*Maio / 2019 - Referência Florestal 207

jota.2016

ESPECIAL Condições ruins das estradas na região norte diminuem competitividade do setor florestal

ON TARGET

GETTING TO KNOW YOUR TARGET IS

THE PATH TO BETTER PROTECTION

IN FOREST DEVELOPMENT

NA MIRA

CONHECER O ALVO É O CAMINHO

PARA MELHOR PROTEÇÃO

DA CULTURA FLORESTAL

Maio 2019

9 77235 9 465 0 52 0 0 2 0 7

1


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SUMÁRIO

36

DECIFRANDO

O INIMIGO

MAIO 2019

08 Editorial

10 Cartas

12 Bastidores

14 Coluna Ivan Tomaselli

16 Notas

24 Biomassa

25 Frases

26 Entrevista

36 Principal

42 Especial

48 Ilpf

52 Silvicultura

56 Madeira Nativa

60 Academia e Pesquisa

64 Agenda

66 Espaço Aberto

42

56

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

07 Agroceres

34 Agroceres

21 Ambipar

29 Bracell

09 Carrocerias Bachiega

65 D’Antonio Equipamentos

68 Denis Cimaf

02 Dinagro

04 Emex

19 Engeforest

11 Envimat

47 J de Souza

33 Lignum Brasil

45 Log Max

65 Master Brasil

59 Mill Indústrias

63 Mill Indústrias

31 Nordtech

55 Potenza

23 Rotary-Ax

51 Rotor Equipamentos

15 Sergomel

67 TMO

13 Unibrás

61 Valfer Ferramentas

06 www.referenciaflorestal.com.br


0 0 2 0

EDITORIAL

Buraco na pista

Na reportagem especial desta edição abordamos as condições

das estradas brasileiras. Quem viaja sabe que elas não são lá estas

coisas. Mas também depende muito do trecho que se percorre. As

pedagiadas levam vantagem, normalmente. Para as indústrias que

escoam a produção do norte do país o caso é pior. Muitos locais são

intransitáveis no período de chuvas e mesmo durante a seca, quando

a terra está dura (veja que escrevi terra e não asfalto), os buracos

se multiplicam. Rodovias estaduais e federais usadas pelo setor

florestal em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do sul, também

apresentam graves problemas, são perigosas, cheias de curvas com

pistas simples e sofrem com tráfego intenso. É preciso investir seriamente

em logística e ampliar as opções de modais. O custo do

transporte e a morte nas estradas têm que diminuir. Acompanhe

também a pesquisa que explica o comportamento das formigas

cortadeiras e as melhores técnicas para o manejo da praga. Tenha

uma excelente leitura.

2

A segurança que o seu desafio

será cumprido e produtivo.

Para quem quer colocar a cabeça no travesseiro e dormir bem.

A alta tecnologia, produtividade, confiabilidade e baixa manutenção,

fazendo o seu investimento render muito mais!

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Assertividade no combate às

formigas cortadeiras com o

manejo adequado é o destaque

da capa desta edição, que leva

o selo da marca Atta-Kill

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXI • N°207 • Maio 2019

ESPECIAL Condições ruins das estradas na região norte diminuem competitividade do setor florestal

ON TARGET

GETTING TO KNOW YOUR TARGET IS

THE PATH TO BETTER PROTECTION

IN FOREST DEVELOPMENT

NA MIRA

CONHECER O ALVO É O CAMINHO

PARA MELHOR PROTEÇÃO

DA CULTURA FLORESTAL

9 7 7 2 35 9 4 65 0 5 2 7

HIGHWAY POTHOLES

In the special story in this issue, we discuss Brazilian road conditions.

Those that travel them know that they are not as they should

be. But they also rely heavily on the stretches that they travel. Usually,

the toll roads have an advantage. For companies that deliver

their output in the North of the Country, the case is worse. Many

places are impassable in the rainy season, and even sometimes during

the dry season, when the dirt is hard, potholes multiply (note I

wrote dirt and not asphalt). State and Federal highways used by

the Forest Sector in the States of Santa Catarina, Paraná, and Rio

Grande do Sul, also present serious problems; they are dangerous,

full of one lane curves with no shoulder, and suffer from heavy

traffic. It has become imperative to invest seriously in logistics and

amplify modal options. The shipping costs and deaths on the road

have to decrease. Also, read about the research that explains the

behavior of the leaf-cutting ants and the best techniques for pest

control management. Have a very pleasurable read.

Entrevista com

Eduardo

José de Mello

Melhora do material

genético

3

EXPEDIENTE

ANO XXI - EDIÇÃO 207 - MAIO 2019

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Rafael Macedo - Editor

editor@revistareferencia.com.br

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Ivan Tomaselli

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Fabiano Mendes

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Cartunista / Cartunist

Francis Ortolan

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal, Jéssika Ferreira,

Tainá Carolina Brandão

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina

Knop

Depto. de Assinaturas / Subscription

Supervisão - Cassiele Ferreira

assinatura@revistareferencia.com.br

ASSINATURAS

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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

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CARTAS

ESPECIAL Cabeçote Harvester - a importância de manter o equipamento em dia sem perder produtividade

A segurança que o seu desafio

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A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

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THOROUGH CLEARING

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Capa da Edição 206 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de abril de 2019

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19 3802.2742

Ano XXI • N°206 • Abril 2019

SILVICULTURA

Por Cristiano Nascimento dos Santos - Lages (SC)

As pesquisas na área do plantio florestal seguem avançando. Gosto de

saber as novidades desse setor, principalmente, porque trabalho na área.

PARABÉNS

Por Edson Carvalho - Valinhos (SP)

Gostaria de parabenizar toda a equipe da Referência FLORESTAL

pelo trabalho desenvolvido. É muito gratificante termos uma

Revista que fale do setor e com o setor florestal. Continuem assim.

TÉCNICO

Por Júlio Silva - Curitiba (PR)

Legais as dicas sobre manutenção de cabeçote. Sempre que possível

publiquem mais matérias sobre como manter os equipamentos

funcionando e produtivos.

E-mails, críticas e

sugestões podem ser

enviados para redação

revistareferencia@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista

REFERÊNCIA FLORESTAL ou a

respeito de reportagem produzida

pelo veículo.

CURTA NOSSA PÁGINA

CONTEÚDO

Por Janaina de Castro -

Umuarama (PR)

Gostei dos pontos de vista apresentados

por Diogo Carlos Leuck, presidente

da Ageflor (Associação Gaúcha de

Empresas Florestais), entrevistado

pela Revista. Precisamos fortalecer

a atividade e mostrar os benefícios

para a sociedade.

referenciamadeira

NATIVA

Por Jurandir de Castro - Belém (PA)

O manejo florestal precisa de mais atenção do governo. Tem muita

lei, cobrança, fiscalização e pouco incentivo.

Foto: REFERÊNCIA Foto: REFERÊNCIA Foto: divulgação

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BASTIDORES

Charge

Charge: Francis Ortolan

Revista

PÉ NA ESTRADA

A equipe da REFERÊNCIA FLORESTAL colocou o pé na estrada para trazer novidades aos leitores da Revista. Acompanhe

o making off da produção da capa da edição de abril que estampa o triturador florestal da Himev. Também visitamos a

equipe responsável pela comercialização dos cabeçotes Log Max no Brasil.

Momento em que o triturador

florestal da Himev era preparado

para uso em campo

Foto: Fabiano Mendes

Rodrigo Contesini, gerente geral da Log

Max do Brasil e Joseane Cristina Knop,

diretora comercial DASH7 Comunicação,

comemorando a parceria com a

REFERÊNCIA FLORESTAL

Foto: REFERÊNCIA

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Não permita que as

formigas cortem seu

lucro e produtividade

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O controle está em suas mãos!

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COLUNA

PELLETS: MERCADO

INTERNACIONAL EM

CRESCIMENTO

Rejeito que era queimado e passou a valer

dinheiro como combustível limpo

Ivan Tomaselli

Diretor-presidente da Stcp

Engenharia de Projetos Ltda

Contato: itomaselli@stcp.com.br

Foto: divulgação

Em 2018, o

comércio

mundial de

pellets atingiu

20 milhões de t

(toneladas), um

crescimento

de 18% em

relação a 2017

N

o início dos anos 1980 estudamos

o negócio pellets. Naquela época

a produção de pellets era uma alternativa

praticamente desconhecida,

mas as análises indicavam

que poderia ser uma opção para dar um uso

econômico a serragem e maravalha.

Esses resíduos já secos eram, na época, produzidos

em grande quantidade pela indústria

moveleira da região de São Bento do Sul (SC), e

não tinham um mercado. Eles eram simplesmente

queimados, afetando a qualidade do ar da região,

e ainda havia uma preocupação dos órgãos

ambientais com relação a poluição ambiental, ou

seja, tratados como dejetos.

Passados quase 40 anos, a produção de pellets

no Brasil está se tornando um negócio atrativo,

especialmente quando existem resíduos secos

disponíveis. Embora os volumes ainda sejam

relativamente limitados, a produção encontra-se

em crescimento. A maioria das unidades produtoras

de pellets no Brasil são de pequeno porte,

e praticamente toda produção é exportada.

Em outros países, no entanto, a indústria

de pellets já é um grande negócio, e o comércio

internacional tem crescido. O pellet tem sido

uma alternativa para a substituição de combustíveis

fósseis, e diversos países têm adotado essa

alternativa como parte da política ambiental,

para reduzir a emissão de combustíveis fósseis,

responsáveis pelo efeito estufa.

Em 2018, o comércio mundial de pellets,

segundo a Wood Resource Quarterly, atingiu 20

IMPORTADORES

Mil toneladas

2017 2018

milhões de t (toneladas), um crescimento de

18% em relação a 2017. Os cinco maiores exportadores

responsáveis por 65% das exportações

globais, são os EUA (Estados Unidos da América),

Canadá, Latvia, Rússia e Estônia. Outros grandes

exportadores são Áustria, Malásia, Alemanha,

Dinamarca e Portugal.

Os maiores importadores mundiais de

pellets são apresentados na tabela abaixo. Em

2018, os quatro maiores foram responsáveis por

87% do total das importações mundiais. Trata-se

portanto de um mercado bastante concentrado.

Um fato relevante é o crescimento das importações

dos quatro maiores, todos com taxas

muito elevadas. A Coreia do Sul, por exemplo,

aumentou em 40% as importações de pellets, e

a Itália 30%.

Os preços variam dependendo do mercado,

mas vêm crescendo. Na Europa (Áustria, Alemanha

e Suécia), no início da década passada os

pellets de uso residencial eram comercializados

em média por cerca de EUR200/t. Os preços

cresceram ao longo do tempo e atualmente encontram-se

em torno de EUR250/ton.

O Japão também está se tornando um grande

importador de pellets, e em 2018 importou

1,3 milhão de t, tendo como origem principal o

Canadá. O preço CIF médio dos pellets certificados

(FSC/SFI) importados pelo Japão, no final de

2018, era US$182/t. Já a Coreia tem importado

pellets principalmente da Malásia e Vietnam, e

os preços são mais baixos, em torno de US$150/

ton.

VARIAÇÃO

%

Reino Unido

6.885

7.990

+ 16

Dinamarca

3.086

3.801

+ 23

Coreia do Sul

2.431

3.444

+ 42

Itália

1.792

2.328

+ 30

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A combinação bruta

do desempenho

e tecnologia.

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Av. Marginal José Osvaldo Marques, 1620

Setor Industrial - Sertãozinho/SP


NOTAS

Gestão de custos

A Apre (Associação Paranaense de

Empresas de Base Florestal) promoveu,

no dia 24 de abril, no salão de convenções

do prédio da Remasa, em Curitiba

(PR), um curso ministrado pelo consultor

e economista João Trevisan chamado:

Gestão de Custos na Atividade Florestal.

A capacitação foi destinada a gerentes,

coordenadores, supervisores e gestores

da área florestal. No evento, Trevisan

apresentou conceitos teóricos como

custo fixo, custo variável e ponto de

equilíbrio. Também aplicou um exercício

específico de custo de uma atividade no

setor florestal e mostrou aos participantes

uma ferramenta prática que pode ser

facilmente acessada após o treinamento.

Foto: REFERÊNCIA

Novidade contra a

vespa-da-madeira

Foto: divulgação

A principal forma de combate à vespa-da-madeira

(Sirex noctilio), praga que atinge plantios de

pinus, agora tem registro junto ao Mapa (Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). O nematoide

Deladenus siricidicola, agente de controle

biológico da vespa-da-madeira, passa a atender

pelo nome comercial de Nematec. A distribuição

do produto, já com o registro, começou a ser feita

em março e 46 empresas florestais já receberam o

Nematec, totalizando 915 doses do produto. A estimativa

é que, até agosto deste ano, cerca de 6 mil

doses sejam distribuídas. Além do nematoide, os

usuários recebem uma bula do produto e a explicação

de seu uso. O processo de registro realizado

pela Embrapa levou seis anos e passou por diversas

fases de análise.

16 www.referenciaflorestal.com.br


Monitoramento de

queimadas no Cerrado

Foto: divulgação

Um estudo conduzido por cientistas do

Brasil, EUA (Estados Unidos da América)

e Portugal investigou a acurácia e a consistência

de diferentes coleções de dados

obtidos por satélites relativos à localização

e à extensão das áreas queimadas

no cerrado. Os resultados, divulgados no

International Journal of Applied Earth Observation

and Geoinformation, devem contribuir

para a melhoria dos produtos gerados

no âmbito do Programa Queimadas

do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas

Espaciais ), dedicado ao monitoramento

de focos de queimadas e de incêndios florestais

detectados por satélites, ao cálculo

e à previsão do risco de fogo da vegetação.

“Em nosso estudo, calculamos os erros e

as incertezas dos dados fornecidos por imagens de satélites – algo que não tínhamos antes para o cerrado. Também verificamos

que os dados são mais confiáveis no norte do que no sul do cerrado. Isso porque as propriedades no sul do bioma

são bem menores, o que faz com que o uso do fogo ocorra em áreas relativamente pequenas e não em grandes extensões.

No norte, em regiões como a Ilha do Bananal, houve anos em que medimos queimadas quase contínuas em áreas da ordem

de 10 mil quilômetros quadrados. Isso não acontece em trechos do norte do Estado de São Paulo ou do sul de Minas Gerais,

onde o padrão de ocupação do solo é bem diferente. Este é um resultado importante, pois mostrou que não se pode ter um

algoritmo uniforme para todo o bioma”, explicou Alberto Setzer, pesquisador do Inpe e coautor do artigo.

Paraná terá escola de

operação florestal

O Paraná terá a primeira escola

técnica de operação florestal do Brasil. A

criação do Centro Estadual de Educação

Profissional Florestal e Agrícola de

Ortigueira, nos Campos Gerais, é uma

parceria entre o Governo do Estado,

Klabin e a prefeitura do município, e terá

capacidade de receber até 800 alunos. A

previsão é que o espaço seja inaugurado

no ano que vem, inicialmente com três

cursos: técnico em Operações Florestais,

técnico em Manutenção de Máquinas

Pesadas e técnico em Agronegócio.

Foto: divulgação

Maio 2019

17


NOTAS

Foto: divulgação

Porto de Paranaguá terá

nova área para operação

de celulose

A Secretaria Nacional de Portos divulgou

que o Porto de Paranaguá terá uma

nova área de aproximadamente 27,5 mil

m² (metros quadrados), na faixa primária,

designada para a operação de celulose. O

novo espaço, que será localizado na extremidade

oeste do cais comercial, contará

com um armazém de celulose, instalações

de apoio, portaria de controle de acesso,

edifício administrativo de apoio e três linhas

férreas para descarga e manobras de

encoste de vagões. Atualmente, a celulose

é o terceiro produto na pauta de exportações

do Paraná.

Equidade de gênero

Uma parceria entre a Rede Mulher Florestal, organização

não governamental, e a SR4 Soluções em Certificação

Florestal viabilizou a inclusão de um módulo

sobre equidade de gênero em todos os cursos oferecidos

pela empresa em 2019. O objetivo é difundir os

conceitos e informações sobre gênero visando promover

a igualdade no setor florestal. Os treinamentos,

que acontecem em cidades como Piracicaba (SP),

Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Três Lagoas (MS),

Goiânia (GO) e São Luís (MA), irão abordar temas

como serviços ecossistêmicos, certificação FSC (Forest

Stewardship Council) para pequenos produtores,

cadeia de custódia, engajamento das partes, madeira

controlada, mapeamento e certificação para a cadeia

de valor do babaçu. Com duração de dois dias, os

cursos são voltados para profissionais e estudantes.

Para informações sobre os cursos: (19) 9 9952-4586

ou pelo e-mail cursos@sr4solucoes.com.br.

Foto: divulgação

18 www.referenciaflorestal.com.br


NOTAS

Contra mudança no

Código Florestal

A Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura se

posicionou contra qualquer alteração do Código Florestal:

“Entre os mais de 190 membros da Coalizão Brasil Clima,

Florestas e Agricultura, que reúne representantes do agronegócio,

do setor florestal, das entidades de defesa do

meio ambiente e da Academia, há um claro consenso: a

implementação do Código Florestal, em sua atual configuração,

é o primeiro passo para fortalecer a produção agropecuária

e, ao mesmo tempo, a conservação ambiental no

país. Esse momento chegou e não pode mais ser adiado.”

A entidade destaca que uma série de Projetos de Lei e

Medidas Provisórias tem sido apresentada no Congresso,

visando alterar dispositivos essenciais para a implementação

do Código Florestal. “Essas iniciativas mantêm o

clima de insegurança jurídica e prejudicam os esforços de

implementação da lei.”

Paraná defende Código Florestal

A Apre (Associação Paranaense de Empresas

de Base Florestal), que representa empresas

com plantios florestais no Estado, tem se

posicionado contra uma possível mudança no

Código Florestal Brasileiro, que reduziria as

áreas de reserva legal de propriedades rurais. O

texto, aprovado em 2012, determina que esse

tipo de área, cujo percentual varia de 20% a

80%, não pode ser desmatado. A proposta não

mudaria nas áreas de preservação permanente,

como encostas de morros e nascentes de

água. Na avaliação da entidade, ainda é preciso

avançar na implementação de uma série de

mecanismos do Código Florestal, amplamente

discutido pela sociedade. “É preciso colocar em

prática o Código e não mudá-lo agora, quando

grande parte dos produtores rurais, inclusive,

já aderiu a questões como Cadastro Ambiental

Rural”, ressalva o presidente da Apre, Álvaro

Scheffer Junior.

Foto: divulgação Foto: divulgação

20 www.referenciaflorestal.com.br


NOTAS

Regeneração florestal

Foto: divulgação

Ao contrário do que se pensava, florestas

que sofreram intenso desmatamento

têm capacidade regenerativa. Um estudo

publicado na revista Nature Ecology and

Evolution concluiu que as florestas nativas

podem se regenerar se as atividades realizadas

nelas cessarem. Isso se deve a um

processo de regeneração chamado de sucessão,

no qual a vegetação cresce gradualmente

levando a mudanças nas condições

ambientais dentro da floresta. Os pesquisadores

do estudo analisaram 50 regiões

da América Latina para entender como a

regeneração funciona, pois, segundo eles,

isso é crucial para melhorar as práticas de

restauração de florestas e escolher as espécies

mais adequadas.

ALTA

EXPORTAÇÕES DO AGRO MINEIRO

CRESCEM

As exportações do agronegócio mineiro alcançam US$

1,75 bilhão no primeiro trimestre do ano (janeiro até

março) e registram crescimento de 1,6% em relação ao

mesmo período do ano passado. Em relação ao total

de exportações do Estado, o agronegócio respondeu

por 30,4% de toda a pauta mineira comercializada. Os

produtos florestais somaram US$ 204 milhões, com a

comercialização de 342 mil toneladas.

MAIO 2019

DESMATAMENTO ILEGAL

O Ministério Público Federal instaurou 1.410 ações

civis públicas contra desmatamentos com 60 hectares

ou mais registrados na Amazônia entre 2016 e 2017.

Ao todo, 1.831 pessoas ou empresas vão responder

na Justiça pela remoção ilegal de mais de 156 mil hectares

de floresta. As indenizações pedidas pelo MPF

para reparar os danos causados pelo desmatamento

chegam a R$ 2,515 bilhões.

BAIXA

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BIOMASSA

Comitê de

BIOMASSA E PELLETS

Foto: REFERÊNCIA

Foto: VisualHunt

AAbimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) acaba de criar o Comitê

de Pellets e Biomassa dentro da sua estrutura organizacional. O anúncio foi feito durante o encontro promovido

pela entidade, que reuniu empresas produtoras de pellets, de diferentes partes do país. O objetivo foi

apresentar as ações desenvolvidas pela associação, o papel representativo e um cenário macro das oportunidades

para os fabricantes. A associação já conta com indústrias desse produto no seu quadro de empresas

associadas. Entre os principais gargalos apresentados pelas empresas estão questões como a representação setorial e a

necessidade de desenvolvimento de uma norma técnica específica para o segmento. Hoje, o principal mercado de pellets

é o agronegócio, em especial, a avicultura. Mas, de acordo com os empresários, haveria espaço para o produto em outros

mercados como alimentação e indústrias de forma geral. De acordo com dados apresentados pela Abimci e levantados

com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o Brasil produziu em 2017 pouco mais de 470

mil toneladas de pellets, dos quais a maior parte voltada para a exportação. Os principais destinos são Reino Unido, Itália,

Dinamarca e França.

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FRASES

Foto: divulgação

“O papel de uma certa ecologia

radical, fundamentalista e

irracional é impedir nosso

desenvolvimento e abrandar a

concorrência”

Senador Flávio Bolsonaro, co-autor

do Projeto de Lei que revoga o

capítulo que trata da reserva legal

no Código Florestal

“Queimar

é crime”

“Estamos há vários meses

buscando soluções que

promovam o desenvolvimento

econômico do setor e,

consequentemente, do Estado.

Esperamos que agora, com a

promessa do governador, os

problemas se resolvam”

Este é o tema da 7ª Campanha de Prevenção e Combate

a Incêndios promovido pela Reflore/MS (Associação

Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de

Florestas Plantadas), Famasul (Federação da Agricultura

e Pecuária de MS) e Senar/MS (Serviço Nacional de

Aprendizagem Rural)

Frank Rogieri, um dos diretores do Cipem

(Centro das Indústrias Produtoras e

Exportadoras de Madeira do Estado de Mato

Grosso), cobra solução de entraves fiscais e

tributários que afetam o setor.

“Uma certeza é que o preço vai subir, mas a estratégia

para comprar eucalipto varia de companhia para

companhia”

Caio Zardo, diretor da Suzano

sobre o aquecimento do

setor que pode afetar a

disponibilidade e o preço da

madeira, especialmente em

São Paulo

Maio 2019

25


ENTREVISTA

A um passo do

do eucalipto

TRANSGÊNICO

S

One step to the

transgenic eucalyptus

e o Brasil já é reconhecido mundialmente pela alta pro-

-

-

Foto: divulgação

ENTREVISTA

-

perior a doenças e clima, melhoria na qualidade da madeira, adaptabilidade

a solos mais pobres e por aí vai, as possibilidades são

versamos com Eduardo José de Mello, vice-presidente de Opera-

I

f Brazil is already recognized worldwide for the high produc-

-

-

and climate, improvement in the quality of the wood, adaptability

is already making use of these advantages, but the Forest Sector has

remained in the background. FuturaGene is at the forefront of this

Tree Improvement for the Company. He believes that in 10 years the

-

-

Eduardo

José de Mello

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO

Mogi Mirim (SP), 14/10/1963

October 14, 1963, Mogi Mirim (SP)

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Vice-presidente de Operações e Melhoramento

for FuturaGene

FORMAÇÃO/ ACTIVITY:

Tecidos Vegetais (UFLA) e MBA pela FGV

BSc. in Forestry, University of São Paulo (USP), with studies in

the Culture of Vegetable Tissues, Federal University of Lavras

26 www.referenciaflorestal.com.br


A tecnologia irá contribuir

para o aumento da

competitividade da indústria

brasileira no cenário global

>> O Brasil possui excelentes níveis de produtividade, sobretudo

com o eucalipto. Porém, não introduzimos ainda a

transgenia. Por que isto acontece?

O Brasil tornou-se referência mundial na produtividade do eucalipto

graças às boas condições naturais - clima e solo - existentes

no país e ao desenvolvimento científico e tecnológico

obtido por meio de empresas, universidades e instituições de

pesquisa. O salto de produtividade observado na agricultura

nas últimas duas décadas tem como destaque o uso intensivo

de cultivares GM (geneticamente modificados). As empresas

passaram a se dedicar ao melhoramento genético, fazendo

uso de transgenia e outras ferramentas biotecnológicas. No

setor florestal, embora já haja uma variedade de eucalipto

GM aprovado para uso comercial, a transgenia de forma geral

está em fase de desenvolvimento e, portanto, ainda não

disponível para plantio em escala comercial. Nos últimos 10

anos, houve um aumento dos esforços nesse sentido: de acordo

com dados da Ctnbio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança),

há aproximadamente 100 testes de campo com

eucaliptos GM, o que indica que, em breve, haverá eucalipto

GM disponível para os silvicultores.

>> É possível prever o incremento caso a técnica fosse aplicada

nos plantios florestais?

Até o momento, o eucalipto geneticamente modificado da

FuturaGene, aprovado pela Ctnbio em 2015, é a única referência

no mundo de tecnologia voltada para aumento de produtividade

em uma espécie florestal que completou o ciclo

de desenvolvimento, desde as pesquisas em laboratório até a

liberação para uso comercial. Os resultados dos experimentos

em campo com esta variedade de eucalipto geneticamente

modificado demonstram que ele possibilita obter, aproximadamente,

20% mais madeira em comparação com o cultivar

convencional não GM.

>> Quais são as vantagens frente aos clones utilizados atualmente?

A característica de aumento de produtividade do eucalipto

geneticamente modificado da FuturaGene apresenta inúmeros

benefícios socioambientais e econômicos em relação ao

eucalipto convencional, tais como:

Brazil has achieved excellent levels in forest productivity,

especially with eucalyptus. However, transgenic varieties

have yet to be introduced. Why is this?

Brazil became a global benchmark in eucalyptus productivity

thanks to the good natural conditions in the Country - climate

and soil - and scientific and technological developments

obtained by companies, universities, and research institutions.

The jump in productivity observed in agriculture over the past

two decades has featured the intensive use of genetically

modified cultivars (GM). Companies began to devote themselves

to genetic improvements, making use of varieties and

other biotechnological tools. In the Forestry Sector, although

there is a variety of GM eucalyptus approved for commercial

use, the varieties, in general, are still under development

and, therefore, not yet available for planting on a commercial

scale. Over the last ten years, there has been an increase in efforts:

according to data from the National Biosafety Technical

Commission (Ctnbio), approximately 100 field trials are being

carried out using GM eucalyptus trees, which indicates that

soon there will be GM eucalyptus being made available for

forestry companies.

Is it possible to predict the increase if this technique were to

be applied in forest plantations?

So far, the genetically modified eucalyptus from FuturaGene,

approved by Ctnbio in 2015, is the only one in the world with

technology geared to the increase of productivity in a forest

species and has completed the development cycle, from the

research in the laboratory to its release for commercial use.

The results of field experiments with this strain of genetically

modified eucalyptus demonstrate that it leads to an approximate

20% increase in timber production in comparison with

the conventional non-GM cultivars.

What are the advantages as to the currently used clones?

Productivity-enhancing features of the FuturaGene genetically

modified eucalyptus presents numerous environmental

and economic benefits compared to conventional eucalyptus

clones such as:

From the environmental aspect, there will be a reduction in

the area needed for planting; therefore, it will be possible to

obtain more timber from a smaller area. These areas being

made available can be directed to other uses, such as environmental

conservation or food production, for example. Also,

there will be less carbon release and reduction of transport,

since the distances between the field and the factories can

be reduced. Another positive aspect is that the increase

in productivity of the trees can reduce the pressure on the

logging of natural forests, besides contributing to the recovery

of degraded areas, preservation of water courses, and helping

in the maintenance of wild forest fauna. From the social point

of view, the reflections will be in the fixation of the small

producer in the country and an increase in their income, such

as for Suzano’s outgrowers in the Company’s forestry incentive

program, who have already benefited from the Company’s

best germplasms for many years. They will have free access to

the technology, without paying any royalties. In the economic

Maio 2019

27


ENTREVISTA

No aspecto ambiental, haverá redução da área de plantio,

considerando que será possível obter mais madeira usando

menor área. Estas áreas disponíveis poderão ser direcionadas

para outros usos, como conservação ambiental ou produção

de alimento, por exemplo. Além disso, haverá menos liberação

de carbono e redução do transporte, já que as distâncias

entre o campo e as fábricas poderão ser reduzidas. Outro

aspecto positivo é que o aumento da produtividade de árvores

pode reduzir a pressão para a extração de madeira das

florestas naturais, além de contribuir para a recuperação de

áreas degradadas, preservação de cursos d’água e ajudar na

manutenção da fauna florestal. Do ponto de vista social, os

reflexos estarão na fixação de pequenos produtores no campo

e no aumento de sua renda, já que os parceiros da Suzano

no programa de fomento florestal, que já se beneficiam dos

melhores germoplasmas da empresa há muitos anos, terão

livre acesso à tecnologia, sem cobrança de royalties. Na esfera

econômica, a tecnologia irá contribuir para o aumento da

competitividade da indústria brasileira no cenário global.

>> Em que fase está a pesquisa com o eucalipto modificado

geneticamente, após a aprovação do primeiro indivíduo pela

Ctnbio em 2015? Ele está sendo utilizado comercialmente?

Após a obtenção da aprovação regulatória pela Ctnbio, a

FuturaGene ampliou os testes de campo com cruzamentos

desta variedade de eucalipto geneticamente modificado com

o objetivo de desenvolver clones melhores adaptados às diferentes

regiões onde a Suzano atua (considerando as áreas

florestais da Suzano antes da fusão com a Fibria). A empresa

não possui plantio deste eucalipto em escala comercial no

momento. A adoção desta variedade nas áreas de plantio

florestal da Suzano no futuro acontecerá de forma gradual e

responsável, de acordo com as práticas de manejo florestal

adotadas pela empresa na implantação de qualquer novo

clone.

>> Quando o mercado brasileiro terá acesso ao eucalipto

transgênico? Quais etapas são necessárias para aprovação

final e disponibilização para venda?

O mercado brasileiro terá eucaliptos GM disponíveis para

plantio comercial no início da próxima década. No Brasil, todas

as atividades relacionadas ao desenvolvimento de plantas

GM são reguladas, aprovadas e monitoradas pela Ctnbio. A

aprovação para uso comercial passa por anos de intensa pesquisa

de campo que tem como objetivo garantir que o cultivar

GM é tão biosseguro quanto o cultivar convencional. Após a

aprovação comercial, ainda são necessários alguns anos para

que a característica introduzida por meio de transformação

genética seja transferida a outras plantas por meio de cruzamentos,

ou seja, utilizando-se o melhoramento genético

convencional.

>> Seremos os únicos a contar com esta tecnologia no mundo?

Existem quatro empresas trabalhando no desenvolvimento de

eucalipto GM no Brasil. Estamos na vanguarda do desenvolvi-

sphere, technology will contribute to increasing the competitiveness

of Brazilian industry on the global scenario.

In what phase is the research on genetically modified eucalyptus,

after the adoption of the first individual species by

Ctnbio in 2015? Is it being used commercially?

After obtaining regulatory approval from Ctnbio, FuturaGene

expanded field tests with crosses of this variety of genetically

modified eucalyptus to develop clones best suited to different

regions where Suzano operates (considering just the Suzano’s

forest areas before the merger with Fibria). At the moment,

the Company does not yet have any plantations on a commercial

scale using this eucalyptus. The adoption of this variety in

the Suzano’s forest planting areas in the future will take place

gradually and responsibly, in accord with the forest management

practices adopted by the Company for the implementation

of any new clone.

When will the Brazilian market have access to transgenic

eucalyptus? What steps are required for final approval and

availability for sale?

The Brazilian market will have GM eucalyptus available for

commercial planting early in the next decade. In Brazil, all

activities related to the development of GM plants are regulated,

approved, and monitored by Ctnbio. Approval for commercial

use goes through years of intense field research that

aims to ensure that the growing of GM cultivars is as biosafe

as that of conventional cultivars. After commercial approval

a few years are still required for the feature to be introduced

through genetic transformation being transferred to other

plants through crosses, i.e., using genetic improvements.

Will we be the only ones in the world to count on this technology?

There are four companies working on developing GM eucalyptus

in Brazil. We are at the forefront of eucalyptus biotechnology

development. Everything indicates that Brazil will be a

pioneer in the use of this technology. According to data from

Ctnbio, there are approximately 100 field trials being carried

out in the Country with GM eucalyptus being planted.

Will FuturaGene be the only company to provide this technology?

Are there regulations for breaking a monopoly in

particular situations, such as occurred with generic drugs?

Developers of new varieties, genetically modified or conventional,

are concerned with guaranteeing the intellectual

property rights of their creation, as well as the confidentiality

of the information. Licensing of patents and the use of the National

System of Cultivar Protection guarantees these rights.

But, as occurs with medical drugs, this protection has an

expiry date. About small forest producers, Suzano/FuturaGene

already pledged to release the genetically modified eucalyptus

to increase productivity for Suzano’s outgrowers in the

forestry incentives program, who have already benefited from

the best germplasms of the Company for many years, without

charging royalties.

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ENTREVISTA

How long would it take to achieve the same success as for

eucalyptus with these other species?

Numerous factors influence the development time of genetic

modification, which makes it difficult to make an estimate.

Amongst the factors are the biological growth cycle of each

species, the company’s or research institute’s investment camento

biotecnológico do eucalipto. Tudo indica que o Brasil

será pioneiro na utilização desta tecnologia. De acordo com

dados da Ctnbio, há aproximadamente 100 testes de campo

com eucalipto GM plantados no país.

>> A FuturaGene será a única empresa a fornecer? Existem

regras de quebra de monopólio em determinado, como

acontece com os remédios genéricos?

Empresas desenvolvedoras de novos cultivares, geneticamente

modificados ou convencionais, têm a preocupação de

garantir a propriedade intelectual de sua criação, assim como

a confidencialidade das informações. O licenciamento de patentes

e o uso do Sistema Nacional de Proteção de Cultivares

garantem estes direitos. Mas, a exemplo do que ocorre com

os fármacos, essa proteção tem data para expirar. Em relação

aos pequenos produtores florestais, a Suzano/FuturaGene já

se comprometeu a disponibilizar o eucalipto geneticamente

modificado com aumento de produtividade com os parceiros

da Suzano no programa de fomento florestal, que já se beneficiam

dos melhores germoplasmas da empresa há muitos

anos, sem cobrança de royalties.

>> Entre as vantagens, já comentou que a resistência à herbicidas

está entre os destaques. Os silvicultores encontram

muitos problemas com erros na aplicação? As fabricantes de

defensivos concordam que os clones resistentes, modificados

geneticamente, também ampliam a efetividade e segurança

de seus produtos para a floresta?

A exemplo das tecnologias tolerantes a herbicidas existentes

na agricultura, acreditamos, sim, que o eucalipto GM

tolerante ao herbicida irá aumentar significativamente a

efetividade do produto, já que permitirá adotar um modelo

de aplicação do herbicida muito mais preciso. Em um cultivo

de eucalipto convencional, o herbicida é aplicado de forma

a atingir as ervas-daninhas e, ao mesmo tempo, proteger as

mudas plantadas, utilizando-se o sistema de jato dirigido.

Isto pode ser realizado de forma mecânica (com trator ou

pulverizadores mecanizados) ou manual, em que se usam bicos

de pulverização especiais e anteparos para a proteção do

eucalipto. Embora o foco da aplicação seja combater as ervas

daninhas, nesse modelo o eucalipto também é afetado, tendo

seu desenvolvimento prejudicado, e podendo até morrer. No

eucalipto GM tolerante ao herbicida, a aplicação poderá ser

Amongst the advantages, you have already mentioned,

herbicide resistance is amongst the most notable. Have

forest companies encountered many problems as to errors in

herbicide application? Do the pesticide manufacturers agree

that resistant clones, genetically modified, also extend the

effectiveness and safety of their products for the forest?

About the example of herbicide-tolerant technologies in agriculture,

yes, we believe that GM herbicide-tolerant eucalyptus

will significantly increase the effectiveness of the product

since it will allow you to adopt a much more accurate model

of herbicide application. In conventional eucalyptus cultivation,

the herbicide is applied to attack weeds and, at the same

time, protect the planted seedlings, using the spray directed

system. This can be done mechanically (with a tractor or

mechanized sprayers) or manually, using special spray nozzles

and screens for the protection of the eucalyptus seedling. Although

the focus of the application is to combat weeds, in this

model the eucalyptus is also affected, leading to its development

being hindered, and maybe even death.

About herbicide-tolerant GM eucalyptus, the application may

be made over the total area, i.e., with the use of mechanized

equipment, without the need to avoid contact of the product

with the eucalyptus seedlings. This technique allows for the

control of invasive plants without affecting the productivity of

the eucalyptus trees. We hope that, in this way, we can reduce

the amount of herbicide use and protect the trees from the

impact caused by the chemical. As well as FuturaGene, other

companies are researching herbicide-tolerant eucalyptus, but

there is still no variety of genetically modified eucalyptus to

this end approved for commercial use. In this way, it is still not

possible to have a manufacturers’ view about this product.

Are there studies aimed at other species, like pine, for example?

What about the native species?

In Ctnbio, there are no projects focusing on the development

of genetically modified pine or native trees.

Até o momento, o eucalipto geneticamente

modificado da FuturaGene, aprovado pela Ctnbio

em 2015, é a única referência no mundo de

tecnologia voltada para aumento de produtividade

em uma espécie florestal que completou o ciclo de

desenvolvimento

30 www.referenciaflorestal.com.br


ENTREVISTA

feita em área total, ou seja, com a utilização de equipamentos

mecanizados, sem a necessidade de evitar o contato do produto

com o eucalipto. Esta técnica permite obter o controle

das plantas invasoras sem afetar a produtividade das árvores

de eucalipto. Esperamos que, desta forma, possamos reduzir

a quantidade de uso do herbicida e proteger as árvores do

impacto causado pelo químico. Assim como a FuturaGene,

outras empresas estão desenvolvendo pesquisas com eucalipto

tolerante a herbicida, mas ainda não há uma variedade de

eucalipto geneticamente modificado para este fim aprovado

para uso comercial. Dessa forma, ainda não é possível ter a

visão dos fabricantes sobre o produto.

>> Existem estudos voltados para outras espécies, como o

pinus, por exemplo? E quanto às nativas?

Na Ctnbio, não há projeto com foco no desenvolvimento de

pinus ou árvores nativas geneticamente modificadas.

>> Quanto tempo seria necessário para alcançar o mesmo

êxito do eucalipto com estas outras espécies?

Inúmeros fatores influenciam o tempo de desenvolvimento

da modificação genética, o que dificulta estimar uma média.

Entre estes fatores estão a biologia, o ciclo de crescimento de

cada espécie, a capacidade de investimento da empresa ou

instituto de pesquisa que está desenvolvendo a variedade e o

processo regulatório do país em que a tecnologia será submetida

para liberação comercial. Para ilustrarmos com um exemplo,

o eucalipto geneticamente modificado com aumento de

produtividade da FuturaGene levou quase 15 anos para ser

desenvolvido. As pesquisas no laboratório tiveram início em

2001, os plantios experimentais foram plantados em campo

em 2006, e a aprovação regulatória para plantio comercial foi

obtida em 2015. Nossa expectativa é que a experiência que

acumulamos com o primeiro produto e o aumento de nossos

recursos nos possibilitem reduzir este ciclo.

>> Acredita que o futuro da silvicultura está na modificação

genética?

A modificação genética é uma ferramenta que dará importante

contribuição ao setor de base florestal. No futuro, podemos

vislumbrar o eucalipto carregando alguma tecnologia

inserida por transformação genética, mas outras ferramentas

biotecnológicas também terão espaço, como, por exemplo, a

edição gênica. Em um conceito mais amplo, outras tecnologias

também irão contribuir para o desenvolvimento da nossa

silvicultura, como, por exemplo, o uso de drones, big data,

mecanização e robotização, genômica, entre outras.

>> Qual a capacidade de produção das mudas geneticamente

modificadas? Qual seria a demanda prevista? Seria possível

atendê-la?

Como ainda não há plantios comerciais de eucaliptos GM,

também não há viveiros ofertando este produto. A demanda

brasileira por mudas de eucalipto gira em torno de 800 a 900

milhões de mudas. Os cultivares GM devem ocupar uma parcela

deste mercado no futuro.

pacity that is developing the variety, and the regulatory process

of the Country in which the technology will be submitted

for commercial release. To illustrate with an example, genetically

modified eucalyptus from FuturaGene to increase productivity

took almost 15 years to be developed. The research

in the laboratory began in 2001, the experimental plantations

were planted in the field in 2006, and the regulatory approval

for commercial planting was obtained in 2015. We expect that

the experience gained with the first product and increasing

our resources will allow us to reduce this cycle.

Do you believe that the future of forestry is in genetic modification?

Genetic modification is a tool that will make an important

contribution to the Forest-based Sector. In the future, we can

see eucalyptus forests using not only technology transferred

from the genetic transformation, but also other biotechnological

tools will have space, such as, for example, gene editing.

In a broader concept, other technologies will also contribute

to the development of Brazilian Forestry, such as the use of

drones, big data, mechanization and robotization, and genomics,

amongst others.

What is the production capacity of GM seedlings? What is

the expected demand? Is it possible to meet this demand?

As yet, there are no commercial plantings of GM eucalyptus

trees. Also, there are no nurseries offering this product.

Brazilian demand for eucalyptus seedlings is about 800 to 900

million seedlings. In the future, GM varieties should occupy a

portion of this market.

Os resultados dos experimentos

em campo com esta variedade

de eucalipto geneticamente

modificado demonstram

que ele possibilita obter,

aproximadamente, 20% mais

madeira em comparação com a

cultivar convencional não GM

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PRINCIPAL

Decifrando

O INIMIGO

Fotos: divulgação

Pesquisa mostra comportamento de

formigas cortadeiras na região sul e indica

práticas para combatê-las

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As formigas cortadeiras são as principais pragas

de plantios de pinus e eucaliptos, em especial na

região sul. A grande maioria dos silvicultores têm

consciência da importância do combate desses

insetos. O problema é que este manejo é realizado,

muitas vezes, de forma generalista, sem entender exatamente o

comportamento das formigas, o que diminui a eficácia e aumenta

os custos. Um trabalho produzido por pesquisadores aponta os

estragos que a praga é capaz de fazer, detalha como as formigas

atuam nas regiões estudadas e indicam procedimentos para o

combate correto.

Por haver poucas informações sobre o comportamento

das espécies de formigas cortadeiras, até pouco tempo atrás o

combate era realizado de maneira padronizada, não levando em

consideração as particularidades de cada local. Ao compreender

mais detalhes, o manejo das formigas cortadeiras se torna mais

eficaz. Este foi o objetivo dos pesquisadores da Embrapa Florestas,

Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de

Santa Catarina), Ufpr (universidade Federal do Paraná) e Funcema

(Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais).

“Na região sul do Brasil há o predomínio de Acromyrmex nos

plantios florestais e descobrimos que os maiores prejuízos dessas

formigas em plantios de pinus e eucalyptus ocorrem nos primeiros

30 dias após o plantio nessa região”, destaca a pesquisadora

Mariane Nickele, que produziu o trabalho ao lado de Wilson Reis

Filho, Susete Penteado e Elisiane Queiroz. Além disso, há a influência

do manejo de plantas daninhas nos plantios de pinus, ou seja,

se não for feito uso de herbicidas, o combate às formigas pode

estender-se até, no máximo, aos seis meses de idade do plantio.

“Com a utilização de herbicidas pode-se ter ataques severos de

formigas cortadeiras em plantios de pinus com até 3 a 4 anos de

idade; a densidade de ninhos de quenquéns cai a praticamente

zero em áreas de pinus sem poda e sem desbaste quando o

plantio atinge a idade próxima a 6 anos, devido ao fechamento do

dossel e ao consequente sombreamento no interior da floresta”,

explicam os pesquisadores.

Em plantios de eucalipto em que há a ocorrência apenas

de Acromyrmex (quenquéns), não há a necessidade de realizar

o combate das formigas durante todo o ciclo florestal, como é

recomendado nos plantios que há a ocorrência de Atta (saúvas).

Em plantios de pinus, a influência do manejo florestal no ataque

de formigas cortadeiras é bastante evidente, intervindo no seu

controle. Assim, foram propostas recomendações para o controle

de formigas cortadeiras específicas para as diferentes situações

de plantio de pinus e eucalipto. Seguindo as recomendações, o

controle de formigas pode ser realizado de maneira mais racional,

reduzindo-se o uso de iscas formicidas em algumas situações e,

consequentemente, reduzindo-se os custos e também os efeitos

indesejáveis do uso de inseticidas ao ambiente.

Baseado nas informações coletadas nos estudos realizados

foi proposto o Comunicado Técnico 354 da Embrapa Florestas,

que apresenta as recomendações para o controle de formigas

cortadeiras em plantios de eucalyptus e pinus, levando em

consideração os gêneros de formigas cortadeiras e as diferentes

formas de manejo florestal. Além disso, um software está em fase

de validação e em breve será publicado.

Deciphering

the enemy

Research study shows the behavior of leafcutting

ants in the Southern Region of Brazil

and indicates practices to combat them

L

eaf-cutting ants are the main pests found in pine and

eucalyptus plantations, particularly in the Southern

Region of Brazil. The vast majority of forest companies

are aware of the importance in the combat of

these insects. The problem is that this control management

is often performed in a universal way, without exactly

understanding the ant’s behavior, which decreases efficiency

and increases costs. Work carried out by scientists points to the

damage that the pest is capable of, details how the ants act in

the regions studied, and indicates the correct combat procedures.

Because there is little information about the behavior of

the leaf-cutting ant species, until recently combatting them was

carried out in a standardized way, not taking into account the

particularities of each location. In better understanding more

details, the control of leaf-cutting ants becomes more effective.

This was the goal of scientists from Embrapa Florestas, the State

of Santa Catarina Agricultural Research and Rural Extension

Company (Epagri), the Federal University of Paraná (Ufpr), and

the National Fund of Forest Pest Control (Funcema).

“In Southern Brazil, there is a predominance of Acromyrmex

in forest plantations, and in this region, we found that the greatest

losses caused by these ants in pine and eucalyptus planted

forests occur within the first 30 days after planting,” says Scientist

Mariane Nickele, who carried out the research studies along with

Wilson Reis Filho, Susete Penteado and Elisiane Queiroz. Also,

there is the influence of weed management in pine plantations,

i.e., if herbicides are not made use of, combating ants can extend

up to a maximum of six months after planting. “With the use of

herbicides severe attacks of leaf-cutting ants can occur in pine

plantations up to 3 to 4 years of age; the density of quenquéns

ant nests falls to virtually zero in pine areas without pruning and

without thinning and the plantation reaches six years of age, due

to the closing of the canopy and the consequent shading inside

the forest,” explain the Scientists.

In eucalyptus planted forests where there is the only occurrence

of Acromyrmex (quenquéns), there is no need to carry out

the ant control throughout the forest cycle, as is recommended

for plantations where there is the occurrence of Atta (fire ants).

In pine plantations, the influence of forest management on leaf-

-cutting ant attacks is quite obvious, intervening in their control.

So, recommendations for leaf-cutting ant control are proposed

specifically to the different situations of pine and eucalyptus

planted forests. Following the recommendations, the ant control

can be accomplished more rationally, reducing the use of ant

baits in some situations and, consequently, reducing costs and

Maio 2019

37


PRINCIPAL

PESQUISA

Durante a realização da pesquisa, foram encontradas sete

espécies de Acromyrmex associadas aos plantios florestais localizados

na região sul do Brasil, sendo que Acromyrmex crassispinus

é a mais frequente. A densidade de ninhos de Acromyrmex crassispinus

aumenta gradualmente ao longo do tempo em plantios

de pinus e eucalipto, mas diminui drasticamente quando o dossel

da floresta se fecha. Os ataques de Acromyrmex em plantas de

pinus e eucalipto ocorrem principalmente nos primeiros meses

após o plantio, e é influenciado pelo manejo de plantas daninhas

em plantios de pinus. Assim, o combate às formigas cortadeiras

do gênero Acromyrmex em plantios de pinus e eucalipto localizados

na região sul do Brasil, depende da espécie plantada e do

manejo florestal. Mas, de maneira geral, deve ser direcionado

para o período mais vulnerável dos plantios, que são os primeiros

meses de idade do plantio, o que pode representar uma grande

economia de insumos e mão de obra.

As formigas cortadeiras podem causar a desfolha total, tanto

de mudas como de plantas adultas. No entanto, a idade das plantas

pode influenciar na vulnerabilidade aos prejuízos causados

por formigas. Os danos são maiores em plantas jovens, sendo

que na fase inicial do plantio, as perdas por esses insetos podem

ser irreversíveis, pela fragilidade das mudas.

undesirable effects of insecticide use on the environment.

Based on the information collected in the studies, Embrapa

Technical Release 354 was proposed, which presents recommendations

for the control of leaf-cutting ants in Eucalyptus and Pinus

planed forests, taking into consideration the genres of leaf-cutting

ants and different forms of forest management. Also, software is

in the validation phase and will soon be made available.

RESEARCH

During the research studies, seven species of Acromyrmex

were found associated with planted forests located in the Southern

Region of Brazil and the most frequent is Acromyrmex

crassispinus. The density of A. crassispinus nests gradually increases

over time in pine and eucalyptus plantations but decreases

dramatically when the forest canopy closes. Acromyrmex attacks

on pine and eucalyptus plants mainly occur in the first few months

after planting and are influenced by the weed management

undertaken in pine plantations. So, the combat of leaf-cutting

ants of the Acromyrmex genus in pine and eucalyptus planted

forests located in Southern Brazil depends on the species planted

and the forest management. But, in general, should be directed

to the most vulnerable period of the plantation, which is the first

months of planting, which can represent a great saving in raw

materials and labor use.

The leaf-cutting ants can cause total defoliation, both to seedlings

as well as adult plants. However, plant age can influence

the vulnerability to losses caused by ants. The damage is greatest

in young plants, and in the early stages of planting, the losses

due to these insects may be irreversible due to the fragility of

the seedlings.

Augusto Tarozzo

GERENTE COMERCIAL E MARKETING ATTA-KILL,

EMPRESA DO GRUPO AGROCERES

Desafios e uma visão no manejo de

Formigas Cortadeiras:

como aprimorar a gestão

Quando se pensa em áreas reflorestadas contínuas com

centenas ou milhares de hectares, como é comum em nosso

setor florestal, quais os principais desafios para controle das

formigas cortadeiras? Para comentar essa questão, a Revista

REFERÊNCIA conversou com o Engenheiro Agrônomo Augusto

Tarozzo, Gerente Comercial e Marketing da Atta-Kill, empresa

do Grupo Agroceres.

Challenges and a vision in leafcutting

ant management: how to

improve management

When one thinks of continuous reforested areas with hundreds

or thousands of hectares, as is common in our Forest Sector, what

are the main challenges for leaf-cutting ant control? To comment

on this issue, Revista REFERÊNCIA talked with Agricultural Engineer

Augusto Tarozzo, Sales and Marketing Manager for Atta-Kill, an

Agroceres Group company.

IN LARGE SCALE PRODUCTIVE FOREST SYSTEMS, HOW

CAN YOU RECONCILE TECHNICAL PRECISION WITH HIGH-EF-

FICIENCY LEAF-CUTTING ANT CONTROL?

In the field in general, the scientific and technical foundations

38 www.referenciaflorestal.com.br


Os experimentos foram realizados em plantios de pinus localizados

em seis municípios paranaenses e quatro de Santa Catarina

no período de 2006 a 2018. “Nos chamou a atenção o fato de cada

região do Brasil ter sua particularidade quanto as espécies mais

frequentes em florestas plantadas, chegando a existir áreas em

que não ocorrem saúvas, ocorrendo somente quenquéns. E mais,

encontramos áreas, como a da Fazenda Rio Feio em Rio Negrinho

(SC), pertencente à empresa Battistela Florestal, onde não há

formigas cortadeiras”, descrevem os pesquisadores.

O estrago causado pelas formigas varia de acordo com a região

e intensidade. “Já vimos áreas como a que citamos em Rio

Negrinho, onde não ocorrem formigas cortadeiras, mas também já

vimos áreas cujo ataque foi superior a 70% das mudas de eucalyptus

quando o plantio foi realizado onde era pastagem”, destacam.

Em áreas de reforma de pinus, quando não é realizado o

combate às formigas, os pesquisadores observam uma porcentagem

de mortalidade de mudas de, em média, 10%. “Como já

constatamos que mudas de pinus que sofrem a perda de mais

de 75% do volume da copa apresentam diferenças significativas

no incremento em metros cúbicos nos anos subsequentes, isso

pode elevar a próximo de 20% de perdas de mudas se não for

efetuado o combate”, alertam.

Experiments were realized in pine planted forests located in

six municipalities in the State of Paraná and four in the State of

Santa Catarina from 2006 to 2018. “We draw attention to the

fact that each region of Brazil has its particularities as to the

most frequently grown species in the planted forests, and there

are areas where there occur no fire ants, only quenquéns. And

moreover, we found areas like Fazenda Rio Feio in Rio Negrinho

(SC), belonging to the Battistela Floresta, where there are no

leaf-cutting ants,” state the Scientists.

The damage caused by the ants varies according to the region

and intensity. “We’ve seen areas like that in Rio Negrinho, where

there are no leaf-cutting ants, but we’ve also seen areas where

the attack included more than 70% of the Eucalyptus seedlings

when planting was carried out near a pasture,” they note.

In new pine areas where no ant control is carried out, the

scientists observed a mortality percentage of 10%, on average.

“We have found that where the pine seedlings suffer the loss of

more than 75% of the crown volume, there is a significant difference

in the growth increment in cubic meters in subsequent

years, this can increase to around 20% of seedling loss if no control

is carried out,” warn the Scientists.

EM SISTEMAS PRODUTIVOS FLORESTAIS DE PORTE,

COMO CONCILIAR GRANDE ESCALA DE CULTIVO COM

PRECISÃO TÉCNICA E ALTA EFICIÊNCIA DE CONTROLE DAS

CORTADEIRAS?

No campo em geral, os fundamentos científicos e técnicos

de controle são sempre os mesmos. Mas, no setor florestal, o

manejo das infestações é muito mais complexo e multidimensional,

trazendo exigências de gestão operacional particularmente

desafiadoras, pois são várias coisas impactando ao mesmo tempo

a eficiência e a sustentabilidade do controle. E para cada uma das

situações é preciso ter a resposta adequada. No entanto, com

um programa de gestão operacional inteligente, integrado, bem

planejado e devidamente monitorado, se consegue alcançar índices

de alta eficácia de controle, com diminuição progressiva das

infestações de formigas cortadeiras, menor uso de produtos por

área controlada e redução de custos operacionais de controle. Ou

seja, o grande desafio está na capacidade de gestão operacional.

E COMO DESENVOLVER OU REUNIR ESSA CAPACITAÇÃO

GERENCIAL PARA CUIDAR DAS OPERAÇÕES DE MANEJO, DO

MELHOR MODO POSSÍVEL?

Tudo começa pelo fator humano. É preciso ter uma proposta

de trabalho que conte com equipe de profissionais especializados

of control are always the same. But, in the Forestry Sector, management

of infestations is much more complex and multidimensional,

leading to particularly challenging operating management

requirements, because there are a lot of things which at the same

time impact control efficiency and sustainability. And for each of

these situations, it is necessary to have the appropriate response.

However, with an intelligent operating management program,

integrated, well-planned, and properly monitored, high rates of

control effectiveness can be achieved, resulting in the progressive

reduction of leaf-cutting ant infestations, less product use in the

controlled areas, and a reduction of control operating costs. In

other words, the big challenge is in the capacity of operating

management.

AND HOW DO YOU DEVELOP OR FIND THIS MANAGE-

MENT CAPACITY TO MEET THE OPERATING MANAGEMENT

NEEDS IN THE BEST POSSIBLE WAY?

It all starts with the human factor. You must offer a job that

counts on a team of professionals specialized in high-quality

forest production. In addition to the excellence of the team, it is

essential to have technologies and methods that respond with

high effectiveness of control and line up with a sustainability

perspective and certification viability. With this, the team will take

Maio 2019

39


PRINCIPAL

Na região sul do Brasil há o

predomínio de Acromyrmex

nos plantios florestais

e descobrimos que os

maiores prejuízos dessas

formigas em plantios de

pinus e eucalyptus ocorrem

nos primeiros 30 dias após

o plantio nessa região

em produção florestal de alta tecnologia. Além da excelência da

equipe, será fundamental dispor de tecnologias e métodos que

respondam com alta eficácia de controle e se alinhem a uma

perspectiva de sustentabilidade e viabilidade de certificações.

Com isso, a equipe vai cuidar do planejamento, implantação,

execução e avaliação contínua dos programas de controle. Tudo

de um modo integrado entre si e – mais importante ainda -- em

perfeita integração com os diferentes profissionais dos clientes,

envolvidos no sistema de produção florestal. Só assim teremos

soluções personalizadas para cada situação – e dentro dos padrões

científicos de controle desenvolvidos pela pesquisa.

O QUE ASSEGURA QUE TUDO VAI DAR CERTO, NOS MÍ-

NIMOS DETALHES, DEPOIS DE UMA MOBILIZAÇÃO AMPLA

COMO ESSA QUE DESCREVEU?

Vamos lembrar dos recursos de inteligência hoje oferecidos

pela tecnologia da informação, como ferramentas avançadas para

diagnóstico de infestações, planejamento preciso de controle,

alocação eficiente de recursos operacionais, gestão das atividades

de controle e mensuração detalhada de resultados no campo.

Tudo feito com o apoio de ferramentas específicas, desenvolvidas

para esse tipo de tarefa. Vou dar um exemplo: hoje temos

equipamentos de georreferenciamento para dar máxima precisão

care of the planning, implementation, execution, and ongoing

evaluation of the control programs. All in an integrated manner

with each other and, even more importantly, in perfect sync with

the different customer professionals, who are involved in the forest

production system. Only then will we have customized solutions

for every situation and within the scientific control standards

developed through research.

WHAT ENSURES THAT EVERYTHING WILL TURN OUT COR-

RECTLY, DOWN TO THE SMALLEST DETAILS, AFTER A BROAD

MOBILIZATION LIKE THE ONE YOU DESCRIBED?

Let us remember the intelligence capabilities offered today

by information technology, such as advanced tools to diagnose

infestations, precision control planning, efficient resource allocation,

operating management of the control activities, and detailed

result measurement in the field. All done with the support of

specific tools developed for this type of task. Let me give you an

example: today we have georeferencing equipment to give maximum

precision in ant bait application protocols that meet the

specific needs of each infested area, improving procedures, improving

results, and eliminating waste. And with this, we have the

three essential pillars of this type of operating management: high

degree of knowledge, precision, and customization of solutions.

40 www.referenciaflorestal.com.br


NÃO ERRE O ALVO

Na fase que antecede o plantio (pré-plantio), é comum realizar

o controle sistemático, aplicando-se doses de iscas formicidas

granuladas (a granel ou micro-porta-iscas) em locais equidistantes,

de maneira a cobrir toda a área a ser plantada. Após essa aplicação

é necessário aguardar um período mínimo de 7 a 15 dias para

realizar o preparo de solo e/ou plantio. Esse período muitas vezes

não é respeitado, e é necessário para que as formigas carreguem

as iscas e o controle seja eficiente.

Outra prática comum é a aplicação de iscas de maneira sistemática

após o plantio. Se mesmo após o controle de formigas

na fase pré-plantio ainda houver a presença de formigas cortadeiras,

as mudas atacadas indicarão onde estão as colônias de

formigas, caso não seja possível localizar os seus ninhos. Assim,

a aplicação de iscas após o plantio deve ser realizada de maneira

localizada, apenas nos locais onde for encontrado os ninhos ou

plantas atacadas.

Para o controle de quenquéns que fazem ninhos de monte

de ciscos, uma única dose de iscas de 5 a 8 gramas é suficiente

para o seu controle, pois o ninho possui apenas uma câmara.

Mas já observamos produtores aplicando várias doses no mesmo

ninho, só por prevenção ou por garantia de que o controle será

mesmo eficiente.

Outra situação comumente observada é a abertura de

micro-porta-isca no controle localizado. O micro-porta-isca foi

idealizado para proteger a isca granulada da chuva e umidade e

é cortado pelas próprias formigas para o carregamento das iscas.

No entanto, o produtor na tentativa de facilitar o carregamento

das iscas pelas formigas acaba abrindo a embalagem, desconsiderando

a tecnologia envolvida no produto.

DON’T MISS THE TARGET

In the stage before planting (pre-planting preparation), it is

common to perform systematic control, applying doses of granular

ant baits (in bulk or micro-baits) at equidistant locations

to cover the entire area to be planted. After this application,

a minimum of 7 to 15 days is required before performing soil

preparation and planting. Many times, this waiting period is not

respected, but it is necessary so that the ants carry the bait and

the control is efficient.

Another common practice is the use of ant baits in a systematic

way after planting. If even after the ant control in the

pre-planting phase there is still the presence of leaf-cutting ants

and it is not possible to locate their nests, the seedlings attacked

will indicate the location of the ant colonies. Thus, the application

of bait after planting should be carried out in a localized manner,

just where nests or attacked plants are found.

For the control of quenquéns, whose nests are dirt hills, a

single 5 to 8-gram dose of ant bait is enough for control, because

the nest has only one chamber. However, we are seeing producers

applying multiple doses to the same nest, just for prevention or

for assurance that the control will be even more efficient.

Another situation commonly observed is the cutting open of

micro-bait capsule used in the local control. The micro-bait was

designed to protect the bait granules from rain and moisture and

is cut open by the ants to get the bait and carry it back to the nest.

However, the producer in an attempt to facilitate the carrying of

the bait by the ants ends up cutting open the package, regardless

of the technology involved in the product.

aos protocolos de aplicação das iscas formicidas, o que vai de

encontro às necessidades específicas de cada área infestada, aprimorando

procedimentos, melhorando resultados e eliminando

desperdícios. E com isso chegamos a três pilares essenciais desse

tipo de gestão operacional: alto grau de conhecimento, precisão

e personalização das soluções.

MUITAS VEZES, O EXECUTIVO DA REFLORESTADORA FICA

COM RECEIO DE INVESTIR EM MUDANÇAS, EM INOVAÇÕES.

QUE MENSAGEM PODE PASSAR SOBRE ISSO?

O objetivo estratégico dessa proposta de gestão operacional

é meritório em si: promover melhorias operacionais de controle

ponto a ponto, desenvolvendo soluções sob medida por unidade

de área, para superar déficits de eficiência existentes na reflorestadora.

Isso, por si só, já tem um enorme valor para a empresa,

pois é uma melhoria estrutural e cultural que fica. Também há

retorno imediato, pois reduz custos operacionais de uma atividade

que representa em média o maior dispêndio de proteção

fitossanitária. Sem contar que é uma atividade de complexidade

crescente, em razão da própria evolução do setor, e cada vez mais

requer dedicação, muita informação, especialização e dinamismo

de gestão.

OFTEN, REFORESTING COMPANY EXECUTIVES ARE

AFRAID OF INVESTING IN CHANGES AND INNOVATIONS.

WHAT IS YOUR MESSAGE TO THEM?

The strategic objective of this proposal for operating management

has merit in itself: promoting operating improvements of

point-to-point control, developing customized solutions per unit

area, and overcoming deficits in existing efficiencies in reforesting

companies. That, in itself, already has a tremendous value to the

company, since it is a structural and cultural improvement.

There is also an immediate return by reducing the operating

costs of an activity that represents, on average, the largest expenditure

in phytosanitary protection. Not to mention that it is

an activity of increasing complexity, due to the evolution of the

Sector, and increasingly requires dedication, much information,

expertise, and dynamism.

Maio 2019

41


ESPECIAL

Estradas

ruins afetam

indústrias

no norte

42 www.referenciaflorestal.com.br


De acordo com a Confederação Nacional do

Transporte, 75% das rodovias da região são

classificadas como regulares, ruins ou péssimas

Fotos: divulgação

Maio 2019

43


ESPECIAL

E

stradas precárias e falta de manutenção nas

rodovias estaduais e federais são a realidade

na região norte do Brasil. Levantamento feito

pela CNT (Confederação Nacional do Transporte)

aponta que a região concentra as estradas

em piores condições no país.

A entidade classificou 75% das rodovias da Região Norte

como regulares, ruins ou péssimas. A situação se agrava

em alguns estados: no Acre, 63% das estradas estão em

condições ruins ou péssimas; 60% das estradas do Pará estão

nestas condições e 44% no Amazonas.

Em Roraima, as condições das estradas colocam municípios

em risco de ficarem isolados. Em Uiramutã, o trecho da

rodovia RR-171 que dá acesso ao município sofre com buracos,

pontes quebradas, cascalho solto e outros riscos para

os veículos que circulam no trecho de 87 quilômetros.

Na via de acesso ao município, que é um atrativo turístico,

uma ponte de madeira está interditada. Devido a isso,

o acesso é feito por uma estrada de terra que atravessa o

curso d’água do Igarapé, que só é possível em período de

estiagem - durante o inverno, o nível de água do Igarapé

sobe e pode isolar o trecho.

“No nosso município de Uiramutã é muito difícil de falar

sobre estradas porque nós somos castigados pelas fortes

chuvas”, justifica o prefeito Manoel Araújo, em entrevista

ao Jornal de Roraima. “Temos levado às autoridades pedidos

de apoio, pedidos de socorro para melhorar as nossas

estradas.”

ENTRAVES E PREJUÍZOS

Segundo Patrícia Schipitoski Monteiro, mestre em Engenharia

de Construção Civil e professora da UP (Universidade

Positivo), as regiões com maior produção (em especial sul-

-sudeste) já possuem uma demanda bem estabelecida, e o

impacto da falta de investimentos é de curto prazo. No caso

do norte e do nordeste, porém, essa precarização é mais

visível. “Regiões com menor desenvolvimento econômico

sofrem com a falta de investimentos porque a produção

não é estimulada, aumentando a desigualdade (ou seja, é

um problema de médio-longo prazo). Aqui, a força política

e do setor produtivo é muito relevante. Em particular, o aumento

do custo operacional do transporte das nossas mercadorias.

Mesmo com sistemas produtivos bem eficientes,

acabamos perdendo vantagem competitiva no preço final,

porque o custo logístico está embutido nele”, realça.

De acordo com Monteiro, vários são os entraves para o

desenvolvimento das rodovias brasileiras. “O principal deles

é o volume precário de investimentos. No ano passado, foram

na ordem de 0,8% do PIB investidos em infraestrutura

de transportes. Estima-se que para adequar o nosso sistema

de transportes seria necessário R$ 1,7 trilhão, algo na

ordem de 20%. Desse valor, precisaríamos de algo na faixa

de 500 bilhões só para o sistema rodoviário. Para compatibilizar

isso, há uma série de medidas, mas essencialmente,

uma política de transportes bem clara e definida, com planejamento

adequado”, analisa.

No cenário atual, vários são os prejuízos para o país.

44 www.referenciaflorestal.com.br


“Em particular, o aumento do custo operacional do transporte

das nossas mercadorias. Mesmo com sistemas

produtivos bem eficientes, acabamos perdendo vantagem

competitiva no preço final, porque o custo logístico está

embutido nele. Além disso, a falta de investimentos tem

custos indiretos associados, tais como acidentes, congestionamentos,

poluição, entre outros”, relata a engenheira.

ENTRAVE HISTÓRICO

O problema das rodovias não é recente: um levantamento

da CNT em 2007 apontou que 46,8% das rodovias

da região Norte foram consideradas ruins ou péssimas. A

média nacional naquele ano foi de 33,1%.

A origem é ainda mais antiga: um projeto ambicioso de

integração da região amazônica pelos governos militares

nas décadas de 1960 e 1970 deixou obras incompletas e

precariedade para as décadas seguintes. Entretanto, as

condições geográficas da região amazônica dificultam a implantação

de rodovias.

O projeto não foi concluído conforme previsto e muitas

rodovias ficaram parcial ou totalmente abandonadas. Hoje,

a região norte conta com a menor malha rodoviária do

Brasil: são 147.792 quilômetros do total de 1.720.607 qui-

Regiões com menor

desenvolvimento econômico

sofrem com a falta de

investimentos porque a produção

não é estimulada, aumentando a

desigualdade

Patrícia Schipitoski Monteiro, mestre

em Engenharia de Construção Civil e

professora da UP

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ESPECIAL

lômetros de rodovias no país. Entre a extensão de rodovias

na região Norte, apenas 21.527 quilômetros são pavimentados.

Uma delas é a rodovia BR-163 que liga Cuiabá (MT)

a Santarém (PA). Criada na década de 1970, ela é uma

das principais vias de escoamento da produção agrícola e

madeireira da região, mas permanece com trechos sem

asfalto.

A situação é mais grave na BR-319, a rodovia Transamazônica,

que liga os Estados do Pará e Amazonas. Inaugurada

ainda inacabada em 1973, a rodovia é quase toda sem asfalto,

o que ocasiona atoleiros durante os meses de chuva.

FATURA PESADA

A situação das estradas na região norte representa

prejuízos para os setores agrícola e florestal: com estradas

intrafegáveis e problemas sazonais, como alagamentos, o

transporte da produção regional enfrenta desafios para

escoamento. Esse quadro acaba afetando a movimentação

em outras regiões do país. Em 2017, o porto de Santos, no

litoral de São Paulo, já estava sobrecarregado com o escoamento

de produção da agricultura e indústria florestal

oriunda da região: evitando o tráfego por estradas precárias

no norte e centro-oeste, os motoristas são enviados para o

porto do sudeste.

A situação é mais grave na BR-

319, a rodovia Transamazônica,

que liga os Estados do Pará e

Amazonas. Inaugurada ainda

inacabada em 1973, a rodovia é

quase toda sem asfalto, o que

ocasiona atoleiros durante os

meses de chuva

46 www.referenciaflorestal.com.br


Da mesma forma, estudo desenvolvido por pesquisadores

da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aponta

impactos negativos das condições precárias das estradas

do Norte sobre a produção agrícola no centro-oeste. Segundo

a pesquisa, o escoamento da produção do centro-oeste

pelos portos da região norte tem vantagens econômicas,

mas depende da melhoria das rodovias da região.

“Há, ainda, vários trechos da rodovia BR 163 no norte

do país com obras em execução ou, até mesmo, sem ter iniciado.

São obras que demandam longo prazo para concretização

e que exigem elevadas inversões de capital”, aponta

a pesquisa. “Essa região não apresenta condições logísticas

eficientes para o escoamento da produção. Atualmente, o

cenário é de degradação e ineficiência, gerando perdas à

competitividade do agronegócio e da madeira brasileira”,

acrescenta.

PEQUENOS PASSOS

Por outro lado, a necessidade de estradas melhores

chegou até o setor científico: a região recebeu no ano passado

o primeiro curso de pós-graduação em Pavimentação

de Estradas e Rodovias.

O curso é ofertado no Instituto de Especialização do

Amazonas, em Manaus, e visa preencher uma lacuna de

profissionais qualificados para o desenvolvimento das estradas

na região.

“A região norte é muito necessitada de estradas. Nos

poucos locais que possui, são rodovias em mau estado de

conservação. Portanto, há um potencial grande para obras

de estradas na região”, garante Cláudio Dubeux, coordenador

do curso, que demonstra uma perspectiva de melhora

na malha viária da região.

Na opinião de Patrícia Schipitoski Monteiro, a atuação

das comunidades científicas é fundamental para mudar o

panorama do sistema rodoviário brasileiro.

“Esse trabalho colabora na elaboração de estratégias

de otimização dos sistemas de transporte de menor investimento,

através do uso de tecnologias, aplicados à adequação

de veículos, operação mais eficiente, redução de insumos

consumidos, aumentando a capacidade de transporte

sem depender exclusivamente da expansão das malhas viárias

para isso (já que aí estão concentrados grandes valores

de investimentos)”, ressalta Patrícia.

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Maio 2019

47


ILPF

Evento mostra força

e oportunidades

DA ILPF

Entidade criada para estimular a prática do sistema,

promoveu encontro para divulgar dados e apontar

tendências da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

Fotos: Embrapa Florestas

48 www.referenciaflorestal.com.br


Maio 2019 49


ILPF

Acidade de Caldas Novas (GO) foi palco da

reunião técnica da Associação Rede Ilpf (Integração

Lavoura-Pecuária-Floresta), no mês de

março. A entidade é fruto da iniciativa formada

pela Embrapa e empresas, com o objetivo

de impulsionar a adoção do sistema no país, integrando a

cadeia produtiva, organizando dias de campo, promovendo

pesquisas agronômicas e transferência de conhecimento.

“Conseguimos desenvolver no Brasil uma agricultura

baseada em ciência, e isso é para poucos países do mundo.

Precisamos ter muito orgulho dos resultados alcançados nos

últimos anos”, destacou Renato Rodrigues, pesquisador da

Embrapa e presidente do Conselho Gestor da Associação

Rede Ilpf. De acordo com ele, em 2018, foram registrados

aproximadamente 15 mil ha (hectares) com Ilpf e o objetivo

é que este número chegue a 30 mil ha até 2030. “Temos

espaço e tecnologia para isso. A ideia é fazermos o uso sustentável

do solo, transformando pastagens degradadas em

Ilpf. Isso só nos trará benefícios. Ao compararmos áreas com

Ilpf e aquelas com sistemas tradicionais, vemos um ganho

mínimo de 15% de rentabilidade”, explica.

Para Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil a

rede foi criada exatamente para que o conhecimento técnico

da Embrapa pudesse chegar aos produtores rurais e é isso

que o grupo tem feito. “Trabalhamos focados na expansão

do sistema entre 2012 e 2018 e demos um salto significativo

no número total de áreas que adotam o sistema. Hoje, já

temos sete empresas que participam da iniciativa conosco

e estamos em uma nova etapa, levando essas informações

para outros países, pois essa tecnologia pode ser aplicada

em outros ambientes também – exemplo disso é que estamos

recepcionando colegas do Uruguai nesta edição”,

enaltece.

Sobre os próximos passos do grupo, Paulo Herrmann

os divide em três frentes: “qualificar multiplicadores preparados

para orientar e dar assistência sobre o processo

de implantação da Ilpf, constituir uma certificadora que vai

reconhecer as propriedades adeptas, com o objetivo de

agregar valor ao produto que será vendido, e mostrar ao

mundo o que está sendo feito no Brasil”, e completa: “Em

40 anos de evolução da agricultura, nossa produtividade

aumentou 250%, a produção cresceu 500%, enquanto a área

só expandiu 70%. Podemos dizer que nossa tecnologia e responsabilidade

ambiental economizaram 150 mil de hectares.

E agora, o Ilpf é nosso grande instrumento para mostrarmos

que produzir e preservar é possível.”

O projeto Rural Sustentável tem meta de alcançar

200 mil ha de tecnologia de baixo carbono

50 www.referenciaflorestal.com.br


PROJETO RURAL SUSTENTÁVEL

Durante o evento, Pedro Correa Neto, secretário adjunto

da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação

do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento),

lançou a fase 2 do Projeto Rural Sustentável, com

foco no cerrado brasileiro, que hoje ocupa uma área de 207

mil ha. A primeira fase foi promovida em 2014, com foco na

Mata Atlântica e Amazônia. O objetivo da iniciativa é implantar

tecnologias de produção com a finalidade de aumentar a

renda do produtor, preservando a responsabilidade ambiental,

sendo o Ilpf um dos carros-chefe.

Com áreas de intervenção já definidas nos Estados de

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais,

o projeto Rural Sustentável tem como principais metas alcançar

2000 propriedades beneficiárias, com 200 mil ha de

tecnologia de baixo carbono, resultando em 100 hectares

de área média de tecnologia aplicada e 4 mil de tCO² e de

emissões evitadas. “A defesa ao setor agropecuário brasileiro

é o que vai fazer esse país continuar crescendo. Precisamos

construir essa narrativa definitiva de que o agropecuarista

brasileiro já tem responsabilidade ambiental e está avançando

ainda mais nisso”, destaca Pedro.

Conseguimos desenvolver no

Brasil uma agricultura baseada

em ciência, e isso é para poucos

países do mundo. Precisamos

ter muito orgulho dos resultados

alcançados nos últimos anos

Renato Rodrigues,

pesquisador da Embrapa e

presidente do Conselho

Gestor da Associação Rede Ilpf

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Maio 2019

51


SILVICULTURA

Coleta correta é

essencial para

melhora do

MATERIAL

GENÉTICO

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Ciclo para aprimoramento genético do pinus pode levar

meio século, seguir procedimentos corretos assegura a

integridade das amostras coletadas no campo

Fotos: divulgação

Maio 2019

53


SILVICULTURA

As melhorias genéticas no pinus plantado no

Brasil elevaram a competitividade do negócio

brasileiro frente a outros países. Foi um

processo demorado, feito com técnicas em

laboratório e em campo. Como muitas etapas

são importantes e podem interferir no resultado final,

é imprescindível seguir padrões de processos mesmo nas

atividades, aparentemente, mais simples.

As pesquisas com pinus começaram na década de

1970 quando Brasil, África do Sul, Colômbia, Zimbábue,

Índia e Honduras criaram uma rede experimental por meio

de um programa de cooperação internacional. O melhoramento

do pinus no Brasil foi implementado por empresas

florestais, principalmente indústrias de celulose e papel e

instituições de pesquisa, entre elas a Embrapa Florestas.

“O principal objetivo do melhoramento é a perpetuação

de exemplares mais fortes. Porém, na silvicultura já é possível

atender diferentes necessidades da indústria”, aponta

Ananda Virgínia de Aguiar, engenheira agrônoma e pesquisadora

da Embrapa Florestas.

Um ciclo completo de melhoramento genético para

pinus pode levar até 25 anos. “São várias etapas”, sugere a

pesquisadora. “Começa com a seleção de matrizes, passa

pelo cruzamento entre os melhores exemplares, coleta de

sementes e vários outros processos até o surgimento de

uma nova geração”, enumera.

HERANÇA GENÉTICA GARANTIDA

Tão importante quanto ganhar produtividade e melhorar

a qualidade da madeira, é garantir que a herança

genética seja preservada. O engenheiro florestal Julio César

Soznoski explica que o processo envolve um alto nível

de cuidado. “Trabalhamos respeitando a integridade do

material genético coletado. As empresas precisam desta

segurança, da garantia de que o material que está sendo

colhido não seja mal manipulado. Desta forma, o pedigree

será preservado e a qualidade do programa de melhoramento

não será influenciada pela mistura de materiais genéticos”,

destaca Soznoski que também é diretor da Kolecti

Recursos Florestais. A empresa é especializada em diversas

atividades na área de melhoramento genético, entre elas a

coleta de sementes de espécies coníferas.

A colheita precisa ser realizada no momento certo da

maturação de cada espécie e de suas respectivas matrizes.

Cada uma delas deve passar por um procedimento de

avaliação. “Caso essa maturação não seja respeitada, problemas

com rendimento de sementes e germinação ocorrerão.

Na colheita também existe um grande cuidado para

não danificar a produção subsequente do próximo ano”,

ressalta o engenheiro florestal.

Como se trata de trabalho em altura,

ele deve respeitar a legislação

específica que trata das normas de

seguranças

Procedimento mecanizado para colheita

de material em campo

54 www.referenciaflorestal.com.br


PROCEDIMENTOS DE TRABALHO E SEGURANÇA

O diretor da Kolecti Recursos Florestais esclarece que

o procedimento de colheita pode ser realizado de forma

mecanizada (com plataformas veiculares aéreas), ou manualmente,

por meio de escalada com alpinistas florestais.

A definição de qual forma será utilizada leva em consideração

a geografia do terreno, diâmetro, altura e estrutura

das árvores. Todos os envolvidos precisam ser capacitados

e certificados com treinamentos rigorosos para trabalho

em altura.

Atualmente, estamos no período de colheita de sementes

das espécies de pinus subtropicais. Entre as mais

importantes economicamente estão Pinus taeda e Pinus

elliottii. Praticamente todo o staff da Kolecti, mais de 40

profissionais estão divididos em 15 equipes que trabalham

simultaneamente com estas duas espécies no Paraná, São

Paulo e Santa Catarina. “É um trabalho em altura, por isso

fazemos isso respeitando todas as normas de segurança e

saúde do trabalhador. Podemos nos orgulhar, pois temos

índice de acidentes zero e pretendemos manter essa marca”,

conclui o diretor da Kolecti.

O principal objetivo

do melhoramento é a

perpetuação de exemplares

mais fortes. Porém, na

silvicultura já é possível

atender diferentes

necessidades da indústria

Ananda Virgínia de Aguiar, engenheira

agrônoma e pesquisadora da Embrapa

Florestas

Maio 2019

55


MADEIRA NATIVA

56 www.referenciaflorestal.com.br


Parceria vai

impulsionar

manejo em

Mato Grosso

Fotos: divulgação

CIPEM e IDH uniram forças para ampliar

competitividade da cadeia produtiva na

indústria de madeira nativa

Maio 2019

57


MADEIRA NATIVA

O

setor de base florestal mato-grossense,

por meio do Cipem (Centro das Indústrias

Produtoras e Exportadoras de Madeira do

Estado de Mato Grosso), e a IDH (Iniciativa

para o Comércio Sustentável) assinam documento

com objetivo de promover e valorizar o setor de

base florestal de Mato Grosso.

Com a parceria, serão desenvolvidas atividades para

melhorar, continuamente, a cadeia de valor do setor florestal

no Estado. As ações terão quatro pilares centrais:

suporte técnico e financeiro para criar um Sistema de

Registro de Gestão Florestal Digital; intercâmbio de conhecimento,

com visitas técnicas e eventos itinerantes;

estudo de viabilidade e operacionalização de um selo de

sustentabilidade que atenda a legislação brasileira e protocolos

internacionais; e o desenvolvimento de estratégias

de comunicação para melhorar a imagem do setor de base

florestal, além do acesso a novos mercados, tanto no Brasil

quanto no exterior.

As ações estão em consonância com a Estratégia Estadual

PCI (Produzir, Conservar e Incluir), uma coalizão territorial

de longo prazo para mitigar as questões relacionadas

a desmatamento e degradação florestal. Um dos objetivos

da PCI é estabelecer mecanismos de transparência e governança

para atrair investimentos para Mato Grosso que

promovam o desenvolvimento sustentável do Estado. O

compromisso da PCI para florestas nativas é chegar a 6

milhões de ha (hectares) de área com manejo florestal sustentável

em Mato Grosso. Atualmente, o Estado possui 3,7

milhões de ha de florestas privadas manejadas.

Segundo o presidente do Cipem, Rafael Mason, o propósito

em participar da parceria é conseguir promover e

valorizar o setor florestal de Mato Grosso. “Vemos uma

oportunidade de ampliar o impacto e os resultados positivos

já alcançados na produção de madeira nativa, construindo

coalizões para melhorar e monitorar os critérios

de sustentabilidade, inovando também a abordagem de

mercado”, relata.

58 www.referenciaflorestal.com.br


Com o intuito de acelerar a sustentabilidade nas

cadeias de valor de múltiplos setores relacionados às

commodities agrícolas até 2020, a IDH tem fomentado iniciativas

com abordagem territorial. “Desenvolvemos ações

sustentáveis em mais de 40 países no mundo todo e comprovamos

que o desenvolvimento de coalizões envolvendo

setor público, setor privado, sociedade civil, setor financeiro

e centros acadêmicos geram, de fato, impacto positivo

para toda a sociedade”, observa Daniela Mariuzzo, diretora

executiva da IDH no Brasil.

Segundo a secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso,

Mauren Lazzaretti, a união de esforços vai ao encontro

do entendimento de que o manejo florestal sustentável é

uma estratégia para desenvolver a economia e, ao mesmo

tempo, conservar a floresta amazônica. “Estamos juntos

com o Cipem e a IDH para implementar estratégias modernas

e eficazes que desmistifiquem o risco associado à

madeira nativa e garantam a legalidade da cadeia de valor

do setor florestal no Estado”, vislumbra Lazzaretti.

Vemos uma oportunidade de

ampliar o impacto e os resultados

positivos já alcançados na

produção de madeira nativa,

construindo coalizões para

melhorar e monitorar os critérios

de sustentabilidade, inovando

também a abordagem de mercado

Presidente do CIPEM,

Rafael Mason


ACADEMIA E PESQUISA

INCREMENTO DIAMÉTRICO

PARA ÁRVORES

DE ARAUCÁRIA

60 www.referenciaflorestal.com.br


O objetivo do trabalho foi avaliar a eficácia

do método para medição individual de

árvores da espécie nativa

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Maio 2019

61


ACADEMIA E PESQUISA

Pesquisadores de duas entidades do Rio

Grande do Sul formularam modelos de incremento

diamétrico para árvores individuais de

Araucaria angustifolia, ocorrentes na Floresta

Ombrófila Mista da Floresta Nacional de São

Francisco de Paula (RS). Eles concluíram que o método

apresenta bom ajuste em termos de coeficiente de determinação,

no entanto, os resíduos foram altos e fortemente

tendenciosos, sendo a sua utilização para a predição do

incremento não adequada.

As florestas nativas têm como característica a complexidade

em sua composição, ou seja, um grande número

de espécies com as mais diferentes características silviculturais,

ecológicas e tecnológicas. Estudos em florestas

nativas têm sido intensificados nos últimos anos, procurando-se

descrever sua composição florística e estrutura

fitossociológica, bem como entender a dinâmica desses

ecossistemas inequiâneos. No entanto, percebe-se a falta

de informações sobre o crescimento individual das espécies

dessas florestas.

Uma das maneiras de se obter conhecimentos sobre o

crescimento das espécies é por meio de modelos de crescimento.

Esses modelos auxiliam as pesquisas e manejo

das florestas de várias formas. Um dos importantes usos

inclui a possibilidade da predição de produção em tempos

futuros, partindo das condições atuais.

Para a realização deste trabalho, foram utilizadas medições

de 262 indivíduos de araucária amostrados nas parcelas

permanentes do Peld - CNPq (Projeto Ecológico de Longa

Duração - Conservação e Manejo Sustentável de Ecossistemas

Florestais - Bioma Araucária e suas Transições).

Utilizando análise de correlação, covariância e regressão,

foram ajustados modelos de incremento, estratificados em

função da classe de diâmetro, variável de maior correlação

com o incremento em diâmetro. Foi utilizado o incremento

periódico anual, calculado com base no incremento em

diâmetro dos indivíduos no período analisado. Os modelos

resultaram em boas estimativas do incremento, no entanto,

apresentaram resíduos com forte tendência.

Em florestas nativas, devido a sua complexidade em

número de espécies, com as mais variadas dimensões e

distribuição irregular dentro do povoamento, os estudos

de crescimento não podem ser realizados com base em

valores médios.

Para se determinar o crescimento e incremento de

espécies que compõem as florestas inequiâneas e de

múltiplas espécies deve-se lançar mão de técnicas de modelagem

de crescimento considerando as árvores de forma

62 www.referenciaflorestal.com.br


individual, pois cada espécie apresenta um conjunto de

características singulares, como: ritmo de crescimento, necessidades

por nutrientes, luz e espaço para crescimento.

O desenvolvimento de funções de crescimento para

árvores individuais somente terá sucesso, dispondo-se de

um grande número de informações e se a espécie estudada

ocorrer em grande frequência na área de estudo.

A maioria dos modelos adequados para florestas mistas

predizem, explicitamente, o crescimento de árvores

individuais, na maioria das vezes, com equações para estimar

o crescimento em diâmetro a partir do diâmetro das

árvores e outras variáveis. Devido à facilidade de medição,

sensibilidade às mudanças ambientais e densidade do

povoamento, relação com o tamanho da copa, massa da

árvore ou volume do tronco, o diâmetro está diretamente

relacionado com o incremento das árvores.

Uma das maneiras de se

obter conhecimentos sobre

o crescimento das espécies

é por meio de modelos de

crescimento

O trabalho foi conduzido pelos engenheiros florestais

Tatiane Chassot, da Universidade Federal da Fronteira Sul,

e Frederico Dimas Fleig, da Universidade Federal de Santa

Maria. Para acessar o artigo na íntegra visite a página

www.scielo.br

Maio 2019

63


AGENDA

AGENDA2019

MAIO

2019

Imagem: reprodução

Curso: Formigas Cortadeiras para

Supervisores

21

Colombo (PR)

www.apreflorestas.com.br

MAI

2019

LIGNA 2019

Este mês a Ligna, uma das maiores feiras do setor

madeireiro na Alemanha é o grande destaque. O evento

procura a cada edição ampliar o espaço para os setores

florestais e biomassa. O centro de exibição em Hannover,

receberá os visitantes nos dias 27 a 31 de maio.

MAIO

2019

Ligna Hannover

27 a 31

Hannover (Alemanha)

www.ligna.de

JUNHO

2019

JUN

2019

CIBIO

Imagem: reprodução

Uso de drones na silvicultura

5 e 6

Botucatu (SP)

www.ipef.br/eventos

O Congresso Internacional de Biomassa é um evento

anual e a IV edição ocorrerá entre os dias 25 a 27

de junho, em Curitiba (PR). O congresso tem papel

fundamental nesta fase da Matriz Energética Brasileira,

em que a busca por tecnologias limpas para geração de

energia é urgente. Logo, tem como objetivo discutir o

atual cenário do país e no mundo; apresentar soluções,

tecnologias e informações que ajudem no crescimento

da biomassa na matriz energética brasileira.

64 www.referenciaflorestal.com.br


Disco de corte para Feller

AGENDA2019

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utilização de até 18 ferramentas

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2019

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conforme modelo ou amostra

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Maio 2019

65


ESPAÇO ABERTO

Foto: divulgação

O segredo da

eficiência

das formigas

É A OCIOSIDADE

Por Javier Arevalo,

Partner da Goldratt Consulting da América Latina

Seguir cegamente a produção

máxima no fluxo industrial

pode reduzir a eficiência no

final das contas

R

ecentemente, compartilhei meu interesse no artigo:

O Segredo da Eficiência e Ociosidade; publicado no

New York Times, por James Gorman, e como Eli Goldratt

o apresentou como uma das principais questões

a serem contestadas em - Operações no âmbito da

Teoria das Restrições: Um recurso ocioso é um desperdício.

Em um estudo recente sobre o comportamento das formigas,

perceberam que a alta velocidade e eficiência na construção de túneis

estão diretamente relacionados a uma construção irregular da

carga de trabalho. Ou seja: uma parte da população do formigueiro

trabalha incessantemente para construir a rede de túneis, enquanto

outros estão disponíveis a maior parte do tempo. A descoberta

surpreendente é que a proporção mostra que apenas 30% das formigas

trabalham de modo ininterrupto e as 70% restantes permanecem

sem se aproximar do local do trabalho. A questão é: o que

é que as leva a se comportar dessa maneira? Faz algum sentido?

Sendo como a natureza é, deve haver uma boa explicação!

A resposta? Parece que essas formigas conhecem a Teoria das

Restrições e os Princípios do Fluxo descritos pelo doutor Eli Goldratt,

físico nascido em Israel e autor de best-sellers no mundo da

gestão e administração.

Se as formigas se comportassem sob os atuais paradigmas de

gestão, causariam um engarrafamento no túnel e reduziriam a

produtividade ao mínimo. Esses insetos sabem que a produtividade

máxima é obtida com o fluxo máximo. E que o fluxo máximo

depende do nível de tráfego no chão de fábrica. Esse tráfego é

equivalente a veículos em uma estrada ou às tarefas de produção e

as ordens abertas no chão da fábrica. Ao limitar o tráfego máximo

de formigas no túnel, o movimento é rápido e progride de forma

constante. Se o número de formigas for aumentado, o trabalho é

interrompido e a cabeça de perfuração não pode ser alcançada

facilmente.

Desta forma, um dos quatro princípios fundamentais de fluxo

de Henry Ford, de limitar a superprodução, é cumprido na natureza,

já que há um mecanismo para evitar o excesso de formigas no

túnel. Ou seja, limitar o trabalho em andamento garante o fluxo

máximo. Quando essas condições de ócio para a maioria das formigas

foram reproduzidas com robôs, aqueles que seguiram a lógica

de ter considerado tempos ociosos produziram o melhor resultado.

Além disso, quando as formigas escavam um túnel, o espaço é restrito.

Por conseguinte, a população e a capacidade de encapsulamento

devem ser sujeitos a restrição, com o objetivo de maximizar

a taxa de transferência do sistema (velocidade do túnel escavada).

Estes princípios aplicados à produção - que foram disciplinados

na aplicação dos princípios de Lean Manufacturing ou outras

metodologias de melhoria - podem, com a metodologia de Teoria

das Restrições, produzir avanços maiores e substanciais. Pela lógica

usada por Lean, os 70% de capacidade ociosa seriam claramente

considerados como um desperdício e, portanto, teriam sido eliminados.

Seja no universo das formigas ou no universo empresarial,

a capacidade ociosa pode ser dedicada a funções e processos para

ter capacidade protetiva ou excedente. É o que garante o melhor

fluxo e sobrevivência ou sucesso do sistema.

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