VJ SET 2008 A.p65 - Visão Judaica

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VJ SET 2008 A.p65 - Visão Judaica

sultados inesperados concentraram a

atenção israelense em falhas militares

e políticas. Esta autocrítica ignorou

em grande parte uma terceira falha,

isto é, a facilidade com que Israel

foi derrotado uma vez mais na mídia.

Dentro dos primeiros dias do começo

da guerra, e sem uma coordenação

consciente, os inimigos de Israel

começaram a debilitar a autodefesa

israelense: Kofi Annan anunciou,

sem uma prova que fosse, que Israel

tinha intencionalmente assassinado

quatro membros da Unifil; grupos de

direitos humanos como a Anistia Internacional

e a Human Rights Watch

(HRW) produziram rapidamente montes

de relatórios condenando o esforço

de guerra de Israel, alegando crimes

de guerra, e ignorando primariamente

o Hezbolá (Kenneth Roth, o diretor

executivo da HRW, acusou Israel

de empreender "guerra indiscriminada"

e acrescentou, sem qualquer comprovação

confiável, que "em alguns

casos, forças israelenses pareceram

ter mirado deliberadamente em civis");

e os jornalistas inundaram a

área com a cobertura das vítimas civis

libanesas, produzindo falsos relatórios

sobre os bombardeios de

Qana, fotografias adulteradas, e histórias

para os noticiários que foram

organizadas e dirigidas pelo Hezbolá.

Em suas excursões no campo de

batalha para repórteres, o Hezbolá foi

longe, chegando a ponto de fabricar

tiroteios em ambulâncias, já que aparentemente

a compensação por usar

estes veículos como acessórios de

produção para a imprensa internacional

era preferível do que usá-los para

ajudar feridos libaneses.

A resposta israelense para as calúnias,

tão previsivelmente lançadas

em sua direção, foi algumas vezes

VISÃO JUDAICA setembro de 2008 Elul / Tishrê 5768 / 5769

Deficientes servem o exército em Israel como voluntários

O exército de Israel adotou uma política

impensável em outros países: a de

admitir em seus quadros soldados portadores

de deficiências, desde cegos até

portadores de síndrome de Down.

Esses militares, alguns com postos de

oficial, não foram recrutados para o serviço

militar obrigatório e não participam

de operações de combate, mas são voluntários.

Danielle Kalifa, que nasceu completamente

cega, é uma das jovens soldadas

da seção de internet de Galéi Tzahal, a

emissora de rádio do Exército Israelense.

Ela se encarrega de transcrever os

programas de rádio para que sejam publicados

no site da emissora.

"Sei que contribuo com algo valioso.

Desfruto cada momento e, com esse serviço,

cumpro meu sonho de toda a vida",

disse ela do seu trabalho.

O tenente Yonatan Cohen, que sofre

competente, mas com freqüência demais

recorreu a táticas familiares e

autodestrutivas: desculpas gratuitas e

autocrítica, servilidade em face a jornalistas

hostis, e uma incapacidade

para fazer sua defesa básica de que

as vítimas civis libanesas eram uma

das metas centrais do Hezbolá no conflito,

precisamente por causa de seu

valor de propaganda. Incrivelmente,

depois do bombardeio em Qana, Israel

prometeu suspender suas operações

aéreas por 48 horas, um gesto para

seus inimigos e aliados também, que,

nos níveis mais elevados de governo

lá, inflamou uma profunda ambivalência

sobre o esforço de guerra.

Lá pelo meio do conflito, a narrativa

da guerra tinha sido distorcida, mudando

de uma na qual Israel estava se

defendendo do ataque de uma organização

terrorista apoiada pelo Irã para

uma na qual Israel estava, mais uma

vez, matando civis com selvageria.

Nas primeiras páginas do New York Times

e do Washington Post, Israel foi

retratado como o agressor quase duas

vezes mais freqüentemente nas manchetes

e exatamente três vezes mais

freqüentemente nas fotografias.

O padrão revelado por estes eventos

mostra um registro perturbador: o

curso de uma ação corrosiva. Em qualquer

crise, seja Al-Dura, Jenin, Líbano,

ou a explosão na praia de Gaza, a

resposta israelense se caracterizou

pelos mesmos silêncios, erros graves

de uma presunção espontânea de culpa;

desculpas antecipadas, autocrítica

desnecessária, promessas de investigação,

e suspensão da ação militar;

um tratamento irresoluto para exatamente

o tipo de acusações incendiárias

que requerem uma resposta enérgica

e consistente; a afirmação de inocência

somente depois que a tempes-

de paralisia cerebral e usa uma cadeira

de rodas, é outro voluntário.

"Não é mais que um metal exterior que

nada tem a ver com minha vontade de fazer,

atuar e contribuir para a sociedade",

disse ele sobre a cadeira de rodas.

Yonatan, o primeiro deficiente a receber

grau de oficial no Exército Israelense,

é responsável pelo contato com

jovens que estão prestes a servir o exército.

Ele percorre o país em visitas a colégios

secundários e outros locais, para

explicar a importância do serviço militar

e encorajar os jovens a "ser parte do esforço

de todos", "Ao me verem, não podem

dar desculpas de que têm problemas

para se alistar. Se eu posso, todos

podem", afirma.

Apesar do tratamento igual sem benefícios

especiais, Danielle e Yonatan

estão cientes de suas limitações, que são

respeitadas pelo exército.

tade da mídia tenha passado; e finalmente,

a recusa em fazer uma ofensiva,

retoricamente ou de outro modo,

contra os indivíduos e organizações

que fizeram a calúnia contra Israel se

tornar um esporte tão vergonhosamente

fácil.

Várias reformas, conceituais e estruturais,

são imperativas. A primeira é a

respeito da Unidade do Porta-voz das

FDI, o pequeno grupo dentro do exército

israelense que se encarrega das relações

com a mídia. Em tempos de guerra,

seus soldados civis são sobrecarregados

pela pesada responsabilidade de

explicar ações militares israelenses para

o mundo. Tem que se tornar uma das

unidades de elite nas FDI.

Um gabinete deveria ser criado

em Jerusalém, onde há um grande

contingente de grupos da imprensa

estrangeira, para estimular o cultivo

das relações com jornalistas. E deveria

ser criado um gabinete de conexão,

de modo a coordenar a estratégia

de mídia e as mensagens entre

as FDI e o governo, com o objetivo de

construir uma estratégia de comunicações

única para toda operação militar

importante.

Para que estas mudanças deixem

sua marca, o próprio governo israelense

tem que adotar um processo de comunicações

mais disciplinado. Hoje,

Israel não tem nenhuma infra-estrutura

de comunicações unificada; cada

Ministério e seção das FDI oferecem

seu próprio porta-voz à imprensa, e o

resultado é uma multiplicidade de declarações

e mensagens, que freqüentemente

deixam Israel na defensiva e

parecendo ser culpado diante de acusações

irrefutáveis. No nível conceitual,

os estrategistas israelenses e os porta-vozes

têm que passar a entender a

imensa importância da comunicação

A jovem viaja sozinha de ônibus diariamente

da cidade costeira de Natania,

onde mora com os pais. Ela decorou as

curvas do caminho para calcular quando

deve saltar do ônibus, no ponto de Yaffo,

em Tel Aviv.

"Agora estão fazendo obras em Sderot

Yerushalaim", disse ela, se referindo

à principal rua do bairro.

"Isso virou uma loucura, mas ao chegar

ligo para um de meus colegas e eles

vêm me buscar no ponto."

Yonatan Litani, o produtor do Galéi

Tzahal on-line, e amigo pessoal de

Danielle, afirma que "não há outra garota

tão especial como ela".

Yonatan Cohen, por sua vez, não pode

viajar sozinho já que, por conta das

sérias limitações motoras, precisa de ajuda

24 horas por dia.

Seu acompanhante filipino, Boboy, já

sabe o nome de todas as unidades em he-

social organizada na guerra moderna.

Isto significa que os israelenses têm

que considerar o papel desempenhado

pelas ONGs e organizações de notícias

empenhadas em deliberar falsas informações.

Estes agentes já não podem

ser agrupados conceitualmente

como terceiros ou observadores neutros

durante os conflitos; eles estão

profundamente implicados na própria

guerra, e como partes de um conflito,

sua presença deve ser tratada com a

máxima seriedade.

Há mais de um ano, as FDI têm

conduzido ataques aéreos em Gaza,

que são destinados a impedir o disparo

de foguetes Kassam para Israel, e

porque o Hamas e os terroristas da

Jihad Islâmica operam intencionalmente

entre civis, estes ataques invariavelmente

matam transeuntes não

envolvidos e criam histórias de notícias

prejudiciais. Seria extraordinariamente

fácil a um governante dar

uma coletiva de imprensa em Sderot

na frente a uma escola destruída por

disparos de foguetes palestinos e explicar

para as câmeras que, enquanto

Israel está atacando o Hamas para

proteger as vidas das crianças israelenses,

o Hamas está enviando suas

crianças em missões suicidas para

operar exatamente esses mesmos dispositivos

de lançamento de foguetes.

Toda vez, depois disso, que Israel atacar

terroristas em Gaza, o porta-voz

israelense poderia martelar nesta tecla,

condenando o fato de o Hamas

usar crianças em ataques terroristas.

Repetindo freqüente e vigorosamente

o bastante, o ocidental comum

pode não estar muito inspirado a gostar

de Israel, mas pelo menos ele começará

a entender a natureza de sua

luta - e a realidade macabra da "resistência"

palestina.

braico e reconhece onde servem os soldados,

de acordo com a cor de suas boinas.

Mas para Danielle, que considera os

colegas de trabalho como uma "família",

e Yonatan, a questão é mais séria do que

apenas um encontro com amigos e reflete

a sociedade israelense em si.

Danielle está convencida de que "se

a comunidade na qual vive não sabe aceitar

as pessoas um pouco diferentes, nunca

chegará a um bom termo".

Yonatan conta que já recebeu todo

tipo de reações. Alguns riram quando o

viram, "mas também há os que reagem

com admiração".

Ele, que considera ter sido "compensado"

por sua limitação física com grande

capacidade intelectual, não tem dúvidas:

"se eu transmito sentimento de

pena, essa será a atitude, mas não é o

que desejo, nem o que devo transmitir",

disse ele.

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