*Dezembro/2019 - Revista Biomais 36

jota.2016

SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Oportunidades

06 | CARTAS

08 | NOTAS

12 | ENTREVISTA

16 | PRINCIPAL

22| CASE

28| PELO MUNDO

Retorno certo

34| TECNOLOGIA

Combate natural

38 | ECONOMIA

Dinheiro verde

Gigante sustentável

42 | INOVAÇÃO

46 | PRÊMIO

PRÊMIO REFERÊNCIA 2019

50 | ARTIGO

56 | AGENDA

58| OPINIÃO

A desertificação do Brasil

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

03


EDITORIAL

Estampa a capa da Biomais desse mês,

o secador desenvolvido pela empresa

catarinense Imtab

OPORTUNIDADES

O

Rio Grande do Sul é um dos Estados com maior potência instalada (MW) de energia solar

fotovoltaica no país, segundo a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar). Nesse

cenário, startups aproveitam as oportunidades que aparecem onde menos esperamos para

fomentar ainda mais as energias renováveis – por isso abordamos o assunto nesta edição.

Além disso, conversamos com Donizete José Tokarski, superintendente da União Brasileira do Biodiesel e

Bioquerosene, sobre o RenovaBio e os próximos passos da entidade, além de abordarmos a Bioeconomia,

que traz um cenário promissor na América Latina, região com grande variedade de ecossistemas e

possibilidades de inovações sustentáveis. Tenha uma ótima leitura e um excelente 2020!

EXPEDIENTE

ANO VI - EDIÇÃO 36 - DEZEMBRO 2019

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

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Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Fabiano Mendes - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira, Gabriel Santos Ferreira

(criacao@revistareferencia.com.br)

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Dep. Comercial

Gerson Penkal, Jéssika Ferreira,

Tainá Carolina Brandão (comercial@revistabiomais.com.br)

Fone: +55 (41) 3333-1023

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Cassiele Ferreira - Supervisão

(assinatura@revistabiomais.com.br)

ASSINATURAS

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

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produtores e consumidores de energias limpas e alternativas, produtores de resíduos

para geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários,

órgãos governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/

ou indiretamente ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

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proibídas sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

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energy producers and consumers, producers of residues used for energy generation and

cogeneration, research institutions, university students, governmental agencies, NGO’s, class

and other entities, directly and/or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does

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by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction, appropriation,

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CARTAS

CASE

Excelente reportagem sobre os investimentos da Apple em sustentabilidade. Continuem

trazendo cases de impacto para nós leitores!

Heloísa Falce – Belo Horizonte (MG)

Foto: divulgação

EXPANSÃO

Ótima reportagem sobre o crescimento dos investimentos em energia eólica, biomassa, hidrelétrica e solar na última

década. É o setor de energias renováveis em expansão contínua.

Gustavo Taborda – Goiânia (GO)

SUGESTÃO

A equipe da REVISTA BIOMAIS está de parabéns! Para as próximas edições, gostaria de sugerir uma reportagem sobre o

destino de Itaipu com a eminente revisão do Tratado que envolve a Usina.

Jackson Filipelli – Foz do Iguaçu (PR)

EXEMPLO

Bom exemplo capitaneado pelo Estado do Paraná, que pretende construir 11 novas

mini hidrelétricas, além de um parque eólico, para continuar fomentando o uso de energias

limpas!

Breno Capelas – Santos (SP)

Foto: Daniel Castellano / Smcs

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

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NOTAS

DRONE SUSTENTÁVEL

A empresa britânica de tecnologia limpa H2GO Power

fez uma parceria com a Ballard Unmanned Systems no que

pode ser o primeiro vôo de teste de um drone impresso em

3D e movido a hidrogênio. O vôo foi lançado no final de

agosto a partir de um local de teste em Boston. O combustível

de hidrogênio maximiza o tempo de vôo do drone com

uma energia mais limpa. A solução de aplicação de drones

da empresa pode aumentar o tempo de vôo da bateria de

um drone em até 90 min (minutos), em comparação com

menos de 25 min para sistemas típicos de baterias de íon de

lítio. Além disso, o design permite até 15% da redução total

do peso do drone e controle de volume e a estrutura interna

otimiza o gerenciamento de calor dentro e fora do sistema

de energia, permitindo que viajem três a cinco vezes mais e

carreguem cargas mais pesadas.

Foto: divulgação

BIODIESEL DE MICROALGAS

Um estudo divulgado pela Universidade Federal da Bahia

aponta que o cultivo de microalgas heterotróficas em afluentes

de estação de tratamento de esgoto possuem um alto rendimento,

uma vez que as microalgas possuem grande potencial

de nutrientes. Segundo o estudo, a microalga dos afluentes

é uma ótima espécie para produção de biodiesel de terceira

geração. A viabilidade do cultivo da microalga em águas residuais

ocorre porque elas absorvem nutrientes como fósforo e

nitrogênio e são capazes de converter poluentes orgânicos em

lipídios e proteínas, que podem ser transformados em biocombustível.

A técnica representa uma alternativa para a produção

de biocombustível no Brasil, que é hoje proveniente da cana.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

BIOGÁS NO CAMPO

O campo está se mostrando um espaço em potencial para a Geração

Distribuída de energia renovável e retorno financeiro para os usuários.

Esse potencial é apoiado tanto na necessidade de diversificação da

matriz energética brasileira quanto o potencial energético do campo,

sobretudo para sistemas solares e de biomassa, incluindo o biogás. Em

diversas regiões do país, propriedades rurais já contam com biodigestores

capazes de gerar energia limpa através de resíduos agrícolas,

industriais e urbanos, transformando-os em biogás. Como o combustível

é produzido através da degradação do material orgânico, os rejeitos

da atividade rural representam um potencial de geração de energia

sustentável. A expectativa é que, no futuro, a produção de biocombustível

também abasteça tratores e máquinas de colheita sustentáveis.

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BIOCOMBUSTÍVEL DE

CAPIM ELEFANTE

Novos processos de pré-tratamento de capim elefante pretendem aproveitar

o potencial da gramínea para geração de biocombustível como o etanol de

segunda geração. O estudo está sendo desenvolvido pela UFT (Universidade

Federal do Tocantins). A pesquisa avalia a melhor condição de pré-tratamento

por peróxido de hidrogênio alcalino para fortalecer o setor de biocombustíveis

no país. De acordo com os especialistas, é possível encontrar vários métodos

de pré-tratamentos em vegetais lignocelulósicos, de natureza física, química e

biológica. Ainda assim, o estudo aponta a necessidade de desenvolvimento de

tecnologias que sejam eficientes em termos de custos e competitividade.

Foto: divulgação

MAIS RECEITA

Alteração na garantia física das usinas de

biomassa poderia trazer receita de R$1 bilhão,

segundo estimativa da Associação da Indústria

da Cogeração de Energia. O valor corresponde

ao potencial de perda de adicional de receita

por safra do setor sucroenergético pela decisão

do MME (Ministério de Minas e Energia)

de negar pleito da associação para mudar

a portaria que define os limites da garantia

física das usinas a biomassa. De acordo com o

presidente da associação, Newton Duarte, uma

medida infralegal do MME, o país acarretaria

em 1 GW (Gigawatts) na geração vinda do setor

sucroenergético. Segundo ele, a retomada do

crescimento do país vai depender de energia, e

o setor sucroenergético tem plena capacidade

para responder, gerando energia limpa, próxima

do centro de carga e preservando pelo menos

15% de água nos reservatórios do sistema

sudeste-centro-oeste. Além disso, a produção

adicional de energia de 1 GW poderia contribuir

para poupar mais 2% no nível desses reservatórios,

totalizando 17% de economia de água.

MÉTODO CHINÊS

Um novo método desenvolvido na China permite estimar a biomassa de

árvores em florestas subtropicais. O objetivo é permitir uma contabilidade

global de carbono e a formulação de políticas de reflorestamento. O método

foi desenvolvido por especialistas do Instituto de Ecologia Aplicada da

Academia Chinesa de Ciências. O método consistiu na coleta de uma floresta

plantada em Hunan e sensoriamento remoto para estimar a biomassa da

plantação com a idade da floresta. Com cruzamento de dados entre o modelo

de crescimento e com algoritmos de máquina, o método estimou com

maior precisão a densidade e biomassa das florestas.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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NOTAS

DE CARVÃO A BIOMASSA

O Ministério de Minas e Energia da Sérvia anunciou que seis usinas de combustível

fóssil, como o carvão, receberão 26,7 milhões de euros para conversão

em biomassa nos próximos meses. O objetivo é trazer recursos para a instalação

de caldeiras de biomassa e a reforma do sistema de aquecimento urbano.

A capacidade total das seis usinas de aquecimento será de 30 MW

(Megawatts). Além das seis usinas já confirmadas, outras 19 já

estão interessadas em converter o carvão para biomassa

no país. A meta é reduzir a poluição causada pelo uso

de carvão e óleo para aquecimento nas cidades e

também reduzir a dependência de importação

e até 15% as despesas de aquecimento

dos municípios.

Foto: divulgação

BIOMASSA NO

JAPÃO

Uma nova usina de biomassa de

44 MW (Megawatts) será construída no

Japão, na cidade de Omuta. O empreendimento

contará com duas unidades,

ambas com capacidade de 22,1

MW, e está sendo construída por uma

subsidiária da Toshiba Energy Systems

& Solutions Corp. “O objetivo da Toshiba

é ser uma empresa líder em tecnologia

de sistemas ciber-físicos no setor de

energia, com nossa rica experiência e

know-how acumulado no uso de soluções

integradas de energia e tecnologia

IoT”, destaca o vice-presidente sênior da

empresa, Koji Saito.

BIOMASSA NA HEINEKEN

A Heineken Ponta Grossa (PR) anunciou resultados positivos após

dois anos de uso de uma caldeira de biomassa que gera energia renovável

para toda a produção da planta. Atualmente, a unidade é considerada

uma das mais sustentáveis da Heineken no mundo no que se refere à

redução de CO2 (Gás Carbônico). A expectativa é que o Grupo Heineken

tenha todas as suas cervejarias sendo abastecidas por energia renovável

até o ano de 2023. Em Ponta Grossa, os principais resultados incluem

redução de 60% a 70% de custo, quando comparado ao investimento realizado

em gás natural; diminuição de 13.633 t/ano (toneladas ao ano) de

gases de efeito estufa na atmosfera, o que equivale a aproximadamente

4.800 carros rodando 15 mil km (quilômetros) durante um

ano; e aumento da demanda de consumo de matéria-prima

cavaco (pequenos pedaços de madeira

proveniente de floresta plantada) para o

funcionamento da caldeira de biomassa e

geração de emprego na região.

Foto: divulgação Foto: divulgação

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Foto: divulgação

CONSTRUÇÃO CIVIL

Novos sistemas de construção civil são alternativas

para reduzir o impacto ambiental de construções urbanas

de residências e prédios, considerados os maiores

geradores de entulhos e resíduos no país. Algumas

alternativas incluem a reciclagem de até 98% do material,

dentro do próprio canteiro ou em centrais externas

especializadas. Outra alternativa está no uso de chapas

pré-fabricadas de madeira reflorestada. Neste processo,

a obra gera 80% menos de CO2 (Gás Carbônico) e

85% menos resíduos, além de consumir 90% menos

água na produção.

Foto: divulgação

PATENTE VERDE

A Natura é a primeira empresa brasileira de cosméticos a

receber uma Patente Verde, concedida a um tratamento desenvolvido

por pesquisadores do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

e da Natura. A iniciativa do Inpi (Instituto Nacional

da Propriedade Industrial) reconhece tecnologias voltadas para

o meio ambiente. O procedimento premiado aproveita a biomassa

gerada a partir da extração do óleo de oleaginosas como

insumos de produção da Natura. De acordo com a companhia,

anteriormente, a biomassa gerada como resíduo era utilizada

para compostagem de solo. Agora, ela será inserida em um

novo produto a ser lançado em 2020.

Foto: divulgação

RECORDE

FLORESTAL

A produção de energia elétrica gerada a partir de

biomassa florestal na Dinamarca bateu recorde em

2018. O país vem importando cada vez mais madeira

dos EUA (Estados Unidos da América) e do Canadá. A

energia limpa cresceu 33% em relação a cinco anos

atrás e atualmente a biomassa é responsável por 75%

do consumo de energia sustentável da Dinamarca. O

aumento é impulsionado pela queima de madeira,

palha e outro material biológico, ou seja, o uso de

biomassa florestal para geração de energia na matriz

energética dinamarquesa.

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ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

DONIZETE

JOSÉ

TOKARSKI

Formação: Graduado em Engenharia

Agronômica (UFG) com especialização em

Atividade de Gestão Ambiental pela FAO/

ONU, em Madrid (Espanha)

Cargo: Superintendente da Ubrabio (União

Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene)

CAMINHO

ALTERNATIVO

A

Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) proporcionará ao Brasil um ganho

de R$ 1,2 trilhão, entre investimentos e economia, nos próximos 10 anos – é o

que estima o MME (Ministério das Minas e Energia). Por isso, é preciso estar atento

as oportunidades e entidades sólidas que defendam os interesses de seus respectivos

setores são essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas alinhadas as expectativas

da sociedade. Na esteira do RenovaBio, a REVISTA BIOMAIS conversou com Donizete José

Tokarski, superintendente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), sobre a

medida e outras pautas defendidas pela entidade. Confira:

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Como é o mercado de combustíveis renováveis

no Brasil hoje? Até onde projetos ou iniciativas estão

sendo desenvolvidos para esse setor?

O Brasil tem tudo para se tornar a “Arábia Saudita dos

biocombustíveis”. A afirmação é frequente entre analistas

do setor. O cenário externo nunca foi tão favorável. Com

a assinatura do Acordo do Clima de Paris em 2015, 192

países se comprometeram a adotar medidas para transição

rumo a uma economia mais limpa. Temos grandes

empresas tomando medidas efetivas para tentar reduzir

seu impacto ambiental. O mercado financeiro está de

olho nos riscos de investimentos insustentáveis ambientalmente,

porque a questão ambiental tem reflexos diretos

nos ganhos econômicos. O cenário interno também é

favorável. O uso de biodiesel e etanol estão consolidados

no país. A indústria vem demonstrando cada vez mais a

capacidade de atender à demanda crescente por energia

limpa. O Brasil conta com grande oferta de matéria-

-prima, mão de obra, solo fértil e condições climáticas

favoráveis que nos colocam em avançada vantagem

em relação ao resto do mundo. Com a Política Nacional

de Biocombustíveis (RenovaBio) temos a perspectiva

de um novo paradigma de produção e consumo de

combustíveis que pode ser aplicado inclusive em outros

setores da economia. Este modelo valoriza a eficiência,

considerando todos os aspectos da cadeia de produção,

desde sustentabilidade da matéria-prima, passando pelos

processos de produção, até a entrega do produto final

ao consumidor. Ou seja, estamos com a faca e o queijo

na mão. O mundo conspira a favor do Brasil, que tem o

maior potencial na produção de biocombustíveis: biodiesel,

etanol, biogás e, o próximo e indiscutivelmente o que

vem para ficar por muitos anos, o bioquerosene.

segurança energética e cuidado com o meio ambiente e

com a saúde da população. Em 2018, o Brasil produziu o

recorde de 5,3 bilhões de litros de biodiesel para abastecer

o mercado interno. Com isso, não só os consumidores

puderam utilizar um combustível mais limpo como também

a indústria pôde retomar sua produção e consolidar

a posição do país como segundo produtor global deste

biocombustível - atrás apenas dos EUA (Estados Unidos

da América). Já em 2019, a produção e o consumo no Brasil

devem marcar novo recorde: 6 bilhões de litros/ano.

No final do ano passado, o Cnpe (Conselho Nacional de

Política Energética) aprovou uma resolução que deu previsibilidade

inédita para o setor. O cronograma do Cnpe

estabelece o aumento de 1% ao ano no teor de biodiesel

adicionado ao diesel fóssil até 2023. Com isso, a previsão

é alcançar o B15 (15% de biodiesel) até março de 2023.

Para a Ubrabio, o B11 chegou oportunamente e o B12 em

março é necessário para que a indústria possa continuar

produzindo, gerando empregos e, principalmente, substituindo

combustível fóssil por renovável.

Como o RenovaBio deverá mudar o cenário de

combustíveis no Brasil? Quais as expectativas do

projeto?

O RenovaBio é uma política de Estado de descarbonização

do transporte e valorização dos biocombustíveis.

Ela foi desenvolvida para ajudar o Brasil a cumprir seu

compromisso de redução de emissões de gases de efeito

estufa assumido no Acordo do Clima de Paris. Além de

reduzir as emissões e melhorar a qualidade do ar, um

estudo do MME mostra que o RenovaBio deve gerar mais

No âmbito das políticas públicas, até onde o país

está avançando para os combustíveis renováveis?

Como a legislação brasileira está acertando ou errando

neste sentido?

A legislação brasileira prevê importantes avanços

para o setor de transportes e combustíveis, com a

previsibilidade de incremento do uso de biodiesel para

substituir gradualmente o diesel fóssil – desde 1° de

setembro de 2019, todo o diesel fóssil vendido no Brasil

conta com 11% de biodiesel. A atual política de biocombustíveis

foi construída a partir de necessidades latentes

no cenário brasileiro: valorização dos produtos nacionais,

diminuição do desemprego, fortalecimento da indústria,

Ao substituir o diesel

fóssil por biodiesel, que

é um produto renovável

e produzido no Brasil,

reduzimos a dependência

por combustível

importado

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PRINCIPAL

PERFORMANCE E

QUALIDADE

FOTOS DIVULGAÇÃO

MERCADO DA

BIOMASSA TEM

TUDO PARA CRESCER

CONSIDERAVELMENTE

NO BRASIL NA

PRÓXIMA DÉCADA,

MAS MAQUINÁRIO

ADEQUADO É

FUNDAMENTAL PARA

A EVOLUÇÃO

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PRINCIPAL

J

á não é novidade para ninguém, mesmo a

passos tímidos, que a economia brasileira está

retomando o crescimento após quase uma

década de retração que resultou em uma estagnação

considerável em todos os setores industriais.

No caso da geração de biomassa, um segmento ainda

em desenvolvimento no Brasil, não foi diferente. Mas,

mesmo assim, as empresas fornecedoras de maquinários

souberam driblar as dificuldades e trouxeram para

o consumidor peças com alta performance e grande

retorno financeiro.

A exemplo disso, a energia de biomassa comercializou

20.488 GWh (Gigawatts/hora) no SIN (Sistema Interligado

Nacional), somente durante os primeiros nove

meses do ano passado. Esse resultado, coletado pela

Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), representa

quase 10% a mais que no mesmo período de 2017.

O estudo, corroborado com os dados da Câmara

de Comercialização de Energia Elétrica, mostra também

que a bioeletricidade brasileira é duas vezes mais

produtiva que a cadeia de energia elétrica de um dos

nossos países vizinhos, o Paraguai.

Já em 2019, essa recente prática energética desbancou

a produção de eletricidade por termelétricas de

carvão vegetal, produzindo 13.387 GWh para o SIN, um

volume 2,5 vezes maior que essa atividade de origem

fóssil.

E os números poderiam ser ainda melhores, caso

houvesse maior engajamento dos órgãos públicos em

incentivar o uso da biomassa. A Associação da Indústria

da Cogeração de Energia estima que a receita gerada

pelas usinas de biomassa poderia ser até R$ 1 bilhão

maior, por safra do setor sucroenergético, se o MME

(Ministério de Minas e Energia) aprovasse pleito da

associação para mudar a portaria que define os limites

da garantia física das usinas a biomassa. De acordo com

a associação, bastaria uma medida infralegal do MME

para o país ter 1 GW (Gigawatt) na geração vinda do

setor sucroenergético.

Já o diretor de Tecnologia e Regulação da Cogen,

Leonardo Caio Filho, defende que bastaria uma simples

alteração na Portaria MME nº 564/2014 para ampliar

os montantes de garantia física, isto é, o volume de

bioeletricidade que as usinas podem comercializar no

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CASE

GIGANTE

SUSTENTÁVEL

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AMAZON LANÇOU 18 PROJETOS DE

ENERGIA RENOVÁVEL EÓLICA E SOLAR QUE

FORNECERÃO MAIS DE 4,6 MILHÕES DE MW/H

DE ENERGIA LIMPA ANUALMENTE

FOTOS DIVULGAÇÃO

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CASE

A

Amazon anunciou uma série de projetos

que pretendem ampliar seus esforços em

energia renovável e minimizar as emissões

de carbono. A gigante de tecnologia

desenvolverá três projetos de energia renovável que

deverão fornecer energia para os data centers da

AWS (Amazon Web Services), que abastecem a Amazon

e milhões de clientes da AWS em todo o mundo.

Um parque eólico, com uma capacidade máxima

de 50 MW (Megawatts), será instalado na Península

Kintyre na Escócia e deverá produzir 168 mil MW/h

(Megawatt/hora) de energia por ano. A instalação

poderia abastecer o equivalente a 46 mil residências

no Reino Unido e seria o maior contrato corporativo

de compra de energia eólica do Reino Unido, segundo

informações da companhia.

Os outros dois projetos solares serão instalados

nos EUA (Estados Unidos da América), sendo um na

Um parque eólico, com

uma capacidade máxima

de 50 MW, será instalado

na Península Kintyre na

Escócia e deverá produzir

168 mil MW/h de energia

por ano

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PELO MUNDO

RETORNO

CERTO

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ACELERAÇÃO NA

IMPLANTAÇÃO

DE ENERGIA

RENOVÁVEL NA

AUSTRÁLIA REGISTRA

NÍVEIS RECORDES DE

INVESTIMENTO

FOTOS DIVULGAÇÃO

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PELO MUNDO

A

energia gerada a partir de fontes renováveis

alcançou um marco na Austrália: pela

primeira vez, essas fontes abasteceram

50,2% da rede elétrica do país, na primeira

semana de novembro, de acordo com dados do NEM

(National Energy Market). A região abastecida abrange

alguns dos principais mercados da Austrália, como

Queensland, Nova Gales do Sul, Vitória, Austrália do

Sul e Tasmânia.

A energia solar ficou na liderança, alimentando

32,5% da rede. A energia eólica ocupou o segundo lugar

com 15,7% e a hidrelétrica com 1,9%. As energias

renováveis mantiveram a marca de 50,2% por apenas

10 minutos e, durante o resto do dia, contribuíram

com 31,2% da eletricidade usada nos cinco estados.

Especialistas acreditam que o avanço é uma prévia

de um futuro em que esses números se tornarão uma

ocorrência cada vez mais comum no país.

“Vamos começar a ver isso acontecendo com mais

frequência. Foi apenas um episódio, mas é indicativo

de uma tendência subjacente no sistema”, alerta

Dylan McConnell, da Faculdade de Clima e Energia da

Universidade de Melbourne.

McConnell explicou que os meses da primavera

geralmente são tempos de alta produção de energias

renováveis, quando a demanda não está sendo

impulsionada pelos clientes que desejam aquecer ou

esfriar casas.

“É uma conquista fantástica ter mais da metade do

mercado nacional de eletricidade movido a energia renovável,

e vale a pena comemorar”, empolgou-se Kane

Thornton, executivo-chefe do Clean Energy Council.

“Daqui a uma década, será completamente normal

à medida que mais projetos de energia renovável e

armazenamento forem construídos para substituir as

usinas de carvão que estão se aposentando. No início

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TECNOLOGIA

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COMBATE

NATURAL

MÉTODOS NATURAIS COMBATEM

VAZAMENTOS NO NORDESTE

FOTOS DIVULGAÇÃO

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TECNOLOGIA

V

azamentos de petróleo estão atingindo

mais de 450 praias no Nordeste do Brasil,

alcançando areia, estuários e manguezais.

Para conter a contaminação, métodos

naturais são a recomendação de especialistas como a

melhor alternativa de biorremediação.

O Igeo/Ufba (Instituto de Geociências da Universidade

Federal da Bahia) apresentou ao Comando

Unificado de Incidentes, em Salvador, uma minuta

em que estão indicados métodos biotecnológicos

de remediação. O documento indica processos que

aceleram a degradação dos compostos de petróleo já

impregnados nas áreas afetadas, realizando a limpeza

da toxicidade microscópica, impossível de ser feita

com o trabalho manual.

As técnicas foram desenvolvidas pelo Igeo, com

patente da Ufba, individualmente ou em parceria com

a Universidade de Salvador - Unifac. As inovações

aliam tecnologia e insumos encontrados facilmente

nas costas baiana e nordestina, o que reduz o custo

ao mesmo passo em que evita o uso de produtos

químicos, diminuindo a inserção de novas substâncias

possivelmente tóxicas nas biotas já impactadas pelo

derramamento de óleo. Apesar de novas, as técnicas já

foram testadas com amostras do óleo que chegou ao

litoral do nordeste brasileiro.

“O que fazemos é usar organismos vivos para

remover os poluentes do ambiente. Não adianta só

tirar a poluição visual, é preciso eliminar os compostos

invisíveis, como benzeno, tolueno e xileno, ou no

mínimo diminuir a presença deles. Aí entra a biotecnologia,

com diferentes indicações para cada ambiente”,

explica o professor da Ufba, Ícaro Moreira, que já

atuou na agência ambiental do governo canadense na

área de remediação em episódios de derramamento

de petróleo.

Para remover poluentes que já estão dissolvidos

na água, a técnica utilizada é baseada em microalgas

que se alimentam do carbono contido nas substâncias

tóxicas. Neste processo, a água contaminada entra em

um reator contendo microalgas que se abastecem do

carbono. Em seguida, a água limpa é liberada de volta

no ambiente. Já as microalgas, após se alimentarem

de carbono e crescerem, viram uma biomassa que

pode ser utilizada para produção de biodiesel. “É um

Apesar de novas, as

técnicas já foram testadas

com amostras do óleo

que chegou ao litoral do

nordeste brasileiro

processo que não gera resíduo. A água fica limpa e a

microalga pode virar um combustível também limpo”,

completa Moreira em entrevista ao portal UOL.

O processo, além de sustentável, é altamente

eficaz: um dos estudos desenvolvidos no Programa

de Pós-Graduação em Geoquímica - Petróleo e

Meio Ambiente da Ufba mostrou que as microalgas

conseguem, em um período de 28 dias, eliminar 94%

dos poluentes de amostras da chamada “água do

petróleo” (efluente resultante da produção petrolífera

que é considerado um dos efluentes mais poluídos do

mundo).

Uma estimativa feita pelo professor Ícaro Moreira,

um dos coautores das pesquisas que deram origem às

técnicas de biorremediação, aponta que um conjunto

de reatores capaz de tratar 1,5 mil litros de água marinha

a cada três dias custaria cerca de R$ 50 mil para

implantação, com custo de manutenção mensal de R$

7 mil. Ao final do processo, a biomassa gerada poderia

ser vendido por R$ 1 mil/quilograma.

“No final das contas, a biomassa gerada paga as

contas e ainda dá lucro. Isso é um exemplo bem claro

do que nós chamamos de economia circular”, aponta

Moreira.

Já as áreas de areia de praia ou áreas de mangue

apresentam dificuldades para limpeza manual e maior

risco de impregnação de substâncias poluentes.

Nesses casos, a recomendação da entidade é fitorre-

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 37


ECONOMIA

DINHEIRO

VERDE

CENÁRIO É PROMISSOR NA AMÉRICA LATINA,

REGIÃO COM GRANDE VARIEDADE DE ECOSSISTEMAS

E POSSIBILIDADES DE INOVAÇÕES SUSTENTÁVEIS

FOTOS DIVULGAÇÃO

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D

esenvolvimento sustentável já deixou de ser

uma tendência e hoje é compreendido como o

caminho para se manter inserido no presente

e futuro da economia. A bioeconomia é uma

parte promissora desse futuro; é uma forma inovadora de

impulsionar o desenvolvimento sustentável na América

Latina.

“A bioeconomia moderna é capaz de mitigar gases de

efeito estufa e trazer inúmeros benefícios para a sociedade.

Pode dar mais valor e produtividade para a agricultura,

possibilitar o aproveitamento de resíduos urbanos

e rurais, garantir a segurança energética e o acesso à

energia, além de ser uma fonte próspera de negócio. A

bioeconomia já movimenta € 22 bilhões”, afirmou o então

ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, durante o

I Biofuture Summit.

O cenário é especialmente promissor na América

Latina, região com grande variedade de ecossistemas e

possibilidades de inovações sustentáveis. “Não é de se

estranhar que a América Latina oferece hoje os melhores

indicadores da Bioeconomia mundiais, observando a

incidência relativa das energias renováveis em sua matriz

energética, os melhores índices de produtividade agrícola

no caso de alimentos, fibras e combustíveis”, destacou

Ingo Plöger, presidente do Conselho de Empresários da

América Latina presidente do Ipdes (IP Desenvolvimento

Empresarial e Institucional), em palestra no Green Rio,

plataforma de negócios que reúne expositores, palestrantes

e representantes da Economia Verde.

Plöger destacou a atuação da Argentina, que criou

uma Plataforma de Bioeconomia integrando três a quatro

ministérios envolvendo várias organizações da sociedade

civil, e da Costa Rica, que mantém um programa antigo

de Bioeconomia como uma das prioridades de Estado.

“No Brasil temos havido políticas fortes que transformam

setores, porém não temos nenhuma coordenação

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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INOVAÇÃO

NOVA

ECONOMIA

STARTUPS ENTENDEM QUE A DISRUPÇÃO E

SUSTENTABILIDADE ABREM CAMINHO PARA

NOVOS NEGÓCIOS NA INDÚSTRIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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INOVAÇÃO

O

s avanços na busca por fontes renováveis

abrem possibilidades de mercado e empresas

voltadas para inovação estão explorando

essas possibilidades. Um relatório recente da

Bnef (Bloomberg NEF), líder em pesquisa mundial sobre

energia limpa, aponta que, por volta de 2030, geradores

solares, eólicos e baterias de grande porte terão preços

inferiores em relação às usinas de gás ou carvão em

quase qualquer lugar do mundo. Esse cenário é sinônimo

de oportunidades, que estão sendo aproveitadas por

startups em diversos nichos.

No Brasil, startups estão avançando no setor, motivadas

inclusive pelas condições climáticas naturais do país

que favorecem a ampliação de fontes renováveis como

painéis solares e usinas eólicas. De acordo com a base de

dados Startupbase, existem 67 empresas de energia em

parques tecnológicos, e 14 com matriz renovável, entre

elas, eólica, hídrica, biomassa, biogás e energia solar.

“É um cenário extremamente positivo de um mercado

em crescimento exponencial”, acredita o gestor

de projetos do Sebrae-RS, Cleverton Rocha. Ele destaca

a importância do surgimento de novas alternativas de

energia como fator fundamental para o desenvolvimento

tecnológico e desaceleração do aquecimento global, com

a redução da emissão de gás carbônico.

Uma dessas empresas é a Incyclus, startup acelerada

pela catarinense Spin, que mantém uma plataforma digital

focada na conexão de empresas com consumidores.

“Negociamos e gerenciamos energia limpa e renovável

para tornar possível um futuro mais sustentável através

do consumo consciente de energia”, afirma o CEO da Inccyclus,

Kayo Cheganças, em entrevista à revista Business.

A plataforma funciona como um hub integrador, que

engloba empresas, indústrias, casas, agentes, plataformas

geradoras e parque de fontes renováveis; ali é possível

contratar energia de forma mais rápida e simplificada.

Como o consumidor tem opções de escolha da fonte e do

fornecedor, os custos podem diminuir de forma considerável

- segundo Cheganças, a economia chega a 90%.

De acordo com Kayo, o objetivo é promover e democratizar

o acesso a uma energia sem impacto ao meio ambiente.

“A ferramenta transforma o complexo em simples

ao unificar todas as experiências de alta gestão”, ressalta.

“Toda a cadeia de valor da indústria está na palma da

mão e para contratar, trocar ou gerenciar será tão simples

quanto entrar no app de um banco”, assegura.

Já no Rio Grande do Sul, um destaque é a Valencia

Serviços de Energia, startup incubada no parque tecnológico

da Unisinos há três anos. A startup foi criada pelo

engenheiro eletricista graduado pela Unisinos, Thiago

Lemes de Sá, que hoje tem dois sócios, Eliézer Brazil e

Wagner Martins.

O projeto foi financiado com investimentos próprios

desde o começo: os sócios aportaram R$ 15 mil na

abertura da Valencia. Atualmente, a startup desenvolve

trabalhos na Região Metropolitana de Porto Alegre e no

Vale do Taquari.

Ao longos dos três anos de atividade, a empresa

cresceu com o lucro de três produtos: projeto elétrico;

análises e consultoria de eficiência energética para reduzir

consumo de energia elétrica; e, como foco central da

empresa, energia solar fotovoltaica.

“A questão da sustentabilidade é muito importante.

Vemos cada vez mais pessoas se preocupando com o

meio ambiente, há uma mudança na cultura e a energia

fotovoltaica é uma das soluções”, ressalta o fundador da

empresa. Ele destaca ainda o potencial de ganho para

a energia elétrica brasileira a partir do surgimento de

fontes renováveis. “O país não vai precisar investir tanto

na área, porque as pessoas vão estar gerando sua própria

energia”, defende, em entrevista ao Jornal do Comércio.

Já no Maranhão, um projeto desenvolvido durante a

graduação em Engenharia Mecânica na Uema (Universidade

Estadual do Maranhão) se transformou em uma

startup inovadora. A Bio Fluid Soluções Eco Biodegradáveis

atua na fabricação de um fluido biodegradável à

De acordo com a base de

dados Startupbase, existem

67 empresas de energia

em parques tecnológicos,

e 14 com matriz renovável,

entre elas, eólica, hídrica,

biomassa, biogás e energia

solar

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PRÊMIO

PRÊMIO

2 19

DESTAQUES DO SETOR DE

BIOMASSA BRASILEIRO

RECEBEM PRÊMIO

REFERÊNCIA 2019

FOTOS ROSANGELA BINI

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PRÊMIO

2

19

O

s principais empresários e profissionais do setor

de biomassa de todo o país estiveram presentes

na cerimônia do PRÊMIO REFERÊNCIA, realizada

no final do mês de outubro, em Curitiba (PR),

com assinatura da JOTA EDITORA.

Com 17 anos de tradição, a premiação é uma das mais

respeitadas do Brasil por enaltecer a atuação de empresas

do setor ao longo do ano, como forma de reconhecimento

ao trabalho e ao desenvolvimento do país, considerando

também critérios como empregabilidade, sustentabilidade,

valores, cultura organizacional, inovação, geração de renda,

entre outros quesitos.

O PRÊMIO REFERÊNCIA busca fomentar o mercado, em

toda a cadeia produtiva da madeira: nas florestas, na indústria,

na produção de celulose e de papel, na geração de biomassa

e nos produtos de madeira. Desta maneira, valoriza

as empresas e as organizações do setor que colaboram para

que o mercado brasileiro seja um dos mais desenvolvidos

e promissores do mundo. “Minha gratidão à presença de

vocês que dedicaram um tempo para estarem aqui. Há 21

anos, a REVISTA REFERÊNCIA vem trazendo a informação especializada

para o nosso segmento e sinto orgulho da força

da revista impressa”, ressaltou o diretor comercial da JOTA

EDITORA, Fábio Machado.

Em tempos de fake news e da dubiedade de informações

das mídias digitais, Fábio destacou a potência da mídia

impressa especializada no mundo que, cada vez mais, tem

um púbico cativo por ter a credibilidade como valor primordial.

“Recentemente, a Rock Content, maior empresa de

conteúdo digital da América Latina, lançou uma revista impressa,

assim como a Uber e Airbnb, por exemplo. Isso tem

ocorrido porque, em uma pesquisa, foi revelada a dificuldade

dessas empresas em se comunicar com empresários,

diretores, investidores, CEO’s, presidentes de empresas, etc.

E esse público-alvo falou que busca informação na revista

segmentada impressa por confiar nessa fonte de informação”,

revelou.

Além da credibilidade e qualidade de conteúdo da mídia

impressa, outro ponto ressaltado pelo diretor executivo da

JOTA EDITORA, Pedro Bartoski Jr., é a comunicação direta

que as empresas passam a ter com público por meio do veículo

impresso. “Muitas vezes o setor empresarial não informa

ao seu público o que está produzindo e desenvolvendo. A

revista é uma ferramenta para as empresas e os profissionais

divulgarem e comunicarem o trabalho realizado em prol

do nosso Brasil. A gente tem orgulho de estar premiando

10 dessas empresas que pesquisamos e descobrimos como

fizeram algo de muito importante, dentro do nosso segmento,

neste ano. Mas convido a participarem ativamente:

divulguem mais as empresas, porque credibilidade a gente

tem de sobra, assim como vocês, precisamos saber usar mais

essa ferramenta”, orientou o diretor executivo.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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ARTIGO

EFEITO DO SISTEMA DE PLANTIO E

DA EXPOSIÇÃO SOLAR SOBRE A

ALOCAÇÃO DA BIOMASSA NO

DESENVOLVIMENTO

INICIAL DO EUCALIPTO

FOTOS FABIANO MENDES

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HELIO TONINI

Engenheiro Florestal, Pesquisador da Embrapa Pecuária Sul

MARINA MOURA MORALES

Química, Pesquisadora da Embrapa Florestas

VANDERLEY PORFIRIO DA SILVA

Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Florestas

JORGE LULU

Engenheiro Agrícola, Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril

AUSTECLINIO LOPES DE FARIAS NETO

Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

51


ARTIGO

RESUMO

E

ste trabalho foi desenvolvido com o objetivo

de comparar a alocação da biomassa arbórea,

a conicidade do tronco e a relação altura

e diâmetro ao longo do fuste de árvores de

eucalipto implantadas em um sistema silvipastoril, em

diferente exposição solar, e em monocultivo. Os dados

foram coletados em 13 árvores-amostra aos 27 meses

de idade, selecionadas em função do intervalo de confiança

da média dos DAP (Diâmetros a Altura do Peito)

e da posição das árvores na faixa de plantio, com face

de exposição sul, norte e central. Concluiu-se que na

comparação com o monocultivo, as árvores plantadas

em sistema silvipastoril apresentaram menor altura

total, maior conicidade e maior biomassa na copa. No

sistema silvipastoril, não houve efeito da posição da

árvore na faixa de plantio sobre a produção total de

biomassa na parte aérea, porém, árvores com face de

exposição norte foram mais baixas, cônicas e produ-

ziram maior biomassa de galhos e folhas nas partes

inferiores da copa.

INTRODUÇÃO

Nos sistemas silvipastoris, em geral, são adotados

arranjos do componente arbóreo no sentido leste -

oeste, para permitir maior penetração de luz entre

as linhas de árvores, beneficiando as forrageiras no

consórcio. Com a utilização de espécies florestais e forrageiras

adequadas, a arborização de pastagens, pode

aumentar a produção e a qualidade das forrageiras e

melhorar o desempenho dos animais em ganho de

peso, lactação, sanidade e reprodução além de gerar

renda pela produção dos multiprodutos florestais.

Neste tipo de sistema agroflorestal, o Eucalyptus

é um dos gêneros mais utilizados como componente

florestal. A sua adoção ocorre devido ao grande número

de genótipos/fenótipos disponíveis; a adaptação às

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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ARTIGO

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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AGENDA

JANEIRO 2020

INTERSOLUTION

Data: 15 a 16

Local: Gante (Bélgica)

Informações: www.intersolution.be/en/home

DESTAQUE

ENERGY MEXICO

Data: 28 a 30

Local: Cidade do México

Informações: www.energymexico.mx

FEVEREIRO 2020

WIND EXPO JAPAN

Data: 26 a 28

Local: Tóquio (Japão)

Informações: www.windexpo.jp/en

ABRIL 2020

FIEMA BRASIL

Data: 14 a 16

Local: Bento Gonçalves (RS)

Informações: www.fiema.com.br

EUROPEAN BIOMASS CONFERENCE

Data: 27 a 30

Local: Marselha (França)

Informações: www.eubce.com

AGOSTO 2020

FENASCUCRO

Data: 18 a 21

Local: Sertãozinho (SP)

Informações: www.fenasucro.com.br/pt-br.html

FIEMA

Data: 14 a 16 de abril de 2020

Local: Bento Gonçalves (RS)

Informações: www.fiema.com.br

Em sua IX edição e oferece infraestrutura, amplo

espaço e instalações adequadas para empresas

e instituições apresentarem soluções ambientais,

tecnologias e inovação para resíduos, águas, efluentes,

energia, construções sustentáveis, ciência e tecnologia,

segurança do trabalho e gestão ambiental.

Um encontro dinâmico que prioriza geração de

negócios, rede de relacionamento, disseminação de

conhecimento e, sobretudo, impulsiona o fluxo de

informações e troca de experiências entre profissionais,

especialistas e acadêmicos.

Imagem: divulgação

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OPINIÃO

Foto: divulgação

A DESERTIFICAÇÃO

DO BRASIL

POPULAÇÃO DEVE LEMBRAR DOS TRANSTORNOS OCORRIDOS

EM 2015 E 2016 EM VÁRIAS REGIÕES DO BRASIL

E

m 2005, o governo federal iniciou a grandiosa obra

de transposição do Rio São Francisco para levar água

às regiões setentrionais do nordeste. A condição

climática no semiárido nordestino é extremamente

complexa, pois alterna períodos de chuvas e longos períodos

de estiagem, afetando principalmente os produtores rurais.

Essa alternância resulta na característica de que a região

não é tão seca a ponto de expulsar definitivamente as pessoas,

e tampouco é úmida suficiente para gerar prosperidade

econômica por meio das atividades agropecuárias.

Os períodos de chuvas favoráveis mantém as pessoas no

campo e geram alguma reserva; já os períodos de estiagem

consomem toda a reserva acumulada. E em condições de

seca muito severa, correntes migratórias partem para outras

regiões do país, como é notório desde o início do século XX.

No saldo, as famílias que permanecem no sertão ficam reféns

da seca e da miséria.

Após inaugurações apressadas, a obra de transposição

está em ruínas, e o que seria uma medida para acabar com a

“indústria da seca” e para implantar um novo modelo econômico

na região tornou-se mais um dos grandes exemplos de

ineficiência e má gestão dos recursos públicos: a transposição

do São Francisco definha, e isso secou também o sonho de

milhões de pessoas que almejavam com a obra uma vida mais

próspera.

Estamos assistindo a um efeito de ampliação de extensas

áreas de seca no Brasil, pois largas extensões territoriais estão

se tornando mais áridas. E diferentemente do que ocorre no

nordeste, em que a própria natureza moldou a aridez da região,

a ampliação de regiões áridas em outras partes do Brasil

é fruto da intervenção direta do homem sobre os processos

naturais.

Como é de amplo conhecimento não somente da comunidade

acadêmica, a presença de florestas é fundamental para

que a umidade proveniente da Amazônia, também chamada

de rios voadores, alcance áreas ao sul do Brasil, tanto nas regiões

centro-oeste, sudeste e sul, como também alcance outras

partes do território sul-americano.

O desmatamento desenfreado da floresta amazônica

sem nenhum tipo de planejamento e ordenamento territorial

está comprometendo o fluxo natural de umidade. Com esse

comprometimento, extensas áreas estão mais propensas à estiagem,

prejudicando todo o sistema econômico já instalado

e consolidado, como o agropecuário, a geração de energia,

o transporte hidroviários e os sistemas de saneamento, por

exemplo. E ao contrário de discursos atuais, não há falácias

sobre o que vem acontecendo na Amazônia: ela está sim em

perigo e corre o risco de ser extinta nas próximas décadas –

além de inviabilizar economicamente outras regiões do Brasil

por conta da estiagem, tornando essas regiões semelhantes

ao que acontece no sertão nordestino. Sem água, uma das

grandes fontes de riqueza econômica desse país, a atividade

agropecuária, estará severamente comprometida.

Grande parte da população deve se lembrar dos transtornos

ocorridos em 2015 e 2016 em várias regiões do Brasil,

mas em especial no sudeste, que viveu a maior crise hídrica

de sua história, afetando milhões de pessoas. É certo que

crises hídricas irão retornar com mais frequência e severidade

caso o desmatamento continue. E é nesse aspecto que deve

haver a mobilização dos diversos setores sociais do Brasil

para combatermos um eminente desastre ambiental e, por

decorrência, uma tragédia social. Portanto, a prosperidade

brasileira depende essencialmente da manutenção dos serviços

ambientais gerados pela floresta amazônica, sem a qual o

semiárido ocupará grandes extensões do território brasileiro e

mais pessoas estarão atadas à miséria.

Por Rodolfo Coelho Prates

Doutor em Economia e professor do curso de Economia da PUC/PR

(Pontifícia Universidade Católica do Paraná)

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