VJ JUN 2011.p65 - Visão Judaica

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VJ JUN 2011.p65 - Visão Judaica

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editorial

VISÃO JUDAICA • junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Publicação mensal independente da

EMPRESA JORNALÍSTICA VISÃO

JUDAICA LTDA.

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Fone/fax: 55 41 3018-8018

Dir. de Operações e Marketing

SHEILLA FIGLARZ

Dir. Administrativa e Financeira

HANA KLEINER

Diretor de Redação

SZYJA B. LORBER

Publicidade

DEBORAH FIGLARZ

Arte e Diagramação

SONIA OLESKOVICZ

Webmaster

RAFFAEL FIGLARZ

Colaboram nesta edição:

Antônio Carlos Coelho, Aristide Brodeschi,

Aroldo Murá G. Haygert, Bernard Henri

Levy, Breno Lerner, David Hornik, David

Horovitz, Dudi Cohen, Gavriel Queenann,

Gerardo Stuczynski, Jane Bichmacher de

Glasman, Jonathan Spyer, Moshe

Rosenblatt, Pilar Rahola, Sérgio Alberto

Feldman, Tila Dubrawsky e Yossi

Groisseoign.

Duas atitudes chocantes. Nos EUA e no Brasil

o apresentar sua proposta

de paz para o Oriente

Médio o presidente norte-americano

Barack Obama

justificou sua incansável

pressão sobre Israel baseando-se

em farsas históricas disseminadas

por Hamas, Fatah & Cia, a

respeito do território da Judeia,

Samaria e Gaza. Em síntese, Obama

proclamou que até que Israel

satisfaça as exigências dos palestinos,

não haverá paz no Oriente Médio.

Na mente do presidente Obama

os israelenses são o único obstáculo

para a paz na terra, portanto,

as necessidades

de Israel

eclipsam

as preocupações

em

comparação

à aco-

Visão Judaica não tem responsabilidade sobre

o conteúdo dos artigos, notas, opiniões ou comentários

publicados, sejam de terceiros (mencionando a fonte) ou

próprios e assinados pelos autores. O fato de publicá-los

não indica que o VJ esteja de acordo com alguns

dos conceitos ou dos temas.

Contém termos sagrados, por isso trate

com respeito esta publicação.

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Este jornal é um veículo independente

da Comunidade Israelita do Paraná

modação

dos palestinos.Ex-presidentes

dos EUA

aceitaram

Nossa capa

uma versão modesta desta mentalidade.

Mesmo a administração

Bush embarcou nesta ideia especulativa.

Nos dias finais do governo

Bush, a secretária de Estado Condoleeza

Rice tentou forçar um acordo

entre Israel e Abbas. Apesar de

ter um figurante disposto a isso no

primeiro-ministro Ehud Olmert,

Rice fracassou porque Abbas continuou

a aumentar suas exigências.

Olmert teria oferecido dividir Jerusalém

e receber milhares dos assim

chamados refugiados. Nenhum governo

israelense nunca antes havia

sido tão imprudente nas relações

com Arafat e Abbas. Mas a oferta

de Olmert a Abbas simplesmente

levou a mais exigências. Uma lição

aprendida a partir daquela experiência

é que Israel não pode satisfazer

os palestinos com nada menos

que desaparecer.

E se mais provas disso são necessárias,

basta observar o que o

presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad

disse recentemente a uma

multidão em seu país, de que não

haveria calma no Oriente Médio até

que Israel, o Estado sionista, deixe

de existir. Em outras palavras, mes-

A capa reproduz a obra de arte cujo título é: “Bar

Mitzvá”, pintado com a técnica aquarela e dimensões

de 45x35 cm, criação de Aristide Brodeschi e

pertencente à coleção Jaime Wasserman. O autor

nasceu em Bucareste, Romênia, é arquiteto e artista

plástico, e vive em Curitiba desde 1978. Já

desenvolveu trabalhos em várias técnicas, dentre

elas pintura, gravura e tapeçaria. Recebeu premiações

por seus trabalhos no Brasil e nos EUA.

Suas obras estão espalhadas por vários países e

tem no judaísmo, uma das principais fontes de

inspiração. Ele é o autor das capas do jornal Visão

Judaica. (Para conhecer mais sobre o artista, visite

o site www.brodeschi.com.br).

Datas importantes

23 de junho

2 de julho

9 de julho

16 de julho

19 de julho

21 de julho

Shabat / Côrach / Bençãos Tamuz

Shabat / Chucat / Rosh Chodesh

Shabat / Balac

Shabat / Pinechas

Jejum de Tamuz

Shabat / Matot

mo com a criação de um Estado

palestino ao lado de Israel isso não

trará a paz. Só Obama é que não

ouviu isso, ou não entendeu. Com

relação a esse assunto, vale a pena

a leitura do artigo do médico brasileiro-israelense

Moshe Rosenblatt,

nesta edição, colocando as coisas

nos seus devidos lugares.

Aqui no Brasil a advogada e ativista

dos direitos humanos, iraniana

Shirin Ebadi, ganhadora do Nobel

da Paz de 2003, lamentou a recusa

da presidente Dilma Rousseff

em recebê-la e disse que o encontro

era a principal razão de sua visita.

“Só vim ver a presidente, queria

agradecer a ajuda dela no caso

Sakineh”. Ela se referia ao caso da

iraniana Sakineh Ashtiani, acusada

de adultério e de ter ordenado a

morte do marido, cuja sentença

não foi aplicada. “Não queria falar

de assuntos políticos [com Dilma].

Vim falar sobre direitos humanos

e direitos das mulheres”, disse Ebadi,

figura emblemática da oposição

ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Dilma decidiu não se encontrar

com ela antes mesmo de sua

chegada. “Se Dilma defende os di-

ACENDIMENTO DAS

VELAS EM CURITIBA

JUNHO / JULHO DE 2011

SHABAT

DATA HORA

24 / 6 17h16

1 / 7 17h18

8 / 7 17h21

15 / 7 18h24

22 /

7 17h27

reitos humanos e as mulheres, ela

me receberá”, insistiu a iraniana

em entrevista ao jornal O Estado

de S. Paulo. Mas não a recebeu.

O governo brasileiro acredita que

se o fizesse colocaria o Brasil

dentro de uma “disputa interna

delicada”.

A decisão do Planalto vai na contramão

da mudança na diplomacia

para os direitos humanos que Dilma

vinha conduzindo até agora.

Antes de tomar posse, a presidente

criticou publicamente a abstenção

do Itamaraty em uma resolução

do Conselho de Direitos Humanos

da ONU condenando o apedrejamento

de mulheres no Irã. Dilma

chamou de “ato bárbaro” a lapidação,

posição reiterada em entrevista

ao jornal Washington Post. Em

março, Dilma rompeu com o padrão

de voto do governo Lula nas

Nações Unidas e apoiou a criação

de um relator especial para o Irã,

sob críticas do ex-chanceler Celso

Amorim. Uma semana depois, Shirin

Ebadi foi convidada a um jantar

na embaixada do Brasil em Genebra.

Agora, parece, os rumos mudaram

outra vez.

Humor judaíco

Falecimentos

A Redação

UMA ÚLTIMA CHANCE

Um advogado judeu, que

nunca foi afeito à religião, no

leito da morte pede um exemplar

da Torá (os cinco primeiros livros

da Bíblia) e começa a lê-la

avidamente.

Todos se surpreendem com

o súbito interesse daquele homem

quase ateu, e alguém pergunta

o motivo.

O advogado doente responde:

— Estou procurando alguma

brecha na lei...

Ana Paciornik Fischer, aos 90

anos de idade, dia 27 de maio de

2011 (23 de Iyar de 5771), em

Brasília. Seu corpo foi sepultado

naquela mesma cidade.


Sérgio Alberto Feldman *

sta semana ocorreu em

diversas capitais brasileiras

um festival de cinema

francês. Fato corriqueiro

em centros

como São Paulo, Rio de

Janeiro, Belo Horizonte e

Curitiba, mas uma novidade em Vitória.

Fui convidado para o lançamento,

por ser um habituée dos cinemas de arte

da cidade. Uma surpresa foi ver que as

sessões lotaram e arte virou objeto de

consumo. Isso reflete uma mudança sutil

em certos setores da sociedade brasileira,

mas não é este o meu assunto.

Assisti a um filme que não me surpreendeu,

mas emocionou e chocou a

quase todos os que presenciaram a

apresentação. O filme se chama “Vênus

negra” e tem como tema, a vida de uma

mulher negra, sul-africana, do grupo

étnico hotentote, que é levada à Europa,

para aparecer em pequenas apresentações

em Londres, onde é estilizada

como uma atração que simboliza a

selvageria e o exotismo de uma raça

vista como inferior. É explorada como

um animal, mas ocorre uma reviravolta,

pois será reciclada como sex simbol

em função de suas nádegas e genitália

diferenciadas e com proporções maiores

que a das europeias. Tornou-se objeto

de desejo de cientistas franceses

que querem estudar africanos. Como

resiste a se expor e ser tocada por artistas

e cientistas que querem examinar

seus órgãos sexuais, acaba sendo execrada

e termina se prostituindo. Morre

de doença, seja tuberculose ou talvez

de uma infecção venérea e seu corpo é

comprado pela Academia Francesa de

Ciências. Vira um objeto de estudo e é

examinada, conservada em formol e

guardada como um animal do tipo cobaia

de estudos. No final do filme os

espectadores descobrem que é um fato

real e que ela foi repatriada há cerca de

uma década e meia pelo governo sulafricano

que lhe deu honras de Estado

e um túmulo, após cerca de dois séculos,

pois morreu na segunda década do

século XIX, por volta de 1815. O que isto

nos ensina? Como entender esta tensão

entre o europeu e o africano de

pele negra?

Num país como o nosso de tradição

escravocrata e que simula ter sido ou

pretendido ser uma democracia racial,

isto não causa estupor. Sabemos que o

racismo nosso de cada dia, transpira nos

poros da cidadania e aparece no cotidiano:

piadas de salão preconceituosas

são usuais em festas, bate-papos de

barzinho e nas entrelinhas das conversas

quando não se teme ser repreendido

por ser “politicamente incorreto”,

racista ou coisa pior.

Há uma tradição europeia de preconceito.

Na “Crônica dos feitos da Gui-

Civilização e barbárie

Reflexões sobre o racismo

né” (ou Chronica do Descobrimento e

Conquista da Guiné) de Gomes Eanes

de Zurara, escrita na segunda metade

do século XV, ou seja, há mais de quinhentos

anos, há um relato comovedor

do autor, que descreve a separação das

famílias de escravos negros africanos,

que são vendidos a senhores portugueses.

Maridos se separam de suas mulheres,

filhos de pais, e assim consecutivamente.

São descritos como seres

sem alma, pois são escravos e pecadores,

e são negros. O autor se inspira em

Aristóteles, que definia categorias de

seres, com e sem alma. Mulheres

teriam cerca de meia alma. Estrangeiros

também eram seres inferiores. Os

gregos concebiam uma maneira de categorizar

seres humanos, que antepõe

a civilização à barbárie. Os gregos entendiam

que os não helenizados eram

bárbaros e os gregos e os povos helenizados

eram civilizados. A Europa do século

XIX também se considerava a civilização.

A Era das Luzes se instaurara no

Ocidente desde o Renascimento, e o

século XVIII seria denominado de Era

do Iluminismo. Os europeus orgulhosos

de sua civilização queriam ampliar

esta era de luzes para todo o Mundo.

Para isso teriam que expandir as ciências

e entender as diferenças entre os

seres. A Vênus hotentote seria um ser

exótico, selvagem e inferiorizado. Estudá-la

seria entender melhor estes

espécimes, que se alinhavam entre os

humanos e os animais, um gênero de

semi-humanos.

Para que a Europa estava querendo

estudar outros agrupamentos humanos,

que não os europeus ou “caucasianos”?

Para entender e justificar uma

nova ordem mundial que já se configurava

no século XVIII. A Europa se expandia

e conhecer as populações das suas

colônias efetivas e potenciais era uma

forma de manter e ampliar a dominação.

Surgem estudos diversos: formato,

perímetro e volume do cérebro para

mensurar as proporções e comparar a

capacidade cefálica dos caucasianos,

negros e amarelos. No início, seria entender

as razões da expansão europeia;

na sequência seria justificar a ocupação

e a colonização europeia na África e na

Ásia nos séculos XIX e XX, pois se tratava

de uma missão civilizadora: os brancos

superiores deveriam educar e tutelar

as “raças inferiores”, através de um

processo de aculturação, ocidentalização

e “branqueamento da alma” de negros

e amarelos. Ironia: isso lembra o

Michael Jackson que branqueou sua

pele, até desfigurá-la. Acho este exemplo

muito doloroso.

No âmago da questão estava a obtenção

de uma justificativa para a ampliação

do colonialismo europeu, tão

necessária para o sistema capitalista,

então em evidência. As potências precisavam:

a) novos mercados consumi-

dores e b) novas fontes de matériasprimas.

Duas das premissas do processo,

denominado, por alguns historiadores,

como “Revolução Industrial”.

As outras duas deveriam ser obtidas

ou desenvolvidas internamente

nas potências: mão-de-obra barata

e tecnologia.

Mercados consumidores e matériaprima

eram vastos na África e na Ásia.

Algodão egípcio e hindu para as indústrias

têxteis inglesas ou de outras potências

europeias. Assim sendo, a ciência

não só gerava tecnologia, mas também

um know-how que explicasse a

superioridade da raça caucasiana, diante

de suas congêneres, negra e amarela.

Fato ou apenas pretexto? Na crença

da época era um fato mensurado por

análises e cifras. Hoje percebemos que

era uma questão ideológica e ao mesmo

tempo de interesses diversos. Um

destes era o colonialismo.

O racismo do século XIX teve como

seus seguidores ilustres personagens.

Uma boa parte deles era também antissemita.

Aliás, a relação entre o racismo

europeu e o antissemitismo é

íntima. No seio desta pseudociência se

criou na Alemanha, no último quarto

do século XIX, a Liga Antissemita que

popularizou esta expressão e o conceito

de antissemitismo. Pensadores

como alemão Guilherme Marr, o inglês

H. S. Chamberlain e o francês conde

Gobineau foram os pais intelectuais

dos teóricos das teses arianas de raça

superior e da inferioridade judaica.

Assim sendo a conexão é clara: os judeus

sofreram um preconceito milenar

de caráter religioso até o século

XVIII e ao se inserirem nas sociedades

europeias e obterem os direitos civis

no Ocidente, foram vítimas de uma

nova forma de preconceito: o racismo

do século XIX, originado do desenvolvimento

europeu e que lhes concedeu

o status de raça inferior.

O racismo atingiu o Brasil já no século

XIX. O conde Gobineau, francês, e

um dos pilares do movimento, era amigo

íntimo do imperador Pedro II. Ele

recomendou à classe política que executasse

“um branqueamento da raça”.

Constatou que no Brasil havia mais

negros, índios, pardos e mulatos, do

que brancos. Achava isso um sintoma

de decadência e teve muitos seguidores.

Esta política se expressou no estímulo

à vinda de imigrantes brancos europeus

para o Brasil. Branquear para

não decair; clarear para poder se tornar

uma potência. Há vasta bibliografia

sobre o tema.

A minha preocupação é que o preconceito

é multifacetado e repleto de

artimanhas. A discriminação não é só

com negros. Há outras vítimas desta.

Judeus não são tampouco os únicos segregados.

Ouço muitas piadas em reu-

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

niões sociais. Às vezes elas são contra

judeus; às vezes contra homossexuais.

Como historiador e como um judeu brasileiro

me repugna a maneira que as

pessoas se fingem de politicamente

corretas e ironizam com piadas, ora negros,

ora gays, ora apregoam a inferioridade

feminina. Racismo, homofobia

e misoginia são facetas dos discursos

preconceituosos que devemos evitar.

Se eu discrimino os negros, como posso

protestar quando discriminam os judeus.

No final das contas ao se abrir a

porta para o preconceito, entrarão todos

os tipos deles. Não se pode aceitar

que um membro de uma comunidade

que sempre foi discriminada seja preconceituoso.

Uma piada pode ser casual,

simples expressão de humor e

sem malícia ou intenção de discriminar.

Mas propaga as crenças de maneira sutil,

leve e engraçada. É uma forma de

perpetuar o racismo e o preconceito.

Meu leitor: Reflita sobre estas atitudes

e reveja os seus conceitos.

VJ INDICA

FILME

A escolha de Sofia

TÍTULO ORIGINAL: SOPHIE’S CHOICE

Ficha técnica

Direção: Alan J. Pakula

Gênero: Drama

Origem: EUA

Duração: 153 minutos

Tipo: DVD colorido com legendas

em português

Ano da produção: 1982

Estúdio/Distribuição: Europa

Filmes

3

* Sérgio Alberto

Feldman é doutor

em História pela

UFPR e professor

de História Antiga

e Medieval na

Universidade

Federal do

Espírito Santo, em

Vitória. Foi diretor

de Cultura

Judaica da Escola

Israelita Brasileira

Salomão

Guelmann, em

Curitiba.

ELENCO

Meryl Streep (Sofia Zawistowski), Kevin Kline (Nathan

Landau), Peter MacNicol (Stingo), Rita Karin (Yetta),

Stephen D. Newman (Larry), Greta Turken (Leslie Lapidus),

Josh Mostel (Morris Fink), Marcell Rosenblatt (Astrid

Weinstein), Moishe Rosenfeld (Moishe Rosenblum),

Robin Bartlett (Lillian Grossman), Eugene Lipinski (professor

polonês).

SINOPSE

Em 1947 Stingo (Peter MacNicol), um jovem aspirante

a escritor vindo do sul, vai morar no Brooklyn na casa

de Yetta Zimmerman (Rita Karin), que alugava quartos.

Lá conhece Sofia Zawistowska (Meryl Streep), sua vizinha

do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira

em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin

Kline), seu namorado, um carismático judeu dono

de um temperamento totalmente instável. Em pouco

tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a

menor ideia dos segredos que Sofia esconde nem da

insanidade de Nathan. Vencedor do Oscar na categoria

de melhor atriz em 1983 além de quatro indicações e

de vários outros prêmios.


4

* Jonathan Spyer é

jornalista, escritor

e pesquisador no

Global Research in

International

Affairs Center.

(Centro de

Assuntos

Internacionais e

Pesquisas Globais).

Bashar Assad na corda bamba

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Hezbolá foi pego numa

armadilha e com as mãos

na massa pela revolta na

Síria. As palavras de solidariedade

do líder do Hezbolá,

xeque Hassan Nasralá,

ao seu aliado encurralado de Damasco,

levou à queima de imagens do líder

islâmico xiita libanês pelas multidões

em fúria durante as manifestações na

Síria semanas atrás.

A posição do movimento sobre a Síria

coloca em destaque uma contradição

básica entre os interesses práticos do

Hezbolá e da imagem que quer projetar.

Esta contradição, por sua vez, revela

as limitações da “resistência em bloco”

liderada pelos xiitas do Irã, no mundo

de língua árabe de maioria sunita.

No nível prático, não é difícil entender

por que a queda

do regime de Assad

seria um desastre

para o Hezbolá e seu

patrono iraniano.

A Síria é o canal

seguro através do

qual Teerã arma o seu

aliado libanês no Mediterrâneo.

Componentes

importantes do arsenal

do Hezbolá são armazenados

de forma

segura sob os cuidados

de Assad. Os mísseis

M-600 e Fateh-110, que poderiam

levar a um ataque israelense antecipado,

se forem deslocados ao Líbano,

aguardam em local seguro além da fronteira,

o momento oportuno.

Mas a Síria é muito mais que um

depósito do Hezbolá. Desde a assunção

de Bashar Assad, o relacionamento en-

Por considerá-las “inseguras” o exprimeiro-ministro

espanhol José Maria

Aznar rejeitou as negociações para criar

um Estado palestino baseado nas fronteiras

1967. Ele disse que os riscos que

Israel enfrenta são os mesmos que ameaçam

as potências ocidentais “Defendemos

o direito de Israel escolher os termos

do acordo”, disse Aznar num discurso

sobre o Oriente Médio na Sociedade

de Beneficência Judaica Brasileira Albert

Einstein em São Paulo. O presidente honorário

do Partido Popular espanhol disse

que as fronteiras de 67 “não são seguras

e não podem ser a base para as

negociações sobre o conflito entre israelenses

e palestinos, como disse recentemente

o presidente dos EUA, Barack Obama.

“Podemos ter certeza de que muitas

vozes se levantarão para pressionar Israel

e estamos preocupados de que Israel não

A queda de Assad, um desastre para o Hezbolá e o Irã

Jonathan Spyer *

tre eles tornou-se cada vez mais simbiótico.

O Hezbolá foi o instrumento pelo

qual a Síria pode reconquistar a sua influência

no Líbano, após sua vergonhosa

retirada em 2005. Damasco forneceu

ao Hezbolá uma área adjacente vital

para a logística durante a guerra de 2006.

Suspeita-se que ambos colaboraram

para o assassinato do ex-premiê libanês

Rafik Hariri.

Portanto, a relação é estratégica, e

é baseada numa variedade de interesses

compartilhados. Nenhuma das partes

é inteiramente um cliente ou um

grande parceiro do outro. Pelo contrário,

o patrão dos dois é o Irã. As manifestações

de Nasralá em apoio a Assad

derivam do mesmo impulso que o

apoio prático, em grande escala, atualmente

oferecido à Síria pela Guarda

Revolucionária iraniana. Eles são

membros de uma aliança, e se unem

em defesa de um membro da equipe

que está em apuros.

Não surgiram evidências que confirmem

os rumores de que os combatentes

do Hezbolá participam da repressão

em solo, na Síria.

E é difícil ver o que poderiam conseguir

as forças do Hezbolá quando os

próprios homens de Assad não conseguiram.

Ao líder sírio não faltam grupos

armados. Mas o “apoio moral” oferecido

pelo Hezbolá à Síria expõe o vazio

das afirmações permanentes de Nasralá,

que diz representar a vontade popular

dos árabes.

Tanto Assad como Nasralá empregam

a linguagem da “resistência”, mas

ambos estão unidos para resistir à vontade

claramente expressa do povo sírio.

Há uma lógica mais profunda

funcionando aqui que o eterno espetáculo

dos movimentos e regimes ditatoriais

que expõem o vazio de seus discursos.

O bloco liderado pelo Irã pode-

ria ter sido apresentado como a voz da

autenticidade e da resistência regional.

Mas se alguém olhar para os elementos

que compõem rapidamente

torna-se claro que era e é em grande

parte uma aliança entre xiitas árabes

(ou pelo menos não sunitas) por trás

de um grande estado não árabe xiita.

Os principais membros da aliança

são o Irã, o Hezbolá xiita, o regime

controlado pelos alauitas de Assad e

o movimento xiita de Moqtada al-

Sadr, no Iraque. O Irã tem tentado tirar

partido da atual crise no mundo

árabe. No entanto, o âmbito de sua

atividade tem sido limitado principalmente

às áreas de maioria xiita,

como o Bahrein.

Fora das estreitas faixas onde residem

as comunidades árabes xiitas, há

uma forte suspeita contra os iranianos.

A guerra do Irã contra Israel destina-se

a reverter essas suspeitas, e tem conseguido

algum sucesso. Mas o prestígio

conquistado por elementos xiitas na

luta contra Israel não parece facilmente

transferível para outras áreas.

A única exceção importante na natureza

do bloco xiita, liderado pelo Irã,

foi e é o Hamas. O enclave do Hamas

em Gaza tem sido mantido com dinheiro

e armas do Irã. Mas uma das consequências

mais notáveis da queda de

Hosni Mubarak no Egito é a aparente

tentativa do Hamas de desviar-se para

fora do eixo Irã-Síria-Hezbolá e voltarse

para o Egito árabe sunita.

O Emirado (sunita) do Qatar, entretanto,

que tem flertado com o eixo da

resistência nos últimos anos, dirigiu

fortemente a enorme influência da rede

Al-Jazeera contra o regime da Síria nas

últimas semanas. A Turquia de Recep

Tayyip Erdogan também tem intensificado

as críticas contra Assad e tem sido

anfitriã de encontros da oposição síria.

Aznar rejeita fronteiras de 1967

tenha aliados suficientes, e nós acreditamos

que devemos agir para que este

cenário não se concretize”, disse. Obama

assinalou como referência para a negociação

sobre o conflito as fronteiras de

1967, ano que ocorreu a Guerra

dos Seis Dias, o terceiro enfrentamento

com os países árabes,

que terminou com a conquista israelense

da Cisjordânia e de Jerusalém

Oriental, Faixa de Gaza,

a Península do Sinai e as colinas

de Golan. Aznar que também está

à frente da Fundação para a Aná-

lise e Estudos Sociais (FAES), declarou

que Israel “é uma terra de

oportunidades, prosperidade e

futuro”. E acrescentou: “Acredito em Israel

e não me envergonho de dizer que

quando as pessoas deslegitimam Israel,

deslegitimam a nós”. Para ele, “defender

Jose María Aznar

esteve em S. Paulo

o Estado de Israel é uma causa justa”, porque,

em sua opinião, o Estado judeu compartilha

com os países democráticos uma

série de valores entre os quais citou “a

liberdade, pluralismo, tolerância, igualdade

entre homens e mulheres”.

Ex-chefe do governo espanhol

entre 1996 e 2004, Aznar

indicou que “a principal dificuldade

que a Europa enfrenta não

é a crise internacional, mas a

perda de valores. O principal

problema que a Europa tem hoje

é que a Europa é o reino do re-

lativismo, que os europeus não

acreditam em nada, nem querem

acreditar em nada”, disse

para complementar que o Friends of Israel

(Amigos de Israel) “tenta evitar o isolamento

de Israel, dar legitimidade ao país

e apresentá-lo como um país normal”. Ar-

A Síria, em suma, está exaurida de

amigos sunitas. Seus xiitas, por outro

lado, têm menos opções e permanecem

fiéis.

Portanto, as adesões do Irã e do

Hezbolá ao seu aliado sírio parecem

cerrar fileiras na aliança não sunita

para lidar com a agitação no mundo

árabe sunita. O analista libanês

Michael Young observa a opinião crescente

de que o regime sírio está envolvido

naa limpeza étnica da cidade

síria sunita de Tal Kalakh, perto da

fronteira com o Líbano.

Tal Kalakh é um enclave sunita em

uma importante área alauita.

Se as motivações do regime são na

verdade sectárias é quase irrelevante.

O fato de que se acredita amplamente

nisso desnuda a lógica sectária em

operação.

Do ponto de vista de Israel, a limitação

nativa da resistência liderada pelo

bloco xiita é uma boa notícia. A notícia

não tão boa é que os centros de poder

rivais sunitas antiocidentais e anti Israel

estão surgindo na região.

A reconstrução das relações do Hamas

com o Egito, afinal, baseia-se na

rápida deterioração das relações entre

o Cairo e Jerusalém. O AKP, partido sunita

islâmico, entretanto, tende a ganhar

mais um mandato na Turquia.

Tampouco a “lua crescente xiita”

está prestes a ruir. Por ora, sua capacidade

inigualável de brutalidade parece

que irá manter seu cliente sírio

em seu assento. Mas sua pretensão

de representar as forças da “resistência”

árabe contra o Ocidente e Israel

foi duramente atingida devido à turbulência

no mundo árabe. Enquanto

isso, uma “lua crescente sunita” antagonista,

com reivindicação rival ao

mesmo manto está em processo de

nascimento.

gumentou que “o mundo ocidental tem

dado origem às sociedades mais livres,

mais estáveis e prósperas da e criticou

o fato de que em alguns países da América

Latina desenvolveram uma campanha

para o reconhecimento de um Estado

palestino de forma unilateral e sem

negociação. “Qualquer reconhecimento

unilateral de um Estado palestino, significa

uma ação contrária à paz que consideramos

necessária”, disse. Ainda assim,

considerou que Israel é “a última

ilha remanescente da estabilidade entre

o Marrocos e o Paquistão”, e afirmou

que o grupo Hamas é uma organização

terrorista que, como o movimento da Irmandade

Muçulmana, “visa a destruição

do Estado de Israel.” De todos os problemas

políticos que o mundo tem ”a

coisa mais importante é onde evoluir o

mundo muçulmano”, concluiu.


* Breno Lerner é editor e

gourmand, especializado

em culinária judaica.

Escreve para revistas,

sites e jornais. Dá

regularmente cursos e

workshops. Tem três

livros publicados, dois

deles sobre culinária

judaica.

* Breno Lerner

Uma das mais antigas colônias judaicas

que ainda sobrevivem no mundo, a

dos judeus georgianos, conhecidos como

gurjim pelos locais, autodenominavamse

Yehudim Gruzinim.

Documentos históricos atestam sua

chegada como trânsfugas da invasão de

Nabucodonosor a Jerusalém:

O rei Nabudonosor capturou Jerusalém.

Os judeus fugiram de lá e chegaram

em Kartli onde solicitaram ao Mamasakhlisi

(chefe local) o território de

Mtskheta contra o pagamento de tributos

e vassalagem. Ele os colocou em Aragvi,

numa colina chamada Zanavi, que

depois foi renomeada como Zanavi, a Terra

dos Judeus.

Leonti Mroveli, historiador georgiano,

Crônicas Georgianas, séc. XI.

A região chegou a ter 120.000 judeus

que, em 1970 estavam reduzidos a

80.000, em 2004 a 13.000 e, em 2008 a

3541. A grande maioria imigrou para Israel,

com pequenas populações indo para

Nova York, Antuérpia e Dusseldorf.

AI vão algumas curiosas receitas

como Kaurma e Chikhitima, a Kotmis Satsivi,

galinha de pobre, que era feita com

a galinha criada no terreiro e ervas da

horta, sem necessidade de comprar nada

e Azelila, uma versão local da milenar

salada de ovos que acompanha os judeus

desde o cativeiro do Egito.

Kaurma

Kaurma

(Cozido (Cozido de de

de

Cordeiro)

Cordeiro)

1 kg de carne de cordeiro cortada

em fatias finas;

4 cebolas cortadas em fatias finas;

2 xícaras de caldo de carne;

3 tomates picados;

2 colheres de sopa de vinagre;

½ kg de batatas cortadas em

cubos;

2 dentes de alho picados;

2 colheres de sopa de farinha de

trigo;

Sal e pimenta do reino a gosto;

Cebolinha e salsinha picadas para

decorar.

Doure a carne em um pouco de azeite.

Acrescente o caldo, as cebolas e as batatas.

Quando as batatas estiverem quase

no ponto, coloque o tomate, vinagre

e alho. Cozinhe por mais 5 minutos. Dissolva

a farinha em pouco do caldo do

cozido e coloque na panela. Tempere

com sal e pimenta do reino. Salpique

com a salsinha e cebolinha e sirva

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Georgia

Chikhitma

Chikhitma

(Caldo (Caldo Restaurador)

Restaurador)

½ kg de galinha em pedaços;

2 cebolas cortadas em rodelas;

1 colher de sopa de farinha de trigo;

1 colher de sopa de manteiga;

2 gemas de ovo;

1 colheres de sopa de cúrcuma;

2 colheres de sopa de suco de limão;

Sal e pimenta do reino a gosto;

Folhas de coentro e 1 rodela de

limão para enfeitar.

Numa panela cubra a galinha com água

(aproximadamente um litro) e cozinhe por

30 minutos, escumando. Reserve a galinha

e coe o caldo numa peneira forrada

com pano. Reserve. Em outra panela, doure

a cebola na manteiga, salpique com a

farinha e deixe dourar. Vá colocando o

caldo coado e mexendo bem. Acresça os

pedaços de galinha, cúrcuma, sal e pimenta

do reino. Quando levantar fervura,

abaixe o fogo e coloque o suco de limão.

Bata as gemas com um pouquinho do caldo

e coloque na panela Não deixe ferver

ou as gemas coagularão. Coloque em tigelinhas

e decore com uma fatia de limão

e folhas de coentro.

1,5 kg de carne para cozido (peito ou

capa de costela) cortada em cubos;

8 cebolas pequenas, inteiras e

descascadas;

10 dentes de alho apenas descascados;

1 xícara de caldo de carne;

1 colher de chá de curcuma;

1 colher de café de curry;

1 colher de café de pimenta do reino

branca;

1 colher de café de pimenta síria ou

allspice;

8 batatas cortadas em rodelas;

Sal a gosto.

Azelila Azelila

Azelila

(Salada (Salada de de Ovos)

Ovos)

4 ovos cozidos e passados no ralador grosso;

3 colheres de sopa de manteiga amolecida;

2 colheres de sopa de coentro picado;

2 colheres de sopa de cebolinha (apenas a

parte branca) picada;

½ xícara de nozes picadas;

2 colheres de sopa de dill picado;

Sal e pimenta do reino a gosto.

5

TEMPERO:

2 colher de sopa de páprica;

1 colher de sopa de sálvia picada;

1 colher de sopa de sementes de

mostarda;

1 colher de sopa de pimenta do reino;

1 colher de sopa de tomilho picado;

4 dentes de alho picados;

1 cebola ralada;

2 colheres de sopa de sal;

4 colheres de sopa de gengibre

finamente fatiado;

1 colheres de sopa de raspas de casca

de limão;

2 colheres de sopa de gordura de

galinha (schmaltz).

ASSADO:

1 galinha grande;

2 cebolas em fatias finas;

2 cenouras cortadas em julienne (em

tirinhas);

1 talo de salsão em fatias finas;

2 pimentões vermelhos ou amarelos

em faias finas;

Suco de ½ limão;

½ xícara de vodca;

Pile (passar no pilão) todos os ingredientes

do tempero menos o gengibre e a gordura

de galinha. Reserve. Numa panelinha aqueça

a gordura de galinha e coloque duas colheres

de sopa do tempero mais o gengibre.

Refogue por dois minutos, retire o gengibre

e reserve.

Delicadamente separe a pele do corpo da

galinha e espalhe a mistura reservada sob a

pele, principalmente na área do peito. Misture

a cebola, cenoura, salsão, pimentões,

suco de limão e o restante do tempero que

ficou reservado. Recheie a galinha com a

mistura. Pré-aqueça o forno a 125º e asse,

sem cobrir, por 1 hora. Na hora de servir, flambe

com a vodca.

Misture bem todos ingredientes e refrigere. Esta salada normalmente é servida

enrolada num pão pita tipo folha.


6

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771


discurso do primeiroministro

israelense

‘Bibi’ Netanyahu,

aplaudido de pé e ovacionado

no Congresso

norte-americano foi uma

das peças oratórias mais brilhantes

nos últimos tempos. Netanyahu

não se esqueceu de nada ao se

dirigir a ambas as Câmaras e deixou absolutamente

claro, o presente, o passado

e o futuro do povo judeu e de seu

único Estado: Israel.

Ele enfatizou a profunda amizade

entre israelenses e americanos, com

base numa comunhão de valores: liberdade,

democracia, paz e luta contra os

inimigos destes valores e o terrorismo.

Deixou claro que não necessariamente

sabemos para onde conduzem

as revoltas no mundo árabe e, portanto,

não é certo que irá trazer um futuro

com mais democracia e liberdade. Alguém

tinha que dizer ao mundo que os

únicos árabes que gozam dos verdadeiros

direitos democráticos são aqueles

que vivem em Israel.

Referiu-se à ameaça iraniana e ao

perigo de seu decidido apoio ao terrorismo.

Depois do Holocausto, o povo

judeu leva a sério ameaças de aniquilação

e não vai renunciar ao direito de

autodefesa.

Netanyahu mostrou-se disposto a

fazer concessões para alcançar a paz,

mas permitiu-se recordar à sua audiência

que a razão pela qual ainda não foi

alcançada é que os palestinos não aceitaram

viver com um Estado judeu ao seu

lado e rejeitaram todas as ofertas para

chegar a um acordo. Enquanto isso, o

mundo age como se isso não tivesse

acontecido e como se fosse a verdadeira

razão para o atual impasse.

Netanyahu teve de responder taxativamente

às declarações anteriores de

Obama que se referiam às fronteiras de

1967, dirigindo um duro golpe à posição

de Israel diante do conflito. Obama

não disse que essas fronteiras seriam

definitivas, mas sofreriam alterações.

Mas o que ficou gravado na opinião pública,

foi a referência explícita a estas

“fronteiras”. Devemos lembrar que a

OLP foi fundada em 1964, quando esses

territórios ainda estavam sob as administrações

jordaniana e egípcia. Os

palestinos nunca mencionaram que

queriam um Estado independente lá.

Muito pelo contrário. Planejavam e

executavam ataques contra Israel, porque

seu objetivo era o mesmo que agora:

destruí-lo.

Basta ler a Constituição do Hamas,

novo parceiro de Abbas. É definida como

meta a aniquilação de Israel. Com esse

“parceiro”, o mundo não só nos incentiva

a negociar, mas exige que nós devamos

ceder às suas pretensões (atuais).

É evidente que não iria negociar

com um grupo, como foi observado por

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Bibi foi brilhante no Congresso dos EUA

Gerardo Stuczynski *

Netanyahu foi aplaudido em pé, por 25 vezes, no Congresso

norte-americano

Netanyahu, que “condenou a morte de

Osama Bin Laden e elogiou-o como um

guerreiro santo”. Assim, o primeiroministro

israelense disse: “Israel é um

dos menores países do mundo” e com

as linhas de 1967 teria apenas 15 km

de largura.

Somos um povo que ama e precisa

da paz. Mas não queremos que isso nos

conduza a uma situação que, em nome

da paz, seja o prelúdio para a nossa destruição.

As experiências de retiradas dos

ex-territórios têm sido desastrosas.

Foram interpretadas como o resultado

da fraqueza e não por causa do desejo

de paz e os territórios abandonados foram

utilizados para agressão e lançamento

de foguetes contra civis. Netanyahu

enunciou, então, mais uma vez,

as condições para um acordo definitivo,

um Estado palestino desmilitarizado

com fronteiras negociadas por acordo

mútuo.

A opinião pública israelense viu

com orgulho, admiração e identificação

como seu primeiro-ministro respondeu

ao presidente Obama.

A popularidade de Bibi disparou.

Por isso, é quase engraçado ler seus críticos,

que obviamente pertencem a

minorias iluminadas que podem ver o

que os outros não veem.

Shlomo Ben-Ami, ex-ministro das

Relações Exteriores e assessor de Ehud

Barak em Camp David, apesar de seu

desempenho catastrófico, também se

encorajou a opinar sobre a “furiosa recusa”

de Netanyahu à proposta de Obama,

que para ele “reflete não só a pouca

habilidade de estadista do primeiroministro

israelense, mas também o seu

antiquado conceito militar”. “Netanyahu,

na realidade, não confia nos

gentios”... “filho de um renomado historiador

que foi o secretário pessoal de

Ze’ev Jabotinsky, o fundador da direita

sionista, absorveu desde sua infância

da interpretação feita por seu pai da história

judaica como uma série de tragédias.

A lição era simples: você não pode

confiar neles, porque a de Israel é uma

história de traição e de extermínio nas

mãos deles”.

Pena que Ben Ami não esclareça

qual é a outra interpretação possível da

história judaica. E continua: “como pregou

Jabotinsky, a nova nação de Israel

deve construir

um muro de aço

de poder judaico

para dissuadir

seus inimigos

para sempre”.

Não só

essa ideia foi

uma verdadeira

profecia sobre o

que Israel foi

forçado a fazer

para sobreviver,

mas Ben Ami

não leu bem o

eterno Jabotinsky,

já que não era para sempre necessário

erguer esse “muro” (indicando

que não se trata de um muro físico),

mas até que os árabes aceitassem o fato

de que através das armas não conseguiriam

nos eliminar.

VJ INDICA

Fogo amigo

A. B. Yehoshua

Ed. Companhia das Letras

Yoel Marcus, do Haaretz, disse:

“Netanyahu poderia ter lido a lista telefônica

na tribuna do Congresso e receberia

a mesma ovação de pé”. Não

parece sério argumentar que qualquer

pessoa que lesse qualquer coisa

fosse ovacionada e aplaudida, muito

menos ainda pelos representantes do

povo americano.

Alberto Mazor sustenta: “Nosso Primeiro-Ministro

é um ser tão racional

que não lhe cairia mal, às vezes, adotar

as ilusões dos iludidos”. Sustento que

não somos um povo que vive numa

época em que precisemos de um líder

que seja sonhador.

Mas a democracia é maravilhosa e

até permite aos seus adversários tentarem

alinhavar ideias para se opor aos

sentimentos da maioria do povo, e do

grande líder que é Bibi Netanyahu.

LIVRO

7

* Gerardo

Stuczynski é

advogado, foi

presidente da

Organização

Sionista no

Uruguai e é

atualmente

presidente da

Confederação

Sionista Latino-

Americana (Cosla)

e também membro

da Organização

Sionista Mundial.

Texto distribuído

pelo site Por Israel

(www.porisrael.org),

parceiro do jornal

Visão Judaica.

Neste novo livro do autor, a narrativa é pontuada pelo acendimento gradual

das velas do candelabro festivo de Chanucá, e acompanha sete dias

decisivos na vida de um casal israelense de meia-idade. Yaari, o protagonista,

está às voltas com os cuidados exigidos pela doença do pai e as

visitas devidas aos filhos e netos, enquanto os uivos lancinantes emitidos

pelo poço de elevadores de um edifício ultramoderno recém-construído

em Tel Aviv desafiam sua reputação de bem-sucedido engenheiro projetista.

Sua esposa Daniela, professora do ensino secundário, aproveita o

feriado escolar para viajar até um lugarejo perdido nas savanas da Tanzânia,

procurando no silêncio de Yirmiyahu, ex-cunhado decidido a cortar

todos os vínculos com Israel, os traços fugidios da presença da irmã morta.

Ecoando os guinchos do elevador semiclandestino instalado por seu pai num velho apartamento

em Jerusalém, assim como os lamentos das numerosas famílias israelenses dilaceradas pela violência

da guerra, os misteriosos ruídos que perturbam a frágil tranquilidade do feriado de Yaari

sinalizam a magistral alegorização dos cenários do livro. Nas desoladas paisagens africanas, a

ancestralidade arqueológica da espécie humana convive com as sombras do passado da pequena

família israelense, perturbada pela morte de um de seus membros pelo “fogo amigo” das forças

de ocupação na fronteira da Cisjordânia. Os acontecimentos soterrados na memória de Yaari e

Daniela afloram de maneira inusitada, formando uma totalidade apenas resolvida, como numa

delicada composição em contraponto, com o esperado reencontro das vozes amorosas do casal.


8

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

into-me profundamente

honrado pelas cálidas

boas-vindas. E sinto-me

profundamente honrado

por terem me dado a oportunidade

de falar ao Congresso

pela segunda vez.

Senhor Vice-presidente: Lembra

quando éramos os novos meninos da

cidade?

E vejo um monte de velhos amigos

aqui. E vejo um monte de novos amigos

de Israel aqui. Tanto Democratas

como Republicanos.

Israel não tem melhor amigo que

os Estados Unidos. E os EUA não têm

melhor amigo que Israel. Estamos juntos

para defender a democracia. Estamos

juntos para promover a paz. Estamos

juntos para lutar contra o terrorismo.

Felicitações Estados Unidos, Felicitações,

senhor Presidente. Apanhou

Bin Laden. Um bom até nunca!

Falando em sessão conjunta no Capitólio, o primeiro-ministro de

Israel deu uma resposta ao presidente Obama

Num Oriente Médio instável, Israel

é uma âncora de estabilidade. Numa região

de alianças que mudam, Israel é o

incondicional aliado dos Estados Unidos.

Israel sempre foi pro-estadounidense.

Israel siempre será pro-estadounidense.

Meus amigos, vocês não precisam

construir uma nação como Israel. Já estamos

construidos. Vocês não precisam

exportar democracia a Israel. Já a temos.

Vocês não precisam enviar tropas

americanas para defender Israel. Nós

nos defendemos. Vocês têm sido muito

generosos ao dar-nos ferramentas

para efetuar a tarefa de defender Israel

nós mesmos. Graças a todos vocês, e

graças a você, presidente Obama, por

seu firme compromisso com a segurança

de Israel. Sei que os tempos econômicos

são difíceis.

O apoio à segurança de Israel é um

sabio investimento em nosso futuro

comum. Para uma batalha épica que

está se desenvolvendo agora no Oriente

Médio, entre tirania e liberdade.

Uma grande convulsão sacode a terra

desde o Passo Khyber até o Estreito de

Gibraltar. Os tremores destruíram estados

e derrubaram governos. E todos

podem ver que o solo segue mudando.

Agora, este momento histórico contém

Discurso de Netanyahu na sessão

conjunta do Congresso dos EUA

a promessa de um novo amanhecer de

liberdade e oportunidade. Milhões de

jovens estão decididos a mudar seu futuro.

Todos os observamos. Reúnem

coragem, arriscam suas vidas, exigem

dignidade, desejam liberdade.

Estas extraordinárias cenas em Túnis

e no Cairo, evocam as de Berlim e

Praga em 1989. No entanto, ao compartilhar

suas esperanças, também devemos

recordar que essas esperanças poderiam

ser sofocadas como o foram em

Teerã em 1979. Lembrem o que ocorreu

então. A breve primavera democrática

no Irã se viu ceifada por uma tirania

feroz e implacável. Esta mesma tirania

sufocou a democrática Revolução

dos Cedros no Líbano, e inflingiu a esse

país, que tanto sofreu, o governo medieval

do Hezbolá.

Assim, hoje, o Oriente Médio

Oriente encontra-se numa encruzilhada

azíaga. Como todos vocês, rezo.

Que os povos da região escolham a

senda menos transitada, a da liberdade.

Ninguém sabe em que consiste esta

senda melhor que vocês. Este caminho

não é pavimentado só por eleições. É

pavimentado quando governos permitem

protestos nas praças, quando se

estabelecem limites aos poderes dos

governantes, quando os juízes estão

comprometidos com as leis e não com

os hombres, e quando os direitos humanos

não podem ser pisoteados por

lealdades tribais ou a lei da máfia.

Israel sempre adotou este caminho

e o Oriente Médio sempre o rechaçou.

Numa região onde as mulheres são apedrejadas,

os homossexuais são enforcados,

os cristãos são perseguidos, Israel

se destaca. É diferente.

Como o grande escritor inglês

George Eliot predisse, há mais de um

século, o Estado judeu, uma vez estabelecido,

“reluzirá como uma estrela

brilhante de liberdade em meio ao

despotismo do Oriente”. Bem, tinha

razão. Temos uma imprensa livre, tribunais

independentes, uma economia

aberta, acirrados debates parlamentares.

Acreditam ter tipos difíceis

no Congresso? Venham passar um

dia na Knesset. Adiante.

Manifestantes árabes estão agora

lutando para assegurar estes mesmos

direitos para seus povos, para suas sociedades.

Estamos orgulhosos de que

mais de um milhão de cidadãos árabes

de Israel possam desfrutar destes direitos

durante décadas. Dos 300 milhões

de árabes no Oriente Médio e

África do Norte, só os cidadãos árabes

de Israel desfrutam de verdadeiros direitos

democráticos. Quero que se detenham

um momento e pensem nisso.

Dos 300 milhões de árabes, menos da

metade de um por cento são verdadeiramente

livres, e todos eles são cidadãos

de Israel!

Este fato surpreendente revela uma

verdade básica: não é Israel que está

mal no Oriente Médio. Israel é o que

está bem no Oriente Médio. Israel apoia

plenamente o desejo dos povos árabes

em nossa região, de viver em liberdade.

Ansiamos pelo dia em que Israel

seja uma das muitas democracias reais

no Oriente Médio.

Há 15 anos, estive nesta mesma tribuna,

e disse que a democracia deve

começar a lançar raiz no mundo árabe.

Bem, começou. Este começo encerra a

promessa de um brilhante futuro de paz

e prosperidade. Porque creio que um

Oriente Médio que seja genuinamente

democrático será um Oriente Médio

verdadeiramente em paz. Mas enquanto

esperamos, e trabalhamos para, ou

melhor, também devemos reconhecer

que poderosas forças se opõem a este

futuro. Opõem-se à modernidade, à

democracia e à paz.

A primeira destas forças é o Irã. A

tirania em Teerã embrutece o seu próprio

povo. Apoia os ataques contra as

tropas americanas no Afeganistão e no

Iraque. Submete o Líbano e Gaza. Patrocina

o terrorismo em todo o mundo.

A última vez que estive aqui, falei

das funestas consequências do Irã desenvolver

armas nucleares. Agora o

tempo se acaba, e a história logo poderá

repetir-se. Porque o maior perigo

que a humanidade enfrenta poderá

logo estar sobre nós: um regime

isâmico militante armado com armas

nucleares.

O islã militante ameaça o mundo.

Ameaça o islã. Não tenho nenhuma

dúvida que finalmente será derrotado.

Finalmente sucumbirá às forças da liberdade

e do progresso. Mas, como

outros fanatismos que foram condenados

ao fracasso, o islã militante poderá

exigir um preço terrível de todos nós,

antes de seu inevitável final.

Um Irã com armas nucleares acenderia

um rastilho de armas nucleares

no Oriente Médio. Daria aos terroristas

um guarda-chuva nuclear. O pesadelo

do terrorismo nuclear seria um claro e

perigo presente em todo o mundo.

Quero que entendam o que isto significa.

Eles poderiam por a bomba em

qualquer lugar. Poderiam colocá-la num

míssil. Poderiam colocá-la em um navio

de containers em um porto, ou em

uma maleta em um metrô.

Ainda agora, a ameaça ao meu país

não pode ser exagerada. Aqueles que

a desdenham, escondem suas cabeças

na areia. Menos de sete décadas depois

que seis milhões de judeus foram assassinados,

os líderes do Irã negam o

Holocausto do povo judeu, enquanto

pregam a aniquilação do Estado judeu.

Os líderes que cospem tal veneno,

deveriam ser proscritos em todos os

foros respeitáveis do planeta. Mas há

algo que faz com que a indignação seja

ainda maior A falta de indignação. Em

grande parte da comunidade internacional,

os chamados para nossa destrui-

ção encontram um silêncio absoluto. E

ainda pior, porque há muitos que se

apressam a condenar Israel para defenderem-se

dos representantes do terrorismo

do Irã.

Mas não vocês nos Estados Unidos.

Vocês atuaram de modo diferente. Vocês

condenaram o regime iraniano por

seus objetivos genocidas. Vocês aprovaram

duras sanções contra o Irã. A história

os saudará, Estados Unidos. O presidente

Obama disse que os Estados

Unidos estão decididos a impedir que o

Irã desenvolva armas nucleares. Conseguiu

fazer o Conselho de Segurança

adotar sanções contra o Irã. Vocês no

Congreso aprovaram sanções ainda

mais duras. Estas palavras e estes fatos

são vitalmente importantes.

O regime dos aiatolás suspendeu,

brevemente, seu programa nuclear só

uma vez, em 2003, quando temia a possibilidade

de uma ação militar. Nesse

mesmo ano, Muammar Kadafi renunciou

ao seu programa de armas nucleares

pela mesma razão. Quanto mais o

Irã considere que todas as opções estão

sobre a mesa, menor é a possibilidade

de confrontação. Por isso lhes

peço que continuem enviando uma

mensagem inequívoca: “Que os Estados

Unidos nunca permitirão ao Irã desenvolver

armas nucleares”.

Quanto a Israel, se a história ensinou

algo ao povo judeu, é que temos

que levar a sério os pedidos de nossa

destruição. Somos uma nação que surgiu

das cinzas do Holocausto. Quando

dizemos nunca mais, queremos dizer

Nunca Mais. Israel sempre se reserva o

direito de se defender.

Meus amigos, ao mesmo tempo

que Israel estará sempre vigilante para

se defender, nunca renunciaremos à

nossa busca pela paz. Creio que o faremos

quando a conseguirmos. Israel

quer a paz. Israel precisa da paz. Conseguimos

históricos acordos de paz

com o Egito e Jordânia, que tem se

mantido durante décadas.

Recordo o que era antes que tivéssemos

a paz. Estive próximo da morte

num tiroteio no canal de Suez. Quero

dizer, literalmente. Lutei contra terroristas

ao longo de ambas as margens do

rio Jordão. Muitos israelenses perderam

entes queridos. Conheço sua pena.

Perdi meu irmão.

Ninguém em Israel quer o retorno

àqueles días terríveis. A paz com o Egito

e a Jordânia serviu, durante muito

tempo, como uma âncora de estabilidade

e paz no coração do Oriente Médio.

Esta paz deveria ser reforçada com

o apoio econômico e político a todos

aqueles que continuem comprometidos

com a paz. Os acordos de paz com o

Egito e a Jordânia são vitais. Mas não

são suficientes. Também devemos encontrar

uma maneira de forjar uma paz

duradoura com os palestinos. Há dois

anos, comprometi-me publicamente


com uma solução de dois estados para

dois povos: Um Estado palestino junto

ao Estado judeu.

Estou disposto a fazer concessões

dolorosas para alcançar esta paz histórica.

Como líder de Israel, é minha responsabilidade

guiar o meu povo até a

paz. Isto não é fácil para mim. Reconheço

que, por uma paz genuína, estaremos

obrigados a renunciar a partes da

pátria judaica. Na Judeia e Samaria, o

povo judeu não é um ocupante estrangeiro.

Nós não somos os britânicos na

Índia. Não somos os belgas no Congo.

Esta é a terra de nossos antepassados,

a Terra de Israel, a que Abrahão trouxe

a ideia de um D-us, onde David enfrentou

Golias, e onde Isaías teve uma visão

de paz eterna. Nenhuma distorsão

da história pode negar os quatro mil

anos de vínculo entre o povo judeu e a

terra judaica.

Mas há outra verdade: Os palestinos

compartilham esta pequena terra

conosco. Buscamos uma paz na qual

não estejam sujeitos a Israel, nem sejam

seus cidadãos. Deveriam desfrutar

de uma vida nacional de dignidade

como povo livre, viável e independente,

em seu próprio estado. Deveriam

desfrutar de uma economia próspera,

onde sua creatividade e iniciativa possam

florecer.

Já vimos o início do que é possível.

Nos últimos dois anos, os palestinos

começaram a construir uma vida melhor

para si próprios. O primeiro-ministro

Fayyad conduziu este esforço. Desejolhe

uma pronta recuperação de sua recente

cirurgia.

Temos ajudado a economia palestina

eliminando centenas de barreiras

e controles para a livre circulação de

bens e pessoas. Os resultados têm sido

pouco menos que notáveis. A economia

palestina está no auge. Cresce a um

ritmo de mais de 10% ao ano.

As cidades palestinas são muito diferentes

hoje do que eram só há uns

poucos anos. Têm centros comerciais,

cinemas, restaurantes, bancos. Inclusive

têm negócios eletrônicos. Tudo isto

ocorre sem paz. Imaginem o que poderia

acontecer com paz. A paz anunciaria

um novo dia para ambos os povos. Seria

uma possibilidade realista do sonho de

uma mais ampla paz árabe-israelense.

E eis aqui a questão. Vocês têm que

formulá-la. Se os benefícios da paz com

os palestinos são tão claros, por que a

paz nos tem evitado? Por que todos os

seis primeiros-ministros israelenses,

desde a assinatura dos acordos de Oslo,

concordaram em estabelecer um Estado

palestino, inclusive eu mesmo? Então,

por que não se obteve a paz? Porque

até o momento os palestinos não

estiveram dispostos a aceitar um Estado

palestino, se isso significava aceitar

um Estado judeu junto a ele.

Vejam vocês, nosso conflito nunca

foi sobre a criação de um Estado palestino.

Sempre foi sobre a existência do

Estado judeu. Isto é do que se trata este

conflito. Em 1947, as Nações Unidas votaram

a partilha da terra em um Estado

judeu e um Estado árabe. Os judeus disseram

sim. Os palestinos disseram que

não. Nos últimos anos, os palestinos

recusaram, duas vezes, generosas ofertas

dos primeiros-ministros israelenses,

para estabelecer um Estado palestino

em quase todo o territorio ganho

por Israel na Guerra dos Seis Dias.

Simplemente não estavam dispostos

a por fim ao conflito. E lamento dizer

isto: Continuam educando seus filhos

no ódio. Continuam dando nomes

de terroristas a praças públicas. E o pior

de tudo é que seguem perpetuando a

fantasia que Israel, algum dia, será inundado

pelos descendentes dos refugiados

palestinos.

Meus amigos, isto deve terminar. O

presidente Abbas deve fazer o que eu

fiz. Fiquei diante de meu povo, disselhes

que não foi fácil para mim, e disse...

“Vou aceitar um Estado palestino”.

É hora do presidente Abbas, ficar diante

de seu povo e dizer... “Vou aceitar

um Estado judeu”.

Essas seis palavras mudarão a história.

Elas deixarão claro aos palestinos

que este conflto deve terminar. Que

não estão construindo um Estado para

continuar o conflito com Israel, mas

para acabar com ele. Convencerão o

povo de Israel de que têm um verdadeiro

parceiro para a paz. Com esse parceiro,

o povo de Israel estará disposto

a fazer um compromisso de longo alcance.

Eu estarei disposto a fazer um

compromisso de longo alcance. Este

compromisso deve refletir as dramáticas

mudanças demográficas que ocorreram

desde 1967. A grande maioria dos

650.000 israelenses que vivem mais

além das linhas de 1967, residem em

bairros e subúrbios de Jerusalém e da

Grande Tel Aviv.

Estas áreas estão densamente povoadas,

mas geograficamente são muito

pequenas. Em virtude de qualquer

acordo de paz realista, estas áreas, assim

como outros lugares de fundamental

importância estratégica e nacional,

serão incorporadas dentro das fronteiras

definitivas de Israel.

O status dos assentamentos só será

decidido em negociações. Mas também

devemos ser honestos. De modo que

hoje estou dizendo algo que deveria dizer

publicamente qualquer pessoa séria

sobre a paz. Em qualquer acordo de paz

que ponha fim ao confllto, alguns assentamentos

acabarão ficando além das fronteiras

de Israel. A delimitação precisa

dessas fronteiras deve ser negociada.

Seremos muito generosos sobre o tamanho

de um futuro Estado palestino. Mas,

como disse o presidente Obama, a fronteira

será diferente da que existia em 4

de junho de 1967. Israel não voltará às

indefensáveis linhas de 1967.

Reconhecemos que um Estado palestino

deve ser o suficientemente

grande para ser viável, independente

e próspero. O presidente Obama referiu-se

acertadamente a Israel como a

pátria do povo judeu, como referiu-se

ao futuro Estado palestino como a patria

do povo palestino. Os judeus de

todo o mundo têm direito de imigrar

ao Estado judeu. Os palestinos de todo

o mundo deveriam ter o direito de imigrar,

se assim o desejem, a um Estado

palestino. Isto significa que o problema

dos refugiados palestinos se resolverá

fora das fronteiras de Israel.

Quanto a Jerusalém, só um Estado

democrático de Israel tem protegido a

liberdade de culto para todas as religiões

na cidade. Jerusalém nunca mais

deve ser dividida. Jerusalém deve continuar

sendo a capital unida de Israel.

Sei que este é um tema difícil para os

palestinos. Mas creio que, com criatividade

e boa vontade, se possa encontrar

uma solução.

Esta é a paz que planejo forjar com

um parceiro palestino comprometido

com a paz. Mas vocês sabem muito bem

que, no Oriente Médio a única paz que

pode ser mantida é uma paz que pode

se defender.

Assim a paz deve basear-se na segurança.

Nos últimos anos, Israel retirou-se

do sul do Líbano e de Gaza. Mas

não conseguimos a paz. Em lugar disso,

conseguimos 12 mil foguetes disparados

dessas áreas contra nossas cidades,

contra nossas crianças, por parte do

Hezbolá e do Hamas. A forças de paz da

ONU no Líbano não puderam evitar o

contrabando deste armamento. Os observadores

europeus em Gaza se evaporaram

de um dia para outro. Assim

que se Israel, simplemente, saísse dos

territórios, o fluxo de armas para o futuro

Estado palestino seria incontrolável.

Mísseis disparados daí, poderiam

chegar a quase todos os lares de Israel

em menos de um minuto. Quero que

pensem também nisso. Imaginem que,

justo neste momento, todos nós tivéssemos

menos de 60 segundos para procurar

refúgio por causa de um foguete lançado.

Viveriam dessa forma? Poderia alguém

viver dessa maneira? Bem, nós tampoco

vamos viver dessa maneira.

A verdade é que Israel precisa de

arranjos de segurança únicos, em razão

de seu tamanho único. Israel é um dos

menores países do mundo. Sr. Vice-Presidente,

concedo-lhe isto. É maior que

Delaware. E inclusive maior que Rhode

Island. Mas é disso que se trata. Israel

com as linhas de 1967 seria, em sua largura,

a metade da largura do cinturão

urbano de Washington.

Agora aquí há um pouco de nostalgia.

Vim a Washington, pela primeira

vez, há trinta anos, como um jovem diplomata.

Levei um tempo, mas finalmente

descobri: Existe um Estados Unidos

mais além do cinturão urbano. Mas

Israel, com as linhas de 1967, teria só 15

quilômetros de largura. Isto é tudo

quanto à profundidade estratégica.

Portanto, é absolutamente vital

para a segurança de Israel, que um Estado

palestino esteja totalmente desmilitarizado.

E é vital que Israel mantenha

uma presença militar, a longo prazo,

ao longo do rio Jordão. São necessários

sólidos acertos de segurança sobre

o terreno, não só para proteger a

paz, mas para proteger Israel em caso

de que a paz se desfaça. Porque em

nossa instável região, ninguém pode

garantir que nossos parceiros da paz de

hoje estarão ali amanhã.

E quando digo amanhã, não me refiro

a um tempo distante no futuro.

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Binyamin "Bibi" Netanyahu foi brilhante em seu discurso no

Congresso, quando foi aplaudido em pé e recebeu muitos

cumprimentos ao final

Quero dizer — a amanhã. A paz só ser

obtida en torno da mesa de negociações.

A tentativa palestina de impor um

Estado através das Nações Unidas não

trará a paz. Deve contar com a enérgica

oposição de todos aqueles que querem

ver este conflito terminado.

Agradeço a clara posição do Presidente

sobre este tema. A paz não pode

ser imposta. Deve ser negociada. Mas

só pode ser negociada com parceiros

comprometidos con a paz.

E o Hamas não é um parceiro para a

paz. O Hamas continua comprometido

com a destruição de Israel e com o terrorismo.

Tem estatutos. Estatutos que

não só exigem a destruição de Israel,

como dizem: “matem os judeus onde

quer que os encontrem”. O líder do Hamas,

condenou a morte de Osama Bin

Laden e o elogiou como um guerrero

santo. Agora, de novo, quero deixar isto

claro. Israel está disposto a sentar-se

hoje e negociar a paz com a Autoridade

Palestina. Creo que podemos forjar um

brilhante futuro de paz para nossos filhos.

Mas Israel não negociará com um

governo palestino respaldado pela versão

palestina da Al Qaeda.

Dessa forma digo ao presidente

Abbas: Rompa seu pacto com o Hamas!

Sente-se e negocie! Faça a paz com o

Estado judeu! E se o fizer, prometo-lhe

que Israel não será o último país a dar

as boas-vindas a um Estado palestino

como um novo membro das Nações

Unidas. Será o primeiro a fazê-lo.

Meu amigos, os trascendentais juízos

do século passado, e os acontecimentos

em desenvolvimento neste

século, atestam a decisiva função dos

Estados Unidos na promoção da paz e

da defesa da liberdade. A providência

determinou que os Estados Unidos fossem

o guardião da liberdade. Todos os

povos que apreciam a liberdade têm

uma profunda dívida de gratidão con

vossa grande nação. Entre as nações

mais agradecidas está minha nação, o

povo de Israel, que lutou por sua liberdade

e sobrevivência contra todas as

chances, tanto nos tempos antigos

como nos modernos.

Falo em nome do povo judeu e do

Estado judeu quando digo a vocês, representantes

dos Estados Unidos, Obrigado.

Obrigado por seu apoio incondicional

a Israel. Obrigado por assegurar

que a chama da liberdade arda brilhante

em todo o mundo. Que D-us abençoe

a todos vocês. E que D-us abençoe

sempre os Estados Unidos da América.

9


10

PERGUNTE AO RABINO

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

importância de um

nome judaico refere-se

àquela parte de nós que

verdadeiramente define

a identidade judaica: a

alma judaica. Um nome judaico

é o seu chamado espiritual,

um título que reflete seus traços

particulares de caráter e os dons

concedidos por D-us.

O fato de que o nome da pessoa

representa sua força vital é insinuado

pela palavra neshamá (alma), cujas

duas letras intermediárias formam

a palavra shem (nome). As letras do

nome de uma pessoa são como o

cano através do qual a vida é levada

ao corpo. Portanto, a palavra shem,

nome, tem o mesmo valor numérico

que tzinor, cano.

Nomear um recém-nascido judeu

é uma tarefa sagrada, parte do ciclo

de vida da religião judaica. Um menino

recebe o nome durante a cerimônia

do brit milá, quando entra no pacto

de Avraham Avinu; uma menina é

nomeada logo após seu nascimento,

na primeira oportunidade em que a

Torá será lida. Seu pai então é chamado

na Torá e nesta oportunidade

anuncia seu nome judaico.

Ao escolher um nome para a

criança recém-nascida, os pais passam

em revista os nomes de seus

entes queridos. Isso se baseia no pre-

P: O judaísmo acredita em reencarnação?

Se sim, por quais motivos uma

alma reencarna? E se uma alma já

teve vários corpos, com qual deles irá

voltar quando Mashiach chegar? O

mais recente? O que me garante que

uma família irá reencontrar todos

seus entes queridos, pois alguns deles

já podem estar pertencendo a outra

família!

RESPOSTA: Uma alma desce a

este mundo vinda de “sob o trono da

glória” — um local muito mais elevado

que o anjo mais elevado — para

cumprir sua missão neste mundo físico.

Esta missão é constituída tanto

de uma missão geral — o cumprimento

de todos Mandamentos Divinos —

como também de uma missão específica

para esta alma. Após o tempo

que lhe foi designado, a alma retorna

para ser julgada. Pode precisar purificar-se

no Guehinom (Purgatório),

mas ao final, estará apta a colher sua

recompensa temporária, que é vivenciar

no Gan Éden (Paraíso), o Mundo

das Almas, a Luz Divina gerada com

todas suas boas ações. Porém, em

Escolhendo o nome judaico

ceito da Torá de que o nome do falecido

não deve ser apagado de Israel.

Ocasionalmente, uma criança recebe

o nome de algum erudito de Torá, ou

do maior tsadic da geração, cuja vida

foi consagrada à Torá; ou então uma

menina recebe o nome de mulheres

sábias e grandiosas da Torá, cuja vida

serviu como inspiração a todos.

Quando a criança recebe o nome

de um parente falecido – segundo o

costume askenazi – cumpre também

a mitsvá de honrar pai e mãe. Esta

mitsvá é obrigatória não somente

durante a vida deles, como também

depois de sua morte. É uma grande

satisfação para a alma, e proporciona

prazer às almas dos parentes falecidos,

quando os descendentes recebem

seus nomes.

A Cabalá afirma que os pais recebem

inspiração Divina ao escolher um

nome para seu filho. O nome é registrado

como pertencendo para sempre

a esta criança. É por este nome que o

menino será chamado à Torá quando

chegar a seu bar mitsvá, aos treze

anos; quando chegar à vida adulta e

ao casamento, seu nome aparecerá

na ketubá; este nome é mencionado

na prece E-l malei rachamim oferecida

em benefício da alma após 120

anos. Assim, o nome judaico acompanha

o judeu por toda a vida e em

todas as ocasiões.

muitos casos a missão toda da alma

não foi completada nesta vida. Pode

ainda existir algum problema que necessite

de correção, herdado ou não

de uma encarnação anterior. Portanto,

aquele aspecto da alma que ainda

precisa ser completado deve retornar.

Por este motivo as almas voltam

uma e outra vez, até que sua obra

esteja completa. Este conceito é conhecido

na Cabalá como Guilgul. Em

casos específicos (onde a pessoa cometeu

transgressões gravíssimas),

esta terá somente três chances de

reencarnar (além da primeira vida),

para assim retificar suas falhas. Se

após estas três chances ela não consegue

esta retificação, a alma ficará

errante e isolada neste mundo até

reencarnar no reino animal, vegetal,

mineral ou às vezes até em criaturas

espirituais negativas. Nesse estágio

doloroso, a alma não consegue sua

elevação sem assistência externa.

Esta ajuda poderá ser tanto intencional,

através do estudo da Torá, recitação

do Kadish, a prática de atos de

bondade e caridade em prol dela, ou

mesmo sem intenção. Por exemplo,

às vezes passamos por um certo lo-

O nome pelo qual a pessoa é chamada

é o recipiente que contém a

força vital condensada, inerente nas

letras do nome. Como disse o Eterno

aos Anjos: “A sabedoria de Adam é

maior que a sua”, pois ele entendeu

a fonte suprema de cada ser criado,

e segundo este Ele o chamou por seus

nomes. Portanto, descobrimos que

quando desejamos reviver alguém

que desmaiou, chamamos seu nome.

Ao chamar seu nome, despertamos a

força vital em sua fonte, e atraímos

vitalidade para o corpo. Similarmente,

se alguém está adormecido, nós o

chamamos por seu nome.

Ao falecer, quando a alma parte

do corpo e chega perante a Corte Celestial,

não lhe é perguntado: “Qual

é seu nome hebraico” A pergunta feita

é simplesmente: “Qual é seu

nome?” Porque seu nome verdadeiro,

sua essência, está contida em seu

nome hebraico.

Atualmente, o maior problema

para o povo judeu é a assimilação e a

ignorância. Embora seja um grande

problema, existem pequenas coisas

que podemos fazer para lutar contra

isso. Podemos assistir a uma aula de

Torá uma vez por semana ou por mês.

Podemos celebrar o Shabat. E podemos

usar nossos nomes hebraicos.

Quando os usamos, lembramo-nos

constantemente de quem somos, for-

cal tendo a chance de estudar lá uma

passagem da Torá ou recitar os Salmos,

sem saber que na verdade há

algo neste local que está aguardando

nosso ato, às vezes, durante centenas

de anos. Vale ressaltar que um

filho, ou até um amigo, pode fazer bem

para uma alma querida, através dos

atos lembrados acima, independentemente

se a alma se encontra numa

situação descrita acima, ou se está

no Mundo da Verdade. A regra acima

(das três chances), não se aplica a um

tsadic (justo). Sua alma poderá voltar

muitas vezes com a missão de retificar

a geração. A maioria das almas

de nossa geração são retornantes, e

somente pessoas especiais sabem

exatamente qual é sua missão na

vida. Uma das maneiras de saber qual

é nossa missão específica, é simplesmente

observando quais são os assuntos

em que há mais obstáculos e

são mais difíceis de serem cumpridos.

O Yêtser Hará (Má Inclinação) não se

introduz em excesso nos assuntos que

já foram retificados em vidas passadas,

somente o necessário para que

a pessoa tenha o livre arbítrio, Porém,

na missão específica da alma nesta

Se você tiver dúvida sobre alguma questão envie a sua pergunta para: pergunteaorabino@chabadcuritiba.com ou visaojudaica@visaojudaica.com.br

tificando assim nossa identidade judaica

e automaticamente lutamos

contra a assimilação. Parafraseando

Neil Armstrong, talvez seja um pequeno

passo para um judeu, mas um salto

gigante para o Judaísmo!

Devemos nos inspirar no exemplo

fornecido por nosso povo na saída

do Egito; não se assimilaram.

Este fato deveu-se a três fatores fundamentais

que fizeram questão de

conservar: o modo de se vestirem, a

língua (hebraico) e o nome (judaico).

Quanto ao último, disseram nossos

Sábios: (Bamidbar Rabah 20:22)

“Nossos antepassados mereceram

ser redimidos do Egito porque não

mudaram seus nomes”. Devido a estes

cuidados tiveram o mérito de serem

redimidos e conduzidos à outorga

da Torá no Monte Sinai.

Que possamos através de nossas

boas ações e utilização destas mesmas

“vestimentas” que nos conectam

à nossa essência, sermos merecedores

de presenciar a recompensa neste

mundo: uma época sem guerras,

onde a paz verdadeira será restabelecida

e o conhecimento de D-us

transbordará no mundo inteiro. Enquanto

aguardamos, continuaremos

colocando nomes judaicos em nossos

filhos e, nossos filhos em nossos

netos.(Baseado em artigo publicado

no site www.chabad.org.br).

encarnação, há uma forte objeção por

parte do Yêtser Hará. Finalmente, todas

as almas receberão como recompensa

definitiva, o retorno aos seus

corpos neste mundo material — a

Ressurreição dos Mortos — após a

vinda de Mashiach (Messias). Então,

todos receberemos a recompensa

completa, experimentando um mundo

iluminado e belo que todos construímos

com a soma de todas as nossas

boas ações. Sobre sua questão

com qual corpo a alma voltará? Cada

pessoa, mesmo aquela cuja conduta

não foi das melhores, inevitavelmente

também tem muitos méritos. Portanto,

em cada descida e encarnação,

consegue retificar vários aspectos da

alma. Na Ressurreição dos Mortos,

cada corpo voltará com a parte da

alma que foi retificada. Você poderá

perguntar: se este for o caso, existirão

então corpos somente com partes

de alma, e não com a alma completa?

Saiba que qualquer fração da

alma é composta de todas as partes,

e cada uma destas tem sua estrutura

independente, mesmo pertencendo a

uma alma matriz, é considerada somente

um aspecto dela.

BS"D


oi há um ano numa terça-feira

que comandos

israelenses interceptaram

o navio Mavi Marmara,

de um comboio de

seis embarcações que se fizeram

ao mar a partir da Turquia com o

objetivo de furar o bloqueio naval de

Israel a Gaza. Os comandos, atacados

com barras de metal, porretes e facas

por um punhado de jihadistas de grupos

terroristas ligados à organização

IHH, lutaram por suas vidas e mataram

nove dos atacantes — produzindo mais

uma rodada de investigações internacionais

e acusações a Israel.

Agora, um ano depois, a mesma IHH,

junto com o Movimento Free Gaza, organiza

mais uma flotilha — e seu suposto

embarque para a Faixa de Gaza está previsto

para o final de junho.

Foi numa terça-feira que o Centro

de Informação sobre Terrorismo e Inteligência

Meir Amit, de Israel, ligado à

inteligência militar, publicou um explosivo

dossiê sobre a nova frota. O líder

do IHH, Bulent Yildirim, e outra figura

importante na organização, Huseyin

Oruç, dizem que essa versão vai ser

muito maior — em número de navios,

15, incluindo novamente o Mavi Marmara,

e um total de 1.500 passageiros.

Tal como aconteceu com a frota do

ano passado, do contingente não-turco

se pode esperar que esteja composto

por ONGs de esquerda e outros viajantes

ocidentais companheiros da jihad,

em grande parte sob a égide do Movimento

Gaza Livre. Yildirim disse que deputados

de parlamentos árabes e “judeus

de todo o mundo” anti-israelenses,

também estarão a bordo.

As alegações do IHH de que deste

vez nenhum dos passageiros portará

armas, e que está sendo preparado por

observadores da ONU ou europeus

para inspecionar a carga da frota. O

Centro Meir Amit expressou “ceticismo”,

observando que o IHH na flotilha

anterior também alegou que as bagagens

dos passageiros a bordo da Mavi

Marmara Mavi haviam sido inspecionadas

pelas autoridades turcas, no

embarque do navio em Istambul. Na

realidade, a “inspeção”, se de fato foi

realizada, não teve sentido, porque

muitas das armas foram levadas a bordo

do navio, como equipamento militar

e ferramentas que foram utilizadas

como armas improvisadas.

Algumas outras razões para o ceticismo

de que essa nova frota não será

pacífica:

• Shaheeds. Em sua grande campanha

de propaganda para a nova frota, o

IHH tem o “glamourizado” a memória

dos nove shaheeds (mártires)...

Mortos a bordo do Mavi Marmara

[em 2010], e estimulado o ódio a

Israel”. Yildirim também tem “feito

vários discursos incendiários

nos quais ressalta a determinação

do IHH em prosseguir com a flotilha,

mesmo ao preço de shaheeds

adicionais”.

• “Surpresa”. Em discursos, os membros

do IHH também têm advertido Israel

de que desta vez haverá uma “surpresa”.

O Centro Meir Amit acha que

isso pode se referir a um avião sendo

enviado a Gaza. “Em um discurso

feito por Yildirim em 7 de abril de

2011, numa cerimônia em memória

dos... Agentes do Mavi Marmara

Mavi, ele disse que a Faixa de Gaza

também seria alcançada pelo ar” e

que “a organização estava adquirindo

um avião”.

• A natureza do IHH. Como o Centro Meir

Amit observou em um boletim anterior,

o IHH é um grupo radical islâmico

antiocidental, que “no passado

forneceu suporte para a jihad global”.

Numa entrevista a de impren-

sa em 5 de maio deste ano com outras

organizações islâmicas turcas

num subúrbio de Istambul, o IHH denunciou

a morte de Osama Bin Laden

pelos Estados Unidos. Em um

discurso feito dois meses antes do

embarque da flotilha do ano passado,

Yildirim disse: “Os Estados Unidos

estão matando muçulmanos...

As forças da OTAN estão matando

muçulmanos ... Israel está matando

muçulmanos... Um muçulmano não

pode ser derrotado por opressores

e infiéis... O dia em que aceitarmos

ser escravos do Ocidente [é o dia],

que experimentaremos o gosto da

derrota... Se os donos de Al-Quds

[Jerusalém] forem muçulmanos, o

controle do mundo estará em mãos

muçulmanas”.

Israel de fato não deve contar com

nenhum pacifismo por parte da próxima

flotilha. A mídia israelense tem reportado

que a Flotilha 13 — a mesma força de

comandos-navais que fez a abordagem

do Mavi Marmara no passado — tem

convocado todas as suas reservas e vem

treinando intensamente com a força aérea

para enfrentar a nova ameaça. Foi

divulgado ainda que Israel está preparando

suas próprias “surpresas”, e que

— embora a meta seja assumir os navios

de forma não-violenta — “os soldados

estão sob ordens de utilizar a força para

neutralizar o perigo armado e neutralizar

atacantes caso necessário”.

Como o chefe do Estado-Maior israelense

Benny Gantz observou: “Os

organizadores da frota querem nos provocar,

não prestar ajuda a Gaza. Não há

nenhum problema humanitário, centenas

de caminhões com alimentos e

material de abastecimento entram em

Gaza todos os dias”. A situação de Gaza

foi ainda mais facilitada com a abertura

pelo Egito, da passagem de Rafah, há

duas semanas, e o único propósito do

bloqueio naval de Israel a Gaza é impedir

que armas de longo alcance che-

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Israel enfrenta ameaça de nova flotilha

David Hornik *

A flotilha que tentou romper o bloqueio

israelense à Faixa de Gaza levava armas

de fogo e entre elas ao menos uma automática,

assegura o jornal Yediot Aharonot,

baseado nas imagens obtidas de um vídeo

inédito.

As imagens, das quais o diário exibiu

três fotogramas, foram descobertas há

várias semanas em um computador confiscado

pelos soldados israelenses que em

31 de maio de 2010 abordaram a principal

embarcação da flotilha, o Mavi Marmara,

num incidente em alto mar no qual morreram

nove ativistas islâmicos turcos.

A revelação do jornal teve lugar dias antes

que una segunda flotilha composta por

uma dezena de barcos, zarpe rumo à faixa.

Após a abordagem ao Mavi Marara, os

guem ao Hamas, a organização terrorista

anti-israelense que os lança repetidamente

para bombardear comunidades

israelenses.

Israel tem se empenhado arduamente

para conduzir essas questões

para o campo diplomático, e até agora

com algum sucesso. O secretário-geral

da ONU, Ban Ki-moon, pediu aos governos

que desencorajassem os ativistas

de lançar a nova flotilha, e os Estados

Unidos e a União Europeia também se

pronunciaram contra ela.

Mas onde está a Turquia em tudo

isso? A resposta é que a Turquia não só

nada faz para evitar tal risco, mas é, na

verdade, a força por trás disso tudo.

Como o Centro Meir Amit notou no

mesmo relatório, o “IHH e o projeto da

nova flotilha recebem propaganda e

apoio político e logístico do governo

turco”. Numa entrevista na TV em 21

de maio passado, o ministro das Relações

Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu

afirmou que “a Turquia vai dar

a resposta necessária a qualquer ato

de provocação repetida por Israel em

alto-mar”. “Não pode haver endosso

mais claro à nova flotilha do que esta

ameaça aberta.

Se aumentada, a flotilha de 15 navios

conforme planejado navegar, então,

as apostas serão altas. A Turquia,

que não muito tempo atrás mantinha

estreitos laços estratégicos com Israel,

sob o governo do AKP islâmico de Recep

Tayyip Erdogan tem se movido gradualmente

na direção da hostilidade.

Com Israel também enfrentando ameaças

de invasões de civis e manifestações

hostis no Egito pós-Mubarak do

Egito, seus arredores imediatos são

potencialmente explosivos. Forte

apoio ocidental a Israel para defenderse

contra esta segunda flotilha turca

seria enviar um sinal correto de resolução

contra a montagem da maré jihadista.

Mas é difícil ser otimista.

A flotilha de Gaza tinha armas de fogo

comandos aerotransportados asseguraram

que ativistas abriram fogo contra eles da

coberta e que dois soldados sofreram ferimentos

a bala de bala de 9 milímetros

disparadas por armas não empregadas

pelo Exército de Defesa de Israel.

A bordo do navio, Israel só encontrou

punhais, varas de aço e apetrechos de duplo

uso aos quais os ativistas recorreram

para tentar impedir a abordagem do comboio

que se dirigia a Gaza carregado com

uma “ajuda humanitária simbólica”, uma

vez que o grosso da assistência ingressa

diariamente no enclave costeiro através de

dezenas de milhares de caminhões.

O vídeo inédito mostra momentos anteriores

à abordagem dos comandos, no

qual um presumido militante da organiza-

ção islâmica turca IHH segura numa mão

uma pistola e na outra um fuzil automático,

confirma o jornal de maior circulação

em Israel.

Os organizadores da flotilha, várias

ONGs internacionais que queriam furar o

bloqueio da Faixa de Gaza, asseguraram

que no barco não havia armas de fogo,

enquanto que o Exército de Defesa de Israel

sustenta que foram lançadas ao mar

para que não fossem encontradas.

Há duas semanas, o Canal 10 de televisão

já havia anunciado que o corpo de

Inteligência Militar possuía em seu poder

as imagens “há algum tempo” e se perguntava

por que não as divulgava.

Segundo um porta-voz do Exército, “o material

foi descoberto recentemente e foi entre-

11

* David Hornik é

escritor free lancer,

tradutor norteamericano

que vive

em Tel Aviv desde

1984, tendo

servido nas Forças

Armadas de Israel,

como artilheiro e

também na defesa

territorial.

Frequentemente

colabora com o

Front Page

Magazine

(www.frontpage

mag.com).

gue aos organismos que investigam os fatos”.

Na penúltima semana de junho está

prevista a partida rumo à faixa de uma

dezena de barcos com cerca de 1.500 ativistas

a bordo, no que está sendo chamada

de segunda flotilha.

A nova flotilha, como a anterior, tem o

objetivo de provocar Israel, que mantém

um bloqueio naval na área após a violenta

tomada de poder através de um golpe

do movimento terrorista islâmico Hamas

em Gaza, em junho de 2007.

Após o assalto ao Mavi Marmara e por

pressões internacionais, Israel relaxou

enormemente o bloqueio, ao qual se soma

a abertura recente pelas autoridades egípcias

da passagem fronteiriça de Rafiah.

(EFE e Aurora).


12

* Tila Dubrawsky é

a rebetzin, esposa

do Rabino Yossef

Dubrawsky, diretor

do Beit Chabad de

Curitiba, mãe, avó,

coordenadora de

programas

educacionais e

culturais,

orientadora de

pureza e harmonia

familiar para

noivas e mulheres

de todas as idades.

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

á três mitsvot especificamenterelacionadas

com a mulher

judia: Chalá - a separação

de uma porção

da massa na hora de preparar

o pão, Nidá - as leis de Pureza

Familiar (mikvê) e Hadlacat haNer - o

acendimento de pelo menos duas velas

em honra ao Shabat e Iom Tov.

Duas destas mitsvot, Chalá e Nidá são

prescritas pela própria Torá e a terceira

de Hadlacat haNer é uma das

sete leis rabínicas.

A primeira letra de cada uma destas

mitsvot em hebraico forma o

nome Chana. Chalá começa com a

letra Chet, Nidá com a letra Nun e

Hadlakat haNer com a letra Hei. O

nome Chana é composto das três letras

Chet, Nun e Hei.

Muitas vezes na Cabalá estas

mitsvot são associadas com utensílios

sagrados do Santuário e Templo

Sagrado. O acendimento das velas de

Shabat corresponde à Menorá, o candelabro

de sete braços que era aceso

diariamente no Templo. Chalá é associada

com o Lechem haPanim - Pão

da Exposição que era assado uma vez

por semana e colocado no Shulchan

HaPanim - Mesa da Exposição. Nidá

se relaciona ao Mizbeach haKetoret

- Altar do Incenso. A palavra Ketoret

em aramaico significa vínculo. O laço

entre o povo judeu e D-us criado pelo

Altar do Incenso corresponde ao laço

singular criado entre marido e esposa

pelas leis da Pureza Familiar.

A mitsvá de Chalá se encontra na

Torá no livro de Bamidbar – Números,

nos cinco versículos 17-21 de capitulo

15. “Reishit Arissotechem Chalá

Tarimu” - “Vocês devem separar

como oferenda a primeira porção da

massa”. Na Mishná (lei oral) há um

tratado inteiro, Chalá, dedicado a

esta mitsvá. A lei requer que ao prepararmos

uma massa que contém

O segredo místico da chalá

Tila Dubrawsky *

quantia de farinha de 1 quilo e 666

gramas para cima devemos recitar

uma bênção e tirar um pedaço de

massa de aproximadamente 28 gramas

como “oferenda”. Somente depois

moldamos os pães colocandoos

para assar.

Antigamente esta massa era

doada ao Cohen, que dedicava seu

tempo para cuidar da Casa de D-us.

Hoje esta massa ainda pertence a

D-us e não podemos utilizá-la, então

ela é queimada.

O Sefer Hachinuch que elabora os

Taamei haMitsvot - as razões de cada

preceito Divino explica que D-us queria

achar um objeto físico do uso diário

para investir nele uma mitsvá para

que a Sua bênção pudesse repousar

sempre sobre aqueles que a cumprem.

Uma vez que o pão é o sustento

básico do ser humano e uma parte

intrínseca da nossa dieta, Ele escolheu

a mitsvá de separar a chalá. Comendo

pão o judeu recebe sustento

físico; ao separar a massa ele recebe

sustento espiritual.

O midrash nota que a mitsvá de

separar chalá na Torá é seguida pela

proibição de idolatria. A justaposição

destas duas leis nos ensina “que

quem cumprir a esta lei é considerado

como estivesse anulando a idolatria

e quem não cumprir a esta lei é

como apoiasse a adoração de ídolos”.

(Maimônides: leis de idolatria) Qual

é a ligação entre algo tão simples

como separar um pedaço de massa e

a anulação de idolatria, algo tão severo

no judaísmo?

Vamos observar os passos preliminares

no processo que resulta em

separar um pedaço elástico de massa

no conforto da nossa cozinha. A

terra tinha de ser arada, semeada e

regada, o trigo colhido, debulhado e

moído e a farinha peneirada e misturada

com outros ingredientes até

obter aquela massa homogênea

pronta para assar.

O fazendeiro, na antiguidade,

ao se deparar com o fruto de seu

labor era capaz de atribuir o seu

sucesso e a sua riqueza a seu próprio

esforço e perspicácia. Tudo

bem, com um pouco de ajuda da

“mãe natureza”. A Torá alerta sobre

esta possibilidade dizendo:

“Quando tiveres prosperado, sê

cuidadoso para que tu não digas a

ti próprio: ’foi minha própria força

e poder pessoal que me trouxeram

toda esta prosperidade’. Tu deves

lembrar que é D-us quem te dá o

poder para te tornares próspero”.

(Deuteronômio 8:17-18)

Pão, a base do nosso sustento físico

é metáfora para todo materialismo.

Em muitas culturas “massa” é

gíria para dinheiro, “grana” em português,

“dough” em inglês, pois o dinheiro

nos possibilita comprar massa

ou pão, e outras necessidades

para nosso sustento físico. O termo

ganha-pão se aplica àquele que traz

o dinheiro para o sustento da casa.

Assim como o fazendeiro poderia erroneamente

atribuir o seu êxito a seu

próprio esforço nós também somos

capazes de atribuir o nosso sucesso

material a nossa própria inteligência,

beleza, criatividade ou carisma e esquecer

de D-us. Isto é sinônimo de

idolatria que na sua essência é a associação

de boa sorte e sucesso a elementos

além d’Ele.

A idolatria se apresenta sob diversas

formas. Antigamente faziam

figurinos de madeira e pedra e prostraram-se

diante deles. Hoje, com

igual paixão adoramos os ídolos de

riqueza, poder e sucesso. Ainda há

outras formas mais sutis como a noção

equivocada que após D-us criar

os astros e outras partes da natureza

Ele investiu neles poder independente.

Na verdade nada tem poder

independente, tudo é controlado por

D-us. Acreditar que algo existe independentemente

de D-us é de certa

forma idolatria.

O mundo que nós percebemos

com os olhos nus parece gritar “existo

independentemente”. Na realidade

a única verdadeira realidade é D-us.

O Rabi Schneur Zalmen de Liadi escreve

no seu livro de Tanya que D-us

está constantemente renovando a

criação do mundo a cada instante.

Se cessasse, o mundo reverteria à

nulidade. Apesar de seu falso brilho

o mundo é nada sem a força Divina

que o vitaliza.

É aí que entra Hafrashat Chalá.

Os ingredientes têm sido bem misturados,

a massa cresceu bem bonita.

Um aroma permeia o ambiente. A

mulher faz uma pausa para um momento

de introspecção. Ela separa

um pedacinho, fala uma Brachá, levanta

a massa e diz “Harei zu Chalá”

- “esta é a oferenda de Chalá”. Este

ato consciente reflete a admirável

qualidade feminina de reconhecimento

e agradecimento. Declara

que esta massa e por extensão toda

nossa “massa” tudo que o ganhapão

traz, todo nosso sucesso material

não é simplesmente resultado

do esforço humano, mas, sim uma

dádiva de D-us. Este gesto simples,

ainda grandioso, desvenda as falsas

aparências, revela a Divindade oculta

em nosso universo e nos torna receptáculos

para captarmos cada vez

mais da generosidade e bondade do

nosso Criador.


ministro da Defesa do

Irã, Ahmad Vahidi, visitou

de surpresa a Bolívia,

apesar da ordem

internacional de captura

que há contra ele por

acusações que o vinculam

com os atentados ao centro judaico de

assistência e à Embaixada de Israel em

Buenos Aires, em 1992 e 1994. Vahidi,

que é imputado pela justiça argentina

como um dos responsáveis ideológicos

pelo atentado contra a sede da Associação

Mutual Israelita Argentina

(AMIA) que deixou 85 mortos, teria participado

em Santa Cruz de la Sierra da

inauguração da Escola de Defesa e Segurança

da Alba, que reúne países com

governos de esquerda na América Latina.

Porta-vozes do governo boliviano

não esclareceram se tinham conhecimento

da ordem de captura contra Vahidi,

cuja presença no pais andino e fronteiriço

à Argentina foi considerada uma

provocação por grupos judaicos argentinos.

Várias organizações pediram à Argentina

que “chamasse a atenção” do governo

de La Paz com o qual Buenos Aires

mantém fortes laços políticos e econômicos.

A expulsão que não houve

O governo boliviano reagiu aos protestos

argentinos afirmando no dia 31/

5 ter tomado medidas para garantir que

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Ministro terrorista do Irã esteve na Bolívia

Ahmad Vahidi é coautor dos atentados à AMIA e à embaixada de Israel

o ministro iraniano da Defesa, que é

acusado de planejar o atentado de 1994,

da AMIA e da Embaixada de Israel em

Buenos Aires, para que ele deixasse o

país imediatamente.

A declaração veio em uma carta do

ministro das Relações Exteriores da

Bolívia para o seu colega na Argentina,

desculpando-se pelo fato de Vahidi ter

sido convidado a ir lá e que não se demoraria

na Bolívia por muito tempo...

“Como resultado desta situação lamentável...

O governo da Bolívia tomou

as medidas correspondentes para fazer

com que Vahidi saísse imediatamente

território boliviano”, consta da carta.

Vahidi é procurado pela Interpol

por conexão com o atentado a bomba

que matou em 1994 um total de 85 pessoas

e deixou feridas outras 300, além

do provável envolvimento com o atentado

à Embaixada de Israel, na mesma

cidade, em 1992, quando foram mortas

29 pessoas e dezenas de feridos.

Alberto Nisman, o promotor que lidera

as investigações do ataque à AMIA,

chegou a contatar o escritório da Interpol

na Bolívia para exigir a prisão de Vahidi

assim que na Argentina se soube que

ele se encontrava na América do Sul.

Mas Vahidi – que fora convidado a

ir à Bolívia por sua Ministra da Defesa

para participar da cerimônia de inauguração

da Escola Militar de Defesa e Se-

gurança na cidade de Santa Cruz de la

Sierra, dia 31/5, pelo presidente Evo

Morales – viajava com passaporte diplomático

e o governo boliviano disse que

lhe garantiria imunidade contra a prisão.

Assim, funcionários bolivianos

quando tomaram conhecimento de que

ele poderia ser preso na Bolívia convenceram-no

a deixar o país, num gesto que

pode ser considerado cumplicidade.

Escárnio, afronta e suspeitas

“É um escárnio e uma afronta a um

país amigo a Bolívia receber um ministro

acusado de planejar um ataque

que deixou 85 pessoas mortas”, disse

Guilherme Borger, presidente da

AMIA. Quando do atentado de Buenos

Aires, Vahidi era o comandante de

uma unidade especial da Guarda Revolucionária

do Irã conhecida como a

Força Quds.

O Irã nega que qualquer um de seus

cidadãos estivesse envolvido no ataque,

mas desde 2007, a Interpol emitiu um

“alerta vermelho” contra Vahidi, informando

seus 187 países membros que a

Argentina está à procura de sua prisão.

Embora a Bolívia tivesse pedido desculpas

à Argentina por seu erro, errou

mais uma vez em não prendê-lo e entregá-lo

à Interpol. As desculpas foram

feitas através da carta que apareceu mais

tarde na Internet na página do Twitter.

A carta culpa o ‘passo em falso’ dado

pelo Ministério da Defesa da Bolívia, afir-

mando que “não

sabia nada sobre

os antecedentes

do caso e não

consultou outras

instâncias do

governo a respeito

disso”.

Vahidi compreendeu

que

devia deixar a

Bolívia na noite

de terça-feira,

31/5, mas não ficou

claro se ele

voltou imediatamente ao Irã.

O incidente é um sério embaraço ao

presidente Morales, que tem laços estreitos

com a presidente argentina, Cristina

Kirchner. Ela, no entanto, é citada como

estar disposta a deixar de lado as investigações

do atentado e sustar a busca de

sua nação pelos responsáveis em troca

da melhoria das relações comerciais com

o Irã. Seu antecessor, Carlos Menem, foi

investigado por obstruir o que na Argentina

é uma investigação incômoda.

A Bolívia anunciou no ano passado

que planejava construir uma usina de

energia nuclear com a ajuda do Irã, o

que levantou a suspeita das autoridades

de segurança de Israel e de outros

países ocidentais que a Bolívia pode

estar fornecendo urânio para o programa

nuclear iraniano.

Jaime Lerner premiado pelo FIT em Leipzig

O arquiteto e urbanista curitibano

Jaime Lerner foi premiado dia 26/5

pelo Fórum Internacional de Transporte

(FIT), uma iniciativa da Organização

para a Cooperação e Desenvolvimento

Econômico (OCDE), em Leipzg,

na Alemanha, por suas ‘visionárias’

reformas urbanas e suas ‘inovações’

no âmbito do transporte público.

Em um ato dentro da

cúpula anual do FIT, que

começou na véspera, o

secretário-geral da organização,

Jack Short, entregou

ao arquiteto brasileiro

o prêmio de Liderança

no Transporte 2011.

“Em carreira extraordinária

de muitas décadas,

Jaime Lerner fez

uma grande diferença

na vida das pessoas

através de suas ideias e

seu trabalho: como arquiteto

e urbanista lendário,

como prefeito de Curitiba,

como governador do Paraná e como

professor e visionário cujas ideias

inspiraram outras pessoas no mun-

Jaime Lerner recebeu o

prêmio do Forum Internacional

de Transportes

do”, elogiou Short.

Concretamente, o secretário-geral

do FIT destacou a ‘particular e profunda’

contribuição de Lerner, o sistema

de ônibus rápidos de Curitiba,

‘uma inovação que abriu um novo caminho

na área do transporte público’

e foi copiada ‘no mundo todo’, proporcionando

a ‘milhões de pessoas’ um

serviço de transporte público

‘acessível e eficiente’.

Trata-se da primeira

ocasião na qual o FIT concede

este prêmio, que pretende

ser um reconhecimento

a figuras públicas

que com sua liderança conquistaram

um ‘impacto positivo

e durável’ e proporcionado

um ‘grande avanço’

ao setor dos transportes.

Jaime Lerner, de 73

anos, foi considerado pela

revista americana Time

como um dos 25 pensadores

mais influentes do ano passado e

foi três vezes prefeito da cidade de

Curitiba, onde implementou programas

sociais, ambientais e de melho-

ras do transporte público. Além, disso

foi duas vezes governador do Estado

do Paraná.

A cúpula anual do FIT, sob o lema

‘Transporte para a sociedade’, foi presidida

nessa edição pela Espanha e

contou com a participação do ex-prefeito

de Bogotá Enrique Peñalosa.

A cúpula anual do FIT, um organismo

da família da OCDE considerado

por sua relevância o ‘Davos do

transporte’, reúne os ministros do setor

de 55 países - entre eles todos os

da União Europeia -, representantes

empresariais do setor e a indústria,

acadêmicos e investigadores.

13

O presidente Evo Morales, da Bolívia, recebeu o

ministro-terrorista iraniano Ahmad Vahidi,

procurado pela Interpol. Entre os dois, a ministra

da Defesa Maria Cecilia Chacon, que o convidou


14

* Moshe

Rosenblatt é

medico e vive em

Hadera, Israel. (email:

mosrosen@

bezeqint.net)

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Obama, vá para a Disneylândia!

Moshe Rosenblatt *

Prezado Sr. Obama:

Como milhões de outras pessoas

no mundo inteiro, eu também assisti

ao seu discurso no dia 19/5 deste ano.

Fiquei triste vendo o Presidente

dos Estados Unidos dando uma tão

grande demonstração de ignorância.

Ignorância sobre tudo o que o senhor

falou. Ignorância sobre a história,

as decisões internacionais, as

leis internacionais e, principalmente,

sobre o islã.

Se o senhor acredita que pode

mudar o islã e a realidade, através de

um longo discurso no qual o senhor

descreve as suas fantasias de paz —

o senhor deve estar sofrendo de uma

grave psicose.

Se o senhor prefere acreditar em

fantasias, meu único conselho é: vá

para a Disneylândia.

Israel não é uma Disneylândia. Nós

não vivemos em um país de fantasias.

O senhor tem o direito de acreditar

que as revoluções dos povos no

O LEITOR

Leitor há 10 anos

Prezada Equipe Visão Judaica:

Informo ter efetuado a renovação da

minha assinatura. Acredito que sou há uns

10 anos leitor do jornal Visão Judaica.

Parabéns pelo trabalho e pela excelência

de matérias. É uma leitura altamente

didática.

Cordialmente,

Convite da EIBSG

Fernando Miranda Curitiba – PR

Querida Comunidade:

Nossa escola completa mais um ano de

vida. Por aqui, muitos passaram e, com

certeza, saudades ficaram. Desde o sonho

inicial de nossos pioneiros, concretizado

arduamente, gerações de cidadãos a escola

formou. Estudaram em nossas carteiras:

governadores, prefeitos, vereadores,

deputados, juízes, médicos, engenheiros

e inúmeros profissionais liberais.

O sonho de ontem é a realidade de

hoje. A Escola Israelita Brasileira “Salo-

ESCREVE

Uma carta aberta ao presidente norte-americano

mundo árabe, que começaram há pouco

tempo atrás, trarão democracias,

mas o senhor vai ficar chocado quando

descobrir que essas revoluções

vão só trocar ditaduras cruéis por teocracias

islâmicas ainda mais cruéis,

onde a Sha’ria é a lei, onde mulheres

não têm nenhum direito, a oposição

é simplesmente esmagada e, homossexuais

são enforcados em praça pública

para “servir de lição”...

O senhor endossou o fato de que

“por décadas, o conflito árabe-israelense

pôs uma sombra sobre a região”,

mas, ao que parece, o senhor nunca se

perguntou por quê. Por que há tanta

guerra entre Israel e os países vizinhos?

E por que há tantas guerras no mundo,

a maioria das quais envolvem países

islâmicos, de uma forma ou de outra.

Bem, senhor presidente, a razão

é muito simples: Não existe nenhum

país islâmico que seja democrático.

Todas as guerras do mundo são causadas

por ditadores e é por isso que

todas as guerras do mundo são sempre

entre dois ditadores ou entre uma

ditadura e uma democracia. Duas

mão Guelmann”, excelência em educação,

formadora de cidadãos conscientes,

guardiã de suas tradições, tem como missão-

o amanhã.

Nosso propósito é unir forças e crescer

ainda mais. A continuidade da escola

depende exclusivamente de amigos e

ex-alunos, que acreditam nestes valores

e querem que outras gerações usufruam

desta riqueza: Educação voltada para a

diversidade.

Assim, neste grande evento, a confraternização

torna-se um momento para dar

continuidade a este legado, dando mais

um passo, constituindo a “Associação de

Amigos da EIBSG”. A partir de agora, todos

vocês fazem parte desta jornada, o passado,

o presente e o futuro se unem em

uma só ação – manter esta chama viva!

Convidamos todos a brindarem este aniversário

e muitos outros que virão. “Seja

você a mudança que quer ver no mundo”.

O evento de aniversário da EIBSG será dia

2 de julho de 2011, no CIP – Centro Israelita

do Paraná, às 20h.

Escola Israelita Brasileira “Salomão Guelmann”

Curitiba - PR

Para escrever ao jornal Visão Judaica basta passar um fax pelo

telefone: 0**41 3018-8018 ou e-mail para visaojudaica@visaojudaica.com.br

democracias nunca entram em guerra,

uma contra a outra.

A razão pela qual o senhor nunca

viu um só pais islâmico

democrático é porque o

islã é a antítese completa

da democracia. E

o islã não é apenas uma

religião. É um sistema

social, político e militar

com uma única finalidade:

impor o islã — à força!!!

— no mundo inteiro,

criando um único califado,

regido pelas leis

da Sha’ria.

De acordo com o

Islã, só existem dois lu-

gares no mundo: os que já são islâmicos

(Dar el Islam ou Casa do Islã)

e os que ainda não são (Dar el Harb

ou Casa da Guerra). Ou seja, em todos

os lugares que ainda não são governados

por muçulmanos e onde a

lei ainda não é a da Sha’ria, os muçulmanos

são obrigados a fazer guerra,

conquistar o lugar e implantar o

islã à força. Assim sendo, a Jihad (“a

Guerra Sagrada” dos muçulmanos)

não é só contra Israel, mas também

contra todos os países democráticos

do mundo e, principalmente, contra o

que eles chamam de “o Grande Satã”:

os Estados Unidos da América. Acredite-me,

senhor presidente, eles não

vão parar até eles ou nós estarmos

rendidos à força. É uma guerra tipo

soma-zero contra todos os “infiéis”

(os que não acreditam em Alá).

O senhor deveria também saber

que só existe uma única decisão internacional

que determina a quem

pertencem as terras da Judeia, Samaria

e Gaza: a decisão da Conferência

de San Remo de 1920, que deu todas

essas terras aos judeus e até proibiu

de se dar uma parte dessas terras ao

domínio de outros. Essa decisão foi

reiterada em 1945, quando surgiu a

ONU (item 80 do capitulo 12 da Carta

das Nações Unidas). Todas as outras

decisões tomadas até hoje pela ONU,

foram apenas recomendações, haja

vista que estavam baseadas no capitulo

6 dessa Carta e não no capitulo 7.

Na guerra de 1948, a Jordânia e o

Egito tomaram de nós essas terras,

por força militar.

Em 1967, na Guerra dos Seis Dias,

nós recuperamos as terras que eram

nossas desde o princípio, por decisão

internacional, ou melhor, por duas

decisões internacionais!

Senhor Presidente: “acordo de

paz” é coisa que não existe. A lei internacional

e a Carta da ONU não reconhecem

esse tipo de acordo. Isso,

porque paz é definida como situação

de “Default”, ou seja, opção previamente

selecionada como normal.

Presidente dos EUA Barack

Obama

Guerra é Crime Contra a Humanidade!

Todas as guerras entre Israel e os

países árabes foram causadas pelos

árabes (regimes ditatoriais),

tiveram caráter

genocida (pois queriam

eliminar os judeus e sua

pátria) e assim, de acordo

com a lei internacional,

os árabes cometeram

(e continuam a cometer!)

crimes contra a

humanidade!

Israel sempre foi atacada,

mas conseguiu

sobrepujar todos os

seus inimigos reconquistando

as terras que

lhe pertenciam por decisão internacional

e que foram usurpadas dela à

força, em 1948.

Estas terras têm que continuar

nas mãos de Israel por vários motivos.

Entre eles:

1) Porque foi lá que nasceu e se

constituiu numa nação, o povo judeu;

2) Porque não só no Velho Testamento,

mas também no próprio Corão

está escrito isso várias vezes e,

3) Porque assim foi decidido tanto

na Liga das Nações quanto na ONU.

Cada vez que Israel cedeu e concedeu

terras aos árabes, o resultado

foi sempre o mesmo: mais e mais judeus

foram assassinados. Famílias

inteiras foram massacradas por homens-bombas-suicidas

(muçulmanos,

é claro!), em restaurantes, pizzarias,

ônibus, etc. Desde a assinatura do

famigerado acordo de Oslo em 1995,

cerca de 1500 judeus foram assassinados.

Dezenas de milhares se feriram

e muitos deles ficaram inválidos

para o resto de suas vidas.

Senhor Presidente: se nós tivéssemos

a ousadia de dizer que todos

os árabes devem ser expulsos de Israel,

o senhor diria que somos racistas,

mas quando o líder deles, Abu

Mazen diz que o futuro país palestino

deve ficar “limpo de judeus” o senhor

fica de boca fechada...

O senhor disse que é importante

dizer a verdade.

Sim, senhor Presidente, é verdade.

No entanto, é muito mais importante

saber a verdade!

O senhor não pode dizer a verdade,

sem saber história, leis e decisões

internacionais e, acima de tudo, se

ignora a realidade.

O senhor quer viver num mundo

de fantasia?

Muito bem. Nesse caso, eu lhe

aconselho a ir à Disneylândia e falar

com Mickey Mouse e o pato Donald.

Deixe-nos tomar conta de nós

próprios. Não necessitamos das suas

fantasias.


TV síria divulgou no

domingo, dia 5 de junho

que 23 pessoas

foram mortas e cerca

de 350 teriam sido

feridas ao longo da

fronteira da Síria com Israel

nas Colinas de Golan, perto da

vila de Majdal Shams, supostamente

pelo fogo das Forças de Defesa de

Israel (FDI). Porta-voz das FDI disse

que as únicas informações que tinha

sobre as mortes na fronteira eram as

relatadas pelas fontes sírias e, portanto,

não poderia confirmar o número

de pessoas mortas, se é que houve

alguma morte, pois é provável que

tudo seja parte da propaganda antiisraelense.

Após várias horas de confrontos, as

FDI permitiram o acesso das equipes

da Cruz Vermelha equipes à área da

fronteira com a Síria, a fim de evacuar

os manifestantes feridos, informou o

Canal 10 da televisão israelense.

Dois homens armados foram identificados

perto da cerca na fronteira

em Kuneitra, do lado sírio da fronteira,

declarou o porta-voz das FDI ao

jornal The Jerusalem Post na tarde do

mesmo domingo.

Mas não houve informações oficiais

posteriores sobre as identidades

dos atiradores, ou sobre sua proximidade

em relação à fronteira, mas um

oficial de segurança sugeriu que os

homens poderiam ser policiais ou

membros das forças do exército sírio.

Antes de marcar os dois homens

armados, segundo a porta-voz das FDI,

cerca de 150 pessoas conseguiram

atravessar o lado sírio da cerca, entrando

em uma zona minada entre as duas

cercas na área de Majdal Shams.

“Emitimos alertas por alto-falantes

para que eles parassem de avançar.

Quando constatamos que os alertas

Outra tentativa de invadir Israel

manipulada pela Síria foi frustrada

Agora inventaram mais uma, o Dia da Naksa, novo embuste para enganar os incautos

foram ignorados e eles continuavam

a avançar, disparamos tiros de advertência

para o ar”, explicou a porta-voz

das FDI ao The Jerusalem Post.

Quando os manifestantes-invasores

continuaram se aproximando da

cerca do lado de Israel, disse a portavoz,

tiros foram disparados contra as

pernas deles. “Sabemos de 12 feridos”,

acrescentou.

Mais tarde, outra manifestação

foi observada na fronteira com a Síria

em Kuneitra, onde, desta vez, entre

200 e 300 pessoas se reuniram. O

exército israelense informou que não

houve tentativa de cruzar a fronteira

nesse evento, e nenhuma morte ou

ferido foram registrados.

As advertências do exército de Israel

foram feitas em língua árabe

através de alto-falantes ao longo da

fronteira, alertando para que ninguém

se aproximasse da cerca, pois caso

contrário, seria morto.

A televisão síria — o canal 2 — também

reportou que os manifestantes tentavam

romper a cerca em vários pontos

nas Colinas de Golan, durante seu

noticiário captado em Israel.

Na manhã do domingo, 5/6, data

do começo da Guerra dos Seis Dias

em 1967, o primeiro-ministro Binyamin

Netanyahu alertou que existem

“elementos radicais que estão procurando

violar as fronteiras [de Israel]

para marcar o aniversário do início da

Guerra dos Seis Dias”, falando na reunião

semanal de seu gabinete. “Nós

não permitiremos que eles façam

isso”, frisou.

Netanyahu acrescentou que as

forças de segurança agiriam “com firmeza,

mas com moderação”.

As forças da Polícia e do Exército

permaneceram em alerta máximo e

reforçaram sua presença em vários

pontos das fronteiras de Israel ante-

cipando-se às marchas programadas

pelos sírios para domingo na fronteira

para “recordar” o que denominaram

de Naksa ou “retrocesso” em

1967 na Guerra dos Seis Dias. Uma

ampla campanha na internet inventou

mais essa farsa do Dia da Naksa

para tentar convencer árabes a protestar

na Cisjordânia e em Jerusalém,

e invadir o terreno através das fronteiras

de Israel com a Síria, com Líbano

e com a Jordânia, além de programar

protestos em frente às embaixadas

de Israel no Cairo e em Amã.

Afora o incidente na fronteira em

Golan todas as demais ações planejadas

para obter mártires e exibir a

‘maldade’ de Israel ao mundo ocidental,

numa manipulação orquestrada

pelo governo sírio com apoio dos palestinos,

para desviar as atenções do

ocidente ao massacre do povo sírio

pelo seu governo, redundaram num

fisco total.

Enquanto isso, o regime de Bashar

Assad, o sanguinário ditador de Damasco,

continua a matar o povo sírio,

atacando-o em todas as cidades onde

há protestos a favor da democracia e

da liberdade. O número de mortos sírios,

1.200 em sua grande maioria de

civis, já ultrapassou, inclusive, o total

correto de mortos em Gaza por Israel

durante a Operação Chumbo Derretido

no final de 2008 e início de 2009, que

foi de 1.100, dos quais a esmagadora

maioria era composta de terroristas e

membros das forças de segurança do

Hamas. No entanto, surpreendentemente,

ao contrário do que ocorreu em

Gaza, a mesma gritaria geral testemunhada

quando da ocasião do ataque

defensivo contra oito anos interruptos

de lançamentos por parte do Hamas,

de mísseis e foguetes explosivos contra

a população civil israelense, residente

nas cidades do Sul do país, não

se repetiu desta vez.

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

A única manifestação registrada,

sem grandes alardes, foi o fato de um

grupo de países europeus ter apresentado

dia 8/6 ao Conselho de Segurança

da ONU uma nova proposta de resolução

que condena a repressão do

governo da Síria às manifestações

pró-democracia.

O texto, apresentado pelo Reino

Unido, França, Alemanha e Portugal

em uma reunião a portas fechadas,

em Nova York, foi uma nova versão

da proposta anterior que não havia

sido analisada. A proposta de resolução

condena as violações sistemáticas

dos direitos humanos na Síria,

pede o fim imediato da violência e o

fim do cerco das forças de segurança

do governo a diversas cidades do

país, permitindo a entrada de ajuda

humanitária. Diferentemente da posição

adotada em relação à Líbia, porém,

a proposta não autoriza qualquer

tipo de ação concreta contra o governo

sírio. A linguagem da nova versão

apresentada no dia 8/6 foi modificada

para conquistar o apoio de outros

membros do Conselho de Segurança

até então contrários à resolução para

proteger a ditadura síria.

Membros do Reform Party of Syria,

que faz oposição ao regime de Assad

informaram que os manifestantes sírios

dos distúrbios de 5/6 na fronteira

de Israel, eram agricultores de Majdal

Shams, pagos pelo regime de Bashar

Assad. A intenção de Assad, seria desviar

à atenção do massacre que este

promove contra a população na Síria.

Os opositores sírios informaram

que foi prometido a cada agricultor

que aparecesse na tentativa de romper

a cerca o valor de 1.000 dólares,

e caso algum fosse morto a família

receberia 10.000 dólares. Valores bastante

altos, já que os agricultores têm

renda mensal aproximada de 200 dólares,

segundo o site Ynetnews.

Guarda iraniano que virou espião dos EUA diz que Teerã quer atacar Israel

Dudi Cohen *

Um ex-combatente islâmico do Irã, pertencente

ao Corpo da Guarda Revolucionária

(IRGC) e que virou espião dos EUA, ofereceu

um raro olhar sobre um dos países mais

complexos do Oriente Médio.

Durante uma conferência realizada no

Washington Institute for Near East Policy

(Instituto Washington para a Política do

Oriente Próximo) em 9/6, Reza Kahlili (um

pseudônimo) estimou que o Irã termine por

atacar Israel, a Europa e os Estados do Golfo

Pérsico. Ele defende um ataque preventivo

contra o regime de Teerã, mas não sobre o

povo iraniano ou a infra-estrutura do país.

Kahlili acusou a Administração Obama

de ser ingênua. Segundo ele, as aberturas

dos americanos são vistas pelo regime iraniano

como um sinal de fraqueza, enquanto

o povo iraniano considera os esforços para

envolver o regime em um ato de traição contra

a sua luta pela liberdade.

“Este é um regime messiânico. Não deve

haver nenhuma dúvida - eles estão pretendendo

cometer o atentado suicida mais horrível

na história da humanidade. Eles vão atacar

Israel, as capitais europeias, e a região

do Golfo Pérsico, ao mesmo tempo”, disse

Kahlili numa de suas primeiras aparições

públicas para promover seu novo livro “A

Time To Betray: The Astonishing Double Life

of a CIA Agent inside the Revolutionary

Guards of Iran” (“Tempo de Traição: A surpreendente

Vida Dupla de um Agente da CIA

dentro da Guarda Revolucionária do Irã”).

Kahlili disse que se juntou à Guarda Revolucionária

na sequência da revolução islâmica

de 1979, mas que se ofereceu para trabalhar

para a CIA, quando ele se desiludiu com o regime

de Khomeini após ter testemunhado atos

de violação, tortura e assassinato.

* Dudi Cohen é jornalista e escreve para o Yediot Acharonot, em Israel.

15

Kahlili chegou à conferência usando uma

máscara cirúrgica, óculos escuros e um boné

de baseball para esconder sua identidade.

Ainda por causa da preocupação por sua segurança,

bem como da sua família dentro do

Irã, sua voz também foi disfarçada.

Durante 10 anos, sob o codinome

“Wally”, ele transmitiu as operações secretas

da IRGC para a inteligência americana e

acabou por fugir para os Estados Unidos. No

rescaldo do 11/9, entretanto Kahlili restabeleceu

contato com suas fontes no Irã e mais

uma vez começou a prestar informações à

CIA, segundo o Instituto Washington.


16

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

OLHAR

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

HIGH-TECH


Pesquisadores usam DNA

no combate ao câncer

Apesar de se saber que o dano a células

normais é causado pelo estresse na

replicação do DNA, quando células cancerosas

o invadem, a base molecular

para este processo não estava clara.

Pesquisadores da Universidade Hebraica

de Jerusalém demonstraram que no

inicio do desenvolvimento do câncer, as

células sofrem de uma quantidade insuficiente

de blocos de construção que

ajuda a replicação de DNA normal. É

possível deter este processo por melo

de alimentação externa de “blocos de

construção”, resultando em danos menores

das células de DNA e uma diminuição

significativa no potencial das

células de desenvolver características

cancerígenas. (Universidade Hebraica

de Jerusalém).

Combate ao câncer - 2

No trabalho realizado pela professora

latsheva Kerem, do Instituto Alexander

Sllverman para Ciências da Vida da

Universidade Hebraica de Jerusalém,

foi demonstrado que a ativação anormal

da proliferação celular que leva a

distintos tipos de câncer conduz a níveis

insuficientes e blocos de construção

de DNA (nucleotídeos) requeridos

para apoiar a replicação do DNA normal.

Usando cultivos de laboratório

nos quais se introduziram células cancerosas,

os pesquisadores puderam

demonstrar que, por meio da alimentação

externa desses blocos de construção

de DNA, é possível reativar a

síntese normal do DNA, anulando,

dessa maneira, o dano causado por

células cancerosas e com potencial

cancerígeno. Até agora, esse processo

não tinha sido demonstrado. (Universidade

Hebraica de Jerusalém).

Toranjas contra o açúcar

A Universidade Hebraica de Jerusalém

e a Universidade de Harvard desenvolveram

um suplemento alimentar para

ser tomado antes das refeições que diminui

a absorção de gorduras e açúcar.

A pesquisa conjunta foi com as moléculas

de naringenin, as responsáveis

pelo gosto amargo do grapefruit (toranja).

O suplemento pode ser usado no

tratamento de diabetes, arteriosclerose

e hiper-metabolismo. A absorção de

naringenin de forma natural é muito

baixa. A engenharia aplicada na molécula

permitiu multiplicar por 11 a capacidade

de absorção pelo corpo. Nos

ratos, uma dose antes de refeições ricas

em açúcar diminuiu o mau colesterol

em 42% e aumentou a sensibilidade

da insulina em 64%. (Universidade

Hebraica de Jerusalém).

Vacina contra o câncer

O laboratório de biomedicina israelense

Vacciguard desenvolveu um sistema

biotecnológico que será capaz de produzir

vacinas contra alguns tipos de

doenças mais letais, como o câncer e a

meningite tipo B. “Nossa tecnologia

consiste de transmissores próprios de

peptídeos (compostos resultantes da

união de dois ou mais aminoácidos) derivados

de um elemento de proteína chamada

Heat Shock Protein 60 (HSP60) que

permite um método muito mais eficaz

de combater bactérias e vírus”, explica

Anat Eitan, CEO do laboratório Vacciguard.

(Jornal Alef).

Vacina contra o câncer 2

A vacina utilizará antígenos específicos

do tumor - proteínas descobertas em

uma célula tumoral. Injetando os antígenos

na área atingida, o sistema imunológico

produzirá uma quantidade elevada

de anticorpos ou de linfócitos T

citotóxicos, para atacar as células do

câncer que carregam esse antígeno específico.

As vantagens são claras: “A

maioria das vacinas atualmente utilizadas

é baseada em um patógeno atenuado

ou numa única proteína inteira de

uma bactéria ou vírus. Em vez de desenvolver

uma vacina específica para cada

linhagem, podemos ter alguns aminoácidos

a partir do patógeno que é comum

em todas as suas cepas e desenvolver

uma vacina única que é eficaz contra

todas as cepas do patógeno”, ressalta

Anat Eitan. (Jornal Alef).

Dispositivo substitui quimioterapia

O tratamento do câncer tem mais um

aliado: um dispositivo portátil que interrompe

a divisão das células cancerígenas

e trava a propagação de tumores

no cérebro. O aparelho, fabricado

em Israel, foi concebido para tratar

adultos com um dos cânceres mais comuns

e que mais resistem aos tratamentos

de quimioterapia e radioterapia,

o glioblastoma multiforme (GBM).

A nova alternativa de tratamento é

composta por um conjunto de elétrodos

implantados no couro cabeludo do

doente que emitem descargas elétricas

de baixa intensidade para “atacar” o

tumor cerebral. Funciona com baterias

ou com energia elétrica e pode ser utilizado

em casa pelos doentes, que conseguem

assim manter as suas atividades

diárias com normalidade. A principal

vantagem da utilização do “NovoT-

TF-100A” consiste na melhoria da qualidade

de vida, além de não provocar

problemas de náuseas, anemia, fadiga,

diarreia e infecções graves, como habitualmente

ocorre com a toxicidade da

quimioterapia. (Jornal Alef).

Os diabólicos judeus e suas

inovações para salvar vidas

Cúpula de Ferro? Não pensávamos

que fosse funcionar. Pode estilhaçar

nossos mísseis no céu? Impossível.

Mas, que os céus nos ajudem, o fizeram.

Esses judeus diabólicos. Estão

tornando tão difícil matá-los.

Tiraram até os últimos pais, mães

e crianças, fora da Faixa de Gaza, onde

podíamos chegar a eles facilmente.

Também tiraram seu exército.

Até o último tanque, até o último

soldado. O único que temos aqui agora

é Gilad Shalit.

Alguns deles pensaram que isto

poderia saciar nossas ambições. Idiotas.

Pensaram que a “comunidade internacional”

nos faria ver o inferno, se

continuávamos tratando de matá-los.

Tontos. É claro que não íamos parar, e

certamente que ninguém ia nos deter.

Não pararemos até que os tenhamos

aterrorizado, até que vão embora da

Palestina. E nem estamos fazendo nenhum

segredo disso; tudo está aí, em

nossa carta.

Entretanto, que os céus nos ajudem,

não cedem facilmente. E realmente valorizam

a vida.

Inclusive a do nosso povo!

Sempre nos asseguramos que nossos

combatentes estejam rodeados de

mulheres e crianças antes de abrir fogo.

Asseguramo-nos de que nossos combatentes

sejam indistinguíveis da população

civil, não usamos uniformes.

E ainda assim os judeus insistem em

conter-se em responder ao fogo, até

que possam estar razoavelmente seguros

de que só vão matar nossos homens.

Incrível: Fazemos todo o possível

para que nossa gente comum morra,

e eles fazem todo o possível para

não matá-los. Que tipo de mundo de

pernas para o ar é este?

Como sabem, sequer, quem são os

nossos combatentes? Pensem nos recursos

que estão gastando para certificarem-se

de não matar as pessoas erradas!

Graças aos céus, o resto do

mundo é muito bôbo ou demasiado estreito

de visão, para entender o que

está ocorrendo; obrigado, valha-me o

Senhor, pois não se deram conta de que

estamos colocando, deliberadamente,

nossa gente em perigo e esses judeus

estão fazendo seu melhor esforço para

não prejudicá-los.

E no que diz respeito às suas vidas?

Como disse, cada vez é mais difícil

matá-los. Têm sistemas de alerta prévio,

alarmes, abrigos antiaéreos, habitações

seguras, cubos de proteção de

concreto, e fantásticos e heroicos serviços

médicos. Imaginem se adotássemos

este tipo de medidas, não teríamos

ninguém do nosso povo morto, e

então, onde estaríamos?

David Horovitz *

Agora, pensando melhor, se só deixássemos

de disparar contra eles, não

teríamos necessidade de adotar nenhuma

destas medidas. Não é que eles disparariam

primeiro. Mas se deixássemos

de disparar, como poderíamos nos queixar

para o mundo acerca desses inimigos

sionistas sem piedade? Como poderíamos

manter a ONU e o resto desses

imbecis do nosso lado? Como poderíamos

manter, furiosamente, em nosso

povo, o ódio aos judeus? Como poderíamos

servir a nossa nobre e sangrenta

causa?

Mas, malditos sejam, eles e suas

inteligentes inovações, não nos detiveram

com os alarmes e os refúgios.

Agora inventaram este artefato, “Cúpula

de Ferro”.

Pensávamos que nem em um milhão

de anos ia funcionar. Lançam foguetes

contra nossos foguetes e os eliminam

no ar?

Sim, claro. Isto não é um Xbox ou

PlayStation. A última vez que olhei, tinha

um céu bem amplo aí.

Mas... Bendita seja minha alma!

Eles conseguiram! Dez dos nossos foguetes

explodiram em pleno ar, só nos

últimos dois dias. Repugnante. Estávamos

certos de que teríamos alguma carne

morta por esses tiros.

Quero dizer, nem sequer se supõe

que funcione corretamente ainda; na

fase experimental, e os meios de comunicação

israelenses riam de seus desenvolvedores,

estavam certos de que

seria inútil.

Às vezes, juro, começo a me perguntar

se D-us está do lado deles. Louco, eu?

Não sei o que está passando dentro de

mim. Mas vejam a evidência: neste fim

de semana tivemos um Grad que caiu

perto do prédio da administração de um

kibutz. Tivemos um ao lado de uma escola

em Ofakim. Nem uma só vítima mortal.

Alguns minutos antes, numa quinta-feira,

poderíamos ter acertado um ônibus

cheio de escolares, perto do Kibutz Sa’ad.

Mas não, desceram justo antes que atingíssemos

esse fácil alvo de cor amarelo

brilhante, e tudo o que conseguimos foi

um adolescente e o motorista.

O quê? O que é que você diz? Deixar

as armas? Internalizar a santidade

da vida humana?

Isso é papo ridículo. Em seguida

você me dirá para que façamos as pazes

com eles. Que reconheçamos que

têm direito de viver aqui. Que construamos

um Estado ao lado do seu. Que

devemos dar a nosso povo um futuro

melhor. Que dirijamos nossa atenção

para longe da guerra, da violência, da

morte e do matar, para algo produtivo.

Nunca, te digo. Nunca.

* David Horovitz é jornalista israelense, editor-chefe do jornal The Jerusalém Post. Publicado em 10/4/11. O

original está em http://www.jpost.com/NationalNews/Article.aspx?id=215881


Universidade Federal

do Paraná (UFPR) está

completando seu centenário

de fundação e

um dos eventos para

marcar o acontecimento

será uma exposição fotográfica

sobre a história da imigração judaica

ao Paraná e de objetos religiosos do judaísmo,

além de um ciclo de palestras. O

evento está sendo organizado pelo Instituto

Cultural Judaico Brasileiro Bernardo

Schulman (ICJBS), em homenagem ao centenário

da universidade, com a participação

de jovens da comunidade.

O programa prevê a abertura da exposição

no dia 22/6 às 19h no prédio histórico

da UFPR na Praça Santos Andrade,

com a presença do reitor Zaki Akel

Sobrinho, autoridades, dirigentes de

instituições judaicas, membros da comunidade,

estudantes e convidados.

O professor Gabriel Schulman, mestre

em Ciências Jurídicas, no dia 27/6, no

mesmo local, fará a abertura do ciclo de

palestras sobre Imigração Judaica e a

apresentação dos conferencistas. As

palestras estarão a cargo do professor e

historiador Sérgio Feldman, da Universidade

Federal do Espírito Santo e da

antropóloga e professora Laura Garbini,

da Unibrasil, com o tema “A reconstrução

da identidade cultural no contexto

da imigração”.

Na mesma ocasião ocorrerá o lançamento

oficial do livro “O Teatro na Vida

da Coletividade Judaica de Curitiba”, fora

do âmbito da comunidade, de autoria de

Sara Schulman, presidente do ICJBS.

Quem é essa gente? Poucos e

com muita repercussão

Os judeus de Curitiba não escaparam

dos clichês com que os representantes

da cultural judaica são identificados

historicamente em todo mundo.

E acredito que nenhum outro povo tenha

sido até agora objeto de tantos estudos

quanto o judeu.

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Fotografias e palestras sobre imigração judaica

Aroldo Murá G. Haygert *

Na verdade, há estudos e “estudos”

que procuram explicar as peculiaridades

dos filhos de Abraão, Isaac e Jacó.

Os “estudos” embasados em antissemitismo

atribuirão a alquimias e espírito

de autoproteção (“a sinagoga”) o

desempenho exemplar dos judeus ao

longo da História.

Mas a carga de dor e sofrimento, trazida

pelo preconceito, fixada pela sociedade

cristã, pode explicar boa parte do

sucesso judaico em quase todos os campos

da atividade humana.

Com simplismo, diria que se trata

daquela questão do “quem não me destrói

me faz mais forte”. Mas será só isso?

Lembremos da Inquisição católica e

as perseguições em sociedades protestantes.

E dos vetos que por séculos imperaram

à participação plena de judeus

em escolas ditas de “elite”, como nos

Estados Unidos e Inglaterra. Ou das sistemáticos

impedimentos aos judeus de

obterem plenos direitos civis em muitos

países. E será necessário falar do Holocausto,

o Shoá?

A história dos judeus de Curitiba

mostra bem mais do que a encarnação

do “daquilo que não me destrói…”

Aqui, como em toda a diáspora,

identifica-se a ampla visão da família

judaica a levar os filhos ao estudo formal,

à pesquisa e ao questionamento

sistemático, como a base de uma perfeita

engenharia de vida.

E sugiro que se procure, como exemplo,

o rol de descendentes dos imigrantes

judeus presentes na UFPR, desde

1911 até hoje. A proporção foi impressionante,

avaliando-se a população judaica

local em relação ao todo da sociedade

abrangente, num certo período.

E mais que isso: até os anos 1970,

quando os graduados em cursos universitários

circunscreviam-se a uma “elite

meritocrática”, os filhos de Israel eram

dos primeiros entre seus pares em cursos

notoriamente mais exigentes. Assim,

os notáveis judeus médicos, engenhei-

ros, bioquímicos, professores, arquitetos

e urbanistas – dentre outras tantas categorias

universitárias – foram preenchendo

as necessidades da sociedade curitibana.

Quase sempre, de forma exemplar,

prestando serviço de qualidade.

Papa João Paulo II: família

judaica

Acredito, como o papa João Paulo II

um dia disse, que o grande segredo do

povo judeu é a unidade familiar. A família

como base de sustentação de um projeto

comum, a partir de qual se monta uma

madura e ativa sociedade.

O papa polonês disse ainda que o

exemplo do povo de Israel poderia ser

tomado pelo mundo cristão.

Nada mais prova a importância dessa

primeira célula – a família – para os judeus

de Curitiba do que o livro de minha

amiga Sara Schulman, “O Teatro na Vida

da Coletividade Judaica de Curitiba”.

No livro de perfil histórico, farta

documentação fotográfica percorrendo

dezenas de anos, o que se percebe é a

família a definir os passos desse povo.

Na vida, nos palcos, nas orações e celebrações

litúrgicas.

Essa gente, que começou aqui no

século XIX localizando-se em Araucária,

por primeiro, foi conquistando espaço.

E mais que isso, foi ajudando a construir

o Estado.

O livro de Sara é o melhor retrato

de quanto a família judaica é uma realidade

forte na vida de cada um de seus

filhos: nas páginas do trabalho, percebem-se

as linhagens desses judeus com

origem europeia na montagem de cada

espetáculo. Ali as famílias de revezam,

os nomes indicam um senso de unidade

invejável.

O ciclo de conferências agora anunciado

é oportunidade para ouvir gente

que é bem mais do que Doutor em História,

como Sérgio Feldman. Será oportunidade

preciosa de fazer um balanço

histórico-cultural que, não tenho dúvi-

das ajudará a derrubar eventuais preconceitos

antissemitas.

Não posso esquecer de nominar o

papel do papa João XXIII que, com o

documento “Nostra Aetate”, começou

a derrubar os anátemas lançados, infelizmente

pela própria Igreja, “mãe” da

civilização ocidental.

Judeus importantes do Brasil

tem Saul, Lerner e “Sig”

Hertz Uderman (hertz@grupotac.

com.br) é um empresário carioca, 77,

engenheiro, homem de negócios muito

bem sucedido.

É um homem de projeção e acatamento

no meio empresarial carioca.

Uderman incursiona agora pelo mundo

editorial. É dele o livro, interessantíssimo,

pelo trabalho de codificação de informações,

centralizado no título da

obra: “Os judeus no Desenvolvimento

Brasileiro”.

O livro é apresentado por Arnaldo

Niskier, da Academia Brasileira de Letras,

também de origem judaica.

Lerner e “Sig”, Saul e Miguel

Krigsner

O livro de Uderman catalogou os

judeus mais expressivos da sociedade

brasileira, aqui nascidos ou para aqui

emigrados.

E também faz um apanhado dos

notáveis judeus, ao longo da História.

Nessa relação não falta Jesus Cristo, que

entra na categoria “Pregador”.

Dois paranaenses estão entre os

judeus mais ilustres da relação de Hertz

Uderman – categoria executivos: Jaime

Lerner e Segismundo Morgenstern, exsecretário

de Estado, presidente da

Universidade do Esporte do Paraná.

Há outros judeus paranaenses nominados

(e nem poderiam faltar), como o

ex-prefeito de Curitiba e empresário

Saul Raiz, assim como o fundador e dono

do grupo O Boticário, Miguel Krisgner.

Museu austríaco devolverá um ‘Klimt’ roubado pelos nazistas

O neto de uma mulher

deportada e assassinada

em 1941 recupera a obra,

avaliada em mais de 20

milhões de euros

Gustav Klimt (1862-1918) pintou

em 1915 uma paisagem que

recebeu o título de Litzlberg am

Attersee que atualmente está

avaliada entre 20 e 30 milhões

de euros. Uma pintura a óleo que

está no Museu de Arte Moderna

de Salzburg, Áustria e que agora

é centro artístico vai devolver ao

neto de sua proprietária original,

uma vítima dos nazistas. A deci-

são foi tomada após estudo do

caso por parte de um grupo de

especialistas.

“Por mais doloroso que seja

devolver esta pintura para a coleção,

a província e toda Áustria,

creio que o governo de Salzburg

deve permanecer no caminho iniciado

em 2002 e não permitir beneficiar-se

de um regime criminoso”,

disse o diretor do Museu,

Wilfried Haslauer. Referia-se ao

acordo firmado neste ano com

várias organizações judaicas

para devolver bens roubados pelos

nazistas. O governo e o parlamento

da província devem

aprovar a restituição da obra.

Os informes periciais encarregados

pelo museu determinaram

que Georges Jorisch é o

dono legítimo do óleo. Jorisch é

neto de Amalie Redlich, deportada

pelos nazistas para a Polônia

em outubro de 1941 e assassinada

ali. A Gestapo — a polícia

secreta nazista — confiscou

a pintura, que havia sido adquirida

por Redlich em 1938. Foi

posteriormente comprada por

um comerciante de arte que trocou

a obra com Museu de Salzburg

por outra pintura. Segundo

disse o advogado de Jorisch a

uma emissora de rádio austríaca,

seu cliente ajudará a criar

uma expansão do museu como

gesto de gratidão.

Em janeiro de 2009, o museu

anunciou que entre seu

acervo se contavam de 10 a 15

obras de “origem suspeita”. Entre

as peças sobre as quais há

dúvidas em que circunstâncias

foram adquiridas há peças de artistas

como Egon Schiele ou

Oskar Kokoschka. Essa foi a conclusão

da comissão criada pelo

museu para esclarecer a origem

das obras e que analisou 1.100

desenhos, 100 gravuras e 200

pinturas anteriores a 1945 e que

chegaram ao museu mediante

doações ou compras.

17

* Aroldo Murá G.

Haygert é

professor e

jornalista, tendo

trabalhado e

dirigido

importantes

veículos de

comunicação. O

presente texto foi

publicado em sua

coluna no jornal

Indústria &

Comércio do dia

10.06.2011. O

original pode ser

lido em (http://

www.icnews.com.br/

2011.06.10/

colunistas/aroldomura/fotografiase-palestras-sobreimigracao-judaica)

Imagem fornecida pelo Museu de Arte Moderna

de Salzburgo (Áustria) da obra 'Litzlberg am

Attersee', de Gustav Klimt


18

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

O primeiro volume do Talmud em português

vai ser lançado em Curitiba, no

Beit Chabad dia 28 de junho (terça-feira),

às 19h30 durante um evento no

qual haverá a palestra “Desvendando

os Mistérios do Talmud”, com o Rabino

Shamai Ende, que traduziu para o

português o primeiro livro do Talmud e

vem a Curitiba especialmente para isso.

A ideia do evento é que nossos avós

estudaram o Talmud... e nós continuamos

a estudar! Por isso haverá também

homenagens á memória dos senhores

Nathan Yalom z”l, Shmil Troib z”l, e Menachem

Mendel Knopfholz z”l. Também

será exibida uma exposição com

alguns de seus objetos pessoais.

O Beit Chabad, que está completando

30 anos em Curitiba está convidando

toda a comunidade para participar.

Estando ou morando no Rio você não pode

deixar de assistir ao musical Um Violinista no

Telhado, baseado num conto de Sholem Aleichem

e tendo como inspiração para seu título a

pintura de Marc Chagall intitulada O Violinista.

José Mayer interpretando Tevye o leiteiro, Soraya

Ravenle como Golda, Karin Dreyer, Giulia

Nadruz, Julia Bernat, Malu Rodrigues, Rachel

Renhack, Sofia Viamonte e Hannah Zeitune fazendo

o papel das filhas do casal são aqueles

que levarão todos os espectadores ao mundo

de Sholem Aleichem que condensou todo o drama

da existência judaica na diáspora, na pequena

aldeia ucraniana de Anatevka.

Sob a direção de Charles Möeller, a versão brasileira

ao cargo de Cláudio Botelho e a orquestra

sob a regência de Marcelo Castro, a saga do

povo judeu ao longo da história apresenta um

desafio para qualquer sociólogo: como esse

povo se mantém há tanto tempo, conservando

suas tradições, seus ideais e seus valores?

No último mês, uma delegação brasileira participou

da celebração dos 60 anos da organização Amigos

de Israel, juntamente com integrantes e líderes comunitários

da América Latina e da Europa. Entre as

várias cerimônias e homenagens, vale destacar a

inauguração de uma via em Jerusalém, que recebeu

o nome da entidade.

O presidente de Israel, Shimon Peres, em discurso

solene em Jerusalém, no Hotel King David - local onde

foi fundada a instituição em 1951 -, relembrou a visão

histórica de David Ben-Gurion, primeiro-ministro do

Estado de Israel na época, e destacou a importância

da organização no desenvolvimento do país.

A delegação brasileira, juntamente com a direção

da entidade, também foi recebida no Ministério das

Relações Exteriores.

Da esquerda para a direita,

sra. Rosa Goldfarb, sr. David

Bar-On, presidente do IBI,

sr. Yuli Edelstein, ministro

israelense da Diplomacia

Pública e de Relações com a

Diáspora; sra. Denise

Terpins e sr. Jack Terpins,

presidente do Congresso

Judaico Latino-Americano

Entre os dias 19 e 21 de junho, aconteceu

em Jerusalém, Israel, um dos mais importantes

encontros do mundo judeu,

o Board of Governors do World Jewish

Congress (Congresso Judaico Mundial-

CJM), sob a Presidência de Ronald Lauder,

e que reuniu todos os líderes das

comunidades judaicas do mundo .

A delegação latino-americana foi encabeçada

pelo brasileiro Jack Terpins, presidente

do Congresso Judaico Latino-

Americano (CJL). Na pauta, debates e

análises sobre a situação do Oriente

Médio e as repercussões na região e nas

comunidades judaicas do mundo. Para

isso, especialistas nos referidos temas

foram convidados a falar, e também,

houve pronunciamentos do presidente

Shimon Peres, e dos ex-presidentes

Alejandro Toledo e Luis Alberto Lacalle,

do Peru e Uruguai.

Na ocasião, também foram brindados

os 75 anos de existência do Congresso

Judaico Mundial (CJM).

A revista Mercado Digital em sua edição de abril deste

ano traz reportagem de capa intitulada “As estrelas

brasileiras do Vale do Silício”, apresentando a história

de alguns empreendedores que deixaram o País

em busca de sucesso no berço da tecnologia nos Estados

Unidos. Um deles é Michel Krieger, criador do Instagram,

um programa para iPhone que é fenômeno

mundial. Michel é filho de Paulo Krieger e neto de Sophia

z”l e Simão z”l Krieger, daqui de Curitiba e certamente

ficariam muito orgulhosos do neto.

O aplicativo Instagram, que permite a qualquer usuário

de iPhone inserir efeitos visuais em fotos digitais e

compartilhá-las na internet, foi lançado em outubro

de 2010, nos Estados Unidos. O sucesso foi instantâneo.

Em uma semana, ele já contava com 100 mil usuários,

marca que o microblog Twitter levou dois anos para alcançar.

Hoje, mais de três milhões de pessoas em todo o

mundo utilizam o programa, o que também é uma façanha:

o poderoso Facebook, a maior rede social do mundo,

demorou um ano para chegar a essa marca.

Após virar febre na internet, o Instagram foi tema de reportagens

da badalada revista de tecnologia Wired e de

diários, como o inglês The Guardian e o americano The

New York Times. O que confere um sabor especial a essa

história é que por trás do mais novo fenômeno mundial

da internet está o brasileiro Michel Krieger, de 24 anos. Ele

criou o Instagram junto com o americano Kevin Systrom

no Vale do Silício, o polo tecnológico situado ao sul da Baía

de São Francisco, na Califórnia, de onde nascem as inovações

que determinam os rumos do mercado internacional

Dia 1º de junho foi lançado em S. Paulo

o livro O direito no divã – Ética da emoção,

coletânea de textos, manifestações

e intervenções do advogado e notório

doutor em psicologia Jacob Pinheiro

Goldberg, organizado por Flavio

Goldberg, e prefaciado pelo vice-presidente

da República Michel Temer. Foi

no Shopping Higienópolis.

A Wizo Paraná e a Wizo Aviv Sara Zugman em

homenagem ao Dia dos Pais vão promover um

espetáculo musical com Luciana Melamed, dia 30

de julho, às 20h, na capela Santa Maria.

Luciana é diplomada em Performance

pela Universidade de Indiana

(EUA) e é graduada em canto

pela Universidade Mozarteum Salzburgo.

Nasceu em Curitiba e possui

aptidão nata nas cordas vocais

que atrai centenas de fãs por sua

leveza e seu estilo clássico.

Ela virá do Canadá para apresentar-se

em Curitiba no recital com

canções judaicas e outras canções de compositores

variados além de árias de óperas mais conhecidas.

Ela vem motivada para brindar o evento,

ajudando imensamente desta forma as instituições

mantidas e apoiadas pela Wizo.

O evento é beneficente e a renda será revertida

em parte às benfeitorias na Escola Israelita Brasileira

Salomão Guelmann e instituições que a Wizo

mantêm e apoia em Curitiba.

Michel Krieger criou em 2010 a

empresa Instagram, hoje

avaliada em 70 milhões de

dólares

A Universidade Federal do Paraná

(UFPR) está completando

seu centenário de fundação e

um dos eventos para marcar o

acontecimento será uma exposição

fotográfica sobre a história

da imigração judaica ao Paraná

e de objetos religiosos do

judaísmo, além de um ciclo de

palestras. O evento está sendo

organizado pelo Instituto

Cultural Judaico Brasileiro Bernardo

Schulman (ICJBS), em

homenagem à universidade,

com a participação de jovens

da comunidade.

O programa prevê a abertura

da exposição no dia 22/6 às 19h

no prédio histórico da UFPR na

Praça Santos Andrade, com a

presença do reitor Zaki Akel Sobrinho,

autoridades, dirigentes

de instituições judaicas,

membros da comunidade, estudantes

e convidados

de tecnologia. Ter o próprio negócio

faz parte da cultura do Vale

do Silício, disse Krieger em entrevista

à revista Dinheiro.

O Instagram recebeu em fevereiro

um investimento de US$ 7 milhões,

liderado por nomes como

Marc Andreensen, criador do

Netscape, o primeiro navegador

da internet, Matt Cohler, conselheiro

do Facebook e sócio do

fundo Benchmark Capital, e Jack

Dorsey, fundador e presidente

do conselho de administração do

Twitter. Com o aporte, o Instagram está avaliado hoje em

US$ 70 milhões.

O sucesso de Michel Krieger, que ao se mudar para os EUA

adotou como seu primeiro nome Mike, é o mais comentado

caso de brasileiro que está bombando no Vale do Silício,

mas não é o único. Movidos pelo sonho de brilhar no

berço da tecnologia mundial e quem sabe se tornar o próximo

Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, outros

empreendedores nascidos no Brasil desenvolvem projetos

lá. Os negócios ligados à internet, como redes sociais,

jogos virtuais e mobilidade, estão entre as áreas nas quais

eles mais empreendem. Alguns, como Krieger, trocaram o

Brasil por São Francisco com o objetivo de estudar e acabaram

se envolvendo em projetos de startups, o modo

como são chamadas as empresas iniciantes geridas por

pequenos empresários.

Lançamento

do livro O

Direito no

Divã, de

Jacob

Pinheiro

Goldberg

dia 1º/6

Chorinho novo na nossa

comunidade. Nasceu na

sexta-feira, 3 de junho com

a graça de D-us, Doba Guita

filha do casal Rabino

Mendi e Eidi Labkowski, do

Beit Chabad de Curitiba.

Mazal Tov e muitas naches

para toda a família!

Colabore com notas para a coluna. Fone/fax 0**41 3018-8018 ou e-mail: visaojudaica@visaojudaica.com.br


A cantora Nicole Borger

No domingo 12/6, a cantora e compositora

Nicole Borger, diretora executiva

do Instituto da Música Judaica-Brasil,

apresentou-se no Projeto

‘Hebraica Meio Dia’, com o show ‘Marias’,

fruto de uma intensa pesquisa

da artista que buscou um repertório

que faz jus ao título.

O próximo passo de Nicole é dar continuidade

às atividades do IMJ-Brasil,

com a abertura das inscrições para

o Kleztival 2011, e cujas informações

brevemente serão divulgadas.

Gavriel Queenann *

m relatório recentemente

publicado pela Escritório

Central de estatísticas

da Autoridade Palestina

mostra que os árabes

de Jerusalém Oriental, da

Judeia e da Samaria têm colhido os

benefícios da soberania israelense.

Segundo o documento, o controle

israelense sobre a Judeia e Samaria

teve um enorme impacto positivo sobre

a infraestrutura civil e um melhor

acesso aos recursos básicos como

água e eletricidade, bem como a abertura

da região ao mercado de trabalho

israelense, que trouxe um aumento

significativo no PIB – Produto Interno

Bruto.

Qualidade de vida

A situação dos palestinos hoje é

melhor do que os cidadãos árabes de

outros países, sob várias formas, in-

cluindo: O percentual dos gastos com

alimentação, o percentual de despesas

com a habitação, a propriedade

privada das casas, a posse de telefones

celulares, acessibilidade à Internet,

população, taxa de alfabetização

e índice de longevidade.

PIB

A ‘ocupação’ israelense entre

1967 e 1993, após a qual a Autoridade

Palestina começou a administrar

partes da Judeia e Samaria pelos Acordos

de Oslo, resultaram em um aumento

do PIB per capita de 904 a

3.392 NIS (New Israeli shekels. – a

atual moeda corrente israelense) Sob

a administração da Autoridade Palestina

esse número caiu para 2.293 NIS.

Água

Israel fornece água a quase todas

as comunidades árabes na Judeia e

na Samaria, com tubulações aquíferas

entre 1967 e 1993, elevando o

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

COLABORADORES DE VISÃO

ARI ZUGMAN E FAMÍLIA

ARTUR GRYNBAUM

AVRAM FISELOVICI E FAMÍLIA

BORIS E GENY AISENBERG

BUNIA FINKEL

GAL CZERNY E FAMÍLIA

HAROLDO JACOBOVICZ E FAMÍLIA

HELCIO KRONBERG E FAMÍLIA

IDA LERNER E FAMÍLIA

ISMAR STRACHMAN E FAMÍLIA

JAIME ARON TEIG E FAMÍLIA

JAIME GUELMANN E FAMÍLIA

JAIME INGBERMAN E FAMÍLIA

JAYME NUDELMAN E FAMÍLIA

JAYME ZLOTNIK E FAMÍLIA

JOSÉ SCHWEIDSON E FAMÍLIA

JULIO ZUGMAN E FAMÍLIA

LEILA BURKINSKI E FAMÍLIA

LINA BURKINSKI E FAMÍLIA

MAURÍCIO SCHULMAN E FAMÍLIA

MAURÍCIO FRISCHMANN E FAMÍLIA

MIGUEL KRIGSNER E FAMÍLIA

RUBENS JACOB TEIG E FAMÍLIA

RUBENS LICHTENSTEIN E FAMÍLIA

SABINE WAHRHAFTIG

Como Israel beneficia os árabes

número de domicílios abastecidos

com água encanada para 90%. A oferta

total de água duplicou, passando

de 64 milhões de metros cúbicos por

ano para 120 milhões como resultado

do acesso à expansão da rede

água tratada.

Expectativa de vida

Os árabes na Judeia e na Samaria,

verificaram um aumento constante

na expectativa de vida de 54 para

74 anos desde 1967, índice muito próximo

ao dos israelenses, e superior à

expectativa de vida média de 65 na

maioria dos países árabes.

Taxas de alfabetização

92% dos árabes da Judeia e da Samaria

são alfabetizadas, em comparação

com uma média de 67% no

mundo árabe como um todo.

Alcance da Internet

55% dos árabes na Judeia e na Sa-

maria beneficiaram-se da infraestrutura

high-tech de Israel, e têm acesso

à Internet — um número significativamente

maior do que quase todas

as nações árabes atualmente.

Preferência por Israel

58% dos árabes residentes em

Jerusalém Oriental preferem continuar

vivendo sob a soberania de Israel

ao invés de viverem em território

anexado ao controle da Autoridade

Palestina.

19

SALIM IBRAHIM BELACIANO

SAMUEL GRYNBAUM E FAMÍLIA

SARA BURSTEIN

SAUL ZUGMAN E FAMÍLIA

SULAMITA P. MACIORO E FAMÍLIA

SULAMITA PACIORNIK E FAMÍLIA

TÂNIA MARIA BAIBICH-FARIA

VERGIL TRIFAN E FAMÍLIA

VICTOR RICARDO HERTZ E FAMÍLIA

VITCIA E BETY ITZCOVICH

ZALMEN CHAMECKI E FAMÍLIA

ANÔNIMOS

* Gavriel Queenann é jornalista e consultor eventual de internet,

trabalhou como mergulhador, cozinheiro, investigador particular,

recuperador de bens locados e não pagos e como um guru de banco

de dados da Microsoft. Autodidata com aspirações à cultura

acadêmica, Gavriel tem um profundo amor profundo pelos textos

básicos do judaísmo, e gosta da epistemologia, da teoria jurídica, do

textualismo, dos jogos de estratégia, da ficção noir, e de escrever

contos. Convertido ao judaísmo e iniciante haredi, ele fez aliá com a

esposa e duas filhas em 2004, adotando uma abordagem firme,

racionalista e moderna ao judaísmo. Reside em Beit El, é gerente da

Rádio Nacional de Israel (Israel National Radio). Publicado no site do

Israel National News (http://www.israelnationalnews.com/News/

News.aspx/144681).


20

* Antônio Carlos

Coelho é professor

universitário,

escritor, diretor do

Instituto de Ciência

e Fé e colaborador

do jornal Visão

Judaica.

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

empre nos orgulhamos

por ser Israel a única

democracia da região.

Orgulhamo-mos com

boas razões. Israel nasceu

democrático. Antes

mesmo da sua independência

grupos de diferentes orientações

políticas já debatiam fortemente ao

moldar o futuro estado. Isto fez de

Israel um país diferente de todos os

seus vizinhos e, foi possivelmente por

essa diferença, que despertou a ira

dos seus vizinhos governados por ditadores

implacáveis.

Repetidas vezes escrevi lamentando,

nesta coluna, a inexistência de

democracia nos países árabes e, até

mesmo, atribuindo a falta dela como

um dos empecilhos para a paz. Continuo

afirmando que com a democracia

os acordos entre Israel e palestinos

teriam maior chance de se concretizarem.

Pensava numa democracia ao estilo

de Israel e dos países ocidentais.

Não fui só eu que pensou assim. Ao

eclodirem as manifestações populares

nos países árabes o Ocidente vi-

Colheremos flores da Primavera Árabe?

Antônio Carlos Coelho *

brou na expectativa de uma revolução

que pusesse fim nas tiranias. Passaram

os dias. Alguns países derrubaram

seus déspotas e são, agora,

governados provisoriamente até a

realização das prometidas eleições.

Outros países, como Líbia e Síria, continuam

no calor das revoluções.

Estamos arriscando prognósticos.

Loucos para fechar o balanço e ver o

que dará dessa “Primavera Árabe”.

Aliás, o nome dado à revolução em

alguns países árabes – Primavera Árabe

– é muito otimista. A primavera é

a estação das flores, dos pássaros,

do nascimento do novo. Mas, não sabemos

qual será o novo, se ele realmente

representará um renascimento

naquelas nações.

O que vimos até agora, desde as

primeiras manifestações na Praça

Tahir, não foi alvissareiro. Israel perdeu

seu aliado Hosni Mubarak. O Egito,

pós-Mubarak, permitiu que navios

iranianos carregados de armas chegassem

ao Mediterrâneo, e abriu a

fronteira com Gaza, prenunciando suas

tendências futuras. O Irã venceu os

opositores que manifestaram publicamente

contra o regime. A Jordânia sofrerá

mudanças internas atendendo

Carta de Hitler adquirida pelo

Centro Simon Wiesenthal pregava

antissemitismo em 1919

“É o documento histórico

mais significativo do

CSW”, disse o rabino

Marvin Hier

Em 7/6 o Centro Simon Wiesenthal

anunciou ter adquiriu o documento

mais importante de sua história

de 34 anos, uma carta de

quatro páginas, datilografada e

assinada por Adolf Hitler, datada

de 16 de setembro de 1919, seis

anos antes da publicação de Mein

Kampf. O documento, já com as

folhas amareladas pelo tempo,

descreve o seu ódio aos judeus traçando

seus planos do que viria a

ser mais tarde o Holocausto.

À época com 30 anos, o ainda

soldado fazia seus primeiros comentários

sobre a aniquilação dos

judeus e seus ideais antissemitas.

A carta, comprada pelo Centro por

US$ 150 mil, havia pertencido a um

cidadão do Kansas, que a adquiriu

do soldado americano William

F. Ziegler. O militar encontrou as

quatro páginas em um arquivo

nazista na região de Nuremberg,

na Alemanha, nos últimos meses

da 2ª Guerra Mundial.

No texto, Hitler afirma: “O perigo

representado pelos judeus é

expresso na aversão inegável de

grandes camadas do nosso povo.

A causa dessa aversão surge, principalmente,

do contato e da impressão

pessoal que deixam os judeus

como indivíduos, que quase

sempre são desfavoráveis”.

Em outro trecho, Hitler diz que

um governo forte poderia lidar

com a “ameaça judia” e que o “objetivo

final deveria ser a remoção

inabalável de todos os judeus”. O

documento, conhecido como a

“Carta Gemlich”, foi certificado

como autêntico em 1988 pelo especialista

em caligrafia Charles

Hamilton, o mesmo que revelou

que os “Diários de Hitler” eram

falsos. Adolf Gemlich criava propagandas

para o exército alemão

e Hitler lhe escreveu a carta por

uma sugestão do capitão Ulrich

Mayr, com o intuito de popularizar

a ideia de que havia responsáveis

pela derrota da Alemanha

na 1ª Guerra Mundial.

Em julho, o Centro Simon Wiesenthal

planeja exibir a carta no

Museu da Tolerância, em Los Angeles,

na entrada para a seção do

Holocausto, com abertura em 11

de julho de 2011. “O que começou

como uma carta particular, a

opinião de um homem, mais tarde

se tornou a ‘Magna Carta’ de

toda uma nação e levou à extinção

quase total do povo judeu. Esta

é uma lição importante para as

gerações futuras”, disse o rabino

Marvin Hier, decano e fundador

Wiesenthal Center.

O arquivo do Centro Wiesenthal

é uma das maiores coleções

do Holocausto, possuindo mais

de 50.000 artefatos e objetos, incluindo

fotografias, milhares de

documentos, diários, cartas arte,

e livros raros. Estes incluem cartas

originais de Anne Frank, uma

recriação do escritório de Simon

Wiesenthal, em Viena, uma carta

original escrita por Albert Einstein,

um telefone do escritório do

comandante em Auschwitz, e uma

bandeira artesanal americano

apresentado por detentos do

campo de concentração Mauthausen

aos seus libertadores

norte-americanos. Muitos desses

arquivos estão atualmente em

exibição no Museu da Tolerância

em Los Angeles

reivindicações populares. Da Síria e da

Líbia pouco se pode esperar.

Estados Unidos e Europa estão

longe de uma atuação efetiva na região.

Parece claro que a “Primavera

Árabe” não conta e não aceita a interferência

das tradicionais potências

ocidentais e as alianças, antes eficazes,

vêm se deteriorando a cada dia.

Também não se sabe o quanto ainda

interessa à Arábia Saudita manter-se

alinhada ao Ocidente, com base na

troca de petróleo por segurança.

O fato da Autoridade Palestina

buscar o reconhecimento do Estado

na ONU mostra que os palestinos já

não acreditam que os Estados Unidos

possam garantir um diálogo positivo

com Israel. Buscam antes, o apoio de

países emergentes da África e América

Latina. Washington reconhece

que perdeu influência e que pouco

pode atuar em favor do futuro da região.

O discurso de Obama, reforçando

a necessidade de Israel retornar

às fronteiras de 1967, anteriores à

Guerra dos Seis Dias, foi o atestado

da sua impotência na questão entre

israelenses e palestinos. Obama fez

o discurso medíocre, mas era o que

tinha para o momento. Em resposta,

Trecho da carta Gemlich, escrita e assinada por

Adolf Hitler em 16 de setembro de 1919

ouviu o tom firme de Netanyahu.

Desejar a democratização dos países

árabes faz parte das nossas esperanças.

Mas, cabe perguntar, que

tipo de democracia pode se esperar

de povos que jamais a experimentaram.

A influência dos movimentos populares,

muitos deles de caráter fundamentalista,

fortemente financiados

pelo Irã, que, por sua vez, reivindica

o direito de ordenar, ao seu modo, o

Oriente Médio, indicam que não assistiremos

ao florescer da primavera.

A “explosão democrática” é uma

incógnita para todos. Nem sabemos

se é democrática. Não sei se houve

alguma vez na história democracia

construída a partir de movimentos

populares. Só se pode constatar que

nada será como antes no Oriente

Médio. Que o acordo de paz com os

palestinos ficou para lá de longe, e

não se sabe se a queda de governos,

mesmo aqueles antipáticos a Israel,

darão a Israel a segurança para firmar

acordos — pelo menos num tempo

breve. Mas, parece-nos claro de

que a mão amiga estendida por Obama

a Natanyahu já não tem a mesma

força e que Israel terá que encontrar

outros caminhos para a paz.


Origem Origem da da semana

semana

LATIM DEUS DEUS IDEOGRAMA

ROMANO SAXÃO CHINÊS

Solis dies Sol Sol Sol

Lunae dies Lua Lua Lua

Martis dies Marte Tyr Fogo

Mercuri dies Mercúrio Odin Água

Jovis dies Júpiter Thor Madeira

Veneris dies Vênus Freya Metal

Saturni dies Saturno Saturno Terra

O diretor de cinema dinamarquês Lars

Von Trier foi expulso do Festival de Cannes

em maio depois de comentários feitos durante

uma coletiva de imprensa, aparentemente

de brincadeira, em que declarava ser

um nazista e um simpatizante de Hitler.

“O conselho dirigente do festival lamenta

profundamente que o evento tenha

sido usado por Lars Von Trier para expressar

comentários que são inaceitáveis, intoleráveis,

e contrários aos ideais de humanidade

e generosidade que presidem sobre

a existência do festival”, disse na ocasião

a organização num comunicado, em

que condenou os comentários e declarou o

diretor dinamarquês pessoa “non grata”.

VISÃO JUDAICA

Semana judaica?

junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Jane Bichmacher de Glasman *

O hábito de agrupar os dias em períodos de sete unidades,

que hoje chamamos semana, é originário dos

babilônios e foi adotado pelos gregos e pelos romanos,

que deram nome a estes períodos sobre a base do nú-

Portugal foi o único país que adotou os dias

da semana derivados do latim eclesiástico. Os

nomes antigos dos dias da semana, usados por

povos pagãos, não foram seguidos na língua

formar. Os dias da semana têm seus nomes na

língua portuguesa devido à liturgia católica por

iniciativa de Martinho de Dume, que denominava

os dias da semana da Páscoa com dias

santos em que não se deveria trabalhar, origimero

sete. Os gregos denominaram hebdomadás, de

hepta, sete, palavra que perdura até hoje entre nós em

hebdomadário, que significa semanal, semanário. Em

portuguesa, última das línguas romanas a se nando os nomes litúrgicos:

Roma, adotou-se o nome septimana, que chegou ao

português como semana. Mas foram os judeus, respeitando

o relato bíblico que deram à semana (em

LATIM PAGÃO

dies Solis

LATIM VULGAR

Solis dies

SIGNIFICADO

Dia do sol

LATIM LITÚRGICO I

Prima Feria

LATIM LITÚRGICO II

Dominica dies

PORTUGUÊS

Domingo

HEBRAICO

Iom Echad / Rishon Dia Um (1º)

hebraico shavúa, de shéva = sete [dias]) o sentido da

mesma como uma unidade, a partir da unicidade no

divino. Tendo sido o mundo criado por D-us em seis

dias e no sétimo descansado, apresentou-se um mo-

dies Lunae

dies Martis

dies Mercurii

Lunae dies

Martis dies

Mercurii dies

Dia da lua

Dia de Marte

Dia de Mercúrio

Secunda Feria

Tertia Feria

Quarta Feria

Secunda Feria

Tertia Feria

Quarta Feria

Segunda-feira

Terça-feira

Quarta-feira

Iom Sheni / 2º dia

Iom Shlishi/ 3º dia

Iom Revií / 4º dia

delo inédito de concepção da divindade para os ho- dies Iovis Iovis dies Dia de Júpiter Quinta Feria Quinta Feria Quinta-feira Iom Hamishi / 5º dia

mens: um ser único, sem imagem física, onipotente e

onipresente, que ensina um caminho e, antes de qualquer

coisa, dá seu exemplo para ser seguido.

dies Veneris

dies Saturni

Veneris dies

Saturni dies

Dia de Vênus

Dia de Saturno

Sexta Feria

Sabbatum

Sexta Feria

Sabbatum

Sexta-feira

Sábado

Iom Shishi / 6º dia

Iom Shvii/Shabat 7º dia / Shabat

Nomes Nomes antigos

antigos

Na nomenclatura pagã, cada dia era dedicado a um

astro ou a um deus que variava de acordo com a mitologia

local de cada cultura e que foram conservados

em outros idiomas.

Do início da era cristã até o período medieval, vigoravam

no mundo ocidental as propostas do filósofo grego

Aristóteles (384 – 322 aec) e do astrônomo egípcio

Cláudio Ptolomeu (100 – 170 ec), mescladas com a interpretação

dada pela Igreja Católica. Acreditava-se que

D-us criara o Universo em movimento circular perfeito e

eterno. No centro encontrava-se a Terra com os quatro

elementos: terra, ar, água e fogo; a seguir, oito esferas

concêntricas contendo o “éter” e sustentando os astros.

Este conjunto comporia o céu. Uma dessas esferas conteria

o Sol. Outra, a Lua. Cinco delas conteriam os planetas

conhecidos na época: Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus

e Saturno. A oitava esfera conteria as estrelas.

Dias Dias da da semana semana em em português português

português

O Sabbatum originou diretamente

do hebraico Shabat, de conotação religiosa,

em uma época em que os judeus

e cristãos formavam um só povo

e uma só cultura.

O Shabat, último dia de seu calendário

semanal, é o dia de descanso

para os judeus.

No início da era cristã, cristãos primitivos

e judeus compartilhavam o sábado

para suas reuniões em fé, porém

em 189 ec, o Papa Vítor I mudou o dia

de descanso dos cristãos para o domingo,

em homenagem à ressurreição

de Jesus. Em 325 ec, as orientações

do Primeiro Concílio de Niceia confirmaram

a decisão de Vítor I, mudando

o nome de Solis Dies, que significa Dia

do Sol - forma como os pagãos se referiam

ao domingo - para Dominica

Dies, que evoluiu para Dominus Dei

(que em português quer dizer “dia do

senhor”) mudando-o para domingo.

Prima Feria (que hoje é o domingo, dia

de descanso para os cristãos) era o dia

em que cristãos passaram a se unir

para fazer sua reunião de fé e de mercado,

em dia seguinte ao dos judeus.

Por que os dias da semana acabam

com feira?

O termo “feira” surgiu em português

porque, na semana de Páscoa,

todos os dias eram feriados - férias ou

feiras - e, além disso, os mercados funcionavam

ao ar livre. Com o tempo, a

Igreja baniu das liturgias os nomes pagãos

dos dias, oficializando as “feiras”.

O domingo, que seria a primeira

feira, conservou o mesmo nome por

ser dedicado a D-us, fazendo a contagem

iniciar-se na secunda feira, a

segunda-feira.

O sábado foi mantido em respeito

à antiga tradição hebraica. Apesar da

oposição da Igreja, as designações pagãs

sobreviveram em todo o mundo

cristão, menos no que viria a ser Portugal,

graças ao apostolado de São

Martinho de Braga (século VI), que

combatia o costume de “dar nomes de

demônios aos dias que D-us criou”.

21

Por que os dias da semana em português

não são como em francês ou

italiano?

A resposta é simples. Como disse no

início, sua origem remonta ao Antigo

Testamento, à Torá, como o hebraico

moderno: dia primeiro, segundo, etc.,

conforme o relato da Criação, em Gênesis

1. Em outras palavras, os dias da semana

sobreviveram ao ataque do latim!

Convém lembrar que a vinda dos

portugueses para o Brasil trouxe consigo

todos os empréstimos culturais

e linguísticos que já haviam sido incorporados

ao cotidiano ibérico, desde

uma época anterior à Inquisição;

assim, muitas palavras e expressões

de origem hebraica foram incorporadas

ao léxico da língua portuguesa

mesmo antes de os portugueses chegarem

ao Brasil. Elas encontram-se

tão arraigadas em nosso idioma que

muitas vezes têm sua origem confundida

como sendo árabe ou grega.

Em suma: a semana é judaica!

* Jane Bichmacher de Glasman é escritora, doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica (USP), fundou e coordenou o Setor de Hebraico e o

Programa de Estudos Judaicos da UERJ, professora adjunta e coordenadora do Setor de Hebraico da UFRJ (aposentada).

Lars Von Trier expulso de Cannes

O cineasta dinamarquês Lars von Trier,

conhecido pelas frases e filmes polêmicos,

ficou abalado com o banimento e considerou

que, desta vez, foi longe demais. Pediu

desculpas e disse que fizera uma brincadeira

estúpida. Disse ainda que se sentiu

muito mal pelo fato de "ter magoado

algumas pessoas".

Durante a entrevista à imprensa sobre

o filme “Melancholia”, o diretor, em tom

jocoso, se disse nazista e revelou ter certa

simpatia por Hitler. Trier é conhecido na

Europa por suas provocações e ainda por

atacar grosseiramente Israel e seu povo.

Só que desta vez ele se deu mal. Horas depois

a direção do festival desclassificou

seu filme e o expulsou do evento.

Depois de afirmar que entendia Hitler

e sentia compaixão por ele, sob o olhar

incrédulo dos repórteres, aparentemente

ainda não satisfeito, o cineasta concluiu

sua fala com uma crítica a Israel e um elogio

a Albert Speer, arquiteto oficial do Terceiro

Reich.

“É claro que gosto muito dos judeus -

mas nem tanto, porque Israel é um pé no

saco. Mesmo assim - como é que eu termino

esta frase? - eu apenas gostaria de

dizer, sobre a arte, que gosto muito de

Speer”, indicou, destacando o “talento” do

arquiteto nazista, condenado por crimes

contra a humanidade.

“O.K., então, sou um nazista”, disse

Von Trier, dando de ombros.

Ele passou dias seguidos se explicando

em entrevistas e dizendo que se arrependeu

do que disse, tentando justificar

seu comportamento repreensível e declarando

que não é e nunca foi nazista. Indagado

por um repórter se iria assistir à cerimônia

de encerramento, o cineasta ainda

disse, fazendo troça: “Não, não poderei

ir. Pelo que entendi, a decisão significa

que eu estou proibido de chegar a 100

metros do Palais. Mas acho que posso tomar

sorvete ali por perto e olhar à distância

(...) O que ouvi é que quando a gente

vira persona non grata é para sempre.”


22

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

VISÃO

‘Varinha mágica’ contra Katiusha

Foguete interceptador Varinha Mágica

panorâmica

Contra a ameaça a Israel dos foguetes

Katiusha do Hezbolá, Pini Yungman, diretor

da empresa Rafael disse que “em

breve será realizada o teste completo do

sistema e determinado se o ‘Varinha

Mágica’ tem condições operacionais em

futuro próximo”. O sistema de defesa

antimísseis de alcance médio ‘Varinha

Mágica’ (Sharvit Ksamim), também chamado

Funda de David (Kela David), pode

operar antes do previsto. Yungman disse

que o projeto avança mais rápido que o

previsto. O dispositivo, disse ele, pode

ser integrado à defesa no início de 2013

e neutralizar os Katiusha. “O objetivo é

neutralizar todos os mísseis de curto alcance,

os mísseis cruzeiro e os outros que

o sistema de defesa antimísseis Jetz poderia

ignorar”. O sistema de defesa tem

a opção de mudar o curso do míssil em

pleno voo. O ‘Varinha Mágica’ completará

o sistema de defesa antimísseis Cúpula

de Ferro (Iron Dome ou Kipat Barzel)

e os sistemas Jetz e Patriot, protegendo

totalmente o espaço aéreo de Israel

contra qualquer ameaça de ataques

com mísseis pelo Hezbolá. (Aurora).

Legalizada no Egito a Irmandade

Muçulmana

Os membros da Irmandade Muçulmana

já contam com uma agremiação política

legalizada no Egito, o Partido Justiça e

Liberdade (PJL), segundo informou a

agência de noticias oficial, Mena. A Irmandade

Muçulmana era oficialmente

ilegal, ainda que fundamentalmente tolerada

sob o governo do derrubado presidente

Hosni Mubarak. Considerado

como o grupo mais bem organizado da

oposição a Mubarak, havia anunciado em

abril a fundação do PJL, partido “não teocrático”

que contaria com 9.000 membros

inicialmente. A Irmandade Muçulmana

desde o seu surgimento não aceita

a existência de Israel e seus seguidores

fundaram entre outros grupos terroristas

o Hamas e a Al Qaida. (Aurora).

Israel terá recorde de

crescimento em 2011

O presidente do Banco de Israel, Stanley

Fischer, atualizou para 5,2 % a pre-

(com informações das agências AP, Reuters, AFP,

EFE, jornais Alef na internet, Jerusalem Post,

Haaretz, Notícias da Rua Judaíca e IG)

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

• Yossi Groisseoign •

visão do crescimento do PIB para 2011,

e a taxa de desemprego para 5,8 %, percentuais

que representam nos dois casos

recordes históricos para a economia

israelense. É a primeira vez que um presidente

de Banco Central situa em 5,2

% a perspectiva de crescimento devido

aos resultados do primeiro trimestre que

mostram uma clara aceleração da atividade

no mercado. A previsão anterior de

Fischer para 2011 era de 4,7 %, e sua

correção segue à publicada uma semana

antes pela OCDE (Organização para

a Cooperação e Desenvolvimento Econômico),

que fixou para Israel uma previsão

de crescimento de 5,4 %. Quanto

ao desemprego, atualmente de 6 %, Fischer

prevê que baixará este ano para 5,8

%, mantendo-se assim durante 2012 se

não houver nenhuma mudança dramática.

A taxa mais baixa registrada pelo Escritório

Central de Estatísticas é de 5,9

% há três anos, antes de estourar a crise

econômica mundial. (EFE).

Medida cautelar contra o Google por

antissemitismo

Em Buenos Aires, em entrevista exclusiva

para a Rádio Chai, o vice-presidente

da Delegação das Associações Israelitas

Argentinas, Ángel Schindel, informou

que a DAIA entrou na Justiça contra

o Google e assegurou que o fato se

deu por causa da “proliferação de sites

de buscas que induzem o internauta a

páginas com conteúdo antissemita, de

negação do Holocausto ou semelhantes

espalhados pela internet. Além disso, na

internet, sites como o Google vendem

espaço publicitário que fazem propaganda

e dão visibilidade ao antissemtismo”.

A decisão da Justiça obriga o Google a

desindexar 76 sites, eliminar de suas

buscas 13 sites e de abster-se de colocar

publicidade em outros 22 sites, todos

eles contendo linguagem antissemita

e promovendo a negação do Holocausto.

Jack Terpins, presidente do Congresso

Judaico Latino-americano, expressou

que a resolução do juiz representa

um importante passo para “limpar”

da internet, sites que promovem o

ódio e a intolerância. (Rádio Chai/CJL).

“Protocolos” na radio estatal

venezuelana

A Confederação das Comunidades Judaicas

da Venezuela (CAIV) apresentou protesto

formal ao procurador geral do país

denunciando a divulgação dos “Protocolos

dos Sábios de Sion” por uma emissora

de rádio de propriedade do governo

Chávez. Durante o programa ‘La no-

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

ticia final’, a Rádio Nacional de Venezuela

apresentado por Cristina González,

recomendou altamente seus ouvintes

a lerem o texto antissemita, que circulou

na Rússia pela primeira vez em

1903, procurando criar a ilusão de uma

conspiração judaica para a dominação

mundial. A grosseira falsificação foi produzida

por extremistas de direita na

Rússia e depois utilizada por Adolf Hitler

para seus propósitos contra os judeus.

Na denúncia, a CAIV ressalta que

a atitude teve como objetivo promover

o antissemtismo, gerando ódio e discriminação

contra os judeus venezuelanos

violando assim a Constituição da República

Bolivariana da Venezuela e pediu

a abertura de inquérito para apurar as

responsabilidades, recordando que o

presidente Hugo Chávez, publicamente

havia declarado anteriormente que não

toleraria situações discriminatórias. O

presidente da CAIV, Salomon Cohen Botbol

expressou sua confiança numa punição

a González por parte das autoridades.

(CAIV).

Advogado de Sakineh condenado a 11 anos

O advogado da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani,

sentenciada à morte

por apedrejamento, foi condenado a

uma sentença de onze anos de prisão.

Javid Houtan Kian foi preso sob a acusação

de pôr em risco a segurança nacional

iraniana por difundir propaganda

contra o regime. Ele enfrenta ainda outra

acusação, de espionagem, que está

sendo analisada pela promotoria. Kian

é o terceiro advogado a representar

Sakineh, condenada à morte por adultério

e por ter tramado a morte do marido.

Em uma carta que conseguiu contrabandear

para fora da cadeia, em março

deste ano, Kian disse ter sido torturado,

queimado com cigarros em suas

pernas, pés e testículos e recebeu golpes

aplicados em seu rosto fizeram com

que ele perdesse 12 dentes. O advogado

foi preso em outubro do ano passado,

juntamente com um dos filhos de

Sakineh, Saijad Ghaderzadeh, e com dois

repórteres alemães do jornal Bild am

Sonntag, que mais tarde foram soltos,

mas não Kian. A situação de Sakineh

permanece incerta. Ativistas de direitos

humanos no Irã disseram que ela teria

tentado cometer suicídio, mas que ela

teria sobrevivido. A iraniana já cumpriu

cinco anos de prisão. (BBC).

Irã executa mulher judia

Uma ONG de direitos humanos disse

que Adiva Soleyman Kalimia, judia nascida

em Jerusalém, Israel, e o seu marido,

o cristão armênio Varjan Petrosian,

foram enforcados numa prisão do Irã sob

a acusação e adultério, dia 14 de março.

A organização mencionou que parentes

da mulher disseram não saber os

reais motivos das execuções. Soleyman

Kalimia pertencia a uma família judaica

proveniente do Irã. Ela havia se muda-

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

do para Miami e recebeu a cidadania

norte-americana. De acordo com a família,

ela tinha também passaporte

americano. Nos últimos cinco anos, por

razões desconhecidas da família Soleyman

começou a visitar o Irã. Ela teve a

possibilidade de entrar e sair do país por

três vezes, mas após isso foi presa e enviada

à prisão. Michael Posner, assistente

do Secretário de Estado para os

Direitos Humanos nos EUA, falando recentemente

no Comitê de Relações Exteriores

do Senado, declarou que a situação

dos direitos humanos no Irã se

deteriorou muito, especialmente após a

repressão aos protestos populares em

fevereiro deste ano. Até maio, 135 pessoas

foram executadas no Irã, muitas

deles sem que seus familiares soubessem.

(Ynetnews).

Netanyahu: Abbas falsifica a história

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu,

criticou com veemência artigo

assinado pelo presidente da Autoridade

Palestina, Mahmoud Abbas, no New

York Times, ressaltando que se trata de

uma “falsificação cruel dos fatos históricos”.

Abbas afirmou que após a Partilha

da Palestina nas Nações Unidas, em

1947, “as forças sionistas expulsaram

os árabes palestinos para assegurar

uma maioria judaica”. Netanyahu manifestou

que as declarações de Abbas são

“uma cruel falsificação dos fatos históricos

conhecidos e bem documentados”.

“Os palestinos”, acrescentou o primeiro-ministro,

“foram os que rejeitaram a

Partilha em dois estados ao passo que

os judeus aceitaram”. “Os exércitos árabes

com a ajuda dos palestinos foram

os que atacaram o Estado judeu com o

objetivo de destrui-lo, algo que não

menciona no artigo”, enfatizou Netanyahu.

Alguém poderia deduzir do artigo

de Abbas que “a liderança palestina

considera que a criação de um Estado

palestino é a continuação do conflito

ao invés do seu final”, observou o

chefe do Governo. (Aurora).

Brasil quer ser membro de organização

islâmica

O Itamaraty solicitou autorização à OCI

(Organização da Conferência Islâmica)

para fazer parte do organismo com o status

de membro observador. O objetivo,

segundo diplomatas, é aprofundar as

relações do Brasil com o mundo muçulmano.

Desde o governo Lula, o Itamaraty

faz esforços para aumentar sua área

de influência no Oriente Médio. Entre

os principais esforços estão intermediações

junto ao Irã de um acordo nuclear

e outro de libertação de prisioneiros

dos EUA, a participação de uma missão

de paz da ONU no Líbano e o reconhecimento

do Estado palestino com as

fronteiras de 1967. De acordo com um

comunicado da OCI, a solicitação foi

feita pelo embaixador brasileiro na Arábia

Saudita e no Iêmen, Sérgio Luiz Canaes,

ao secretário geral do órgão Ekmeledin

Ihsan Oglo, em Riad. Ele disse

que a OCI ajudará o Brasil a se adaptar

e cumprir os requisitos necessários para


ser aceito como observador. A OCI é

uma organização intergovernamental

de países do Oriente Médio, África e

Ásia criada em 1969. Ela tem 57 membros,

e nenhum deles é da América Latina.

(Folha de S.Paulo).

Curitiba: Chanucá agora faz parte do

calendário oficial

Leon Knopfholz, da B'nai B'rith; o vereador Emerson

Prado e a presidente da Kehilá, Ester Proveller

Em sessão na Câmara Municipal de Curitiba,

os vereadores que passaram a

conhecer a história e cultura judaicas,

aprovaram o projeto de lei que instituiu

no Calendário Oficial da Cidade, Chanucá,

a Festa das Luzes. A proposição

foi do vereador Emerson Prado, cuja

aproximação com a Federação Israelita

do Paraná, a Kehilá e a B’nai B’rith

tem sido muito produtiva. Na ocasião,

estiveram presentes Ester Proveller,

presidente da Comunidade e Leon

Knopfholz, presidente da B’nai B’rith. O

vereador Emerson Prado preside a Comissão

Especial de Direitos Humanos

para Estudo e Aplicação dos 8 Objetivos

do Milênio na Cidade de Curitiba,

entre outras Comissões. (B’nai B’rith).

Audiências em feriado judaico podem

ser remarcadas

Decisão liminar do ministro Marco Aurélio,

do Supremo Tribunal Federal

(STF), restabeleceu recomendação do

Conselho da Magistratura do Tribunal

de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ)

para que sejam acolhidos pedidos de

adiamento ou de designação de nova

data para as audiências que recaiam

no feriado judaico do Iom Kipur, “Dia

do Perdão”, considerado sagrado do

calendário judaico, sendo vedada qualquer

atividade na data, inclusive a alimentação.

A decisão foi tomada no

Mandado de Segurança (MS) 30491,

impetrado no STF pela Federação

Israelita do Estado do Rio de Janeiro

(FIERJ) e pela Associação Nacional de

Advogados Juristas Brasil-Israel contra

ato do Conselho Nacional de Justiça

(CNJ), que declarou a nulidade da

recomendação, por entender que se

tratava de matéria relacionada à competência

do Poder Legislativo. Para o

ministro Marco Aurélio, “o fato de o

Brasil ser um estado laico não é obstáculo

à compreensão, presente a vida

em sociedade, presente o respeito que

a Carta da República encerra, como

princípio básico, a crença religiosa”. A

sugestão aos juízes do TJ-RJ estabele-

ce que o requerimento de advogados

da fé judaica seja feito com antecedência

e sem prejuízo para as partes

processuais. (STF).

Empresa de Israel só contrata

deficientes

Para se candidatar a uma vaga de emprego

na empresa de call center Call

Yachol, do israelense Gil Wich, sediada

em Rishon Lezion, é preciso ter um

pré-requisito: ser deficiente físico ou

mental. Pode ser judeu ou árabe. Call

Yachol – que significa apto a falar e a

fazer algo – tem 180 trabalhadores e

pretende expandir seu quadro em breve

com uma filial em Jerusalém. Com

um modelo de gestão familiar, Winch

comanda seus funcionários com atenção

e afeto e prioriza o tempo de diversão

durante o trabalho. Para o psicólogo

e empresário, as limitações de seus

funcionários não afetam a produtividade

de sua empresa. “O maior problema

é que a sociedade discrimina essas

pessoas, que às vezes ficam 20 anos

desempregadas, perdendo completamente

a autoestima e autoconfiança”.

(Jornal Alef).

Pepinos: FDI ajudam palestinos

A Administração Civil israelense da Judeia

e Samaria está garantindo o mercado

de compra para 18 mil toneladas

de pepinos produzidos por 3.000 famílias

palestinas na região norte da

Cisjordânia. O valor da safra atual

atinge US$ 25 milhões. Cerca de 60%

dos pepinos consumidos em Israel vêm

de Jenin e ainda há quem publique que

Israel quis destruir a cidade de Jenin e

sua população. Para poder escoar essa

enorme produção de pepinos, os agricultores

palestinos necessitavam de

uma extensão no horário de abertura

dos postos de controle operados pelo

Exército de Israel, durante os 70 dias

que duram a colheita. O pleito palestino

foi aprovado pelo Ministério da

Defesa. O próprio posto de controle israelense

de Gilboa por onde passam

os pepinos é equipado com scanners

de raios-x para verificar rapidamente

os caminhões sem precisar abrir as

cargas. (FDI).

Exército israelense nomeia

mulher general

O Exército israelense outorgou pela primeira

vez em sua história a categoria

de general a uma mulher, Orna Barbivay,

de 49 anos. A militar, que dirigirá

o departamento de Recursos Humanos

das Forças Armadas, desempenhava

até agora a função de gerente desse departamento

no Estado-Maior. Casada e

mãe de três filhos, Orna se alistou em

1981 no Corpo de Recursos Humanos,

onde serviu em diferentes categorias

até se tornar a gerente do Comando do

A general israelense Orna

Barbivay, primeira mulher a

assumir este posto militar

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

Corpo de Infantaria.

A

categoria de

general é a

segunda

mais importante

na hierarquiamilitar

israelense

e a mais elevada

a que

pode aspirar

um soldado

antes de ser

designado

chefe do Estado-Maior

ou do Exército. A promoção

de Orna, decidida pelo chefe do Exército,

Benny Gantz, e pelo ministro da

Defesa Ehud Barak, foi recebida com

entusiasmo por políticas e deputadas

israelenses. (EFE).

Yale fechará seu Centro

de Estudos do Antissemitismo

23

A Universidade americana de Yale vai

fechar o seu Centro de Estudos do Antissemitismo.

A decisão da universidade

provocou grande revolta na comunidade

judaica-americana pois os estudos

produzidos em Yale eram utilizados em

todo mundo como base de informação

sobre um preconceito muito presente em

nossos dias. Fontes judaicas apontaram

motivos políticos para a decisão que

visa contemplar interesses da universidade

no mundo islâmico. Fato curioso é

que o lema da Yale desde a sua fundação

em 1702, “Luz e verdade”, que consta

das bandeiras de todas as escolas que

compõem a universidade está escrito

com letras e palavras hebraicas: “Or

veemet”. (B’nai B’rith/AM).

Curiosidades várias

As barbaridades ditas por Rosa Regàs contra Israel poderiam

encher um livro inteiro de intolerância

Pilar Rahola *

Massacre brutal da família Fogel em Itamar. Os terroristas chegaram de noite

à casa. Primeiro degolaram as crianças: Hadas, de três meses, Elad de quatro

anos e Yoav de onze. Depois esfaquearam os pais, Udi e Ruth. Desde o dia 13,

quando o corroeu a matança da família, têm caído em Ashdod, Ashkelon, Beer-

Sheva mais de cinquenta mísseis, somados aos sete morteiros em Eshkol, todos

disparados de Gaza. E ontem uma bomba no Centro de Convenções de Convenção

de Jerusalém matou uma mulher e causando 39 feridos, alguns com prognósticos

graves, incluindo duas mulheres grávidas.

É claro que toda essa escalada de grave violência não tocou ninguém, e nem

um só dos ruidosos porta-vozes da causa palestina consideraram necessário lamentar

esses atos de terrorismo, como se os israelenses fossem culpados pelo

mero fato de nascerem e seu destino natural fosse morrer em atentado Já disse

Yusuf Al-Qadarawi, o guru da Fundação Qatar, essa que inspira a publicidade do

Barça: qualquer israelense, incluindo mulheres grávidas, deve ser morto, não em

vão, “seus filhos por nascer crescerão...” E assim vai sendo escrita a crônica de

uma escalada de violência que terminará mal, porque sempre acaba com alguma

ação militar israelense para neutralizar essas ações terroristas e, em seguida

levantar a indignação do mundo.

Já é sabido que Israel nunca tem direito à defesa. Dia destes, alguns libertários

de meia tigela montaram uma flotilha — com dinheiro de quem? — e tentaram

penetrar na zona de segurança que Israel, endossada pela ONU, para impedir

a entrada de armas. E nem se perguntarão se o Hamas tem alguma culpa, se

a sua lógica é de paz ou de guerra permanente, se outros países os estão armando

até os dentes, se é lícito, em nome de uma causa, degolar uma criança três

meses, se isso é assumido pelo estômago do libertador e se no final, este maldito

conflito é muito mais complicado do que o simplismo que outorgam. E sobre

estes maniqueísmos da verdade venderão seu radicalismo ideológico como um

ato de solidariedade. Aqueles que atacam Israel unilateralmente sempre têm bula.

Aqueles que tentam lembrar que isto não é preto e branco e os fundamentalistas

do Hamas são os verdadeiros inimigos de seu próprio povo são rotulados

de qualquer coisa e todo dia temos que pedir perdão por não militar apenas nesse

pensamento único. Pense em tudo isso, em função da incorporação da Rosa

Regas na lista de Hereu. As barbaridades que chegou a dizer contra Israel poderia

encher um livro inteiro de intolerância. Mas dizer barbaridades contra Israel é

gratuito. Por isso continua sendo uma bela progressista que enfeita qualquer

lista eleitoral necessitada

Por que é solidariedade? Não, porque odiar Israel, é um plus no currículo do

liberalismo mais reacionário.

* Pilar Rahola é conhecido jornalista, escritora espanhola. Tem programa na televisão e escreve para vários

jornais na Espanha. Foi vice-prefeita de Barcelona, deputada no Parlamento Europeu e deputada no

Parlamento espanhol. Publicado no jornal La Vanguardia em 25/3/2011.


24

* Bernard-Henri

Lévy é conhecido

filósofo e

jornalista francês.

Considerado um

dos principais

escritores

franceses da

atualidade, é

autor de obras

como “Quem

Matou Daniel

Pearl?” e

“American

Vertigo”. Escreveu

este artigo, que foi

publicado no

jornal The New

York Times, por

ocasião dos

quatro do

sequestro de Gilad

Shalit, em 2010.

VISÃO JUDAICA junho de 2011 Sivan / Tamuz 5771

orque tanta comoção em

torno do soldado Shalit?

Por acaso todos os conflitos

armados não produzem

prisioneiros de

guerra, e Gilad Shalit, o jovem

cabo israelense sequestrado

em junho de 2006, não é apenas

um prisioneiro como os outros? Bem,

na verdade, não. Em primeiro lugar, há

convenções internacionais que governam

a situação dos prisioneiros de guerra,

e o mero fato de que ele tenha sido

sequestrado durante quatro anos, e que

a Cruz Vermelha, que visita regularmente

os palestinos em prisões israelenses,

nunca tenha tido acesso a ele, é uma

violação flagrante das leis de guerra.

Além disso, e mais do que tudo,

nunca nos cansaremos de repetir: Shalit

não foi capturado no auge do combate,

mas sim durante uma incursão em

Israel, quando o país, depois de ter evacuado

Gaza, estava declaradamente em

paz com seu vizinho. Chamá-lo de prisioneiro

de guerra, em outras palavras,

é o equivalente a afirmar que se Israel

ocupa ou não um território nada muda

em termos do ódio que alguém acredita

que o país merece. Significa aceitar a

ideia de que Israel está em guerra até

mesmo quando está em paz, ou que devemos

fazer a guerra contra Israel simplesmente

porque Israel é Israel.

Se recusarmos esta lógica que é, de

fato, a do Hamas e – se as palavras significam

alguma coisa – a lógica da guerra

total, devemos começar a mudar totalmente

a retórica e o léxico. Shalit não

é um prisioneiro de guerra, mas um refém.

Seu destino não é comparável ao

Gilad Shalit nasceu em Nahariya,

Israel, em 28 de agosto de 1986. É um jovem

soldado que foi sequestrado em Kerem

Shalom, na fronteira com a Faixa de

Gaza por terroristas palestinos em 25 de

junho de 2006, tendo sido feito refém incomunicável

pelo Hamas. Shalit, cujo posto

militar é o de cabo, estava a serviço das

Forças Armadas de Israel, no momento em

que terroristas vindos de um túnel escavado

por baixo da fronteira o agarraram.

Tornou-se então o primeiro soldado israelense

raptado por terroristas palestinos.

Depois dele, houve também outro sequestro

na fronteira com o Líbano, desta vez dos

soldados Ehud Goldwasser e Eldad Regev,

devolvidos mortos em troca de um terrorista

assassino que estava preso em Israel.

Shalit possui cidadania francesa, pois

seus pais têm origem na França, fato que

motivou a França e a União Europeia a se

envolverem de alguma forma nos esforços

para libertá-lo. Entretanto, contrariando

todas as leis internacionais e as Conven-

Gilad Shalit, refém ou prisioneiro de guerra?

Bernard Henri Levy *

de um prisioneiro palestino, mas sim

ao de uma vítima de sequestro pela

qual se pede resgate. E deve ser defendido

como defendemos os reféns das

Farc ou dos sírios ou iranianos – devemos

defendê-lo com a mesma energia

dedicada à defesa de, digamos, Clotilde

Reiss ou Ingrid Betancourt.

Refém ou prisioneiro, não importa

– porque tanto escândalo por causa de

um homem? Por que este enfoque num

indivíduo de nenhuma importância

para a comunidade? Um homem “feito

de todos os homens e tão bom como

todos eles e não melhor do que nenhum”

(Jean-Paul Sartre)?

Bem, é porque Shalit não é exatamente

qualquer um, e ele está passando

pelo pior que podem passar, em

tempos de tensão extrema na história,

os indivíduos que não estão dispostos

de nenhuma forma a tomar parte disso,

mas que subitamente acabam cativos

desta tensão – aqueles que atraem

o relâmpago, os pontos de impacto das

forças que, numa situação dada, convergem

e se chocam. Os dissidentes da

era do comunismo foram exemplos disso,

assim como os perseguidos na China

ou em Mianmar hoje em dia.

Isso ocorre com Gilad Shalit. É assim

como este homem, cujo rosto ainda

é o de uma criança, encarna muito

involuntariamente a violência interminável

do Hamas; a ânsia irracional de

seus partidários por exterminar; o cinismo

dos “humanitários” que, como os

da frota Libertem Gaza, recusaram levar

uma carta a Shalit de sua família; ou,

uma vez mais, o duplo padrão pelo qual

ele não é beneficiado pela abundância

de simpatia que Betancourt recebeu.

ções de Genebra a respeito de prisioneiros

de guerra os terroristas do Hamas, não

o libertam, — querem trocá-lo por cerca

de mil prisioneiros, muitos dos quais com

sangue nas mãos — nem permitem visitas

da família, de agentes da Cruz Vermelha

ou de qualquer outra instituição.

O cativeiro do Hamas, em algum lugar

da Faixa de Gaza, onde Shalit está encarcerado

é desconhecido. Cinco anos é mui-

Um franco-israelense vale menos do

que uma franco-colombiana? O nome de

Israel é suficiente para degradar Shalit?

Por que não colocaram seu retrato

ao lado da heroica colombiana na fachada

do Hotel de Ville de Paris? E como

é possível explicar por que sua foto, finalmente

colocada no pequeno parque

de 12º Arrondissement de Paris, tenha

sido alvo de vândalos com tanta frequência,

e com tal impunidade? Shalit

o símbolo. Shalit o espelho.

Uma última pergunta: qual é o preço

que os israelenses estão dispostos a

pagar pela libertação deste cativo, e

também a pergunta relacionada às centenas

– alguns mencionam milhares –

de assassinos potenciais que então serão

libertados em troca. Esta não é a

primeira vez que esse problema acontece.

Em 1983, Israel libertou 4.700 combatentes

no campo Ansar do Líbano em

troca de seis de seus soldados.

Em 1985, Israel libertou 1.150 combatentes

(incluindo o futuro fundador

do Hamas, Ahmed Yassin) em troca do

retorno de três israelenses. E isso sem

mencionar os corpos, só os corpos, de

Eldad Regev e Ehud Goldwasser, mortos

no início da última guerra no Líbano,

e trocados, em 2000, por vários líderes

do Hezbolá, alguns dos quais sentenciados

por crimes graves.

A ideia é simples, e o crédito corresponde

a Israel. Contra a crueldade,

antes de mais nada, das famosas razões

de Estado, contra as obras dos frios

monstros e sua terrível preguiça; e na

oposição à intransigência glacial que o

escritor italiano Leonardo Sciascia não

temeu condenar, a raiz do sequestro do

ex-primeiro-ministro Aldo Moro pelas

to tempo para uma mãe e um pai, que

passaram os últimos 1825 dias num pesadelo

inimaginável, se encontrando com

meio mundo, principalmente com líderes

locais e estrangeiros, na esperança de que

um deles ajudasse o filho sequestrado a

ver novamente a luz do dia.

Por pelo menos duas vezes, pareceu

que a troca de prisioneiros com o Hamas

estava prestes a ocorrer. Mas nada aconteceu.

Depois, os pais do soldado, Aviva e

Noam Shalit, decidiram criar um novo

momentum: uma longa caminhada de

Mitzpé Hilá, no Norte de Israel, onde moram,

até Jerusalém, onde montaram uma

tenda em frente à casa do atual premiê,

Benjamin Netanyahu. Os principais jornais

de Israel aderiram à campanha sem meias

palavras. Noam Shalit afirmou que não

voltaria para casa enquanto Netanyahu

não trouxesse seu filho de volta a Israel.

Quando se completaram quatro anos

de cativeiro, além da caminhada em Israel,

outras manifestações aconteceram em

Brigadas Vermelhas, a forma como Moro

foi abandonado por seus “amigos”, qualificando-o

como outro rosto do terrorismo,

este imperativo categórico e irrefutável:

entre o indivíduo e o Estado,

escolhe-se sempre o indivíduo. Entre o

sofrimento de um homem e a agitação

da sociedade em geral, o que está só

deve prevalecer.

Um homem pode não valer nada,

mas nada – principalmente o orgulho arrogante

de sua nação – vale o sacrifício

de um homem. E então, contra um pseudo

“sentido do trágico” que serve como

um álibi para tantos casos de covardia. E

contra os dialéticos da quinquilharia que

repetem ad infinitum os efeitos perversos

possíveis que uma ação (digamos, o

possível resgate de um Daniel Pearl)

pode provocar num futuro distante,

quando estamos enfrentando uma situação

da qual nada sabemos, é necessário

retornar a este princípio de incerteza que

está no coração da própria sabedoria judaica,

admiravelmente resumido em

Eclesiastes: não te inquietes pelo que

está além de suas obras; em sua ignorância

do domínio dos finais, dos propósitos

e de seus enganos, simplesmente

salvem Gilad Shalit.

Quem é Shalit há cinco anos refém dos terroristas do Hamas

Brasileiros residentes em Israel, junto aos pais de

Gilad Shalit, Aviva (primeira à esquedra) e Noam

(ao seu lado), tentaram em 2010 pedir ajuda ao

então presidente Lula para que intercedesse, mas

nem resposta obtiveram dele

Gilad Shalit, sequestrado e mantido refém

incomunicável há cinco anos, na última foto

dele, quando o Hamas liberou um vídeo, dois

anos atrás, para provar que estava vivo

Nova York, Paris e em Roma, com a participação

de milhares de pessoas.

Mas, apesar de todo o apoio da imprensa

e do público, ainda não foi possível

trazer Shalit de volta. Israel tem o dever

de resgatar todo e qualquer cidadão

(principalmente se for um soldado) que

estiver no cativeiro. Muitos especialistas

são contra a troca com o Hamas, por razões

óbvias. O grupo terrorista quer mais

de mil presos palestinos envolvidos diretamente

com a morte de milhares de israelenses

em atentados, sejam libertados

em troca de um soldado israelense.

Seria um presente político para o Hamas

e um golpe contra a luta ao terrorismo,

além de um perigo real para Israel. Afinal,

boa parte dos presos por terrorismo

volta a se envolver com atentados depois

de libertados.

Esse é um dilema difícil de desatar. As

alegações contra e a favor da troca de prisioneiros

são justas. Cabe a Israel decidir

o que fazer.

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