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Nota de orelha do livro

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usava um ábaco para contar. Ele tinha pilhas e pilhas <strong>de</strong> moedas <strong>de</strong> ouro. Um <strong>do</strong>s<br />

homens, alto e magro, só maçãs <strong>do</strong> rosto e mandíbulas, com os <strong>de</strong>ntes podres, veio em<br />

minha direção e sentiu meus ombros e meu pescoço. Depois levantou a túnica. Fiquei<br />

imóvel, não furioso nem conscientemente com me<strong>do</strong>, apenas paralisa<strong>do</strong>. Essa era a<br />

terra <strong>do</strong>s turcos, e eu sabia o que eles faziam com garotos. Só que eu nunca vira um<br />

quadro nem ouvira uma história real <strong>de</strong>ssa terra, nem conhecera ninguém que tivesse<br />

vivi<strong>do</strong> realmente nela, penetra<strong>do</strong> nela e volta<strong>do</strong> para casa.<br />

Casa. Decerto <strong>de</strong>vo ter <strong>de</strong>seja<strong>do</strong> esquecer quem eu era. Devo ter. A vergonha<br />

provavelmente tornou isso uma imposição. Mas naquele momento, naquela sala que<br />

parecia uma tenda com seu tapete flori<strong>do</strong>, entre os merca<strong>do</strong>res e negociantes <strong>de</strong><br />

escravos, eu me esforçava para lembrar, como se, ao <strong>de</strong>scobrir em mim um mapa, eu<br />

pu<strong>de</strong>sse segui-lo para sair dali e voltar a meu lugar.<br />

Eu realmente me lembrava das pradarias, das terras selvagens, terras aon<strong>de</strong> não<br />

se vai, a não ser para... Mas aquilo era um branco. Eu havia esta<strong>do</strong> nas pradarias,<br />

<strong>de</strong>safian<strong>do</strong> a sorte, estupidamente mas não contra a vonta<strong>de</strong>. Transportava algo<br />

extremamente importante. Apeei <strong>do</strong> cavalo, <strong>de</strong>samarrei aquela gran<strong>de</strong> trouxa <strong>do</strong> arreio<br />

<strong>de</strong> couro e corri agarra<strong>do</strong> à trouxa.<br />

— As árvores! — gritou, mas quem era ele?<br />

Eu sabia, porém, o que ele estava dizen<strong>do</strong>, que eu precisava chegar ao bosque e<br />

lá pôr este tesouro, esta coisa mágica e esplêndida que estava <strong>de</strong>ntro da trouxa, “feita<br />

não por mãos humanas”.<br />

Não cheguei tão longe. Quan<strong>do</strong> me agarraram, larguei a trouxa e eles nem<br />

sequer foram atrás <strong>de</strong>la, pelo menos que eu tenha visto. Pensei, ao ser suspenso no ar:

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