VJ setembro 61.p65 - Visão Judaica

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VJ setembro 61.p65 - Visão Judaica

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editorial

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Publicação mensal independente da

EMPRESA JORNALÍSTICA VISÃO

JUDAICA LTDA.

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HANA KLEINER

Diretor de Redação

SZYJA B. LORBER

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DEBORAH FIGLARZ

Arte e Diagramação

ALEXANDRE VICTORINO

SONIA OLESKOVICZ

Webmaster

RAFFAEL FIGLARZ

Colaboram nesta edição:

Aaron Granot, Abi Goldreich, Alberto

Mazor, Antonio Carlos Coelho, Arlene

Kushner, Aristide Brodeschi, Barbara

Crook, Breno Lerner, David Bedein, Don

Feder, Heitor De Paola, Itamar Marcus,

Morris Abadi, Nahum Sirotsky, Paulina

Gamus, Ratna Pelle, Sérgio Feldman,

Shimon Peres, Sonia Velasco Grávalos,

Ted Feder, Tzipora Rimon, Yossi

Groisseoign e Walid Phares

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o conteúdo dos artigos, notas, opiniões ou

comentários publicados, sejam de terceiros

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pelos autores. O fato de publicá-los não indica

que o VJ esteja de acordo com alguns

dos conceitos ou dos temas.

Contém termos sagrados, por isso trate

com respeito esta publicação.

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Este jornal é um veículo independente

da Comunidade Israelita do Paraná

Um pouco de otimismo rumo aos 60 anos

ntramos no novo ano de

5768 com uma série de êxitos

operacionais em Israel

na luta contra o terrorismo.

Poucas vezes são reveladas

pela imprensa mundial as expectativas

realistas acerca da situação

da segurança de Israel e do povo

judeu. Comecemos pelo terrorista

suicida do Hamas, capturado há três

semanas, que tinha como objetivo

cometer um novo atentado na cidade

de Beer-Sheva. Depois, foi evitado

outro atentado em Tel Aviv, quando

um “menino” de 15 anos foi detido

carregando explosivos em sua

mochila, enquanto tentava passar

pelos postos de inspeção do Exército

na Judéia e na Samária. Dias atrás

foi capturado um dos seqüestradores

do soldado Guilad Shalit.

As tentativas do Hamas e da

Jihad Islâmica de

penetrar diariamente

em território

israelense,

Nossa capa

Datas importantes

a partir da Faixa de Gaza, para a sorte

de Israel, têm culminado em vitórias

tácticas do Tzahal. Temos que

aplaudir aqueles jovens postados nas

fronteiras, e que trabalham dia e

noite para evitar a entrada de terroristas

a pé, de bicicleta, pelos túneis,

ou em caminhões carregados de

explosivos, ou ainda de barco e outras

formas. O resultado é que até

agosto de 2007 um total de 221 terroristas

tiveram frustradas suas más

intenções de cometer atentados,

matar e mutilar gente em kibutzim ou

nas cidades israelenses.

Mas Israel continua sua luta diária

também contra o terrorismo no

Norte do país. Recentemente, segundo

informes da imprensa internacional

houve uma operação aérea

e terrestre no Norte da Síria. O

objetivo segundo as versões jornalísticas

era destruir caravanas de

munição iraniana em solo sírio para

a organização terrorista Hezbolá, ou

um bem sucedido ataque visando

1º dia de Sucot

2º dia de Sucot

Shabat / 1º dia de Chol Hamoed

2º ao 4º dias de Chol Hamoed

Hoshaná Rabá

Shemini Atêseret

Simchat Torá

Shabat / Bereshit

Shabat / Nôach

danificar equipamento com tecnologia

nuclear norte-coreano que

teria sido adquirida pelo ditador

Assad filho. De fato, os únicos dois

países que condenaram a ação aparente

de Israel foram a Coréia do

Norte e o regime islamo-fascista

iraniano. As autoridades israelenses

se fecharam em copas e não falam

sobre o assunto. Ou seja: onde

há fumaça, há fogo.

Porém, em meio ao otimismo,

o terror ainda continua causando

danos como ocorre no sul do país.

Todos os meses, o Hamas (ainda

que a Jihad Islâmica e outros grupelhos

menores assumam os lançamentos,

sabe-se que o responsável

é o próprio Hamas), atira

cerca de 120 mísseis Kassam contra

a cidade de Sderot, de 30 mil

habitantes, e contra dezenas de

kibutzim fronteriços de Gaza. Mas

medidas defensivas já estão sendo

tomadas e uma delas, recém

informada pelas autoridades é o

A capa reproduz a obra de arte cujo título é “Simchat Torá”, elaborada com a técnica

aquarela e dimensões de 50 x 35 cm, criação de Aristide Brodeschi. O autor nasceu em

Bucareste, Romênia, é arquiteto e artista plástico, e vive em Curitiba desde 1978. Já desenvolveu

trabalhos em várias técnicas, dentre elas pintura, gravura e tapeçaria. Recebeu premiações

por seus trabalhos no Brasil e nos EUA. Suas obras estão espalhadas por vários países

e tem no judaísmo, uma das principais fontes de inspiração. É o autor das capas do jornal

Visão Judaica. (Para conhecer mais sobre ele, visite o site www.brodeschi.com.br).

27 27 de de setembro

setembro

setembro

28 28 de de setembro

setembro

29 29 de de setembro

setembro

setembro

30/9 30/9 a a 2/10

2/10

3 3 de de outubro

outubro

4 4 de de outubro

outubro

5 5 de de outubro outubro

outubro

6 6 de de outubro

outubro

13 13 de de outubro

outubro

Falecimentos

Ibrahim Belaciano — dia 30/6 — 14 de Tamuz

de 5767, no Rio de Janeiro. Sepultado no

Cemitério israelita do Caju, no Rio.

Esther Rachewski Aronson — dia 10/9 — 27

de Elul de 5767, em Curitiba. Sepultada no Cemitério

Israelita do Umbará.

Hany Heller, dia 19/9 — 7 de Tishrei de 5768.

Curitibana de nascimento, era filha de Gitcia e

Henrique Wahrhaftig, e faleceu em São Paulo,

onde residia. Foi sepultada no dia 20/9 no Cemitério

Israelita do Butantã.

Humor judaico

Sem Sem opções opções

opções

Era hora da refeição noturna durante um

vôo da empresa de aviação israelense El Al.

‘O senhor gostaria de jantar?’, pergunta a

aeromoça para Moishe, sentado à sua frente.

— ‘Quais são minhas opções?’ responde Moishe,

indagando a comissária de bordo.

— ‘Sim, ou não’, responde ela.

desenvolvimento de um sistema

defensivo ativo contra mísseis que

utiliza raio laser anti-míssil.

Enquanto Israel tenta negociar

com palestinos moderados os radicais

empurram o povo palestino

para a desgraça. A Jihad Islâmica e

o Comitê de Resistência Popular assumiram

um ataque de Kassam,

numa aparente tentativa de remover

a responsabilidade do Hamas

pelo que acontece no território que

controla, ferindo 69 soldados há

poucos dias, no campo de treinamento

de Zikkim, a 1 km da fronteira

de Gaza. Felizmente nenhum

deles morreu, embora vários tenham

se ferido com gravidade. Como Israel

não está mais na Faixa de Gaza,

a propaganda do retrógrado Hamas

continua falando da libertação total

da Palestina da “ocupação sionista”.

Enquanto isso, Israel hoje

conta com 7,2 milhões de habitantes

e no ano que vem completa 60

anos de independência.

A Redação

Acendimento das

velas em Curitiba

setembro/outubro 2007

Véspera de Shabat

DATA HORA

27/9 1 18h49

38/9 17h55

3/10 2 17h57

4/10 3 18h52

5/10 17h58

12/10 18h01

19/10 18h05

1 Sucot

2 Shemini Atsêret

3 Simchat Torá


Outubro de 1917

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Esperanças e ilusões de uma geração

Sérgio Feldman *

á noventa anos estava em

vias de eclodir a Revolução

de Outubro. Que, aliás,

ocorreu em novembro, visto

na Rússia Czarista ainda

vigorar o calendário Juliano.

Um sonho de redenção da humanidade

e uma ilusão de que o final da

opressão dos judeus da Europa Oriental

estaria em vias de ocorrer. Grandioso

e trágico momento.

O czar, que era o símbolo vivo do

autoritarismo tirânico do povo russo

e a um tempo, também, encarnação

da opressão sem travas, dos judeus

do vasto Império dos Romanov,

estava sendo derrubado e se previa

a aurora de uma nova era. A utopia

socialista se consolidava como uma

realidade próxima: os oprimidos estavam

tomando o poder e iam criar

uma república aonde reinaria a justiça

social e a liberdade para todos.

Gerações de judeus haviam sofrido

sob o tacão cruel dos czares: pogroms,

restrições de locomoção, numerus

clausus nas universidades,

convocação forçada ao exército por

30 anos com intenção de converter

os judeus (cantonismo), e muitas

políticas severas e cruéis durante

todo o século XIX e nas duas primeiras

décadas do século XX. O apoio à

Revolução, ou pelo menos a simpatia

à mesma, era uma reação

justa e adequada: o

que poderia ser pior ou

igual à crueldade e a violência

dos czares? Um sonho

de Redenção pousou

no íntimo de muitos corações

judaicos: estava

vindo o tempo de justiça

social e de paz previsto

pelos Profetas, mas de

uma maneira “laica” através

do socialismo de Lênin

e seus bolcheviques.

A utopia da Redenção por

vias laicas era comum entre os judeus

europeus que acreditavam em

solução política da questão judaica:

seja pela democracia, ou pelo socialismo,

muitos haviam laicizado seu

sonho messiânico. A militância judaica

no socialismo europeu era

muito grande, bem maior que sua

proporção na sociedade de maneira

percentual. A adesão ao sonho de

Redenção via URSS, ou na vertente

oposta, via sionismo socialista eram

duas maneiras antagônicas, mas que

espelhavam modelos políticos esquerdistas

que almejavam a solução da

questão judaica.

O início deste processo foi difícil,

mas ainda assim repleto de esperança.

A pobreza após a Primeira

Selo postal da antiga

URSS emitido com a

denominação Birobidijan

No alto do edifício da entrada principal da estação de trens que ainda existe em Birobidjan

o letreiro escrito em russo e e em iídiche indica o nome do lugar

Guerra e nos anos da Revolução, e

intervenções de “brancos” (reacionários)

e de ocidentais, deixaram

a recém-criada União das Repúblicas

Socialistas Soviéticas em estado

de penúria. Lenta a gradualmente,

a URSS se reergue e direciona

seus olhos para seus cidadãos judeus.

Projetos são executados: jornais

e livros são editados em iídiche.

O teatro judaico tem estímulo

e a cultura judaica se eleva a um

patamar elevado.

Morre Lênin e em seu lugar assume

Stalin, que supera o sucessor provável

que seria Trotsky. Stalin concebe

uma estratégia para

“divergir” e neutralizar o

projeto sionista. Um estado

judaico em território

soviético que seria criado

no extremo leste do

território soviético, na

fronteira com a China, a

qual ele temia, e que queria

neutralizar. Um local

ermo, de péssimas condi-

ções e de acesso difícil.

Ainda assim, um entusiasmo

se acendeu entre os

judeus esquerdistas de

todo o mundo: a redenção estava em

vias de ser executada na pátria do

socialismo. Era o projeto de Birobidjan,

que criaria uma República Soviética

judaica nos confins asiáticos

da URSS. Coletas de dinheiro foram

feitas, voluntários mal-informados

e idealistas se ofereceram

para colonizar e criar a pátria judaica

nos extremos da Sibéria. O

projeto era de difícil execução e

há quem acredite nas más intenções

de Stalin: pouca chance de dar

certo devido à falta de estrutura e

as más condições do lugar. O fracasso

só foi constatado nos anos

sessenta. Na Segunda Guerra Mundial

o local serviu de refúgio a muitos

judeus que fugiam do nazismo.

O pior ainda ocorreria: a paranóia

de Stalin fez muitas vítimas

entre políticos e militares. Como

entre a Velha Guarda dos “bolcheviques”

havia muitos judeus, Stalin

os defenestrou, entre muitos

outros acusados, de traição, espionagem

e sionismo.

Os processos stalinistas não

eram direcionados apenas contra

judeus: muitas vítimas da sanha

vingativa de sua doentia paranóia

eram revolucionários fiéis e idealistas

dedicados à causa do socialismo.

Stalin teve responsabilidade

na morte de muitos milhares de pessoas:

não há consenso, mas se admite

que devam ter perecido sob o

“Gulag” stalinista cerca de 500 mil

judeus. Há cifras divergentes que

calculam em um milhão de vítimas

judaicas, mas estas são contestadas

por autores esquerdistas e questionadas

por outros.

Nos anos 40 e 50 do século passado,

muitos debates dividiam as

comunidades judaicas do Brasil: os

clubes e associações esquerdistas

defendiam a URSS e a política stalinista

diante da maioria dos componentes

das kehilot que acusavam

Stalin de crimes políticos contra os

judeus e até de ser uma versão “à

esquerda” do genocídio nazista.

Exageros a parte, a postura de Stalin

era contraditória: apoiou a criação

do Estado de Israel (1947/1948)

e oprimiu os judeus soviéticos neste

período de maneira cruel e, por

vezes, sanguinária. A morte de Stalin

não fez cessar o mal-estar judaico

em relação ao fato que o “sonho

de Redenção” se esvaia. A rua judaica

seguia em polvorosa: nem o

Congresso do PCUS, que condenou

Stalin e seus crimes, realizado em

meados da década de 50, acabou a

polêmica. Os judeus esquerdistas

acreditavam que se tratasse de propaganda

da guerra fria, manipula-

da pelos EUA. Só aceitaram os fatos

muitos anos mais tarde.

A luta pela imigração dos judeus

soviéticos a Israel teve momentos

de tenacidade e de heroísmo.

Iniciada nos anos setenta do

século passado, culminou com a Perestroika

de Gorbachev, que praticamente

abriu as portas da URSS

aos judeus de todo tipo: legiões

de judeus assimilados por três gerações,

aos quais foram agregados

não-judeus oportunistas que imigravam

para Israel e de lá à Europa

e aos EUA em busca de melhores

condições. Esta imigração, que teve

altos e baixos, mas que fortaleceu

Israel no sentido demográfico,

criou um fato consumado: graças

aos judeus russos se pode afirmar

que tem-se em Israel, uma densidade

populacional que consolida a

presença judaica no Oriente Médio.

No que tange à Revolução bolchevique,

e o sonho de Birobidjan,

fica uma triste e delicada lição: cada

um deve cuidar de seu próprio des-

Mapa da então Região Autônoma de Birobidjan, perto da península de

Kamtchtka e junto à fronteira da China

tino. Israel pode não ser perfeito, e

nem ter resolvido a “questão judaica”,

mas se consolidou como uma democracia

responsável, moderna e pluralista.

Conflitos com os palestinos

e os países árabes, e com o Irã, geram

preocupação. Já a estabilidade

das instituições e do sistema democrático

israelense são motivo de

satisfação, mesmo tendo que

ser aprimorados e revistos a

todo tempo. Se a Redenção

não ocorreu no Estado sionista,

pelo menos gerou

certa estabilidade e um Estado

que pode servir de referência

em muitos âmbitos,

desde a tecnologia, até a exportação

de métodos educacionais:

“Ki miTzion tetze Torá udvar

HaShem meIrushalaim” (Que de Sion

sairá a Torá e a palavra de D-us de

Jerusalém”). O sonho não acabou e

tampouco se consumou de maneira

plena, mas mesmo sujeito a críticas

e reflexões, está claro que não se

consumará em Birobidjan.

3

Sérgio Feldman

* Sérgio Feldman é

doutor em História pela

UFPR e professor de

História Antiga e Medieval

na Universidade Federal do

Espírito Santo, em Vitória, e

ex-professor adjunto de

História Antiga do Curso

de História da Universidade

Tuiuti

do Paraná.


4

Don Feder

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Don Feder *

orque devemos estar todos

unidos a respeito deste

tema? Estes são extratos de

uma conferência brindada

por Don Feder.

Você tem um problema. É um

problema compartilhado pelos judeus

em Hebron, sérvios em Kosovo, católicos

no Líbano e americanos caminhando

pelas ruas de Nova York.

Considere todos estes incidentes que

estão conectados mais além do que

alguém possa supor:

* Na Indonésia, três escolares

cristãs foram decapitadas.

* No Iraque, um sacerdote sírio

ortodoxo foi seqüestrado, torturado

e assassinado.

* Na Somália, uma monja foi assassinada

com um disparo quando

deixava o hospital onde trabalhava.

* No Líbano, um ministro foi assassinado.

* Na Grã Bretanha, as autoridades

descobriram uma conspiração na

qual britânicos fizeram um complô

para colocar bombas em vôos transatlânticos

novamente.

* No Afeganistão, outra vez os

suicidas terroristas estão agindo.

* No Iraque, um grupo de devotos

foi raptado em uma mesquita, encharcado

com gasolina e todos queimados

até a morte no que foi descrito como

uma violência sectária.

* Na França, um professor de filosofia

do secundário esta se escondendo

após receber ameaças

sérias contra sua vida por um comentário

que publicou em setembro

no jornal Le Fígaro

* Cento e trinta e nove pessoas

morreram em manifestações na Nigéria,

Líbia, Paquistão e Afeganistão

– depois da publicação das charges

dinamarquesas.

Morris Abadi *

Vamos pensar em um casamento.

Quais seriam os passos?

Primeiro, temos uma fase em que

o casal se conhece, troca idéias,

se aproxima. Nesta fase, conhecemos

as virtudes, os defeitos, os objetivos,

as limitações. Podemos

chamar esta fase de namoro. Depois,

vem o compromisso. O namoro

se torna mais sério, os objetivos

mais definidos, o casal começa

a se conhecer um pouco melhor.

Isto é importante. Um pouco melhor.

Não se conhece totalmente.

Isto foi o noivado. Passada a fase

do noivado, temos um período de

intensa pressão. Intensos acontecimentos.

A data do casamento foi

marcada e os preparativos são

A jihad global

* A Europa está experimentando

a pior onda de violência anti-semita

depois da Kristallnacht.

* Em Mumbay, na Índia, uma

série de explosões mataram quase

200 pessoas.

* Em Gaza, terroristas recentemente

celebraram o cessar fogo lançando

mais foguetes no sul de Israel.

* E o líder de mais um bilhão de

católicos recebeu ameaças de morte

por um discurso que fez, no qual se

referiu a um balanço entre a fé e a

razão, mencionando um imperador

bizantino do século XIV.

O que têm estes pontos em comum?

Para mencionar Mark Steyn, em

seu excelente trabalho América na

Solidão: “É o fim do mundo como o

conhecemos, começando com um eu

finalizando com um grande slam (golpe

forte, tradução literal).

Não quero dizer que todos os

muçulmanos são terroristas. Estou

dizendo que quase todos os terroristas

são muçulmanos e que o Islã é

uma fé que é simpatizante do terrorismo.

Desafio a que me nomeiem

outra fé na qual sua entrada no céu

está assegurada por matar aqueles de

outra fé numa guerra santa.

Não digo que os muçulmanos são

gente má. A maioria é gente comum.

O que digo é que há elementos do

Islã que predispõem os aderentes a

cometer crimes como os detalhados

anteriormente.

O que digo, e quero ser claro com

isto, que uma fé adotada por 1 bilhão

e 300 milhões de pessoas no

mundo contém dentro das sementes

do mal que vemos a nosso redor, sementes

que requerem somente as condições

adequadas para germinar.

Tudo é referido no Corão, que considero

como uma pré-escola de Minha

Luta (de Adolf Hitler).

exaustivos, grandes, importantes.

Compromissos muito mais sérios e

abrangentes são assumidos. E finalmente

chega o dia do casamento.

Que festa magnífica, que cerimônia

tocante. E com o casamento,

temos as festas em família, com

os amigos, a lua de mel. Então, o

casal volta para casa. Aí sim, começam

os verdadeiros compromissos,

a verdadeira construção.

Mas, que conversa é esta de falar

dos passos de um casamento? Qual

o objetivo disto?

As grandes festas do calendário

judaico são equivalentes e muito

parecidas com os passos de um casamento.

Obviamente, assim como

para que um casamento dê certo, as

partes precisam assumir e honrar os

seus compromissos, no judaísmo, as

Damas e cavalheiros, estamos na

penumbras de uma Guerra Mundial, tão

mortal como a Guerra Fria e com um

potencial de devastação como a II.

(…) Faríamos um erro grosseiro

se pensássemos no Islã só em termos

de bombas humanas suicidas, ataques

de franco-atiradores, ameaças

de morte, conversões forçadas, mutilações

genitais nas mulheres, assassinato,

jihad e fatwa.

Um dado muito importante é o

que ocorre em maternidades desde

Bruxelas a Bombaim. Das 10 nações

com as menores taxas de nacionalidade,

nove são européias cristãs.

E os 10 países com a maior taxa de

fertilidade? São do Islã. Vejamos o

Níger (7,46 crianças por mulher),

Mali (7,42), Somália (6,76), Afeganistão

(6,69) e Iêmen (6,58). A

mulher palestina que se suicidou

com a idade de 64, sendo a suicida

terrorista mais velha, era mãe de 9

e tinha sido avó de 41.

(…)

Por exemplo, conforme artigo publicado

pelo Washington Times, em 2015

a metade dos soldados no exército russo

será de muçulmanos. E em 2020 aproximadamente

20% da população russa

será muçulmana. O mesmo pode acontecer

naqueles anos no Reino Unido, na

França, Bélgica e Holanda.

Atualmente os muçulmanos são

10% da população na França. Mas

comparando aos franceses menores

de 20 anos, 30% são muçulmanos.

(…) Se bem que há o suficiente

de nós que vemos a necessidade de

agir, cremos que pode ser tarde.

Todos estamos concentrados em ver

o que acontece no seu próprio terreno

que esquece da visão macro. Os sionistas

se preocupam e de maneira correta

com o terrorismo dos palestinos.

A angústia que experimentam os

hindus na Cachemira pela violência

O casamento

coisas não são muito diferentes.

O namoro? Trata-se do período

anterior a Rosh Hashaná, quando fazemos

Selichot (Suplicações). A noiva

esta conversando com o noivo.

Se expondo. Colocando seus defeitos,

tentando conhecer melhor o

noivo. E descobre-se que o noivo é

de muito bom coração. Sim, é Am

Israel conversando com D-us.

Então, chega o dia do noivado.

Rosh Hashaná. Data em que os compromissos

começam a ser selados e a

ficar mais sérios. Mas ainda o casal

pode melhorar ainda mais. Pode se

relacionar a assumir compromissos

ainda mais sérios. São os Dias Temíveis,

intermediários entre Rosh

Hashaná e Iom Kipur.

Finalmente, chega o dia do casamento.

Logo depois de Iom Ki-

apoiada pelo Paquistão, que matou

mais de 50.000 pessoas nos últimos

20 anos.

Grupos como a Voz dos Mártires

documentaram a perseguição de cristãos

no mundo libanês, lamentando

a presença de cristãos no governo

do Líbano. Os cristãos coptas se

queixam que o tratamento de seus

devotos no Egito é persecutório. Por

que tudo isto é parte de um mesmo

assunto. O que acontece no Líbano

afeta Cachemira. O que afeta na Judéia

e na Samária afeta tanto o Líbano

como Londres.

Em retrospectiva é fácil de ver

que um número de eventos na década

de 30 foram passos que levaram

à Segunda Guerra Mundial. É

muito fácil ver a conexão dos

eventos em retrospectiva. Mas, por

exemplo, até antes de Perl Harbor,

milhões de americanos não entendiam

a guerra como tal e logo após

o ataque de Perl Harbor viram a

ameaça alemã. Como disse Winston

Churchill ao presidente Franklin

Delano Roosevelt: “Agora estamos

juntos nisto”.

Meus amigos, estamos neste

assunto…Juntos. Judeus, católicos,

cristãos maronitas, hindus, sérvios

ortodoxos e cristãos na Indonésia.

Até que não comecemos a nos dar

conta, não teremos esperança de nos

opor a uma jihad global.

Quando os sionistas começarem

a se preocupar com o destino dos

sérvios en Kosovo, quando os hindus

apoiarem as comunidades judaicas

e quando os sérvios defenderem

os hindus da Cachemira, poderemos

começar a fazer progressos.

* Don Feder, colunista do Boston

Herald, atualmente é diretor de sua

própria consultoria especializada

em mídia.

pur. Afinal, os noivos devem jejuar

na véspera do casamento. E na seqüência

do casamento, temos as

celebrações de Sheva Berachot,

equivalentes exatamente aos 7 dias

de alegria e júbilo com refeições

festivas dentro da Sucá.

Então, acabam as festividades

e a lua de mel. E o casal então volta

para casa, coroado. Coroado

com a Torá, equivalente à festa de

Simchat Torá.

E é agora que começam os compromissos

e a construção de verdade.

Que o casamento entre a noiva,

Am Israel, e o noivo, D-us, seja feliz

e duradouro.

Shaná Tová Umetuká.

* Morris Abadi é administrador de

empresas em São Paulo.


Ratna Pelle *

m ponto de vista popular

entre liberais e progressistas

é que a solução

para o Conflito do

Oriente Médio (leia-se a

ocupação israelense do território

palestino) é a chave para resolver

todos os outros problemas no

Oriente Médio. A América terá sucesso

fazendo do Iraque um estado pacífico

e democrático, os países árabes

serão democráticos e prósperos,

e os islamistas e a Al Qaeda se tornarão

isolados com suas chamadas para

a jihad e perderão sua fonte mais importante

para o recrutamento. Da

mesma forma, o Irã provavelmente

abandonará sua busca pelas armas

atômicas, e o Egito e Síria poderão

gastar todo o dinheiro que eles aplicam

atualmente em seus exércitos na

educação e cuidados médicos.

Não só progressistas mantêm esta

visão em grandes proporções, os próprios

estados árabes falam assim,

também. Só recentemente o moderado

rei Abdullah da Jordânia emitiu

esta opinião, e pediu aos EUA

que adotassem uma posição de mais

‘imparcialidade’ (leia-se mais pró-árabe),

e também a Liga Árabe gosta de

rotular ‘o tema da Palestina’ como o

problema-chave do Oriente Médio.

Esta atitude não nos surpreende,

mas deveria nos fazer pensar, que isto

desobrigaria os líderes árabes dos

problemas do Oriente Médio como a

instabilidade, a popularidade do Islã

radical, a situação miserável das

mulheres e das minorias, o fraco desenvolvimento

econômico, o alto

desemprego e o crescimento da população.

Eles sempre usaram Israel

como uma conveniente distração

para os seus próprios problemas internos,

e tentaram suavizar sua imagem

pobre com o falso elogio da

‘questão Palestina’. Comentaristas de

esquerda sabem disto é claro, pois

sempre que algum político árabe diz

algo feio ou agressivo sobre Israel ou

os judeus, eles se alinham para explicar

(leia-se perdoar) que o significado

disto foi para consumo interno.

Esta visão do papel do conflito

no Oriente Médio também é compartilhada

por algumas pessoas proeminentes

dentro e em torno da Casa

Branca, Democratas e Republicanos,

e forma o coração do relatório do

assim chamado Grupo de Estudos do

Iraque, também conhecida como Comissão

Baker-Hamilton, que foi publicado

em dezembro de 2006. É irônico

que um relatório feito para oferecer

um caminho de saída do pântano

iraquiano, termine no conflito

Israel é o coração dos

problemas do mundo árabe?

israelense-palestino. Para os EUA é

também atraente por não só deixar

de focalizar nos seus próprios erros

no Iraque, mas também por desviar

atenção para outro país, ainda que

seja um aliado. Até mesmo Condoleezza

Rice compra esta visão e viaja

entre Israel, os territórios palestinos

e o Egito.

Os resultados de uma recente pesquisa

mundial que classifica Israel

como o país com a influência mais

perniciosa no mundo se ajusta bem

a esta imagem. No conflito do Oriente

Médio, Israel é visto principalmente

responsável, como uma ameaça

à paz mundial e o causador principal

nas relações tensas entre os

muçulmanos e o Ocidente.

A ocupação dos territórios palestinos,

afirmam, é tal qual uma

grande humilhação para os árabes

que não podem confiar no Ocidente

e não podem interagir com ele numa

base igualitária. Ecoa o passado

colonial do Ocidente, sua arrogância,

seu sentimento de superioridade.

Mas não é só a ocupação, também

a própria existência de Israel é

humilhante, particularmente porque

foi desde o princípio o objetivo

declarado da Liga Árabe de impedir

ou abolir o nascimento de Israel. A

existência de Israel mostra a significativa

diferença no desenvolvimento

econômico, técnico e militar entre

o mundo árabe e o Ocidente.

Enquanto Israel, por um lado é uma

distração conveniente para os problemas

internos dos estados árabes,

por outro lado dolorosamente realça

a incompetência árabe e atraso

em várias áreas.

Não há dúvida alguma de que uma

solução para o conflito israelensepalestino

e um estado palestino viável

teria um efeito positivo na região

e (numa menor escala) também

nas relações entre os muçulmanos e

o Ocidente em geral. Mas não tenhamos

expectativas idílicas. Um estado

palestino não será uma democracia

próspera em curto prazo, mas um

míni-estado que lutará com uma alta

taxa de natalidade alta, recursos

naturais limitados e uma estrutura

de clãs na qual rivalidades internas

e a corrupção desempenham a principal

papel. Os palestinos (e os árabes)

não estarão aptos a ter todas

as suas exigências satisfeitas, porque

isso faria a existência de Israel

como um estado judeu impossível.

O acordo futuro será doloroso para

ambos os lados. Dos dois lados haverá

um significativo número de pessoas

sentindo que eles tiveram que

pagar um preço muito alto e que o

outro lado ganhou muito mais com

a negociação. Após um tratado de

paz haverá provavelmente o perigo

de que as tensões irão aumentar, que

os extremistas sabotarão tudo, que

o outro lado não manterá os acordos.

Para a reconciliação entre (judeus)

israelenses e árabes é preciso

mais que um tratado de paz. Um

ponto final deve ser posto no antisemitismo

árabe, parar com as teorias

conspiratórias, parar o boicote

a Israel, parar o ressentimento

do mundo árabe sobre a alegada

superioridade judaica e o sucesso.

Um tratado de paz pode contribuir

para isso, mas não é uma panacéia.

Pelo contrário: um tratado de paz

só pode ter sucesso quando o mundo

árabe estiver preparado para

aceitar os acordos e estar predisposto

à reconciliação ao invés da

luta. E a briga para isso ainda é

uma indecisão no mundo árabe.

Há um outro problema com esta

teoria: ela coloca todas as apostas

num dos mais longos e persistentes

conflitos do mundo. Os partidários

mais apaixonados desta teoria pensam

que este conflito pode ser solucionado

em alguns anos e que negociações

sobre ‘temas dos status finais’

podem ser iniciadas imediatamente.

Se Israel hesitar em aceitar

concessões importantes, simplesmente

aumente a pressão, eles dizem. Em

2000 Israel aceitou concessões substanciais,

apesar de muitas reclamações

em contrário, mas isso não conduziu

a um acordo de paz, porque

Arafat estava pouco disposto a abrir

mão do ‘direito de retorno’ dos refugiados

palestinos, nem aceitar a divisão

da cidade velha de Jerusalém

e alguns ajustes de fronteira. Por

outro lado, estava longe a certeza

de que o público israelense teria

aprovado as concessões de longo

alcance de Barak num referendo, certamente

não com a ‘ajuda’ de alguns

oportunos ataques suicidas. Os opositores

da paz em ambos os lados podem

contar um com o outro.

Seguramente há uma necessidade

de colocar um pouco de pressão

em ambos os lados para fazer concessões,

mas até mais do que isso é

necessário para um bom mecanismo

de controle que garantiria a ambos

os lados a manutenção de seus termos

do acordo e que pudessem contar

com o outro lado para fazer o

mesmo: monitores internacionais ou

árbitros pacificadores, por exemplo.

Estes não são novos na região e os

resultados nem sempre foram positivos.

A Unifil não é capaz de nem

impedir o rearmamento do Hezbolá,

apesar das disposições da Resolução

1701 do Conselho de Segurança da

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

ONU, com a qual Israel e o Líbano

concordaram. Monitores europeus

não evitaram o contrabando de armas

em larga escala entre a Faixa

de Gaza e Egito apesar da sua obrigação

de monitorar isso. Israel fechou

repetidamente a fronteira Karni

limitando o cruzamento para

bens, apesar da promessa de que

seria aberta. Belas perspectivas

como uma conexão com a Margem

Ocidental, um porto e um aeroporto

para Gaza não se materializaram,

porque ninguém pode garantir a

Israel que isso não conduziria a um

aumento no contrabando de armas.

O cessar-fogo em Gaza no final de

novembro tem sido violado desde

o primeiro dia através do lançamento

de foguetes por grupos palestinos

quase diariamente em Israel. Em

janeiro o Hamas louvou um ‘bemsucedido’

ataque suicida em Eilat.

Negociações sobre o ‘status final’

são insensatas numa situação

de mútua desconfiança, incerteza

sobre quem tolerará qual acordo, e

especialmente as facções palestinas

que se opõem a qualquer

acordo e desejam

explodi-lo lite-

ralmente sem

que a AutoridadePalestina

possa estar

disposta

a lutar com

elas. Além

disso, as negociaçõessobre

o ‘status

final’ não são

conduzidas num

vácuo e não são destacadas

da realidade diária

das humilhações de palestinos nos

postos de fiscalização, colonos agressivos,

(principalmente) impedir ataques

suicidas palestinos e o estímulo

na mídia palestina. Um período interino

no qual são focalizados problemas

práticos no solo e confiança

construída mantendo-se ‘pequenos

acordos’, é uma condição prévia aos

acordos finais em assuntos como

fronteiras definidas, Jerusalém e o

problema dos refugiados.

Solucionar o conflito israelensepalestino

é do interesse maior, mas

pode demorar um tempo. Então não

é sábio esperar por ele antes de

tentar resolver outros problemas do

mundo árabe. Democratização, direitos

das mulheres e das minorias,

melhor educação; isso é tudo que

é importante e necessário, e pode

conduzir às condições para fazer um

acordo e reconciliação com Israel

mais fácil aceitar.

* Ratna Pelle é um acadêmico

holandês que foi ativo em

diversos movimentos de

esquerda pela paz, meio

ambiente e terceiro mundo. Ele

observa que não é judeu nem

palestino, não é israelense nem

árabe. O texto original foi

publicado em inglês no website

www.zionism-israel.com/log/

archives/00000360.html

5


6

Shimon Peres

Tzipora Rimon

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Mensagem do presidente de Israel

Shimon Peres

este momento em que estamos

no limiar do Ano Novo judaico

e em que assumo a Presidência

do Estado de Israel, desejo primeiramente

compartilhar com vocês

o meu mais profundo e sincero

desejo de contínua prosperidade, segurança,

riqueza intelectual e bemestar

para o Povo Judeu, em todo o

mundo, assim como para todos aqueles

que buscam a paz e a tolerância.

É tempo de união – tanto em casa

quanto no exterior.

Dentro do espectro maior dos dilemas

e desafios que enfrentamos na

Nova Era, o povo judeu está sendo

convocado para tratar de problemas

e questões que dizem respeito à nossa

existência, ao nosso papel em iniciativas

globais e ao delineamento

de nossa própria identidade. Durante

muitos anos, Israel foi visto

como um “problema” mundial. Hoje,

os desafios globais são tanto da

agenda israelense quanto o são as

demais questões que preocupam o

mundo, como um todo.

Faz-se necessário, portanto, que

trabalhemos em conjunto para lidar

com os atuais e os futuros desafios

– não bastando simplesmente reagir

aos mesmos, mas sonhar e criar... e

conceber prioridades estratégicas de

tanta profundidade quanto as que

Tzipora Rimon

No Rosh Hashaná, o Ano Novo

Judaico 5768 e desejamos uns aos

outros que o ano que se inicia seja

repleto de prosperidade, felicidade

e paz. Este ano comemoramos juntos,

dois eventos de fundamental

importância para a história do povo

judeu e para o Estado de Israel: marcamos

60 anos da resolução da Assembléia

Geral da ONU, chefiada pelo

estadista brasileiro Oswaldo Aranha,

que decidiu no dia 29 de novembro

de 1947, pela criação do Estado de

Israel. Em maio próximo celebraremos

o 60 0 Aniversário da Independência

do Estado de Israel.

Nestes dias presenciamos intensos

contatos entre a liderança israelense

e o novo governo palestino,

visando a preparação do Encontro

Internacional, que terá lugar em novembro

nos Estados Unidos. O alvo

é cristalizar princípios políticos e

nosso povo soube conceber ao longo

da História... Acreditando nas

mesmas e as executando... Pois que

somente através da consolidação de

nossos esforços – os de Israel e os

do povo judeu – conseguiremos realmente

fazer algo de concreto para

moldar o futuro e o bem-estar de

nosso povo. Por vivermos em um

mundo globalizado, a “realidade” inevitavelmente

se torna um fenômeno

dinâmico e constantemente em mudança,

no qual as diferentes comunidades

se defrontam com diferentes

circunstâncias e desafios.

O povo judeu não pode negligenciar

a importância de reunir as

vozes solitárias, em todo o mundo

judeu, e harmonizá-las de modo a

formar um todo, íntegro e significativo.

Nossa responsabilidade, enquanto

povo, é permitir que todas

essas vozes sejam ouvidas. É necessário

aprendermos, tanto em Israel

quanto na Diáspora, a arte da sensibilidade

e da sabedoria, que nos

permitirão extrair o potencial embutido

nessas vozes. Nosso objetivo,

com tal processo, precisa continuar

sendo a promoção de uma

parceria intelectual e qualitativa,

pelo bem de nosso povo. Buscar responsabilidades

globais, dentro da

estrutura do Tikun Olam, é parte inerente

à herança judaica. A despeito

de suas reduzidas dimensões de

Mensagem de Ano Novo

da Embaixadora de Israel no Brasil

econômicos que possam ajudar as

partes a se aproximarem de uma solução

para o conflito. A divisão na

sociedade palestina entre Fatah e

Hamas, leva a uma nova oportunidade,

que é o diálogo entre Israel e

o novo governo palestino, paralelamente

à pressão internacional sobre

o Hamas, que continua mantendo

uma política extremista de terror.

Todos nós continuamos engajados

na libertação dos soldados israelenses

seqüestrados pelos grupos terroristas

do Hezbolá e do Hamas. O

mundo continua enfrentando o Irã

e o seu programa nuclear, mas para

Israel, a questão é mais profunda e

existencial. Em relação à cooperação

entre Israel e Brasil, vale a pena ressaltar

que, desde a assinatura do

acordo de cooperação em pesquisa

e desenvolvimento industrial, em

fevereiro passado, as delegações dos

dois países já se reuniram para concretizar

a atuação conjunta.

território, Israel tem comprovado

ser capaz de criar uma economia

singular. De modo semelhante, tornou-se

um pioneiro mundial na

esfera do desenvolvimento científico.

É crucial para Israel a busca

continuada por encontrar e determinar

seu próprio papel no âmbito

mundial da ciência e da tecnologia,

bem como por ser pioneiro na

busca, sem fim, por soluções para

os desafios globais no campo da

educação, das telecomunicações,

da agricultura, do aquecimento

global e de muito, muito mais.

O povo judeu, no mundo todo,

tem sido e continua a ser a espinha

dorsal de tais realizações. Juntos, o

Estado de Israel e os judeus da diáspora

têm o potencial inerente para

contribuir para o avanço no caminho

da paz e da prosperidade em

âmbito global, em geral, e para a

consolidação da existência judaica,

em particular. Para que possamos

transformar em realidade as aspirações

acima descritas, as parcerias

regionais precisam ser alimentadas,

utilizando-se com sabedoria todos

os recursos humanos e naturais disponíveis,

como forma de promover

o desenvolvimento econômico

regional e a educação para a paz.

Nenhuma oportunidade pode ser

perdida e todas as pistas devem ser

seguidas, de modo a promover a paz

A Embaixada de Israel e seu Escritório

Econômico em São Paulo,

estão agindo para promover a significativa

participação brasileira

nos dois eventos econômicos internacionais

que acontecerão em

Israel: a “Conferência do Primeiro

Ministro para Exportação e Cooperação

Internacional”e a “WATEC

2007 - Feira e Conferência sobre

Tecnologias da Água e Controle

Ambiental”. Em dezembro será realizada

a 3ª rodada de consultas

políticas entre os Ministérios das

Relações Exteriores do Brasil e de

Israel. Continuaremos também promovendo

a cooperação nos campos

da educação e cultura. Esses são

alguns exemplos das atividades planejadas

para o ano novo.

Neste novo ano judaico que nasce,

5768, a Embaixada de Israel deseja

ampliar cada vez mais a atuação

conjunta com a comunidade judaica

do Brasil. Desejo à liderança ju-

entre nós mesmos e com os nossos

vizinhos. Ao mesmo tempo, precisamos

empreender as medidas necessárias

para garantir a segurança da

vida judaica, onde quer que seja. O

Estado de Israel valoriza profundamente

a participação das comunidades

judaicas de todo o mundo no

processo de assegurar o nosso bemestar

nacional. Atribuímos um valor

muito especial à ininterrupta participação

da juventude judaica de

hoje, líderes de nosso futuro.

Precisamos continuar a prezar,

com orgulho, a herança e a ética

de nossos antepassados, ao mesmo

tempo em que nossos olhos devem,

também, alcançar os nossos filhos

– pois temos que pavimentar o caminho

para que eles se integrem e

cresçam dentro da Nova Era. De

fato, estamos postados à beira do

presente. Ainda nos deparamos com

todo o tipo de desafios, dos quais

o maior é não deixar que outras

perspectivas galopantes nos deixem

para trás. Esta é a nossa determinação.

Esta é a nossa prece. Com o

Ano Novo, apresento-lhes, uma vez

mais, os meus mais calorosos votos

pessoais a vocês, suas famílias e

suas respectivas comunidades de

um ano de paz e de bem-estar.

*Shimon Peres é Presidente

de Israel

daica, aos rabinos e sinagogas, às

escolas judaicas, às organizações e

todas as famílias, Shaná Tová e um

feliz e frutífero Ano Novo.

* Tzipora Rimon é Embaixadora

de Israel


m conexão com a festa de

Shemini Atsêret (o Oitavo

Dia de Assembléia),

nossos Sábios nos contam

uma bela parábola:

Um rei certa vez promoveu uma

grande festa e convidou príncipes e

princesas a quem apreciava muito, para

seu palácio. Tendo passado vários dias

juntos, os hóspedes prepararam-se para

ir embora. Porém o rei lhes disse:

“Peço-lhe, fiquem mais um dia comigo,

é difícil ficar longe de vocês!”

Assim acontece conosco, nossos

Sábios concluem a parábola. Passamos

muitos dias felizes na sinagoga.

D-us deseja nos ver por mais um

dia na sinagoga, e por isso Ele nos

concede uma festa adicional - She-

mini Atsêret.

Em algumas congregações é costume

fazer Hacafot (danças com a

Torá) na noite de Shemini Atsêret,

assim como na noite de Simchat Torá.

Ainda fazemos nossas refeições na

sucá em Shemini Atsêret.

Sucot é a Festa da Colheita quando

a produção dos campos era colhida

e o dízimo era separado, de

acordo com o mandamento da Torá,

e dado aos levitas e aos pobres. A

leitura da Torá no Serviço Matinal de

Shemini Atsêret fala do mandamento

de dar o dízimo.

O serviço de Mussaf, Prece

Adicional, é assinalado pela prece especial

com pedidos para que haja

chuva (www.chabad.org.br).

Sucot: A Festa das Cabanas

De 26/9 (acendimento das velas ao anoitecer) a 28/9

Um período

alegre é iniciado

com a festa de Sucot,

compensando

o solene período de

Rosh Hashaná e

Iom Kipur.

Há mitsvot nas

quais utilizamos apenas

algumas partes

de nosso corpo, por exemplo: a mitsvá

de tefilin, filactérios, que envolve o

braço e a cabeça; tefilá, prece, envolve

a mente e o coração e assim por

diante. Em Sucot, temos uma mitsvá

(preceito) singular, que é a construção

de uma sucá; a única mitsvá que literalmente

envolve a pessoa de corpo

inteiro, com suas vestes materiais.

A sucá nos lembra das Nuvens de

Glória que rodearam nosso povo durante

sua peregrinação pelo deserto a caminho

da Terra Prometida. Todos então

viram a especial proteção Divina, que

D-us lhes concedeu durante aqueles anos

difíceis. Mas embora as Nuvens de Glória

desaparecessem no quadragésimo

ano, na véspera da entrada na Terra de

Israel, nunca cessamos de acreditar que

D-us nos dá Sua proteção, e esta é a

razão de termos sobrevivido a todos

nossos inimigos em todas as gerações.

Para que o judeu não se esqueça

de seu verdadeiro propósito na vida,

D-us, em Sua infinita sabedoria e bondade,

nos faz deixar nossas casas confortáveis

nesta época, para habitar

numa frágil sucá, cabana, por sete dias.

A sucá nos lembra que confiamos

em D-us para nossa proteção, pois a

sucá não é nenhuma fortaleza, nem ao

menos fornecendo um telhado sólido

sobre nossa cabeça. Lembra-nos também

de que a vida nesta terra é apenas

temporária.

Durante a festa de Sucot, os homens

devem comer diariamente numa

sucá (cabana) especialmente construída

para este fim. Nestes sete dias,

não é permitido comer fora da sucá

Shemini Atsêret

De 3/10 (acendimento das velas ao anoitecer) a 4/10

qualquer refeição que contenha pão ou

massa. Há aqueles que não costumam

beber nem ao menos um copo de água

fora da sucá.

Nos primeiros dois dias e noites da

festa, o kidush, prece sobre o vinho,

antecede a refeição. Nas duas primeiras

noites, é obrigatório comer na sucá

ao menos uma fatia de pão (além do

kidush), mesmo que esteja chovendo.

Nos outros dias, se chover, é permitido

fazer as refeições dentro de casa.

Refletir sobre a sucá nos dá uma

ampla visão do significado de fé em Dus

e da extensão de Sua Divina Providência.

Vamos para a sucá durante a

Festa da Colheita depois de haver colhido

o fruto dos campos.

Se uma pessoa recebeu a bênção

Divina e sua terra produziu com fartura,

seus estoques e adegas estão repletos,

alegria e confiança preenchem

seu espírito - aí a Torá a leva a abandonar

a casa e residir em uma frágil

sucá, para ensiná-la que nem riquezas,

nem posses, nem terras são proteções

na vida; somente D-us é que

sustenta, mesmo os que habitam em

tendas e cabanas e oferece uma proteção

de confiança.

E se alguém está empobrecido e seu

trabalho não conheceu a bênção Divina;

se a terra não deu o seu produto,

se o fruto da árvore não foi armazenado

em celeiros e se está incerto e temeroso

ao encarar o perigo da fome

nos dias de inverno que se aproximam,

também encontrará repouso para seu

espírito na sucá.

Lembrará como D-us hospedou-nos em

Sucot no deserto; nos sustentou e nos

abasteceu, não nos deixando faltar nada.

A sucá o ensinará que a Divina Providência

é segurança melhor do que

qualquer bem material, pois não

abandona os que verdadeiramente crêem

em D-us. A sucá o ensinará a ser

forte e corajoso, feliz e tranqüilo,

mesmo na aflição e na dificuldade.

(www.chabad.org.br),

Em Simchat Torá (“Júbilo da

Torá”) concluímos, e recomeçamos

o ciclo anual de leitura da Torá.

O evento é marcado com muita alegria,

e hacafot, feita na véspera

e na manhã de Simchat Torá, na

qual dançamos com os Rolos de

Torá ao redor da bimá. Durante a

leitura da Torá, todos, incluindo

crianças abaixo da idade de barmitsvá

são chamados à Torá; assim

a leitura é feita inúmeras vezes,

para que todos recitem a bênção

sobre a Torá neste dia.

Leitura da Torá: Três rolos são

tirados da Arca para leitura. No

primeiro, a última porção da Torá

- Vezot Haberachá - é lida e relida

muitas vezes, até que todos tenham

sido chamados à Torá. Então

meninos que ainda não tem

bar-mitsvá (não completaram treze

anos) são chamados à Torá juntamente

com um membro destacado

da sinagoga. Em seguida a

bênção “Hamalach hagoel” (O Anjo

que redime) com a qual Yaacov

(Jacó), abençoou os filhos de

Yossef (José), é pronunciada em

nome dos meninos.

Para a porção de encerramento

chama-se alguém de destaque que

recebe a denominação de “Noivo da

Torá”. Outro membro é então convocado

para a primeira porção de

Bereshit, que é lida no segundo

Rolo da Torá e é denominado “Noivo

de Bereshit”.

Finalmente o Maftir, trecho dos

profetas que acompanha a leitura da

Torá é lido no terceiro Rolo da Torá.

Dessa maneira, a leitura da Torá prossegue

porção por porção durante o

ano todo, durante todas as épocas,

em um eterno ciclo que quando parece

se encerrar, logo depois recomeça

ininterruptamente.

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Simchat Torá

De 4/10 (acendimento das velas ao anoitecer) a 5/10

Isto mostra que não há fim na

Torá, que deve ser lida e estudada

constantemente, mais e mais, pois

a Torá, como o próprio D-us que a

deu para nós, é imorredoura. Cumprindo-a,

nosso povo forma o terceiro

elo na eterna união entre

D-us, a Torá e Israel.

7

Gravura sobre Simchat Torá

em que estão retratados os

famosos Rabinos Yakov

Yisrael Kanievski

(conhecido como o Steipler

Gaon), Yitzchak Kaduri,

chacham Yosef Chaim

(conhecido como Ben Ish

Chai) e Yisrael

Abuchatzeira (conhecido

como Baba Sali) dansando

com a Torá


8

Walid Phares

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

O massacre de políticos no Líbano

Walid Phares *

om o assassinato do deputado

libanês Gubran Tueni

em dezembro de 2006, meses

depois do assassinato

dos líderes políticos George

Hawi e Samir Qassir durante

o verão, a estratégia do terror

sírio-iraniano abriu a sangrenta

temporada de caça ao Parlamento libanês

eleito democraticamente.

Walid Eido foi o último parlamentar

libanês assassinado. Após a retirada

das forças sírias regulares do

Líbano em abril de 2005, Bashar Assad

e seus aliados de Teerã traçaram

uma contra-ofensiva para balançar a

Revolução dos Cedros. Um dos principais

componentes da estratégia era

(e continua sendo) o uso de todos

os ativos dos serviços de inteligência

e segurança da Síria e do Irã no

Líbano para “reduzir” a cifra de representantes

que constituem a maioria

anti-Síria no Parlamento. Tão simples

como isso: assassinar quantos

membros forem necessários para decantar

a maioria quantitativa na Assembléia

Legislativa. E quando acontecer

isso, o governo de Seniora virá

abaixo e se constituirá um gabinete

encabeçado pelo Hezbolá. Além disso,

se a guerra do terror matar outros

8 legisladores, o resto do Parlamento

pode eleger um novo Presidente da

República, que colocaria o país sob

a tutela do regime de Assad.

Tão incrivelmente selvagem como

possa parecer isto no Ocidente, o

genocídio dos legisladores do Líbano

a mãos do regime sírio e seus

aliados é “muito usual” na cultura

política baathzista (e certamente na

jihadista). Durante os anos 80, Saddam

Hussein executou um grande

segmento da Assembléia Nacional de

seu próprio Partido Baath (lê-se Baatz)

com o objetivo de manter intacto

seu regime. Ao longo da mesma

década Hafez Assad erradicava

sistematicamente sua oposição política,

tanto dentro da Síria como

por todo o Líbano de ocupação sí-

ria, com o intuito de garantir seu

controle sobre os dois países “irmãos”.

De modo que ordenar desde o

outono de 2004 o assassinato de

seus opositores políticos por parte

de Bashar para perpetuar seu domínio

sobre o pequeno “império” baath

não é um fato tão surpreendente:

é o procedimento padrão de Damasco

desde 1970.

E para “alcançar” estes objetivos,

a junta da Síria tem todo um leque

de ferramentas e ativos deixados para

trás no Líbano. Em primeiro lugar, a

gigantesca rede do serviço de inteligência

sírio profundamente enraizada

ainda no pequeno país; em segundo

lugar o poderoso Hezbolá financiado

pelo Irã, com seu letal aparato

de segurança; em terceiro lugar, os

grupos controlados pela Síria dentro

de diversos acampamentos palestinos

procedentes de diversos contextos

ideológicos, incluindo baathzistas,

marxistas, e até islamitas como o Fatah

al-Islam; em quarto lugar, os simpatizantes

pró-Síria e do Hezbolá

“dentro” do exército libanês, assim

como as unidades regulares e os serviços

de segurança sob o controle

ainda do general Emile Lahoud; em

quinto lugar, as milícias e organizações

satélites controladas à distância

pelo serviço de inteligência sírio,

como o Partido Nacional-Socialista da

Síria; e em sexto lugar, os agentes introduzidos

dentro dos grupos políticos

que gravitam ao redor de Damasco,

como os de Suleiman Frangieh,

Michel Aoun ou Talal Arslán. Em poucas

palavras, o eixo sírio-iraniano

dispõe de todo um aparato de agentes

de segurança e inteligência do qual

pode escolher a vontade os autores

materiais mais apropriados para cada

uma das “operações de derrubada”. O

regime Assad dispõe de “seus próprios

agentes” sunitas para matar os sunitas,

dispõe de cristãos para matar os

cristãos, de drusos para eliminar os

drusos, e dispõe de todos os recursos

do terror do Hezbolá para obstruir

o governo do Líbano e finalmente

derrocá-lo.

A “redução” — tanto física como

política — da maioria no Parlamento

libanês se iniciou tão logo que

foi eleita a Assembléia, na primavera

de 2005. A oposição libanesa a Assad

e ao Hezbolá obteve originariamente

72 cadeiras das 128 existentes,

uma maioria confortável para

retomar a “libertação” do país da

ocupação e do terrorismo. Em dezembro

de 2006, um carro-bomba matava

o deputado Jebran Tueni, reduzindo

a maioria a 71. Ainda que rapidamente

tenha sido substituído

por seu pai Ghassán, a avançada idade

do segundo e sua reticência em

prosseguir no mesmo ativismo antiterror,

isso supõe um ponto negativo

na batalha geral. Em janeiro de

2006 um deputado da maioria, Edmond

Naim, faleceu de causas naturais.

A revolução anti-Cedros força

as coisas colocando Pierre Daccache,

“neutro” em princípio, mas essencialmente

próximo do Hezbolá e aliado

de Michel Aoun. Naquele momento,

a maioria tinha 71 assentos. Em dezembro

de 2006, o deputado da maioria

Pierre Gemayel é assassinado por

agentes sírios. A cifra de deputados

dedicados ao seu trabalho cai para

70. Faz algumas semanas, as ameaças

sírias procedentes do norte obrigam

o deputado Alawi a abandonar

a maioria, reduzindo a cifra a 69. O

assassinato agora do sunita Walid

Eido, feroz opositor do regime sírio,

reduz a cifra de deputados a 68.

Quatro assassinatos mais e a maioria

parlamentar entrará em colapso, devolvendo

o poder terrorista de Ahmedinijad

e Assad às costas do Mediterrâneo

Oriental.

O que pode ser feito para deter o

massacre de legisladores no Líbano

e suas dramáticas conseqüências? O

Conselho de Segurança da ONU, em

virtude das resoluções 1559 e 1701,

deveria intervir maciçamente, ordenando

e supervisionando os seguintes

passos:

a) Colocar cada um dos 68 deputados

restantes sob a proteção

internacional direta. Uma força de

segurança internacional especial

seria despachada ao Líbano, reuniria

os legisladores em perigo

numa ou várias localizações protegidas,

e mais tarde os escoltaria

para que pudessem cumprir seus

deveres constitucionais.

b) Solicitar ao governo libanês

de Seniora a convocação de eleições

legislativas apropriadas nos distritos

de Matn e Beirute com o objetivo

de substituir os deputados assassinados

Gemayel e Eido. Enviar observadores

da ONU para supervisionar

estas eleições.

c) Solicitar ao Parlamento libanês

a eleição de um novo Presidente

durante o período constitucional

que inicia em agosto, e escoltar os

68 deputados em perigo (mais os

dois recém-eleitos) até o local das

eleições presidenciais e proporcionar

segurança durante o processo

de votação.

Ao fazê-lo, o Conselho de Segurança

da ONU estará implementando

suas próprias resoluções, assistindo

o processo democrático no Líbano, e

combatendo o terrorismo com o poder

do povo do Líbano. Quando um

novo Presidente escolhido sair eleito

democraticamente no Líbano, o caminho

— ainda muito difícil e perigoso

– até a democracia, se abrirá.

* Walid Phares é professor de

Estudos do Oriente Médio e

especialista em islã político e da

jihad, graduado em Direito e

Ciências Políticas pelas

Universidades Jesuíta e Libanesa,

doutor em Relações Internacionais

e Estudos Estratégicos pela

Universidade de Miami. Lecionou

na Saint Joseph University nos anos

80 e exerceu o Direito em Beirute

até 1990. Editou também

publicações no Líbano e mais tarde

emigrou para os Estados Unidos,

onde dá aulas na Florida

International University e na

Florida Atlantic University.

Publicou centenas de artigos e

escreveu sete livros sobre o

fundamentalismo islâmico, e foi

consultado pelo Congresso

americano em três ocasiões, pois

trata-se da maior autoridade sobre

o Oriente Médio nos EUA. De

origem libanesa, dirige a Fundação

por um Líbano Livre e é membro do

Middle East Forum. Colabora com

a CNBC e a MSNBC, e é colunista

regular de várias publicações

internacionais.

Nota da Redação 1: O PT (Partido dos Trabalhadores) brasileiro firmou no início de

junho um acordo “de cooperação” com o Baath sírio (Partido Nacional Socialista Árabe)

para “coordenar pontos de vista”, “fortalecer a cooperação entre organizações populares” e

“intercâmbio de experiências”. Não é a toa que no nome do Baath, se insira a expressão

“nacional-socialista” pois foi decalcado do Partido Nazista de Hitler. O PT se diz de direita e

abraça uma agremiação partidária extremante fascista de direita inspirada no nazismo! Até

agora, as leis da Física não se aplicavam à política, especialmente a que diz que os pólos

diferentes se atraem.

Nota da Redação 2: O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, pediu ao secretáriogeral

da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que instaure uma investigação

sobre o atentado que provocou a morte do legislador anti-Síria Antoine Ghanem, 64 anos,

dia 19/9 no bairro cristão de Sin el Fil, ao leste de Beirute. O ataque deixou outros sete

mortos, segundo a Associated Press, e mais de 50 feridos.


*Breno Lerner é

editor e gourmand,

especializado em

culinária judaica.

Escreve para

revistas, sites e

jornais. Dá

regularmente

cursos e

workshops. Tem

três livros

publicados, dois

deles sobre

culinária judaica.

Breno Lerner *

Uma comunidade judaica pouco

conhecida e muito antiga, praticamente

a única da história a não conhecer

o anti-semitismo.

Você conhece pratos tradicionais

da culinária judaica com os

nomes de Macalcal, Chitarnee, Arrok,

Mukumura? Não?

Pois fique sabendo que são receitas

com aproximadamente 2.000 anos

de idade, provenientes dos judeus da

Índia, uma comunidade riquíssima em

história e tradição, que hoje não conta

com mais do que 5.000 pessoas.

Existiram 3 grandes grupos dos

quais restam poucos representantes

e, curiosamente, um novo grupo apareceu

na década de 50 do século XX.

Tudo começou com os cochins

que, supõe-se, chegaram à Índia há

2.500 anos atrás, provavelmente emigrados

da Terra Santa, após a destruição

do Primeiro Templo. Estabeleceram-se

inicialmente na costa de Malabar,

assimilaram a cultura local, inclusive

a língua malaia, trajes e alimentos.

Tornaram-se mercadores,

principalmente de pimenta do reino,

o que acabou por decretar uma forte

perseguição a eles por parte dos portugueses,

então invasores da região

a partir de Goa. Sendo este o único

caso de perseguição a judeus na Índia.

Como sempre na história judaica,

não bastasse seus problemas ex-

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Salaam Shalom, Ka Mandi 1

ternos, ainda deram-se ao luxo de se

dividir entre Paradesi, ou judeus

brancos e os Desi, os judeus negros.

Os Paradesi chegaram à Índia

por volta do século XIII vindos da

Espanha eram a minoria, mas dominavam

o grupo Cochim. Os Desis

eram os habitantes históricos que

por sua miscigenação com os locais

tinham pele mais escura e eram

a maioria dos Cochins.

Relatos de Marco Pólo (1239) e

Benjamim de Tudela (1167) contam

a existência de judeus na região.

Já os Bene Israel, chegaram à

Índia há 2.100 anos atrás, aparentemente

como vítimas de um naufrágio.

Alega sua tradição que 7

homens e 7 mulheres, descendentes

de uma das 10 tribos, sobreviveram

a um naufrágio nas costas

de Maharashtra, onde se estabeleceram.

Curiosamente ficaram escondidos

e ignorados pelo mundo

todo até meados do século XVIII,

quando os Cochins os descobriram

pelo fato de observarem o Shabat,

comerem apenas peixes sem escamas

e rezarem o Shema, únicas palavras

em hebraico que conheciam

e repetiam sem saber o que significavam.

Os Bagadadhi chegaram há 250

anos atrás, vindos principalmente do

Irã e do Iraque, estabeleceram-se

como comerciantes nas cidades de

Bombaim e Calcutá e chegaram a

5.000 pessoas, sendo a comunidade

com mais ricos e milionários

dentre os judeus. A maioria emigrou

para a Inglaterra e Canadá,

hoje não passam de 200 pessoas.

Na década de 50, apareceram

os Bnai Menashe, duas tribos da

região de Manipur, os Mizu e os

Kuki, que alegam ser descendentes

de Menasseh, filho de José.

Explicam seus forte traços asiáticos

por sua história, pois teriam

saído de Jerusalém até a China

e de lá para a Índia. Estão em

um forte movimento de retorno

ao judaísmo, movimento este

que é aceito por alguns rabinos

de Israel e rejeitados por outros.

Vamos conhecer uma de suas

receitas:

Chitarnee

Chitarnee

Chitarnee Chitarnee

Chitarnee (Galinha

(Galinha

agridoce)

agridoce)

Este prato é da região de Calcutá,

pois lá não havia Shohet,

apenas em Bombaim. Assim, o que

era feito com carne em Bombaim,

era feito com galinha em Calcutá.

O shohet visitava a cidade apenas

no Rosh Hashaná.

1 kg de cebolas raladas;

3 dentes de alho esmagados;

1 ½ colher de chá de gengibre

ralado;

9

1 colher de chá de curcuma;

1 ½ colher de chá de coentro

em pó;

1 colher de chá de canela

em pó;

½ colher de chá de cardamomo

moído;

2 folhas de louro;

6 filés de peito ou sobrecoxa

de galinha cortados em

cubos;

½ kg de tomates sem pele e

sementes picados;

2 colheres de sopa de

vinagre;

2 colheres de sopa de

açúcar;

Sal e pimenta do reino à

gosto.

Em uma panela grande doure a

cebola em 3 colheres de sopa de

óleo. Mexa ocasionalmente até

amolecerem e dourarem. Acrescente

o alho, gengibre, todos os temperos

e louro, cozinhe por mais 3

minutos. Coloque então a galinha

e cozinhe por 10 minutos, para

dourar bem os pedaços. Acrescente

os tomates, baixe o fogo e deixe

cozinhar até evaporar todo o

líquido (+/- 30 minutos). Coloque

o açúcar e o vinagre, corrija o sal,

se necessário, e cozinhe em fogo

bem baixo por mais 10 minutos.

Sirva com arroz branco.

600 mísseis apontados para Israel

Nahum Sirotsky *

questão mais discutida nos

últimos dias é a do mistério

do vôo de jatos israelenses

sobre a Síria. Os

meios responsáveis de Israel

nada dizem. A mídia local

usa de referência o que diz a mídia

internacional. Mas o governo de Israel

se fechou. Curiosamente o ministro

do Exterior da França escolheu a

ocasião para declarar que “o mundo

deve se preparar para o pior” e o pior

é guerra com o Irã. Aliás, há um mês,

num importante discurso, o presidente

francês disse que um mais forte empenho

diplomático das grandes potências

“é a única alternativa a uma

Bomba iraniana ou ao bombardeio do

Irã”. As dúvidas sobre o que o Irã pretende

com seu esforço no campo nuclear

não desaparecem. Suspeita-se

que é construir a Bomba que, uma

vez montada e testada, se este for o

objetivo dos iranianos, será tarde

demais para a diplomacia e tornará

uma guerra nuclear inevitável.

Os Estados Unidos e Europa insistem

que vão persistir no caminho

da diplomacia e meios não militares.

Querem ver de perto o que acontece

no Irã que diz que tem propósitos

pacíficos e quer adquirir a tecnologia

para centrais atômicas de produção

de energia elétrica, porém,

até mesmo os russos, os fornecedores

dos equipamentos necessários ao

Irã e, ao que se sabe também do combustível,

não se revelam muito confiantes.

Um Irã atômico muda o equilíbrio

mundial do poder. Assume o

comando dos países petrolíferos do

Oriente Médio dos quais tanto depende

o funcionamento da economia

mundial. E é sabido que urânio

enriquecido para ser combustível

já está pronto na Rússia para ser

encaminhado. Seria enriquecido

apenas para movimentar os reatores.

Urânio para a Bomba tem de

sofrer um processo especial. O Irã

até agora não mostrou tudo o que

se quer ver. E tem de ser de perto,

pois nem satélites artificiais conseguem

provas suficientes.

Mas, o que houve na Síria que

deixou Damasco irritada e prometendo

uma troca aos israelenses?

Nada mais verdadeiro do que

aquele ditado de onde tem fumaça

tem fogo.

“Assar Iran” é um site iraniano

com vínculos com o governo persa.

E anunciou na segunda, 17, que

600 mísseis Shibab-3, de produção

dos iranianos, já estão apontados

para alvos israelenses para

serem disparados caso o país seja

1. Paz no nosso tempo

atacado. Também estão no alvo

posições americanas no Iraque.

Tudo preparado também para defender

a Síria com a qual o Irã

tem acordos de cooperação militar.

“Assar” deixa claro que estes

600 são apenas uma primeira

onda. Todos com obuses de explosivos

convencionais. Não há

meios capazes de destruírem todos

que sejam postos a caminho.

E Israel é apenas do tamanho de

muitas fazendas do Mato Grosso.

Tentem encontrar no mapa sem

uma lente de aumento...

* Nahum Sirotsky é jornalista,

correspondente da RBS e do

Último Segundo/IG em Israel.

A publicação exclusiva desta

coluna tem a autorização

do autor.


10

Arlene Kushner

David Bedein

Os eternos vínculos judaicos com Hebron

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Arlene Kushner e David Bedein *

ebron, localizada a aproximadamente

10 km ao sul de

Jerusalém, nas colinas da

Judéia, tem uma profunda

conexão com o judaísmo. Depois

de Jerusalém, é a cidade mais

sagrada para o povo judeu. Hoje,

cerca de mil judeus vivem em quatro

pequenos bairros da cidade:

Avraham Avinu, Beit Hadassah, Beit

Romano e Rumeida. Há comunidades

também em assentamentos permanentes

nessas áreas. A população

judaica compreende 100 famílias

e 250 estudantes da Yeshivá

(escola talmúdica) Shavei Hevron,

em Beit Romano.

Os bairros judaicos de Hebron

ficam próximos de Machpelah, a

Tumba dos Patriarcas. É uma caverna

monumental e tem um enorme

significado religioso para os judeus;

e está hoje sob o controle

israelense. Porém, apenas 20% do

local é acessível aos judeus e visitantes,

pois uma mesquita foi

construída sobre a caverna.

Bem ao leste de Hebron, numa distância

que se pode percorrer a pé,

está o moderno município judaico

de Kiryat Arba, fundado em 1971,

com 6.500 residentes e provido de

toda uma gama de serviços urbanos

como: escolas, comércio, indústrias

e postos de saúde.

Há uma conexão histórica desde

o início dos tempos bíblicos. Hebron

é referido como Mamre e, às vezes

como Kiryat Arba. É mencionada 78

vezes na Bíblia judaica. Os elos judaicos

com esta antiga cidade começaram

com Abrahão. Depois de

entrar em Caanã, há 3.700 anos atrás,

Abrahão seguiu para Hebron, onde

soube da Terra Prometida por D-us a

seus descendentes.

Quando sua esposa, Sara, morreu,

ele comprou uma túmulo familiar

numa caverna e cercou o campo de

Ephron por 400 moedas de prata.

Esta caverna (na verdade uma caverna

dupla) é chamada de Machpelah.

É lá que todas as matriarcas, com exceção

de Raquel, e todos os patriarcas

estão enterrados.

Rei David, bizantinos,

cruzados e mamelucos

Três mil anos atrás, David foi ungido

rei de Israel em Hebron e lá reinou

por sete anos, até estabelecer Jerusalém

como sua capital. Após a destruição

do Primeiro Templo, muitos, mas

não todos os judeus foram exilados.

Yehuda haMacabi (o Macabeu) lutou lá

no século 2 a.e.c. e Hebron voltou a

ser uma cidade judaica. Mais tarde, o

rei Herodes construiu uma monumental

estrutura no topo das cavernas, que

ainda hoje permanece de pé.

A história do apego à cidade onde está a sepultura das matriarcas e dos patriarcas

Depois da destruição do Segundo

Templo, judeus continuaram a viver em

Hebron e rezar em Machpelach. Escavações

arqueológicas recentes em torno

da cidade indicam a presença judaica

por vários séculos após a destruição

do Templo em Jerusalém. Toda vez que

houve um exílio forçado, uma pequena

parte da fé judaica permanecia, e sempre

a comunidade se restabelecia em

Hebron. Era o constante renascimento

da vida judaica.

No século 6 os bizantinos transformaram

Machpelach numa basílica, mas

ainda assim os judeus continuaram vivendo

lá, e há evidencias de que a comunidade

judaica foi mantida durante

as conquistas arábicas.

Durante o período das Cruzadas, nos

séculos 12 e 13, os judeus foram novamente

exilados, mas retornaram para

estabelecer a comunidade sob o governo

dos muçulmanos-mamelucos do século

13 ao 16. Há setecentos anos atrás

os mamelucos decretaram que os judeus

estavam proibidos de freqüentar

Machpelach, que então funcionava como

mesquita. O decreto determinava que

os judeus ficassem restritos às orações

apenas até a sete passos da entrada

do local. Este decreto vigorou até 1967.

Até aquele ano, ainda assim, os judeus

permaneceram lá e rezavam no sétimo

passo da entrada.

Sefaradim: Sinagoga de

Avraham Avinu

No final do século 15 e início do

século 16, os judeus sefaradim que foram

expulsos da Espanha e de Portugal

tomaram o caminho para Hebron. Naquele

momento histórico os otomanos

haviam assumido o controle da região.

Após comprarem grandes quantidades

de terras, os sefaradim estabeleceram

uma comunidade que foi marcada por

pogroms1 nos 400 anos seguintes. Em

1540, o sefaradi Malkiel Ashkenazi, refugiado

da expulsão espanhola de 1492,

tornou-se rabino de Hebron e um especialista

em jurisdição judaica. Ele comprou

uma propriedade para exercer esta

atividade, que logo se tornou o centro

da vida judaica, — o coração da quarta-parte

judaica e ali estabeleceu, na

magnífica construção, a sinagoga de

Avraham Avinu.

No fim do século 16 e início do 17

conhecidos cabalistas de Safed, mudaram-se

para Hebron, trazendo com eles

seus ensinamentos. Entre eles estavam

o rabino Eliyahu Davidash, conhecido

como Rashit Hochma e o rabino Avraham

Azulai como o Hessed Avraham, assim

como o rabino Ovadiah Mi-Bartnura.

Ashkenazim: hassídicos

de Lubavitch

Tempos difíceis marcaram outra vez

o final do século 17 e início do 18, com

derramamento de sangue, decretos de

expulsão e miséria. Um momento considerável

para a comunidade foi a che-

A bíblica Hebron

gada dos hassídicos ashkenazim de Lubavitch,

entre os séculos 18 e 19. Esse

grupo manteve proximidade com a comunidade

sefaradi e a auxiliou no fortalecimento

de suas instituições.

O personagem mais importante do

movimento Lubavitch nesse período foi

a Rebbetzin Menucha Rachel Slonim,

a avó do Alter Rebbe, rabino Shneur

Zalman de Liadi e filha do Mitteler

Rebbe (Rabino Dov Ber). Diz-se que

seu pai a enviou a Hebron, depois que

se recuperou de uma doença. E dele

recebeu a benção de “andar entre as

gotas de chuva”. Sua filha era venerada.

Árabes e judeus pediam suas

bençãos e seu túmulo, em Hebron, ainda

é visitado por muitos.

A comunidade passou a prosperar

no século 19 com a ajuda filantrópica

de sir Moses Montefiore e com as escolas

religiosas que fortaleciam o lado espiritual

da comunidade.

No início dos anos 1800, os judeus

adquiriram, por compra e negociações,

mais de 800 dunam 2 de terra. O Lubavitch

começou a comprar edificações em

Hebron em 1821 e a sinagoga deste movimento

foi construída perto da de

Avrahan Avinu. Em 1834, entretanto,

houve um pogrom na cidade, judeus

foram mortos, mulheres estupradas e

propriedades saqueadas e detruídas.

Em 1879, Chaim Israel Romano,

um rico judeu turco, aventurando-se

na antiga região judaica, construiu

uma elegante e espaçosa casa, conhecida

como Beit Romano, que foi

utilizada como residência de sua família

e local para receber judeus turcos.

Essa residência possuía uma sinagoga

chamada Istambuli.

Em 1901, o famoso rabino Hezkiah

Medini, mudou-se para Hebron, abriu

uma yeshivá em Beit Romano e terminou

sua famosa enciclopédia, a “Sdei Hemed”.

Em 1912, o quinto Lubavicher Rebbe

(O Rashba) comprou a Beit Romano e

lá estabeleceu a yeshivá Torat Emet.

Em 1893 havia um prédio chamado

Hesed l’Avraham que proveu assistência

para judeus e árabes necessitados. Fora

estabelecido por judeus ricos do Norte

da África. Em 1909 essa construção foi

ampliada e nela foi estabelecida uma

clínica de saúde. Por causa da Hadassa,

a organização sionista feminina, que

contribuía com os salários dos médicos

e da equipe, o prédio passou a ser chamado

de Beit Hadassa.

1ª Guerra Mundial, mandato

britânico e os motins de 1929

A Primeira Guerra Mundial trouxe

tempos difíceis para Hebron e gerou um

grande declínio à comunidade judaica.

Quando os britânicos receberam a área

no final da guerra, a comunidade novamente

passou a florescer. A ajuda para

a educação era enviada pelas organizações

sionistas. Em 1925, a já renovada

yeshivá de Slobodka, uma das mais

importantes yeshivot do mundo, mudouse

da Lituânia para Hebron. Beit Romano

fora apreendida pelos britânicos para

fins administrativos e da polícia.

A destruição voltou à comunidade judaica

de Hebron em 1929 com os motins

árabes. Antes desses motins, as relações

entre árabes e judeus naquela área

nunca foram calmas, mas havia uma coexistência

pacífica entre os povos. A violência

foi instigada por Haj Amin al-Husseini,

o mufti de Jerusalém, que depois

apoiou fortemente o regime nazista, e

viveu num bunker de Hitler no final da

2ª Guerra Mundial. O objetivo do mufti

era bastante simples: a eliminação da

comunidade judaica de Hebron. E com

este intuito, ele espalhou o falso boato

de que os judeus tentaram incendiar a

mesquita de Al Aksa no monte do Templo,

em Jerusalém.

Os motins árabes de 1929 seguiramse

aos longos discursos inflamados instigando

o assassinato em massa de idosos,

mulheres e crianças. Os árabes,

de armas em punho iam de casa em

casa gritando “Matem os judeus!”. Foram

mortas 67 pessoas e centenas foram

mutiladas e feridas.

O líder sefardi de Hebron, rabino

Hanoch Hasson, foi assassinado com


toda sua família. Ben Zion Gershon, o

farmacêutico da clínica de Beit Hadassa,

que muitas vezes prestou assistência

aos árabes, foi torturado e

morto, sua esposa teve as mãos cortadas

e foi deixada para morrer em

agonia. Sinagogas foram queimadas

assim como rolos da Torá.

Este foi o primeiro grande ato do

terror islâmico na história moderna, 20

anos antes da criação do Estado de Israel

e quase 40 anos da Guerra dos Seis

Dias, de junho de 1967, que libertou

Jerusalém.

Os britânicos fizeram muito pouco

para conter os ataques, porém, três dias

depois decidiram evacuar os sobreviventes,

que foram colocados em caminhões

e trazidos de volta a Jerusalém. Deixando

para trás todas as posses e propriedades.

Em 1931, 35 famílias voltaram para

reconstruir a comunidade judaica de Hebron.

Entre estes estava o idoso rabino

Yaahov Iosef Slonim, que perdera grande

parte de sua família nos motins de

1929. Em 1936 houve um novo motim

árabe. Os governantes britânicos não

defenderam a comunidade e novamente

os transportaram para fora de Hebron.

Assim, a mais antiga comunidade

judaica foi temporariamente vencida.

Pela primeira vez, em mais de três mil

anos, não houve presença judaica em

Hebron. Até 1968.

Em 1948, durante a guerra da Independência

israelense, os jordanianos

mantiveram o controle de Hebron até a

Judéia por dezenove anos. Eles proibiam

os judeus de morar ou trabalhar no local,

freqüentar a sinagoga de Avraham

Avinu ou mudar de lá o cemitério.

O Esforço do retorno

Israel tomou o controle da Judéia e

da Samaria durante a Guerra dos Seis

Dias, em 1967, depois que os árabes

atacaram, declarando seu objetivo da

destruição total do Estado de Israel. Hebron,

apesar de despovoada de judeus,

passava novamente às mãos judaicas.

Em abril de 1968, o rabino Moshe Levigner

com seu grupo de seguidores e

judeus religiosos pioneiros, decidiram

que já era tempo de restabelecer a comunidade

em Hebron. Começaram alugando,

por tempo indefinido, o Park

Hotel de Hebron de seus donos árabes.

Quando se iniciaram as celebrações de

Pêssach, 86 pessoas foram juntas ao

hotel para o sêder. Dois dias mais tarde,

o rabino Levigner chamou a imprensa

e declarou sua intenção de permanecer

no hotel e restabelecer a antiga comunidade

judaica da região.

O fato contou com a cooperação silenciosa

da comunidade árabe de Hebron,

assim como o do governo de Levi

Eshkol, que não era um entusiasta do se

passava, mas não se atreveu a mais uma

vez exilar os judeus da cidade dos seus

patriarcas e matriarcas. Moshe Dayan,

então ministro da Defesa, decidiu mover

o grupo dos novos residentes de Hebron

para um lugar próximo e mais seguro,

que se tornou o complexo militar

para toda a área da Judéia. Lá, viveram

por dois anos e meio, aguardando a construção

do primeiro bairro em Kiryat Arba,

uma nova área que estava para ser agregada

à antiga Hebron.

A cidade permaneceu relativamente

quieta durante esse tempo, apenas

com alguns ataques árabes aos grupos

de colonos e ao Exército de Israel; porém,

o direito dos judeus de rezarem

na caverna da Machpelah ainda estava

em discussão. Apesar do plano ter sido

bem sucedido, a situação permanecia

complicada, pois ainda havia um longo

caminho até a cidade velha de Hebron.

Em 1979, um grupo corajoso de dez

mulheres e suas quarenta crianças se

dirigiram à antiga clínica de Beit Hadassa,

no meio da noite. Suas presenças

foram descobertas pela manhã e

isso foi causa de furor. O então primeiro-ministro

Menachem Begin, não tentou

tirá-las de lá à força, ao invés disso,

cercou o prédio e ordenou que nada

seria permitido entrar — nem mesmo

água e comida. Então, o rabino Levigner

lembrou-o de que nem mesmo ao

inimigo (citando o caso do exército egípcio

na guerra de Iom Kipur, que estava

sitiado) negou-se alimentação. Durante

dois meses, os que estavam lá dentro

sobreviveram em estado de sítio:

Ninguém estava autorizado a entrar e

os que saíam não podiam retornar. Depois

de um incidente com uma das crianças,

que teve uma emergência médica

e não pode voltar à sua mãe, o gabinete

israelense autorizou as mulheres e

crianças a entrarem e saírem. E assim

viveram por um ano.

Todas as sextas-feiras à noite, residentes

de Kriat Arba vinham a Beit Ha-

A caverna de Machpelach, onde estão as matriarcas e

os patricarcas, está sob esta construção, em Hebron

dassa para cantar, dançar e dizer kidush

para as mulheres. Numa destas

sextas-feiras, em maio de 1980, em Lag

Baomer, terroristas árabes atacaram,

matando seis e ferindo vinte pessoas.

Depois disso, o governo israelense deu

permissão para que os judeus recolonizassem

Hebron. O Beit Hadassa foi reformado

e foi permitida construção de

residências nos arredores.

Com o passar do tempo, outros prédios

foram reformados e se tornaram

locais de moradia para judeus. A partir

de 1980, o comitê municipal de Hebron,

acertou com o governo que iria assumir

responsabilidades da comunidade judaica

e o Ministério da Habitação criou a

Associação para a Renovação da Comunidade

judaica de Hebron para apresentar

projetos.

Conseqüências dos

Acordos de Oslo

Segundo a Declaração de Princípios

(Acordos de Oslo) de 1993, pactos foram

assinados e terras foram entregues

à Autoridade Palestina. O primeiro acordo

de Gaza-Jericó, em 1994 estabeleceu

as primeiras retiradas militares. Em

setembro de 1995, o acordo de Oslo II,

que estabeleceu a retirada de mais tropas

das maiores áreas de população palestina,

já estava concluído.

O passo seguinte, que era voltado a

Hebron, foi firmado pelo então primeiro-ministro

Binyamin Netanyahu e Yasser

Arafat em 1997. Requeria que 80%

do Exército israelense se retirasse de

Hebron até 1998, com a divisão da cidade

em H-1, sob total controle da Autoridade

Palestina (e a autoridade municipal

de Hebron) e H-2, sob controle israelense.

H2 é uma área contínua que vai

do Leste ao Sudeste da cidade, incorporando

as antigas vizinhanças judaicas de

Hebron, bem como Machpelah.

O Exército israelense ficou com toda

a responsabilidade pela segurança da

comunidade judaica de Hebron, que até

aquele ponto eram em torno de 500

pessoas. A polícia, sob o comando do

Exército, assumiu a responsabilidade de

cuidar de possíveis violações israelenses

à lei em Hebron, sejam elas leis

civis ou militares.

Também ao exército foi dada a responsabilidade

sobre a segurança da caverna

da Machpelach, que utiliza a polícia

sob sua jurisdição dentro do local.

Um procedimento foi implantado para

separar totalmente judeus e muçulmanos

que rezam na caverna: um calendário

que providenciava dez dias

religiosos exclusivos para cada grupo.

Assim, foi assim criado o Protocolo

de Distribuição, para unir as patrulhas

israelenses e palestinas de algumas

áreas, como a área H-

1, sob o controle palestino: Abu

Sneinah, Harat A-Sheikh e a na

nova estrada 35. Esta cooperação

foi encerrada em 2000 com

o início da violência da segunda

Intifada.

Os residentes de Hebron

alertaram sobre o perigo iminente

nas áreas controladas

pelos palestinos. Começaram

as ocorrências de tiros sobre a

área judaica. Infelizmente tais

avisos não foram atendidos a

tempo. Em 26 de março de 2001, Shalhevet

Pass, um bebê de 10 meses de

idade foi fatalmente atingido com um

tiro na cabeça, por um atirador posicionado

numa colina em Abu Sneiah. Shalhevet

e seus pais, Yitzhak, que foi ferido

nas pernas, e Oriah Pass estavam

na entrada do bairro judaico Avrahan

Avinu. O bebê foi enterrado no antigo

cemitério judaico de Hebron.

Desde a operação “Escudo Protetor”,

na primavera de 2002, o Exercito

de Israel voltou a patrulhar as áreas

palestinas de Hebron e estabeleceu

postos permanentes de observação em

Abu Sneinah, Harat A-Sheikh e na

nova estrada 35. Apesar da impressão

de que centenas de soldados de Israel

estão nos postos, atualmente, há apenas

cem homens do Exército. Alguns

guardam a comunidade judaica enquanto

outros monitoram os árabes contra

possíveis ataques.

Oslo II, em 1995, providenciou uma

Presença Internacional Temporária (PIT)

em resposta ao assassinato de muçulmanos

que rezavam na caverna da Machpelah

por Baruch Goldstein, em 1994.

Acordos foram feitos com a Noruega para

estabelecer esta missão. Em 1997, um

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

segundo acordo, que coincidiu com a retirada

parcial de Israel de Hebron foi estabelecido

com Noruega, Itália, Dinamarca,

Suécia, Suíça e Turquia, que contribuíram

com soldados para as forças internacionais,

sob a coordenação da Noruega.

As forças internacionais transpareciam

uma forte inclinação pró-árabe.

Enquanto a população palestina estava

em júbilo com a retirada israelense

da maior parte de Hebron, a população

judaica estava profundamente unida.

Hebron tem sido retratada como uma

“cidade árabe” que, por compaixão,

comporta uma pequena e irritante minoria

de judeus, que são definidos como

“colonos radicais” e invasores pela maioria

árabe. O fato de que Hebron tem

uma longa e profunda conexão com os

judeus é ignorado ou denegrido. Isso

cria um perigoso precedente, com uma

significativa possibilidade de que toda

Hebron possa vir a ser chamada de árabe

e esquecidos os direitos dos judeus.

O grito dos judeus por sua antiga quarta-parte

e a caverna da Machpelah tem

sido cada vez mais abafado.

Por que permanecem

em Hebron?

O porta-voz da comunidade de Hebron,

David Wilder escreve sobre visitantes

que falam com o prefeito árabe

da cidade, Mustafa Natsche e lhe perguntam:

“Há permissão para os judeus

rezarem na caverna da Machpelah?”. E

sua resposta é a seguinte: “Não, é uma

mesquita e apenas muçulmanos podem

rezar na mesquita”.

Assim, fica claro que sem a presença

judaica em Hebron, o segundo local mais

sagrado para o judaísmo, o lugar seria

fechado aos judeus. Abandonar o local é

impensável. E o que é pior, abandonar

um local sagrado, pode ser um precedente

de um futuro abandono de outros

locais sagrados. Se sim para a caverna

da Machpelah, por que não o Monte do

templo, onde está o Muro Ocidental? Se

Hebron, com todos os seus elos de ligação

com o judaísmo for transferido aos

muçulmanos, seria um primeiro passo

para render Jerusalém Oriental, que tem

uma grande população árabe, a despeito

das antigas conexões com a tradição judaica.

Nas palavras do presidente Noam

Arnon, da comunidade judaica de Hebron:

“Sem Hebron, que contém as mais profundas

ligações históricas dos judeus com

a terra de Israel, não haveria bases para

se manter o Estado. Hebron é vital para

a existência de Israel”.

11

Notas:

1. Progrom — do

russo ïîãðîì, é um ataque

violento a pessoas, com

a destruição simultânea

do seu ambiente - casas,

negócios, centros religiosos.

Historicamente, o

termo tem sido usado

para denominar atos de

violência em massa, espontâneos

ou premeditados,

contra judeus e outras

minorias étnicas.

2. Dunam — do turco

dönüm e do otomano

dönmek que significa volta

é uma unidade de superfície.

Um dunam era

a quantidade de terra que

um homem podia arar

num dia. A medida variava

consideravelmente

de um lugar a outros.

Ainda é utilizada em vários

países que fizeram

parte do Império Otomano.

Em Israel, Jordânia,

Líbano e Turquia equivale

a 1.000 m 2.

* Arlene Kushne é

jornalista

pesquisadora que

trabalha em Jerusalém

para o Center for Near

East Policy Research

(Centro de Pesquisa

Política do Oriente

Médio) produzindo

relatórios regulares

sobre a situação

política e a segurança

de Israel. Seu trabalho

pode ser visto em

www.arlenefromisrael.info.

* David Bedein é chefe

do escritório da Israel

Resource News

Agency, no Centro

Internacional de

Imprensa Beit Agron,

em Jerusalém, Israel

(www.ibtn.co.il)

Compilação e tradução

para o português de

George G. Feldmann

Brummer

Hebron fica a

poucos

quilômetros ao

sul de Jerusalém


12

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

eWave

Empresa israelense em Curitiba usa

a tecnologia para apressar o futuro

esde fevereiro de 2006,

logo após o carnaval, a

eWave do Brasil opera em

Curitiba. Trata-se da primeira

empresa genuinamente

israelense a se instalar na Capital

do Estado, segundo o diretor-geral

da empresa, Nimrod Riftin é uma subsidiária

da eWave Software & Integration

Solutions, de Israel, que

decidiu vir para cá e ficar mais próxima

de seus potenciais consumidores.

A primeira oportunidade de negócios

ocorreu em abril do ano passado,

quando firmou contrato com a

GVT, operadora brasileira de

telecomunicações via telefonia fixa

convencional, atuando também em

comunicação telefônica de longa

distância, banda larga para internet

e provedor gratuito.

Riftin explica que a eWave iniciou

atendendo em Curitiba com

apenas 12 profissionais, mas a empresa

em seguida optou por fixarse

aqui por causa do trabalho para

a GVT. Por isso, trouxe a família para

morar em Curitiba. Com o crescimento

das atividades a eWave abriu

três escritórios: o mais importante

fica no Parque do Software, na Cidade

Industrial de Curitiba (CIC);

o mais central na Rua Portugal

1113, no São Francisco, e o terceiro,

em São Paulo, no bairro de

Pinheiros. No Parque do Software,

funciona junto o Development Center,

onde são desenvolvidos os softwares

inclusive para Israel e para

Nimrod Riftin, diretor-geral da eWave

do Brasil

os estados Unidos.

Além de Israel e do Brasil, a eWave

também atua muitos outros países

europeus como a Dinamarca, a

Holanda, a Alemanha, bem como na

África do Sul, em Gana e na Austrália,

e tem como clientes importantes,

A GVT, TecBan (operadora dos

terminais Banco 24 Horas), Deutsche

Bank, DHL, o jornal The Jerusalem

Post, Comverse, Maccabi Healthcare

Service, Blue Center, Radvision,

Wizo, a operadora israelense de comunicações

Barak e outros.

Segundo Nimrod Riftin, dos 12

profissionais iniciais, hoje o número

dobrou e está em 25, em todo o

Brasil, mas a expectativa é que o

pessoal em meados de 2008 atinja

de 200 a 250 pessoas atuando na

eWave do Brasil.

A empresa caracteriza-se por ser

expert em TI (Tecnologia da Informação),

uma integradora de soluções

na área de serviços nos setores bancários,

médico-hospitalar e de alta

tecnologia, para grandes corporações,

mas também para médias, além

de atender a instituições governamentais.

A empresa oferece projetos

que vão desde o planejamento até a

manutenção em três grandes áreas:

desenvolvimento e implementação de

sistemas de informação na internet;

nova metodologia do Service Oriented

Architecture - SOA (em

português, Arquitetura Orientada a

Serviços) para integração entre sistemas

especialmente bancários e de

telecomunicações como a da GVT;

aplicações web; e consultoria e design

que incluem planejamento e

definições de requerimentos de sistema

de desenho de interface para o

usuário, gráficos, análise e gerenciamento.

Riftin observa que nos sistemas

tradicionais, se “você tem mais

controle, terá mais agilidade, e esse

método possibilita crescimento rápido.

Os sistemas e serviços da eWave

são baseados em softwares da IBM,

Microsoft, Sun Microsystems, IBM,

Oracle e BEA, parceiros no Brasil, além

das tecnologias Java e MIcrosoft.net.

A eWave foi fundada em 1999

em Israel pelos jovens, Rafi Gabay e

Oren Shuster, atualmente dois dos

mais proeminentes nomes no cenário

da internet israelense e que são

co-presidentes da companhia, e que

começou a crescer depois que foram

desenvolvidos seus primeiros

softwares e logo estava participando

da Bolsa Nasdaq. Atualmente

possui um quadro com mais de 170

funcionários altamente capacitados

que têm como diretrizes integridade,

profissionalismo, criatividade e

alta qualidade.

A eWave tem, por exemplo, soluções

inovadoras na área de

telemedicina, como o Central Patient

Regional Management, para administração

hospitalar, fichário médico,

serviços de saúde, e com um sistema

eficiente através do TeleMaster, uma

plataforma segura de telediagnóstico

que possibilita a analise e o tratamento

em situações nas quais médicos

e pacientes não estão no mesmo

lugar, que transmite dados à distância,

pelo computador, como exames

de holter (registro eletrocardiográfico),

e outros resultados, nos

quais especialistas podem dar opiniões,

salvando assim vidas.

Composto de três módulos principais

- coletor de dados médicos:

transmissão, gerenciamento e workflow

do processo de diagnóstico; e

armazenamento e distribuição segura

do diagnóstico -, esta tecnologia

suporta tanto a centralização física

do diagnóstico, quanto a distribuição

virtual para vários profissionais,

em qualquer lugar. Uma das principais

vantagens deste sistema é que

permite o acesso a grande número

de especialistas e usuários, simultaneamente

ou não, de acordo com as

necessidades de cada caso.

Nimord Riftin vê nesse sistema

para utilização na medicina, um grande

benefício não só para pacientes

como para médicos, laboratórios como

também para o setor público, provedor

dos serviços de saúde governamentais.

Mas as soluções para tecnologia

bancária e de telecomunicações

também são inovadoras, destaca o

diretor-geral da empresa no Brasil.

.


Aaron Granot *

urante a Segunda Guerra

Mundial, o pai de Simon

Zokhorovich era

um general no Exército

Vermelho antes de sua

intempestiva morte. Como

órfão de um general soviético, o

então jovem Zokhorovich foi adotado

pelo exército que o enviou a

um abrigo onde foi treinado para

alcançar o grau dos seus camaradas

e tornar-se um oficial.

Durante anos, Zokhorovich foi

sendo promovido para o alto da

cadeia de comando, até chegar ao

staff da Academia do Exército russo.

Atualmente, o coronel Zokhorovich

atua como o decano da academia

militar.

O primeiro rabino do

exército russo

Sua experiência não foi compartilhada

por muitos dos seus correligionários

que viviam por trás da Cortina

de Ferro, com certeza, mas

Zokhorovich foi bastante privilegiado

por ser filho de um general que

morreu enquanto servia seu país.

Particularmente, ele também não era

religioso, para início de conversa.

E é justamente isso que faz de

sua parceria com um rabino para be-

neficiar soldados judeus algo ainda

mais interessante.

“Nunca escondi que era judeu,”

declara Zokhorovich, que já serviu em

todas as frentes russas, acrescentando

também que “nunca foi um judeu

observante, e não sabia nem mesmo

o que era um preceito judaico”.

“Meu conhecimento se limitava

ao fato de eu era filho da nação e

nada além disso”, ele observa. “Por

isso, eu tinha orgulho de fazer parte

da nação, embora, às vezes, houvesse

alguma fricção entre a União Soviética

e Israel”.

Em resumo, “eu era um judeu comunista

orgulhoso e feliz,” diz ele,

dando ênfase na parte da identificação

comunista. Com o colapso da

União Soviética, entretanto, desmoronou

a parte da identidade soviética

de Zokhorovich.

Mas até mesmo Zokhorovich admite

que sua vida como judeu no exército

russo não era nada fácil. Ele sempre

esteve disposto a mudar seu modo

de vida, explica ele, para tornar mais

fácil a vida dos outros judeus no exército.

Assim, quando ele ouviu que o

exército russo ia ter um novo rabino,

quis logo ser parceiro disso.

“Eu nunca tive um rabino, e

apenas naquele momento percebi

o que um rabino é, por isso, decidi

que faria qualquer coisa ao meu

alcance para trazer um rabino ao

exército”, relata.

Há um ano Zokhorovich foi até

o Ministro da Defesa da Rússia e

pediu para ser o supervisor do Rabino

Aron Gurevitch, que a Federação

das Instituições Judaicas da

Comunidade de Estados Independentes

(CEI) designou para ser o

primeiro rabino do exército.

“Eu queria ser partícipe deste fato

histórico no exército russo,” diz

Zokhorovich. De acordo com o Rabino

Gurevitch, o coronel é o seu

maior defensor em meio às autoridades

militares.

Nova era aos soldados russos

Por sua vez, o Rabino Gurevitch

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Ex-União Soviética

Coronel russo é parceiro de rabino no exército

O Rabino Aron Gurevitch visita soldados e oficiais judeus do exército russo

O coronel Simon Zokhorovich do exército, e o mapa da Rússia

Fotos de Meir Halotovsky/Mishpachah Magazine

já cumpriu sua meta: visitar todas

as bases do exército através do vasto

território da Rússia e se encontrar

com o maior número de soldados

judeus quanto for possível. Por

suas estimativas, entre os dois milhões

de pessoas do contingente

do exército russo, cerca de 15.000

são judeus.

Quando era adolescente,

Gurevitch estudou numa yeshivá Lubavitch,

em Moscou antes de se mudar

para Israel. Ele voltou

à Rússia sob o patrocínio

do Rabino Berel Lazar, Rabino-Mór

da Rússia e diretor

do Movimento Chabad

Lubavitch na Rússia.

Ele começou no ano

passado a escrever uma

coluna no jornal do exército

“Estrela Vermelho”.

Ele provê alimentação

kasher para qualquer soldado

que o solicite isto

e promove a distribuição

mensal da revista do Chabad

Lubavitch L’chaim.

Recentemente, preparou

inclusive uma equipe de

estudantes do seminário

rabínico do Beit Chabad

para viajar por todas as bases do

exército distribuídas pela Rússia

para as Grandes Festas de Rosh

Hashaná e Iom Kipur.

“Muitos dos judeus não querem

que ninguém saiba que eles judeus,”

observa Gurevitch. “Minha missão é

dar-lhes orgulho por seu Judaísmo,

e deixá-los saber que eles têm direitos

como judeus no exército”.

O rabino diz que ainda “temos

muito trabalho a fazer, estamos só

no início. Localizaremos qualquer

judeu em qualquer base militar russa

para levar-lhe judaísmo”.

* Aaron Granot é jornalista e

escreve para o Chabad.org

Magazine.

13

Em conversa com um

general russo o

rabino Gurevitch

acerta detalhes do

seu trabalho


14

O mufti de Jerusalém,

Haj Amin al Husseini,

líder da Solução Final de

Hitler para os judeus e

pai do 'Movimento

Palestino'

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Heitor De Paola *

erminada a Primeira Guerra

Mundial, com a derrota

do Império Otomano,

a Turquia ficou reduzida

à Anatólia e ao enclave

europeu. O resto do Oriente

Médio foi dividido entre mandados

e protetorados ingleses e franceses

de forma arbitrária e seguindo normas

geográficas que não refletiam

divisões efetivas de povos diferentes.

T.E. Lawrence, o da Arábia, havia

reunido diversas tribos beduínas

que viviam em luta constante

entre si. Na hora da divisão foram

criadas “dinastias” baseadas nos

principais chefes beduínos. Posteriormente

Síria e Iraque estabeleceram

ditaduras baseadas no mesmo

Partido, o Baath, só que de facções

diferentes e inimigas entre si. Outros

territórios foram sendo criados

para “acomodarem” outros aliados:

o Reino Hachemita do Jordão (Jordânia),

Kwait, Emirados, Qatar, etc.

Na Arábia Saudita, onde predomina

a tribo sunita wahabita, toda

religião que não a islâmica é proibida,

os aviões que sobrevoam seu

território tem que suspender o serviço

de bebidas alcoólicas, existe

uma polícia religiosa que tudo pode,

até mesmo levantar a roupa das mulheres

para ver se estão usando lingerie

ocidental ou perfumes. A pena

pode ser o apedrejamento, as mulheres

não podem trabalhar, estudar,

nem sair à rua sem a companhia

do marido ou irmãos. Ainda

existe a prática da ablação do clitóris

para impedir o orgasmo feminino.

Em recente declaração o Ministro

da Defesa, Príncipe Sultan,

disse que estão proibidos templos

de quaisquer outras religiões.

A atitude em relação à religião

pode ser resumida nas palavras do

Mufti Al-Tayyeb: “A civilização Ocidental

é diferente da Oriental primeiramente

por sua atitude em relação

à religião, que é de inspiração

divina. Para nós, no Oriente, a religião

é sagrada e é o ápice da honra.

No Ocidente (...) a sociedade não

está interessada na religião. Mesmo

que haja pessoas religiosas, é um sociedade

que não se posiciona em relação

à religião, é uma sociedade secular.

(...) Respeitamos os costumes

ocidentais nos seus territórios, mas

nos nossos Países não aceitamos que

os ocidentais disseminem idéias contrárias

à religião, em nome de direitos

humanos.” Ou então, como disse

o ex-Embaixador iraniano na ONU

Sa’id Raja-i-Khorassani: “a idéia de

direitos humanos é uma invenção

Judaico-Cristã, estranha ao Islã”.

Pode-se usar a Turquia como

contraste. Lá, o fim da Primeira Guerra

Mundial um grupo de oficiais, os

Islã: a conexão nazista

Jovens Turcos, comandados

por Mustapha

Kemal, posteriormente

cognominado

Ataturk (Pai dos Turcos),

derrubou o Império

e impôs leis que

restringem ao máximo

o alcance da religião:

o cha’dor é

proibido, assim

como, para os homens,

o uso de bigodes

ou o fez (chapeuzinho

típico), e o

sapato de bico retorcido

que eram características

dos turcos.

Desde então os militares

detém um poder supra constitucional

que impede a volta dos velhos

costumes.

Também o Egito luta desesperadamente

para manter a ordem política

separada da religião. Em discurso

na Universidade do Cairo o

Professor de Teologia e Religião

Aghajari argumentou que “existe um

batalhão de clérigos que se desenvolveu

no Islã, que pretende se colocar

entre Allah e os crentes – algo

que vai completamente contra a natureza

do Islã, no qual difere do Cristianismo.

(Criticou duramente) estes

clérigos que estão no poder no

Irã por seu conservadorismo e petrificação,

por bloquearem o desenvolvimento

da Sociedade e por explorarem

o nome de Allah”.

Pontos de identificação

“Nada tenho contra o Islã porque

ele educa os homens destas divisões

(SS) para mim e promete a

eles o Paraíso se lutarem e morrem

em ação. É uma religião muito prática

para soldados”

Reichsfüehrer-SS Heirinch Himmler

Sendo o Islã visceralmente autocrático

e antidemocrático é inevitável

sua ligação umbilical com

outros movimentos socialistas ditatoriais

e tirânicos, principalmente

com o nazismo, com quem tem em

comum o anti-semitismo [1], mas

também com o comunismo. Já desde

o início do século passado a versão

em língua árabe da farsa denominada

Os Protocolos dos Sábios do

Sião era amplamente divulgada com

o total apoio das autoridades muçulmanas

religiosas e laicas. Os princípios

que guiam as duas ideologias

são similares: a visão de um povo

unido frente à dominação estrangeira

– principalmente Ocidental – que

traz “deterioração moral e cultural.

Ambas são ligadas, de forma bastante

semelhante, à morte pelo martírio

como instrumento de depuração sacrificial.

A morte é vista como o su-

Haj Amin al Husseini (no centro, de casaco negro e chapéu

branco) faz a saudação nazista ao inspecionar suas tropas

muçulmanas nazistas da SS na Bósnia

premo bem. Enquanto Hitler se baseava

nas velhas lendas inspiradas

nas sagas dos Nibelungen, do Valhalla

como campo dos heróis nacionais

mortos em combate, das Valkírias,

e da superioridade do Homem

Nórdico, o Islã se baseia nas lendas

de Sinbad, nos Cavaleiros Árabes e

do Rubayyat de Omar Kahyyam, povoadas

de guerreiros e mortais que

desafiam os deuses pela glória da

morte pelo martírio.

Entre 1920 e 1948 a Palestina

foi governada pela Inglaterra sob

mandato internacional que estipulava

que aquela região deveria

se tornar um Lar para os Judeus.

No início deste mandato um professor

e jornalista palestino extremamente

nacionalista, Haj Amin

el-Husseini, instigou um progrom

em Jerusalém e foi condenado a

10 anos de prisão, da qual escapou.

Ironicamente, o primeiro Alto

Comissário Britânico na Palestina,

Sir Herbert Samuel, um judeu que

não queria parecer demasiadamente

pró-judeu, nomeou-o em março

de 1921 Mufti de Jerusalém,

título que ele pessoalmente autopromoveu

a Grão Mufti.

Em maio de 1930, Mohammed

Nafi Tschelebi, estudante sírio estudante

na Universidade de Charlottenburg

fundou a Associação

Germano-Islâmica (Deutsch-Moslemiche

Gesselshaft) com a finalidade

de estimular a camaradagem

(Kameradeschaft) entre os povos.

Já desde 1927, junto com Abdel

Jabbar Kheiri havia fundado associações

estudantis denominadas

“Islamyia” e “El-Arabyia”.

Em 1937, mais de vinte anos antes

da fundação do Estado de Israel,

o Grão Mufti se encontrava com o

enviado especial do führer, Adolf Eichmann.

Husseini se opunha ativamente

à formação de um Estado Judeu

na Palestina e fomentou a revolta

árabe em 1936. Em outubro de

1939 o Mufti visitou o Iraque, na

época submetido a Nuri el-Said, próbritânico.

O Mufti exerceu enorme

pressão contra este dirigente até que

conseguiu substitui-lo pelo Governo

pró-alemão de Rashid Ali (1 de

abril de 1941). Este novo Governo

durou pouco por causa da invasão

britânica e, em 2 de maio de 1941,

Husseini se exilou na Alemanha, empregando

o resto de seus dias trabalhando

para os nazistas, inclusive formando

batalhões muçulmanos SS

(como a Waffen-Gebirgs-Division-SS

Handschar [Adaga]) – por ele considerada

como a “nata do Islã” - e

organizações nazistas no Egito, Palestina,

Síria e Iraque.

O golpe pró-nazi no Iraque contou

ainda com a ajuda de Kharaillah

Tilfah, por mera coincidência

tio e tutor, e posteriormente sogro,

de Saddam Hussein. Outra estranha

coincidência é que o verdadeiro

nome de Yassir Arafat é Abdul

Rauf el-Codbi el-Husseini, sendo um

dos sobrinhos do Grão Mufti. Arafat

é um codinome retirado de uma

colina próxima a Meca e significa

“a culminância de uma peregrinação”

(hadj), neste caso a libertação

de toda a Palestina.

No Oriente Médio, diferentemente

de nossa civilização ocidental,

a importância dos simbolismos

é imensa.

Em 1941 o Mufti foi enviado por

Hitler para a Bósnia ocupada aonde

obteve o título de “Protetor do Islã”.

Lá foram exterminados 200.000 Cristãos

Sérvios, 40.000 ciganos e

22.000 judeus. Ele, entretanto, se

intitulava “Führer der Arabischen

Welt”, Líder do Mundo Árabe. Além

disto foi estabelecido uma Associação

de Amizade Árabe-Germânica que

funcionava no Restaurante Berliner

Kindl, na Kufürsterdamm além de um

Instituto Islâmico em Dresden (Islamische

Zentralinstitut) e o Mufti foi

agraciado com um governo nazi-islâmico

no exílio.

A Jihad contra os judeus foi pregada

inicialmente pelo Grão Mufti

já em 1943, em pleno apogeu do

Holocausto, aliás sugerido por ele,

quando dissuadiu Hitler de mandar

os judeus para a Palestina sugerindo,

ao invés disto, a chamada “solução

final do problema judaico na

Europa” através do extermínio físico.

A Jihad foi exigida por Al-Husseini

numa locução na Rádio Berlin:

“matem os judeus aonde os encontrarem,

isto agrada a Allah” [2].

Existe evidência sobre a influência

direta do Mufti [3].

Em 1945 ele foi colocado em prisão

domiciliar de luxo, sob custódia

protetora da França mas, “milagrosamente”,

escapou para o Cairo em

maio de 1946.

Tais apelos à Jihad formaram o

embrião da maioria dos grupos ter-

continua na página 15


continuação da página 14

roristas atuais, como o Jihad Islâmico,

o Hamas, o Hezbolá, a OLP,

que recebem apoio material e ideológico

e cujos “mártires” são tidos

como heróis. Saddam Hussein doa

US$ 245,000.00 para as famílias dos

“mártires”, homens-bomba ou mortos

em confronto com forças de Israel.

Integrantes da Frente de Libertação

Árabe Palestina estimam que

o total já chegou a 35 milhões de

dólares, somente desde o início da

Intifada há 29 meses.

Enquanto a história do Mufti é

bem conhecida, não é a única que

indica a estreita colaboração. Na

Europa do Leste, principalmente na

Ucrânia, nos Estados Bálticos e na

Bielo-Rússia inúmeros muçulmanos

nativos formaram batalhões voluntários

como corpos auxiliares das Waffen-SS,

chamados Askaris – nome

originalmente dado aos soldados

negros da África Alemã na Primeira

Guerra Mundial, o que já indica o

desprezo que os alemães lhes dedicavam.

Os Askaris tomaram parte,

principalmente, na Operação Reinhardt

de deportação e de guarda

dos campos de extermínio, principalmente

os de Belzec, Sobibor e Treblinka.

Da mesma forma batalhões

muçulmanos foram os primeiros a

tomarem parte da liquidação do

ghetto de Varsóvia. Geralmente eram

usados como “bucha de canhão”.

A Quarta Conferência da Academia

Islâmica de Pesquisa na Universidade

Al Azhar, em 1969, à qual

compareceram 24 países muçulmanos

reiterou a necessidade da Jihad

contra os judeus. Naquela reunião

o “Ministro da Guerra” da OLP recebeu

o nome de Abu Jihad (literalmente

“Pai da Guerra Santa”). Segundo

a agência espanhola EFE, o

xeque Mohamed Sayed Tantawi, o

grande imã da mesquita egípcia de

Al Azhar, a instituição religiosa mais

Fontes Fontes principais:

principais:

prestigiada do islã sunita, procurou

esclarecer que “há uma grande

diferença entre o terrorismo e a

“Jihad” (guerra santa). “A Jihad na

religião islâmica significa que o

muçulmano defenda sua fé, seu país

com seus bens e integridade territorial.

Se o inimigo invadir um país

O mufti Husseini encontrou-se com Hitler,

em Berlim, durante a guerra

muçulmano, a guerra santa contra ele

é um dever“, afirmou o clérigo ao jornal

árabe “Asharq Al Awsat”. Por outro

lado, o terrorismo, que tem como

objetivo o assassinato de civis inocentes,

é algo que o islã repudia e

condena, destacou Tantawi. Mas para

eliminar esta diferença, basta considerar

o Estado de Israel como invasor,

e é claro, aí pode tudo!

Finalizo citando um texto do

jornalista José Roitberg, Onde estão

os judeus de esquerda?: “Sabe

que dói e demonstra a aculturação

até dos que se afirmam progressistas

intelectualizados preferirem demonizar

Israel e compartilhar termos

como “Sharon Nazi”, “Bush Nazi”

e nazi-sionistas, deixando de lado

os verdadeiros nazistas brasileiros

como Castan e Editora Revisão? Será

tão mais fácil para o pessoal de esquerda

esquecer o nazismo e o neonazismo?

(...) Será que alguém podia

nos responder por que as esquerdas

cujo inimigo primordial era o

nazismo e o fascismo não se interessam

mais pelos verdadeiros inimigos,

preferindo taxar os democratas

de fascistas?”

- Burkhard Schröder, Führer unter sich

- Chuck Morse, Nazi Origins of Arab Terror

- Jamie Glazov, Symposium: Islam, a Religion of Peace or War? Part I, FrontPage Magazine

- Joachim Fest, Hitler

- Joseph B. Schechtman, The Mufti and the Führer, revisão de Linda Dangoor-Khalastchi

- Michael J. Martin, Arab Nazism: Then and Now, FrontPage Magazine

- T.E. Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria

Notas:

[1] O argumento de que anti-semitismo é também contra os árabes, também descendentes

de Sem não procede por ser falacioso. Em primeiro lugar não se confunda árabes com

muçulmanos pois existem muçulmanos não-árabes, como os iranianos, indonésios, kazaks,

usbeks, etc, e também árabes pertencentes a outras religiões, como os coptas, cristãos maronitas

e católicos, etc. E também porque foram exatamente os árabes que se aliaram aos nazistas

anti-semitas desde o início. Pelo contrário, tais países mais a Nigéria e a Turquia jamais

aceitaram a Jihad e mantém boas relações com Israel, assim como o Líbano, até a sua

destruição pela Síria e seus aliados do Hezbolá.

[2] Ver www.rb.org.il/Islam-Israel/commentary/islam25.htm -

[3] ver livro de Schechtman citado

* Heitor De Paola é escritor e comentarista político, membro da

International Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer

House Foundation, Berkeley, Califórnia, e Membro do Board of Directors

da Drug Watch International. Possui trabalhos publicados no Brasil e

exterior. E é ex-militante da organização comunista clandestina, Ação

Popular (AP). Publicado em Mídia Sem Máscara. em 19 de março de 2003

Sonia Velasco Grávalos *

Dá-me vergonha dizer que sou

espanhola… E tenho que dizer

isso todos os dias porque vivo no

estrangeiro.

Dá-me vergonha que meu país

seja o único governo ocidental

democrático (a Venezuela e Cuba

não podem se chamar de “democracias”

propriamente ditas) que

não condene o terrorismo e advogue

pelo idílico slogan de buscar

a paz a todo custo... a custo

da morte e do sofrimento dos

“malvados israelenses”.

Dá-me vergonha a manifestação

convocada pelo PSOE 1 em nome da

Paz, mas sobretudo para propagar

ainda mais o ódio contra Israel

(bastante exacerbado já segundo

os dados do European Monitoring

Centre on Racism and Xenophobia

2002-2003, que mostram a Espanha

como o país mais anti-semita

no ranking europeu).

Dá-me vergonha que a ignorância

e cegueira do meu ex-conciliador

e risonho presidente arraste

uma multidão de idealistas enganados

à rua para defender a mesma

índole dos terroristas fanáticos

que fizeram o atentado de 11

de Março; indivíduos que a única

coisa que buscam é matar a maior

quantidade possível de “infiéis” e

causando o maior dano possível,

que se sentem orgulhosos de que

seus filhos morram e se imolem por

Alá, e que não duvidariam em desfazer-se

de todos os pró-palestinos

infiéis que saem hoje às ruas,

se não fosse porque os usam como

plataforma de legitimização de sua

jihad contra Israel.

Dão-me vergonha as reclamações

dos que convocam a manifestação.

Aparte da sempre pacifista

esquerda, defensora dos pobres

e desvalidos terroristas, estão

os lemas reivindicatórios dos

direitos... e cito textualmente:

“das populações que aspiram viver

em paz e com dignidade” das

ONG’s de plantão, como a Federação

das Associações de Direitos

Humanos (onde estão os direitos

humanos dos israelenses

que morrem nas escolas, restaurantes,

centros comerciais, etc,

devido às bombas dos abduzidos

kamikazes ou dos Kassam ou Ka-

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Opinião de uma

jornalista espanhola

tiushas lançados pelos indefensos

“palestinos” detidos nas prisões

israelenses?) ou como a Associação

Hispano-Palestina “Jerusalém”

(promotora do boicote

contra os produtos de Israel baseando-se

no mito do “pobre palestino

explorado e assassinado

pelo “lobby judaico opressor”).

Dá-me vergonha que a Espanha

concorde com as opiniões de

Castro e Chávez em sua recusa na

responsabilidade do Hezbolá no

ultimo conflito, que posições

como esta se somem à sua política

internacional de aproximação

com países que financiam o

terrorismo, e que controlam as

liberdades e oprimem os seus

cidadãos, e que não titubeiam

em declarar que “Israel perpetra

um verdadeiro genocídio” (palavras

textuais do presidente venezuelano)

quando houve 926

ataques do Hezbolá indiscriminados

contra Israel, sem distinguir

entre soldados e civis, frente

aos 1320 ataques das Forças

Armadas de Israel contra os redutos

e instalações dos terroristas,

assim como contra as infraestruturas

libanesas utilizadas

livremente pelos terroristas para

continuar seus ataques.

Mas o que mais vergonha me

dá é que seja o mesmíssimo governo

da nação o que convoca um

protesto em defesa do Hezbolá, um

grupo terrorista que iniciou a escalada

com o bombardeio do norte

de Israel e o seqüestro dos soldados,

e que há mais de 20 anos

vem atentando contra um Estado

democrático.

E por último, dá-me vergonha

a pouca vergonha que tem o sr.

Moratinos ao declarar recentemente

o seguinte: “Os judeus

deveriam agradecer a preocupação

e o compromisso” da Espanha

com a própria segurança de

Israel, “não está no bom caminho”

e suas ações unilaterais não

têm lhe trazido mais segurança,

mas, ao contrário, “deram asas ao

Hezbolá e o Hamas, que consideraram

que é a resistência a única

maneira de obter a paz”.

* Sonia Velasco Grávalos é

jornalista e tradutora espanhola

residente no Brasil.

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VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

OLHAR

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

HIGH-TECH


Bíblia, base para descoberta de antiviral

A leitura do Velho Testamento levou

o cientista israelense, professor Michael

Ovadia, da Universidade de Tel

Aviv, a uma grande descoberta. Ao

ouvir uma passagem explicando que

o Sumo Sacerdote (Cohen) preparava

um óleo sagrado a base de canela

para passar no corpo, antes do sacrifício

de animais, encontrou a chave,

que mudou o rumo de suas pesquisas,

após 40 anos de estudos sobre

as propriedades medicinais dos

venenos de cobra, como antivirais.

‘Imaginei que esse óleo, preparado

com canela e outros condimentos,

tivesse a função de evitar que os

agentes infecciosos se espalhassem’.

Há sete anos começou as pesquisas

para testar sua descoberta e a teoria

de que o extrato de canela tem propriedades

que podem ser usadas para

combater infecções virais, indo desde

o HIV à gripe aviária. (Israel21C/

Embaixada de Israel no Brasil).

Spray contra gripe aviária,

para aeroportos

Estudos avançados de laboratório

comprovaram o poder de imunização

do extrato de canela, em embriões de

frango e em relação a outros vírus.

Agora, a multinacional Frutarom, sediada

em Israel, está comercializando

o extrato e planeja desenvolver

uma série de produtos para aplicações

diversas, que incluem um spray contra

a gripe aviária para aeroportos,

um suplemento diário para proteger

as pessoas contra a gripe comum, e a

imunização para doenças nos embriões

de frangos. As pesquisas prosseguirão,

sob a coordenação do professor

Ovadia. (Israel21C/Embaixada de Israel

no Brasil).

Robô para combater câncer

O trabalho de dois jovens cientistas

de Haifa, ao norte de Israel, atraiu holofotes

do mundo inteiro. Eles inventaram

um robô, com aparência de inseto,

capaz de se agarrar às paredes

dos vasos sanguíneos mesmo contra a

corrente. Com um milímetro de diâmetro

e quatro de comprimento, a novidade,

já testada em tubos plásticos e

artérias de animais, é movida por um

campo magnético, que controla o mo-

vimento e a velocidade, sem a necessidade

do uso de cabo ou bateria. Ele

poderia, por exemplo, levar uma partícula

radioativa a um lugar específico,

no tratamento de câncer, ao invés

da quimioterapia que afeta o corpo

todo. O próximo passo, em dois ou três

anos, serão os testes clínicos com seres

humanos. (Jornal Alef).

DVD com 1 terabyte de armazenagem

A empresa israelense Mempile, de Jerusalém,

anunciou um protótipo de

disco ótico tão fino quanto um DVD

capaz de armazenar 1 terabyte de dados.

Isso foi possível, porque o disco

semitransparente conta com 200 camadas

de 5 Gb cada. Com essa capacidade

a mídia é capaz de guardar mais

de 250 mil MP3s, 115 filmes em alta

qualidade de DVD ou 40 de HD. Ao

contrário dos DVDs normais, as camadas

não estão agrupadas de forma física,

mas virtualmente. A tecnologia

utiliza moléculas sensíveis à luz denominadas

cromóforos para criar matrizes

semelhantes a hologramas e, assim,

atingir a capacidade de 1 Tb. De acordo

com a companhia, o valor é conseguido

usando lasers vermelhos, podendo

ser ampliado para 5 Tb caso haja

uma transição para os lasers azuis (usados

nos discos de alta definição, como

o Blu-ray e o HD DVD). (The Future of

Thing - www.tfot.info).

DVD com 1 terabyte - II

“De iPods ao Tivo, a quantidade de conteúdo

digital gravado e guardado pelos

consumidores em suas casas cresce como

nunca. O problema é que a informação

acaba armazenada em várias ilhas em

vários equipamentos assim como também

nos PCs, que geralmente funcionam

como um repositório central de todos

esses conteúdos espalhados, com o risco

inerente de o HD sofrer algum dano”,

disse o CEO da Mempile, Avi Huppert.

“O TeraDisc, pela primeira vez, permite

que os usuários armazenem um terabyte

de dados em um único disco, do tamanho

de um DVD, por uma fração do preço

das soluções alternativas no mercado”,

completou. A empresa planeja apresentar

um protótipo funcional em 18

meses. Um ano depois disso, o TeraDisc

deverá chegar ao mercado consumidor,

por cerca de US$ 3 mil. Já os discos de

600 Gb devem variar entre US$ 30 e US$

50. (The Future of Thing - www.tfot.info).

Caos em Gaza leva palestinos

a querer a volta da ‘ocupação’

Numa nota publicada no jornal

Haaretz, o conhecido jornalista e

especialista em temas palestinos

Abi Isacharof, conta em detalhes

as lutas internas palestinas que estão

ferindo o povo palestino nos

últimos meses.

São vários os grupos que disputam

o controle da Faixa de Gaza.

A rivalidade entre o Fatah e o Hamas

é uma delas, mas há também

outros grupos criminosos que disputam

as ruas, o controle dos negócios

como a prostituição, o comércio

de drogas e outros aspectos

da vida dos palestinos.

Dezenas de cafés com internet

foram incendiados nos últimos meses.

Cresce dia-a-dia o número de

cidadãos que andam armados nas

ruas, alguns deles com granadas.

Os habitantes de Gaza queixamse

da falta de segurança e de uma

força que ponha ordem no caos que

reina no território controlado unicamente

pelos palestinos.

Segundo cita a nota, uma organização

de direitos humanos com

base em Ramallah, assegura que desde

o início deste ano morreram em

lutas internas 63 palestinos e outros

400 ficaram feridos.

Isacharof cita um jornalista palestino

de quem não dá o nome por

razões de segurança, que diz: “Há

hoje em dia duas possibilidades que

VJ INDICA

Diário de um

Skinhead

Antonio Salas – Ed. Planeta (Brasil)

Antonio Salas é o pseudônimo de um jornalista

espanhol que não se identifica e que é

famoso em seu país por suas reportagens especiais,

ao estilo de Tim Lopes (que, aliás, é

citado logo no inicio do livro). Ele passou um

ano infiltrado nas gangues de neonazistas de

Madri e revela as conexões políticas destes com

partidos de extrema-direita, a relação com os

muçulmanos, revelações sobre os negacionistas,

torcidas de futebol etc. E faz também uma

formidável comparação dos skinheads com os

militantes de extrema-esquerda.

surgem desta situação: que apareça

alguém forte que não se importe de

enfrentar os bandos criminosos, ou

a ocupação israelense”.

“Muitas pessoas na Faixa de Gaza

têm esperança de que Israel a conquiste

de novo, já que no tempo da

ocupação este tipo de coisas não

aconteciam”.

Além disso, alguns milhares de

palestinos trabalhavam nos campos

de cultivo dos israelenses em Gaza

antes que fosse desalojada de judeus

pelo governo de Sharon.

“Em Gaza não há lei. Ninguém

fala das possibilidades de abanicos

nas negociações com Israel ou

sobre a libertação de prisioneiros.

Todos se perguntam quem matou

quem e como foi”.

Isacharof culmina dizendo no fecho

de sua nota: “Na situação econômica

difícil que vive a Faixa, não

poucos palestinos procuram disparar

foguetes Kassam sobre Israel, não

por um cálculo ideológico; o chefe

de uma unidade de lançadores de

foguetes recebe das organizações

terroristas cerca de 5.000 dólares...

Um membro da unidade recebe algumas

centenas de dólares, a ‘armadilha’

econômica é incrível. Aos que

disparam pouco lhes importa se o

foguete conseguiu acertar o alvo ou

não. O que lhes importa mais é retorne

a ocupação israelense.

LIVRO


Apoiando a educação para a paz na AP?

Itamar Marcus e Barbara Crook *

ualquer pessoa que deseje

a paz ficaria horrorizada

com o conteúdo da

mais recente série de livros

escolares palestinos.

Em muitos aspectos, estes

novos livros para o 12º grau, escrito

por pedagogos palestinos designados

pelo Fatah, são os piores livros

de ensino produzidos pela Autoridade

Palestina desde 2000.

Estes livros mais recentes negam

o direito de Israel existir, antecipam

sua destruição e definem o conflito

com Israel como religioso, e não

meramente territorial.

Como mostramos em nosso mais

recente “Conflito Religioso”, a divisão

ideológica entre o Fatah e o

Hamas parece estar desaparecendo.

O Hamas sempre definiu sua

guerra com Israel como religiosa e

existencial, e agora isso é o que

todas as crianças palestinas aprenderão

na escola: “Ribat [oração]

para Alá é uma das ações relacionadas

à jihad para Alá, e significa:

estando em áreas onde há uma luta

entre os muçulmanos e os seus inimigos.

A resistência do povo Palestino

em sua terra, nestes dias...

é o maior dos ribat.” (Educação islâmica,

grau 12, pág., 86-87).

O conflito palestino com Israel

é um ribat único e eterno com um

destino islâmico especial: “A razão

para esta preferência [do ribat palestino]

é que as batalhas momentosas

na história islâmica aconteceram

na sua terra”.

E sobre quando haverá paz com

Israel? Nunca, de acordo com os livros

escolares: “Os habitantes [da

Palestina] estão numa luta constante

com os seus inimigos, e eles

se encontram em ribat até o Dia de

Ressurreição”.

O direito de existir de Israel é

negado e a fundação de Israel é

chamada de roubo: “A guerra da

Palestina terminou com uma catástrofe

sem precedentes na história,

quando gangues sionistas roubaram

a Palestina e expulsaram seu

povo de suas cidades, suas aldeias,

suas terras e suas casas, e estabeleceram

o Estado de Israel” (Língua

árabe, Análise, Literatura e Crítica,

grau 12, pág., 104). Israel é

chamado de “A entidade sionista”

e “inimigo sionista”. A existência

de Israel desde 1948 é uma “ocupação”.

(pp de ibid. 104, 122).

O conflito terminará eventualmente

— não com a paz, mas

com a destruição de Israel, efetuada

pelos palestinos de todas

as idades: “A Palestina será liberada

por seus homens, suas mulheres,

seus jovens e seus anciãos”.

(Língua árabe e Ciência da

Linguagem, grau 12, pág., 44).

Os livros antecipam esta destruição

futura de Israel pintando

um quadro para as crianças palestinas

de um mundo no qual Israel

já não existe. O espaço de Israel é

marcado como “a Palestina” em

todos os mapas, e “a Palestina” é

definida como um dawla — a palavra

árabe para “estado”, não uma

região geográfica.

É dito que este “estado” tem acesso

à água em ambos os mares, o Mediterrâneo

e o Vermelho, uma situação

possível apenas em um mundo

sem Israel. (Geografia Física e Geografia

Humana, grau 12, pág., 105).

Da mesma forma, o tamanho da

“Palestina”, o “estado,” é dito que

tem mais de 10.000 km 2 , uma situação

só possível se Israel não existir,

uma vez que o território da margem

Ocidental e a Faixa de Gaza somam

juntos 6.220 km 2 .

Porque Israel não tem direito de

existir, e deve ser combatido e até a

destruição pelo Islã, a violência e o

terror contra Israel, desde sua fundação

são justificados e glorificados

como muqawama, resistência: “A

tragédia da Palestina de 1948… e

posteriormente a muqawama na qual

os habitantes fizeram atos de heroísmo

mais glorioso e sacrifício”. (Língua

árabe, Análise, Literatura e Comentário,

grau 12 pág. 105).

O mundo encolheu-se em horror

à conferência iraniana da negação

do Holocausto. Mas os novos livros

didáticos da Autoridade Palestina

ensinam a Segunda Guerra Mundial

sem o Holocausto. Há detalhes extensos

sobre a história da guerra,

lições sobre a “teoria da raça” nazista

e até mesmo mencionam “um tribunal

internacional para levar a julgamento

os velhos líderes nazistas

como criminosos de guerra”. (A História

dos árabes e o Mundo no Século

20, grau 12, pág., 46).

Entretanto, os livros não mencionam

por que os nazistas foram julgados,

ou que sua “teoria da raça”

envolveu a eliminação de judeus e

outras minorias.

Está claro que os mais recentes

livros didáticos escolares da Autoridade

Palestina são uma receita trágica

para a guerra incessante. Israel

é apresentado como um inimigo ilegítimo

a ser odiado, combatido e

destruído. Até mesmo o estudante

mais bem-intencionado fica sem justificativa

ou opção religiosa para

aceitar Israel como um vizinho para

viver lado a lado em paz.

Por conseguinte, qualquer um que

esteja verdadeiramente interessado

na paz e na educação para a paz deveria

ficar alarmado com estes novos

livros, repudiar este material de

ódio e exigir que os livros sejam descontinuados

e reescritos. A senadora

norte-americana Hillary Clinton

disse recentemente que este currí-

culo, junto com mídia da Autoridade

Palestina visam as crianças, “basicamente

e profundamente envenenar

a mente destas crianças” e que

estes livros são “um doutrinamento,”

não uma educação.

Mas um grupo judaico americano,

Brit Tzedek v’Shalom — Aliança

Judaica para a Justiça e Paz —

apressou-se em defender esses livros

escolares cheios de ódio.

Como informou a Jewish Telegraphic

Agency (Agência Telegráfica Judaica),

o grupo escreveu à senadora

Clinton para pedir-lhe que “reexaminasse

suas declarações de que os livros

escolares palestinos doutrinam

o ódio”. O grupo argumenta que os

livros encorajam “uma solução pacífica

para o conflito, e são melhores

que aqueles usados na maioria do

mundo árabe porque eles ‘endossam

a democracia’”.

Esta defesa superficial dos livros

da Autoridade Palestina, comparada

com o bem-documentado relatório de

35 páginas da PMW (Palestinian Media

Watch [Vigilância da Mídia Palestina,

uma ONG que monitora a atividade

da informação na palestina]),

com suas descrições de linha por linha

da educação para o ódio, nos

deixa com a forte impressão de que

ninguém daquele grupo leu de fato

os livros escolares ou o relatório da

PMW. Nesse caso, a ânsia do grupo

em defender estes novos textos novos

é irresponsável.

É difícil e custa crer que o Brit

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Tzedek v’Shalom tenha de fato estudado

estes livros didáticos do 12º

grau e esteja endossando seriamente

um currículo educacional que

nega o direito de Israel, justifica

terror e promete uma batalha religiosa

eterna para a destruição de Israel,

defendendo e estimulando conscientemente

o assassinato.

Tragicamente, a Autoridade Palestina

irá explorar a aprovação por

este imprudente grupo judaico de

seus textos novos. Pode o Brit Tzedek

v’Shalom estar assim tão determinado

a ponto de cegamente promover

a causa palestina, defendendo

até mesmo o indefensível? No

passado, grupos como Brit

Tzedek v’Shalom criaram

suficiente incerteza

sobre a educação

para o ódio da Au-

toridade Palestina

para aliviar pressão

internacional

sobre os líderes

palestinos para

que buscassem educação

para a paz.

Nosso desafio ao

Brit Tzedek v’Shalom: Se

vocês são tão dedicados

à paz como somos nós, vocês têm a

obrigação moral de retratar-se publicamente

de sua defesa dos livros

sancionados pela Autoridade Palestina,

descritos acima e exigir, por

outro lado, que a Autoridade Palestina

procure a educação para a paz.

França

Agressões contra judeus

cresceram 45% em 2006

As agressões físicas contra judeus

na França aumentaram 45%

em 2006, informou recentemente

o Conselho Representativo das Instituições

Judaicas da França (Crif).

O aumento é interpretado como

“inquietante” pelo Crif, que considera

o futuro “incerto”, devido, fundamentalmente,

à atualidade geopolítica

e especialmente ao conflito

entre israelenses e palestinos.

Os ataques contra judeus na

França passaram dos 77 registradas

em 2005 para 112 ocorridos

em 2006. O levantamento foi feito

com base nos números do Serviço

de Proteção da Comunidade

Judaica (SPCJ).

Este serviço abastece sua base

de dados com denúncias recebidas

diretamente da comunidade

judaica em seu “telefone verde”,

que são comparadas com os números

do Ministério do Interior

francês, afirmou o Crif.

O início de 2006 esteve marcado

de forma dramática pelo seqüestro

e assassinato de Ilan Halimi,

um jovem judeu que foi torturado

até a morte.

Até março deste ano, as estatísticas

mostraram um aumento

de atos anti-semitas, o que o Crif

interpreta como uma “espécie de

mimetismo” em relação à morte

de Halimi.

O conflito no Líbano gerou um

novo aumento da violência contra

judeus na França, o que se

manteve em setembro e coincidindo

com datas comemorativas desta

comunidade, acrescentou o Crif.

* Itamar Marcus e Barbara

Crook são os diretores

associados da Palestinian

Media Watch (PMW).

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VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Ida Axelrud, a terceira presidente do Snif Curitiba, será homenageada

pela Na’amat Pioneiras, com um jantar no dia 27 de outubro às 20

horas no CIP. Adesões pelos fones: 3222 1281 e 3242 6056.

Nasceu Luana Slud em plena véspera de Rosh Hashaná. Aos pais,

Eduardo e Cíntia e aos avôs desejamos Mazal Tov!

No dia 3 de setembro, Jack Terpins, presidente da Confederação Israelita

do Brasil (CONIB) e do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL)

recebeu o Prêmio Cicla, homenagem concedida à pessoas que se

destacam por seus méritos na vida comunitária em geral, e na judaica,

especificamente.

Jack Terpins recebido pelo presidente de Israel, Shimon Peres

A cerimônia de entrega do prêmio acontece em Israel, a cada dois

anos, e a distinção recai sempre sobre personalidades israelenses e

latino-americanas, dentre os agraciados destaca-se a jornalista

Pilar Rahola, colaboradora deste jornal.

Segundo a CICLA - Centro Israelense para as Comunidades Ibero-Americanas,

Terpins recebeu a honraria por seu trabalho e

aporte às comunidades judaicas brasileira e latino-americana,

como presidente de tais, por sua participação e desenvolvimento

como judeu e dirigente comunitário, por seus esforços contínuos

no sentido de estreitar e reforçar cada vez mais os laços

entre as comunidades da Diáspora e Israel, através de programas

e atividades, entre outras, que propiciam a formadores de

opinião e lideranças, um conhecimento real e mais apurado

acerca de Israel e da comunidade judaica.

Dois reparos que precisam ser feitos. A primeira: Na edição de

agosto (nº 59, na nota desta coluna em que se referia ao barmitzvá

Justin Greenblatt, por engano registramos que seu pai fora

chamado à Torá, quando na realidade, foi o bar-mitzvando Justin,

filho de Brian e Corrine Greenblatt.

A segunda retificação: Na edição de maio (nº 56) publicamos

nesta coluna que o novo Embaixador do Brasil em Israel recebeu

suas credenciais das mãos da Presidente de Israel. Na verdade, o

Embaixador do Brasil, Pedro Mota, é que entregou as credencias à

então Presidente. Houve somente um reduzido número de diplomatas

brasileiros credenciados em Israel. Depois da cerimônia houve

uma recepção, oferecida aos embaixadores, que naquele dia apresentaram

as suas credencias.

Sob o patrocínio da FIERJ - Federação Israelita do Estado

do Rio de Janeiro, o Clube Monte Sinai realizou no domingo

26/8 a Exposição Temática de Materiais Didáticos do Yad Vashem,

abrangendo livros, CDs, DVDs, Mapas, posters, álbuns,

guias para professores do primário à universidade. Foi também

promovida uma Campanha de Coleta de Nomes de Vítimas

e Sobreviventes. Monitores, devidamente treinados, atenderam

o publico, estudantes e professores informando e auxiliando

no preenchimento das Paginas de Testemunho. O

Yad Vashem produziu especialmente para o evento um cartaz

de divulgação em português. Foram cadastrados professores

e ativistas formadores de opinião para participar de seminários

no Brasil e no Yad Vashem, em Jerusalém, e servir como

agentes multiplicadores.

Estiveram presentes representações de organizações e entidades

civis e militares, entre os quais da Diretoria de Assuntos

Culturais do Exercito, Monumento Nacional aos Mortos

da Segunda Guerra Mundial, Museu Militar Conde de Linhares,

Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de

Janeiro, Batalhão Naval da Fortaleza de São José (Corpo de

Fuzileiros Navais), Bateria de Comando da Artilharia Divisionária

(Fortaleza de Santa Cruz, Niterói), esta em uniformes

históricos, Colégio Militar do Rio de Janeiro, com os alunos

e alunas em seus tradicionais uniformes de gala garance,

Destacamento de Bombeiros Militares 3/11 – Tijuca, 6º Batalhão

da PMERJ – Andaraí, Grande Loja Maçônica do Estado

do Rio de Janeiro, Organização Sionista do Brasil, Fundação

Osório, Associação Nacional dos Veteranos da Força

Expedicionária Brasileira, Amigos do Memorial Judaico de

Vassouras, Chevra Kadisha, Associação dos Ex-Combatentes

do Brasil, Associações dos Veteranos de Tropas de Paz das

Nações Unidas – OEA, Associação dos Veteranos do Batalhão

Suez e Associação dos Ex-Alunos do CPOR/RJ.

Israel Blajberg fala durante as comeorações da Semana da Pátria

no Clube Monte Sion, no Rio

Ainda a Federação Israelita do Rio de Janeiro e o Centro

Cultural Esportivo e Recreativo Monte Sinai por ocasião da

Semana da Pátria homenagearam as Forças Armadas Brasileiras

e os Veteranos da Segunda Guerra Mundial em nome da

Comunidade Judaica Fluminense, por intermédio de seus respectivos

presidentes da FIERJ, Sérgio Niskier e do Monte Sinai,

Altamiro Zymerfogel.

Foto: Lourival Ribeiro

À esquerda, o rabino Shabsi Alpern, do Beit Chabad Central, de

São Paulo, e entre d. Marisa e Lula, Isac Baril, presidente da

Federação Israelita do Paraná

No dia 19/9 o presidente Lula recebeu uma delegação de

líderes erabinos da comunidade judaica brasileira e latinoamericana

e rabinos de São Paulo e do Rio de Janeiro,

encabeçada por Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico

Latino-Americano/CJL e Confederação Israelita do

Brasil /CONIB e por seu vice-presidente e presidente do

Hospital Albert Einstein, Cláudio Lottenberg.

Na oportunidade Terpins, os rabinos e os presidentes das

federações israelitas receberam os cumprimentos de Lula

pela passagem do Ano Novo Judaico de 5768. O presidente

também tocou o shofar, ouvindo a explicação

dos rabinos sobre o fato de que esse que é um dos

períodos mais significativos do calendário judaico,

quando D-us sela o destino de cada um, dando o seu

veredicto no Iom Kipur, Dia do Perdão.

Estiveram presentes os presidentes da federações de

São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul,

Ceará e Distrito Federal, respectivamente, Boris Ber,

Sergio Niskier, Isac Baril, Henry Chmelnitsky, Arnaldo

Len e Leslie Sasson; mais Cláudio Epelman, representante

do Congresso Judaico Latino-Americano, além

jovens líderes do Chile, Argentina e Brasil, e Abram

Goldstein da B’nai B’rith do Brasil, além de rabinos.

No dia 5/9 a FIERJ e o Monte Sinai realizaram no

clube uma mesa redonda “Conversando com Veteranos

da II Guerra Mundial”, com a presença da major

Elza Cansanção Medeiros, dos tenentes Israel Rosenthal,

José Candido (Candinho) da Silva e Melchisedech

Affonso de Carvalho, além do capitão Osias Machado

da Silva. Houve uma exposição em que a comunidade

judaica homenageou a “Semana da Pátria”, as

Forças Armadas e os Veteranos Brasileiros da II Guerra

Mundial. A Banda de Música da Escola de Instrução

Especializada se apresentará durante o evento.

A comissão julgadora do concurso “O que é a Wizo”,

promovido pela Wizo Paraná reuniu-se no dia 17/9 no

CIP para avaliar e selecionar os trabalhos vencedores

entre os trabalhos concorrentes, produzidos por estudantes

judeus das 7ªs e 8ªs série do primeiro grau. Os

vencedores serão anunciados durante Simchat Torá na

Sinagoga do CIP, dia 5/10, para o qual todos os participantes

e seus pais estão convidados. A comissão julgadora

foi integrada por Sara Kulisch, Tânia Baibich,

Ilana Lerner Hoffmann, Clara Grinberg e Szyja Lorber.

O lançamento do livro “A Travessia da Terra Vermelha”

— Uma saga dos refugiados judeus em Rolândia,

e a palestra do autor, o jornalista e escritor

Lucius de Mello foram um sucesso e atraíram muita

gente da comunidade na segunda-feira 3/9 ao auditório

do CIP, num evento promovido pelo Instituto

Cultural Judaico-Brasileiro Bernardo Schulman.

O autor falou sobre seu extenso trabalho de

pesquisa, exibiu algumas fotos de seu livro, e foi

muito aplaudido ao final. Ele autografou os exemplares

vendidos. Depois, foi oferecido um coquetel

aos presentes.

Nasceu dia 6/9/2007, em Curitiba, Murilo, filho

de Fabielle Marcovici Almeida e Edílson Almeida.

O bebê fofinho deixou encantados os avós paternos

e maternos.

Colabore com notas para a coluna. Fone/fax 0**41 3018-8018 ou e-mail: visaojudaica@visaojudaica.com.br

Foto: Szyja Lorber

O historiador Lucius de Mello, Sara Schulman e Célia

Galbinsky, presidente e mestre de cerimônias do Instituto

Cultural Bernardo Schulman, e Ester Proveller, presidente

da Kehilá


jornalista Nahum Sirotsky,

que vive em Israel,

é correspondente

da rede RBS e colunista

do Último Segundo do

portal IG na internet,

além de colaborador do jornal Visão

Judaica, foi condecorado, dia 25/8,

pelo Exército brasileiro com a Medalha

do Pacificador. A solenidade

aconteceu na Embaixada do Brasil,

em Tel-Aviv.

Repórter com 64 anos de experiência

no jornalismo, foi testemunha

e escreveu sobre a história recente

do Brasil e de Israel, Sirotsky

se acostumou com situações difíceis,

como a dura realidade das

guerras. Mas se emocionou na cerimônia

de entrega da medalha, que

contou com a presença de familiares,

entre eles, do filho e dos netos.

Sirotsky foi elogiado pelo embaixador

Pedro Mota e pelo Adido

militar brasileiro em Israel, coronel

Luciano Puchalski, militar de família

paranaense.

Testemunha da história

Em seu discurso, disse Nahum

Sirotsky: “Agradeço ao Comandante

do Exército brasileiro a grande honra

que me concede com a Medalha

do Pacificador, o Duque de Caxias,

no Dia do Soldado Brasileiro, na presença

do embaixador do Brasil”.

“Todos aqui são mais jovens do

que eu. Tenho 64 anos de jornalismo.

Comecei em ‘O Globo’, em 1943.

Entre outras missões me designaram

para o Ministério da Guerra e o

Ministério do Exterior, dois setores

que pouco se manifestavam”.

Relatando sobre o início de sua

vida profissional declarou: “Na minha

ignorância sobre o que deveria

fazer, tentei imitar os repórteres

americanos. No Ministério da Guerra

procurei o lado humano da vida do

militar. No Itamaraty ia de Divisão

em Divisão, e perguntava verdadei-

Nahum Sirotsky recebe

Medalha do Pacificador

ras imbecilidades. No fim de curto prazo,

talvez devido à minha juventude,

logo fiz amizades com jovens oficiais e

generais. Conheci Juarez Távora, Góes

Monteiro, os Estilac Leal, Zenóbio da

Costa, o brigadeiro Eduardo Gomes, o

general Cordeiro de Farias e muitos

mais. Os generais me facilitaram visitas

que mudaram minha maneira de

pensar. Creio ser dos poucos jornalistas

sobreviventes que assistiram as manobras

em Gericinó, preparatórias para

o embarque da FEB para a Itália”.

Falando sobre o Exército brasileiro,

Nahum Sirotsky recordou que “um ministro

da Guerra, general Eurico Dutra,

se elegeu presidente da República. Entre

os oficiais, alguns, chegaram a chefe

do Governo. Conheci pessoalmente Castelo

Branco, Geisel, João Figueiredo.

Dos militares, de soldados a generais,

aprendi que ser patriota é servir. No

Itamaraty também aconteceu o mesmo.

Fui acolhido com todo o carinho por

jovens diplomatas e embaixadores. Os

diplomatas — a elite intelectual do

Brasil na época — me ensinaram uma

lição que tem sido fundamental em

minha carreira. Ensinarem-me que só

se entende com o que se sabe e, a

partir daí, envergonhado por minha

ignorância, dediquei-me a estudar re-

lações internacionais, ciências políticas,

economia e etc. E não parei até hoje”.

“Fiz amizades preciosas como as

de Roberto Campos, Edmundo Barbosa,

Dias Costa, Guimarães Rosa, Vasco

Mariz, Vasco Leitão, Pio Correa,

Aluízio Bittencourt, Meira Pena, Sérgio

Correa da Costa, e muitos outros.

Um ministro, João Neves da Fontoura,

foi meu padrinho de casamento e

para isto veio à Sinagoga. Fui assessor

de Campos quando embaixador em

Washington, adido à Embaixada do

Brasil em Israel. Cobri a ONU em Nova

Iorque de 45 a 47. Fiz preciosa amizade

com Oswaldo Aranha que até o

fim da vida me recebia com carinho

paternal. Ao Itamaraty devo o fato de

que me empenhei em me educar. Os

militares e os diplomatas brasileiros

foram as maiores influências em minha

vida”, declarou o jornalista.

“Há outras lições apreendidas em

minha até agora longa vida”, prosseguiu

Sirotsky em seu discurso. “A de

que a Pátria do homem é sua formação

cultural e seus amigos. No meu caso, o

Brasil, onde tive amigos inesquecíveis

como Ney Braga. E mantenho contatos

com inúmeros velhos e indispensáveis

amigos que sustentam meu empenho

no que faço, o ser jornalista”.

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Em tocante cerimônia, na Embaixada do Brasil em Tel-Aviv, o jornalista recorda os notáveis que conheceu

O jornalista Nahum Sirotsky recebe a Medalha do Pacificador das mãos do coronel do

Exército brasileiro Luciano Puchalski (E), em ato assistido pelo embaixador Pedro Mota

e também pelo coronel Mário Sérgio Greskow (D) entre outros convidados

Ser judeu

Nahum Sirotsky reafirmou também sua

condição judaica durante a homenagem. “A

Pátria é Pai, a terra do Pai”, observou ele,

acrescentando a seguir: “Mas, como é sabido,

minha mãe era judia, o que me faz

judeu e, num amplo sentido, sem nenhuma

contradição com meu amor pelo Brasil, faz

de Israel minha mãe pátria”.

“Ser brasileiro é ser de um povo notório

por ser fraternal, um povo que sabe

amar, cantar e chorar, sem igual”, declarou,

fazendo ele poesia com uma das qualidades

inerentes do povo brasileiro.

“Ser judeu é ter um vinculo direto com

os Mandamentos e o monoteísmo com mais

de mil anos de história”, sublinhou.

“Ostentarei a Medalha do Pacificador

com orgulho, por homenagear um militar

que se dedicou a construir a unidade nacional,

até hoje, a grande

missão das Forças Armadas

do Brasil. E no dia

do Soldado... Meu D-us,

jamais imaginei ser tão

honrado”, emocionou-se

mais uma vez.

Amigos

paranaenses

Nahum Sirotsky, a

propósito de sua condecoração,

falando acerca

do Brasil e do Paraná, ao jornal Visão Judaica,

fez questão de destacar que, em seus

muitos anos de jornalismo, o grupo com o

qual mais se aproximou e respeitou, foi o

de Ney Braga, que insistia em chamá-lo de

“meu filho”. Ele recorda também os melhores

amigos que fez entre os paranaenses,

como Leônidas Lopes Bório, Karlos Rischbieter,

Maurício Schulman, Alexandre Fontanna

Beltrão, José Richa e Saul Raiz. Sobre Ney

Braga, diz: “Ele foi passado para traz na

questão da Presidência. Teria sido dos grandes

da história, como foi grande no Paraná.

Tenho o maior carinho pelo Paraná, onde

nunca vivi, mas meu filho trabalhava com o

Jaime Lerner. Todos eles foram e continuam

sendo importantes na minha vida”.

19

Na cerimônia de

condecoração com a

Medalha do

Pacificador, a partir da

esquerda, Cel. Luciano

Puchalski, Adido Militar

do Brasil em Israel, o

jornalista Nahum

Sirotsky, o Embaixador

brasileiro Pedro Mota e

o Cel. Mário Sérgio

Greskow. Ambos os

militares são de famílias

do Paraná


20

Alberto Mazor

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

* Alberto Mazor é argentino,

emigrou para Israel e vive no Kibutz

Meter. Licenciado em Ciências da

Educação, História, História do Povo

Judeu e Filosofia na Univ. de Afia, onde é

catedrático. Educador e professor com

mais de 25 anos de experiência, dirigiu o

Dpto. Latino-americano de o Kibutz Arte

Assumir Atrair (93-97), sheliach da

Organização Sionista Mundial no México

e do Movimento Juvenil Dor Chadash (80-

84), representante da Agência Judaica

para o México e América Central (2000-

2002). Escritor e jornalista, publicou

artigos em diferentes jornais e revistas

da Espanha e América Latina.

Comunidade Internacional versus Israel

Alberto Mazor *

eria absurdo, mas é real;

alguém se levanta de manhã,

escuta as notícias no

rádio, vê as imagens pela

TV, acaba de ler e reler quase

todos os jornais, semanários

e revistas e não tem mais remédio

que chegar à complicada conclusão de

que há só um ítem, apenas um, capaz

de formar coalizões tão estranhas que

conseguem reunir sob um mesmo teto

Hugo Chávez com Jacques Chirac, Fidel

Castro com Rodríguez Zapatero, Irã

com a União Européia, Grã Bretanha

com a Coréia do Norte, o Granma com

The New York Times ou Izvestia com

qualquer jornal espanhol, boliviano ou

a BBC… Problemas ecológicos? De forma

alguna. A fome no mundo? Não,

que seja!... É Israel ao agir.

Assim, como “a gata de Dona Flora”,

qualquer manobra que faça o Estado

judeu, provenha esta de tal ou

qual orientação política, quase sempre

estará sujeita a críticas parciais,

mal-intencionadas e unilaterais tanto

dos diferentes meios como dos

governantes e políticos de plantão.

Aparentemente, se todo o mundo

critica ou condena, alguém pensa…

Bem, algo deve haver… Nunca

há fumaça sem fogo…

Entretanto, aqueles que são um

pouco obstinados, aos que custam

entender essas coalizões repentinas

e estranhas, perguntam-se: se por um

lado, quando Israel reage contra atos

terroristas com mão dura, da mesma

forma que faria qualquer país civilizado

que se considere responsável

pela segurança de seus cidadãos,

atua de forma irresponsável, e de outro,

quando abandona territórios

conquistados com o objetivo de reativar

um agônico processo de paz

também é censurado, o que realmente

está acontecendo?

O que pode explicar

então tais críticas

constantes da

maior parte da

Comunidade

Internacional

contra

Israel?

Os terroristaspalestinos

do

Hamas,

amparados

por um governo

eleito

democraticamente,responderam

à retirada

dos colonos israelenses

de Gaza em 2005, disparando

constantemente foguetes Kassam

contra cidadãos dentro de Isra-

el. Há um ano mataram dois soldados,

seqüestraram um terceiro, assassinaram

a sangre frio um civil e

prometeram continuar fazendo o mesmo

a outros.

O Hezbolá há um ano irrompeu

com um intenso bombardeio de foguetes

Katiushas sobre cidades e

populações ao longo da fronteira

internacional entre Israel e o Líbano

determinada pela ONU, a qual gozava

de uma relativa calma desde

2000, após a retirada das forças judias.

Ainda assim, o Hezbolá violou

as leis internacionais invadindo o

território israelense, assassinando e

seqüestrando soldados.

Seria de esperar que estes ataques

terroristas contra Israel fossem vistos

pelas nações responsáveis de

maneira similar à violência jihadista

que somos testemunhas diárias em

todo o mundo, ou seja, como os islâmicos

radicais que decapitam diplomatas

russos na Chechênia, como

o extermínio de milhares de vítimas

inocentes em Nova York, Madri, Londres,

Paris, Istambul ou Singapura,

entre outros, ou como os que ameaçam

com assassinatos por causa das

caricaturas dinamarquesas.

Mas esse não é o caso em absoluto.

Israel é observado sempre como

uma estranha exceção que, por alguma

razão, faça o que faça, merece

o que lhe acontece.

Outros estados podem responder

com impunidade, torturando ou matando

de maneira brutal milhares de

terroristas muçulmanos, enquanto Israel

é condenado quando abate quem

continuamente planeja feri-lo. Quando

no final de 1999 os russos entraram

à força em Grozny, milhares de

muçulmanos da Chechênia morreram;

mas a imprensa permaneceu praticamente

em silêncio. Tanto a Síria de

Hafez e Bashar al-Asad como o Egito

de Anwar Sadat e de Hosni Mubarak

observam há dezenas de anos os grupos

da Irmandade Muçulmana, destruindo

suas células e matando talvez

a mais de 10.000 pessoas. Eles

não provocam muitas resoluções da

ONU ou esforços internacionais para

ajudar os perseguidos.

Até hoje, ninguém conhece a

horrível cifra exata dos cadáveres por

causa da insurreição islâmica na

Arge'elia. Darfur, no Sudão, recebe

por fim espaço na televisão de tempos

em tempos, mas só depois que

dezenas de milhares pereceram. Mas

isso sim, o cerco à cidade de Jenin,

na Cisjordânia, por parte de Israel

em 2002, onde menos de 80 pessoas

morreram no total, em ambos os lados,

foi evocado como “genocídio”

por parte dos mesmos que, no Oriente

Médio, sempre negam o verdadeiro

genocídio que ceifou as vidas de

6 milhões de judeus.

Quando Israel responde ao terrorismo

por ar, é rotulado pela imprensa

como “blitz”, como se fosse

comparável ao bombardeio em massa

nazista de Londres durante a Batalha

da Inglaterra.

A cerca de segurança fronteriça

de Israel, que consegue diminuir os

ataques terroristas, é denominada

de “Muro de Berlim” pelos meios de

comunicação espanhóis ou americanos,

mas nunca se os vê descrever

da mesma maneira a enorme e

sofisticada paliçada erguida pela

Espanhola em Melila para manter distante

a miséria africana ou a cerca

eletrônica colocada pelos EUA na

sua fronteira com o México, tão longa

como a esperança dos pobres

chicanos que vêm nos miseráveis

dólares que recebem dos gringos sua

continuidade existencial.

Depois está a ferida aberta, gangrenada

e terrivelmente dolorosa dos

territórios ocupados na Cisjordânia;

mas esquecendo constantemente que

toda uma série de guerras feitas para

destruir Israel se originaram, em parte,

da “Palestina”, ou que Israel

entregou terra adquirida na guerra

em sua estratégia continua de “terras

por paz”.

O que há de tão especial na Cisjordânia

que engole todas as demais

crises por causa de espaços em disputa

- desde ilhas como Chipre ou

as Malvinas até países inteiros como

o Tibet? Porque o pequeno Israel tem

mais resoluções condenatórias da

ONU que todas as firmadas contra as

demais nações do mundo juntas?

Não é que Israel seja um estado

criminoso. Durante mais de meio século

tem sido a única democracia liberal

no Oriente Médio; seu sistema

judicial é invejável; os cientistas israelenses

deram ao mundo uma infinidade

de elementos com os quais é

possível melhorar as atuais condições

humanas de vida, desde os avanços

mais sofisticados na medicina, na

biologia, na ecologia ou na informática

até a tecnologia das irrigações

por gotejamento, entre outros.

O petróleo explica parte desta

estranha discrepância em como o

mundo vê determinados países.

Desvia-se da política. Reduzam

vocês o petróleo árabe e iraniano

— e portanto o risco de outro

embargo petrolífero ou elevação

de preços manipulados — e os temores

ocidentais aos estados petroleiros

do Oriente Médio se desvanecerão.

O mero interesse próprio

determina a política externa

da maior parte das nações.

O tamanho de Israel é também

outro fator. Israel tem uma população

não muito superior aos 7 milhões

de habitantes e está rodeado por

cerca de 350 milhões de árabes mu-

çulmanos. A maior parte do mundo

conta uns e outros e ajusta suas

posturas em conseqüência.

O antigo anti-semitismo é, claro,

outro ingrediente que explica a

animada aversão mostrada contra

Israel. Os sensíveis multiculturais

ocidentais nem sequer se preocupam

que seus aliados árabes retratem com

freqüência os judeus como porcos

ou macacos nos meios de comunicação

controlados pelo Estado.

Obras odiosas como “Mein Kampf”

ou “Os Protocolos dos Sábios de

Sião” ainda são vendidos até esgotarem-se

na Palestina, e o dinheiro

iraniano e do Golfo continua subvencionando

uma mini-indústria de

revisionismo do Holocausto.

Finalmente, como já sabem os

norte-americanos por sua própria

fronteira do sul, no mesmo momento

em que uma nação bem sucedida

de caráter ocidental limita com um

país mais pobre do Terceiro Mundo,

as emoções primordiais como a honra

ou a inveja nublam a razão.

Assim, ao invés de reconhecer

que a democracia de corte ocidental,

as liberdades pessoais ou a

igualdade diante da lei explicam

porque um Israel próspero e estável

se levantou do pó e das pedras, os

palestinos em particular e o mundo

árabe em geral têm fixação com o

sionismo, o colonialismo e o racismo.

Não é de estranhar que o façam;

sem este bode expiatório, teriam

que enfrentar diretamente um

tribalismo intratável, o apartheid do

sexo, o terrorismo interno e o fundamentalismo

religioso, enquanto

constroem uma sociedade aberta

baseada no mandato da lei.

Em certo sentido, os valores e o

êxito de Israel recordam, sobretudo,

a epopéia americana ao longo

de 230 anos com seus altos e seus

baixos, seus êxitos e seus fracassos,

suas forças e suas debilidades,

seus acertos e seus erros.

Cada uma das razões aqui mencionadas

não poderiam por si só determinar

a dita relação crítica e uma

condenação constante da Comunidade

Internacional para com o Estado

de Israel.

Em troca, a união de todas elas

possibilita que a síndrome da “gata

de Dona Flora” se apodere dos países

mais civilizados, de seus dirigentes,

de seus políticos, de seus intelectuais,

seus acadêmicos e sua imprensa

escrita ou eletrônica, a qual,

depois de tudo, precisa de leitores,

ouvintes e telespectadores para poder

competir dentro de um mundo

dirigido pela liberdade de mercado.

O fundamental é não esquecer

nunca que na multifacetada e feroz

selva do mercado livre, as galinhas

estão livres e as raposas também.


TURISMO

Antonio Carlos Coelho *

Por muitas edições escrevi sobre

Israel, suas cidades e locais

de visitação. Para mim foi um

exercício da memória e, de certa

forma, uma maneira de aumentar

a saudade. E, parafraseando “Outra

Vez”, de Roberto Carlos, Israel

é a saudade que eu gosto de ter,

só assim, a sinto perto de mim

outra vez. Espero não ter deixado

de lado nenhuma cidade relevante

para história e que apresente

algum local de interesse ao turista

ou ao amante daquele país.

Talvez tenha até exagerado em algumas

ocasiões com detalhes distantes

da memória, ou da visão

daqueles que viajam a Israel.

Embora a coluna tivesse

como título “Turismo”, faltou

muito para isto. Não tratei de

hotéis e de seus preços de es-

Encerrando o assunto

tadia, vôos, restaurantes e custos

de viagem. Escrevi sobre cidades,

sobre o país que preserva uma rica

história documentada nas escavações

e museus. Espero ter traduzido

o mais importante: o gosto pela

história e seu significado que tem

para o povo judeu; o esforço contínuo

de preservação do passado

que se contrasta com indústrias da

mais avançada tecnologia, hoje a

maior riqueza de Israel.

Escrevi também, durante esse tempo,

sobre os povos e religiões que

dividem por séculos o mesmo território.

Santuários judaicos, muçulmanos

e cristãos estão abertos a todos

os visitantes e crentes que queiram,

a qualquer época do ano, fazer

sua visita e dirigir, da Terra Santa,

suas orações a D-us e meditar sobre

passagens bíblicas.

Enfim, acredito ter mostrado que

Israel é muito mais do que estamos

acostumados a ver pelos

noticiários e programas

especiais de televisão

apresentados na Semana

Santa. Que não é um país

onde reina o conflito,

mas que é local também

harmonia, de prosperidade

e progresso. Que é um

país democrático – talvez

excessivamente democrático

– para suportar tantas

pressões externas, políticas

e bélicas. Nenhum

outro país, que preza sua

soberania e seu povo, teria tamanha

tolerância com seus vizinhos como

tem Israel.

A partir das próximas edições de

Visão Judaica estarei escrevendo sobre

outros temas, não mais sobre o

país, mas sobre pessoas e fatos que

marcaram a história, que deixaram

uma herança cultural que permitiu o

* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.

Abi Goldreich *

A máquina do tempo. Isto é o que

eu sinto quando estou na livraria com

livros antigos do Sr. Hober, em Budapeste,

Hungria.

Hober já conhece minhas fraquezas,

e após dizer-me olá e entregar-me uma

jarra de água mineral (o Sr. Hober é

naturista vegetariano) leva-me pelas

escadas até o sótão gigante e iluminado,

ao setor ‘judeu’.

O setor judeu é uma sala onde há

livros antigos de temas que para o Sr

Hober aparentam ser judeus. Entre os

livros velhos há alguns que não valem

nem as capas de couro que têm, e em

alguns poucos casos pode-se encontrar

reais criações da cultura.

Muitos são os livros litúrgicos velhos

que talvez foram roubados da ‘gniza’

das Sinagogas, capítulos do Talmud,

ou Tanach, Mishnaiot, Shulchan Aruch,

sidurim antigos de tradição ashkenazi.

Basta abri-los para observar quem eram

seus donos, quem foi o jovem que recebeu

o livro para o bar-mitzvá há 200

anos, e a quem foi entregue durante

sua vida. Curiosidade.

Muitos dos livros estão escritos

em alemão, e são livros góticos que

foram escritos por cristãos ou judeus

assimilados.

De vez em quando se pode encontrar

um capítulo do Talmud escrito à

mão, que são muito caros, vários milhares

de euros e estão dispostos num

armário por trás de uma vitrine iluminada.

Hober sabe seu valor. E às vezes

há ofertas como o livro Palestina, de

Hadriani Relandi, chamado o profissional.

Palaestina ex monumentis veteribus

illustrata, äîå”ì äåà, Trajecti Batavorum:

Ex Libraria G. Brodelet, 1714.

Pode-se encontrar estes livros originais

em vários lugares do mundo e

também na Universidade de Haifa.

Pode-se ver onde se encontra o livro e

também se pode encontrar detalhes do

autor e mais ainda.

O autor, Relandi, homem destacado,

geógrafo, cartógrafo e filólogo sabia

perfeitamente o hebraico, árabe e

grego antigo, mais as línguas européias.

O livro está escrito em latim. Em 1695

foi enviado para percorrer a terra de

Israel ou com o nome de então Palestina.

Em seu percurso analisou 2.500

lugares principais que estão nominados

no Tanach ou na Mishná.

Sua forma de pesquisa é interessante.

Primeiro, mapeia a Terra de Israel.

Segundo, Rilandi situou com seu nome

cada um dos lugares mencionados pela

Mishná ou pelo Talmud. Com o nome

original judeu, cita o versículo que o

corresponde nos livros santos. Se o nome

original é romano ou grego, traz em grego

e em latim o vinculo. Terceiro, também

fez uma estatística da população

de cada um dos assentamentos.

As principais conclusões são:

1. Nenhum povoado na Terra de Israel

tem um nome original em árabe.

Os nomes das povoações são em sua

maioria hebreus, ou gregos ou latinos

romanos. Até hoje, praticamente, nenhum

assentamento árabe (fora Ramle)

tem um nome árabe original. A

maioria dos povoados tem origem hebraica,

ou grega que foi desfigurada

para o árabe sem um sentido claro. Não

têm nenhum sentido em árabe o nome

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Antonio Carlos Coelho

de Acco, Haifa, Yaffo, Nablus, Gaza ou

Jenin e outros nomes de cidades como

Ramallah, El Chalil e El Quds que não

têm raízes históricas ou filográficas árabes.

No ano de 1696, o ano do percurso,

Ramllah por exemplo, é chamada

Betela (Bet El), Hebron é chamada Hebron,

e a Tumba dos Patriarcas é chamada

pelos árabes El Chalil (Sobrenombre

do patriarca Abraham).

2. A terra estava em sua maior parte

vazia, deserta e seus habitantes

eram poucos e se concentravam nas cidades

como Jerusalém, Acco, Safed,

Yaffo, Tibéria e Gaza. A maioria dos

habitantes nas cidades eram judeus e

o resto eram cristãos e muito poucos

muçulmanos, que em grande parte eram

beduínos. Fora de Nablus,… onde

viviam 120 pessoas da família muçulmana

Natasha e uns 70 samaritanos.

3. Em Nazaré, capital do Galil, havia

cerca de 700 habitantes, todos cristãos.

Em Jerusalém havia 5.000 pessoas, a

maioria judeus e a minoria cristãos. O

interessante é que aos muçulmanos Relandi

os denomina como umas poucas

tribos beduínas, que chegaram como empregados

temporários para serem utilizados

como força de trabalho na agricultura

ou na construção. Em Gaza, por

exemplo, havia 550 pessoas, 50% judeus

e 50% cristãos. Os judeus se ocupavam

da agricultura florescente dos vinhedos,

azeitonas e trigo (Gush Katif) e os cristãos

se ocupavam do comércio e do transporte

das produções. Em Tibéria (Tiberíades)

e em Safed eram habitantes judeus,

ainda que não seja que se ocupem da

pesca no Kinneret, uma profissão de Tibéria

antiga. Num povoado, como Um el

Fahm, por exemplo, havia 10 famílias,

povo judeu permanecer

em Israel ou fora

por vinte séculos na

integridade de valores

e costumes. Não sei

ainda como irá se chamar

a nova coluna. Ficará

a cargo dos editores

do jornal, de comum

acordo com este

colunista.

Quero continuar a

escrever sobre o que

mais gosto e, principalmente,

continuar

colaborando com um jornal que

se revelou um dos mais importantes

veículos de comunicação

judaica da América Latina. Espero,

também, poder continuar com

meus leitores que dão sentido ao

meu trabalho. A todos, o meu sincero

agradecimento e até a próxima

coluna.

Percurso pela Palestina em 1695

todas cristãs, com 50

habitantes, e também

uma Igreja Maronita

(Família

Shahada).

4. O livro contradiz

de forma completa

as teorias pós-modernistas

da ‘herança

palestina’ ou do povo

palestino. E afirma e

confirma a pertinência

da terra de Israel ao povo judeu e a

falta de pertinência definitiva dos árabes,

que roubaram ainda o termo latino

Palestina e se apoderaram dele.

5. Por exemplo, na Espanha, em Granada,

vê-se a herança e a construção

árabe. Cidades gigantes como Granada,

na Andaluzia, cidades como Guadalajara,

que contam com uma herança cultural

árabe real: registros, obras de arte,

arquitetura, medicina e mais. Cerca de

700 anos de governos árabes na Espanha

deixaram uma herança que não se

pode ocultar ou dissimular. E aqui, ao

contrário, não há nada, não há nomes

de cidades, não há cultura, não há arte,

não há história, não há testemunhos de

governos árabes. Só roubo e fraude, roubo

do lugar mais importante para os judeus,

roubo da terra prometida aos judeus.

Ultimamente, com o patrocínio de

todo tipo de israelenses pós-modernistas,

o roubo da história.

* Abi Goldreich é escritor e

colaborador do site israelense em

língua espanhola www.es-israel.org

parceiro do jornal Visão Judaica na

hasbará e no combate ao

anti-semitismo.

21

Ex-libris da obra

Palaestina, de Hadriani

Relandi, de 1695


22 (com

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

VISÃO

Síria revoga cidadania

do líder da oposição

Numa atitude condenável, o presidente

sírio Bashar el-Assad decidiu revogar a

cidadania do líder da oposição síria Farid

Ghadri, chefe do Partido Sírio da Reforma.

De acordo com os informes divulgados

nos meios de comunicação da Síria,

Assad resolveu cassar a cidadania por

causa da recente visita de Ghadri a Israel,

em junho passado. No início de setembro,

Ghadri fez notícia quando seus cartazes

apareceram colados em três grandes

cidades, Halab, Idlib e Damasco. Um

porta-voz do Partido da Reforma declarou

que estes atos desafiadores serviam

para provar à comunidade internacional

que os sírios estão cansados do regime

de Assad e de não ter futuro algum. “Eles

querem que os israelenses entendam que

os sírios não são extremistas”, disse o

porta-voz. (Infolive.tv).

Síria revoga cidadania II

Farid Ghadri provém de uma família proeminente

da Síria, que inclui numerosos

dirigentes e funcionários do atual governo.

Ghadri vive no exílio, nos Estados

Unidos. Junto com vários sírios-americanos

fundou em outubro de 2001 o

Partido da Reforma na Síria, cujo objetivo

é produzir uma mudança política

naquele país. Na edição de julho, Visão

Judaica publicou um artigo de Ghadri

(ver página 24, “Eu admiro Israel”), reproduzido

do The Jerusalem Post, quando

ele esteve em Israel, defendendo uma

convivência pacífica com os israelenses.

Esta é a propalada “democracia”

síria da qual o embaixador da Síria no

Brasil, Ali Diab tanto se jactou em Curitiba.

A mesma “democracia” — na verdade,

ditadura fascista — que o PT e o

PCdoB tanto admiram. Uma democracia

que desrespeita os mais básicos direitos

do cidadão! Ambos firmaram acordos

de cooperação com o partido Baath

sírio. (Infolive.tv/Visão Judaica).

Capturado seqüestrador de Guilad

Mohawash al Kadi, dirigente militar do

grupo extremista Hamas, vinculado ao

seqüestro do soldado israelense Guilad

Shalit, ocorrido em julho de 2006, foi

capturado dia 10/9 por soldados do

exército israelense, dissimulados, que

o pegaram no interior da Faixa de Gaza.

Embora o feito tenha sido anunciado

pelos meios de comunicação com bastante

alarde, o Hamas, entretanto, mantém

silêncio total a respeito. Kadi pode

ser usado numa eventual barganha para

troca de Shalit Guilad, que há mais de

um ano é refém do grupo terrorista em

Gaza. (Infolive.tv).

Preso grupo neonazista em Israel

panorâmica

Oito jovens acusados de agressões brutais

a imigrantes, drogados, homosse-

informações das agências AP, Reuters,

AFP, EFE, jornais Alef na internet, Jerusalem

Post, Haaretz e IG)

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Yossi Groisseoign

xuais e judeus foram detidos e confessaram

seus crimes. A polícia informou

que os jovens do grupo neonazista vieram

da antiga União Soviética, e têm

idades entre 17 e 21 anos. A maioria é

formada por trabalhadores estrangeiros.

A investigação começou há um ano,

depois que desconhecidos pintaram uma

suástica e o nome de Hitler numa sinagoga

em Petach Tikva. De acordo com

a imprensa israelense, o grupo pretendia

comemorar o aniversário de Hitler

no Museu do Holocausto (Yad Vashem)

de Jerusalém. A superintendente Revital

Almog, a cargo de quem está a investigação,

disse que seus agentes descobriram

que, “além de suas reuniões,

nas quais faziam apologia ao nazismo,

saíam em grupo para perpetrar ataques

racistas em Tel Aviv”. Os suspeitos escolhiam

suas vítimas entre pessoas em

uma posição frágil na sociedade para

denunciá-los, como trabalhadores ilegais,

especialmente os africanos, que

eram “castigados” por não ser “brancos”.

(Agências de notícias).

Socorro ao Peru

Após as trágicas conseqüências do

terremoto que assolou o Peru, a comunidade

judaica daquele país, assim

como instituições judaicas em

diversas partes do mundo, se solidarizaram

com as vítimas e seus familiares.

Uma gigantesca mobilização

foi feita rapidamente, reunindo

importantes doações de bens, ferramentas,

medicamentos e alimentos.

Médicos e especialistas em desastres

naturais da “Equipe de Resposta Rápida

e Busca em Emergências”, de

Israel, também se integraram ao esforço

conjunto. A primeira parte das

doações já foi enviada ao sul do

país. Tão logo sejam atendidas as

necessidades da fase emergencial

começam as etapas de reconstrução.

A comunidade judaica peruana assumiu

o compromisso em conjunto

com o American Jewish Joint Distribution

Comittee, a B’nai B’rith Internacional,

Brother and Brother,

AJC e outras organizações judaicas,

de coordenar um projeto de reconstrução

que seja rápido. Para isto foi

criado um comitê especial da comunidade

que contará com o apoio técnico

de especialistas israelenses e

peruanos e de ex-bolsistas peruanos

em Israel. (Jornal Alef).

Foguete de Gaza feriu 68 israelenses

Um foguete lançado de Gaza feriu 69

soldados num campo de treinamento,

dos quais três foram internados em estado

grave. Os grupos radicais islâmicos

Comitê de Resistência Popular

e a Jihad Islâmica reivindicaram a autoria

do atentado contra tendas na

base de treinamento de Zikkim, ao

norte da faixa de Gaza. É o ataque com

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foguete que deixou o maior número

de feridos em Israel. Esses lançamentos

causaram 12 mortos em território

israelense desde 2000. Segundo informações

de Israel, o foguete atingiu

uma tenda vazia, mas espalhou

fragmentos para as vizinhas. O portavoz

do grupo radical Hamas, que ocupa

a Faixa de Gaza desde junho, declarou

que o ataque “traz orgulho à

Palestina”. (CNN/Reuters).

Resposta a altura

O gabinete do primeiro-ministro de Israel,

Ehud Olmert, informou que discutiu

em reunião uma resposta ao ataque

terrorista, ocorrido às vésperas do Ano

Novo judaico. “Eu acho que há muito,

muito tempo, deveríamos ter respondido”,

disse o ministro da Indústria e Comércio

de Israel, Eli Yishai, do partido

Shas, à rádio do Exército em Israel. O

chefe da oposição no Parlamento de

Israel, Benjamin Netanyahu, líder do

partido Likud, pediu que o governo lance

uma operação de grande escala em

Gaza. Para Netanyahu, uma invasão a

Gaza é a única solução para impedir que

radicais continuem disparando foguetes

Kassam contra o território israelense.

Israel deixou a faixa de Gaza em

2005. (Associated Press/Efe).

Campanha pró-libertação

Foi lançado o movimento internacional

Veshavu Banim Legvulam, que literalmente

significa: ‘...E voltarão seus filhos para suas

fronteiras”. O verso inteiro, parafraseado,

diz: ‘Não chorem e limpem seus olhos de

lagrimas, seu trabalho será recompensado;

e disse o Senhor: eles voltarão da terra

de seus inimigos. E há esperança no

fim, disse o Senhor, e voltarão seus filhos

para suas fronteiras”. A campanha luta pela

libertação dos três soldados israelenses seqüestrados,

há mais de um ano, pelos

movimentos terroristas Hamas e Hezbolá.

Uma petição com assinaturas será enviada

à ONU e está no site www.ha

banim.org. No dia 30/10, a Organização

Sionista Mundial realizará uma manifestação

mundial pela libertação de Guilad

Shalit (20 anos), Ehud Goldwasser (31

anos) e Eldad Reghev (26 anos). (Notícias

da Rua Judaica).

Coréia constrói cerca de separação

A Coréia do Norte está erguendo cercas

e muros na fronteira com a China

para impedir fugas, mas não há protestos

nem na ONU, nem na Corte Internacional

de Justiça na Holanda,

muito menos na imprensa. Nada. Já

com Israel, é o contrário. Todo dia, em

algum lugar a cerca de proteção de

Israel, construída para evitar atentados

terroristas é alvo de críticas e condenações.

A fronteira entre a China e

a Coréia tem mais de mil quilômetros.

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Segundo a agência de notícias sul-coreana

Yonhap, esta decisão de Pyongyang

ocorre enquanto crescem as críticas

internacionais à política chinesa

de devolver os fugitivos norte-coreanos

ao seu país origem, conforme

tratado sobre esta matéria firmado por

ambos países (El Diario Exterior).

Memorial Oswaldo Aranha

Foi lançada oficialmente a campanha

para a construção do “Memorial Oswaldo

Aranha”, em Alegrete (RS), terra natal

do chanceler. O prédio, em forma de

pássaro, de autoria de Oscar Niemayer,

deverá ser edificado na BR 290, Rodovia

Oswaldo Aranha, em terreno cedido

pelo Exército. Na cerimônia de lançamento,

no auditório da Universidade da

Campanha, estiveram presentes representantes

do Governo estadual e da

Federação Israelita do Rio Grande do

Sul. Em 1947, na Assembléia Geral das

Nações Unidas, sob a presidência de

Oswaldo Aranha, foi discutida e aprovada

pela expressiva maioria de 2/3 dos

votos a Partilha da Palestina, que possibilitou

a criação do Estado de Israel

no ano seguinte. “Homenagear Aranha

em sua terra natal representa um ato

de reconhecimento a um estadista brasileiro

que devotou sua vida à causa da

liberdade e da justiça”, afirma. Nelson

Menda, presidente do Conselho Sefaradi,

que participou do evento. (Conib).

Kassab dispensa judeus e islâmicos

O prefeito paulistano Gilberto Kassab assinou

decreto determinando que todas

as unidades municipais considerem como

motivo justificado de falta, a ausência

dos servidores que professem a religião

judaica nos dias de comemoração do Ano

Novo e Dia do Perdão Judaicos. O decreto

do prefeito Kassab não ficou restrito

apenas aos judeus, e se estende aos seguidores

da religião islâmica, durante o

Eid Al Fitr, que marca o fim do Ramada,

em outubro de 2007, no dia fixado de

acordo com o calendário islâmico de feriados

religiosos. (Fisesp)

Ataque à Síria tem mais versões

O ataque da força aérea israelense no

Norte da Síria em 6/9, estaria diretamente

ligado a um carregamento de

material nuclear que Damasco teria recebido

da Coréia do Norte, segundo

publicou o jornal Washington Post. De

acordo com o jornal, a força aérea tinha

como alvo instalações que a Síria

diz ser um “centro de pesquisa para a

agricultura”, perto da fronteira com

a Turquia, mas que Israel acredita ser

utilizado para extrair urânio de fosfatos

- e que por isso mantém sob

vigilância. O carregamento, que chegou

de barco ao porto sírio de Tartus,

estava marcado como sendo “cimento”,

mas seria material nuclear. A

Síria garante que a sua defesa antiaérea

disparou contra os aviões israelenses.

Israel mantém silêncio a respeito.

O ex-embaixador dos EUA na

ONU, John Bolton, disse que a Coréia

do Norte estaria usando a Síria e o

Irã como “refúgios” para a sua atividade

nuclear. (Com agências).


Depois do PT, o PCdoB também

assina acordo com o Baath sírio

PT foi que abriu as portas,

ao firmar um acordo

de cooperação com

o partido Baath, da Síria.

Agora uma delegação

chefiada pelo secretário geral

adjunto do Partido Baath Árabe

Socialista, Abdallah Al-Ahmar,

assinou em 1º/9 outro acordo de

cooperação com o Partido Comunista

do Brasil. O fato aconteceu

em São Paulo, e pelo PCdoB assinaram

seu presidente nacional. Renato

Rabelo; o secretário de relações

Internacionais, José Reinaldo

Carvalho; o ex-deputado federal

Jamil Murad; e o secretário de

organização, Walter Sorrentino.

Embora se diga socialista, o

Baath é um partido fascista. O

Baath sírio surgiu como uma espécie

de “filial” do partido Baath

iraquiano de Saddam Hussein.

É um partido, criado nos moldes

do Partido Nacional-Socialista

Alemão, mais conhecido como

Partido Nazista; é adaptado a um

pan-arabismo nacional-socialista

inspirado no pan-germanismo

nacional-socialista de Hitler. É

também um partido nacionalista

árabe virulentamente anti-semita.

A ele o PT se associou, e

agora os comunistas do PCdoB. O

Baath, quando Saddam Hussein

reinava no Iraque já enviara observadores

para as reuniões do

Foro de São Paulo. Na prática,

isso mostra como partidos de esquerda,

como o PCdoB e o PT se

unem a agremiações fascistas de

verdade como o Baath, dissimulados

de socialistas esquerdistas,

na aliança ideológica contra o neoliberalismo,

os EUA e Israel.

O objetivo do acordo é o de

“contribuir para o fortalecimento

das relações de amizade entre os

povos da República Árabe e da República

Federativa do Brasil, em favor

dos interesses comuns de seus

respectivos países e povos”. Foram

acertados alguns de pontos de um

programa de cooperação, segundo

site do PCdoB — um dos mais antisionistas

e antiisraelenses existentes

no Brasil — desde a “troca de

delegações das direções dos dois

partidos (para conhecimento recíproco

das experiências dos respectivos

partidos em seus países) até

a atuação conjunta pelo estreita-

mento das relações entre as organizações

populares das duas nações”,

como se o PCdoB tivesse procuração

para falar em nome do País.

Durante a assinatura do acordo,

Rabelo declarou que “a Síria

cumpre hoje um papel de equilíbrio

muito importante na região do

Oriente Médio”. Só que o dirigente

comunista Rabelo não explicou a

que “equilíbrio” estava se referindo.

Talvez estivesse querendo dizer

equilibrar o grupo extremista e terrorista

do Hezbolá com armamento,

dinheiro e instrução militar

para continuar atacando Israel pelo

Norte. O cinismo comunista é tamanho

que o dirigente do partido,

Rabelo, chegou a dizer que a é Síria

é “um país em que diversas religiões

e etnias convivem democraticamente”.

Será que o judaísmo

pode ser praticado livremente na

Síria? Em Israel, o islamismo pode.

Por sua vez, Abdallah agradeceu

a acolhida dos brasileiros e

disse que a determinação de firmar

o acordo de cooperação revela

o tratamento privilegiado

que o Partido Baath empresta às

relações com o PCdoB. De acordo

com o dirigente, a principal

tarefa é “aproximar nossos dois

governos e nossos dois povos”.

Ele lembrou que, desde o início

do governo de Luiz Inácio Lula

da Silva, foi visível o esforço

para fazer avançar a cooperação

entre os dois países, culminando

com a realização da cúpula

dos países árabes e o Brasil. Pura

hipocrisia, pois os comunistas do

PCdoB fizeram vistas grossas, ou

fizeram de conta que Hafez Assad,

pai do atual presidente “democraticamente”

eleito por

99,7% dos eleitores sírios, Bashir

Assad, nunca perseguiu, torturou

e assassinou comunistas sírios.

Nem sequer existe partido comunista

na Síria, ou qualquer outro

que não esteja alinhado com o

fascista Baath.

E para mostrar como trata a

oposição, há poucos dias, numa

atitude ditatorial e condenável, o

governo da Síria revogou a cidadania

do líder oposicionista sírio,

Farid Ghadri, chefe do Partido Sírio

da Reforma. E ainda querem

encenar a pantomina de que a Síria

é uma democracia...

Leia a íntegra do texto do acordo

Baath-PCdoB

Acordo de cooperação entre o

Partido Baath Árabe Socialista e o

Partido Comunista do Brasil.

Partindo da vontade comum do

Partido Baath Árabe Socialista e do

Partido Comunista do Brasil de estabelecer

relações de cooperação nos

diferentes âmbitos, de modo a contribuir

para o fortalecimento das relações

de amizade entre os povos

amigos da República Árabe e da República

Federativa do Brasil, em favor

dos interesses comuns de seus

respectivos países e povos,

Foi acordado o seguinte programa

de cooperação:

Primeiro: Ambos os partidos intercambiarão

visitas de delegações

das direções dos dois partidos, em

datas a serem acordadas, para intercambiarem

opiniões e pontos de vista

sobre questões de interesse comum

e conhecerem as experiências

do trabalho de ambos os partidos em

seus respectivos países.

Segundo: Ambos os Partidos intercambiarão

visitas de delegações,

em datas a serem acordadas, para

conhecerem as diferentes áreas de

seus respectivos trabalhos e intercambiarem

experiências entre si.

Terceiro: Ambos os Partidos intercambiarão

documentos e boletins

partidários relevantes emitidos

por cada um.

Quarto: Ambos os partidos intercambiarão

convites para a participação

em congressos e seminários a

serem realizados por cada um, em

conformidade com as tradições respectivas

de cada partido.

Quinto: Ambos os Partidos manterão

consultas entre si e intercambiarão

pontos de vista em congressos

e seminários regionais e internacionais

de que tomarão parte.

Sexto: Ambos os Partidos atuarão

pelo estreitamento das relações

de amizade e cooperação entre as

organizações populares com o objetivo

de conhecerem as experiências

por elas adquiridos.

Sétimo: O Escritório das Relações

Exteriores da Direção Nacional do

Partido Baath Árabe Socialista e o

Departamento das Relações Exteriores

do Partido Comunista do Brasil

acompanharão a implementação das

cláusulas do presente acordo.

São Paulo, 1 o de setembro de 2007

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

O LEITOR

ESCREVE

23

Lançamento de livro

Caro editor:

Em meu nome e no de Lucius de Mello, autor de “A Travessia

da Terra Vermelha” agradecemos a sua participação no sucesso

do lançamento do livro em Curitiba, manifestada através da divulgação

da obra pelo seu prestigioso jornal. O tema abordado

deve ser encarado como uma profunda reflexão sobre tempos

que não podem mais ressurgir no mundo.

Estela Menegatti

Assessora de Imprensa

Curitiba - PR

Estimados amigos

Neste momento especial, em que se comemora o Ano Novo

de 5768, contado a partir da criação do Homem, gostaria

de expressar meus sinceros sentimentos de Shaná Tová!

Que o próximo ano traga muita Luz, Amor, Alegria, Saúde,

Progresso e Harmonia a Vós e aos Vossos Familiares! Na

Nova Era, constituída de tantos desafios e dilemas, que

Medinat Israel – fundamento da identidade judaica – e

eterna Yerushaláyim conquistem o sonho da almejada e

autêntica Paz. Que D-us abençoe o querido Povo de Israel

e a todos os judeus da Diáspora!

Tive o privilégio de integrar a Missão dos Professores Universitários,

que a convite do Governo de Israel e da Conib, que

visitou Medinat Israel em novembro de 2005.

Marcelo Vieira Walsh

Professor universitário

Brasília - DF

Cumprimentos de Ano Novo

O jornal Visão Judaica agradece às pessoas e instituições

que enviaram à redação dezenas de mensagens desejando

Shaná Tová à equipe VJ. Por motivos de espaço, deixamos de

nominar todos eles, registrando um Shaná Tová especial da

Escola Israelita Brasileira “Salomão Guelmann” e do Departamento

de Educação e Cultura Judaica da Kehilá. Acompanhado

de um belo calendário judaico para 5768 confeccionado

pelos alunos da escola. A todos, desejamos retribuir os

votos de um ano bom e doce.

Errata

Por um lapso de edição, alheio à nossa vontade, não

foi publicada em nossa edição nº 60, de agosto, dedicada

a Rosh Hashaná e Iom Kipur a mensagem de Ano Novo

da Na’Amat Pioneiras. Por esse motivo, estamos publicando

a referida mensagem na página 6.

Para escrever ao jornal Visão Judaica

basta passar um fax pelo telefone: 0**41 3018-8018

ou um e-mail para visaojudaica@visaojudaica.com.br


24

Paulina Gamus

VISÃO JUDAICA • setembro de 2007 • Tishrei / Chesvan 5768

Paulina Gamus *

arma imprescindível de

todo autocrata que pretende

perpetuar-se no

poder é o terror. Cada

pessoa submetida a esse regime,

consciente de que dissentir,

manifestar e até falar pode

acarretar-lhe prisão, torturas ou a

morte; vai-se fechando em si própria

e começa a olhar para os lados antes

de proferir uma palavra que possa

parecer crítica aos governantes. Já

não se confia no vizinho, no companheiro

de trabalho nem sequer na

própria família: qualquer um pode ser

delator obrigado a isso pelo mesmo

terror que a ditadura infunde. Na

medida em que esse medo coletivo

aumenta, crescem também a crueldade

e a arrogância do autocrata;

acha-se todo-poderoso, um sinal,

qualquer gesto até um olhar seu bastam

para que seus sequazes entendam

a ordem de reprimir, bater, encarcerar

ou assassinar.

O que serve de consolo ao povo

esmagado por estes déspotas é saber

que o medo que eles padecem é talvez

pior que o que infundem aos seus

governados. Quanto maior é seu poder,

quanto mais arbitrárias são suas

ações, quanto mais indivíduos, grupos

ou setores são atropelados, maior

é o temor da reação em forma de

raiva revanchista. Então rodeiam-se

de guarda-costas, usam coletes a prova

de balas, já não se atrevem a comer

um bocado de nada sem que alguém

prove antes essa comida, já não

se deixam tocar ou dar a mão a esse

povo que diziam amar, já não dormem

tranquilos. O fantasma do magnicídio

os persegue e o espanto pela possível

vingança popular os consome.

Nosso aprendiz de autocrata embriagado

pelo poder, crê-se até agora

capaz de passar com um trator por

cima de todos os dereitos dos cidadãos

para esmagá-los e transformálos

em papeizinhos. Os atropelos que

Quem com ferro mata…

durante seus primeiros sete anos de

governo foi praticando de maneira

lenta e calculada para não alarmar

muito sobre seu prometo político

oculto; se transformaram a partir

das eleições de 3 de dezembro

de 2006, numa metralhadora disparando

ameaças que em pouco tempo

se faziam realidade. Foi com um fuzil

kalachnikov recém-adquirido do

imperio russo de Vladimir Putin e

apontando para uma câmara de televisão,

que no ano pasado lançou

seu primeiro edito contra as televisões

privadas em geral e a Rádio

Caracas Televisión em particular. E

foi diante de seus inferiores militares

reunidos em Fuerte Tiuna, em

dezembro, que sentenciou à morte

definitiva esse canal. Aqueles que

acreditavam que o Supremo Tribunal

de Justiça se atreveria a desafiar

o amo, pecaram mais que os

ingênuos e os que pensaram que

Chávez retrocederia ante as reações

internacionais, não conhecem a

psiquê do personagem. A característica

predominante do narcisismo

e da megalomania é a crença

de que não existe poder algum

superior a quem os faz sofrer.

Mas quem irá dizer ao nosso tenente-coronel,

comandante en chefe,

líder máximo da revolução e presidente,

que o tiro saiu-lhe pela culatra

justamente no seu quartel, esse

que ele acreditava ter sob absoluto

controle? A retirada do ar da RCTV

não só produziu indignação nessa

metade da população a que ele despreza,

como também na desses morros

e bairros que imagina aliados incondicionais

para a eternidade. É

que além deles, despertou essa massa

adormecida de indiferentes, ou

pouco participativa que são os jovens

estudantes de todo o país. O

terror começou a se fazer sentir entre

os deputados da Assembléia Nacional,

sobretudo nesse dupla de

tránsfugas de um hospital psiquiátrico

que formam a liga Tascón-Va-

rela. Pediam aos seguidores do chefe

para invadir os núcleos urbanos

onde vivem os ricos, os oligarcas pois.

O ministro Willian Lara, com sua

fala arrastadiça no afã de parecer

culto e diferenciar-se da baixaria de

seus companheiros de estrada, e Pedro

Carreño, quem confirma que o

quociente intelectual não importa

para ser ministro de polícia; já não

encontravam a quem culpar pelos protestos

estudantís: Marcel Granier,

presidente da fechada RCTV, o Império,

os agentes de Bush, a oligarquia,

a conspiração mediática, a oposição

golpista. O fato de que — por sorte

— não aparecesse uma só dos rostos

hartamente conhecidos dos dirigentes

opositores nas manifestações, não

os desanimou em seu afã de justificar

a explosão juvenil.

Quando apareceram na tela da Globovisión

os estudantes da Universidade

das Forças Armadas, a menina

dos olhos do governo militar de Chávez,

somados aos protestos, o medo

deve ter provocado cólicas com suas

desagradáveis conseqüências aos

governistas. Foi então que Chávez

apareceu em cadeia nacional, vestido

de vermelho e suando, para instar

também os seus revolucionários

dos morros a descerem dali e defender

a revolução. O chamado para um

massacre seguro, como o qualificou

um deputado chavista com alguna

sensatez, felizmente não teve eco.

Salvo os capangas assalariados de

sempre, semeando o pânico na Avenida

Francisco de Miranda, de Caracas,

não teve sequer uma só pessoa

do eleitorado chavista que saísse para

enfrentar os jovens manifestantes. A

repressão brutal ficou para as bombas

de lacrimogêneo e tiroteios da

polícia do prefeito Juan Barreto.

Deve ser terrível, deprimente, desestabilizador

para alguem que sofre

de narcisismo e megalomanía (não

sei se são sempre coincidentes) defrontar-se,

não só com o levante de

seus oprimidos, como além disso,

com a tormenta internacional que seu

ato arbitrário desatou. Nem López

Obrador no México, nem o parlamento

nicaragüense, nem, os amigos de

alma Lula da Silva, Evo Morales e Néstor

Kirchner respaldaram a

guilhotina chavista aplicada à

emisora de TV mais antiga da Venezuela.

Isso para não falar dos editoriais,

artigos de opinião e fotografias

das passeatas e da repressão

policial que apareceram nos jornais

e televisões do mundo inteiro.

O rei ficou mais que nu, desmascarado.

E o que se vê em sua expressão

ao cair a máscara, é o medo.

Como medo têm todos os que são

cúmplices de seus abusos, atropelos

e vandalismo institucionalizado.

E isso é suficiente para levantar o

ânimo, por ora.

* Paulina Gamus é venezuelana,

advogada, e foi vice-presidente da

Ação Democrática, partido pelo

qual em 1998 foi Coordenadora do

Programa de Governo da

agremiação. É jornalista e

colunista desde 1969 em diversos

jornais e revistas venezuelanas. Foi

juíza suplente de menores, chefiou

a Divisão de Menores do Corpo

Técnico da Polícia Judicial até ser

Ministra da Cultura, entre 1984 e

1986. Foi secretaria executiva da

Comissão Feminina Assessora da

Presidência da República (1974-75),

diretora de Informação do

Ministério da Educação (1975-78),

vice-ministra da Informação e

Turismo (1978) e vereadora pela

Ação Democrática na Câmara

Municipal de Caracas (1979-83). Em

sua atividade parlamentar Paulina

Gamus presidiu as Comissões de

Política Interior (1989-94) e da

Controladoria (1994-97) da Câmara

dos Deputados, e foi senadora pelo

Estado de Cojedes (1998-99).

Publicado no site

www.porisrale.org

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