranças do setor para prestar homenagem

aos líderes que atuam pelo desenvolvimento regional do mercado de seguros

insurance meeting

A Revolução Digital já é uma realidade no mercado de seguros e o setor

precisa entender isso ou estará fadado a ficar para trá

brq

insurtech promove transformação digital das operações de inspeção, vistoria

e sinistro

entidades

Muitas comemorações marcaram a despedida do ano de 2018. Veja o que

aconteceu nas confraternizações em diversas partes do País

encontro

1º Congresso de Corretores de Seguros da Região Norte mostrou que a região

possui um grande potencial de desenvolvimento no setor

internacional

A china cresce a taxas de dois dígitos e continua como o principal motor

para o aumento dos prêmios globais de seguros, apesar de ter desacelerado

o seu ritmo

| comunicação

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painel

• ntecnologia

Mercado não acompanha a

inovação e a conectividade

A Liberty apresentou a corretores e parceiros o Next5, estudo

que mapeou as principais tendências para os próximos cinco

anos em diversos setores da economia. Segundo o levantamento,

as principais preocupações para os corretores e seguradoras

dizem respeito à conectividade e à inovação no setor.

Patricia Chacon, diretora de Marketing e Estratégia da Liberty,

disse que o componente mais importante da inovação não

é a tecnologia, como muitos pensam, mas as pessoas. “São os

profissionais que fazem a inovação para outros. Acredito que se

todos os funcionários conseguissem dar ideias nas seguradoras,

teríamos soluções melhores e mais inovadoras”. Ela conta ainda

que a diversidade também é importante para que haja inovação.

“Onde são respeitadas as diferenças, há mudança e disrupção,

pois é isso que nos permite sair do comum”.

Marcos Machini, responsável pela Área Comercial da Liberty,

disse quem a inovação pode significar sustos para o corretor.

“O que vai acontecer com esses profissionais nesse cenário?”,

perguntou. Ele ressaltou que a tecnologia deve ser vista como

uma ferramenta de trabalho. “Os novos meios permitem que

os corretores possam executar as coisas sem a participação da

seguradora. Tudo que esse profissional puder fazer sozinho ele

deve fazer. Ele não precisa mais esperar resposta da empresa

para nada”.

“A Tecnologia é a chave. Devemos pensar em proteção de

dados e ferramentas de cotação. Mas sem abrir mão da relação

corretor-seguradora”, continuou Machini. “Até pouco tempo o

mercado não gostava do multicálculo, porque um corretor usava

o sistema para cotar com 10 seguradoras diferentes. Mas isso

já passou. Não temos mais dúvidas. Estamos trazendo robôs

para dentro da companhia para que esse cálculo seja ainda mais

fidedigno. Devemos trabalhar em conjunto”, completou.

• nsaúde

ANS repassou R$ 365 milhões

ao SUS no primeiro semestre

No primeiro semestre de 2018, a Agência Nacional

de Saúde Suplementar – ANS - repassou ao Sistema

Único de Saúde (SUS) um total de R$ 365,13 milhões

relativos ao ressarcimento. O valor representa mais

de 62% do total repassado ao longo do ano inteiro

de 2017. Os dados consolidados do período estão na

sexta edição do Boletim Informativo do Ressarcimento,

divulgado nesta quinta-feira (22).

“Os resultados alcançados até junho nos permitem

concluir com segurança que teremos, em 2018,

um novo recorde de repasse ao SUS. Esses valores

crescentes demonstram o acerto das melhorias implementadas

no processo de cobrança pela ANS”,

avalia o diretor de Desenvolvimento Setorial Rodrigo

Aguiar. “Com a divulgação desse boletim, a Agência

confere a transparência necessária para que a sociedade

compreenda e acompanhe aperfeiçoamento

do ressarcimento no setor de saúde suplementar”,

acrescenta o diretor.

Desde 2000, ano em que a agência reguladora

foi criada e iniciaram as cobranças, a ANS cobrou das

operadoras de planos de saúde R$ 3,74 bilhões, que

equivalem a cerca de 2,5 milhões de atendimentos

realizados no SUS. Desse total, R$ 2,43 bilhões (cerca

de 65%) foram pagos pelas operadoras e encaminhados

ao Fundo Nacional de Saúde. Do saldo restante,

R$ 1,01 bilhão são débitos vencidos e não pagos, dos

quais R$ 685,39 milhões já foram inscritos em dívida

ativa; e R$ 292,46 milhões estão com a cobrança suspensa

por decisão judicial. Nesse período, 2017 foi o

ano em que a ANS alcançou o maior valor anual já

repassado ao Fundo, totalizando R$ 585,41 milhões.

Isso representa um incremento de 85,52% em comparação

ao ano de 2016.

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• nserviço

Assistência 24 horas é completamente internalizada

Com foco em prestar o melhor serviço

a seus corretores, assessorias e clientes, a

Tokio Marine concluiu a internalização da

Assistência 24 Horas do Seguro Automóvel.

Com a entrada em operação da Tokio

Marine Serviços (TMS) no estado de São

Paulo, a companhia agora é a responsável

por receber as solicitações dos clientes de

todo o País. Desde o mês de abril passado,

quando o projeto foi iniciado nas regiões

Centro-Oeste e Norte, a TMS recebeu

quase 70 mil chamados para atendimentos,

que ocasionaram a realização de quase

100 mil serviços.

“Somos uma seguradora focada

em inovação e na contínua melhoria

dos nossos processos e serviços. Essa

iniciativa é uma decisão estratégica para

complementar o portfólio de serviços

disponibilizados pela Tokio Marine para

reforçar a parceria com nossos corretores

e assessorias, além de melhorar a

percepção sobre a qualidade do nosso

trabalho junto aos clientes”, afirma o

Diretor Comercial Regional II, José

Luís Ferreira da Silva, que foi o Gestor

de Negócio do Projeto.

A TMS atende e encaminha as solicitações

dos 1,7 milhão de segurados

Auto quanto a serviços de guincho,

troca de pneus, assistência em caso

de pane seca, remoção em casos de

colisão etc. O acionamento pode ser

feito tradicionalmente, por telefone, ou

pelo aplicativo Tokio Marine Serviços.

A Companhia investiu R$ 20 milhões

na internalização, que começou pela

carteira de Automóvel e deve ser expandida

para outros segmentos no ano

que vem.

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painel

• nsaúde 2

Excelência no atendimento

por José Silva dos Santos - Diretor Superintendente da

Ameplan Saúde

Nos últimos

anos, e principalmente

em 2018, a

indústria da saúde

no Brasil vem

passando por um

grande processo

de consolidação,

em que grandes

grupos nacionais,

fundos de investimentos

internacionais

e investidores

institucionais vem

adquirindo operadoras

de saúde, hospitais, clínicas, laboratórios e centros

de diagnósticos numa velocidade nunca vista.

Esta movimentação do mercado provoca grandes

mudanças, e muita concorrência nos preços, um

controle cada vez mais fino dos custos assistenciais,

além da verticalização dos recursos instalados.

Desta forma, num ambiente de concorrência

acirrada, o que vai fazer a diferença é o atendimento

que vamos oferecer aos nossos beneficiários. Nosso

Grupo está também num processo avançado de

verticalização.

Temos que nos conscientizar de que devemos

ter foco no atendimento que os nossos clientes

desejam e esperam de nós. Os clientes hoje são

muito bem informados e exigentes e temos que

estar preparados para atendê-los de forma ética,

assertiva e humanizada.

A Integração de Excelência e Humanização no

Atendimento neste mercado de alta competição

tem que ser o nosso diferencial mercadológico,

pois Excelência é fazer o que todos fazem como

ninguém faz.

Para tanto, ampliamos e modernizamos nossos

Serviços de Atendimento aos Clientes (SAC), visando

oferecer o melhor atendimento do mercado e sermos

reconhecidos por isso.

Para que isto aconteça, cada um de nós do Grupo

tem que ter o atendimento no coração, gostar

de pessoas, de acolher e tratar bem, ter compaixão

e sobretudo ter o atendimento humanizado e diferenciado

como uma missão.

Em 2019, trabalhando juntos, seremos os melhores.

(Working Together)

• npme

O momento é de intensificar oferta de

seguros empresariais

Ao mencionar a expectativa de crescimento do mercado brasileiro

em 2019, calculada em 2,4% pelo Banco Central, o diretor da área de

Pequenas e Médias Empresas (PME) da Chubb, Alessandro Gomes,

considera que o período será bastante propício para o setor de seguros,

que tem expandido acima do PIB nacional nos últimos anos. “Em

especial, o corretor poderá intensificar a oferta de proteções para que

as pequenas e médias empresas se defendam dos riscos que ameaçam

o crescimento projetado para o próximo ano”, afirma.

Segundo Alessandro, uma parte expressiva do segmento de PME

sequer dispõe de coberturas tradicionais para riscos patrimoniais tais

como incêndio, raio e explosão. Diz ele que isso é muito preocupante,

pois os sinistros em patrimônios são muito comuns no setor de PME e,

em geral, compreendem incêndios

causados pelos mais diversos motivos.

“Não raramente esses incidentes

também causam prejuízos

a terceiros, agravando o problema.

Se houver óbitos, as perdas são

geralmente severas. Nesse caso,

provavelmente a justiça determinará

uma indenização equivalente

à renda que as vítimas deixaram

de obter, caso permanecessem

vivas, o que pode significar o

encerramento das atividades da

organização”, comenta.

• naplicativo

Corretores medem apetite de risco dos

segurados

A Zurich apresentou aos profissionais brasileiros o aplicativo

Risk Appetite. Disponível para smartphones e tablets iOS e Android,

o app traz um quadro completo dos produtos, serviços, coberturas,

capacidade e expertise para riscos envolvendo os seguros de linhas

empresariais da seguradora e algumas outras funcionalidades.

“O Risk Appetite serve como um guia para nossos corretores e

parceiros de distribuição com uma visão geral sobre nossas ofertas

de produtos e serviços em todo

o mundo e uma ampla indicação

dos tipos de riscos que

somos capazes de subscrever.

É uma maneira rápida e fácil

de acessar os nossos recursos,

otimizando a composição de

propostas”, afirma Daniela

Reia, diretora Comercial P&C

da Zurich no Brasil.

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• nmarketing

Cid Moreira chama a atenção do público sobre proteção e seguro

A Bradesco Seguros lançou uma campanha de

marketing que traz a voz mais conhecida da TV brasileira.

Com o lendário locutor Cid Moreira, um tom

bem-humorado sobre os grandes momentos da vida

das pessoas e o bordão “Você sabe o que isso quer

dizer?”, a campanha – veiculada na TV aberta, meios

digitais, rádio e mídia exterior – identifica episódios

cotidianos que despertam a necessidade de se fazer

um seguro de forma preventiva, pensando no presente

e no futuro, além da simplicidade da contratação.

Além de um bordão marcante, outro desafio

foi criar uma campanha com alto potencial de engajamento.

“Apostamos em uma linguagem leve e

bem-humorada e em uma voz reconhecida, por ser

uma das mais marcantes da televisão brasileira”,

conta o diretor de Marketing do Grupo Bradesco

Seguros, Alexandre Nogueira. “Cid Moreira também

conversa com a marca por sua credibilidade,

memória afetiva e longevidade. É como alguém da

família”, acrescenta.

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painel

• nvoluntariado

Dia da Cidadania oferece exames e

atendimento médico

no Rio de Janeiro

A SulAmérica realizou em 10 de novembro o Dia da Cidadania.

A praça da estação do metrô Estácio, no bairro da Cidade

Nova, onde está localizada a matriz da seguradora no Rio de

Janeiro, foi o palco das atrações do dia, que incluíram serviços

gratuitos de saúde, cultura e lazer. A ação contou com o apoio de

aproximadamente 30 parceiros, incluindo prestadores médicos

da rede referenciada e fornecedores da companhia, organizações

sociais locais, órgãos públicos e funcionários voluntários da

companhia.

“O acesso à saúde e ao bem-estar norteia nossa estratégia de

responsabilidade social e temos uma enorme satisfação em promover

esta iniciativa.

Desde a primeira edição

do Dia Da Cidadania,

vemos o número de participantes

crescer, percebendo

a importância

dos atendimentos para

a população que vive no

entorno de nossa sede”,

declarou Patrícia Coimbra,

diretora de Capital

Humano e Sustentabilidade

da seguradora.

• nproduto

Seguro para moto de baixa

cilindrada é relançado

De janeiro a setembro, as

fabricantes de motocicletas

tiveram um aumento na produção

de 19,2% e de 17,8%

nas vendas diárias, comparado

ao mesmo período de

2017, segundo a Associação

Brasileira dos Fabricantes de

Motocicletas, Ciclomotores,

Motonetas, Bicicletas e Similares

(Abraciclo).

Visando atender a crescente demanda no setor, o Porto

Seguro Moto foi relançado e passa a oferecer duas novas

opções de seguros para motos de baixa e de alta cilindrada.

“Mesmo com o crescimento do mercado de motocicletas,

muitas pessoas ainda não possuem seguros para

suas motos. A ideia é personalizar o produto e torná-lo

mais atrativo”, afirma Jaime Soares, diretor do Porto

Seguro Auto.

O produto, que até o momento era único, agora será

dividido em duas categorias: uma que abrange motos de 50

até 300 cilindradas (para quem usa a moto como meio de

locomoção diária, para ir e voltar do trabalho, por exemplo),

e outra que contempla motos a partir de 301 cilindradas

(para quem utiliza a moto para lazer e percorre viagens de

longa duração).

• nplanejamento

Rede de corretores realiza reunião de alinhamento

estratégico para 2019

A Rede Lojacorr recebeu cerca de 100

profissionais da rede para a reunião de alinhamento

estratégico das Unidades para 2019,

que aconteceu nos dias 27 e 28 de novembro.

Foram dois dias de intensos debates entre

diretores executivos, gestores das sedes administrativa

e comercial, diretores regionais,

e responsáveis pelas Unidades, compartilhando

experiências e melhores práticas.

Na abertura do encontro, o presidente da

Rede Lojacorr, Diogo Arndt Silva, destacou a

importância de uma reunião com todos os

líderes e como a união e compartilhamento

podem ajudar no desenvolvimento da rede.

“Temos como propósito ajudar os brasileiros

a se protegerem mais e melhor”, enfatizou.

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GENTE

De saída

O executivo Marco

Antonio Gonçalves comunicou

oficialmente o seu

afastamento da Bradesco

Seguros. Inicialmente, Gonçalves

deve dedicar-se a

projetos pessoais. No futuro,

o profissional pretende

contribuir com a evolução

do setor no Brasil, atuando

em iniciativas relacionadas

a canais de distribuição e corretores de seguros. Há anos

à frente da Diretoria Geral da Organização de Vendas da

Bradesco Seguros, Marco Antonio deixa um legado de

muito aprendizado e sai da seguradora com um profundo

sentimento de gratidão.

Planejamento Comercial

A SulAmérica anunciou a

chegada de Marcelo Mascaretti

para o cargo de diretor

de Planejamento Comercial.

O executivo liderará projetos

e iniciativas relacionadas à

distribuição comercial da companhia.

Com mais de 20 anos

de experiência profissional,

Mascaretti já liderou as áreas

comercial, financeira, desenvolvimento

de negócios e produtos

e planejamento estratégico, tanto no Brasil quanto no exterior.

Novo Diretor Técnico de

Seguros

Thiago Henrique Soares

assume a Diretoria Técnica de

Seguros da Previsul Seguradora.

O executivo será responsável

por implantar uma agenda técnica

na companhia, alinhada

com as demais diretorias. Com

isso, a empresa atenderá o Canal

Corretor com um viés mais

técnico, avaliando riscos e auxiliando

o profissional a tornar

a sua carteira mais saudável.

Superintendente

de Planejamento e

Administração

A Brasilprev anunciou

Vicente Montt Blanchard

como superintendente de Planejamento

e Administração.

Desde 2013, Blanchard atua

na Cuprum AFP, empresa

da americana Principal (que

é acionista da Brasilprev juntamente

com a BB Seguros),

onde respondeu por projetos

financeiros em conjunto com

as equipes da companhia no

Chile, Estados Unidos, México e Brasil.

Gerente para o Sul

Leandro Medeiros é

o novo gerente comercial

da Metlife para Curitiba,

Londrina, Blumenau e Joinville,

nos estados do Paraná

e Santa Catarina. Executivo

responderá diretamente a

João Levandowski, diretor

responsável pela região Sul

do país. Medeiros tem como

objetivo incrementar os resultados

da companhia na

região e atrair novas parcerias comerciais para produtos

individuais e para o mercado de PME.

Executivo para projetos de

infraestrutura de TI

Paulo Cesar Parcesepe é o novo superintendente de

Infraestrutura de Tecnologia

da Informação (TI) da Sompo

Seguros. Executivo, que

conta com quase 40 anos

de experiência na área de

serviços de TI para o setor

financeiro, chega para contribuir

na gestão de projetos que

integram os investimentos da

companhia em incremento

das soluções de tecnologia e

transformação digital.

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capa | status consultoria

Foco no objetivo

de longo prazo

Eduardo Stanzinny

e Selma Brittes

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A Status Consultoria quer ser a maior corretora

de seguros de acidentes pessoais do Brasil, nos

próximos anos. Empresa nasceu para suprir as

demandas dos clientes que já adquiriam crédito

consignado e para todos que necessitam de

qualquer produto de seguros

Ser o maior vendedor de seguros

de acidentes pessoais em diversas

seguradoras não é uma

tarefa das mais fáceis. Além da

produção em si, conta também a qualidade

da carteira, a assertividade nas vendas

e permanência do cliente na seguradora.

Estes são os diferenciais da empresa.

Pensando sempre neste objetivo, a

Status Consultoria conseguiu amealhar

mais de 500 mil clientes na carteira de seguros

de vida e acidentes pessoais individuais.

O seu olhar sempre foi direcionado

para as necessidades do mercado e foi a

partir daí que a corretora passou a crescer

exponencialmente. O crescimento é fruto

de uma observação crítica e analítica por

parte da empresa, adequando os produtos

a cada cliente de forma customizada.

Esta é uma preparação para os projetos

que estão por vir, de produtos de seguros

corporativos e empresariais.

No princípio, a Status Consultoria

era uma empresa que realizava operações

de empréstimo consignado. Porém, seu

fundador e atual presidente, Eduardo

Stanzinny, identificou a necessidade das

pessoas de adquirirem também um produto

complementar, que lhes oferecesse

a segurança de que teriam recursos para

cumprir o acordo previamente realizado.

“As pessoas passaram a ter consciência

de que ter um seguro nos dias atuais é

de extrema importância. Também mostramos

a elas que um produto de seguro

pode trazer tranquilidade, proteção,

segurança financeira, comodidade e

satisfação”, pondera.

A distribuição dos produtos da corretora

é realizada em todo o território

nacional. A matriz está localizada em

Nova Iguaçu e há filiais em todo o estado

do Rio de Janeiro e nas cidades de São

Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília,

Curitiba, Fortaleza e Vitória. Estes

locais são a porta de entrada para a produção

da Status. Neles, os parceiros são

atendidos de maneira personalizada, para

a primeira verificação das novas propostas

de contratos e acompanhamento dos negócios

em andamento. A empresa utiliza

vários recursos para realizar vendas com

sistemas de gravações e vendas diretas

presenciais. Além disso, aplica tecnologia

e inovação para utilizar sistemas digitais.

“Isso amplia nossa forma de agregar mais

valores para alavancar a quantidade de

clientes”, comemora Stanzinny.

A missão da empresa é ter parceiros

sólidos, que apresentem soluções

personalizadas e diferenciadas para

cada cliente. “Aos nossos colaboradores

oferecemos as melhores condições de

trabalho, para que cada vez mais eles

possam realizar seus sonhos e tenham

acesso às novas oportunidades de desenvolvimento

pessoal e profissional”,

destaca Stanzinny.

O começo de tudo

Para contribuir com a evolução da

sociedade, a Status oferece produtos de

qualidade, a partir do empréstimo consignado,

mas não necessariamente. Atualmente,

a empresa fornece produtos em

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status consultoria

parceria com mais de dez seguradoras,

destacando as principais como: Sabemi,

Previsul, Chubb e Zurich.

Além desse trabalho realizado com

tanta precisão, o grupo Status disponibiliza

outros produtos e serviços, tais

como; gestão em cobrança, gestão em

RH, ramo da alimentação, moda, beleza,

lojas de colchões, joalherias, patrocinador

de times de futebol entre outras

atividades. O grupo vem crescendo cada

vez mais e se aperfeiçoando em várias

atividades diferenciadas. Não existem

limites para os pensamentos e criatividade

nos investimentos atuais e futuros.

A ideia do Grupo partiu de Eduardo

Stanzinny, um ex-camelô que já fez de

tudo antes de chegar ao mercado de seguros.

Após vender produtos na rua, ele se

interessou pelo setor de moda. Decidiu,

então, estudar fora do País, em Londres.

Em seu retorno ao Brasil, trabalhou para

algumas marcas famosas, mas ainda se

sentia inquieto.

Foi então que conheceu alguém muito

importante, que hoje é mãe de seus três

filhos, Ana Paula Sousa. Ela o apresentou

ao mundo dos empréstimos consignados.

Vendo isso como uma oportunidade, ele

não pensou duas vezes e logo, com o

apoio da mais importante pessoa em sua

vida, sua mãe Selma Brittes, atual vice-

-presidente da Status, abraçou a causa e

investiu para dar inicio ao seu primeiro

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negócio, que surgiu há nove anos e evoluiu

para o mercado de seguros.

Stanzinny ressalta os valores que

envolvem a atuação do Grupo Status.

“Somos uma empresa familiar, em todos

os seus níveis. Este espírito nós gostamos

de transmitir também aos nossos colaboradores,

para que eles sintam e conduzam

seus negócios como em uma família, que

enfrenta os desafios de forma conjunta

e que comunga da alegria e do afeto das

suas conquistas”. Na essência, a Status é

uma empresa familiar, gerida por membros

ligados ao seu presidente.

O grupo Status prioriza todos os

seus produtos e negócios e está inovando

mais uma vez, desenvolvendo seu próprio

seguro, o Status Assist.

Status Assist

Além dos produtos de seguros, a corretora

já oferece também o seu produto

próprio de assistência, todos ligados aos

seguros de acidentes pessoais.

Ao adquirir o seguro é possível acoplar

a Assistência Funeral Individual ou

Familiar (para cônjuges e filhos). No caso

de morte do associado ou de algum beneficiário

coberto, o serviço faz o translado

do corpo, funeral, sepultamento e

a transmissão de mensagens urgentes.

O produto também disponibiliza alguns

benefícios extras, como convênios

de descontos, clube de férias, desconto

em medicamentos, clube de odontologia,

sorteios mensais em dinheiro, entre outros.

Desta forma o segurado/cliente tem

mais opções de benefícios para desfrutar

de sua adesão ao plano.

A jornada do cliente na empresa

é caracterizada pelo atendimento personalizado,

realizado por uma equipe

especializada e pronta para atender o

segurado de maneira que ele se sinta

realmente interagindo com o produto

adquirido. Ao identificar o perfil de cada

cliente é possível analisar suas necessidades.

Mas para manter este cliente satisfeito

é preciso investir nos pontos que o

atraem, como a credibilidade de que está

adquirindo o produto certo. “Assim, ele

tem tranquilidade no caso da ocorrência

de sinistros, excelente custo-benefício

e comodidade, o que se traduz na sua

satisfação”, explica Stanzinny.

Como será o amanhã?

Com as perspectivas de melhora na

economia, a maioria das empresas já

sente um viés positivo para o próximo

ano. Se no período de maior fragilidade

econômica a Status conseguiu bons

resultados, seus executivos estimam um

crescimento grandioso com a recuperação

econômica. Até aqui a Status surfou

na onda contrária à crise.

O Grupo Status, atualmente, é uma

das maiores empresas de produção de


crédito consignado no Brasil. “Por isso,

temos um projeto de nos tornarmos uma

instituição financeira no futuro, capaz

de oferecer também crédito pessoal,

crédito consignado, cartões de créditos

entre outros produtos financeiros”, prevê

Stanzinny.

Para isso, a estrutura da empresa

também será ampliada. Hoje, 200 colaboradores

trabalham na matriz em Nova

Iguaçu/RJ e existem ainda outros 100

colaboradores espalhados Brasil afora.

Para realizar o atendimento ao cliente,

existe uma equipe de especialistas no esclarecimento

de dúvidas do pós-vendas.

Estes especialistas recebem treinamento

de uma equipe dedicada a identificar

as demandas do atendimento ao

cliente, além de ministrar cursos também

sobre mudanças de produtos ou para

agregar novas coberturas aos produtos

existentes. A Status possui também uma

equipe especializada e certificada em perito

de documentoscopia e grafotécnico

“Nós crescemos muito

nos últimos anos.

Com a mudança de

Governo no início

do ano, certamente

haverá mais

investimentos e maior

número de empregos,

o que é muito positivo

para o setor de

seguros como

um todo”

para análise de documentos.

Na rua, a Status conta com equipes de

campo que, entre outras coisas, também

observam as movimentações do mercado.

“Buscamos oferecer sempre as melhores

condições com os melhores preços”,

analisa Stanzinny. Com condições tão

favoráveis, é natural que os corretores de

seguros busquem na Status um parceiro.

Hoje, 4 mil corretores já comercializam

os produtos da empresa, mas há perspectivas

para que este número dobre nos

próximos meses.

Stanzinny confessa que a sua expectativa

para 2019, apesar de toda a

crise enfrentada pelo Brasil, é a melhor

possível. “Nós crescemos muito nos últimos

anos. Com a mudança de Governo

no início do ano, certamente haverá mais

investimentos e maior número de empregos,

o que é muito positivo para o setor

de seguros como um todo”.

Uma das ferramentas aplicadas para

esta expansão será o marketing. A Status

marca presença em várias frentes, como

as mídias sociais, por exemplo, para

ampliar a sua visibilidade. Tornando-se

conhecida pelo público a empresa abre

portas para que os vendedores possam

oferecer seus produtos. “É uma estratégia

conservadora que ainda apresenta bons

resultados”, enfatiza Stanzinny.

17


perspectivas | previdência

Virando a página

18


Depois de levar o título de ovelha negra do

mercado de seguros neste ano, o segmento

de previdência privada guarda perspectivas um

pouco mais favoráveis para 2019. A isenção de

taxas em meio ao acirramento da concorrência e

a tão aguardada reforma da aposentadoria oficial,

caso seja implementada, podem servir de motor

para o desempenho do setor no próximo ano

Manuela Almeida

O

telefone toca às 19 horas.

Ninguém mais está na seguradora

para atender. Normal.

Em locais administrativos,

geralmente, o turno termina às 18 horas.

O diretor regional da Icatu Seguros em

Minas Gerais, Sergio Prates, puxa a ligação.

Do outro lado da linha, uma pessoa

de 30 anos quer informações sobre como

adquirir uma previdência privada. Em

duas décadas de experiência no setor,

Prates jamais avistara uma situação semelhante.

“Sempre tivemos de provocar

as pessoas para o tema. Hoje, já vemos o

interesse vir dos próprios consumidores”,

diz o especialista no tema.

A narrativa sintetiza a tremenda

oportunidade que o segmento tem pela

frente. Seja para complementar a aposentadoria

oficial ou para garantir a manutenção

do padrão de vida no futuro, a previdência

privada ainda tem muito espaço

para crescer no Brasil a despeito de não

ter tido um bom ano em termos de vendas.

São apenas 13 milhões de indivíduos

que possuem um plano privado no País,

de acordo com a Federação Nacional de

Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).

Esse contingente representa pouco mais

de 6% da população brasileira. Não bastassem

os ventos contrários da economia

brasileira, que demora a retomar um

desempenho mais vigoroso, elevar essa

proporção ficou ainda mais desafiador

este ano em meio ao patamar da Selic,

taxa básica de juros da economia, na

comparação com 2017. A diferença pesou

na rentabilidade dos fundos, que também

foi afetada pela volatilidade gerada em

torno das incertezas eleitorais, afastando

novos investidores. Como consequência,

o segmento de previdência privada

amarga queda de quase 36% na captação

líquida de recursos (diferença de entradas

e saídas) no acumulado de janeiro

a outubro, totalizando R$ 28,5 bilhões

em relação a idêntico intervalo do ano

passado, conforme dados mais recentes

divulgados pela FenaPrevi. A redução

do segmento fez não só gigantes do setor

como Bradesco e BB Seguridade, que

controla a Brasilprev, líder do segmento,

revisarem suas projeções de desempenho

para o ano de 2018 bem como também

forçou o mercado de seguros a rever seus

números para este exercício.

A boa notícia fica, contudo, do lado

das reservas. De janeiro a outubro, o saldo

dos planos de previdência privada aberta

totalizou R$ 817,4 bilhões, uma expansão

de 10,3%, segundo a FenaPrevi. A trajetória

de crescimento reforça a importância

do segmento, mas o montante ainda é

baixo em relação à sua participação no

Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Considerando apenas os planos abertos,

as reservas técnicas previdenciárias equivalem

hoje a 12% da atividade do País. A

baixa penetração, de acordo com o presidente

da FenaPrevi, Edson Franco, reforça

o potencial de expansão para o segmento.

Tanto é que para 2019 ele aposta em um

bom desempenho para o setor, visto que

este mercado ainda é “jovem e está em

fase de acumulação”. “Recente pesquisa

feita pelo Ipsos a pedido da FenaPrevi

mostra que hoje 60% dos brasileiros

acham necessário ter um plano de previdência

complementar para se preparar

para a aposentadoria”, enfatiza Franco.

19


previdência

Entre os executivos do segmento já há

um maior otimismo em relação ao próprio

quarto trimestre deste ano, período tradicionalmente

mais forte para o setor por

conta das declarações anuais do imposto

de renda. O diretor de Gestão Corporativa

e Relações com Investidores da BB

Seguridade, Werner Romera Süffert, diz

que a companhia espera que a Brasilprev,

que tem o Principal Financial Group como

acionista, tenha um trimestre “muito mais

agressivo”, dando sequência ao desempenho

visto nos três meses anteriores, que

já representaram o melhor período em

contribuição bruta no ano.

O potencial do mercado de previdência

é tamanho que atrai, inclusive,

players novos para o segmento. No início

de dezembro, a Marisa, tradicional marca

feminina de moda e lingerie do País,

reforçou a parceria com a Icatu Seguros

e anunciou o lançamento do seu próprio

produto de previdência privada. Trata-se

da primeira varejista a comercializar

um plano para pessoas físicas e que será

voltado exclusivamente para os clientes

que têm o cartão da loja, com apetite

de aportes mensais entre R$ 70,00 e

R$ 100,00. Embora em sua maioria o

interesse das varejistas no tocante a produtos

financeiros esteja, principalmente,

calcado nos ganhos gerados como uma

alternativa para a diversificação de receitas,

o ingresso de novos entrantes no

mercado de previdência privada reforça

o espaço de crescimento do setor no País.

Tanto é que nos últimos anos a quantidade

de players se multiplicou. Seja por

iniciativas digitais ou no tradicional

boca a boca, nomes como a corretora

de investimentos XP, que estrutura uma

seguradora do zero com foco inicial no

segmento de previdência privada, e o

banco de investimentos BTG Pactual

passaram a investir mais pesadamente

no segmento, aquecendo a concorrência

entre os grupos consolidados.

A reforma

Apesar do potencial do setor de

previdência privada no País, em seu

cenário de perspectivas, a agência de

classificação de risco Fitch Ratings não

acredita na possibilidade de o segmento

retornar à média histórica de crescimento

20

❙❙

Sergio Prates, da Icatu Seguros

no próximo ano. Projeta para o próximo

exercício alta ainda modesta dos planos

Vida Gerador de Benefícios Livres

(VGBLs), para quem declara o imposto

de renda (IR) no modelo simplificado,

e Plano Gerador de Benefícios Livres

(PGBLs), voltado aos que fazem o IR

completo, que compõem mais de um

terço dos prêmios. Como justificativa, a

classificadora cita justamente o fato de o

mercado, historicamente, ter relação positiva

com a taxa de juros, que não deve

mudar significativamente em 2019. Estacionada

em 6,5% ao ano, a Selic deve ter

leve alta no próximo exercício, chegando

a 7,75% ao ano, conforme expectativas

do mercado financeiro.

A favor do segmento de previdência

❙❙Edson Franco, da FenaPrevi

privada no Brasil e, principalmente,

das forças de vendas do produto está

o aquecimento do debate em torno da

reforma da Previdência Social no governo

do presidente eleito Jair Bolsonaro

(PSL). Tida como medida essencial para

equalizar a situação fiscal do País, há a

expectativa no mercado financeiro – ou

ao menos a torcida – de que algum ajuste

avance no próximo exercício. A expectativa

prevalece a despeito de o filho do

presidente eleito, Eduardo Bolsonaro,

ter afirmado a investidores estrangeiros

que o governo “talvez não consiga” votos

no Congresso para aprovar a reforma

da Previdência. Imediatamente seu pai

minimizou a fala e disse que o filho pode

ter se equivocado ao falar sobre o tema.

Reafirmou, inclusive, o compromisso de

enviar alguma proposta de reforma da

Previdência. A ideia de Bolsonaro, até

aqui, é uma proposta fatiada e gradual,

aproveitando trechos das sugestões feitas

pelo governo Michel Temer e que já

estão na Câmara. A definição de uma

idade mínima para aposentadoria, com

diferença para homens e mulheres, tende

a ser o primeiro tema trabalhado pela

equipe de Bolsonaro.

As falas quase que diárias do presidente

eleito têm conseguido manter a

expectativa do mercado financeiro em

torno da implementação da reforma da

Previdência já no próximo ano. Para a

iniciativa privada, o reaquecimento do

debate é visto como um potencial chamariz

de novos investidores no médio e

longo prazos. “Não há dúvida de que esse

ambiente deixa as pessoas mais sensíveis

para discutir o assunto, mas não há um

reflexo tão imediato em termos de aumento

da carteira de previdência”, avalia o

gerente de Gestão da Bradesco Vida e Previdência,

Daniel Crispim, acrescentando

que no médio e longo prazos a reforma da

Previdência sensibilizará tanto empresas

quanto pessoas físicas para o tema.

Diante da importância que o ajuste

na aposentadoria oficial tem para o País

e para o mercado de seguros, a iniciativa

privada preparou uma proposta alternativa

para o futuro governo. Capitaneado

pela Fundação Instituto de Pesquisas

Econômicas da USP (FIPE-USP), o estudo

propõe uma mudança baseada no


21


previdência

❙❙Werner Süffert, da BB Seguridade

projeto atual da reforma da Previdência

e outra paralela com base em quatro

pilares que visam a aprimorar o modelo

atual. “Nossa proposta tem uma ênfase

na preocupação social. O objetivo desse

modelo é atender prioritariamente a base

da pirâmide social. O INSS tem um teto

de R$ 5,6 mil ao passo que a renda média

do brasileiro é de R$ 2,2 mil. Em nenhum

país do mundo é assim. O teto tem de ser

uma fração da renda média ou, no máximo,

a renda média”, explica o professor

da Fipe, Hélio Zylberstajn, responsável

pela proposta da FenaPrevi ao governo,

em entrevista à Apólice.

De acordo com ele, ajustar essa

diferença com uma proposta menos

ambiciosa é o primeiro passo a ser dado

❙❙Hélio Zylberstajn, da Fipe

22

para ajustar a aposentadoria oficial e,

de quebra, estimular a formalização do

trabalho e a geração de empregos. As

sugestões da FenaPrevi para a reforma

da Previdência, acrescenta o professor,

incluem ainda um tratamento igualitário

a todos os contribuintes, independente

de funcionalismo público, privado ou

militares, e mudanças para os novos contribuintes.

Na mira, estão trabalhadores

que nunca contribuíram com o sistema

oficial , começando no ano de 2020, com

idade em torno dos 25 anos. A FenaPrevi

defende ainda que contribuintes do modelo

atual também possam migrar para o

novo sistema além de uma reforma paramétrica

que faça um ajuste mais gradual

e suave. A idade mínima defendida na

proposta da iniciativa privada, conforme

Zylberstajn, é entre 57 anos e 58 anos,

com aumento de um ano a cada dois

exercícios. “Em 30 anos, todos estarão se

aposentando com no mínimo 65 anos”,

calcula o professor da Fipe.

Vilões do bem

Enquanto a reforma da Previdência

não proporciona benefícios mais

concretos para o setor privado como,

por exemplo, o aumento das vendas, a

queda dos juros básicos, que diminui a

rentabilidade dos fundos, e o baixo ritmo

econômico têm impulsionado a concorrência

no segmento. Um efeito evidente

foi a isenção de taxas de carregamento

tanto no ingresso dos investidores nos

planos bem como na saída. Movimento

puxado, principalmente, pelas seguradoras

independentes, ganhou escala este

ano com a adesão de grandes bancos de

varejo. Numa outra frente, o mercado

também tem apostado na diversificação

de produtos a partir de portfólios mais

atrativos para os investidores. Crispim,

da Bradesco, classifica o cenário atual

como a “quarta onda” no setor de previdência

privada, caracterizada pela

busca dos clientes por performance e

diversificação. “Isso exige uma gestão

mais dinâmica e criativa, em especial por

conta do cenário de redução acentuada

das taxas básicas de juros”, admite o

especialista.

Ele relembra que, desde que foi

implantado no Brasil, o segmento de

Proposta privada

A proposta de reforma da Previdência

proposta pela FenaPrevi, em

parceria com a Fipe, está calcada em

quatro pilares:

❱❱

Primeiro: visa a cobrir a renda básica

da população idosa no valor de R$

550,00;

❱❱

Segundo: básico e universal, sugere

alteral o teto da Previdência Oficial

de R$ 5,6 mil para R$ 1,650 mil para

todos;

❱❱

Terceiro: Fundo de Garantia do

Tempo de Serviço (FGTS) passa a ter

dupla função:seguro desemprego

e aposentadoria complementar capitalizada

para novos entrantes. As

contas terão de ser vinculadas ao CPF

do contribuinte e não mais ao emprego.

Para quem ganha até R$ 2,2

mil, nada muda. Trabalhadores com

salários superiores terão de contratar

um plano na iniciativa privada com

no mínimo 30% dos aportes mensais.

❱❱

Quarto: Cada um por si. Previdência

privada nos moldes atuais, incluindo

os sistemas abertos e também os

fechados.

previdência privada viveu quatro ciclos

bem definidos: o início da indústria, no

final dos anos 70, começo dos 80; criação

dos planos PGBL e VGBL, com tratamento

tributário diferenciado, nos anos

90; implantação do regime tributário

regressivo, nos anos 2000, e, por fim,

a procura dos investidores por desempenho

e diversificação nos dias atuais.

Segundo Franco, da FenaPrevi, com

a queda da taxa de juros ocorreu um

movimento maior de diversificação de

investidores em busca de retorno maior.

Já é possível, inclusive, conforme ele,

perceber o início de uma migração para

ativos mais arriscados. Até 2016, apenas

5,7% dos ativos estavam alocados em

fundos multimercado. Este ano, no mês

de setembro, esse porcentual era de 9,8%.

“Com o cenário de juros baixos o participante

está se deslocando para fundos de

maior risco que oferecem potencialmente

retorno melhor no médio e longo prazos”,

conclui o presidente da FenaPrevi.


23


especial perspectivas nichos | rc economia profissional

Subindo a rampa

Reformas e retomada de

investimentos injetam otimismo

em seguradoras e corretores

de que o próximo ano será de

crescimento mais parrudo para

o segmento. Apesar do olhar

otimista de executivos para 2019, a

ressalva permanece: a economia

brasileira tem de ajudar

Manuela Almeida

Após ter seu desempenho impactado pela previdência

privada ao longo deste ano, o mercado

de seguros credita a 2019 a definitiva volta ao

crescimento de dois dígitos. Se não for possível

cravar tal expansão, a expectativa do segmento é de, ao

menos, se aproximar deste patamar, que no passado era

quase que uma regra em termos de desempenho para o

setor. Debruçados na confecção de orçamentos para o

próximo exercício, seguradoras e corretores se dizem

mais otimistas com o ano que se avizinha após exercícios

consecutivos de projeções frustradas para a economia brasileira.

Sustenta o olhar de executivos ouvidos por Apólice

a expectativa de retomada dos investimentos por parte do

setor corporativo e as tão prometidas reformas no governo

do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). A continuidade

de um maior fôlego de consumo por parte das pessoas

24


físicas, que têm garantido ritmo à economia

brasileira juntamente com o setor

de agronegócios, também faz com que o

mercado de seguros brasileiro trabalhe

com um horizonte mais promissor para

o próximo exercício. Somadas, essas

vertentes tendem a permitir que a economia

brasileira definitivamente decole,

rumo a taxas de crescimento maiores. As

projeções de expansão para o Produto Interno

Bruto (PIB) do País indicam alta de

2,53% em 2019, conforme levantamento

com mais de 100 instituições financeiras

compilado no conhecido relatório Focus,

do Banco Central, na primeira semana de

dezembro. A projeção, se concretizada,

representará uma aceleração quando

comparada com a perspectiva para o

ano vigente, de avanço de 1,32%. Os

mais otimistas apostam em crescimento

acima dos 3% no próximo exercício. A

ressalva, contudo, é que as reformas

econômicas que estão em banho maria

precisam ser implementadas no governo

de Bolsonaro. Estão nessa lista os ajustes

na Previdência Oficial e também no que

tange à arquitetura tributária do País. O

presidente de uma gigante global no País

diz que o mercado de seguros local tem

“boa chance” de emplacar dois dígitos de

crescimento em 2019. “Se passar alguma

reforma de Previdência aí (o desempenho

do mercado brasileiro de seguros) explode”,

prevê ele, na condição de anonimato.

Estruturalmente, sem as reformas

econômicas necessárias, o PIB brasileiro

corre sérios riscos de seguir com taxas

de crescimento “medíocres”. De acordo

com cenários calculados pelo Instituto

de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),

o País caminharia para uma taxa média

de expansão de 0,5% ao ano entre os

exercícios de 2020 a 2031. Com as reformas,

a taxa média de crescimento,

contudo, subiria a 2,2% ao ano. Por ora,

o que tem se visto é um ritmo de avanço

calcado em uma economia recém-saída

de uma de suas crises mais graves – a

segunda maior da história brasileira

após as revisões estatísticas calculadas

pelo Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística (IBGE) – e, portanto, com

uma base de comparação extremamente

fraca. No terceiro trimestre, o PIB brasileiro,

divulgado no final de novembro,

cresceu 0,8% ante o segundo e 1,3% no

comparativo anual. Trata-se do sétimo

trimestre consecutivo de expansão na

economia brasileira.

O mercado de seguros deve crescer

mais que o PIB local neste ano, mas seu

desempenho foi impactado pelo segmento

de previdência privada e impactado

pelo ambiente de volatilidade de ativos

concorrentes. De janeiro a setembro, o

segmento – sem considerar saúde – encolheu

0,9% ante o mesmo período do

ano passado, totalizando cerca de R$

179 billhões em faturamento, conforme

números da Superintendência de Seguros

Privados (Susep), compilados pela

Confederação Nacional das Seguradoras

(CNseg). Sem considerar o seguro

obrigatório (DPVAT), que teve sua tarifa

reduzida, o decréscimo do mercado vai

a 0,2% no acumulado do ano, o que o

segmento encara como um “um estado

de estabilidade” em termos nominais. A

CNseg, que tem chamado atenção para o

desempenho recortado de cada modalidade

ao invés de o tradicional olhar geral

para o setor de seguros, espera, contudo,

que essa rota mude ainda neste ano, com

crescimento de 3,3% em relação a 2017.

Na melhor das hipóteses, a entidade projeta

incremento de 5,2% no faturamento

das seguradoras neste ano. Para o próximo

exercício, as projeções – ao menos até

aqui – indicam um desempenho ainda

mais favorável do mercado de seguros,

podendo, considerando um cenário

otimista previsto pela CNseg, dobrar o

ritmo de expansão visto ao longo deste

exercício. “O desempenho do mercado de

seguros é consequência do ritmo da economia

brasileira. A correlação é direta.

Com mais pessoas empregadas, o setor

de saúde privada voltando, o resultado

do mercado de seguros deve encostar

nos dois dígitos de crescimento”, avalia o

presidente da corretora de seguros MDS

Brasil, Ariel Couto. A partir de uma postura

“mais otimisma” com 2019, o executivo

destaca ainda que há uma influência

grande das eleições presidenciais no País,

uma vez que o discurso da nova gestão

está centralizado na redução do Estado

e privatização de ativos estatais, o que

❙❙Ariel Couto, da MDS Brasil

25


economia

“As transformações

provocadas por novas

tecnologias e a demora

na retomada do

crescimento econômico

foram obstáculos que

exigiram muito trabalho

e dedicação. Creio

que os corretores de

seguros terminam 2018

mais fortes do que

iniciaram”

Armando Vergílio, da Fenacor

também deve abrir oportunidades para

seguradoras e corretores. Tanto é que,

além do claro impulso que deve continuar

vindo das pessoas físicas, do segmento de

agronegócios e de produtos atrelados ao

mercado de crédito como prestamista e

habitacional, seguradoras e corretores

veem como nichos promissores em 2019

justamente aqueles que têm relação com

o setor de infraestrutura e também a

leilões e concessões. Isso porque ainda

que a retomada dos investimentos leve

um tempo a proporcionar mais negócios

em seguros, o mercado já espera reflexos

positivos em 2019.

O presidente da Federação Nacional

dos Corretores (Fenacor), Armando Vergílio,

vê amplo espaço para o mercado de

seguros ocupar na economia visto que

o segmento andou de lado nos últimos

anos. “O mercado de seguros tem papel

26

relevante a cumprir nesse processo de

retomada de crescimento da economia

brasileira, oferecendo a indispensável

gama de produtos e serviços que protejam

os negócios e das pessoas, além

de atuar efetivamente como expressivo

investidor institucional, inclusive com o

financiamento de grandes projetos públicos

ou privados”, avalia ele. Do lado da

regulação, Vergílio defende a continuidade

do trabalho que vem sendo feito pela

Susep, com foco na economia, no intuito

de estimular negócios e o desenvolvimento

do mercado de seguros. Segundo

ele, 2018 foi um ano de “transição” para

os corretores de seguros, que sofreram

naturalmente as consequências do ritmo

lento de recuperação da economia. “As

transformações provocadas por novas

tecnologias e a demora na retomada

do crescimento econômico foram obstáculos

que exigiram muito trabalho e

dedicação. Creio que os corretores de

seguros terminam 2018 mais fortes do

que iniciaram”, diz o presidente da Fenacor,

acrescentando que os corretores

estão prontos para seguir em frente, com

“justificado otimismo”.

Estável

Ainda que por enquanto a economia

não esteja uma maravilha, alguns frutos

já começam a ser colhidos pelo setor de

seguros, quer seja no desempenho de

algumas carteiras ou na visão do mercado

financeiro. Depois de melhorar a

perspectiva de rating do segmento este

ano de negativa para estável, a agência

Fitch Ratings manteve a recomendação

para 2019. Na visão da classificadora,

o ano que vem será um pouco “menos

desafiador” para o setor de seguros

em meio à perspectiva de recuperação

do crescimento dos prêmios e também

por conta da redução das incertezas

políticas após as eleições presidenciais

no País. Além disso, a Fitch acredita na

manutenção dos atualmente favoráveis

indicadores de crédito das seguradoras

para o próximo exercício. A revisão e

manutenção da perspectiva de rating

“estável” para o mercado brasileiro de

seguros ocorre após a classificadora ter

mantido recomendação negativa para o

segmento por três anos consecutivos. A

❙❙

Esin Celasun, da Fitch Ratings

Fitch, contudo, se mantém cautelosa no

campo das expectativas. A agência prevê

modesta recuperação do crescimento dos

prêmios em 2019, mas ainda abaixo dos

5%, em decorrência da sua previsão de

crescimento do PIB brasileiro de 2,3%

em 2019 ante expectativa de alta de

1,3% neste ano. Ressalta que o crescimento

dos prêmios no setor brasileiro

de seguros depende consideravelmente

do cenário macroeconômico. Alerta

ainda para o fato de os juros baixos,

que pressionam a receita financeira das

seguradoras, ainda serem um desafio no

próximo exercício. Para o próximo ano, o

mercado financeiro, conforme o boletim

Focus, do BC, projeta aumento da taxa

básica da economia, a Selic, mas nada

muito alentador sob o ponto de vista de

melhorar o retorno das companhias de

seguros. Atualmente em 6,50% ao ano,

analistas esperam que os juros subam

a 7,68% ao ano para evitar possíveis

choques nos preços (inflação), voltando

ao patamar acima dos 8% somente em

2020. De janeiro a setembro, o resultado

financeiro das seguradoras diminuiu em

cerca de 13%, o equivalente a quase R$

5,5 bilhões, totalizando R$ 36,3 bilhões,

segundo dados da Susep compilados por

Apólice, na comparação com o mesmo

período do ano passado. Ante 2016,

quando a taxa Selic encerrou o exercício

em 13,75% ao ano, a queda é ainda maior,

passando dos R$ 11 bilhões que deixaram

de ser computados nos balanços das

seguradoras. “A redução das incertezas

políticas após as eleições de 2018 e a re-


27


economia

❙❙

Marcelo Picanço, da Porto Seguro

cuperação econômica devem contribuir

para o crescimento dos prêmios, mas é

improvável que a receita financeira se

recupere significativamente”, avalia a

diretora da Fitch, Esin Celasun.

Diante disso, segue o mantra de que

as seguradoras têm de se debruçar na melhora

da eficiência e do resultado operacional

para compensar um menor desempenho

do lado financeiro. A Porto Seguro,

por exemplo, tem conseguido colher

frutos desta estratégia. No acumulado do

ano até setembro, o resultado operacional

da companhia foi três vezes maior,

superando o impacto da redução da taxa

de juros em suas aplicações financeiras.

Esse desempenho, destaca o diretor geral

de Relações com Investidores da Porto

Seguro, Marcelo Picanço, confirma que é

possível compensar a queda do resultado

financeiro dentro de um período mais

longo. A Bradesco Seguros, por exemplo,

entregou no terceiro trimestre seu o

melhor desempenho operacional em sete

anos. O diretor-presidente da companhia,

Vinicius Albernaz, diz que a instituição

segue debruçada em segmentos de maior

rentabilidade, do lado financeiro, e trabalha

com ventos mais favoráveis em meio

ao arrefecimento dos índices gerais de

preço (IGPs), que foram impactados pelo

câmbio. “Temos uma perspectiva mais

positiva para o resultado financeiro”,

resume o executivo.

Para o operacional, as seguradoras

também já trabalham com um cenário

mais otimista. Picanço, da Porto, espera

um crescimento maior de venda

28

de apólices no próximo ano em meio à

melhora da economia, com redução nos

índices de desemprego e também nos

indicadores de violência, o que reflete

ainda na sinistralidade. A companhia

está disposta, inclusive, conforme ele,

a flexibilizar seu apetite de riscos, o

que, na prática, significa subscrever

negócios que até então estavam fora do

radar da companhia. “As perspectivas

de crescimento de prêmios para 2019

são melhores, mas isso não significa que

o faturamento crescerá mais. Pode ser

que cresça menos porque quando o risco

cai, o preço do seguro fica mais barato.

Mas, em termos de unidades de apólices,

temos de crescer num ritmo superior”,

avalia o diretor geral de Relações com

Investidores da Porto. No segmento de

veículos, do qual a seguradora é líder de

mercado, o crescimento, conforme ele,

“finalmente” aconteceu no terceiro trimestre

deste ano. “Estamos focados em

crescer a frota, mas dentro de parâmetros

sustentáveis”, destaca Picanço, sem abrir

a meta da companhia para sua carteira

de veículos em 2019.

Desova

O fim das eleições presidenciais no

Brasil deve ajudar o mercado de seguros

a vender mais no próximo exercício, mas

também tende a destravar, conforme

especialistas, uma série de negócios

no âmbito do mercado de fusões e

aquisições (M&A, na sigla em inglês).

Uma das tratativas mais aguardadas é

a continuidade da venda do balcão de

❙❙Cassio Amaral, da Mattos Filho

❙❙

Vinicius Albernaz, da Bradesco Seguros

seguros da Caixa Econômica Federal. O

processo, iniciado no começo deste ano,

atraiu cerca de 20 players do mercado,

incluindo nomes como SulAmérica, BB

Seguridade, holding de seguros do Banco

do Brasil, além da própria francesa CNP

Assurances, que já é sócia do banco em

sua seguradora. Também é esperado

desfecho em tratativas de vendas de

carteiras, cujas conversas se arrastaram

ao longo deste ano. No mercado

de resseguros também são esperados

movimentos. Além das conversas entre

Terra Brasis, do Brasil Plural, e Austral,

da Vinci Partners, outra transação que

se comenta envolve a americana Markel,

cuja operação no Brasil, que compreende

uma seguradora e uma resseguradora,

passou a ser presidida por Carlos

Caputo por conta da saída do ex-IRB Leonardo

Paixão do comando do negócio

securitário do grupo. Além de também

estarem confiantes de que o mercado

de seguros deve voltar à trajetória de

dois dígitos de expansão em 2019, os

advogados sócios do escritório Mattos

Filho especializados em seguros Cassio

Amaral e Thomaz Kastrup veem, inclusive,

a possibilidade do desembarque de

novos players no País. Estrangeiros não

devem, contudo, iniciar operações do

zero como quando da abertura do mercado

de resseguros, há mais de uma década.

“Podemos ter players estrangeiros

fazendo aquisições no Brasil em meio à

retomada da economia e do mercado de

seguros e resseguros no próximo ano”,

prevê Kastrup.


Acabamos de divulgar o “Estudo MetLife de Tendências

de Benefícios para Funcionários” (EBTS,

na sigla em inglês), levantamento feito com 300

empregadores e 500 funcionários de empresas

privadas, de diferentes portes e setores de atuação. Fazemos

essa pesquisa há mais de 10 anos e a cada edição reforçamos

algumas conclusões que já temos. Entre elas, a de

que os benefícios contribuem para a retenção de talentos,

tema fundamental para as empresas. Nove em cada dez

entrevistados compartilham dessa opinião, frente aos 81%

indicados na pesquisa anterior, em 2013. Quase a totalidade

dos entrevistados (99%) veem os benefícios como essenciais

para aumentar a satisfação dos funcionários com o trabalho

(frente a 89% em 2013), enquanto 91% os entendem como

solução para abranger as mais diversas necessidades dos

funcionários (69% na edição anterior).

Outra evidência da importância dos benefícios nos mecanismos

de atração e retenção de pessoas é a valorização, pelos

funcionários, desse tipo de oferta, mostrando-se tão eficaz, no

Brasil, quanto a satisfação com salários ou com chefias, superando

o que se verifica em outras partes do mundo. O engajamento

dos funcionários provocado pelos benefícios cresceu 13% no

País, maior que a expansão vista no Chile (10%) e no México

(11%), e comparável a mercados como Austrália, Reino Unido

e Emirados Árabes Unidos.

Tal retrato se depara com ambientes de trabalho cada vez

mais diversificados, que reúnem indivíduos de diferentes gerações

e origens, com necessidades que também se diferenciam.

Para acompanhar essa tendência, a indústria de benefícios tem

oferecido pacotes cada vez mais variados, além de ferramentas de

relacionamento digitais, de forma a facilitar a escolha, por parte

dos clientes, do que mais se encaixa aos seus estágios de vida.

Funcionários reconhecem a flexibilidade de escolha oferecida

por empregadores, condição que também gera o sentimento

de segurança financeira, de acordo com nossa pesquisa.

Também veem as empresas em que trabalham como fontes

confiáveis e convenientes de benefícios. No Brasil, 64% dos

funcionários entendem que, por meio delas, conseguem meartigo

Política de Benefícios

como diferencial da

estratégia de negócios

por Raphael Carvalho*

lhores preços, e 57% identificam maior facilidade de compra.

Verifica-se, inclusive, disposição de pagar pelos benefícios

que desejam, mesmo que os empregadores não contribuam

financeiramente.

Dar aos funcionários a opção de assumir algum controle

sobre os benefícios se torna uma estratégia cada vez mais importante

para o engajamento. Do total de entrevistados, 61%

dos colaboradores citam que a possibilidade de personalizar

os benefícios é um importante fator para aceitarem uma oferta

de trabalho. A pesquisa também sinaliza que empresas e

funcionários, no Brasil, estão abertos à ideia de personalizar

os benefícios, o que também permite a escolha por produtos

adicionais. Entre os empregadores, 86% acreditam que esse

formato seja uma maneira econômica de agregar valor ao pacote

geral de benefícios, e 84% consideram essa alternativa efetiva

para atender as diferentes necessidades dos funcionários.

A demanda por novos produtos indica uma nova tendência.

Vemos, em seguros de vida, que o brasileiro tem se mostrado

mais preocupado em investir em coberturas que possam ser

aproveitadas em vida, complementando o formato tradicional,

para os casos de morte. Em 2017 (comparado com 2016), tivemos

um aumento nos índices de utilização dessas coberturas

da ordem de 39% para casos de invalidez por doença; 106%

em diárias por incapacidade; e 102% em fratura óssea. Esse

é um indicativo de que o cliente está mais consciente sobre a

necessidade de proteger a qualidade e seu nível de vida, indo

além da preocupação com os bens que deixará para os herdeiros.

Esperamos também uma procura cada vez maior por produtos

de previdência privada, dada a visibilidade que o assunto

tem alcançado e, consequentemente, pela maior conscientização,

por parte das pessoas, dos benefícios desse investimento.

Talentos são escassos e disputados, e ter as melhores

pessoas, e as pessoas certas, é crucial para o desenvolvimento

das empresas. Com a retomada na criação de postos de trabalho

– vista de forma discreta nos últimos meses, mas que

deve ganhar impulso com a esperada recuperação da atividade

econômica –, a oferta de benefícios poderá ser o diferencial

para reter e atrair esses profissionais. Pode, portanto, fazer

toda a diferença na estratégia de negócios.

*Raphael Carvalho é CEO da MetLife

29


evento | transporte

2019 será um ano de recuperação

para o setor de transportes

Simpósio organizado

pelo Clube

Internacional de

Seguros de Transporte

mostrou que a

recuperação do setor já

começou, mesmo que

de forma lenta

Kelly Lubiato

Depois de um longo período de

retração econômica, parece

que 2019 será o ano da retomada

dos investimentos. É o

acreditam os executivos que participaram

do 6º Simpósio do Clube Internacional

de Seguros de Transporte – CIST,

que aconteceu em São Paulo.

O economista Paulo Rabello de

Castro mostrou que o novo Governo tem

todas as condições para proporcionar ao

País um crescimento, mesmo que tímido.

Há fatores que fogem ao controle, como

o cenário externo, a herança fiscal e a

herança da improdutividade (da iniciativa

privada).

Outros fatores, entretanto, dependem

da atuação do Governo, como o

controle das despesas e a retomada dos

investimentos, com a obtenção da anuência

política. “O grande desafio será

controlar as despesas, cuja consequência

é zerar o deficit fiscal”, avaliou Castro.

Para ele, as palavras-chave para

2019 serão: infraestrutura, que envolve

privatizações, novas concessões e a

regularização de empresas lavajatadas

(“quem fez tem que pagar, mas não a

estrutura empresarial”); a reforma tributária,

a desburocratização e o Governo

Eletrônico; e mais acesso ao crédito,

com melhores serviços públicos e capital

interno/externo.

30

❙❙

Salvatore Lombardi, presidente do CIST

Segundo dados da Confederação

Nacional das Empresas de Seguros Gerais,

Previdência Privada e Vida, Saúde

Suplementar e Capitalização-CNseg, o

segmento de Seguro Transportes alcançou

cerca de R$ 1,5 bilhão em Prêmios

Diretos no primeiro semestre de 2018, o

que representa um crescimento de 14,5%

frente ao R$ 1,3 bilhão registrados em

igual período de 2017.

O presidente da Fenseg, João Francisco

Borges, também participou deste

painel para falar sobre a economia. Ele

contou que a CNseg havia se reunido

com o presidente Jair Bolsonaro antes

da eleição para apresentar as demandas

do setor. “Nos ramos de seguros gerais,

nos preocupamos com a nova lei de licitações

de obras públicas, na qual estamos

construindo os seguros de garantias

contratuais”.

“Para o presente, colocamos o combate

ao roubo e furto de mercadorias e

de veículos como necessidade imediata”,

continuou Borges, acrescentando que

espera que haja esforço grande para

aumentar a punição aos receptadores.

Existe uma indústria do crime com

capital financiado por um mercado econômico”,

finalizou.

Salvatore Lombardi, presidente do

CIST, enfatizou que o mercado mostrou

uma pequena reação no segundo

semestre de 2018, pois houve maior

movimentação de mercadorias. “O

transporte internacional cresceu quase

20%. O nacional também cresceu e a

sinistralidade diminuiu, apesar da falta

de apoio do Estado, mas com participação

de todos os entes preocupados com

o gerenciamento dos riscos”.

O Brasil teve posição de destaque nos

prêmios globais de seguros marítimos de

transporte pagos em 2017. Com 5,3% de

participação, o país ficou atrás apenas de

China, Alemanha, Japão e Reino Unido.

Esse foi um dos destaques da palestra

do suíço Nicola Linguerri, Head Marine


Underwrinting Centre da Swiss Re Corporate

Solutions.

Linguerri repercutiu dados divulgados

no último encontro pela IUMI

(International Union of Marine Insurance),

realizado em setembro passado, na

África do Sul. O executivo ressaltou que o

mercado de seguros de transporte/marine

está começando a se estabilizar após um

período de queda, mas ainda há um longo

caminho pela frente. “Precisamos lidar

com o crescente descompasso entre prêmios,

receitas e custos”, disse Linguerri.

Ao abordar o ciclo de subscrição,

o executivo foi claro: “Vamos agir!”. “É

preciso tomar decisões de forma eficaz

e ter coragem para agir contra tendências

de mercado quando for oportuno”,

disse Linguerri. “Evite coberturas não

relacionadas aos seguros de transportes

dentro de uma apólice de transporte e

reduza o potencial de perdas drásticas

e inesperadas ao máximo”, foram os

conselhos do executivo.

❙❙Público na Expocist 2018

31


evento | longevidade

Para envelhecer bem é

preciso ter um propósito

Maisa Kairala, Alexandre Kalache e Marilia Berzins

Especialistas garantem que é preciso poupar,

investir em conhecimento e em qualidade de

vida para garantir um envelhecimento saudável

Kelly Lubiato

Chegar à maior, melhor, idade de

forma digna é um dos grandes

desafios da humanidade, sabendo

que começamos a envelhecer

a partir dos 28 anos, segundo especialistas

no assunto que falaram durante o XIII

Fórum da Longevidade promovido pela

Bradesco Seguros.

Quem hoje tem entre 28 e 58 anos,

daqui a 32 anos fará parte da população

de idosos em 2050. Como sempre faz

questão de ressaltar, Alexandre Kalache,

gerontologista e presidente do Instituto

da Longevidade, o envelhecimento não é

uma corrida de 100 metros, mas sim uma

maratona, que necessita de preparação.

“É preciso integrar os capitais de saúde

e qualidade de vida, de conhecimento,

social e financeiro com um propósito

de vida”.

Vinicius Albernaz, presidente do

Grupo Bradesco Seguros, disse que segundo

dados da Geneve Association, estima-se

que em 2050 haverá 380 milhões

de pessoas com mais de 80 anos, nos

Estados Unidos, Europa e Ásia. “Temos

em curso a aceleração do fenômeno da

longevidade e vemos com orgulho estas

mudanças, porque há 13 anos envelhecer

era quase como sair de cena. Colocamos

o debate desde a prevenção de saúde até

a sua manutenção financeira. Isso reitera

nosso compromisso de manter a visibilidade

desta faixa etária, protegendo-a

sempre. Há outras iniciativas, mas a

melhor forma de reforçar nosso compromisso

é manter a atualidade do debate

através de nossos especialistas”.

O evento contou com a participação

de diversos especialistas para discutir o

futuro da longevidade. Denise Mazzaferro,

especialista em gerontologia, lembrou

que estamos na fase transitória para viver

até os 100 anos e que existirão novos

empregos e habilidades para este período

da vida. “Ter uma situação financeira

resolvida não será tudo. Precisaremos

de um propósito”.

Viver para sempre é o sonho de

muita gente, mas viver bem e com saúde

é o maior desafio. A geneticista Lygia da

Veiga Pereira mostrou alguns avanços

nos estudos do genoma humano e como

eles podem ser aplicados na ampliação

da qualidade de vida das pessoas com

mais idade.

O ser humano é 99,8% semelhante

32


geneticamente. “Apenas 0,2% determinam

as nossas diferenças de aparência

e características de saúde”, informou

a cientista. Ela explicou que o uso do

genoma por seguradoras, por exemplo, é

muito polêmico, “porque se a informação

sobre o nosso genoma for usada contra

nós ninguém vai querer sequer participar

de pesquisas”.

Lygia enfatizou que nos Estados

Unidos já existe uma lei que proíbe o

uso das informações genéticas das pessoas

por empregadores e seguradores,

contra elas próprias. “No Brasil, ainda

não há nada fechado sobre este tema. A

questão da privacidade genética ainda

não foi discutida a ponto de virar uma

legislação”, pontuou.

Os testes genéticos ainda são limitados.

Alguns genes já são um pouco conhecidos,

como o da doença de Parkinson, do

Alzheimer, da hipertensão, do diabetes

e, por isso, o FDA (Food and Drug Administration)

proibiu a divulgação dos

resultados genéticos nos Estados Unidos.

Mais importante de tudo é entender

que as pessoas são fruto do genoma,

mas também da qualidade de vida, pois

é possível modular os efeitos genéticos

com o estilo de vida, tomando cuidados

com obesidade, fumo e outros fatores

externos. “Enquanto a pílula da vida

eterna não vem, precisamos modular

nosso estilo de vida para viver melhor”,

destacou Lygia.

Aging 2.0

O mundo da tecnologia não pode se

desprender do envelhecimento da população.

A evolução etária mostra que em

breve os idosos serão grandes consumidores.

A Aging 2.0 é uma rede global de

startups para melhorar a sociedade com

inovações e para promover a interação

intergeracional.

“Nosso objetivo é construir uma sociedade

inclusiva e inovadora”, afirmou

Stephen Johnston, co-fundador da rede.

Stephen Johnston

Ele insiste para que as pessoas deixem de

ver o envelhecimento de forma negativa,

apenas pelo lado do aumento dos problemas,

como doenças crônicas, isolamento

e solidão. “Nossa ideia de envelhecimen-

33


longevidade

to é tratar este período com sabedoria,

com muitas contribuições para que

façamos coisas melhores e entendamos

mais a maioridade”.

A Aging 2.0 envolve 68 parceiros

globais e 120 empresas membros. Esta

rede desenvolve uma agenda que cobre

novas ideias e conecta tecnologias e

empresas para construir novas ideias.

Johnston citou como exemplo uma

startup que desenvolveu uma plataforma

para que pessoas sozinhas possam receber

jovens que se envolvam em sua vida.

Outra desenvolveu um exoesqueleto que

ajuda o movimento de idosos através do

uso de inteligência artificial, usado por

baixo da roupa.

“Nós não precisamos apenas desenvolver

produtos e serviços inovadores,

mas precisamos inovar o sistema, criando

nova metodologia e nova forma de

pensar o sistema que vivemos.

O jornalista Pedro Doria lembrou

que a atual Revolução Digital é tão

grande quanto a Revolução Industrial

do século XIX. Se na primeira, a força

humana foi substituída pela máquina,

independente da fonte de energia. A

Revolução Digital desenvolve o substituto

para o cérebro humano. Machine

learning vai substituir funções que não

necessitam de criatividade, mas apenas

de repetição. São sistemas que podem ser

automatizados”, enfatizou Doria.

Adaptar uma casa a um idoso será

muito mais fácil com tecnologias que

já estão disponíveis, seja com robôs

que pegam coisas pela casa, ou os que

se comunicam, ou aqueles que podem

tornar a iluminação da casa inteligente,

ou dispositivos ligados ao corpo que

detectam alterações de dados de saúde,

que são monitorados realtime.

Cuidado e financiamento

Quanto mais se vive, mais cara fica

a conta da saúde. Mais do que isso, o

grande desafio será a formação dos novos

cuidadores dos idosos, tarefa que hoje é

atribuída principalmente às mulheres das

famílias. De acordo com Marisa Kairala,

doutora em Saúde Pública, apesar da

quantidade de idosos ter aumentado, a

qualidade de vida não acompanhou esta

progressão. “Os brasileiros querem envelhecer,

mas é estarrecedor o que eles

pensam. Eles têm uma angustia, porque

imaginam a velhice com dependência,

problemas mentais e solidão”, lamenta.

Para envelhecer de forma sustentável é

preciso fazer um monitoramente durante

toda a vida.

“É importante ressaltar que o envelhecimento

é uma conquista e não uma

doença ou problema social. A dimensão

funcional da saúde assume valor crucial

na velhice, mas ainda não foi assimilada

pelas políticas públicas”, esclareceu a

socióloga Marilia Berzins. Ela destacou

é que necessário haver um investimento

maciço na formação de novos cuidadores

para o futuro.

Prêmio Longevidade de Jornalismo

Em reconhecimento à importância da imprensa como formadora

de opinião e difusora de conhecimento, a premiação

busca estimular a elaboração de trabalhos jornalísticos que

tratem o tema da longevidade com criatividade, contemplando

duas modalidades: “Mídia Impressa” (jornais e revistas) e

“Mídia Digital” (TV, rádio e web).

Em Mídia Impressa, André Biernath conquistou o primeiro

lugar com matéria publicada na Revista Saúde (Editora Abril);

Lucinthya Maria Gomes da Silva, do Jornal O Povo, de Fortaleza,

ficou com o segundo lugar; e Flávia Furlan Nunes foi a terceira

colocada com reportagem publicada na revista Exame.

Na modalidade Mídia Digital, os vencedores foram Flávia

Peixoto Cardoso de Barros, da TV Brasil de

Brasília, na primeira colocação; Leilane Menezes

do site Metrópoles, também de Brasília,

em segundo lugar; e Marília Rastelli da EPTV

Campinas na terceira posição.

respectivamente, Rute Reghini, de Londrina, Paraná; Lídia

Santos Silva Nascimento de São Paulo e Rosilda Campos

Ugliara, de Frutal, Minas Gerais.

Prêmio Pesquisa em Longevidade

Direcionado à comunidade acadêmica, essa categoria

é composta pelas modalidades “Geriatria” e “Gerontologia”.

Em Geriatria os vencedores foram Tamires Alves

Sarno, de Santos, e Camila Vieira Ligo Teixeira, de Paulínia.

Em Gerontologia foram premiadas as pesquisas de Anne

Carolina Ramos, de Caxias do Sul, e Eric Marcel Viana, de

São Paulo.

Prêmio Longevidade

Histórias de Vida

O objetivo dessa categoria é reconhecer

e estimular a transmissão de conhecimento

entre gerações, incentivando o relato de

histórias que, de alguma forma, contribuam

para disseminar o conceito de longevidade

com qualidade de vida e bem-estar. Em

primeiro, segundo e terceiro lugar ficaram,

❙❙Vencedores do Prêmio Longevidade de Jornalismo

34


confraternização | Sindseg MG/GO/MT/DF

Medalha do Mérito Segurador

reconhece personalidades do mercado

Reconhecer e destacar as personalidades

do mercado e da

sociedade que contribuem

para o fortalecimento do setor.

Esse é o objetivo da Medalha do Mérito

Segurador, premiação concedida pelo

Sindicato das Seguradoras dos Estados

de Minas Gerais, Goiás, do Mato Grosso

e do Distrito Federal (SindSeg MG/GO/

MT/DF), durante o Evento de Confraternização.

Mais de 300 convidados, entre

dirigentes de entidades do mercado,

executivos de seguradoras e corretores,

participaram do evento no dia 30 de

novembro, no Ilustríssimo.

Os agraciados com a medalha foram

Alexandre de Souza Faria, diretor

presidente da Multiseg; Edson Franco,

presidente da FenaPrevi (que não pode

comparecer, por estar em viagem fora

do país) e Edna Damasceno, sócia-fundadora

do Clube de Seguros de Pessoas

de Minas Gerais (CSP-MG), falecida

em julho deste ano. O filho de Edna,

Rodrigo Damasceno Machado, recebeu

a homenagem.

O evento contou com a presença

ilustre dos presidentes dos Sindicatos

dos Corretores dos estados de atuação

do SindSeg: José Cristóvão Martins,

Sincor-MT; Dorival Alves de Sousa,

atual presidente e João Pereira da Silva,

presidente eleito do Sincor-DF e Maria

Filomena Branquinho, do Sincor-MG

e Henderson de Paula Rodrigues, vice

presidente do Sincor-GO

Alexandre Faria e Augusto Matos

Representantes regionais

Marcelo Piccinini,

Juliana Almeida e

Leonardo Semen

Membros das comissões

João Pereira, Dorival Alves, José Cristóvão, MariaFilomena Branquinho,

Augusto Matos , Arnol Lemos e Henderson Rodrigues

Diretoria do SindSeg

Rodrigo Damasceno

e Augusto Matos

Augusto Prado, Luiza Matos,

Augusto Matos, Cristina Matos e Natalia Prado

Salão do evento

36


Caderno de Tecnologia

O futuro está

entre nós

37


especial | insurance meeting

A 12ª edição do Insurance Service Meeting

mostrou que o que se imaginava para um

futuro distante, há 10 anos, já faz parte da

realidade de hoje. Quem demorar para

entender isso, já está atrasado para este páreo.

Kelly Lubiato

CNseg, que o boom de surgimento de

insurtechs no Brasil aconteceu entre

2010 e 2012. Em 2018, foram lançadas

apenas três empresas do tipo. “Temos

78 insurtechs para um mercado de 150

seguradoras. Acho que ainda haverá

uma consolidação destas empresas”,

adiantou Körner.

O

mundo muda rápido demais

e certamente o mercado de

seguros será impactado

por estas transformações.

É possível que em poucos anos alguns

produtos desapareçam, como o seguro

automóvel da forma como é conhecido

hoje. Muitas seguradoras já estão

investindo para conhecer melhor o

seu cliente e caminhamos, ainda que a

passos lentos, para um seguro cada vez

mais customizado e voltado para as necessidades

específicas de cada cliente.

A jornada do cliente é cada vez

mais importante, pois os consumidores

que começam a adquirir produtos de

seguros são os mesmos que acessam

experiências como Netflix, Google,

Amazon. A nova geração de consumidores

espera esta agilidade do mercado

de seguros. “Cabe às seguradoras

tradicionais criarem novos produtos,

com aquisição mais simples e completamente

online. Não adianta apenas

digitalizarem os produtos já existentes”,

acredita Alex Körner, superintendente

de Produtos de Seguros do Banco Santander

Brasil e presidente da Comissão

de Inteligência de Mercado da CNseg.

O executivo mostrou, em sua

palestra no 12º Insurance Service

Meeting, realizado em São Paulo para

❙❙Alex Körner, do Banco Santander Brasil


A questão cultural é a maior impeditiva

da inovação. As lideranças das

organizações acreditam que o modelo

em vigor ainda funciona e que, por

isso, podem aguardar para ver como

a coisa se desenvolve para fazer novos

investimentos.

Transformação digital

A transformação das metrópoles

em cidades inteligentes é uma realidade

que vai tomando forma aos poucos.

Renato de Castro, especialista deste

tema da SmartUp, vê com entusiasmo

as mudanças e afirmou que o mercado

de seguros será um dos setores mais

impactados por esta atualização.

A 4ª Revolução Industrial será a

mais importante de todos os tempos.

Tudo pode ser visto como uma nova

oportunidade de negócios, segundo o

especialista. Para isso, ele apresentou

alguns dados. Em 2030, 70% de toda

a população mundial estará em zonas

urbanas. O que para os brasileiros pode

não ser nenhuma novidade, mas, para

lugares como a Índia e China, este é um

grande problema. Neste caso específico,

a Organização das Nações Unidas

(ONU) nem fala mais em Cidade Inteligente,

mas em Vila Inteligente, que

mantém o cidadão onde ele está.

O aspecto de maior impacto nas

cidades inteligentes é o de mobilidade

urbana, pois 25% da poluição do mundo

é causada por veículos automotores. A

poluição causa 100 milhões de ausências

❙❙Renato de Castro, da SmartUp

Big Data Analytics para o mercado de seguros

A revolução digital chegou à área

de seguros. Toda mudança traz desafios,

porém, é importante destacar

os benefícios percebidos por quem

já utiliza tecnologias aplicadas aos

negócios.

“Não são poucas as empresas que

já adotaram essas inovações em seu

dia a dia. Machine learning, Inteligência

Artificial e Big Data Analytics são

alguns exemplos que têm ajudado

corretoras e seguradoras a aperfeiçoar

seus processos e definir suas estratégias”,

explica Jaime de Paula, CEO da

Neoway.

Na área de seguros, essas ferramentas

podem ser úteis para várias

finalidades, entre elas:

❱❱

Inteligência de mercado – Por

meio da análise de dados, é possível

conhecer o mercado de atuação, encontrar

oportunidades de expansão

e estudar o perfil dos consumidores

para criar novos produtos em muito

menos tempo.

❱❱

Prevenção contra fraudes – Soluções

de machine learning são

capazes de analisar milhares de

informações de comportamento e

classificar o potencial de risco de

cada situação, identificando possíveis

fraudadores. Pode-se verificar

se o segurado possui processos

anteriores, evitando o pagamento

de falsos sinistros, por exemplo.

❱❱

Precificação e aceitação de apólice

– Uma das vantagens de utilizar o Big

Data Analytics é analisar cada cliente

de maneira rápida e consistente para

oferecer o contrato ideal, de acordo

com o perfil (idade, gênero, renda

presumida, entre outras variáveis).

Os dados podem ser levantados

rapidamente, possibilitando um

retorno mais ágil e preciso ao cliente

e, por consequência, gerando mais

produtividade ao corretor.

❱❱

Compliance – É possível mapear

pessoas politicamente expostas,

seus vínculos familiares, societários

e empregatícios com o objetivo

de prevenir crimes como lavagem

❙❙

Jaime de Paula, CEO da Neoway

de dinheiro, ocultação de bens e

conflitos de interesse, além de coibir

o financiamento ao terrorismo,

atendendo a circular 445 da Susep.

❱❱

Análise de prestadores – Seguradoras

podem encontrar oficinas

com os requisitos necessários para

ser credenciadas e atender usuários

de um seguro auto. Nos seguros

saúde, é possível encontrar empresas

ou profissionais para ser parceiros

da organização na ampliação

da rede ou implantação de novos

serviços.

“O Big Data Analytics otimiza processos

e resultados. A implementação

dessa tecnologia aumenta exponencialmente

a competitividade das organizações,

independente do seu porte

ou área de atuação”, destaca Jaime.

As tecnologias estão mudando

a maneira de fazer negócios. Quem

souber tirar o melhor proveito delas,

com certezav sairá na frente de seus

competidores.

Saiba mais informações em

www.bit.ly/neowayseguradoras

especial especial | insurance | seguro meeting de vida


especial | insurance meeting

❙❙

No púlpito, Cassio Dreyfuss, da Gartner

laborais por ano e 400 mil mortes por o gestor da cidade que não fornece

ano. “Estamos falando de um meio de iluminação suficiente nas ruas?

transporte ineficiente, mas que ainda “Mobilidade será o primeiro grande

é responsável pelas maiores carteiras impacto, mas a saúde é que nos mata”,

de seguro. Em 10 anos, o seguro de advertiu. 95% das pessoas sofrem de algum

tipo de doença, segundo o Lanced,

automóvel deve sofrer queda e pode até

desaparecer da forma o conhecemos”, Word Health Organization. O desafio

advertiu.

será predizer o que as pessoas podem

Para ele, com o surgimento dos sofrer de acordo com as informações

carros autônomos chega também a disponíveis, seja em dispositivos wearables

ou em mídias sociais.

discussão de como será o seguro de

Responsabilidade Civil em caso de acidentes.

“O responsável é o programador cação. Segundo a Unesco, 64 milhões

O que mata nosso futuro é a edu-

do veículo, a empresa que construiu o de crianças estavam fora das escolas

carro, a empresa que opera o veículo, em 2017. “A tecnologia pode ser o

❙❙A feira de negócios contou com diversas empresas expositoras

O que pode mudar

no mercado de

seguros?

❱❱

1. Foco no consumidor, com a

criação de experiências para ele,

através de sensores vestíveis, monitoramento

de redes sociais;

❱❱

2. Simplicidade: todo o processo

deve ser dirigido para isso. O

cliente deve ser capaz de emitir o

seguro e receber a indenização de

forma eletrônica;

❱❱

3. Parceria: uma nova era de fusões

e aquisições e muito investimento

em startups e spinoffs;

❱❱

4. Predição, para diminuir os riscos

e atuar ativamente na prevenção

dos sinistros. Evitar que o sinistro

aconteça.

grande fator para mudar esta realidade”,

comemorou Castro.

Ele explicou que cinco pilares

guiam os princípios das cidades inteligentes:

gestão inteligente, orientação

da gestão para o cidadão; valorização

da qualidade de vida; nova economia

(criativa, compartilhada e colaborativa);

e resiliência.

As seguradoras vão se tornar

empresas de hardware. Elas serão as

responsáveis por fornecer os sensores

vestíveis que tornarão o seguro customizado

para as pessoas. O desafio

será tornar os riscos acessíveis para as

pessoas que mais precisam dele, para

aquelas cujos riscos são altos.

O mais importante será harmonizar

a análise crua dos riscos da sociedade do

ponto de vista de comunicação, pois a

imagem do setor poderá ser sensivelmente

afetada. A grande sacada da tecnologia

não é precificar o risco, mas predizer os

sinistros que podem acontecer.

“A transformação digital não é tecnológica,

é muito mais de mentalidade

das pessoas para assimilar a tecnologia”.

Esta foi a definição de Cassio Dreyfuss,

vice-presidente de pesquisa da Gartner.

Seria interessante que as empresas já

tivessem passado da fase de discutir este

assunto e estivessem no plano das ações,

mas a realidade é diferente.


❙❙

Cristiano Barbieri, da SulAmérica

Corroborando a opinião de vários

especialistas, Dreyfuss ressaltou que a

transformação digital mostra que não

devemos fazer mais do mesmo. É outra

coisa: a tecnologia para a educação, por

exemplo, não é apenas utilizar um computador

para apresentar os conteúdos.

“Em um novo conceito, desaparece a

sala de aula física. Hoje, já conseguimos

criar um roteiro de formação individual,

customizado para cada pessoa do planeta,

seguindo seu estilo de aprendizado,

suas experiências e capacidades”. Vale

destacar que as pessoas vão buscar

informações onde elas quiserem e o

professor poderá ser o coach do processo

❙❙Curt Zimmerman, da Bradesco Seguros

de aprendizado, exercendo a parte nobre

da sua profissão.

Trazendo a realidade para o mercado

de seguros, vale ressaltar que

ele vive de tecnologia e informação.

“A transformação é como você busca

a informação e a utiliza”, ensina o

pesquisador.

Como ficou muito claro nos dois

dias do evento, estamos saindo da era

industrial para a era digital. A tecnologia

tomou emprestados os conceitos

da engenharia industrial, como os conceitos

de métrica, processos etc. “Mas

os ambientes não são mais estáveis e

previsíveis. Estamos mudando a maneira

como nos relacionamos e estamos

encontrando novas maneiras de desenvolver

o trabalho”.

No mundo digital, é preciso adotar

novos modelos de trabalho, mais ágeis

e flexíveis, com outras características,

como: ninguém tem autoridade para

dizer a forma como você deve fazer algumas

coisas, os superiores devem dizer

qual é a missão. Ao longo dela aparecem

os desafios que devem ser transpostos.

Transformação das pessoas

O diretor de Tecnologia da SulAmérica,

Cristiano Barbieri, destacou

que a cultura empresarial vigente

contribuiu para tornar as organizações

fortes, mas que agora assiste-se a uma

transformação do cliente. “Principalmente

dos corretores de seguros,

que precisam se adaptar ao mundo da

transformação. Acreditamos que a mudança

precisa ser feita, prototipada em

pequenos modelos de experimentação,

que quando dá certo, vai para a escala”,

garantiu o executivo, que completou: “a

experimentação e as pequenas doses de

valores transformam as pessoas. É uma

guerra cultural”.

Por outro lado, Curt Zimmerman,

diretor de TI da Bradesco Seguros,

pontuou que seria interessante também

provocar o meio acadêmico para que as

pesquisas também fossem direcionadas

à realidade dos mercados. Ele indicou

que seria muito interessante uma parceria

entre as universidades e as aceleradoras,

para a criação de modelo mais

aderentes ao mercado. “Nosso nível de

maturidade precisa aumentar, porque

membros da academia ainda sentem-

-se melindrados com a influencia da

iniciativa privada”

Cibele Cardin, CIO da Chubb

Seguros, afirmou que as empresas

possuem diferentes níveis de aceitação

do erro, que acontece muito na experimentação

de inovações. “Para ser

ágil, errar é bom”, sentenciou. Quem

está mais ágil possui uma visão fluída,

porque a forma como vê o erro muda.

“Convencer o board e fazê-lo entender

que a criaão é uma jornada é um dos

maiores desafios. É preciso mudar a

cabeça das pessoas”, complementou.

especial especial | insurance | seguro meeting de vida


especial | insurance meeting

Insurtech promove a transformação

digital das operações de Inspeção,

Vistoria e Sinistro

Paixão por transformar

negócios com

tecnologia. Esse é

o propósito da BRQ,

empresa brasileira

que há 25 anos apoia

a digitalização de

empresas do setor

financeiro, seguros e

telecom

Em 2016, através de constante

investimento em inovação,

surgiu o BRQ LABS, uma unidade

criada com o propósito

de acrescentar novas ideias, soluções e

produtos ao ecossistema da BRQ. Um

dos resultados obtidos no BRQ LABs

foi a criação da insurtech Inspeção

360°. Trata-se de uma plataforma facilmente

utilizada para inspeção, vistoria

prévia ou sinistros.

O sócio-fundador da BRQ, e responsável

pela BRQ LABs, Antonio

Rodrigues, afirma a importância de se

investir em inovação: “Esta insurtech

foi desenvolvida internamente pela

empresa. Hoje temos uma solução totalmente

disruptiva, que promete transformar

a relação das seguradoras com

o risco, com a prestação de serviços e

o segurado. Superamos as expectativas,

recebemos ótimos feedbacks de nossos

clientes e projetamos um forte crescimento

do Inspeção 360° em 2019”.

Sempre com a visão multirramo,

a solução se tornou uma robusta plataforma

modularizada que compreende

toda a cadeia de vistoria. “O foco inicial

era a gestão da prestação de serviço

em campo e a coleta de feedbacks

dos proponentes. Hoje, possibilitamos

total autonomia para as seguradoras

realizarem atividades operacionais,

gerenciais, financeiras e de auditoria,

além da automatização de processos

que proporcionaram grande redução de

tempo e ganho de escala para grandes

volumes de vistoria”, explica André

Luiz Antunes, diretor de Produtos.

Recentemente a solução recebeu

duas grandes novidades:

♦♦

Módulo antifraude com Inteligência

Artificial e uso de robôs proprietários,

que analisam laudos e o

comportamento das atividades das

vistorias em busca de anomalias que

possam indicar algum tipo de fraude.

♦♦

Módulo de autosserviço, no qual o

segurado faz a própria vistoria.

“O autosserviço está naturalmente

crescendo muito pela comodidade. Consequentemente,

traz significativa redução

de tempo e custos operacionais, além do

aumento da documentação dos riscos.

As informações obtidas são duplamente

validadas, primeiro por Inteligência Artificial

e depois por equipes especializadas

em nosso BPO operacional”. Comenta

Eduardo Sousa, Gerente de Operações.

Analisando alguns resultados,

André Antunes aponta alguns números

obtidos em 2018: “Realizamos mais

de 110 mil vistorias e avaliamos uma

À frente: Rodrigo Copelo, André Antunes e Eduardo Souza.

Atrás: Raphael Carbone, Rafael Cirino, Luis Felipe e Marcello Britto

redução de 60% no tempo total da

geração de laudos, 70% só na coleta

de informação e reduzimos em 80% as

visitas frustradas. Estamos apenas no

início da transformação”.

A solução pode ser contratada em

módulos e em pacotes de inspeção.

Quanto maior o número de inspeções

menor o custo unitário. Esse modelo

permite flexibilidade e aderência aos

diferentes cenários e rápido retorno.

“As seguradoras se surpreendem com

o tamanho da solução, a quantidade de

tecnologias de ponta associadas e com

o baixo investimento a ser realizado”

diz André Antunes

Em constante laboratório, em busca

de inovação e mantendo compromisso

de ser pioneiro nessa transformação,

o time do Inspeção 360° trabalha em

novos desafios para 2019: “A utilização

de drones para inspeções já é uma realidade.

Nosso desafio é a utilização da

realidade aumentada para imersão da

análise de riscos e aumentar a utilização

de IA na análise de dados. Além dos

desafios tecnológicos, vamos continuar

investindo em novos ramos, como o

agrícola e na expansão internacional do

produto”, planeja André Antunes.


eventos

Acoplan celebra ano de

realizações em seu 15º

almoço de confraternização

A Acoplan (Associação dos Corretores de Planos de

Saúde) realizou seu 15º almoço de confraternização de fim

de ano, celebrando os resultados de 2018. A presidente da

entidade, Rosa Antunes, agradeceu a presença de todos e

reiterou seu compromisso de trabalho em prol do setor de

saúde. “Minha entrega é absoluta, pois faço isso com muita

verdade e com muito amor”, afirmou. Segundo a dirigente,

em 2019 a Acoplan estará engajada na aplicação de cursos e

palestras, objetivando dobrar a capacidade de vendas do setor,

atendendo a demanda com a retomada da economia.

U m a g r a n d e

conquista para o setor

em 2018, segundo

Rosa Antunes, foi

a carta sindical que

deu início à atuação

do Sindiplanos, “entidade

que nos ajudará

a profissionalizar

ainda mais o nosso

setor” e a criação do

Selo de Qualidade,

“que irá avaliar as

corretoras de acordo

Alexandre Camillo, presidente do Sincor SP;

Rosa Antunes, presidente da Acoplan e

Silvio Toni, presidente do Sindiplanos

com suas habilidades,

competências e

conhecimentos”.

Academia empossa novos

membros em sua festa de

25 anos

No último dia 06, a Academia Nacional de Seguros e Previdência

- ANSP, realizou em São Paulo sua tradicional Noite

Acadêmica. Na ocasião, a ANSP comemorou seus 25 anos,

empossou 27 novos Acadêmicos e outorgou três comendas.

“Essa Noite Acadêmica foi muito especial, pois comemoramos

25 anos de história com a chegada de novos Acadêmicos

e a presença daqueles que são a base a ANSP”, ressalta João

Marcelo, presidente da ANSP.

Na ocasião também foi realizada a entrega da Comenda

ANSP, concedida a personalidades que tenham contribuído

significativamente para a divulgação, progresso ou desenvolvimento

do setor de seguros brasileiro. Receberam a homenagem

os Acadêmicos Miguel Junqueira Pereira, Paulo Roberto

Campos de Castro e Osmar Bertacini.

UCS celebra 2018 com grande encontro

A UCS (União dos Corretores de Seguros) reuniu em seu

último encontro de 2018 cerca de 200 pessoas, entre associados

e lideranças do setor, em especial aqueles que estiveram com

a entidade ao longo do ano, participando dos eventos mensais.

A presidente da UCS, Mara Borges Sutto, destacou o

papel da entidade em unir os corretores

de seguros, com o objetivo

de intensificar relacionamentos e

promover a troca de conhecimento.

“Com o propósito de nos ajudarmos

mutuamente acabamos estabelecendo

mais do que amizade, formamos uma

família. Nossos associados estão

sempre dispostos a compartilhar

informação, seja em nosso Fórum

pelo email ou em nossos eventos

como o Trocando Ideias. E como

todo grupo de amigos ou familiares

também temos os momentos de cele-

44

brar. Conseguimos superar as dificuldades da economia e do

mercado de seguros em 2018 e seguimos para um ano novo

com grandes expectativas com o novo governo e a retomada

do crescimento. Estaremos juntos em 2019 para identificar e

aproveitar as oportunidades”, declarou.


Aconseg-SP comemora 15

anos de muitas realizações

Durante o evento de

confraternização de fim de

ano da Aconseg-SP, realizado

dia 26 de novembro,

o presidente da associação,

Marcos Colantonio, apresentou

números referentes

às assessorias associadas da

entidade, seus crescimentos

e ações que envolveram os

corretores de seguros.

“Conforme os dados

do terceiro Relatório Econômico-Financeiro da Aconseg-SP,

desenvolvido por Francisco Galiza, são quase 400 profissionais

de assessorias para atender 22 mil corretores de seguros,

em 2016 eram 16 mil, com crescimento de 35% em dois anos,

lembrando que alguns corretores trabalham com duas assessorias.

Algumas seguradoras transferiram bases de corretoras

para assessorias, realizando atendimento focado em aumento

de produção e diversificação de carteira. E segundo, os corretores

estão procurando assessorias para dar suporte e, assim,

aumentando o ganho de produtividade”, comentou Colantonio.

CVG-SP reelege diretoria

mandato 2019/2020

O Clube de Vida em Grupo de São Paulo elegeu em

Assembleia Geral Ordinária a nova diretoria para os dois

próximos anos. A chapa única, nomeada por aclamação,

trouxe a reeleição de Silas Kasahaya.

Para o presidente, as perspectivas são positivas. “Estamos

montando um planejamento forte. O CVG-SP sempre

participou muito ativamente das discussões de mudanças e

novidades que o mercado de seguros traz. Nesse novo cenário

presidencial do nosso país, a tendência é que Seguro de

Pessoas aumente”, afirma.

CCSOR recebe agentes do

mercado para encerrar 2018

Diretoria do Clube dos Corretores de Seguros de

Osasco e Região, no estado de São Paulo, recebeu seus

associados e parceiros seguradores para encerrar sua

atividades no ano de 2018. Sob o comando do mentor

Ednir Fornazzari, a confraternização contou com a

participação de 150 pessoas

CSP-MG comemora

conquistas e homenageia

destaques do mercado

É tempo de celebrar as conquistas de 2018! O Clube de

Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG) reuniu a

diretoria, associados, beneméritas, conselheiros e parceiros

de mercado para seu tradicional almoço de confraternização,

no dia 5 de dezembro, no Automóvel Clube de Minas Gerais,

em Belo Horizonte.

Entre os homenageados estavam grandes personalidades,

que contribuem de forma notável para o desenvolvimento do

setor: Nilton Molina (presidente do Conselho de Administração

da Mongeral Aegon e do Instituto de Longevidade da Mongeral

Aegon) e Augusto Frederico Costa Rosa de Matos (presidente

do SindSeg MG/GO/MT/DF). Os executivos receberam os troféus

de Mérito Profissional e Personalidade do Ano, respectivamente.

João Paulo Moreira de Mello,

presidente do CSP-MG,

com Wellerson Castro e

Roberto Barbosa,

representantes da Fenacor

45


evento | congresso norte

Região realiza seu

1º Congresso exclusivo

Encontro reuniu no

início de novembro

corretores de seguros

e especialistas para

discutir o futuro do

mercado

Cerca de 800 congressistas, público

composto por corretores

de seguros e agentes do setor,

profissionais da área, convidados

e conferencistas) participaram do

evento realizado pelo Sindicato dos Corretores

de Seguros do Pará (Sincor-PA),

com apoio dos congêneres da região

(Sincor’s do Amazonas, Roraima, Tocantis,

Rondônia e Acre), Fenacor e Escola

Nacional de Seguros. Na programação,

rodadas de negócios, exposições, painéis

e palestras com profissionais da área.

“A região Norte é a que mais cresce

no Brasil inteiro e é onde o mercado de

seguros está encontrando espaço para sua

expansão. Portanto, é muito importante

que este evento ocorra aqui”, enfatizou o

presidente da Fenacor, Armando Vergílio.

O primeiro dia contou com a palestra

“Mulheres Chefes de Família: Avanços

e Desafios”, ministrada pela conferencista

Maria Helena Monteiro (diretora

de ensino técnico da Escola Nacional de

46

Seguros - ENS) que destacou, baseado

em estudos, o crescimento da figura feminina

no Brasil em todos os parâmetros

(econômicos, políticos, educacionais e

outros). Segundo o presidente do Sincor

Pará, João Braga, “Este primeiro congresso

cumpre a missão de fortalecer o

mercado de seguros no nosso Estado e

no norte do Brasil com

a participação de vários

diretores e presidentes

de seguradora”, e agradeceu

“agradeço a Deus,

as famílias presentes e

cada representante de

sindicatos que se encontram

aqui”.

Além das palestras,

o evento contou também

com a Feira do Mercado

Segurador, na qual os

participantes puderam

conhecer os executivos

das companhias em um

ambiente propício para

as seguradoras ouvirem

as sugestões dos

corretores que, por sua

vez ,conheceram as novidades

do mercado.

Na rodada de negócios

houve troca de ideias

sobre futuro, negócios e

oportunidades.

Na programação, os estudantes

do Ensino Médio Regular da Região

Metropolitana de Belém que se inscreveram

no Concurso de Redação do

Sincor Pará e foram classificados no

primeiro, segundo e terceiro lugares,

foram premiados juntamente com suas

respectivas escolas.


internacional | china

Uma terra de

guindastes

Com dois dígitos de

crescimento, o mercado

de seguros chinês

continha sendo o

principal motor para o

aumento dos prêmios

globais, apesar de ter

desacelerado o ritmo.

A nova rota da seda,

que conecta o País

ao comércio global,

deve não só mantê-lo

neste posto bem como

escancarar uma janela

de oportunidade para as

seguradoras investirem

na China

Manuela Almeida

Não é possível andar alguns metros

na China sem avistá-los

no horizonte. Os trambolhos

amarelos quase fazem que

parte da suntuosa arquitetura oriental.

Da desenvolvida Pequim às cidades da

Província de Cantão (Guangzhou), os

guindastes estão por toda parte. Só perdem

para os quadradinhos, os chamados

QR Code, e para as bicicletas compartilhadas.

Na China, a evolução dos tradicionais

códigos de barras é o principal

método de pagamento da população, que

já não carrega mais notas de yuan na carteira.

As bicicletas, que formam pilhas e

pilhas pelas ruas chinesas, também são

pagas e desbloqueadas com a leitura de

um código QR Code. Só é um preciso

um celular. Eles não saem das mãos dos

chineses. Quadradinhos e magrelas à

parte, um desafio interessante quando se

visita a China é contar a quantidade de

guindastes espalhados pelo território local.

Impossível. Perde-se a conta rapidamente.

Os guindastes são um símbolo do

boom de infraestrutura que o País vive,

passados exatos 40 anos da sua abertura

comercial e econômica e a explosão da

demanda que veio a reboque em meio a

uma população de 1,4 bilhão de pessoas.

É de lá também que vem boa parte da

demanda de seguros global, a despeito da

desaceleração econômica que o País atravessa.

No terceiro trimestre deste ano, a

China registrou seu menor crescimento

trimestral em nove anos, ao apresentar

expansão de 6,5% na comparação com

o mesmo período de 2017. Impactada

pelos efeitos da guerra comercial com os

Estados Unidos, a economia chinesa, que

nos últimos anos apresentou crescimento

exponencial, se descolando da brasileira

ao passar dos US$ 12 bilhões, tende a

continuar rodando em ritmo mais lento

daqui para frente. Para se ter uma ideia,

o montante representa um terço do total

de ativos do mercado global de seguros

e resseguros, em torno dos US$ 30 trilhões.

Na visão de economistas, contudo,

o País deve manter um patamar de expansão

anual ao redor dos 6%. Para conter o

processo de desaceleração econômica em

curso, o governo chinês tem reforçado

investimentos em infraestrutura. Ao

mesmo tempo que o segmento contribui

para segurar as pontas do crescimento

do Produto Interno Bruto (PIB) local,

também serve de motor para o mercado

de seguros chinês, o terceiro maior do

mundo, que cresce a uma taxa de dois

dígitos. “Como a mudança do poder

econômico global do Ocidente para o

Oriente prossegue com a mesma força,

a China, e especialmente os mercados

emergentes da Ásia, serão as principais

fontes de demanda de seguros nos próximos

anos”, avalia o economista-chefe do

Grupo Swiss Re, Jérôme Jean Haegeli,

em recente relatório ao mercado.

Dados do estudo Sigma, confeccionado

pela gigante suíça, mostram que a

parcela dos prêmios globais da China

saltou de 0,8% em 2000 para 9,7% em

2017. Estima-se que, de acordo com as

projeções da Swiss Re, essa fatia cresça

para 16% até 2028. Nesse tempo, as

47


china

❙❙Jérôme Jean Haegeli, do Grupo Swiss Re

prioridades quando o assunto é seguro

mudaram para a população chinesa. Um

cidadão cantonês diz que agora as pessoas

na província onde vive - a análise

também se aplicar para a China como

um todo - prezam por investimentos em

saúde e educação, enquanto no passado a

prioridade era o patrimônio. Sem enfrentarem

riscos como segurança e violência

em seu dia a dia, os jovens orientais não

se preocupam com seguros patrimoniais.

Isso porque, diferentemente das gerações

passadas que vivenciaram a escassez de

produtos e serviços e a pobreza local

antes da abertura econômica e comercial

do País, estão ávidos pelo consumo.

Como consequência, conta uma jovem

chinesa, poupam menos que seus pais e

avós. “Em 2018, o mercado de seguros

de vida doméstico passou por um período

de transformação e ajuste. Como a estrutura

de produtos de seguro foi ajustada

e otimizada, por um lado, o ritmo de

queda dos prêmios de seguro de vida vem

diminuindo mês a mês; por outro lado,

os negócios de proteção, como o seguro

de saúde, mostra crescimento”, confirma

a China Re, em relatório de resultados,

acrescentando que esse segmento está

acelerando para voltar a focar na questão

da função da proteção que essas apólices

carregam.

A mudança da visão do povo chinês,

que após o boom econômico das últimas

décadas, prioriza mais as proteções pessoais,

tende a fazer com que o mercado

local lidere a aceleração do mercado de

48

vida nos países emergentes. Mais do que

isso, juntos, devem potencializar o segmento

como um todo ao redor do globo.

O último estudo Sigma do Instituto Swiss

Re “Global economic and insurance outlook

2020” estima que o mercado de seguros

mundial cresça acima dos 3% por

ano, tanto em 2019 como em 2020. Com

demanda tanto do mercado de seguro

de vida como do não-vida, segundo Haegeliem,

em dólares norte-americanos,

a taxa de crescimento dos prêmios de

seguro nos mercados emergentes da Ásia

será três vezes superior à média global

nos próximos dois anos. Isso porque a

riqueza nesses mercados cresceu muito

nos últimos anos e o incremento de um

ponto porcentual no PIB deste ano, por

exemplo, tem um impacto muito mais

significativo em termos de volume de

prêmios do que teria há uma década.

A explicação, conforme a Swiss Re, é

de que muitos mercados progrediram

para a área mais inclinada da “curva S”

de seguros e o impacto do crescimento

da renda sobre a demanda por seguros é

muito maior.

A nova rota da seda

Um dos projetos que vem turbinando

o setor de seguros na China e deve

continuar por assim fazer nos próximos

anos é a nova rota da seda, a chamada

Belt & Road Initiative (BRI). O projeto,

anunciado em 2013 pelo presidente

Xi Jinping, visa a conectar o País aos

grandes mercados globais, reorientando

o comércio chinês rumo à Europa, ao

Sudeste Asiático e à África. Estimada

em US$ 900 bilhões, a nova rota da seda

engloba investimentos na construção de

ferrovias, portos e outros projetos de

infraestrutura em 65 países, o que lhe

credita o título de maior estratégia de

investimento estrangeiro feito por um

único país na história global. “São seis

corredores que vão conectar a China com

os grandes mercados globais”, destaca

o cientista político Maurício Santoro,

professor de relações internacionais da

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

(UERJ).

Do lado do seguro, a nova rota da

seda, ponderadas as questões de financiamento,

acidentes de trabalho e suspeitas

de corrupção em algumas obras,

representam um mar de oportunidades

para seguradoras ao redor do mundo.

Além dos projetos já concluídos, que

continuam a render prêmios para as companhias

de seguros, muitos outros estão

em andamento ou devem ser construídos

nos próximos anos. A mega ponte Hong

Kong-Zhuhai-Macau (HZMB), um dos

grandes locais de disputa geopolítica

do século XXI, é um deles. A estrutura

contou com uma apólice de mais de ¥

200 milhões em prêmios de seguros,

equivalente a cerca de R$ 100 milhões,

e visa a engrandecer a baía da Província

de Cantão. Participaram do contrato,

conforme a autoridade responsável pelo

projeto na China, gigantes do mercado

global, como as suíças Swiss Re e Zurich.

Com custos de construção ao redor

dos ¥ 120 bilhões - em torno de R$ 60

bilhões -, a ponte HZMB é considerada

um grande case de seguros da China.

Trata-se da maior ponte marítima do

mundo com 55 quilômetros de extensão

no total. Foram seis anos de estudo e

planejamento e nove para a construção

do projeto, que foi aberto ao público em

outubro último, depois de atrasos por

problemas como acidentes de trabalho

e casos de corrupção. Além do período

de construção, o início da operação da

ponte segue sendo benéfico ao mercado

de seguros local uma vez que os proprietários

dos veículos são obrigados a

contratarem previamente um seguro de

responsabilidade civil para transitar no

local. A apólice varia conforme a legislação

de cada uma das três jurisdições

responsáveis pela HZMB: Hong Kong,

Zhuhai e Macau.

Assim como a super ponte, outros

projetos estão em andamento e tendem

a sustentar a demanda por seguros

na China na área de infraestrutura. É

recorrente, contudo, a preocupação de

companhias locais para os riscos envolvidos

nos projetos. Wang Wen, que dirige

o China Export and Credit Insurance

Corporation (Sinosure), criticou recentemente,

conforme a mídia chinesa, a

gestão de risco nos projetos associados

à nova rota da seda. É preciso, conforme

ele, uma melhor atenção ao tema para

que desastres sejam evitados em meio


à situação preocupante de estruturas de

financiamento em alguns projetos como,

por exemplo, a linha ferroviária entre

Adis Abeba-Djibuti, inaugurada no início

deste ano e que dá acesso marítimo

à Etiópia. O Sinosure, que dá garantia

de pagamento ao empreendimento, já

desembolsou até o momento cerca de

US$ 1 bilhão. Procurada pela reportagem

da Apólice, a companhia não comentou

o assunto. O alerta também vem de

outros grupos. Em recente evento para

debater a BRI, o Chairman da China Re

Group, Yuan Linjiang, declarou que há

uma contradição entre o fornecimento

de seguro desequilibrado e insuficiente

e uma demanda crescente de seguros

nos projetos no âmbito da nova rota da

seda. Segundo ele, muitos riscos foram

expostos e “não segurados”.

Embora as seguradoras já estejam

fornecendo coberturas de seguros para

os projetos, a despeito dos riscos envolvidos,

a Belt & Road Initiative também

abre uma oportunidade de investimento

para esses grupos. Isso porque as companhias

de seguros podem participar

de projetos por meio de financiamento

de capital e dívida e títulos de securitização

que podem ser adquiridos por

companhias de seguros e outros investidores

institucionais. “Entre 2015 e 2030,

acreditamos que o déficit total de infraestrutura

na China e em outros países da

BRI poderia atingir US$ 20 trilhões. As

seguradoras estão bem posicionadas para

capitalizar essa oportunidade”, projeta a

Swiss Re, em recente relatório publicado

ao mercado.

No ano passado, o total de ativos do

setor de seguros da China foi de US$ 2,5

trilhões. Empresas estrangeiras investiram

somente ¥ 450 bilhões (US$ 67

bilhões), ou 2,7% do total de ativos de

seguros, conforme a Swiss Re. “Esse patamar

é muito inferior ao limite regulatório

de 15%. As seguradoras globais estão

perdendo uma oportunidade considerável

para investir em projetos da BRI”, alerta

o grupo suíço. De olho no potencial dos

recursos do setor, os reguladores chineses

flexibilizaram, em 2015, as regras para

que as seguradoras pudessem investir

em projetos de infraestrutura. “Embora

encontrar ativos adequados para investimento

seja um desafio, acreditamos que

as seguradoras ainda podem encontrar

oportunidades atraentes de investimento

(na China) para diversificar suas carteiras”,

avalia a Swiss Re.

Oportunidades tupiniquins

A nova rota da seda traz oportunidades

para seguradoras globais, mas

também para as brasileiras. Isso porque

à medida que tem potencial para elevar

os negócios entre os países, consequentemente,

serve de impulso para o crédito

à exportação e o respectivo seguro para a

transação. O superintendente da Unidade

de Comércio Exterior (UE) do Banco do

Brasil, Paulo Guimarães, cita, por exemplo,

players do setor de café. “Eles estão

olhando para o mercado chinês por conta

da mudança de hábito da população,

que antes só tomava chá, mas começa a

consumir mais café”, diz ele.

Santoro, da UERJ, lembra que o

grosso do comércio internacional entre o

Brasil com a China envolve três grandes

conjuntos de commodities: soja, petróleo

e minério de ferro. Segundo ele, há uma

preocupação do equilíbrio dessa relação,

uma vez que o País exporta produtos de

valor baixo e importa outros com preços

baixos, que impactam a concorrência

com as empresas brasileiras. “É um tema

que requer atenção, mas a nova rota da

seda representa oportunidades para

seguradoras e também para empresas

prestadoras de serviços financeiros,

como fintechs e startups”, acrescenta o

especialista. A chinesa Gomo, por exemplo,

vê na iniciativa uma possibilidade

de elevar as receitas com aplicativos,

mercado foco de atuação da companhia

listada na Nasdaq.

Seguradoras especializadas neste

segmento veem a nova rota da seda

como um impulso positivo para a relação

Brasil-China no que tange a seguros. “O

mercado chinês tem um relacionamento

maduro com o Brasil e que conta com

o suporte do seguro de crédito à exportação”,

resume o diretor comercial da

Coface, Everton Fauth.

Quando invertido o sinal, os chineses

seguem de olho no Brasil. Nos

últimos anos, o gigante Fosun tentou

levar o grupo Austral, controlado pela

“Os investimentos diretos

em modernização de

portos e ampliação dos

projetos de infraestrutura

podem beneficiar o Brasil

também, mas empresas

e governo precisam

cumprir sua parte. A nova

rota da seda vai impactar

a Ásia central, onde o

Brasil não tem presença

muito forte”

Maurício Santoro, da UERJ

gestora Vinci Partners, e ainda a seguradora

mineira Pottencial, controlada pela

família Géo e com foco no segmento

de garantia. Em outra frente, os grupos

chineses também se relacionam com

os players locais via o intercâmbio de

prêmios. O ressegurador IRB Brasil Re,

por exemplo, tem negócios com a China

Re e a People’s Insurance Company of

China (PICC). Esses players repassam

resseguro de agronegócio para o brasileiro.

De acordo com uma fonte que

conversou com a Apólice na condição

de anonimato, giram em torno de US$

10 milhões de prêmios por ano. Apesar

de pequeno considerando o volume de

resseguro emitido pelo IRB no acumulado

deste ano até setembro, de mais de

R$ 5 bilhões, o negócio é rentável para

o ressegurador brasileiro. E, de quebra,

acrescenta a fonte, funciona como uma

oportunidade de aprendizado.

49


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Palavras da mais sábia

das mulheres: a mãe!

Quem não se recorda das palavras de orientação,

fortalecimento e estímulo de sua mãe?

Letrada ou inculta; de destaque social ou humilde;

idosa ou jovem, ela é sempre um repositório de sabedoria

e de conhecimentos universais.

Um poema lembra essa realidade:

“Com o maior dos sacrifícios, tu nos livraste dos

vícios, da mentira e da vaidade. Como uma sombra,

um doce abrigo, teu coração, sempre amigo, foi calma

nas tempestades”!

Relatando sua vida, Marcos Pontes, o primeiro

astronauta de nosso país, narra essa trajetória, desde sua

Bauru, no interior de São Paulo, berço também de outro

grande nome de nossa aviação: a

lenda viva Ozires Silva.

Conta Marcos Pontes que seu

lar era humilde, como tantos outros.

Seu pai, um simples servente

de serviços gerais e sua mãe,

escriturária da Rede Ferroviária

Federal. O pequeno Marcos, entretanto,

queria ser aviador!

Não faltaram os derrotistas,

destruidores de sonhos e pessimistas:

“Imagine! Isso é coisa pra filho de rico!” “Desista:

você nunca vai conseguir realizar esse sonho!”

“Isso é impossível!”

Foi então que, chegando em casa arrasado, sua

mãe, uma brava italiana de olhos muito azuis, chamada

Zuleica, ao ouvir suas lamuriosas palavras, vociferou –

quase profetizando:

– “Você pode ser o que você quiser! Desde que

estude, trabalhe, persista e faça mais do que se espera

de você!”

Alicerçado nessas palavras, ele encontrou forças

para alimentar seus sonhos! Prestou exame de ingresso à

Escola Preparatória de Cadetes do Ar, mas foi reprovado!

Então, após cursar o colegial em escola civil, prestou

novo exame, agora para a Academia da Força Aérea, em

Barbacena, obtendo êxito. Era o primeiro passo rumo à

concretização de seu sonho!

Mais tarde, já oficial-aviador, decidiu ampliar seu

campo de conhecimentos na área. Prestou vestibular para

ingresso no concorrido ITA – Instituto Tecnológico de

Aeronáutica e, aprovado, cursou Engenharia Espacial.

Na sequência, faz mestrado e doutorado em Engenharia

de Sistemas, nos Estados Unidos.

Com isso, tornou-se simultaneamente piloto e engenheiro

de testes, funções até então isoladas! Pilotou

aviões da Força Aérea e da Marinha americanas e também

da Rússia, na década de 1990. Caminhava, passo

a passo, rumo à viabilização de seu sonho máximo:

ser astronauta! Entretanto, havia uma barreira então

intransponível: a atividade de astronauta não existia em

nosso país: só nos Estados Unidos

e exclusivamente para cidadãos

norte-americanos!

É quando se materializa, na

prática, o que reza uma expressão

muito conhecida: quando se quer

firmemente alguma coisa, o universo

conspira a nosso favor! Em

1994, o Brasil cria a Agência Espacial

Brasileira e entra na área de

Astronáutica, com direito a UMA

vaga para astronauta!

Entre cinco candidatos finalistas, Marcos Pontes

é classificado. Segue para o Johnson Space Center, no

Texas, onde, por fim, faz o curso básico de Astronauta!

Contudo, nessa verdadeira corrida de obstáculos,

desponta um novo entrave: o curso teria prosseguimento

na Rússia! Dão-lhe apenas seis meses para se preparar

e, inclusive, aprender o complexo idioma russo! A essa

altura, porém, nada, absolutamente nada mais o detém.

Vence mais essa etapa: conclui o curso, e chega,

enfim, o dia do sonhado voo! Avisam-lhe que dentro

de oito minutos estará navegando no espaço cósmico...!

Então, dentro da nave, vendo sua luva flutuar no

vácuo, lembra das firmes palavras de sua mãe:

“Você pode ser o que você quiser! Desde que

estude, trabalhe, persista e faça mais do que se espera

de você!”

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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